Prévia do material em texto
COMPETÊNCIAS GERAIS E A BNCC Programa de Pós-Graduação EAD UNIASSELVI-PÓS Professora: Ma. Mônica Maria Baruffi CENTRO UNIVERSITÁRIO LEONARDO DA VINCI Rodovia BR 470, Km 71, no 1.040, Bairro Benedito Cx. P. 191 - 89.130-000 – INDAIAL/SC Fone Fax: (47) 3281-9000/3281-9090 Reitor: Prof. Hermínio Kloch Diretor UNIASSELVI-PÓS: Prof. Carlos Fabiano Fistarol Equipe Multidisciplinar da Pós-Graduação EAD: Carlos Fabiano Fistarol Ilana Gunilda Gerber Cavichioli Jóice Gadotti Consatti Norberto Siegel Julia dos Santos Ariana Monique Dalri Marcelo Bucci Revisão Gramatical: Equipe Produção de Materiais Diagramação e Capa: Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI Copyright © UNIASSELVI 2019 Ficha catalográfica elaborada na fonte pela Biblioteca Dante Alighieri UNIASSELVI – Indaial. B295c Baruffi, Mônica Maria Competências gerais e a BNCC. / Mônica Maria Baruffi. – Indaial: UNIASSELVI, 2019. 147 p.; il. ISBN 978-85-7141-326-9 ISBN DIGITAL 978-85-7141-327-6 1.Competências gerais. - Brasil. 2. BNCC. – Brasil. II. Centro Uni- versitário Leonardo Da Vinci. CDD 370 Impresso por: Sumário APRESENTAÇÃO ..........................................................................07 CAPÍTULO 1 Caminhada Histórica Da Construção Da BNCC .......................09 CAPÍTULO 2 Conhecendo A Estrutura E As Competências Da Base Nacional Comum Curricular Junto Aos Componentes Curriculares ...............................................................................51 CAPÍTULO 3 A Estrutura Do Ensino Médio E A Formação Dos Professores Na Bncc .......................................................105 APRESENTAÇÃO Caro Pós-Graduando, seja bem-vindo a esta nova leitura! Neste livro, você é convidado a mergulhar num mundo em que serão discutidas questões relativas à construção de um dos documentos considerados de extrema importância no processo de desenvolvimento da educação em nosso país. Estamos falando da BNCC – Base Nacional Comum Curricular – documento que é uma das raízes da base da educação brasileira, que foi construído com o objetivo de superar a fragmentação das políticas educacionais, fortalecendo o regime de colaboração entre as três esferas (Federal, Estadual e Municipal) em prol da qualidade da educação. Nesse viés, buscando contribuir com a sua formação, a distribuição dos temas correlatos, que abarcam a BNCC, encontra-se assim dispostos neste livro: No primeiro capítulo, estaremos tratando sobre o conceito de BNCC; a caminhada histórica na construção da Base Nacional Comum Curricular; quais os marcos históricos legais na BNCC e as competências gerais e orientações da Base Nacional Comum Curricular, como a Educação Integral e a Educação em Tempo Integral. No segundo capítulo, serão tratados os seguintes assuntos: a estrutura e os fundamentos pedagógicos da BNCC; o desenvolvimento das competências; o pacto Interfederativo e a implementação do BNCC. No terceiro e último capítulo, serão abordados os objetivos e competências da Educação Infantil e do Ensino fundamental na BNCC; o papel do corpo docente da escola na implementação da BNCC no espaço escolar, bem como a formação dos professores neste processo. Assim, caro Pós-Graduando, possuímos nosso roteiro de trabalho. São muitas informações a serem lidas, questionadas e analisadas. Vamos à leitura! CAPÍTULO 1 CAMINHADA HISTÓRICA DA CONSTRUÇÃO DA BNCC A partir da perspectiva do saber-fazer, são apresentados os seguintes objetivos de aprendizagem: reconhecer os aspectos históricos que envolvem a construção da BNCC; identifi car a caminhada histórica que envolve os marcos legais na BNCC; verifi car quais as competências e orientações que a BNCC apresenta como documento nacional; reconhecer a ideia de Educação Integral e Educação em Tempo Integral; compreender o contexto educacional brasileiro através dos marcos legais e a sua construção, buscando o desenvolvimento das competências e orientações da BNCC. 8 Competências Gerais e a BNCC Capítulo 1 9 CAMINHADA HISTÓRICA DA CONSTRUÇÃO DA BNCC Capítulo 1 1 CONTEXTUALIZAÇÃO Neste primeiro capítulo, vamos tratar dos aspectos legais na construção da Base Nacional Comum Curricular - BNCC, pois precisamos ter bem clara a ideia de que este documento não foi construído por um mero estalar de dedos. Sua construção advém de outros documentos de maior importância no Sistema Educacional Brasileiro. Estamos falando da Constituição Federal de 1988, da Lei de Diretrizes e Bases da Educação – LDB/96, do Plano Nacional de Educação – PNE e os PCN – Parâmetros Curriculares Nacionais. A Base Nacional Comum Curricular possui em seu núcleo vários documentos para seu embasamento e para nós, profi ssionais da educação, é fundamental que os conheçamos para que possamos agir com sabedoria e propriedade nas áreas educacionais que escolhemos atuar, visto que a BNCC é uma discussão contemporânea e que provocará grandes mudanças no cenário educacional. Observe que dentro desta perspectiva encontraremos os marcos legais e estaremos discutindo como esse documento foi construído; quantas mãos foram necessárias para sua materialização? Que objetivos possui o documento? Entre outros. Caro Pós-Graduando, você poderá se perguntar: Para que necessito possuir conhecimento desse documento na esfera de meu trabalho? Digo para você que é necessário, pois esse documento, a Base Nacional Comum Curricular, é o que norteará toda a educação brasileira no que tange às questões relativas ao currículo educacional. Os temas e os conteúdos serão os mesmos para todo o país, mas as estratégias, as metodologias utilizadas, fi carão sob responsabilidade dos profi ssionais de cada região brasileira, visto que possuímos um país imenso, com uma pluralidade cultural rica e diversifi cada e dá-se a liberdade, pelo que consta na Base Nacional Comum Curricular, da possibilidade de elaborar, a partir das competências, seus planos estaduais, municipais e escolares através do Projeto Político Pedagógico da escola. Observe que esse processo é gradativo e que perguntas como as apresentadas acima serão desveladas no decorrer deste capítulo, como também os desdobramentos das competências e orientações gerais que o documento possui em seu núcleo e que necessitamos estar atentos a sua compreensão para posterior utilização no processo educacional que ocorre cotidianamente em nossas escolas e salas de aula. 10 Competências Gerais e a BNCC Capítulo 1 Estaremos debatendo nas próximas páginas esses assuntos e tentaremos levar você à refl exão quanto à importância e participação de cada um de nós no processo de reconstrução do currículo nacional. Assim, você está convidado a ampliar seus conhecimentos a respeito desse importante documento para a Educação Brasileira. 2 O QUE É A BNCC? Para respondermos esta pergunta faz-se necessário buscarmos no núcleo do documento qual sua essência, que assim se apresenta: [...] é um documento de caráter normativo que defi ne o conjunto orgânico e progressivo de aprendizagens essenciais que todos os alunos devem desenvolver ao longo das etapas e modalidades da Educação Básica, de modo a que tenham assegurados seus direitos de aprendizagem e desenvolvimento, em conformidade com o que preceitua o Plano Nacional de Educação (PNE) (BRASIL, BNCC, 2018, p. 7). Com base na citação acima, podemos refl etir sobre muitas questões, buscando inicialmente a seguinte frase “[...] é um documento de caráter normativo”. Quando falamos em normativo, estamos nos referindo à regra, padrão, modelo, dando assim um norte para os objetivos previstosno desenvolvimento de ações, que aqui se apresentam relativas às aprendizagens essenciais que os alunos necessitam possuir. A BNCC, nesse viés, tem também como objetivo ser um referencial na elaboração e reformulação dos currículos dos estados brasileiros, do Distrito Federal e dos municípios, contribuindo com a transformação das propostas pedagógicas das redes pública e particular. Tem o documento o intuito também de integrar: [...] a Política Nacional da Educação Básica e vai contribuir para o alinhamento de outras políticas e ações, em âmbito federal, estadual e municipal, referentes à formação de professores, à avaliação, à elaboração de conteúdos educacionais e aos critérios para a oferta de infraestrutura adequada para o pleno desenvolvimento da educação (BRASIL, BNCC, 2018, p. 8). Nesta perspectiva, a Base Nacional Comum Curricular busca a participação de todos os segmentos da sociedade e da política nacional para a fomentação deste projeto, pois sem a participação não será possível a implementação do mesmo. Nesta implementação e participação busca-se a superação da [...] é um documento de caráter normativo que defi ne o conjunto orgânico e progressivo de aprendizagens essenciais que todos os alunos devem desenvolver ao longo das etapas e modalidades da Educação Básica, de modo a que tenham assegurados seus direitos de aprendizagem e desenvolvimento, em conformidade com o que preceitua o Plano Nacional de Educação (PNE) (BRASIL, BNCC, 2018, p. 7). 11 CAMINHADA HISTÓRICA DA CONSTRUÇÃO DA BNCC Capítulo 1 “fragmentação das políticas educacionais” (BRASIL, BNCC, 2018, p. 8), as quais denotam uma fragilidade no currículo nacional. Para fortalecermos o currículo nacional, de acordo com a BNCC, faz-se necessário alcançarmos um nível comum de aprendizagem para os alunos de todo o país. E para chegarmos a um nível comum de aprendizagem são necessárias várias mãos, incluindo a dos profi ssionais que se encontram no “chão de escola”, os professores e gestores. Podemos verifi car, aqui, que a BNCC integra a política nacional de educação, que em suas entrelinhas confi gura-se como uma política pública que norteará o currículo nacional. O que são políticas públicas? Ao nos questionarmos sobre o que são políticas públicas, utilizamos Azevedo (2008, p. 18), que assim afi rma: “[...] são projetos em construção que dependem da visão de mundo e dos seus promotores”. Podemos compreender então que as políticas públicas são regras de organização e de convivência, para a melhoria da qualidade de vida da população envolvida. Temos outro autor que defi ne política pública como “ações geradas na esfera do estado e que tem como objetivo atingir a sociedade como um todo ou parte dela” (SANTOS, 2012, p. 5). Neste caso, relacionado à BNCC, o objetivo é atingir a todos os alunos do país com excelência. Outro autor que nos remete ao conceito de política pública é Caldas (2008, p. 5), que afi rma: “[...] são a totalidade de ações, metas e planos que os governos traçam para alcançar o bem-estar da sociedade e o interesse público. É certo que as ações que os dirigentes públicos selecionam (como prioridades) são as que eles entendem serem as demandas ou expectativas da sociedade”. Esta citação denota claramente que para a política pública ser elaborada e chegar a sua concretização, depende exclusivamente do poder público (governantes) e que possui etapas para sua elaboração. Pode soar de maneira incômoda a afi rmação acima “depende exclusivamente do poder público” – mas é uma realidade, e possuímos embasamento para tal afi rmação, de acordo, ainda, com Caldas (2008, p. 5), “[...] o bem-estar da 12 Competências Gerais e a BNCC Capítulo 1 sociedade é sempre defi nido pelo governo e não pela sociedade”. Por que ocorre desta forma? Isto ocorre porque a sociedade não consegue se expressar de forma integral. Ela faz solicitações (pedidos ou demandas) para os seus representantes (deputados, senadores e vereadores) e estes mobilizam os membros do Poder Executivo, que também foram eleitos (tais como prefeitos, governadores e inclusive o próprio Presidente da República) para que atendam às demandas da população. As demandas da sociedade são apresentadas aos dirigentes públicos por meio de grupos organizados, no que se denomina de Sociedade Civil Organizada (SCO), a qual inclui, conforme apontado acima, sindicatos, entidades de representação empresarial, associação de moradores, associações patronais e ONGs em geral. (CALDAS, 2008, p. 5-6). Com esta afi rmação, podemos perceber que a construção de uma política pública é determinada por necessidades tanto relativas à população, como a interesses, aqui compreendidos como metas ou planos de governo, e que a população pode fazer parte deste movimento organizando-se nas denominadas SCO – Sociedade Civil Organizada – sendo levadas as ideias para os governantes. Com isso, podemos perceber que a dialogicidade se faz necessária no processo de construção das políticas públicas e o processo de discussão, criação e execução necessitam de dois tipos de sujeitos que são, de acordo com Caldas (2008, p. 8), os “estatais e os privados”. Relativos aos sujeitos “estatais”, os mesmos fazem parte do Governo Federal ou do Estado. Já os sujeitos “privados” são os que fazem parte da sociedade civil, sabendo-se que estes não possuem uma ligação direta com o setor administrativo do Estado, que são: [...] a imprensa; os centros de pesquisa; os grupos de pressão, os grupos de interesses e os lobbies; as Associações da Sociedade Civil Organizada (SCO); as entidades de representação empresarial; os sindicatos patronais; os sindicatos dos trabalhadores e outras entidades representativas da Sociedade Civil Organizada. (CALDAS, 2008, p. 9). Diante do que foi visto até o momento, é possível perceber que as políticas possuem suas nuances, sua organização e participação. Com isso, partimos para os passos que determinam desde o momento da formulação até a sua execução. Quanto a isso, veja a fi gura a seguir com cada fase. A construção de uma política pública é determinada por necessidades tanto relativas à população, como a interesses, aqui compreendidos como metas ou planos de governo, e que a população pode fazer parte deste movimento organizando-se nas denominadas SCO – Sociedade Civil Organizada – sendo levadas as ideias para os governantes. 13 CAMINHADA HISTÓRICA DA CONSTRUÇÃO DA BNCC Capítulo 1 FIGURA 1 - FASES DA FORMAÇÃO DE POLÍTICAS PÚBLICAS FONTE: Caldas (2008, p. 10) Essas fases estão apresentadas de maneira hierarquizada pelo fato de ocorrerem em momentos distintos; todavia, precisam acontecer concomitantemente. Desta maneira, vamos verifi car como cada uma se constitui no processo de elaboração da política pública. Vamos levar em conta a formulação da BNCC para melhor compreensão. Na primeira fase, encontramos a Formação da Agenda, na qual são selecionadas as prioridades, nas quais se busca detectar os problemas existentes em determinada área da sociedade, no caso, temos a educação como pano de fundo, com o objetivo de unifi car as políticas educacionais no que tange ao currículo nacional. Na segunda fase, temos a Formulação de políticas, nas quais são apresentadas algumas linhas de ação para serem adotadas na solução do problema. Tomemos como sequência de nosso exemplo a fragmentação do currículo nacional, que é nosso problema e foi detectado na formação da agenda. Agora, nessa segunda fase, esse problema recebe ideias para que o problema seja solucionado. Cabe salientar que, muitas vezes, no decorrer do processo, podem ocorrer divergênciasrelativas às ações a serem empreendidas, sendo que alguns poderão considerá-las favoráveis e outros a considerarem prejudiciais, criando assim um embate político. 14 Competências Gerais e a BNCC Capítulo 1 Com isso, Caldas (2008, p. 11) nos afi rma que “[...] Esse é o momento em que deve ser defi nido qual é o objetivo da política, quais serão os programas desenvolvidos e as metas almejadas, o que signifi ca a rejeição de várias propostas de ação”. Para tanto, é necessário, neste momento de embate político, buscar o parecer do corpo técnico da administração pública, desfazendo assim as dúvidas apresentadas por ambas as partes. Na terceira fase, temos o processo de Tomada de Decisões, na qual são defi nidas as escolhas das alternativas de ação referente ao problema apresentado na Formação da Agenda. Neste momento são defi nidos os recursos, prazos (temporal) de ação da política (CALDAS, 2008). É nessa fase que são elaboradas as leis, decretos, normas, resoluções que expressem as escolhas feitas dentro da legalidade. Relativo à BNCC, temos o documento constituído, analisado. Na quarta fase, temos a Implementação, é o momento de realizar o projeto, levá-lo à ação. Neste caso, tem-se a necessidade da participação do setor administrativo para executar o projeto. Em relação à BNCC, neste momento entram todas as esferas governamentais, sejam federal, estadual e municipal, com seus interlocutores levando o documento às escolas públicas e particulares. E na quinta fase, a Avaliação, que precisa estar em todos os momentos, da elaboração à execução. A avaliação, assim, tem o papel de dar um feedback aos gestores do que deu certo ou não no processo. No que tange à educação, na elaboração da BNCC ela deve ocorrer em todos os estágios e agora, em sua última versão, verifi car o que pode ou não ser executado na sua totalidade e receber o parecer dos profi ssionais da educação e da comunidade sobre esse documento na sua execução. Conforme Caldas (2008, p. 19): De maneira geral, o processo de avaliação de uma política leva em conta seus impactos e as funções cumpridas pela política. Além disso, busca determinar sua relevância, analisar a efi ciência, efi cácia e sustentabilidade das ações desenvolvidas, bem como servir como um meio de aprendizado para os atores públicos. Frente ao exposto, podemos perceber que a construção da Base Nacional Comum Curricular seguiu essas fases, dando assim maior movimento para a participação de muitos sujeitos ou atores, como queiram denominar neste processo de elaboração do documento. Para tanto, vamos agora, seguindo esta linha de pensamento, verifi car quais são os marcos legais na construção da BNCC. De maneira geral, o processo de avaliação de uma política leva em conta seus impactos e as funções cumpridas pela política. Além disso, busca determinar sua relevância, analisar a efi ciência, efi cácia e sustentabilidade das ações desenvolvidas, bem como servir como um meio de aprendizado para os atores públicos. 15 CAMINHADA HISTÓRICA DA CONSTRUÇÃO DA BNCC Capítulo 1 Antes deixamos dicas para você aprofundar seu interesse sobre políticas públicas. No site <https://www.youtube.com/watch?v=406y7gDN-ZE> encontra-se o vídeo elaborado pela Câmara dos Deputados com maiores informações sobre o que vimos até aqui sobre O que são políticas públicas. Deixamos também a dica de um livro que fala sobre as políticas públicas educacionais, de Pablo Silva Machado Bispo dos Santos. Intitulado: Guia Prático da Política Educacional no Brasil: Ações, Planos, Programas e Impactos (2012). (Disponível em: <https://issuu. com/cengagebrasil/docs/guia_pratico_da_politica_educaciona>). Esse livro é indicado para acadêmicos dos cursos de Pedagogia, Pós-Graduação que contemplem a formação do professor. 16 Competências Gerais e a BNCC Capítulo 1 1- De acordo com Santos (2012, p. 5), as políticas públicas são “ações geradas na esfera do estado e que têm como objetivo atingir a sociedade como um todo ou parte dela”. Diante desta afi rmação, podemos compreender que as políticas públicas podem receber o apoio também da sociedade. De que maneira ela pode ocorrer? 2- Do que estudamos até o momento, podemos compreender que as políticas públicas são necessárias para a efetivação de ações necessárias à melhoria da qualidade de vida da população. Assim, indique quais as fases de elaboração de uma política pública? 2.1 Quais Os Marcos Históricos E LeGais Da BNCC? Pelo que vimos até o momento, observa-se que as políticas públicas envolvem signifi cativamente todas as esferas e a educação é uma delas, e a qual estamos debatendo agora. Por isso, não podemos considerar que a BNCC seja algo novo, pois antes de termos este documento materializado outros foram construídos e fazem parte da história das reformas educacionais e dos planos de educação com o intuito de construir uma política educacional efi ciente. Para tanto, faz-se necessário conhecermos na Constituição Federal de 1988, o que ela nos diz na Seção I - Da Educação, em seu Artigo 205: A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualifi cação para o trabalho (BRASIL, 1988, p. 1). Neste artigo, verifi camos que a educação é um direito fundamental e que deve existir um compartilhamento entre Estado e Família para sua concretização. Cabendo ao Estado complementar a educação que a criança recebeu de seus familiares e também a criação de um Sistema Nacional de Educação, juntamente com um currículo nacional. Assim, realizando o cumprimento dessa ação, o Artigo 26 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional defi niu desta forma que: 17 CAMINHADA HISTÓRICA DA CONSTRUÇÃO DA BNCC Capítulo 1 Art. 26 – Os currículos da educação infantil, do ensino fundamental e do ensino médio devem ter base nacional comum, a ser contemplada, em cada sistema de ensino e em cada estabelecimento escolar, por uma parte diversifi cada, exigida pelas características regionais e locais da sociedade, da cultura, da economia e dos educandos (BRASIL, LDB 9394/96, p. 1, grifos do original). Neste processo de o ensino ter “Base Nacional Comum”, muitos foram os desdobramentos e discussões realizadas até que em 1997, surgem os PCN – Parâmetros Curriculares Nacionais, que possuíam a aspiração de se tornarem as Diretrizes Curriculares Nacionais, os quais serviram no fi nal como material de apoio para os profi ssionais da educação. Se buscarmos nos Parâmetros Curriculares Nacionais (BRASIL, 1997, p. 29), os mesmos se constituem como: [...] uma referência nacional para o ensino fundamental; estabelecem uma meta educacional para a qual devem convergir as ações políticas do Ministério da Educação e do Desporto, tais como os projetos ligados à sua competência na formação inicial e continuada de professores, à análise e compra de livros e outros materiais didáticos e à avaliação nacional. Têm como função subsidiar a elaboração ou a revisão curricular dos Estados e Municípios, dialogando com as propostas e experiências já existentes, incentivando a discussão pedagógica interna das escolas e a elaboração de projetos educativos, assim como servir de material de refl exão para a prática de professores. De acordo com Candido e Gentili (2017, p. 325): A construção dos Parâmetros signifi cou um passo considerável em se tratando de seleção de conteúdos válidos nacionalmente. No entanto, essa iniciativa gerou muitas críticas, principalmente em se tratando da falta de participação e atuação dasescolas na escolha dos conteúdos e das metodologias de ensino e aprendizagem. Para melhor compreensão podemos elucidar quais os documentos que garantem a legalidade da Base Nacional Comum Curricular. 18 Competências Gerais e a BNCC Capítulo 1 FIGURA 2 – LINHA DO TEMPO DAS LEIS QUE GARANTEM A BNCC FONTE: Adaptado de <http://movimentopelabase.org.br/ linha-do-tempo/>. Acesso em: 16 nov. 2018. Observe que, em 2014, já com a elaboração do Plano Nacional de Educação (2014-2024), o qual determina as diretrizes, estratégias e metas para as políticas educacionais do decênio (dez anos), ocorreram as primeiras reuniões, as quais serviram para debater sobre a BNCC, sendo esta uma necessidade, a qual teve seu início de discussão em 2015, sendo que o MEC institui (Portaria Nº 592), junto ao CONSED e a UNDIME, grupo de redação responsável pela primeira versão da BNCC. Na sequência, no mês de julho de 2015, acontece o seminário Internacional da BNCC, que reúne, em Brasília, diversos especialistas de renome nacional e internacional para debaterem suas experiências na construção de currículo. Nesta perspectiva, após diversos debates, chegou-se à primeira versão da BNCC. Cabe salientar que este documento, a BNCC, a qual já havia mencionado no primeiro parágrafo deste capítulo, é um documento de caráter normativo, o qual busca dar aos alunos uma aprendizagem de qualidade com competências que todos deverão desenvolver ao longo de sua caminha educacional, em todas as modalidades. É importante abrir um espaço para que você, acadêmico, perceba a construção dessa política educacional, lembrando-se do que vimos nas fases de construção de uma política pública. Se buscarmos no site do Governo Federal, encontramos um portal, criado pelo Ministério da Educação para apresentar à população o processo de construção desse documento, buscando estabelecer canais de comunicação e a participação da comunidade nessa ação. O site é: <http://basenacionalcomum. mec.gov.br>. 19 CAMINHADA HISTÓRICA DA CONSTRUÇÃO DA BNCC Capítulo 1 No desenvolvimento desse documento, em sua primeira versão foram disponibilizadas mais de 12 milhões de participações da sociedade, os quais deixaram sua contribuição para a melhoria e construção do documento para uma educação de qualidade e equânime. As participações foram de acordo com o portal do Movimento pela Base (2017, s.p.), “A consulta on-line da primeira versão é encerrada com mais de 12 milhões de contribuições da sociedade civil, professores, escolas, organizações do terceiro setor e entidades científi cas.” Com as participações da sociedade, dos meses de março a maio de 2016 as contribuições da sociedade são organizadas por um grupo de profi ssionais da Universidade de Brasília e enviadas aos redatores para sua análise e no fi nal do mês de maio é apresentada a segunda versão para a BNCC, a partir das contribuições da consulta pública. “A consulta on-line da primeira versão é encerrada com mais de 12 milhões de contribuições da sociedade civil, professores, escolas, organizações do terceiro setor e entidades científi cas.” FIGURA 3 – CAPA DA SEGUNDA VERSÃO DA BNCC FONTE: <https://fi les.passeidireto.com/Thumbnail/8a279314-107d- 4dce-85a6-3842e642f5a1/210/1.jpg>. Acesso em: 16 nov. 2018. Entre os meses de junho e agosto de 2016 são realizados 27 seminários, um em cada estado da federação, em que foram dadas mais de nove mil contribuições entre professores e especialistas, juntamente ao CONSED – Conselho Nacional de Educação e a UNDIME – União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação, dando respaldo para a versão fi nal do documento que foi enviado para o CNE - Conselho Nacional de Educação, através de cinco audiências públicas, uma em cada região do país. No mês de julho, o Ministério da Educação institui, através da Portaria Nº 790/2016, o comitê gestor da BNCC e reforma do Ensino Médio, para encaminhamento do processo e proposta fi nal do documento. 20 Competências Gerais e a BNCC Capítulo 1 FIGURA 4 – BANNER CONVIDANDO PARA PARTICPAÇÃO NAS AUDIÊNCIAS PÚBLICAS EM CADA REGIÃO DO PAÍS FONTE: <http://portal.mec.gov.br/images/stories/noticias/2017/ bcnn_audiencia.png>. Acesso em: 16 nov. 2018. As audiências públicas (seminários estaduais) contaram com 9.275 participantes, de acordo com o relatório do Seminário do CONSED e UNDIME. (Disponível em: <http://movimentopelabase.org.br/wp-content/ uploads/2016/09/2016_09_14-Relato%CC%81rio-Semina%CC%81rios-Consed- e-Undime.pdf>. Acesso em: 16 nov. 2018). Já em abril de 2017 ocorre a entrega da terceira versão da BNCC para o Conselho Nacional de Educação, com as etapas da Educação Infantil e Ensino Fundamental, sendo que o Ensino Médio se encontra em formulação. De junho a setembro de 2017 o CNE realiza consultas públicas em todo o país para saber da sociedade suas opiniões sobre a terceira versão do documento, sendo que as contribuições poderiam ser feitas via e-mail. Após essas consultas, já em agosto, inicia-se a preparação das redes, com o lançamento do Guia de Implementação da BNCC, no qual possui sugestões que apoiam a organização das secretarias para sua prática. Tema que será abordado no terceiro capítulo deste livro. Aguarde! 