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ERGONOMIA PROFESSORA Me. Veridianna Cristina Teodoro Ferreira Quando identi� car o ícone QR-CODE, utilize o aplicativo Unicesumar Experience para ter acesso aos conteúdos online. O download do aplicativo está disponível nas plataformas: Acesse o seu livro também disponível na versão digital. Google Play App Store 2 ERGONOMIA NEAD - Núcleo de Educação a Distância Av. Guedner, 1610, Bloco 4 - Jd. Aclimação Cep 87050-900 - Maringá - Paraná - Brasil www.unicesumar.edu.br | 0800 600 6360 C397 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE MARINGÁ. Núcleo de Educação a Distância; FERREIRA, Veridianna Cristina Teodoro. Ergonomia. Veridianna Cristina Teodoro Ferreira Maringá - PR.:Unicesumar, 2019. 176 p. “Graduação em Design - EaD”. 1. Ergonomia. 2. Antropometria. 3. EaD. I. Título. ISBN 978-85-459-1867-7 CDD - 22ª Ed. 620.82 CIP - NBR 12899 - AACR/2 Ficha Catalográica Elaborada pelo Bibliotecário João Vivaldo de Souza - CRB-8 - 6828 Impresso por: DIREÇÃO UNICESUMAR Reitor Wilson de Matos Silva, Vice-Reitor Wilson de Matos Silva Filho, Pró-Reitor Executivo de EAD William Victor Kendrick de Matos Silva, Pró-Reitor de Ensino de EAD Janes Fidélis Tomelin, Presidente da Mantenedora Cláudio Ferdinandi. NEAD - NÚCLEO DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Diretoria Executiva Chrystiano Mincoff, James Prestes, Tiago Stachon, Diretoria de Graduação e Pós-graduação Kátia Coelho, Diretoria de Permanência Leonardo Spaine, Diretoria de Design Educacional Débora Leite, Head de Produção de Conteúdos Celso Luiz Braga de Souza Filho, Head de Curadoria e Inovação Tania Cristiane Yoshie Fukushima, Gerência de Produção de Conteúdo Diogo Ribeiro Garcia, Gerência de Projetos Especiais Daniel Fuverki Hey, Gerência de Processos Acadêmicos Taessa Penha Shiraishi Vieira, Supervisão de Produção de Conteúdo Nádila Toledo. Coordenador(a) de Conteúdo Larissa Siqueira Camargo, Projeto Gráico José Jhonny Coelho, Editoração Arthur Cantareli Silva, Designer Educacional Bárbara Neves, Revisão Textual Meyre Barbosa da Silva, Ilustração Rodrigo Barbosa, Fotos Shutterstock. Em um mundo global e dinâmico, nós trabalhamos com princípios éticos e proissionalismo, não somente para oferecer uma educação de qualidade, mas, acima de tudo, para gerar uma conversão integral das pessoas ao conhecimento. Baseamo- nos em 4 pilares: intelectual, proissional, emocional e espiritual. Iniciamos a Unicesumar em 1990, com dois cursos de graduação e 180 alunos. Hoje, temos mais de 100 mil estudantes espalhados em todo o Brasil: nos quatro campi presenciais (Maringá, Curitiba, Ponta Grossa e Londrina) e em mais de 300 polos EAD no país, com dezenas de cursos de graduação e pós-graduação. Produzimos e revisamos 500 livros e distribuímos mais de 500 mil exemplares por ano. Somos reconhecidos pelo MEC como uma instituição de excelência, com IGC 4 em 7 anos consecutivos. Estamos entre os 10 maiores grupos educacionais do Brasil. A rapidez do mundo moderno exige dos educadores soluções inteligentes para as necessidades de todos. Para continuar relevante, a instituição de educação precisa ter pelo menos três virtudes: inovação, coragem e compromisso com a qualidade. Por isso, desenvolvemos, para os cursos de Engenharia, metodologias ativas, as quais visam reunir o melhor do ensino presencial e a distância. Tudo isso para honrarmos a nossa missão que é promover a educação de qualidade nas diferentes áreas do conhecimento, formando proissionais cidadãos que contribuam para o desenvolvimento de uma sociedade justa e solidária. Vamos juntos! Wilson Matos da Silva Reitor da Unicesumar boas-vindas Prezado(a) Acadêmico(a), bem-vindo(a) à Comunidade do Conhecimento. Essa é a característica principal pela qual a Unicesumar tem sido conhecida pelos nossos alunos, professores e pela nossa sociedade. Porém, é importante destacar aqui que não estamos falando mais daquele conhecimento estático, repetitivo, local e elitizado, mas de um conhecimento dinâmico, renovável em minutos, atemporal, global, democratizado, transformado pelas tecnologias digitais e virtuais. De fato, as tecnologias de informação e comunicação têm nos aproximado cada vez mais de pessoas, lugares, informações, da educação por meio da conectividade via internet, do acesso wireless em diferentes lugares e da mobilidade dos celulares. As redes sociais, os sites, blogs e os tablets aceleraram a informação e a produção do conhecimento, que não reconhece mais fuso horário e atravessa oceanos em segundos. A apropriação dessa nova forma de conhecer transformou-se hoje em um dos principais fatores de agregação de valor, de superação das desigualdades, propagação de trabalho qualiicado e de bem-estar. Logo, como agente social, convido você a saber cada vez mais, a conhecer, entender, selecionar e usar a tecnologia que temos e que está disponível. Da mesma forma que a imprensa de Gutenberg modiicou toda uma cultura e forma de conhecer, as tecnologias atuais e suas novas ferramentas, equipamentos e aplicações estão mudando a nossa cultura e transformando a todos nós. Então, priorizar o conhecimento hoje, por meio da Educação a Distância (EAD), signiica possibilitar o contato com ambientes cativantes, ricos em informações e interatividade. É um processo desaiador, que ao mesmo tempo abrirá as portas para melhores oportunidades. Como já disse Sócrates, “a vida sem desaios não vale a pena ser vivida”. É isso que a EAD da Unicesumar se propõe a fazer. Willian V. K. de Matos Silva Pró-Reitor da Unicesumar EaD Seja bem-vindo(a), caro(a) acadêmico(a)! Você está iniciando um processo de transformação, pois quando investimos em nossa formação, seja ela pessoal ou proissional, nos transformamos e, consequentemente, transformamos também a sociedade na qual estamos inseridos. De que forma o fazemos? Criando oportunidades e/ou estabelecendo mudanças capazes de alcançar um nível de desenvolvimento compatível com os desaios que surgem no mundo contemporâneo. O Centro Universitário Cesumar mediante o Núcleo de Educação a Distância, o(a) acompanhará durante todo este processo, pois conforme Freire (1996): “Os homens se educam juntos, na transformação do mundo”. Os materiais produzidos oferecem linguagem dialógica e encontram-se integrados à proposta pedagógica, contribuindo no processo educacional, complementando sua formação profissional, desenvolvendo competências e habilidades, e aplicando conceitos teóricos em situação de realidade, de maneira a inseri-lo no mercado de trabalho. Ou seja, estes materiais têm como principal objetivo “provocar uma aproximação entre você e o conteúdo”, desta forma possibilita o desenvolvimento da autonomia em busca dos conhecimentos necessários para a sua formação pessoal e proissional. Portanto, nossa distância nesse processo de crescimento e construção do conhecimento deve ser apenas geográica. Utilize os diversos recursos pedagógicos que o Centro Universitário Cesumar lhe possibilita. Ou seja, acesse regularmente o Studeo, que é o seu Ambiente Virtual de Aprendizagem, interaja nos fóruns e enquetes, assista às aulas ao vivo e participe das discussões. Além disso, lembre-se que existe uma equipe de professores e tutores que se encontra disponível para sanar suas dúvidas e auxiliá-lo(a) em seu processo de aprendizagem, possibilitando-lhe trilhar com tranquilidade e segurança sua trajetória acadêmica. boas-vindas Débora do Nascimento Leite Diretoria de Design Educacional Janes Fidélis Tomelin Pró-Reitor de Ensino de EAD Kátia Solange Coelho Diretoria de Graduação e Pós-graduação LeonardoSpaine Diretoria de Permanência autores Me. Veridianna Cristina Teodoro Ferreira Graduada em Design de Moda pelo Instituto Educacional do Estado de São Paulo (2011). Possui Curso de Extensão, na França e Itália, com foco de pesquisa em Design e Criação de produto (2013). Possui Especialização em Moda, Produto e Comunicação pela Univer- sidade Estadual de Londrina (2013). Doutoranda em Design pela Universidade Anhembi Morumbi. Mestre em Design, Arte e Tecnologia pela Universidade Anhembi Morumbi (2016). Experiência nas áreas de Design de Moda, de produto, de interiores e grái co, atuando principalmente nos seguintes temas: desenvolvimento de produto; ergonomia; tecnologia têxtil; projeto; design; meios de produção; modelagem; gestão e metodologia cientíi ca. Ministra cursos de visual Merchandising. Possui pesquisas e publicações nacionais e internacionais com foco em Ergonomia do produto, moda inclusiva, meios de produção na moda e tecnologia têxtil. Experiência como professora acadêmica nos Cursos de graduação em Design de Moda, Design de interiores, Design Grái co, Arquitetura e Engenharia de produção. Link: <http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K8189797J0>. apresentação do material ERGONOMIA Me. Veridianna Cristina Teodoro Ferreira Caro (a) aluno (a), este livro tem como objetivo apresentar e discutir sobre a ergo- nomia, suas áreas de atuação e suas diferentes abordagens. Pretendo fazer isso de forma leve para que você compreenda o que é ergonomia e passe a ter um olhar crítico com relação aos ambientes, produtos e às vestimentas. Ao longo dos capítulos, falaremos da ergonomia em diferentes situações, pois está ligada a todos os produtos ou ambientes que são desenvolvidos para o uso do ser humano, sendo que a principal deinição da ergonomia é adequar o produto/ ambiente ao usuário, ao contrário de permitir que o usuário modiique sua postura para utilizar o produto/ambiente. Baseado nesta constatação, podemos dizer que a ergonomia teve seus primeiros indícios na pré-história, quando os homens das cavernas adaptaram suas armas para sobrevivência. O homem pré-histórico, ao ixar na ponta de uma vara uma lasca de pedra aiada para facilitar a caça de uma forma mais confortável, segura e eicaz, estava inconscientemente, realizando ergonomia. Desta forma, ela surgiu juntamente com a necessidade de sobrevivência do homem primitivo que, sem querer, começou a aplicar seus princípios para facilitar suas tarefas, como caçar, cortar e esmagar. Assim, a preocupação em adaptar o ambiente e/ou construir objetos para facilitar a vida dos indivíduos sempre esteve presente nos seres humanos, até mesmo em tempos remotos. (IIDA, 2005) A ergonomia preza pelo conforto, saúde e bem-estar do indivíduo e, para isso, muitas vezes, utiliza das ferramentas de medições da antropometria para obter o resultado desejado. A antropometria será vista detalhadamente na Unidade I. Começaremos nosso estudo entendendo o que é ergonomia, desde o signii- cado da palavra até suas áreas de atuações, falaremos também sobre a biomecâ- nica, antropometria e suas formas de utilização. Posteriormente, falaremos sobre a ergonomia em diferentes situações, bem como no ambiente de trabalho, no desenvolvimento de produtos, nos projetos de interiores e nos projetos de moda. Para facilitar a compreensão da ergonomia nestas áreas, usaremos alguns estudos de caso que ajudarão a visualizar sua aplicação. Serão apresentados estudos de caso voltados à melhor adequação do ambiente ao uso humano, à compreensão do uso da ergonomia no design de produto, bem como o uso do design universal e, por im, ao uso da tecnologia têxtil aliada à mo- delagem ergonômica com a inalidade de adequar melhor a vestimenta ao corpo. Desta forma, icará mais fácil compreender as diferentes formas de aplicação da ergonomia, sua importância e todos os benefícios de sua aplicação ao usuário. Sejam bem-vindos a esta disciplina e, agora, vamos estudar! sumário UNIDADE I ERGONOMIA: DEFINIÇÃO E ABRANGÊNCIA 14 Dei nição e Surgimento da Ergonomia 16 Abrangência da Ergonomia 21 Aplicação na Vida Diária 30 Aplicação da Antropometria UNIDADE II ERGONOMIA EM AMBIENTE DE TRABALHO 48 Biomecânica Ocupacional 52 Posto de Trabalho, Controles e Manejos 55 Percepção e Processamento de Informação 61 Ergonomia no Dia a Dia UNIDADE III ERGONOMIA DO PRODUTO 76 Adaptação Ergonômica de Produtos 79 Projetos Universais 84 Desenvolvimento de Produto Ergonômico 86 A Importância de Produtos Ergonômicos 88 Estudo de Caso UNIDADE IV ERGONOMIA APLICADA NO AMBIENTE 108 Iluminação e Cores 115 Ruídos e Vibrações 120 Ergonometria 122 Ergonomia e Mobiliário 124 Estudo de Caso UNIDADE V ERGONOMIA NA MODA 144 Aplicação da Antropometria na Moda 147 Ergodesign e a Matéria-Prima Tecnológica 151 Ergonomia na Modelagem 156 Projeto de Moda Universal 162 Percepção do Usuário no Uso da Vestimenta Ergonômica 175 Conclusão geral Professora Me. Veridianna Cristina Teodoro Ferreira Plano de Estudo A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade: • Dei nição e surgimento da Ergonomia • Abrangência da Ergonomia • Aplicação na vida diária • Antropometria • Aplicação da Antropometria Objetivos de Aprendizagem • Apresentar o conceito de Ergonomia, descrevendo seu início intuitivo na pré- história e o seu surgimento cientíi co. • Discutir a abrangência da Ergonomia, suas aplicações gerais e, também, no design de interiores, design de produto e design de moda. Além de diferenciar Ergonomia de concepção, de correção, de conscientização e de participação. • Apresentar a Ergonomia nas atividades domésticas, no ensino, no transporte e em espaços públicos. • Dei nir Antropometria Estática, Dinâmica e Funcional e reconhecer as alterações de medidas ocasionadas por diferenças entre sexos, variações genéticas, inl uências étnicas e climáticas. • Identii car o uso de dados antropométricos e exemplii car o uso da Antropometria no Design de Interiores, Design de produto e Design de Moda. ERGONOMIA: DEFINIÇÃO E ABRANGÊNCIA unidade I INTRODUÇÃO Olá caro (a) aluno(a), seja bem-vindo ao módulo de Ergonomia. Neste primeiro capítulo, compreenderemos o surgimento da Ergonomia, desde a pré-história com o uso intuitivo, passan-do pelo uso consciente, porém nos seus primeiros passos na Revolução Industrial e chegando aos períodos da 1º e 2º Guerra Mundial, com os estudos aprofundados e, posteriormente, sua formalização como ramo de aplicação interdisciplinar da Ciência. Seguiremos em nosso capítulo compreendendo a abrangência da Er- gonomia e suas formas de aplicação para que você compreenda a impor- tância dela na sua área do design e ique mais claro tanto a utilização da Ergonomia como sua importância. Ao longo do texto você encontrará exemplos do uso da Ergonomia e da Antropometria no Design de Moda, no Design de Interiores e no Design de Produto. Isso para que você com- preenda as diversas formas de aplicação, nos diferentes tipos de produtos ou ambientes e o quanto a Ergonomia é importante, tanto na vestimenta, no produto em geral, nos ambientes e sistemas. O uso da Ergonomia na vida diária será relatado, também, pois ela pode ser aplicada na maioria das nossas diversas atividades ao longo do dia, seja em casa, no trabalho, nas ruas seja, até mesmo, no lazer. E quando a Ergonomia está presente, a atividade a ser desenvolvida lui melhor, de- vido aos seus princípios que visam, principalmente, ao conforto, ao bem- -estar, à saúde e à segurança. Para que estes princípios sejam utilizados e aplicados corretamente, compreenderemos, também, a importânciado uso de dados antropomé- tricos e suas formas de aplicações para que o ambiente, o produto ou a vestimenta desenvolvida sejam adequados ao uso humano e não causem desconforto, insegurança ou problemas de saúde e não atrapalhe o indi- víduo a concluir suas inúmeras atividades diárias com prazer, saúde segu- rança e conforto. 14 ERGONOMIA Como já citado na apresentação, a Ergonomia surgiu na pré-história, a partir da necessidade de so- brevivência do homem primitivo. Ele começou a ai ar e modii car alguns detalhes das ferramentas de caça para que tivesse mais segurança e ei cácia durante as caçadas, além disso faziam utensílios de barros para retirar água das nascentes e as levar para seu uso. Na era da produção artesanal, a preocupação em adequar as tarefas às necessidades humanas sempre esteve presente. Entretanto as mudanças signii cativas da ergonomia vieram junto com a revolução indus- trial, que começou na Inglaterra, em meados do sécu- Caro(a) aluno(a), seja bem-vindo(a). Para iniciar nosso aprendizado, começaremos compreendendo o que é a Ergonomia, tanto no signii cado da palavra quanto no seu surgimento. A palavra “ergonomia” deriva do latim cujo signii cados são: ergo = traba- lho e nomos = leis naturais e/ou regras. Desta forma, compreendemos que a Ergonomia se refere às regras do trabalho com relação ao homem e, com o passar dos tempos, estes princípios se estenderam a todos os produtos criados para o uso do ser humano. Sen- do assim, a ergonomia adapta produtos, serviços, ferramentas de trabalhos e ambientes aos usuários. Dei nição e Surgimento da Ergonomia 15 DESIGN lo XVIII. Tal revolução caracterizou-se pela passagem da manufatura à indústria mecânica e com a intro- dução de máquinas fabris que multiplicaram o rendi- mento do trabalho e aumentaram a produção global. Inicialmente, as fábricas eram escuras, sujas, ba- rulhentas e perigosas. As jornadas de trabalho chega- vam a 16 horas por dia, sem férias, com chefes auto- ritários e castigos corporais. A Figura 1 mostra uma fábrica, nos anos de 1912, com crianças trabalhando. Fadiga Industrial, que realizou inúmeras pesquisas referentes à fadiga na indústria, principalmente, nas de minas de carvão. Em 1929, este órgão foi refor- mulado para Instituto de pesquisa para Saúde do Trabalho, desta forma teve seu campo de pesquisa ampliado com desenvolvimento de pesquisa de pos- turas de trabalho, carga manual, treinamento, ilumi- nação, ventilação entre outras (IIDA, 2005). Com a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), os conhecimentos cientíicos e tecnológicos adquiridos foram utilizados, ao máximo, para construir instru- mentos bélicos complexos, como submarinos, tan- ques, radares, sistemas contra incêndio e aviões. Des- ta forma, a ergonomia se fez essencial, pois qualquer erro no manuseio poderia ser fatal, por isso, as pesqui- sas foram redobradas para adaptar os instrumentos bélicos às características e capacidades do operador, com o intuito de melhorar o desempenho do usuário, reduzindo a fadiga e os acidentes (IIDA, 2005). De acordo com os fatos históricos anteriormente relatados, a Ergonomia começou a ser construída a partir de pesquisas para combater os efeitos da re- volução industrial, em busca de um trabalho huma- nizado. Em seguida, foi profundamente pesquisada, nos períodos das Primeira e Segunda Guerra Mun- dial, com intuito de minimizar a fadiga e, com isso, diminuir riscos de acidentes fatais no manuseio de equipamentos bélicos. Porém o termo “ergonomia” teve seu nascimento oicial em 12 de julho de 1949, na Inglaterra, quando cientistas e pesquisadores reu- niram-se e decidiram formalizar a existência deste novo ramo de aplicação interdisciplinar da ciência (IIDA, 2005). E, a partir de sua formalização, a Er- gonomia vem para repensar o trabalho e questionar: Como ter qualidade de vida no trabalho? Figura 1 - Crianças trabalhando em fábrica A partir desses fatos, alguns estudos começaram a ser desenvolvidos no inal do século XIX e no início do século XX, sobre a isiologia do trabalho, gastos energéticos e fadiga, para solucionar problemas de- correntes da industrialização. Durante a Primeira Guerra Mundial (1914- 1917), na Inglaterra, foi criada a Comissão de Saúde dos Trabalhadores na indústria de Munição e, em 1915, isiologistas e psicólogos foram chamados para colaborar com estratégias para aumentar a produção de armamentos. Quando a guerra chegou ao im, passou a se chamar Instituto de Pesquisa da 16 ERGONOMIA A saúde é priorizada na ergonomia quando seu limite é respeitado, evitando estresse, riscos de aci- dente e doenças ocupacionais. A segurança condiz com o respeito às capacidades e limitações do usuá- rio, que contribuem com a redução de erros, aciden- tes, estresse e fadiga. O conforto dá-se pelo resultado das necessidades atendidas junto a um bom plane- jamento. Necessidades estas que têm como foco a adequação do produto/ambiente ao homem de for- ma que respeite seus limites, priorize seu bem-estar e, consequentemente, aumente seu rendimento, seja no trabalho seja nas atividades diárias. Como já vimos, a Ergonomia defende que o produto adapte-se ao homem, e não o contrário, para isso, atua em correção de produtos mal projetados, na concepção de novos produtos, na conscientização de uso e participação do sistema para busca de solu- ções. Os princípios ergonômicos defendem o bem- -estar, o conforto, a saúde, a segurança, a satisfação e a ei ciência do indivíduo. A ei ciência do trabalho e o aumento da produtividade virão como consequ- ência, pois, quando o indivíduo trabalha de forma mais confortável, naturalmente, produzirá mais, pois sua fadiga, se houver, será tardia. Abrangência da Ergonomia 17 DESIGN -prima que será desenvolvida, a vestimenta ou aces- sório, desta forma, proporciona ao usuário a percep- ção de conforto no uso da vestimenta, resultando em melhor desempenho de suas atividades diárias. No caso do Designer de Interiores, a Ergonomia é aplicada no espaço, tanto em busca de conforto tér- mico, visual e auditivo, quanto na disponibilidade dos móveis e aplicações de facilitadores no uso di- ário do ambiente. Isso resulta em facilidade no uso do espaço, seja no l uxo de pessoas, no conforto do lar seja na implantação de soluções ergonômicas em ambientes de trabalho. A contribuição da ergonomia pode ser feita na concepção do produto/ambiente na correção, na conscientização ou até mesmo na participação. A ergonomia de concepção ocorre quando a contri- A ergonomia pode contribuir de diversas ma- neiras para melhorar as condições do usuário. Em alguns casos, para ter melhor aproveitamento, en- volve diversos proi ssionais de diferentes áreas de uma empresa, isso porque a ergonomia pode ser estudada por diversas proi ssões, como médicos do trabalho, engenheiros, enfermeiros, i sioterapeutas, administradores, compradores, designers, entre ou- tros. Cada área apropria-se da ergonomia para aten- der sua necessidade especíi ca, porém sempre den- tro dos mesmos princípios, os de favorecer o usuário e melhorar sua qualidade de vida (IIDA, 2005). Os designers, quando fazem uso da ergonomia, ajudam nessa adaptação de produto/espaço ao usuá- rio, especii camente, o designer de produto pesquisa formas de tornar o produto mais adequado ao uso humano, facilitando aberturas e fechamentos, com- preensão do uso, minimização de força para manu- seio do produto dentre outros detalhes que favore- cem a aceitação do produto. No caso do Designerde Moda, a pesquisa é feita com foco tanto na modelagem quanto na matéria- 18 ERGONOMIA buição se faz durante o projeto de desenvolvimen- to do produto, da máquina, ambiente ou sistema. É uma ótima situação, pois as alternativas poderão ser amplamente examinadas para evitar inadequação durante o uso, porém exige mais conhecimento e ex- periência, pois as decisões são tomadas com base em situações hipotéticas, por não existir o produto, am- biente ou sistema de forma real. Para obter melhor resultado, aconselha-se usar como base situações se- melhantes ou produtos similares. Algumas situações podem ser simuladas no computador, com uso de modelos virtuais (IIDA, 2005). A Ergonomia de Concepção é mais utilizada na criação de postos de trabalho, pois, antes de comprar maquinários e equipamentos para pro- dução, que costumam ter um alto custo, deve-se pensar em todas as possibilidades para que depois não necessite correção do sistema de trabalho, o que, muitas vezes, não é viável pelo alto investi- mento sobre o mesmo sistema. Por isso, neste caso, as correções, quando necessárias, são rea- lizadas, inicialmente, modiicando os elementos parciais do posto de trabalho, como as dimensões, Iluminação, o ruído, a temperatura e a conscien- tização sobre posturas e usos do sistema. Se todas estas possibilidades não resolverem o problema, então, busca-se a correção do sistema por meio de compras de novos maquinários. A imagem a seguir ilustra um projeto de layout com Ergonomia de Concepção, pois avalia as formas de uso do ambiente e aplica os aspectos ergonômi- cos necessários. Figura 2 - Layout de posto de trabalho ergonômico 19 DESIGN A Ergonomia de Correção é aplicada em situações ou produtos já existentes e serve para resolver pro- blemas detectados durante o uso do produto, como: segurança, desconforto, diiculdade de manejo, fadi- ga excessiva, doenças derivadas do uso do produto ou ambiente e quantidade e/ou qualidade de produ- ção (IIDA, 2005). A Ergonomia de Correção é uma das mais uti- lizadas, pois a todo momento designers procuram criar produtos com melhorias, baseando-se nas ina- dequações dos produtos anteriores, por exemplo o celular, que já passou por inúmeras correções com a intenção de se adequar ao uso do indivíduo, faci- litando seu manejo e concentrando várias utilidades em um só produto, como: despertador, agenda, blo- co de notas, acesso fácil à internet etc. As roupas também passam por correções a todo momento, e suas intervenções ergonômicas ocor- rem, geralmente, na modelagem e na escolha da matéria-prima, como os uniformes esportivos, que sempre são modiicados com a intenção de melhorar o desempenho do atleta e favorecer sua saúde. Nos uniformes de basquete, por exemplo, os tecidos fo- ram criados para serem os mais leves possíveis para não atrapalhar nos saltos que os atletas dão para al- cançar a cesta. E para que se torne mais confortável e ainda mais leve, as emendas são coladas com mate- riais especíicos em vez de serem costuradas. Na Ergonomia de Conscientização, procura-se, como o nome sugere, conscientizar o próprio traba- lhador para identiicar e corrigir o problema quando necessário, seja do dia a dia ou de forma emergencial. Os imprevistos podem surgir a qualquer momento, e os operários devem estar preparados para enfrentá-los. É importante conscientizar o operador por meio de cursos, treinamentos e frequentes reciclagens, en- sinando-o, de forma segura, a reconhecer os fatores Figura 3 - A ergonomia no uniforme de basquete 20 ERGONOMIA de risco que podem surgir a qualquer momento no ambiente de trabalho. Ele deve saber exatamente a providência a ser tomada numa situação de emer- gência (IIDA, 2005). Além disso, ensina o colabora- dor a usufruir os benefícios de seu posto de traba- lho com boa postura, uso adequado de mobiliários e equipamentos, auxilia na implantação de pausas e conscientiza da importância delas. A Ergonomia de Conscientização é muito utili- zada por seguranças de trabalho, que conscientizam os operários a manusear a máquina de forma corre- ta, com postura adequada, com atenção e utilizando os equipamentos de segurança corretamente. O segurança do trabalho supervisiona os ope- rários enquanto estão trabalhando para evitar que sofram acidentes por usos inadequados de maqui- nários ou equipamento de segurança e, quando per- cebe algo errado, conscientiza o operário para que faça da forma certa e, assim, preserve sua saúde e sua integridade física. A Ergonomia de Conscientização se vê também em produtos, como o verso das embalagens de ci- garros, que contém os malefícios que o uso contí- nuo daquele produto pode causar ao consumidor. A Figura 4 demonstra a aplicação da Ergonomia de Conscientização em rótulo de embalagem, com o intuito de conscientizar o fumante dos males que o cigarro pode causar. E, por im, a Ergonomia de Participação envol- ve o próprio usuário do sistema na resolução do problema de forma mais ativa, na busca da solução para o problema, seja trabalhador seja consumidor, Figura 4 - Ergonomia de conscientização em produto Fonte: Anvisa (2017, on-line)1. enquanto a Ergonomia de Conscientização procura apenas manter os trabalhadores e usuários informa- dos. Este princípio acredita que o usuário tenha o conhecimento prático, de uso, o que contribui para evitar que detalhes passem despercebidos pelo pro- jetista (IIDA, 2005). 21 DESIGN A ergonomia deve ser aplicada no produto junto as premissas do design, para que resultem em produtos e/ ou espaços adequados ao ser humano. Devemos sempre levar em consideração que o produto será utilizado pelo corpo humano, por isso deve partir de suas medidas e se basear em suas necessidades e ex- pectativas. O projeto ergonômico tem como objetivo facilitar a vida do usuário, deixando-o mais confor- tável, aumentando seu desempenho, diminuindo seu desgaste e, até mesmo, eliminando riscos de danos à saúde com o uso de produto/ambiente mal projetado. Quando aplicamos a ergonomia no projeto, temos que pensar no usuário do produto e levar em consi- deração suas necessidades, dii culdades e limitações, além de pensar sempre em uma forma de facilitar o uso do produto e, consequentemente, isso aumenta- ria o desempenho do usuário enquanto no uso. A ergonomia deveria estar presente a todo momento em nosso dia a dia, pois sua ausên- cia é facilmente percebida, por exemplo quando você acorda depois de ter dormido com um pi- jama apertado, ou em um colchão inapropriado Aplicação na Vida Diária 22 ERGONOMIA ou, até mesmo, com um travesseiro que não estava na altura correta, e, imediatamente, as dores no corpo são percebidas. Isso ocorre também quando o indivíduo levanta da cama de forma incorreta, podendo causar um mal jeito imediato. Posterior- mente, você resolve limpar a casa e, caso não le- vante os objetos pesados com a postura correta, pode desenvolver lesões corporais sentidas ime- diatamente ou após a inalização da tarefa. Ao la- var uma louça numa pia mais baixa ou mais alta que o correto, as dores nas costas são inevitáveis. até sem poder se movimentar, como os seguranças. Ufa, quanta coisa, não? Como essa tal ergonomia é importante, não é? Imagina que difícil essa rotina que relatei? Agora, pense que muita gente passa exatamen- te por todos estes obstáculos que relatei. Imagine que maravilha seria morar em uma casa ergonômica, numa cidade ergonômica e ainda trabalhar numa empresa ergonômica. Muito do stress,da fadiga e das dores no corpo seriam evitadas. E cabe a nós, designers, tentar inserir, ao máximo, a ergonomia em cada projeto que desenvolvemos e em cada adequação que fazemos. Figura 5 - Posições do dia a dia com e sem ergonomia Fonte: RPG Souchard ([2018], on-line)2. A Figura 5 ilustra alguns movimentos do dia a dia que muitas pessoas fazem de maneira completa- mente incorreta, o que pode acarretar problemas fu- turos com posturas, dores, inlamações, entre outras enfermidades causadas por posturas incorretas. que geralmente tem o assento estreito, gerará um descon- forto com o usuário ao lado e, ainda, uma insegurança quando o ônibus frear rapidamente, ou izer uma curva em velocidade por conta da falta de cintos de segurança. Ao chegar em seu ambiente de trabalho, pode ser que se depare com uma cadeira desconfortável, uma mesa baixa, um computador sem apetrechos de apoio que evite doenças de movimentos repetitivos. Ou pode ser que você trabalhe horas seguidas em pé, às vezes, Caso você não costume fazer serviços domésticos, mas trabalhe, ou estude fora, sentirá falta da ergonomia quando sair de casa e andar por calçadas desniveladas e esburacadas. Se for pegar um ônibus, e o ponto não for cor- retamente coberto, irá se mo- lhar caso esteja chovendo, ou, então, sentirá o forte calor do Sol dependendo do horário. Ao perceber uma pessoa de mais idade subindo aqueles altos degraus do ônibus, per- ceberá quão inadequados são e, quando se sentar no ônibus, 23 DESIGN F ig u ra 6 - H o A Antropometria é ferramenta utilizada pela Ergo- nomia, que utiliza pesquisas intensas das medidas dos usuários de diversas formas, desde eretas, em movimento e, até mesmo, em alcances. Como já foi dito, um projeto que será desenvolvido para o uso humano deve se basear nas medidas humanas, além de levar em consideração as formas de usos, necessi- dades, capacidades e limitações. 24 ERGONOMIA O corpo humano, suas formas e proporções têm encantado artistas, ilósofos, arquitetos e teóricos há muito tempo, desde épocas remotas. No século I a.C., o arquiteto romano Vitrúvio estudava as proporções do corpo humano, um século e meio mais tarde estes mesmos estudos foram retomados por Leonardo da Vinci, com o Homem de Vitrúvio. O inglês Gibson e Bonomi re-estudou, em 1957, e nos anos 1960, foi estudado pelo arquiteto Francês Le Corbusier com o tão conhecido Modulador (MARTINS, 2008). que parece óbvio, mas muitos erros acontecem por não considerarem isso. É fundamental essa pesquisa na criação de ambientes, arquiteturas, postos de trabalhos, além de ser importantíssi- ma sua aplicação no desenvolvimento de roupas, calçados, acessórios, artigos para esportes, vesti- mentas para diversas deficiências, entre muitos produtos, como assevera Saltzman (2008). A Antropometria dá-se pelo estudo das medi- das do indivíduo em diferentes situações cujos tipos de medidas dependem do produto ou ambiente a ser desenvolvido. Por exemplo, no caso do desenvolvi- mento de um teclado de computador, deve-se levar em consideração as medidas das mãos e o alcance dos dedos para que o teclado não seja projetado maior que o alcance das mãos, o que causaria des- conforto no uso do objeto. Essas medidas antropométricas devem ser tira- das com muito cuidado e com muita precisão, pois qualquer detalhe pode alterar os dados do estudo. Se pessoas serão medidas com ou sem roupas, com ou sem sapatos, entre outros detalhes que devem ser deinidos antes de começar as medições. Se icar de- terminado que as medidas serão feitas com roupas íntimas, então, todos deverão estar vestidos apenas com roupas íntimas, e assim por diante. Isso torna o estudo mais preciso. Um produto adequado ao corpo deve ser em- basado em medidas antropométricas, se levarmos em consideração que em alguns casos o usuário não permanecerá estático com o produto ao corpo, e se estivermos nos referindo a uma vestimenta, então, não permanecerá imóvel mesmo. Por isso, quando se pretende trabalhar com vestuário, o ideal é co- nhecer as proporções e dimensões do corpo, para que a vestimenta se ajuste ao usuário e se mova de forma confortável. Figura 7 - O Modulor, de Le Corbusier Fonte: Dezeen (2015, on-line)4. As proporções do corpo humano foram estu- dadas em diferentes épocas e com pretensões diversas, por isso, ao criarmos algo para o uso do homem, devemos levar esses estudos em con- sideração para minimização de erros, como o de adequação ao corpo. Desta forma, devemos conhecer o corpo a fim de criar para o corpo, o 25 DESIGN Figura 8 - Estudo de estações de trabalho, imagem do livro he Measure of Man and Woman, de Henry Dreyfuss (1993) Fonte: Simanaitis Says ([2018], on-line)5. Figura 9 - Imagem de estudo contida no livro he Measure of Man and Woman, de Henry Dreyfuss (1993) Fonte: Simanaitis Say ([2018], on-line)6. 