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PROTOZOOLOGIA Entamoeba histolytica Entamoeba histolytica; este é um parasita unicelular, isto é, um protozoário, que infecta predominantemente seres humanos e outros primatas. Amebíase é o nome da infecção causada pelo E. histolytica. Morfologia A morfologia apresenta formas próprias para as seguintes fases de vida: trofozoíto, cisto, precisto e metacisto. • Trofozoíto: mede 20-40 micrômetros e 60 na forma patogênica(invasiva); núcleo bem visível. Ao exame a fresco é pleomórfico, ativo, alongado, emitindo pseudópodes, movimentação direcional como uma lesma. No trofozoíto invasivo encontra-se hemácias no seu citoplasma e no não invasivo encontra-se bactérias e grãos de amido. • Precisto- fase intermediária do trofozoíto e cisto. Têm núcleo arredondado, menor que o trofozoíto e corpos cromátidos. • Metacisto- forma multinucleada, sofre divisões no intestino delgado para originar trofozoítos • Cistos- claros, esféricos ou ovais 8-20 m de diâmetro. A fresco, os núcleos são pouco visíveis, corados por lugol são bem visíveis, entre 1 a 4 de cor marromescuro. Principais características da doença Entamoeba histolytica é uma espécie de protozoário. Possui um ciclo de vida simples, dividido em dois estágios: trofozoíto, alimentação altamente móvel e cisto, estágio com baixa atividade metabólica, resistente e infectante. Causa disenterias (diarreias) graves com sangue e muco. Pode progredir para abcesso amebiano do fígado, a amebíase. Transmitida via fecal-oral por cisto maduro. Características do material a ser solicitado para o exame Deve-se coletar fezes para o exame, em fezes liquefeitas ou diarréicas devem ser colocadas em conservadores como Schaudinn, SAF, álcool prolivinílico,e as fezes formadas em formol 10%. No exame de fezes se busca encontrar trofozoítos ou cistos do parasito. Ciclo biológico O cisto, após ser ingerido, passa incólume pela acidez do estômago, e muda para a forma trofozoíta ao chegar nos intestinos. Quando alcançam o cólon, os trofozoítas se aderem a sua parede e passam a colonizá-la. Na maioria dos casos a Entamoeba histolytica tem um comportamento comensal, isto é, vive em harmonia com o hospedeiro, alimentando-se do nossos alimentos e não produzindo sintomas. Os trofozoítas se multiplicam no cólon de forma binária e voltam a formar cistos, que são eliminados nas fezes. O paciente contaminado elimina a Entamoeba histolytica em forma de cistos e trofozoítas, mas apenas os primeiros são capazes de sobreviver no ambiente. Mesmo que outro indivíduo venha a ingerir a forma trofozoíta, esta não é capaz de provocar doença, pois é destruída pela acidez estomacal. Portanto, apenas os cistos de Entamoeba histolytica são capazes de provocar doença. Técnica utilizada para identificação As técnicas indicadas para o diagnóstico de amebíase podem ser os métodos MIF, formol-éter ou Faust para a conservação e a visualização deve ser feita em microscópio. Entamoeba coli Nome do parasito e doença (nomenclatura oficial); É o agente causador da Amebíase Comensal (não patogênica). A Entamoeba coli é um protozoário do gênero ameba não patogênico encontrado no intestino grosso dos humanos. Locomove e se alimentam através de pseudópodes. Morfologia das formas diagnósticas; Possui forma cística e trofozoíta. Sua forma cística é caracterizada pelo formato circular queevidencia de 6 a 8 núcleos visíveis. A forma trofozoíta de todas as amebas (gênero Entamoeba sp) sãode difícil diferenciação, pois todas são muito semelhantes. Elas são formadas por uma célula arredondadade bordas irregulares (emissão de pseudópodes) e um núcleo grande com cromatina irregular, que podeestar centralizado ou periférico na célula). Trofozoito Mede cerca de 20 a 5 0 μm, o citoplasma não é diferenciado em endo e ectoplasma; o núcleo apresenta a cromatina grosseira e irregular e o cariossoma grande e excêntrico. Características do material a ser solicitado para o exame; Deve-se coletar fezes para o exame, em fezes liquefeitas ou diarréicas devem ser colocadas em conservadores como Schaudinn, SAF, álcool prolivinílico,e as fezes formadas em formol 10%. No exame de fezes se busca encontrar trofozoítos ou cistos do parasito, o numero de núcleos é o que diferencia a Entamoeba histolytica da Entamoeba coli. Principais características da doença; A E. coli é uma bactéria que habita naturalmente no intestino de humanos e de alguns animais, mas que em grandes quantidades pode causar problemas como gastroenterite ou infecção urinária, dependendo se o excesso de bactérias surgiu no intestino ou no trato urinário e acontecendo, principalmente, quando se consome água ou alimentos contaminados. Ciclo biológico; O homem se infecta ao ingerir cistos presentes na água ou nos alimentos contaminados.Ocorre o desencistamento, liberando os trofozoítos que reproduzem-se por divisão binária. Essestrofozoítos novamente formam os cistos, que são evacuados através das fezes. Dentro do cisto o parasitorealiza divisão binária formando de seis a oito novos indivíduos que desencistam quando chegam aointestino de um novo hospedeiro. Técnica indicada para identificação; Utilizando as técnicas de Hoffman e Faust, examinando pelo menos três amostras de fezes recentes, nestes métodos são pesquisados os cistos/trofozoítos nas fezes. A interpretação dos exames parasitológicos é classificada como reação negativa ou reação positiva a parasitose encontrada. Balantidium coli Nome do parasito e doença (nomenclatura oficial); A balantidiose é uma doença infectocontagiosa causa pelo parasita Balantidium coli, que geralmente habita o intestino de suínos, mas que por meio do consumo de água ou alimentos contaminados pela fezes dos porcos, o homem pode ser infectado. Morfologia das formas diagnósticas; Cisto: esférico; 40 – 60 μm (maior protozoário parasita do homem); 2 núcleos: macro e micronúcleo; vacúolos digestivos Trofozoíto: forma infectante; apresenta o corpo recorbeto de cílios; cistosóma; 2 núcleos: macro e micronúcleo; vacúolos digestivos; resiste no ambiente por até 10 dias a 22°C. Características do material a ser solicitado para o exame Fezes formadas ou diarréicas Principais características da doença; É principlamente encontrados em porcos, é transmitido pela ingestão de cistos presentes nas mãos, alimentos ou água contaminados por cistos ou trofozoítos. Ciclo biológico; Ingestão de cistos através de água ou alimentos; Desencistamento (ocorre no intestino delgado); Trofozoítas podem invadir a parede intestinal; Reprodução por divisão binária; Encistamento; Eliminação de cisto nas fezes. Técnica indicada para identificação; Exame direto: a fresco e corado com lugol. Fezes diarréicas: trofozoítos (exame a fresco). Métodos de concentração. Fezes formadas: cistos