21 CAMINHADA HISTÓRICA DA CONSTRUÇÃO DA BNCC Capítulo 1 FIGURA 5 – CAPA DO GUIA DE IMPLEMENTAÇÃO DA BNCC PARA GESTORES FONTE: <http://undime-sc.org.br/wp-content/uploads/2018/04/ BNCC-800x498.jpg>. Acesso em: 16 nov. 2018. Esse material tem como objetivo, de acordo com a UNDIME (2017, s.p.): [...] apoiar gestores estaduais, municipais e escolares no processo de (re)elaboração da proposta curricular de suas redes, com foco no regime de colaboração entre estados e municípios. Ele contempla as etapas de educação infantil e ensino fundamental da educação básica. Posteriormente, serão acrescentadas a etapa do ensino médio e sugestões de ações para outras dimensões da implementação, tais como: formação continuada de professores, revisão dos projetos político- pedagógicos (PPPs) das escolas e orientações tanto sobre materiais didáticos quanto sobre avaliação e acompanhamento das aprendizagens. Observamos que esta política educacional possui a formação de rede, que busca levar a todos os profi ssionais de educação do país esta nova maneira de ver e trabalhar o currículo nacional de forma colaborativa. No dia 15 de dezembro ocorre a aprovação da BNCC pelo Conselho Nacional de Educação; [...] apoiar gestores estaduais, municipais e escolares no processo de (re) elaboração da proposta curricular de suas redes, com foco no regime de colaboração entre estados e municípios. Ele contempla as etapas de educação infantil e ensino fundamental da educação básica. Posteriormente, serão acrescentadas a etapa do ensino médio e sugestões de ações para outras dimensões da implementação, tais como: formação continuada de professores, revisão dos projetos político-pedagógicos (PPPs) das escolas e orientações tanto sobre materiais didáticos quanto sobre avaliação e acompanhamento das aprendizagens. 22 Competências Gerais e a BNCC Capítulo 1 FIGURA 6 – CAPA TERCEIRA VERSÃO DA BNCC FONTE: <https://www.google.com.br/CAPA+TERCEIRA+VERSÃO+BNCC>. Acesso em: 16 nov. 2018. Em 20 de dezembro a BNCC é homologada e em 22 de dezembro de 2017 foi realizada a publicação da Resolução CNE/CP nº 2, que encontra-se no site, disponível em: <http://portal.mec.gov.br/conselho- nacional-de-educacao/base-nacional-comum-curricular-bncc>. e institui e orienta: [...] a implantação da Base Nacional Comum Curriculara ser respeitada obrigatoriamente ao longo das etapas e respectivas modalidades no âmbito da Educação Básica. Lembrando que a BNCC aprovada se refere à Educação Infantil e ao Ensino Fundamental, sendo que a Base do Ensino Médio será objeto de elaboração e deliberação posteriores. Com esta caminhada, temos hoje para estudo a Base Nacional Comum Curricular, que busca amparar, de acordo com a Constituição Federal e a Lei de Diretrizes e Bases da Educação, um currículo comum, buscando assim a recomposição do currículo nacional com suas competências. Em 20 de dezembro a BNCC é homologada e em 22 de dezembro de 2017 foi realizada a publicação da Resolução CNE/CP nº 2. 23 CAMINHADA HISTÓRICA DA CONSTRUÇÃO DA BNCC Capítulo 1 Apresentamos para você um recorte do artigo de Fernanda Andreazzi, que se encontra na íntegra disponível em: <https://blog.sae. digital/conteudo/bncc-o-que-e-qual-e-o-seu-objetivo/>. Acesso em: 16 nov. 2018. BNCC: O QUE É A BASE NACIONAL COMUM CURRICULAR E QUAL É O SEU OBJETIVO Durante o ano de 2017, a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) foi pauta dos mais importantes debates sobre educação no país. Em trâmite desde abril, o documento da Base foi homologado pelo Ministério da Educação (MEC), em sua terceira versão, no dia 20 de dezembro de 2017 apenas para as etapas da Educação Infantil e Ensino Fundamental. A BNCC dessas etapas será implementada nas escolas a partir de 2019 (o prazo máximo é até o início do ano letivo de 2020), mas instituições e sistemas de ensino estão se preparando para a sua chegada desde já: a começar pela adequação dos currículos, capacitação da equipe docente e atualização dos materiais e recursos didáticos utilizados. Já a BNCC do Ensino Médio foi entregue em abril de 2018 ano pelo MEC ao Conselho Nacional de Educação (CNE) para debate em audiências públicas que seguiram até agosto. No entanto, ainda não há data defi nida para ela entrar em vigor. Juntas, a Base da Educação Infantil, Ensino Fundamental e Ensino Médio integram um único documento: a BNCC da Educação Básica. Se a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) ainda não está em pauta na sua escola, chegou a hora de se informar. Preparamos este conteúdo especialmente para que você possa entender o que é a Base e quais são os seus objetivos dentro do contexto educacional do país. 24 Competências Gerais e a BNCC Capítulo 1 Afi nal, o que é a BNCC? A Base Nacional Comum Curricular é um documento que determina as competências (gerais e específi cas), as habilidades e as aprendizagens essenciais que todos os alunos devem desenvolver durante cada etapa da educação básica. A BNCC também determina que essas competências, habilidades e conteúdos devem ser os mesmos, independentemente de onde as crianças, os adolescentes e os jovens moram ou estudam. A Base não deve ser vista como um currículo, mas como um conjunto de orientações que irá nortear as equipes pedagógicas na elaboração dos currículos locais. Esse documento deve ser seguido tanto por escolas públicas quanto particulares. Em um primeiro momento, a Base Nacional Comum Curricular será implementada apenas para as etapas da Educação Infantil e do Ensino Fundamental. A Base para o Ensino Médio ainda será discutida e votada ao longo do ano de 2018. De que forma a BNCC está relacionada com… A Constituição, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) e o Plano Nacional de Educação (PNE) A criação de uma base comum para a Educação Básica está prevista desde 1988, a partir da promulgação da Constituição Cidadã. Em 1996, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) reforçou a sua necessidade, mas somente em 2014 a criação da Base Nacional Comum Curricular foi defi nida como meta pelo Plano Nacional de Educação (PNE). Os Currículos Estaduais, Municipais e o Projeto Político Pedagógico das escolas. Reforçamos, anteriormente, que a Base não deve ser entendida como sinônimo de currículo, mas ela está intimamente ligada à construção dos Currículos Estaduais e Municipais, bem como ao Projeto Político Pedagógico e ao currículo das escolas. As equipes pedagógicas devem trabalhar na reestruturação dos seus currículos, tomando como norte os preceitos estabelecidos na BNCC. 25 CAMINHADA HISTÓRICA DA CONSTRUÇÃO DA BNCC Capítulo 1 Qual é o objetivo da BNCC? A criação de uma Base Nacional Comum Curricular tem o objetivo de garantir aos estudantes o direito de aprender um conjunto fundamental de conhecimentos e habilidades comuns – de norte a sul, nas escolas públicas e privadas, urbanas e rurais de todo o país. Dessa forma, espera-se reduzir as desigualdades educacionais existentes no Brasil, nivelando e, o mais importante, elevando a qualidade do ensino. A Base também tem como objetivo formar estudantes com habilidades e conhecimentos considerados essenciais para o século XXI, incentivando a modernização dos recursos e das práticas pedagógicas e promovendo a atualização do corpo docente das instituições de ensino. Como funciona a orientação por competências? Para assegurar os direitos de aprendizagem dos estudantes da Educação Básica, a Base Nacional Comum Curricular foi estruturada em competências. O que são consideradas competências? Para a BNCC, competência é a mobilização de conhecimentos, habilidades, atitudes e valores para resolver questões do cotidiano, do mundo do trabalho e para exercer a cidadania. Ou seja, é por meio dessas competências que os estudantes desenvolvem as habilidades e aprendizagens essenciais estabelecidas pela Base. Ao todo foram estipuladas dez competências gerais para a etapa da Educação Básica. O que é a parte diversifi cada da BNCC? A BNCC é dividida entre a Base Comum e a parte diversifi cada. O objetivo da segunda parte é enriquecer e complementar a parte comum. A ideia é inserir novos conteúdos aos currículos que estejam de acordo com as competências estabelecidas pela BNCC e também com a realidade local de cada escola. É importante lembrar que a Base Comum deve ser contemplada, em sua totalidade, nos currículos escolares, enquanto a parte diversifi cada pode corresponder a até 40% dos conteúdos. Quer saber mais sobre a parte diversifi cada da BNCC? 26 Competências Gerais e a BNCC Capítulo 1 Como implementar a BNCC em minha escola? A partir do próximo ano letivo, a BNCC da Educação Infantil e Ensino Fundamental começará a ser implementada em todo país. Os sistemas de ensino e escolas já estão se atualizando e se preparando para receber a Base, mas como implementá-la? O primeiro passo é reelaborar o currículo escolar e revisar o Projeto Político Pedagógico da instituição. Além disso, nesse processo é mais do que essencial promover a formação continuada do corpo docente e a comunicação clara com os pais e a comunidade escolar. Nesse contexto, a atualização dos materiais didáticos é imprescindível para se adequar às orientações da BNCC. A melhor maneira de atualizá-los pode ser por meio de parceria com um Sistema de Ensino. FONTE: ANDREAZZI, Fernanda. Disponível em: <https://blog.sae.digital/ conteudo/bncc-o-que-e-qual-e-o-seu-objetivo/>. Acesso em: 16 nov. 2018. Depois do estudo realizado até o momento, e do artigo acima, podemos realizar nossa atividade de estudo! 1 Diante do estudado sobre os documentos que alicerçam a Base Nacional Comum Curricular, podemos considerar que todas estão interligadas. Desta maneira, indique quais as leis que dão embasamento para a elaboração da BNCC? 2 Relativo à participação da sociedade na fomentação da primeira, segunda e terceira versão da BNCC, você acredita que tenha sido um movimento democrático? Justifi que.27 CAMINHADA HISTÓRICA DA CONSTRUÇÃO DA BNCC Capítulo 1 3 COMPETÊNCIAS GERAIS E ORIENTAÇÕES NA BNCC Antes de apresentarmos as competências gerais da BNCC, precisamos primeiramente compreender o que signifi ca a palavra competência. Competência, na Base Nacional Comum Curricular é defi nida como: [...] a mobilização de conhecimentos (conceitos e procedimentos), habilidades (práticas, cognitivas e socioemocionais), atitudes e valores para resolver demandas complexas da vida cotidiana, do pleno exercício da cidadania e do mundo do trabalho (BRASIL, BNCC, 2017, p. 8). Com isso podemos compreender que as competências aqui denotam o desenvolvimento do educando em todas as áreas, levando este conhecimento para o seu cotidiano, sempre respeitando os direitos humanos, a sustentabilidade do meio ambiente, a ética, levando também ao desenvolvimento intelectual, social, emocional e físico, além do cultural, caminhando para uma educação integral. Cabe ressaltar que existe uma diferenciação das habilidades, as quais são focadas com maior princípio no desenvolvimento cognitivo do educando. De acordo com a BNCC (2017, p. 8): Ao defi nir essas competências, a BNCC reconhece que a “educação deve afi rmar valores e estimular ações que contribuam para a transformação da sociedade, tornando-a mais humana, socialmente justa e, também, voltada para a preservação da natureza” (BRASIL, 2013), mostrando-se também alinhada à Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU). De acordo com o que afi rma a BNCC, a mesma encontra-se alinhada com a Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas, a qual possui como título Transformando Nosso Mundo: A Agenda 2030 para o desenvolvimento Sustentável, com dezessete objetivos. 28 Competências Gerais e a BNCC Capítulo 1 FIGURA 7 – OBJETIVOS DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL DA ONU FONTE: <https://nacoesunidas.org/wp-content/uploads/2014/11/ grid-global-goals-header.jpg>. Acesso em: 16 nov. 2018. Dentre estes objetivos encontramos o quarto objetivo, que é assim determinado pela Organização das Nações Unidas, no site <https://nacoesunidas. org/pos2015/ods4/>: “Assegurar a educação inclusiva e equitativa e de qualidade, e promover oportunidades de aprendizagem ao longo da vida para todas e todos”. Este objetivo foi subdividido em seções: 4.1 Até 2030, garantir que todas as meninas e meninos completem o ensino primário e secundário livre, equitativo e de qualidade, que conduza a resultados de aprendizagem relevantes e efi cazes. 4.2 Até 2030, garantir que todos(as) meninas e meninos tenham acesso a um desenvolvimento de qualidade na primeira infância, cuidados e educação pré- escolar, de modo que eles estejam prontos para o ensino primário. 4.3 Até 2030, assegurar a igualdade de acesso para todos os homens e mulheres à educação técnica, profi ssional e superior de qualidade, a preços acessíveis, incluindo universidade. 4.4 Até 2030, aumentar substancialmente o número de jovens e adultos que tenham habilidades relevantes, inclusive competências técnicas e profi ssionais, para emprego, trabalho decente e empreendedorismo. 4.5 Até 2030, eliminar as disparidades de gênero na educação e garantir a igualdade de acesso a todos os níveis de educação e formação profi ssional para os mais vulneráveis, incluindo as pessoas com defi ciência, povos indígenas e as crianças em situação de vulnerabilidade. 4.6 Até 2030, garantir que todos os jovens e uma substancial proporção dos adultos, homens e mulheres estejam alfabetizados e tenham adquirido o conhecimento básico de matemática. 29 CAMINHADA HISTÓRICA DA CONSTRUÇÃO DA BNCC Capítulo 1 4.7 Até 2030, garantir que todos os alunos adquiram conhecimentos e habilidades necessárias para promover o desenvolvimento sustentável, inclusive, entre outros, por meio da educação para o desenvolvimento sustentável e estilos de vida sustentáveis, direitos humanos, igualdade de gênero, promoção de uma cultura de paz e não violência, cidadania global e valorização da diversidade cultural e da contribuição da cultura para o desenvolvimento sustentável 4.a Construir e melhorar instalações físicas para educação, apropriadas para crianças e sensíveis às defi ciências e ao gênero, e que proporcionem ambientes de aprendizagem seguros e não violentos, inclusivos e efi cazes para todos. 4.b Até 2020, substancialmente ampliar globalmente o número de bolsas de estudo para os países em desenvolvimento, em particular os países menos desenvolvidos, pequenos Estados insulares em desenvolvimento e os países africanos, para o ensino superior, incluindo programas de formação profi ssional, de tecnologia da informação e da comunicação, técnicos, de engenharia e programas científi cos em países desenvolvidos e outros países em desenvolvimento. 4.c Até 2030, substancialmente aumentar o contingente de professores qualifi cados, inclusive por meio da cooperação internacional para a formação de professores, nos países em desenvolvimento, especialmente os países menos desenvolvidos e pequenos Estados insulares em desenvolvimento. FONTE: <https://nacoesunidas.org/pos2015/ods4/>. Acesso em: 16 nov. 2018. Diante destes objetivos, percebe-se que as competências apresentadas na BNCC estão condizentes com o que a Organização das Nações Unidas propõe alcançar até 2030, pois, nosso país possui um défi cit relacionado à alfabetização, sendo isso um dos fatores que a Organização das Nações Unidas, no seu Capítulo 4, apresentado no quadro acima, quer modifi car buscando uma educação de qualidade para todos, a qual está inserida na seção 4.1 Até 2030, garantir que todas as meninas e meninos completem o ensino primário e secundário livre, equitativo e de qualidade, que conduza a resultados de aprendizagem relevantes e efi cazes. Este objetivo condiz com o que está expresso em nossa Constituição Federal de 1988. Temos também, nas demais seções, ações que necessitam ser implementadas em nosso país, as quais ainda se encontram em defasagem e, assim, quiçá, ao fi nal de 2030, tenhamos um avanço positivo junto ao que é posto pela ONU e pela BNCC. 4.1 Até 2030, garantir que todas as meninas e meninos completem o ensino primário e secundário livre, equitativo e de qualidade, que conduza a resultados de aprendizagem relevantes e efi cazes. 30 Competências Gerais e a BNCC Capítulo 1 Ainda neste capítulo daremos ênfase na questão de dados relacionados à educação brasileira e seus avanços e retrocessos. Aguarde! Então, vamos apresentar as competências da BNCC e você poderá realizar uma análise com o que se relaciona ao quarto artigo de “Educação de Qualidade” da ONU. Vamos à leitura! COMPETÊNCIAS GERAIS DA BASE NACIONAL COMUM CURRICULAR 1. Valorizar e utilizar os conhecimentos historicamente construídos sobre o mundo físico, social, cultural e digital para entender e explicar a realidade, continuar aprendendo e colaborar para a construção de uma sociedade justa, democrática e inclusiva. 2. Exercitar a curiosidade intelectual e recorrer à abordagem própria das ciências, incluindo a investigação, a refl exão, a análise crítica, a imaginação e a criatividade, para investigar causas, elaborar e testar hipóteses, formular e resolver problemas e criar soluções (inclusive tecnológicas) com base nos conhecimentos das diferentes áreas. 3. Valorizar e fruir as diversas manifestações artísticas e culturais, das locais às mundiais, e também participar de práticas diversifi cadas da produção artístico-cultural. 4. Utilizar diferentes linguagens – verbal (oral ou visual-motora, como Libras, e escrita), corporal, visual, sonora e digital –, bem como conhecimentos das linguagens artística, matemáticae científi ca, para se expressar e partilhar informações, experiências, ideias e sentimentos em diferentes contextos e produzir sentidos que levem ao entendimento mútuo. 5. Compreender, utilizar e criar tecnologias digitais de informação e comunicação de forma crítica, signifi cativa, refl exiva e ética nas diversas práticas sociais (incluindo as escolares) para se comunicar, acessar e disseminar informações, produzir conhecimentos, resolver problemas e exercer protagonismo e autoria na vida pessoal e coletiva. 6. Valorizar a diversidade de saberes e vivências culturais e apropriar- se de conhecimentos e experiências que lhe possibilitem entender as relações próprias do mundo do trabalho e fazer escolhas alinhadas ao exercício da cidadania e ao seu projeto de vida, com liberdade, autonomia, consciência crítica e responsabilidade. 31 CAMINHADA HISTÓRICA DA CONSTRUÇÃO DA BNCC Capítulo 1 7. Argumentar com base em fatos, dados e informações confi áveis, para formular, negociar e defender ideias, pontos de vista e decisões comuns que respeitem e promovam os direitos humanos, a consciência socioambiental e o consumo responsável em âmbito local, regional e global, com posicionamento ético em relação ao cuidado de si mesmo, dos outros e do planeta. 8. Conhecer-se, apreciar-se e cuidar de sua saúde física e emocional, compreendendo-se na diversidade humana e reconhecendo suas emoções e as dos outros, com autocrítica e capacidade para lidar com elas. 9. Exercitar a empatia, o diálogo, a resolução de confl itos e a cooperação, fazendo-se respeitar e promovendo o respeito ao outro e aos direitos humanos, com acolhimento e valorização da diversidade de indivíduos e de grupos sociais, seus saberes, identidades, culturas e potencialidades, sem preconceitos de qualquer natureza. 10. Agir pessoal e coletivamente com autonomia, responsabilidade, fl exibilidade, resiliência e determinação, tomando decisões com base em princípios éticos, democráticos, inclusivos, sustentáveis e solidários. FONTE: Base Nacional Comum Curricular (2017, p. 9-10) Na leitura destas competências observamos que estão incutidas aqui todas as necessidades do envolvimento didático das etapas da Educação Básica. Se buscarmos na legislação, mais precisamente na Lei de Diretrizes e Bases da Educação, nos artigos 32 e 35, verifi camos que o artigo 32 nos apresenta a obrigatoriedade do Ensino Fundamental, com a duração prevista de nove anos, de maneira gratuita na escola pública, tendo seu início aos seis anos de idade e terá por objetivo a formação básica do cidadão. No que tange ao artigo 35, o mesmo trata do Ensino Médio, com duração mínima de três anos e tendo como fi nalidades a consolidação dos conhecimentos adquiridos no Ensino Fundamental e aprimorando-os, como também a preparação para o trabalho e a cidadania do educando; o aperfeiçoamento do educando como pessoa humana, incluindo aqui a ética, a autonomia intelectual e a criticidade, além de buscar a compreensão dos fundamentos científi co-tecnológicos. Encontramos nesses artigos uma linha de pensamento que se insere nas competências; não distante, temos também pesquisas que foram realizadas pelo Centro de Estudos e Pesquisa em Educação que indicam que: [...] das 16 Unidades da Federação cujos documentos curriculares foram analisados, 10 delas explicitam uma 32 Competências Gerais e a BNCC Capítulo 1 visão de ensino por competências, recorrendo aos termos “competência” e “habilidade” (ou equivalentes, como “capacidade”, “expectativa de aprendizagem” ou “o que os alunos devem aprender”) (CENPEC, 2015, p. 75). Esse fato ocorre, de acordo com o que se expressa na Base Nacional Comum Curricular (2017), por esses profi ssionais terem como base os PCNs – Parâmetros Curriculares Nacionais, que trazem em suas páginas a denominação de competências, a qual já se encontra inserida no contexto curricular nacional das escolas. Quando apresentamos os objetivos da ONU, não é por acaso, pois outras organizações, como a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), tem por objetivo atuar na organização não apenas no setor econômico, como também na saúde, educação, ambiental e a geração de empregos de muitos países, entre eles o Brasil, o qual faz parte. Esta organização coordena também: [...] o Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA, na sigla em inglês) e da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO, na sigla em inglês), que instituiu o Laboratório Latino-americano de Avaliação da Qualidade da Educação para a América Latina (LLECE, na sigla em espanhol) (BRASIL, BNCC, 2017, p. 13). Esses programas desenvolvidos pela ONU (Organização das Nações Unidas) possuem como objetivo: PISA – Programa Internacional de Avaliação de Alunos: produzir indicadores que contribuam para a discussão da qualidade da educação nos países participantes, de modo a subsidiar políticas de melhoria do ensino básico. A avaliação procura verifi car até que ponto as escolas de cada país participante estão preparando seus jovens para exercer o papel de cidadãos na sociedade contemporânea. (<http://portal.inep.gov.br/pisa>. Acesso em: 19 nov. 2018). Essas avaliações buscam verifi car se o educando, aos 15 anos de idade, possui condições de levar os conhecimentos para seu cotidiano e sua aplicabilidade nesta idade por estar próximo ao fi nal de sua formação básica. Os dados apresentados pelo OCDE - Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico - fi cam assim expressos, quando se trata do programa PISA, que se realiza a cada três anos. Os dados a seguir são relativos ao relatório da OCDE enviado para nosso país, após análise dos dados. 33 CAMINHADA HISTÓRICA DA CONSTRUÇÃO DA BNCC Capítulo 1 FIGURA 8 – ORGANIZAÇÃO PARA A COOPERAÇÃO E DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO FONTE: <http://forumcompetitividade.org/wp-content/ uploads/2014/10/OECD.jpg>. Acesso em: 19 nov. 2018. RESULTADOS PRINCIPAIS NO BRASIL JUNTO AO PISA • O desempenho dos alunos no Brasil está abaixo da média dos alunos em países da OCDE em ciências (401 pontos, comparados à média de 493 pontos), em leitura (407 pontos, comparados à média de 493 pontos) e em matemática (377 pontos, comparados à média de 490 pontos). • A média do Brasil na área de ciências se manteve estável desde 2006, o último ciclo do PISA com foco em ciências (uma elevação aproximada de 10 pontos nas notas - que passaram de 390 pontos em 2006 para 401 pontos em 2015 – não representa uma mudança estatisticamente signifi cativa). Estes resultados são semelhantes à evolução histórica observada entre os países da OCDE: um leve declínio na média de 498 pontos em 2006 para 493 pontos em 2015 também não representa uma mudança estatisticamente signifi cativa. • A média do Brasil na área de leitura também se manteve estável desde o ano 2000. Embora tenha havido uma elevação na pontuação de 396 pontos em 2000 para 407 pontos em 2015, esta diferença não representa uma mudança estatisticamente signifi cativa. Na área de matemática houve um aumento signifi cativo de 21 pontos na média dos alunos entre 2003 a 2015. Ao mesmo tempo, houve um declínio de 11 pontos se compararmos a média de 2012 à média de 2015. • O PIB per capita do Brasil (USD 15 893) corresponde a menos da metade da média do PIB per capita nos países da OCDE (USD 39 333). O gasto acumulado por aluno entre 6 e 15 anos de idade no Brasil (USD 38 190) equivale a 42% da média do gasto por aluno em países da OCDE (USD 90 294). Esta proporção correspondia a 32% em 2012. Aumentos no investimento em educação precisam agora ser convertidos em melhores resultados na aprendizagem dos alunos. Outros países, como a Colômbia, o Méxicoe o Uruguai obtiveram resultados 34 Competências Gerais e a BNCC Capítulo 1 melhores em 2015 em comparação ao Brasil, muito embora tenham um custo médio por aluno inferior. O Chile, com um gasto por aluno semelhante ao do Brasil (USD 40 607), também obteve uma pontuação melhor (477 pontos) em ciências. • No Brasil, 71% dos jovens na faixa de 15 anos de idade estão matriculados na escola a partir do 7º Ano, o que corresponde a um acréscimo de 15 pontos percentuais em relação a 2003, uma ampliação notável de escolarização. O fato de o Brasil ter expandido o acesso escolar a novas parcelas da população de jovens sem declínios no desempenho médio dos alunos é um desenvolvimento bastante positivo. • Entre os países da OCDE, o desempenho em ciências de um aluno de nível socioeconômico mais elevado é, em média, 38 pontos superior ao de um aluno com um nível socioeconômico menor. No Brasil, esta diferença corresponde a 27 pontos, o que equivale a aproximadamente ao aprendizado de um ano letivo. • No Brasil, menos de 1% dos jovens do sexo masculino estão entre os alunos com rendimento mais elevado no PISA em ciências (aqueles com pontuação no nível de profi ciência 5 ou superior). Entre os países da OCDE, esta proporção corresponde a 8,9% dos jovens do sexo masculino. Apenas 0,5% do grupo feminino no Brasil alcançou este mesmo nível de desempenho. Entre os países da OCDE, 6,5% das meninas se destacaram neste nível elevado de profi ciência. No Brasil, entre alunos de baixo rendimento em ciências (aqueles com pontuação inferior ao nível básico de profi ciência, o nível 2), uma proporção maior entre o grupo feminino espera seguir uma carreira na área de ciências. • Menos de 10% dos alunos que participaram do PISA 2015 no Brasil são imigrantes (primeira ou segunda geração). Numa comparação entre alunos de mesmo nível socioeconômico, a média dos alunos imigrantes em ciências é 66 pontos inferior à média de alunos não imigrantes. • O Brasil tem um alto percentual de alunos em camadas desfavorecidas: 43% dos alunos se situam entre os 20% mais desfavorecidos na escala internacional de níveis socioeconômicos do PISA, uma parcela muito superior à media de 12% de alunos nesta faixa entre os países da OCDE. Esta proporção, no entanto, é semelhante àquela observada na Colômbia. Apenas dois outros países latino-americanos possuem uma proporção ainda maior de alunos neste nível socioeconômico, o México e o Peru. • Uma parcela muito reduzida de pais de alunos alcançou o nível superior de ensino no Brasil. Menos de 15% dos adultos na faixa etária de 35 a 44 anos de idade possuem um diploma universitário, uma taxa bem menor que a média de 37% observada entre os países da OCDE. Entre os países que participaram do 35 CAMINHADA HISTÓRICA DA CONSTRUÇÃO DA BNCC Capítulo 1 PISA 2015, o Brasil está entre os dois países com a menor proporção de adultos com nível superior, fi cando atrás apenas da Indonésia, onde menos de 9% dos adultos nesta faixa etária alcançaram esse nível de escolaridade. A faixa etária entre 35 e 44 anos corresponde aproximadamente à idade dos pais de alunos que participaram do PISA 2015. • No Brasil, 36% dos jovens de 15 anos afi rmam ter repetido uma série escolar ao menos uma vez, uma proporção semelhante à do Uruguai. Entre os países latino-americanos que participaram do PISA 2015, apenas a Colômbia possui uma taxa de repetência escolar (43%) superior à do Brasil. Esta prática é mais comum entre países com um baixo desempenho no PISA e está associada a níveis mais elevados de desigualdade social na escola. No Brasil, altos índices de repetência escolar estão ligados a níveis elevados de abandono da escola. Entre 2009 e 2015, houve um declínio de 6% na taxa de repetência escolar no Brasil, observado principalmente entre os alunos do Ensino Médio. (<http://download. inep.gov.br/acoes_internacionais/pisa/resultados/2015/pisa_2015_brazil_prt.pdf>. Acesso em: 19 nov. 2018). Com o que se observa, o Brasil ainda busca caminhar junto às demandas observadas em seu sistema educacional, visto que muitas lacunas se encontram no processo de busca da qualidade de ensino, com efi cácia e equidade. Os dados que são levantados e posteriormente apresentados ao governo brasileiro e de seus respectivos países participantes desse programa auxiliam no desenvolvimento de novas políticas públicas, as quais venham sanar suas particularidades. Encontrar caminhos para esse movimento é necessário e a utilização do trabalho em rede, como está se buscando com a BNCC, é uma das formas encontradas pelos especialistas na área educacional. Frente ao que temos apresentado, nos cabe observar que cada movimento realizado possui uma engrenagem que vem pontuando as possibilidades e caminhos a serem seguidos no desenvolvimento da melhoria da educação. E buscar as competências, as quais se apresentam na Base Nacional Comum Curricular, são respeitáveis e necessárias, pois: Ao adotar esse enfoque, a BNCC indica que as decisões pedagógicas devem estar orientadas para o desenvolvimento de competências. Por meio da indicação clara do que os alunos devem “saber” (considerando a constituição de conhecimentos, habilidades, atitudes e valores) e, sobretudo, do que devem “saber fazer” (considerando a mobilização desses conhecimentos, habilidades, atitudes e valores para resolver demandas complexas da vida cotidiana, do pleno 36 Competências Gerais e a BNCC Capítulo 1 exercício da cidadania e do mundo do trabalho), a explicitação das competências oferece referências para o fortalecimento de ações que assegurem as aprendizagens essenciais defi nidas na BNCC (BRASIL, BNCC, 2017, p. 13). Caro Pós-Graduando, observe que a Base Nacional Comum Curricular possui em suas linhas a preocupação de ver o educando desenvolvendo-se em sua totalidade, pois o que está em jogo não é somente o “saber”, mas sim o “saber fazer”, completando assim um processo em que o que o educando aprende na escola, passe a servir para seu cotidiano, para sua futura formação profi ssional. Cabe salientar a presença da chamada educação integral. 