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HISTORIA DA EDUCAÇÃO 
A educação dos povos primitivos 
A educação como processo de transmissão de valores, da cultura de uma geração a outra, existe desde o surgimento dos povos, 
perdendo-se na noite dos tempos. Ela é encontrada nas sociedades ditas primitivas. Nelas não havia escolas, nem um método 
educacional conscientemente reconhecido. 
A educação naquelas sociedades tinha como característica o ajustamento da criança à sua comunidade e ao meio natural, por meio 
da transmissão das experiências dos adultos, dos mais velhos, aos mais novos. 
Segundo os estudos de Paul Monroe, esta educação pode ser entendida como prática e teórica. 
 
A educação prática se constitui no treino para a obtenção de alimento, abrigo e vestuário. Ela se realiza pela imitação consciente 
na qual a criança nas tribos brinca com objetos em miniatura, imitando os objetos dos adultos. Os meninos brincam de arco e 
flecha, as meninas fazem utensílios de barro e brincam de fazer comida, atividades que farão na vida adulta. 
A educação teórica consiste na instrução dos mais jovens nos rituais, nas cerimônias de iniciação e danças de seu povo. Estas 
atividades possuem uma função educativa na medida em que as gerações mais jovens vão sendo instruídas pelas gerações mais 
velhas acerca da tradição e da cultura da sociedade. 
Numa sociedade dividida em castas, cuja principal característica é a impossibilidade de um indivíduo passar de uma casta para 
outra, a educação variava conforme a casta a que pertencesse. Nesta sociedade, o povo era divido em quatro grandes castas: 
brâmanes: sacerdotes; xátrias: guerreiros e nobres; vaixás: comerciantes, agricultores e artesãos; sudras: servos da cidade e do 
campo. Os párias formavam uma multidão sem castas. 
Somente os brâmanes recebiam uma requintada educação literária e filosófica, as demais castas recebiam educação de caráter 
utilitário, voltada ao exercício da profissão. A religião conhecida como bramanismo ou hinduísmo exerceu influência em todos os 
setores da vida social indiana. A própria divisão do povo em castas era considerada de caráter sagrado. A espiritualização plena 
era o que movia o pensamento deste povo. 
O trabalho com a leitura consiste na memorização dos caracteres de uma série de seis livros didáticos. A escrita que também é 
ensinada nas escolas elementares é bastante difícil devido ao número e a semelhança entre vários caracteres chineses. 
O sistema de exames é o aspecto central do sistema educativo chinês. “Por meio deles são postos à prova todos os estudantes e por 
seu intermédio, são escolhidos os funcionários públicos”. 
 
EDUCAÇÃO NA GRECIA ANTIGA 
Várias vezes ouvimos falar que a Grécia Antiga foi o berço da cultura ocidental. Nesta Aula veremos como era a educação naquela 
época. 
A educação grega tinha como objetivos: desenvolvimento da personalidade e formar o cidadão. Contudo, eram considerados 
cidadãos apenas os homens livres. As mulheres, os escravos e as crianças não eram considerados cidadãos. 
Paul Monroe (1983) entende que o amor ao saber encontrou nos gregos seus primeiros adeptos, sendo eles também os primeiros a 
estudar a natureza, o homem e o sobrenatural. 
Monroe divide a educação grega em antigo e novo período. 
O período homérico (900 a 750 a.C.) é assim denominado devido à influência de Homero na educação e cultura grega. Seus livros 
Ilíada e Odisséia apresentam um ideal de homem de duplo aspecto, de ação e de sabedoria. O primeiro ideal, de ação, foi 
personificado por Aquiles e o segundo, de sabedoria, por Ulisses. Embora esses dois ideais tenham sido personificados em dois 
tipos. Os dois aspectos, ou seja, o ideal de homem de ação e homem de sabedoria deveria ser atingido pelos homens gregos livres. 
Nesse período, não havia nenhuma instituição educacional específica, nem um método. A educação basicamente consistia no 
treino de atividades práticas. 
O Período Histórico é representado pelo modelo educacional duas grandes cidades-estados gregas: Atenas e Esparta. A educação 
espartana tinha como objetivo a perfeição física. Tinha como valores o desenvolvimento da coragem, da bravura e da obediência. 
A educação ateniense visava a formação da personalidade, através do conhecimento literário e musical. A Educação em Atenas 
também tinha como objetivo o desenvolvimento da lealdade e da gentileza. 
 
A educação espartana tinha como objetivo possibilitar a cada indivíduo perfeição física, coragem e hábito de obediência completa 
às leis, tornando-o soldado ideal, insuperável em bravura. 
A educação ateniense tinha como objetivo desenvolver e formar a personalidade e não a formação do guerreiro como em Esparta. 
O conteúdo da educação em Atenas compunha-se da ginástica e da música. “Ginástica para o corpo e música para a alma”. A 
leitura, a escrita e a literatura também faziam parte do trabalho da escola de música. 
A educação em Atenas tinha como objetivos a formação moral dos meninos e dos jovens. Este objetivo era alcançado através da 
educação ginástica na qual aprendiam o auto-domínio, a fortaleza, a coragem e a lealdade. 
O conteúdo da educação em Atenas compunha-se da ginástica e da música. “Ginástica para o corpo e música para a alma”. A 
leitura, a escrita e a literatura também faziam parte do trabalho da escola de música. 
A educação musical ateniense, de acordo com Platão, visava a familiarizar “as almas dos meninos com o ritmo e a 
harmonia, de modo que possam crescer em gentileza, em graça; porque a vida inteira do homem precisa de graça e de 
harmonia”. 
A NOVA EDUCAÇÃO GREGA 
Nesta Aula trataremos de alguns dos grandes pensadores gregos que ainda influenciam o mundo todo, sobretudo o 
ocidental. 
O século V a.C. é considerado como uma época áurea não apenas para a educação grega, mas também para a cultura 
ocidental. Nele houve o florescimento da filosofia e de grandes pensadores. Nesta época surgem também pensadores 
que ensinam em troca de pagamento, eram os sofistas. Com eles considera-se que surgiu uma nova classe de 
professores. 
Os Sofistas Os sofistas (de sophós = sábio) surgiram como sendo a nova classe de professores que a sociedade exigia. 
Eram professores ambulantes que percorriam as grandes cidades. Eles ensinavam as ciências e as artes, com 
finalidades práticas, principalmente a eloqüência, em troca recebiam uma elevada contribuição financeira. Muitos 
sofistas davam apenas uma preparação superficial, fornecendo aos alunos discursos feitos sobre certos tópicos a serem 
repetidos em determinadas ocasiões, tais como nos processos perante os tribunais. Outros sofistas davam um curso 
mais completo, que abrangia o estudo das ciências naturais e históricas da época e um treino em dialética, por meio da 
discussão, e em retórica, por meio do discurso público. Os gregos mais ponderados e conservadores odiavam os 
sofistas por duas razões; por se autodenominarem ‘sábios’ e por exigirem remuneração pelos seus serviços. Essas duas 
características dos sofistas violavam dois princípios muito valorizados pelos gregos: o primeiro era o princípio da 
harmonia e reverência e o segundo, o princípio de que a relação entre professor e aluno devia basear-se na estima 
mútua e não no caráter econômico. Os sofistas acentuavam de forma exagerada o valor da individualidade. Nas 
palavras de Protágoras, um dos maiores sofistas, “o homem é a medida de todas as coisas”. Assim o indivíduo 
situava-se num tal nível de independência que ficava acima dos deveres do cidadão. 
Os gregos mais ponderados e conservadores odiavam os sofistas por duas razões; por se autodenominarem ‘sábios’ e 
por exigirem remuneração pelos seus serviços. Essas duas características dos sofistas violavam dois princípios muito 
valorizados pelos gregos: o primeiro era o princípio da harmonia e reverência e osegundo, o princípio de que a relação 
entre professor e aluno devia basear-se na estima mútua e não no caráter econômico. Os sofistas acentuavam de forma 
exagerada o valor da individualidade. Nas palavras de Protágoras, um dos maiores sofistas, “o homem é a medida de 
todas as coisas”. Assim o indivíduo situava-se num tal nível de independência que ficava acima dos deveres do 
cidadão. 
Como apontamos nesta época surgiram grandes pensadores que com suas idéias e conduta marcaram a história da 
humanidade, tais como: Sócrates, Platão e Aristóteles. 
Sócrates foi considerado o maior sábio de sua época. Através do diálogo ele ia interrogando o interlocutor de maneira 
que as suas idéias iniciais fossem colocadas em xeque. O seu método chama-se maiêutica, que é a arte de fazer nascer 
idéias através do diálogo. Sócrates visava o conhecimento de verdades universais. Sócrates não deixou escritos. O que 
sabemos sobre o seu pensamento devemos aos seus discípulos, principalmente a Platão. 
Platão foi discípulo de Sócrates. Platão escreveu na forma de diálogos. Nesses, Sócrates, a partir de uma conversa com 
vários discípulos, discute vários assuntos, tais como: a virtude, a amizade etc. Platão desenvolveu a teoria do “mundo 
das idéias”. Para ele, a realidade “nada mais é do que a idéia que se realiza ou atualiza. As suas idéias influenciaram e 
tem influenciado muitos pensadores. No livro A República ele descreve o Mito da Caverna e desenvolve a Teoria das 
Idéias. 
No seu livro A República ele visa a definição de um Estado perfeito. Neste livro ele apresenta três classes: a dos 
Governantes, a dos Militares e o Povo. Platão trata da educação de cada uma destas classes. 
Aristóteles foi discípulo de Platão. Para Aristóteles há três princípios para fazer o bom homem. São eles: a natureza, o 
hábito e a razão. A natureza nos é dada, mas pode ser modificada pelo hábito e o hábito pode ser orientado ou 
corrigido pela razão. 
Os três princípios correspondem a três momentos na educação: a educação física, do caráter e intelectual. 
Para Aristóteles o objetivo da educação é o bem moral, no qual consiste a felicidade, que se alcança através da virtude. 
Virtude, para ele, é a prática do bem conduzida pela consciência racional. 
A EDUCAÇÃO ROMANA 
Pode-se dividir a história da educação romana em 3 períodos: A educação primitiva ou da época heróico patrícia , do 
século V ao século III a. C. A educação sob influência grega ou helênica, do século III ao século I a. C. c- A 
educação imperial, do século I a. C. ao século V da era cristã. 
A educação primitiva no início era destinada apenas aos patrícios, apenas mais tarde os plebeus também tiveram 
acesso a ela. Até os 7 anos a educação ocorria na família. Após esta idade, os meninos eram educados pelos seus pais 
ou tutores e as meninas eram educadas por suas mães. 
Na educação primitiva os meninos aprendiam a ler, escrever, contar, exercícios militares e aspectos da vida política. 
As meninas aprendiam os trabalhos domésticos. 
Após os 16 ou 17 anos os meninos aprendiam as tarefas ou atividades militares através de rigorosos exercícios físicos. 
Aprendiam também questões da vida pública através do estudo das normas jurídicas. 
Na educação romana o período chamado de educação helênica foi assim denominado devido a forte influência da 
cultura grega. Neste período aprendia-se o latim, o grego, os clássicos, sobretudo Homero. Os jovens das famílias mais 
ricas também aprendiam retórica para a oratória política e jurídica. 
No período da Educação Imperial a educação passa a ser patrocinada pelo Estado. A educação neste período tinha 
como objetivo difundir entre os povos conquistados a cultura greco-romana. Com isto, pretendia-se a romanização do 
mundo ou obter uma influencia também cultural. 
Marco Fábio Quintiliano (40 a 118 d.C., aproximadamente), nasceu na Espanha, transferiu-se para Roma na juventude. 
Tornou-se famoso advogado, professor e escritor. Sua principal obra foi De institutione oratoria – A educação do 
orador, composta de doze livros. 
De acordo com Quintiliano, a educação deveria seguir quatro etapas: educação familiar, na primeira infância; 
educação elementar, sob os cuidados de um competente professor; educação secundária, cujas matérias mais 
importantes seriam Música, Geometria, Literatura e Oratória; educação superior, educação superior, que consistia na 
escola da retórica para formar o grande orador. 
EDUCAÇÃO CRISTA 
O advento do cristianismo operou uma profunda revolução cultural no mundo antigo, talvez a mais profunda que o 
mundo ocidental tenha conhecido na sua história. Trata-se da afirmação de um novo “tipo” de homem: Igualitário, 
solidário, caracterizado pela virtude da humildade, do amor universal, da dedicação pessoal e ainda pela castidade e 
pela pobreza. 
Essas características que do âmbito religioso vem modelar toda a visão da sociedade e os comportamentos coletivos, 
reinventando a família (baseada no amor e não no autoritarismo), o mundo do trabalho ( colocando num plano de 
colaboração recíproca patrões e os serviçais), e a política ( que deve inspirar-se nos valores éticos-sociais, devendo o 
soberano agir como um pai e um guia do povo). 
Enquanto os filósofos gregos davam mais importância ao aspecto intelectual do homem, o cristianismo, pelo contrário, 
passou a dar maior importância ao aspecto moral. O cristianismo não se baseia no ideal de imediata felicidade nem 
no de vida da razão; baseia-se na idéia de caridade cristã ou amor, que é a expressão mais individual e completa da 
personalidade humana 
Nessa “revolução” delineou-se também uma mudança “radical” no campo educativo: transformam-se as agências 
educativas ( a família), uma se torna mais central que as outras ( a igreja), toda a sociedade (religiosamente orientada) 
torna-se educadora. Os ideais formativos e os processos de teorização pedagógica se orientam e se regulam segundo o 
princípio religioso e teológico. A revolução do cristianismo é também uma revolução pedagógica e educativa, que 
durante muito tempo irá marcar o Ocidente. Nessa “revolução” delineou-se também uma mudança “radical” no 
campo. 
O cristianismo se desenvolveu dentro do império romano durante cerca de cinco séculos. A educação cristã se 
realizou, nos primeiros tempos, direta e pessoalmente. Os educadores foram o próprio Jesus ( o Mestre), os apóstolos, 
os evangelistas e também os discípulos de Cristo. 
Apesar das perseguições sofridas, as primeiras comunidades cristãs, ministravam, nas catacumbas, uma educação 
catequista, permanecendo assim durante algum tempo. Mais tarde surgiram as escolas catequistas, sendo a primeira, na 
Alexandria. Em 312, o imperador Constantino liberou o culto cristão e, mais tarde, o imperador Teodósio elegeu o 
cristianismo como religião oficial, proibindo os cultos pagãos. Gradativamente, a Igreja Católica, formada pelas 
comunidades cristãs primitivas, desenvolveu importante estrutura religiosa e administrativa. Os primeiros séculos 
foram dominados pela filosofia patrística, fase na qual os primeiros padres buscavam explicar a doutrina católica. 
Mais tarde, surgiram as escolas episcopais, que funcionavam como centro de formação de sacerdotes. Santo Agostinho 
fundou uma das mais importantes escolas episcopais, em Hipona, África. 
O maior dos Padres da igreja e um dos pensadores mais importantes de todos os tempos: Santo Agostinho Com o 
cristianismo, defendeu a virtude e o autoconhecimento como instrumentos na busca da verdade. Acreditava que o ser 
humano tem uma inclinação para o mal, pois como somos frutos do pecado original, já nascemos pecadores. Somente 
pela fé e com grande esforço pessoal poderíamos nos livrar dele. 
Segundo Santo Agostinho, a aprendizagem somente aconteceria por meiode rígida disciplina mental, com o propósito 
de fazer com que o aluno dominasse seus maus impulsos, utilizando-se de castigos físicos, jejuns, penitências ou 
outros. No campo educacional defendia o valor dos exercícios físicos, da Literatura, Matemática, Lógica e Retórica, 
destacando que o mais importante era a formação moral cristã. Escreveu numerosas obras, dentre elas destacamos 
Confissões e A Cidade de Deus, sendo essa a primeira Filosofia da história de enorme repercussão no futuro. 
EDUCAÇÃO MEDIEVAL 
Com a invasão dos povos bárbaros, germânicos, no Império Romano, no século V, a cultura clássica e o mundo 
ocidental ficam rodeados de trevas, decorre daí esse período ser conhecido como “Idade das Trevas”. Paulatinamente, 
os mosteiros da educação cristã primitiva foram se tornando os únicos centros de cultura e educação, adquirindo cada 
vez mais desenvolvimento e riqueza. 
Nos mosteiros, o essencial era a vida religiosa e secundariamente a cultural e educacional. A finalidade educacional 
mais importante era a formação de monges, que começava muito cedo: aos seis ou sete anos e ia até os catorze ou 
quinze. Iniciavam-nos na leitura e escrita, nos trabalhos agrícolas e artísticos, na cópia de manuscritos e no 
conhecimento das Sagradas Escrituras. Posteriormente, introduziram-se alguns escritores clássicos. Muitos mosteiros 
tinham também escolas externas para a educação de alunos pobres. 
A partir do século XI, surgem as escolas catedrais que se destinavam à formação de clérigos. Participavam destas os 
próprios bispos e monges ou sacerdotes especialmente cultos. O ensino se compunha do trivium e do quadrivium, isto 
é, matérias realistas e humanistas, Evangelhos e Teologia. Tinham também escolas externas, freqüentada por alunos 
das classes sociais superiores ou profissionais. 
A educação desse período tinha como fundamento a obediência, o castigo e o exercício prioritário da memória. 
SÃO TOMÁS DE AQUINO (1226-1274) Nascido em Nápoles, Itália, é considerado um dos maiores pensadores da 
escolástica medieval. Tomás de Aquino procurava elaborar argumentos racionais em defesa das revelações cristãs. 
Para tanto, buscou elementos racionais na filosofia de Aristóteles, defendendo que a fé não está em desacordo com a 
razão. Do pensamento de Tomás de Aquino foram extraídos princípios que marcaram a educação católica: 
a- Deus é o autêntico mestre que ensina no íntimo da alma; b- Ênfase no ensino religioso, valorizando virtudes como a 
caridade e o amor ao próximo; c- A aprendizagem decorre da atuação da inteligência sobre os dados observados pelos 
sentidos. 
A EDUCAÇÃO PALATINA E ESTATAL Entre 600 e 850, período conhecido como o mais obscuro da Idade Média, 
há uma decadência da educação monástica e eclesiástica. Nos séculos VIII e IX, a atuação de Carlos Magno em seu 
império e Alfredo, o Grande, na Inglaterra, trazem mudanças, pois ambos se preocupam com a educação não só dos 
eclesiásticos, mas também dos pobres e da nobreza. Carlos Magno (742-814), grande imperador franco, após unificar 
sob seu mando quase toda a Europa, percebeu as falhas da cultura eclesiástica. Organizou em seu palácio uma escola 
freqüentada por ele, sua família e alguns nobres. Ensinava-se desde as matérias mais elementares até as humanistas em 
latim e grego. Ensinava-se também poesia, aritmética, astronomia e teologia. Esta escola conhecida como palatina 
ficou sob os cuidados de Alcuíno, educado no mosteiro inglês de York. 
Para elevar a educação do povo Carlos Magno iniciou uma educação secular e estatal que embora não tenha 
continuado serviu como precedente no processo posterior de educação pública. Aconselhado por Alcuíno determinou 
que se criassem escolas em todas as paróquias, onde as crianças aprendessem a ler. Nos mosteiros deveriam ser 
ensinados os salmos, os sinais da escrita, os cânticos a gramática e os livros sagrados. Chegou a ordenar que todos 
mandassem os filhos para a escola e lá permanecessem até serem instruídos nas letras. A obra de Carlos Magno 
continuou com seu filho Luís, o Piedoso. Alfredo, o Grande, seguiu caminho semelhante, criando uma escola palatina, 
freqüentada pelos nobres da corte e ainda por moços de origem humilde. Fez também traduzir do latim para o inglês 
obras clássicas e eclesiásticas. Levou para a Inglaterra sábios e educadores de fora, visando elevar o nível cultural, 
preparando, assim, o aparecimento das universidades. 
A EDUCAÇÃO CAVALHEIRESCA As condições sociais e políticas da Idade Média produzem um tipo de homem 
que se distingue pela índole guerreira, são os cavaleiros. Suas virtudes são: fidelidade ao Príncipe e ao Estado, 
proteção para com os socialmente inferiores, coragem, honra na relação com os demais cavaleiros e cortesia no trato 
com a mulher. 
A educação do cavaleiro realizava-se, quando menino, no seio da família, no próprio palácio. Aos seis ou sete anos era 
mandado era educado por pajens. Aos quatorze ou quinze anos passava a escudeiro. Aos vinte e um anos era armado 
cavaleiro. O conteúdo da educação de cavaleiro era muito pobre: havia os que não sabiam ler. Por outro lado, 
cultivavam as destrezas físicas, corporais incluindo corrida, equitação, esgrima, manejo de arco e da lança, natação e 
caça. A formação espiritual também era cuidada e consistia na aprendizagem de orações, na recitação de poesias, 
leitura e escrita, música e canto. 
