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CÓDIGO DE PROCESSO PENAL - CPP MATERIAL COM QUESTÕES DE CONCURSO e ALGUMAS REFERÊNCIAS À SÚMULAS E JULGADOS DOS TRIBUNAIS SUPERIORES Material confeccionado por Eduardo B. S. Teixeira. Última atualização legislativa: Lei nº 13.769, de 20/12/18 (vide arts. 318-A e 318-B do CPP). Última atualização jurisprudencial: 01/07/19 - Info 630 (art. 466, §1º); Info 640 (art. 581, XVI); Info 641 (art. 405, §2º); Info 933 (art. 78, IV); Info 939 (art. 798); Info 940 (art. 252, I) Última atualização questões de concurso: 12/07/19 Observações quanto à compreensão do material: 1) Cores utilizadas: EM VERDE: destaque aos títulos, capítulos, bem como outras informações relevantes, etc. EM ROXO: artigos que já foram cobrados em provas de concurso. EM AZUL: Parte importante do dispositivo (ex.: questão cobrou exatamente a informação, especialmente quando a afirmação da questão dizia respeito à situação contrária ao que dispõe no CPP). EM AMARELO: destaques importantes (ex.: critério pessoal) 2) Siglas utilizadas: MP (concursos do Ministério Público); M ou TJPR (concursos da Magistratura); BL (base legal, etc. DECRETO-LEI Nº 3.689, DE 3 DE OUTUBRO DE 1941. Vigência Código de Processo Penal. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, usando da atribuição que Ihe confere o art. 180 da Constituição, decreta a seguinte Lei: LIVRO I DO PROCESSO EM GERAL TÍTULO I DISPOSIÇÕES PRELIMINARES Art. 1o O PROCESSO PENAL REGER-SE-Á, em todo o território brasileiro, por este Código, RESSALVADOS: I - os tratados, as convenções e regras de direito internacional; (PCRJ-2008-FGV): O processo penal rege-se pelo CPP, em todo o território brasileiro ressalvados, entre outros, os tratados, as convenções e regras de direito internacional. BL: art. 1º, I, CPP. II - as prerrogativas constitucionais do Presidente da República, dos ministros de Estado, nos crimes conexos com os do Presidente da República, e dos ministros do Supremo Tribunal Federal, nos crimes de responsabilidade (Constituição, arts. 86, 89, § 2o, e 100); III - os processos da competência da Justiça Militar; (TJRN-2013) IV - os processos da competência do tribunal especial (Constituição, art. 122, no 17); V - os processos por crimes de imprensa. Vide ADPF nº 130 Parágrafo único. Aplicar-se-á, entretanto, este Código aos processos referidos nos nos. IV e V, quando as leis especiais que os regulam não dispuserem de modo diverso. (Téc. Judic.-/TJDFT-2015-CESPE): Em relação à aplicação da lei processual penal no espaço, vigora o princípio da territorialidade. BL: art. 1º, CPP. (TJAC-2012-CESPE): Em relação à aplicação da lei no espaço, vigora o princípio da absoluta territorialidade da lei processual penal. BL: art. 1º, CPP. Art. 2o A LEI PROCESSUAL PENAL APLICAR-SE-Á DESDE LOGO, sem prejuízo da validade dos atos realizados sob a vigência da lei anterior. (MPCE-2009) (TJRN-2013) (PCMA-2018) (Anal. Judic./STJ-2018) (TJCE-2018-CESPE): Aos processos em curso, a lei processual penal será aplicada imediatamente, mantendo-se, todavia, os atos praticados sob a égide da lei anterior. BL: art. 2º do CPP. (MPMS-2015): O princípio da lex fori admite relativização no processo penal. BL: art. 2º, CPP. OBS: Enquanto à lei penal aplica-se o princípio da territorialidade (CP, art. 5º) e da extraterritorialidade incondicionada e condicionada (CP, art. 7º), o CPP adota o princípio da territorialidade ou da lex fori, que significa “A lei do local é aplicada no país”. Portanto, p CPP adota o princípio da territorialidade ou da lex fori, uma vez que a atividade jurisdicional é um dos aspectos da soberania nacional, logo, não pode ser exercida além das fronteiras do respectivo Estado. Na visão da doutrina, todavia, há situações em que a lei processual penal de um Estado pode ser aplicada fora de seus limites territoriais, a saber: a) aplicação da lei processual penal de um Estado em território nullius (ex.: Antártida); b) quando houver autorização do Estado onde deva ser praticado o ato processual (Brasil já negou cooperação com a Argentina que pediu para ouvir testemunhas no Brasil segundo as leis argentinas. No caso, não houve autorização do Brasil); c) em caso de guerra, em território ocupado (ex.: ocupação militar no Haiti). Fonte: (Manual de Processo penal, Renato Brasileiro, ano 2016 + anotações de aula Damásio). (MPSP-2015): Se o ato processual for complexo e iniciar-se sob a vigência de uma lei de natureza processual penal e, antes de se completar, outra for promulgada, modificando-o, devem ser obedecidas as normas da lei antiga. (MPSC-2014): São efeitos do princípio tempus regit actum, previsto no CPP: a) os atos processuais realizados sob a égide da lei anterior são considerados válidos; b) as normas processuais têm aplicação imediata, pouco importando se o fato que deu origem ao processo é anterior à sua entrada em vigor. BL: art. 2º do CPP. (TJPE-2015-FCC): Antonio está sendo processado pela prática do delito de furto qualificado. É correto dizer que, caso haja mudança nas normas que regulamentam o procedimento comum ordinário, os atos praticados sob a vigência da lei anterior são válidos. BL: art. 2º, CPP. (TJAM-2013-CESPE): As normas previstas no CPP de natureza híbrida, ou seja, com conteúdo de direito processual e de direito material, devem respeitar o princípio que veda a aplicação retroativa da lei penal, quando seu conteúdo for prejudicial ao réu. (TJPB-2013-CESPE): De acordo com o princípio da imediatidade, serão exercidos sob a disciplina de legislação superveniente os atos processuais de processo em andamento ainda não iniciados. BL: art. 2º, CPP. (TJSP-2011-VUNESP): A lei processual penal tem aplicação imediata, alcançando, inclusive, os processos em andamento. BL: art. 2º, CPP. (DPU-2010-CESPE): O direito processual brasileiro adota o sistema do isolamento dos atos processuais, de maneira que, se uma lei processual penal passa a vigorar estando o processo em curso, ela será imediatamente aplicada, sem prejuízo dos atos já realizados sob a vigência da lei anterior. BL: art. 2º, CPP. (TJMS-2010-FCC): A lei processual penal é de aplicação imediata, sem prejuízo de validade dos atos já praticados. BL: art. 2º, CPP. Explicação: Alterada a lei processual, a nova deve ser aplicada, sem prejuízo do que já ocorreu no processo. No entanto, a doutrina vem entendendo que, no que tange às normas a respeito de medidas cautelares pessoais privativas ou restritivas de liberdade, por possuírem conteúdo misto, ou seja, penal e processual, deve-se seguir a regra do art. 5º, LV da CF/88, que proíbe a retroação de norma penal, salvo para beneficiar o réu. Além disso, entende que ainda pode ser aplicado, mesmo que por analogia, o art. 2º da Lei de Introdução ao CPP, que prevê expressamente, quanto à prisão preventiva e à fiança, a aplicação da lei mais favorável no caso de intertemporalidade. (TJSC-2009): A lei processual penal aplicar-se-á desde logo, sem prejuízo da validade dos atos realizados sob a vigência da lei anterior, vigendo em regra o princípio da irretroatividade, salvo quando a norma processual penal material tiver conteúdo de direito penal, retroagindo em benefício do acusado. BL: art. 2º, CPP; art. 5º, LV da CF/88 e art. 2º do Dec-lei 3931/41 (Lei de Introdução ao CPP). (DPU-2007-CESPE): Em relação à lei processual penal no tempo, vigora o princípio do efeito imediato, segundo o qual tempus regit actum. De acordo com tal princípio, as normas processuais penais têm aplicação imediata, mas consideram-se válidos os atos processuais realizados sob a égide da lei anterior. BL: 2º, CPP. Art. 3o A lei processual penal admitirá interpretação extensiva e aplicação analógica, bem como o suplemento dos princípios gerais de direito. (TJRR-2015) (TJAM-2013)(MPAL-2012) (TJSP-2011) (TJSE-2015-FCC): A lei processual penal, admite o suplemento dos princípios gerais de direito. BL: art. 3º do CPP. (PCGO-2013): As normas genuinamente processuais admitirão interpretação extensiva e aplicação analógica, bem como o suplemento dos princípios gerais do direito. BL: art. 3º do CPP. (DPECE-2014-FCC): Em relação à lei processual penal, é correto afirmar que, em regra, admite suplemento dos princípios gerais do direito e aplicação analógica. BL: art. 3º do CPP. (MPSC-2014): Segundo o CPP, a lei processual penal admitirá interpretação extensiva e aplicação analógica. BL: art. 3º do CPP. (TJRN-2013-CESPE): O julgador poderá aplicar por analogia uma lei processual, para a solução de questão pendente no curso da ação penal. BL: art. 3º do CPP. (TJMG-2012-VUNESP): São admitidos no Direito Processual Penal a interpretação extensiva, a aplicação analógica e os princípios gerais do direito. BL: art. 3º, CPP. (TJMG-2012-VUNESP): Com autorização pela EC 45/04 para o STF editar súmulas vinculantes, passamos a ter novas fontes material e formal das normas processuais penais. BL: art. 3º, CPP. TÍTULO II DO INQUÉRITO POLICIAL (TJPE-2011-FCC): Se o crime for de alçada privada, a instauração de IP não interrompe o prazo para o oferecimento de queixa. OBS: O prazo para o oferecimento de queixa, normalmente de 6 meses, é decadencial, não sendo interrompido ou suspenso pela instauração de IP. Assim, o legitimado ativo não pode simplesmente esperar a conclusão das investigações, pois, se estas ultrapassarem o prazo decadencial, estará impedido de oferecer a queixa. (TJPR-2012-PUCPR): A notitia criminis inqualificada, de per si, considerada pelos tribunais superiores como fundamento insuficiente capaz de ensejar a instauração de inquérito policial. BL: STF, HC 108.147/PR. (TJPR-2012-PUCPR): O IP pode ser considerado uma importante garantia do Estado Democrático de Direito, na medida em que, ao promover diligências na tentativa da colheita preliminar de provas concretas da materialidade de um delito e de indícios robustos de sua autoria, pode emprestar à ação penal a justa causa necessária ao seu ajuizamento ao mesmo passo em que pode impedir o processamento criminal de inocentes, preservando-os de acusações judiciais infundadas e temerárias. Art. 4º A polícia judiciária será exercida pelas autoridades policiais no território de suas respectivas circunscrições e terá por fim a apuração das infrações penais e da sua autoria. (Redação dada pela Lei nº 9.043, de 9.5.1995) (DPEMT-2009) Parágrafo único. A competência definida neste artigo não excluirá a de autoridades administrativas, a quem por lei seja cometida a mesma função. Vide art. 144, §4º da CF: Art. 144º, § 4º, CF - às polícias civis, dirigidas por delegados de polícia de carreira, incumbem, ressalvada a competência da União, as funções de polícia judiciária e a apuração de infrações penais, exceto as militares. Art. 5o Nos crimes DE AÇÃO PÚBLICA o inquérito policial SERÁ INICIADO: I - de ofício; (TJPE-2011) (ABIN-2018) (Anal. Judic./STJ-2018) II - mediante requisição da autoridade judiciária ou do Ministério Público, ou a requerimento do ofendido ou de quem tiver qualidade para representá-lo. (TJPE-2011) (DPEPB-2014) (DPEMA-2015) (Escrivão/PCMG-2018) (Anal. Judic./TRF2-2017-Consulplan): Nos crimes de ação penal pública o inquérito policial pode ser iniciado a requerimento do ofendido. BL: art. 5º, II, CPP. § 1o O requerimento a que se refere o no II CONTERÁ SEMPRE QUE POSSÍVEL: (MPSC-2013) (Escrivão de Polícia/PCMA-2018) a) a narração do fato, com todas as circunstâncias; (MPSC-2013) b) a individualização do indiciado ou seus sinais característicos e as razões de convicção ou de presunção de ser ele o autor da infração, ou os motivos de impossibilidade de o fazer; (MPSC-2013) c) a nomeação das testemunhas, com indicação de sua profissão e residência. (MPSC-2013) (TJPI-2015-FCC): Conforme o CPP, certos requisitos, sempre que possível, deverão constar do requerimento de instauração de inquérito policial, EXCETO a classificação da infração penal em tese cometida. BL: art. 5º, §1º do CPP. § 2o Do despacho que indeferir o requerimento de abertura de inquérito CABERÁ RECURSO para o chefe de Polícia. (MPCE-2009) (TJPR-2011) (PCSP-2012) (TJRJ-2012) (TJMG-2014) (PCMA-2018) (PCBA-2018-VUNESP): Do despacho que indeferir o requerimento de abertura de inquérito (CPP, art. 5º , § 2º) caberá recurso para o chefe de Polícia. BL: art. 5º, §2º, CPP. (Escrivão da Polícia Federal-2004-CESPE): Se, em crime de ação penal privada, o ofendido formular requerimento para a abertura do inquérito, e o delegado de polícia, por despacho, indeferir o referido requerimento, caberá recurso ao chefe de polícia por parte do ofendido. BL: art. 5º, §2º do CPP. § 3o Qualquer pessoa do povo que tiver conhecimento da existência de infração penal em que caiba ação pública PODERÁ, verbalmente ou por escrito, comunicá-la à autoridade policial, e esta, VERIFICADA a procedência das informações, mandará instaurar inquérito. (TRF2-2013) (MPAM-2015) (MPSP-2013): Diante de comunicação anônima, noticiando crime de ação penal pública incondicionada, a Autoridade Policial poderá instaurar inquérito policial se constatar a procedência das informações. BL: art. 5º, §3º, CPP. § 4o O INQUÉRITO, nos crimes em que a ação pública DEPENDER DE REPRESENTAÇÃO, NÃO PODERÁ sem ela ser iniciado. (DPECE-2008) (TJSC-2009) (TJRN-2013) (DPEPB-2014) (MPDFT-2015) (DPEMA-2015) (DPEAP-2018) (Escrivão de Polícia Civil/SC-2017-FAPESE): A representação do ofendido é condição indispensável para a abertura de inquérito policial para apurar a prática de crime de ação penal pública condicionada. (TJPE-2015-FCC): Ana, estudante de 20 anos, relatou à assistência social da universidade pública onde estuda que foi vítima de estupro no campus, não sofrendo lesões. É correto afirmar que: Ana precisa oferecer representação, para que seja instaurado inquérito policial. BL: art. 5º, §4º, CPP. (MPMG-2013): A autoridade policial deverá negar-se a instaurar o inquérito, se for condicionada a ação penal e ausente a condição de procedibilidade. (MPSP-2013): Nos casos em que a propositura da ação penal pública está condicionada à representação do ofendido, esta também é indispensável para a instauração do inquérito policial. BL: art. 5º, §4º, CPP. (TJPR-2012-PUCPR): Em regra, nos delitos que ensejam ação penal pública condicionada à representação, o IP somente deverá ser instaurado se houver representação do ofendido ou de seu representante legal. Segundo orientação do STJ, a representação em comento não exige formalidade específica, bastando que expresse a vontade do legitimado na apuração do fato criminoso. BL: art. 5º, §4º, CPP. (TJES-2012) Explicação: O próprio CPP exige a representação em tal caso. Quanto às formalidades de representação, o STJ entende que nas ações penais públicas condicionadas prescinde de qualquer formalidade, sendo suficiente a demonstração do interesse da vítima em autorizar a persecução criminal (STJ, RHC 26049). (MPAL-2012-FCC): Nos crimes processados mediante ação penal de iniciativa pública condicionada à representação, é necessária a formulação desta para que o inquérito seja instaurado. BL: art. 5º, §4º, CPP. (MPCE-2009): Se o ofendido requerer a instauração de inquérito policial, em crime de ação penal pública condicionada, manifestando interesse em que o autor do crime seja processado, o requerimento poderá valer como representação. BL: art. 5º, II, §4º, CPP. § 5o Nos CRIMES DE AÇÃO PRIVADA, a autoridade policial SOMENTE PODERÁ PROCEDER a inquérito a requerimento de quem tenha qualidade para intentá-la. (MPCE-2009) (DPEMT-2009) (TJPE-2011) (TJRJ-2012) (DPEMA-2015) (Anal. Legisl./ALESE-2018) (MPPR-2017): Em data de 20 de dezembro de 2016, Astolfo pratica, em tese, crime contra a honra de Lucíolo, afirmando que este, na condição de funcionário público, subtraiu valores do departamento de obras públicas do município de Giramundo. Considere a data de hoje (28.05.2017) e que Lucíolo teve ciência da suposta ofensa em 29 de dezembro de 2016. Aponte a alternativa correta: Sem Lucíolo manifestar de forma clara que pretende responsabilizar criminalmente Astolfo, o delegado não poderá deflagrar a investigação da suposta infração contra a honra. BL: art. 5º, §5º, CPP. [questão adaptada] (Anal. Judic./TRF2-2017-Consulplan): Nos crimes de ação privada, a autoridade policial somente poderá proceder a inquérito a requerimento de quem tenha qualidade para intentá- la. BL: art. 5º, §5º, CPP. (Anal. Judic.-TRERJ-2012-CESPE): O delegado de polícia não poderá instaurar inquérito policial para a apuração de crime de ação penal privada sem o requerimento de quem tenha legitimidade para intentá-la. BL: art. 5º, §5º, CPP. OBS: A autoridade policial não pode instaurar IP e sequer lavrar auto de prisão em flagrante delito nos crimes de ação penal privada sem que haja requerimento do legitimado a propor a queixa-crime (art. 5º, §5º, CPP). Art. 6o Logo que tiver conhecimento da prática da infração penal, a autoridade policial deverá: I - dirigir-se ao local, providenciando para que não se alterem o estado e conservação das coisas, até a chegada dos peritos criminais; (Redação dada pela Lei nº 8.862, de 28.3.1994) (Vide Lei nº 5.970, de 1973) (TJDFT-2012) (PCAC-2017) (PCMA-2018) (Analista Judiciário/TJMS-2017-PUCPR): Logo que tiver conhecimento da prática da infração penal, dentre outras providências, a autoridade policial deverá dirigir-se ao local, providenciando para que não se alterem o estado e conservação das coisas até a chegada dos peritos criminais. BL: art. 6º, II, CPP. (TJPB-2015-CESPE): A autoridade policial foi informada da descoberta de um cadáver, com perfurações por toda a região abdominal, às margens de uma rodovia. Próximo ao local, havia também uma faca com marcas de sangue e garrafas de bebida alcoólica. Em face dessa situação, e considerando-se o disposto no CPP, a autoridade policial deverá dirigir-se ao local e providenciar que o estado e a conservação das coisas não sejam alterados até a chegada de peritos criminais. II - apreender os objetos que tiverem relação com o fato, após liberados pelos peritos criminais; (Redação dada pela Lei nº 8.862, de 28.3.1994) (TJRN-2013) III - colher todas as provas que servirem para o esclarecimento do fato e suas circunstâncias; IV - ouvir o ofendido; V - ouvir o indiciado, com observância, no que for aplicável, do disposto no Capítulo III do Título Vll, deste Livro, devendo o respectivo termo ser assinado por duas testemunhas [obs.: testemunhas fedatárias] que Ihe tenham ouvido a leitura; VI - proceder a reconhecimento de pessoas e coisas e a acareações; (DPECE-2008) (PCMA-2018) VII - determinar, se for caso, que se proceda a exame de corpo de delito e a quaisquer outras perícias; (PCAC-2017) VIII - ordenar a identificação do indiciado pelo processo datiloscópico, se possível, e fazer juntar aos autos sua folha de antecedentes; IX - averiguar a vida pregressa do indiciado, sob o ponto de vista individual, familiar e social, sua condição econômica, sua atitude e estado de ânimo antes e depois do crime e durante ele, e quaisquer outros elementos que contribuírem para a apreciação do seu temperamento e caráter. X - colher informações sobre a existência de filhos, respectivas idades e se possuem alguma deficiência e o nome e o contato de eventual responsável pelos cuidados dos filhos, indicado pela pessoa presa. (Incluído pela Lei nº 13.257, de 2016) (Analista Judiciário/TJMS-2017) (PCAC-2017-IBADE): Logo que tiver conhecimento da prática da infração penal, a autoridade policial deverá colher informações sobre a existência de filhos, respectivas idades e se possuem alguma deficiência e o nome e o contato de eventual responsável pelos cuidados dos filhos, indicado pela pessoa presa. BL: art. 6º, X, CPP. OBS: Obrigação do Delegado de Polícia averiguar se a pessoa presa possui filhos e quem é o responsável por seus cuidados, fazendo este registro no auto de prisão em flagrante. Art. 7o Para verificar a possibilidade de haver a infração sido praticada de determinado modo, a autoridade policial PODERÁ PROCEDER à REPRODUÇÃO SIMULADA DOS FATOS, DESDE QUE ESTA NÃO CONTRARIE a moralidade ou a ordem pública. (Agente Fed./PF-2004) (PCMS-2006) (Anal. Judic/TJDFT-2008) (MPSP-2017) (MPSP-2010) (Anal. Legisl./ALESE-2018) (PCMA-2018-CESPE): Quanto à reprodução simulada, também denominada de reconstituição do crime, assinale a opção correta: A participação do indiciado é facultada à sua vontade. BL: art. 7º, CPP. OBS: O investigado poderá́ ser conduzido à reprodução, mas não poderá́ ser obrigado a participar. Não pode contrariar a moralidade ou a ordem pública, razão pela qual não caberia reprodução simulada de um estupro. (Caderno de Processo Penal - CPIURIS). (DPEPA-2015-FMP): Em relação aos sistemas de investigação, é correto afirmar: O Delegado de Polícia poderá determinar a reprodução simulada dos fatos objeto de sua investigação, desde que essa reprodução não contrarie a moralidade ou a ordem pública. BL: art. 7º, CPP. (TJBA-2012-CESPE): O juiz pode determinar, de ofício, a reconstituição do crime durante a fase inquisitorial. BL: art. 7º, CPP. Explicação: Com base no art. 156, I, admite-se que o juiz determine, mesmo antes de iniciada a ação penal, a reprodução simulada dos fatos. Porém, tal proceder do juiz não está de acordo com o princípio do acusatório, pois não deve, de ofício, imiscuir-se na fase investigatória, buscando a produção de elementos de informação. Art. 8o Havendo prisão em flagrante, será observado o disposto no Capítulo II do Título IX deste Livro. Art. 9o Todas as peças do inquérito policial serão, num só processado, reduzidas a escrito ou datilografadas e, neste caso, rubricadas pela autoridade. (Técnico Judiciário/TRF2-2017) Art. 10. O inquérito DEVERÁ TERMINAR no prazo de 10 dias, se o indiciado tiver sido PRESO EM FLAGRANTE, ou estiver PRESO PREVENTIVAMENTE, CONTADO O PRAZO, nesta hipótese, a partir do dia em que se executar a ordem de prisão, ou no prazo de 30 dias, quando estiver SOLTO, mediante fiança ou sem ela. (TJMS-2010) (Anal. Judic./TJES-2011) (TJPR-2011) (TJRN-2013) (MPAM-2015) (PCAC-2017) (Anal. Judic./TRF2-2017) (Téc. Judic./STJ-2018-CESPE): Situação hipotética: Pedro teve a prisão temporária decretada no curso de uma investigação criminal. Ao final de cinco dias, o Ministério Público requereu a conversão de sua segregação em prisão preventiva. Assertiva: Nessa situação, o prazo para o término do inquérito policial será contado da data em que a prisão temporária tiver sido convertida em prisão preventiva. BL: art. 10, CPP. OBS: O que tem prevalecido em relação ao prazo para término do IP na situação da prisão temporária é que, durante a prisão temporária, não transcorre o prazo do IP (no caso de conversão posterior em preventiva). O prazo iniciará contagem após o fim da prisão temporária. No caso em tela, nos cinco dias em que Pedro ficou preso em segregação temporária, não houve contagem para o prazo do IP. O prazo de 10 dias (investigado preso, se crime comum) começará a contar a partir da conversão em preventiva. (PCAC-2017-IBADE): O inquérito policial deve terminar no prazo de 30 dias, quando o indiciado estiver solto, mediante fiança ou sem ela. BL: art. 10, CPP. (DPERS-2014-FCC):Jeremias foi preso em flagrante delito pelo cometimento do fato previsto no art. 157, § 2º, I e II, do Código Penal, e no mesmo dia decretada a prisão preventiva com a legítima finalidade de garantir a ordem pública. Com base nestes dados, sob pena de caracterizado o constrangimento ilegal (CPP, art. 648, II), impõe-se que o inquérito policial esteja concluído no prazo máximo de 10 dias. BL: art. 10, CPP. DICA: Delegado só chega para trabalhar na Delegacia às 10 (réu preso): 30 (réu solto) horas. (TRF4-2010): O prazo previsto para término do inquérito policial, no Código de Processo Penal, é de 10 (dez) dias, se o indiciado estiver preso. Em caso de indiciado solto, é de 30 (trinta) dias. BL: art. 10, CPP. (TRF4-2010): Quando se tratar de indiciado preso preventivamente, o prazo para término do inquérito será contado da data em que for executada a ordem de prisão, segundo o Código de Processo Penal. BL: art. 10, CPP. § 1o A autoridade fará minucioso relatório do que tiver sido apurado e enviará autos ao juiz competente. (TJPR-2011) § 2o No relatório PODERÁ a autoridade indicar testemunhas que não tiverem sido inquiridas, mencionando o lugar onde possam ser encontradas. (PCAC-2017) § 3o Quando o fato for de difícil elucidação, e o indiciado estiver SOLTO, a autoridade poderá requerer ao juiz a devolução dos autos, para ulteriores diligências, que serão realizadas no prazo marcado pelo juiz. (PCAC-2017) Art. 11. Os instrumentos do crime, bem como os objetos que interessarem à prova, acompanharão os autos do inquérito. Art. 12. O inquérito policial ACOMPANHARÁ a denúncia ou queixa, sempre que servir de base a uma ou outra. (TJMS-2010) (TJPE-2011) (PCGO-2013) (Téc. Judic./TRF2- 2017) (MPSP-2017): O inquérito policial, por ser peça informativa, é dispensável para a propositura da ação penal, mas sempre acompanhará a inicial acusatória quando servir de base para a denúncia ou a queixa. BL: art. 12 e 39, §5º, CPP. (TJAP-2009-FCC): O IP, no ordenamento jurídico, poderá ser dispensado pelo MP quando dispuser de elementos suficientes para oferecimento da denúncia constantes de peças de informação. BL: art. 12 e 39, §5º, CPP. Art. 13. Incumbirá ainda à autoridade policial: I - fornecer às autoridades judiciárias as informações necessárias à instrução e julgamento dos processos; II - realizar as diligências requisitadas pelo juiz ou pelo Ministério Público; III - cumprir os mandados de prisão expedidos pelas autoridades judiciárias; IV - representar acerca da prisão preventiva. Art. 13-A. Nos crimes previstos nos arts. 148, 149 e 149-A, no § 3º do art. 158 e no art. 159 do Decreto-Lei no 2.848, de 7 de dezembro de 1940 (Código Penal), e no art. 239 da Lei no 8.069, de 13 de julho de 1990 (Estatuto da Criança e do Adolescente), o membro do Ministério Público ou o delegado de polícia poderá requisitar, de quaisquer órgãos do poder público ou de empresas da iniciativa privada, dados e informações cadastrais da vítima ou de suspeitos. (Incluído pela Lei nº 13.344, de 2016) (Vigência) (Técnico Judiciário/TRF2- 2017) Parágrafo único. A requisição, que será atendida no prazo de 24 (vinte e quatro) horas, conterá: (Incluído pela Lei nº 13.344, de 2016) (Vigência) I - o nome da autoridade requisitante; (Incluído pela Lei nº 13.344, de 2016) (Vigência) II - o número do inquérito policial; e (Incluído pela Lei nº 13.344, de 2016) (Vigência) III - a identificação da unidade de polícia judiciária responsável pela investigação. (Incluído pela Lei nº 13.344, de 2016) (Vigência) Art. 13-B. SE NECESSÁRIO à prevenção e à repressão dos crimes relacionados ao TRÁFICO DE PESSOAS, o MEMBRO DO MINISTÉRIO PÚBLICO OU o DELEGADO DE POLÍCIA PODERÃO REQUISITAR, mediante AUTORIZAÇÃO JUDICIAL, às empresas prestadoras de serviço de telecomunicações e/ou telemática que DISPONIBILIZEM IMEDIATAMENTE os meios técnicos adequados – como sinais, informações e outros – que permitam a localização da vítima ou dos suspeitos do delito em curso. (Incluído pela Lei nº 13.344, de 2016) (Vigência) (PCGO-2017) (Analista Judiciário/TJMS-2017) (TJMG-2018) (PCAC-2017-IBADE): No que tange aos poderes e deveres da autoridade policial na condução do inquérito policial, especialmente, sobre as diretrizes que o Delegado de Polícia deve observar no enfrentamento ao tráfico de pessoas, leia a assertiva a seguir: Se necessário à prevenção e à repressão dos crimes relacionados ao tráfico de pessoas, o delegado de polícia poderá requisitar, mediante autorização judicial, às empresas prestadoras de serviço de telecomunicações e/ou telemática que disponibilizem imediatamente os meios técnicos adequados - como sinais, informações e outros - que permitam a localização da vítima ou dos suspeitos do delito em curso. BL: art. 13-B, do CPP. § 1o Para os efeitos deste artigo, sinal significa posicionamento da estação de cobertura, setorização e intensidade de radiofrequência. (Incluído pela Lei nº 13.344, de 2016) (Vigência) § 2o Na hipótese de que trata o caput, o sinal: (Incluído pela Lei nº 13.344, de 2016) (Vigência) I - não permitirá acesso ao conteúdo da comunicação de qualquer natureza, que dependerá de autorização judicial, conforme disposto em lei; (Incluído pela Lei nº 13.344, de 2016) (Vigência) (PCGO-2017) II - deverá ser fornecido pela prestadora de telefonia móvel celular por período não superior a 30 (trinta) dias, renovável por uma única vez, por igual período; (Incluído pela Lei nº 13.344, de 2016) (Vigência) III - para períodos superiores àquele de que trata o inciso II, será necessária a apresentação de ordem judicial. (Incluído pela Lei nº 13.344, de 2016) (Vigência) § 3o Na hipótese prevista neste artigo, o inquérito policial DEVERÁ SER INSTAURADO no prazo máximo de 72 (setenta e duas) horas, contado do registro da respectiva ocorrência policial. (Incluído pela Lei nº 13.344, de 2016) (Vigência) (PCAC-2017) (PCGO-2017-CESPE): O Código de Processo Penal prevê a requisição, às empresas prestadoras de serviço de telecomunicações, de disponibilização imediata de sinais que permitam a localização da vítima ou dos suspeitos de delito em curso, se isso for necessário à prevenção e à repressão de crimes relacionados ao tráfico de pessoas. Essa requisição pode ser realizada pelo delegado de polícia, mediante autorização judicial, devendo o inquérito policial ser instaurado no prazo máximo de setenta e duas horas do registro da respectiva ocorrência policial. BL: art. 13-B, §3º, CPP. § 4o Não havendo manifestação judicial no prazo de 12 (doze) horas, a autoridade competente requisitará às empresas prestadoras de serviço de telecomunicações e/ou telemática que disponibilizem imediatamente os meios técnicos adequados – como sinais, informações e outros – que permitam a localização da vítima ou dos suspeitos do delito em curso, com imediata comunicação ao juiz. (Incluído pela Lei nº 13.344, de 2016) (Vigência) (PCGO-2017) Art. 14. O ofendido, ou seu representante legal, e o indiciado PODERÃO REQUERER qualquer diligência, que SERÁ REALIZADA, OU NÃO, a juízo da autoridade. [obs.: discricionariedade] (DPEMT-2009) (DPEPA-2009) (MPSP-2010) (DPEBA-2016) (Anal. Legisl./ALESE-2018) (Anal. Legisl.-Câm. Cotia/SP-2017-VUNESP): As diligências requeridas pelo ofendido, no curso do inquérito policial, serão ou não realizadas a juízo da Autoridade Policial. BL: art. 14, CPP. (MPAL-2012-FCC): O indiciado poderá requerer à autoridade policial a realização de qualquer diligência. BL: art. 14, CPP. (TJMS-2010) Art. 15. Se o indiciado for menor, ser-lhe-á nomeado curador pela autoridade policial. Art. 16. O Ministério Público NÃO PODERÁ REQUERER a devolução do inquérito à autoridade policial, senão para novas diligências,IMPRESCINDÍVEIS AO OFERECIMENTO DA DENÚNCIA. (MPAL-2012) (PCPA-2016) (Analista Judiciário/TRF2- 2017) (TJPE-2011-FCC): Consoante a jurisprudência do STF, ainda que não se permita ao MP a condução do inquérito policial propriamente dito, não há vedação legal para que este órgão proceda a investigações e colheita de provas para a formação do opinio delicti. BL: STF, HC 84.965/MG; HC 85.000/MG. Art. 17. A autoridade policial NÃO PODERÁ mandar arquivar autos de inquérito. (TJMS-2010) (Téc. Legisl.Câm. Deputados-2014) (MPDFT-2015) (Anal. Judic./TRF2-2017) (TJCE-2018) (MPPB-2018) (MPAL-2012-FCC): A autoridade policial não poderá mandar arquivar autos de inquérito policial, mesmo se verificada a atipicidade do fato investigado. BL: art. 17, CPP. OBS: O IP nunca poderá ser arquivado pela autoridade policial (art. 17, CPP) ou pelo MP, mas sempre pelo juiz. (DPEMT-2009-FCC): O inquérito policial instaurado pela autoridade policial não pode ser por ela arquivado, ainda que não fique apurado quem foi o autor do delito. BL: art. 17, CPP. Art. 18. Depois de ordenado o arquivamento do inquérito pela autoridade judiciária, POR FALTA DE BASE PARA A DENÚNCIA, a autoridade policial PODERÁ PROCEDER a novas pesquisas, se de outras provas tiver notícia. (TJAL-2008) (TJRJ-2012) (TJPE-2013) (TJPR-2013) (DPEPB-2014) (DPEMA-2015) (MPSP-2017) (Anal. Legisl./ALESE-2018) (TJCE-2018-CESPE): Ocorrendo o arquivamento do inquérito por falta de fundamentos para a denúncia, a autoridade policial poderá dar continuidade à investigação se tiver notícia de outras provas. BL: art. 18, CPP. (Anal. Judic./TJAL-2018-FGV): Gustavo, Delegado de Polícia, é a autoridade policial que preside duas investigações autônomas em que se apura a suposta prática de crimes de homicídio contra Joana e Maria. Após realizar diversas diligências, não verificando a existência de justa causa nos dois casos, elabora relatórios finais conclusivos e o Ministério Público promove pelos arquivamentos, havendo homologação judicial. Depois do arquivamento, chega a Gustavo a informação de que foi localizado um gravador no local onde ocorreu a morte de Maria, que não havia sido apreendido, em que encontrava-se registrada a voz do autor do delito. A autoridade policial, ademais, recebe a informação de que a família de Joana obteve um novo documento que indicava as chamadas telefônicas recebidas pela vítima no dia dos fatos, em que constam 25 ligações do ex-namorado de Joana em menos de uma hora. Considerando as novas informações recebidas pela autoridade policial, é correto afirmar que poderá haver desarquivamento dos inquéritos que investigavam as mortes de Joana e Maria, pois em ambos os casos houve prova nova, ainda que o gravador já existisse antes do arquivamento. BL: S. 524, STF e art. 18, CPP. (PCMA-2018-CESPE): Após a instauração de inquérito policial para apurar a prática de crime de corrupção passiva em concurso com o de organização criminosa, o promotor de justiça requereu o arquivamento do ato processual por insuficiência de provas, pedido que foi deferido pelo juízo. Contra essa decisão não houve a interposição de recursos. Nessa situação, mesmo com o arquivamento do inquérito policial, a ação penal poderá ser proposta, desde que seja instruída com provas novas. BL: S. 524, STF e art. 18 do CPP. (Anal. Judic./DPERS-2017-FCC): No tocante ao inquérito policial relativo à apuração de crime a que se procede mediante ação penal pública incondicionada, é correto afirmar: Depois de ordenado o arquivamento do inquérito pela autoridade judiciária, por falta de base para a denúncia, a autoridade policial poderá proceder a novas pesquisas, se de outras provas tiver notícia. BL: art. 18, CPP. (Anal. Judic../TRERR-2017-FCC): Acerca do inquérito policial, é correto afirmar: Mesmo depois de ordenado o arquivamento do inquérito pelo juiz, em razão de falta de elementos para a denúncia, a autoridade policial poderá reativar as investigações se tiver conhecimento de novas provas. BL: art. 18, CPP. (TRF4-2016): De acordo com a jurisprudência do STF: Arquivado o inquérito policial, por despacho do juiz, a requerimento do promotor de justiça, não pode a ação penal ser iniciada sem novas provas. BL: S. 524, STF e art. 18 do CPP. (TJMG-2014): A decisão que determina o arquivamento do inquérito policial não gera, em regra, coisa julgada material. BL: art. 18, CPP. (TJMA-2008): Na hipótese de arquivamento judicial do IP a requerimento do MP por falta de base para a denúncia, é incabível o posterior ajuizamento de ação penal de iniciativa privada subsidiária. BL: art. 18, CPP e Súmula 524, STF. OBS: O IP nunca poderá ser arquivado pela autoridade policial (art. 17, CPP), mas apenas pela judiciária. As novas pesquisas devem ser efetuadas pela autoridade policial, não pela judiciária (art. 18, CPP). Então, não há preclusão da decisão judicial de arquivamento policial a requerimento do MP. OBS: Súmula 524 do STF: “Arquivado o inquérito policial, por despacho do juiz, a requerimento do promotor de justiça, não pode a ação penal ser iniciada sem novas provas”. Art. 19. Nos crimes em que NÃO COUBER ação pública, os autos do inquérito SERÃO REMETIDOS ao JUÍZO COMPETENTE, onde AGUARDARÃO a iniciativa do ofendido ou de seu representante legal, ou SERÃO ENTREGUES ao requerente, se o pedir, mediante traslado. (TJRN-2013) (MPPB-2018-FCC): Nos crimes em que não couber ação penal de iniciativa pública, concluído o inquérito policial, o delegado deverá remeter os autos ao juízo competente, onde aguardarão a iniciativa do ofendido. BL: art. 19, CPP. Art. 20. A autoridade assegurará no inquérito o sigilo necessário à elucidação do fato ou exigido pelo interesse da sociedade. (TJSP-2017) (Analista/DPEAM-2018) (MPMG-2011): O caráter inquisitivo do inquérito policial permite impor o sigilo acerca das diligências não documentadas, inclusive ao defensor constituído. Parágrafo único. Nos atestados de antecedentes que lhe forem solicitados, a autoridade policial não poderá mencionar quaisquer anotações referentes a instauração de inquérito contra os requerentes. (Redação dada pela Lei nº 12.681, de 2012) Art. 21. A incomunicabilidade do indiciado dependerá sempre de despacho nos autos e somente será permitida quando o interesse da sociedade ou a conveniência da investigação o exigir. Parágrafo único. A incomunicabilidade, que não excederá de três dias, será decretada por despacho fundamentado do Juiz, a requerimento da autoridade policial, ou do órgão do Ministério Público, respeitado, em qualquer hipótese, o disposto no artigo 89, inciso III, do Estatuto da Ordem dos Advogados do Brasil (Lei n. 4.215, de 27 de abril de 1963) (Redação dada pela Lei nº 5.010, de 30.5.1966) Art. 22. No Distrito Federal e nas comarcas em que houver mais de uma circunscrição policial, a autoridade com exercício em uma delas PODERÁ, nos inquéritos a que esteja procedendo, ordenar diligências em circunscrição de outra, independentemente de precatórias ou requisições, e bem assim providenciará, até que compareça a autoridade competente, sobre qualquer fato que ocorra em sua presença, noutra circunscrição. (TJPB- 2011) (DPF-2004-CESPE): Considere que o delegado de polícia de determinada circunscrição tenha ordenado diligências em outra, sem ter expedido carta precatória, requisições ou solicitações. Nessa situação, não houve nulidade no inquérito policial respectivo. OBS: Não há necessidade de carta precatória ou requisições dentro de uma mesma comarca ou circunscrição. Art. 23. Ao fazer a remessa dos autos do inquérito ao juiz competente, a autoridade policial oficiará ao Instituto de Identificação e Estatística, ou repartição congênere, mencionando o juízo a que tiverem sido distribuídos, e os dados relativos à infraçãopenal e à pessoa do indiciado. (TRF2-2013-CESPE): Acerca do inquérito policial (IP), assinale opção correta: Mesmo em caso de sigilo decretado no IP, a autoridade policial terá de encaminhar ao instituto de identificação os dados relativos à infração penal e à pessoa do indiciado. BL: art. 23, CPP. TÍTULO III DA AÇÃO PENAL (TJSE-2008-CESPE): Ação penal secundária ocorre quando a lei estabelece um titular ou uma modalidade de ação penal para determinado crime, mas mediante o surgimento de circunstâncias especiais, prevê, secundariamente, uma nova espécie de ação penal para aquela mesma infração. Explicação: É exatamente o que essa classificação quer dizer. Ex: no caso de crime de calúnia, a ação penal é privada, em regra; mas, se o ofendido for funcionário público, atingido em sua honra em razão de suas funções, a ação penal será pública incondicionada. (TJPR-2012-PUCPR): Não se admite, como regra, a denúncia alternativa ou queixa-crime alternativa sob o argumento de que dificulta a ampla defesa do réu. Contudo, a jurisprudência do STJ aponta exceções no sentido de sua admissibilidade quando eventual dúvida quanto à conduta ilícita praticada for satisfatoriamente suprida pela descrição circunstanciada dos fatos ou quando houver imputação de crime de ação múltipla. BL: STJ, REsp 399.858/SP. Explicação: O problema da denúncia ou queixa alternativa é o prejuízo que acarreta para a defesa do acusado. Afinal, do que este deve se defender? De qual das imputações? A acusação, por isso, deve ser certa. O STJ tem o entendimento de que a denúncia alternativa é possível se houver compatibilidade lógica entre as imputações. (TJBA-2012-CESPE): Segundo entendimento dos tribunais superiores, não é inepta a vestibular acusatória nos crimes societários que não descreva a conduta individualizada de cada sócio. BL: STJ, HC 260.390/PE. (TJMG-2008): Oferecida a queixa-crime, com materialidade e autoria comprovadas, foram os autos com vista ao Promotor de Justiça, tendo este do exame dos autos verificado tratar- se de crime de ação pública. Que providência deve o Dr. Promotor adotar? Oferecer denúncia. Explicação: Se a queixa não podia ser proposta, pois se trata de hipótese de ação penal pública, o MP deve oferecer denúncia, já que há prova da materialidade e indícios suficientes de autoria (princípio da obrigatoriedade). Art. 24. Nos CRIMES DE AÇÃO PÚBLICA, esta será promovida por denúncia do Ministério Público, mas dependerá, quando a lei o exigir, de requisição do Ministro da Justiça, ou de representação do ofendido ou de quem tiver qualidade para representá-lo. (TJAM-2013) (MPSP-2017) (Investigador de Polícia/PCMA-2018) (Téc. Judic./TRF1-2017-CESPE): O Ministério Público detém, privativamente, a legitimidade para propor ação penal pública, ainda que a proposição seja condicionada à representação do ofendido ou à requisição do ministro da Justiça. BL: art. 24, c/c art. 257, CPP. (PF-2004-CESPE): Quanto a ação penal, julgue o item que se seguem: Na ação penal pública condicionada à representação, a representação do ofendido é condição objetiva de procedibilidade. BL: art. 24, CPP. § 1o No caso de morte do ofendido ou quando declarado ausente por decisão judicial, o direito de representação passará ao cônjuge, ascendente, descendente ou irmão. (Parágrafo único renumerado pela Lei nº 8.699, de 27.8.1993) (TJSP-2011) (DPEBA- 2016) § 2o Seja qual for o crime, quando PRATICADO em detrimento do patrimônio ou interesse da União, Estado e Município, a ação penal SERÁ PÚBLICA. (Incluído pela Lei nº 8.699, de 27.8.1993) (TJPR-2010) (Escrivão Pol. Civil/SC-2017) (MPSC-2013): O crime cometido em detrimento do patrimônio ou interesse da União, Estado e Município será, obrigatoriamente, de ação penal pública. BL: art. 24, §2º, CPP. (PF-2004-CESPE): A ação penal será pública em qualquer crime praticado em detrimento do patrimônio ou interesse da União. BL: art. 24, §2º, CPP. Art. 25. A REPRESENTAÇÃO SERÁ IRRETRATÁVEL, depois de OFERECIDA a denúncia. (MPSP-2005) (TJSP-2011) (TJGO-2012) (MPTO-2012) (TJRN-2013) (TJAP-2014) (DPEAP-2018) OBS: A representação, em regra, é retratável somente até o oferecimento da denúncia, nos termos do art. 25 do CPP. Mas há uma exceção. O art. 16 da Lei 11340/06 (Lei da Maria da Penha) possibilita a retratação feita pela ofendida, em audiência especialmente designada para tal fim, ainda que a denúncia já tenha sido oferecida, mas antes de seu recebimento pelo juiz. Art. 26. A ação penal, nas contravenções, será iniciada com o auto de prisão em flagrante ou por meio de portaria expedida pela autoridade judiciária ou policial. OBS: Pelo art. 26 do CPP, o juiz através de uma simples portaria poderia dar início a um processo penal no caso de contravenções penais. É uma aberração. Não por outro motivo, esse art. 26 do CPP não foi recepcionado pela CF/88, exatamente à luz do art. 129, inciso I da CF, que consagra o ne procedat iudex ex officio (princípio da inércia da jurisdição). Art. 27. Qualquer pessoa do povo PODERÁ provocar a iniciativa do Ministério Público, nos casos em que caiba a ação pública, fornecendo-lhe, por escrito, informações sobre o fato e a autoria e indicando o tempo, o lugar e os elementos de convicção. (Analista Judiciário/TRF5-2017) Art. 28. Se o órgão do Ministério Público, ao invés de apresentar a denúncia, requerer o arquivamento do inquérito policial ou de quaisquer peças de informação, o juiz, no caso de considerar improcedentes as razões invocadas, fará remessa do inquérito ou peças de informação ao procurador-geral, e este oferecerá a denúncia, designará outro órgão do Ministério Público para oferecê-la, ou insistirá no pedido de arquivamento, ao qual só então estará o juiz obrigado a atender. (M) (MPMS-2018): Um Promotor de Justiça entende que não tem atribuição para oficiar em autos de inquérito policial, requerendo sua remessa à Justiça Federal. O Juiz Estadual, todavia, discorda da manifestação do membro do Ministério Público, entendendo que possui competência para o processo e julgamento da infração penal em questão. Desse modo, é correto afirmar que: É caso de arquivamento indireto, cabendo ao magistrado proceder à remessa dos autos ao órgão de controle revisional no âmbito do respectivo Ministério Público. BL: art. 28, CPP. OBS: O arquivamento indireto seria quando o Ministério Público declina explicitamente da atribuição de oferecer a denúncia por entender que o juiz/próprio Ministério Público são incompetentes para aquela ação penal e o juiz acata a opinião e determina a remessa ao juiz competente ou, discordando, aplica o previsto no art. 28 do CPP. Observe que na questão o Juiz Estadual discorda da manifestação do membro do Ministério Público. (Téc. Judic./TJAL-2018-FGV): Enquanto organizava procedimentos que se encontravam no cartório de determinada Vara Criminal do Tribunal de Justiça de Alagoas, o servidor identifica que há um inquérito em que foram realizadas diversas diligências para apurar crime de ação penal pública, mas não foi obtida justa causa para o oferecimento de denúncia, razão pela qual o Delegado de Polícia elaborou relatório final opinando pelo arquivamento. Verificada tal situação e com base nas previsões do Código de Processo Penal, caberá ao Ministério Público promover pelo arquivamento, cabendo ao juiz analisar a homologação em respeito ao princípio da obrigatoriedade. BL: art. 28, CPP. (TJSC-2017-FCC): Concluído o Inquérito Policial pela polícia judiciária, o órgão do Ministério Público requer o arquivamento do processado. O Juiz, por entender que o Ministério Público do Estado de Santa Catarina não fundamentou a manifestação de arquivamento, com base no Código de Processo Penal, deverá remeter o Inquérito Policial ao Procurador-Geral de Justiça.BL: art. 28, CPP. (TRF4-2016): De acordo com a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal: Se o arquivamento é requerido por falta de base empírica para o oferecimento da denúncia, de cuja suficiência é o Ministério Público árbitro exclusivo, o juiz, conforme o art. 28 do Código de Processo Penal, pode submeter o caso ao chefe da instituição, o procurador-geral, que, no entanto, se insistir nele, fará o arquivamento irrecusável. BL: STF, Inq 3609 GO, Rel. Min. ROSA WEBER, j. 13/08/2014 e art. 28 do CPP. OBS: Falta de base empírica, em outras palavras, diz respeito à falta de lastro probatório mínimo para o ajuizamento da ação penal (elementos de informação colhidos no IP). Assim, se o juiz entender que HÁ SIM LASTRO PROBATÓRIO MÍNIMO PARA O AJUIZAMENTO DA AÇÃO PENAL, poderá fazer uso da regra insculpida no artigo 28 do CPP. (TJMG-2014): É vedado ao Juiz, ao discordar do pedido de arquivamento de inquérito policial formulado pelo Promotor de Justiça, determinar que a autoridade policial proceda a novas diligências. BL: art. 28, CPP. (TJMT-2009-VUNESP): Considerando-se o art. 28 do CPP, se o órgão do Ministério Público, ao invés de apresentar a denúncia, requerer o arquivamento do inquérito policial ou de quaisquer peças de informação, o juiz, no caso de considerar improcedentes as razões invocadas, fará remessa do inquérito ou das peças de informação ao procurador-geral, e este oferecerá a denúncia, designará outro órgão do Ministério Público para oferecê-la, ou insistirá no pedido de arquivamento, ao qual só então estará o juiz obrigado a atender. BL: art. 28, CPP. (TJMG-2008): Concluído o IP, determinou o magistrado que o inquérito fosse remetido ao promotor de justiça para oferecimento da denúncia, tendo este requerido o seu arquivamento. Discordando da conclusão do promotor, o juiz deverá remeter o inquérito ao Procurador-Geral de Justiça. BL: art. 28, CPP. Art. 29. SERÁ ADMITIDA AÇÃO PRIVADA nos crimes de ação pública, se esta NÃO FOR INTENTADA no prazo legal, CABENDO ao Ministério Público aditar a queixa, repudiá-la e oferecer denúncia substitutiva, intervir em todos os termos do processo, fornecer elementos de prova, interpor recurso e, a todo tempo, no caso de negligência do querelante, RETOMAR a ação como parte principal. (TJSE-2008) (TJPR-2010) (TJRS- 2012) (TJCE-2018) (PCMA-2018-CESPE): Um garoto de sete anos de idade foi atendido no pronto-socorro de um hospital com quadro de crise asmática. Embora tenha sido regularmente medicado, ele faleceu trinta e seis horas depois devido a insuficiência respiratória. A médica plantonista foi indiciada por homicídio culposo com imputação de negligência no atendimento. O promotor de justiça, após exaustivas diligências, que incluíram o parecer de renomado pneumologista e outras diligências realizadas pela própria assessoria médica do órgão acusador, pediu o arquivamento da peça inquisitória um mês depois de encerrado o prazo previsto em lei para a propositura da ação penal, a partir da apresentação do relatório final pelo delegado. Nesse ínterim, o pai da criança, inconformado com a demora do MP em promover a denúncia no prazo da lei, ajuizou ação penal privada subsidiária. Acerca dessa situação hipotética e de aspectos a ela correlatos, assinale a opção correta à luz do entendimento dos tribunais superiores: Tendo a CF erigido como fundamental o direito da vítima e de sua família à aplicação da lei penal, a vítima e sua família podem tomar as rédeas da ação penal se o MP não o fizer no devido tempo. BL: arts. 29 c/c do CPP e Ag Rg ARE 859251 DF, STF. OBS: Ementa: Recurso extraordinário com agravo. Repercussão geral. Constitucional. Penal e processual penal. 