3.1 Educação InteGral E Educação Em Tempo InteGral A Educação Integral para muitos é considerada como um projeto interativo e integrado, no qual o educando, além de estar quatro horas na escola, pode utilizar-se do contraturno para a realização de outras atividades para seu aperfeiçoamento, mantendo-se ativo no ambiente educacional. De acordo coma página do Ministério da Educação, Educação Integral representa: [...] a opção por um projeto educativo integrado, em sintonia com a vida, as necessidades, possibilidades e interesses dos estudantes. Um projeto em que crianças, adolescentes e jovens são vistos como cidadãos de direitos em todas as suas dimensões. Não se trata apenas de seu desenvolvimento intelectual, mas também do físico, do cuidado com sua saúde, além do oferecimento de oportunidades para que desfrute e produza arte, conheça e valorize sua história e seu patrimônio cultural, tenha uma atitude responsável diante da natureza, aprenda a respeitar os direitos humanos e os das crianças e adolescentes, seja um cidadão criativo, empreendedor e participante, consciente de suas responsabilidades e direitos, capaz de ajudar o país e a humanidade a se tornarem cada vez mais justos e solidários, a respeitar as diferenças e a promover a convivência pacífi ca e fraterna entre todos (<http://educacaointegral.mec.gov. br/>. Acesso em: 19 nov. 2018). Este conceito de educação integral não está distante do que a nova Base Nacional Comum Curricular nos apresenta. Veja como este conceito é visto na BNCC (2017, p. 14): Independentemente da duração da jornada escolar, o conceito de educaçãointegral com o qual a BNCC está comprometida se refere à construção intencional de processos educativos que promovam aprendizagens sintonizadas com as necessidades, 37 CAMINHADA HISTÓRICA DA CONSTRUÇÃO DA BNCC Capítulo 1 as possibilidades e os interesses dos estudantes e, também, com os desafi os da sociedade contemporânea. Isso supõe considerar as diferentes infâncias e juventudes, as diversas culturas juvenis e seu potencial de criar novas formas de existir. Então, podemos perceber que o interesse neste novo olhar para a educação está voltado para uma educação global, que supere as fragmentações que possuímos em nosso sistema educacional, levando o educando a ser o ator principal de sua aprendizagem, levando esta aprendizagem para seu cotidiano. Trazemos um questionamento: Para que a BNCC busca esse compromisso com a Educação Integral? Nos dias atuais estamos envoltos a muitas mudanças, tanto no contexto mundial como a nossa volta, em nosso cotidiano. E estas mudanças são representativas e aceleradas, levando a cada um buscar “reconhecer-se em seu contexto histórico e cultural, comunicar-se, ser criativo, analítico-crítico, participativo, aberto ao novo, colaborativo, resiliente, produtivo e responsável requer muito mais do que o acúmulo de informações” (BRASIL, BNCC, 2017, p.14). Com isso, podemos perceber que as dimensões da educação integral se encontram nessa perspectiva: Para que a BNCC busca esse compromisso com a Educação Integral? Nos dias atuais estamos envoltos a muitas mudanças, tanto no contexto mundial como a nossa volta, em nosso cotidiano. E estas mudanças são representativas e aceleradas, levando a cada um buscar “reconhecer-se em seu contexto histórico e cultural, comunicar-se, ser criativo, analítico- crítico, participativo, aberto ao novo, colaborativo, resiliente, produtivo e responsável requer muito mais do que o acúmulo de informações” (BRASIL, BNCC, 2017, p.14). FIGURA 9 – DIMENSÕES DA EDUCAÇÃO INTEGRAL FONTE: A autora 38 Competências Gerais e a BNCC Capítulo 1 Então, podemos compreender que necessitamos de novas possibilidades, aprender a aprender, buscar compreender como trabalhar com as informações que nos chegam a todo instante, diuturnamente, alcançando assim, de forma ética e com discernimento, atuar junto às novas tecnologias, conseguindo aplicar seus conhecimentos e utilizar as novas TICs de maneira proativa, e ainda mais, ter condições de solucionar problemas de maneira que sejam respeitadas as diferenças e as diversidades de maneira a saber conviver e respeitar cada um. Cabe aqui realizarmos uma análise que algumas pessoas acabam criando uma pequena confusão quando falamos em Educação Integral e Educação em Tempo Integral. Este ponto é importante termos bem claro. Vamos a ele... Vimos até o momento que a Educação Integral corresponde à formação de indivíduos numa educação global, com todas as possibilidades de tornar os educandos críticos de sua realidade, observadores da vivência humana, cidadãos plenos em seus mais diversos aspectos e dimensões. Assim, quando falamos em Educação Integral, acabam surgindo discussões sobre o que é a Educação em Tempo Integral, achando que as nomenclaturas sejam iguais, mas não são. Uma, na realidade, complementa a outra. Deixamos o site <https://www.youtube.com/watch?v=s- iT3PaxraM> como dica, que trata do Programa Entrevista, realizada pelo Canal Futura sobrea Educação em tempo Integral. Já sabemos o que é Educação Integral perante a nova Base Nacional Comum Curricular. Então, para entendermos de onde surgiu esta Educação em Tempo Integral, vamos buscar a Meta 6 do Plano Nacional de Educação que assim se expressa: “Oferecer Educação em tempo integral em, no mínimo, 50% das escolas públicas, de forma a atender, pelo menos, 25% dos(as) alunos(as) da Educação Básica” (BRASIL, PNE 2011-2024). A Meta seis do PNE possui suas nove estratégias, as quais estão assim elencadas no quadro a seguir. 39 CAMINHADA HISTÓRICA DA CONSTRUÇÃO DA BNCC Capítulo 1 QUADRO 1 - ESTRATÉGIAS DA META 6 - PNE 6.1 AMPLIAÇÃO DO TEMPO Promover, com o apoio da União, a oferta de Educação Bá- sica pública em tempo integral, por meio de atividades de acompanhamento pedagógico e multidisciplinares, inclusive culturais e esportivas, de forma que o tempo de permanência dos alunos na escola, ou sob sua responsabilidade, passe a ser igual ou superior a 7 (sete) horas diárias durante todo o ano letivo, com a ampliação progressiva da jornada de profes- sores em uma única escola. 6.2 CONSTRUÇÃO DE ESCOLAS Instituir, em regime de colaboração, programa de construção de escolas com padrão arquitetônico e de mobiliário adequa- do para atendimento em tempo integral, prioritariamente em comunidades pobres ou com crianças em situação de vulne- rabilidade social. 6.3 RECURSOS – INFRAESTRUTURA E EQUIPAMENTOS E MATERIAL DIDÁTICO E FORMAÇÃO Institucionalizar e manter, em regime de colaboração, pro- grama nacional de ampliação e reestruturação das escolas públicas, por meio da instalação de quadras poliesportivas, laboratórios, inclusive de informática, espaços para ativida- des culturais, bibliotecas, auditórios, cozinhas, refeitórios, banheiros e outros equipamentos, bem como de produção de material didático e de formação de recursos humanos para a Educação em tempo integral. 6.4 ARTICULAÇÃO NO TERRITÓRIO Fomentar a articulação da escola com os diferentes espaços educativos, culturais e esportivos, e equipamentos públicos como centros comunitários, bibliotecas, praças, parques, mu- seus, teatros, cinemas e planetários. 6.5 PARCERIAS COM ENTIDADES PRIVADAS Estimular a oferta de atividades voltadas à ampliação da jornada escolar de alunos matriculados nas escolas da rede pública de Educação Básica por parte das entidades priva- das de serviço social vinculadas ao sistema sindical, de forma concomitante e em articulação com a rede pública de ensino. 6.6 PARCERIA ONG - ESCOLA Orientar a aplicação da gratuidade de que trata o art. 13 da Lei nº 12.101, de 27 de novembro de 2009, em atividades de ampliação da jornada escolar de alunos das escolas da rede pública de Educação Básica, de forma concomitante e em ar- ticulação com a rede pública de ensino. 6.7 DIVERSIDADE LOCAL Atender às escolas do campo, de comunidades indígenas e quilombolas, na oferta de Educação em tempo integral, com base em consulta prévia e informada, considerando-se as pe- culiaridades locais. 40 Competências Gerais e a BNCC Capítulo 1 6.8 TEMPO INTEGRAL PARA PESSOAS COM NECESSIDADES EDUCACIONAI ESPECIAIS Garantir a Educação em tempo integral para pessoas com defi ciência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação, na faixa etária de 4 (quatro) a 17 (dezessete) anos, assegurando atendimento educacional especializado complementar e suplementar ofertado em salas de recursos multifuncionais da própria escola ou em institui- ções especializadas. 6.9 TEMPO DE PERMA- NÊNCIA Adotar medidas para otimizar o tempo de permanência dos alunos na escola, direcionando a expansão da jornada para o efetivo trabalho escolar, combinado com atividades recreati- vas, esportivas e culturais FONTE: <http://www.observatoriodopne.org.br/metas-pne/6- educacao-integral/estrategias/6-1-ampliacao-do-tempo/ indicadores#ampliacao-do-tempo>. Acesso em: 19 nov. 2018. Estas estratégias envolvem a ampliação de horas da criança em atividades pedagógicas e multidisciplinares, recursos fi nanceiros para a construção de novas escolas, para compra de materiais didáticos, a formação dos profi ssionais,além da articulação da escola com outros espaços que existem na comunidade, como museus, bibliotecas, parques, dentre outros. Na Meta seis, podemos perceber que temos dois grandes objetivos a serem alcançados, os quais necessitam das estratégias mencionadas anteriormente. Vamos destrinchar cada um desses objetivos. Primeiro objetivo: “Oferecer Educação em tempo integral em, no mínimo, 50% das escolas públicas [...]”. Frente a ele, o OPNE - Observatório do Plano Nacional de Educação – (<http://www.observatoriodopne.org.br/indicadores/ metas/6-educacao-integral/indicadores>. Acesso em: 24 nov. 2018) diz que: “Em 2014, 42% das escolas ofertavam a Educação em Tempo Integral”. Até o ano de 2017 possuíamos 40,1% de alunos matriculados na Educação em Tempo Integral, sendo que até 2024, tem-se como objetivo o alcance de 9,9% de escolas com Educação em Tempo Integral, perfazendo assim os 50% apresentado na meta 6 do Plano Nacional de Educação. Verifi que os dados aqui apresentados: 41 CAMINHADA HISTÓRICA DA CONSTRUÇÃO DA BNCC Capítulo 1 FIGURA 10 – PERCENTUAIS DA EDUCAÇÃO EM TEMPO INTEGRAL – META 6 - PNE FONTE: Dados OPNE (2018) No segundo objetivo, inserido na Meta seis do PNE temos: “[...] a atender, pelo menos, 25% dos(as) alunos(as) da Educação Básica”. Ainda de acordo com a OPNE, até 2017, 15,5% das matrículas eram em Educação em Tempo Integral, permanecendo até sete horas no espaço escolar. A meta para 2024 é de 25%, sendo que para alcançá- la faltam 9,5%. Ainda de acordo com a OPNE, até 2017, 15,5% das matrículas eram em Educação em Tempo Integral, permanecendo até sete horas no espaço escolar. A meta para 2024 é de 25%, sendo que para alcançá-la faltam 9,5%. 42 Competências Gerais e a BNCC Capítulo 1 IGURA 11 – PERCENTUAIS DE MATRÍCULAS EDUCAÇÃO EM TEMPO INTEGRAL FONTE: Dados OPNE (2018) Cabe salientar aqui que, quando falamos em Educação em Tempo Integral, existe um grande desafi o que é de não compreender este “tempo Integral” não como somente mais tempo na escola, mas sim, observar que o foco deve estar na qualidade de ensino, pois o tempo que a criança permanece na escola deve ser otimizado, oportunizando múltiplas aprendizagens, tendo o aluno acesso ao esporte, à ciência, à arte, à cultura, à tecnologia, entre outros. De que maneira poderão ter esse acesso? Através de atividades bem planejadas, que possuam uma intenção pedagógica, alinhada ao PPP - Projeto Político-Pedagógico da Escola e que cada membro deve participar da sua elaboração. Este tema traremos nos próximos capítulos. Caro Pós-Graduando, trazemos para você um recorte do artigo de Elba Siqueira de Sá Barreto, professora da USP e pesquisadora da Fundação Carlos Chagas. O artigo trata dos desafi os da escola e do Programa Mais Educação relativo à Educação em Tempo Integral. Desafi os da escola em tempo integral no Brasil: concepções contemporâneas e currículo Somos um país de escolarização tardia. Apenas na virada deste século é que toda a população em idade escolar passou a frequentar o ensino obrigatório. À medida que os países avançados 43 CAMINHADA HISTÓRICA DA CONSTRUÇÃO DA BNCC Capítulo 1 e, posteriormente, os da América Latina, lograram incluir toda a população escolar no ensino compulsório, outro grande desafi o foi posto para as políticas públicas: o de melhorar a qualidade da educação. Desafi o tanto maior quando se considera que a expansão universal da escolaridade veio acompanhada da depreciação da certifi cação que ela oferece e do esmaecimento do seu papel diferenciador no que se refere à inserção dos indivíduos na sociedade contemporânea. [...] O suporte legal, que permite a sustentação do Projeto Mais Educação no Ensino Fundamental e sua extensão para o Ensino Médio é oferecido pelo Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e Valorização dos Profi ssionais da Educação (FUNDEB) com recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). O FUNDEB, também instituído em 2007, estipula que os recursos repassados pelo governo federal aos sistemas estaduais e municipais de acordo com o respectivo número de alunos matriculados passam a ser diferenciados para a educação de tempo integral. Isso signifi ca que os sistemas que ampliarem a jornada escolar receberão recursos extras. [...] O próprio nome – Educação em Tempo Integral – requer um esclarecimento: o que se entende por educação integral nas políticas brasileiras? A Constituição Federal de 1988 (art.205) e a LDB 9394/96 (art.2) apoiam-nos ao determinar que o propósito da educação é “o pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e a sua qualifi cação para o trabalho”, de sorte que se pode pensar a educação integral como aquela que contempla os diversos aspectos do desenvolvimento humano na esfera individual e na vida em sociedade, abrangendo as dimensões cognitiva, afetiva, social, política, cultural, física, ética e estética. O PME tem por objetivo proporcionar a formação plena dos sujeitos abrangendo as suas múltiplas dimensões, com vistas a constituir uma educação cidadã e a construção de sujeitos autônomos e comprometidos com as transformações da sociedade. Mas ele confere características específi cas às ações propostas. Em primeiro lugar, trata-se de um programa de caráter intersetorial, que deve promover a articulação e a convivência entre diferentes ações e serviços públicos voltados às áreas sociais, e do qual devem participar além do Ministério da Educação (MEC), os Ministérios da Cultura, do Esporte e do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, da Ciência e Tecnologia, do Meio Ambiente e outros, cujas ações tenham afi nidade com os propósitos explicitados. Nessa perspectiva, o programa pareia a contribuição da educação escolar e não escolar na consecução dos objetivos propostos. Ademais, a ampliação dos 44 Competências Gerais e a BNCC Capítulo 1 tempos e espaços da educação integral assume um modelo focal, de tipo compensatório, dirigindo suas ações para populações em situação de risco e a escolas e territórios com vulnerabilidade social (BRASIL, 2007). O PME foi concebido pela Secretaria da Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade e Inclusão (SECAD), novo órgão do MEC com status político idêntico ao da Secretaria de Educação Básica (SEB). A SECAD é incumbida de formular e contribuir para disseminar, em regime de colaboração, as políticas referentes à oferta de ensino que contempla especifi cidades em razão da diversidade das populações atendidas. Entre elas, encontram-se a educação no campo, de adultos, indígena, das pessoas com defi ciência, dos quilombolas, bem como a abordagem das questões de gênero e orientação sexual. O modo preferencial de atuação do órgão no âmbito do MEC é o de estabelecer articulação intensa com entidades e movimentos sociais com experiência no trabalho de resgate de culturas e nas lutas contra os processos de exclusão social em vários desses campos, e que têm como desafi o constituir-se em espaços de diálogo e de negociação de sentidos para as novas propostas. Operando com várias lógicas, que atendem a interesses diversos – e, por vezes, confl ituosos, mesmo no interior das instâncias de formulação, o MEC busca conciliar as políticas universais, dirigidas a todos indistintamente (como as do aumento da duração do Ensino Fundamental e de extensão da faixa de escolaridade obrigatória, identifi cadas como políticas da igualdade), com as políticas compensatórias, de inclusão ou de ação afi rmativa, focalizadas em grupos sociais com desvantagem. Essas são identifi cadas como políticas de atenção às diferenças, ou da equidade. O ProgramaMais Educação recupera características próprias de experiências históricas de educação integral congêneres no país: a da Escola Parque [...] e conserva traços da experiência dos Centros Integrados de Educação Pública (Cieps). Além da colaboração entre setores e esferas de governo, o programa prevê a realização de parcerias com entidades públicas e privadas para o desenvolvimento das atividades no contraturno das escolas. É também essa separação das atividades – realizadas por pessoal com diferentes pertencimentos institucionais e formado em tradições profi ssionais diversas, fora do âmbito restrito da formação para a docência – que contribui para esboçar o paradigma projetado para a expansão da educação em tempo integral que se deseja adotar. O PME recupera características próprias de experiências históricas de educação integral congêneres no país, entre as quais 45 CAMINHADA HISTÓRICA DA CONSTRUÇÃO DA BNCC Capítulo 1 a da Escola Parque do Centro Educacional Carneiro de Campos, em Salvador, criada pelo educador Anísio Teixeira (1900-1971) nos anos de 1950, cujo formato era também o de uma escola de turnos com atividades diferenciadas. Igualmente, conserva traços da experiência dos Centros Integrados de Educação Pública (CIEPS), concebidos pelo antropólogo Darcy Ribeiro (1922-1997) no Rio de Janeiro, nas décadas de 1980/1990. Assim, agrega novos signifi cados à maneira de conceber a educação integral e a articulação das ações que ela deve compreender. Em 2010, o Decreto Presidencial nº 7.083 (BRASIL, 2010a) reitera as fi nalidades e a abrangência do Programa Mais Educação, determinando que a oferta de Educação Básica em tempo integral deverá ter jornada igual ou superior a sete horas diárias. As Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Fundamental de nove anos, divulgadas nesse mesmo ano (BRASIL, 2010b), ao contemplarem a educação em tempo integral nos artigos 36 e 37, dão um passo decisivo para a transformação do PME, que é um programa de governo, em política que transcende os propósitos de uma gestão específi ca. Elas reforçam os princípios e as características da escola de educação integral veiculados pelos documentos congêneres, e explicitam a necessidade de avaliação das suas ações. (Art. 37, § 4º). É esse o paradigma que será posteriormente consolidado como política de Estado no Plano Nacional de Educação 2014- 2024 (BRASIL, 2014), cuja meta 6 preconiza a oferta de educação em tempo integral em, no mínimo, 50% das escolas públicas, de forma a atender, pelo menos, 25% dos alunos da Educação Básica. Alarga-se também a possibilidade de aumento de parcerias com organizações sociais de natureza diversa. Por solicitação da SECAD/MEC, Universidades Federais realizaram um mapeamento das experiências de ampliação da jornada escolar no Ensino Fundamental, fornecendo informações sobre a sua abrangência e identifi cando as práticas utilizadas e as concepções em que se apoiavam. Em dois estudos, um quantitativo e outro qualitativo, apurou-se que as iniciativas se distribuíam de modo muito diferenciado pelo país e a jornada ampliada compreendia múltiplas formas de atendimento. Elas variavam de turmas com funcionamento em tempo integral a combinações da oferta de atividades complementares em tempos diversos, sendo que mais de uma modalidade podia coexistir em um mesmo estabelecimento. Constatou-se que a maioria das atividades era desenvolvida no contraturno das escolas e no próprio ambiente escolar, sobretudo nas salas de aula (BRASIL, 2009/2011). 46 Competências Gerais e a BNCC Capítulo 1 [...] Ainda que o PME tenha sido formulado originalmente como um programa intersetorial, os estudos sobre ele provêm basicamente do campo da educação. As refl exões suscitadas giram em torno das problemáticas que emergem desse campo – a saber, a aspiração à melhoria da qualidade da educação, o enfrentamento do baixo rendimento escolar e a garantia de acesso aos bens culturais para todos os alunos. Ainda que a tônica do programa seja assistencialista, nada foi encontrado com foco específi co nas medidas de proteção social que eventualmente interatuam com as escolas, ou das ações voltadas para a saúde dos educandos atendidos [...]. FONTE: <https://educacaoeparticipacao.org.br/materiais/desafi os- escola-tempo-integral-curriculo/>. Acesso em: 24 nov. 2018 Frente ao que foi apresentado, podemos refl etir sobre duas questões as quais apresentamos para sua análise: 1 Quando falamos em Educação Integral e Educação em Tempo Integral, podemos conceber de que forma cada uma delas? 2 Relativo às Competências da Base Nacional Comum Curricular, você acredita que estas competências poderão ser atingidas a partir de que movimentos? 4 ALGUMAS CONSIDERAÇÕES Após o estudo deste capítulo podemos realizar uma pequena revisão apresentando os pontos mais relevantes do tema abordado. Compreendemos que a Base Nacional Comum Curricular não foi elaborada sem um embasamento teórico. Ela foi elaborada a partir de dados coletados por diversos mecanismos do Ministério da Educação com a participação da sociedade civil e de outras organizações não governamentais, também chamadas de terceiro setor. Verifi camos que sua construção possui em sua linha do tempo outros documentos que a embasam como a Constituição Federal, a Lei de Diretrizes e 47 CAMINHADA HISTÓRICA DA CONSTRUÇÃO DA BNCC Capítulo 1 Bases da Educação e sua construção se deu observando o momento histórico em que nos encontramos. Agora, se faz necessária, após sua homologação que ocorreu ao fi nal de dezembro de 2017, sua efetivação, a qual tem como seus principais atores profi ssionais da educação, a sociedade e o terceiro setor. Este documento deverá ser estudado, analisado pelos professores e demais membros do corpo docente das escolas, através da implementação dos Estados e dos Municípios e buscar em seu Projeto Político-Pedagógico delinear como serão trabalhadas as competências apresentadas na BNCC. Outro ponto observado nos documentos que norteiam a BNCC está o Plano Nacional de Educação – PNE, que em sua Meta 6 busca a implementação da educação em Tempo Integral, a qual leva os governantes e as equipes que compõem o Ministério da Educação e os profi ssionais da educação dos estados e municípios organizarem-se para que esta política pública traga bons frutos em sua prática. Todavia, para a implementação da educação em tempo integral é necessário que seja observada a disposição de espaços adequados, material pedagógico de qualidade, formação dos profi ssionais de educação que estarão na ponta desse processo, participação de outras entidades que compõe o espaço escolar. Tudo isso, e outras mais ações são necessárias como a aplicação fi nanceira em espaços escolares, pois a educação em tempo integral acarreta a participação também dos órgãos da saúde pública, de segurança, do terceiro setor, que auxiliem na proposta de uma educação de qualidade com equidade de acordo com o apresentado no documento da BNCC. Verifi camos também que estes programas e documentos elaborados e desenvolvidos pelo governo federal possuem o olhar das Organizações das Nações Unidas, através da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que tem por objetivo atuar na organização não apenas no setor econômico, como também na área da saúde, educação, ambiental e a geração de empregos. Essas organizações buscam, com o Brasil, como demais países, alavancar a melhor qualidade de vida de sua população através da educação de qualidade e com a participação de outras organizações, não governamentais, como institutos que compõem o terceiro setor, como empresários, banqueiros e sociedade civil organizada. Com isso, constrói-se e dá-sevida a políticas educacionais como a Base Nacional Comum Curricular, que possui sua estrutura e seus fundamentos básicos, os quais serão vistos no próximo capítulo. Até lá! 48 Competências Gerais e a BNCC Capítulo 1 REFERÊNCIAS AZEVEDO, Mario Luiz Neves de. Políticas Públicas e Educação: debates contemporâneos. Maringá/Paraná: Eduem, 2008. BRASIL. Constituição Federal 1988. Disponível em: fi le:///C:/Users/User/ Downloads/constituicao_federal_35ed.pdf. Acesso em: 24 nov. 2018. ______. Movimento pela base. 2017. Disponível em: http://movimentopelabase. org.br/wp-content/uploads/2016/09/2016_09_14-Relato%CC%81rio- Semina%CC%81rios-Consed-e-Undime.pdf>. Acesso em: 16 nov. 2018. ______. LDB – Lei de Diretrizes e Bases da Educação – Lei 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/ L9394.htm. Acesso em: 16 nov. 2018. ______. PCN - Parâmetros Curriculares Nacionais. 1997. Disponível em: http:// portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/livro01.pdf. Acesso em: 16 nov. 2018. ______. PNE – Plano Nacional de Educação. 2018. Disponível em: http:// www.observatoriodopne.org.br/metas-pne/6-educacao-integral/estrategias/6-1- ampliacao-do-tempo/indicadores#ampliacao-do-tempo. Acesso em: 19 nov. 2018. ______. BNCC - Base Nacional Comum Curricular. Disponível em: http:// basenacionalcomum.mec.gov.br/. Acesso em: 24 nov. 2018. ______. Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Disponível em: http:// portal.mec.gov.br/conselho-nacional-de-educacao/base-nacional-comum- curricular-bncc. Acesso em: 16 nov. 2018. CALDAS, Ricardo Wahrendorff. (Coord.). Políticas Públicas: conceitos e práticas. Supervisão por Brenner Lopes e Jefferson Ney Amaral. Belo Horizonte: Sebrae/MG, 2008. Disponível em: http://www.agenda21comperj.com.br. Acesso em: 24 nov. 2018. CANDIDO, Rita de Kássia; GENTILINI, João Augusto. Base Curricular Nacional: refl exões sobre autonomia escolar e o Projeto Político-Pedagógico. 