Giardia lamblia Nome do parasito e doença (nomenclatura oficial); A Giardia lamblia, também chamada de Giardia intestinalis ou Giardia duodenale, é um protozoário que parasita os intestinos dos seres humanos, causando diarreia e dor abdominal. A doença causada pela Giardia lamblia recebe o nome de giardíase ou giardiose, e sua transmissão se dá pelo contato com fezes de pessoas contaminadas. Morfologia das formas diagnósticas; Trofozoíto: tem forma de pêra, mede 20µm de cumprimento, face dorsal convexa e ventral côncava que têm um disco adesivo,ma parte frontal dois núcleos,4 flagelos. Cisto: é oval ou elíptico, mede 12µm,2 ou 4 núcleos e fibrílas Características do material a ser solicitado para o exame A giardiase é diagnosticada pela identificação dos cistos ou trofozoítos nas fezes Principais características da doença; - É flagelado (se locomove através de flagelos); - É um ser microscópico, medindo cerca de 0,017 milímetros. Só podem ser visualizados com uso de microscópios potentes. - Existem em duas formas: cistos (ovos) e os trofozoítas (forma adulta); - A alimentação ocorre na parede intestinal do hospedeiro, através da absorção dos alimentos;- A reprodução não é sexual, mas na forma de divisão binaria longitudinal. Ciclo biológico; A infecção ocorre pela ingestão de cistos em água ou alimentos contaminados. No intestino delgado, os trofozoítos sofrem divisão binária e chegam à luz do intestino, onde ficam livres ou aderidos à mucosa intestinal, por mecanismo de sucção. A formação do cisto ocorre quando o parasita transita o cólon, e neste estágio os cistos são encontrados nas fezes (forma infectante). No ambiente podem sobreviver meses na água fria, através de sua espessa camada. Técnica indicada para identificação; O médico deve repetir o exame pelo menos três vezes antes de fechar o diagnóstico, através de exames diretos e processos de concentração. A identificação de trofozoítos no liquido duodenal e na mucosa através da biopsia do intestino delgado pode ser um importante método diagnóstico. Em fezes formadas, os métodos de escolha são os de concentração, método de Faust e cols.. Preparações com cistos podem ser coradas com Tricômio ou com Hematoxilina Fémca. Em fezes diarréicas deve se colher o material e examiná-lo imediatamente pelo fato de se estar a procura de trofozoitos ou diluir as fezes em conservador próprio, MIE, SAF, formol. Trichomonas vaginalis Nome do parasito e doença (nomenclatura oficial); A tricomoníase é uma infecção do trato vaginal inferior feminino ou trato genital masculino causada pelo protozoário Trichomonas vaginalis. Pode ser assintomática ou causar uretrite e vaginite, ocasionalmente cistite, epididimite e prostatite. Tricomaníase Morfologia das formas diagnósticas; Não possui a forma cística, somente a trofozoítica. Esta espécie possui quatro flagelos anteriores livres, desiguais em tamanho. Trofozoíto Características do material a ser solicitado para o exame Homem: Para que os procedimentos de diagnóstico tenham sucesso, os homens deverão comparecer ao local da colheita pela manhã, sem terem urinado no dia e sem terem tomado nenhum medicamento tricomonicida há 15 dias.O organismo é mais facilmente encontrado no sêmen do que na urina ou em esfregaços uretrais. Uma amostra fresca poderá ser obtida pela masturbação em um recipiente limpo e estéril. Mulher: As mulheres não deverão realizar a higiene vaginal durante um período de 18 a 24 horas anterior a coiheita do material, e não devem ter feito uso de medicamentos tricomonicidas, tanto vaginais (geléias e cremes) como orais, há 15 dias. A vagina é o local mais facilmente infectado e os tricomonas são mais abundantes durante os primeiros dias após a menstruação. Principais características da doença; O Trichomonas vaginalis é um protozoário heterotrófico e anaeróbico facultativo, que possui flagelos para a locomoção. Se reproduz por divisão binária longitudinal, e possui em seu núcleo seis cromossomos. Ciclo biológico; A multiplicação, como em todos os tricomonadídeos, se dá por divisão binária longitudinal, e a divisão nuclear é do tipo criptopleuromitótica, sendo o cariótipo constituído por seis cromossomos. Contrariando o que ocorre na maioria dos protozoários, não há formação de cistos. O parasito tem como habitat a vagina, bem como a uretra e a próstata do homem. É transmitido durante o ato sexual e através de fômites, já que o protozoário pode sobreviver durante horas em uma gota de secreção vaginal ou na água. O trofozoíto alimenta-se de açúcares em anaerobiose e produz ácidos que irritam a mucosa vaginal. Os sintomas aparecem entre três e nove dias após o contato com o parasito. Técnica indicada para identificação; Chega-se ao diagnóstico pelo exame direto a fresco, que pode evidenciar a presença de protozoários flagelados móveis. A cultura também é possível. Por ser um parasito suscetível as desidratação se o material não for examinado em curto período de tempo após a coleta o material deve ser colocado em conservantes como a solução salina isotônica. O exame direto a fresco pode ser feito em preparações coradas e não coradas para a identificação do trofozoíto do parasito Leishmania sp Nome do parasito e doença (nomenclatura oficial); Doença transmitida ao homem através de insetos flebotomíneos que inoculam através de picada, o parasito do gênero Leishmania. Morfologia das formas diagnósticas; Formas amastigotas – Habitat: vacúolo digestivo das células do SMF do hospedeiro vertebrado – Cinetoplasto em forma de bastão e próximo ao núcleo – São pequenos, ovais e levemente achatados – Não possuem flagelo livre – Bolsa flagelar – invaginação da superfície do parasito – Reprodução por divisão binária – 1,5 μm a 3,0μm x 3,0 μm a 6,5 μm Características do material a ser solicitado para o exame Exame direto da borda da lesão em esfregaços corados • Exame histopatológico • Cultura : meio NNN e LIT associado à antibióticos • Inoculação via intradérmica de triturado de fragmento com solução fisiológica em pata ou focinho de hamster Principais características da doença; A leishmaniose é uma doença infecciosa, porém não contagiosa, causada por parasitas do gênero Leishmania. Os parasitas vivem e se multiplicam no interior das células que fazem parte do sistema de defesa do indivíduo, chamadas macrófagos. Ciclo biológico; O parasito é transmitido através da picada da fêmea do flebotomíneo infectado. • A saliva do inseto apresenta substâncias quimiotáticas para monócito, neuropeptídeos vasodilatadores que facilitam a ingesta ao mesmo tempo que imunossuprimem a resposta do hospedeiro inibindo a apresentação de antígenos. • Na hora do repasto, a fêmea inocula as formas promastigotas metacíclicas provenientes da região anterior do trato digestivo. Técnica indicada