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UNIASSELVI
2013
NEAD
INTRODUÇÃO EM TECNOLOGIA E 
SEGURANÇA DO TRABALHO 
Caderno de Estudos
Prof. Fernando Raul Persuhn
Educação a Distância
GRUPO
CENTRO UNIVERSITÁRIO
LEONARDO DA VINCI
Rodovia BR 470, Km 71, nº 1.040, Bairro Benedito
89130-000 - INDAIAL/SC
www.uniasselvi.com.br
Copyright  UNIASSELVI 2011
Elaboração:
Prof. Fernando Raul Persuhn
Revisão, Diagramação e Produção:
Centro Universitário Leonardo Da Vinci - UNIASSELVI
Ficha catalográfica elaborada na fonte pela Biblioteca Dante Alighieri – 
UNIASSELVI – Indaial.
363.11
P466i Persuhn, Fernando Raul
Introdução em tecnologia e segurança do trabalho / Fernando Raul 
Persuhn. Indaial : Uniasselvi, 2013.
 
172 p. : il
 
 ISBN 978-85-7830-796-7
 
I. Segurança do trabalho. 1. Centro Universitário Leonardo da 
Vinci. 2. Persuhn, Fernando Raul.
INTRODUÇÃO EM TECNOLOGIA E SEGURANÇA DO TRABALHO
APRESENTAÇÃO
Caro(a) acadêmico(a)! Seja bem-vindo(a) à disciplina de Introdução em Tecnologia e 
Segurança do Trabalho. Esta disciplina introduzirá os temas básicos de segurança no trabalho. 
Quando o trabalho deixou de ser individual e passou a ser desenvolvido por grupos 
assalariados, começou a surgir a segurança do trabalho. Veremos como a humanidade, ao 
longo de seu desenvolvimento, buscou melhorias no seu modo de trabalho. Também veremos 
como o Brasil se adaptou às normas de Segurança no Trabalho.
Aprenderemos o que é acidente de trabalho e como poderemos evitá-lo. Conheceremos 
os agentes ambientais, que são os fatores causadores das doenças de trabalho.
Saberemos implantar uma CIPA – Comissão Interna de Prevenção de Acidentes – e 
elaborar um mapa de riscos, reconhecendo os riscos físicos, químicos, biológicos, ergonômicos 
e de acidente.
Bons estudos!
Prof. Fernando Raul Persuhn
iii
INTRODUÇÃO EM TECNOLOGIA E SEGURANÇA DO TRABALHO iv
UNI
Oi!! Eu sou o UNI, você já me conhece das outras disciplinas. 
Estarei com você ao longo deste caderno. Acompanharei os seus 
estudos e, sempre que precisar, farei algumas observações. 
Desejo a você excelentes estudos! 
 UNI
Para que você tenha uma melhor visualização das imagens deste 
Caderno de Estudos, sugiro que você consulte o ambiente virtual 
de aprendizagem – AVA.
ATE
NÇÃ
O!
SUMÁRIO
UNIDADE 1: INTRODUÇÃO À SEGURANÇA DO TRABALHO E LEGISLAÇÃO PERTINENTE 1
TÓPICO 1: HISTÓRICO .................................................................................................. 3
1 INTRODUÇÃO .............................................................................................................. 3
2 ANTECEDENTES HISTÓRICOS DA SEGURANÇA DO TRABALHO NO MUNDO 3
3 ANTECEDENTES HISTÓRICOS DA SEGURANÇA E HIGIENE DO TRABALHO NO BRASIL 20
LEITURA COMPLEMENTAR .......................................................................................... 22
RESUMO DO TÓPICO 1 ................................................................................................. 27
AUTOATIVIDADE ........................................................................................................... 28
TÓPICO 2: ACIDENTES DE TRABALHO ................................................................... 29
1 INTRODUÇÃO ............................................................................................................ 29
2 CONCEITO LEGAL .................................................................................................... 29
3 CONCEITO PREVENCIONISTA ............................................................................... 30
3.1 LEGISLAÇÃO PREVENCIONISTA ........................................................................ 31
4 CLASSIFICAÇÕES DOS ACIDENTES DO TRABALHO ....................................... 35
5 CARACTERIZAÇÕES DO ACIDENTE DO TRABALHO ........................................ 35
6 FATORES CAUSAIS DO ACIDENTE DE TRABALHO ........................................... 35
6.1 CONDIÇÕES QUE LEVAM AOS ACIDENTES ...................................................... 35
6.1.1 Atos inseguros ........................................................................................................ 36
6.1.2 Condições inseguras .............................................................................................. 37
6.1.3 Fator pessoal de insegurança ................................................................................ 37
6.2 TEORIA DA MULTICAUSALIDADE ........................................................................ 38
7 ACIDENTES DE TRABALHO E OS BENEFÍCIOS CONCEDIDOS ...................... 38
7.1 AUXÍLIO-DOENÇA .................................................................................................. 39
7.2 AUXÍLIO-ACIDENTE ............................................................................................... 41
LEITURA COMPLEMENTAR .......................................................................................... 41
RESUMO DO TÓPICO 2 ................................................................................................. 45
AUTOATIVIDADE ........................................................................................................... 46
TÓPICO 3: LEGISLAÇÃO BRASILEIRA .................................................................... 47
1 INTRODUÇÃO ............................................................................................................ 47
2 LEGISLAÇÃO ............................................................................................................. 47
2.1 CONSTITUIÇÕES BRASILEIRAS ......................................................................... 48
2.2 DIREITOS TRABALHISTAS ................................................................................... 49
LEITURA COMPLEMENTAR ....................................................................................... 55
RESUMO DO TÓPICO 3 ................................................................................................. 63
AUTOATIVIDADE ........................................................................................................... 64
AVALIAÇÃO .................................................................................................................... 65
INTRODUÇÃO EM TECNOLOGIA E SEGURANÇA DO TRABALHO v
INTRODUÇÃO EM TECNOLOGIA E SEGURANÇA DO TRABALHO vi
UNIDADE 2: SESMT, AGENTES AMBIENTAIS, RISCOS E LIMITES DE TOLERÂNCIA 67
TÓPICO 1: SESMT ........................................................................................................ 69
1 INTRODUÇÃO ............................................................................................................ 69
2 COMPOSIÇÃO ........................................................................................................... 69
3 COMPETÊNCIA DOS PROFISSIONAIS DO SESMT ............................................. 69
4 DIMENSIONAMENTO ................................................................................................ 71
4.1 EXEMPLO DE DIMENSIONAMENTO DE SESMT ............................................... 71
RESUMO DO TÓPICO 1 ............................................................................................... 73
AUTOATIVIDADE ........................................................................................................... 74
TÓPICO 2: AGENTES AMBIENTAIS .......................................................................... 75
1 INTRODUÇÃO ............................................................................................................ 75
2 CLASSIFICAÇÃO DOS AGENTES AMBIENTAIS .................................................. 75
RESUMO DO TÓPICO 2 ...............................................................................................77
AUTOATIVIDADE .......................................................................................................... 78
TÓPICO 3: RISCOS ...................................................................................................... 79
1 INTRODUÇÃO ............................................................................................................ 79
2 RISCOS FÍSICOS ....................................................................................................... 79
2.1 RUÍDOS .................................................................................................................... 80
2.2 VIBRAÇÃO ............................................................................................................... 83
3 PRESSÃO ................................................................................................................... 86
3.1 HIPERBARISMO ..................................................................................................... 86
3.2 HIPOBARISMO ........................................................................................................ 88
4 RADIAÇÕES IONIZANTES E NÃO IONIZANTES .................................................. 89
4.1 RADIAÇÕES IONIZANTES .................................................................................... 90
4.2 RADIAÇÕES NÃO IONIZANTES ........................................................................... 92
5 TEMPERATURA EXTREMA (FRIO E CALOR) ....................................................... 93
5.1 TRABALHO EM TEMPERATURAS ELEVADAS ................................................... 93
5.2 TRABALHO EM TEMPERATURAS BAIXAS ......................................................... 94
6 INFRASSOM E ULTRASSOM ................................................................................... 95
6.1 INFRASSONS .......................................................................................................... 95
6.2 ULTRASSONS ......................................................................................................... 95
6.2.1 Normas relacionadas à vibração e choque no corpo humano ............................... 96
7 RISCOS QUÍMICOS ................................................................................................... 98
7.1 FORMAS DE CONTAMINAÇÃO .......................................................................... 100
7.2 LIMITES DE TOLERÂNCIA .................................................................................. 101
7.3 CONTAMINANTES ATMOSFÉRICOS ................................................................. 102
7.3.1 Classificação fisiológica dos contaminantes atmosféricos ................................... 103
7.3.1.1 Irritantes ............................................................................................................. 103
7.3.1.2 Asfixiantes ......................................................................................................... 103
7.3.1.3 Narcóticos .......................................................................................................... 104
INTRODUÇÃO EM TECNOLOGIA E SEGURANÇA DO TRABALHO vii
7.3.1.4 Intoxicantes sistêmicos ...................................................................................... 104
8 RISCOS BIOLÓGICOS ............................................................................................ 104
9 RISCOS ERGONÔMICOS ....................................................................................... 105
10 RISCOS DE ACIDENTES ...................................................................................... 109
RESUMO DO TÓPICO 3 ................................................................................................ 111
AUTOATIVIDADE .......................................................................................................... 112
TÓPICO 4: LIMITES DE TOLERÂNCIA ..................................................................... 113
1 INTRODUÇÃO ........................................................................................................... 113
2 LIMITE DE TOLERÂNCIA PARA RUÍDOS ............................................................. 114
2.1 RUÍDO CONTÍNUO OU INTERMITENTE ............................................................ 114
2.2 RUÍDO DE IMPACTO ............................................................................................. 115
3 LIMITE DE TOLERÂNCIA PARA EXPOSIÇÃO AO CALOR ................................ 115
4 LIMITE DE TOLERÂNCIA PARA RADIAÇÕES IONIZANTES ............................. 116
5 LIMITE DE TOLERÂNCIA PARA CONDIÇÕES HIPERBÁRICAS ....................... 116
6 LIMITES DE TOLERÂNCIA PARA RADIAÇÕES NÃO IONIZANTES ................. 117
7 LIMITES DE TOLERÂNCIA PARA VIBRAÇÕES ................................................... 117
8 LIMITES DE TOLERÂNCIA PARA O FRIO ............................................................ 118
9 LIMITES DE TOLERÂNCIA PARA A UMIDADE .................................................... 118
10 AGENTES QUÍMICOS CUJA INSALUBRIDADE É CARACTERIZADA POR 
 LIMITE DE TOLERÂNCIA E INSPEÇÃO NO LOCAL DE TRABALHO ............ 118
11 LIMITES DE TOLERÂNCIA PARA POEIRAS MINERAIS ................................... 118
12 LIMITES DE TOLERÂNCIA PARA AGENTES QUÍMICOS ................................. 119
13 LIMITES DE TOLERÂNCIA PARA AGENTES BIOLÓGICOS ............................ 119
LEITURA COMPLEMENTAR ..................................................................................... 120
RESUMO DO TÓPICO 4 ............................................................................................... 122
AUTOATIVIDADE ......................................................................................................... 123
AVALIAÇÃO .................................................................................................................. 124
UNIDADE 3: INSPEÇÃO PRÉVIA, MAPA DE RISCOS E CIPA ............................. 125
TÓPICO 1: INSPEÇÃO PRÉVIA ................................................................................ 127
1 INTRODUÇÃO .......................................................................................................... 127
2 INSPEÇÃO PRÉVIA ................................................................................................. 127
3 DECLARAÇÃO DAS INSTALAÇÕES .................................................................... 129
RESUMO DO TÓPICO 1 ............................................................................................. 130
AUTOATIVIDADE ........................................................................................................ 131
TÓPICO 2: MAPA DE RISCOS .................................................................................. 133
1 INTRODUÇÃO .......................................................................................................... 133
2 AVALIAÇÕES DE RISCO ........................................................................................ 133
3 O MAPA DE RISCO ................................................................................................... 134
RESUMO DO TÓPICO 2 ............................................................................................... 138
AUTOATIVIDADE ......................................................................................................... 139
INTRODUÇÃO EM TECNOLOGIA E SEGURANÇA DO TRABALHO viii
TÓPICO 3: CIPA .......................................................................................................... 141
1 INTRODUÇÃO .......................................................................................................... 141
2 A CIPA .......................................................................................................................141
2.1 SUA CONSTITUIÇÃO E ORGANIZAÇÃO ........................................................... 141
2.2 ATRIBUIÇÕES ....................................................................................................... 142
2.3 FUNCIONAMENTO ............................................................................................... 145
2.4 TREINAMENTO ..................................................................................................... 145
2.5 PROCESSO ELEITORAL ..................................................................................... 146
3 ROTEIRO PARA IMPLANTAÇÃO DE UMA CIPA ................................................. 148
3.1 CALENDÁRIO ........................................................................................................ 148
3.2 EDITAL DE CONVOCAÇÃO DA ELEIÇÃO DA CIPA .......................................... 148
3.3 FORMAÇÃO DE COMISSÃO ELEITORAL E EDITAL DE ELEIÇÃO ................ 149
3.4 ELEIÇÃO E DIVULGAÇÃO DOS RESULTADOS ............................................... 150
3.5 ATA DE INSTALAÇÃO E POSSE DA CIPA .......................................................... 152
3.6 TREINAMENTO DOS CIPEIROS ......................................................................... 153
3.7 FUNCIONAMENTO DA CIPA ................................................................................ 153
LEITURA COMPLEMENTAR ..................................................................................... 154
RESUMO DO TÓPICO 3 ............................................................................................. 159
AUTOATIVIDADE ........................................................................................................ 160
AVALIAÇÃO ................................................................................................................. 161
REFERÊNCIAS ........................................................................................................... 163
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UNIDADE 1
INTRODUÇÃO À SEGURANÇA DO 
TRABALHO E LEGISLAÇÃO PERTINENTE
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
 A partir desta unidade, você será capaz de:
	apresentar a evolução da Segurança do Trabalho, contemplando 
os históricos mundiais e brasileiros;
	conceituar Acidente de Trabalho, tanto o conceito legal como o 
conceito prevencionista;
	conhecer a legislação brasileira, no que tange à Segurança do 
Trabalho.
TÓPICO 1 – HISTÓRICO
TÓPICO 2 – ACIDENTES DE TRABALHO
TÓPICO 3 – LEGISLAÇÃO BRASILEIRA
PLANO DE ESTUDOS
Esta unidade está dividida em três tópicos. No final de cada 
um deles você encontrará atividades que o(a) auxiliarão a fixar os 
conhecimentos abordados.
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HISTÓRICO
1 INTRODUÇÃO
2 ANTECEDENTES HISTÓRICOS DA 
SEGURANÇA DO TRABALHO NO MUNDO
TÓPICO 1
Nesta seção veremos como surgiu a preocupação com os acidentes de trabalho, através 
de uma linha de tempo.
Estas preocupações são muito antigas: encontramos na literatura muitas menções às 
ações que ocorreram no período a.C.
A informação mais antiga sobre segurança e higiene do trabalho é o papiro Anastacius 
V. É um registro egípcio que fala sobre a preservação da saúde e da vida do trabalhador e 
mostra as condições de trabalho de um pedreiro.
Em 2360 a.C., o papiro Sallier II trazia referências aos riscos do ambiente de trabalho. 
Nele consta a Sátira dos Ofícios, também chamada instruções de Dua-Kheti, que foi escrita para 
seu filho Pepi. Pensa-se que o autor possa ter sido guiado pelas instruções de Amanemhat. 
Descreve uma série de profissões com uma luz exageradamente negativa, ressaltando as 
vantagens de escriba. (CARVALHO, 2009).
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FONTE: Disponível em: <http://www.skoob.com.br/autor/2346>. 
Acesso em: 26 out. 2010.
Veja só o que estava descrito nele:
Eu jamais vi ferreiros em embaixadas e fundidores em missões. O que vejo 
sempre é o operário em seu trabalho; ele se consome nas goelas de seus 
fornos. O pedreiro, exposto a todos os ventos, enquanto a doença o espreita, 
constrói sem agasalho; seus dois braços se gastam no trabalho; seus alimentos 
vivem misturados com os detritos; ele se come a si mesmo, porque só tem 
com o pão os seus dedos. O barbeiro cansa os seus braços para encher o 
ventre. O tecelão vive encolhido – joelho ao estômago – ele não respira. As 
lavadeiras sobre as bordas do rio são vizinhas do crocodilo. O tintureiro fede à 
morrinha do peixe, seus olhos são abatidos de fadiga, suas mãos não param 
e suas vestes vivem em desalinho. (MOLINA, 1977; SOTO, 1978; ALVARADO 
et al., 1999 apud CARVALHO, 2009).
Outra referência à Segurança do Trabalho provém do “Código de Hamurabi”, que é um 
dos mais antigos conjuntos de leis, utilizado na Mesopotâmia antiga. Acredita-se que foi escrito 
pelo rei Hamurabi, em torno de 1700 a.C. A Mesopotâmia encontrava-se onde hoje é o Irã.
FONTE: Educação e Motivação. Disponível em: <http://eduqueemotive.
blogspot.com/2010/07/leitura-e-escrita-alguns-aspectos.html>. Acesso 
em: 26 out. 2010.
FIGURA 1 – ESCRIBA DUA-KHETI
FIGURA 2 – CÓDIGO DE HAMURABI 
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Neste código, havia punição a quem não desempenhasse a função de construtor 
de casas dignamente, ou seja, cometesse falhas e a construção viesse a ruir. Já era uma 
preocupação com as condições tanto de trabalho como da qualidade deste trabalho.
A Bíblia Sagrada, no Livro II de Samuel (23:10), nos conta que durante o reinado de 
Davi (1010 a 970 a.C.) “Eleazar se manteve firme e combateu os filisteus até que sua mão, 
cansada, ficou colada à espada”. (BÍBLIA, 1999).
Na antiga Grécia, a prioridade era a higiene dos aristocratas, deixando-se de lado a 
saúde dos que trabalhavam para viver. As doenças ocupacionais aconteciam, porém não havia 
registro no tocante à saúde do trabalhador, conforme ensina Rosen (1994, p. 40):
Há, por exemplo, imagens de tocadores de flauta usando uma bandagem de 
couro em volta das bochechas e dos lábios, no intuito, aparentemente, de 
prevenir a dilatação excessiva das bochechas e evitar uma eventual relaxação 
dos músculos. Nas minas dos gregos, escravos e convictos labutavam por 
longas horas em galerias estreitas, pobremente ventiladas. Ainda assim, nos 
escritos hipocráticos, só existe uma única referência a um mineiro: um caso 
de envenenamento por chumbo, ou de pneumonia.
Hipócrates (460-377 a.C.) foi considerado o primeiro médico a rejeitar superstições e 
crendices de que as forças sobrenaturais ou divinas causassem as doenças, e sim os fatores 
ambientais, a raça das pessoas e os hábitos de vida. Por causa destes estudos foi considerado 
o “Pai da Medicina”. Sua escola defendia que as doenças eram o resultado do desequilíbrio de 
quatro humores (sangue, bile negra, bile amarela e a fleuma) através de sua forma de entender 
o funcionamento do organismo humano, incluindo a personalidade. Segundo ele, a quantidade 
destes fluidos corporais era a principal responsável pelo estado de equilíbrio ou de doença.
Em seus estudos, Hipócrates afirmou que um trabalhador desenvolveu paralisia 
após realizar constantes e prolongados movimentos serpentiformes e giratórios das mãos, 
caracterizando-se, assim,uma lesão proveniente de seu ofício. Também, em seus escritos, 
fez menção à existência de moléstias entre mineiros e metalúrgicos, advindas do manuseio 
de compostos de enxofre e zinco.
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FONTE: Disponível em: <http://humanimed.blogspot.com/2010_07_01_archive.
html>. Acesso em: 26 out. 2010.
Plínio, o Velho, descreveu diversas moléstias entre mineiros e envenenamento. Galeno 
(ou Claudious Galenus, ou Galenus de Pergamum, 129-199 d.C.), em seus estudos, fez várias 
referências às moléstias profissionais entre trabalhadores das ilhas do Mediterrâneo. Descreveu, 
entre outras, a neurite cervicobraquial, estabelecendo sua relação com a patologia vertebral. 
(CARVALHO, 2009).
Galeno (apud ROSEN, 1994, p. 387) narra a experiência pessoal dos riscos ocupacionais 
nas minas de cobre na ilha de Chipre:
Em uma de suas viagens, ele visitou a ilha de Chipre e por algum tempo 
inspecionou as minas das quais se retirava sulfato de cobre. Os mineiros 
trabalhavam em uma atmosfera sufocante e Galeno menciona ter sido ele 
mesmo quase subjugado pelo fedor. Os trabalhadores encarregados de levar 
o fluido vitriolítico para fora da mina o faziam o mais rápido possível, para evitar 
a sufocação. Galeno relata ainda trabalharem os mineiros despidos, pois os 
vapores vitriolíticos destruíam suas roupas.
FIGURA 3 – HIPÓCRATES, O PAI DA MEDICINA, MEDICINA HUMANIZADA, 2010
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FONTE: Disponível em: <http://greciantiga.org/img/i/i527.jpg>. Acesso em: 26 out. 2010.
Estes dois, Hipócrates e Galeno, eram médicos gregos.
Em Roma, Aulus Cornelius Celsus (25 a.C. – 50 d.C.) nos explica que a inflamação 
possui quatro sinais: dor, calor, rubor e tumefação. (CARVALHO, 2009).
Na Idade Média, podemos destacar os trabalhos de Aviccena, no tratamento da dor 
articular, e o de Armand de Villeneuve, em estudos ergonômicos.
FIGURA 4 – PÁGINA DE ROSTO DE UM VOLUME DA EDIÇÃO JUNTINA, DE GALENO 
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Aviccena (980-1037) era o apelido de Abu Ali al-Husayn ibn Abd-Allah ibn Sina. Era 
médico e filósofo e vivia na Pérsia. É conhecido como o “príncipe da Medicina”. Em sua obra 
“Cânon da Medicina”, explica as causas da saúde e da doença. Ibn Sina pensava que o corpo 
humano não poderia recuperar a saúde a menos que se determinassem as causas, tanto da 
saúde como da doença. (CARVALHO, 2009).
FONTE: Disponível em: <http://www.elec-intro.com/abu-ali-sina>. 
Acesso em: 26 out. 2010.
Avicena relacionou a cólica dos trabalhadores com as pinturas à base de chumbo que 
eles executavam. Séculos após, essa intoxicação ainda fez vítimas, como, por exemplo: o 
compositor Ludwig van Beethoven (1770-1827), contaminado pela tipografia das partituras; os 
pintores famosos Vincent Willem Van Gogh (1853-1890) e Candido Torquato Portinari (1903-
1962). (BRASIL, 2010).
Quanto a Armand de Villeneuve (1253-1313), foi um médico francês, que dentre outros 
aspectos, estudou riscos ergonômicos decorrentes da adoção de posturas inadequadas.
Agrícola e Paracelso investigaram doenças ocupacionais nos séculos XV e XVI. Georg 
Pawer (mais conhecido por seu nome em latim, Georgius Agrícola, 1494-1555) publicou o livro 
“De Re Metallica” em que eram estudados os diversos problemas relacionados à extração de 
minerais. No último capítulo, o autor discute os acidentes de trabalho, principalmente a “asma 
dos mineiros”, provocada por poeiras. A descrição dos sintomas e a rápida evolução da doença 
nos remetem à silicose.
FIGURA 5 – AVICCENA 
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FONTE: Disponível em: <http://www.mineralogy.be/bookarchive/a/Agricola_1912.html>. Acesso em: 
26 out. 2010.
Paracelso, pseudônimo de Phillipus Aureolus Theophrastus Bombastus von Hohenheim 
(1493-1541) foi um famoso médico, alquimista, físico e astrólogo suíço. É sua a primeira 
monografia sobre as relações entre trabalho e doença. São numerosas as citações relacionando 
métodos de trabalho e substâncias manuseadas com doenças. Destaca-se a intoxicação com 
mercúrio, cujos principais sintomas foram por ele relacionados.
Foi na Idade Moderna que viveu o mais expressivo médico no campo da saúde 
ocupacional, Bernardo Ramazzini (1633-1714), o qual recebeu o apelido de “Pai da Medicina 
do Trabalho” ou “Pai da Saúde Ocupacional”. Seu livro “De Morbis Artificum Diatriba”, um 
verdadeiro monumento da saúde ocupacional, descreve cerca de 100 profissões diversas e 
os riscos específicos de cada uma delas. Cada vez que atendia uma consulta, perguntava ao 
doente: qual a sua ocupação?
FIGURA 6 – DE RE METALLICA – LIVRO DE GEORGIUS AGRÍCOLA
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FONTE: Disponível em: <http://www.firenzelibri.net/public/img/45645.jpg>. 
Acesso em: 26 out. 2010.
Uma nova fase estava surgindo quando na Inglaterra, entre 1760 e 1830, iniciou-se a 
Revolução Industrial, um marco na industrialização moderna, com o surgimento da máquina de 
tear. Antes disso, o artesão era o dono das máquinas de fiação e tecelagem em que operava. 
Com a modernização seu custo evoluiu, não permitindo mais a este artesão possuí-las. Assim 
surgiram os industriais que, prevendo os altos níveis de produção, resolveram adquirir estas 
máquinas e empregar os artesões para fazê-las funcionar. Foi assim que iniciaram as primeiras 
fábricas de tecido e, com elas, o Capital e o Trabalho.
FONTE: Disponível em: <www.klickeducação.com.br>. Acesso em: 26 out. 2010.
FIGURA 7 – LIVRO DE RAMAZZINI 
FIGURA 8 – MÁQUINA DE FIAR (QUE ACELEROU A FABRICAÇÃO DE TECIDOS 
NO INÍCIO DA REVOLUÇÃO INDUSTRIAL) 
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Com a entrada da máquina a vapor o quadro industrial mudou totalmente. Houve o 
deslocamento destas indústrias para as grandes cidades, pois já não dependiam de cursos 
de água, e a mão de obra era abundante. Porém, as condições de trabalho eram as piores 
possíveis: calor, ventilação ruim e umidade somente pioravam as coisas. Estas novas fábricas 
nada mais eram que galpões improvisados.
FONTE: Disponível em: <www.mcaconsult.com.br>. Acesso em: 26 out. 2010.
Estas máquinas primitivas apresentavam todo tipo de riscos para seus trabalhadores, 
e suas consequências eram tão críticas, que começaram as reclamações, inclusive de 
órgãos governamentais. Todos exigiam melhores condições de trabalho. Mulheres e crianças 
também eram contratadas para trabalhar nestas fábricas improvisadas, e não havia qualquer 
preocupação com seu estado de saúde ou desenvolvimento físico. 
No final do século XVIII, o parque industrial inglês sofreu uma série de transformações, 
as quais, se por um lado trouxeram um aumento salarial aos trabalhadores, por outro lado 
trouxeram sérios problemas ocupacionais. O trabalho em máquinas sem proteção, executado 
geralmente em ambientes fechados, com ventilação precária, ruído altíssimo e sem limites 
de horas de trabalho trazia aos trabalhadores altíssimos índices de acidentes e moléstias 
profissionais.
A Revolução Industrial massacrou inocentes na Inglaterra, França e Alemanha, e os que 
sobreviveram a isto foram levados a trabalhar nas mais precárias condiçõesdas fábricas e minas, 
onde havia muito calor, gases, poeiras, ruídos e outras condições adversas. Podia-se notar 
isto através dos elevados índices de mortalidade entre estes trabalhadores, e principalmente 
entre as mulheres e crianças. Com a sofisticação das máquinas, naquela época, tivemos o 
aumento das taxas de acidentes, assim como a gravidade destes acidentes.
FIGURA 9 – EXEMPLO DE UMA FÁBRICA INGLESA, NO INÍCIO DA REVOLUÇÃO 
INDUSTRIAL 
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Charles Dickens, naquela época, tornou-se um grande adepto da causa prevencionista. 
Como era um grande romancista, em suas críticas violentas condenava o tratamento impróprio 
que as crianças tinham nas indústrias inglesas. Pouco a pouco tivemos uma modificação na 
legislação, a qual chegou à Teoria do Risco Social: o acidente de trabalho é um risco inerente à 
atividade profissional exercida em benefício de toda a comunidade, portanto é esta comunidade 
quem deverá arcar com o ônus da produção, ou seja, com os encargos provenientes dos 
acidentes e lesões.
Em 1775, Percival Lott identifica que a fuligem e a falta de higiene dos limpadores de 
chaminé, na Inglaterra, são as causas do câncer escrotal (câncer ocupacional). Percival também 
compara o trabalho dos limpadores ingleses com os alemães. Estes possuíam a roupa mais 
ajustada ao corpo, não permitindo a entrada da fuligem. Esta roupa era então uma espécie 
primitiva de EPI. Surgiu de seus estudos a chamada “Lei dos Limpadores de Chaminé”, de 1778.
Entre os anos de 1800 e 1830, várias leis foram criadas na Inglaterra, porém não 
obtiveram o efeito esperado devido à pressão dos empregadores. Veremos a seguir algumas 
delas.
Peel, em 1802 criou a primeira lei de proteção aos trabalhadores, a Lei da Saúde e Moral 
dos Aprendizes. Esta lei foi criada através de uma CPI. Estabelecia doze horas de trabalho 
diárias, proibia o trabalho noturno, obrigava a lavação das paredes das fábricas, no mínimo 
duas vezes ao ano e tornava obrigatória a ventilação industrial nas fábricas. Neste contexto, 
é importante a observação de Mantoux (apud FIGUEIREDO, 2007, p. 132):
A ‘Lei Peel’ (1802) é mencionada por Catharino como precursora na legisla-
ção sobre Higiene e Segurança do Trabalho. Tratava de proteção do trabalho 
noturno para os aprendizes nas fábricas de algodão na Inglaterra e tornou-se 
conhecida também com o nome de “Ato de Saúde e da Moral dos Aprendizes”. 
Seu autor, o moleiro Robert Peel, procurou disciplinar o trabalho de aprendizes 
em moinho e apresentou a lei visando à proteção dessas crianças pela fixação 
de um limite na jornada de trabalho e o estabelecimento de deveres relacio-
nados à educação e higiene no local de trabalho. Todavia, essa lei não teve 
eficácia até o ano de 1819, ocasião em que Peel, com a colaboração de Robert 
Owen, conseguiu a aprovação de nova lei no mesmo sentido. Destaque-se, 
dentre as prescrições estabelecidas na Lei de Peel, as de caráter sanitário: a 
caiação de paredes e tetos das oficinas deveria realizar-se periodicamente, as 
janelas das oficinas deveriam ser grandes o suficiente para permitir ventilação 
conveniente etc.
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FONTE: Disponível em: <http://adc.bmj.com/content/90/1/60/F2.large.jpg>. Acesso 
em: 26 out. 2010.
Charles Thackrah, em 1830, publica o primeiro livro sobre doenças ocupacionais na 
Inglaterra, inspirando a criação da legislação ocupacional inglesa. A edição definitiva, em 
1832, intitulava-se “The effects of arts, trades and professions and of the civic states and 
habits of living on health and longevity with suggestions for removal of many of the agents 
which produce disease and shorten the duration of life”, ou, numa tradução livre: “Os efeitos 
das artes, comércios, profissões e cidadãos e seus padrões de vida em saúde e longevidade 
e a sugestão de eliminação de muitos dos agentes que produzem doenças e diminuem a 
expectativa de vida”. 
Também em 1830, Robert Dernham, proprietário de uma fábrica têxtil, preocupado com o 
fato de que seus operários não dispunham de nenhum cuidado médico a não ser aquele propiciado 
por instituições filantrópicas, procurou o Dr. Robert Baker, seu médico, pedindo que indicasse qual 
a maneira pela qual ele, como empresário, poderia resolver tal situação. Baker respondeu-lhe:
Coloque no interior da sua fábrica o seu próprio médico, que servirá de interme-
diário entre você, os seus trabalhadores e o público. Deixe-o visitar a fábrica, 
sala por sala, sempre que existam pessoas trabalhando, de maneira que ele 
possa verificar o efeito do trabalho sobre as pessoas. E se ele verificar que 
qualquer dos trabalhadores está sofrendo a influência de causas que possam 
ser prevenidas, a ele competirá fazer tal prevenção. Dessa forma você poderá 
dizer: meu médico é a minha defesa, pois a ele dei toda a minha autoridade 
no que diz respeito à proteção da saúde e das condições físicas dos meus 
operários; se algum deles vier a sofrer qualquer alteração da saúde, o médico 
unicamente é que deve ser responsabilizado. (MENDES; DIAS, 2001).
A resposta do empregador foi a de contratar Baker para trabalhar na sua fábrica, surgindo 
assim, em 1830, o primeiro serviço de medicina do trabalho. 
Em 1831, Michael Saddler relatou em uma CPI as péssimas condições de trabalho na 
Inglaterra.
FIGURA 10 – CONDIÇÕES DE TRABALHO ANTES DA LEI DE PEEL 
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Como a Lei da Saúde e da Moral dos Aprendizes não era obedecida por falta de um 
organismo fiscalizador, foi promulgada, no ano de 1833, a “Lei das Fábricas”, sendo a primeira 
legislação realmente eficaz na proteção aos trabalhadores. Esta lei aplicava-se às fábricas 
têxteis. Entre os seus itens, podemos destacar a proibição ao trabalho noturno de menores de 
18 anos; restringia o trabalho a 12 horas/dia e 69 horas/semana; as fábricas deviam ter escola 
para os menores de 13 anos; a idade mínima para o trabalho era de 9 anos e deviam suprir 
atestado médico quanto ao desenvolvimento das crianças. Posteriormente, foram incluídas a 
obrigatoriedade da ventilação mecânica e a proibição de ingestão de alimentos nos locais de 
trabalho. (CARDOSO JÚNIOR, 2010).
Também em 1833, foi aprovada na Alemanha a Lei Operária, primeira legislação 
constituída em prol do trabalhador fora da Inglaterra.
Em 1842, na Escócia, James Smith, gerente de uma fábrica têxtil, contratava um médico 
para a realização de exames. Estes exames eram feitos antes da admissão do trabalhador, 
assim como exames periódicos, com orientação dos problemas de saúde e a prevenção de 
doenças ocupacionais ou não ocupacionais.
A Lei das Fábricas (Factory Act) foi reformulada em 1844, protegendo agora uma 
nova categoria de trabalhadores: as mulheres menores de 18 anos. Elas foram igualadas aos 
adolescentes, seu trabalho limitado a 12 horas diárias e proibido à noite.
FONTE: Disponível em: <http://www.ngfl.ac.uk/sculptrail/oastler.jpg>. 
Acesso em: 26 out. 2010.
Também com a Lei de 1844, o trabalho dos operários menores de 13 anos se reduziria 
a 6 horas e meia durante o dia. Com isto, inaugurou-se o trabalho em turnos. 
FIGURA 11 – RICHARD OASTLER (UM DOS LUTADORES PELOS 
DIREITOS DAS CRIANÇAS TRABALHADORAS NO 
FACTORY ACT)
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Para evitar o abuso dos industriários, iniciou-se o uso do relógio na fábrica, regulado 
semprepelo horário de um relógio público que ficasse mais próximo da fábrica, como, por 
exemplo, de uma estação ferroviária.
