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A FUNÇÃO SOCIAL DA FAMÍLIA 
 
Eduardo Bruno Santana Teixeira 
Dirce Bordinhon Lemes 
Geraldo Augusto Alves Rosa 
Michelle Cárita Silva 
Nathália Leão Santos Oliveira 
Wanessa Maria de Lima Neres1 
 
Resumo: O direito tem se levado por uma tendência de prestigiar a família como organismo 
social, como instituição, e como núcleo fundamental da sociedade. Tal tema é importante por 
trata-se da célula primária da sociedade. O objetivo deste trabalho é entender qual a função 
social da família moderna. Para tanto foram traçados os seguintes objetivos específicos: 
definir família, conceituar família, analisar sua origem e importância histórica e identificar a 
importância de sua função social. Consiste este trabalho de uma pesquisa bibliográfica. A 
família atual tem levado em consideração os vínculos afetivos, em detrimento dos sanguíneos. 
Tem-se grande dificuldade de se definir família, que pode ser sintetizada como o conjunto de 
pessoas que descendem de tronco ancestral comum. Faz-se necessário ter uma visão pluralista 
da família, abrigando os mais diversos arranjos familiares, devendo-se buscar a identificação 
do elemento que permita enlaçar no conceito de entidade familiar todos os relacionamentos 
que têm origem em um elo de afetividade, independente de sua conformação. A Constituição 
Federal de 1988 alargou o conceito de família, passando a integrá-lo as relações 
monoparentais e homoafetivas, o que afastou da ideia de família o pressuposto de casamento. 
Sempre se atribuiu à família, ao longo da história, funções variadas, de acordo com a 
evolução que sofreu, a saber, religiosa. Sintetizando-se como organização que servirá de 
matriz para o indivíduo adulto. Conclui-se que a família tem como função social preparar o 
indivíduo, para a vida em comum cumprindo seu papel como cidadão, contribuindo para 
evolução da sociedade. 
Palavras chave: Família. Função social da família. Direito de família. 
 
INTRODUÇÃO 
 
A família sofreu, nas últimas décadas, profundas mudanças de função, natureza, 
composição e, conseqüentemente, de concepção, sobretudo após o advento do Estado social. 
Merecendo cada vez mais atenção do legislador pátrio no sentido de disciplinar suas relações. 
Atualmente a família parte de princípios básicos, de conteúdo mutante: a liberdade, a 
igualdade, a solidariedade e a afetividade. A família patriarcal sofreu mudanças dando origem 
a um novo tipo familiar baseado nas relações de afeto. 
O objetivo deste trabalho é entender qual a função social da família moderna. Para 
tanto foram traçados os seguintes objetivos específicos: definir família, conceituar família, 
 
1 Artigo desenvolvido pelos acadêmicos do 6º período do curso de Direito do ILES ULBRA Itumbiara 
– GO. 
analisar sua origem e importância histórica e identificar a importância de sua função social. 
Consiste este trabalho de uma pesquisa bibliográfica. 
É complicado realizar uma conceituação do que vem a ser família, pois a evolução 
social aliada à Constituição Federal de 1988 criou novas conformações familiares admitindo a 
união estável, as famílias monoparentais e mais recentemente as famílias homoafetivas. 
Atualmente identifica-se família pela presença de um vínculo afetivo, afastando a 
idéia de família da necessidade do casamento. 
Existindo diferentes correntes doutrinárias para definir o que vem a ser família e 
ainda a colocação de cada tipo familiar dentro do ordenamento jurídico, por exemplo, há 
aqueles que entendem a relação homoafetiva como um tipo familiar baseado no afeto e não 
proibido no ordenamento jurídico brasileiro podendo assim gerar os mesmos efeitos jurídicos 
da família. Há, no entanto, aqueles que reconhecem essa relação como um contrato jurídico. 
No ordenamento jurídico brasileiro a Constituição Federal alargou o conceito de 
família, passando a integrá-lo as relações monoparentais: de um pai com os seus filhos. 
Sempre se atribuiu à família, ao longo da história, funções variadas, de acordo 
com a evolução que sofreu, a saber, religiosa, política, econômica e procracional, sendo a 
principal delas a função de unidade da sociedade a célula-mãe. 
Entendendo-se atualmente que a família não tem apenas uma função financeira de 
sustentação do indivíduo, mas de sustentação criação, formação de caráter e preparação para a 
vida social. 
Por fim, conclui-se que a família constitui a base da sociedade contemporânea, 
funcionando como unidade em que todo indivíduo deve estar inserido para formação de seu 
caráter e construção do seu eu social. 
 
