Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

M a r i a n a M o n t e i r o – A T M 2 4 / 1 – P á g i n a | 1 
 
SISTEMA DIGESTIVO 
 
O sistema digestivo contém o canal alimentar e seus principais órgãos associados, a saber, a língua, 
os dentes, as glândulas salivares, o pâncreas, o fígado e a vesícula biliar. 
Após maceração preliminar, umedecimento e formação de um bolo pelas ações das estruturas da 
cavidade oral e das glândulas salivares, o alimento passa rapidamente através da faringe para o esôfago. A 
rápida passagem do alimento através da faringe a mantém liberada para a passagem de ar. O alimento passa 
mais lentamente através do trato gastrointestinal, e durante o seu trânsito através do estômago e do 
intestino delgado ocorrem as principais alterações associadas à digestão, à solubilização e à absorção. A 
absorção acontece principalmente através da parede do intestino delgado. O alimento não digerido e outras 
substâncias dentro do canal alimentar, como muco, bactérias, células descamadas e pigmentos biliares, são 
excretados como fezes. 
 
A mucosa digestiva é a superfície através da qual a maioria das substâncias entra no corpo. 
A mucosa digestiva desempenha inúmeras funções em seu papel como uma interface entre o corpo 
e o ambiente. 
Essas funções incluem as seguintes: 
• Secreção. O revestimento do canal alimentar secreta, em locais específicos, enzimas digestivas, ácido 
clorídrico, mucina e anticorpos. 
• Absorção. O epitélio da mucosa absorve substratos 
metabólicos (p. ex., produtos de degradação da 
digestão), bem como vitaminas, água, eletrólitos, 
materiais recicláveis, como os componentes da bile 
e colesterol, e outras substâncias essenciais às 
funções do corpo. 
• Barreira. A mucosa serve como uma barreira para 
impedir a entrada de substâncias nocivas, antígenos 
e microrganismos patogênicos. 
• Proteção imunológica. O tecido linfático dentro da 
mucosa serve como a primeira linha de defesa imune 
do corpo. 
 
CAVIDADE ORAL 
A cavidade oral consiste na boca e em suas 
estruturas, que incluem a língua, os dentes e suas 
estruturas de sustentação (periodonto), as glândulas salivares maiores e menores e as tonsilas. 
A cavidade oral é dividida em um vestíbulo e a cavidade própria da boca. O vestíbulo é o espaço 
entre os lábios, bochechas e dentes. A cavidade própria da boca situa-se entre os dentes e é limitada 
superiormente pelos palatos duro e mole, inferiormente pela língua e pelo assoalho da boca e 
posteriormente pela entrada para a orofaringe. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
M a r i a n a M o n t e i r o – A T M 2 4 / 1 – P á g i n a | 2 
 
Cada uma das três glândulas salivares maiores são estruturas emparelhadas; elas incluem as seguintes: 
• Glândula parótida - a maior das 
três glândulas, localizada na região 
infratemporal da cabeça. Seu 
ducto excretor, o ducto parotídio 
(de Stensen), abre-se na papila 
parotídia, uma pequena elevação 
na superfície mucosa da bochecha 
em oposição ao dente segundo 
molar superior. 
• Glândula submandibular -
localizada no triângulo 
submandibular do pescoço. Seu 
ducto excretor, o ducto 
submandibular (de Wharton), 
desemboca como uma pequena proeminência carnuda (a carúncula sublingual) de cada lado do frênulo 
lingual, no assoalho da cavidade oral. 
• Glândula sublingual - situada inferiormente à língua, nas pregas sublinguais no assoalho da cavidade oral. 
Ela tem vários pequenos ductos excretores; alguns desembocam no ducto submandibular, e outros 
desembocam individualmente na cavidade oral. 
As glândulas parótida e submandibular têm ductos relativamente longos e se estendem da porção secretora 
da glândula até a cavidade oral. Os ductos sublinguais são relativamente curtos. 
 
As glândulas salivares menores estão localizadas na submucosa da cavidade oral. Elas desembocam 
diretamente na cavidade por meio de ductos curtos e são designadas por sua localização (i. e., bucais, labiais, 
linguais e palatinas). 
As tonsilas consistem em agregações de nódulos linfáticos 
que se agrupam ao redor da abertura posterior das cavidades oral 
e nasal. 
O tecido linfático é organizado em um anel tonsilar (de 
Waldeyer) de proteção imunológica localizado na entrada 
compartilhada entre os tratos digestivo e respiratório. Esse 
tecido circunda o orifício posterior das cavidades oral e nasal e 
contém agregados de nódulos linfáticos que incluem os seguintes: 
• Tonsilas palatinas, ou simplesmente tonsilas, - que estão localizadas em cada um dos lados da entrada da 
orofaringe entre os arcos palatofaríngeo e palatoglosso. 
M a r i a n a M o n t e i r o – A T M 2 4 / 1 – P á g i n a | 3 
 
• Tonsilas tubárias - que estão localizadas nas paredes laterais da nasofaringe, posteriormente à abertura 
da tuba auditiva. 
• Tonsila faríngea, ou adenoide, - que está localizada perto da nasofaringe. 
• Tonsila lingual - que está localizada na base da língua em sua superfície superior. 
A cavidade oral é revestida pela mucosa oral que consiste na mucosa mastigatória, em uma mucosa de 
revestimento e em uma mucosa especializada. 
 