para identificação; O exame parasitológico consiste primeiramente na pesquisa microscópica das formas amastigotas em material obtido da borda da lesão, a posterior ocorre o isolamento em cultivo in vitro para confirmação do agente etiológico e posterior identificação da espécie de Leishmania spp envolvida e, por fim, o isolamento in vivo através da inoculação em animais Trypanosoma cruzi Nome do parasito e doença (nomenclatura oficial); É uma doença infecciosa causada por um protozoário parasita chamado Trypanosoma cruzi. Doença de chagas Morfologia das formas diagnósticas; Tripomastigota: apresenta formato alongado e fusiforme em forma de “c” ou “s”. É a forma presente na fase extracelular, que circula no sangue, na fase aguda da doença. É a forma infectante para os vertebrados. Amastigota: Apresenta-se de forma arredondada. O núcleo e o cinetoplasto não são observados com microscópios ópticos. Não possui flagelos. Presente na fase intracelular, durante a fase crônica da doença. Características do material a ser solicitado para o exame Fase aguda sangue afresco. Na fase crônica o diagnostico é indireto no xenodiagnóstico ou sangue heparinizado para a hemocultura. Principais características da doença; O Trypanosoma cruzi é um protozoário unicelular, dotado de um núcleo diferenciado e contendo, no citoplasma, uma estrutura característica o cinetoplasto ligado a sua longa mitocôndria Ciclo biológico; O ciclo de vida do T. cruzi inicia quando o barbeiro, ao se alimentar do hospedeiro vertebrado, elimina suas fezes e urina, onde podem estar presentes as formas tripomastigotas. Os parasitas tripomastigotas penetram na pele e infectam as células do hospedeiro, onde transformam-se para a forma amastigota. Quando as células estão repletas de parasitos, eles novamente mudam para a forma tripomastigotas. Por estarem com grande quantidade de parasitos, as células se rompem e os protozoários atingem a corrente sanguínea, atingindo outros órgãos. Nessa fase, se o hospedeiro vertebrado for picado pelo barbeiro, os protozoários serão transmitidos ao inseto. No intestino do barbeiro, mudam sua forma para epimastigotas, onde multiplicam-se e tornam-se novamente tripomastigotas, as formas infectantes aos vertebrados. Técnica indicada para identificação; Exame de sangue afresco; Exame de sangueem gota espessa: Esfregaço sangüíneo corado pelo Giemsa; Cultura de sangue ou material de biópsia; Inoculação do sangue. Métodos de concentração. Entre os métodos de concentração, o que tem dado melhores resultados é o método de Strout. O xenodiagnóstico e a hemocultura são métodos muito sensíveis na fase aguda. Cryptosporidium parvum Nome do parasito e doença (nomenclatura oficial); Parasito causador da criptosporidíase causada pelos parasitas unicelulares coccidios Cryptosporidium parvum e C.hominis. Morfologia das formas diagnósticas; Oocisto: Características do material a ser solicitado para o exame O diagnóstico é feito através de visualização nas fezes (coloração para organismos álcool-ácido resistentes), métodos imunoenzimáticos e PCR Principais características da doença; As espécies do gênero Cryptosporidium são protozoários que infectam a maioria dos animais e representam uma causa significante de morbidade e mortalidade. A cryptosporidiose é uma das causas mais comuns de diarréia não viral em humanos, de ocorrência mundial. A transmissão ocorre, principalmente, através da ingestão de água e/ou alimentos contaminados com oocistos de Cryptosporidium. Este microrganismo representa grande importância em saúde pública, visto que os oocistos infectantes são altamente resistentes aos fatores ambientais, incluindo o cloro, largamente utilizado no tratamento de água de abastecimento. Ciclo biológico; Os oocistos, de 4 a 5 µm, são ingeridos pelo homem através da água e dos alimentos contaminados. No intestino, os esporozoítos infectantes, de 3 µm, penetram nos enterócitos e, no seu interior desenvolvem-se por esquizogonia (ciclo assexuado) gerando merozoítos, de 5 a 7 µm. Estes podem realizar mais ciclos esquizogônicos ou passar para gametogonia (ciclo sexuado) levando à produção de oocistos, que são então eliminados nas fezes, contaminando o ambiente. Após uma série de replicações assexuadas, uma pequena proporção dos parasitas se diferencia em estágios sexuais, resultando na produção de micro e macro gametas que eventualmente se fundem para formar zigotos e novos oocistos. Dois tipos de oocistos são produzidos: oocistos com parede espessa, que são as formas de infecção encontradas no ambiente, e oocistos de parede fina, que são causa de autoinfecção. Técnica indicada para identificação; O diagnóstico é feito através da visualização do oocisto nas fezes, através de coloração por álcool-ácido resistência, ou imunofluorescência. O exame de fezes é feito após utilização de métodos de concentração ou emprego de métodos especiais de coloração, como, por exemplo, Ziehl-Neelsen modificado, Kinyoun modificado, safranina-azul-de-metileno,carbol-fucsina com dimetilsulfóxido, Giemsa ou auramina e suas associações. Isospora belli Nome do parasito e doença (nomenclatura oficial); Isospora belli: Isosporíase Morfologia das formas diagnósticas; Oocisto corado de Isospora belli Características do material a ser solicitado para o exame Fezes Principais características da doença; A Isospora belli é um coccídio parasita humano, cuja transmissão tem sido considerada exclusivamente pela via fecal-oral, sendo o homem seu único hospedeiro. Os sintomas da infecção, geralmente autolimitada, em pacientes imunocompetentes incluem diarréia, esteatorréia, cefaléia, febre, dor abdominal, vômito, desidratação e perda de peso. Ciclo biológico; O ciclo assexuado tem início quando o oocisto é formado e eliminado, sendo que após a sua eliminação se dá a esporulação. A esporulação é caracterizada pelo aumento de volume do parasito e pela produção de esporozoítos no seu interior. Após a ingestão, o oocisto esporulado rompe no intestino liberando os esporozoítos que invadem os enterócitos. No fim do crescimento do esporozoíto o núcleo começa a se dividir várias vezes, de forma assexuada, o que resulta em uma forma multinucleada, o esquizonte. Depois da formação do esquizonte, ocorre uma repetição da etapa anterior, processo que passa a se denominar esquizogonia. Sua função é produzir merozoítos, permitindo a invasão de novas células hospedeiras. A partir desses merozoítos pode recomeçar outro ciclo assexuado ou iniciar um processo de reprodução sexuada (esporogonia). O ciclo sexuado tem início quando os merozoítos se diferenciam em gametócitos no interior do enterócito, sendo que aqueles que se destinam a produzir gametas masculinos são os microgametócitos, e os que se transformarão em gametas femininos são