FAMÍLIA – CONCEITO 
 
A nova tendência de prestigiar a família como organismo social, como instituição, 
e como núcleo fundamental da sociedade desborda do direito legislado e alcança os 
doutrinadores, tendo mesmo inspirado toda uma corrente que sustenta hoje a sua 
personalidade jurídica. Foi Savatier quem sustentou basicamente a idéia de ser a família 
sujeito de direitos, com autonomia em relação aos seus membros, e consequentemente achar-
se investida da condição de pessoa moral (DINIZ, 2005). 
Vínculos afetivos não são uma prerrogativa da espécie humana. O acasalamento 
sempre existiu entre os seres vivos, seja em decorrência do instinto de perpetuação da espécie, 
seja pela verdadeira aversão que todas as pessoas têm à solidão. Tanto é assim, que se 
considera natural a idéia de que a felicidade só pode ser encontrada a dois, como se existisse 
um setor da felicidade ao qual o sujeito sozinho não tem acesso. Não importa a posição que o 
indivíduo ocupa na família, ou qual a espécie de grupamento familiar a que ele pertence, o 
que importa é pertencer ao seu âmago, é estar naquele idealizado lugar onde é possível 
integrar sentimentos, esperanças, valores e se sentir, por isso, a caminho da realização de seu 
projeto de felicidade (DIAS, 2005). 
Difícil encontrar uma definição de família de forma a dimensionar o que, no 
contexto social dos dias de hoje, se insere nesse conceito. É mais ou menos intuitivo 
identificar família com a noção de casamento, ou seja, um conjunto de pessoas ligadas a um 
casal, unido pelo vínculo do matrimônio. Também vem à mente a imagem da família 
patriarcal, sendo o pai a figura central, na companhia da esposa, e rodeados de filhos, genros, 
noras e netos (DIAS). 
Desta forma, como preceitua Álvaro Villaça Azevedo (1999) há aqueles que 
afirmam a fundamentação da família no sistema poligâmico (um homem e várias mulheres), 
aparecendo outros que, por sua vez, indicam a constituição da família baseada na monogamia 
(um homem e uma mulher). Outrossim, lembra o autor, que há outra teoria que nega 
peremptoriamente a existência da família nos primórdios da humanidade, aventando a tese da 
promiscuidade entre os homens e mulheres, mas: 
Analisando essas teorias, existe muito mais razão para se pensar tenho sido o 
homem, nos primevos, polígamo polígino, convivendo, assim, um homem com 
várias mulheres e prole, sob organização familiar em forma de patriarcado 
poligâmico, para depois ser monogâmico [...] parece-nos clara a idéia que o homem 
mais forte, apossando-se de suas mulheres e prole, formou o primeiro grupo familiar 
patriarcal poligâmico, tendo poderes ilimitados sobre os membros da família. Após 
essa posição inicial, com o crescente reconhecimento dos direitos da mulher, 
predominou a organização familiar sob forma monogâmica. E, depois, de agnática e 
patrilinear a cognática (AZEVEDO, 1999). 
 