A mucosa mastigatória é encontrada sobre a gengiva e o 
palato duro. Ela tem um epitélio estratificado pavimentoso 
queratinizado. A lâmina própria subjacente consiste em uma 
espessa camada papilar e tecido conjuntivo frouxo que contém 
vasos sanguíneos e nervos, alguns dos quais enviam terminações 
axônicas desnudas até o epitélio como receptores sensoriais e 
outros terminam nos corpúsculos de Meissner. Profundamente à 
lâmina própria está uma camada reticular de tecido conjuntivo mais 
denso. Como na pele, a profundidade e o número de papilas de 
tecido conjuntivo contribuem para a relativa imobilidade da mucosa 
mastigatória, protegendo-a com isso do estresse friccional e de cisalhamento. 
A mucosa de revestimento é encontrada nos lábios, nas bochechas, na superfície mucosa alveolar, 
no assoalho da boca, nas superfícies inferiores da língua e no palato mole. Nesses locais, ela reveste o 
músculo estriado (lábios, bochechas e língua), o osso (mucosa alveolar) e as glândulas (palato mole, 
bochechas, superfície inferior da língua). A mucosa de revestimento tem menor quantidade de papilas e 
papilas mais curtas, de modo que ela pode se ajustar ao movimento de seus músculos adjacentes. 
Geralmente, o epitélio da mucosa de revestimento não é queratinizado. O epitélio de revestimento não 
queratinizado é mais grosso que o epitélio queratinizado. 
Uma submucosa distinta localiza-se subjacentemente à mucosa de revestimento, exceto na 
superfície inferior da língua. Essa camada contém grandes faixas de colágeno e de fibras elásticas que ligam 
a mucosa ao músculo subjacente; ela também contém as muitas glândulas salivares menores dos lábios, 
língua e bochechas. Ocasionalmente, as glândulas sebáceas não associadas a um folículo piloso são 
encontradas na submucosa imediatamente laterais ao canto da boca e nas bochechas em oposição aos 
dentes molares. Elas são visíveis a olho nu e são denominadas manchas de Fordyce. A submucosa contém 
os maiores vasos sanguíneos, nervos e vasos linfáticos que suprem as redes neurovasculares subepiteliais 
na lâmina própria por toda a cavidade oral. 
A mucosa especializada está associada à sensação do paladar 
(gustação) e se limita à superfície dorsal da língua. Ela contém 
papilas e botões gustativos responsáveis pela geração da sensação 
química do paladar. 
A mucosa oral forma uma importante barreira protetora 
entre o ambiente externo da cavidade oral e os ambientes internos 
dos tecidos circunvizinhos. 
 
LÍNGUA 
A língua é o órgão muscular que se projeta para dentro da 
cavidade oral a partir de sua superfície inferior. Os músculos linguais 
são tanto extrínsecos (tendo uma fixação fora da língua) como 
intrínsecos (confinados inteiramente à língua, sem fixação 
externa). O músculo estriado da língua é dispostoem feixes e 
geralmente cursa em três planos, cada um deles disposto em ângulos 
retos em relação aos outros dois. Esse arranjo das fibras musculares 
M a r i a n a M o n t e i r o – A T M 2 4 / 1 – P á g i n a | 4 
 
permite uma enorme flexibilidade e precisão aos movimentos da língua, que são essenciais à fala humana, 
bem como em seu papel na digestão e na deglutição. 
A superfície dorsal da base da língua exibe saliências uniformes que refletem a presença da tonsila 
lingual na lâmina própria. 
Macroscopicamente, a superfície dorsal da língua é dividida em dois terços anteriores e um terço 
posterior por uma depressão em forma de V, o sulco terminal. O ápice do V aponta posteriormente e é a 
localização do forame cego, o remanescente do ponto a partir do qual houve uma evaginação do assoalho 
da faringe embrionária para formar a glândula tireoide. 
As papilas cobrem a superfície dorsal da língua. Numerosas irregularidades e elevações mucosas, 
denominadas papilas linguais, cobrem a superfície dorsal da língua anteriormente ao sulco terminal. As 
papilas linguais e seus botões gustativos associados constituem a mucosa especializada da cavidade oral. 
Quatro tipos de papilas são descritos: filiformes, fungiformes, circunvaladas e foliáceas. 
• As papilas filiformes (linguais) são as menores e mais numerosas nos seres humanos. Elas são projeções 
alongadas e cônicas do tecido conjuntivo e são revestidas por epitélio estratificado pavimentoso altamente 
queratinizado. Esse epitélio não contém botões gustativos. A papila tem apenas um papel mecânico. As 
papilas filiformes são distribuídas sobre toda a superfície dorsal da língua, com as suas extremidades 
apontando para trás. Elas parecem formar fileiras que divergem para a esquerda e para a direita, a partir da 
linha média, e que cursam em paralelo com os braços do sulco terminal. 
• As papilas fungiformes, como o nome implica, são projeções em formato de cogumelo localizadas na 
superfície dorsal da língua. Elas se projetam acima das papilas filiformes, entre as quais estão dispersas, e 
são visíveis a olho nu apenas como pequenas manchas. Elas tendem a ser mais numerosas próximo da ponta 
da língua. Os botões gustativos estão presentes no epitélio estratificado pavimentoso da superfície dorsal 
dessas papilas. 
M a r i a n a M o n t e i r o – A T M 2 4 / 1 – P á g i n a | 5 
 
