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ERGONOMIA
PROFESSORA
Me. Veridianna Cristina Teodoro Ferreira
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Acesse o seu livro também disponível na versão digital.
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2 
ERGONOMIA 
NEAD - Núcleo de Educação a Distância
Av. Guedner, 1610, Bloco 4 - Jd. Aclimação 
Cep 87050-900 - Maringá - Paraná - Brasil
www.unicesumar.edu.br | 0800 600 6360
C397 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE MARINGÁ. Núcleo de Educação a Distância; 
FERREIRA, Veridianna Cristina Teodoro.
 Ergonomia. Veridianna Cristina Teodoro Ferreira
 Maringá - PR.:Unicesumar, 2019.
 176 p.
 “Graduação em Design - EaD”.
 1. Ergonomia. 2. Antropometria. 3. EaD. I. Título.
ISBN 978-85-459-1867-7 CDD - 22ª Ed. 620.82
CIP - NBR 12899 - AACR/2
Ficha Catalográica Elaborada pelo Bibliotecário
João Vivaldo de Souza - CRB-8 - 6828
Impresso por: 
DIREÇÃO UNICESUMAR
Reitor Wilson de Matos Silva, Vice-Reitor Wilson de Matos Silva Filho, Pró-Reitor Executivo de EAD 
William Victor Kendrick de Matos Silva, Pró-Reitor de Ensino de EAD Janes Fidélis Tomelin, Presidente 
da Mantenedora Cláudio Ferdinandi.
NEAD - NÚCLEO DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA
Diretoria Executiva Chrystiano Mincoff, James Prestes, Tiago Stachon, Diretoria de Graduação e 
Pós-graduação Kátia Coelho, Diretoria de Permanência Leonardo Spaine, Diretoria de Design 
Educacional Débora Leite, Head de Produção de Conteúdos Celso Luiz Braga de Souza Filho, Head de 
Curadoria e Inovação Tania Cristiane Yoshie Fukushima, Gerência de Produção de Conteúdo Diogo 
Ribeiro Garcia, Gerência de Projetos Especiais Daniel Fuverki Hey, Gerência de Processos Acadêmicos 
Taessa Penha Shiraishi Vieira, Supervisão de Produção de Conteúdo Nádila Toledo.
Coordenador(a) de Conteúdo Larissa Siqueira Camargo, Projeto Gráico José Jhonny Coelho, Editoração 
Arthur Cantareli Silva, Designer Educacional Bárbara Neves, Revisão Textual Meyre Barbosa da Silva, 
Ilustração Rodrigo Barbosa, Fotos Shutterstock.
Em um mundo global e dinâmico, nós trabalhamos 
com princípios éticos e proissionalismo, não 
somente para oferecer uma educação de qualidade, 
mas, acima de tudo, para gerar uma conversão 
integral das pessoas ao conhecimento. Baseamo-
nos em 4 pilares: intelectual, proissional, emocional 
e espiritual.
Iniciamos a Unicesumar em 1990, com dois cursos de 
graduação e 180 alunos. Hoje, temos mais de 100 mil 
estudantes espalhados em todo o Brasil: nos quatro 
campi presenciais (Maringá, Curitiba, Ponta Grossa 
e Londrina) e em mais de 300 polos EAD no país, 
com dezenas de cursos de graduação e pós-graduação. 
Produzimos e revisamos 500 livros e distribuímos mais 
de 500 mil exemplares por ano. Somos reconhecidos 
pelo MEC como uma instituição de excelência, com 
IGC 4 em 7 anos consecutivos. Estamos entre os 10 
maiores grupos educacionais do Brasil.
A rapidez do mundo moderno exige dos educadores 
soluções inteligentes para as necessidades de todos. 
Para continuar relevante, a instituição de educação 
precisa ter pelo menos três virtudes: inovação, 
coragem e compromisso com a qualidade. Por 
isso, desenvolvemos, para os cursos de Engenharia, 
metodologias ativas, as quais visam reunir o melhor 
do ensino presencial e a distância.
Tudo isso para honrarmos a nossa missão que é 
promover a educação de qualidade nas diferentes áreas 
do conhecimento, formando proissionais cidadãos 
que contribuam para o desenvolvimento de uma 
sociedade justa e solidária.
Vamos juntos!
Wilson Matos da Silva
Reitor da Unicesumar
boas-vindas
Prezado(a) Acadêmico(a), bem-vindo(a) à 
Comunidade do Conhecimento. 
Essa é a característica principal pela qual a Unicesumar 
tem sido conhecida pelos nossos alunos, professores 
e pela nossa sociedade. Porém, é importante 
destacar aqui que não estamos falando mais daquele 
conhecimento estático, repetitivo, local e elitizado, mas 
de um conhecimento dinâmico, renovável em minutos, 
atemporal, global, democratizado, transformado pelas 
tecnologias digitais e virtuais.
De fato, as tecnologias de informação e comunicação 
têm nos aproximado cada vez mais de pessoas, lugares, 
informações, da educação por meio da conectividade 
via internet, do acesso wireless em diferentes lugares 
e da mobilidade dos celulares. 
As redes sociais, os sites, blogs e os tablets aceleraram 
a informação e a produção do conhecimento, que não 
reconhece mais fuso horário e atravessa oceanos em 
segundos.
A apropriação dessa nova forma de conhecer 
transformou-se hoje em um dos principais fatores de 
agregação de valor, de superação das desigualdades, 
propagação de trabalho qualiicado e de bem-estar. 
Logo, como agente social, convido você a saber cada 
vez mais, a conhecer, entender, selecionar e usar a 
tecnologia que temos e que está disponível. 
Da mesma forma que a imprensa de Gutenberg 
modiicou toda uma cultura e forma de conhecer, 
as tecnologias atuais e suas novas ferramentas, 
equipamentos e aplicações estão mudando a nossa 
cultura e transformando a todos nós. Então, priorizar o 
conhecimento hoje, por meio da Educação a Distância 
(EAD), signiica possibilitar o contato com ambientes 
cativantes, ricos em informações e interatividade. É 
um processo desaiador, que ao mesmo tempo abrirá 
as portas para melhores oportunidades. Como já disse 
Sócrates, “a vida sem desaios não vale a pena ser vivida”. 
É isso que a EAD da Unicesumar se propõe a fazer. 
Willian V. K. de Matos Silva
Pró-Reitor da Unicesumar EaD
Seja bem-vindo(a), caro(a) acadêmico(a)! Você está 
iniciando um processo de transformação, pois quando 
investimos em nossa formação, seja ela pessoal ou 
proissional, nos transformamos e, consequentemente, 
transformamos também a sociedade na qual estamos 
inseridos. De que forma o fazemos? Criando 
oportunidades e/ou estabelecendo mudanças capazes 
de alcançar um nível de desenvolvimento compatível 
com os desaios que surgem no mundo contemporâneo. 
O Centro Universitário Cesumar mediante o Núcleo de 
Educação a Distância, o(a) acompanhará durante todo 
este processo, pois conforme Freire (1996): “Os homens 
se educam juntos, na transformação do mundo”.
Os materiais produzidos oferecem linguagem 
dialógica e encontram-se integrados à proposta 
pedagógica, contribuindo no processo educacional, 
complementando sua formação profissional, 
desenvolvendo competências e habilidades, e 
aplicando conceitos teóricos em situação de realidade, 
de maneira a inseri-lo no mercado de trabalho. Ou seja, 
estes materiais têm como principal objetivo “provocar 
uma aproximação entre você e o conteúdo”, desta 
forma possibilita o desenvolvimento da autonomia 
em busca dos conhecimentos necessários para a sua 
formação pessoal e proissional.
Portanto, nossa distância nesse processo de crescimento 
e construção do conhecimento deve ser apenas 
geográica. Utilize os diversos recursos pedagógicos 
que o Centro Universitário Cesumar lhe possibilita. 
Ou seja, acesse regularmente o Studeo, que é o seu 
Ambiente Virtual de Aprendizagem, interaja nos 
fóruns e enquetes, assista às aulas ao vivo e participe 
das discussões. Além disso, lembre-se que existe 
uma equipe de professores e tutores que se encontra 
disponível para sanar suas dúvidas e auxiliá-lo(a) em 
seu processo de aprendizagem, possibilitando-lhe 
trilhar com tranquilidade e segurança sua trajetória 
acadêmica.
boas-vindas
Débora do Nascimento Leite
Diretoria de Design Educacional
Janes Fidélis Tomelin
Pró-Reitor de Ensino de EAD
Kátia Solange Coelho
Diretoria de Graduação 
e Pós-graduação
LeonardoSpaine
Diretoria de Permanência
autores
Me. Veridianna Cristina Teodoro Ferreira
Graduada em Design de Moda pelo Instituto Educacional do Estado de São Paulo (2011). 
Possui Curso de Extensão, na França e Itália, com foco de pesquisa em Design e Criação 
de produto (2013). Possui Especialização em Moda, Produto e Comunicação pela Univer-
sidade Estadual de Londrina (2013). Doutoranda em Design pela Universidade Anhembi 
Morumbi. Mestre em Design, Arte e Tecnologia pela Universidade Anhembi Morumbi (2016). 
Experiência nas áreas de Design de Moda, de produto, de interiores e grái co, atuando 
principalmente nos seguintes temas: desenvolvimento de produto; ergonomia; tecnologia 
têxtil; projeto; design; meios de produção; modelagem; gestão e metodologia cientíi ca. 
Ministra cursos de visual Merchandising. 
Possui pesquisas e publicações nacionais e internacionais com foco em Ergonomia do 
produto, moda inclusiva, meios de produção na moda e tecnologia têxtil. Experiência 
como professora acadêmica nos Cursos de graduação em Design de Moda, Design de 
interiores, Design Grái co, Arquitetura e Engenharia de produção.
Link: <http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K8189797J0>.
apresentação do material
ERGONOMIA
Me. Veridianna Cristina Teodoro Ferreira
Caro (a) aluno (a), este livro tem como objetivo apresentar e discutir sobre a ergo-
nomia, suas áreas de atuação e suas diferentes abordagens. Pretendo fazer isso de 
forma leve para que você compreenda o que é ergonomia e passe a ter um olhar 
crítico com relação aos ambientes, produtos e às vestimentas.
Ao longo dos capítulos, falaremos da ergonomia em diferentes situações, pois 
está ligada a todos os produtos ou ambientes que são desenvolvidos para o uso do 
ser humano, sendo que a principal deinição da ergonomia é adequar o produto/
ambiente ao usuário, ao contrário de permitir que o usuário modiique sua postura 
para utilizar o produto/ambiente.
Baseado nesta constatação, podemos dizer que a ergonomia teve seus primeiros 
indícios na pré-história, quando os homens das cavernas adaptaram suas armas 
para sobrevivência. O homem pré-histórico, ao ixar na ponta de uma vara uma 
lasca de pedra aiada para facilitar a caça de uma forma mais confortável, segura 
e eicaz, estava inconscientemente, realizando ergonomia. 
Desta forma, ela surgiu juntamente com a necessidade de sobrevivência do 
homem primitivo que, sem querer, começou a aplicar seus princípios para facilitar 
suas tarefas, como caçar, cortar e esmagar. Assim, a preocupação em adaptar o 
ambiente e/ou construir objetos para facilitar a vida dos indivíduos sempre esteve 
presente nos seres humanos, até mesmo em tempos remotos. (IIDA, 2005)
A ergonomia preza pelo conforto, saúde e bem-estar do indivíduo e, para isso, 
muitas vezes, utiliza das ferramentas de medições da antropometria para obter 
o resultado desejado. A antropometria será vista detalhadamente na Unidade I.
Começaremos nosso estudo entendendo o que é ergonomia, desde o signii-
cado da palavra até suas áreas de atuações, falaremos também sobre a biomecâ-
nica, antropometria e suas formas de utilização. Posteriormente, falaremos sobre 
a ergonomia em diferentes situações, bem como no ambiente de trabalho, no 
desenvolvimento de produtos, nos projetos de interiores e nos projetos de moda. 
Para facilitar a compreensão da ergonomia nestas áreas, usaremos alguns estudos 
de caso que ajudarão a visualizar sua aplicação.
Serão apresentados estudos de caso voltados à melhor adequação do ambiente 
ao uso humano, à compreensão do uso da ergonomia no design de produto, bem 
como o uso do design universal e, por im, ao uso da tecnologia têxtil aliada à mo-
delagem ergonômica com a inalidade de adequar melhor a vestimenta ao corpo.
Desta forma, icará mais fácil compreender as diferentes formas de aplicação 
da ergonomia, sua importância e todos os benefícios de sua aplicação ao usuário.
Sejam bem-vindos a esta disciplina e, agora, vamos estudar!
sumário
UNIDADE I
ERGONOMIA: DEFINIÇÃO E ABRANGÊNCIA
14 Dei nição e Surgimento da Ergonomia
16 Abrangência da Ergonomia
21 Aplicação na Vida Diária
30 Aplicação da Antropometria
UNIDADE II
ERGONOMIA EM AMBIENTE DE TRABALHO
48 Biomecânica Ocupacional
52 Posto de Trabalho, Controles e Manejos 
55 Percepção e Processamento de Informação 
61 Ergonomia no Dia a Dia 
UNIDADE III
ERGONOMIA DO PRODUTO
76 Adaptação Ergonômica de Produtos
79 Projetos Universais
84 Desenvolvimento de Produto Ergonômico
86 A Importância de Produtos Ergonômicos
88 Estudo de Caso
UNIDADE IV
ERGONOMIA APLICADA NO AMBIENTE
108 Iluminação e Cores
115 Ruídos e Vibrações 
120 Ergonometria
122 Ergonomia e Mobiliário
124 Estudo de Caso
UNIDADE V
ERGONOMIA NA MODA
144 Aplicação da Antropometria na Moda
147 Ergodesign e a Matéria-Prima Tecnológica
151 Ergonomia na Modelagem
156 Projeto de Moda Universal
162 Percepção do Usuário no Uso da Vestimenta 
Ergonômica
175 Conclusão geral
Professora Me. Veridianna Cristina Teodoro Ferreira
Plano de Estudo
A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade:
• Dei nição e surgimento da Ergonomia
• Abrangência da Ergonomia
• Aplicação na vida diária
• Antropometria
• Aplicação da Antropometria
Objetivos de Aprendizagem
• Apresentar o conceito de Ergonomia, descrevendo seu início intuitivo na pré-
história e o seu surgimento cientíi co. 
• Discutir a abrangência da Ergonomia, suas aplicações gerais e, também, 
no design de interiores, design de produto e design de moda. Além de 
diferenciar Ergonomia de concepção, de correção, de conscientização e de 
participação.
• Apresentar a Ergonomia nas atividades domésticas, no ensino, no transporte 
e em espaços públicos. 
• Dei nir Antropometria Estática, Dinâmica e Funcional e reconhecer as 
alterações de medidas ocasionadas por diferenças entre sexos, variações 
genéticas, inl uências étnicas e climáticas.
• Identii car o uso de dados antropométricos e exemplii car o uso da 
Antropometria no Design de Interiores, Design de produto e Design de Moda.
ERGONOMIA: DEFINIÇÃO E 
ABRANGÊNCIA
 unidade 
I
INTRODUÇÃO
Olá caro (a) aluno(a), seja bem-vindo ao módulo de Ergonomia. Neste primeiro capítulo, compreenderemos o surgimento da Ergonomia, desde a pré-história com o uso intuitivo, passan-do pelo uso consciente, porém nos seus primeiros passos na 
Revolução Industrial e chegando aos períodos da 1º e 2º Guerra Mundial, 
com os estudos aprofundados e, posteriormente, sua formalização como 
ramo de aplicação interdisciplinar da Ciência.
Seguiremos em nosso capítulo compreendendo a abrangência da Er-
gonomia e suas formas de aplicação para que você compreenda a impor-
tância dela na sua área do design e ique mais claro tanto a utilização da 
Ergonomia como sua importância. Ao longo do texto você encontrará 
exemplos do uso da Ergonomia e da Antropometria no Design de Moda, 
no Design de Interiores e no Design de Produto. Isso para que você com-
preenda as diversas formas de aplicação, nos diferentes tipos de produtos 
ou ambientes e o quanto a Ergonomia é importante, tanto na vestimenta, 
no produto em geral, nos ambientes e sistemas.
O uso da Ergonomia na vida diária será relatado, também, pois ela 
pode ser aplicada na maioria das nossas diversas atividades ao longo do 
dia, seja em casa, no trabalho, nas ruas seja, até mesmo, no lazer. E quando 
a Ergonomia está presente, a atividade a ser desenvolvida lui melhor, de-
vido aos seus princípios que visam, principalmente, ao conforto, ao bem-
-estar, à saúde e à segurança.
Para que estes princípios sejam utilizados e aplicados corretamente, 
compreenderemos, também, a importânciado uso de dados antropomé-
tricos e suas formas de aplicações para que o ambiente, o produto ou a 
vestimenta desenvolvida sejam adequados ao uso humano e não causem 
desconforto, insegurança ou problemas de saúde e não atrapalhe o indi-
víduo a concluir suas inúmeras atividades diárias com prazer, saúde segu-
rança e conforto.
14 
ERGONOMIA 
Como já citado na apresentação, a Ergonomia 
surgiu na pré-história, a partir da necessidade de so-
brevivência do homem primitivo. Ele começou a ai ar 
e modii car alguns detalhes das ferramentas de caça 
para que tivesse mais segurança e ei cácia durante as 
caçadas, além disso faziam utensílios de barros para 
retirar água das nascentes e as levar para seu uso. 
Na era da produção artesanal, a preocupação em 
adequar as tarefas às necessidades humanas sempre 
esteve presente. Entretanto as mudanças signii cativas 
da ergonomia vieram junto com a revolução indus-
trial, que começou na Inglaterra, em meados do sécu-
Caro(a) aluno(a), seja bem-vindo(a). Para iniciar 
nosso aprendizado, começaremos compreendendo 
o que é a Ergonomia, tanto no signii cado da palavra 
quanto no seu surgimento. A palavra “ergonomia” 
deriva do latim cujo signii cados são: ergo = traba-
lho e nomos = leis naturais e/ou regras. Desta forma, 
compreendemos que a Ergonomia se refere às regras 
do trabalho com relação ao homem e, com o passar 
dos tempos, estes princípios se estenderam a todos 
os produtos criados para o uso do ser humano. Sen-
do assim, a ergonomia adapta produtos, serviços, 
ferramentas de trabalhos e ambientes aos usuários.
Dei nição e Surgimento 
da Ergonomia
 15
 DESIGN 
lo XVIII. Tal revolução caracterizou-se pela passagem 
da manufatura à indústria mecânica e com a intro-
dução de máquinas fabris que multiplicaram o rendi-
mento do trabalho e aumentaram a produção global.
Inicialmente, as fábricas eram escuras, sujas, ba-
rulhentas e perigosas. As jornadas de trabalho chega-
vam a 16 horas por dia, sem férias, com chefes auto-
ritários e castigos corporais. A Figura 1 mostra uma 
fábrica, nos anos de 1912, com crianças trabalhando. 
Fadiga Industrial, que realizou inúmeras pesquisas 
referentes à fadiga na indústria, principalmente, nas 
de minas de carvão. Em 1929, este órgão foi refor-
mulado para Instituto de pesquisa para Saúde do 
Trabalho, desta forma teve seu campo de pesquisa 
ampliado com desenvolvimento de pesquisa de pos-
turas de trabalho, carga manual, treinamento, ilumi-
nação, ventilação entre outras (IIDA, 2005).
Com a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), os 
conhecimentos cientíicos e tecnológicos adquiridos 
foram utilizados, ao máximo, para construir instru-
mentos bélicos complexos, como submarinos, tan-
ques, radares, sistemas contra incêndio e aviões. Des-
ta forma, a ergonomia se fez essencial, pois qualquer 
erro no manuseio poderia ser fatal, por isso, as pesqui-
sas foram redobradas para adaptar os instrumentos 
bélicos às características e capacidades do operador, 
com o intuito de melhorar o desempenho do usuário, 
reduzindo a fadiga e os acidentes (IIDA, 2005).
De acordo com os fatos históricos anteriormente 
relatados, a Ergonomia começou a ser construída a 
partir de pesquisas para combater os efeitos da re-
volução industrial, em busca de um trabalho huma-
nizado. Em seguida, foi profundamente pesquisada, 
nos períodos das Primeira e Segunda Guerra Mun-
dial, com intuito de minimizar a fadiga e, com isso, 
diminuir riscos de acidentes fatais no manuseio de 
equipamentos bélicos. Porém o termo “ergonomia” 
teve seu nascimento oicial em 12 de julho de 1949, 
na Inglaterra, quando cientistas e pesquisadores reu-
niram-se e decidiram formalizar a existência deste 
novo ramo de aplicação interdisciplinar da ciência 
(IIDA, 2005). E, a partir de sua formalização, a Er-
gonomia vem para repensar o trabalho e questionar: 
Como ter qualidade de vida no trabalho?
Figura 1 - Crianças trabalhando em fábrica
A partir desses fatos, alguns estudos começaram a 
ser desenvolvidos no inal do século XIX e no início 
do século XX, sobre a isiologia do trabalho, gastos 
energéticos e fadiga, para solucionar problemas de-
correntes da industrialização.
Durante a Primeira Guerra Mundial (1914-
1917), na Inglaterra, foi criada a Comissão de Saúde 
dos Trabalhadores na indústria de Munição e, em 
1915, isiologistas e psicólogos foram chamados 
para colaborar com estratégias para aumentar a 
produção de armamentos. Quando a guerra chegou 
ao im, passou a se chamar Instituto de Pesquisa da 
16 
ERGONOMIA 
A saúde é priorizada na ergonomia quando seu 
limite é respeitado, evitando estresse, riscos de aci-
dente e doenças ocupacionais. A segurança condiz 
com o respeito às capacidades e limitações do usuá-
rio, que contribuem com a redução de erros, aciden-
tes, estresse e fadiga. O conforto dá-se pelo resultado 
das necessidades atendidas junto a um bom plane-
jamento. Necessidades estas que têm como foco a 
adequação do produto/ambiente ao homem de for-
ma que respeite seus limites, priorize seu bem-estar 
e, consequentemente, aumente seu rendimento, seja 
no trabalho seja nas atividades diárias. 
Como já vimos, a Ergonomia defende que o produto 
adapte-se ao homem, e não o contrário, para isso, 
atua em correção de produtos mal projetados, na 
concepção de novos produtos, na conscientização 
de uso e participação do sistema para busca de solu-
ções. Os princípios ergonômicos defendem o bem-
-estar, o conforto, a saúde, a segurança, a satisfação 
e a ei ciência do indivíduo. A ei ciência do trabalho 
e o aumento da produtividade virão como consequ-
ência, pois, quando o indivíduo trabalha de forma 
mais confortável, naturalmente, produzirá mais, 
pois sua fadiga, se houver, será tardia.
Abrangência da 
Ergonomia
 17
 DESIGN
-prima que será desenvolvida, a vestimenta ou aces-
sório, desta forma, proporciona ao usuário a percep-
ção de conforto no uso da vestimenta, resultando 
em melhor desempenho de suas atividades diárias. 
No caso do Designer de Interiores, a Ergonomia é 
aplicada no espaço, tanto em busca de conforto tér-
mico, visual e auditivo, quanto na disponibilidade 
dos móveis e aplicações de facilitadores no uso di-
ário do ambiente. Isso resulta em facilidade no uso 
do espaço, seja no l uxo de pessoas, no conforto do 
lar seja na implantação de soluções ergonômicas em 
ambientes de trabalho.
A contribuição da ergonomia pode ser feita na 
concepção do produto/ambiente na correção, na 
conscientização ou até mesmo na participação. A 
ergonomia de concepção ocorre quando a contri-
A ergonomia pode contribuir de diversas ma-
neiras para melhorar as condições do usuário. Em 
alguns casos, para ter melhor aproveitamento, en-
volve diversos proi ssionais de diferentes áreas de 
uma empresa, isso porque a ergonomia pode ser 
estudada por diversas proi ssões, como médicos do 
trabalho, engenheiros, enfermeiros, i sioterapeutas, 
administradores, compradores, designers, entre ou-
tros. Cada área apropria-se da ergonomia para aten-
der sua necessidade especíi ca, porém sempre den-
tro dos mesmos princípios, os de favorecer o usuário 
e melhorar sua qualidade de vida (IIDA, 2005).
Os designers, quando fazem uso da ergonomia, 
ajudam nessa adaptação de produto/espaço ao usuá-
rio, especii camente, o designer de produto pesquisa 
formas de tornar o produto mais adequado ao uso 
humano, facilitando aberturas e fechamentos, com-
preensão do uso, minimização de força para manu-
seio do produto dentre outros detalhes que favore-
cem a aceitação do produto.
No caso do Designerde Moda, a pesquisa é feita 
com foco tanto na modelagem quanto na matéria-
18 
ERGONOMIA 
buição se faz durante o projeto de desenvolvimen-
to do produto, da máquina, ambiente ou sistema. É 
uma ótima situação, pois as alternativas poderão ser 
amplamente examinadas para evitar inadequação 
durante o uso, porém exige mais conhecimento e ex-
periência, pois as decisões são tomadas com base em 
situações hipotéticas, por não existir o produto, am-
biente ou sistema de forma real. Para obter melhor 
resultado, aconselha-se usar como base situações se-
melhantes ou produtos similares. Algumas situações 
podem ser simuladas no computador, com uso de 
modelos virtuais (IIDA, 2005).
A Ergonomia de Concepção é mais utilizada 
na criação de postos de trabalho, pois, antes de 
comprar maquinários e equipamentos para pro-
dução, que costumam ter um alto custo, deve-se 
pensar em todas as possibilidades para que depois 
não necessite correção do sistema de trabalho, o 
que, muitas vezes, não é viável pelo alto investi-
mento sobre o mesmo sistema. Por isso, neste 
caso, as correções, quando necessárias, são rea-
lizadas, inicialmente, modiicando os elementos 
parciais do posto de trabalho, como as dimensões, 
Iluminação, o ruído, a temperatura e a conscien-
tização sobre posturas e usos do sistema. Se todas 
estas possibilidades não resolverem o problema, 
então, busca-se a correção do sistema por meio de 
compras de novos maquinários.
A imagem a seguir ilustra um projeto de layout 
com Ergonomia de Concepção, pois avalia as formas 
de uso do ambiente e aplica os aspectos ergonômi-
cos necessários. 
Figura 2 - Layout de posto de trabalho ergonômico
 19
 DESIGN 
A Ergonomia de Correção é aplicada em situações 
ou produtos já existentes e serve para resolver pro-
blemas detectados durante o uso do produto, como: 
segurança, desconforto, diiculdade de manejo, fadi-
ga excessiva, doenças derivadas do uso do produto 
ou ambiente e quantidade e/ou qualidade de produ-
ção (IIDA, 2005).
A Ergonomia de Correção é uma das mais uti-
lizadas, pois a todo momento designers procuram 
criar produtos com melhorias, baseando-se nas ina-
dequações dos produtos anteriores, por exemplo o 
celular, que já passou por inúmeras correções com 
a intenção de se adequar ao uso do indivíduo, faci-
litando seu manejo e concentrando várias utilidades 
em um só produto, como: despertador, agenda, blo-
co de notas, acesso fácil à internet etc.
As roupas também passam por correções a todo 
momento, e suas intervenções ergonômicas ocor-
rem, geralmente, na modelagem e na escolha da 
matéria-prima, como os uniformes esportivos, que 
sempre são modiicados com a intenção de melhorar 
o desempenho do atleta e favorecer sua saúde. Nos 
uniformes de basquete, por exemplo, os tecidos fo-
ram criados para serem os mais leves possíveis para 
não atrapalhar nos saltos que os atletas dão para al-
cançar a cesta. E para que se torne mais confortável 
e ainda mais leve, as emendas são coladas com mate-
riais especíicos em vez de serem costuradas. 
Na Ergonomia de Conscientização, procura-se, 
como o nome sugere, conscientizar o próprio traba-
lhador para identiicar e corrigir o problema quando 
necessário, seja do dia a dia ou de forma emergencial. 
Os imprevistos podem surgir a qualquer momento, e 
os operários devem estar preparados para enfrentá-los. 
É importante conscientizar o operador por meio 
de cursos, treinamentos e frequentes reciclagens, en-
sinando-o, de forma segura, a reconhecer os fatores Figura 3 - A ergonomia no uniforme de basquete
20 
ERGONOMIA 
de risco que podem surgir a qualquer momento no 
ambiente de trabalho. Ele deve saber exatamente a 
providência a ser tomada numa situação de emer-
gência (IIDA, 2005). Além disso, ensina o colabora-
dor a usufruir os benefícios de seu posto de traba-
lho com boa postura, uso adequado de mobiliários 
e equipamentos, auxilia na implantação de pausas e 
conscientiza da importância delas.
A Ergonomia de Conscientização é muito utili-
zada por seguranças de trabalho, que conscientizam 
os operários a manusear a máquina de forma corre-
ta, com postura adequada, com atenção e utilizando 
os equipamentos de segurança corretamente.
O segurança do trabalho supervisiona os ope-
rários enquanto estão trabalhando para evitar que 
sofram acidentes por usos inadequados de maqui-
nários ou equipamento de segurança e, quando per-
cebe algo errado, conscientiza o operário para que 
faça da forma certa e, assim, preserve sua saúde e 
sua integridade física.
A Ergonomia de Conscientização se vê também 
em produtos, como o verso das embalagens de ci-
garros, que contém os malefícios que o uso contí-
nuo daquele produto pode causar ao consumidor. 
A Figura 4 demonstra a aplicação da Ergonomia de 
Conscientização em rótulo de embalagem, com o 
intuito de conscientizar o fumante dos males que o 
cigarro pode causar.
E, por im, a Ergonomia de Participação envol-
ve o próprio usuário do sistema na resolução do 
problema de forma mais ativa, na busca da solução 
para o problema, seja trabalhador seja consumidor, 
Figura 4 - Ergonomia de conscientização em produto
Fonte: Anvisa (2017, on-line)1.
enquanto a Ergonomia de Conscientização procura 
apenas manter os trabalhadores e usuários informa-
dos. Este princípio acredita que o usuário tenha o 
conhecimento prático, de uso, o que contribui para 
evitar que detalhes passem despercebidos pelo pro-
jetista (IIDA, 2005).
 21
 DESIGN
A ergonomia deve ser aplicada no produto junto as 
premissas do design, para que resultem em produtos 
e/ ou espaços adequados ao ser humano. Devemos 
sempre levar em consideração que o produto será 
utilizado pelo corpo humano, por isso deve partir de 
suas medidas e se basear em suas necessidades e ex-
pectativas. O projeto ergonômico tem como objetivo 
facilitar a vida do usuário, deixando-o mais confor-
tável, aumentando seu desempenho, diminuindo seu 
desgaste e, até mesmo, eliminando riscos de danos à 
saúde com o uso de produto/ambiente mal projetado. 
Quando aplicamos a ergonomia no projeto, temos 
que pensar no usuário do produto e levar em consi-
deração suas necessidades, dii culdades e limitações, 
além de pensar sempre em uma forma de facilitar o 
uso do produto e, consequentemente, isso aumenta-
ria o desempenho do usuário enquanto no uso. 
A ergonomia deveria estar presente a todo 
momento em nosso dia a dia, pois sua ausên-
cia é facilmente percebida, por exemplo quando 
você acorda depois de ter dormido com um pi-
jama apertado, ou em um colchão inapropriado 
Aplicação na 
Vida Diária
22 
ERGONOMIA 
ou, até mesmo, com um travesseiro que não estava 
na altura correta, e, imediatamente, as dores no 
corpo são percebidas. Isso ocorre também quando 
o indivíduo levanta da cama de forma incorreta, 
podendo causar um mal jeito imediato. Posterior-
mente, você resolve limpar a casa e, caso não le-
vante os objetos pesados com a postura correta, 
pode desenvolver lesões corporais sentidas ime-
diatamente ou após a inalização da tarefa. Ao la-
var uma louça numa pia mais baixa ou mais alta 
que o correto, as dores nas costas são inevitáveis.
até sem poder se movimentar, como os seguranças. 
Ufa, quanta coisa, não? Como essa tal ergonomia é 
importante, não é? Imagina que difícil essa rotina que 
relatei? Agora, pense que muita gente passa exatamen-
te por todos estes obstáculos que relatei. Imagine que 
maravilha seria morar em uma casa ergonômica, numa 
cidade ergonômica e ainda trabalhar numa empresa 
ergonômica. Muito do stress,da fadiga e das dores no 
corpo seriam evitadas. E cabe a nós, designers, tentar 
inserir, ao máximo, a ergonomia em cada projeto que 
desenvolvemos e em cada adequação que fazemos.
Figura 5 - Posições do dia a dia com e sem ergonomia
Fonte: RPG Souchard ([2018], on-line)2. 
A Figura 5 ilustra alguns movimentos do dia a dia 
que muitas pessoas fazem de maneira completa-
mente incorreta, o que pode acarretar problemas fu-
turos com posturas, dores, inlamações, entre outras 
enfermidades causadas por posturas incorretas.
que geralmente tem o assento estreito, gerará um descon-
forto com o usuário ao lado e, ainda, uma insegurança 
quando o ônibus frear rapidamente, ou izer uma curva 
em velocidade por conta da falta de cintos de segurança.
Ao chegar em seu ambiente de trabalho, pode ser 
que se depare com uma cadeira desconfortável, uma 
mesa baixa, um computador sem apetrechos de apoio 
que evite doenças de movimentos repetitivos. Ou pode 
ser que você trabalhe horas seguidas em pé, às vezes, 
Caso você não costume 
fazer serviços domésticos, 
mas trabalhe, ou estude fora, 
sentirá falta da ergonomia 
quando sair de casa e andar 
por calçadas desniveladas e 
esburacadas. Se for pegar um 
ônibus, e o ponto não for cor-
retamente coberto, irá se mo-
lhar caso esteja chovendo, ou, 
então, sentirá o forte calor do 
Sol dependendo do horário. 
Ao perceber uma pessoa 
de mais idade subindo aqueles 
altos degraus do ônibus, per-
ceberá quão inadequados são 
e, quando se sentar no ônibus, 
 23
 DESIGN
 F
ig
u
ra
 6
 -
 H
o
A Antropometria é ferramenta utilizada pela Ergo-
nomia, que utiliza pesquisas intensas das medidas 
dos usuários de diversas formas, desde eretas, em 
movimento e, até mesmo, em alcances. Como já foi 
dito, um projeto que será desenvolvido para o uso 
humano deve se basear nas medidas humanas, além 
de levar em consideração as formas de usos, necessi-
dades, capacidades e limitações.
24 
ERGONOMIA 
O corpo humano, suas formas e proporções têm 
encantado artistas, ilósofos, arquitetos e teóricos há 
muito tempo, desde épocas remotas. No século I a.C., 
o arquiteto romano Vitrúvio estudava as proporções 
do corpo humano, um século e meio mais tarde estes 
mesmos estudos foram retomados por Leonardo da 
Vinci, com o Homem de Vitrúvio. O inglês Gibson 
e Bonomi re-estudou, em 1957, e nos anos 1960, foi 
estudado pelo arquiteto Francês Le Corbusier com o 
tão conhecido Modulador (MARTINS, 2008).
que parece óbvio, mas muitos erros acontecem 
por não considerarem isso. É fundamental essa 
pesquisa na criação de ambientes, arquiteturas, 
postos de trabalhos, além de ser importantíssi-
ma sua aplicação no desenvolvimento de roupas, 
calçados, acessórios, artigos para esportes, vesti-
mentas para diversas deficiências, entre muitos 
produtos, como assevera Saltzman (2008).
 A Antropometria dá-se pelo estudo das medi-
das do indivíduo em diferentes situações cujos tipos 
de medidas dependem do produto ou ambiente a ser 
desenvolvido. Por exemplo, no caso do desenvolvi-
mento de um teclado de computador, deve-se levar 
em consideração as medidas das mãos e o alcance 
dos dedos para que o teclado não seja projetado 
maior que o alcance das mãos, o que causaria des-
conforto no uso do objeto.
Essas medidas antropométricas devem ser tira-
das com muito cuidado e com muita precisão, pois 
qualquer detalhe pode alterar os dados do estudo. 
Se pessoas serão medidas com ou sem roupas, com 
ou sem sapatos, entre outros detalhes que devem ser 
deinidos antes de começar as medições. Se icar de-
terminado que as medidas serão feitas com roupas 
íntimas, então, todos deverão estar vestidos apenas 
com roupas íntimas, e assim por diante. Isso torna o 
estudo mais preciso.
Um produto adequado ao corpo deve ser em-
basado em medidas antropométricas, se levarmos 
em consideração que em alguns casos o usuário não 
permanecerá estático com o produto ao corpo, e se 
estivermos nos referindo a uma vestimenta, então, 
não permanecerá imóvel mesmo. Por isso, quando 
se pretende trabalhar com vestuário, o ideal é co-
nhecer as proporções e dimensões do corpo, para 
que a vestimenta se ajuste ao usuário e se mova de 
forma confortável. 
Figura 7 - O Modulor, de Le Corbusier
Fonte: Dezeen (2015, on-line)4.
As proporções do corpo humano foram estu-
dadas em diferentes épocas e com pretensões 
diversas, por isso, ao criarmos algo para o uso 
do homem, devemos levar esses estudos em con-
sideração para minimização de erros, como o 
de adequação ao corpo. Desta forma, devemos 
conhecer o corpo a fim de criar para o corpo, o 
 25
 DESIGN 
Figura 8 - Estudo de estações de trabalho, imagem do livro he Measure of Man and Woman, de Henry Dreyfuss (1993)
Fonte: Simanaitis Says ([2018], on-line)5.
Figura 9 - Imagem de estudo contida no livro he Measure of 
Man and Woman, de Henry Dreyfuss (1993)
Fonte: Simanaitis Say ([2018], on-line)6.
26 
ERGONOMIA 
Figura 10 - Imagem de medidas de mãos masculina, feminina e infantil, con-
tida no livro he Measure of Man and Woman, de Henry Dreyfuss (1993)
Fonte: Anthopometric Data ([2018], on-line)7.
 27
 DESIGN 
O designer/projetista deve conhecer a estrutura bá-
sica do corpo, os movimentos, a anatomia, as formas 
e as medidas do corpo, já que o dimensionamento 
adequado do vestuário é tão importante quanto as 
sensações de conforto, de segurança, de proteção e a 
estética do produto. (BOUERI, 2008).
Um único estudo antropométrico não é válido 
para toda a população mundial, pois existem dife-
renças étnicas e climáticas que inluenciaram nas 
medidas do corpo humano. Além disso, há diferen-
ciações de medidas entre homens e mulheres além 
das variações de medidas que ocorrem em um ser 
humano ao longo de sua vida, há diferenças inques-
tionáveis entre uma criança de 5 anos, um adoles-
cente de 15, um adulto de 30 e assim por diante. Por 
isso, é preciso saber para quem estamos desenvol-
vendo o produto para nos basearmos nas medidas 
referentes à etnia do indivíduo, à faixa-etária e ao 
tipo de uso do produto para nos referirmos ao tipo 
de medidas estáticas, dinâmicas ou funcionais.
Até 1940, a antropometria visava determinar 
apenas algumas grandezas médias, como o peso e a 
estatura da população, depois passaram a determi-
nar as variações das medidas e os alcances dos mo-
vimentos (IIDA, 2005).
Os primeiros estudos são datados há muitos anos, 
mas essas pesquisas foram aplicadas de fato e de forma 
sistêmica em projetos a partir da década de 1950, por 
conta do desenvolvimento de métodos para aplicação 
das medidas corporais em diferentes tipos de projetos. 
Nesse mesmo período, surgiu, nos Estados 
Unidos, o escritório de projetos Henry Drey-
fuss, que atuou na área de design, elaborando 
Figura 11 - Imagem do corpo masculino e feminino, contida no livro he Measure of Man and Woman, de Henry Dreyfuss (1993)
Fonte: Anthopometric Data ([2018], on-line)7.
28 
ERGONOMIA 
Esses dados podem ser utilizados em todo e qual-
quer produto que seja destinado ao uso do homem, 
podendo ser um mobiliário, um posto de trabalho, 
objetos de uso e, até mesmo, uma vestimenta. Este 
estudo de medidas é fundamental em diferentes se-
tores, o que prova isso são os inúmeros produtos 
inadequados que já foram e ainda são exportados 
para outros países sem considerar as variações de 
medidas por inluências étnicas e/ou climáticas.
Um exemplo de inadequação foram as antigas 
máquinas locomotivas exportadas pelos ingleses 
para a Índia. Elas não se adaptavam aos operadores 
indianos,por desconformidade com as medidas dos 
locais. Outro exemplo ocorreu durante a guerra do 
Vietnã quando os soldados vietnamitas com altura 
média de 160,5 cm tinham muita diiculdade em 
operar as máquinas bélicas fornecidas pelos norte-a-
projetos com dados ergonômicos e antropomé-
tricos da população usuária (BOUERI, 2008 
apud FERREIRA 2016, p. 37).
A princípio, estas medidas eram tiradas de forma 
manual, mas, atualmente, existem máquinas que es-
caneiam o corpo humano e identiicam, detalhada-
mente, suas dimensões, facilitando o detalhamento 
dos dados antropométricos para aplicação em dife-
rentes setores, tanto da moda como no projeto de 
ambientes ou na criação de novos produtos.
mericanos, e isso porque foram projetadas para uma 
altura média de 174,5 cm (IIDA, 2005).
Esses exemplos demonstram o risco que um usu-
ário corre ao utilizar um produto que não tenha sido 
projetado de acordo com suas medidas corporais e me-
didas de alcances. No entanto, riscos ao usuário exis-
tem em diversos produtos, e isso acontece quando não 
se pesquisa o corpo para criar para o corpo, ou quando 
não se leva em consideração as medidas da região para 
a qual se destina determinado produto, aumentando o 
risco de inadequação do produto ao usuário.
Pode-se apontar como exemplo pesquisas de 
medidas para a população brasileira, que apresen-
tam diversos problemas, devido à miscigenação 
existente, desse modo, há uma variação considerá-
vel de medidas, se considerarmos todo o país. Essas 
diferenças concentram-se nas cinco regiões brasi-
leiras, tendo em cada uma variações consideráveis. 
Desta forma, os estudos que se destinam às medidas 
corporais ou a modelagens brasileiras devem ser di-
vididos pelas regiões, resultando em cinco padrões 
de medidas.
 As medidas antropométricas podem ser estáti-
cas ou dinâmicas. As estáticas, referem-se às medi-
das do corpo parado, sem movimento e são muito 
utilizadas no processo de alfaiataria. Já as medidas 
antropométricas dinâmicas são tiradas com o corpo 
em movimento, assim como as funcionais, porém 
esta refere-se a movimentos especíicos que serão 
desenvolvidos com o produto. Essas informações 
são adequadas para projetar, principalmente, vestu-
ários esportivos, pois considera todos os movimen-
tos que o atleta produzirá, e, em cada esporte, o tipo 
de movimento será diferente (BOUERI, 2008).
Por exemplo, para desenvolver o uniforme das ginas-
tas olímpicas, deve-se considerar todo o movimento do 
corpo, abertura de pernas, alcances de braços, saltos en-
Quando o ponto de contato entre o produto 
e as pessoas se torna um ponto de fricção, 
então o design industrial falhou.
(Henry Dreyfuss)
REFLITA
 29
 DESIGN 
levar em consideração o uso dessas medidas dinâmicas 
no projeto de roupas comuns, sem o apelo esportivo, já 
que um indivíduo com inúmeras atividades diárias pre-
cisa ter liberdade para movimentar-se de forma geral, 
como: sentar, levantar, agachar, deitar, subir e descer 
escadas, andar, correr, entre muitos outros movimen-
tos comuns presentes no nosso dia a dia, de modo que 
estes produtos não nos impeçam de fazê-lo de forma 
confortável ou, até mesmo, de forma rápida e segura, 
sem causar desgaste, desconforto ou insegurança em 
pequenos movimentos cotidianos (FERREIRA, 2016).
A imagem demonstra o corpo parado em diferen-
tes posições para que seja feita a medição antropo-
métrica estática e, em seguida, a imagem demonstra 
os pontos de articulação que devem ser levados em 
consideração no momento das medidas dinâmicas.
Os supermaiôs utilizados pelos nadadores 
alguns anos atrás foi proibido. As polêmicas 
começaram na natação mundial, em fevereiro 
de 2008, quando uma marca de acessórios 
esportivos da Austrália lançou o supermaiô 
LZR, produzida em parceria com a Nasa e pa-
tenteada em Portugal. A nova roupa auxiliava 
o luxo de oxigênio no corpo do atleta, que 
também ganhava nova posição hidrodinâmica 
e velocidade incrível dentro da água. 
Com essa medida, uma nova regra surge na 
natação mundial: “Nenhum nadador será auto-
rizado a utilizar ou vestir qualquer máquina ou 
maiô que possa lhe dar velocidade, resistência 
ou lutuação extras durante uma competição”, 
consta no regulamento. Mas não podemos 
deixar de reconhecer o quanto este produto 
é inovador e ergonômico, pois ele reconheceu 
as necessidades e diiculdades do atleta e, a 
partir disso, com o uso de conhecimentos tec-
nológicos, desenvolveu um uniforme inovador, 
confortável, eicaz, porém polêmico, pois, se 
apenas alguns utilizassem, sairiam com van-
tagem sob os que não utilizassem. Justo, mas 
que o produto é sensacional, isso é.
Fonte: UOL ([2018], on-line)7.
SAIBA MAIS
1,5
1,4
1,6
1,8 1,1
2,8
2,9
2,10
1,7 1,9
3,3 
3,2
3,1 4,21
4,6 4,5
2,12
5,1
2,13
4,4
4,7
2,1
2,2
2,3
2,4
2,6 2,5
2,111,3
1,2
1,1
3,4
5,2
5,3
4,1
4,3
3,5
Figura 12 - Medição estática
Fonte: Brendler (on-line, 2013)8.
 Figura 13 - Medição dinâmica
tre outros. Desta forma, o uni-
forme tem que ser elástico, leve, 
ajustado e com encaixe perfeito 
ao corpo, para não se movi-
mentar durante a performance, 
e tudo isso sem que impeça sua 
respiração e transpiração.
Se partirmos do princípio 
de que não são apenas os atle-
tas que vivem em movimentos 
constantes, podemos, então, 
Adução Abdução
Fl
ex
ão
Extensão
Extensão
Flexão
Adução Abdução
Fl
ex
ão
Extensão
Flexão
30 
ERGONOMIA 
Como os dados antropométricos podem ser extraí-
dos de diversos países, deve-se, antes de qualquer coi-
sa, certii car-se da origem dos dados. Posteriormente, 
deve-se verii car alguns fatores que inl uenciam nos 
resultados das medidas, tais como: etnia, proi ssão, 
faixa etária, época e condições especiais (IIDA, 2005).
A etnia inl uencia nos resultados dos dados, 
por isso, deve-se ter conhecimento da região que 
os dados foram retirados e para qual região serão 
aplicados para que não haja incoerência, devido às 
diferenças nas proporções corporais. (IIDA, 2005).
O homem é a medida de todas as coisas, das 
coisas que são, enquanto são, das coisas que 
não são, enquanto não são.
(Protágoras de Abdera)
REFLITA
Aplicação daAplicação da
Antropometria
A imagem a seguir demonstra as diferenças de pro-
porções dos corpos de diferentes etnias.
 31
 DESIGN 
A proissão deve ser levada em consideração para 
que alguns cuidados sejam tomados, com relação à 
predominância de homens ou mulheres ou, até mes-
mo, à faixa etária predominante, que também deve 
ser considerada por conta das formas corporais que 
se modiicam, continuamente, com a idade. A época 
em que os dados antropométricos foram realizados 
também é importante, pois eles evoluem com o tem-
po. E, por im, as condições em que as medidas fo-
ram tiradas, se as pessoas estavam com ou sem rou-
pas, com ou sem calçados, e assim por diante.
Os itens mencionados anteriormente são apenas 
para adequar os dados antropométricos ao público 
no qual o produto ou espaço será projetado. Além da 
adequação às proporções, deve-se, também, deinir 
se utilizará as medidas dinâmicas ou estáticas, para 
isso, é preciso ter conhecimento de como o corpo se 
portará durante o uso do produto, pois, caso o pro-
duto exija poucos ou nenhum movimento do cor-
po, as medidas utilizadas poderão ser as dinâmicas, 
como postos de trabalhos de escritórios. Se o produ-
to exigir maiores movimentos corporais, a exemplo 
das vestimentas, então, os dados antropométricos 
deverão ser os dinâmicos. Ou, então, caso seja ne-
cessário, pode-se aplicar a antropometria funcional,na qual se baseia nas medidas associadas à tarefa.
Do ponto de vista industrial, visando reduzir 
custo, o ideal seria fabricar um produto padroniza-
do para toda a população, em contrapartida propor-
cionaria desconforto e insegurança ao usuário, além 
disso se tornaria crítico em caso de produtos de uso 
individual, como vestuário, calçados e equipamento 
Figura 14 - Diferenças étnicas
Fonte: IIDA, 2005.
32 
ERGONOMIA 
de proteção individual. A falta de adaptação pode 
reduzir a eiciência do produto. Para que isso não 
aconteça, vejamos os cinco princípios para aplicação 
de dados antropométricos propostos por Iida (2005).
Para a indústria, quanto mais padronizado melhor, pois 
minimiza o custo. Sendo assim, é mais comum a aplica-
ção do primeiro e segundo princípio. Os custos aumen-
tam, relativamente, no caso da aplicação do terceiro e 
quarto princípios, já o quinto é inviável para a indústria, 
necessitando de mão de obra especializada. Em contra-
partida, para a ergonomia, quanto menos padronizado 
e mais adaptável melhor, pois se entende que os corpos 
são diferentes e necessitam de cuidados, adequações e 
ajustes diferentes para que cumpra seus princípios de 
conforto, saúde, eiciência e prazer no uso.
Ao desenvolver um produto ou ambiente, é ne-
cessário ter conhecimento do usuário para que se 
possa utilizar os dados antropométricos e aplicá-los 
da forma correta, levando em consideração as ne-
cessidades dos usuários.
1
4
5
2
3
Primeiro princípio:
Quarto princípio:
Quinto princípio:
Segundo princípio:
Terceiro princípio:
refere-se aos projetos dimensionados para a média da pop-
ulação, neste caso, utiliza-se o percentil de 50%. É mais uti-
lizado em produtos de uso coletivo, como o banco do ponto 
de ônibus. Isso não quer dizer que será ótimo para todos, 
mas, coletivamente, causará menos incômodo à maioria, 
por isso, em produtos de uso coletivo, são aplicados os da-
dos antropométricos referentes à média da população.
refere-se aos projetos que apresentam dimensões 
reguláveis para se adaptar ao usuário, geralmente, 
não abrangem o produto como um todo, apenas nas 
regiões críticas para o desempenho. Um exemplo é o 
banco do automóvel, que possui regulagem de distân-
cia, de altura, de encosto e, às vezes, até de encaixe 
da coluna. Estes ajustes são necessários para preser-
var a segurança, conforto e eiciência do usuário.
este último refere-se aos projetos adaptados ao in-
divíduo, especiicamente para um indivíduo. Como os 
aparelhos assistivos de deicientes físicos, aparelhos 
ortopédicos, roupas feitas sob medida, sapatos or-
topédicos que precisem de ajuste por conta de algu-
ma deiciência, entre outros.
refere-se aos projetos dimensionados para um dos ex-
tremos da população, pois, em alguns casos, o uso de 
dados médios não funciona, por exemplo, em uma saída 
de emergência, onde 50% da população não conseguiria 
passar. Assim como, se for construído um painel de con-
trole para a média da população, diicultaria o acesso das 
pessoas mais baixas.
Para utilizar este princípio, é necessário saber qual a 
variável limitante, ou seja, se considerado o painel de con-
trole, o limitante é o alcance dos braços. Desta forma, se 
quisermos englobar 95% da população, a medida do alca-
nce dos braços não pode ser maior que o comprimento dos 
braços de 5% da população.
refere-se aos projetos que são para faixas da população, 
como acontece no caso das roupas, que são fabricadas 
em tamanhos diferentes como P (pequeno), M (médio), G 
(grande) etc. Neste caso, atende ao maior número de pes-
soas, diminuindo a inadequação.
 33
considerações inais
Caro(a) aluno(a), espero que tenham compreendido o quão importante é o uso da 
ergonomia nos projetos de design, independentemente de ser vestimenta, produtos 
diversos, ambientes comerciais ou residenciais, enim, tudo o que se cria para o 
uso do homem deve-se ter em mente seu corpo, sua origem, para que seja levado 
em consideração as diferenças étnicas. A faixa-etária também é importante para 
que não ocorram inadequações em virtude das diferenças corporais ao longo da 
vida. Necessidades, possibilidades de uso, facilidades e diiculdades também devem 
ser consideradas, pois quanto mais informações você tiver do seu usuário, melhor 
será a adequação do seu produto a ele.
Com este primeiro capítulo, foi possível ter conhecimento do que é Ergonomia, 
quando surgiu, por que foi criada. Falamos sobre a importância dela em todas 
as áreas do design e o quanto o produto torna-se mais adequado ao uso humano 
quando se considera o corpo para criar um produto. Foi possível compreender as 
medidas antropométricas, os tipos existentes e suas formas de aplicação. Por isso, 
sempre devemos ter total compreensão de quem é o usuário que utilizará nosso 
produto ou ambiente, precisamos saber de que região ele é, qual sua idade, quais 
suas diiculdades e quais suas necessidades.
Desta forma, buscaremos a tabela de medidas antropométricas adequada para que 
os usuários do meu produto se sintam confortáveis, tenham suas necessidades su-
pridas, além da sensação de conforto durante o uso do produto. Quando as medidas 
antropométricas não são levadas em consideração, inadequações podem acontecer 
durante o uso do produto, e essas inadequações podem resultar em desconforto, 
constrangimento ou, até mesmo, sérios problemas de saúde.
Com conhecimento na base da Ergonomia e da Antropometria, seus objetivos, 
sua abrangência e sua importância, acredito que a compreensão dos próximos 
capítulos será mais fácil e eicaz.
34 
atividades de estudo
1. A adaptação ergonômica de produtos tem uma longa história. A conside-
ração de fatores humanos no desenvolvimento de produtos tem sido um 
dos elementos de sua diferenciação no mercado consumidor. Trata-se de 
uma forma de adaptar a natureza às necessidades do homem, modiican-
do-a e criando meios artiiciais, quando ela não lhe é conveniente.
A adaptação de produtos já existentes para inserção de características ergonô-
micas enquadra-se em qual tipo de ergonomia? 
a. Ergonomia de conscientização.
b. Ergonomia de correção.
c. Ergonomia de participação.
d. Ergonomia de concepção.
e. Ergonomia espacial.
2. A ergonomia é um conjunto de ciências que visa ao bem-estar e ao conforto 
do ser humano. Quando a Ergonomia surgiu de forma intuitiva, começou 
a ser utilizada de forma consciente e quando foi denominada Ergonomia?
a. De forma intuitiva, na Pré-história, de uso consciente, em 1949, e denomi-
nada nos anos 1970.
b. De forma intuitiva, na Revolução Industrial, de uso consciente, em 1949, e 
denominada nos anos 1970.
c. De forma intuitiva, na Pré-história, de uso consciente, na Revolução Indus-
trial, e denominada ergonomia em 12 de julho 1949.
d. De forma intuitiva, na Pré-história, de uso consciente, na revolução indus-
trial, e denominada ergonomia em 1970.
e. De forma intuitiva, na Pré-história, de forma consciente, na revolução in-
dustrial, e denominada ergonomia também na revolução industrial.
3. Com relação à Antropometria Estática e Dinâmica, analise as airmativas:
I. A estática refere-se às medidas tiradas do corpo sem movimentos.
II. A medida estática é feita com o corpo em movimento apenas no caso de 
atletas.
III. As medidas dinâmicas são tiradas com o corpo em movimento.
IV. As medidas dinâmicas são tiradas apenas no caso de desenvolvimento de 
uniformes para atletas.
 35
atividades de estudo
Assinale a alternativa correta:
a. Apenas I e II estão corretas.
b. Apenas II e III estão corretas.
c. Apenas I está correta.
d. Apenas II, III e IV estão corretas.
e. Nenhuma das alternativas está correta.
4. Com relação à aplicação da Antropometria, assinale verdadeiro(V) ou falso 
(F) nas seguintes airmações:
( ) Para desenvolvimento de produtos de uso coletivo, o mais apropriado é o 
uso da média da população para menos inadequação dos usuários.
( ) Em caso de produtos adaptáveis, utiliza-se as medidas antropométricas de 
um usuário especíico, neste caso, o que utilizará o produto.
( ) Existem os produtos com dimensões reguláveis para se adaptar ao usuário, 
geralmente, não possuem regulagens no produto como um todo, apenas nas 
regiões críticas para o desempenho. Abrangem maior parte das pessoas com 
segurança e eicácia.
Assinale a alternativa correta:
a. V, V e F.
b. F, F e V.
c. V, F e V.
d. F, F e F.
e. V, V e V.
5. A ergonomia deveria estar presente a todo momento em nosso dia a dia, 
pois sua ausência é facilmente percebida. De que forma a ergonomia pode 
ser aplicada numa residência com o intuito de facilitar os trabalhos diários?
36
LEITURA
COMPLEMENTAR
LEVANTAMENTO DE DADOS ANTROPOMÉTRICOS PARA O 
DIMENSIONAMENTO DE ARMÁRIOS DE GUARDAR ROUPA PARA 
CADEIRANTES 
Seleção de variáveis antropométricas
Além da seleção dos percentis corretos para o desenvolvimento de um projeto de pro-
duto, faz-se necessária a correta seleção das variáveis antropométricas. Na verdade, 
uma das maiores razões de erro na aplicação de dados antropométricos encontra-se 
na seleção incorreta da variável pertinente. É frequente a utilização da estatura para 
dei nir o local de melhor visualização de mostradores, quando o certo seria utilizar a 
altura do nível dos olhos e, a partir daí, delimitar o campo de visão. Outro erro cometi-
do é a seleção da largura de ombros bideltóide, quando o que se quer é dimensionar 
a largura do apoio lombar. Neste caso, seria melhor, então, a largura do tórax entre as 
axilas para não atrapalhar a movimentação do usuário. 
Tal fato explica, parcialmente, porque, até em países onde existe profusão de levanta-
mentos, os produtos não são bem dimensionados (MORAES, 1994, p. 37). Moraes (1983, 
p. 327) lembra que se deve observar a especii cidade do projeto, explicitada a partir da 
análise da tarefa, pois só dessa forma é que se determinará, em última instância, as va-
riáveis que serão necessárias ao dimensionamento da estação de trabalho ou produto. 
Variáveis antropométricas para dimensionamento de armários para guardar roupa 
As recomendações para o dimensionamento de armário de guardar roupas para ca-
deirantes que aqui apresentamos estão baseadas no referencial teórico levantado, 
assim como nas referências de Panero (2003) cujas indicações mostraram que o cor-
reto dimensionamento de um produto é fundamental para o conforto dos usuários e 
a prevenção de patologias. Ressaltamos que as recomendações aqui elaboradas ape-
nas servem como referência para um primeiro passo ao se dimensionar um armário 
37
LEITURA
COMPLEMENTAR
de guardar roupas. Estes dados são teóricos e devem ser, exaustivamente, testados 
quanto à validade por meio da elaboração de testes antes da elaboração do produto 
i nal quando feito sob medida para um único usuário ou encaminhamento dos projetos 
para linha de produção. Foram levantadas as variáveis antropométricas para dimensio-
namento considerando os 5º e 95º percentis, sendo o 5º da mulher e 95º do homem, de 
forma a atender a 90% da população usuária. 
Variáveis antropométricas para dimensionamento de armários para guardar roupa
Algumas variáveis dimensionais devem ser levadas em consideração, então, dei ne-se 
a variável dimensional e se aplica o percentil baseado nas medidas dos homens ou das 
mulheres, de acordo com o que se adequa melhor a maioria uma vez que não se dife-
rencia um armário para homens e outro armário para mulheres.
Tanto na profundidade do armário como na altura máxima da arara, aplica-se o per-
centil 5 da mulher, enquanto na largura da porta aplica-se o percentil de 95 do homem. 
O ângulo de abertura da porta deve ser de 90º, no mínimo, e, na circulação, aplica-se 
o percentil de 95 do homem. Na altura máxima do topo de gavetas, altura mínima do 
fundo de gavetas, altura máxima de prateleiras, altura mínima de prateleiras e altura 
máxima do armário devem ser aplicadas o percentil de 5 das medidas das mulheres.
Com relação ao campo de visão e visualização de objetos no armário, deve se consi-
derar o campo visual na postura sentado, sendo aplicado, então, 30º acima da linha 
padrão e 30º abaixo da linha padrão - 60º total abrangendo, assim, o percentil de 5 para 
mulheres e de 95 para homens.
Conclusão
Com base na análise feita até o momento, as pessoas com dei ciência adquiriram gran-
des conquistas a partir da década de 1990, tanto no campo de pesquisa como em leis 
que garante o direito de acessibilidade, identii cando e eliminando as diversas barreiras 
38
LEITURA
COMPLEMENTAR
que impeçam a realização e exerçam as atividades no corpo social, a i m de garantir 
uma sociedade democrática. Portanto, a antropometria e a ergonomia, sob o vetor 
do design, trazem estudos de medidas físicas do corpo humano e sua relação com o 
trabalho, originando resultados que garantam as modii cações nos diversos âmbitos 
sociais, dando autonomia nos espaços, nos mobiliários e equipamentos urbanos, nas 
edii cações, nos serviços de transporte e dispositivos, nos sistemas e meios de comu-
nicação e informação. 
Considera-se, para tanto, de modo conclusivo e pautado nos limiares da pesquisa, que 
a aplicação adequada das práticas projetuais, associadas aos princípios do Design Uni-
versal e o emprego de requisitos antropométricos permitirão o desenvolvimento de 
mobiliário acessível e adaptado à inclusão de todas ou da maioria das pessoas ao uso 
do mesmo. No estudo aqui proposto, os requisitos antropométricos delimitados deve-
rão, exclusivamente, ser aplicados ao projeto de guarda-roupas. No entanto cabe ao 
designer, partindo do mesmo princípio aqui exposto, estabelecer parâmetros projetu-
ais adequados ao uso no que tange à relação homem x tarefa x máquina. 
Sugere-se como propostas futuras a continuidade da pesquisa no âmbito de estudo 
de requisitos para outros mobiliários, propor ambiente mobiliado inclusivo bem como 
o estudo de aplicação dos parâmetros citados à indústria moveleira. Aqui, também se 
propõe o uso do resultado da pesquisa e da sua continuidade, pautada na produção 
industrial com valor acessível à maioria.
Fonte: adaptado de Mariño, Silveira e Silva (2016).
 39
material complementar
Ergonomia: Projeto e Produção
Itiro Iida e Lia Buarque
Editora: Blucher
Sinopse: nas últimas décadas, alargou-se a abrangência da ergonomia, com a 
visão macro ergonômica e com maior respeito a certas minorias populacionais, 
como as pessoas idosas, obesas e portadoras de dei ciências. Neste volume, fo-
ram colocados casos de aplicação ao i nal dos capítulos. Sempre que possível, 
baseou-se em pesquisas brasileiras ou aquelas com possíveis aproveitamentos 
em nossas situações de trabalho. A aplicação dos conhecimentos deste livro con-
tribuirá para melhorar o desempenho humano no trabalho, reduzindo erros, 
acidentes, estresses e doenças ocupacionais. Ao mesmo tempo, contribuirá para 
aumentar o conforto e a ei ciência dos trabalhadores, com evidentes resultados 
custo/benefício favoráveis.
Tempos Modernos
Ano: 1936
Sinopse: Tempos Modernos é uma crítica ao modo capitalista de produção. Os 
operários trabalhavam com cargas horárias extensas, com obrigação de pro-
duzir sempre mais em condições subumanas, lugares sujos e máquinas de ma-
nuseio perigoso. A luta por melhores salários, melhores condições de trabalho 
e por uma carga horária menor eram constantes desde a Revolução Industrial. 
O i lme continua sendo atual, porque mostra um contexto social parecido com 
nosso dia a dia, como se Chaplin tivesse uma visãodo futuro. O avanço tecnológi-
co não atingiu plenamente o objetivo da melhoria da sociedade humana, porque 
trouxe consequências que o homem não consegue administrar.
Comentário: o i lme apresenta os problemas citados no primeiro tópico da unida-
de, onde se relata a necessidade da criação de estudos como a Ergonomia.
Indicação para Assistir
Indicação para Ler
40 
material complementar
O artigo a seguir relaciona a Ergonomia com o Design de Moda, especiicamente, na modelagem.
Acesse: <http://www.coloquiomoda.com.br/anais/Coloquio%20de%20Moda%20-%202006/artigos/107.pdf>.
O artigo a seguir relaciona a Ergonomia com o design de Interiores.
Acesse: <https://eed.emnuvens.com.br/design/article/view/276>.
Indicação para Acessar
 41
referências
BOUERI, J. J. Sob Medida: antropometria, projeto e modelagem. In: PIRES, D. 
B.(Org.). Design de Moda: olhares diversos. Barueri-SP: Estação das Letras e Co-
res Editora, 2008.
IIDA, I. Ergonomia: projeto e produção. 2. ed. São Paulo: Blucher, 2005.
MARIÑO, S. M.; SILVEIRA, C. S.; SILVA, R. C. Antropometria aplicada ao de-
sign de produtos: um estudo de caso de dimensionamento de armário de guar-
dar roupa para cadeirantes. In: CONGRESSO INTERNACIONAL DE ERGO-
NOMIA APLICADA, 1., 2016, Recife. Anais... Recife: CONAERG, 2016. p.1-13. 
Disponível em:< http://pdf.blucher.com.br.s3-sa-east-1.amazonaws.com/engine-
eringproceedings/ conaerg2016/7749.pdf>. Acesso em: 14 mar. 2019.
MARTINS, S. B. Ergonomia e moda: repensando a Segunda Pele. In: PIRES, D. B. 
(Org.). Design de Moda: olhares diversos. Barueri-SP: Estação das Letras e Cores 
Editora, 2008. 
SALTZMAN, A. O design vivo. In: PIRES, D. B. (Org.). Design de moda olhares 
diversos. Barueri: Estação das Letras e Cores, 2008. p. 305-318.
FERREIRA, V. C. T. Design de moda e tecnologia têxtil: Projetos ergonômicos 
de Nanni Strada e Issey Miyake. 2016. 76f. Dissertação (Mestrado em Design de 
Moda), UNIVERSIDADE ANHEMBI MORUMBI, São Paulo, 2016.
Referências on-line
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mode=view&p_p_col_id=column-2&p_p_col_pos=1&p_p_col_count=4&_ 110_
INSTANCE_ZaYCxY1QptBQ_struts_action=%2Fdocument_library_display%2Fview_ile_
entry&_110_INSTANCE_ZaYCxY1QptBQ_redirect=http%3A%2F%2Fportal.
anvisa.gov.br%2Ftabaco%2Fimagens-de-advertencia%2F %2Fdocument_library_
display%2FZaYCxY1QptBQ%2Fview%2 F4314710%3F_110_INSTANCE_ZaY-
CxY1QptBQ_redirect%3Dhttp%253A%252F%252Fportal.anvisa.gov.br%252F-
tabaco%252Fimagens-deadvertencia%253Fp_p_id%253D110_INSTANCE_
ZaYCxY1QptBQ%2526p_p_lifecycle%253D0%2526p_p_state%253Dnor-
mal%2526p_p_mode%253Dview%2526p_p_col_id%253Dcolumn2%2526p_p_
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referências
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G6EvzxLEpgOJqdZcU2nj5RmzCroBMrTtxz07xLMZ3BItOIGKK54QWrpzTOa-
Gh5aPFbxdWKd0mVucEcxph2getHOow06O5gFLsD0qodqMaWZP9Wgr0wHu-
fvTMv0CChhoKUockDD7OB6EL4Ud5sUBJrvvZv8COp1AlqMG5qNT3UzO0u-
35ZxHIqdeqK>. Acesso em: 13 mar. 2019.
 43
gabarito
1. Alternativa b - Ergonomia de correção.
2. Alternativa c - De forma intuitiva, na pré-história, de uso cons-
ciente na revolução industrial, e denominada Ergonomia em 12 
de julho 1949.
3. alternativa a - Apenas I e II estão corretas.
4. Alternativa e - V; V e V.
5. De diversas formas, sempre com o intuito de facilitar a vida do in-
divíduo e contribuir para que ele realize suas tarefas com eicácia 
e conforto. Por exemplo, caso o indivíduo não levante os objetos 
pesados com a postura correta, pode desenvolver lesões corpo-
rais sentidas imediatamente ou após a inalização da tarefa. Ou, 
então, ao lavar louça numa pia mais baixa que o correto, as dores 
nas costas são inevitáveis.
Professora Me. Veridianna Cristina Teodoro Ferreira
ERGONOMIA EM AMBIENTE 
DE TRABALHO
Plano de Estudo
A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta 
unidade:
• Biomecânica ocupacional
• Posto de trabalho, controles e manejos
• Percepção e processamento de informação
• Dispositivo da informação
• Ergonomia no dia a dia
Objetivos de Aprendizagem
• Detalhar a postura do corpo no ambiente de trabalho, 
além de compreender aplicações de forças e examinar 
levantamento e transporte de cargas.
• Detalhar o trabalho estático, dinâmico e os enfoques do 
posto de trabalho, analisando tarefas e arranjo físico de 
posto de trabalho.
• Explicar sensação e percepção e compreender memória 
humana e organização da informação.
• Apresentar principais tipos de mostradores e alarmes e 
dei nir ergonomia de sinalização
• Apresentar formas de utilização da ergonomia no dia a dia 
e nas atividades domésticas e cotidianas.
 unidade 
II
INTRODUÇÃO
Olá, caro(a) aluno(a), nesta segunda unidade, compreenderemos como a ergonomia funciona no ambiente de trabalho, tanto a postura do corpo no trabalho como as formas de prevenção para que o trabalho não prejudique a saúde do corpo e da men-
te. Para isso, compreenderemos as posturas de trabalho, que podem ser 
em pé, sentado ou deitado, mas todos têm seus prós e contras que, aqui, 
serão discutidos. Para cada tipo de tarefa a ser desempenhado, existe uma 
postura mais adequada. 
Discutiremos, também, sobre os danos à saúde do indivíduo quando ele 
desenvolve tarefas, como levantamento e transporte de cargas sem os cuida-
dos necessários. O trabalho que o indivíduo desenvolve pode ser estático ou 
dinâmico, e serão apresentadas as duas formas, além de relatados os seus pon-
tos positivos e seus pontos negativos para cada tipo de função. 
Os postos de trabalhos inadequados provocam estresses musculares, 
dores e fadiga que, na maioria das vezes, pode ser resolvida com interven-
ções ergonômicas simples, como aplicação de dimensões reguláveis nas 
mesas ou cadeiras, para que o indivíduo se sinta confortável, independen-
temente de ele ter 1,60 de altura e 70 kg, ou 1,90 de altura e 110 kg, entre 
outras variações de pesos e alturas. Muitas vezes, a melhoria do indivíduo 
no mercado de trabalho dá-se também com a inserção de pausas, quando 
em trabalhos muito fatigantes.
Além dos aspectos físicos do trabalhador e compreensão de como o 
corpo funciona, precisamos, também, compreender como funciona o cére-
bro do ser humano, como ele recebe, processa e interpreta a informação, e 
isso fazemos por meio da ergonomia cognitiva. Compreenderemos, então, 
como nosso cérebro funciona com este turbilhão de informações que recebe 
a todo momento, como processa, percebe, compreende e toma uma decisão.
Finalizaremos nossa unidade compreendendo como a ergonomia está 
presente em nosso dia a dia, em nosso emprego, em nossa casa, em nossas 
vestimentas e produtos.
48 
PROFESSORA ME. VERIDIANNA CRISTINA TEODORO FERREIRAOlá, caro (a) aluno (a), para compreendermos a bio-
mecânica ocupacional, precisamos compreender 
a biomecânica geral que se refere aos movimentos 
corporais relacionados ao trabalho, logo, a biome-
cânica ocupacional refere-se aos movimentos rela-
cionados ao trabalho do usuário, com suas especi-
i cidades, como ferramentas, máquinas, materiais 
utilizados etc. Desta forma, a biomecânica visa re-
duzir os riscos de lesões músculo esquelético, bem 
como acidentes de trabalho.
Segundo Iida (2005, p. 159) “analisa basicamen-
te a questão das posturas corporais no trabalho, a 
aplicação de forças, bem como as suas conseqüên-
cias”. Quando as máquinas, os ambientes ou as ferra-
mentas referentes aos postos de trabalho estão ina-
dequadas ao corpo do trabalhador, podem ocorrer 
estresses musculares, dores e fadiga. Para evitar tais 
complicações, o ambiente deve passar por interven-
ções ergonômicas para adequação do posto de tra-
balho, isso pode acontecer por meio de adequações 
Biomecânica 
Ocupacional
 49
 DESIGN 
no layout, inserção de pausas ou, até mesmo, com 
simples adequações em mesas e cadeiras.
O corpo humano é a máquina mais complexa 
que existe, assemelha- se a um sistema de alavancas 
movidos pela contração muscular, e estes movimen-
tos permitem-nos fazer várias coisas, porém esta má-
quina possui diversas limitações e fragilidades que 
não podem ser ignoradas na projeção de um espaço, 
produto, vestimenta ou posto de trabalho. Quando 
as limitações do corpo são ignoradas, aumentam as 
chances de inadequação, consequentemente, aumen-
tam riscos de dores, lesões, acidentes etc.
O corpo é como uma máquina e, desta forma, 
precisa ser aquecido antes de iniciar suas tarefas, 
pois isto reduz o risco de acidente. Um atleta precisa 
aquecer antes da competição para manter seu corpo 
aquecido e minimizar lesões musculares. 
O primeiro passo para aplicação das interven-
ções ergonômicas na biomecânica ocupacional é en-
tender, como já dito, que o corpo é como uma má-
quina, posteriormente, deve se compreender como 
esta trabalha, para isso, é preciso diferenciar o traba-
lho estático do dinâmico.
APLICAÇÃO DE FORÇAS
Os movimentos humanos são resultados de contra-
ções musculares, sua força depende da quantidade 
de ibras musculares contraídas. Geralmente, apenas 
dois terços da forma de um músculo pode ser con-
traída de cada vez, mas se nos referirmos aos longos 
períodos, a contração muscular não deve ultrapas-
sar 20% da força máxima.
No ambiente de trabalho, as exigências de for-
ças devem ser adaptadas às capacidades do usuário e 
às suas condições operacionais reais. Para cada tipo 
de trabalho haverá um movimento especíico, uma 
“No Japão existem empresas que reúnem to-
dos os trabalhadores para uma ginástica de 
aquecimento, antes da jornada de trabalho. 
Outros instituíram também pausas regulares 
[...] Isso é importante [...] no caso de trabalhos 
estáticos ou tarefas altamente repetitivas” 
(IIDA, 2005, p. 161).
SAIBA MAIS
aplicação de força necessária e um movimento cor-
reto para aplicação da força da forma correta, sendo 
assim, cada ambiente de trabalho deve ser averigua-
do, isoladamente, assim como a capacidade de força 
de cada operador.
Para fazer determinado movimento, podem ser 
utilizadas diversas combinações de contrações mus-
culares, cada uma delas com um tipo especíico de 
velocidade, precisão e movimento. Os custos ener-
géticos são diferentes para cada tipo de músculo. 
Quando o operador é experiente, ele fadiga menos 
que um operador inexperiente, pois aprende a usar 
aquela combinação com maior eiciência, economi-
zando, assim, suas energias (IIDA, 2005). 
50 
PROFESSORA ME. VERIDIANNA CRISTINA TEODORO FERREIRA 
Este é um processo natural. Por exemplo, quando 
começamos a fazer algo, muitas vezes, começamos 
de forma desajeitada ou mesmo descoordenada. 
Com a repetição desta atividade, vamos, natural-
mente, modiicando nossa postura e nossa forma de 
agir para fazermos de forma mais confortável e ágil.
Uma exigência muito comum no dia a dia de 
operadores, em diversas áreas produtivas, é o esfor-
ço repetitivo. Estas tarefas estão presentes em nosso 
dia a dia sem que a gente perceba, como ao bater 
clara em neve com as mãos, ao utilizar tesoura, lixar 
madeira ou, até mesmo, em simples tarefas de casa. 
Porém, quando estes esforços não são realizados por 
muito tempo, não notamos seus efeitos.
Há algumas proissões que exigem atividades 
que demandam esforços repetitivos, desta forma, 
o operador a desempenha em toda sua jornada de 
trabalho, isso acontece, por exemplo, em setores de 
desossa de carnes em frigoríico. Acontece, também, 
com manicures, operadores de linha de montagem, 
pessoas que trabalham com digitação, entre outros 
(GRANDJEAN, 1998).
O esforço repetitivo causa estresse nos tecidos 
dos músculos, ossos e articulações, e se não houver 
um tempo de repouso para recuperar este estresse, 
ele se acumulará, causando lesões neste tecido, po-
dendo evoluir para doenças ocupacionais. 
A mais comum das doenças ocupacionais é a LER 
(Lesão por Esforço Repetitivo), porém a LER é ape-
nas uma das diversas doenças ocupacionais que são 
conhecidas como DORT - Distúrbio Osteomuscular 
Relacionado ao Trabalho (ASCENSÃO et al., 2003).
LEVANTAMENTO E TRANSPORTE DE 
CARGAS
O levantamento e transporte incorreto de cargas é o 
maior responsável por lesões musculares entre os tra-
balhadores. “Aproximadamente 60% dos problemas 
musculares são causados por levantamento de car-
gas e 20%, puxando ou empurrando-as” (BRIDGER, 
2003). Isso ocorre, principalmente, por variações in-
dividuais de capacidades físicas, falta de treinamento 
ou treinamento ineiciente que, muitas vezes, ocorre 
pela substituição frequente de trabalhadores, inde-
pendentemente de serem homens ou mulheres. O 
que pode gerar um grande problema, pois as mulhe-
res possuem, em média, metade da força dos homens 
para levantamento de peso (IIDA, 2005).
É necessário conhecer a capacidade humana de 
cada indivíduo para que as tarefas e as máquinas se-
jam corretamente dimensionadas, sem ultrapassar 
os limites que resultam em lesões reversíveis ou, até 
mesmo, irreversíveis. Para evitar problemas com os 
 51
 DESIGN 
levantamentos de cargas, é preciso tomar alguns cui-
dados, como manter a coluna reta e utilizar sempre a 
musculatura da perna, como fazem os esportistas de 
levantamento de peso.
levantamento também diminui riscos de 
lesões. Antes de levantar o peso, também 
é importante observar se o local em que o 
transportará não contém obstáculos que 
possam atrapalhá-lo ou até mesmo provo-
car um acidente (IIDA, 2005) .
As regras para transporte de cargas são 
semelhantes, pois se deve manter a coluna 
reta, manter a carga próxima do corpo du-
rante o transporte e dividir o peso, igual-
mente, nos dois braços. Caso seja bastante 
peso, é recomendado que se dê mais voltas 
em vez de ultrapassar o seu próprio limite 
de carga, além disso, também é importan-
te ter uma pega segura, trabalhar em equi-
pe quando a carga for volumosa ou apenas 
uma peça já exceda o limite do trabalhador. 
Deve-se deinir o caminho a ser per-
corrido antes de começar, optando por lu-
gares que não tenham desníveis no piso ou 
obstáculos (IIDA, 2005). Aliás, os desníveis 
em postos de trabalhos devem ser evitados 
em todas as áreas, não apenas em processos 
de levantamento e transporte de peso, pois 
estes pequenos degraus podem ocasionar 
sérios acidentes. Sempre que possível, é in-
teressante utilizar transportadores mecâni-
cosou, até mesmo, carrinhos manuais, pois 
eles mesmos já facilitam o transporte.
Figura 1- Levantamento de peso
Fonte: Pexels ([2018], on-line)1. 
Figura 2 - Transporte de cargas: técnica correta e incorreta
fonte: adaptada de UFRRJ ( [2018], on-line)2 . 
Manter a carga o mais próximo possível do corpo 
também é uma recomendação importante, pois fa-
cilita a ação e a deixa mais segura. Dividir a carga 
para que o corpo mantenha o equilíbrio durante o 
52 
PROFESSORA ME. VERIDIANNA CRISTINA TEODORO FERREIRA 
As tarefas em postos de trabalho podem ser consi-
deradas estática ou dinâmica. No trabalho estático, 
há a exigência de contração contínua de alguns mús-
culos para que seja possível manter-se em determi-
nada posição. Quando não produz movimentos dos 
segmentos corpóreos, é denominado contração iso-
métrica. Alguns exemplos destas tarefas dão-se pelo 
esforço exigido pelos músculos dorsais e das pernas 
para o indivíduo manter-se em pé, ou pela exigência 
da contração dos músculos do pescoço e do ombro 
para manter a cabeça inclinada para frente, ou, até 
mesmo, dos músculos da mão esquerda, enquanto 
segura uma peça para ser martelada pela mão direi-
ta, por exemplo (IIDA, 2005) .
O trabalho estático exige diversos cuidados, pois 
fadiga de forma precoce. Por exemplo, um trabalho 
estático com carga de 50% de força máxima pode 
durar, no máximo, 1 minuto, mas, se a força aplica-
Posto de Trabalho, 
Controles e Manejos 
 53
 DESIGN 
da for inferior a 20%, pode durar um tempo maior. 
A carga estática não deve ser superior a 8% da força 
máxima, quando se refere às atividades a serem de-
senvolvidas diariamente e por longos períodos. Se 
a carga chegar de 15% a 20% da força máxima e for 
desempenhada por horas em dias seguidos, resulta 
em dores e sinais de fadiga (GRANDJEAN, 1998). 
Por isso, é preciso medir a força do indivíduo para 
calcular o quanto ele pode desempenhar de esforços 
em suas atividades para que não ultrapasse seu limi-
te e desenvolva doenças no trabalho. Já o trabalho 
dinâmico dá-se quando ocorre alternância de con-
trações e relaxamentos, como: martelar, serrar, diri-
gir e, especiicamente, girar um volante, ou, até mes-
mo, caminhar. Enquanto se desenvolve este tipo de 
atividade, algumas partes do corpo estão contraídas, 
enquanto outras estão relaxadas e, posteriormente, 
as que estavam relaxadas se contraem, e as que esta-
vam contraídas relaxam. 
Desta forma, ativa-se a circulação nos capilares, au-
menta-se o volume do sangue circulado em até 20 
vezes, se comparado ao trabalho dinâmico, além 
disso, o músculo recebe mais oxigênio e aumenta 
a resistência à fadiga do indivíduo (IIDA, 2005). Se 
compararmos o trabalho estático do trabalho dinâ-
mico, podemos perceber que o trabalho estático é 
altamente fatigante, por isso, deve ser evitado sem-
pre que possível. Porém, caso o estático seja neces-
sário, deve-se aplicar soluções ergonômicas para mi-
nimizar os desgastes dos usuários, tais como, apoio 
de braços, pernas, permitir mudança de posturas, 
inserir pausas, entre outras. 
54 
PROFESSORA ME. VERIDIANNA CRISTINA TEODORO FERREIRA 
POSTURAS DO CORPO 
A postura refere-se aos estudos de posicionamento 
das partes do corpo, desde a cabeça, tronco e mem-
bros, no espaço em que se insere. A boa postura é 
fundamental para o desempenho de um bom traba-
lho, sem desconforto, estresse, fadiga ou, inclusive, 
problemas de saúde. Muitas vezes, o trabalhador 
assume posturas incorretas, resultantes de projetos 
inadequados de máquinas, equipamentos, postos 
de trabalho ou, até mesmo, pela exigência de deter-
minadas tarefas. O redesign do espaço ou do equi-
pamento evita estes problemas e outros que podem 
surgir a partir da postura inadequada a longo prazo.
Existe uma postura correta para cada tipo de tra-
balho a ser desempenhado, seja ele em pé deitado, 
sentado, seja, até mesmo, inclinado com a cabeça 
para frente. Deve-se ter conhecimento do tipo de 
atividade e da aplicação das medidas antropométri-
cas corretas. Para que o corpo não seja prejudicado, 
é necessário aplicar conceitos ergonômicos nos pos-
tos de trabalho, baseando-se em princípios defen-
dendo que: se o ambiente de trabalho será utilizado 
pelo homem, então, deve se basear no corpo deste 
homem e nas suas atividades a serem desenvolvidas 
neste ambiente de trabalho para desenvolvê-lo com 
qualidade e segurança.
Postura adequada Risco de Dores
Em pé Pés e Pernas (varizes)
Sentada sem encosto Músculo extensores do dorso
Assento muito alto Parte inferior das pernas, joelhos e pés
Assento muito baixo Dorso e pescoço
Braços esticados Ombros e braços
Pegas inadequadas em ferramentas Antebraço
Punhos em posição não-neutras Punhos
Rotações do corpo Coluna vertebral
Ângulo inadequado assentos/encosto Músculos dorsais
Superfície de trabalho muito baixa ou muito alta Coluna vertebral, cintura escapular
Quadro 1 - Localização das dores no corpo, provocadas por posturas inadequadas
Fonte: Iida (2005, p. 166).
 55
 DESIGN
Percepção e Processamento 
de Informação 
Como o ser humano está sempre em contato com 
outras pessoas, máquinas, outros ambientes e pro-
dutos, ele permanece em troca contínua de infor-
mações entre estes elementos, tanto recebendo 
informações e estímulos como transmitindo. A in-
formação ou a comunicação só existe quando há 
uma fonte, um meio e um receptor e é captada pelo 
organismo humano e conduzida ao sistema nervo-
so central, onde ocorre a decisão. Muitas vezes, es-
tas informações i cam armazenadas na memória de 
longa duração para futuras decisões.
56 
PROFESSORA ME. VERIDIANNA CRISTINA TEODORO FERREIRA 
A ergonomia estuda, principalmente, os siste-
mas onde ocorrem uma predominância dos aspec-
tos sensoriais, ou seja, de percepção e processa-
mento de informação, além da tomada de decisão. 
Isso envolve captação de informação (percepção), 
armazenamento (memória) e seu uso no trabalho 
(decisão). O aumento do interesse por este tipo de 
pesquisa deu-se a partir dos anos de 1980, por conta 
da difusão da informática para automação e roboti-
zação do trabalho (IIDA, 2005).
A ergonomia passou a estudar estes aspectos de-
nominados ergonomia cognitiva, com o intuito de 
compreender melhor a interação entre pessoas e sis-
temas de trabalho, a im de realizar projetos de má-
quinas mais eicazes. Muitas vezes, falamos de sensa-
ção e percepção como se fossem a mesma coisa, mas, 
para compreendermos a forma como nosso cérebro 
funciona, recebe informações e as transforma, preci-
samos saber a diferença entre estes dois estímulos.
A sensação refere-se ao processo biológico de 
captação de energia ambiental. Essa energia é captada 
por células nervosas dos órgãos sensoriais, sob forma 
de luz, calor, pressão, movimentos, partículas quími-
cas entre outros (IIDA, 2005). Esta sensação pode vir 
por meio da visão, da audição, do tato, do paladar, 
do olfato, da cinestesia que ocorre quando se perce-
bem os movimentos e o posicionamento das partes 
do corpo, sentido vestibular, que se refere à sensação 
de equilíbrio, e, até mesmo, sentido de propriocep-
ção, que se refere às condições internas do organismo, 
como fome, vontade de evacuar, etc. (IIDA, 2005). 
A todo momento recebemos inúmeros sinais 
do ambiente, porém nem todos transmitem infor-
mações importantes. Como vimos anteriormente, 
temos diversas maneiras de captar estes sinais por 
intermédio dos nossos sentidos, porém, quando o 
nosso cérebro concentra a atenção para receber al-
gum estímulo auditivo, por exemplo, consequen-
temente, a atençãoserá reduzida nos outros senti-
dos. Este processo é denominado atenção seletiva. 
Esta sensação recebida é processada pelo cérebro, 
especiicamente, pelo sistema nervoso central, em 
que é processada como informação e, por meio de 
experiências armazenadas na memória de longa 
duração, o cérebro interpreta o sinal, o que é de-
nominado como percepção. Por isso, as percep-
ções são muito particulares, pois são ligadas às vi-
vências e experiências de cada indivíduo, ou seja, 
um mesmo sinal pode emitir percepções distintas 
em diferentes pessoas, levando a tomarem dife-
rentes decisões (NORMAN, 2004).
Desta forma, a percepção é a interpretação dos 
estímulos captados pelo sentido e depende de expe-
riências anteriores e fatores individuais para serem 
interpretadas. O nosso cérebro recebe e processa, 
continuamente, as informações do ambiente, isso 
ocorre em pouquíssimo tempo, praticamente, em 
micros segundos, e não é preciso estar consciente, 
podendo ocorrer automaticamente. A memória de 
longa duração é utilizada para interpretação das 
 57
 DESIGN 
sensações, transformando-a em percepção, além 
disso, tem grande capacidade de armazenamento e 
tem caráter duradouro e associativo. 
A memória de curta duração tem outra função e 
está ligada a serviço, por isso, também é conhecida 
como memória de trabalho. Esta memória retém in-
formações por períodos extremamente curtos, como 
5 a 30 segundos, em seguida, são completamente es-
quecidas, na maioria das vezes. Por exemplo, um nú-
mero de telefone que se memoriza, até ser digitado 
posteriormente, sua memória apaga, e, se demorar-
mos mais de 30 segundos para digitá-lo, pode ser que 
nossa memória dele não se recorde mais (IIDA, 2005) 
Desta forma, podemos compreender o proces-
so cognitivo da seguinte maneira: recebemos sinais 
do meio ambiente pelos órgãos de sentido que, por 
meio da nossa memória de longa duração, geram a 
percepção. Este processo inicial é denominado per-
ceptivo. Depois de percebidos, interpretamos estes 
sinais também por meio da memória de longa du-
ração e tomamos uma decisão. Este processo é de-
nominado como processo cognitivo. E, por im, agi-
mos sob o comando da memória de curta duração, e 
este processo é denominado processo motor.
Figura 3 - Esquema dos processos perceptivo, cognitivo e motor
58 
PROFESSORA ME. VERIDIANNA CRISTINA TEODORO FERREIRA 
Os dispositivos de informação estão presentes em 
diversos tipos de produtos, ambientes e situações, 
desde objetos de uso cotidiano, como rádios, car-
ros, relógios, celulares, até painéis de controles mais 
complexos, como cabines de aeronaves e centrais de 
controles de usinas nucleares. Um projeto inade-
quado pode causar erros, demoras de compreensão, 
acidentes, em alguns casos o resultado pode ser de-
sastroso (IIDA, 2005).
O corpo humano é composto por muitas célu-
las sensíveis, mas as principais compõem a visão e a 
audição, por este motivo, são as mais estudadas pela 
ergonomia e são, também, os sentidos mais utiliza-
dos na captação de informações. A visão destaca-se 
por ser o órgão principal da percepção de informa-
ções no trabalho. Os dispositivos de informações 
transmitem informações ao usuário desde rótulos, 
manuais de instruções, interface de produtos ou, até 
 59
 DESIGN 
mesmo, informações relacionadas ao trânsito e aos 
interiores de ambientes.
Deve-se pensar sempre na melhor maneira dessa 
informação chegar ao indivíduo, ou seja, se o am-
biente tem muito ruído, deve-se optar por informa-
ções escritas, pois o barulho atrapalha a compreen-
são do áudio. Se o ambiente for escuro, é preferível 
sonoro ou com painéis iluminados; se a informação 
for complexa, é preferível de forma escrita para que 
a pessoa possa ler mais de uma vez para compre-
ender. Existem casos em que a informação pode ser 
por símbolos, como placas de trânsito, imagens de 
menino e menina para banheiro, que são de fácil 
compreensão a diferentes povos. 
Os símbolos transmitem informações e, por se 
tratar de imagens, eles rompem barreiras de idio-
mas. Geralmente, sua imagem tem proximidade 
com o objeto real, o que facilita sua compreensão. 
Os símbolos também são rápidos de serem lidos e 
compreendidos, são muito usados em aeroportos 
e rodoviárias, pela quebra de idiomas e em rodo-
vias pela fácil compreensão. Nem sempre são cla-
ros, pois dependem do repertório do indivíduo. 
As placas são como sinais percebidos pela visão 
e interpretados pela nossa memória de longa du-
ração, por isso, em alguns casos podem não ser 
interpretados corretamente, como as placas de 
trânsito, que serão compreendidas apenas pelas 
pessoas que dirigem.
Um projeto inadequado dos dispositivos de in-
formação pode causar demora para compreensão 
das informações ou compreensão incorreta, levando 
a erros e acidentes cujas consequências podem ser 
desastrosas. Por isso, é importante considerar que 
existem formas mais eicientes de transmitir infor-
mações em determinados contextos. Veremos um 
pouco mais a seguir.
Mostradores
Em muitos produtos, veículos e locais de trabalho 
existem sistemas de informação especíicos que nos 
auxiliam a compreender o que devemos fazer, ou 
trazem informações sobre o estado do sistema que 
estamos operando. Esses sistemas de informação 
são chamados de mostradores, elementos empre-
gados em produtos, máquinas, veículos etc. para 
indicar ao usuário o seu status de funcionamento. 
Os mostradores podem ser divididos em duas cate-
gorias: quantitativos e qualitativos. 
Quando inadequado, um símbolo ou imagem pode 
causar demora para compreensão, compreensão in-
correta, podendo levar a erros e acidentes. As infor-
mações devem ser sempre claras e de fácil compreen-
são e, para que isso aconteça, existem algumas formas 
de disponibilizar informações aos usuários, para cada 
situação, e para cada necessidade existe uma forma 
que se encaixa melhor para facilitar a compreensão 
do usuário e minimizar erros e acidentes.
60 
PROFESSORA ME. VERIDIANNA CRISTINA TEODORO FERREIRA 
Mostradores quantitativos estão ligados a uma 
variável de natureza quantitativa, como volume, pres-
são, peso, distância etc. Utiliza-se quando o conhe-
cimento da quantidade é importante para o usuário. 
nalizações das estradas e repartições públicas, nos 
aplicativos de celular etc.
Controles
Os controles são, em sua maioria, projetados para 
serem acionados por movimentos das mãos e dos 
dedos, mas podem ser utilizados com os pés, co-
mando de voz e até expressão facial. Um dos pro-
blemas com o uso de controles é que se pode acio-
nar, acidentalmente, gerando erros que podem ser 
graves, dependendo do que estamos esperando. 
Estes erros estão relacionados à má discriminação 
dos controles, confusão entre um comando e outro. 
Alguns cuidados especiais devem ser tomados para 
evitar acionamentos acidentais, tais como: a locali-
zação do controle, as orientações de uso, o rebaixo 
Os mostradores qualitativos indicam o estado de 
funcionamento de uma máquina, produto ou veícu-
lo. É indicado em processos que as variáveis preci-
sam permanecer dentro de uma determinada faixa 
de operação de segurança.
Os dispositivos de informação são todos os su-
portes que transmitem informações para os usuários. 
Eles estão presentes em quase todos os produtos, em 
seus rótulos, manuais de instrução e interface dos 
produtos, por exemplo, o símbolo de ligar/desligar. 
Também estão nas interfaces dos sotwares, nas si-
dos botões, uma cobertura protetora, canalização, 
resistência e bloqueio.
Alarmes
Os alarmes servempara chamar a atenção em algu-
ma situação perigosa. Para que sejam efetivos, é im-
portante que sejam perceptíveis e convincentes para 
que o receptor realize a ação esperada. São utiliza-
dos, também, para alertar o indivíduo de situações 
de risco e, até mesmo, salvar sua vida, como nos ca-
sos de incêndio, quando os alarmes são acionados 
para que ocorra a evacuação do prédio e minimize o 
risco de pessoas feridas.
 61
 DESIGN
Mesmo sofrendo alguns desconfortos no dia a dia, 
nem sempre nos damos conta de que isso ocorre 
pela falta da ergonomia. Dessa forma, algumas pes-
soas culpam-se por não terem o corpo dentro do pa-
drão exigido pela sociedade ou, até mesmo, por não 
conseguirem utilizar um produto com naturalidade, 
como outras pessoas costumam utilizar. 
Ergonomia no
Dia a Dia 
Mesmo que, muitas vezes, não percebamos 
a presença da ergonomia, ela está ali, porém 
só levamos em consideração sua importância 
quando sofremos a sua ausência, ou seja, 
quando percebemos que a vestimenta ou o 
local não são adequados para o nosso corpo, 
causando desconforto.
REFLITA
62 
PROFESSORA ME. VERIDIANNA CRISTINA TEODORO FERREIRA 
Algumas pessoas terão mais facilidade para utiliza-
rem alguns produtos, pois seu biotipo facilita a uti-
lização, seja sua altura, sua forma corporal etc. No 
entanto um produto ou ambiente não deve limitar 
seu uso de acordo com os tipos físicos. Por exem-
plo, se eu crio uma cadeira, preciso permitir que as 
pessoas se sentem, sintam-se confortáveis e seguras, 
independentemente de seu peso - isso eu consigo 
por meio do uso da ergonomia, desde a pesquisa da 
matéria prima, a aplicação correta dos dados antro-
pométricos, a aplicação de dimensões reguláveis etc. 
A ergonomia deve estar presente no nosso dia a 
dia, ou, então, sofreremos as dores da sua ausência. 
Quando dormimos bem e acordamos com dores no 
corpo sem que tenhamos nos esforçado no dia ante-
rior, pode ser que nossa cama ou nosso travesseiro 
não estejam adequados ao corpo, sofreremos, então, 
pela falta de ergonomia, ou seja, pela falta da ade-
quação do meu espaço de descanso ao meu corpo.
Se vamos trabalhar e passamos o dia numa ca-
deira inadequada, olhando um computador que não 
está na altura correta para nosso corpo, sem apoio 
de pés e apoios de mãos, sofreremos as dores da au-
sência da ergonomia. Se chegamos em casa, batemos 
a cabeça nos armários, escorregamos no banheiro, 
tropeçamos em tapetes ou desníveis, sentimos do-
res nas costas ao lavar a louça, ou, até mesmo, se 
chegamos em casa com dores nas articulações por 
conta de roupas apertadas, dores nos pés ou bolhas 
por conta do sapato e dores na barriga pelo uso de 
calças apertadas, então, quer dizer que a ergonomia 
passou longe da sua vestimenta. Então, precisamos 
rever nossos conceitos com relação à ergonomia e à 
importância de sua aplicação.
Enim, é inquestionável a importância da er-
gonomia em nosso dia a dia como um todo, es-
tes exemplos apresentados são apenas alguns dos 
milhares de acidentes e desconfortos que sofre-
mos, diariamente, pela falta da ergonomia, por 
isso, devemos estar sempre alertas aos produtos, 
roupas ou ambientes que nos causam desconfor-
to, pois esses precisam passar por redesign para 
melhoramento do produto e para aplicação de as-
pectos ergonômicos, uma vez que o objetivo da 
ergonomia é sempre adequar o produto/ ambien-
te ao homem e nunca o contrário.
 63
considerações inais
Muitas pessoas pensam que só devemos compreender a ergonomia em nossa área 
de atuação, por exemplo: apenas no design de interiores, ou apenas no design de 
produto ou apenas no design de moda. Estão muito enganadas, pois devemos 
compreender a ergonomia em todas as possibilidades de uso, para que possamos 
nos aprofundar em nossa área de interesse. Isso porque alguns designers podem 
também partir para áreas industriais, cheiando setores de produção, desenvol-
vendo ou aprovando protótipos, ou, até mesmo, abrindo suas próprias fábricas. 
Por isso, deve ter conhecimento sobre a diferença de se trabalhar de forma confor-
tável, segura e o quanto sua produtividade melhora como consequência. Devemos 
também ter conhecimento de todas as áreas em que a ergonomia atua para que 
possamos ter noção de sua importância em nosso dia a dia, e o quanto sua au-
sência pode nos trazer problemas reversíveis à saúde ou, até mesmo, irreversíveis.
Compreendemos, neste capítulo, as formas de utilização da ergonomia no am-
biente de trabalho, os tipos de posturas ideais para alguns tipos de atividades e as 
ferramentas da ergonomia que aplicamos para resolver problemas mais comuns 
em postos de trabalho.
Pudemos compreender, também, como funciona o cérebro e seu processamento 
de informações. Desde o recebimento da informação, à percepção, ao processa-
mento pela memória de longa duração e tomada de decisão ligada à memória de 
curta duração. Isso nos faz compreender o quão importante é o conhecimento 
da ergonomia cognitiva para que informações cheguem a pessoas certas e que 
interfaces sejam melhor compreendidas.
E, por im, para melhor visão da ergonomia, pudemos ver alguns exemplos no 
nosso cotidiano para nos atentar a todo momento sobre o quão doloroso pode 
ser o uso de um produto sem ergonomia e, a partir disso, que possamos ter olhar 
mais crítico para propor redesigns a produtos inadequados, favorecendo, assim, 
a vida do usuário.
64 
atividades de estudo
1. Posturas inadequadas no trabalho são muito comuns e podem ser causa-
das pelo mau projeto da interface homem-objeto-ambiente ou, até mes-
mo pela falta de conhecimento do trabalhador. Algumas situações podem 
agravar as posturas inadequadas, quais são elas?
a. Posturas dinâmicas por longos períodos.
b. Grande aplicação de força, apenas.
c. Posturas estáticas por longos períodos, pois prejudicam parte óssea.
d. Posturas estáticas por longos períodos, grande aplicação de força e postu-
ras extremas ou no limite da articulação.
e. Apenas posturas deitadas, pois causam desconforto.
2. A ergonomia é utilizada em diversas áreas, e seus objetivos não se modi-
icam, apenas a forma como se aplicará a ferramenta para obtenção de 
bons resultados. Desta forma, a ergonomia também é inserida no ambien-
te de trabalho. Podemos, então, airmar que:
I. A inserção da ergonomia em postos de trabalho não beneicia, considera-
velmente, o operador, apenas cumpre as normas por lei.
II. A ausência da ergonomia em postos de trabalho pode contribuir para o 
aumento de acidentes de trabalho derivados da má postura e/ou da fadiga 
precoce.
III. A ausência da ergonomia em postos de trabalho aumenta a produtividade 
por não inserir pausas aos operários.
IV. A ausência da ergonomia em postos de trabalho pode acarretar proble-
mas de saúde a longo prazo, pela falta de equipamentos de segurança, 
como o protetor auricular, que, quando não utilizado, pode levar o operá-
rio a perda da audição.
Assinale a alternativa correta:
a. Apenas I e II estão corretas.
b. Apenas II e III estão corretas.
c. Apenas I, II e III estão corretas.
d. Apenas II, III e IV estão corretas.
e. Apenas II e IV estão corretas.
 65
atividades de estudo
3. Com relação à Força fadiga e à repetitividade, é correto airmar que: 
a. Uma doença ocupacional comum relacionada a esforços repetitivos é a 
LER, também conhecida como DORT.
b. As exigências de forças devem ser adaptadas às capacidades do operador, 
nas condições operacionais reais. Para cada situação de trabalho, haverá 
uma postura, um movimento e uma determinada força, assim, é necessá-
rio estudar caso a caso para que não haja inadequação.
c. A capacidade de puxar e empurrar dependede diversos fatores, como 
postura, dimensões antropométricas e atrito entre sapato e chão. Se con-
siderados estes fatores, tanto homens como mulheres adquirem a mesma 
capacidade de força.
d. A principal característica do movimento é a direção do movimento e o foco.
e. Homens e mulheres têm a mesma capacidade de força, é apenas uma 
questão de postura e foco.
4. No processo cognitivo, após formação da percepção dos sinais externos, 
ocorre um processo de interpretação, em que muitas reações ocorrem 
para se tomarem uma decisão sobre como agir. Nesse ponto, as experiên-
cias anteriores, o treinamento, o estado de humor, enim, todas as condi-
ções do indivíduo que sejam relevantes são levadas em consideração no 
processo de decisão.
Baseado no conceito de processo cognitivo humano, enumere as ileiras 
com seus correspondentes:
( 1 ) Sensação (órgãos do sentido) ( ) Processo perceptivo
( 2 ) Interpretação ( ) Processo perceptivo
( 3 ) Percepção ( ) Processo cognitivo
( 4 ) Ação ( ) Processo cognitivo
( 5 ) Decisão ( ) Processo motor
 A sequência correta desta classiicação é:
a. 3, 1, 4, 5, 2.
b. 5, 3, 1, 2, 4.
c. 2, 4, 3, 1, 5.
d. 4, 3, 2, 1, 5.
e. 1, 3, 2, 5, 4.
66 
atividades de estudo
5. As informações devem ser sempre claras e de fácil compreensão. Para que 
isso aconteça, existem algumas formas de disponibilizar informações aos 
usuários. Para cada situação e para cada necessidade, existe uma forma 
que se encaixe melhor para facilitar a compreensão do usuário e minimi-
zar erros e acidentes. Uma das formas de se transmitir informação é por 
meio de símbolos, desta forma, é correto airmar que:
a. Os símbolos transmitem informações e, por se tratar de imagens, eles 
rompem barreiras de idiomas. Geralmente, sua imagem tem proximidade 
com o objeto real, o que facilita sua compreensão.
b. Os símbolos são difíceis de serem lidos e compreendidos, por isso, são 
pouco utilizados.
c. Os símbolos são utilizados em ambientes infantis, pela similaridade com o 
desenho em quadrinhos.
d. Os símbolos são utilizados para auxiliar a compreensão de um texto e deve 
estar sempre acompanhado da parte escrita para a melhor compreensão.
e. Os símbolos são utilizados apenas para compor gráicos, torná-los mais 
fáceis de serem compreendidos. 
67
LEITURA
COMPLEMENTAR
Domínios de especialização da Ergonomia
A palavra Ergonomia deriva do grego Ergon [trabalho] e nomos [normas, regras, leis]. 
Trata-se de uma disciplina orientada para uma abordagem sistêmica de todos os aspec-
tos da atividade humana. Para darem conta da amplitude dessa dimensão e poderem 
intervir nas atividades do trabalho é preciso que os ergonomistas tenham uma abor-
dagem holística de todo o campo de ação da disciplina, tanto em seus aspectos físicos 
e cognitivos, como sociais, organizacionais, ambientais etc. Freqüentemente esses pro-
i ssionais intervêm em setores particulares da economia ou em domínios de aplicação 
especíi cos. Esses últimos caracterizam-se por sua constante mutação, com a criação 
de novos domínios de aplicação ou do aperfeiçoamento de outros mais antigos. De 
maneira geral, os domínios de especialização da ergonomia são:
* Ergonomia física | está relacionada com às características da anatomia humana, 
antropometria, i siologia e biomecânica em sua relação a atividade física. Os tópi-
cos relevantes incluem o estudo da postura no trabalho, manuseio de materiais, 
movimentos repetitivos, distúrbios músculo-esqueletais relacionados ao trabalho, 
projeto de posto de trabalho, segurança e saúde.
* Ergonomia cognitiva | refere-se aos processos mentais, tais como percepção, 
memória, raciocínio e resposta motora conforme afetem as interações entre seres 
humanos e outros elementos de um sistema. Os tópicos relevantes incluem o es-
tudo da carga mental de trabalho, tomada de decisão, desempenho especializado, 
interação homem computador, stress e treinamento conforme esses se relacionem 
a projetos envolvendo seres humanos e sistemas.
* Ergonomia organizacional | concerne à otimização dos sistemas sóciotécnicos, in-
cluindo suas estruturas organizacionais, políticas e de processos. Os tópicos relevan-
tes incluem comunicações, gerenciamento de recursos de tripulações (CRM - domínio 
aeronáutico), projeto de trabalho, organização temporal do trabalho, trabalho em 
grupo, projeto participativo, novos paradigmas do trabalho, trabalho cooperativo, 
cultura organizacional, organizações em rede, tele-trabalho e gestão da qualidade.
Fonte: Abergo ([2018], on-line)3.
68 
material complementar
Biomecânica Ocupacional
Don Chaffi n
Editora: Escariz
Sinopse: aqui são tratados os grandes problemas de Biomecânica na atualida-
de: a questão das lombalgias, os distúrbios dolorosos de membros superiores, a 
questão da vibração e de ferramentas que transmitem torque para as mãos dos 
trabalhadores e muitas outras. E são, também, tratados temas de alta atualidade, 
como a questão da seleção médica e das cintas lombares. O livro também apre-
senta o nível de profundidade esperado e desejado por especialistas, ou seja, en-
genheiros envolvidos em questões profundas de biomecânica. Mas, mesmo sen-
do profundo em que é necessário, os conceitos são traduzidos de forma prática 
para não especialistas, que sempre têm uma síntese de cada assunto.
Daens - um grito de justiça
Ano: 1992
Sinopse: o i lme “Daens - Um Grito de Justiça” narra a história do padre belga Adolf 
Daens, que se transfere para a cidade Aalst, no i nal do século XIX. Chegando lá, 
depara-se com a degradação em que a população era submetida nesse processo 
agudo de industrialização. Sensível, esclarecido e homem de seu tempo, Daens 
i ca indignado ao se deparar com as constantes mortes por acidentes nas indús-
trias, pela fome, congeladas pelo frio e demais causas, devido às condições mise-
ráveis em que viviam as famílias operárias.
Indicação para Assistir
Indicação para Ler
 69
material complementar
Os artigos a seguir foram selecionados, cuidadosamente, por abordarem o assunto do segundo capítulo, 
a Biomecânica Ocupacional, e por propor relexão com relação à função do designer e à importância do 
conhecimento sobre a ergonomia e o corpo humano. O primeiro artigo é intitulado “Ergonomia em sala de 
aula: constrangimentos posturais impostos pelo mobiliário escolar”.
Acesse: <http://www.efdeportes.com/efd85/ergon.htm>.
O segundo artigo é intitulado “A avaliação dos riscos ergonômicos como ferramenta gerencial em saúde 
ocupacional.
Acesse: <http://ergonomics.com.br/iles/2012/08/comparacao_metodos.pdf>.
O vídeo a seguir demonstra quase todos os problemas da falta de ergonomia no ambiente de trabalho. De-
monstra, também, de forma clara e engraçada, o que discutimos com relação à biomecânica ocupacional.
Acesse: <https://www.youtube.com/watch?v=ZnASW24Sz_4>.
Este vídeo mostra, de maneira engraçada, como se adequar à cadeira quando no uso do computador, 
desde homem, mulher ou criança.
Acesse: <https://www.youtube.com/watch?v=0R7uz-_v3ec>.
Indicação para Acessar
70 
referências
gabarito
ASCENSÃO, A.; MAGALHÃES, J.; OLIVEIRA, J.; DUARTE, J.; SOARES, J. Fi-
siologia da fadiga muscular. Delimitação conceptual, modelos de estudo e meca-
nismos de fadiga de origem central e periférica. Revista Portuguesa de Ciências 
do Desporto. v. 3, n. 1, p. 108-123, 2003.
BRIDGER, R. S. Introductions to Ergonomics. 2. ed. London: Taylor e Francis, 
2003.
GRANDJEAN, E. Manual de Ergonomia: adaptando o trabalho ao homem. Por-
to Alegre: Bookman, 1998.
IIDA, I. Ergonomia: projeto e produção. 2. ed. São Paulo: Blucher, 2005.
NORMAN, D. Emotional Design. New York: Basic Books, 2004.
Referências on-line
1Em: <https://www.pexels.com/photo/active-adult-athlete-barbell-348487/>. 
Acesso em: 18 mar. 2019.2Em: <http://www.ufrrj.br/institutos/it/de/acidentes/ergo2.htm0>. Acesso em: 
18 mar. 2019.
3Em: <http://www.abergo.org.br/internas.php?pg=o_que_e_ergonomia>. Acesso 
em: 18 mar. 2019.
1. D
2. E
3. B
4. E
5. A
UNIDADEIII
Professora Me Veridianna Cristina Teodoro Ferreira Berbel
Plano de Estudo
A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade:
• Adaptação ergonômica de produto
• Projetos universais
• Desenvolvimento de produto ergonômico
• A importância de produtos ergonômicos
• Estudo de caso
Objetivos de Aprendizagem
• Aplicar ergonomia de correção e de concepção e explicar qualidade 
técnica, qualidade ergonômica e qualidade estética.
• Dei nir projetos universais, discutir usabilidade e seus princípios e 
detalhar características de um projeto universal ergonômico.
• Detalhar os processos para desenvolvimento de um produto 
ergonômico
• Discutir a importância de se desenvolver produtos ergonômicos e 
seu diferencial no mercado.
• Mostrar estudo de caso de melhoria de produto através de 
aplicação ergonômica.
ERGONOMIA DO PRODUTO
 unidade 
III
INTRODUÇÃO
Caro(a) aluno(a), em nossa terceira unidade do livro de Ergonomia, abordaremos os aspectos ergonômicos aplicados no produto e o quanto o uso destas ferramentas no produto podem resultar em um diferencial do mercado. Antigamente, o desenvolvimento de um 
produto era concentrado, principalmente, nos aspectos técnicos e funcionais, 
enquanto os ergonômicos e de design eram deixados de lado. Nas últimas 
décadas, esse panorama mudou, e aspectos antes deixados de lado passaram 
a se tornar ferramentas importantes de diferenciação e de decisão de compra.
Para melhor compreensão dos aspectos ergonômicos aplicados no pro-
duto, serão detalhadas as suas qualidades técnicas, ergonômicas e estéticas, 
além das premissas para se desenvolver um projeto universal. Os princípios 
de usabilidade serão também detalhados para melhor compreensão de sua 
aplicabilidade no projeto de desenvolvimento de um produto.
Nesta unidade, compreenderemos as informações necessárias para um 
projeto ergonômico. Já vimos alguns destes aspectos nas unidades anterio-
res. Aqui, dará-se por outra abordagem, em que reuniremos informações 
em torno dos produtos e critérios especíicos para avaliá-los, ou seja, para 
sabermos até que ponto este produto é realmente ergonômico. A aplicação 
da ergonomia no produto é muito importante para que ele se adeque ao 
usuário, sem que haja necessidade de o usuário modiicar suas formas para 
utilizar o produto, sendo ele ferramenta, vestimenta, calçado, maquinário, 
ambiente, entre outros.
Para compreender a aplicação da ergonomia, será apresentado, ao inal 
da unidade, um estudo de caso que obteve melhorias por meio de sua apli-
cação. Desta forma, icará mais fácil compreender e visualizar a importância 
da utilização da ergonomia em produtos para melhor satisfazer o usuário 
inal, pois é sempre importante lembrar que os objetivos principais da er-
gonomia são: conforto, bem-estar, saúde, satisfação e segurança do usuário.
76 
 