os macrogametócitos. Quando o microgametócito é liberado do enterócito, invade a célula onde está o macrogametócito formando o zigoto, que logo se encista, e por isso passa a se chamar oocisto. O tempo da esporulação depende das condições ambientais do solo onde está o oocisto. A esporulação só estará completa quando cada esporoblasto formar esporozoítas, que é o que caracteriza o oocisto infectante. Técnica indicada para identificação; Os métodos mais indicados são os de concentração, o diagnóstico laboratorial é feito através da visualização de oocistos (álcool-ácido-resistentes) nas fezes. Toxoplasma gondii Nome do parasito e doença (nomenclatura oficial); Protozoário coccídeo intracelular, causador da toxoplasmíase. Morfologia das formas diagnósticas; •Morfologia Taquizoítos: mede 4-9x2-4µm, tem a forma de uma banana ou meia-lua, uma extremidade bem afilada e a outra arredondada, citoplasma em azul e o núcleo central em vermelho. É encontrado em vacúolo citoplasmático de várias células, líquidos orgânicos, excreções e secreções, células do SMF. Características do material a ser solicitado para o exame Morfologia Bradizoítos: são encontrados dentro do cisto tecidual, se multiplicando por endopoligenia. O tamanho do cisto é variado, dependendo do número de bradizoítos e da célula parasitada, pode chegar a 200 µm. •Morfologia Oocistos: são produzidos nas células das paredes intestinal dos felinos e são eliminados nas fezes. • São de forma esférica, mede cerca de 12,5x11 µm. após esporulação apresentam dois esporocistos, da um com quatro esporozoíto. Características do material a ser solicitado: Pode se usar o líquido amniótico e sangue durante a fase aguda da infecção na busca de taquizoítos. Na fase crônica da doença pode-se fazer a biópsia de vários tecidos. Principais características da doença; A toxoplasmose é uma zoonose, muito freqüente em várias espécies animais(+ de 300), mamíferos e aves, domésticos ou silvestres, de distribuição geográfica mundial, atinge 60% da população, acometendo mais gravemente crianças recém-nascidas e pessoas com sistema imune comprometido. Ciclo biológico; Heteroxeno com duas fases distintas. • Fase assexuada (nos tecidos de vários hospedeiro): Homem ingeri oocistos com esporozoíto ou taquizoítos (no leite) ou bradizoítos na carnepassam pelo epitélio intestinal invadem diversos tipos de células formam vacúolo citoplasmático sofrem sucessivas divisões célula se rompe libera novos taquizoítos invadem novas células imunidade do organismo taquizoítos resistentes invadem células e formam cistos podem permanecer por longo tempo ou reagudização com a volta da sintomatologia Toxoplasma gondii e Toxoplasmose • Fase assexuada (nos tecidos epitelial de gatos): Felinos ingerem formas infectantes(cisto, tequizoíto ou oocisto) liberação de bradizóito ou esporozóito no intestino do gato penetração na célula epitelial originam merozoítas(esquizogonia) rompe a célula e libera merozoítas penetram em novas células epiteliais transformam-se em forma sexuada masculina(microgameta) e feminina(macrogameta) microgametas saem das células epiteliais fecundam as macrogametas que estão dentro das células epiteliais formam o zigoto evolui dentro do epitélio dando origem ao oocisto célula se rompe e libera o oocisto nas fezes as fezes transportam o oocisto ao ambiente externo. Técnica indicada para identificação; Faz-se um esfregaço do material e cora-se pelo método de Giemsa. Observando-se o taquizoíto emexsudatos (líquor, leite e sangue);biopsia(gânglios, pele, fígado, baço). Plasmodium falciparum Nome do parasito e doença (nomenclatura oficial); Malária – Anopheles Morfologia das formas diagnósticas; Esporozoitos: 10-15 µm de comprimento por 1 µm de diâmetro possui 2 membranas, uma externa e uma interna,o seu núcleo é central e único, possui roptrias e micronemas que são proteínas necessárias para penetração do parasito, possui um complexo apical. Trofozoitos: É a forma encontrada dentro do eritrócito após 10-18 horas de infecção. Ele é arredondado e não possui complexo apical. Esquizontes: Essa é a forma de reprodução assexuada em que ocorrem múltiplas mitoses, dando origem a uma célula multinucleada. Uma vez que o núcleo e as organelas se replicaram, ocorre citocinese, dando origem aos merozoítos, seu tamanho varia de 30 a 70 μm de diâmetro. Merozoitos: Estruturalmente assemelha-se ao esporzoíto, porem é menor com cerca de 1 a 5pm de comprimento por 2pm de largura e tendo uma membrana extema composta por três camadas. Tem forma oval com cerca de 1 a 1,5 µm, possui 2 membranas. Características do material a ser solicitado para o exame Pesquisa do parasito no sangue periférico. Principais características da doença; A malária é uma doença sistêmica, ela provoca alterações na maioria dos órgãos, podendo se apresentar desde formas benignas até muito graves e fatais. A doença se caracteriza pela ruptura de hemácias, quando ocorrem as típicas febres da malária, com sudorese e calafrios pronunciados. A destruição das hemácias pode acarretar outras conseqüências graves. Ciclo biológico; Técnica indicada para identificação; Análise microscópica de sangue periférico, seja pelo método da gota espessa, ou pelo esfregaço sanguíneo, pela coloração com corante vital como o azul-de-metileno e Giemsa. Plasmodium vivax Nome do parasito e doença (nomenclatura oficial); Malária – Anopheles Morfologia das formas diagnósticas: Esporozoitos: 10-15 µm de comprimento por 1 µm de diâmetro possui 2 membranas, uma externa e uma interna,o seu núcleo é central e único, possui roptrias e micronemas que são proteínas necessárias para penetração do parasito, possui um complexo apical. Trofozoitos: É a forma encontrada dentro do eritrócito após 10-18 horas de infecção. Ele é arredondado e não possui complexo apical. Esquizontes: Essa é a forma de reprodução assexuada em que ocorrem múltiplas mitoses, dando origem a uma célula multinucleada. Uma vez que o núcleo e as organelas se replicaram, ocorre citocinese, dando origem aos merozoítos, seu tamanho varia de 30 a 70 μm de diâmetro. Merozoitos: Estruturalmente assemelha-se ao esporzoíto, porem é menor com cerca de 1 a 5pm de comprimento por 2pm de largura e tendo uma membrana extema composta por três camadas. Tem forma oval com cerca de 1 a 1,5 µm, possui 2 membranas. Características do material a ser solicitado: Pesquisa do parasito no sangue periférico. Principais características da doença: A malária é uma doença sistêmica, ela provoca alterações na maioria dos órgãos, podendo se apresentar desde formas benignas até muito graves e fatais. A doença se caracteriza pela ruptura de hemácias, quando ocorrem as típicas febres da malária, com sudorese e calafrios pronunciados. A destruição das hemácias pode acarretar outras