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Universidade Estadual de Montes Claros-Unimontes
Centro de Ciências Biológicas e da Saúde-CCBS
Departamento de Odontologia
Disciplina: Fisiologia Especial
Fisiologia da postura mandibular
Normalmente a mandíbula pode manter uma posição ou uma postura, isto é um posicionamento mais constante em relação a maxila, porém esta postura varia, estando o indivíduo consciente, na vigília, ou inconsciente durante o sono.
Posição Mandibular durante a vigília
A vigília é um estado em que o indivíduo encontra-se sentado ou em posição ortostática confortável, em que:
 Os lábios contatam levemente;
 Os dentes estão em inoclusão e separados por alguns milímetros;
 Existe um equilíbrio dinâmico entre músculos levantadores e abaixadores da mandíbula;
Essa posição é denominada de “postura de repouso” e é mantida pelo reflexo postural mandibular.
Mecanismos da postura da mandíbula
Os mecanismos da postura da mandíbula podem ser de caráter passivo, mecânico ou bem de caráter ativo de natureza neuromuscular reflexa.
Mecanismos passivos ou físicos
São fatores que dependem tanto das propriedades físicas dos músculos mastigatórios como das estruturas esqueléticas e dos tecidos bucais.
Propriedades viscoelásticas dos músculos
O músculo levantador da mandíbula possui além das proteínas contráteis, proteínas elásticas, como a titina e nebulina; Essas proteínas são as que conferem aos músculos elevadores propriedades viscosas e elásticas que se opõem á distensão.
Em repouso, o músculo desenvolve tensão passiva, e quando liberado de suas inserções pode atingir o equilíbrio;
 Quando o músculo é esticado, aumenta a tensão passiva e o grau de distensão;
 A viscosidade evita sua própria separação e afastamento.
Equilíbrio entre força gravitacional e posições corporais
Em posição sentada, a força gravitacional age na mesma direção das fibras mastigatórias;
 A mandíbula sofre maior atração pela força gravitacional, abrindo-se a boca.
 Pressão negativa nos espaços de Donders
Os espaços bucais são compartimentos onde pode ser gerada pressão negativa ou vácuo, são conhecidos como espaços de Donders. Essa pressão negativa influi na posição postural da mandíbula, pois atrai a mesma.
 Quando a mandíbula tende a ser deprimida, cria-se um vácuo de aproximadamente 9mmHg (força de 300g no palato duro).
 Existem cerca de doze câmaras de Donders, sendo a principal, a câmara linguo-palatina.
Mecanismos ativos ou fisiológicos
São de natureza reflexa e determinam uma contração muscular tônica dos músculos levantadores e abaixadores da mandíbula. Sendo que os levantadores são considerados antigravitacionais. A contração tônica é prolongada e nem todas as unidades motoras ativadas participam, apresentando uma atividade antissíncrona, de revezamento. Em tensão constante, um tônus muscular dos levantadores é mantido por excitação dos y-motoneurônios trigeminais, através de impulsos nervosos provenientes de várias origens, periféricas ou centrais.
Aferências de origem periférica
São excitações produzidas em estruturas bucais, ou ligadas a elas, ou podem ser um ponto de partida para contração tônica da musculatura mandibular.
Aferências de origem central
São influências de diversos núcleos ou áreas do SNC sobre os Y-motoneurônios do trigêmio.
Papel do equilíbrio
Atualmente o fator de equilíbrio é considerado talvez como o mais importante na determinação da postura mandibular, tanto nas condições basais ou de repouso, como adaptativas ou compensadoras.
Posição mandibular durante o sono
No sono a postura mandibular se altera profundamente exagerando-se a inoclusão dental e produzindo-se fenda do selamento labial.
Posição oclusal cêntrica
Espaço de inoclusão fisiológico desaparece;
Posição de deslizamento em oclusão, regida por interferências cuspídicas; Posição oclusas excêntrica
O reflexo que determina esta posição se origina nas estruturas dentárias;
Posição postural mandibular oclusal ideal: Máximo de contato oclusal e mínimo de pressão ou tensão nas raízes e na articulação temporomandibular;
Homeostase oclusal: relação ideal entre osso, dente e músculo;
Mordidas abertas possuem maior amplitude do que quando se muda de posição oclusal para frente, para trás ou lateralmente.
Mecanismo da homeostase oclusal
A homeostase oclusal é a resultante do somatório de todas as forças dinâmicas que agem sobre o dente, podendo ser controlada pelo eficiente sistema sensorial proprioceptivo bucal.
Forças que atuam contra o dente
Os dentes estão posicionados entre a língua e os músculos da bochecha, sendo uma posição agradável quando há um equilíbrio entre dois grupos;
Interposição da língua, sucção digital ou uso de aparelhagem ortodôntica provocam deformação do processo alveolar e perturbam o equilíbrio do sistema.
