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Autores: Prof. Eduardo A. Simões Geraldes Profa. Ivy Judensnaider Prof. Mauricio Felippe Manzalli Colaboradores: Prof. Santiago Valverde Profa. Ana Paula de Andrade Trubbianelli Prof. Livaldo dos Santos Avaliação de Desempenho Professores conteudistas: Eduardo A. Simões Geraldes/Ivy Judensnaider/ Maurício Felippe Manzalli Eduardo A. Simões Geraldes: arquiteto e urbanista pela Universidade Mackenzie; mestre e doutor em geografia pela Universidade de São Paulo. Atualmente é professor titular da Universidade Paulista – UNIP, nos cursos de Ciências Econômicas, Administração de Empresas, Ciências Contábeis e Secretariado Executivo Bilíngue. Também é professor dos cursos de pós-graduação em Comunicação e Marketing da Universidade Braz Cubas e atua como pesquisador no Grupo de Pesquisa Geografia Humanista e Cultural, filiado à Universidade Federal Fluminense. Ivy Judensnaider: economista pela Fundação Armando Álvares Penteado, mestra pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, no Programa de Estudos Pós-Graduados em História da Ciência. Atualmente é professora da Universidade Paulista – UNIP, nos cursos de Ciências Econômicas e Administração, onde coordena o curso de Ciências Econômicas no campus Marquês (SP). Também atua no setor de publicações, dirigindo a editora eletrônica arScientia, e é autora de inúmeros textos de divulgação científica publicados na web. Maurício Felippe Manzalli: economista pela Universidade Paulista – UNIP e mestre em Economia Política pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Atualmente é professor da UNIP, nos cursos de Ciências Econômicas e Administração, e também coordenador do curso de Ciências Econômicas na mesma universidade. © Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta obra pode ser reproduzida ou transmitida por qualquer forma e/ou quaisquer meios (eletrônico, incluindo fotocópia e gravação) ou arquivada em qualquer sistema ou banco de dados sem permissão escrita da Universidade Paulista. Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) G354 Geraldes, Eduardo A. Simões Avaliação de Desempenho./Eduardo A. SImões Geraldes; Ivy Judensnaider; Maurício Felippe Manzalli. - São Paulo: Editora Sol. 136 p. il. Nota: este volume está publicado nos Cadernos de Estudos e Pesquisas da UNIP, Série Didática, ano XVII, n. 2-063/11, ISSN 1517-9230 1.Administração 2.Avaliação 3.Desempenho I.Título CDU 658 Prof. Dr. João Carlos Di Genio Reitor Prof. Fábio Romeu de Carvalho Vice-Reitor de Planejamento, Administração e Finanças Profa. Melânia Dalla Torre Vice-Reitora de Unidades Universitárias Prof. Dr. Yugo Okida Vice-Reitor de Pós-Graduação e Pesquisa Profa. Dra. Marília Ancona-Lopez Vice-Reitora de Graduação Unip Interativa – EaD Profa. Elisabete Brihy Prof. Marcelo Souza Prof. Dr. Luiz Felipe Scabar Prof. Ivan Daliberto Frugoli Material Didático – EaD Comissão editorial: Dra. Angélica L. Carlini (UNIP) Dra. Divane Alves da Silva (UNIP) Dr. Ivan Dias da Motta (CESUMAR) Dra. Kátia Mosorov Alonso (UFMT) Dra. Valéria de Carvalho (UNIP) Apoio: Profa. Cláudia Regina Baptista – EaD Profa. Betisa Malaman – Comissão de Qualificação e Avaliação de Cursos Projeto gráfico: Prof. Alexandre Ponzetto Revisão: Andreia Gomes Sumário Avaliação de Desempenho APRESENTAçãO .....................................................................................................................................................7 INTRODUçãO ...........................................................................................................................................................8 Unidade I 1 CONCEITOS, HISTóRICO E EVOLUçãO ......................................................................................................11 1.1 O que é desempenho? O que é avaliação? .................................................................................11 2 OS PROCESSOS DE AVALIAçãO DE DESEMPENHO E AS ORGANIzAçõES ............................... 23 Unidade II 3 MéTODOS PARA AVALIAçãO DE DESEMPENHO ................................................................................. 39 3.1 Discutindo a questão dos métodos ............................................................................................. 39 4 OS MéTODOS DE AVALIAçãO DE DESEMPENHO: FOCOS DE AVALIAçãO, OBJETIVOS DO PROCESSO E PRINCIPAIS INSTRUMENTOS ................. 53 4.1 Métodos e tipos de avaliação de desempenho ........................................................................ 57 Unidade III 5 ETAPAS E INSTRUMENTOS DO PROCESSO DE AVALIAçãO DE DESEMPENHO ....................... 64 5.1 Etapas do processo de avaliação.................................................................................................... 64 6 AVALIAçãO DE DESEMPENHO E COMPORTAMENTO HUMANO NAS ORGANIzAçõES ...... 75 Unidade IV 7 DESAFIOS ATUAIS ............................................................................................................................................ 90 7.1 Desafios para gestores ........................................................................................................................ 90 7.2 Mudanças pertinentes ao ambiente de trabalho .................................................................... 93 8 CASOS E RESULTADOS DE AVALIAçãO DE DESEMPENHO ........................................................... 114 7 APrESEntAção O livro-texto que aqui apresentamos servirá de apoio ao estudo da disciplina de Avaliação de Desempenho, que tem como objetivo discutir o processo de avaliação de desempenho como instrumento de auxílio à tomada de decisão empresarial. Ele está dividido em quatro unidades. Em cada unidade, você encontrará: a) textos explicativos que elucidam a matéria; b) resumo do conteúdo estudado; c) exercícios comentados; d) tópicos para refletir, em que convidamos você a pensar sobre assuntos da atualidade; e) a seção Saiba mais, em que indicamos filmes e livros que, de alguma forma, complementam os temas investigados. Não deixe de explorar essas sugestões: garantimos que você ampliará seu conhecimento sobre os temas apresentados e que essa ampliação será extremamente útil não apenas na questão específica da disciplina, mas na sua vida profissional; f) os Lembretes – anotações pontuais que remetem a alguma informação já conhecida – e as Observações – apontamentos que chamam sua atenção para algum ponto a ser destacado sobre o assunto em desenvolvimento – são recursos que reforçam algumas questões. é importante, também, salientar que, neste livro-texto, construiremos juntos o conhecimento relativo à importância e à execução da avaliação de desempenho, em particular no tocante à gestão de pessoas e à área de recursos humanos. Nossa proposta, portanto, não é a de tão somente transferir um conjunto predeterminado de saberes. As escolhas metodológicas e didáticas a partir das quais o livro-texto foi confeccionado incluem o aperfeiçoamento do espírito crítico e o desenvolvimento das capacidades e habilidades de produção e geração de conhecimento. Dessa forma, você poderá notar que os conteúdos estão sempre entrelaçados às situações concretas das organizações, e tal estratégia permitirá que você desenvolva, com autonomia, o seu próprio saber em relação às avaliações de desempenho. Cada unidade foi elaborada para atender a determinados objetivos. Na Unidade I, entraremos em contato com os principais conceitos relativos à avaliação do desempenho, bem como contextualizaremos essa atividade dentro das organizações. Investigaremos, ainda, os passos para o processo de implantação da avaliação de desempenho em uma organização. Na Unidade II, conheceremos com detalhes os métodos disponíveis para avaliação de desempenho. A Unidade III apresenta outrasconsiderações acerca da avaliação de desempenho e dos desafios para os profissionais da área, abre uma discussão sobre a importância do treinamento e aprendizado organizacional e apresenta alguns casos de empresas que adotaram avaliação de desempenho como instrumento de gestão. A Unidade IV apresenta uma discussão sobre os desafios da área, bem como da avaliação de desempenho. 8 Esperamos que você aprecie este livro-texto e que, a partir dele, possa conhecer e dominar os processos de avaliação de desempenho e seus impactos nas organizações. Bom trabalho! IntroDução Em abril de 2011, uma séria crise abalou a Orquestra Sinfônica Brasileira. O conflito surgiu como resultado da decisão do maestro de avaliar o desempenho dos 82 músicos da Orquestra, avaliação essa que consistia numa prova diante de uma banca internacional. As consequências dessa decisão foram as piores possíveis. Ao todo, 44 músicos não compareceram às avaliações; 35 foram demitidos por insubordinação grave. Outros oito podem ser dispensados se não comparecerem à segunda chamada do teste. “Nunca houve uma avaliação de desempenho nesses moldes. Entendemos que a avaliação se dá diariamente pelo maestro, no palco”, diz Debora Cheyne, presidente do Sindicato dos Músicos do Rio de Janeiro e viola da OSB Luzer. Uma parte dos músicos concorda com o sistema de avaliação. “Acho que avaliações são sempre boas quando motiva. A meta é melhorar”, argumenta Luiz Felipe Santiago Ruiz, fagote da OSB. “Muito me espanta uma resistência a um projeto que vai oferecer os melhores salários do Brasil e competitivos internacionalmente, que visa dar condições excelentes de trabalhos para os músicos. Em contrapartida, exige que se apresentem em uma avaliação tocando um repertório que já deveria estar embaixo dos dedos do músico comum”, opina Roberto Minczuk1. O ocorrido com a Orquestra não é exceção. Avaliações, de forma geral, causam desconforto, geram controvérsia, provocam discussões intermináveis quanto aos critérios utilizados e levantam suspeitas em relação à utilização de seus resultados. Isso ocorre, inclusive, nos grupos que estão acostumados com processos de avaliação: recentes tentativas de implantar sistemas de avaliação do desempenho de professores causaram conflitos e debates intermináveis. Polêmica entre especialistas da educação e sindicatos de professores, é cada vez mais comum no Brasil a avaliação de docentes da rede pública, com recompensa financeira para aqueles que tenham melhor desempenho. Inspiradas em experiências de países como Estados Unidos e Chile, as avaliações já são feitas na Bahia, Ceará, Espírito Santo, Minas Gerais, Pernambuco e São Paulo – seis Estados administrados por partidos diversos, como o PSDB e o PT. Apesar de serem cada vez mais frequentes nas redes públicas brasileiras, não há ainda consenso sobre a eficácia dessas avaliações 1Disponível em: <http://g1.globo.com/bom-dia-brasil/noticia/2011/04/projeto-de-avaliacao-de-musicos-abre- crise-na-orquestra-sinfonica-brasileira.html>. Acesso em: 15 maio 2011. 9 para elevar a qualidade do ensino. Sindicatos de professores dizem que elas são simplistas, por se basearem apenas em testes e não tocarem nas questões dos salários e condições de trabalho precárias. Já os gestores do ensino afirmam que elas são importantes fatores de estímulo2. Se o desconforto ocorre com profissionais que apresentam intimidade com processos avaliativos, pode-se imaginar a dificuldade na avaliação do desempenho de pessoas ou grupos de pessoas não acostumadas com esse processo. No entanto, assumimos aqui um pressuposto: a avaliação de desempenho é peça fundamental para o funcionamento das organizações. Empresas e outras instituições têm na avaliação de desempenho um instrumento poderoso para acompanhar os resultados de suas ações e os frutos do seu planejamento. Afinal, segundo Brandão e Guimarães (2001, p.12), [...] as organizações modernas necessitam de mecanismos de avaliação de desempenho em seus diversos níveis, desde o corporativo até o individual, pois (...) o desempenho no trabalho é resultante não apenas das competências inerentes ao indivíduo, mas também das relações interpessoais, do ambiente de trabalho e das características da organização. Já que não podemos, portanto, prescindir da avaliação de desempenho, trata-se então de fazê-la da melhor forma possível. é o que aprenderemos nesta disciplina! 2Disponível em: <http://www.udemo.org.br/Leituras_575_Sob_polemica_avalia%C3%A7%C3%A3o_de_ professores_cresce_no_pais.html>. Acesso em: 15 maio 2011. 11 Re vi sã o: A nd re ia - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 2/ 12 /1 1 AvAliAção de desempenho Unidade I 1 ConCEItoS, hIStórICo E Evolução 1.1 o que é desempenho? o que é avaliação? Determinados termos, de tanto serem utilizados, acabam por perder o sentido. Melhor: ficam vazios de conteúdo. Isso ocorre quando falamos em avaliação de desempenho. Estamos tão acostumados a inserir essas palavras em nossos diálogos que as tornamos indefinidas em termos de significado. Vamos preencher essa lacuna e, inicialmente, vejamos a seguir alguns trechos de notícias publicadas em diversas mídias: a) “Em pouco tempo, atletas começarão a usar a manipulação genética como doping para aumentar desde os seus músculos até a sua velocidade. Quem diz isso é Mark Frankel, especialista em modificação genética e bioética da Associação Americana para o Avanço da Ciência. (...) Mas Frankel alerta que os atletas podem querer fazer mau uso da geneterapia, (...) [utilizando] as técnicas para melhorar o seu desempenho artificialmente”3; b) “Os empresários da construção civil estão mais otimistas com o desempenho do setor e as perspectivas para 2011, mas ainda preocupados com a inflação, segundo pesquisa divulgada nesta quarta-feira pelo SindusCon-SP (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo) em parceria com a FGV (Fundação Getulio Vargas)”4; c) “Muitas vezes, a ajuda para seu filho ter um bom desempenho na escola é uma questão de ‘mais’ ou ‘menos’: Mais escuta, menos repreensão; mais questionamentos, menos queixas inúteis; mais elogios, menos detalhamentos; mais busca de sugestões, menos oferecimento de conselhos”5; d) “Superior ao companheiro Fernando Alonso no Grande Prêmio da Malásia com a quinta posição, uma à frente do espanhol, o brasileiro Felipe Massa classificou como uma ‘vergonha’ o tempo perdido nos boxes em seu primeiro pit stop e afirmou que poderia ter brigado pelo pódio. Felipe Massa fez uma boa largada e estava se aproximando do inglês Jenson Button na tentativa de brigar pelo quarto lugar, quando foi para os boxes e o trabalho da Ferrari foi problemático, com a demora na troca do pneu dianteiro esquerdo, o que fez o brasileiro perder tempo e posições na volta para a pista. O piloto brasileiro ainda cobrou mais uma 3Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br/folha/ciencia/ult306u694117.shtml>. Acesso em: 14 abr. 2011. 4Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br/mercado/892744-construcao-mantem-otimismo-com- desempenho-aponta-sinduscon-sp.shtml>. Acesso em: 14 abr. 2011. 5Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br/folha/publifolha/ult10037u351858.shtml>. Acesso em: 14 abr. 2011. 12 Unidade I Re vi sã o: A nd re ia - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 2/ 12 /1 1 vez a melhora do carro, já que o desempenho no treino de classificação não lhe deixou em boa posição para largar na corrida, quando Massa conseguiu fazer uma boa corrida dentro de suas condições”3. O que têm em comum esses textos sobre atletismo, construção civil, processo de aprendizagem e automobilismo? Todos dizem respeito aos mais variados desempenhos, quer dizer, todos tratam de performances ou rendimentos,de resultados em função da posse de certas habilidades, capacidades ou características. No caso do atletismo, a performance de atletas; no caso da construção civil, a performance de um setor da economia; no caso do processo de aprendizagem, a performance dos que estão envolvidos no processo; finalmente, no caso do automobilismo, a performance dos corredores. Falamos em desempenho ao tratar de pessoas, grupos de pessoas, organizações ou países. Mais: em relação a essas pessoas, grupos, organizações ou países, o desempenho está relacionado ao exercício de alguma atividade que, por sua vez, resulta da posse de alguma característica ou de algum talento. Também pode resultar da prática funcional ou da ação em direção a algum propósito. Assim, o desempenho de um ator pode estar relacionado à sua capacidade de emocionar a plateia. O desempenho de uma empresa pode significar o montante de lucros que ela amealha durante certo período de tempo. O desempenho de um país pode representar o quanto ele alcança em termos de PIB (Produto Interno Bruto). Por que utilizamos acima o vocábulo “pode”? Porque o desempenho de um ator pode estar relacionado não à capacidade de emocionar a plateia, mas à aceitação da crítica especializada. O desempenho de uma empresa pode significar o quanto do mercado ela domina. O desempenho de um país pode ser medido pelo quanto de riqueza há distribuída entre seus habitantes. Dessa forma, o desempenho não apenas diz respeito a uma única variável ou dimensão: ele depende da escolha ou da seleção daquela propriedade ou característica de algo ou de alguém a qual estamos nos referindo. Vejamos um exemplo: a Revista época, em 2011, anunciou os resultados de uma pesquisa relativa ao desempenho das empresas chinesas, japonesas e brasileiras. O que a pesquisa entendeu como desempenho? Para falar de desempenho, a pesquisa levou em consideração quatro variáveis: gestão de pessoas, gestão de produção, definição de metas e monitoramento de resultados. Assim, ao falar de desempenho, sabemos que ele é compreendido a partir desses critérios. A seguir, os resultados da pesquisa: 3Disponível em: <http://www.radiometropole.com.br/novoesporte/esportes/automobilismo/felipe-massa-diz-que- erro-em-pit-stop-foi-vergonha.html>. Acesso em: 14 abr. 2011. 13 Re vi sã o: A nd re ia - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 2/ 12 /1 1 AvAliAção de desempenho 72% 52% 24%China Brasil EUA Porcentual médio de “bom“ e “excelente“ obtido pelas empresas de gestão de pessoas, gestão da produção, definição de metas e monitoramento de resultados: Fonte: Pesquisa do Observatório da Gestão da Escola de Administração de Empresas de São Paulo, da Fundação Getúlio Vargas (EASESP-FGV) Figura 1 – Desempenho de empresas na China, no Brasil e nos Estados Unidos. O que a figura nos mostra? Que as empresas americanas apresentaram o melhor desempenho na pesquisa. Desempenho em relação ao quê? A resposta é: às variáveis explicativas do que se entende por desempenho. Vamos a outro exemplo. Sellito e Walter (2006) desenvolveram um estudo para investigar o desempenho de uma manufatura de equipamentos eletrônicos segundo critérios de competição. Para tanto, eles tiveram que “conceituar” desempenho a partir dos critérios selecionados. Veja o quadro a seguir: ele mostra os resultados desse esforço, inicialmente por meio da formulação de constructos (conjuntos conceituais) e, posteriormente, dos conceitos a eles pertinentes. Tabela 1 – Desempenho segundo critérios de competição Termo Teórico Construtos Conceitos competitividade da manufatura na indústria (100%) tecnologia 33,91% diversificação de produtos: 9,15% conhecimento do requisito técnico do cliente: 24,52% aderência a tendências tecnológicas universais claras: 44,86% autossuficiência tecnológica: 15,63% metodologia de pesquisa em tecnologia: 5,83% qualidade 25,29% confiabilidade no desempenho do produtor: 16,55% confiabilidade de fornecedores: 8,49% confiabilidade sistêmica no uso do produto: 44,36% capabilidade no processo: 25,97% agilidade no processo: 4,64% 14 Unidade I Re vi sã o: A nd re ia - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 2/ 12 /1 1 Termo Teórico Construtos Conceitos competitividade da manufatura na indústria (100%) comunicação com clientes 20,04% presença física pessoal junto ao cliente: 33,33% informação que o pessoal de campo tem de manufatura: 33,33% informação que o pessoal de campo traz para a manufatura: 33,33% serviço 9,15% assistência técnica ao longo da vida útil do equipamento: 9,51% engenharia de solução segundo os processos do cliente: 19,18% engenharia de solução segundo os produtos da manufatura: 21,59% suporte técnico para o uso do produto pós-venda: 43,25% treinamento: 6,47% entregas 3,15g presença física no território do cliente: 7,67% capacidade de pronta entrega de produtos: 14,12% sistema de informações via tecnologia da informação: 4,66% conhecimento do produto e da aplicação pelo pessoal de campo: 44,14% logística de distribuição: 29,40% custo 8,45% especificação da matéria-prima: 29,67% logística de abastecimento e estocagem de matéria-prima: 11,51% processo de cotação e aquisição: 7,86% organização, alinhamento e governança na cadeia de valor: 16,86% mão de obra: 4,43% escala de produção e tamanho de lote: 29,67% Fonte: Sellito; Walter, 2006. Vamos analisar juntos esses dados. Para os autores, competitividade da manufatura pode ser compreendida a partir de seis grandes eixos (constructos). O eixo da tecnologia responde por, aproximadamente, 34% do que se entende por competitividade. Outros eixos são qualidade, comunicação com clientes, serviço, entregas e custos (as porcentagens correspondentes estão assinaladas na tabela). No caso do eixo de custo (que “explica” 8,5% da competitividade), os conceitos relacionados são especificação da matéria-prima, da logística, do processo de cotação e das aquisições, da organização na cadeia de valor e da escala de produção (cada um desses conceitos também tem sua participação percentual mensurada). Em resumo, ao falar de desempenho da empresa em termos de competitividade, os autores explicitaram esse desempenho a partir de conceitos e definições que delimitaram (e, ao mesmo tempo, explicaram) o foco de análise. Vejamos agora outro exemplo, esse relativo a pessoas. Leite et al. (1999) investigaram o desempenho da equipe de enfermagem do Hospital Universitário da USP. O objetivo do projeto foi “analisar os registros das avaliações de desempenho dos elementos da equipe de enfermagem do referido Hospital, cujos resultados (...) [auxiliariam] no aprimoramento do modelo de avaliação de desempenho (...) desenvolvido e das políticas e programas de desenvolvimento de pessoal” (idem, p. 266). Para isso, e por meio de extensa pesquisa bibliográfica, identificaram os parâmetros relacionados à performance da equipe: • capacidade de liderança; • capacidade de trabalhar em equipe; 15 Re vi sã o: A nd re ia - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 2/ 12 /1 1 AvAliAção de desempenho • conhecimento de procedimentos; • capacidade de relacionamento com o paciente/família; • responsabilidade; • assiduidade; • pontualidade; • criatividade; • interesse para o trabalho; • postura física; • organização no serviço; • capacidade de detectar problemas e iniciativa para resolvê-los; • comunicação oral e escrita; • aceitação de orientação. Para cada um desses parâmetros, os pesquisadores explicitaram seu escopo. Assim, responsabilidade significou a maneira consciente com a qual o enfermeiro desempenhavasuas funções, respondendo legal e moralmente por seus atos. Pode-se perceber, portanto, que, no intuito de diagnosticar o desempenho da equipe, os pesquisadores tiveram que, inicialmente, esclarecer a qual desempenho estavam se referindo. Sem isso, não teria havido pesquisa... Podemos, então, concluir: no caso específico do mundo empresarial, desempenho é o comportamento real do empregado face a uma expectativa ou um padrão de comportamento estabelecido pela organização. Chegamos, dessa forma, à segunda etapa do nosso esforço de conceituação. Consideraremos avaliação como todo processo sistemático de mensurar ou qualificar os resultados de um fenômeno observado. Quando um professor deseja saber o quanto seu aluno absorveu do conteúdo ministrado numa disciplina, realiza uma avaliação. Ele busca mensurar ou qualificar o quanto ele aprendeu, o quanto está dominando as ferramentas a ele colocadas à disposição: em suma, o professor pretende saber qual o resultado dos esforços empreendidos em sala de aula. Qual a necessidade que o professor tem dessa informação? Simples: caso o aluno se saia mal na avaliação, ele poderá reconsiderar sua metodologia de aula; optar por uma revisão da matéria nos pontos que foram identificados como de mais difícil absorção; e auxiliar o aluno nas dificuldades enfim diagnosticadas. “Avaliar é apreciar, estimar, fazer ideia de, ajuizar, criticar ou julgar” (idem, p. 56). Todo processo de avaliação tem a intenção de fornecer um feed-back (um retorno) de ações realizadas. Voltemos aos exemplos anteriormente utilizados quando da definição de desempenho. No caso da pesquisa publicada pela Revista época, pesquisa essa relativa ao desempenho das empresas chinesas, japonesas e brasileiras, não temos informações precisas sobre a metodologia utilizada para a avaliação. Quer dizer, não sabemos quais os métodos aplicados para a mensuração do desempenho das empresas. Sabemos quais os critérios utilizados, mas não temos informações sobre os procedimentos adotados na avaliação. 16 Unidade I Re vi sã o: A nd re ia - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 2/ 12 /1 1 Podemos, é claro, levantar hipóteses. Caso quiséssemos realizar uma pesquisa similar, provavelmente listaríamos as maiores empresas dos principais setores da economia; elaboraríamos um questionário buscando mensurar ou qualificar os atributos selecionados; depois, tabularíamos os resultados e os apresentaríamos, tal qual a revista o fez. Como Sellito e Walter (2006) desenvolveram seu estudo sobre o desempenho de uma manufatura de equipamentos eletrônicos segundo critérios de competição? Nas palavras dos autores, [...] o objetivo de pesquisa (...) [foi] propor e testar um método para esta avaliação, que (...) [incluiu] um grupo focado conduzido pelo pesquisador junto a estrategistas da empresa. A estratégia existente foi traduzida em uma estrutura em árvore ponderada pelo método AHP. A estrutura deu origem a um questionário, que avaliou o desempenho geral e o desempenho parcial dos diversos critérios de competição que compõem a estratégia, segundo os respondentes. Comparando-se a importância relativa de cada critério com o seu desempenho, estabeleceram-se prioridades estratégicas para a manufatura. Como continuidade de pesquisas, sugere-se o uso do método para a reformulação das atuais estratégias e para a identificação de indicadores de medição direta, em complementação à medição indireta obtida pelo uso do questionário (SELLITO e WALTER, 2006, p. 34). E quanto ao estudo sobre o desempenho da equipe de enfermagem? Os autores buscaram avaliar as características selecionadas por meio de um extenso processo de pesquisa: no primeiro momento, os enfermeiros fizeram autoavaliação; depois, foram avaliados por seus supervisores. Finalmente, participaram de entrevista pessoal para que fosse proporcionada [...] a oportunidade de o avaliador demonstrar o interesse pelo desenvolvimento do funcionário, ouvir suas opiniões, planejando juntos um programa de autoaperfeiçoamento, além de contribuir para melhora das relações interpessoais no ambiente de trabalho (LEITE et al., 1999, p. 268). Assim, avaliação de desempenho “é a crítica que deve ser feita na defasagem existente no comportamento do empregado entre a expectativa de desempenho definida com a organização e o seu desempenho real” (SIQUEIRA, 2002, p. 56). lembrete Como você deve ter percebido, a avaliação de desempenho requer métodos científicos para ser realizada. é claro que um gerente poderia afirmar, a respeito de seu funcionário, o seguinte: “trata-se de um bom funcionário. Gostamos dele e seu trabalho é apreciado”. A afirmativa trataria de uma avaliação do desempenho do funcionário, sem sombra de dúvida. Mas as organizações, atualmente, dada a 17 Re vi sã o: A nd re ia - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 2/ 12 /1 1 AvAliAção de desempenho extrema competitividade nos negócios, necessitam de algo além de uma avaliação subjetiva e feita sem rigor. Elas requerem métodos específicos e validados como eficazes para avaliar o desempenho de seus funcionários. Afinal, as avaliações de desempenho permitem desfazer preconceitos, elucidar os resultados das ações gerenciais, refazer o planejamento e atualizar as metas a serem atingidas pelas organizações. Segundo Lucena (1995, p.19), [...] é preciso definir (...) Padrões de Desempenho, isto é, quanto é esperado, qual o nível de qualidade desejada e quais os prazos para apresentar resultados. O não estabelecimento desses indicadores tornará difícil medir ou avaliar a produtividade, dificultará distinguir os empregados mais produtivos dos menos produtivos, impedirá a ação correta sobre os desvios de desempenho e descaracterizará a avaliação de resultados, que será substituída pela avaliação de pessoas, a partir de critérios subjetivos e duvidosos. Segundo Gillen (2002, p. 8), “as opiniões sobre os valores dos esquemas de avaliação variam. Poucas pessoas desprezariam esta excelente oportunidade para promover a discussão entre gerentes e suas equipes, ou para coletar dados valiosos”. Dessa forma, a avaliação do desempenho é tão fundamental que, em alguns momentos, é confundida com a própria gerência do negócio. “Em outras palavras, se o desempenho não for gerenciado, o negócio também não será administrado adequadamente. é impossível separar essas duas coordenadas” (LUCENA, 1995, p. 16). é evidente, portanto, que a realização da avaliação do desempenho depende das respostas que a empresa dará às seguintes perguntas: • Por que devo avaliar o desempenho dos meus funcionários? • O que devo avaliar em termos do desempenho dos meus funcionários? • Como devo avaliar o desempenho dos meus funcionários? • O que devo fazer com os resultados da avaliação de desempenho dos meus funcionários? observação Em outras palavras, a análise da distância entre o comportamento ideal e real do funcionário é o foco essencial da avaliação do desempenho. Assim, [...] a ação do avaliador, na avaliação de desempenho, tem por objetivo dar consequência a uma estratégia planejada de intervenção no comportamento manifesto do avaliado, visando melhorar o seu desempenho, reduzindo a defasagem existente entre as expectativas desejadas e os resultados reais (SIQUEIRA, 2002, p. 57). Tal processo pode ser representado da seguinte forma: 18 Unidade I Re vi sã o: A nd re ia - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 2/ 12 /1 1 Comportamento real Defasagem Expectativa de desempenho ideal Avaliação Figura 2 – Defasagem entre o comportamento real e o ideal. Nesses termos, Lucena (1995) sugere o seguinte modelo de acompanhamento do desempenho: Saber se o empregadoestá atuando de acordo com os resultados esperados Acompanhar a qualidade, prazos, produção e custos do desempenho Analisar as competências do funcionário para o desempenho das suas funções, tendo em vista as necessidades de desenvolvimento Dar feedback ao funcionário Corrigir eventuais falhas para que o desempenho alcance os resultados esperados Figura 3 – Modelo de acompanhamento do desempenho. 19 Re vi sã o: A nd re ia - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 2/ 12 /1 1 AvAliAção de desempenho Vejamos, agora, a importância da Avaliação de Desempenho dentro das organizações. A avaliação de desempenho tem o propósito precípuo de buscar a excelência organizacional por intermédio da melhora do desempenho de seus recursos humanos, investidos nos mais diferentes papéis profissionais: membros de equipes, colegas, supervisores e gerentes (SIQUEIRA, 2002, p. 6). Assim, os benefícios e beneficiários da avaliação de desempenho podem ser vistos na figura a seguir. Organização Dados sobre o desempenho organizacional Dados de planejamento de RH Melhor comunicação Melhor motivação Melhor desempenho organizacional • Desenvolvimento da equipe • Desenvolvimento interequipes Avaliador Melhor desempenho da equipe Retificação de problema Feedback sobre si mesmo Avaliado Melhor compreensão dos requisitos de desempenho Oportunidade para discutir problemas e queixas Enfoque sobre si mesmo e necessidades pertinentes: como profissional, como pessoa e como membro da equipe Figura 4 – Benefícios e beneficiários da avaliação. Vejamos um exemplo. Klein et al. (2007, p. 373) realizaram um estudo para investigar os resultados dos alunos dos cursos pré-vestibulares comunitários do Rio de Janeiro, no ENEM 2006. Os 350 professores desses alunos, todos voluntários, participaram de atividades de Capacitação voltadas para o desenvolvimento das habilidades do ENEM. Os alunos desses professores, além de material didático, realizaram um Simulado do ENEM, em junho de 2006. Pesquisando os resultados desses alunos, no ENEM, constatou-se que eles obtiveram médias maiores do que as obtidas pelos alunos brasileiros e do Rio de Janeiro. 