conseqüências graves. Ciclo biológico: Técnica indicada para identificação: Análise microscópica de sangue periférico, seja pelo método da gota espessa, ou pelo esfregaço sanguíneo, pela coloração com corante vital como o azul-de-metileno e Giemsa. Helmintozoologia Schistosoma mansoni: Esquistossomose intestinal Morfologia das formas dignósticas: Ovo: Mede cerca de 150 μm de comprimento por 60 de largura. Tem formato oval e não possui esperóculo, possui um espículo, no ovo maduro pode se visualizar o miracídio formado em seu interior, é encontrado nas fezes das pessoas infectadas. Características do material a ser solicitado: Exame de fezes. Principais características da doença: Uma doença largamente difundida pelo mundo, com grande repercussão sócio-econômica, pois a sua transmissão seria diminuída consderavelmente com saneamento básico para as populações. No Brasil, o único agente etiológico é o trematódeo Schistosoma mansoni. Ciclo de vida: Técnica indicada para identificação: Pode ser feito por métodos de sedimentação ou centrifugação em éter sulfúrico, métodos estes com base na alta densidade dos ovos, ou por método de concentração por tamização como o Kato e Kato-Katz. Fasciola hepatica fasciolíase ou fasciolose Nome do parasito e doença (nomenclatura oficial): Helminto trematódeo causador da fasciolose, uma zoonose pouco comum no homem. Conhecido como a “baratinha do fígado”. Morfologia das formas diagnósticas: Verme Adulto: Tem aspecto foliáceo, medindo 3cm X 1,5cm de largura; • Cor acinzentado ou marrom – Tegumento com espinhos • Hermafrodita: - Aparelho genital (F): ovário, oótipo útero e glândulas vitelinas; - Aparelho genital (M): testículos, canal eferente, deferente e bolsa do cirro. Ovo: Elípticos; Mede: 140 X 80μm Opérculo Amarelo-pardo (Biliar) Miracídio: Forma ciliada Móvel Cercária: Forma larvária Cauda capaz de nadar. Metacercária: Resistência Infectante Rédias: Esporocistos Rédias Rédias – Cercária Características do material a ser solicitado para o exame e técnica indicada para identificação: Pode ser feita a pesquisa de ovos nas fezes ou na bile (tubagem). Entretanto, como a produção de ovos no homem é pequena, pode haver resultados negativos, mesmo com a presença de parasito. O diagnóstico sorológico oferece maior segurança, apesar de não possuir sensibilidade muito elevada e pode cruzar com esquistossomose e hidatidose. Os métodos sorológicos mais indicados são: intradermorreação, imunofluorescência, reação de fixação do complemento e ELISA. Principais características da doença: A fascíolas é um processo inflamatório crônico do fígado e dutos biliares. E mais grave nos animais, nos quais "a migração simultânea de grande quantidade de formas imaturas pelo fígado causa uma hepatite traumática e hemorragias" (Freitas, 1977). Além disso, provocaria uma séria per- da de peso, diminuição da produção de leite, e mesmo mor- te dos animais. Fêmeas grávidas ingerindo metacercárias podem ter seus fetos infectados. No homem, por não ser o hospedeiro normal do parasito, o número de formas presentes costuma não ser elevado. Ainda assim podemos constatar alterações orgânicas provocadas pelo helminto. Essas lesões são de dois tipos: a) lesões provocadas pela migração de formas imaturas no parênquima hepático; b) lesões ocasionadas pelo verme adulto nas vias biliares. Ciclo biológico: É do tipo heteroxênico, uma vez que necessita de hospedeiro intermediário; estes, no Brasil, são caramujos principalmente das espécies Lymnaea columela e L. viatrix. Os adultos põem ovos operculados que, com a bile, passam para o intestino, de onde são eliminados com as fezes. Os ovos possuem uma massa de células que, encontrando condições favoráveis de temperatura (25-30"C), umidade e ausência de putrefação, dão origem a um miracídio. Essa forma, ainda dentro do ovo, apresenta uma longevidade de até nove meses, quando permanece em ambiente não-putrefeito e em presença de sombra e umidade. Em condições adversas, morre rapidamente. O miracídio só sai do ovo quando o mesmo entra em contato com a água e é estimulado pela luz solar. Nessas condições, o miracídio sai ativamente do ovo, levantando o opérculo e passando pelo orifício deixado. O muco produzido pelo molusco atrai o miracídio, que nada aleatoriamente na água, e ao perceber o muco se dirige para ele. Assim, pode penetrar em diversos moluscos aquáticos, porém se penetrar em algum diferente - Physa, por exemplo - morrerá. Só completarão o ciclo os miracídios que alcançaram a Lymnaea. O molusco também sofre com a penetração dos miracídios; caso penetreum grande número, ele morrerá. Três a cinco miracídio por molusco é um número ideal para a produção de cercárias. Caso não encontre o hospedeiro intermediário, morre em poucas horas. A vida média do miracídio é de seis horas. Penetrando no molusco certo, cada miracídio forma um esporocisto, que dá origem a várias (5 a 8) rédias. Essas podem dar origem a rédias de segunda geração (quando as condições do meio são adversas) ou cercárias. Desde que o miracídio penetrou no caramujo, até que inicie a liberação de cercárias, decorrem de 30 a 40 dias, a temperatura de 26°C (em temperaturas mais baixas o tempo alonga-se ou não se processa a evolução). Cada molusco libera diariamente uma média de seis a oito cercárias, durante cerca de três meses. Em observações recentes, verificou-se que cada miracídio é capaz de produzir cerca de 225 cercárias. A cercária mede 900 micras, com cauda única (não-bifurcada). Logo que sai do caramujo, nada alguns minutos e depois perde a cauda; com a secreção das glândulas cistogênicas, encista-se, aderindo na vegetação aquática ou na superfície d'água (tensão superficial da película aquática) e indo para o fundo d'água: é a forma metacercárias (cercária encistada). O processo de encistamento decorre num tempo de 15 minutos. Essa forma permanece infectante durante três meses, em temperatura de 2530°C; em unidade adequada e em temperaturas baixas (5"C), permanece viável até um ano. O homem (ou animal) infecta-se ao beber água ou comer verdura (agrião etc.) com metacercárias. Estas desencistam-se no intestino delgado, perfuram a parede do mesmo, caem na cavidade peritoneal, perfuram a cápsula hepática (ou cápsula de Glisson) e começam a migrar pelo parênquima hepático. Dois meses depois estão nos ductos biliares. Nota: Esporocistos são formas semelhantes a um saco contendo células germinativas, as quais darão origem a rédias; rédias são formas que já possuem abertura bucal, esboço de tubo digestivo, vendo-se também células germinativas e cercária. Taenia solium: Teníase e Cisticercose Morfologia das formas diagnósticas: Proglotes: Estão localizadas no colo do verme adulto, na Taenia solium as proglotes são ramificações uterinas pouco