Quando os produtos são construídos sem ergono-
mia, são deixados de lado, na maioria das vezes, as 
variáveis de conforto e os princípios de usabilidade. 
A ergonomia pode ser utilizada na fase de concep-
ção, ou seja, na fase de projeto para desenvolvimento 
do produto, ou, também, pode ser aplicada na corre-
ção de produtos mal projetados, quando, depois de 
serem fabricados, identiicam-se as irregularidades.
A ergonomia sempre é aplicada com a preocu-
pação do bem-estar e conforto do usuário, visando 
à saúde, à segurança, à eiciência no uso e à sua sa-
tisfação, trabalhando, dessa forma, de maneira pre-
ventiva (IIDA, 2005). A adaptação de produtos já é 
utilizada há muito tempo. Os primeiros relatos fo-
ram extraídos da pré-história quando os homens das 
cavernas adaptavam suas ferramentas para terem 
melhor resultado na caça, então, eles aiavam a pon-
ta da lança em uma pedra lascada, desta forma, ad-
quiriam mais precisão na caça, o que era de extrema 
importância, pois qualquer erro poderia ser fatal. 
Há dois milhões de anos, os homens pré-históri-
cos fabricavam suas armas de pedra lascada, adaptan-
Adaptação Ergonômica 
de Produtos
 77
 DESIGN 
do-as à anatomia de suas mãos (NAPIER, 1983). Este 
produto foi melhorado 500 mil anos depois e se trans-
formou em uma machadinha cujo cabo adicionado 
era liso e arredondado, de forma que se ajustava con-
fortavelmente nas mãos. Os primitivos fabricavam ar-
cos, lechas e outros objetos que, de certa forma, apli-
cava, intuitivamente, a antropometria, pois testavam 
os produtos em seus próprios corpos (IIDA, 2005).
mas para conseguirem utilizar determinados produ-
tos, desde vestimentas, ferramentas, mobiliários etc. 
E foi neste contexto, como já dito anteriormente, que 
surgiu a ergonomia, para combater esta inadequação 
e pesquisar novas possibilidades de se ter conforto no 
trabalho e no uso de produtos, mesmo em meio à era 
da produção massiicada. Segundo aspectos ergonô-
micos, todos os produtos, pequenos, grandes, sim-
ples ou complexos, devem satisfazer as necessidades 
humanas, pois, direta ou indiretamente, entram em 
contato com o homem e, para que esses produtos fun-
cionem bem nas interações com os usuários, devem 
seguir três características básicas: a qualidade técni-
ca, a qualidade ergonômica e a qualidade estética.
A qualidade técnica caracteriza-se pela parte 
que faz funcionar o produto, do ponto de vista me-
cânico, elétrico, eletrônico ou químico etc. Dentro 
da qualidade técnica, deve-se considerar a eiciência 
com que o produto executa a função, o rendimento 
na conversão de energia, a ausência ou minimização 
de ruídos e vibrações, a facilidade de higienização, 
facilidade de manutenção e assim por diante.
Já a qualidade ergonômica caracteriza-se pela 
ergonomia do produto que garante boa interação 
com o usuário, facilidade de manuseio, aplicação 
antropométrica, clareza no fornecimento de infor-
mações, facilidade de uso e compatibilidade de mo-
vimentos. Além disso, o produto com qualidade er-
gonômica deve propor ao usuário as características 
em que se baseiam seus objetivos, como: segurança, 
conforto e bem-estar do usuário.
A característica estética destina-se a proporcio-
nar prazer ao consumidor, envolvendo combinações 
de cores, formas, texturas, matérias-primas, acaba-
mentos e movimentos. O objetivo da característica 
estética é tornar o produto atraente e desejável aos 
olhos do consumidor.
O objetivo da ergonomia é adaptar o produto ao 
corpo, tornando-o mais confortável durante seu uso, 
mais adequado ao corpo do usuário, mais seguro e, 
segundo relatos históricos, intuitivamente, estas ca-
racterísticas eram almejadas desde a pré-história. 
Com a industrialização, o foco no desenvolvimento 
de produto voltou-se mais para o aumento da pro-
dutividade, ou seja, a possibilidade de se produzir 
mais, em menos tempo, e para mais pessoas. 
Desta forma, foi necessário padronizar medidas, 
o que resultou na perda da qualidade ergonômica e 
fez com que muitos usuários modiicassem suas for-
78 
 