26 ERGONOMIA Figura 10 - Imagem de medidas de mãos masculina, feminina e infantil, con- tida no livro he Measure of Man and Woman, de Henry Dreyfuss (1993) Fonte: Anthopometric Data ([2018], on-line)7. 27 DESIGN O designer/projetista deve conhecer a estrutura bá- sica do corpo, os movimentos, a anatomia, as formas e as medidas do corpo, já que o dimensionamento adequado do vestuário é tão importante quanto as sensações de conforto, de segurança, de proteção e a estética do produto. (BOUERI, 2008). Um único estudo antropométrico não é válido para toda a população mundial, pois existem dife- renças étnicas e climáticas que inluenciaram nas medidas do corpo humano. Além disso, há diferen- ciações de medidas entre homens e mulheres além das variações de medidas que ocorrem em um ser humano ao longo de sua vida, há diferenças inques- tionáveis entre uma criança de 5 anos, um adoles- cente de 15, um adulto de 30 e assim por diante. Por isso, é preciso saber para quem estamos desenvol- vendo o produto para nos basearmos nas medidas referentes à etnia do indivíduo, à faixa-etária e ao tipo de uso do produto para nos referirmos ao tipo de medidas estáticas, dinâmicas ou funcionais. Até 1940, a antropometria visava determinar apenas algumas grandezas médias, como o peso e a estatura da população, depois passaram a determi- nar as variações das medidas e os alcances dos mo- vimentos (IIDA, 2005). Os primeiros estudos são datados há muitos anos, mas essas pesquisas foram aplicadas de fato e de forma sistêmica em projetos a partir da década de 1950, por conta do desenvolvimento de métodos para aplicação das medidas corporais em diferentes tipos de projetos. Nesse mesmo período, surgiu, nos Estados Unidos, o escritório de projetos Henry Drey- fuss, que atuou na área de design, elaborando Figura 11 - Imagem do corpo masculino e feminino, contida no livro he Measure of Man and Woman, de Henry Dreyfuss (1993) Fonte: Anthopometric Data ([2018], on-line)7. 28 ERGONOMIA Esses dados podem ser utilizados em todo e qual- quer produto que seja destinado ao uso do homem, podendo ser um mobiliário, um posto de trabalho, objetos de uso e, até mesmo, uma vestimenta. Este estudo de medidas é fundamental em diferentes se- tores, o que prova isso são os inúmeros produtos inadequados que já foram e ainda são exportados para outros países sem considerar as variações de medidas por inluências étnicas e/ou climáticas. Um exemplo de inadequação foram as antigas máquinas locomotivas exportadas pelos ingleses para a Índia. Elas não se adaptavam aos operadores indianos,por desconformidade com as medidas dos locais. Outro exemplo ocorreu durante a guerra do Vietnã quando os soldados vietnamitas com altura média de 160,5 cm tinham muita diiculdade em operar as máquinas bélicas fornecidas pelos norte-a- projetos com dados ergonômicos e antropomé- tricos da população usuária (BOUERI, 2008 apud FERREIRA 2016, p. 37). A princípio, estas medidas eram tiradas de forma manual, mas, atualmente, existem máquinas que es- caneiam o corpo humano e identiicam, detalhada- mente, suas dimensões, facilitando o detalhamento dos dados antropométricos para aplicação em dife- rentes setores, tanto da moda como no projeto de ambientes ou na criação de novos produtos. mericanos, e isso porque foram projetadas para uma altura média de 174,5 cm (IIDA, 2005). Esses exemplos demonstram o risco que um usu- ário corre ao utilizar um produto que não tenha sido projetado de acordo com suas medidas corporais e me- didas de alcances. No entanto, riscos ao usuário exis- tem em diversos produtos, e isso acontece quando não se pesquisa o corpo para criar para o corpo, ou quando não se leva em consideração as medidas da região para a qual se destina determinado produto, aumentando o risco de inadequação do produto ao usuário. Pode-se apontar como exemplo pesquisas de medidas para a população brasileira, que apresen- tam diversos problemas, devido à miscigenação existente, desse modo, há uma variação considerá- vel de medidas, se considerarmos todo o país. Essas diferenças concentram-se nas cinco regiões brasi- leiras, tendo em cada uma variações consideráveis. Desta forma, os estudos que se destinam às medidas corporais ou a modelagens brasileiras devem ser di- vididos pelas regiões, resultando em cinco padrões de medidas. As medidas antropométricas podem ser estáti- cas ou dinâmicas. As estáticas, referem-se às medi- das do corpo parado, sem movimento e são muito utilizadas no processo de alfaiataria. Já as medidas antropométricas dinâmicas são tiradas com o corpo em movimento, assim como as funcionais, porém esta refere-se a movimentos especíicos que serão desenvolvidos com o produto. Essas informações são adequadas para projetar, principalmente, vestu- ários esportivos, pois considera todos os movimen- tos que o atleta produzirá, e, em cada esporte, o tipo de movimento será diferente (BOUERI, 2008). Por exemplo, para desenvolver o uniforme das ginas- tas olímpicas, deve-se considerar todo o movimento do corpo, abertura de pernas, alcances de braços, saltos en- Quando o ponto de contato entre o produto e as pessoas se torna um ponto de fricção, então o design industrial falhou. (Henry Dreyfuss) REFLITA 29 DESIGN levar em consideração o uso dessas medidas dinâmicas no projeto de roupas comuns, sem o apelo esportivo, já que um indivíduo com inúmeras atividades diárias pre- cisa ter liberdade para movimentar-se de forma geral, como: sentar, levantar, agachar, deitar, subir e descer escadas, andar, correr, entre muitos outros movimen- tos comuns presentes no nosso dia a dia, de modo que estes produtos não nos impeçam de fazê-lo de forma confortável ou, até mesmo, de forma rápida e segura, sem causar desgaste, desconforto ou insegurança em pequenos movimentos cotidianos (FERREIRA, 2016). A imagem demonstra o corpo parado em diferen- tes posições para que seja feita a medição antropo- métrica estática e, em seguida, a imagem demonstra os pontos de articulação que devem ser levados em consideração no momento das medidas dinâmicas. Os supermaiôs utilizados pelos nadadores alguns anos atrás foi proibido. As polêmicas começaram na natação mundial, em fevereiro de 2008, quando uma marca de acessórios esportivos da Austrália lançou o supermaiô LZR, produzida em parceria com a Nasa e pa- tenteada em Portugal. A nova roupa auxiliava o luxo de oxigênio no corpo do atleta, que também ganhava nova posição hidrodinâmica e velocidade incrível dentro da água. Com essa medida, uma nova regra surge na natação mundial: “Nenhum nadador será auto- rizado a utilizar ou vestir qualquer máquina ou maiô que possa lhe dar velocidade, resistência ou lutuação extras durante uma competição”, consta no regulamento. Mas não podemos deixar de reconhecer o quanto este produto é inovador e ergonômico, pois ele reconheceu as necessidades e diiculdades do atleta e, a partir disso, com o uso de conhecimentos tec- nológicos, desenvolveu um uniforme inovador, confortável, eicaz, porém polêmico, pois, se apenas alguns utilizassem, sairiam com van- tagem sob os que não utilizassem. Justo, mas que o produto é sensacional, isso é. Fonte: UOL ([2018], on-line)7. SAIBA MAIS 1,5 1,4 1,6 1,8 1,1 2,8 2,9 2,10 1,7 1,9 3,3 3,2 3,1 4,21 4,6 4,5 2,12 5,1 2,13 4,4 4,7 2,1 2,2 2,3 2,4 2,6 2,5 2,111,3 1,2 1,1 3,4 5,2 5,3 4,1 4,3 3,5 Figura 12 - Medição estática Fonte: Brendler (on-line, 2013)8. Figura 13 - Medição dinâmica tre outros. Desta forma, o uni- forme tem que ser elástico, leve, ajustado e com encaixe perfeito ao corpo, para não se movi- mentar durante a performance, e tudo isso sem que impeça sua respiração e transpiração. Se partirmos do princípio de que não são apenas os atle- tas que vivem em movimentos constantes, podemos, então, Adução Abdução Fl ex ão Extensão Extensão Flexão Adução Abdução Fl ex ão Extensão Flexão 30 ERGONOMIA Como os dados antropométricos podem ser extraí- dos de diversos países, deve-se, antes de qualquer coi- sa, certii car-se da origem dos dados. Posteriormente, deve-se verii car alguns fatores que inl uenciam nos resultados das medidas, tais como: etnia, proi ssão, faixa etária, época e condições especiais (IIDA, 2005). A etnia inl uencia nos resultados dos dados, por isso, deve-se ter conhecimento da região que os dados foram retirados e para qual região serão aplicados para que não haja incoerência, devido às diferenças nas proporções corporais. (IIDA, 2005). O homem é a medida de todas as coisas, das coisas que são, enquanto são, das coisas que não são, enquanto não são. (Protágoras de Abdera) REFLITA Aplicação daAplicação da Antropometria A imagem a seguir demonstra as diferenças de pro- porções dos corpos de diferentes etnias. 31 DESIGN A proissão deve ser levada em consideração para que alguns cuidados sejam tomados, com relação à predominância de homens ou mulheres ou, até mes- mo, à faixa etária predominante, que também deve ser considerada por conta das formas corporais que se modiicam, continuamente, com a idade. A época em que os dados antropométricos foram realizados também é importante, pois eles evoluem com o tem- po. E, por im, as condições em que as medidas fo- ram tiradas, se as pessoas estavam com ou sem rou- pas, com ou sem calçados, e assim por diante. Os itens mencionados anteriormente são apenas para adequar os dados antropométricos ao público no qual o produto ou espaço será projetado. Além da adequação às proporções, deve-se, também, deinir se utilizará as medidas dinâmicas ou estáticas, para isso, é preciso ter conhecimento de como o corpo se portará durante o uso do produto, pois, caso o pro- duto exija poucos ou nenhum movimento do cor- po, as medidas utilizadas poderão ser as dinâmicas, como postos de trabalhos de escritórios. Se o produ- to exigir maiores movimentos corporais, a exemplo das vestimentas, então, os dados antropométricos deverão ser os dinâmicos. Ou, então, caso seja ne- cessário, pode-se aplicar a antropometria funcional,na qual se baseia nas medidas associadas à tarefa. Do ponto de vista industrial, visando reduzir custo, o ideal seria fabricar um produto padroniza- do para toda a população, em contrapartida propor- cionaria desconforto e insegurança ao usuário, além disso se tornaria crítico em caso de produtos de uso individual, como vestuário, calçados e equipamento Figura 14 - Diferenças étnicas Fonte: IIDA, 2005. 32 ERGONOMIA de proteção individual. A falta de adaptação pode reduzir a eiciência do produto. Para que isso não aconteça, vejamos os cinco princípios para aplicação de dados antropométricos propostos por Iida (2005). Para a indústria, quanto mais padronizado melhor, pois minimiza o custo. Sendo assim, é mais comum a aplica- ção do primeiro e segundo princípio. Os custos aumen- tam, relativamente, no caso da aplicação do terceiro e quarto princípios, já o quinto é inviável para a indústria, necessitando de mão de obra especializada. Em contra- partida, para a ergonomia, quanto menos padronizado e mais adaptável melhor, pois se entende que os corpos são diferentes e necessitam de cuidados, adequações e ajustes diferentes para que cumpra seus princípios de conforto, saúde, eiciência e prazer no uso. Ao desenvolver um produto ou ambiente, é ne- cessário ter conhecimento do usuário para que se possa utilizar os dados antropométricos e aplicá-los da forma correta, levando em consideração as ne- cessidades dos usuários. 1 4 5 2 3 Primeiro princípio: Quarto princípio: Quinto princípio: Segundo princípio: Terceiro princípio: refere-se aos projetos dimensionados para a média da pop- ulação, neste caso, utiliza-se o percentil de 50%. É mais uti- lizado em produtos de uso coletivo, como o banco do ponto de ônibus. Isso não quer dizer que será ótimo para todos, mas, coletivamente, causará menos incômodo à maioria, por isso, em produtos de uso coletivo, são aplicados os da- dos antropométricos referentes à média da população. refere-se aos projetos que apresentam dimensões reguláveis para se adaptar ao usuário, geralmente, não abrangem o produto como um todo, apenas nas regiões críticas para o desempenho. Um exemplo é o banco do automóvel, que possui regulagem de distân- cia, de altura, de encosto e, às vezes, até de encaixe da coluna. Estes ajustes são necessários para preser- var a segurança, conforto e eiciência do usuário. este último refere-se aos projetos adaptados ao in- divíduo, especiicamente para um indivíduo. Como os aparelhos assistivos de deicientes físicos, aparelhos ortopédicos, roupas feitas sob medida, sapatos or- topédicos que precisem de ajuste por conta de algu- ma deiciência, entre outros. refere-se aos projetos dimensionados para um dos ex- tremos da população, pois, em alguns casos, o uso de dados médios não funciona, por exemplo, em uma saída de emergência, onde 50% da população não conseguiria passar. Assim como, se for construído um painel de con- trole para a média da população, diicultaria o acesso das pessoas mais baixas. Para utilizar este princípio, é necessário saber qual a variável limitante, ou seja, se considerado o painel de con- trole, o limitante é o alcance dos braços. Desta forma, se quisermos englobar 95% da população, a medida do alca- nce dos braços não pode ser maior que o comprimento dos braços de 5% da população. refere-se aos projetos que são para faixas da população, como acontece no caso das roupas, que são fabricadas em tamanhos diferentes como P (pequeno), M (médio), G (grande) etc. Neste caso, atende ao maior número de pes- soas, diminuindo a inadequação. 33 considerações inais Caro(a) aluno(a), espero que tenham compreendido o quão importante é o uso da ergonomia nos projetos de design, independentemente de ser vestimenta, produtos diversos, ambientes comerciais ou residenciais, enim, tudo o que se cria para o uso do homem deve-se ter em mente seu corpo, sua origem, para que seja levado em consideração as diferenças étnicas. A faixa-etária também é importante para que não ocorram inadequações em virtude das diferenças corporais ao longo da vida. Necessidades, possibilidades de uso, facilidades e diiculdades também devem ser consideradas, pois quanto mais informações você tiver do seu usuário, melhor será a adequação do seu produto a ele. Com este primeiro capítulo, foi possível ter conhecimento do que é Ergonomia, quando surgiu, por que foi criada. Falamos sobre a importância dela em todas as áreas do design e o quanto o produto torna-se mais adequado ao uso humano quando se considera o corpo para criar um produto. Foi possível compreender as medidas antropométricas, os tipos existentes e suas formas de aplicação. Por isso, sempre devemos ter total compreensão de quem é o usuário que utilizará nosso produto ou ambiente, precisamos saber de que região ele é, qual sua idade, quais suas diiculdades e quais suas necessidades. Desta forma, buscaremos a tabela de medidas antropométricas adequada para que os usuários do meu produto se sintam confortáveis, tenham suas necessidades su- pridas, além da sensação de conforto durante o uso do produto. Quando as medidas antropométricas não são levadas em consideração, inadequações podem acontecer durante o uso do produto, e essas inadequações podem resultar em desconforto, constrangimento ou, até mesmo, sérios problemas de saúde. Com conhecimento na base da Ergonomia e da Antropometria, seus objetivos, sua abrangência e sua importância, acredito que a compreensão dos próximos capítulos será mais fácil e eicaz. 34 atividades de estudo 1. A adaptação ergonômica de produtos tem uma longa história. A conside- ração de fatores humanos no desenvolvimento de produtos tem sido um dos elementos de sua diferenciação no mercado consumidor. Trata-se de uma forma de adaptar a natureza às necessidades do homem, modiican- do-a e criando meios artiiciais, quando ela não lhe é conveniente. A adaptação de produtos já existentes para inserção de características ergonô- micas enquadra-se em qual tipo de ergonomia? a. Ergonomia de conscientização. b. Ergonomia de correção. c. Ergonomia de participação. d. Ergonomia de concepção. e. Ergonomia espacial. 2. A ergonomia é um conjunto de ciências que visa ao bem-estar e ao conforto do ser humano. Quando a Ergonomia surgiu de forma intuitiva, começou a ser utilizada de forma consciente e quando foi denominada Ergonomia? a. De forma intuitiva, na Pré-história, de uso consciente, em 1949, e denomi- nada nos anos 1970. b. De forma intuitiva, na Revolução Industrial, de uso consciente, em 1949, e denominada nos anos 1970. c. De forma intuitiva, na Pré-história, de uso consciente, na Revolução Indus- trial, e denominada ergonomia em 12 de julho 1949. d. De forma intuitiva, na Pré-história, de uso consciente, na revolução indus- trial, e denominada ergonomia em 1970. e. De forma intuitiva, na Pré-história, de forma consciente, na revolução in- dustrial, e denominada ergonomia também na revolução industrial. 3. Com relação à Antropometria Estática e Dinâmica, analise as airmativas: I. A estática refere-se às medidas tiradas do corpo sem movimentos. II. A medida estática é feita com o corpo em movimento apenas no caso de atletas. III. As medidas dinâmicas são tiradas com o corpo em movimento. IV. As medidas dinâmicas são tiradas apenas no caso de desenvolvimento de uniformes para atletas. 35 atividades de estudo Assinale a alternativa correta: a. Apenas I e II estão corretas. b. Apenas II e III estão corretas. c. Apenas I está correta. d. Apenas II, III e IV estão corretas. e. Nenhuma das alternativas está correta. 4. Com relação à aplicação da Antropometria, assinale verdadeiro(V) ou falso (F) nas seguintes airmações: ( ) Para desenvolvimento de produtos de uso coletivo, o mais apropriado é o uso da média da população para menos inadequação dos usuários. ( ) Em caso de produtos adaptáveis, utiliza-se as medidas antropométricas de um usuário especíico, neste caso, o que utilizará o produto. ( ) Existem os produtos com dimensões reguláveis para se adaptar ao usuário, geralmente, não possuem regulagens no produto como um todo, apenas nas regiões críticas para o desempenho. Abrangem maior parte das pessoas com segurança e eicácia. Assinale a alternativa correta: a. V, V e F. b. F, F e V. c. V, F e V. d. F, F e F. e. V, V e V. 5. A ergonomia deveria estar presente a todo momento em nosso dia a dia, pois sua ausência é facilmente percebida. De que forma a ergonomia pode ser aplicada numa residência com o intuito de facilitar os trabalhos diários? 36 LEITURA COMPLEMENTAR LEVANTAMENTO DE DADOS ANTROPOMÉTRICOS PARA O DIMENSIONAMENTO DE ARMÁRIOS DE GUARDAR ROUPA PARA CADEIRANTES Seleção de variáveis antropométricas Além da seleção dos percentis corretos para o desenvolvimento de um projeto de pro- duto, faz-se necessária a correta seleção das variáveis antropométricas. Na verdade, uma das maiores razões de erro na aplicação de dados antropométricos encontra-se na seleção incorreta da variável pertinente. É frequente a utilização da estatura para dei nir o local de melhor visualização de mostradores, quando o certo seria utilizar a altura do nível dos olhos e, a partir daí, delimitar o campo de visão. Outro erro cometi- do é a seleção da largura de ombros bideltóide, quando o que se quer é dimensionar a largura do apoio lombar. Neste caso, seria melhor, então, a largura do tórax entre as axilas para não atrapalhar a movimentação do usuário. Tal fato explica, parcialmente, porque, até em países onde existe profusão de levanta- mentos, os produtos não são bem dimensionados (MORAES, 1994, p. 37). Moraes (1983, p. 327) lembra que se deve observar a especii cidade do projeto, explicitada a partir da análise da tarefa, pois só dessa forma é que se determinará, em última instância, as va- riáveis que serão necessárias ao dimensionamento da estação de trabalho ou produto. Variáveis antropométricas para dimensionamento de armários para guardar roupa As recomendações para o dimensionamento de armário de guardar roupas para ca- deirantes que aqui apresentamos estão baseadas no referencial teórico levantado, assim como nas referências de Panero (2003) cujas indicações mostraram que o cor- reto dimensionamento de um produto é fundamental para o conforto dos usuários e a prevenção de patologias. Ressaltamos que as recomendações aqui elaboradas ape- nas servem como referência para um primeiro passo ao se dimensionar um armário 37 LEITURA COMPLEMENTAR de guardar roupas. Estes dados são teóricos e devem ser, exaustivamente, testados quanto à validade por meio da elaboração de testes antes da elaboração do produto i nal quando feito sob medida para um único usuário ou encaminhamento dos projetos para linha de produção. Foram levantadas as variáveis antropométricas para dimensio- namento considerando os 5º e 95º percentis, sendo o 5º da mulher e 95º do homem, de forma a atender a 90% da população usuária. Variáveis antropométricas para dimensionamento de armários para guardar roupa Algumas variáveis dimensionais devem ser levadas em consideração, então, dei ne-se a variável dimensional e se aplica o percentil baseado nas medidas dos homens ou das mulheres, de acordo com o que se adequa melhor a maioria uma vez que não se dife- rencia um armário para homens e outro armário para mulheres. Tanto na profundidade do armário como na altura máxima da arara, aplica-se o per- centil 5 da mulher, enquanto na largura da porta aplica-se o percentil de 95 do homem. O ângulo de abertura da porta deve ser de 90º, no mínimo, e, na circulação, aplica-se o percentil de 95 do homem. Na altura máxima do topo de gavetas, altura mínima do fundo de gavetas, altura máxima de prateleiras, altura mínima de prateleiras e altura máxima do armário devem ser aplicadas o percentil de 5 das medidas das mulheres. Com relação ao campo de visão e visualização de objetos no armário, deve se consi- derar o campo visual na postura sentado, sendo aplicado, então, 30º acima da linha padrão e 30º abaixo da linha padrão - 60º total abrangendo, assim, o percentil de 5 para mulheres e de 95 para homens. Conclusão Com base na análise feita até o momento, as pessoas com dei ciência adquiriram gran- des conquistas a partir da década de 1990, tanto no campo de pesquisa como em leis que garante o direito de acessibilidade, identii cando e eliminando as diversas barreiras 38 LEITURA COMPLEMENTAR que impeçam a realização e exerçam as atividades no corpo social, a i m de garantir uma sociedade democrática. Portanto, a antropometria e a ergonomia, sob o vetor do design, trazem estudos de medidas físicas do corpo humano e sua relação com o trabalho, originando resultados que garantam as modii cações nos diversos âmbitos sociais, dando autonomia nos espaços, nos mobiliários e equipamentos urbanos, nas edii cações, nos serviços de transporte e dispositivos, nos sistemas e meios de comu- nicação e informação. Considera-se, para tanto, de modo conclusivo e pautado nos limiares da pesquisa, que a aplicação adequada das práticas projetuais, associadas aos princípios do Design Uni- versal e o emprego de requisitos antropométricos permitirão o desenvolvimento de mobiliário acessível e adaptado à inclusão de todas ou da maioria das pessoas ao uso do mesmo. No estudo aqui proposto, os requisitos antropométricos delimitados deve- rão, exclusivamente, ser aplicados ao projeto de guarda-roupas. No entanto cabe ao designer, partindo do mesmo princípio aqui exposto, estabelecer parâmetros projetu- ais adequados ao uso no que tange à relação homem x tarefa x máquina. Sugere-se como propostas futuras a continuidade da pesquisa no âmbito de estudo de requisitos para outros mobiliários, propor ambiente mobiliado inclusivo bem como o estudo de aplicação dos parâmetros citados à indústria moveleira. Aqui, também se propõe o uso do resultado da pesquisa e da sua continuidade, pautada na produção industrial com valor acessível à maioria. Fonte: adaptado de Mariño, Silveira e Silva (2016). 39 material complementar Ergonomia: Projeto e Produção Itiro Iida e Lia Buarque Editora: Blucher Sinopse: nas últimas décadas, alargou-se a abrangência da ergonomia, com a visão macro ergonômica e com maior respeito a certas minorias populacionais, como as pessoas idosas, obesas e portadoras de dei ciências. Neste volume, fo- ram colocados casos de aplicação ao i nal dos capítulos. Sempre que possível, baseou-se em pesquisas brasileiras ou aquelas com possíveis aproveitamentos em nossas situações de trabalho. A aplicação dos conhecimentos deste livro con- tribuirá para melhorar o desempenho humano no trabalho, reduzindo erros, acidentes, estresses e doenças ocupacionais. Ao mesmo tempo, contribuirá para aumentar o conforto e a ei ciência dos trabalhadores, com evidentes resultados custo/benefício favoráveis. Tempos Modernos Ano: 1936 Sinopse: Tempos Modernos é uma crítica ao modo capitalista de produção. Os operários trabalhavam com cargas horárias extensas, com obrigação de pro- duzir sempre mais em condições subumanas, lugares sujos e máquinas de ma- nuseio perigoso. A luta por melhores salários, melhores condições de trabalho e por uma carga horária menor eram constantes desde a Revolução Industrial. O i lme continua sendo atual, porque mostra um contexto social parecido com nosso dia a dia, como se Chaplin tivesse uma visãodo futuro. O avanço tecnológi- co não atingiu plenamente o objetivo da melhoria da sociedade humana, porque trouxe consequências que o homem não consegue administrar. Comentário: o i lme apresenta os problemas citados no primeiro tópico da unida- de, onde se relata a necessidade da criação de estudos como a Ergonomia. Indicação para Assistir Indicação para Ler 40 material complementar O artigo a seguir relaciona a Ergonomia com o Design de Moda, especiicamente, na modelagem. Acesse: <http://www.coloquiomoda.com.br/anais/Coloquio%20de%20Moda%20-%202006/artigos/107.pdf>. O artigo a seguir relaciona a Ergonomia com o design de Interiores. Acesse: <https://eed.emnuvens.com.br/design/article/view/276>. Indicação para Acessar 41 referências BOUERI, J. J. Sob Medida: antropometria, projeto e modelagem. In: PIRES, D. B.(Org.). Design de Moda: olhares diversos. Barueri-SP: Estação das Letras e Co- res Editora, 2008. IIDA, I. Ergonomia: projeto e produção. 2. ed. São Paulo: Blucher, 2005. MARIÑO, S. M.; SILVEIRA, C. S.; SILVA, R. C. Antropometria aplicada ao de- sign de produtos: um estudo de caso de dimensionamento de armário de guar- dar roupa para cadeirantes. In: CONGRESSO INTERNACIONAL DE ERGO- NOMIA APLICADA, 1., 2016, Recife. Anais... Recife: CONAERG, 2016. p.1-13. Disponível em:< http://pdf.blucher.com.br.s3-sa-east-1.amazonaws.com/engine- eringproceedings/ conaerg2016/7749.pdf>. Acesso em: 14 mar. 2019. MARTINS, S. B. Ergonomia e moda: repensando a Segunda Pele. In: PIRES, D. B. (Org.). Design de Moda: olhares diversos. Barueri-SP: Estação das Letras e Cores Editora, 2008. SALTZMAN, A. O design vivo. In: PIRES, D. B. (Org.). Design de moda olhares diversos. Barueri: Estação das Letras e Cores, 2008. p. 305-318. FERREIRA, V. C. T. Design de moda e tecnologia têxtil: Projetos ergonômicos de Nanni Strada e Issey Miyake. 2016. 76f. Dissertação (Mestrado em Design de Moda), UNIVERSIDADE ANHEMBI MORUMBI, São Paulo, 2016. 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Acesso em: 13 mar. 2019. 8Em: <https://www.maxwell.vrac.puc-rio.br/22408/22408.PDFXXvmi=QZnZlVWe- R65O1tpxpC7e3QFeWAiMpF0gFog1ldfdjk2kOrjf5qt9ianfKH2bn3s3sK4Oxk3i- G6EvzxLEpgOJqdZcU2nj5RmzCroBMrTtxz07xLMZ3BItOIGKK54QWrpzTOa- Gh5aPFbxdWKd0mVucEcxph2getHOow06O5gFLsD0qodqMaWZP9Wgr0wHu- fvTMv0CChhoKUockDD7OB6EL4Ud5sUBJrvvZv8COp1AlqMG5qNT3UzO0u- 35ZxHIqdeqK>. Acesso em: 13 mar. 2019. 43 gabarito 1. Alternativa b - Ergonomia de correção. 2. Alternativa c - De forma intuitiva, na pré-história, de uso cons- ciente na revolução industrial, e denominada Ergonomia em 12 de julho 1949. 3. alternativa a - Apenas I e II estão corretas. 4. Alternativa e - V; V e V. 5. De diversas formas, sempre com o intuito de facilitar a vida do in- divíduo e contribuir para que ele realize suas tarefas com eicácia e conforto. Por exemplo, caso o indivíduo não levante os objetos pesados com a postura correta, pode desenvolver lesões corpo- rais sentidas imediatamente ou após a inalização da tarefa. Ou, então, ao lavar louça numa pia mais baixa que o correto, as dores nas costas são inevitáveis. Professora Me. Veridianna Cristina Teodoro Ferreira ERGONOMIA EM AMBIENTE DE TRABALHO Plano de Estudo A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade: • Biomecânica ocupacional • Posto de trabalho, controles e manejos • Percepção e processamento de informação • Dispositivo da informação • Ergonomia no dia a dia Objetivos de Aprendizagem • Detalhar a postura do corpo no ambiente de trabalho, além de compreender aplicações de forças e examinar levantamento e transporte de cargas. • Detalhar o trabalho estático, dinâmico e os enfoques do posto de trabalho, analisando tarefas e arranjo físico de posto de trabalho. • Explicar sensação e percepção e compreender memória humana e organização da informação. • Apresentar principais tipos de mostradores e alarmes e dei nir ergonomia de sinalização • Apresentar formas de utilização da ergonomia no dia a dia e nas atividades domésticas e cotidianas. unidade II INTRODUÇÃO Olá, caro(a) aluno(a), nesta segunda unidade, compreenderemos como a ergonomia funciona no ambiente de trabalho, tanto a postura do corpo no trabalho como as formas de prevenção para que o trabalho não prejudique a saúde do corpo e da men- te. Para isso, compreenderemos as posturas de trabalho, que podem ser em pé, sentado ou deitado, mas todos têm seus prós e contras que, aqui, serão discutidos. Para cada tipo de tarefa a ser desempenhado, existe uma postura mais adequada. Discutiremos, também, sobre os danos à saúde do indivíduo quando ele desenvolve tarefas, como levantamento e transporte de cargas sem os cuida- dos necessários. O trabalho que o indivíduo desenvolve pode ser estático ou dinâmico, e serão apresentadas as duas formas, além de relatados os seus pon- tos positivos e seus pontos negativos para cada tipo de função. Os postos de trabalhos inadequados provocam estresses musculares, dores e fadiga que, na maioria das vezes, pode ser resolvida com interven- ções ergonômicas simples, como aplicação de dimensões reguláveis nas mesas ou cadeiras, para que o indivíduo se sinta confortável, independen- temente de ele ter 1,60 de altura e 70 kg, ou 1,90 de altura e 110 kg, entre outras variações de pesos e alturas. Muitas vezes, a melhoria do indivíduo no mercado de trabalho dá-se também com a inserção de pausas, quando em trabalhos muito fatigantes. Além dos aspectos físicos do trabalhador e compreensão de como o corpo funciona, precisamos, também, compreender como funciona o cére- bro do ser humano, como ele recebe, processa e interpreta a informação, e isso fazemos por meio da ergonomia cognitiva. Compreenderemos, então, como nosso cérebro funciona com este turbilhão de informações que recebe a todo momento, como processa, percebe, compreende e toma uma decisão. Finalizaremos nossa unidade compreendendo como a ergonomia está presente em nosso dia a dia, em nosso emprego, em nossa casa, em nossas vestimentas e produtos. 