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Educação para o lucro

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Educação para o lucro, educação como desenvolvimento humano 
 Bianca Agrelli
Graduanda do curso de Letras, Universidade Federal de Juiz de Fora- MG
RESUMO: Este artigo objetiva levantar reflexões no que tange a educação como forma de lucro, objetivando também a educação como desenvolvimento humano, dando ênfase as políticas adotadas pelos governos como forma de abordar a educação para o crescimento da economia nacional e para rentabilidade do mercado. 
Palavras-chave: Educação, Lucro, Mercado, Banco Mundial, Políticas Governamentais.
1.INTRODUÇÃO
 O presente artigo busca apresentar como a educação se tornou nos tempos atuais um produto para os governos. Com fortes influências do Banco Mundial (BIRD) na economia brasileira, com a promessa de uma melhoria na qualidade de ensino foram implementadas no Brasil, durante o início do governo Fernando Henrique Cardoso, medidas que tinham como objetivo quantificar o ensino através de avaliações de grande escala, como o Saeb. 
 Toda nação deve garantir a sua população direitos básicos assegurados pela Legislação, entre estes direitos estão: saúde, planejamento familiar, nutrição e educação primária. No entanto, como afirma Marília Fonseca (1998), a educação é tratada pelo Banco Mundial como medida compensatória para proteger os pobres e aliviar as possíveis tensões no setor social, outra função da educação para o Estado é o aumento da produtividade de populações menos favorecidas. Este fator explica a obrigação do governo apenas com a educação primária que objetiva o planejamento familiar, principalmente por parte das mulheres, e a produtividade e qualificação de mão de obra.
 Com este pensamento o governo federal prioriza o investimento em ensinos técnicos, uma vez que, na visão de diversas instituições e políticas o ensino superior por ter um maior custo econômico, deve ser de responsabilidade das iniciativas privadas. Com isso, tem se uma lógica de educação como mercado, em que os trabalhadores devem possuir apenas qualificações que os auxiliem na produção de mercadorias e ou serviços. 
 Com a preferência dos ensinos técnicos, a graduação principalmente das áreas humanas vem sofrendo constantes ataques por parte dos governantes que defendem que técnicos podem assumir as posições dos graduados em cursos superiores, sem que isto cause qualquer prejuízo a população. Este parecer influenciou na atual reforma do ensino médio brasileiro que vem tramitando pelas escolas. Atualmente o propósito do Estado, apoiado pelo então ministro da educação Abraham Weintraub, é o fortalecimento dos currículos dedicados à ciência e tecnologia apenas. 
 A nova lógica de educação como lucro modificou a organização das escolas, que no momento atual passam a ser exigidas sobre a qualidade e avaliadas constantemente. Essas avaliações, como o Saeb buscam medir a qualidade do ensino por números. Desta forma, elevar os índices educacionais estão apenas ligados a aprimorar resultados e relações de rendimento. No entanto, este modelo economicista deve ser revisto e modificado quando se trata de educação. 
2. PRESSUPOSTOS TEÓRICOS
 Para auxiliar nesta breve análise, foram utilizados três textos que nortearam a temática abordada de ensino como forma de lucro e desenvolvimento humano, são eles: “Educação e Globalização: uma tentativa de colocar ordem no debate”, de Bernard Charlot; “Capitalismo Dependente, Autocracia Burguesa e Revolução Social em Florestan Fernandes”, de Miriam Limoeiro Cardoso e por fim, “ Educação para o lucro, Educação para a Liberdade” de Martha C. Nussbaum. 
 É inegável que o capitalismo, intensifica as desigualdades sociais o que traz consequências para áreas como a saúde e a educação. A dominação externa se duplica na dominação interna e os setores sociais dominantes internamente super exploram e, consequentemente, super dominam a massa da população Limoeiro Cardoso (1997). Desta forma, a massa dominada e menos favorecida é designada a trabalhos com menor salário. O não investimento em educação por parte do Estado intensifica essa relação de poder da burguesia sobre os demais. 
 Bernard Charlot (2007) afirma que o BIRD pensa que a qualidade da educação é fundamental para lutar contra a pobreza, mas que não tem e nunca terá dinheiro público suficiente para desenvolver uma educação de qualidade. Com isso, o governo apoia a ideia de investir apenas na educação primária, pois o ensino secundário e superior deve ser de responsabilidade dos pais e administrados pela iniciativa privada, com este entendimento a parcela mais carente da população teria acesso apenas ao ensino básico e aos técnicos oferecidos pelo governo, aumentando ainda mais as desigualdades sociais de um país no qual, somente as classes mais providas financeiramente ingressariam no ensino superior. 
 Para a maioria dos políticos a ciência e a tecnologia são as melhores formas de lucro com a educação. De fato, é essencial o investimento em uma boa educação científica e técnica, entretanto, outras áreas como as humanas não devem ser deixadas de lado, uma vez que, são de suma importância para a criação de uma cultura descente (Martha Nussbaum, 2009). 
3.CONCLUSÃO
 O presente artigo objetivou levantar questões sobre a educação em uma perspectiva capitalista que ocasiona o ensino como mercadoria, devendo assim gerir lucros para o governo. Outro aspecto levantado foi a educação como desenvolvimento humano e como áreas ligadas as ciências humanas auxiliam na formação do cidadão além de serem essenciais para a construção cultural de uma nação.
 Analisando as teses dos autores selecionados para a elaboração deste artigo, foi possível observar que as políticas de órgãos internacionais como as propostas pelo Banco Mundial (BIRD) influenciam continuamente na educação de muitos países, inclusive nos sul americanos, dando enfoque ao Brasil. Esses órgãos através de investimentos intervêm diretamente no ensino, propondo novas direções que sempre estão atentas a formação de mão de obra qualificada para o mercado.
 Vale salientar que este modelo economicista adotado por muitos governos somente agrava as desigualdades sociais, pois o não investimento em educação, que é um direito básico a todos, retira as oportunidades de muitos indivíduos. Como Nussbaum (2009) defende o desencorajamento dos ensinos superiores que são substituídos pelos técnicos, tem como uma das consequências a não formação de pensadores críticos para a sociedade.
 Conclui-se assim, que a educação deve estar aliada não a práticas econômicas, mas a práticas sociais formando um cidadão tanto para o mercado de trabalho quanto para a comunidade que irá integrar. Desta forma, evidencia-se que o ensino técnico é positivo quando aliado também as áreas humanas e não como única forma de educação oferecida pelo Estado. Para que deste modo, as desigualdades sociais entre as classes se façam menos presentes nas sociedades. 
4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
ALTMANN, Helena. Influência do Banco Mundial no projeto educacional brasileiro. Revista Educação e Pesquisa, São Paulo, v.28, n.1, p. 77-89. 2002.
CHARLOT, Bernard. Educação e Globalização: uma tentativa de colocar ordem no debate. Revista de Ciência da Educação, Lisboa, 2007. 
FONSECA, Marília. O Banco Mundial e a educação brasileira: uma experiência de cooperação internacional. In: OLIVEIRA, Romualdo P. (Org.),Política educacional: impasses e alternativas. 2a ed. São Paulo: Cortez, 1998. p. 85-122.
LIMOEIRO-CARDOSO, Miriam. Capitalismo dependente, autocracia burguesa e revolução social em Florestan Fernandes. São Paulo: Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo, 1995.
 NUSSBAUM, Martha. Educação para o lucro, educação para a liberdade. Revista Redescrições – Revista online do GT do Pragmatismo e Filosofia Norte-americana, 2009.