Forças oclusais
São de natureza muito diversa, como as produzidas pela erupção, pela deglutição e especialmente pela mastigação, com exceção da última essas forças são bastante constantes.
Movimentação dos dentes
Apresenta-se uma migração contínua do dente que tem comprovação experimental em animais e em implantes de dentes em seres humanos. Há uma tendência a movimentação mesial, que ocorre subgengivalmente, antes da emergência intrabucal, e por outro lado há também um componente de força anterior que é o resultado das forças mesial das forças funcionais da oclusão.
Fisiologia da Mastigação
Conjunto de fenômenos estomatognáticos que visam a degradação mecânica do alimento
Mastigação: Função mais importante do sistema estomatognático.
Fase inicial do processo digestivo
Há contração de vários grupos musculares onde os mandibulares, são os mais destacados. Mas também são fundamentais os músculos da língua e os faciais, especialmente o bucinador e o orbicular dos lábios.
As contrações musculares levam a uma aposição rítmica dos dentes, gerando uma pressão intercuspideana que se aplica sobre os alimentos, quebrando-os em pedaços menores.
Fases mecânicas do ciclo da mastigação
Fixação: Concerne a alimentos muito duros por ação dos caninos.
Incisão: Quando a elevação da mandíbula em protrusão apreende o alimento entre as bordas incisais. A mandíbula retropulsasse deslizando as bordas incisais dos incisivos inferiores contra a face palatina dos incisivos superiores.
Estabelecem-se movimentos rítmicos da mandíbula até que o alimento seja cortado, caindo logo depois. A língua e a bochecha localizam o alimento ente as superfícies oclusais dos dentes, agora, ente pré-molares e molares.
Trituração: É a transformação de parte grande dos alimentos em menores. Ocorre principalmente nos pré-molares.
Pulverização: Moagem das partículas pequenas, transformando-as em elementos muito reduzidos.
Ato mastigatório
Fase de abertura da boca: Há relaxamento dos músculos levantadores e contração dos músculos abaixadores.
Fechamento da boca: A mandíbula eleva-se pela contração dos músculos levantadores e relaxamento dos abaixadores mandibulares.
Fase oclusal: Há contato e intercuspidação dos dentes. Fase mais importante da mastigação porque, gera pressão quebrando o alimento. A duração do ciclo mastigatório é variável depende da consistência do alimento sendo então, a saliva de fundamental importância para amolecer o alimento, a fim de, diminuir a força aplicada durante a mastigação.
Deslocamento da mandíbula
A mandíbula desce seguindo o lado passivo (sem alimento), gerando uma leve abertura de aproximadamente 2 cm, depois cruza a linha média, lado ativo, elevando-se na fase de fechamento até alcançar sua posição de oclusão cêntrica- (intercuspidação máxima).
Aspectos biofísicos da oclusão dental
Apenas uma fração da área oclusal intervêm funcionalmente constituindo a área oclusal funcional (aproximadamente 10% da área oclusal total)
Na oclusão outras forças também agem no dente, porque, há também contração dos músculos no lado vestibular, como o orbicular do lábio e o bucinador, bem como do lado lingual, produzido pelos músculos glóssicos. Este conjunto representa a força oclusal total.
Essasforças são transmitidas pelo ligamento periodontal, que distribui as forças através da superfície radicular dentária. Estando os dentes posicionados adequadamente, há transmissão, repartição e equilíbrio das forças. Se há contatos interdentais alterados haveria ingressão, intrusão, egressão ou extrusão, bem como ocorreriam deslizamentos e rotações.
Processo de controle e ajuste da mastigação
Varia de acordo com a característica física do alimento.
Variação da intensidade da força mastigatória
Determinada pela força contrátil dos músculos levantadores da mandíbula e pterigoideo medial;
Alimentos duros aumentam a força mastigatória
Os botões terminais do periodonto regulam a força mastigatória;
Força mastigatória determina uma pressão interoclusal que é maior quando a área é reduzida;
Alimentos mais resistentes são mastigados preferencialmente nos pré- molares;
Distribuição do alimento durante a mastigação
Na mastigação bilateral, há distribuição uniforme das forças mastigatórias nos tecidos de suporte dos dentes, facilitando a estabilidade dos tecidos periodontais, harmoniza a oclusão e a atividade dos músculos mastigatórios.
Se há harmonia funcional do sistema estomatognático a mastigação vai ser bilateral.
Há um desgaste maior das cúspides do lado onde há trabalho possibilitando interferências oclusais inadequadas e favorecendo a instalação de placas.
Causa mais frequente da mastigação unilateral: limitação da mobilidade articular (ATM) por dor, doenças periodontais, ausência de dentes, adaptações frente a interferências oclusais ou contatos prematuros.