48 PROFESSORA ME. VERIDIANNA CRISTINA TEODORO FERREIRAOlá, caro (a) aluno (a), para compreendermos a bio- mecânica ocupacional, precisamos compreender a biomecânica geral que se refere aos movimentos corporais relacionados ao trabalho, logo, a biome- cânica ocupacional refere-se aos movimentos rela- cionados ao trabalho do usuário, com suas especi- i cidades, como ferramentas, máquinas, materiais utilizados etc. Desta forma, a biomecânica visa re- duzir os riscos de lesões músculo esquelético, bem como acidentes de trabalho. Segundo Iida (2005, p. 159) “analisa basicamen- te a questão das posturas corporais no trabalho, a aplicação de forças, bem como as suas conseqüên- cias”. Quando as máquinas, os ambientes ou as ferra- mentas referentes aos postos de trabalho estão ina- dequadas ao corpo do trabalhador, podem ocorrer estresses musculares, dores e fadiga. Para evitar tais complicações, o ambiente deve passar por interven- ções ergonômicas para adequação do posto de tra- balho, isso pode acontecer por meio de adequações Biomecânica Ocupacional 49 DESIGN no layout, inserção de pausas ou, até mesmo, com simples adequações em mesas e cadeiras. O corpo humano é a máquina mais complexa que existe, assemelha- se a um sistema de alavancas movidos pela contração muscular, e estes movimen- tos permitem-nos fazer várias coisas, porém esta má- quina possui diversas limitações e fragilidades que não podem ser ignoradas na projeção de um espaço, produto, vestimenta ou posto de trabalho. Quando as limitações do corpo são ignoradas, aumentam as chances de inadequação, consequentemente, aumen- tam riscos de dores, lesões, acidentes etc. O corpo é como uma máquina e, desta forma, precisa ser aquecido antes de iniciar suas tarefas, pois isto reduz o risco de acidente. Um atleta precisa aquecer antes da competição para manter seu corpo aquecido e minimizar lesões musculares. O primeiro passo para aplicação das interven- ções ergonômicas na biomecânica ocupacional é en- tender, como já dito, que o corpo é como uma má- quina, posteriormente, deve se compreender como esta trabalha, para isso, é preciso diferenciar o traba- lho estático do dinâmico. APLICAÇÃO DE FORÇAS Os movimentos humanos são resultados de contra- ções musculares, sua força depende da quantidade de ibras musculares contraídas. Geralmente, apenas dois terços da forma de um músculo pode ser con- traída de cada vez, mas se nos referirmos aos longos períodos, a contração muscular não deve ultrapas- sar 20% da força máxima. No ambiente de trabalho, as exigências de for- ças devem ser adaptadas às capacidades do usuário e às suas condições operacionais reais. Para cada tipo de trabalho haverá um movimento especíico, uma “No Japão existem empresas que reúnem to- dos os trabalhadores para uma ginástica de aquecimento, antes da jornada de trabalho. Outros instituíram também pausas regulares [...] Isso é importante [...] no caso de trabalhos estáticos ou tarefas altamente repetitivas” (IIDA, 2005, p. 161). SAIBA MAIS aplicação de força necessária e um movimento cor- reto para aplicação da força da forma correta, sendo assim, cada ambiente de trabalho deve ser averigua- do, isoladamente, assim como a capacidade de força de cada operador. Para fazer determinado movimento, podem ser utilizadas diversas combinações de contrações mus- culares, cada uma delas com um tipo especíico de velocidade, precisão e movimento. Os custos ener- géticos são diferentes para cada tipo de músculo. Quando o operador é experiente, ele fadiga menos que um operador inexperiente, pois aprende a usar aquela combinação com maior eiciência, economi- zando, assim, suas energias (IIDA, 2005). 50 PROFESSORA ME. VERIDIANNA CRISTINA TEODORO FERREIRA Este é um processo natural. Por exemplo, quando começamos a fazer algo, muitas vezes, começamos de forma desajeitada ou mesmo descoordenada. Com a repetição desta atividade, vamos, natural- mente, modiicando nossa postura e nossa forma de agir para fazermos de forma mais confortável e ágil. Uma exigência muito comum no dia a dia de operadores, em diversas áreas produtivas, é o esfor- ço repetitivo. Estas tarefas estão presentes em nosso dia a dia sem que a gente perceba, como ao bater clara em neve com as mãos, ao utilizar tesoura, lixar madeira ou, até mesmo, em simples tarefas de casa. Porém, quando estes esforços não são realizados por muito tempo, não notamos seus efeitos. Há algumas proissões que exigem atividades que demandam esforços repetitivos, desta forma, o operador a desempenha em toda sua jornada de trabalho, isso acontece, por exemplo, em setores de desossa de carnes em frigoríico. Acontece, também, com manicures, operadores de linha de montagem, pessoas que trabalham com digitação, entre outros (GRANDJEAN, 1998). O esforço repetitivo causa estresse nos tecidos dos músculos, ossos e articulações, e se não houver um tempo de repouso para recuperar este estresse, ele se acumulará, causando lesões neste tecido, po- dendo evoluir para doenças ocupacionais. A mais comum das doenças ocupacionais é a LER (Lesão por Esforço Repetitivo), porém a LER é ape- nas uma das diversas doenças ocupacionais que são conhecidas como DORT - Distúrbio Osteomuscular Relacionado ao Trabalho (ASCENSÃO et al., 2003). LEVANTAMENTO E TRANSPORTE DE CARGAS O levantamento e transporte incorreto de cargas é o maior responsável por lesões musculares entre os tra- balhadores. “Aproximadamente 60% dos problemas musculares são causados por levantamento de car- gas e 20%, puxando ou empurrando-as” (BRIDGER, 2003). Isso ocorre, principalmente, por variações in- dividuais de capacidades físicas, falta de treinamento ou treinamento ineiciente que, muitas vezes, ocorre pela substituição frequente de trabalhadores, inde- pendentemente de serem homens ou mulheres. O que pode gerar um grande problema, pois as mulhe- res possuem, em média, metade da força dos homens para levantamento de peso (IIDA, 2005). É necessário conhecer a capacidade humana de cada indivíduo para que as tarefas e as máquinas se- jam corretamente dimensionadas, sem ultrapassar os limites que resultam em lesões reversíveis ou, até mesmo, irreversíveis. Para evitar problemas com os 51 DESIGN levantamentos de cargas, é preciso tomar alguns cui- dados, como manter a coluna reta e utilizar sempre a musculatura da perna, como fazem os esportistas de levantamento de peso. levantamento também diminui riscos de lesões. Antes de levantar o peso, também é importante observar se o local em que o transportará não contém obstáculos que possam atrapalhá-lo ou até mesmo provo- car um acidente (IIDA, 2005) . As regras para transporte de cargas são semelhantes, pois se deve manter a coluna reta, manter a carga próxima do corpo du- rante o transporte e dividir o peso, igual- mente, nos dois braços. Caso seja bastante peso, é recomendado que se dê mais voltas em vez de ultrapassar o seu próprio limite de carga, além disso, também é importan- te ter uma pega segura, trabalhar em equi- pe quando a carga for volumosa ou apenas uma peça já exceda o limite do trabalhador. Deve-se deinir o caminho a ser per- corrido antes de começar, optando por lu- gares que não tenham desníveis no piso ou obstáculos (IIDA, 2005). Aliás, os desníveis em postos de trabalhos devem ser evitados em todas as áreas, não apenas em processos de levantamento e transporte de peso, pois estes pequenos degraus podem ocasionar sérios acidentes. Sempre que possível, é in- teressante utilizar transportadores mecâni- cosou, até mesmo, carrinhos manuais, pois eles mesmos já facilitam o transporte. Figura 1- Levantamento de peso Fonte: Pexels ([2018], on-line)1. Figura 2 - Transporte de cargas: técnica correta e incorreta fonte: adaptada de UFRRJ ( [2018], on-line)2 . Manter a carga o mais próximo possível do corpo também é uma recomendação importante, pois fa- cilita a ação e a deixa mais segura. Dividir a carga para que o corpo mantenha o equilíbrio durante o 52 PROFESSORA ME. VERIDIANNA CRISTINA TEODORO FERREIRA As tarefas em postos de trabalho podem ser consi- deradas estática ou dinâmica. No trabalho estático, há a exigência de contração contínua de alguns mús- culos para que seja possível manter-se em determi- nada posição. Quando não produz movimentos dos segmentos corpóreos, é denominado contração iso- métrica. Alguns exemplos destas tarefas dão-se pelo esforço exigido pelos músculos dorsais e das pernas para o indivíduo manter-se em pé, ou pela exigência da contração dos músculos do pescoço e do ombro para manter a cabeça inclinada para frente, ou, até mesmo, dos músculos da mão esquerda, enquanto segura uma peça para ser martelada pela mão direi- ta, por exemplo (IIDA, 2005) . O trabalho estático exige diversos cuidados, pois fadiga de forma precoce. Por exemplo, um trabalho estático com carga de 50% de força máxima pode durar, no máximo, 1 minuto, mas, se a força aplica- Posto de Trabalho, Controles e Manejos 53 DESIGN da for inferior a 20%, pode durar um tempo maior. A carga estática não deve ser superior a 8% da força máxima, quando se refere às atividades a serem de- senvolvidas diariamente e por longos períodos. Se a carga chegar de 15% a 20% da força máxima e for desempenhada por horas em dias seguidos, resulta em dores e sinais de fadiga (GRANDJEAN, 1998). Por isso, é preciso medir a força do indivíduo para calcular o quanto ele pode desempenhar de esforços em suas atividades para que não ultrapasse seu limi- te e desenvolva doenças no trabalho. Já o trabalho dinâmico dá-se quando ocorre alternância de con- trações e relaxamentos, como: martelar, serrar, diri- gir e, especiicamente, girar um volante, ou, até mes- mo, caminhar. Enquanto se desenvolve este tipo de atividade, algumas partes do corpo estão contraídas, enquanto outras estão relaxadas e, posteriormente, as que estavam relaxadas se contraem, e as que esta- vam contraídas relaxam. Desta forma, ativa-se a circulação nos capilares, au- menta-se o volume do sangue circulado em até 20 vezes, se comparado ao trabalho dinâmico, além disso, o músculo recebe mais oxigênio e aumenta a resistência à fadiga do indivíduo (IIDA, 2005). Se compararmos o trabalho estático do trabalho dinâ- mico, podemos perceber que o trabalho estático é altamente fatigante, por isso, deve ser evitado sem- pre que possível. Porém, caso o estático seja neces- sário, deve-se aplicar soluções ergonômicas para mi- nimizar os desgastes dos usuários, tais como, apoio de braços, pernas, permitir mudança de posturas, inserir pausas, entre outras. 54 PROFESSORA ME. VERIDIANNA CRISTINA TEODORO FERREIRA POSTURAS DO CORPO A postura refere-se aos estudos de posicionamento das partes do corpo, desde a cabeça, tronco e mem- bros, no espaço em que se insere. A boa postura é fundamental para o desempenho de um bom traba- lho, sem desconforto, estresse, fadiga ou, inclusive, problemas de saúde. Muitas vezes, o trabalhador assume posturas incorretas, resultantes de projetos inadequados de máquinas, equipamentos, postos de trabalho ou, até mesmo, pela exigência de deter- minadas tarefas. O redesign do espaço ou do equi- pamento evita estes problemas e outros que podem surgir a partir da postura inadequada a longo prazo. Existe uma postura correta para cada tipo de tra- balho a ser desempenhado, seja ele em pé deitado, sentado, seja, até mesmo, inclinado com a cabeça para frente. Deve-se ter conhecimento do tipo de atividade e da aplicação das medidas antropométri- cas corretas. Para que o corpo não seja prejudicado, é necessário aplicar conceitos ergonômicos nos pos- tos de trabalho, baseando-se em princípios defen- dendo que: se o ambiente de trabalho será utilizado pelo homem, então, deve se basear no corpo deste homem e nas suas atividades a serem desenvolvidas neste ambiente de trabalho para desenvolvê-lo com qualidade e segurança. Postura adequada Risco de Dores Em pé Pés e Pernas (varizes) Sentada sem encosto Músculo extensores do dorso Assento muito alto Parte inferior das pernas, joelhos e pés Assento muito baixo Dorso e pescoço Braços esticados Ombros e braços Pegas inadequadas em ferramentas Antebraço Punhos em posição não-neutras Punhos Rotações do corpo Coluna vertebral Ângulo inadequado assentos/encosto Músculos dorsais Superfície de trabalho muito baixa ou muito alta Coluna vertebral, cintura escapular Quadro 1 - Localização das dores no corpo, provocadas por posturas inadequadas Fonte: Iida (2005, p. 166). 55 DESIGN Percepção e Processamento de Informação Como o ser humano está sempre em contato com outras pessoas, máquinas, outros ambientes e pro- dutos, ele permanece em troca contínua de infor- mações entre estes elementos, tanto recebendo informações e estímulos como transmitindo. A in- formação ou a comunicação só existe quando há uma fonte, um meio e um receptor e é captada pelo organismo humano e conduzida ao sistema nervo- so central, onde ocorre a decisão. Muitas vezes, es- tas informações i cam armazenadas na memória de longa duração para futuras decisões. 56 PROFESSORA ME. VERIDIANNA CRISTINA TEODORO FERREIRA A ergonomia estuda, principalmente, os siste- mas onde ocorrem uma predominância dos aspec- tos sensoriais, ou seja, de percepção e processa- mento de informação, além da tomada de decisão. Isso envolve captação de informação (percepção), armazenamento (memória) e seu uso no trabalho (decisão). O aumento do interesse por este tipo de pesquisa deu-se a partir dos anos de 1980, por conta da difusão da informática para automação e roboti- zação do trabalho (IIDA, 2005). A ergonomia passou a estudar estes aspectos de- nominados ergonomia cognitiva, com o intuito de compreender melhor a interação entre pessoas e sis- temas de trabalho, a im de realizar projetos de má- quinas mais eicazes. Muitas vezes, falamos de sensa- ção e percepção como se fossem a mesma coisa, mas, para compreendermos a forma como nosso cérebro funciona, recebe informações e as transforma, preci- samos saber a diferença entre estes dois estímulos. A sensação refere-se ao processo biológico de captação de energia ambiental. Essa energia é captada por células nervosas dos órgãos sensoriais, sob forma de luz, calor, pressão, movimentos, partículas quími- cas entre outros (IIDA, 2005). Esta sensação pode vir por meio da visão, da audição, do tato, do paladar, do olfato, da cinestesia que ocorre quando se perce- bem os movimentos e o posicionamento das partes do corpo, sentido vestibular, que se refere à sensação de equilíbrio, e, até mesmo, sentido de propriocep- ção, que se refere às condições internas do organismo, como fome, vontade de evacuar, etc. (IIDA, 2005). A todo momento recebemos inúmeros sinais do ambiente, porém nem todos transmitem infor- mações importantes. Como vimos anteriormente, temos diversas maneiras de captar estes sinais por intermédio dos nossos sentidos, porém, quando o nosso cérebro concentra a atenção para receber al- gum estímulo auditivo, por exemplo, consequen- temente, a atençãoserá reduzida nos outros senti- dos. Este processo é denominado atenção seletiva. Esta sensação recebida é processada pelo cérebro, especiicamente, pelo sistema nervoso central, em que é processada como informação e, por meio de experiências armazenadas na memória de longa duração, o cérebro interpreta o sinal, o que é de- nominado como percepção. Por isso, as percep- ções são muito particulares, pois são ligadas às vi- vências e experiências de cada indivíduo, ou seja, um mesmo sinal pode emitir percepções distintas em diferentes pessoas, levando a tomarem dife- rentes decisões (NORMAN, 2004). Desta forma, a percepção é a interpretação dos estímulos captados pelo sentido e depende de expe- riências anteriores e fatores individuais para serem interpretadas. O nosso cérebro recebe e processa, continuamente, as informações do ambiente, isso ocorre em pouquíssimo tempo, praticamente, em micros segundos, e não é preciso estar consciente, podendo ocorrer automaticamente. A memória de longa duração é utilizada para interpretação das 57 DESIGN sensações, transformando-a em percepção, além disso, tem grande capacidade de armazenamento e tem caráter duradouro e associativo. A memória de curta duração tem outra função e está ligada a serviço, por isso, também é conhecida como memória de trabalho. Esta memória retém in- formações por períodos extremamente curtos, como 5 a 30 segundos, em seguida, são completamente es- quecidas, na maioria das vezes. Por exemplo, um nú- mero de telefone que se memoriza, até ser digitado posteriormente, sua memória apaga, e, se demorar- mos mais de 30 segundos para digitá-lo, pode ser que nossa memória dele não se recorde mais (IIDA, 2005) Desta forma, podemos compreender o proces- so cognitivo da seguinte maneira: recebemos sinais do meio ambiente pelos órgãos de sentido que, por meio da nossa memória de longa duração, geram a percepção. Este processo inicial é denominado per- ceptivo. Depois de percebidos, interpretamos estes sinais também por meio da memória de longa du- ração e tomamos uma decisão. Este processo é de- nominado como processo cognitivo. E, por im, agi- mos sob o comando da memória de curta duração, e este processo é denominado processo motor. Figura 3 - Esquema dos processos perceptivo, cognitivo e motor 58 PROFESSORA ME. VERIDIANNA CRISTINA TEODORO FERREIRA Os dispositivos de informação estão presentes em diversos tipos de produtos, ambientes e situações, desde objetos de uso cotidiano, como rádios, car- ros, relógios, celulares, até painéis de controles mais complexos, como cabines de aeronaves e centrais de controles de usinas nucleares. Um projeto inade- quado pode causar erros, demoras de compreensão, acidentes, em alguns casos o resultado pode ser de- sastroso (IIDA, 2005). O corpo humano é composto por muitas célu- las sensíveis, mas as principais compõem a visão e a audição, por este motivo, são as mais estudadas pela ergonomia e são, também, os sentidos mais utiliza- dos na captação de informações. A visão destaca-se por ser o órgão principal da percepção de informa- ções no trabalho. Os dispositivos de informações transmitem informações ao usuário desde rótulos, manuais de instruções, interface de produtos ou, até 59 DESIGN mesmo, informações relacionadas ao trânsito e aos interiores de ambientes. Deve-se pensar sempre na melhor maneira dessa informação chegar ao indivíduo, ou seja, se o am- biente tem muito ruído, deve-se optar por informa- ções escritas, pois o barulho atrapalha a compreen- são do áudio. Se o ambiente for escuro, é preferível sonoro ou com painéis iluminados; se a informação for complexa, é preferível de forma escrita para que a pessoa possa ler mais de uma vez para compre- ender. Existem casos em que a informação pode ser por símbolos, como placas de trânsito, imagens de menino e menina para banheiro, que são de fácil compreensão a diferentes povos. Os símbolos transmitem informações e, por se tratar de imagens, eles rompem barreiras de idio- mas. Geralmente, sua imagem tem proximidade com o objeto real, o que facilita sua compreensão. Os símbolos também são rápidos de serem lidos e compreendidos, são muito usados em aeroportos e rodoviárias, pela quebra de idiomas e em rodo- vias pela fácil compreensão. Nem sempre são cla- ros, pois dependem do repertório do indivíduo. As placas são como sinais percebidos pela visão e interpretados pela nossa memória de longa du- ração, por isso, em alguns casos podem não ser interpretados corretamente, como as placas de trânsito, que serão compreendidas apenas pelas pessoas que dirigem. Um projeto inadequado dos dispositivos de in- formação pode causar demora para compreensão das informações ou compreensão incorreta, levando a erros e acidentes cujas consequências podem ser desastrosas. Por isso, é importante considerar que existem formas mais eicientes de transmitir infor- mações em determinados contextos. Veremos um pouco mais a seguir. Mostradores Em muitos produtos, veículos e locais de trabalho existem sistemas de informação especíicos que nos auxiliam a compreender o que devemos fazer, ou trazem informações sobre o estado do sistema que estamos operando. Esses sistemas de informação são chamados de mostradores, elementos empre- gados em produtos, máquinas, veículos etc. para indicar ao usuário o seu status de funcionamento. Os mostradores podem ser divididos em duas cate- gorias: quantitativos e qualitativos. Quando inadequado, um símbolo ou imagem pode causar demora para compreensão, compreensão in- correta, podendo levar a erros e acidentes. As infor- mações devem ser sempre claras e de fácil compreen- são e, para que isso aconteça, existem algumas formas de disponibilizar informações aos usuários, para cada situação, e para cada necessidade existe uma forma que se encaixa melhor para facilitar a compreensão do usuário e minimizar erros e acidentes. 60 PROFESSORA ME. VERIDIANNA CRISTINA TEODORO FERREIRA Mostradores quantitativos estão ligados a uma variável de natureza quantitativa, como volume, pres- são, peso, distância etc. Utiliza-se quando o conhe- cimento da quantidade é importante para o usuário. nalizações das estradas e repartições públicas, nos aplicativos de celular etc. Controles Os controles são, em sua maioria, projetados para serem acionados por movimentos das mãos e dos dedos, mas podem ser utilizados com os pés, co- mando de voz e até expressão facial. Um dos pro- blemas com o uso de controles é que se pode acio- nar, acidentalmente, gerando erros que podem ser graves, dependendo do que estamos esperando. Estes erros estão relacionados à má discriminação dos controles, confusão entre um comando e outro. Alguns cuidados especiais devem ser tomados para evitar acionamentos acidentais, tais como: a locali- zação do controle, as orientações de uso, o rebaixo Os mostradores qualitativos indicam o estado de funcionamento de uma máquina, produto ou veícu- lo. É indicado em processos que as variáveis preci- sam permanecer dentro de uma determinada faixa de operação de segurança. Os dispositivos de informação são todos os su- portes que transmitem informações para os usuários. Eles estão presentes em quase todos os produtos, em seus rótulos, manuais de instrução e interface dos produtos, por exemplo, o símbolo de ligar/desligar. Também estão nas interfaces dos sotwares, nas si- dos botões, uma cobertura protetora, canalização, resistência e bloqueio. Alarmes Os alarmes servempara chamar a atenção em algu- ma situação perigosa. Para que sejam efetivos, é im- portante que sejam perceptíveis e convincentes para que o receptor realize a ação esperada. São utiliza- dos, também, para alertar o indivíduo de situações de risco e, até mesmo, salvar sua vida, como nos ca- sos de incêndio, quando os alarmes são acionados para que ocorra a evacuação do prédio e minimize o risco de pessoas feridas. 61 DESIGN Mesmo sofrendo alguns desconfortos no dia a dia, nem sempre nos damos conta de que isso ocorre pela falta da ergonomia. Dessa forma, algumas pes- soas culpam-se por não terem o corpo dentro do pa- drão exigido pela sociedade ou, até mesmo, por não conseguirem utilizar um produto com naturalidade, como outras pessoas costumam utilizar. Ergonomia no Dia a Dia Mesmo que, muitas vezes, não percebamos a presença da ergonomia, ela está ali, porém só levamos em consideração sua importância quando sofremos a sua ausência, ou seja, quando percebemos que a vestimenta ou o local não são adequados para o nosso corpo, causando desconforto. REFLITA 62 PROFESSORA ME. VERIDIANNA CRISTINA TEODORO FERREIRA Algumas pessoas terão mais facilidade para utiliza- rem alguns produtos, pois seu biotipo facilita a uti- lização, seja sua altura, sua forma corporal etc. No entanto um produto ou ambiente não deve limitar seu uso de acordo com os tipos físicos. Por exem- plo, se eu crio uma cadeira, preciso permitir que as pessoas se sentem, sintam-se confortáveis e seguras, independentemente de seu peso - isso eu consigo por meio do uso da ergonomia, desde a pesquisa da matéria prima, a aplicação correta dos dados antro- pométricos, a aplicação de dimensões reguláveis etc. A ergonomia deve estar presente no nosso dia a dia, ou, então, sofreremos as dores da sua ausência. Quando dormimos bem e acordamos com dores no corpo sem que tenhamos nos esforçado no dia ante- rior, pode ser que nossa cama ou nosso travesseiro não estejam adequados ao corpo, sofreremos, então, pela falta de ergonomia, ou seja, pela falta da ade- quação do meu espaço de descanso ao meu corpo. Se vamos trabalhar e passamos o dia numa ca- deira inadequada, olhando um computador que não está na altura correta para nosso corpo, sem apoio de pés e apoios de mãos, sofreremos as dores da au- sência da ergonomia. Se chegamos em casa, batemos a cabeça nos armários, escorregamos no banheiro, tropeçamos em tapetes ou desníveis, sentimos do- res nas costas ao lavar a louça, ou, até mesmo, se chegamos em casa com dores nas articulações por conta de roupas apertadas, dores nos pés ou bolhas por conta do sapato e dores na barriga pelo uso de calças apertadas, então, quer dizer que a ergonomia passou longe da sua vestimenta. Então, precisamos rever nossos conceitos com relação à ergonomia e à importância de sua aplicação. Enim, é inquestionável a importância da er- gonomia em nosso dia a dia como um todo, es- tes exemplos apresentados são apenas alguns dos milhares de acidentes e desconfortos que sofre- mos, diariamente, pela falta da ergonomia, por isso, devemos estar sempre alertas aos produtos, roupas ou ambientes que nos causam desconfor- to, pois esses precisam passar por redesign para melhoramento do produto e para aplicação de as- pectos ergonômicos, uma vez que o objetivo da ergonomia é sempre adequar o produto/ ambien- te ao homem e nunca o contrário. 63 considerações inais Muitas pessoas pensam que só devemos compreender a ergonomia em nossa área de atuação, por exemplo: apenas no design de interiores, ou apenas no design de produto ou apenas no design de moda. Estão muito enganadas, pois devemos compreender a ergonomia em todas as possibilidades de uso, para que possamos nos aprofundar em nossa área de interesse. Isso porque alguns designers podem também partir para áreas industriais, cheiando setores de produção, desenvol- vendo ou aprovando protótipos, ou, até mesmo, abrindo suas próprias fábricas. Por isso, deve ter conhecimento sobre a diferença de se trabalhar de forma confor- tável, segura e o quanto sua produtividade melhora como consequência. Devemos também ter conhecimento de todas as áreas em que a ergonomia atua para que possamos ter noção de sua importância em nosso dia a dia, e o quanto sua au- sência pode nos trazer problemas reversíveis à saúde ou, até mesmo, irreversíveis. Compreendemos, neste capítulo, as formas de utilização da ergonomia no am- biente de trabalho, os tipos de posturas ideais para alguns tipos de atividades e as ferramentas da ergonomia que aplicamos para resolver problemas mais comuns em postos de trabalho. Pudemos compreender, também, como funciona o cérebro e seu processamento de informações. Desde o recebimento da informação, à percepção, ao processa- mento pela memória de longa duração e tomada de decisão ligada à memória de curta duração. Isso nos faz compreender o quão importante é o conhecimento da ergonomia cognitiva para que informações cheguem a pessoas certas e que interfaces sejam melhor compreendidas. E, por im, para melhor visão da ergonomia, pudemos ver alguns exemplos no nosso cotidiano para nos atentar a todo momento sobre o quão doloroso pode ser o uso de um produto sem ergonomia e, a partir disso, que possamos ter olhar mais crítico para propor redesigns a produtos inadequados, favorecendo, assim, a vida do usuário. 64 atividades de estudo 1. Posturas inadequadas no trabalho são muito comuns e podem ser causa- das pelo mau projeto da interface homem-objeto-ambiente ou, até mes- mo pela falta de conhecimento do trabalhador. Algumas situações podem agravar as posturas inadequadas, quais são elas? a. Posturas dinâmicas por longos períodos. b. Grande aplicação de força, apenas. c. Posturas estáticas por longos períodos, pois prejudicam parte óssea. d. Posturas estáticas por longos períodos, grande aplicação de força e postu- ras extremas ou no limite da articulação. e. Apenas posturas deitadas, pois causam desconforto. 2. A ergonomia é utilizada em diversas áreas, e seus objetivos não se modi- icam, apenas a forma como se aplicará a ferramenta para obtenção de bons resultados. Desta forma, a ergonomia também é inserida no ambien- te de trabalho. Podemos, então, airmar que: I. A inserção da ergonomia em postos de trabalho não beneicia, considera- velmente, o operador, apenas cumpre as normas por lei. II. A ausência da ergonomia em postos de trabalho pode contribuir para o aumento de acidentes de trabalho derivados da má postura e/ou da fadiga precoce. III. A ausência da ergonomia em postos de trabalho aumenta a produtividade por não inserir pausas aos operários. IV. A ausência da ergonomia em postos de trabalho pode acarretar proble- mas de saúde a longo prazo, pela falta de equipamentos de segurança, como o protetor auricular, que, quando não utilizado, pode levar o operá- rio a perda da audição. Assinale a alternativa correta: a. Apenas I e II estão corretas. b. Apenas II e III estão corretas. c. Apenas I, II e III estão corretas. d. Apenas II, III e IV estão corretas. e. Apenas II e IV estão corretas. 65 atividades de estudo 3. Com relação à Força fadiga e à repetitividade, é correto airmar que: a. Uma doença ocupacional comum relacionada a esforços repetitivos é a LER, também conhecida como DORT. b. As exigências de forças devem ser adaptadas às capacidades do operador, nas condições operacionais reais. Para cada situação de trabalho, haverá uma postura, um movimento e uma determinada força, assim, é necessá- rio estudar caso a caso para que não haja inadequação. c. A capacidade de puxar e empurrar dependede diversos fatores, como postura, dimensões antropométricas e atrito entre sapato e chão. Se con- siderados estes fatores, tanto homens como mulheres adquirem a mesma capacidade de força. d. A principal característica do movimento é a direção do movimento e o foco. e. Homens e mulheres têm a mesma capacidade de força, é apenas uma questão de postura e foco. 4. No processo cognitivo, após formação da percepção dos sinais externos, ocorre um processo de interpretação, em que muitas reações ocorrem para se tomarem uma decisão sobre como agir. Nesse ponto, as experiên- cias anteriores, o treinamento, o estado de humor, enim, todas as condi- ções do indivíduo que sejam relevantes são levadas em consideração no processo de decisão. Baseado no conceito de processo cognitivo humano, enumere as ileiras com seus correspondentes: ( 1 ) Sensação (órgãos do sentido) ( ) Processo perceptivo ( 2 ) Interpretação ( ) Processo perceptivo ( 3 ) Percepção ( ) Processo cognitivo ( 4 ) Ação ( ) Processo cognitivo ( 5 ) Decisão ( ) Processo motor A sequência correta desta classiicação é: a. 3, 1, 4, 5, 2. b. 5, 3, 1, 2, 4. c. 2, 4, 3, 1, 5. d. 4, 3, 2, 1, 5. e. 1, 3, 2, 5, 4. 66 atividades de estudo 5. As informações devem ser sempre claras e de fácil compreensão. Para que isso aconteça, existem algumas formas de disponibilizar informações aos usuários. Para cada situação e para cada necessidade, existe uma forma que se encaixe melhor para facilitar a compreensão do usuário e minimi- zar erros e acidentes. Uma das formas de se transmitir informação é por meio de símbolos, desta forma, é correto airmar que: a. Os símbolos transmitem informações e, por se tratar de imagens, eles rompem barreiras de idiomas. Geralmente, sua imagem tem proximidade com o objeto real, o que facilita sua compreensão. b. Os símbolos são difíceis de serem lidos e compreendidos, por isso, são pouco utilizados. c. Os símbolos são utilizados em ambientes infantis, pela similaridade com o desenho em quadrinhos. d. Os símbolos são utilizados para auxiliar a compreensão de um texto e deve estar sempre acompanhado da parte escrita para a melhor compreensão. e. Os símbolos são utilizados apenas para compor gráicos, torná-los mais fáceis de serem compreendidos. 67 LEITURA COMPLEMENTAR Domínios de especialização da Ergonomia A palavra Ergonomia deriva do grego Ergon [trabalho] e nomos [normas, regras, leis]. Trata-se de uma disciplina orientada para uma abordagem sistêmica de todos os aspec- tos da atividade humana. Para darem conta da amplitude dessa dimensão e poderem intervir nas atividades do trabalho é preciso que os ergonomistas tenham uma abor- dagem holística de todo o campo de ação da disciplina, tanto em seus aspectos físicos e cognitivos, como sociais, organizacionais, ambientais etc. Freqüentemente esses pro- i ssionais intervêm em setores particulares da economia ou em domínios de aplicação especíi cos. Esses últimos caracterizam-se por sua constante mutação, com a criação de novos domínios de aplicação ou do aperfeiçoamento de outros mais antigos. De maneira geral, os domínios de especialização da ergonomia são: * Ergonomia física | está relacionada com às características da anatomia humana, antropometria, i siologia e biomecânica em sua relação a atividade física. Os tópi- cos relevantes incluem o estudo da postura no trabalho, manuseio de materiais, movimentos repetitivos, distúrbios músculo-esqueletais relacionados ao trabalho, projeto de posto de trabalho, segurança e saúde. * Ergonomia cognitiva | refere-se aos processos mentais, tais como percepção, memória, raciocínio e resposta motora conforme afetem as interações entre seres humanos e outros elementos de um sistema. Os tópicos relevantes incluem o es- tudo da carga mental de trabalho, tomada de decisão, desempenho especializado, interação homem computador, stress e treinamento conforme esses se relacionem a projetos envolvendo seres humanos e sistemas. * Ergonomia organizacional | concerne à otimização dos sistemas sóciotécnicos, in- cluindo suas estruturas organizacionais, políticas e de processos. Os tópicos relevan- tes incluem comunicações, gerenciamento de recursos de tripulações (CRM - domínio aeronáutico), projeto de trabalho, organização temporal do trabalho, trabalho em grupo, projeto participativo, novos paradigmas do trabalho, trabalho cooperativo, cultura organizacional, organizações em rede, tele-trabalho e gestão da qualidade. Fonte: Abergo ([2018], on-line)3. 