A EDUCAÇÃO UNIVERSITÁRIA No século XII assistimos ao nascimento das universidades, voltadas 
principalmente para a cultura superior clerical e profissional. A primeira Universidade européia foi a escola de 
Medicina de Salermo, na Itália. A de Bolonha, também na Itália, dedicou-se ao estudo do Direito. No século XII, é 
fundada em Paris a escola catedral de Notre Dame, que serviu de modelo às demais universidades. Pelo século XV, 
contava a Europa com cerca de oitenta universidades. 
Em geral, as universidades eram autônomas no governo, “verdadeiras repúblicas”, quase independentes, mas 
subordinadas ao Estado e à Igreja. Culturalmente, representaram o ápice da sabedoria da época até a Renascença, 
período no qual começaram a declinar por aterem-se às tradições escolásticas e por não admitirem, senão tardiamente, 
as ciências novas. 
A EDUCAÇÃO HUMANISTA 
Com a Renascença começou, no século XV, a educação humanista, constituindo o princípio da educação moderna. 
Além de ter sido um movimento erudito ou literário, foi, também, uma nova forma de vida, com nova concepção de 
homem e de mundo, baseada na personalidade humana livre e na realidade presente. 
A Renascença não foi apenas renascimento, ressurreição do passado, da Antigüidade Clássica, mas foi, antes de tudo, 
criação de algo novo. A renascença rompe com a visão ascética e triste da vida, característica da Idade Média, e dá 
lugar a uma concepção humana, risonha e prazenteira da existência. 
Erasmo de Rotterdam (1466-1536) Um dos mais célebres humanistas de seu tempo. Nasceu em Rotterdam, Holanda. 
Em sua obra Elogio à Loucura criticou severamente os abusos da Igreja Católica, como a venda de indulgências e 
outros, defendendo que o cristianismo deveria manter-se fiel aos princípios difundidos pelo Evangelho. 
Erasmo de Rotterdam (1466-1536) Defendia um ensino que fosse agradável e despertasse a curiosidade dos alunos. 
Era contra a disciplina excessivamente rigorosa e os castigos. Acreditava que uma boa educação não se desenvolve 
sem bons professores, devidamente capacitados e competentes para estimular a inteligência dos alunos. 
Michel de Montaigne (1533-1592) Francês, de família aristocrática. Em sua principal obra, Ensaios, abordou as 
questões educacionais de seu tempo. Para Montaigne, a finalidade da educação era cuidar dos aspectos intelectuais, 
morais e físicos. Criticava o ensino fundamentadona memorização, pois o aluno deveria tomar parte ativa do processo 
educativo, tendo estimulada sua consciência reflexiva, o que lhe proporcionaria o desenvolvimento de um espírito 
filosófico. 
Reforma e Humanismo coincidem no que se refere ao respeito à individualidade livre e autônoma e crítica a toda 
autoridade dogmática. 
Por outro lado, enquanto o Humanismo tem caráter mais intelectual e estético, na Reforma prevalece o caráter ético e 
religioso. O comportamento desregrado do clero, a busca de uma ética mais adequada ao espírito do capitalismo 
comercial, os conflitos políticos entre a Igreja e os governantes da monarquia culminaram num movimento de ruptura 
religiosa conhecido como Reforma Protestante do século XVI. Entre os líderes da Reforma, temos Martinho Lutero, 
na Alemanha, João Calvino, na Suíça, e o rei Henrique VIII, na Inglaterra, fundador da Igreja Anglicana. 
A EDUCAÇÃO NOS SÉCULOS XVIII E XIX 
A EDUCAÇÃO DO SÉCULO XVIII E XIX Os séculos XVIII e XIX foram marcados pela crescente ascensão social 
da burguesia que, descontente com os privilégios aristocráticos, foi constituindo um sistema de idéias adequado às 
suas aspirações como classe social, dando origem ao liberalismo burguês, que alcançou sua maior expressão na França 
do século XVIII, por meio do movimento cultural conhecido como Iluminismo. 
Os principais valores do Iluminismo eram: a) igualdade: no ato de comércio, na compra e venda, o que efetivamente 
importava era a igualdade jurídica dos participantes do ato comercial, por isso, os filósofos iluministas defendiam que 
todos deveriam ser iguais perante a lei: ninguém teria, então, privilégios de nascença; todos os cidadãos teriam direitos 
básicos; b) tolerância religiosa ou filosófica: na realização do ato comercial, não importavam as convicções religiosas 
ou filosóficas dos participantes; c) liberdade pessoal e social: a atividade comercial burguesa só poderia desenvolver-
se numa economia de mercado, onde existisse o “jogo livre” da oferta e da procura; por isso, a burguesia passou a 
posicionar-se contra a escravidão da pessoa humana e a defender uma sociedade livre, pois, sem homens livres 
recebendo salários, não poderia haver mercado comercial; d) propriedade privada: o comércio burguês também só era 
possível entre pessoas que detinham a propriedade de bens ou de capitais. 
O ILUMINISMO E A EDUCAÇÃO Os valores presentes no Iluminismo repercutiram no plano educacional nos 
seguintes aspectos: a) a educação era o meio legítimo para promover a ascensão social do indivíduo, revelando seus 
méritos pessoais; b) a busca pelo desenvolvimento do talento e da natureza do educando levou os educadores a 
valorizarem a Psicologia; c)defendia-se a liberdade de pensamento, o questionamento racional e a iniciativa intelectual 
do aluno. 
Jean-Jacques Rousseau (1712-1778) Suíço, escreveu obras que o transformaram num dos principais filósofos 
inspiradores dos ideais libertários burgueses da Revolução Francesa. Destacou os valores da vida natural e atacou a 
corrupção, a avareza e os vícios da sociedade civilizada. Exaltou a liberdade que o selvagem desfrutava na pureza de 
seu estado natural, contrapondo-a à falsidade e ao artificialismo da vida civilizada. Defendeu um naturalismo 
romântico alegando que o homem é bom por natureza, porém, a sociedade o corrompe. 
As principais teses educacionais de Rousseau estão reunidas na sua obra Emílio. O título refere-se a um aluno ideal 
concebido por ele para ilustrar suas idéias sobre educação. 
O processo educacional previsto para Emílio é composto pelas seguintes etapas: • De 1 a 5 anos: O objeto da 
educação desse período inicial da vida é o crescimento do corpo, o desenvolvimento das atividades motoras e da 
percepção sensorial, o desabrochar dos sentimentos. Cada criança deve ser respeitada em sua individualidade, em seu 
temperamento infantil. Condenam-se as imposições que levem a uma rigidez corporal, como as roupas apertadas, que 
atrapalhem a liberdade de movimentos. Os pais e os mestres são aconselhados a observar atenciosamente a Natureza e 
a obedecer às diretrizes que ela traça para o desenvolvimento normal da vida humana. 
De 5 a 12 anos: A educação deve consistir em não impor nada que contrarie as inclinações naturais da criança, abrindo 
mão de todo e qualquer procedimento tradicional de ensino, como por exemplo, ler, escrever, contar e decorar as 
lições, sob ameaças e castigos. A criança deve agir espontaneamente, sendo guiada pelos seus gostos. 
Dos 12 aos 15 anos: Rousseau denominou esse período a idade da razão, fase em que surge na criança o julgamento 
racional. Auto-consciente, a criança deve participar de forma ativa das atividades educacionais. Aprender fazendo, 
desenvolvendo sua criatividade e poder de reflexão. Seu propósito não era fornecer conhecimentos prontos ao aluno, 
mas ensiná-lo como adquiri-lo. Nisso consistia o princípio fundamental de seu método de ensino que, no futuro, 
serviria de inspiração ao movimento Escola Nova. 
Dos 15 aos 20 anos: Rousseau considerava esse período de fundamental importância, pois é nessa fase que o homem 
torna-se plenamente apto em termos sexuais. Segundo ele, nascemos duas vezes: uma para a existência animal; outra 
para a vida humana. No primeiro nascimento a espécie nos reproduz; no segundo nascimento, somos capazes de 
reproduzir a espécie. 
Nesse período, o homem desperta, intensamente, para a vida social. Assim, o aluno deve dedicar-se ao estudo de suas 
relações com os outros. O professor hábil deve cuidar de afastar do aluno as más paixões: crueldade, inveja, egoísmo 
etc. e impulsionar os sentimentos superiores: amor, justiça, bondade, gratidão etc. Para Rousseau, o verdadeiro 
trabalho educacional consiste em estimular o desenvolvimento dos sentimentos positivos, propiciando o equilíbrio 
psicológico. 
Johan Heinrich Pestalozzi (1746-1827) Suíço, Pestalozzi é considerado um dos pioneiros da pedagogia de intenção 
social, voltada para o povo humilde. Discípulo de Rousseau, Pestalozzi faz parte do grupo dos primeiros pedagogos 
modernos a reconhecer a importância fundamental da psicologia na área educacional, desenvolvendo um método 
pedagógico baseado nos interesses naturais do aluno, isto é, de acordo com a evolução de seu psiquismo. Pestalozzi 
fundou escolas de cunho experimental onde procurou aplicar suas teses pedagógicas no ensino popular. 
Friedrich Froebel (1782-1852) Alemão, idealista, criador dos Jardins de Infância, aplicou as idéias de Pestalozzi às 
crianças menores de 7 anos. Em 1826, Froebel publicou sua importante obra A educação do Homem, na qual expôs 
suas principais idéias pedagógicas, marcadas por sua crença em Deus. Segundo Froebel, se Deus criou o Homem a 
sua imagem e semelhança, isso significa que o homem participa, de modo especial, dessa Unidade divina. Por isso, o 
ser humano é, essencialmente, criador e produtor. Todo processo educacional deve, então, levar fundamentalmente em 
conta essa natureza ativa e criadora do ser humano, e não considerá-lo um mero receptáculo passivo de informações 
prontas, no qual a sociedade deposita sua cultura. Grande admirador da natureza, considerava as crianças plantas 
delicadas, que deveriam merecer todo cuidado, atenção e carinho nos primeiros anos de vida. Bem cuidadas, essas 
crianças produziriam excelentes frutos para a Humanidade e contribuiriam, como belas árvores, para a renovação 
oxigenadora da sociedade futura. 
O processo educacional nos primeiros anos de vida deveria estar centrado nos interesses naturais da criança. Defendia 
que o educador deveria explorar os jogos e brincadeiras como recurso para pedagógico. Para Froebel os princípios 
básicos do ensino são: a) partir e desenvolver-se em torno dos interesses naturais da criança,aproveitando o espírito 
lúdico infantil; b) adquirir um significado social relacionado à existência da criança; c) refletir-se em mudanças 
comportamentais. 
O SÉCULO XX E A EDUCAÇÃO 
O SÉCULO XX A expansão do capitalismo industrial e financeiro obteve supremacia sobre o capitalismo comercial 
da Idade Moderna. A livre concorrência entre as empresas capitalistas, que era defendida pelo liberalismo econômico 
clássico, transformou-se numa verdadeira batalha de preços, na qual as empresas mais poderosas iam vencendo as 
mais fracas. Surgiram, então, poderosos monopólios industriais. O mesmo ocorreu no setor bancário que financia 
investimentos e participa dos lucros dos milionários projetos. Iniciamos o século XX sob as ambições imperialistas das 
potências capitalistas que subjugaram os países subdesenvolvidos, expandindo seus investimentos de capitais e de 
ampliação dos mercados consumidores, assegurando fontes de matérias-primas e mercados consumidores. Essa 
ambição imperialista das grandes potências figura entre os principais fatores responsáveis pelo clima de rivalidade 
internacional que marcou o início do século XX. A tensão acumulada explodiu na Primeira Guerra Mundial (1914-
1918). 
Nos anos da guerra e, sobretudo, após o seu final, os Estados Unidos projetaram-se como a mais importante potência 
econômica do mundo. Com o fim da guerra, os países europeus voltaram a organizar sua estrutura produtiva e 
reduziram suas importações dos Estados Unidos. No entanto, a produção norte-americana continuava a pleno vapor. 
Surgiu, então, uma enorme crise de superprodução. O grande marco da crise foi a violenta queda das ações da Bolsa de 
Nova York (1929). Todo o mundo capitalista sofreu os reflexos da depressão econômica que se seguiu. Teorias 
econômicas passaram a defender a intervenção do Estado em certos setores básicos da economia, visando a regular a 
produção e normalizar o desenvolvimento econômico. 
A expansão da industrialização a partir da segunda metade do século XIX colocou em evidência as relações sociais 
conflituosas entre duas classes: o capitalista industrial e o proletariado industrial. Tendo como objetivo obter os 
maiores lucros possíveis, o capitalista industrial procurava pagar o menor preço admissível pelo salário, enquanto 
explorava ao máximo a capacidade de trabalho do proletariado, em busca do aumento da produção econômica. Essa 
terrível situação de injustiça social, bastante aguda durante o século XIX, quando a jornada de trabalho chegou a 
ultrapassar 15 horas diárias, acabou gerando toda uma série de lutas sociais entre proletários e capitalistas. 
A Época Contemporânea caracteriza-se pela consolidação do poder político da burguesia que, no mundo capitalista, 
tornou-se a classe dominante tanto nos países ricos como nos países pobres. Na condição de classe dominante, a 
burguesia promoveu a difusão ideológica de sua visão de mundo, que corresponde fundamentalmente ao liberalismo. 
As crises políticas e econômicas sofridas pelas nações capitalistas na primeira metade do século XX (Primeira Guerra 
Mundial; a grande depressão econômica iniciada em 1929; a Segunda Guerra Mundial) forçaram uma revisão das teses 
clássicas do liberalismo. Na década de trinta, acompanhando as restrições às liberdades econômicas clássicas, surgiu 
também um processo de restrição às liberdades políticas, visto que a classe dominante temia as idéias nutridas nos 
movimentos socialistas. O desenvolvimento tecnológico e científico promoveu profundas mudanças no modo de vida 
dos povos. A Época Contemporânea caracteriza-se pela consolidação do poder político da burguesia que, no mundo 
capitalista, tornou-se a classe dominante tanto nos países ricos como nos países pobres. Na condição de classe 
dominante, a burguesia promoveu a difusão ideológica de sua visão de mundo, que corresponde fundamentalmente ao 
liberalismo. As crises políticas e econômicas sofridas pelas nações capitalistas na primeira metade do século XX 
(Primeira Guerra Mundial; a grande depressão econômica iniciada em 1929; a Segunda Guerra Mundial) forçaram 
uma revisão das teses clássicas do liberalismo. Na década de trinta, acompanhando as restrições às liberdades 
econômicas clássicas, surgiu também um processo de restrição às liberdades políticas, visto que a classe dominante 
temia as idéias nutridas nos movimentos socialistas. O desenvolvimento tecnológico e científico promoveu profundas 
mudanças no modo de vida dos povos. 
Após a Segunda Guerra Mundial... Permaneceram muitos questionamentos acerca dos rumos da civilização, visto que 
o capitalismo ainda impera de forma predatória. Mediante esse contexto histórico, o processo educacional articulou-se, 
de diferentes maneiras, ao longo do século XX: o liberalismo clássico dominante no século XIX muito contribuiu para 
difundir a tese segundo a qual a educação escolar deveria ser pública, universal, gratuita e obrigatória. 
Alguns autores dividem em três correntes o pensamento pedagógico desse século, assim definidas: a) Tendência 
psicológica; b) Tendência tecnológica; c) Tendência sociológica. Na verdade, todas essas correntes pedagógicas 
convivem e confrontam-se dentro da realidade educacional, ora prevalecendo sobre as outras. 
A Tendência Psicológica Atribui relevância à Psicologia para o desenvolvimento das atividades educativas, dando 
ênfase aos seguintes aspectos: - Conhecimento psíquico do aluno; - Respeito pelas etapas de seu desenvolvimento 
físico e psicológico; - Bom relacionamento professor /aluno; - Técnicas de motivação da aprendizagem; - Formação 
integral da personalidade do aluno; - Criança como centro da ação; - Atenção aos métodos de avaliação escolar. 
A Tendência Tecnológica Influenciada pelos estudos desenvolvidos pela ciência do comportamento humano 
(tecnologia comportamental) e pelo desenvolvimento dos aparelhos destinados ao trabalho pedagógico (discos, 
gravadores, projetores de slides e filmes, computadores etc.) esta corrente tem como objetivo aplicar as conquistas da 
tecnologia comportamental e os instrumentos tecnopedagógicos na prática educacional, visando tornar o processo de 
ensino-aprendizagem mais eficiente e ágil. A tendência tecnológica está mais preocupada com os meios e métodos do 
trabalho educativo e menos atenta aos seus fins e valores. , Dedica-se, então, ao aprimoramento metodológico e 
técnico do sistema pedagógico tradicional, modernizando-o e tornando-o mais eficaz no campo da instrução. Para esta, 
compete aos educadores a tarefa de transmitir eficientemente os conteúdos do ensino, mas não o trabalho questionar 
esse conteúdo, pois isso seria tarefa dos especialistas das diferentes áreas do saber (no caso brasileiro, os altos 
tecnoburocratas da educação cumprem essa tarefa de estabelecer os objetivos e conteúdos do ensino). A Tendência 
Tecnológica Influenciada pelos estudos desenvolvidos pela ciência do comportamento humano (tecnologia 
comportamental) e pelo desenvolvimento dos aparelhos destinados ao trabalho pedagógico (discos, gravadores, 
projetores de slides e filmes, computadores etc.) esta corrente tem como objetivo aplicar as conquistas da tecnologia 
comportamental e os instrumentos tecnopedagógicos na prática educacional, visando tornar o processo de ensino-
aprendizagem mais eficiente e ágil. A tendência tecnológica está mais preocupada com os meios e métodos do 
trabalho educativo e menos atenta aos seus fins e valores. , Dedica-se, então, ao aprimoramento metodológico e 
técnico do sistema pedagógico tradicional, modernizando-o e tornando-o mais eficaz no campo da instrução. Para esta, 
compete aos educadores a tarefa de transmitir eficientemente os conteúdos do ensino, mas não o trabalho de 
questionar esse conteúdo, pois isso seria tarefa dos especialistas das diferentesáreas do saber (no caso brasileiro, os 
altos tecnoburocratas da educação cumprem essa tarefa de estabelecer os objetivos e conteúdos do ensino). 
 A Tendência Sociológica As correntes ligadas a esta tendência consideram o problema social como o mais importante 
problema da educação. Em outras palavras, são as pedagogias que atribuem aos fatos sociais - fatores de ordem 
econômica, política, jurídica etc. - o poder de influenciar de forma decisiva o processo educacional instalado em uma 
determinada sociedade. Assim, dependendo da realidade social como um todo, a educação escolar cumprirá esta ou 
aquela função, favorecendo ora a cooperação ora a competição; a mudança ou a reprodução social. A tendência 
sociológica acredita que não dá para pensar em objetivos educacionais sem pensarmos na realidade social concreta em 
que vivem o educador e o educando. A Tendência Sociológica As correntes ligadas a esta tendência consideram o 
problema social como o mais importante problema da educação. Em outras palavras, são as pedagogias que atribuem 
aos fatos sociais - fatores de ordem econômica, política, jurídica etc. - o poder de influenciar de forma decisiva o 
processo educacional instalado em uma determinada sociedade. Assim, dependendo da realidade social como um todo, 
a educação escolar cumprirá esta ou aquela função, favorecendo ora a cooperação ora a competição; a mudança ou a 
reprodução social. A tendência sociológica acredita que não dá para pensar em objetivos educacionais sem pensarmos 
na realidade social concreta em que vivem o educador e o educando. 
A PEDAGOGIA MARXISTA 
A Segunda Metade do Século XX A Segunda Guerra Mundial (1939-1945) marcou a história da humanidade, 
promovendo um novo pensar acerca da vida e seus vários aspectos, repercutindo sobremaneira na segunda metade do 
século XX. Enquanto terminava a Segunda Guerra Mundial, já se pensava em criar um organismo internacional que 
preservasse as gerações vindouras do flagelo da guerra, afirmando a fé nos direitos do homem e promovendo as 
condições culturais e materiais da vida de todos os homens. Nesse contexto, criou-se a ONU – “Organização das 
Nações Unidas” –, com seus organismos especializados, dentre eles a UNESCO – Organização Educativa, Científica e 
Cultural. 
A pedagogia redefiniu sua identidade. Contando com uma sociedade mais dinâmica e aberta passamos a necessitar de 
pessoas mais versáteis, competentes para as inovações culturais e tecnológicas desse novo tempo. Para realizar a 
formação desse novo modelo de pessoa é necessário um novo saber pedagógico, mais experimental, mais empírico, 
mais problemático e aberto à própria evolução. Tal saber é marcado pela passagem da pedagogia às ciências da 
educação. 
