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14 - Semiologia Pediátrica

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Arlindo Ugulino Netto ● MEDRESUMOS 2016 ● SEMIOLOGIA 
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SEMIOLOGIA PEDIÁTRICA 
 
 A pediatria pode ser conceituada como a especialidade da medicina que cuida do ser humano durante seu 
período de desenvolvimento: da fecundação à puberdade. Desta forma, a semiologia pediátrica é definida como a 
ciência que estuda os sinais e sintomas que vão constituir as síndromes na infância, com finalidade diagnóstica. 
 Portanto, a semiologia pediátrica é a ferramenta que médico pediatra lança mão para guiá-lo na consulta 
pediátrica. Ela é, basicamente, composta por três partes: 
 Anamnese 
 Exame Físico 
 Exames Complementares 
 
 
ANAMNESE 
 A anmanese do paciente pediátrico deve ser o mais completa e detalhada possível, representando a evolução da 
criança até o momento da consulta. Para isso, é necessário ao pediatra utilizar uma linguagem acessível e demonstrar 
respeito e interesse na história contada pelo paciente. Os seguintes passos caracterizam a anamnese: 
a) Identificação; 
b) Queixa Principal (QP) 
c) História da Moléstia Atual (HMA) 
d) Antecedentes Gineco-obstétricos (AGO) 
e) História Mórbida Pregressa (HMP) 
f) Antecedentes Alimentares (AA) 
g) Desenvolvimento Psico-motor (DPM) 
h) Antecedentes Imunológicos (AI) 
i) História Mórbida Familiar (HMF) 
j) Revisão de sistemas (RS) 
k) Condições e Hábitos de Vida (CHV) 
 
 
Durante a anamnese, o médico deve coletar uma história clínica adequada, preferencialmente com a ajuda do 
responsável legal pela criança. Dessa forma, o médico deve estabelecer os fatos relevantes da anamnese, levantar 
todos os achados clínicos relevantes, confrontar os achados da anamnese para a realização do exame físico, 
identificando os fatos veríditos e dessa forma exclindo excessos e percebendo alterações não relatadas pela mãe ou 
criança. 
 Depois disso, o médico deve formular um diagnóstico hipotético, baseado nos sinais e sintomas coletados e 
comprovados através dp exame físico e, da mesma forma, estabelecer o diagnóstico diferencial com outra entidades 
nosológicas. Com essas medidas, pode-se estabelecer com segurança o plano terapêutico daquele paciente. Caso 
seja necessário, pode-se fazer uma investigação complementar, para tornar o diagnóstico mais claro. 
 
IDENTIFICAÇÃO 
 A identificação possui múltiplos interesses. O primeiro deles é de iniciar o relacionamento com o paciente. Saber 
o nome de uma paciente é indispensável para que se comece um processo de comunicação em nível afetivo. 
 São obrigatórios os seguintes interesses: 
Nome; Data de nascimento; Sexo; Cor; Naturalidade; Procedência; Tipo de residência; Ocupação (estudante?). 
 
QUEIXA PRINCIPAL 
Em poucas palavras, registra-se a queixa principal que levou o paciente a procurar o médico, além do tempo de 
duração do sinal deste sinal. Portanto, a queixa principal registra o motivo pelo qual a família levou a criança ao médico 
e deve ser escrito com as próprias palavras do informante. 
A QP é, em outras palavras, a resposta da seguinte pergunta: “Qual o problema que o (a) trouxe à consulta? 
Há quanto tempo o(a) senhor(a) sente isso?”. A resposta deve ser reescrita pelo médico buscando seguir os 
seguintes pontos: 
 Repetir as expressões utilizadas pelo paciente; 
 Incluir sempre a duração da queixa. 
 
HISTÓRIA MÓRBIDA ATUAL 
É a parte principal da anamnese e costuma ser a chave-mestra para se chegar ao diagnóstico. Tudo que foi dito, 
quando analisamos o método clínico e a anamnese, encontra sua melhor aplicação na feitura da história da doença 
atual (HDA). Esta HDA deve conter as seguintes informações: 
 Início e evolução da doença; 
 Sintomas associados; 
 Medicamentos utilizados (se houve melhora ou não); 
 Escrever em ordem cronológica e linguagem técnica; 
 Intervir e investigar - quando necessário; 
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SEMIOLOGIA 2016 
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HISTÓRIA MÓRBIDA PREGRESSA 
 Neste momento, devemos coletar dados sobre as doenças e internações ocorridas anteriormente: infecções; 
doenças próprias da infância; procedimentos cirúrgicos; alergias; uso de medicamentos; etc. 
 
