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REDES DE TRANSPORTE E COMUNICAÇÕES No curso da segunda metade do século XX, assistiu-se à proliferação de novas tecnologias de comunicação de massa em escala cada vez mais mundializada. A despeito das distâncias geográficas, essa transformação integrou mercados, interferiu no volume, na qualidade e na velocidade da circulação de dados e notícias, ocasionando uma espécie de revolução no campo da informação. A internet evolui numa velocidade espantosa, novas ferramentas são criadas e outras caem em desuso. Atualmente, as redes sociais online são os canais que mais crescem em número de usuários, só perdendo em tempo de navegação para os portais de acesso à rede e de informação. Um aspecto importante dessas redes é que multiplicam exponencialmente as possibilidades de comunicação. O telefone já permitia comunicar-se com muitas pessoas, porém com uma de cada vez. Na internet, crescem as ferramentas para se comunicar com muitas pessoas, até milhões, simultaneamente. Com toda essa capacidade de comunicação e mobilização, as redes sociais são capazes de criar conexões entre grupos descontentes. O exemplo recente mais proeminente é o da Tunísia, onde as redes foram utilizadas pelos estudantes, que organizaram manifestações de rua e acabaram por deflagrar a queda do ditador Zine el-Abidine Ben Ali, no início de 2011. Foi o começo da Primavera Árabe, que se espalhou pelo norte da África e por parte do Oriente Médio. Censura Contudo, se, por um lado, tais redes podem aproximar pessoais e fomentar revoltas, por outro, em sociedades onde vigoram regimes autoritários, a repressão e a censura governamental, conseguem limitar o alcance desse novo tipo de ativismo. A questão 55 1º 2012 pergunta quais as limitações do uso das novas tecnologias no ativismo político no mundo atual. Nesse contexto da relação entre tecnologia e controle social do Estado, o caso da China é emblemático. A China assumiu há vários anos a liderança mundial do número de internautas, aproximando-se, em 2013, de abrigar o dobro do total encontrado no antigo país-líder nesse ranking, os Estados Unidos. Mas em compensação, o número de usuários chineses da mais popular rede social do planeta é inferior ao de países com quantitativo muito menor de internautas. Como pode isso? A justificativa para esse aparente paradoxo está associada ao rígido controle exercido pelo Estado chinês sobre a circulação de informações. Naquele país, há versões locais do Facebook e do Google, e estas e outras empresas estrangeiras da internet precisam submeter-se a regras e censuras que limitam as possibilidades de acesso dos cidadãos chineses a esses serviços controlados por multinacionais, sobretudo as norte-americanas. A questão 54 2º 2015 pede para explicar a relação entre tecnologia e controle social do Estado na China. Inclusão digital Como a internet se tornou fundamental no mundo dos negócios e no próprio ambiente de trabalho, há um outro lado da moeda: a exclusão do mundo digital passa a ser um fator de redução das chances de ascensão econômica, educacional e social. Como ocorre com a renda, o acesso das populações à internet é bastante desigual no globo. A maioria dos excluídos está na África. Na Ásia, há nações como Bangladesh, Camboja e Timor Leste, em que a exclusão digital chega a 98%. Os usuários conectados concentram-se principalmente em regiões dos Estados Unidos, do Canadá, da Europa Ocidental, sudeste asiático e sudeste do Brasil. No Brasil, a inclusão precisa chegar aos mais pobres e à população que mora em áreas rurais. Quem mais utiliza a internet são os jovens, escolarizados, empregados, com maior renda e residentes de áreas urbanas. A questão 58 2º 2016 pede para apontar a principal causa para as diferenças regionais na concentração do uso da internet ao redor do mundo. Por promover a liberdade de expressão e o acesso de direitos civis, como a cultura e a educação, a organização das Nações Unidas (ONU) declarou, em maio de 2011, o acesso à internet como direito fundamental do ser humano. Em 2014, o Brasil adotou o Marco Civil da Internet, que legisla sobre os direitos e deveres dos usuários. Ele estabeleceu o princípio de neutralidade da rede, pelo qual as empresas de conexão podem cobrar tarifas diferentes para a velocidade de acesso, por exemplo, mas não pelo acesso a conteúdos. Transporte o período final do século XIX até a década de 1920, a maior parte do transporte no Brasil foi feita por ferrovias e por navegação. No período posterior, entre 1928 a 1955, a rede de ferrovias cresceu 20%, enquanto a de rodovias aumentou em 400%. Essa expansão foi vinculada ao complexo agroexportador do café. É por isso que as malhas rodoviárias e ferroviárias estão principalmente na Região Sudeste, que concentrou a produção de café. A expansão das rodovias foi mantida mesmo após a crise do café, em 1929, nos governos de Getúlio Vargas. Continuou com o governo de Juscelino Kubitschek (1956-1961) e sob o regime militar (1964-1985), períodos de implantação e expansão da indústria automobilística estrangeira no Brasil. Hoje, qualquer ideia sobre modernização, manutenção e expansão da matriz de transportes se baseia na intermodalidade ou transporte intermodal – integração das várias opções de transporte. Por exemplo: transportar determinada carga por caminhão até um trem ou barcaça que a levará até um porto para exportação. Matriz de transporte Matriz de transporte é o conjunto dos meios de que um país dispõe para transportar pessoas e, principalmente, mercadorias. A matriz ideal é aquela que consegue equacionar de forma adequada as distâncias e a geografia das regiões a ser atravessadas, as características do produto transportado e as exigências econômicas e sociais, minimizando custos financeiros e ambientais incluindo todas as modalidades de transporte. Uma matriz de transporte eficiente permite a locomoção das cargas no menor tempo e com o