No tocante ao termo família, Pereira dispõe: 
Ao conceituar a família, destaque-se a diversificação. Em sentido genérico e 
biológico, considera-se família o conjunto de pessoas que descendem de tronco 
ancestral comum. Ainda neste plano geral, acrescenta-se o cônjuge, aditam-se os 
filhos do cônjuge (enteados), os cônjuges dos filhos (genros e noras), os cônjuges 
dos irmãos e os irmãos docônjuge (cunhados). Na largueza desta noção, os civilistas 
enxergam mais a figura da romana Gens ou da grega Genos do que da família 
propriamente dita (2005). 
 
Etimologicamente é importante saber que tal palavra: 
[...] origina-se, remotamente, do radical dha, que significa pôr, estabelecer, da língua 
ariana, que se transformou, na passagem ao osco, em fam [...] Assim, a palavra 
dhaman, que, em sânscrito, significa casa, com a transformação do dh em f, fez 
nascer, entre os dialetos do Lácio, como é o caso do osco, o vocábulo faama, donde 
surgiu famel (o servo), famelia [...] Da palavra famel derivou famulus, com a criação 
intermediária de famul, forma primitiva ou arcaica de famulus, donde derivou, 
provavelmente, famulia [...] Tudo mostra, pelo visto, que esse radical dha tenha 
dado origem às palavras: domus (casa), no latim, e domos (casa), no grego, radical 
esse que significa unir, construir (AZEVEDO, 1999). 
 
Agora, o que identifica a família não é nem a celebração do casamento nem a 
diferença de sexo do par ou o envolvimento de caráter sexual. O elemento distintivo da 
família, que a coloca sob o manto da juridicidade, é a presença de um vínculo afetivo a unir as 
pessoas com identidade de projetos de vida e propósitos comuns, gerando comprometimento 
mútuo. Cada vez mais, a ideia de família se afasta da estrutura do casamento. A família de 
hoje já não se condiciona aos paradigmas originários, quais sejam, casamento, sexo e 
procriação. O movimento de mulheres, a disseminação dos métodos contraceptivos e os 
resultados da evolução da engenharia genética fizeram com que esse tríplice pressuposto 
deixasse de servir para balizar o conceito de família. Caiu o mito da virgindade e agora sexo - 
até pelas mulheres - se pratica fora e antes do casamento. A concepção não mais decorre 
exclusivamente do contato sexual, e o casamento deixou de ser o único reduto da 
conjugalidade. As relações extramatrimoniais já dispõem de reconhecimento constitucional e 
não se pode deixar de albergar, no âmbito do direito das famílias, as relações homoafetivas, 
apesar de posturas discriminatórias e preconceituosas que, por puro conservadorismo, 
insistem em não lhes emprestar visibilidade (DIAS, 2006). 
Faz-se necessário ter uma visão pluralista da família, abrigando os mais diversos 
arranjos familiares, devendo-se buscar a identificação do elemento que permita enlaçar no 
conceito de entidade familiar todos os relacionamentos que têm origem em um elo de 
afetividade, independente de sua conformação. O desafio dos dias de hoje é achar o toque 
identificador das estruturas interpessoais que permita nominá-las como família (DIAS, 2005). 
O vocábulo família apresenta três acepções: a) restrita; b) ampla; c) amplíssima. 
Em sentido amplíssimo a família envolve o conjunto de pessoas ligadas pelo vínculo de 
consanguinidade, que descendem do mesmo tronco ancestral. Aqui, também, o cônjuge, 
enteados, genros, noras e os cunhados (VIANA, 2001). 
Fundada em bases aparentemente tão frágeis, a família atual passou a ter a proteção 
do Estado, constituindo essa proteção um direito subjetivo público, oponível ao 
próprio Estado e à sociedade. A proteção do Estado à família é, hoje, princípio 
universalmente aceito e adotado nas Constituições da maioria dos países, 
independentemente do sistema político ou ideológico. A Declaração Universal dos 
Direitos do Homem, votada pela ONU em 10 de dezembro de 1948, assegura às 
pessoas humanas o “direito de fundar uma família”, estabelecendo o art. 16.3: 
“A família é o núcleo natural e fundamental da sociedade e tem direito à proteção da 
sociedade e do Estado.” 
Desse dispositivo defluem conclusões evidentes: a) família não é só aquela 
constituída pelo casamento, tendo direito todas as demais entidades familiares 
socialmente constituídas; 1 b) a família não é célula do Estado (domínio da 
política), mas da sociedade civil, não podendo o Estado tratá-la como parte sua; a 
família é concebida como espaço de realização da dignidade das pessoas humanas 
(LÔBO, 2004). 
 