Estas minúcias, que regulam militarmente e ao som da sineta o período, os limites e as 
pausas de trabalho, não foram de modo algum o produto da fantasia parlamentar. Nasceram 
das circunstâncias e desenvolveram-se pouco a pouco, como leis naturais. Foi preciso uma 
longa luta social entre classes, antes de serem formuladas, reconhecidas e promulgadas em 
nome do Estado. (MARX, 1974, p. 176). 
Em 1847 é promulgado o “Ten Hour Act”, ou lei das 10 horas, terminando assim uma 
luta que havia há quase 20 anos para diminuir o horário de trabalho. Como curiosidade, esta 
lei tornou-se possível graças à união da classe operária com a classe industrial, em oposição 
à aristocracia latifundiária.
No ano de 1850, devido às dificuldades da aplicação da Lei de 1847, o parlamento 
inglês firmou um compromisso entre fabricantes e operários:
• o dia de trabalho passou de 10 horas para 10 horas e meia de segunda a sexta-feira e 
restringia-se a 7 horas e meia aos sábados para os adolescentes e as mulheres;
• o trabalho começava às 6 horas da manhã (antes era das 5 e meia até as 8 e meia da noite) 
e terminava às 6 da tarde, com pausas de hora e meia para a refeição;
• o sistema de turnos era abolido definitivamente;
• o trabalho infantil regia-se pela Lei de 1844.
A partir de 1862, a França passou a regulamentar a higiene e a segurança do trabalho. 
(BRASIL, 2010).
Em Portugal, somente após 60 anos de promulgação das leis inglesas é que foi definida 
a obrigatoriedade do descanso semanal para o comércio e para a indústria.
Pouco a pouco, no decorrer da segunda metade do século XIX, as inúmeras “Leis de 
Fábrica” se estendiam a todos os outros setores de indústrias.
No ano de 1878, houve a promulgação do “Factory and Workshops Act”, que definia 
como dez anos de idade a mínima para o ingresso no trabalho, restringia o trabalho de crianças 
entre 10 e 14 anos a dias de trabalho alternados ou a meio dia, a fim de poderem frequentar 
a escola, e também promulgava que o dia de trabalho não pudesse ultrapassar as 12 horas 
para a juventude entre 14 e 18 anos, com duas horas de descanso para as refeições.
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Em Berlim, na Alemanha, no ano de 1890, o kaiser Guilherme II convocou a Conferência 
de Berlim, sendo a primeira conferência internacional para questões trabalhistas.
Acerca desta conferência de 1890, e das organizações mundiais de trabalho, Segadas 
Viana (2003) diz o seguinte:
Pode marcar-se esta conferência como o final da primeira fase pela interna-
cionalização, iniciando-se a segunda em 1901, com a fundação, na Basileia, 
da Associação Internacional para a Proteção Legal dos Trabalhadores. Em 
1905 e 1906 houve duas conferências de caráter técnico sobre problemas do 
trabalho, em Berna, de iniciativa do governo suíço. Nova conferência realizou-se 
na mesma cidade, em 1913, e nela foram preparados dois projetos de con-
venções internacionais proibindo o trabalho noturno aos menores e limitando 
em 10 horas a duração do trabalho das mulheres e dos adolescentes. Tais 
convenções deveriam ser assinadas no ano seguinte, uma conferência que 
não se realizou por ter rebentado a I Guerra Mundial do século.
No século XX iniciou-se a expansão norte-americana, a qual colocou em risco o poderio 
europeu e mudou o enfoque das questões mundiais, principalmente porque trouxe alterações 
em relação ao comércio e à produção, levando a uma nova avaliação de importância dos 
povos. (SOUZA, 2006).
Após quase cem anos de discussões trabalhistas, iniciou a I Guerra Mundial. Nas 
negociações para alcançar a paz, discutiu-se a universalização do trabalho e seu tratamento. 
Deste modo criou-se uma comissão, denominada Conferência de Legislação Internacional 
do Trabalho, visando empenhar esforços para colocar em prática tais ideias. (SOUZA, 2006).
Foi neste contexto pós-guerra que se deram os primeiros passos para a criação da 
OIT – Organização Internacional do Trabalho. Internacional porque visava abranger todos os 
povos do planeta.
FONTE: Disponível em: <http://www.cut.org.br/sistema/ck/images/destaques/oit.
jpg>. Acesso em: 26 out. 2010.
FIGURA 12 – CONFERÊNCIA DA OIT 
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Nicolas Valticus, um estudioso do Direito Internacional do Trabalho, nos fala sobre a 
criação da OIT:
A Primeira Guerra Mundial produziu profundas modificações na posição e no 
peso da classe trabalhadora das potências aliadas. A trégua social e a coo-
peração que se estabeleceu na Europa Ocidental entre os dirigentes sindicais 
e os governantes, os grandes sacrifícios suportados especialmente entre os 
trabalhadores e o papel que desempenharam no desenlace do conflito, as 
promessas dos homens políticos de criarem um mundo novo, a pressão das 
organizações obreiras para fazer com que o Tratado de Versalhes consagrasse 
as suas aspirações de uma vida melhor, as preocupações suscitadas pela 
agitação social e as situações revolucionárias existentes em vários países, a 
influência exercida pela Revolução Russa de 1917 foram fatores que deram 
um peso especial às reivindicações do mundo do trabalho no momento das 
negociações do tratado de paz. Estas reivindicações expressaram-se, tanto em 
ambos os lados do Atlântico como em ambos os lados da linha de combate, 
inclusive durante os anos de conflito mundial. Ao final da guerra, os governos 
aliados, e principalmente os governos francês e britânico, elaboraram projetos 
destinados a estabelecer, mediante o tratado de paz uma regulamentação 
internacional do trabalho. (VALTICUS, 2000, p. 52).
É interessante ver o que nos informa o preâmbulo desta Conferência, o qual também 
passou a fazer parte do Tratado de Versalhes:
Considerando que a Sociedade das Nações tem por objetivo estabelecer a paz 
universal e que tal paz não pode ser fundada senão sobre a base da justiça social; em 
atenção a que existem condições de trabalho que implicam para um grande número de 
pessoas injustiça, miséria e provações, e que origina tal descontentamento que a paz e a 
harmonia universais correm perigo; em vista de que é urgente melhorar essas condições 
(por exemplo, no que concerne à regulamentação das horas de trabalho, à fixação de uma 
duração máxima da jornada e da semana de trabalho, ao aproveitamento da mão de obra, 
à luta contra o desemprego, à garantia de um salário que assegure condições convenientes 
de existência, à proteção dos trabalhadores contra as enfermidades gerais ou profissionais 
e os acidentes resultantes do trabalho, à proteção das crianças, dos adolescentes e das 
mulheres; às pensões de velhice e de invalidez, à defesa dos interesses dos trabalhadores 
ocupados no estrangeiro, à afirmação do princípio da liberdade sindical, à organização do 
ensino profissional e técnico e outras medidas análogas); tendo presente que a não adoção 
por uma nação qualquer de um regime de trabalho realmente humanitário é um obstáculo 
aos esforços das demais desejosas de melhorar a sorte dos trabalhadores nos seus próprios 
países; as Altas Partes Contratantes, movidas por sentimentos de justiça e humanidade, assim 
como pelo desejo de assegurar uma paz duradoura e mundial, convencionaram o que segue. 
FONTE: SUSSEKIND, Arnaldo. Direito Internacional do Trabalho. 3. ed. São Paulo: Ltr. p. 101.
A OIT se constitui originalmente de três órgãos: Conferência Internacional do Trabalho, 
também conhecida como Assembleia Geral, Conselho de Administração e Repartição (Escritório 
ou o Bureau Internacional do Trabalho). O Conselhoe a Conferência são integrados por 
representantes governamentais, patronais e dos trabalhadores, na proporção de dois para 
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os primeiros e um para cada um dos demais, estabelecendo-se, assim, igual número de 
representantes oficiais das classes produtoras. Compete à Conferência aprovar projetos de 
Convenções e de Recomendações, sujeitos à ratificação posterior de cada país.
FONTE: Disponível em: <http://portal.unesco.org/en/
files/32922/11902142573HPIM0045.JPG/HPIM0045.JPG>. Acesso 
em: 26 out. 2010.
Assim, a principal característica da Organização Internacional do Trabalho é a sua 
estrutura tripartida, onde há a participação de governo, patrão e empregado, tornando este 
organismo diferente de outros existentes em outros segmentos e que congregam diversos 
Estados soberanos do mundo.
A OIT tem como sede a Suíça, provavelmente por ter uma vocação pacifista. Seu primeiro 
diretor foi o francês Albert Thomas, presidindo esta organização até 1932.
São 39 os países membros fundadores da OIT, entre eles está o Brasil.
FIGURA 13 – SEDE DA OIT, EM GENEBRA, SUÍÇA 
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Leia o texto da Convenção nº 155 da OIT no site: <http://
segurancaesaudedotrabalho.blogspot.com/2009/07/convencao-
n-155-da-oit.html>.
Em 1953, a OIT, através de sua Recomendação 97 sobre a “Proteção da Saúde dos 
Trabalhadores”, fomentou a formação de médicos de trabalho qualificados. No ano de 1954, a 
OIT convocou um grupo de especialistas para organizar as diretrizes gerais de “Serviços Médicos 
de Trabalho”. Em 1958, substituiu esta denominação por “Serviços de Medicina do Trabalho”.
Em 1959, com a experiência dos países industrializados, formou-se a Recomendação 
112, sobre “Serviços de Medicina do Trabalho”. Este instrumento normativo de âmbito 
internacional passou a ser um referencial e paradigma para o estabelecimento de diplomas legais 
nacionais. A norma brasileira baseia-se nela. São abordados temas que incluem a definição, os 
métodos de aplicação da Recomendação, a organização dos serviços, suas funções, pessoal 
e instalações, e meios de ação.
Segundo esta Recomendação 112, a expressão “Serviços de Medicina do Trabalho” 
designa um serviço organizado nos locais de trabalho ou em suas imediações, destinado 
a: assegurar a proteção dos trabalhadores contra todo o risco que prejudique a sua saúde 
e que possa resultar de seu trabalho ou das condições em que este se efetue; contribuir à 
adaptação física e mental dos trabalhadores, em particular pela adequação do trabalho e pela 
sua colocação em lugares correspondentes às suas aptidões; contribuir ao estabelecimento e 
manutenção do nível mais elevado possível do bem-estar físico e mental dos trabalhadores.
 Na segunda metade da década de 60, um movimento social renovado, revigorado 
e redirecionado aparece nos países industrializados do mundo ocidental, principalmente na 
Alemanha, França, Inglaterra, Estados Unidos e Itália. Ele questiona o sentido da vida, o valor 
da liberdade, o significado do trabalho na vida, o uso do corpo e a queda de valores obsoletos, 
sem significado para a nova geração. Surge disto a troca do conceito de saúde ocupacional 
pelo da saúde do trabalhador. (MENDES; DIAS, 2001, p. 344).
Isto fez surgir uma nova legislação, que tem como pilar o reconhecimento do exercício 
de direitos dos trabalhadores, entre eles, o direito à informação (sobre a natureza dos riscos, 
as medidas de controle adotadas pelo empregador, os resultados de exames médicos e de 
avaliações ambientais, entre outros), o direito à recusa ao trabalho em condições de risco 
grave à saúde ou à vida do trabalhador; o direito à consulta prévia aos trabalhadores, pelos 
empregadores, antes de mudanças de tecnologia, métodos, processos e formas de organização 
do trabalho, e o estabelecimento de mecanismos de participação, desde a escolha de 
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tecnologias até, em alguns países, a escolha dos profissionais que irão atuar nos serviços de 
saúde no trabalho. (MENDES; DIAS, 2001, p. 345).
Na década de 70, tivemos mudanças ainda maiores nos processos de trabalho, 
principalmente com a tendência de terceirização, marcada pelo declínio das indústrias (setor 
secundário) e crescimento acentuado dos serviços (setor terciário), gerando então uma mudança 
no perfil da força de trabalho empregada.
Também nesta década aconteceu um processo de transferência das indústrias para 
o terceiro mundo, principalmente daquelas que provocam poluição ambiental ou risco para a 
saúde, e das que precisam de muita mão de obra, com baixa tecnologia. Com a alta do preço 
do petróleo naquela época, estes países do terceiro mundo buscavam o desenvolvimento 
econômico a qualquer custo, e viram aí a oportunidade de amenizar o desemprego e gerar 
divisas. Podemos também destacar, nesta época, a implantação de novas tecnologias, tais 
como a automação e a informatização. Estas duas últimas tecnologias trouxeram profundas 
modificações na organização do trabalho, permitindo ao capital diminuir sua dependência dos 
trabalhadores e aumentando o controle sobre eles. Ressurge, então, o Taylorismo, ainda mais 
acentuado, com a primazia da gerência e com o crescimento do planejamento e controle do 
trabalho.
3 ANTECEDENTES HISTÓRICOS DA 
 SEGURANÇA E HIGIENE DO TRABALHO NO BRASIL
No Brasil colonial, que vai desde o descobrimento (1500) até a nossa Independência, 
em 1822, de uma forma geral, o atendimento médico era escasso, principalmente no tocante 
aos trabalhadores. Os únicos que tinham atendimento médico eram os militares, pois para eles 
havia físicos e cirurgiões-mor, bem como hospitais militares. Aos outros trabalhadores, restava 
o atendimento nas Santas Casas, com poucos cirurgiões, ou então os cuidados da medicina 
doméstica, com os sangradores (cirurgiões pouco instruídos) e os boticários (farmacêuticos), 
entre outros curadores. Os escravos, quando sofriam acidentes ou ficavam doentes, contavam 
somente com a caridade dos senhores ou do Estado paternalista. (TOLEDO; MARQUES, 2008).
De acordo com Polignano (2009), a atenção à saúde nessa época, “[...] limitava-se 
aos próprios recursos da terra (plantas, ervas) e àqueles que, por conhecimentos empíricos 
(curandeiros), desenvolviam as suas habilidades na arte de curar”.
Em 1710 aconteceu a primeira intervenção neurocirúrgica no Brasil, na cidade de 
Sabará, MG. Esta cirurgia teve relação com acidente de trabalho, pois foi um traumatismo 
crânio-encefálico com fraturas expostas e afundamento ósseo, causado pela queda de galho 
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de árvore sobre a cabeça de um escravo. O caso está registrado no erário mineral, escrito 
pelo cirurgião português Luis Gomes Ferreyra, originalmente publicado em Lisboa no ano de 
1735. (TOLEDO; MARQUES, 2008).
Até o final dos anos 1800, a mão de obra escrava era a mais utilizada nas indústrias 
brasileiras. Com a sua libertação, esta mão de obra foi substituída em parte pelos imigrantes, os 
quais chegavam de países onde a Revolução Industrial e as consequentes conquistas sociais 
dos trabalhadores já era realidade. Estes imigrantes, possuidores de uma certa consciência de 
classe, apoiados por alguns idealistas, médicos e políticos, iniciaram uma série de movimentos 
reivindicatórios por melhores condições de vida etrabalho, realizando greves em 1907 e 1912, 
e as grandes greves de 1917 a 1920. (NUNES, 2010).
Naquela época, as condições das fábricas eram assim descritas: as instalações das 
fábricas eram improvisadas, mal-iluminadas, mal-ventiladas e sem instalações sanitárias; as 
máquinas eram dispostas umas coladas às outras, com engrenagens e correias girando sem 
nenhuma proteção; a jornada de trabalho chegava a ter até 16 horas diárias, incluindo muitas 
vezes o domingo, sem qualquer salário adicional; grande parte da mão de obra era constituída 
por mulheres e crianças, inclusive com trabalho noturno e com salário de apenas 33% do salário 
dos homens; o número de acidentes de trabalho era enorme, causados pelo cansaço, pela 
falta de preparo e proteção; inexistiam as legislações trabalhistas, indenizações por acidentes 
de trabalho, auxílio-doença, salário durante o período de afastamento etc. (NUNES, 2010).
A mineração (mina subterrânea) era também uma atividade muito frequente nesta época 
no Brasil, principalmente em Minas Gerais. Nesta atividade, o trabalhador estava exposto às 
condições de trabalho permanentemente insalubres. Toledo e Marques (2008) mencionam um 
acidente descrito no romance Morro Velho, obra que descreve as condições de trabalho na 
mina de Morro Velho, em Nova Lima, MG, no fim do século XIX. O autor do romance, Avelino 
Fóscolo, fora um funcionário desta mina:
O autor descreve um acidente, onde a roldana escapuliu da mão de um negro 
e, na tentativa de prender a manivela, três mineiros foram atingidos. Passa-
do o mal-estar do personagem principal, causado pelo acidente, ouve-se o 
comentário de um antigo operário sobre o real perigo das minas: ‘poeira fina 
espalhada pelas brocas e pelos carros – ela se mete traiçoeiramente na gar-
ganta da gente, forma uma espécie de cimento nos bofes e, quando o diabo 
pega uma pneumonia ou mesmo uma gripe, vem o diacho de uma tosse que 
não há santo capaz de tirar. O cabra aí está com uma viagem de ida sem volta 
para a cidade dos pés juntos’.
Rossit (2001, p. 112) destaca que, nessa época, a preocupação com o adoecimento 
do trabalhador era para que não se prejudicasse a produtividade:
Em verdade, não se questionava o problema do trabalho e de suas condições 
como fatores de agravo à saúde dos trabalhadores. O enfoque existente na 
época relacionava-se ao aspecto do local de trabalho favorecendo a doença e 
desta prejudicando o trabalho, numa clara preocupação quanto à produtividade 
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e não, propriamente, quanto ao aspecto humanitário.
LEITURA COMPLEMENTAR
SAÚDE E SEGURANÇA DO TRABALHO – EVOLUÇÃO HISTÓRICA
Não podemos começar a falar de saúde e segurança do trabalho, sem antes contarmos 
um pouco de sua história.
A Revolução Industrial constitui-se numa profunda transformação na cultura material do 
Ocidente. Nós usualmente consideramos que ela surgiu em torno de 1700. Com os preconceitos 
às aplicações práticas das ciências na Antiguidade e com o tradicionalismo da Idade Média, 
o século XVIII encontrou o mundo utilizando, com raras exceções, os mesmos utensílios, as 
mesmas técnicas, as mesmas formas de comunicação que eram usadas desde os primórdios. 
Os Estados ainda guardavam as características do feudalismo, com seus territórios isolados e 
praticamente independentes, onde a atividade econômica principal era a agrícola, explorada 
com técnicas bastante rudimentares. Nessa época não existiam empresas da forma como 
as conhecemos hoje. Elas eram domiciliares, praticamente não havia divisão de trabalho e a 
produção estava a cargo de artesãos que executavam o trabalho manualmente, sendo poucas 
as máquinas utilizadas. Os mercados dessas empresas eram circunscritos pelos respectivos 
territórios dos Estados, e predominavam as relações empregador-empregado.
Não se pode afirmar que a Revolução Industrial tenha tido início numa data fixada, mas 
foi em fins do século XVIII que tomou grande impulso.
Com essas condições, a chamada Revolução Industrial nasceu na Inglaterra e 
posteriormente espalhou-se para o mundo. Teve como consequências profundas mudanças 
econômicas, sociais e políticas, tais como: “uma rápida e intensa urbanização: durante o século 
XIX duplica-se a população da Europa; o desenvolvimento industrial se inicia; aperfeiçoam-se 
os meios de transporte; incrementa-se o comércio interno e internacional; e há a redistribuição 
das riquezas e do poder entre os países”.
O Brasil tem uma legislação relativamente nova em matéria previdenciária. Tendo sido 
sua economia baseada no braço escravo e na agricultura até praticamente o início deste século, 
não tinha o Brasil se defrontado com problemas que países – que já contavam apenas com 
trabalhadores livres e com uma indústria crescente – vinham conhecendo. Só depois da Primeira 
Guerra Mundial é que, no nosso país, em decorrência da assinatura de tratados internacionais, 
como o Tratado de Versalhes, se cogitaram medidas legislativas tendentes à proteção dos 
trabalhadores que, já então, começavam a se concentrar nas cidades. Ainda no campo da 
Segurança e Saúde do Trabalho, atuam diversas outras ciências como a Medicina, a Psicologia 
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e a Fisiologia do Trabalho, a Toxicologia etc. Todas com o mesmo objetivo fundamental da 
Segurança e da Higiene do Trabalho, ou seja, a preservação da saúde, integridade física e 
bem-estar físico e psicológico dos trabalhadores.
Como se percebe, a saúde e a segurança do trabalhador dependem de uma série de 
profissionais, que, embora atuando em áreas diferentes, devem possuir antes de tudo espírito 
de equipe para que o objetivo comum mencionado seja alcançado: a preservação da saúde, 
bem-estar e integridade física do trabalhador.
Nós, profissionais do Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e Medicina 
do Trabalho (SESMT), acreditamos que é preciso Conhecer para Prevenir e a partilha de 
conhecimento é uma ferramenta importante para que a sociedade como um todo contribua 
para que ocorram menos acidentes e doenças do trabalho.
A redução dos acidentes do trabalho traz, entre outros, os seguintes benefícios 
econômicos às empresas:
• Redução dos prejuízos financeiros decorrentes de paradas na produção, treinamento de 
trabalhadores substitutos, atrasos na entrega dos produtos etc.
• Redução dos prejuízos financeiros decorrentes dos desperdícios de material.
• Melhoria do moral do trabalhador com implicações positivas para a produtividade.
• Redução do preço final do produto.
• Redução das taxas de seguro contra acidentes do trabalho.
Se fizermos prevenção e, com ela, não tivermos acidentes; não tendo acidentes, não 
teremos desperdícios/custos não assegurados.
Seguimos firmes na proposta de, através da partilha de conhecimentos, construirmos 
uma prevenção melhor. Entendemos que seja esta a parte de nossa contribuição para um 
Brasil melhor.
No Brasil, a População Economicamente Ativa (PEA), segundo estimativa do IBGE 
(PNAD, 2002), era de 82.902.480 pessoas, das quais 75.471.556 eram consideradas ocupadas. 
Dessa população, 41.755.449 eram empregados; 5.833.448 eram empregados domésticos; 
17.224.328 eram trabalhadores por conta própria; 3.317.084 eram empregadores; 3.006.860 
eram trabalhadores na produção para próprio consumo e construção para próprio uso; e 
4.334.387 eram trabalhadores não remunerados. Portanto, entre os 75.471.556 trabalhadores 
ocupados em 2002, apenas 22.903.311 — com carteira assinada — possuíam cobertura da 
legislação trabalhista e do Seguro de Acidentes do Trabalho.
A distribuição dos trabalhadores, segundo setor produtivo,revela que, das 75.471.556 
pessoas consideradas ocupadas (PNAD-2002), 19,53% estão no setor agrícola e extrativista; 
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13,72% no setor da indústria de transformação e 17,15% no setor de comércio e reparação. Essa 
diversidade e complexidade das condições e ambientes de trabalho dificultam o estabelecimento 
de prioridades e o desenvolvimento de alternativas de eliminação e controle dos riscos. Esses 
números podem não representar a realidade, uma vez que muitos acidentes de trabalho não 
são notificados e não constam nas estatísticas.
Diante de indicadores tão expressivos é importante, tanto para o trabalhador como para 
o empregador, conhecer como a questão abordada pode interferir diretamente na sua atividade. 
Em caso de acidente de trabalho, após incontáveis discussões doutrinárias, a competência 
foi atribuída à Justiça do Trabalho, que deverá apreciar os conflitos decorrentes da relação 
de emprego. Assim está definido no artigo 114 da Constituição Federal, e no artigo 643 da 
Consolidação das Leis Trabalhistas. Com o advento da Emenda Constitucional nº 45, de 8 
de dezembro de 2004, toda a discussão doutrinária continuou nos bastidores, uma vez que a 
competência exclusiva da Justiça do Trabalho para apreciar o dano moral, advindo da relação 
de emprego, se estabeleceu. Observou-se a importância do tema para as relações jurídicas.
Delimitar o grau de responsabilidade civil e criminal com relação ao acidente de trabalho 
no Brasil não é tarefa simples, sendo, contudo, fundamental para a manutenção do equilíbrio 
e da justiça.
A Lei nº 78.213/91 já estabelecia, em seu artigo 120, a possibilidade de o INSS ingressar 
com “ação regressiva” para obter o ressarcimento, junto a empresas negligentes quanto às 
normas de segurança e higiene do trabalho, de gastos com benefícios pagos pela Previdência 
Social. Esse risco de passivo para as empresas já é real e agora tende a se intensificar. Com o 
déficit da Previdência estimado em R$ 38 bilhões para 2009, a tendência é haver um aumento 
de ações de regresso. Segundo foi divulgado, em 2007, a Previdência Social gastou R$ 10,7 
bilhões com benefícios previdenciários decorrentes de acidentes de trabalho e de atividades 
insalubres. No ano anterior, foram R$ 9,94 bilhões. De acordo com o Anuário Estatístico da 
Previdência Social de 2007, cerca de 653 mil acidentes do trabalho foram registrados no INSS 
naquele ano, número 27,5% superior ao de 2006.
O Decreto nº 6.042/07, ao regular o Fator Acidentário de Prevenção (FAP) e o Nexo 
Técnico Epidemiológico de Prevenção (NTEP), estabelece que a perícia médica do INSS, 
quando constatar indícios de culpa ou dolo por parte do empregador em relação à causa 
geradora dos benefícios por incapacidade concedidos, deverá oficiar a Procuradoria do INSS. A 
perícia deve, então, subsidiar a Procuradoria com evidências e demais meios de prova colhidos, 
notadamente quanto aos programas de gerenciamento de riscos ocupacionais, para ajuizamento 
de ação regressiva contra os responsáveis, e possibilitar o ressarcimento à Previdência Social 
do pagamento de benefícios por morte ou por incapacidade permanente ou temporária.
Além dos passivos por ações regressivas, os afastamentos da empresa (por doenças 
ocupacionais ou não) geram vários custos para a empresa que não são inventariados, sendo 
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que ela deve contabilizar e administrar melhor esse fluxo, especialmente em época de crise. 
Um controle pode representar uma grande economia para a empresa. Há uma premissa médica 
que diz que o custo do tratamento é dez vezes maior que o da prevenção.
Lembremos ainda que os primeiros 15 dias de afastamento por doença ou acidente 
são custeados pela empresa. Há também o custo da substituição dos afastados. Além disso, 
os benefícios previdenciários de origem ocupacional podem gerar estabilidade de no mínimo 
um ano, danos morais e patrimoniais — pensões vitalícias, despesas médicas etc. — e, em 
alguns casos, até responsabilidade criminal. As empresas que não administrarem os seus 
afastados poderão, ano a ano, ver seu Seguro Acidente de Trabalho (SAT) aumentar em até 
100%, por conta do Fator Acidentário de Prevenção (FAP), enquanto aquelas que tiverem um 
bom controle poderão reduzir seu SAT em 50%. Hoje, a alíquota do SAT varia de 1% a 3% 
sobre toda folha de pagamento.
Os acidentes de trabalho causam cerca de 3 mil mortes por ano no país. Dados da 
Previdência Social mostram que, no setor privado, 653.090 acidentes foram registrados em 
2007, número maior que o do ano anterior, de 512.232 casos. Para lembrar que esse tipo de 
problema continua ocorrendo em todo o mundo, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) 
instituiu o dia 28 de abril como o Dia Mundial de Segurança e Saúde no Trabalho.
O PAPEL DO TÉCNICO DE SEGURANÇA DO TRABALHO
O Técnico de Segurança do Trabalho exerce papel de vital importância para o meio 
social. Nós, profissionais, somos designados para encontrar soluções adequadas para defender 
os trabalhadores contra os riscos do ambiente de trabalho, defendendo assim a integridade 
humana e assegurando a produtividade do trabalhador. A segurança do trabalho é uma 
atividade que busca introduzir no setor produtivo, incluindo aí os trabalhadores e a direção 
da empresa, conceitos fundamentais sobre a prevenção de acidentes. É válido ressaltar os 
elevados índices de acidentes no trabalho e que este quadro, para ser revertido, deve ter uma 
ação compartilhada de todos os segmentos da organização. O técnico deve ser capaz de 
compreender sua responsabilidade na condução da aplicação dos preceitos prevencionistas, 
a fim de minimizar a incidência dos riscos profissionais.
Dados da OIT (Organização Internacional do Trabalho) relatam a ocorrência de mais 
de 1,2 milhões de mortes por acidentes de trabalho no mundo, ou seja, são dois trabalhadores 
mortos por minuto. As principais causas dos acidentes são a deterioração das condições 
de trabalho e o desrespeito ao direito de segurança do trabalhador ou a falta de uma 
regulamentação adequada. Mas essa condição já vem de muito tempo, o Brasil mergulhava 
num poço sem fundo de mortes e doenças ocupacionais. Na década de 70 o país passava 
por um dos períodos mais críticos de sua vida democrática e as estatísticas de acidentes 
eram as mais altas do mundo. Devido à cobrança da participação do Brasil na OIT, nasce na 
década de 70 o PNVT (Plano Nacional de Valorização do Trabalhador), e através da Portaria 
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nº 3.236 e nº 3.237, de 02/07/1972, nasce o primeiro curso de Segurança do Trabalho do país, 
classificando os profissionais como “Inspetor de Segurança”. Com o intuito de reforçar as ações 
contra os acidentes do trabalho é criada a Portaria nº 3.089, de 02/04/1973, criando assim a 
obrigatoriedade por parte das empresas de constituírem o SESMT (Serviço Especializado de 
Segurança e Medicina do Trabalho), e altera a denominação da função para Supervisor de 
Segurança. Em 27 de novembro de 1985, nossa classe é definitivamente reconhecida como 
categoria profissional, através da Lei n° 7.410, e o decreto n° 95.530, de 09/04/1986, encerra o 
PNVT criado na década de 70. E assim nasce a atual denominação de Técnico de Segurança do 
Trabalho. Grandes aliadas dos profissionais técnicos são as NR (Normas Regulamentadoras), 
criadas pelo governo através da Portaria nº 3.214 do TEM vigente desde 06/07/78, relativas à 
Segurança e Medicina do Trabalho.Estas normas estão previstas no capítulo V da CLT. Uma 
das NRs mais importantes para o desenvolvimento da função dos técnicos é a de nº 06, que 
rege normas sobre a utilização, controle, guarda e conservação dos EPIs (Equipamentos de 
Proteção Individual). Traz diretrizes aos empregadores da obrigatoriedade do fornecimento 
gratuito, treinamento e fiscalização de uso dos EPIs e aos empregados a obrigatoriedade da 
utilização para o fim a que se destina, a conservação e guarda. E garante a nós, profissionais 
técnicos, condições de cobrar dos empregadores a aplicação correta dos EPIs para a 
eliminação de condições de risco encontradas nos ambientes de trabalho; cabe a nós treinar 
os empregados e fiscalizar a utilização. Dentro do contexto da norma existe o CA (certificado 
de aprovação) que rege a legalidade de cada equipamento. Esse certificado é emitido pelo 
Ministério do Trabalho e Emprego e tem prazo de validade; após o prazo vencido o fabricante 
deve solicitar um novo certificado. Com o passar dos anos várias ações foram tomadas para 
favorecer a aplicação e fortalecer a classe dos técnicos de segurança do trabalho. Nos dias 
de hoje vemos ser lançadas no mercado várias ferramentas que vêm para somar no quesito 
prevenção de acidentes, pois colocam o técnico em uma situação muito confortável quando 
se trata de atualização de mercado, trazendo-lhe comodidade e facilidade.
FONTE: Disponível em: <http://pessoal.educacional.com.br/up/81000001/6650946/
MAT%C3%89RIA%20JORNAL.pdf>. Acesso em: 12 dez. 2010.
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RESUMO DO TÓPICO 1
Finalizamos, agora, nosso primeiro tópico do estudo da Introdução à Segurança 
do Trabalho. Neste tópico, você viu que:
• A Segurança do Trabalho está evoluindo, desde os primórdios até os dias de hoje.
• Começou a ser tratada seriamente com o advento da Revolução Industrial, que trouxe as 
pessoas dos campos para as cidades e fábricas.
• A OIT está trabalhando pela internacionalização do Direito do Trabalho, e o Brasil faz parte 
de seu escopo.
• No Brasil, temos, além da Constituição Federal, a CLT (Consolidação das Leis Trabalhistas) 
e as NRs (Normas Regulamentadoras), que são dispositivos jurídicos para a implantação 
da Segurança no Trabalho.
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Elabore um quadro com um resumo, formando uma linha cronológica com os 
avanços, tanto em termos mundiais como no Brasil em relação à Segurança no Trabalho. 
Você poderá se basear no modelo a seguir:
Ano Pessoa/entidade O que aconteceu
2360 a.C. Papiro Sallier II Descrição de funções.
1700 a.C. Código Hamurabi Punição a quem não zelasse pelo trabalho correto.
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ACIDENTES DE TRABALHO
1 INTRODUÇÃO
2 CONCEITO LEGAL
TÓPICO 2
Neste tópico, veremos dois conceitos de acidentes de trabalho. Um é o conceito legal 
(provém de leis), enquanto o outro é um conceito mais amplo. Também veremos como são 
classificados estes acidentes, sua caracterização, os fatores que os causam e os benefícios 
das leis.
De acordo com o artigo 19 da Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991 (Lei de Planos e 
Benefícios da Previdência Social): “Acidente do trabalho é aquele que ocorre no exercício do 
trabalho a serviço da empresa, provocando lesão corporal ou perturbação funcional que cause 
a morte, perda, redução permanente ou temporária de sua capacidade para o trabalho”.
Com esta definição, o legislador se preocupou basicamente na definição do acidente com 
a finalidade da proteção ao trabalhador que sofreu um acidente, garantindo-lhe indenização.
O acidente é apreciável somente em relação à pessoa, e daí resulta que as únicas 
consequências indenizáveis são as relativas à lesão ou à saúde.
Nessa definição, o acidente ganha um sentido amplo, abrangendo também as doenças 
ocupacionais ou moléstias profissionais, para fins de reparação de dano sofrido pelo trabalhador.
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3 CONCEITO PREVENCIONISTA
Do ponto de vista técnico, porém, esta definição não é satisfatória, pois retrata somente 
as consequências sobre o homem.
Acidente do trabalho será toda a ocorrência, não programada e não planejada, que 
interferir no andamento normal do trabalho e da qual resulte lesão no trabalhador e/ou perda 
de tempo e/ou danos materiais ou as três situações simultaneamente. 
Como exemplo deste conceito prevencionista, podemos citar uma queda de uma caixa:
• Se a caixa, ao cair, não se danificou e nem feriu o operário, tivemos somente uma perda de 
tempo.
• Se a caixa se danificou, tivemos a perda de tempo e de material.
• Porém, se esta caixa se danificou e feriu o homem, tivemos perda de tempo, de material 
e dano ao funcionário.
FONTE: Disponível em: <http://curiosidadesnanet.wordpress.com/2009/05/18/
acidentes-de-trabalho/>. Acesso em: 5 nov. 2010.
FIGURA 14 – ACIDENTES DE TRABALHO NA VISÃO PREVENCIONISTA 
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3.1 LEGISLAÇÃO PREVENCIONISTA
A prevenção de acidentes de trabalho também é uma obrigação legal fixada pela 
Constituição Federal (Art.º 7º, inciso XXII), tendo, inclusive, um capítulo especial na 
Consolidação das Leis Trabalhistas que trata deste assunto, o Capítulo V “Da Segurança e 
Medicina do Trabalho”.
As atividades legais e administrativas estão vinculadas ao Ministério do Trabalho e 
Previdência Social (MTPS) no que diz respeito à prevenção de acidentes nas empresas. A 
Portaria nº 3.214/78 disciplina todo o assunto, através de 32 Normas Regulamentadoras de 
Segurança e Medicina do Trabalho, fixando obrigações para empregados e empresas, no que 
diz respeito às medidas prevencionistas.