• As papilas circunvaladas são estruturas grandes em forma de cúpula que residem na mucosa 
imediatamente anterior ao sulco terminal. A língua humana tem 8 a 12 dessas papilas. Cada papila é 
circundada por uma invaginação (sulco lateral) semelhante a um fosso revestida por epitélio estratificado 
pavimentoso que contém numerosos botões gustativos. Os ductos das glândulas salivares linguais (de von 
Ebner) esvaziam sua secreção serosa na base dos fossos. Essa secreção, presumivelmente, joga para fora o 
material do fosso para possibilitar que os botões gustativos respondam rapidamente a estímulos que se 
alteram. 
• As papilas foliáceas consistem em cristas baixas paralelas separadas por fendas mucosas profundas, que 
são alinhadas em ângulos retos com o eixo longo da língua. Elas estão presentes na borda lateral da língua. 
Em indivíduos idosos, as papilas foliáceas podem não ser reconhecidas; em indivíduos mais jovens, elas são 
facilmente encontradas na superfície lateral posterior da língua e contêm muitos botões gustativos no 
epitélio das paredes que se defrontam com as papilas vizinhas. Pequenas glândulas serosas desembocam 
dentro das fendas. 
BOTÕES GUSTATIVOS 
Os botões gustativos estão presentes nas 
papilas fungiformes, foliáceas e circunvaladas. Nos 
cortes histológicos, os botões gustativos aparecem 
como corpúsculos ovais de coloração pálida que se 
estendem através da espessura do epitélio. Uma 
pequena abertura na superfície epitelial, no ápice do 
botão gustativo, é denominada poro gustativo. 
São encontrados três tipos principais de células 
nas papilas gustativas: 
• As células neuroepiteliais (sensoriais), que são as 
células mais numerosas do botão gustativo. Essas 
células alongadas estendem-se da lâmina basal do 
epitélio até o poro gustativo, através da qual a 
M a r i a n a M o n t e i r o – A T M 2 4 / 1 – P á g i n a | 6 
 
superfície apical afunilada de cada célula estende 
microvilosidades. Próximo da sua superfície apical, elas são 
conectadas às células neuroepiteliais e de sustentação 
vizinhas por zônulas de oclusão. Na sua base, elas formam uma 
sinapse com os prolongamentos dos neurônios sensoriais 
aferentes dos nervos facial (nervo craniano VII), glossofaríngeo 
(nervo craniano IX) ou vago (nervo craniano X). O período de 
renovação das células neuroepiteliais é de cerca de 10 dias. 
• As células de sustentação são menos numerosas. Elas 
também são células alongadas que se estendem da lâmina 
basal até o poro gustativo. Assim como as células 
neuroepiteliais, elas contêm microvilosidades em sua 
superfície apical e possuem zônulas de oclusão, porém não 
fazem sinapse com outras células nervosas. O período de 
renovação das células de sustentação também é de cerca de 10 
dias. 
• As células basais são pequenas células localizadas na porção 
basal do botão gustativo, próximo da lâmina basal. Elas são as células-tronco para os dois outros tipos 
celulares. 
O paladar é uma sensação química na qual várias substâncias químicas desencadeiam o estímulo a 
partir das células neuroepiteliais dos botões gustativos. 
O paladar é caracterizado como uma sensação química na qual vários aperientes* (substâncias 
estimuladoras do paladar) contidos nas comidas ou nas bebidas interagem com os receptores do paladar 
localizados na superfície apical das células neuroepiteliais. Essas células reagem a cinco estímulos básicos: 
doce, salgado, amargo, azedo e umami [do japonês, delicioso]. A ação molecular das substâncias 
estimuladoras do paladar pode envolver a abertura e a passagem através de canais iônicos (i. e., salgado e 
azedo), o fechamento dos canais iônicos (azedo) ou ação sobre receptores específicos ao paladar acoplados 
à proteína G (i. e., amargo, doce e umami). 
A estimulação dos receptores do sabor amargo, doce e umami ativa receptores do paladar acoplados 
à proteína G que pertencem às famílias dos receptores quimiossensoriais T1R e T2R. 
Os estímulos amargo, doce e umami são detectados por várias proteínas receptoras codificadas por 
dois genes de receptores do paladar (T1R e T2R). Seus produtos são todos caracterizados como sendo 
receptores do paladar 
acoplados à proteína G. 
• O sabor amargo é 
detectado por cerca de 30 
tipos diferentes de 
receptores 
quimiossensoriais T2R. 
Cada receptor representa 
uma única proteína 
transmembrana 
acoplada a sua própria 
proteína G. Após a 
ativação do receptor pela 
substância estimuladora 
do paladar, a proteína G 
estimula a enzima 
fosfolipase C, resultando 
em produção intracelular aumentada de 1,4,5trifosfato de inositol (IP3), uma molécula de segundo 
M a r i a n a M o n t e i r o – A T M 2 4 / 1 – P á g i n a | 7 
 