68 material complementar Biomecânica Ocupacional Don Chaffi n Editora: Escariz Sinopse: aqui são tratados os grandes problemas de Biomecânica na atualida- de: a questão das lombalgias, os distúrbios dolorosos de membros superiores, a questão da vibração e de ferramentas que transmitem torque para as mãos dos trabalhadores e muitas outras. E são, também, tratados temas de alta atualidade, como a questão da seleção médica e das cintas lombares. O livro também apre- senta o nível de profundidade esperado e desejado por especialistas, ou seja, en- genheiros envolvidos em questões profundas de biomecânica. Mas, mesmo sen- do profundo em que é necessário, os conceitos são traduzidos de forma prática para não especialistas, que sempre têm uma síntese de cada assunto. Daens - um grito de justiça Ano: 1992 Sinopse: o i lme “Daens - Um Grito de Justiça” narra a história do padre belga Adolf Daens, que se transfere para a cidade Aalst, no i nal do século XIX. Chegando lá, depara-se com a degradação em que a população era submetida nesse processo agudo de industrialização. Sensível, esclarecido e homem de seu tempo, Daens i ca indignado ao se deparar com as constantes mortes por acidentes nas indús- trias, pela fome, congeladas pelo frio e demais causas, devido às condições mise- ráveis em que viviam as famílias operárias. Indicação para Assistir Indicação para Ler 69 material complementar Os artigos a seguir foram selecionados, cuidadosamente, por abordarem o assunto do segundo capítulo, a Biomecânica Ocupacional, e por propor relexão com relação à função do designer e à importância do conhecimento sobre a ergonomia e o corpo humano. O primeiro artigo é intitulado “Ergonomia em sala de aula: constrangimentos posturais impostos pelo mobiliário escolar”. Acesse: <http://www.efdeportes.com/efd85/ergon.htm>. O segundo artigo é intitulado “A avaliação dos riscos ergonômicos como ferramenta gerencial em saúde ocupacional. Acesse: <http://ergonomics.com.br/iles/2012/08/comparacao_metodos.pdf>. O vídeo a seguir demonstra quase todos os problemas da falta de ergonomia no ambiente de trabalho. De- monstra, também, de forma clara e engraçada, o que discutimos com relação à biomecânica ocupacional. Acesse: <https://www.youtube.com/watch?v=ZnASW24Sz_4>. Este vídeo mostra, de maneira engraçada, como se adequar à cadeira quando no uso do computador, desde homem, mulher ou criança. Acesse: <https://www.youtube.com/watch?v=0R7uz-_v3ec>. Indicação para Acessar 70 referências gabarito ASCENSÃO, A.; MAGALHÃES, J.; OLIVEIRA, J.; DUARTE, J.; SOARES, J. Fi- siologia da fadiga muscular. Delimitação conceptual, modelos de estudo e meca- nismos de fadiga de origem central e periférica. Revista Portuguesa de Ciências do Desporto. v. 3, n. 1, p. 108-123, 2003. BRIDGER, R. S. Introductions to Ergonomics. 2. ed. London: Taylor e Francis, 2003. GRANDJEAN, E. Manual de Ergonomia: adaptando o trabalho ao homem. Por- to Alegre: Bookman, 1998. IIDA, I. Ergonomia: projeto e produção. 2. ed. São Paulo: Blucher, 2005. NORMAN, D. Emotional Design. New York: Basic Books, 2004. Referências on-line 1Em: <https://www.pexels.com/photo/active-adult-athlete-barbell-348487/>. Acesso em: 18 mar. 2019.2Em: <http://www.ufrrj.br/institutos/it/de/acidentes/ergo2.htm0>. Acesso em: 18 mar. 2019. 3Em: <http://www.abergo.org.br/internas.php?pg=o_que_e_ergonomia>. Acesso em: 18 mar. 2019. 1. D 2. E 3. B 4. E 5. A UNIDADEIII Professora Me Veridianna Cristina Teodoro Ferreira Berbel Plano de Estudo A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade: • Adaptação ergonômica de produto • Projetos universais • Desenvolvimento de produto ergonômico • A importância de produtos ergonômicos • Estudo de caso Objetivos de Aprendizagem • Aplicar ergonomia de correção e de concepção e explicar qualidade técnica, qualidade ergonômica e qualidade estética. • Dei nir projetos universais, discutir usabilidade e seus princípios e detalhar características de um projeto universal ergonômico. • Detalhar os processos para desenvolvimento de um produto ergonômico • Discutir a importância de se desenvolver produtos ergonômicos e seu diferencial no mercado. • Mostrar estudo de caso de melhoria de produto através de aplicação ergonômica. ERGONOMIA DO PRODUTO unidade III INTRODUÇÃO Caro(a) aluno(a), em nossa terceira unidade do livro de Ergonomia, abordaremos os aspectos ergonômicos aplicados no produto e o quanto o uso destas ferramentas no produto podem resultar em um diferencial do mercado. Antigamente, o desenvolvimento de um produto era concentrado, principalmente, nos aspectos técnicos e funcionais, enquanto os ergonômicos e de design eram deixados de lado. Nas últimas décadas, esse panorama mudou, e aspectos antes deixados de lado passaram a se tornar ferramentas importantes de diferenciação e de decisão de compra. Para melhor compreensão dos aspectos ergonômicos aplicados no pro- duto, serão detalhadas as suas qualidades técnicas, ergonômicas e estéticas, além das premissas para se desenvolver um projeto universal. Os princípios de usabilidade serão também detalhados para melhor compreensão de sua aplicabilidade no projeto de desenvolvimento de um produto. Nesta unidade, compreenderemos as informações necessárias para um projeto ergonômico. Já vimos alguns destes aspectos nas unidades anterio- res. Aqui, dará-se por outra abordagem, em que reuniremos informações em torno dos produtos e critérios especíicos para avaliá-los, ou seja, para sabermos até que ponto este produto é realmente ergonômico. A aplicação da ergonomia no produto é muito importante para que ele se adeque ao usuário, sem que haja necessidade de o usuário modiicar suas formas para utilizar o produto, sendo ele ferramenta, vestimenta, calçado, maquinário, ambiente, entre outros. Para compreender a aplicação da ergonomia, será apresentado, ao inal da unidade, um estudo de caso que obteve melhorias por meio de sua apli- cação. Desta forma, icará mais fácil compreender e visualizar a importância da utilização da ergonomia em produtos para melhor satisfazer o usuário inal, pois é sempre importante lembrar que os objetivos principais da er- gonomia são: conforto, bem-estar, saúde, satisfação e segurança do usuário. 76 Quando os produtos são construídos sem ergono- mia, são deixados de lado, na maioria das vezes, as variáveis de conforto e os princípios de usabilidade. A ergonomia pode ser utilizada na fase de concep- ção, ou seja, na fase de projeto para desenvolvimento do produto, ou, também, pode ser aplicada na corre- ção de produtos mal projetados, quando, depois de serem fabricados, identiicam-se as irregularidades. A ergonomia sempre é aplicada com a preocu- pação do bem-estar e conforto do usuário, visando à saúde, à segurança, à eiciência no uso e à sua sa- tisfação, trabalhando, dessa forma, de maneira pre- ventiva (IIDA, 2005). A adaptação de produtos já é utilizada há muito tempo. Os primeiros relatos fo- ram extraídos da pré-história quando os homens das cavernas adaptavam suas ferramentas para terem melhor resultado na caça, então, eles aiavam a pon- ta da lança em uma pedra lascada, desta forma, ad- quiriam mais precisão na caça, o que era de extrema importância, pois qualquer erro poderia ser fatal. Há dois milhões de anos, os homens pré-históri- cos fabricavam suas armas de pedra lascada, adaptan- Adaptação Ergonômica de Produtos 77 DESIGN do-as à anatomia de suas mãos (NAPIER, 1983). Este produto foi melhorado 500 mil anos depois e se trans- formou em uma machadinha cujo cabo adicionado era liso e arredondado, de forma que se ajustava con- fortavelmente nas mãos. Os primitivos fabricavam ar- cos, lechas e outros objetos que, de certa forma, apli- cava, intuitivamente, a antropometria, pois testavam os produtos em seus próprios corpos (IIDA, 2005). mas para conseguirem utilizar determinados produ- tos, desde vestimentas, ferramentas, mobiliários etc. E foi neste contexto, como já dito anteriormente, que surgiu a ergonomia, para combater esta inadequação e pesquisar novas possibilidades de se ter conforto no trabalho e no uso de produtos, mesmo em meio à era da produção massiicada. Segundo aspectos ergonô- micos, todos os produtos, pequenos, grandes, sim- ples ou complexos, devem satisfazer as necessidades humanas, pois, direta ou indiretamente, entram em contato com o homem e, para que esses produtos fun- cionem bem nas interações com os usuários, devem seguir três características básicas: a qualidade técni- ca, a qualidade ergonômica e a qualidade estética. A qualidade técnica caracteriza-se pela parte que faz funcionar o produto, do ponto de vista me- cânico, elétrico, eletrônico ou químico etc. Dentro da qualidade técnica, deve-se considerar a eiciência com que o produto executa a função, o rendimento na conversão de energia, a ausência ou minimização de ruídos e vibrações, a facilidade de higienização, facilidade de manutenção e assim por diante. Já a qualidade ergonômica caracteriza-se pela ergonomia do produto que garante boa interação com o usuário, facilidade de manuseio, aplicação antropométrica, clareza no fornecimento de infor- mações, facilidade de uso e compatibilidade de mo- vimentos. Além disso, o produto com qualidade er- gonômica deve propor ao usuário as características em que se baseiam seus objetivos, como: segurança, conforto e bem-estar do usuário. A característica estética destina-se a proporcio- nar prazer ao consumidor, envolvendo combinações de cores, formas, texturas, matérias-primas, acaba- mentos e movimentos. O objetivo da característica estética é tornar o produto atraente e desejável aos olhos do consumidor. O objetivo da ergonomia é adaptar o produto ao corpo, tornando-o mais confortável durante seu uso, mais adequado ao corpo do usuário, mais seguro e, segundo relatos históricos, intuitivamente, estas ca- racterísticas eram almejadas desde a pré-história. Com a industrialização, o foco no desenvolvimento de produto voltou-se mais para o aumento da pro- dutividade, ou seja, a possibilidade de se produzir mais, em menos tempo, e para mais pessoas. Desta forma, foi necessário padronizar medidas, o que resultou na perda da qualidade ergonômica e fez com que muitos usuários modiicassem suas for- 78 Estas três qualidades enquadram-se nas caracte- rísticas desejáveis dos produtos, do ponto de vista ergonômico. Estas qualidades devem estar presentes em quase todos os produtos, porém é normal que nem sempre as três qualidades estejam em equilí- brio. Para alguns produtos, pode ser que a qualidade técnica seja mais importante, como um motor elé- trico, já em algumas ferramentas, como o alicate, é normal que a qualidade ergonômica se sobressaia, assimcomo em objetos de decoração a qualidade es- tética esteja em evidência (IIDA, 2005). De uma forma ou de outra, no entanto, as três ca- racterísticas devem estar presentes no produto ergo- nômico, o que varia é a intensidade de cada qualidade. 79 DESIGN Com o mundo globalizado e a rápida expansão dos meios de comunicação e de transportes, ocorreu o aumento da circulação mundial de mercadorias e produtos. Hoje em dia, é muito fácil comprar um produto de qualquer país, inclusive da China, por intermédio de sites de e-commerces. Além disso, há preocupação cada vez maior em incluir as minorias no mercado de consumo, até mesmo pela preocupa- ção da aplicação do design inclusivo. Estes dois fatores, a globalização e a inclusão, i- zeram com que projetistas ampliassem seu olhar com relação ao desenvolvimento de produto, buscando cada vez mais por soluções que contribuam com a adequação de produtos a diferentes corpos. Até por- que, como já vimos anteriormente, as medidas cor- porais passam por diferenças étnicas, que devem ser consideradas no projeto do produto para que não haja inadequação do produto ao corpo do usuário. A possibilidade de desenvolver um produto que- brando essas barreiras de medidas antropométricas e incluir as minorias no projeto levou a formulação dos princípios do projeto universal e dos critérios de usabilidade dos produtos. Há muita semelhança entre os critérios do produto universal e aqueles da usabilidade, o que diferencia são as ênfases de cada um, pois o projeto universal está preocupado em fa- Projetos Universais 80 zê-lo acessível à maioria da população, enquanto a usabilidade preocupa-se em facilitar o uso. É natural que os produtos universais acabem tendo boa usabi- lidade e vice-versa (IIDA, 2005). Os projetos universais têm como objetivo in- cluir certas minorias, como canhotos, portadores de deiciências, idosos etc. O conceito parte do princí- pio de que é mais barato desenvolver estes produtos incluindo as minorias no uso do que criar aparatos especiais para adequá-las ao uso de um produto que não as considerou em seu projeto (JARDIM, 2002). Por exemplo, é mais barato criar uma carteira escolar que possa ser utilizada por canhotos e destros do que desenvolver uma só para destros e ter que desenvol- ver um aparato para os canhotos, ou, até mesmo, um produto apenas para esta minoria. Quando incluímos a minoria, atendemos a maioria. Isso também facilita nos produtos a serem desenvolvidos em larga escala. Uso equitativo: caracteriza-se por ter dimen- sões, ajustes e acessórios que permitem atender o maior número possível de usuários, porém a segu- rança, proteção e privacidade devem estar disponí- veis, igualmente, a todos os usuários. Flexibilidade no uso: visa acomodar uma ampla gama de habilidades e preferências individuais, de modo que possibilite o uso de destros e canhotos, facilite o uso preciso e exato a todos os usuários, possibilitando escolhas referentes ao modo de usar, a adaptação de forças e o ritmo, próprios de cada indivíduo. Uso simples e intuitivo: dá-se pela facilidade na compreensão das formas de uso do produto, de modo que o usuário compreenda seu uso sem que necessite de conhecimento especializado. Para isso, é necessário eliminar complexidades desnecessá- rias, considerar estereótipos, expectativas, intuição do usuário, considerar possíveis problemas com linguagens ou diferenças culturais, hierarquizar as informações de acordo com sua importância, entre outras formas de simpliicar o uso e a compreensão do mesmo. Informação perceptível: assim como o uso, as informações no produto também devem ser, efeti- vamente, comunicadas ao usuário, sem necessida- de de conhecimento especializado, mesmo que em condições ambientais diversas. Deve-se melhorar a visibilidade da informação e utilizar ferramentas do design para o tornar facilmente visualizado, percep- tível, até mesmo, aos deicientes sensoriais. Tolerância ao erro: o projeto do produto deve pensar em formas de minimizar os riscos e as con- sequências de ações involuntárias ou acidentais, por isso, deve pensar nas possibilidades de acidentes que podem ocorrer, caso o equipamento seja acionado PRINCÍPIOS DO PROJETO UNIVERSAL O projeto universal adota certos princípios que po- dem ser aplicados tanto na avaliação dos produtos existentes como na criação de novos. Os princípios são (NULL, 1993): 81 DESIGN sem querer. Quando o produto ou maquinário ofe- recer algum risco, se ligado por acidente, deve-se, no projeto do produto, pensar em formas de manter os botões de acionamentos em lugares seguros e que ofereçam certa diiculdade para serem acionados, minimizando as chances de acidentes. Ou, então, deve ter uma forma de permitir o retorno ao estado anterior, de forma fácil e rápida, caso o equipamento seja ligado, acidentalmente, mesmo não oferecendo riscos. Isso é ter tolerância ao erro, é compreender que as pessoas podem se equivocar em algumas for- mas de usos, mas que isso pode ser facilmente corri- gido para que não as prejudique. Redução de gastos energéticos: dá-se pela faci- lidade no manejo do produto, ou seja, sempre que possível, deve-se manter o corpo do usuário em posição neutra, livre de estresse, pois as contrações estáticas dos músculos devem ser evitadas. Desta forma, aplica-se no produto facilidades de uso para que o corpo não gaste energia desnecessária icando fatigado facilmente. Este princípio pode ser estendi- do para o dimensionamento de motores, máquina e equipamentos, pois a potência desnecessária provo- ca desperdícios de energia. Espaço apropriado: as máquinas, os espaços, os produtos devem ser apropriados para acesso, alcan- ce, utilização e manipulação, independentemente do tamanho do usuário, sua postura ou sua mobilidade, pois devem ser acessíveis à grande maioria dos usuá- rios. Em muitos casos, é difícil a aplicação de todos os princípios do projeto universal, porém se aplica o má- ximo possível para obtenção dos melhores resultados. Quando falamos em design universal, imagina- -se que será um produto que se encaixará em todas as pessoas, sem exceção, pois estamos falando de design universal, entretanto isto não é verdade. É muito raro desenvolver um produto que sirva para todas as pessoas, adequada e confortavelmente, mas, quando se aplica o design universal, aumentam-se as possibilidades de usos de um mesmo produto e também aumenta o número de pessoas que se encai- xarão nesse produto. Desta forma, cria-se algo para uma maioria, pois as minorias são incluídas. USABILIDADE Entendida como a interface que possibilita a utiliza- ção eicaz dos produtos e a facilidade no uso, a usabi- lidade relaciona o conforto e a eiciência do produto. “Em síntese, a usabilidade é fundamental para avaliar a relação do produto-usuário. Nesse sentido, é prin- cípio que deve ser observado em qualquer produto e ambiente construído” (MARTINS, 2008, p. 326). A usabilidade é uma das interfaces da ergono- mia que estuda e tem como objetivo adequar des- de as ferramentas, os ambientes de trabalho até os produtos de uso pessoal, com o foco em atender às necessidades, habilidades e limitações dos diferentes tipos de indivíduos. Desta forma, os riscos à saúde do usuário, acidentes e incidentes durante o uso de produtos, postos de trabalhos e interfaces inadequa- 82 das, podem ser evitados na fase de concepção de produto. Dessa forma, não será necessário que usu- ários se coloquem em situação de riscono uso do produto para que, posteriormente, ele seja corrigido. Em 1998, foi lançada a ISO 9241-11, e, em 2002, foi criada a norma brasileira NBR 9241-11 deinin- do que “usabilidade é a efetividade, eiciência e satis- fação com as quais usuários especíicos podem ob- ter resultados especíicos em ambientes especíicos” (ABNT, 2002, p. 5). satisfação é o conceito mais difícil de ser alcançado na usabilidade (RAZZA, 2016). Princípios de Usabilidade De acordo com Jordan (1998), existem alguns prin- cípios que, quando aplicados no desenvolvimento de produto, podem melhorar sua usabilidade. Os princípios são: Evidência: o produto deve ter, de forma clara, in- dicação de sua função e o modo de operação, pois a evidência reduz tempo de aprendizagem e facilita a memorização, além de reduzir os erros de operação. Consistência: quando colocamos operações se- melhantes para funcionarem de forma semelhante, permitimos que o usuário faça transferência positi- va da experiência anteriormente adquirida em ou- tras tarefas semelhantes. Isso é comum em menus de computadores. Capacidade: as capacidades do usuário devem ser respeitadas e não devem ser ultrapassadas, por exemplo: se a visão estiver saturada, as informações adicionais podem ser transferidas para outros ca- nais, como audição e o tato. A capacidade também está relacionada com a força, precisão, velocidade e os alcances exigidos em movimentos musculares. Compatibilidade: o atendimento às expectativas do usuário melhora a compatibilidade, porém essas expectativas dependem de fatores isiológicos, cul- turais e experiências anteriores. Estão ligadas tam- bém aos estereótipos populares, por exemplo, um controle rotacional, quando giramos para a direita, esperamos que abra, ou aumente algo (torneiras, controles rotacionais de volume etc.). Prevenção e correção dos erros: assim como já deinido no design universal, a prevenção de erros deve impedir procedimentos errados tendo um rá- A efetividade caracteriza-se pelo fato de o produto ou sistema realizar a ação esperada, por exemplo, uma cafeteira tem que efetivamente fazer café. A eiciência caracteriza-se pela quantidade de esforço necessária para cumprir o objetivo, sendo assim, um produto eiciente realiza a ação desejada (efetivida- de) com menor tempo, com menos esforço, gastan- do menos recurso, entre outros. A satisfação é deinida pelo nível de conforto que os usuários sentem com o uso do produto, porém é um conceito subjetivo e está ligado às expectativas e necessidades de cada usuário. O que é confortável para uma pessoa pode não ser para outra, por isso, a O que é ISO? É a Organização Internacional de Normali- zação, com sede em Genebra, na Suíça. Foi criada em 1946 e tem como associados or- ganismos de normalização de cerca de 160 países. Tem como objetivo criar normas que facilitem o comércio e promovam boas prá- ticas de gestão e o avanço tecnológico, além de disseminar conhecimentos. Fonte: Inmetro ([2018], on-line)1. SAIBA MAIS 83 DESIGN DESIGN pido retorno à posição anterior, ou permitindo cor- reção fácil e rápida. Realimentação: o produto deve dar um retorno aos usuários sobre os resultados de sua ação, como em uma ligação telefônica existe um ruído típico que demonstra se a ligação está sendo completada, ou se a linha está ocupada. A realimentação ajuda o operador a redirecionar sua ação, e a falta de reali- mentação pode resultar em muitos desperdícios, até mesmo de tempo e esforço. A usabilidade pode ser melhorada aplicando os princípios apresentados e que podem nos servir de guias para questionar nosso produto quando em de- senvolvimento. Devemos sempre questionar nosso produto para procurarmos as melhores soluções e adequações. Tanto os princípios de usabilidade como os prin- cípios de design universal nos dão algumas diretri- zes para otimizarmos nosso produto e torná-lo mais adequado a um maior número de usuários. 84 Caro(a) aluno(a), desenvolver um produto não é tão simples como se imagina. É necessário envolver o trabalho de diversos proi ssionais para pesquisar áreas distintas e agregar as melhores soluções no desenvolvimento de um novo produto. Na medida do possível, nesta equipe de desenvolvimento deve conter, também, especialistas em ergonomia desde a etapa inicial do projeto do produto para que seja aplicada a ergonomia de concepção em que se pro- jeta um produto já pensando em todos os aspectos de usos. Baseado nisso, aplica-se soluções para mi- nimizar inadequações e/ou acidentes. Quando a er- gonomia de concepção não é aplicada, alguns pro- blemas no produto podem surgir, sendo necessária a correção do mesmo. Porém corrigir é mais difícil e custa mais caro, por isso, é sempre preferível que se busque alternativas para prevenção de erros desde o início do projeto. Desenvolver um produto é um processo muito variável, pois o projetista deve ter visão ampla so- bre vários aspectos, por exemplo qual o objetivo da empresa com relação aos produtos, ou seja, o que ela busca passar ao consumidor. Algumas empresas focam em qualidades técnicas, outras em qualidades ergonômicas, outras apenas em qualidades estéticas, e outras se concentram em redução de custo, mesmo sacrii cando a qualidade. Para todos estes casos, quem decide o i nal é o consumidor e o que priorizam no ato da compra e do uso do produto. Por isso, é importante saber o Desenvolvimento de Produto Ergonômico 85 DESIGN que os consumidores querem, quais características eles valorizam e o quanto estão dispostos a pagar. Existem diferentes metodologias de desenvolvi- mento de produto e será apresentada aqui uma das possibilidades para que possamos perceber como a ergonomia está presente em todas as etapas. A Tabela 1 ajudará na compreensão da partici- pação do ergonomista em cada etapa do desenvolvi- mento de produto. Os ergonomistas devem participar de todas as etapas do desenvolvimento de produto, por isso, quando as empresas têm atividades contínuas de desenvolvimento de produtos já empregam ergono- mistas como membros permanentes de suas equi- Tabela 1- Participação da Ergonomia nas diversas etapas do desenvol- vimento de produtos Fonte: IIDA (2005, p. 324). Etapas Atividades Gerais Participação da Ergonomia Deinição Examinar as oportunidades; Veriicar as demandas; Deinir objetivos do produto; Elaborar as especiicações; Estimar custo/benefício. Examinar o peril do usuário; Analisar os requisitos do produto. Desenvolvimento Analisar os requisitos do sistema; Esboçar a arquitetura do sistema; Gerar alternativas de soluções; Desenvolver o sistema. Analisar as tarefas/atividades; Analisar a interface: - Informações; - Controles. Detalhamento Detalhar o sistema; Especiicar os componentes; Adaptar as interfaces; Detalhar os procedimentos de teste. Acompanhar os detalhamentos. Avaliação Avaliar o desempenho; Comparar com as especiicações; Fazer os ajustes necessários. Testar a interface do usuário. Produto em uso Prestar serviço pós venda; Adquirir experiência para outros projetos. Realizar estudos de campo junto aos usuários e consumidores. A empresa Philips da Holanda trabalha com desenvolvimento de produto de forma con- tínua, por isso, mantém 21 especialistas em ergonomia dentro de sua equipe de projeto (STANTON, 1998). Eles dedicam 85% do tempo no desenvolvimento de projeto e se ocupam, principalmente, em analisar as interações dos usuários com seus produtos, acumulando ex- periências para o projeto de novos produtos, buscando aplicar o conceitode usabilidade em todos os produtos. Fonte: Iida (2005). SAIBA MAIS pes. Nos casos de menor volume de produção, pode- -se optar por consultores externos. 86 A Importância de Produtos Ergonômicos A ergonomia é de suma importância no pro- jeto de desenvolvimento de produto, pois defende que o produto deve se adequar ao corpo do usuário, e não o contrário. Antes da revolução industrial, os produtos eram de- senvolvidos manualmente em alguns casos, como as vestimentas, que eram concebidas base- adas nas medidas do corpo de cada pes- soa, depois da revolução industrial, com as produções em larga escala, a padronização se fez necessária. 87 DESIGN A princípio, eram muitos os problemas de ade- quação por conta das padronizações, porém, por meio de estudos ergonômicos, que, inicialmente, combatiam o trabalho desumano que se desenvol- viam em fábricas, posteriormente, estendeu-se para aplicação de conceitos ergonômicos para desenvol- vimento de produtos e ambientes que priorizem o corpo, pois se o homem iria utilizá-los, então, de- viam ser baseados em suas medidas. Outra aplicação ergonômica deu-se na forma de adequar esses bancos, que é o ajuste elétrico, assim, o motorista tem mais facilidade para adequar o banco ao seu corpo. Além da facilidade, estes mecanismos elétricos também aumentam a precisão do ajuste, con- sequentemente a segurança e o conforto do usuário. A ergonomia, em todo o processo de desenvolvi- mento de produto, torna-se importante por preser- var em todas as etapas os princípios ergonômicos que A antropometria também é ferramenta da ergonomia bem importante para se aplicar em produtos, pois de- talha todas as medidas do corpo e apresenta formas de aplicar estes dados aos produtos, contribuindo com a adequação a diferentes tipos de corpos. O design universal também é muito utilizado pensando nesta adequação do produto ao corpo, pois, aplicando seus princípios, torna-se possível desenvolver um produto que se encaixe em diferen- tes tipos corpos. Desta forma, atinge as minorias e abrange a maioria. Um exemplo comum no nosso dia a dia são os bancos dos carros que têm inúmeras regulagens e se adequam a pessoas com diferentes alturas, diferentes pesos e diferentes formas corpo- rais sem perder a segurança pretendida. são: segurança, saúde, conforto, satisfação, qualidade do produto, prazer no uso entre outros, além de tor- nar possível o uso de produtos por diferentes tipos de corpos, sem perder a qualidade, sendo possível incluir minorias, como deicientes físicos, sensoriais, entre outro, no uso do produto com qualidade. A usa- bilidade também se faz presente com os princípios que defendem efetividade, eiciência e satisfação. Na ergonomia de concepção, todas as etapas são pesquisadas antes, e todo tipo de falha pode ser evitada, enquanto na de correção é preciso arcar com o custo para remodelar o produto. Qual opção lhe parece mais viável? REFLITA 88 O estudo de caso será apresentado como forma de facilitar a compreensão da aplicação da ergonomia em um produto, com o foco em proporcionar mais conforto ao usuário e atender aos objetivos da ergo- nomia como um todo. O projeto que será apresenta- do foi desenvolvido por Andreia Fernandes Barbosa e é intitulado Avaliação da Inluência do mobiliário escolar na postura corporal em alunos adolescentes. A aluna desenvolveu este projeto em sua dissertação de mestrado em Engenharia de Produção e Sistemas, na Universidade do Minho, Portugal, em julho de 2009. As carteiras escolares são utilizadas por crianças e adolescentes, em que passam várias horas por dia, por muitos anos, e o mais importante é que em grande parte deste tempo estão em fase de desenvolvimento físico, psíquico, motor etc. Como já vimos anterior- mente, a fadiga provoca diversos problemas físicos, principalmente na coluna, e psíquicos, entre eles es- tresse, irritabilidade e outras consequências negativas. A pesquisadora realizou o estudo utilizando como amostra 136 alunos de ambos os sexos, de diferentes idades, de uma escola particular e três escolas públi- Estudo de Caso 89 DESIGN cas de Braga, Portugal. Foi feita avaliação postural e avaliação ergonômica das posturas na sala de aula, pelo método RULA (Rapid upper limb assessment), associado a um pequeno inquérito sobre a problemá- tica em estudo, em que se observou e analisou todos os elementos referentes à temática do estudo. Para a realização da avaliac ̧ão postural, foi cons- truído e usado um posturógrafo com 2 metros de altura e 0,72 metros de largura, com base de nive- lamento e marcac ̧ão da posic ̧ão dos pés com palmi- lhas com a forma de pé, de modo que os alunos se coloquem em posic ̧ão padrão. O método PEO (Portable Ergonomic Observation) destina-se à observação das posturas corporais em tem- po real, diretamente na sala de aulas. Para isso, usou o sotware Viglen Dossier 486, que realizou um feedback visual contínuo da postura corporal. O sotware PEO dá diretamente a percentagem do tempo gasto numa determinada postura, registra o número de posturas mantidas e o início e inal de cada uma delas. A cadeira mais utilizada nas salas de aulas ava- liadas eram cadeiras comuns de ferro com madeira, como na imagem a seguir. O que variava era o ta- manho da cadeira que mudava pouco a pouco para comportar as crianças ao longo do crescimento na fase infantil e adolescente. Figura 1 - cadeira utilizada nas salas de aula Fonte: Barbosa (2009). A mesa era individual quadrada, de estrutura metálica, embora também haja disponível em madeira maciça envernizada, com arestas e cantos boleados de acordo 90 com as especiicações regulamentares. O tampo é em aglomerado de madeira, como na Figura 2. E, assim como as cadeiras, as mesas vão aumentando confor- me o tamanho das crianças na infância e adolescência. Em alguns casos, os tamanhos das mesas e cadeiras não respeitam realmente as dimensões dos alunos de acordo com sua faixa-etária. Foi encontrado, em al- gumas escolas, carteiras e cadeiras do 6º ano idênticas às carteiras e cadeiras do 9º ano. Vale ressaltar que es- tes são os anos correspondentes aos maiores picos de crescimento, como visto na antropometria ao longo da vida. A atitude postural mais frequente, encontrada no presente estudo, durante a escrita ou leitura na sala de aula, é identiicada pelas seguintes características: • Postura com achatamento lombar: caracte- rizada por uma diminuição no ângulo lom- bosagrado, diminuição na lordose lombar ou inclinac ̧ão posterior da pelve. Figura 2 - Mesa utilizada nas salas de aula Fonte: Barbosa (2009). Na sala do 12º ano eram usadas cadeira com su- perfície de escrita: cada uma destas cadeiras possui estrutura metálica e acabamento em tubo de ac ̧o, assento e encosto como as restantes cadeiras. Esta palmatória pode ser elevada de modo a facilitar o acesso ao assento e pode estar à direita ou à esquer- da, conforme a necessidade do aluno, neste caso, sendo destro ou canhoto. Um dos inconvenientes deste tipo de mobiliário é o pouco espac ̧o que pos- sui, uma vez que não permite a utilizac ̧ão de um livro e de um caderno no mesmo espac ̧o, ao mesmo tempo. Esta cadeira possui apenas uma dimensão: 0.40x0.40x0.45 metros. Figura 3 - cadeira com superfície de escrita Fonte: Barbosa (2009). 91 DESIGN • Dorso curvo ou cifose aumentada: caracteri- zada por uma curvatura torácica aumentada, protrac ̧ão escapular (ombros curvos) e, geral- mente, associando uma prostrac ̧ão da cabeça.• Postura de prostrac ̧ão da cabeça: caracteriza- da por aumento da lexão da região cervical baixa e torácica alta, aumento na extensão do occipital sobre a primeira vértebra cervical e aumento na extensão das vértebras cervicais superiores. Pode também haver disfunc ̧ão na articulac ̧ão temporomandibular com retru- são da mandíbula. As imagens a seguir mostram as inadequações na postura dos alunos, provocadas pelo uso de pro- dutos inadequados, neste caso, as mesas e cadeiras escolares. Estas imagens foram feitas pela pesquisa- dora ao longo de seu trabalho. Figura 6 - Detalhamento da inadequação do corpo durante o uso do produto inadequado Fonte: Barbosa (2009). Figura 5 - Detalhamento da inadequação do cor- po durante o uso do produto inadequado Fonte: Barbosa (2009). A B Figura 4 - Postura dos alunos em sala de aula Fonte: Barbosa (2009). 92 92 Baseado nas inadequações encontradas, foram lista- das quais as posturas ideais em sala de aula, que são: • A cadeira deve estar o mais pró xima possí vel da mesa de modo a impedir a l exã o exagerada do tronco; • O material no qual se está a escrever nã o deve estar demasiado pró ximo do tronco, de forma a nã o exigir uma postura de l exã o do pesco- ço para ser possí vel visualizar a tarefa que se está a desenvolver. No entanto este material deve-se manter na zona ó tima de acesso aos membros superiores; • Os pé s deverã o estar bem apoiados no chã o, nã o permitindo que seja efetuada mais carga numa das tuberosidades isquiá ticas evitando, assim, uma postura em desequilíbrio; • O aluno deve tentar nã o efetuar inclinações ou rotações, quer do pescoç o quer do tronco, mantendo todo o material disposto de forma que a postura correta seja mantida; • Durante os movimentos de escrita, també m deve ser controlado o movimento de elevaç ã o do ombro, de forma a nã o sobrecarregar os mú sculos do ombro e cervical; • A abduç ã o do ombro, sendo impossí vel de abolir deve ser mantida num grau razoá vel, o mais perto possí vel de 0º. Muitos são os estudos relacionando as cadeiras e carteiras, porém a pesquisadora defende que todos os seus autores concordam com a adição de incli- nação, então, dei niu como cadeira e carteira ideal o seguinte modelo: Figura 7- modelo de carteira sugerido pela autora Fonte: Barbosa (2009). 