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MÉTODOS DE CARACTERIZAÇÃO E IDENTIFICAÇÃO EM FITOQUÍMICA

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MÉTODOS DE CARACTERIZAÇÃO E IDENTIFICAÇÃO EM FITOQUÍMICA
A investigação fitoquímica tem por objetivo verificar a presença de grupos de metabólitos secundários e caracterizar os constituintes químicos presentes nas espécies vegetais.
as plantas são fontes ricas em metabólitos com diferentes funções, que podem estar distribuídos de forma taxonômica mais restrita, como alcaloides, ou de forma ampla como os compostos fenólicos. Nesse contexto, o processo de caracterização química pode ter como objetivo a identificação de metabólitos específicos a uma determinada espécie, ajudando no processo de identificação do vegetal, procedimento chamado de quimiotaxonomia ou quimissistemática.
O processo de caracterização tem papel importante no controle de qualidade de drogas vegetais, identificação de compostos desconhecidos e busca de um grupo específico de metabólitos em uma espécie já caracterizada, visando o isolamento dos metabólitos de interesse.
RELEMBRAR O QUE SÃO METABÓLITOS PRIMÁRIOS E SECUNDÁRIOS.
A pesquisa fitoquímica busca conhecer os constituintes químicos das plantas ou conhecer o grupo de metabólitos secundários relevantes nas mesmas.
Quando não se dispõe de estudos químicos sobre as espécies de interesse, a análise fitoquímica preliminar pode indicar o grupo de metabólitos secundário relevante da mesma. Caso o interesse esteja restrito a uma classe específica de constituintes ou às substâncias responsáveis por certa atividade biológica, a investigação deverá ser direcionada para o isolamento e a elucidação estrutural da mesma.
As análises fitoquímicas fornecem informações relevantes da presença de metabólitos secundários nas plantas, para que assim possa chegar ao isolamento de princípios ativos importantes na produção de novos fitoterápicos.
É uma área multidisciplinar, e tem como objetivo a extração, isolamento, purificação e elucidação estrutural dos constituintes presentes em plantas, e que apresentam atividade biológica. Entre as classes de princípios ativos vegetais podemos citar os metabólitos secundários: alcalóides, cumarinas, esteróides, flavonóides, glicosídeos cardioativos, lignanas, óleos essenciais, saponinas, triterpenos, entre outros.
OBTENÇÃO DO MATERIAL VEGETAL
Antes do início da pesquisa fitoquímica, é necessário que o material vegetal passe pela autenticação e confirmação da espécie. Esses dados são obtidos a partir de parâmetros de identidade botânica por ensaios macro e microscópicos.
é essencial que se prepare uma exsicata para a identificação botânica e que a seleção do material coletado seja feita adequadamente, evitando coletar partes do vegetal afetadas por doenças, parasitas e também materiais estranhos. Parte integrante de uma identificação precisa e segura do material a ser utilizado na pesquisa fitoquímica, a determinação da época da coleta e da procedência do material pode evitar divergências na sua análise química, condicionada à sazonalidade e às condições do solo e do ar onde o vegetal cresce. A planta escolhida deve ser seguramente identificada por um botânico ou um técnico especializado.
Deve-se, ainda, atentar para o fato de que uma mesma espécie botânica pode possuir diferentes nomes populares ou, ao contrário, diferentes espécies botânicas com um mesmo nome popular, segundo a região ou população que as usa.
PREPARAÇÃO DA AMOSTRA
A investigação pode ser realizada com o material fresco ou seco. O seco é preferível pois impede degradação do material por reações de hidrólise e crescimento microbiano. Entretanto, existem algumas determinações, como por exemplo de peróxidos, que deve ser realizada com o material fresco.
O material vegetal pode ser seco em estufas de ar circulante, ou dispostas ao ambiente. As temperaturas devem ser baixas (inferior a 60° para que não haja degradação dos componentes químicos) com um tempo relativo de aprox. 7 dias, no qual uma amostra do material previamente separada, deve ser pesada diariamente até que o peso do mesmo fique constante.