mensageiro. O IP3 por sua vez ativa os canais de Na+ específicos do paladar, causando o influxo de íons de 
Na+ e com isso despolarizando a célula neuroepitelial. A despolarização da membrana plasmática faz com 
que os canais de Ca2+ controlados por voltagem nas células epiteliais se abram. O aumento da 
concentração dos níveis intracelulares de Ca2+, seja pelo influxo de Ca2+ extracelular para dentro da célula 
(o efeito da despolarização) ou por sua liberação a partir de reservas intracelulares (estimulação direta pelo 
IP3), resulta na liberação de moléculas de neurotransmissores que geram impulsos nervosos ao longo da 
fibra nervosa aferente gustativa. 
• Os receptores do sabor doce também são receptores acoplados à proteína G. Em contraste com os 
receptoresdo sabor amargo, eles têm duas subunidades proteicas, T1R2 e T1R3. As substâncias 
estimuladoras (aperientes) do sabor doce ligadas a esses receptores ativam a mesma cascata de reações do 
sistema de segundo mensageiro do sabor amargo. 
• O sabor umami está ligado a certos aminoácidos (p. ex., Lglutamato, aspartato e compostos relacionados) 
e é comum nos aspargos, tomate, queijo e carne. Os receptores do sabor umami são muito similares aos 
receptores do sabor doce; eles também são compreendidos de duas subunidades. Uma subunidade, a T1R3, 
é idêntica à do receptor do sabor doce, porém a segunda subunidade formada pela proteína T1R1 é única 
para os receptores do sabor umami. O processo de transdução é idêntico àquele descrito anteriormente 
para as vias do sabor amargo. 
 
INVERVAÇÃO 
O complexo suprimento nervoso da língua é fornecido pelos nervos cranianos e pelo sistema nervoso 
autônomo. 
• A sensibilidade geral para os dois terços da língua (anteriores ao sulco terminal) é transmitida na divisão 
mandibular do nervo trigêmeo (nervo craniano V). A sensibilidade geral para o terço posterior da língua é 
transportada no nervo glossofaríngeo (nervo craniano IX) e pelo nervo vago (nervo craniano X). 
• A sensação do paladar é transportada pela corda timpânica, um ramo do nervo facial (nervo craniano VII) 
localizado anteriormente ao sulco terminal, e pelo nervo glossofaríngeo (nervo craniano IX) e pelo nervo 
vago (nervo craniano X) posterior ao sulco. 
• A inervação motora para a musculatura da língua é suprida pelo nervo hipoglosso (nervo craniano XII). 
• A inervação vascular e glandular é fornecida pelos nervos simpáticos e parassimpáticos. Eles suprem os 
vasos sanguíneos e pequenas glândulas salivares da língua. As células ganglionares frequentemente são 
encontradas dentro da língua. Essas células pertencem aos neurônios parassimpáticos pós-sinápticos e são 
destinadas às glândulas salivares menores dentro da língua. Os corpos celulares simpáticos pós-sinápticos 
são localizados no gânglio cervical superior. 
 
DENTES 
 
Os dentes são o principal componente da cavidade oral e são essenciais para o início do processo digestivo. 
Os dentes são incrustados e fixados nos processos alveolares da maxila e da mandíbula. As crianças têm 
10 dentes decíduos (primários ou de leite) em cada mandíbula, de cada lado, que consistem em: 
M a r i a n a M o n t e i r o – A T M 2 4 / 1 – P á g i n a | 8 
 
• Um incisivo medial (central), o 
primeiro dente a irromper 
(geralmente na mandíbula). 
• Um incisivo lateral. 
• Um dente canino. 
• Dois dentes molares. 
Durante um período de anos, que 
geralmente começa por volta dos 6 
anos e termina por volta de 12 a 13 
anos, os dentes decíduos são 
gradualmente substituídos por 16 
dentes permanentes (secundários) 
em cada mandíbula. Cada lado da 
maxila e da mandíbula consiste no 
seguinte: 
• Um incisivo medial (central). 
• Um incisivo lateral. 
• Um dente canino. 
• Dois dentes pré-molares. 
• Três dentes molares. 
Os dentes são constituídos de três 
tecidos especializados: 
• O esmalte, uma camada 
transparente, fina e dura de tecido 
acelular, produzido pelos 
ameloblastos, mineralizado que 
cobre a coroa do dente. O esmalte 
é a substância mais dura no corpo; 
ele consiste em 96 a 98% de 
hidroxiapatita sob a forma de 
cristais de cálcio. É um material 
mineralizado derivado do epitélio. 
A camada de esmalte termina no 
colo ou cerne do dente na junção 
cementoesmalte. 
 
• A dentina, o tecido dentário mais abundante; ela se situa 
profundamente ao esmalte na coroa e ao cemento na raiz. Sua 
estrutura tubular e composição bioquímica ímpares suportam 
o esmalte e o cemento mais rígidos e estão suprajacentes à 
superfície do dente. A dentina é um material calcificado que 
forma a maior parte da substância do dente. A dentina é 
secretada pelos odontoblastos que formam uma camada 
epitelial sobre a superfície interna da dentina, isto é, a 
superfície que está em contato com a polpa. Assim como os 
ameloblastos, os odontoblastos são células colunares que 
contêm um RER bem desenvolvido, um grande aparelho de 
Golgi e outras organelas associadas à síntese e secreção de 
grandes quantidades de proteína. 
M a r i a n a M o n t e i r o – A T M 2 4 / 1 – P á g i n a | 9 
 