2017. Disponível em: https://seer.ufrgs.br/rbpae/article/viewFile/70269/43509. Acesso em: 16 nov. 2018. CENPEC. Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária. Currículos para os anos fi nais do Ensino Fundamental: 49 CAMINHADA HISTÓRICA DA CONSTRUÇÃO DA BNCC Capítulo 1 concepções, modos de implantação e usos. São Paulo: Cenpec, 2015. Disponível em: https://www.cenpec.org.br/wp-content/uploads/2015/09/Relatorio_ Pesquisa_Curriculos_EF2_Final.pdf. Acesso em: 16 nov. 2018. INEP. Instituto Nacional de Educação e Pesquisa. PISA - Programa Internacional de Avaliação de Estudantes. Disponível em: http://portal.inep. gov.br/pisa. Acesso em: 16 nov. 2018. OCDE. Dados do PISA 2015 – BRASIL. Disponível em: http://download.inep. gov.br/acoes_internacionais/pisa/resultados/2015/pisa_2015_brazil_prt.pdf. Acesso em: 19 nov. 2018. ODS4/ONU BRASIL. Objetivos para Transformar nosso Mundo. Disponível em: https://nacoesunidas.org/pos2015/ods4/. Acesso em: 16 nov. 2018. OPN. Observatório do Plano Nacional de Educação – Disponível em: http://www.observatoriodopne.org.br/indicadores/metas/6-educacao-integral/ indicadores. Acesso em: 24 nov. 2018. SANTOS, Pablo Silva Machado Bispo dos. Guia Prático da Política Educacional no Brasil: Ações, Planos, Programas e Impactos. São Paulo: Cengage Learning, 2012. 50 Competências Gerais e a BNCC Capítulo 1 Capítulo 1 CAPÍTULO 2 CONHECENDO A ESTRUTURA E AS COMPETÊNCIAS DA BASE NACIONAL COMUM CURRICULAR JUNTO AOS COMPONENTES CURRICULARES A partir da perspectiva do saber fazer, neste capítulo você terá os seguintes objetivos de aprendizagem: conhecer a estrutura da BNCC; reconhecer os caminhos percorridos pela Educação Infantil até o patamar da Base Nacional Comum Curricular; compreender a estrutura que o Ensino Fundamental possui a partir da Base Nacional Comum Curricular; identifi car as particularidades de cada competência em seus componentes curriculares no Ensino Fundamental 52 Competências Gerais e a BNCC Capítulo 2 53 CONHECENDO A ESTRUTURA E AS COMPETÊNCIAS DA BASE NACIONAL COMUM CURRICULAR JUNTO AOS COMPONENTES CURRICULARES Capítulo 2 1 CONTEXTUALIZAÇÃO Caro Pós-Graduando, seja bem-vindo ao segundo capítulo deste livro! Neste capítulo, mantemos o convide para que você continue mergulhando neste mundo em que, como vimos no primeiro capítulo, possuímos nossa responsabilidade no desenvolvimento e na busca da concretização do mesmo na estrutura educacional, mas, para tanto, faz-se necessário perceber que as políticas públicas educacionais são essenciais para a elaboração, análise, discussão e avaliação dos diversos documentos que compõem nossa estrutura educacional. E agora, com este documento que nos é apresentado para dirimir as lacunas existentes no Sistema Educacional Brasileiro. Observe que a BNCC – Base Nacional Comum Curricular –, no momento de sua concepção, buscou elencar elementos que constituem a estrutura da mesma e suas etapas, dando voz e vez aos que dela participaram e que estarão a utilizando. Esta é uma das questões a serem elencadas neste capítulo. Ainda nestas páginas estaremos tratando, de maneira mais precisa, os componentes curriculares com suas unidades temáticas apresentadas na Base Nacional Comum Curricular, que podem ser consideradas como uma bússola para o ordenamento e concretização de um sistema educacional forte e sequencial, as quais se apresentam nos três níveis de ensino, mas que neste momento serão apresentados do Ensino Fundamental e no próximo capítulo relativo ao Ensino Médio, que serão aqui expostos com suas competências e habilidades para melhor compreensão. Bem, apresentadas as ações a serem vistas neste capítulo, vamos novamente realizar nosso mergulho nesta leitura? Acreditamos que será de grande interesse para você! 2 A ESTRUTURA DA BASE NACIONAL COMUM CURRICULAR E SUAS ETAPAS Como vimos no primeiro capítulo, a Base Nacional Comum Curricular possui uma caminhada, a qual nos remeteu a diversos outros documentos já mencionados anteriormente e que agora concentram-se nesse documento, que 54 Competências Gerais e a BNCC Capítulo 2 possui o objetivo de diminuir as lacunas existentes na proposta educacional de nosso país. Assim, vamos, agora, buscar conhecer como está estruturado o documento e o porquê dessa estrutura. Estas duas questões permearão este momento. Sendo que logo trataremos de cada uma das áreas de ensino elencadas na BNCC. Relativo ao primeiro questionamento, a Base Nacional Comum Curricular possui aproximadamente 600 páginas (seiscentas páginas), contemplando desde a Educação Infantil, Ensino Fundamental e Ensino Médio. Em sua composição encontram-se as competências gerais da Base Nacional Comum Curricular; os marcos legais que embasam o documento; os fundamentos pedagógicos; o pacto interfederativo e a sua implementação (que será abordada no próximo capítulo); sua estrutura; as etapas da Educação Infantil, do Ensino Fundamental e do Ensino Médio; este último terá sua abordagem no terceiro capítulo. Relativo às etapas da Educação Infantil e do Ensino Fundamental, observam- se os direitos de aprendizagem e desenvolvimento na etapa da Educação Infantil com os campos de experiências, os objetivos e desenvolvimentos da aprendizagem e a tão temida transição da Educação Infantil para o Ensino Fundamental. Já na etapa do Ensino Fundamental, a BNCC estrutura-se com as áreas de Linguagens, a qual é composta por Língua Portuguesa no Ensino Fundamental – Anos Iniciais e Finais –, com suas práticas de linguagem, objetos de conhecimento e habilidades. Contempla ainda Artes,Educação Física, Língua Inglesa (somente para os Anos Finais). Na área da Matemática também encontramos as competências específi cas para esta área tanto nos Anos Iniciais como Finais. Na área de Ciências da Natureza, temos a disciplina de Ciências; nas Ciências Humanas, Geografi a, História e a área de Ensino Religioso para Anos Iniciais como Finais. Todas essas áreas estão apresentadas com suas competências específi cas, unidades temáticas, objetos de conhecimento e habilidades. Relacionado ao Ensino Médio, a preocupação está embasada nas habilidades, tendo as tecnologias como uma de suas vertentes. Trataremos do Ensino Médio no próximo capítulo. Cabe salientar que este documento se estrutura com o objetivo de propor aos profi ssionais da educação no momento de sua leitura uma visão mais clara 55 CONHECENDO A ESTRUTURA E AS COMPETÊNCIAS DA BASE NACIONAL COMUM CURRICULAR JUNTO AOS COMPONENTES CURRICULARES Capítulo 2 e específi ca, mostrando as competências que os alunos deverão adquirir no decorrer de sua caminhada escolar, pontuando suas habilidades, desenvolvendo sua criticidade, autonomia e equidade. Observe, no quadro a seguir, a organização das competências apresentadas no documento a partir de cada etapa. QUADRO 1 – COMPETÊNCIAS GERAIS - ETAPAS FONTE: BNCC (2018, p. 24). 56 Competências Gerais e a BNCC Capítulo 2 Ao observarmos o quadro, verifi camos que para cada nível de ensino ocorreu a preocupação de observar cada fase da criança, respeitando suas fases de crescimento, aumentado gradativamente em cada momento ou faixa etária os conhecimentos. No que diz respeito à Educação Infantil, este nível vem tratando do desenvolvimento cognitivo e físico da criança, buscando, através dos campos de experiências, estímulos para seu pleno desenvolvimento. Observe que nos campos de experiências temos as três faixas etárias que vão de 0 a 1 ano e seis meses, considerados aqui como bebês; de 1 ano e sete meses a 3 anos e onze meses, considerados crianças bem pequenas; e de 4 anos a 5 anos e onze meses de crianças pequenas. Por que esta divisão? Pelo fato de que em cada faixa etária serão trabalhados os objetivos de aprendizagem e desenvolvimento das crianças. Cabe salientar que na Educação Infantil, que é a primeira etapa da Educação Básica, encontramos os eixos estruturantes que se apresentam como interações e brincadeiras, os quais, pela BNCC, apresentam-se como direito às crianças nesta etapa de sua educação. Observe que nos campos de experiências temos as três faixas etárias que vão de 0 a 1 ano e seis meses, considerados aqui como bebês; de 1 ano e sete meses a 3 anos e onze meses, considerados crianças bem pequenas; e de 4 anos a 5 anos e onze meses de crianças pequenas. FIGURA 1 – EIXOS ESTRUTURANTES NA EDUCAÇÃO INFANTIL FONTE: A autora Estes são os seis direitos de aprendizagem e desenvolvimento que cada criança precisa para poder aprender e desenvolver-se. 57 CONHECENDO A ESTRUTURA E AS COMPETÊNCIAS DA BASE NACIONAL COMUM CURRICULAR JUNTO AOS COMPONENTES CURRICULARES Capítulo 2 Podemos perceber que esses direitos estão presentes também em outros documentos que abarcam a BNCC, que são a Constituição Federal e a Lei de Diretrizes e Bases da Educação. Esses direitos devem permear todos os níveis educacionais, elevando-se de acordo com cada momento e faixa etária. Ainda com relação aos campos de experiências na Educação Infantil, a Base Nacional Comum Curricular nos apresenta cinco campos, os quais deverão levar as crianças a sua aprendizagem e desenvolvimento. São eles: FIGURA 2 – CAMPOS DE EXPERIÊNCIAS NA EDUCAÇÃO INFANTIL FONTE: A autora Estes são os seis direitos de aprendizagem e desenvolvimento que cada criança precisa para poder aprender e desenvolver-se. Cada campo de experiência vem determinando a busca pelo conhecimento da socialização, do conhecimento de seu corpo, a utilização das formas, das cores, e dos traços na obtenção da coordenação motora fi na; a articulação das palavras, o saber ouvir, o aguçar da curiosidade e da fantasia no cognitivo da criança através da dança, das músicas, da utilização de objetos sonoros, coloridos, com a utilização de espaços e a descoberta das relações e transformações que ocorrem em sua caminhada educacional, com vivências signifi cativas, buscando compreender que o outro também faz parte de minha vida, e que este outro com meu eu transforma-se em um nós, que segue sua transformação e vai na busca de novas experiências. Salientamos que nessa etapa da Educação Infantil encontramos os campos de experiências divididos por faixa etária. Buscamos o exemplo do campo de experiência relativo a, conforme descritos no quadro: 58 Competências Gerais e a BNCC Capítulo 2 QUADRO 2 - TRAÇOS, SONS, CORES E FORMAS FONTE: BNCC (2018, p. 26) OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM E DESENVOLVIMENTO Bebês (0 a 1 ano e 6 meses) Crianças bem pequenas (1 ano e 7 meses a 3 anos e 11 meses) Crianças pequenas (4 anos a 5 anos e 11 meses) (EI01TS01) Explorar sons produzidos com o próprio corpo e com objetos do ambiente. (EI02TS01) Criar sons com materiais, ob- jetos e instrumentos musicais, para acompanhar diversos rit- mos de música. (EI03TS01) Utilizar sons produzidos por ma- teriais, objetos e instrumentos musicais durante brincadeiras de faz de conta, encenações, criações musicais, festas. Cabe salientar que em cada faixa etária encontramos seus objetivos e desenvolvimento, sempre acompanhados por um código alfanumérico. Este código alfanumérico possui a seguinte ordem e signifi cação: FONTE: BNCC (2018, p. 26) Com isso, podemos perceber que existe uma ordem de classifi cação, que se apresenta como neste exemplo, sendo: EI – Educação Infantil 02 – Crianças bem pequenas (1 ano e 7 meses a 3 anos e 11 meses). TS – Traços, sons cores e formas. 01 – Posição da habilidade no campo de experiências. Assim, fi ca mais claro encontrar os objetivos e desenvolvimento no que diz respeito à Educação Infantil. FIGURA 3 - CÓDIGO ALFANUMÉRICO 59 CONHECENDO A ESTRUTURA E AS COMPETÊNCIAS DA BASE NACIONAL COMUM CURRICULAR JUNTO AOS COMPONENTES CURRICULARES Capítulo 2 Diante do que foi exposto até o momento da Educação Infantil, vamos nos ater mais um pouco sobre como foi e está sendo a caminhada da Educação Infantil junto à Base Nacional Comum Curricular. Antes vamos dar uma paradinha para vermos se o que vimos até o momento foi bem compreendido? 1 Quando falamos da estrutura da Base Nacional Comum Curricular percebemos que a mesma possui objetivos que determinam a utilização deste documento junto aos profi ssionais da educação. Relativo a utilização deste documento pelos professores, na Educação Infantil, qual a preocupação da Base na logística deste documento? 2 A Educação Infantil possui em sua estruturação faixas etárias, as quais estão assim denominadas: bebês, crianças muito pequenas, crianças pequenas. Com isso, qual o objetivo que a Educação Infantil possui junto às crianças de zero a 5 anos e 11 meses de idade? 2.1 EDUCAÇÃO INFANTIL E SEUS CAMINHOS ATÉ A BNCC A Educação Infantil, no Brasil, passou a ter voz e vez a partir da década de 80, no momento em que foi promulgada a Constituição Federal de 1988, na qual se assegura o direito de Educação Básica gratuita dos 4 aos 17 anos de idade, incluindo aqui a Educação Infantil, dos zero aos 5 anos e 11 meses, sendo vista a partir deste momento “a criança como cidadã” (ANDRADE, 2010, p. 23). É importante ressaltar que a partir desta inclusão da Educação Infantil junto à Educação Básica passa esta a ter políticas públicasvoltadas a ela. Outro fator que deu impulso para a Educação Infantil são as diversas mudanças ocorridas na sociedade, com relação à economia, urbanização, a participação da mulher no mercado de trabalho, a organização familiar, a industrialização, entre outros. Isso é o que nos assegura Andrade (2010, p. 23): Torna-se importante, ainda, pontuar que a história do atendimento relacionado à Educação Infantil no Brasil 60 Competências Gerais e a BNCC Capítulo 2 corresponde a múltiplas determinações da reprodução da vida social, visto que as instituições de educação da criança pequena estão em estreita relação com as questões que dizem respeito à história da infância, da família, da população, da urbanização, do trabalho e das relações de produção. Cabe salientar que a Educação Infantil, a partir desses movimentos sociais, passa a ser vista com um olhar mais voltado a adotar objetivos educacionais que contribuam para o reconhecimento da criança como um sujeito histórico e social, buscando auxiliar no crescimento de crianças com conhecimento de seus direitos, realizando estímulos que as levem à formação de sua personalidade e desenvolvimento global, pois de acordo com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação, a Educação Infantil tem como fi nalidade “o desenvolvimento integral da criança de até cinco anos de idade, com foco em quatro dimensões: desenvolvimento físico, psicológico, intelectual e social” (BRASIL, 2016, p. 92-93). Podemos perceber, assim, que a Educação Infantil vem com o intuito de complementar a educação que é dada pelos pais e que se apresenta na Constituição Federal/88, no que tange à responsabilidade do Estado e da Família no cuidado com a educação das crianças. O artigo 208, inciso V, da Constituição Federal, traz em sua escrita o dever da União em garantir a Educação Infantil, em creche e pré-escola até os cinco anos de idade, o qual é realizado de forma colaborativa e organizado em sistemas de ensino da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Desta maneira, e de acordo com as Diretrizes Curriculares da Educação Básica (DCNEB, 2013, p. 84): Fica assim evidente que, no atual ordenamento jurídico, as creches e pré-escolas ocupam um lugar bastante claro e possuem um caráter institucional e educacional diverso daquele dos contextos domésticos, dos ditos programas alternativos à educação das crianças de zero a cinco anos de idade, ou da educação não formal. Com isso, podemos elencar ainda o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA, 1990), que em seu capítulo IV, artigo 53, diz: A criança e o adolescente têm direito à educação, visando ao pleno desenvolvimento de sua pessoa, preparo para o exercício da cidadania e qualifi cação para o trabalho, assegurando-se- lhes: I - Igualdade de condições para o acesso e permanência na escola; II - Direito de ser respeitado por seus educadores; III - Direito de contestar critérios avaliativos, podendo recorrer 61 CONHECENDO A ESTRUTURA E AS COMPETÊNCIAS DA BASE NACIONAL COMUM CURRICULAR JUNTO AOS COMPONENTES CURRICULARES Capítulo 2 às instâncias escolares superiores; IV - Direito de organização e participação em entidades estudantis; V - Acesso à escola pública e gratuita próxima de sua residência. Parágrafo único. É direito dos pais ou responsáveis ter ciência do processo pedagógico, bem como participar da defi nição das propostas educacionais. Observados os documentos que até aqui determinam o direito à Educação Infantil em seus mais diversos aspectos, podemos perceber que a Base Nacional Comum Curricular vem abarcar todas as leis aqui apresentadas e fortifi car a ideia de uma educação com valores que auxiliem o desenvolvimento integral das crianças. Não podemos deixar de mencionar que o Plano Nacional de Educação contempla essa etapa do Educação Básica. É apresentado neste plano que a Educação Infantil compreende as seguintes faixas etárias: • Creche: Bebês (zero a 1 ano e 6 meses) e Crianças bem pequenas (1 ano e 7 meses a 3 anos e 11 meses). • Pré-Escola: Crianças pequenas (4 anos a 5 anos e 11 meses). Com esta estrutura, verifi ca-se que o olhar que se volta para a Educação Infantil é maior e mais consistente, pois observa-se que as crianças passam a ser vistas como seres que necessitam de estímulos e busca-se modifi car esta concepção do “somente cuidar”, elencando junto a esta ação o educar. Assim, foi sendo vinculada a ideia do educar e do cuidar. É preciso, porém, verifi car que mesmo buscando-se esta conexão entre educar e cuidar, observa-se ainda uma grande defasagem no que tange ao respeito e à igualdade de condições relacionada à miséria, à exploração, ao descaso para com essas crianças. O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), em sua pesquisa sobre Pobreza na Infância e na Adolescência, lançada em 14 de agosto de 2018, nos alerta com os seguintes dados: [...] 61% das crianças e dos adolescentes brasileiros são afetados pela pobreza, em suas múltiplas dimensões. O estudo mostra que a pobreza na infância e na adolescência vai além da renda. Além de a pobreza monetária, é preciso observar o conjunto de privações de direitos a que meninas e meninos são submetidos. Frente a isso, observamos que as privações que esse percentual de crianças e adolescentes sofrem representam a necessidade da redução das desigualdades 62 Competências Gerais e a BNCC Capítulo 2 sociais e regionais, como a promoção do bem-estar de todos, como se apresenta no artigo 3º, inciso II e IV da Constituição Federal. Observa-se na pesquisa realizada pela UNICEF para a Infância que as privações vão desde o saneamento básico, em primeiro lugar com (13,3 milhões) de crianças e adolescentes, sendo seguido pela educação com (8,8 milhões), tendo também a água (7,6 milhões), informação (6,8 milhões), moradia (5,9 milhões) e trabalho infantil (2,5 milhões). Essas privações desencadeiam outros problemas, pois ao chegarem à Educação Infantil essas crianças necessitam ser trabalhadas de maneira a consolidar o que as leis determinam em suas linhas e parágrafos. Estamos caminhando na busca da eliminação dessas privações, mas sabemos que não é “num estalar de dedos” que isso ocorrerá. Muitas são as mudanças econômicas e políticas que farão a máquina voltar a seguir sua função. No que diz respeito à educação, cabe a cada um de nós, independentemente da situação que se encontra nosso país, realizar nossa parte no processo e tentar obter a imersão no documento que hora estamos estudando, que é de extrema necessidade. Salientamos, ainda, que as privações apresentadas pela UNICEF denotam violação dos direitos constitucionais, assim, cabe à União, Estados e Municípios um trabalho junto à Educação Infantil, priorizando o cumprimento de sua função pedagógica. Como isso poderá ser cumprido? Como cada movimento poderá ocorrer? Vamos às respostas com uma breve leitura com nosso amigo LEO. Recorte de texto retirado do livro Diretrizes Curriculares Nacionais da Educação Básica (2013, p. 85): [...] cumprir tal função signifi ca, em primeiro lugar, que o Estado necessita assumir sua responsabilidade na educação coletiva das crianças, complementando a ação das famílias. Em segundo lugar, creches e pré-escolas constituem-se em estratégia de promoção de igualdade de oportunidades entre homens e mulheres, uma vez que permitem às mulheres sua realização para além do contexto doméstico. Em terceiro lugar, cumprir função sociopolítica e pedagógica das creches e pré-escolas implica assumir a 63 CONHECENDO A ESTRUTURA E AS COMPETÊNCIAS DA BASE NACIONAL COMUM CURRICULAR JUNTO AOS COMPONENTES CURRICULARES Capítulo 2 responsabilidade detorná-las espaços privilegiados de convivência, de construção de identidades coletivas e de ampliação de saberes e conhecimentos de diferentes naturezas, por meio de práticas que atuam como recursos de promoção da equidade de oportunidades educacionais entre as crianças de diferentes classes sociais no que se refere ao acesso a bens culturais e às possibilidades de vivência da infância. Em quarto lugar, cumprir função sociopolítica e pedagógica requer oferecer as melhores condições e recursos construídos histórica e culturalmente para que as crianças usufruam de seus direitos civis, humanos e sociais e possam se manifestar e ver essas manifestações acolhidas, na condição de sujeito de direitos e de desejos. Signifi ca, fi nalmente, considerar as creches e pré-escolas na produção de novas formas de sociabilidade e de subjetividades comprometidas com a democracia e a cidadania, com a dignidade da pessoa humana, com o reconhecimento da necessidade de defesa do meio ambiente e com o rompimento de relações de dominação etária, socioeconômica, étnico-racial, de gênero, regional, linguística e religiosa que ainda marcam nossa sociedade. Com esta breve leitura podemos perceber que a União está na busca por mudanças, apresentando-nos a Base Nacional Comum Curricular, que no que diz respeito à Educação Infantil busca apresentar que o cuidar e o educar estão concomitantemente interligados. Fazendo com que o momento da acolhida, os momentos de convivência e os conhecimentos que as crianças trazem do seio familiar, sejam articulados com a proposta pedagógica da instituição, conseguindo assim, [...] ampliar o universo de experiências, conhecimentos e habilidades dessas crianças, diversifi cando e consolidando novas aprendizagens, atuando de maneira complementar à educação familiar – especialmente quando se trata da educação dos bebês e das crianças bem pequenas, que envolve aprendizagens muito próximas aos dois contextos (familiar e escolar), como a socialização, a autonomia e a comunicação (BNCC, 2018, p. 34). Observa-se a necessidade de participação da família nesse processo. Cabe à Educação Infantil buscar o trabalho com as diversas culturas que formam a clientela da instituição. 64 Competências Gerais e a BNCC Capítulo 2 Nessa perspectiva de dialogicidade entre escola e família, cabe ressaltar que a mesma se faz presente também na construção de um currículo para a área. Deixamos então, neste momento, para complementar as falas sobre a Educação Infantil, um texto de Samira Oliveira, que é intitulado: A IMPORTÂNCIA DA EDUCAÇÃO INFANTIL PARA O DESENVOLVIMENTO A Educação Infantil foi, por muito tempo, vista como apenas um local específi co para cuidado de crianças pequenas, não se levando em conta o caráter pedagógico. Com a evolução das políticas educacionais (ainda que lentas e engatinhando), através das novas descobertas sobre o desenvolvimento infantil, o educar se tornou tão importante quanto o cuidar. Como educar, ensinar conteúdos na Educação Infantil, com crianças tão pequenas? A criança deve ser vista na sua totalidade. Devemos respeitar o ritmo de cada uma, bem como sua história e cultura em que está inserida. Nessa fase aprende-se de forma lúdica, através de brincadeiras e atividades que explorem a socialização das crianças. É importante que aprendam sobre respeito, confi ança e aceitação, desde muito pequenos. O professor é um mediador do conhecimento, que auxilia a criança nesse processo de experimentação do mundo. O contato com novos ambientes, diferentes crianças e regras é essencial para o desenvolvimento infantil. Porém, esse processo não se fi nda na escola. A família tem papel essencial, pois deve dar continuidade ao trabalho desenvolvido pelo professor, orientando em atividades “para casa”, e estando sempre presente na comunidade escolar. Hoje, infelizmente lidamos com alguns extremos sobre a educação. Uns são muito rígidos, não levam em conta a criança como um ser único e suas difi culdades individuais. Outros chegam a ser levianos ao não aceitar imposição de regras à criança, e acreditam que seus fi lhos devem ser tratados com certas regalias em detrimento de outros. Fica aí uma tarefa praticamente impossível para o professor: agradar a todos. Antigamente não era assim, e professores eram respeitados acima de qualquer situação, mas muitos valores se perderam. 65 CONHECENDO A ESTRUTURA E AS COMPETÊNCIAS DA BASE NACIONAL COMUM CURRICULAR JUNTO AOS COMPONENTES CURRICULARES Capítulo 2 Nossas políticas não são tão evoluídas quanto é necessário. Afi nal, a conscientização sobre a importância da Educação Infantil e sobre os profi ssionais que nela atuam ainda está muito aquém do ideal. Pais que, no caso da escola particular, querem infl uenciar em todas as situações usando o poder fi nanceiro (eu pago, eu mando). Eles vão na contramão da educação e transformam seus fi lhos em cidadãos que não respeitam o próximo e que acreditam no poder do “eu pago”. A LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação) assegura o desenvolvimento integral da criança, nos aspectos físico, psicológico, intelectual e social, orientando a família e a comunidade. Dessa forma, muitos pais são negligentes com a vida escolar de seus fi lhos, deixando toda a responsabilidade para a escola ou simplesmente não colaboram e não aceitam as orientações dadas pelos educadores. Não importa o quanto estes tenham dedicado sua vida ao estudo e ao trabalho com o desenvolvimento infantil e conheçam a capacidade de cada um de seus educandos. Esse desenvolvimento integral é a totalidade já citada no início do texto. A criança desenvolve: • Seu lado afetivo e social, ao lidar com os colegas de turma. • Sua capacidade de atender a regras e autoridades, ao respeitar o professor. • O cognitivo ao aprender novos conteúdos que são introduzidos na rotina diária, através de atividades lúdicas. • A coordenação motora, tão importante para diversos contextos em nosso dia a dia, principalmente no que diz respeito ao aprendizado da escrita. • Sua autonomia. E assim por diante. Não, não é só brincadeira como muitos pais pensam. Não, as crianças não fi cam apenas assistindo desenho animado ou dormindo. É aprendizado, é estímulo, é vivência, é amadurecimento! E os professores e toda a comunidade escolar estão preparados e compreendem muito bem o assunto! A Educação Infantil é de extrema importância para a adaptação à rotina pedagógica, e para o aprendizado de conceitos básicos que serão necessários nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental. É nela que a criança aprende a aprender. E precisa ser uma experiência satisfatória e prazerosa, 66 Competências Gerais e a BNCC Capítulo 2 para que sua trajetória escolar seja proveitosa e sem lamentos. Em pesquisas se observa que, muitos alunos com alto índice de repetência, são crianças que não frequentaram a Educação Infantil. É comum ouvirmos que nossas orientações são “besteiras”, e que “é assim mesmo” quando sinalizamos algo que pode ser melhorado… Não podemos pormenorizar a Educação Infantil. Não podemos agir como se ela fosse desnecessária. Precisamos valorizar essa fase da criança, e os profi ssionais que dela cuidam e educam. Como escola, devemos sempre buscar atualização e estar à frente do nosso tempo. A educação não é mais a mesma, as crianças são mais espertas e têm acesso a mais informações que antigamente. A escola precisa investir nos profi ssionais, inclusive em psicólogos e psicopedagogos. Profi ssionais especializados acompanhando a criança desde a Educação Infantil com certeza conseguirão obter maior sucesso de uma forma geral com essa criança. Como família, precisamos ser mais humildes. Sabemos que para toda regrahá exceção, mas acredito que a grande maioria das escolas queira o bem de seus alunos, e não teria motivos para prejudicá-los. Por isso, acreditem nas orientações que esses profi ssionais lhes dão! Eles são as pessoas mais indicadas para isso! FONTE: <https://www.psiconlinews.com/2016/12/importancia-da-educacao- infantil-para-o-desenvolvimento.html>. Acesso em: 22 dez. 2018. Frente ao apresentado, e percebendo a importância da Educação Infantil no processo de desenvolvimento da criança, precisamos agora compreender que as crianças, ao fi ndarem sua etapa na Educação Infantil, irão, a partir dos 6 anos de idade, ser apresentadas ao Ensino Fundamental, o qual vem, através da BNCC, instituir um ambiente que não traga tantas difi culdades de adaptação para a criança. Nesse processo, a BNCC nos detalha que é necessário muito cuidado para que a transição ocorra com equilíbrio, observando o trabalho pedagógico já desenvolvido e dar ao mesmo uma continuidade para o desenvolvimento pleno da criança. Importante frisar que neste momento de transição para o Ensino Fundamental – Anos Iniciais – observe-se o que a criança já sabe fazer, o que já possui de conhecimento e dos caminhos percorridos pelos profi ssionais da Educação Infantil junto aos educandos. 