MOAGEM
Tem por finalidade reduzir, mecanicamente, o MV a fragmentos de pequenas dimensões, preparando-o para a extração. O aumento da área de contato entre o MV solido e o liquido extrator torna mais eficiente a operação. A escolha das dimensões mais adequadas depende também da textura do órgão vegetal. Quanto mais rígidos os tecidos, maior será o grau de divisão necessário. Pode ser de forma mais grosseira como seccionamento com tesouras, até a utilização de moinhos para pulverização do material vegetal.
ANÁLISE FITOQUÍMICA
Para algumas substancias, em certos vegetais, podem-se realizar reações de caracterização diretamente sobre os tecidos do MV. Entretanto, na maioria das vezes, para se proceder a caracterização de um determinado grupo de substancias presentes em um vegetal, deve-se primeiro extrair essas substancias com um solvente adequado, para então caracterizá-las no extrato. 
Os processos extrativos apresentam diferentes características e objetivos, e são genericamente divididos em processos a frio e a quente, que podem ser em sistemas abertos ou fechados.
Principais métodos de extração a frio:
Maceração: Realizada em recipiente fechado, onde a DV fica em contato com liquido extrator por vários dias geralmente, sem renovação de solvente e com agitação ocasional.
Percolação: Ocorre o arraste dos metabólitos em percolador, com a passagem contínua de solvente, levando ao esgotamento da DV.
Turboextração: Ocorre a extração e diminuição do tamanho das partículas ao mesmo tempo, causando rompimento das células vegetais com consequente liberação de metabólitos. Técnica simples, rápida e versátil.
Principais métodos a quente em sistemas abertos:
Infusão: famosos “chá”. Contato do material vegetal com água fervente em sistema aberto. Indicado para partes vegetais mais moles e delicadas. Tem menor poder de extração.
Decocção: Material vegetal fica em contato com líquido extrator em ebulição. Indicado para materiais mais duros.
Principais métodos a quente em sistemas fechados:
Extração sob refluxo: DV em contato com extrator em ebulição, porém acoplado a condensadores. Tem alto poder de extração, mas não é indicado para compostos termo sensíveis, e pode ser utilizado com solventes como álcool e acetona.
Soxlet: Semelhante ao refluxo, porém a DV e o liquido extrator ficam em compartimentos diferentes. O solvente pode ser renovado a cada ciclo, possibilitando uma extração com maior eficiência.
ANÁLISE FITOQUÍMICA
Reações de caracterização
A caracterização dos principais grupos de metabólitos secundários é realizada por meio de ensaios clássicos, em reações que resultam em aparecimento de cor e/ou precipitado nas amostras analisadas. A limitação é a possibilidade de ocorrência de reações inespecíficas gerando resultados falso-positivos ou vice-versa.
As principais reações são:
alcaloides
São uma classe bastante abrangente de metabólitos secundários, originados de várias vias metabólicas. A função nos vegetais é principalmente a defesa com predadores (desde vertebrados, até micro-organismos). Por isso a maioria das substâncias dessa classe apresenta efeitos tóxicos, tendo como alvo principal os receptores adrenérgicos, dopaminérgicos, colinesterases, entre outros. Farmacologicamente apresentam atividades antimicrobianas, antiparasitárias e citotóxicas (sendo amplamente estudados contra o câncer).
A análise de presença de alcaloides é baseada na propriedade de apresentarem padrões de solubilidade distintos de acordo com o pH. O ensaio mais utilizado é o de Stass-Otto. Com reação positiva com formação de precipitado ou turvação após a add dos reagentes clássicos (Bertrand, Dragendorff, Mayer ou Wagner).
Antraquinonas
São produzidas no vegetal para defesa contra predadores e também para atividade alelopática. Farmacologicamente apresentam principalmente atividade laxativa.
Reação de Bornträger é a mais empregada. Baseia-se na solubilização desses compostos em solventes apolares, que se tornam avermelhados após alcalinização. Baseado na ionização de hidroxilas fenólicas,