2. Habeas corpus. Intervenção de terceiros. Os querelantes têm legitimidade e interesse para intervir em ação de habeas corpus buscando o trancamento da ação penal privada e recorrer da decisão que concede a ordem. 3. A promoção do arquivamento do inquérito, posterior à propositura da ação penal privada, não afeta o andamento desta. 4. Os fatos, tal como admitidos na instância recorrida, são suficientes para análise da questão constitucional. Provimento do agravo de instrumento, para análise do recurso extraordinário. 5. Direito a mover ação penal privada subsidiária da pública. Art. 5º, LIX, da Constituição Federal. Direito da vítima e sua família à aplicação da lei penal, inclusive tomando as rédeas da ação criminal, se o Ministério Público não agir em tempo. Relevância jurídica. Repercussão geral reconhecida. 6. Inquérito policial relatado remetido ao Ministério Público. Ausência de movimentação externa ao Parquet por prazo superior ao legal (art. 46 do Código de Processo Penal). Surgimento do direito potestativo a propor ação penal privada. 7. Questão constitucional resolvida no sentido de que: (i) o ajuizamento da ação penal privada pode ocorrer após o decurso do prazo legal, sem que seja oferecida denúncia, ou promovido o arquivamento, ou requisitadas diligências externas ao Ministério Público. Diligências internas à instituição são irrelevantes; (ii) a conduta do Ministério Público posterior ao surgimento do direito de queixa não prejudica sua propositura. Assim, o oferecimento de denúncia, a promoção do arquivamento ou a requisição de diligências externas ao Ministério Público, posterior ao decurso do prazo legal para a propositura da ação penal, não afastam o direito de queixa. Nem mesmo a ciência da vítima ou da família quanto a tais diligências afasta esse direito, por não representar concordância com a falta de iniciativa da ação penal pública. (ARE 859251 RG, Relator(a): Min. GILMAR MENDES, julgado em 16/04/2015, PROCESSO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL - MÉRITO DJe-094 DIVULG 20-05-2015 PUBLIC 21-05-2015 ) (Anal. Judic./TRERJ-2017-Consuplan): Na ação penal privada subsidiária da pública, no caso de negligência do querelante, pode o Ministério Público retomar a ação como parte principal. BL: art. 29, CPP. (MPMG-2014): Na ação penal privada subsidiária da pública, o Promotor de Justiça pode repudiar a queixa e oferecer denúncia substitutiva, quando a queixa apresentada for inepta. BL: art. 29, CPP. (MPTO-2012-CESPE): Nas ações penais privadas subsidiárias das ações públicas, o prazo decadencial para o oferecimento da queixa-crime inicia-se a partir do encerramento do prazo para o promotor de justiça oferecer a denúncia. BL: art. 29, CPP. (MPCE-2011-FCC): A ação penal privada subsidiária será admitida se a denúncia não for apresentada no prazo legal, cabendo ao Ministério Público aditar a queixa, repudiá-la e oferecer denúncia substitutiva, intervir em todos os termos do processo, fornecer elementos de prova, interpor recurso e, a todo tempo, no caso de negligência do querelante, retomar a ação como parte principal. BL: art. 29, CPP. (TJSP-2010-VUNESP): Na ação penal privada subsidiária da pública, o MP pode aditar a queixa, intervir em todos os atos do processo e interpor recurso. BL: art. 29, CPP. (MPCE-2009-CESPE): Avaliando inquérito policial instaurado para apurar eventual crime de roubo cometido por João, o promotor de justiça decide por requerer o arquivamento, sendo o pedido homologado pelo juiz. Menos de seis meses depois, o ofendido oferece queixa-crime. O juiz deverá rejeitar a queixa, com o fundamento de que a queixa subsidiária somente é cabível em caso de inércia do promotor, não quando este pede o arquivamento. BL: art. 29, CPP. (DPEMA-2009-FCC): O Defensor Público que por atribuição institucional agir no interesse da vítima poderá, após o representante do Ministério Público receber o auto de prisão em flagrante devidamente relatado e concluído e não oferecer a denúncia no prazo legal, intentar ação penal privada subsidiária. BL: art. 29, CPP e art. 4º, XV da LC 80/94. OBS: O defensor público está agindo no interesse da VÍTIMA. Ao ler defensor público,em processo penal, imediatamente pensamos em medidas em prol do acusado. Aqui, contudo, é a típica hipótese de inércia do MP que enseja propositura de ação penal privada subsidiária da pública. Art. 30. Ao ofendido ou a quem tenha qualidade para representá-lo caberá intentar a ação privada. Art. 31. No caso de morte do ofendido ou quando declarado ausente por decisão judicial, o DIREITO DE OFERECER QUEIXA ou PROSSEGUIR NA AÇÃO PASSARÁ ao cônjuge, ascendente, descendente ou irmão. (TRF3-2011) (TJRS-2012) (TJGO-2012) (DPEBA-2016) (DPEAP-2018) (TJSP-2009-VUNESP): Considerando a hipótese de ter havido o falecimento do querelante durante o andamento de ação penal privada, antes da sentença. A companheira, que vivia em união estável com o falecido, tem legitimidade ativa para prosseguir na ação. Explicação: Ainda que não esteja no rol do art. 31 do CPP, o nosso ordenamento equipara a união estável ao casamento, nada impedindo que se aplique a analogia (art. 3º, CPP), permitindo que tenha a companheira do ofendido o direito de prosseguir na ação. (DPEMT-2009-FCC): A ação penal privada, quando o ofendido for declarado ausente por decisão judicial, poderá ser intentada por seu cônjuge, ascendente, descendente ou irmão. BL: art. 31, CPP. Art. 32. Nos crimes de ação privada, o juiz, a requerimento da parte que comprovar a sua pobreza, nomeará advogado para promover a ação penal. § 1o CONSIDERAR-SE-Á POBRE a pessoa que não puder prover às despesas do processo, SEM PRIVAR-SE dos recursos indispensáveis ao próprio sustento ou da família. (DPEAL-2009) § 2o Será prova suficiente de pobreza o atestado da autoridade policial em cuja circunscrição residir o ofendido. Art. 33. Se o ofendido FOR menor de 18 (dezoito) anos, ou mentalmente enfermo, ou retardado mental, e NÃO TIVER representante legal, ou COLIDIREM os interesses deste com os daquele, o DIREITO DE QUEIXA PODERÁ SER EXERCIDO por CURADOR ESPECIAL, nomeado, de ofício ou a requerimento do Ministério Público, pelo juiz competente para o processo penal. (MPSP-2005) (MPCE-2009) (Anal. Judic./TRF5-2017) (TJPI-2015-FCC): Na ação penal privada, se o ofendido for mentalmente enfermo e não tiver representante legal o direito de queixa poderá ser exercido por curador especial nomeado de ofício pelo juiz competente. BL: art. 33 do CPP. Art. 34. Se o ofendido for menor de 21 (vinte e um) e maior de 18 (dezoito) anos, o direito de queixa poderá ser exercido por ele ou por seu representante legal. Art. 35. (Revogado pela Lei nº 9.520, de 27.11.1997) Art. 36. SE COMPARECER mais de uma pessoa COM DIREITO DE QUEIXA, TERÁ PREFERÊNCIA o cônjuge, e, em seguida, o parente mais próximo na ordem de enumeração constante do art. 31, podendo, entretanto, qualquer delas prosseguir na ação, caso o querelante desista da instância ou a abandone. (TJRS-2012) (TJMT-2009-VUNESP): Nos crimes de ação privada, se comparecer mais de uma pessoa com direito de queixa, terá preferência, numa ordem legal estabelecida pelo art. 31 do CPP, o cônjuge, que poderá prosseguir na ação penal. BL: art. 31 c/c art. 36 do CPP. Art. 37. As FUNDAÇÕES, ASSOCIAÇÕES ou SOCIEDADES LEGALMENTE CONSTITUÍDAS PODERÃO EXERCER a ação penal, DEVENDO SER REPRESENTADAS por quem os respectivos contratos ou estatutos designarem ou, no silêncio destes, pelos seus diretores ou sócios-gerentes. (TJGO-2012) (TJRN-2013) (Anal Judici./TRF5- 2017) (Escrivão de Polícia/PCMA-2018) Art. 38. Salvo disposição em contrário, o ofendido, ou seu representante legal, DECAIRÁ no DIREITO DE QUEIXA ou DE REPRESENTAÇÃO, se não o exercer dentro do prazo de seis meses, CONTADO do dia em que vier a saber quem é o autor do crime, ou, no caso do art. 29, do dia em que se esgotar o prazo para o oferecimento da denúncia. (TJSE-2008) (TJMS-2008) (TJAP-2009) (TJPR-2010/2012) (TJGO-2012) (TJRJ-2016) (TJMSP-2016) (PCMA-2018) (MPPB-2018) (DPEAP-2018-FCC): Em caso de ação penal de iniciativa pública condicionada, o direito de representação deve ser exercido dentro do prazo de seis meses, contado do dia em que vier a saber quem é o autor do crime. BL: art. 38, caput, CPP. (TJRS-2012): Na ação penal privada pelo delito de calúnia, a queixa-crime, além de observar os requisitos formais de elaboração e outorga de mandato específico, deve ser aforada dentro do prazo de 6 meses, contados do dia em que o ofendido vier a saber quem é o autor do crime, ressalvada a queixa-crime subsidiária. BL: art. 38, caput, CPP. (MPMG-2011): A representação é direito renunciável, pode ser exercida por procurador com poderes especiais e sujeita-se à decadência. BL: art. 38, caput, CPP. (TJPE-2011-FCC): Se o crime for de alçada privada, a instauração de inquérito policial não interrompe o prazo para o oferecimento de queixa.. BL: art. 38, caput, CPP. (DPEMS-2008-VUNESP): Assinale a alternativa que justifica corretamente qual o prazo para o ofendido ou o seu representante legal requerer a instauração de inquérito policial, quando o crime for de alçada privada: O CPP não disciplina expressamente a respeito e, assim, entende-se que o direito de requerimento de instauração de inquérito policial deve ser exercido no mesmo prazo do direito de queixa, ou seja, 6 meses, contados da data em que se souber quem foi o autor do crime. BL: art. 38, caput, CPP. OBS: Nesse caso utiliza-se a analogia, entendendo ser o mesmo prazo do direito de queixa. Parágrafo único. Verificar-se-á a decadência do direito de queixa ou representação, dentro do mesmo prazo, nos casos dos arts. 24, parágrafo único, e 31. (TJRS-2012) (TJRS-2009): Acerca da ação penal, na contagem do prazo decadencial, inclui-se o dia do começo. BL: art. 10, 1ª parte, CP. OBS: O prazo decadencial é considerado de natureza penal, razão pela qual deve ser contado o dia do começo (art. 10. 1ª parte, CP). Art. 39. O DIREITO DE REPRESENTAÇÃO PODERÁ SER EXERCIDO, pessoalmente OU por procurador com poderes especiais, mediante DECLARAÇÃO, escrita ou oral, FEITA ao JUIZ, ao ÓRGÃO DO MINISTÉRIO PÚBLICO, ou à AUTORIDADE POLICIAL. (DPEMT-2009) (TRF3-2011) (MPMS-2015) (DPEAP-2018) (Investigador de Polícia/PCMA- 2018) (TJAM-2013-FGV): O STF entende que a representação é peça sem rigor formal, que pode ser apresentada oralmente ou por escrito, tanto na delegacia, quanto perante o magistrado ou membro do Ministério Público. (Téc. Judic./TRF4-2004-FCC): O direito de representação SOMENTE poderá ser exercido pessoalmente ou por procurador com poderes especiais. BL: art. 39, CPP. § 1o A REPRESENTAÇÃO FEITA oralmente ou por escrito, sem assinatura devidamente autenticada do ofendido, de seu representante legal ou procurador, SERÁ REDUZIDA a termo, perante o juiz ou autoridade policial, presente o órgão do Ministério Público, quando a este houver sido dirigida. § 2o A REPRESENTAÇÃO CONTERÁ todas as informações que possam servir à apuração do fato e da autoria. (Escrivão de Polícia/PCMA-2018-CESPE): Assinale a opção correta relativamente ao direito de representação como condição de procedibilidade da ação penal: A representação deve conter todas as informações para a apuração do fato delituoso, permitindo a lei que estas possam ser apresentadas oralmente à autoridade policial. BL: art. 39, §§1º e 2º, CPP. § 3o Oferecida ou reduzida a termo a representação, a autoridade policial procederá a inquérito, ou, não sendo competente, remetê-lo-á à autoridade que o for. (MPMS-2015) § 4o A representação, quando feita ao juiz ou perante este reduzida a termo, será remetida à autoridade policial para que esta proceda a inquérito. § 5o O órgão do Ministério Público DISPENSARÁ o INQUÉRITO, se com a representação forem oferecidos elementos que o habilitem a promover aação penal, e, neste caso, OFERECERÁ A DENÚNCIA no prazo de quinze dias. (DPEMT-2009) (TJPR- 2010) (MPMT-2012) (MPAL-2012) (MPSP-2013) (MPMS-2015) (Escrivão de Polícia/PCMA- 2018) (MPSP-2017): O inquérito policial, por ser peça informativa, é dispensável para a propositura da ação penal, mas sempre acompanhará a inicial acusatória quando servir de base para a denúncia ou a queixa. BL: art. 39, §5º, CPP. (TJAP-2009-FCC): O IP, no ordenamento jurídico, poderá ser dispensado pelo MP quando dispuser de elementos suficientes para oferecimento da denúncia constantes de peças de informação. BL: art. 12 e 39, §5º, CPP. (MPSP-2008-VUNESP): O inquérito policial não é indispensável à propositura da ação penal nos crimes em que se procede mediante queixa do ofendido. BL: art. 39, §5º, CPP. Art. 40. Quando, em autos ou papéis de que conhecerem, os juízes ou tribunais verificarem a existência de crime de ação pública, remeterão ao Ministério Público as cópias e os documentos necessários ao oferecimento da denúncia. Art. 41. A denúncia ou queixa CONTERÁ a exposição do fato criminoso, com todas as suas circunstâncias, a qualificação do acusado ou esclarecimentos pelos quais se possa identificá-lo, a classificação do crime e, quando necessário, o rol das testemunhas. (MPSP-2005) (DPEMT-2009) (MPAL-2012) (MPPA-2014) (TJSP-2015-VUNESP): Conforme o artigo 41, do CPP, “A denúncia ou queixa conterá a exposição do fato criminoso, com todas as suas circunstâncias, a qualificação do acusado ou esclarecimentos pelos quais se possa identificá-lo, a classificação do crime e, quando necessário, o rol das testemunhas”. Portanto, a peça acusatória necessita trazer a descrição do comportamento delituoso de forma escorreita. BL: art. 41 do CPP. OBS: “É inepta denúncia que, ao descrever a conduta do acusado como sendo dolosa, o faz de forma genérica, a ponto de ser possível enquadrá-la tanto como culpa consciente quanto como dolo eventual. Com efeito, o elemento psíquico que caracteriza o injusto penal, em sua forma dolosa ou culposa, deve estar bem caracterizado, desde a denúncia, pois é tênue a linha entre o dolo eventual e a culpa consciente. Na hipótese em análise, há nítida violação da garantia do contraditório e da plenitude de defesa, por não despontar da exordial acusatória, com a clareza e a precisão exigidas, o dolo, em sua forma eventual, que teria animado o agente, sendo impossível conhecer no caso em apreço as circunstâncias subjetivas. RHC 39.627-RJ, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 8/4/2014”. (MPMG-2013): A peça acusatória deve delimitar, com precisão, as ações praticadas pelos autores, distinguindo-as das condutas dos partícipes. Art. 42. O Ministério Público NÃO PODERÁ desistir da ação penal. (TJPR-2012) (TJSC-2012) (MPDFT-2015): Nos termos do CPP, o Ministério Público não pode desistir da ação penal pública, mas pode pedir absolvição, hipótese em que, ainda assim, poderá o Juiz proferir sentença condenatória. BL: art. 42 c/c art. 385 do CPP. (TJPR-2012-UFPR): O MP não pode desistir da ação penal depois da denúncia ter sido recebida, devendo se considerar, porém, a hipótese de transação penal para os delitos de menor potencial ofensivo. BL: art. 42 do CPP e art. 89 da Lei 9099/95. Art. 43. (Revogado pela Lei nº 11.719, de 2008). Art. 44. A queixa poderá ser dada por procurador com poderes especiais, devendo constar do instrumento do mandato o nome do querelante e a menção do fato criminoso, salvo quando tais esclarecimentos dependerem de diligências que devem ser previamente requeridas no juízo criminal. (MPSC-2013) (MPPR-2017): Em data de 20 de dezembro de 2016, Astolfo pratica, em tese, crime contra a honra de Lucíolo, afirmando que este, na condição de funcionário público, subtraiu valores do departamento de obras públicas do município de Giramundo. Considere a data de hoje (28.05.2017) e que Lucíolo teve ciência da suposta ofensa em 29 de dezembro de 2016. Aponte a alternativa correta: Cabe oferecimento de queixa em juízo por Lucíolo, representado por advogado, atribuindo-se a este poderes especiais. BL: S. 714 do STF c/c art. 44, CPP. [questão adaptada] (DPERN-2015-CESPE): Assinale a opção correta a respeito da denúncia e da queixa-crime conforme o entendimento do STJ: Nos crimes de ação penal privada, na procuração pela qual o ofendido outorga poderes especiais para o oferecimento da queixa-crime, observados os demais requisitos previstos no CPP, não é necessária a descrição pormenorizada do delito, desde que haja, pelo menos, a menção do fato criminoso ou o nomen juris. BL: art. 44, CPP e STJ, HC 106.423⁄SC. (TJPR-2012-UFPR): Para a propositura da queixa, não basta a outorga de poderes ad juditia por instrumento de mandato, mas também poderes especiais para o ajuizamento, devendo constar do instrumento o nome do querelado e resumo dos fatos, quando possível. BL: art. 44 do CP. Art. 45. A QUEIXA, ainda quando a ação penal FOR PRIVATIVA do ofendido, PODERÁ SER ADITADA pelo Ministério Público, a quem CABERÁ INTERVIR em todos os termos subseqüentes do processo. (MPSP-2005) (MPPR-2008) (TJPR-2010) (TJPR-2012) (TJPB-2015) (MPPR-2017): Em data de 20 de dezembro de 2016, Astolfo pratica, em tese, crime contra a honra de Lucíolo, afirmando que este, na condição de funcionário público, subtraiu valores do departamento de obras públicas do município de Giramundo. Considere a data de hoje (28.05.2017) e que Lucíolo teve ciência da suposta ofensa em 29 de dezembro de 2016. Aponte a alternativa correta: Oferecida a queixa em juízo, poderá o Ministério Público aditá- la. BL: art. 45, CPP. [questão adaptada] Art. 46. O PRAZO PARA OFERECIMENTO DA DENÚNCIA, ESTANDO o réu preso, SERÁ de 5 dias, contado da data em que o órgão do Ministério Público receber os autos do inquérito policial, e de 15 dias, se o réu estiver solto ou afiançado. No último caso, SE HOUVER devolução do inquérito à autoridade policial (art. 16), CONTAR-SE-Á o prazo da data em que o órgão do Ministério Público receber novamente os autos. (MPAL-2012) (MPRO-2013) (PCMA-2018) (MPRS-2014): Eurípedes foi preso preventivamente por homicídio qualificado. Com o inquérito findo em mãos, o Ministério Público levou 15 dias para oferecer a denúncia. Encerrada a instrução em prazo razoável, nas alegações orais, a defesa sustentou, em preliminar, que a denúncia não poderia ter sido recebida, uma vez que ofertada fora do prazo do art. 46 do CPP. Nessa situação, o Magistrado deve afastar a prefacial, por ser mera irregularidade. (MPMT-2012): Segundo o Código de Processo Penal, a denúncia deverá ser oferecida no prazo de 5 dias, estando o réu preso, contado da data em que o órgão do Ministério Público receber os autos do inquérito policial, e de 15 dias, se o réu estiver solto ou afiançado. BL: art. 46, CPP. § 1o Quando o Ministério Público dispensar o inquérito policial, o prazo para o oferecimento da denúncia contar-se-á da data em que tiver recebido as peças de informações ou a representação § 2o O prazo para o aditamento da queixa será de 3 dias, contado da data em que o órgão do Ministério Público receber os autos, e, se este não se pronunciar dentro do tríduo, entender-se-á que não tem o que aditar, prosseguindo-se nos demais termos do processo. Art. 47. Se o Ministério Público julgar necessários maiores esclarecimentos e documentos complementares ou novos elementos de convicção, deverá requisitá-los, diretamente, de quaisquer autoridades ou funcionários que devam ou possam fornecê- los. (TJPE-2013) Art. 48. A QUEIXA CONTRA QUALQUER DOS AUTORES DO CRIME OBRIGARÁ AO PROCESSO DE TODOS, e o Ministério Público VELARÁ pela sua indivisibilidade. (TJAL- 2008) (MPPR-2008) (MPTO-2012) (Anal. Judic./TRF1-2017-CESPE): Na açãopenal privada, apesar de a vítima ou seu representante legal não serem obrigados a oferecer queixa-crime, uma vez ajuizada a ação, o querelante não pode deixar de processar quaisquer dos autores da infração penal. BL: art. 48, CPP. OBS: O princípio da indivisibilidade significa que a ação penal deve ser proposta contra todos os autores e partícipes do delito. Segundo a posição da jurisprudência, o princípio da indivisibilidade só se aplica para a ação pena privada (art. 48 do CPP). O que acontece se a ação penal privada não for proposta contra todos? O que ocorre se um dos autores ou partícipes, podendo ser processado pelo querelante, ficar de fora? Qual é a consequência do desrespeito ao princípio da indivisibilidade? Se a omissão foi VOLUNTÁRIA (DELIBERADA): se o querelante deixou, deliberadamente, de oferecer queixa contra um dos autores ou partícipes, o juiz deverá rejeitar a queixa e declarar a extinção da punibilidade para todos (arts. 104 e 107, V, do CP). Todos ficarão livres do processo. Se a omissão foi INVOLUNTÁRIA: o MP deverá requerer a intimação do querelante para que ele faça o aditamento da queixa-crime e inclua os demais coautores ou partícipes que ficaram de fora. (MPF-2008): O PRINCÍPIO DA INDIVISIBILIDADE DA AÇÃO PENAL se aplica à ação penal privada. BL: art. 48, CPP. Art. 49. A RENÚNCIA AO EXERCÍCIO DO DIREITO DE QUEIXA, em relação a um dos autores do crime, a todos se estenderá. (Téc. Judic./STJ-2004) (MPPR-2008) (TJRN-2013) (TJPE-2013) (MPDFT-2015): No caso de ação penal privada, caso sejam dois os autores identificados de um crime, o oferecimento de queixa contra apenas um deles não é permitido, pois a renúncia ao direito de ação contra um deles estende-se ao outro. BL: art. 49, CPP. OBS: Em razão do princípio da indivisibilidade, se o querelante não fizer constar do pólo passivo algum dos autores do crime, deverá o MP provocá-lo, para que adite a queixa. Se o querelante insistir em não oferecer queixa contra algum dos autores, deverá o juiz declarar a ocorrência de renúncia em relação a todos os demais (arts. 48 e 49, CPP). (TJPA-2014-VUNESP): José, João e Luís são sócios de uma empresa. José e João redigem, assinam e divulgam entre os clientes e fornecedores da empresa uma carta aberta com afirmações desonrosas em desfavor de Luís. Após regular inquérito policial em que José e João são ouvidos, Luís promove queixa-crime unicamente contra José, uma vez que, por motivos pessoais, não quis processar João. Considerando que o acúmulo de acusações faça com que a demanda não seja julgada pelo rito sumaríssimo, que foi infrutífera a fase de reconciliação – o que remete o processo ao rito comum – e que não é caso de rejeição, deve o magistrado considerar que houve renúncia com relação a João, estender tal entendimento a José e extinguir a punibilidade de ambos. BL: art. 49, CPP. Art. 50. A RENÚNCIA EXPRESSA CONSTARÁ de declaração assinada pelo ofendido, por seu representante legal ou procurador com poderes especiais. (TJRS- 2012) Parágrafo único. A renúncia do representante legal do menor que houver completado 18 (dezoito) anos não privará este do direito de queixa, nem a renúncia do último excluirá o direito do primeiro. Art. 51. O perdão concedido a um dos querelados aproveitará a todos, sem que produza, todavia, efeito em relação ao que o recusar. (PCMT-2017) (MPSP-2017) (MPMG- 2014) (TJPE-2013) (TJSC-2009): Depende da aceitação do querelado a extinção da punibilidade pelo perdão do ofendido. BL: art. 51, CPP. Explicação: O perdão do ofendido na ação penal privada é fruto do princípio da disponibilidade. Para ter efeito, deve ser aceito pelo acusado. E mais: em razão de outro princípio aplicável às ações penais privadas – o da indivisibilidade – o perdão concedido a um dos acusados aproveitará a todos, desde que, é claro, o aceitem (art. 51, CPP). Art. 52. Se o querelante for menor de 21 e maior de 18 anos, o direito de perdão poderá ser exercido por ele ou por seu representante legal, mas o perdão concedido por um, havendo oposição do outro, não produzirá efeito. Art. 53. Se o querelado for mentalmente enfermo ou retardado mental e não tiver representante legal, ou colidirem os interesses deste com os do querelado, a aceitação do perdão caberá ao curador que o juiz Ihe nomear. Art. 54. Se o querelado for menor de 21 anos, observar-se-á, quanto à aceitação do perdão, o disposto no art. 52. Art. 55. O perdão poderá ser aceito por procurador com poderes especiais. (MPTO- 2012) Art. 56. Aplicar-se-á ao perdão extraprocessual expresso o disposto no art. 50. (TJRS- 2012) (TJPR-2012-PUCPR): É admissível, no processo penal, o perdão concedido ao querelado extrajudicialmente, não se exigindo ratificação em juízo. BL: arts. 56, CPP. Art. 57. A RENÚNCIA TÁCITA e o PERDÃO TÁCITO ADMITIRÃO todos os meios de prova. (TJRS-2009) (MPMG-2014) (DPEPB-2014) OBS: A renúncia é ato unilateral, já que não depende de aceitação do autor da infração penal. É voluntário, pois o ofendido não pode ser obrigado a renunciar. Contudo, não precisa ser expresso, admitindo a lei a renúncia tácita, isto é, a prática de ato incompatível com a vontade de processar o autor do delito (ex: convidá-lo para ser padrinho de casamento). Admite-se todo meio de prova para provar a renúncia tácita (art. 57, CPP). Art. 58. Concedido o perdão, mediante declaração expressa nos autos, o querelado será intimado a dizer, dentro de três dias, se o aceita, devendo, ao mesmo tempo, ser cientificado de que o seu silêncio importará aceitação. (TJPE-2013) (TJPR-2012-PUCPR): É cabível o perdão na ação penal privada desde que manifesto, expressa ou tacitamente, depois do recebimento da queixa-crime e antes do trânsito em julgado da sentença. Trata-se de ato bilateral que, concedido apenas a um querelado a todos alcançar, dependendo de aceitação para se efetivar. Por imposição legal, o silêncio do querelado é interpretado como aceitação tácita do perdão e só pode ser aceito por procurador com poderes especiais. BL: arts. 51, 55 e 58, CPP. Parágrafo único. Aceito o perdão, o juiz julgará extinta a punibilidade. Art. 59. A aceitação do perdão fora do processo constará de declaração assinada pelo querelado, por seu representante legal ou procurador com poderes especiais. Art. 60. Nos casos em que somente se procede mediante QUEIXA, CONSIDERAR- SE-Á PEREMPTA a ação penal: (TJSE-2008) (DPEMT-2009) (TJRS-2012) (TJPE-2013) (MPSC-2016) I - quando, iniciada esta, o querelante deixar de promover o andamento do processo durante 30 dias seguidos; (PCSC-2008) (TJDFT-2015) (MPDFT-2015): Caso o querelante abandone a causa, sem promover o andamento do processo durante trinta dias seguidos, considerar-se-á perempta a ação penal, não podendo ser ajuizada novamente. BL: art. 60, I do CPP. (TJMT-2009-VUNESP): Nos casos em que somente se procede mediante queixa, considerar-se-á perempta a ação penal, considerar-se-á perempta a ação penal quando, tendo-se por perspectiva a seguir, o querelante deixar de promover o andamento do processo durante 30 dias. BL: art. 60, I do CPP. II - quando, falecendo o querelante, ou sobrevindo sua incapacidade, não comparecer em juízo, para prosseguir no processo, dentro do prazo de 60 (sessenta) dias, qualquer das pessoas a quem couber fazê-lo, ressalvado o disposto no art. 36; (DPEMT-2009) (MPPR-2012) (MPSC-2013) III - quando o querelante deixar de comparecer, SEM MOTIVO JUSTIFICADO, a qualquer ato do processo a que deva estar presente, ou deixar de formular o pedido de condenação nas alegações finais; (MPSP-2006) (TJRO-2011) (TJMS-2015) (TJMS-2015-VUNESP): XISTO, querelante em ação penal privada, ao término da instrução erepresentado por advogado constituído, requereu a absolvição de CRISTÓVÃO, querelado. Deve o juiz considerar perempta a ação penal, porque o querelante deixou de formular pedido de condenação nas alegações finais. BL: art. 60, III, parte final, CPP. (MPPR-2012): A perempção materializa-se quando o querelante, em exclusiva ação penal privada, deixa de comparecer, sem motivo justificado, à audiência de reconhecimento pessoal do executor material do crime. BL: art. 60, III, CPP. (TJPA-2009-FGV): Nos casos em que somente se procede mediante queixa, considera-se perempta a ação penal quando o querelante deixar de comparecer, sem motivo justificado, a qualquer ato do processo a que deva estar presente, ou deixar de formular o pedido de condenação nas alegações finais. BL: art. 60, III, parte final, CPP. IV - quando, sendo o querelante pessoa jurídica, esta se extinguir sem deixar sucessor. (TJPA-2009) (MPSP-2012): A extinção da pessoa jurídica querelante em ação penal privada exclusiva, na ausência de sucessor, é causa de perempção. BL: art. 60, IV, CPP. Art. 61. Em qualquer fase do processo, o juiz, SE RECONHECER extinta a punibilidade, DEVERÁ DECLARÁ-LO DE OFÍCIO. (TJMG-2009) (Analista Judiciário/TJMS- 2017) Parágrafo único. No caso de requerimento do Ministério Público, do querelante ou do réu, o juiz mandará autuá-lo em apartado, ouvirá a parte contrária e, se o julgar conveniente, concederá o prazo de cinco dias para a prova, proferindo a decisão dentro de cinco dias ou reservando-se para apreciar a matéria na sentença final. Art. 62. No caso de MORTE DO ACUSADO, o juiz somente à vista da CERTIDÃO DE ÓBITO, e depois de ouvido o Ministério Público, DECLARARÁ extinta a punibilidade. (TJGO-2012) (TJRS-2018) (Anal./MPU-2018-CESPE): No curso de um processo criminal, antes do interrogatório, foi noticiada a morte do réu no momento da oitiva das testemunhas de defesa e de acusação. Nessa situação, para que seja declarada extinta a punibilidade, a morte do réu não poderá ser demonstrada com base apenas na prova testemunhal. BL: art. 62, CPP. OBS: Ademais, não há extinção da punibilidade quando da juntada da certidão de óbito falsa (STF. 1ª Turma. HC 104.998/SP, rel. Min. Dias Toffoli, j. 14.12.2010). TÍTULO IV DA AÇÃO CIVIL Art. 63. Transitada em julgado a SENTENÇA CONDENATÓRIA, PODERÃO PROMOVER-LHE A EXECUÇÃO, no juízo cível, para o efeito da reparação do dano, o ofendido, seu representante legal ou seus herdeiros. (TJPI-2007) (TJPA-2009) (DPEMT- 2009) Parágrafo único. Transitada em julgado a sentença condenatória, a execução PODERÁ SER EFETUADA pelo valor fixado nos termos do inciso IV do caput do art. 387 deste Código sem prejuízo da liquidação para a apuração do dano efetivamente sofrido. (Incluído pela Lei nº 11.719, de 2008). (TJPA-2009) (MPSP-2011) (MPTO-2012) (Anal. Judic./TJDFT-2013) (TJAP-2014-FCC): Transitada em julgado a sentença condenatória, a execução poderá ser efetuada pelo valor mínimo para reparação dos danos causados pela infração, considerando os prejuízos sofridos pelo ofendido, fixado pelo Juiz na decisão condenatória, sem prejuízo da liquidação para a apuração do dano efetivamente sofrido. BL: art. 63, § único, c/c art. 387, IV do CPP. (TJRS-2009): Conclusos os autos para sentença, o magistrado resolveu condenar o acusado pelo delito de roubo simples, afastando a tese defensiva de ausência de provas. O valor fixado na sentença penal condenatória, a título de reparação de danos causados pelo delito, não impede a liquidação desta, no juízo cível, após o trânsito em julgado, para apuração do dano efetivamente sofrido. BL: art. 387, IV e art. 63 do CPP. OBS: O art. 63 do CPP trata da Ação de Execução “ex delicto”. Art. 64. Sem prejuízo do disposto no artigo anterior, a ação para ressarcimento do dano poderá ser proposta no juízo cível, contra o autor do crime e, se for caso, contra o responsável civil. (Vide Lei nº 5.970, de 1973) (TJPA-2009) (Téc. Judic./TJAC-2012) (Anal. Judic./TREBA-2017-CESPE): João foi vítima de um crime de furto praticado por Pedro. A res furtiva não foi recuperada pela vítima. Instaurado inquérito, apuraram-se a autoria e a materialidade e ofereceu-se a denúncia contra Pedro. Nessa situação hipotética, a propositura da ação civil ex delicto contra Pedro independerá da existência da ação penal. BL: art. 64, CPP. OBS: O CPP prevê duas formas de a vítima buscar a reparação civil pelos danos sofridos em razão do delito: (a) a execução civil “ex delicto”, tendo como base uma sentença penal condenatória transitada em julgado que servirá como título executivo judicial, conforme o art. 63, CPP; ou (b) a ação de conhecimento “ex delicto”, em que a vítima ajuizará uma ação diretamente perante o juízo cível, tendo como causa de pedir o delito do qual foi vítima, consoante o art. 64, CPP. Estabelece o art. 935 do Código Civil que, a responsabilidade civil é independente da criminal, não se podendo questionar mais sobre a existência do fato, ou sobre quem seja o seu autor, quando estas questões se acharem decididas no juízo criminal. No mesmo sentido dispõe o enunciado nº 45 das Jornadas de Direito Civil: “no caso do art. 935, não mais se poderá questionar a existência do fato ou quem seja o seu autor se essas questões se acharem categoricamente decididas no juízo criminal”. Apesar da separação entre as instâncias civil e penal, há duas situações em que a decisão do juízo criminal terá efeitos absolutos sobre a esfera civil: a análise de materialidade (existência do fato) e de autoria (quem são os agentes criminosos), isto é, uma vez tendo o juízo penal decidido acerca da materialidade e da autoria, não haverá mais a possibilidade de o juízo cível analisar essas duas questões. (DPU-2007-CESPE): Apesar do princípio da intranscendência, segundo o qual a pena não passará da pessoa do condenado, a ação civil para ressarcimento do dano poderá ser proposta, no juízo cível, contra o autor do crime e, se for o caso, contra o responsável civil. BL: art. 64, do CPP c/c art. 5º, XLV, da CF/88. OBS: O art. 64 do CPP trata da Ação de Execução “ex delicto”. Parágrafo único. Intentada a ação penal, o juiz da ação civil PODERÁ suspender o curso desta, até o julgamento definitivo daquela. (TJPA-2009) (MPSP-2011) (Cartórios/TJES-2013) (TJAP-2014) (Anal. Judic./TJMT-2017) OBS: O art. 64 do CPP trata da Ação Civil “ex delicto” (ou Ação de Conhecimento “ex delicto”). (TJAP-2008-FGV): Intentada a ação penal, o juiz da ação civil, visando ao ressarcimento do dano, poderá suspender o curso do processo civil. BL: art. 64, § único, CPP. Art. 65. FAZ COISA JULGADA NO CÍVEL a sentença penal que RECONHECER TER SIDO o ato praticado em estado de necessidade, em legítima defesa, em estrito cumprimento de dever legal ou no exercício regular de direito. (TJPI-2007) (TJAP-2008) (MPSP-2017): Faz coisa julgada no cível: a sentença que reconhece ter sido o ato praticado em estado de necessidade, em legítima defesa, em estrito cumprimento do dever legal ou no exercício regular de direito. BL: art. 65, CPP. (TJSP-2013-VUNESP): Faz coisa julgada no cível a sentença que absolve o réu com fundamento de haver o fato sido praticado em estado de necessidade defensivo. BL: art. 65, CPP. ##Atenção: Ocorre estado de necessidade agressivo quando o agente visando a salvar- se ou a terceiro, atinge um bem jurídico de pessoa que perigo nenhum provocou, ou, que nada teve a ver com a situação de perigo causada. O ato para afastar o perigo é dirigido para outra coisa ou pessoa, alheia à origem do perigo emanado. Pode-se dar como exemplo a situação de uma criança que está passando mal em decorrência de uma grave intoxicação. O pai que está sem automóvel para levá-la com urgência ao hospital, de forma desautorizada,utiliza-se do veículo do vizinho, o qual deixou aberto na garagem com as chaves dentro. No exemplo dado, o pai será responsável civilmente por qualquer dano que venha a ocorrer em decorrência de sua conduta. Situação diversa ocorre no estado de necessidade defensivo. Aqui o agente atinge o bem ou interesses de quem efetivamente causou ou concorreu para a ocorrência da circunstância de perigo. Veja o exemplo: uma pessoa está atravessando a rua no lugar indevido, arrastando uma placa gigante. Se o motorista que vem em velocidade permitida e não consegue parar, mas ainda, consegue frear e atingir apenas a placa e não o pedestre, não será responsável civilmente pelo dano causado. Para salvar a vida acabou danificando um patrimônio. Proporcionalidade adequada. A diferença essencial entre estado de necessidade agressivo e defensivo reside na implicação da responsabilidade civil pelo agente que atuou para proteger bem jurídico próprio ou alheio. (Fonte: Luiz Flávio Gomes, RT). (TJAP-2008-FGV): É cabível a indenização ao dono de animal que é morto em quintal da casa do seu proprietário por pessoa que invade o mencionado quintal para fugir de roubo. BL: art. 65, CPP. ##Atenção: Tratando-se de estado de necessidade agressivo, ou seja, voltar-se contra pessoa, animal ou coisa de onde não provém o perigo atual, mas cuja lesão torna-se indispensável para salvar o agente do fato necessário, é cabível falar em indenização. Exemplo: aquele que matar um animal, que está dentro do quintal da casa de seu proprietário, porque invadiu o domicílio para fugir de um assalto ,penalmente não responde, mas civilmente deve indenizar ao dono do imóvel os prejuízos causados, inclusive a morte do cão (NUCCI). Art. 66. Não obstante a sentença absolutória no juízo criminal, a ação civil PODERÁ SER PROPOSTA quando não tiver sido, categoricamente, reconhecida a inexistência material do fato. (MPRR-2012) (DPEDF-2013) (TJSP-2013) (MPSP-2013/2017) (TJCE-2018-CESPE): A sentença absolutória do juízo criminal que declare a inexistência do fato ou que o réu não tenha concorrido para o crime faz coisa julgada no juízo cível, obstando a reparação civil ex delicto. BL: art. 66, CPP e art. 935 do CC. OBS: Vejamos o teor do art. 935, CC: “A responsabilidade civil é independente da criminal, não se podendo questionar mais sobre a existência do fato, ou sobre quem seja o seu autor, quando estas questões se acharem decididas no juízo criminal.” (PGESE-2017-CESPE): A propositura de ação na esfera cível ou administrativa é impedida por sentença que verifique a inexistência material do fato. BL: art. 66, CPP e art. 935 do CC/02. OBS: Em princípio as esferas de responsabilização cível e penal independem uma da outra (art. 935 do CC). Contudo, quando a sentença criminal atesta categoricamente a inexistência material do fato, tal questão não poderá mais ser discutida no juízo cível ou em processo administrativo, nos termos do art. 66 do CPP. OBS: Agravo regimental em mandado de segurança. Independência das esferas penal e administrativa. Agravo regimental não provido. 1. Legitimidade da atuação do Ministro Relator ao julgar monocraticamente pedido ou recurso quando a matéria for objeto de jurisprudência consolidada no Supremo Tribunal Federal. Precedentes. 2. Independência entre as esferas penal e administrativa, salvo quando, na instância penal, se decida pela inexistência material do fato ou pela negativa de autoria, casos em que essas conclusões repercutem na seara administrativa. 3. “É desnecessária a juntada do conteúdo integral das degravações das escutas telefônicas realizadas nos autos do inquérito no qual são investigados os ora Pacientes, pois bastam que se tenham degravados os excertos necessários ao embasamento da denúncia oferecida, não configurando, essa restrição, ofensa ao princípio do devido processo legal (art. 5º, inc. LV, da Constituição da República)” (HC nº 91.207/RJ-MC, Relator o Ministro Marco Aurélio, Relatora para o acórdão a Ministra Cármen Lúcia, Tribunal Pleno, DJe de 21/9/07). 4. Agravo regimental não provido. (Anal. Judic./TJPA-2014-VUNESP): Os ilícitos penais são potenciais geradores de danos civis. No entanto, impede a propositura de ação civil a decisão que absolver o acusado, entendendo que o fato não existiu. BL: art. 66, CPP. (MPMG-2011): Impede o ajuizamento da ação civil para reparação do dano causado por crime: O acórdão que reconhece a inexistência material do fato. BL: art. 66, CPP. (TJSE-2008-CESPE): A respeito da sentença criminal, assinale a opção correta: A absolvição do réu por não haver prova da existência do fato não inviabiliza a propositura de ação civil reparatória. BL: art. 66, CPP. (TJAP-2008-FGV): Não obstante a sentença absolutória no juízo criminal, a ação civil poderá ser proposta quando não tiver sido, categoricamente, reconhecida a inexistência material do fato. BL: art. 66, CPP. Art. 67. NÃO IMPEDIRÃO igualmente a propositura da AÇÃO CIVIL: I - o despacho de arquivamento do inquérito ou das peças de informação; (TJPA- 2009) (MPSP-2013/2017) (PGESE-2017) (Anal. Judic./TJMT-2017-UFMT): O despacho de arquivamento do inquérito não impedirá a propositura da ação civil. BL: art. 67, I, CPP. (TJAL-2008-CESPE): Determinado o arquivamento do IP em face do requerimento do MP, o ofendido não será impedido de intentar ação civil ex delicto. OBS: O arquivamento do inquérito não impede a propositura de ação civil por parte do ofendido (art. 67, I, CPP). II - a decisão que julgar extinta a punibilidade; (TJPI-2007) (TJAP-2014) (MPSP-2017) (Anal. Judic./TJMT-2017-UFMT): A decisão que julgar extinta a punibilidade não impedirá a propositura da ação civil. BL: art. 67, II, CPP. (TJSE-2008-CESPE): A decisão que julga extinta a punibilidade do agente não impede a propositura da ação civil reparatória. BL: art. 67, II, CPP. (TJAP-2008-FGV): A decisão que julga extinta a punibilidade do crime não impede a propositura da ação civil. BL: art. 67, II, CPP. III - a sentença absolutória que decidir que o fato imputado NÃO CONSTITUI CRIME. (DPECE-2008) (DPEMT-2009) (TJPA-2009) (TJSC-2009/2013) (MPRR-2012) (TJSP-2013) (MPSP-2013/2017) (MPTO-2012-CESPE): Não são causas impeditivas da reparação civil as decisões do juízo penal que determinem o arquivamento do inquérito policial, que declarem extinta a punibilidade do réu ou que absolvam o réu por não ser o fato infração penal. BL: art. 67, CPP. (MPMG-2010): A ação civil poderá ser proposta mesmo que a sentença absolutória reconheça que o fato imputado não constitui crime. BL: art. 67, III, CPP. Art. 68. Quando o titular do direito à reparação do dano for pobre (art. 32, §§ 1o e 2o), a execução da sentença condenatória (art. 63) ou a ação civil (art. 64) será promovida, a seu requerimento, pelo Ministério Público. (MPMT-2012) ##Atenção: ##STJ: ##DOD: O reconhecimento da ilegitimidade ativa do Ministério Público para, na qualidade de substituto processual de menores carentes, propor ação civil pública ex delicto, sem a anterior intimação da Defensoria Pública para tomar ciência da ação e, sendo o caso, assumir o polo ativo da demanda, configura violação ao art. 68 do CPP. Antes de o magistrado reconhecer a ilegitimidade ativa do Ministério Público para propor ação civil ex delicto, é indispensável que a Defensoria Pública seja intimada para tomar ciência da demanda e, sendo o caso, assumir o polo ativo da ação. STJ. 4ª Turma. REsp 888.081-MG, Rel. Min. Raul Araújo, julgado em 15/9/2016 (Info 592). (DPU-2010-CESPE): Segundo o art. 68 do CPP, quando o titular do direito à reparação do dano for pobre, a execução da sentença condenatória ou a ação civil será promovida, a seu requerimento, pelo MP. A jurisprudência já se assentou no sentido de que, apesar de a CF ter afastado das atribuiçõesdo MP a defesa dos hipossuficientes, pois a incumbiu às defensorias públicas, há apenas inconstitucionalidade progressiva do art. 68 do CPP, enquanto não criada e organizada a defensoria no respectivo estado. Assim, o MP detém legitimidade para promover, como substituto processual de necessitados, a ação civil por danos resultantes de crime nos estados em que ainda não tiver sido instalada Defensoria Pública. BL: art. 68, CPP. TÍTULO V DA COMPETÊNCIA Art. 69. DETERMINARÁ a COMPETÊNCIA JURISDICIONAL: (MPPR-2008) I - o lugar da infração: II - o domicílio ou residência do réu; III - a natureza da infração; IV - a distribuição; (TJPB-2015) V - a conexão ou continência; VI - a prevenção; VII - a prerrogativa de função. CAPÍTULO I DA COMPETÊNCIA PELO LUGAR DA INFRAÇÃO Art. 70. A competência SERÁ, de regra, determinada pelo lugar em que se consumar a infração, ou, no caso de tentativa, pelo lugar em que for praticado o último ato de execução. (MPSP-2005/2008) (TJAL-2008) (TJSC-2009) (MPRN-2009) (TJMG- 2007/2012) (TJMA-2013) (TJPR-2014) (Anal.