A pedagogia entrou em crise como saber unitário ao se tornar cada vez mais tributária de saberes especializados 
assumidos como “ciências auxiliares”, desde a psicologia até a sociologia, depois até as especializações mais técnicas 
e setoriais, desde a avaliação escolar até as tecnologias educativas. 
A PEDAGOGIA MARXISTA Após a Segunda Guerra a frente marxista apresenta algumas inovações que marcaram 
mundialmente até sua queda em 1989, promovendo nesta ocasião uma revisão, inclusive de seu modelo pedagógico. 
Contudo, as frentes marxistas do pós-guerra elaboraram projetos pedagógicos bastante diversos. Nos países do bloco 
socialista – União Soviética, Albânia, Romênia, Alemanha Oriental, Bulgária, Tchecoslováquia, Iugoslávia, Bulgária – 
as transformações pedagógico-educativas fazem referência à unidade entre escola e vida, cultura e trabalho. Na 
Polônia, conciliou-se a tradição marxista com os princípios da fé cristã. 
Na China, após 1949, houve intenso movimento de propagação da instrução, concentrada nas mãos do Estado. Após 
1956, iniciou-se uma batalha intensa contra o analfabetismo e um projeto de extensão da instrução obrigatória. 
Em Cuba, a Revolução desenvolveu uma orientação ligada aos princípios fundamentais da teoria marxista: a) lançou 
uma campanha de alfabetização, utilizando um método que partia da leitura de um texto que era decomposto em 
sílabas, ensinando simultaneamente a leitura e escrita; 
Em Cuba, a Revolução desenvolveu uma orientação ligada aos princípios fundamentais da teoria marxista: a) lançou 
uma campanha de alfabetização, utilizando um método que partia da leitura de um texto que era decomposto em 
sílabas, ensinando simultaneamente a leitura e escrita; b) iniciou uma campanha para a educação de adultos, cujo 
slogan era: “cada operário um estudante”; c) valorizou o trabalho produtivo, a “formação do homem novo”; d) 
difundiu a cultura superior. Em Cuba, também foi forte a tensão de “revolução cultural” que atingiu profundamente a 
própria escola e lhe deu uma feição raramente “dogmática”, mas também um aspecto excessivamente ideológico e 
uma eficiência cultural e científica bastante relativa. 
A EDUCAÇÃO NO NOVO MILÊNIO Se o século XX apresentou grande dinamismo e conturbações, o século XXI 
apresenta-se ainda mais versátil e imprevisível, em todos os sentidos. Portanto, pensar a pedagogia e educação neste 
novo milênio é o desafio que está posto. A complexidade social, política e econômica precisam ser consideradas. É 
evidente que os diversos problemas, das mais variadas naturezas, refletem-se na escola, solicitando desta uma posição 
clara e aberta. “Nem a posição radical, nem a conservadora podem ter a última palavra, já que nem uma nem outra 
oferece uma solução para os problemas do nosso tempo.” (CAMBI, 1999, p.643). 
A tão falada globalização precisa ser criticamente pensada e analisada, pois para alguns autores é mais uma ideologia 
de massificação econômica e social imposta pelo capitalismo, que de forma desumana explora, em escala mundial, 
diversos povos, em favor de alguns grupos poderosos e absurdamente ricos. 
A escola não pode ser ingênua nesta análise, precisa ter um foco claro de atuação e intenção. Nesse sentido, não pode 
perder de vista a humanização de toda a geração. “O propósito central da educação permanece a aspiração utópica ao 
desenvolvimento de personalidades autenticamente humanas” (CAMBI, 1999, p.643). Este é o grande desafio posto 
para a educação desse novo milênio 
 
 
 
 
METODOLOGIA CIENTIFICA 
Fundamentos da Pesquisa Científica 
Conforme foi dito na nossa apresentação do Plano de Ensino, nós vamos discutir alguns fundamentos para a 
elaboração de uma Pesquisa Científica. Desta forma, primeiramente, vamos falar sobre a etimologia da palavra 
Metodologia. A palavra metodologia vem de método: o estudo e a pesquisa acerca dos métodos para as diferentes 
formas de trabalho científico. Temos, então, a junção da palavra Logia / logos, que significa estudo, pesquisa, com a 
palavra método. Assim, Metodologia é o aprendizado dos diversos métodos e possibilidades para bem conduzir a 
pesquisa e alcançar os resultados pretendidos. E método, o que é? Trata-se de uma palavra grega que, 
etimologicamente, pode ser assim dividida: meta é uma preposição e significa: através de, pelo qual e hodos, que 
significa caminho, vias. Em outras palavras, método significa “caminho através do qual é possível atingir um dado 
objetivo, um termo, um determinado fim, proposto de antemão”. Como por exemplo, podemos citar um indivíduo que 
vai viajar. Ele deve se programar, não é mesmo? Como ele irá? De avião? Ônibus? Ou uma pessoa que deseja fazer 
um curso de graduação. Quais são os caminhos para isso? Tenho que fazer uma preparação para passar no vestibular? 
O curso é gratuito ou terei de pagar? Se for pago, como me organizarei para tal? Além disso, devo me organizar para o 
tempo que irei dispensar para o estudo. Se tenho outras atividades, como farei para que o tempo seja compatível com 
essa nova experiência? Isso é o método, o caminhopor meio do qual podemos atingir um objetivo. Agora, no caso da 
nossa disciplina, nós vamos falar do Método Científico, que são os caminhos para resolver as questões dentro na nossa 
área de atuação, que é a elaboração da pesquisa científica. 
A essa definição devemos ainda acrescentar que método se contrapõe ao acaso e à sorte. Por quê? Na nossa vida, 
muitas vezes temos um problema para resolver, ficamos preocupados tentando achar uma solução, e, por sorte, 
acontece alguma coisa que não esperávamos e o problema acaba sendo resolvido de outra maneira, sem termos que 
intervir. Mas no caso da ciência, não podemos contar com a sorte ou com o acaso, isso não acontece, pois não 
podemos ficar esperando um fato inesperado acontecer, certo? Assim, o que nos ajudará é o Método, pois ele é uma 
ferramenta que garante rapidez e eficácia para se alcançar os objetivos. Ele possui uma ordem, um conjunto de regras 
explícitas sobre como proceder. Essas regras é que garantem a rapidez e a eficácia, já mencionadas anteriormente. 
Além disso, o método não é apenas um caminho, mas um caminho que abre outros caminhos. Muitas vezes, 
começamos a fazer algo de determinada maneira, e se torna tão eficiente, que se abrem outros caminhos, que nem 
pensávamos que poderiam haver. Assim, percebemos que desta maneira podemos resolver uma série de outras coisas, 
com esse novo caminho possibilitado pelo método. 
Bom, já sabemos o porquê da palavra Metodologia. Agora, por que científico? É científico quando atende a alguns 
quesitos, e aqui vou me basear nos pensamentos de Humberto Eco, conforme a apostila de vocês. - Primeiramente, 
deve tratar de um objeto reconhecível e definido de tal maneira que possa ser reconhecido por outros. Uma das 
características da Ciência é que ela é um “conhecimento público”. Aquilo que eu produzo, deve ser comunicado, 
acessível para os demais, que trabalham na mesma área, ou por qualquer pessoa que se interesse por ela. Portanto, não 
pode ser um objeto obscuro, disponível a poucos, tem de ser reconhecido. Humberto Eco dá o exemplo do estudo dos 
centauros. Se você vai estudá-los, deve decidir se estudará a figura mitológica dos centauros ou se vai tratar de um 
elemento em um mundo possível. Neste caso, deverá apresentar provas de que estes seres existiram, como por 
exemplo, onde viveram, do que se alimentavam etc. - Um outro quesito: deve dizer do objeto de estudo algo que ainda 
não foi dito ou rever sob uma ótica diferente o que já se disse. Também pode ser uma compilação. Ou seja, para que 
algo seja científico, não basta apenas falar algo que já foi estudado, pois isso já é de conhecimento público. O que se 
procura fazer é acrescentar conhecimento. Além disso, outro trabalho importante é fazer uma compilação com estudos 
de diversos autores. Esse trabalho é muito importante, porque quando alguém quiser estudar um determinado assunto, 
poderá encontrar apenas em um material, uma compilação de vários autores, todos versando sobre o mesmo assunto e 
aí o pesquisador poderá acrescentar uma nova ótica para o tema discutido. Deve ser útil aos demais, ou seja, o trabalho 
deve ser de interesse de outros pesquisadores. E o será se ele for citado em outras pesquisas. Além disso ele deve 
apresentar elementos para a verificação e contestação das hipóteses apresentadas. Eu devo demonstrar todos os passos 
da minha pesquisa, informar exatamente como ela foi realizada, para que se alguém quiser repeti-la, terá como fazê-lo, 
inclusive, podendo contestar o que você realizou. E isso é Ciência. 
O que é, então, o Conhecimento? O conhecimento está estreitamente relacionado com a vida, com a garantia das 
condições para nossa existência: nos seus aspectos materiais e em outras questões que dizem respeito ao nosso bem-
estar. Todos aprendemos a buscar conhecimentos e a utilizá-los conforme deles necessitamos, ou seja, o 
conhecimento está relacionado com a forma como nós vivemos, com a nossa condição humana para viver. Os seres 
humanos têm a capacidade para pensar e para aprender, por isso o conhecimento é o grande instrumento de que 
dispomos para tornar a nossa vida mais agradável e para satisfazer as nossas necessidades diárias. 
Bem, como já dissemos, conhecer, todas as pessoas conhecem, mas o que seria o conhecimento científico? Costuma-se 
dizer que o conhecimento científico é aquele que vai além do senso comum, que é o aprendizado do dia-a-dia, é 
espontâneo, acontece ao sabor das experiências, não é provocado. A medida que vamos tendo experiências de vida, 
vamos aprendendo com as experiências cotidianas. Mas na Ciência não podemos contar com algo espontâneo. Na 
Ciência buscamos de forma sistematizada, com métodos específicos, eficientes, porque são pensados para atingir 
determinado objetivo, com rigor cada vez maior, na busca de respostas. Além disso, esses métodos possibilitam 
aferição e controle, ou seja, eu tenho que objetivar o que eu quero saber, como eu farei para alcançar esse 
conhecimento, quais serão os métodos, as técnicas, tudo deve estar muito bem explicitado para que haja um controle. 
Mas não basta dizermos o que a Ciência é. É preciso dizer também o que ela não é. Bem, como vimos na apostila, as 
primeiras respostas que o homem se apoiou, foram respostas religiosas, que visavam explicar como o mundo era, de 
onde viemos, por que somos da forma como somos. Só que a característica da resposta religiosa é que ela é baseada na 
fé, ou seja, é uma verdade incontestável, é baseada em dogmas. Mas em Ciência não pode ser assim. Em Ciência não 
pode haver dogmas, que são as verdades indiscutíveis, inabaláveis. Em Ciência tudo deve ser questionado, caso 
contrário ainda estaríamos com conhecimentos de séculos atrás. Depois de termos abandonado as respostas religiosas e 
filosóficas de explicação do mundo, nos agarramos à ciência como a única capaz de nos ajudar a resolver nossos 
problemas. E fizemos isso de forma tão dogmática que passamos a nos apoiar religiosamente no conhecimento 
científico. Resultado disso é aquela famosa pergunta: isso é científico? Se a resposta for afirmativa, então nos 
tranquilizamos, ficamos confiantes e seguros. 
Auguste Comte, grande pensador do Século XIX, ao discutir essas questões propôs uma curiosa interpretação do 
desenvolvimento da racionalidade humana. Pode parecer um tanto simplista, mas muito influenciou o modo de ver de 
várias gerações de entusiastas da ciência e ainda o faz até hoje. Para fundamentar seu pensamento, Comte (MORA, 
2001, p. 609) propõe que se pode entender a história da humanidade como dividida em três estágios ou estados: o 
estado religioso, o metafísico e o positivo. Comte os compara às fases pelas quais passa o ser humano. Na primeira 
fase da nossa vida somos marcados pela religião, acreditamos em Deus e pautamos nossa conduta por aquilo que nos 
ensina a doutrina religiosa. Na adolescência e juventude passamos a acreditar em formas ocultas e/ou de energias, 
essências do mundo e forças metafísicas que interfeririam na realidade das coisas. E por fim, na idade adulta, 
passamos a crer apenas naquilo que vemos e tocamos e já não estamos tão dispostos a prestar nossa adesão a qualquer 
doutrina que se coloque como verdadeira. Precisamos avaliar sua relevância. 
Da mesma forma, a humanidade passou também por essas três fases. No estado religioso, predominaram instituições e 
formas de organização e explicação religiosas. Em seguida a humanidade passou para o estado metafísico, em que as 
explicações religiosas foram substituídas por explicações racionais que se propunham buscar a essência das coisas, 
baseando-se em forças e/ou elementos invisíveis que responderiam pela ordem de tudo que existe. Por fim, a 
humanidade teria atingido um estado maior de maturidade e entrado na fase do estado positivo.Positivo pode-se ser 
entendido como o que não admite dúvidas, o que se baseia em fatos e na experiência, algo afirmativo, decisivo, certo, 
real. Com isso a humanidade teria atingido o ponto mais alto de sua capacidade de conhecer, por ter chegado ao 
desenvolvimento do conhecimento científico que o século XIX conheceu. Todas as outras especulações religiosas e 
filosóficas, Comte as viu como um estágio anterior de desenvolvimento, uma fase necessária para que a humanidade 
pudesse crescer na sua busca por conhecimento. 
Quando se encontra uma verdade na Ciência, isso significa que uma dada concepção de mundo, ou seja, uma teoria, 
foi confirmada empiricamente. Mas isso não significa que essa teoria provou algo. Não podemos saber como as coisas 
são exatamente. Quando uma teoria científica é testada e comprovada empiricamente, significa que se as coisas não 
forem exatamente daquele jeito, devem ser de uma forma muito próxima, uma vez que os experimentos deram certo. A 
ciência de fato não pretende provar que as coisas sejam da forma como cientificamente afirmamos. Se fosse assim, não 
reveríamos as pesquisas na busca de modelos teóricos melhores. Muito do que já foi chamado de ciência, hoje não é 
assim considerado. Além do que muitos procedimentos adotados no passado, foram abandonados por outros melhores. 
Assim, a Ciência não busca teorias e leis científicas definitivas, não busca a verdade última das coisas, mas com as 
teorias e leis tentamos se não provar que o mundo tenha esta ou aquela estrutura, tentamos compreender o mundo que 
está a nossa volta, tentamos explicá-lo e tentamos prever acontecimentos para retirar proveito em favor do nosso 
conforto e sobrevivência. E isso com toda a provisoriedade que lhes é inerente, porque sempre pode surgir um 
conhecimento mais profundo, mais específico e que pode questionar aquilo que a gente já sabe. Portanto, verdade 
definitiva, dogma, não cabem na Ciência. Todo e qualquer conhecimento científico é passível de revisão e de maior 
aprofundamento. Para isso, existe a pesquisa científica. 
PROJETO DE PESQUISA 
Bem, já aprendemos que Pesquisa é toda atividade de construção do conhecimento. É uma investigação que 
empreendemos em busca de uma resposta, de uma compreensão que nos traga conhecimento, controle... Enfim, que 
nos possibilite resolver problemas e tomar decisões de forma mais segura. Vamos, então, conhecer a classificação da 
Pesquisa: PESQUISA PRELIMINAR Toda pesquisa tem como ponto de partida o conhecimento e a identificação dos 
elementos que compõem a problemática a ser esclarecida. Mas todo pesquisador encontra dificuldades na formulação 
de hipóteses de trabalho. Por isso a necessidade de uma pesquisa preliminar como ponto de partida para a definição do 
problema, das hipóteses e do roteiro da pesquisa. É preciso ainda conhecer disponibilidade de recursos: tempo, 
recursos financeiros, acessibilidade às informações, recursos técnicos e tecnológicos. PESQUISA TEÓRICA O 
objetivo é desenvolver novas teorias, novos modelos ou estabelecer novas hipóteses de trabalho. A Pesquisa Teórica 
não tem por objetivo uma utilidade prática dos resultados, mas o enriquecimento do conhecimento científico. O 
embasamento teórico é fundamental para o desenvolvimento de qualquer tipo de pesquisa. 
PESQUISA APLICADA A maioria das pesquisas é feita a partir de objetivos que visam a sua utilização prática, por 
causa da gama de interesses que envolve – principalmente interesses econômicos e valem-se das contribuições de 
teorias e leis já existentes. Esse tipo de pesquisa é definida como aplicada por seu objetivo ser mais imediatista, pela 
pressa, como por exemplo, do retorno dos recursos aplicados. PESQUISA DE CAMPO Tem como base observar os 
fatos tal como ocorrem. É necessária uma pesquisa preliminar de outros trabalhos e publicações para que se possa 
acrescentar algo ao que j á se conhece. O Projeto de Pesquisa é o meio utilizado para se comunicar ou explicitar os 
caminhos de uma pesquisa a ser desenvolvida. Não é possível pesquisar sem antes projetar. A importância do projeto 
de pesquisa está em evitar imprevistos e em garantir a objetividade necessária. Para tanto, é preciso explicitar os 
passos a serem seguidos e o que se pretende alcançar com tal pesquisa. 
Um Projeto de pesquisa tem as seguintes funções: Define e planeja para o orientando o caminho a ser seguido, as 
etapas e estratégias. Facilita a discussão do projeto em seminários. Principalmente em cursos de Pós-Graduação, é 
muito comum os alunos se reunirem e apresentarem o projeto para os colegas questionarem, apresentarem sugestões. 
Isso é muito interessante, pois a visão do outro nos ajuda a aprimorar o nosso trabalho. Facilita o trabalho de 
orientação: possibilidades, perspectivas, desvios. Aqui, tanto na graduação como na pós-graduação, o professor poderá 
acompanhar se as etapas da pesquisa estão sendo cumpridas, ou se houve desvios daquilo que foi proposto. Subsidia 
discussão e avaliação da pesquisa, quando o aluno tiver de apresentar o projeto para ser avaliado. Base para 
solicitação de recursos financeiros, seja para bolsa de estudos, ou quando o trabalho requer recursos financeiros. Base 
para avaliação e seleção em programas de pós-graduação. Sempre que o aluno quiser se submeter a um programa de 
Pós-Graduação (mestrado, doutorado), é necessário apresentar o Projeto de Pesquisa. 
Bem, vamos dar início à parte prática, à descrição dos métodos que propiciam atingir os objetivos buscados nas 
diferentes áreas do conhecimento. É preciso esclarecer que a ordem de apresentação dos elementos, exposta a seguir, 
pode variar segundo as diferentes áreas de estudo e mesmo instituições. Mas, o importante é que esses diversos 
elementos, necessários para a compreensão da pesquisa a ser empreendida, estejam bem delimitados e explicitados. 
Título: indica e sintetiza o conteúdo a ser trabalhado. É o marketing, a primeira coisa que você apresenta, que será lida 
no trabalho, por isso precisa ser muito bem pensado. Ele pode ser: Geral: indica de forma genérica o teor do trabalho. 
Ex: Qualidade: a revolução na administração. Vejam que aqui não há termos técnicos, temos um título amplo, geral. 
Técnico: é como um subtítulo que especifica a temática. Ex: A epidemiologia na administração dos serviços de saúde. 
(Aqui temos um termo técnico que especifica a temática escolhida). Como decidir por um deles? Depende do grau de 
clareza que você quer atingir, para quem será apresentada a pesquisa, mas lembrem-se de que vocês terão um 
professor orientador, a quem poderão solicitar auxílio. 
Após o título, que vem na Capa e na Folha de Rosto, vem a Introdução, que é o primeiro conteúdo do trabalho. A 
introdução tem a função de inserir o leitor no assunto, levá-lo para dentro do que vai ser tratado. É na Introdução que 
você deve caracterizar o Tema, a Delimitação do Tema, e o Problema, ou seja, dentro do Tema, qual será a questão a 
ser discutida. É também na introdução que serão apresentados os pressupostos teóricos, descrevendo o que é 
conhecido sobre o tema e quais as questões já respondidas por outras pesquisas Deve-se esclarecer que o 
conhecimento acumulado não é suficiente para a solução do problema em foco, daí a necessidade desta pesquisa. 
Bem, como já vimos anteriormente, a primeira coisa que indicamos na Introdução é o Tema, o assunto de que se trata 
a discussão. Aqui nós contextualizamos, situamos o leitor o que é esse tema e como se chegou a ele. Diretamente 
relacionado ao Tema, está o problema da delimitação. No geral, os alunos optam por um tema muito extenso, como 
por exemplo: A Literatura Hoje. Esse tema é muito vago, não há como fazer uma pesquisa detalhada em cima de um 
tema tão grande como esse. Nós temos que partir de um tema panorâmicoe restringi-lo ao máximo. Com uma tese 
muito extensa, o aluno se expõe a muitas contestações, pois poderá encontrar professores avaliadores que são 
especialistas no assunto e irão cobrar conteúdos, assuntos, e até mesmo alguns autores que não tenham sido citados. 