A Lei nº 8.213, de 24/07/1991, que dispõe sobre os Planos de Benefícios da Previdência 
Social e dá outras providências, define, em seu artigo 19, que o acidente do trabalho é aquele 
sofrido pelo empregado durante o exercício de seu trabalho, a serviço da empresa ou pelo 
exercício do trabalho de agropecuarista (até 4 módulos rurais), de seringueiro ou de outra 
atividade extrativista, de pescador artesanal, ou de cônjuge ou companheiro, bem como filho 
maior de 16 anos de idade que comprovadamente trabalhem em um grupo familiar (atividade 
esta em que o trabalho dos membros da família é indispensável à própria subsistência e ao 
desenvolvimento socioeconômico do núcleo familiar e é exercido em condições de mútua 
dependência e colaboração, sem a utilização de empregados permanentes). Este acidente, 
ainda conforme o art. 19 deve provocar lesões corporais ou perturbação funcional que cause 
a morte ou a perda ou redução, permanente ou temporária, da capacidade para o trabalho.
Segundo esta lei, ainda no art. 19:
• a empresa é responsável pela adoção e uso das medidas coletivas e individuais de proteção 
e segurança da saúde do trabalhador;
• constitui contravenção penal, punível com multa, deixar a empresa de cumprir as normas 
de segurança e higiene do trabalho;
• é dever de a empresa prestar informações pormenorizadas sobre os riscos da operação 
a executar e do produto a manipular;
A diferença entre os dois conceitos reside no fato de que no primeiro é necessário haver 
lesão física,enquanto que no segundo são levados em consideração, além das lesões físicas, 
a perda de tempo e os danos materiais.
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• o MTE – Ministério do Trabalho e do Emprego – fiscalizará e os sindicatos e entidades 
representativas de classe acompanharão o fiel cumprimento do disposto nos parágrafos 
anteriores, conforme o fiel cumprimento do disposto nos parágrafos anteriores, conforme 
dispuser o Regulamento.
O artigo 20 define os acidentes de trabalho, nos termos do artigo anterior (19º), as 
seguintes entidades mórbidas (grifos nossos):
I. Doença profissional, assim entendida a produzida ou desencadeada pelo exercício do 
trabalho peculiar a determinada atividade e constante da respectiva relação elaborada pelo 
Ministério do Trabalho e do Emprego e da Previdência Social (está ligada a determinado 
trabalho, como a silicose (poeira), bagaçose (cana-de-açúcar), hidrargirismo (mercúrio), 
saturnismo (chumbo), asbestose (amianto) etc., bem como à L.E.R.).
II. Doença do Trabalho, assim entendida a adquirida ou desencadeada em função de 
condições especiais em que o trabalho é realizado e com ele se relacione diretamente, 
constante da relação mencionada no inciso I. (A forma em que o trabalho é desenvolvido e 
que pode levar à doença: dermatite de contato, surdez, acuidade visual, pneumopatias etc.)
Não são consideradas como doenças do trabalho:
a) a doença degenerativa;
b) a inerente ao grupo etário;
c) a doença que não produza incapacidade laborativa;
d) a doença endêmica adquirida por segurado habitante da região em que ela se desenvolva, 
salvo comprovação de que é resultante de exposição ou contato direto determinado pela 
natureza do trabalho.
Em caso excepcional, constatando-se que a doença não está incluída na relação prevista 
acima e que resultou das condições especiais em que o trabalho é executado e com ele se 
relaciona diretamente, a Previdência Social deve considerá-la como acidente de trabalho.
Seguindo, no artigo 21, equiparam-se ao acidente do trabalho, para efeito desta Lei:
I. o acidente ligado ao trabalho que, embora não tenha sido a causa única, haja contribuído 
diretamente para a morte do segurado, para redução ou perda da sua capacidade para o 
trabalho, ou produzido lesão que exija atenção médica para a sua recuperação;
II. o acidente sofrido pelo segurado no local e no horário de trabalho, em consequência de:
a) ato de agressão, sabotagem ou terrorismo praticado por terceiro ou companheiro de 
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trabalho;
b) ofensa física intencional, inclusive de terceiro, por motivo de disputa relacionada ao trabalho;
c) ato de imprudência, de negligência ou de imperícia de terceiro ou de companheiro de 
trabalho;
d) ato de pessoa privada do uso da razão;
e) desabamento, inundação, incêndio e outros casos fortuitos ou decorrentes de força maior.
III. a doença proveniente de contaminação acidental do empregado no exercício da sua 
atividade;
IV. o acidente sofrido pelo segurado ainda que fora do local e horário de trabalho:
a) na execução de ordem ou na realização de serviço sob a autorização da empresa;
b) na prestação espontânea de qualquer serviço à empresa para lhe evitar prejuízo ou 
proporcionar proveito;
c) em viagem a serviço da empresa, inclusive para estudo, quando financiada por esta dentro 
de seus planos para melhor capacitação da mão de obra, independentemente do meio de 
locomoção utilizado, inclusive veículo de propriedade do segurado;
d) no percurso da residência para o local de trabalho ou deste para aquela, qualquer que 
seja o meio de locomoção, inclusive veículo de propriedade do segurado.
§ 1º Nos períodos destinados à refeição ou descanso, ou por ocasião da satisfação de outras 
necessidades fisiológicas, no local de trabalho ou durante este, o empregado é considerado 
no exercício de trabalho.
§ 2º Não é considerada agravação ou complicação de acidente do trabalho a lesão que, 
resultante de acidente de outra origem, se associe ou se superponha às consequências 
do anterior.
O art. 21-A foi incluído, através da Lei nº 11.430, de 2006. A perícia médica do INSS 
considerará caracterizada a natureza acidentária da incapacidade quando constatar ocorrência 
do Nexo Técnico Epidemiológico entre o trabalho e o agravo, decorrente da relação entre 
a atividade da empresa e a entidade mórbida motivadora da incapacidade elencada na 
Classificação Internacional de Doenças – CID.
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I. A perícia médica do INSS deixará de aplicar o disposto neste artigo, quando demonstrada 
a inexistência do nexo em que trata o caput deste artigo;
II. A empresa poderá requerer a não aplicação do nexo técnico epidemiológico, de cuja 
aplicação caberá recurso com efeito suspensivo, da empresa ou do segurado, ao Conselho 
de Recursos da Previdência Social.
O artigo 22 trata da comunicação de acidente: a empresa deverá comunicar o acidente 
do trabalho à Previdência Social até o 1º dia útil seguinte ao da ocorrência e, em caso de 
morte, de imediato à autoridade competente, sob pena de multa variável entre o limite mínimo 
e o limite máximo do salário de contribuição, sucessivamente aumentada nas reincidências, 
aplicada e cobrada pela Previdência Social.
§ 1º Da comunicação a que se refere este artigo, receberão cópia fiel o acidentado ou seus 
dependentes bem como o sindicato a que corresponde a sua categoria. [Também terá 
uma cópia fiel, o hospital no qual o trabalhador foi atendido, o INSS e ficará uma cópia na 
empresa para futuras fiscalizações e controle da empresa, podendo o SESMT também 
obter uma cópia. A cópia original ficará com o funcionário.] 
§ 2º Na falta de comunicação por parte da empresa, podem formalizá-la o próprio acidentado, 
seus dependentes, a entidade sindical competente, o médico que o assistiu ou qualquer 
autoridade pública, não prevalecendo, nestes casos, o prazo previsto neste artigo.
§ 3º A comunicação a que se refere o parágrafo 2º não exime a empresa de responsabilidade 
pelo falta do cumprimento do disposto neste artigo.
§ 4º Os sindicatos e entidades representativas de classe poderão acompanhar a cobrança, 
pela Previdência Social, das multas previstas neste arquivo.
§ 5º A multa de que trata este artigo não aplica na hipótese do caput do art. 21-A.
No artigo 23, considera-se como dia do acidente, no caso de doença profissional ou 
do trabalho, a data do início da incapacidade laborativa para o exercício da atividade habitual, 
ou o dia da desagregação compulsória, ou o dia em que for realizado o diagnóstico, valendo 
para este efeito o que ocorrer primeiro.
Ainda é interessante saber, a respeito de acidente de trabalho, outros artigos da Lei 
nº 8.213:
Artigo 104 – As ações referentes às prestações por acidente do trabalho prescrevem 
em 5 (cinco) anos, observando o disposto no art. 103, contados da data.
Artigo 118 – O segurado que sofreu acidente de trabalho tem garantido, pelo prazo 
mínimo de 12 (doze) meses, a manutenção do seu contrato de trabalho na empresa, após a 
cessação do auxílio-doença acidentário, independente da percepção do auxílio-doença.
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4 CLASSIFICAÇÕES DOS ACIDENTESDO TRABALHO
5 CARACTERIZAÇÕES DO ACIDENTE DO TRABALHO
6 FATORES CAUSAIS DO ACIDENTE DE TRABALHO
6.1 CONDIÇÕES QUE LEVAM AOS ACIDENTES
Os acidentes de trabalho classificam-se em: acidente típico e de trajeto.
a) Acidente típico: é aquele sofrido pelo empregado no desempenho de suas tarefas habituais, 
no ambiente do trabalho ou fora deste quando estiver a serviço do empregador.
b) Acidente de trajeto: é aquele sofrido pelo empregado no percurso de sua residência para 
o local de trabalho ou vice-versa, desde que o trajeto percorrido seja considerado como o 
habitual e o horário da ocorrência seja condizente com o início ou término de suas atividades 
profissionais.
Compete ao setor de benefícios do INSS verificar se o segurado tem ou não o direito 
à habilitação do benefício acidentário, e à perícia médica do INSS compete caracterizá-lo 
tecnicamente, fazendo o reconhecimento técnico do nexo causal entre:
• o acidente e a lesão;
• a doença e o trabalho;
• a causa mortis e o acidente.
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6.1.1 Atos inseguros
São os modos pelos quais o próprio trabalhador se expõe, consciente ou não, aos 
acidentes. Via de regra, é a violação de uma ordem ou procedimento consagrado. Segundo 
estatísticas correntes de alguns anos atrás, 80% dos acidentes de trabalho eram oriundos de 
atos inseguros.
Exemplos de atos inseguros:
• levantamento impróprio de carga;
• brincadeiras grosseiras;
• manutenção de máquinas em movimento;
• danificação ou não uso de EPI;
• execução de serviços para os quais não está autorizado;
• uso de equipamentos de maneira imprópria;
• sobrecarregar (andaime, veículo etc.);
• trabalhar ou operar à velocidade insegura;
• saltar de um ponto elevado do veículo ou plataforma.
FONTE: Disponível em: <http://espacoseguro.blogspot.com/2009/06/fim-
do-ato-inseguro.html>. Acesso em: 12 dez. 2010.
FIGURA 15 – ILUSTRAÇÃO DE UM ATO INSEGURO
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6.1.2 Condições inseguras
6.1.3 Fator pessoal de insegurança
São as falhas físicas, no local de trabalho, que comprometem a segurança do trabalhador. 
Não podem ser confundidas com os riscos presentes em certas operações industriais. A 
eletricidade, por exemplo, sempre existirá em trabalhos que envolvem equipamentos elétricos, 
no entanto as condições inseguras serão as instalações malfeitas ou improvisadas, ou fios 
expostos, e não a eletricidade em si.
Podemos citar como exemplos de condições inseguras:
• proteção mecânica inadequada;
• condição defeituosa do equipamento;
• projeto ou construção inseguros;
• empilhamento instável;
• escadas ou pisos defeituosos ou escorregadios.
São características pessoais, íntimas, que não podem ser mudadas com treinamento. 
FONTE: Disponível em: <http://comunidade.sol.pt/photos/bluewater68/
images/141418/original.aspx>. Acesso em: 12 dez. 2010.
FIGURA 16 – EXEMPLOS DE CONDIÇÕES INSEGURAS DE TRABALHO
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São necessários outros meios, como o acompanhamento social, a análise psiquiátrica ou a 
mudança de função. São exemplos típicos:
• falta de conhecimento;
• falta de experiência ou especialização;
• fadiga;
• alcoolismo e toxicomania.
6.2 TEORIA DA MULTICAUSALIDADE
7 ACIDENTES DE TRABALHO E OS 
BENEFÍCIOS CONCEDIDOS
A teoria da multicausalidade demonstra que o acidente dificilmente tem uma causa 
única, e que é a somatória de falhas humanas e materiais, tendo como causas anteriores 
problemas de ordem psico-sócio-econômica, e outras às vezes não facilmente identificáveis, 
que precipitam os acidentes. 
Esta teoria demonstra que um acidente do trabalho tem normalmente mais de uma causa, 
ocorrendo pela soma de várias situações, que participam simultaneamente desencadeando os 
acidentes. Geralmente são consequências de um conjunto de fatores, tanto humanos como 
materiais.
Se, por um lado, a identificação de todas as causas do acidente do trabalho é considerada 
difícil, mais dificuldades ainda teremos para diagnosticar a doença do trabalho porque é mais 
complexo relacionar os sintomas com a atividade laboral, o início do processo de instalação até 
a confirmação do diagnóstico. O nexo de causa e efeito pode confirmar uma doença profissional.
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7.1 AUXÍLIO-DOENÇA
Trata-se de um benefício concedido ao segurado impedido de trabalhar por doença 
ou acidente, por mais de 15 dias consecutivos. No caso dos trabalhadores com carteira 
assinada, os primeiros 15 dias são pagos pelo empregador, e a Previdência Social paga a 
partir do 16º dia de afastamento do trabalho. No caso do contribuinte individual (empresários, 
profissionais liberais, trabalhadores por conta própria, entre outros), a Previdência paga todo 
o período da doença ou do acidente (desde que o trabalhador tenha requerido o benefício). 
Para ter direito ao benefício, o trabalhador tem de contribuir para a Previdência Social 
por, no mínimo, 12 meses. Esse prazo não será exigido em caso de acidente de qualquer 
natureza (por acidente de trabalho ou fora do trabalho). Para concessão de auxílio-doença, 
é necessária a comprovação da incapacidade em exame realizado pela perícia médica da 
Previdência Social. 
FONTE: Disponível em: <http://www1.previdencia.gov.br/pg_secundarias/beneficios_06.asp>. Acesso 
em: 12 dez. 2010.
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Nos primeiros 15 dias de afastamento, o salário do trabalhador 
é pago pela empresa. Depois, a Previdência Social será 
responsável pelo pagamento. Enquanto recebe auxílio-doença 
por acidente de trabalho ou doença ocupacional, o trabalhador 
é considerado licenciado e terá estabilidade por 12 meses após 
o retorno às atividades.
Terá direito ao benefício, sem a necessidade de cumprir o prazo mínimo de contribuição 
e desde que tenha qualidade de segurado, o trabalhador acometido de tuberculose ativa, 
hanseníase, alienação mental, neoplasia maligna, cegueira, paralisia irreversível e incapacitante, 
cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, doença 
de Paget (osteíte deformante) em estágio avançado, síndrome da deficiência imunológica 
adquirida (AIDS) ou contaminado por radiação (comprovada em laudo médico). 
Ao trabalhador que recebe auxílio-doença, a Previdência oferece o programa de 
reabilitação profissional. Leia o texto a seguir sobre o assunto.
Serviço da Previdência Social que tem o objetivo de oferecer, aos segurados 
incapacitados para o trabalho (por motivo de doença ou acidente), os meios de reeducação 
ou readaptação profissional para o seu retorno ao mercado de trabalho. 
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O atendimento é feito por equipe de médicos, assistentes sociais, psicólogos, 
sociólogos, fisioterapeutas e outros profissionais. A reabilitação profissional é prestada 
também aos dependentes, de acordo com a disponibilidade das unidades de atendimento 
da Previdência Social. 
Depois de concluído o processo de reabilitação profissional, a Previdência Social emitirá 
certificadoindicando a atividade para a qual o trabalhador foi capacitado profissionalmente.
A Previdência Social poderá fornecer aos segurados recursos materiais necessários 
à reabilitação profissional, incluindo próteses, órteses, taxas de inscrição em cursos 
profissionalizantes, instrumentos de trabalho, implementos profissionais e auxílios-transportes 
e alimentação.
O trabalhador vítima de acidente de trabalho terá prioridade de atendimento no 
programa de reabilitação profissional. Não há prazo mínimo de contribuição para que o 
segurado tenha direito à reabilitação profissional. 
FONTE: Disponível em: <http://www1.previdencia.gov.br/pg_secundarias/paginas_perfis/perfil_
comPrevidencia_09_06.asp>. Acesso em: 12 dez. 2010.
O trabalhador que recebe auxílio-doença é obrigado a realizar exame médico periódico 
e participar do programa de reabilitação profissional prescrito e custeado pela Previdência 
Social, sob pena de ter o benefício suspenso. 
Não tem direito ao auxílio-doença quem, ao se filiar à Previdência Social, já tiver doença 
ou lesão que geraria o benefício, a não ser quando a incapacidade resulta do agravamento da 
enfermidade. Quando o trabalhador perde a qualidade de segurado, as contribuições anteriores 
só são consideradas para concessão do auxílio-doença após nova filiação à Previdência 
Social, tendo de haver ao menos quatro contribuições que, somadas às anteriores, totalizem 
no mínimo 12. 
O auxílio-doença deixa de ser pago quando o segurado recupera a capacidade e retorna 
ao trabalho ou quando o benefício se transforma em aposentadoria por invalidez. O valor do 
benefício corresponde a 91% do salário de benefício. O salário de benefício dos trabalhadores 
inscritos até 28 de novembro de 1999 corresponderá à média dos 80% maiores salários de 
contribuição, corrigidos monetariamente, desde julho de 1994. Para os inscritos a partir de 
29 de novembro de 1999, o salário de benefício será a média dos 80% maiores salários de 
contribuição de todo o período contributivo.
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7.2 AUXÍLIO-ACIDENTE
Benefício pago ao trabalhador que sofre um acidente e fica com sequelas que reduzem 
a capacidade de trabalho. Concedido para segurados que recebiam auxílio-doença, tem direito 
ao auxílio-acidente o trabalhador empregado, o trabalhador avulso e o segurador especial. O 
empregado doméstico, o contribuinte individual e o facultativo não recebem o benefício. 
Para concessão do auxílio-acidente não é exigido tempo mínimo de contribuição, mas 
o trabalhador deve ter qualidade de segurado e comprovar a impossibilidade de continuar 
desempenhando suas atividades, por meio de exame da perícia médica da Previdência Social. 
O auxílio-acidente, por ter caráter de indenização, pode ser acumulado com outros 
benefícios pagos pela Previdência Social, exceto aposentadoria. O benefício deixa de ser pago 
quando o trabalhador se aposenta. 
O pagamento dar-se-á a partir do dia seguinte em que cessa o auxílio-doença. O valor 
do benefício corresponde a 50% do salário de benefício que deu origem ao auxílio-doença, 
corrigido até o mês anterior ao do início do auxílio-acidente.
LEITURA COMPLEMENTAR
ACIDENTES DO TRABALHO
Maria das Graças Bendelack Santos
Este artigo trata dos acidentes do trabalho, na forma como se apresentam no mundo 
jurídico e na realidade laboral. Inúmeras leis atribuem aos acidentes do trabalho tratamentos 
diferenciados que englobam responsabilidades, direitos, garantias e deveres, com a finalidade 
de alertar os operadores do direito e, principalmente, os trabalhadores atingidos pelo acidente, 
bem como seus dependentes, quando vier a ocorrer a perda da vida do obreiro, além da 
conscientização do trabalhador quanto à necessidade do cumprimento das normas de segurança 
e medicina do trabalho, aglutinando em um só texto as variadas nuances jurídicas existentes 
em relação ao tema abordado.
Esses passos apresentam a preocupação de tecer comentários de forma didática e 
crítica para que, a partir do conceito estritamente legal, possa-se perceber a atualidade do tema 
e a sua importância no sentido estrito, para os trabalhadores e, em sentido amplo, para seus 
reflexos na economia do Estado. A cada acidente ocorrido, que tenha provocado a incapacidade 
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do obreiro, uma renda mensal é despendida com esse trabalhador, em virtude da paralisação 
do contrato de trabalho. Analisando-se o número elevadíssimo de acidentes ocorridos, pode-
se verificar a expressiva quantia destinada à cobertura desses eventos, o que exige a reserva 
de elevadas verbas que poderiam ser canalizadas para outras fontes de custeio de natureza 
mais produtiva para o trabalhador e para o país.
Embora o tema transite nas áreas do direito penal, trabalhista, cível e previdenciário, 
é neste último que se encontra o seu fundamento e, em consequência, surge a necessidade 
de aprofundamento a fim de que se chegue às conclusões constantes no final deste trabalho.
As bases legais referentes ao assunto ora analisado envolvem desde nossa Carta 
Magna até outras leis hierarquicamente inferiores à Constituição da República.
A Lei nº 8.213/91, que instituiu o Plano de Benefícios da Previdência Social, em seu artigo 
19 traz a definição legal relativa a acidente. “Acidente do trabalho é o que ocorre pelo exercício 
do trabalho a serviço da empresa ou pelo exercício do trabalho dos segurados referidos no 
inciso VII do art. 11 desta Lei, provocando lesão corporal ou perturbação funcional que cause 
a morte ou a perda ou redução, permanente ou temporária, da capacidade para o trabalho.” 
Nesta mesma norma estão enumeradas taxativamente as contingências acidentárias: auxílio-
doença, aposentadoria por invalidez, auxílio-acidente e pensão por morte.
A legislação civil pátria estabelece o direito à busca de uma indenização por ocorrência 
de um dano causado à saúde e à integridade física do trabalhador, desde que isso decorra de 
uma ação ou omissão por parte do empregador. Tal indenização constitui pesado ônus, em 
razão do grande número de acidentes do trabalho que têm ocorrido em nosso país.
O Capítulo V da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) traça normas relativas à 
segurança e à medicina do trabalho, consubstanciadas nas normas regulamentadoras. Por 
meio dessas legislações são impostas responsabilidades para o empregador, pois evitar 
acidentes do trabalho é dever de todas as empresas. Estas são as responsáveis legais pela 
adoção e pelo uso de medidas coletivas e individuais de proteção e segurança da saúde do 
trabalhador, constituindo contravenção penal, punível com multa, o não cumprimento das 
normas de segurança e higiene do trabalho.
Busca-se, com exames das legislações específicas relativas ao acidente do trabalho, 
conjuntamente com a verificação dos fatos ocorridos no dia a dia laboral dos obreiros, identificar 
os fatores que dão origem a esses eventos danosos para os trabalhadores do país e sugerir 
medidas eficazes e preventivas que tenham em vista a redução dos acidentes. A segurança e 
a medicina do trabalho devem ser partes integrantes da política das empresas. A segurança 
do trabalho é, acima de tudo, respeito à vida do trabalhador e à sua cidadania.
A responsabilidade criminal surge por força de disposição legal contida na CLT e no 
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decreto que aprova a fiscalização trabalhista; quando ocorrerdesobediência, o empregador 
responderá na forma do artigo 161 da CLT.
Dentre os fatores que dão origem ao acidente do trabalho está, em primeiro lugar, a 
falta de conscientização dos empregadores. É dever dos empresários orientar os trabalhadores 
no que diz respeito à segurança e à saúde no trabalho. No mundo laboral pesquisado não se 
encontrou, na grande maioria dos empregadores, essa conscientização, essa ação junto aos 
seus trabalhadores, muitas vezes porque grande número de empresários não são detentores 
do conhecimento da informação e, por isso, não se preocupam em passar essa realidade para 
os empregados ou contratar alguém habilitado para fazê-lo.
Em segundo lugar, indicamos e observamos que os investimentos quanto à saúde e 
à segurança nos estabelecimentos devem ser direcionados primeiramente para a proteção 
coletiva, mas, como isso representa maior custo, os empresários optam pela proteção individual. 
Em terceiro lugar, além das medidas coletivas não implantadas, ou implantadas apenas 
em parte, é comum a aquisição de equipamentos de proteção individual de baixa qualidade 
pelos empresários, pois eles desconhecem a real importância do EPI e não fazem a escolha 
adequada.
Esse fato é rotineiramente encontrado nos estabelecimentos e locais de trabalho. A 
recusa de implantação das medidas de proteção coletivas e individuais ocorre porque os 
empregadores não percebem o retorno positivo desse investimento.
O quarto fator é o ambiente de trabalho agressivo, advindo da falta de proteção nas 
máquinas e equipamentos, que, mesmo sendo instrumentos novos ou com pouco uso, já se 
apresentam sem as condições de segurança para seu manuseio.
O quinto fator é a falta de treinamento específico para a operação das máquinas e 
equipamentos. Para manter seu emprego, mesmo sem treinamento, o empregado tenta executar 
o seu trabalho e, por imperícia desse trabalhador, algumas vezes ocorre o acidente.
Em relação à figura do empregado, constatou-se que: a) o baixo nível de instrução 
faz com que esse trabalhador não tenha sensibilidade para perceber a importância dos 
ensinamentos e, por desconhecer seus próprios direitos, não percebe que, descumprindo 
as normas, está pondo em risco sua própria vida; b) as influências negativas dos próprios 
companheiros de trabalho, ainda não conscientizados, incentivam o operário a não usar o 
EPI - acontecimento corriqueiro no universo das indústrias, especialmente na indústria da 
construção civil. Essa influência é percebida no início do processo de conscientização, quando 
os primeiros que absorvem os ensinamentos são discriminados pelos demais companheiros, 
mas essa tendência tende a desaparecer, conforme o processo de aprendizagem vai atingindo 
os demais integrantes do grupo profissional.
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Dentre as medidas eficazes, a primeira seria a inserção de uma disciplina relacionada 
à prevenção acidentária, desde o Ensino Fundamental até o terceiro grau.
Por meio dessa conscientização, as crianças – que serão, no futuro, os adultos do 
mundo laboral – passarão a ter, desde muito cedo, como parte integrante dos aspectos cultural 
e educacional, os meios necessários para proteger a vida dos trabalhadores.
Como segunda medida, estariam os treinamentos intensivos e constantes dos 
empregados, direcionados para o âmbito de suas necessidades de trabalho. Um operário 
que conhece os instrumentos necessários para o desenvolvimento de seu labor opera os 
equipamentos com destreza e segurança, o que é importante para a prevenção acidentária.
Em terceiro, estariam medidas coletivas e individuais eficazes que, realmente, viessem a 
neutralizar os riscos infortunísticos; EPI adequado ao clima quente-úmido da região amazônica, 
onde calor, umidade, ruídos – além de outros fatores, na sua forma excessiva –, no mundo 
real do trabalho, estimulam uma reação contrária no trabalhador, pois o uso não adequado do 
EPI torna-se incômodo, o excesso de calor provoca sudorese abundante e o aquecimento do 
corpo do trabalhador leva-o a não querer usar o equipamento. Esse fato é corriqueiramente 
verificado nos locais de trabalho, mesmo tendo ele consciência de que sua vida corre risco. 
Todos esses cuidados aliados à fiscalização nos locais de trabalho, efetuada pelo próprio 
empregador, pelas autoridades administrativas, pelas entidades sindicais e pelo próprio e maior 
interessado, o obreiro que, sentido-se confortável, usará o equipamento durante o tempo que 
estiver executando suas tarefas, o que protegerá sua saúde e integridade física.
FONTE: Disponível em: <http://www.nead.unama.br/site/bibdigital/pdf/artigos_revistas/208.pdf>. 
Acesso em: 12 dez. 2010.
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RESUMO DO TÓPICO 2
Neste tópico, vimos:
• As diferenças entre os conceitos de acidentes de trabalho, na visão legal e prevencionista. 
Na visão do legislador, o acidente terá que ser caracterizado com alguma lesão corporal, 
perturbação funcional ou doença que cause morte ao funcionário, enquanto que, na 
prevencionista, o acidente de trabalho pode ser considerado como uma ocorrência não 
programada, inesperada ou não, que interrompe ou interfere no processo normal de uma 
atividade, ocasionando perda de tempo útil ou lesões aos trabalhadores e/ou danos materiais. 
Portanto, mesmo ocorrências que não resultem lesões ou danos materiais devem ser 
encaradas como acidente do trabalho.
• A distinção entre o acidente típico e o acidente de trajeto.
• As condições que levam aos acidentes de trabalho: atos inseguros, condições inseguras e 
fatores pessoais de insegurança.
• Que a teoria da multicausalidade demonstra que o acidente dificilmente tem uma causa 
única, e que é a somatória de falhas humanas e materiais, tendo como causas anteriores 
problemas de ordem psico-sócio-econômica, e outras às vezes não facilmente identificáveis, 
que precipitam os acidentes.
• Quais são os benefícios que são concedidos a quem sofre os acidentes de trabalho: auxílio-
doença e auxílio-acidente. O auxílio acidente passa a valer quando cessa o auxílio-doença.
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1 Descreva o que é conceito legal e prevencionista de acidente de trabalho.
2 Cite alguns atos e condições inseguras que você vê no dia a dia.
3 O que você entende por multicausalidade do acidente de trabalho?
4 Descreva com suas palavras o que é o auxílio-doença e o auxílio-acidente.
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LEGISLAÇÃO BRASILEIRA
1 INTRODUÇÃO
2 LEGISLAÇÃO
TÓPICO 3
Neste tópico veremos a evolução da legislação brasileira, no que concerne aos direitos 
trabalhistas.
Considera-se a publicação do Código Sanitário do Estado de São Paulo, em 1918, 
a primeira legislação sobre acidentes de trabalho, que mostra a preocupação dos poderes 
públicos com a saúde e segurança dos trabalhadores.
Já no âmbito federal, a primeira legislação de acidentes de trabalho foi aprovada em 
15 de janeiro de 1919. Naquela época, as doenças ocupacionais não estavam contempladas 
na legislação, somente o acidente típico.
Do fim do século XIX até a década de 1920, inúmeras pestes desencadearam doenças 
no Brasil, sem contar que as condições de trabalho eram muito parecidas comas da Inglaterra, 
durante a Revolução Industrial, com alta jornada de trabalho e muitos acidentes de trabalho. 
Dean (1971) conta-nos:
Cabe anotar que, entre 1911 e 1919, cerca de metade das empresas investi-
gadas pelo Departamento Estadual do Trabalho forneciam serviços médicos 
aos trabalhadores. Todavia, parte dos custos de tais serviços era transferido 
para os próprios empregados, com um desconto que correspondia a cerca 
de 2% dos salários. Além disso, tais serviços eram considerados ‘arranjos 
necessários à manutenção do processo de trabalho, análogos à lubrificação 
de maquinaria ou a substituição das peças gastas’.
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No início do século XX, nos estados onde se iniciava a industrialização, principalmente 
São Paulo e Rio de Janeiro, a situação dos ambientes de trabalho era péssima, ocorrendo, 
então, muitos acidentes e doenças relacionadas ao trabalho.
Vejamos o que W. Dean afirma em seu livro “A Industrialização de São Paulo 1880-1945”:
As condições de trabalho eram duríssimas, muitas estruturas que abrigavam as 
máquinas não haviam sido originalmente destinadas a essa finalidade – além 
de mal iluminadas e mal ventiladas, não dispunham de instalações sanitárias. 
As máquinas se amontoavam, ao lado umas das outras, e suas correias e 
engrenagens giravam sem proteção alguma. Os acidentes eram frequentes, 
porque os trabalhadores, cansados, que trabalhavam aos domingos, eram 
multados por indolência ou pelos erros cometidos, se fossem adultos; ou 
separados, se fossem crianças. (DEAN, 1971).
As mudanças que estavam acontecendo na Europa, em decorrência da Primeira Guerra 
Mundial e o surgimento da OIT, em 1919, fizeram com que fosse iniciada a criação de normas 
trabalhistas no Brasil. Havia muitos imigrantes no Brasil, os quais deram origem a movimentos 
operários, reivindicando melhores condições de trabalho e salários. Começou, então, a surgir 
uma nova política trabalhista, e o seu idealizador foi Getúlio Vargas, em 1930.
Havia leis ordinárias que tratavam de trabalho de menores (1891), da organização de 
sindicatos rurais (1903) e urbanos (1907), de férias etc. O Ministério do Trabalho, Indústria 
e Comércio foi criado em 1930, passando a expedir decretos, a partir dessa época, sobre 
profissões, trabalho das mulheres (1932), salário mínimo (1936), justiça do trabalho (1939) 
etc. (MACHADO; RODOVALHO; CAVALCANTE, 2009).
2.1 CONSTITUIÇÕES BRASILEIRAS
A Constituição de 1934 é a primeira constituição brasileira a tratar especificamente do 
Direito do Trabalho. É a influência do constitucionalismo social que, em nosso país, só veio a 
ser sentida em 1934. Garantia a liberdade sindical, isonomia salarial, salário mínimo, jornada 
de oito horas de trabalho, proteção do trabalho das mulheres e menores, repouso semanal, 
férias anuais remuneradas (Art. 121).
A Carta Constitucional de 10/11/1937 marca uma fase intervencionista do Estado, 
decorrente do golpe de Getúlio Vargas. Era uma Constituição de cunho eminentemente 
corporativista, inspirada na Carta Del Lavoro, de 1927, e na constituição polonesa. O próprio art. 
140 da referida Carta era claro no sentido de que a economia era organizada em corporações, 
sendo considerados órgãos do Estado, exercendo função delegada de poder público. O 
Conselho de Economia Nacional tinha por atribuição promover a organização corporativa 
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2.2 DIREITOS TRABALHISTAS
Em 1920, através da reforma Carlos Chagas, foi criado o Departamento Nacional de 
Saúde Pública.
No ano de 1923, no dia 30 de abril, através do Decreto nº 16.027, criou-se o CNT – 
Conselho Nacional do Trabalho –, órgão máximo da Justiça do Trabalho que, em 1946, através 
do Decreto-Lei nº 9.797, viria a se tornar o TST – Tribunal Superior do Trabalho.
Neste mesmo ano, 1923, foi criada a Inspetoria de Higiene Industrial e Profissional, 
que fazia parte do Departamento Nacional de Saúde, órgão do Ministério do Interior e Justiça.
da economia nacional (Art. 61, a). A Constituição de 1937 instituiu o sindicato único, imposto 
por lei, vinculado ao Estado, exercendo funções delegadas de poder público, podendo haver 
intervenção estatal direta em suas atribuições. Foi criado o imposto sindical, como uma forma 
de submissão das entidades de classe ao Estado, pois este participava do produto de sua 
arrecadação. Estabeleceu-se a competência normativa dos tribunais do trabalho, que tinha 
por objetivo principal evitar o entendimento direto entre trabalhadores e empregadores. A 
greve e o lockout foram considerados recursos antissociais, nocivos ao trabalho e ao capital 
e incompatíveis com os interesses da produção nacional (Art. 139).
Existiam várias normas esparsas sobre os mais diversos assuntos trabalhistas. Houve 
a necessidade de sistematização dessas regras. Para tanto, foi editado o Decreto-Lei nº 5.452, 
de 1°de maio de1943, aprovando a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). O objetivo da 
CLT foi apenas o de reunir as leis esparsas existentes na época, consolidando-as. Não se 
trata de um código, pois este pressupõe um direito novo. Ao contrário, a CLT apenas reuniu a 
legislação existente na época, consolidando-a.
A Constituição de 1946 é considerada uma norma democrática, rompendo com o 
corporativismo da constituição anterior. Nela encontramos a participação dos trabalhadores 
nos lucros (art. 157, IV), repouso semanal remunerado (art. 157, VI), estabilidade (art. 157, XII), 
direito de greve (art. 158) e outros direitos que se encontravam na norma constitucional anterior.