Estas três qualidades enquadram-se nas caracte-
rísticas desejáveis dos produtos, do ponto de vista 
ergonômico. Estas qualidades devem estar presentes 
em quase todos os produtos, porém é normal que 
nem sempre as três qualidades estejam em equilí-
brio. Para alguns produtos, pode ser que a qualidade 
técnica seja mais importante, como um motor elé-
trico, já em algumas ferramentas, como o alicate, é 
normal que a qualidade ergonômica se sobressaia, 
assimcomo em objetos de decoração a qualidade es-
tética esteja em evidência (IIDA, 2005).
De uma forma ou de outra, no entanto, as três ca-
racterísticas devem estar presentes no produto ergo-
nômico, o que varia é a intensidade de cada qualidade.
 79
 DESIGN 
Com o mundo globalizado e a rápida expansão dos 
meios de comunicação e de transportes, ocorreu o 
aumento da circulação mundial de mercadorias e 
produtos. Hoje em dia, é muito fácil comprar um 
produto de qualquer país, inclusive da China, por 
intermédio de sites de e-commerces. Além disso, há 
preocupação cada vez maior em incluir as minorias 
no mercado de consumo, até mesmo pela preocupa-
ção da aplicação do design inclusivo.
Estes dois fatores, a globalização e a inclusão, i-
zeram com que projetistas ampliassem seu olhar com 
relação ao desenvolvimento de produto, buscando 
cada vez mais por soluções que contribuam com a 
adequação de produtos a diferentes corpos. Até por-
que, como já vimos anteriormente, as medidas cor-
porais passam por diferenças étnicas, que devem ser 
consideradas no projeto do produto para que não 
haja inadequação do produto ao corpo do usuário.
A possibilidade de desenvolver um produto que-
brando essas barreiras de medidas antropométricas 
e incluir as minorias no projeto levou a formulação 
dos princípios do projeto universal e dos critérios 
de usabilidade dos produtos. Há muita semelhança 
entre os critérios do produto universal e aqueles da 
usabilidade, o que diferencia são as ênfases de cada 
um, pois o projeto universal está preocupado em fa-
Projetos 
Universais
80 
 