Quando se delimita, temos um campo de pesquisa menor e fica mais fácil falar sobre todos os assuntos relativos ao 
tema, aos autores. Se o tema for bem preciso, você terá um material específico seu, pesquisado por você, e terá um 
conhecimento amplo, seguro sobre ele. Você se tornará um expert no assunto: ainda que venham questões, você saberá 
respondê-las. Quanto mais se restringe, melhor e com mais segurança se trabalha. Quanto mais panorâmico for, mais 
vago será, menor a segurança e você se submete a contestações. 
O Tema se completa com o Problema. Em relação a esse Tema delimitado, qual é o Problema? É a pergunta a ser 
respondida. Eu vou discutir nesse trabalho um assunto buscando responder o quê? Logo, é a dificuldade específica 
com a qual se defronta e que se pretende resolver ou tornar clara, para a qual se busca uma resposta. Desta forma, 
obviamente, o problema se apresenta na forma de uma interrogação. É a razão de ser do trabalho, pois ninguém vai 
fazer uma pesquisa se não tiver um problema. Na vida, à medida que os problemas surgem, vamos atrás de soluções 
para eles, não é mesmo? A mesma coisa é aqui: se não tem problema, não tem pesquisa. Vejamos este exemplo: 
Problemas de violência ocupacional em um serviço de urgência hospitalar da cidade de Londrina, Paraná, Brasil. 
Vejam a delimitação: é na cidade de Londrina. O quê da cidade de Londrina? Serviço de urgência hospitalar. E o 
assunto a ser abordado: problemas de violência ocupacional. É claro que aqui a pesquisa deverá limitar que tipo de 
violência: assédio, ofensas etc. 
Bem, além da delimitação do tema e da formulação do problema a ser pesquisado, para o qual se busca uma resposta, a 
Introdução indica o Quadro Teórico. Ele é o universo de princípios, categorias e conceitos que fundamentam a 
pesquisa. Vejam, ninguém vê o Problema a partir de uma absoluta neutralidade. É preciso explicitar porque está se 
analisando o problema de uma determinada maneira, e isso é devido a alguma teoria. Precisa ser consistente e coerente 
e ter precisão nos significados dos termos a serem utilizados, para evitar ambiguidades. Vejam o exemplo do slide 
anterior, em que verificamos a necessidade de se explicitar qual é o tipo de violência a ser estudada. No projeto são 
apenas indicados esses pressupostos teóricos que irão nortear o estudo a ser feito. Agora, quando chegarmos à 
produção resultante da pesquisa, inclusive para uma eventual publicação, o pressuposto teórico deverá ser explicitado, 
ou seja, cada categoria, conceito etc. No projeto, ele é rapidamente definido. 
Após a Introdução, temos um outro ponto do trabalho, que vem em seguida, é a Justificativa. Por que você vai fazer 
essa pesquisa? Qual a razão da escolha desse tema, desse problema? Por que eu vou fazer esse estudo? Qual é a 
relevância, por que ele é importante? Qual é a contribuição que ele apresenta? Tem alguma significação social, como 
por exemplo: vai ajudar a olhar para tal questão que está sendo discutida com um grupo social? É preciso justificar, 
para ressaltar a importância da pesquisa não apenas na área específica, como também em um contexto mais amplo. 
PROJETO DE PESQUISA II 
Após a justificativa, indicam-se os objetivos. Trata-se do “para quê”, ou seja, onde se pretende chegar. Não se 
confunde com Problema, pois este é a questão a ser discutida em relação ao tema. Agora, a partir disso, onde eu quero 
chegar com essa pesquisa? Isso é o objetivo. Os objetivos devem ser centrados na busca de respostas para as questões 
relevantes, identificadas no problema de pesquisa e que ainda não foram respondidas por outras pesquisas. Devem ser 
bem definidos, claros e realistas, mantendo coerência com o problema que deu origem ao projeto. Os objetivos podem 
ser: Gerais: indicam propósitos mais gerais, relacionando a importância do trabalho com o desenvolvimento do 
conhecimento em geral. É importante usar linguagem clara e precisa. Específicos, como o próprio nome diz, dentro 
dos objetivos gerais, ressalta as ideias especificas a serem desenvolvidas. Nesse sentido, a amplitude dos objetivos 
gerais tem sua delimitação definida, indicando sua profundidade. Definem, ainda, as etapas que devem ser cumpridas 
para alcançar o objetivo geral, ações que devem ser desenvolvidas. 
Vejamos, agora, um exemplo de Objetivo Geral: Este trabalho tem como objetivo avaliar o impacto do uso do 
software “Contafin” na administração de locadoras de vídeo. A partir desse objetivo geral, foram elaborados os 
objetivos específicos: - Verificar a usabilidade do software “Contafin”; - Determinar seus pontos fortes e fracos; 
Analisar seu custo/benefícios Deixo aqui alguns verbos que podem ser utilizados na redação dos objetivos: analisar 
entender constatar explicar elaborar compreender examinar estudar avaliar identificar demonstrar certificar 
Uma vez feita a Introdução, apresentando o Tema, o Problema e o Referencial Teórico, feita a Justificativa, colocando 
a importância e a relevância do trabalho e apresentados os Objetivos que se quer atingir, vem agora a Hipótese. Quais 
serão as hipóteses de solução para o Problema proposto na pesquisa? Assim, a Hipótese é o “parece que”, são 
proposições, respostas provisórias para a solução do Problema, é aquilo que aponta para o que parece ser a resposta da 
pesquisa. É em função das hipóteses estabelecidas que se estrutura todo o caminho a ser percorrido, ou seja, como se 
espera que as respostas sejam por esse caminho, espera-se que a pesquisa siga por essa mesma orientação. A pesquisa 
é conduzida na direção dessa resposta. A hipótese poderá não se confirmar no decorrer da pesquisa, daí a importância 
da perseverança do cientista na busca da verdade. 
Em seguida, o Projeto de Pesquisa deve indicar os Procedimentos Metodológicos, ou seja, como será feito o estudo, 
com quê, onde, quando, quanto. Como já vimos anteriormente, Método é o caminho a ser percorrido para se atingir os 
objetivos propostos e precisamos especificar que métodos são esses. Existem métodos gerais, aplicados a todo tipo de 
pesquisa, como a pesquisa bibliográfica, por exemplo, e específicos de cada área de trabalho, como é o caso dos 
métodos específicos para a área de Medicina, de Tecnologia ou da Pedagogia. Uma última questão, não confundir 
Métodos, que são procedimentos mais amplos de raciocínio, com técnicas, que são procedimentos mais restritos, que 
operacionalizam o método com auxílio de instrumentos adequados. Assim, o método é um procedimento maior, como 
por exemplo, pesquisa de campo, pesquisa teórica, pesquisa prática. Agora, o que são técnicas? Vejam, dentro da 
pesquisa de campo, utilizamos a entrevista com questionário ou a gravação. Isso já é técnica, são procedimentos muito 
mais restritos que operacionalizam o método. 
Percebam, neste exemplo, como o Procedimento Metodológico está bem detalhado: Para identificar fontes que possam 
interessar à pesquisa em tela, será realizada leitura exploratória em material bibliográfico e documental (publicações, 
normas e impressos diversos) não relacionados na Revisão Bibliográfica deste Projeto. Via de regra, serão realizadas 
leituras exploratória, seletiva, analítica e interpretativa, com tomada de apontamentos na fase de leitura analítica, 
finalizando o processo de leitura com a confecção de fichas. Para as entrevistas, após identificados os assuntos que 
não dispõem de fontes bibliográficas e documentais suficientes, serão elaborados formulários que identifiquem e 
resumam, com clareza, as informações e opiniões de cada entrevistado.Passemos, agora, para as Referências, que vão indicar os textos que fundamentam o quadro teórico e as demais 
referências, necessárias para complementar o tema. As referências do projeto serão enriquecidas durante a pesquisa, 
pois é claro que à medida que se pesquisa, vamos encontrando outros materiais e enriquecemos o trabalho. A 
referência do trabalho final é bem maior que a do Projeto, que é o ponto de partida para a pesquisa final. Nós 
voltaremos a tratar das normas de Referência em uma aula posterior, com todos os detalhes da ABNT. 
O Projeto se completa ainda com o Cronograma,que aponta a previsão de tempo, etapas, datas, distribuição de tarefas 
e metas. Isso precisa ser muito bem pensado, pois o pesquisador deverá cumprir o cronograma, para que sua pesquisa 
ocorra dentro do prazo estipulado. 
Por fim, uma última questão do Projeto, se for o caso, que é o Orçamento. Há Projetos que dependem de custos, 
principalmente na Pós-Graduação, e o pesquisador precisará de recursos para realizar a pesquisa. Assim, é necessário 
esclarecer com detalhes, o quanto vai custar cada item. É necessário apresentar uma tabela para o financiador que 
mostre com clareza todos os gastos com a pesquisa. Neste caso, apresentamos o orçamento com transporte e materiais 
de consumo. 
NOÇÕES DE TEXTUALIDADE 
Uma vez realizada a pesquisa, ela deve ser comunicada aos demais para que discutam, revisem, refaçam, utilizem o 
conhecimento construído. É preciso elaborar um texto, alguma forma de produção textual que comunique os resultados 
do trabalho realizado. O texto é um entrelaçamento de ideias, sentimentos, repertórios culturais, contextos e 
intencionalidades. Nesse sentido, a palavra texto é mais abrangente do que um documento escrito ou oral. Entendido 
dessa forma, toda tessitura que transmite um significado é um texto para quem o sabe ler. Entretanto, o texto deve 
estar entrelaçado com o repertório do leitor, é preciso saber: a língua, linguagem e ter conhecimentos que capacitem 
para tanto. Mas no campo da pesquisa científica, somos treinados para ler com muito mais rigor, precisão e eficácia 
os textos que fazem parte da nossa área de atuação. A leitura científica é uma leitura aprofundada que implica análise, 
explicação, explicitação, comentário e interpretação de ideias. Tais conceitos são definidos e ilustrados a seguir. 
Análise é a decomposição dos vários níveis de pensamento que constituam sentido. Analisar é examinar parte por 
parte de um todo. A análise se opõe à síntese, que supõe a conjugação do que estava separado. A compreensão das 
partes constituintes de um texto é o primeiro passo rumo à desmontagem dos seus vários planos expressivos e dos 
diversos elementos que o compõem. Um bom exemplo é o de analisar um problema financeiro ou uma conta de 
telefone muito alta. Decompomos todas as possibilidades e elementos implicados nessa situação, com o intuito de 
saber como agir para que o valor dessa despesa seja compatível com o orçamento de que se dispõe. 
Explicação: É enunciar o que há num texto: desdobrar, mostrar o que está exposto, pressuposto, implicado, 
subentendido, suas articulações, os termos-chave. Envolve momentos de explicitação que é a revelação, 
desvendamento do conhecimento: traduzir o que no texto está apresentado de forma simbólica ou implícita. Para fazer 
esse trabalho de explicação e explicitação de determinado tema ou problema, é preciso um bom trabalho de análise que 
propicie uma adequada compreensão, para que seja capaz de fazer uma exposição, ou seja, não se pode falar ou 
escrever do que não se sabe. Podemos citar, como exemplo, quando um professor solicita a um aluno, ou a um grupo 
de alunos, que dê uma aula sobre determinado assunto. Ele está pedindo que faça uma explicação: que diga tudo o que 
está enunciado, implicado, implícito no tema a ser abordado. 
Interpretação: É a busca da síntese ou da reintegração das partes no todo. A interpretação encontra-se intimamente 
vinculada ao ponto de vista, que varia segundo variam os interesses e os contextos formativos, culturais, geográficos 
etc. Com isso, um determinado texto pode produzir uma multiplicidade de interpretações. Como exemplo, podemos 
citar a interpretação dos diferentes papéis sociais ocupados por mulheres, segundo as diferentes culturas. 
Comentário: É um diálogo com o texto, procurando situá-lo em relação ao autor e a sua obra ou contribuição. No 
comentário, são introduzidos acréscimos exteriores ao texto, buscando estabelecer juízos de valor acerca da sua 
produção. Como exemplo, podemos considerar os comentários de duas torcidas diferentes acerca de um lance de 
futebol, que nem precisa ser muito polêmico. O comentário está intrinsecamente relacionado à interpretação, ao ponto 
de vista de quem o profere. 
Ao serem considerados todos esses procedimentos na leitura de um texto, na análise de um fato, ou de uma situação 
profissional, será produzido um sentido em nome do qual tudo isso é realizado. A produção de sentido não encerra o 
texto. Ao contrário, ela o deixa em aberto suas possibilidades. Todos esses procedimentos fazem parte do trabalho 
científico. Ora são requisitados um ou outro, separadamente, ora todos são exigidos por alguma atividade complexa, 
como é o caso da monografia. 
 
A PRODUÇÃO DO TRABALHO MONOGRÁFICO 
O trabalho monográfico é um documento escrito que visa à aferição do trabalho escolar em uma ou mais disciplinas, 
solicitado e orientado por professor(es) de uma ou mais disciplinas. Segundo o grau de complexidade envolvido, tais 
trabalhos são classificados como: Trabalho de Conclusão de Curso: resultado de um estudo visando à conclusão de um 
Curso de Graduação. Monografia: estudo que visa à obtenção do título de Especialista. Dissertação: documento 
escrito visando à obtenção do título de Mestre, que representa o resultado de um trabalho experimental, de tema único, 
com o objetivo de reunir, analisar e interpretar informações ou a exposição de um estudo cientifico. Deve evidenciar o 
conhecimento de literatura existente sobre o assunto e a capacidade de sistematização do candidato. Tese: documento 
escrito visando à obtenção do título de Doutor, que representa um estudo cientifico de tema único, bem delimitado e 
original. Deve ser elaborado com base em investigação original, constituindo-se em real contribuição para a 
especialidade em questão. Todos são trabalhos monográficos, discorrem sobre um tema, o que muda, como vimos, é o 
grau de complexidade. 
Iniciaremos, agora, como se dá a elaboração do trabalho monográfico. Primeiramente precisamos delimitar o 
Tema/Problema. Como já foi visto na aula sobre o Projeto de Pesquisa, o trabalho monográfico deve demonstrar uma 
única ideia, defender uma única tese e assumir uma única posição frente ao problema específico. Se foi exigido o 
Projeto de Pesquisa antes da elaboração do trabalho monográfico, essa delimitação já estará feita, caso contrário, o 
aluno deve realizar a delimitação junto com seu orientador. 
Uma atividade de pesquisa perpassa três fases de amadurecimento, que são concomitantes nas várias etapas do 
trabalho: 1. momento da intuição, da descoberta, da formulação de hipóteses; 2. momento da pesquisa em que vamos 
confrontar primeiras intuições, cotejar com outras posições e rever posições iniciais. 3. momento de amadurecimento 
da primeira posição em que o pesquisador abandona algumas ideias, acrescenta outras, reformula alguns problemas e 
passa a dominar uma posição definitiva. 
Levantamento bibliográfico: trata-se da pesquisa em busca da documentação existente sobre o assunto. Coloca-se em 
ação uma série de procedimentos para localização e busca metódica de documentos que possam interessar ao tema 
discutido, que dependem da natureza do tema a ser estudado.São feitas consultas em: • catálogos • boletins 
especializados • enciclopédias e dicionários especializados • monografias e tratados sobre o assunto • textos didáticos • 
periódicos impressos e on-line • bases de dados. 
Leitura: realização de uma primeira triagem para ver o que realmente será lido e é interessante para a pesquisa. Para 
tanto, o pesquisador recorre a resenhas das obras, opinião de especialistas, toma contato com a obra e suas partes como 
o sumário, o prefácio, a introdução e algumas passagens do texto. Critérios para a leitura: O pesquisador deve 
começar pela atualidade: dos textos mais recentes para os mais antigos – as obras recentes retomam contribuições do 
passado, vindo a dispensar algumas leituras. Porém, os clássicos são indispensáveis; Após isso, ele deve partir para a 
generalidade: das obras mais gerais (enciclopédias, dicionários, tratados) para as monografias especializadas e artigos 
científicos. A leitura será feita tendo em vista o aproveitamento direto apenas dos elementos que sirvam para a 
pesquisa. Às vezes, no entanto, é necessário leitura de todo o texto. Mesmo assim não se deve perder a ideia mestra 
que direciona o trabalho. Bem, para a Documentação é necessário que o pesquisador: • Tome nota de todos os 
elementos que serão utilizados na elaboração do trabalho. • Use citação livre (indireta) e textual (direta), indicando a 
fonte, ou seja, sempre que encontrar ideias interessantes, que colaborem com a pesquisa, deve-se fazer o registro e não 
esquecer de anotar também as referências bibliográficas, nome do texto, autor etc. que serão utilizadas no final do 
trabalho. • Documente as ideias pessoais que forem surgindo durante a leitura a fim de não se perder. • Elabore fichas, 
arquivos de documentação ou outra forma de anotação das ideias que irão compor o trabalho. 
Passemos agora para a linguagem do texto monográfico, dissertativo. O pesquisador deve: Ter estilo sóbrio e preciso. 
Adjetivos supérfluos, rodeios e repetições ou explicações inúteis devem ser evitadas; Também deve ser evitada a 
forma excessivamente compacta, que pode prejudicar a compreensão do texto; O que importa é a clareza, mais que 
outras características estilísticas; Usar terminologia técnica somente na medida do necessário; Evitam-se pomposidade 
pretensiosa, fórmulas feitas e linguagem sentimental; Não cabem linguagem comum, expressões corriqueiras e gírias; 
A capa é um elemento obrigatório. Deve conter as informações seguintes, na mesma ordem: nome da instituição 
(opcional) o nome do autor deve ser colocado no alto da página; o título e o subtítulo (este se houver) ficam no 
centro da folha; o número do volume, se houver mais de um, também precisa ser colocado; o nome da cidade em que 
se situa a instituição a qual o trabalho está vinculado; e o ano de entrega. O nome do autor, colocado no alto da 
página, significa que ele é o responsável intelectual pelo trabalho. Por isso, não se justifica colocar o nome da 
instituição nessa posição em trabalhos, cuja responsabilidade intelectual e direitos autorais não são dela. Mas se 
houver essa exigência na forma como uma dada instituição organiza a elaboração dos trabalhos acadêmicos, o melhor 
é seguir o que está sendo exigido. 
Lombada é a parte que reúne as margens internas do lado esquerdo, mantendo-as juntas quer por cola, costura ou 
grampos, formando um caderno. Ela constitui um elemento opcional, pois quando as folhas se reúnem por espiral ou 
em número bastante reduzido, por exemplo, a junção das mesmas não forma lombada. A lombada de trabalhos 
acadêmicos deve trazer o nome do autor, ou dos autores, e o título; a de livros, além disso, precisa apresentar a 
logomarca da editora; e a de periódicos deve conter os elementos alfanuméricos que permitem identificar o volume, o 
fascículo e a data de publicação. 
A Folha de rosto é elemento obrigatório. Ela precisa conter as informações que seguem abaixo, na mesma ordem: 
nome do autor, pois é o responsável intelectual pelo trabalho, no alto da página; título principal do trabalho, 
acompanhado de subtítulo, se houver, que defina claramente o conteúdo do trabalho, constituindo um resumo de, no 
máximo 12 vocábulos, devendo o subtítulo ser introduzido, após o título, por dois pontos; o número do volume, 
havendo mais de um, deve ser impresso na folha de rosto; a natureza do trabalho (tese, TCC e outros), sua finalidade. 
O nome da instituição a que o trabalho está vinculado; o nome do orientador e sua titulação, o da cidade, o da 
instituição e o ano de entrega devem também estar registrados na folha de rosto. 
A Errata é opcional; se colocada, porém, tem lugar após a folha de rosto e seus dados são apresentados do seguinte 
modo: ERRATA Folha 3 Parágrafo 1 Linha 2 Onde se lê altura Leia-se alvura 
A Folha de aprovação é um elemento obrigatório a trabalhos que serão submetidos à aprovação, por exemplo, tese, 
TCC, pois nela será registrado o resultado da avaliação do trabalho, feita pelos examinadores. Por isso deve conter: a- 
nome do autor; b- título do trabalho (e subtítulo, se houver); c- natureza e objetivo, ou seja, tipo e porque foi 
elaborado, por exemplo: dissertação elaborada como parte dos requisitos do [...] para a obtenção do título de [...]; d- 
nome da instituição a que será submetido; e- nome dos componentes da banca examinadora, titulação, instituição a que 
pertencem e, após o resultado da avaliação, a data e a assinatura do examinador ou dos examinadores; f- data da 
aprovação. A data de aprovação e as assinaturas dos componentes da banca examinadora são colocadas, nessa ordem, 
após o resultado da avaliação. A folha de aprovação não é numerada; é contada apenas. Não leva título. 