Em 5/10/1988, foi aprovada a atual constituição, que trata de direitos trabalhistas nos 
artigos 7° a 11. Na Norma Magna, os direitos trabalhistas foram incluídos no Capítulo II, “Dos 
Direitos Sociais”, do Título II, “Dos Direitos e Garantias Fundamentais”, ao passo que nas 
Constituições anteriores os direitos trabalhistas sempre eram inseridos no âmbito da ordem 
econômica e social. Para alguns autores, o art. 7° da Lei Maior vem a ser uma verdadeira CLT, 
tantos os direitos trabalhistas nele albergados.
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Em 1926, foi editado o livro “Medicina Legal dos Acidentes de Trabalho e das Doenças 
Profissionais: noções de infortunística: doutrina – perícia – técnica – legislação”. Esta obra 
dirigia-se aos estudantes de Medicina e Direito, bem como aos peritos e magistrados. Neste 
livro, estava comentada a legislação existente naquela época, considerando todo dano causado 
à saúde e à vida como passível de ser punido criminalmente e de reparação civil, desde que 
provado o dolo. (TOLEDO; MARQUES, 2008).
No primeiro governo de Getúlio Vargas (1930-1945), aconteceu a transição do modelo 
oligárquico (caracterizado pelo poder econômico nas mãos de grandes proprietários rurais) para 
o industrialismo. Com isto, em 26 de novembro de 1930, pelo Decreto nº 19.433, foi criado o 
Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio. Com isto, a questão da higiene e segurança do 
trabalho saiu do campo da Saúde Pública e passou para esse Ministério.
No dia 4 de fevereiro de 1932, foi criado o Departamento Nacional do Trabalho, que, 
entre as suas atribuições, consta a organização, higiene e segurança do trabalho.
Com a Constituição de 1934, por meio do Decreto nº 24.637, ocorreu a reforma 
da legislação de acidentes de trabalho. Pela primeira vez, as doenças profissionais foram 
equiparadas aos acidentes de trabalho, assim como, de forma inaugural, a indenização 
dos acidentes de trabalhopassou a ser custeada pelo Estado, empregado e empregador. A 
Constituição de 1937 põe fim à contribuição ao seguro social de acidentes de trabalho, restando 
apenas a lei ordinária de acidentes de trabalho.
Ainda em 1934, foram nomeados pelo Ministro do Trabalho os primeiros inspetores-
médicos do trabalho, para procederem à inspeção higiênica nos locais de trabalho e estudos 
sobre acidentes e doenças profissionais.
O crescimento da indústria, com o consequente aumento no número de trabalhadores 
urbanos, trouxe novas preocupações para o governo brasileiro. Dessa forma, visando a preservar 
a saúde do trabalhador, foi fundada, em 1941, a Associação Brasileira para a Prevenção de 
Acidentes, e, em 1º de maio de 1943, por meio do Decreto-Lei nº 5.452, foi aprovada, no país, 
a Consolidação das Leis do Trabalho – CLT. (TOLEDO; MARQUES, 2008).
Em 1944, através do Decreto-Lei nº 6.905, ficou decretado que o empregador se 
encarregará de pagar os 15 primeiros dias de afastamento do trabalhador por motivo de 
enfermidade.
No ano de 1953, foram regulamentadas as CIPAs – Comissões Internas de Prevenção 
de Acidentes –, através da Portaria nº 155, que evoluiu para a atual NR5, que será vista mais 
adiante neste Caderno.
A Lei Orgânica da Previdência Social foi promulgada em 1960 (Lei nº 3.807), decretando 
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aposentadoria especial para os trabalhadores que exercem atividades penosas, insalubres ou 
perigosas. A intenção dessa lei era aposentar o trabalhador antes que ele sofresse dano total 
ou irreversível à sua saúde. (TIMBÓ; EUFRÁSIO, 2009, p. 360).
Neste mesmo ano (1960), foi regulamentado o uso de EPIs – Equipamentos de Proteção 
Individual, através da Portaria nº 155.
No dia 21 de outubro de 1966, foi criada a Fundação Centro Nacional de Segurança, 
Higiene e Medicina do Trabalho, a FUNDACENTRO, através da Lei nº 5.161, com a função de 
realizar estudos e pesquisas relacionados aos problemas de segurança, higiene e medicina 
do trabalho. Mais tarde, em 16 de dezembro de 1978, através da Lei nº 6.618, o nome desta 
autarquia foi alterada para Fundação Jorge Duprat Figueiredo, de Segurança e Medicina do 
Trabalho.
Em 1970, devido às estatísticas alarmantes de acidentes de trabalho (1.220.111 
acidentes de trabalho naquele ano, o maior índice mundial), foi priorizada a formação do 
médico do trabalho, bem como a de outros profissionais especializados nos problemas 
relacionados à saúde e higiene do trabalho. Essas medidas foram tomadas, pois era época do 
milagre econômico, e o Brasil precisava melhorar as estatísticas e a sua imagem. (TOLEDO; 
MARQUES, 2008).
Em 25 de julho de 1972, através do Decreto nº 70.861, o governo federal criou o 
PNVT – Programa Nacional de Valorização do Trabalhador –, o qual obrigava a criação de 
serviços médicos em todas as empresas, independentemente do número de funcionários. Os 
cursos de formação de médicos do trabalho eram ministrados pela FUNDACENTRO. (TIMBÓ; 
EUFRÁSIO, 2009, p. 360).
O SESMT – Serviços Especializados de Segurança e em Medicina do Trabalho – foi 
criado e tornado obrigatório através da Portaria nº 3.237, de 27 de julho de 1972. Essa Portaria 
foi revogada em 31 de dezembro de 1975, pela Portaria nº 3.460, que reconheceu o papel 
do enfermeiro de trabalho como integrante do SESMT. Esta última foi sendo substituída por 
várias outras portarias, até chegar à Portaria SIT nº 76, publicada no Diário Oficial da União 
(DOU) em 21 de novembro de 2008. Esta é a conhecida NR4, que estudaremos mais adiante.
Em 22 de dezembro de 1977, o General Ernesto Geisel promulgou a Lei nº 6.514, 
alterou o Capítulo V do Título II da CLT. Esta lei trata da Segurança e Medicina do Trabalho e 
está dividida em várias seções, que tratam dos seguintes temas:
• Disposições gerais. Trata das incumbências governamentais, empresariais e dos empregados 
nos quesitos referentes à segurança e medicina do trabalho.
• Inspeção prévia, embargo ou interdição.
• Órgãos de segurança e de medicina do trabalho nas empresas;
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• Equipamentos de Proteção Individual (EPIs).
• Medidas preventivas de medicina do trabalho.
• Das edificações.
• Do conforto térmico.
• Das instalações elétricas.
• Da movimentação, armazenagem e manuseio dos materiais.
• Das máquinas e equipamentos.
• Das caldeiras, fornos e recipientes sob pressão.
• Das atividades insalubres ou perigosas.
• Da prevenção da fadiga.
• Das outras medidas especiais de proteção.
• Das penalidades.
Posteriormente, em 6 de julho de 1978, foi publicada no DOU a Portaria nº 3.214, a qual 
aprova as NRs – Normas Regulamentadoras da Consolidação das Leis do Trabalho, relativas 
à Segurança e Medicina do Trabalho.
As 28 NRs aprovadas na época são as seguintes:
• NR1 – Disposições gerais
• NR2 – Inspeção prévia
• NR3 – Embargo e interdição
• NR4 – Serviço especializado em Segurança e Medicina do Trabalho
• NR5 – Comissão Interna de Acidentes de Trabalho – CIPA
• NR6 – Equipamentos de Proteção Individual – EPIs
• NR7 – Exames médicos
• NR8 – Edificações
• NR9 – Riscos ambientais
• NR10 – Segurança em instalações e serviços de eletricidade
• NR11 – Transporte, movimentação, armazenagem e manuseio de materiais
• NR12 – Máquinas e equipamentos
• NR13 – Vasos sob pressão
• NR14 – Fornos
• NR15 – Atividades e operações insalubres
• NR16 – Atividades e operações perigosas
• NR17 – Ergonomia
• NR18 – Obras de construção, demolição e reparos
• NR19 – Explosivos
• NR20 – Combustíveis e líquidos inflamáveis
• NR21 – Trabalho a céu aberto
• NR22 – Trabalhos subterrâneos
• NR23 – Proteção contra incêndios
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• NR24 – Condições sanitárias dos locais de trabalho
• NR25 – Resíduos industriais
• NR26 – Sinalização de segurança
• NR27 – Registro de profissionais
• NR28 – Fiscalização e penalidades
Após, foram incluídas mais outras NRs:
• NR 29 – Segurança e saúde no trabalho portuário
• NR30 – Segurança e saúde no trabalho aquaviário
• NR31 – Segurança e saúde no trabalho na agricultura, pecuária, silvicultura, exploração 
florestal e aquicultura
• NR32 - Segurança e saúde no trabalho em serviços de saúde
• NR33 – Segurança e saúde nos trabalhos em espaços confinados
No ano de 1988, foi promulgada uma nova Constituição Federal, significando um 
novo marco principal na introdução da saúde do trabalhador no sistema jurídico nacional. 
Com a promulgação dessa Constituição, as ações de Saúde do Trabalhador passaram a ser 
competência do Sistema Único de Saúde – SUS –, consagrando também proteção ao meio 
ambiente, incluindo o meio ambiente de trabalho. Esta Carta Magna previu a possibilidade de 
penalidades para as condutas e atividades lesivas ao maio ambiente. Quanto a estas sanções, 
é oportuno o comentário de Melo (2008, p. 140):
Do comando constitucional do art. 225, § 3º e dos demais dispositivos cons-
titucionais e legais que protegem o meio ambiente e a saúde do trabalhador 
(subitens 4.1, 4.2 e 4.3 do Capítulo I), infere-se que as responsabilidades 
decorrentes do trabalho em condições inadequadas e em ambientes insa-
lubres, perigosos e penosos, ou em razão de acidentes de trabalho, podem 
ser caracterizadas como de natureza: a) administrativa; b) previdenciária; c) 
trabalhista; d) penal; e) civil.
É importante, ainda, o ensinamento de Melo (2008, p. 225) quanto à responsabilidade 
civil:
Esta última, de natureza civil, requer a reparação do dano causado de maneira 
mais completapossível, que vai desde a reconstituição daquele, quanto pos-
sível, até a sua substituição/compensação pelo pagamento de determinadas 
importâncias em dinheiro por conta de redução patrimonial sofrida pela vítima 
quanto aos danos emergentes, lucros cessantes e demais despesas com que, 
em razão do evento, deva a vítima arcar. Mas também, como visto, é devida 
à reparação (compensação) por danos não patrimoniais, que são os danos à 
personalidade.
Neste mesmo ano, 1988, as Normas Regulamentadoras Rurais (NRRs), através da 
Portaria nº 3. 067, de 12 de abril de 1988, também foram aprovadas.
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Em 1990, no dia 19 de setembro, foi sancionada a Lei Orgânica da Saúde (Lei nº 8.080), 
que trata sobre a atuação do SUS na área da saúde do trabalhador.
No dia 22 de maio de 1991, por meio do Decreto nº 127, o Brasil ratificou a Convenção 
nº 161/85, da OIT, relativa aos serviços de saúde do trabalho. (MIRANDA, 2010).
Através da Portaria nº 25, de 30 de dezembro de 1994, e republicada em 15 de fevereiro 
de 1995, o MTE aprovou o texto da NR9, que trata do PPRA – Programa de Prevenção de Riscos 
Ambientais –, instituindo os mapas de risco. Também foram alteradas as NR5 e 16. O PPRA 
visa à preservação de saúde e de integridade física dos trabalhadores, através da antecipação, 
reconhecimento, avaliação e consequente controle da ocorrência de riscos ambientais existentes 
ou que venham a existir no ambiente de trabalho, tendo em consideração a proteção do meio 
ambiente e dos recursos naturais.
Ainda em 1994, através da Portaria nº 24, de 29 de dezembro, foi instituído o PCMSO 
– Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional, a NR7, sendo alterado posteriormente 
pela Portaria nº 8, de 8 de maio de 1996. (MORRONE et al., 2004). O PCMSO é um programa 
que especifica procedimentos a serem adotados pelas empresas em função dos riscos aos 
quais os empregados se expõem no ambiente de trabalho. Tem com objetivo prevenir, detectar 
precocemente, monitorar e controlar possíveis danos à saúde do empregado.
A Lei nº 9.032, publicada no dia 28 de abril de 1995, tornou obrigatório o laudo técnico 
para todos os trabalhadores submetidos a atividades insalubres, além de determinar os 
requisitos necessários à concessão de aposentadoria especial.
Em 3 de julho de 1998, através do Decreto nº 2.657, foi promulgada a Convenção nº 170, 
da OIT, relativa à segurança na utilização de produtos químicos no trabalho. Essa Convenção 
foi assinada em Genebra, na Suíça, em 25 de julho de 1990.
 
Nesse mesmo ano, foi promulgada a Lei nº 9.732, que instituiu cotas diferenciadas de 
contribuição à Previdência Social. É criado, então, o PPP, Perfil Psicográfico Previdenciário, 
que tem como objetivo agilizar e uniformizar a análise dos processos de reconhecimento, 
manutenção e revisão de direitos dos beneficiários da Previdência Social, quando da solicitação 
de Aposentadoria Especial. O PPP é um documento histórico-laboral do trabalhador, apresentado 
em formulário instituído pelo INSS, contendo informações detalhadas sobre as atividades do 
trabalhador, exposição a agentes nocivos à saúde, resultados de exames médicos e outras 
informações de caráter administrativo. O modelo do formulário encontra-se no Anexo XV da 
Instrução Normativa nº 84 do INSS, de 17/12/2002. (MUNHOZ, 2010).
No dia 12 de fevereiro de 2007, foi assinado o Decreto nº 6.042/07, que oficializou a 
implantação, pela Previdência, de dois instrumentos legais, que provocaram uma mudança de 
paradigma na área de saúde e segurança do trabalho: o Nexo Técnico Epidemiológico (NTE) 
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e o Fator Acidentário Previdenciário (FAP), que, com o Perfil Psicográfico Previdenciário, 
representam uma nova percepção da Previdência em relação aos acidentes de trabalho.
LEITURA COMPLEMENTAR
NINGUÉM ESTÁ LIVRE DE ACIDENTES NO TRABALHO
Patrícia Bispo
(Formada em Comunicação Social – habilitação em Jornalismo, pela Universidade Católica 
de Pernambuco/Unicap. Atuou durante dez anos em Assessoria Política, especificamente na 
Câmara Municipal do Recife e na Assembleia Legislativa do estado de Pernambuco. Atualmente, 
trabalha na Atodigital.com, sendo jornalista responsável pelos sites: <www.rh.com.br>, <www.
portodegalinhas.com.br> e <www.guiatamandare.com.br>.)
Mais um dia começa em uma empresa. Aparentemente, os colaboradores transitam pela 
organização tranquilamente, exercendo suas atividades e esperam apenas o fim do expediente 
para voltar às suas casas, encontrar com os amigos ou resolver um problema pessoal. No 
entanto, em poucos segundos a rotina da empresa é quebrada por um barulho forte, seguido 
de gritos que pedem ajuda para um colega que sofreu um acidente de trabalho. A vítima do 
lamentável acontecimento é levada para o hospital e quem fica na organização não sabe o 
que realmente aconteceu. Uns questionam se o funcionário usava ou não o equipamento 
de segurança. Outro grupo afirma que a máquina geradora do acidente poderia estar com 
problemas.
Esta cena relatada é apenas fictícia, contudo se repete inúmeras vezes nas organizações 
brasileiras. “O segredo dos treinamentos de segurança é olhar para o próprio umbigo. Ou seja, 
saber os perigos do ambiente laboral, definir o que seja necessário para mitigar os perigos e treinar 
as pessoas sobre o que fazer”, afirma Rogério Crotti – Engenheiro Operacional Eletrotécnico 
e Engenheiro Eletricista e que possui especialização em Engenharia de Segurança. Para que 
isso ocorra, complementa Crotti, é necessário “amassar barro”, ou seja, ir ao campo, sair do 
escritório, analisar, verificar e conversar com os empregados sobre os perigos existentes. Em 
entrevista concedida ao RH.com.br, o especialista em segurança do trabalho apresenta dados 
preocupantes que foram constatados através de pesquisas disponibilizadas pelo Ministério da 
Previdência Social. A seguir, você confere a entrevista que apresenta informações relevantes 
para qualquer segmento organizacional. Boa leitura!
RH.com.br - No Brasil, quais os segmentos organizacionais que apresentam os índices 
mais elevados de acidentes no trabalho?
Rogério Crotti - Acredito que a comparação entre segmentos não seja a melhor forma 
de analisarmos índices de acidentes. Hoje, após a implementação do FAP – Fator Acidentário 
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Previdenciário – pela Previdência Social, as empresas terão oportunidade de comparar os 
índices de acidente de trabalho e doenças profissionais com índices de empresas de mesmo 
segmento, gerando, assim, um verdadeiro benchmark acidentário. Todas as organizações 
têm perigos, possuem riscos específicos e, se querem ser empresas consideradas como 
ícones quanto ao trato do acidente de trabalho, necessitam promover melhorias dentro do 
seu segmento. Quando falamos em acidentes, não podemos esquecer que temos algumas 
formas distintas, entre elas as doenças ocupacionais, que devem nos próximos anos ter uma 
progressão geométrica nos índices hoje existentes, quando da aplicação plena do nexo técnico 
epidemiológico previdenciário. Agora, fazendo uma comparação, mesmo que não seja da melhor 
forma possível, temos que, segundo pesquisa realizada em 2001, o índice de mortalidade das 
empresas do setor elétrico e de telefonia era à época quatro vezes maior que o índice médio 
nacional. Portanto, certamente é um setor que necessita de cuidados especiais.
RH - Se considerarmos as organizações brasileiras de forma abrangente,a realidade 
nacional é preocupante em relação a acidentes nos ambientes de trabalho?
Rogério Crotti - Falar de forma abrangente sobre as organizações brasileiras é um 
generalismo preocupante. Temos no Brasil tipos de empresa muito diferentes entre si: as 
grandes organizações, as micro e as pequenas empresas, as empresas dos grandes centros 
urbanos, as organizações atreladas à atividade agrícola, e assim por diante. Para cada tipo 
de empresa temos uma realidade diferente. Podemos dizer que, nas grandes organizações, 
em especial da área urbana, temos uma sistemática de saúde no ambiente de trabalho bem 
evoluída que, por vezes, supera padrões internacionais. O mesmo já não ocorre nas micro 
e pequenas empresas onde, por vezes, ainda não há a consciência de que um ambiente de 
trabalho adequado aumenta a produtividade e evita paralisações indesejadas. Outra realidade 
está atrelada às organizações do segmento agrícola e isto começa pelo cunho legal. As normas 
regulamentadoras – chamadas de urbanas – entraram em vigor em 1978. Já os documentos 
similares do segmento agrícola, somente foram editados cerca de duas décadas depois. 
Portanto, ainda existe um longo percurso a percorrer. Mesmo assim, encontramos empresas 
que podem ser consideradas ícones de qualidade na saúde e segurança no ambiente laboral.
RH - Existem pesquisas que revelam os percentuais de mortalidade e de pessoas que 
ficaram deficientes em decorrência de acidentes de trabalho?
Rogério Crotti - Sim, o Ministério da Previdência Social possui pesquisas sobre a 
quantidade de acidentes (atividade formal) que ocorre no país. A título de informação, temos 
informações de que, em maio de 2009, foram expedidas 127.512 pensões geradas por morte 
atreladas a acidente de trabalho. Além disso, também existem pesquisas específicas geradas 
pelo Ministério do Trabalho. Contudo, as estatísticas retratam apenas as indenizações e auxílios 
pagos, ou os acidentes relatados. Temos que considerar que há uma série de outros custos 
que não são considerados. Um deles está atrelado à paralisação da atividade produtiva e à sua 
redução de capacidade, pois, quando ocorre um acidente de trabalho, seja este grave ou fatal, 
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as pessoas das proximidades acabam por paralisar suas atividades e o retorno à produção 
ocorre em ritmo reduzido, sendo que este custo acaba por não ser considerado nas estatísticas. 
Só para elucidar, fiz a análise de um acidente que aconteceu em uma indústria do Nordeste 
no qual vieram a falecer três trabalhadores. Inicialmente a produção foi paralisada nos dias 
do acidente, posteriormente esta foi transformada em férias coletivas e o retorno à produção 
só veio ocorrer à meia capacidade, cerca de 30 dias após o ocorrido. Não sei quanto às três 
vidas e a paralisação representaram em valor, mas certamente deve ter sido muito maior que 
os valores pagos pelos órgãos oficiais como indenização nas suas mais diversas formas.
RH - Para a Previdência Social e as organizações, o que esses números significam 
em cifras?
Rogério Crotti - Se pesquisarmos no site da Previdência Social, teremos estatísticas 
relativas aos acidentes de trabalho que foram registrados através das CAT – Comunicação 
de Acidente de Trabalho. Só para termos uma ideia, em maio de 2009, o INSS emitiu, como 
benefícios acidentários, 273.476 auxílios-acidente; 169.480 auxílios-doença gerados por 
acidentes, entre outros. Apenas nestas duas alíneas, o valor global representou mais de 25 
milhões de reais. Cabe ressaltar que estes valores são parciais, uma vez que não englobam 
todas as alíneas acidentárias da previdência. Além disso, precisamos considerar que os 15 
primeiros dias de afastamento por um acidente de trabalho são de responsabilidade pecuniária 
do empregador, que muitos acidentes não são comunicados ao INSS e que este quadro 
representa apenas a atividade formal. Concluindo, podemos dizer que os valores pagos pela 
Previdência Social são altos, mas que os custos gerados por acidentes de trabalho de uma 
forma ampla são muito maiores, seja pela subnotificação, seja pela própria forma de quitação 
dos custos acidentários.
RH - Existe algum norte específico que deve ser dado aos treinamentos preventivos 
aos acidentes no meio organizacional?
Rogério Crotti - O grande norte está atrelado aos riscos existentes na empresa. 
Exemplificando, existe um grupo de discussão de assuntos de segurança na internet. Com 
certa frequência, nota-se a solicitação para que sejam fornecidos temas e materiais para a 
realização dos chamados DDS - Diálogo Diário de Segurança. Quando vejo isso, fico arrepiado 
e me vem à mente ser ministrado um DDS sobre infecção por salmonela, habitual em ambiente 
hospitalar, para o pessoal de um centro de processamento de dados. Esta é uma ação que não 
produzirá efeito algum e tornará os treinamentos de segurança como algo chato que não leva 
a nada. Por isso, o mais importante não é ter algo excelentemente estruturado, mas, sim, falar 
do dia a dia da empresa, de seus riscos, das medidas preventivas e das mitigadoras de riscos 
a serem adotadas, sejam estas quanto aos equipamentos ou ao comportamento das pessoas.
RH - Como deve ser feita a condução desses treinamentos, individualmente ou em 
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grupo?
Rogério Crotti - Posso dizer que tanto faz o treinamento ser realizado de forma 
individual ou em grupo, desde que o mesmo agregue valor. A maioria dos treinamentos do 
segmento segurança que vemos não passam de palestras, onde é “despejada” uma série de 
condicionantes técnicas, muitas vezes sem apresentar a devida justificativa, sendo que, ao 
término, os empregados não mudam seu comportamento. Quando se ministra um treinamento, 
temos que fazer com que os participantes entrem de uma maneira e saiam de outra, além 
de o conteúdo ser perene. Explicando melhor, vamos considerar que temos um empregado 
que é negligente e que não usa o EPI – Equipamento de Proteção Individual. Indicamos para 
que ele participe de um treinamento, seja este individual, em um pequeno grupo ou mesmo 
em uma palestra de uma SIPAT – Semana Interna de Prevenção de Acidentes de Trabalho. 
Ele vai, participa e no dia seguinte ao evento continua sem utilizar o EPI. Neste caso, o valor 
agregado do treinamento foi zero, ou seja, não produziu efeito algum e só custou dinheiro. 
Portanto, foi um péssimo negócio. Todo treinamento deve necessariamente agregar valor, 
onde o participante entre com um tipo de comportamento e saia com outro. Para tanto, há 
a necessidade de contratante e contratado de dado treinamento montarem um estratagema 
adequado para atingir a população participante.
RH - Quais fatores o Sr. considera fundamentais para que um treinamento preventivo 
a acidentes de trabalho possibilite um retorno positivo?
Rogério Crotti - Acredito que os treinamentos devem atender a dois conceitos básicos: os 
quatro pilares da educação da UNESCO – Organização das Nações Unidas para a Educação, 
a Ciência e a Cultura –, e os ensinamentos de Confúcio. A UNESCO define que a educação, 
especialmente de adultos, deve conter quatro pilares fundamentais, ou seja, aprender a: 
conhecer, fazer, conviver e ser. Onde: aprender a conhecer é o buscar e adquirir informações 
e conhecimento; aprender a fazer consiste em aprender a colocar em prática o conhecimento 
adquirido, pois de nada adianta ter o conhecimento se este não é posto em prática; aprender a 
conviver – especialmente hoje, fala-se em times de trabalho, em equipes, em task force, se as 
pessoas não sabem conviver, terão dificuldade para trabalhar. A época do trabalhoindividual já 
ficou para trás; e aprender a ser – o profissional precisa estar em constante evolução, não só 
técnica, mas também como ser humano e a educação precisa também propiciar esta melhoria 
ou, no mínimo, motivar as pessoas para tal. Já o filósofo chinês Kung-Fu-Tze, conhecido 
universalmente como Confúcio, disse: “O que escuto, esqueço. O que vejo, lembro. E o que faço, 
aprendo”. Analisando sob a ótica de Confúcio, temos que, se em aula apenas o facilitador fala 
– apresentação meramente expositiva, pouco conhecimento será retido e, consequentemente, 
muito pouco poderá ser aplicado, ou seja, o valor agregado será baixo. Concluindo, mais vale 
um treinamento de pouca informação técnica que agregue valor, do que uma palestra cheia de 
informações que não se consegue colocar em prática. O triste é que a esmagadora maioria dos 
treinamentos no segmento da segurança do trabalho não agrega valor e só são ministrados 
para ter uma evidência de que foi atendido um preceito legal.
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RH - O Sr. considera as SIPATS suficientes para diminuir os índices de acidentes no 
trabalho?
Rogério Crotti - Sempre considerei as SIPATS como um mal necessário, uma vez que 
não acredito que a SIPAT em si seja um redutor de acidente, mas que tem que existir para 
atender a um preceito legal. Se analisarmos os acidentes, teremos duas causas básicas: uma 
é a inadequação do local de trabalho em si e o outro é o comportamento das pessoas. Uma 
SIPAT, que via de regra é uma série de palestras, não tem o poder de alterar o local de trabalho 
ou de gerar uma mudança comportamental. Até imagino que, quando foi instituída em 1978, este 
tipo de evento podia produzir algum efeito, uma vez que se estava no começo da segurança do 
trabalho no Brasil e, na época, este tipo de evento poderia tentar aumentar a consciência dos 
trabalhadores. Hoje as SIPATs, que deveriam ser estruturadas pela CIPA – Comissão Interna 
de Prevenção de Acidentes –, acabam sendo gestadas e geridas pelo SESMT – Serviços 
Especializados em Segurança e Medicina do Trabalho –, mas para atender aos requisitos 
legais, além de terem que abranger uma série de outros temas, como doenças sexualmente 
transmissíveis, fumo, por exemplo. A segurança do trabalho se faz no dia a dia, com ações de 
estruturação no ambiente laboral e na mudança do comportamento dos empregados. Assim 
sendo, ter uma semana para cuidar desses assuntos, pouco contribui, sendo que o único efeito 
prático é o aumento dos custos empresariais.
RH - Quais os cuidados que as organizações devem ter ao contratar um profissional 
para ministrar um treinamento voltado à prevenção dos acidentes no trabalho?
Rogério Crotti - Acredito que existem duas vertentes importantes, uma quanto ao 
profissional e outra quanto ao programa. Quanto ao profissional, este precisa estar apto a 
ministrar o curso, seja pelo domínio dos critérios técnicos, seja pelo domínio de requisitos 
mínimos relacionados à didática. Temos que ter em mente que os profissionais precisam estar 
capacitados. Em alguns casos, há a necessidade de este profissional estar registrado em um 
conselho de classe, porém o que tenho visto é engenheiro químico falar de segurança em 
eletricidade, de técnico de segurança falar sobre primeiros socorros, e por aí vai. Esta posição, 
que podemos considerar como “contratação aleatória”, é temerária, pois certamente levará à 
apresentação de conceitos errôneos, podendo inclusive agravar a saúde do trabalhador, gerar 
acidentes ou agravar as injúrias.
RH - O Sr. deve ter presenciado muitos casos em que o treinamento de segurança do 
trabalho foi um investimento jogado fora. Certo?
Rogério Crotti - Sim. Só como exemplo, hoje temos os treinamentos definidos pela 
NR10, uma empresa resolveu ministrar os treinamentos através de efetivo próprio, o que não 
há impedimento. Todavia, o ministrador proferiu um treinamento sobre eletricidade básica e 
esqueceu-se de falar dos critérios de segurança em eletricidade, desvirtuando totalmente 
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o objetivo do treinamento. A segunda vertente importante está atrelada ao programa em si. 
Qualquer programa de treinamento deve necessariamente ter um objetivo a ser cumprido e 
uma meta esperada. Deve, para tanto, alterar o status quo dos participantes, fazendo com 
que estes não só tenham mais conhecimento técnico, mas que estejam motivados a colocar 
os treinamentos em prática. Portanto, entendo que os treinamentos não podem ser genéricos, 
havendo a necessidade de adequações específicas para que os treinamentos venham ao 
encontro das necessidades de cada empresa. Sou da opinião de que treinamento que não 
agrega valor não deve ser ministrado, pois, por mais barato que custe, é muito caro.
RH - Qual a importância do Mapeamento de Riscos e como esse deve ser elaborado?
Rogério Crotti - Não podemos confundir mapeamento de risco com mapa de risco. O mapa 
de risco deve ser realizado pela CIPA e não necessariamente deve atender a requisitos técnicos. 
O mapeamento de risco realizado com base em técnicas de análise de risco é fundamental, 
para que se conheçam os perigos existentes em uma planta industrial. Esta análise permite 
a dotação de medidas administrativas, estruturais e de recursos para a mitigação de riscos, 
propiciando desta forma um ambiente laboral adequado ao desenvolvimento das atividades. A 
atividade de mapeamento de risco deve utilizar técnicas qualitativas e quantitativas de análise, 
sendo as mais conhecidas: HAZOP (Hazard Operation), FMEA (Failure Mode and Effects 
Analysis), Detecção analítica de falhas (Kepner & Tregoe method), entre outras, além de uma 
série de software de análise de amplitudes de consequência. Todas essas metodologias levam 
em consideração não só a probabilidade de ocorrência como a amplitude da consequência, 
traduzindo os perigos encontrados em potências de risco mensuráveis. Essas análises também 
permitem que sejam aplicados recursos apenas onde são necessários, trazendo, dessa forma, 
redução dos custos globais com as medidas mitigadoras de risco.
RH - Que ações preventivas podem ser adotadas no dia a dia, principalmente em 
empresas consideradas de alto risco?
Rogério Crotti - Administrar um remédio sem conhecer o doente é sempre difícil. As 
medidas preventivas a serem adotadas devem estar adequadas ao risco, e como os riscos 
são específicos para cada empresa, não tem como definirmos medidas padrão, mas podemos 
falar em comportamento adequado. O primeiro passo é ter em mente que os problemas de 
segurança no ambiente laboral são todos os componentes de uma organização e englobam: 
os supervisores de produção, as pessoas que fazem parte da liderança da empresa, os 
empregados, enfim, todos. E as equipes de segurança? Estas devem atuar como consultores 
internos de todos os setores, ajudando a trazer tecnologia para a redução de perigos. No 
entanto, a segurança se faz onde existe o risco. Portanto, as equipes de segurança devem 
necessariamente estar a maior parte do tempo presentes no chão de fábrica, analisando as 
áreas, propondo soluções. O que tenho visto, contudo, são cada vez mais estas equipes nos 
escritórios escondidas atrás dos computadores, emitindo relatórios que, por vezes, não trarão a 
redução de riscos. Agora, tentando ministrar um redutor para dor de cabeça e não um remédio, 
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existem duas situações que são fundamentais em quaisquer empresas: a primeira refere-se 
à realizaçãode inspeções e proposição de medidas redutoras de risco no ambiente laboral, e 
a segunda é relativa à orientação dos profissionais. Volto a lembrar: é necessário um remédio 
específico e não a automedicação ou a receita de um balconista de farmácia.
RH - Os investimentos em ações preventivas para acidentes de trabalho são 
obrigatoriamente elevados?
Rogério Crotti - Não entendo que sejam elevados, são na realidade mal aplicados. Por 
dever de ofício, visito várias empresas e é comum vermos empresas que definem que todos 
devem utilizar capacete, por exemplo. Todavia, capacete é um equipamento destinado a prevenir 
prioritariamente os acidentes do tipo “batida contra” e, por vezes, as empresas não apresentam, 
ao menos à primeira vista, esses riscos. O que tenho visto é muita aplicação errônea de ações 
preventivas de acidentes, sejam estas quanto aos métodos e processos de trabalho em si, 
quanto aos equipamentos de proteção individual, ou quanto aos treinamentos realizados de 
forma a só “cumprir requisitos legais” e não a agregar valor. Outra situação comum é quanto à 
compra de máquinas e equipamentos produtivos, pois muitas vezes estes são adquiridos no 
mercado externo e não atendem à nossa legislação, devendo ser adequados e retrabalhados 
aqui no Brasil. Um exemplo ocorreu com as máquinas injetoras de plástico: em uma feira havia 
uma série de máquinas sendo expostas sem as proteções necessárias. Quando indagado ao 
fabricante o porquê da inexistência da proteção, este disse que poderia fornecer e que era 
“equipamento de linha”, só que era um adicional. Neste caso, a implantação da proteção na 
fábrica é mais barata que a adequação posterior.
RH - O Ministério do Trabalho e Emprego é o único órgão responsável por fiscalizar a 
segurança do trabalhador ou os sindicatos também podem realizar essa atividade?
Rogério Crotti - Hoje a fiscalização pode ser realizada tanto pelo Ministério do Trabalho 
e Emprego como também pelo INSS – Instituto Nacional de Seguridade Social –, e através de 
convênios, pelas Agências de Vigilância Sanitária. Os sindicatos, de forma geral, não podem 
desenvolver a fiscalização em si, a menos que este procedimento esteja definido nos acordos 
coletivos de trabalho celebrados entre as empresas através dos órgãos representativos e os 
sindicatos, as federações, as confederações de trabalhadores. Cabe aos sindicatos, no entanto, 
o dever de denunciar as empresas que descumprem a legislação. Posição esta que, sendo 
realizada dentro de adequados conceitos de justiça e ética, é contributiva para a melhoria das 
condições laborais de seus representados.
RH - Quais as penalidades que podem ser aplicadas às organizações que colocam a 
segurança dos funcionários em risco?