20 Unidade I Re vi sã o: A nd re ia - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 2/ 12 /1 1 O quadro a seguir mostra os resultados obtidos na pesquisa realizada para medir o desempenho dos alunos. Quadro 1 – Idade dos alunos dos CPVCs – Brasil e Rio de Janeiro do ENEM 2006 BRASIL RIO DE JANEIRO CPVCs Idade Nº % Média Nº % Média Nº % Média 16 228008 8,19 40,49 12968 6,91 45,51 106 4,52 40,55 17 618682 22,22 38,93 44244 23,58 42,99 377 16,06 41,14 18 373286 13,41 37,11 30543 16,28 38,99 406 17,3 42,3 19 260718 9,36 36,16 17520 9,34 36,94 220 9,37 41,16 20 199116 7,15 35,86 12037 6,42 36,27 191 8,14 40,26 21 149906 5,38 35,74 8341 4,45 36,06 136 5,79 40,95 22 122802 4,41 35,88 6710 3,58 36,19 96 4,09 39,91 23 106866 3,84 35,94 5522 2,94 36 81 3,45 38,11 24 92355 3,32 35,81 5037 2,68 35,94 81 3,45 37,7 24-29 274952 9,88 35,41 15836 8,44 35,27 242 10,31 37,96 >29 318720 11,45 34,01 26677 14,22 33,66 400 17,04 36,65 SI 38557 1,38 39,03 2188 1,17 41,24 11 0,47 38,38 Fonte: Klein; Fontanive; Carvalho, 2007. O que os autores da pesquisa podem concluir a partir desses dados? Podem concluir que “os resultados obtidos pelos alunos dos CPVCs no ENEM 2006 anima-os a prosseguir nesta linha de trabalho e aprofundar a pesquisa” (KLEIN et al., 2007, p. 392). Sem essas informações, como saber se os esforços realizados haviam produzido resultados satisfatórios? Nas organizações, ocorre a mesma necessidade de feedback. No tópico a seguir, discutiremos como as empresas podem implantar sistemas de avaliação de desempenho. Saiba mais Preconceitos podem ser desfeitos por meio de avaliação de desempenho. Sobre isso, veja O preço do desafio. Dir. Ramon Menendez, 105 minutos, 1988. O filme retrata os esforços de um professor na difícil tentativa de obter de seus alunos resultados positivos no exame de Cálculo Integral da Universidade de Princetown, prova temida pela maioria dos estudantes americanos. Portanto, vamos ao trabalho! Para que você possa ir aplicando os conhecimentos adquiridos, estudaremos o caso de duas empresas. Veja o que temos à disposição: 21 Re vi sã o: A nd re ia - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 2/ 12 /1 1 AvAliAção de desempenho Empresa Sabonete e Arte Essa empresa é fabricante de sabonetes perfumados. Existe há cinco anos e iniciou suas atividades como uma microempresa familiar. No início, trabalhavam nas suas instalações apenas a família (pai, mãe e dois filhos). Atualmente, ela emprega vinte funcionários no Setor de Produção e mais oito nas atividades administrativas. Ainda é uma empresa de pequeno porte, de administração familiar. Um dos filhos atua como gerente geral e tem formação superior. é ele quem vem empreendendo esforços para profissionalizar as atividades da empresa. Cheio de ideias e motivado, tem obtido resultados extremamente positivos na gestão da empresa. A Sabonete e Arte é uma empresa com excelentes perspectivas de crescimento e sucesso. Empresa Terceiro Plano A Terceiro Plano oferece serviços terceirizados de limpeza e segurança. Existe há vinte anos no mercado e, recentemente, foi comprada por uma empresa que tem, como sócia majoritária, uma companhia de capital espanhol. Emprega vinte e cinco funcionários no setor administrativo, duzentos no setor de limpeza e presta serviços a aproximadamente cem clientes ativos (que representam 500 pontos de atendimento). Ocupava o posto de oitava maior empresa do ramo; mas, nos últimos anos, perdeu a posição de destaque, estando hoje em décimo quinto lugar em termos de faturamento e em vigésimo, em termos de número de clientes. A Terceiro Plano é uma empresa que apresenta dificuldades para expandir suas operações e seu faturamento. As duas empresas irão desenvolver processos de avaliação de desempenho. O que as leva a tomar essa decisão? A Sabonete e Arte quer continuar crescendo, e a Terceiro Plano quer resgatar sua antiga posição no mercado. Ambas querem fazer a gestão de desempenho como “um processo maior de gestão organizacional, uma vez que permite rever estratégias, objetivos, processos de trabalho e políticas de recursos humanos, entre outros, objetivando a correção de desvios e dando sentido de continuidade e sustentabilidade à organização” (BRANDãO; GUIMARãES, 2001, p. 12). Dessa forma, elas pretendem, a partir de seus objetivos traçados, definir critérios de avaliação, acompanhar o desempenho, analisar os resultados e promover as melhorias e mudanças que permitam, inclusive, traçar novos objetivos. Veja na figura a seguir o modelo dessa ação 22 Unidade I Re vi sã o: A nd re ia - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 2/ 12 /1 1 ANÁLISE DOS RESULTADOS OBJETIVOS DEFINIÇÃO DOS CRITÉRIOS PARA AVALIAÇÃO DO DESEMPENHO AVALIAÇÃO DO DESEMPENHO PLANO DE MELHORIAS REVISÃO DOS OBJETIVOS Figura 5 – Avaliação de desempenho dentro das organizações. Exemplo de Aplicação Se você pudesse escolher, em qual das duas empresas trabalharia? Na Sabonete e Arte ou na Terceiro Plano? Responda: a) Qual das duas empresas mais necessita de processos de avaliação de desempenho? b) Em qual das duas empresas haverá mais vantagem na realização de um processo de avaliação de desempenho? ___________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________ 23 Re vi sã o: A nd re ia - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 2/ 12 /1 1 AvAliAção de desempenho 2 oS ProCESSoS DE AvAlIAção DE DESEMPEnho E AS orGAnIzAçõES A compreensão dos desenvolvimentos relativos aos processos de avaliação de desempenho se dá por meio de três eixos de análise. O primeiro diz respeito ao ambiente econômico, contexto em que se inserem as organizações; o segundo, naturalmente, refere-se às próprias organizações; e o terceiro diz respeito ao conjunto de saberes disponíveis que foram sendo incorporados na gestão das empresas e que transparecem nos modelos de avaliação de desempenho. Vejamos, com mais detalhes, esses três eixos de análise. a) o ambiente econômico Desde a queda do Muro de Berlim e a capitulação final do socialismo à superioridade do capitalismo ocidental, o mundo passou por uma grande transformação. As mudanças ocorridas a partir da Revolução Industrial (que, mecanizando os meios de produção e barateando os produtos finais, teria obrigado os países proprietários dos meios de produção a procurar mercados consumidores além dos que já haviam conquistado em seus próprios países) somaram-se à onda de internacionalização, resultando em dissolução das fronteiras geográficas (evidenciada pela formação de grandes blocos, como a União Europeia) e na criação de um espaço global, comum e virtual. A velocidade da informação, disseminada via web, finalmente, permitiu o surgimento da grande aldeia global. Vivemos na era hegemônica dos valores liberais, tidos como fundamentais para a garantia do crescimento, do desenvolvimento e da distribuição da riqueza, e essa hegemonia passa, necessariamente, pela atuação das empresas multinacionais e pela internacionalização da economia mundial. Dessa forma, processos de produção são cada vez mais rápidos e dinâmicos, bem como cada vez mais evidente a repartição internacional das etapas da produção entre diferentes países. Consolida-se uma economia baseada em processos integrados, um único e pulsante mercado global onde o capital, as mercadorias, os recursos e as pessoas circulam livremente. Hoje, aceleram-se os intercâmbios e os fluxos entre os países do mundo, nos planos econômicos, políticos e social. Assim, a produção de mercadorias em determinados países significa mais do que apenas a produção local, uma vez que os locais de produção escolhidos pelas empresas podem ser (e costumam ser) países diferentes daqueles nos quais está instalada sua sede principal, acarretando o que denominamos mundialização da produção. Outra característica de fundamental importância na caracterização do ambiente econômico refere-se à tecnologia. Afinal, há décadas assistimos à disseminação da tecnologia da internet e da telefonia celular, além dos avanços na biotecnologia e do mapeamento genético. Essa mudança é considerada, por alguns, uma verdadeira Terceira Revolução Industrial, tão importante e transformadora quanto a invenção da máquina a vapor e da eletricidade. De fato, não é exagero considerar a implantação das novas tecnologias uma revolução, feito que, desde o primeiro computador, em 1946 (na época, um aparelho gigantesco de valor acima de US$ 125 mil), até agora, a intensidade de sua interferência foi significativa para quase todos os países, mesmo àqueles que não tinham acesso direto a ela. Essa revolução trouxe satélites e cabos de fibra óptica, além de avanços nas pesquisas da genética, e fizeram com que o custo (e a qualidade) dos serviços de telecomunicações e da medicina preventiva, respectivamente, 24 Unidade I Re vi sã o: A nd re ia - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 2/ 12 /1 1 abaixasse, tornando-se mais acessível. é mais barato comunicar-se instantaneamente com qualquer lugar do mundo; mais fácil confiar em remédios, agora mais resistentes; é mais seguro para as empresas distribuir suas etapas de produção pelo mundo, uma vez que conseguem acompanhar as nuances tanto financeiras quanto culturais necessárias para o comércio. Dentro desse cenário, as organizações buscam refletir, internamente, as estruturas e os processos que possam permitir sua sobrevivência. b) as organizações Do ponto de vista antropológico, o ser humano vem estabelecendo relações de troca com seu grupo e com a natureza desde sempre, assim o fazendo, em parte, para garantir as condições materiais necessárias para a sua sobrevivência. é a partir do nascimento da economia de mercado, no entanto, que as relações sociais passaram a ser explicadas em função de um sistema econômico organizado. Do ponto de vista histórico, [...] a humanidade conseguiu resolver os problemas de produção e distribuição de apenas três maneiras. Ou seja, dentro da enorme diversidade das instituições sociais que guiam e dão forma ao processo econômico, o economista descortina apenas três tipos abrangentes de sistemas que, separadamente ou em combinação, habilitam a humanidade a resolver seu desafio econômico. Esses três grandes tipos sistêmicos podem ser designados como economias governadas pela Tradição, pelo Mando e pelo Mercado (HEILBRONER, 1987, p. 27). Antes da economia de mercado, o chefe de família cuidava de sua prole (provendo-a de tudo que era necessário) porque isso era o que a sociedade esperava dele: as trocas se realizavam não para o lucro, mas para a sobrevivência material. é apenas com o advento do capitalismo que os fatores de produção (mão de obra, terra, conhecimento técnico, capacidade empresarial e dinheiro, entre outros) não apenas se dirigem ao mercado, mas fazem mesmo parte dele. é com o advento do capitalismo (que surge com a interminável divisão de tarefas entre os indivíduos) que nascem as empresas, encarregadas, a partir dali, de produzir os bens e os serviços necessários à sobrevivência de todos. Os desenvolvimentos ocorridos a partir da Revolução Industrial, e que chegam aos dias de hoje sob a forma do contexto neoliberal globalizador, lançaram novos desafios às organizações empresariais. Assim, atualmente, as organizações devem satisfazer seus consumidores e fornecedores de forma a perseguir metas de produtividade, qualidade e competitividade. Para isso, traçam estratégias competitivas que se valem, [...] além dos fatores internos de capacitação da empresa, do conhecimento das regras de competição e do ambiente em que a competição se dá. Tais regras nem sempre são claras e, quando o são, podem mudar, requerendo respostas ágeis dos decisores. (...) [Assim], é preciso que se acompanhem as mudanças ambientais, mantendo canais de comunicação permanentes 25 Re vi sã o: A nd re ia - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 2/ 12 /1 1 AvAliAção de desempenho com as novas tecnologias e com os clientes e manter-se informado sobre os movimentos dos concorrentes. A elaboração e a execução de uma estratégia competitiva dependeriam, portanto, de se mapear permanentemente o cenário, a fim de aproveitar as oportunidades e neutralizar as ameaças do ambiente competitivo (SELLITTO e WALTER, 2006, p. 37). À época de Henry Ford (primeira metade do século XX), a produção em massa requeria uma linha de montagem rígida que funcionasse dentro de uma organização hierarquizada e centralizada. Os funcionários deveriam ter comprovada qualidade apenas nas etapas e nos processos sob sua responsabilidade; a produtividade tinha que ser máxima em cada mínima fase do trabalho e, para isso, a burocracia impunha os padrões de comportamento e de atuação. As organizações, em pleno século XXI, podem funcionar dentro desse modelo? é evidenteque não! Do momento em que vamos dormir àquele em que acordamos, muita coisa pode ter acontecido: um país pode ter entrado em guerra, uma economia pode ter entrado em colapso, uma nova tecnologia pode ter sido inventada. As mudanças são rápidas, e de maneira tão surpreendente, que as organizações devem estar aptas a acompanhá-las sem demora, sob o risco de, em não procedendo assim, sucumbir à concorrência. Nesse ambiente de extrema competitividade e de transformações tão súbitas, não é apenas o resultado de determinadas unidades de produção que deve ser monitorado: o negócio como um todo deve ser gerenciado para que se produzam os resultados necessários à sobrevivência da organização. A gestão empresarial reflete, portanto, as formas como as organizações respondem aos desafios impostos “[...] pelo ambiente instável, incerto e cheio de contradições, agravado por intensas mobilizações sociais” (LUCENA, 1992, p. 39). c) os processos de avaliação de desempenho: Os jesuítas já eram submetidos a processos de avaliação sobre a sua atuação, e os registros históricos apontam o rigoroso sistema de avaliação adotado pela Igreja Católica. Também as Corporações Militares e o Estado formularam critérios de avaliação de desempenho que foram transportados para o ambiente empresarial (LEITE et al., 1999, p. 266). Isso significa dizer que a avaliação de desempenho acompanhou os próprios desenvolvimentos das organizações, agregando aos seus modelos o conhecimento que estava à disposição dos responsáveis por essa avaliação. O conhecimento incorporou, por um lado, os avanços científicos do século XIX, momento em que a ciência resultou da combinação entre as heranças do Renascimento mescladas às do Iluminismo, e em que se notou o caráter preferencialmente mecanicista e o uso da matemática como linguagem. Afinal, se o Universo era um grande organismo, faltava apenas descobrir uma grande lei que explicasse seu funcionamento, isso significando buscar a demonstração matematicamente rigorosa da superioridade da ordem burguesa e do sistema de mercado. Esta quantificação também surgiu sob a forma de 26 Unidade I Re vi sã o: A nd re ia - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 2/ 12 /1 1 estatísticas e recenseamentos que não mais se dedicavam exclusivamente à administração pública, passando a municiar de dados os que pretendiam estudar a sociedade a partir de um método racional e científico. Os desenvolvimentos nas técnicas e nos instrumentos para mensuração estatística permitiram aos primeiros órgãos, e instituições oficialmente responsáveis pelas pesquisas estatísticas, a descrição de todas as facetas da sociedade, numa verdadeira “febre” de contagem: nascimentos, óbitos, doenças (que serviriam de material para os higienistas), preços, produção, animais, condenados por crimes, prostituição, e o uso do solo, da água e do ar. Esses seriam os números que subsidiariam a compreensão da realidade a partir de leis explicativas. Por outro lado, esse conhecimento incorporou os desenvolvimentos próprios da psicologia, em particular aqueles relativos ao uso de instrumentos científicos para mensurar o desempenho, as atitudes e as mudanças no comportamento dos indivíduos. Em outras palavras, [...] a prática da avaliação, entendida no seu sentido genérico, é tão antiga quanto o próprio homem. é o exercício da análise e do julgamento sobre a natureza, sobre o mundo que nos cerca e sobre as ações humanas. é a base para a apreciação de um fato, de uma ideia, de um objetivo ou de um resultado e, também, a base para a tomada de decisão sobre qualquer situação que envolve uma escolha (LUCENA, 1992, p. 35). Assim, os processos de avaliação de desempenho tiveram que, necessariamente, acompanhar as mudanças ocorridas no cenário econômico e no contexto organizacional. No fordismo, a linha de produção deveria acompanhar e monitorar o desempenho daqueles que lá estavam, já sendo necessário que as empresas contassem com a eficiência dos seus funcionários. “Na época (...), as empresas procuravam aperfeiçoar em seus empregados as habilidades necessárias para o exercício de atividades específicas, restringindo-se às questões técnicas relacionadas ao trabalho e às especificações de cargo” (BRANDãO e GUIMARãES, 2001, p. 10). Da mesma forma, o cenário de extrema competitividade que impera nos dias de hoje impôs que as organizações passassem “a considerar, no processo de desenvolvimento profissional de seus empregados, não somente questões técnicas, mas também aspectos sociais e comportamentais relacionados ao trabalho” (BRANDãO e GUIMARãES, 2001, p. 10). Segundo Leite et al. (1999, p. 266), [...] o atual cenário configura um ambiente instável, incerto e cheio de contradições, exigindo da gestão de recursos humanos criatividade e liderança para o processo de mudança. Neste contexto, gerenciar desempenho significa descobrir talentos e criar espaços para a ousadia, a participação e o comprometimento. Concluindo: todas as inovações ocorridas no ambiente econômico foram incentivadas e disseminadas por governos, empresas e universidades, e o maior interesse na adoção dessa estratégia culminou na invenção e na difusão de novas tecnologias que possibilitassem menor custo e maior produtividade. 27 Re vi sã o: A nd re ia - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 2/ 12 /1 1 AvAliAção de desempenho A informação passou a ser o instrumento central das organizações, flexíveis às instabilidades mundiais e adaptáveis às exigências econômicas e sociais. A informação, impulsionada pela globalização, passou a afetar as estruturas empresariais em diversos parâmetros e intensidades surpreendentes, funcionando quase que como um novo “ambiente operacional”. Mais: o ambiente altamente competitivo em que vivem as empresas sugere que a sobrevivência depende de informação. Saiba mais As empresas, em função do elevado nível de competitividade no mundo das organizações, podem realizar processos de seleção e avaliação de desempenho os mais estranhos possíveis. Um filme extremamente interessante sobre o assunto é O que você faria? Dir. Marcelo Piñeyro, 117 minutos, 2005. observação Compreendida a importância da avaliação de desempenho nas organizações, resta-nos discutir, nesta primeira unidade, a formulação estratégica de um processo de avaliação de desempenho. Estudaremos, assim, passo a passo, como formular a estratégia de implantação para que a avaliação de desempenho seja capaz de produzir os resultados esperados pela organização. Essa estratégia obedece, de forma simplificada, ao seguinte modelo: Análise do ambiente organizacional Escolha do objeto de avaliação Escolha do responsável pela avaliação Escolha da metodologia a ser aplicada na avaliação Implantação do processo Figura 6 – A formulação estratégica. 28 Unidade I Re vi sã o: A nd re ia - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 2/ 12 /1 1 Vejamos, portanto, como o processo de formulação da avaliação de desempenho pode ocorrer dentro de uma organização: a) 1a etapa: análise do ambiente organizacional Inicialmente, devemos realizar a análise do ambiente organizacional e das formas como esse ambiente está estruturado para atingir as metas estratégicas estabelecidas pela alta direção da unidade de negócio. Segundo Lucena (1992, p. 53), reconhecemos o ambiente organizacional como [...] um sistema integrado, (...) um ambiente único em suas múltiplas e complexas relações e interdependências, que lhe imprime uma cultura organizacional particular, (...), uma identidade própria que tende a consolidar-se, gerando uma força reativa às interferências que possam ameaçar a sua dinâmica já estabelecida, ou alterar o statusquo vigente. Segundo Lucena (1992), para que o processo de avaliação de desempenho seja eficaz, a etapa de diagnóstico deve preceder qualquer tomada de decisão. Esse diagnóstico envolve identificar o perfil real da organização, tarefa que inclui: conhecer o negócio da empresa e sua posição no mercado; conhecer o grau de tecnologia utilizada nos processos empresariais; conhecer o estilo gerencial predominante e o estilo do modelo de gestão empresarial; conhecer a área de Recursos Humanos, especialmente no tocante às políticas e aos processos de gestão da área; conhecer a real importância dada pela organização ao setor de Recursos Humanos. Esses indicadores, em geral, revelam os traços de “personalidade” da empresa e mostram o quanto a empresa está preparada para um processo de avaliação e o quanto ela conseguirá utilizar os resultados do processo de avaliação. Em outras palavras, a identificação do perfil real mostrará as dificuldades quanto à utilização dos resultados da avaliação e permitirá prever o caminho que a organização percorrerá se houver necessidade de mudança. Dessa forma, quanto menos dispostas à modernização (ou quanto mais tradicionais forem), maiores serão as dificuldades que as organizações enfrentarão nos processos de mudança. b) 2a etapa: escolha do objeto de avaliação Embora pareça óbvio, nem sempre o processo de avaliação de desempenho tem claro quem (ou o que) será avaliado. Isso ocorre, na maioria das vezes, em função de não estarem suficientemente claros os objetivos do próprio processo de avaliação. Quer dizer, avalia-se porque se sabe da importância do processo; erra-se porque não se sabe exatamente quais os objetivos da avaliação. Saber os objetivos com nitidez se traduz no conhecimento sobre quem será alvo da avaliação; traduz-se, portanto, no conhecimento sobre o quê, em relação a esse alvo, será objeto de avaliação. c) 3a etapa: escolha do responsável pela avaliação Da mesma forma como ocorre com a escolha do objeto de avaliação, nem sempre se tem claro quem será o responsável pela avaliação. Qual área tomará para si a tarefa de formular o processo de avaliação? Tem a área de Recursos Humanos uma posição de credibilidade na empresa para realizar a avaliação? A 29 Re vi sã o: A nd re ia - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 2/ 12 /1 1 AvAliAção de desempenho avaliação contará com quantos avaliadores? Incluirá a autoavaliação da(s) pessoa(s) a serem avaliadas? As respostas a essas perguntas devem ser claras e do conhecimento da alta direção da empresa. d) 4a etapa: escolha da metodologia a ser utilizada no processo de avaliação A definição de uma estratégia de avaliação deve incluir a escolha de uma metodologia específica. A avaliação será qualitativa ou quantitativa? Serão utilizados métodos de observação participante? Serão utilizadas perguntas com escalas de respostas ou perguntas “abertas”? A avaliação ocorrerá por meio de formulários de autopreenchimento ou os formulários serão aplicados por pesquisadores? A avaliação ocorrerá com apenas uma amostra dos funcionários ou com todos? A amostra será probabilística ou não probabilística? As respostas a essas perguntas devem ser claras e do conhecimento dos responsáveis pela formulação do processo de avaliação de desempenho. Também deverão ser transmitidas, com transparência e responsabilidade, aos que serão objeto de avaliação. e) 5a etapa: implantação do processo de avaliação Para que o processo de avaliação seja implantado, é sugerido que: • o projeto seja documentado, sendo redigido um instrumento normatizador de todas as etapas do processo (em particular, os aspectos relativos aos objetivos da avaliação, ao objeto de avaliação, ao avaliador e ao método a ser utilizado); sugere-se também que constem, no documento, as conclusões obtidas no processo de diagnóstico do ambiente organizacional e que validam as proposições assumidas no processo de avaliação; • a alta direção da empresa encampe o projeto de avaliação de desempenho, dando à área responsável pela sua formulação toda a autonomia e a credibilidade necessárias para a execução do projeto; • seja realizada uma etapa de sensibilização junto aos alvos da avaliação e aos avaliadores: todos devem estar comprometidos com o processo, e o ambiente para a avaliação deve ser o mais motivador possível; • deva ser obtida a aceitação de todos em relação ao que ocorrerá no processo de avaliação; • o processo de avaliação seja conduzido com transparência e de forma democrática. lembrete Você está lembrado daquelas duas empresas sobre as quais falamos inicialmente? As duas tomarão a decisão de realizar processos de avaliação de desempenho. Vamos acompanhá-las e refletir... Situação I – A Terceiro Plano Preocupada com o aumento dos custos de operação, a sra. Lucinda Souza, responsável pelo 30 Unidade I Re vi sã o: A nd re ia - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 2/ 12 /1 1 acompanhamento dos supervisores locais (quer dizer, dos funcionários encarregados de acompanhar os outros, operacionais, nas unidades contratantes), resolveu realizar uma pesquisa de avaliação de desempenho. A hipótese que norteou seu trabalho foi a de que os funcionários da limpeza e da segurança faziam “corpo mole” no serviço, para que pudessem trabalhar em regime de hora extra e aumentar seus salários. Para tanto, solicitou aos supervisores que comparecessem ao Setor de Cargos e Salários e que respondessem a um breve questionário. Não explicou os motivos da avaliação, sequer esclareceu quanto ao uso dos resultados; também não solicitou auxílio ao Setor de Treinamento, a área com competência e tradição nesse tipo de abordagem. Veja, abaixo, o modelo do questionário respondido pelos supervisores. Formulário 1.1. Nome do Supervisor: _________________________________________________ Avaliação do Desempenho dos Funcionários: (aponte uma nota, de zero a dez, que corresponda ao desempenho dos funcionários sob sua supervisão). Nota Funcionário ____________________________ ( ) Funcionário ____________________________ ( ) Funcionário ____________________________ ( ) Funcionário ____________________________ ( ) Funcionário ____________________________ ( ) Funcionário ____________________________ ( ) Funcionário ____________________________ ( ) Funcionário ____________________________ ( ) Após recolher os questionários, a sra. Lucinda Souza tabulou as notas obtidas para cada funcionário e decidiu demitir todos aqueles avaliados com notas abaixo de cinco. À alta direção da empresa, explicou que os custos de demissão seriam compensados com o aumento de produtividade dos novos funcionários a serem contratados. 31 Re vi sã o: A nd re ia - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 2/ 12 /1 1 AvAliAção de desempenho Em sua opinião, o procedimento da sra. Lucinda Souza foi o mais acertado? é provável que você concorde conosco: a sra. Lucinda Souza agiu de forma impensada e realizou uma avaliação de desempenho bastante aquém do sugerido em situações similares à dela. Vejamos por que: a) a hipótese que norteou o projeto não foi discutida com o restante da empresa. Talvez os custos elevados fossem devidos à falta de equipamentos adequados à limpeza e à segurança; talvez os funcionários estivessem alocados em cargos e posições inadequadas; talvez o sistema de turno de trabalho não fosse o ideal, sobrecarregando os funcionários e diminuindo a produtividade. Como saber com certeza? b) a empresa não estava ciente do processo de avaliação de desempenho. Por isso, é bastante provável que não soubesse o que fazer com os resultadosobtidos. Aliás, a falta de transparência do processo deixou todos os funcionários (supervisores e operacionais) em uma situação de extremo desconforto e desconfiança; c) no questionário de avaliação, não ficaram claros os critérios para atribuição de nota ao desempenho. O que o supervisor deveria entender como desempenho do funcionário? Pontualidade? Obediência às regras? Competência no uso do material disponível para limpeza? Como os critérios não estavam claros, cada supervisor avaliou seu funcionário de acordo com parâmetros individuais; d) a demissão de funcionários gerou um clima de insatisfação e apreensão em todos os setores da companhia. Meses depois, o Setor de Treinamento resolveu fazer outra avaliação e todos boicotaram o processo: afinal, para que colaborar com a própria demissão? Exemplo de aplicação Como você teria conduzido o processo de avaliação de desempenho? ___________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________ Situação II – Sabonete e Arte A sra. Sandra Castilho, psicóloga responsável pelo Setor de Recursos Humanos, percebeu uma variação muito grande em termos de produtividade e de qualidade na área de produção: alguns funcionários produziam muito e outros, pouco, o que já havia provocado atraso nas entregas; a qualidade da produção também variava muito e, por várias vezes, as reclamações dos clientes haviam resultado em devolução de pedidos e de encomendas. Algo chamou a sua atenção: todos os operários mostravam-se extremamente comprometidos com o sucesso da empresa e todos aparentavam satisfação em trabalhar na Sabonete e Arte. Decidida a elevar os resultados de produtividade e qualidade no setor, ela resolveu propor à alta direção da empresa uma avaliação de desempenho da área. Assim, antes mesmo de começar o planejamento do projeto, ela achou por bem identificar como todos os setores da empresa se sentiriam 32 Unidade I Re vi sã o: A nd re ia - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 2/ 12 /1 1 em uma situação de avaliação realizada pelo Setor de Recursos Humanos; também imaginou adequado descobrir como a empresa trataria os resultados obtidos num processo de avaliação. Para isso, partiu de uma breve pesquisa atitudinal com os funcionários da empresa (da alta direção ao setor de atendimento na portaria do edifício). Veja, a seguir, o questionário distribuído. Formulário 1.2: Questionário respondido pelos funcionários da Sabonete e Arte Prezados Com o objetivo de melhorar o desempenho da área de Recursos Humanos, estamos desenvolvendo uma pesquisa de opinião com todos os funcionários da empresa. Sua participação é fundamental, porque permitirá que melhoremos o atendimento do setor. Procure ser o mais sincero possível. Não é necessário que você se identifique no questionário; apenas anote a área em que trabalha. Nome (opcional): ________________________________________________ Setor em que trabalha: ____________________________________________ Leia as afirmativas abaixo. Para cada uma delas, atribua uma nota, de 1 a 4, da seguinte forma: • Se você discordar totalmente, anote 1. • Se você discordar em parte, anote 2. • Se você concordar em parte, anote 3. • Se você concordar totalmente, anote 4. Afirmativa Nota As avaliações de desempenho costumam ser realizadas apenas para definir quem receberá aumento de salário e quem será demitido. A área de Recursos Humanos não tem competência para realizar qualquer tipo de avaliação de desempenho dos funcionários. A avaliação de desempenho costuma ser subjetiva, o que prejudica a sua realização. A empresa Sabonete e Arte é pouco profissional. Seu amadorismo impedirá que resultados práticos sejam obtidos com a realização da pesquisa. A empresa Sabonete e Arte é familiar e as decisões são sempre tomadas de forma centralizada. Geralmente, em processos de avaliação de desempenho, os avaliadores não estão dispostos a auxiliar os avaliados. Geralmente, em processos de avaliação de desempenho, os avaliados não são sinceros com os avaliadores. 33 Re vi sã o: A nd re ia - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 2/ 12 /1 1 AvAliAção de desempenho Afirmativa Nota é improvável que a avaliação de desempenho resulte em medidas concretas que beneficiem os funcionários, independente da área em que atuam. Os processos de avaliação de desempenho são lentos e demorados. é desconfortável passar por qualquer tipo de avaliação. As avaliações de desempenho costumam medir apenas a produtividade do funcionário: são frias e não levam em consideração que o funcionário é um ser humano. Na maioria das vezes, os resultados das avaliações de desempenho são guardados em gavetas e esquecidos. Ninguém deveria ser obrigado a participar de um processo de avaliação de desempenho. Apenas os funcionários operacionais devem ser submetidos a processos de avaliação de desempenho; não há como avaliar o trabalho dos funcionários administrativos. A alta direção da empresa não deve ser nunca avaliada; ela é a avaliadora e não deve se sujeitar à avaliação dos funcionários. Agradecemos a colaboração! Em breve, comunicaremos os resultados desta pesquisa a todos. Após a realização da pesquisa, a sra. Sandra Castilho tabulou os resultados, “cruzando” as notas com outros dados dos respondentes: área de atuação na empresa, a escolaridade e a idade. Assim, ela chegou a alguns resultados interessantes: a) os mais jovens foram aqueles que maior credibilidade atribuíram ao Setor de Recursos Humanos para a realização da avaliação de desempenho; isso também ocorreu entre os de maior escolaridade; b) a alta direção da empresa aparentou desconforto com a possibilidade de também ser avaliada; c) os funcionários administrativos foram aqueles que mais perceberam as avaliações de desempenho como algo ineficaz na geração de resultados práticos. Para eles, avaliações serviriam apenas para promover ou demitir; também foram os que declararam acreditar que avaliados e avaliadores nunca seriam sinceros durante um processo de avaliação de desempenho; d) os funcionários operacionais foram os que se mostraram mais desconfortáveis com a subjetividade dos processos de avaliação de desempenho. Também foram aqueles que consideraram a direção da empresa pouco profissional. Com base nesses resultados, a sra. Sandra Castilho realizou reuniões com cada setor para discutir, em conjunto, os dados da pesquisa. Também procurou a direção da empresa, explicando a necessidade da avaliação de desempenho do Setor de Produção e justificando a competência do Setor de Recursos Humanos para fazer a gestão do processo. Para os dirigentes, levantou a possibilidade de estender o processo de avaliação aos outros setores, inclusive por acreditar que os processos dentro de uma empresa estariam inter-relacionados. A avaliação de desempenho foi proposta nos seguintes termos: 34 Unidade I Re vi sã o: A nd re ia - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 2/ 12 /1 1 • seriam realizadas entrevistas em grupo, com cada setor, para a formulação de um diagnóstico que explicasse os atrasos nas entregas e os problemas de devolução de produto por defeitos ou falta de controle de qualidade; • seriam pesquisados os critérios para avaliação do desempenho do setor com os funcionários da produção e o restante da empresa; isso garantiria a aceitação unânime dos indicadores de desempenho a serem utilizados; • apesquisa de desempenho em relação aos indicadores seria realizada de três formas: a) os funcionários operacionais se autoavaliariam; b) os funcionários operacionais seriam avaliados pelos seus supervisores diretos; c) o setor operacional seria avaliado por todos os demais funcionários da empresa; • os resultados seriam tabulados e apresentados a toda a empresa; • o Setor de Recursos Humanos promoveria palestras para coletar sugestões de mudanças e aperfeiçoamentos. Para garantir a adesão de todos, a sra. Sandra Castilho fez com que a direção se comprometesse com a não adoção de qualquer política de retaliação, fossem quais fossem os resultados. No Setor de Produção, ela buscou, inicialmente, a adesão dos líderes. Para eles, explicou detalhadamente cada etapa do processo. Mais importante, mostrou que os resultados permitiriam que a empresa aperfeiçoasse seus processos como um todo e que o Setor de Recursos Humanos havia dado o exemplo, colocando-se à disposição para ser avaliado em primeiro lugar. O modelo adotado pela sra. Sandra Castilho para a realização da avaliação de desempenho pode ser observado a seguir: 35 Re vi sã o: A nd re ia - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 2/ 12 /1 1 AvAliAção de desempenho Direção da Empresa Recursos Humanos Empresa Comprometimento Credibilidade Adesão Autoavaliação do setor de produção Avaliação do setor produção por outros Resultados Programa de nivelamento, mudança nos processos de comunicação Avaliação de Desempenho Produção setores Empresa Figura 7 – Modelo de avaliação de desempenho. O resultado dessa estratégia garantiu o sucesso do empreendimento. A avaliação de desempenho trouxe à tona alguns dados de extrema utilidade: descobriu-se que os funcionários que apresentavam baixa produtividade eram aqueles que não haviam participado de qualquer curso de atualização para a operação do novo maquinário adquirido; eram justamente os com menor nível de escolaridade e que, apesar de motivados, apresentavam dificuldade com o uso de equipamentos tecnológicos: um curso de nivelamento técnico resolveu o problema. Também foi descoberto que os atrasos nas entregas não eram devidos à demora no processo produtivo, e sim às falhas de comunicação entre o setor de marketing e o de produção: um novo processo de envio de dados ao setor produtivo equacionou o problema. Em função da pesquisa de avaliação, também foi sugerida à direção da empresa a atribuição de prêmios de produtividade ao setor de produção, agregando-os ao salário. Os resultados benéficos da avaliação, percebidos por todos, conferiram à área de Recursos Humanos admiração e credibilidade para a realização de outros processos avaliatórios. Em pesquisa posterior, descobriu-se que o grau de satisfação e motivação dos funcionários havia aumentado em decorrência da avaliação de desempenho. 36 Unidade I Re vi sã o: A nd re ia - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 2/ 12 /1 1 Exemplo de aplicação Em sua opinião, quais sugestões de melhoria poderiam ser feitas a futuros processos de avaliação de desempenho? ___________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________ resumo Antes de avançarmos em direção à Unidade II (em que investigaremos os vários métodos de avaliação de desempenho), vamos resumir as principais ideias da unidade que acabamos de estudar. Nela, você teve a oportunidade de aprender que chamamos de desempenho o comportamento real do empregado face a uma expectativa ou um padrão de comportamento estabelecido pela organização e que tratamos de avaliação todo processo sistemático que mensura ou qualifica os resultados de um fenômeno observado. Percebemos, também, que a avaliação de desempenho é peça fundamental para o funcionamento das organizações, já que permite às empresas e outras instituições acompanharem os resultados de suas ações e os frutos de seu planejamento. A abordagem da unidade procurou mostrar que, para um processo de avaliação de desempenho ocorrer com sucesso, é necessário que ele seja planejado de forma a considerar o ambiente organizacional da empresa; assim, é fundamental que seja capaz de oferecer a solução à pergunta feita pela organização. Ele deve, ainda, fazer uso de métodos científicos consagrados. Importante é perceber que não há resultados positivos em um processo de avaliação de desempenho se não houver comprometimento da alta direção e adesão de todos os participantes do processo. Exercícios Questão 1. Veja a charge a seguir e leia as afirmativas. 