• O cemento, uma camada de osso fina e amarelo-clara como tecido calcificado revestindo a dentina da 
raiz do dente. O cemento é mais mole e mais permeável do que a dentina e é facilmente removido por 
abrasão quando a superfície da raiz é exposta ao ambiente oral. O cemento reveste a raiz do dente. A raiz 
é a parte do dente que se encaixa dentro de seus alvéolos, ou soquetes, na maxila ou mandíbula. O cemento 
é uma fina camada de material semelhante a osso que é secretado pelos cementócitos, células que se 
assemelham intimamente aos osteócitos. Assim como o osso, o cemento é 65% mineral. As lacunas e 
canalículos no cemento contêm os cementócitos e seus prolongamentos, respectivamente. 
Ao contrário do osso, o cemento é avascular. 
Além disso, os canalículos no cemento não formam 
uma rede interconectante. Uma camada de 
cementoblastos (células que se assemelham aos 
osteoblastos da superfície do osso em crescimento) é 
visualizada na superfície externa do cemento, 
adjacente ao ligamento periodontal. 
As fibras de colágeno que se projetam para fora 
da matriz de cemento e se incrustam na matriz óssea 
da parede do soquete formam a maior parte do 
ligamento periodontal. 
Os tecidos de sustentação dos dentes incluem o osso alveolar, os processos alveolares da maxila e 
da mandíbula, os ligamentos periodontais e a gengiva. Os processos alveolares da maxila e da mandíbula 
contêm os soquetes ou alvéolos para as raízes dos dentes. 
O osso alveolar propriamente dito, uma fina camada de osso compacto, forma a parede dos alvéolos 
e é o osso ao qual o ligamento periodontal é fixado. O resto do processo alveolar consiste em osso de 
sustentação. A superfície do osso alveolar propriamente dito geralmente mostra regiões de reabsorção 
óssea e de depósito ósseo, particularmente quando um dente está sendo movido 
O ligamento periodontal é o tecido conjuntivo fibroso que une o dente ao seu osso circunvizinho. 
Tem como funções: fixação do dente, suporte do dente, remodelagem óssea (durante o movimento de um 
dente), propriocepção, irrupção do dente. 
Um corte histológico do ligamento periodontal mostra que ele tem áreas de tecido conjuntivo tanto 
denso quanto frouxo. O tecido conjuntivo denso contém fibras de colágeno e fibroblastos que são 
alongados paralelamente ao eixo longo das fibras de colágeno. Os fibroblastos parecem se mover para a 
frente e para trás, deixando para trás uma trilha de fibras de colágeno. O tecido conjuntivo frouxo no 
ligamento periodontal possui vasos sanguíneos e terminações nervosas. 
 
GLÂNDULAS SALIVARES 
Os ácinos secretores são organizados em lóbulos. 
As glândulas salivares maiores são circundadas por uma cápsula de tecido conjuntivo 
moderadamente denso a partir do qual septos dividem as porções secretoras da glândula em lobos e 
lóbulos. Os septos contêm os maiores vasos sanguíneos e ductos excretores. O tecido conjuntivo associado 
aos grupos de ácinos secretores funde-se imperceptivelmente com o tecido conjuntivo frouxo circundante. 
As glândulas salivares menores não têm cápsula. 
Numerosos linfócitos e plasmócitos (adjacentes aos ácinos) povoam o tecido conjuntivo que 
circunda os ácinos tanto nas glândulas salivares maiores quanto nas menores. 
As células mioepiteliais são células contráteis que abraçam a face basal das células secretoras 
acinosas. As células mioepiteliais são células contráteis com numerosos prolongamentos. Elas se localizam 
entre a membrana plasmática basal das células epiteliais e a lâmina basal do epitélio. As células mioepiteliais 
tambémse localizam subjacentemente às células da porção proximal do sistema ductal. Em ambos os locais, 
as células mioepiteliais são instrumentos na mobilização dos produtos secretores na direção do ducto 
excretor. 
 
M a r i a n a M o n t e i r o – A T M 2 4 / 1 – P á g i n a | 10 
 
DUCTOS SALIVARES 
A luz do ácino salivar é contínua com a do sistema ductal e pode ter até três segmentos sequenciais: 
• Ducto intercalar, que parte do ácino 
• Ducto estriado, assim chamado devido à presença de “estriações”, ou seja, invaginações da membrana 
plasmática basal das células colunares que formam o ducto 
• Ductos excretores, 
que são ductos 
maiores que 
desembocam na 
cavidade oral 
 
Os ductos 
intercalares são 
revestidos por células 
epiteliais cúbicas 
baixas que, 
geralmente, são 
desprovidas de 
quaisquer 
características 
distintas que sugiram 
outra função além da 
de condução. Entretanto, as células dos ductos intercalares possuem atividade de anidrase carbônica. Nas 
glândulas serosas e nas glândulas mistas, elas mostraram: secretar HCO3– no produto acinoso, absorver 
Cl– no produto acinoso. Como notado anteriormente, os ductos intercalares são mais proeminentes 
naquelas glândulas salivares que produzem uma secreção serosa aquosa. Nas glândulas salivares secretoras 
de muco, os ductos intercalares, quando presentes, são curtos e difíceis de se identificar. 
Os ductos estriados são revestidos por um epitélio simples cúbico que, gradualmente, se torna 
colunar à medida que ele se aproxima do ducto excretor. Os ductos estriados são locais de reabsorção de 
Na+ da secreção primária e secreção de K+ e HCO3– na secreção. Mais Na+ é reabsorvido do que K+ é 
secretado, de modo que a secreção se torna hipotônica. Quando a secreção é muito rápida, mais Na+ e 
menos K+ aparecem na saliva final devido a reabsorção e os sistemas de secreção secundária não poderem 
manter a taxa de secreção primária. Portanto, a saliva pode se tornar isotônica a hipertônica. Os ductos 
estriados estão localizados no parênquima das glândulas (eles são ductos intralobulares), porém podem ser 
circundados por pequenas quantidades de tecido conjuntivo no qual vasos e nervos podem estar cursando 
em paralelo com o ducto. 
Os ductos excretores constituem os principais ductos de cada uma das glândulas maiores. Eles 
acabam se conectando à cavidade oral. 
 