numerosas do tipo dendrítico que saem passivamente nas fezes e por isso são usadas para o diagnóstico parasitológico. Ovos: esféricos, medindo cerca de 30mm de diâmetro. São constituídos por uma casca protetora e embrióforo que lhe confere resistência no ambiente. Internamente, encontra-se o embrião hexacanto ou oncosfera, provido de três pares de acúleos e dupla membrana. Características do material a ser solicitado para exame: Fezes Principais características da doença: Teníase: Pode causar fenômenos tóxicos alérgicos, através de substâncias excretadas, pode provocar hemorragias através da fixação na mucosa, destruir o epitélio e produzir inflamação com infiltrado celular com hipo ou hipersecreção de muco. Tonturas, astenia, apetite excessivo, náuseas, vômitos, alargamento do abdômen, dores de vários graus de intensidade em diferentes regiões do abdômen e perda de peso são alguns dos sintomas observados em decorrência da infecção. Cisticercose: As larvas podem se alojar nos músculos, coração, olhos, pele e cérebro provocando lesões graves no paciente. Ciclo biológico: Técnica indicada para identificação: É feito pela pesquisa de proglotes e, mais raramente, de ovos de tênia nas fezes pelos métodos rotineiros ou pelo método da fita gomada. Taenia saginata: Teníase e cisticercose Morfologia das formas diagnósticas: Proglotes: Estão localizadas no colo do verme adulto, são ramificações uterinas muito numerosas do tipo dicotômico que saem ativamente no intervalo das defecações. Ovos: esféricos, medindo cerca de 30mm de diâmetro. São constituídos por uma casca protetora e embrióforo que lhe confere resistência no ambiente. Internamente, encontra-se o embrião hexacanto ou oncosfera, provido de três pares de acúleos e dupla membrana. Características do material a ser solicitado para exame: Fezes Principais características da doença: Teníase: Pode causar fenômenos tóxicos alérgicos, através de substâncias excretadas, pode provocar hemorragias através da fixação na mucosa, destruir o epitélio e produzir inflamação com infiltrado celular com hipo ou hipersecreção de muco. Tonturas, astenia, apetite excessivo, náuseas, vômitos, alargamento do abdômen, dores de vários graus de intensidade em diferentes regiões do abdômen e perda de peso são alguns dos sintomas observados em decorrência da infecção. Cisticercose: As larvas podem se alojar nos músculos, coração, olhos, pele e cérebro provocando lesões graves no paciente. Ciclo biológico: Técnica indicada para identificação: É feito pela pesquisa de proglotes e, mais raramente, de ovos de tênia nas fezes pelos métodos rotineiros ou pelo método da fita gomada. Hymenolepis nana Hymenolepis nana - himenolepíase Nome do parasito e doença (nomenclatura oficial): Hymenolepis nana, uma tênia intestinal pequena, é o cestódeo humano mais comum; é tratada com praziquantel. Morfologia das formas diagnósticas: Verme adulto: Mede cerca de 3 a 5cm, com 100 a 200 proglotes bastante estreitas. Cada um destes possui genitália masculina e femi- nina. O escólex apresenta quatro ventosas e um rostro retrátil armado de ganchos. Ovos: São quase esféricos, medindo cerca de 40um de diâmetro. São transparentes e incolores. Apresentam uma membrana externa delgada envolvendo um espaço claro; mais internamente apresentam outra membrana envolvendo a oncosfera. Essa membrana interna apresenta dois mamelões claros em posições opostas, dos quais partem alguns filamentos longos. Entre os alunos, esse ovo é conhecido como "chapéu de mexicano, visto por cima. Larva Cisticercóide: É uma pequena larva, formada por um escólex invaginado e envolvido por uma membrana. Contém pequena quantidade de líquido. Mede cerca de 500um de diâmetro. Como nos demais cestoda, pode-se denominar de protoescólex ao escólex da larva. Características do material a ser solicitado para o exame: Exame de fezes pelos métodos de rotina e encontro do ovo característico. Obs. O exame parasitológico de fezes pode dar negativo, porque ainda tem parasitas, mas os proglotes não se romperam. Por isso, deve-se repetir o exame depois de 2 semanas. Principais características da doença: O aparecimento de perturbações está associado à idade do paciente e ao número de vermes albergados. Os sintomas atribuídos as crianças são: agitação, insônia, irritabilidade, diarreia, dor abdominal, raramente ocorrendo sintomas nervosos, dos quais os mais penosos são ataques epilépticos em formas várias, incluindo cianose, perda de consciência e convulsões" (Milward de Andrade, 1968). As alterações nervosas talvez se devam a uma excitação do córtex, por ação reflexa ou por liberação de toxina. Na sintomatologia acima indicada, devido a hiperinfecção, ainda se pode notar congestão da mucosa, infiltração linfocitária, pequenas ulcerações, eosinofilia e perda de peso. Em geral os pacientes com hirnenolepíase costumam apresentar remissão dos sintomas espontaneamente, sem tratamento. Esse processo ocorre devido a eliminação dos vermes por vários mecanismos de defesa, quais sejam: hiperplasia das células secretoras de muco, com grande produção desse protetor de mucosa, associada a ação do sistema imune com interferência de anticorpos humorais e celulares. Esses mecanismos de expulsão do verme são os mesmos que impedem a reinfecção, especialmente a grande quantidade de muco produzido nessa ocasião e a ação imunológica específica. Ciclo biológico: Esse helminto pode apresentar dois tipos de ciclo: um, monogênico, em que prescinde de hospedeiro intermediário, e outro, heteroxênico, em que usa hospedeiros intermediários, representados por insetos (pulgas: Xenopsylla cheopis, Ctenocephalides canis, Pulex irritans e coleó- pteros: Tenebrio molitor: obscurus e Tribolium confusum). Ciclo monoxêmico: os ovos são eliminadosjuntamente com as fezes e podem ser ingeridos por alguma criança. Ao passarem pelo estômago, os embrióforos são semidigendos pelo suco gástrico; daí chegam ao intestino delgado onde ocorre a eclosão da oncosfera, que penetra nas vilosidades do jejuno ou íleo, dando, em quatro dias, uma larva cisticercóide. Dez dias depois a larva está madura, sai da vilosidade, desenvaginase e fixa-se a mucosa intestinal através do escólex. Cerca de 20 dias depois já são vermes adultos. Esses possuem uma vida curta, pois cerca de 14 dias depois morrem e são eliminados. Deve ser ressaltado que esse ciclo é o mais frequente e que as larvas cisticercóides, nas vilosidades intestinais, estimulam o sistema imune e conferem a imunidade ativa especifica. Ciclo heteroxênico: os ovos presentes no meio externo são ingeridos pelas larvas de algum dos insetos já citados. Ao chegarem ao intestino desses hospedeiros intermediários, liberam a oncosfera, que se transforma em larva cisticercóide. A criança pode acidentalmente