37 Re vi sã o: A nd re ia - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 2/ 12 /1 1 AvAliAção de desempenho I – A charge reproduz uma situação que ocorre quando da prática da avaliação de desempenho, já que nesse processo não é recomendável identificarmos com clareza quem é o objeto da avaliação e quem é o avaliador. II – A charge faz referência ao fato de ser inócua qualquer tentativa de avaliação de desempenho. III – A charge faz referência ao fato de ser possível o objeto de avaliação tornar-se, em outro instante, avaliador daquele que anteriormente o avaliou. Leve em consideração o conjunto representado pela imagem e pelas proposições. Estão corretas apenas: A) I. B) II. C) III. D) I e II. E) II e III. Resposta correta: alternativa C. Análise das alternativas Afirmativa I – incorreta. Justificativa: a afirmativa I realmente reproduz uma situação possível de se realizar na prática. No entanto, essa reprodução não diz respeito a não recomendação quanto à identificação de quem é objeto 38 Unidade I Re vi sã o: A nd re ia - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 2/ 12 /1 1 e de quem é avaliador. Em verdade, essa identificação é crucial em qualquer processo de avaliação de desempenho, já que é condição necessária que se tenha clareza quanto ao que (ou quem) será avaliado, da mesma forma que é necessária a clareza sobre quem será o avaliador. Afirmativa II – incorreta. Justificativa: a afirmativa II refere-se ao fato de ser inócua qualquer tentativa de avaliação de desempenho. Isso é incorreto. é dificultoso (e não inócuo) o “desenho” de um projeto de avaliação, especialmente quanto à definição do que (ou quem) será avaliado, quanto à definição de quem será o avaliador e, em especial, quanto à definição de como ocorrerá o processo de avaliação. O processo de avaliação seria inócuo se não surtisse qualquer resultado, o que não ocorre quando ele é planejado e executado de acordo com procedimentos metodológicos acurados. Afirmativa III – correta. Justificativa: a afirmativa III está correta porque, dependendo da resposta a que pretende chegar o processo de avaliação de desempenho, se pode transformar um avaliador em objeto de avaliação. Da mesma forma, pode-se transformar o objeto de avaliação em avaliador. Questão 2. A avaliação contínua de atitudes de clientes de estabelecimentos de serviços contribui positivamente para o faturamento das empresas PORQUE Sempre que os clientes avaliam positivamente um prestador de serviços, eles se tornam fiéis. A) A primeira afirmativa é falsa, e a segunda é verdadeira. B) A primeira afirmativa é verdadeira, e a segunda é falsa. C) As duas afirmativas são falsas. D) As duas afirmativas são verdadeiras, e a segunda justifica a primeira. E) As duas afirmativas são verdadeiras, e a segunda não justifica a primeira. Resolução desta questãona plataforma. 39 Re vi sã o: A nd re ia - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 2/ 12 /1 1 AvAliAção de desempenho Unidade II 3 Métodos para avaliação de deseMpenho Nesta unidade, discutiremos os principais métodos disponíveis para avaliação de desempenho. O conhecimento desses métodos é fundamental, já que deles depende um bom planejamento do processo. No processo de elaboração de um sistema de avaliação de desempenho, é muito comum que se adote como modelo algum sistema ou instrumento de avaliação já aplicado em outras organizações. Entretanto, devemos estar atentos para o fato de que nem sempre um modelo adequado a determinado contexto será bem‑sucedido quando aplicado em outro. É importante lembrar que um modelo serve apenas como uma diretriz, um exemplo de como deve ser realizado um determinado processo. O plano de cada processo depende de dados, condições e variáveis, que determinarão o método a ser adotado e a forma de aplicação. Cabe ao profissional responsável, ao gestor ou administrador construir o processo de avaliação por meio da escolha do método e de instrumentos mais coerentes, a partir das condições específicas de cada organização. Vale dizer que um profissional bem qualificado tem sempre melhores condições de estabelecer os procedimentos mais eficazes e adequados. Da mesma maneira, qualquer profissional que assuma o papel de avaliador deve também estar ciente do leque de oportunidades que se lhe apresenta para, a partir disso, selecionar o que mais convém para a situação apresentada. 3.1 discutindo a questão dos métodos De forma geral, podemos entender o método como um procedimento organizado em função de atingir determinado objetivo. Assim, guardando a devida cautela, podemos afirmar que em nossa vida diária nos utilizamos, conscientemente ou não, de diversos métodos para realizar as tarefas mais banais e comuns. Por exemplo: para sair em uma viagem de férias, fiz uma pesquisa na internet no sentido de verificar os melhores preços de hotéis e passagens. Passagem comprada, hotel reservado, na véspera da viagem, arrumei as malas de acordo com uma lista elaborada no dia anterior. Na data da viagem, uma hora antes do horário de embarque, chamei um táxi por telefone, desci à portaria, embarquei no táxi, que me levou até o aeroporto em 45 minutos. Simplificando, o exemplo dá uma ideia do que constitui um método: uma descrição passo a passo de diversas etapas que devem ser cumpridas para que possamos atingir nosso objetivo. De maneira semelhante, a definição e a aplicação de um método na atividade profissional requer um planejamento passo a passo da série de atividades que nos levarão à concretização de nosso objetivo. Assim, é importante notar que, para se atingir um determinado objetivo, não existe apenas uma maneira. Devemos escolher aquela mais adequada à situação e condição em que nos encontramos. 40 Unidade II Re vi sã o: A nd re ia - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 2/ 12 /1 1 Do mesmo modo, no que diz respeito a procedimentos organizacionais: não existe apenas um método em função de determinado objetivo, e sim aquele mais adequado. observação O método é o caminho que percorremos para realizar nossa intenção: um conjunto de ações sucessivas e organizadas que podem ser repetidas ou corrigidas para conseguirmos chegar ao nosso objetivo da forma mais eficiente. Assim, quando se trata do método aplicado à avaliação de desempenho, devem‑se levar em conta os fatores que constituem a situação da organização em foco. É preciso conhecer o problema, o objetivo, as condições necessárias e os recursos disponíveis para que possamos planejar o processo de avaliação e escolher o método mais adequado. lembrete Devemos lembrar que os processos de avaliação de desempenho estão submetidos a um contexto que se desdobra em diversos níveis e envolvem não apenas a organização. Ao mesmo tempo em que a avaliação de desempenho tem um papel na economia local, sua atuação também reflete, com maior ou menor impacto, a dinâmica da economia nacional e global. Assim, a avaliação de desempenho dos colaboradores de determinada organização necessariamente se referencia ao desempenho da própria organização dentro do contexto econômico, sua missão, seus objetivos, planos e estratégias de mercado. Daí a importância da cuidadosa elaboração do plano de avaliação de desempenho, que, necessariamente, leva em conta o desempenho da própria organização. Segundo Shigunov Neto e Gomes (2003, p. 2), [...] a avaliação pode ser definida como um instrumento de análise comparativa entre os comportamentos das pessoas, entre uma situação planejada e a ocorrida, entre padrões aceitos e aqueles não aceitos pela sociedade. Dessa forma, é uma avaliação que controla o comportamento humano dentro dos pressupostos e das exigências do sistema capitalista. Como condição básica, sua estrutura deve emanar de um método de trabalho específico, configurando‑se como um legítimo e eficaz instrumento de trabalho. Ainda conforme Shigunov Neto e Gomes (2003, p. 5), O instrumento pode ser definido como sendo o recurso empregado para se alcançar um objetivo determinado, conseguir um resultado esperado. O 41 Re vi sã o: A nd re ia - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 2/ 12 /1 1 AvAliAção de desempenho método é um programa que regula previamente uma série de operações que se devem realizar, apontando erros evitáveis, em vista de um resultado determinado ou o modo de proceder com vista a atingir um objetivo. A técnica é o conjunto de processos de uma arte, a habilidade especial de executar algo ou simplesmente a prática. saiba mais Embora o conhecimento sobre o leque de opções metodológicas seja de fundamental importância para a implantação de processos de avaliação de desempenho, as pesquisas sobre o uso das diversas modalidades disponíveis são poucas. Sobre isso, vale a pena consultar CORREA, H.; HOURNEAUX JUNIOR, F. Sistemas de mensuração e avaliação organizacional: estudos de caso no setor químico no Brasil. Revista de Contabilidade & Finanças, São Paulo, v. 19, n. 48, p. 50–64, set./dez. 2008. Segundo Corrêa e Junior (2008, p. 51), [...] o que se percebe é que, apesar de sua grande difusão, os métodos de mensuração e avaliação de desempenho organizacional têm sido objeto de poucas pesquisas, no que tange a sua real utilidade e eficácia. Uma coisa parece ser clara: os métodos adotados pelas organizações foram se modificando à medida que se modificaram as maneiras com as quais elas passaram a se ver. Isso quer dizer que, ao longo do tempo, as organizações mudaram seu foco de atenção e, em função disso, mudou também o foco dos processos de avaliação de desempenho. Em consequência, os métodos escolhidos para esses processos foram se alternando com o objetivo de serem capazes de atender às necessidades empresariais. O quadro a seguir mostra algumas dessas mudanças. Quadro 2 – Mudanças na Avaliação de Desempenho Antes Hoje Medição dos produtos Medição de processos e serviços Administração de lucros Administração de recursos Realização de metas Aperfeiçoamento contínuo Medição de quantidades Medições de eficácia, eficiência e de adaptabilidade Medição baseada em especificações técnicas ou empresariais Medições baseadas nas expectativas dos clientes internos e externos Atenção centrada no indivíduo (indivíduos são capazes de controlar os resultados) Atenção concentrada no processo (os processos determinam os resultados e devem ser controlados) Processo imposto de cima para baixo Equipe desenvolve e gerencia o desempenho 42 Unidade II Re vi sã o: A nd re ia - D ia gr am ação : J ef fe rs on - 2 2/ 12 /1 1 Finalmente, para que seja possível avaliar o desempenho humano dentro das organizações, é necessário que se tenha o cuidado de situar a própria organização dentro do contexto social e econômico, suas condições e posição no mercado. Em outras palavras, não é possível estabelecer um modelo de avaliação de desempenho único e pretender que possa ser aplicado a toda e qualquer organização. Devemos lembrar que o modelo representa apenas a diretriz a ser seguida para a implantação do processo de avaliação. SEPLAG GOVERNO DO ESTADO DO CEARÁ SERVIDOR Resultados Setoriais Metas Institucionais Competências Metas Individuais Critérios Administrativos Resultados Estratégicos Figura 8 – Níveis de avaliação de desempenho. Dessa forma, temos os seguintes modelos utilizados no nível corporativo: 1. Modelo Tableau de Bord Criado por engenheiros de produção (na França, início do século XX), ele reúne indicadores de desempenho formulados “em termos de quantidades (por exemplo: números e porcentagens), qualidade (por exemplo: valor relativo), montante financeiro (por exemplo: custos e receitas) e tempo (por exemplo: frequência e prazo)” (YOKOMIZO, 2009, p. 19). Segundo o mesmo autor (YOKOMIZO, 2009, p. 20), as principais vantagens do Tableau de Bord são: (i) prover a cada gerente uma visão geral e concisa do desempenho de sua unidade para guiar a tomada de decisão; (ii) informar o próximo nível sobre o desempenho de cada unidade; (iii) forçar cada unidade a se posicionar com relação ao contexto da estratégia global da empresa e com relação às responsabilidades das demais unidades e identificar os correspondentes fatores 43 Re vi sã o: A nd re ia - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 2/ 12 /1 1 AvAliAção de desempenho críticos de sucesso e dos indicadores chave de desempenho; e (iv) contribuir para estruturar a agenda e dirigir o foco e as discussões administrativas. Em contrapartida, as desvantagens dizem respeito ao foco nos indicadores financeiros tradicionais, na extensão do método e na não inclusão da estratégia global como parte integrante de cada área. Veja, no quadro a seguir, um exemplo de Tableau de Bord construído para uma empresa fictícia. Como se pode observar, o foco do modelo são variáveis quantitativas, mensuráveis de forma objetiva, e indicadores extremamente tradicionais. Tabela 2 – Tableau de Bord Resultados da enquete relativa aos indicadores de satisfação dos clientes, aplicada junto aos clientes de uma empresa hipotética. Indicadores-Satisfação de Clientes PR FP ou PE Resulta (%) E(%) AAC PAC 1998 1999 Segurança 1 5/100 97,98 98,70 0,72 3,60 Cumprimento dos Cronogramas 2 10/100 80,73 80,03 ‑0,70 7,00 Relação Horas Trabalhadas/Defeitos 3 10/100 74,17 71,21 ‑2,96 29,60 Apres. Procedimentos Tempo Hábil 4 5/100 66,04 62,53 ‑3,51 17,55 Rev. Mínima Proc. Apresentados 5 5/100 73,65 72,39 ‑1,26 6,30 Atendimento ao Cliente 6 10/100 82,52 81,69 ‑0,83 8,30 Honest. Receptividade Fornecedores 7 5/100 82,51 81,53 ‑0,98 4,90 Flexibilidade 8 5/100 75,10 73,25 ‑1,85 9,25 Cumprimento dos Contratos 9 5/100 79,07 78,33 ‑0,74 3,70 Serviços de Engenharia 10 5/100 73,23 72,09 ‑1,14 5,70 Relação Custo‑Benefício 11 10/100 64,83 62,53 ‑2,30 23,00 Padrão Equipamentos Oferecidos 12 5/100 69,33 67,17 ‑2,16 10,80 Qualidade do Pessoal 13 5/100 74,61 73,62 ‑0,99 4,95 Inovação Reduzir Custos 14 5/100 68,76 67,73 ‑1,03 5,15 Qualidade da Produção 15 5/100 80,37 80,75 0,38 1,90 Relacionamento/Espírito Equipe 16 5/100 71,96 69,29 ‑2,67 13,35 Grau de Satisfação dos Clientes (USC) 5,50 Grau de Insatisfação dos Clientes (USC) 149,55 Déficit na Satisfação dos Clientes da Empresa (USC) (144,05) Totalização 5,50 5,50 PR ‑ Prioridade; FP ‑ Fator de Ponderação; PE ‑ Peso; E(%) ‑ Avanço ou retrocesso da avaliação (%); AAC ‑ Ativo relacionado à Avaliação do Cliente; PAC ‑ Passivo relacionado à Avaliação do Cliente; USC ‑ Unidade de Satisfação dos Clientes. Notas: (i) A parte da planilha de 1999 relativa aos clientes foi implementada através de enquete junto a 2830 clientes, que de forma voluntária e anônima a responderam. Este número representa 23,24% da clientela da empresa. (ii) A avaliação dos indicadores de satisfação dos clientes considera tanto a percepção da componente consequente quanto a componente geratriz dos clientes. Fonte: Freire; Crisóstomo; Botelho, 2003. 44 Unidade II Re vi sã o: A nd re ia - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 2/ 12 /1 1 2. Modelo de Martindell Em 1950, Jackson Martindell construiu uma ferramenta capaz de atender aos critérios de flexibilidade, inteligibilidade, comparabilidade e mensurabilidade, todos eles compreendidos dentro de um enfoque sistêmico (YOKOMIZO, 2009, p. 21). Basicamente, o modelo compreende um sistema de pontuação de dez variáveis distintas que, segundo Martindell, permitiram “a mensuração e a avaliação da organização nesses quesitos, obtendo‑se assim uma pontuação global da organização” (YOKOMIZO, 2009, p. 20). Veja, a seguir, as variáveis medidas pelo modelo. Tabela 3 – Variáveis de Martindell Variáveis Média máxima Função econômica 1.000 Estrutura organizacional 500 Saúde dos lucros 600 Serviços para os acionistas 700 Pesquisa e desenvolvimento 800 Análise da diretoria 800 Política fiscal 1.000 Eficiência da produção 1.100 Vigor das vendas 1.300 Avaliação de executivos 2.200 Total 10.000 Fonte: Yokomizo, 2009. 3. Modelo de Buchele Esse modelo (desenvolvido na década de 1970) apoia‑se em três possíveis tipos de investigação: a análise financeira, a análise dos principais departamentos da empresa e a análise dos processos administrativos. Segundo Yokomizo (2009), o modelo tem como foco o aperfeiçoamento das atividades atuais da empresa e o aprimoramento de atividades futuras, e é desenvolvido da seguinte maneira: a) quando da análise financeira, ele busca a identificação de índices vitais para a organização; a intenção é fornecer informações necessárias às instituições financeiras, tendo como desvantagem o fato de utilizar apenas o passado como base de análise. Também apresenta a desvantagem de não investigar as relações causais que resultam em problemas e desequilíbrios; b) quando da análise dos principais departamentos, ele se traduz na apresentação de ideias possíveis de, em sendo utilizadas, melhorar a perfomance da empresa; como desvantagem, ele não faz uma análise integrativa e, novamente, toma como base apenas a situação atual; 45 Re vi sã o: A nd re ia - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 2/ 12 /1 1 AvAliAção de desempenho c) quando da análise dos principais processos, ele se traduz na investigação dos processos mais fundamentais da empresa; de novo, o modelo peca por não realizar uma análise integrada. 4. Modelo de administração por objetivos e áreas-chaves Esse modelo (desenvolvido nos anos 1950) estabelece objetivos a serem atingidos. É importante, portanto, [...] a ideia de utilização dos objetivos como fator de motivação, (...) [destacando‑se] a importância da vinculação de objetivos desafiadores com a melhoria do desempenho. As relações interpessoais funcionam como elemento fundamental para a construção de uma linguagem, o tanto quanto possível, comum nas organizações (LUPOLI JR.; ÂNGELO, 2002, apud Yokomizo, 2009, p. 24). As áreas‑chaves para a geração dos objetivos da organização estão sugeridas a seguir: Rentabilidade Recursos Fisicos e Financeiros Desempenho de Desenvolvimento Desempenho de Desenvolvimento Responsabilidade Pública Inovação Posição no Mercado Produtividade OBJETIVOSFigura 9 – Áreas‑chaves na fixação de objetivos para a organização. 5. Total Quality Management (TQM) – CGT – (Gestão da Qualidade Total) O modelo de gestão de qualidade total se baseia em metas de desempenho organizacional a partir de determinados critérios de excelência. Aqui no Brasil a instituição que faz a auditoria (e premia) empresas que conseguem um elevado padrão de performance nos atributos selecionados é a Fundação Nacional de Qualidade. O modelo consagrado, e que resultada no Prêmio Nacional de Qualidade (PNQ), pode ser visto na figura a seguir: 46 Unidade II Re vi sã o: A nd re ia - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 2/ 12 /1 1 Clientes Sociedade Liderança Estratégias e Planos Pessoas Processos Informações e conhecimen tos I nform ações e conhecimentos Figura 10 – Modelo do PNQ. Para o PNQ, são oito os critérios de excelência, cada um deles podendo se subdividir em outros itens. Conforme o PNQ (2011), esses critérios são os seguintes: 1. Liderança Este Critério aborda os processos gerenciais relativos à orientação filosófica da organização e controle externo sobre sua direção; ao engajamento, pelas lideranças, das pessoas e partes interessadas na sua causa; e ao controle de resultados pela direção. 2. Estratégias e Planos Este Critério aborda os processos gerenciais relativos à concepção e à execução das estratégias, inclusive aqueles referentes ao estabelecimento de metas e à definição e ao acompanhamento de planos necessários para o êxito das estratégias. 3. Clientes Este Critério aborda os processos gerenciais relativos ao tratamento de informações de clientes e mercado e à comunicação com o mercado e clientes atuais e potenciais. 47 Re vi sã o: A nd re ia - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 2/ 12 /1 1 AvAliAção de desempenho 4. Sociedade Este Critério aborda os processos gerenciais relativos ao respeito e tratamento das demandas da sociedade e do meio ambiente e ao desenvolvimento social das comunidades mais influenciadas pela organização. 5. Informações e Conhecimento Este Critério aborda os processos gerenciais relativos ao tratamento organizado da demanda por informações na organização e ao desenvolvimento controlado dos ativos intangíveis geradores de diferenciais competitivos, especialmente os de conhecimento. 6. Pessoas Este Critério aborda os processos gerenciais relativos à configuração de equipes de alto desempenho, ao desenvolvimento de competências das pessoas e à manutenção do seu bem‑estar. 7. Processos Este Critério aborda os processos gerenciais relativos aos processos principais do negócio e aos de apoio, tratando separadamente os relativos a fornecedores e os econômico‑financeiros. 8. Resultados Este Critério aborda os resultados da organização na forma de séries históricas e acompanhados de referenciais comparativos pertinentes, para avaliar o nível alcançado, e de níveis de desempenho associados aos principais requisitos de partes interessadas, para verificar o atendimento. 6. Balanced Scored (BSC) O BSC é uma abordagem desenvolvida por Robert Kaplan e David Norton em meados de 1990. Sua proposta aponta para um sistema de gestão fundamentado em parâmetros necessários para que as empresas estabeleçam estratégias e ações levando em conta o contexto econômico em que estão inseridas. A estrutura do BSC é formada por quatro diferentes perspectivas: financeira, clientes, processos internos e perspectivas de aprendizado e crescimento. A proposta é: só é possível o pleno desenvolvimento de planos e estratégias a partir de uma abordagem analítica e simultânea das quatro perspectivas. 48 Unidade II Re vi sã o: A nd re ia - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 2/ 12 /1 1 Financeiro Para ter sucesso financeiramente como nós deveríamos aparecer para nossos investidores? Aprendizado e Crescimento Para alcançar nossa visão, como sustentar a habilidade de mudar e progredir? Cliente Para alcançar nossa visão, como devemos ser vistos pelo cliente? Processos Internos do Negócio Para satisfazer os clientes, em quais processos devemos nos sobressair? Visão e Estratégia Figura 11 – BSC. O processo obedece às seguintes etapas: a) traduzir a estratégia em objetivos estratégicos específicos; b) estabelecer metas financeiras; c) deixar claro o segmento de cliente e de mercado a que está competindo; d) identificar objetivos e medidas para seus processos internos, que é a principal inovação e benefício do scorecard, pela identificação dos processos críticos para o desempenho; e) estabelecer as metas de aprendizado e crescimento, inclusive investimentos na reciclagem de funcionários, na tecnologia disponível e nos sistemas de informações gerenciais capazes de gerar inovação e otimização de desempenho. A correta implantação de um processo de BSC deve tornar claros os objetivos estratégicos e identificar um pequeno número de vetores críticos que determinam os objetivos estratégicos. Apesar de ser necessariamente um processo top‑down (i.e., iniciado nos escalões mais altos), o resultado deve ser um modelo consensual da empresa inteira para o qual todos prestam sua contribuição. Para isso, é evidente a necessidade de um sistema de comunicação interna atuante e eficiente. 49 Re vi sã o: A nd re ia - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 2/ 12 /1 1 AvAliAção de desempenho Um BSC bem conduzido estimula a mudança, uma vez que seu maior impacto está na identificação de procedimentos ineficientes ou obsoletos. Nesse sentido, são estabelecidos marcos de referência e metas de cada perspectiva para o ano e períodos posteriores. A partir daí, torna‑se possível: a) quantificar os resultados pretendidos a longo prazo; b) identificar mecanismos e fornecer os recursos necessários para que os resultados sejam alcançados; c) estabelecer referências de curto prazo para as medidas financeiras e não financeiras do scorecard. As principais críticas ao BSC dizem respeito a uma visão simplista da realidade corporativa, na qual as interações são reduzidas a relações de causa e efeito e a um relativo desprezo à dinâmica inerente ao mundo corporativo. Nesse sentido, o BSC também não prevê nenhum mecanismo de verificação da continuidade da relevância dos indicadores estabelecidos: uma vez que os gestores foram estimulados ao acompanhamento de poucos indicadores, a falta de atenção sobre a validade dos mesmos ao longo do tempo pode por a perder todo o processo. saiba mais Interessante é a leitura do artigo O Balanced Scorecard e o processo estratégico, de Leandro Costa da Silva, que trata do Balanced Scorecard como ferramenta estratégica em processos gerenciais. Caderno de pesquisas em administração, São Paulo, v.10, nº 4, p. 61‑73, out./dez. 2003. Entendidos os modelos corporativos utilizados nas organizações, devemos considerar que, conforme já vimos, o desempenho humano nas organizações se refere ao ato de executar determinada missão de acordo com uma meta previamente estabelecida e envolve simultaneamente a motivação e o saber fazer (FLEURY & FLEURY, 2004). Assim, a avaliação de desempenho busca estabelecer uma espécie de contrato com os colaboradores no que se refere aos resultados desejados pela organização. Portanto, pode‑se entender que existe, de forma explícita ou não, padrões de eficiência adotados pela organização, de acordo com suas expectativas e potencial de desenvolvimento futuro de cada colaborador. Devemos levar em conta que todo instrumento de avaliação carrega, em maior ou menor grau, uma parcela de subjetividadeinserida no processo. Isso se deve ao fato de que se trata de um tipo de julgamento praticado por uma pessoa em relação à outra. Apesar de todo o cuidado em manter a objetividade, é inevitável que o avaliador traga em sua própria história, formação e experiência pessoal uma série de valores e noções preconcebidas que, necessariamente, de forma consciente ou não, entram em jogo no processo de avaliação, às vezes ajudando, outras prejudicando o avaliado. Spector (2005) identifica algumas dessas tendências: 50 Unidade II Re vi sã o: A nd re ia - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 2/ 12 /1 1 a) o avaliador pode se deixar levar por alguma característica do avaliado que o marcou de forma significante, impedindo‑lhe de interpretar as demais características com imparcialidade e clareza (efeito “halo”); b) o avaliador pode “forçar” sua avaliação num ponto central da escala, pois não quer se comprometer ou criar uma situação constrangedora ao ter de explicar aos colaboradores o porquê de resultados muito altos ou muito baixos; c) o avaliador pode sofrer uma influência maior dos fatos mais recentes no período imediatamente anterior ao processo de avaliação e desconsiderando o histórico anterior; d) o avaliador pode se deixar influenciar pelas características pessoais do avaliado fora do ambiente de trabalho (sejam atitudes, caráter, aparência etc.), qualidades que não necessariamente se refletem no desempenho de sua função; e) o avaliador pode supervalorizar as qualidades potenciais em relação aos resultados concretamente obtidos durante o período de avaliação. Esses fatos evidenciam que a cuidadosa elaboração e aplicação do processo de avaliação de desempenho por si só não são suficientes para atingir os objetivos estabelecidos. Existe a necessidade de convencer cada colaborador da importância da sua participação no processo, enfatizando os aspectos positivos, possibilidades de promoção e crescimento dentro da empresa. Deve‑se deixar claro que a avaliação não está exclusiva ou necessariamente ligada a aspectos coercitivos ou punitivos, mas que, pelo contrário, é por meio dela que a organização estabelece sua política de incentivos, reajustes salariais, treinamento e promoções. Dessa forma, é fundamental que haja um investimento importante no planejamento criterioso do processo e nos instrumentos de comunicação interna da organização, no sentido de ressaltar sua importância na trajetória e no desenvolvimento profissional de cada um dentro da organização. Afinal, a adoção de um método de avaliação implica necessariamente a adoção de critérios. Estes, geralmente se referem ao resultado de tarefas individuais, comportamentos e traços individuais, características que se evidenciam na convivência profissional. Assim, Robbins (2003, p. 246‑7) aponta os principais critérios, que podem ser agrupados da seguinte maneira: – Resultados individuais das tarefas: a ênfase recai sobre os resultados, deixando em segundo plano os meios utilizados para alcançá‑los. Assim, cabe à administração determinar o ponto ótimo da relação entre resultados e meios utilizados. Como exemplo, pode‑se avaliar o desempenho de um profissional de vendas pela expansão da clientela, aumento do volume de vendas ou faturamento bruto em seu território, dependendo do julgamento de cada administração dentro das prioridades estabelecidas em cada organização; – Comportamentos: a dificuldade na adoção desse critério reside na possibilidade de se poder distinguir as ações atribuídas a um único funcionário dentro de um grupo ao qual ele pertence. Se o desempenho do grupo pode ser avaliado prontamente a partir de diferentes indicadores, o mesmo não se pode dizer a respeito de cada colaborador componente do grupo. Dessa forma, as possibilidades de avaliação ficam reduzidas a poucos indicadores, que não necessariamente refletem o desempenho do colaborador em questão. Tomando o profissional de vendas como exemplo: será que o número de telefonemas que ele efetua por dia ou o número 51 Re vi sã o: A nd re ia - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 2/ 12 /1 1 AvAliAção de desempenho de dias que faltou no ano podem ser tomados como critério de avaliação de desempenho? Percebem‑se, assim, os limites e as restrições da utilização do comportamento como critério suficiente; – Características individuais: nesse critério é que se mostra de forma mais evidente a influência da subjetividade de julgamento do avaliador. De fato, simpatias e antipatias, impressões imediatas e idiossincrasias se misturam e acabam produzindo uma avaliação que pouco ou nada tem a ver com o desempenho do colaborador em sua função. Trata‑se de um critério pouco produtivo e, de certa forma, ingênuo, no qual as aparências são determinantes. Considerando tudo isso, podemos perceber que os papéis de avaliador e avaliado variam de uma organização para outra, de acordo com alguns fatores próprios de cada caso e que, necessariamente, devem ser levados em conta no planejamento do processo. Em primeiro lugar, deve‑se considerar a estrutura organizacional e política da empresa. Organizações mais tradicionais e hierarquizadas tendem a restringir os processos de avaliação a um enfoque top‑down, em que superiores avaliam subordinados de forma direta e unilateral. Organizações que adotam métodos de gestão mais afinados com as tendências da administração contemporânea tendem a certa flexibilidade hierárquica e maior acessibilidade aos canais de comunicação internos, o que proporciona maior abertura ao diálogo e participação dos colaboradores nos processos e nas ações da empresa de forma geral. Também sabemos que a própria história da empresa, seu ramo de atividade, sua missão, sua visão e seus valores têm um papel fundamental na definição da própria estrutura organizacional, determinando o estilo e a qualidade das relações entre diferentes níveis hierárquicos. Assim, a combinação desses diferentes fatores configura situações e contextos específicos de cada organização, cabendo à administração definir os critérios, as variáveis e os métodos mais adequados a cada caso. observação Os métodos adotados pelas organizações foram se modificando à medida que se modificaram as maneiras como as quais elas passaram a se ver. De qualquer forma, as possibilidades de participação no processo de avaliação de desempenho nos remetem aos seguintes casos e aos respectivos atores: 1. O superior hierárquico imediato: é o avaliador mais frequente na maioria dos casos, produto de uma perspectiva empresarial tradicional em que cargos e funções correspondem a relações de comando e obediência dentro da organização. Entretanto, as inovações administrativas e a introdução de novas técnicas de gestão vêm comprovando que essa perspectiva é limitada e contraproducente, não refletindo de fato os reais problemas e potenciais de cada colaborador. Deve‑se considerar que, dependendo do porte da organização, do grau de informatização e da complexidade das redes de comunicação internas, muitas vezes o superior hierárquico se “distancia” de seus subordinados. Seja pelo grande número de colaboradores, ou também por conta de contatos estabelecidos quase que exclusivamente por telecomunicação (e‑mail, mensagens eletrônicas, telefone etc.), não é possível ao avaliador uma visão clara de como o avaliado desempenha suas funções de acordo com os critérios e valores definidos pela organização; 52 Unidade II Re vi sã o: A nd re ia - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 2/ 12 /1 1 2. Colegas: a vantagem de considerar colegas como avaliadores é a proximidade e a constância das relações com o avaliado, o que torna o processo mais confiável tanto em relação à diversidade de dados eabrangência de diferentes aspectos quanto à independência de uma perspectiva hierárquica mais limitada aos aspectos relacionados à cadeia de comando da organização. Por meio de uma média ponderada das avaliações fornecidas individualmente, o gestor tem a possibilidade de obter um resultado mais isento e abrangente, diminuindo os efeitos de avaliações baseadas em amizade ou rivalidade; 3. Autoavaliação: procedimento que vem se tornando cada vez mais comum nas organizações mais abertas à gestão participativa. A grande vantagem dessa modalidade de avaliação é a receptividade dos colaboradores, amenizando as resistências particulares e suavizando as posições mais defensivas. No mesmo sentido, os processos de autoavaliação estimulam as relações entre os colaboradores e o diálogo entre diferentes níveis hierárquicos. Por outro lado, deve‑se observar a tendência, até certo ponto natural e previsível, da obtenção de pontuações “infladas”, valorização mais ou menos exagerada das qualidades e nível de desempenho resultantes dessa modalidade de avaliação. No mesmo sentido, a experiência mostra que o resultado desse tipo de avaliação apresenta grandes discrepâncias em relação aos resultados das avaliações realizadas apenas pelos superiores hierárquicos. Assim, cabe à habilidade e experiência do gestor a devida ponderação sobre essas discrepâncias e o devido julgamento em função dos objetivos da organização; 4. Os subordinados hierárquicos: essa modalidade implica o colaborador como avaliador e seu superior como avaliado e, pela própria inversão dos papéis tradicionais, representa uma posição firme e honesta da administração. Trata‑se de confiar na visão crítica e na franqueza daqueles que de fato estão envolvidos mais diretamente na produção, posição privilegiada para apontar as questões mais imediatas relativas às formas de gestão e ao fluxo de comunicação dentro da organização. O maior problema dessa modalidade reside na possibilidade de represálias por parte do superior avaliado, o que pode comprometer a fidelidade de dados e as informações recebidas. Par Subordinados Par Avaliado Líder Apenas os Servidores que exercem a função de líderes de unidade funcional serão avaliados • Composição superior hierárquico imediato, autoavaliação, pares e subordinados Figura 12 – Atores no processo de avaliação. 53 Re vi sã o: A nd re ia - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 2/ 12 /1 1 AvAliAção de desempenho Cabe chamar a atenção para duas novas modalidades de avaliação que propõem uma discussão mais consistente sobre o papel dos atores no processo de avaliação de desempenho: a) Avaliação 180º: é o modelo de avaliação no qual o gestor avalia seus subordinados, retornando a todos os resultados obtidos. Trata‑se de um feedback de desempenho, tomando como base a observação das competências técnicas das funções de cada colaborador, as características exigidas para cada cargo e as exigências comportamentais consideradas prioritárias dentro da companhia; b) Avaliação 360º: nessa modalidade, o avaliado é o foco de praticamente todos os seus contatos no ambiente de trabalho, sejam superiores, subordinados, colegas, clientes, internos e externos, fornecedores, além da própria autoavaliação. A quantidade de avaliadores varia de 3 e pode chegar a 25, sendo mais comum entre 5 e 10. Trata‑se de um processo identificado com organizações cuja estratégia de atuação se baseia no trabalho em equipes, mais permeáveis às modalidades de gestão participativa ou voltadas à implantação de programas TQM (Total Quality Management). O QUE O PARTICIPANTE VAI VIVENCIAR? Os outros veem o que eu vejo Os outros veem o que eu não vejo CONFIRMAÇÃO SURPRESA EMOÇÃO ACEITAÇÃO AÇÃOAPERFEIÇOAMENTO DESENVOLVIMENTO Figura 13 – Avaliação 360º. lembrete Até aqui, exploramos alguns aspectos conceituais relativos ao processo de avaliação de desempenho. Percebemos que se trata de um processo que deve ser construído a partir da situação organizacional e das condições disponíveis. 4 os Métodos de avaliação de deseMpenho: focos de avaliação, objetivos do processo e principais instruMentos O gestor consciente deve saber que é importante conhecer as bases conceituais que resultaram nos atuais modelos e métodos disponíveis, evitando o risco de incluir em seu planejamento algum tipo de proposta já superada. No mesmo sentido, conhecer a evolução dos conceitos aplicados é um requisito fundamental para a formação de uma visão crítica, capaz de dar origem a perspectivas mais compatíveis com o contexto que se coloca para a aplicação dos métodos disponíveis. 