GLÂNDULAS SALIVARES MAIORES 
As glândulas parótidas são completamente serosas. As glândulas parótidas serosas emparelhadas 
são as maiores das glândulas salivares maiores. O ducto parotídeo segue seu trajeto a partir da glândula, 
abaixo e em frente à orelha, para entrar na cavidade oral no lado oposto do segundo dente molar superior. 
As unidades secretoras na parótida são serosas e circundam numerosos ductos intercalares longos e 
estreitos. Os ductos estriados são grandes e evidentes. O nervo facial (nervo craniano VII) atravessa a 
glândula parótida. 
As glândulas submandibulares são glândulas mistas que são principalmente serosas nos seres 
humanos. As glândulas submandibulares mistas, grandes e emparelhadas estão localizadas sob cada um dos 
lados do assoalho da boca, próximo da mandíbula. Um ducto parte de cada uma das duas glândulas para a 
frente e medialmente a uma papila localizada no assoalho da boca imediatamente lateral ao freio da língua. 
M a r i a n a M o n t e i r o – A T M 2 4 / 1 – P á g i n a | 11 
 
Alguns ácinos mucosos cobertos por meias-luas serosas geralmente são encontrados entre os ácinos serosos 
predominantes. Os ductos intercalares são menos extensos que na glândula parótida. 
As pequenas glândulas sublinguais são glândulas mistas que são principalmente secretoras de 
muco nos seres humanos. As glândulas sublinguais, as menores glândulas salivares maiores emparelhadas, 
estão localizadas no assoalho da boca, anteriormente às glândulas submandibulares. Seus múltiplos ductos 
sublinguais pequenos desembocam no ducto submandibular, bem como diretamente no assoalho da boca. 
Alguns dos ácinos mucosos predominantes exibem meias-luas serosas, porém ácinos puramente serosos 
raramente estão presentes. Os ductos intercalares e os ductos estriados são curtos, difíceis de localizar ou 
algumas vezes ausentes. As unidades secretoras mucosas podem ser mais tubulares do que puramente 
acinosas. 
A saliva inclui as secreções combinadas de todas as glândulas salivares maiores e menores. A saliva 
desempenha funções tanto protetoras quanto digestivas. As glândulas salivares produzem cerca de 1.200 
ml de saliva por dia. A saliva tem numerosas funções relacionadas a atividades metabólicas e não 
metabólicas, incluindo as seguintes: umedecimento da mucosa oral, umedecimento de alimentos secos 
para auxiliar a deglutição, fornecimento de um meio para materiais alimentícios dissolvidos e em suspensão 
que estimulam quimicamente os botões gustativos, tamponamento do conteúdo da cavidade oral, devido 
a sua elevada concentração de íons de bicarbonato. 
A saliva é uma fonte de íons de cálcio e fosfato essencial para o desenvolvimento e manutenção 
normais do dente. O cálcio e o fosfato são essenciais na saliva para a mineralização dos dentes recém-
irrompidos e para o reparo de lesões precárias do esmalte nos dentes irrompidos. Além disso, a saliva serve 
a diversas outras funções na proteção dos dentes. A saliva contém anticorpos, a imunoglobulina A (IgA) 
salivar. A IgA é sintetizada pelos plasmócitos no tecido conjuntivo que circunda os ácinos secretores das 
glândulas salivares. 
A saliva contém, principalmente, água, proteínas e glicoproteínas (enzimas e anticorpos) e 
eletrólitos. A lisozima e a alfa-amilase (digestão de carboidratos) são as principais enzimas presentes. A 
saliva também é responsável pelo controle da flora bacteriana. 
 
M a r i a n a M o n t e i r o – A T M 2 4 / 1 – P á g i n a | 12 
 
TRATO GASTRO-INTESTINAL 
1. Mucosa, Submucosa, Muscular e Serosa / adventícia. 
 
 
M a r i a n a M o n t e i r o – A T M 2 4 / 1 – P á g i n a | 13 
 
 
ESÔFAGO 
Cerca de 25,0 cm de comprimento. 
A mucosa tem três funções principais: proteção, absorção e secreção. 
A mucosa que reveste o comprimento do esôfago tem um epitélio estratificado pavimentoso não 
queratinizado. A lâmina própria subjacente é semelhante à lâmina própria por todo o trato alimentar; 
tecido linfático difuso está disperso por todo o tubo, e os nódulos linfáticos estão presentes, 
frequentemente em proximidade aos ductos das glândulas mucosas esofágicas. A camada profunda da 
mucosa, a muscular da mucosa, é composta de músculo liso organizado longitudinalmente que começa 
próximo do nível da cartilagem cricoide. Ela é excepcionalmente espessa na porção proximal do esôfago e, 
presumivelmente, funciona como auxiliar na deglutição. 
A submucosa consiste em tecido conjuntivo denso irregular e contém os maiores vasos sanguíneos 
e linfáticos, fibras nervosas e células ganglionares. As fibras nervosas e as células ganglionares constituem 
o plexo submucoso (plexo de Meissner). As glândulas também estão presentes. Além disso, o tecido 
linfático difuso e os nódulos linfáticos estão presentes, principalmente, nas partes superior e inferior do 
esôfago onde as glândulas submucosas são mais prevalentes. 
A muscular externa consiste em duas camadas musculares, uma camada circular interna e uma 
camada longitudinal externa. Ela difere da muscular externa encontrada no resto do trato digestivo uma 
vez que o terço superior é de músculo estriado, uma continuação do músculo da faringe. Os feixes de 
músculo estriado e de músculo liso estão misturados e entremeados na muscular externa do terço médio do 
esôfago; a muscular externa do terço distal consiste apenas em músculo liso, como no restante do trato 
digestivo. Um plexo nervoso, o plexo mioentérico (plexo de Auerbach), estápresente entre as camadas 
M a r i a n a M o n t e i r o – A T M 2 4 / 1 – P á g i n a | 14 
 