-CRBio/1ªRegião-2017) - Vide Súmula 528, STJ: Compete ao juiz federal do local da apreensão da droga remetida do exterior pela via postal processar e julgar o crime de tráfico internacional. (MPDFT-2015): O Brasil adota a teoria do resultado para a fixação da competência territorial de crimes ocorridos integralmente no Brasil, hipótese em que não se aplica a teoria da ubiquidade. BL: art. 70, CPP. (TJBA-2010): Um indivíduo foi denunciado pela prática do delito de estelionato, praticado no município de Vitória da Conquista. Oferecida a denúncia perante uma das varas criminais daquela Comarca, o denunciado ofereceu defesa preliminar, na qual arrolou testemunhas de defesa, uma delas residente e domiciliada no município de Jequié. Expedida a competente carta precatória, foi designada, pelo Juízo Deprecado, audiência com o fito de ser ouvida a testemunha arrolada pela defesa do denunciado. Ocorre que, pouco antes de aberta a audiência, o juiz do Juízo Deprecado percebe que o denunciado, presente no ato, oferece vantagem econômica à testemunha para que ela faça afirmação falsa no processo em que vai depor sobre determinadas circunstâncias pessoais do denunciado, que podem influenciar favoravelmente numa eventual dosimetria da pena. Nesse caso, o Juízo competente para processar e julgar a presente ação penal é do Juízo Deprecado (Jequié). BL: art. 70, CPP e STJ, CC 30.309/PR. (TJSP-2009-VUNESP): No caso de depoimento de testemunha ouvida por meio de carta precatória, assinale a alternativa correta: A competência para a ação penal por crime de falso testemunho é do Juízo deprecado. BL: STJ, art. 70, CPP e CC 30.309/PR. OBS: Vejamos o teor da ementa do CC 30.309/PR, julgado pelo STJ: “CRIMINAL. CONFLITO DE COMPETÊNCIA. FALSO TESTEMUNHO. DELITO CONSUMADO NO MOMENTO EM QUE SE ENCERRA O DEPOIMENTO. INTELIGÊNCIA DO ART. 70 DO CPP. DEPOIMENTO REALIZADO POR CARTA PRECATÓRIA. IRRELEVÂNCIA. COMPETÊNCIA DO JUÍZO DE DIREITO DA 3ª VARA DE REGISTRO/SP. Firma-se a competência, em regra, pelo lugar em que o delito é consumado, nos termos do art. 70 da Lei Processual Penal. O crime de falso testemunho consuma-se com o encerramento do depoimento prestado pela testemunha, quando a mesma profere afirmação falsa, nega ou cala a verdade, razão pela qual, para a sua apuração, sobressai a competência do Juízo do local onde foi prestado o depoimento, sendo irrelevante o fato de ter sido realizado por intermédio de carta precatória. Conflito conhecido para se declarar competente, para o processamento e julgamento do feito, o Juízo de Direito da 3ª Vara de Registro/SP, o suscitado. (Grifamos)” OBS: No CPP a regra geral é o local de consumação da infração; no juizado especial criminal, o da prática da infração. OBS: Súmula 528, STJ: Compete ao juiz federal do local da apreensão da droga remetida do exterior pela via postal processar e julgar o crime de tráfico internacional. § 1o Se, INICIADA a execução no território nacional, A INFRAÇÃO SE CONSUMAR fora dele, a COMPETÊNCIA SERÁ DETERMINADA pelo lugar em que TIVER SIDO PRATICADO, no Brasil, o último ato de execução. (TJSC-2009) (TJPR-2014) (TJAC-2019) (MPSP-2005): Nos crimes a distância, se, iniciada a execução no território nacional, a infração se consumar fora dele, a competência será determinada pelo lugar em que tiver sido praticado, no Brasil, o último ato de execução. BL: 70, §1º, CPP. § 2o Quando o último ato de execução for praticado fora do território nacional, SERÁ COMPETENTE o juiz do lugar em que o crime, embora parcialmente, tenha produzido ou devia produzir seu resultado. (TJPR-2014) (PCMA-2018) § 3o Quando INCERTO o limite territorial entre duas ou mais jurisdições, ou quando INCERTA a jurisdição POR TER SIDO a infração consumada ou tentada nas divisas de duas ou mais jurisdições, a COMPETÊNCIA FIRMAR-SE-Á pela prevenção. (TJMG-2007) (TJSC-2009) (TJMA-2013) (TJAC-2019) (MPPR-2012): Se a infração de quadrilha armada (art. 288, § único, CP) ocorreu no território de duas comarcas, de igual jurisdição, a competência se firmará pela prevenção. BL: art. 70, §3º, CPP. (TJPR-2008): Havendo simultânea instauração de inquérito policial em duas comarcas diferentes para apurar um estupro ocorrido na divisa destas comarcas, sendo que o indiciado foi preso em flagrante em uma delas sem comunicação do juízo, ainda assim, a prisão preventiva pode ser decretada por quaisquer dos juízos. ##Atenção: Temos a situação prevista no art. 70, §3º, CPP: Quando incerto o limite territorial entre duas ou mais jurisdições, ou quando incerta a jurisdição por ter sido a infração consumada ou tentada nas divisas de duas ou mais jurisdições, a competência firmar-se-á pela prevenção”. Portanto, no caso em tela, poderá a prisão preventiva ser decretada pelo juiz que primeiro for comunicado da prisão em flagrante (a comunicação é obrigatória – art. 306, CPP). Notem que prisão em flagrante não mais se sustenta sozinha, pois, para que o indiciado permaneça preso, deverá o juiz decretar a prisão preventiva (art. 310, CPP). Art. 71. Tratando-se de infração continuada ou permanente, PRATICADA em território de duas ou mais jurisdições, a COMPETÊNCIA FIRMAR-SE-Á pela prevenção. (MPSP-2005) (TJPI-2007) (TJBA-2012) (TJRJ-2013) (TJAP-2014) (TJPR-2014) (TJPB-2015) - Vide Súmula 151, STJ: A COMPETENCIA PARA O PROCESSO E JULGAMENTO POR CRIME DE CONTRABANDO OU DESCAMINHO DEFINE-SE PELA PREVENÇÃO DO JUIZO FEDERAL DO LUGAR DA APREENSÃO DOS BENS. (TJDFT-2015-CESPE): Roberto importou do exterior, para venda, grande quantidade de equipamentos eletroeletrônicos. Ele não declarou esses bens à aduana brasileira nem recolheu os tributos que seriam devidos. Antes de chegar a Brasília, destino final, seu voo fez escalas em São Paulo e Goiânia. Nessa situação, havendo a apreensão da mercadoria em Brasília, competirá à justiça federal do DF processar e julgar a ação. BL: Súmula 151, STJ. (Anal. Judic./TJDFT-2003-CESPE): Considere a seguinte situação hipotética: Uma vítima de sequestro na cidade do Rio de Janeiro – RJ foi levada pelo sequestrador para cinco diferentes estados brasileiros, chegando, por fim, à cidade de Teresina – PI, onde foi encontrada. Nessa situação, a competência para julgamento de eventual processo penal dar-se-á pela prevenção. BL: art. 71, CPP. CAPÍTULO II DA COMPETÊNCIA PELO DOMICÍLIO OU RESIDÊNCIA DO RÉU Art. 72. NÃO SENDO CONHECIDO o lugar da infração, a COMPETÊNCIA REGULAR- SE-Á pelo domicílio ou residência do réu. (MPSP-2005) (TJMG-2018) (TJAC-2019) § 1o Se o réu TIVER mais de uma residência, a COMPETÊNCIA FIRMAR-SE-Á pela prevenção. (TJRJ-2013) (TJPB-2015-CESPE): Caso não se conheçao local da infração e o réu tenha mais de um domicílio, será aplicada a regra da prevenção para fins de fixação da competência jurisdicional. BL: art. 72, §1º, CPP. (MPSP-2012): A competência territorial será, de regra, determinada pelo lugar em que se consumar a infração ou, no caso de tentativa, pelo lugar em que for praticado o último ato de execução; não sendo este conhecido, regular-se-á pelo domicílio ou residência do réu e se este tiver mais de uma residência pela prevenção. BL: arts. 70, caput c/c art. 72, §1º do CPP. § 2o Se o réu não tiver residência certa ou for ignorado o seu paradeiro, será competente o juiz que primeiro tomar conhecimento do fato. Art. 73. Nos casos de EXCLUSIVA AÇÃO PRIVADA, o querelante PODERÁ PREFERIR o foro de domicílio ou da residência do réu, AINDA QUANDO CONHECIDO o lugar da infração. (TJRR-2008) (TJRS-2009) (MPSC-2010) (TJMG-2007/2012) (MPAP-2012) (MPPR-2012) (TJAP-2014) (MPSP-2015) (TJAC-2019) (Anal.-CRBio/1ªRegião-2017-VUNESP): Nos casos de exclusiva ação privada, o querelante poderá escolher entre o foro do domicílio do réu e o do lugar da infração para propor a queixa crime. BL: art. 73, CPP. (TJRR-2008-FCC): Em matéria de competência, conforme se extrai da Constituição Federal e do CPP, nos casos de exclusiva ação penal privada, o querelante poderá preferir o foro de domicílio ou de residência do réu, ainda quando conhecido o lugar da infração. BL: art. 73, CPP. Explicação: Realmente, tal regra é expressamente no art. 73 do CPP, sendo exceção à regra geral de que a competência se dá pelo lugar da consumação do crime (art. 70, CPP). (Téc. Judic./STJ-2004-CESPE): José foi vítima de calúnia, crime de ação penal privada, praticada por Renato na cidade de Natal – RN. Renato era residente e domiciliado em Porto Alegre – RS. Nessa situação, é possível a propositura, por José, de ação penal privada na comarca de Porto Alegre – RS. BL: art. 73, CPP. OBS: Esse dispositivo não é aplicável à ação penal privada subsidiária da pública. OBS: É válida para a ação exclusivamente privada e para a ação privada personalíssima. CAPÍTULO III DA COMPETÊNCIA PELA NATUREZA DA INFRAÇÃO Art. 74. A competência pela natureza da infração será regulada pelas leis de organização judiciária, salvo a competência privativa do Tribunal do Júri. § 1º Compete ao Tribunal do Júri o julgamento dos crimes previstos nos arts. 121, §§ 1o e 2o, 122, parágrafo único, 123, 124, 125, 126 e 127 do Código Penal, consumados ou tentados. (Redação dada pela Lei nº 263, de 23.2.1948) - Vide Súmula Vinculante 45: A competência constitucional do Tribunal do Júri prevalece sobre o foro por prerrogativa de função estabelecido exclusivamente pela constituição estadual. - Vide Súmula 603, STF: A COMPETÊNCIA PARA O PROCESSO E JULGAMENTO DE LATROCÍNIO É DO JUIZ SINGULAR E NÃO DO TRIBUNAL DO JÚRI. (MPRN-2009-CESPE): Caso determinada autoridade do estado do Rio Grande do Norte, detentora de foro especial por prerrogativa de função no TJRN, cuja previsão encontra-se apenas na respectiva constituição estadual, cometa crime doloso contra a vida, a competência para processá-la e julgá-la deve ser do tribunal do júri. BL: SV 45, STF. § 2o Se, iniciado o processo perante um juiz, HOUVER desclassificação para infração da competência de outro, a este SERÁ REMETIDO O PROCESSO, salvo se mais graduada for a jurisdição do primeiro, que, em tal caso, terá sua competência prorrogada. (DPEAP-2018) § 3o Se o juiz da pronúncia desclassificar a infração para outra atribuída à competência de juiz singular, observar-se-á o disposto no art. 410; mas, se a desclassificação for feita pelo próprio Tribunal do Júri, a seu presidente caberá proferir a sentença (art. 492, § 2o). - Vide art. 419 e 492, §1º, CPP. CAPÍTULO IV DA COMPETÊNCIA POR DISTRIBUIÇÃO Art. 75. A precedência da distribuição fixará a competência quando, na mesma circunscrição judiciária, houver mais de um juiz igualmente competente. Parágrafo único. A distribuição realizada para o efeito da concessão de fiança ou da decretação de prisão preventiva ou de qualquer diligência anterior à denúncia ou queixa prevenirá a da ação penal. - Vide Súmula 702, STF: A COMPETÊNCIA DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA PARA JULGAR PREFEITOS RESTRINGE-SE AOS CRIMES DE COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA COMUM ESTADUAL; NOS DEMAIS CASOS, A COMPETÊNCIA ORIGINÁRIA CABERÁ AO RESPECTIVO TRIBUNAL DE SEGUNDO GRAU. (MPSC-2010): A distribuição realizada para o efeito de concessão de fiança prevenirá a da ação penal. BL: art. 75, § único, CPP. CAPÍTULO V DA COMPETÊNCIA POR CONEXÃO OU CONTINÊNCIA Art. 76. A competência SERÁ DETERMINADA pela conexão: I - se, ocorrendo duas ou mais infrações, houverem sido praticadas, ao mesmo tempo, por várias pessoas reunidas, ou por várias pessoas em concurso, embora diverso o tempo e o lugar, ou por várias pessoas, umas contra as outras; (TJPI-2007) (MPBA-2015): Há conexão intersubjetiva por reciprocidade quando, ocorrendo duas ou mais infrações penais, houverem sido praticadas por várias pessoas umas contra as outras. BL: art. 76, I, parte final, CPP. (TJMG-2007): Tendo em mira as disposições do Código de Processo Penal (Título V) relativas às causas determinantes da competência, assinale a alternativa CORRETA: A competência será determinada pela conexão se, ocorrendo duas ou mais infrações, houverem sido praticadas, ao mesmo tempo, por várias pessoas reunidas, ou por várias pessoas em concurso, embora diverso o tempo e o lugar, ou por várias pessoas, umas contra as outras. BL: art. 76, I, CPP. II - se, no mesmo caso, houverem sido umas praticadas para facilitar ou ocultar as outras, ou para conseguir impunidade ou vantagem em relação a qualquer delas; (MPSC- 2016) III - quando a prova de uma infração ou de qualquer de suas circunstâncias elementares influir na prova de outra infração. Art. 77. A competência SERÁ DETERMINADA PELA CONTINÊNCIA quando: (TJRR- 2015) I - duas ou mais pessoas forem acusadas pela mesma infração; (MPSC-2016) II - no caso de infração COMETIDA nas condições previstas nos arts. 51, § 1o, 53, segunda parte, e 54 do Código Penal. [obs.: concurso formal, erro na execução e resultado diverso do pretendido] OBS: Referência a dispositivos da antiga Parte Geral do CP, revogada pela Lei 7209/84. A matéria é, atualmente, tratada nos arts. 70, 73 e 74 do CP. (TJMG-2018-Consulplan): Em relação à competência no processo penal, analise a afirmativa a seguir: A competência será determinada pela continência nas hipóteses de concurso formal, erro na execução e resultado diverso do pretendido. BL: art. 77, II, CPP. (MPPR-2014): Se BRAVIUS entra num bar e, com intenção de lesionar, desfere dois tiros de revólver na direção da perna de SERENUS, acerta um dos disparos que produz lesão grave, mas o outro, por erro de pontaria, vem a produzir lesão, também de natureza grave, em ASTÚRIAS, dono da bodega, o julgamento de ambos os fatos deve ocorrer, num mesmo processo, em razão da continência por cumulação objetiva. BL: art. 77, II, CPP. OBS: No caso em exame, houve um erro na execução ou aberratio ictus, assim o agente responderá pelo considerando as qualidades da vítima que pretendia atingir e também pelo crime contra a pessoa pretendida em concurso formal. (TJMG-2014): A competência será determinada pela continência nas hipóteses de concurso formal, erro na execução e resultado diverso do pretendido. BL: art. 77 do CPP. (TJMA-2013-CESPE): Determina-se a competência pela continência, caso se caracterize, nos termos do CPP, concurso formal de crimes, aberractio ictus e aberractio criminis. BL: art. 77 do CPP. (MPSP-2012) Explicação: Notem que o inciso II faz menção a artigos da Parte Geral antiga doCP, anterior à reforma de 1984, mas que equivalem aos arts. 70, 73 e 74. Art. 78. Na determinação da competência por CONEXÃO ou CONTINÊNCIA, SERÃO OBSERVADAS as seguintes regras: (Redação dada pela Lei nº 263, de 23.2.1948) I - no concurso entre a competência do júri e a de outro órgão da jurisdição comum, prevalecerá a competência do júri; (Redação dada pela Lei nº 263, de 23.2.1948) Il - no concurso de jurisdições DA MESMA CATEGORIA: (Redação dada pela Lei nº 263, de 23.2.1948) a) PREPONDERARÁ a do lugar da infração, à qual FOR COMINADA A PENA MAIS GRAVE; (Redação dada pela Lei nº 263, de 23.2.1948) (MPSP-2008) (TJAP-2009) (MPPE- 2010) (TJRS-2012) (TJMG-2014) (TJAP-2014) (TJMG-2018-Consulplan): Em relação à competência no processo penal, analise a afirmativa a seguir: Na determinação da competência por conexão ou continência, havendo concurso de jurisdições da mesma categoria, prepondera a do lugar da infração a qual for cominada a pena mais grave. BL: art. 78, II, “a”, CPP. (TJSP-2009-VUNESP): Em única denúncia, em aparente conexão, foi imputada a José a prática de três furtos ocorridos em Campinas e de um roubo ocorrido em Americana, este em maio e aqueles em abril do corrente ano. Nessa hipótese, a competência para decidir sobre o eventual recebimento da denúncia e instauração da respectiva ação penal é do Juízo Criminal da Comarca de Americana. BL: art. 78, II, “a”, CPP. b) PREVALECERÁ a do lugar em que HOUVER OCORRIDO O MAIOR NÚMERO DE INFRAÇÕES, se as respectivas penas FOREM de igual gravidade; (Redação dada pela Lei nº 263, de 23.2.1948) (MPPR-2012): Consumados vários delitos de roubo simples (art. 157, “caput”, CP), conexos entre si, em comarcas contíguas, de igual jurisdição, ausente a prevenção, é competente o juiz do local onde ocorreram mais infrações. BL: art. 78, II, b, CPP. c) firmar-se-á a competência pela prevenção, nos outros casos; (Redação dada pela Lei nº 263, de 23.2.1948) OBS: É um critério residual de competência. III - no concurso de jurisdições de diversas categorias, predominará a de maior graduação; (Redação dada pela Lei nº 263, de 23.2.1948) (TJDFT-2007): Na hipótese de conexão entre uma infração penal de menor potencial ofensivo, resistência (art. 329, caput, do Código Penal, que estabelece a pena de detenção de 2 meses a 2 anos), e um crime, roubo (art. 157, caput, do Código Penal, que fixa pena de reclusão de 4 a 10 anos e multa) não se desmembra o processo, em face das regras de conexão, competindo à Vara Criminal tanto a resistência como o roubo, observando, quanto à infração penal de menor potencial ofensivo, os institutos da transação penal e da composição dos danos civis. BL: art. 78, III do CPP c/c art. 60, § único da Lei 9099/95. IV - no concurso entre a jurisdição comum e a especial, prevalecerá esta. (Redação dada pela Lei nº 263, de 23.2.1948) ##Atenção: ##STF: ##DOD: Compete à Justiça Eleitoral julgar os crimes eleitorais e os comuns que lhes forem conexos. O fundamento para isso está no art. 35, II, do Código Eleitoral e no art. 78, IV, do CPP. Cabe à Justiça Eleitoral analisar, caso a caso, a existência de conexão de delitos comuns aos delitos eleitorais e, em não havendo, remeter os casos à Justiça competente. STF. Plenário. Inq 4435 AgR-quarto/DF, Rel. Min. Marco Aurélio, j. 13 e 14/3/19 (Info 933). ##Atenção: ##STF: ##DOD: A doação eleitoral por meio de “caixa 2” é uma conduta que configura crime eleitoral de falsidade ideológica (art. 350 do Código Eleitoral). A competência para processar e julgar este delito é da Justiça Eleitoral. A existência de crimes conexos de competência da Justiça Comum, como corrupção passiva e lavagem de capitais, não afasta a competência da Justiça Eleitoral, por força do art. 35, II, do CE e do art. 78, IV, do CPP. STF. 2ª Turma. PET 7319/DF, Rel. Min. Edson Fachin, j. 27/3/2018 (Info 895). Art. 79. A CONEXÃO e a CONTINÊNCIA IMPORTARÃO unidade de processo e julgamento, SALVO: (MPGO-2016) - Vide Súmula 704 do STF: NÃO VIOLA AS GARANTIAS DO JUIZ NATURAL, DA AMPLA DEFESA E DO DEVIDO PROCESSO LEGAL A ATRAÇÃO POR CONTINÊNCIA OU CONEXÃO DO PROCESSO DO CO-RÉU AO FORO POR PRERROGATIVA DE FUNÇÃO DE UM DOS DENUNCIADOS. I - no concurso entre a jurisdição comum e a militar; (MPPE-2010) - Vide Súmula 90 do STJ: COMPETE A JUSTIÇA ESTADUAL MILITAR PROCESSAR E JULGAR O POLICIAL MILITAR PELA PRATICA DO CRIME MILITAR, E A COMUM PELA PRATICA DO CRIME COMUM SIMULTANEO AQUELE. II - no concurso entre a jurisdição comum e a do juízo de menores. (TJDFT-2015) (MPSC-2016): De acordo com o CPP, a conexão e a continência importarão unidade de processo e julgamento, salvo no concurso entre a jurisdição comum e militar e no concurso entre a jurisdição comum e a do juízo de menores. Segundo o mesmo Estatuto, na determinação da competência por conexão ou continência serão observadas, entre outras, as seguintes regras: no concurso de jurisdições da mesma categoria, preponderará a do lugar da infração, à qual for cominada a pena mais grave; prevalecerá a do lugar em que houver ocorrido o maior número de infrações, se as respectivas penas forem de igual gravidade. BL: arts. 78 e 79, CPP. § 1o Cessará, em qualquer caso, a unidade do processo, se, em relação a algum co- réu, sobrevier o caso previsto no art. 152. (TJMS-2015) (TJPB-2015) (MPSP-2008-VUNESP): Nas hipóteses de conexão e continência, constatada, em incidente próprio, a insanidade mental de um dos acusados, superveniente à infração, impõe-se a separação dos processos. BL: art. 79, §1º c/c art. 152 do CPP. § 2o A unidade do processo não importará a do julgamento, se houver co-réu foragido que não possa ser julgado à revelia, ou ocorrer a hipótese do art. 461. (TJMS- 2015) OBS: Após as alterações da Lei 11.689/08, o art. 461 corresponde ao atual art. 469 do CPP. Art. 80. Será facultativa a separação dos processos quando as infrações tiverem sido praticadas em circunstâncias de tempo ou de lugar diferentes, ou, quando pelo excessivo número de acusados e para não Ihes prolongar a prisão provisória, ou por outro motivo relevante, o juiz reputar conveniente a separação. (MPAP-2012) (TJAP-2014) (MPBA-2014) (Técnico Judiciário/TRF1-2017) (TJMS-2015-VUNESP): De acordo com o artigo 80, do CPP, nos processos conexos, será facultativa a separação quando as infrações tiverem sido praticadas em circunstâncias de tempo ou lugar diferentes, ou, quando pelo excessivo número de acusados e para não lhes prolongar a prisão provisória, ou por outro motivo relevante, o juiz reputar conveniente a separação. BL: art. 80, CPP. (TJRS-2009): Nos casos de número excessivo de acusados, com o intuito de evitar a prorrogação indevida da prisão cautelar de um ou de vários imputados, é facultado ao magistrado separar os processos, mesmo nas hipóteses de conexão e continência. BL: art. 80, CPP. Art. 81. Verificada a reunião dos processos por conexão ou continência, ainda que no processo da sua competência própria venha o juiz ou tribunal a proferir sentença absolutória ou que desclassifique a infração para outra que não se inclua na sua competência, continuará competente em relação aos demais processos. (MPSP-2012) (TJMS-2015) (Analista-CRBio/1ªRegião-2017) (TJPB-2011-CESPE): Em caso de conexão entre crimes da competência estadual e federal, a absolvição ou a desclassificação quanto ao delito que atraiu a competência para a justiça federal não retira a sua competência para apreciar as demais imputações. BL: art. 81, CPP. Parágrafo único. Reconhecida inicialmente ao júri a competência por conexão ou continência, o juiz, se vier a desclassificar a infração ou impronunciar ou absolver o acusado, de maneira que exclua a competência do júri, remeteráo processo ao juízo competente. (TJRS-2011) (Analista-CRBio/1ªRegião-2017) Art. 82. Se, não obstante a conexão ou continência, FOREM INSTAURADOS PROCESSOS DIFERENTES, a autoridade de jurisdição prevalente DEVERÁ AVOCAR os processos que CORRAM perante os outros juízes, SALVO SE JÁ ESTIVEREM com sentença definitiva. Neste caso, a UNIDADE DOS PROCESSOS SÓ SE DARÁ, ulteriormente, para o efeito DE SOMA ou DE UNIFICAÇÃO DAS PENAS. (PGECE-2008) (TJMT-2009) (MPGO-2016) (TJSE-2015-FCC): Se, não obstante a conexão ou continência, forem instaurados processos diferentes, a autoridade de jurisdição prevalente deverá avocar os processos que corram perante os outros juízes, salvo se já estiverem com sentença definitiva. BL: art. 82 do CPP. (TJGO-2009-FCC): Conforme o disposto pelo art. 82 do CPP se, não obstante a conexão ou continência, forem instaurados processos diferentes, a autoridade de jurisdição prevalente deverá avocar os processos que corram perante os outros juízes, salvo se já estiverem com sentença definitiva. Neste caso, a unidade dos processos só se dará, ulteriormente, para efeito de soma ou de unificação das penas. BL: art. 82 do CPP. OBS: “Se eventualmente, mesmo havendo conexão ou continência, os processos tramitam desgarrados, caberá ao juiz prevalente avocá-los, para que se mantenha a unidade de julgamento. Se um dos processos já está sentenciado, com decisão de mérito, ainda que não transitada em julgado, não tem sentido a avocatória, já que o juiz prevalente não poderá modificá-la. Logo, a expressão "sentença definitiva" deve ser interpretada como decisão de mérito, mesmo que passível de recurso. Como se infere do enunciado nº 235 da Súmula do STJ, "a conexão não determina a reunião de processos, se um deles já foi julgado. Tendo havido julgamento de um ou alguns dos processos conexos, antes da avocatória, a reunião só ocorrerá na fase executória, para efeito de soma ou unificação das penas, notadamente pela aplicação das regras do concurso material, formal ou da continuidade delitiva. Compete ao juiz da execução a respectiva unificação (art. 66, III, 'a', Lei 7.210/1984).” (Fonte: CPP para concursos. 3ª ed. JusPodivm. p. 155). (TJRS-2009): Nos casos em que deveriam ter sido aplicadas as regras do concurso material, formal ou do crime continuado no juízo de conhecimento e não o foram, é possível a unidade ulterior dos processos no juízo da execução penal, para fins de soma ou de unificação das penas. BL: art. 82, CPP. OBS: A reunião de processos não atinge aqueles que já tenham sentença prolatada. CAPÍTULO VI DA COMPETÊNCIA POR PREVENÇÃO Art. 83. Verificar-se-á a competência por prevenção toda vez que, concorrendo dois ou mais juízes igualmente competentes ou com jurisdição cumulativa, um deles tiver antecedido aos outros na prática de algum ato do processo ou de medida a este relativa, ainda que anterior ao oferecimento da denúncia ou da queixa (arts. 70, § 3o, 71, 72, § 2o, e 78, II, c). (MPSC-2014) - Vide Súmula 706 do STF: É RELATIVA A NULIDADE DECORRENTE DA INOBSERVÂNCIA DA COMPETÊNCIA PENAL POR PREVENÇÃO. CAPÍTULO VII DA COMPETÊNCIA PELA PRERROGATIVA DE FUNÇÃO Art. 84. A competência pela prerrogativa de função é do Supremo Tribunal Federal, do Superior Tribunal de Justiça, dos Tribunais Regionais Federais e Tribunais de Justiça dos Estados e do Distrito Federal, relativamente às pessoas que devam responder perante eles por crimes comuns e de responsabilidade. (Redação dada pela Lei nº 10.628, de 24.12.2002) § 1o (Vide ADIN nº 2797) § 2o (Vide ADIN nº 2797) Art. 85. Nos processos por crime contra a honra, em que forem querelantes as pessoas que a Constituição sujeita à jurisdição do Supremo Tribunal Federal e dos Tribunais de Apelação, àquele ou a estes caberá o julgamento, quando oposta e admitida a exceção da verdade. (TJSP-2009) (Analista-CRBio/1ªRegião-2017) - Vide Súmula 396 do STF: PARA A AÇÃO PENAL POR OFENSA À HONRA, SENDO ADMISSÍVEL A EXCEÇÃO DA VERDADE QUANTO AO DESEMPENHO DE FUNÇÃO PÚBLICA, PREVALECE A COMPETÊNCIA ESPECIAL POR PRERROGATIVA DE FUNÇÃO, AINDA QUE JÁ TENHA CESSADO O EXERCÍCIO FUNCIONAL DO OFENDIDO. (MPGO-2013): Sobre a competência em matéria processual penal é correto afirmar que, nos processos por crime contra a honra, em que for querelante pessoa detentora de foro especial por prerrogativa de função, quando oposta e admitida a exceção da verdade, será esta última julgada pelo juízo especial, que teria competência para julgar a suposta vítima do crime contra honra (querelante). BL: art. 85, CPP. Art. 86. Ao Supremo Tribunal Federal competirá, privativamente, processar e julgar: I - os seus ministros, nos crimes comuns; II - os ministros de Estado, salvo nos crimes conexos com os do Presidente da República; III - o procurador-geral da República, os desembargadores dos Tribunais de Apelação, os ministros do Tribunal de Contas e os embaixadores e ministros diplomáticos, nos crimes comuns e de responsabilidade. Art. 87. Competirá, originariamente, aos Tribunais de Apelação o julgamento dos governadores ou interventores nos Estados ou Territórios, e prefeito do Distrito Federal, seus respectivos secretários e chefes de Polícia, juízes de instância inferior e órgãos do Ministério Público. CAPÍTULO VIII DISPOSIÇÕES ESPECIAIS Art. 88. No processo por crimes praticados fora do território brasileiro, será competente o juízo da Capital do Estado onde houver por último residido o acusado. Se este nunca tiver residido no Brasil, será competente o juízo da Capital da República. (TJRS-2012): Para efeito de aplicação do princípio da extraterritorialidade da lei penal brasileira, nas infrações ocorridas fora do solo nacional, será competente o juízo da Capital do Estado onde houver por último residido o acusado e, se nunca tiver residido no Brasil, o juízo da Capital da República. BL: art. 88 do CPP. Art. 89. Os crimes cometidos em qualquer embarcação nas águas territoriais da República, ou nos rios e lagos fronteiriços, bem como a bordo de embarcações nacionais, em alto-mar, SERÃO PROCESSADOS E JULGADOS pela JUSTIÇA DO PRIMEIRO PORTO BRASILEIRO EM QUE TOCAR A EMBARCAÇÃO, após o crime, ou, quando se afastar do País, PELA DO ÚLTIMO EM QUE HOUVER TOCADO. (TJPI-2007) - Vide Súmula 522 do STF: SALVO OCORRÊNCIA DE TRÁFICO PARA O EXTERIOR, QUANDO, ENTÃO, A COMPETÊNCIA SERÁ DA JUSTIÇA FEDERAL, COMPETE À JUSTIÇA DOS ESTADOS O PROCESSO E JULGAMENTO DOS CRIMES RELATIVOS A ENTORPECENTES. (MPRS-2014): Uma embarcação nacional de grande calado, destinada ao comércio internacional, viajava de Itajaí (SC) para o porto de Rio Grande para receber alguns contêineres e depois rumar para a África do Sul. Contudo, nas proximidades de Rio Grande, o marinheiro Temístocles, natural de Porto Alegre, se envolveu numa luta corporal contra o colega Guido, acabando por assassiná-lo. A ação penal deverá ser processada no Tribunal do Júri da Justiça Federal de Rio Grande. BL: art. 109, IX da CF/88 c/c arts. 74, §1º e 89 do CPP. Art. 90. Os crimes praticados a bordo de aeronave nacional, dentro do espaço aéreo correspondente ao território brasileiro, ou ao alto-mar, ou a bordo de aeronave estrangeira, dentro do espaço aéreo correspondente ao território nacional, SERÃO PROCESSADOS E JULGADOS pela justiça da comarca em cujo território se verificar o pouso após o crime, OU pela da comarca de onde houver partido a aeronave. (Analista- CRBio/1ªRegião-2017) (TJDFT-2016-CESPE): Indivíduo que pratique crime a bordo de aeronave estrangeira em espaço aéreo brasileiro, será processado e julgado pela justiça da comarca em cujo território ocorrer o pouso ou pela comarca de onde houver partido a aeronave. BL: art. 90, CPP. OBS: Súmula522 do STF: SALVO OCORRÊNCIA DE TRÁFICO PARA O EXTERIOR, QUANDO, ENTÃO, A COMPETÊNCIA SERÁ DA JUSTIÇA FEDERAL, COMPETE À JUSTIÇA DOS ESTADOS O PROCESSO E JULGAMENTO DOS CRIMES RELATIVOS A ENTORPECENTES. Art. 91. Quando incerta e não se determinar de acordo com as normas estabelecidas nos arts. 89 e 90, a competência se firmará pela prevenção. (Redação dada pela Lei nº 4.893, de 9.12.1965) TÍTULO VI DAS QUESTÕES E PROCESSOS INCIDENTES CAPÍTULO I DAS QUESTÕES PREJUDICIAIS Art. 92. Se a decisão sobre a existência da infração DEPENDER da solução de controvérsia, que o juiz repute séria e fundada, sobre O ESTADO CIVIL DAS PESSOAS, o curso da ação penal FICARÁ SUSPENSO até que no juízo cível seja a controvérsia dirimida por sentença passada em julgado, sem prejuízo, entretanto, da inquirição das testemunhas e de outras provas de natureza urgente. (TJDFT-2012) (MPSC-2014) (Anal. Judic./TRF1-2017) (TJSC-2015-FCC): Em processo que apura o delito de abandono material (art. 244 do CP), em resposta à acusação, o réu alega não ser o pai do abandonado, pessoa menor de 18 anos. Neste caso, nos termos do CPP, a ação penal ficará suspensa e com ela o prazo prescricional, se o juiz reputar séria e fundada a questão da paternidade. BL: art. 92. CPP e art. 116, I do CP. (TJRR-2015-FCC): Se a decisão em um processo penal sobre a existência ou não de uma infração penal depender da solução de uma controvérsia reputada séria e fundada, o juiz deverá suspender o processo e o curso da ação penal até que a questão seja dirimida por sentença civil transitada em julgado sempre que a dúvida disser respeito ao estado civil das pessoas, ficando igualmente suspenso o prazo prescricional. BL: art. 92, CPP e art. 116, I do CP. (MPPR-2014): Se pendente o julgamento de ação anulatória do 1º casamento de TÍBIO no juízo cível, que redunda na suspensão do processo criminal por crime de bigamia, este imputado a TÍBIO em razão do seu 2º casamento, temos a existência de questão prejudicial obrigatória. (TJMA-2013-CESPE): Um homem de vinte e um anos de idade responde a processo judicial sumário no qual lhe é imputada a participação na prática de crimes perpetrados havia três anos. O defensor público responsável por sua defesa alegou, em sede de resposta preliminar, que o rapaz era menor de idade à época da ocorrência dos fatos e que apresentava incapacidade mental absoluta superveniente. Considerando a situação hipotética acima, assinale a opção correta acerca de questões prejudiciais, processos incidentes e procedimento sumário, com base no CPP e na interpretação doutrinária sobre esse código. A questão prejudicial alegada pelo defensor, na qual se discute o estado civil da pessoa e o incidente de insanidade mental, arguidos no curso da ação penal, tem como efeito a suspensão do processo, com a suspensão da prescrição no primeiro caso. BL: arts. 92 e 152 do CPP. OBS: O incidente de insanidade mental suspende o processo, porém não suspende a prescrição. A questão prejudicial obrigatória relativa ao estado civil das pessoas suspende o processo e a prescrição. (MPSP-2008): A questão prejudicial obrigatória que enseja a suspensão do processo penal pressupõe que a matéria controvertida recaia sobre o estado civil das pessoas e que de sua solução dependa o reconhecimento da existência da infração penal. BL: art. 92, CPP. (MPSP-2008): A suspensão do processo em razão de questão prejudicial obrigatória pode ser determinada pelo juiz ainda que não tenha sido proposta no juízo cível a ação que vise solucionar a matéria controvertida. BL: art. 92, CPP. OBS: Norberto Avena elucida que as questões prejudiciais obrigatórias "estão regulamentadas no art. 92 do CPP e versam sobre matérias atinentes ao estado civil lato sensu do indivíduo, abrangendo tanto aspectos familiares (condição de casado, de solteiro, de pai, de mãe, de filho, etc) como aspectos pessoais (idade precisa do indivíduo, nacionalidade, naturalidade, etc) do indivíduo. (TJMG-2007): Quando a decisão sobre a existência da infração penal depender do reconhecimento do estado civil das pessoas, o juiz de direito determinará a suspensão da ação penal, até que no juízo cível seja a controvérsia dirimida por sentença passada em julgado. BL: art. 92, CPP. Parágrafo único. Se for o crime de ação pública, o Ministério Público, quando necessário, promoverá a ação civil ou prosseguirá na que tiver sido iniciada, com a citação dos interessados. Art. 93. Se o reconhecimento da existência da infração penal depender de decisão sobre questão diversa da prevista no artigo anterior, da competência do juízo cível, e se neste houver sido proposta ação para resolvê-la, o juiz criminal poderá, desde que essa questão seja de difícil solução e não verse sobre direito cuja prova a lei civil limite, suspender o curso do processo, após a inquirição das testemunhas e realização das outras provas de natureza urgente. (TJCE-2012) (MPBA-2015) (MPSP-2008): A suspensão do processo em razão de questão prejudicial facultativa somente pode ser determinada pelo juiz se já proposta no juízo cível a ação que vise solucioná-la. BL: art. 93, §3º, CPP. § 1o O juiz marcará o prazo da suspensão, que poderá ser razoavelmente prorrogado, se a demora não for imputável à parte. Expirado o prazo, sem que o juiz cível tenha proferido decisão, o juiz criminal fará prosseguir o processo, retomando sua competência para resolver, de fato e de direito, toda a matéria da acusação ou da defesa. (MPRN-2009) (TJCE-2012) (MPPE-2008-FCC): Tratando-se de questão prejudicial facultativa, de competência do juízo cível, onde já existe processo em andamento, o juiz criminal pode suspender o curso do processo penal, marcando o prazo da suspensão. Decorrido esse prazo sem que o juiz cível tenha proferido decisão, o juiz criminal fará prosseguir o processo retomando sua competência para resolver o mérito, de forma ampla, abrangendo as questões de fato e de direito. BL: art. 93, §3º, CPP. § 2o Do despacho que denegar a suspensão não caberá recurso. (TJSC-2015) § 3o Suspenso o processo, e tratando-se de crime de ação pública, incumbirá ao Ministério Público intervir imediatamente na causa cível, para o fim de promover-lhe o rápido andamento. Art. 94. A suspensão do curso da ação penal, nos casos dos artigos anteriores, será decretada pelo juiz, de ofício ou a requerimento das partes. (MPRN-2009-CESPE): Quanto ao efeito, a questão prejudicial pode ser obrigatória, quando necessariamente se acarreta a suspensão do processo, ou facultativa, quando o juiz criminal tiver a faculdade de suspender ou não a ação. As duas situações são previstas pelo CPP. BL: arts. 92 a 94 do CPP. CAPÍTULO II DAS EXCEÇÕES Art. 95. Poderão ser opostas as exceções de: I - suspeição; (exceção dilatória) II - incompetência de juízo; (exceção dilatória) III - litispendência; (exceção peremptória) IV - ilegitimidade de parte; (exceção peremptória) V - coisa julgada. (exceção peremptória) (MPCE-2011-CESPE): O CPP prevê as seguintes espécies de exceções: suspeição; incompetência de juízo; litispendência; ilegitimidade de parte e coisa julgada. BL: art. 95, CPP. OBS: Questões preliminares peremptórias: se acolhidas, impedem a análise do mérito pelo juízo, já que extinguem a relação processual (coisa julgada, litispendência e legitimidade das partes). Questões preliminares dilatórias: se acolhidas, impedem a análise do mérito pelo juízo (incompetente, suspeito, incompatível ou impedido), mas não extinguem o processo. Art. 96. A argüição de suspeição precederá a qualquer outra, salvo quando fundada em motivo superveniente. (MPBA-2010) (MPMG-2010) (TJAC-2012) (TJPB-2015) (TJAM-2016-CESPE): De acordocom o CPP, em regra, a exceção cuja arguição precederá a qualquer outra é a exceção de suspeição. BL: art. 96, CPP. (MPPR-2011): O Promotor de Justiça pode arguir a suspeição do juiz no próprio momento do oferecimento da denúncia. BL: art. 96, CPP. Art. 97. O juiz que espontaneamente afirmar suspeição deverá fazê-lo por escrito, declarando o motivo legal, e remeterá imediatamente o processo ao seu substituto, intimadas as partes. (MPMG-2014) (TJPB-2015) (TJMS-2015-VUNESP): O juiz dar-se-á por suspeito independentemente da arguição da parte, por declaração escrita, nos autos, apontando os motivos legais de sua suspeição. BL: art. 97, CPP. Art. 98. Quando qualquer das partes PRETENDER RECUSAR o juiz, DEVERÁ FAZÊ- LO em petição assinada por ela própria ou por procurador com poderes especiais, aduzindo as suas razões acompanhadas de prova documental ou do rol de testemunhas. (TJRJ-2011) (TJPA-2012) (TJPR-2017) ##Atenção: ##STJ: ##DOD: ##MPRS-2017: ##TJPR-2017: ##DPU-2017: É exigível procuração com poderes especiais para que seja oposta exceção de suspeição por réu representado pela Defensoria Pública, mesmo que o acusado esteja ausente do distrito da culpa. STJ. 6ª Turma. REsp 1.431.043-MG, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, j. 16/4/15 (Info 560). (DPU-2017-CESPE): A juntada de procuração com poderes especiais é indispensável para que o DP oponha exceção de suspeição do magistrado. BL: Info 560, STJ. (TJAM-2016-CESPE): É exigível procuração com poderes especiais para que seja oposta exceção de suspeição por réu representado pela DP, mesmo que o acusado esteja ausente do distrito da culpa. BL: Info 560, STJ. Art. 99. SE RECONHECER A SUSPEIÇÃO, o juiz SUSTARÁ a marcha do processo, mandará juntar aos autos a petição do recusante com os documentos que a instruam, e por despacho se declarará suspeito, ORDENANDO a remessa dos autos ao substituto. (TJCE- 2018) Art. 100. Não aceitando a suspeição, o juiz mandará autuar em apartado a petição, dará sua resposta dentro em três dias, podendo instruí-la e oferecer testemunhas, e, em seguida, determinará sejam os autos da exceção remetidos, dentro em vinte e quatro horas, ao juiz ou tribunal a quem competir o julgamento. § 1o Reconhecida, preliminarmente, a relevância da argüição, o juiz ou tribunal, com citação das partes, marcará dia e hora para a inquirição das testemunhas, seguindo-se o julgamento, independentemente de mais alegações. § 2o Se a suspeição for de manifesta improcedência, o juiz ou relator a rejeitará liminarmente. Art. 101. Julgada procedente a suspeição, ficarão nulos os atos do processo principal, pagando o juiz as custas, no caso de erro inescusável; rejeitada, evidenciando-se a malícia do excipiente, a este será imposta a multa de duzentos mil-réis a dois contos de réis. (TJRJ-2011) OBS: Se for reconhecida a exceção de suspeição, o feito deve ser remetido a outro juiz e os atos praticados pelo juiz suspeito devem ser anulados. Art. 102. Quando a parte contrária reconhecer a procedência da argüição, poderá ser sustado, a seu requerimento, o processo principal, até que se julgue o incidente da suspeição. (TJRJ-2011-VUNESP): O processo pode ser facultativamente suspenso em face de arguição de suspeição do juiz. BL: arts. 99, 100, caput e 102 do CPP. Art. 103. No Supremo Tribunal Federal e nos Tribunais de Apelação, o juiz que se julgar suspeito deverá declará-lo nos autos e, se for revisor, passar o feito ao seu substituto na ordem da precedência, ou, se for relator, apresentar os autos em mesa para nova distribuição. (MPSC-2016) (TJCE-2012-CESPE): Nos tribunais de segundo grau, o juiz que se julgar suspeito deverá declarar o fato nos autos e, se for revisor, passar o feito ao seu substituto na ordem da precedência, ou, se for relator, apresentar os autos em mesa para nova distribuição. BL: art. 103, CPP. § 1o Se não for relator nem revisor, o juiz que houver de dar-se por suspeito, deverá fazê- lo verbalmente, na sessão de julgamento, registrando-se na ata a declaração. (TJCE-2012) § 2o Se o presidente do tribunal se der por suspeito, competirá ao seu substituto designar dia para o julgamento e presidi-lo. (TJCE-2012) § 3o Observar-se-á, quanto à argüição de suspeição pela parte, o disposto nos arts. 98 a 101, no que Ihe for aplicável, atendido, se o juiz a reconhecer, o que estabelece este artigo. § 4o A suspeição, não sendo reconhecida, será julgada pelo tribunal pleno, funcionando como relator o presidente. § 5o Se o recusado for o presidente do tribunal, o relator será o vice-presidente. Art. 104. SE FOR ARGÜIDA a SUSPEIÇÃO do órgão do Ministério Público, o juiz, depois de ouvi-lo, DECIDIRÁ, sem recurso, PODENDO antes admitir a produção de provas no prazo de três dias. (TJAP-2009) (MPRN-2009) (MPES-2010/2013) (TJPB-2015) (MPSC-2016) (TJPR-2017-CESPE): Acerca das modalidades de exceção previstas no CPP, assinale a opção correta, considerando o entendimento dos tribunais superiores: O juiz decidirá a respeito da arguição de suspeição de membro do MP, após ouvi-lo, sendo admitida a produção de provas. BL: art. 104, CPP. (MPMG-2013): Se for arguída a suspeição do membro do MP, este será ouvido, encaminhando-se os autos ao juiz para decisão, podendo antes determinar a produção de prova. BL: art. 104, CPP. (TJBA-2012-CESPE): Os órgãos do MP sujeitam-se às mesmas prescrições relativas à suspeição dos juízes, no que lhes for aplicável, implicando a sua inobservância nulidade relativa. Art. 105. As partes PODERÃO TAMBÉM ARGÜIR de suspeitos os peritos, os intérpretes e os serventuários ou funcionários de justiça, decidindo o juiz de plano e SEM RECURSO, à vista da matéria alegada e prova imediata. (MPMG-2013) (TJPB-2015) (TJCE- 2018) Art. 106. A SUSPEIÇÃO DOS JURADOS DEVERÁ SER ARGÜIDA oralmente, DECIDINDO de plano do presidente do Tribunal do Júri, que a rejeitará se, negada pelo recusado, não for imediatamente comprovada, o que tudo constará da ata. (TJPR-2017) ##Atenção: ##CESPE: ##TJPR-2017: Segundo o STF, a arguição de suspeição de jurado deve ocorrer no Plenário, durante a sessão de julgamento, sob pena de preclusão, vejamos: “(...) 4. Realizado o sorteio dos jurados na forma e com a antecedência exigidas pela legislação, eventual arguição de suspeição ou impedimento deve ser feita em Plenário, sob pena de preclusão. Precedentes. 5. As nulidades do julgamento devem ser arguidas em Plenário, logo depois que ocorrerem, sob pena de preclusão.” (HC 120746 ES. 19.08.2014. Min. ROBERTO BARROSO). No mesmo sentido, a jurisprudência do STJ (AgRg no Ag 1267769 GO): “Em atenção ao que estabelece o art. 571, inciso VIII , do CPP, as nulidades ocorridas no Plenário do Júri, como a ausência de protesto acerca da suspeição ou impedimento de jurado, devem ser apontadas no momento oportuno que, no caso, seria durante a sessão de julgamento, sob pena de preclusão.” (MPMG-2013): No tribunal do júri, a suspeição de jurado é suscitada oralmente e o juiz decidirá depois de ouvi-lo e, se for o caso, avaliar a comprovação a ser imediatamente apresentada. BL: art. 106, CPP. Art. 107. NÃO SE PODERÁ OPOR SUSPEIÇÃO às autoridades policiais nos atos do inquérito, mas DEVERÃO elas declarar-se suspeitas, quando OCORRER motivo legal. (DPF-2004) (MPRN-2009) (MPDFT-2009) (TJPI-2012) (MPMG-2013) (DPEPA-2015) (TJCE- 2018) (MPMG-2012): A autoridade policial poderá declarar-se suspeita de ofício, sendo inadmissível a oposição de exceção. BL: art. 107, CPP. (TJAL-2008-CESPE): É incabível a oposição de suspeição às autoridades policiais nos atos do inquérito. OBS: As autoridades policiais podem declarar-se suspeitas, mas realmente não cabe exceção de suspeição em tal procedimento.Art. 108. A EXCEÇÃO DE INCOMPETÊNCIA DO JUÍZO PODERÁ SER OPOSTA, verbalmente ou por escrito, no prazo de defesa. (TJAL-2008) (TJPI-2012) (TJPR-2019) § 1o Se, ouvido o Ministério Público, for aceita a declinatória, o feito será remetido ao juízo competente, onde, ratificados os atos anteriores, o processo prosseguirá. § 2o Recusada a incompetência, o juiz continuará no feito, fazendo tomar por termo a declinatória, se formulada verbalmente. Art. 109. Se em qualquer fase do processo o juiz reconhecer motivo que o torne incompetente, declará-lo-á nos autos, haja ou não alegação da parte, prosseguindo-se na forma do artigo anterior. (MPBA-2014) (MPPR-2012): Ainda que encerrada a instrução do processo, se o juiz reconhecer motivo que o torne incompetente, expressá-la-á nos autos e ouvirá o Ministério Público a respeito. BL: art. 109, CPP. Art. 110. Nas exceções de litispendência, ilegitimidade de parte e coisa julgada, será observado, no que Ihes for aplicável, o disposto sobre a exceção de incompetência do juízo. (TJPA-2012) (MPAP-2012) § 1o Se a parte houver de opor mais de uma dessas exceções, deverá fazê-lo numa só petição ou articulado. § 2o A exceção de coisa julgada somente poderá ser oposta em relação ao fato principal, que tiver sido objeto da sentença. (MPAP-2012) Art. 111. As EXCEÇÕES SERÃO PROCESSADAS em autos apartados e NÃO SUSPENDERÃO, em regra, o andamento da ação penal. (TJAL-2008) (MPRN-2009) (TJRJ- 2011) (TJPA-2012) (TJPR-2017) (TJCE-2018) CAPÍTULO III DAS INCOMPATIBILIDADES E IMPEDIMENTOS Art. 112. O juiz, o órgão do Ministério Público, os serventuários ou funcionários de justiça e os peritos ou intérpretes abster-se-ão de servir no processo, quando houver incompatibilidade ou impedimento legal, que declararão nos autos. Se não se der a abstenção, a incompatibilidade ou impedimento poderá ser argüido pelas partes, seguindo-se o processo estabelecido para a exceção de suspeição. CAPÍTULO IV DO CONFLITO DE JURISDIÇÃO Art. 113. As questões atinentes à competência resolver-se-ão não só pela exceção própria, como também pelo conflito positivo ou negativo de jurisdição. Art. 114. Haverá conflito de jurisdição: I - quando duas ou mais autoridades judiciárias se considerarem competentes, ou incompetentes, para conhecer do mesmo fato criminoso; II - quando entre elas surgir controvérsia sobre unidade de juízo, junção ou separação de processos. Art. 115. O conflito poderá ser suscitado: I - pela parte interessada; II - pelos órgãos do Ministério Público junto a qualquer dos juízos em dissídio; (MPAC-2014) III - por qualquer dos juízes ou tribunais em causa. Art. 116. Os juízes e tribunais, sob a forma de representação, e a parte interessada, sob a de requerimento, darão parte escrita e circunstanciada do conflito, perante o tribunal competente, expondo os fundamentos e juntando os documentos comprobatórios. (MPSC- 2013) § 1o Quando negativo o conflito, os juízes e tribunais poderão suscitá-lo nos próprios autos do processo. § 2o Distribuído o feito, se o conflito for positivo, o relator poderá determinar imediatamente que se suspenda o andamento do processo. § 3o Expedida ou não a ordem de suspensão, o relator requisitará informações às autoridades em conflito, remetendo-lhes cópia do requerimento ou representação. § 4o As informações serão prestadas no prazo marcado pelo relator. § 5o Recebidas as informações, e depois de ouvido o procurador-geral, o conflito será decidido na primeira sessão, salvo se a instrução do feito depender de diligência. § 6o Proferida a decisão, as cópias necessárias serão remetidas, para a sua execução, às autoridades contra as quais tiver sido levantado o conflito ou que o houverem suscitado. Art. 117. O Supremo Tribunal Federal, mediante avocatória, restabelecerá a sua jurisdição, sempre que exercida por qualquer dos juízes ou tribunais inferiores. CAPÍTULO V DA RESTITUIÇÃO DAS COISAS APREENDIDAS Art. 118. Antes de transitar em julgado a sentença final, as COISAS APREENDIDAS NÃO PODERÃO SER RESTITUÍDAS enquanto interessarem ao processo. (MPPR-2008) (MPAP-2012) (TJPR-2013) (MPPE-2014) (TJPB-2015) Art. 119. As coisas a que se referem os arts. 74 e 100 do Código Penal não poderão ser restituídas, mesmo depois de transitar em julgado a sentença final, salvo se pertencerem ao lesado ou a terceiro de boa-fé. (TJPA-2012) Art. 120. A RESTITUIÇÃO, quando cabível, PODERÁ SER ORDENADA pela autoridade policial ou juiz, mediante termo nos autos, desde que NÃO EXISTA DÚVIDA quanto ao direito do reclamante. (TJPR-2013) (MPPE-2014) (TJPB-2015) (TJMT-2018) § 1o Se duvidoso esse direito, o pedido de restituição autuar-se-á em apartado, assinando-se ao requerente o prazo de 5 (cinco) dias para a prova. Em tal caso, só o juiz criminal poderá decidir o incidente. (MPPE-2014) § 2o O incidente autuar-se-á também em apartado e só a autoridade judicial o resolverá, se as coisas forem apreendidas em poder de terceiro de boa-fé, que será intimado para alegar e provar o seu direito, em prazo igual e sucessivo ao do reclamante, tendo um e outro dois dias para arrazoar. (TJPA-2012) § 3o Sobre o pedido de restituição será sempre ouvido o Ministério Público. (MPPE- 2014) (TJPB-2015) (DPEBA-2013-CESPE): A restituição de coisas apreendidas em poder do investigado, no âmbito do inquérito policial, pode ser ordenada pela autoridade policial, desde que não haja vedação legal à restituição das coisas e inexista importância à prova da infração ou desde que a restituição não sirva à reparação do dano causado pelo crime e seja induvidoso o direito do reclamante, após oitiva obrigatória do MP. BL: art. 120, §3º, CPP. (MPDFT-2015): Quando duvidoso o direito à restituição das coisas apreendidas, antes da decisão judicial, será sempre ouvido o Ministério Público. BL: art. 120, §§1º e 3º, CPP. § 4o Em caso de dúvida sobre quem seja o verdadeiro dono, o juiz remeterá as partes para o juízo cível, ordenando o depósito das coisas em mãos de depositário ou do próprio terceiro que as detinha, se for pessoa idônea. (TJMA-2008-IESES): Nos pedidos de restituição de bens apreendidos, quando houver dúvidas sobre quem seja o verdadeiro dono do bem, o juiz remeterá as partes para o juízo civil para que este decida. BL: art. 120, §§ 1º e 4º do CPP. § 5o Tratando-se de coisas facilmente deterioráveis, serão avaliadas e levadas a leilão público, depositando-se o dinheiro apurado, ou entregues ao terceiro que as detinha, se este for pessoa idônea e assinar termo de responsabilidade. (TJPB-2015) Art. 121. No caso de apreensão de coisa adquirida com os proventos da infração, aplica- se o disposto no art. 133 e seu parágrafo. Art. 122. Sem prejuízo do disposto nos arts. 120 e 133, decorrido o prazo de 90 dias, após transitar em julgado a sentença condenatória, o juiz decretará, se for caso, a perda, em favor da União, das coisas apreendidas (art. 74, II, a e b do Código Penal) e ordenará que sejam vendidas em leilão público. Parágrafo único. Do dinheiro apurado será recolhido ao Tesouro Nacional o que não couber ao lesado ou a terceiro de boa-fé. Art. 123. Fora dos casos previstos nos artigos anteriores, se dentro no prazo de 90 dias, a contar da data em que transitar em julgado a sentença final, condenatória ou absolutória, os objetos apreendidos não forem reclamados ou não pertencerem ao réu, serão vendidos em leilão, depositando-se o saldo à disposição do juízo de ausentes. (TJCE- 2012) Art. 124. Os instrumentos do crime, cuja perda em favorda União for decretada, e as coisas confiscadas, de acordo com o disposto no art. 100 do Código Penal, serão inutilizados ou recolhidos a museu criminal, se houver interesse na sua conservação. (TJPB-2015) (TJPA-2012-CESPE): A decisão judicial que resolve questão incidental de restituição de coisa apreendida tem natureza definitiva, o que desafia recurso de apelação. BL: RMS 14288. 