Dedicatória, agradecimento e epígrafe são elementos opcionais; são colocados no trabalho, segundo o desejo do autor; 
devem, porém, ser postos na sequência aqui apresentada. A dedicatória é a folha em que o autor presta homenagem ou 
dedica seu trabalho a alguém. É colocada após a folha de aprovação; não leva título; não é numerada, mas é contada. 
Após a dedicatória, são colocados os agradecimentos que devem ser feitos às pessoas que efetivamente contribuíram 
para a elaboração do trabalho. É elemento opcional. Aos agradecimentos, segue a epígrafe, também opcional. A 
epígrafe, excerto retirado de alguma obra, alusivo ao assunto que será tratado, pode ser colocada tanto no início do 
trabalho como também na abertura de cada seção primária (capítulo). Colocada no início do trabalho, a folha da 
epígrafe será contada, mas não será numerada, nem conterá título, tal qual a folha de aprovação. 
A PRODUÇÃO DO TRABALHO MONOGRÁFICO II 
Ainda nos elementos pré-textuais, após a epígrafe, vem o resumo. Os trabalhos acadêmicos, além do resumo na língua 
vernácula, devem apresentá-lo também em uma língua estrangeira (graduação, mestrado) ou duas (doutorado). O 
resumo deve conter de 150 a 500 palavras e ser seguido da expressão Palavras-chave, colocando-se após estas, 
descritores ou palavras que sejam representativas do conteúdo que o trabalho oferece. O resumo deve pôr em 
evidência o objetivo, o método, os resultados e as conclusões do trabalho; da introdução retira-se o conteúdo 
necessário para contextualizar a questão analisada. É necessário que ele seja elaborado na forma de texto discursivo, 
usando-se o verbo na 3ª. pessoa, na voz ativa, formando frases concisas e afirmativas, compondo, preferentemente, um 
parágrafo apenas. Deve-se evitar símbolos e contrações que não são de uso corrente, bem como fórmulas, equações, 
diagramas que não são absolutamente necessários. Se forem incluídos, na primeira vez em que aparecerem, precisam 
estar acompanhados da devida explicação. O resumo será contado, mas não numerado. 
As listas de ilustrações, tabelas, abreviaturas,siglas e de símbolos são opcionais. Porém, são bastante úteis quando o 
trabalho acadêmico apresenta esses elementos em quantidade, pois facilitam a consulta ao leitor. As listas devem 
figurar no trabalho na ordem mencionada e podem ser específicas de cada um desses elementos. Desse modo, pode 
haver uma lista só de ilustrações, outra de tabelas, assim por diante, cada uma seguindo ordenação própria. As listas 
serão contadas, mas não serão numeradas. 
O Sumário é um elemento obrigatório que deve proporcionar visão de conjunto do conteúdo do trabalho, trazendo 
relacionadas as seções que o compõem, acompanhadas do número da página em que se acham o que facilita sua 
localização no texto. É, quase sempre, o último elemento pré-textual; não o será se for incluído prefácio no trabalho. 
Os elementos pré-textuais não são incluídos no sumário; os títulos das seções do texto são nele colocados, utilizando-
se a tipologia gráfica com que aparecem no texto. Os indicativos de seção do texto devem ser alinhados à esquerda. A 
paginação faz-se alinhando, à direita, o número das páginas em que se acham os títulos referidos. O sumário será 
contado, mas não será numerado. A numeração começa a ser inserida na introdução, apesar de já vir sendo contada 
desde a Folha de Rosto. 
Vamos nos atentar agora aos elementos textuais, que são a introdução, o desenvolvimento e a conclusão e constituem 
as partes essenciais da monografia. Trata-se de uma divisão lógica. Cada um desses elementos atende a uma finalidade 
própria e a relação que entre eles se estabelece configura uma estrutura orgânica, pois juntos compõem um todo, ou 
seja, a estrutura monográfica. Apesar dessa ordem lógica no texto, não são redigidos dessa forma. Recomenda-se que 
a redação siga a seguinte ordem: Desenvolvimento Conclusão Introdução A última parte a ser revisada é a introdução, 
já que, muitas vezes, são feitas alterações no desenvolvimento e esquece-se de também fazê-las na introdução. 
A introdução delimita o assunto, situa o problema a ser tratado, isto é, mostra em que contexto ele está inserido e que 
há conhecimento acumulado, disponível para isso. É chamado conhecimento partilhado por se entender que ele é de 
domínio dos que atuam na área: constitui a fundamentação teórica, pois possibilita a definição e delimitação dos 
objetivos da pesquisa. O nível de teorização e interpretação do conhecimento partilhado deve ser limitado em função 
do problema a ser tratado e da abrangência que se deseja alcançar. A introdução tem como função nortear as tarefas de 
investigação e sustentar a interpretação dos dados levantados, relacionando-se desse modo com o elemento que a 
segue, ou seja, o desenvolvimento. Por isso, se a seleção do conteúdo do quadro teórico e sua análise não forem 
criteriosas, todo o trabalho poderá ficar comprometido. 
O desenvolvimento é a principal parte do texto, apresenta o assunto pormenorizado, de modo explicativo; é dividido 
em seções e subseções, de acordo com a amplitude e a profundidade definidas para o tratamento de dados: é 
aconselhável que o autor se limite à quarta seção. Aqui são expostos os argumentos selecionados para defender a tese 
proposta, ou seja, atingir os objetivos fixados. Os argumentos precisam ser explicitados logicamente; ou melhor, é 
necessário demonstrar como as provas foram alcançadas e, na falta de consenso, discuti-las. 
A conclusão deve apresentar de forma sintetizada um resumo da argumentação e das provas explicitadas no 
desenvolvimento. Além disso, deve demonstrar logicamente a relação existente entre os argumentos e as provas 
levantadas e apresentar as inferências extraídas dos resultados com base na fundamentação teórica. A conclusão 
estabelece um balanço do trabalho desenvolvido, evidenciando suas contribuições e destacando o que pensar ser 
necessário. Por isso, muitas vezes se diz que a conclusão é um retorno à introdução. Constata-se, desse modo, que 
introdução, desenvolvimento e conclusão estão interligados, configuram uma estrutura orgânica: não constituem partes 
independentes, mas complementares e devem ter um encadeamento lógico das ideias e das propostas, garantindo ao 
trabalho boa qualidade. 
Referência é a relação das obras efetivamente utilizadas como base na elaboração do trabalho. Elemento obrigatório no 
texto, a seção “Referências” deve ter seu título alinhado à esquerda. Devem ser digitadas em espaço simples entre suas 
linhas e duplo entre uma referência e outra. Na aula 8 faremos uma abordagem mais específica das referências. 
O Glossário é um elemento opcional e trata-se de uma lista alfabética das palavras e expressões técnicas de uso 
restrito, ou pouco conhecidas, utilizadas no texto, acompanhadas das respectivas definições. É uma espécie de 
“dicionário” de palavras e expressões técnicas, utilizadas no texto. Sua função é a de auxiliar o leitor no momento da 
leitura do texto. 
O Apêndice é opcional e é o material ou texto elaborado pelo próprio autor do trabalho com objetivo de complementar 
sua argumentação. É identificado pela palavra APÊNDICE e apresenta letras maiúsculas consecutivas, travessão e 
título, alinhados à esquerda. A paginação deve ser contínua à do texto principal. 
O Anexo é opcional e é texto ou documento, não elaborado pelo autor do trabalho, que contribui para fundamentação, 
comprovação e ilustração do trabalho. Identificado pela palavra ANEXO e letras maiúsculas consecutivas, travessão e 
título, alinhado à esquerda. A paginação deve ser contínua à do texto principal. 
O Índice é opcional. É a relação de palavras e/ou frases, que ordenadas segundo determinado critério, remetem para 
informações inseridas no texto. 
Dados: ilustram e complementam o texto do trabalho. São eles: Tabelas Gráficos Figuras Quadros Eles não devem 
exceder as margens estabelecidas para a apresentação do trabalho, ocupando, preferencialmente, apenas uma folha. 
TRABALHO MONOGRÁFICO, BEM COMO AS REGRAS DA ABNT PARA AS CITAÇÕES 
Papel: deve ser branco, tamanho A4, utilizar a cor preta para as letras, sendo que somente as ilustrações podem 
apresentar outras cores. A fonte a ser utilizada é a Times New Roman ou Arial , do seguinte modo: a- fonte 12 para o 
texto; b- fonte 11 para títulos colocados abaixo de figuras, ilustrações e outros; c- fonte 10 para notas de rodapé; d- 
fonte 11, nas citações de três linhas ou mais; e- fonte 12, 14, 16, em caixa alta, negrito, itálico e outros para diferenciar 
títulos de subtítulos, ou seja, seções e subdivisões; f – fonte 16 para título e autor, 14 para subtítulo e 12 para demais 
elementos, na capa e folha de rosto. 
O texto deverá ser digitado com espaçamento 1,5 (um e meio); os títulos e subtítulos de seções e subseções ficam 
separados do texto que os precede e do que os sucede por dois espaços de mesma medida. Para as margens, são 
observadas as seguintes medidas: margens superior e esquerda são deixados 3 cm, para a direita e a inferior, 2 cm. 
Paginação: da folha de rosto em diante, todas as demais são contadas; devendo-se, porém, colocar algarismos arábicos 
para numerá-las somente a partir da Introdução. A posição do número é a 2 cm da borda superior e 2 cm da borda 
lateral direita da folha, portanto no alto da folha, à direita. Havendo anexos e apêndice, a numeração das folhas 
continuará normalmente até a última. 
As notas de rodapé são digitadas dentro da margem inferior, em fonte 10, ficando separadas do texto por um espaço 
simples de entrelinha e por um filete de três centímetros. Deve-se evitar o uso desnecessário de nota de rodapé, pois 
sua leitura implica interrupção da leitura do texto e, consequentemente, do raciocínio que o leitor vem desenvolvendo 
a partir das ideias expostas. 
Os números indicativos de seção, ou seja, das partes que estruturam uma monografiaseguem ordem progressiva e são 
colocados à esquerda, precedendo o respectivo título ou subtítulo. Os elementos sem título, como a epígrafe, ou os 
elementos com título, mas sem inúmero indicativo de seção, são sempre colocados no centro da linha, como é o caso 
dos agradecimentos, anexos, referências e outros. A numeração progressiva mostra como indicar as subdivisões do 
texto, podendo ser primária, secundária, terciária e outras. Vejam este exemplo: 2.3 Elementos pós-textuais em que 2 
representa uma seção primária e 3 a secundária (subseção, subdivisão). 
Agora, passaremos a estudar sobre os Elementos de Apoio ao Texto. Utilizaremos as seguintes normas: Para citações: 
NBR 10520 Citações em documentos. Rio de Janeiro: ABNT, 2002. Para referências bibliográficas: NBR 6023: 
Informação e documentação – Referências: Elaboração. Rio de Janeiro: ABNT, 2002. 
Veremos, agora, como são feitas as citações em um texto. Citação é a menção, no texto, de uma informação obtida de 
outra fonte, ou seja, tudo que você leu e coloca no seu texto deve ser mencionada a fonte. A citação pode ser uma 
transcrição ou paráfrase, direta ou indireta, de fonte escrita ou oral. Eu posso transcrever no meu texto exatamente o 
que está escrito no outro, ou fazer uma paráfrase, ou seja, escrever com outras palavras aquilo que foi dito no texto 
original. As citações podem ser representadas pelos sistemas numérico ou autor-data, devendo o sistema escolhido ser 
mantido ao longo de todo o trabalho. 
Sistema numérico: neste sistema os documentos citados são representados por números arábicos e em ordem crescente 
na medida em que aparecem no texto. A indicação numérica no texto deve ser feita situando-a de forma sobrescrita à 
linha do texto. Vejam este exemplo. Percebam que o número está indicado, sobrescrito, após a última palavra do 
texto citado. Essa numeração deve ser única e consecutiva e estará indicada na nota de rodapé, onde constará o autor 
da obra. Como já foi visto anteriormente, essa não é a melhor opção, pois o leitor, ao parar a leitura para ver a citação 
na nota de rodapé, acaba, muitas vezes, por perder o raciocínio que vinha desenvolvendo a partir das ideias expostas. 
Assim, o mais indicado é utilizar a lista de referências no final do trabalho. 
Sistema autor-data. Neste sistema, as citações devem incluir o autor, a data de publicação e a(s) página(s) do 
documento referenciado. No caso da indicação de autoria aparecer no decorrer do texto, apenas a inicial do nome deve 
aparecer em maiúscula, e quando a citação se apresentar entre parênteses, todas as letras do nome devem ser 
maiúsculas. Este tipo de citação tem sido mais utilizado nos trabalhos acadêmicos do que o sistema numérico. 
Vejam um exemplo de citação autor-data com apenas um autor: Temos aqui o sobrenome do autor com somente a letra 
inicial em maiúscula, seguido da data e página entre parênteses e a parte retirada do texto entre aspas. A mesma 
citação também pode acontecer de outra maneira, começando com a parte retirada do texto original entre aspas, 
seguido do sobrenome do autor, em letras maiúsculas, entre parênteses, juntamente com a data e a página. As duas 
maneiras são corretas, mas, ao optar por uma delas, deverá segui-la em todo o trabalho, certo? Citação com 2 até de 03 
autores. Ocorre da mesma maneira apresentada acima, apenas acrescentando o sobrenome de todos os autores. Aqui, 
novamente temos os sobrenomes com iniciais maiúsculas, a data e a página entre parênteses e o texto retirado do 
original entre aspas. Reparem que os sobrenomes estão separados por ponto e vírgula (;). Vejam o outro exemplo, 
agora com três autores. Nele, temos a citação entre aspas, seguida dos sobrenomes em letras maiúsculas, entre 
parênteses, juntamente com a data e a página. 
Citação com mais de 03 autores. Quando a obra for de autoria múltipla, deve ser citada pelo sobrenome do primeiro 
autor, seguido da expressão “et al.”, que significa “e outros”, o ano e página(s). Vejam o exemplo. Esta citação, como 
vimos anteriormente, também pode ser colocada no início, entre aspas, sendo que o sobrenome do autor vem em letras 
maiúsculas, entre parênteses, seguido da expressão et al., da data e página. Trabalhos diferentes de um mesmo autor 
publicados em anos diferentes devem ser citados pelo sobrenome, e os vários anos de publicação, em ordem 
cronológica, separados por vírgula (,). 
Para fazer citações de autores e trabalhos diferentes sobre uma mesma opinião, deve-se obedecer à ordem alfabética 
seguida de ordem cronológica. Vejam os exemplos. Citação de citação. É a transcrição de palavras textuais ou 
conceitos de um autor a cuja obra não se teve acesso direto. A citação de citação é indicada pelas expressões “apud” 
ou “citado por” e deve ser evitada, uma vez que a obra original não foi consultada e há risco de falsa interpretação e 
incorreções. Verifiquem o exemplo. Esta citação também pode ocorrer da outra maneira já aprendida: faz-se a cópia 
do texto original entre aspas e coloca-se o nome do autor, seguido da expressão “apud” ou “citado por” e indica-se o 
autor ou autores que o citaram, em letras maiúsculas, seguido da data e página. 
Citação direta ou textual: é a transcrição fiel de grafia, redação e pontuação do documento consultado. Deve ser 
apresentada entre aspas e trazer a indicação da data e página consultadas. Citação direta até 3 linhas: é inserida no 
texto, em fonte normal (Arial 12), entre aspas. Citação direta com mais de 3 linhas: deve ser destacada do texto, 
recuada a 4 cm da margem esquerda, digitada em tamanho menor (fonte 11) que o texto principal (fonte 12), em 
espaço simples e sem aspas. Vejam o exemplo e percebam que esta citação está recuada da margem esquerda, é escrita 
em fonte menor que a utilizada no texto, está em espaço simples, sem aspas, porém continua justificada. 
A citação indireta ocorre quando você reproduz as ideias e informações do documento, sem transcrição das palavras 
do autor, ou seja, você explica com as suas palavras o que o autor do texto afirmou. Neste caso, não se usam aspas, 
porque é você que está dizendo, mas deve ser indicada a referência da forma como foi mostrada nos slides anteriores. 
Não se esqueça de que deve-se deixar bem claro quem é que está falando, se é você ou o autor. 
AS NORMAS PARA REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS DA ABNT 
Referência bibliográfica é o conjunto de elementos que permitem a identificação de documentos no todo ou em parte, 
utilizados como fonte de consulta e citados nos trabalhos elaborados. As referências bibliográficas devem ser 
alinhadas à esquerda e digitadas utilizando-se espaço simples entre suas linhas. Entre uma referência e outra deve-se 
adotar espaço simples duplo. Uma observação importante: só devem ser mencionadas nas Referências as fontes ou os 
autores que foram citados no texto. 
Os ELEMENTOS ESSENCIAIS são aqueles indispensáveis à identificação de um documento: autor(es), título, 
edição, local, editora e data de publicação. ELEMENTOS COMPLEMENTARES: são aqueles opcionais 
que, acrescentados aos essenciais, permitem melhor caracterizar, localizar ou obter publicações: indicações de 
responsabilidade (tradutor, revisor etc), descrição física ou notas bibliográficas (nº de páginas ou volumes), 
ilustrações, dimensões, série ou coleção, notas especiais e o ISBN, que significa International Standard Book Number. 
Trata-se de um sistema internacional padronizado que identifica 
Normas das referências bibliográficas: Verificar se o material para o qual será elaborada a referência é uma 
monografia ou um periódico. E nós devemos fazer isso, pois a ABNT considera monografia materiais como livro, 
enciclopédia, dicionário ou outro material que trate de um aspecto apenas (lembre-se: mono= um, é a grafia de apenasum assunto). Já periódicos ou revistas são aqueles que trazem artigos que tratam cada um de um assunto diferente. A 
ABNT apresenta regras para Monografia, Periódicos ou revistas e outros elementos como teses, documentos jurídicos, 
DVD etc. Sabendo de que material se trata, o passo seguinte é buscar as regras que tratam de cada material específico. 
Em seguida, é preciso observar se será elaborada uma referência para o TODO, um livro ou uma revista, ou para a 
PARTE do TODO, capítulo de livro ou artigo de revista. Normalmente fazemos referência do livro no todo e para 
artigos de revista somente a parte do todo. A ABNT apresenta regras para todos os casos. Por fim, verifique se se trata 
de documento impresso ou eletrônico, internet por exemplo. Há regras específicas para os documentos eletrônicos. 
Vamos, agora, verificar alguns modelos de referências bibliográficas. Comecemos com uma Monografia no todo – 
que inclui livro, folheto, entre outros. Obra com apenas um autor: • Inicia-se pelo sobrenome do autor em letras 
maiúsculas. Indica-se também o nome, que pode ser: por extenso, abreviado, por extenso o primeiro e abreviados os 
demais. • O título vai em destaque gráfico, que pode ser em negrito (mais usado), itálico ou sublinhado. • Demais 
detalhes: indicação de edição (sem o “ª.”), local etc., considerando o sinal que é utilizado em cada caso. Além disso, 
nunca se indica a primeira edição. Apenas a partir da segunda. Quando temos sobrenomes que indicam parentesco 
(Júnior, Filho ou Neto) devemos colocar em maiúscula o último sobrenome, acompanhado do sobrenome de 
parentesco. Atenção para os exemplos. 
Monografia no todo, com até três autores: Neste caso, indicam-se os três autores separados por ponto-e-vírgula, assim 
como no sistema autor-data das citações. Com mais de três autores: como no sistema autor-data, para mais de três 
autores, cita-se um deles e utiliza-se a expressão latina “et al”, que significa “e outros”. 
Monografia no Todo, com indicação explícita de responsabilidade pelo conjunto da obra, como coordenador, 
organizador etc. Neste caso, deve-se apresentar o prenome e nome do autor responsável pela obra. Monografia no 
Todo, referenciada pelo título. Quando não há nenhuma indicação de autor, deve-se iniciar a referência pelo título. A 
primeira palavra do título fica toda em maiúscula (como se fosse o sobrenome). Para as demais, segue-se o que já foi 
indicado anteriormente. Observe na indicação da edição que se houver informações complementares importantes, elas 
devem ser indicadas de forma abreviada. Por exemplo: rev. amp. = revista e ampliada. 
Monografia no Todo, em formato eletrônico. Neste caso, além dos elementos já considerados, deve-se acrescentar o 
endereço eletrônico e a data de acesso. 