54 Unidade II Re vi sã o: A nd re ia - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 2/ 12 /1 1 É a partir do advento da administração científica (cujos princípios foram estabelecidos por Taylor em 1911 com a publicação Princípios de Administração Científica) que surge a preocupação com a disciplina e o controle do trabalhador em função da eficiência e da produtividade. Desde então, a evolução da teoria da administração recebeu importantes contribuições de outras áreas do conhecimento, especialmente da psicologia, que resultou em significativos avanços nos estudos sobre o comportamento humano nas organizações e na gestão de recursos humanos. As teorias de motivação desenvolvidas pela psicologia cognitiva apontaram a necessidade humana de ter claramente definidos os objetivos a alcançar e as expectativas sobre seu desempenho, sempre ligados a um feedback como necessária referência. Por sua vez, a psicologia comportamental desenvolveu métodos próprios para a quantificação de padrões de comportamento, permitindo um enfoque mais objetivo das relações entre desempenho e recompensa. Paralelamente, a teoria da administração desenvolvia o método de Administração por Objetivos (APO), baseado na negociação prévia de objetivos e metas observáveis e quantificáveis, contando com as técnicas da psicologia comportamental para monitorar os resultados e corrigir possíveis desvios. É a partir desse momento que a avaliação de desempenho consolida sua posição como procedimento administrativo e fundamento do desenvolvimento organizacional. Essa nova perspectiva permitiu a divulgação e o desenvolvimento de novos instrumentos de avaliação, com ênfase nos mecanismos de feedback abrangentes, como componentes das relações entre equipes e incentivo para mudanças comportamentais dentro das diretrizes e metas estabelecidas pelas organizações. O que deve ser considerado para elaborar o processo de avaliação? Com o que foi apresentado até aqui, percebemos que o desempenho é produto de uma série de fatores, e que sua avaliação não é um processo que pode ser aplicado diretamente de algum esquema ou modelo já pronto: cada contexto e cada situação organizacional exigem uma aproximação cuidadosa e um substancial conhecimento sobre modelos e métodos disponíveis para a construção de um processo realmente eficiente. Cabe também destacar que um dos principais objetivos do processo de avaliação de desempenho diz respeito ao próprio desenvolvimento do profissional dentro da organização. Esse desenvolvimento é resultado das experiências vividas e do conhecimento adquirido, e também das características pessoais e de comportamento. Assim, para o planejamento de um processo de avaliação consistente, é necessário considerar quatro diferentes dimensões que permitem o acesso mais abrangente e completo do desempenho profissional. Hipolito e Reis (2002) apontam quatro diferentes focos de avaliação, correspondentes às respectivas dimensões: a) Foco na aferição de potencial: seu objetivo principal é subsidiar os processos de promoção interna das organizações, geralmente é aplicado nos níveis gerenciais. Adota como instrumentopreferencial um conjunto de testes e simulações que buscam verificar o desempenho do profissional nas funções e situações que encontraria nas posições hierárquicas superiores. A referência conceitual é o modelo de identificação de potenciais desenvolvido por Jaques e Cason (1998), que aponta a dimensão cognitiva como componente fundamental no desempenho profissional e determina o potencial de desenvolvimento 55 Re vi sã o: A nd re ia - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 2/ 12 /1 1 AvAliAção de desempenho ao longo de sua carreira. Os autores sustentam que cada pessoa apresenta características cognitivas que podem ser representadas por uma “curva de potencial”, de modo que as capacidades de cada um determinam os limites de desenvolvimento profissional. Assim, tomando por base as capacidades atuais, seria possível prever a trajetória profissional de cada pessoa. b) Foco na análise comportamental: busca identificar os comportamentos relacionados à liderança, aos objetivos e valores da organização para que sejam devidamente estimulados pela administração. Os instrumentos preferenciais são os questionários, tanto de avaliação quanto de autoavaliação, elaborados a partir de um inventário de práticas de liderança e aplicados a partir de diversas fontes de informação que fazem parte da rede de relações profissionais do avaliado. Os resultados dão origem a relatórios de feedback devidamente repassados ao avaliado. c) Foco no desenvolvimento profissional: tradicionalmente, o nível de desenvolvimento profissional dentro de uma organização está representado pelo cargo que cada profissional ocupa. A partir dessa postura, estamos assumindo que existe uma relação direta entre a complexidade das atividades exercidas em determinada função, o estágio de desenvolvimento do profissional que ocupa o cargo e a legitimação de tal situação por parte da administração. Em outras palavras, o cargo determina o que se espera do profissional, os requisitos de experiência e a formação exigidos. Nessa perspectiva, o cargo torna‑se o principal parâmetro da gestão de pessoas: determina a base de remuneração, obrigações, privilégios e perspectivas de desenvolvimento dentro da estrutura organizacional. Sabemos que o contexto da economia mundializada é extremamente dinâmico e não deixa espaço para métodos e sistemas tradicionais de administração: a única certeza do mundo corporativo é a mudança constante, e cabe aos administradores manter a constante situação de alerta e sintonia com o que acontece a cada instante. Em tal contexto, manter a posição de considerar o cargo como parâmetro principal é, no mínimo, inadequado, e de fato obsoleto. As organizações mais inteligentes já perceberam que a flexibilidade e a versatilidade são componentes cada vez mais importantes e valorizados no comportamento profissional. A capacidade e a vontade do colaborador em assumir responsabilidades que vão além do que está formalmente descrito na definição de cargos e funções da organização passam a ser fatores determinantes. Seguindo esse raciocínio, é necessário que os processos de avaliação desviem seu foco do simples cumprimento das atribuições formalmente descritas para cada cargo e função e passem a se concentrar no grau de complexidade das responsabilidades assumidas voluntariamente em função das necessidades da organização. Portanto, torna‑se necessário enfrentar um novo desafio: o desenvolvimento de instrumentos capazes de aferir a capacidade e a competência do profissional no desempenho das atividades que escapam à determinação formal de cargos e funções. Nesse sentido, já existem iniciativas de gestão por competências, nas quais o foco vai além do parâmetro de cargo para determinar planos de carreira e remuneração. d) Foco na realização de metas e resultados: aqui o objetivo é aferir o esforço e a dedicação dos colaboradores na execução do trabalho e se relaciona diretamente às práticas de definição de remuneração variável. Porém, uma avaliação objetiva de esforço não é uma tarefa simples. Como medir esforço e dedicação? Que tipo de instrumentos, se existissem, poderiam ser utilizados? Se, por um momento, nos colocarmos na situação de um avaliador diante de uma equipe, perceberemos que a única forma seria acompanhar cada um dos colaboradores por todo o tempo de realização da tarefa designada, ou seja, o processo é inviável. Uma simplificação se 56 Unidade II Re vi sã o: A nd re ia - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 2/ 12 /1 1 torna necessária, embora saibamos que toda simplificação oferece o risco de relegar a segundo plano algo que de fato pode ser importante. De qualquer modo, a abordagem mais viável aponta para a definição prévia e objetiva de uma meta a ser alcançada em determinado prazo. Importante notar que é necessário considerar a influência de fatores externos e imprevistos que podem determinar decisivamente os resultados e, por consequência, alterar os parâmetros de avaliação. Também é comum que, nesse enfoque de avaliação, se adote o resultado financeiro como indicador principal. Deve‑se cuidar para que as ações não se voltem para a busca de resultados observáveis a curto prazo, o que pode comprometer toda estratégia organizacional e, inclusive, sua sobrevivência a médio e longo prazo. O objetivo maior deve ser a sincronização das ações de grupos e indivíduos, de modo a prever obstáculos, rever estratégias e etapas de planejamento, além de identificar as necessidades de reconfiguração de equipes e qualificação profissional. Em função disso é que se podem definir os parâmetros e as decisões quanto à remuneração variável. Assim, uma possível estratégia implicaria: 1. estabelecer uma meta ambiciosa, desafiadora, porém factível, tomando por base o estágio de desenvolvimento dos profissionais envolvidos; 2. definir objetivamente o resultado esperado, de modo a canalizar os esforços dos colaboradores e abrir as possibilidades de negociação; 3. prever critérios para revisão das metas traçadas, levando em conta a influência decisiva de fator externo. Quadro 3 – Focos das avaliações Foco das avaliações Objetivos Aferição de potencial Predizer a adequação futura do profissional a determinada situação ou objetivo de trabalho. Propõe‑se a prever o desenvolvimento de uma pessoa caso ocupe determinado cargo ou papel na organização. Análise comportamental Dar feedbacks de determinados comportamentos observáveis, alinhados a valores, missão e objetivos da empresa. Propõe‑se a promover autoconhecimento e contribuir para a identificação de pontos fortes e oportunidades de melhoria, estimulando a adoção de comportamentos considerados críticos para a empresa. Desenvolvimento profissional Observar o grau de desenvolvimento e maturidade do profissional como subsídio à distribuição de responsabilidades, à definição de ações de capacitação e a movimentações salariais e de carreira. Realização de metas e resultados Orientar o desenvolvimento para metas e objetivos da organização. Permite aferir, quantitativamente, o gap entre resultados individuais/ grupais esperados e resultados efetivamente alcançados. Fonte: Hipólito, J.A.; Reis, G.G., 2002, p. 76. O processo de avaliação implica um importante investimento da organização não apenas em termos financeiros, mas também no cuidadoso planejamento e na divulgação. Assim sendo, é importante ter muito claro quais são os principais objetivos do processo: 57 Re vi sã o: A nd re ia - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 2/ 12 /1 1 AvAliAção de desempenho 1. A Avaliação de Desempenho é um instrumento fundamental no desenvolvimento de um quadro de colaboradores qualificados e na criação e manutenção de uma cultura de constantemelhoria da qualidade dos produtos e serviços prestados pela organização; 2. Promove o desenvolvimento de uma cultura de gestão orientada para resultados com base em objetivos claros, negociados e previamente estabelecidos; 3. Promove a mobilização do quadro de colaboradores em torno da missão e dos objetivos da organização, fornecendo diretrizes claras para o desenvolvimento das atividades produtivas; 4. Assegura a valorização diferenciada do profissional de acordo com seu nível de desempenho por meio de critérios transparentes; 5. Estimula a criação de canais de comunicação entre os diversos níveis hierárquicos, essenciais à criação de aplicação de diferentes métodos e instrumentos dentro dos processos de avaliação; 6. Estimula o desenvolvimento profissional dos funcionários por meio da identificação de necessidades de formação e treinamento relacionadas à eficiência e à qualidade de produtos e serviços; 7. Estimula a necessidade de aprimoramento pessoal e profissional, visando atingir um melhor desempenho dentro da equipe, e o desenvolvimento da carreira dentro da organização; 8. Promove uma integração efetiva entre os objetivos individuais, das equipes e da instituição. 4.1 Métodos e tipos de avaliação de desempenho A necessidade de utilização de diferentes métodos de avaliação pelas organizações ao longo do tempo acabou por destacar alguns procedimentos mais comuns e modos de aplicação. A periodicidade de aplicação tende a ser anual, buscando uma paridade com os resultados econômicos e demais procedimentos administrativos. Também é possível afirmar que, na maioria dos casos, o procedimento padrão indica que compete aos superiores avaliarem seus subordinados, mesmo que a avaliação passe por retificações posteriores, uma vez que os resultados serão fundamentais como subsídio à gestão de pessoal de cada organização. Assim, apresentamos a seguir alguns dos métodos e instrumentos utilizados mais frequentemente para avaliação de desempenho: a) Relatório simples: consiste exatamente numa narrativa ou descrição do desempenho, do comportamento, de potenciais e de sugestões para o desenvolvimento do avaliado. A grande vantagem do método é sua simplicidade, dispensando recursos extras, utilização de formulários ou treinamento específicos. As desvantagens se revelam pela falta de sistematização do processo. Por exemplo, não há garantias de que os critérios utilizados pelo avaliador se mantenham constantes em cada avaliação ou mesmo para cada avaliado. Do mesmo modo, o processamento das informações, principalmente quando envolvem grande número de colaboradores, pode se tornar mais complexo e demorado, uma vez que as informações disponíveis devem ser extraídas pela leitura cuidadosa do texto. 58 Unidade II Re vi sã o: A nd re ia - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 2/ 12 /1 1 b) Escala gráfica: um dos métodos mais utilizados e que, como no caso anterior, exige alguns cuidados, a fim de neutralizar a subjetividade e o pré‑julgamento do avaliador e evitar interferências no resultado. Trata‑se de um método que avalia o desempenho das pessoas por meio de critérios previamente definidos. Utiliza‑se de um formulário de dupla entrada, no qual as linhas em sentido horizontal representam os critérios de avaliação de desempenho e as colunas em sentido vertical, os valores arbitrados, correspondendo aos graus de variação de cada critério (geralmente de 5 a 10 níveis). Os critérios podem variar de acordo com as finalidades específicas de cada avaliação ou para definir especificamente para cada colaborador fatores específicos que se pretendem avaliar. A principal vantagem é a rapidez e a simplicidade de aplicação, além do estabelecimento de critérios constantes e invariáveis dentro de um mesmo grupo de avaliados. A desvantagem reside nessa mesma simplificação, uma vez que a atribuição de um valor numérico é redutora e não permite uma análise mais detalhada do desempenho. Gráfico 1– Escala gráfica (exemplo) 100 75 50 25 0 atenção pontualidade proatividade relacionamento assiduidade c) Método da escolha forçada: consiste em avaliar o desempenho por meio de frases descritivas de determinados tipos de desempenho individual. Geralmente, a composição de alternativas varia entre qualificações positivas e negativas, para que o avaliador escolha aquela que mais se adapta ao desempenho do avaliado. Apesar de ser um método bastante simples, nem sempre as afirmações que compõem o formulário traduzem de forma fiel a situação constatada pelo avaliador, o que pode resultar em distorções significativas nos resultados. d) Frases descritivas: a partir de uma série de afirmações sobre desempenho, o avaliador assinala positiva ou negativa, de acordo com cada caso avaliado. Como no caso anterior, existe a possibilidade de que as afirmações não correspondam integralmente a cada caso, ou mesmo que não exista alguma alternativa mais afeita ao julgamento do avaliador. Também aqui, se não houver um cuidado especial na escolha das afirmações, o avaliador pode ser induzido a forçar seu julgamento numa direção não intencionada. e) Pesquisa de campo: procura minimizar os efeitos da carga de subjetividade e os valores preconcebidos do avaliador pela inclusão de um especialista externo no processo. Após encontros 59 Re vi sã o: A nd re ia - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 2/ 12 /1 1 AvAliAção de desempenho preliminares com o avaliador, esse especialista comparece a cada sessão de avaliação como assessor, a fim de dirigir o processo de avaliação e obter um conjunto de informações mais completo. Por um lado, existe a vantagem do rigor e da profundidade adicionados ao processo; por outro, a organização passa a depender da contratação do especialista para a realização do processo, implicando a alocação de recursos e tempo extra. f) Incidentes críticos: consiste na especial atenção do avaliador sobre aqueles comportamentos fundamentais que traçam a distinção entre o desempenho eficaz e o ineficaz no cumprimento de determinada função ou exercício de um cargo. Depende do rigor do avaliador no registro dos incidentes e do acompanhamento constante do desempenho de cada avaliado, e não elimina a possibilidade de interferências subjetivas do avaliador. g) Comparação pareada: consiste em comparar dois a dois colaboradores componentes de um mesmo grupo ou em cargos similares pela atribuição de valores a cada critério definido. Dessa forma, torna‑se possível uma classificação sumária comparativa. Apesar de ser um processo bastante simples, é evidente que o procedimento se complica à medida que o número de avaliados aumenta. h) Classificação por grupos: nesse método, o avaliador situa cada avaliado em determinado extrato de classificação, dando origem a diferentes grupos (classes). Como exemplo, o avaliador aponta se o avaliado pode ser encaixado entre os 10% melhores, os 10% imediatamente inferiores e assim por diante, resultando numa separação por diferentes classes de desempenho. Como em qualquer processo de classificação, corre‑se o risco de um julgamento superficial capaz de falsear o real desempenho do avaliado, especialmente nos casos em que este é identificado como pertencente a uma classe “intermediária”. i) Classificação individual: como já indica a denominação, trata‑se do simples ranqueamento por ordem decrescente (do melhor para o pior desempenho) de um grupo de colaboradores. Dessa forma, deve‑se supor que os critérios considerados devem permitir ao avaliador um julgamento claro e objetivo para cada caso, uma vez que a intenção é um ordenamento sem possibilidade de empate. j) Autoavaliação: nesse método, o próprio funcionário é solicitado a fazer uma sincera análise de seu próprio desempenho. A referência deveser sempre as necessidades e as condições para o desenvolvimento dos potenciais e das competências individuais dentro da estrutura da organização. Deve‑se notar que a autoavaliação não se sobrepõe aos demais métodos aplicados ou ao julgamento dos demais avaliadores, servindo principalmente como necessária referência para estabelecer as diretrizes de gestão de pessoal na organização. A autoavaliação promove, sobretudo, a criação de novas e melhores condições de comunicação entre os diferentes níveis hierárquicos. k) Avaliação por resultados: embora já tenhamos visto esse assunto, vale lembrar que, nesse caso, o principal critério de avaliação é a comparação periódica entre os resultados previstos e os efetivamente alcançados pelo avaliado, permitindo a identificação direta entre os pontos fortes e fracos de forma individual e a definição das medidas cabíveis para as devidas correções de rumo. É um método prático, mas dependente do rigor, do comportamento e das subjetividades do avaliador. 60 Unidade II Re vi sã o: A nd re ia - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 2/ 12 /1 1 I) Avaliação por objetivos: semelhante ao caso anterior, nesse método, avaliador e avaliado negociam objetivos específicos mensuráveis e alinhados aos objetivos da organização. São previstas reuniões periódicas para aferir o nível de desempenho e possível negociação de objetivos. O colaborador é incentivado a apresentar planos, sugestões e ideias, cabendo ao gestor manter‑se receptivo e aberto ao diálogo; mas restringindo‑se apenas aos objetivos em discussão. m) Métodos mistos: conforme discutido no início desta unidade, a definição dos procedimentos de avaliação de desempenho deve tomar como referência os métodos já consolidados, sem pretender sua aplicação direta, tendo em mente que as condições e situações que caracterizam cada caso são bastante específicas. Assim, elaborações posteriores, adaptações e combinações de diferentes métodos devem ser consideradas. O cuidado necessário é manter a objetividade e o rigor na escolha de critérios e procedimentos. Assim, diversas organizações, especialmente aquelas com uma estrutura mais complexa ou muito específica, recorrem a uma mistura de diversos métodos na composição de um modelo mais afeito e compatível com seu caso. n) Avaliação de competências: trata‑se de uma tendência mais atual que indica a necessidade de uma releitura dos papéis usualmente desempenhados nos métodos de avaliação tradicionais, deslocando o foco do papel do avaliador, sempre carregado de subjetividade, valores e critérios pouco objetivos, para o do próprio avaliado. Dessa forma, a ênfase recai na autoavaliação como principal recurso. O objetivo aqui é fazer com que, no processo, o colaborador acabe por revelar não apenas os pontos fracos, mas também seus pontos fortes e potenciais de acordo com seu ponto de vista. A premissa básica é a de que o colaborador sabe ou pode aprender a identificar suas próprias competências, necessidades e deficiências, cabendo ao seu superior ajudá‑lo no processo, visando simultaneamente às necessidades e aos objetivos da organização. Dessa forma, o colaborador passa a ser um agente ativo dentro da organização, o que vem a promover sua motivação e o desenvolvimento de forma mais afeita às suas características, resultando num maior interesse e produtividade. Assim, o processo de avaliação torna‑se um instrumento que auxilia o colaborador a tomar consciência de sua situação, de seus potenciais e limites de desenvolvimento dentro da organização. resumo De tudo o que foi apresentado nesta unidade, você teve a oportunidade de aprender que modelos servem como diretrizes para o desenvolvimento de processos e sistemas de avaliação de desempenho e, portanto, não é possível aplicá‑los diretamente a uma determinada situação. São ainda procedimentos sistemáticos e organizados com a intenção de alcançar determinado objetivo. Como no caso dos modelos, existem diversos métodos, cada qual com características e instrumentos próprios, que devem ser utilizados de acordo com a adequação ao contexto e à situação que confrontamos no processo de avaliação. 61 Re vi sã o: A nd re ia - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 2/ 12 /1 1 AvAliAção de desempenho Na abordagem, a unidade procurou esclarecer que existem diferentes níveis de avaliação de desempenho, que incluem o desempenho corporativo, o desempenho de grupos e equipes e o desempenho profissional no contexto da organização. Cada nível de avaliação possui métodos, procedimentos e instrumentos próprios, pois todo processo de avaliação de desempenho implica um esforço de objetividade por parte do avaliador no sentido de traduzir o mais fielmente possível as condições do avaliado na organização. Por seu turno, a aplicação de qualquer método de avaliação requer a adoção de critérios específicos que traduzam o mais fielmente possível o desempenho do profissional em determinado período de tempo. Embora seja mais comum que o papel de avaliador seja exercido pelo superior hierárquico imediato do avaliado, dependendo do método adotado, esse papel pode ser representado por outros profissionais alocados em diferentes níveis hierárquicos, incluindo colegas ou o próprio avaliado (autoavaliação). Nesse aspecto, a evolução dos métodos de avaliação de desempenho é consequência direta da própria evolução da teoria da administração, sendo a avaliação de desempenho elemento importante em qualquer estratégia organizacional, e seus efeitos se estendem para o aperfeiçoamento de sistemas, processos e desenvolvimento geral de profissionais e da própria organização. exercícios Questão 1. Leia o texto: O método de administração científica de Frederick W. Taylor (1856‑1915) tem o objetivo de aumentar a produtividade do trabalho. Para ele, o grande problema das técnicas administrativas existentes consistia no desconhecimento, pela gerência, bem como pelos trabalhadores, dos métodos ótimos de trabalho. A busca dos métodos ótimos seria efetivada pela gerência, através de experimentações sistemáticas de tempos e movimentos. Uma vez descobertos, os métodos seriam repassados aos trabalhadores, que se transformavam em executores de tarefas predefinidas. O taylorismo consiste ainda na dissociação do processo de trabalho das especialidades dos trabalhadores, ou seja, o processo de trabalho deve ser independente do ofício, da tradição e do conhecimento dos trabalhadores, mas inteiramente dependente das políticas gerenciais. Taylor separa a concepção (cérebro, patrão) da execução (mãos, operário) (OLIVEIRA, 2007). Considerando o texto, podemos afirmar que a avaliação de desempenho do profissional neste caso tomava como critério: 62 Unidade II Re vi sã o: A nd re ia - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 2/ 12 /1 1 I. o desenvolvimento do profissional dentro da organização a partir de seu comportamento e da avaliação dos colegas; II. os resultados individuais das tarefas realizadas visando à maximização da produtividade; III. a padronização da produção a partir de metas quantitativas das diretrizes gerenciais. Estão corretas apenas: A) I. B) II. C) III. D) I e II. E) II e III. Resposta correta: alternativa E. Análise das alternativas Afirmativa I – incorreta. Justificativa: o desenvolvimento do trabalhador passava para um segundo plano em relação à sua produtividade e, dessa forma, qualquer avaliação estaria atrelada a uma meta quantitativa controlada por seu superior hierárquico. Afirmativa II – correta. Justificativa: a leitura atenta do texto deixa claro que o taylorismo concentrava seu foco na maximização da produtividade, considerando o trabalhador como umrecurso de produção. De fato, o objetivo recaía sobre a produtividade e a capacidade de produção do trabalhador, como fica flagrante no “Estudo de Tempos e Movimentos”, uma decorrência importante da teoria científica de Taylor. Afirmativa III – correta. A padronização de todo o processo produtivo, inclusive dos movimentos corporais para a execução de cada tarefa, constitui o fundamento da teoria de Taylor, que tinha como princípio a separação, muito clara, de quem podia e planejava e daquele que só executava. Questão 2. (Enade, prova de Administração, 2003) No intuito de se adequar às necessidades dos seus alunos, a Universidade Jurandir de Meneses – UJUM acaba de realizar uma pesquisa junto a 1.000 63 Re vi sã o: A nd re ia - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 2/ 12 /1 1 AvAliAção de desempenho deles para mensurar e avaliar o desempenho, bem como a qualidade do atendimento pessoal prestado em sua biblioteca recém‑informatizada. Para cada entrevistado — todos eles usuários da biblioteca — foram feitas duas perguntas: qual o grau de importância que ele creditava ao serviço de atendimento pessoal na biblioteca e qual o seu grau de satisfação com o referido serviço. A tabulação das respostas é apresentada na tabela a seguir. Grau de Satisfação Grau de Importância Não importante Indiferente Importante Total Insatisfeito 81 58 344 483 Neutro 42 32 191 265 Satisfeito 42 30 180 252 Total 165 120 715 1.000 Com base nos resultados, qual das medidas a seguir seria sensato adotar? A) Conceber uma campanha maciça de conscientização dos alunos para a importância do serviço de atendimento pessoal na biblioteca. B) Premiar os funcionários de atendimento pelo excelente resultado alcançado. C) Providenciar, com urgência, um treinamento de atendimento ao cliente para os funcionários que atuam nessa área. D) Reduzir o atendimento pessoal ao mínimo necessário, como forma de mostrar aos alunos que o sistema informatizado é mais rápido e preciso do que o atendimento pessoal. E) Explicar aos poucos alunos insatisfeitos que o atendimento pessoal não é tão necessário em uma biblioteca informatizada. Resolução desta questão na plataforma. 64 Unidade III Re vi sã o: A nd re ia - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 2/ 12 /1 1 Unidade III 5 Etapas E InstrumEntos do procEsso dE avalIação dE dEsEmpEnho 5.1 Etapas do processo de avaliação Até aqui examinamos os aspectos mais importantes, componentes e métodos da avaliação de desempenho. Vimos também que o planejamento de todo o processo não obedece a uma regra ou modelo fixo, mas deve ser elaborado de acordo com as necessidades próprias de cada organização. De acordo com a definição do processo e do projeto resultante, são estabelecidas diversas etapas, cada qual com sua finalidade e características próprias, exigindo os respectivos instrumentos de aplicação. Dessa forma, é difícil definirmos objetivamente uma sequência ideal de etapas; mas pode‑se apresentar um esquema de referência: 1. Definição de critérios de acordo com a missão, a visão e os objetivos da organização; 2. Definição de avaliadores e avaliados; 3. Estabelecimento do cronograma do processo; 4. Definição/elaboração do método e dos instrumentos de avaliação; 5. Definição dos instrumentos correspondentes a cada etapa; 6. Aplicação/coleta de dados; 7. Análise dos dados obtidos; 8. Entrevista com o avaliado/feedback; 9. Tomada de decisão e planejamento organizacional. 65 Re vi sã o: A nd re ia - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 2/ 12 /1 1 AvAliAção de desempenho Gráfico 2 – Processo de avaliação de desempenho (exemplo) Formulação de objetivos: áreas específicas Formulação de indicadores de desempenho Desenvolvimento de instrumentos de coleta Determinação de documentos comprobatórios, modo de coleta e método de análise Entrevista inicial: Estabelecimento de metas Coleta de dados Análise de dados e formação de juízo Entrevista final Decisões relativas a desenvolvimento de pessoal e planejamento Gerente Funcionário Reavaliação dos dados Instância superior Fonte: Reifschneider, M.B., 2008. Em qualquer processo de avaliação, e não apenas na avaliação de desempenho, é importante que se estabeleçam parâmetros, se possível quantitativos, numéricos, no sentido de se buscar resultados tão objetivos quanto possível. Para alguns fatores, essa definição é fácil: o tempo, por exemplo, pode ser quantificado sem maiores problemas. Entretanto, outros fatores envolvidos apresentam certa complexidade na transformação de critérios em valores. Como quantificar a atenção que um profissional de vendas dispensa a um cliente? Pelo tempo que gasta em ligações telefônicas? Pelo número de ligações? Pelo índice de fidelização? Difícil responder. Por isso, o próprio processo de avaliação de desempenho acaba sofrendo alguma resistência, acusado de parcial, dispendioso, intimidador e impreciso. Além disso, a falta de compreensão dos mecanismos envolvidos e a natural oposição entre comandantes e 66 Unidade III Re vi sã o: A nd re ia - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 2/ 12 /1 1 comandados dentro da estrutura da organização tende a transformar o processo em um grande ajuste de contas. Pesquisas recentes (Sink e Tuttle, 1993) apontam para alguns possíveis caminhos para a adoção de critérios quantitativos para a avaliação de desempenho que merecem atenção: a) a quantificação deve apontar claramente para a atividade desenvolvida, sem deixar margem a dúvidas; b) a preocupação principal deve ser mais voltada à confiabilidade de informações do que com a precisão dos dados, mesmo porque diferentes processos produzem resultados diversos, que não permitem uma leitura ou comparação direta; c) não se deve basear a avaliação em um único indicador, uma vez que o desempenho a ser avaliado é resultado da interação de diferentes fatores e condições. Deve‑se considerar que, quando outros aspectos relevantes são negligenciados, a interpretação e a confiabilidade do sistema de avaliação ficam comprometidas. Assim, torna‑se essencial uma ampla compreensão de que metas de desempenho estão sujeitas à influência de fatores não facilmente previsíveis, mas reais e determinantes na mensuração pretendida. A mensuração do desempenho é importante, mas só é realmente eficaz quando analisada de forma menos rígida. No mesmo sentido, considera‑se que qualquer dimensão mensurável deve ter como referência um padrão, isto é, um valor de referência sem o qual qualquer medida perde seu significado. No caso da avaliação de desempenho, o padrão representa um bom nível ou o melhor nível de desempenho e, dessa forma, o estabelecimento de padrões de desempenho merece considerável atenção pelas implicações que promove no próprio processo de avaliação. É necessário questionar a validade de padrões universais ou pertencentes a determinado processo enquanto componentes fixos. Devemos lembrar, sempre, que a situação específica e o contexto de cada organização são determinantes na elaboração do processo de avaliação, e que essa é uma das mais importantes funções do gestor. Sink e Tuttle (1993) destacam a importância de se estabelecer uma meta definida por um valor viável, que não pareça impraticável, mas que também não seja insignificante a ponto de não representar um desafio. Dessa forma, o padrão de desempenho ideal deve ser obtido a partir das próprias práticas organizacionais, considerando‑se sua própria capacidade e seus recursos. Entretanto, cabe levantar algumas questões sobre a definição de padrões com base somente em fatoresinternos: • Como fixar o padrão interno e como atualizá‑lo? 67 Re vi sã o: A nd re ia - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 2/ 12 /1 1 AvAliAção de desempenho • Como o padrão interno situa‑se em relação aos resultados do mercado? • Como o padrão situa‑se em relação à expectativa dos clientes? • Como o padrão pode ser comparado a outros padrões externos? Recentes pesquisas afirmam que os padrões são e devem ser mutáveis, não devendo limitar‑se ou prender‑se ao conceito de nível desejado. Antes de tudo, deve‑se considerar que um padrão ótimo ou ideal deve ter como primeira referência o processo de tomada de decisões da organização a partir dos recursos disponíveis, ou seja, o padrão deve ser coerente com a estrutura organizacional e aproximar‑se dos melhores resultados possíveis. Assim, o melhor desempenho está relacionado com o melhor aproveitamento dos recursos para a obtenção dos resultados esperados. No que refere à dimensão das pessoas envolvidas, os padrões de desempenho definem‑se a partir da associação entre habilidades e exigências das atividades desempenhadas. O projeto de Avaliação de Desempenho deve levar em consideração as características do sistema organizacional e dos recursos utilizados. Assim, os padrões de desempenho adotados deverão tomar por referência a composição entre recursos do sistema e dos produtos e serviços que o mesmo possibilita obter, a partir de determinado nível de atividade. Quadro 4 – Exemplo de formulário de avaliação de desempenho AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO CSA MATRÍCULA FUNCIONÁRIO OU EQUIPE FUNÇÃO OU ÁREA NESSE ESPAÇO O FUNCIONÁRIO DEVERÁ INSERIR UMA DESCRIÇÃO SUMÁRIA DAS ATUALIZAÇÕES PROFISSIONAIS, DESDE QUE DEVIDAMENTE COMPROVADAS, ALÉM DA ELABORAÇÃO DE TRABALHOS E PROJETOS RELEVANTES EM SUA ÁREA DE ATUAÇÃO A PARTIR DE 31/12/2003. NOME DO AVALIADOR ( ) DIREÇÃO ( ) INTERAVALIAÇÃO ( ) SUPERIOR IMEDIATO ( ) PRÓPRIO FUNCIONÁRIO 68 Unidade III Re vi sã o: A nd re ia - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 2/ 12 /1 1 INFORMAÇÕES IMPORTANTES: OS 12 PRIMEIROS ITENS SÃO OBRIGATÓRIOS 1 - NA AUTOAVALIAÇÃO, O FUNCIONÁRIO DEVERÁ RESPONDER TODOS OS ITENS (21) 2 - A DIREÇÃO AVALIARÁ SOMENTE OS ITENS OBRIGATÓRIOS (12 PRIMEIROS) 3 - NA AVALIAÇÃO DO SUPERIOR IMEDIATO E NA INTERAVALIAÇÃO, ALÉM DAS 12 PRIMEIRAS OBRIGATÓRIAS, DEVERÃO SER RESPONDIDOS MAIS 06 ITENS OPCIONAIS. ITEM COMPETÊNCIA E HABILIDADES DESCRIÇÃO PONTO 1 Credibilidade e Confiança É o grau de confiabilidade das informações/ atividades/serviços prestados sob sua responsabilidade. 2 Compartilhamento das atividades É a capacidade de compatilhar as informações para o desenvolvimento das atividades/serviços, de modo que estes não fiquem prejudicados e condicionados à presença do funcionário executor da atividade. É o ato da descentralização da informação. 3 Trabalho em equipe É a capacidade de interagir e cooperar no compartilhamento de ideias, objetivos, atividades e soluções para atingir os objetivos institucionais. 4 Disponibilidade São as atitudes no que se refere a estar disponível para atender solicitações na participação em atividades/serviços, de acordo com as necessidades. 5 Comprometimento É a predisposição para a ação e para o esforço em prol da instituição, quanto ao compatilhamento de valores entre esta e as pessoas que nela atuam, buscando atingir os objetivos organizacionais. 