2ª Turma. Min. LAURITA VAZ j. 25/06/02. CAPÍTULO VI DAS MEDIDAS ASSECURATÓRIAS Art. 125. CABERÁ o SEQÜESTRO DOS BENS IMÓVEIS, ADQUIRIDOS pelo indiciado com os proventos da infração, ainda que JÁ TENHAM SIDO TRANSFERIDOS a terceiro. (TJAL-2008) (TJSC-2009) (TJRS-2009) (MPRR-2012) (TJPR-2014) (TJSP-2018) Art. 126. Para a DECRETAÇÃO DO SEQÜESTRO, BASTARÁ a existência de indícios veementes da proveniência ilícita dos bens. (TJAL-2008) (MPPR-2008) (TJAC-2012) (TJPR-2014) Art. 127. O juiz, de ofício, a requerimento do Ministério Público ou do ofendido, ou mediante representação da autoridade policial, PODERÁ ORDENAR o SEQÜESTRO, em qualquer fase do processo ou AINDA ANTES de oferecida a denúncia ou queixa. (TJAL- 2008) (TJBA-2012) (TJCE-2012) (TJSP-2018) (TJPR-2019-CESPE): A respeito de questões e processos incidentes em âmbito penal, é correto afirmar que o deferimento das medidas assecuratórias de natureza patrimonial previstas no CPP está submetido ao princípio da jurisdicionalidade. BL: art. 127, CPP. ##Atenção: O princípio da jurisdicionalidade estabelece que determinadas matérias devem, obrigatoriamente, ser submetidas à análise do Poder Judiciário. É o caso do sequestro, do arresto e da hipoteca legal, medidas assecuratórias de natureza patrimonial previstas no CPP, do art. 125 ao 144-A. Nesse ponto, Renato Brasileiro de Lima explica: “"Se estamos diante de medidas cautelares, não se pode perder de vista que sua decretação está condicionada à manifestação fundamentada do Poder Judiciário (princípio da jurisdicionalidade). Se a Constituição Federal enfatiza que 'ninguém será privado de sua liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal' (art. 5°, LIV), fica evidente que a Carta Magna impõe a sujeição de toda e qualquer medida cautelar de natureza patrimonial à apreciação do Poder Judiciário”. (Manual Processo Penal. Vol. Único. 7ª Ed. Editora Juspodivm, 2019, p. 1179). (PCMA-2018-CESPE): Em inquérito policial para apurar a prática de crime de furto, a autoridade policial reuniu provas suficientes de que o indiciado teria adquirido imóveis e veículos — todos registrados em seu nome — com recurso proveniente do crime. Nessa situação, a autoridade policial poderá representar à autoridade judiciária competente, requerendo o sequestro dos referidos bens. BL: art. 127, CPP. OBS: Sequestro: O requisito indispensável é que haja indícios veementes de que o bem sequestrado tenha sido adquirido com proventos da infração penal, ou seja, deve o bem ter sido adquirido com origem ilícita. A ideia é deixar indisponível um bem de origem ilícita. (Caderno CP IURIS). OBS: Cumpre ressaltar que o juiz pode ordenar o sequestro antes de oferecida a denúncia ou queixa (art. 127, CPP). Art. 128. Realizado o seqüestro, o juiz ordenará a sua inscrição no Registro de Imóveis. (TJPR-2014) Art. 129. O seqüestro autuar-se-á em apartado e admitirá embargos de terceiro. (TJPR- 2014) Art. 130. O SEQÜESTRO PODERÁ ainda SER EMBARGADO: I - pelo acusado, sob o fundamento de não terem os bens sido adquiridos com os proventos da infração; II - pelo terceiro, a quem houverem os bens sido transferidos a título oneroso, sob o fundamento de tê-los adquirido de boa-fé. (MPPR-2008) (TJRS-2009) (TJAC-2012) (MPAC- 2014) ##Atenção: O art. 130, II do CPP reserva tais embargos apenas para os casos de aquisição a título oneroso. Parágrafo único. Não poderá ser pronunciada decisão nesses embargos antes de passar em julgado a sentença condenatória. Art. 131. O seqüestro será levantado: I - se a ação penal não for intentada no prazo de sessenta dias, contado da data em que ficar concluída a diligência; (MPAM-2007) II - se o terceiro, a quem tiverem sido transferidos os bens, prestar caução que assegure a aplicação do disposto no art. 74, II, b, segunda parte, do Código Penal; (MPAM- 2007) III - se for julgada extinta a punibilidade ou absolvido o réu, por sentença transitada em julgado. (MPAM-2007) Art. 132. Proceder-se-á ao seqüestro dos bens móveis se, verificadas as condições previstas no art. 126, não for cabível a medida regulada no Capítulo Xl do Título Vll deste Livro. (TJRS-2009) Art. 133. Transitada em julgado a sentença condenatória, o juiz, de ofício ou a requerimento do interessado, DETERMINARÁ a avaliação e a venda dos bens EM LEILÃO PÚBLICO. (TJPR-2019) ##Atenção: Consoante dispõe o art. 133 do CPP, a avaliação e venda dos bens em leilão público deve observar os seguintes requisitos: 1) Trânsito em julgado da sentença; 2) Pode ser determinada de ofício pelo juiz OU a requerimento do interessado. Parágrafo único. Do dinheiro apurado, será recolhido ao Tesouro Nacional o que não couber ao lesado ou a terceiro de boa-fé. Art. 134. A HIPOTECA LEGAL SOBRE OS IMÓVEIS do indiciado PODERÁ SER REQUERIDA pelo ofendido em qualquer fase do processo, DESDE QUE HAJA certeza da infração e indícios suficientes da autoria. (TJRS-2009) (MPDFT-2011) (TJPA-2012) Art. 135. Pedida a especialização mediante requerimento, em que a parte estimará o valor da responsabilidade civil, e designará e estimará o imóvel ou imóveis que terão de ficar especialmente hipotecados, o juiz mandará logo proceder ao arbitramento do valor da responsabilidade e à avaliação do imóvel ou imóveis. (TJRS-2009) § 1o A petição será instruída com as provas ou indicação das provas em que se fundar a estimação da responsabilidade, com a relação dos imóveis que o responsável possuir, se outros tiver, além dos indicados no requerimento, e com os documentos comprobatórios do domínio. § 2o O arbitramento do valor da responsabilidade e a avaliação dos imóveis designados far-se-ão por perito nomeado pelo juiz, onde não houver avaliador judicial, sendo-lhe facultada a consulta dos autos do processo respectivo. § 3o O juiz, ouvidas as partes no prazo de dois dias, que correrá em cartório, poderá corrigir o arbitramento do valor da responsabilidade, se Ihe parecer excessivo ou deficiente. § 4o O juiz autorizará somente a inscrição da hipoteca do imóvel ou imóveis necessários à garantia da responsabilidade. § 5o O valor da responsabilidade será liquidado definitivamente após a condenação, podendo ser requerido novo arbitramento se qualquer das partes não se conformar com o arbitramento anterior à sentença condenatória. § 6o Se o réu oferecer caução suficiente, em dinheiro ou em títulos de dívida pública, pelo valor de sua cotação em Bolsa, o juiz poderá deixar de mandar proceder à inscrição da hipoteca legal. Art. 136. O arresto do imóvel poderá ser decretado de início, revogando-se, porém, se no prazo de 15 (quinze) dias não for promovido o processo de inscrição da hipoteca legal. (Redação dada pela Lei nº 11.435, de 2006). (TJRS-2009) Art. 137. Se o responsável NÃO POSSUIR bens imóveis ou os possuir de valor insuficiente, PODERÃO SER ARRESTADOS BENS MÓVEIS suscetíveis de penhora, nos termos em que É FACULTADA a hipoteca legal dos imóveis. (Redação dada pela Lei nº 11.435, de 2006). (TJSP-2018-VUNESP): Quanto às medidas assecuratórias, é correto afirmar que se o responsável não possuir bens imóveis ou os possuir de valor insuficiente, poderão ser arrestados bens móveis suscetíveis de penhora, nos termos em que é facultada a hipotecalegal dos imóveis.. BL: art. 137, CPP. § 1o Se esses bens forem coisas fungíveis e facilmente deterioráveis, proceder-se-á na forma do § 5o do art. 120. § 2o Das rendas dos bens móveis poderão ser fornecidos recursos arbitrados pelo juiz, para a manutenção do indiciado e de sua família. Art. 138. O processo de especialização da hipoteca e do arresto correrão em auto apartado. (Redação dada pela Lei nº 11.435, de 2006). Art. 139. O depósito e a administração dos bens arrestados ficarão sujeitos ao regime do processo civil. (Redação dada pela Lei nº 11.435, de 2006). Art. 140. As garantias do ressarcimento do dano alcançarão também as despesas processuais e as penas pecuniárias, tendo preferência sobre estas a reparação do dano ao ofendido. Art. 141. O arresto será levantado ou cancelada a hipoteca, se, por sentença irrecorrível, o réu for absolvido ou julgada extinta a punibilidade. (Redação dada pela Lei nº 11.435, de 2006). Art. 142. Caberá ao Ministério Público promover as medidas estabelecidas nos arts. 134 e 137, se houver interesse da Fazenda Pública, ou se o ofendido for pobre e o requerer. Art. 143. Passando em julgado a sentença condenatória, serão os autos de hipoteca ou arresto remetidos ao juiz do cível (art. 63). (Redação dada pela Lei nº 11.435, de 2006). Art. 144. Os interessados ou, nos casos do art. 142, o Ministério Público poderão requerer no juízo cível, contra o responsável civil, as medidas previstas nos arts. 134, 136 e 137. Art. 144-A. O juiz DETERMINARÁ a ALIENAÇÃO ANTECIPADA para preservação do valor dos bens sempre que estiverem sujeitos a qualquer grau de deterioração ou depreciação, ou quando houver dificuldade para sua manutenção. (Incluído pela Lei nº 12.694, de 2012) (TJSP-2018) (MPSC-2013): No capítulo das medidas assecuratórias, informa o CPP que o juiz determinará a alienação antecipada para preservação do valor dos bens sempre que estiverem sujeitos a qualquer grau de deterioração ou depreciação, ou quando houver dificuldade para sua manutenção. BL: art. 144-A, CPP. OBS: Cumpre ressaltar que é possível a alienação antecipada antes mesmo da do recebimento da peça acusatória; a lei não restringe (art. 144-A, CPP). § 1o O leilão far-se-á preferencialmente por meio eletrônico. (Incluído pela Lei nº 12.694, de 2012) § 2o Os bens deverão ser vendidos pelo valor fixado na avaliação judicial ou por valor maior. Não alcançado o valor estipulado pela administração judicial, será realizado novo leilão, em até 10 (dez) dias contados da realização do primeiro, podendo os bens ser alienados por valor não inferior a 80% (oitenta por cento) do estipulado na avaliação judicial. (Incluído pela Lei nº 12.694, de 2012) § 3o O produto da alienação ficará depositado em conta vinculada ao juízo até a decisão final do processo, procedendo-se à sua conversão em renda para a União, Estado ou Distrito Federal, no caso de condenação, ou, no caso de absolvição, à sua devolução ao acusado. (Incluído pela Lei nº 12.694, de 2012) § 4o Quando a indisponibilidade recair sobre dinheiro, inclusive moeda estrangeira, títulos, valores mobiliários ou cheques emitidos como ordem de pagamento, o juízo determinará a conversão do numerário apreendido em moeda nacional corrente e o depósito das correspondentes quantias em conta judicial. (Incluído pela Lei nº 12.694, de 2012) § 5o No caso da alienação de veículos, embarcações ou aeronaves, o juiz ordenará à autoridade de trânsito ou ao equivalente órgão de registro e controle a expedição de certificado de registro e licenciamento em favor do arrematante, ficando este livre do pagamento de multas, encargos e tributos anteriores, sem prejuízo de execução fiscal em relação ao antigo proprietário. (Incluído pela Lei nº 12.694, de 2012) § 6o O valor dos títulos da dívida pública, das ações das sociedades e dos títulos de crédito negociáveis em bolsa será o da cotação oficial do dia, provada por certidão ou publicação no órgão oficial. (Incluído pela Lei nº 12.694, de 2012) § 7o (VETADO). (Incluído pela Lei nº 12.694, de 2012) CAPÍTULO VII DO INCIDENTE DE FALSIDADE Art. 145. Argüida, por escrito, a falsidade de documento constante dos autos, o juiz observará o seguinte processo: (MPSC-2014) I - mandará autuar em apartado a impugnação, e em seguida ouvirá a parte contrária, que, no prazo de 48 horas, oferecerá resposta; II - assinará o prazo de 3 dias, sucessivamente, a cada uma das partes, para prova de suas alegações; III - conclusos os autos, poderá ordenar as diligências que entender necessárias; IV - se reconhecida a falsidade por decisão irrecorrível, mandará desentranhar o documento e remetê-lo, com os autos do processo incidente, ao Ministério Público. OBS: Art. 581. Caberá recurso, no sentido estrito, da decisão, despacho ou sentença: (...) XVIII - que decidir o incidente de falsidade (MPSC-2014) Art. 146. A ARGÜIÇÃO DE FALSIDADE, feita por procurador, EXIGE poderes especiais. (TJAL-2008) Art. 147. O juiz PODERÁ, de ofício, proceder à verificação da falsidade. (TJMG-2006) Art. 148. Qualquer que seja a decisão, NÃO FARÁ COISA JULGADA em prejuízo de ulterior processo penal ou civil. (TJAL-2008) (TJPI-2012) (MPRR-2012) (MPBA-2015): No processo de incidente de falsidade documental, qualquer que seja a decisão, não fará coisa julgada em prejuízo de ulterior processo penal ou civil. BL: art. 148, CPP. CAPÍTULO VIII DA INSANIDADE MENTAL DO ACUSADO Art. 149. Quando houver dúvida sobre a integridade mental do acusado, o juiz ORDENARÁ, de ofício ou a requerimento do Ministério Público, do defensor, do curador, do ascendente, descendente, irmão ou cônjuge do acusado, seja este submetido a exame médico-legal. (MPSP-2005) (TJCE-2012) ##Atenção: ##STF: ##DOD: ##TJPR-2019: O incidente de insanidade mental é prova pericial constituída em favor da defesa. Logo, não é possível determiná-lo compulsoriamente na hipótese em que a defesa se oponha à sua realização. STF. 2ª Turma. HC 133.078/RJ, Rel. Min. Cármen Lúcia, j. 6/9/2016 (Info 838). ##Atenção: ##STJ: A instauração de exame de sanidade mental está afeta à discricionariedade do magistrado, devendo existir dúvida razoável acerca da higidez mental do réu. (STJ. AgRg no HC 439.395/SC, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, 6ª T., j. 19/2/19) (MPPR-2014): O irmão ou o cônjuge do réu são legitimados para requerer a realização de exame médico-legal, para fins de comprovação da insanidade mental do acusado, no curso da ação penal. BL: art. 149, CPP. § 1o O exame PODERÁ SER ORDENADO ainda na fase do inquérito, mediante REPRESENTAÇÃO DA AUTORIDADE POLICIAL ao juiz competente. (TJAL-2008) (MPPR- 2014) § 2o O juiz NOMEARÁ curador ao acusado, quando determinar o exame, ficando suspenso o processo, se já iniciada a ação penal, salvo quanto às diligências que possam ser prejudicadas pelo adiamento. (TJMA-2013) (MPMG-2011) (MPPR-2014): Até que se efetive exame médico-legal para fins de comprovação de insanidade mental do acusado, pela lei processual, suspende-se o processo, mas não o curso do prazo prescricional. BL: art. 149, §2º, CPP. (MPPR-2014): É possível a realização de oitiva de uma testemunha, gravemente enferma, em processo suspenso para fins de constatação da insanidade mental do acusado decorrente de moléstia posterior ao crime. BL: art. 149, §2º, CPP. (MPAC-2014-CESPE): Existindo dúvida razoável quanto à saúde psíquica do acusado, competirá ao juiz da causa averiguar a necessidade de instauração de incidente de insanidade mental. BL: art. 149, CPP. (MPF-2012): CONSIDERANDO OS RECENTES POSICIONAMENTOS ADOTADOS PELO STJ, ANALISE AS ASSERTIVAS ABAIXO: O exame previsto no art. 149,do CPP, somente é imprescindível quando houver dúvida fundada a respeito da higidez mental do acusado, tanto em função da superveniência de enfermidade no curso da instrução criminal quanto pela presença de indícios plausíveis de que, quando do cometimento do delito, era incapaz de entender o caráter ilícito da conduta perpetrada ou de determinar-se de acordo com esse entendimento. BL: Info 486, STJ. (TJMA-2008-IESES): O Incidente de Insanidade Mental poderá ser instaurado ainda na fase do inquérito policial; uma vez determinada a realização do exame, deverá o Juiz nomear curador ao acusado e suspender o processo, se já iniciada a ação penal, podendo ainda determinar a realização de diligências que possam ser prejudicadas pelo adiamento. BL: art. 149, CPP. Art. 150. Para o efeito do exame, o acusado, se estiver preso, será internado em manicômio judiciário, onde houver, ou, se estiver solto, e o requererem os peritos, em estabelecimento adequado que o juiz designar. § 1o O exame não durará mais de quarenta e cinco dias, salvo se os peritos demonstrarem a necessidade de maior prazo. § 2o Se não houver prejuízo para a marcha do processo, o juiz poderá autorizar sejam os autos entregues aos peritos, para facilitar o exame. Art. 151. Se os peritos concluírem que o acusado era, ao tempo da infração, irresponsável nos termos do art. 22 do Código Penal, o processo prosseguirá, com a presença do curador. (TJSP-2014-VUNESP): Concluindo a perícia que o réu era inimputável à época do cometimento do injusto penal, o processo prossegue com a assistência do curador, normalmente, o próprio advogado. BL: art. 151, CPP. Art. 152. Se se verificar que a doença mental sobreveio à infração o processo continuará suspenso até que o acusado se restabeleça, observado o § 2o do art. 149. (MPRR-2012) (TJMA-2013) (MPPR-2014) (MPGO-2016): A necessidade de o réu recobrar sua higidez mental nas hipóteses de insanidade superveniente é uma condição de prosseguibilidade do processo, haja vista que, sem o seu implemento, a marcha processual fica paralisada, com a prescrição correndo normalmente, circunstância essa doutrinariamente chamada de crise de instância. (TJSP-2014-VUNESP): Se a perícia concluir que o acusado, à época do fato, era imputável, mas, na época de realização do exame durante o processo, padece de doença mental, o feito será paralisado, aguardando-se que o réu obtenha melhora para que possa se defender com eficácia. BL: art. 152, CPP. § 1o O juiz poderá, nesse caso, ordenar a internação do acusado em manicômio judiciário ou em outro estabelecimento adequado. § 2o O processo retomará o seu curso, desde que se restabeleça o acusado, ficando-lhe assegurada a faculdade de reinquirir as testemunhas que houverem prestado depoimento sem a sua presença. Art. 153. O INCIDENTE DA INSANIDADE MENTAL PROCESSAR-SE-Á em auto apartado, que só depois da apresentação do laudo, será apenso ao processo principal. (TJPR-2013) Art. 154. Se a insanidade mental sobrevier no curso da execução da pena, observar-se-á o disposto no art. 682. (TJSP-2014-VUNESP): Concluindo a perícia que o réu era inimputável à época do cometimento do injusto penal, o processo prossegue com a assistência do curador, normalmente, o próprio advogado. BL: art. 154, CPP e art. 183 da LEP. TÍTULO VII DA PROVA CAPÍTULO I DISPOSIÇÕES GERAIS Art. 155. O juiz FORMARÁ sua convicção PELA LIVRE APRECIAÇÃO DA PROVA PRODUZIDA EM CONTRADITÓRIO JUDICIAL, NÃO PODENDO FUNDAMENTAR sua decisão exclusivamente nos elementos informativos colhidos na investigação, RESSALVADAS as provas cautelares, não repetíveis e antecipadas. (Redação dada pela Lei nº 11.690, de 2008) (TJSC-2009) (TJPR-2010) (TJPE-2011) (TJSP-2011) (PCGO-2013) (PCSC-2014) (MPBA-2015) (TJCE-2018) (TJSP-2018-VUNESP): Quanto às provas no processo penal, é correto afirmar que o juiz formará sua convicção pela livre apreciação da prova produzida em contraditório judicial, não podendo fundamentar sua decisão exclusivamente nos elementos informativos colhidos na investigação, ressalvadas as provas cautelares, não repetíveis e antecipadas. BL: art. 155, CPP. (TJDFT-2016-CESPE): O juiz deve formar sua convicção pela livre apreciação da prova produzida em contraditório judicial, e poderá proferir decisão com base exclusivamente nas provas cautelares, não repetíveis e antecipadas. BL: art. 155, CPP. (TJSP-2015-VUNESP): A formação da convicção do magistrado no processo penal tem por base inúmeros elementos. Assinale a alternativa que contenha elementos que vão ao encontro da sistemática do Código de Processo Penal como um todo: Livre convencimento e motivação da decisão. BL: art. 155, CPP. (MPMT-2014): Rege a produção probatória no sistema processual penal brasileiro os seguintes princípios: princípio do contraditório, princípio da comunhão da prova, princípio da oralidade, princípio da autorresponsabilidade das partes e princípio da não autoincriminação. (SEGESP/AL-2013-CESPE): O parecer feito por assistente técnico apresenta valor probatório equivalente ao da perícia realizada por perito oficial, não havendo hierarquia entre as provas, podendo, ademais, o juiz penal ignorar as conclusões dos laudos periciais em face do livre convencimento motivado. BL: art. 155, CPP. OBS: O que extraímos é que o sistema de valoração de prova adotado é o da persuasão racional do juiz, não havendo hierarquia entre as provas, já que, em regra, não adotamos o sistema tarifado de provas. Logo, o juiz pode ignorar as conclusões dos pareceres/laudos periciais em face do seu livre convencimento motivado e assim decidir. (TJSP-2011-VUNESP): As provas cautelares antecipadas podem ser consideradas pelo juiz na formação da sua convicção, ainda que não reproduzidas perante o contraditório. BL: art. 155, CPP. (PCDFT-2009): O juiz formará sua convicção pela livre apreciação da prova, não ficando adstrito a critérios valorativos, sendo livre a sua escolha, aceitação e valoração. BL: art. 155, CPP. (TJDFT-2008): Pode-se afirmar que em virtude do contraditório, o juiz não poderá basear eventual decisão condenatória em elementos probatórios produzidos exclusivamente em fase policial. BL: art. 155, CPP. Parágrafo único. Somente quanto ao estado das pessoas serão observadas as restrições estabelecidas na lei civil. (Incluído pela Lei nº 11.690, de 2008) (TJPB-2015-CESPE): No processo penal, a prova do estado de casado deve obedecer às restrições referentes ao estado de pessoas previstas no ordenamento civil. BL: art. 155, § único do CPP. (MPGO-2010): A prova do estado civil das pessoas está sujeita às limitações impostas pela lei civil. Assim, para que seja declarada extinta a punibilidade, a morte do réu não poderá ser provada por testemunhas. BL: art. 155, § único e art. 62 do CPP. (TJSE-2008-CESPE): Quanto ao estado das pessoas, a observância das restrições à prova previstas na lei civil é uma limitação à liberdade probatória do processo penal. BL: art. 155, § único do CPP. Art. 156. A prova da alegação INCUMBIRÁ a quem a fizer, sendo, porém, FACULTADO ao juiz DE OFÍCIO: (Redação dada pela Lei nº 11.690, de 2008) (TJMG-2009) (TJSP-2011/2018) (TJRS-2018) (Anal. Judic./TJAP-2009-CESPE): No processo penal, a prova da alegação incumbirá a quem a fizer. BL: art. 156, CPP. I – ORDENAR, mesmo antes de iniciada a ação penal, a produção antecipada de provas consideradas urgentes e relevantes, observando a necessidade, adequação e proporcionalidade da medida; (Incluído pela Lei nº 11.690, de 2008) (TJAL-2009) (TJPE- 2011) (TJCE-2012) (TJDFT-2014) (DPERS-2014) (MPBA-2015) (TJRJ-2016) (TJRS-2018) (TJPR-2012/2019) (MPSP-2013): Ao juiz é facultado ordenar, de ofício, produção antecipada da provatestemunhal urgente, antes mesmo de iniciada a ação penal. BL: art. 156, I do CPP. (TJPE-2011-FCC): No tocante à prova, o juiz observará a necessidade, adequação e proporcionalidade da produção antecipada de provas, mesmo antes de iniciada a ação penal. BL: art. 156, I do CPP. II – DETERMINAR, no curso da instrução, ou antes de proferir sentença, a REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIAS para dirimir dúvida sobre ponto relevante. (Incluído pela Lei nº 11.690, de 2008) (TJMG-2009) (TJPE-2011) (TJPR-2012) (TJCE-2012) (TJSP-2018) (MPSC-2016): De acordo com a redação do art. 156 do CPP, a regra de que a prova da alegação incumbirá a quem o fizer admite exceções, quais sejam: ser facultado ao juiz, de ofício, ordenar, mesmo antes de iniciada a ação penal, a produção antecipada de provas consideradas urgentes e relevantes, observando a necessidade, adequação e proporcionalidade das medidas; e, determinar no curso da instrução ou antes de proferir sentença, a realização de diligências para dirimir dúvidas sobre ponto relevante. BL: art. 156, CPP. (MPMG-2014): No curso da instrução do feito, o juiz pode determinar, de ofício, a realização de diligências para dirimir dúvida sobre ponto relevante da causa. BL: art. 156, II, CPP. (TJRJ-2012-VUNESP): O modelo de nosso processo penal é acusatório. Tal regra não impede, entretanto, que o juiz, de ofício, determine, no processo condenatório, a realização de diligências para dirimir dúvida sobre ponto relevante. BL: art. 156, II, CPP. (TJPR-2012): A prova, no Processo Penal, incumbirá a quem alega (CPP, art. 156). Contudo, é correto afirmar: O juiz pode determinar, no curso da instrução, a realização de diligências para dirimir dúvida sobre ponto relevante da causa. BL: art. 156, II, CPP. Art. 157. SÃO inadmissíveis, DEVENDO SER DESENTRANHADAS DO PROCESSO, as provas ILÍCITAS, assim entendidas as obtidas em violação a normas constitucionais ou legais. (Redação dada pela Lei nº 11.690, de 2008) (TJPR-2012) (TJRS-2009/2018) (TJSP-2018) (PCMA-2018-CESPE): A prova obtida por meios ilícitos não constitui suporte jurídico capaz de ensejar sentença condenatória, ainda que corroborada pela confissão do acusado. BL: art. 157, CPP. § 1o São também inadmissíveis AS PROVAS DERIVADAS DAS ILÍCITAS, SALVO quando não evidenciado o nexo de causalidade entre umas e outras, ou quando as derivadas puderem ser obtidas por uma fonte independente das primeiras. (Incluído pela Lei nº 11.690, de 2008) (TJAL-2008) (MPSP-2008) (Anal. Judic.TJES-2011) (TJPR- 2010/2012) (TJCE-2012) (MPSC-2016) (TJSP-2011/2018) (PCAC-2017-IBADE): São inadmissíveis, por serem ilícitas, as provas que embora colhidas licitamente derivam das ilícitas. BL: art. 157, §1º do CPP. (Anal. Judic./TJDFT-2015-CESPE): Conforme a teoria dos frutos da árvore envenenada, adotada pelo Código de Processo Penal, a prova ilícita produzida no processo criminal tem o condão de contaminar todas as provas dela decorrentes, devendo, entretanto, ficar evidenciado o nexo de causalidade entre elas, considerando-se válidas, ademais, as provas derivadas que possam ser obtidas por fonte independente da prova ilícita. BL: art. 157, §1º, CPP. (MPSC-2014): São inadmissíveis, devendo ser desentranhadas do processo, as provas ilícitas, assim entendidas as obtidas em violação a normas constitucionais ou legais. São também inadmissíveis as provas derivadas das ilícitas, salvo quando não evidenciado o nexo de causalidade entre umas e outras, ou quando as derivadas puderem ser obtidas por uma fonte independente das primeiras. É o que estabelece o CPP. BL: art. 157 e §1º do CPP. (TJRJ-2013-VUNESP): A teoria dos “frutos da árvore envenenada” está positivada em nossa legislação infraconstitucional. (DPERS-2011-FCC): As provas derivadas das ilícitas não se considerarão contaminadas quando puderem ser obtidas de uma fonte independente destas, ou quando não evidenciado o nexo de causalidade entre umas e outras, segundo o disposto na norma processual penal. BL: art. 157, §1º, CPP. (TJRS-2009): São admitidas provas derivadas das ilícitas quando não evidenciado o nexo de causalidade entre umas e outras, ou quando as derivadas puderem ser obtidas por uma fonte independente das primeiras. BL: art. 157, §1º, 2ª parte, CPP. (TJCE-2012) § 2o Considera-se FONTE INDEPENDENTE aquela que por si só, seguindo os trâmites típicos e de praxe, próprios da investigação ou instrução criminal, seria capaz de conduzir ao fato objeto da prova. (Incluído pela Lei nº 11.690, de 2008) (TJGO-2009) (TJMT-2014-FMP): É correto dizer que o CPP considera lícita a prova obtida por fonte(s) independente(s) da ilícita, porque entre uma e outra não há nexo de causalidade. BL: art. 157, CPP. (MPDFT-2013): O Código de Processo Penal considera a “fonte independente” como exceção à proibição de utilização das provas ilícitas por derivação. BL: art. 157, §2º, CPP. (MPSC-2013): São inadmissíveis, devendo ser desentranhadas do processo, as provas derivadas das ilícitas, salvo quando não evidenciado o nexo de causalidade entre umas e outra, ou quando puderem ser obtidas por uma fonte independente das primeiras, considerada aquela que, seguindo os trâmites típicos e de praxe, próprios da investigação ou instrução criminal, seria capaz de conduzir ao fato objeto de prova. BL: art. 157 e §§1ºe 2º do CPP. (PCGO-2012): Sobre investigação e prova, é CORRETO afirmar: dentre as teorias limitadoras da doutrina dos frutos da árvore envenenada encontra-se a doutrina ou limitação da descoberta inevitável que reza que a prova derivada de uma violação constitucional é válida se tal prova teria sido descoberta por meio de atividades investigatórias lícitas, sem qualquer relação com a violação. BL: art. 157 e §§1ºe 2º do CPP. § 3o PRECLUSA a decisão de desentranhamento da prova declarada inadmissível, esta SERÁ INUTILIZADA POR DECISÃO JUDICIAL, FACULTADO às partes acompanhar o incidente. (Incluído pela Lei nº 11.690, de 2008) (TJRS-2009) (TJMG-2014): A prova declarada inadmissível deve ser desentranhada e inutilizada, após preclusão da decisão respectiva, podendo as partes acompanhar o incidente. BL: art. 157, §3º do CPP. (DPERS-2011-FCC): Consoante previsto no CPP, preclusa a decisão de desentranhamento da prova declarada inadmissível, esta será inutilizada por decisão judicial. BL: art. 157, §3º do CPP. (TJAL-2008-CESPE): Preclusa a decisão de desentranhamento da prova declarada inadmissível, esta terá de ser inutilizada por força de decisão judicial, facultando-se às partes acompanhar o incidente. BL: art. 157, §3º do CPP. § 4o (VETADO) (Incluído pela Lei nº 11.690, de 2008) CAPÍTULO II DO EXAME DO CORPO DE DELITO, E DAS PERÍCIAS EM GERAL Art. 158. Quando a infração DEIXAR VESTÍGIOS, SERÁ INDISPENSÁVEL o EXAME DE CORPO DE DELITO, DIRETO ou INDIRETO, NÃO PODENDO SUPRI-LO a CONFISSÃO DO ACUSADO. (TJSC-2009) (TJAP-2009) (PCDFT-2009) (TJPR-2010/2012/2013) (TJSP- 2011) (TJDFT-2011) (TJGO-2012) (Anal. Judic./TREBA-2017) (Anal. Judic./STJ-2018) (PCMA-2018-CESPE): Caso a infração tenha deixado vestígio, a confissão do acusado não acarretará a dispensa da prova pericial. BL: art. 158 e art. 525, CPP. Parágrafo único. Dar-se-á prioridade à realização do exame de corpo de delito quando se tratar de crime que envolva: (Incluído pela Lei nº 13.721, de 2018) I - violência doméstica e familiar contra mulher; (Incluído pela Lei nº 13.721, de 2018) II - violência contra criança, adolescente, idoso ou pessoa com deficiência. (Incluído pela Lei nº 13.721, de 2018) Art. 159. O EXAME DE CORPO DE DELITO e OUTRAS PERÍCIAS SERÃO REALIZADOS por perito oficial, portador de diploma de curso superior. (Redação dada pela Lei nº 11.690, de 2008) (TJGO-2009) (TJAM-2016) § 1o Na falta de perito oficial, o exame SERÁ REALIZADO por2 (duas) pessoas idôneas, portadoras de diploma de curso superior preferencialmente na área específica, dentre as que tiverem habilitação técnica relacionada com a natureza do exame. (Redação dada pela Lei nº 11.690, de 2008) (TJDFT-2008) (TJRS-2009) (TJPR-2010) (TJSC-2015-FCC): Na falta de perito oficial, o exame poderá ser realizado por duas pessoas idôneas, portadoras de diploma de curso superior, mas não necessariamente na área técnica específica da natureza do exame. BL: art. 159, §1º, CPP. § 2o Os peritos NÃO OFICIAIS PRESTARÃO o compromisso de bem e fielmente DESEMPENHAR o encargo. (Redação dada pela Lei nº 11.690, de 2008) (TJRJ-2014) (TJAC-2019) ##Atenção: ##TJAC-2019: Somente os peritos não oficiais deverão prestar compromisso (art. 159, §2º, CPP), justamente porque os peritos oficiais se submetem ao regime público, no qual já se insere o dever de adequado desempenho de funções. Presume-se que os oficiais assim procederão. § 3o SERÃO FACULTADAS ao Ministério Público, ao assistente de acusação, ao ofendido, ao querelante e ao acusado a formulação de quesitos e indicação de assistente técnico. (Incluído pela Lei nº 11.690, de 2008) (TJSC-2015) (DPEES-2016) (TJSP-2017) § 4o O assistente técnico ATUARÁ a partir de sua admissão pelo juiz e após a conclusão dos exames e elaboração do laudo pelos peritos oficiais, sendo as partes intimadas desta decisão. (Incluído pela Lei nº 11.690, de 2008) (TJPB-2015) (TJSP-2017) § 5o Durante o curso do processo judicial, É PERMITIDO às partes, quanto à perícia: (Incluído pela Lei nº 11.690, de 2008) I – REQUERER a oitiva dos peritos para esclarecerem a prova ou para responderem A QUESITOS, desde que o mandado de intimação e os quesitos ou questões a serem esclarecidas sejam encaminhados com antecedência mínima de 10 (dez) dias, PODENDO APRESENTAR AS RESPOSTAS em laudo complementar; (Incluído pela Lei nº 11.690, de 2008) (MPAL-2012) (TJCE-2018-CESPE): Em relação aos direitos das partes diante da determinação da prova pericial, julgue o item a seguir: Em até dez dias do início da perícia, as partes podem apresentar quesitos a ser respondidos pelos peritos. BL: art. 159, §5º, I, CPP. (TJSP-2017-VUNESP): No que diz respeito ao exame de corpo de delito e às perícias em geral, é correto afirmar que é permitido às partes, durante o curso do processo, requerer a oitiva dos peritos para esclarecerem a prova, desde que o mandado de intimação e as questões a serem esclarecidas sejam encaminhados com antecedência mínima de 10 dias, podendo apresentar as respostas em laudo complementar. BL: art. 159, §5º, I, CPP. (TJSC-2015-FCC): As partes poderão requerer a oitiva dos peritos para esclarecerem a prova ou para responderem a quesitos, desde que o mandado de intimação e os quesitos ou questões a serem esclarecidas sejam encaminhados com antecedência mínima de 10 dias, podendo apresentar as respostas em laudo complementar. BL: art. 159, §5º, I, CPP. II – indicar assistentes técnicos que poderão apresentar pareceres em prazo a ser fixado pelo juiz ou ser inquiridos em audiência. (Incluído pela Lei nº 11.690, de 2008) § 6o Havendo requerimento das partes, o material probatório que serviu de base à perícia será disponibilizado no ambiente do órgão oficial, que manterá sempre sua guarda, e na presença de perito oficial, para exame pelos assistentes, salvo se for impossível a sua conservação. (Incluído pela Lei nº 11.690, de 2008) § 7o Tratando-se de perícia complexa que abranja mais de uma área de conhecimento especializado, PODER-SE-Á DESIGNAR a atuação de mais de um perito oficial, e a parte indicar mais de um assistente técnico. (Incluído pela Lei nº 11.690, de 2008) Art. 160. Os peritos elaborarão o laudo pericial, onde descreverão minuciosamente o que examinarem, e responderão aos quesitos formulados. (Redação dada pela Lei nº 8.862, de 28.3.1994) Parágrafo único. O laudo pericial será elaborado no prazo máximo de 10 dias, podendo este prazo ser prorrogado, em casos excepcionais, a requerimento dos peritos. (Redação dada pela Lei nº 8.862, de 28.3.1994) (Perito Criminal Engenharias/IGPSC-2017-IESES): O Perito Norberto entregou um Laudo Pericial, referente a um local de acidente de trânsito com vítimas, 35 dias após a solicitação do exame, sem pedir prorrogação de prazo, e, por conseguinte, foi repreendido pelo Diretor do Instituto de Criminalística local, sob a alegação de ter atrasado a conclusão do referido laudo. Segundo o artigo 160, parágrafo único, do Código de Processo Penal, qual seria o prazo máximo para a conclusão e entrega a ser cumprido pelo Perito Norberto? 10 dias, prorrogáveis em casos excepcionais. BL: art. 160, § único, CPP. (TJPR-2013): O laudo pericial será elaborado no prazo máximo de dez dias, podendo este prazo ser prorrogado, em casos excepcionais, a requerimento dos peritos. BL: art. 160, § único, CPP. Art. 161. O EXAME DE CORPO DE DELITO PODERÁ SER FEITO em qualquer dia e a qualquer hora. (PCDFT-2009) (MPAL-2012) (TJPR-2013) Art. 162. A AUTÓPSIA SERÁ FEITA pelo menos seis horas depois do óbito, SALVO se os peritos, pela evidência dos sinais de morte, julgarem que possa ser feita antes daquele prazo, o que declararão no auto. (TJGO-2012) (TJSC-2015) OBS: Segundo Renato Brasileiro, apesar de o CPP usar a expressão “autópsia”, o ideal é usar a palavra necropsia, pois autópsia significa inspeção de si próprio. Em regra, a necropsia envolve o exame interno e externo, lavrando-se, em seguida, o laudo necroscópico ou cadavérico. Parágrafo único. Nos casos de morte violenta, bastará o simples exame externo do cadáver, quando não houver infração penal que apurar, ou quando as lesões externas permitirem precisar a causa da morte e não houver necessidade de exame interno para a verificação de alguma circunstância relevante [ex.: esmagamento do crânio]. (TJCE- 2012) Art. 163. Em caso de exumação para exame cadavérico, a autoridade [obs.: autoridade judiciária ou policial] PROVIDENCIARÁ para que, em dia e hora previamente marcados, se realize a diligência, da qual se lavrará auto circunstanciado. (TJSC-2015) Parágrafo único. O administrador de cemitério público ou particular indicará o lugar da sepultura, sob pena de desobediência. No caso de recusa ou de falta de quem indique a sepultura, ou de encontrar-se o cadáver em lugar não destinado a inumações, a autoridade procederá às pesquisas necessárias, o que tudo constará do auto. Art. 164. Os cadáveres serão sempre fotografados na posição em que forem encontrados, bem como, na medida do possível, todas as lesões externas e vestígios deixados no local do crime. (Redação dada pela Lei nº 8.862, de 28.3.1994) Art. 165. Para representar as lesões encontradas no cadáver, os peritos, quando possível, juntarão ao laudo do exame provas fotográficas, esquemas ou desenhos, devidamente rubricados. Art. 166. Havendo dúvida sobre a identidade do cadáver exumado, proceder-se-á ao reconhecimento pelo Instituto de Identificação e Estatística ou repartição congênere ou pela inquirição de testemunhas, lavrando-se auto de reconhecimento e de identidade, no qual se descreverá o cadáver, com todos os sinais e indicações. Parágrafo único. Em qualquer caso, serão arrecadados e autenticados todos os objetos encontrados, que possam ser úteis para a identificação do cadáver. Art. 167. NÃO SENDO POSSÍVEL o EXAME DE CORPO DE DELITO, por haverem desaparecido os vestígios, a PROVA TESTEMUNHAL PODERÁ SUPRIR-LHE a falta. (MPSP-2008) (MPCE-2009) (TJSC-2009) (TJAP-2009) (TJDFT-2011) (TJGO-2012) (TJPR- 2013) (Anal. Judic./TREBA-2017) (Anal. Judic./STJ-2018) Art. 168. Em caso de lesões corporais, se o primeiro exame pericialtiver sido incompleto, proceder-se-á a exame complementar por determinação da autoridade policial ou judiciária, de ofício, ou a requerimento do Ministério Público, do ofendido ou do acusado, ou de seu defensor. (MPSP-2005) § 1o No exame complementar, os peritos terão presente o auto de corpo de delito, a fim de suprir-lhe a deficiência ou retificá-lo. § 2o Se o exame tiver por fim precisar a classificação do delito no art. 129, § 1o, I, do Código Penal, deverá ser feito logo que decorra o prazo de 30 dias, contado da data do crime. (MPDFT-2011) § 3o A FALTA de exame complementar PODERÁ SER SUPRIDA pela prova testemunhal. (MPDFT-2011) (MPSC-2013) (TJAC-2019) (TJRS-2018-VUNESP): A respeito das provas, assinale a alternativa correta: A falta de exame complementar, em caso de lesões corporais, poderá ser suprida pela prova testemunhal. BL: art. 168, §3º, CPP. Art. 169. Para o efeito de exame do local onde houver sido praticada a infração, a autoridade providenciará imediatamente para que não se altere o estado das coisas até a chegada dos peritos, que poderão instruir seus laudos com fotografias, desenhos ou esquemas elucidativos. (Vide Lei nº 5.970, de 1973) Parágrafo único. Os peritos registrarão, no laudo, as alterações do estado das coisas e discutirão, no relatório, as conseqüências dessas alterações na dinâmica dos fatos. (Incluído pela Lei nº 8.862, de 28.3.1994) Art. 170. Nas perícias de laboratório, os peritos guardarão material suficiente para a eventualidade de nova perícia. Sempre que conveniente, os laudos serão ilustrados com provas fotográficas, ou microfotográficas, desenhos ou esquemas. Art. 171. Nos crimes cometidos com destruição ou rompimento de obstáculo a subtração da coisa, ou por meio de escalada, os peritos, além de descrever os vestígios, indicarão com que instrumentos, por que meios e em que época presumem ter sido o fato praticado. Art. 172. Proceder-se-á, quando necessário, à avaliação de coisas destruídas, deterioradas ou que constituam produto do crime. Parágrafo único. Se impossível a avaliação direta, os peritos procederão à avaliação por meio dos elementos existentes nos autos e dos que resultarem de diligências. Art. 173. No caso de incêndio, os peritos verificarão a causa e o lugar em que houver começado, o perigo que dele tiver resultado para a vida ou para o patrimônio alheio, a extensão do dano e o seu valor e as demais circunstâncias que interessarem à elucidação do fato. Art. 174. No exame para o RECONHECIMENTO DE ESCRITOS, por comparação de letra, observar-se-á o seguinte: (TJRS-2018) I - a pessoa a quem se atribua ou se possa atribuir o escrito será intimada para o ato, se for encontrada; II - para a comparação, poderão servir quaisquer documentos que a dita pessoa reconhecer ou já tiverem sido judicialmente reconhecidos como de seu punho, ou sobre cuja autenticidade não houver dúvida; III - a autoridade, quando necessário, requisitará, para o exame, os documentos que existirem em arquivos ou estabelecimentos públicos, ou nestes realizará a diligência, se daí não puderem ser retirados; IV - quando não houver escritos para a comparação ou forem insuficientes os exibidos, a autoridade mandará que a pessoa escreva o que Ihe for ditado. Se estiver ausente a pessoa, mas em lugar certo, esta última diligência poderá ser feita por precatória, em que se consignarão as palavras que a pessoa será intimada a escrever. (TJRS-2018-VUNESP): O exame para o reconhecimento fotográfico não possui previsão legal. [adaptada]. Art. 175. Serão sujeitos a exame os instrumentos empregados para a prática da infração, a fim de se Ihes verificar a natureza e a eficiência. Art. 176. A autoridade e as partes poderão formular quesitos até o ato da diligência. Art. 177. No exame por precatória, a nomeação dos peritos far-se-á no juízo deprecado. Havendo, porém, no caso de ação privada, acordo das partes, essa nomeação poderá ser feita pelo juiz deprecante. (MPSP-2012) Parágrafo único. Os quesitos do juiz e das partes serão transcritos na precatória. Art. 178. No caso do art. 159, o exame será requisitado pela autoridade ao diretor da repartição, juntando-se ao processo o laudo assinado pelos peritos. Art. 179. No caso do § 1o do art. 159, o escrivão lavrará o auto respectivo, que será assinado pelos peritos e, se presente ao exame, também pela autoridade. Parágrafo único. No caso do art. 160, parágrafo único, o laudo, que poderá ser datilografado, será subscrito e rubricado em suas folhas por todos os peritos. Art. 180. Se houver divergência entre os peritos, SERÃO CONSIGNADAS no auto do exame as declarações e respostas de um e de outro, ou cada um redigirá separadamente o seu laudo, e a autoridade nomeará um terceiro; SE ESTE DIVERGIR DE AMBOS, a autoridade PODERÁ MANDAR PROCEDER a novo exame por outros peritos. (PCBA- 2013) (TJRJ-2014) (TJPB-2015) Art. 181. No caso de inobservância de formalidades, ou no caso de omissões, obscuridades ou contradições, a autoridade judiciária MANDARÁ SUPRIR a formalidade, COMPLEMENTAR ou ESCLARECER o laudo. (Redação dada pela Lei nº 8.862, de 28.3.1994) Parágrafo único. A autoridade PODERÁ TAMBÉM ORDENAR que se proceda a NOVO EXAME, por outros peritos, SE JULGAR conveniente. (TJCE-2018-CESPE): Em relação aos direitos das partes diante da determinação da prova pericial, julgue o item a seguir: As partes têm direito de requerer nova perícia ou a sua complementação, desde que o façam dentro do prazo marcado pelo juiz. BL: art. 181, § único, CPP e Enunciado 03 da Jornada de Processo Civil. OBS: Enunciado nº 03 da I Jornada de Direito Processual Civil, promovida pelo Centro de Estudos Judiciários do Conselho da Justiça Federal (CJF), sob a coordenação dos ministros Mauro Campbell e Raul Araújo e apoio do STJ, ENFAM e AJUFE: “As disposições do CPC aplicam-se supletiva e subsidiariamente ao Código de Processo Penal, no que não forem incompatíveis com esta Lei”. Nesse sentido, vejamos o teor do art. 480 do NCPC: “Art. 480. O juiz determinará, de ofício ou a requerimento da parte, a realização de nova perícia quando a matéria não estiver suficientemente esclarecida.”. (Fonte: https://www.jota.info/opiniao-e-analise/colunas/juiz-hermes/a-aplicacao-supletiva-e- subsidiaria-do-cpc15-ao-cpp41-09102017). OBS: Conforme as lições de Aury Lopes Jr, as partes tem os seguintes direitos em relação a prova pericial: requerer sua produção; apresentar quesitos com antecedência mínima de 10 dias da realização da perícia; manifestar-se sobre a prova, podendo requerer nova perícia, sua complementação ou esclarecimento dos peritos; (…) Art. 182. O juiz NÃO FICARÁ ADSTRITO ao laudo, PODENDO aceitá-lo ou rejeitá-lo, no todo ou em parte. (TJAP-2008) (TJDFT-2008/2011) (TJAM-2016-CESPE): Carla fez um seguro de vida que previa o pagamento de vultosa indenização a seu marido, José, caso ela viesse a falecer. O contrato previa que o beneficiário não teria direito à indenização se causasse a morte da segurada. Alguns meses depois, Carla foi encontrada morta, tendo o perito oficial que assinou o laudo cadavérico concluído que a causa provável fora envenenamento. Em que pese o delegado não ter indiciado José, o MP concluiu que havia indícios de autoria, razão pela qual ele foi denunciado por homicídio doloso. O juiz recebeu a denúncia e determinou a citação do réu. José negou a autoria do delito, tendo solicitado a admissão de assistente técnico e apresentado defesa em que requereu sua absolvição sumária. O parecer do assistente técnico foi no sentido de que a morte de Carla tivera causas naturais. Acerca dessa situação hipotética,assinale a opção correta. O juiz poderá fundamentar uma sentença absolutória acatando o parecer elaborado pelo assistente técnico contratado por José, rejeitando as conclusões do perito oficial. BL: art. 182, CPP. (Téc. Legisl.