zê-lo acessível à maioria da população, enquanto a 
usabilidade preocupa-se em facilitar o uso. É natural 
que os produtos universais acabem tendo boa usabi-
lidade e vice-versa (IIDA, 2005). 
Os projetos universais têm como objetivo in-
cluir certas minorias, como canhotos, portadores de 
deiciências, idosos etc. O conceito parte do princí-
pio de que é mais barato desenvolver estes produtos 
incluindo as minorias no uso do que criar aparatos 
especiais para adequá-las ao uso de um produto que 
não as considerou em seu projeto (JARDIM, 2002). 
Por exemplo, é mais barato criar uma carteira escolar 
que possa ser utilizada por canhotos e destros do que 
desenvolver uma só para destros e ter que desenvol-
ver um aparato para os canhotos, ou, até mesmo, um 
produto apenas para esta minoria. Quando incluímos 
a minoria, atendemos a maioria. Isso também facilita 
nos produtos a serem desenvolvidos em larga escala.
Uso equitativo: caracteriza-se por ter dimen-
sões, ajustes e acessórios que permitem atender o 
maior número possível de usuários, porém a segu-
rança, proteção e privacidade devem estar disponí-
veis, igualmente, a todos os usuários.
Flexibilidade no uso: visa acomodar uma ampla 
gama de habilidades e preferências individuais, de 
modo que possibilite o uso de destros e canhotos, 
facilite o uso preciso e exato a todos os usuários, 
possibilitando escolhas referentes ao modo de usar, 
a adaptação de forças e o ritmo, próprios de cada 
indivíduo.
Uso simples e intuitivo: dá-se pela facilidade 
na compreensão das formas de uso do produto, de 
modo que o usuário compreenda seu uso sem que 
necessite de conhecimento especializado. Para isso, 
é necessário eliminar complexidades desnecessá-
rias, considerar estereótipos, expectativas, intuição 
do usuário, considerar possíveis problemas com 
linguagens ou diferenças culturais, hierarquizar as 
informações de acordo com sua importância, entre 
outras formas de simpliicar o uso e a compreensão 
do mesmo.
Informação perceptível: assim como o uso, as 
informações no produto também devem ser, efeti-
vamente, comunicadas ao usuário, sem necessida-
de de conhecimento especializado, mesmo que em 
condições ambientais diversas. Deve-se melhorar a 
visibilidade da informação e utilizar ferramentas do 
design para o tornar facilmente visualizado, percep-
tível, até mesmo, aos deicientes sensoriais. 
Tolerância ao erro: o projeto do produto deve 
pensar em formas de minimizar os riscos e as con-
sequências de ações involuntárias ou acidentais, por 
isso, deve pensar nas possibilidades de acidentes que 
podem ocorrer, caso o equipamento seja acionado 
PRINCÍPIOS DO PROJETO UNIVERSAL
O projeto universal adota certos princípios que po-
dem ser aplicados tanto na avaliação dos produtos 
existentes como na criação de novos. Os princípios 
são (NULL, 1993):
 81
 DESIGN 
sem querer. Quando o produto ou maquinário ofe-
recer algum risco, se ligado por acidente, deve-se, no 
projeto do produto, pensar em formas de manter os 
botões de acionamentos em lugares seguros e que 
ofereçam certa diiculdade para serem acionados, 
minimizando as chances de acidentes. Ou, então, 
deve ter uma forma de permitir o retorno ao estado 
anterior, de forma fácil e rápida, caso o equipamento 
seja ligado, acidentalmente, mesmo não oferecendo 
riscos. Isso é ter tolerância ao erro, é compreender 
que as pessoas podem se equivocar em algumas for-
mas de usos, mas que isso pode ser facilmente corri-
gido para que não as prejudique. 
Redução de gastos energéticos: dá-se pela faci-
lidade no manejo do produto, ou seja, sempre que 
possível, deve-se manter o corpo do usuário em 
posição neutra, livre de estresse, pois as contrações 
estáticas dos músculos devem ser evitadas. Desta 
forma, aplica-se no produto facilidades de uso para 
que o corpo não gaste energia desnecessária icando 
fatigado facilmente. Este princípio pode ser estendi-
do para o dimensionamento de motores, máquina e 
equipamentos, pois a potência desnecessária provo-
ca desperdícios de energia. 
Espaço apropriado: as máquinas, os espaços, os 
produtos devem ser apropriados para acesso, alcan-
ce, utilização e manipulação, independentemente do 
tamanho do usuário, sua postura ou sua mobilidade, 
pois devem ser acessíveis à grande maioria dos usuá-
rios. Em muitos casos, é difícil a aplicação de todos os 
princípios do projeto universal, porém se aplica o má-
ximo possível para obtenção dos melhores resultados.
Quando falamos em design universal, imagina-
-se que será um produto que se encaixará em todas 
as pessoas, sem exceção, pois estamos falando de 
design universal, entretanto isto não é verdade. É 
muito raro desenvolver um produto que sirva para 
todas as pessoas, adequada e confortavelmente, mas, 
quando se aplica o design universal, aumentam-se 
as possibilidades de usos de um mesmo produto e 
também aumenta o número de pessoas que se encai-
xarão nesse produto. Desta forma, cria-se algo para 
uma maioria, pois as minorias são incluídas.
USABILIDADE 
Entendida como a interface que possibilita a utiliza-
ção eicaz dos produtos e a facilidade no uso, a usabi-
lidade relaciona o conforto e a eiciência do produto. 
“Em síntese, a usabilidade é fundamental para avaliar 
a relação do produto-usuário. Nesse sentido, é prin-
cípio que deve ser observado em qualquer produto e 
ambiente construído” (MARTINS, 2008, p. 326). 
A usabilidade é uma das interfaces da ergono-
mia que estuda e tem como objetivo adequar des-
de as ferramentas, os ambientes de trabalho até os 
produtos de uso pessoal, com o foco em atender às 
necessidades, habilidades e limitações dos diferentes 
tipos de indivíduos. Desta forma, os riscos à saúde 
do usuário, acidentes e incidentes durante o uso de 
produtos, postos de trabalhos e interfaces inadequa-
82 
 
das, podem ser evitados na fase de concepção de 
produto. Dessa forma, não será necessário que usu-
ários se coloquem em situação de riscono uso do 
produto para que, posteriormente, ele seja corrigido. 
Em 1998, foi lançada a ISO 9241-11, e, em 2002, 
foi criada a norma brasileira NBR 9241-11 deinin-
do que “usabilidade é a efetividade, eiciência e satis-
fação com as quais usuários especíicos podem ob-
ter resultados especíicos em ambientes especíicos” 
(ABNT, 2002, p. 5).
satisfação é o conceito mais difícil de ser alcançado 
na usabilidade (RAZZA, 2016).
Princípios de Usabilidade
De acordo com Jordan (1998), existem alguns prin-
cípios que, quando aplicados no desenvolvimento 
de produto, podem melhorar sua usabilidade. Os 
princípios são: 
Evidência: o produto deve ter, de forma clara, in-
dicação de sua função e o modo de operação, pois a 
evidência reduz tempo de aprendizagem e facilita a 
memorização, além de reduzir os erros de operação.
Consistência: quando colocamos operações se-
melhantes para funcionarem de forma semelhante, 
permitimos que o usuário faça transferência positi-
va da experiência anteriormente adquirida em ou-
tras tarefas semelhantes. Isso é comum em menus 
de computadores.
Capacidade: as capacidades do usuário devem 
ser respeitadas e não devem ser ultrapassadas, por 
exemplo: se a visão estiver saturada, as informações 
adicionais podem ser transferidas para outros ca-
nais, como audição e o tato. A capacidade também 
está relacionada com a força, precisão, velocidade e 
os alcances exigidos em movimentos musculares.
Compatibilidade: o atendimento às expectativas 
do usuário melhora a compatibilidade, porém essas 
expectativas dependem de fatores isiológicos, cul-
turais e experiências anteriores. Estão ligadas tam-
bém aos estereótipos populares, por exemplo, um 
controle rotacional, quando giramos para a direita, 
esperamos que abra, ou aumente algo (torneiras, 
controles rotacionais de volume etc.). 
Prevenção e correção dos erros: assim como já 
deinido no design universal, a prevenção de erros 
deve impedir procedimentos errados tendo um rá-
A efetividade caracteriza-se pelo fato de o produto 
ou sistema realizar a ação esperada, por exemplo, 
uma cafeteira tem que efetivamente fazer café. A 
eiciência caracteriza-se pela quantidade de esforço 
necessária para cumprir o objetivo, sendo assim, um 
produto eiciente realiza a ação desejada (efetivida-
de) com menor tempo, com menos esforço, gastan-
do menos recurso, entre outros.
A satisfação é deinida pelo nível de conforto que 
os usuários sentem com o uso do produto, porém é 
um conceito subjetivo e está ligado às expectativas 
e necessidades de cada usuário. O que é confortável 
para uma pessoa pode não ser para outra, por isso, a 
O que é ISO?
É a Organização Internacional de Normali-
zação, com sede em Genebra, na Suíça. Foi 
criada em 1946 e tem como associados or-
ganismos de normalização de cerca de 160 
países. Tem como objetivo criar normas que 
facilitem o comércio e promovam boas prá-
ticas de gestão e o avanço tecnológico, além 
de disseminar conhecimentos.
Fonte: Inmetro ([2018], on-line)1.
SAIBA MAIS
 83
 DESIGN DESIGN
pido retorno à posição anterior, ou permitindo cor-
reção fácil e rápida.
Realimentação: o produto deve dar um retorno 
aos usuários sobre os resultados de sua ação, como 
em uma ligação telefônica existe um ruído típico 
que demonstra se a ligação está sendo completada, 
ou se a linha está ocupada. A realimentação ajuda o 
operador a redirecionar sua ação, e a falta de reali-
mentação pode resultar em muitos desperdícios, até 
mesmo de tempo e esforço. 
A usabilidade pode ser melhorada aplicando os 
princípios apresentados e que podem nos servir de 
guias para questionar nosso produto quando em de-
senvolvimento. Devemos sempre questionar nosso 
produto para procurarmos as melhores soluções e 
adequações. 
Tanto os princípios de usabilidade como os prin-
cípios de design universal nos dão algumas diretri-
zes para otimizarmos nosso produto e torná-lo mais 
adequado a um maior número de usuários.
84 
 
Caro(a) aluno(a), desenvolver um produto não é 
tão simples como se imagina. É necessário envolver 
o trabalho de diversos proi ssionais para pesquisar 
áreas distintas e agregar as melhores soluções no 
desenvolvimento de um novo produto. Na medida 
do possível, nesta equipe de desenvolvimento deve 
conter, também, especialistas em ergonomia desde 
a etapa inicial do projeto do produto para que seja 
aplicada a ergonomia de concepção em que se pro-
jeta um produto já pensando em todos os aspectos 
de usos. Baseado nisso, aplica-se soluções para mi-
nimizar inadequações e/ou acidentes. Quando a er-
gonomia de concepção não é aplicada, alguns pro-
blemas no produto podem surgir, sendo necessária 
a correção do mesmo. Porém corrigir é mais difícil e 
custa mais caro, por isso, é sempre preferível que se 
busque alternativas para prevenção de erros desde o 
início do projeto.
Desenvolver um produto é um processo muito 
variável, pois o projetista deve ter visão ampla so-
bre vários aspectos, por exemplo qual o objetivo da 
empresa com relação aos produtos, ou seja, o que 
ela busca passar ao consumidor. Algumas empresas 
focam em qualidades técnicas, outras em qualidades 
ergonômicas, outras apenas em qualidades estéticas, 
e outras se concentram em redução de custo, mesmo 
sacrii cando a qualidade. 
Para todos estes casos, quem decide o i nal é o 
consumidor e o que priorizam no ato da compra e 
do uso do produto. Por isso, é importante saber o 
Desenvolvimento de 
Produto Ergonômico
 85
 DESIGN 
que os consumidores querem, quais características 
eles valorizam e o quanto estão dispostos a pagar. 
Existem diferentes metodologias de desenvolvi-
mento de produto e será apresentada aqui uma das 
possibilidades para que possamos perceber como a 
ergonomia está presente em todas as etapas.
A Tabela 1 ajudará na compreensão da partici-
pação do ergonomista em cada etapa do desenvolvi-
mento de produto. 
Os ergonomistas devem participar de todas as 
etapas do desenvolvimento de produto, por isso, 
quando as empresas têm atividades contínuas de 
desenvolvimento de produtos já empregam ergono-
mistas como membros permanentes de suas equi-
Tabela 1- Participação da Ergonomia nas diversas etapas do desenvol-
vimento de produtos
Fonte: IIDA (2005, p. 324).
Etapas Atividades Gerais Participação da Ergonomia
Deinição
Examinar as oportunidades;
Veriicar as demandas;
Deinir objetivos do produto;
Elaborar as especiicações;
Estimar custo/benefício.
Examinar o peril do usuário;
Analisar os requisitos do produto.
Desenvolvimento
Analisar os requisitos do sistema;
Esboçar a arquitetura do sistema;
Gerar alternativas de soluções;
Desenvolver o sistema.
Analisar as tarefas/atividades;
Analisar a interface:
- Informações;
- Controles.
Detalhamento
Detalhar o sistema;
Especiicar os componentes;
Adaptar as interfaces;
Detalhar os procedimentos de teste.
Acompanhar os detalhamentos.
Avaliação
Avaliar o desempenho;
Comparar com as especiicações;
Fazer os ajustes necessários.
Testar a interface do usuário.
Produto em uso Prestar serviço pós venda;
Adquirir experiência para outros projetos.
Realizar estudos de campo junto aos usuários 
e consumidores.
A empresa Philips da Holanda trabalha com 
desenvolvimento de produto de forma con-
tínua, por isso, mantém 21 especialistas em 
ergonomia dentro de sua equipe de projeto 
(STANTON, 1998). Eles dedicam 85% do tempo 
no desenvolvimento de projeto e se ocupam, 
principalmente, em analisar as interações dos 
usuários com seus produtos, acumulando ex-
periências para o projeto de novos produtos, 
buscando aplicar o conceitode usabilidade 
em todos os produtos.
Fonte: Iida (2005).
SAIBA MAIS
pes. Nos casos de menor volume de produção, pode-
-se optar por consultores externos.
86 
 
A Importância de 
Produtos Ergonômicos
A ergonomia é de suma importância no pro-
jeto de desenvolvimento de produto, pois 
defende que o produto deve se adequar ao 
corpo do usuário, e não o contrário. Antes 
da revolução industrial, os produtos eram de-
senvolvidos manualmente em alguns casos, como 
as vestimentas, que eram concebidas base-
adas nas medidas do corpo de cada pes-
soa, depois da revolução industrial, 
com as produções em larga escala, a 
padronização se fez necessária.
 87
 DESIGN 
A princípio, eram muitos os problemas de ade-
quação por conta das padronizações, porém, por 
meio de estudos ergonômicos, que, inicialmente, 
combatiam o trabalho desumano que se desenvol-
viam em fábricas, posteriormente, estendeu-se para 
aplicação de conceitos ergonômicos para desenvol-
vimento de produtos e ambientes que priorizem o 
corpo, pois se o homem iria utilizá-los, então, de-
viam ser baseados em suas medidas. 
Outra aplicação ergonômica deu-se na forma de 
adequar esses bancos, que é o ajuste elétrico, assim, o 
motorista tem mais facilidade para adequar o banco 
ao seu corpo. Além da facilidade, estes mecanismos 
elétricos também aumentam a precisão do ajuste, con-
sequentemente a segurança e o conforto do usuário. 
A ergonomia, em todo o processo de desenvolvi-
mento de produto, torna-se importante por preser-
var em todas as etapas os princípios ergonômicos que 
A antropometria também é ferramenta da ergonomia 
bem importante para se aplicar em produtos, pois de-
talha todas as medidas do corpo e apresenta formas 
de aplicar estes dados aos produtos, contribuindo 
com a adequação a diferentes tipos de corpos. 
O design universal também é muito utilizado 
pensando nesta adequação do produto ao corpo, 
pois, aplicando seus princípios, torna-se possível 
desenvolver um produto que se encaixe em diferen-
tes tipos corpos. Desta forma, atinge as minorias e 
abrange a maioria. Um exemplo comum no nosso 
dia a dia são os bancos dos carros que têm inúmeras 
regulagens e se adequam a pessoas com diferentes 
alturas, diferentes pesos e diferentes formas corpo-
rais sem perder a segurança pretendida. 
são: segurança, saúde, conforto, satisfação, qualidade 
do produto, prazer no uso entre outros, além de tor-
nar possível o uso de produtos por diferentes tipos 
de corpos, sem perder a qualidade, sendo possível 
incluir minorias, como deicientes físicos, sensoriais, 
entre outro, no uso do produto com qualidade. A usa-
bilidade também se faz presente com os princípios 
que defendem efetividade, eiciência e satisfação.
Na ergonomia de concepção, todas as etapas 
são pesquisadas antes, e todo tipo de falha 
pode ser evitada, enquanto na de correção é 
preciso arcar com o custo para remodelar o 
produto. Qual opção lhe parece mais viável?
REFLITA
88 
 
O estudo de caso será apresentado como forma de 
facilitar a compreensão da aplicação da ergonomia 
em um produto, com o foco em proporcionar mais 
conforto ao usuário e atender aos objetivos da ergo-
nomia como um todo. O projeto que será apresenta-
do foi desenvolvido por Andreia Fernandes Barbosa 
e é intitulado Avaliação da Inluência do mobiliário 
escolar na postura corporal em alunos adolescentes. A 
aluna desenvolveu este projeto em sua dissertação de 
mestrado em Engenharia de Produção e Sistemas, na 
Universidade do Minho, Portugal, em julho de 2009.
As carteiras escolares são utilizadas por crianças 
e adolescentes, em que passam várias horas por dia, 
por muitos anos, e o mais importante é que em grande 
parte deste tempo estão em fase de desenvolvimento 
físico, psíquico, motor etc. Como já vimos anterior-
mente, a fadiga provoca diversos problemas físicos, 
principalmente na coluna, e psíquicos, entre eles es-
tresse, irritabilidade e outras consequências negativas.
A pesquisadora realizou o estudo utilizando como 
amostra 136 alunos de ambos os sexos, de diferentes 
idades, de uma escola particular e três escolas públi-
Estudo 
de Caso
 89
 DESIGN 
cas de Braga, Portugal. Foi feita avaliação postural e 
avaliação ergonômica das posturas na sala de aula, 
pelo método RULA (Rapid upper limb assessment), 
associado a um pequeno inquérito sobre a problemá-
tica em estudo, em que se observou e analisou todos 
os elementos referentes à temática do estudo.
Para a realização da avaliac ̧ão postural, foi cons-
truído e usado um posturógrafo com 2 metros de 
altura e 0,72 metros de largura, com base de nive-
lamento e marcac ̧ão da posic ̧ão dos pés com palmi-
lhas com a forma de pé, de modo que os alunos se 
coloquem em posic ̧ão padrão. 
O método PEO (Portable Ergonomic Observation) 
destina-se à observação das posturas corporais em tem-
po real, diretamente na sala de aulas. Para isso, usou o 
sotware Viglen Dossier 486, que realizou um feedback 
visual contínuo da postura corporal. O sotware PEO 
dá diretamente a percentagem do tempo gasto numa 
determinada postura, registra o número de posturas 
mantidas e o início e inal de cada uma delas.
A cadeira mais utilizada nas salas de aulas ava-
liadas eram cadeiras comuns de ferro com madeira, 
como na imagem a seguir. O que variava era o ta-
manho da cadeira que mudava pouco a pouco para 
comportar as crianças ao longo do crescimento na 
fase infantil e adolescente. 
Figura 1 - cadeira utilizada nas salas de aula 
Fonte: Barbosa (2009).
A mesa era individual quadrada, de estrutura metálica, 
embora também haja disponível em madeira maciça 
envernizada, com arestas e cantos boleados de acordo 
90 
 
com as especiicações regulamentares. O tampo é em 
aglomerado de madeira, como na Figura 2. E, assim 
como as cadeiras, as mesas vão aumentando confor-
me o tamanho das crianças na infância e adolescência.
Em alguns casos, os tamanhos das mesas e cadeiras 
não respeitam realmente as dimensões dos alunos de 
acordo com sua faixa-etária. Foi encontrado, em al-
gumas escolas, carteiras e cadeiras do 6º ano idênticas 
às carteiras e cadeiras do 9º ano. Vale ressaltar que es-
tes são os anos correspondentes aos maiores picos de 
crescimento, como visto na antropometria ao longo 
da vida. A atitude postural mais frequente, encontrada 
no presente estudo, durante a escrita ou leitura na sala 
de aula, é identiicada pelas seguintes características:
• Postura com achatamento lombar: caracte-
rizada por uma diminuição no ângulo lom-
bosagrado, diminuição na lordose lombar ou 
inclinac ̧ão posterior da pelve.
Figura 2 - Mesa utilizada nas salas de aula
Fonte: Barbosa (2009).
Na sala do 12º ano eram usadas cadeira com su-
perfície de escrita: cada uma destas cadeiras possui 
estrutura metálica e acabamento em tubo de ac ̧o, 
assento e encosto como as restantes cadeiras. Esta 
palmatória pode ser elevada de modo a facilitar o 
acesso ao assento e pode estar à direita ou à esquer-
da, conforme a necessidade do aluno, neste caso, 
sendo destro ou canhoto. Um dos inconvenientes 
deste tipo de mobiliário é o pouco espac ̧o que pos-
sui, uma vez que não permite a utilizac ̧ão de um 
livro e de um caderno no mesmo espac ̧o, ao mesmo 
tempo. Esta cadeira possui apenas uma dimensão: 
0.40x0.40x0.45 metros.
Figura 3 - cadeira com superfície de escrita
Fonte: Barbosa (2009).
 91
 DESIGN 
• Dorso curvo ou cifose aumentada: caracteri-
zada por uma curvatura torácica aumentada, 
protrac ̧ão escapular (ombros curvos) e, geral-
mente, associando uma prostrac ̧ão da cabeça.• Postura de prostrac ̧ão da cabeça: caracteriza-
da por aumento da lexão da região cervical 
baixa e torácica alta, aumento na extensão do 
occipital sobre a primeira vértebra cervical e 
aumento na extensão das vértebras cervicais 
superiores. Pode também haver disfunc ̧ão na 
articulac ̧ão temporomandibular com retru-
são da mandíbula.
As imagens a seguir mostram as inadequações na 
postura dos alunos, provocadas pelo uso de pro-
dutos inadequados, neste caso, as mesas e cadeiras 
escolares. Estas imagens foram feitas pela pesquisa-
dora ao longo de seu trabalho. 
Figura 6 - Detalhamento da inadequação do corpo durante o uso do 
produto inadequado
Fonte: Barbosa (2009).
Figura 5 - Detalhamento da inadequação do cor-
po durante o uso do produto inadequado
Fonte: Barbosa (2009).
A B
Figura 4 - Postura dos alunos em sala de aula 
Fonte: Barbosa (2009).
92 
 