6 Flexibilidade É a forma como compreende e responde às novas situações de trabalho, podendo exercer múltiplas atividades/serviços, inerentes à sua área de atuação. Disponível em: <http://www.cgu.unicamp.br/.../3_COMPETENCIAS_HABILIDADES_QUESTOES _ABERTAS.pdf>. Acesso em: 25 jul. 2011. Deve‑se, também, considerar a possibilidade, bastante comum, da utilização de mais de uma forma de avaliação; por exemplo, uma para o desempenho individual e outra para o desempenho em equipe. A experiência mostra que o uso dos métodos de avaliação individual possui maior validade e utilidade quando aplicado a organizações muito hierarquizadas, com cargos e funções bem definidos e pouco flexíveis. Nesses casos, torna‑se mais fácil e coerente se o processo tiver o foco centrado no trabalho individual, que é devidamente controlado e avaliado pelo superior hierárquico imediato. Naquelas organizações que tendem a uma estrutura constituída por grupos ou equipes, os melhores resultados são obtidos quando o foco da avaliação aponta mais para os processos. Portanto, não é apenas possível, mas também recomendável, que a organização adote diferentes formas de avaliação, de acordo com cada sistema de trabalho. Como atualmente existe a tendência administrativa das organizações efetuarem o gerenciamento dos processos e das atividades, a orientação para a avaliação coletiva é enfatizada. Existe um movimento cada vez mais intenso da teoria da administração apontando para o interesse em utilizar o mecanismo de equipes e de trabalho em equipe como alicerce básico para o desempenho. As possíveis razões residem nos desafios competitivos cada vez mais intensos, resultantes dos processos 69 Re vi sã o: A nd re ia - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 2/ 12 /1 1 AvAliAção de desempenho que se referem à mundialização do capital e da produção, que estão levando progressivamente as organizações a repensar a estrutura produtiva mais adequada e em novas arquiteturas, inclusive no tocante à força de trabalho. Todo processo de avaliação só é legítimo se o avaliado recebe um retorno sobre os resultados de sua avaliação, denominamos esse retorno de feedback. Trata‑se de um princípio básico e fundamental não apenas presente em processos de avaliação, mas também em qualquer processo de aprendizado, incluindo aqui a educação e a socialização do indivíduo. Ao longo de nossas vidas, desde a infância aprendemos por tentativa e erro ou seguindo as instruções de pais, irmãos, parentes, professores; enfim, de alguém disposto e interessado em apontar nossos erros, incentivar novas experiências e elogiar as escolhas acertadas. Quando ingressamos no mercado de trabalho, de certa forma esperamos encontrar um processo parecido, para que possamos aprender a realizar as atividades que nos cabem. E o mesmo processo se repete também na vida social, quando aprendemos os códigos de conduta e comportamento na convivência com grupos de amigos, na universidade, em acontecimentos sociais, familiares e mesmo na atuação política. Assim, de certa forma, convivemos ao longo de nossas vidas com processos de aprendizado e de avaliação; mas, de fato, só aprendemos quando temos consciência dos erros cometidos e também dos acertos. Em outras palavras, processos de avaliação fazem e sempre fizeram parte de nossas vidas. Mas a situação parece ser muito mais complicada quando se trata da avaliação de desempenho aplicada na vida profissional. De um lado, existe a resistência natural às relações de comando: vontades e liberdades individuais são restritas pelas obrigações e pelos compromissos profissionais, gerando o conflito interno – o conhecido stress emocional, e o trabalho passa a ser principalmente um sacrifício. Assim, quando uma organização resolve implantar um processo de avaliação de desempenho, é natural que se estabeleça certa tensão e preocupação: o clima é de incerteza sobre as consequências do processo, pois “tudo pode acontecer”. No caso de ser a primeira experiência, seja para a organização, seja para o colaborador, as expectativas aumentam tanto para quem irá avaliar quanto para quem será avaliado, uma vez que os colaboradores podem imaginar que ao término do processo poderão sofrer algum tipo de retaliação. Se não é possível eliminar a tensão e asexpectativas, é possível tentar minimizá‑las. Nesse sentido, a organização deve tomar a iniciativa de implantar o processo de forma transparente, abrindo os canais de comunicação disponíveis ou criando outros no sentido de deixar claro o que é o processo, para que serve, enfatizando os benefícios que os colaboradores podem obter com a participação, como possibilidades de promoção, reajuste salarial, liderança etc. No mesmo sentido, e como parte do processo, a organização deve buscar a construção de métodos e instrumentos que sejam os mais adequados à sua realidade e cultura. Dessa forma, é possível diminuir o impacto e evitar os possíveis focos de resistência. Recentes pesquisas mostram que a coerência entre método de avaliação e estrutura organizacional é um dos fatores‑chave na implantação de um sistema de avaliação de desempenho. 70 Unidade III Re vi sã o: A nd re ia - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 2/ 12 /1 1 Na perspectiva do avaliador, o feedback também não é uma etapa tranquila. O constrangimento de discutir abertamente as possíveis deficiências de desempenho com o colaborador, somado à própria situação de confronto dentro da hierarquia organizacional, cria a possibilidade de animosidades, de motivação e retaliação em ambos os lados da mesa. A natural posição defensiva da parte do avaliado, por vezes contestando a avaliação ou imputando a culpa a outro colaborador ou mesmo ao gestor, também contribui para aumentar o clima de rejeição ao processo. Dessa forma, a recomendação é que, na medida do possível, o processo enfatize os aspectos positivos e construtivos da avaliação: ao invés de apontar erros e falhas, discutir como poderiam ser melhorados os aspectos que não tiveram uma avaliação positiva. Dessa forma, o processo de avaliação de desempenho deve ser concebido mais como uma atividade de aconselhamento do que como um julgamento. Nesse sentido, os processos que se iniciam pela autoavaliação levam grande vantagem, quebrando resistências iniciais e iniciando o diálogo a partir da perspectiva do avaliado. Não é de se estranhar que a avaliação de desempenho seja questionada e sofra críticas de diversas naturezas. Os argumentos mais críticos do processo de avaliação de desempenho residem, basicamente, sobre a natureza do mesmo: o processo parece mais um novo mecanismo de controle de pessoas, uma modernização dos métodos apresentados no início do século XX por Taylor e sua proposta de administração científica. observação Outro aspecto que merece consideração é a transformação do processo num evento que normalmente promove o conflito entre avaliadores e avaliados numa versão organizacional de júri popular. Uma crítica mais consistente é sustentada pelos teóricos que questionam os critérios de quantificação aplicados à avaliação de desempenho. Tentando uma analogia, imaginemos uma situação em que medidas e números parecem não fazer sentido quando tentamos traduzi‑la em quantidades: numa bela tarde ensolarada, paramos à beira do mar para ver o pôr‑do‑sol e achamos maravilhoso. Será que seria possível definirmos “quanto” maravilhoso achamos isso? Qual é o padrão a ser considerado? É em metros, litros ou quilos? Apesar da brincadeira, tentemos agora imaginar todas as ações que executamos normalmente em nossa jornada de trabalho diária. Mais especificamente, imaginemos a jornada de trabalho de Juracema: ela é uma secretária atarefada, e sua rotina diária inclui atender clientes, colaboradores, agendar viagens, marcar reuniões, cuidar de aspectos logísticos, alocar recursos, cuidar da agenda de compromissos, apenas para citar algumas atividades. Parece difícil poder adotar um mesmo padrão para avaliar o desempenho da profissional diante de atividades tão diversas. Mais uma vez, suponhamos que temos que avaliar o desempenho de Juracema, e nosso “julgamento” como avaliadores nos leve a concluir que seu desempenho é satisfatório. Por que satisfatório e não exemplar? Poderia ser impecável? Numa escala de valores, qual é a diferença entre impecável e eficiente? 71 Re vi sã o: A nd re ia - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 2/ 12 /1 1 AvAliAção de desempenho Poderíamos argumentar que o caminho mais correto seria adotar critérios (atenção, pontualidade, proatividade etc.) e atribuir notas de 1 a 10, por exemplo, para cada critério, e é exatamente isso que os processos de avaliação fazem, em sua maioria. O resultado da avaliação deveria ser uma média? E se fossem dois avaliadores, executivos a quem Juracema auxilia, e as notas fossem discrepantes? Adotamos a média dos dois? Afinal, o que legitima os critérios e padrões de avaliação? Essas perguntas são propositalmente ambíguas. A resposta certa é: não há resposta certa! É exatamente essa a crítica que se faz à maioria dos processos de avaliação de desempenho, especialmente aplicável àqueles casos em que o processo é mal planejado e conduzido, ou que não tenha sido feita a preparação adequada com avaliadores e avaliados. Também as limitações gerenciais, tais como falta de visão estratégica, despreparo para o relacionamento interpessoal, tendência à centralização, processo decisório lento, dificultam a implantação e prejudicam o processo de avaliação de desempenho. De forma resumida, poderíamos apontar os principais argumentos contra os processos de avaliação de desempenho: 1. foco distorcido: a atenção que deveria estar voltada para os processos ou sistemas da organização acaba recaindo sobre a competência e o desempenho profissional; 2. controle dos resultados: boa parte das situações de trabalho independem do avaliado e de suas ações e estão ligadas muito mais às condições de trabalho e problemas de comunicação interna e cadeia de comando; 3. adoção de metas numéricas ou quantitativas: além dos problemas relativos aos critérios de quantificação, as metas podem transformar‑se em limitações às melhorias, tão logo sejam atingidas. lembrete A avaliação de desempenho deve ser vista e tratada como uma intervenção estratégica, orientada para a melhoria de processos e desenvolvimento de potenciais, tanto da organização quanto de seus colaboradores. É importante sempre estarmos atentos à necessidade da crítica e da correção de rumos tanto na elaboração quanto na implantação dos processos de avaliação. Ao mesmo tempo, é importante notar que a principal fonte dessa distorção de enfoque deve‑se mais às ações administrativas equivocadas do que às resistências dos avaliados: a falha da avaliação de desempenho é exatamente a falha da administração em definir claramente objetivos e estabelecer técnicas específicas de avaliação do desempenho designada para alcançar objetivos (CHIAVENATO,1998, p. 144). 72 Unidade III Re vi sã o: A nd re ia - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 2/ 12 /1 1 Como então qualificar as pessoas com base em aspectos que não dependem de seu controle, uma vez que existem condições que são de fato inerentes a cada organização ou estão diretamente relacionadas com o sistema de avaliação? Vale lembrar algumas questões já abordadas anteriormente, apresentadas como causas da ineficiência e da inadequação dos sistemas de análise, consequências diretas das distorções já discutidas: – insatisfação dos avaliados: causada principalmente pela impressão de que o processo está gerando injustiça, na medida em que serve de instrumento de concessão de prêmios e castigos, e baseada em critérios pouco transparentes e discutíveis e não numa real avaliação de performance e potencial; – falta de objetividade e excesso de burocracia: induzida pela valorização excessiva do processo em si, que por vezes se torna mais importante do que as próprias finalidades a quedeveria servir; – subestimação da importância dos colaboradores: fruto de uma perspectiva distorcida que identifica os níveis hierárquicos maiores e a alta direção como os únicos interessados no processo. Um sistema de avaliação adequado deve oferecer muito mais enquanto real instrumento estratégico da organização. De fato, é necessário ter em mente que o sistema de avaliação de desempenho é um instrumento de promoção do crescimento pessoal e profissional das pessoas diretamente envolvidas. saiba mais Segundo Deming (1990), cerca de 90% dos problemas das organizações que são imputados aos empregados são de processo ou sistêmicos, não sendo, portanto, sua responsabilidade, e sim da gerência. Para maior aprofundamento, é interessante ler sua obra Qualidade: a revolução da administração. Rio de Janeiro: Saraiva, 1990. Percebemos, portanto, que a complexidade da elaboração de um processo de avaliação de desempenho exige dos administradores uma substancial carga de conhecimento, experiência e disposição para a inovação. E de fato, cada vez mais, são divulgadas diferentes perspectivas e propostas de planejamento de sistemas de avaliação. A título de reflexão, convidamos você para um exercício de perspectiva crítica sobre os sistemas de avaliação de desempenho mais utilizados. Para isso, vamos utilizar o texto de Hugo Moura, Avaliação de Desempenho – uma abordagem atual, versão digital. Disponível em: <http://www.guiarh.com.br/ PAGINA22Q.htm>. Acesso em: 24 jul. 2011. O objetivo aqui é uma revisão dos principais aspectos e componentes dos sistemas de avaliação de desempenho acompanhada de comentários e propostas, dentro da perspectiva de que não existe nenhum sistema pronto para uso ou à prova de falhas; mas sim que devemos construí‑los a partir do contexto, da situação e das necessidades específicas da organização. 73 Re vi sã o: A nd re ia - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 2/ 12 /1 1 AvAliAção de desempenho O ponto de partida de Moura é a proposta de que, dentro de qualquer sistema de avaliação, convivem paralelamente dois universos – o das pessoas e o dos processos, e que é absolutamente necessário separar um do outro para que se adotem critérios e variáveis específicas de cada um. No caso do universo das pessoas, o sistema deve atender a três objetivos principais: a) prover e prever um mecanismo de realimentação que forneça aos avaliados uma clara e precisa ideia do que se espera deles, informando‑os de como estão se desempenhando nas suas funções, ou de como podem melhorar aqueles aspectos em que ainda não atingiram a performance esperada; b) permitir o registro permanente, confiável e acumulativo dos dados de desempenho; c) prover os altos escalões da organização de meios de avaliação que permitam selecionar, com base em fatos, os que apresentam melhor potencial para o desempenho de outras funções de maior responsabilidade no futuro. Dentro da perspectiva do universo das pessoas, o autor distingue os desempenhos profissional e pessoal, fatores essenciais para o sucesso no cumprimento da missão da organização: o primeiro se refere à quão bem o funcionário realiza seu trabalho e o segundo pelas qualidades pessoais que ele demonstra ser possuidor. Nesse sentido, os critérios de seleção devem se basear principalmente no potencial do indivíduo, tendo por base os registros de desempenho ao longo de sua vida profissional Em função dos objetivos referenciados, delineia‑se a necessidade da estruturação de três subsistemas geradores das informações necessárias ao processamento da avaliação: a) Subsistema de realimentação: permite dar um adequado feedback ao indivíduo avaliado, por meio de mecanismos específicos, de acordo com os objetivos de cada organização. O autor ressalta que é fundamental a criação de um ambiente propício de relacionamento, de uma adequada capacidade de comunicação bilateral e de uma criteriosa preparação de todo o staff envolvido no processo. b) Subsistema de avaliação: tomando por base os registros das sessões de realimentação, ao final de cada período, normalmente um ano, devem ser preparadas as fichas de avaliação de desempenho, resultado de três atividades encadeadas: observação, avaliação e registro de resultados. O ponto de partida são as várias fichas de observação, preenchidas por ocasião do processo de feedback, aliadas às observações adicionais do avaliador. O autor aponta que, na perspectiva do desempenho pessoal, com referência às qualidades particulares do indivíduo, devem ser selecionados aqueles parâmetros ou atributos mais afeitos aos valores da organização: liderança, iniciativa, dedicação, julgamento, disciplina, trabalho em equipe e outros, de acordo com cada caso. Pode‑se optar por atribuir valores ou apenas assinalar presença ou ausência de cada atributo. c) Subsistema de seleção para promoção: aqui, o principal protagonista passa a ser o selecionador, e visa principalmente prover dados de diferenciação, baseados não somente nos desempenhos passados, mas também nos requisitos das novas responsabilidades e no potencial demonstrado pelo indivíduo. 74 Unidade III Re vi sã o: A nd re ia - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 2/ 12 /1 1 lembrete Conforme já vimos anteriormente, todo processo de avaliação está sujeito a influências que acabam por distorcer os resultados do processo, resultando em uma avaliação falseada ou incoerente. Moura propõe a criação e a adoção de alguns mecanismos voltados à minimização ou eliminação de tais distorções com base na variabilidade dos processos e dos sistemas defendidos por Demming (1990, s.d): Na prática, isso significa que devemos procurar eliminar das fichas de avaliação tudo aquilo que, colocado sob análise estatística, esteja contido dentro dos limites normais de variação do sistema. Assim, no que toca ao aspecto Habilidade, a existência de um processo de seleção bastante completo e rigoroso, por ocasião dos concursos de admissão e durante os cursos de formação, serviria e bastaria para garantir que os indivíduos atenderiam às condições mínimas requeridas e aos padrões desejados. Nesse caso, restariam muito poucas exceções a serem analisadas caso a caso, e reportadas segundo a significância, por ocasião da aplicação dos subsistemas de realimentação e avaliação. No que diz respeito ao fator Treinamento, é fundamental haver um sistema de treinamento adequado, que abranja a preparação das pessoas para o desempenho das diversas funções e tarefas. Se todos tiverem acesso à qualificação necessária, não fará mais sentido procurar‑se diferenciar os funcionários como melhores ou piores, uma vez que não será por causa desse atributo que ocorrerá a distribuição ao longo da curva. Ainda, o autor aponta que a preparação de um funcionário exige essencialmente três tipos de educação: o treinamento para a tarefa, a educação formal e a educação cultural, que implica dar ao indivíduo a oportunidade de conhecer os códigos de comportamento e conduta valorizados pela organização. O aspecto mais difícil de ser avaliado de forma adequada diz respeito ao grau de dificuldade das tarefas a serem realizadas ou ao acúmulo de várias delas. Dessa forma, é necessário que, no processo de avaliação, sejam adequadamente diferenciadas as diversas funções, identificando claramente aquelas mais complexas e devidamente classificadas em grupos segundo o grau de dificuldade às quais seriam atribuídos pesos. Sem isso, qualquer diferenciação perde sentido, uma vez que se trata de tarefas não similares. Em linguagem popular, estaríamos comparando bananas e laranjas, ao darmos o mesmo valor de desempenho a dois profissionais de mesmo nível que estejam, no entanto, desempenhando funções completamente dissimilares. O autor argumenta quetal mecanismo incentivaria a rotatividade nas funções mais fáceis, uma vez que, mesmo com desempenho máximo, a avaliação final permaneceria baixa em função da ponderação dos pesos. Da mesma forma, estimularia a procura por tarefas mais desafiadoras, cujo bom desempenho redundaria em uma maior pontuação em termos de avaliação de potencial. 75 Re vi sã o: A nd re ia - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 2/ 12 /1 1 AvAliAção de desempenho Dessa forma, Moura propõe um sistema de avaliação de desempenho eficiente e eficaz que funciona em conjunto com um mecanismo de seleção e um instrumento de motivação e aperfeiçoamento das pessoas. Os desafios, na busca incessante da qualidade, da produtividade e da competitividade, numa verdadeira luta pela sobrevivência, impõem um repensamento das estruturas de avaliação hoje existentes, ensejando o exercício do pensamento criador orientado para a inovação dos métodos e processos relacionados com o desempenho do ser humano. Subestimar essa realidade é sinônimo de desperdício, de ineficiência e incapacidade de sobreviver. Na reengenharia desse processo, há que se respeitar sempre os fatores culturais e as peculiaridades de cada organização, não se perdendo jamais de vista a abrangência que deve contemplar os dois tipos de clientes diretos nas suas necessidades básicas: – o HOMEM, na busca da realização profissional e no seu justo anseio pelo merecido reconhecimento; – a própria ORGANIZAÇÃO, no seu direito de poder selecionar e escolher seus melhores líderes (MOURA, s.d.). 6 avalIação dE dEsEmpEnho E comportamEnto humano nas organIzaçõEs Vimos, até agora, os elementos componentes e os fundamentos e métodos relativos à avaliação de desempenho. Uma leitura mais atenciosa revela que alguns critérios adotados tomam por referência o comportamento do profissional no ambiente de trabalho. Com a evolução das técnicas administrativas e de gestão de pessoas, a importância desse fator adquiriu dimensões tais que deu origem a um novo campo de pesquisa, denominado Comportamento Organizacional ou comportamento humano nas organizações. O objeto desse campo é o estudo do comportamento do profissional em seu ambiente de trabalho de forma sistemática, tomando por foco as relações e interações humanas, envolvendo indivíduos e grupos inseridos no ambiente das organizações. O estudo do Comportamento Organizacional tem por objetivo não apenas a promoção da produtividade em termos de eficiência e eficácia, mas também daqueles fatores que contribuem para a formação e o desenvolvimento profissional das pessoas. Implica uma abordagem que necessariamente abrange e correlaciona três diferentes níveis: o individual, o do grupo ou equipe de trabalho e o da estrutura da própria organização. Assim, trata‑se de um enfoque sobre as atividades e os comportamentos das pessoas no ambiente de trabalho e como elas afetam o desempenho e a produtividade. Evidencia‑se aqui, portanto, que, se quisermos analisar os sistemas e processos de avaliação de desempenho, obrigatoriamente devemos dar atenção a esse ramo do conhecimento que continua em franco desenvolvimento. 76 Unidade III Re vi sã o: A nd re ia - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 2/ 12 /1 1 Numa primeira aproximação, o estudo do comportamento nos remete a pensar em padrões, modos de agir em determinadas circunstâncias e ocasiões que, por sua frequência e regularidade, tendem a ser entendidos como critérios válidos que podem ser adotados na construção de métodos de avaliação. Incluem‑se aqui alguns fatores já examinados anteriormente, como produtividade, absentismo, interesse, e também outros aspectos inerentes à própria estrutura da organização, como os métodos e sistemas de produção e a própria cultura organizacional. A interação desses fatores é determinante para a compreensão do comportamento no ambiente de trabalho. Em seu desenvolvimento, essa área do conhecimento vem se apropriando das teorias e dos conceitos de outros ramos, seguindo a tendência do desenvolvimento de métodos e técnicas adotados pelo ramo das relações humanas no trabalho. Assim, a psicologia social, a antropologia, a sociologia e mesmo a ciência política têm contribuído de forma decisiva para a consolidação de um corpo teórico coerente e sólido. É evidente que, em se tratando de uma ciência que se atém ao comportamento do indivíduo em sociedade a partir do estudo das estruturas e dos processos mentais, a psicologia tem fornecido grande parte das referências, a ponto de desenvolver ramos específicos dedicados ao estudo das relações de trabalho. Seu interesse central é compreender os fatores que interferem diretamente no desempenho funcional e na produtividade e que necessariamente incluem os aspectos relativos a processos de treinamento e aprendizagem, técnicas motivacionais, aplicações em métodos de recrutamento e seleção, determinação de perfis de liderança e processos de tomada de decisão. E as aplicações seguem se expandindo, de acordo com as necessidades e os novos desafios propostos pelo contexto econômico mundial. O desenvolvimento de um corpo teórico específico estaria incompleto se não incorporasse a interface social das relações de trabalho, contribuição assumida tanto pela sociologia quanto pela psicologia social. Essa contribuição se destaca principalmente na compreensão do comportamento em situações formais específicas da atividade profissional. Paralelamente, o contexto social e econômico na atualidade exige repensar os padrões comportamentais reconhecidos e formadores das identidades individuais, em função de compreender as barreiras psicológicas que dificultam o pleno desenvolvimento profissional. No contexto de mudança vivenciado atualmente, as ameaças ao status social e as posições hierárquicas exigem que as organizações disponham de recursos capazes de garantir simultaneamente a continuidade de seu desenvolvimento e o bem‑estar de seus colaboradores. O estudo do comportamento humano nas organizações toma como um de seus principais fundamentos a noção de cultura organizacional. Trata‑se de uma adaptação do conceito base da antropologia e seu objeto de estudo específico: a cultura. Mas, quando no contexto organizacional, seu enfoque torna‑se mais específico e restrito, exigindo as necessárias adaptações teóricas e instrumentais. Aqui, as relações entre valores, comportamentos, atitudes e suas consequências no desempenho profissional são o foco de interesse. Viver em sociedade e relacionar‑se com grupos de pessoas e suas diferenças, o que necessariamente impõe o desenvolvimento de habilidades políticas, uma vez que toda relação humana implica as relações de poder, comando e obediência, competição e cooperação, união e conflito, girando em torno da satisfação de necessidades e interesses de cada um. Dessa forma, torna‑se evidente a necessidade de incorporação dos conceitos desenvolvidos pela ciência política, já que toda relação de trabalho também se expressa enquanto relação de poder. 77 Re vi sã o: A nd re ia - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 2/ 12 /1 1 AvAliAção de desempenho Ciência do comportamento Contribuição Unidade de análise Produto Aprendizagem Motivação Personalidade Percepção Treinamento Liderança efetiva Satisfação no trabalho Tomada de decisão individual Avaliação do desempenho Avaliação de atitudes Seleção Projeto de trabalho Stress no trabalho Psicologia Indivíduo Grupo Sistema Organizacional Sociologia Psicologia Social Antropologia Ciência Política Dinâmica de grupo Equipes de trabalho Comunicação Poder Conflito Comportamento intergrupal Teoria da organização formal BurocraciaTecnologia organizacional Mudança organizacional Cultura organizacional Mudança de comportamento Mudança de atitude Comunicação Processo de grupo Tomada de decisão em grupo Valores comparativos Atitudes comparativas Análise intercultural Cultura organizacional Ambiente organizacional Conflito Política Intraorganizacional Poder Estudo do Comportamento Organizacional COMPORTAMENTO ORGANIZACIONAL Figura 14 – Comportamento organizacional. 78 Unidade III Re vi sã o: A nd re ia - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 2/ 12 /1 1 É dessa forma que vem sendo conduzido o desenvolvimento do estudo sobre o comportamento humano nas organizações, que adquire importância fundamental para a evolução das teorias da administração e técnicas de gestão de pessoas neste tempo de rápidas transformações. Tornou‑se comum a afirmação de que, na atualidade, a única coisa que permanece é a constante mudança. Nada mais certo do que a aplicação desse lema ao mundo corporativo: o contexto da economia global e o desenvolvimento permanente das tecnologias de informação e comunicação têm exigido um esforço constante das organizações no desenvolvimento de estratégias de sobrevivência capazes de manter saúde e competitividade ao longo do tempo. Trata‑se de um contexto que oferece desafios inéditos, tanto para as organizações quanto para os profissionais, uma vez que a necessária e constante inovação de processos e métodos empresariais impõe novos padrões de comportamento que se caracterizam principalmente pela versatilidade, pela flexibilidade e pela agilidade de todos os profissionais envolvidos. A mundialização do capital transformou radicalmente o contexto econômico e social. A competição passou a se manifestar em formas, modalidades e dimensões inéditas, principalmente como resposta às novas oportunidades abertas pelo desenvolvimento tecnológico. Fronteiras nacionais perderam muito de seu significado, formaram‑se novos blocos econômicos, o sistema produtivo tornou‑se flexível e descentralizado e a mobilidade da força de trabalho passou a ser um componente importante para definir o perfil de uma nova economia global. Nesse sentido, gestores e administradores têm sido submetidos a exigências de desenvolvimento de novas competências, métodos e técnicas, capazes de responder ao dinamismo da economia global. Entram em cena aspectos da produção que antes eram de menor importância, ou mesmo irrelevantes. A força de trabalho passou a ter características cada vez mais heterogêneas, seja em termos de formação educacional e capacitação profissional, seja em termos culturais, de etnia, de faixa etária, e devem observar as novas políticas de inclusão social. Esses fatores trouxeram mudanças importantes na própria estrutura hierárquica e produtiva das organizações, colocando a problemática de novas relações de poder dentro da organização. O que se assiste nas empresas mais sintonizadas com as tendências da economia mundial é o progressivo deslocamento das tomadas de decisão administrativas para o nível da produção, denominada empowerment (“empoderamento” ou compartilhamento de poder). Trata‑se de progressivamente atribuir maiores responsabilidades aos colaboradores em escalões subordinados da organização, exigindo seu engajamento contínuo em processos de capacitação e aperfeiçoamento. Do ponto de vista da organização, a grande vantagem é a necessária qualificação do quadro profissional, com consequências positivas tanto no quesito da produtividade quanto da qualidade de produtos e serviços. Do lado do colaborador, os benefícios implicam o desenvolvimento pessoal e profissional dirigido e o incremento substancial de seu principal capital: o conhecimento. Vivemos em um período caracterizado pela transitoriedade: nada permanece por tempo suficiente, e o modo mais lógico de reverter a questão é o aumento da eficiência e da eficácia. No plano das 79 Re vi sã o: A nd re ia - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 2/ 12 /1 1 AvAliAção de desempenho organizações, isso significa a necessidade de previsão de investimentos substanciais na capacitação de seus colaboradores como estratégia para o enfrentamento dessas novas situações. Entretanto, convém salientar a consolidação de outras práticas administrativas que procuram acompanhar as mudanças de contexto por meio de reorganizações constantes. A eliminação ou fusão de cargos e funções (downsizing), a terceirização de serviços, recursos e mão de obra e a transformação de cargos permanentes em temporários têm sido algumas das estratégias mais usuais. Dessa forma, a interação de todos esses fatores leva a novas possibilidades e questões administrativas que envolvem diretamente o comportamento humano na organização e as consequências no desempenho e na produtividade, tema central desta unidade. Para que possamos compreender melhor essas relações, é importante abordar algumas questões relativas à cultura organizacional. Mas o que se entende por cultura organizacional? Uma primeira aproximação não é simples, se pensarmos na utilização das técnicas e dos métodos administrativos tradicionais: a cultura é um conceito complexo e não se relaciona facilmente com parâmetros quantitativos, não é mensurável. No entanto, existem evidências práticas de que esse conceito tem um papel importante na vida administrativa. Processos de aquisição, fusão e incorporação vêm demonstrando a frequente dificuldade de adaptação dos profissionais aos novos valores, práticas e condutas impostas pela nova situação. As maneiras de resolver as coisas e encaminhar os problemas são diferentes em cada empresa e exigem procedimentos e comportamentos que alguns profissionais não assimilam com facilidade. Tal situação de resistência à mudança é muito frequente e vem sendo chamada de choque cultural. Suas consequências são previsíveis e nocivas para o bom funcionamento da organização. Este exemplo também serve para levantar o problema das relações entre o comportamento humano e o desempenho na organização, um ponto importante para o desenvolvimento de nossa discussão. Nos últimos vinte anos, a percepção dos gestores obrigou a que o tema da cultura organizacional fosse mais explorado. Porém, as dificuldades em se traduzir em termos objetivos um conceito tão amplo não tem resultado em soluções satisfatórias, reproduzindo um processo que já foi historicamente vivenciado dentro da própria antropologia. As primeiras definições do conceito de cultura são atribuídas a Edward Tylor, datam da segunda metade do século XIX e afirmam que cultura é “aquele todo complexo que inclui conhecimento, crença, arte, morais, leis, costumes e qualquer outra capacidade ou hábito adquiridos pelo homem como membro de uma sociedade” (TYLOR, apud MAMEDE, 2010). Já em 1952, pesquisas revelaram a existência de mais de 160 definições em língua inglesa (ALLAIRE, Y.; FIRSIROTU, M., 1984). Se tal definição não nos ajuda a prosseguir no entendimento do que vem a ser cultura organizacional, é conveniente recorrer à própria antropologia para nos auxiliar nessa jornada. Clifford Geertz (1989) estabelece uma definição de cultura como sendo um sistema de símbolos capazes de garantir a duração dos significados das coisas do mundo através do tempo e das gerações. Em uma tentativa de transpor esse 80 Unidade III Re vi sã o: A nd re ia - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 2/ 12 /1 1 conceito para a cultura organizacional, poderíamos afirmar que ela é um sistema simbólico que abrange atitudes, costumes, tradições e comportamentos, criado por lideranças no passado da organização, mantido pelas atuais lideranças, apreendido e reafirmado pelos colaboradores com o objetivode atribuir significados às ações praticadas dentro da organização. Trata‑se, portanto, de um sistema de símbolos e valores compartilhado pelos membros de uma organização. Da mesma forma que o conceito de cultura implica comportamentos e modos específicos de o indivíduo adaptar‑se e conviver em sociedade, a cultura organizacional é aquilo que permite a ele comportar‑se e desempenhar satisfatoriamente suas funções dentro de uma organização, incluindo os conhecimentos necessários para que o profissional possa se desenvolver dentro da empresa. A definição de Schein (1986) aponta para um conjunto de conceitos e conhecimentos compartilhado por um grupo. Na medida em que aprendia a resolver seus problemas de adaptação e integrava suas experiências comuns, passava essa experiência aos novos membros do grupo como sendo a maneira correta de perceber, assimilar e resolver os problemas. Para afirmar o conceito, Mamede (2010, s.d.) oferece alguns indicadores que tornam mais perceptíveis as manifestações da cultura organizacional: – iniciativa individual; – nível de responsabilidade, liberdade e independência das pessoas; – tolerância ao risco. Nível de encorajamento da agressividade, inovação e riscos; – direção. Clareza em relação aos objetivos e expectativas de desempenho; – integração. Capacidade de as unidades trabalharem de maneira coordenada; – contatos gerenciais. Disposição dos gerentes para fornecer comunicações claras, assistência e apoio aos subordinados; – controle. Volume de regras, de regulamentos e de supervisão direta que se usa para supervisionar e controlar o comportamento dos empregados; – identidade. Grau de identificação das pessoas com a organização como um todo, mais do que com seu grupo imediato ou colegas de profissão; – sistema de recompensa. Associação entre recompensas e desempenho; – tolerância ao conflito. Grau de abertura para a manifestação de conflitos e críticas; – padrões de comunicação. Grau de restrição das comunicações aos canais hierárquicos. A partir desses indicadores, já temos uma ideia mais clara de como a cultura atua no contexto das organizações. Porém, devemos ter em mente que, enquanto indicadores, esses fatores não correspondem à totalidade da cultura organizacional. O fato é que suas raízes são profundas e, como vimos, têm uma forte referência na própria história da organização. 