Monografia considerada em parte: Inicia-se a referência pela PARTE, ou seja, pelos dados do capítulo do livro: autor e 
título do capítulo. Não vai destaque gráfico no título da parte (capítulo). O destaque vai apenas para o título da obra 
(do todo), porque é por esse título que a obra será localizada e, obviamente, não pelo título do capítulo. Após a 
indicação do autor e título da parte, segue-se a expressão “In:”, que em inglês significa “dentro de”. Ao final, indica-se 
a página inicial e final do capítulo. Se o autor do capítulo for o mesmo autor da obra, não é necessário repetir o nome. 
Coloca-se na indicação do capítulo e quando for indicar o autor da obra, substitui-se o nome por um traço sublinhado 
de seis toques. Vejam os exemplos. 
Monografia considerada em parte em formato eletrônico: neste caso, além dos elementos já considerados, deve-se 
acrescentar o endereço eletrônico e a data de acesso. 
Dissertações e Teses devem seguir o seguinte formato: SOBRENOME em letras maiúsculas, Prenome com inicial 
maiúscula. Título em negrito : subtítulo sem negrito, em letra minúscula. Ano. Número de folhas. Natureza do trabalho 
(se é uma Dissertação de Mestrado ou uma Tese de Doutorado) – Faculdade, Universidade, Local, data. Para o 
formato eletrônico, acrescentar endereço eletrônico e data de acesso. 
Periódicos ou simplesmente revistas, científicas ou de banca, orientam-se pelas regras: TÍTULO. Local de Publicação: 
editor, data de início (e de encerramento da publicação, se houver). Atenção: continuam sendo válidas todas as regras 
já indicadas quanto à autoria, título, edição e ao que se refere à parte e todo da revista. O que muda é que em vez de 
editora indicam-se outras informações específicas de uma revista: ano, volume, número, periodicidade. Não é comum 
citar a publicação periódica como um todo, mas deixo aqui um modelo, caso seja necessário. Novamente, no formato 
eletrônico, devemos acrescentar o endereço eletrônico e a data do acesso. 
Publicações periódicas em parte. Como na regra das monografias, inicia-se pela parte: autor e título do artigo da 
revista. Neste caso não se utiliza a expressão “In:”. Entra-se direto com o título da Revista que virá com destaque 
gráfico porque catalogar os títulos de artigos representaria um trabalho imenso. Busca-se no acervo o título da revista e 
depois localiza-se o artigo pelas informações que vem em seguida: volume, número, página inicial e final do artigo etc. 
No formato eletrônico, devemos acrescentar o endereço eletrônico e a data do acesso. 
Para eventos, considerar as regras: NOME DO EVENTO. Numeração, ano e local de realização. Título, local de 
publicação, editora e ano. 
Para imagens em movimento: vídeos, DVDs, filmes, fitas de vídeo, devemos seguir: TÍTULO. Crédito (diretor, 
produtor, realizador). Local: produtor do vídeo. Ano. Descrição física (número de fitas, duração do filme em minutos, 
mencionar col. se colorido e P/B se preto e branco). (Mencionar a palavra son, caso seja sonoro). No caso de 
documentos de acesso exclusivo em meio eletrônico, ou seja, qualquer documento que não seja encontrado publicado 
em livros ou revistas, estando apenas em meio eletrônico, internet, devemos utilizar a seguinte regra: NOME. Local: 
Instituição responsável, data de início e de fim (se houver). Endereço eletrônico. Data do acesso. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO 
Conceito de Psicologia, buscando suas raízes históricas até a Modernidade. 
De acordo com a origem grega da palavra, Psicologia significa o estudo ou discurso (logos) acerca da alma ou espírito. 
Podemos afirmar por diferentes autores que enquanto ciência procura investigar o comportamento, o entendendo de 
maneira ampla, numa abordagem que inclui desde atividades diretamente observáveis como falar, caminhar; reações 
fisiológicas internas como batimentos cardíacos, alterações químicas internas e processos conscientes de sensação, 
pensamento, sentimento, etc. Na verdade, qualquer tentativa de tratamento isolado de fenômenos ativos, sensíveis, 
intelectuais ou inconscientes não corresponde à multiplicidade de um comportamento, pois em cada ato, em qualquer 
reação do homem, há uma interação entre estes aspectos. Assim a Psicologia enquanto ciência observa uma variedade 
de fenômenos humanos, desde atos observáveis aos não observáveis como os sentimentos, pensamentos e vivências. 
Considerando os comportamentos humanos como objetos de sua investigação, a Psicologia enquanto ciência 
caracteriza-se como um conjunto de conhecimentos sistematizados, obtidos por uma atividade humana que segue 
métodos rigorosos. Dentre as principais características da abordagem científica está a objetividade, isto é, as 
conclusões da investigação sobre os comportamentos observáveis e não observáveis das atividades humanas, que 
deverão ser baseadas em dados passíveis de mensuração (comprovação), que as tornem independentes de inclinações 
tendenciosas por parte do investigador. 
As primeiras explicaçõessobre o ser humano e a sua conduta foram de natureza sobrenatural, tal como para todos os 
demais eventos. Pensemos como ponto inicial de referência as comunidades tribais. Nestas comunidades o homem 
primitivo acreditava numa relação sagrada com a natureza. Os comportamentos humanos decorreriam desta relação 
com a tradição ancorada na mitologia e na relação mística do homem com a natureza. De maneira geral, as sociedades 
tribais são predominantemente míticas e de tradição oral. Para esses povos a natureza está “carregada de deuses”, e o 
sobrenatural penetra em todas as dependências da realidade vivida e não apenas no campo religioso, isto é, na ligação 
entre o indivíduo e o divino. O sagrado se manifesta na explicação da origem divina da técnica, da agricultura, das 
danças e dos desenhos. Ao agir o primitivo imita os deuses nos ritos que tornam atuais, presentes, os mitos 
primordiais, ou seja, cada um repete o que os deuses fizeram no início dos tempos. Os mitos e os ritos são transmitidos 
oralmente, e a tradição se impõe por meio da crença, permitindo a coesão do grupo e a repetição dos comportamentos 
considerados desejáveis. 
A vida tribal era marcada pela tradição oral dos mitos e ritos, desde a pré-história, quando os povos ainda não tinham 
escrita. É bom lembrar que historicamente as mudanças não ocorreram de forma igual em todos os lugares. Também 
não há uniformidade no tempo, uma vez que o modo de vida das tribos nos primórdios não desapareceu de todo, tanto 
que ainda há tribos que vivem dessa maneira. 
Na Antiguidade destacamos através dos filósofos pré-socráticos a busca pelo princípio único ordenador de todas as 
coisas (arkhé da physis), a partir da observação de como se dá o próprio cotidiano da natureza, buscando-se 
explicações sobre os elementos que constituem a matéria da natureza:a terra, a água, o fogo, o ar, até o átomo. Tales de 
Mileto, um filósofo pré-socrático grego do século VI aC, tem sido apontado como quem, primeiro procurou explicar 
os eventos naturais em função de outros eventos naturais, noção que até hoje apóia a ciência.Inclusive em relação ao 
comportamento humano. 
Antecedentes Filosóficos Gregos Sócrates (470-395 aC) é um marco na Filosofia, pois propõe formular perguntas 
adequadas, como um método de investigação que encaminha o pensamento em direção à essência das coisas, sem 
desvios. Com Sócrates, as questões morais deixam de ser tratadas como convenções baseadas nos costumes, as quais 
se modificam conforme as circunstâncias e os interesses, para se tornar problemas que exigem do pensamento uma 
elucidação racional. Nesse sentido, ele é o fundador da Ética. O pensamento precisa de um interlocutor, com quem 
possa sempre discutir. O verdadeiro conhecimento nasce deste diálogo. O diálogo cumpre a função de experimentação. 
Platão (427-347 aC) o mais importante sucessor da obra de Sócrates, sustenta a busca da verdade a partir de uma 
explicação racional para o mundo, que ultrapasse o campo das opiniões (doxa / senso comum) e objetive o verdadeiro 
conhecimento das essências: a episteme, que é a ciência. Sócrates e Platão os dois grandes filósofos gregos, com seus 
ensinamentos, fizeram com que despertasse o interesse pela natureza do homem, o que trouxe ao centro do 
questionamento filosófico da época inúmeras questões psicológicas. Aristóteles (384-322aC) é comumente apontado 
como filósofo que teria valorizado a observação como meio de se chegar a explicação dos eventos naturais, através de 
um método de investigação racionalista. A primeira doutrina sistemática dos fenômenos da vida psíquica foi 
formulada, na Antiga Grécia, por Aristóteles. Nos três livros De Anima, ele afirma que as idéias e a alma seriam 
independentes do tempo, do espaço e da matéria e, portanto, imortais. Temos assim, uma referência ao conceito da 
psique humana. 
Roma antiga O pensamento romano floresceu num ambiente de ócio (a vida sem trabalho proporcionada pela riqueza 
do Império e pelo emprego da mão de obra escrava), diferente do que aconteceu na Grécia, a atividade intelectual em 
Roma careceu de originalidade. Na Filosofia, os romanos elaboraram um pensamento eclético, uma mistura de várias 
correntes de pensamento. Marco Túlio Cícero (106-43 a.C) sustentava que deveria existir alguma forma de 
conhecimento para assegurar o consenso, que fossem além de mecanismos de aprendizagem mecânicos e superficiais, 
o que lhe importa não é o conhecimento das coisas por meio da razão, mas o que é razoável e conveniente para os 
homens, a partir da reflexão e da observação, nas quais as aptidões naturais são consideradas. 
A Psique Humana sendo forjada pela fé. Uma das referências sobre a psique humana na Idade Média é São Tomás de 
Aquino. Teólogo e religioso, para quem a filosofia deve seguir à fé. A individualidade da alma faz conceber o homem 
como dono de seus próprios atos, o único responsável pelo seu pecado. Sem essa responsabilidade individual, não 
haveria a moral nem a religião. Em 1250, com Tomás de Aquino (1224 – 1275), as obras de Aristóteles alcançaram 
um notável destaque. A determinação aristotélica das relações corpo-alma e as questões ligadas a elas sobre as 
diferentes funções psíquicas tornaram possível a este santo da Igreja medieval uma união entre a psicologia aristotélica 
com as doutrinas da Igreja. Na idade Média, há pouco interesse pelo estudo dos fenômenos naturais em si mesmos, 
talvez pelo fato de a grande predominância dos valores religiosos levar à crença que um interesse sobre os fenômenos 
naturais era nocivo para a salvação da alma. O homem é tido como imagem e semelhança de Deus. Tal concepção não 
favorece o desenvolvimento de uma ciência do homem, já que ele não podia ser objeto de investigação científica. 
Em nossa retrospectiva histórica e filosófica acompanhamos até a Modernidade as diferentes concepções que 
influenciaram as raízes históricas da Psicologia de maneira geral. 
PSICANALISE E PERSONALIDADE 
É com prazer que reencontro vocês para continuarmos nossos estudos sobre a Psicologia da Educação I. No encontro 
passado pudemos conhecer algumas concepções em Psicologia que emergiram no cenário histórico da Modernidade. 
No encontro de hoje dedicaremos maior atenção às contribuições de Freud por meio da Psicanálise e de suas 
implicações sobre a estruturação da personalidade humana. Então, vamos ao assunto. 
Freud foi o criador da Psicanálise. Médico neurologista e psiquiatra que por seus estudos comprovou que diversas 
doenças nervosas tinham origens psicológicas e não somente fisiológicas. Tais observações o levaram a desenvolver 
uma ampla teoria da vida mental, na qual reconhece que os seres humanos possuem pulsões, isto é, motivações 
psíquicas conscientes e inconscientes. A Psicanálise revela-se na obra freudiana como método investigativo e 
terapêutico. Segundo Freud, o comportamento humano baseia-se para além de suas motivações conscientes, racionais 
e cognitivas (lado patente, visível e compartilhável aos olhos dos outros). Estaria também motivado por um lado 
inconsciente, isto é, por impulsos ou instintos ora destrutivos (por exemplo, quando não se controla a agressividade ou 
a apatia), ora construtivos (por exemplo, quando buscamos nossa auto-preservação, ao satisfazermos nossas 
necessidades vitais). Embora muitas vezes tenham interpretado a importância da sexualidade em sua obra de maneira 
superficial ou preconceituosa, a mesma se revela como a energia pulsional que motiva o indivíduo não somente como 
sexualidade erótica, mas também como desejo de obter o princípio do prazer (da auto-realização) em todos os campos 
da vida. A teoria freudiana busca sempre dois princípios que se opões, lutam e movimentam com isso o 
desenvolvimento do indivíduo. Para frente ou para trás (busca porconexões no caminho do sujeito desde sua infância). 
É o conflito e o movimento dele resultante que fazem o indivíduo sair do lugar. Caso contrário, estaria fadado à 
permanência e à imutabilidade. Ao instituir um nome para as forças em luta – pulsões de autoconservação e pulsões 
sexuais – e os princípios de seu funcionamento – princípio da realidade e o princípio do prazer -, Freud formulou o 
conceito da dualidade pulsional (pela interação entre as pulsões de vida e de morte no sujeito). 
Estruturação da Personalidade a partir da Psicanálise Segundo a teoria freudiana a personalidade forma-se pela 
interação de três estruturas que constituem o aparelho psíquico no sujeito: Id; Ego; Superego O Id, consiste de desejos 
e impulsos que buscam expressar-se continuamente, motivado pela busca do princípio do prazer, pelos instintos e 
pelas ações reflexas (aquelas que estão condicionadas a se fazer, sem pensar, para a realização dos desejos vitais, 
pulsionais). Já o Ego caracteriza-se como mecanismo psíquico que controla todas as atividades do pensamento e do 
raciocínio. O ego age de maneira consciente, pré-consciente e inconsciente, mediando as pulsões do sujeito. É o lado 
patente da personalidade, agindo pelo princípio da realidade, pelo raciocínio e inteligência. O Superego constitui-se 
como mecanismo regulador dos impulsos inconscientes, estabelecendo o auto-controle a partir da moral. 
Estruturação da Personalidade Recuperando a nomenclatura psicanalítica, trataremos mais detalhadamente cada 
estrutura da personalidade segundo a teoria freudiana. A partir dela, pode-se afirmar que o ID constitui-se como a 
dimensão inconsciente, estando presente no psiquismo desde o nascimento, permeado de desejos e impulsos. Age de 
acordo com o princípio do prazer objetivando evitar a dor. Desta forma, quando surge o instinto o Id tenta satisfazê-lo 
imediatamente. 
Entretanto como o Id não está em contato direto com o mundo real, ele utiliza duas maneiras de obter satisfação.Uma 
delas é ao atuar por meio de ações reflexas. EX: Tossir, que alivia uma sensação desagradável de forma imediata. A 
outra e por meio de fantasias que Freud chamou de realização dos desejos. EX: uma pessoa forma uma imagem 
mental de um objeto ou uma imagem mental que gratifica parcialmente o instinto e alivia a sensação de tensão. Este 
tipo de pensamento ocorre com maior freqüência em sonhos e devaneios ou pode tomar outras formas. Embora o Id 
nem sempre realize estes desejos, estas imagens mentais,oferecem um alivio passageiro mas não podem satisfazer a 
maioria das necessidades. Apenas pensar em estar com alguém que você ama não é um substituto a altura do estar de 
fato com essa pessoa, portanto o Id por si só não é muito eficaz para satisfazer os instintos ele deve conectar-se à 
realidade se quiser aliviar sua tensão, e o faz a partir do elo com o Ego, conectando-se à realidade por meio do dele. 
Como vimos o ego controla as atividades de pensamento e raciocínio, agindo de forma parcial na mediação entre os 
níveis consciente, pré-consciente e inconsciente do aparelho psíquico. No caso do pré-consciente refere-se ao conteúdo 
que não se encontra no nível do consciente, mas pode ser facilmente recuperado, o Ego aprende a respeitar o mundo 
externo por meio dos sentidos procurando satisfazer os impulsos do Id (quando possível). Portanto, ao aprender sobre 
o mundo externo por meio dos sentidos e fazendo sua ligação para satisfazer os impulsos do Id ele age de acordo com 
o princípio da realidade. Por meio do raciocínio inteligente o Ego tenta adiar a satisfação dos desejos do Id até poder 
fazê-los de maneira segura e bem sucedida. 
Completando a descrição do funcionamento do psiquismo a partir da teoria freudiana, retomamos a constituição do 
Superego. Uma personalidade para funcionar de maneira saudável não pode fundamentar-se somente no Id e no Ego, 
pois seria totalmente egoísta. Decorre a necessidade de controlarmos nossos impulsos, função ocupada pelo Superego 
e que é construída socialmente por meio da internalização da moral. O Superego não está presente ao nascermos ele se 
desenvolve à medida que o indivíduo vai se relacionando com o que está a sua volta, sendo moral é histórico e 
constituído socialmente. Atua como consciência guia, sendo o ideal do Ego. Isso quer dizer que é o modelo de 
perfeição. O superego idealiza um modelo a partir do qual guia o Ego. É com base nessa comparação que regula os 
elementos para que o ego se realize ou não. EX: Um artista dominado por um Superego muito punitivo pode conceber 
a possibilidade de jamais se igualar a um Rebra e em desespero desistir de pintar, nem tosos Serão um Rebra, mas 
teremos excelentes pintores. 
Psicanálise e Educação: Pela teoria freudiana observamos: Que nossa personalidade resulta das interações entre o Id, o 
Ego e o Superego. Que a Psicanálise pode ser útil a reflexão dos educadores ao reconhecerem, de forma empática, a 
complexidade do comportamento humano, nele próprio e em todos os seus semelhantes. Pode-se dizer, por isso, que a 
Psicanálise pode transmitir ao educador (e não à Pedagogia, como um todo instituído, por não se tratar de metodologia 
pedagógica) uma ética, um modo de ver e entender sua prática educativa. É um saber que pode gerar, dependendo 
naturalmente, das possibilidades subjetivas de cada educador, uma posição, uma filosofia de trabalho. Assim, o 
encontro entro o que foi ensinado e a subjetividade de cada um é que torna possível o pensamento renovado, a criação, 
a geração de novos conhecimentos. Esse mundo desejante, que habita diferentemente cada um de nós. 
Concluindo nossa aula: No encontro de hoje conhecemos mais detalhadamente a teoria freudiana e refletimos sobre 
algumas de suas implicações para a Educação. Espero ter alcançado o objetivo de fazê-los refletir sobre as 
contribuições da Psicanálise para a abertura de oportunidades de mediação interpessoal, através da construção de 
relações autênticas e humanizadoras. 
PSICOLOGIA E O CONTEXTO DA MODERNIDADE 
Nosso foco de trabalho hoje é contextualizar o surgimento da Psicologia como ciência a partir da filosofia moderna até 
a contemporaneidade. Refletiremos acerca das diferentes concepções em Psicologia que poderão contribuir à prática 
educativa. 
Psicologia e o Contexto da Modernidade: Na Modernidade, a partir das transformações históricas ocorridas a partir do 
século XVII, dada a reorganização econômica capitalista (européia) e da consolidação da burguesia, emerge o 
pensamento moderno, marcado pela confiança na razão. A matemática é o grande modelo desse racionalismo. O 
nascimento da ciência moderna opôs-se ao aristotelismo, já que a ciência busca comprovações por meio da observação 
e do cálculo. Francis Bacon propõe um método experimental rigoroso que procura descrever todas as circunstâncias 
nas quais um fenômeno ocorre, pois “o saber é poder”. Galileu e Copérnico promovem a revolução heliocêntrica que 
se opõe ao geocentrismo de Ptolomeu do pensamento aristotélico.Destacamos também a importância de Johannes 
Kepler que teve como base de seus cálculos o heliocentrismo e como instrumento a matemática. Assim, o nascimento 
da ciência moderna opôs-se ao aristotelismo. Francis Bacon propõe um método experimental rigoroso que procura 
descrever todas as circunstâncias nas quais um fenômeno ocorre, pois “o saber é poder”. Copérnico O nascimento da 
ciência moderna opôs-se ao aristotelismo. Francis Bacon propõe um método experimental rigoroso que procura 
descrever todas as circunstâncias nas quais um fenômeno ocorre, pois “o saber é poder”. Copérnico O pensamento 
cartesiano de René Descartes como referência de um método rigoroso de consolidação da ciência em todos os campos 
de investigação. Para Psicologia destacam-se como marcas desteracionalismo moderno (séculos XVIII e XIX), o 
empirismo inglês e o racionalismo alemão. O pensamento cartesiano de René Descartes como referência de um 
método rigoroso de consolidação da ciência em todos os campos de investigação. Para Psicologia destacam-se como 
marcas deste racionalismo moderno (séculos XVIII e XIX), o empirismo inglês e o racionalismo alemão. 