92 
Baseado nas inadequações encontradas, foram lista-
das quais as posturas ideais em sala de aula, que são:
• A cadeira deve estar o mais pró xima possí vel 
da mesa de modo a impedir a l exã o exagerada 
do tronco;
• O material no qual se está a escrever nã o deve 
estar demasiado pró ximo do tronco, de forma 
a nã o exigir uma postura de l exã o do pesco-
ço para ser possí vel visualizar a tarefa que se 
está a desenvolver. No entanto este material 
deve-se manter na zona ó tima de acesso aos 
membros superiores;
• Os pé s deverã o estar bem apoiados no chã o, 
nã o permitindo que seja efetuada mais carga 
numa das tuberosidades isquiá ticas evitando, 
assim, uma postura em desequilíbrio; 
• O aluno deve tentar nã o efetuar inclinações 
ou rotações, quer do pescoç o quer do tronco, 
mantendo todo o material disposto de forma 
que a postura correta seja mantida;
• Durante os movimentos de escrita, també m 
deve ser controlado o movimento de elevaç ã o 
do ombro, de forma a nã o sobrecarregar os 
mú sculos do ombro e cervical;
• A abduç ã o do ombro, sendo impossí vel de 
abolir deve ser mantida num grau razoá vel, o 
mais perto possí vel de 0º.
Muitos são os estudos relacionando as cadeiras e 
carteiras, porém a pesquisadora defende que todos 
os seus autores concordam com a adição de incli-
nação, então, dei niu como cadeira e carteira ideal o 
seguinte modelo:
Figura 7- modelo de carteira sugerido pela autora
Fonte: Barbosa (2009).
 93
 DESIGN
 93
Outro aspecto que se deve levar em consideraç ã o 
é a introduç ã o de um sistema regulá vel em altura 
das mesas e/ou cadeiras, pois não há estudos antro-
pomé tricos i dedignos para a populaç ã o portugue-
sa, desta forma, com as regulagens seria possí vel a 
adaptaç ã o a cada caso. A autora detectou, também, 
que não só os mobiliários deveriam ser remodela-
dos, mas também a dinâmica do ensino em sala de 
aula, adicionando momentos que permitam que os 
alunos alternem a posiç ã o de sentado com a de pé , 
permitindo, em um momento determinado, o alí -
vio das estruturas corporais.
A sala de aula é um ambiente de trabalho como 
outro qualquer, onde as pessoas realizam tarefas 
especí i cas, preferencialmente, em ambiente ergo-
nômico, ou seja, adaptado ao sistema homem-má -
quina (aluno-mobiliá rio). É importante que neste 
ambiente escolar nã o sejam esquecidos os requi-
sitos de saú de e seguranc ̧a na concepc ̧ã o do mo-
biliá rio escolar. A pesquisadora conclui que, com 
o mobiliá rio escolar i xo, tanto no ensino privado 
como no pú blico, torna-se impossí vel existir ade-
quac ̧ã o à s alterac ̧õ es nas dimensõ es corporais exi-
gidas nas diferentes faixas etá rias estudadas.
A sala de aula necessita de alteraçõ es globais, tais 
como a mudança na altura e largura de mesa e cadeira 
e acolchoamento das cadeiras, tendo em considera-
çã o o posicionamento do aluno face ao professor e ao 
quadro da sala de aula. Essas mudanças sã o impossí -
veis, tomando em conta o nú mero de alunos de cada 
turma e a organizaçã o estrutural da sala de aula. Para 
a resoluçã o deste problema, o ideal seria a opçã o pelo 
material regulá vel para as vá rias faixas etá rias, respei-
tando os picos de crescimento de ambos os sexos, o 
que implica uma consciencializaçã o e investimento 
por parte do Governo Português (BARBOSA, 2009).
As alteraçõ es posturais que podem prejudicar 
crianças e adolescentes te ̂m iní cio na fase escolar 
e têm uma evoluçã o silenciosa, o que constitui um 
fator de risco para as disfunçõ es da coluna verte-
bral irreversí veis na fase adulta (BARBOSA, 2009). 
Além dos problemas posturais, o uso de produtos 
inadequados ao longo da fase de aprendizagem pode 
inl uenciar no rendimento do aluno, pois a fadiga 
incomoda e pode provocar sintomas, como irritabi-
lidade, queda na concentração entre outros fatores 
negativos que podem surgir por habitarem espaços 
e/ou produto inadequados.
94 
considerações inais
Nesta unidade, pudemos compreender as qualidades técnicas ergonômicas que 
permeiam um produto. Detalhamos a qualidade técnica, qualidade ergonômica e 
qualidade estética, com o objetivo de compreender sua utilização do desenvolvi-
mento ou correção de um produto. 
Os princípios do design universal foram detalhados, e como isso pode contribuir 
no desenvolvimento de um produto de qualidade, facilitando sua adequação ao 
usuário e resultando em um produto que atenda aos objetivos defendidos pela 
ergonomia com relação ao homem-objeto. A partir do detalhamento do design 
universal, pode-se compreender melhor como aplicar o máximo de princípios 
possíveis e tornar seu produto mais adequado à maioria e, desta forma, incluir 
algumas minorias.
Apresentamos, também, o detalhamento para desenvolvimento de um produto 
ergonômico, ou seja, de que forma o ergonomista está presente em todas as eta-
pas do processo e o quanto sua participação é importante. Além disso, pudemos 
perceber o quanto é importante aplicar ergonomia no desenvolvimento de um 
produto para obtenção de melhores resultados.
Para clarear ainda mais o que foi explicado em nosso terceiro capítulo, foi apre-
sentado o estudo de caso de uma pesquisadora portuguesa, que desenvolveu a 
correção dos mobiliários das salas de aulas de crianças e adolescentes. A partir dos 
relatos apresentados em seu trabalho e descritos como estudo de caso em nosso 
último tópico, pudemos perceber o quanto é importante a função da ergonomia 
no desenvolvimento de um produto e o quanto um produto inadequado pode 
afetar o desenvolvimento músculo esquelético de uma criança, podendo surgir 
problemas que persistirão até na vida adulta.
Por meio das intervenções feitas pela pesquisadora, pudemos visualizar a correção 
de um produto baseado em conceitos ergonômicos e poderemos aplicar em outros 
tipos de produtos, desde que busquemos detectar o problema, analisar possíveis 
soluções e aplicar no produto, pensando sempre em conforto, qualidade, bem-es-
tar, segurança, saúde e satisfação no uso, pois estas serão sempre as palavras de 
ordem da ergonomia. 
 95
atividades de estudo
1. O conceito de design universal foi criado pelo Centro de Design Universal 
(Universidade da Carolina do Norte - EUA). Qual é o objetivo desta aplica-
ção do desenvolvimento de algum produto?
a. Propor um produto que seja adequado a todos os tipos de pessoas, sem 
exceção, desta forma, torna-se um produto mais bem aceito.
b. Quando se aplica o conceito de design universal, o produto torna-se, es-
teticamente, agradável a todas as pessoas, favorecendo sua aceitação no 
mercado.
c. A aplicação deste conceito dá ao produto ou ambiente características que 
facilitam o uso pela maioria das pessoas, ou seja, os produtos projetados 
para a maioria também consideramo uso pela minoria, não havendo di-
ferença.
d. Ajuda a adequar o produto a mais pessoas, porém se torna mais oneroso, 
sendo mais viável criar produtos especíicos às minorias.
e. O design universal não favorece o produto, pois, na tentativa de adequar a 
todos, utiliza a média populacional e se acaba tornando inadequado para 
um maior número de pessoas.
2. O projeto universal adota certos princípios que podem ser aplicados tanto 
na avaliação dos produtos existentes como na criação de novos. Pensando 
nisso, quais são os princípios do design universal?
a. Uso equitativo, lexibilidade no uso, uso simples e intuitivo, informação 
perceptível, tolerância ao erro, redução de gastos energéticos e espaço 
apropriado.
b. Flexibilidade no uso, valor estético, valor simbólico, função prática e redu-
ção de custos.
c. Redução de custos, diminuição do impacto ambiental, multifuncionalidade 
e segurança.
d. Adequar-se a todas as pessoas, sem exceção, e conter lexibilidade no uso.
e. Redução de gastos de energia, minimização de fadiga, diminuição de im-
pacto ambiental e redução de custo ao consumidor inal.
96 
atividades de estudo
3. Em 1998, foi lançada a norma ISO de Usabilidade (ISO 9241-11) e, com base 
nesta norma, em 2002, foi criada a NBR 9241-11. Nessas normas, a usabi-
lidade é deinida por: “Usabilidade é a efetividade, eiciência e satisfação 
com as quais usuários especíicos podem obter resultados especíicos em 
ambientes especíicos” (ABNT, 2002, p. 5). 
Fonte: ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 9241-11: Requisitos ergonômicos para trabalho de escritório 
com computadores. Parte 11. Orientações sobre usabilidade. Rio de Janeiro: ABNT, 2002.
Com base nesta deinição, é correto airmar que: 
I. Efetividade é a medida em que um objeto ou tarefa é realizada, ou seja, em 
que o produto ou o sistema realiza a ação esperada, de fato.
II. Eiciência é a quantidade de esforço necessária para cumprimento de um 
objetivo.
III. Satisfação pode ser deinida como o nível de conforto que os usuários 
sentem com o uso do produto.
 Assinale a alternativa correta:
a. Apenas I.
b. Apenas II.
c. Apenas III.
d. Nenhuma airmativa está correta.
e. Todas as airmativas estão corretas.
4. Existem princípios que compõem a boa usabilidade, mas nem todos são 
aplicáveis em todos os contextos. Os mais importantes são:
a. Efetividade, eiciência e satisfação.
b. Evidência, consistência, capacidade, compatibilidade, prevenção e corre-
ção de erros e realimentação. 
c. Evidência, capacidade, prevenção e correção de erros.
d. Efetividade, eiciência, satisfação, evidência, consistência, capacidade, com-
patibilidade, prevenção e correção de erros e realimentação. 
e. Prevenção e correção de erros.
 97
atividades de estudo
5. A ergonomia sempre é aplicada com a preocupação do bem-estar e con-
forto do usuário, visando à saúde, à segurança, à eiciência no uso e à sua 
satisfação. As formas mais aplicadas no desenvolvimento de um produto 
são: ergonomia de concepção e ergonomia de correção. O que difere es-
sas duas formas de aplicação? Assinale a alternativa correta:
a. A ergonomia de concepção é responsável pela ideia, enquanto a ergono-
mia de correção corrige as ideias que não são ergonômicas.
b. A ergonomia de concepção é responsável pela ideia, enquanto a de corre-
ção corrige o protótipo na fase inal.
c. A ergonomia de concepção está presente no desenvolvimento de mobiliá-
rios, enquanto a ergonomia de correção está presente no desenvolvimen-
to de produto.
d. A ergonomia de concepção é utilizada na fase de concepção, ou seja, na 
fase de projeto para desenvolvimento do produto, enquanto a ergonomia 
de correção é aplicada na correção de produtos mal projetados, quando, 
depois de serem fabricados, identiicam-se as irregularidades. 
98
LEITURA
COMPLEMENTAR
 3 Produtos ergonômicos que você deveria estar utilizando
Você já precisou pedir licença para a empresa por algum motivo de saúde? Ou talvez 
você esteja até neste momento afastado. E por acaso você tem ideia sobre o que mais 
causa afastamento nas empresas?
São diversas doenças que têm retirado os colaboradores do seu posto de trabalho, mas 
uma em especial se destacou no relatório que a Previdência Social disponibilizou.
A Previdência Social apresentou o número de trabalhadores que precisaram se ausentar 
em 2016. E adivinha qual é a doença que mais afasta funcionários? Se você pensou em 
alguma outra que não seja DOR NAS COSTAS, sinto lhe dizer, mas você errou. Problemas 
na lombar retiraram aproximadamente 24 mil trabalhadores do seu posto de trabalho no 
primeiro trimestre de 2016, ou seja, por dia foram em média 269 trabalhadores afastados.
E qual a solução?
Disciplina e ter consciência da importância do uso dos produtos ergonômicos que são 
disponibilizados para o conforto e qualidade de vida, que a ergonomia lhe proporcio-
nará durante as 8 horas de trabalho que você precisa i car sentado em frente a um 
computador ou em pé.
O QUE VOCÊ PRECISA SABER SOBRE ERGONOMIA
Entre os fatores mais comuns que estão relacionados a ausência no posto de trabalho, 
provocando dores na cervical e lombar, estão a postura incorreta ou má postura e a 
falta de condições ergonômicas. Além disso, também temos a obesidade, sedentarismo 
e até o tabagismo.
Um ambiente sem ajustes ergonômicos necessários pode resultar em dores, fadiga e 
tensão muscular. Ficar sentado muito tempo na mesma posição ou i car em pé com a 
postura errada aumenta a sobrecarga na coluna, causando a compressão dos nervos.
O QUE FAZER PARA CORRIGIR A POSTURA?
Praticar atividade física regularmente ajuda a fortalecer os músculos e isso é importan-
te para auxiliar na correção da postura durante o expediente. E claro, o uso de produtos 
ergonômicos, tais como:
- SUPORTE MONITOR OU SUPORTE PARA NOTEBOOK
Substituir as revistas e livros por um suporte para monitor ou notebook, conforme es-
tipulado pela NR 17, traz uma série de benefícios, como:
99
LEITURA
COMPLEMENTAR
• Correção da linha de visão do usuário à tela do monitor – distância adequada é 
de 50 a 70 cm.
• Alívio do esforço exercido sobre a região cervical.
• Evita fadiga na lombar, nuca e pescoço.
• Previne doenças ocupacionais (LER/DORT).
- APOIO PARA OS PÉS
Troque a caixa improvisada pelo Apoio para os Pés. Esta substituição irá corrigir a pos-
tura ao sentar. As plantas dos pés devem estar 100% apoiadas no chão ou no suporte, 
ou seja, as articulações dos joelhos precisam estar em um ângulo de 90º. As costas e 
a região lombar precisam estar apoiadas no encosto da cadeira, mantendo a postura 
ereta, enquanto os pés estão apoiados. 
O Apoio tem os seguintes benefícios:
• Evitar fadigas musculares, formigamentos e lesões a longo prazo.
• Garantir a boa circulação sanguínea nas pernas, evitando o aparecimento de va-
rizes.
• Evitar dores nas costas.
• Corrigir a postura.
- APOIO PARA ANTEBRAÇO
O Apoio para Antebraço corrige a postura e evita fadigas musculares, além disso, tam-
bém proporciona benefícios como:
• Aliviar a tensão do pescoço.
• Melhorar a irrigação sanguínea.
• Prevenir doenças ocupacionais (LER/DORT).
• Possibilitar a posicionamento correto do antebraço em mesas com espaço lim-
itado – para que o posicionamento do seu braço esteja correto, toda a base do 
antebraço deve estar apoiada sobre uma superfície reta e plana. Caso o seu an-
tebraço esteja angulado e mal posicionado, seu punho i cará tensionado, bem 
como a região muscular da nuca, ombros e pescoço (podendo resultar em uma 
lesão) e sua circulação sanguínea nesta região será prejudicada.
Fonte: Reliza ([2018], on-line)2.
100 
material complementar
Ergonomia do Objeto
João Gomes Filho
Editora: Escrituras
Sinopse: o autor reúnenoções de leitura ergonômica de objetos e projeto nas 
áreas do Design de Produto, Grái co, Moda, Ambiente, Arquitetura e respectivas 
interfaces recíprocas. De modo prático e didático, Ergonomia do objeto dei ne e 
exemplii ca este sistema técnico de leitura, que tem como objetivo adequar os 
objetos aos seres vivos, no que se refere à segurança, ao conforto e à ei cácia 
no uso. São apresentados estudos sobre numerosos e diversii cados produtos, 
fundamentados num sistema técnico de leitura inserido no que o autor conven-
cionou denominar de “cultura ergonômica”.
Indicação para Ler
Ergonomia e Usabilidade: conhecimentos, métodos e aplicações.
Walter Cybis, Adriana Holtz Betiol e Richard Faust
Editora: Novatec
Sinopse: o livro Ergonomia e Usabilidade – Conhecimentos, Métodos e Aplica-
ções aborda a aplicação da ergonomia no desenvolvimento de interfaces huma-
no-computador que possam proporcionar usabilidade e marcar positivamente a 
experiência de seus usuários. Ele apresenta formas de adequar sites, aplicações e 
dispositivos interativos aos peri s e às estratégias de seus usuários e de satisfazer 
as suas expectativas em um contexto tecnológico em constante evolução.
Indicação para Ler
 101
material complementar
Segurança do Produto: uma Investigação na usabilidade de produtos de consumo
Este artigo apresenta o uso da ergonomia para correção de alguns produtos muito utilizados dentro de 
casa, porém, que contém algumas inadequações tornando-os produtos inseguros.
Acesse: <https://www.eed.emnuvens.com.br/design/article/viewFile/17/14>.
Indicação para Acessar
Janela da Alma
Ano: 2001
Sinopse: no documentário, 19 pessoas dão seus relatos de como lidam com a dei -
ciência visual. As histórias acabam abordando o olhar de uma forma mais sensível e 
menos ligada diretamente com o espectro exterior, sugerindo que a sociedade em 
geral, mesmo com a possibilidade de ver, deixou de enxergar o que é visível aos olhos.
Indicação para Assistir
Intocáveis
Ano: 2012
Sinopse: o i lme conta a história de Philippe, um homem rico que, após sofrer um 
grave acidente, i ca tetraplégico. Precisando contratar um assistente, sua história 
cruza com a de Driss, jovem de baixa renda e sem nenhuma experiência na fun-
ção de cuidador. O percurso trilhado pelos dois é de aprendizagem mútua. Driss 
contribui para a retomada da identidade e da autoestima de Philippe a partir de 
um trabalho que mostra o cuidado com as dei ciências, mas também uma atenção 
ímpar com as potencialidades envolvidas.
Comentário: mesmo os i lmes indicados não tendo um foco direto no design de 
inclusão e na usabilidade, pode-se extrair estes aspectos por meio dos detalhes do 
i lme. O designer, além de prestigiar a história, deve também apreciar os detalhes 
e aprender com eles, tanto no primeiro i lme que aborda a dei ciência visual como 
no segundo que aborda a dei ciência física.
Indicação para Assistir
102 
referências
ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 9241-11: 
Requisitos ergonômicos para trabalho de escritório com computadores. 
Parte 11. Orientações sobre usabilidade. Rio de Janeiro: ABNT, 2002.
BARBOSA, A. F. Avaliação da Inluência do Mobiliário Escolar na Postu-
ra Corporal em Alunos Adolescentes. 2009. 208 f. Dissertação (Mestrado 
em Engenharia de Produção e Sistemas) - Escola de Engenharia, Univer-
sidade do Minho, Portugal, 2009. Disponível em: <http://repositorium.
sdum.uminho.pt/handle/1822/10775>. Acesso em: 23/10/2018.
IIDA, I. Ergonomia: projeto e produção. 2. ed. São Paulo: Blucher, 2005.
JARDIM, S. R. Avaliação do conforto do ônibus urbano: estudo de caso 
no Distrito Federal. 2002. 86 f. Dissertação (Mestrado em Transportes) - 
Faculdade em Tecnologia, Universidade de Brasília, Brasília, 2002. 
JORDAN, P. An Introduction to Usability. London: Taylor & Francis, 
1998.
MARTINS, S. B. Ergonomia e moda: repensando a Segunda Pele. In. PI-
RES, D. B. (Org.). Design de Moda: olhares diversos. Barueri: Estação das 
Letras e Cores Editora, 2008. 
NAPIER, J. A mão do homem. Rio de Janeiro: Zahar, 1983.
NULL, R. I. Universal design directives for the workplace. In: CONGRES-
SO DA INTERNATIONAL ERGONOMICS ASSOCIATION, 12., 1993 
Toronto. Anais... Toronto. v. 3, p. 211-212.
RAZZA, B. M. Ergonomia. Maringá: UniCesumar, 2016.
STANTON, N. Human factors in consumer products. London: Taylor & Francis, 
1998.
Referência on-line
1Em: <http://www.inmetro.gov.br/qualidade/responsabilidade_social/o-
-que-iso.asp>. Acesso em: 21 mar. 2019.
2Em: <https://www.reliza.com.br/3-produtos-ergonomicos-que-voce-deve-
ria-estar-utilizando/>. Acesso em: 21 mar. 2019.
 103
gabarito
1. C
2. A
3. E
4. B
5. D
Professor Me. Veridianna Cristina Teodoro Ferreira
Plano de Estudo
A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade:
• Iluminação e Cores
• Ruídos e Vibrações
• Ergonometria
• Ergonomia e Mobiliário
• Estudo de Caso
Objetivos de Aprendizagem
• Detalhar a utilização ergonômica de iluminação e cores para composição 
de um ambiente mais agradável.
• Detalhar os malefícios de ruídos e vibrações em ambientes e propor 
melhorias.
• Explicar o conceito e aplicação da ergonometria em ambientes internos.
• Detalhar a utilização da ergonomia e antropometria no projeto e na 
composição do mobiliário.
• Apresentar um ambiente com ergonomia e antropometria aplicada.
ERGONOMIA APLICADA 
NO AMBIENTE
 unidade 
IV
INTRODUÇÃO
Olá, caro(a) aluno(a), neste capítulo, discutiremos sobre detalhes importan-tes que devemos levar em consideração na construção de um ambiente, seja ele residencial seja comercial, porém, sempre pensando na implanta-ção da ergonomia para otimizar o espaço como um todo.
Devemos sempre pensar que uma ferramenta ou um ambiente devem ser adequa-
dos ao uso humano, para que o homem não modiique suas formas corporais ou suas 
medidas de conforto para se encaixar em um ambiente ou produto desconfortável, pois 
isso pode custar sua saúde e seu bem-estar.
Assim, será detalhada a utilização ergonômica de iluminação e de cores que com-
põem um ambiente, quais os tipos de iluminação, quantidade de Lux, importância de 
sua aplicação correta bem como o uso de cores na iluminação e no ambiente a im de 
otimizar sensações psíquicas.
Serão detalhados também todos os malefícios do ruído e das vibrações no corpo 
humano, além de relatar algumas maneiras de minimizar este desconforto, trazendo ao 
indivíduo mais qualidade de vida e diminuindo seus riscos à saúde.
Veremos, também, a ergonometria, que se dá pela relação do homem com o es-
paço, analisando características físicas, psicológicas e isiológicas. Estes conceitos se-
rão explicados, bem como suas formas de aplicações para melhor compreensão dos 
espaços, pois o espaço que uma pessoa ocupa, às vezes, será considerado sentado, às 
vezes, considerado em pé, andando, entre outras posições. Por isso, para cada tipo 
de espaço e para cada tipo de mobiliário deve ser pensado, cuidadosamente, suas 
formas de uso e suas necessidades de mobiliário para melhor adequação do usuário 
ao espaço projetado.
Para facilitar a compreensão dos itens apresentados, será apresentado um estudo de 
caso para que você compreenda melhor as formas de aplicação da ergonomia no design 
de interiores, além de poder visualizar a sua importância e quanto ela pode otimizar 
um ambiente e melhorar a qualidade de vida do usuário, priorizar seu bem-estar, 
sua saúde e, consequentemente, melhorar a produtividade do indivíduo.
108 
 
Iluminação 
e Cores
Caro (a) aluno (a), estamos começando nossa quarta 
unidade de Ergonomia e, aqui, abordaremos a ilu-
minação, os efeitos i siológicos da iluminação, as ca-
racterísticas das cores e suas aplicações.
A lâmpada incandescente foi inventada em1878, por h omas Edison (1847-1931). Esta inven-
ção foi uma das que mais contribuiu para o aumento 
da produtividade humana, pois aumentou 4 horas 
diárias de vida ativa para a população mundial. Isso 
porque, antes, utilizavam-se a iluminação natural e 
as lamparinas (IIDA, 2005). O correto planejamento 
da iluminação e das cores contribui com o aumento 
da satisfação no trabalho e a melhoria da produtivi-
dade, além de reduzir a fadiga e os acidentes.
Várias disciplinas no design abordam a ilumi-
nação, porém o olhar da ergonomia vai de acordo 
com seus princípios, que são: conforto, segurança, 
bem-estar, otimização do espaço, entre outros, no 
entanto, neste caso, obtidos por meio da iluminação. 
O nível de iluminamento interfere, diretamente, no 
mecanismo i siológico da visão e na musculatura 
que comanda os movimentos dos olhos. Alguns fa-
tores inl uenciam na capacidade de discriminação 
visual, como faixa etária, diferenças individuais, 
quantidade de luz, tempo de exposição e contraste 
entre i gura fundo (IIDA, 2005).
A iluminação também inl uencia nos aspectos 
psicológicos, pois o aumento do iluminamento au-
 109
 DESIGN 
menta a satisfação das pessoas até o nível de 400 lux. 
Passando esta quantidade, além de aumentar a sa-
tisfação, pode provocar ofuscamento e fadiga visual. 
Além disso, luz uniforme provoca monotonia, en-
quanto as suas variações são estimulantes. 
A luz solar traz diversos benefícios à saúde, porém 
apresenta variações tanto na intensidade como em 
sua composição espectral, provocando contínuas al-
terações da paisagem durante o dia e com diferentes 
níveis de iluminamentos.
A luz solar proporciona alívio visual e contribui 
com o equilíbrio psicológico, por isso muitas pesso-
as preferem trabalhar perto de janelas, para manter 
este contato com o mundo exterior. Outras pessoas 
acreditam que a luz solar seja mais saudável que a 
luz artiicial, porém as janelas são fontes de calor, e 
a incidência da luz solar direta pode provocar fortes 
ofuscamentos e relexos nas telas de monitores e ou-
tras superfícies reletoras. Para que isso não ocorra, é 
necessário realizar um projeto adequado das ediica-
ções e do layout interno das instalações (IIDA, 2005). 
Você já ouviu falar na Lâmpada Centenária?
Trata-se de uma lâmpada instalada em 1901, 
na Califórnia (EUA), para iluminar 24 horas a 
Unidade dos bombeiros da cidade de Liver-
more. Desde então, segue iluminando o local, 
somando mais de 1 milhão de horas de uso. 
De acordo com o site da BBC, a lâmpada pas-
sou apenas 22 minutos de sua longa história 
desligada - quando a Unidade dos bombeiros 
mudou de endereço. 
Para saber mais, leia a matéria na íntegra 
em: <https://www.bbc.com/portuguese/ge-
ral-44612144>.
SAIBA MAIS
110 
 
A iluminação do ambiente deve ser, cuidadosamen-
te, planejada desde as etapas iniciais do projeto, 
aproveitando, adequadamente, a luz natural e suple-
mentando com luz artiicial, sempre que necessário. 
O uso da luz natural minimiza gastos energéticos, 
porém a incidência direta da luz deve ser evitada, 
pois provoca perturbações visuais e, quando incide 
em paredes envidraçadas, tende a aquecer o ambien-
te, provocando uma espécie de efeito estufa.
No Brasil, existe uma norma relacionada à ilumi-
nação do ambiente, a ABNT NBR 5413, que se refe-
re à iluminância, ou seja, a quantidade de luz de um 
A má iluminação pode gerar diversos proble-
mas a uma empresa, desde perda de vendas 
à expulsão da clientela. Imagine o grande pro-
blema que um designer poderia causar a uma 
empresa, caso não levasse em consideração 
a importância da iluminação no ambiente.
(Miriam Gurgel).
REFLITA
ambiente, de acordo com a exigência visual de cada 
atividade a ser desenvolvida no espaço (IIDA, 2005).
A Tabela 1 apresenta algumas recomendações de 
iluminância para ambientes e atividades.
Em experimento realizado em laboratório, a 
mesma tarefa foi realizada com diferentes níveis de 
iluminamento, entre 10 a 2000 Lux. Conforme o 
iluminamento foi aumentando, o tempo para desen-
volver a tarefa foi diminuindo. Com 10 Lux, o tempo 
de tarefa foi de 90 segundos. Quando o iluminamen-
to chegou a 200 Lux o tempo de tarefa caiu para 35 
segundos, ou seja, 39% do inicial. Porém, mesmo o 
Tabela 1- Recomendação de iluminância para ambientes e atividades
Ambiente ou atividade Quantidade de lux mínima recomendada
Sala de espera 100
Garagem, residência e restaurante 150
Depósito e indústria pesada 200
Sala de aula 300
Lojas, laboratórios e escritórios 500
Sala de desenho (trabalho de precisão) 1000
Serviços de alta precisão (sala cirúrgica) 2000
Fonte: ABNT NBR (1992, on-line).
 111
 DESIGN
iluminamento chegando a 2000, não houve redução 
de tempo na execução, o que comprovou que o au-
mento de iluminamento acima de certo nível crítico 
é desnecessário, além de desperdiçar energia. É im-
portante salientar que, acima de 1000 Lux, favore-
ce-se o aparecimento de fadiga visual (IIDA, 2005).
Um bom sistema de iluminação, com o uso 
correto de cores e a criação dos contrastes, pode 
produzir um ambiente agradável, principalmen-
te comercial, onde as pessoas trabalham de forma 
confortável, com pouca fadiga, pouca monotonia e 
baixo risco de acidentes, além disso, produzem com 
maior ei ciência.
FADIGA VISUAL 
Quando a iluminação não é apropriada, pode causar 
fadiga visual no indivíduo, que se caracteriza pela 
irritação nos olhos, lacrimejamento, aumento da 
frequência de piscadas, a visão vai i cando borrada e 
se duplica, desta forma, estes fatores diminuem a ei -
ciência visual. Em um grau mais avançado, provoca 
dores de cabeça, náuseas, depressão e irritabilidade 
emocional. Como consequência, há quedas do ren-
dimento e da qualidade do trabalho.
Para prevenção da fadiga visual, deve haver um 
cuidadoso planejamento de iluminação, asseguran-
do a focalização do objeto a partir de uma postura 
confortável cuja luz deve ser planejada também para 
não criar sombras, ofuscamentos, rel exos indese-
jáveis. Além da iluminação adequada do objeto, a 
iluminação do fundo deve permitir um descanso vi-
sual durante as pausas e aliviar o mecanismo de aco-
modação, por isso, recomenda-se pausas frequentes, 
mesmo sendo de curta duração, podendo ser de 5 
minutos a cada 1 hora ou até mesmo de 1 minuto a 
cada 10 minutos de trabalho. O tempo da pausa e a 
frequência são dei nidos a partir da complexidade 
do trabalho e de seus riscos referentes à saúde, neste 
caso, em especíi co, a saúde visual (IIDA, 2005).
112 
 
Ofuscamento
Ofuscamento refere-se à redução da ei ciência vi-
sual que pode ser provocado por alguns objetos ou 
superfícies que contenham grande luminância, no 
campo visual, à qual os olhos não estão adaptados. 
Ele é produzido pelo sol, pelas janelas, pelas lâmpa-
das no campo visual ou, até mesmo, por rel exos no 
campo polido. Um caso comum de ofuscamento é 
produzido por faróis de carros na direção contrária, 
quando se dirige à noite (IIDA, 2005) .
Existe a técnica chamada Pomodoro, desen-
volvida, em 1988, pelo italiano Francesco Ci-
rillo. Trata-se de um método de gestão de 
tempo que pode ser aplicado para diversas 
tarefas, seja nos estudos seja no trabalho, 
a i m de otimizar o tempo de estudo e de 
tarefas. Geralmente, é voltada para pessoas 
procrastinadoras, ou seja, que têm tendência 
a adiar suas atividades.
Pomodoro signii ca tomate, em italiano. A 
fruta faz alusão ao tempo durante o qual você 
pode fazer determinada tarefa. Cada pomo-
doro é dividido em quatro pomodoros, que 
equivalem a 30 minutos, somando o total de 
2 horas por pomodoro.Primeiro, você realiza 
uma atividade durante 25 minutos e, quan-
do acabar o tempo, descansa por 5 minutos, 
assim, sucessivamente até que complete as 
duas horas. Ao i m, como recompensa, você 
pode descansar mais 30 minutos.
Esta técnica é interessante por propor inter-
valos em que seu cérebro terá tempo para se 
reorganizar e guardar as informações obtidas, 
resultando em um aumento de aprendiza-
gem, concentração e produtividade.
Fonte: Guia do Estudante (2017, on-line)1.
SAIBA MAIS
Quando não for possível eliminar ou recobrir a fonte 
luminosa, pode-se aumentar o nível de iluminação 
do ambiente para reduzir o contraste, ou seja, quanto 
mais escuro for o ambiente geral, maior será a vul-
nerabilidade dos olhos ao ofuscamento. Um exemplo 
dá-se nos túneis, que devem se manter mais claros 
durante o dia, pois os olhos estarão adaptados à clari-
dade ambiental maior antes de adentrarem ao túnel. 
O ofuscamento pode ocasionar desde desconfor-
to, provocado pela atividade do músculo que controla 
a abertura da íris, ou seja, a dilatação e a contração 
quando em variações de claro e escuro, até cegueiras 
temporárias, que podem durar alguns segundos. Elas 
ocorrem quando luzes muito intensas surgem, repen-
tinamente, no campo visual. O ofuscamento pode ser 
direto ou indireto, o direto ocorre no campo visual, e o 
indireto é causado por rel exão (IIDA, 2005).
Para a melhor adequação do homem ao ambiente, é 
preciso reduzir o ofuscamento, para isso, a medida mais 
ei caz é eliminar a fonte de brilho do campo visual e, 
quando isso não for possível, deve-se mudar a posição 
do trabalhador, de forma que este ofuscamento i que de 
lado ou de costas para ele, também pode ser reduzido 
com o uso correto de iluminação direta e indireta. 
 113
 DESIGN
APLICAÇÃO DAS CORES NO AMBIEN-
TE DE TRABALHO 
O correto planejamento de cores em ambientes de 
trabalho tem resultados que afetam o psicológico do 
trabalhador, produz economia de até 30% no consu-
mo de energia e aumenta a produtividade, chegan-
do em 80% ou 90%. Para isso, deve-se aplicar cores 
claras em grandes superfícies, com contrastes ade-
quados para identii car objetos, associado a um bom 
projeto de iluminação (IIDA, 2005).
Existem estudos diversos que comprovam a 
inl uência das cores no desempenho humano, um 
exemplo se deu em uma fábrica de produtos foto-
grái cos, onde o processo de fabricação exigia o uso 
de luzes especiais. Diversos problemas disciplinares 
que ocorriam nesta fábrica com frequência desapa-
receram depois que as luzes vermelhas das salas fo-
ram trocadas pelas verdes (IIDA, 2005).
As cores remetem ao indivíduo uma ini nidade 
de sensações, porém quando adequado a uma ilumi-
nação adequada, pode resultar na sensação espera-
da, no aumento da produtividade, no conforto visu-
al e psíquico, na percepção da higiene e, até mesmo, 
na diminuição do consumo de energia, entre outros 
inúmeros benefícios associados à iluminação, às co-
res e à ergonomia. Entretanto algumas cores também 
são utilizadas de maneira que chamem a atenção e 
facilite a compreensão do produto. Existem diversas 
normas que regulamentam o uso de cores, como a 
norma NBR 6503/1984 que i xa a terminologia das 
cores (IIDA, 2005).
Já a norma NBR 7195/1995 apresenta recomen-
dações para o uso das cores na segurança, com o in-
tuito de prevenir acidentes e advertir contra o risco 
do produto, para isto, segundo Iida (2005) , existem 
8 cores de uso padronizado que são: 
• Vermelho: usado em equipamentos de pro-
teção e combate ao incêndio, inclusive, saída 
de emergência. Também é usada para indicar 
proibição e parada obrigatória.
• Alaranjado: indica “perigo” em partes móveis 
e perigosas em máquinas e equipamentos, 
como polias, engrenagens e tampas de caixas 
protetoras. Também é usado em equipamen-
tos de salvamento aquático, como boias e co-
letes salva-vidas.
• Amarelo: a cor amarela indica “cuidado” em 
escadas vigas, pilastras, postes, partes salien-
tes em estruturas, bordas perigosas, equipa-
mento de transporte e de movimentação de 
materiais. Pode ser misturado com listras ou 
quadrados pretos, mas somente até 50%.
• Verde: indica “segurança” indicando caixas e 
equipamentos de primeiros socorros, macas, 
chuveiros de segurança e quadros para exposi-
ção dos cartazes de segurança. Pode ser usado 
em faixas para delimitar áreas de segurança e 
áreas de vivência (fumantes, descanso).
• Azul: indica uma ação obrigatória, como o uso de 
EPI (equipamento de proteção individual), tam-
bém indica equipamentos fora de serviço que não 
devem ser energizados ou movimentados.
114 
 