81 Re vi sã o: A nd re ia - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 2/ 12 /1 1 AvAliAção de desempenho Como já dissemos anteriormente, a comparação com o conceito de cultura nos ajuda no entendimento do que vem a ser cultura organizacional. Mas não podemos esquecer que o conceito de cultura é muito mais amplo. No âmbito da organização, a proposição de metas, objetivos, estratégias e a estrutura tornam o universo da cultura organizacional muito mais limitado. Por outro lado, é fácil constatar que dentro de uma mesma organização convivem diferentes subculturas, geralmente definidas em termos de departamentos ou cargos, ou seja, profissionais que compartilham das mesmas experiências em suas atividades. Assim, numa organização a convivência em grupos de gerentes, administradores, secretárias etc., mesmo que submetidos a uma mesma cultura organizacional, desenvolve em cada grupo particularidades específicas que configuram assim diferentes subculturas. Quadro 5 – Conceitos de cultura e organização Conceitos de cultura na Antropologia Tópicos de pesquisa organizacional Conceitos de organização Instrumento a serviço das necessidades biológicas do homem (funcionalismo –Malinowski) Administração comparativa Instrumentos sociais para realização de tarefas (Teoria Clássica da Administração) Mecanismo de adaptativo regulador. Unifica os indivíduos nas estruturas sociais (estruturalismo – Radcliff‑Brown) Cultura corporativa Organismos adaptativos nos processos de troca com o ambiente (Teoria Contingencial) Sistemas de cognições compartilhadas (etnociência – Goodenough) Cognição organizacional Sistemas de conhecimento baseados na rede de significados subjetivos compartilhados por seus membros Sistema de símbolos e significados compartilhados (antropologia simbólica – Geertz) Simbolismo organizacional Modelos de discursos simbólicos, mantidos por formas simbólicas compartilhadas (linguagem) (Teoria do Simbolismo Organizacional) Projeção de processos inconscientes universais (estruturalismo – Lévi‑Strauss Processos inconscientes e organizações Manifestações de processos inconscientes (Teoria da Transformação Organizacional) Fonte: Adaptado de Freitas, M.E., 1991, p. 3. Posto o problema, resta tentar definir quais fatores fundamentais representam uma cultura organizacional. Schein (1986) propõe um método a partir da observação de comportamentos apresentados nas seguintes situações: – verificar como se dá o processo de socialização dos recém‑chegados ao grupo; – analisar como o grupo responde à ocorrência de incidentes críticos; – identificar os valores e os princípios dos líderes ou portadores da cultura; – explorar as observações surpreendentes ou inusitadas, descobertas durante as entrevistas referentes a processos internos, tomando por base as técnicas e os métodos emprestados da psicologia. Esse procedimento busca compreender os valores que determinam o comportamento dos indivíduos que, em última instância, constituem os fundamentos da cultura organizacional. 82 Unidade III Re vi sã o: A nd re ia - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 2/ 12 /1 1 Mesmo que o conceito de cultura organizacional seja abrangente e mantenha uma ligação direta com o comportamento nas organizações, não se pode estabelecer uma relação de causa e efeito entre comportamento e cultura, sob o risco de se assumir uma posição determinista. De fato, devemos ter em mente que toda organização está inserida em um contexto social, cultural e econômico muito mais amplo e que, dessa forma, a cultura organizacional, incluindo aí o comportamento, responde a essas condições. Em outras palavras, a cultura organizacional não é a causa nem o efeito do comportamento, mas mantém estreitas relações entre si. É certo que padrões, comportamentos sedimentados ao longo do tempo, são mais difíceis de ser mudados. Vimos isso quando falamos da situação dos colaboradores de empresas que sofreram processos de fusão ou incorporação e o efeito do choque cultural. Falamos também que o contexto atual é de mudança constante, exigindo de profissionais e organizações um sensível esforço de adaptação. Cabe, portanto, perguntar: como conciliar a questão do comportamento com os eventos de mudança organizacional? Perfis administrativos específicos correspondem a atitudes gerenciais específicas. Assim, uma cultura organizacional mais aberta e permeável em sua hierarquia tende a transferir toda a carga da mudança organizacional diretamente aos seus colaboradores, favorecendo o aparecimento de situações de choque cultural. Por outro lado, um perfil organizacional mais paternalista favorece e atenua os efeitos de possíveis choques culturais, mas dificulta a agilidade das mudanças comportamentais mais urgentes e favorece o aparecimento de focos de resistência à mudança. Assim, o papel do administrador na direção dos processos de mudança é fundamental. É importante também percebermos que a estratégia mais eficiente para implantar um processo de mudança cultural na organização deve ser iniciada top‑down, ou seja, a partir dos níveis hierárquicos mais altos, e especialmente por aqueles profissionais mais comunicativos e carismáticos. Isso visa aumentar a confiança nos rumos do processo e favorece o aumento da motivação de todo o staff. Dessa forma, fica claro que aquelas organizações que possuemuma estrutura mais flexível e aberta levam grande vantagem nas situações em que a mudança cultural é necessária, uma vez que seus colaboradores já têm consolidados os comportamentos mais receptivos. Cabe aos administradores incorporar em seu planejamento as mudanças culturais e organizacionais como parte importante de sua estratégia. Trata‑se de uma posição que busca a coerência com o contexto de constante mudança. Comportamento e desempenho mantêm uma estreita relação com a cultura organizacional, mas devemos considerar outro aspecto que desempenha papel importante na gestão de pessoas: o relacionamento dentro da organização. No ambiente de trabalho, as relações sociais são intensas e de qualidades diversas, variando da camaradagem explícita ao conflito aberto. Não devemos acreditar que o primeiro caso seja necessariamente positivo, nem que o segundo seja sempre negativo. Por exemplo, relações muito próximas e amigáveis podem produzir grupos fechados que fatalmente passam a funcionar de acordo com seus próprios valores e modos, constituindo subculturas não necessariamente compatíveis com os fundamentos da cultura organizacional. De outro lado, quando bem administrados, comportamentos de conflito entre profissionais ou equipes podem ser canalizados para que a 83 Re vi sã o: A nd re ia - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 2/ 12 /1 1 AvAliAção de desempenho competitividade resulte no aumento da produtividade. Em qualquer caso, seja nos aspectos positivos ou negativos, a qualidade dos relacionamentos tem consequências no desempenho e deve ser considerada nos processos de avaliação. Mas nem sempre a qualidade dos relacionamentos fica evidente, explícita. É muito frequente que ela permaneça mascarada, especialmente nas situações de conflito. E quando se manifesta geralmente atingiu o limite de tolerância possível, tornando mais difícil o direcionamento para algum objetivo produtivo. O exercício do convívio é sempre estimulado se os canais de comunicação estão abertos e disponíveis, constituindo, assim, importante recurso estratégico da organização. Trata‑se de construir um ambiente de trabalho que facilite o contato e as relações entre os colaboradores, visando ao dinamismo e a agilidade, que passam a ser fatores fundamentais para o desenvolvimento da organização. Isto é especialmente aplicável aos contextos de mudança cultural ou nas mudanças na estrutura organizacional, inclusive no caso de lideranças. Percebemos a importância de considerar o comportamento e as relações humanas como fatores importantes para o desempenho da organização. Os resultados de tal postura podem ser verificados na qualidade de serviços e produtos e na produtividade. saiba mais Para aprofundamento nas questões relacionadas ao comportamento humano nas organizações, sugerimos a leitura do livro Psicologia e gestão, de Morin & Aubé, São Paulo: Atlas, 2009. Outro que pode ser bastante útil é o de Eduardo Soto, Comportamento organizacional: o impacto das emoções. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2002. Ambos apresentam discussão muito interessante acerca do assunto. Cabe então perguntar: quais são os aspectos mais importantes do comportamento que permitem o desenvolvimento de relações positivas dentro da organização? Como nós, profissionais trabalhando em uma organização, podemos dirigir nosso comportamento de modo a compatibilizá‑lo com a cultura organizacional? Nascimento (2008, p. 35‑6) aponta para alguns aspectos importantes nesse sentido: – Ética: a conduta profissional deve sempre pautar‑se por um compromisso ético no qual os valores apontem para a harmonização das relações e os princípios sejam dirigidos pelo respeito, pela justiça e pela lealdade. – Carisma: é uma qualidade inata que inspira o respeito e a credibilidade quase que instantaneamente. Os privilegiados com essa qualidade devem utilizá‑la como recurso para a construção de um ambiente de trabalho harmonioso. 84 Unidade III Re vi sã o: A nd re ia - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 2/ 12 /1 1 – Empatia: trata‑se da facilidade com que uma pessoa percebe as reações, geralmente não verbalizadas, de outra. Dessa forma, é outra modalidade de comunicação que abre outros canais para compreensão e entendimento mútuos. – Credibilidade: diretamente relacionada com a ética, trata‑se de uma qualidade que só pode se manifestar ao longo do tempo de convivência. É um dos principais fatores que compõem a imagem do profissional, implica integridade e honestidade. Ao tratar do comportamento na organização, estamos lidando com uma dimensão paralela ao conhecimento técnico. Em outras palavras, saber realizar as tarefas que cabem ao exercício de determinada função é tão importante quanto dominar os padrões de comportamento desejados e adquirir habilidade nas relações com os demais. O conjunto de habilidades que é colocado em movimento nas relações sociais tem sido estudado pelos especialistas sob a denominação de competência social. Esse conceito, desenvolvido pela psicologia, aponta para os requisitos específicos que permitem ao indivíduo um bom desempenho nas relações sociais, ou seja, as maneiras de lidar com as pessoas de modo a impor sua presença sem perturbar a harmonia no convívio. Trata‑se da capacidade de construir e manter relacionamentos positivos. Mas quais são os fatores que compõem a competência social? Segundo Nascimento (2008, p. 41), eles estão diretamente relacionados com: – popularidade: consequência positiva de um temperamento extrovertido e cooperativo; – liderança informal: qualidade que guarda uma relação direta com a autoconfiança; – autoimagem/autoestima: que se afirma no reforço positivo obtido no contato social e diminui pelas reações negativas das pessoas; – individualidade: o respeito e a valorização das diferenças individuais é a chave para a competência social em um ambiente organizacional pleno de diversidade. Resta abordarmos outro aspecto relacionado ao comportamento humano nas organizações, que talvez seja o mais acessível, sobre o qual podemos exercer algum controle sem depender muito de políticas, objetivos, determinações e diretrizes organizacionais. Trata‑se dos hábitos desejáveis para o pleno desenvolvimento na vida profissional, que constituem quase unanimidade na perspectiva das organizações. Neste assunto, cabe citar o que define os hábitos fundamentais para o desenvolvimento de uma carreira bem‑sucedida: 1. Seja proativo: trata‑se do comportamento de antecipar e assumir as responsabilidades pelas próprias escolhas frente a um problema ou situação com que somos confrontados. 2. Comece com um objetivo em mente: trata‑se de uma estratégia para despertar e manter a motivação pessoal com base em nossos objetivos de vida. 85 Re vi sã o: A nd re ia - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 2/ 12 /1 1 AvAliAção de desempenho 3. Primeiro o mais importante: o processo de estabelecer objetivamente nossas prioridades e método de ação. 4. Pense ganha‑ganha: é a postura de relacionamento que busca conciliar nossos objetivos com os objetivos do outro pela cooperação. 5. Procure compreender para ser compreendido: princípio básico para o trabalho cooperativo. 6. Crie sinergia: é um conceito emprestado da física que indica uma situação em que a combinação das forças de dois elementos produz um resultado que é sempre maior que a simples soma dessas forças. 7. Afine o instrumento: aponta para a necessidade de sempre estarmos em processo de aperfeiçoamento físico, emocional, intelectual e social. 8. Encontre sua voz interior e inspire os outros a encontrar a deles: trata‑se de ativar pontos fortes e as qualidades pessoais em função dos objetivosprofissionais e compartilhar a experiência como exemplo de conduta (NASCIMENTO, 2008, p. 42‑3). . observação No ambiente de trabalho, as relações sociais são intensas e de qualidades diversas, variando da camaradagem explícita ao conflito aberto. Como já vimos, nos últimos anos a cultura organizacional vem passando por importantes mudanças, inclusive em relação à gestão de recursos humanos, termo que foi sintomaticamente substituído por “gestão de pessoas”, valorizando a dimensão humana dos trabalhadores. O mundo corporativo percebeu as vantagens do resgate daqueles que são os aspectos mais humanos de cada profissional: o conhecimento, a criatividade, a sensibilidade e o seu compromisso. Além dos atributos específicos de seus profissionais, as organizações perceberam a necessidade, cada vez maior, de pessoas que sejam flexíveis no desempenho das atribuições que lhes são pertinentes e que estejam dispostas a superar as expectativas de tal desempenho. Os gestores passam a assumir um papel de relevância nesse contexto, na medida em que devem ser capazes de perceber as necessidades e acompanhar o desenvolvimento dos profissionais e colaboradores, tanto em relação às suas competências técnicas quanto habilidades pessoais, sociais e comportamentais. 86 Unidade III Re vi sã o: A nd re ia - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 2/ 12 /1 1 O trabalho passou a representar algo além do valor da remuneração: envolvimento e compromisso, que se traduzem em benefícios, vantagens, valorização e reconhecimento. Trata‑se de fato de um movimento que resulta na valorização do ser humano antes do profissional. Dessa forma, a avaliação de desempenho constitui um importante instrumento estratégico e em sua abrangência passou a considerar desde o contexto econômico‑social, passando pela própria estrutura organizacional, até o próprio processo de desenvolvimento pessoal no contexto da organização. Devido a essa importância, é um processo que deve ser cuidadosamente elaborado, sobretudo no que diz respeito aos métodos, instrumentos e processos de aplicação. Sua eficácia depende do compromisso de todo o corpo de profissionais da organização, de modo a garantir que não tenha seu potencial reduzido a mero instrumento de promoções e demissões. Também não se deve perder de vista que tanto o desempenho da equipe quanto o de cada profissional inclui habilidades específicas. Mas a atenção deve voltar‑se aos modos como elas são utilizadas em função dos objetivos da organização, o que significa dizer que é necessário certo critério em seu uso como indicadores no processo de avaliação. Cabem, portanto, algumas observações relativas à avaliação de desempenho: – O grande fundamento que deve servir de ponto de partida para elaboração de todo e qualquer plano ou processo é o senso crítico. A partir de seu exercício, é possível conseguir a eficiência necessária à concepção e aplicação do método mais adequado e adoção dos critérios mais coerentes. – É necessário adequar os critérios e indicadores às diferenças que se apresentam entre a avaliação individual e de equipes. Não se deve perder de vista os objetivos do processo nem seu papel estratégico. – Na aplicação de qualquer método, é importante considerar sempre o fator tempo, seja em relação ao período considerado na avaliação quanto no intervalo necessário para que se obtenham os resultados desejados. – Fatos isolados ou incidentes, sejam positivos ou negativos, não devem ser considerados como representativos de desempenho, apenas como indicadores de características específicas. – Não se deve perder de vista que a qualidade de um processo de avaliação depende da objetividade e da precisão na aplicação de métodos e instrumentos. Assim, é preferível utilizar tempo além do previsto com a garantia de uma maior fidelidade dos dados aos fatos do que cumprir um cronograma comprometendo os resultados finais. Uma avaliação mal realizada não tem qualquer valor, tanto para a organização quanto para os profissionais envolvidos. – Todos os fatores e critérios adotados na elaboração do método de avaliação devem guardar uma coerência com os objetivos e metas da organização e, ao mesmo tempo, servir como instrumento para um conhecimento mais profundo do perfil de profissionais e equipes. 87 Re vi sã o: A nd re ia - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 2/ 12 /1 1 AvAliAção de desempenho – O resultado final de um processo de avaliação de desempenho deve servir principalmente para induzir um processo de incremento de qualidade em todas as divisões, processos, equipes e profissionais da organização. A avaliação de desempenho, quando utilizada em seu pleno potencial, constitui um poderoso instrumento de gestão. Agora que sabemos mais sobre os fatores que interferem no desempenho, é mais fácil entender como funciona o processo dos dois lados da mesa: seja como avaliador, seja como avaliado. Esse conhecimento pode e deve ser utilizado na vida acadêmica e profissional e fazer parte de nosso desenvolvimento enquanto seres humanos. resumo Finalizando a unidade, você teve a oportunidade de aprender a importância e a influência do comportamento humano no desempenho corporativo e as formas como se desenvolve o estudo do comportamento humano nas organizações, bem como suas contribuições para o desenvolvimento organizacional. Nesse sentido, é importante destacar a importância da compreensão do contexto socioeconômico mundial de nosso tempo para que se possa entender as mudanças que vêm ocorrendo no mundo corporativo. A unidade abordou ainda aspectos relacionados à cultura organizacional, procurando relacioná‑la com o desempenho corporativo num contexto de estratégia e os hábitos que devem ser cultivados para o desenvolvimento pessoal dentro da organização. Exercícios Questão 1. Leia o texto: Falar de diversidade é falar de inclusão de minorias, não sustentada por um protecionismo, mas baseada nas competências. As minorias, tão desprezadas por questões de cor, raça, sexo, credo religioso, opção sexual, idade, deficiência física, não buscam algum tipo de favor. E as empresas também não poderiam permitir que alguém permanecesse em sua folha de pagamento sem gerar resultados, pois hoje a busca por competência é vital para a sobrevivência das organizações. Para a implantação de um programa de valorização da diversidade, não basta adaptar o ambiente para receber as pessoas com deficiência, flexibilizar horários para funcionários que moram longe ou adequar dias de feriados religiosos. Trata‑se, antes de mais nada, de uma mudança na cultura da empresa, em que a diversidade deve fazer parte da missão como um todo e ser disseminada entre seus parceiros, fornecedores, consumidores e clientes (QUADROS; TREVISAN, 2002). Analise as afirmações: 88 Unidade III Re vi sã o: A nd re ia - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 2/ 12 /1 1 I. A questão da inclusão social nas organizações depende de adaptações das instalações. II. A inclusão das minorias na vida de uma organização deve ser diferenciada, não considerando os lucros e as vantagens obtidos, mas sim colocada dentro de sua política filantrópica. III. A inclusão social é principalmente uma questão de cultura organizacional e deve incluir todos os atores relacionados à cadeia produtiva da organização. Estão corretas apenas: A) I. B) II. C) III. D) I e III. E) II e III. Resposta correta: alternativa D. Análise das alternativas I – Afirmativa correta. Justificativa: apesar da legislação existente para a contratação de pessoas com deficiência nas empresas, bem como das adaptações físicas mínimas, em instalações públicas e privadas, na prática,o processo de implementação das mudanças necessárias ainda é incipiente. No segundo parágrafo do texto, menciona‑se a necessidade de adaptações do ambiente, mas ressalta‑se que esta não é a única nem a principal condição. II – Afirmativa incorreta. Justificativa: conforme o texto, as minorias não estão em busca de caridade e o contexto econômico não permite a inclusão de pessoas não produtivas em sua folha de pagamento. III – Afirmativa correta. Justificativa: ficou bem destacada a questão da mudança cultural ampla, incluindo os relacionamentos produtivos da organização. Questão 2. (Enade, prova de Administração, 2006) Leia o trecho: Muitas empresas têm dificuldade de promover mudanças nos comportamentos de seus funcionários no ambiente de trabalho. 89 Re vi sã o: A nd re ia - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 2/ 12 /1 1 AvAliAção de desempenho PORQUE As crenças, os valores e as atitudes que compõem a cultura organizacional influenciam os comportamentos dos funcionários na empresa. Analisando as afirmações, conclui‑se que: A) as duas afirmações são verdadeiras, e a segunda justifica a primeira; B) as duas afirmações são verdadeiras, e a segunda não justifica a primeira; C) a primeira afirmação é verdadeira, e a segunda é falsa; D) a primeira afirmação é falsa, e a segunda é verdadeira; E) as duas afirmações são falsas. Resposta desta questão na plataforma. 90 Unidade IV Re vi sã o: A nd re ia - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 2/ 12 /1 1 Unidade IV 7 Desafios atuais Nesta unidade, apresentaremos alguns instrumentos do processo de avaliação de desempenho, bem como debateremos os desafios que são encontrados pelos gestores de recursos humanos quanto ao assunto. A unidade ainda colabora com algumas observações acerca da importância do treinamento organizacional para contribuir com o desempenho dos colaboradores e apresenta alguns exemplos de empresas e o uso que fizeram da avaliação de desempenho. 7.1 Desafios para gestores Por onde avançam os desafios dos gestores de recursos humanos e o que se pode, ainda, considerar acerca de avaliação de desempenho? Vejamos. Em 1997, as Lojas Arapuã eram reconhecidas como a melhor empresa do comércio varejista brasileiro. Até esse mesmo ano, o Banco Garantia era exemplo de instituição financeira na América Latina e, assim, modelo a ser seguido. No mês de dezembro de 1998, o Banco Marka comemorava resultados positivos no fechamento de suas contas. Por incrível que pareça, a partir de 1999, essas comemorações não foram realizadas: sequer existiam clientes! O Banco Garantia precisou fechar as portas, assim como as Lojas Arapuã e o Banco Marka. Recentemente, assistimos ao amargar dos negócios do Banco Panamericano, até então de propriedade de um conhecido empresário de uma rede de televisão. Quais os motivos que fizeram essas empresas e tantas outras a entrarem em queda livre e ver seus negócios virando cinzas? Não temos o intuito aqui de dissecar os motivos que levaram aos dias ruins as empresas citadas, e algumas até ao desaparecimento, mas Vianna (2011) apresenta duas conclusões: • que as chamadas técnicas de gestão contemporânea não são suficientes para garantir o sucesso ou a continuidade de algumas empresas; • que o sucesso verificado no passado não representa, necessariamente, possibilidade de sucesso e sobrevivência no futuro. O mesmo autor salienta estarmos diante de pelo menos três tendências, assim contextualizadas: • em períodos de incerteza, que permeiam os negócios de forma geral, é necessário abandonar a máxima de que, ao conhecer o presente, pode‑se definir o futuro; • na “Era de Caos”, ocorrências de baixa probabilidade e alto impacto têm para as organizações tanta importância quanto qualquer ocorrência de alta probabilidade e alto impacto; • algumas técnicas de gestão, invisíveis para a maioria, podem aumentar as probabilidades de sucesso, crescimento e desenvolvimento em algumas empresas. 91 Re vi sã o: A nd re ia - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 2/ 12 /1 1 AvAliAção de desempenho Entre tais técnicas de gestão, Vianna (2011) destaca algumas atitudes que poderiam ser incorporadas pelas empresas de forma geral, a exemplo da avaliação do grau de motivação dos seus seres humanos. Para ele, a maioria das empresas não consegue ver seus funcionários como seres humanos, e sim como fontes geradoras de custos, fixos ou variáveis. Acabam por deixar de lado a liberdade de expressão, a valorização de atitudes proativas, o respeito à pessoa e, por vezes, às suas limitações e crenças, não demonstrando confiança nas pessoas e em seu potencial. Por fim, muitas vezes não há reconhecimento qualitativo satisfatório; acreditam que salários pagos em dia e benefícios justos – preferencialmente aqueles previstos pela legislação vigente –, perspectiva no plano de carreira e participação em resultados promissores são atitudes indispensáveis para fazer do funcionário alguém extremamente motivado. “Está cada vez mais comprovado que empresas que investem em gente têm lucros cada vez maiores”, afirma. Outras tantas demoram a perceber que estamos inseridos numa época de complexidade, em que um dos grandes desafios encontra‑se na criação de inteligência competitiva, para a qual a base de tudo é “gente capaz”. Por uma miríade de circunstâncias, talentos são raros, o que requer, por parte das empresas, atitudes consistentes que consigam atrair, desenvolver e reter talentos. Essa é, inclusive, a grande preocupação da indústria de construção civil na atualidade, setor esse que por muito tempo acreditou que qualificação era permitida apenas a engenheiros e arquitetos. O Instituto Votorantim, contando com o apoio do Centro de Políticas Sociais da Fundação Getulio Vargas do Rio de Janeiro, desenvolveu o estudo Trabalho, educação e juventude na construção civil. A principal preocupação desse trabalho, além de mapear os motivos da escassez de mão de obra para o setor, é apresentar discussões de como o setor da construção civil pode se aprimorar em relação ao uso de tecnologias e melhoria das condições de trabalho, de forma a atrair e reter mão de obra jovem. A pesquisa, segundo Abreu (2011), indica algumas alternativas para que as empresas do setor possam atrair cada vez mais esse tipo de mão de obra. O primeiro passo seria o de desenvolver tecnologias que permitissem diminuir a necessidade de trabalho braçal. Outra medida a ser adotada pelas empresas do setor é praticar remuneração determinada pela demanda do mercado. A terceira atitude reside na capacitação, notadamente nos cursos de qualificação. Para Vianna (2011), diante da exigência de aprendizado contínuo, diversas empresas se veem obrigadas a adotar uma série de medidas para elevar o treinamento e o desenvolvimento humano tradicional a uma categoria mais nobre. Para que uma empresa se transforme numa universidade corporativa, é necessário: • reconhecer que a educação constrói e dissemina valores da organização; • fazer com que o treinamento se transforme em práticas de melhorias; • criar uma cultura e uma mentalidade organizacional de aprendizado contínuo; • incentivar o automonitoramento de carreira; • estimular aperfeiçoamentos. É o caso da Brookfield Incorporações, que criou uma universidade corporativa para disseminar o conhecimento do negócio e estimular a capacitação técnica e o desenvolvimento de lideranças, diz Lygia Fray Villar (2011, p. 38), superintendente de RH da empresa. A autora informa ainda que 92 Unidade IV Re vi sã o: A nd re ia - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 2/ 12 /1 1 [...] em um grande portal do conhecimento, os colaboradorestêm acesso a escolas que estão alinhadas com a estratégia de negócio da empresa. Existem centros de ensino que surgiram exatamente dessa crescente necessidade de capacitar mão de obra especializada, que forma e desenvolve as equipes de construção. Nesses locais, são oferecidos cursos presenciais específicos para capacitação de mestres de obras, pedreiros, encarregados de pedreiro, administrativo de obra e almoxarifes, além de cursos técnicos para a área de segurança, medicina do trabalho e ISO. Se o objetivo, na atualidade, for promover a criatividade no ambiente de trabalho, Vianna (2011) observa que figuras autoritárias de liderança devem dar lugar a lideranças maduras que objetivem “servir aos liderados e promover o prazer no desenvolvimento” de tais liderados. Mudanças nos estilos de liderança e no ambiente de trabalho, em que sejam privilegiados processos e não simples tarefas, que seja permitido tanto o trabalho em casa quanto o horário flexível, que competências sejam reconhecidas e não apenas privilegiadas habilidades requeridas, que seja permitida maior aproximação entre colaboradores da organização e que estes estejam dispostos a aprender e principalmente aprender a “desaprender o passado”, são grandes desafios para uma organização flexível. Muitas vezes, diante de um período de aquecimento da economia, em que maior quantidade de produtos é procurada pelo mercado e outra quantidade de trabalho deve ser empregada para atendimento à produção crescente, algumas empresas precisam recrutar profissionais rapidamente, sem tempo a perder. Veja o exemplo da empresa Philips que, no ano de 2010, percebeu que deveria migrar para uma estrutura física maior. Segundo Alexandre Teixeira Alves (op.cit., Revista Você S/A, 2011, 51‑53), diretor de real state da Philips brasileira, a mudança visava “oferecer mais conforto aos funcionários e ao mesmo tempo aumentar a ocupação do espaço”. Ainda: “um novo ambiente de trabalho teria o poder de acelerar as mudanças na cultura da empresa”, diz. Só que, antes da mudança, a empresa efetuou um estudo de suas condições de trabalho. Quanto às estações de trabalho, descobriu‑se que, em média, somente 49% delas eram regularmente ocupadas, 15% eram ocupadas por pessoas que, devido a suas atribuições, se ausentavam da empresa durante parte do dia e que os 36% restantes de estações ficavam desocupadas por um período maior, pois pertenciam a funcionários em viagem, férias ou licença‑maternidade. Após o estudo, chegou‑se à conclusão de que a empresa precisava de espaços dinâmicos e adaptáveis para diferentes funções. Assim, na nova sede, nada de estações fixas de trabalho. O que foi feito? No novo projeto, cada funcionário ganhou uma prateleira em um armário, com espaço limitado e chave individual para guardar apenas o essencial, o que contribui para conscientizar a equipe sobre o uso do papel, fazendo com que reduzisse em 40% a quantidade de impressões na nova sede. As mesas individuais viraram mesões, em que cada empregado senta onde quiser entre os lugares disponíveis, partindo apenas do princípio de que há um andar estabelecido para cada setor. Como alternativa para momentos que exigem mais privacidade ou concentração, há algumas salas individuais 93 Re vi sã o: A nd re ia - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 2/ 12 /1 1 AvAliAção de desempenho e também as de reunião. Na fase de planejamento do novo escritório, o presidente da Philips no Brasil, Marcos Bicudo, entrou no clima e anunciou que abriria mão de ter uma sala ou mesmo de ter mesa própria. Os diretores seguiram o exemplo. “Hoje compartilho as horas de trabalho com diferentes colegas de diferentes setores. Percebo pelo meu próprio exemplo como isso contribuiu para um ambiente de trabalho mais criativo e, principalmente, mais colaborativo”, diz o presidente. O nível de satisfação com as mudanças é alto. Na pesquisa de clima, o ambiente passou a ser classificado como “inspirador e energizante” por 75% dos funcionários, ante 42% na última pesquisa anterior às mudanças, conforme Alexandre Teixeira Alves (op. cit., Revista Você S/A, 2011, 51‑53). Pode‑se perceber que a alternativa vislumbrada pela empresa Philips corresponde a um dos pontos anteriormente destacados por Vianna, de que mudanças no ambiente de trabalho promovem maior motivação por parte dos funcionários. Melhor ainda com a participação da liderança, como no caso do presidente da empresa. Além da otimização do espaço, projetos como o da Philips levam em consideração tendências relacionadas ao ambiente de trabalho por influência da Geração Y, que deseja mais flexibilidade para trabalhar e valoriza mais prazer. Assim, a LocaWeb, empresa especializada em hospedagem de sites e outros serviços relacionados à internet, também apostou na satisfação da equipe quando da decisão da mudança de sede. Localizada em um bairro da cidade de São Paulo, o que a empresa apresenta, além das três torres de três andares cada em um imóvel de 13.000 metros de área construída, área verde com 40.000 metros quadrados a ser transformada num parque, restaurante e estacionamento para os mais de 620 funcionários? Sala de relaxamento de 170 metros quadrados, com sofás, tevê de 50 polegadas com canais pagos, jogos eletrônicos e pufes para aqueles cochilos rápidos! “O ambiente induz naturalmente à troca de ideias, e reuniões informais começaram a ocorrer ali”, diz Celso Luiz Paulon, gerente de recursos humanos da empresa. E continua: “Espero que nunca mais seja preciso acabar com esse benefício em nome da necessidade de espaço”. 7.2 Mudanças pertinentes ao ambiente de trabalho Para Tegon4, na passagem das décadas de 1980 e 1990, não obstante tenham ocorrido mudanças significativas no ambiente de trabalho, diversas empresas, na busca por maior participação de mercado e lucratividade, procuraram investir em processos de trabalho rígidos, rotineirizados, burocráticos e quantificáveis. Deixaram de lado valores realmente produtivos – as pessoas. Ainda hoje, um número considerável de empresas tem perfil que dá pouca importância à gestão dos seres humanos, bem como ao seu bem‑estar. Para algumas organizações, a responsabilidade dos recursos humanos, se assim os chamam, é estritamente do departamento pessoal, que é totalmente dissociado dos demais departamentos que constituem a estrutura organizacional. Trata‑se de uma estrutura que 4Disponível em:<http://www.rhportal.com.br/artigos/wmview.php?idc_cad=_3jeiccib>. Acesso em: 22 jul. 2011. 