93 DESIGN 93 Outro aspecto que se deve levar em consideraç ã o é a introduç ã o de um sistema regulá vel em altura das mesas e/ou cadeiras, pois não há estudos antro- pomé tricos i dedignos para a populaç ã o portugue- sa, desta forma, com as regulagens seria possí vel a adaptaç ã o a cada caso. A autora detectou, também, que não só os mobiliários deveriam ser remodela- dos, mas também a dinâmica do ensino em sala de aula, adicionando momentos que permitam que os alunos alternem a posiç ã o de sentado com a de pé , permitindo, em um momento determinado, o alí - vio das estruturas corporais. A sala de aula é um ambiente de trabalho como outro qualquer, onde as pessoas realizam tarefas especí i cas, preferencialmente, em ambiente ergo- nômico, ou seja, adaptado ao sistema homem-má - quina (aluno-mobiliá rio). É importante que neste ambiente escolar nã o sejam esquecidos os requi- sitos de saú de e seguranc ̧a na concepc ̧ã o do mo- biliá rio escolar. A pesquisadora conclui que, com o mobiliá rio escolar i xo, tanto no ensino privado como no pú blico, torna-se impossí vel existir ade- quac ̧ã o à s alterac ̧õ es nas dimensõ es corporais exi- gidas nas diferentes faixas etá rias estudadas. A sala de aula necessita de alteraçõ es globais, tais como a mudança na altura e largura de mesa e cadeira e acolchoamento das cadeiras, tendo em considera- çã o o posicionamento do aluno face ao professor e ao quadro da sala de aula. Essas mudanças sã o impossí - veis, tomando em conta o nú mero de alunos de cada turma e a organizaçã o estrutural da sala de aula. Para a resoluçã o deste problema, o ideal seria a opçã o pelo material regulá vel para as vá rias faixas etá rias, respei- tando os picos de crescimento de ambos os sexos, o que implica uma consciencializaçã o e investimento por parte do Governo Português (BARBOSA, 2009). As alteraçõ es posturais que podem prejudicar crianças e adolescentes te ̂m iní cio na fase escolar e têm uma evoluçã o silenciosa, o que constitui um fator de risco para as disfunçõ es da coluna verte- bral irreversí veis na fase adulta (BARBOSA, 2009). Além dos problemas posturais, o uso de produtos inadequados ao longo da fase de aprendizagem pode inl uenciar no rendimento do aluno, pois a fadiga incomoda e pode provocar sintomas, como irritabi- lidade, queda na concentração entre outros fatores negativos que podem surgir por habitarem espaços e/ou produto inadequados. 94 considerações inais Nesta unidade, pudemos compreender as qualidades técnicas ergonômicas que permeiam um produto. Detalhamos a qualidade técnica, qualidade ergonômica e qualidade estética, com o objetivo de compreender sua utilização do desenvolvi- mento ou correção de um produto. Os princípios do design universal foram detalhados, e como isso pode contribuir no desenvolvimento de um produto de qualidade, facilitando sua adequação ao usuário e resultando em um produto que atenda aos objetivos defendidos pela ergonomia com relação ao homem-objeto. A partir do detalhamento do design universal, pode-se compreender melhor como aplicar o máximo de princípios possíveis e tornar seu produto mais adequado à maioria e, desta forma, incluir algumas minorias. Apresentamos, também, o detalhamento para desenvolvimento de um produto ergonômico, ou seja, de que forma o ergonomista está presente em todas as eta- pas do processo e o quanto sua participação é importante. Além disso, pudemos perceber o quanto é importante aplicar ergonomia no desenvolvimento de um produto para obtenção de melhores resultados. Para clarear ainda mais o que foi explicado em nosso terceiro capítulo, foi apre- sentado o estudo de caso de uma pesquisadora portuguesa, que desenvolveu a correção dos mobiliários das salas de aulas de crianças e adolescentes. A partir dos relatos apresentados em seu trabalho e descritos como estudo de caso em nosso último tópico, pudemos perceber o quanto é importante a função da ergonomia no desenvolvimento de um produto e o quanto um produto inadequado pode afetar o desenvolvimento músculo esquelético de uma criança, podendo surgir problemas que persistirão até na vida adulta. Por meio das intervenções feitas pela pesquisadora, pudemos visualizar a correção de um produto baseado em conceitos ergonômicos e poderemos aplicar em outros tipos de produtos, desde que busquemos detectar o problema, analisar possíveis soluções e aplicar no produto, pensando sempre em conforto, qualidade, bem-es- tar, segurança, saúde e satisfação no uso, pois estas serão sempre as palavras de ordem da ergonomia. 95 atividades de estudo 1. O conceito de design universal foi criado pelo Centro de Design Universal (Universidade da Carolina do Norte - EUA). Qual é o objetivo desta aplica- ção do desenvolvimento de algum produto? a. Propor um produto que seja adequado a todos os tipos de pessoas, sem exceção, desta forma, torna-se um produto mais bem aceito. b. Quando se aplica o conceito de design universal, o produto torna-se, es- teticamente, agradável a todas as pessoas, favorecendo sua aceitação no mercado. c. A aplicação deste conceito dá ao produto ou ambiente características que facilitam o uso pela maioria das pessoas, ou seja, os produtos projetados para a maioria também consideramo uso pela minoria, não havendo di- ferença. d. Ajuda a adequar o produto a mais pessoas, porém se torna mais oneroso, sendo mais viável criar produtos especíicos às minorias. e. O design universal não favorece o produto, pois, na tentativa de adequar a todos, utiliza a média populacional e se acaba tornando inadequado para um maior número de pessoas. 2. O projeto universal adota certos princípios que podem ser aplicados tanto na avaliação dos produtos existentes como na criação de novos. Pensando nisso, quais são os princípios do design universal? a. Uso equitativo, lexibilidade no uso, uso simples e intuitivo, informação perceptível, tolerância ao erro, redução de gastos energéticos e espaço apropriado. b. Flexibilidade no uso, valor estético, valor simbólico, função prática e redu- ção de custos. c. Redução de custos, diminuição do impacto ambiental, multifuncionalidade e segurança. d. Adequar-se a todas as pessoas, sem exceção, e conter lexibilidade no uso. e. Redução de gastos de energia, minimização de fadiga, diminuição de im- pacto ambiental e redução de custo ao consumidor inal. 96 atividades de estudo 3. Em 1998, foi lançada a norma ISO de Usabilidade (ISO 9241-11) e, com base nesta norma, em 2002, foi criada a NBR 9241-11. Nessas normas, a usabi- lidade é deinida por: “Usabilidade é a efetividade, eiciência e satisfação com as quais usuários especíicos podem obter resultados especíicos em ambientes especíicos” (ABNT, 2002, p. 5). Fonte: ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 9241-11: Requisitos ergonômicos para trabalho de escritório com computadores. Parte 11. Orientações sobre usabilidade. Rio de Janeiro: ABNT, 2002. Com base nesta deinição, é correto airmar que: I. Efetividade é a medida em que um objeto ou tarefa é realizada, ou seja, em que o produto ou o sistema realiza a ação esperada, de fato. II. Eiciência é a quantidade de esforço necessária para cumprimento de um objetivo. III. Satisfação pode ser deinida como o nível de conforto que os usuários sentem com o uso do produto. Assinale a alternativa correta: a. Apenas I. b. Apenas II. c. Apenas III. d. Nenhuma airmativa está correta. e. Todas as airmativas estão corretas. 4. Existem princípios que compõem a boa usabilidade, mas nem todos são aplicáveis em todos os contextos. Os mais importantes são: a. Efetividade, eiciência e satisfação. b. Evidência, consistência, capacidade, compatibilidade, prevenção e corre- ção de erros e realimentação. c. Evidência, capacidade, prevenção e correção de erros. d. Efetividade, eiciência, satisfação, evidência, consistência, capacidade, com- patibilidade, prevenção e correção de erros e realimentação. e. Prevenção e correção de erros. 97 atividades de estudo 5. A ergonomia sempre é aplicada com a preocupação do bem-estar e con- forto do usuário, visando à saúde, à segurança, à eiciência no uso e à sua satisfação. As formas mais aplicadas no desenvolvimento de um produto são: ergonomia de concepção e ergonomia de correção. O que difere es- sas duas formas de aplicação? Assinale a alternativa correta: a. A ergonomia de concepção é responsável pela ideia, enquanto a ergono- mia de correção corrige as ideias que não são ergonômicas. b. A ergonomia de concepção é responsável pela ideia, enquanto a de corre- ção corrige o protótipo na fase inal. c. A ergonomia de concepção está presente no desenvolvimento de mobiliá- rios, enquanto a ergonomia de correção está presente no desenvolvimen- to de produto. d. A ergonomia de concepção é utilizada na fase de concepção, ou seja, na fase de projeto para desenvolvimento do produto, enquanto a ergonomia de correção é aplicada na correção de produtos mal projetados, quando, depois de serem fabricados, identiicam-se as irregularidades. 98 LEITURA COMPLEMENTAR 3 Produtos ergonômicos que você deveria estar utilizando Você já precisou pedir licença para a empresa por algum motivo de saúde? Ou talvez você esteja até neste momento afastado. E por acaso você tem ideia sobre o que mais causa afastamento nas empresas? São diversas doenças que têm retirado os colaboradores do seu posto de trabalho, mas uma em especial se destacou no relatório que a Previdência Social disponibilizou. A Previdência Social apresentou o número de trabalhadores que precisaram se ausentar em 2016. E adivinha qual é a doença que mais afasta funcionários? Se você pensou em alguma outra que não seja DOR NAS COSTAS, sinto lhe dizer, mas você errou. Problemas na lombar retiraram aproximadamente 24 mil trabalhadores do seu posto de trabalho no primeiro trimestre de 2016, ou seja, por dia foram em média 269 trabalhadores afastados. E qual a solução? Disciplina e ter consciência da importância do uso dos produtos ergonômicos que são disponibilizados para o conforto e qualidade de vida, que a ergonomia lhe proporcio- nará durante as 8 horas de trabalho que você precisa i car sentado em frente a um computador ou em pé. O QUE VOCÊ PRECISA SABER SOBRE ERGONOMIA Entre os fatores mais comuns que estão relacionados a ausência no posto de trabalho, provocando dores na cervical e lombar, estão a postura incorreta ou má postura e a falta de condições ergonômicas. Além disso, também temos a obesidade, sedentarismo e até o tabagismo. Um ambiente sem ajustes ergonômicos necessários pode resultar em dores, fadiga e tensão muscular. Ficar sentado muito tempo na mesma posição ou i car em pé com a postura errada aumenta a sobrecarga na coluna, causando a compressão dos nervos. O QUE FAZER PARA CORRIGIR A POSTURA? Praticar atividade física regularmente ajuda a fortalecer os músculos e isso é importan- te para auxiliar na correção da postura durante o expediente. E claro, o uso de produtos ergonômicos, tais como: - SUPORTE MONITOR OU SUPORTE PARA NOTEBOOK Substituir as revistas e livros por um suporte para monitor ou notebook, conforme es- tipulado pela NR 17, traz uma série de benefícios, como: 99 LEITURA COMPLEMENTAR • Correção da linha de visão do usuário à tela do monitor – distância adequada é de 50 a 70 cm. • Alívio do esforço exercido sobre a região cervical. • Evita fadiga na lombar, nuca e pescoço. • Previne doenças ocupacionais (LER/DORT). - APOIO PARA OS PÉS Troque a caixa improvisada pelo Apoio para os Pés. Esta substituição irá corrigir a pos- tura ao sentar. As plantas dos pés devem estar 100% apoiadas no chão ou no suporte, ou seja, as articulações dos joelhos precisam estar em um ângulo de 90º. As costas e a região lombar precisam estar apoiadas no encosto da cadeira, mantendo a postura ereta, enquanto os pés estão apoiados. O Apoio tem os seguintes benefícios: • Evitar fadigas musculares, formigamentos e lesões a longo prazo. • Garantir a boa circulação sanguínea nas pernas, evitando o aparecimento de va- rizes. • Evitar dores nas costas. • Corrigir a postura. - APOIO PARA ANTEBRAÇO O Apoio para Antebraço corrige a postura e evita fadigas musculares, além disso, tam- bém proporciona benefícios como: • Aliviar a tensão do pescoço. • Melhorar a irrigação sanguínea. • Prevenir doenças ocupacionais (LER/DORT). • Possibilitar a posicionamento correto do antebraço em mesas com espaço lim- itado – para que o posicionamento do seu braço esteja correto, toda a base do antebraço deve estar apoiada sobre uma superfície reta e plana. Caso o seu an- tebraço esteja angulado e mal posicionado, seu punho i cará tensionado, bem como a região muscular da nuca, ombros e pescoço (podendo resultar em uma lesão) e sua circulação sanguínea nesta região será prejudicada. Fonte: Reliza ([2018], on-line)2. 100 material complementar Ergonomia do Objeto João Gomes Filho Editora: Escrituras Sinopse: o autor reúnenoções de leitura ergonômica de objetos e projeto nas áreas do Design de Produto, Grái co, Moda, Ambiente, Arquitetura e respectivas interfaces recíprocas. De modo prático e didático, Ergonomia do objeto dei ne e exemplii ca este sistema técnico de leitura, que tem como objetivo adequar os objetos aos seres vivos, no que se refere à segurança, ao conforto e à ei cácia no uso. São apresentados estudos sobre numerosos e diversii cados produtos, fundamentados num sistema técnico de leitura inserido no que o autor conven- cionou denominar de “cultura ergonômica”. Indicação para Ler Ergonomia e Usabilidade: conhecimentos, métodos e aplicações. Walter Cybis, Adriana Holtz Betiol e Richard Faust Editora: Novatec Sinopse: o livro Ergonomia e Usabilidade – Conhecimentos, Métodos e Aplica- ções aborda a aplicação da ergonomia no desenvolvimento de interfaces huma- no-computador que possam proporcionar usabilidade e marcar positivamente a experiência de seus usuários. Ele apresenta formas de adequar sites, aplicações e dispositivos interativos aos peri s e às estratégias de seus usuários e de satisfazer as suas expectativas em um contexto tecnológico em constante evolução. Indicação para Ler 101 material complementar Segurança do Produto: uma Investigação na usabilidade de produtos de consumo Este artigo apresenta o uso da ergonomia para correção de alguns produtos muito utilizados dentro de casa, porém, que contém algumas inadequações tornando-os produtos inseguros. Acesse: <https://www.eed.emnuvens.com.br/design/article/viewFile/17/14>. Indicação para Acessar Janela da Alma Ano: 2001 Sinopse: no documentário, 19 pessoas dão seus relatos de como lidam com a dei - ciência visual. As histórias acabam abordando o olhar de uma forma mais sensível e menos ligada diretamente com o espectro exterior, sugerindo que a sociedade em geral, mesmo com a possibilidade de ver, deixou de enxergar o que é visível aos olhos. Indicação para Assistir Intocáveis Ano: 2012 Sinopse: o i lme conta a história de Philippe, um homem rico que, após sofrer um grave acidente, i ca tetraplégico. Precisando contratar um assistente, sua história cruza com a de Driss, jovem de baixa renda e sem nenhuma experiência na fun- ção de cuidador. O percurso trilhado pelos dois é de aprendizagem mútua. Driss contribui para a retomada da identidade e da autoestima de Philippe a partir de um trabalho que mostra o cuidado com as dei ciências, mas também uma atenção ímpar com as potencialidades envolvidas. Comentário: mesmo os i lmes indicados não tendo um foco direto no design de inclusão e na usabilidade, pode-se extrair estes aspectos por meio dos detalhes do i lme. O designer, além de prestigiar a história, deve também apreciar os detalhes e aprender com eles, tanto no primeiro i lme que aborda a dei ciência visual como no segundo que aborda a dei ciência física. Indicação para Assistir 102 referências ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 9241-11: Requisitos ergonômicos para trabalho de escritório com computadores. Parte 11. Orientações sobre usabilidade. Rio de Janeiro: ABNT, 2002. BARBOSA, A. F. Avaliação da Inluência do Mobiliário Escolar na Postu- ra Corporal em Alunos Adolescentes. 2009. 208 f. Dissertação (Mestrado em Engenharia de Produção e Sistemas) - Escola de Engenharia, Univer- sidade do Minho, Portugal, 2009. Disponível em: <http://repositorium. sdum.uminho.pt/handle/1822/10775>. Acesso em: 23/10/2018. IIDA, I. Ergonomia: projeto e produção. 2. ed. São Paulo: Blucher, 2005. JARDIM, S. R. Avaliação do conforto do ônibus urbano: estudo de caso no Distrito Federal. 2002. 86 f. Dissertação (Mestrado em Transportes) - Faculdade em Tecnologia, Universidade de Brasília, Brasília, 2002. JORDAN, P. An Introduction to Usability. London: Taylor & Francis, 1998. MARTINS, S. B. Ergonomia e moda: repensando a Segunda Pele. In. PI- RES, D. B. (Org.). Design de Moda: olhares diversos. Barueri: Estação das Letras e Cores Editora, 2008. NAPIER, J. A mão do homem. Rio de Janeiro: Zahar, 1983. NULL, R. I. Universal design directives for the workplace. In: CONGRES- SO DA INTERNATIONAL ERGONOMICS ASSOCIATION, 12., 1993 Toronto. Anais... Toronto. v. 3, p. 211-212. RAZZA, B. M. Ergonomia. Maringá: UniCesumar, 2016. STANTON, N. Human factors in consumer products. London: Taylor & Francis, 1998. Referência on-line 1Em: <http://www.inmetro.gov.br/qualidade/responsabilidade_social/o- -que-iso.asp>. Acesso em: 21 mar. 2019. 2Em: <https://www.reliza.com.br/3-produtos-ergonomicos-que-voce-deve- ria-estar-utilizando/>. Acesso em: 21 mar. 2019. 103 gabarito 1. C 2. A 3. E 4. B 5. D Professor Me. Veridianna Cristina Teodoro Ferreira Plano de Estudo A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade: • Iluminação e Cores • Ruídos e Vibrações • Ergonometria • Ergonomia e Mobiliário • Estudo de Caso Objetivos de Aprendizagem • Detalhar a utilização ergonômica de iluminação e cores para composição de um ambiente mais agradável. • Detalhar os malefícios de ruídos e vibrações em ambientes e propor melhorias. • Explicar o conceito e aplicação da ergonometria em ambientes internos. • Detalhar a utilização da ergonomia e antropometria no projeto e na composição do mobiliário. • Apresentar um ambiente com ergonomia e antropometria aplicada. ERGONOMIA APLICADA NO AMBIENTE unidade IV INTRODUÇÃO Olá, caro(a) aluno(a), neste capítulo, discutiremos sobre detalhes importan-tes que devemos levar em consideração na construção de um ambiente, seja ele residencial seja comercial, porém, sempre pensando na implanta-ção da ergonomia para otimizar o espaço como um todo. Devemos sempre pensar que uma ferramenta ou um ambiente devem ser adequa- dos ao uso humano, para que o homem não modiique suas formas corporais ou suas medidas de conforto para se encaixar em um ambiente ou produto desconfortável, pois isso pode custar sua saúde e seu bem-estar. Assim, será detalhada a utilização ergonômica de iluminação e de cores que com- põem um ambiente, quais os tipos de iluminação, quantidade de Lux, importância de sua aplicação correta bem como o uso de cores na iluminação e no ambiente a im de otimizar sensações psíquicas. Serão detalhados também todos os malefícios do ruído e das vibrações no corpo humano, além de relatar algumas maneiras de minimizar este desconforto, trazendo ao indivíduo mais qualidade de vida e diminuindo seus riscos à saúde. Veremos, também, a ergonometria, que se dá pela relação do homem com o es- paço, analisando características físicas, psicológicas e isiológicas. Estes conceitos se- rão explicados, bem como suas formas de aplicações para melhor compreensão dos espaços, pois o espaço que uma pessoa ocupa, às vezes, será considerado sentado, às vezes, considerado em pé, andando, entre outras posições. Por isso, para cada tipo de espaço e para cada tipo de mobiliário deve ser pensado, cuidadosamente, suas formas de uso e suas necessidades de mobiliário para melhor adequação do usuário ao espaço projetado. Para facilitar a compreensão dos itens apresentados, será apresentado um estudo de caso para que você compreenda melhor as formas de aplicação da ergonomia no design de interiores, além de poder visualizar a sua importância e quanto ela pode otimizar um ambiente e melhorar a qualidade de vida do usuário, priorizar seu bem-estar, sua saúde e, consequentemente, melhorar a produtividade do indivíduo. 108 Iluminação e Cores Caro (a) aluno (a), estamos começando nossa quarta unidade de Ergonomia e, aqui, abordaremos a ilu- minação, os efeitos i siológicos da iluminação, as ca- racterísticas das cores e suas aplicações. A lâmpada incandescente foi inventada em1878, por h omas Edison (1847-1931). Esta inven- ção foi uma das que mais contribuiu para o aumento da produtividade humana, pois aumentou 4 horas diárias de vida ativa para a população mundial. Isso porque, antes, utilizavam-se a iluminação natural e as lamparinas (IIDA, 2005). O correto planejamento da iluminação e das cores contribui com o aumento da satisfação no trabalho e a melhoria da produtivi- dade, além de reduzir a fadiga e os acidentes. Várias disciplinas no design abordam a ilumi- nação, porém o olhar da ergonomia vai de acordo com seus princípios, que são: conforto, segurança, bem-estar, otimização do espaço, entre outros, no entanto, neste caso, obtidos por meio da iluminação. O nível de iluminamento interfere, diretamente, no mecanismo i siológico da visão e na musculatura que comanda os movimentos dos olhos. Alguns fa- tores inl uenciam na capacidade de discriminação visual, como faixa etária, diferenças individuais, quantidade de luz, tempo de exposição e contraste entre i gura fundo (IIDA, 2005). A iluminação também inl uencia nos aspectos psicológicos, pois o aumento do iluminamento au- 109 DESIGN menta a satisfação das pessoas até o nível de 400 lux. Passando esta quantidade, além de aumentar a sa- tisfação, pode provocar ofuscamento e fadiga visual. Além disso, luz uniforme provoca monotonia, en- quanto as suas variações são estimulantes. A luz solar traz diversos benefícios à saúde, porém apresenta variações tanto na intensidade como em sua composição espectral, provocando contínuas al- terações da paisagem durante o dia e com diferentes níveis de iluminamentos. A luz solar proporciona alívio visual e contribui com o equilíbrio psicológico, por isso muitas pesso- as preferem trabalhar perto de janelas, para manter este contato com o mundo exterior. Outras pessoas acreditam que a luz solar seja mais saudável que a luz artiicial, porém as janelas são fontes de calor, e a incidência da luz solar direta pode provocar fortes ofuscamentos e relexos nas telas de monitores e ou- tras superfícies reletoras. Para que isso não ocorra, é necessário realizar um projeto adequado das ediica- ções e do layout interno das instalações (IIDA, 2005). Você já ouviu falar na Lâmpada Centenária? Trata-se de uma lâmpada instalada em 1901, na Califórnia (EUA), para iluminar 24 horas a Unidade dos bombeiros da cidade de Liver- more. Desde então, segue iluminando o local, somando mais de 1 milhão de horas de uso. De acordo com o site da BBC, a lâmpada pas- sou apenas 22 minutos de sua longa história desligada - quando a Unidade dos bombeiros mudou de endereço. Para saber mais, leia a matéria na íntegra em: <https://www.bbc.com/portuguese/ge- ral-44612144>. SAIBA MAIS 110 A iluminação do ambiente deve ser, cuidadosamen- te, planejada desde as etapas iniciais do projeto, aproveitando, adequadamente, a luz natural e suple- mentando com luz artiicial, sempre que necessário. O uso da luz natural minimiza gastos energéticos, porém a incidência direta da luz deve ser evitada, pois provoca perturbações visuais e, quando incide em paredes envidraçadas, tende a aquecer o ambien- te, provocando uma espécie de efeito estufa. No Brasil, existe uma norma relacionada à ilumi- nação do ambiente, a ABNT NBR 5413, que se refe- re à iluminância, ou seja, a quantidade de luz de um A má iluminação pode gerar diversos proble- mas a uma empresa, desde perda de vendas à expulsão da clientela. Imagine o grande pro- blema que um designer poderia causar a uma empresa, caso não levasse em consideração a importância da iluminação no ambiente. (Miriam Gurgel). REFLITA ambiente, de acordo com a exigência visual de cada atividade a ser desenvolvida no espaço (IIDA, 2005). A Tabela 1 apresenta algumas recomendações de iluminância para ambientes e atividades. Em experimento realizado em laboratório, a mesma tarefa foi realizada com diferentes níveis de iluminamento, entre 10 a 2000 Lux. Conforme o iluminamento foi aumentando, o tempo para desen- volver a tarefa foi diminuindo. Com 10 Lux, o tempo de tarefa foi de 90 segundos. Quando o iluminamen- to chegou a 200 Lux o tempo de tarefa caiu para 35 segundos, ou seja, 39% do inicial. Porém, mesmo o Tabela 1- Recomendação de iluminância para ambientes e atividades Ambiente ou atividade Quantidade de lux mínima recomendada Sala de espera 100 Garagem, residência e restaurante 150 Depósito e indústria pesada 200 Sala de aula 300 Lojas, laboratórios e escritórios 500 Sala de desenho (trabalho de precisão) 1000 Serviços de alta precisão (sala cirúrgica) 2000 Fonte: ABNT NBR (1992, on-line). 111 DESIGN iluminamento chegando a 2000, não houve redução de tempo na execução, o que comprovou que o au- mento de iluminamento acima de certo nível crítico é desnecessário, além de desperdiçar energia. É im- portante salientar que, acima de 1000 Lux, favore- ce-se o aparecimento de fadiga visual (IIDA, 2005). Um bom sistema de iluminação, com o uso correto de cores e a criação dos contrastes, pode produzir um ambiente agradável, principalmen- te comercial, onde as pessoas trabalham de forma confortável, com pouca fadiga, pouca monotonia e baixo risco de acidentes, além disso, produzem com maior ei ciência. FADIGA VISUAL Quando a iluminação não é apropriada, pode causar fadiga visual no indivíduo, que se caracteriza pela irritação nos olhos, lacrimejamento, aumento da frequência de piscadas, a visão vai i cando borrada e se duplica, desta forma, estes fatores diminuem a ei - ciência visual. Em um grau mais avançado, provoca dores de cabeça, náuseas, depressão e irritabilidade emocional. Como consequência, há quedas do ren- dimento e da qualidade do trabalho. Para prevenção da fadiga visual, deve haver um cuidadoso planejamento de iluminação, asseguran- do a focalização do objeto a partir de uma postura confortável cuja luz deve ser planejada também para não criar sombras, ofuscamentos, rel exos indese- jáveis. Além da iluminação adequada do objeto, a iluminação do fundo deve permitir um descanso vi- sual durante as pausas e aliviar o mecanismo de aco- modação, por isso, recomenda-se pausas frequentes, mesmo sendo de curta duração, podendo ser de 5 minutos a cada 1 hora ou até mesmo de 1 minuto a cada 10 minutos de trabalho. O tempo da pausa e a frequência são dei nidos a partir da complexidade do trabalho e de seus riscos referentes à saúde, neste caso, em especíi co, a saúde visual (IIDA, 2005). 112 Ofuscamento Ofuscamento refere-se à redução da ei ciência vi- sual que pode ser provocado por alguns objetos ou superfícies que contenham grande luminância, no campo visual, à qual os olhos não estão adaptados. Ele é produzido pelo sol, pelas janelas, pelas lâmpa- das no campo visual ou, até mesmo, por rel exos no campo polido. Um caso comum de ofuscamento é produzido por faróis de carros na direção contrária, quando se dirige à noite (IIDA, 2005) . Existe a técnica chamada Pomodoro, desen- volvida, em 1988, pelo italiano Francesco Ci- rillo. Trata-se de um método de gestão de tempo que pode ser aplicado para diversas tarefas, seja nos estudos seja no trabalho, a i m de otimizar o tempo de estudo e de tarefas. Geralmente, é voltada para pessoas procrastinadoras, ou seja, que têm tendência a adiar suas atividades. Pomodoro signii ca tomate, em italiano. A fruta faz alusão ao tempo durante o qual você pode fazer determinada tarefa. Cada pomo- doro é dividido em quatro pomodoros, que equivalem a 30 minutos, somando o total de 2 horas por pomodoro.Primeiro, você realiza uma atividade durante 25 minutos e, quan- do acabar o tempo, descansa por 5 minutos, assim, sucessivamente até que complete as duas horas. Ao i m, como recompensa, você pode descansar mais 30 minutos. Esta técnica é interessante por propor inter- valos em que seu cérebro terá tempo para se reorganizar e guardar as informações obtidas, resultando em um aumento de aprendiza- gem, concentração e produtividade. Fonte: Guia do Estudante (2017, on-line)1. SAIBA MAIS Quando não for possível eliminar ou recobrir a fonte luminosa, pode-se aumentar o nível de iluminação do ambiente para reduzir o contraste, ou seja, quanto mais escuro for o ambiente geral, maior será a vul- nerabilidade dos olhos ao ofuscamento. Um exemplo dá-se nos túneis, que devem se manter mais claros durante o dia, pois os olhos estarão adaptados à clari- dade ambiental maior antes de adentrarem ao túnel. O ofuscamento pode ocasionar desde desconfor- to, provocado pela atividade do músculo que controla a abertura da íris, ou seja, a dilatação e a contração quando em variações de claro e escuro, até cegueiras temporárias, que podem durar alguns segundos. Elas ocorrem quando luzes muito intensas surgem, repen- tinamente, no campo visual. O ofuscamento pode ser direto ou indireto, o direto ocorre no campo visual, e o indireto é causado por rel exão (IIDA, 2005). Para a melhor adequação do homem ao ambiente, é preciso reduzir o ofuscamento, para isso, a medida mais ei caz é eliminar a fonte de brilho do campo visual e, quando isso não for possível, deve-se mudar a posição do trabalhador, de forma que este ofuscamento i que de lado ou de costas para ele, também pode ser reduzido com o uso correto de iluminação direta e indireta. 113 DESIGN APLICAÇÃO DAS CORES NO AMBIEN- TE DE TRABALHO O correto planejamento de cores em ambientes de trabalho tem resultados que afetam o psicológico do trabalhador, produz economia de até 30% no consu- mo de energia e aumenta a produtividade, chegan- do em 80% ou 90%. Para isso, deve-se aplicar cores claras em grandes superfícies, com contrastes ade- quados para identii car objetos, associado a um bom projeto de iluminação (IIDA, 2005). Existem estudos diversos que comprovam a inl uência das cores no desempenho humano, um exemplo se deu em uma fábrica de produtos foto- grái cos, onde o processo de fabricação exigia o uso de luzes especiais. Diversos problemas disciplinares que ocorriam nesta fábrica com frequência desapa- receram depois que as luzes vermelhas das salas fo- ram trocadas pelas verdes (IIDA, 2005). As cores remetem ao indivíduo uma ini nidade de sensações, porém quando adequado a uma ilumi- nação adequada, pode resultar na sensação espera- da, no aumento da produtividade, no conforto visu- al e psíquico, na percepção da higiene e, até mesmo, na diminuição do consumo de energia, entre outros inúmeros benefícios associados à iluminação, às co- res e à ergonomia. Entretanto algumas cores também são utilizadas de maneira que chamem a atenção e facilite a compreensão do produto. Existem diversas normas que regulamentam o uso de cores, como a norma NBR 6503/1984 que i xa a terminologia das cores (IIDA, 2005). Já a norma NBR 7195/1995 apresenta recomen- dações para o uso das cores na segurança, com o in- tuito de prevenir acidentes e advertir contra o risco do produto, para isto, segundo Iida (2005) , existem 8 cores de uso padronizado que são: • Vermelho: usado em equipamentos de pro- teção e combate ao incêndio, inclusive, saída de emergência. Também é usada para indicar proibição e parada obrigatória. • Alaranjado: indica “perigo” em partes móveis e perigosas em máquinas e equipamentos, como polias, engrenagens e tampas de caixas protetoras. Também é usado em equipamen- tos de salvamento aquático, como boias e co- letes salva-vidas. • Amarelo: a cor amarela indica “cuidado” em escadas vigas, pilastras, postes, partes salien- tes em estruturas, bordas perigosas, equipa- mento de transporte e de movimentação de materiais. Pode ser misturado com listras ou quadrados pretos, mas somente até 50%. • Verde: indica “segurança” indicando caixas e equipamentos de primeiros socorros, macas, chuveiros de segurança e quadros para exposi- ção dos cartazes de segurança. Pode ser usado em faixas para delimitar áreas de segurança e áreas de vivência (fumantes, descanso). • Azul: indica uma ação obrigatória, como o uso de EPI (equipamento de proteção individual), tam- bém indica equipamentos fora de serviço que não devem ser energizados ou movimentados. 