Evidencia-se, pela análise efetuada, ainda que resumida, que a orientação 
imprimida pela Constituição Federal encontra-se no território das conquistas mais 
significativas a respeito do tema, em consonância com o pensamento que se estratifica no 
plano internacional (VIANA, 2001). 
A dignidade da pessoa humana merece destaque, e a busca de uma visão mais 
social da vida é marcante. O individualismo perde terreno (VIANA, 2001). 
 
A FAMÍLIA NO ORDENAMENTO JURÍDICO BRASILEIRO 
 
As constituições brasileiras reproduzem as fases históricas que o país viveu, em 
relação à família, no trânsito do Estado liberal para o Estado social. As Constituições de 1824 
e 1891 são marcadamente liberais e individualistas, não tutelando as relações familiares. Na 
Constituição de 1891 há um único dispositivo (art. 72, § 4º), com o seguinte enunciado: “A 
República só reconhece o casamento civil, cuja celebração será gratuita”. Compreende-se a 
exclusividade do casamento civil, pois os republicanos desejavam concretizar a política de 
secularização da vida privada, mantida sob controle da igreja oficial e do direito canônico 
durante a Colônia e o Império (LÔBO, 2004). 
Com o advento da Constituição Federal de 1988, sobreveio radical mudança nas 
normas que disciplinavam as relações de família, alterando-se o papel atribuído às entidades 
familiares e o conceito de unidade familiar, ampliando-se este último para abranger, além do 
matrimônio, a união estável e a família monoparental (AMIN, 2002). 
A Constituição Federal soube captar as significativas transformações ocorridas na 
sociedade brasileira. O caudal de novos valores refletiu-se expressivamente no tráfico social. 
O Direito, plasmado na norma, foi ficando distante da nova realidade social. Situações pré-
normativas desafiavam a disciplina legal. Exigiam tegumento jurídico. É o que se dava com a 
união estável, por exemplo, que reclamou dos tribunais solução que atendesse ao novo 
quadro, desafogando uma área de turbulência. Doutrina e jurisprudência erigiram suportes 
conceituais; buscaram na noção de sociedade de fato o alicerce para definir esse tipo de 
relação, solucionando os reflexos de ordem patrimonial que se estabeleciam com o fim do 
relacionamento. Evidenciamos esses pontos anteriormente (VIANA, 2001). 
A Constituição Federal de 1988 alargou o conceito de família, passando a integrá-
lo as relações monoparentais: de um pai com os seus filhos. Esse redimensionamento, calcado 
na realidade que se impôs, acabou afastando da ideia de família o pressuposto de casamento. 
Para sua configuração, deixou de ser exigida a necessidade de existência de um par, o que, 
consequentemente, subtrai de sua finalidade a proliferação (DIAS, 2006). 
A Constituição Federal limita-se a dizer que se reconhece como entidade familiar 
a comunidade formada por qualquer dos pais e seus descendentes. Não faz qualquer distinção, 
o que inibe o intérprete. Nesse conceito está inserida qualquer situação em que um adulto seja 
responsável por um ou vários menores. Isso permite concluir que ela pode ser estabelecida 
desde sua origem, ou decorre do fim de uma família constituída pelo casamento. Nesse 
diapasão é possível que ela se estabeleça porque a mãe teve um filho, mas a paternidade não 
foi apurada, ou porque houve adoção, ou resultar da separação judicial ou do divórcio. Nessa 
linha temos a família monoparental formada pelo pai e o filho, ou pela mãe e o filho, sendo 
que nos exemplos há o vínculo biológico, ou decorre de adoção por mulher ou homem 
solteiro. Nada impede que o vínculo biológico que une os membros dessa família, não decorra 
de congresso sexual, mas resulte de procriação artificial. A mãe solteira submete-se à 
inseminação artificial, não sabendo quem seja o doador (VIANA, 2001). 
 