-Câm. Deputados-2014-CESPE): O juiz não ficará vinculado às conclusões dos peritos exaradas no laudo técnico, podendo rejeitá-las completamente. BL: art. 182, CPP. (TJPI-2007-CESPE): A chamada prova crítica nada mais é do que a perícia, que, no ordenamento brasileiro, tem natureza jurídica de meio de prova, admitindo-se que o juiz não fique adstrito ao laudo, podendo aceitá-lo ou rejeitá-lo, no todo ou em parte. Art. 183. Nos crimes em que não couber ação pública, observar-se-á o disposto no art. 19. Art. 184. SALVO o caso de EXAME DE CORPO DE DELITO, o juiz ou a autoridade policial NEGARÁ A PERÍCIA requerida pelas partes, quando NÃO FOR NECESSÁRIA ao esclarecimento da verdade. (TJDFT-2011) (MPAM-2015) (TJCE-2018) (TJAC-2019-VUNESP): Quanto às provas, assinale a alternativa correta, segundo o quanto previsto no CPP: No caso de exame de corpo de delito, o juiz ou a autoridade policial não pode negar a perícia requerida pelas partes. BL: art. 184, CPP. ##Atenção: À exceção do exame de corpo de delito, o juiz ou a autoridade policial negará a perícia requerida pelas partes, quando não for necessária ao esclarecimento da verdade. (MPSP-2013): A juízo da Autoridade Policial, diligências que o indiciado e o ofendido reputem úteis ao esclarecimento de fatos apurados no inquérito podem deixar de ser realizadas, a menos que se trate de exame de corpo de delito. BL: art. 184, CPP. CAPÍTULO III DO INTERROGATÓRIO DO ACUSADO Art. 185. O acusado que COMPARECER perante a autoridade judiciária, no curso do processo penal, SERÁ QUALIFICADO e INTERROGADO na presença de seu defensor, constituído ou nomeado. (Redação dada pela Lei nº 10.792, de 1º.12.2003) (DPEAM/Reaplic.-2018) § 1o O INTERROGATÓRIO do réu preso SERÁ REALIZADO, em sala própria, no estabelecimento em que estiver recolhido, DESDE QUE ESTEJAM GARANTIDAS a segurança do juiz, do membro do Ministério Público e dos auxiliares bem como a presença do defensor e a publicidade do ato. (Redação dada pela Lei nº 11.900, de 2009) (TJSC-2009/2010) (TJGO-2012) § 2o EXCEPCIONALMENTE [obs.: é medida excepcional], o juiz, por decisão fundamentada, de ofício ou a requerimento das partes, PODERÁ REALIZAR o INTERROGATÓRIO DO RÉU PRESO por sistema de videoconferência ou outro recurso tecnológico de transmissão de sons e imagens em tempo real [ex: skype], desde que a medida seja necessária para atender a uma das seguintes finalidades: (Redação dada pela Lei nº 11.900, de 2009) (TJSC-2010) (MPDFT-2011) (TJGO-2012) (Policial Legisl. Fed./Sen. Federal-2013) (MPSC-2013) (PCMS-2017) (DPEAM/Reaplic.-2018) (TJAC-2019) (Investig. Polícia/PCBA-2018-VUNESP): Quanto ao interrogatório de réu preso por videoconferência, de acordo com a sistemática adotada pelo CPP, assinale a alternativa correta: Trata-se de medida excepcional e só poderá ser realizado após prévia decisão judicial fundamentada. BL: art. 185, §2ºCPP. I - PREVENIR risco à segurança pública, quando EXISTA FUNDADA SUSPEITA de que o preso INTEGRE organização criminosa ou de que, por outra razão, possa fugir durante o deslocamento; (Incluído pela Lei nº 11.900, de 2009) (MPMG-2013) (PCMS-2017) (Investig. Polícia/PCBA-2018) (DPEAM/Reaplic.-2018-FCC): O interrogatório do acusado pelo juiz − de ofício ou a requerimento das partes − poderá ser realizado pelo sistema de videoconferência, observando-se a seguinte regra: É medida excepcional que visa prevenir risco à segurança pública, quando exista fundada suspeita de que o preso integre organização criminosa ou de que, por outra razão, possa fugir durante o deslocamento. BL: art. 185, §2º, I, CPP. II - VIABILIZAR a participação do réu no referido ato processual, quando HAJA RELEVANTE DIFICULDADE para seu comparecimento em juízo, por enfermidade ou outra circunstância pessoal; (Incluído pela Lei nº 11.900, de 2009) (MPSP-2011) (MPMG- 2013) (PCMS-2017) (DPEAM/Reaplic.-2018) (Investig. Polícia/PCBA-2018) III - IMPEDIR a influência do réu NO ÂNIMO de testemunha ou da vítima, desde que não seja possível colher o depoimento destas por videoconferência, nos termos do art. 217 deste Código; (Incluído pela Lei nº 11.900, de 2009) (MPMG-2013) (PCMS-2017) (DPEAM/Reaplic.-2018) IV - RESPONDER à GRAVÍSSIMA questão de ordem pública. (Incluído pela Lei nº 11.900, de 2009) (TJGO-2009) (MPMG-2013) (MPSC-2013) (Investig. Polícia/PCBA-2018) (PCMS-2017-FAPEMS): De acordo com as disposições expressas no CPP vigente, o interrogatório por videoconferência do réu preso será realizado excepcionalmente, de ofício pelo juiz ou a requerimento das partes, por decisão fundamentada, desde que a medida seja necessária para responder à gravíssima questão de ordem pública. BL: art. 185, §2º, IV, CPP. (MPSC-2016): De acordo com o CPP, excepcionalmente, o juiz, por decisão fundamentada, de ofício ou a requerimento das partes, poderá realizar o interrogatório do réu preso por sistema de videoconferência ou outro recurso tecnológico de transmissão de sons e imagens em tempo real, desde que a medida seja necessária para atender a uma das seguintes finalidades: viabilizar a participação do réu no referido ato processual, quando haja relevante dificuldade para seu comparecimento em juízo, por enfermidade ou outra circunstância pessoal; impedir a influência do réu no ânimo de testemunha ou da vítima, desde que não seja possível colher o depoimento destas por videoconferência, nos termos do artigo 217 do Código de Processo Penal; e responder à gravíssima questão de ordem pública. BL: art. 185, §2º, CPP. § 3o Da decisão que DETERMINAR a realização de INTERROGATÓRIO POR VIDEOCONFERÊNCIA, as partes SERÃO INTIMADAS com 10 (dez) dias de antecedência. (Incluído pela Lei nº 11.900, de 2009) (MPPE-2014) (PCMS-2017) (Investig. Polícia/PCBA- 2018) (TJRJ-2012-VUNESP): Nos termos do quanto determina o CPP, o interrogatório judicial do preso será realizado pessoalmente e, apenas excepcionalmente, será realizado por videoconferência, mediante decisão fundamentada, da qual as partes deverão ser intimadas com 10 dias de antecedência. BL: art. 185, caput e §§1º a 3º do CPP. § 4o Antes do interrogatório POR VIDEOCONFERÊNCIA, o preso PODERÁ ACOMPANHAR, pelo mesmo sistema tecnológico, a realização de todos os atos da audiência única de instrução e julgamento de que tratam os arts. 400, 411 e 531 deste Código. (Incluído pela Lei nº 11.900, de 2009) (MPSP-2011) OBS: Segundo Renato Brasileiro, o direito de presença do acusado poderá ser exercido de duas formas: direta (presença física na sala de audiências) ou remota (através da videoconferência). Em ambas está garantida a presença do réu (right to be present). Afinal, seja de forma direta, seja de forma remota, não se pode negar ao acusado o direito de presença no momento da instrução probatória. É nesse sentido o teor do art. 185, §4º, CPP. (Fonte: BRASILEIRO, Renato. Manual de Processo Penal. Ed. Juspodivm. 7ª ed. 2019, p. 709). § 5o Em QUALQUER MODALIDADE DE INTERROGATÓRIO, o juiz GARANTIRÁ ao réu o direito de entrevista prévia e reservada com o seu defensor; se realizado por videoconferência, fica também garantido o acesso a canais telefônicos reservados para comunicação entre o defensor que esteja no presídio e o advogado presente na sala de audiência do Fórum, e entre este e o preso. (Incluído pela Lei nº 11.900, de 2009) (TJMS-2008) (MPSP-2011) (MPPE-2014) OBS: A teor do que dispõe o art. 185, §5º, CPP, a realização do interrogatório por videoconferência demanda a presença de dois defensores, devendo um permanecer no presídioe o outro na sala de audiência do Fórum. § 6o A sala reservada no estabelecimento prisional para a realização de atos processuais por sistema de videoconferência SERÁ FISCALIZADA pelos corregedores e pelo juiz de cada causa, como também pelo Ministério Público e pela Ordem dos Advogados do Brasil. (Incluído pela Lei nº 11.900, de 2009) (MPSP-2011) § 7o Será requisitada a apresentação do réu preso em juízo nas hipóteses em que o interrogatório não se realizar na forma prevista nos §§ 1o e 2o deste artigo [obs.: no interior do presídio ou por videoconferência]. (Incluído pela Lei nº 11.900, de 2009) § 8o APLICA-SE o disposto nos §§ 2o, 3o, 4o e 5o deste artigo, no que couber, à REALIZAÇÃO DE OUTROS ATOS PROCESSUAIS que DEPENDAM da participação de pessoa que esteja presa, como acareação, reconhecimento de pessoas e coisas, e inquirição de testemunha ou tomada de declarações do ofendido. (Incluído pela Lei nº 11.900, de 2009) (MPSP-2012) OBS: Renato Brasileiro explica que, apesar da Lei 11.900/09 ter ficado conhecida como a Lei do interrogatório por videoconferência, importante ressaltar que essa nova tecnologia não está restrita ao interrogatório, sendo possível sua utilização para a prática de outros atos processuais, caso o acusado esteja preso. É o que deixa claro o disposto no art. 185, § 8°, do CPP, o qual dispõe que também será possível a utilização da videoconferência, no que couber, para a realização de outros atos processuais que dependam da participação de pessoa que esteja presa, como acareação, reconhecimento de pessoas e coisas, e inquirição de testemunha ou tomada de declarações do ofendido. Nesse caso, fica garantido o acompanhamento do ato processual pelo acusado e seu defensor (CPP, art. 185, § 9º'). (Fonte: BRASILEIRO, Renato. Manual de Processo Penal. Ed. Juspodivm. 7ª ed. 2019, p. 707). § 9o Na hipótese do § 8o deste artigo, fica garantido o acompanhamento do ato processual pelo acusado e seu defensor. (Incluído pela Lei nº 11.900, de 2009) § 10. Do interrogatório deverá constar a informação sobre a existência de filhos, respectivas idades e se possuem alguma deficiência e o nome e o contato de eventual responsável pelos cuidados dos filhos, indicado pela pessoa presa. (Incluído pela Lei nº 13.257, de 2016) OBS: Obrigação do magistrado, de, durante o interrogatório judicial, averiguar se o réu possui filhos e quem está responsável por seus cuidados: Trata-se, portanto, de nova pergunta obrigatória a ser formulada pelo Juiz durante o interrogatório. Constatando o Delegado de Polícia ou o Juiz que os filhos menores da pessoa presa estão em situação de risco, deverão encaminhar a criança ou o adolescente para programa de acolhimento familiar ou institucional. Art. 186. Depois de devidamente qualificado e cientificado do inteiro teor da acusação, o acusado SERÁ INFORMADO pelo juiz, ANTES DE INICIAR O INTERROGATÓRIO, do seu direito de permanecer calado e de não responder perguntas que lhe forem formuladas. (Redação dada pela Lei nº 10.792, de 1º.12.2003) (TJPR-2008) (TJCE-2012) (TJSP-2018) Parágrafo único. O SILÊNCIO, que NÃO IMPORTARÁ em confissão, NÃO PODERÁ SER INTERPRETADO em prejuízo da defesa. (Incluído pela Lei nº 10.792, de 1º.12.2003) (TJMS-2008) (TJSC-2013) (MPPE-2014) (TJSP-2018) (Agente Penitenc./PCES-2009-CESPE): O silêncio do acusado não caracteriza confissão nem admissão de qualquer responsabilidade e não pode ser interpretado pelo juiz em prejuízo da defesa. BL: art. 186, § único, CPP. Art. 187. O interrogatório será constituído de duas partes: sobre a pessoa do acusado e sobre os fatos. (Redação dada pela Lei nº 10.792, de 1º.12.2003) § 1o Na primeira parte o interrogando será perguntado sobre a residência, meios de vida ou profissão, oportunidades sociais, lugar onde exerce a sua atividade, vida pregressa, notadamente se foi preso ou processado alguma vez e, em caso afirmativo, qual o juízo do processo, se houve suspensão condicional ou condenação, qual a pena imposta, se a cumpriu e outros dados familiares e sociais. (Incluído pela Lei nº 10.792, de 1º.12.2003) § 2o Na segunda parte será perguntado sobre: (Incluído pela Lei nº 10.792, de 1º.12.2003) I - ser verdadeira a acusação que lhe é feita; (Incluído pela Lei nº 10.792, de 1º.12.2003) II - não sendo verdadeira a acusação, se tem algum motivo particular a que atribuí-la, se conhece a pessoa ou pessoas a quem deva ser imputada a prática do crime, e quais sejam, e se com elas esteve antes da prática da infração ou depois dela; (Incluído pela Lei nº 10.792, de 1º.12.2003) III - onde estava ao tempo em que foi cometida a infração e se teve notícia desta; (Incluído pela Lei nº 10.792, de 1º.12.2003) IV - as provas já apuradas; (Incluído pela Lei nº 10.792, de 1º.12.2003) V - se conhece as vítimas e testemunhas já inquiridas ou por inquirir, e desde quando, e se tem o que alegar contra elas; (Incluído pela Lei nº 10.792, de 1º.12.2003) VI - se conhece o instrumento com que foi praticada a infração, ou qualquer objeto que com esta se relacione e tenha sido apreendido; (Incluído pela Lei nº 10.792, de 1º.12.2003) VII - todos os demais fatos e pormenores que conduzam à elucidação dos antecedentes e circunstâncias da infração; (Incluído pela Lei nº 10.792, de 1º.12.2003) VIII - se tem algo mais a alegar em sua defesa. (Incluído pela Lei nº 10.792, de 1º.12.2003) Art. 188. Após proceder ao interrogatório, o juiz indagará das partes se restou algum fato para ser esclarecido, formulando as perguntas correspondentes se o entender pertinente e relevante. (Redação dada pela Lei nº 10.792, de 1º.12.2003) (TJPR-2008) (TJDFT-2008) (MPDFT-2015): No rito ordinário, o interrogatório é realizado pelo sistema presidencial, não havendo previsão de perguntas diretas das partes ao réu. BL: art. 188, CPP. (MPES-2010-CESPE): No interrogatório do réu, assegura-se a presença das partes, que podem fazer reperguntas logo após a inquirição pela autoridade judiciária. No entanto, o mesmo princípio não encontra aplicação na fase policial em que o procedimento é inquisitivo, pois, nessa fase, não se aplica o princípio do contraditório. BL: art. 188, CPP. Art. 189. Se o interrogando negar a acusação, no todo ou em parte, poderá prestar esclarecimentos e indicar provas. (Redação dada pela Lei nº 10.792, de 1º.12.2003) Art. 190. Se confessar a autoria, será perguntado sobre os motivos e circunstâncias do fato e se outras pessoas concorreram para a infração, e quais sejam. (Redação dada pela Lei nº 10.792, de 1º.12.2003) Art. 191. Havendo mais de um acusado, serão interrogados separadamente. (Redação dada pela Lei nº 10.792, de 1º.12.2003) (TJGO-2012) ##Atenção: ##STF: ##DOD: Se houver mais de um acusado, cada um dos réus não terá direito de acompanhar o interrogatório dos corréus. Segundo o CPP, havendo mais de um acusado, eles deverão ser interrogados separadamente (art. 191). Ex.: João e Pedro são réus em uma ação penal. No momento em que forem ser interrogados, um não poderá ouvir o depoimento do outro. Logo, quando João for ser interrogado, Pedro terá que sair da sala, ficando, contudo, seu advogado presente. No instante em que Pedro for prestar seus esclarecimentos, será a vez de João deixar o recinto, ficando representado por seu advogado. Se o réu for advogado e estiver atuando em causa própria, mesmo assim deverá ser aplicada a regra do art. 191 do CPP. Em outras palavras, quando o corréu for ser interrogado, o acusado (que atua como advogado) terá que sair da sala de audiência. STF. 2ª Turma. HC 101021/SP, Rel. Min. Teori Zavascki, julgado em 20/5/2014 (Info 747). Art. 192. O interrogatório do MUDO, do SURDO ou do SURDO-MUDO SERÁ FEITOpela forma seguinte: (Redação dada pela Lei nº 10.792, de 1º.12.2003) I - ao SURDO SERÃO APRESENTADAS por escrito as perguntas, que ele responderá oralmente; (Redação dada pela Lei nº 10.792, de 1º.12.2003) II - ao MUDO as perguntas SERÃO FEITAS oralmente, respondendo-as por escrito; (Redação dada pela Lei nº 10.792, de 1º.12.2003) (Policial Legisl. Fed./Sen. Federal-2013) III - ao SURDO-MUDO as perguntas SERÃO FORMULADAS por escrito e do mesmo modo dará as respostas. (Redação dada pela Lei nº 10.792, de 1º.12.2003) (TJRJ-2012) Parágrafo único. Caso o interrogando não saiba ler ou escrever, INTERVIRÁ no ato, como INTÉRPRETE e SOB COMPROMISSO, pessoa habilitada a entendê-lo. (Redação dada pela Lei nº 10.792, de 1º.12.2003) (Policial Legisl. Fed./Sen. Federal-2013) (MPSC-2016): De acordo com o CPP, o interrogatório do mudo, do surdo ou do surdo-mudo será feito pela forma seguinte: ao surdo serão apresentadas por escrito as perguntas, que ele responderá oralmente; ao mudo as perguntas serão feitas oralmente, respondendo-as por escrito; ao surdo-mudo as perguntas serão formuladas por escrito e do mesmo modo dará as respostas; caso o interrogando não saiba ler ou escrever, intervirá no ato, como intérprete e sob compromisso, pessoa habilitada a entendê-lo. BL: art. 192, CPP. Art. 193. Quando o interrogando não falar a língua nacional, o interrogatório SERÁ FEITO por meio de INTÉRPRETE. (Redação dada pela Lei nº 10.792, de 1º.12.2003) (TJRJ- 2012) (Anal. Judic./TJPA-2014) Art. 194. (Revogado pela Lei nº 10.792, de 1º.12.2003) Art. 195. Se o interrogado não souber escrever, não puder ou não quiser assinar, tal fato será consignado no termo. (Redação dada pela Lei nº 10.792, de 1º.12.2003) (MPSP-2011) Art. 196. A TODO TEMPO o juiz PODERÁ PROCEDER a novo interrogatório de ofício ou a pedido fundamentado de qualquer das partes. (Redação dada pela Lei nº 10.792, de 1º.12.2003) (TJRS-2018) (TJDFT-2014-CESPE): Telmo, surdo, alfabetizado em língua portuguesa, integrante de organização criminosa, preso preventivamente, foi denunciado pela prática dos crimes de associação criminosa, tortura, sequestro e latrocínio, por diversas vezes, tendo todos os crimes por ele praticados ocorrido na região administrativa do Lago Sul – DF. Ao final de cada instrução foi determinado o interrogatório de Telmo pelos juízos competentes. Considerando essa situação hipotética, assinale a opção correta. Encerrada a instrução, o juiz poderá, a qualquer tempo, proceder de ofício a novo interrogatório de Telmo. BL: art. 196, CPP. CAPÍTULO IV DA CONFISSÃO Art. 197. O valor da confissão se aferirá pelos critérios adotados para os outros elementos de prova, e para a sua apreciação o juiz deverá confrontá-la com as demais provas do processo, verificando se entre ela e estas existe compatibilidade ou concordância. (TJMG- 2014) Art. 198. O silêncio do acusado não importará confissão, mas poderá constituir elemento para a formação do convencimento do juiz. [obs.: A doutrina quase que unânime vai dizer que a parte final riscada não teria sido recepcionada pela CF/88, pois fere o direito ao silêncio.] (TJMS-2008) (PCSP-2014-VUNESP): A respeito do direito ao silêncio do acusado no inquérito policial, é correto afirmar que não importará em confissão. BL: art. 198, CPP. (TJPR-2012): Prevê o art. 198 do CPP que “o silêncio do acusado não importará confissão, mas poderá constituir elemento para a formação do convencimento do juiz”. Com base no princípio do nemo tenetur se detegere e dos direitos constitucionais que dele decorrem, é correto afirmar que o dispositivo transcrito estaria em desacordo com os ditames do processo penal democrático delineado pela CF/88. BL: art. 198, CPP. (TJSP-2018) OBS: O preceito em questão está totalmente em desacordo com o direito do acusado de não produzir prova contra si mesmo, incluindo o direito ao silêncio. Aliás, entende-se que o art. 198 do CPP foi revogado tacitamente pela Lei 10792/03, que deu nova redação ao parágrafo único do art. 186 do CPP. Diz este último dispositivo que: “o silêncio, que não importará em confissão, não poderá ser interpretado em prejuízo da defesa”. Ora, sendo tal regra posterior ao advento do art. 198 e com ele totalmente incompatível, conclui-se ter sido o último revogado. Art. 199. A confissão, quando feita fora do interrogatório, será tomada por termo nos autos, observado o disposto no art. 195. Art. 200. A confissão será divisível e retratável, sem prejuízo do livre convencimento do juiz, fundado no exame das provas em conjunto. (MPGO-2010) (MPAM-2015) (TJGO-2012-FCC): A confissão é divisível e retratável. BL: art. 200 do CPP. Explicação: Divisível, pois o juiz pode entender devidamente demonstrada apenas parte dos fatos confessados pelo acusado. Retratável, porque o acusado pode confessar e depois voltar atrás. CAPÍTULO V DO OFENDIDO (Redação dada pela Lei nº 11.690, de 2008) Art. 201. Sempre que possível, o ofendido será qualificado e perguntado sobre as circunstâncias da infração, quem seja ou presuma ser o seu autor, as provas que possa indicar, tomando-se por termo as suas declarações. (Redação dada pela Lei nº 11.690, de 2008) (TJMG-2009) (Policial Legisl. Fed./Sen. Federal-2013) § 1o Se, intimado para esse fim, deixar de comparecer sem motivo justo, o ofendido PODERÁ SER CONDUZIDO à presença da autoridade. (Incluído pela Lei nº 11.690, de 2008) (TJAL-2008) (TJMG-2009) (MPDFT-2011) (MPSP-2013) (MPMA-2014) § 2o O ofendido SERÁ COMUNICADO dos atos processuais relativos ao ingresso e à saída do acusado da prisão, à designação de data para audiência e à sentença e respectivos acórdãos que a mantenham ou modifiquem. (Incluído pela Lei nº 11.690, de 2008) (TJAL-2008) § 3o As comunicações ao ofendido deverão ser feitas no endereço por ele indicado, admitindo-se, por opção do ofendido, o uso de meio eletrônico. (Incluído pela Lei nº 11.690, de 2008) § 4o Antes do início da audiência e durante a sua realização, será reservado espaço separado para o ofendido. (Incluído pela Lei nº 11.690, de 2008) § 5o Se o juiz entender necessário, poderá encaminhar o ofendido para atendimento multidisciplinar, especialmente nas áreas psicossocial, de assistência jurídica e de saúde, a expensas do ofensor ou do Estado. (Incluído pela Lei nº 11.690, de 2008) § 6o O juiz TOMARÁ as providências necessárias à preservação da intimidade, vida privada, honra e imagem do ofendido, PODENDO, inclusive, DETERMINAR o SEGREDO DE JUSTIÇA em relação aos dados, depoimentos e outras informações constantes dos autos a seu respeito para evitar sua exposição aos meios de comunicação. (Incluído pela Lei nº 11.690, de 2008) (MPDFT-2011) (MPMA-2014) CAPÍTULO VI DAS TESTEMUNHAS Art. 202. Toda pessoa PODERÁ SER TESTEMUNHA. (TJSE-2008) (TJDFT-2008) (MPSP-2010) (TJSC-2013) (TJPR-2010): Considerando a matéria de provas no processo penal brasileiro: Toda pessoa poderá ser testemunha. BL: art. 202, CPP. Art. 203. A testemunha fará, sob palavra de honra, a promessa de dizer a verdade do que souber e Ihe for perguntado, devendo declarar seu nome, sua idade, seu estado e sua residência, sua profissão, lugar onde exerce sua atividade, se é parente, e em que grau, de alguma das partes, ou quais suas relações com qualquer delas, e relatar o que souber, explicando sempre as razões de sua ciência ou as circunstâncias pelas quais possa avaliar-se de sua credibilidade. Art. 204. O depoimento será prestado oralmente, não sendo permitido à testemunha trazê-lo por escrito. (MPES-2013) Parágrafo único. NÃO SERÁ VEDADA à testemunha, entretanto, breve consulta a apontamentos. (TJGO-2012) (MPES-2013)(TJSC-2019) Art. 205. Se ocorrer dúvida sobre a identidade da testemunha, o juiz procederá à verificação pelos meios ao seu alcance, podendo, entretanto, tomar-lhe o depoimento desde logo. (TJSC-2019) Art. 206. A testemunha NÃO PODERÁ EXIMIR-SE da OBRIGAÇÃO DE DEPOR. PODERÃO, entretanto, RECUSAR-SE A FAZÊ-LO o ascendente ou descendente, o afim em linha reta, o cônjuge, ainda que desquitado [leia-se: separado ou divorciado], o irmão e o pai, a mãe, ou o filho adotivo do acusado, SALVO quando NÃO FOR POSSÍVEL, por outro modo, obter-se ou integrar-se a prova do fato e de suas circunstâncias. (MPSP- 2010) (TJPA-2012) (MPBA-2018) (MPMG-2010): Salvo quando não for possível, por outro modo, obter-se ou integrar-se a prova do fato e de suas circunstâncias, poderá(ao) recusar a obrigação de prestar depoimento o filho adotivo do acusado. BL: art. 206, CPP. Art. 207. SÃO PROIBIDAS DE DEPOR as pessoas que, em razão de função, ministério, ofício ou profissão, DEVAM GUARDAR SEGREDO, SALVO SE, desobrigadas pela parte interessada, quiserem dar o seu testemunho. (TJSE-2008) (MPSP-2010) (TJCE- 2012) (TJGO-2012) (MPMG-2018) Art. 208. NÃO SE DEFERIRÁ o compromisso a que alude o art. 203 aos doentes e deficientes mentais e aos menores de 14 (quatorze) anos, nem às pessoas a que se refere o art. 206. (TJSE-2008) (MPSP-2010) (TJSC-2013) (MPMA-2014) Art. 209. O juiz, quando julgar necessário, PODERÁ OUVIR OUTRAS TESTEMUNHAS, além das indicadas pelas partes. [obs.1: testemunhas extranumerárias; obs.2: as testemunhas ouvidas por iniciativa do Juiz.] (TJAL-2008) (TJSC-2009) (MPDFT- 2011) (MPMG-2018) § 1o Se ao juiz parecer conveniente, serão ouvidas as pessoas a que as testemunhas se referirem. [obs.: testemunha referida: indicada por outra testemunha.] (MPDFT-2011) § 2o NÃO SERÁ COMPUTADA como TESTEMUNHA a pessoa que nada souber que interesse à decisão da causa. (MPGO-2016) (TJRS-2018) Art. 210. As testemunhas serão inquiridas cada uma de per si, de modo que umas não saibam nem ouçam os depoimentos das outras, devendo o juiz adverti-las das penas cominadas ao falso testemunho. (Redação dada pela Lei nº 11.690, de 2008) (MPES- 2013) Parágrafo único. Antes do início da audiência e durante a sua realização, serão reservados espaços separados para a garantia da incomunicabilidade das testemunhas. (Incluído pela Lei nº 11.690, de 2008) (TJAL-2008) Art. 211. Se o juiz, ao pronunciar sentença final, reconhecer que alguma testemunha fez afirmação falsa, calou ou negou a verdade, REMETERÁ cópia do depoimento à autoridade policial para a instauração de inquérito. (TJGO-2012) Parágrafo único. Tendo o depoimento sido prestado em plenário de julgamento, o juiz, no caso de proferir decisão na audiência (art. 538, § 2o), o tribunal (art. 561), ou o conselho de sentença, após a votação dos quesitos, poderão fazer apresentar imediatamente a testemunha à autoridade policial. Art. 212. AS PERGUNTAS SERÃO FORMULADAS pelas partes DIRETAMENTE à testemunha, não admitindo o juiz aquelas que puderem induzir a resposta, não tiverem relação com a causa ou importarem na repetição de outra já respondida. (Redação dada pela Lei nº 11.690, de 2008) (TJSC-2010) (TJGO-2012) (TJRS-2012) (TJPE-2013) (TJCE- 2018) Parágrafo único. Sobre os pontos não esclarecidos, o juiz PODERÁ COMPLEMENTAR a inquirição. (Incluído pela Lei nº 11.690, de 2008) (TJAL-2008) OBS: As perguntas são formuladas pelas partes diretamente à testemunha. É o chamado sistema da inquirição direta. O sistema de inquirição direta divide-se em: a) direct examination (quando a parte que arrolou a testemunha faz as perguntas) e b) cross examination (quando a parte contrária é quem formula as perguntas). Em provas, contudo, é comum vir a expressão cross examination como sinônima de inquirição direta. As partes formulam as perguntas à testemunha antes do juiz, que é o último a inquirir. A ordem de perguntas é atualmente a seguinte: 1º) a parte que arrolou a testemunha faz as perguntas que entender necessárias; 2º) a parte contrária àquela que arrolou a testemunha faz outras perguntas; 3º) o juiz, ao final, poderá complementar a inquirição sobre os pontos não esclarecidos. ##Questiona-se: O que acontece se o juiz não obedecer a esta regra? O que ocorre se o juiz iniciar as perguntas, inquirindo a testemunha antes das partes? Haverá nulidade absoluta ou relativa? Segundo o STF, trata-se de caso de nulidade RELATIVA. (STF. 1ª Turma. HC 123840, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 01/08/2017). ##Atenção: ##STF: ##DOD: Segundo a redação atual do art. 212 do CPP, quem primeiro começa fazendo perguntas à testemunha é a parte que teve a iniciativa de arrolá-la. Em seguida, a outra parte terá direito de perguntar e, por fim, o magistrado. Assim, a inquirição de testemunhas pelas partes deve preceder à realizada pelo juízo. Em um caso concreto, durante a audiência de instrução, a magistrada primeiro inquiriu as testemunhas e, somente então, permitiu que as partes formulassem perguntas. O STF entendeu que houve violação ao art. 212 do CPP e, em razão disso, determinou que fosse realizada uma nova inquirição das testemunhas, observada a ordem prevista no CPP. STF. 1ª Turma. HC 111815/SP, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Luiz Fux, j. 14/11/17 (Info 885). ##Atenção: STJ também entende assim: A inobservância ao disposto no art. 212 do Código de Processo Penal gera nulidade meramente relativa. São necessárias para seu reconhecimento a alegação no momento oportuno e a comprovação do efetivo prejuízo. OBS: Jurisprudência em Teses, Ed. n. 69, STJ: A inquirição das testemunhas pelo Juiz antes que seja oportunizada às partes a formulação das perguntas, com a inversão da ordem prevista no art. 212 do Código de Processo Penal, constitui nulidade relativa. (TJMS-2015-VUNESP): Na produção de prova testemunhal, com relação ao método direto e cruzado, previsto no artigo 212, do CPP, com nova redação dada pela Lei no 11.690/08, afirma-se que a testemunha é inquirida, inicialmente, por quem a arrolou e, após, submetida ao exame cruzado pela parte contrária, cabendo ao juiz indeferir perguntas impertinentes e repetitivas e completar a inquirição. BL: art. 212, CPP. (TJAM-2013-FGV): Desde a reforma do CPP realizada pela Lei 11.690/08, a oitiva de testemunhas no procedimento ordinário passou a ser feita pelo sistema cross examination, ou seja, primeiro as partes devem formular as perguntas, cabendo ao magistrado a sua complementação. De acordo com a jurisprudência majoritária dos Tribunais Superiores, a inversão dessa ordem configura hipótese de nulidade relativa. BL: art. 212, CPP. Art. 213. O juiz NÃO PERMITIRÁ que a testemunha MANIFESTE suas apreciações pessoais, SALVO quando INSEPARÁVEIS da narrativa do fato. (TJSC-2009) (MPSP-2010): A regra da objetividade do depoimento (art. 213 do CPP) pressupõe que a testemunha: não manifeste opiniões pessoais, salvo quando inseparáveis da narrativa do fato. BL: art. 213, CPP. ##Atenção: Dentre as características da prova testemunhal, fala-se do “princípio da objetividade, segundo o qual a participação da testemunha é apenas informativa e não opinativa, razão pela qual deve abster-se de emitir opiniões pessoais sobre os fatos. Todavia, por vezes, é inevitável que, no relato de determinado fato, a testemunha acabe por tecer alguma apreciação de cunho subjetivo” (Fonte: CUNHA, Rogério S.; LORENZATO, Gustavo M.; FERRAZ, Maurício Lins e PINTO, Ronaldo B.. Processo Penal Prático. 2ª ed. Juspodivm, 2007. p. 73). É o que dispõe o art. 213 do CPP. Art. 214. Antes de iniciado o depoimento, as partes PODERÃO CONTRADITAR a testemunha ou argüir circunstâncias ou defeitos, que a tornem suspeita de parcialidade, ouindigna de fé. O juiz fará consignar a contradita ou argüição e a resposta da testemunha, mas só excluirá a testemunha ou não Ihe deferirá compromisso nos casos previstos nos arts. 207 e 208. (TJMA-2012) (DPERR-2013) (MPGO-2016) (MPMA-2014): A contradita deve ser suscitada antes de iniciado o depoimento da testemunha, sob a pena de preclusão. BL: art. 214, CPP. Art. 215. Na redação do depoimento, o juiz deverá cingir-se, tanto quanto possível, às expressões usadas pelas testemunhas, reproduzindo fielmente as suas frases. Art. 216. O depoimento da testemunha será reduzido a termo, assinado por ela, pelo juiz e pelas partes. Se a testemunha não souber assinar, ou não puder fazê-lo, pedirá a alguém que o faça por ela, depois de lido na presença de ambos. Art. 217. Se o juiz verificar que a PRESENÇA DO RÉU PODERÁ CAUSAR humilhação, temor, ou sério constrangimento à testemunha ou ao ofendido, de modo que PREJUDIQUE a verdade do depoimento, FARÁ a inquirição POR VIDEOCONFERÊNCIA e, somente na impossibilidade dessa forma, DETERMINARÁ a RETIRADA DO RÉU, PROSSEGUINDO na inquirição, com a presença do seu defensor. (Redação dada pela Lei nº 11.690, de 2008) (TJAL-2008) (TJPE-2013) (MPMA-2014) (TJMS-2015) (MPAM-2015) Parágrafo único. A adoção de qualquer das medidas previstas no caput deste artigo deverá constar do termo, assim como os motivos que a determinaram. (Incluído pela Lei nº 11.690, de 2008) (MPSP-2013) Art. 218. Se, regularmente intimada, a testemunha deixar de comparecer sem motivo justificado, o juiz PODERÁ REQUISITAR à autoridade policial a sua apresentação ou determinar seja conduzida por oficial de justiça, que poderá solicitar o auxílio da força pública. (TJSC-2013) Art. 219. O juiz PODERÁ APLICAR à TESTEMUNHA FALTOSA a multa prevista no art. 453, sem prejuízo do processo penal por crime de desobediência, e CONDENÁ-LA ao pagamento das custas da diligência. (Redação dada pela Lei nº 6.416, de 24.5.1977) (TJMG-2009) (MPDFT-2015): À testemunha faltosa, além da possibilidade de realização de condução coercitiva, podem ser impostos o pagamento de multa, o pagamento das despesas com a diligência de condução e a imputação de crime de desobediência. BL: art. 219, CPP. Art. 220. As pessoas impossibilitadas, por ENFERMIDADE ou por VELHICE, de comparecer para depor, SERÃO INQUIRIDAS onde estiverem. (TJGO-2012/2015) Art. 221. O Presidente e o Vice-Presidente da República, os senadores e deputados federais, os ministros de Estado, os governadores de Estados e Territórios, os secretários de Estado, os prefeitos do Distrito Federal e dos Municípios, os deputados às Assembléias Legislativas Estaduais, os membros do Poder Judiciário, os ministros e juízes dos Tribunais de Contas da União, dos Estados, do Distrito Federal, bem como os do Tribunal Marítimo SERÃO INQUIRIDOS em local, dia e hora previamente ajustados entre eles e o juiz. (Redação dada pela Lei nº 3.653, de 4.11.1959) (MPSP-2013) (MPSC-2016) (MPMG-2018) § 1o O Presidente e o Vice-Presidente da República, os presidentes do Senado Federal, da Câmara dos Deputados e do Supremo Tribunal Federal PODERÃO OPTAR pela prestação de depoimento por escrito, caso em que as perguntas, formuladas pelas partes e deferidas pelo juiz, Ihes serão transmitidas por ofício. (Redação dada pela Lei nº 6.416, de 24.5.1977) (MPSP-2013) (TJGO-2015) (MPMG-2018) (TJPE-2013-FCC): O Vice-Presidente da República poderá optar pela prestação de depoimento por escrito, caso em que as perguntas, formuladas pelas partes e deferidas pelo juiz, lhe serão transmitidas por ofício. BL: art. 221, §1º do CPP. (MPDFT-2013): Algumas autoridades podem prestar depoimento por escrito. BL: art. 221, §1º, CPP. § 2o Os militares deverão ser requisitados à autoridade superior. (Redação dada pela Lei nº 6.416, de 24.5.1977) § 3o Aos FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS aplicar-se-á o disposto no art. 218, DEVENDO, porém, a expedição do mandado ser imediatamente comunicada ao chefe da repartição em que servirem, com indicação do dia e da hora marcados. (Incluído pela Lei nº 6.416, de 24.5.1977) (TJMG-2009): A intimação da testemunha funcionária pública, para fins de audiência, será efetivada: Pessoalmente, via mandado, com comunicação ao chefe da repartição em que servir. BL: art. 221, §3º do CPP. Art. 222. A testemunha que morar fora da jurisdição do juiz SERÁ INQUIRIDA pelo juiz DO LUGAR DE SUA RESIDÊNCIA, EXPEDINDO-SE, para esse fim, carta precatória, com prazo razoável, intimadas as partes. (TJPE-2013) § 1o A expedição da precatória não suspenderá a instrução criminal. § 2o Findo o prazo marcado, poderá realizar-se o julgamento, mas, a todo tempo, a precatória, uma vez devolvida, será junta aos autos. § 3o Na hipótese prevista no caput deste artigo, a OITIVA DE TESTEMUNHA PODERÁ SER REALIZADA por meio de videoconferência ou outro recurso tecnológico de transmissão de sons e imagens em tempo real, PERMITIDA a presença do defensor e PODENDO SER REALIZADA, inclusive, durante a realização da audiência de instrução e julgamento. (Incluído pela Lei nº 11.900, de 2009) (MPSC-2013) (TJMG-2014) (DPEAM/Reaplic.-2018) Art. 222-A. As CARTAS ROGATÓRIAS SÓ SERÃO EXPEDIDAS se demonstrada previamente a sua IMPRESCINDIBILIDADE, ARCANDO a parte requerente com os custos de envio. (Incluído pela Lei nº 11.900, de 2009) (TJMG-2012) (TJPE-2013) (TJGO-2015) (TRF5-2015) Parágrafo único. APLICA-SE às CARTAS ROGATÓRIAS o disposto nos §§ 1o e 2o do art. 222 deste Código. (Incluído pela Lei nº 11.900, de 2009) (TJES-2011) (TJMG-2014) (TRF5-2015) Art. 223. Quando a testemunha não conhecer a língua nacional, será nomeado intérprete para traduzir as perguntas e respostas. Parágrafo único. Tratando-se de mudo, surdo ou surdo-mudo, proceder-se-á na conformidade do art. 192. Art. 224. As testemunhas comunicarão ao juiz, dentro de um ano, qualquer mudança de residência, sujeitando-se, pela simples omissão, às penas do não-comparecimento. Art. 225. Se qualquer testemunha houver de ausentar-se, ou, por enfermidade ou por velhice, inspirar receio de que ao tempo da instrução criminal já não exista, o juiz poderá, de ofício ou a requerimento de qualquer das partes, tomar-lhe antecipadamente o depoimento. [obs.: é o conhecido depoimento “ad perpetuam rei memoriam”.] (MPAM- 2015) CAPÍTULO VII DO RECONHECIMENTO DE PESSOAS E COISAS Art. 226. Quando HOUVER necessidade de fazer-se o RECONHECIMENTO DE PESSOA, PROCEDER-SE-Á pela seguinte forma: (MPBA-2018) I - a pessoa que tiver de fazer o reconhecimento será convidada a descrever a pessoa que deva ser reconhecida; Il - a pessoa, cujo reconhecimento se pretender, SERÁ COLOCADA, SE POSSÍVEL, ao lado de outras que com ela tiverem qualquer semelhança, [obs.: o CPP não especifica a quantidade de pessoas no art. 226] convidando-se quem tiver de fazer o reconhecimento a apontá-la; (MPBA-2018) (DPEES-2009-CESPE): Acerca do procedimento e das provas no direito processual penal, julgue o item a seguir: Quando for necessário fazer o reconhecimento judicial do acusado, não é obrigatório que ele seja colocado ao lado de outras pessoas que com ele guardem semelhança. BL: art. 226, II, CPP. OBS: Segundo o STJ, não se reconhece ilegalidade no posicionamento do réu sozinho para o reconhecimento, pois o art. 226, inc. II, do CPP, determina que o agente será colocado ao lado de outras pessoas que com ele tiverem qualquer semelhança "se possível", sendo tal determinação, portanto, recomendável mas não essencial (STJ, HC 7.802/RJ). III - se houver razão para recear que a pessoa chamada para o reconhecimento, por efeito de intimidação ou outra influência,não diga a verdade em face da pessoa que deve ser reconhecida, a autoridade providenciará para que esta não veja aquela; (MPGO- 2013) IV - do ato de reconhecimento LAVRAR-SE-Á auto pormenorizado, subscrito pela autoridade, pela pessoa chamada para proceder ao reconhecimento e por duas testemunhas presenciais. Parágrafo único. O disposto no no III deste artigo NÃO TERÁ APLICAÇÃO na fase da instrução criminal ou em plenário de julgamento. (Investigador/PCMT-2014-FUNCAB): Durante a instrução criminal, o auto de reconhecimento deve ser pormenorizado, subscrito pela autoridade, pela pessoa chamada a proceder ao reconhecimento e por duas testemunhas presenciais. BL: art. 226, IV e § único, CPP. OBS: O disposto no § único do art. 226, CPP, dispõe: "o disposto no nº III deste artigo não terá aplicação na fase da INSTRUÇÃO CRIMINAL ou em plenário de julgamento". A contrario sensu, os demais incisos devem ser respeitados na fase de INSTRUÇÃO, inclusive o previsto no inciso IV. Art. 227. No reconhecimento de objeto, proceder-se-á com as cautelas estabelecidas no artigo anterior, no que for aplicável. Art. 228. Se várias forem as pessoas chamadas a efetuar o reconhecimento de pessoa ou de objeto, cada uma fará a prova em separado, evitando-se qualquer comunicação entre elas. (MPGO-2013) CAPÍTULO VIII DA ACAREAÇÃO Art. 229. A acareação SERÁ ADMITIDA entre acusados, entre acusado e testemunha, entre testemunhas, entre acusado ou testemunha e a pessoa ofendida, e entre as pessoas ofendidas, sempre que divergirem, em suas declarações, sobre fatos ou circunstâncias relevantes. (PCBA-2008) (TJMG-2006): A acareação pode dar-se entre todos os sujeitos envolvidos no processo, inclusive entre os acusados. BL: art. 229, CPP. Parágrafo único. Os acareados serão reperguntados, para que expliquem os pontos de divergências, reduzindo-se a termo o ato de acareação. Art. 230. Se ausente alguma testemunha, cujas declarações divirjam das de outra, que esteja presente, a esta se darão a conhecer os pontos da divergência, consignando-se no auto o que explicar ou observar. Se subsistir a discordância, expedir-se-á precatória à autoridade do lugar onde resida a testemunha ausente, transcrevendo-se as declarações desta e as da testemunha presente, nos pontos em que divergirem, bem como o texto do referido auto, a fim de que se complete a diligência, ouvindo-se a testemunha ausente, pela mesma forma estabelecida para a testemunha presente. Esta diligência só se realizará quando não importe demora prejudicial ao processo e o juiz a entenda conveniente. CAPÍTULO IX DOS DOCUMENTOS Art. 231. Salvo os casos expressos em lei, as partes poderão apresentar documentos em qualquer fase do processo. Art. 232. Consideram-se documentos quaisquer escritos, instrumentos ou papéis, públicos ou particulares. Parágrafo único. À fotografia do documento, devidamente autenticada, se dará o mesmo valor do original. Art. 233. As cartas particulares, interceptadas ou obtidas por meios criminosos, não serão admitidas em juízo. (MPES-2013) Parágrafo único. As CARTAS PODERÃO SER EXIBIDAS em juízo pelo respectivo destinatário, para a defesa de seu direito, ainda que NÃO HAJA consentimento do signatário. (MPES-2013) (MPSC-2013): As cartas particulares poderão ser exibidas em juízo pelo respectivo destinatário, para a defesa de seu direito, ainda que não haja consentimento do signatário. BL: art. 233 e § único, CPP. Art. 234. Se o juiz tiver notícia da existência de documento relativo a ponto relevante da acusação ou da defesa, providenciará, independentemente de requerimento de qualquer das partes, para sua juntada aos autos, se possível. Art. 235. A letra e firma dos documentos particulares serão submetidas a exame pericial, quando contestada a sua autenticidade. Art. 236. Os documentos em língua estrangeira, sem prejuízo de sua juntada imediata, serão, se necessário, traduzidos por tradutor público, ou, na falta, por pessoa idônea nomeada pela autoridade. Art. 237. As públicas-formas só terão valor quando conferidas com o original, em presença da autoridade. OBS: Segundo Renato Brasileiro, as públicas-formas, hoje em desuso, são uma cópia de escrito avulso, extraídas por oficial público, só tendo valor conferidas com o original, na presença da autoridade (art. 237, CPP). Com o confronto com o original, a pública-forma fica nos autos, dispensando-se a retenção do original. Art. 238. Os documentos originais, juntos a processo findo, quando não exista motivo relevante que justifique a sua conservação nos autos, poderão, mediante requerimento, e ouvido o Ministério Público, ser entregues à parte que os produziu, ficando traslado nos autos. (MPAM-2015) CAPÍTULO X DOS INDÍCIOS Art. 239. CONSIDERA-SE INDÍCIO a circunstância conhecida e provada, que, tendo relação com o fato, AUTORIZE, por indução, concluir-se a existência de outra ou outras circunstâncias. (MPPR-2008) (MPDFT-2009) (MPMS-2018) (TJMG-2018) (MPBA-2015): De acordo com a doutrina, no Código de Processo Penal, o vocábulo “indício” aparece ora no sentido de prova indireta, ora no sentido de prova semiplena. OBS: INDÍCIO POSSUI dois significados no processo penal. 