• Púrpura: usado para indicar perigo prove-
nientes das radiações eletromagnéticas pene-
trantes e partículas nucleares. 
• Branco: usado nas faixas ou setas para demar-
car corredores e locais onde circulam, exclusi-
vamente, pessoas. Também é usado nas áreas 
em torno dos equipamentos de emergência, 
primeiros socorros e coletores de resíduos.
• Preto: identiica os coletores de resíduos, ex-
ceto aqueles originários do serviço de saúde.
Figura 1 - Uso padronizado de cores
Fonte: Iida (2005).
Deve-se tomar cuidado para apli-
car estas cores, colocando de fun-
do cores contrastantes, ou seja, o 
fundo branco para cores escuras 
e o fundo preto para contrastar 
as cores claras. Além desta nor-
ma, existem outras que tratam de 
cores para sinalização bem espe-
cíicas, como a NBR 6493/1994, 
que indica as cores das tubulações 
para canalização de luidos, ma-
terial fragmentado e condutores 
elétricos (IIDA, 2005).
Antes de aplicar a iluminação 
e as cores nos ambientes, é pre-
ciso se certiicar das normas, dos 
signiicados psicológicos das co-
res, da utilização do espaço e da 
necessidade de iluminação, além 
dos objetivos do projeto em si.
 115
 DESIGN
Agora, entenderemos um pouco o que é o ruído e a 
vibração e o quanto podem ser prejudiciais à saúde 
do indivíduo. Uma das grandes fontes de tensão no 
ambiente de trabalho são as condições desfavorá-
veis, como ruídos e vibrações. Estes fatores causam 
desconforto, aumentam riscos de acidentes e podem 
provocar danos consideráveis à saúde.
RUÍDO
Tanto o som como o ruído são estímulos auditivos, o 
que os difere é que o ruído não transmite informações 
úteis. Porém este conceito é subjetivo, pois um som 
pode ser desejável para um e indesejável para outro, 
da mesma forma, o mesmo som pode ser desejável 
ou indesejável para a mesma pessoa, o que difere é a 
ocasião (RAZZA, 2016). Um exemplo é a música que 
diverte quem está na festa, e incomoda os vizinhos, 
desta forma, dei ne-se como um som para quem está 
na festa e como um ruído para os vizinhos. Mesmo os 
vizinhos gostando da música, o que difere é a ocasião.
Os ruídos podem ser contínuos ou intermiten-
tes. Os contínuos, como o próprio nome já diz, são 
aqueles que perduram com a mesma característica 
por um longo período, por exemplo, ventiladores, 
ar-condicionado, que permanecem constantes por 
um longo período. Enquanto os intermitentes têm a 
duração muito curta e com variação de intensidade, 
como um telefone tocando, um objeto caindo, algu-
mas conversas altas, entre outros.
Ruídos e 
Vibrações 
116 
 
Existem limites de ruídos que são considerados 
inofensivos à saúde, sendo considerados apenas in-
comodativos, enquanto outros são considerados 
tanto prejudiciais como incomodativos.
Os ruídos de até 50 dB são considerados bai-
xos e, normalmente, não atrapalham, porém 
entre 50 dB e 80 dB, já são considerados in-
cômodos e passam a atrapalhar a concen-
tração, a comunicação e causam irri-
tabilidade.A partir de 85 dB, pode 
levar à surdez, por isso, é preciso 
usar equipamentos de EPI. Aci-
ma de 120 db, o som pode 
se tornar doloroso 
(MÁSCULO; VI-
DAL, 2011). 
Figura 2 - Nível de ruído por atividade
Fonte: Prosek ([2018], on-line)2. 
Os ruídos podem causar diversos problemas à saú-
de do usuário. Os mais intensos tendem a prejudicar 
tarefas que exigem atenção, concentração, velocida-
de e precisão. Os resultados pioram após duas horas 
de exposição. O ruído produz aborrecimento, pois 
força o indivíduo a interromper a tarefa ou a deixar 
de fazer o que gostaria de fazer, como dormir, con-
versar normalmente, resultando, assim, em tensões 
e dores de cabeça (IIDA, 2005).
Trabalhar sob ruído constante pode levar ao sur-
gimento de estresse, irritabilidade, dores de cabeça, 
falta de concentração, redução da capacidade da me-
mória de curta duração, podendo, inclusive, atrapa-
lhar a execução de movimentos. Além disso, ruídos 
 117
 DESIGN
intensos atrapalham a conversação, sendo necessário 
falar mais alto e prestar mais atenção para compre-
ender e ser compreendido. Para o bem-estar do tra-
balhador e/ou morador, é necessário protegê-lo do 
ruído para evitar as consequências nocivas da sua ex-
posição contínua. Para que isso seja possível existem 
algumas possibilidades de minimização de ruído.
Uma das opções para minimizar o ruído em 
uma fábrica seria a troca de maquinários muito 
barulhentos para maquinários mais silenciosos, 
ou substituindo alguns materiais da composição 
da máquina por outros materiais menos ruidosos. 
Quando o equipamento não pode ser trocado, pode-
-se pensar em uma forma de isolar a fonte, ou seja, 
manter o motor do equipamento ou apenas o equi-
pamento ruidoso protegido dentro de uma cabine, 
desta forma, seu ruído não afetaria todas as pessoas 
envolvidas no ambiente.
Pode-se, também, remover o trabalhador do 
ambiente de ruído por meio de alterações no layout 
da fábrica, ou adotar controles administrativos que 
partem do conceito de ergonomia de conscientiza-
ção, pois alerta o trabalhador sobre os efeitos dano-
sos do ruído e os submete a treinamentos para que 
eles possam evitar exposições desnecessárias. E, em 
último caso, quando nenhuma das soluções anterio-
res ou, até mesmo, outras possibilidades funciona-
rem, aí sim, faz-se uso dos protetores auriculares. 
VIBRAÇÃO 
Vibração é qualquer movimento que o corpo ou 
parte dele executa em torno de um ponto i xo, po-
dendo ser regular ou irregular. O regular dá-se pela 
vibração repetitiva suave, enquanto o irregular não 
segue nenhum padrão, como, por exemplo, dirigir 
em uma estrada de terra. 
Nosso corpo sofre vibrações diárias nos meios de 
transportes, como ônibus e trens, mas nem todas as 
vibrações são prejudiciais. Algumas ferramentas ma-
nuais, como furadeiras, grampeadores, martelos elé-
tricos e pneumáticos, também produzem vibrações, 
porém estas são localizadas nos braços e mãos, o que 
produz isquemias e dores localizadas. Esta exposição, 
quando contínua, pode produzir lesões irreversíveis. 
Efeito das vibrações sobre o organismo
O efeito da vibração direta com o corpo pode ser 
extremamente grave e pode danii car, permanente-
mente, alguns órgãos. Pode ocasionar, também, efei-
tos i siológicos e psicológicos sobre o trabalhador, 
como perda de equilíbrio, falta de concentração e 
visão turva, diminuindo, assim, a acuidade visual. 
Nos trabalhadores l orestais, que usam moto-serra, 
ocorre uma degeneração gradativa do tecido vascu-
lar e nervoso, causando perda da capacidade mani-
pulativa e o tato das mãos, o que dii culta o controle 
118 
 
rências na fala, confusão visual, tudo isso por conta 
de sua vibração. Além disso, a exposição contínua do 
indivíduo pode resultar em lesões da coluna verte-
bral, desordem gastrointestinal e perda do controle 
muscular de algumas partes do corpo (IIDA, 2005). 
Algumas providências podem ser tomadas para 
que as consequências das vibrações sejam minimi-
zadas. Assim como na prevenção do ruído, deve-se 
eliminar ou isolar a fonte, proteger o usuário e/ou 
conceder pausas.
• Eliminar a fonte: é importante tentar redu-
zir a vibração junto à fonte, entender de onde 
surge e tentar eliminar, ou minimizar. Em 
alguns casos, as vibrações podem ser elimi-
nadas por meio do uso de lubrii cantes nas 
motor. Em casos extremos, a circulação do sangue 
dos dedos é afetada, deixando-os brancos e podendo 
ocasionar necrose (IIDA, 2005).
Estamos expostos às vibrações e correndo os 
riscos dos seus danos, porém nem todas as vibra-
ções são prejudiciais, é preciso ter conhecimento da 
intensidade da vibração e do tempo que se está ex-
posto a ela. Além disso, é preciso verii car se surgem 
alguns sintomas, caso ocorram, é preciso buscar so-
luções para controlar a vibração.
Uma vibração intensa, transmitida por ferramen-
tas manuais, espalha-se pelas mãos, braços e corpo 
do indivíduo, podendo causar dormência dos dedos 
e perda de coordenação motora. Diversas máquinas 
utilizadas nas indústrias provocam enjoos, interfe-
 119
 DESIGN
máquinas, manutenções periódicas, ou colo-
cação de calço de borracha e outros mecanis-
mos de amortecer vibrações.
• Isolar a fonte: quando não for possível elimi-
nar, deve-se tentar manter a fonte de vibra-
ção longe do indivíduo para evitar o contato 
direto do indivíduo. Este afastamento pode 
ser físico, colocando a fonte longe do indiví-
duo ou, então, pode-se utilizar um material 
isolante para enclausurar a fonte de vibração. 
Em ferramentas manuais, pode-se utilizar re-
vestimentos isolantes nas pegas, como borra-
cha ou espuma de plástico.
• Proteger o trabalhador: quando as opções 
anteriores não são sui cientes, deve-se prote-
ger os indivíduos com equipamentos, como 
botas e luvas que ajudam a absorver a vibra-
ção. Neste caso, deve-se tomar muito cuida-
do, pois os materiais de proteção, geralmente, 
são incômodos e não atendem a todas as fai-
xas de frequência de vibração, por isso, deve 
ser profundamente estudado.
• Conceder pausas: quando a vibração for con-
tínua, deve-se conceder pausas, por exemplo, 
10 minutos para cada hora de trabalho, as-
sim, evita-se a exposição contínua à vibração.
Sendo assim, como em todas as áreas que a ergono-
mia defende, deve-se ter um profundo conhecimen-
to de cada caso, pois cada vibração pode causar um 
sintoma diferente, dependendo da intensidade e do 
tempo de exposição. Por isso, é necessário conhecer 
a atividade, conhecer o limite dos trabalhadores e 
aplicar a melhor solução para dar segurança, prio-
rizar a saúde, bem-estar e o conforto do indivíduo.
120 
 
Caro(a) aluno(a), neste tópico, abordaremos a Ergo-
nometria, sua relação e importância no design de inte-
riores, que busca a melhoria do espaço a ser habitado.
Ergonometria trata da ciência que busca me-
lhorar a relação entre o homem e o meio ambiente, 
analisando características físicas, psicológicas e i-
siológicas de um povo, além das distâncias e dos es-
paços necessários para eles. Desta forma, trataremos 
como ergonometria as medidas mínimas para que a 
pessoa desenvolva suas atividades sem comprometi-
mento com o espaço ao redor, dando a ela conforto e 
facilidade de locomoção (GURGEL, 2007).
Em um projeto de design de interiores, devemos, 
inicialmente, entender todas as formas de utilização de 
cada ambiente a ser projetado, porém não levamos em 
consideração apenas medidas físicas, e sim medidas 
de conforto. Por exemplo, fazer a leitura de um livro 
representará muito mais que adicionar um lugar para 
sentar e um livro no ambiente: deve-se ponderaral-
guns detalhes, como a poltrona a ser utilizada deve ter 
boa adaptação à pessoa que lerá, deve-se considerar a 
área ao redor para que seja possível reclinar a poltro-
na, caso tenha esta função ou, então, para incluir uma 
mesa de apoio. A iluminação também deve ser bem 
estudada para que seja aplicada na quantidade de lux 
adequada, no local e na altura apropriados para bene-
iciar a saúde do leitor. Deve-se optar pelos materiais 
mais confortáveis para desenvolver esta atividade, para 
que não atrapalhe na concentração e que se torne uma 
atividade produtiva e prazerosa (GURGEL, 2007).
Ergonometria
 121
 DESIGN
Sendo assim, quando determinamos uma área 
para desenvolver um ambiente, devemos considerar 
seu redor, não apenas os espaços que as mobílias ocu-
pam, pois é necessário desenvolver as atividades no 
entorno delas. Essas medidas aplicadas ao redor va-
riam de acordo com o tipo de mobília que se utiliza 
no ambiente. São inúmeros os modelos de sofás, pol-
tronas, mesas de centro, mesas laterais e aparadores, 
cada um apresenta dimensões diferentes dos outros.
As medidas de espaços variam se nos referirmos 
a pessoas sem nenhuma dii culdade de locomoção 
ou a pessoas que utilizam aparelhos assistivos para 
se locomover. As medidas variam também se nos re-
ferirmos a espaços onde necessitam de movimentos 
de alcances para pegar algo ou, até mesmo, se o es-
paço é composto por mobiliários com gavetas.
A distância das mesas de centro aos assentos 
não pode ser menor que 50 cm, isso quando hou-
ver realmente problemas com espaço, pois a medida 
aconselhada é de 60 cm, não ultrapassando 70 cm 
para que as pessoas não tenham que se levantar para 
utilizar a mesa (GURGEL, 2007).
A distância de um aparador para a mesa deve 
ser de, no mínimo, 120 cm a 130 cm, caso tenha que 
ter acesso a ele durante o jantar, evitando, assim, o 
incômodo das pessoas durante a refeição. 
Para montar um espaço aplicando a ergonome-
tria, deve-se calcular a medida dos móveis além da 
medida do conforto, ou seja, calcula-se a medida da 
mesa de jantar, das cadeiras ocupadas e a circulação 
ao redor desta mesa. A falha ocorre quando se ten-
ta colocar uma mesa maior que o espaço comporta 
com sua medida de conforto. Por exemplo, colocar 
uma mesa no espaço, considerando o l uxo apenas 
com as cadeiras desocupadas, pode gerar desconfor-
to quando estas estiverem ocupadas e alguma pessoa 
tentar transitar ao redor da mesa, forçando que pes-
soas se locomovam ou se retirem para que o indiví-
duo passe pelo local.
Neste caso, talvez fosse melhor optar por uma 
mesa menor e garantir o conforto dos que estão sen-
tados e dos que, por algum motivo, necessitam sair 
da mesa durante a refeição.
Este cuidado de projetar um espaço pensando nas 
diversas formas de utilização deve ser considera-
do em todos os ambientes, tanto nos residenciais 
quanto nos comerciais. E, quando o ambiente for 
pequeno e tiver que acomodar algumas exigências, 
deve-se, então, usar a criatividade para atingir a ex-
pectativa do cliente. Desta forma, aplica-se princí-
pios ergonômicos como segurança, conforto, bem-
-estar e qualidade no uso do ambiente.
122 
 
A ergonomia precisa ser pensada e aplicada em todas 
as circunstâncias, inclusive na escolha do mobiliário. 
Deve-se levar em consideração suas medidas, suas 
funções, sua matéria-prima, suas diferentes possi-
bilidades de usos, suas possibilidades de adequação 
ao usuário, entre outros. Assim como tudo o que se 
aplica na ergonomia, deve priorizar o conforto, a se-
gurança, a saúde e a satisfação do usuário, além disso, 
a melhoria da eiciência que vem como consequência.
A escolha e a distribuição do mobiliário são eta-
pas-chave num bom resultado do projeto cuja sele-
ção deve ser coerente com a proposta preferida, des-
de o tipo de distribuição dos móveis até o modelo de 
cada peça (GURGEL, 2005). Para se avaliar um bom 
design de mobiliário, é necessário julgar, principal-
mente, suas características funcionais, tecnológicas, 
seu material, acabamento e sua durabilidade, além 
de suas características estéticas, entre outros tantos 
fatores envolvidos nesse processo.
Ergonomia 
e Mobiliário
Ao escolher o mobiliário para um projeto, leve 
em conta suas características ergonômicas, 
sua composição estrutural, seu impacto visual 
e psicológico e sua relação custo-benefício.
(Miriam Gurgel).
REFLITA
 123
 DESIGN
É importante considerar que um ambiente deve ser 
habitado da melhor maneira pelo usuário, por isso, 
ao projetar o mobiliário do ambiente, deve-se pen-
sar de que forma as pessoas irão utilizá-lo. Pessoas 
sentarão, levantarão, circularão pelo ambiente, al-
cançarão objetos, abrirão gavetas, abaixarão, entre 
outras movimentações comuns que fazemos ao lon-
go do dia. Porém estas pessoas devem desenvolver 
estes movimentos com facilidade, de forma confor-
tável e sem dii culdade de locomoção, desta forma, 
consequentemente, o farão mais dispostas. 
Os móveis, quando planejados, devem ser desenvolvi-
dos a partir de dados antropométricos da população, 
entretanto, quando o cliente tem alguma necessidade 
especíi ca, como um tipo de dei ciência ou até mesmo 
quando não se encaixa neste padrão antropométrico 
da população, então o designer deve projetar um mo-
biliário que atenda as suas especii cidades.
Deve-se ter conhecimento de todas as pessoas 
que habitarão o espaço e, a partir disso, projetar um 
mobiliário com ajustes para se adequar a diferentes 
corpos, ou de uso especíi co, caso seja usado apenas 
por uma pessoa e que necessite de alguns cuidados 
característicos. Pode-se, também, aplicar no projeto 
do mobiliário novas possibilidade de usos, por exem-
plo, um produto que possa ser utilizado de mais de 
uma forma como mesas que viram, prateleiras, ban-
cadas que viram mesas, sofás que viram camas etc. 
É também possível a criação de um produto 
que possa ser ampliado e reduzido, de acordo com 
a quantidade de pessoas que utilizará. Um exemplo 
dessa ampliação dá-se em alguns modelos de mesas 
de jantar que podem ser utilizadas por 6 pessoas e, 
quando necessário, pode ser ampliada para com-
portar mais pessoas, como 8, 10 ou até mais, depen-
dendo da proposta e necessidade. Isso faz com que 
se adeque a um número maior de usuários sem que 
ocupe grande espaço todo o tempo, tornando-se óti-
mas opções para espaços menores.
A partir do momento que o designer entende a 
necessidade dos usuários do ambiente, das possibi-
lidades de aplicações ergonômicas, do uso de dados 
antropométricos, das possibilidades de ajustes e da 
importância de preservar o conforto do usuário, en-
tão, é só usar a criatividade e desenvolver projetos de 
mobiliários de forma que atenda o usuário em seu es-
paço e resulte no bem-estar, satisfação e prazer no uso.
124 
 
Para melhor compreensão da ergonomia no design 
de interiores, será utilizado como estudo de caso 
um trabalho desenvolvido por Daniela Capri, da 
CESUSC (Complexo de Ensino Superior de Santa 
Catarina - Florianópolis), juntamente com Eliana 
Maria dos Santos Bahia e Adilson Luiz Pinto, ambos 
da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina).
A pesquisa que será apresentada buscou anali-
sar a ergonomia real de uma Biblioteca Universitá ria 
de Florianó polis/SC e confrontá -la com a ergono-
mia percebida pelo usuá rio para realizaçã o de um 
diagnó stico ergono ̂mico. Foram estabelecidos dois 
objetivos especí i cos: descrever os aspectos fí sico-
-ambientais da Biblioteca, vinculados à Ergonomia 
real e verii car a percepçã o dos usuá rios em rela-çã o à Biblioteca, com aspectos sobre a ergonomia e 
sua aplicac ̧ã o vinculados à Biblioteca Universitá ria. 
Analisaram-se, principalmente, as condic ̧õ es de ilu-
minac ̧ã o, ruí do e temperatura.
Os pesquisadores optaram pela biblioteca uni-
versitária pela preocupação com a satisfaçã o do 
usuá rio, no sentido dos serviços disponibilizados 
e do encontro da informac ̧ã o requerida. Aspectos 
ambientais da Biblioteca, que envolvem iluminaçã o, 
temperatura, ruí dos e sinalizaçã o, geralmente, são 
pouco questionados. Foram aplicadas as Normas 
regulamentadoras de Segurança e Saú de no Traba-
lho: NR17 - Ergonomia, publicada e adotada pelo 
Estudo 
de Caso 
 125
 DESIGN 
Ministério do Trabalho e Emprego e proposta uma 
correção ergonômica na biblioteca como um todo, 
nas salas de estudo, mobiliário, iluminac ̧ão, tempe-
ratura, ruídos, disposic ̧ão dos móveis, layout.
Após detalhada a metodologia, compreendeu-se 
todo o público que utilizava a biblioteca, desde En-
sino Fundamental, Médio, universitário e de pós- 
graduação. Depois disso, os pesquisadores izeram o 
layout da biblioteca, como consta na Figura 3.
Análise físico-ambiental Análise da percepção Diagnóstico ergonômico
Descrição da localização física, da 
coniguração ambiental e do layout da 
Biblioteca através de plantas arquite-
tônicas e observação do ambiente.
Análise dos questionários com 
usuários para identiicação de 
imagem de Biblioteca.
Evidenciar os aspectos que conduzem 
à análise físico-ambiental em relação à 
análise da percepção do usuário.
Medição dos aspectos ergonômicos 
(iluminação, ruído, temperatura, umi-
dade) da Biblioteca através de apare-
lhagem adequada.
Análise dos questionários 
aplicados para identiicação da 
percepção da ergonomia da 
Biblioteca analisada.
Veriicar se a medição dos aspec-
tos ergonômicos (iluminação, ruído, 
temperatura, umidade) condiz com os 
indicados nas Normas de Ergonomia.
Aplicação do questionário com os 
funcionários para coletar dados sobre 
conforto ambiental.
Quadro 1 - Diagnóstico ergonômico do ambiente
Fonte: Capri (2011).
Figura 3 - Layout da biblioteca
Fonte: Capri (2011).
126 
 
Assim como podemos ver na imagem do layout, no 
hall de entrada, localiza-se o guarda-volumes e uma 
mesa para que os usuários retirem seus materiais, 
enquanto à direita da porta de entrada localiza-se o 
balcão de empréstimo e uma divisória, junto à qual 
se localiza o setor de tratamento técnico. ̀ frente do 
balcão de empréstimos, icam as mesas de estudo e, 
à esquerda das mesas, localiza-se o acervo, dividi-
do em setor de refere ̂ncia, acervo geral, literatura e 
DVD’s. ̀ direita das mesas de estudo, está localiza-
do o setor de periódicos e mesa para jogo de xadrez. 
As duas salas de estudos coletivos estão localizadas 
em frente ao setor de periódicos e a de estudos indi-
viduais, ao fundo da Biblioteca.
No ambiente físico interno da Biblioteca, verii-
ca-se que as paredes e o teto são pintados de branco, 
o que dá sensação de claridade, e, também, para au-
xiliar na claridade, existem janelas que ajudam a ilu-
minação natural. Em relação ao ambiente de uma bi-
blioteca, Costa, Ziegler e Rollo (1999) abordam entre 
outros os pontos em que devem: adaptar cabines de 
estudo individual; criar áreas de silêncio com devido 
isolamento acústico; uso de carpete e/ou pisos sintéti-
cos para abafar o barulho dos passos; posicionamento 
das mesas/balcões de trabalho distantes das áreas de 
silêncio; colocar cartazes convidando ao silêncio.
A estrutura da Biblioteca analisada, entretanto, 
não comporta espac ̧os especíicos para a distribui-
ção das estantes de acervo, do hall de entrada, do 
balcão de atendimento e das mesas de estudo, e as 
únicas salas separadas são as de estudo coletivo, in-
dividuais e o setor de tratamento técnico, porém este 
último sem isolamento acústico.
Falando ainda de isolamento acústico, as janelas 
de toda a Biblioteca não são vedadas, o que aumenta 
o ruído em momentos de intervalo e almoço, ain-
da mais que a Biblioteca localiza-se sobre a prac ̧a de 
alimentac ̧ão e os corredores que são utilizados como 
áreas de lazer. Além disso, o piso de toda a Biblioteca 
é de cerâmica, o que não abafa o barulho dos pas-
sos e do arrastar das cadeiras dos usuários, fato que 
interfere na concentrac ̧ão. Segundo Silvestre (1992 
apud PEREIRA; SILVA; SALES; 2011), os ruídos 
chegam a provocar uma reduc ̧ão de até 60% da pro-
dutividade, por diicultar a concentrac ̧ão, propician-
do erros, desperdícios ou acidentes. Sendo assim, a 
solução está em utilizar as salas de estudos individu-
ais que possuem isolamento acústico.
Com relação aos funcionários, quando foram 
perguntados - “Quais aspectos do ambiente da Bi-
blioteca mais prejudicam o seu trabalho?”- as res-
postam obtidas foram: a) aspectos ergono ̂micos, em 
relação à altura dos móveis, que não são adaptados 
para pessoas com estatura baixa; b) cadeiras, altura 
das estantes e iluminac ̧ão durante o período notur-
no; c) desconforto nas cadeiras que icam abaixan-
do, sem controle prévio do usuário; d) equipamen-
tos de informática mal instalados, mal adaptados e 
obsoletos; e) balcão de empréstimo ser junto com o 
ambiente de estudo; f) sistema de busca e indexação 
desatualizado; falta de qualidade das ferramentas 
tecnológicas utilizadas por funcionários e usuários.
Analisando as respostas dadas pelos funcio-
nários, veriicam-se, novamente, várias caracte-
rísticas ergono ̂micas que não foram aplicadas na 
biblioteca, o que prejudica o bom rendimento do 
 127
 DESIGN 
trabalho e a qualidade de vida do trabalhador.
Na questão seguinte - “Voce ̂ mudaria alguma coi-
sa no ambiente da Biblioteca? Qual?”- as respostas 
vêm de encontro com os aspectos que prejudicam o 
trabalho. Foram elas: a) modiicaria a mobília do bal-
cão de atendimento e melhoraria a iluminac ̧ão deste 
local; b) modiicaria as cadeiras e a iluminac ̧ão; c) 
modiicaria os equipamentos de informática; d) mo-
diicaria o local do balcão de atendimento; e) modi-
icaria os terminais de consulta e o sistema de busca. 
Mediante tais aspectos a serem observados referentes 
à mobília da Biblioteca, principalmente as cadeiras e 
o balcão de atendimento, juntamente com a obsoles-
ce ̂ncia dos equipamentos tecnológicos e a iluminac ̧ão 
do local, características essas que apresentam certa 
insatisfac ̧ão por parte da amostra e que deveriam ser 
repensadas no ambiente de trabalho. Apenas uma 
pessoa pontuou que não modiicaria nada.
A última questão está relacionada com o que os 
funcionários acreditam referente a mudanças que 
poderiam implicar uma melhoria no desempenho 
proissional. As respostas foram: a) ajudaria a ter 
melhor postura corporal e a iluminac ̧ão no trabalho 
com computador e leitura; b) melhoraria a qualida-
de de vida no trabalho; c) não houve sugestões de 
mudanças; d) melhoraria o rendimento proissional; 
e) melhoraria a concentrac ̧ão na hora de trabalhar; 
f) agilizaria o processo de atendimento e garantiria a 
aproximac ̧ão do usuário com o sistema. Novamente, 
apenas uma pessoa não opinou sobre mudanças.
Ao analisar as sugestões de mudanças e as possíveis 
melhorias sugeridas pelos funcionários, pode-se per-
ceber que, além de um ambiente mais agradável para 
o trabalho, também os usuários seriam beneiciados, 
pois se estes aspectos ergonômicos estiverem bem es-
truturados e bem organizados, tanto o usuário quanto 
o funcionário poderão usufruir de melhores serviços.
Apenas para reforçar a compreensão com relação à 
ergonomia “[...] compreende a aplicação de tecnologia 
da interface homem-sistema a projetoou modiicações 
de sistemas para aumentar a segurança, conforto e ei-
ciência do sistema e da qualidade de vida” (MORAES; 
MONT’ALVÃO, 2000). Segundo a NR 17, o mobiliário 
do ambiente - iluminação, ruídos, ventilação e tem-
peratura são identiicados como fatores ergonômicos, 
por isso, também foram medidos, analisados e repen-
sados neste projeto de correção ergonômica.
A medic ̧ão da iluminac ̧ão foi realizada com um 
luxímetro, a cerca de 80 cm de altura do piso, quan-
do a medic ̧ão foi realizada onde não existiam mesas, 
e sobre as mesas de estudo, quando existiam, seguin-
do o estabelecido pela Norma NBR 5382. As medi-
ções foram feitas em 13 pontos da Biblioteca, sendo 
eles: P1, P2 e P3, localizados no hall de entrada; P4, 
P5 e P6, localizados na sala de estudos individuais; 
P7, na sala de estudos coletivos; P8, nas mesas do 
setor de periódicos. Nestes pontos, o aparelho de 
medic ̧ão foi posicionado sobre as mesas de estudo; 
P9, no sofá de leitura; P10, no setor de refere ̂ncia; 
P11e P12 nas estantes. Nestes pontos, o aparelho foi 
posicionado a 80 cm do piso, que foi mantido sobre 
a mão da pessoa que estava realizando a medic ̧ão. 
P13, no balcão de atendimento, onde o aparelho foi 
posicionado para realizar a medic ̧ão sobre a parte 
mais baixa do balcão. Os pontos onde foram realiza-
das as medic ̧ões são apresentados na igura a seguir:
128 
 
Os resultados obtidos com relação à medição de Lux 
do ambiente encontram-se na Tabela 2.
Figura 4: Pontos de medição da biblioteca 
Fonte: Capri (2011).
Tabela 2 - Pontos de medição de iluminação
Fonte: Capri (2011).
Pontos da Biblioteca Medição (lux - unidade de medida Recomendação NBR5413 - Norma de iluminação
Horário entre 19:15 e 19:30 (lux)
P1 274 500
P2 248 500
P3 136 500
P4 374 500
P5 180 500
P6 600 500
P7 260 500
P8 180 500
P9 290 500
P10 570 500
P11 334 300
P12 195 300
 129
 DESIGN 
Dentro de bibliotecas, a NBR10152 (níveis de ruídos 
para conforto acústico) recomenda que o nível de 
ruído esteja ente 35 e 45 dB, o que estaria apropriado 
para ambientes de estudo, os resultados obtidos na 
biblioteca avaliada constam na tabela 3.
Tabela 3 - Nível acústico da Biblioteca
Fonte: Capri (2011).
Observa-se, no quadro, que, em P1, onde estão loca-
lizadas as mesas de estudo e o balcão de empréstimo, 
o nível de ruído foi de 62 dB, sendo que o recomen-
dado pela Norma é de, no máximo, 45dB, mostrando, 
assim, que os alunos estão corretos quando apontam 
o ambiente como barulhento, pois, como já citado, a 
partir de 70 dB, o ruído atrapalha a concentração.
Na medic ̧ão realizada no P2, veriicou-se uma 
baixa de 10 dB, indicando o nível de ruído em 52dB. 
Neste ambiente, durante a medic ̧ão, houve variação 
de 52dB, enquanto todos estavam em sile ̂ncio; 74dB, 
quando um aluno saiu da sala, mexeu cadeiras e ba-
teu a porta, após o sile ̂ncio se restabelecer, o nível 
voltou a 52dB. Porém, ainda está acima dos valores 
estabelecidos pela Norma.
Os barulhos que mais incomodam os usuários são: 
conversas causadas pelos próprios usuários, som do 
salto dos sapatos, ruídos externos e barulho ao abrir 
e fechar a porta de entrada. Estes fatores estão direta-
mente ligados à primeira etapa do trabalho - a análise 
físico - ambiental, em que foi veriicado que o piso não 
favorecia o silêncio, a localização do balcão de emprés-
timo e as mesas de estudo no mesmo ambiente preju-
dicavam a questão do silêncio, e, também, por estar em 
Pontos da 
biblioteca Medição acústica Recomendação
P1 62 dB 35-45 dB
P2 52 a 74 dB 35-45 dB
cima da praça de alimentação e do local de integração 
dos alunos, o nível de ruídos é muito elevado.
Para veriicar se a percepção dos usuários em rela-
ção à temperatura da Biblioteca foram feitas medições 
dos ambientes, principalmente no P1 e P2. A medição 
foi realizada no inal do mês de outubro de 2011, apro-
ximadamente, um mês após a aplicação dos questio-
nários. Não há grande oscilação de temperatura, pois 
o ambiente é climatizado, com aparelhos de ar condi-
cionado nas salas de estudos coletivos e individual e, 
também, no salão geral. Vale ressaltar que os usuários 
possuem liberdade de solicitar aos funcionários que 
liguem e desliguem os aparelhos de ar condicionado, 
tanto nas salas de estudos, quanto no hall.
As temperaturas obtidas na medição tanto no P1 
quanto no P2 estão em torno de 24°C. A recomen-
dac ̧ão da NR17 é que o ambiente se mantenha entre 
20°C e 23°C para que o ambiente proporcione con-
forto para quem está utilizando a Biblioteca. Logo, 
24°C estaria dentro da faixa de temperatura consi-
derável e agradável para o conforto dos usuários, 
principalmente se for considerado o questionário, 
em que ninguém está insatisfeito com a temperatura.
Ao realizar o diagnóstico ergono ̂mico, os fatores 
analisados, como iluminac ̧ão e ruído estão parcial-
mente de acordo com as normas estabelecidas pelos 
agentes regulamentadores. Em relac ̧ão aos usuários, 
cinco pessoas num total quinze consideram a ilumi-
nação suiciente, e seis de quinze consideram que o 
ruído deveria ser melhor controlado.
Referente à divisão dos ambientes dentro da Bi-
blioteca, percebe-se que não existe separação entre 
o local do acervo, balcão de empréstimo e mesas de 
estudo. Esta ambientação deveria ser repensada uma 
vez que o único local, onde os usuários podem obter 
maior aproveitamento de seus estudos resume-se às 
salas de estudos individuais e salas de estudos cole-
130 
 