musculares externa e interna. Como no plexo submucoso (plexo de Meissner), os nervos e as células 
ganglionares estão presentes aqui. O plexo inerva a muscular externa e produz atividade peristáltica. 
 
ESTÔMAGO 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
O estômago é uma parte expandida do tubo digestivo que se situa sob o diafragma. Ele recebe o 
bolo de alimento macerado do esôfago. A mistura e a digestão parcial do alimento no estômago por suas 
secreções gástricas produzem uma mistura líquida pastosa denominada quimo. O quimo então passa para 
dentro do intestino delgado para uma maior digestão e absorção. 
O estômago é dividido histologicamente em três regiões com base no tipo de glândula que cada uma 
contém. A anatomia macroscópica subdivide o estômago em quatro regiões. A cárdia circunda o orifício 
esofágico; o fundo situa-se em cima do nível de uma linha horizontal traçada através do orifício esofágico 
(cárdico); o corpo situa-se abaixo dessa linha; e a parte pilórica é uma região em formato de funil que leva 
ao piloro, região esfinctérica estreita distal entre o estômago e o duodeno. 
Os histologistas também subdividem o estômago, porém em apenas três regiões. Essas subdivisões 
não são baseadas na localização, mas sim nos tipos de glândulas que ocorrem na mucosa gástrica. As regiões 
histológicas são as seguintes: região cárdica (cárdia), a parte próxima do orifício esofágico, que contém as 
glândulas cárdicas, a região pilórica (piloro), a parte proximal ao esfíncter pilórico, que contém as glândulas 
pilóricas e a região fúndica (fundo), a parte maior do estômago, que está situada entre a cárdia e o piloro e 
contém as glândulas gástricas ou fúndicas. 
Na mucosa, as pregas submucosas longitudinais, as rugas, permitem ao estômago se distender 
quando cheio. O exame na superfície interna do estômago vazio revela várias pregas ou cristas longitudinais 
denominadas rugas. Elas são proeminentes nas regiões mais estreitas do estômago, porém mal 
desenvolvidas na porção superior. Quando o estômago está completamente distendido, as rugas, compostas 
de mucosa e submucosa subjacentes, praticamente desaparecem. As rugas não alteram a área de superfície 
total; em vez disso, elas servem para acomodar a expansão e o enchimento do estômago. 
M a r i a n a M o n t e i r o – A T M 2 4 / 1 – P á g i n a | 15 
 
Em maior aumento, numerosas aberturas podem ser observadas na superfície mucosa. Elas são as criptas 
gástricas ou fovéolas gástricas. As glândulas gástricas abrem-se na base das criptas gástricas. 
O epitélio que reveste a superfície e as criptas gástricas do estômago é colunar simples. As células 
colunares são designadas células mucosas da superfície. Cada célula possui uma grande copa apical de 
grânulos de mucinogênio, criando um folheto glandular de células. A copa mucosa ocupa a maior parte do 
volume da célula. 
A secreção mucosa pelas células mucosas da superfície é descrita como muco visível devido a seu 
aspecto turvo. Ele forma uma cobertura gelatinosa viscosa e espessa que adere à superfície epitelial; 
portanto, ele protege contra a abrasão dos componentes mais ásperos do quimo. Além disso, sua 
concentração elevada de bicarbonato e potássio protege o epitélio contra o conteúdo ácido do suco 
gástrico. O bicarbonato que forma o muco alcalino é secretado pelas células superficiais, porém é impedido 
de se misturar rapidamente com o conteúdo da luz gástrica por sua contenção dentro do revestimento 
mucoso. 
Finalmente, as prostaglandinas (PGE2) parecem desempenhar um importante papel na proteção da 
mucosa gástrica. Elas estimulam a secreção de bicarbonatos e aumentam a espessura da camada de muco 
com vasodilatação acompanhada na lâmina própria. Essa ação melhora o suprimento de nutrientes para 
qualquer área danificada da mucosa gástrica, com isso otimizando as condições para o reparo tecidual. 
 