Rogério Crotti - Legalmente as penalidades diretas vão desde a aplicação de multas até 
a interdição – fechamento – da unidade industrial. Existem, todavia, as penalidades indiretas, 
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compreendidas pelo aumento da contribuição ao INSS relativo aos trabalhadores, em que há 
aposentadoria precoce motivada pela atividade laboral e pelo aumento do seguro-acidente 
pago ao INSS pelas empresas, em que o número de acidentes de trabalho supera a média de 
acidentes de seu setor produtivo, além da geração de passivo judicial trabalhista e civil.
FONTE: BISPO, P. 2009. Disponível em: <http://www.rh.com.br/Portal/Relacao_
Trabalhista/Entrevista/6115/ninguem-esta-livre-de-acidentes-no-trabalho.html>. Acesso em: 
18 out. 2010.
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Neste tópico você viu que:
• Considera-se que a publicação do Código Sanitário do Estado de São Paulo, em 1918, a 
primeira legislação editada no Brasil sobre acidentes de Trabalho. Nacionalmente, temos, 
no ano de 1919, a publicação da primeira legislação sobre acidentes de trabalho.
• As mudanças que estavam acontecendo na Europa, no início do século XX, em decorrência 
da Primeira Guerra Mundial e do surgimento da OIT, fizeram com que fosse iniciada a 
criação de normas trabalhistas no Brasil, que deram início aos movimentos operários, que 
reivindicavam melhores condições de trabalho e salários.
• A Constituição de 1934 foi a primeira constituição brasileira a tratar especificamente do 
Direito do Trabalho. Garantia a liberdade sindical, isonomia salarial, salário mínimo, jornada 
de trabalho de oito horas diárias, proteção do trabalho das mulheres e menores, repouso 
semanal e férias anuais remuneradas.
• Em 1937, Getúlio Vargas outorgou uma nova constituição. Instituiu o sindicato único, imposto 
por lei, vinculado ao Estado, exercendo funções delegadas de poder público, podendo 
haver intervenção estatal direta em suas atribuições. Foi criado também o imposto sindical, 
estabeleceu-se a competência normativa dos tribunais de trabalho. A greve e o lockout foram 
considerados recursos antissociais, nocivos ao trabalho e ao capital e incompatíveis com os 
interesses da produção nacional.
• Como as normas dos assuntos trabalhistas estavam muito esparsas, houve a necessidade 
de sistematizá-las. Criou-se, assim, em 1943, a CLT – Consolidação das Leis Trabalhistas.
• Com a promulgação de uma nova Constituição em 1946, os direitos dos trabalhadores 
aumentaram. Nela estão a participação dos trabalhadores nos lucros, repouso semanal 
remunerado, estabilidade, direito à greve, entre outros.
• Em 1988, foi promulgada a atual Constituição. Em seus artigos 7º ao 11, encontramos os 
direitos trabalhistas.
RESUMO DO TÓPICO 3
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AUT
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IVID
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Prezado(a) acadêmico(a): faça um resumo, listando as datas das constituições 
e das leis importantes, mostrando as mudanças que ocorreram ao longo do tempo.
UNIDADE 1 TÓPICO 3 65
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AVAL
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Prezado(a) acadêmico(a), agora que chegamos ao final da 
Unidade 1, você deverá fazer a Avaliação referente a esta unidade.
UNIDADE 1TÓPICO 366
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UNIDADE 2
SESMT, AGENTES AMBIENTAIS, RISCOS 
E LIMITES DE TOLERÂNCIA
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
Nessa unidade vamos:
		definir a composição do SESMT, a competência de cada profissional, 
seu dimensionamento de acordo com o tipo de empresa;
		saber quais os agentes ambientais capazes de causar danos à 
saúde do trabalhador;
		conhecer os riscos inerentes às atividades laborais;
		reconhecer os limites de tolerância para os agentes ambientais.
TÓPICO 1 – SESMT
TÓPICO 2 – AGENTES AMBIENTAIS
TÓPICO 3 – RISCOS
TÓPICO 4 – LIMITES DE TOLERÂNCIA
PLANO DE ESTUDOS
Esta unidade está dividida em quatro tópicos. No final de cada 
um deles você encontrará atividades que o(a) auxiliarão a fixar os 
conhecimentos abordados.
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SESMT
1 INTRODUÇÃO
2 COMPOSIÇÃO
3 COMPETÊNCIA DOS PROFISSIONAIS DO SESMT
TÓPICO 1
O SESMT – Serviços Especializadosem Engenharia de Segurança e em Medicina do 
Trabalho – está descrito na NR4 e está regulamentado pela Portaria nº 33, de 27/10/1983, do 
MTE.
Seu objetivo é a promoção da saúde e a proteção da integridade física do trabalhador 
no local de trabalho e é composto por diversos profissionais da área de saúde e segurança. 
Estes serviços deverão estar presentes em empresas privadas e públicas, órgãos públicos de 
administração direta e dos poderes Legislativo e Judiciário, que possuam empregados regidos 
pela CLT.
O SESMT deverá ser integrado por Médico do Trabalho, Engenheiro de Segurança do 
Trabalho, Enfermeiro do Trabalho, Técnico de Segurança do Trabalho e Auxiliar de Enfermagem 
do Trabalho, obedecendo ao Quadro II da NR4. (NR4, 2011).
Segundo a NR4 (2011), no seu item 4.12, compete aos profissionais dos integrantes 
do SESMT:
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a) aplicar os conhecimentos de Engenharia de Segurança e de Medicina do Trabalho ao 
ambiente de trabalho e a todos os seus componentes, inclusive máquinas e equipamentos, 
de modo a reduzir até eliminar os riscos ali existentes à saúde do trabalhador;
b) determinar, quando esgotados todos os meios conhecidos para a eliminação do risco e este 
persistir, mesmo reduzido, a utilização, pelo trabalhador, de Equipamentos de Proteção 
Individual - EPI, de acordo com o que determina a NR 6, desde que a concentração, a 
intensidade ou característica do agente assim o exija;
c) colaborar, quando solicitado, nos projetos e na implantação de novas instalações físicas 
e tecnológicas da empresa, exercendo a competência disposta na alínea “a”;
d) responsabilizar-se tecnicamente pela orientação quanto ao cumprimento do disposto nas 
NR aplicáveis às atividades executadas pela empresa e/ou seus estabelecimentos;
e) manter permanente relacionamento com a CIPA, valendo-se ao máximo de suas 
observações, além de apoiá-la, treiná-la e atendê-la, conforme dispõe a NR 5;
f) promover a realização de atividades de conscientização, educação e orientação dos 
trabalhadores para a prevenção de acidentes do trabalho e doenças ocupacionais, tanto 
através de campanhas quanto de programas de duração permanente;
g) esclarecer e conscientizar os empregadores sobre acidentes do trabalho e doenças 
ocupacionais, estimulando-os em favor da prevenção;
h) analisar e registrar em documento(s) específico(s) todos os acidentes ocorridos na 
empresa ou estabelecimento, com ou sem vítima, e todos os casos de doença ocupacional, 
descrevendo a história e as características do acidente e/ou da doença ocupacional, 
os fatores ambientais, as características do agente e as condições do(s) indivíduo(s) 
portador(es) de doença ocupacional ou acidentado(s);
i) registrar mensalmente os dados atualizados de acidentes do trabalho, doenças ocupacionais 
e agentes de insalubridade, preenchendo, no mínimo, os quesitos descritos nos modelos 
de mapas constantes nos Quadros III, IV, V e VI, devendo a empresa encaminhar um mapa 
contendo avaliação anual dos mesmos dados à Secretaria de Segurança e Medicina do 
Trabalho até o dia 31 de janeiro, através do órgão regional do MTb;
j) manter os registros de que tratam as alíneas “h” e “i” na sede dos Serviços Especializados 
em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho ou facilmente alcançáveis a partir 
da mesma, sendo de livre escolha da empresa o método de arquivamento e recuperação, 
desde que sejam asseguradas condições de acesso aos registros e entendimento de seu 
conteúdo, devendo ser guardados somente os mapas anuais dos dados correspondentes 
às alíneas “h” e “i” por um período não inferior a 5 (cinco) anos;
k) as atividades dos profissionais integrantes dos Serviços Especializados em Engenharia 
de Segurança e em Medicina do Trabalho são essencialmente prevencionistas, embora 
não seja vedado o atendimento de emergência, quando se tornar necessário. Entretanto, 
a elaboração de planos de controle de efeitos de catástrofes, de disponibilidade de meios 
que visem ao combate a incêndios e ao salvamento e de imediata atenção à vítima deste 
ou de qualquer outro tipo de acidente estão incluídos em suas atividades.
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4 DIMENSIONAMENTO
4.1 EXEMPLO DE DIMENSIONAMENTO DE SESMT
O dimensionamento do SESMT está vinculado à gradação de risco da atividade principal 
e ao número total de empregados do estabelecimento, obedecendo-se aos Quadros I e II da 
NR4.
Quando houver terceirização de atividades e trabalho temporário, o subitem 4.5 da 
NR4 determina que a empresa contratante deva estender a assistência de seus Serviços 
Especializados aos empregados da(s) contratada(s), sempre que o número de empregados 
desta(s), exercendo atividades naqueles estabelecimentos não alcançar os limites previstos 
no Quadro II da NR4. (HASHIMOTO, 2010).
Portanto, quando a empresa contratante necessita o SESMT, mas a(s) contratada(s) 
não, o SESMT da contratante deverá prestar assistência à(s) contratada(s). Entretanto, não 
há determinação para que os empregados das contratadas sejam considerados na base de 
cálculo dos empregados da empresa contratante para fins de dimensionamento do SESMT. 
(HASHIMOTO, 2010).
Nesse mesmo sentido, temos o entendimento de Araújo (2006, p. 175):
Em muitos casos a empresa contratada está desobrigada de possuir SESMT, 
entretanto, o termo usado no item 4.5 ‘estender a assistência de seu SESMT’ 
não quer dizer que a empresa deva redimensionar o quadro de profissionais em 
função dos funcionários terceirizados (prestadores de serviços). O legislador 
entende que ‘estender a assistência’ quer dizer, por exemplo, disponibilizar 
serviços de treinamento, estudos de risco (ex.: PPRA), reuniões informativas 
(Diálogos de Segurança), organizar SIPAT coletivas, entre outras atividades 
preventivas. [...] Vale ressaltar que a empresa contratante deve garantir aos 
funcionários terceirizados o mesmo nível de informação necessário ao exer-
cício seguro das atividades. Algumas organizações que precisam trabalhar 
com diversas empresas terceirizadas têm adotado a prática de incentivar 
que estas se organizem para criar um SESMT compartilhado, de modo que, 
principalmente, aquelas que não possuam profissionais de segurança possam 
ter acesso a estes serviços especializados.
Esta obrigatoriedade de a empresa contratante estender os serviços do SESMT aos 
empregados das contratadas tem como fundamento a corresponsabilidade da contratante 
pelos danos causados aos trabalhadores das contratadas.
O dimensionamento do SESMT é baseado no grau de risco da atividade. Devemos, então, 
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saber qual o CNAE (Cadastro Nacional de Atividades Econômicas) em que o empreendimento 
está inserido, e então consultar o Quadro I da NR4.
Vejamos alguns exemplos de atividades e seu respectivo grau de risco:
• 01.13-9 – cultivo de cana-de-açúcar: grau de risco 3;
• 10.00-6 – extração de carvão mineral: grau de risco 4;
• 21.31-8 – fabricação de embalagens de papel: grau de risco 2.
Precisamos agora saber o número de funcionários, e então consultamos o Quadro II, 
também da NR4.
Vamos então dimensionar o SESMT para uma empresa de extração de minérios de 
ferro, que tenha 2.140 funcionários. Através do Quadro I da NR4, vemos que esta atividade 
apresenta um grau de risco 4. Então, no Quadro II da NR4, podemos identificar que a empresa 
necessitará de:
• 8 Técnicos de Segurança do Trabalho
• Engenheiros de Segurança do Trabalho
• Auxiliaresde Enfermagem do Trabalho
• Médicos do Trabalho
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 Neste tópico você viu que:
• O SESMT está descrito na NR4 e é composto por:
• Médico do Trabalho.
• Engenheiro de Segurança do Trabalho.
• Enfermeiro do Trabalho.
• Técnico de Segurança do Trabalho.
• Enfermeiro de Segurança do Trabalho.
• Você também viu quais as competências de todos os profissionais do SESMT, segundo a 
norma NR4, e aprendeu a fazer o dimensionamento deste SESMT, de acordo com o grau 
de risco e o número de funcionários de cada empresa.
RESUMO DO TÓPICO 1
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1 Descreva a composição do SESMT.
2 Quais as competências dos profissionais do SESMT?
3 Dimensione o SESMT para:
a) uma fazenda de cultivo da cana-de-açúcar, com 630 funcionários.
b) uma mina de extração de carvão mineral, com 230 funcionários.
c) uma fábrica de embalagens de papel, com 1.640 funcionários.
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AGENTES AMBIENTAIS
1 INTRODUÇÃO
2 CLASSIFICAÇÃO DOS AGENTES AMBIENTAIS
TÓPICO 2
Todos os agentes presentes no meio ambiente de trabalho, que são capazes de causar 
danos à saúde do trabalhador, são chamados agentes ambientais.
Como exemplos destes agentes, podemos citar o ruído presente nas fábricas, as 
temperaturas baixas das câmaras frigoríficas, o calor junto aos fornos, as radiações das salas 
de raios-x, poeira de algodão nas fiações e malharias, vapores de produtos químicos em geral.
É de extrema importância conhecer estes agentes, presentes em nosso meio, e sua 
forma de propagação, para que possamos melhorar as condições do ambiente de trabalho, 
garantindo saúde aos trabalhadores.
Quanto maior o tempo de exposição a estes agentes, maiores são as probabilidades de 
ocorrer doenças. Da mesma forma, quanto maior a concentração destes agentes agressivos, 
também maior o dano à saúde dos trabalhadores.
Cada organismo responde de uma forma diferenciada aos agentes. Portanto, uma 
pessoa pode ser mais tolerante ao frio que outra, por exemplo. Como temos estas variações, 
devemos nos ater às tabelas específicas para cada agente, que serão objeto de estudos mais 
adiante. São os chamados Limites de Tolerância. Trabalhando fora dos limites de tolerância, 
os empregados receberão o “adicional de insalubridade”.
Os riscos ambientais, segundo a NR-9, estão divididos em três grupos: agentes 
físicos, químicos e biológicos. (NR9, 2011). 
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Estudaremos na disciplina “Higiene no Trabalho” estes riscos 
aprofundadamente.
• Agentes físicos: consideram-se agentes físicos as diversas formas de energia a que 
possam estar expostos os trabalhadores, tais como: ruído, vibrações, pressões anormais, 
temperaturas extremas (frio e calor), radiações ionizantes e não ionizantes, bem como o 
infrassom e o ultrassom.
• Agentes químicos: consideram-se agentes químicos as substâncias, compostos ou produtos 
que possam penetrar no organismo pela via respiratória, nas formas de poeiras, fumos, 
névoas, neblinas, gases ou vapores, ou que, pela natureza da atividade de exposição, 
possam ter contato ou ser absorvidos pelo organismo através da pele ou por ingestão.
• Agentes biológicos: consideram-se agentes biológicos as bactérias, fungos, bacilos, parasitas, 
protozoários, vírus, entre outros.
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Prezado(a) acadêmico(a), neste tópico vimos que: 
• Os agentes ambientais são os agentes causadores dos danos à saúde do trabalhador.
• Quanto maior o tempo de exposição a estes agentes, maiores são as possibilidades de 
ocorrer doenças; quanto maior a concentração deles, maior também será o dano à saúde 
dos trabalhadores. 
• Cada organismo responde de uma forma a estes agentes. Devido a esta característica, foram 
estipulados os “limites de tolerância” para cada agente, através de uma série de estudos. 
Trabalhando fora destes limites, os empregados receberão o “adicional de insalubridade”.
• Estudamos também quais são os agentes ambientais, que estão divididos em três grupos: 
físicos, químicos e biológicos.
RESUMO DO TÓPICO 2
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Prezado(a) acadêmico(a): faça um levantamento dos agentes ambientais que 
estão presentes em seu local de trabalho, na escola ou em sua própria casa.
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RISCOS
1 INTRODUÇÃO
2 RISCOS FÍSICOS
TÓPICO 3
Podemos considerar riscos ocupacionais como a probabilidade de um evento (esperado 
ou não) se tornar realidade.
Conforme a NR9, que trata do Programa de Prevenção de Riscos Ambientais – PPRA –, 
consideram-se riscos (ambientais) os agentes que podem causar danos à saúde do trabalhador, 
em função da sua natureza, concentração ou intensidade e tempo de exposição.
Podemos exemplificar de várias formas o que é risco: andando em uma calçada, temos o 
risco de tropeçar e nos machucar; trabalhando com ácidos numa empresa temos o risco de cair 
uma gota sobre a nossa pele e causar uma lesão; uma enfermeira, limpando o ambulatório, pode 
ferir-se com uma agulha contaminada e ficar doente; uma pessoa trabalhando num armazém 
frigorífico pode ter uma queimadura de frio; um trabalhador do escritório, que não possui 
iluminação suficiente em seu local de trabalho, pode desenvolver alguma perda de visão etc.
Existem cinco tipos de riscos que vamos estudar: físicos, químicos, biológicos, 
ergonômicos e de acidentes.
Podemos citar os seguintes agentes nesta categoria:
• Ruído.
• Vibração.
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• Pressão anormal.
• Radiações ionizantes ou não ionizantes.
• Temperatura extrema (frio ou calor).
• Infrassom e ultrassom.
2.1 RUÍDOS
Quando estamos em nosso ambiente de trabalho e não conseguimos ouvir o que 
um colega está falando, dizemos que este ambiente tem bastante ruído, ou que está muito 
barulhento.
FONTE: Disponível em <http://laerciojsilva.blogspot.com/2010/06/pressao-sonora.
html>. Acesso em: 8 nov. 2010.
Ruído, em Segurança do Trabalho, pode ser definido como um som indesejável e nocivo 
à saúde do trabalhador.
FIGURA 17 – RUÍDOS OCUPACIONAIS 
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FONTE: Disponível em: <http://www.bkpt.com/Literatura_files/escalalogaritmica.zip>. Acesso em: 9 
nov. 2010.
FIGURA 18 – NÍVEIS DE PRESSÃO SONORA 
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Som é um fenômeno vibratório resultante de variação da pressão no ar. Essas variações 
de pressão se dão em torno da pressão atmosférica e se propagam longitudinalmente, à 
velocidade de 344 m/s a 20ºC. (ZENDRON, 2010).
Qualquer fenômenoque pode causar ondas de pressão no ar é considerado uma fonte 
sonora. Pode ser um corpo sólido em vibração, uma explosão, um vazamento de gás à alta 
pressão etc.
Todo som se caracteriza, praticamente, por três variáveis físicas: frequência, intensidade 
e timbre.
Frequência (f) é o número de oscilações por minuto do movimento vibratório do som. 
É medida em ciclos por segundos, ou Hertz (Hz). Nosso ouvido é capaz da captar sons entre 
20 e 20.000 Hz (faixa audível). Os sons com menos de 20 Hz são os infrassons, enquanto que 
os acima de 20 kHz são os chamados ultrassons. 
A intensidade de som pode ser definida como a quantidade de energia contida no 
movimento vibratório. Pode ser medida por dois parâmetros: através da energia contida no 
movimento vibratório (W/cm2) ou através da pressão do ar causada pela onda sonora (BAR 
= 1 dyna/cm2).
O timbre é o que diferencia os sons. Se tocarmos uma mesma nota musical num piano 
ou num violão, reconheceremos qual foi o instrumento que originou tal nota através de seu 
timbre. Tecnicamente, o timbre é a forma da onda de vibração sonora.
A pressão, a potência e a intensidade dos sons captados pelo ouvido humano cobrem 
uma ampla faixa de variação. Por exemplo, um murmúrio irradia uma potência de 0,000 000 
001 watt enquanto que o grito de uma pessoa comum tem uma potência sonora de cerca de 
0,001 watt; uma orquestra sinfônica chega a produzir 10 watts enquanto que um avião a jato 
emite 100000 watts de potência ao decolar. Sendo assim, uma escala logarítmica, como o 
decibel, é mais adequada para medida dessas grandezas físicas. (WIKIPÉDIA, 2010).
Existe uma variedade de equipamentos que podemos utilizar em nosso local de trabalho 
para medirmos o nível de ruído. A escolha irá depender do dado que queremos obter, bem como 
do tipo de ruído que vamos analisar. Frequentemente utilizamos três tipos de equipamentos: 
medidor de nível de pressão sonora, dosímetro e analisador de frequências.
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Sugestão de leitura: veja a apostila “Ruído nos Locais de Trabalho”, 
disponível em: <http://www.bkpt.com/Literatura.htm>.
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No Brasil, os critérios para medição e avaliação do ruído em ambientes são fixados 
pelas Normas Brasileiras da Associação Brasileira de Normas Técnicas. As principais são:
• NBR 7731 - Guia para execução de serviços de medição de ruído aéreo e avaliação dos 
seus efeitos sobre o homem.
• NBR 10151 - Avaliação do ruído em áreas habitadas visando o conforto da comunidade.
• NBR 10152 (NB-95) - Níveis de ruído para conforto acústico.
A NR15 (2011) informa os limites de tolerância para o ruído:
NÍVEL DE RUÍDO dB (A) MÁXIMA EXPOSIÇÃO DIÁRIA 
PERMISSÍVEL 
85 
86 
87 
88 
89 
90 
91 
92 
93 
94 
95 
96 
98 
100 
102 
104 
105 
106 
108 
110 
112 
114 
115 
8 horas 
7 horas 
6 horas 
5 horas 
4 horas e 30 minutos 
4 horas 
3 horas e 30 minutos 
3 horas 
2 horas e 40 minutos 
2 horas e 15 minutos 
2 horas 
1 hora e 45 minutos 
1 hora e 15 minutos 
1 hora 
45 minutos 
35 minutos 
30 minutos 
25 minutos 
20 minutos 
15 minutos 
10 minutos 
8 minutos 
7 minutos 
TABELA 1 – NR15 – LIMITES DE TOLERÂNCIA
FONTE: NR15 (2011)
2.2 VIBRAÇÃO
A vibração é um agente nocivo, que está presente em várias atividades industriais. 
Podemos encontrá-la facilmente nas atividades de mineração, civil e florestal, na indústria 
química, na de móveis, da carne, automotivas e várias outras que submetem os trabalhadores 
a vibrações localizadas (também conhecidas como vibrações de mãos e braços ou de 
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extremidades) e vibrações de corpo inteiro. (VENDRAME, 2010).
As vibrações localizadas são transmitidas aos membros superiores (e também às vezes 
aos membros inferiores, mas menos comumente) através, principalmente, do uso de ferramentas 
manuais, portáteis ou não, tais como motosserras, furadeiras, serras, politrizes, britadeiras e 
martelos pneumáticos. Por seu turno, as vibrações de corpo inteiro são características em 
plataformas industriais, veículos pesados, tratores, retroescavadeiras e até mesmo no trabalho 
em embarcações marítimas, fluviais e trens. (VENDRAME, 2010).
A NR15 (2011), em seu Anexo 8, faz referência à necessidade de medição da exposição 
a vibrações no trabalhador e indica duas normas ISO:
• ISO 2631 – Vibração transmitida para corpo inteiro.
• ISO 5349 – Vibrações localizadas (mãos e braços).
A ACGIH (American Conference of Industrial Hygienists) faz referências a limites 
admissíveis para tempo de exposição a vibrações localizadas, podendo ser utilizados como 
critério de avaliação já que a ISO 5349 é muito superficial, isto é, não há um limite estabelecido 
e, sim, probabilidades de ocorrência de determinadas lesões.
Segundo esta NR15, a exposição do trabalhador a vibrações acima do limite de tolerância 
é considerada insalubre de grau médio, isto é, deve-se conceder um adicional de 20% do 
salário mínimo aos seus proventos.
O fato de braços e mãos estarem expostos a uma vibração intensa pode causar um 
problema denominado Síndrome da Vibração das Mãos e Braços (HAVS, Hand Arm Vibration 
Syndrome). Provavelmente, a doença mais frequente é causada por uma anormalidade da 
circulação sanguínea denominada de branco de vibração (VWF, Vibration White Pinger), cujos 
sintomas são o empalidecimento da pessoa e períodos de intensas dores, além da necessidade 
de evitar atividades frias e úmidas. Outras lesões são caracterizadas por problemas nos nervos 
como dormência, formigamento e dificuldade para executar tarefas como apertar botões. 
(ZENDRON, 2010).
A vibração transmitida ao corpo inteiro geralmente é menos prejudicial devido à atividade 
executada também causar lesões graves. O corpo humano reage às vibrações de maneiras 
diversas, a sensibilidade às vibrações longitudinais (ao longo do eixo z, da coluna vertebral) 
é diferente da sensibilidade transversal (eixos x ou y, ao longo dos braços ou através do 
tórax). Dentro de cada direção, a sensibilidade também varia com a frequência (“resposta em 
frequência do corpo”), isto é, para uma determinada frequência, a aceleração tolerável (em m/
s2) é diferente da aceleração tolerável em outra frequência. Os problemas mais comuns são 
náuseas e enrijecimento na coluna. (ZENDRON, 2010).
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Os sintomas iniciais da síndrome da vibração de mãos e braços incluem: branqueamento 
local, em um ou mais dedos de quaisquer ou ambas as mãos expostas à vibração, dor, 
paralisia, formigamento, perda da coordenação, falta de delicadeza e inabilidade para realizar 
tarefas intrincadas. A síndrome também implica danos na percepção cutânea e prejuízo na 
destreza manipulativa, como, por exemplo, dificuldade em pegar uma moeda numa superfície 
plana, abotoar uma camisa ou virar uma página de jornal. As severidades dos sintomas são 
diretamente proporcionais à dose das vibrações, função de sua intensidade e duração da 
exposição cotidiana. No entanto, mesmo as exposições intermitentes podem trazer danos. 
(VENDRAME, 2010).
Progressivamente à exposição à vibração, o branqueamento ou ataques de 
branqueamento ocorrem em um ou mais dos dedos expostos, com duração de 5 a 15 minutos. 
Os ataques, usualmente, ocorrem em baixas temperaturas e são potencializados pelo fumo, 
já que frio e nicotina são vasoconstritores. A situação continua a se deteriorar com o número 
e a severidade dos ataques de branqueamento, que aumentam com acontinuada exposição 
à vibração. (VENDRAME, 2010).
O estágio final da síndrome da vibração de mãos e braços sempre força os trabalhadores 
a deixarem sua ocupação e alguns, face à ameaça de gangrena nos dedos, resultado da perda 
do suprimento de sangue, com possibilidade de amputação do membro. Infelizmente, deixar 
o trabalho depois da ocorrência de múltiplos ataques de branqueamento não é a solução, eis 
que virtualmente, em todos os casos, a síndrome aparece em razão do frio.
Diga-se, de passagem, que as vibrações não somente atuam como agente unifatorial, 
mas também como fator contributivo e de agravamento das LER/DORT; além do que, há mais 
de 10 anos, um estudo sueco correlacionou a síndrome da vibração de extremidades com o 
aumento do risco de infarto agudo do miocárdio. (VENDRAME, 2010).
Segundo Zendron (2010), como formas de atenuar os efeitos danosos da vibração 
sobre o corpo humano, podemos tomar as seguintes medidas:
• isolar o equipamento, com fundações exclusivas;
• instalar amortecedores;
• alterar as frequências;
• rodízio de operação;
• empunhadores com amortecimento.
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3 PRESSÃO
3.1 HIPERBARISMO
Existem dois tipos de pressões anormais: pressão hiperbárica e pressão hipobárica.
• Hiperbárica: é quando o trabalhador fica sujeito a pressões maiores que a pressão atmosférica 
ao nível do mar e onde se exige cuidadosa descompressão. Como exemplo, temos o trabalho 
dos mergulhadores profissionais.
• Hipobárica: é quando temos pressões menores, geralmente associadas ao trabalho em 
grandes altitudes. Podemos citar alguns trabalhos como mineração, agricultura, recreação 
e alguns meios de transporte.
Principais atividades ligadas ao hiperbarismo:
• Mergulho:
• mergulho autônomo – quando o mergulhador carrega seus próprios cilindros de oxigênio. 
É sua única fonte de oxigênio;
• mergulho dependente – quando o mergulhador depende do fornecimento de ar da 
superfície, através de tubos;
• mergulho com sino de apoio – quando o mergulhador permanece numa câmara hiperbárica, 
geralmente se aclimatando a uma situação de pressão elevada, podendo permanecer por 
dias.
• Na construção civil:
• tubulões pneumáticos;
• túneis pressurizados.
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FONTE: Disponível em: <http://www.fec.unicamp.br/~pjra/images/tubuloes.
gif>.Acesso em: 8 nov. 2010.
• Na medicina:
• oxigenoterapia;
• recompressão terapêutica.
FONTE: Disponível em: <http://marceloraydo.files.wordpress.com/2009/12/foto_
medicina.jpg>. Acesso em: 8 nov. 2010.
Efeitos tóxicos do hiperbarismo: a atmosfera terrestre contém habitualmente cerca 
de 20% de oxigênio, sendo que o organismo humano está adaptado para respirar o oxigênio 
atmosférico a uma pressão em torno de 160 mmHg ao nível do mar. Nesta pressão, a molécula 
que transporta o oxigênio aos tecidos, a hemoglobina, encontra-se praticamente saturada (98%). 
À medida que aumenta a pressão, como a hemoglobina está já saturada, uma quantidade 
significativa de oxigênio não é consumida e entra em solução física no plasma sanguíneo. Se 
essa exposição se prolonga, pode produzir, em longo prazo, uma intoxicação pelo oxigênio. Os 
seres humanos, na superfície terrestre, podem respirar 100% de oxigênio de forma contínua 
durante 24-36 horas sem nenhum risco. Após esse período, sobrevém a intoxicação pelo 
oxigênio (efeito de Lorrain-Smith). Os sintomas de toxicidade pulmonar são principalmente a dor 
no peito (retroesternal) e a tosse seca. A pressões superiores a 2 (duas) atmosferas, o oxigênio 
FIGURA 19 – TUBULÃO PNEUMÁTICO 
FIGURA 20 – OXIGENOTERAPIA HIPERBÁRICA 
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produz toxicidade cerebral, podendo provocar convulsões. A susceptibilidade à convulsão varia 
consideravelmente de um indivíduo para outro. A administração de anticonvulsivantes pode 
evitar as convulsões por oxigênio, mas não reduz a lesão cerebral ou da medula espinhal. 
(GRUPO PREVINE, 2010).
Durante a prática do mergulho, é exigida cuidadosa compressão e descompressão, 
de acordo com as tabelas do Anexo nº 6 da NR-15. O trabalho sob condições de alta pressão 
somente é permitido para trabalhadores maiores de 18 (dezoito) e menos de 45 (quarenta 
e cinco) anos de idade. Antes de cada jornada de trabalho, os trabalhadores deverão ser 
inspecionados pelo médico, sendo que o trabalhador não poderá sofrer mais de uma compressão 
num período de 24 horas. A duração do período de trabalho sob ar comprimido não poderá 
ser superior a 8 horas, em pressões de trabalho de 0 a 1,0 kgf/cm², a 6 horas em pressões de 
trabalho de 1,1 a 2,5 kgf/cm², e a 4 horas, em pressão de trabalho de 2,6 a 3,4 kgf/cm². Nenhum 
trabalhador pode ser exposto à pressão superior a 3,4 kgf/cm². Após a descompressão, os 
trabalhadores são obrigados a permanecer, no mínimo, por duas horas, no local de trabalho, 
cumprindo um período de observação médica. Como é possível a ocorrência de necrose 
óssea, especialmente nos ossos longos, é também obrigatória a realização de radiografias de 
articulações da coxa e do ombro, por ocasião do exame admissional e posteriormente a cada 
ano. (GRUPO PREVINE, 2010).
3.2 HIPOBARISMO
A principal característica do trabalho em grandes altitudes é a diminuição da quantidade 
de oxigênio disponível à nossa respiração. À medida que a altitude aumenta, a atmosfera 
torna-se menos densa, e a pressão atmosférica diminui. A 5.000 m de altitude, a quantidade 
de oxigênio disponível para a nossa respiração é de somente 50% do oxigênio disponível ao 
nível do mar.
FONTE: Disponível em: <http://desnivel.pt/media/photos/curso-
alpinismo-n2-01-2010.jpg>. Acesso em: 8 nov. 2010.
FIGURA 21 – ALPINISMO EM GRANDES ALTITUDES 
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Como efeito desta diminuição do oxigênio no sangue, temos a hipoxia, que é um estado 
de baixo teor de oxigênio nos nossos tecidos. Nosso organismo responde, adotando medidas 
compensatórias de adaptação fisiológica (aclimatação), principalmente aumentando a frequência 
respiratória. A tolerância à altura varia conforme cada indivíduo, e geralmente leva até dois 
ou três dias. Todavia, a hipoxia grave pode exercer diversos efeitos nocivos para o organismo 
humano. O órgão mais sensível à falta de oxigenação é o cérebro e os sintomas mais comuns 
são a irritabilidade, a diminuição da capacidade motora e sensitiva, alterações do sono, fadiga 
muscular, hemorragias na retina e, nos casos mais graves, edema cerebral e edema agudo 
do pulmão. (GRUPO PREVINE, 2010).
4 RADIAÇÕES IONIZANTES E NÃO IONIZANTES
UNI
Íon: átomo ou molécula que se torna eletricamente carregado 
pelo ganho ou perda de elétrons.
Radiação é a propagação de energia por meio de partículas ou ondas, e que podem 
produzir variados efeitos sobre a matéria. Pode ser gerada por fontes naturais (todos os corpos 
emitem radiação, basta estarem a uma determinada temperatura) ou por dispositivos construídos 
pelo homem. Possui energia variável, desde valores pequenos até valores muito altos.
FONTE: Disponível em: <http://www.prof2000.pt/users/eta/Rad_Ion.htm>. Acesso em: 8 nov. 
2010.
FIGURA 22 – ESPECTRO ELETROMAGNÉTICO. EXEMPLO DE RADIAÇÕES 
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Como exemplos deradiações eletromagnéticas, temos a luz, o micro-ondas, radar, raio 
laser, raios X, ondas de rádio AM e FM, entre outros.
Já a radiação em forma de partículas, com massa, carga elétrica e magnética são os 
feixes de elétrons, feixes de prótons, radiação alfa e radiação beta.
4.1 RADIAÇÕES IONIZANTES
Radiação ionizante é a radiação que possui energia suficiente para ionizar átomos ou 
moléculas. A ionização se deve ao fato de as radiações possuírem energia alta o suficiente 
para quebrar as ligações químicas ou expulsar elétrons dos átomos após colisões.
As radiações ionizantes são provenientes de materiais radioativos como é o caso dos 
raios alfa (a), beta (b) e gama (g), ou são produzidas artificialmente em equipamentos, como 
é o caso dos raios X.
Há muitos efeitos das radiações sobre os seres vivos, e estes são bem complexos. As 
pesquisas sobre estes efeitos visam, em geral, correlacionar fatores tais como dose recebida, 
energia, tipo de radiação, tipo de tecido, órgãos atingidos etc. Diferentes tecidos reagem de 
diferentes formas às radiações ionizantes. Alguns tecidos são mais sensíveis que outros, 
como os do sistema linfático e hematopoiético (medula óssea) e do epitélio intestinal, que são 
fortemente afetados quando irradiados, enquanto outros, como os musculares e neuronais, 
possuem baixa sensibilidade às radiações. (SCHARBELE; SILVA, 2010).