1º) pode ser entendido como a prova indireta. É o sentido usado no art. 239 CPP. 2º) Como um elemento de prova de menor valor persuasivo ou prova semiplena. Exemplos: Art. 312. A prisão preventiva poderá ser decretada como garantia da ordem pública, da ordem econômica, por conveniência da instrução criminal, ou para assegurar a aplicação da lei penal, quando houver prova da existência do crime e indício suficiente de autoria. Art. 126. Para a decretação do seqüestro, bastará a existência de indícios veementes da proveniência ilícita dos bens. (DPEDFT-2006-CESPE): A prova indiciária é indireta por excelência, se se considerar necessária uma construção lógica para que se chegue a uma circunstância até então desconhecida. BL: art. 239, CPP. CAPÍTULO XI DA BUSCA E DA APREENSÃO Art. 240. A busca SERÁ DOMICILIAR ou PESSOAL. (MPMA-2014) § 1o PROCEDER-SE-Á à BUSCA DOMICILIAR, quando fundadas razões a autorizarem, para: (MPMA-2014) a) prender criminosos; (MPCE-2009) b) apreender coisas achadas ou obtidas por meios criminosos; c) apreender instrumentos de falsificação ou de contrafação e objetos falsificados ou contrafeitos; d) apreender armas e munições, instrumentos utilizados na prática de crime ou destinados a fim delituoso; e) descobrir objetos necessários à prova de infração ou à defesa do réu; f) apreender cartas, abertas ou não, destinadas ao acusado ou em seu poder, quando haja suspeita de que o conhecimento do seu conteúdo possa ser útil à elucidação do fato; g) apreender pessoas vítimas de crimes; h) colher qualquer elemento de convicção. § 2o PROCEDER-SE-Á à BUSCA PESSOAL quando houver fundada suspeita de que alguém oculte consigo arma proibida ou objetos mencionados nas letras b a f e letra h do parágrafo anterior. (TJSC-2009) Art. 241. Quando a própria autoridade policial ou judiciária não a realizar pessoalmente, a busca domiciliar deverá ser precedida da expedição de mandado. Art. 242. A BUSCA PODERÁ SER DETERMINADA de ofício ou a requerimento de qualquer das partes. (MPMA-2014) Art. 243. O mandado de busca deverá: I - indicar, o mais precisamente possível, a casa em que será realizada a diligência e o nome do respectivo proprietário ou morador; ou, no caso de busca pessoal, o nome da pessoa que terá de sofrê-la ou os sinais que a identifiquem; II - mencionaro motivo e os fins da diligência; III - ser subscrito pelo escrivão e assinado pela autoridade que o fizer expedir. § 1o Se houver ordem de prisão, constará do próprio texto do mandado de busca. § 2o Não será permitida a apreensão de documento em poder do defensor do acusado, SALVO quando constituir elemento do corpo de delito. (MPPR-2008) Art. 244. A BUSCA PESSOAL INDEPENDERÁ de mandado, no caso de prisão ou quando houver fundada suspeita de que a pessoa esteja na posse de arma proibida ou de objetos ou papéis que constituam corpo de delito, ou quando a medida for determinada no curso de busca domiciliar. (TJSE-2008) (TJSC-2009) (MPMA-2014) (Agente da Polícia/PCSC-2014): De acordo com o CPP, e relativamente à Busca e Apreensão, assinale a alternativa correta: A busca pessoal independerá de mandado, no caso de prisão ou quando houver fundada suspeita de que a pessoa esteja na posse de arma proibida ou de objetos ou papéis que constituam corpo de delito, ou quando a medida for determinada no curso de busca domiciliar. BL: art. 244, CPP. Art. 245. As buscas domiciliares serão executadas de dia, salvo se o morador consentir que se realizem à noite, e, antes de penetrarem na casa, os executores mostrarão e lerão o mandado ao morador, ou a quem o represente, intimando-o, em seguida, a abrir a porta. (MPCE-2009) (MPRO-2010) (TJAM-2016) (TJCE-2018) § 1o Se a própria autoridade der a busca, declarará previamente sua qualidade e o objeto da diligência. § 2o Em caso de desobediência, será arrombada a porta e forçada a entrada. § 3o Recalcitrando o morador, será permitido o emprego de força contra coisas existentes no interior da casa, para o descobrimento do que se procura. § 4o Observar-se-á o disposto nos §§ 2o e 3o, quando ausentes os moradores, devendo, neste caso, ser intimado a assistir à diligência qualquer vizinho, se houver e estiver presente. § 5o Se é determinada a pessoa ou coisa que se vai procurar, o morador será intimado a mostrá-la. § 6o Descoberta a pessoa ou coisa que se procura, será imediatamente apreendida e posta sob custódia da autoridade ou de seus agentes. § 7o Finda a diligência, os executores lavrarão auto circunstanciado, assinando-o com duas testemunhas presenciais, sem prejuízo do disposto no § 4o. Art. 246. Aplicar-se-á também o disposto no artigo anterior, quando se tiver de proceder a busca em compartimento habitado ou em aposento ocupado de habitação coletiva ou em compartimento não aberto ao público, onde alguém exercer profissão ou atividade. Art. 247. Não sendo encontrada a pessoa ou coisa procurada, os motivos da diligência serão comunicados a quem tiver sofrido a busca, se o requerer. Art. 248. Em casa habitada, a busca será feita de modo que não moleste os moradores mais do que o indispensável para o êxito da diligência. Art. 249. A busca em mulher será feita por outra mulher, se não importar retardamento ou prejuízo da diligência. Art. 250. A autoridade ou seus agentes PODERÃO PENETRAR no território de jurisdição alheia, ainda que de outro Estado, quando, PARA O FIM DE APREENSÃO, forem no seguimento de pessoa ou coisa, DEVENDO APRESENTAR-SE à competente autoridade local, antes da diligência ou após, conforme a urgência desta. (Invest. Polícia/PCBA-2018-VUNESP): Iniciada uma diligência visando a apreender, com urgência, objeto cujo possuidor ou detentor evade-se para Estado limítrofe, é correto afirmar que os agentes da autoridade poderão ingressar no território do outro Estado e, encontrando o objeto, apreendê-lo imediatamente. BL: art. 250, CPP. § 1o Entender-se-á que a autoridade ou seus agentes vão em seguimento da pessoa ou coisa, quando: a) tendo conhecimento direto de sua remoção ou transporte, a seguirem sem interrupção, embora depois a percam de vista; b) ainda que não a tenham avistado, mas sabendo, por informações fidedignas ou circunstâncias indiciárias, que está sendo removida ou transportada em determinada direção, forem ao seu encalço. § 2o Se as autoridades locais tiverem fundadas razões para duvidar da legitimidade das pessoas que, nas referidas diligências, entrarem pelos seus distritos, ou da legalidade dos mandados que apresentarem, poderão exigir as provas dessa legitimidade, mas de modo que não se frustre a diligência. TÍTULO VIII DO JUIZ, DO MINISTÉRIO PÚBLICO, DO ACUSADO E DEFENSOR, DOS ASSISTENTES E AUXILIARES DA JUSTIÇA CAPÍTULO I DO JUIZ Art. 251. Ao juiz incumbirá prover à regularidade do processo e manter a ordem no curso dos respectivos atos, podendo, para tal fim, requisitar a força pública. Art. 252. O JUIZ NÃO PODERÁ EXERCER jurisdição no processo em que: [hipóteses de IMPEDIMENTO: ROL TAXATIVO] ##Atenção: ##STJ e STF: ##DOD: As hipóteses de impedimento previstas no art. 252 do CPP constituem rol taxativo. STF. 2ª Turma. HC 94089/SP, Rel. Min. Ayres Britto, j. 14/2/12. STJ. 5ª Turma. HC 162.491/SC, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, j. 04/08/2016. I - TIVER FUNCIONADO seu cônjuge ou parente, consangüíneo ou afim, em linha reta ou colateral ATÉ O TERCEIRO GRAU, INCLUSIVE, como defensor ou advogado, órgão do Ministério Público, autoridade policial, auxiliar da justiça ou perito; (TJPR- 2010/2012) ##Atenção: ##STF: ##DOD: A participação de magistrado em julgamento de caso em que seu pai já havia atuado é causa de nulidade absoluta, prevista no art. 252, I, do CPP. STF. 2ª T. HC 136015/MG, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, j. 14/5/19 (Info 940). (PCSP-2018-VUNESP): Nos termos do art. 252 do CPP, o juiz não poderá exercer jurisdição no processo em que tiver funcionado seu cônjuge como defensor. BL: art. 252, CPP. II - ele próprio houver desempenhado qualquer dessas funções ou servido como testemunha; (TJPR-2010/2012) III - tiver funcionado como juiz de outra instância, pronunciando-se, de fato ou de direito, sobre a questão; (TRF5-2013) (TJSP-2017) ##Atenção: ##STJ: ##DOD: O magistrado que julgou ACP contra o réu não está impedido de decidir o processo criminal. Assim, determinado fato pode gerar dois processos distintos: uma ACP e uma ação penal. O juiz que sentencia a ACP não está impedido de julgar também o processo criminal, não se enquadrando esta situação no art. 252, III, do CPP. STJ. 5ª Turma. REsp 1.288.285-SP, Rel. Min. Campos Marques (Des. Convoc. TJ-PR), j. 27/11/12 (Info 510). IV - ele próprio ou seu cônjuge ou parente, consangüíneo ou afim em linha reta ou colateral até o terceiro grau, inclusive, for parte ou diretamente interessado no feito. (TJAC-2012) (TJMG-2014) ##Atenção: ##STF: ##DOD: O magistrado que atuou como corregedor em processo administrativo instaurado contra o réu não está impedido de participar como julgador no processo criminal que tramita contra o acusado. A situação não se amolda em nenhuma das hipóteses do art. 252 do CPP. O STF entende que não é possível criar, por meio de interpretação, novas causas de impedimento que não estejam descritas expressamente nesse dispositivo. STF. 2ª Turma. RHC 131735/DF, Rel. Min. Cármen Lúcia, j. 3/5/16 (Info 824). Art. 253. Nos juízos coletivos, NÃO PODERÃO servir no mesmo processo os juízes que forem entre si parentes, consangüíneos ou afins, em linha reta ou colateral até o terceiro grau, inclusive. (Escrevente Judic./TJSP-2017-VUNESP): Nos termos do art. 253 do CPP, nos juízos coletivos, não poderão servir no mesmo processo os juízes que forem entre si parentes, consanguíneos ou afins, em linha reta ou colateral até o terceiro grau, inclusive. BL: art. 253, CPP. (MPSC-2014): O CPP prevê que o juiz não poderá exercer jurisdição no processo em que: a) tiver funcionado seu cônjugeou parente, consanguíneo ou afim, em linha reta ou colateral até o terceiro grau, inclusive, como defensor ou advogado, órgão do Ministério Público, autoridade policial, auxiliar da justiça ou perito; b) ele próprio houver desempenhado qualquer dessas funções ou servido como testemunha; c) tiver funcionado como juiz de outra instância, pronunciando-se, de fato ou de direito, sobre a questão; d) ele próprio ou seu cônjuge ou parente, consanguíneo ou afim em linha reta ou colateral até o terceiro grau, inclusive, for parte ou diretamente interessado no feito. Nos juízos coletivos, não poderão servir no mesmo processo os juízes que forem entre si parentes, consanguíneos ou afins, em linha reta ou colateral até o terceiro grau, inclusive. BL: arts. 252 e 253 do CPP. Art. 254. O juiz dar-se-á por suspeito, e, se não o fizer, poderá ser recusado por qualquer das partes: [hipóteses de SUSPEIÇÃO: ROL EXEMPLIFICATIVO] (TJPR-2019) ##Atenção: ##STJ: ##DOD: ##TJPR-2019: O rol de suspeições é exemplificativo. STJ. 5ª Turma. RHC 69.927/RJ, Rel. Min. Jorge Mussi, julgado em 28/06/2016. I - se for amigo íntimo ou inimigo capital de qualquer deles; (TJMS-2015) II - se ele, seu cônjuge, ascendente ou descendente, estiver respondendo a processo por fato análogo, sobre cujo caráter criminoso haja controvérsia; (TJPR- 2010/2012) (TJPI-2012) III - se ele, seu cônjuge, ou parente, consangüíneo, ou afim, até o terceiro grau, inclusive, sustentar demanda ou responder a processo que tenha de ser julgado por qualquer das partes; (TJPR-2010/2012) (TJAM-2016) IV - se tiver aconselhado qualquer das partes; (MPMG-2010) V - se for credor ou devedor, tutor ou curador, de qualquer das partes; Vl - se for sócio, acionista ou administrador de sociedade interessada no processo. IMPEDIMENTO DO JUIZ SUSPEIÇÃO DO JUIZ As causas de impedimento da atuação do juiz no processo penal estão previstas taxativamente no art. 252 do CPP. As causas de suspeição da atuação do juiz no processo penal estão previstas no rol não taxativo do art. 254 do CPP. As hipóteses de impedimento são objetivas, existindo um vínculo entre o juiz e o objeto do litígio. Em outras palavras, as causas de impedimento referem-se a vínculos objetivos do juiz com o processo, independentemente de seu ânimo subjetivo. O vício é externo, existindo vínculo entre o juiz e a parte ou o entre o juiz e a questão discutida no feito. Em outras palavras, as causas de suspeição referem-se ao ânimo subjetivo do juiz quanto as partes, em regra, são encontradas externamente ao processo. Presume-se de forma absoluta (juris et de iure), a parcialidade do juiz, daí porque é vedada de forma peremptória a sua atuação naquele determinado processo. Presume-se de forma relativa (juris tantum), a parcialidade do juiz, daí porque ele deve se declarar suspeito e, se não o fizer, as partes poderão recusá-lo, oferecendo a exceção de suspeição (arts. 95 e ss, CPP) A atuação de juiz impedido provoca a nulidade absoluta do ato processual por ele praticado. Entretanto, Renato Brasileiro entende que os atos praticados são inexistentes. A atuação de juiz suspeito provoca a nulidade relativa do ato processual por ele praticado. Entretanto, Renato Brasileiro afirma que são causas de nulidade absoluta, porque o art. 572 do CPP não a inclui no rol daquelas que podem ser sanadas. ##Questiona-se: E a incompatibilidade do juiz? A incompatibilidade não se confunde com a suspeição e com o impedimento do juiz. Nos dizeres de Marcellus Polastri Lima, “enquanto a suspeição advém do vínculo ou relação do juiz com as partes do processo, o impedimento revela o interesse do juiz em relação ao objeto da demanda, e a incompatibilidade, via de regra, encontra guarida nas Leis de Organização Judiciária, e suas causas estão amparadas em razões de conveniência" (LIMA, 2009, p. 318). Em reforço, Eugênio Pacelli de Oliveira leciona que enquanto "os casos de suspeição e de impedimento têm previsão expressa no CPP, as incompatibilidades previstas no art. 112 do CPP compreenderão todas as demais situações que possam interferir na imparcialidade do julgador e que não estejam arroladas entre as hipóteses de uma e outra. É o que ocorre, por exemplo, em relação às razões de foro íntimo, não previstas na casuística da lei, mas suficientes para afetar a imparcialidade do julgador" (OLIVEIRA, 2008, p. 260). A respeito da incompatibilidade e do impedimento, o art. 112 do CPP assevera que o juiz, o órgão do Ministério Público, os serventuários ou funcionários de justiça e os peritos ou intérpretes têm o dever de declarar a sua incompatibilidade ou impedimento legal, abstendo-se de servir no processo. Porém, se não se der a abstenção por aqueles sujeitos, a incompatibilidade ou o impedimento poderá ser arguido pelas partes, seguindo-se o processo conforme o procedimento previsto para a exceção de suspeição. Saliente-se ainda que, contra a decisão judicial que não reconhece a incompatibilidade ou o impedimento, não há recurso previsto em lei, podendo ser oferecido, porém, o habeas corpus ou o mandado de segurança em matéria criminal, a depender do direito que esteja em jogo. Art. 255. O impedimento ou suspeição decorrente de parentesco por afinidade CESSARÁ pela dissolução do casamento que Ihe tiver dado causa, SALVO sobrevindo descendentes; mas, ainda que dissolvido o casamento sem descendentes, NÃO FUNCIONARÁ como juiz o sogro, o padrasto, o cunhado, o genro ou enteado de quem for parte no processo. (TJPR-2010) (MPBA-2010) (MPAM-2015) (Anal. Judic./TRF5-2017-FCC): Para o desenvolvimento da ação penal é necessária a participação de três sujeitos principais: autor, acusado e juiz. Contudo, existem ainda os sujeitos acessórios, que, embora prescindíveis para a existência do processo, poderão, eventualmente, nele intervir, como por exemplo, o assistente de acusação, os auxiliares da justiça, dentre outros. Levando-se em conta o que dispõe o CPP sobre o tema, é correto afirmar: O impedimento ou suspeição decorrente de parentesco por afinidade cessará pela dissolução do casamento que Ihe tiver dado causa, salvo sobrevindo descendentes; mas, ainda que dissolvido o casamento sem descendentes, não funcionará como juiz o sogro, o padrasto, o cunhado, o genro ou enteado de quem for parte no processo. BL: art. 255, CPP. Art. 256. A suspeição NÃO PODERÁ ser declarada nem reconhecida, quando a parte injuriar o juiz ou de propósito der motivo para criá-la. (Anal. Judic./STJ-2012-CESPE): Caso um advogado experiente, que patrocina a defesa de acusado da prática de crime hediondo, intencionalmente profira, durante a instrução criminal, injúrias contra o magistrado, e isso provoque animosidade circunstancial entre ambos, mesmo assim, nos termos do CPP, a suspeição não poderá ser declarada. BL: art. 256, CPP. CAPÍTULO II DO MINISTÉRIO PÚBLICO Art. 257. Ao Ministério Público cabe: (Redação dada pela Lei nº 11.719, de 2008). I - promover, privativamente, a ação penal pública, na forma estabelecida neste Código; e (Incluído pela Lei nº 11.719, de 2008). II - fiscalizar a execução da lei. (Incluído pela Lei nº 11.719, de 2008). (MPDFT-2011): O órgão do Ministério Público oficia na ação penal privada como custos legis, cabendo-lhe precipuamente zelar pela observância do princípio da indivisibilidade. BL: art. 48 e art. 257, II do CPP. (MPDFT-2011): O Ministério Público tem legitimidade para apelar contra a sentença condenatória que deixa de fixar valor mínimo para a reparação do dano causado pela infração penal. BL: art. 387, IV e art. 257, II do CPP. Art. 258. Os órgãos do Ministério Público não funcionarão nos processos em que o juiz ou qualquer das partesfor seu cônjuge, ou parente, consangüíneo ou afim, em linha reta ou colateral, até o terceiro grau, inclusive, e a eles SE ESTENDEM, no que Ihes for aplicável, as prescrições relativas à suspeição e aos impedimentos dos juízes. (MPDFT-2011) (MPSC-2013) (TJCE-2018-CESPE): A respeito dos sujeitos do processo penal, assinale a opção correta: As causas de impedimento e de suspeição do juiz estendem-se aos membros do MP. BL: art. 258, CPP. CAPÍTULO III DO ACUSADO E SEU DEFENSOR Art. 259. A impossibilidade de identificação do acusado com o seu verdadeiro nome ou outros qualificativos não retardará a ação penal, quando certa a identidade física. A qualquer tempo, no curso do processo, do julgamento ou da execução da sentença, se for descoberta a sua qualificação, far-se-á a retificação, por termo, nos autos, sem prejuízo da validade dos atos precedentes. (TJSP-2008-VUNESP): É correto afirmar que a impossibilidade de identificar o acusado com o seu nome e outros dados qualificativos não retarda a ação penal quando certa a identidade física do acusado. BL: art. 259, CPP. Art. 260. Se o acusado não atender à intimação para o interrogatório, reconhecimento ou qualquer outro ato que, sem ele, não possa ser realizado, a autoridade poderá mandar conduzi-lo à sua presença [condução coercitiva]. (Anal. Judic./TRF5-2017) ##Atenção: ##STF: ##DOD: O CPP, ao tratar sobre a condução coercitiva, prevê o seguinte: Art. 260. Se o acusado não atender à intimação para o interrogatório, reconhecimento ou qualquer outro ato que, sem ele, não possa ser realizado, a autoridade poderá mandar conduzi- lo à sua presença. O STF declarou que a expressão “para o interrogatório”, prevista no art. 260 do CPP, não foi recepcionada pela Constituição Federal. Assim, caso seja determinada a condução coercitiva de investigados ou de réus para interrogatório, tal conduta poderá ensejar: • a responsabilidade disciplinar, civil e penal do agente ou da autoridade • a ilicitude das provas obtidas • a responsabilidade civil do Estado. Modulação dos efeitos: o STF afirmou que o entendimento acima não desconstitui (não invalida) os interrogatórios que foram realizados até a data do julgamento, ainda que os interrogados tenham sido coercitivamente conduzidos para o referido ato processual. STF. Plenário. ADPF 395/DF e ADPF 444/DF, Rel. Min. Gilmar Mendes, j. 13 e 14/6/18 (Info 906). Parágrafo único. O mandado conterá, além da ordem de condução, os requisitos mencionados no art. 352, no que Ihe for aplicável. Art. 261. Nenhum acusado, ainda que ausente ou foragido, SERÁ PROCESSADO OU JULGADO sem defensor. (TJAC-2012) (Analista Judiciário/TRF5-2017) (Escrevente Judiciário/TJSP-2017) Parágrafo único. A defesa técnica, quando realizada por defensor público ou dativo, SERÁ SEMPRE EXERCIDA através de manifestação fundamentada. (Incluído pela Lei nº 10.792, de 1º.12.2003) (DPEDF-2006) (DPERS-2014-FCC): Acerca dos princípios e garantias fundamentais aplicáveis ao processo penal, o princípio da ampla defesa assegura ao réu a indisponibilidade ao direito de defesa técnica, que pode ser exercida por defensor privado ou público. Entretanto, quando a defesa técnica for realizada por Defensor Público, será sempre exercida através de manifestação fundamentada. BL: art. 261, § único, CPP. Art. 262. Ao acusado menor dar-se-á curador. Art. 263. Se o acusado não o tiver, ser-lhe-á nomeado defensor pelo juiz, ressalvado o seu direito de, a todo tempo, nomear outro de sua confiança, ou a si mesmo defender- se, caso tenha habilitação. (TJAC-2012) Parágrafo único. O acusado, que não for pobre, será obrigado a pagar os honorários do defensor dativo, arbitrados pelo juiz. (TJAM-2016) (DPEES-2009) Art. 264. Salvo motivo relevante, os advogados e solicitadores serão obrigados, sob pena de multa de cem a quinhentos mil-réis, a prestar seu patrocínio aos acusados, quando nomeados pelo Juiz. Art. 265. O defensor NÃO PODERÁ ABANDONAR o processo senão POR MOTIVO IMPERIOSO, COMUNICADO previamente o juiz, SOB PENA DE MULTA de 10 (dez) a 100 (cem) salários mínimos, [DICA: É o famoso DEZFENSEN (DEFENSOR): De DEZ a "SEN" salários mínimos caso desista do processo] sem prejuízo das demais sanções cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.719, de 2008). (DPEES-2009) (TJSC-2010) OBS: Na prova do TJSC-2010 foi questionado a variação da pena de multa (de 10 a 100 salários mínimos). § 1o A audiência PODERÁ SER ADIADA se, POR MOTIVO JUSTIFICADO, o defensor não puder comparecer. (Incluído pela Lei nº 11.719, de 2008). (TJAL-2008) § 2o INCUMBE ao defensor provar o impedimento até a abertura da audiência. NÃO O FAZENDO, o juiz não determinará o adiamento de ato algum do processo, DEVENDO NOMEAR defensor substituto, ainda que provisoriamente ou só para o efeito do ato. (Incluído pela Lei nº 11.719, de 2008). (TJSP-2017-VUNESP): No tocante aos sujeitos do processo, é correto afirmar que a audiência poderá ser adiada se, por motivo justificado, o defensor não puder comparecer, a ele incumbindo provar o impedimento até a abertura do ato; se não o fizer, deve o juiz nomear defensor substituto, ainda que provisoriamente ou só para o efeito do ato. BL: art. 265, §§1º e 2º, CPP. Art. 266. A constituição de defensor INDEPENDERÁ de instrumento de mandato, se o acusado o indicar por ocasião do interrogatório. (DPEES-2009) Art. 267. Nos termos do art. 252, não funcionarão como defensores os parentes do juiz. CAPÍTULO IV DOS ASSISTENTES Art. 268. Em todos os termos da ação pública [condicionada ou incondicionada], poderá intervir, como assistente do Ministério Público, o ofendido ou seu representante legal, ou, na falta, qualquer das pessoas mencionadas no Art. 31 [CADI: cônjuge, ascendentes, descendente e irmão]. (MPSP-2015) (MPES-2013) (DPU-2010/2015) (MPRR- 2008) (MPMG-2005) DICAS IMPORTANTES: 1. No inquérito policial não cabe assistente de acusação, porque não há contraditório e ampla defesa (informação cobrada 2x na prova da DPU). 2. Não cabe recurso, todavia cabe impugnação via mandado de segurança (conclusão que se extrai do art. 273, CPP). (TJDFT-2016-CESPE): O ofendido ou seu representante legal ou, na falta de um deles, o cônjuge, os ascendentes, os descendentes ou irmãos, poderão intervir como assistentes do MP em ações penais públicas condicionada ou incondicionada. BL: art. 268, CPP. (DPEES-2016-FCC): Com relação ao assistente de acusação no processo penal o assistente de acusação somente poderá se habilitar na ação penal pública, condicionada ou incondicionada. BL: art. 268, CPP. (TJAP-2009-FCC): Os Presidentes dos Conselhos e das Subseções da OAB têm legitimidade para intervir como assistentes do Ministério Público em processos em que sejam ofendidos os inscritos na OAB. BL: art. 49 do Estatuto da OAB. Art. 269. O assistente SERÁ ADMITIDO enquanto não passar em julgado a sentença e receberá a causa no estado em que se achar. (TJSP-2017) (DPEES-2016) (TJCE-2014) (MPES-2013) (MPAP-2012) (MPPE-2008) (MPRR-2008) (MPMG-2005) Art. 270. O corréu no mesmo processo NÃO PODERÁ intervir como assistente do Ministério Público. (Analista Judiciário/TRF5-2017) (TJCE-2014) (MPAP-2012) (MPRR- 2008) (TRF5-2013-CESPE): Em relação aos sujeitos do processo, assinale a opção correta: Conforme previsão do CPP, a atuação do assistente de acusação, que receberá a causa no estado em que ela se encontra, é admitida enquanto não transitar em julgado a sentença, vedada a participação de corréu no mesmo processo como assistente do MP. BL: arts. 269 e 270, CPP. Art. 271. Ao assistente SERÁ PERMITIDO propor meios de prova, requerer perguntas às testemunhas, aditar o libelo e os articulados, participar do debateoral e arrazoar os recursos interpostos pelo Ministério Público, ou por ele próprio, nos casos dos arts. 584, § 1o, e 598. (Cartórios/TJMG-2017) (DPEES-2016) (TJAP-2009) (MPRR-2008) (MPES-2013-VUNESP): Na ação penal pública, o assistente do Ministério Público poderá: propor meios de prova, perguntar às testemunhas, participar do debate oral e até mesmo arrazoar recursos. BL: art. 271, CPP. (TJPB-2011-CESPE): O CPP prevê taxativamente o rol dos atos que pode praticar o assistente de acusação, o qual não pode recorrer contra ato privativo do MP. BL: art. 271, CPP. § 1o O juiz, ouvido o Ministério Público, DECIDIRÁ acerca da realização das provas propostas pelo assistente. (TRF5-2013) § 2o O processo prosseguirá independentemente de nova intimação do assistente, quando este, intimado, deixar de comparecer a qualquer dos atos da instrução ou do julgamento, sem motivo de força maior devidamente comprovado. (MPPE-2008) Art. 272. O Ministério Público será ouvido previamente sobre a admissão do assistente. (TJRJ-2014) (TJGO-2012-FCC): A admissão do assistente fica condicionada à manifestação do Ministério Público. BL: art. 272, CPP. Art. 273. Do despacho que admitir, ou não, o assistente, NÃO CABERÁ recurso, devendo, entretanto, constar dos autos o pedido e a decisão. (Analista Judiciário/TRF5- 2017) (TJCE-2014) (MPDFT-2011) (Analista Judiciário/TJPA-2009) (MPPE-2008) (MPMG- 2005) (MPCE-2009-FCC): Contra a decisão do juiz que não admitir o assistente de acusação não caberá recurso, mas será cabível mandado de segurança. BL: art. 273, CPP. (PGERR-2006-FCC): Em caso de indeferimento de pedido do Estado de Roraima para ingressar em processo criminal como assistente, sob o argumento de que não se admite assistência por parte de pessoa jurídica de direito público, não cabe recurso, mas é possível o uso de mandado de segurança. BL: art. 273, CPP. (MPPE-2002-FCC): Se o ofendido, no processo criminal, não for admitido como assistente do Ministério Público, não poderá recorrer da decisão, mas poderá impetrar mandado de segurança. BL: art. 273, CPP. OBS: Vejamos o seguinte julgado do STJ: “(...) Ademais, o artigo 273 do Código de Processo Penal disciplina, de forma expressa, o não cabimento de qualquer recurso contra a decisão que admite ou não o assistente de acusação, sendo certo que, caso evidenciada flagrante ilegalidade no referido ato, lhe restaria a via do mandado de segurança. Doutrina. 4. Recurso improvido. (RHC 31.667/ES, Rel. Ministro JORGE MUSSI, QUINTA TURMA, julgado em 28/05/2013, DJe 11/06/2013)” CAPÍTULO V DOS FUNCIONÁRIOS DA JUSTIÇA Art. 274. As prescrições sobre suspeição dos juízes ESTENDEM-SE aos serventuários e funcionários da justiça, no que Ihes for aplicável. (TJCE-2018) CAPÍTULO VI DOS PERITOS E INTÉRPRETES Art. 275. O perito, ainda quando não oficial, estará sujeito à disciplina judiciária. Art. 276. As partes NÃO INTERVIRÃO na nomeação do perito. Art. 277. O perito nomeado pela autoridade será obrigado a aceitar o encargo, sob pena de multa de cem a quinhentos mil-réis, salvo escusa atendível. (TJAM-2016) Parágrafo único. Incorrerá na mesma multa o perito que, sem justa causa, provada imediatamente: a) deixar de acudir à intimação ou ao chamado da autoridade; b) não comparecer no dia e local designados para o exame; c) não der o laudo, ou concorrer para que a perícia não seja feita, nos prazos estabelecidos. Art. 278. No caso de não-comparecimento do perito, sem justa causa, a autoridade PODERÁ DETERMINAR a sua condução. (Perito Criminal/AC-2015-FUNCAB): No processo penal, relativamente ao perito, é correto afirmar que pode ser determinada a sua oitiva em audiência ou mesmo sua condução coercitiva. BL: art. 278, CPP. (TJRJ-2014-VUNESP): No processo penal, o perito pode ser ouvido em audiência e pode, inclusive, ter determinada sua condução coercitiva. BL: art. 278 do CPP. Art. 279. NÃO PODERÃO ser peritos: I - os que estiverem sujeitos à interdição de direito mencionada nos ns. I e IV do art. 69 do Código Penal [leia-se: art. 47, incisos I e II do Código Penal]; CP, Art. 47 - As penas de interdição temporária de direitos são: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) I - proibição do exercício de cargo, função ou atividade pública, bem como de mandato eletivo; (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) II - proibição do exercício de profissão, atividade ou ofício que dependam de habilitação especial, de licença ou autorização do poder público;(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) II - os que tiverem prestado depoimento no processo ou opinado anteriormente sobre o objeto da perícia; III - os analfabetos e os menores de 21 anos. Art. 280. É extensivo aos peritos, no que Ihes for aplicável, o disposto sobre suspeição dos juízes. Art. 281. Os intérpretes são, para todos os efeitos, equiparados aos peritos. (Perito Criminal-IGP/RS-2017-FUNDATEC): O CPP apresenta algumas normas em relação ao peritos e intérpretes. Com base nesse Código, assinale a alternativa correta: Os intérpretes são, para todos os efeitos, equiparados aos peritos. BL: art. 281, CPP. TÍTULO IX DA PRISÃO, DAS MEDIDAS CAUTELARES E DA LIBERDADE PROVISÓRIA (Redação dada pela Lei nº 12.403, de 2011). Art. 282. As medidas cautelares previstas neste Título deverão ser aplicadas observando-se a: (Redação dada pela Lei nº 12.403, de 2011). I - necessidade para aplicação da lei penal, para a investigação ou a instrução criminal e, nos casos expressamente previstos, para evitar a prática de infrações penais; (Incluído pela Lei nº 12.403, de 2011). (TJRS-2018) II - adequação da medida à gravidade do crime, circunstâncias do fato e condições pessoais do indiciado ou acusado. (Incluído pela Lei nº 12.403, de 2011). (TJRS-2018) (TJRS-2012): Para a concessão de medida cautelar diversa da prisão, impõe-se analisar a necessidade e adequação. BL: art. 282, I e II, CPP. § 1o As medidas cautelares poderão ser aplicadas isolada ou cumulativamente. (Incluído pela Lei nº 12.403, de 2011). § 2o As MEDIDAS CAUTELARES SERÃO DECRETADAS PELO JUIZ, de ofício ou a requerimento das partes ou, quando no curso da investigação criminal, por representação da autoridade policial ou mediante requerimento do Ministério Público. (Incluído pela Lei nº 12.403, de 2011). (Téc. Judic./TJSC-2018) (PCMT-2018-CESPE): As medidas cautelares pessoais são decretadas pelo juiz, de ofício ou a requerimento das partes, no curso da ação penal, ou no curso da investigação criminal, somente por representação da autoridade policial ou a requerimento do MP. BL: art. 282, §2º, CPP. OBS: “Decretação de medidas cautelares pelo juiz de ofício durante as investigações: na fase investigatória, é vedada a decretação de medidas cautelares pelo juiz de ofício, sob pena de evidente violação ao sistema acusatório. Acolhido de forma explícita pela Constituição Federal de 1988 (art. 129, I), o sistema acusatório determina que a relação processual somente pode ter início mediante a provocação de pessoa encarregada de deduzir a pretensão punitiva (ne procedat judex ex officio)”. [...] “Decretação de medidas cautelares pelo juiz de ofício durante o curso do processo: uma vez provocada a jurisdição por denúncia do Ministério Público - ou queixa-crime do particular ofendido -, a autoridade judiciária competente passa a deter poderes inerentes à própria jurisdição penal, podendo, assim, decretar medidas cautelares de ofício caso verifique a necessidade do provimento para preservar a prova, o resultado do processo ou a própria segurança da sociedade. Tutela cautelar e tutela antecipatória. São Paulo: Revista dos Tribunais, 1992, p. 79”. (Fonte:Código de Processo Penal Comentado - Renato Brasileiro, 2017, p. 778). § 3o RESSALVADOS os casos de urgência ou de perigo de ineficácia da medida, o juiz, ao receber o pedido de medida cautelar, DETERMINARÁ A INTIMAÇÃO DA PARTE CONTRÁRIA, acompanhada de cópia do requerimento e das peças necessárias, permanecendo os autos em juízo. (Incluído pela Lei nº 12.403, de 2011). (TJRS-2018) (TJSC-2015-FCC): No curso de uma ação penal, um réu que respondeu ao processo em liberdade e possui residência fixa, e que nunca demonstrou qualquer sinal de que se furtaria à aplicação da lei penal, teve um pedido de prisão preventiva ofertado ao juiz pelo Ministério Público que especula sobre sua possível fuga, sem demonstração fática nos autos. Neste caso, diante da ausência de urgência ou de perigo de ineficácia da medida, o juiz, antes de decretar a medida, deverá intimar a parte contrária dando-lhe ciência do requerimento. BL: art. 282, §3º, CPP. § 4o No caso de DESCUMPRIMENTO DE QUALQUER DAS OBRIGAÇÕES IMPOSTAS, o juiz, DE OFÍCIO ou mediante REQUERIMENTO do Ministério Público, de seu assistente ou do querelante, PODERÁ SUBSTITUIR a medida, IMPOR OUTRA EM CUMULAÇÃO, ou, EM ÚLTIMO CASO, DECRETAR a PRISÃO PREVENTIVA (art. 312, parágrafo único). (Incluído pela Lei nº 12.403, de 2011). (TJSP-2014) (Téc. Judic./TJSC-2018) (TJMG-2018) Art. 312. Parágrafo único. A prisão preventiva também poderá ser decretada em caso de descumprimento de qualquer das obrigações impostas por força de outras medidas cautelares (art. 282, § 4o). § 5o O juiz poderá revogar a medida cautelar ou substituí-la quando verificar a falta de motivo para que subsista, bem como voltar a decretá-la, se sobrevierem razões que a justifiquem. (Incluído pela Lei nº 12.403, de 2011). § 6o A prisão preventiva será determinada quando não for cabível a sua substituição por outra medida cautelar (art. 319). (Incluído pela Lei nº 12.403, de 2011). Art. 283. Ninguém poderá ser preso senão em flagrante delito ou por ordem escrita e fundamentada da autoridade judiciária competente, em decorrência de sentença condenatória transitada em julgado ou, no curso da investigação ou do processo, em virtude de prisão temporária ou prisão preventiva. (Redação dada pela Lei nº 12.403, de 2011). § 1o As medidas cautelares previstas neste Título NÃO SE APLICAM à infração a que NÃO FOR isolada, cumulativa ou alternativamente cominada PENA PRIVATIVA DE LIBERDADE. (Incluído pela Lei nº 12.403, de 2011). (TJSP-2014) OBS: As medidas cautelares só têm vez quando houver no preceito secundário do tipo penal pena privativa de liberdade (seja isolada, seja cumulada, seja alternada). § 2o A PRISÃO PODERÁ SER EFETUADA em qualquer dia e a qualquer hora, RESPEITADAS as restrições relativas à inviolabilidade do domicílio. (Incluído pela Lei nº 12.403, de 2011). (TJRS-2018) Art. 284. Não será permitido o emprego de força, salvo a indispensável no caso de resistência ou de tentativa de fuga do preso. Art. 285. A autoridade que ordenar a prisão fará expedir o respectivo mandado. Parágrafo único. O mandado de prisão: a) SERÁ LAVRADO pelo escrivão e ASSINADO pela autoridade; (TJRS-2018) b) designará a pessoa, que tiver de ser presa, por seu nome, alcunha ou sinais característicos; c) mencionará a infração penal que motivar a prisão; d) declarará o valor da fiança arbitrada, quando afiançável a infração; e) será dirigido a quem tiver qualidade para dar-lhe execução. Art. 286. O mandado será passado em duplicata, e o executor entregará ao preso, logo depois da prisão, um dos exemplares com declaração do dia, hora e lugar da diligência. Da entrega deverá o preso passar recibo no outro exemplar; se recusar, não souber ou não puder escrever, o fato será mencionado em declaração, assinada por duas testemunhas. Art. 287. Se a infração FOR INAFIANÇÁVEL, a falta de exibição do mandado NÃO OBSTARÁ à prisão, e o preso, em tal caso, será imediatamente apresentado ao juiz que tiver expedido o mandado. (TJMG-2006) (MPSP-2011) (TJPR-2017) (TJRS-2018-VUNESP): Sobre prisão e medidas cautelares, é correto afirmar: a falta de exibição do mandado não obsta a prisão se a infração for inafiançável. BL: art. 287, CPP. Art. 288. Ninguém será recolhido à prisão, sem que seja exibido o mandado ao respectivo diretor ou carcereiro, a quem será entregue cópia assinada pelo executor ou apresentada a guia expedida pela autoridade competente, devendo ser passado recibo da entrega do preso, com declaração de dia e hora. Parágrafo único. O recibo poderá ser passado no próprio exemplar do mandado, se este for o documento exibido. Art. 289. Quando o acusado estiver no território nacional, fora da jurisdição do juiz processante, será deprecada a sua prisão, devendo constar da precatória o inteiro teor do mandado. (Redação dada pela Lei nº 12.403, de 2011). § 1o Havendo urgência, o juiz poderá requisitar a prisão por qualquer meio de comunicação, do qual deverá constar o motivo da prisão, bem como o valor da fiança se arbitrada. (Incluído pela Lei nº 12.403, de 2011). § 2o A autoridade a quem se fizer a requisição tomará as precauções necessárias para averiguar a autenticidade da comunicação. (Incluído pela Lei nº 12.403, de 2011). § 3o O juiz processante deverá providenciar a remoção do preso no prazo máximo de 30 (trinta) dias, contados da efetivação da medida. (Incluído pela Lei nº 12.403, de 2011). Art. 289-A. O juiz competente providenciará o imediato registro do mandado de prisão em banco de dados mantido pelo Conselho Nacional de Justiça para essa finalidade. (Incluído pela Lei nº 12.403, de 2011). § 1o QUALQUER AGENTE POLICIAL PODERÁ EFETUAR a prisão determinada no mandado de prisão registrado no Conselho Nacional de Justiça, ainda que fora da competência territorial do juiz que o expediu. (Incluído pela Lei nº 12.403, de 2011). (MPSC-2013) (TJCE-2018) § 2o Qualquer agente policial poderá efetuar a prisão decretada, ainda que sem registro no Conselho Nacional de Justiça, adotando as precauções necessárias para averiguar a autenticidade do mandado e comunicando ao juiz que a decretou, devendo este providenciar, em seguida, o registro do mandado na forma do caput deste artigo. (Incluído pela Lei nº 12.403, de 2011). § 3o A prisão será imediatamente comunicada ao juiz do local de cumprimento da medida o qual providenciará a certidão extraída do registro do Conselho Nacional de Justiça e informará ao juízo que a decretou. (Incluído pela Lei nº 12.403, de 2011). § 4o O preso será informado de seus direitos, nos termos do inciso LXIII do art. 5o da Constituição Federal e, caso o autuado não informe o nome de seu advogado, será comunicado à Defensoria Pública. (Incluído pela Lei nº 12.403, de 2011). § 5o Havendo dúvidas das autoridades locais sobre a legitimidade da pessoa do executor ou sobre a identidade do preso, aplica-se o disposto no § 2o do art. 290 deste Código. (Incluído pela Lei nº 12.403, de 2011). § 6o O Conselho Nacional de Justiça regulamentará o registro do mandado de prisão a que se refere o caput deste artigo. (Incluído pela Lei nº 12.403, de 2011). Art. 290. Se o réu, SENDO PERSEGUIDO, passar ao território de outro município ou comarca, o executor PODERÁ EFETUAR-LHE a PRISÃO no lugar onde o alcançar, APRESENTANDO-O imediatamente à autoridade local, que, depois de lavrado, se for o caso, o auto de flagrante, providenciará para a remoção do preso. (TJPR-2010) (TJDFT-2014) § 1o - Entender-se-á que o executor vai em perseguição do réu, quando: a) tendo-o avistado, for perseguindo-o sem interrupção, embora depois o tenha perdido de vista; b) sabendo, por indícios ou informações fidedignas, que oréu tenha passado, há pouco tempo, em tal ou qual direção, pelo lugar em que o procure, for no seu encalço. § 2o Quando as autoridades locais tiverem fundadas razões para duvidar da legitimidade da pessoa do executor ou da legalidade do mandado que apresentar, poderão pôr em custódia o réu, até que fique esclarecida a dúvida. Art. 291. A prisão em virtude de mandado entender-se-á feita desde que o executor, fazendo-se conhecer do réu, Ihe apresente o mandado e o intime a acompanhá-lo. Art. 292. Se houver, ainda que por parte de terceiros, resistência à prisão em flagrante ou à determinada por autoridade competente, o executor e as pessoas que o auxiliarem poderão usar dos meios necessários para defender-se ou para vencer a resistência, do que tudo se lavrará auto subscrito também por duas testemunhas. Parágrafo único. É vedado o uso de algemas em mulheres grávidas durante os atos médico-hospitalares preparatórios para a realização do parto e durante o trabalho de parto, bem como em mulheres durante o período de puerpério imediato. (Redação dada pela Lei nº 13.434, de 2017) Art. 293. Se o executor do mandado verificar, com segurança, que o réu entrou ou se encontra em alguma casa, o morador será intimado a entregá-lo, à vista da ordem de prisão. Se não for obedecido imediatamente, o executor convocará duas testemunhas e, sendo dia, entrará à força na casa, arrombando as portas, se preciso; sendo noite, o executor, depois da intimação ao morador, se não for atendido, fará guardar todas as saídas, tornando a casa incomunicável, e, logo que amanheça, arrombará as portas e efetuará a prisão. (TJSP-2018-VUNESP): Expedido mandado de prisão contra réu condenado, o executor do mandado, encontrando-o em casa de terceiro, e no período noturno, deverá intimar o morador a entregar o condenado e, em caso de recusa, esperar o amanhecer para ingressar na casa e efetuar a prisão. BL: art. 293, CPP. Parágrafo único. O morador que se recusar a entregar o réu oculto em sua casa será levado à presença da autoridade, para que se proceda contra ele como for de direito. Art. 294. No caso de prisão em flagrante, observar-se-á o disposto no artigo anterior, no que for aplicável. Art. 295. SERÃO RECOLHIDOS a quartéis ou a prisão especial, à disposição da autoridade competente, quando SUJEITOS a prisão ANTES DE CONDENAÇÃO DEFINITIVA: (TJSE-2008-CESPE): Em geral, a prisão especial somente poderá ser concedida durante o processo ou inquérito policial, cessando o benefício após o trânsito em julgado. BL: art. 295, CPP. I - os ministros de Estado; II - os governadores ou interventores de Estados ou Territórios, o prefeito do Distrito Federal, seus respectivos secretários, os prefeitos municipais, os vereadores e os chefes de Polícia; (Redação dada pela Lei nº 3.181, de 11.6.1957) III - os membros do Parlamento Nacional, do Conselho de Economia Nacional e das Assembléias Legislativas dos Estados; IV - os cidadãos inscritos no "Livro de Mérito"; V – os oficiais das Forças Armadas e os militares dos Estados, do Distrito Federal e dos Territórios; (Redação dada pela Lei nº 10.258, de 11.7.2001) VI - os magistrados; VII - os diplomados por qualquer das faculdades superiores da República; (TJAC- 2012) VIII - os ministros de confissão religiosa; IX - os ministros do Tribunal de Contas; X - os cidadãos que já tiverem exercido efetivamente a função de jurado, salvo quando excluídos da lista por motivo de incapacidade para o exercício daquela função; XI - os delegados de polícia e os guardas-civis dos Estados e Territórios, ativos e inativos. (Redação dada pela Lei nº 5.126, de 20.9.1966) (TJCE-2018) § 1o A prisão especial, prevista neste Código ou em outras leis, consiste exclusivamente no recolhimento em local distinto da prisão comum. (Incluído pela Lei nº 10.258, de 11.7.2001) § 2o Não havendo estabelecimento específico para o preso especial, este será recolhido em cela distinta do mesmo estabelecimento. (Incluído pela Lei nº 10.258, de 11.7.2001) § 3o A cela especial poderá consistir em alojamento coletivo, atendidos os requisitos de salubridade do ambiente, pela concorrência dos fatores de aeração, insolação e condicionamento térmico adequados à existência humana. (Incluído pela Lei nº 10.258, de 11.7.2001) § 4o O preso especial não será transportado juntamente com o preso comum. (Incluído pela Lei nº 10.258, de 11.7.2001) (TJAC-2012) § 5o Os demais direitos e deveres do preso especial serão os mesmos do preso comum. (Incluído pela Lei nº 10.258, de 11.7.2001) (TJAC-2012) Art. 296. Os inferiores e praças de pré, onde for possível, serão recolhidos à prisão, em estabelecimentos militares, de acordo com os respectivos regulamentos. Art. 297. Para o cumprimento de mandado expedido pela autoridade judiciária, a autoridade policial poderá expedir tantos outros quantos necessários às diligências, devendo neles ser fielmente reproduzido o teor do mandado original. (TJPR-2017) Art. 298. (Revogado pela Lei nº 12.403, de 2011). Art. 299. A captura poderá ser requisitada, à vista de mandado judicial, por qualquer meio de comunicação, tomadas pela autoridade, a quem se fizer a requisição, as precauções necessárias para averiguar a autenticidade desta. (Redação dada pela Lei nº 12.403, de 2011). Art. 300. As pessoas presas provisoriamente ficarão separadas das que já estiverem definitivamente condenadas, nos termos da lei de execução penal. (Redação dada pela Lei nº 12.403, de 2011). Parágrafo único. O militar preso em flagrante delito, após a lavratura dos procedimentos legais, será recolhido a quartel da instituição a que pertencer, onde ficará preso à disposição das autoridades competentes. (Incluído pela Lei nº 12.403, de 2011). CAPÍTULO II DA PRISÃO EM FLAGRANTE Art. 301. QUALQUER DO POVO PODERÁ e AS AUTORIDADES POLICIAIS e SEUS AGENTES DEVERÃO PRENDER quem quer que seja encontrado EM FLAGRANTE DELITO. (TJSP-2011) (Téc. Judic./TJSC-2018) Art. 302. CONSIDERA-SE EM FLAGRANTE DELITO quem: I - ESTÁ COMETENDO a infração penal; [obs.: flagrante próprio ou real.] (TJAP-2009) (TJSC-2010) II - acaba de cometê-la; [obs.: flagrante próprio ou real.] III - É PERSEGUIDO, LOGO APÓS, pela autoridade, pelo ofendido ou por qualquer pessoa, em situação que faça presumir ser autor da infração; [obs.: flagrante impróprio ou quase flagrante.] (TJAP-2009) (TJSC-2010) IV - É ENCONTRADO, LOGO DEPOIS, com instrumentos, armas, objetos ou papéis que FAÇAM PRESUMIR ser ele autor da infração. [obs.: flagrante ficto ou presumido.] (MPPR-2008) (TJPR-2010) (TJSC-2010) (Téc. Judic./TJSC-2018) (TJSP-2011-VUNESP): A respeito da prisão em flagrante: Quem, logo após o cometimento de furto, é encontrado na posse do bem subtraído, pode ser preso em flagrante delito, ainda que inexistam testemunhas da infração. BL: art. 302, IV, CPP. (TJRO-2011-PUCPR): O flagrante presumido consiste na prisão do agente que é encontrado logo depois do fato, com instrumentos, armas ou objetos que estejam relacionados com o fato. BL: art. 302, IV, CPP. Art. 303. Nas INFRAÇÕES PERMANENTES, ENTENDE-SE o agente em flagrante delito enquanto não cessar a permanência. (PF-2004) (MPPR-2008) (TJSC-2010) (TJSP-2011-VUNESP): A respeito da prisão em flagrante: Nos crimes permanentes, entende-se que o agente está em flagrante delito enquanto não cessar a permanência. BL: art. 303, CPP. Art. 304. APRESENTADO o preso à autoridade competente, OUVIRÁ esta o condutor e colherá, desde logo, sua assinatura, entregando a este cópia do termo e recibo de entregado preso. Em seguida, PROCEDERÁ à oitiva das testemunhas que o acompanharem e ao interrogatório do acusado sobre a imputação que lhe é feita, colhendo, após cada oitiva suas respectivas assinaturas, lavrando, a autoridade, afinal, o auto. (Redação dada pela Lei nº 11.113, de 2005) (TJSP-2008/2011) § 1o Resultando das respostas fundada a suspeita contra o conduzido, a autoridade mandará recolhê-lo à prisão, exceto no caso de livrar-se solto ou de prestar fiança, e prosseguirá nos atos do inquérito ou processo, se para isso for competente; se não o for, enviará os autos à autoridade que o seja. § 2o A falta de testemunhas da infração NÃO IMPEDIRÁ o auto de prisão em flagrante; mas, nesse caso, com o condutor, deverão assiná-lo pelo menos duas pessoas [obs.: testemunhas fedatárias] que hajam testemunhado a apresentação do preso à autoridade. (MPSP-2011) § 3o Quando o acusado se recusar a assinar, não souber ou não puder fazê-lo, o auto de prisão em flagrante será assinado por duas testemunhas [obs.: testemunhas fedatárias], que tenham ouvido sua leitura na presença deste. (Redação dada pela Lei nº 11.113, de 2005) § 4o Da lavratura do auto de prisão em flagrante DEVERÁ CONSTAR a informação sobre a existência de filhos, respectivas idades e se possuem alguma deficiência e o nome e o contato de eventual responsável pelos cuidados dos filhos, indicado pela pessoa presa. (Incluído pela Lei nº 13.257, de 2016) (Anal. Judic./TJMS-2017) Art. 305. Na falta ou no impedimento do escrivão, qualquer pessoa designada pela autoridade LAVRARÁ O AUTO, depois de prestado o compromisso legal. (PCSP-2012) (TJDFT-2014) (TJSP-2011-VUNESP): A respeito da prisão em flagrante: Na falta ou impedimento do escrivão, qualquer pessoa designada pela autoridade policial lavrará o auto de prisão em flagrante, depois de prestado o compromisso legal. BL: art. 305, CPP. Art. 306. A prisão de qualquer pessoa e o local onde se encontre SERÃO COMUNICADOS IMEDIATAMENTE ao juiz competente, ao Ministério Público e à família do preso ou à pessoa por ele indicada. (Redação dada pela Lei nº 12.403, de 2011). (MPDFT-2015): A prisão de qualquer pessoa deve ser comunicada imediatamente ao Ministério Público, assim como o local em que se encontra. BL: art. 306, CPP. § 1o Em ATÉ 24 (VINTE E QUATRO) HORAS após a realização da prisão, SERÁ ENCAMINHADO ao juiz competente o AUTO DE PRISÃO EM FLAGRANTE e, caso o autuado não informe o nome de seu advogado, cópia integral para a Defensoria Pública. (Redação dada pela Lei nº 12.403, de 2011). (TJMT-2009) (TJDFT-2014) § 2o No mesmo prazo, SERÁ ENTREGUE ao preso, mediante recibo, a NOTA DE CULPA, assinada pela autoridade, com o motivo da prisão, o nome do condutor e os das testemunhas. (Redação dada pela Lei nº 12.403, de 2011). (TJSP-2011) Art. 307. Quando o fato for praticado em presença da autoridade, ou contra esta, no exercício de suas funções, constarão do auto a narração deste fato, a voz de prisão, as declarações que fizer o preso e os depoimentos das testemunhas, sendo tudo assinado pela autoridade, pelo preso e pelas testemunhas e remetido imediatamente ao juiz a quem couber tomar conhecimento do fato delituoso, se não o for a autoridade que houver presidido o auto. (TJSC-2010) Art. 308. Não havendo autoridade no lugar em que se tiver efetuado a prisão, o preso será logo apresentado à do lugar mais próximo. (TJRN-2013) Art. 309. Se o réu se livrar solto, deverá ser posto em liberdade, depois de lavrado o auto de prisão em flagrante. Art. 310. AO RECEBER o AUTO DE PRISÃO EM FLAGRANTE, o juiz DEVERÁ fundamentadamente: (Redação dada pela Lei nº 12.403, de 2011). I - relaxar a prisão ilegal; ou (Incluído pela Lei nº 12.403, de 2011). II - CONVERTER a PRISÃO EM FLAGRANTE EM PREVENTIVA, quando presentes os requisitos constantes do art. 312 deste Código, e SE REVELAREM inadequadas ou insuficientes as MEDIDAS CAUTELARES DIVERSAS DA PRISÃO; ou (Incluído pela Lei nº 12.403, de 2011). OBS1: Leitura conjunta dos arts. 312 e 313 do CPP para aplicação da prisão preventiva. OBS2: Ainda que não conste no inciso II do art. 310 do CPP, poderá ser convertida em prisão temporária, observados os requisitos da Lei da Prisão Temporária. (TJSP-2014-VUNESP): Assinale a opção que contenha assertiva verdadeira no tocante às medidas cautelares diversas da prisão: O juiz só deve converter a prisão em flagrante em preventiva se verificar presentes seus requisitos e desde que tenha entendido não serem suficientes as medidas cautelares diversas da prisão. BL: art. 310, II, CPP. OBS: A prisão preventiva deve ser tomada pelo juiz como medida de “ultima ratio”. III - conceder liberdade provisória, com ou sem fiança. (Incluído pela Lei nº 12.403, de 2011). (TJRS-2012): Recebendo o auto de prisão em flagrante, cumpre ao magistrado, alternativamente, relaxar a prisão, ou converter a prisão em preventiva (se presentes os requisitos legais e não for o caso de aplicação das medidas cautelares diversas da prisão), ou conceder liberdade provisória. BL: art. 310, CPP. Parágrafo único. Se o juiz verificar, pelo auto de prisão em flagrante, que o agente praticou o fato nas condições constantes dos incisos I a III do caput do art. 23 do Decreto-Lei no 2.848, de 7 de dezembro de 1940 - Código Penal, poderá, fundamentadamente, conceder ao acusado liberdade provisória, mediante termo de comparecimento a todos os atos processuais, sob pena de revogação. (Redação dada pela Lei nº 12.403, de 2011). (TJDFT-2014-CESPE): Elias, com dezoito anos de idade, após efetuar roubo de veículo automotor na região administrativa de Brazlândia – DF, mediante utilização de arma de fogo com numeração raspada, evadiu-se do local em direção à região administrativa de Taguatinga – DF, onde foi preso em flagrante após colidir o veículo em um semáforo, tendo sido conduzido à autoridade policial da delegacia situada em frente ao local do acidente, ocasião em que foi lavrado o auto de prisão em flagrante. Considerando essa situação hipotética, assinale a opção correta com base no que dispõe o CPP. Ao receber o auto de prisão em flagrante de Elias, o magistrado competente decidirá, nos termos da lei, sem a prévia manifestação do MP. BL: art. 310, caput, CPP. CAPÍTULO III DA PRISÃO PREVENTIVA (Redação dada pela Lei nº 5.349, de 3.11.1967) Art. 311. Em qualquer fase da investigação policial ou do processo penal, CABERÁ A PRISÃO PREVENTIVA DECRETADA pelo juiz, DE OFÍCIO, se no curso da ação penal, ou a requerimento do Ministério Público, do querelante ou do assistente, ou por representação da autoridade policial. (Redação dada pela Lei nº 12.403, de 2011). (MPSP- 2011) (TJSE-2015) (TJSC-2015) (TJMG-2018) OBS: O art. 268 do CPP prevê que o assistente da acusação poderá intervir “em todos os termos da ação pública”, donde se conclui que sua atuação somente pode ocorrer no curso da ação penal. A esse respeito, veja-se a posição doutrinária: “...Ingresso de assistente durante o inquérito policial: impossibilidade. Não há interesse algum do ofendido em participar das investigações preliminares ao eventual processo, afinal, o inquérito é inquisitivo e dele nem mesmo toma parte ativa o indiciado. Logo, deve aguardar o início da ação penal para manifestar o seu interesse em dela participar”. (NUCCI, Código de Processo Penal comentado. 