67 CONHECENDO A ESTRUTURA E AS COMPETÊNCIAS DA BASE NACIONAL COMUM CURRICULAR JUNTO AOS COMPONENTES CURRICULARES Capítulo 2 Por isso, a necessidade do diálogo e de documentos que comprovem o que foi realizado na área pedagógica entre os profi ssionais da educação é de extrema necessidade no primeiro momento, que para a criança é tudo tão novo e diferente, quanto aos espaços, e aos próprios profi ssionais que agora farão parte de sua vida educacional. Agora, vamos dar mais uma parada para verifi car se o que vimos até o momento está bem compreendido por você. 1 A institucionalização da Educação Infantil, na década de 80, ocorreu por motivos que determinaram mudanças na vida familiar. Que fatores foram preponderantes para que ocorresse essa mudança de visão em relação aos bebês, crianças muito pequenas e crianças pequenas? 2 Se buscarmos os documentos que pautam o cuidar e o educar na Educação Infantil encontraremos uma fala única. Relativo a esta fala, o que a Lei de Diretrizes e Bases da Educação fala sobre o desenvolvimento da criança em suas várias fases? Realizada a análise de transição e autoatividade, vamos então nos ater à estrutura que foi elaborada para o Ensino Fundamental, que vem com a apresentação dos Anos Iniciais e Finais. 2.2 ENSINO FUNDAMENTAL E SUA ESTRUTURA Quando tratamos do Ensino Fundamental precisamos ter claro que este se compõe em Anos Iniciais (1º ao 5º ano) e Anos Finais (6º ao 9º ano). 68 Competências Gerais e a BNCC Capítulo 2 FIGURA 4 – ÁREAS DE CONHECIMENTO ENSINO FUNDAMENTAL FONTE: BNCC (2018, p. 27) Cabe salientar que essa organização está de acordo com o Parecer do Conselho Nacional de Educação e da Câmara de Educação Básica, nº 11 de 07 de julho de 2010, que trata da ampliação do Ensino Fundamental para nove anos, buscando maiores condições de melhoria do ensino junto aos alunos, através de um novo currículo, e de novos projetos políticos-pedagógicos. Com essas áreas do conhecimento, tem-se o objetivo de que em cada uma delas está a formação integral do aluno, dando possibilidades de crescimento e busca de novas possibilidades de alargar os conhecimentos, junto aos conteúdos ali apresentados no decorrer do ano letivo e, posteriormente, ocorrendo uma integração entre Anos Iniciais e Anos Finais no Ensino Fundamental. Salienta-se, ainda, que cada etapa possui suas particularidades no que tange ao Ensino Fundamental dos Anos Iniciais como dos Anos Finais, observando suas especifi cidades em cada fase. Fica claro, assim, que as competências expressas no Ensino Fundamental devem estar presentes em toda caminhada escolar do aluno, observando as competências elencadas na Base Nacional Comum Curricular que se apresentam entrelaçadas e especifi cadas em cada componente curricular. É importante destacar que em Linguagens e Ciências Humanas encontramos mais de um componente curricular, que foi apresentado anteriormente, que recebe a denominação de competências específi cas do componente, as quais devem ser trabalhadas no decorrer do Ensino Fundamental. 69 CONHECENDO A ESTRUTURA E AS COMPETÊNCIAS DA BASE NACIONAL COMUM CURRICULAR JUNTO AOS COMPONENTES CURRICULARES Capítulo 2 De acordo com a BNCC, a partir das competências específi cas dos componentes busca-se uma “articulação horizontal entre as áreas, perpassando todos os componentes curriculares, e também a articulação vertical, ou seja, a progressão entre o Ensino Fundamental – Anos Iniciais – e o Ensino Fundamental – Anos Finais – e a continuidade das experiências dos alunos, considerando suas especifi cidades” (BNCC, 2018, p. 28). Desta maneira, encontramos no Ensino Fundamental – Anos Iniciais e Finais –, as unidades temáticas, os objetivos de conhecimento e habilidades. Sendo que para o desenvolvimento pleno das competências específi cas, faz-se necessária a apresentação de habilidades, as quais relacionam-se a “diferentes objetos de conhecimento – aqui entendidos como conteúdos, conceitos e processos – que por sua vez são organizados em unidades temáticas” (BNCC, 2018, p. 28). É necessário observar que são muitas as possibilidades de organização do conhecimento na escola, assim, “as unidades temáticas defi nem um arranjo dos objetos de conhecimento ao longo do Ensino Fundamental adequado às especifi cidades dos diferentes componentes curriculares” (BNCC, 2018, p. 29). Fica bem claro no exemplo a seguir: De acordo com a BNCC, a partir das competências específi cas dos componentes busca- se uma “articulação horizontal entre as áreas, perpassando todos os componentes curriculares, e também a articulação vertical, ou seja, a progressão entre o Ensino Fundamental – Anos Iniciais – e o Ensino Fundamental – Anos Finais – e a continuidade das experiências dos alunos, considerando suas especifi cidades” (BNCC, 2018, p. 28). QUADRO 3 – UNIDADES TEMÁTICAS, OBJETOS DE CONHECIMENTO E HABILIDADES FONTE: BNCC (2018, p. 26) CIÊNCIAS – 1º ANO UNIDADES TEMÁTICAS OBJETOS DECONHECIMENTO HABILIDADES Vida e evolução Corpo humano Respeito à diversidade (EF01C102) Localizar, nomear e represen- tar grafi camente (por meio de desenhos) par- tes do corpo humano e explicar suas funções. (EF01C103) Discutir as razões de higiene do corpo (lavar as mãos antes de comer, es- covar os dentes, limpar os olhos, o nariz e as orelhas etc.) são necessários para a manu- tenção da saúde. (EF01C104) Comparar características físicas entre os colegas, reconhecendo a di- versidade e a importância da valorização do acolhimento e do respeito às diferenças. 70 Competências Gerais e a BNCC Capítulo 2 Observe que este exemplo nos elenca novas possibilidades de compreender como a construção do conhecimento vai recebendo, no decorrer do Ensino Fundamental, em suas áreas (Anos Iniciais e Finais), elementos que possibilitam o desenvolvimento e habilidades que serão levadas para o cotidiano do aluno. A teoria e a prática unidas neste movimento de ensino aprendizagem se apresentam de maneira gradativa. Trazemos algumas observações no que tange à coluna das habilidades, precisamos ter bem claro que elas [as habilidades] “não descrevem ações ou condutas esperadas dos professores, nem induzem à opção por abordagens ou metodologias” (BNCC, 2018, p. 30, grifo do original). Faz-se necessário relembrar o que apresentamos no primeiro capítulo deste livro, noqual comentamos que a BNCC não veio para que os profi ssionais simplesmente “copiem e colem”, pelo contrário, é necessário que as escolhas sejam realizadas a partir da construção dos currículos de cada Estado, Município, cada escola em sua realidade. Lembrando que esse documento possui mobilidade, permitindo a possibilidade de cada instituição moldar suas ações, habilidades de acordo com a realidade em seu entorno. Ainda no que diz respeito às habilidades, encontramos em cada unidade temática e objeto de conhecimento a presença nas habilidades de código alfanumérico. O código alfanumérico é composto por letras e números que identifi cam o nível de ensino, ao ano (01 ao 09 ano), ao bloco de anos, a que componente curricular pertence e a indicação da posição da habilidade na numeração sequencial que compõe o ano ou o bloco de anos. Ficou confuso? Vamos ao exemplo: O código alfanumérico é composto por letras e números que identifi cam o nível de ensino, ao ano (01 ao 09 ano), ao bloco de anos, a que componente curricular pertence e a indicação da posição da habilidade na numeração sequencial que compõe o ano ou o bloco de anos. 71 CONHECENDO A ESTRUTURA E AS COMPETÊNCIAS DA BASE NACIONAL COMUM CURRICULAR JUNTO AOS COMPONENTES CURRICULARES Capítulo 2 FIGURA 5 – COMPOSIÇÃO DAS UNIDADES TEMÁTICAS, OBJETOS E HABILIDADES FONTE: BNCC (2018, p. 30) Vamos à explicação! EF – Ensino Fundamental. 67 – Indica o ano em que o aluno se encontra. No caso, aqui, sexto e sétimo ano. EF – Este segundo par de letras indica o componente curricular. Aqui Educação Física. 01 – Posição das habilidades na numeração sequencial do ano. Relativo à posição das habilidades, isso não signifi ca que devemos nos utilizar das habilidades assim como se encontram na Base Nacional Comum Curricular, mas sim, de acordo com a realidade de cada escola, em seu tempo e espaço. 72 Competências Gerais e a BNCC Capítulo 2 Extra...Extra... Informação importante! [...] é preciso enfatizar que os critérios de organização das habilidades descritos na BNCC (com a explicitação dos objetos de conhecimento aos quais se relacionam e do agrupamento desses objetos em unidades temáticas) expressam um arranjo possível (dentre outros). Portanto, os agrupamentos propostos não devem ser tomados como modelo obrigatório para o desenho dos currículos. A forma de apresentação adotada na BNCC tem por objetivo assegurar a clareza, a precisão e a explicitação do que se espera que todos os alunos aprendam na Educação Básica, fornecendo orientações para a elaboração de currículos em todo o país, adequados aos diferentes contextos. FONTE: BNCC (2018, p. 31) Bem, frente ao já exposto, é preciso verifi car que no Ensino Fundamental as disciplinas se intersectam, dando assim possibilidade de os educandos perceberem a ligação que ocorre entre as disciplinas, permitindo maior robustez e consonância na construção do conhecimento. Nada pode ser apresentado de forma desconexa, é preciso existir a dialogicidade entre as disciplinas, para tanto, cabe aos profi ssionais perceberem a necessidade desse movimento. Verifi camos que quando as crianças chegam nos Anos Iniciais (1º ao 5º ano), deve continuar sendo evidenciada as atividades que elevam o lúdico, dando continuidade a esses aspectos já existentes na Educação Infantil, pois a ludicidade é uma das ferramentas que leva a criança a descobertas incríveis na área de conhecimento, como na de sociabilidade. Com isso, no desenvolvimento da ludicidade, encontramos possibilidades de a criança construir seu conhecimento, testar suas habilidades, levando as experiências para seu cotidiano e sua elaboração de ideias quanto aos temas tratados no processo de ensino-aprendizagem, visto que o brincar e o jogar elevam a criatividade da criança, dando possibilidades de socializar-se, de imitar, de criar um novo outro em si mesmo, dando assim a possibilidade de encontrar respostas aos problemas que possam surgir no movimento do brincar e jogar. 73 CONHECENDO A ESTRUTURA E AS COMPETÊNCIAS DA BASE NACIONAL COMUM CURRICULAR JUNTO AOS COMPONENTES CURRICULARES Capítulo 2 Não é somente na Educação Infantil que o brincar deve ser inserido, mas em todas as fases de construção do conhecimento da criança. Veja que o brincar e o jogar vão sendo modifi cados com o passar dos anos e da maturação do aluno, possibilitando seu entendimento e a possibilidade de realizar leituras sobre as ações desenvolvidas e ocorridas. Sabemos que as crianças, nessa fase da vida, passam por diversas mudanças em seu desenvolvimento físico e psíquico. Seu corpo começa a tomar novas formas, suas crises emocionais são mais frequentes e cabe ressaltar que a afi rmação da identidade vem carregada de mudanças e possibilidades de construção coletiva e individual, tanto no espaço escolar como na comunidade em que está inserida. As atividades que compõem a vida familiar também são de extrema importância, seja em suas memórias individuais, coletivas ou nos aspectos culturais; a participação por meio das novas tecnologias também é um estimulador em seu crescimento, instigando a curiosidade e o surgimento de novas perguntas. De acordo com a Base Nacional Comum Curricular (2018, p. 56): O estímulo ao pensamento criativo, lógico e crítico, por meio da construção e do fortalecimento da capacidade de fazer perguntas e de avaliar respostas, de argumentar, de interagir com diversas produções culturais, de fazer uso de tecnologias de informação e comunicação, possibilita aos alunos ampliar sua compreensão de si mesmos, do mundo natural e social, das relações dos seres humanos entre si e com a natureza. Fica claro que a faixa etária de cada aluno deve ser respeitada e que os trabalhos desenvolvidos busquem o aprimoramento de cada vivência construída no processo de ensino aprendizagem. Assim, quando falamos da fase de alfabetização das crianças, a qual se intensifi ca, agora muito mais nos dois primeiros anos (até o 2º ano), busca-se desta maneira “garantir amplas oportunidades para que os alunos se apropriem do sistema de escrita alfabética de modo articulado ao desenvolvimento de outras habilidades de leitura e de escrita e ao seu envolvimento em práticas diversifi cadas de letramentos” (BNCC, 2018, p. 57). Cabe abrir aqui um espaço para o que se entende por Alfabetização. A alfabetização não é algo que nasce conosco, muito pelo contrário, é necessário que tenhamos bem claro que ler e escrever são ações que se desenvolvem a partir de processos de ensino-aprendizagem, pois de acordo com Vygotsky (2001, p. 115): 74 Competências Gerais e a BNCC Capítulo 2 A aprendizagem não é em si mesma desenvolvimento, mas uma correta organização da aprendizagem da criança conduz ao desenvolvimento mental, ativa todo um grupo de processos de desenvolvimento, e esta ativação não poderia produzir- se sem a aprendizagem. Por isso a aprendizagem é um momento intrinsecamente necessário e universal para que se desenvolvam na criança essas características humanas não- naturais, mas formadas historicamente. Frente a isso, percebemos que o ser humano, em sua incompletude, busca descobrir-se a cada momento, refl etindo “sobre si mesmo e, assim, como ser que está no mundo e com o mundo, reconhece que sabe e que pode saber ainda mais” (VIECILI, 2009, p. 14). Desta maneira, continuamos na busca pela completude, pela nossa evolução e o aprender e o buscar estarão sempre presentes no processo de ensino e aprendizagem. Cabe ressaltar que Paulo Freire (2002) também nos remete à questão de que a alfabetização não é algo voltado de dentro para fora, mas sim de fora para dentro. Nãose preocupando com uma educação bancária, mas uma educação libertadora, que leva o educando a conhecer-se e a buscar o conhecimento partindo do que ele já sabe, do que ele vivencia. Nessa perspectiva, a construção do conhecimento passa a ser elaborada de maneira horizontal, em que tanto o professor como o aluno estão abertos a construir e a transformar sua realidade. E o que é letramento dentro do contexto da alfabetização? Pelas palavras de Magda Soares, em seu artigo Alfabetização e Letramento: caminhos e descaminhos, a alfabetização e o letramento, nesta fase de desenvolvimento (Anos Iniciais) indicam: [...] que alfabetização – entendida como a aquisição do sistema convencional de escrita – distingue-se de letramento – entendido como o desenvolvimento de comportamentos e habilidades de uso competente da leitura e da escrita em práticas sociais: distinguem-se tanto em relação aos objetos de conhecimento quanto em relação aos processos cognitivos e linguísticos de aprendizagem e, portanto, também de ensino desses diferentes objetos. Tal fato explica por que é conveniente a distinção entre os dois processos. Por outro lado, também é necessário reconhecer que, embora distintos, alfabetização e letramento são interdependentes e indissociáveis: a alfabetização só tem sentido quando desenvolvida no contexto de práticas sociais de leitura e de escrita e por meio dessas práticas, ou seja, em um contexto de letramento e por meio de atividades de letramento; este, por sua vez, só pode desenvolver-se na dependência da e por meio da aprendizagem do sistema de escrita (SOARES, 2018, p. 97). 75 CONHECENDO A ESTRUTURA E AS COMPETÊNCIAS DA BASE NACIONAL COMUM CURRICULAR JUNTO AOS COMPONENTES CURRICULARES Capítulo 2 Desta feita, alfabetização e letramento possuem uma ligação, na qual o educando vai se apropriando do sistema convencional de escrita e no letramento com suas práticas sociais, tanto da escrita como da leitura. Os processos de alfabetização e letramento envolvem a criatividade, que deve permanecer em todo o processo de ensino- aprendizagem. Tudo é um processo contínuo, de grandes possibilidades de desenvolvimento. Para a BNCC, a alfabetização, de maneira resumida, possui como defi nição de capacidade e habilidades, como sendo capacidades de (de)codifi cação, que envolvem: • Compreender diferenças entre escrita e outras formas gráfi cas (outros sistemas de representação). • Dominar as convenções gráfi cas (letras maiúsculas, minúsculas, cursiva e script). • Conhecer o alfabeto. • Compreender a natureza alfabética do nosso sistema de escrita. • Dominar as relações entre grafema e fonemas. • Saber decodifi car palavras e textos escritos. • Saber ler, reconhecendo globalmente as palavras. • Ampliar a sacada do olhar para porções maiores de texto que leras palavras, desenvolvendo assim fl uência e rapidez de leitura (fatiamento) (BNCC, 2018, p. 91). Perante esta explanação, podemos verifi car que a alfabetização e a ortografi a buscam impactar no desenvolvimento dos textos, os quais devem estar pontuando ou ser pontuados por produções compartilhadas, em que o aluno e o professor estejam realizando, através de textos, como receitas, convites, lista de compras, manchetes de jornais, elaboração de regras da turma, dando assim maior conectividade entre o que acontece no cotidiano do aluno. Podemos perceber que a alfabetização vai aos poucos tomando corpo, e o foco inicial está na grafi a, e sendo articulada com os demais anos de estudo através da acentuação e pontuação, como também nos conhecimentos e a análise multissemiótica e linguística (BNCC, 2018). No que diz respeito à palavra multissemiótica, buscamos em alguns autores, como Mendonça (2008, p. 3), que [...] o entrecruzamento de linguagens e o crescente espaço dedicado às semioses não verbais tornaram-se um padrão recorrente em vários gêneros mais atuais. Isso pode ser observado em propagandas institucionais, em textos expositivos de livros didáticos das mais diversas disciplinas, em artigos de divulgação científi ca, em cartilhas educativas, Os processos de alfabetização e letramento envolvem a criatividade, que deve permanecer em todo o processo de ensino- aprendizagem. Tudo é um processo contínuo, de grandes possibilidades de desenvolvimento. 76 Competências Gerais e a BNCC Capítulo 2 etc. A recorrência à mistura do sistema verbal com imagens para produzir sentido tem funcionado, nesses contextos, tanto como uma estratégia persuasiva quanto como um facilitador do acesso à informação. Assim, podemos perceber que a produção textual e a leitura tomam novas perspectivas na sociedade em que vivemos, pois, com as diversas mudanças e evolução acoplada às novas tecnologias, podemos dizer que a linguagem, a leitura e a produção de textos tomam novas formas, podendo ser apresentados através de imagens, músicas e não somente na escrita. Aí retomamos o que Magda Soares nos citou anteriormente, de existir uma conexão entre alfabetização e letramento. Consequentemente, podemos dizer que a linguagem perpassa não só pela escrita, mas pelas diversas práticas sociais, como a linguagem verbal, que evoca a oralidade e a visão motora – Libras; visual, corporal, sonora e a digital. Observe que estamos nos atendo a alguns dos pontos mais importantes que constituem as áreas de conhecimento, buscando de maneira clara e objetiva determinar algumas ações que geram cada uma das áreas aqui citadas. Relativo aos Anos Finais, a Língua Portuguesa, vem com uma ampliação dos gêneros textuais relacionados às demais disciplinas e áreas de atuação. Nesta etapa ocorre a participação mais efetiva dos adolescentes e jovens, de maneira mais crítica, pois de acordo com a Base Nacional Comum Curricular (2018, p. 134): Essa mudança em relação aos anos iniciais favorece não só o aprofundamento de conhecimentos relativos às áreas, como também o surgimento do desafi o de aproximar esses múltiplos conhecimentos. A continuidade da formação para a autonomia se fortalece nessa etapa, na qual os jovens assumem maior protagonismo em práticas de linguagem realizadas dentro e fora da escola. Além da Língua Portuguesa, temos também o componente curricular – Arte – que possui como centro as seguintes linguagens: Artes Visuais, Teatro, Música e Dança. Estas se reúnem em uma unidade temática, tendo seus objetos de conhecimento e habilidades que assim se apresentam em suas seis dimensões: Consequentemente, podemos dizer que a linguagem perpassa não só pela escrita, mas pelas diversas práticas sociais, como a linguagem verbal, que evoca a oralidade e a visão motora – Libras; visual, corporal, sonora e a digital. 77 CONHECENDO A ESTRUTURA E AS COMPETÊNCIAS DA BASE NACIONAL COMUM CURRICULAR JUNTO AOS COMPONENTES CURRICULARES Capítulo 2 • Criação: refere-se ao fazer artístico, quando os sujeitos criam, produzem e constroem. Trata-se de uma atitude intencional e investigativa que confere materialidade estética a sentimentos, ideias, desejos e representações em processos, acontecimentos e produções artísticas individuais ou coletivas. Essa dimensão trata do apreender o que está em jogo durante o fazer artístico, processo permeado por tomadas de decisão, entraves, desafi os, confl itos, negociações e inquietações. • Crítica: refere-se às impressões que impulsionam os sujeitos em direção a novas compreensões do espaço em que vivem, com base no estabelecimento de relações, por meio do estudo e da pesquisa, entre as diversas experiências e manifestações artísticas e culturais vividas e conhecidas. Essa dimensão articula ação e pensamento propositivos, envolvendo aspectos estéticos,políticos, históricos, fi losófi cos, sociais, econômicos e culturais. • Estesia: refere-se à experiência sensível dos sujeitos em relação ao espaço, ao tempo, ao som, à ação, às imagens, ao próprio corpo e aos diferentes materiais. Essa dimensão articula a sensibilidade e a percepção, tomadas como forma de conhecer a si mesmo, o outro e o mundo. Nela, o corpo em sua totalidade (emoção, percepção, intuição, sensibilidade e intelecto) é o protagonista da experiência. • Expressão: refere-se às possibilidades de exteriorizar e manifestar as criações subjetivas por meio de procedimentos artísticos, tanto em âmbito individual quanto coletivo. Essa dimensão emerge da experiência artística com os elementos constitutivos de cada linguagem, dos seus vocabulários específi cos e das suas materialidades. • Fruição: refere-se ao deleite, ao prazer, ao estranhamento e à abertura para se sensibilizar durante a participação em práticas artísticas e culturais. Essa dimensão implica disponibilidade dos sujeitos para a relação continuada com produções artísticas e culturais oriundas das mais diversas épocas, lugares e grupos sociais. • Refl exão: refere-se ao processo de construir argumentos e ponderações sobre as fruições, as experiências e os processos criativos, artísticos e culturais. É a atitude de perceber, analisar e interpretar as manifestações artísticas e culturais, seja como criador, seja como leitor (BNCC, 2018, p. 192-193). Por que a utilização destas dimensões? A resposta é muito simples, para que se consiga obter maior efi cácia no processo ensino-aprendizagem, atingindo assim os conhecimentos e experiências que venham a constituir o processo, levando- se em consideração as experiências artísticas que envolvem sensibilidade, 78 Competências Gerais e a BNCC Capítulo 2 corporeidade, plasticidade, sonoridade, considerando as experiências, as vivências e a subjetividade do educando. Verifi ca-se, então, que se busca uma integração relativa aos conhecimentos junto ao componente curricular. Relativo às linguagens que compõem o componente curricular - Arte, vamos tentar defi ni-los de acordo com o pensamento retratado na BNCC. FIGURA 6 - ARTES VISUAIS: CONCRETAS OU SIMBÓLICAS FONTE: <http://blog.cienciasecognicao.org/wp-content/uploads/2017/10/worlds-largest- mural-eduardo-kobra-street-art-rio-2016-1jpg-300x298.jpg>. Acesso em: 24 dez. 2018. ARTES VISUAIS: constituem-se de atividades realizadas pelo ser humano, deixando a criatividade fruir, e sendo a visão um dos elementos de comunicação. As artes visuais representam tanto o imaginário como a realidade, têm relação direta com a beleza estética. Consequentemente, de acordo com a BNCC (2018, p. 193), verifi ca-se a possibilidade, com as artes visuais, dos alunos explorarem de maneira dialógica espaços diversos e assim “ampliar os limites e criar novas formas de interação artística e de produção cultural, sejam elas concretas, sejam elas simbólicas”. 79 CONHECENDO A ESTRUTURA E AS COMPETÊNCIAS DA BASE NACIONAL COMUM CURRICULAR JUNTO AOS COMPONENTES CURRICULARES Capítulo 2 FIGURA 7 - DANÇA: SENTIMENTO DO CORPO FONTE: <http://douglasdim.blogspot.com/2011/09/danca.html>. Acesso em: 24 dez. 2018. DANÇA: é uma forma de expressar-se com o corpo, através de movimentos acompanhados pela música, dando assim possibilidades de o dançarino expressar suas emoções. De acordo com a BNCC (2018, p. 193): [...] se constitui como prática artística pelo pensamento e sentimento do corpo, mediante a articulação dos processos cognitivos e das experiências sensíveis implicados no movimento dançado. Os processos de investigação e produção artística da dança centram-se naquilo que ocorre no e pelo corpo, discutindo e signifi cando relações entre corporeidade e produção estética. FIGURA 8 - MÚSICA: MATERIALIZA-SE FONTE: <https://www.google.com/search?q=IMAGEM+DE+MÚSICA>. Acesso em: 24 dez. 2018. 80 Competências Gerais e a BNCC Capítulo 2 MÚSICA: podemos defi nir música como uma combinação de melodia, ritmo, harmonia, na qual torna-se uma manifestação cultural de um povo, sendo ela uma forma de expressar os mais diversos sentimentos. Possuímos diversos tipos de música desde a erudita, música popular, dentre outras. A BNCC nos coloca que no momento em que ocorre a ampliação e a produção do conhecimento musical, estes passam [...] pela percepção, experimentação, reprodução, manipulação e criação de materiais sonoros diversos, dos mais próximos aos mais distantes da cultura musical dos alunos. Esse processo lhes possibilita vivenciar a música inter-relacionada à diversidade e desenvolver saberes musicais fundamentais para sua inserção e participação crítica e ativa na sociedade. (BNCC, 2018, p.194). A música pode ser transmitida através de instrumentos musicais variados e pela voz. Como última linguagem dentro da Arte temos o Teatro. FIGURA 9 - TEATRO FONTE: <https://static.todamateria.com.br/upload/56/05/5605ed05e3d18- teatro-grego.jpg>. Acesso em: 24 dez. 2018. TEATRO: é o espaço em que ocorrem diversas apresentações com as mais diversas experiências, podendo ser peças teatrais dramáticas ou que denotem alegria, tendo o ser humano como seu representante. Observa-se que o corpo é a chave das criações, podendo ser verbalizadas ou não verbalizadas. De acordo com a BNCC (2018, p. 194), no que diz respeito ao teatro “os processos de criação 81 CONHECENDO A ESTRUTURA E AS COMPETÊNCIAS DA BASE NACIONAL COMUM CURRICULAR JUNTO AOS COMPONENTES CURRICULARES Capítulo 2 teatral passam por situações de criação coletiva e colaborativa, por intermédio de jogos, improvisações, atuações e encenações [...]”