As radiações ionizantes são as que têm o poder de ejetar os elétrons orbitais dos átomos 
de C, H, O e N. A energia da radiação pode ser transferida para o DNA modificando sua estrutura, 
o que caracteriza o efeito direto. Efeitos indiretos ocorrem em situações em que a energia é 
transferida para uma molécula intermediária (água, por exemplo) cuja radiólise acarreta a formação 
de produtos altamente reativos, capazes de lesar o DNA. (SCHARBELE; SILVA, 2010).
Há várias consequências das radiações para os humanos, dependendo dos órgãos e 
sistemas atingidos. De um modo geral os efeitos são divididos em efeitos somáticos e efeitos 
hereditários.
Os efeitos somáticos surgem de danos nas células do corpo e apresentam-se apenas 
em pessoas que sofreram a irradiação, não interferindo nas gerações posteriores. 
Os efeitos que ocorrem logo após (poucas horas a semanas) uma exposição aguda são 
chamados de imediatos. Os efeitos que aparecem depois de anos ou décadas são chamados 
tardios. 
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A gravidade dos efeitos somáticos dependerá basicamente da dose recebida e da região 
atingida. Isso se deve ao fato de que diferentes regiões do corpo reagem de formas diferentes 
ao estímulo da radiação.
Os efeitos somáticos tardios são difíceis de distinguir, pois demoram a aparecer e não se 
sabe ao certo se a patologia se deve à exposição radioativa ou ao processo de envelhecimento 
natural do ser humano. Por esta razão a identificação dos efeitos tardios causados pelas 
radiações só pode ser feita em situações especiais. 
Efeitos hereditários: os efeitos hereditários ou genéticos surgem somente no 
descendente da pessoa irradiada, como resultado de danos por radiações em células dos 
órgãos reprodutores, as gônadas.
Os perigos da radioatividade começaram a ser vistos a partir da explosão das bombas 
atômicas em Hiroshima e Nagasaki. Mais recentemente, vimos a contaminação radioativa do 
acidente de Chernobyl, na ex-União Soviética, hoje Ucrânia, que, com sua nuvem radioativa, 
contaminou muitos países europeus, e, no Brasil, tivemos o incidente com o Césio 137 em 
Goiânia. (SANTOS et al., 2000).
FONTE: Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Chernobyl_radiation_
map_1996.svg>. Acesso em: 10 nov. 2010.
FIGURA 23 – MAPA DA CONTAMINAÇÃO NA EUROPA PELO ACIDENTE EM 
CHERNOBYL 
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4.2 RADIAÇÕES NÃO IONIZANTES
Ao contrário da radiação ionizante, este tipo de radiação não possui energia suficiente 
para provocar ionização (arrancar elétrons dos átomos). Porém, este tipo de radiação pode 
quebrar moléculas e ligações químicas.
FONTE: Disponível em: <http://www.mundogeo.com.br/revistas-interna.php?id_
noticia=7931>. Acesso em: 18 nov. 2010.
Os efeitos nos organismos dessas radiações não são menos perigosos pelo fato de não 
provocarem ionizações, pois elas não atuam só em nível atômico, como acontece com radiações 
ionizantes, mas também em nível molecular, como acontece com a radiação ultravioleta (UV) 
quando interage com a molécula de DNA (ácido desoxirribonucleico). (SCHARBELE; SILVA, 
2010).
Podemos citar alguns problemas causados nos organismos pelas radiações não 
ionizantes: queimaduras, catarata, fluxo de íons (que causa alterações na síntese de DNA e 
na transcrição do RNA), alterações no sistema imunológico e câncer. (ELBERN, 2010).
Utilização da radiação: preservação de alimentos (a radiação ionizante mata as 
bactérias ou reduz seu metabolismo ou razão produtiva), inspeções radiográficas (raios x 
nas malas em aeroportos, scanners relocáveis para inspeção de caminhões e contêineres), 
medidores nucleares industriais (controlar processos de produção), radiografia industrial 
(controle de qualidade em peças e equipamentos), captores radioativos (para-raios), radioterapia 
FIGURA 24 – EFEITOS BIOLÓGICOS DA RADIAÇÃO LASER 
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5 TEMPERATURA EXTREMA (FRIO E CALOR)
5.1 TRABALHO EM TEMPERATURAS ELEVADAS
Muitos trabalhadores passam grande parte do dia em locais cuja temperatura não é 
favorável ao nosso organismo. Funcionários de siderúrgicas, cerâmicas, fábricas de vidros, 
padarias, frigoríficos, peixarias etc. frequentemente enfrentam condições adversas de frio e 
calor, que representam certos perigos para a sua segurança e saúde.
O nosso local de trabalho deve ser agradável, seja ele um escritório, uma fábrica, ou 
qualquer outro local. O trabalhador precisa encontrar neste ambiente condições capazes de 
lhe proporcionar o máximo de proteção e, ao mesmo tempo, satisfação no trabalho.
A temperatura é um fator que devemos tomar o maior cuidado, quando se busca criar 
condições ambientais de trabalho. Existem temperaturas que nos dão sensação de conforto, 
enquanto outras podem ser prejudiciais, levando inclusive à morte.
Segundo Laville, citado por Santos (2010), durante o trabalho físico em temperaturas 
elevadas, é visto que a capacidade muscular se reduz, o rendimento do trabalhador cai e sua 
atividade mental se altera, apresentando perturbação da coordenação sensório-motora. A taxa 
de erros e acidentes tende a aumentar, pois o nível de vigilância diminui, principalmente a partir 
de 30ºC. (SANTOS, 2010).
A seguir, listamos alguns problemas ligados à saúde do trabalhador, quando ele está 
trabalhando em locais com temperaturas elevadas (SANTOS, 2010):
• insolação;
• erupção da pele;
• cãibras e problemas cardio-circulatórios;
• distúrbios psiconeuróticos;
• catarata e conjuntivite;
• dermatites.
(destruição de células cancerígenas), raios x (diagnósticos médicos), medicina nuclear (usa 
compostos radioativos para obter informação diagnóstica e de tratamentos de doenças), 
aquecimentos através de micro-ondas.
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Algumas recomendações para os trabalhadores, cujo ambiente de trabalho possui altas 
temperaturas (SANTOS, 2010):
• isolamento das fontes de calor;
• roupas e óculos adequados de calor por radiação;
• pausaspara repouso;
• reposição hídrica adequada – beber pequenas quantidades de líquidos (0,25l/vez) 
frequentemente;
• ventilação natural. Sempre que as condições de conforto térmico não forem atendidas, 
recomenda-se a adoção de ventilação artificial.
5.2 TRABALHO EM TEMPERATURAS BAIXAS
Os danos à saúde do trabalhador, neste caso, apresentam relação direta com o tempo 
de exposição e as condições de proteção corporal. Devemos ter cuidado também com os 
choques térmicos, que podem ocorrer quando o organismo é exposto a uma variação brusca 
da temperatura.
As baixas temperaturas podem provocar em nosso organismo:
• feridas; 
• rachaduras e necrose na pele; 
• enregelamento: ficar congelado, devido à má circulação sanguínea; 
• agravamento de doenças reumáticas; 
• predisposição para acidentes, pois há redução da atividade motora como a destreza e a 
força, e da capacidade de pensar e julgar; 
• tremores, alucinações e inconsciência;
• predisposição para doenças das vias respiratórias. 
Para o controle das ações nocivas das temperaturas extremas ao trabalhador é 
necessário que se tomem medidas de:
• proteção coletiva: isolamento das fontes de calor/frio;
• proteção individual: fornecimento de EPI (ex.: avental, bota, capuz, luvas especiais para 
trabalhar no frio).
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6 INFRASSOM E ULTRASSOM
6.1 INFRASSONS
6.2 ULTRASSONS
São as ondas sonoras que se situam abaixo (infrassom) e acima (ultrassom) da nossa 
faixa de frequência auditiva.
O infrassom pode ser gerado por processos naturais, tais como terremoto, ruptura 
vulcânica, ventos, grandes ondas oceânicas e cataratas ou por processo de explosão, ondas 
sônicas e equipamentos de refrigeração e aquecimento. O ultrassom pode ser gerado por 
processos industriais tais como limpeza, soldagem de plástico, entre outros. (GERGES, 2010).
Os infrassons atuam em diferentes regiões do organismo e seus efeitos são variáveis, 
conforme a frequência da onda.
Em frequências de 16 Hz e com grande energia (140 dB ou mais) acontece um 
afundamento do tórax, que se manifesta por uma sensação de constrição no peito e tosse.
Já frequências ainda mais baixas, na ordem de 3 a 6 Hz são capazes de provocar efeitos 
mais acentuados no organismo dos trabalhadores, mesmo com amplitude de onda baixa. Como 
efeitos em nosso organismo, podemos citar deslocamento de segmentos corporais, alterações 
da motricidade da musculatura lisa e efeitos principalmente nos membros superiores (cotovelos, 
articulações de mãos e dedos).
Equipamentos manuais vibrantes provocam problemas do tipo: ósteo-articulares 
(artrose do cotovelo, necrose dos ossos dos dedos, descolamentos anatômicos), musculares 
e neurológicos (alteração da sensibilidade tátil).
O ultrassom é bastante visível na natureza. Certos animais como morcegos, golfinhos 
e mariposas usam-no para locomover-se, encontrar alimentos e conseguem fugir do perigo 
através das ondas ultrassônicas que eles próprios emitem. Com a observância destes animais, 
desenvolveu-se a ideia do sonar (radar). (PÉCORA; GUERISOLI, 2010).
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Como o ultrassom se situa fora da faixa audível para os humanos, podemos utilizá-lo 
com intensidades altas.
Como exemplos de aplicações de ultrassom de alta intensidade, temos a terapia 
médica, atomização de líquidos, limpeza por cavitação, ruptura de células biológicas, solda e 
homogeneização de materiais. (PÉCORA; GUERISOLI, 2010).
Já o ultrassom de baixa intensidade tem como propósito transmitir a energia através de 
um meio e com isso obter informações do mesmo. Como exemplos dessas aplicações podemos 
citar: ensaio não destrutivo de materiais, medida das propriedades elásticas dos materiais e 
diagnose médica. (PÉCORA; GUERISOLI, 2010).
A seguir segue uma listagem dos efeitos que o ultrassom pode causar no organismo 
humano. (PÉCORA; GUERISOLI, 2010).
O ultrassom pode elevar a temperatura do tecido do corpo humano, em um nível local. 
As mudanças biológicas devidas a isso seriam as mesmas se a elevação fosse provocada por 
outro agente. A taxa de absorção do ultrassom aumenta com sua frequência. 
Outro efeito possível numa aplicação ultrassônica está associada à cavitação, termo 
usado para descrever a formação de cavidades ou bolhas no meio líquido, contendo quantidades 
variáveis de gás ou vapor. No caso de células biológicas ou macromoléculas em suspensão 
aquosa, o ultrassom pode alterá-las estruturalmente e/ou funcionalmente através da cavitação. 
A pressão negativa no tecido durante a rarefação pode fazer com que os gases 
dissolvidos ou capturados se juntem para formar bolhas. O colapso dessas bolhas libera energia 
que pode romper as ligações moleculares, provocando o aparecimento de radicais livres H+ e 
OH-, altamente reativos e, como consequência, causar mudanças químicas. 
Outro efeito biológico que pode ocorrer é devido às denominadas “forças de radiações” 
que podem deslocar, distorcer e/ou reorientar partículas intercelulares, ou mesmo células com 
relação às suas configurações normais.
6.2.1 Normas relacionadas à vibração 
e choque no corpo humano
Temos a Norma ISO 2631 – Guia para avaliação da exposição humana a vibrações de 
corpo inteiro, que é aprovada pelo governo brasileiro e está incluída na NR15, em seu Anexo 
8. Esta norma tem como objetivos facilitar a avaliação e comparação de dados nesta área e 
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proporcionar um guia provisório sobre os níveis aceitáveis de exposição à vibração de corpo 
inteiro. Os limites propostos na Norma Internacional devem se constituir num meio-termo entre 
os dados disponíveis e os que deveriam satisfazer as necessidades de aplicações gerais. Estes 
limites são definidos explicitamente em termos numéricos para evitar ambiguidade e possibilitar, 
na prática, a sua medição precisa. Entretanto, ao usar estes critérios-limites, é importante ter 
em mente as restrições colocadas à sua aplicação.
FONTE: Disponível em: <http://www.lari.ufsc.br/publicacoes/cipa_270.pdf>. Acesso em: 13 
nov. 2010.
Segundo estas normas, existem três tipos de exposição humana à vibração:
a) Vibrações transmitidas simultaneamente à superfície total do corpo e/ou a partes substanciais 
dele. Isto acontece quando o corpo está imerso em um meio vibratório. Há circunstâncias 
em que isto é de interesse prático, por exemplo, quando ruídos de alta intensidade no ar ou 
na água excitam vibrações no corpo.
b) Vibrações transmitidas ao corpo como um todo através de superfícies de sustentação, como 
os pés de um homem em pé, ou as nádegas de um homem sentado, ou a área de sustentação 
de um homem recostado. Este tipo de vibração é comum em veículos, em construções em 
movimento vibratório e nas proximidades de maquinário de trabalho.
c) Vibrações aplicadas a partes específicas do corpo, como cabeça e membros. Exemplos 
destas vibrações ocorrem por meio de cabos, pedais ou suportes de cabeça, ou por grande 
variedade de ferramentas e instrumentos manuais.
FIGURA 25 – MEDIDOR DE VIBRAÇÕES NO CORPO HUMANO 
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7 RISCOS QUÍMICOS
Os produtos químicos estão presentes na natureza e tem sido extraídos e utilizados 
desde o princípio da civilização humana para os mais diversos fins. Esta utilização vem 
aumentando ao longo dos tempos e crescendo significativamente com aindustrialização, 
quando começou também, de forma importante, a produção de substâncias sintéticas. Esta 
evolução, que nos trouxe avanços importantes e decisivos, também teve impacto marcante 
no ambiente e na saúde das populações da Terra, em função da poluição e da contaminação 
delas decorrente. (BRASIL, 2006).
FONTE: Disponível em: <http://www.cepis.ops-oms.org/tutorial1/p/centcola/index.html>. Acesso 
em: 19 nov. 2010.
FONTE: Disponível em: <http://www.cepis.ops-oms.org/tutorial1/p/centcola/index.html>. Acesso 
em: 18 nov. 2010.
GRÁFICO 1 – ACIDENTES NO ESTADO DE SÃO PAULO, ENTRE OS ANOS DE 1978 E 1999 
GRÁFICO 2 – ACIDENTES NO ESTADO DE SÃO PAULO, ENTRE OS ANOS 1978 E 1999, 
CONFORME A CLASSE DOS PRODUTOS QUÍMICOS 
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Nos dias de hoje, o setor químico é o terceiro maior setor industrial do mundo e emprega 
aproximadamente 10 milhões de pessoas. É também um dos mais diversificados, produzindo 
uma grande variedade de substâncias e produtos, desde substâncias químicas básicas para 
a produção de pesticidas, solventes, aditivos e produtos farmacêuticos, até matérias-primas 
ou produtos acabados que participam nas mais diversas etapas dos processos produtivos de 
praticamente todas as cadeias produtivas existentes. (BRASIL, 2006).
Segundo o Programa Internacional de Segurança Química (IPCS), existem mais de 
750.000 substâncias conhecidas no meio ambiente, sendo de origem natural ou resultado da 
atividade humana. Cerca de 70.000 são cotidianamente utilizadas pelo homem, sendo que 
aproximadamente 40.000 em significantes quantidades comerciais (IPCS e IRPTC, 1992). 
Desse total, calcula-se que apenas cerca de 6.000 substâncias possuam uma avaliação 
considerada como minimamente adequada sobre os riscos ao homem e ao meio ambiente. 
Acrescente- se a este quadro a capacidade de inovação tecnológica no ramo químico, que não 
só vem complexificando os sistemas tecnológicos de produção, como colocando disponíveis 
no mercado a cada ano entre 1.000 e 2.000 novas substâncias. (PORTO; FREITAS, 1997).
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Leia o relatório do Greenpeace sobre os venenos domésticos, 
isto é, substâncias químicas perigosas presentes no nosso lar. 
Disponível em: <http://www.greenpeace.org.br/toxicos/pdf/
venenodomestico_sumexec.pdf>. Acesso em: 15 nov. 2010.
O nosso convívio com as substâncias químicas, nos dias de hoje, é obrigatória e 
permanente, sendo especialmente importante para os funcionários envolvidos em processos 
produtivos que direta ou indiretamente utilizem estas substâncias, em razão dos danos à saúde 
e ao ambiente que podem resultar de sua aplicação. O risco e o perigo que estão relacionados 
com as substâncias químicas devem ser trabalhados nas suas várias dimensões entre as 
quais se destacam: o potencial de dano do produto, as condições ambientais e do trabalho 
em que as atividades se desenvolvem e o histórico conhecido daquela realidade e de outras 
semelhantes, a partir dos dados epidemiológicos produzidos e do conhecimento científico 
existente. (BRASIL, 2006). 
Os riscos existentes que estão relacionados à exposição a substâncias químicas são 
muito complexos, e requerem aprofundamento para sua contextualização em função das 
dificuldades de se correlacionar as dimensões referidas anteriormente, em particular (BRASIL, 
2006):
• As medições atmosféricas de concentrações de produtos em volume apenas expressam 
potencialidades de contato e de contaminação, não sendo retrato da realidade.
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• Há interação entre os agentes químicos e o corpo humano onde as reações adversas ou 
de homeostase ocorrem de acordo com padrões em que a viabilidade é dada, como regra, 
pela suscetibilidade individual.
• É possível estabelecer padrões de reação em relação ao tipo de efeito órgão-alvo, quanto 
maior a exposição, maiores os efeitos em termos epidemiológicos.
• Entretanto, em termos individuais, a reação é medida por variáveis cíclicas e constantes, 
relativas ao histórico de vida e patrimônio genético dos indivíduos, e a regra, também aqui, 
é sempre a variabilidade.
• Os limites de tolerância não são capazes de dar conta destas variações e mantêm uma 
margem de falhas que comprometem seu uso como instrumento para prevenção de danos 
à saúde.
O reconhecimento e a análise destes riscos relacionados a agentes químicos são 
atividades que devemos priorizar para qualificar a intervenção da saúde do trabalhador: quem 
não reconhece não pode avaliar e prevenir o risco. Quem melhor conhece o ambiente e os 
riscos a que está submetido é o trabalhador e sua percepção é fundamental em todas as ações 
que envolvam sua saúde. (BRASIL, 2006).
7.1 FORMAS DE CONTAMINAÇÃO
É através da respiração que as substâncias químicas mais frequentemente penetram 
no nosso organismo. Durante a respiração, o ar entra em nosso organismo através do 
nariz, e com ele podem vir várias substâncias presentes no ambiente. Os danos que estas 
substâncias podem causar vão depender do tipo de substância que estamos respirando. 
Algumas poderão provocar irritação logo no nariz e na garganta, outras podem provocar dor 
e pressão no peito e outras podem ir até o pulmão. As substâncias que chegam ao pulmão 
podem causar problemas no local onde elas ficam, como é o caso da sílica e do amianto que 
provocam a silicose e a asbestose que são doenças pulmonares graves. Estas substâncias 
são normalmente duras e não se dissolvem em água. Outras substâncias que vão até o 
pulmão, podem ou não provocar algum problema aí, mas também podem passar para o 
sangue e são levadas para outras partes do corpo. É o caso do benzeno, por exemplo. Quando 
nós respiramos benzeno, ele chega até o pulmão, passa para o sangue que carrega este 
produto químico até a nossa medula óssea, que é o lugar onde nosso sangue é produzido. 
Aí pode provocar vários tipos de danos. (FREITAS, 2010).
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7.2 LIMITES DE TOLERÂNCIA
Temos também a forma de contaminação pela pele, que pode ser de duas maneiras: 
através do contato direto ou penetrando nela. Se a substância, por exemplo, for um ácido 
corrosivo, ela poderá provocar queimaduras diretamente na pele. Outras substâncias têm a 
capacidade de penetrar na pele: elas entram na corrente sanguínea e o sangue as leva para 
outras partes do corpo do mesmo jeito que na respiração. Neste caso, o dano vai depender 
do tipo de substância. Algumas, como o benzeno, provocam dano na produção do sangue. 
Outras provocam problemas nos rins, ou fígado, ou coração, ou outra parte do corpo. Como 
nossa pele é razoavelmente resistente, a quantidade de substância que penetra pela pele é 
menor, em geral, do que a que penetra pela respiração. (FREITAS, 2010).
Outros tipos de substâncias agem diretamente em nossos olhos, provocando irritação 
ou mesmo um efeito corrosivo, como, por exemplo, o álcool metílico (metanol) que, quando 
cai no olho, pode provocar cegueira. (FREITAS, 2010).
UNI
Deixar alimentos expostos ou se alimentar no local de trabalho, 
fumar com as mãos sujas com óleo ou graxa, ou que estiveram 
em contato com produtos químicos são meios de contaminação.
Através do sistema digestivo também podemos sofrer contaminação química, isto é, 
pela boca. Em geral isto ocorre acidentalmente, por contaminação quando se tem o hábito de 
comer, beber ou fumar no ambiente de trabalho, ou devido a formas inadequadas de trabalho, 
como a prática que ainda se vê em alguns laboratórios onde o trabalhador faz transferênciade líquidos, sifonando-os (chupando-os) com a boca. É o que ocorre também, quando se 
chupa gasolina do carro com um tubinho de plástico. Neste caso a substância pode provocar 
queimadura ou irritação já na boca, ou no caminho entre a boca e o estômago. Algumas não 
provocam estes tipos de problema nestes locais, mas vão ser levadas, pelo sangue, para 
outras partes do corpo. É por isso que, depois de tomarmos alguma bebida alcoólica, ela é 
absorvida, o sangue carrega o álcool até o nosso sistema nervoso e ficamos com os sintomas 
de bebedeira: tontura, euforia, mudança de personalidade e muitas vezes uma grande dor de 
cabeça. (FREITAS, 2010).
A fim de que a exposição do organismo dos trabalhadores aos agentes ambientais não 
cause intoxicações ocupacionais, devemos respeitar certos limites de exposição, compatíveis 
com a manutenção da saúde do trabalhador. Estes limites estão disponíveis no Quadro I, do 
Anexo 11 da NR 15, e são denominados limites de tolerância.
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Consulte a NR15, em seu Anexo 11, que trata da insalubridade 
por produtos químicos.
No Brasil 136 substâncias químicas, apresentando Limites de Tolerância, estão 
listadas na NR-15. Já nos EUA existem 690 substâncias listadas pelo ACGIH – Conferência 
Governamental Americana de Higienistas Industriais.
Estas listas de Limites de Tolerância estabelecem o valor máximo para as concentrações 
dos agentes no ambiente, valores estes que se aplicam exclusivamente para as condições 
de trabalho dentro de certos limites, isto é, são válidos para regimes de trabalho de 8 horas 
diárias ou 40 horas semanais. Baseiam-se estes valores máximos em estudos epidemiológicos 
e toxicológicos ou em informações obtidas através de exposições acidentais aos agentes em 
níveis extremamente elevados. Até o presente as tabelas existentes cobrem apenas agentes 
químicos e físicos, e os limites estão sujeitos às revisões anuais, podendo ser alterados em 
funções de novas informações sobre os agentes. Além de se aplicarem exclusivamente a 
ambientes de trabalho, os Limites de Tolerância devem ser usados somente como orientação 
no controle de agentes que oferecem risco à saúde. (WEBER, 2010).
Em nenhuma hipótese devem ser encarados como linha divisória entre situações 
seguras. Em alguns casos os Limites de Tolerância podem ser ultrapassados durante um 
certo tempo em quantidades estipuladas na tabela. Em outros, são concentrações-teto que 
não devem ser excedidas em nenhuma circunstância. Existem indicações especiais a esse 
respeito na tabela, como também sobre as substâncias que podem ser absorvidas pela pele. 
(WEBER, 2010).
7.3 CONTAMINANTES ATMOSFÉRICOS
São chamados contaminantes atmosféricos os produtos químicos presentes na 
atmosfera do ambiente de trabalho ou do ambiente externo. Para efeito da legislação trabalhista, 
é considerada somente a atmosfera do ambiente de trabalho.
Os contaminantes fisicamente são classificados como aerodispersoides, gases e 
vapores. Para facilitar a compreensão costuma-se considerar que um agente químico pode 
estar presente no ambiente de trabalho como poeira, fumo, névoa, neblina, vapor e gás, ou 
seja, forma aérea dispersa. 
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7.3.1 Classificação fisiológica dos contaminantes atmosféricos
7.3.1.1 Irritantes
7.3.1.2 Asfixiantes
Os agentes químicos podem ser classificados segundo a forma que atuam no nosso 
organismo. Como a maioria destes contaminantes encontra-se em dispersão no ar, trataremos 
dos efeitos fisiológicos resultantes da absorção através das vias respiratórias.
Porém, quando um agente químico é classificado como irritante das mucosas do aparelho 
respiratório, podemos esperar que ele possua ação semelhante sobre as outras mucosas do 
ser humano, especialmente sobre a pele.
Estes produtos químicos possuem uma ação corrosiva, produzindo inflamação nos 
tecidos com os quais entram em contato. Eles atuam principalmente sobre as mucosas das 
vias respiratórias, tecidos de revestimentos epiteliais, como a pele e os olhos. (WEBER, 2010).
Como exemplo de produtos químicos irritantes, temos o cloro, o ozônio, o iodo, a amônia, 
algumas poeiras alcalinas, ácido sulfídrico (H2S), entre outros.
É através da redução da quantidade de oxigênio no ar que estes produtos químicos 
podem provocar a asfixia. Alguns também interferem no processo de absorção do oxigênio no 
sangue ou nos tecidos.
Podemos citar os gases metano, o nitrogênio, o monóxido e o dióxido de carbono, gás 
sulfídrico, hélio, entre outros.
A via respiratória é inegavelmente a mais importante por ser a mais frequente. Isto se 
deve ao fato de que a maior parte dos agentes químicos encontra-se suspensa ou dispersa 
na atmosfera ambiente, em forma de poeiras, gases ou vapores. Além do mais uma grande 
quantidade de ar é respirada diariamente pelos trabalhadores. Durante as 8 (oito) horas diárias 
de trabalho de um indivíduo, este respira em média cerca de 8 metros cúbicos de ar.
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7.3.1.3 Narcóticos
7.3.1.4 Intoxicantes sistêmicos
8 RISCOS BIOLÓGICOS
Estes agentes químicos atuam através de uma ação depressiva sobre o sistema nervoso 
central, produzindo efeito anestésico após terem sido absorvidos pelo sangue. Exemplos: éter 
etílico, acetona e éter isopropílico.
Estes compostos químicos têm o poder de causar intoxicações agudas ou crônicas. 
Estas lesões podem ser nos órgãos (hidrocarbonetos halogenados), no sistema formador de 
sangue (hidrocarbonetos aromáticos), compostos que afetam o sistema nervoso (alcoóis metílico 
e etílico, dissulfeto de carbono e éteres de ácidos orgânicos), compostos tóxicos inorgânicos 
e metais tóxicos (sais de cianuretos, fluoretos e compostos de arsênio, fósforo, enxofre etc.).
Os agentes biológicos são os microrganismos que causam doenças ao trabalhador, 
através do contato durante o exercício de suas atividades profissionais. Segundo a NR-9, 
temos vários exemplos de microrganismos que causam doenças: vírus, bactérias, parasitas, 
fungos e bacilos. Eles causam doenças principalmente em médicos, enfermeiros, funcionários 
de hospitais, sanatórios e laboratórios de análise biológica, lixeiros, açougueiros, lavradores, 
tratadores de gado, trabalhadores de curtume e estações de tratamento de esgoto etc. (WEBER, 
2010).
FONTE: Disponível em: <http://farm4.static.flickr.com/3083/2812356390_
d537c746d3.jpg>. Acesso em: 18 nov. 2010.
FIGURA 26 – REPRESENTAÇÃO GRÁFICA DOS RISCOS BIOLÓGICOS 
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9 RISCOS ERGONÔMICOS
A ergonomia ou engenharia humana é uma ciência relativamente recente que estuda as 
relações entre o homem e seu ambiente de trabalho e é definida pela Organização Internacional 
do Trabalho (OIT) como “A aplicação das ciências biológicas humanas em conjunto com os 
recursos e técnicas da engenharia para alcançar o ajustamento mútuo, ideal entre o homem 
e o seu trabalho, e cujos resultados se medem em termos de eficiência humana e bem-estar 
no trabalho” (CIPA-VEM, 2008).
Ou, resumindo, ergonomia significa “Estudo das leis do trabalho”. Aplica-se ao projeto 
de máquinas, equipamentos, sistemas e tarefas, para melhorar a segurança, saúde, conforto 
e eficiência no trabalho.
Entre as inúmeras doenças profissionais provocadas por microrganismos incluem-
se: tuberculose, brucelose,malária, febre amarela. Para que essas doenças possam ser 
consideradas doenças profissionais é preciso que haja exposição do funcionário a estes 
microrganismos.
Como esses microrganismos se adaptam melhor e se reproduzem mais em ambientes 
sujos, as medidas preventivas a tomar são: rigorosa higiene dos locais de trabalho, do corpo e 
das roupas; destruição por processos de elevação da temperatura (esterilização) ou uso de cloro; 
uso de equipamentos individuais para evitar contato direto com os microrganismos; ventilação 
permanente e adequada; controle médico constante, e vacinação, sempre que possível.
Verificamos a presença dos microrganismos através da retirada de amostras de ar, da 
água e do ambiente de trabalho, que serão encaminhadas para laboratórios especializados 
para fazerem as análises. Infelizmente, devido às dificuldades para realizar estas coletas e 
análises, não há limites de tolerância definidos para os riscos biológicos.
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Ergonomia é a adaptação do trabalho ao ser humano.
O trabalho, para ser realizado, depende de uma série de fatores, segundo Odebrecht 
(2010):
• físicas: características dos instrumentos, máquinas, ambiente do posto de trabalho (ruído, 
calor, poeiras, perigos diversos);
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• temporais: em especial os horários de trabalho;
• organizacionais: procedimentos prescritos, ritmos impostos, de um modo geral, “conteúdo” 
do trabalho;
• das condições subjetivas características do operador: saúde, idade, formação; e
• das condições sociais: remuneração, qualificação, vantagens sociais, segurança de emprego, 
em certos casos condições de alojamento e de transporte, relações com a hierarquia etc.
Sell (1994, 2002) apud Odebrecht (2010) relaciona as características do trabalho:
• O trabalho deve ser realizável: as cargas provenientes da tarefa e da situação de trabalho 
não podem ultrapassar os limites individuais do trabalhador, como, por exemplo, o alcance 
dos membros, a velocidade de reação, as capacidades sensoriais etc.
• O trabalho deve ser suportável ao longo do tempo: o trabalhador deve poder executar a 
tarefa durante o tempo necessário, diariamente, e se for o caso, durante toda uma vida 
profissional, sem sofrer danos por isso.
• O trabalho deve ser pertinente na sociedade onde é executado.
• O trabalho deve trazer satisfação para o trabalhador: existe a possibilidade de uma 
pseudossatisfação do trabalhador, simplesmente por ter-se acostumado à ideia de que seu 
trabalho (realizável, suportável e pertinente) não pode ser modificado. A aceitação de um 
trabalho por parte do indivíduo pode ser influenciada pela estrutura da tarefa, pelo treinamento, 
pelo ambiente, pelas relações interpessoais etc.
• O trabalho deve promover o desenvolvimento pessoal do indivíduo: a pessoa deve adquirir 
novas qualificações e não perder suas habilidades e capacidades de tarefas monótonas e 
repetitivas.
O desenvolvimento atual da ergonomia pode ser caracterizado segundo quatro níveis 
de exigências:
• as exigências tecnológicas: as novas técnicas de produção impõem novas formas de 
organização do trabalho;
• as exigências organizacionais: gestão participativa, trabalho em times e produção enxuta, 
em células – impõe maior capacitação e polivalência...;
• as exigências econômicas: qualidade e custo de produção impõem novas condicionantes 
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às atividades de trabalho (zero: defeitos, desperdício, estoque...);
• as exigências sociais: melhoria das condições de trabalho e do meio ambiente.
No Brasil, a ergonomia está prevista na NR17. Ela estabelece parâmetros que permitem 
a adaptação das condições de trabalho às características psicofisiológicas dos trabalhadores, de 
modo a proporcionar um máximo de conforto, segurança e desempenho eficiente. As condições 
de trabalho, segundo esta NR, incluem aspectos relacionados ao levantamento, transporte e 
descarga de materiais, ao mobiliário, aos equipamentos e às condições ambientais dos postos 
de trabalho, e à própria organização do trabalho.
A ergonomia, quando aplicada nas diversas áreas industriais, tem como objetivo obter 
segurança e satisfação e principalmente o bem-estar dos colaboradores em seu relacionamento 
com o sistema produtivo, reduzindo desta forma o número de casos de doenças ocupacionais.
Em uma empresa, a ergonomia, ao estudar a relação homem x trabalho, analisa e avalia 
principalmente os seguintes itens:
• mobiliário;
• iluminação; 
• organização;
• equipamentos;
• ferramentas;
• temperatura do ambiente;
• vestimentas;
• velocidade de deslocamento do ar, entre outras.
A causa de inúmeros problemas ergonômicos é a má postura adotada pelos 
trabalhadores, e que pode ser exemplificada como problemas musculares que provocam dores 
fortes e insuportáveis, e problemas como cifose e hiperlordose.
UNI
 Cifose: vulgarmente chamada “corcundez”.
Hiperlordose: aumento da curva na região lombar.
Outra causa de grandes problemas ergonômicos são os esforços repetitivos (LER – 
Lesão por Esforços Repetitivos). Estes podem ser divididos em dois grupos, de acordo com 
o ciclo de repetição: 
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• trabalho repetitivo: ciclo ≤ 2 minutos;
• trabalho altamente repetitivo: ciclo ≤ 30 segundos.
É através da caracterização dos esforços repetitivos que podemos avaliar um determinado 
posto de trabalho e os movimentos que o colaborador realiza durante sua jornada de trabalho. 
Se, por intermédio desta avaliação, o profissional de segurança chegar à conclusão de que 
aquele posto de trabalho exige do colaborador inúmeros movimentos idênticos na sua jornada 
e não fizer nada para amenizar a situação, sem sombra de dúvidas, as consequências para 
este colaborador e tantos outros que realizam a mesma atividade serão as piores possíveis.
As lesões por esforços repetitivos são danos decorrentes da utilização excessiva, imposta 
ao sistema músculo-esquelético, e da falta de tempo para recuperação. Caracterizam-se pela 
ocorrência de vários sintomas concomitantes ou não, de aparecimento insidioso, geralmente 
nos membros superiores, tais como dor, parestesia, sensação de peso e fadiga. Abrangem 
quadros clínicos do sistema músculo-esquelético adquiridos pelo trabalhador submetido a 
determinadas condições de trabalho. (MAENO, 2006).
UNI
 A grafia correta é LER/DORT. 
O mais conhecido problema advindo de esforços repetitivos é hoje chamado de DORT 
ou Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho.
Conforme Kuorinka e Forcier (1995) apud Maeno (2006, p.10), os grupos de fatores de 
risco das LER/DORT podem ser relacionados com:
a) O posto de trabalho: embora as dimensões do posto de trabalho não causem distúrbios 
musculoesqueléticos por si, elas podem forçar o trabalhador a adotar posturas, a suportar 
certas cargas e a se comportar de forma a causar ou agravar afecções musculoesqueléticas. 