10% das pessoas saudáveis apresentam mastigação bilateral
75% bilateral alternado
15% unilateral exclusivamente direito ou esquerdo.
Mobilidade dentária
Acreditava-se que o dente pregado no alvéolo estava ancorado em posição rígida. Hoje sabe-se que ele está suspenso por num tecido amortecedor em uma cavidade. Este tecido é a membrana periodontal, que permite mobilidade, acomodação e deslocamento à mastigação.
Existem 3 fases da mastigação, segundo Muhlemann:
1-Ocorre rapidamente em forma linear (até 100 gramas de tensão).
2-mobilidade menor e lenta (com forças maiores) (de 200 a 500 gramas de tensão).
3-Pressão além de 500 gramas não há mobilidade alguma (acima de 500 gramas/ sensação de pressão).
Propriedades da mobilidade:
-É maior nas crianças
-Levemente superior no sexo feminino
-Exagerado na mulher grávida
-Exagerada na fase progestacional do ciclo menstrual (ação dos hormônios).
-maior nos incisivos (principalmente inferiores) que nos molares
-maior na manhã ao despertar (6 horas)
-menor à tarde (18 horas- 19 horas)
Biomecânica dentária negativa:
Quando a mobilidade dentária exagera-se para adaptar-se à uma patologia.
Ex: O bruxismo faz a estabilidade diminuir e a mobilidade aumenta, pois há sobrecarga oclusal que ultrapassa a capacidade de adaptação fisiológica, não havendo “compensação periodontal”
Mecanismos de adaptação do periodonto
-resistência da membrana periodontal: 
As fibras periodontais são aparentemente rígidas e pouco estáticas e entre o cemento e o alvéolo possuem ondulações. Conforme uma tensão exercida sobre elas ela vai se tornando reta (se estira) em resposta (alonga o receptor terminal que, por ato de reflexo, determina a contração do músculo levantador.
*As forças que não são absorvidas pelas fibras, tensionam a membrana periodontal e o osso alveolar (que têm superfície oclusal maior).
Força mastigatória:
A força que age sobre o alimento é muito maior que a força que o alimento aplica sobre a superfície oclusal, o que leva a crer que o homem primitivo necessitava de um periodonto muito mais forte, devido ao tipo de alimentação.
Gnatodinamômetro: são placas metálicas que medem a “força da mordida”. Verificou-se que a força intraoclusal máxima ou força mastigatória teórica (mordida) é de 210 a 400 kgcm³ por músculo. Porém a força efetiva durante contração máxima voluntária é de 60 a 70 kg, pois sofre influência dos fatores limitantes reflexos que modulam essa força.
Fatores da força mastigatória
Levemente maior no sexo masculino
Jovens entre 15 e 20 anos apresentam maior força
Crianças entre 2 e 3 anos já têm valores parecidos com os de adultos (cerca de 40 kg)
Alimentos mais duros ou dentes que são mais “usados” apresentam maior força (esquimós tem maior força mastigatória que um norte americano. De 150kr contra 70 kg)
Nos que apresentam mastigação unilateral, possuem maior força no lado mais usado
Nas condições patológicas as forças são diminuídas e mobilidade aumentada (cárie, doença periodontal e etc).
No uso de próteses a força é diminuída.
Controle nervoso da mastigação
Início voluntário: Determinado pelo córtex cerebral;
Fechamento bucal: transdução da característica volume e pressão.
Pressão intra-oral;
 Reflexo da abertura da boca
A pressão se comporta como sinal-estímulo na excitação de pressorreceptores mucosos.
Estereognosia bucal: Precisão em tamanho, textura e forma dos objetos dentro da boca.
Mecanorreceptores:
Fásico: adaptação veloz;
Tônicos: descarga mantida com excitação mecânica.
Mecanoceptores
Mecanossensitivos:
Terminações livres
Amielínicas
Mielínicas grossas 
Mecanorreceptiva:
Incisivos → Molares
Reflexo de fechamento bucal
Abertura da boca: Afastamento das paredes da cavidade bucal e das superfícies oclusais dentárias.
Músculos abaixadores da mandíbula não são mais excitados;
Excitação dos proprioceptores da articulação têmporo-mandibular
Mecanorreceptores articulares;
GWI;
GWII;
 Abertura → fechamento → Oclusão
Insuficiência mastigatória
Considera-se suficiência mastigatória aquela em que o rendimento mastigatório tem valores equivalentes ou superiores a 78% para o adulto.
Refere-se a insuficiência mastigatória, os seguintes:
Diminuição da área dentária de oclusão;
Limitação de outros componentes estomatognáticos;
Desequilíbrio ou limitação da força mastigatória;
Movimentos mandibulares anormais;
Referências:
C.R.Douglas. Fisiologia Aplicada ás Ciências Médicas-6ªedição , cap. 63 e 64.