menor preço. Em um país grande, o assunto é complicado, pois a infraestrutura de transportes exige muito investimento e uma combinação de diversos meios de locomoção. Para equilíbrio de uma matriz, é preciso levar em conta fatores como: Transportes rodoviários são o meio mais indicado para interligar pontos próximos e cargas urgentes e não muito volumosas. Isso porque custa caro construir e manter estradas, adquirir e utilizar caminhões. As rodovias são hoje o principal meio de transporte de passageiros e cargas no Brasil. Porém a má conservação das rodovias é responsável pelo aumento médio no custo operacional para escoamento de soja e milho, dois expoentes da pauta de exportação brasileira. Uma das políticas adotadas por governos estaduais e pelo federal para a manutenção das rodovias é a privatização com a cobrança de pedágio. As empresas se tornam concessionárias das rodovias, sob o compromisso de modernizá-las e mantê-las. Transportes ferroviários exigem alto investimento inicial, mas podem transportar uma quantidade muito maior de carga. São adequados, portanto, a trajetos médios ou longos em que haja necessidade de locomover grandes volumes de produção com eficiência. As malha ferroviária nacional também é menor do que a necessária e tem trechos precários. Sucateadas durante décadas, as ferrovias foram quase totalmente privatizadas a partir de 1997. Os cerca de 30 mil quilômetros de ferrovias praticamente não se altera a quatro décadas. Atualmente, apenas uma pequena parte da produção brasileira é transportada sobre trilhos, mas o volume transportado por ferrovias se encontra em crescimento. Transportes aquaviários são mais lentos do que caminhões ou trens, mas se gasta muito menos para transportar milharesde toneladas de produtos. São adequados a grandes volumes de carga, com um tempo maior para a entrega. A expansão da rede fluvial depende da compatibilidade entre o destino geográfico dos rios e a direção dos fluxos de carga para transporte. O governo justifica os baixos investimentos nessa modalidade de transporte num detalhe geográfico: uma hidrovia tem uso se o curso dos rios unir os pontos de produção ao de consumo ou exportação. A cabotagem (transporte realizado entre dois portos da costa de um mesmo país ou entre um porto costeiro e um porto fluvial, também de um mesmo país) tem avançado no Brasil. Com imensa costa navegável, grande quantidade de portos e terminais e forte concentração costeira dos setores produtivo e consumidor, o país é extremamente favorecido para a navegação de cabotagem. A questão 49 2º 2015 pede para apontar qual a característica da organização socioespacial brasileira explica o ritmo do crescimento da cabotagem no Brasil. Transportes aéreos são os de frete mais caro, já que a montagem e a manutenção de uma frota aérea e de um sistema aeroportuário (com tripulantes e funcionários) são de alto custo. Por isso, esse tipo de transporte é usado basicamente para cargas delicadas, como eletroeletrônicos, ou perecíveis, como frutas e flores, ou de urgência extrema. O transporte aéreo corresponde a menos de 1% da matriz brasileira. O governo federal prioriza a reforma e a modernização dos aeroportos. A orientação é ampliar o transporte de passageiros e de bens de consumo e insumos industriais por meio de aeroportos ociosos e que têm maior potencia para a intermodalidade. Transportes dutoviários são uma opção quando há a garantia ou a previsão de um fluxo contínuo de gás ou petróleo. Exigem grande planejamento e investimento, que só se pagam a longo prazo. O gasoduto Bolívia-Brasil, que opera desde 1999, diversificou a matriz brasileira de energia e ampliou a participação do gás natural. Desequilíbrio A matriz brasileira é extremamente desequilibrada. Um país de dimensões continentais, como o Brasil, que movimenta mercadorias internamente e exporta grande volume de grãos e minérios produzidos em áreas distantes do litoral, deveria usar, de forma integrada, várias modalidades de transporte. Mas não é o que acontece. Mais da metade de todo o transporte do país acontece em rodovias. O principal resultado do desequilíbrio da matriz é o alto custo nacional do transporte de carga. Por exemplo, para transportar soja por hidrovia paga-se um terço do que é gasto via ferrovia, e um quinto do necessário para levá-la por estradas. No entanto, dependendo do local de plantio, o produtor de soja terá de encomendar um longo trajeto por caminhões para a sua produção (por falta de ferrovia ou hidrovia), deixando boa parte dos seus ganhos com o o fornecedor de transporte. A questão 53 2º 2017 pergunta qual o fator intensificará mais a competitividade dos fazendeiros brasileiros com a implantação dos projetos logísticos mencionados no enunciado. O principal resultado desse desequilíbrio é o alto custo do transporte de carga, que integra o chamado “custo Brasil” – a soma de custos em impostos, logística e administração do negócio no país. O custo Brasil eleva absurdamente os produtos brasileiros em relação aos seus principais concorrentes no mercado internacional. Esse alto custo encarece nossos produtos no exterior, fazendo com que o país perca competitividade no mercado internacional. Um estudo do Ministério dos Transportes mostra que nossos dois principais concorrentes nas exportações agrícolas, Argentina e Estados Unidos, conseguem custos menores de transporte. Os argentinos porque contam com uma boa cobertura ferroviária em um território menor, com estradas mais curtas, o que resulta em custo e preço final mais baixos. Os norte-americanos porque usam intensivamente ferrovias e hidrovias em um país com dimensões semelhantes às nossas. O impacto do custo alto do transporte não recai apenas sobre as mercadorias que exportamos. Pesa também sobre o custo das empresas e o preço final das mercadorias vendidas ao mercado interno. Assim, aperfeiçoar o sistema de transportes é um fator para a melhora geral da economia nacional.