. Nesta perspectiva, o teatro abre um leque de diversas experiências entre os educandos, conseguindo, assim, o aprimoramento e percepção estética, imaginativa e que acarreta uma consciência corporal, intuitiva, refl exiva e de emoção. (BNCC, 2018). Neste aspecto, podemos perceber que o que a BNCC busca é o entrelaçamento das disciplinas, dando possibilidade de criação e desenvolvimento do educando em todos os níveis. Deixamos aqui uma entrevista aplicada em escolas que trata da importância da música e do teatro junto às crianças, adolescentes e jovens. Sendo que a Lei 13.278/2016 inclui as artes visuais, a dança, a música e o teatro na grade escolar do ensino infantil, fundamental e médio. O tema é Lei inclui atividades lúdicas no currículo da Educação Básica, disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=xfa- d5Akn6g>. Acesso em: 26 dez. 2018. Deixamos também um recorte de um artigo que trata das múltiplas inteligências do ser humano, que a BNCC busca trazer para o cotidiano do educando através da educação socioemocional, que permeia todas as etapas do ensino. 82 Competências Gerais e a BNCC Capítulo 2 AS MÚLTIPLAS INTELIGÊNCIAS DO SER HUMANO Estudar as inteligências múltiplas, propostas pelo pesquisador americano Howard Gardner, ancora o professor na escolha de recursos mediadores de diferentes tipos, com a intenção de promover o desenvolvimento de toda a gama de capacidades e habilidades dos alunos. Gardner (2000) critica a valorização apenas das habilidades lógico-matemáticas para defi nir o conceito de “inteligência”, que norteou os chamados “Testes de QI (Quoefi ciente de Inteligência)”, bastante aceitos até então. Os testes de QI foram criados no início do século XX pelo psicólogo francês Alfred Binet (1857-1911) e mensuravam, basicamente, o raciocínio lógico-matemático, tomado como padrão para medir a inteligência e considerada como uma característica inata. Embora com um enfoque interacionista e a proposição da existênciade uma inteligência sensório-motora, especialmente importante nos primeiros anos de vida, Piaget também valorizou, em suas pesquisas, a gênese do pensamento lógico, considerando-o como um estágio mais avançado de adaptação. Desde meados da década de 1980, Gardner vem aprofundando seus estudos sobre a “Teoria das Inteligências Múltiplas”. O autor defi ne inteligência como o potencial biopsicológico para resolver problemas e criar produtos culturalmente valorizados; assim, dependendo do tipo de problema enfrentado, uma ou mais inteligências são acionadas (GARDNER, 2000). O problema “acertar uma fl echa em um alvo” exige uma inteligência bastante diferente do que o problema “compreender uma pessoa que está sofrendo” ou “resolver uma equação de segundo grau”. Gardner propôs, inicialmente, sete inteligências, deixando claro que estas não esgotam a riqueza da pluralidade da inteligência humana. São elas: • Lógico-matemática: capacidade de resolver e criar problemas e produtos utilizando a compreensão de símbolos matemáticos, operando com quantidades, grandezas, cálculos, proporções, fórmulas; capacidade de lidar com os dados de um problema utilizando o raciocínio abstrato e ferramentas lógicas (dedução, inferência etc.). 83 CONHECENDO A ESTRUTURA E AS COMPETÊNCIAS DA BASE NACIONAL COMUM CURRICULAR JUNTO AOS COMPONENTES CURRICULARES Capítulo 2 • Linguística: capacidade de lidar bem com problemas com base em símbolos linguísticos; domínio das palavras, da linguagem oral e escrita; articulação lógica e criativa de ideias; oratória; memória declarativa. • Espacial: capacidade de operar relações de tempo e espaço, localização, composição de formas; senso de direção; organização do pensamento de maneira fi gurativa; reconhecer e manipular situações que envolvam apreensões dos objetos e seres no espaço. • Corporal-cinestésica: capacidade de utilizar o próprio corpo com o fi m de resolver problemas ou fabricar produtos; execução de movimentos corporais fi nos e/ou complexos; controle e domínio do corpo; práticas esportivas; habilidades manuais. • Musical: capacidade para utilizar símbolos musicais, instrumentos, partituras, ritmos, para compor e reproduzir construções musicais; canto; percepção de sons, tons, timbres; sensibilidade emocional à música. • Intrapessoal: capacidade para o autoconhecimento; saber lidar consigo mesmo; controle das emoções; automotivação; autoestima; usar o entendimento de si mesmo para alcançar certos fi ns. • Interpessoal: capacidade de entender as intenções e desejos dos outros; conduzir diálogos; cooperação; sociabilidade; relacionar- se bem em sociedade. Mais tarde, o autor acrescentou à lista a Inteligência Naturalista, referindo-se à capacidade de lidar bem com o meio ambiente, reconhecer, classifi car e lidar com espécies da natureza (plantas, animais), e a Inteligência Existencial, relacionada à capacidade de refl etir sobre questões fundamentais da existência, como o sentido maior do humano e o propósito das tarefas do dia a dia. Ampliar dessa forma o conceito de inteligência traz implicações tanto nas diretrizes mais amplas para a educação, como nos objetivos e no fazer pedagógico do professor em sala de aula. Se o ser humano é multifacetado, dotado de diferentes capacidades, habilidades e inteligências, a função da educação deveria ser o desenvolvimento harmônico de todo o espectro de inteligências, de modo a preparar as crianças e jovens para enfrentar os mais variados tipos de problemas em suas vidas. Para tanto, cabe ao professor-mediador ajudar os alunos a, por um lado, identifi car e cultivar os seus talentos naturais e, por outro, cuidar e investir esforços em seus aspectos mais fragilizados, para fortalecê- los. Isso só é possível se a escola passar a valorizar todas as formas de inteligência e cultivar um clima de respeito mútuo - habilidades 84 Competências Gerais e a BNCC Capítulo 2 socioemocionais muito importantes para a vida em sociedade. Outra implicação diz respeito à forma de apresentar e explorar os conteúdos programáticos. Diferentes tipos de problemas mobilizam diferentes tipos de inteligências, portanto, se o professor variar os recursos que utiliza (uma música, um desafi o lógico, uma atividade física, um debate de ideias, uma produção de texto, um exercício de autorrefl exão...), estará promovendo experiências diversifi cadas e estimulando as múltiplas facetas do aprender humano. Além de incentivar o desenvolvimento global dos estudantes, variar as linguagens e recursos de ensino traz outras vantagens. Coerentemente com os referenciais da Pós-modernidade, apresentados no primeiro capítulo, diversifi car as características das ações propostas no processo ensino-aprendizagem promove a democratização da sala de aula, afastando-se da “ditadura da supremacia da razão lógica” como caminho único para a construção do conhecimento. Cultivar diferentes aproximações, variar as rotas de acesso ao conhecimento, com o planejamento e a intencionalidade que devem marcar a mediação da aprendizagem, colabora com a construção do conhecimento complexo, pois fortalece a articulação e a integração entre a objetividade do conhecimento formal (a “explicação”) e a apropriação signifi cativa e subjetiva da “compreensão”, ampliando os signifi cados e sentidos dos conhecimentos. Desenvolver as habilidades socioemocionais pode ser traduzido, à luz dessa teoria, como promover o fortalecimento das inteligências interpessoal e intrapessoal, o que é fundamental para qualquer ser humano viver em sociedade e estabelecer vínculos saudáveis consigo próprio e com os outros, mas especialmente importante para atender as pessoas que têm essas inteligências como seus pontos fortes. FONTE: http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_ docman&view=download&alias=15891-habilidades-socioemocionais- produto-1-pdf&Itemid=30192 Acesso em: 2 jan. 2019. 85 CONHECENDO A ESTRUTURA E AS COMPETÊNCIAS DA BASE NACIONAL COMUM CURRICULAR JUNTO AOS COMPONENTES CURRICULARES Capítulo 2 Assim, falaremos um pouco sobre o componente curricular Educação Física, que possui o corpo, também, como uma das bases de desenvolvimento. Com a Educação Física a BNCC apresenta uma abordagem em que devem ser desenvolvidas atividades que apresentam ações dinâmicas e diversifi cadas, assegurando aos educandos a “(re)construção de um conjunto de conhecimentos que permitam ampliar sua consciência a respeito de seus movimentos e de recursos para o cuidado de si e de outros e desenvolver autonomia para apropriação e utilização da cultura corporal de movimentos [...]” (BNCC, 2018, p. 211). Fica claro que a Educação Física é um componente curricular que oferece diversas possibilidades de enriquecimento no que diz respeito às experiências das crianças, adolescentes e jovens, permitindo compreender “saberes corporais, experiências estéticas, emotivas, lúdicas e agonistas, que se inscrevem, mas não se restringem, à racionalidade típica dos saberes científi cos que, comumente, orienta as práticas pedagógicas na escola” (BNCC, 2018, p. 211). Esse componente curricular busca levar a Educação Física para além do que é realizado na escola, de maneira a ocorrer uma maior participação dos educandos no contexto social e familiar, infl uenciando sua saúde, a de seus familiares e da sociedade que os rodeia. Salienta-se, ainda, que na Educação Física busca-se três elementos fundamentais relativos às práticas corporais, que são assim nomeadas: movimento corporal; organização Interna; produto cultural. Diante dessas três temáticas, tem-se a composição de seis unidades temáticas a serem trabalhadas no Ensino Fundamental. São elas: Brincadeiras e jogos: devem ser neste momento trabalhadostodas as formas de brincadeiras as quais levem o educando a perceber-se como integrante de um a equipe (coletivo) e de sua participação de maneira ética junto aos demais participantes e com ele mesmo. Cabe ressaltar que as brincadeiras devem ser diversifi cadas, buscando conhecer o universo das crianças e de outras culturas (BNCC, 2018, p. 214). Outro ponto importante é relativo aos jogos, estes devem ser vistos, assim como as brincadeiras, como atividades que “tenham valor em si e precisam ser organizados para ser estudados” (BNCC, 2018, p. 212). Esporte: referente a esta unidade temática, na BNCC, o esporte envolve a participação e desempenho de pessoas entre si e/ou em grupos, os quais são 86 Competências Gerais e a BNCC Capítulo 2 conduzidos por regras formais, institucionalizadas por associações, federações e confederações esportivas, as quais “defi nem as normas de disputa e promovem o desenvolvimento das modalidades em todos os níveis de competição” (BNCC, 2018, p. 213). Cabe salientar ainda, de acordo com a BNCC (2018, p. 213), que “como toda prática social, o esporte é passível de recriação por quem se envolve com ele”. Ginásticas: a BNCC trata desta unidade temática em três classifi cações, apresentadas no quadro a seguir: QUADRO 4 – A GINÁSTICA E SUA COMPOSIÇÃO FONTE: BNCC (2018, p. 215-216) GINÁSTICA GERAL GINÁSTICAS DE CONDICIO- NAMENTO FÍSICO GINÁSTICAS DE CONSCIEN- TIZAÇÃO CORPORAL [...] também conhecida como ginástica para todos, reúne as práticas corporais que têm como elemento organizador a explora- ção das possibilidades acrobáti- cas e expressivas do corpo, a interação social, o compartilha- mento do aprendizado e a não competitividade. Podem ser constituídas de exercícios no solo, no ar (saltos), em apare- lhos (trapézio, corda, fi ta elás- tica), de maneira individual ou coletiva, e combinam um con- junto bem variado de piruetas, rolamentos, paradas de mão, pontes, pirâmides humanas, etc. Integram também essa prá- tica os denominados jogos de malabar ou malabarismo. [...] se caracterizam pela exer- citação corporal orientada à melhoria do rendimento, à aqui- sição e à manutenção da condi- ção física individual ou à modifi - cação da composição corporal. Geralmente, são organizadas em sessões planejadas de mo- vimentos repetidos, com frequ- ência e intensidade defi nidas. Podem ser orientadas de acor- do com uma população especí- fi ca, como a ginástica para ges- tantes, ou atreladas a situações ambientais determinadas, como a ginástica laboral. [...] reúnem práticas que empregam movimentos su- aves e lentos, tal como a recorrência a posturas ou à conscientização de exercí- cios respiratórios, voltados para a obtenção de uma melhor percepção sobre o próprio corpo. Algumas dessas práticas que constituem esse grupo têm ori- gem em práticas corporais mile- nares da cultura oriental. Já a Dança, mencionada anteriormente em Arte, busca explorar de forma individualizada, em dupla ou equipe, movimentos rítmicos, podendo ser de forma coreografada, sempre tendo como base a busca ou encontro de ritmos que sejam característicos a cada movimento cultural. 87 CONHECENDO A ESTRUTURA E AS COMPETÊNCIAS DA BASE NACIONAL COMUM CURRICULAR JUNTO AOS COMPONENTES CURRICULARES Capítulo 2 Lutas: esta unidade temática traz ações como capoeira, judô, jiu-jítsu, dentre outras tantas formas de luta, em que seja focalizada as disputas corporais, mas com a importante vertente do respeito, da ética. Práticas Corporais de Aventura: tem sua base nas vertentes urbanas e na natureza. Podemos colocar como exemplo na vertente urbana atividades como: parkour, skate, patins, bike dentre outras. Estas práticas de aventura “exploram a “paisagem de cimento”, para produzir suas condições” (BNCC, 2018, p. 217). Já na natureza temos rapel, montain bike, tirolesa, arborismo. Sendo que a exploração dessas atividades no que tange às práticas de aventura “na natureza se caracterizam por explorar as incertezas que o ambiente físico cria para o praticante na geração de vertigem e do risco controlado” (BNCC, 2018, p. 216- 217). Precisamos salientar que as atividades aquáticas, ou esportes aquáticos, estão centradas no aprender dos movimentos básicos da natação, a respiração, o equilíbrio na fl utuação, imersão e deslocamentos na água. Agora pode ter permanecido uma dúvida... Como tudo isso pode ser trabalhado nos Anos Iniciais e nos Anos Finais? Vejamos, nos Anos Iniciais, a Educação Física pode ser um auxiliar na alfabetização e letramento das crianças, com brincadeiras e jogos que incitem o desenvolvimento cognitivo das crianças, sempre observando o compromisso com a formação “estética, sensível e ética, aliada aos demais componentes curriculares, assumindo assim compromisso com a qualifi cação para a leitura, produção e vivência das práticas corporais” (BNCC, 2018, p. 222). Já nos Anos Finais, fi ca a preocupação em trabalhar o sujeito em todas as suas possibilidades e elencando o movimento, a saúde, o cuidado de si e do outro nesse processo. Apresentamos a você um quadro que exibe em blocos os objetos de conhecimento em sua unidade temática dentro da Educação Física. 88 Competências Gerais e a BNCC Capítulo 2 QUADRO 5 - OBJETOS DE CONHECIMENTO EM BLOCOS – ANOS INICIAIS EDUCAÇÃO FÍSICA FONTE: BNCC (2018, p. 223) Observe que as práticas corporais de aventura não se apresentam aqui para os Anos Iniciais, elas estarão mais presentes nos anos Finais, que apresentaremos logo abaixo, em outro quadro com sua unidade temática e seus objetos de conhecimento. Então, vamos verifi car se existe alguma coerência entre os objetos de conhecimento dos Anos Iniciais com os Anos Finais. 89 CONHECENDO A ESTRUTURA E AS COMPETÊNCIAS DA BASE NACIONAL COMUM CURRICULAR JUNTO AOS COMPONENTES CURRICULARES Capítulo 2 QUADRO 6 – OBJETOS DE CONHECIMENTO EM BLOCOS ANOS FINAIS EDUCAÇÃO FÍSICA FONTE: BNCC (2018, p. 229) Podemos perceber que os objetos de conhecimento se inter-relacionam e estão presentes nos mais diversos segmentos que envolvem o movimento corporal, buscando conhecer os mais diversos segmentos de atividades, tanto brasileiras, como mundiais, dando possibilidade de enriquecimento, desenvolvimento e aprofundamento de estudos nas práticas ocorridas na escola. Sempre lembrando que as atividades devem estar voltadas não somente às atividades para seu desenvolvimento no espaço escolar, mas que sejam relevantes o sufi ciente para serem repartidas com os demais membros da comunidade que fazem parte da vida do educando. Chegamos agora a mais um componente curricular: a Língua Inglesa. Este componente curricular se faz presente a partir do 6º ano, tendo como seu foco a função social e política do inglês, pois vivemos em um mundo globalizado e a Língua Inglesa proporciona inúmeras possibilidades de participação dos educandos junto à sociedade e ao mundo, pois estamos ligados e bombardeados pelas mídias e tecnologias que se utilizam da Língua Inglesa para sua fundamentação. Assim, a BNCC (2018, p. 239) busca trabalhar este componente curricular possibilitando: 90 Competências Gerais e a BNCC Capítulo 2 [...] a todos o acesso aos saberes linguísticos necessários para engajamento e participação, contribuindo para o agenciamento crítico dos estudantes e para o exercício da cidadania ativa, além de ampliar as possibilidades de interação e mobilidade, abrindo novos percursos de construção de conhecimentos e de continuidade nos estudos. É esse caráter formativo que inscreve a aprendizagem de inglês em uma perspectiva de educação linguística, consciente e crítica, na qualas dimensões pedagógicas e políticas estão intrinsecamente ligadas. A preocupação nesse componente curricular está nos eixos da oralidade, leitura, escrita, os conhecimentos linguísticos e a dimensão intercultural. Dadas estas informações, partimos para o componente curricular da Matemática, que também possui sua importância nos Anos Iniciais, pois é a base para as demais etapas. Sendo que a Matemática apresentada na BNCC vem exposta em cinco unidades temáticas, que são: número, álgebra, grandezas e medidas, probabilidade e estatística. Observe que as unidades vão sendo desenvolvidas no decorrer de todo o processo de vida estudantil do aluno, aumentando seu grau de difi culdade. Pode parecer repetitivo, mas o processo de construção matemática deve embasar-se no que já vinha sendo tratado na Educação Infantil, elencando o cotidiano do aluno, buscando o que a BNCC (2018, p. 274) nos descreve: [...] deve-se retomar as vivências cotidianas das crianças com números, formas e espaço, e também as experiências desenvolvidas na Educação Infantil, para iniciar uma sistematização dessas noções. Nessa fase, as habilidades matemáticas que os alunos devem desenvolver não podem fi car restritas à aprendizagem dos algoritmos das chamadas “quatro operações”, apesar de sua importância. No que diz respeito ao cálculo, é necessário acrescentar, à realização dos algoritmos das operações, a habilidade de efetuar cálculos mentalmente, fazer estimativas, usar calculadora e, ainda, para decidir quando é apropriado usar um ou outro procedimento de cálculo. Portanto, a BNCC orienta-se pelo pressuposto de que a aprendizagem em Matemática está intrinsecamente relacionada à compreensão, ou seja, à apreensão de signifi cados dos objetos matemáticos, sem deixar de lado suas aplicações. No que tange à Matemática nos Anos Finais, deixamos um recorte da BNCC. O texto foi retirado da Base Nacional Comum Curricular (2018, p. 296-297): 91 CONHECENDO A ESTRUTURA E AS COMPETÊNCIAS DA BASE NACIONAL COMUM CURRICULAR JUNTO AOS COMPONENTES CURRICULARES Capítulo 2 MATEMÁTICA NO ENSINO FUNDAMENTAL ANOS FINAIS: UNIDADES TEMÁTICAS, OBJETOS DE CONHECIMENTO E HABILIDADES Para o desenvolvimento das habilidades previstas para o Ensino Fundamental – Anos Finais, é imprescindível levar em conta as experiências e os conhecimentos matemáticos já vivenciados pelos alunos, criando situações nas quais possam fazer observações sistemáticas de aspectos quantitativos e qualitativos da realidade, estabelecendo inter-relações entre eles e desenvolvendo ideias mais complexas. Essas situações precisam articular múltiplos aspectos dos diferentes conteúdos, visando ao desenvolvimento das ideias fundamentais da matemática, como equivalência, ordem, proporcionalidade, variação e interdependência. Da mesma forma que na fase anterior, a aprendizagem em Matemática no Ensino Fundamental – Anos Finais também está intrinsecamente relacionada à apreensão de signifi cados dos objetos matemáticos. Esses signifi cados resultam das conexões que os alunos estabelecem entre os objetos e seu cotidiano, entre eles e os diferentes temas matemáticos e, por fi m, entre eles e os demais componentes curriculares. Nessa fase, precisa ser destacada a importância da comunicação em linguagem matemática com o uso da linguagem simbólica, da representação e da argumentação. Além dos diferentes recursos didáticos e materiais, como malhas quadriculadas, ábacos, jogos, calculadoras, planilhas eletrônicas e softwares de geometria dinâmica, é importante incluir a história da Matemática como recurso que pode despertar interesse e representar um contexto signifi cativo para aprender e ensinar Matemática. Entretanto, esses recursos e materiais precisam estar integrados a situações que propiciem a reflexão, contribuindo para a sistematização e a formalização dos conceitos matemáticos. A leitura dos objetos de conhecimento e das habilidades essenciais de cada ano nas cinco unidades temáticas permite uma visão das possíveis articulações entre as habilidades indicadas para as diferentes temáticas. Entretanto, recomenda-se que se faça também uma leitura (vertical) de cada unidade temática, do 6º ao 9º ano, com a fi nalidade de identifi car como foi estabelecida a progressão das habilidades. Essa maneira é conveniente para comparar as habilidades de um dado tema a serem efetivadas em um dado ano escolar com as aprendizagens propostas em anos anteriores e também para reconhecer em que medida elas se articulam com as indicadas para os anos posteriores, tendo em vista que as noções matemáticas são retomadas ano a ano, com ampliação e aprofundamento crescentes. 92 Competências Gerais e a BNCC Capítulo 2 Cumpre também considerar que, para a aprendizagem de certo conceito ou procedimento, é fundamental haver um contexto signifi cativo para os alunos, não necessariamente do cotidiano, mas também de outras áreas do conhecimento e da própria história da Matemática. No entanto, é necessário que eles desenvolvam a capacidade de abstrair o contexto, apreendendo relações e signifi cados, para aplicá- los em outros contextos. Para favorecer essa abstração, é importante que os alunos reelaborem os problemas propostos após os terem resolvido. Por esse motivo, nas diversas habilidades relativas à resolução de problemas, consta também a elaboração de problemas. Assim, pretende-se que os alunos formulem novos problemas, baseando- se na reflexão e no questionamento sobre o que ocorreria se alguma condição fosse modifi cada ou se algum dado fosse acrescentado ou retirado do problema proposto. Além disso, nessa fase fi nal do Ensino Fundamental, é importante iniciar os alunos, gradativamente, na compreensão, análise e avaliação da argumentação matemática. Isso envolve a leitura de textos matemáticos e o desenvolvimento do senso crítico em relação à argumentação neles utilizada. Frente a isso, observamos que o desenvolvimento das unidades temáticas é gradativo e em consonância com a realidade do aluno, levando, assim, a uma utilização dessa matemática para seu cotidiano. Segue um diálogo com a professora Maria Ignez Diniz – Diretora do Mathema, que vai tratar sobre a Matemática na BNCC. A fala dessa profi ssional é de extrema importância para nossa ampliação do conhecimento nesta área. Disponível em: <https://www.youtube. com/watch?v=HrychTmv7vQ>. Acesso em: 26 dez. 2018. Relativo às Ciências da Natureza, a BNCC nos apresenta, no componente curricular de Ciências, no qual a pesquisa e as experiências são de extrema importância, o reconhecer-se enquanto ser humano (corpo), suas funções, sua estrutura, o meio ambiente, os demais seres vivos, sua importância no meio 93 CONHECENDO A ESTRUTURA E AS COMPETÊNCIAS DA BASE NACIONAL COMUM CURRICULAR JUNTO AOS COMPONENTES CURRICULARES Capítulo 2 ambiente, a riqueza de nossa biodiversidade, a energia com sua utilização a favor do ser humano e de sua preservação. Essas e outras temáticas compõem as três unidades desse componente curricular, que assim estão divididas: matéria e energia, vida e evolução, Terra e Universo. Estas unidades temáticas estão presentes em todos os níveis de ensino, sendo gradativa, de acordo com cada ano de ensino. Nos Anos Iniciais o trato com relação às unidades temáticas envolve a vida do educando, não somente voltado ao conteúdo, mas que ele seja partícipe no processo de experimentos, conseguindo assim, de acordo com a BNCC (2018, p. 329), envolvimento [...] em processos de aprendizagem nos quais possam vivenciar momentos de investigação que lhes possibilitem exercitar e ampliar sua curiosidade, aperfeiçoar sua capacidade de observação, de raciocínio lógico e de criação, desenvolver posturas mais colaborativase sistematizar suas primeiras explicações sobre o mundo natural e tecnológico, e sobre seu corpo, sua saúde e seu bem-estar, tendo como referência os conhecimentos, as linguagens e os procedimentos próprios das Ciências da Natureza. Nessa perspectiva, precisamos deixar bem claro que o ensino de Ciências nos Anos Iniciais está também voltado à alfabetização dos educandos, possibilitando inúmeras probabilidades de letramento através das experiências possíveis de serem vivenciadas. Já nos Anos Finais essas unidades temáticas tomam corpo, levando o educando a aprimorar os conhecimentos até agora vivenciados e transformar o conhecimento em um fator que auxilia sua vida diária e futura, observando a necessidade do cuidado com seu corpo, suas transformações, o respeito para com o meio ambiente, o saber utilizar-se das diversas fontes de energia natural, as novas tecnologias, o saber ser crítico diante de diversas situações, buscando refl etir e situar-se na sociedade, pois ao fi nalizar esta etapa do ensino: [...] os alunos são capazes de estabelecer relações ainda mais profundas entre a ciência, a natureza, a tecnologia e a sociedade, o que signifi ca lançar mão do conhecimento científi co e tecnológico para compreender os fenômenos e conhecer o mundo, o ambiente, a dinâmica da natureza. Além disso, é fundamental que tenham condições de ser protagonistas na escolha de posicionamentos que valorizem as experiências pessoais e coletivas, e representem o autocuidado com seu corpo e o respeito com o do outro, na perspectiva do cuidado integral à saúde física, mental, sexual e reprodutiva (BNCC, 2018, p. 341). 