A FUNÇÃO SOCIAL DAFAMÍLIA 
 
A ideia de função social como instrumento procede da própria etimologia do 
termo função. Em latim, a palavra functio derivava do verbo fungor (functus sem, fungi), cujo 
significado remete a cumprir algo, desempenhar um dever ou tarefa, ou seja, cumprir uma 
finalidade, funcionalizar (ALMEIDA, 2007). 
Importante destacar, ainda, que a função social, seja classificada como for, opera 
como instrumento para que o jurista interprete e aplique o Direito segundo valores 
éticos e sociais, dada a função social que o próprio Direito (representado pelo juiz, 
advogado, etc.) deve desempenhar, ao acompanhar as transformações ocorridas no 
seio da sociedade, ainda mais quando se vislumbra que a função social é comando 
determinado pela Constituição Federal. A função social da família constitui, assim, 
via de mão dupla: volta-se para o próprio Estado, destinatário da norma 
constitucional, bem como também o são os pais ou responsáveis pelas crianças e 
filhos no âmbito da família (ALMEIDA, 2007). 
 
Sempre se atribuiu à família, ao longo da história, funções variadas, de acordo 
com a evolução que sofreu, a saber, religiosa, política, econômica e procracional (LÔBO, 
2004). 
Há algum tempo se afirmava, nas antigas aulas de Educação Moral e Cívica, que 
“a família é a célula mater da sociedade”. Apesar de as aulas serem herança do período militar 
ditatorial, a frase ainda serve como luva no atual contexto, até porque o art. 226, caput, da 
Constituição Federal de 1988 dispõe que a família é a base da sociedade, tendo especial 
proteção do Estado (TARTUCE, 2006). 
A função social da família, derivando, portanto, dos princípios fundamentais da 
República, acima de tudo o da dignidade da pessoa humana, “é um parâmetro que eleva 
alguns direitos elencados entre os arts. 226 a 230 à categoria de fundamentais, principalmente 
quando envolvem direitos das crianças e dos adolescentes [...]” (GAMA; GUERRA, 2007). 
As funções religiosa e política praticamente não deixaram traços na família atual, 
mantendo apenas interesse histórico, na medida em que a rígida estrutura hierárquica era 
substituída pela coordenação e pela comunhão de interesses e de vida (LÔBO, 2004). 
Passamos por uma transição na função social da família que englobava diversas 
funções, como a educacional, assistencial, e etc., sendo a finalidade dessa instituição apenas a 
de sobrevivência genética. A Instituição Familiar já não possui essa função diversificada, 
concentrando atualmente apenas as funções biológica e afetiva (SILVA, 2007). 
Assim, as relações familiares devem ser analisadas dentro do contexto social e 
diante das diferenças regionais de cada localidade. Sem dúvida, a socialidade também deve 
ser aplicada aos institutos do Direito de Família, assim como ocorre com outros ramos do 
Direito Civil (TARTUCE, 2006). 
Tendo em vista esses princípios, a família contemporânea já não pode ser 
concebida como um fim em si mesma, como ocorria antes do advento da Constituição de 
1988, que a concebia “como um instituto em prol da própria família [...] porque o legislador 
entendia que aquele modelo fechado [família patriarcal, nuclear] era o único correto” 
(ALVES, 2007). 
Deve, isso sim, funcionar a modo de um instrumento, desempenhando a “função 
de locus de afetividade e da tutela da realização da personalidade das pessoas que as 
integram” (LÔBO, 2002). 
Afinal, as entidades familiares não servem apenas à assistência para fins 
patrimoniais, mas, e principalmente, para dar efetividade à função social da família, qual seja, 
operar como unidade, inicial, ideal e primordial na formação do corpo social. No tocante à 
mútua assistência afetiva da união homoafetiva, já é absolutamente certa a presença do 
elemento volitivo e psíquico idêntico àquele da união heterossexual. Então o questionamento 
não incide sobre o porquê de conferir à união homoafetiva status familiar, mas sobre porque 
de não conferi-lo. 
A função social da família é então de organizar o que servirá de matriz para o 
indivíduo adulto (DUARTE, 1995). Acompanha esta mudança do modelo familiar, uma 
mudança significativa na relação dada entre o público e o privado. A família, agora 
privatizada, valorizando a intimidade, remodela sua morada, culminando em divisão da 
mesma em espaço para visitas (salas e varandas) e o espaço familiar (quartos, cozinha). 
A título de exemplo, a socialidade pode servir para fundamentar o parentesco civil 
decorrente da paternidade socioafetiva. Pode servir também para afastar a discussão 
desnecessária da culpa em alguns processos de separação. Pode servir, ainda, para a admissão 
de outros motivos para a separação-sanção em algumas situações práticas. Isso tudo porque a 
sociedade muda, a família se altera e o Direito deve acompanhar essas transformações 
(TARTUCE, 2006). 
A necessidade de manter a estabilidade da família, que cumpre a sua função 
social, faz com que se atribua um papel secundário à verdade biológica (dias). A função 
procracional, fortemente influenciada pela tradição religiosa, também foi desmentida pelo 
grande número de casais sem filhos, por livre escolha, ou em razão da primazia da vida 
profissional, ou em razão de infertilidade, ou pela nova união da mulher madura. O direito 
contempla essas uniões familiares, para as quais a procriação não é essencial. O 
favorecimento constitucional da adoção fortalece a natureza socioafetiva da família, para a 
qual a procriação não é imprescindível. Nessa direção, encaminha-se a crescente aceitação da 
natureza familiar das uniões homossexuais. 
A jurisprudência, por diversas vezes, reconhece a necessidade de interpretação 
dos institutos privados de acordo com o contexto social (TARTUCE, 2006). 
 Em suma, não reconhecer função social à família e à interpretação do ramo 
jurídico que a estuda é como não reconhecer função social à própria sociedade (TARTUCE, 
2006). 
 