Ex.: mouse com fio curto demais, obrigando o trabalhador a manter o tronco para frente sem 
encosto e o membro superior estendido; reflexos no monitor atrapalham a visão, o que obriga 
o trabalhador a permanecer em determinada postura do corpo e da cabeça para vencer esta 
dificuldade.
b) Exposição a vibrações. As exposições a vibrações de corpo inteiro, ou do membro superior, 
podem causar efeitos vasculares, musculares e neurológicos.
c) Exposição ao frio. A exposição ao frio pode ter efeito direto sobre o tecido exposto e indireto 
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pelo uso de equipamentos de proteção individual contra baixas temperaturas (ex.: luvas). 
d) Exposição a ruído elevado. Entre outros efeitos, a exposição a ruídos elevados pode produzir 
mudanças de comportamento.
e) A pressão mecânica localizada. A pressão mecânica provocada pelo contato físico de cantos 
retos ou pontiagudos de objetos, ferramentas e móveis com tecidos moles de segmentos 
anatômicos e trajetos nervosos provocando compressões de estruturas moles do sistema 
musculoesquelético.
f) Posturas. As posturas que podem causar afecções musculoesqueléticas:
	posturas extremas que podem forçar os limites da amplitude das articulações. Ex.: ativação 
muscular para manter certas posturas, postura de pronação do antebraço;
	a força da gravidade impondo aumento de carga sobre os músculos e outros tecidos. Ex.: 
ativação muscular do ombro;
	posturas que modificam a geometria musculoesquelética e podem gerar estresse sobre 
tendões, músculos e outros tecidos e/ou reduzir a tolerância dos tecidos. Ex.: desvio do 
trajeto de um tendão por contato do punho, diminuição da perfusão tecidual quando o membro 
superior direito está acima da altura do coração, efeito da flexão/ extensão e pronação/ 
supinação do cotovelo.
g) A carga mecânica musculoesquelética. A carga musculoesquelética pode ser entendida 
como a carga mecânica exercida sobre seus tecidos e inclui:
	tensão (ex.: tensão do bíceps);
	pressão (ex.: pressão sobre o canal do carpo);
	fricção (ex.: fricção de um tendão sobre a sua bainha);
	irritação (ex.: irritação de um nervo).
10 RISCOS DE ACIDENTES
Também são conhecidos como riscos mecânicos. Os riscos de acidentes são todos os 
fatores que colocam em perigo o trabalhador, podendo afetá-lo fisicamente ou psicologicamente. 
Os Riscos de Acidentes ocorrem em função das condições físicas do ambiente, do processo de 
trabalho e técnicas impróprias capazes de provocar lesões no trabalhador. (VALCANAIA, 2010).
São considerados como riscos geradores de acidentes: arranjo físico deficiente; 
máquinas e equipamentos sem proteção; ferramentas inadequadas ou defeituosas; eletricidade; 
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incêndio ou explosão; animais peçonhentos; armazenamento inadequado; possibilidade de 
incêndio ou explosão; fatores psicológicos dos trabalhadores; falta de informação e treinamento. 
(SAÚDE E SEGURANÇA, 2010; VALCANAIA, 2010).
Arranjo físico deficiente é resultante de: prédios com área insuficiente, iluminação 
deficiente, localização imprópria de máquinas e equipamentos, má arrumação e limpeza, 
sinalização incorreta ou inexistente, pisos fracos e/ou irregulares.
São consideradas máquinas e equipamentos sem proteção: máquinas obsoletas; 
máquinas sem proteção em pontos de transmissão e de operação; comando de liga/desliga 
fora do alcance do operador; máquinas e equipamentos com defeitos ou inadequados; EPI 
inadequado ou não fornecido.
São ferramentas inadequadas ou defeituosas: ferramentas usadas de forma incorreta; 
falta de fornecimento de ferramentas adequadas; falta de manutenção.
Estes riscos podem causar desgaste físico excessivo, acidentes graves, fadiga, 
problemas visuais, curtos-circuitos, choques elétricos, incêndio, queimaduras, acidentes fatais, 
acidentes por estocagem de materiais sem observação das normas de segurança, acidentes 
por animais peçonhentos, acidentes principalmente com repercussão nos membros superiores 
e inferiores e acidentes e doenças profissionais.
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Neste tópico, vimos que:
• Riscos são a probabilidade de um evento (esperado ou não) se tornar realidade. Vimos 
também que a NR9 (Programa de Prevenção de Riscos Ambientais) considera que riscos 
(ambientais) são aqueles que podem causar dano à saúde do trabalhador, em função da 
sua natureza, concentração ou intensidade e tempo de exposição.
• Os riscos (ambientais) são divididos em 5 (cinco) categorias: físicos, químicos, biológicos, 
ergonômicos e de acidentes.
• Dentre os riscos físicos, podemos citar os seguintes agentes: 
• ruído;
• vibração;
• pressão anormal;
• radiações ionizantes ou não ionizantes;
• temperatura extrema (frio ou calor);
• infrassom e ultrassom.
RESUMO DO TÓPICO 3
UNIDADE 2TÓPICO 3112
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Prezado(a) acadêmico(a): associe os agentes listados a seguir com a sua 
categoria de risco (pode haver mais de um risco associado a cada trabalho):
I – Riscos físicos
II – Riscos químicos
III – Riscos biológicos
IV – Riscos ergonômicos
V – Riscos de acidentes
( ) Trabalho com furadeiras industriais
( ) Corte de carnes no açougue de um supermercado
( ) Mergulhador que faz soldas a 20 m de profundidade
( ) Operador de raios x em um hospital
( ) Trabalhador de usina nuclear
( ) Trabalhador de um frigorífico
( ) Operador de forno numa usina
( ) Frentista num posto de gasolina
( ) Frentista num posto de GNV (Gás Natural Veicular)
( ) Laboratorista de produtos químicos
( ) Laboratorista numa clínica de exames sanguíneos
( ) Limpador de chaminés
( ) Bombeiro
( ) Atendente de pronto-socorro
( ) Atendente de telemarketing
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LIMITES DE TOLERÂNCIA
1 INTRODUÇÃO
TÓPICO 4
Segundo a NR15, Atividades e Operações Insalubres, temos a seguinte definição:
Entende-se por Limite de Tolerância a concentração ou intensidade máxima 
ou mínima, relacionada com a natureza e o tempo de exposição do agente, 
que não causará dano à saúde do trabalhador, durante a sua vida laboral.
UNI
Para um bom acompanhamento deste tópico, tenha em mãos 
uma cópia da NR15, que pode ser obtida através do site do MTE 
– Ministério do Trabalho e Emprego.
A mesma NR15 lista todas as atividades ou operações insalubres. Algumas insalubridades 
advêm de atividades ou operações que se dão acima dos limites de tolerância (que estão 
previstas nos Anexos 1, 2, 3, 5, 11 e 12 desta NR), nas atividades mencionadas nos Anexos 
6, 13 e 14, e, por fim, as atividades dos Anexos 7, 8, 9 e 10 devem ser comprovadas através 
de laudos de inspeção dos locais de trabalho.
O exercício em condições de insalubridade do trabalho, desde que de acordo com o 
que foi disposto anteriormente, assegura ao trabalhador, um adicional em relação ao salário 
mínimo da região (as empresas estão adotando o salário mínimo da categoria, aprovado pelo 
sindicato), de 10, 20 ou 40%, conforme o grau desta insalubridade.
Vale frisar também que este pagamento de insalubridade cessa a partir do momento 
que se adotem medidas de ordem geral que conservem o ambiente de trabalho dentro dos 
limites de tolerância ou que se forneçam os EPIs adequados.
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Os limites de exposição são valores de referência, tolerados como admissíveis, 
para fins de exposição ocupacional. Para determinar estes valores, são utilizados estudos 
epidemiológicos, analogia química e experimentação científica. (SESI, 2008).
Estudo epidemiológico é o principal método para correlacionar a exposição aos agentes 
químicos com efeitosproduzidos sobre os trabalhadores, demandando muito tempo para se 
obter resultados significativos (15 – 20 anos).
Analogia química é um método de extrapolação toxicológica de substâncias pertencentes 
a uma mesma família, porém o nível de confiança não é satisfatório, pois é sabido que as 
substâncias podem apresentar respostas toxicológicas diferentes.
Experimentação resulta dos testes com seres vivos ou utilização de humanos resultantes 
da exposição acidental. As experiências com animais possibilitam determinar o nível de 
toxicidade, mas dificultam as correlações confiáveis entre animais e seres humanos.
2 LIMITE DE TOLERÂNCIA PARA RUÍDOS
2.1 RUÍDO CONTÍNUO OU INTERMITENTE
Os níveis de ruído contínuo ou intermitente devem ser medidos em decibéis (dB), com 
instrumento de nível de pressão sonora operando no circuito de compensação “A” e circuito de 
resposta lenta (slow). As leituras devem ser próximas ao ouvido do trabalhador. (NR15, 2011).
Os tempos de exposição não devem exceder aos limites de tolerância fixados no Quadro 
1, da NR15.
O MTE, através da FUNDACENTRO – Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Segurança 
e Medicina do Trabalho – publicou a sua Norma NHO 01 – Norma de Higiene Ocupacional – 
Procedimento Técnico – avaliação da exposição ocupacional ao ruído contínuo ou intermitente 
e impacto. (FUNDACENTRO, 2010).
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2.2 RUÍDO DE IMPACTO
3 LIMITE DE TOLERÂNCIA PARA EXPOSIÇÃO AO CALOR
O ruído de impacto é aquele que apresenta picos de energia acústica de duração inferior 
a (1) um segundo, a intervalos superiores a 1 (um) segundo.
Segundo a NR15 (2011), em seu Anexo 2, os níveis de impacto deverão ser avaliados 
em decibéis (dB), com medidor de nível de pressão sonora operando no circuito linear e circuito 
de resposta para impacto. As leituras devem ser feitas próximas ao ouvido do trabalhador. O 
limite de tolerância para ruído de impacto será de 130 dB (linear). Nos intervalos entre os picos, 
o ruído existente deverá ser avaliado como ruído contínuo.
A exposição ao calor deve ser avaliada através do “Índice de Bulbo Úmido – Termômetro 
de Globo” (IBUTG). Esta medição deverá ser feita utilizando-se os seguintes aparelhos: 
termômetro de bulbo úmido natural, termômetro de globo e termômetro de mercúrio comum.
FONTE: Disponível em: <http://www.impac-tec.com/decibelimetro/
rs232/decibelimetro-SL4012-lutron.htm>. Acesso em: 29 
nov. 2010.
FIGURA 27 – MODELO DE DECIBELÍMETRO 
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FONTE: Disponível em: <http://www.unimetro.com.br/loja/produtos.
asp?produto=209&Lan=English>. Acesso em: 29 nov. 2010.
As medições devem ser feitas no local onde permanece o trabalhador, à altura da região 
do corpo mais atingida.
Em função do índice IBUTG obtido, e do tipo de atividade do trabalhador, serão adotados 
períodos de descanso nas atividades, conforme o Quadro nº1, do Anexo 3 da NR15.
4 LIMITE DE TOLERÂNCIA PARA 
RADIAÇÕES IONIZANTES
5 LIMITE DE TOLERÂNCIA PARA 
CONDIÇÕES HIPERBÁRICAS
Nas atividades ou operações onde os trabalhadores possam ser expostos a radiações 
ionizantes, os limites de tolerância, os princípios, as obrigações e controles básicos para a 
proteção do homem e do seu meio ambiente, contra possíveis efeitos indevidos causados 
pela radiação ionizante, são os constantes da Norma CNEN-NE-3.01: “Diretrizes Básicas de 
Radioproteção”, de julho de 1988, aprovada, em caráter experimental, pela Resolução CNEN 
nº 12/88, ou daquela que venha a substituí-la. (BRASIL, 2010).
Este item trata dos trabalhos sob ar comprimido e dos trabalhos submersos.
FIGURA 28 – EXEMPLO DE TERMÔMETRO DE GLOBO
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6 LIMITES DE TOLERÂNCIA PARA 
RADIAÇÕES NÃO IONIZANTES
As operações ou atividades que exponham o trabalhador às radiações não ionizantes 
(para esta NR: micro-ondas, ultravioletas e laser), sem proteção adequada, serão consideradas 
insalubres, desde que comprovada por laudo de inspeção realizada no local de trabalho.
As atividades ou operações que exponham os trabalhadores às radiações da luz negra 
(ultravioleta na faixa de 400 a 320 nm) não serão consideradas insalubres.
O trabalho sob ar comprimido é o trabalho efetuado em ambientes onde o trabalhador 
é obrigado a suportar pressões maiores que a atmosférica e onde se exige cuidadosa 
descompressão.
UNI
A descompressão é adotada para evitar a embolia gasosa, uma 
obstrução dos vasos sanguíneos causada pela brusca expansão 
do nitrogênio, um dos gases presentes nos tanques de ar dos 
mergulhadores.
O Anexo nº 6, da NR15, traz um longo detalhamento sobre a descompressão, com 
muitas tabelas práticas.
7 LIMITES DE TOLERÂNCIA PARA VIBRAÇÕES
Serão consideradas insalubres as atividades ou operações que exponham os 
trabalhadores, sem a proteção adequada, às vibrações localizadas ou de corpo inteiro, se 
caracterizadas através de perícia realizada no local de trabalho.
A perícia, visando à comprovação ou não da exposição, deve tomar por base os limites 
de tolerância definidos pela Organização Internacional para a Normalização – ISO –, em suas 
normas ISO 2631 e ISO/DIS 5349 ou suas substitutas.
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8 LIMITES DE TOLERÂNCIA PARA O FRIO
9 LIMITES DE TOLERÂNCIA PARA A UMIDADE
11 LIMITES DE TOLERÂNCIA PARA POEIRAS MINERAIS
10 AGENTES QUÍMICOS CUJA INSALUBRIDADE É 
CARACTERIZADA POR LIMITE DE TOLERÂNCIA 
E INSPEÇÃO NO LOCAL DE TRABALHO
Em decorrência do laudo de inspeção realizada no local de trabalho, serão consideradas 
insalubres as atividades ou operações executadas no interior de câmaras frigoríficas, ou em 
locais que apresentam condições semelhantes, expondo os trabalhadores ao frio, sem a 
proteção adequada.
As atividades ou operações executadas em locais alagados ou encharcados, com 
umidade excessiva, sendo capazes de provocar danos à saúde do trabalhador, serão 
considerados insalubres em decorrência de laudo de inspeção realizada no local de trabalho.
Neste caso estão enquadrados os seguintes minerais:
Através do Quadro 1, da NR15 podemos verificar quais as operações ou atividades nas 
quais os trabalhadores ficam expostos a agentes químicos, caracterizando-se a insalubridade 
quando ultrapassar os limites de tolerância expostos naquele quadro.
Todos os valores que são apresentados neste quadro são válidos para absorção apenas 
por via respiratória, com exceção dos marcados na coluna “absorção também pela pele”, que 
podem ser absorvidos, por via cutânea, portanto exigindo-se o uso do EPI correto em sua 
manipulação.
A concentração destes agentes químicos é avaliada através de métodos de amostragem 
instantânea, de leitura direta ou não, e deverão ser feitas no mínimo 10 amostragens, para 
cada ponto, ao nível respiratório do trabalhador.
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12 LIMITES DE TOLERÂNCIA PARA AGENTES QUÍMICOS
13 LIMITES DE TOLERÂNCIA PARA AGENTES BIOLÓGICOS
Aqui estão relacionadas as atividades e operações, envolvendo agentes químicos, 
consideradas insalubres em decorrência de inspeção realizada no local de trabalho.
Os agentes químicos contemplados são:
• arsênico;
• carvão;
• chumbo;
• cromo;
• fósforo;
• hidrocarbonetos e outros compostosde carbono;
• mercúrio;
• silicatos;
• benzeno;
• cádmio;
• outras operações diversas, listadas no Anexo 15-A, da NR15.
No Anexo nº 14, da NR15, está a relação das atividades que envolvem agentes 
biológicos, cuja insalubridade é caracterizada pela avaliação qualitativa.
Como exemplo de algumas destas atividades, podemos citar: trabalho em contato 
permanente com pacientes em isolamento por doenças infectocontagiosas, bem como objetos 
de seu uso, não esterilizados, esgotos (galerias e tanques), lixo urbano (coleta e industrialização), 
laboratórios de análise clínica, cemitério (exumação de corpos) etc.
• asbesto (também denominado amianto);
• manganês e seus compostos;
• sílica livre cristalizada (presente, entre outros lugares, no jateamento de areia).
Cada um destes minerais possui uma legislação específica, que pode ser conferida no 
Anexo nº 12, da NR15.
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LEITURA COMPLEMENTAR
TECNÓLOGO EM SEGURANÇA NO TRABALHO: SEU FUTURO NAS EMPRESAS
Francisco Chagas C. Santos
Sempre pairou certa dúvida e incerteza quanto ao futuro da função de Tecnólogo em 
Segurança no Trabalho. Os formandos em Tecnologia em Segurança do Trabalho se perguntam: 
Teremos uma oportunidade de mostrar nossos conhecimentos adquiridos durante o curso? 
Como as empresas estão vendo esta questão?
Na minha visão, de aproximadamente 15 anos atuando na área de segurança do trabalho 
em duas empresas de grande porte e mais de vinte anos em outras funções que incluem as 
áreas de produção e qualidades, acredito que haja espaço para esses profissionais.
Não quero neste artigo entrar no mérito dos questionamentos, já demonstrado por 
categorias como a dos técnicos de segurança do trabalho, e, também, do atual posicionamento 
do CREA sobre esta questão. É até natural este debate. A propósito, participei no dia 9 de junho 
recentemente de um workshop no congresso de Segurança do Trabalho da PREVENSUL, 
cujo tema foi “Situação dos Cursos de Engenharia de Segurança e Formação de Tecnólogos 
em Segurança do Trabalho, promovido pela APS - Associação Paranaense de Segurança do 
Trabalho. O que este evento apresentou de novidade, além da confirmação de que o Projeto 
de Lei que está no Congresso Nacional para discussão e aprovação tem o apoio do Ministro 
da Educação e do Presidente do CONFEA – Conselho Federal de Engenharia e Arquitetura 
–, foi a constatação de que a Câmara de Segurança do Trabalho do CREA de Santa Catarina 
já está discutindo as atribuições para os tecnólogos em segurança do trabalho, por entender 
que a regularização de curso dar-se-á muito em breve.
Como profissional de segurança do trabalho, com visão bem abrangente da aplicação 
da segurança do trabalho e que entende que esta atividade deve ser praticada formal e 
sistematicamente por toda a liderança de uma empresa e não apenas pelos profissionais do 
SEST, apego-me a esta visão, vendo que o tecnólogo de segurança pode ter as seguintes 
oportunidades nas empresas:
• Na área de segurança do trabalho, em empresas onde não há obrigatoriedade da contratação 
de um Engenheiro de Segurança do Trabalho, conforme prevista na NR-4 e em empresas 
de consultorias.
Neste contexto, em empresas o Tecnólogo em Segurança do Trabalho preencheria 
uma lacuna na gestão da segurança do trabalho, influenciando as demais lideranças para 
sua prática no âmbito de toda a corporação. O(s) técnico(s) de segurança sozinho(s) não 
consegue(m), na minha visão, este desafio. Também em empresas de consultoria esta mão 
de obra seria bem aceita.
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• Em outras áreas das empresas, recrutado pela sua afinidade com essas. Neste outro 
contexto, o Tecnólogo em Segurança do Trabalho contribuiria com seu aprendizado e visão de 
segurança no trabalho para a consolidação desta tendência global: da gestão de segurança 
do trabalho ser, de fato, praticada de modo formal e sistemático por todos os funcionários 
de uma organização, principalmente pelas lideranças. Por esse ângulo, ele seria de grande 
importância em empresas que se propõem a implementar programa de SMS – Segurança, 
Meio Ambiente e Saúde e OHSAS 18001.
Assim, esta perspectiva acerca do mercado para os Tecnólogos em Segurança do 
Trabalho marcaria o fim das dúvidas e questionamentos atuais e, além disso, proporcionaria 
também mais uma oportunidade para os Engenheiros de Segurança do Trabalho atuarem em 
médias e grandes corporações, em departamentos diferentes do SESMT, para funções idênticas 
àquelas já sugeridas neste artigo aos Tecnólogos em Segurança do Trabalho.
Com esta visão, posso afirmar que os questionamentos das pessoas desavisadas acerca 
de possíveis conflitos com as funções de Engenheiro e Técnico de Segurança do Trabalho que 
poderiam ser criados pela introdução no mercado de trabalho dos Tecnólogos em Segurança do 
Trabalho seriam anulados pelas definições de suas atribuições pelas Câmaras de Segurança 
do Trabalho dos Conselhos Regionais de Engenharia e Arquitetura de todo o Brasil.
Considerando as oportunidades visualizadas acima, as empresas poderiam estimular 
os funcionários que possuem a graduação em engenharia a buscarem uma pós-graduação em 
Engenharia de Segurança do Trabalho e aqueles que não possuem a graduação em engenharia 
a buscarem a graduação em Tecnologia em Segurança do Trabalho. Isto, sem sombra de 
dúvidas, viria contribuir em muito para a viabilização de processo de gestão de segurança 
na corporação. Isto, diga-se de passagem, sem colocar em risco o mercado de trabalho dos 
Técnicos em Segurança do Trabalho. Pelo contrário, neste contexto, tanto os Técnicos quanto 
os Engenheiros de Segurança seriam beneficiados, pois teriam oportunidades também em 
outras áreas, sendo multiplicadores de seus conhecimentos em segurança n o trabalho.
FONTE: SANTOS, Francisco Chagas C. Tecnólogo em Segurança no Trabalho: seu futuro nas 
empresas. Revista Gestão e Saúde, Curitiba, v.1, n.1, p. 32-33, 2009. Disponível em: 
<http://www.herrero.com.br/revista/Edicao%203%20Artigo%205.pdf>. Acesso em: 13 dez. 
2010.
UNIDADE 2TÓPICO 4122
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Neste tópico, você viu que:
• Limite de tolerância é a concentração ou intensidade máxima ou mínima relacionada com a 
natureza e o tempo de exposição do agente, que não causará dano à saúde do trabalhador, 
durante a sua vida laboral.
• Encontramos na NR15 uma lista de todas as atividades insalubres. Quando alguém 
trabalha em condições insalubres, ganha um adicional de insalubridade, conforme o grau 
de insalubridade. Se o empregador conseguir cessar esta insalubridade, cessará também 
este pagamento.
RESUMO DO TÓPICO 4
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Prezado(a) acadêmico(a), responda às seguintes questões:
1 Por que há, na medição de ruídos, dois circuitos de respostas para esta medição?
2 Pesquise como fazer um termômetro para medir a umidade, com recursos simples.
3 Descreva quais os limites de tolerância para o trabalho em locais frios e em locais 
quentes.
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Prezado(a) acadêmico(a), agora que chegamos ao final da 
Unidade 2, você deverá fazer a Avaliação referente a esta unidade.
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UNIDADE 3
INSPEÇÃO PRÉVIA, MAPA DE RISCOS 
E CIPA
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
 A partir desta unidade você será capaz de:
• definir como é realizada a inspeção prévia nas instalações;
• construir e avaliar mapas de risco;
• saber como funciona uma CIPA.
PLANO DE ESTUDOS
Esta unidade está dividida em três tópicos. No final de cada 
um deles você encontrará atividades que o(a) auxiliarão a fixar os 
conhecimentos abordados.
TÓPICO 1 – INSPEÇÃO PRÉVIA
TÓPICO 2 – MAPA DE RISCOS
TÓPICO 3 – CIPA
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A inspeção prévia está contemplada na NR2. Ela estabelece as situações em que os 
estabelecimentos deverão solicitar ao MTE – Ministério do Trabalho e do Emprego – a realização 
da inspeção prévia em seus estabelecimentos, bem como a forma de sua realização.
Esta norma tem sua existência jurídica assegurada, em nível de legislação ordinária, 
nos artigos 160 e 161 da CLT. (SESI, 2008).
Ao iniciar um novo empreendimento, ou fazer sua expansão, ou trocas de maquinários, 
será necessário protocolar um pedido na Delegacia Regional de Trabalho, a fim de que seja 
verificada a instalação e assegurado seu início de atividades livre de riscos de acidentes e/ou 
de doenças de trabalho.
Caso o estabelecimento seja reprovado nesta inspeção prévia, ele fica sujeito ao 
impedimento de suas atividades, conforme estabelecido no artigo 160, da CLT. Este impedimento 
segue até que sejam cumpridas as exigências legais.
A contratação de um engenheiro para fazer esta inspeção pode trazer economia para a 
empresa, além de evitar acidentes. Este profissional irá apontar os defeitos reais da edificação, 
fornecendo um laudo técnico, que servirá de parâmetro para a solicitação de orçamentos. Agindo 
desta forma, serão eliminados os riscos já no início do funcionamento do empreendimento. 
Este laudo apontará, além dos problemas da edificação, soluções e especificações técnicas. 
É importante que este engenheiro tenha cursos específicos nesta área de conhecimento.
INSPEÇÃO PRÉVIA
1 INTRODUÇÃO
2 INSPEÇÃO PRÉVIA
TÓPICO 1
UNIDADE 3
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MINISTÉRIO DO TRABALHO
SECRETARIA DE SEGURANÇA E MEDICINA DO TRABALHO
DELEGACIA_____________________________
 DRT ou DTM
CERTIFICADO DE APROVAÇÃO DE INSTALAÇÕES
CAI nº________________
O DELEGADO REGIONAL DO TRABALHO OU DELEGADO DO TRABALHO 
MARÍTIMO, diante do que consta no processo DRT ____________ em que é interessada a 
firma__________________________________ resolve expedir o presente Certificado de 
Aprovação de Instalações – CAI – para o local de trabalho, sito na ___________________
__________________nº __________, na cidade de ______________________________ 
neste Estado. Nesse local serão exercidas atividades _____________________________
_____________ por um máximo de _____________________ empregados. A expedição 
do presente Certificado é feita em obediência ao Art. 160 da CLT com a redação dada pela 
Lei nº 6.514, de 22.12.77, devidamente regulamentada pela NR 02 da Portaria nº 35 de 28 
e não isenta a firma de posteriores inspeções, a fim de ser observada a manutenção das 
condições de segurança e medicina do trabalho previstas na NR.
Nova inspeção deverá ser requerida, nos termos do § 1o do citado Art. 160 da CLT, 
quando ocorrer modificação substancial nas instalações e/ou nos equipamentos de seu(s) 
estabelecimento(s).
_______________________________
Diretor da Divisão ou Chefe da Seção
de Segurança e Medicina do Trabalho
____________________________
Delegado Regional do Trabalho
ou do Trabalho Marítimo
FONTE: NR2 (2011)
Este relatório deve ser feito por um Técnico ou por um Engenheiro de Segurança, porém 
a responsabilidade técnica deste deve ser assinada somente pelo Engenheiro de Segurança.
Após a correção dos itens apontados, este deve ser encaminhado à DRT, que então 
QUADRO 1 – MODELO DE CADASTRO DE APROVAÇÃO DAS INSTALAÇÕES
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emitirá um CAI (Certificado de Aprovação de Instalações), que deverá ser mantido num lugar 
visível dentro da corporação.
A organização também poderá encaminhar à DRT uma declaração das instalações do 
empreendimento novo, a qual poderá ou não ser aceita pelo órgão, para fins de fiscalização, 
caso não haja a possibilidade de se realizar a inspeção prévia antes de o estabelecimento 
iniciar suas atividades.
3 DECLARAÇÃO DAS INSTALAÇÕES
FONTE: NR2 (2011)
QUADRO 2 – MODELO DA DECLARAÇÃO DE INSTALAÇÕES
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Neste tópico, você viu que:
• A Inspeção Prévia estabelece as situações em que as empresas deverão solicitar ao MTE 
a realização de inspeção prévia em seus estabelecimentos, bem como a forma de sua 
realização. A fundamentação legal, ordinária e específica, que dá embasamento jurídico à 
existência desta NR, é o artigo 160 e 161 da CLT.
• A inspeção prévia e a declaração de instalações previstas na NR 2 constituem os elementos 
capazes de assegurar que o novo estabelecimento inicie suas atividades livre de riscos de 
acidentes e/ou de doenças do trabalho.
• A empresa que não atender ao disposto naqueles itens fica sujeita ao impedimento de seu 
funcionamento, conforme estabelece o artigo 160 da CLT, até que seja cumprida a exigência 
deste artigo.
RESUMO DO TÓPICO 1
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1 Qual das NRs trata da Inspeção Prévia?
2 Somente ao iniciar uma nova instalação deverá ser solicitada esta Inspeção ao DRT?
3 O que acontece se o empreendimento for reprovado nesta inspeção?
4 O que é e quando pode ser utilizada a Declaração das Instalações?
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MAPA DE RISCOS
1 INTRODUÇÃO
2 AVALIAÇÕES DE RISCO
TÓPICO 2
UNIDADE 3
O mapa de riscos é uma demonstração gráfica do conjunto de fatores que estão 
presentes nos locais de trabalho, que são capazes de acarretar prejuízos à saúde do trabalhador. 
Estes fatores se originam nos diversos elementos do processo de trabalho (materiais, 
equipamentos, processos, instalações, suprimentos e nos espaços de trabalho, onde ocorrem 
as transformações, e da forma de organização do trabalho (arranjo físico, ritmo de trabalho, 
método de trabalho, turnos de trabalho, postura de trabalho, treinamentos etc.). (MATTOS; 
FREITAS, 1994).
Os mapas de riscos provêm das avaliações dos riscos, as quais constituem um conjunto 
de procedimentos que tem o objetivo de estimar o potencial de danos à saúde ocasionados 
pela exposição de indivíduos a agentes ambientais. Estas avaliações servem de subsídios para 
o controle e a prevenção dessa exposição. Nos ambientes de trabalho, esses agentes podem 
estar relacionados a processos de produção,produtos e resíduos. (HOKERBERG et al., 2006).
A obrigatoriedade da identificação dos riscos à saúde humana nos ambientes de 
trabalho está contemplada na NR9, sendo que cabe à CIPA a elaboração dos mapas de riscos 
ambientais. Este arranjo normativo é considerado uma tentativa de garantir o controle social 
e a participação do trabalhador na definição de suas condições e processos de trabalho. 
(HOKERBERG et al., 2006).
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3 O MAPA DE RISCO
Foi na Itália, entre o final da década de 60 e o início da década de 70, que o mapeamento 
de risco teve seu início, através de um movimento sindical que, na época, desenvolveu 
um modelo próprio de atuação na investigação e controle das condições de trabalho pelos 
trabalhadores. Este modelo tinha como premissas a formação de grupos homogêneos, a 
experiência ou subjetividade dos operários, a validação consensual, a não delegação, a qual 
possibilitava os trabalhadores a participar nas ações de planejamento e controle da saúde nos 
locais de trabalho, não delegando assim estas funções aos técnicos e valorizando a experiência 
e o conhecimento operário existente. (MATTOS; FREITAS, 1994).
Para que o ambiente de trabalho fique livre da nocividade que sempre o acom-
panha, é necessário que as descobertas científicas neste campo sejam socia-
lizadas, isto é, trazidas aos conhecimentos dos trabalhadores de uma forma 
eficaz; é necessário que a classe operária se aproprie delas e se posicione 
como protagonista na luta contra as doenças, as incapacidades e as mortes no 
trabalho. Somente uma real posição de hegemonia da classe operária diante 
dos problemas da nocividade pode garantir as transformações que podem e 
devem determinar um ambiente de trabalho adequado para o homem.
Somente a luta, uma ação sindical conduzida com precisos objetivos reivindi-
catórios, com a conquista de um poder real dos trabalhadores e do sindicato, 
é possível impor as modificações, sejam tecnológicas, técnicas ou normativas, 
que possam anular ou reduzir ao mínimo os riscos a que o trabalhador está 
exposto no local de trabalho. (ODDONE et al., 1986).
Este modelo de mapa de risco se disseminou por todo o mundo e chegou ao Brasil no 
início da década de 80. 
Técnicos da Fundacentro de Minas Gerais foram designados para estudar o 
método de trabalho e acompanhar os resultados. Após um longo acompanha-
mento e a constatação dos resultados positivos, eles começaram como agentes 
multiplicadores a ensinar esta técnica por todo o país. Em São Paulo, graças 
aos esforços conjuntos da Fundacentro, São Paulo, Delegacia Regional do 
Trabalho de Osasco e Sindicato dos Metalúrgicos de Osasco, que em 1982 pa-
trocinaram dois cursos com os técnicos de Minas Gerais, preparando 40 novos 
instrutores de diversos ramos de atividades, aproximadamente 200 empresas 
já estão aplicando esta técnica com resultados positivos. (ABRAHÃO, 1993).
A confecção dos mapas de risco tornou-se obrigatória para todas as empresas do país 
que tenham CIPA, através da NR5.
De acordo com o 1º artigo desta NR, cabe às CIPAs a construção dos mapas de riscos 
dos locais de trabalho. Utilizando os seus membros, a CIPA deverá ouvir os trabalhadores de 
todos os setores da empresa, e poderá contar com a colaboração do Serviço Especializado 
de Medicina e Segurança do Trabalho (SESMT) da empresa, caso exista.
Os riscos deverão ser apresentados em uma planta baixa ou num esboço do local de 
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trabalho (croqui) e os tipos de riscos relacionados em tabelas próprias, anexas à referida NR. 
Posteriormente, estes mapas deverão ser afixados em locais visíveis em todas as seções para 
o conhecimento dos trabalhadores, e deverão permanecer no local até uma nova gestão da 
CIPA, quando então os mesmos deverão ser refeitos.
Conforme visto anteriormente neste caderno, temos cinco tipos de riscos ambientais que 
serão representados no mapa de riscos. Cada um destes riscos possui uma cor correspondente. 
Veja o quadro a seguir:
Grupo Riscos Cor Exemplos
1 Físicos Verde Ruído, vibração, calor, frio, pressão, umidade, radiações ionizantes e não ionizantes, infrassons e ultrassom.
2 Químicos Vermelho Poeiras, fumos, gases, vapores, névoas, neblinas, substâncias compostas ou produtos químicos em geral.
3 Biológicos Marrom Fungos, vírus, parasitas, bactérias, protozoários e bacilos.
4 Ergonômicos Amarelo
Esforço físico intenso, levantamento e transporte 
manual de peso, exigência de postura inadequada, 
controle rígido de produtividade, imposição de ritmos 
excessivos, trabalho em turno e noturno, jornadas de 
trabalho prolongadas, monotonia e repetitividade e outras 
situações causadoras de estresse físico e/ou psíquico.
5 Acidentes Azul
Arranjo físico inadequado, iluminação inadequada, 
probabilidade de incêndio e explosão, eletricidade, 
máquinas e equipamentos sem proteção, armazenamento 
inadequado, quedas e animais peçonhentos.
FONTE: O autor
Ao se desenhar o mapa de riscos, classificamos em três graus estes riscos, e o 
representamos em círculos de três tamanhos:
QUADRO 3 – GRUPOS DE RISCOS 
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Modelos de mapas de risco:
FONTE: Disponível em: <http://www.areaseg.com/sinais/mapaderisco.html>. Acesso em: 16 dez. 
2010.
Para que você tenha uma melhor visualização das figuras 
a seguir, sugiro que você consulte o ambiente virtual de 
aprendizagem – AVA.