tivos. Quanto à ambientaçã o da Biblioteca dentro da 
Universidade, esta se encontra em um local centrali-
zado, o que facilita o acesso dos alunos. No entanto, a 
questã o do ruí do – que constou como muito impor-
tante nesta pesquisa, é importante em relaçã o a toda 
a comunidade de estudantes, usuá rios da Biblioteca, 
sendo que seis de quinze consideraram que o ruí do 
deveria ser melhor controlado, principalmente no 
que concerne a horá rios de intervalo, o que foi coni r-
mado ao ser realizada a mediçã o, quando foram obti-
das medidas bem acima das estabelecidas pela NR17. 
A maioria dos usuá rios e funcioná rios conside-
rou a temperatura adequada ao ambiente analisado, 
indo ao encontro do que foi verii cado na medic ̧ã o 
realizada no local. Sobre a iluminac ̧ã o, embora a 
maioria da amostra de usuá rios tenha se mostrado 
satisfeita, apenas tre ̂s lugares apresentaram medic ̧ã o 
superior ao indicado pela Norma.
Por meio do estudo de caso aqui apresentado, po-
de-se perceber como aplicar a ergonomia de correção 
e como utilizar corretamente todas as possibilidades 
de melhoria, ou seja, iluminação, ruído, temperatu-
ra, separação de ambiente, entre outros. E isso, com 
levantamento de questões junto aos usuários e fun-
cionários e conhecimentos de normas regulamenta-
doras. Desta forma, obteve-se todas as informações 
necessárias para diagnóstico e correção do ambiente 
e, como sempre, visando conforto, usabilidade, aces-
sibilidade, bem- estar e melhor produtividade do in-
divíduo, tanto o trabalhador como o pesquisador. 
Compreende-se que os estudos de Ergonomia po-
dem auxiliar tanto os funcioná rios quanto os usuá rios 
da Biblioteca, pois estes, estando satisfeitos com o 
ambiente, podem produzir e trabalhar de forma mais 
adequada à s suas necessidades. Os resultados obtidos 
por meio desta pesquisa podem servir na criaçã o de 
Diretrizes de Polí tica Ergonômica para bibliotecas.
 131
considerações inais
Caro (a) aluno (a), o quarto capítulo aqui apresentado abordou o detalhamento da 
Ergonomia no Design de Interiores, pois se pode compreendertodas as análises 
que devem ser desenvolvidas na concepção ou na correção de um ambiente, bem 
como a importância de cada aplicação e os malefícios de sua ausência.
A iluminação e as cores foram detalhadas para que possamos compreender a im-
portância de sua aplicação, pois sua ausência afeta, até mesmo, a saúde do usuário. 
Em contrapartida quando bem aplicada o conforto e a satisfação no uso são perce-
bidos facilmente. Foram relatados todos os malefícios dos ruídos e das vibrações 
além de detalhadas algumas formas de prevenir suas consequências danosas ao 
indivíduo, estas correções ergonômicas devem ser aplicadas para assegurar a saúde 
física e mental do indivíduo que está inserido nesta situação.
Ainda com o propósito de melhorar o ambiente, foi compreendido o termo que 
se refere à ergonometria, ou seja, o espaço utilizado pelo usuário que vai além das 
medidas do seu corpo. Sendo assim, pudemos perceber diversos parâmetros que 
devemos levar em consideração na escolha e na organização do mobiliário no 
ambiente, seja ele comercial seja residencial.
Para melhor compreensão e visualização das análises ergonômicas no ambiente, 
foi apresentado um estudo de caso de ergonomia de correção aplicado em uma 
biblioteca em Santa Catarina. O estudo de caso foi selecionado para este capítulo 
por abordar todos os parâmetros ergonômicos antes citados, como iluminação, 
cores, ruídos, vibrações, ergonomia de mobiliário, além de aspectos ergonômicos 
que são defendidos desde o início deste livro, como conforto, usabilidade, acessi-
bilidade, bem-estar, segurança do trabalhador e do usuário e, como consequência, 
um melhor rendimento.
Espero que tenham compreendido um pouco mais da ergonomia, sua importância 
e suas aplicações, porém, neste caso, um pouco mais especíicas para o design de 
interiores.
132 
atividades de estudo
1. A lâmpada elétrica foi criada por Thomas Edison, em 1878. Antes disso, 
os comércios e indústrias dependiam de iluminação natural ou da luz das 
chamas de velas ou candeeiros. Devido às instalações elétricas, o desen-
volvimento da iluminação artiicial ocorreu, como dito, no inal do século 
XIX e começo do século XX. Quais foram os principais benefícios adquiridos 
com este invento?
a. Economia, pois comprar as lâmpadas era mais barato que comprar com-
bustíveis para os candeeiros.
b. Aumento médio de 4 horas nas atividades produtivas humanas e melhoria 
do conforto, qualidade de trabalho segurança.
c. Não houve benefício, pois aderir às lâmpadas e à rede elétrica era muito 
mais caro, e a rede foi usada para explorar ainda mais os funcionários.
d. Não houve benefício, pois, no começo, as lâmpadas eram muito ruins e 
causavam inúmeras doenças oculares nas pessoas.
e. Os benefícios foram apenas para os indivíduos que trabalhavam com lei-
tura ou escrita.
2. Com relação à quantidade de luz no ambiente, é correto airmar que:
I. O projeto adequado de iluminação é um dos fatores mais importantes 
para a eiciência do trabalho e conforto do ser humano.
II. A iluminância (ou iluminamento) é um fator decisivo que representa a 
quantidade de luz que incide sobre a superfície. Sua unidade de medida é 
o Lux e pode ser medida por um luxímetro. 
III. O nível de iluminância não interfere no mecanismo da visão. 
IV. No Brasil, não existem normas que apresentem recomendações da ilumi-
nância de um ambiente de acordo com a exigência visual de cada atividade.
Assinale a alternativa correta:
a. I e II estão corretas.
b. II e III estão corretas.
c. I e IV estão corretas.
d. Apenas I está correta.
e. Apenas III está correta.
3. O som é composto por três características, a frequência, a intensidade e a 
duração. O ouvido percebe os sons de 20 a 140 dB, os sons, geralmente, 
estão na faixa de 50 a 80 dB. O que diferencia o som do ruído é que o ruído 
não contém informações úteis, o som, sim. Desta forma, assinale a seguir 
a opção verdadeira que relate as consequências da exposição ao ruído.
 133
atividades de estudo
a. Quando o ruído passa de 120 dB, é incômodo e causa apenas leve irritação.
b. Quando o som passa de 120 dB, pode causar dores.
c. 80 dB é considerado um ruído tranquilo.
d. 70 dB é o máximo aceitável em ambientes que exigem silêncio.
e. 100 dB é o máximo tolerável para uma jornada de trabalho de 8 h. 
4. A vibração é considerada qualquer movimento que o corpo produza em 
torno de um ponto ixo, podendo ser irregular ou regular, seus efeitos no 
organismo são diversos. Desta forma, assinale a alternativa que corres-
ponda a alguns efeitos que as vibrações podem causar. 
a. Relaxamento muscular e contrição circulatória.
b. Relaxamento muscular, contrição circulatória e irritabilidade.
c. Contração muscular, contrições circulatórias, enjoos, redução da acuidade 
visual, precisão, além de prejudicar o organismo de forma geral.
d. Irritabilidade, problemas musculares, ósseos e circulatórios.
e. Relaxamento muscular, irritabilidade, estresse e fadiga.
5. A escolha e a distribuição do mobiliário são etapas-chave para um bom re-
sultado do projeto cuja escolha deve ser coerente com a proposta preferida, 
desde o tipo de distribuição dos móveis até o modelo de cada peça. A co-
erência é fundamental para que o ambiente se torne harmônico (GURGEL, 
2005). A autora citada defende o uso da ergonometria nos ambientes. O 
que signiica ergononometria e qual sua aplicação no design de interiores?
a. A ergonometria refere-se à disposição dos móveis para que se tornem bo-
nitos e se combinem entre si, principalmente com base na paleta de cores.
b. Ergonometria refere-se à medição do corpo humano e suas diferenças 
étnicas, climáticas, seculares e de gêneros.
c. Ergonometria é o estudo de ambientes antigos que precisam ser restaura-
dos, baseados em estudos passados, utilizando técnicas atuais para man-
ter suas características.
d. Ergonometria é o estudo de ambientes comerciais para priorizar o confor-
to do cliente enquanto estiver no espaço, bem como facilitar sua aceitação 
da loja e inalizar a compra.
e. Ergonometria trata da ciência que busca melhorar a relação entre o ho-
mem e o meio ambiente, analisando características físicas, psicológicas e 
isiológicas de um povo, além das distâncias e dos espaços necessários 
para eles.
134
LEITURA
COMPLEMENTAR
 A IMPORTÂNCIA DA ERGONOMIA NO DESIGN
O termo ergonomia foi criado pelo polonês Woitej Yastembowsky em 1857. Apesar disso, o es-
tudo formal da ergonomia como um ramo de aplicação interdisciplinar da ciência surgiu quase 
um século mais tarde, em 12 de julho de 1949, durante uma reunião de cientistas e pesquisa-
dores. Mas foi a partir da década de 1950, com a fundação da Ergonomics Research Society, na 
Inglaterra, que a ergonomia se expandiu para o mundo industrializado e, mais tarde, também 
passou a integrar o trabalho dos designers.
Isso quer dizer que o design não se limita à função estética ou cosmética como ai rmam alguns 
autores. Ainda pior é o ponto de vista de vários empresários que só contratam os serviços de 
designers, na etapa i nal de seus projetos, apenas para deixá-los com uma aparência melhor. 
É importante salientar que esta visão equivocada é muito comum no meio empresarial, so-
bretudo se adicionarmos a isto o fato de ainda existirem muitos proi ssionais de outras áreas 
atuando no mercado do design.
Embora seja alarmante, o quadro atual tende a mudar não somente com o aumento de proi s-
sionais com graduação em design disponíveis no mercado, e com o consequente aumento da 
massa crítica, mas também com o advento da globalização que vem provocando o rompimento 
de fronteiras. Não pretendo analisar se o modelo econômico globalizado é democrático ou 
benei cia apenas as grandes nações. Neste espaço i ca apenas um convite à rel exão e a cons-tatação de que a globalização veio para i car.
A economia globalizada fomenta uma competição cada vez mais acirrada entre os fabricantes 
que vivem em busca de maiores vendas e da conquista de novos mercados. Com isso, as novas 
tecnologias e os planos de redução de custos têm chegado ao limite. Qual será então a saída? O 
uso do design! Vários países já não fabricam produtos, eles fabricam design ou, como preferem 
alguns, produzem conceitos de design. Não raro encontramos etiquetas, selos ou inscrições 
que anunciam Design by Germany, ainda que o produto tenha sido fabricado em Cingapura, 
por exemplo. Nestes casos, o que importa é a origem do conceito, da idéia e do design. 
Mas utilizar o design apenas para agregar charme e valor econômico às mercadorias não é 
sui ciente. O design, enquanto tecnologia, num determinado quadro de relações de produção, 
tem a ergonomia como parceira indispensável. O designer pode e deve trabalhar o projeto e, 
mais especii camente, a capacidade de utilização do objeto centrado no usuário. Cabe então à 
ergonomia o papel de combater a alienação, ao focalizar a comunicação homem- tarefa- má-
quina. Para que o design contribua signii cativamente para o desenvolvimento de produtos 
135
LEITURA
COMPLEMENTAR
adequados para os usuários, de modo que eles identii quem esta contribuição reconhecendo nos 
produtos valores como satisfação, prazer e segurança , é necessária a aplicação de uma metodo-
logia adequada.
Por meio dessa metodologia é possível compreender os usuários: como eles são e como as mu-
danças podem inl uenciar suas vidas. Para fazer isso, devemos dominar as noções básicas de er-
gonomia, o que nos possibilita conhecer uma gama maior de fatores que inl uenciam os usuários 
potenciais dos mais variados produtos. O design é uma proi ssão eminentemente técnica e multi-
disciplinar. Sendo assim, a interação com a ergonomia deve acontecer de forma segura e gradual, 
principalmente se levarmos em conta que no Brasil todos os cursos de Desenho Industrial / Design 
(que formam designers) possuem no mínimo duas disciplinas de ergonomia em seus currículos.
A ergonomia deve ser parte integrante do projeto e de seu desenvolvimento, sempre que houver o 
envolvimento entre o produto e seu potencial usuário. Em outras palavras, um projeto de produto 
apropriado requer interação com a prática da ergonomia. O atendimento aos requisitos ergonô-
micos possibilita maximizar o conforto, a satisfação e o bem-estar, além de garantir a segurança 
do usuário. O uso da ergonomia também ajuda a minimizar constrangimentos e custos humanos, 
otimizando o desempenho da tarefa, o rendimento do trabalho e a produtividade do sistema ho-
mem-tarefa-máquina.
A maioria dos produtos, principalmente os mais complexos, possui atributos que dii cultam o seu 
uso. Esses atributos devem ser sistematicamente identii cados e medidos, sempre que possível, 
em termos de requisitos de desempenho humano. E os resultados dessa medição devem ser in-
corporados ao projeto do produto. Desta forma, a ergonomia ajuda a reduzir o elemento de con-
jectura e aumenta o nível de coni abilidade nas decisões de projeto, no que se refere à considera-
ção de importantes fatores do ponto de vista da satisfação, segurança e bem estar dos usuários.
Por tudo isso, a ergonomia deve estar presente em todas as etapas de desenvolvimento de um 
projeto. Em resumo, é preciso enfatizar o entendimento e a contribuição da ergonomia para a 
gestão do design. É necessário ter a ergonomia como parte integrante de todo processo de design. 
Isso contraria a atuação de alguns proi ssionais do mercado, e mesmo de alguns professores, que 
encaram a ergonomia como algo desvinculado do processo central do design. Isso também implica 
na aceitação de que as responsabilidades pelas decisões de projeto devem ser divididas entre os 
diversos especialistas que participam do trabalho. E as decisões devem levar em conta todos os 
aspectos que envolvem o produto e seus potenciais usuários.
Fonte: Design Brasil (2004, on-line)3.
136 
material complementar
Projetando espaços: Design de Interiores
Miriam Gurgel
Editora: SENAC São Paulo
Sinopse: projetar e apresentar soluções diferenciadas são os principais desai os 
desse livro de Miriam Gurgel. Esse manual, imprescindível para proi ssionais e 
alunos da área de design de interiores, apresenta de forma objetiva os conceitos 
e princípios básicos dessa área, e alia a exposição de informações técnicas e teó-
ricas a aberturas criativas, que imprimem organicidade e consistência artística ao 
planejamento.
Projetando espaços: Guia de Arquitetura de Interiores Para Áreas 
Comerciais
Miriam Gurgel
Editora: SENAC São Paulo
Sinopse: o projeto de interiores comerciais envolve, de acordo com a autora, um 
profundo estudo sobre o peri l da empresa e da imagem que ela transmite – ou 
pretende transmitir –, além de ter como uma de suas prioridades a viabilização da 
praticidade, da funcionalidade e do conforto na execução das tarefas em cada um 
de seus departamentos. Aqui os leitores – proi ssionais e estudantes – encontra-
rão um roteiro seguro, essencialmente prático, que parte de conceitos objetivos 
para a formulação de considerações técnicas e culturais, tendo em vista a elabo-
ração de um bom projeto.
Indicação para Ler
Indicação para Ler
O seguinte artigo apresenta uma avaliaç ã o feita em unidades habitacionais de interesse social do muni-
cí pio de Embu das Artes/SP. O objetivo do estudo é avaliar a unidade internamente e o mobiliá rio que a 
compõ e, sendo esta aná lise feita a partir dos conceitos da Ergonomia.
Acesse: <http://www.bussinesstour.com.br/uploads/arquivos/a0fb6e7db9f739790da86e597e594ef2.pdf>.
Indicação para Acessar
 137
material complementar
O homem ao lado
Ano: 2009
Sinopse: um i lme sobre arquitetura em que se destaca um dos grandes persona-
gens dessa atividade. Nele, os argentinos Mariano Cohn e Gastón Duprat fazem 
do cotidiano o ponto de partida para essa trama. O i lme presta homenagem a um 
dos maiores gênios da arquitetura, Le Corbusier. Se passa na única residência que 
o arquiteto suíço assinou na América, em La Plata (Argentina), e é uma comédia 
romântica em que vizinhos começam a ter desentendimentos por fatos simples 
do dia a dia.
Indicação para Assistir
Medianeras
Ano: 2011
Sinopse: Gustavo Taretto apresenta como a arquitetura de Buenos Aires e a cultu-
ra virtual criam um ambiente que corrobora com a solidão. É uma obra sobre estar 
sozinho no meio da multidão, uma realidade de grandes centros urbanos. Com 
certeza, um i lme para arquitetos e designers de interiores que querem integrar 
mais as pessoas em seus projetos.
Indicação para Assistir
O presente artigo aborda o mobiliá rio de escritó rios e sua inl uê ncia na rotina de trabalho de arquitetos 
e designers de interiores. Trata da importâ ncia do mó vel corretamente dimensionado para a melhoria na 
rotina de trabalho destes proi ssionais.
Acesse: <http://www.bussinesstour.com.br/uploads/arquivos/4896b952c12adac37d41abcd810cdb43.pdf>.
Indicação para Acessar
138 
referências
ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 5413: 
Iluminância de interiores. Rio de Janeiro: ABNT, 1992. Disponível em: 
< http://tp.demec.ufpr.br/disciplinas/TM802/NBR5413.pdf>. Acesso em: 
25 mar. 2019.
CAPRI. D. Ergonomia: um estudo de caso realizado em uma biblioteca universi-
tária de Florianópolis. 2011. 80 f. Trabalho de Conclusão de Curso. (Graduac ̧ão 
em Biblioteconomia) - Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 
2011. 
IIDA, I. Ergonomia: projeto e produção. São Paulo: Blucher, 2005.
GURGEL, M. Projetando Espaços: guia de arquitetura de interiores para áreas 
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MÁSCULO, F. S.; VIDAL, M. C. Ergonomia: trabalho adequado e eiciente. Rio 
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Referência On-line
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tar-a-sua-produtividade-nos-estudos-com-a-tecnica-pomodoro/>. Acesso em: 21 
mar. 2019.
2Em: <http://www.prosek.com.br/dicas/89/Proteção-Auditiva>. Acesso em: 21 
mar. 2019.
3Em: <http://www.designbrasil.org.br/entre-aspas/a-importancia-da-ergonomia-
-no-design/>. Acesso em: 28 mar. 2019.
 139
gabarito
1. B
2. A
3. B
4. C
5. E 
Professora Me. Veridianna Cristina Teodoro Ferreira
Plano de Estudo
A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta 
unidade:
• Aplicação da Antropometria na moda
• Ergodesign e a matéria-prima tecnológica
• Ergonomia na modelagem
• Projeto de moda universal
• Percepção do usuário no uso da vestimenta ergonômica
Objetivos de Aprendizagem
• Descrever as formas de utilização de medidas antropométricas, 
de tecnologias têxteis e dei nir possibilidades de usos da 
ergonomia na modelagem para melhor adequação corporal.
• Explicar as formas de utilização da ergonomia por meio de 
tecnologias têxteis.
• Dei nir possibilidades de usos da ergonomia na modelagem 
para melhor adequação corporal.
• Discutir possibilidades de design universal por meio de 
modelagem ergonômica e apresentar estudo de caso de 
modelagens universais.
• Apresentar exemplos de projetos de vestimentas e acessórios 
com utilização de ergonomia com resultados positivos.
ERGONOMIA NA MODA
 unidade 
V
INTRODUÇÃO
Caro (a) aluno (a), nesta última unidade, falaremos sobre as di-versas maneiras que podemos e devemos utilizar a ergonomia no Design de Moda. Discutiremos sobre os benefícios da ergo-nomia e de suas formas de aplicação nos vestíveis para melho-
ria da relação do usuário com a vestimenta e/ou acessório.
Atualmente, maioria das pessoas desenvolve inúmeras tarefas ao lon-
go de seu dia, por isso, os designers de moda devem levar em considera-
ção a praticidade no uso, a lexibilidade da peça, a percepção de conforto 
quando se utiliza a vestimenta para que, desta forma, seu dia seja mais 
produtivo. Quando estamos com uma roupa apertada, desconfortável que 
nos limite de desempenhar determinados movimentos ou sapatos descon-
fortáveis sentimo-nos incomodados, não nos sentimos? Imagine se tivés-
semos tarefas a serem desempenhadas o dia todo sem que pudesse trocar 
essa vestimenta. Certamente, nosso desempenho cairia, não cairia? 
Naturalmente o desempenho cairia, pois quando estamos em postura 
desconfortável, com roupas e/ou calçados desconfortáveis, sentimo-nos 
incomodados e não vemos a hora de trocar de roupa. Quando usamos cal-
çados desconfortáveis, naturalmente pensamos duas vezes antes de cami-
nhar para buscar algo ou para ir para um outro lugar, vamos adiando e isso 
pode atrapalhar algumas tarefas a serem desenvolvidas. Estes incômodos 
tiram nosso foco nas atividades e às vezes nos deixa até irritados. 
O uso de produtos inadequados pode trazer também sérios problemas 
à saúde, como alterações nas formas corporais quando se utiliza roupas 
apertadas, alergias e dermatites por conta de tecido inadequado. Bolhas, 
calosidades e deformação óssea podem ocorrer quando se utiliza com 
frequência calçados inadequados. Por isso, a ergonomia tem um papel 
fundamental no design de moda, para que muitos destes problemas se-
144 
 
Como já dito anteriormente, a Antropometria dá-se 
pelo estudo das medidas do indivíduo em diferen-
tes situações, seja em pé, sentado seja até mesmo em 
movimento. Essas medidas devem ser tiradas, cau-
telosamente, pois qualquer detalhe pode alterar a 
precisão do estudo. 
A ergonomia defende que um produto seja ade-
quado ao corpo, por isso, deve ser embasado em 
medidas antropométricas, pois o usuário não per-
manecerá estático com o produto ao corpo, princi-
palmente em se tratando de uma vestimenta. Na-
turalmente, o usuário andará, sentará, levantará, 
agachará para pegar algo, esticar-se para alcançar 
algo, entre outros moviment os que fazemos ao lon-
go do dia, mesmo sem perceber.
No mundo da moda, a maioria dos produtos 
comercializados são produzidos em larga escala, o 
conhecimento das proporções do corpo e a utiliza-
ção dessas medidas para padronização de uma mo-
delagem são essenciais, principalmente para se obter 
sucesso na aceitação e comercialização do produto. 
O estudo da Textile/Clothing Tecnology Corpora-
Aplicação da
Antropometria na Moda
 145
 DESIGN
tion, de 1996, mostra que metade dos consumidores 
americanos nã o encontra roupas prontas adequadas 
à s dimensõ es do corpo. Outra opç ã o tecnoló gica 
que tem sido experimentada na moda, desde 2015, 
inicialmente, pela designer Israelense Panit Peleg, 
é a roupa produzida a partir da impressora 3D (3 
dimensõ es), a ferramenta que antes imprimia obje-
tos agora passa a ser utilizada para imprimir roupas 
(KRESCH, 2015, on-line)1. 
Como já visto anteriormente, um ú nico estudo 
antropomé trico nã o é vá lido para toda a populac ̧ã o 
mundial, pois pesquisas comprovaram diferenças 
é tnicas e climá ticas que inl uenciaram nas medidas 
do corpo humano, alé m de alteraçõ es de diferencia-
çõ es de medidas entre homens e mulheres e també m 
as variac ̧õ es de medidas que ocorrem em um ser hu-
mano ao longo de sua vida. Por isso, devemos saber 
quem é o nosso público para que possamos buscar a 
tabela antropométrica correta e aplicar as me-
didas nas vestimentas e/ou calçados. 
Quando nos referimos às me-
didas da populac ̧ã o brasileira, 
detectamos a existe ̂ncia de pro-
blemas, isso acontece devido à 
miscigenac ̧ã o existente no paí s. 
Desse modo, ocorre variac ̧ã o muito 
grande de medidas, se considerar-
mos todo o paí s. Essas diferenças 
concentram-se em regiõ es, por isso, 
os estudos que se destinam às medidas 
corporais ou a modelagens brasileiras de-
vem ser divididos pelas regiõ es.
As medidas antropomé tricas está ticas ou estru-
turais referem-se à s medidas do corpo está tico, sem 
movimento. Essas medidas sã o muito utilizadas no 
processo de alfaiataria. Já as medidas antropomé tri-
cas dinâ micas ou funcionais referem-se à s medidas 
adquiridas, durante um movimento do corpo, asso-
ciado à determinada atividade. Essas informaç õ es 
sã o adequadas para projetar principalmente vestu-
á rios esportivos (BOUERI, 2008). 
Devemos, porém, ter em mente que nã o sã o ape-
nas os atletas que vivem em movimentos constantes, 
pode-se levar em consideraçã o també m o uso dessas 
medidas dinâmicas em um projeto de roupas comuns, 
sem o apelo esportivo, uma vez que um indiví duo com 
Quando trabalhamos com vestuá rio, o ideal é conhe-
cer a escala, proporçã o e a dimensã o do corpo a i m 
de que a vestimenta se adeque ao corpo e se mova em 
harmonia. Para que isso seja possí vel, o designer deve 
obter conhecimentos bá sicos sobre a estrutura, os mo-
vimentos, a anatomia, as formas e as medidas do cor-
po, pois o dimensionamento adequado do vestuá rio 
é tã o importante quanto os aspectos de conforto, de 
segurança, de proteçã o e de esté tica (BOUERI, 2008).
Fonte: Giacobetti (2012, p.161). 
146 
 
inú meras atividades diá rias precisa ter liberdade para 
se movimentar de forma geral, como: sentar, levantar, 
agachar, deitar, subir e descer escadas, andar, correr, 
dentre muitos outros movimentos comuns presentes 
no nosso dia a dia, de modo que determinados produ-
tos nos impeçam de fazê-lo de forma confortá velou, 
até mesmo, de forma á gil e segura, sem causar certo 
desgaste, desconforto ou insegurança em pequenos 
movimentos cotidianos (FERREIRA, 2016).
Em 2004, foi criada a NBR 15127 - Corpo Huma-
no: Dei niç ã o de medidas, que estabelece procedimen-
tos para dei nir medidas do corpo que podem ser uti-
lizadas como base para projetos tecnoló gicos em suas 
diversas aplicaç õ es no vestuá rio (BOUERI, 2008). 
A aplicação da antropometria, de forma corre-
ta, ajuda fazer com que o produto se adeque melhor 
ao usuário, porém com a miscigenação existente no 
Brasil nos deparamos com corpos totalmente dife-
rentes. Por exemplo, se pegarmos 10 pessoas que 
usem o manequim 38, e colocarmos uma do lado 
da outra, observaremos que cada uma terá forma 
corporal diferente, umas terão mais quadril, outras 
mais busto, algumas terão a cintura i na, outras não, 
algumas baixas, outras altas, eni m, inúmeras serão 
as diferenças entre estes manequins. 
Por isso, a tecnologia têxtil deve andar ao lado 
da ergonomia para que se completem, pois a antro-
pometria se aproximará das medidas do corpo do 
usuário, enquanto a tecnologia têxtil complementa a 
adequação por meio de sua elasticidade, caimento e/
ou abrindo a peça para novas possibilidades de usos.
O uso dos tecidos com tecnologias nã o eliminam 
a aplicaçõ es ergonômicas e antropomé tricas, muito 
pelo contrá rio, a junçã o das té cnicas torna o produto 
adequado ao corpo, respeitando sua saú de, sua mobi-
lidade e suas formas naturais, minimizando a necessi-
dade de tantos padrõ es de medidas para atender po-
pulaçõ es com corpos tão diferentes como no Brasil. A 
antropometria é importantíssima no projeto de vestu-
á rio e nã o deve ser deixada de lado pelas indú strias de 
moda, isso se a empresa tiver interesse em conquistar 
novos mercados e satisi zer os consumidores. 
 147
 DESIGN
Ergodesign e a Matéria-PrimaErgodesign e a Matéria-Prima
TecnológicaTecnológica
Fonte: Giacobetti (2012). 
148 
 
Abordaremos, neste tópico, os aspectos tecnoló gicos 
da vestimenta que se adequam aos estudos ergono ̂-
micos de forma que a maté ria-prima otimize a saú de 
e o conforto do usuário, além da percepc ̧ã o positiva 
da vestimenta com as formas do corpo. Os aspectos 
tecnoló gicos inseridos na maté ria-prima sã o impor-
tantes para o desenvolvimento de uma vestimenta 
com a preocupaçã o e adequac ̧ã o aos diferentes tipos 
de corpos, bem como a importa ̂ncia do uso dos es-
tudos ergono ̂micos para preservaçã o da saú de e do 
bem-estar do usuá rio (FERREIRA, 2016).
A indústria de confecção produz uma ini nidade 
de produtos que não são adequados para se encaixar 
em diferentes biotipos, mesmo se tratando dos que 
compõem a mesma numeração de uma tabela de me-
didas da modelagem, pois, como já foi dito, se colo-
carmos lado a lado 10 pessoas que usam 38 identii -
caremos diferenças consideráveis de um corpo para o 
outro. Nessa condição, o corpo tenta se adequar a uma 
forma que não é exatamente a sua, e, na falta de ma-
téria-prima que tenha facilidade de adequação, ou de 
uma modelagem que se modii ca para ajuste em dife-
rentes formas corporais, o corpo modii ca-se para tal 
encaixe, o que pode causar interferência na percepção 
do corpo com a vestimenta (FERREIRA, 2016).
Nem sempre as vestimentas estão adequadas às 
necessidades do indivíduo, muitas marcas descon-
sideram a ergonomia e deixam de lado variáveis de 
conforto e os princípios de usabilidade. A usabilida-
de é compreendida como a interface que possibilita 
a utilização ei caz dos produtos. 
A ergonomia é de extrema importância no proje-
to de design e se leva em consideração que o produto 
será utilizado por um ser humano e também se consi-
dera que o projeto tenha como intuito facilitar a vida 
do usuário, seja deixando-o mais confortável no uso 
do produto, aumentando seu desempenho e dimi-
nuindo seu desgaste seja mesmo eliminando riscos e 
danos à saúde com o uso de produtos mal projetados. 
Pensar ergonomicamente é pensar no indiví-
duo como usuário do produto e levar em conta suas 
necessidades, limitações, saúde e facilitar o uso do 
produto aumentando, até mesmo, seu desempenho. 
Assim, o vestuário também é um objeto que necessi-
ta de estudos ergonômicos, para que seja adaptado e 
adequado ao corpo e ao uso do indivíduo.
Os problemas ergonômicos relacionados ao ves-
tuário que dizem respeito à segurança, envolvem à 
proteção e à composição dos tecidos, acessórios e de-
mais componentes que serão utilizados no produto. 
Em síntese, a usabilidade é fundamental para 
avaliar a relação do produto- usuário. Nesse 
sentido, é o princípio que deve ser observado 
em qualquer produto e ambiente construído.
 (Suzana B. Martins).
REFLITA
 149
 DESIGN
Para que os tecidos sejam explorados da melhor ma-
neira possível, o designer deve pesquisar o corpo e o 
têxtil, valorizando todos os benefícios do tecido em 
função do corpo. Quando as inovações tecnológicas 
interferem na área têxtil, as possibilidades de am-
plitudes de um projeto são maiores e mais precisas, 
fazendo com que uma vestimenta não seja apenas 
bonita, mas que afete em um sentido amplo, aspec-
tos físicos e perceptivos do usuário. 
Quando se utiliza o tecido ideal e a modelagem 
ideal, levando em consideração as medidas antropo-
métricas para o melhor encaixe ao corpo e às capa-
cidades do têxtil, levando em consideração a melhor 
sensação do tecido ao corpo, resulta-se em melhor 
adequação da modelagem para favorecer diferentes 
biotipos e otimizar a sensação da vestimenta junto 
ao corpo. Além disso, torna-se possível projetar pe-
ças de roupas que permitam liberdade na mobilida-
de, no conforto, na usabilidade e que não agridam 
a saúde dos usuários em geral, permitindo que seu 
corpo respire normalmente e que não o impeça de 
completar suas diversas atividades com o conforto 
esperado de uma vestimenta ergonômica.
Atualmente, são inúmeras as pesquisas destina-
das às descobertas, aos desenvolvimentos e aos be-
nei ciamentos de novos tecidos tecnológicos para 
diferentes i ns. Estas pesquisas são feitas em labora-
tórios que manipulam substâncias químicas, utili-
zam aplicações de física e pesquisas de possibilida-
des tecnológicas do material e do processo. Com este 
150 
 
suporte, torna-se possível criar tecidos com diferen-
tes apelos tecnológicos para diversos ins, sejam eles 
adequacionais - relacionando-se ao corpo, curativos 
- voltados até mesmo para área médica, ecológicos - 
pensando em aspectos sustentáveis, esportivos - apli-
cando tecnologias para melhoria do desempenho do 
atleta, entre outras inúmeras possibilidades. 
O setor mais beneiciado até o momento é o es-
portivo, com matérias-primas avançadas direcionadas 
aos atletas de diferentes modalidades, para confecção 
de seus uniformes esportivos, com o intuito de não in-
comodar e não atrapalhar alcançar seu maior desem-
penho. Pesquisas destinadas a outras áreas também ti-
veram ótima aceitação e contribuíram, positivamente, 
com as necessidades do corpo do usuário, levando em 
consideração sua necessidade e sua saúde. 
Em 1999, a Rhodia lançou o amni biotech, um 
tecido que possuía ação bacteriostática, eliminando 
bactérias, favorecendo a saúde e promovendo con-
forto ao indivíduo. Outro efeito conseguido foi o dry 
it, que tem a capacidade de eliminar a umidade do 
corpo, expulsando os efeitos do suor. O dry it tam-
bém é contra a ação maléica dos raios ultravioletas 
(UVA) e infravermelho (UVB) na pele e passa a ser 
utilizado em vários artefatos da indústria da confec-
ção, como oUV, muito empregado em chapéus e bo-
nés para a praia (CHATAIGNIER, 2006). 
A tecnologia têxtil tem avançado para beneicia-
mentos nos tecidos de forma que atenda a diversos 
pré-requisitos para se considerar um produto ergo-
nômico, como: tecidos antiácaros; anti-UV; anti-
manchas; encapsuladores de odores, que se referem 
a produtos que contém odores para aromaterapia, 
com microcápsulas de hidratantes, de repelentes e 
efeitos curativos. Sendo assim, esses beneiciamen-
tos aplicados nos têxteis propiciam maior saúde, se-
gurança e conforto aos usuários (AVELAR, 2011).
Existem também tecidos com luorcarbonos, 
que removem facilmente a sujeira; os tecidos com 
Telon (marca registrada DuPont) que evitam man-
chas, não amassam e são impermeáveis a água e o 
óleo; os tecidos antiestresse, que contém cápsulas 
que liberam óleos essenciais que acalmam o indi-
víduo (esta linha tem também tratamentos contra 
insônia), e também tecidos termorreguladores que 
são úteis, tanto no frio quanto no calor, absorvendo 
o calor do corpo e o liberando quando necessário; 
entre outros inúmeros tecidos tecnológicos, que são 
desenvolvidos pensando em facilitar e melhorar a 
vida do indivíduo (AVELAR, 2011). 
O desenvolvimento desses tecidos ocorrem pela 
preocupação com a proteção do indivíduo, a facili-
dade no cuidado da peça, a capacidade de respira-
ção do corpo do usuário, o conforto, a durabilidade 
e a resistência à lavagem e ao vento, e, muitas vezes, 
também para uma melhor adequação ao corpo. Des-
ta forma podemos observar o quanto estas pesquisas 
têxteis podem beneiciar o corpo e a saúde do usu-
ário, além de contribuir, indiretamente, com o de-
sempenho dele em suas atividades diversas. Objeti-
vos estes, que deinem a ergonomia, especiicamente 
no campo da moda.
 151
 DESIGN
A modelagem é extremamente importante em uma 
vestimenta, quanto melhor a modelagem melhor 
será o encaixe da roupa no corpo, melhor será o cai-
mento de acordo com a matéria-prima selecionada 
e, até mesmo, a sensação de conforto é otimizada.
Deve-se escolher o tipo de modelagem e as té c-
nicas mais adequadas à realidade da empresa e, so-
bretudo, a escolha das tecnologias a serem utiliza-
das. Estes itens são de extrema importância para o 
desenvolvimento de uma modelagem com um alto 
padrã o de qualidade. A té cnica de modelar deve 
tornar viá vel a construçã o de peças do vestuá rio de 
acordo com o modelo que se deseja produzir.
Ergonomia na
Modelagem
152 
 
Durante a execuç ã o das modelagens, consideram-
-se alguns fatores primordiais: caimento, conforto, 
usabilidade, movimento, diferenç as fí sicas, l exibili-
dade, necessidades esté ticas, facilidades de vestir e 
despir. També m, os recursos materiais tais como os 
instrumentos e as tabelas de medidas sã o comple-
mentos importantes para o conhecimento té cnico 
do modelista (ARÁ JO; CARVALHO, 2013). 
Se conhecermos a anatomia, é possí vel transferir 
suas ideias, saber como valorizar a silhueta, poden-
do acompanhar os contornos ou alterá -los. O mo-
delista e o designer devem ter sensibilidade para 
compreender a relação da roupa com o corpo, sua 
forma de uso, agregar praticidade, qualidade, fun-
cionalidade e conforto. estes aspectos estão ligados a 
uma modelagem ergonômica. 
Pode-se ter um maravilhoso modelo produzi-
do em um tecido com a mais alta tecnologia 
e funcionalidade, além de excelentes acaba-
mentos de costura, mas, se nã o se adapta 
bem ao corpo, possivelmente, nã o será bem 
aceita, ou talvez até seja, por pouco tempo. 
O consumidor pode rejeitar uma peç a sem 
se dar conta de que o desconforto é causado 
pela modelagem inadequada. Ou então, po-
de-se ter preferê ncia por determinada marca 
ou mesmo se tornar um cliente i el por achar 
que veste bem, sem perceber, também, que 
é por conta de uma modelagem adequada.
Peclat e Medeiros (2000).
SAIBA MAIS
O vestuá rio confortá vel precisa ser o mais anato ̂mi-
co possí vel para nã o provocar limitações aos mo-
vimentos e sensac ̧õ es de desconforto. O corpo tem 
uma construçã o biomeca ̂nica, composta por uma 
sé rie de alavancas constituí das por ossos conectados 
nas articulac ̧õ es e sã o movimentadas pelos mú scu-
los, por isso, precisamos de tantos cuidados para 
desenvolver um produto que será utilizadado e que 
terá que se encaixar neste corpo. Sã o estas conexõ es 
que determinarã o como o tecido se ajustará e se mo-
vimentará em harmonia ou em desarmonia com o 
corpo (SANTOS, 2009).
O corpo é um suporte da vestimenta, ao criar-
mos para o corpo, devemos ter total conhecimento 
sobre o mesmo, por isso, temos que compreender 
 153
 DESIGN
ao usuário: saúde, conforto, facilidade de manejo da 
peça, facilidade de manutenção, entre outros benefí-
cios. Estes tecidos podem ser: com microcápsulas de 
perfumes, de hidratantes, contra raios UVA e UVB, 
com microcápsulas repelentes, impermeáveis, entre 
outras inúmeras possibilidade de agregar funções e 
facilidades ao meu produto, visando sempre o con-
forto, praticidade e bem-estar do indivíduo.
Um exemplo famoso de modelagem ergonô-
mica foi desenvolvida pelo designer japonês Issey 
Miyake, em 1998, pensando em habitar diferen-
tes corpos e dar autonomia ao usuário para que 
escolha seu modelo. Seu projeto foi denominado 
A-POC, que corresponde à abreviação do termo 
A Piece Of Cloth, que traduzido para o português 
signii ca: Um Pedaço de Tecido.
como este corpo se movimenta, como ele se com-
porta, deve-se ter conhecimento das medidas do 
conforto e das possibilidades de aplicações para que 
esta vestimenta seja percebida como uma segunda 
pele, ou seja, como uma extensão do corpo.
A modelagem deve ser baseada em antropome-
tria, então, devemos saber quem é o meu usuário e 
de onde ele é. Devemos extrair o máximo de deta-
lhamento de medidas e aplicar na modelagem, com-
preendendo todas as possíveis formas de utilização 
da roupa e, por i m, para melhor caimento, melhor 
adequação em diferentes corpos e para possibilitar li-
berdade ao movimentar-se podemos aplicar também 
tecidos tecnológicos que permitam certa elasticidade. 
Caso opte, pode-se também utilizar tecidos 
compostos de benefícios secundários para propiciar 
154 
 