Os filósofos dos séculos XVIII e XIX que tinham a mente e o seu funcionamento como objeto de estudo dividiram-se 
em duas escolas de pensamento: o empirismo inglês e o racionalismo alemão. Os primeiros valorizavam 
principalmente os processos de percepção e de aprendizagem no desenvolvimento da mente. Para eles, o conhecimento 
tem base sensorial: as associações fundamentam a memória e as idéias. É grande a importância do meio ambiente que 
estimula a percepção, que é por sua vez, a base do conhecimento. O cérebro desempenha papel primordial, já que é 
para onde se encaminham os estímulos sensoriais e onde se processa a percepção. Encontra-se a raiz filosófica das 
investigações biológicas dos fenômenos mentais. John Locke (1632-1704), ingês, é tido como o fundador do 
empirismo. Comparou a mente com uma “tabula rasa” onde seriam impressos, pela experiência, todas as idéias e 
conhecimentos. Nada existiria ali que não tivesse passado pelos sentidos. A Associação de idéias explicaria a vida 
mental. Os filósofos racionalistas, acreditavam que a mente tem capacidade inata para gerar idéias, independentemente 
dos estímulos do meio. Diminuíam, assim, a importância da percepção sensorial. Além disso, os racionalistas 
enfatizaram o papel da pessoa no processo de percepção, afirmando que a percepção é ativamente seletiva e não um 
processo passivo de registro, como colocavm os empriristas, afirmando que fazemos interpretações individuais das 
informações dos órgãos dos sentidos, que poderiam, por isso, ser bastante diferentes entre si.Observam-se mais as 
atividades da mente como de perceber, recordar, raciocinar e desejar emergindo o conceito de faculdades mentais 
como capacidades especiais da mente para realizar estas atividades. Um outro ponto em que discordavam empiristas e 
racionalistas está na possibilidade ou não de análise, ou decomposição dos fenômenos mentais. Para os empriirstas, a 
percepção ou uma idéia complexa era composta de partes, ou elementos mais simples. Buscavam identificar tais 
componentes simples, para poder compreender os fenômenos mentais complexos. Para os racionalistas, cada 
percepção é uma entidade indivisível. 
A ciência que se desenvolvia no contexto filosófico do empirismo e do racionalismo possibilitou no início do século 
XIX a pesquisa em laboratórios, dos processos orgânicos da percepção a partir de varaidos tipos de estimulação. 
Utilizavam-se nestes estudos, as respostas verbais dos sujeitos sobre o que sentiam quando estimulados, e isto 
favoreceu o surgimento posterior de laboratórios para estudar a mente, mostrando a possibilidade de a consciência do 
indivíduo sobre estas estimulações ser um objeto de estudo experimental. A Fisiologia do século XIX investigou e 
teorizou sobre a natureza da atividade nervosa, a velocidade de condução do impulso nervoso, mecanismos da visão e 
da audição. Este desenvolvimento da Fisiologia contribuiu grandemente para o surgimento da Psicologia, que 
proporcionou uma metodologia de laboratório. A Psicofísica ou Psicologia Experimental foi proposta por Gustav 
Theodor Fechner como o estudo quantitativo das relações existentes entre a vida mental (como as sensações, por 
exemplo) e os estímulos do mundo físico. Fechner e outros psicofísicos mostraram que é possível aplicar técnicas 
experimentais e procedimentos matemáticos ao estudo dos problemas psicológicos. Descrevemos até aqui os 
antecedentes científicos e filosóficos do surgimento da Psicologia como ciência, que através de Wilhelm Wundt teve a 
criação de seu primeiro laboratório na Universidade de Leipzig, na Alemanha. Fortemente influenciado pelos 
filíosofos empiristas e pelo desenvolvimento da Fisiologia e Psicofísica experimentais. Para Wundt o objeto da 
Psicologia era a análise da experiência consciente (ou conteúdo mental) nos seus componentes básicos e a 
determinação dos princípios pelos quais estes elementos simples se relacionam para formar a experiência complexa. 
Wundt fundou a escola psicológica que se denominou estruturalismo porque buscava a estrutura da mente, isto é, 
compreender os fenômenos mentais pela decomposição dos estados de consciência produzidos pela estimulação 
ambiental. O método utilizado, a introspecção (olhar para dentro), exigia sujeitos treinados para que pudessem 
observar e descrever minuciosamente suas sensações em função das características da estimulação a que eram 
submetidos. O relato deveria excluir o que fosse previamente conhecido e limitar-se ao que realmente foi 
experienciado sensorialmente. Como reação ao struturalismo de Wundt surgiu o funcionalismo que pode ser melhor 
descrito como um movimento do que como uma escola psicológica, já que criticavam a artificialidade da introspecção, 
a decomposição dos fenômenos mentais complexos em elementos simples e a estreiteza do âmbito de investigação. 
Denominavam-se funcionalistas por se interessarem mais no que a mente faz, nas suas funções, do que no que a mente 
é, ou em como se estrutura. Baseados nas concepções de Darwin sobre a evolução orgânica com a finalidade de 
adaptação ao ambiente, os funcionalistas estabeleceram, como objeto na Psicologia, a interação contínua entre 
organismo e o seu ambiente, que permita a adaptação do homem a ele. As funções mentais, como perceber e recordar 
têm o propósito de ajustar o indivíduo ao meio. A partir do funcionalismo é que se tomam para estudo, os problemas 
práticos e relevantes como o ensino das crianças, a medida das diferenças individuais, o efeito das condições 
ambientais na indústria, o comportamento anormal. Como matrizes puras de pensamento nem o estruturalismo nem o 
funcionalismo existem atualmente, mas influenciaram fortemente outras correntes psicológicas que perduram até a 
atualidade. 
O criador do Behaviorismo é John Watson, americano doutorado pela Universidade de Chicago. Descontente com a 
situação em que se esncontrava a Psicologia, e inspirado pelo grande desenvolvimento das ciências naturais na época, 
Watson propôs um novo objeto de estudo para a Psicologia: o comportamento (behavior) estritamente observ´svel. 
Com isso, descartou dos estudos os fenômenos mentais, sensações, imagens ou idéias, funções mentais e, a 
introspecção como método. Afirmava que a única fonte de dados sobre o homem era o seu comportamento, o que as 
pessoas faziam, o que diziam.Argumentava que apenas o comportamento era objetivo, e que apenas ele poderia ser o 
melhor critério para conclusões realmente científicas. Esta concepção valorizou os experimentos com animais, cujo 
comportamento mais simples facilita a investigação e possibilita conclusões transponíveis para os seres humanios.De 
forma independente, desenvolvia-se na Rússia, o trabalho do fisiólogo Ivan Pavlov sobre o reflexo condicionado. Esta 
noção foi recebida com entusiasmo pelo behaviorismo, pois possibilitava explicar o comportamento sem referência a 
processos internos que escapam à observação. O condicionamento passou a explicar as bases da aprendizagem. 
Coerente com a ênfase dada À aprendizagem, atribui-se papel primordial ao ambiente na formação da personalidade. 
A aprendizagem é a responsável pelas mudanças observáveis no comportamento.A Psicologia Behaviorista 
fundamenta-se na experimentação. 
Criada por Sigmund Freud, a psicanálise influenciou fortemente os rumos da Psicologia. Freud desenvolveu a sua 
teoria numa época em que a Psicologia se preocupava com a experiênciaconsciente, estudada pela introspecção. Ele 
era médico neurologista, trabalhava como psiquiatra clínico e insatisfeito com os procedimentos médicos tradicionais 
no tratamento das desordens mentais, passou a investigar as origens mentais dos comportamentos. Divulgou a noção 
de motivação inconsciente para o comportamento, enfocou a importância da primeira infância na formação da 
personalidade. Sua ênfase sobre a sexualidade como um dos motivos básicos do comportamento e como fonte de 
conflitos foi uma das razões da grande polêmica que se gerou em torno da teoria psicanalítica. A Psicanálise como 
método investigativo e terapêutico estuda o comportamento humano considerando seus impulsos ou instintos 
inconscientes. A personalidade forma-se a partir de três estruturas: O Id, o Ego e o Superego. O Id consiste de desejos 
e impulsos. O ego é o mecanismo psíquico que controla todas as atividades do pensamento e do raciocínio. O 
Superego é um mecanismo adquirido a partir da vida social que regula moralmente o funcionamento da personalidade. 
A Teoria Humanista da Personalidade referenciada por Carl Rogers defende que o ser humano é motivado em direção 
a níveis mais altos de funcionamento de tornar-se melhor a partir de aprendizagens significativas, buscando a auto-
realização partindo de seu autoconceito. Quando nosso autoconceito está intimamente relacionado às capacidades 
inatas, temos mais probabilidades de nos tornarmos o que Rogers chamou de pessoas em pleno funcionamento, auto-
direcionadas, abertas a experiências e aos seus próprios sentimentos, na busca pela realização de seu Self, seu 
verdadeiro eu. 
Acompanhamos o surgimento da Psicologia como ciência e a emergência de diferentes concepções em relação ao 
objeto de investigação e intervenção psicológica. 
APRENDIZAGEM 
Na continuidade de nossas aulas, estamos iniciando hoje o tema aprendizagem. Como havíamos sinalizado em nossos 
últimos encontros estaremos refletindo sobre as contribuições da Psicologia para a Educação. 
São inúmeras as contribuições da Psicologia para a Educação. Trataremos nesta aula, do conceito de aprendizagem. 
Nas diferentes concepções psicológicas, apesar de suas diferenças, reconhecemos que há um consenso em atribuir ao 
indivíduo uma capacidade essencial: a de aprender. Entretanto, os pontos de vista divergem quanto à natureza das 
aprendizagens. Relembrando nosso percurso até aqui, vimos que para os behavioristas, as aprendizagens são regidas 
por um certo número de leis gerais que podem ser descobertas somente a partir de fatos observáveis. A aprendizagem 
é definida como a modificação do comportamento pela experiência; e o estudo das aprendizagens, como uma ciência 
do comportamento. No entanto, o caminhar da história permitiu novas contribuições sobre este conceito, buscando ir 
além dos fenômenos observáveis chegando aos processos mentais que sustentam os comportamentos. O conceito de 
comportamento foi gradativamente agregando interações com as noções de conhecimento e de representação, levando 
em consideração o sujeito em sua complexidade, admitindo a importância de sua subjetividade, afetividade e de sua 
interação com seu meio sócio-cultural.Foi nesta nova perspectiva – com as quais melhor nos identificamos como 
referência da presente aula - , que se inseriram, sucessivamente, a teoria piagetiana e a abordagem cognitiva do 
processamento da informação. 
A natureza da Aprendizagem e do Ensino: Quando pensamos na natureza da aprendizagem e do ensino, admitimos 
que ao longo do processo de desenvolvimento, cada ser humano adquire gradualmente, uma infinidade de 
competências, regras, informações e maneiras de lidar com as pessoas, coisas e situações que resultam tanto de 
aprendizagem orientada de modo intencional, planejado, sistemático e controlado, como de processos espontâneos e 
até acidentais. Há um conjunto de aprendizagens intencionais e outro conjunto de aprendizagens a partir de vivências 
não sistematizadas. Porém, quando tratamos da aprendizagem associada ao ensino nas escolas de todos os níveis e 
modalidades há a necessidade de uma intervenção intencional. 
Há um conjunto de aprendizagens intencionais e outro conjunto de aprendizagens a partir de vivências não 
sistematizadas. Porém, quando tratamos da aprendizagem associada ao ensino nas escolas de todos os níveis e 
modalidades há a necessidade de uma intervenção intencional, pois o ensino se consolida através de um plano de 
trabalho que oportunize desenvolvimento de competências e envolvimento daqueles que participam no processo de 
aprendizagem. 
Assim, aprendizagem e ensino são processos que estão intimamente ligados entre si, como as duas faces de uma 
moeda. Correspondem às atividades fundamentais que ocorrem dentro das escolas, de modo sistemático, planejado, 
deliberado. A escola é sobretudo, um lugar onde as pessoas se reúnem para ensinar e aprender. Cabe ao educador 
avaliar continuamente por meio de diagnósticos e sondagens em que medida seu ensino resulta em aprendizagens. Faz-
se indispensável estabelecer um plano de trabalho fundamentado nas necessidades de aprendizagem de seus alunos.Há 
a necessidade do educador refletir sobre suas concepções de ensino e de aprendizagem para que possa conjunta e 
sistematicamente na prática educativa escolar planejar e replanejar sempre que necessário. 
A escola é, sobretudo, um lugar onde as pessoas se reúnem para ensinar e aprender. Aos educadores cabe o olhar 
atento de quem acompanha o aluno de forma integral, já que durante a aula, e em todos os espaços por onde passa o 
aluno explicita a maneira como está se relacionando com o mundo. Retomamos o próprio conceito de educação. As 
definições convencionais de educação algumas vezes limitam-se à caracterizá-la como o processo total por meio do 
qual o indivíduo, em interação com a cultura em que vive, desenvolve sua compreensão da realidade e assimila 
conhecimentos, técnicas, crenças, atitudes e valores. Mas quando lembramos a origem latina da palavra educatio e 
romana educare, admitimos que educar seja algo mais amplo já que significa criar, nutrir, desenvolver o educando. 
Para isso, faz-se indispensável um trabalho intencional e compartilhado entre aqueles que educam uma nova geração. 
Como vimos a escola é um lugar onde as pessoas se reúnem para ensinar e aprender. A escola deve acompanhar e 
intervir de maneira a observar em que medida o ensino gera novas aprendizagens. Deve observar o comportamento do 
aluno, a partir do que demonstra em ações observáveis, mas também atentar sensivelmente para sua afetividade e 
subjetividade, ressignificando seus gestos, palavras e produções. Deve observar como o aluno escuta, gesticula, fala 
olha, escreve, lê, movimenta-se na classe, manipula objetos e executa operações. 
Nesta perspectiva de ensino e de aprendizagem concebemos a educação como um conjunto de experiências pessoais 
ativas, dinâmicas, significativas, mutáveis, por meio das quais o indivíduo seleciona, internaliza informações, 
relaciona-as com as que já dispõe em seu repertório e as reorganiza, expressa ou utiliza para criar novos 
conhecimentos, vivências e informações, reorientando suas ações, interagindo com outras pessoas e modificando seu 
ambiente. 
Como foi dito, quando observamos a aprendizagem de alguém, não podemos considerar apenas os aspectos cognitivos 
relacionados a ela. É preciso reconhecer o aprendiz em sua singularidade, pois a aprendizagem não corresponde a um 
tipo específico de atividade. É uma mudança que ocorre no organismo, durante muitos tipos de atividades. 
Essencialmente, é um processo interno e pessoal, que acontece dentro do aprendiz. Mas só as ações e estados mentais 
do aprendiz – o que este faz, diz ou produz – permitem a um observador externo concluirse houve ou não houve 
aprendizagem, na extensão e com a profundidade desejadas. É claro que nem todos os estados mentais e 
comportamentos dos estudantes nas escolas se referem à aprendizagem. De igual modo, parte dos comportamentos dos 
estudantes nas escolas se referem a aprendizagem. De igual modo, parte dos comportamentos e estados mentais dos 
professores no interior das escolas pode estar ligada a aspectos particulares de suas vidas, a fatos, situações e coisas 
sem conexão com o ensino, pois, em certas circunstâncias, condições, fatores e ações totalmente estranhos à 
aprendizagem e ao ensino prejudicam ou bloqueiam totalmente estes processos. Trata-se da subjetividade de cada um, 
seu momento intransferível de conceber as pessoas, os conceitos e o mundo. 
Do encontro de hoje destacamos o conceito de aprendizagem, como processo complexo que está relacionado ao 
ensino, e que se dá por meio de mediações intencionais por parte do educador. Psicólogos e educadores em geral 
reconhecem que a aprendizagem é um processo complexo. Envolve muitas variáveis que se combinam de diversos 
modos, e está sujeita à influência de fatores internos e externos, individuais e sociais. 
APRENDIZAGEM II 
Na aula de hoje daremos continuidade a discussão de algumas concepções de aprendizagem. Para isso, apresentarei as 
contribuições da abordagem piagetiana e da abordagem sócio- histórica. Lembremos que até aqui, em nosso encontro 
anterior, observamos que a aprendizagem é um processo contínuo que nos acompanha ao longo da vida. Assim, 
reconhecemos que a aprendizagem é um conceito nuclear, tanto na psicologia como na pedagogia. Constitui um dos 
temas centrais da psicologia educacional, mas aparece igualmente como importante foco de atenção em outras áreas do 
conhecimento e da aplicação de natureza psicológica. 
Retomando os conteúdos trabalhados em nossa última aula, reafirmamos que a importância que assumem no cenário 
escolar não significa que a aprendizagem e o ensino pertençam exclusivamente a esse domínio, já que ao longo da vida 
estamos sempre aprendendo. Dentro da escola, a aprendizagem pode ser favorecida com a mobilização de fatores 
externos, suscetíveis de manipulação pelo professor, e fatores ou processos que funcionam dentro de cada aprendiz. 
Para isto, o professor precisa atentar para o planejamento da aprendizagem que pretende desenvolver no aprendiz. Em 
seu planejamento deve considerar quais competências deverão ser desenvolvidas no aluno. Mas para além da 
aprendizagem no cenário escolar, em seu desenvolvimento, a criança desde pequena aprende espontaneamente a 
coordenar seus movimentos, a reagir ao seu meio. Mas, nem tudo o que se aprende é 
necessariamente bom. A aprendizagem gera tanto a aquisição de competências socialmente aprovadas e benéficas para 
o aprendiz e para a comunidade, como aquisição de hábitos, idéias e habilidades questionáveis ou francamente 
prejudiciais. Disto, surge a necessidade de fazermos uma seleção dos conceitos, atitudes, procedimentos e ações que 
estão sendo objetivadas à aprendizagem do educando. Ensinamos às crianças virtudes, formas adequadas de expressão 
verbal, boas maneiras, moral, religião apreciação artística. Mas os defeitos, isto é, erros, maus hábitos, vícios, mau 
gosto, preconceitos, intolerância, crueldade, vaidade e muitos outros itens negativos como esses podem ser igualmente 
ensinados e aprendidos. 
A diversidade trazida pelo avanço tecnológico modificou profundamente a maneira como o homem passou a se 
relacionar com seu mundo, sendo ao mesmo tempo o sujeito produtor de sua cultura. O ser humano sofreu poucas 
mudanças anatômicas e fisiológicas, a maneira como o homem possibilita a aprendizagem é que se modificou. Ainda 
se tratando da diversidade, lembremos que há aprendizagem nos comportamentos tanto dos organismos humanos 
como dos animais. Refere-se igualmente ao comportamento de adaptação de sistemas conceituais inanimados, como 
máquinas, robôs, computadores etc.. Aplica-se não só ao comportamento do organismo intacto ou total, mas também à 
atividade de um sistema isolado de resposta. A aprendizagem está ligada não somente a uma longa tradição intelectual, 
teórica e estética, mas serve igualmente como fonte de aplicações práticas e tecnológicas que podem ser 
implementadas. 
As crianças resumem em si semelhanças em termos de capacidades. No adulto podemos perceber que serão latentes as 
diferenças decorridas de oportunidades de aprendizagem. Aquele adulto que conseguiu ao longo do seu 
desenvolvimento entrar em contato com informações e essas informações sistematizadas foram desenvolvendo 
habilidades, capacidades, fazendo com que ele entendesse as regras e finalmente fazendo com que se relacionasse com 
outras pessoas, demonstrando suas diferentes formas de aprender e de se relacionar com o mundo. Assim, a 
aprendizagem trata tanto do comportamento do sujeito muito bem sucedido, como aquele médio ou estatístico, assim 
como das diferenças individuais (aprendizes lentos, aprendizes rápidos, mais auditivos, mais visuais). Através das 
pesquisas sobre as temáticas psicológicas, concluiu-se que a aprendizagem tem uma realidade física ou estrutural (isto 
é, fisiológica, bioquímica etc.), assim como uma realidade estritamente psicológica ou operacional (funcional). Por 
outro lado, o ser humano ao ser permanentemente solicitado por seu meio físico ou sócio-cultural, interage com ele, 
aprendendo e contribuindo, havendo uma interação do social sobre o cognitivo É nesse sentido que destacamos a 
contribuição da abordagem piagetiana e da abordagem sócio-interacionista segundo Vygotsky. 
A abordagem piagetiana de aprendizagem: Não poderíamos deixar de apresentar as contribuições de Jean Piaget para 
na reflexão sobre a aprendizagem. Jean Piaget foi o nome mais influente no campo da educação durante a segunda 
metade do século XX. Entretanto, não existe um método de Piaget. Ele nunca atuou como pedagogo. Era biólogo e 
dedicou a vida a submeter à observação científica rigorosa o processo de aquisição de conhecimento pelo ser humano, 
particularmente a criança. Do estudo das concepções infantis de tempo, espaço, causalidade física, movimento e 
velocidade, Piaget criou um campo de investigação que denominou epistemologia genética – isto é, uma teoria do 
conhecimento centrada no desenvolvimento natural da criança. Segundo ele, o pensamento infantil passa por quatro 
estágios, desde o nascimento até o início da adolescência, quando a capacidade plena de raciocínio é atingida. Assim, 
além da importância do conteúdo propriamente dito de sua obra, Piaget simbolizou o pensamento de sua época. Para 
ele, a inteligência depende da ação do sujeito sobre os objetos, numa espécie de diálogo entre estruturas internas e a 
realidade externa. Nas palavras do próprio cientista: As estruturas operativas não resultam de aprendizagem nem de 
programa hereditário inato: assim não podem nascer senão de uma construção.Pois; se o indivíduo é passivo 
intelectualmente, não conseguirá ser livre moralmente. 