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FIGURA 29 – MODELO SIMPLIFICADO DE MAPA DE RISCO
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FONTE: Disponível em: <http://protecaoradiologica.unifesp.br/download/GerRrisLab.pdf>. Acesso em: 
16 dez. 2010.
FIGURA 30 – MODELO DE MAPA DE RISCO COM SOBREPOSIÇÃO/ADIÇÃO DE RISCOS 
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Neste tópico você viu que:
• O mapa de risco é um levantamento gráfico dos pontos de risco, nos diversos setores da 
empresa. Com uma ligeira visualização do mapa, conseguimos saber quais são as situações 
e os locais perigosos no setor ou na empresa.
• Este mapa consiste de plantas e/ou croquis dos ambientes de trabalho, e nele são 
discriminadas as cinco classes de riscos (químicos, físicos, biológicos, ergonômicos e de 
acidentes), se houver. Cada classe é representada por uma cor específica e, conforme a 
gravidade, aumentamos ou diminuímos o tamanho de sua representação.
• Quem tem a responsabilidade de sua elaboração é a CIPA, contando com o auxílio dos 
funcionários daquele local de trabalho e do SESMT.
RESUMO DO TÓPICO 2
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1 Qual a NR em que o mapa de risco está contemplado?
2 Qual cor devemos utilizar para representar os riscos químicos?
3 Qual cor devemos utilizar para representar o risco de uma superfície quente?
4 Qual cor devemos utilizar para representar a utilização de raios X industrial?
5 Qual cor devemos utilizar para representar trabalho em altura?
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CIPA
1 INTRODUÇÃO
2 A CIPA
2.1 SUA CONSTITUIÇÃO E ORGANIZAÇÃO
TÓPICO 3
UNIDADE 3
A CIPA (Comissão Interna de Prevenção de Acidentes) é regida pela Lei nº 6.514 de 
22/12/77 e regulamentada pela NR5 do Ministério do Trabalho e Emprego, e foi aprovada pela 
portaria nº 3.214 de 08/06/76, publicada no DOU de 29/12/94 e modificada em 15/02/95. 
A CIPA é uma comissão composta por representantes do empregador e dos empregados 
e tem como objetivo a prevenção de acidentes e doenças decorrentes do trabalho, de modo a 
tornar compatível permanentemente o trabalho com a preservação da vida e a promoção da 
saúde do trabalhador.
Segundo a NR5 (2011), devem constituir CIPA, por estabelecimento, e mantê-la em 
regular funcionamento, as empresas privadas, públicas, sociedades de economia mista, 
órgãos da administração direta e indireta, instituições beneficentes, associações recreativas, 
cooperativas, bem como outras instituições que admitam trabalhadores como empregados.
A CIPA deverá ser composta de representantes do empregador e dos empregados, de 
acordo com o Quadro nº1, da NR5 (2011). Alguns grupos econômicos, quando disciplinados em 
atos normativos para setores econômicos específicos, podem possuir outra representatividade.
Em sua composição, estão alocados representantes designados pelo empregador e 
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votados (por escrutínio secreto) pelos empregados. A duração do mandato dos cipeiros é de 1 
(um) ano, sendo permitida uma reeleição. Estes cipeiros têm seu emprego garantido na empresa: 
é vedada a dispensa arbitrária ou sem justa causa do empregado eleito para cargo de direção 
de Comissões Internas de Prevenção de Acidentes desde o registro de sua candidatura até um 
ano após o final de seu mandato. Também serão garantidas aos membros da CIPA condições 
que não descaracterizem suas atividades normais na empresa, sendo vedada a transferência 
para outro estabelecimento sem a sua anuência, ressalvado o disposto nos parágrafos primeiro 
e segundo do artigo 469, da CLT.
O empregador deverá garantir que seus indicados tenham a representação necessária 
para a discussão e encaminhamento das soluções de questões de segurança e saúde no 
trabalho analisadas na CIPA.
O empregador designará entre seus representantes o Presidente da CIPA, e os 
representantes dos empregados escolherão entre os titulares o vice-presidente. O secretário 
e seu substituto serão indicados, de comum acordo com os membros da CIPA, entre os 
componentes ou não da comissão, sendo neste caso necessária a concordância do empregador.
A posse dos membros da CIPA (eleitos e designados) será no primeiro dia útil após 
o término do mandato anterior. Após esta posse, a empresa deverá protocolizar, em até dez 
dias, cópia das atas de eleição e posse, bem como o calendário anual das reuniões ordinárias. 
Uma vez protocolizada, a CIPA não poderá ter seu número de representantes reduzido, bem 
como não poderá ser desativada pelo empregador, antes do término do mandato de seus 
membros, ainda que haja redução do número de empregados da empresa, exceto no caso de 
encerramento das atividades do estabelecimento.
2.2 ATRIBUIÇÕES
Conforme a NR5 (2011), as atribuições da CIPA são as seguintes:
a) identificar os riscos do processo de trabalho e elaborar o mapa de riscos, com a participação 
do maior número de trabalhadores, com assessoria do SESMT, onde houver;
b) elaborar plano de trabalho que possibilite a ação preventiva na solução de problemas de 
segurança e saúde no trabalho;
c) participar da implementação e do controle da qualidade das medidas de prevenção 
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necessárias, bem como da avaliação das prioridades de ação nos locais de trabalho;
d) realizar, periodicamente, verificações nos ambientes e condições de trabalho visando 
à identificação de situações que venham a trazer riscos para a segurança e saúde dos 
trabalhadores;
e) realizar, a cada reunião, avaliação do cumprimento das metas fixadas em seu plano de 
trabalho e discutir as situações de risco que foram identificadas;
f) divulgar aos trabalhadores informações relativas à segurança e saúde no trabalho;
g) participar, com o SESMT, onde houver, das discussões promovidas pelo empregador, 
para avaliar os impactos de alterações no ambiente e processo de trabalho relacionados 
à segurança e saúde dos trabalhadores;
h) requerer ao SESMT, quando houver, ou ao empregador, a paralisação de máquina ou 
setor onde considere haver risco grave e iminente à segurança e saúde dos trabalhadores;
i) colaborar no desenvolvimento e implementação do PCMSO e PPRA e de outros programas 
relacionados à segurança e saúde no trabalho;
j) divulgar e promover o cumprimento das Normas Regulamentadoras, bem como cláusulas 
de acordos e convenções coletivas de trabalho, relativas à segurança e saúde no trabalho;
k) participar, em conjunto com o SESMT, onde houver, ou com o empregador, da análise das 
causas das doenças e acidentes de trabalho e propor medidas de solução dos problemas 
identificados;
l) requisitar ao empregador e analisar as informações sobre questões que tenham interferido 
na segurança e saúde dos trabalhadores;
m) requisitar à empresa as cópias das CAT emitidas;
n) promover, anualmente, em conjunto com o SESMT, onde houver, a Semana Interna de 
Prevenção de Acidentes do Trabalho – SIPAT;
o) participar, anualmente, em conjunto com a empresa, de Campanhas de Prevenção da AIDS.
O empregador deve proporcionar aos membros da CIPA os meios necessários ao 
desempenho de suas atribuições, garantindo tempo suficiente para a realização das tarefas 
constantes no plano de trabalho.
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Cabe aos empregados:
a) participar da eleição de seus representantes;
b) colaborar com a gestão da CIPA;
c) indicar à CIPA, ao SESMT e ao empregador situações de riscos e apresentar sugestões 
para melhoria das condições de trabalho;
d) observar e aplicar no ambiente de trabalho as recomendações quanto à prevenção de 
acidentes e doenças decorrentes do trabalho.
Cabe ao Presidente da CIPA:
a) convocar os membros para as reuniões da CIPA;
b) coordenar as reuniões da CIPA, encaminhando ao empregador e ao SESMT, quando 
houver, as decisões da comissão;
c) manter o empregador informado sobre os trabalhos da CIPA;
d) coordenar e supervisionar as atividades de secretaria;
e) delegar atribuições ao Vice-Presidente.
Cabe ao Vice-Presidente:
a) executar atribuições que lhe forem delegadas;
b) substituir o Presidente nos seus impedimentos eventuais ou nos seus afastamentos 
temporários.
O Presidente e o Vice-Presidente da CIPA, em conjunto, terão as seguintes atribuições:
a) cuidar para que a CIPA disponha de condições necessárias para o desenvolvimento de 
seus trabalhos;
b) coordenar e supervisionar as atividades da CIPA, zelando para que os objetivos propostos 
sejam alcançados;
c) delegar atribuições aos membros da CIPA;
d) promover o relacionamento da CIPA com o SESMT, quando houver;
e) divulgar as decisões da CIPA a todos os trabalhadores do estabelecimento;
f) encaminhar os pedidos de reconsideração das decisões da CIPA;
g) constituir a comissão eleitoral.
O Secretário da CIPA terá por atribuição:
a) acompanhar as reuniões da CIPA e redigir as atas apresentando-as para aprovação e 
assinatura dos membrospresentes;
b) preparar as correspondências; e
c) outras que lhe forem conferidas.
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2.3 FUNCIONAMENTO
2.4 TREINAMENTO
Através de um calendário preestabelecido, as reuniões ordinárias serão mensais, durante 
o expediente normal da empresa e em local apropriado. (NR5, 2011).
As reuniões terão as suas atas assinadas por todos os presentes, e após serão enviadas 
cópias para todos os membros. Estas atas deverão ficar à disposição dos Agentes de Inspeção 
do Trabalho – AIT. (NR5, 2011).
Segundo a NR5 (2011), poderá também haver reuniões extraordinárias, quando:
a) houver denúncia de situação de risco grave e iminente que determine aplicação de medidas 
corretivas de emergência;
b) ocorrer acidente do trabalho grave ou fatal;
c) houver solicitação expressa de uma das representações.
As decisões da CIPA deverão ocorrer preferencialmente por consenso, e, na falta 
deste, e frustradas as tentativas de negociação direta ou com mediação, será instalado 
processo de votação, registrando-se a ocorrência na ata da reunião. Das decisões da CIPA 
caberá pedido de reconsideração, mediante requerimento justificado. Este pedido será 
apresentado à CIPA até que ocorra a próxima reunião ordinária, quando será analisado, 
devendo o Presidente e o Vice-Presidente efetivar os encaminhamentos necessários.
O membro titular perderá o mandato, sendo substituído por suplente, quando faltar a 
mais de quatro reuniões ordinárias sem justificativa. A vacância definitiva de cargo, ocorrida 
durante o mandato, será suprida por suplente, obedecida a ordem de colocação decrescente 
registrada na ata de eleição, devendo o empregador comunicar à unidade descentralizada 
do Ministério do Trabalho e Emprego as alterações e justificar os motivos.
No caso de afastamento definitivo do presidente, o empregador indicará o substituto, 
em dois dias úteis, preferencialmente entre os membros da CIPA. No caso de afastamento 
definitivo do vice-presidente, os membros titulares da representação dos empregados, 
escolherão o substituto, entre seus titulares, em dois dias úteis.
Quanto ao treinamento, a NR5 (2011) nos diz que:
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A empresa deverá promovê-lo para os membros da CIPA, tanto os titulares como 
os suplentes, antes da posse. Este treinamento deverá contemplar, no mínimo, estes itens:
a) estudo do ambiente, das condições de trabalho, bem como dos riscos originados do 
processo produtivo;
b) metodologia de investigação e análise de acidentes e doenças do trabalho;
c) noções sobre acidentes e doenças do trabalho decorrentes de exposição aos riscos 
existentes na empresa;
d) noções sobre a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida – AIDS –, e medidas de prevenção;
e) noções sobre as legislações trabalhistas e previdenciária relativas à segurança e saúde 
no trabalho;
f) princípios gerais de higiene do trabalho e de medidas de controle dos riscos;
g) organização da CIPA e outros assuntos necessários ao exercício das atribuições da 
Comissão.
O treinamento deverá ter carga horária de vinte horas, sendo no máximo em 8 horas 
diárias, e realizado durante o expediente normal da empresa. Poderá ser ministrado pelo 
SESMT da empresa, entidade patronal, entidade de trabalhadores ou por profissional que 
possua conhecimentos sobre os temas ministrados. (NR5, 2011).
A CIPA será ouvida sobre o treinamento a ser realizado, inclusive quanto à entidade 
ou profissional que o ministrará, constando sua manifestação em ata, cabendo à empresa 
escolher a entidade ou profissional que ministrará o treinamento.
Quando comprovada a não observância ao disposto nos itens relacionados ao 
treinamento, a unidade descentralizada do Ministério do Trabalho e Emprego determinará 
a complementação ou a realização de outro, que será efetuado no prazo máximo de trinta 
dias, contados da data de ciência da empresa sobre a decisão.
FONTE: NR5 (2011)
2.5 PROCESSO ELEITORAL
Sobre o processo eleitoral da CIPA, a NR5 (2011) diz que:
Compete ao empregador convocar as eleições para a escolha dos representantes 
dos empregados na CIPA, no mínimo 60 (sessenta) dias antes do término do mandato que 
está em curso.
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O processo eleitoral observará as seguintes condições:
a) publicação e divulgação de edital, em locais de fácil acesso e visualização, no prazo 
mínimo de 45 (quarenta e cinco) dias antes do término do mandato em curso;
b) inscrição e eleição individual, sendo que o período mínimo para inscrição será de quinze 
dias;
c) liberdade de inscrição para todos os empregados do estabelecimento, independentemente 
de setores ou locais de trabalho, com fornecimento de comprovante;
d) garantia de emprego para todos os inscritos até a eleição;
e) realização da eleição no prazo mínimo de 30 (trinta) dias antes do término do mandato 
da CIPA, quando houver;
f) realização de eleição em dia normal de trabalho, respeitando os horários de turnos e em 
horário que possibilite a participação da maioria dos empregados;
g) voto secreto;
h) apuração dos votos, em horário normal de trabalho, com acompanhamento de representante 
do empregador e dos empregados, em número a ser definido pela comissão eleitoral;
i) faculdade de eleição por meios eletrônicos;
j) guarda, pelo empregador, de todos os documentos relativos à eleição, por um período 
mínimo de cinco anos.
Caso a participação dos empregados na eleição for inferior a cinquenta por cento, 
não haverá a apuração dos votos e a comissão eleitoral deverá organizar outra votação, que 
ocorrerá no prazo máximo de dez dias. (NR5, 2011).
Se for constatada alguma irregularidade neste processo de eleição, as denúncias 
deverão ser protocolizadas na unidade descentralizada do MTE, num prazo de até trinta dias 
após a posse dos novos membros da CIPA. Se esta unidade descentralizada do MTE confirmar 
as irregularidades no processo eleitoral, deverá determinar sua correção ou proceder à anulação. 
Neste caso, a empresa tem cinco dias, a contar da data de ciência, para convocar nova eleição, 
com as inscrições anteriores garantidas. Se esta anulação ocorrer antes da posse dos novos 
membros, ficará assegurada a prorrogação do mandato anterior, até a complementação do 
processo eleitoral. (NR5, 2011).
Os candidatos mais votados assumirão a condição de membros titulares e suplentes. 
Como critério de desempate, assumirá aquele que tiver mais tempo de serviço no 
estabelecimento. (NR5, 2011).
Os candidatos votados e não eleitos serão relacionados na ata de eleição e apuração, 
em ordem decrescente de votos, possibilitando nomeação posterior, em caso de vacância de 
suplentes. (NR5, 2011).
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3 ROTEIRO PARA IMPLANTAÇÃO DE UMA CIPA
3.2 EDITAL DE CONVOCAÇÃO DA ELEIÇÃO DA CIPA
3.1 CALENDÁRIO
Como exemplo de implantação de uma CIPA, iremos listar os procedimentos necessários 
para esta implantação.
A empresa deverá publicar um edital de convocação para as eleições dos representantes 
dos empregados na CIPA, no prazo mínimo de 60 dias antes do término do mandato que está 
em curso. 
Este edital deverá ficar fixado durante quinze dias, de tal forma que todos os empregados 
que queiram se candidatar o vejam e providenciem sua inscrição.
FONTE: O autor
FIGURA 31 – CALENDÁRIO DA IMPLANTAÇÃO DA CIPAUNIDADE 3 TÓPICO 3 149
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3.3 FORMAÇÃO DE COMISSÃO 
ELEITORAL E EDITAL DE ELEIÇÃO
Em até cinquenta dias antes do término da gestão do mandato dos cipeiros, deverá 
ser constituída, pelo empregador, uma Comissão Eleitoral, que terá como responsabilidade 
organizar e acompanhar o processo eleitoral.
Essa comissão deverá publicar um Edital de Divulgação, no qual deverão constar os 
nomes dos empregados que se candidataram. Este edital deverá estar fixado por quinze dias, 
a fim de que todos os empregados tomem conhecimento dos candidatos inscritos.
Para a formação desta comissão, não há um número de pessoas especificadas na 
norma, e estas pessoas podem ser os cipeiros. No auxílio da eleição, é interessante que se 
tenha, no mínimo, um presidente, um ou dois mesários e um secretário. No caso de empresas 
maiores, pode-se aumentar o número dos integrantes.
A comissão deverá publicar um novo edital, indicando o local e a data da votação, bem 
como a relação dos candidatos inscritos. A seguir temos um modelo deste edital:
No ato da inscrição, o candidato receberá um recibo e terá garantia de emprego até a 
eleição. Qualquer funcionário, de qualquer setor e área poderá se candidatar.
A seguir, vamos a um modelo de convocação:
QUADRO 4 – EDITAL DE ELEIÇÃO
XXXXXXXX, DIA de MÊS de ANO.
De acordo com a Norma Regulamentadora NR5, aprovada pela Portaria nº 3.214, 
de 08.06.78, baixada pelo Ministério do Trabalho, convidamos todos os empregados desta 
empresa, que estão interessados em participar como candidatos à eleição da CIPA - Comissão 
Interna de Prevenção de Acidentes do Trabalho, a se inscreverem na(o) xxxxxxx, até DIA/
MÊS/ANO.
________________________
(Assinatura do Empregador)
FONTE: O autor
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Edital de convocação de eleição para a CIPA
Ficam convocados os empregados desta empresa para a eleição dos membros da CIPA – 
Comissão Interna de Prevenção de Acidentes, de acordo com a Norma Regulamentadora NR5, 
aprovada pela Portaria nº 8, de 23/02/1999, baixada pelo Ministério do Trabalho e Emprego, 
a ser realizada em escrutínio secreto, no dia ___/___/_____, com início às ___:___ e término 
às ___:___, nas dependências do(a) _______________________.
Apresentam-se e serão votados os seguintes candidatos:
Candidato 1 (setor .......)
Candidato 2 (setor .......)
Candidato 3 (setor .......)
Etc.
Cidade, em ___ de ________________ de _______
____________________________________
 Nome do Responsável
 Nome da Empresa
FONTE: O autor
3.4 ELEIÇÃO E DIVULGAÇÃO DOS RESULTADOS
No dia da eleição, a Comissão Eleitoral deverá providenciar as cédulas (ou qualquer 
outro meio, inclusive eletrônico) para que os funcionários possam eleger seus representantes 
à CIPA.
Esta eleição se dará no prazo mínimo de 30 dias antes do término do mandato da CIPA, 
e deverá ocorrer em dia normal de funcionamento da empresa e em horário que possibilite a 
presença da maioria dos funcionários. Muitas vezes, a Comissão Eleitoral se divide, a fim de 
que todos os turnos de trabalho possam participar da eleição.
A apuração dos votos deverá ocorrer também em horário normal de funcionamento da 
empresa, e na presença de representantes do empregador e dos empregados.
Todos os documentos gerados neste processo eleitoral deverão ser guardados por um 
período mínimo de 5 anos.
Após a apuração, temos a divulgação dos resultados e a proclamação da ata, conforme 
modelo descrito a seguir:
QUADRO 5 – EDITAL DE ELEIÇÃO CIPA 
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Ata de eleição dos membros da CIPA
Aos ____ do mês de _______________ de ______, nas dependências da Empresa 
_________________, com a presença dos senhores ____________________ (função ....), 
____________________ (função ....), _____________________ (função ....) etc. , instalou-se 
a mesa receptora às ___:____. O senhor Presidente da Mesa declarou iniciados os trabalhos. 
Tudo ocorreu normalmente. Às ___:___, o presidente declarou encerrados os trabalhos de 
eleição, verificando que compareceram ____ empregados, e passou-se à apuração dos votos, 
na presença de tantos quanto desejassem.
Após a apuração, chegou-se aos seguintes resultados:
Titulares votos Suplentes votos
Nome mais votado Próximo nome mais votado
Segundo nome mais votado Próximo nome mais votado
Etc. Etc.
Após a classificação dos representantes dos empregados por ordem de votação, dos titulares 
e suplentes, esses representantes elegeram o(a) senhor(a) ___________________ vice-
presidente da CIPA.
Os demais votados, em ordem decrescente de votos, foram:
Nomes votos Nomes votos
E, para constar, mandou o Sr. Presidente fosse lavrada a presente Ata, por mim assinada 
(_____________________), secretário, pelos membros da mesa e pelos eleitos.
_______________________________ _______________________________
 Nome do participante e função Nome do participante e função
_______________________________ _______________________________
 Nome do participante e função Nome do participante e função
FONTE: O autor
QUADRO 6 – ATA DE ELEIÇÃO DOS MEMBROS DA CIPA
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3.5 ATA DE INSTALAÇÃO E POSSE DA CIPA
Com o intuito de formalizar a eleição e a posse da nova CIPA, deve ser feita a Ata de 
instalação e posse da CIPA, conforme o modelo a seguir:
MODELO DE ATA DE INSTALAÇÃO E POSSE DA COMISSÃO INTERNA DE PREVENÇÃO 
DE ACIDENTES – CIPA DA EMPRESA __________________
Aos ...................................... dias do mês de ....................... do ano de dois mil e ................, no 
........................................ nesta cidade, presente(s) o(s) Senhor(es) Diretor(es) da Empresa, 
bem como os demais presentes, conforme Livro de Presença, reuniram-se para Instalação e 
Posse da CIPA desta Empresa, conforme o estabelecimento pela Portaria nº..........................
....................................... o Senhor ...............................................representante da Empresa e 
Presidente da sessão, tendo convidado a mim,............................................... para Secretário 
da mesma, declarou abertos os trabalhos, lembrando a todos os objetivos da Reunião, quais 
sejam: Instalação e Posse dos componentes da CIPA. Continuando declarou instalada a 
Comissão e empossados os Representantes do Empregador.
Titulares Suplentes
________________________________ ________________________________
________________________________ ________________________________
________________________________ ________________________________
Da mesma forma declarou empossados os Representantes eleitos pelos Empregados:
Titulares Suplentes
________________________________ ________________________________
________________________________ ________________________________
________________________________ ________________________________
A seguir, foi designado para Presidente da CIPA o Senhor................................., tendo sido 
escolhido entre os Representantes eleitos dos Empregados o Senhor ..................para Vice-
Presidente. Os Representantes do empregador e dos Empregados, em comum acordo, 
escolheram também o(a) Senhor(a) para secretário(a)..................................., sendo seu(sua)substituto(a) o(a) senhor(a) ......................................
Nada mais havendo para tratar, o Senhor Presidente da sessão deu por encerrada a reunião, 
lembrando a todos que o período de gestão da CIPA ora instalada será de 01 (um) ano a contar 
da presente data. Para constar, lavrou-se a presente Ata, que, lida e aprovada, vai assinada 
por mim, Secretário, pelo Presidente da Sessão, por todos os Representantes eleitos e/ou 
designados, inclusive os Suplentes.
................................................ ...............................................
Presidente da Sessão Secretário
Titulares Suplentes
________________________________ ________________________________
________________________________ ________________________________
________________________________ ________________________________
FONTE: O autor
QUADRO 7 – MODELO DE ATA DE INSTALAÇÃO E POSSE DA CIPA
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3.6 TREINAMENTO DOS CIPEIROS
3.7 FUNCIONAMENTO DA CIPA
Segundo a NR5 (2011), cabe à empresa promover o treinamento para os membros da 
CIPA, tanto aos titulares como aos suplentes, antes que tomem posse. Caso seja o primeiro 
mandato, este treinamento poderá ser realizado em até 30 dias, contados a partir do dia da 
posse.
No treinamento dos cipeiros, deverão constar, no mínimo, os seguintes itens, conforme 
a NR5 (2011):
• estudo do ambiente, das condições de trabalho, bem como dos riscos originados do processo 
produtivo;
• metodologia de investigação e análise de acidentes e doenças de trabalho;
• noções sobre acidentes e doenças do trabalho, decorrentes da exposição aos riscos 
existentes na empresa;
• noções sobre a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida – AIDS, e medidas de prevenção;
• noções sobre as legislações trabalhista e previdenciária relativas à segurança e saúde no 
trabalho;
• princípios gerais de higiene do trabalho e de medidas de controle dos riscos;
• organização da CIPA e outros assuntos necessários ao exercício das atribuições da Comissão.
Os candidatos reeleitos que receberam treinamento de acordo com a Portaria Nº 8, de 
23 de fevereiro de 1999 da SSST, juridicamente só necessitariam refazer o curso novamente 
mediante alteração do programa do mesmo, ou seja, quando da edição de uma nova Portaria. 
Porém, em caráter preventivo, recomenda-se que sempre que um funcionário for integrar uma 
nova CIPA, que o mesmo participe do treinamento, até mesmo para uma reciclagem dos seus 
conhecimentos.
A CIPA terá uma reunião a cada mês, salvo evento que provoque uma reunião 
extraordinária, tais como: denúncia de situação de risco grave ou eminente que determine 
aplicação de medidas corretivas de emergência; se ocorrer acidente grave ou fatal ou se houver 
solicitação expressa de uma das representações.
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LEITURA COMPLEMENTAR
INVESTIGAÇÃO DE ACIDENTES E INCIDENTES 
COM UMA ABORDAGEM SISTÊMICA 
Cássio Eduardo Garcia
 
1 INTRODUÇÃO
Muitas organizações ainda não se conscientizaram de que acidentes são um fator de 
aumento de custos. Com certeza não conhecem claramente a extensão destes custos e, o 
pior, os assumem como se fossem normais no processo produtivo.
Sabemos que os acidentes não são eventos normais de um processo, todos são 
evitáveis. É importante também citar que as mesmas causas que atuam nos acidentes também 
atuam em perdas de produtividade e qualidade, sem dizer que os acidentes podem atingir 
diretamente a imagem da empresa, causando perdas incalculáveis.
Em função da característica de um iceberg, consegue-se ver somente a ponta, a grande 
parte do seu corpo está submersa e não se consegue enxergar. Os custos dos acidentes são 
similares a um iceberg, visualiza-se uma parte menor dos custos, a maior parte não se verifica, 
está oculta por outros fatores.
Geralmente um acidente ocorre quando uma pessoa, equipamento ou meio ambiente 
FIGURA - CUSTOS DOS ACIDENTES
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entra em contato com uma substância ou fonte de energia (química, térmica, acústica, mecânica, 
elétrica etc.) que está acima da sua capacidade de absorção de energia.
Por exemplo, um braço pode queimar porque não resiste à energia térmica do fogo. 
Esta visão do acidente é micro e analisa exatamente as partes envolvidas, no ponto de contato 
e no exato momento do contato.
Devemos prosseguir com a investigação e descobrir exatamente por que este contato 
ocorreu. No caso de perdas no processo, podemos ter perdas de matéria-prima ou produto 
acabado. Em termos de propriedade, incêndios ou explosões, e por último, em relação ao meio 
ambiente, contaminação de solo, água ou ar.
Aqui temos uma quebra de paradigma, a maioria das organizações assume apenas 
lesões humanas como sendo acidentes de trabalho, ou seja, temos o estudo da “vitimologia”.
Sabemos que isto não é verdade, acidentes são eventos que causam perdas para a 
organização, dentre elas as lesões humanas.
Do mesmo modo, eventos que não resultam em lesão humana, mas causam perdas 
em processo, produto ou meio ambiente também são considerados acidentes, pois causam 
uma perda para a organização.
Lesões e enfermidades resultam de acidentes, mas nem todos os acidentes resultam 
em enfermidades e lesões.
Infelizmente não existe no Brasil a cultura de se fazer uma investigação e análise de 
acidentes com perdas no processo, propriedade e meio ambiente. Com certeza estes acidentes 
são uma fonte potencial de perdas para as organizações e suas causas, com certeza, atuam 
em acidentes com lesões humanas.
Acidentes causam perdas, podemos dizer que estas perdas podem ocorrer em quatro 
categorias distintamente ou em conjunto, dependendo da gravidade do evento:
• Pessoa.
• Processo.
• Propriedade.
• Meio ambiente.
É importante neste momento definir acidente e incidente:
• Acidente: evento não planejado que resulta em morte, doença, lesão, dano ou outra perda.
• Incidente: evento que deu origem a um acidente ou que tinha o potencial de levar a um 
acidente.
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2 POR QUE INVESTIGAR ACIDENTES E INCIDENTES?
A principal razão para a realização de uma investigação de acidentes ou incidentes é 
aprender com os erros e evitar que os mesmos ocorram novamente.
O objetivo é descobrir o que realmente ocorreu e por que ele ocorreu, não devemos 
procurar quem foi o culpado do acidente. A procura de culpados deve ser excluída definitivamente. 
Quando a organização procura um culpado, e encontra um, começa a criar uma cultura de 
repulsão das pessoas porque alguns profissionais começam a ser vistos como a polícia da 
empresa. Este fato é o início do descontrole cultural.
Investigações de acidentes e incidentes suportam a empresa para:
• aprender com os erros;
• melhorar o sistema de gerenciamento de segurança do trabalho e meio ambiente;
• melhorar o controle dos riscos;
• reduzir a probabilidade de recorrência e ajudar a prevenir acidentes e incidentes similares 
com a mesma gravidade;
• fundamentar um histórico dos acidentes, seus perigos e riscos;
• prover informações para reforçar a cultura de segurança do trabalho e meio ambiente.
3 PROPÓSITOS DE UMA INVESTIGAÇÃO DE ACIDENTES E INCIDENTES
Os propósitos de uma investigação de acidentes e incidentes são:
• identificar as causas por atos e condições abaixo do padrão; geralmente existem ambas em 
umacidente;
• identificar falhas básicas no sistema de gerenciamento de segurança do trabalho e meio 
ambiente;
• prevenir que os acidentes e incidentes ocorram novamente;
• reportar o acidente, suas causas e ações corretivas internamente e externamente quando 
necessário.
Mais especificamente as investigações:
• determinam o que ocorreu: as investigações reúnem e analisam as evidências e chegam a 
uma declaração exata do que ocorreu;
• avaliam os riscos: as investigações proveem a base para estudo da probabilidade de 
recorrência levando em conta o potencial para perdas maiores. Servem de base para decidir 
a profundidade e escopo das investigações;
• desenvolvem medidas necessárias de controle: as investigações capacitam controles efetivos 
para minimização ou eliminação das causas;
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• demonstram comprometimento: as investigações demonstram comprometimento da 
organização e seu compromisso em alcançar boas práticas de segurança do trabalho e meio 
ambiente.
4 QUAIS ACIDENTES E INCIDENTES DEVEM SER INVESTIGADOS FORMALMENTE
É de responsabilidade da organização a realização da investigação de acidentes 
e incidentes. Deve determinar quais acidentes e incidentes irão investigar e qual será 
aprofundidade da investigação.
Um notável esforço deve ser dedicado aos acidentes e incidentes significativos onde 
temos sérias lesões, doenças ocupacionais e impactos ambientais consideráveis tão quanto 
aqueles incidentes que têm o potencial de causar sérias lesões, perdas e impactos ambientais.
Alguns exemplos de acidentes e incidentes que devem ser formalmente investigados:
• acidentes que resultem em morte;
• acidentes que resultem em lesões significantes (permanentes);
• casos graves de doença ocupacional oriunda de exposição a agentes perigosos no trabalho;
• acidentes que resultem em danos significantes para a propriedade ou equipamento, como 
grandes incêndios, explosões e falhas de equipamentos;
• acidentes que resultem em danos significativos ao meio ambiente;
• acidentes que resultem em danos leves, mas com alto potencial de perda para o homem, 
propriedade, processo ou meio ambiente;
• incidentes com alto potencial de perda para o homem, propriedade, processo ou meio 
ambiente;
• qualquer acidente e incidente que resulte em processos externos de órgãos governamentais.
5 PASSOS BÁSICOS DE UMA INVESTIGAÇÃO DE ACIDENTES
Os passos básicos de uma investigação de acidentes são:
1º Passo: assumir o controle da situação:
• iniciar as primeiras ações imediatas;
• reconstituir o evento;
• descrever inicialmente o acidente.
2º Passo: formar a equipe de investigação:
• formar a equipe;
• desenvolver um plano de ação.
3º Passo: reunir evidências e informações:
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• observar e inspecionar;
• entrevistar;
• documentar;
• rever as evidências;
• comparar condições x especificações.
4º Passo: determinar e analisar as causas:
• modelo causal de perdas;
• árvore de causas;
• modelo de causas e efeitos;
• etc.
5º Passo: determinar as ações corretivas:
• desenvolver um plano de ação;
• determinar responsáveis e prazos.
6º Passo: reportar o acidente;
7º Passo: realizar follow-up das ações corretivas:
• verificar a efetividade das ações.
6 CONSIDERAÇÕES FINAIS E RECOMENDAÇÕES
Investigações de acidentes e incidentes são uma importante ferramenta para utilização 
em uma organização. Elas auxiliam no entendimento da sequência dos fatos e na determinação 
das ações corretivas e preventivas. Em função destas considerações recomenda-se:
• as organizações devem desenvolver sistemas de investigação de acidentes e incidentes 
compatíveis com seus riscos e impactos;
• as pessoas que participam das investigações devem ter conhecimento, competência e 
habilidades específicas para conduzir esta atividade;
• as organizações devem definir qual método utilizarão para conduzir e determinar as causas 
dos acidentes. As pessoas devem conhecer claramente o método utilizado;
• deve ser feito um acompanhamento rigoroso para a implantação das ações corretivas e 
preventivas. Todas as ações devem ter responsáveis e prazos para a implantação devem 
ser definidos;
• a eficiência das ações deve ser avaliada.
FONTE: Disponível em: <http://www.scribd.com/doc/6717822/InvestigaCAo-de-Acidentes-e-
Incidentes-Com-Uma-Abordagem-SistEmica>. Acesso em: 13 jan. 2011.
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Neste tópico vimos que:
• Uma CIPA – Comissão Interna de Prevenção de Acidentes – é uma comissão composta por 
representantes dos empregados e do empregador, e que tem como objetivo a prevenção de 
acidentes e doenças decorrentes do trabalho, de modo a tornar compatível permanentemente 
o trabalho com a preservação da vida e a promoção da saúde do trabalhador.
• Vimos quais as atribuições da CIPA, sua constituição e organização, seu funcionamento, 
treinamento para os cipeiros e o processo de eleição de seus membros.
RESUMO DO TÓPICO 3
UNIDADE 3TÓPICO 3160
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1 Qual é a NR que regulamenta a CIPA?
2 Explique quem deve compor a CIPA.
3 Quais as atribuições da CIPA?
4 Qual o papel do presidente da CIPA?
5 Como se dá o treinamento para os futuros cipeiros?
6 Como funciona a eleição para a CIPA?
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UNIDADE 3 TÓPICO 3 161
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Prezado(a) acadêmico(a), agora que chegamos ao final da 
Unidade 3, você deverá fazer a Avaliação.
UNIDADE 3TÓPICO 3162
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