GLÂNDULAS FÚNDICAS 
As glândulas fúndicas produzem o suco gástrico do 
estômago. As glândulas fúndicas, também denominadas 
glândulas gástricas, estão presentes por toda a mucosa 
gástrica exceto em regiões relativamente pequenas 
ocupadas pelas glândulas cárdicas e pilóricas. As glândulas 
fúndicas são glândulas tubulares, ramificadas, simples, que 
se estendem a partir da base das criptas gástricas até a 
muscular da mucosa. Localizado entre a cripta gástrica e a 
glândula abaixo está um curto segmento conhecido como 
istmo. O istmo da glândula fúndica é um local onde se 
encontram células-tronco (nicho de células-tronco) no qual 
essas células se replicam e se diferenciam. As células 
destinadas a se tornar células mucosas de superfície migram 
superiormente nas criptas gástricas até a superfície do 
estômago. Outras células migram inferiormente, mantendo 
a população do epitélio glandular fúndico. 
Tipicamente, várias glândulas abrem-se em uma única 
cripta gástrica. Cada glândula tem um segmento estreito e 
relativamente longo, o colo (células mucosas), e um 
segmento mais curto e mais largo, a base ou fundo. A base 
da glândula geralmente se divide em dois ou, algumas vezes, 
em três ramos que se tornam levemente espiralados próximo 
da muscular da mucosa. As células das glândulas gástricas 
(célula parietal) produzem suco gástrico (cerca de 2 L/dia), 
que contém uma variedade de substâncias. Além da água e 
dos eletrólitos, o suco gástrico contém quatro componentes 
principais: ácido clorídrico (HCl); pepsina, uma enzima 
proteolítica potente. Ela é convertida a partir do 
pepsinogênio produzido pelas células principais 
(zimogênicas); muco; fator intrínseco, uma glicoproteína 
secretada pelas células parietais (oxínticas) que se ligam à vitamina B12. Ele é essencial para sua absorção, 
M a r i a n a M o n t e i r o – A T M 2 4 / 1 – P á g i n a | 16 
 
que ocorre na porção distal do íleo. A ausência do fator intrínseco resulta em anemia perniciosa e em 
deficiência de vitamina B12. 
Além disso, a gastrina e outros hormônios e secreções semelhantes a hormônios são produzidos 
pelas células enteroendócrinas nas glândulas fúndicas e secretados na lâmina própria, onde penetram na 
circulação ou agem em nível local sobre as células epiteliais gástricas. 
 
MUCOSA DO FUNDO E DO CORPO 
Três a sete glândulas tubulares se abrem em cada 
fosseta 
Istmo: células mucosas, células-tronco, células parietais 
(oxínticas) 
Colo: células mucosas do colo, células-tronco, células 
parietais (oxínticas), células enteroendócrinas 
Base: células parietais (oxínticas), células zimogênicas 
(principais). 
 
 
MUCOSA GÁSTRICA 
As células parietais têm três tipos diferentes de receptores de membrana para substâncias que 
ativam a secreção de HCl: receptores de gastrina, receptores de histamina H2 e receptores de acetilcolina 
M3. A ativação do receptor de gastrina pela gastrina um hormônio peptídico gastrintestinal, é a maior via 
para a estimulação da célula parietal. 
 
GLÂNDULAS CÁRDICAS DA MUCOSA GÁSTRICA 
Sua secreção, em combinação com a das glândulas cárdicas esofágicas, contribui para o suco gástrico 
e ajuda a proteger o epitélio esofágico contra o refluxo gástrico. As glândulas são tubulares, um pouco 
tortuosas e ocasionalmente ramificadas. Elas são compostas principalmente de células secretoras de 
muco, com ocasionais células enteroendócrinas entremeadas. 
 
GLÂNDULAS PILÓRICAS DA MUCOSA GÁSTRICA 
Elas são glândulas tubulares espiraladas ramificadas. A luz é relativamente larga, e as células 
secretoras têm aparência semelhante às células mucosas da superfície, sugerindo uma secreção 
relativamente viscosa. 
 
PAREDE GÁSTRICA 
A lâmina própria do estômago é relativamente escassa e restrita a espaços limitados que circundam 
as criptas gástricase as glândulas gástricas. O estroma é composto de grande parte de fibras reticulares com 
fibroblastos associados e células musculares lisas. 
A muscular da mucosa é composta de duas camadas relativamente finas, geralmente dispostas em 
uma camada circular interna e outra camada longitudinal externa. Em algumas regiões, pode estar presente 
uma terceira camada; sua orientação tende a assumir um padrão circular. Essas células musculares lisas na 
lâmina própria parecem ajudar a vazão das secreções das glândulas gástricas. 
A submucosa é composta de um tecido conjuntivo denso contendo quantidades variáveis de tecido 
adiposo e vasos sanguíneos, bem como fibras nervosas de células ganglionares que compõem o plexo 
submucoso (de Meissner). Este último inerva os vasos da submucosa e os músculos lisos da muscular da 
mucosa. 
A muscular externa do estômago é tradicionalmente descrita como consistindo em uma camada 
longitudinal externa, uma camada circular média e uma camada oblíqua interna. O arranjo das camadas 
musculares é funcionalmente importante, uma vez que se relaciona com o seu papel em misturar o quimo 
M a r i a n a M o n t e i r o – A T M 2 4 / 1 – P á g i n a | 17 
 
durante o processo digestivo bem como com sua capacidade de forçar o conteúdo parcialmente digerido 
para dentro do intestino delgado. Grupos de células ganglionares e feixes de fibras nervosas não 
mielinizadas estão presentes entre as camadas musculares. Coletivamente, elas representam o plexo 
mioentérico (de Auerbach), que fornece inervação para as camadas musculares. 
A serosa do estômago é como descrito anteriormente para o canal alimentar em geral. Ela é contínua 
com o peritônio parietal da cavidade abdominal através do omento maior e com o peritônio visceral do 
fígado no omento menor. Afora isso, não exibe características especiais.

Mais conteúdos dessa disciplina