ingerir um inseto contendo larvas cisticercóides que, ao chegarem ao intestino delgado, desenvaginam-se, fixam-se à mucosa e 20 dias depois já são vermes adultos. Técnica indicada para identificação: Pesquisa de ovos pelo método de Faust e colaboradores. E método de Hoffman, pous e Janer quando há poucos ovos, pesquisa de tênia, ascaris e esquistossomose. Ascaris lumbricóides: Ascaridíase Morfologia das formas diagnósticas: Ovos: são brancos mas adquirem cor castanha o entrar em contato com as fezes, tem cerca de 50 μm de diâmetro, ovais e com cápsula espessa por possuir uma membrana externa mamilonada. Os ovos inférteis são mais alongados e possuem membrana mamilonada mais delgada e o citoplasma granuloso. Ovo fértil: Ovo infértil: Características do material a ser solicitado: Fezes. Principais características da doença: Encontrado em quase todos os países do mundo com prevalência em aproximadamente 60% da população brasileira. Quando infecta o intestino os sintomas mais comuns são:Diarréia, dor abdominal, falta de apetite, icterícia obstrutiva se a larva obstruir o colédoco náuseas, perda de peso, vômitos. Ela também pode atingir os pulmões e nesse caso os sintomas são: tosse seca, bronquite, febre e dor torácica. Ciclo biológico: Técnica indicada para identificação: Técnica de sedimentação espontânea, o método de Kato modificado por Katz também pode ser usado e é bastante eficiente. Trichuris trichiura – Tricuríase Nome do parasito e doença (nomenclatura oficial): É um nematódeo geralmente associado a infecções pelo Ascaris lumbricoides. Morfologia das formas diagnósticas: Vermes Adultos: T trichiura medem de 3 a 5cm de comprimento, sendo os machos menores que as fêmeas. A boca, localizada na extremidade anterior, é uma abertura simples e sem lábios, seguida por um esôfago bastante longo e delgado, que ocupa aproximadamente 2/3 do comprimento total do verme. Na porção final, o esôfago apresenta-se como um tubo de parede delgada, circundado por uma camada unicelular de grandes esticócitos. A parte posterior do corpo de T trichiura, cerca de 1/3 do comprimento total, compreende a porção alargada, onde se localiza o sistema reprodutor simples e o intestino que termina no ânus, localizado próximo a extremidade da cauda. Os vermes adultos são dióicos e com dimorfismo sexual. O macho é menor, possui testículo único seguido por canal deferente, canal ejaculador que termina com um espículo. A extremidade posterior é fortemente curvada ventralmente, apresentando o espículo protegido por uma bainha, recoberta por pequenos espinhos. Na fêmea pode-se observar ovário e útero únicos, que se abrem na vulva, localizada na proximidade da junção entre esôfago e intestino. Ovos: Medem de 50-55um de comprimento por 22um de largura, apresentam um formato elíptico característico com poros salientes e transparentes em ambas extremidades, preenchidos por material lipídico. A casca do ovo de Trichuris é formada por três camadas distintas, uma camada lipídica externa, uma camada quitinosa intermediária e uma camada vitelínica interna, que favorece a resistência. Características do material a ser solicitado para o exame e técnica indicada para identificação: O diagnóstico específico da tricuríase é geralmente realizado pela demonstração dos ovos do parasito nas fezes. Conforme foi discutido, ovos de: trichiura apresentam morfologia bastante característica e são produzidos e eliminados nas fezes do hospedeiro em quantidades relativamente elevadas, facilitando o diagnóstico parasito- lógico pelos métodos de exame de fezes de rotina. Para estudos epidemiológicos em áreas endêmicas, o método mais utilizado para o diagnóstico é o método de Kato Katz, que permite uma avaliação qualitativa e quantitativa da infecção. Recentemente, tem sido relatada na literatura a possibilidade de visualizar vermes adultos de: T. trichiura em exames de colonoscopia ou anoscopia. Principais características da doença: A gravidade da tricuríase depende da carga parasitária, mas também tem importante influência de fatores, como idade do hospedeiro, estado nutricional e a distribuição dos vermes adultos no intestino. Com relação a carga parasitária OMS recomenda que os programas de controle de helmintos considerem como infecções leves, os pacientes cujo exame de fezes revela número menor de 1 .000 ovos/g fezes, infecções moderadas as que os pacientes eliminam entre 1 .000 e 9.999 ovos/ g fezes, e infecções graves quando um número superior a 10.000 ovos/ g fezes é quantificado nas fezes dos pacientes. Em geral, observa-se uma correlação positiva entre intensidade de infecção e gravidade sintomatologia, portanto, a maioria dos pacientes com infecções leves é assintomática ou apresenta sintomatologia intestinal discreta, enquanto os pacientes com infecção moderada apresentam graus variados de sintomas, como dores de cabeça, dor epigástrica e no baixo abdômen, diarreia, náusea e vômitos. A síndrome disentérica crônica é, em geral, relatada em crianças com infecções intensas, e nestes casos pode-se observar uma diarreia intermitente com presença abundante de muco e, algumas vezes, sangue, dor abdominal com tenesmo, anemia, desnutrição grave caracterizada por peso e altura abaixo do nível aceitável para a idade e, algumas vezes, prolapso retal. Ciclo biológico: O ciclo do verme Trichuris trichiura começa quando os ovos dos vermes são liberados nas fezes e conseguem contaminar o solo. Quando isso acontece, os ovos ficam inativos por 15 a 30 dias e podem facilmente ficar colados em alimentos que depois são ingeridos. Após serem ingeridos com os alimentos, os ovos do verme chocam no intestino, onde liberam larvas que continuam crescendo até atingir a fase adulta, com cerca de 4 cm. Durante esta fase, o verme é capaz de se fixar nas paredes do intestino até cerca de 1 ano, não sendo eliminado pela passagem das fezes. Cada fêmea adulta produz até 70 ovos por dia, que são eliminados nas fezes e podem contaminar alimentos e outras pessoas. Outros animais capazes de transportar este tipo de larvas e contribuir para a infecção são os cães e gatos, sendo por isso muito importante fazer a desparasitação adequada dos animais domésticos e evitar lavar os locais com fezes sem luvas, por exemplo. Enterobius vermicularis Enterobius Vermicularis – Enterobíase Nome do parasito e doença (nomenclatura oficial): É um helminto nematódeo de 0,3 a 1,0 cm, conhecido como oxiúrus. Morfologia das formas diagnósticas: O E. vermicularis apresenta nítido dimorfismo sexual, entretanto, alguns caracteres são comuns aos dois sexos: cor branca, filiformes. Na extremidade anterior, lateralmente à boca, notam-se expansões vesiculosas muito típicas, chamadas "asas cefálicas". A boca é pequena, seguida de um esôfago também típico: é