94 Unidade IV Re vi sã o: A nd re ia - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 2/ 12 /1 1 utiliza parte das tecnologias apenas para automatizar atividades burocráticas, como folha de pagamentos, prêmio, cálculo salarial, porém ficam à parte os programas de gestão de estrutura organizacional, políticas de benefícios e prêmios relacionados a performance, planejamento de treinamento e desenvolvimento, restringindo espaço para ação estratégica. (idem) Lembrete Ao profissional da área de recursos humanos da atualidade cabem novas competências que estão diretamente relacionadas com a melhoria dos seres humanos nas organizações. Tal profissional tem a função de, junto aos gestores da organização, administrar seus colaboradores de forma transparente, justa e objetiva. A valorização do profissional certamente contribuirá, via motivação, para a melhoria do ambiente de trabalho, para o aumento da qualidade nos processos de trabalho, para a produtividade da organização como um todo e, portanto, para sua competitividade. Torna‑se necessário ter em mente os diferentes paradigmas de recursos humanos que são encontrados nas empresas, bem como a nova formação do perfil profissional de nosso tempo. O quadro a seguir mostra a mudança nos paradigmas dosgestores de recursos humanos. Quadro 6 – Paradigmas de Recursos Humanos ANTES (departamento pessoal) DEPOIS (departamento de recursos humanos) Arquivo de funcionários Banco de dados Salários Pacote de compensações Custos Retorno sobre investimentos Centro de custos Centro de receitas/recursos Empregado(a) Colaborador(a) Local Global Treinamento generalizado Treinamento individualizado Fonte: Revista Veja observação É pertinente perceber mudanças significativas nas características que eram observadas pelo, assim chamado, modelo antigo comparativamente ao novo modelo. Uma das principais funções do departamento pessoal de antigamente era cuidar de toda a rotina pertinente ao setor: seleção, contratação, registro, apontamentos de frequências e ausências, guarda 95 Re vi sã o: A nd re ia - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 2/ 12 /1 1 AvAliAção de desempenho de toda a documentação pertinente, elaboração de folha de pagamentos. É o que o quadro admite ser arquivo de funcionários. Qual o motivo de, no novo paradigma, isso passar a ser considerado como banco de dados? É que, além de todas as rotinas anteriormente descritas, há a necessidade ainda de reconhecer habilidades, competências e demais características qualitativas de cada pessoa que está na organização. Fora isso, ao elaborar uma folha de salários, ou folha de pagamentos, não se deve pensar que cada membro da organização seja um gerador de custos; mas sim que cada valor ali apontado faz parte de um pacote de compensações, um reconhecimento, na forma monetária, de que houve uma troca entre as partes envolvidas. Trabalhador ou funcionário, que passa a ser encarado como colaborador da organização. Alguém que trabalhe com a organização e não para a organização. É diferente. Quadro 7 – Mudança no perfil do profissional Antes da década de 1970 Entre as décadas de 1970 e 1990 Hoje em dia De hoje em diante A experiência é usada no comando. O grau de formação é sua ferramenta de comando. Sua performance é sua ferramenta de comando. As realizações de sua equipe são a ferramenta de seu sucesso. É acomodado. É confiante. É curioso. É estudioso. É dependente. É político. É independente. Tem visão global das coisas. É realista. Procura ser criativo. É cooperador. É facilitador. É resistente às mudanças. Ajusta‑se às mudanças. É competitivo. Gera mudanças. Lidera mudanças. Seu salário é definido pela empresa. Seu salário é negociado com a empresa. Seu salário é conquistado pela importância de seu trabalho. Seu salário é conquistado pelo resultado de seu trabalho e o da equipe. Seu conhecimento é fruto de experiência profissional. Seu conhecimento é baseado na teoria acadêmica. Seu conhecimento é fruto da aplicação prática da teoria. Seu conhecimento é fruto do aprendizado contínuo. Fonte: Revista Veja,1994. Como nossa intenção aqui é verificar quais são os grandes desafios para a área de recursos humanos de nosso tempo, concentrando atenção nas duas últimas colunas do quadro apresentado, é possível elencar algumas características marcantes: • performance como comando; • realizações da equipe como fontes de sucesso; • curiosidade e estudo; • independência e visão ampla; • cooperação e facilitação; • geração e liderança de mudanças; • remuneração por resultados individuais e da equipe; • conhecimento oriundo de práticas e aprendizado contínuo. 96 Unidade IV Re vi sã o: A nd re ia - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 2/ 12 /1 1 Ésther (2008) contribui sistematizando a evolução da gestão de recursos humanos no Brasil, diante do novo perfil do profissional. É o que apresenta o quadro a seguir: Quadro 8 – Evolução da gestão de recursos humanos no Brasil PERÍODO FASE CARACTERÍSTICAS Antes de 1930 Pré‑jurídica trabalhista – Inexistência de legislação trabalhista e de departamento pessoal – Descentralização de funções Década de 1930/1945 Burocrática ‑ Advento da legislação trabalhista – Surgimento do departamento pessoal para atender às exigências legais Década de 1945/1964 Tecnicista – Implantação da indústria automobilística – Implantação de subsistemas de RH – Preocupação com eficiência e desempenho De 1964 a 1990 Da gestão profissionalizada à gestão estratégica – Surgimento da gerência de RH – Integração dos enfoques administrativos, estruturais e comportamentais – Reformas estruturais profissionalizadas – Surgimento dos movimentos da qualidade – Novas necessidades – Novas abordagens de gestão de pessoas Disponível em: <http://www.rhportal.com.br/artigos/wmview.php?idc%20cad=m52einae0>. Acesso em: 22 jul. 2011. Se observarmos as características apresentadas pelo Quadro 7, notadamente aquelas destacadas pelas duas últimas colunas com a fase que compreende o período da década de 1990, conforme destacado no Quadro 8, percebe‑se que a participação da gestão de recursos humanos nas organizações vem tomando corpo crescente e está cada vez mais relacionada às decisões estratégicas das organizações, principalmente pela integração das questões administrativas, estruturais e comportamentais. Soma‑se a isso que a contribuição dos recursos humanos das organizações tornou‑se fator importantíssimo e cada vez mais relevante na obtenção de resultados globais. Por outro lado, esses resultados não são totalmente dedicados aos recursos humanos, mas àquilo que podem promover de melhorias para as organizações. observação Mudanças de processos de produção, modificação nos recursos utilizados, nova combinação de métodos e rotinas que, preferencialmente, signifiquem queda de custos de produção são também bem avaliadas pelas organizações. Como vimos em exemplos anteriores, notadamente nos casos da Philips e da LocaWeb, que se depararam com problemas de espaço físico para alocar melhor seus recursos humanos, as 97 Re vi sã o: A nd re ia - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 2/ 12 /1 1 AvAliAção de desempenho organizações, por mais que gostem das pessoas e que tenham uma função social, que é a geração de empregos e renda, não saem por aí contratando qualquer tipo de profissional, tampouco colocando em seu quadro de colaboradores quantidade superior ao necessário. A decisão pela contratação de um novo colaborador deve seguir passos estratégicos e levar em conta necessidade laboral, bem como funções e responsabilidades que serão assumidas. Muitas vezes, a contratação surge em virtude de substituição profissional. Outras, por crescimento da demanda e de produção, o que enseja maior necessidade de colaboradores. Pense, por exemplo, nos casos de empresas que produzem sorvetes. Durante o ano a indústria brasileira de sorvetes produz mais de 950 milhões de litros, incluindo sorvetes de massa, picolés e o sorvete soft. Cerca de 70% deste total é consumido durante os meses de verão (setembro a março), de acordo com a ABIS – Associação Brasileira das Indústrias de Sorvetes. O crescimento do mercado em 2009 ficou em torno de 3%5. Conforme a matéria apresentada, se o maior consumo de sorvetes no país está concentrado no período do verão, maior produção também deve ocorrer nesse mesmo espaço de tempo, iniciando‑se antes do crescimento da demanda. Se em sete meses do ano as empresas do setor devem abastecer o mercado com esse tipo de produto, o que deve acontecer com o nível de emprego no setor? Cremos que maior quantidade de funcionários seja contratada no período. Contudo, se um ano é composto por doze meses e o pico de consumo e produção de sorvetes concentra‑se em sete meses, o que fazer com os funcionários que foram contratados durante aqueleperíodo e que nos meses de abril, maio, junho, julho e agosto não produzirão a mesma quantidade do que na época de verão? Simplesmente indicá‑los para demissão? Percebe‑se a atuação do departamento de RH nessa situação, ou seja, a necessidade de sua adaptação às ondas do mercado? Vejamos outra situação. Suponha uma empresa do setor de transporte de passageiros que tenha uma frota de ônibus e que atenda aproximadamente treze empresas diferentes. Seu negócio é transportar funcionários para outras empresas. Suponha agora que a empresa de ônibus está tentando negociar com três de seus clientes reajuste no contrato de prestação de serviços e que esses três clientes representem 30% de seu faturamento total. A manutenção desses contratos gera aproximadamente dezoito empregos diretos na empresa prestadora dos serviços. Por falhas na prestação de serviços – oriundos de dificuldades no departamento de operações –, bem como na administração dos contratos –, devido à falta de treino na área administrativa –, individualmente, as empresas contratantes, que já não estavam muito satisfeitas com o tratamento recebido, não concordaram com os reajustes, de forma que, via concorrência, optaram por substituir o prestador de serviços. Automaticamente, o que deve acontecer com aqueles dez postos de trabalho diretos? Serão diminuídos. Novamente o setor de recursos humanos entrará na operação. 98 Unidade IV Re vi sã o: A nd re ia - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 2/ 12 /1 1 Veja: são dois setores completamente diferentes e que passam por situações muito próximas: as empresas de sorvetes devem aumentar contratações no período de pico e decidir quais serão os funcionários que permanecerão ainda na empresa durante o período de baixa. A empresa de transporte, diante da perda de participação de mercado, terá que decidir quais colaboradores serão demitidos e quais permanecerão empregados. Então, qual critério utilizar na hora de decidir por quem fica e quem sai? Mais exemplos? No final do primeiro semestre de 2011, um assunto fez‑se presente na mídia: a possível fusão entre as empresas Pão de Açúcar e Carrefour, dois gigantes do setor supermercadista. Acompanhe trecho de matéria de Cristiane Mano e João Werner Grando, veiculada pela Revista Exame6 e que retrata pequena mudança no ambiente organizacional: Tédio, definitivamente, não consta da variada lista de itens que assombram os mais de 70.000 funcionários da sede da subsidiária do Carrefour no Brasil nos últimos meses. [...]. Desde que assumiu a operação de reestruturação organizacional em julho de 2010, com a missão de melhorar as margens da rede no país, o atual presidente Luiz Fazzio instituiu novas rotinas. A mais polêmica delas, sobretudo entre os veteranos, é o horário de chegada para o expediente na empresa. Todos passaram a ser cobrados a comparecer no escritório a partir das 8 da manhã, enquanto antes era normal que os primeiros diretores só aparecessem 1 hora mais tarde. Encontros para discussão de resultados às segundas‑feiras também entraram para o dia a dia e reúnem num mesmo auditório, recentemente montado para essa finalidade, cerca de 100 executivos. Outro problema, relativo à atração e retenção de talentos, estava sendo verificado. Vejamos pela mesma matéria: A notícia das negociações que poderiam mudar o comando do Carrefour certamente não ajudou a segurar ou a atrair bons profissionais desde então. Dois cargos do primeiro escalão estão vagos há pelo menos três meses – as diretorias de marketing e recursos humanos. No fim do ano passado, a companhia já havia perdido dois executivos‑chave para concorrentes: um diretor de tecnologia e um diretor comercial. observação Veja que interessante: nos casos anteriores, dos sorvetes e dos transportes, o departamento de recursos humanos sofreu consequência indireta. Dadas as discussões sobre uma possível fusão entre Pão de Açúcar e Carrefour, o departamento de recursos humanos do Carrefour foi imediatamente e diretamente afetado. Demais setores também foram 99 Re vi sã o: A nd re ia - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 2/ 12 /1 1 AvAliAção de desempenho balançados diante de modificações implementadas pela nova presidência, a exemplo da reestruturação das atividades relacionadas ao departamento de compras. Pelo modelo até então vigente, cada unidade tinha autonomia e independência comercial. Atualmente, “a autonomia das unidades atrapalha o ganho de escala e faz com que a rede perca diante de concorrentes que já operam no formato de negócios totalmente centralizado”7. Ainda, pela matéria da Revista Exame, nesse esforço, Fazzio trocou 60% dos executivos de compras regionais. Cada um deles passou a prestar contas não à direção operacional, mas, sim, à diretoria comercial. Parece uma diferença irrelevante, mas, na nova configuração, a cabeça comercial está na corporação, e não nas lojas. Se o presidente da rede Carrefour no Brasil optou pela substituição de 60% dos executivos de compras regionais, alternativamente, optou pela manutenção dos demais 40%. Novamente: quem ficou e quem saiu? Por qual motivo ficou e por qual motivo saiu? Com quais instrumentos de decisão contou tal presidente em sua escolha? Será que a escolha de quem fica ou de quem sai é exclusiva dele? Cremos que suas atribuições são extremamente maiores que escolher entre João e José para saber qual estará no grupo dos 40% que serão mantidos ou estará no grupo dos 60% que serão substituídos. Certamente, tal decisão, ou, por que não dizer escolha, deve ter ficado a cargo do setor de recursos humanos amparado pelos gestores diretos de cada um dos membros das compras regionais. Para Fazzio (2002), no momento em que se busca decidir o que fazer com pessoas ou avaliá‑las a empresa precisa conhecer seu capital humano potencial, tendo‑as como fundamento que poderão ajudar na tomada de decisões e, portanto, impactar de forma relevante nos resultados pretendidos. Em função disso, é possível dizer que a empresa classifica como descartáveis os funcionários que não atendem a algumas das características requeridas ou que não apresentam performance para determinado objetivo estratégico. Por conta disso, a demissão pode ocorrer. Como vimos nas páginas iniciais deste livro‑texto, a avaliação é uma ferramenta útil para obter informações, para servir de guia para o processo de melhoria e, em muitos casos, para diferenciar, por meio de atribuição de grau, os diferentes estágios de desenvolvimento das pessoas. Entretanto, para Souza e Lima8 (2011), os grandes e maiores receios e questionamentos de quem é avaliado são: “o que esta pessoa que avalia irá fazer com estas informações? Como esta pessoa está avaliando? Será possível ser prejudicado após esta avaliação?” As metodologias de avaliação de desempenho sempre estiveram presentes no processo evolutivo da humanidade. Lembrete O ser humano está constantemente sendo avaliado pelos membros da sociedade em que está inserido. Claro está que esse processo assume formas variadas de acordo com sua finalidade e com os objetivos dos avaliadores. 7 Idem. 8Disponível em: <www.aedb.br/seget/artigos05/324_avaliacao%5B1%5D.pdf>. Acesso em: 28 de julho de 2011 100 Unidade IV Re vi sã o: A nd re ia - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 2/ 12 /1 1 Vejamos algumas situações que são colocadas por Siegfried Hoyler (s/d, p.19) e aqui reproduzidas na íntegra: Situação 1 – José, antigo e eficiente contramestre, comunicou à Administração que vai requerer sua aposentadoria. Dentro de seis meses, alguém deverá estar preparado para assumir seu posto. Como determinar qual melhor poderá substituí‑lo? Situação 2 – Ocorre uma crise econômicae a Direção verifica que deve economizar, dentre outros, o custo de mão de obra, para poder garantir a sobrevivência da empresa. Como determinar que empregados serão dispensados? Situação 3 – A produtividade do Departamento de Cobrança tem caído sensivelmente sem qualquer justificativa evidente. Parece, todavia, que esteja havendo alguma insatisfação no grupo. Será que Pedro, há pouco nomeado para chefiar o departamento, é realmente um bom chefe? Situação 4 – Bom mecânico, correto, pontual e de conduta exemplar, João, durante seis anos de trabalho na Companhia, foi sempre considerado ótimo funcionário. Nos últimos três meses, porém, tem‑se mostrado agressivo e frequentemente falta ao trabalho (sabe‑se lá que problema o aflige!). Manoel, “macaco velho”, pouco entende de mecânica, mas muito de politicagem interna, à qual dedicou grande parte de seus quatro anos na Companhia, “felizmente” intercalados por frequentes ausências ao trabalho. Assim, soube da próxima vaga em posto superior muito antes da própria Gerência. Vem se mostrando de eficiência ímpar e tem assumido atitude impecável nos últimos meses. Quando ocorrer efetivamente a promoção para aquela vaga, quem será o escolhido? João ou Manoel? Numa abordagem bem popular, o “Dia do Juízo” é um julgamento final. Nele, avaliam‑se as ações passadas e o resultado pode levar a arrependimentos ou surpresas boas. Lembrete Vimos que a avaliação de desempenho é um mecanismo que busca conhecer e medir o desempenho dos indivíduos na organização, estabelecendo uma comparação entre o desempenho esperado e o apresentado pelos avaliados. Conforme Lotta (2002, p. 3), 101 Re vi sã o: A nd re ia - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 2/ 12 /1 1 AvAliAção de desempenho se levarmos em consideração a participação da Avaliação de Desempenho no ambiente organizacional, estaremos nos deparando com a nova função pela qual a área de Recursos Humanos é responsável: a função de planejamento estratégico da organização. Assim, observamos que a tradicional responsabilidade dessa área, no sentido de controlar, registrar e fazer o pagamento, é deixada de lado, em prol de políticas desenvolvimentistas para os profissionais das organizações, englobando funções como planejamento, organização, direção, controle, treinamento, manutenção, utilização, motivação e desenvolvimento. Tendo em mente ser a avaliação de desempenho uma ferramenta para a tomada de decisões ou recurso para mudar nosso modo de agir, avaliar o desempenho significa apreciar sistematicamente o que foi efetuado ou conquistado no passado e o que está sendo efetuado ou conquistado pela organização no presente. Para Valle (2004, p. 2), a definição de medição de desempenho, como “uma técnica para quantificar os resultados das atividades de negócio”, não destaca suficientemente esta centralidade da tomada de decisão. “Não é um fim em si mesma, nem tem como finalidade punir. É apenas um meio para se conhecer melhor a capacidade atual da organização”, complementa. Conforme Siegfried Hoyler (s/d), desde que um dos primeiros métodos de avaliação de desempenho surgiram nos Estados Unidos da América (a escala de avaliação de Walter Dill Scott, usada pelo exército dos Estados Unidos durante a Primeira Grande Guerra), dezenas de técnicas foram ali desenvolvidas, e foi aumentando, progressivamente, o número de empresas que passaram a utilizar alguma forma de avaliação sistemática de seu pessoal. O Handbook of Personnel Management and Labor Relations, de Yoder, informa que a utilização de técnicas sistemáticas para avaliação do pessoal aumentou consideravelmente nas empresas pesquisadas e que essas avaliações são aplicadas com maior frequência em relação ao pessoal de escritório. Essa publicação informa, ainda, que pesquisa realizada em 1954 colheu, de avaliações de pessoal realizadas por empresas, o seguinte resultado: • 86% aplicam os resultados da avaliação à administração salarial; • 77% utilizam‑se deles nos casos de promoção; • 76% comunicam‑nos aos empregados; • 16% utilizam‑nos para várias pesquisas. saiba mais Para obter mais informações, consulte a Revista de Administração de Empresas, São Paulo, s/d., A avaliação sistemática de desempenho de pessoal, Siegfried Hoyler. 102 Unidade IV Re vi sã o: A nd re ia - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 2/ 12 /1 1 Freitas (2009) chama a atenção para duas grandes vertentes que devem ser consideradas e analisadas profundamente antes da implantação de um sistema de avaliação de desempenho: a subjetividade do avaliador e a cultura organizacional na qual os profissionais estão inseridos. A escolha do modelo, da metodologia e do instrumento deve ser pensada de forma a procurar minimizar a subjetividade do avaliador e estar em comunhão com os valores, os objetivos e a cultura organizacional. Desenvolver e implantar um sistema de avaliação de desempenho demanda do profissional uma visão sistêmica da empresa e de seu quadro de gestores para, então, traçar ações e propor a avaliação do que realmente irá agregar valor ao avaliador, ao avaliado e à companhia. observação Por que gastar tanto tempo com avaliação de desempenho? Vamos calcular quanto tempo leva o processo. A reunião de planejamento dura de 45 minutos a 1 hora, uma vez ao ano. Redigir a avaliação pode demorar mais 1 hora. E a discussão com o funcionário leva cerca de 40 minutos. Um total aproximado de 3 horas. Acrescente mais 3 horas para fazer o seu planejamento e teremos, no máximo, 6 horas por pessoa. Há 2.000 horas úteis no ano (8 horas no dia X 5 dias por semana X 50 semanas no ano). Portanto, 6 horas representam 0,3% do tempo do gerente dedicado à gestão de desempenho de cada funcionário9. A verdade é que avaliações de desempenho estão por toda parte, em nossa vida cotidiana, e que em princípio nós a detestamos. Lembre‑se de seus primeiros boletins escolares. O que eles refletiam? Ali não estavam anotados notas e conceitos? Por exemplo: 8,0 pontos em matemática; 6,5 pontos em geografia; 10,0 pontos em educação física; 7,5 pontos em educação artística, para citar apenas algumas. A soma das notas, nesse exemplo hipotético, equivale a 32, que dividido pela quantidade de saberes, conhecimentos ou áreas avaliadas gera uma média 8,0!! O que fazer com tal número? Na maioria das vezes, os resultados das avaliações são apresentados por números: indicadores. São indispensáveis para que se possa acompanhar a consecução dos objetivos e das metas do planejamento estratégico, mas nem sempre ajudam. Conforme Valle (2004, p. 3): Indicadores e índices são símbolos ou representações, em geral numéricos, de uma determinada situação ou estado. Há indicadores (ditos “de resultados”) que buscam refletir o desempenho ao final de um período ou atividade (p. ex. vendas mensais, consumo de materiais em cada obra, lucro anual); outros (ditos “de tendência”) tentam ajudar um ajuste das ações em “tempo real”, baseando‑se no desempenho presentemente observado (p. ex., proporção dos recursos para investimentos já despendidos). 9Disponível em: <www.skynalker.com.br>. Acesso em: 22 jul. 2011. 103 Re vi sã o: A nd re ia - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 2/ 12 /1 1 AvAliAção de desempenho Nas organizações, os indicadores possuem dois propósitos (VALLE, 2004, p. 4). O primeiro é o da motivação, pois podem funcionar para motivar funcionários a melhorar sua performance ou, simplesmente, ser utilizados para conduzir os funcionários a desempenharem comportamentos desejados pela organização. Nesse caso, são utilizados como instrumento de manipulação. O segundo propósito é o da avaliação da estratégia e do aprendizado. Nesse aspecto,os indicadores são utilizados como ferramentas de aferição do progresso da organização em direção a seus objetivos ou até de revisão do planejamento estratégico. Este segundo propósito nos mostra que a escolha dos indicadores revela valores e objetivos, mas que, na prática, escolher entre milhares de indicadores requer algum critério de seleção, que: • facilite a compreensão dos demais envolvidos; • seja altamente confiável; • seja passível de repetição e atualização, quando necessário e desejado; • permita o estabelecimento de metas críveis; • designe responsabilidades; • possa permitir mensurações; • tenha custo aceitável e coerente com a situação; • seja coerente com os demais indicadores. Existem diversas maneiras de classificar os indicadores de desempenho de uma organização. Garvin (apud ALMEIDA et al., 2004, p. 1189) propõe uma estrutura temporal para o gerenciamento dos processos organizacionais, classificando‑os como: a) “processos de trabalho”, relacionados a produtos ou produção de bens e de curto prazo; b) “processos de comportamento”, de médio prazo e relacionados à tomada de decisão, comunicação, aprendizagem organizacional; c) “processos de mudança”, de longo prazo e relacionados à criação, crescimento, transformação e declínio da organização. A classificação de Parmenter (apud ALMEIDA et al., 2004, p. 1190) se divide, de forma hierárquica, em • indicadores de desempenho, a serem obtidos pela união de demais indicadores de desempenho, a saber, de determinados departamentos; • indicadores de resultado, que não passam de junções dos indicadores de desempenho (satisfação do cliente, participação no mercado, satisfação de funcionários, lucro líquido, retorno de capital aplicado) para chegar à análise do desempenho global da empresa; 104 Unidade IV Re vi sã o: A nd re ia - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 2/ 12 /1 1 • indicadores‑chaves de desempenho, que podem ser obtidos nos locais onde os processos são executados. Rummeler e Barche (2004, p. 1191), dividem a avaliação de desempenho por níveis: • Nível 1 – da organização: aborda o relacionamento da organização com o mercado e destaca as principais funções da empresa; • Nível 2 – do processo: aborda todos os processos que são definidos e desenvolvidos pela organização; • Nível 3 – do trabalhador/executor: identifica o recurso executor das atividades requeridas ao nível de processo, a exemplo de contratação, promoção, responsabilidades, treinamento e recompensas. Valle (2004) salienta que, muitas vezes, responsáveis por áreas ou departamentos preferem gerenciar indicadores a gerenciar processos organizacionais. Buscar números parece mais factível e mais imediatista do que fazer com que o gerenciamento organizacional pensado, detalhado, bem delineado, produza bons ou maus indicadores. Para tanto, utiliza exemplo da linha de montagem da indústria automobilística, considerado perfeito indicador de desempenho da mão de obra direta utilizada em relação ao volume de produção. A linha de montagem é uma forma organizacional eficientíssima, desde que haja tantos trabalhadores quanto previstos. Um único posto de trabalho desocupado paralisa toda a linha e, consequentemente, zera o numerador do indicador de desempenho que, na época, avaliava o gerente da fábrica. Logo, este mantinha uma reserva mínima de trabalhadores, que garantisse o numerador, sem pesar muito no denominador. Ocorre que, após a verdadeira revolução cultural de 1968, o absenteísmo aumentou muito nas fábricas do mundo inteiro e a reserva necessária foi aumentando cada vez mais. [...]. Nosso gerente racional via‑se obrigado a manter um efetivo enorme, mas isso não atrapalhava o seu indicador de desempenho, desde que muita gente faltasse, pois nele só eram computados, evidentemente, os trabalhadores presentes. Problema mesmo era quando todos vinham trabalhar, inflando o denominador. A solução, perfeitamente racional, era enviar os excedentes para uma jornada de formação ou para o dentista, ou enfim para qualquer outro lugar bem distante da fábrica, pois assim suas horas de trabalho, naquele dia, seriam contabilizadas nos custos indiretos. Resultado: indicadores de desempenho maravilhosos nas fábricas, mas custos indiretos crescentes nas empresas (VALLE, 2004, p. 5). Portanto, quando a atenção está direcionada exclusivamente aos indicadores, produz‑se um instrumento que representa uma simplificação exagerada da realidade. Indicadores de desempenho específicos a uma função ou departamento fazem com que a tomada de decisões siga uma racionalidade local. Por essa razão, e com a contribuição da reengenharia, das técnicas japonesas de gestão e da organização da produção, combinadas com as certificações ISO, a avaliação de desempenho não recai 105 Re vi sã o: A nd re ia - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 2/ 12 /1 1 AvAliAção de desempenho com tanta efervescência nas estruturas verticais, o que prevê contingências e ações corretivas de curto prazo, mas sobre a dimensão horizontal dos processos, que permitem ação de longo prazo (VALLE, 2004). Sob forte influência do modelo japonês de gestão, passou‑se a falar mais e mais em “sistemas” de medição de desempenho, integrando indicadores contábeis e os indicadores não financeiros. Contudo a avaliação multidimensional do desempenho não equipara, necessariamente, os indicadores financeiros e não financeiros. O sistema de indicadores pode estar estruturado em níveis (tantos quantos se considere relevante), de tal modo que, a cada indicador de um determinado nível, estejam associados indicadores de um nível imediatamente inferior. Numa hierarquia em três níveis, p. ex., o primeiro pode corresponder ao negócio (p. ex., indicadores financeiros), o segundo aos processos (p. ex., índice de atendimentos dos pedidos) e o terceiro a atividades (p. ex., grau de disponibilidade de um equipamento). Cada indicador é constituído por uma agregação dos indicadores de nível imediatamente inferior (VALLE, 2004, p. 7). A abordagem de Valle é condizente com aquela apresentada anteriormente por Parmenter, Rummeler e Barche, podendo ser representada conforme a figura abaixo. Indicador de negócio = f = (IP1, IP2, IP3) Indicador de processo IP1 = f = (IA1, IA2) Indicador de processo IP2 = f = (IA1, IA2) Indicador de processo IP3 = f = (IA1, IA2) Indicador de atividade IA1 Indicador de atividade IA2 Figura 15 – Sistema de Avaliação de Desempenho Organizacional. Pela figura, que apresenta um sistema de avaliação organizacional, percebe‑se a importância de alguns níveis. O primeiro nível e o último a ser conhecido (mas objetivamente importante) é o Indicador de Negócio, composto por diferentes indicadores de processo. Isso representa que cada processo, muito bem delineado e com objetivos específicos, o que para Rummeler e Barche constitui o Nível 2, contribui para um bom Indicador de Negócio. Porém, outros indicadores são utilizados para poder chegar ao indicador de processo: são os indicadores de atividade, no fluxo representado por IA1, IA2 e assim por diante. Portanto, cada atividade deve ser desempenhada da melhor forma possível para que os processos também sejam eficientes e, por fim, contribuam para o indicador final. 106 Unidade IV Re vi sã o: A nd re ia - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 2/ 12 /1 1 observação Para Valle (2004), nesta abordagem multidimensional e hierarquizada, quanto mais específico for um indicador, maior será seu nível de detalhe e frequência de cálculo. Em compensação, quanto mais global ele for, maior será sua abrangência de funções e processos. Afora todas as modalidadesde avaliação de desempenho utilizadas pelas empresas, a exemplo da DEA – Análise Envoltória de Dados, Métodos de Pesquisa Operacional, Probabilidade e Análise Estatística; SMART – Performance Pyramid, Sistema de Medição de Desempenho Integrado; PNQ – Prêmio Nacional da Qualidade; e Balanced Scorecard, para citar algumas que já tivemos a oportunidade de estudar na Unidade II, na atualidade uma nova dimensão precisa ser incorporada à avaliação de desempenho. Um contexto social muito complexo faz com que as empresas tenham necessidade de desenvolver comprometimento ético e social no ambiente de trabalho e, nesse aspecto, algumas medidas começam a ser adotadas, a exemplo da melhoria da qualidade de vida da força de trabalho e de suas famílias, bem como das comunidades nas quais estão inseridas. Questões sociais penetram no ambiente de trabalho e contribuem significativamente para que o colaborador consiga desenvolver suas atividades com maior motivação e, dessa forma, indicadores de atividades, de processo e de negócios serão cada vez mais alvissareiros. Normas e certificações relacionadas à Responsabilidade Social Empresarial, que é do que tratamos neste momento, se juntam às dimensões financeira e operacional; dessa forma, a análise de desempenho torna‑se mais complexa, sem perder seu eixo: a visão de processos. saiba mais Veja mais sobre a visão de processos em GRÜNINGER, B., OLIVEIRA, I. F.. Normas e certificações: padrões para responsabilidade social de empresas. São Paulo: Banco B&SD Ltda., 2002. Empresas, comunidades e indivíduos ainda estão aprendendo a viver no mundo da globalização, da transformação tecnológica e das transições políticas. A privatização do setor público, a liberação do mercado e a comunicação on‑line resultaram na transferência massiva de bens e poder ao setor empresarial. O papel das empresas mudou significativamente. Normas e certificações na área da Responsabilidade Social Empresarial vêm sendo desenvolvidas para que as empresas possam responder a desafios como ampliação de responsabilidades, exigência de transparência, perenidade em longo prazo e concorrência acirrada, trazidos pela nova realidade em que vivemos (GRÜNINGER; OLIVEIRA, 2002, p.1). 107 Re vi sã o: A nd re ia - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 2/ 12 /1 1 AvAliAção de desempenho Na área de responsabilidade social, as normas procuram atender a uma demanda crescente não só por parte das pessoas que trabalham em empresas, mas da sociedade em geral, por maior transparência em qualquer processo de gestão socialmente responsável. Com relação a isso, a norma SA 8000 (Social Accountability), que versa sobre condições de trabalho nas empresas de forma geral, e a norma AA 1000 (Accountability), cujo foco é o diálogo com stakeholders e está ao alcance de todas as organizações com ou sem fins lucrativos, integram um conjunto de normas que cobrem aspectos de sustentabilidade. O quadro a seguir apresenta algumas dessas normas. Quadro 9 – Normas com critérios sociais NORMA/PADRÃO FOCO DO PADRÃO GRUPO FOCO SA8000 Condições de trabalho Todas as empresas AA1000 Diálogos com stakeholders Organizações com ou sem fins lucrativos Forest Stewardship Council – FSC Meio ambiente, comunidades locais Empreendimentos agroflorestais Marine Stewarship Council – MSC Meio ambiente, animais Pesca ISO – Norms (9000, 14000 e demais) Qualidade, meio ambiente Todas as empresas Global Reporting Initiative – GRI Qualidade em relatórios de sustentabilidade Todas as empresas Fonte: Grüninger; Oliveira, 2002, p. 2. Concentrando esforços naquelas normas que aqui mais nos interessam, SA 8000 e AA 1000, passamos a tratar delas. Segundo Grüninger e Oliveira (2002), a Norma SA8000 – Social Accountability 8000, lançada em 1997 pela CEPAA – Council on Economics Priorities Accreditation Agency – foi desenvolvida para garantir determinados direitos de trabalhadores inseridos no cenário global diante da maior cobrança da sociedade: passava a ser desejável que as empresas demonstrassem sua forma de trabalho em relação a fornecedores. Para entendermos: é crescente a preocupação dos consumidores em saber não só as especificações técnicas de produtos, por exemplo, mas também a procedência dos insumos de produção que foram utilizados na geração de um bem final. Mais: torna‑se crescente a preocupação de consumidores pouco mais conscientes com o processo de fabricação de forma geral não só com a procedência de insumos de produção, mas também com as relações de trabalho. Precisamos, ao sermos jogados ao consumo, saber de que forma tais produtos que consumimos foram produzidos. São características primordiais da norma: • o comprometimento da alta administração e participação dos funcionários; • o enfoque na prevenção e nas ações corretivas, e não na reação; • a conformidade com regras, códigos e leis locais; • o enfoque na melhoria contínua; • a busca por fornecedores éticos. 