ANTECEDENTES GINECO-OBSTÉTRICOS 
 Os seguintes pontos devem ser abordados: 
 Estado de saúde da mãe durante a gestação; 
 Idade da mãe; 
 Grupo sanguíneo e Rh; 
 Intercorrências no parto; 
 Se fez pré-natal (número de consultas); 
 Tipo de parto e local; 
 Condições de nascimento. 
 
 
ANTECEDENTES ALIMENTARES 
 É necessário levantar os seguintes questionamentos: 
 Se foi amamentado exclusivo ao seio materno e 
quanto tempo; 
 Idade do desmame e condições; 
 Qualidade e quantidade dos alimentos ofertados; 
 Número de refeições; 
 Pesquisar intolerância ou alergia alimentar. 
 
DESENVOLVIMENTO PSICO-MOTOR 
 Assinalar c/ que idade:-sorriu ,sustentou a cabeça, 
sentou, engatinhou, andou; 
 Quantidade e qualidade do sono; 
 Controle esfíncteres; 
 Sociabilidade; 
 Escolaridade e aproveitamento escolar. 
 
ANTECEDENTES IMUNOLÓGICOS 
 Verificar carteira de vacinas; 
 Verificar sinal de BCG; 
 Obter informações sobre reações vacinais. 
 
HISTÓRIA MÓRBIDA FAMILIAR 
 Pesquisar doenças na família; 
 Idade,sexo e estado de saúde dos irmãos; 
 Idade e estado de saúde dos pais. 
 
REVISÃO DOS SISTEMAS 
 Diurese e aspecto da urina; 
 Hábito intestinal. 
 
CONDIÇÕES DE HÁBITO DE VIDA 
 Condições da habitação:número de cômodos ,banheiro,água encanada,rede de esgoto,luz elétrica; 
 Escolaridade dos pais; 
 Quem mora na casa; 
 Uso de cigarros, álcool e drogas pela criança ou parente. 
 
 
EXAME FÍSICO 
Neste ponto, é pertinente fazer a seguinte observação: o exame físico na criança não segue as regras 
estabelecidas para o exame físico sistemático dos adulto. Geralmente, o médico pediatra deve iniciar o exame pela 
região que esteja mais acessível e/ou que seja menos estressante ou dolorosa para criança, de modo que o paciente 
aceite, com uma maior facilidade, o exame. 
No próprio colo da mãe, por exemplo, o médico pediatra já é capaz de avaliar o padrão respiratório do paciente, 
a presença de deformidades ou abaulamentos, coloração da pele, batimentos de aletas nasais, sinais evidentes de 
síndromes, etc. Só então devemos iniciar alguns procedimentos e técnicas que são desagradáveis (o que inclui: 
oroscopia, otoscopia, exame ocular e inspeção da região inguinal). 
 
OBS
1
: Durante o exame físico, a cooperação da criança é indispensável para que o exame tenha algum valor 
diagnóstico. Crianças estressadas inquietas tornam a avaliação médica dificultosa e incômoda (principalmente para 
mães e acompanhantes). Com isso, algumas medidas simples podem acalmar a criança, tais como: 
 Conquistar amizade da criança: item indispensável para avaliação dessa criança, isso é importante não só para 
a a consulta, mas também porque o vínculo pediátrico com aquela estará presente até os 21 anos. 
 Falar com voz suave; 
 Explicar antes o que vai fazer: 
 Evite dominar a criança; 
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 Iniciar por áreas menos ameaçadoras ou incômodas para a criança; 
 Procedimentos desagradáveis no fim (avisar a criança sobre a realização de exames de sangue e ainda exames 
de imagem) 
 Aquecer mãos e equipamentos; 
 Usar objetos para distração. 
 
OBS
2
: O local do exame físico também é um fator relevante. Como foi dito anteriormente, os consultórios pediátricos 
são salas decoradas de modo que a criança se sinta mais agradável. Para o médico, deve ser um ambiente bem 
iluminado, com temperatura ambiente, tendo espaço e aparelhos adequados para a realização dos exames. Geralmente 
consultórios médicos muito frios podem mascarar algumas patologias e simular outras. Salas muito frias podem 
predispor as crianças a hiportemia e cianose. Por isso, deve-se sempre tentar manter o consultório em uma temperatura 
ambiente. 
 
OBS
3
: Com relação a faixa etária, as consultas
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