15ª ed. Rio de Janeiro: Forense, 2016, p. 522). “Com a modificação do CPP pela Lei nº 12.403/11, extrai-se da nova redação do art. 311 que, doravante, o assistente também passa a ter legitimidade para requerer a prisão preventiva. Essa legitimidade, todavia, somente pode ocorrer durante o curso do processo. Afinal, segundo o art. 268 do CPP, só se admite a habilitação doassistente da acusação no curso do processo penal. Entende-se que essa legitimidade do assistente também se estende às demais medidas cautelares de natureza pessoal, já que o art. 282, § 2º, faz menção ao requerimento das partes, aí incluído o assistente da acusação”. (LIMA, Renato Brasileiro. Manual de Direito Processual Penal. 4ª ed. Salvador: JusPodivm, 2016,. p. 1146). “Conjugando-se o disposto nos arts. 268 e 269 do Código de Processo Penal, chega-se à conclusão de que a vítima pode intervir como assistente a qualquer momento, no curso do processo (que, para a maioria da doutrina, inicia-se com o recebimento da denúncia), enquanto não transitada em julgado a decisão judicial. Assim, não há falar-se em assistência na fase preliminar de investigações, ou mesmo antes do recebimento da peça da acusação. Dessa maneira, é descabida a previsão do art. 311 da Lei n. 12.403/2011 que autoriza, em qualquer fase da investigação policial ou do processo penal, a prisão preventiva decretada pelo juiz, de ofício, se no curso da ação penal, ou a requerimento, dentre outros, do assistente”. (CAPEZ, Fernando. Curso de Processo Penal. 23ª ed. São Paulo: Saraiva, 2016, p. 286). Malgrado o artigo 311 do CPP, com a redação dada pela Lei 12.403/2011, confira legitimidade ao assistente da acusação para requerer a prisão preventiva, ressalva que essa pretensão somente pode ser deduzida “se no curso da ação penal”. (Tema cobrado no TJMG-2018) (Anal. Judic./TJAL-2018-FGV): Durante investigação pela prática de crime de concussão, figurando como indiciado Gomes, o MP formula, nos autos do inquérito, requerimento de busca e apreensão na residência do investigado. Considerando a gravidade do caso investigado, o juiz defere a medida pleiteada pelo MP e, ainda, decreta a prisão preventiva de Gomes. Após cumprimento dos mandados de busca e apreensão e prisão preventiva pelo Oficial de Justiça, a defesa técnica de Gomes deverá buscar o relaxamento da prisão preventiva, tendo em vista que ilegal, já que o magistrado não poderia decretá-la, nos termos realizados, antes do oferecimento da denúncia. BL: art. 311, CPP. (PCMT-2017-CESPE): Em razão do sistema processual brasileiro, não é possível ao magistrado determinar, de ofício, a prisão preventiva do indiciado na fase de investigação criminal ou pré-processual. OBS: “Decretação da prisão preventiva pelo juiz de ofício: de acordo com a nova redação do art. 311 do CPP, em qualquer fase da investigação policial ou do processo penal, caberá a prisão preventiva decretada pelo juiz, de ofício, se no curso da ação penal, ou mediante requerimento do Ministério Público, do querelante ou do assistente, ou por representação da autoridade policial. Ao dispor que a prisão preventiva poderá ser decretada de ofício, se no curso da ação penal, conclui-se, a contrario sensu, que referida medida cautelar não poderá ser decretada de ofício na fase investigatória. Todavia, uma vez provocada a jurisdição por denúncia do Ministério Público ou queixa-crime do particular ofendido, a autoridade judiciária competente passa a deter poderes inerentes à própria jurisdição penal, podendo, assim, decretar a prisão preventiva de ofício, se acaso verificar que a supressão da liberdade do denunciado é necessária para preservar a prova, o resultado do processo ou a própria segurança da sociedade. Em se tratando de processo da competência originária dos Tribunais, a competência é do Relator, nos termos do art. 2°, parágrafo único, da Lei n. 8.038/90, porque a ele são outorgadas as atribuições que a legislação processual confere aos juízes singulares. Para mais detalhes acerca da impossibilidade de decretação de medidas cautelares pelo juiz ex-officio durante a fase investigatória, remetemos o leitor aos comentários ao art. 282 do CPP”. (Fonte: Código de Processo Penal Comentado - Renato Brasileiro, 2017, p. 875). (TJRJ-2014-VUNESP): Estritamente de acordo com os respectivos textos legais, independe de prévia manifestação do Ministério Público a decisão que decretar prisão preventiva no curso de ação penal. Art. 312. A PRISÃO PREVENTIVA PODERÁ SER DECRETADA como garantia da ordem pública, da ordem econômica, por conveniência da instrução criminal, ou para assegurar a aplicação da lei penal, quando houver prova da existência do crime e indício suficiente de autoria. (Redação dada pela Lei nº 12.403, de 2011). (TJPE-2011) Parágrafo único. A PRISÃO PREVENTIVA também PODERÁ SER DECRETADA em caso de descumprimento de qualquer das obrigações impostas por força de outras medidas cautelares (art. 282, § 4o). (Incluído pela Lei nº 12.403, de 2011). (TJPE-2011) (TJSP-2014) Art. 282. § 4o No caso de descumprimento de qualquer das obrigações impostas, o juiz, de ofício ou mediante requerimento do Ministério Público, de seu assistente ou do querelante, poderá substituir a medida, impor outra em cumulação, ou, em último caso, decretar a prisão preventiva (art. 312, parágrafo único). Art. 313. Nos termos do art. 312 deste Código, SERÁ ADMITIDA a decretação da prisão preventiva: (Redação dada pela Lei nº 12.403, de 2011). I - nos crimes DOLOSOS punidos com pena privativa de liberdade máxima superior a 4 (quatro) anos; (Redação dada pela Lei nº 12.403, de 2011). II - SE TIVER SIDO CONDENADO por outro crime doloso, em sentença transitada em julgado, ressalvado o disposto no inciso I do caput do art. 64 do Decreto-Lei no 2.848, de 7 de dezembro de 1940 - Código Penal; (Redação dada pela Lei nº 12.403, de 2011). (Téc. Judic./TJSC-2018) III - se o crime envolver violência doméstica e familiar contra a mulher, criança, adolescente, idoso, enfermo ou pessoa com deficiência, para garantir a execução das medidas protetivas de urgência; (Redação dada pela Lei nº 12.403, de 2011). (TJSE-2015-FCC): Será admitida a decretação da prisão preventiva, independentemente do máximo da pena privativa de liberdade cominada, em caso de o crime envolver violência doméstica e familiar contra a mulher, criança, adolescente, idoso, enfermo ou pessoa com deficiência, para garantir a execução das medidas protetivas de urgência. BL: art. 313, III do CPP. IV - (Revogado pela Lei nº 12.403, de 2011). Parágrafo único. Também SERÁ ADMITIDA A PRISÃO PREVENTIVA [leia-se: condução coercitiva] quando houver dúvida sobre a identidade civil da pessoa ou quando esta não fornecer elementos suficientes para esclarecê-la, DEVENDO o preso ser colocado imediatamente em liberdade após a identificação, salvo se outra hipótese recomendar a manutenção da medida. (Incluído pela Lei nº 12.403, de 2011). (MPSC-2014) Art. 314. A prisão preventiva em nenhum caso será decretada se o juiz verificar pelas provas constantes dos autos ter o agente praticado o fato nas condições previstas nos incisos I, II e III do caput do art. 23 do Decreto-Lei no 2.848, de 7 de dezembro de 1940 - Código Penal. (Redação dada pela Lei nº 12.403, de 2011). Art. 315. A decisão que decretar, substituir ou denegar a prisão preventiva será sempre motivada. (Redação dada pela Lei nº 12.403, de 2011). Art. 316. O juiz PODERÁ REVOGAR a PRISÃO PREVENTIVA se, no correr do processo, verificar a falta de motivo para que subsista, bem como de novo decretá-la, se sobrevierem razões que a justifiquem. (Redação dada pela Lei nº 5.349, de 3.11.1967) (TJGO-2009) CAPÍTULO IV DA PRISÃO DOMICILIAR (Redação dada pela Lei nº 12.403, de 2011). Art. 317. A PRISÃO DOMICILIAR CONSISTE no recolhimento do indiciado ou acusado em sua residência, SÓ PODENDO dela ausentar-se com autorização judicial. (Redação dada pela Lei nº 12.403, de 2011). (TJRS-2012) Art. 318. Poderá o juiz substituir a prisão preventiva pela domiciliar quando o agente for: (Redação dada pela Lei nº 12.403, de 2011). (MPSC-2014) I - maior de 80 (oitenta) anos; (Incluído pela Lei nº 12.403, de 2011). (TJSE-2015) (TJSP-2017)(TJMG-2018-Consulplan): O Juiz poderá substituir a prisão preventiva pela domiciliar quando o agente for maior de 80 (oitenta) anos. BL: art. 318, I do CPP. (TJMG-2012-VUNESP): A Lei 12.403/11 inovou ao prever outra modalidade de medida cautelar, que consiste na prisão domiciliar. Com relação às hipóteses de aplicação da prisão domiciliar, como substitutiva da prisão preventiva, conforme a lei citada, assinale a alternativa correta: Quando o indiciado ou acusado for maior de 80 (oitenta) anos de idade. BL: art. 318, I do CPP. II - extremamente debilitado por motivo de doença grave; (Incluído pela Lei nº 12.403, de 2011). (PCAP-2017-FCC): A prisão domiciliar no processo penal é cabível em caso de pessoa presa que esteja extremamente debilitada em razão de doença grave. BL: art. 318, II do CPP. (AGU-2015-CESPE): O juiz poderá substituir a prisão preventiva pela prisão domiciliar, caso o réu tenha mais de oitenta anos ou prove ser portador de doença grave que cause extrema debilidade. BL: art. 318, I e II do CPP. III - imprescindível aos cuidados especiais de pessoa menor de 6 (seis) anos de idade ou com deficiência; (Incluído pela Lei nº 12.403, de 2011). (MPSC-2013) IV - gestante; (Redação dada pela Lei nº 13.257, de 2016) (TJMT-2018) Inciso IV - prisão domiciliar para GESTANTE independente do tempo de gestação e de sua situação de saúde. CPP ANTES ATUALMENTE Art. 318. Poderá o juiz substituir a prisão preventiva pela domiciliar quando o agente for: (...) IV - gestante a partir do 7º (sétimo) mês de gravidez ou sendo esta de alto risco. Art. 318. Poderá o juiz substituir a prisão preventiva pela domiciliar quando o agente for: (...) IV - gestante; OBS: Desse modo, agora basta que a investigada ou ré esteja grávida para ter direito à prisão domiciliar. Não mais se exige tempo mínimo de gravidez nem que haja risco à saúde da mulher ou do feto. V - mulher com filho de até 12 (doze) anos de idade incompletos; (Incluído pela Lei nº 13.257, de 2016) (TJMT-2018) OBS: Esta hipótese não existia e foi incluída pela Lei nº 13.257/2016. (TJRS-2016): "M" foi presa em flagrante por suposta prática do crime previsto no artigo 33, caput, da Lei nº 11.343/06 (tráfico de drogas), tendo em vista trazer consigo, expor à venda e guardar, para fins de comercialização, 12 (doze) tubos plásticos com cocaína em pó e 8 (oito) porções de maconha. Por vislumbrar presentes os requisitos necessários, o Juízo de primeiro grau converteu a prisão em flagrante em preventiva. Irresignada, a defesa impetrou habeas corpus perante o Tribunal competente, aduzindo, em síntese, a necessidade de concessão da prisão domiciliar, para que "M" possa amamentar seu bebê, que tem apenas 2 (dois) meses de vida: Considerando essa situação hipotética, assinale a alternativa correta: A concessão da prisão domiciliar encontra amparo legal na proteção à maternidade e à infância, como também na dignidade da pessoa humana, porquanto prioriza-se o bem-estar do menor, principalmente, por estar em fase de amamentação, crucial a seu desenvolvimento. Assim, a ordem de habeas corpus poderá ser concedida para que a prisão preventiva seja substituída pela prisão domiciliar, mediante a comprovação dos requisitos estabelecidos no Código de Processo Penal. BL: art. 318, V do CPP. OBS: "Habeas corpus. 2. Tráfico de drogas. Prisão preventiva. 3. Paciente lactante. Revogação da prisão cautelar e, subsidiariamente, concessão de prisão domiciliar. Possibilidade. 4. Garantia do princípio da proteção à maternidade e à infância e do melhor interesse do menor. 5. Súmula 691. Manifesto constrangimento ilegal. Superação. 6. Preenchimento dos requisitos do art. 318 do CPP. 7. Ordem concedida, de ofício, confirmando a liminar previamente deferida, para determinar a substituição da prisão preventiva por domiciliar". HC 134069 / DF, Relator: Min. GILMAR MENDES, Órgão Julgador: Segunda Turma, Julgamento: 21/06/2016. VI - homem, caso seja o único responsável pelos cuidados do filho de até 12 (doze) anos de idade incompletos. (Incluído pela Lei nº 13.257, de 2016) (TJSP-2017-VUNESP): Cabe a substituição da prisão preventiva pela domiciliar quando o agente for homem com filho de até 12 (doze) anos de idade incompletos, caso seja o único responsável por seus cuidados. BL: art. 318, VI, CPP. (DPPR-2017-FCC): Poderá o juiz substituir a prisão preventiva pela domiciliar quando o agente for homem, caso seja o único responsável pelos cuidados do filho de até doze anos de idade incompletos. BL: art. 318, VI, CPP. OBS: Esta hipótese não existia e foi incluída pela Lei nº 13.257/2016. Parágrafo único. Para a substituição, o juiz exigirá prova idônea dos requisitos estabelecidos neste artigo. (Incluído pela Lei nº 12.403, de 2011). OBS1: Ponto polêmico: As hipóteses de prisão domiciliar previstas nos incisos do art. 318 do CPP são sempre obrigatórias? Em outras palavras, se alguma delas estiver presente, o juiz terá que, automaticamente, conceder a prisão domiciliar sem analisar qualquer outra circunstância? Renato Brasileiro entende que não. Para o referido autor, "(...) a presença de um dos pressupostos indicados no art. 318, isoladamente considerado, não assegura ao acusado, automaticamente, o direito à substituição da prisão preventiva pela domiciliar. O princípio da adequação também deve ser aplicado à substituição (CPP, art. 282, II), de modo que a prisão preventiva somente pode ser substituída pela domiciliar se se mostrar adequada à situação concreta. Do contrário, bastaria que o acusado atingisse a idade de 80 (oitenta) anos par que tivesse direito automático à prisão domiciliar, com o que não se pode concordar. Portanto, a presença de um dos pressupostos do art. 318 do CPP funciona como requisito mínimo, mas não suficiente, de per si, para a substituição, cabendo ao magistrado verificar se, no caso concreto, a prisão domiciliar seria suficiente para neutralizar o periculum libertatis que deu ensejo à decretação da prisão preventiva do acusado." Esta é a posição também de Eugênio Pacelli e Douglas Fischer e de Norberto Avena para quem é necessário analisar as circunstâncias do caso concreto para saber se a prisão domiciliar será suficiente. Segundo o entendimento doutrinário acima exposto, não basta, por exemplo, que a investigada ou ré esteja grávida (inciso IV) para ter direito, obrigatoriamente, à prisão domiciliar. Ela estando grávida será permitida a sua prisão domiciliar, mas para tanto é necessário que a concessão desta medida substitutiva não acarrete perigo à garantia da ordem pública, à conveniência da instrução criminal ou implique risco à aplicação da lei penal. Assim, além da presença de um dos pressupostos listados nos incisos do art. 318 do CPP, exige-se que, analisando o caso concreto, não seja indispensável a manutenção da prisão no cárcere. De igual modo, no caso do inciso V, não basta que a mulher presa tenha um filho menor de 12 anos de idade para que receba, obrigatoriamente, a prisão domiciliar. Será necessário examinar as demais circunstâncias do caso concreto e, principalmente, se a prisão domiciliar será suficiente ou se ela, ao receber esta medida cautelar, ainda colocará em risco os bens jurídicos protegidos pelo art. 312 do CPP. OBS2: As novas hipóteses dos incisos V, VI e VII do art. 318 do CPP aplicam-se às pessoas acusadas por crimes praticados antes da vigência da Lei nº 13.257/2016? SIM. A Lei n 13257/16, no ponto que altera o CPP, é uma norma de caráter processual, de forma que se aplica imediatamente aos processos em curso. Além disso, como reforço de argumentação, ela é mais benéfica, de sorte que pode ser aplicada às pessoas atualmente presas mesmo que por delitos perpetrados antes da sua vigência. Art. 318-A. A prisão preventiva imposta à mulher gestante ou que for mãe ou responsável por criançasou pessoas com deficiência será substituída por prisão domiciliar, desde que: (Incluído pela Lei nº 13.769, de 2018). I - não tenha cometido crime com violência ou grave ameaça a pessoa; (Incluído pela Lei nº 13.769, de 2018). II - não tenha cometido o crime contra seu filho ou dependente. (Incluído pela Lei nº 13.769, de 2018). Art. 318-B. A substituição de que tratam os arts. 318 e 318-A poderá ser efetuada sem prejuízo da aplicação concomitante das medidas alternativas previstas no art. 319 deste Código. (Incluído pela Lei nº 13.769, de 2018). CAPÍTULO V DAS OUTRAS MEDIDAS CAUTELARES (Redação dada pela Lei nº 12.403, de 2011). Art. 319. São MEDIDAS CAUTELARES DIVERSAS DA PRISÃO: (Redação dada pela Lei nº 12.403, de 2011). I - comparecimento periódico em juízo, no prazo e nas condições fixadas pelo juiz, para informar e justificar atividades; (Redação dada pela Lei nº 12.403, de 2011). II - proibição de acesso ou frequência a determinados lugares quando, por circunstâncias relacionadas ao fato, deva o indiciado ou acusado permanecer distante desses locais para evitar o risco de novas infrações; (Redação dada pela Lei nº 12.403, de 2011). III - proibição de manter contato com pessoa determinada quando, por circunstâncias relacionadas ao fato, deva o indiciado ou acusado dela permanecer distante; (Redação dada pela Lei nº 12.403, de 2011). IV - proibição de ausentar-se da Comarca quando a permanência seja conveniente ou necessária para a investigação ou instrução; (Incluído pela Lei nº 12.403, de 2011). V - recolhimento domiciliar no período noturno e nos dias de folga quando o investigado ou acusado tenha residência e trabalho fixos; (Incluído pela Lei nº 12.403, de 2011). VI - suspensão do exercício de função pública ou de atividade de natureza econômica ou financeira quando HOUVER JUSTO RECEIO de sua utilização para a prática de infrações penais; (Incluído pela Lei nº 12.403, de 2011). (TJMT-2018) OBS: O exercício da profissão não é um direito absoluto, podendo ser mitigado em caso de abuso. A referida cautelar é expressa no art. 319, VI, do CPP. VII - internação provisória do acusado nas hipóteses de crimes praticados com VIOLÊNCIA ou GRAVE AMEAÇA, quando os peritos CONCLUÍREM SER inimputável ou semi-imputável (art. 26 do Código Penal) e HOUVER risco de reiteração; (Incluído pela Lei nº 12.403, de 2011). (TJMT-2018-VUNESP): Com relação à prisão domiciliar, medidas cautelares e fiança, é correto afirmar que a medida cautelar de internação provisória do acusado só pode ser deferida se o crime for praticado mediante violência ou grave ameaça e desde que os peritos concluam ser ele inimputável ou semi-imputável, com risco de reiteração do crime. BL: art. 319, VII, CPP. VIII - fiança, nas infrações que a admitem, para assegurar o comparecimento a atos do processo, evitar a obstrução do seu andamento ou em caso de resistência injustificada à ordem judicial; (Incluído pela Lei nº 12.403, de 2011). (PCMT-2017) OBS: A fiança pode ser fixada como contracautela, nos casos em que se aplica liberdade provisória com fiança, como substituição da prisão em flagrante. OBS: A fiança também funciona como medida cautelar autônoma, que pode ser imposta, isolada ou cumulativamente, nas infrações que a admitem, para assegurar o comparecimento a atos do processo, evitar a obstrução do seu andamento ou em caso de resistência injustificada à ordem judicial (CPP, art. 319, VIII). IX - monitoração eletrônica. (Incluído pela Lei nº 12.403, de 2011). (MPMG-2017) (TJMT-2018) OBS: Ainda que se possa argumentar a possibilidade de imposição de monitoração eletrônica como medida cautelar diversa da prisão, mesmo na prisão domiciliar, a lei não condiciona esta última à primariedade do agente ou aos seus bons antecedentes. (TJCE-2018-CESPE): O habeas corpus abrange, na atualidade, qualquer ato constritivo à liberdade, direta ou indiretamente, mesmo que não envolva a decretação da prisão. BL: Info 888, STF e art. 319 do CPP. OBS: Segundo o STF, o habeas corpus pode ser empregado para impugnar medidas cautelares de natureza criminal diversas da prisão. STF. 2ª Turma. HC 147426/AP e HC 147303/AP, Rel. Min. Gilmar Mendes, j. 18/12/17 (Info 888). O HC deve ser admitido para impugnar medidas criminais que, embora diversas da prisão, afetem interesses não patrimoniais importantes da pessoa física. Se, por um lado, essas medidas são menos gravosas do que a prisão, por outro, são também onerosas ao investigado/réu. Além disso, se essas medidas forem descumpridas, podem ser convertidas em prisão processual, de forma que existe o risco à liberdade de locomoção. Caso fechada a porta do “habeas corpus”, restaria o mandado de segurança. Nos processos em 1ª instância, talvez fosse suficiente para conferir proteção judicial recursal efetiva ao alvo da medida cautelar. No entanto, naqueles de competência originária de tribunal, confundem-se, na mesma instância, as competências para decretá-la e para analisar a respectiva ação de impugnação. Isso, na prática, esvazia a possibilidade de impugná-la em tempo hábil. (Fonte: DOD). (TJPR-2017-CESPE): São medidas cautelares diversas da prisão, entre outras, o comparecimento periódico em juízo, a monitoração eletrônica e a fiança. BL: art. 319, I, VIII e IX, CPP. §§ 1o a 3º (Revogados pela Lei nº 12.403, de 2011). § 4o A FIANÇA SERÁ APLICADA de acordo com as disposições do Capítulo VI deste Título, PODENDO SER CUMULADA com outras medidas cautelares. (Incluído pela Lei nº 12.403, de 2011). (TJSP-2014) OBS: A concessão de fiança não impede que outras medidas cautelares sejam com ela cumulada. Art. 320. A proibição de ausentar-se do País será comunicada pelo juiz às autoridades encarregadas de fiscalizar as saídas do território nacional, intimando-se o indiciado ou acusado para entregar o passaporte, no prazo de 24 (vinte e quatro) horas. (Redação dada pela Lei nº 12.403, de 2011). CAPÍTULO VI DA LIBERDADE PROVISÓRIA, COM OU SEM FIANÇA Art. 321. Ausentes os requisitos que autorizam a decretação da prisão preventiva, o juiz deverá conceder liberdade provisória, impondo, se for o caso, as medidas cautelares previstas no art. 319 deste Código e observados os critérios constantes do art. 282 deste Código. (Redação dada pela Lei nº 12.403, de 2011). I e II - (Revogados pela Lei nº 12.403, de 2011). Art. 322. A autoridade policial SOMENTE PODERÁ CONCEDER FIANÇA nos casos de infração cuja pena privativa de liberdade máxima NÃO SEJA SUPERIOR a 4 (quatro) anos. (Redação dada pela Lei nº 12.403, de 2011). (TJAP-2009) (PF-2018) Parágrafo único. Nos demais casos, a fiança será requerida ao juiz, que decidirá em 48 (quarenta e oito) horas. (Redação dada pela Lei nº 12.403, de 2011). (TJSC-2015-FCC): Após a elaboração de um auto de prisão em flagrante pelo crime de estelionato, diante da impossibilidade do delegado de polícia em arbitrar a fiança, o acusado (ou seu defensor) deve requerê-la diretamente ao juiz, que decidirá no prazo de 48 horas, independentemente de manifestação do MP. BL: art. 322, § único, CPP. Art. 323. NÃO SERÁ CONCEDIDA FIANÇA: (Redação dada pela Lei nº 12.403, de 2011). (TJSE-2015) I - nos crimes de racismo; (Redação dada pela Lei nº 12.403, de 2011). II - nos crimes de tortura, tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, terrorismo e nos definidos como crimes hediondos; (Redação dada pela Lei nº 12.403, de 2011). III - nos crimes cometidos por grupos armados, civis ou militares, contra a ordem constitucional e o Estado Democrático; (Redação dada pela Lei nº 12.403, de 2011). IV e V - (Revogados pela Lei nº 12.403, de 2011). Art. 324. NÃO SERÁ, igualmente, CONCEDIDA FIANÇA: (Redação dada pela Lei nº 12.403, de 2011). I - aos que, no mesmo processo, tiverem quebrado fiança anteriormente concedida ou infringido,sem motivo justo, qualquer das obrigações a que se referem os arts. 327 e 328 deste Código; (Redação dada pela Lei nº 12.403, de 2011). II - em caso de prisão civil ou militar; (Redação dada pela Lei nº 12.403, de 2011). (MPSC-2013): Não será concedida fiança em caso de prisão militar. BL: art. 324, II, CPP. III - (Revogado pela Lei nº 12.403, de 2011). IV - quando presentes os motivos que AUTORIZAM a decretação da prisão preventiva (art. 312). (Redação dada pela Lei nº 12.403, de 2011). (PF-2018) Art. 325. O valor da fiança será fixado pela autoridade que a conceder nos seguintes limites: (Redação dada pela Lei nº 12.403, de 2011). a a c) (revogadas); (Redação dada pela Lei nº 12.403, de 2011). I - de 1 (um) a 100 (cem) salários mínimos, quando se tratar de infração cuja pena privativa de liberdade, no grau máximo, não for superior a 4 (quatro) anos; (Incluído pela Lei nº 12.403, de 2011). II - de 10 (dez) a 200 (duzentos) salários mínimos, quando o máximo da pena privativa de liberdade cominada for superior a 4 (quatro) anos. (Incluído pela Lei nº 12.403, de 2011). (TJSC-2015) § 1o Se assim recomendar a situação econômica do preso, a fiança poderá ser: (Redação dada pela Lei nº 12.403, de 2011). I - dispensada, na forma do art. 350 deste Código; (Redação dada pela Lei nº 12.403, de 2011). (TJSE-2015) II - reduzida até o máximo de 2/3 (dois terços); ou (Redação dada pela Lei nº 12.403, de 2011). III - aumentada em até 1.000 (mil) vezes. (Incluído pela Lei nº 12.403, de 2011). (TJSC- 2015) § 2o (Revogado pela Lei nº 12.403, de 2011). Art. 326. Para determinar o valor da fiança, a autoridade terá em consideração a natureza da infração, as condições pessoais de fortuna e vida pregressa do acusado, as circunstâncias indicativas de sua periculosidade, bem como a importância provável das custas do processo, até final julgamento. (TJSC-2015-FCC): Se houver a possibilidade de arbitramento de fiança, que deverá variar entre 10 (dez) e 200 (duzentas) salários mínimos em crimes cuja pena máxima seja superior a 4 (quatro) anos, o juiz ainda assim poderá aumentar o valor, se a situação econômica do réu o recomendar, em até 1000 (mil) vezes. Contudo, para determinar o valor final, deverá se ter em consideração, dentre outros fatores, as circunstâncias indicativas de sua periculosidade. BL: art. 325, II e §1º, inciso I e III c/c art. 326 do CPP. Art. 327. A fiança tomada por termo obrigará o afiançado a comparecer perante a autoridade, todas as vezes que for intimado para atos do inquérito e da instrução criminal e para o julgamento. Quando o réu não comparecer, a fiança será havida como quebrada. (DPESP-2006) (TJDFT-2014) Art. 328. O réu afiançado não poderá, sob pena de quebramento da fiança, mudar de residência, sem prévia permissão da autoridade processante, ou ausentar-se por mais de 8 (oito) dias de sua residência, sem comunicar àquela autoridade o lugar onde será encontrado. (DPESP-2006) (TJDFT-2014) OBS: “O simples cometimento de delito doloso praticado na vigência da fiança autoriza o quebramento do benefício, e tal não precisa se evidenciar pela sentença condenatória, muito menos pelo trânsito em julgado da condenação” (STJ. 6ª Turma. HC 270.746/SP, rel. Min. Sebastião Reis Júnior, j. 11.06.2014). (TJMT-2018) Art. 329. Nos juízos criminais e delegacias de polícia, haverá um livro especial, com termos de abertura e de encerramento, numerado e rubricado em todas as suas folhas pela autoridade, destinado especialmente aos termos de fiança. O termo será lavrado pelo escrivão e assinado pela autoridade e por quem prestar a fiança, e dele extrair-se-á certidão para juntar- se aos autos. Parágrafo único. O réu e quem prestar a fiança serão pelo escrivão notificados das obrigações e da sanção previstas nos arts. 327 e 328, o que constará dos autos. Art. 330. A fiança, que será sempre definitiva, consistirá em depósito de dinheiro, pedras, objetos ou metais preciosos, títulos da dívida pública, federal, estadual ou municipal, ou em hipoteca inscrita em primeiro lugar. (TJPR-2017) § 1o A avaliação de imóvel, ou de pedras, objetos ou metais preciosos será feita imediatamente por perito nomeado pela autoridade. § 2o Quando a fiança consistir em caução de títulos da dívida pública, o valor será determinado pela sua cotação em Bolsa, e, sendo nominativos, exigir-se-á prova de que se acham livres de ônus. Art. 331. O valor em que consistir a fiança será recolhido à repartição arrecadadora federal ou estadual, ou entregue ao depositário público, juntando-se aos autos os respectivos conhecimentos. Parágrafo único. Nos lugares em que o depósito não se puder fazer de pronto, o valor será entregue ao escrivão ou pessoa abonada, a critério da autoridade, e dentro de três dias dar-se-á ao valor o destino que Ihe assina este artigo, o que tudo constará do termo de fiança. Art. 332. Em caso de PRISÃO EM FLAGRANTE, SERÁ competente para conceder a fiança a autoridade que presidir ao respectivo auto, e, em caso de prisão por mandado, o juiz que o houver expedido, ou a autoridade judiciária ou policial a quem tiver sido requisitada a prisão. Art. 333. Depois de prestada A FIANÇA, que SERÁ CONCEDIDA independentemente de audiência do Ministério Público, este terá vista do processo a fim de requerer o que julgar conveniente. (MPDFT-2015) (TJMG-2018-Consulplan): A liberdade provisória com fiança pode ser concedida independentemente de oitiva do Ministério Público. BL: art. 333, CPP. (TJSE-2008-CESPE): No que se refere à liberdade provisória, assinale a opção correta: A liberdade provisória com fiança pode ser concedida independentemente de oitiva do Ministério Público. BL: arts. 332 e 333, CPP. Art. 334. A fiança poderá ser prestada enquanto não transitar em julgado a sentença condenatória. (Redação dada pela Lei nº 12.403, de 2011). Art. 335. Recusando ou retardando a autoridade policial a concessão da fiança, o preso, ou alguém por ele, poderá prestá-la, mediante simples petição, perante o juiz competente, que decidirá em 48 (quarenta e oito) horas. (Redação dada pela Lei nº 12.403, de 2011). Art. 336. O dinheiro ou objetos dados como fiança servirão ao pagamento das custas, da indenização do dano, da prestação pecuniária e da multa, se o réu for condenado. (Redação dada pela Lei nº 12.403, de 2011). Parágrafo único. Este dispositivo terá aplicação ainda no caso da prescrição depois da sentença condenatória (art. 110 do Código Penal). (Redação dada pela Lei nº 12.403, de 2011). Art. 337. Se a fiança for declarada sem efeito ou passar em julgado sentença que houver absolvido o acusado ou declarada extinta a ação penal, o valor que a constituir, atualizado, será restituído sem desconto, salvo o disposto no parágrafo único do art. 336 deste Código. (Redação dada pela Lei nº 12.403, de 2011). Art. 338. A fiança que se reconheça não ser cabível na espécie será cassada em qualquer fase do processo. Art. 339. Será também cassada a fiança quando reconhecida a existência de delito inafiançável, no caso de inovação na classificação do delito. Art. 340. Será exigido o reforço da fiança: I - quando a autoridade tomar, por engano, fiança insuficiente; II - quando houver depreciação material ou perecimento dos bens hipotecados ou caucionados, ou depreciação dos metais ou pedras preciosas; III - quando for inovada a classificação do delito. Parágrafo único. A fiança ficará sem efeito e o réu será recolhido à prisão, quando, na conformidade deste artigo, não for reforçada. Art. 341. JULGAR-SE-Á QUEBRADA a fiança quando o acusado: (Redação dada pela Lei nº 12.403, de 2011). I - regularmenteintimado para ato do processo, deixar de comparecer, sem motivo justo; (Incluído pela Lei nº 12.403, de 2011). II - deliberadamente praticar ato de obstrução ao andamento do processo; (Incluído pela Lei nº 12.403, de 2011). III - DESCUMPRIR medida cautelar imposta cumulativamente com a fiança; (Incluído pela Lei nº 12.403, de 2011). (TJSP-2014) IV - resistir injustificadamente a ordem judicial; (Incluído pela Lei nº 12.403, de 2011). V - praticar nova infração penal dolosa. (Incluído pela Lei nº 12.403, de 2011). Art. 342. Se vier a ser reformado o julgamento em que se declarou quebrada a fiança, esta subsistirá em todos os seus efeitos Art. 343. O quebramento injustificado da fiança importará na perda de metade do seu valor, cabendo ao juiz decidir sobre a imposição de outras medidas cautelares ou, se for o caso, a decretação da prisão preventiva. (Redação dada pela Lei nº 12.403, de 2011). (MPSC-2014) (TJRS-2012): O quebramento injustificado da fiança importará na perda de metade do seu valor, cabendo ao juiz decidir sobre a imposição de outras medidas cautelares ou, se for o caso, a decretação da prisão preventiva. BL: art. 343, CPP. Art. 344. Entender-se-á perdido, na totalidade, o valor da fiança, se, condenado, o acusado não se apresentar para o início do cumprimento da pena definitivamente imposta. (Redação dada pela Lei nº 12.403, de 2011). (MPSC-2014) Art. 345. No caso de perda da fiança, o seu valor, deduzidas as custas e mais encargos a que o acusado estiver obrigado, será recolhido ao fundo penitenciário, na forma da lei. (Redação dada pela Lei nº 12.403, de 2011). Art. 346. No caso de quebramento de fiança, feitas as deduções previstas no art. 345 deste Código, o valor restante será recolhido ao fundo penitenciário, na forma da lei. (Redação dada pela Lei nº 12.403, de 2011). Art. 347. Não ocorrendo a hipótese do art. 345, o saldo será entregue a quem houver prestado a fiança, depois de deduzidos os encargos a que o réu estiver obrigado. Art. 348. Nos casos em que a fiança tiver sido prestada por meio de hipoteca, a execução será promovida no juízo cível pelo órgão do Ministério Público. Art. 349. Se a fiança consistir em pedras, objetos ou metais preciosos, o juiz determinará a venda por leiloeiro ou corretor. Art. 350. Nos casos em que couber fiança, o juiz, verificando a situação econômica do preso, poderá conceder-lhe liberdade provisória, sujeitando-o às obrigações constantes dos arts. 327 e 328 deste Código e a outras medidas cautelares, se for o caso. (Redação dada pela Lei nº 12.403, de 2011). (TJDFT-2014): Francisco, aposentado, com setenta e um anos de idade, primário, foi preso em flagrante pela prática do crime de embriaguez ao volante (art. 306, CTB – pena: detenção, de seis meses a três anos, multa e suspensão ou proibição de obter a permissão ou a habilitação para dirigir veículo automotor). Após proceder à identificação do indiciado e arbitrar fiança no valor de R$ 5.000, a autoridade policial providenciou o envio de cópia integral do auto de prisão em flagrante ao advogado indicado pelo detido, tendo, contudo, deixado de comunicar a prisão à DP. Em seguida, remeteu o auto ao juiz competente para análise. A fiança não foi paga por Francisco em razão do valor fixado pela autoridade policial. Em face dessa situação hipotética, assinale a opção correta. O juiz, verificando a situação econômica de Francisco, poderá conceder-lhe liberdade provisória sem fiança, sujeitando-o à obrigação de comparecer perante o juízo todas as vezes que for intimado de atos da instrução criminal, bem como impor-lhe outras medidas cautelares, caso as julgue necessárias. BL: art. 350 c/c arts. 327 e 328 do CPP. Parágrafo único. Se o beneficiado descumprir, sem motivo justo, qualquer das obrigações ou medidas impostas, aplicar-se-á o disposto no § 4o do art. 282 deste Código. (Redação dada pela Lei nº 12.403, de 2011). TÍTULO X DAS CITAÇÕES E INTIMAÇÕES CAPÍTULO I DAS CITAÇÕES Art. 351. A CITAÇÃO INICIAL FAR-SE-Á por mandado, quando o réu ESTIVER no território sujeito à jurisdição do juiz que a houver ordenado. (TJSE-2008) Art. 352. O mandado de citação indicará: I - o nome do juiz; II - o nome do querelante nas ações iniciadas por queixa; III - o nome do réu, ou, se for desconhecido, os seus sinais característicos; IV - a residência do réu, se for conhecida; V - o fim para que é feita a citação; VI - o juízo e o lugar, o dia e a hora em que o réu deverá comparecer; VII - a subscrição do escrivão e a rubrica do juiz. Art. 353. Quando o réu estiver fora do território da jurisdição do juiz processante, SERÁ CITADO mediante PRECATÓRIA. (TJPE-2011) (Anal. Judic./STJ-2018) Art. 354. A precatória indicará: I - o juiz deprecado e o juiz deprecante; II - a sede da jurisdição de um e de outro; Ill - o fim para que é feita a citação, com todas as especificações; IV - o juízo do lugar, o dia e a hora em que o réu deverá comparecer. Art. 355. A precatória será devolvida ao juiz deprecante, independentemente de traslado, depois de lançado o "cumpra-se" e de feita a citação por mandado do juiz deprecado. § 1o Verificado que o réu se encontra em território sujeito à jurisdição de outro juiz, a este remeterá o juiz deprecado os autos para efetivação da diligência, desde que haja tempo para fazer-se a citação. § 2o Certificado pelo oficial de justiça que o réu se oculta para não ser citado, a PRECATÓRIA SERÁ IMEDIATAMENTE DEVOLVIDA, para o fim previsto no art. 362. (TJPE-2011) (TJMG-2012) Art. 356. Se houver urgência, a precatória, que conterá em resumo os requisitos enumerados no art. 354, poderá ser expedida por via telegráfica, depois de reconhecida a firma do juiz, o que a estação expedidora mencionará. Art. 357. São requisitos da citação por mandado: I - leitura do mandado ao citando pelo oficial e entrega da contrafé, na qual se mencionarão dia e hora da citação; II - declaração do oficial, na certidão, da entrega da contrafé, e sua aceitação ou recusa. Art. 358. A citação do militar far-se-á por intermédio do chefe do respectivo serviço. (TJSC-2009) Art. 359. O dia designado para funcionário público comparecer em juízo, como acusado, será notificado assim a ele como ao chefe de sua repartição. (TJAC-2012) (TJMG-2009-EJEF): A intimação da testemunha funcionária pública, para fins de audiência, será efetivada pessoalmente, via mandado, com comunicação ao chefe da repartição em que servir. BL: art. 359, CPP. Art. 360. Se o réu ESTIVER PRESO, SERÁ pessoalmente citado. (Redação dada pela Lei nº 10.792, de 1º.12.2003) (TJSE-2008) (TJPE-2011) Art. 361. Se o réu NÃO FOR encontrado, SERÁ CITADO POR EDITAL, com o prazo de 15 (quinze) dias. (TJPA-2009) Art. 362. VERIFICANDO que o réu SE OCULTA para não ser citado, o oficial de justiça CERTIFICARÁ a ocorrência e PROCEDERÁ à CITAÇÃO COM HORA CERTA, na forma estabelecida nos arts. 227 a 229 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 - Código de Processo Civil. (Redação dada pela Lei nº 11.719, de 2008). (TJRS-2009) (TJPE-2011) (TJMG-2012) (TJMSP-2016) (MPBA-2018) (TJAL-2008-CESPE): Quando se verificar que o réu se oculta para não ser citado, o oficial de justiça deverá certificar a ocorrência e proceder à citação com hora certa, na forma prevista no CPC. BL: art. 362, CPC. Parágrafo único. COMPLETADA a CITAÇÃO COM HORA CERTA, se o acusado não comparecer, SER-LHE-Á NOMEADO defensor dativo. (Incluído pela Lei nº 11.719, de 2008). (TJMA-2008) (MPBA-2018) Art. 363. O processo TERÁ COMPLETADAa sua formação quando REALIZADA a CITAÇÃO DO ACUSADO. (Redação dada pela Lei nº 11.719, de 2008). (TJAL-2008) (TJSE- 2008) (MPBA-2018) ##Atenção: ##MPBA-2018: Klaus Costa e Fábio Roque explicam que “no Processo Civil, o art. 240, CPC, estabelece que a citação válida, ainda quando ordenada por juízo incompetente, induz litispendência, torna litigiosa a coisa e constitui em mora o devedor, ressalvado o disposto nos arts. 397 e 398, CC, sobre a mora. No Processo Penal, diferentemente disso, o único efeito da citação válida é triangularizar a relação processual, considerando que “o processo terá completada a sua formação quando realizada a citação do acusado” (art. 363, CPP). No mais, há dois pontos que precisam ser diferenciados em relação ao Processo Civil. Num processo penal, o que torna o juiz prevento é a distribuição (art. 75, CPP) ou a prática de um ato jurisdicional antes do oferecimento da denúncia ou queixa quando existir mais de um juízo competente (art. 83, CPP); num processo civil, por outro lado, o que previne a jurisdição é o registro ou a distribuição da petição (art. 59, CPC). E por fim, num processo penal, o primeiro ato que gera a interrupção da prescrição é o recebimento da inicial acusatória pelo juiz competente (art. 117, I, CP); de outro lado, num processo civil, o despacho do juiz, ainda que incompetente, que ordena a citação é que interrompe a prescrição, que, se feita a tempo, retroagirá à data da propositura da demanda (art. 240, § 1º, CPC)”. (Fonte: COSTA, Klaus Negri; ARAÚJO, Fábio Roque. Processo Penal Didático. Editora JusPodivm, 2018, p. 816). I - (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.719, de 2008). II - (revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.719, de 2008). § 1o Não sendo encontrado o acusado, será procedida a citação por edital. (Incluído pela Lei nº 11.719, de 2008). §§ 2o e 3º (VETADOS) (Incluído pela Lei nº 11.719, de 2008). § 4o Comparecendo o acusado citado por edital, em qualquer tempo, o processo observará o disposto nos arts. 394 e seguintes deste Código. (Incluído pela Lei nº 11.719, de 2008). Art. 364. No caso do artigo anterior, no I, o prazo será fixado pelo juiz entre 15 (quinze) e 90 (noventa) dias, de acordo com as circunstâncias, e, no caso de no II, o prazo será de trinta dias. Art. 365. O edital de citação indicará: I - o nome do juiz que a determinar; II - o nome do réu, ou, se não for conhecido, os seus sinais característicos, bem como sua residência e profissão, se constarem do processo; III - o fim para que é feita a citação; IV - o juízo e o dia, a hora e o lugar em que o réu deverá comparecer; V - o prazo, que será contado do dia da publicação do edital na imprensa, se houver, ou da sua afixação. Parágrafo único. O edital será afixado à porta do edifício onde funcionar o juízo e será publicado pela imprensa, onde houver, devendo a afixação ser certificada pelo oficial que a tiver feito e a publicação provada por exemplar do jornal ou certidão do escrivão, da qual conste a página do jornal com a data da publicação. Art. 366. Se o acusado, CITADO POR EDITAL, não comparecer, nem constituir advogado, FICARÃO SUSPENSOS o processo e o curso do prazo prescricional, PODENDO o juiz DETERMINAR a PRODUÇÃO ANTECIPADA DAS PROVAS consideradas URGENTES e, se for o caso, DECRETAR PRISÃO PREVENTIVA, nos termos do disposto no art. 312. (Redação dada pela Lei nº 9.271, de 17.4.1996) (Vide Lei nº 11.719, de 2008) (TJPI-2007) (TJSE-2008) (TJGO-2009) (MPCE-2012) (TJSC-2013) (TJPA-2014) (DPEAM- 2013/2018) (DPEAM/Reaplic.-2018-FCC): Considere o que se afirma em relação à produção antecipada de provas, determinada com base no art. 366 do CPP: É restrita às provas consideradas urgentes, característica que deve estar concretamente comprovada em cada caso por fundamentos que justifiquem a excepcional antecipação. BL: art. 366, CPP e S. 455, STJ: OBS: Súmula 455/STJ: A decisão que determina a produção antecipada de provas com base no art. 366 do CPP deve ser concretamente fundamentada, não a justificando unicamente o mero decurso do tempo. (DPEAM/Reaplic.