114 • Púrpura: usado para indicar perigo prove- nientes das radiações eletromagnéticas pene- trantes e partículas nucleares. • Branco: usado nas faixas ou setas para demar- car corredores e locais onde circulam, exclusi- vamente, pessoas. Também é usado nas áreas em torno dos equipamentos de emergência, primeiros socorros e coletores de resíduos. • Preto: identiica os coletores de resíduos, ex- ceto aqueles originários do serviço de saúde. Figura 1 - Uso padronizado de cores Fonte: Iida (2005). Deve-se tomar cuidado para apli- car estas cores, colocando de fun- do cores contrastantes, ou seja, o fundo branco para cores escuras e o fundo preto para contrastar as cores claras. Além desta nor- ma, existem outras que tratam de cores para sinalização bem espe- cíicas, como a NBR 6493/1994, que indica as cores das tubulações para canalização de luidos, ma- terial fragmentado e condutores elétricos (IIDA, 2005). Antes de aplicar a iluminação e as cores nos ambientes, é pre- ciso se certiicar das normas, dos signiicados psicológicos das co- res, da utilização do espaço e da necessidade de iluminação, além dos objetivos do projeto em si. 115 DESIGN Agora, entenderemos um pouco o que é o ruído e a vibração e o quanto podem ser prejudiciais à saúde do indivíduo. Uma das grandes fontes de tensão no ambiente de trabalho são as condições desfavorá- veis, como ruídos e vibrações. Estes fatores causam desconforto, aumentam riscos de acidentes e podem provocar danos consideráveis à saúde. RUÍDO Tanto o som como o ruído são estímulos auditivos, o que os difere é que o ruído não transmite informações úteis. Porém este conceito é subjetivo, pois um som pode ser desejável para um e indesejável para outro, da mesma forma, o mesmo som pode ser desejável ou indesejável para a mesma pessoa, o que difere é a ocasião (RAZZA, 2016). Um exemplo é a música que diverte quem está na festa, e incomoda os vizinhos, desta forma, dei ne-se como um som para quem está na festa e como um ruído para os vizinhos. Mesmo os vizinhos gostando da música, o que difere é a ocasião. Os ruídos podem ser contínuos ou intermiten- tes. Os contínuos, como o próprio nome já diz, são aqueles que perduram com a mesma característica por um longo período, por exemplo, ventiladores, ar-condicionado, que permanecem constantes por um longo período. Enquanto os intermitentes têm a duração muito curta e com variação de intensidade, como um telefone tocando, um objeto caindo, algu- mas conversas altas, entre outros. Ruídos e Vibrações 116 Existem limites de ruídos que são considerados inofensivos à saúde, sendo considerados apenas in- comodativos, enquanto outros são considerados tanto prejudiciais como incomodativos. Os ruídos de até 50 dB são considerados bai- xos e, normalmente, não atrapalham, porém entre 50 dB e 80 dB, já são considerados in- cômodos e passam a atrapalhar a concen- tração, a comunicação e causam irri- tabilidade.A partir de 85 dB, pode levar à surdez, por isso, é preciso usar equipamentos de EPI. Aci- ma de 120 db, o som pode se tornar doloroso (MÁSCULO; VI- DAL, 2011). Figura 2 - Nível de ruído por atividade Fonte: Prosek ([2018], on-line)2. Os ruídos podem causar diversos problemas à saú- de do usuário. Os mais intensos tendem a prejudicar tarefas que exigem atenção, concentração, velocida- de e precisão. Os resultados pioram após duas horas de exposição. O ruído produz aborrecimento, pois força o indivíduo a interromper a tarefa ou a deixar de fazer o que gostaria de fazer, como dormir, con- versar normalmente, resultando, assim, em tensões e dores de cabeça (IIDA, 2005). Trabalhar sob ruído constante pode levar ao sur- gimento de estresse, irritabilidade, dores de cabeça, falta de concentração, redução da capacidade da me- mória de curta duração, podendo, inclusive, atrapa- lhar a execução de movimentos. Além disso, ruídos 117 DESIGN intensos atrapalham a conversação, sendo necessário falar mais alto e prestar mais atenção para compre- ender e ser compreendido. Para o bem-estar do tra- balhador e/ou morador, é necessário protegê-lo do ruído para evitar as consequências nocivas da sua ex- posição contínua. Para que isso seja possível existem algumas possibilidades de minimização de ruído. Uma das opções para minimizar o ruído em uma fábrica seria a troca de maquinários muito barulhentos para maquinários mais silenciosos, ou substituindo alguns materiais da composição da máquina por outros materiais menos ruidosos. Quando o equipamento não pode ser trocado, pode- -se pensar em uma forma de isolar a fonte, ou seja, manter o motor do equipamento ou apenas o equi- pamento ruidoso protegido dentro de uma cabine, desta forma, seu ruído não afetaria todas as pessoas envolvidas no ambiente. Pode-se, também, remover o trabalhador do ambiente de ruído por meio de alterações no layout da fábrica, ou adotar controles administrativos que partem do conceito de ergonomia de conscientiza- ção, pois alerta o trabalhador sobre os efeitos dano- sos do ruído e os submete a treinamentos para que eles possam evitar exposições desnecessárias. E, em último caso, quando nenhuma das soluções anterio- res ou, até mesmo, outras possibilidades funciona- rem, aí sim, faz-se uso dos protetores auriculares. VIBRAÇÃO Vibração é qualquer movimento que o corpo ou parte dele executa em torno de um ponto i xo, po- dendo ser regular ou irregular. O regular dá-se pela vibração repetitiva suave, enquanto o irregular não segue nenhum padrão, como, por exemplo, dirigir em uma estrada de terra. Nosso corpo sofre vibrações diárias nos meios de transportes, como ônibus e trens, mas nem todas as vibrações são prejudiciais. Algumas ferramentas ma- nuais, como furadeiras, grampeadores, martelos elé- tricos e pneumáticos, também produzem vibrações, porém estas são localizadas nos braços e mãos, o que produz isquemias e dores localizadas. Esta exposição, quando contínua, pode produzir lesões irreversíveis. Efeito das vibrações sobre o organismo O efeito da vibração direta com o corpo pode ser extremamente grave e pode danii car, permanente- mente, alguns órgãos. Pode ocasionar, também, efei- tos i siológicos e psicológicos sobre o trabalhador, como perda de equilíbrio, falta de concentração e visão turva, diminuindo, assim, a acuidade visual. Nos trabalhadores l orestais, que usam moto-serra, ocorre uma degeneração gradativa do tecido vascu- lar e nervoso, causando perda da capacidade mani- pulativa e o tato das mãos, o que dii culta o controle 118 rências na fala, confusão visual, tudo isso por conta de sua vibração. Além disso, a exposição contínua do indivíduo pode resultar em lesões da coluna verte- bral, desordem gastrointestinal e perda do controle muscular de algumas partes do corpo (IIDA, 2005). Algumas providências podem ser tomadas para que as consequências das vibrações sejam minimi- zadas. Assim como na prevenção do ruído, deve-se eliminar ou isolar a fonte, proteger o usuário e/ou conceder pausas. • Eliminar a fonte: é importante tentar redu- zir a vibração junto à fonte, entender de onde surge e tentar eliminar, ou minimizar. Em alguns casos, as vibrações podem ser elimi- nadas por meio do uso de lubrii cantes nas motor. Em casos extremos, a circulação do sangue dos dedos é afetada, deixando-os brancos e podendo ocasionar necrose (IIDA, 2005). Estamos expostos às vibrações e correndo os riscos dos seus danos, porém nem todas as vibra- ções são prejudiciais, é preciso ter conhecimento da intensidade da vibração e do tempo que se está ex- posto a ela. Além disso, é preciso verii car se surgem alguns sintomas, caso ocorram, é preciso buscar so- luções para controlar a vibração. Uma vibração intensa, transmitida por ferramen- tas manuais, espalha-se pelas mãos, braços e corpo do indivíduo, podendo causar dormência dos dedos e perda de coordenação motora. Diversas máquinas utilizadas nas indústrias provocam enjoos, interfe- 119 DESIGN máquinas, manutenções periódicas, ou colo- cação de calço de borracha e outros mecanis- mos de amortecer vibrações. • Isolar a fonte: quando não for possível elimi- nar, deve-se tentar manter a fonte de vibra- ção longe do indivíduo para evitar o contato direto do indivíduo. Este afastamento pode ser físico, colocando a fonte longe do indiví- duo ou, então, pode-se utilizar um material isolante para enclausurar a fonte de vibração. Em ferramentas manuais, pode-se utilizar re- vestimentos isolantes nas pegas, como borra- cha ou espuma de plástico. • Proteger o trabalhador: quando as opções anteriores não são sui cientes, deve-se prote- ger os indivíduos com equipamentos, como botas e luvas que ajudam a absorver a vibra- ção. Neste caso, deve-se tomar muito cuida- do, pois os materiais de proteção, geralmente, são incômodos e não atendem a todas as fai- xas de frequência de vibração, por isso, deve ser profundamente estudado. • Conceder pausas: quando a vibração for con- tínua, deve-se conceder pausas, por exemplo, 10 minutos para cada hora de trabalho, as- sim, evita-se a exposição contínua à vibração. Sendo assim, como em todas as áreas que a ergono- mia defende, deve-se ter um profundo conhecimen- to de cada caso, pois cada vibração pode causar um sintoma diferente, dependendo da intensidade e do tempo de exposição. Por isso, é necessário conhecer a atividade, conhecer o limite dos trabalhadores e aplicar a melhor solução para dar segurança, prio- rizar a saúde, bem-estar e o conforto do indivíduo. 120 Caro(a) aluno(a), neste tópico, abordaremos a Ergo- nometria, sua relação e importância no design de inte- riores, que busca a melhoria do espaço a ser habitado. Ergonometria trata da ciência que busca me- lhorar a relação entre o homem e o meio ambiente, analisando características físicas, psicológicas e i- siológicas de um povo, além das distâncias e dos es- paços necessários para eles. Desta forma, trataremos como ergonometria as medidas mínimas para que a pessoa desenvolva suas atividades sem comprometi- mento com o espaço ao redor, dando a ela conforto e facilidade de locomoção (GURGEL, 2007). Em um projeto de design de interiores, devemos, inicialmente, entender todas as formas de utilização de cada ambiente a ser projetado, porém não levamos em consideração apenas medidas físicas, e sim medidas de conforto. Por exemplo, fazer a leitura de um livro representará muito mais que adicionar um lugar para sentar e um livro no ambiente: deve-se ponderaral- guns detalhes, como a poltrona a ser utilizada deve ter boa adaptação à pessoa que lerá, deve-se considerar a área ao redor para que seja possível reclinar a poltro- na, caso tenha esta função ou, então, para incluir uma mesa de apoio. A iluminação também deve ser bem estudada para que seja aplicada na quantidade de lux adequada, no local e na altura apropriados para bene- iciar a saúde do leitor. Deve-se optar pelos materiais mais confortáveis para desenvolver esta atividade, para que não atrapalhe na concentração e que se torne uma atividade produtiva e prazerosa (GURGEL, 2007). Ergonometria 121 DESIGN Sendo assim, quando determinamos uma área para desenvolver um ambiente, devemos considerar seu redor, não apenas os espaços que as mobílias ocu- pam, pois é necessário desenvolver as atividades no entorno delas. Essas medidas aplicadas ao redor va- riam de acordo com o tipo de mobília que se utiliza no ambiente. São inúmeros os modelos de sofás, pol- tronas, mesas de centro, mesas laterais e aparadores, cada um apresenta dimensões diferentes dos outros. As medidas de espaços variam se nos referirmos a pessoas sem nenhuma dii culdade de locomoção ou a pessoas que utilizam aparelhos assistivos para se locomover. As medidas variam também se nos re- ferirmos a espaços onde necessitam de movimentos de alcances para pegar algo ou, até mesmo, se o es- paço é composto por mobiliários com gavetas. A distância das mesas de centro aos assentos não pode ser menor que 50 cm, isso quando hou- ver realmente problemas com espaço, pois a medida aconselhada é de 60 cm, não ultrapassando 70 cm para que as pessoas não tenham que se levantar para utilizar a mesa (GURGEL, 2007). A distância de um aparador para a mesa deve ser de, no mínimo, 120 cm a 130 cm, caso tenha que ter acesso a ele durante o jantar, evitando, assim, o incômodo das pessoas durante a refeição. Para montar um espaço aplicando a ergonome- tria, deve-se calcular a medida dos móveis além da medida do conforto, ou seja, calcula-se a medida da mesa de jantar, das cadeiras ocupadas e a circulação ao redor desta mesa. A falha ocorre quando se ten- ta colocar uma mesa maior que o espaço comporta com sua medida de conforto. Por exemplo, colocar uma mesa no espaço, considerando o l uxo apenas com as cadeiras desocupadas, pode gerar desconfor- to quando estas estiverem ocupadas e alguma pessoa tentar transitar ao redor da mesa, forçando que pes- soas se locomovam ou se retirem para que o indiví- duo passe pelo local. Neste caso, talvez fosse melhor optar por uma mesa menor e garantir o conforto dos que estão sen- tados e dos que, por algum motivo, necessitam sair da mesa durante a refeição. Este cuidado de projetar um espaço pensando nas diversas formas de utilização deve ser considera- do em todos os ambientes, tanto nos residenciais quanto nos comerciais. E, quando o ambiente for pequeno e tiver que acomodar algumas exigências, deve-se, então, usar a criatividade para atingir a ex- pectativa do cliente. Desta forma, aplica-se princí- pios ergonômicos como segurança, conforto, bem- -estar e qualidade no uso do ambiente. 122 A ergonomia precisa ser pensada e aplicada em todas as circunstâncias, inclusive na escolha do mobiliário. Deve-se levar em consideração suas medidas, suas funções, sua matéria-prima, suas diferentes possi- bilidades de usos, suas possibilidades de adequação ao usuário, entre outros. Assim como tudo o que se aplica na ergonomia, deve priorizar o conforto, a se- gurança, a saúde e a satisfação do usuário, além disso, a melhoria da eiciência que vem como consequência. A escolha e a distribuição do mobiliário são eta- pas-chave num bom resultado do projeto cuja sele- ção deve ser coerente com a proposta preferida, des- de o tipo de distribuição dos móveis até o modelo de cada peça (GURGEL, 2005). Para se avaliar um bom design de mobiliário, é necessário julgar, principal- mente, suas características funcionais, tecnológicas, seu material, acabamento e sua durabilidade, além de suas características estéticas, entre outros tantos fatores envolvidos nesse processo. Ergonomia e Mobiliário Ao escolher o mobiliário para um projeto, leve em conta suas características ergonômicas, sua composição estrutural, seu impacto visual e psicológico e sua relação custo-benefício. (Miriam Gurgel). REFLITA 123 DESIGN É importante considerar que um ambiente deve ser habitado da melhor maneira pelo usuário, por isso, ao projetar o mobiliário do ambiente, deve-se pen- sar de que forma as pessoas irão utilizá-lo. Pessoas sentarão, levantarão, circularão pelo ambiente, al- cançarão objetos, abrirão gavetas, abaixarão, entre outras movimentações comuns que fazemos ao lon- go do dia. Porém estas pessoas devem desenvolver estes movimentos com facilidade, de forma confor- tável e sem dii culdade de locomoção, desta forma, consequentemente, o farão mais dispostas. Os móveis, quando planejados, devem ser desenvolvi- dos a partir de dados antropométricos da população, entretanto, quando o cliente tem alguma necessidade especíi ca, como um tipo de dei ciência ou até mesmo quando não se encaixa neste padrão antropométrico da população, então o designer deve projetar um mo- biliário que atenda as suas especii cidades. Deve-se ter conhecimento de todas as pessoas que habitarão o espaço e, a partir disso, projetar um mobiliário com ajustes para se adequar a diferentes corpos, ou de uso especíi co, caso seja usado apenas por uma pessoa e que necessite de alguns cuidados característicos. Pode-se, também, aplicar no projeto do mobiliário novas possibilidade de usos, por exem- plo, um produto que possa ser utilizado de mais de uma forma como mesas que viram, prateleiras, ban- cadas que viram mesas, sofás que viram camas etc. É também possível a criação de um produto que possa ser ampliado e reduzido, de acordo com a quantidade de pessoas que utilizará. Um exemplo dessa ampliação dá-se em alguns modelos de mesas de jantar que podem ser utilizadas por 6 pessoas e, quando necessário, pode ser ampliada para com- portar mais pessoas, como 8, 10 ou até mais, depen- dendo da proposta e necessidade. Isso faz com que se adeque a um número maior de usuários sem que ocupe grande espaço todo o tempo, tornando-se óti- mas opções para espaços menores. A partir do momento que o designer entende a necessidade dos usuários do ambiente, das possibi- lidades de aplicações ergonômicas, do uso de dados antropométricos, das possibilidades de ajustes e da importância de preservar o conforto do usuário, en- tão, é só usar a criatividade e desenvolver projetos de mobiliários de forma que atenda o usuário em seu es- paço e resulte no bem-estar, satisfação e prazer no uso. 124 Para melhor compreensão da ergonomia no design de interiores, será utilizado como estudo de caso um trabalho desenvolvido por Daniela Capri, da CESUSC (Complexo de Ensino Superior de Santa Catarina - Florianópolis), juntamente com Eliana Maria dos Santos Bahia e Adilson Luiz Pinto, ambos da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina). A pesquisa que será apresentada buscou anali- sar a ergonomia real de uma Biblioteca Universitá ria de Florianó polis/SC e confrontá -la com a ergono- mia percebida pelo usuá rio para realizaçã o de um diagnó stico ergono ̂mico. Foram estabelecidos dois objetivos especí i cos: descrever os aspectos fí sico- -ambientais da Biblioteca, vinculados à Ergonomia real e verii car a percepçã o dos usuá rios em rela-çã o à Biblioteca, com aspectos sobre a ergonomia e sua aplicac ̧ã o vinculados à Biblioteca Universitá ria. Analisaram-se, principalmente, as condic ̧õ es de ilu- minac ̧ã o, ruí do e temperatura. Os pesquisadores optaram pela biblioteca uni- versitária pela preocupação com a satisfaçã o do usuá rio, no sentido dos serviços disponibilizados e do encontro da informac ̧ã o requerida. Aspectos ambientais da Biblioteca, que envolvem iluminaçã o, temperatura, ruí dos e sinalizaçã o, geralmente, são pouco questionados. Foram aplicadas as Normas regulamentadoras de Segurança e Saú de no Traba- lho: NR17 - Ergonomia, publicada e adotada pelo Estudo de Caso 125 DESIGN Ministério do Trabalho e Emprego e proposta uma correção ergonômica na biblioteca como um todo, nas salas de estudo, mobiliário, iluminac ̧ão, tempe- ratura, ruídos, disposic ̧ão dos móveis, layout. Após detalhada a metodologia, compreendeu-se todo o público que utilizava a biblioteca, desde En- sino Fundamental, Médio, universitário e de pós- graduação. Depois disso, os pesquisadores izeram o layout da biblioteca, como consta na Figura 3. Análise físico-ambiental Análise da percepção Diagnóstico ergonômico Descrição da localização física, da coniguração ambiental e do layout da Biblioteca através de plantas arquite- tônicas e observação do ambiente. Análise dos questionários com usuários para identiicação de imagem de Biblioteca. Evidenciar os aspectos que conduzem à análise físico-ambiental em relação à análise da percepção do usuário. Medição dos aspectos ergonômicos (iluminação, ruído, temperatura, umi- dade) da Biblioteca através de apare- lhagem adequada. Análise dos questionários aplicados para identiicação da percepção da ergonomia da Biblioteca analisada. Veriicar se a medição dos aspec- tos ergonômicos (iluminação, ruído, temperatura, umidade) condiz com os indicados nas Normas de Ergonomia. Aplicação do questionário com os funcionários para coletar dados sobre conforto ambiental. Quadro 1 - Diagnóstico ergonômico do ambiente Fonte: Capri (2011). Figura 3 - Layout da biblioteca Fonte: Capri (2011). 126 Assim como podemos ver na imagem do layout, no hall de entrada, localiza-se o guarda-volumes e uma mesa para que os usuários retirem seus materiais, enquanto à direita da porta de entrada localiza-se o balcão de empréstimo e uma divisória, junto à qual se localiza o setor de tratamento técnico. ̀ frente do balcão de empréstimos, icam as mesas de estudo e, à esquerda das mesas, localiza-se o acervo, dividi- do em setor de refere ̂ncia, acervo geral, literatura e DVD’s. ̀ direita das mesas de estudo, está localiza- do o setor de periódicos e mesa para jogo de xadrez. As duas salas de estudos coletivos estão localizadas em frente ao setor de periódicos e a de estudos indi- viduais, ao fundo da Biblioteca. No ambiente físico interno da Biblioteca, verii- ca-se que as paredes e o teto são pintados de branco, o que dá sensação de claridade, e, também, para au- xiliar na claridade, existem janelas que ajudam a ilu- minação natural. Em relação ao ambiente de uma bi- blioteca, Costa, Ziegler e Rollo (1999) abordam entre outros os pontos em que devem: adaptar cabines de estudo individual; criar áreas de silêncio com devido isolamento acústico; uso de carpete e/ou pisos sintéti- cos para abafar o barulho dos passos; posicionamento das mesas/balcões de trabalho distantes das áreas de silêncio; colocar cartazes convidando ao silêncio. A estrutura da Biblioteca analisada, entretanto, não comporta espac ̧os especíicos para a distribui- ção das estantes de acervo, do hall de entrada, do balcão de atendimento e das mesas de estudo, e as únicas salas separadas são as de estudo coletivo, in- dividuais e o setor de tratamento técnico, porém este último sem isolamento acústico. Falando ainda de isolamento acústico, as janelas de toda a Biblioteca não são vedadas, o que aumenta o ruído em momentos de intervalo e almoço, ain- da mais que a Biblioteca localiza-se sobre a prac ̧a de alimentac ̧ão e os corredores que são utilizados como áreas de lazer. Além disso, o piso de toda a Biblioteca é de cerâmica, o que não abafa o barulho dos pas- sos e do arrastar das cadeiras dos usuários, fato que interfere na concentrac ̧ão. Segundo Silvestre (1992 apud PEREIRA; SILVA; SALES; 2011), os ruídos chegam a provocar uma reduc ̧ão de até 60% da pro- dutividade, por diicultar a concentrac ̧ão, propician- do erros, desperdícios ou acidentes. Sendo assim, a solução está em utilizar as salas de estudos individu- ais que possuem isolamento acústico. Com relação aos funcionários, quando foram perguntados - “Quais aspectos do ambiente da Bi- blioteca mais prejudicam o seu trabalho?”- as res- postam obtidas foram: a) aspectos ergono ̂micos, em relação à altura dos móveis, que não são adaptados para pessoas com estatura baixa; b) cadeiras, altura das estantes e iluminac ̧ão durante o período notur- no; c) desconforto nas cadeiras que icam abaixan- do, sem controle prévio do usuário; d) equipamen- tos de informática mal instalados, mal adaptados e obsoletos; e) balcão de empréstimo ser junto com o ambiente de estudo; f) sistema de busca e indexação desatualizado; falta de qualidade das ferramentas tecnológicas utilizadas por funcionários e usuários. Analisando as respostas dadas pelos funcio- nários, veriicam-se, novamente, várias caracte- rísticas ergono ̂micas que não foram aplicadas na biblioteca, o que prejudica o bom rendimento do 127 DESIGN trabalho e a qualidade de vida do trabalhador. Na questão seguinte - “Voce ̂ mudaria alguma coi- sa no ambiente da Biblioteca? Qual?”- as respostas vêm de encontro com os aspectos que prejudicam o trabalho. Foram elas: a) modiicaria a mobília do bal- cão de atendimento e melhoraria a iluminac ̧ão deste local; b) modiicaria as cadeiras e a iluminac ̧ão; c) modiicaria os equipamentos de informática; d) mo- diicaria o local do balcão de atendimento; e) modi- icaria os terminais de consulta e o sistema de busca. Mediante tais aspectos a serem observados referentes à mobília da Biblioteca, principalmente as cadeiras e o balcão de atendimento, juntamente com a obsoles- ce ̂ncia dos equipamentos tecnológicos e a iluminac ̧ão do local, características essas que apresentam certa insatisfac ̧ão por parte da amostra e que deveriam ser repensadas no ambiente de trabalho. Apenas uma pessoa pontuou que não modiicaria nada. A última questão está relacionada com o que os funcionários acreditam referente a mudanças que poderiam implicar uma melhoria no desempenho proissional. As respostas foram: a) ajudaria a ter melhor postura corporal e a iluminac ̧ão no trabalho com computador e leitura; b) melhoraria a qualida- de de vida no trabalho; c) não houve sugestões de mudanças; d) melhoraria o rendimento proissional; e) melhoraria a concentrac ̧ão na hora de trabalhar; f) agilizaria o processo de atendimento e garantiria a aproximac ̧ão do usuário com o sistema. Novamente, apenas uma pessoa não opinou sobre mudanças. Ao analisar as sugestões de mudanças e as possíveis melhorias sugeridas pelos funcionários, pode-se per- ceber que, além de um ambiente mais agradável para o trabalho, também os usuários seriam beneiciados, pois se estes aspectos ergonômicos estiverem bem es- truturados e bem organizados, tanto o usuário quanto o funcionário poderão usufruir de melhores serviços. Apenas para reforçar a compreensão com relação à ergonomia “[...] compreende a aplicação de tecnologia da interface homem-sistema a projetoou modiicações de sistemas para aumentar a segurança, conforto e ei- ciência do sistema e da qualidade de vida” (MORAES; MONT’ALVÃO, 2000). Segundo a NR 17, o mobiliário do ambiente - iluminação, ruídos, ventilação e tem- peratura são identiicados como fatores ergonômicos, por isso, também foram medidos, analisados e repen- sados neste projeto de correção ergonômica. A medic ̧ão da iluminac ̧ão foi realizada com um luxímetro, a cerca de 80 cm de altura do piso, quan- do a medic ̧ão foi realizada onde não existiam mesas, e sobre as mesas de estudo, quando existiam, seguin- do o estabelecido pela Norma NBR 5382. As medi- ções foram feitas em 13 pontos da Biblioteca, sendo eles: P1, P2 e P3, localizados no hall de entrada; P4, P5 e P6, localizados na sala de estudos individuais; P7, na sala de estudos coletivos; P8, nas mesas do setor de periódicos. Nestes pontos, o aparelho de medic ̧ão foi posicionado sobre as mesas de estudo; P9, no sofá de leitura; P10, no setor de refere ̂ncia; P11e P12 nas estantes. Nestes pontos, o aparelho foi posicionado a 80 cm do piso, que foi mantido sobre a mão da pessoa que estava realizando a medic ̧ão. P13, no balcão de atendimento, onde o aparelho foi posicionado para realizar a medic ̧ão sobre a parte mais baixa do balcão. Os pontos onde foram realiza- das as medic ̧ões são apresentados na igura a seguir: 128 Os resultados obtidos com relação à medição de Lux do ambiente encontram-se na Tabela 2. Figura 4: Pontos de medição da biblioteca Fonte: Capri (2011). Tabela 2 - Pontos de medição de iluminação Fonte: Capri (2011). Pontos da Biblioteca Medição (lux - unidade de medida Recomendação NBR5413 - Norma de iluminação Horário entre 19:15 e 19:30 (lux) P1 274 500 P2 248 500 P3 136 500 P4 374 500 P5 180 500 P6 600 500 P7 260 500 P8 180 500 P9 290 500 P10 570 500 P11 334 300 P12 195 300 129 DESIGN Dentro de bibliotecas, a NBR10152 (níveis de ruídos para conforto acústico) recomenda que o nível de ruído esteja ente 35 e 45 dB, o que estaria apropriado para ambientes de estudo, os resultados obtidos na biblioteca avaliada constam na tabela 3. Tabela 3 - Nível acústico da Biblioteca Fonte: Capri (2011). Observa-se, no quadro, que, em P1, onde estão loca- lizadas as mesas de estudo e o balcão de empréstimo, o nível de ruído foi de 62 dB, sendo que o recomen- dado pela Norma é de, no máximo, 45dB, mostrando, assim, que os alunos estão corretos quando apontam o ambiente como barulhento, pois, como já citado, a partir de 70 dB, o ruído atrapalha a concentração. Na medic ̧ão realizada no P2, veriicou-se uma baixa de 10 dB, indicando o nível de ruído em 52dB. Neste ambiente, durante a medic ̧ão, houve variação de 52dB, enquanto todos estavam em sile ̂ncio; 74dB, quando um aluno saiu da sala, mexeu cadeiras e ba- teu a porta, após o sile ̂ncio se restabelecer, o nível voltou a 52dB. Porém, ainda está acima dos valores estabelecidos pela Norma. Os barulhos que mais incomodam os usuários são: conversas causadas pelos próprios usuários, som do salto dos sapatos, ruídos externos e barulho ao abrir e fechar a porta de entrada. Estes fatores estão direta- mente ligados à primeira etapa do trabalho - a análise físico - ambiental, em que foi veriicado que o piso não favorecia o silêncio, a localização do balcão de emprés- timo e as mesas de estudo no mesmo ambiente preju- dicavam a questão do silêncio, e, também, por estar em Pontos da biblioteca Medição acústica Recomendação P1 62 dB 35-45 dB P2 52 a 74 dB 35-45 dB cima da praça de alimentação e do local de integração dos alunos, o nível de ruídos é muito elevado. Para veriicar se a percepção dos usuários em rela- ção à temperatura da Biblioteca foram feitas medições dos ambientes, principalmente no P1 e P2. A medição foi realizada no inal do mês de outubro de 2011, apro- ximadamente, um mês após a aplicação dos questio- nários. Não há grande oscilação de temperatura, pois o ambiente é climatizado, com aparelhos de ar condi- cionado nas salas de estudos coletivos e individual e, também, no salão geral. Vale ressaltar que os usuários possuem liberdade de solicitar aos funcionários que liguem e desliguem os aparelhos de ar condicionado, tanto nas salas de estudos, quanto no hall. As temperaturas obtidas na medição tanto no P1 quanto no P2 estão em torno de 24°C. A recomen- dac ̧ão da NR17 é que o ambiente se mantenha entre 20°C e 23°C para que o ambiente proporcione con- forto para quem está utilizando a Biblioteca. Logo, 24°C estaria dentro da faixa de temperatura consi- derável e agradável para o conforto dos usuários, principalmente se for considerado o questionário, em que ninguém está insatisfeito com a temperatura. Ao realizar o diagnóstico ergono ̂mico, os fatores analisados, como iluminac ̧ão e ruído estão parcial- mente de acordo com as normas estabelecidas pelos agentes regulamentadores. Em relac ̧ão aos usuários, cinco pessoas num total quinze consideram a ilumi- nação suiciente, e seis de quinze consideram que o ruído deveria ser melhor controlado. Referente à divisão dos ambientes dentro da Bi- blioteca, percebe-se que não existe separação entre o local do acervo, balcão de empréstimo e mesas de estudo. Esta ambientação deveria ser repensada uma vez que o único local, onde os usuários podem obter maior aproveitamento de seus estudos resume-se às salas de estudos individuais e salas de estudos cole- 130 tivos. Quanto à ambientaçã o da Biblioteca dentro da Universidade, esta se encontra em um local centrali- zado, o que facilita o acesso dos alunos. No entanto, a questã o do ruí do – que constou como muito impor- tante nesta pesquisa, é importante em relaçã o a toda a comunidade de estudantes, usuá rios da Biblioteca, sendo que seis de quinze consideraram que o ruí do deveria ser melhor controlado, principalmente no que concerne a horá rios de intervalo, o que foi coni r- mado ao ser realizada a mediçã o, quando foram obti- das medidas bem acima das estabelecidas pela NR17. A maioria dos usuá rios e funcioná rios conside- rou a temperatura adequada ao ambiente analisado, indo ao encontro do que foi verii cado na medic ̧ã o realizada no local. Sobre a iluminac ̧ã o, embora a maioria da amostra de usuá rios tenha se mostrado satisfeita, apenas tre ̂s lugares apresentaram medic ̧ã o superior ao indicado pela Norma. Por meio do estudo de caso aqui apresentado, po- de-se perceber como aplicar a ergonomia de correção e como utilizar corretamente todas as possibilidades de melhoria, ou seja, iluminação, ruído, temperatu- ra, separação de ambiente, entre outros. E isso, com levantamento de questões junto aos usuários e fun- cionários e conhecimentos de normas regulamenta- doras. Desta forma, obteve-se todas as informações necessárias para diagnóstico e correção do ambiente e, como sempre, visando conforto, usabilidade, aces- sibilidade, bem- estar e melhor produtividade do in- divíduo, tanto o trabalhador como o pesquisador. Compreende-se que os estudos de Ergonomia po- dem auxiliar tanto os funcioná rios quanto os usuá rios da Biblioteca, pois estes, estando satisfeitos com o ambiente, podem produzir e trabalhar de forma mais adequada à s suas necessidades. Os resultados obtidos por meio desta pesquisa podem servir na criaçã o de Diretrizes de Polí tica Ergonômica para bibliotecas. 131 considerações inais Caro (a) aluno (a), o quarto capítulo aqui apresentado abordou o detalhamento da Ergonomia no Design de Interiores, pois se pode compreendertodas as análises que devem ser desenvolvidas na concepção ou na correção de um ambiente, bem como a importância de cada aplicação e os malefícios de sua ausência. A iluminação e as cores foram detalhadas para que possamos compreender a im- portância de sua aplicação, pois sua ausência afeta, até mesmo, a saúde do usuário. Em contrapartida quando bem aplicada o conforto e a satisfação no uso são perce- bidos facilmente. Foram relatados todos os malefícios dos ruídos e das vibrações além de detalhadas algumas formas de prevenir suas consequências danosas ao indivíduo, estas correções ergonômicas devem ser aplicadas para assegurar a saúde física e mental do indivíduo que está inserido nesta situação. Ainda com o propósito de melhorar o ambiente, foi compreendido o termo que se refere à ergonometria, ou seja, o espaço utilizado pelo usuário que vai além das medidas do seu corpo. Sendo assim, pudemos perceber diversos parâmetros que devemos levar em consideração na escolha e na organização do mobiliário no ambiente, seja ele comercial seja residencial. Para melhor compreensão e visualização das análises ergonômicas no ambiente, foi apresentado um estudo de caso de ergonomia de correção aplicado em uma biblioteca em Santa Catarina. O estudo de caso foi selecionado para este capítulo por abordar todos os parâmetros ergonômicos antes citados, como iluminação, cores, ruídos, vibrações, ergonomia de mobiliário, além de aspectos ergonômicos que são defendidos desde o início deste livro, como conforto, usabilidade, acessi- bilidade, bem-estar, segurança do trabalhador e do usuário e, como consequência, um melhor rendimento. Espero que tenham compreendido um pouco mais da ergonomia, sua importância e suas aplicações, porém, neste caso, um pouco mais especíicas para o design de interiores. 