claviforme, terminando em um bulbo cardíaco. Fêmea: Mede cerca de 1 cm de comprimento, por 0,4mm de diâmetro. Cauda pontiaguda e longa. A vulva abre-sena porção média anterior, a qual é seguida por uma curta vagina que se comunica com dois úteros; cada ramo uterino se continua com o oviduto e ovário. Macho: Mede cerca de 5mm de comprimento, por 0,2mm de diâmetro. Cauda fortemente recurvada em sentido ventral, com um espículo presente; apresenta um único testículo. Ovo: Mede cerca de 50um de comprimento por 20um de largura. Apresenta o aspecto grosseiro de um D, pois um dos lados é sensivelmente achatado e o outro é convexo. Possui membrana dupla, lisa e transparente. No momento em que sai da fêmea, já apresenta no seu interior uma larva. Características do material a ser solicitado para o exame e técnica indicada para identificação: O exame de fezes não funciona para essa verminose intestinal. O melhor método é o da fita adesiva (transparente) ou método de Graham: corta-se um pedaço de 8 a 10cm de fita adesiva transparente; coloca-se a mesma com a parte adesiva para fora, sobre um tubo de ensaio ou dedo indicador (nesse último caso, é perigoso pela possível contaminação do executor do método); apõe-se várias vezes a fita na região perianal; coloca-se a fita (como se fosse uma lamínula) sobre uma lâmina de vidro; leva-se ao microscópio e examina-se com aumento de 10 e 40x Essa técnica deve ser feita ao amanhecer, antes de a pessoa banhar-se, e repetida em dias sucessivos, caso dê negativo. Caso a lâmina não possa ser examinada no mesmo dia, a mesma deverá ser conservada em geladeira, devida- mente embalada em papel-alumínio. Principais características da doença: Na maioria dos casos, o parasitismo passa despercebido pelo paciente. Este só nota que alberga o verme quando sente ligeiro prurido anal (a noite, principalmente) ou quando vê o verme (chamado popularmente de "lagartinha") nas fezes. Em infecções maiores, pode provocar enterite catarral por ação mecânica e irritativa. O ceco apresenta-se inflamado e, às vezes, o apêndice também é atingido. A alteração mais intensa e mais frequente é o prurido anal. A mucosa local mostra-se congesta, recoberta de muco contendo ovo e, às vezes, fêmeas inteiras. O ato de coçar a região anal pode lesar ainda mais o local, possibilitando infecção bacteriana secundária. O prurido ainda provoca perda de sono, nervosismo e, devido à proximidade dos órgãos genitais, pode levar à masturbação e erotismo, principalmente em meninas. A presença de vermes nos órgãos genitais femininos pode levar a vaginite, metrite, salpingite e ovarite. Fora do Brasil, alguns raros casos de granulomas por ovos de E. vermicularis já foram assinalados, sendo dois no fígado, um no rim e um na próstata. No primeiro, os ver- mes chegaram ao fígado perfurando a parede cecal e caindo no sistema porta, atingindo aquele órgão; nos dois últimos casos, o caminho foi pela uretra. A perfuração do íleo, pelo parasito, apesar de rara, tem sido relatada. Ciclo biológico: Monoxênico: Após a cópula, os machos morrem e são eliminados junto com as fezes. As fêmeas então com ovos vão para o ânus para ovoposição, principalmente à noite (causando o prurido anal noturno), pois esperam diminuir o metabolismo do hospedeiro. Para a liberação dos ovos, o tegumento da fêmea fica bem fino. Os ovos se tornam infectantes em 6h e são ingeridos pelo hospedeiro. As larvas rabditóides eclodem no intestino delgado, sofrendo 2 metamorfoses até o ceco, onde se transformam em adultos. Depois de 1 a 2 meses as fêmeas vão para a região perianal e se não houver reinfecção, o parasitismo se extingue aí. A sobrevida do verme é de 2 meses. Mecanismos de transmissão: - Heteroinfecção: ingestão de ovos na poeira ou alimentos - Autoinfecção externa (direta): ingestão de ovos da região perianal - Interna (indireta): as larvas eclodem no reto e voltam para o ceco, virando adultos. - Retroinfecção: as larvas eclodem na região perianal, penetram pelo ânus e vão até o ceco, virando adultos. Ancilostoma duodenale / Necator americanus: Ancilostomose Morfologia das formas diagnósticas: Ovos: Possuem forma oval, sem segmentação ou clivagem, com 60 μm por 40 μm de diâmetro maior e menor, respectivamente. Características do material a ser solicitado: Exame de fezes por meio qualitativo para se saber se há a presença dos ovos do parasito nas fezes. Principais características da doença: A ancilostomose, conhecida popularmente como amarelão, é provocada pelo o Necator americanus e outros dois parasitas do gênero Ancylostoma, o Ancylostoma duodenalis e o Ancylostoma ceylanicum, espécies de vermes parasitas nematódes. Os principais sintomas desta doença são irritação na pele, diarréia, dor na barriga, além poder causar anemia. Ciclo biológico: Técnica indicada para identificação: Métodos de sedimentação espontânea, Hoffman, Pons e Janner, de sedimentação por centrifugação, Blagg e cols, método de MIFC, e de flutuação Willis. Para se avaliar o grau de infecção do paciente, usa-se o método quantitativo de Stoll. Strongyloides stercoralis: Estrongiloidíase Morfologia das formas diagnósticas: Larvas rabditóides: Apresentam cutícula fina e hialina. Medem 0,2 a 0,03mm de comprimento por 0,015 mm de largura. Apresentam vestíbulo bucal curto, cuja profundidade é sempre inferior ao diâmetro da larva. . O intestino termina em ânus afastado da extremidade posterior. Apresentam primórdio genital nítido formado por um conjunto de células localizadas um pouco abaixo do meio do corpo. Características do material a ser solicitado: Exame de fezes a procura de larvas rabditóides. Principais características da doença: A maioria dos infectados por Strongyloides stercoralis não apresenta sintomas, mas os que apresentam têm dor abdominal, pode estar acompanhada de vômito, enjôo, diarréia ou perda de apetite. Ciclo biológico: Técnica indicada para identificação: Em fezes sem conservantes, são usados os métodos de Baermann-Moraes e de Rugai. Wuchereria bancrofti: Filaríase bancrofti Morfologia das formas diagnósticas: Microfilária: Possui uma membrana extremamente delicada e que funciona como uma bainha flexível, mede de 250 a 300 μm de comprimento. A bainha cuticular lisa é apoiada sobre numerosas células subcuticulares e células somáticas. Características do material a ser solicitado para o exame: Sangue colhido por punção capilar. Principais características da doença: A Filariose Linfática é uma doença parasitária crônica, considerada uma das maiores causas mundiais de incapacidades permanentes ou de longo prazo Ela causa edema de membros, seios e bolsa escrotal. Ciclo de vida: Técnica indicada para identificação: A técnica mais utilizada é a gota espessa corada por Giemsa e examinar ao microscópio a procura de microfilárias.