94 Competências Gerais e a BNCC Capítulo 2 Com isso, busca-se, através das aulas de Ciências, a conscientização, a criticidade, o conhecimento científi co e tecnológico, de maneira a integrar, auxiliar, melhorar a vida do aluno e de seus pares. No que diz respeito à área de Ciências Humanas, encontramos os componentes curriculares de Geografi a e de História. Na área de Geografi a, busca-se o reconhecimento de si no espaço geográfi co, fazendo parte do espaço; as mudanças que ocorrem na natureza a partir também das infl uências do homem. Identifi car-se nessa caminhada e percebendo-se infl uenciado e infl uenciador na natureza. Verifi car que no mundo existem diversas formas de vida, de sociedades. Cabe salientar que em Geografi a o aluno precisa ser estimulado ao pensamento espacial. Uma vez que, O pensamento espacial está associado ao desenvolvimento intelectual que integra conhecimentos não somente da Geografa, mas também de outras áreas (como Matemática, Ciência, Arte e Literatura). Essa interação visa à resolução de problemas que envolvem mudanças de escala, orientação e direção de objetos localizados na superfície terrestre, efeitos de distância, relações hierárquicas, tendências à centralização e à dispersão, efeitos da proximidade e vizinhança etc. (BNCC, 2018, p. 357). Diante da citação, percebemos que o espaço é um dos conceitos que precisam ser tratados nessa disciplina e que se interconecta com outras já mencionadas. Além desse conceito, é preciso que o aluno compreenda outros conceitos, como os apresentados pela Base Nacional Comum Curricular, que são: território, lugar, região, natureza e paisagem. É importante salientar que o espaço e tempo não estão separados, é necessário pensá-los de maneira articulada. Por isso foram criadas cinco unidades temáticas, a saber: O sujeito e seu lugar no mundo: os educandos dos Anos Iniciais precisam ter claro sua participação no espaço, reconhecer como vivem, sua localização, sua maneira de viver, buscando através de jogos e brincadeiras a possibilidade do conhecer-se e cuidar-se a si e ao outro. Trabalhando o conceito de espaço: [...] estimula-se o desenvolvimento das relações espaciais topológicas, projetivas e euclidianas, além do raciocínio geográfi co, importantes para o processo de alfabetização cartográfi ca e a aprendizagem com as várias linguagens (formas de representação e pensamento espacial). Além disso, pretende- se possibilitar que os estudantes construam sua identidade relacionando-se com o outro (sentido de alteridade); valorizem as suas memórias e marcas do passado vivenciadas em 95 CONHECENDO A ESTRUTURA E AS COMPETÊNCIAS DA BASE NACIONAL COMUM CURRICULAR JUNTO AOS COMPONENTES CURRICULARES Capítulo 2 diferentes lugares; e, à medida que se alfabetizam, ampliem a sua compreensão do mundo (BNCC, 2018, p. 360). Quando falamos em alfabetização cartográfi ca precisamos ter bem claro que caberá nessa ação identifi car os espaços, interpretar o que está ali representado e perceber que existe ali - naquele mapa - uma representação de nós mesmos. Cabe salientar que algumas perguntas, no que diz respeito à construção do conhecimento, necessitam ser feitas no decorrer do processo de estudo da Geografi a. Nessa fase, é fundamental que os alunos consigam saber e responder algumas questões a respeito de si, das pessoas e dos objetos: Onde se localiza? (Mobiliza o pensamento espacial). Por que se localiza? (Permite a aplicação e orientação espacial) Como se distribui? (Estimula o entendimento do ordenamento territorial e paisagem) Quais são as características socioespaciais? (Reconhecer a dinâmica da natureza e a infl uência humana). Essas perguntas mobilizam as crianças a pensar sobre a localização de objetos e das pessoas no mundo, permitindo que compreendam seu lugar no mundo (BNCC, 2018, p. 365). Já nos Anos Finais, o ensino de Geografi a vem abarcado pelo que já foi visto nos Anos iniciais e apresenta ao educando uma visão econômica, política e cultural do mundo e de nosso país, denotando posicionar o educando como um ser social, respeitando sua individualidade, posicionando-se como um ser ativo, solidário e democrático. Podemos, assim, determinar que a partir do 6º ano são tratados com esses alunos assuntos relativos ao conceito de natureza, o avanço do capital e as mudanças ocorridas nos espaços, as disputas de território, sejam atuais ou remotas, que envolvem diversas sociedades, além dos conceitos de paisagem e transformação, levando o educando a perceber as evoluções ocorridas pelo ser humano nas mais variadas épocas. “Espera-se que eles compreendam o papel de diferentes povos e civilizações na produção do espaço e na transformação da interação sociedade/natureza” (BNCC, 2018, p. 379). 96 Competências Gerais e a BNCC Capítulo 2 No 7º ano, as temáticas estão voltadas para a realidade brasileira, objetivando-se o “aprofundamento e a compreensão dos conceitos de Estado- nação e formação territorial, e também dos que envolvem a dinâmica físico- natural, sempre articulados às ações humanas no uso do território” (BNCC, 2018, p. 380). Com isso, pretende-se instigar o educando a perceber a formação do território brasileiro, além de suas transformações e da utilização desigual de nosso espaço territorial. Assim, no 8º e 9º ano são tratados temas relacionados ao mundo. Sendo que no 8º ano serão tratadas questões de continentes, como África e América, com suas diferenças e semelhanças no que diz respeito à economia, suas ocupações, as mais diversas diferenças geopolíticas, os recursos naturais, sua utilização, questões socioambientais como terremotos, tsunamis, enchentes, deslizamentos devido à má utilização dos recursos naturais, como desmatamento, o modo de vida das pessoas nos continentes, relacionando-os com o Brasil, por exemplo, são dados como estes e muitos outros que deverão ser tratados. Já no 9º ano tem-se a palavra globalização/mundialização como base, buscando reconhecer a (des)ordem mundial e as infl uências da globalização, tanto positivas, como suas consequências. Nessaperspectiva, por exemplo, estuda-se a Europa, no que tange às questões políticas e econômicas, sua infl uência nos demais países do mundo, buscando conhecer as infl uências ocorridas em outros continentes com as grandes navegações. Reconhecer o mundo que existe no Oriente, suas culturas, sua formação política e econômica, observando a geopolítica e as situações geográfi cas dos países que compõem este bloco. Ressalta-se, assim, que o educando deverá chegar ao fi nal do Ensino Fundamental com um conhecimento crítico voltado para o reconhecimento do Estado-nação, observando o momento histórico, com suas inovações tecnológicas, as quais estão intimamente ligadas às transformações socioespaciais, tendo a compreensão de como utilizar-se do território e de como seus projetos estão envolvidos no processo de avanços e mudanças. Agora, relacionado à História, observamos uma conexão ainda maior entre os componentes curriculares, pois a partir dos fatos passados somos instigados a construir nosso futuro. E é nos Anos inicias que isto ocorre, necessitando incidir um diálogo entre o passado e o tempo presente. 97 CONHECENDO A ESTRUTURA E AS COMPETÊNCIAS DA BASE NACIONAL COMUM CURRICULAR JUNTO AOS COMPONENTES CURRICULARES Capítulo 2 Cabe salientar que ao trabalhar História estamos saindo do espaço micro para o macro, pois de acordo com o que determina a BNCC (2018, p. 395-396) o “fazer história” acarreta: [...] indagar, é marcado, inicialmente, pela constituição de um sujeito. Em seguida, amplia-se para o conhecimento de um “Outro”, às vezes semelhante, muitas vezes diferente. Depois, alarga-se ainda mais em direção a outros povos, com seus usos e costumes específi cos. Por fi m, parte-se para o mundo, sempre em movimento e transformação. Em meio a inúmeras combinações dessas variáveis – do Eu, do Outro e do Nós –, inseridas em tempos e espaços específi cos, indivíduos produzem saberes que os tornam mais aptos para enfrentar situações marcadas pelo conflito ou pela conciliação. Com esta citação ampliamos nossa visão no trato com a disciplina de História nos Anos Iniciais, pois é ali que se busca a construção do sujeito determinado na criança pelo reconhecimento de seu “Eu“ e da existência de um “Outro”. Será que é fácil esse exercício? Não, não é, mas, faz-se necessário para que haja um reconhecimento desse “Outro”, que possui tempo e espaço particulares para apreender. Não são todos que apreendem ou possuem as mesmas formas de se expressar ou viver. Assim, de acordo com a BNCC (2018, p. 401): A percepção da distância entre objeto e pensamento é um passo necessário para a autonomia do sujeito, tomado como produtor de diferentes linguagens. É ela que funda a relação do sujeito com a sociedade. Nesse sentido, a História depende das linguagens com as quais os seres humanos se comunicam, entram em conflito e negociam. Assim, podemos deixar como exemplo a história das comunicações, que passou por diversas etapas até chegar ao que possuímos hoje e que poderá ser modifi cada, quiçá, num futuro próximo, com o avanço tecnológico. Fica claro que estamos em um mundo globalizado, mas que ainda persiste em alguns países a não aceitação das novas tecnologias para toda sua população. Muitas perguntas podem surgir desta situação. O envolvimento econômico, político e histórico, são algumas matrizes que podem ser abordadas, observando o “Eu”, o “Outro” e o “Nós” no processo de ensino-aprendizagem. Com isso, nos Anos Iniciais, mais precisamente no 1º ano, tem-se como objetos de conhecimento as fases da vida e a ideia de temporalidade; as diversas formas de família; a escola e a presença da diversidade de inúmeros grupos sociais; a vida existente na escola, em casa; a vida em família, buscando compreender as diferentes formações e na escola sua história, seu papel e sua representação espacial. 98 Competências Gerais e a BNCC Capítulo 2 No 2º ano, trata-se da convivência entre as pessoas com a noção do “Eu e do Outro”; os registros de experiências pessoais e na comunidade; as mais variadas formas de registros e de narrar histórias; a verifi cação do tempo como medida; as fontes históricas, como cartas, objetos que contam a história da família e da comunidade; sua sobrevivência e a relação com a natureza através dos trabalhos existentes na comunidade, sua importância e os impactos causados por este trabalho na comunidade. No 3º ano, busca-se novamente o “Eu e o Outro”, agora conhecendo os diversos grupos sociais étnicos com suas particularidades que compõem o município; o reconhecimento dos espaços relacionados ao patrimônio histórico do município com seus marcos de memória, como museus, praças, dentre outros; a cidade e o campo com seus marcos de memória, além da conservação ambiental. No 4º ano, tratamos das transformações e permanência das comunidades no tempo e espaço elencando a agricultura, o nomadismo, navegações, escrita, por exemplo; outro ponto a ser trabalhado fi ca relacionado ao presente e ao passado, buscando instigar o educando a perceber as mudanças, transformações ocorridas tanto social como culturalmente; enfoca-se também os caminhos percorridos pelas pessoas e as transformações ocorridas a partir da presença delas no ambiente, como também a invenção do comércio das rotas terrestres, fl uviais e marítimas com seus impactos na vida das pessoas e dos lugares; além da tecnologia que vem com suas vantagens e desvantagens a nível social com suas desigualdades tanto sociais como culturais. Também se retrata as questões históricas relacionadas às imigrações. Já no 5º ano são tratadas unidades temáticas que envolvem: povos e culturas com suas formas de organização social e política, com a noção de Estado; registros da história a qual retrata as tradições orais e a valorização da memória; a importância do surgimento da escrita e suas fontes de transmissão, além do cuidado e reconhecimento dos patrimônios materiais e imateriais da humanidade. Relativo aos Anos Finais, os mesmos são pautados em três procedimentos básicos, a saber: 99 CONHECENDO A ESTRUTURA E AS COMPETÊNCIAS DA BASE NACIONAL COMUM CURRICULAR JUNTO AOS COMPONENTES CURRICULARES Capítulo 2 1. Pela identifi cação dos eventos considerados importantes na história do Ocidente (África, Eu- ropa e América, especialmente o Brasil), ordenando-os de forma cronológica e localizando-os no espaço geográfi co. 2. Pelo desenvolvimento das condições necessárias para que os alunos selecionem, compreen- dam e reflitam sobre os signifi cados da produção, circulação e utilização de documentos (materiais ou imateriais), elaborando críticas sobre formas já consolidadas de registro e de memória, por meio de uma ou várias linguagens. 3. Pelo reconhecimento e pela interpretação de diferentes versões de um mesmo fenômeno, reco- nhecendo as hipóteses e avaliando os argumentos apresentados com vistas ao desenvolvimento de habilidades necessárias para a elaboração de proposições próprias. FONTE: BNCC (2018, p. 414) Com isso, vai se constituindo um processo de ensino e aprendizagem voltado à criticidade, à busca do ver-se integrado e partícipe das diversas situações e conseguir problematizar e encontrar possíveis respostas para determinados questionamentos, a fi m de poder compreender o outro em sua situação, buscando ser participante de uma sociedade na qual a equidade, a inclusão e a democracia se façam presentes. E para fi nalizar, trataremos da área de Ensino Religioso. Nesta área não se tratará de maneira alguma privilegiar nenhuma crença ou convicção. Cabe salientar que o Ensino Religioso vem com o intuito de adotar [...] a pesquisa e o diálogo como princípios mediadores e articuladores dos processos de observação, identifi cação, análise, apropriaçãoe ressignifi cação de saberes, visando o desenvolvimento de competências específi cas. Dessa maneira, busca problematizar representações sociais preconceituosas sobre o outro, com o intuito de combater a intolerância, a discriminação e a exclusão (BNCC, 2018, p. 434). Assim, busca-se fazer com que os educandos compreendam e valorizem o cuidado de si, da coletividade, da natureza relacionado à vida, como saber conviver com a diversidade de crenças, pensamentos, convicções e modos de ser e viver, dentre outras temáticas que envolvem o exercício da cidadania e da cultura da paz. Bem, desta maneira, fi rmamos aqui um passo importante no que diz respeito ao desenvolvimento das competências em seus componentes curriculares. Com isso, deixamos para você uma atividade para que possamos verifi car se ocorreu uma construção crítica do conhecimento relacionado ao apresentado até aqui. Vamos a ela? 100 Competências Gerais e a BNCC Capítulo 2 1 Com as novas mudanças apresentadas pela Base Nacional Comum Curricular no componente curricular de Ciências podemos defi nir que sua temática relacionada aos Anos iniciais fi ca aplicada a quais habilidades? 2 No que diz respeito aos componentes curriculares de História e Geografi a, como os mesmos se apresentam na nova proposta? Existe uma conexão de conteúdos ou não? Por quê? 4 ALGUMAS CONSIDERAÇÕES Chegamos ao fi nal de mais uma etapa, e nela visualizamos como a Base Nacional Comum Curricular está estruturada com suas unidades temáticas, seus objetos de conhecimento e habilidades. Verifi camos que esta estrutura vem embasada não somente em novas ideias, mas em propostas de outros documentos já estudados e vivenciados por todos os profi ssionais da educação, como as Diretrizes Curriculares Nacionais da Educação Básica, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional e os Parâmetros Curriculares Nacionais para o Ensino Fundamental. Vimos, também, a composição desse documento, seus marcos legais, os fundamentos pedagógicos, o pacto interfederativo e a sua implementação, sua estrutura, as etapas da Educação Infantil, do Ensino Fundamental e Ensino Médio. Concernente às etapas da Educação Infantil e do Ensino Fundamental, observamos os direitos de aprendizagem e desenvolvimento na etapa da Educação Infantil com seus campos de experiências, os objetivos e desenvolvimento da aprendizagem e a transição da Educação Infantil que deve ocorrer através do diálogo entre os profi ssionais, para o Ensino Fundamental. Já na etapa do Ensino Fundamental, vimos as áreas de Linguagens, a qual é composta por Língua Portuguesa no Ensino Fundamental – Anos Iniciais e Finais, com suas práticas de linguagem, objetos de conhecimento e habilidades. Verifi camos a importância dos componentes curriculares, como Artes, Educação Física, Língua Inglesa, sendo esta a partir do 6º ano dos Anos Finais. Na área da Matemática também encontramos as competências específi cas para esta área tanto nos Anos Iniciais como Finais e das particularidades existentes dentro dela, 101 CONHECENDO A ESTRUTURA E AS COMPETÊNCIAS DA BASE NACIONAL COMUM CURRICULAR JUNTO AOS COMPONENTES CURRICULARES Capítulo 2 como o enfoque que antes era dado para o mundo do trabalho, agora passa a ser para o desenvolvimento de novas competências. Na área de Ciências da Natureza, temos a disciplina de Ciências; nas Ciências Humanas, com Geografi a, História e a área de Ensino Religioso para Anos Iniciais e Finais. Verifi camos, assim, neste capítulo, que o ensino e a aprendizagem vem com essa nova Base Comum Curricular instigar a todos os profi ssionais para o desenvolvimento de novas técnicas, construindo novos conhecimentos com seus alunos e, assim, enquanto profi ssional da educação, criar um currículo voltado para os interesses da sua comunidade escolar. Para isso, faz-se necessária a dialogicidade, o estudo, a construção de novas estratégias de trabalho. E isso aprofundaremos no próximo capítulo! REFERÊNCIAS ABED, Anita Lilian Zuppo. O Desenvolvimento das Habilidades Socioemocionais como Caminho para a Aprendizagem e o Sucesso escolar de Alunos da Educação Básica. Disponível em: http://portal.mec.gov. br/index.php?option=com_docman&view=download&alias=15891-habilidades- socioemocionais-produto-1-pdf&Itemid=30192. Acesso em: 2 jan. 2019. ANDRADE, L.B.P. Educação infantil: discurso, legislação e práticas institucionais [online]. São Paulo: Editora UNESP; São Paulo: Cultura Acadêmica, 2010. Disponível em: http://books.scielo.org/id/h8pyf/pdf/ andrade-9788579830853.pdf. Acesso em: 20 dez. 2018. BRASIL. Ministério da Educação. Conselho Nacional de Secretários de Educação – CONSED União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação – UNDIME. Base Nacional Comum Curricular – Educação é a Base. Disponível em: http:// basenacionalcomum.mec.gov.br/. Acesso em: 26 dez. 2018. ______. Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Disponível em: http:// portal.mec.gov.br/conselho-nacional-de-educacao/base-nacional-comum- curricular-bncc. Acesso em: 16 nov. 2018. 102 Competências Gerais e a BNCC Capítulo 2 ______. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Básica. Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão. Conselho Nacional da Educação. Diretrizes Curriculares Nacionais Gerais da Educação Básica/ Ministério da Educação. Secretária de Educação Básica. Diretoria de Currículos e Educação Integral. – Brasília: MEC, SEB, DICEI, 2013. Disponível em: http:// portal.mec.gov.br/docman/julho-2013-pdf/13677-diretrizes-educacao-basica- 2013-pdf/fi le. Acesso em: 20 dez. 2018. ______. ECA - Estatuto da Criança e do Adolescente. Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8069. htm. Acesso em: 20 dez. 2018. ______. Constituição Federal 1988. Disponível em: fi le:///C:/Users/User/ Downloads/constituicao_federal_35ed.pdf. Acesso em: 24 nov. 2018. ______. Parecer do Conselho Nacional de Educação e da Câmara de Educação Básica, nº 11 de 07 de julho de 2010. Consulta acerca da inclusão do Empreendedorismo como disciplina no currículo do Ensino Fundamental, do Ensino Médio, da Educação Profi ssional e da Educação Superior. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_ docman&view=download&alias=6552-pceb013-10&category_slug=agosto-2010- pdf&Itemid=30192. Acesso em: 16 jan. 2019. CARNEIRO, Moaci Alves. LDB FÁCIL: Leitura Crítico-Compreensiva artigo a artigo. 23. ed. Revista e ampliada. Petrópolis, RJ: Vozes, 2015. FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia: Saberes necessários à prática educativa. 25 ed. Paz e Terra. Rio de Janeiro, 2002. MENDONÇA, M. R. de Souza. Ciências em Quadrinhos: recurso didático em cartilhas educativas. Tese (Doutorado em Linguística). Programa de Pós- Graduação em Letras da Universidade Federal de Pernambuco. Recife: UFPE, 2008. SOARES, Magda. Alfabetização e Letramento: caminhos e descaminhos. UNESP. Disponível em: https://acervodigital.unesp.br/ bitstream/123456789/40142/1/01d16t07.pdf. Acesso em: 24 dez. 2018. UNICEF BRASIL. 6 em cada 10 crianças e adolescentes brasileiros vivem na pobreza. Disponível em: https://www.unicef.org/brazil/pt/media_38769.html. Acesso em: 20 dez. 2018. 103 CONHECENDO A ESTRUTURA E AS COMPETÊNCIAS DA BASE NACIONAL COMUM CURRICULAR JUNTO AOS COMPONENTES CURRICULARES Capítulo 2 VIECILI, Gladis Brendler. Compreensões Sobre a Alfabetização. Ijuí 2009. Dissertação do Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu - Mestrado em Educação nas Ciências - Departamento de Pedagogia (DePe), da Unijuí – Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul. Disponível em: http://bibliodigital.unijui.edu.br:8080/xmlui/bitstream/handle/123456789/329/Gladis%20Viecili.pdf?sequence=1. Acesso em: 26 dez. 2018. VIGOTSKI, L. S. Aprendizagem e desenvolvimento intelectual na idade escolar. In: VIGOTSKI, L. S.; LURIA, A. R.; LEONTIEV, A. N. Linguagem, desenvolvimento e aprendizagem. 7. ed. São Paulo: Ícone, 2001. 104 Competências Gerais e a BNCC Capítulo 2 Capítulo 2 CAPÍTULO 3 A ESTRUTURA DO ENSINO MÉDIO E A FORMAÇÃO DOS PROFESSORES NA BNCC A partir da perspectiva do saber fazer, neste capítulo você terá os seguintes objetivos de aprendizagem: identifi car a organização do ensino médio na Base Nacional Comum Curricular; conhecer as habilidades, os objetos de conhecimento e suas unidades temáticas nos componentes curriculares; compreender o conceito de igualdade, diversidade e equidade no pacto interfederativo; conhecer os caminhos que norteiam as estratégias de participação dos professores junto à Base Nacional Comum Curricular e a escola como meio de fomentar o processo. 106 Competências Gerais e a BNCC 107 A ESTRUTURA DO ENSINO MÉDIO E A FORMAÇÃO DOS PROFESSORES NA BNCC Capítulo 3 1 CONTEXTUALIZAÇÃO Olá! Chegamos ao terceiro e último capítulo deste livro! Nele, vamos novamente mergulhar em mais uma das etapas do ensino - o Ensino Médio. Você deve ter ouvido falar que a proposta desta etapa de ensino esteve em estudos mais aprofundados e por este motivo não foi homologado juntamente ao de Educação Infantil, Anos Iniciais e Anos Finais do Ensino Fundamental. Desta maneira, deixamos para comentar sobre ele neste último capítulo, pois assim temos mais fundamentação e possibilidade de discuti-lo, pois agora o mesmo foi fi nalizado e apresentado à sociedade e aos profi ssionais da educação, mesmo que ainda pairem muitas dúvidas quanto a sua logística. Vamos visualizar o Ensino Médio em sua estrutura e em seus componentes curriculares. Esse Ensino Médio possui uma nova roupagem e vamos nos situar no decorrer das páginas. Trataremos também da implementação da Base Nacional Comum Curricular em todo o Brasil. Como ocorrerá? Quem serão os atores desta nova proposta? E mais... de que maneira os profi ssionais da educação estarão sendo orientados nessa nova base, como será sua logística, que mecanismos serão utilizados para o embasamento tanto teórico como prático? E as escolas, como estarão se organizando para essa nova caminhada? Perguntas como estas permearão nosso último capítulo e realizaremos uma retomada do que já vimos e pontuando cada movimento a ser desenvolvido neste processo. A escola e a comunidade também possuem um papel de extrema importância nessa caminhada, como a União, os Estados e Municípios em sua organização física e pedagógica. Então, convido você a realizarmos este mergulho com maior profundidade! Prepare-se, pois poderão surgir em sua mente diversos questionamentos que esperamos dirimi-los no decorrer da sua leitura! Vamos a ele! 108 Competências Gerais e a BNCC 2 O ENSINO MÉDIO E SUA ESTRUTURA Para dar início a esta etapa, vamos conhecer um pouco da legislação que rege o novo formato do Ensino Médio. Ocorreram muitos debates sobre a mudança da estrutura pedagógica do Ensino Médio, é fato, mas cabe salientar que esses debates e entraves, nos quais existe a participação de diversos atores da educação e sociedade civil organizada, foram preponderantes para que algumas situações não fossem levadas a sua concretização, como a retirada de disciplinas importantes para a formação dos jovens, como Artes, Filosofi a, Sociologia e Educação Física, a qual não ocorreu, pois a Lei 13.415, de 16 de fevereiro de 2017, dispõe que: “§ 2o A Base Nacional Comum Curricular referente ao Ensino Médio incluirá obrigatoriamente estudos e práticas de educação física, arte, sociologia e fi losofi a”. Sendo que este inciso se encontra na LDB, com a inserção do Artigo 35 A. Assim, poderá parecer desconexa a nova lei em relação à Lei de Diretrizes e Bases da Educação, não é verdade? Pois bem, a Lei 13.415 vem com o intuito de realizar alterações necessárias para que a BNCC pudesse ser fomentada, alinhavando documentos de base legal e pedagógica. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação, 9394/96, continua sendo nossa lei maior na área educacional, com algumas modifi cações para o embasamento da BNCC. Precisamos, ainda, dizer que a Base Nacional Comum Curricular foi um desejo da sociedade civil organizada e de profi ssionais da educação, e que se faz presente no Plano Nacional de Educação 2014/2024. Cabe salientar que a nova estrutura voltada ao Ensino Médio ainda levanta muitas dúvidas, pois para que a mesma seja efetivada faz-se necessário termos escolas em tempo integral. Lembram que vimos sobre este assunto no primeiro capítulo? Muito bem, frente a termos escolas em tempo integral, é necessária a participação de diversos segmentos da sociedade e estaremos tratando desta questão e do Pacto Interfederativo nas próximas páginas. Feitas essas ressalvas, podemos iniciar nossos estudos de entendimento com relação ao Ensino Médio. Nesta nova estrutura o Ensino Médio, a mesma vem com objetivo de trabalhar junto aos jovens uma ideia em que o mesmo seja protagonista de sua formação profi ssional, que tenha conhecimentos tanto científi cos como práticos, sempre em consonância com o que foi trabalhado desde a Educação Infantil até o fi nal 109 A ESTRUTURA DO ENSINO MÉDIO E A FORMAÇÃO DOS PROFESSORES NA BNCC Capítulo 3 do Ensino Fundamental, tendo como preocupação a educação integral juntamente ao desenvolvimento das competências e suas habilidades. É interessante observarmos que a busca pela mudança no Ensino Médio veio a partir de uma realidade que não é muito positiva, pois possuímos uma evasão elevada neste nível de ensino e descontentamento dos jovens, e de acordo com a BNCC (2018, p. 461): Todavia, a realidade educacional do País tem mostrado que essa etapa representa um gargalo na garantia do direito à educação. Entre os fatores que explicam esse cenário, destacam-se o desempenho insufi ciente dos alunos nos Anos Finais do Ensino Fundamental, a organização curricular do Ensino Médio vigente, com excesso de componentes curriculares, e uma abordagem pedagógica distante das culturas juvenis e do mundo do trabalho. Frente a isso, a BNCC vem com o intuito de manter o jovem na escola, buscando desenvolver suas habilidades para a sua formação profi ssional. Fica clara também essa preocupação e desejo no documento das Diretrizes Curriculares Nacionais (2011), que busca, a partir do Ensino Médio, criar condições de um melhor futuro para os adolescentes, jovens e adultos, pois as desigualdades estão presentes. Entre eles é necessária a “recriação da escola que embora não possa por si só resolver as desigualdades sociais, pode ampliar as condições de inclusão social, ao possibilitar o acesso à ciência, à tecnologia, à cultura e ao trabalho” (DCNEB, 2013, p.167). Observa-se aqui que o jovem passa a ser tratado não somente como uma fase de vida, mas como um dos momentos em que deve ser instigado para sua construção plena, tendo como base novas possibilidades de reconhecer-se como cidadão, jovem e que busca novas probabilidades de crescimento em todos os níveis, sejam eles: cognitivo, emocional, social, familiar, cultural. A ideia, nesse documento, é de levar o jovem a ser jovem e a reconhecer que existem “múltiplas culturas juvenis” (DCNEB, 2013, p. 155) e que ele faz parte dessa multiplicidade. Frente a isso, percebemos que na multiplicidade de que o jovem faz parte, o mesmo poderá perceber-se como um ser integrado, que possui dialogicidade, que compreende seu mundo e que necessita ver-se integrado na sociedade e comuma visão crítica do mundo e do que o cerca. Fica clara também essa preocupação e desejo no documento das Diretrizes Curriculares Nacionais (2011), que busca, a partir do Ensino Médio, criar condições de um melhor futuro para os adolescentes, jovens e adultos, pois as desigualdades estão presentes. Entre eles é necessária a “recriação da escola que embora não possa por si só resolver as desigualdades sociais, pode ampliar as condições de inclusão social, ao possibilitar o acesso à ciência, à tecnologia, à cultura e ao trabalho” (DCNEB, 2013, p.167). 