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EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITODA VARA DO JURI DA COMARCA DE FORTALEZA-CE Mercedes,(nacionalidade), (estado civil), (profissão), registradano cadastro de pessoas físicas sob o correspondente número____, ___, e no registro geral de número___, (endereço eletrônico), residente e domiciliada na respectiva rua____, ____, nº ___, ___, bairro___, ___ , da cidade__, CEP:__,vêm por seu advogado,com endereço profissional na rua__, (bairro), (cidade), (Estado), que indica para os fins do artigo 77, inciso V do Código de Processo Civil Pátrio (CPC)aplicado analogicamente no Processo Penal, com fundamento no artigos 396, 396-A e 406 parágrafo 3º, todos do Código de Processo Penal Brasileiro- CPP(Decreto-Lei nº. 3.689/41),Apresentar:RESPOSTA À ACUSAÇÃO,PELOS SEGUINTES FATOS E FUNDAMENTOS JURÍDICOS QUE SE PASSA A EXPOR: I. DOS FATOS Carmélia, inimiga de longa data da ora Acusada, com a intenção de prejudicar Mercedes, armou emboscada no dia 10 de fevereiro de 2018, em Fortaleza-CE. Vale ressaltar que Carmélia muitas vezes já havia ameaçado de morte Mercedes por ocasião de que esta é atualmente companheira do seu ex-marido, Antônio, motivo pelo qual Carmélia nutria extremo ódio por Mercedes. Na data mencionada acima, Carmélia, portando uma arma de fogo, esperou Mercedes sair do mercado, arrastou-a pelos cabelos e a colocou de joelhos, apontando a arma para sua cabeça. Contudo, no momento em que seria o disparo a arma de Carmélia não funcionou, exato instante em que Mercedes aproveita para tirar o revolver da mão de sua pretensa carrasca, na intensa luta corporal a arma dispara acidentalmente vindo a atingir Carmélia na região do estômago. Passados poucos instantes,Carmélia foi socorrida pelos paramédicos, mas após um mês no hospital municipal desta Cidade veio a falecer. Cumpre desde agora dizer que as vizinhas de Mercedes, Sra. Ana Lúcia e Sra. Cláudia, que haviam acompanhado Mercedes ao mercado, assistiram e presenciaram todo ocorrido, tendo ainda ajudado Mercedes no socorro de Carmélia. Após conclusão do inquérito policial, o Ministério Público Estadual, em seu entendimento, denunciou Mercedes pela prática de crime doloso, havendo, por conseguinte recebimento da denúncia por este juízoem 06 de setembro de 2019, a citação da Acusada. Era o que se tinha a relatar de mais essencial, passa-se agora a exposição das razões que sustentam a defesa de Mercedes. II. DA INÉCPIA DA DENÚNCIA Sabe-se que a defesa no processo penal se consubstancia na ordem do ataque aos fatos alegados na peça acusatória, em respeito aos princípios da ampla defesa, da dignidade da pessoa e do devido processo legal, no entanto, pelo que se nota nestes autos, a peça denunciativa oferecida pelo Ministério Público Estadualresta-se eivada do vício de nulidade em razão da expressa generalidade em que foi descrito os fatos peloparquet, sem que tenha havido a descrição pormenorizada das circunstâncias e dos atos da agente ora Acusada, conforme preleciona oartigo 41e 564, inciso III, alínea “a)”, todosdo CPP,deixando,emassim sendo, impossibilitada a defesa de oferecer contra-argumentos de forma específica sobre o que foi acusada Mercedes.Nesse sentido: A PESSOA SOB INVESTIGAÇÃO PENAL TEM O DIREITO DE NÃO SER ACUSADA COM BASE EM DENÚNCIA INEPTA. - A denúncia deve conter a exposição do fato delituoso, descrito em toda a sua essência e narrado com todas as suas circunstâncias fundamentais. Essa narração, ainda que sucinta, impõe-se ao acusador como exigência derivada do postulado constitucional que assegura, ao réu, o exercício, em plenitude, do direito de defesa. Denúncia que deixa de estabelecer a necessária vinculação da conduta individual de cada agente aos eventos delituosos qualifica-se como denúncia inepta. Precedentes.(INFORMATIVO Nº 654. STF) “é possível ao Juiz reconsiderar a decisão de recebimento da denúncia, para rejeitá-la, quando acolhe matéria suscitada na resposta preliminar defensiva relativamente às hipóteses previstas nos incisos do art. 395 do Código de Processo Penal” (STJ, Quinta Turma, AgRg no REsp 1.291.039/ES 2011/0263983-6, Relator ministro Marco Aurélio Bellizze, julgado em 24/9/13). Desse modo, com apoio nosartigos41, 395, inciso I, e 396-A, todos do CPP, requer-se a rejeição da denúncia em vista danulidadeocorridapor ocasião de ser a peça manifestamente inepta. III. DO DIREITO 3.1. DA EXCLUDENTE DE ILICITUDE EM RAZÃO DA LEGÍTIMA DEFESA Excelência, faz-se mister desde logo arguir a tese de excludente de ilicitude em razão da legítima defesa ocorrida no fato sob análise, visto que, conforme pode ser confirmado pelos depoimentos pessoais das testemunhasde defesaaqui arroladas, Mercedes encontrava-se em estado de premente e grave perigo de vida oriundo de agressão injusta de Carmélia, não tendo, quando estava rendida de joelhos à espera do tiro fatal que só não saiu por providencial falha da arma de fogo, outra ação senão tentar render Carmélia e salvar a sua vida, razão pela qual deve-se reconhecer a excludente de ilicitude com fundamento no artigo 23, inciso II, do Código Penal Brasileiro – CP (Decreto-Lei nº. 2.848/1940). Art. 23 - Não há crime quando o agente pratica o fato: (...) II - em legítima defesa; (CP) Ademais, reitera-se que aluta corporalocorrida neste casoé nada mais do que o modo de defesa que restava a Mercedes naquele momento, em tais circunstâncias em que, não se sabe como e de onde, proveio o tiro que atingiu Carmélia, resolvendo-se assim esta ação penal naabsolvição sumária de Mercedes, em respeito ao artigo415, inciso IV,ou, como se nota, caso vencida a tese arguidaanteriormente, deve então haver aimpronúnciada Acusada, visto a dubiedade da autoria do tiro que acabouculminando na morte daquela,conformeartigos386, incisosVIe VII,e414, todosdo CPP. IV. DOS PEDIDOS Por todo o exposto, com o devido respeito e acatamento,passa-sea requerer: Inicialmentea rejeição da denúnciaoferecida pelo Ministério Público Estadual por decorrência de manifesta inépcia da peça acusatória, com esteionosartigos 41, 395, inciso I,396-Ae564, inciso III, alínea “a)”, todos do CPP; Aabsolvição sumáriada Acusada em razão da nítida causa excludente de ilicitude pela legítima defesa no caso em tela,com fundamento no artigo 23, inciso IIdo CP, eartigo 415, inciso IV, do CPP; Caso vencida as teses arguidas acima,declarar aimpronúncia da Acusada,visto a dubiedade da autoria do tiro que acabou culminando na mortede Carmélia, conforme artigos 386, incisosVIe VII, e 414, todos do CPP Se vencidos todos argumentos antes expostos, que se fixe a pena no mínimo legal; A notificação das testemunhasAna Lúcia eCláudia, para colhimento de seus depoimentos, e demais arroladas pela defesa, às quais residem:(endereços completos), (qualificações) Nestes termos, pede e espera deferimento. Local,quarta-feira,22de setembro de 2019. Advogado OAB/UF nº.