108 Unidade IV Re vi sã o: A nd re ia - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 2/ 12 /1 1 Tendo como referência as normas de gestão de qualidade e de gestão ambiental, bem como as Convenções da Organização Internacional do Trabalho, a Declaração Universal dos Direitos Humanos e a Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos das Crianças (GRÜNINGER; OLIVEIRA, 2002, p. 5‑6), a SA 8000 é composta por nove requisitos: • Trabalho infantil: não é permitido. É aquele executado por pessoa menor de 15 anos (ou a idade mínima estabelecida pelas leis locais, o que for mais restrito); • Trabalho forçado: não é permitido. É caracterizado trabalho forçado aquele em que o trabalhador não recebe remuneração em troca de seu esforço. • Saúde e segurança: devem ser asseguradas. Manutenção de um ambiente de trabalho saudável, foco na prevenção de acidentes, manutenção de máquinas, utilização de equipamentos de segurança e treinamentos regulares devem constar em um sistema de gerenciamento de saúde e segurança da empresa. • Liberdade de associação e negociação coletiva: devem ser garantidas. Os trabalhadores não devem necessariamente associar‑se, mas devem ter o direito ao diálogo com a empresa. • Discriminação: não é permitida. Especialmente nos casos de contratação, remuneração, acesso a treinamento, promoção ou encerramento de contrato com base em raça, classe social, etnia, sexo, orientação sexual, religião, deficiência, associação a sindicato ou afiliação política; • Práticas disciplinares: não são permitidas. Punições físicas ou mentais, coerção física e abuso verbal, pagamento de multas por não cumprimento de metas são todas práticas não permitidas; • Horário de trabalho: não deve ultrapassar 44 horas semanais, no caso do Brasil, além de 12 horas extras semanais. Pelo menos um dia de descanso deve ser providenciado num período de 7 dias. • Remuneração: deve ser suficiente para cobrir custos de moradia, vestuário, alimentação, além de uma renda extra. A empresa deve ainda assegurar que não sejam realizados contratos por trabalho executado ou esquemas de falsa aprendizagem para evitar o cumprimento de obrigações impostas por lei; • Sistemas de gestão: deve existir um sistema de gestão que garanta a efetividade do cumprimento de todos os requisitos da norma, através de documentação, implementação, manutenção, comunicação e monitoramento da empresa em relação às questões abordadas na norma, num processo de melhoria contínua. observação Podemos, assim, indicar a melhoria do relacionamento organizacional interno e a demonstração da preocupação com o trabalhador, pontos positivos da norma. Desenvolvida pelo ISEA (Institute of Social and Ethical Accountability) em 1999, a AA1000 abarca um padrão de processo para a gestão da contabilidade, para auditoriae para relato da responsabilidade 109 Re vi sã o: A nd re ia - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 2/ 12 /1 1 AvAliAção de desempenho social corporativa. Trata‑se de uma norma para melhoria contínua de processos. Seu principal diferencial está na inclusão das partes interessadas (stakeholders) em todos os seus passos, visando dar credibilidade à responsabilidade social corporativa da organização que a adota. Diálogo, comprometimento, engajamento e prestação de contas às partes interessadas formam sua base. A norma baseia‑se no conceito de Accountability. Ter accountability por alguma coisa é explicar ou justificar os atos, omissões, riscos e dependências pelos quais se é responsável, em relação às partes interessadas. Exige‑se ainda: transparência (fornecimento de informações às partes interessadas), pró‑atividade (responsabilidade da organização pelos seus atos e omissões, incluídos os processos de tomada de decisão) e conformidade (obrigação de estar em conformidade com os padrões em consenso – práticas, políticas, desempenho e relato) (VALLE, 2004, p.16). Segundo Grüninger e Oliveira (2002), a empresa que adota a AA1000 deve seguir um processo contínuo de ciclos de atividades, cujo primeiro passo é o estabelecimento de um escopo, que define os limites de processo e não é repetido no ciclo de auditoria regular. É um passo introdutório e único, conforme o demonstrado pela figura que se segue: ESCOPO Avaliar performance ética e social atual Identificar os stakeholders Iniciar primeiro ciclo de auditoria Revisar escopo Comunicar resultado Verificação externa Medir performance Consultar stakeholders Identificar assuntos Concordar sobre indicadores e objetivos Processo de melhoria Figura 16 – Ciclo de Atividades para AA1000. Os princípios da Accountability são: • inclusividade; • escopo e natureza da operação, que envolve completude, materialidade, regularidade e conveniência; • significância da informação e garantia de sua qualidade; • acessibilidade à informação, permitindo sua comparabilidade, confiabilidade, relevância e entendimento; • gestão do processo em base contínua promovida pela integração de sistemas e pela melhoria contínua. 110 Unidade IV Re vi sã o: A nd re ia - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 2/ 12 /1 1 Conforme Valle (2004, p.16), o principal benefício que se busca é a melhoria do desempenho social, traduzido em maior confiança, comprometimento, lealdade e produtividade a ser conquistado quando a responsabilidade social for posta em prática, ou seja, “quando se inclui e se considera, nas decisões estratégicas, a visão e opinião de todos os grupos que estão envolvidos ou são atingidos pelas atividades da empresa”. Como vimos, são diversas as nuances que permeiam a avaliação de desempenho, seja de pessoas, de subsistemas funcionais, de organizações. Conforme Cavalcanti (1990, p. 18), constituem um dos maiores desafios políticos de nossos tempos. Não obstante as dificuldades inerentes à avaliação de resultados, torna‑se impossível fugir ao problema, por ser ele vital a questões centrais de racionalidade administrativa e justiça econômico‑social, cuja solução é básica para a sobrevivência de qualquer sistema. A menos que estabeleça uma relação apropriada entre contribuintes e retribuições, um sistema produtivo tem seu futuro ameaçado, sobretudo em ambiências caracterizadas pela escassez de recursos, dada a inexistência de um esquema referencial adequado à administração de conflitos. No contexto socioeconômico, no que diz respeito à empresa, a questão consiste em identificar e avaliar as contribuições do trabalho de cada trabalhador em particular e do capital e risco, para recompensá‑las e desenvolvê‑las. Em relação aos diferentes subsistemas funcionais, dentre eles o de Treinamento e Desenvolvimento dos Recursos Humanos, é igualmente importante avaliar sua contribuição efetiva para os resultados empresariais, para que se possam determinar adequadamente seus pesos, específico e relativo, no contexto da economia política da empresa, daí resultando as decisões de alocação de recursos, determinadoras das possibilidades e limites de sua contribuição atual e futura. A essa altura da discussão, são pertinentes três questionamentos: • Qual é o resultado desejável para as ações de treinamento e desenvolvimento, quando se trata de avaliação de desempenho? Leva‑nos a refletir ser uma questão de natureza normativa, subjetiva, que envolve políticas organizacionais que revelam preferências em relação a valores a serem alcançados. • Como medir o resultado? Trata‑se de um questionamento que coloca desafios consideráveis ao especialista da área, partindo do princípio de que a função da área de Treinamento e Desenvolvimento possa, não que seja, induzir comportamentos considerados funcionais. • Como podemos saber o que produz ou causa o resultado desejável? Tal questionamento encontra respostas de caráter factual, inspiradas, por exemplo, nas Teorias de Aprendizagem Organizacional, além de todo o conhecimento adquirido em relação às técnicas instrucionais. Diante disso, considerando‑se a indisponibilidade, muitas vezes observada, de metas e prioridades claramente estabelecidas por parte de algumas empresas, e as consequentes limitações que isso impõe à avaliação, coloca‑se um desafio: 111 Re vi sã o: A nd re ia - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 2/ 12 /1 1 AvAliAção de desempenho como planejar treinamento e desenvolvimento e conceber adequadamente suas ações? Como enfrentar o desafio da avaliação da função de T&D, sem aceitar, no entanto, um discurso injusto que reflita visão simplista da questão “investimento vs retorno”? (CAVALCANTI, 1990, p.19). Nesse sentido, Mariotti (1999) apresenta preocupação entre o que fazem as empresas: se treinam ou adestram funcionários! O adestramento ocorre quando a empresa fornece conhecimentos, métodos ou técnicas isoladas a seus colaboradores com objetivos também isolados. Deve ser o mais rápido possível, e os resultados de sua aplicação prática precisam também surgir com rapidez. É, na maioria das vezes, individualizado; mas, necessariamente, pragmático, utilitarista, imediatista. Por buscar resultados de curto prazo, resulta em problemas como: – só pode ser utilizado se o objetivo do treinamento puder ser supersimplificado, o que implica, necessariamente, em superficialidade; – por ser automatizado, indivíduos treinados por essa abordagem tendem a pôr em prática os conhecimentos recebidos de forma mecânica e limitada; – a atuação estereotipada e repetitiva exclui a individualidade das pessoas por supor que o que serve para um serve para todos e, portanto, ignora a personalização. Já o treinamento, pela visão administrativa do aprendizado organizacional, requer uma abordagem mais ampla e é compreendido como um sistema que envolve toda a empresa, mesmo que não todos os colaboradores ao mesmo tempo. Denominando de educação organizacional continuada, Mariotti (1999, p. 50, grifo nosso) explica que o que se aprende e o que se ensina numa empresa não pode ser reduzido a uma série mecânica e descontínua de blocos de aprendizado que transmitem um conhecimento ralo, mecanicista, de duração efêmera e, principalmente, impessoal e massificado. [...]. A educação organizacional continuada faz parte de uma visão de negócios sistêmica, complexa e sustentada. Seus efeitos são duradouros, porque ela não interrompe depois de iniciada. Conclui‑se daí que os melhores resultados aparecerão sempre a longo prazo. Mais ainda não podem ser avaliados por critérios apenas numéricos. E mais, A educação organizacional continuada visa à competência[...] que nasce de pessoas competentes e gera pessoas competentes [...]. A excelência de seu trabalho produz benefícios que ultrapassam em muito os objetivos e resultados dos simples treinamentos (idem, p. 51). O que Mariotti procura chamar a atenção é que atitudes de adestramento conduzem à competição predatória, em que as pessoas atuam umas contra as outras, ao passo que o treinamento, ou melhor, 112 Unidade IV Re vi sã o: A nd re ia - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 2/ 12 /1 1 a educação organizacional continuada, está para um ambiente de competência em que as pessoas trabalham umas com as outras. Trata‑se, então, de duas abordagens de gestão distintas e que muita mudança ainda está por ocorrer; pois, culturalmente, fomos educados, séculos a fio, num clima de competição em que todos foram estimulados a lutar contra todos. Assim, a competição predatória seria própria da natureza humana. [...]. Entretanto, a experiência tem revelado que competir ansiosamente e adotar essa postura como norma de vida acaba tendo consequências destrutivas, tanto no plano do trabalho como no individual. Aqui se inclui a saúde e a felicidade das pessoas, de suas famílias e das organizações. (ibidem, 51). Mariotti (1999, p. 51‑52, grifo nosso) ainda denuncia: Enquanto não entendermos que tudo no fundo é um problema cultural não avançaremos um único passo. Tomemos um exemplo: a tendência, longamente sedimentada, de avaliar as pessoas do ponto de vista exclusivamente quantitativo. Mudar uma mentalidade assim, que além de tudo supervaloriza o imediatismo e, portanto, a superficialidade, só será possível com muito esforço. Do exposto, é possível perceber que os resultados alcançados por uma organização não devem ser atribuídos a pessoas isoladas, e sim ao funcionamento de todo o sistema. Isso ficou explícito quando tratamos do sistema de avaliação de desempenho organizacional anteriormente. Deming (apud MARIOTTI, 1999) destaca ser um erro supor que aquilo que não pode ser medido, no caso o aprendizado, advindo do treinamento e da educação continuada, não pode ser gerenciado. E mais: • que objetivos numéricos isolados nada significam; • que o aprendizado nunca é definitivo: trata‑se de um processo para a vida inteira; • que é impossível trabalhar sistematicamente com o antigo modelo piramidal da administração; • que as classificações, as notas e os demais métodos de ranqueamento, se tomados isoladamente e se levarem em consideração somente os números, são contraproducentes; • além disso, pode desmoralizar a pessoas, tanto as bem colocadas como as mal situadas nas avaliações. Ainda sobre aprendizagem, Garvin (2003) destaca que quatro condições são as necessárias para desenvolver o processo de aprendizagem nas organizações: reconhecer e aceitar as diferenças; proporcionar feedback oportuno e imparcial; buscar novas formas de pensar e novas fontes de informações; aceitar os erros, enganos e ocasionais fracassos. Assim, dado que todo processo de treinamento (ou da forma como aqui abordada, aprendizado organizacional) leva tempo e requer investimentos, e que seu retorno deve ser esperado a longo 113 Re vi sã o: A nd re ia - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 2/ 12 /1 1 AvAliAção de desempenho prazo, há algumas perspectivas por parte das empresas do tipo de comportamento organizacional que será delineado a partir de tal treinamento. Além disso, cremos não estar dissociado o investimento em treinamento e o desenvolvimento do comportamento profissional dele derivado. De forma mais explícita, de tudo o que foi apresentado, deve haver, por parte dos gestores, um esperar de desempenho profissional devido a iniciativas de melhoria do próprio profissional. Nesse aspecto, Cavalcanti (1999) destaca que pode haver certa confusão do que se espera dos gestores: uma avaliação de resultados de treinamentos ou uma avaliação de desempenho funcional. E mais: é possível admitir que, por algum momento, pode haver alguma dúvida ao que os gestores pensam estar fazendo: se estão avaliando resultados dos treinamentos ou se estão realmente mapeando desempenho dos recursos humanos de forma concreta. Com relação à avaliação de resultados de treinamentos ou à avaliação de desempenho funcional, que seja admitida percepção da real funcionalidade da avaliação. Admitindo que avaliar seja atribuir valor, no caso, aos resultados de treinamento, tal avaliação assume a função de alimentar o próprio modelo do treinamento posto em prática e subsidiar tomada de decisão quanto à alocação dos recursos para determinada área ou função. É fundamental, no entanto, ter‑se em conta a diferença entre resultados de treinamento e desempenho funcional. Por outro lado, ao agir sobre as habilidades e sobre a percepção do indivíduo em relação ao seu próprio papel, T&D está mediando a relação esforço‑desempenho. [...]. Cabe observar que T&D, assim como os demais elementos organizacionais estruturantes, são modelados para induzir comportamentos tidos como funcionais e inibir a escolha de comportamentos considerados disfuncionais. As inconsistências de modelagem, no entanto, podem gerar, e efetivamente geram, resultados que se anulam mutuamente (CAVALCANTI, 1999, p. 25) O que é possível depreender disso? Que muitas das vezes as empresas empreendem esforços em treinamentos ou dinâmicas que desenvolvam ou favoreçam iniciativa, criatividade, motivação ou mesmo um sistema de bonificação ou qualquer outro reconhecimento para seus funcionários; mas alguns gestores, rotineiramente, adotam postura autoritária e castrativa para uns ou meritória para os felizardos! Com isso, Cavalcanti (1999, p. 25), deixa duas questões no ar: – por que avaliar o desempenho do funcionário, ou de uma função específica (T&D) quando os estímulos gerados por outras funções, igualmente determinantes do desempenho funcional, não são avaliados? – por que avaliar os resultados de T&D e falar em custo/benefício da função, sem que se avalie ou fale das mesmas coisas em relação a estruturas organizacionais, sistemas de recompensa ou recrutamento e seleção? Por que os sistemas de T&D têm quase sempre, formalizada, uma unidade de avaliação e essas outras funções não a têm? 114 Unidade IV Re vi sã o: A nd re ia - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 2/ 12 /1 1 8 Casos e resuLtaDos De avaLiação De DeseMpenho Assim, finalizaremos esta unidade descrevendo alguns exemplos de aplicação de avaliação de desempenho por algumas empresas. Exemplo 1 Organização Active10 A organização Active mostrou que é possível aumentar o leque de objetivos da avaliação dos colaboradores, quando instituiu, em 2003, uma avaliação de desempenho com foco na visão profissional e pessoal de seus colaboradores. Tal proposta, de um foco mais amplo, surgiu depois que a empresa realizou o Leader Training – um treinamento baseado em dinâmicas vivenciais e que dentre muitos tantos desafios encontra‑se estabelecimentos de metas para a vida equilibrando as cinco saúdes: física, financeira, familiar, social e intelectual/espiritual. Nesse trabalho, foi utilizado o método SMART (Specific, Mensurable, Attainable, Relevant, Time‑bound), onde as metas devem ser específicas, mensuráveis, alcançáveis, relevantes e temporais. Na oportunidade, a empresa identificou que era preciso mudar sua ferramenta de avaliação e fazer dela um método capaz de conhecer melhor os colaboradores e seus sonhos. Avaliação na prática: no início de cada ano, é confeccionada uma agenda integrada entre a área de Gestão de Pessoas, o gestor direto e o colaborador. Em seguida, são enviados os convites com as datas a todos os colaboradores e gestores que participarão do processo.Antes de cada avaliação, o colaborador deve preencher sua autoavaliação, que contém cinco etapas: 1. análise de competências: o profissional tem 15 comportamentos a serem autoavaliados como abaixo da expectativa, dentro da expectativa, acima da expectativa; 2. contribuição para o resultado: onde ele vai mencionar como contribuir para o resultado efetivo da Active; 3. habilidades e conhecimentos: onde há questões que ajudam o profissional a entender qual orientação de carreira deve seguir; 4. dificuldades: quais dificuldades o colaborador teve durante o ano avaliado para cumprir suas metas profissionais e realizar seu trabalho; 5. planejamento futuro: onde o avaliado descreve sucintamente quem ele será daqui a dez anos e depois, detalhadamente, apresenta suas metas SMART, levando em consideração que, segundo a Organização Mundial de Saúde, a pessoa feliz precisa de equilíbrio entre cinco distintas saúdes: física, financeira, familiar, social e intelectual/espiritual. 10BISPO, P. Como tornar a avaliação em um processo humanizado? Disponível em: <www.rh.com.br/portal/desempenho/ materia/6730/como_tornar_a_avaliacao_em_um_processo_humanizado.html>. Acesso em: 22 jul. 2011. 115 Re vi sã o: A nd re ia - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 2/ 12 /1 1 AvAliAção de desempenho Paralelamente, antes de cada avaliação, o gestor deve preencher um formulário de avaliação que contém duas etapas: a) Análise de competência: em que a liderança avalia o colaborador nos mesmos itens que ele se autoavalia. b) Contribuições para o resultado: em que o líder menciona os resultados que ele enxergou como positivos no decorrer do ano. Na hora da avaliação, tanto o colaborador quanto o gestor comparecem com suas avaliações em mãos. O papel da área de Gestão de Pessoas é intermediar conflitos ou dar algum parecer específico, além de preencher o formulário de Gestão de Pessoas, enquanto o consenso de ambas as partes é definido nas duas primeiras etapas. Depois que o processo de avaliação de desempenho com foco na vida profissional foi instituído pela Active, observou se maior confiança e parceria entre gestores e colaboradores. Além disso, a ferramenta trouxe outros benefícios, como, por exemplo, acesso direto à área de Gestão de Pessoas; maior transparência quanto às políticas da empresa; alinhamento de expectativas e, consequentemente melhoria comportamental e produtiva, uma vez que o colaborador sabe exatamente o que se espera dele; e gerar a sensação entre os profissionais de que eles fazem parte da empresa. Exemplo 2 Empresa Whirlpool11 Desafio: Em 2004, a Whirlpool, fabricante de eletrodomésticos que em 2007 contava com 12.000 funcionários e faturamento no Brasil de US$ 3,6 bilhões, percebeu que o mercado havia mudado, sendo necessárias pessoas mais bem formadas para impulsionar o crescimento do negócio. O primeiro desafio foi reavaliar se as pessoas estavam nas posições corretas. Para isso, foi preciso rever a avaliação de desempenho que já funciona na empresa há dez anos. “Nós percebemos que deveríamos aumentar a autonomia dos gestores para gerir o negócio”, afirma Úrsula, e “decidimos atualizar a forma como avaliávamos o desempenho dos profissionais, atrelando todas as metas do negócio e proporcionando um equilíbrio maior entre os resultados, o comportamento e as expectativas de cada um”. O segundo desafio foi preparar os profissionais de base para assumir cargos estratégicos. Para isso, a empresa precisou rever a avaliação dos potenciais talentos para crescimento vertical. Só depois de encontrá‑los foi possível investir no desenvolvimento de cada um deles. Solução: O primeiro passo para colocar as pessoas nos lugares certos foi reestruturar a forma de uso da ferramenta Talent Pool 9Box. O novo jeito de avaliar iria permitir a identificação dos potenciais talentos 11ANGELI, Ú. Cada um no seu quadrado. Disponível em: <revistavocerh.abril.com.br/noticia/melhoresp/conteúdo_416161. shtml>. Acesso em: 22 jul. 2011. 116 Unidade IV Re vi sã o: A nd re ia - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 2/ 12 /1 1 para crescimento vertical. A avaliação conta com nove posições estratégicas, com dois eixos relativos ao potencial e à performance. As pessoas são colocadas nas posições de acordo com o histórico da avaliação de desempenho, que aponta os profissionais com alto potencial e alta performance. Os funcionários que entram nos boxes mais perto do número 1, por exemplo, recebem um desenvolvimento focado na sua capacidade de assumir posições‑chaves na empresa. Até aí, nenhuma novidade. O que mudou a partir de 2004 foi a forma de usar essa ferramenta. Antes, os próprios gestores indicavam o quadrante de cada funcionário. Há quatro anos, a ferramenta ganhou consistência, com decisões de forma colegiada. “Não estabelecemos mais quem são os executivos da empresa apenas baseados na opinião do gestor. Agora, mais pessoas estão envolvidas no processo, o que minimiza as chances de erro”, avalia Úrsula. Chamados de Comitês de Calibração, os grupos que fazem a avaliação dos potenciais talentos são múltiplos. Um profissional da área comercial, por exemplo, será submetido à avaliação de pessoas que trabalham em áreas clientes, de chefes de outras áreas (como marketing e logística) e, claro, de pessoas do próprio departamento. Os 13 diretores avaliam os 40 gerentes‑gerais. Por sua vez, os gerentes‑gerais avaliam os 180 gerentes, que avaliam os 300 chefes e especialistas por conjunto de áreas. A avaliação desce em cascata, de forma que todos os funcionários sejam submetidos a um comitê. Para definir os talentos, são realizadas reuniões semestrais com cada grupo. Ao final, os profissionais recebem um feedback individualmente sobre seu desempenho na companhia. Ficam sabendo, portanto, qual sua imagem na organização. Jamais são informados, porém, em que quadrante estão classificados, para não gerar expectativas. Resultado: Historicamente, a Whirlpool tinha números que podiam desestimular os profissionais da casa. Com 80% dos funcionários da empresa vindos do mercado, era difícil motivar as pessoas para um plano de carreira vertical. Apenas dois anos após a mudança no uso da ferramenta, a empresa reverteu essa pirâmide, passando a contratar apenas 20% dos profissionais do mercado. Ao ajustar a discrepância, esse número está equilibrado. Diversos profissionais foram promovidos para cargos de gerentes gerais. Além de mais transparente, o processo permitiu excluir os funcionários que não estavam performando; alguns foram demitidos, outros pediram demissão. Exemplo 3 Empresa familiar do ramo de confecção12 Maillaro e Colenci Jr. descrevem caso de uma empresa familiar, do ramo de confecção, que opera em duas fábricas no estado de São Paulo. A empresa possui um canal de vendas próprio, outro por franquias e um terceiro por atacado. Denominam a empresa de Tecidos S.A. Procurando eliminar estruturas informais e auxiliar na definição dos papéis familiares e empresariais para reduzir conflitos internos e mensurar o desempenho humano, um projeto de reestruturação foi iniciado em agosto de 2009. 12MAILLARO, W. E.; COLENCI JR., A. Avaliação de desempenho em empresas familiares: um estudo de caso. Disponível em: <http://www.centropaulasouza.sp.gpv.br/pos‑graduacao/workshop‑de‑pos‑graduacao‑e‑pesquisa/anais2010/trabalhos.pdf>. Acesso em: 22 jul. 2011. 117 Re vi sã o: A nd re ia - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 2/ 12 /1 1 AvAliAção de desempenho As etapas dessa avaliação de desempenho foram: Etapa 1 Definição de competências críticas da organização baseada em princípios e valores Etapa 2 Definição dos processos de planejamento, acompanhamento e definiçãodo sistema de avaliação de desempenho Etapa 3 Definição e adaptação da ferramenta a ser utilizada Etapa 4 Definição dos produtos e consequências do sistema de avaliação de desempenho Na Etapa 1, foi necessário definir competências em dois níveis distintos: um deles envolveu os proprietários da empresa no traçado das competências necessárias para se atingir os objetivos e as metas nos próximos dois anos. Nos níveis tático e operacional, cada função foi representada por, pelo menos, um colaborador. Foram entrevistados seguindo um roteiro elaborado de acordo com as competências desejadas pelos proprietários da empresa. As entrevistas, compostas por duas questões qualitativas – a) e b) – e as demais, de cunho quantitativo, produziram material que permitiu definir os processos de implantação de um sistema de avaliação de desempenho. As perguntas foram divididas da seguinte forma: a) quais são os objetivos e as metas da sua área? b) como é seu relacionamento com a liderança? E com os colegas de trabalho? c) você é avaliado pelo desempenho que tem? É justa essa avaliação? d) as pessoas aqui assumem suas responsabilidades? e) você conhece os procedimentos de trabalho da empresa? f) você se sente reconhecido pela sua liderança? Tem espaço para inovar ou para dar ideias e sugestões? g) você sabe quais são as competências técnicas e comportamentais necessárias para o desenvolvimento da função ocupada? Coube à Etapa 2 a definição dos processos de planejamento, acompanhamento e do próprio sistema de avaliação de desempenho a ser empregado. Para tanto, tornou‑se necessário: a) criação de padrões de desempenho e indicadores de qualidade de trabalho; desenvolvimento de formulários de avaliação de desempenho; b) promoção da aproximação de líderes e colaboradores; c) acompanhamento mensal das definições de planos de ação e atingimento de metas; 118 Unidade IV Re vi sã o: A nd re ia - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 2/ 12 /1 1 d) reconhecer boas atitudes dos colaboradores e provocar mudanças nas atitudes dos menos performáticos quanto aos objetivos e metas conquistados; e) avaliar semestralmente competências críticas que foram definidas pela organização; f) integrar o sistema de avaliação de desempenho com os demais processos de responsabilidade da área de recursos humanos; g) revisão da política de cargos e salários, bem como do plano de carreira. Ainda segundo a exposição de Maillaro e Colenci Jr., a Etapa 3 – definição e adaptação da ferramenta a ser utilizada pela empresa – só pode ser desenvolvida a partir das Etapas 1 e 2. Com a participação dos proprietários da empresa, foram estabelecidas as competências comportamentais e técnicas. No âmbito das comportamentais, estão: a) comprometimento com os objetivos e metas da equipe; b) humildade pelo reconhecimento de erros e estar aberto a críticas; c) planejamento de rotinas com prioridades; d) metas e desafios atingíveis. No âmbito das competências técnicas, procedimentos tiveram que ser adotados: a) foi necessário conhecer todos os cargos da organização; b) de cada cargo, procedeu‑se uma lista das operações realizadas por cada cargo; c) foi necessário atribuir novas tarefas a alguns cargos, expurgando tarefas de outros, ou seja, houve remanejamento de operações em cada cargo; d) procedeu‑se a uma revisão das tarefas e das competências técnicas necessárias para cada cargo; e) para cada competência, estabeleceu‑se um conjunto de padrões de desempenho quantitativos e qualitativos a serem atingidos; f) cada padrão ensejou um indicador. Por fim, mas não menos importante, a Etapa 4 gerou ficha de levantamento de necessidades de treinamento, inexistente na empresa até então. Tal etapa permitiu ainda aos líderes, a partir do acompanhamento de performances diferenciadas, efetuar ajustes salariais por mérito e também para redefinir equipes de trabalho. “Outro produto deste sistema de avaliação de desempenho foi aumento 119 Re vi sã o: A nd re ia - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 2/ 12 /1 1 AvAliAção de desempenho da consciência das lideranças em relação ao tema gestão de pessoas e no desenvolvimento de suas competências”. Segundo Maillaro e Colenci Jr. (2010, p. 9): Na empresa estudo de caso, ao implantar um sistema de avaliação de desempenho, foram enfrentados casos de dissidências, apatias e ressentimentos por parte de alguns colaboradores. Entendemos como algo natural em um processo de mudança e de implantação de um novo sistema. Nestes casos, buscou‑se ampliar a participação dos dissidentes desde o início do processo, que neste caso específico ajudaram enfim a preparar a ferramenta de forma adequada para que fosse introduzida no nível técnico operacional. Também a busca de alianças com os que se consideravam apáticos, criando um ambiente estimulador para reconhecimento, participativo e colaborativo. O processo ainda provocou o desenvolvimento de um programa de educação corporativa voltado para o desenvolvimento de competências técnicas e comportamentais da organização, visando ao sistema empresarial [...], aumentar a produtividade, eficiência empresarial e desempenho das equipes. resumo Nesta unidade foi possível ter contato com alguns instrumentos do processo de avaliação de desempenho no sentido dos desafios que são encontrados pelos gestores de recursos humanos. O tema treinamento organizacional foi abordado como forma de contribuição para medição do desempenho dos colaboradores, e foram apresentados alguns exemplos de empresas e o uso que fizeram da avaliação de desempenho. exercícios Questão 1. O clima organizacional é o indicador da satisfação percebida pelos membros de uma empresa, considerando‑se os diferentes aspectos da cultura e da realidade aparente da organização. A importância do clima organizacional está relacionada com o nível de motivação atingido pelos seus integrantes. Foi efetuada uma pesquisa de clima organizacional na Jura´s Ltda., empresa de montagem e comercialização de computadores de última geração. Os resultados da questão sobre a satisfação com o ambiente e as condições físicas de trabalho resultou na seguinte tabulação: Tab‑A. Bom Ambiente de Trabalho Parâmetro Frequência das respostas Índices Nunca ocorre 36 18% Raramente ocorre 26 13% 120 Unidade IV Re vi sã o: A nd re ia - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 2/ 12 /1 1 Parâmetro Frequência das respostas Índices Frequentemente ocorre 84 42% Sempre ocorre 54 27% Total 200 100% Com base nos dados da pesquisa de clima tabulados apresentados na tabela, pode‑se deduzir que: I – grande parte dos colaboradores estão satisfeitos com as condições físicas de instalações e com o conforto oferecidos no ambiente de trabalho; II – mais de 60% dos colaboradores percebem um bom Clima Organizacional; III – os valores organizacionais são bem aceitos pela maioria dos colaboradores; IV – a maioria dos colaboradores tende a considerar que existe um baixo risco de ocorrência de acidentes de trabalho e de incidência de doenças profissionais; V – poucos colaboradores sentem‑se desconfortáveis fisicamente dentro das instalações da empresa. Com base nas afirmativas apresentadas, estão corretas as alternativas: A) II, III e IV. B) I, II e IV. C) I, IV e V. D) II e III E) I, II, IV e V. Resposta correta: alternativa C. Análise das afirmativas I – Afirmativa correta. Justificativa: como se pode observar na tabulação dos resultados da pesquisa de clima, os indicadores mostram que em torno de 70% (42% frequentemente e 27% sempre) dos colaboradores sentem‑se satisfeitos com as condições físicas de instalações e com o confortooferecido no ambiente de trabalho. A grande maioria dos colaboradores da JURA´S sente‑se satisfeita nesse quesito. 121 Re vi sã o: A nd re ia - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 2/ 12 /1 1 AvAliAção de desempenho II – Afirmativa incorreta. Justificativa: a análise dos quesitos relativos à Satisfação com o Ambiente e às Condições Físicas de Trabalho, apenas, não nos habilita a concluir sobre a percepção do Clima Organizacional pelos colaboradores. III – Afirmativa incorreta. Justificativa: a análise dos quesitos relativos à Satisfação com o Ambiente e às Condições Físicas de Trabalho, apenas, não nos habilita a concluir sobre a percepção que os colaboradores têm sobre os Valores Organizacionais. Os valores estão mais relacionados ao que se considera certo e errado, às posturas, bem como aos relacionamentos sociais dentro da organização. IV – Afirmativa correta. Justificativa: as ocorrências de acidentes de trabalho, em grande parte, são em decorrência de instalações físicas de trabalho inadequadas, da mesma forma que a incidência de doenças profissionais está diretamente ligada ao ambiente e às condições físicas de trabalho. A maioria (69%) dos colaboradores sente‑se satisfeita com esses quesitos; logo, tende a considerar que existe um baixo risco de ocorrência de acidentes de trabalho e de incidência de doenças profissionais. V – Afirmativa correta. Justificativa: um número proporcionalmente menor de colaboradores sente‑se desconfortável dentro das instalações da empresa, como se pode notar na tabulação da pesquisa, que mostra que 31% dos colaboradores têm satisfação nunca ou raramente nesse quesito. Questão 2. (Enade, prova de Administração, 2006) O Banco Solidariedade & Amigos S.A. recém‑adquiriu uma empresa de software, a SB Sistemas Bancários Ltda., que detinha 25% do mercado de programas de segurança bancária. Após uma análise organizacional, percebeu‑se que a expansão desejada não ocorria devido à falta de agressividade da empresa e da sua estrutura extremamente verticalizada, pesada e inflexível. O Banco decidiu implementar uma transformação radical na nova empresa, redesenhando‑a como uma organização adaptativa, que tem a qualidade de se modificar para atender as alterações no ambiente empresarial e no mercado. Assim, será necessário desenvolver na empresa uma cultura organizacional que: I. seja voltada para o cliente; II. valorize a inovação e a criatividade; III. mantenha as crenças existentes; IV. promova o aprender a aprender; 122 Unidade IV Re vi sã o: A nd re ia - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 2/ 12 /1 1 V. se baseie em metas e na implantação de um plano de incentivos. Estão corretos, apenas, os itens: A) I, II e III. B) I, II e IV. C) III, IV e V. D) I, II, III e V. E) I, II, IV e V. Resposta desta questão na plataforma. 123 Re vi sã o: A nd re ia - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 2/ 12 /1 1 AvAliAção de desempenho FIGURAS E IlUSTRAçõES Figura 1 Disponível em: <http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/foto/046179946,00.jpg>. Acesso em: 14 abr. 2011. Figura 2 SIQUEIRA, W. Avaliação de desempenho: como romper amarras e superar modelos ultrapassados. Rio de Janeiro: Reichmann & Affonso, 2002, p. 56. Figura 3 LUCENA, M. D. S. Avaliação de desempenho. São Paulo: Atlas, 1992, p. 20. Figura 4 Adaptada de GILLEN, T. Avaliação de desempenho; tradução de André M. Andrade. São Paulo: Nobel, 2002. p. 9.; e SIQUEIRA, W. Avaliação de desempenho: como romper amarras e superar modelos ultrapassados. Rio de Janeiro: Reichmann & Affonso, 2002. p. 59. Figura 6 Adaptada de LUCENA, M. D. S. Avaliação de desempenho. São Paulo: Atlas, 1992. Figura 9 Adaptada de DRUCKER (1968), conforme mencionado por YOKOMIZO (2009, p. 24). Figura 10 Disponível em: <http://www.fnq.org.br/images/modelo_excelencia.gif>. Acesso em: 10 jul. 2011. Figura 15 Adaptada de VALLE, R. Avaliação multidimensional de desempenho: um desafio para as empresas estatais. Brasília, 2004. 124 Figura 16 GRÜNINGER, B.; OLIVEIRA, F. I. Normas e certificações: padrões para responsabilidade social de empresas. São Paulo: Banco B&SD Ltda., 2002. Disponível em: <http://www.ethos.org.br/_Uniethos/ Documents/texto_Beat_Gruninger.pdf.>. Acesso em: 28 jul. 2011. Audiovisuais O PREÇO do desafio. Dir. Ramon Menendez, EUA. 1988. 105 minutos. O QUE você faria? Dir. Marcelo Piñeyro, Espanha. 2005. 117 minutos. Textuais ABREU, V. Uma luz no alto do prédio. Melhor – gestão de pessoas. São Paulo: Segmento, ano 19, nº 283, p. 31‑35, jun. 2011. ALCOFORADO, N. M. C. O novo modelo de avaliação de desempenho da Seplag. Congresso Consad de Gestão Pública, 2. In: Anais... Disponível em: <http://www.repositorio.seap.pr.gov.br/arquivos/File/ Material_%20CONSAD/paineis_III_congresso_consad/painel_2/o_novo_modelo_de_avaliacao_de_ desempenho_da_seplag.pdf>. Acesso em: 30 jul. 2011. ___. O novo modelo de avaliação de desempenho da Seplag. Congresso Consad de Gestão Pública 3. In: Anais... Disponível em: <http://www.repositorio.seap.pr.gov.br/.../o_novo_modelo_de_avaliacao_ de_ desempenho_da_seplag.pdf>. Acesso em: 21 jul. 2011. ALLAIRE, Y.; FIRSIROTU, M. Organization studies. Montreal: Egos, 1984. ALMEIDA, S. de. et al. Metodologias para avaliação de desempenho organizacional. 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