-2018-FCC): Considere o que se afirma em relação à produção antecipada de provas, determinada com base no art. 366 do CPP: Possui natureza acautelatória e visa a resguardar a efetividade da prestação jurisdicional, diante da possibilidade de perecimento da prova em razão do decurso do tempo no qual o processo permanece suspenso. BL: art. 366, CPP. (TJSC-2010): Sendo o acusado citado por edital na forma do CPP, não comparecendo e nem constituindo advogado: Ficarão suspensos o processo e o curso do prazo prescricional, podendo o juiz determinar a produção das provas consideradas urgentes, assim reconhecidas, e, se for o caso, decretar a sua prisão preventiva, na forma do CPP. BL: art. 366, CPP. § 1o (Revogado pela Lei nº 11.719, de 2008). § 2o (Revogado pela Lei nº 11.719, de 2008). Art. 367. O processo SEGUIRÁ SEM A PRESENÇA DO ACUSADO que, CITADO ou INTIMADO pessoalmente para qualquer ato, DEIXAR DE COMPARECER sem motivo justificado, ou, no caso de mudança de residência, não comunicar o novo endereço ao juízo. (Redação dada pela Lei nº 9.271, de 17.4.1996) (TJPA-2009) (MPCE-2011) (TJMG- 2012) (TJPE-2011-FCC): A citação procedida pessoalmente não conduz à suspensão do processo se o réu deixar de comparecer a algum ato. BL: art. 367, CPP. (TJSE-2008-CESPE): No tocante ao acusado que, citado pessoalmente, muda de residência e, sem motivo justificado, não comunica ao juiz o novo endereço, é correto afirmar que a revelia torna desnecessária a intimação do acusado para os demais atos do processo até a sentença. BL: art. 367, CPP. OBS: Nestor Távora refere que "no processo penal, não podemos conceber a hipótese de efeito material da revelia (presunção de veracidade dos fatos alegados), porquanto estamos tratando do jus libertatis, que é indisponível. Há, porém, o efeito processual da revelia, consistente na ausência de intimação do réu para os atos subsequentes (subsiste a intimação do advogado, afinal, a defesa técnica é obrigatória).” Art. 368. ESTANDO o acusado NO ESTRANGEIRO, em lugar sabido, SERÁ CITADO mediante CARTA ROGATÓRIA, SUSPENDENDO-SE o curso do prazo de prescrição até o seu cumprimento. (Redação dada pela Lei nº 9.271, de 17.4.1996) (TJMG-2012) (MPBA-2018): Sobre a citação e a intimação no Processo Penal: Estando o acusado no exterior, em lugar sabido, será citado mediante carta rogatória, suspendendo-se o curso do prazo de prescrição até o seu cumprimento. BL: art. 368, CPP. (MPRS-2017): A carta rogatória para citação de réu que se encontra em lugar sabido, no estrangeiro, suspende o curso do prazo de prescrição até seu cumprimento. BL: art. 368, CPP. Art. 369. As citações que houverem de ser feitas em legações estrangeiras serão efetuadas mediante carta rogatória. (Redação dada pela Lei nº 9.271, de 17.4.1996) CAPÍTULO II DAS INTIMAÇÕES Art. 370. Nas intimações dos acusados, das testemunhas e demais pessoas que devam tomar conhecimento de qualquer ato, será observado, no que for aplicável, o disposto no Capítulo anterior. (Redação dada pela Lei nº 9.271, de 17.4.1996) § 1o A intimação do defensor constituído, do advogado do querelante e do assistente FAR-SE-Á POR PUBLICAÇÃO no órgão incumbido da publicidade dos atos judiciais da comarca, INCLUINDO, SOB PENA DE NULIDADE, o nome do acusado. (Incluído pela Lei nº 9.271, de 17.4.1996) (TJMS-2010) § 2o Caso não haja órgão de publicação dos atos judiciais na comarca, a intimação far-se- á diretamente pelo escrivão, por mandado, ou via postal com comprovante de recebimento, ou por qualquer outro meio idôneo. (Redação dada pelaLei nº 9.271, de 17.4.1996) § 3o A intimação pessoal, feita pelo escrivão, dispensará a aplicação a que alude o § 1o. (Incluído pela Lei nº 9.271, de 17.4.1996) § 4o A intimação do Ministério Público e do defensor nomeado SERÁ PESSOAL. (Incluído pela Lei nº 9.271, de 17.4.1996) (DPESP-2006) (MPDFT-2015) (PCMT-2017) (TJMS-2010-FCC): Devem ser intimados pessoalmente o defensor nomeado e o Ministério Público. BL: art. 370, §4º, CPP. (TJGO-2009-FCC): Podem ser intimados por publicação no órgão incumbido da publicidade dos atos judiciais da Comarca o advogado do querelante e o constituído, mas não o nomeado. BL: art. 370, §§1º e 4º, CPP. Art. 371. Será admissível a intimação por despacho na petição em que for requerida, observado o disposto no art. 357. Art. 372. Adiada, por qualquer motivo, a instrução criminal, o juiz marcará desde logo, na presença das partes e testemunhas, dia e hora para seu prosseguimento, do que se lavrará termo nos autos. TÍTULO XI DA APLICAÇÃO PROVISÓRIA DE INTERDIÇÕES DE DIREITOS E MEDIDAS DE SEGURANÇA Art. 373. A aplicação provisória de interdições de direitos poderá ser determinada pelo juiz, de ofício, ou a requerimento do Ministério Público, do querelante, do assistente, do ofendido, ou de seu representante legal, ainda que este não se tenha constituído como assistente: I - durante a instrução criminal após a apresentação da defesa ou do prazo concedido para esse fim; II - na sentença de pronúncia; III - na decisão confirmatória da pronúncia ou na que, em grau de recurso, pronunciar o réu; IV - na sentença condenatória recorrível. § 1o No caso do no I, havendo requerimento de aplicação da medida, o réu ou seu defensor será ouvido no prazo de 2 (dois) dias. § 2o Decretada a medida, serão feitas as comunicações necessárias para a sua execução, na forma do disposto no Capítulo III do Título II do Livro IV. Art. 374. Não caberá recurso do despacho ou da parte da sentença que decretar ou denegar a aplicação provisória de interdições de direitos, mas estas poderão ser substituídas ou revogadas: I - se aplicadas no curso da instrução criminal, durante esta ou pelas sentenças a que se referem os ns. II, III e IV do artigo anterior; II - se aplicadas na sentença de pronúncia, pela decisão que, em grau de recurso, a confirmar, total ou parcialmente, ou pela sentença condenatória recorrível; III - se aplicadas na decisão a que se refere o no III do artigo anterior, pela sentença condenatória recorrível. Art. 375. O despacho que aplicar, provisoriamente, substituir ou revogar interdição de direito, será fundamentado. Art. 376. A decisão que impronunciar ou absolver o réu fará cessar a aplicação provisória da interdição anteriormente determinada. Art. 377. Transitando em julgado a sentença condenatória, serão executadas somente as interdições nela aplicadas ou que derivarem da imposição da pena principal. Art. 378. A aplicação provisória de medida de segurança obedecerá ao disposto nos artigos anteriores, com as modificações seguintes: I - o juiz poderá aplicar, provisoriamente, a medida de segurança, de ofício, ou a requerimento do Ministério Público; II - a aplicação poderá ser determinada ainda no curso do inquérito, mediante representação da autoridade policial; III - a aplicação provisória de medida de segurança, a substituição ou a revogação da anteriormente aplicada poderão ser determinadas, também, na sentença absolutória; IV - decretada a medida, atender-se-á ao disposto no Título V do Livro IV, no que for aplicável. Art. 379. Transitando em julgado a sentença, observar-se-á, quanto à execução das medidas de segurança definitivamente aplicadas, o disposto no Título V do Livro IV. Art. 380. A aplicação provisória de medida de segurança obstará a concessão de fiança, e tornará sem efeito a anteriormente concedida. TÍTULO XII DA SENTENÇA Art. 381. A sentença conterá: I - os nomes das partes ou, quando não possível, as indicações necessárias para identificá-las; II - a exposição sucinta da acusação e da defesa; III - a indicação dos motivos de fato e de direito em que se fundar a decisão; (TJRS-2018) OBS: Como decorrência do dever de fundamentação (art. 93, IX, CF), toda decisão deverá ser fundamentada, havendo ou não divergência entre as partes. Não por outro motivo prevê o art. 381, III, do CPP, prevê ser elemento da sentença a indicação dos fatos e do direito em que se fundar a decisão. IV - a indicação dos artigos de lei aplicados; V - o dispositivo; VI - a data e a assinatura do juiz. Art. 382. Qualquer das partes PODERÁ, no prazo de 2 (dois) dias, PEDIR ao juiz que DECLARE a sentença, sempre que nela HOUVER OBSCURIDADE, AMBIGÜIDADE, CONTRADIÇÃO ou OMISSÃO. (TJAP-2009) (TJMG-2012) (TJPR-2014) (TJSP-2008-VUNESP): Aponte a hipótese de admissibilidade dos "embargos de declaração" (CPP, art. 382): Fixar o regime inicial de cumprimento da pena detentiva imposta na sentença. BL: art. 382, CPP. OBS: No caso em tela, há uma omissão que deve ser sanada. É preciso que o juiz fixe o regime inicial de cumprimento da pena porque não é possível que se conclua que, em algumas hipóteses, apenas com base no quantitativo da pena aplicável, qual será o regime inicial de cumprimento. Art. 383. O juiz, sem modificar a descrição do fato contida na denúncia ou queixa, PODERÁ ATRIBUIR-LHE DEFINIÇÃO JURÍDICA DIVERSA, ainda que, em consequência, TENHA DE APLICAR pena mais grave. (Redação dada pela Lei nº 11.719, de 2008). (TJDFT-2008) (TJAP-2009) (TJPR-2014) (TJMG-2018) (TJMT-2018) (MPDFT-2013): Mantida a descrição do fato contida na denúncia ou queixa, o juiz pode atribuir-lhe definição jurídica diversa e, por conseguinte, aplicar pena mais grave ao acusado, mesmo sem aditamento do Ministério Público. BL: art. 383, CPP. OBS: Conforme doutrina e jurisprudência majoritárias, o art. 383 do CPP traz a regra de que o acusado se defende dos fatos a ele imputados, e não de seu enquadramento jurídico. Assim, de acordo com a literalidade do art. 383, poderá o juiz aplicar pena mais grave independentemente de manifestação do acusado sobre a modificação da capitulação. (TJMG-2009): Entendendo o Juiz sentenciante ser possível dar nova definição jurídica ao fato criminoso da qual resultará pena mais grave, ainda que não modifique a descrição do fato contido na denúncia, deverá: Proceder a emendatio libelli. BL: art. 383, CPP. (TJMG-2008): O Juiz que, ao proferir a sentença, constata que o fato delituoso descrito na denúncia foi incorretamente capitulado, poderá dar ao fato definição jurídica diversa da que constar da denúncia, ainda que, em consequência, tenha de aplicar pena mais grave. BL: art. 383, CPP. § 1o Se, em conseqüência de definição jurídica diversa, HOUVER possibilidade de proposta de SUSPENSÃO CONDICIONAL DO PROCESSO, o juiz PROCEDERÁ de acordo com o disposto na lei. (Incluído pela Lei nº 11.719, de 2008). (TJSP-2008) (TJRS-2009): Quando, em consequência de definição jurídica diversa, em razão da emendatio libelli, houver possibilidade de proposta de suspensão condicional do processo, mesmo já tendo sido recebida a denúncia e produzida a prova, o juiz deve viabilizá-la. BL: Súmula 337 do STJ e art. 383, §1º, CPP. § 2o Tratando-se de infração da competência de outro juízo, a este serão encaminhados os autos. (Incluído pela Lei nº 11.719, de 2008). (MPRS-2012): Na comarca de Pelotas, Romão foi processado por tráfico de entorpecentes, que admite uma sanção de 5 a 15 anos de reclusão. Terminada a instrução,o Dr. Juiz de Direito, ao sentenciar, entendeu que, na verdade, ocorreu o crime de oferecimento eventual e gratuito de droga, cuja pena máxima cominada é 1 ano de detenção. Em decorrência de seu entendimento, o Magistrado desclassificará o delito e, após, encaminhará os autos ao Juizado Especial Criminal da comarca. BL: art. 383, §2º, CPP. Art. 384. ENCERRADA a INSTRUÇÃO PROBATÓRIA, SE ENTENDER CABÍVEL NOVA DEFINIÇÃO JURÍDICA DO FATO, em conseqüência de prova existente nos autos de elemento ou circunstância da infração penal não contida na acusação, o Ministério Público DEVERÁ ADITAR a denúncia ou queixa, no prazo de 5 (cinco) dias, se em virtude desta HOUVER SIDO INSTAURADO o processo em CRIME DE AÇÃO PÚBLICA, reduzindo- se a termo o aditamento, quando feito oralmente. (Redação dada pela Lei nº 11.719, de 2008). (TJSP-2008) (TJDFT-2008) (TJSC-2011) (MPGO-2013) (TJMT-2014-FMP): É correto afirmar que a mutatio libelli pressupõe, dentre outras exigências constitucionais e legais pertinentes, aditamento oral ou escrito da inicial acusatória, desde que a infração seja de ação pública, para que, com base na prova apurada na instrução, o juiz possa reconhecer na sentença condenatória elemento (elementar) ou circunstância não contida na acusação e assim dar ao fato nova definição jurídica. BL: art. 384, CPP. (TJMT-2009-VUNESP): Encerrada a instrução probatória, se houver o reconhecimento de possibilidade de nova definição jurídica do fato, em consequência de prova existente nos autos de elemento ou circunstância da infração penal não contida na acusação, o Ministério Público, no prazo de 5 (cinco) dias, deverá aditar a denúncia ou queixa, se em virtude desta houver sido instaurado o processo em crime de ação pública. BL: art. 384, CPP. (TJAP-2008-FGV): Efe é preso em flagrante na posse de um carro roubado três dias antes. O Ministério Público oferece denúncia por receptação, o acusado é citado e interrogado, e, durante a instrução criminal, são ouvidas as testemunhas e a vítima. Esta, que não fora ouvida no inquérito policial, afirmou que fora Efe o autor do roubo. A esse respeito, assinale a alternativa correta: À luz das declarações da vítima, o Ministério Público poderá aditar a denúncia para modificar a imputação para crime de roubo, e o juiz somente poderá condenar o acusado pela prática desse delito se receber o aditamento. BL: art. 384, CPP. § 1o NÃO PROCEDENDO o órgão do Ministério Público ao ADITAMENTO, APLICA- SE o art. 28 deste Código. (Incluído pela Lei nº 11.719, de 2008). (TJMT-2018) (TJMG-2018-Consulplan): “Y” foi denunciado por tentativa de furto simples. Encerrada a instrução, a prova coligida aponta para a prática de furto qualificado consumado, a exigir a providência do art. 384 do CPP (“mutatio libelli”). O Promotor de Justiça oficiante recusou-se a aditar a denúncia e, remetidos os autos ao Procurador Geral de Justiça, este avalizou a recusa. Neste caso, nada restará ao magistrado fazer, a não ser proferir sentença pelo crime constante da inicial. BL: art. 384, §1º c/c art. 28, CPP. OBS: Prevalece na doutrina o entendimento de que a legitimidade do assistente de acusação deve ser interpretada de modo a não abranger situações não previstas em lei. No caso da mutatio libelli, não há dispositivo afirmando a possibilidade de o assistente da acusação proceder ao aditamento, razão pela qual não se pode presumir sua existência. (TJMG-2018) (TJSC-2015-FCC): Conforme a redação do CPP, ao final da instrução, se o juiz perceber a possibilidade de nova classificação jurídica do fato em virtude de prova nos autos de circunstância ou elemento não contidos na acusação, não havendo aditamento por parte do Ministério Público, deverá cumprir o procedimento previsto no artigo 28 do CPP. BL: art. 384, §1º, CPP. (TJSP-2013-VUNESP): A foi denunciado por furto; finda a instrução, a prova coligida aponta para a prática de roubo, a exigir a providência do artigo 384 do CPP (mutatio libelli). O Promotor de Justiça oficiante recusou-se a aditar a de- núncia; encaminhados os autos para os fins do artigo 28 do CPP, o Procurador Geral de Justiça avalizou a recusa. Neste caso, deve o Juiz julgar a lide nos termos da imputação da denúncia. BL: art. 28 c/c art. 384, §1º, CPP. (MPPR-2012): Em processo no qual o Ministério Público ofereceu denúncia por crime de furto simples (art. 155, “caput”, CP), o juízo singular, ao receber os autos para sentença, levanta a hipótese, com base na prova produzida na instrução criminal, de uso de violência na subtração: Considerada pelo Promotor incabível a mudança da imputação, se o juiz discordar, deverá remeter os autos à Procuradoria-Geral de Justiça para solução do impasse. BL: art. 384, §1º, CPP. § 2o OUVIDO o defensor do acusado no prazo de 5 (cinco) dias e ADMITIDO o ADITAMENTO, o juiz, a requerimento de qualquer das partes, DESIGNARÁ dia e hora para continuação da audiência, com inquirição de testemunhas, novo interrogatório do acusado, realização de debates e julgamento. (Incluído pela Lei nº 11.719, de 2008). (TJSP-2008) § 3o Aplicam-se as disposições dos §§ 1o e 2o do art. 383 ao caput deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.719, de 2008). § 4o HAVENDO ADITAMENTO, cada parte PODERÁ ARROLAR até 3 (três) testemunhas, no prazo de 5 (cinco) dias, FICANDO o juiz, na sentença, ADSTRITO aos TERMOS DO ADITAMENTO. (Incluído pela Lei nº 11.719, de 2008). (TJRS-2018-VUNESP): O juiz, ao proferir sentença condenatória, se aditada a denúncia e, em sendo recebido referido aditamento, está adstrito na sua sentença aos termos do aditamento, não podendo considerar a definição jurídica anterior contida na denúncia. BL: art. 384, § 4º, CPP. OBS: Renato Brasileiro explica: "Antes do advento da Lei n. 11.719/08, sempre se entendeu que, nas hipóteses de aditamento à denúncia por força da mutatio libelli (antiga redação do art. 384, parágrafo único, do CPP), o juiz continuava livre para julgar o acusado tanto pela imputação originária quanto pela imputação superveniente. Ou seja, o aditamento não substituiria a imputação originária, mas a ela se somaria, de modo alternativo. Tinha-se aí a denominada imputação alternativa superveniente. Se essa imputação alternativa superveniente prevista no antigo parágrafo único do art. 384 do CPP era amplamente admitida pela doutrina e pelos Tribunais, pode-se dizer que, diante das modificações produzidas pela Lei n. 11.719/08, não se pode mais falar em denúncia alternativa superveniente. Isso porque, de acordo com a nova redação do art. 384, §4°, do CPP, havendo aditamento, ficará o juiz, na sentença, adstrito aos termos do aditamento. Em outras palavras, havendo aditamento da denúncia por força da mutatio libelli, o fato imputado passará a ser exclusivamente o fato superveniente, que substitui o fato originário. Nessa linha, como aduz Badaró (Correlação entre acusação e sentença. 2a ed. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2009. p. 172), “se o juiz condenar o acusado pelo fato originário, estará proferindo uma sentença extra petita e, consequentemente, viciada pela nulidade absoluta, tal qual ocorre com qualquer sentença que viole a regra da correlação entre acusação e sentença”. (TJMS-2010-FCC): Aditada a denúncia, o juiz ouvirá o defensor do acusado no prazo de cinco dias e, admitido o aditamento, designará dia e hora para continuação da audiência, podendo cada parte, no prazo de cinco dias, arrolar até três testemunhas, realizando-se novo interrogatório. BL: art. 384, §§2º e 4º, CPP. § 5o Não recebido o aditamento, o processo prosseguirá. (Incluído pela Lei nº 11.719, de 2008). (MPSC-2014): Ao tratar da sentença criminal, prescreve o CPP que, encerrada a instrução probatória, se entender cabível nova definição jurídica do fato, em consequência de prova existente nos autos deelemento ou circunstância da infração penal não contida na acusação, o Ministério Público deverá aditar a denúncia ou queixa, no prazo de 5 (cinco) dias, se em virtude desta houver sido instaurado o processo em crime de ação pública, reduzindo-se a termo o aditamento, quando feito oralmente. Ouvido o defensor do acusado no prazo de 5 (cinco) dias e admitido o aditamento, o juiz, a requerimento de qualquer das partes, designará dia e hora para continuação da audiência, com inquirição de testemunhas, novo interrogatório do acusado, realização de debates e julgamento. Havendo aditamento, cada parte poderá arrolar até 3 (três) testemunhas, no prazo de 5 (cinco) dias. BL: art. 384, §§ 2ºe 4º do CPP. (MPES-2013-VUNESP): X foi denunciado pelas práticas dos crimes de estelionato e falsificação de documento público. Nos memoriais, o Ministério Público requereu a condenação de X nos termos da denúncia, enquanto a defesa requereu a absolvição de X por falta de provas. O juiz da causa, entretanto, por entender que a prova existente nos autos trouxe elementos novos aos fatos narrados na inicial acusatória, condenou X por extorsão. Considerando os fatos apresentados, assinale a alternativa correta. Trata-se de hipótese de mutatio libeli, e por não ter sido aditada a denúncia nem tampouco ouvida a defesa a sentença é nula. Art. 385. Nos CRIMES DE AÇÃO PÚBLICA, o juiz PODERÁ PROFERIR SENTENÇA CONDENATÓRIA, ainda que o Ministério Público TENHA OPINADO PELA ABSOLVIÇÃO, bem como RECONHECER AGRAVANTES, embora nenhuma tenha sido alegada. (MPSP- 2006) (MPAM-2007) (MPDFT-2011) (TJMG-2012) (TJPR-2014) (TJRS-2018) (TJMG-2018-Consulplan): O Juiz poderá, ao proferir sentença condenatória, aplicar a agravante da reincidência, ainda que ela não tenha sido descrita na denúncia, não configurando ofensa ao princípio da correlação. (MPPR-2017): O julgador pode, ao exarar sentença condenatória, reconhecer a agravante da reincidência, ainda que ela não tenha sido descrita na denúncia, não configurando ofensa ao princípio da correlação. BL: art. 385, CPP. OBS: O magistrado pode, ao proferir sentença condenatória, aplicar a agravante da reincidência, ainda que ela não tenha sido descrita na denúncia, procedimento que, à luz do disposto no artigo 385 do CPP, não configura ofensa ao princípio da correlação. (STJ HC 385241/SC) (TJAL-2015-FCC): A circunstância agravante pode ser reconhecida pelo juiz, ainda que não alegada pelo Ministério Público, consoante expressa previsão legal. BL: art. 385 do CPP. Art. 386. O juiz ABSOLVERÁ o réu, MENCIONANDO a causa na parte dispositiva, desde que reconheça: (TJPR-2010) I - ESTAR PROVADA a inexistência do fato; (TJAL-2008) (TJSC-2009) II - não haver prova da existência do fato; III - não constituir o fato infração penal; IV – ESTAR PROVADO que o réu NÃO CONCORREU para a infração penal; (Redação dada pela Lei nº 11.690, de 2008) (TJSC-2009) V – não existir prova de ter o réu concorrido para a infração penal; (Redação dada pela Lei nº 11.690, de 2008) VI – EXISTIREM circunstâncias que excluam o crime ou isentem o réu de pena (arts. 20, 21, 22, 23, 26 e § 1o do art. 28, todos do Código Penal), ou mesmo se houver fundada dúvida sobre sua existência; (Redação dada pela Lei nº 11.690, de 2008) (TJSE-2008) VII – não existir prova suficiente para a condenação. (Incluído pela Lei nº 11.690, de 2008) Parágrafo único. Na SENTENÇA ABSOLUTÓRIA, o juiz: I - mandará, se for o caso, pôr o réu em liberdade; II – ordenará a cessação das medidas cautelares e provisoriamente aplicadas; (Redação dada pela Lei nº 11.690, de 2008) III - APLICARÁ medida de segurança, SE CABÍVEL. (TJMS-2010-FCC): Conclusos os autos para sentença, o magistrado resolveu condenar o acusado pelo delito de roubo simples, afastando a tese defensiva de ausência de provas. O valor fixado na sentença penal condenatória, a título de reparação de danos causados pelo delito, não impede a liquidação desta, no juízo cível, após o trânsito em julgado, para apuração do dano efetivamente sofrido. BL: art. 386, § único, III, CPP. Art. 387. O juiz, AO PROFERIR SENTENÇA CONDENATÓRIA: (Vide Lei nº 11.719, de 2008) I - mencionará as circunstâncias agravantes ou atenuantes definidas no Código Penal, e cuja existência reconhecer; (TJRS-2018) OBS: O artigo 387, I, do CPP, prevê que o magistrado mencionará as agravantes cuja existência reconhecer, não fazendo menção a requerimento da parte. Assim, são aplicadas pelo juiz havendo ou não pedido. Nesse sentido é o art. 385 do CPP: “Art. 385. Nos crimes de ação pública, o juiz poderá proferir sentença condenatória, ainda que o Ministério Público tenha opinado pela absolvição, bem como reconhecer agravantes, embora nenhuma tenha sido alegada.” II - mencionará as outras circunstâncias apuradas e tudo o mais que deva ser levado em conta na aplicação da pena, de acordo com o disposto nos arts. 59 e 60 do Decreto-Lei no 2.848, de 7 de dezembro de 1940 - Código Penal; (Redação dada pela Lei nº 11.719, de 2008). III - aplicará as penas de acordo com essas conclusões; (Redação dada pela Lei nº 11.719, de 2008). IV - FIXARÁ valor mínimo para REPARAÇÃO DOS DANOS causados pela infração, CONSIDERANDO os prejuízos sofridos pelo ofendido; (Redação dada pela Lei nº 11.719, de 2008). (TJAL-2008) (TJPA-2009) (MPDFT-2011) (MPSC-2013) (MPSP-2013) (TJPR-2014) (TJRS-2018) ##Atenção: ##STJ e STF: ##DOD: A previsão da indenização contida no inciso IV do art. 387 surgiu com a Lei 11.719/08. Se o crime ocorreu antes da Lei e foi sentenciado após a sua vigência, pode ser aplicado o dispositivo e fixado o valor mínimo de reparação dos danos? NÃO. A regra do art. 387, IV, do CPP, que dispõe sobre a fixação, na sentença condenatória, de valor mínimo para reparação civil dos danos causados ao ofendido, é norma híbrida, de direito processual e material, razão pela que não se aplica a delitos praticados antes da entrada em vigor da Lei 11.719/08, que deu nova redação ao dispositivo. STJ. 5ª T. REsp 1.193.083-RS, Rel. Min. Laurita Vaz, j. 20/8/13. STJ. 6ª T. AgRg no REsp 1.206.643/RS, Rel. Min. Nefi Cordeiro, j. 12/2/15. STF. Plenário. RvC 5437/RO, Rel. Min. Teori Zavascki, j. 17/12/14 (Info 772) ##Atenção: ##STJ: ##DOD: O juiz, ao proferir sentença penal condenatória, no momento de fixar o valor mínimo para a reparação dos danos causados pela infração (art. 387, IV, do CPP), pode, sentindo-se apto diante de um caso concreto, quantificar, ao menos o mínimo, o valor do dano moral sofrido pela vítima, desde que fundamente essa opção. Isso porque o art. 387, IV, não limita a indenização apenas aos danos materiais e a legislação penal deve sempre priorizar o ressarcimento da vítima em relação a todos os prejuízos sofridos. STJ. 6ª T. REsp 1.585.684-DF, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, j. 9/8/2016 (Info 588). ##Atenção: ##STJ: ##DOD: Para que seja fixado, na sentença, o valor mínimo para reparação dos danos causados à vítima (art. 387, IV, do CPP), é necessário que haja pedido expresso e formal, feito pelo parquet ou pelo ofendido, a fim de que seja oportunizado ao réu o contraditório e sob pena de violação ao princípio da ampla defesa (STJ. 5ª T. HC 321.279/PE, Rel. Min. Leopoldo de Arruda Raposo (Des. Conv. do TJ/PE), j. 23/06/2015). ##Atenção: O magistrado fixará o valor mínimo para reparação dos danos, possibilitando que a vítima, ou os demais legitimados, procedam à execução da quantia ou à liquidação do valor que for superior ao fixado pelo magistrado criminal. Vale ressaltar que o STJ entende que a fixação de quantia mínima a título de danos morais, nos processos regidos pela Lei n. 11.340/2006, independe de instrução própria, bastando o pedido da parte(STJ. 3ª Seção. REsp 1.643.051/MS, rel. Min. Rogério Schietti Cruz, j. 28.02.2018). (TJRS-2009): Conclusos os autos para sentença, o magistrado resolveu condenar o acusado pelo delito de roubo simples, afastando a tese defensiva de ausência de provas. O valor fixado na sentença penal condenatória, a título de reparação de danos causados pelo delito, não impede a liquidação desta, no juízo cível, após o trânsito em julgado, para apuração do dano efetivamente sofrido. BL: art. 387, IV e art. 63 a 64 do CPP. V - atenderá, quanto à aplicação provisória de interdições de direitos e medidas de segurança, ao disposto no Título Xl deste Livro; VI - determinará se a sentença deverá ser publicada na íntegra ou em resumo e designará o jornal em que será feita a publicação (art. 73, § 1o, do Código Penal). § 1o O juiz DECIDIRÁ, FUNDAMENTADAMENTE, sobre a manutenção ou, se for o caso, a imposição de prisão preventiva ou de outra medida cautelar, sem prejuízo do conhecimento de apelação que vier a ser interposta. (Incluído pela Lei nº 12.736, de 2012) (TJAL-2008) (TJPE-2011) (TJRS-2009/2012/2018) OBS: O magistrado deverá decidir fundamentadamente sobre a manutenção da prisão preventiva (art. 387, §1º, do CPP). OBS: A prisão preventiva não é incompatível com o princípio da presunção da inocência mormente quando a aplicação da medida está alicerçada em elementos concretos, quais sejam, o fumus + o periculum libertatis (STJ, 5ª Turma, HC 297.898/CE e HC 295.799/SP) § 2o O tempo de prisão provisória, de prisão administrativa ou de internação, no Brasil ou no estrangeiro, será computado para fins de determinação do regime inicial de pena privativa de liberdade. (Incluído pela Lei nº 12.736, de 2012) Art. 388. A sentença poderá ser datilografada e neste caso o juiz a rubricará em todas as folhas. Art. 389. A sentença SERÁ PUBLICADA em mão do escrivão, que LAVRARÁ nos autos o respectivo termo, REGISTRANDO-A em livro especialmente destinado a esse fim. (TJSE-2008) OBS1: ##Questiona-se: O que significa a expressão “em mão do escrivão”: contida no início do art. 389 do CPP? “Em mão do escrivão” significa quando a sentença sai do gabinete do juiz e é entregue ao escrivão ou diretor de secretaria, sendo isso consignado nos autos por termo e registrado em um livro especial. Normalmente, é o mesmo dia em que a sentença é assinada ou um dia depois no máximo a depender do volume de trabalho no cartório. OBS2: Publicação da sentença não se confunde com intimação da sentença: Publicação: a publicação é o ato de tornar pública a decisão, e daí em diante, imutável por seu próprio prolator. Isso ocorre quando a sentença é entregue “em mão do escrivão”, ou seja, quando é assinada pelo juiz e entregue na Secretaria da Vara para os procedimentos cabíveis. Nesse momento, a sentença é pública. A publicidade da sentença se mostra como requisito indispensável à própria existência do ato. Trata-se de um autêntico ato processual. Intimação: a intimação é o ato de formalmente dar ciência, de maneira específica às partes acerca do julgado. OBS3: A publicação da sentença é ato complexo que somente se aperfeiçoa com a realização de três providências cartorárias: 1) o recebimento da sentença pelo escrivão; 2) a lavratura nos autos do respectivo termo; e 3) o registro em livro especialmente destinado para esse fim. É isso que está previsto no art. 389 do CPP. OBS4: Vejamos o seguinte julgado do STJ, veiculado no Info 619, que trata da publicação da sentença: Havendo dúvida resultante da omissão cartorária em certificar a data de recebimento da sentença conforme o art. 389 do CPP, não se pode presumir a data de publicação com o mero lançamento de movimentação dos autos na internet, a fim de se verificar a ocorrência de prescrição da pretensão punitiva. STJ. 6ª Turma. HC 408736-ES, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, j. 6/2/18 (Info 619). A publicação da sentença é ato complexo que somente se aperfeiçoa com a realização de três providências cartorárias: 1) o recebimento da sentença pelo escrivão; 2) a lavratura nos autos do respectivo termo; e 3) o registro em livro especialmente destinado para esse fim. É isso que está previsto no art. 389 do CPP. No caso concreto, as formalidades não foram adequadamente cumpridas. Isso porque não houve lavratura do termo nem registro em livro especial. O que existe é, apenas e tão somente, o lançamento do andamento processual “Mandado Expeça-sentença”, registrado junto ao sistema eletrônico de gerenciamento de processos (eJUD) do Tribunal. Para o STJ, esse registro na internet não pode ser caracterizado como ato processual. Trata-se apenas de uma facilidade oferecida aos jurisdicionados para que possam acompanhar com maior comodidade o andamento dos feitos judiciais. Assim, o simples registro de movimentação dos autos físicos na internet possui um cunho meramente informativo (não vinculativo) e que não gera qualquer efeito legal. Como via de consequência, sob a ótica do direito penal, esse registro na internet não possui o condão de interromper o lapso prescricional, na forma do art. 117, IV, do CP. Portanto, em havendo dúvida resultante da omissão do cartório em certificar a data de recebimento da sentença, deve-se considerar como data de publicação o primeiro ato que demonstrou, de maneira incontestável, a ciência da sentença pelas partes (e não a data do mero lançamento de movimentação dos autos na internet). Assim, não tendo sido cumpridos os requisitos elencados no art. 389 do CPP, não se pode considerar que a prescrição tenha sido interrompida. Art. 390. O escrivão, dentro de três dias após a publicação, e sob pena de suspensão de cinco dias, dará conhecimento da sentença ao órgão do Ministério Público. Art. 391. O querelante ou o assistente SERÁ INTIMADO DA SENTENÇA, pessoalmente ou na pessoa de seu advogado. Se nenhum deles for encontrado no lugar da sede do juízo, a intimação será feita mediante edital com o prazo de 10 dias, afixado no lugar de costume. (MPBA-2018): Sobre a citação e a intimação no Processo Penal: O querelante será intimado da sentença pessoalmente ou na pessoa de seu Advogado. BL: art. 391, CPP. Art. 392. A intimação da sentença SERÁ FEITA: I - ao réu, pessoalmente, se estiver preso; II - ao réu, PESSOALMENTE, ou ao defensor por ele constituído, quando se livrar solto, ou, SENDO afiançável a infração, TIVER PRESTADO fiança; (TJCE-2012) III - ao defensor constituído pelo réu, se este, afiançável, ou não, a infração, expedido o mandado de prisão, não tiver sido encontrado, e assim o certificar o oficial de justiça; IV - mediante edital, nos casos do no II, se o réu e o defensor que houver constituído não forem encontrados, e assim o certificar o oficial de justiça; V - mediante edital, nos casos do no III, se o defensor que o réu houver constituído também não for encontrado, e assim o certificar o oficial de justiça; VI - mediante EDITAL, se o réu, NÃO TENDO CONSTITUÍDO defensor, não for encontrado, e assim o certificar o oficial de justiça. (MPBA-2018): Sobre a citação e a intimação no Processo Penal: A intimação da sentença será feita mediante edital se o réu, não tendo constituído defensor, não for encontrado, e assim o certificar o oficial de justiça. BL: art. 392, VI, CPP. § 1o O prazo do edital será de 90 dias, se tiver sido imposta pena privativa de liberdade por tempo igual ou superior a um ano, e de 60 dias, nos outros casos. § 2o O prazo para apelação correrá após o término do fixado no edital, salvo se, no curso deste, for feita a intimação por qualquer das outras formas estabelecidas neste artigo. Art. 393. (Revogado pela Lei nº 12.403, de 2011). LIVRO II DOS PROCESSOSEM ESPÉCIE TÍTULO I DO PROCESSO COMUM CAPÍTULO I DA INSTRUÇÃO CRIMINAL Art. 394. O procedimento SERÁ COMUM ou ESPECIAL. (Redação dada pela Lei nº 11.719, de 2008). (TJRS-2018) § 1o O PROCEDIMENTO COMUM SERÁ ordinário, sumário ou sumaríssimo: (Incluído pela Lei nº 11.719, de 2008). (TJAP-2009) (TJRS-2018) (MPPB-2018-FCC): Nos termos do CPP, o procedimento será comum ou especial. O procedimento comum será ordinário, sumário ou sumaríssimo. BL: art. 394, §1º, CPP. I - ORDINÁRIO, quando tiver por objeto crime cuja sanção máxima cominada for igual ou superior a 4 (quatro) anos de pena privativa de liberdade; (Incluído pela Lei nº 11.719, de 2008). (MPBA-2010) (TJRO-2011) II - SUMÁRIO, quando tiver por objeto crime cuja sanção máxima cominada seja inferior a 4 (quatro) anos de pena privativa de liberdade; (Incluído pela Lei nº 11.719, de 2008). (TJSE-2008) (TJSC-2009) (MPBA-2010) (MPMG-2010) (TJRO-2011) (TJMT-2018) OBS: Consoante dispõe o art. 394, §1º, II, do CPP, o rito sumário será seguido para os crimes cuja sanção máxima cominada for inferior a 4 anos. III - SUMARÍSSIMO, para as infrações penais de menor potencial ofensivo, na forma da lei. (Incluído pela Lei nº 11.719, de 2008). (TJRO-2011) OBS: O procedimento será comum ou especial (art. 394, caput, CPP). O procedimento comum será ordinário, sumário ou sumaríssimo (art. 394, §1º, CPP). Comum é o “procedimento padrão” dos processos criminais, enquanto que especial é o procedimento diferenciado do procedimento comum em determinados pontos para se adequar à peculiaridade do crime tratado. Os procedimentos ordinário e sumário, por sua vez, apresentam como diferenças (i) o prazo de designação de audiência: 60 dias no ordinário e 30 dias no sumário, (ii) o número de testemunhas que se pode arrolar: 8 no ordinário e 5 no sumário, (iii) alegações finais: orais ou escritas no ordinário, e orais no sumário, embora na prática também tenha sido admitida a alegação final escrita no procedimento sumário e (iv) a pena abstratamente cominada aos delitos: igual ou superior a 4 anos para o rito ordinário, e inferior a 4 anos para o sumário. O procedimento sumaríssimo, por fim, é aquele que se destina à apuração de delitos de menor potencial ofensivo, aplicando-se, ainda, a Lei n. 9.099/95. § 2o Aplica-se a todos os processos o procedimento comum, salvo disposições em contrário deste Código ou de lei especial. (Incluído pela Lei nº 11.719, de 2008). § 3o Nos processos de competência do Tribunal do Júri, o procedimento observará as disposições estabelecidas nos arts. 406 a 497 deste Código. (Incluído pela Lei nº 11.719, de 2008). § 4o As disposições dos arts. 395 a 398 deste Código aplicam-se a todos os procedimentos penais de primeiro grau, ainda que não regulados neste Código. (Incluído pela Lei nº 11.719, de 2008). § 5o Aplicam-se subsidiariamente aos procedimentos especial, sumário e sumaríssimo as disposições do procedimento ordinário. (Incluído pela Lei nº 11.719, de 2008). (TJRN-2013) Art. 394-A. Os processos que APUREM a prática de crime hediondo TERÃO PRIORIDADE DE TRAMITAÇÃO em todas as instâncias. (Incluído pela Lei nº 13.285, de 2016). (TJRS-2018) OBS: O artigo 394-A do CPP não faz nenhuma ressalva, sendo certo afirmar que a prioridade de tramitação em todas as instâncias existirá havendo ou não réu preso. Art. 395. A DENÚNCIA ou QUEIXA SERÁ REJEITADA quando:(Redação dada pela Lei nº 11.719, de 2008). (TJRJ-2012) I - FOR manifestamente INEPTA; (Incluído pela Lei nº 11.719, de 2008). (MPMS-2015): É possível o oferecimento de nova acusação na hipótese de rejeição da denúncia por inépcia, sem que ocorra violação ao princípio ne bis in idem. BL: art. 41 e art. 395, inciso I, CPP. OBS: A inépcia da peça acusatória pode ser formal ou material. A inépcia formal ocorre quando não preenche os requisitos do art. 41 do CPP, dando ensejo à rejeição com base no art. 395, I, do CPP. Por outro lado, a inépcia material se dá quando não há justa causa, com fundamento no inciso III do art. 395 do CPP. Nesse sentido, Renato Brasileiro afirma que a rejeição da peça acusatória em fundamento no art. 395, inciso l, do CPP, só faz coisa julgada formal, na medida em que não há análise do mérito da imputação. Diante dela, a parte acusadora tem a opção de recorrer em sentido estrito (CPP, art. 581, I), ou oferecer nova peça acusatória, desta vez com fiel observância dos requisitos do art. 41 do CPP. II - FALTAR pressuposto processual ou condição para o exercício da ação penal; ou (Incluído pela Lei nº 11.719, de 2008). III - FALTAR justa causa para o exercício da ação penal. (Incluído pela Lei nº 11.719, de 2008). (Anal./DPESC-2018-FUNDATEC): Ainda no tocante às condições da ação, a justa causa não é pacificamente aceita pela doutrina como condição da ação, embora o Código de Processo Penal a considere como possível causa de rejeição da denúncia, nos termos do artigo 395. BL: art. 395, III, CPP. (Téc. Judic./TJSE-2013-CESPE): A justa causa, uma das condições para o exercício da ação penal, corresponde à existência de suporte probatório mínimo para que a acusação seja recebida e se dê prosseguimento ao processo. BL: art. 395, III, CPP. Parágrafo único. (Revogado). (Incluído pela Lei nº 11.719, de 2008). Art. 396. Nos procedimentos ORDINÁRIO e SUMÁRIO, OFERECIDA a denúncia ou queixa, o juiz, se não a rejeitar liminarmente, RECEBÊ-LA-Á e ORDENARÁ a citação do acusado para RESPONDER À ACUSAÇÃO, por escrito, no prazo de 10 (dez) dias. (Redação dada pela Lei nº 11.719, de 2008). (DPEMT-2009) (Anal. Judic./TJPA-2014) (TJBA-2019) Parágrafo único. No caso de citação por edital, o prazo para a defesa começará a fluir a partir do comparecimento pessoal do acusado ou do defensor constituído. (Redação dada pela Lei nº 11.719, de 2008). Art. 396-A. Na RESPOSTA, o acusado PODERÁ ARGÜIR preliminares e ALEGAR tudo o que interesse à sua defesa, OFERECER documentos e justificações, ESPECIFICAR as provas pretendidas e ARROLAR testemunhas, QUALIFICANDO-AS e REQUERENDO sua intimação, quando necessário. (Incluído pela Lei nº 11.719, de 2008). (TJSC-2009) (TJRJ-2011) (TJPE-2011-FCC): Na resposta à acusação, o réu pode suscitar nulidade e excludente da ilicitude. BL: art. 396-A, CPP. § 1o A exceção será processada em apartado, nos termos dos arts. 95 a 112 deste Código. (Incluído pela Lei nº 11.719, de 2008). § 2o NÃO APRESENTADA A RESPOSTA no prazo legal, ou se o acusado, citado, NÃO CONSTITUIR DEFENSOR, o juiz NOMEARÁ defensor para oferecê-la, CONCEDENDO-LHE vista dos autos por 10 (dez) dias. (Incluído pela Lei nº 11.719, de 2008). (TJRJ-2011) Art. 397. Após o cumprimento do disposto no art. 396-A, e parágrafos, deste Código, o juiz DEVERÁ ABSOLVER SUMARIAMENTE o acusado QUANDO VERIFICAR: (Redação dada pela Lei nº 11.719, de 2008). (TJAL-2008) (TJRS-2009) (TJSC-2009) (TJRJ-2012) I - a existência manifesta de causa excludente da ilicitude do fato; (Incluído pela Lei nº 11.719, de 2008). (TJPR-2010) (MPSC-2013) II - a existência manifesta de causa excludente da culpabilidade do agente, SALVO INIMPUTABILIDADE; (Incluído pela Lei nº 11.719, de 2008). (TJMG-2009) (TJPE-2011) III - que o fato narrado evidentemente não constitui crime; ou (Incluído pela Lei nº 11.719, de 2008). IV - extinta a punibilidade do agente. (Incluído pela Lei nº 11.719, de 2008). (TJSP-2017-VUNESP): No procedimento comum, após o oferecimento da resposta pelo acusado, o juiz deverá absolvê-lo sumariamente quando verificar a existência manifesta de qualquer causa excludente da ilicitude do fato ou que o fato narrado evidentemente não constitui crime. BL: art.397, I e III, CPP. (MPSC-2014): No procedimento comum, dispõe o Estatuto Processual Penal, que o juiz deverá absolver sumariamente o acusado quando verificar: a) a existência manifesta de causa excludente da ilicitude do fato; b) a existência manifesta de causa excludente da culpabilidade do agente, salvo inimputabilidade; c) que o fato narrado evidentemente não constitui crime; d) extinta a punibilidade do agente. BL: art. 397 do CPP. Art. 398. (Revogado pela Lei nº 11.719, de 2008). Art. 399. Recebida a denúncia ou queixa, o juiz designará dia e hora para a audiência, ordenando a intimação do acusado, de seu defensor, do Ministério Público e, se for o caso, do querelante e do assistente. (Redação dada pela Lei nº 11.719, de 2008). (TJPR-2010) § 1o O acusado preso será requisitado para comparecer ao interrogatório, devendo o poder público providenciar sua apresentação. (Incluído pela Lei nº 11.719, de 2008). § 2o O juiz que PRESIDIU a INSTRUÇÃO DEVERÁ PROFERIR a sentença. (Incluído pela Lei nº 11.719, de 2008). (TJAL-2008) (TJMG-2008) (TJSP-2018) (TJMG-2009): O Magistrado que presidiu a instrução/audiência, torna-se vinculado ao feito, devendo proferir a sentença, em homenagem ao princípio da identidade física do Juiz. BL: art. 399, §2º, CPP. Art. 400. Na audiência de instrução e julgamento, a SER REALIZADA no prazo máximo de 60 (sessenta) dias, PROCEDER-SE-Á à tomada de declarações do ofendido, à inquirição das testemunhas ARROLADAS pela acusação e pela defesa, NESTA ORDEM, ressalvado o disposto no art. 222 deste Código, bem como aos esclarecimentos dos peritos, às acareações e ao reconhecimento de pessoas e coisas, INTERROGANDO-SE, EM SEGUIDA, o acusado. (Redação dada pela Lei nº 11.719, de 2008). (TJAL-2008) (TJRS- 2018) § 1o As PROVAS SERÃO PRODUZIDAS numa só audiência, podendo o juiz indeferir as consideradas irrelevantes, impertinentes ou protelatórias. (Incluído pela Lei nº 11.719, de 2008). (TJAL-2008) § 2o Os ESCLARECIMENTOS DOS PERITOS DEPENDERÃO de prévio requerimento das partes. (Incluído pela Lei nº 11.719, de 2008). (TJMG-2014-VUNESP): No procedimento sumário, as provas devem ser produzidas em uma só audiência, podendo o juiz indeferir as que considerar irrelevantes, impertinentes ou protelatórias, sendo que os esclarecimentos a serem prestados pelos peritos sujeitam-se ao prévio requerimento das partes. BL: art. 400, §§1º e 2º c/c art. 533, CPP. OBS: Vejamos o teor do art. 533 do CPP: “Aplica-se ao procedimento sumário o disposto nos parágrafos do art. 400 deste Código”. Art. 401. Na INSTRUÇÃO PODERÃO SER INQUIRIDAS até 8 (oito) testemunhas arroladas pela acusação e 8 (oito) pela defesa. (Redação dada pela Lei nº 11.719, de 2008). (TJAL-2008) (TJPR-2013) § 1o Nesse número NÃO SE COMPREENDEM as que NÃO PRESTEM COMPROMISSO e AS REFERIDAS. (Incluído pela Lei nº 11.719, de 2008). (TJAL-2008) (TJPR-2013) (TJRS-2009): Na instrução do procedimento comum ordinário, poderão ser inquiridas até oito testemunhas arroladas pela acusação e oito pela defesa. Nesse número não se compreendem as que não prestarem compromisso nem as referidas. BL: art. 401 e §1º, CPP. § 2o A parte PODERÁ DESISTIR DA INQUIRIÇÃO de qualquer das testemunhas arroladas, ressalvado o disposto no art. 209 deste Código [obs.: testemunhas indicadas pelo juízo e testemunhas referidas]. (Incluído pela Lei nº 11.719, de 2008). (TJAL-2008) (MPMG-2018) Art. 209. O juiz, quando julgar necessário, poderá ouvir outras testemunhas, além das indicadas pelas partes. § 1o Se ao juiz parecer conveniente, serão ouvidas as pessoas a que as testemunhas se referirem. § 2o Não será computada como testemunha a pessoa que nada souber que interesse à decisão da causa. Art. 402. Produzidas as provas, ao final da audiência, o Ministério Público, o querelante e o assistente e, a seguir, o acusado PODERÃO REQUERER DILIGÊNCIAS cuja necessidade se origine de circunstâncias ou fatos apurados na instrução. (Redação dada pela Lei nº 11.719, de 2008). (TJPR-2013) (MPSC-2013) Art. 403. Não havendo requerimento de diligências, ou sendo indeferido, SERÃO OFERECIDAS ALEGAÇÕES FINAIS ORAIS por 20 (vinte) minutos, respectivamente, pela acusação e pela defesa, prorrogáveis por mais 10 (dez), proferindo o juiz, a seguir, sentença. (Redação dada pela Lei nº 11.719, de 2008). (TJRS-2009) (DPEES-2016) § 1o Havendo mais de um acusado, o tempo previsto para a defesa de cada um será individual. (Incluído pela Lei nº 11.719, de 2008). § 2o Ao assistente do Ministério Público, após a manifestação desse, SERÃO CONCEDIDOS 10 (dez) minutos, prorrogando-se por igual período o tempo de manifestação da defesa. (Incluído pela Lei nº 11.719, de 2008). (TJPR-2013) (DPEES-2016) § 3o O juiz PODERÁ, considerada a COMPLEXIDADE DO CASO ou o NÚMERO DE ACUSADOS, CONCEDER às partes o prazo de 5 (cinco) dias sucessivamente para a apresentação de MEMORIAIS. Nesse caso, TERÁ o prazo de 10 (dez) dias para PROFERIR a SENTENÇA. (Incluído pela Lei nº 11.719, de 2008). (TJSC-2009) (TJPR-2013) (TJRS-2018) ##Atenção: O juiz terá o prazo de 10 dias para proferir a sentença caso conceda às partes prazo para a apresentação de memoriais. (TJAL-2008-CESPE): Acerca do procedimento comum ordinário, assinale a opção correta: Em regra, as alegações finais serão orais, mas o juiz poderá, considerada a complexidade do caso ou o número de acusados, conceder às partes o prazo de cinco dias sucessivamente para a apresentação de memoriais. BL: art. 403, caput e §3º, CPP. Art. 404. Ordenado diligência considerada imprescindível, de ofício ou a requerimento da parte, a audiência será concluída sem as alegações finais. (Redação dada pela Lei nº 11.719, de 2008). Parágrafo único. Realizada, em seguida, a diligência determinada, as partes apresentarão, no prazo sucessivo de 5 (cinco) dias, suas alegações finais, por memorial, e, no prazo de 10 (dez) dias, o juiz proferirá a sentença. (Incluído pela Lei nº 11.719, de 2008). Art. 405. Do ocorrido em audiência será lavrado termo em livro próprio, assinado pelo juiz e pelas partes, contendo breve resumo dos fatos relevantes nela ocorridos. (Redação dada pela Lei nº 11.719, de 2008). § 1o Sempre que possível, o registro dos depoimentos do investigado, indiciado, ofendido e testemunhas será feito pelos meios ou recursos de gravação magnética, estenotipia, digital ou técnica similar, inclusive audiovisual, destinada a obter maior fidelidade das informações. (Incluído pela Lei nº 11.719, de 2008). § 2o No caso de registro por meio AUDIOVISUAL, SERÁ ENCAMINHADO às partes cópia do registro original, sem necessidade de transcrição. (Incluído pela Lei nº 11.719, de 2008). (TJBA-2019) ##Atenção: ##STJ: ##DOD: É válida a sentença proferida de forma oral na audiência e registrada em meio audiovisual, ainda que não haja a sua transcrição. O § 2º do art. 405 do CPP, que autoriza o registro audiovisual dos depoimentos, sem necessidade de transcrição, deve ser aplicado também para os demais atos da audiência, dentre eles os debates orais e a sentença. O registro audiovisual da sentença prolatada oralmente em audiência é uma medida que garante mais segurança e celeridade. Não há sentido lógico em se exigir a degravação da sentença registrada em meio audiovisual, sendo um desserviço à celeridade. A ausência de degravação completa da sentença não prejudica o contraditório nem a segurança do registro nos autos, do mesmo modo que igualmente ocorre com a prova oral. STJ. 3ª Seção. HC 462253/SC, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 28/11/2018 (Info 641). CAPÍTULO II (Redação dada pela Lei nº 11.689, de 2008) DO PROCEDIMENTO RELATIVO AOS PROCESSOS DA COMPETÊNCIA