132 atividades de estudo 1. A lâmpada elétrica foi criada por Thomas Edison, em 1878. Antes disso, os comércios e indústrias dependiam de iluminação natural ou da luz das chamas de velas ou candeeiros. Devido às instalações elétricas, o desen- volvimento da iluminação artiicial ocorreu, como dito, no inal do século XIX e começo do século XX. Quais foram os principais benefícios adquiridos com este invento? a. Economia, pois comprar as lâmpadas era mais barato que comprar com- bustíveis para os candeeiros. b. Aumento médio de 4 horas nas atividades produtivas humanas e melhoria do conforto, qualidade de trabalho segurança. c. Não houve benefício, pois aderir às lâmpadas e à rede elétrica era muito mais caro, e a rede foi usada para explorar ainda mais os funcionários. d. Não houve benefício, pois, no começo, as lâmpadas eram muito ruins e causavam inúmeras doenças oculares nas pessoas. e. Os benefícios foram apenas para os indivíduos que trabalhavam com lei- tura ou escrita. 2. Com relação à quantidade de luz no ambiente, é correto airmar que: I. O projeto adequado de iluminação é um dos fatores mais importantes para a eiciência do trabalho e conforto do ser humano. II. A iluminância (ou iluminamento) é um fator decisivo que representa a quantidade de luz que incide sobre a superfície. Sua unidade de medida é o Lux e pode ser medida por um luxímetro. III. O nível de iluminância não interfere no mecanismo da visão. IV. No Brasil, não existem normas que apresentem recomendações da ilumi- nância de um ambiente de acordo com a exigência visual de cada atividade. Assinale a alternativa correta: a. I e II estão corretas. b. II e III estão corretas. c. I e IV estão corretas. d. Apenas I está correta. e. Apenas III está correta. 3. O som é composto por três características, a frequência, a intensidade e a duração. O ouvido percebe os sons de 20 a 140 dB, os sons, geralmente, estão na faixa de 50 a 80 dB. O que diferencia o som do ruído é que o ruído não contém informações úteis, o som, sim. Desta forma, assinale a seguir a opção verdadeira que relate as consequências da exposição ao ruído. 133 atividades de estudo a. Quando o ruído passa de 120 dB, é incômodo e causa apenas leve irritação. b. Quando o som passa de 120 dB, pode causar dores. c. 80 dB é considerado um ruído tranquilo. d. 70 dB é o máximo aceitável em ambientes que exigem silêncio. e. 100 dB é o máximo tolerável para uma jornada de trabalho de 8 h. 4. A vibração é considerada qualquer movimento que o corpo produza em torno de um ponto ixo, podendo ser irregular ou regular, seus efeitos no organismo são diversos. Desta forma, assinale a alternativa que corres- ponda a alguns efeitos que as vibrações podem causar. a. Relaxamento muscular e contrição circulatória. b. Relaxamento muscular, contrição circulatória e irritabilidade. c. Contração muscular, contrições circulatórias, enjoos, redução da acuidade visual, precisão, além de prejudicar o organismo de forma geral. d. Irritabilidade, problemas musculares, ósseos e circulatórios. e. Relaxamento muscular, irritabilidade, estresse e fadiga. 5. A escolha e a distribuição do mobiliário são etapas-chave para um bom re- sultado do projeto cuja escolha deve ser coerente com a proposta preferida, desde o tipo de distribuição dos móveis até o modelo de cada peça. A co- erência é fundamental para que o ambiente se torne harmônico (GURGEL, 2005). A autora citada defende o uso da ergonometria nos ambientes. O que signiica ergononometria e qual sua aplicação no design de interiores? a. A ergonometria refere-se à disposição dos móveis para que se tornem bo- nitos e se combinem entre si, principalmente com base na paleta de cores. b. Ergonometria refere-se à medição do corpo humano e suas diferenças étnicas, climáticas, seculares e de gêneros. c. Ergonometria é o estudo de ambientes antigos que precisam ser restaura- dos, baseados em estudos passados, utilizando técnicas atuais para man- ter suas características. d. Ergonometria é o estudo de ambientes comerciais para priorizar o confor- to do cliente enquanto estiver no espaço, bem como facilitar sua aceitação da loja e inalizar a compra. e. Ergonometria trata da ciência que busca melhorar a relação entre o ho- mem e o meio ambiente, analisando características físicas, psicológicas e isiológicas de um povo, além das distâncias e dos espaços necessários para eles. 134 LEITURA COMPLEMENTAR A IMPORTÂNCIA DA ERGONOMIA NO DESIGN O termo ergonomia foi criado pelo polonês Woitej Yastembowsky em 1857. Apesar disso, o es- tudo formal da ergonomia como um ramo de aplicação interdisciplinar da ciência surgiu quase um século mais tarde, em 12 de julho de 1949, durante uma reunião de cientistas e pesquisa- dores. Mas foi a partir da década de 1950, com a fundação da Ergonomics Research Society, na Inglaterra, que a ergonomia se expandiu para o mundo industrializado e, mais tarde, também passou a integrar o trabalho dos designers. Isso quer dizer que o design não se limita à função estética ou cosmética como ai rmam alguns autores. Ainda pior é o ponto de vista de vários empresários que só contratam os serviços de designers, na etapa i nal de seus projetos, apenas para deixá-los com uma aparência melhor. É importante salientar que esta visão equivocada é muito comum no meio empresarial, so- bretudo se adicionarmos a isto o fato de ainda existirem muitos proi ssionais de outras áreas atuando no mercado do design. Embora seja alarmante, o quadro atual tende a mudar não somente com o aumento de proi s- sionais com graduação em design disponíveis no mercado, e com o consequente aumento da massa crítica, mas também com o advento da globalização que vem provocando o rompimento de fronteiras. Não pretendo analisar se o modelo econômico globalizado é democrático ou benei cia apenas as grandes nações. Neste espaço i ca apenas um convite à rel exão e a cons-tatação de que a globalização veio para i car. A economia globalizada fomenta uma competição cada vez mais acirrada entre os fabricantes que vivem em busca de maiores vendas e da conquista de novos mercados. Com isso, as novas tecnologias e os planos de redução de custos têm chegado ao limite. Qual será então a saída? O uso do design! Vários países já não fabricam produtos, eles fabricam design ou, como preferem alguns, produzem conceitos de design. Não raro encontramos etiquetas, selos ou inscrições que anunciam Design by Germany, ainda que o produto tenha sido fabricado em Cingapura, por exemplo. Nestes casos, o que importa é a origem do conceito, da idéia e do design. Mas utilizar o design apenas para agregar charme e valor econômico às mercadorias não é sui ciente. O design, enquanto tecnologia, num determinado quadro de relações de produção, tem a ergonomia como parceira indispensável. O designer pode e deve trabalhar o projeto e, mais especii camente, a capacidade de utilização do objeto centrado no usuário. Cabe então à ergonomia o papel de combater a alienação, ao focalizar a comunicação homem- tarefa- má- quina. Para que o design contribua signii cativamente para o desenvolvimento de produtos 135 LEITURA COMPLEMENTAR adequados para os usuários, de modo que eles identii quem esta contribuição reconhecendo nos produtos valores como satisfação, prazer e segurança , é necessária a aplicação de uma metodo- logia adequada. Por meio dessa metodologia é possível compreender os usuários: como eles são e como as mu- danças podem inl uenciar suas vidas. Para fazer isso, devemos dominar as noções básicas de er- gonomia, o que nos possibilita conhecer uma gama maior de fatores que inl uenciam os usuários potenciais dos mais variados produtos. O design é uma proi ssão eminentemente técnica e multi- disciplinar. Sendo assim, a interação com a ergonomia deve acontecer de forma segura e gradual, principalmente se levarmos em conta que no Brasil todos os cursos de Desenho Industrial / Design (que formam designers) possuem no mínimo duas disciplinas de ergonomia em seus currículos. A ergonomia deve ser parte integrante do projeto e de seu desenvolvimento, sempre que houver o envolvimento entre o produto e seu potencial usuário. Em outras palavras, um projeto de produto apropriado requer interação com a prática da ergonomia. O atendimento aos requisitos ergonô- micos possibilita maximizar o conforto, a satisfação e o bem-estar, além de garantir a segurança do usuário. O uso da ergonomia também ajuda a minimizar constrangimentos e custos humanos, otimizando o desempenho da tarefa, o rendimento do trabalho e a produtividade do sistema ho- mem-tarefa-máquina. A maioria dos produtos, principalmente os mais complexos, possui atributos que dii cultam o seu uso. Esses atributos devem ser sistematicamente identii cados e medidos, sempre que possível, em termos de requisitos de desempenho humano. E os resultados dessa medição devem ser in- corporados ao projeto do produto. Desta forma, a ergonomia ajuda a reduzir o elemento de con- jectura e aumenta o nível de coni abilidade nas decisões de projeto, no que se refere à considera- ção de importantes fatores do ponto de vista da satisfação, segurança e bem estar dos usuários. Por tudo isso, a ergonomia deve estar presente em todas as etapas de desenvolvimento de um projeto. Em resumo, é preciso enfatizar o entendimento e a contribuição da ergonomia para a gestão do design. É necessário ter a ergonomia como parte integrante de todo processo de design. Isso contraria a atuação de alguns proi ssionais do mercado, e mesmo de alguns professores, que encaram a ergonomia como algo desvinculado do processo central do design. Isso também implica na aceitação de que as responsabilidades pelas decisões de projeto devem ser divididas entre os diversos especialistas que participam do trabalho. E as decisões devem levar em conta todos os aspectos que envolvem o produto e seus potenciais usuários. Fonte: Design Brasil (2004, on-line)3. 136 material complementar Projetando espaços: Design de Interiores Miriam Gurgel Editora: SENAC São Paulo Sinopse: projetar e apresentar soluções diferenciadas são os principais desai os desse livro de Miriam Gurgel. Esse manual, imprescindível para proi ssionais e alunos da área de design de interiores, apresenta de forma objetiva os conceitos e princípios básicos dessa área, e alia a exposição de informações técnicas e teó- ricas a aberturas criativas, que imprimem organicidade e consistência artística ao planejamento. Projetando espaços: Guia de Arquitetura de Interiores Para Áreas Comerciais Miriam Gurgel Editora: SENAC São Paulo Sinopse: o projeto de interiores comerciais envolve, de acordo com a autora, um profundo estudo sobre o peri l da empresa e da imagem que ela transmite – ou pretende transmitir –, além de ter como uma de suas prioridades a viabilização da praticidade, da funcionalidade e do conforto na execução das tarefas em cada um de seus departamentos. Aqui os leitores – proi ssionais e estudantes – encontra- rão um roteiro seguro, essencialmente prático, que parte de conceitos objetivos para a formulação de considerações técnicas e culturais, tendo em vista a elabo- ração de um bom projeto. Indicação para Ler Indicação para Ler O seguinte artigo apresenta uma avaliaç ã o feita em unidades habitacionais de interesse social do muni- cí pio de Embu das Artes/SP. O objetivo do estudo é avaliar a unidade internamente e o mobiliá rio que a compõ e, sendo esta aná lise feita a partir dos conceitos da Ergonomia. Acesse: <http://www.bussinesstour.com.br/uploads/arquivos/a0fb6e7db9f739790da86e597e594ef2.pdf>. Indicação para Acessar 137 material complementar O homem ao lado Ano: 2009 Sinopse: um i lme sobre arquitetura em que se destaca um dos grandes persona- gens dessa atividade. Nele, os argentinos Mariano Cohn e Gastón Duprat fazem do cotidiano o ponto de partida para essa trama. O i lme presta homenagem a um dos maiores gênios da arquitetura, Le Corbusier. Se passa na única residência que o arquiteto suíço assinou na América, em La Plata (Argentina), e é uma comédia romântica em que vizinhos começam a ter desentendimentos por fatos simples do dia a dia. Indicação para Assistir Medianeras Ano: 2011 Sinopse: Gustavo Taretto apresenta como a arquitetura de Buenos Aires e a cultu- ra virtual criam um ambiente que corrobora com a solidão. É uma obra sobre estar sozinho no meio da multidão, uma realidade de grandes centros urbanos. Com certeza, um i lme para arquitetos e designers de interiores que querem integrar mais as pessoas em seus projetos. Indicação para Assistir O presente artigo aborda o mobiliá rio de escritó rios e sua inl uê ncia na rotina de trabalho de arquitetos e designers de interiores. Trata da importâ ncia do mó vel corretamente dimensionado para a melhoria na rotina de trabalho destes proi ssionais. Acesse: <http://www.bussinesstour.com.br/uploads/arquivos/4896b952c12adac37d41abcd810cdb43.pdf>. Indicação para Acessar 138 referências ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 5413: Iluminância de interiores. Rio de Janeiro: ABNT, 1992. Disponível em: < http://tp.demec.ufpr.br/disciplinas/TM802/NBR5413.pdf>. Acesso em: 25 mar. 2019. CAPRI. D. Ergonomia: um estudo de caso realizado em uma biblioteca universi- tária de Florianópolis. 2011. 80 f. Trabalho de Conclusão de Curso. (Graduac ̧ão em Biblioteconomia) - Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2011. IIDA, I. Ergonomia: projeto e produção. São Paulo: Blucher, 2005. GURGEL, M. Projetando Espaços: guia de arquitetura de interiores para áreas comerciais. São Paulo: Editora Senac São Paulo, 2005. ______. Projetando Espaços: design deinteriores. São Paulo: Editora Senac São Paulo, 2007. MÁSCULO, F. S.; VIDAL, M. C. Ergonomia: trabalho adequado e eiciente. Rio de Janeiro: ABEPRO, 2011. RAZZA, B. M. Ergonomia. Maringá: UniCesumar, 2016. Referência On-line 1Em: <https://guiadoestudante.abril.com.br/blog/dicas-estudo/veja-como-aumen- tar-a-sua-produtividade-nos-estudos-com-a-tecnica-pomodoro/>. Acesso em: 21 mar. 2019. 2Em: <http://www.prosek.com.br/dicas/89/Proteção-Auditiva>. Acesso em: 21 mar. 2019. 3Em: <http://www.designbrasil.org.br/entre-aspas/a-importancia-da-ergonomia- -no-design/>. Acesso em: 28 mar. 2019. 139 gabarito 1. B 2. A 3. B 4. C 5. E Professora Me. Veridianna Cristina Teodoro Ferreira Plano de Estudo A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade: • Aplicação da Antropometria na moda • Ergodesign e a matéria-prima tecnológica • Ergonomia na modelagem • Projeto de moda universal • Percepção do usuário no uso da vestimenta ergonômica Objetivos de Aprendizagem • Descrever as formas de utilização de medidas antropométricas, de tecnologias têxteis e dei nir possibilidades de usos da ergonomia na modelagem para melhor adequação corporal. • Explicar as formas de utilização da ergonomia por meio de tecnologias têxteis. • Dei nir possibilidades de usos da ergonomia na modelagem para melhor adequação corporal. • Discutir possibilidades de design universal por meio de modelagem ergonômica e apresentar estudo de caso de modelagens universais. • Apresentar exemplos de projetos de vestimentas e acessórios com utilização de ergonomia com resultados positivos. ERGONOMIA NA MODA unidade V INTRODUÇÃO Caro (a) aluno (a), nesta última unidade, falaremos sobre as di-versas maneiras que podemos e devemos utilizar a ergonomia no Design de Moda. Discutiremos sobre os benefícios da ergo-nomia e de suas formas de aplicação nos vestíveis para melho- ria da relação do usuário com a vestimenta e/ou acessório. Atualmente, maioria das pessoas desenvolve inúmeras tarefas ao lon- go de seu dia, por isso, os designers de moda devem levar em considera- ção a praticidade no uso, a lexibilidade da peça, a percepção de conforto quando se utiliza a vestimenta para que, desta forma, seu dia seja mais produtivo. Quando estamos com uma roupa apertada, desconfortável que nos limite de desempenhar determinados movimentos ou sapatos descon- fortáveis sentimo-nos incomodados, não nos sentimos? Imagine se tivés- semos tarefas a serem desempenhadas o dia todo sem que pudesse trocar essa vestimenta. Certamente, nosso desempenho cairia, não cairia? Naturalmente o desempenho cairia, pois quando estamos em postura desconfortável, com roupas e/ou calçados desconfortáveis, sentimo-nos incomodados e não vemos a hora de trocar de roupa. Quando usamos cal- çados desconfortáveis, naturalmente pensamos duas vezes antes de cami- nhar para buscar algo ou para ir para um outro lugar, vamos adiando e isso pode atrapalhar algumas tarefas a serem desenvolvidas. Estes incômodos tiram nosso foco nas atividades e às vezes nos deixa até irritados. O uso de produtos inadequados pode trazer também sérios problemas à saúde, como alterações nas formas corporais quando se utiliza roupas apertadas, alergias e dermatites por conta de tecido inadequado. Bolhas, calosidades e deformação óssea podem ocorrer quando se utiliza com frequência calçados inadequados. Por isso, a ergonomia tem um papel fundamental no design de moda, para que muitos destes problemas se- 144 Como já dito anteriormente, a Antropometria dá-se pelo estudo das medidas do indivíduo em diferen- tes situações, seja em pé, sentado seja até mesmo em movimento. Essas medidas devem ser tiradas, cau- telosamente, pois qualquer detalhe pode alterar a precisão do estudo. A ergonomia defende que um produto seja ade- quado ao corpo, por isso, deve ser embasado em medidas antropométricas, pois o usuário não per- manecerá estático com o produto ao corpo, princi- palmente em se tratando de uma vestimenta. Na- turalmente, o usuário andará, sentará, levantará, agachará para pegar algo, esticar-se para alcançar algo, entre outros moviment os que fazemos ao lon- go do dia, mesmo sem perceber. No mundo da moda, a maioria dos produtos comercializados são produzidos em larga escala, o conhecimento das proporções do corpo e a utiliza- ção dessas medidas para padronização de uma mo- delagem são essenciais, principalmente para se obter sucesso na aceitação e comercialização do produto. O estudo da Textile/Clothing Tecnology Corpora- Aplicação da Antropometria na Moda 145 DESIGN tion, de 1996, mostra que metade dos consumidores americanos nã o encontra roupas prontas adequadas à s dimensõ es do corpo. Outra opç ã o tecnoló gica que tem sido experimentada na moda, desde 2015, inicialmente, pela designer Israelense Panit Peleg, é a roupa produzida a partir da impressora 3D (3 dimensõ es), a ferramenta que antes imprimia obje- tos agora passa a ser utilizada para imprimir roupas (KRESCH, 2015, on-line)1. Como já visto anteriormente, um ú nico estudo antropomé trico nã o é vá lido para toda a populac ̧ã o mundial, pois pesquisas comprovaram diferenças é tnicas e climá ticas que inl uenciaram nas medidas do corpo humano, alé m de alteraçõ es de diferencia- çõ es de medidas entre homens e mulheres e també m as variac ̧õ es de medidas que ocorrem em um ser hu- mano ao longo de sua vida. Por isso, devemos saber quem é o nosso público para que possamos buscar a tabela antropométrica correta e aplicar as me- didas nas vestimentas e/ou calçados. Quando nos referimos às me- didas da populac ̧ã o brasileira, detectamos a existe ̂ncia de pro- blemas, isso acontece devido à miscigenac ̧ã o existente no paí s. Desse modo, ocorre variac ̧ã o muito grande de medidas, se considerar- mos todo o paí s. Essas diferenças concentram-se em regiõ es, por isso, os estudos que se destinam às medidas corporais ou a modelagens brasileiras de- vem ser divididos pelas regiõ es. As medidas antropomé tricas está ticas ou estru- turais referem-se à s medidas do corpo está tico, sem movimento. Essas medidas sã o muito utilizadas no processo de alfaiataria. Já as medidas antropomé tri- cas dinâ micas ou funcionais referem-se à s medidas adquiridas, durante um movimento do corpo, asso- ciado à determinada atividade. Essas informaç õ es sã o adequadas para projetar principalmente vestu- á rios esportivos (BOUERI, 2008). Devemos, porém, ter em mente que nã o sã o ape- nas os atletas que vivem em movimentos constantes, pode-se levar em consideraçã o també m o uso dessas medidas dinâmicas em um projeto de roupas comuns, sem o apelo esportivo, uma vez que um indiví duo com Quando trabalhamos com vestuá rio, o ideal é conhe- cer a escala, proporçã o e a dimensã o do corpo a i m de que a vestimenta se adeque ao corpo e se mova em harmonia. Para que isso seja possí vel, o designer deve obter conhecimentos bá sicos sobre a estrutura, os mo- vimentos, a anatomia, as formas e as medidas do cor- po, pois o dimensionamento adequado do vestuá rio é tã o importante quanto os aspectos de conforto, de segurança, de proteçã o e de esté tica (BOUERI, 2008). Fonte: Giacobetti (2012, p.161). 146 inú meras atividades diá rias precisa ter liberdade para se movimentar de forma geral, como: sentar, levantar, agachar, deitar, subir e descer escadas, andar, correr, dentre muitos outros movimentos comuns presentes no nosso dia a dia, de modo que determinados produ- tos nos impeçam de fazê-lo de forma confortá velou, até mesmo, de forma á gil e segura, sem causar certo desgaste, desconforto ou insegurança em pequenos movimentos cotidianos (FERREIRA, 2016). Em 2004, foi criada a NBR 15127 - Corpo Huma- no: Dei niç ã o de medidas, que estabelece procedimen- tos para dei nir medidas do corpo que podem ser uti- lizadas como base para projetos tecnoló gicos em suas diversas aplicaç õ es no vestuá rio (BOUERI, 2008). A aplicação da antropometria, de forma corre- ta, ajuda fazer com que o produto se adeque melhor ao usuário, porém com a miscigenação existente no Brasil nos deparamos com corpos totalmente dife- rentes. Por exemplo, se pegarmos 10 pessoas que usem o manequim 38, e colocarmos uma do lado da outra, observaremos que cada uma terá forma corporal diferente, umas terão mais quadril, outras mais busto, algumas terão a cintura i na, outras não, algumas baixas, outras altas, eni m, inúmeras serão as diferenças entre estes manequins. Por isso, a tecnologia têxtil deve andar ao lado da ergonomia para que se completem, pois a antro- pometria se aproximará das medidas do corpo do usuário, enquanto a tecnologia têxtil complementa a adequação por meio de sua elasticidade, caimento e/ ou abrindo a peça para novas possibilidades de usos. O uso dos tecidos com tecnologias nã o eliminam a aplicaçõ es ergonômicas e antropomé tricas, muito pelo contrá rio, a junçã o das té cnicas torna o produto adequado ao corpo, respeitando sua saú de, sua mobi- lidade e suas formas naturais, minimizando a necessi- dade de tantos padrõ es de medidas para atender po- pulaçõ es com corpos tão diferentes como no Brasil. A antropometria é importantíssima no projeto de vestu- á rio e nã o deve ser deixada de lado pelas indú strias de moda, isso se a empresa tiver interesse em conquistar novos mercados e satisi zer os consumidores. 147 DESIGN Ergodesign e a Matéria-PrimaErgodesign e a Matéria-Prima TecnológicaTecnológica Fonte: Giacobetti (2012). 148 Abordaremos, neste tópico, os aspectos tecnoló gicos da vestimenta que se adequam aos estudos ergono ̂- micos de forma que a maté ria-prima otimize a saú de e o conforto do usuário, além da percepc ̧ã o positiva da vestimenta com as formas do corpo. Os aspectos tecnoló gicos inseridos na maté ria-prima sã o impor- tantes para o desenvolvimento de uma vestimenta com a preocupaçã o e adequac ̧ã o aos diferentes tipos de corpos, bem como a importa ̂ncia do uso dos es- tudos ergono ̂micos para preservaçã o da saú de e do bem-estar do usuá rio (FERREIRA, 2016). A indústria de confecção produz uma ini nidade de produtos que não são adequados para se encaixar em diferentes biotipos, mesmo se tratando dos que compõem a mesma numeração de uma tabela de me- didas da modelagem, pois, como já foi dito, se colo- carmos lado a lado 10 pessoas que usam 38 identii - caremos diferenças consideráveis de um corpo para o outro. Nessa condição, o corpo tenta se adequar a uma forma que não é exatamente a sua, e, na falta de ma- téria-prima que tenha facilidade de adequação, ou de uma modelagem que se modii ca para ajuste em dife- rentes formas corporais, o corpo modii ca-se para tal encaixe, o que pode causar interferência na percepção do corpo com a vestimenta (FERREIRA, 2016). Nem sempre as vestimentas estão adequadas às necessidades do indivíduo, muitas marcas descon- sideram a ergonomia e deixam de lado variáveis de conforto e os princípios de usabilidade. A usabilida- de é compreendida como a interface que possibilita a utilização ei caz dos produtos. A ergonomia é de extrema importância no proje- to de design e se leva em consideração que o produto será utilizado por um ser humano e também se consi- dera que o projeto tenha como intuito facilitar a vida do usuário, seja deixando-o mais confortável no uso do produto, aumentando seu desempenho e dimi- nuindo seu desgaste seja mesmo eliminando riscos e danos à saúde com o uso de produtos mal projetados. Pensar ergonomicamente é pensar no indiví- duo como usuário do produto e levar em conta suas necessidades, limitações, saúde e facilitar o uso do produto aumentando, até mesmo, seu desempenho. Assim, o vestuário também é um objeto que necessi- ta de estudos ergonômicos, para que seja adaptado e adequado ao corpo e ao uso do indivíduo. Os problemas ergonômicos relacionados ao ves- tuário que dizem respeito à segurança, envolvem à proteção e à composição dos tecidos, acessórios e de- mais componentes que serão utilizados no produto. Em síntese, a usabilidade é fundamental para avaliar a relação do produto- usuário. Nesse sentido, é o princípio que deve ser observado em qualquer produto e ambiente construído. (Suzana B. Martins). REFLITA 149 DESIGN Para que os tecidos sejam explorados da melhor ma- neira possível, o designer deve pesquisar o corpo e o têxtil, valorizando todos os benefícios do tecido em função do corpo. Quando as inovações tecnológicas interferem na área têxtil, as possibilidades de am- plitudes de um projeto são maiores e mais precisas, fazendo com que uma vestimenta não seja apenas bonita, mas que afete em um sentido amplo, aspec- tos físicos e perceptivos do usuário. Quando se utiliza o tecido ideal e a modelagem ideal, levando em consideração as medidas antropo- métricas para o melhor encaixe ao corpo e às capa- cidades do têxtil, levando em consideração a melhor sensação do tecido ao corpo, resulta-se em melhor adequação da modelagem para favorecer diferentes biotipos e otimizar a sensação da vestimenta junto ao corpo. Além disso, torna-se possível projetar pe- ças de roupas que permitam liberdade na mobilida- de, no conforto, na usabilidade e que não agridam a saúde dos usuários em geral, permitindo que seu corpo respire normalmente e que não o impeça de completar suas diversas atividades com o conforto esperado de uma vestimenta ergonômica. Atualmente, são inúmeras as pesquisas destina- das às descobertas, aos desenvolvimentos e aos be- nei ciamentos de novos tecidos tecnológicos para diferentes i ns. Estas pesquisas são feitas em labora- tórios que manipulam substâncias químicas, utili- zam aplicações de física e pesquisas de possibilida- des tecnológicas do material e do processo. Com este 150 suporte, torna-se possível criar tecidos com diferen- tes apelos tecnológicos para diversos ins, sejam eles adequacionais - relacionando-se ao corpo, curativos - voltados até mesmo para área médica, ecológicos - pensando em aspectos sustentáveis, esportivos - apli- cando tecnologias para melhoria do desempenho do atleta, entre outras inúmeras possibilidades. O setor mais beneiciado até o momento é o es- portivo, com matérias-primas avançadas direcionadas aos atletas de diferentes modalidades, para confecção de seus uniformes esportivos, com o intuito de não in- comodar e não atrapalhar alcançar seu maior desem- penho. Pesquisas destinadas a outras áreas também ti- veram ótima aceitação e contribuíram, positivamente, com as necessidades do corpo do usuário, levando em consideração sua necessidade e sua saúde. Em 1999, a Rhodia lançou o amni biotech, um tecido que possuía ação bacteriostática, eliminando bactérias, favorecendo a saúde e promovendo con- forto ao indivíduo. Outro efeito conseguido foi o dry it, que tem a capacidade de eliminar a umidade do corpo, expulsando os efeitos do suor. O dry it tam- bém é contra a ação maléica dos raios ultravioletas (UVA) e infravermelho (UVB) na pele e passa a ser utilizado em vários artefatos da indústria da confec- ção, como oUV, muito empregado em chapéus e bo- nés para a praia (CHATAIGNIER, 2006). A tecnologia têxtil tem avançado para beneicia- mentos nos tecidos de forma que atenda a diversos pré-requisitos para se considerar um produto ergo- nômico, como: tecidos antiácaros; anti-UV; anti- manchas; encapsuladores de odores, que se referem a produtos que contém odores para aromaterapia, com microcápsulas de hidratantes, de repelentes e efeitos curativos. Sendo assim, esses beneiciamen- tos aplicados nos têxteis propiciam maior saúde, se- gurança e conforto aos usuários (AVELAR, 2011). Existem também tecidos com luorcarbonos, que removem facilmente a sujeira; os tecidos com Telon (marca registrada DuPont) que evitam man- chas, não amassam e são impermeáveis a água e o óleo; os tecidos antiestresse, que contém cápsulas que liberam óleos essenciais que acalmam o indi- víduo (esta linha tem também tratamentos contra insônia), e também tecidos termorreguladores que são úteis, tanto no frio quanto no calor, absorvendo o calor do corpo e o liberando quando necessário; entre outros inúmeros tecidos tecnológicos, que são desenvolvidos pensando em facilitar e melhorar a vida do indivíduo (AVELAR, 2011). O desenvolvimento desses tecidos ocorrem pela preocupação com a proteção do indivíduo, a facili- dade no cuidado da peça, a capacidade de respira- ção do corpo do usuário, o conforto, a durabilidade e a resistência à lavagem e ao vento, e, muitas vezes, também para uma melhor adequação ao corpo. Des- ta forma podemos observar o quanto estas pesquisas têxteis podem beneiciar o corpo e a saúde do usu- ário, além de contribuir, indiretamente, com o de- sempenho dele em suas atividades diversas. Objeti- vos estes, que deinem a ergonomia, especiicamente no campo da moda. 151 DESIGN A modelagem é extremamente importante em uma vestimenta, quanto melhor a modelagem melhor será o encaixe da roupa no corpo, melhor será o cai- mento de acordo com a matéria-prima selecionada e, até mesmo, a sensação de conforto é otimizada. Deve-se escolher o tipo de modelagem e as té c- nicas mais adequadas à realidade da empresa e, so- bretudo, a escolha das tecnologias a serem utiliza- das. Estes itens são de extrema importância para o desenvolvimento de uma modelagem com um alto padrã o de qualidade. A té cnica de modelar deve tornar viá vel a construçã o de peças do vestuá rio de acordo com o modelo que se deseja produzir. Ergonomia na Modelagem 152 Durante a execuç ã o das modelagens, consideram- -se alguns fatores primordiais: caimento, conforto, usabilidade, movimento, diferenç as fí sicas, l exibili- dade, necessidades esté ticas, facilidades de vestir e despir. També m, os recursos materiais tais como os instrumentos e as tabelas de medidas sã o comple- mentos importantes para o conhecimento té cnico do modelista (ARÁ JO; CARVALHO, 2013). Se conhecermos a anatomia, é possí vel transferir suas ideias, saber como valorizar a silhueta, poden- do acompanhar os contornos ou alterá -los. O mo- delista e o designer devem ter sensibilidade para compreender a relação da roupa com o corpo, sua forma de uso, agregar praticidade, qualidade, fun- cionalidade e conforto. estes aspectos estão ligados a uma modelagem ergonômica. Pode-se ter um maravilhoso modelo produzi- do em um tecido com a mais alta tecnologia e funcionalidade, além de excelentes acaba- mentos de costura, mas, se nã o se adapta bem ao corpo, possivelmente, nã o será bem aceita, ou talvez até seja, por pouco tempo. O consumidor pode rejeitar uma peç a sem se dar conta de que o desconforto é causado pela modelagem inadequada. Ou então, po- de-se ter preferê ncia por determinada marca ou mesmo se tornar um cliente i el por achar que veste bem, sem perceber, também, que é por conta de uma modelagem adequada. Peclat e Medeiros (2000). SAIBA MAIS O vestuá rio confortá vel precisa ser o mais anato ̂mi- co possí vel para nã o provocar limitações aos mo- vimentos e sensac ̧õ es de desconforto. O corpo tem uma construçã o biomeca ̂nica, composta por uma sé rie de alavancas constituí das por ossos conectados nas articulac ̧õ es e sã o movimentadas pelos mú scu- los, por isso, precisamos de tantos cuidados para desenvolver um produto que será utilizadado e que terá que se encaixar neste corpo. Sã o estas conexõ es que determinarã o como o tecido se ajustará e se mo- vimentará em harmonia ou em desarmonia com o corpo (SANTOS, 2009). O corpo é um suporte da vestimenta, ao criar- mos para o corpo, devemos ter total conhecimento sobre o mesmo, por isso, temos que compreender 153 DESIGN ao usuário: saúde, conforto, facilidade de manejo da peça, facilidade de manutenção, entre outros benefí- cios. Estes tecidos podem ser: com microcápsulas de perfumes, de hidratantes, contra raios UVA e UVB, com microcápsulas repelentes, impermeáveis, entre outras inúmeras possibilidade de agregar funções e facilidades ao meu produto, visando sempre o con- forto, praticidade e bem-estar do indivíduo. Um exemplo famoso de modelagem ergonô- mica foi desenvolvida pelo designer japonês Issey Miyake, em 1998, pensando em habitar diferen- tes corpos e dar autonomia ao usuário para que escolha seu modelo. Seu projeto foi denominado A-POC, que corresponde à abreviação do termo A Piece Of Cloth, que traduzido para o português signii ca: Um Pedaço de Tecido. como este corpo se movimenta, como ele se com- porta, deve-se ter conhecimento das medidas do conforto e das possibilidades de aplicações para que esta vestimenta seja percebida como uma segunda pele, ou seja, como uma extensão do corpo. A modelagem deve ser baseada em antropome- tria, então, devemos saber quem é o meu usuário e de onde ele é. Devemos extrair o máximo de deta- lhamento de medidas e aplicar na modelagem, com- preendendo todas as possíveis formas de utilização da roupa e, por i m, para melhor caimento, melhor adequação em diferentes corpos e para possibilitar li- berdade ao movimentar-se podemos aplicar também tecidos tecnológicos que permitam certa elasticidade. Caso opte, pode-se também utilizar tecidos compostos de benefícios secundários para propiciar 154 Miyake desenvolveu este trabalho com a mais recen- te tecnologia, utilizou programas de computadores para desenvolver uma modelagem na qual simula- va os corpos em movimento e, desta forma, buscava respeitá-los no desenvolvimento de seus projetos. Utilizou a tecnologia também na forma de produ- ção, de modo que método de confecção utiliza tec- nologia computadorizada para criar roupas a partir de um único pedaço de linha, num único proces- so, aumentando, assim, o conforto do corpo junto à roupa, sem que costura nenhuma o incomode. Este simples “pedaço de tecido” ainda permite que o usu- ário escolha a forma como quer criar suas roupas, permitindo diversas variações (LEHNERT, 2001). A-POC foi selecionada como um exemplo por ter uma modelagem totalmente diferente, que res- peita as formas e os movimentos do usuário e, ainda, permite que ele escolha utilizar o produto da ma- neira que o agrade. Pensando sempre em conforto, saúde, bem-estar e, consequentemente, satisfação. O projeto é feito também com uma diferente for- ma de produção, pois se dá por meio de uma malha dupla com máximo aproveitamento de elasticidade e aderência ao corpo. Além disso, são compostas por formas geométricas que se organizam, e as marcações de linhas pontilhadas sinalizam a largura e o com- primento. Pelos pontilhados, o usuário pode cortar a peça e comporcomo preferir, de acordo com sua necessidade ou preferência (NOGUEIRA, 2013). Figura 1 - A-POC de Issey Miyake (blusa) Fonte: A. G. Nauta Couture (2015, on-line)2. Figura 2 - A-POC de Issey Miyake (vestido) Fonte: A. G. Nauta Couture (2015, on-line)2. 