CONCLUSÃO 
 
Do exposto, conclui-se que a família constitui a base da sociedade 
contemporânea, funcionando como unidade em que todo indivíduo deve estar inserido para 
formação de seu caráter e construção do seu eu social. 
Deve se considerar que a família moderna rege-se pelo princípio da afetividade, e 
desta nova conformação surge este novo princípio, da função social. Tais princípios surgem 
de uma mudança na sociedade uma evolução onde se passa a privilegiar as relações 
sentimentais e afetivas, considerando com menor importância as relações consangüíneas. O 
sentimento passa a ser considerado algo mais importante nas relações humanas, por se tornar 
ponto chave do início de qualquer relação familiar, razão pela qual passa-se a admitir novas 
formas de formação familiar como a família monoparental e a homoafetiva. 
Disto, destaca-se que a principal função social da família é o acolhimento do 
indivíduo formando-o como cidadão capaz de representar seu papel na sociedade como filho, 
irmão, trabalhador, estudante, entre outros. A família adquire importância na vida do 
indivíduo a partir de seu nascimento em virtude de seu dever de guarda, criação e educação da 
criança. Posteriormente tem-se uma fase de desenvolvimento, onde se prepara para a vida em 
sociedade estabelecendo relações de afetividade e trabalho. 
Conclui-se, portanto que a família tem sim uma função dentro da sociedade e esta 
é a de formar cidadãos conscientes e aptos para a convivência social, independente de que 
âmbito esteja inserido, se profissional, se na escola, se entre amigos. 
 
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