Miyake desenvolveu este trabalho com a mais recen-
te tecnologia, utilizou programas de computadores 
para desenvolver uma modelagem na qual simula-
va os corpos em movimento e, desta forma, buscava 
respeitá-los no desenvolvimento de seus projetos. 
Utilizou a tecnologia também na forma de produ-
ção, de modo que método de confecção utiliza tec-
nologia computadorizada para criar roupas a partir 
de um único pedaço de linha, num único proces-
so, aumentando, assim, o conforto do corpo junto à 
roupa, sem que costura nenhuma o incomode. Este 
simples “pedaço de tecido” ainda permite que o usu-
ário escolha a forma como quer criar suas roupas, 
permitindo diversas variações (LEHNERT, 2001). 
A-POC foi selecionada como um exemplo por 
ter uma modelagem totalmente diferente, que res-
peita as formas e os movimentos do usuário e, ainda, 
permite que ele escolha utilizar o produto da ma-
neira que o agrade. Pensando sempre em conforto, 
saúde, bem-estar e, consequentemente, satisfação. 
O projeto é feito também com uma diferente for-
ma de produção, pois se dá por meio de uma malha 
dupla com máximo aproveitamento de elasticidade e 
aderência ao corpo. Além disso, são compostas por 
formas geométricas que se organizam, e as marcações 
de linhas pontilhadas sinalizam a largura e o com-
primento. Pelos pontilhados, o usuário pode cortar 
a peça e comporcomo preferir, de acordo com sua 
necessidade ou preferência (NOGUEIRA, 2013).
Figura 1 - A-POC de Issey Miyake (blusa)
Fonte: A. G. Nauta Couture (2015, on-line)2.
Figura 2 - A-POC de Issey Miyake (vestido)
Fonte: A. G. Nauta Couture (2015, on-line)2.
 155
 DESIGN
As peças de A-POC podem ser utilizadas por di-
ferentes tipos de corpos por conter boa elasticidade 
para se encaixar em diferentes formas e tamanhos de 
corpos, sem obrigar que o corpo altere suas formas, 
ou abra mão de seu conforto para se submeter a uma 
vestimenta rígida e desconfortável. 
O fato de o A-POC ter sido confeccionado sem 
costura é outro ponto positivo, segundo a ergono-
mia, pois resulta em conforto tátil, ou seja, o con-
forto sentido pela pele, pelo corpo. Desta forma, 
evita que o corpo sinta o desconforto da costura 
ou, até mesmo, que as peles mais sensíveis sofram 
Figura 4 - Desi le A-POC
Fonte: Highlike ([2018], on-line)3.
Figura 5 - Exposição A-POC
Fonte: Ypanyc (2017, on-line)4.
possíveis alergias. Sendo assim, o 
usuário sente-se seguro, confortá-
vel e tem uma percepção positiva no 
uso das peças. Esse conceito fez e faz 
tanto sucesso no mundo da moda 
por sua inovação que já i cou expos-
to em diferentes lugares e compôs 
desi les totalmente conceituais, que 
enchiam os olhos de beleza, curiosi-
dade além de aguçarem a criativida-
de de muitos designers.
Outras pesquisas como estas, ba-
seando-se em tecnologias têxteis para 
diferentes i ns de vestimentas, são de-
senvolvidas cada vez mais, o 
que tem ampliado as possi-
bilidades de se desenvolver 
projetos benei ciando os di-
ferentes corpos em diferentes 
situações, e tudo isso man-
tendo os objetivos da ergo-
nomia na moda.
156 
 
Com a globalização, o aumento e a rapidez na ex-
pansão dos meios de comunicação e a facilidade da 
entrega de produtos resultaram em um aumento 
considerável da circulação mundial de mercadorias. 
Tem ocorrido também mais incorporação de certas 
minorias no mercado de consumo, por isso, os de-
signers tiveram que ampliar seus horizontes e pen-
sar em novas formas de atingir a este público. 
Esta necessidade de buscar novas alternativas 
surgiu por conta destas mudanças, pois, antes, os 
designers realizavam projetos para determinados 
segmentos da população ou regiões especíi cas e, 
Projeto de
Moda Universal
 157
 DESIGN
agora, com este novo cenário, tiveram de passar a 
utilizar o método de projeção universal para atender 
à demanda do mercado e se inserir, de forma segura, 
no mercado mundial. 
O intuito do projeto universal é tornar acessí-
vel um produto para um maior número de pesso-
as, como já foi visto em capítulos anteriores. Con-
sequentemente, esses produtos acabam tendo uma 
boa usabilidade, pois adequam-se à maioria das ca-
racterísticas do design universal, às diferentes etnias 
e corpos, respeitando as formas do usuário, contri-
buindo com o seu bem-estar e otimizando a usabi-
lidade do produto. Como o projeto universal já foi 
discutido anteriormente, neste capítulo, que é foca-
do no design de moda, trarei alguns exemplos para 
que possamos compreender, de fato, como o projeto 
universal pode se encaixar no design de moda.
Os projetos que escolhi para esta discussão são: 
Torchon, da designer italiana Nanni Strada e o Ple-
ats Please, do designer japonês Issey Miyake. Em 
ambos os projetos os designers aplicam benei cia-
mentos no tecido para que possam se encaixar em 
diferentes corpos e resultar em um conforto extre-
mos aos usuários.
Os projetos escolhidos têm o intuito de adequa-
ção universal, podendo ser utilizados por diferentes 
etnias e diferentes formas corporais sem comprome-
ter a mobilidade, conforto tátil, segurança, saúde e 
bem estar do usuário.
DESIGN UNIVERSAL NOS PROJETOS DE 
ISSEY MIYAKE 
Em 1989, no Japão, Issey Miyake desenvolveu uma 
característica em seus tecidos, em que experimentou 
diferentes maneiras de benei ciar um tecido até che-
gar ao resultado esperado: os plissados. Seus plis-
sados permitem formas visualmente harmoniosas 
e funcionalidade no uso, dando ao usuário proba-
bilidade de diferentes possibilidades a uma mesma 
peça, além de liberdade de movimento, pois as peças 
se ajustam ao corpo por conta dos plissados e, con-
forme o corpo se movimenta, eles abrem e fecham, 
dando conforto e liberdade de movimento.
Uma das principais características dos plissados 
de Miyake é que o método é oposto ao tradicional, 
ou seja, a roupa é primeiro cortada e costurada e, 
depois de pronta, a peça é dobrada e passa pelo pro-
cesso de drapejamento. Na maioria das vezes, as 
roupas drapeadas são feitas já no tecido drapeado. 
(FACTORY, 2012). 
158 
 
As roupas pregueadas i cam com formas indei ni-
das, que podem i car justas no corpo e manter seu 
conforto tátil por conta de sua elasticidade e leve-
za. Miyake diz que o sucesso do seu trabalho dá-se 
pela maleabilidade do poliéster, pois, por meio dele, 
conseguiu testar diversas possibilidades com tem-
peraturas distintas, resultando em matérias-primas 
diferentes (MIYAKE, 2012). 
se adequando em diferentes tipos de corpos. A ima-
gem a seguir mostra bailarinos dançando livremen-
te com as roupas desenvolvidas por Issey Miyake, a 
partir das técnicas de Pleats Please.
Quando o designer percebeu a liberdade que os plis-
sados proporcionaram, criou, em 1993, a primeira 
coleção de Pleats Please (plissados, por favor), que 
representou a praticidade das roupas com pregas, 
desenvolvidas com novas tecnologias para resultar 
funcionalidade, respeitando a arquitetura do vestir e 
Um amigo francês de Miyake disse a ele que 
aquelas roupas seriam perfeitas também para 
dança, devido à liberdade de movimentos que 
permitiam. Miyake resolveu pedir a uma com-
panhia de ballet de Frankfurt, dirigida pelo 
coreógrafo William Forsythe, para fazer um 
teste com suas roupas. Os bailarinos foram 
até o Studio de Issey Miyake, em Tóquio, e, 
ao provar suas roupas, podiam perfeitamente 
envergar seus corpos e concluir seus passos 
de ballet sem a menor dii culdade. 
Além disso, as roupas ganhavam também 
movimentos com os corpos dos dançarinos. 
Estas peças foram utilizadas pela primeira 
vez, em 1991, como i gurino do espetáculo 
The Loss of Small Detail. Nesse momento, 
Miyake rel etiu sobre a mobilidade de seus 
trajes, pois, se seus experimentos davam 
tanta liberdade e alegria aos bailarinos com 
diferentes tipos de corpos e com amplitudes 
de movimentos, o que poderiam fazer nos 
corpos de pessoas comuns, com relação ao 
conforto e à liberdade. 
Desse modo, resolveu seguir com seus pro-
dutos e ampliar o leque de opções dentro 
de sua linha Pleats Please, que foi lançada, 
oi cialmente, em 1993. O nome também foi 
escolhido com cuidado, pois ao traduzir o 
Please pelo verbo To Please, resulta na pala-
vra “agradar”, dando uma segunda forma de 
tradução: Pregas Agradáveis (MIYAKE, 2012).
SAIBA MAIS
O designer respeita cada corpo como ele é em todos 
os seus projetos, aplicando tecnologias têxteis, solu-
ções para que uma mesma peça possa ser utilizada 
por esses diferentes corpos, atribuindo sensações po-
 159
 DESIGN
sitivas de conforto tátil, prazer no uso, mobilidade, 
respeito à saúde e aos diferentes tipos de corpos, to-
das estas características são levadas em consideração 
em suas peças do Pleats Please (FERREIRA, 2016).
Strada em menos de dez anos de atuação proi ssional 
faz a passagem ou a ultrapassagem fundamental: da 
moda ao fashion design”. (ESTRADA, 2003, p. 15). 
Fonte: Giacobetti (2012).
Fonte: Madammeow (2014, on-line)4.
Figura 4 -Nanni Strada para Max Mara
Fonte: Madammeow (2014, on-line)4.
O objetivo de Miyake é desenvolver roupas com de-
sign para todos os tipos de corpos, uma vez que re-
conhece a existência de inúmeras formas corporais e 
suas características especíi cas, com formas, alturas 
e larguras diferentes. 
DESIGN UNIVERSAL NOS PROJETOS DE 
NANNI STRADA
Quando Nanni Strada rompeu laços com a moda no 
quesito estilístico, ela resolveu se dedicar às pesquisas 
para o design de moda que respeitassem o corpo. Des-
ta forma, passou a pesquisar soluções para vestimen-
tas que sobrevivessem à efemeridade da moda e que 
respeitassem o corpo do usuário com suas diferenças 
de medidas, de curvas, alturas, biotipos em geral. Por 
isso, seus projetos de vestimentas são descritos como 
roupas que respeitam a arquitetura do vestir, e isso se 
dá, também, pela forma de construção da roupa. 
“Nos anos 1970 contra o padrão máximo e indis-
cutível na moda, o do i o reto e da alfaiataria, Nanni 
160 
 
Especii camente em 1971, a pedido da Max Mara, 
Strada desenhou uma coleção de casacos, paletós e 
calças para inverno, estes produtos alcançaram muito 
sucesso, pois foram os primeiros casacos produzidos 
industrialmente sem forro, com acabamentos e cor-
tes sem barras e sem bordados. Tais projetos foram 
baseados na forma geométrica, em contraposição ao 
sistema anatômico das modelagens (STRADA, 2008). 
Posteriormente, Nanni apresentou as primei-
ras roupas desenvolvidas para viagens, a qual deu 
o nome de Torchon, tratava-se de peças plissadas e 
torcidas que se tornaram compressíveis o sui ciente 
para permitir o uso nômade. A designer elaborou 
técnicas para fazer pregas e ondulações de forma 
inovadora, utilizando atributos tecnológicos, imagi-
nando uma peça com constante amassado e estetica-
mente agradável para inventar a Torchon. 
A Figura 6 demonstra o tecido com a técnica de 
Torchon e como ele pode ser guardado em nós para 
facilitar a colocação em malas ou organização em 
armários. Nestas imagens, também é possível ver 
alguém vestido com a técnica de Torchon com suas 
alças amarradas, dando, assim, liberdade ao usuário 
para modii cá-la em diferentes formas de uso.
O fato de as alças serem amarradas, dá ao usuá-
rio possibilidade de brincar com a amarração modi-
i cando o uso de uma mesma peça e, até mesmo, uma 
possível utilização como saia. A intenção de Nanni, 
em 1987, quando criou o Torchon, era dar à mulher 
a liberdade que ela necessitava para optar pela forma 
de uso da peça e possibilitar facilidade de transporte e 
manutenção da vestimenta durante uma viagem, inde-
pendentemente se fosse por passeio ou por trabalho. 
A matéria-prima que a designer utilizou é com-
posta pela mistura de lã com poliéster, podendo ser 
comprimida drasticamente de volume, ocupando 
menores espaços em malas e guarda-roupas, além 
de ser plissado e guardado em nós eliminando pre-
ocupações de manutenção com amassados durante 
viagens (FERREIRA, 2016).
Figura 5 - tecido com técnica Torchon
Fonte: Revista Numéro (on-line)6.
Figura 6 - Nanni Strada - Vestido Tubular em Torchon
Fonte: Contessanally (2018, on-line)7.
 161
 DESIGN
Em 1993, a designer criou as saias e vestidos Pli-Plá, 
que eram peças produzidas por plissados sanfona-
dos e, cuja matéria-prima era o Linho que permitia 
mais liberdade do corpo no uso da vestimenta. Tan-
to o Torchon como o Pli-Plá reduzem, absurdamen-
te, o volume para facilitar o encaixe em bolsas de 
viagens e eliminavam preocupações com a peça no 
caso de amassar durante os deslocamentos.
A Figura 7 refere-se a uma peça utilizando a téc-
nica sanfonada do Pli-Plá, com botões e alças feitas 
com amarrações para permitir a alteração, quando 
necessário. Enquanto a imagem da esquerda repre-
senta o Pli-Plá em forma de vestido, a imagem da 
direita representa a mesma peça, porém dobrada e 
ocupando pequeno espaço. 
O fato de a vestimenta ter sido desenvolvida por bo-
tões e tiras para amarração, dão ao usuário diver-
sas formas de amarrar, abotoar e usar a criatividade 
durante o uso do produto, enquanto suas formas 
plissadas permitem que diferentes corpos habitem 
sem que se sintam desconfortáveis ou incomodados, 
pois a peça permite que o indivíduo desenvolva suas 
atividades diárias sem desconforto, incômodo ou 
riscos à sua saúde. Tanto no projeto de Issey Miyake 
quanto no projeto de Nanni Strada, aqui apresen-
tados, pudemos observar diversas premissas do de-
sign universal aplicadas na moda. 
Ambos baseiam-se em uso equitativo, pois se 
adequa a diferentes corpos, assim como atendem à 
premissa de l exibilidade no uso, neste caso em espe-
cial o de Nanni Strada por seus fechamentos 
em amarrações e botões que permitem 
que o usuário utilize a mesma peça 
de diferentes maneiras.
Os projetos exemplii cados 
também partem de um uso 
simples e intuitivo eliminando 
complexidades desnecessárias, 
de forma que o usuário compre-
ende facilmente a forma de utili-
zar a peça e de guardá-la. Também 
atendem ao objetivo de reduzir gastos 
energéticos, pelo fato de as peças serem 
de fácil manutenção, pois não amassam, 
eliminando, desta forma, o trabalho de pas-
sar a roupa, bem como também elimina ex-
cessos de cuidado no transporte em viagens.
Por meio destes exemplos de trabalhos 
unindo tecnologias têxteis, modelagens, ergono-
mia e preocupação com o usuário, pode-se com-
preender melhor as formas de aplicação do design 
universal na moda.
Figura 7 - Técnica Pli-Plá
Fonte: Revista ARC DESIGN (2011)8.
162 
 
A sensação e a percepção são etapas de um mesmo 
fenômeno: a captação de um estímulo que, poste-
riormente, é transformado, sendo primeiro a sensa-
ção e, depois, o corpo relete por meio de vivências e 
gera uma percepção.
Sendo assim, a sensação é um fenômeno essen-
cialmente biológico, enquanto a percepção envolve 
processamento e está ligada à recepção e conheci-
mento de uma informação, comparando-a com algo 
anteriormente armazenado na memória. Essa per-
cepção depende de fatores individuais, como per-
sonalidade, nível de atenção e expectativas. Sendo 
assim, a mesma sensação pode despertar diferentes 
percepções em pessoas diferentes (IIDA, 2005). 
A roupa em contato com o corpo é a medida do 
conforto, mas nem sempre os produtos de vestuário 
atendem a esse objetivo. Na maioria das vezes, o de-
sejo de estar na moda leva o consumidor a optar por 
produtos inadequados que podem provocar disfun-
ções físicas, desconforto, ou acarretar problemas à 
sua saúde. Em vários momentos, são desconsidera-
dos os requisitos ergonômicos, ignorando o confor-
Percepção do Usuário no Uso 
da Vestimenta Ergonômica
 163
 DESIGN 
to e os princípios de usabilidade. Isso acontece com 
produtos cujo consumo ou desejo está no centro das 
atenções, como no caso da moda, em que encon-
tramos muitos produtos com estas características 
(MARTINS, 2006). 
Analisando friamente, a roupa é, basicamente, 
um objeto têxtil, então, o tecido deve ser pensado 
como a matéria-prima que modiica a superfície do 
corpo como se fosse uma segunda pele. Pensando 
desta forma, o têxtil é a matéria-prima que cobre ou 
descobre o corpo, participa da sua morfologia e gera 
novas relações e sensações entre o corpo e o meio 
(SALTZMAN, 2008). 
É possível evitar discrepância entre o desenvolvi-
mento e a vestibilidade e/ou a usabilidade do produto/
vestimenta, inadequações de formas e materiais, des-
perdícios e limitação da mobilidade requerida pela 
roupa. Quando o produto tem uma utilização eicaz, 
ele se torna prazeroso duranteo uso, eliminando des-
conforto, insegurança e incômodo (MARTINS, 2005). 
Inevitavelmente, porém, começamos a nos irri-
tar com aquele calçado, começamos a evitar andar 
muito e começamos a perder o foco no que estamos 
fazendo, pensando apenas na hora de tirar aquele 
sapato. Este é um exemplo fácil de imaginar, pois, 
muitas vezes, já utilizamos sapatos desconfortáveis, 
e isso acontece com uma vestimenta, quando nos li-
mita de erguer o braço porque é apertada, ou quan-
do a calça aperta muito no cós e icamos desconfor-
táveis ao longo do dia. Enim, muitas são as causas 
de desconforto das vestimentas, mas a principal é a 
inadequação ao corpo.
Quando estamos com alguma peça desconfor-
tável, automaticamente, nossa relação com o espa-
ço modiica-se, transformando o ambiente em um 
espaço não tão agradável assim. Por isso, devemos 
dar a devida importância à modelagem e matéria-
-prima das vestimentas que projetamos para que 
não provoquem sensações ruins e desagradáveis 
aos nossos usuários. 
164 
 
As novas tecnologias têxteis contribuem, de forma 
positiva, com o funcionamento do corpo e ainda 
contribuem para sobrevivência em diversos am-
bientes. Quando se refere à moda como vestimen-
ta, é fundamental entender que o corpo é o suporte 
(AVELAR, 2011).
Os projetos propostos por Nanni Strada e Issey 
Miyake permitem liberdade nesse vestir, com ines-
gotáveis experimentações corporais. O conforto está 
presente, sem pressão e resistência do corpo, mas 
como um habitar tranquilo de percepções positivas. 
A peça não intervém na postura, nem impede o mo-
vimento do usuário, respeitando uma condição de 
acolhimento do vestir. 
Ambos os designers têm apresentado vestimen-
tas que agregam liberdade de movimento, seguran-
ça, conforto e melhor adequação aos diferentes tipos 
de corpos que, consequentemente, resultam em rou-
pas que são percebidas como vestimentas prazero-
sas ao longo do uso. Além disso, tais designers criam 
seus projetos pensando na facilidade de vestir cor-
pos com diferentes dimensões, sejam elas por etnias 
ou estaturas, mas sempre beneiciando a percepção e 
o conforto do corpo com relação à vestimenta. 
Fonte: Revista ARQ DESIGN (2011, on-line)8.
 165
considerações inais
Nesta quinta e última unidade do livro de Ergonomia, pudemos compreender 
melhor a aplicação da ergonomia no design de moda, pois, se partirmos do prin-
cípio de que a vestimenta será utilizada pelo corpo humano e que as medidas desse 
corpo sofrem inúmeras alterações se comparado a diferentes regiões do Brasil ou 
do mundo, pode-se concluir que modelar uma vestimenta não é algo tão simples, 
principalmente se tiver como objetivo beneiciar este usuário, deixando-o confor-
tável, preservando sua saúde e permitindo livre mobilidade.
A aplicação ergonômica na moda foi detalhada e, além disso, alguns exemplos de 
designers foram apresentados para compreender esta aplicação na vestimenta bem 
como o uso das premissas do design universal. Pode-se constatar que, ao unir a 
tecnologia têxtil aos estudos ergonômicos e antropométricos, torna-se possível 
atender aos anseios dos usuários contemporâneos de forma positiva, fazendo com 
que ele, ao utilizar suas vestimentas, tenha uma percepção positiva de conforto, 
liberdade e saúde. 
Os trabalhos de Nanni Strada e Issey Miyake puderam comprovar como a união da 
pesquisa, tecnologia e ergonomia são capazes de criar produtos que atendam aos 
requisitos ergonômicos e de design universal, pois, além de serem utilizados por 
diferentes tipos de corpos, permitem também que o usuário utilize a vestimenta 
de diferentes formas.
Por im, foi discutida a percepção do indivíduo quando no uso de um produto 
confortável ou desconfortável, desta forma, pode-se compreender a importância 
do uso da ergonomia nos produtos de moda para melhor sensação e percepção do 
usuário enquanto no uso da vestimenta e ao longo de suas tarefas diárias. 
Desta forma, espero que tenha compreendido a necessidade do uso da ergonomia 
em todas as áreas, inclusive na moda. Espero que tenha entendido as formas de 
aplicação e que a partir de agora procure aplicá-la em todos os produtos, vesti-
mentas e/ou espaços, buscando extrair sempre a melhor sensação do seu usuário.
166 
atividades de estudo
1. A antropometria trata das medidas físicas do corpo humano. Parece fácil, 
mas medir uma população com diferentes tipos de corpos é uma tarefa 
bem mais complicada. Além disso, as condições das medidas também in-
luenciam quando tirada com roupa, sem roupa, com postura ereta, rela-
xado, com ou sem sapato. 
As medidas antropométricas são responsáveis pela melhor adequação do 
produto ou ambiente ao corpo. Pensando nisso, considere as airmações 
a seguir:
I. As medidas estáticas são tiradas com o indivíduo somente em pé e parado.
II. As medidas estáticas são tiradas com o indivíduo parado, seja em pé, sen-
tado, deitado, agachado, entre outros, mas sempre parado.
III. As medidas dinâmicas são tiradas com o indivíduo em movimento.
IV. As medidas dinâmicas são tiradas com o indivíduo em movimento, mas 
são utilizadas apenas para desenvolvimento de produtos esportivos.
 Assinale a opção correta.
a. II e III estão corretas.
b. I e III estão corretas.
c. II e IV estão corretas.
d. Somente I está correta.
e. Somente III está correta.
2. Os aspectos tecnológicos inseridos na matéria-prima são importantes para 
o desenvolvimento de uma vestimenta. Em que aspectos a tecnologia têxtil 
pode favorecer o usuário? Considere as airmações a seguir:
a. A tecnologia têxtil auxilia apenas os portadores de necessidades especiais, 
pois torna simples a colocação e remoção da peça.
b. A tecnologia têxtil contribui com a impressão das estampas apenas.
c. A tecnologia têxtil contribui com a adequação aos diferentes tipos de cor-
pos, bem como com o uso dos estudos ergonômicos, ajuda a preservação 
da saúde, conforto e do bem-estar do usuário. 
d. A tecnologia têxtil não favorece o usuário, apenas torna mais barata a pro-
dução da roupa.
e. A tecnologia têxtil não agrega aspectos positivos ao usuário, apenas insere 
características tecnológicas na forma de vestir e de representar uma es-
tampa, por exemplo.
 167
atividades de estudo
3. A modelagem é de extrema importância para se obter um resultado positi-
vo na relação da roupa com o corpo. Durante a execução das modelagens, 
consideram-se alguns fatores primordiais. Quais são eles?
a. Tecido e modelo da vestimenta.
b. Tecido, biotipo do usuário e modelo escolhido.
c. O tipo de modelagem escolhido: plana, tridimensional ou computadorizada.
d. A tabela de medidas, tecido e modelo apenas.
e. Caimento, conforto, usabilidade, movimento, diferenças físicas, lexibilida-
de, necessidades estéticas, facilidades de vestir e despir. 
4. O intuito do projeto universal é tornar acessível um produto para um maior 
número de pessoas. Quais outros benefícios a inserção das premissas do 
design universal podem trazer a vestimenta?
a. Adequação a diferentes corpos e uso de diferentes cores, agradando, as-
sim, mais pessoas.
b. Adequação a diferentes corpos, multiplicação das formas de usos das pe-
ças, facilidade de manejo, fácil percepção de uso, entre outros.
c. O design universal, na roupa, dá-se pelos inúmeros idiomas presentes nas 
etiquetas de informações de manutenção da peça.
d. O design universal pode ser aplicado na moda de forma que se adeque a 
todo mundo, sem exceção.
e. O design universal é uma ferramenta exclusiva do design de produto, não 
se adequando à moda.
5. A ergonomia busca sempre melhorar o produto que resulta em uma per-
cepção positiva. O que difere a sensação da percepção?
a. A sensação e a percepçãosão etapas de um mesmo fenômeno, a captação de 
um estímulo que, posteriormente, é transformado, sendo o primeiro a sen-
sação e depois o corpo relete por meio de vivências e gera uma percepção.
b. Ambos são estímulos sensoriais, sendo o primeiro a percepção e, depois, 
o corpo relete por meio de vivências e gera uma sensação.
c. A percepção e a sensação têm exatamente o mesmo signiicado, icando a 
critério do indivíduo optar por qual termo prefere usar.
d. A sensação dá-se pelo conforto com o uso de uma vestimenta, e a percep-
ção dá-se pela forma como os outros o veem e você é percebida.
e. A sensação é a percepção do corpo, enquanto a percepção é a sensação 
do cérebro. Sendo qualquer sensação do corpo denominada sensação e 
relacionada à mente, é denominada percepção.
168
LEITURA
COMPLEMENTAR
Ergonomia no vestuário: os desai os da aplicabilidade
Um dos principais desai os da indústria do vestuário é produzir peças com a agilida-
de imposta pelo mercado, fazendo com que as vestimentas tenham design inovador, 
diferenciado, com boa estética e ergonomia. Aspectos que favorecem a usabilidade 
da roupa pelo consumidor, orientam a produção para as necessidades do mercado e 
resultam positivamente na competitividade da empresa.
As confecções precisam considerar todos estes aspectos no momento da criação e fa-
bricação, para poder construir uma peça que atenda essas questões. O primeiro passo 
é conhecer o público-alvo – conhecer o que os agrada – e, principalmente, as propor-
ções corporais do consumidor, com o foco em uma peça esteticamente agradável e que 
proporcione conforto.
O empresário deve considerar três fatores no momento de confeccionar uma roupa: 
qualidades técnicas, qualidades ergonômicas e qualidade estéticas. O primeiro faz re-
ferência ao funcionamento e ei cácia das funções, facilidade de manutenção – limpeza 
e manuseio.
Nesta fase a empresa deve avaliar o comportamento dos usuários e as pesquisas de 
tendências de moda, que inl uenciam o consumidor na hora da compra. Também preci-
sam conhecer as bases têxteis e utilizar as mais indicadas para cada um dos segmentos 
do mercado.
Outro aspecto que deve ser analisado em todo o processo de criação e produção do 
vestuário são as qualidades ergonômicas no vestuário. Nesta etapa deve-se considerar 
a compatibilidade de movimentos, a adaptação antropométrica, o conforto e a segu-
rança oferecidos peça peça.
As dei nições de conforto em ergonomia no vestuário são algo difícil de se conceituar, 
sendo que a ergonomia no vestuário também está ligada a aspectos físicos como tem-
peratura, sensação térmica, medidas que correspondam ao corpo do usuário e formas 
que proporcionem o conforto no uso das peças.
169
LEITURA
COMPLEMENTAR
Já a qualidade estética faz um apelo ao design da roupa, pois atua no sentido de com-
binar cores, formas, materiais e texturas, com o objetivo de deixar o produto com um 
visual agradável. Porém, para atingir a todas essas qualidades, é necessário envolver 
todos os setores da confecção. O trabalho é lento e exige as mais diferentes habilidades 
da equipe nas etapas de conceito, criação e produção.
A ergonomia no vestuário exige uma série de adaptações antropométricas que incluem 
facilidades no manuseio, no uso, no conforto, na segurança e na vestibilidade da peça. 
Para alcançar um resultado o mais próximo do positivo é importante avaliar algumas 
variáveis, como as medidas adequadas da peça, o tecido, e o uso de pences que atuem 
no sentido de modelar a roupa no corpo, acomodando as saliências corpóreas.
As empresas também precisam ter dados antropométricos coni áveis para poder fazer 
o projeto do design do produtos, a i m de proporcionar qualidade e aplicações ergo-
nômicas às peças. A preocupação e a busca pela inclusão da ergonomia no vestuário 
agrega valor ao produto e é um grande desai o no mercado da moda. 
Fonte: Audaces (2013, on-line)
170 
material complementar
Modelagem Tridimensional Ergonômica
Fátima Grave
Editora: Escrituras Editora
Sinopse: segundo Fátima Grave, “a indústria da confecção dispõe de diversas téc-
nicas de modelagem soi sticadas e, ao reunir um bom programa de computador 
com um bom especialista em modelagem, contando ainda com o tecido ideal, 
mesmo o modelo mais simplório irá tornar-se uma peça soi sticada. Empresas 
de confecções devem empregar proi ssionais que dominem diversas dessas téc-
nicas, o que garantirá uma economia signii cativa no custo i nal de seu produto”. 
Esta obra dedica-se ao esclarecimento da Modelagem Tridimensional, capacitan-
do o estudante e atualizando os proi ssionais da moda na tarefa de atender à 
demanda do mercado.
Indicação para Ler
A Modelagem sob a ótica da Ergonomia
Maria de Fátima Grave
Editora: Zennex
Sinopse: o livro trata da modelagem do vestuário de maneira a torná-lo mais 
confortável e funcional, respeitando o desempenho e a motricidade do corpo 
humano, conjugando sentimentos, pensamentos e ações por meio de estudos 
multidisciplinares. Considerando a anatomia, conta com aplicações empíricas que 
conferem maior qualidade à confecção, favorecendo o indivíduo no dia-a-dia e 
possibilitando a inclusão dos portadores de dei ciências físicas.
Indicação para Ler
Neste artigo “Ergonomia e Moda”, a autora parte da delimitação de fronteiras entre a moda e vestuário 
para demonstrar de forma sucinta as diversas ferramentas que devem ser consideradas no desenvolvi-
mento de um produto.
Acesse: <https://dobras.emnuvens.com.br/dobras/article/view/264/262>. 
Indicação para Acessar
 171
material complementar
A Moda-Vestuário e a Ergonomia do Hemiplégico
Maria de Fátima Grave
Editora: Escrituras
Sinopse: a obra de Fátima Grave procura explorar as características da postura do 
dei ciente físico hemiplégico, para melhor atender suas necessidades em relação 
ao conforto no vestuário. Com base em pesquisas e depois de estabelecer as dei -
nições especíi cas a respeito de sua condição física, a autora caminha em direção 
à apresentação de protótipos ergonomicamente ajustados.
Indicação para Ler
Coco Antes de Chanel
Ano: 2009
Sinopse: Coco Avant Chanel conta a história da estilista francesa Gabrielle “Coco” 
Chanel, de sua infância pobre até a criação da maison Chanel.
Comentário: o i lme fala sobre a história de Coco Chanel, uma mulher à frente 
de seu tempo que sempre aplicou o conforto em suas peças sem deixar de lado o 
luxo e o glamour de seu tempo.
Indicação para Assistir
O artigo relaciona a ergonomia aplicada ao público small size, ou seja, o oposto do plus size, e que também 
necessita de pesquisas especíi cas de adequação corporal.
Acesse: <http://www.coloquiomoda.com.br/anais/Coloquio%20de%20Moda%20-%202017/COM_ORAL/co_1/
co_1_ERGODESIGN_APLICADO_AO.pdf>. 
Indicação para Acessar
172 
referências
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pométrica: valorizando o design de vestuário desportivo de PCNEMs. 
In: COĹQUIO DE MODA, 9., 2013. Fortaleza. Anais... Fortaleza: UFC; 
Abepem, 2013.
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1. A
2. C
3. E
4. B
5. A
 175
 DESIGN 
Conclusão geral
Caro(a) aluno (a), ao longo deste livro, pudemos compreender melhor o signiica-
do e o uso da ergonomia no design. Se partirmos do princípio de que um objeto, 
um ambiente ou uma vestimenta será utilizado pelo corpo humano, então, temos 
que nos basear nas medidas do corpo.
Os estudos de casos trazidos ao longo dos capítulos para discussão, represen-
tam algumas formas de se desenvolver um ambiente ou produto que se adeque 
melhor ao usuário, beneiciando sua saúde, bem-estar, conforto e aguçando per-
cepções positivas durante o uso. Isso se dá também pela forma como a ergonomia 
aplica-se e respeita seus usuários com suas especiicidades corporais, necessida-
des de mobilidade e busca por saúde e conforto. 
Pudemos compreender, também, alguns tipos de doenças de trabalho e for-
mas de preveni-las com a aplicação da ergonomia, seja com intervenções físicas 
ou conscientização dos problemas ou possíveis soluções junto ao usuário. Além 
disso, especiicamente no design de interiores compreendemos melhor as normas 
de iluminação em ambiente, proteção de ruídos, vibrações e melhor forma de es-
colher e dispor o mobiliário para diferentes tipos de usos no ambiente. 
No design de produto, observamos as diferentes formas de adequar um pro-
duto aos variados tipos de usuários, principalmente, com o uso do design univer-
sal. E, por im, no design de moda, reletimos sobre a importância de se conhecer 
o corpo para criar, desta forma, foram exploradas as modelagens ergonômicas e 
algumas ferramentas tecnológicas que podem otimizar a relação da vestimenta 
com o corpo do usuário. Tudo isso sempre pensando na melhor forma de adequar 
o ambiente, o produto ou a vestimenta ao usuário e proporcionar todos os bene-
fícios esperados por meio da ergonomia.
Espero que tenha compreendido, aproveitado e gostado dessa nossa jornada 
ergonômica e que tenha a consciência da importância de seu uso em seus projetos 
para melhor atender seu usuário.

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