Os Estágios de Desenvolvimento: Segundo Piaget, há quatro estágios do desenvolvimento cognitivo: Sensório-motor: 
que vai até os dois anos. Nessa fase, as crianças adquirem a capacidade de administrar seus reflexos básicos para que 
gerem ações prazerosas ou vantajosas. É um período anterior à linguagem, no qual o beb^desenvolve a percepção de si 
mesmo e dos objetos a sua volta. Pré-operacional: vai dos dois aos sete anos e se caracteriza pelo surgimento da 
capacidade de dominar a linguagem e a representação do mundo por meio de símbolos. A criança continua egocêntrica 
e ainda não é capaz, moralmente de se colocar no lugar de outra pessoa (acredita que o mundo se organizaem função 
dela).. Das Operações Concretas:vai dos sete aos onze, doze anos. Tem como marca a aquisição da noção de 
reversibilidade das ações. Surge a lógica nos processos mentais e a habilidade de discriminar os objetos por 
similaridades e diferenças. A criança já pode dominar conceitos de tempo e número. Das Operações Formais: começa 
por volta dos doze anos. Essa fase marca a entrada na idade adulta, em termos cognitivos. O adolescente passa 
gradativamente a ter domínio do pensamento lógico e dedutivo, o que o habilita à experimentação mental. Isso 
implica, entre outras coisas, em relacionar conceitos abstratos e raciocinar sobre hipóteses. É preciso lembrar que 
Piaget queria abordar o conhecimento do ponto de vista de qualquer criança.Ressalto que na epistemologia genética de 
Piaget estes estágios são como marcos referenciais no desenvolvimento geral infantil, pois cada criança em sua 
singularidade, os vivenciará de acordo com sua cronologia pessoal e intransferível. 
A obra de Piaget nos leva a concluir que o trabalho de educar crianças não se refere tanto à transmissão de conteúdos 
quanto a favorecer a atividade mental do aluno.Conhecer sua obra, portanto, pode ajudar o professor a tornar seu 
trabalho mais eficiente. Algumas escolas planejam as suas atividades de acordo com os estágios do desenvolvimento 
cognitivo. Nas classes de Educação Infantil com crianças entre dois e três anos, por exemplo, não e difícil perceber 
que elas estão em plena descoberta da representação. Começam a brincar de ser outra pessoa, com imitação das 
atividades vistas em casa e dos personagens das histórias. A escola fará bem em dar vazão a isto promovendo uma 
ampliação do repertório de referências. Mas é importante lembrar que os modelos teóricos são sempre parciais e que, 
no caso de Piaget em particular, não existem receitas para a aprendizagem em sala de aula. 
No encontro de hoje aprofundamos o conceito de aprendizagem a partir das contribuições da Teoria Piagetiana. A 
teoria piagetiana foi apresentada como uma versão do conhecimento nos termos de um processo de construção de 
estruturas lógicas, explicada por mecanismos endógenos, e para a qual a intervenção social externa só pode ser 
“facilitadora” ou “obstaculizadora”. Em outras palavras, uma teoria universalista e individualista do desenvolvimento, 
capaz de oferecer um sujeito ativo porém abstrato (epistêmico), e que faz da aprendizagem um derivado do próprio 
desenvolvimento. Já a teoria de Vygotsky aparece como uma teoria histórico-social do desenvovimento que, pela 
primeira vez, propõe uma visão da formação das funções psíquicas superiores como “internalização” mediada da 
cultura e, portanto, postula um sujeito social que não é apenas ativo mas sobretudo interativo. 
APRENDIZAGEM E A TEORIA DOS PROCESSAMENTOS DE INFORMAÇÕES 
Retomando nosso percurso até aqui, em nossas aulas de Psicologia da Educação I, destacamos a seguir alguns dos 
aspectos geralmente incluídos nas concepções psicológicas da aprendizagem, já que a pesquisa e a teorização atuais a 
seu respeito, tendem a destacar cada vez mais, como vimos na aula passada, seus aspectos cognitivos, atribuindo 
importância central às características de aquisição de conhecimento e processamento de informação em substituição à 
tônica comportamental dominante na literatura científica da primeira metade do século XX. A moderna psicologia 
cognitiva em contraste com os anos anteriores nos quais os behavioristas (comportamentalistas) eram mais influentes, 
legitimou a grande contribuição dos aspectos cognitivos e sociocognitivos da aprendizagem.Contudo, segundo alguns 
estudiosos da psicologia como Glaser ainda pode-se observar “um forte impacto da contribuição comportamental na 
atualidade, em áreas nas quais a aprendizagem e a reaprendizagem do comportamento constituem um fenômeno 
importante, particularmente, nas situações terapêuticas de ambientes institucionais, como por exemplo, na educação 
especial e na instituição personalizada em todos os níveis de educação”. 
Assim, o prestígio do ponto de vista segundo o qual aprender é processar informações está ligado à expansão, ao 
refinamento e à aceitação crescentes da psicologia cognitiva (ou psicologia dos processos cognitivos). Nesta 
perspectiva, cognição refere-se a todos os processos por meio dos quais a entrada sensorial é transformada, reduzida, 
elaborada, armazenada, recuperada e usada em termos se sensação, percepção, evocação, solução de problemas e 
pensamento. Decorre que os psicólogos cognitivos, que concebem a aprendizagem em termos de processamento 
humano de informação, estudam como o ser humano assimila informações a partir do ambiente em que se encontra, 
transforma essas informações graças a processos centrais no sistema nervoso e usa as informações transformadas para 
tomar decisões, agir, lidar com objetos, interagir com outras pessoas, solucionar problemas, modificar o ambiente, 
inventar, criar, descobrir. 
Em recente revisão da literatura sobre teorias da aprendizagem, destacamos a contribuição de Kimble (1980) quando 
nos sinaliza que a partir da segunda metade do século XX, os teóricos da aprendizagem vêm devotando séria 
consideração científica a numerosos conceitos que, na primeira metade daquele século eram minimizados, sob a 
alegação de que se tratava de matéria subjetiva, introspectiva, mentalista, impossível de ser verificada 
experimentalmente. Os conceitos como os de imagem, representação, cognição, intenção, consciência e 
volição/vontade, passam numa abordagem mais contemporânea a ampliar a teoria da aprendizagem. Kimble lembra 
que as antigas teorias da aprendizagem tendiam a recorrer às leis da física como modelo e buscavam leis universais ou 
de ampla aplicação que menosprezavam as diferenças individuais na mesma espécie e as diferenças entre as espécies. 
O reconhecimento dessas diferenças vem merecendo a atenção dos teóricos contemporâneos e conduzindo a uma 
concepção de aprendizagem mais coerente com a realidade das limitações e dos potenciais varíavéis dos aprendizes. 
Talvez a principal lição a ser aprendida com o estudo acurado das numerosas teorias antigas e recentes da 
aprendizagem seja a pluralização deste último termo. Reconhecemos assim, a complexidade do termo, o ampliando 
para aprendizagens e não somente aprendizagem. Retomamos que: condicionamento clássico, condicionamento 
instrumental, aquisição de habilidades, aprendizagem de discriminação, formação de conceitos, aprendizagem verbal, 
aprendizagem de princípios, aprendizagem por imitação de modelos, solução de problemas – estas e outras categorias, 
tipos ou modalidades de aprendizagem, que vão desde as primitivas formas de ajustamento de organismos 
unicelulares, até formas extremamente complexas de aprendizagem intelectual humana, dificilmente podem ser 
“explicadas” e orientadas na prática exatamente da mesma forma. Seria realmente maravilhoso se uma única teoria da 
aprendizagem fosse suficiente para explicar toda essa diversidade. A verdade é que nenhuma teoria da aprendizagem 
cobre mais do que uma pequena fração dos fenômenos da aprendizagem. Assim, cada uma das teorias disponíveis 
serve ´para acentuar, no processo de aprendizagem, algum aspecto que devemos ter o cuidado de examinar para 
enriquecer nosso entendimento das situações de aprendizagem que observamos e nos ajudar a encontrar soluções para 
problemas práticos de aprendizagem com os quais temos que lidar. 
Devemos a Hilgard e Bower (1966) uma síntese particularmente das implicações das teorias da aprendizagem para a 
prática educacional. Essa síntese esclarece que várias generalizações tradicionalmente aceitas na pedagogia (como, por 
exemplo, as de que se aprende a fazer fazendo) encontram apoio nas pesquisas que estas suscitaram,embora sejam de 
origem diversa.Os princípios potencialmente úteis para a prática educativa são reunidos por Hilgard e Bower em três 
grupos. Dois referem-se à divisão, mencionada inicialmente neste capítulo, das teorias da aprendizagem em teorias, 
estímulo-resposta e teorias cognitivas; o terceiro grupo reúne princípios decorrentes de contribuições de teorias 
psicológicas da motivação e da personalidade: 
A partir da contribuição de Hilgard relembramos os princípios da aprendizagem a partir das perspectivas 
apresentadas: - a do condicionamento clássico (behaviorista ou pavloviano): Nela, os princípios realçadossão os das 
teorias estímulo-resposta nas quais: (a) o aprendiz deve responder ativamente às estimulações externas e suas respostas 
são fundamentais para que ocorra aprendizagem; (b) valoriza-se a frequência da repetição ou dos exercícios sendo 
importantes para aquisição de qualquer habilidade; (c) as respostas corretas ou desejadas devem ser reforçadas e 
devemos dar preferência ao reforçamento positivo (êxito, recompensas e similares) em oposição ao reforçamento 
negativo (punição); (d) a fim de que a aprendizagem se torne (ou permaneça) apropriada a uma larga amplitude de 
estímulos a desencadearem diferentes tipos de respostas comportamentais; (e) novos comportamentos são adquiridos 
por meio da imitação de modelos, com ajuda de pistas e através do processo de modelagem, isto é, por meio de 
condicionamento respondente. 
Princípios realçados pelas teorias cognitivas: Os aspectos parceptivos das situações e materiais da aprendizagem são 
condições importantes e indicam a importância da sua estruturação e apresentação, de modo que os aspectos essenciais 
possam ser captados pelo aprendiz; A organização do conhecimento influi na aprendizagem e a direção do simples 
para o complexo, isto é, um novo conceito a ser aprendido deve buscar referência em conhecimentos que o possam 
aprofundar; a aprendizagem com compreensão é mais permanente e transferível do que a mera decoração sem 
compreensão ou da memorização de fórmulas; O feedback cognitivo, ou seja, o retorno de aprendizagem, ressignifica 
o papel do erro o tornando um caminho para corrigir falhas da aprendizagem. A definição de alvos ou propósitos de 
aprendizagem pelo aprendiz, o motiva para o alcance de novas metas como desafios a serem reestruturados e 
superados. Articulação entre pensamentos divergentes e convergentes que a partir da análise, síntese, comparação e 
reflexão procuram solucionar criativamente situações-problema a partir de respostas coerentes e eficientes.E Em 
resumo: tais princípios passaram a considerar a possibilidade do pensar ativo por parte do aprendiz, o colocando no 
centro da abordagem da produção do conhecimento. 
Princípios realçados pelas teorias da motivação e da personalidade: Necessidade do respeito às diferenças entre os 
aprendizes; A aprendizagem deve ajustar-se às capacidades dos aprendizes, particularmente no que diz respeito às 
diferenças entre aprendizes mais lentos e mais rápidos e às suas capacidades especializadas; Importância dos aspectos 
fenotípicos (sócio-ambientais) para além dos hereditários (genotípicos);o aprendiz precisa ser considerado em relação 
às influências que modelaram seu desenvolvimento pós-natal, já que estas são tão importantes quanto os fatores 
hereditários e congênitos na determinação de capacidade e interesse, já que é na interação com seu meio que o sujeito 
mobiliza seus conhecimentos; Importância cultural nos processos de aprendizagem; a aprendizagem é culturalmente 
relativa, de modo que tanto a cultura mais ampla como a subcultura a que o aprendiz pertence podem afetar sua 
aprendizagem; Influência de fatores emocionais/subjetivos para as aprendizagens e a importância da dimensão 
interpessoal para as aprendizagens: podemos exemplificar tais condições em relação ao nível de ansiedade de uma 
pessoa que pode determinar um efeito benéfico ou prejudicial de certos tipos de encorajamento para aprender – e 
alguns tipos de tarefa, aprendizes com alta ansiedade exibem um desempenho melhor, se não são informados se seu 
desempenho está sendo bom ou mau, enquanto aprendizes com baixa ansiedade podem até trabalharem melhor se os 
interrompermos com comentários a respeito do seu progresso. Portanto, há influência de fatores subjetivos na 
aprendizagem da cada sujeito. E assim, em relação à importância da dimensão interpessoal para as aprendizagens, 
destaca-se a atmosfera coletiva das interações do sujeito com seus pares (isto é, suas motivações contextuais: 
competição ou cooperação, autoritarismo ou democracia, isolamento individual ou identificação com o grupo de que 
faz parte). Concluindo, tais motivações afetam a qualidade da aprendizagem. 
O estudo científico do processamento humano de informação ampliou-se com as contribuições contemporâneas 
geradas pelas tecnologias da informação e da comunicação, nas quais a aprendizagem é reconhecida como processo 
ativo de modificação e combinação de estruturas cognitivas alimentadas pelas informações. A noção central no 
processamento de informação é a de que os seres humanos assimilam informações do ambiente, transformam essa 
informação de acordo com processos centrais que, em princípio, são compreensíveis, e usam essa informação 
transformada como base para futuros comportamentos. Consideram-se os modelos de processamento de informação 
pertencem à categoria geral de modelos cognitivos e possibilitam um grau bem maior de flexibilidade e complexidade 
nos processos envolvidos do que as teorias do estímulo-resposta. 
Implicações individuais e sociais da informação: Informar ou ser informado, isto é, emitir ou receber uma informação 
é intrínseca a condição humana. A ação dos homens está estreitamente ligada à informação que possuem. No plano 
individual, um nível satisfatório de vida e oportunidades de progresso pessoal são, em grande parte, determinados pela 
amplitude e qualidade do repertório de informações da pessoa, assim como por sua competência informática, isto é, 
sua maior ou menor eficiência no emprego de habilidades e estratégias relacionadas com sua busca, seleção, 
compreensão e uso de informações relevantes para os seus propósitos. No plano social, o fácil, o rápido, o livre e o 
universal acesso às informações objetivas, confiáveis e bem fundamentadas constitui um dos principais divisores de 
águas entre as sociedades abertas (regimes democráticos) e as sociedades fechadas (regimes autoritários/totalitários). 
Informação é poder.Informação democraticamente compartilhada é poder compartilhado. As informações produzidas 
pelos homens pertencem a um ciclo da informação (ou conhecimento) que compreende: a criação, o registro, a 
disseminação ou propagação e o uso ou aplicação da informação. O ciclo da informação abrande grande número de 
processos, equipamentos, materiais, práticas, problemas e perspectivas, dando particular ênfase ao dinamismo e às 
mudanças de informação no atual contexto da vida humana.As informações ajudam-nos a tomar decisões entre várias 
vias de ação. Além dos conhecimentos consolidados e documentados, compreendem costumes, padrões de valor. 
Estilos, estratégias, habilidades, crenças, descobertas, previsões, invenções, procedimentos, tudo enfim , que possa 
servir de orientação e suporte a ação e ao pensamento. Disto, decorre que pode haver informação sem aprendizagem, 
mas não há aprendizagem sem informação. 
Procuramos, detectamos, apreendemos, incorporamos e utilizamos informações. Dentro de nós, as informações 
existem como representações internas armazenadas em estruturas cognitivas. Manipulamos de muitos modos essas 
representações organizadas a fim de responder de modo adaptado às demandas do ambiente. O processamento da 
informaçãono ser humano é um processo contínuo, dinâmico e complexo. Para fins didáticos, podemos segmentá-lo 
em três estágios principais: entrada (input), processamento propriamente dito e saída (output). Entrada refere-se tanto 
às portas sensoriais abertas, para que a informação passe do ambiente para o sistema nervoso do organismo, como aos 
mecanismos e recursos de que dispõe para buscar, detectar e captar parte da massa de informações disponíveis no meio 
que o cerca. Não se trata de um processo orientado de fora para dentro,, tampouco de um processo que se desloca 
somente de dentro para fora, mas de uma transação, na qual essas duas direções se integram, se articulam e se 
combinam. Selecionamos (filtramos) informações de acordo com a sua importância. Parte desse trabalho de filtragem 
sensorial e exclusão de estímulos não essenciais ocorre de modo espontâneo;mas podemos, planejar ensino e 
aprendizagem destinados a ajudar o aprendiz a se concentrar nos e estímulos relevantes. A mente humana como 
central de processamento da informação: Não basta captar dados sensoriais brutos. Precisamos discriminar, reconhecer 
e identificar operações mentais que dependem de experiências passadas. Precisamos registrar temporária ou 
permanentemente a informação na mente, compreender seu significado, transformá-la de modo a ajustá-la às estruturas 
cognitivas preexistentes. Realizamos mentalmente operações lógicas, estabelecemos relações, fazemos inferências, 
analisamos e reestruturamos nossas representações mentais, formulamos hipóteses e planos de ação, tomamos 
decisões, vaemo-nos de diferentes procedimentos para resolver problemas. Esses e outros trabalhos de nossa mente 
recebem a denominação genérica de processamento e informação. O comportamento e a vida psíquica podem, assim, 
ser concebidos com base numa integração entre informações superficiais e as retidas de modo duradouro, na memória 
e programas com os quais o ser humano processa as informações. O processamento de informações requer 
informações contidas na memória sob a forma de representações; mas requer igualmente a ativação de programas 
orientadores da execução de operações mentais com essas informações. Desta forma, entende-se por programa um 
plano operacioanl que dirige o processamento humano de informação em qualquer uma das suas Etapas, desde a 
entrada (busca, detecção, reconhecimento de padrão) e o armazenamento em estruturas semânticas, até a ´saída de 
informação (geração ou elaboração de informação e sua exteriorização. Dispomos de programas mentais quer para 
rotinas relativamente simples, que fuem segundo um conjunto de instruções arrumadas em uma sequência apropriada, 
quer para processos extremamente complexos. Saída e feedback: O estágio final do fluxo de informação em nossa 
mente é, pois, sua recuperação, quer para gerar uma saída como exteriorização de uma resposta ou para o uso na 
atividade cognitiva interna da pessoa. Processos de feedback podem desempenhar um papel decisivo em relação à 
saída. A pessoa realiza micro-avaliações de si mesma, a fim de verificar se está certa ou errada, se o seu desempenho 
está sendo adequado, se não está se afastando da rota que traçou para si própria. O conceito de feedback pode ser 
aplicado a processos que variam desde o mais simples movimento até tarefas complexas de solução de problemas. 
Importância da teoria do processamento de informações ao educador: Faz-se necessário ao educador consolidar uma 
prática pedagógica que objetive desenvolver a autonomia em seus educandos, especialmente em relação a oportunizar-
lhe o desenvolvimento da competência de aprender a melhor selecionar as informações de acordo com a sua 
relevância, procurando desenvolver uma sábia utilização desta informação. Convém ressaltar que processamento da 
informação é mais do que processamento de dados. Dados são símbolos que representam a informação, interessam-nos 
menos esses símbolos físicos em si e mais as suas representações (com seus significados e transformações) dentro de 
cada pessoas em particular. Assim, encerramos nossa aula, destacando a importância das tecnologias da informação e 
da comunicação para a aprendizagem. Vemos na atualidade pós-moderna o quanto a velocidade da informação 
influencia nossa realidade. A escola nesse cenário surge como espaço no qual se faz indispensável o desenvolvimento 
de projetos pedagógicos que estejam mais voltados ao desenvolvimento de competências e habilidades que 
proporcionem aos seus alunos uma atuação ética junto a construção do conhecimento, na qual saiba selecionar 
informações e as colocá-la em benefício ao maior número possível de semelhantes. Aqui destacamos a diferença entre 
informação, conhecimento e sabedoria. Mais do que o acúmulo de informações fragmentadas por seus alunos, a escola 
precisa perseguir como objetivo o uso do conhecimento construído significativamente por eles, para assim, alcançar 
com sabedoria uma postura mais ética em relação ao mundo.

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