155 DESIGN As peças de A-POC podem ser utilizadas por di- ferentes tipos de corpos por conter boa elasticidade para se encaixar em diferentes formas e tamanhos de corpos, sem obrigar que o corpo altere suas formas, ou abra mão de seu conforto para se submeter a uma vestimenta rígida e desconfortável. O fato de o A-POC ter sido confeccionado sem costura é outro ponto positivo, segundo a ergono- mia, pois resulta em conforto tátil, ou seja, o con- forto sentido pela pele, pelo corpo. Desta forma, evita que o corpo sinta o desconforto da costura ou, até mesmo, que as peles mais sensíveis sofram Figura 4 - Desi le A-POC Fonte: Highlike ([2018], on-line)3. Figura 5 - Exposição A-POC Fonte: Ypanyc (2017, on-line)4. possíveis alergias. Sendo assim, o usuário sente-se seguro, confortá- vel e tem uma percepção positiva no uso das peças. Esse conceito fez e faz tanto sucesso no mundo da moda por sua inovação que já i cou expos- to em diferentes lugares e compôs desi les totalmente conceituais, que enchiam os olhos de beleza, curiosi- dade além de aguçarem a criativida- de de muitos designers. Outras pesquisas como estas, ba- seando-se em tecnologias têxteis para diferentes i ns de vestimentas, são de- senvolvidas cada vez mais, o que tem ampliado as possi- bilidades de se desenvolver projetos benei ciando os di- ferentes corpos em diferentes situações, e tudo isso man- tendo os objetivos da ergo- nomia na moda. 156 Com a globalização, o aumento e a rapidez na ex- pansão dos meios de comunicação e a facilidade da entrega de produtos resultaram em um aumento considerável da circulação mundial de mercadorias. Tem ocorrido também mais incorporação de certas minorias no mercado de consumo, por isso, os de- signers tiveram que ampliar seus horizontes e pen- sar em novas formas de atingir a este público. Esta necessidade de buscar novas alternativas surgiu por conta destas mudanças, pois, antes, os designers realizavam projetos para determinados segmentos da população ou regiões especíi cas e, Projeto de Moda Universal 157 DESIGN agora, com este novo cenário, tiveram de passar a utilizar o método de projeção universal para atender à demanda do mercado e se inserir, de forma segura, no mercado mundial. O intuito do projeto universal é tornar acessí- vel um produto para um maior número de pesso- as, como já foi visto em capítulos anteriores. Con- sequentemente, esses produtos acabam tendo uma boa usabilidade, pois adequam-se à maioria das ca- racterísticas do design universal, às diferentes etnias e corpos, respeitando as formas do usuário, contri- buindo com o seu bem-estar e otimizando a usabi- lidade do produto. Como o projeto universal já foi discutido anteriormente, neste capítulo, que é foca- do no design de moda, trarei alguns exemplos para que possamos compreender, de fato, como o projeto universal pode se encaixar no design de moda. Os projetos que escolhi para esta discussão são: Torchon, da designer italiana Nanni Strada e o Ple- ats Please, do designer japonês Issey Miyake. Em ambos os projetos os designers aplicam benei cia- mentos no tecido para que possam se encaixar em diferentes corpos e resultar em um conforto extre- mos aos usuários. Os projetos escolhidos têm o intuito de adequa- ção universal, podendo ser utilizados por diferentes etnias e diferentes formas corporais sem comprome- ter a mobilidade, conforto tátil, segurança, saúde e bem estar do usuário. DESIGN UNIVERSAL NOS PROJETOS DE ISSEY MIYAKE Em 1989, no Japão, Issey Miyake desenvolveu uma característica em seus tecidos, em que experimentou diferentes maneiras de benei ciar um tecido até che- gar ao resultado esperado: os plissados. Seus plis- sados permitem formas visualmente harmoniosas e funcionalidade no uso, dando ao usuário proba- bilidade de diferentes possibilidades a uma mesma peça, além de liberdade de movimento, pois as peças se ajustam ao corpo por conta dos plissados e, con- forme o corpo se movimenta, eles abrem e fecham, dando conforto e liberdade de movimento. Uma das principais características dos plissados de Miyake é que o método é oposto ao tradicional, ou seja, a roupa é primeiro cortada e costurada e, depois de pronta, a peça é dobrada e passa pelo pro- cesso de drapejamento. Na maioria das vezes, as roupas drapeadas são feitas já no tecido drapeado. (FACTORY, 2012). 158 As roupas pregueadas i cam com formas indei ni- das, que podem i car justas no corpo e manter seu conforto tátil por conta de sua elasticidade e leve- za. Miyake diz que o sucesso do seu trabalho dá-se pela maleabilidade do poliéster, pois, por meio dele, conseguiu testar diversas possibilidades com tem- peraturas distintas, resultando em matérias-primas diferentes (MIYAKE, 2012). se adequando em diferentes tipos de corpos. A ima- gem a seguir mostra bailarinos dançando livremen- te com as roupas desenvolvidas por Issey Miyake, a partir das técnicas de Pleats Please. Quando o designer percebeu a liberdade que os plis- sados proporcionaram, criou, em 1993, a primeira coleção de Pleats Please (plissados, por favor), que representou a praticidade das roupas com pregas, desenvolvidas com novas tecnologias para resultar funcionalidade, respeitando a arquitetura do vestir e Um amigo francês de Miyake disse a ele que aquelas roupas seriam perfeitas também para dança, devido à liberdade de movimentos que permitiam. Miyake resolveu pedir a uma com- panhia de ballet de Frankfurt, dirigida pelo coreógrafo William Forsythe, para fazer um teste com suas roupas. Os bailarinos foram até o Studio de Issey Miyake, em Tóquio, e, ao provar suas roupas, podiam perfeitamente envergar seus corpos e concluir seus passos de ballet sem a menor dii culdade. Além disso, as roupas ganhavam também movimentos com os corpos dos dançarinos. Estas peças foram utilizadas pela primeira vez, em 1991, como i gurino do espetáculo The Loss of Small Detail. Nesse momento, Miyake rel etiu sobre a mobilidade de seus trajes, pois, se seus experimentos davam tanta liberdade e alegria aos bailarinos com diferentes tipos de corpos e com amplitudes de movimentos, o que poderiam fazer nos corpos de pessoas comuns, com relação ao conforto e à liberdade. Desse modo, resolveu seguir com seus pro- dutos e ampliar o leque de opções dentro de sua linha Pleats Please, que foi lançada, oi cialmente, em 1993. O nome também foi escolhido com cuidado, pois ao traduzir o Please pelo verbo To Please, resulta na pala- vra “agradar”, dando uma segunda forma de tradução: Pregas Agradáveis (MIYAKE, 2012). SAIBA MAIS O designer respeita cada corpo como ele é em todos os seus projetos, aplicando tecnologias têxteis, solu- ções para que uma mesma peça possa ser utilizada por esses diferentes corpos, atribuindo sensações po- 159 DESIGN sitivas de conforto tátil, prazer no uso, mobilidade, respeito à saúde e aos diferentes tipos de corpos, to- das estas características são levadas em consideração em suas peças do Pleats Please (FERREIRA, 2016). Strada em menos de dez anos de atuação proi ssional faz a passagem ou a ultrapassagem fundamental: da moda ao fashion design”. (ESTRADA, 2003, p. 15). Fonte: Giacobetti (2012). Fonte: Madammeow (2014, on-line)4. Figura 4 -Nanni Strada para Max Mara Fonte: Madammeow (2014, on-line)4. O objetivo de Miyake é desenvolver roupas com de- sign para todos os tipos de corpos, uma vez que re- conhece a existência de inúmeras formas corporais e suas características especíi cas, com formas, alturas e larguras diferentes. DESIGN UNIVERSAL NOS PROJETOS DE NANNI STRADA Quando Nanni Strada rompeu laços com a moda no quesito estilístico, ela resolveu se dedicar às pesquisas para o design de moda que respeitassem o corpo. Des- ta forma, passou a pesquisar soluções para vestimen- tas que sobrevivessem à efemeridade da moda e que respeitassem o corpo do usuário com suas diferenças de medidas, de curvas, alturas, biotipos em geral. Por isso, seus projetos de vestimentas são descritos como roupas que respeitam a arquitetura do vestir, e isso se dá, também, pela forma de construção da roupa. “Nos anos 1970 contra o padrão máximo e indis- cutível na moda, o do i o reto e da alfaiataria, Nanni 160 Especii camente em 1971, a pedido da Max Mara, Strada desenhou uma coleção de casacos, paletós e calças para inverno, estes produtos alcançaram muito sucesso, pois foram os primeiros casacos produzidos industrialmente sem forro, com acabamentos e cor- tes sem barras e sem bordados. Tais projetos foram baseados na forma geométrica, em contraposição ao sistema anatômico das modelagens (STRADA, 2008). Posteriormente, Nanni apresentou as primei- ras roupas desenvolvidas para viagens, a qual deu o nome de Torchon, tratava-se de peças plissadas e torcidas que se tornaram compressíveis o sui ciente para permitir o uso nômade. A designer elaborou técnicas para fazer pregas e ondulações de forma inovadora, utilizando atributos tecnológicos, imagi- nando uma peça com constante amassado e estetica- mente agradável para inventar a Torchon. A Figura 6 demonstra o tecido com a técnica de Torchon e como ele pode ser guardado em nós para facilitar a colocação em malas ou organização em armários. Nestas imagens, também é possível ver alguém vestido com a técnica de Torchon com suas alças amarradas, dando, assim, liberdade ao usuário para modii cá-la em diferentes formas de uso. O fato de as alças serem amarradas, dá ao usuá- rio possibilidade de brincar com a amarração modi- i cando o uso de uma mesma peça e, até mesmo, uma possível utilização como saia. A intenção de Nanni, em 1987, quando criou o Torchon, era dar à mulher a liberdade que ela necessitava para optar pela forma de uso da peça e possibilitar facilidade de transporte e manutenção da vestimenta durante uma viagem, inde- pendentemente se fosse por passeio ou por trabalho. A matéria-prima que a designer utilizou é com- posta pela mistura de lã com poliéster, podendo ser comprimida drasticamente de volume, ocupando menores espaços em malas e guarda-roupas, além de ser plissado e guardado em nós eliminando pre- ocupações de manutenção com amassados durante viagens (FERREIRA, 2016). Figura 5 - tecido com técnica Torchon Fonte: Revista Numéro (on-line)6. Figura 6 - Nanni Strada - Vestido Tubular em Torchon Fonte: Contessanally (2018, on-line)7. 161 DESIGN Em 1993, a designer criou as saias e vestidos Pli-Plá, que eram peças produzidas por plissados sanfona- dos e, cuja matéria-prima era o Linho que permitia mais liberdade do corpo no uso da vestimenta. Tan- to o Torchon como o Pli-Plá reduzem, absurdamen- te, o volume para facilitar o encaixe em bolsas de viagens e eliminavam preocupações com a peça no caso de amassar durante os deslocamentos. A Figura 7 refere-se a uma peça utilizando a téc- nica sanfonada do Pli-Plá, com botões e alças feitas com amarrações para permitir a alteração, quando necessário. Enquanto a imagem da esquerda repre- senta o Pli-Plá em forma de vestido, a imagem da direita representa a mesma peça, porém dobrada e ocupando pequeno espaço. O fato de a vestimenta ter sido desenvolvida por bo- tões e tiras para amarração, dão ao usuário diver- sas formas de amarrar, abotoar e usar a criatividade durante o uso do produto, enquanto suas formas plissadas permitem que diferentes corpos habitem sem que se sintam desconfortáveis ou incomodados, pois a peça permite que o indivíduo desenvolva suas atividades diárias sem desconforto, incômodo ou riscos à sua saúde. Tanto no projeto de Issey Miyake quanto no projeto de Nanni Strada, aqui apresen- tados, pudemos observar diversas premissas do de- sign universal aplicadas na moda. Ambos baseiam-se em uso equitativo, pois se adequa a diferentes corpos, assim como atendem à premissa de l exibilidade no uso, neste caso em espe- cial o de Nanni Strada por seus fechamentos em amarrações e botões que permitem que o usuário utilize a mesma peça de diferentes maneiras. Os projetos exemplii cados também partem de um uso simples e intuitivo eliminando complexidades desnecessárias, de forma que o usuário compre- ende facilmente a forma de utili- zar a peça e de guardá-la. Também atendem ao objetivo de reduzir gastos energéticos, pelo fato de as peças serem de fácil manutenção, pois não amassam, eliminando, desta forma, o trabalho de pas- sar a roupa, bem como também elimina ex- cessos de cuidado no transporte em viagens. Por meio destes exemplos de trabalhos unindo tecnologias têxteis, modelagens, ergono- mia e preocupação com o usuário, pode-se com- preender melhor as formas de aplicação do design universal na moda. Figura 7 - Técnica Pli-Plá Fonte: Revista ARC DESIGN (2011)8. 162 A sensação e a percepção são etapas de um mesmo fenômeno: a captação de um estímulo que, poste- riormente, é transformado, sendo primeiro a sensa- ção e, depois, o corpo relete por meio de vivências e gera uma percepção. Sendo assim, a sensação é um fenômeno essen- cialmente biológico, enquanto a percepção envolve processamento e está ligada à recepção e conheci- mento de uma informação, comparando-a com algo anteriormente armazenado na memória. Essa per- cepção depende de fatores individuais, como per- sonalidade, nível de atenção e expectativas. Sendo assim, a mesma sensação pode despertar diferentes percepções em pessoas diferentes (IIDA, 2005). A roupa em contato com o corpo é a medida do conforto, mas nem sempre os produtos de vestuário atendem a esse objetivo. Na maioria das vezes, o de- sejo de estar na moda leva o consumidor a optar por produtos inadequados que podem provocar disfun- ções físicas, desconforto, ou acarretar problemas à sua saúde. Em vários momentos, são desconsidera- dos os requisitos ergonômicos, ignorando o confor- Percepção do Usuário no Uso da Vestimenta Ergonômica 163 DESIGN to e os princípios de usabilidade. Isso acontece com produtos cujo consumo ou desejo está no centro das atenções, como no caso da moda, em que encon- tramos muitos produtos com estas características (MARTINS, 2006). Analisando friamente, a roupa é, basicamente, um objeto têxtil, então, o tecido deve ser pensado como a matéria-prima que modiica a superfície do corpo como se fosse uma segunda pele. Pensando desta forma, o têxtil é a matéria-prima que cobre ou descobre o corpo, participa da sua morfologia e gera novas relações e sensações entre o corpo e o meio (SALTZMAN, 2008). É possível evitar discrepância entre o desenvolvi- mento e a vestibilidade e/ou a usabilidade do produto/ vestimenta, inadequações de formas e materiais, des- perdícios e limitação da mobilidade requerida pela roupa. Quando o produto tem uma utilização eicaz, ele se torna prazeroso duranteo uso, eliminando des- conforto, insegurança e incômodo (MARTINS, 2005). Inevitavelmente, porém, começamos a nos irri- tar com aquele calçado, começamos a evitar andar muito e começamos a perder o foco no que estamos fazendo, pensando apenas na hora de tirar aquele sapato. Este é um exemplo fácil de imaginar, pois, muitas vezes, já utilizamos sapatos desconfortáveis, e isso acontece com uma vestimenta, quando nos li- mita de erguer o braço porque é apertada, ou quan- do a calça aperta muito no cós e icamos desconfor- táveis ao longo do dia. Enim, muitas são as causas de desconforto das vestimentas, mas a principal é a inadequação ao corpo. Quando estamos com alguma peça desconfor- tável, automaticamente, nossa relação com o espa- ço modiica-se, transformando o ambiente em um espaço não tão agradável assim. Por isso, devemos dar a devida importância à modelagem e matéria- -prima das vestimentas que projetamos para que não provoquem sensações ruins e desagradáveis aos nossos usuários. 164 As novas tecnologias têxteis contribuem, de forma positiva, com o funcionamento do corpo e ainda contribuem para sobrevivência em diversos am- bientes. Quando se refere à moda como vestimen- ta, é fundamental entender que o corpo é o suporte (AVELAR, 2011). Os projetos propostos por Nanni Strada e Issey Miyake permitem liberdade nesse vestir, com ines- gotáveis experimentações corporais. O conforto está presente, sem pressão e resistência do corpo, mas como um habitar tranquilo de percepções positivas. A peça não intervém na postura, nem impede o mo- vimento do usuário, respeitando uma condição de acolhimento do vestir. Ambos os designers têm apresentado vestimen- tas que agregam liberdade de movimento, seguran- ça, conforto e melhor adequação aos diferentes tipos de corpos que, consequentemente, resultam em rou- pas que são percebidas como vestimentas prazero- sas ao longo do uso. Além disso, tais designers criam seus projetos pensando na facilidade de vestir cor- pos com diferentes dimensões, sejam elas por etnias ou estaturas, mas sempre beneiciando a percepção e o conforto do corpo com relação à vestimenta. Fonte: Revista ARQ DESIGN (2011, on-line)8. 165 considerações inais Nesta quinta e última unidade do livro de Ergonomia, pudemos compreender melhor a aplicação da ergonomia no design de moda, pois, se partirmos do prin- cípio de que a vestimenta será utilizada pelo corpo humano e que as medidas desse corpo sofrem inúmeras alterações se comparado a diferentes regiões do Brasil ou do mundo, pode-se concluir que modelar uma vestimenta não é algo tão simples, principalmente se tiver como objetivo beneiciar este usuário, deixando-o confor- tável, preservando sua saúde e permitindo livre mobilidade. A aplicação ergonômica na moda foi detalhada e, além disso, alguns exemplos de designers foram apresentados para compreender esta aplicação na vestimenta bem como o uso das premissas do design universal. Pode-se constatar que, ao unir a tecnologia têxtil aos estudos ergonômicos e antropométricos, torna-se possível atender aos anseios dos usuários contemporâneos de forma positiva, fazendo com que ele, ao utilizar suas vestimentas, tenha uma percepção positiva de conforto, liberdade e saúde. Os trabalhos de Nanni Strada e Issey Miyake puderam comprovar como a união da pesquisa, tecnologia e ergonomia são capazes de criar produtos que atendam aos requisitos ergonômicos e de design universal, pois, além de serem utilizados por diferentes tipos de corpos, permitem também que o usuário utilize a vestimenta de diferentes formas. Por im, foi discutida a percepção do indivíduo quando no uso de um produto confortável ou desconfortável, desta forma, pode-se compreender a importância do uso da ergonomia nos produtos de moda para melhor sensação e percepção do usuário enquanto no uso da vestimenta e ao longo de suas tarefas diárias. Desta forma, espero que tenha compreendido a necessidade do uso da ergonomia em todas as áreas, inclusive na moda. Espero que tenha entendido as formas de aplicação e que a partir de agora procure aplicá-la em todos os produtos, vesti- mentas e/ou espaços, buscando extrair sempre a melhor sensação do seu usuário. 166 atividades de estudo 1. A antropometria trata das medidas físicas do corpo humano. Parece fácil, mas medir uma população com diferentes tipos de corpos é uma tarefa bem mais complicada. Além disso, as condições das medidas também in- luenciam quando tirada com roupa, sem roupa, com postura ereta, rela- xado, com ou sem sapato. As medidas antropométricas são responsáveis pela melhor adequação do produto ou ambiente ao corpo. Pensando nisso, considere as airmações a seguir: I. As medidas estáticas são tiradas com o indivíduo somente em pé e parado. II. As medidas estáticas são tiradas com o indivíduo parado, seja em pé, sen- tado, deitado, agachado, entre outros, mas sempre parado. III. As medidas dinâmicas são tiradas com o indivíduo em movimento. IV. As medidas dinâmicas são tiradas com o indivíduo em movimento, mas são utilizadas apenas para desenvolvimento de produtos esportivos. Assinale a opção correta. a. II e III estão corretas. b. I e III estão corretas. c. II e IV estão corretas. d. Somente I está correta. e. Somente III está correta. 2. Os aspectos tecnológicos inseridos na matéria-prima são importantes para o desenvolvimento de uma vestimenta. Em que aspectos a tecnologia têxtil pode favorecer o usuário? Considere as airmações a seguir: a. A tecnologia têxtil auxilia apenas os portadores de necessidades especiais, pois torna simples a colocação e remoção da peça. b. A tecnologia têxtil contribui com a impressão das estampas apenas. c. A tecnologia têxtil contribui com a adequação aos diferentes tipos de cor- pos, bem como com o uso dos estudos ergonômicos, ajuda a preservação da saúde, conforto e do bem-estar do usuário. d. A tecnologia têxtil não favorece o usuário, apenas torna mais barata a pro- dução da roupa. e. A tecnologia têxtil não agrega aspectos positivos ao usuário, apenas insere características tecnológicas na forma de vestir e de representar uma es- tampa, por exemplo. 167 atividades de estudo 3. A modelagem é de extrema importância para se obter um resultado positi- vo na relação da roupa com o corpo. Durante a execução das modelagens, consideram-se alguns fatores primordiais. Quais são eles? a. Tecido e modelo da vestimenta. b. Tecido, biotipo do usuário e modelo escolhido. c. O tipo de modelagem escolhido: plana, tridimensional ou computadorizada. d. A tabela de medidas, tecido e modelo apenas. e. Caimento, conforto, usabilidade, movimento, diferenças físicas, lexibilida- de, necessidades estéticas, facilidades de vestir e despir. 4. O intuito do projeto universal é tornar acessível um produto para um maior número de pessoas. Quais outros benefícios a inserção das premissas do design universal podem trazer a vestimenta? a. Adequação a diferentes corpos e uso de diferentes cores, agradando, as- sim, mais pessoas. b. Adequação a diferentes corpos, multiplicação das formas de usos das pe- ças, facilidade de manejo, fácil percepção de uso, entre outros. c. O design universal, na roupa, dá-se pelos inúmeros idiomas presentes nas etiquetas de informações de manutenção da peça. d. O design universal pode ser aplicado na moda de forma que se adeque a todo mundo, sem exceção. e. O design universal é uma ferramenta exclusiva do design de produto, não se adequando à moda. 5. A ergonomia busca sempre melhorar o produto que resulta em uma per- cepção positiva. O que difere a sensação da percepção? a. A sensação e a percepçãosão etapas de um mesmo fenômeno, a captação de um estímulo que, posteriormente, é transformado, sendo o primeiro a sen- sação e depois o corpo relete por meio de vivências e gera uma percepção. b. Ambos são estímulos sensoriais, sendo o primeiro a percepção e, depois, o corpo relete por meio de vivências e gera uma sensação. c. A percepção e a sensação têm exatamente o mesmo signiicado, icando a critério do indivíduo optar por qual termo prefere usar. d. A sensação dá-se pelo conforto com o uso de uma vestimenta, e a percep- ção dá-se pela forma como os outros o veem e você é percebida. e. A sensação é a percepção do corpo, enquanto a percepção é a sensação do cérebro. Sendo qualquer sensação do corpo denominada sensação e relacionada à mente, é denominada percepção. 168 LEITURA COMPLEMENTAR Ergonomia no vestuário: os desai os da aplicabilidade Um dos principais desai os da indústria do vestuário é produzir peças com a agilida- de imposta pelo mercado, fazendo com que as vestimentas tenham design inovador, diferenciado, com boa estética e ergonomia. Aspectos que favorecem a usabilidade da roupa pelo consumidor, orientam a produção para as necessidades do mercado e resultam positivamente na competitividade da empresa. As confecções precisam considerar todos estes aspectos no momento da criação e fa- bricação, para poder construir uma peça que atenda essas questões. O primeiro passo é conhecer o público-alvo – conhecer o que os agrada – e, principalmente, as propor- ções corporais do consumidor, com o foco em uma peça esteticamente agradável e que proporcione conforto. O empresário deve considerar três fatores no momento de confeccionar uma roupa: qualidades técnicas, qualidades ergonômicas e qualidade estéticas. O primeiro faz re- ferência ao funcionamento e ei cácia das funções, facilidade de manutenção – limpeza e manuseio. Nesta fase a empresa deve avaliar o comportamento dos usuários e as pesquisas de tendências de moda, que inl uenciam o consumidor na hora da compra. Também preci- sam conhecer as bases têxteis e utilizar as mais indicadas para cada um dos segmentos do mercado. Outro aspecto que deve ser analisado em todo o processo de criação e produção do vestuário são as qualidades ergonômicas no vestuário. Nesta etapa deve-se considerar a compatibilidade de movimentos, a adaptação antropométrica, o conforto e a segu- rança oferecidos peça peça. As dei nições de conforto em ergonomia no vestuário são algo difícil de se conceituar, sendo que a ergonomia no vestuário também está ligada a aspectos físicos como tem- peratura, sensação térmica, medidas que correspondam ao corpo do usuário e formas que proporcionem o conforto no uso das peças. 169 LEITURA COMPLEMENTAR Já a qualidade estética faz um apelo ao design da roupa, pois atua no sentido de com- binar cores, formas, materiais e texturas, com o objetivo de deixar o produto com um visual agradável. Porém, para atingir a todas essas qualidades, é necessário envolver todos os setores da confecção. O trabalho é lento e exige as mais diferentes habilidades da equipe nas etapas de conceito, criação e produção. A ergonomia no vestuário exige uma série de adaptações antropométricas que incluem facilidades no manuseio, no uso, no conforto, na segurança e na vestibilidade da peça. Para alcançar um resultado o mais próximo do positivo é importante avaliar algumas variáveis, como as medidas adequadas da peça, o tecido, e o uso de pences que atuem no sentido de modelar a roupa no corpo, acomodando as saliências corpóreas. As empresas também precisam ter dados antropométricos coni áveis para poder fazer o projeto do design do produtos, a i m de proporcionar qualidade e aplicações ergo- nômicas às peças. A preocupação e a busca pela inclusão da ergonomia no vestuário agrega valor ao produto e é um grande desai o no mercado da moda. Fonte: Audaces (2013, on-line) 170 material complementar Modelagem Tridimensional Ergonômica Fátima Grave Editora: Escrituras Editora Sinopse: segundo Fátima Grave, “a indústria da confecção dispõe de diversas téc- nicas de modelagem soi sticadas e, ao reunir um bom programa de computador com um bom especialista em modelagem, contando ainda com o tecido ideal, mesmo o modelo mais simplório irá tornar-se uma peça soi sticada. Empresas de confecções devem empregar proi ssionais que dominem diversas dessas téc- nicas, o que garantirá uma economia signii cativa no custo i nal de seu produto”. Esta obra dedica-se ao esclarecimento da Modelagem Tridimensional, capacitan- do o estudante e atualizando os proi ssionais da moda na tarefa de atender à demanda do mercado. Indicação para Ler A Modelagem sob a ótica da Ergonomia Maria de Fátima Grave Editora: Zennex Sinopse: o livro trata da modelagem do vestuário de maneira a torná-lo mais confortável e funcional, respeitando o desempenho e a motricidade do corpo humano, conjugando sentimentos, pensamentos e ações por meio de estudos multidisciplinares. Considerando a anatomia, conta com aplicações empíricas que conferem maior qualidade à confecção, favorecendo o indivíduo no dia-a-dia e possibilitando a inclusão dos portadores de dei ciências físicas. Indicação para Ler Neste artigo “Ergonomia e Moda”, a autora parte da delimitação de fronteiras entre a moda e vestuário para demonstrar de forma sucinta as diversas ferramentas que devem ser consideradas no desenvolvi- mento de um produto. Acesse: <https://dobras.emnuvens.com.br/dobras/article/view/264/262>. Indicação para Acessar 171 material complementar A Moda-Vestuário e a Ergonomia do Hemiplégico Maria de Fátima Grave Editora: Escrituras Sinopse: a obra de Fátima Grave procura explorar as características da postura do dei ciente físico hemiplégico, para melhor atender suas necessidades em relação ao conforto no vestuário. Com base em pesquisas e depois de estabelecer as dei - nições especíi cas a respeito de sua condição física, a autora caminha em direção à apresentação de protótipos ergonomicamente ajustados. Indicação para Ler Coco Antes de Chanel Ano: 2009 Sinopse: Coco Avant Chanel conta a história da estilista francesa Gabrielle “Coco” Chanel, de sua infância pobre até a criação da maison Chanel. Comentário: o i lme fala sobre a história de Coco Chanel, uma mulher à frente de seu tempo que sempre aplicou o conforto em suas peças sem deixar de lado o luxo e o glamour de seu tempo. Indicação para Assistir O artigo relaciona a ergonomia aplicada ao público small size, ou seja, o oposto do plus size, e que também necessita de pesquisas especíi cas de adequação corporal. Acesse: <http://www.coloquiomoda.com.br/anais/Coloquio%20de%20Moda%20-%202017/COM_ORAL/co_1/ co_1_ERGODESIGN_APLICADO_AO.pdf>. Indicação para Acessar 172 referências ARÁJO, M. S.; CARVALHO, M. A. F. Modelagem ergonômica e antro- pométrica: valorizando o design de vestuário desportivo de PCNEMs. In: COĹQUIO DE MODA, 9., 2013. Fortaleza. Anais... Fortaleza: UFC; Abepem, 2013. AVELAR, S. 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Acesso em: 04 abr. 2019. 9Em: <https://www.audaces.com/ergonomia-no-vestuario-os-desaios-da- aplicabilidade/>. Acesso em: 04 abr. 2019. 1. A 2. C 3. E 4. B 5. A 175 DESIGN Conclusão geral Caro(a) aluno (a), ao longo deste livro, pudemos compreender melhor o signiica- do e o uso da ergonomia no design. Se partirmos do princípio de que um objeto, um ambiente ou uma vestimenta será utilizado pelo corpo humano, então, temos que nos basear nas medidas do corpo. Os estudos de casos trazidos ao longo dos capítulos para discussão, represen- tam algumas formas de se desenvolver um ambiente ou produto que se adeque melhor ao usuário, beneiciando sua saúde, bem-estar, conforto e aguçando per- cepções positivas durante o uso. Isso se dá também pela forma como a ergonomia aplica-se e respeita seus usuários com suas especiicidades corporais, necessida- des de mobilidade e busca por saúde e conforto. Pudemos compreender, também, alguns tipos de doenças de trabalho e for- mas de preveni-las com a aplicação da ergonomia, seja com intervenções físicas ou conscientização dos problemas ou possíveis soluções junto ao usuário. Além disso, especiicamente no design de interiores compreendemos melhor as normas de iluminação em ambiente, proteção de ruídos, vibrações e melhor forma de es- colher e dispor o mobiliário para diferentes tipos de usos no ambiente. No design de produto, observamos as diferentes formas de adequar um pro- duto aos variados tipos de usuários, principalmente, com o uso do design univer- sal. E, por im, no design de moda, reletimos sobre a importância de se conhecer o corpo para criar, desta forma, foram exploradas as modelagens ergonômicas e algumas ferramentas tecnológicas que podem otimizar a relação da vestimenta com o corpo do usuário. Tudo isso sempre pensando na melhor forma de adequar o ambiente, o produto ou a vestimenta ao usuário e proporcionar todos os bene- fícios esperados por meio da ergonomia. Espero que tenha compreendido, aproveitado e gostado dessa nossa jornada ergonômica e que tenha a consciência da importância de seu uso em seus projetos para melhor atender seu usuário.