110 Competências Gerais e a BNCC As DCN do Ensino Médio orientam o planejamento curricular, indicam a estrutura. É como se fossem a arquitetura do Ensino Médio. Entram em aspectos que não competem à Base, como a situação do estudante que ainda está cursando o Ensino Médio antigo, a carga horária da educação a distância, as possibilidades de parceria, a estrutura básica do novo ENEM. Já a BNCC é um documento eminentemente pedagógico, que detalha as competências e as habilidades esperadas nas áreas de conhecimento. Ambos foram construídos em alinhamento com a reforma do Ensino Médio, são complementares e devem ser considerados na elaboração dos currículos e organização da oferta pelas escolas e redes. Através dessa informação poderemos ter maior clareza no momento em que se busca informações e ligações entre as Diretrizes e a Base Nacional Comum Curricular que se organizou de maneira a contemplar o que no Ensino Fundamental foi trabalhado que são as suas Competências Gerais, juntamente as suas competências específi cas, além de seus itinerários específi cos, que serão ofertados pelos diferentes sistemas, em suas redes e escolas. A fi gura a seguir exibe como foram delineadas as competências específi cas e as habilidades de área. Cabe deixarmos um comentário importante sobre o que são as Diretrizes Curriculares Nacionais do Ensino Médio com a BNCC (2018): FIGURA 1 – COMPETÊNCIAS GERAIS DO ENSINO MÉDIO FONTE: BNCC (2018, p. 468) 111 A ESTRUTURA DO ENSINO MÉDIO E A FORMAÇÃO DOS PROFESSORES NA BNCC Capítulo 3 Com esta fi gura observamos que o Ensino Médio não se restringe somente aos componentes curriculares, mas também aos itinerários que serão utilizados para a formação técnica e profi ssional do jovem. Esses itinerários são entendidos como as áreas do conhecimento, a saber: linguagens e tecnologias, matemática e suas tecnologias, ciências da natureza e suas tecnologias, ciências humanas e sociais aplicadas, formação técnica e profi ssional, que se apresenta através do artigo 36 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação. Nesse contexto, o jovem estudante pode escolher qual dos itinerários ele pretende se aprofundar no decorrer dos seus três anos de Ensino Médio, sendo que as escolas podem oferecer um ou dois itinerários, sem prejuízos a nenhum estudante, seja ele da área urbana ou rural. Relativo a essa organização, cabe salientar que nas Diretrizes Curriculares Nacionais encontra-se a estrutura a qual tende a tratar das áreas de conhecimento de maneira interdisciplinar, buscando assim estimular “alternativas, de acordo com as características do alunado e as demandas do meio social, admitidas as opções feitas pelos próprios estudantes” (DCNEM, 2013, p. 29). Com isso, também, através do Parecer do Conselho Nacional de Educação nº 11 de 2009, esta nova roupagem ou organização dada para as áreas do conhecimento não busca realizar a exclusão necessariamente das disciplinas e de todo o seu embasamento histórico, mas sim “[...] implica o fortalecimento das relações entre elas e a sua contextualização para apreensão e intervenção na realidade, requerendo trabalho conjugado e cooperativo dos seus professores no planejamento e na execução dos planos de ensino” (p. 20). Fica assim compreendido que deverá estar em ênfase subsidiar a integração dos conhecimentos adquiridos na escola visando dar signifi cado aos conteúdos desenvolvidos no decorrer dos anos de estudo. Evidencia-se, também, a partir desse quadro, que as mudanças advêm em virtude de novas exigências do mercado globalizado, e que interfere diretamente na economia do país, evidentemente recai sobre a educação, pois sem um profi ssional preparado para o mercado de trabalho fi ca difícil ocorrer um avanço mercadológico. Além desse parecer, observou-se com o avanço das novas tecnologias, e da mudança dos interesses dos jovens frente à nova realidade mundial, a necessidade de realizar essa nova visão do ensino na última etapa dos jovens na Educação Básica. Relativo a essa organização, cabe salientar que nas Diretrizes Curriculares Nacionais encontra- se a estrutura a qual tende a tratar das áreas de conhecimento de maneira interdisciplinar, buscando assim estimular “alternativas, de acordo com as características do alunado e as demandas do meio social, admitidas as opções feitas pelos próprios estudantes” (DCNEM, 2013, p. 29). 112 Competências Gerais e a BNCC Cabe ressaltar que a fi gura do jovem, em suas inúmeras inquietudes e em suas múltiplas facetas, faz repensar a maneira de como a escola precisa desenvolver seus trabalhos junto a eles, superando a ideia homogeneizadora, percebendo-o como “sujeito com valores, comportamentos, visões de mundo, interesses e necessidades singulares” (DCNEB, 2013, p. 155). Fica claro, nesta perspectiva, que a Base Nacional Comum Curricular busca fazer com que o jovem se perceba como um sujeito inserido em processos nos quais o questionamento e a preparação para o seu crescimento para a vida adulta, sempre voltada para a educação emocional, se faça presente tanto no plano social, familiar, como profi ssional. Assim, a ideia que se possuía do jovem de “vir a ser” modifi ca-se dando lugar para o jovem perceber-se com diversas possibilidades de enfrentamento, reconhecendo-se em seu papel de busca por melhores empregos, melhor expectativa de vida, pois já possui em si os desejos de liberdade, de experimentação, e estes desejos são necessários para que se construa um indivíduo que saiba ser e viver heterogeneamente. De acordo com Dayrell (2003, p. 42): [...] a juventude como parte de um processo mais amplo de constituição de sujeitos, mas que tem especifi cidades que marcam a vida de cada um. A juventude constitui um momento determinado, mas não se reduz a uma passagem; ela assume uma importância em si mesma. Todo esse processo é infl uenciado pelo meio social concreto no qual se desenvolve e pela qualidade das trocas que este proporciona. Com isso verifi camos que a BNCC tenta resgatar o papel do Ensino Médio em que o jovem se perceba como o centro no processo de ensino e aprendizagem que agora se volta também para a formação técnica e profi ssional. Observe que isso não signifi ca que a escola está sendo relapsa em suas atividades, não. Estas mudanças estão sendo realizadas pois o sistema apresentado até o momento não está surtindo os efeitos desejados pela clientela e pelo sistema econômico e social mundial, assim considera-se muito pelas transformações sociais em curso. Diante disso, vamos dando continuidade à estrutura que a BNCC apresenta em relação ao Ensino Médio. Ela possui, assim como no Ensino Fundamental, suas áreas do conhecimento, suas competências específi cas de área com as habilidades. Observe que isso não signifi ca que a escola está sendo relapsa em suas atividades, não. Estas mudanças estão sendo realizadas pois o sistema apresentado até o momento não está surtindo os efeitos desejados pela clientela e pelo sistema econômico e social mundial, assim considera- se muito pelas transformaçõessociais em curso. 113 A ESTRUTURA DO ENSINO MÉDIO E A FORMAÇÃO DOS PROFESSORES NA BNCC Capítulo 3 No que diz respeito às áreas do conhecimento, no documento da BNCC, as mesmas possuem sua explicação e seu papel na educação integral para os jovens que frequentam esse nível de ensino, buscando observar as características da clientela e dando continuidade ao que já vem sendo trazido pelo educando em seus anos de vida escolar já percorridos. Sobre as competências específi cas de área é necessário que estejam novamente em consonância com o que se trabalhou no Ensino Fundamental e que venham a atender as especifi cidades da formação do jovem no Ensino Médio. Cabe salientar que os componentes curriculares de Língua Portuguesa e Matemática são obrigatórios em todas as etapas do Ensino Médio, como a Língua Inglesa, dando possibilidades de fomentar outra língua estrangeira se assim achar necessário para a proposta pedagógica da escola. Nessa visão, encontramos ainda itinerários formativos que assim se apresentam: FIGURA 2 – ITINERÁRIOS FORMATIVOS 114 Competências Gerais e a BNCC FONTE: A autora (2019) Com isso, observamos que quando o aluno chega ao Ensino Médio, o mesmo pode fazer a escolha de qual itinerário formativo ele deseja. Se, por eventualidade, durante o período de três anos de estudos ele quiser modifi car seu itinerário poderá fazê-lo, escolhendo dentre os cinco aqui apresentados. A partir do momento que ocorrer a implantação, a qual será gradativa, os itinerários formativos levarão o educando a uma maior integração com outras séries, a avaliação será global, e tendo como premissa a realidade local, as necessidades da comunidade escolar, além de: “recursos físicos, materiais e humanos das redes e instituições escolares de forma a propiciar aos estudantes possibilidades efetivas para construir e desenvolver seus projetos de vida e se integrar de forma consciente e autônoma na vida cidadã e no mundo do trabalho” (BNCC, 2018, p. 478). Esta estruturação gerou muita discussão entre os segmentos educacionais, por exemplo, as disciplinas das áreas de humanas foram desconsideradas do currículo em um primeiro momento, mas com a intervenção dos atores educacionais foram mantidas, não como obrigatórias, mas aglutinadas nos itinerários formativos. Relativo aos itinerários formativos, salienta-se que os estudos realizados em língua portuguesa, enfatizando o cuidado com a língua materna das comunidades indígenas; a arte com o respeito às culturas regionais, a qual busca desenvolver as linguagens da dança, da música, do teatro e das artes visuais; a História do Brasil e do mundo, buscando evidenciar as diferentes culturas que formam o povo brasileiro; a matemática; história e cultura afro-brasileira e indígena, em especial nos estudos de arte e de literatura e história brasileiras; a língua inglesa, podendo 115 A ESTRUTURA DO ENSINO MÉDIO E A FORMAÇÃO DOS PROFESSORES NA BNCC Capítulo 3 ser oferecida outra língua optativa; a sociologia e a fi losofi a, de acordo com o Artigo 11 da Resolução CNE/CEB nº 3/2018, enfatiza que estes estudos: § 4º devem ser tratados de forma contextualizada e interdisciplinar, podendo ser desenvolvidos por projetos, ofi cinas, laboratórios, dentre outras estratégias de ensino- aprendizagem que rompam com o trabalho isolado apenas em disciplinas. § 6º Devem ser incluídos temas exigidos por legislação e normas específi cas, na forma transversal e integradora, tais como o processo de envelhecimento e o respeito e valorização do idoso; os direitos das crianças e adolescentes; a educação para o trânsito; a educação ambiental; a educação alimentar e nutricional; a educação em direitos humanos; e a educação digital. Com essas observações, precisamos retomar e ter consciência de como nos guiar dentro do documento, assim, as habilidades propostas na BNCC possuem uma identifi cação que é realizada através de um código alfanumérico, visto anteriormente no Ensino Fundamental, assim apresentado: FIGURA 3 - REPRESENTAÇÃO DO CÓDIGO ALFANUMÉRICO FONTE: BNCC Ensino Médio (2018, p. 34) 116 Competências Gerais e a BNCC Vamos explicar! EM – Etapa do Ensino Médio. 13 – Indica que as habilidades poderão ser trabalhadas em qualquer série do Ensino Médio. LGG – A sequência de três letras indica a área, ou ainda, o componente curricular pode surgir em duas letras. No caso aqui está a área de Linguagens e suas Tecnologias. 103 – Os números indicam a competência específi ca que se relaciona com a habilidade. Realizadas as observações estruturais, faz-se necessário também visualizar como serão distribuídos os trabalhos em sua carga horária. A carga horária para o Ensino Médio, em sua formação básica vai passar gradativamente de oitocentas horas para mil e oitocentas horas, no máximo, de acordo com o Artigo 11 da Resolução CNE/CEB nº 3/2018. Cabe salientar algumas orientações de como será ampliado (carga horária) o Ensino Médio, que assim se apresenta no Artigo 17 da Resolução CNE/CEB nº 3/2018, o qual diz que o Ensino Médio deve ser compreendido como um conjunto articulado, devendo assegurar o que lhe compete, que é a função formativa, mediante as mais diferentes formas de organização e de oferta. Salienta ainda que o Ensino Médio pode se organizar das seguintes formas: §1º [...] formato de séries anuais, períodos semestrais, ciclos, módulos, sistema de créditos, alternância regular de períodos de estudos, grupos não seriados, com base na idade, na competência e em outros critérios, ou por forma diversa de organização, sempre que o interesse do processo de aprendizagem assim o recomendar. Relativo à carga horária do Ensino Médio, em tempo integral, o mesmo deve ocorrer no período diurno, e encontramos no Capítulo II - relativo a Formas e Ofertas de Organização – no Artigo 17, ainda na Resolução CNE/CEB nº 3/2018 que: § 2º No ensino médio diurno, a duração mínima é de 3 (três) anos, com carga horária mínima total de 2.400 (duas mil e quatrocentas) horas, tendo como referência uma carga horária anual de 800 (oitocentas) horas, distribuídas em, pelo menos, 200 (duzentos) dias de efetivo trabalho escolar, considerando que: I- a carga horária total deve ser ampliada para 3.000 (três A carga horária para o Ensino Médio, em sua formação básica vai passar gradativamente de oitocentas horas para mil e oitocentas horas, no máximo, de acordo com o Artigo 11 da Resolução CNE/ CEB nº 3/2018. 117 A ESTRUTURA DO ENSINO MÉDIO E A FORMAÇÃO DOS PROFESSORES NA BNCC Capítulo 3 mil) horas até o início do ano letivo de 2022; II- a carga horária anual total deve ser ampliada progressivamente para 1.400 (um mil e quatrocentas) horas (grifo nosso). Essa organização é muito ambiciosa, e nos leva a pensar como as escolas estarão se organizando até o fi nal do ano de 2022, prazo para ampliação da carga horária no Ensino Médio em Tempo Integral. A nova estrutura para a educação brasileira foi fomentada com o foco nas competências, mas é preciso que se observe em qual material foi baseada essa construção. De acordo com o Ministério da Educação, este enfoque tem [...] orientado diferentes países na construção de seus currículos, entre eles, Austrália, Portugal, França, Polônia, Estados Unidos, Chile e Peru. É esse também o enfoque adotado nas avaliações internacionais da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que coordena o Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa), e da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), que instituiu o Laboratório Latino-americano de Avaliação da Qualidade da Educação para a América Latina (BNCC, 2018, p. 357).Com isso, observamos que o Brasil se encontra em um despertar de novas possibilidades, mas que é necessário verifi carmos a nossa realidade, nosso povo, o qual dentro de uma visão econômica neoliberal intensifi ca-se o capitalismo, sendo ressaltado o trabalho técnico e a necessidade de uma educação socioemocional em todos os níveis educacionais. Essa educação socioemocional encontra-se permeando todas as competências, desde a Educação Infantil até o Ensino Médio, sendo que no Ensino Fundamental encontramos quatro das dez competências relacionadas à educação socioemocional, as quais são fomentadas no Ensino Médio com a busca pela formação profi ssional, pois na atualidade o mercado de trabalho exige pessoas não só com poder cognitivo, mas também que saibam trabalhar com suas emoções, trabalhar em equipe. Esses são alguns dos pontos fortes da rede que a BNCC construiu para termos cidadãos completos e capazes de serem éticos, democráticos e que possuam respeito e equidade junto à fi gura do “Outro”. Bem, agora vamos parar um pouco e tentar verifi car se conseguimos compreender o que foi apresentado até o momento?! 118 Competências Gerais e a BNCC 1 Ao estudarmos sobre a Base Nacional Comum Curricular do Ensino Médio nos deparamos com diversos objetivos, os quais fomentam diversos desejos quanto à Educação Básica de qualidade. Frente a isso, qual é um dos objetivos principais da BNCC? I- Ter uma visão de protagonista de sua formação profi ssional. II- Que sejam trabalhadas somente as competências básicas. III- Que tenha conhecimentos tanto científi cos como práticos. IV- Reconhecer-se a partir da educação socioemocional e cognitiva. Assinale a alternativa que apresenta a resposta CORRETA: a) ( ) I, apenas. b) ( ) II e III. c) ( ) I, III e IV. d) ( ) II, apenas. 2 A partir dos Componentes Curriculares são desenvolvidas as competências específi cas relativas à: Filosofi a, Sociologia, História, Geografi a, Química, Física, Artes, Educação Física. Com isso devem ser enfatizados nessas competências estudos sobre cultura afro-brasileira e indígena, em especial nos estudos de arte e de literatura e história brasileiras, por exemplo. Frente a isso, como esses estudos devem ser realizados a partir da BNCC? I- Devem ser realizados de maneira contextualizada e disciplinar. II- Devem ser realizados de maneira tradicional e transversal. III- Devem ser realizados de maneira interdisciplinar e contextualizada. IV- Devem ser realizados de maneira elaborada e indisciplinar. Assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) II e IV. b) ( ) I, apenas. c) ( ) II e III. d) ( ) III, apenas. 119 A ESTRUTURA DO ENSINO MÉDIO E A FORMAÇÃO DOS PROFESSORES NA BNCC Capítulo 3 Realizada esta primeira atividade de estudo, esperamos que tenha fi cado clara a primeira etapa. Agora, vamos para o que concerne as competências do Ensino Médio. É interessante e cabe a nós nos atermos a cada detalhe das áreas. 2.1 OS COMPONENTES CURRICULARES DO ENSINO MÉDIO Como no Ensino Fundamental, encontramos no Ensino Médio os componentes curriculares com suas respectivas áreas, e vamos iniciar tratando da área de linguagens e suas tecnologias. Precisamos ressaltar que essa área vem ampliar, de acordo com a BNCC, as habilidades desenvolvidas no Ensino Fundamental, buscando uma articulação dos conhecimentos das áreas que compõem a Linguagem, que são Arte, Língua Portuguesa, Educação Física e Língua Inglesa. Cabe ressaltar que estas áreas possuem também o desenvolvimento da educação socioemocional, que auxilia na formação do sujeito de maneira integral. No Ensino Médio, os jovens intensifi cam o conhecimento sobre seus sentimentos, interesses, capacidades intelectuais e expressivas; ampliam e aprofundam vínculos sociais e afetivos; e refl etem sobre a vida e o trabalho que gostariam de ter. Encontram-se diante de questionamentos sobre si próprios e seus projetos de vida, vivendo juventudes marcadas por contextos socioculturais diversos (BNCC, 2018, p. 481). Frente a isso, ressaltamos que no Ensino Médio a área de Linguagens e suas tecnologias possui o objetivo de consolidar e ampliar as habilidades de uso e de refl exão sobre as linguagens de acordo com a Base Nacional Comum Curricular. Vamos adentrar um pouco mais na área de linguagens buscando a Língua Portuguesa, sendo um dos componentes do itinerário formativo e que se apresenta como obrigatória em todos os três anos de estudo do educando no Ensino Médio. Em Língua Portuguesa, o educando irá se encontrar além dos conteúdos programáticos, se deparará com práticas de leitura que envolvam a produção de 120 Competências Gerais e a BNCC textos e que perpassem pelos novos letramentos como, por exemplo, a remidiação que é o processo pelo qual um gênero ou enunciado migra de uma mídia a outra, na qual um personagem que se encontra em um livro pode ser encontrado num fi lme, na televisão, em uma camiseta, em mochilas ou em qualquer outro objeto ou espaço da mídia. Com isso percebemos que as tecnologias estão inseridas nas Linguagens e na Língua Portuguesa, que ora estamos falando. São apresentados também temas que desenvolvam as tecnologias digitais de comunicação e informação, abrindo potencialmente inúmeras possibilidades de desenvolvimento, de leitura e de produção. Diante da participação das tecnologias no ensino de Língua Portuguesa para o Ensino Médio, com maior intensidade cabe aqui evidenciar o aprofundamento e a análise sobre as linguagens e seu funcionamento observando [...] a perspectiva analítica e crítica da leitura, escuta e produção de textos verbais e multissemióticos, e alargar as referências estéticas, éticas e políticas que cercam a produção e recepção de discursos, ampliando as possibilidades de fruição, de construção e produção de conhecimentos, de compreensão crítica e intervenção na realidade e de participação social dos jovens, nos âmbitos da cidadania, do trabalho e dos estudos (BNCC, 2018, p. 498). Com isso a cultura digital passa a ter mais voz e vez no desenvolvimento do ensino, levando o educando a ser leitor/autor e produtor/consumidor, conseguindo assim conscientizar este educando da existência de conteúdos fi dedignos nas redes sociais como também as notícias falsas (Fake News), no respeito para com a diversidade, dentre outras ações. Podemos ainda ressaltar que no trato com a literatura, esta possui uma continuidade dos trabalhos desenvolvidos no Ensino Fundamental e deve ser desenvolvida não somente com os livros, mas realizar uma ligação entre os autores com suas obras e os fi lmes, animações que auxiliam no enriquecimento de nossa visão do mundo e de questionamento de como esse mundo está sendo tratado e vivenciado. Relativo aos eixos de integração, essas são as práticas de linguagem que também estão evidenciadas no Ensino Fundamental e que no Ensino Médio tratam da complexidade e dão maior ênfase nas habilidades relacionadas à análise, síntese, “compreensão dos efeitos de sentido e apreciação e réplica Em Língua Portuguesa, o educando irá se encontrar além dos conteúdos programáticos, se deparará com práticas de leitura que envolvam a produção de textos e que perpassem pelos novos letramentos como, por exemplo, a remidiação que é o processo pelo qual um gênero ou enunciado migra de uma mídia a outra, na qual um personagem que se encontra em um livro pode ser encontrado num fi lme, na televisão, em uma camiseta, em mochilas ou em qualquer outro objeto ou espaço da mídia. 121 A ESTRUTURA DO ENSINO MÉDIO E A FORMAÇÃO DOS PROFESSORES NA BNCC Capítulo 3 (posicionar-se de maneira responsável em relação a temas e efeitos de sentido dos textos; fazerapreciações éticas, estéticas e políticas de textos e produções artísticas e culturais etc.)” (BNCC, 2018, p. 501). Nessa perspectiva, os educandos, dentro da Língua Portuguesa, estarão tratando de temáticas que estão presentes em nossa sociedade, as quais buscam determinar uma nova forma de ver e viver no mundo, com maior participação no processo de produções textuais, sempre em conjunto com as tecnologias digitais. Relativo a esta explanação, encontramos aqui uma relação no que diz respeito aos componentes relativos ao campo de atuação social. Veja a seguir: FIGURA 4 – CAMPOS DE ATUAÇÃO SOCIAL FONTE: BNCC (2018, p. 501) Cada um dos campos mencionados no Ensino Médio busca em suas particularidades trabalhar as mais diversas formas de produção de discursos, verifi cando seu espaço, local, momento, não deixando de visualizar as relações de poder e os diversos confl itos que permeiam os textos, livros, fi lmes, reportagens, peças teatrais, músicas, discursos políticos e as situações cotidianas. Com essas e muitas outras possibilidades de discursos, caberá ao educando, no momento de suas produções, conseguir posicionar-se sempre valorizando e dando o devido respeito às diferentes ideias que surgem de forma democrática, atuando de maneira refl exiva, com empatia e cooperativamente, buscando a dialogicidade e distante dos preconceitos, sempre prezando pela valorização da vida coletiva e pessoal. Outro fator a ser ressaltado nesses campos relaciona-se às práticas de estudo e pesquisa, como o campo jornalístico – midiático. Aqui a preocupação 122 Competências Gerais e a BNCC expande-se para a pesquisa, sendo que essa ação já vem sendo tratada desde o Ensino Fundamental (conhecimento científi co), mas aqui ela se insere de maneira mais voltada para a análise, aplicabilidade, opinião e a produção de textos expositivos, analíticos e argumentativos, “que circulam tanto na esfera escolar como na acadêmica e de pesquisa, assim como no jornalismo de divulgação científi ca” (BNCC, 2018, p. 488). Relacionado ao campo jornalístico-midiático, este vem com o intuito de trabalhar os mais diversos discursos que se apresentam na mídia, seja ela em rádio, televisão, jornais e na esfera digital, conseguindo com isso levar o educando a posicionar-se de maneira crítica junto a tudo o que é apresentado nas mídias e seus interesses no consumo em massa. Já o campo de atuação da vida pública está inserido no contexto de vida do educando e da possibilidade do mesmo se posicionar através de materiais/textos que determinam a maneira de viver em sociedade e discriminar os discursos no cotidiano, sendo que o levem a perceber-se como integrante da sociedade e da construção e conscientização ética no contexto social e político. No que tange ao campo artístico literário, o educando será levado a reconhecer, valorizar, fruir e produzir manifestações como o reconhecimento das identidades, da multiculturalidade, do respeito com o outro, o conhecer-se e (re)conhecer-se no processo criativo, artístico e através das literaturas, com o intuito de exercitar sua sensibilidade, a qual toca a educação socioemocional. E isso fi ca bem claro quando visualizamos as competências específi cas que regem a Língua Portuguesa, sendo que as competências a seguir direcionam-se aos “saberes historicamente construídos acerca das Línguas, da Educação Física e da Arte” conforme segue: Com essas e muitas outras possibilidades de discursos, caberá ao educando, no momento de suas produções, conseguir posicionar-se sempre valorizando e dando o devido respeito às diferentes ideias que surgem de forma democrática, atuando de maneira refl exiva, com empatia e cooperativamente, buscando a dialogicidade e distante dos preconceitos, sempre prezando pela valorização da vida coletiva e pessoal. Relacionado ao campo jornalístico- midiático, este vem com o intuito de trabalhar os mais diversos discursos que se apresentam na mídia, seja ela em rádio, televisão, jornais e na esfera digital, conseguindo com isso levar o educando a posicionar-se de maneira crítica junto a tudo o que é apresentado nas mídias e seus interesses no consumo em massa. 123 A ESTRUTURA DO ENSINO MÉDIO E A FORMAÇÃO DOS PROFESSORES NA BNCC Capítulo 3 4. Compreender as línguas como fenômeno (geo)político, histórico, cultural, so- cial, variável, heterogêneo e sensível aos contextos de uso, reconhecendo suas variedades e vivenciando-as como formas de expressões indenitárias, pessoais e coletivas, bem como agindo no enfrentamento de preconceitos de qualquer natureza. 5. Compreender os processos de produção e negociação de sentidos nas práti- cas corporais, reconhecendo-as e vivenciando-as como formas de expressão de valores e identidades, em uma perspectiva democrática e de respeito à diversi- dade. 6. Apreciar esteticamente as mais diversas produções artísticas e culturais, con- siderando suas características locais, regionais e globais, e mobilizar seus co- nhecimentos sobre as linguagens artísticas para dar signifi cado e (re)construir produções autorais individuais e coletivas, exercendo protagonismo de maneira crítica e criativa, com respeito à diversidade de saberes, identidades e culturas (BNCC, 2018, p. 490). As demais competências estão relacionadas às outras áreas do conhecimento, dando assim um caráter interdisciplinar, mais efetivo, permeando todos os estudos a serem apresentados para o educando. Em consonância com a área de Matemática e suas tecnologias possui a mesma proposta, mas tem seu desenvolvimento voltado ao que já foi evidenciado no Ensino Fundamental quanto às unidades de conhecimento que se apresentam, como Números, Álgebra, Geometria, Grandezas e Medidas, Probabilidade e Estatística. Todas estas unidades de conhecimento serão trabalhadas junto ao Ensino Médio, mas observando sua prática e buscando trabalhar a matemática de maneira a ser levada para seu cotidiano e criando uma maior complexidade no entorno dessas unidades. Com isso o educando estará, também, problematizando e buscando respostas, acessando reportagens que envolvem estatísticas, realizando a verifi cação de sua autenticidade em seus números, a medição de perímetros, volumes, dentre outras ações. A matemática nessa nova roupagem encontra espaço para pesquisas que envolvam problemas, resultados, os quais podem ser apresentados com a utilização de gráfi cos, porcentagens e a utilização das tecnologias, atividades estas já incentivadas nos Anos Finais do Ensino Fundamental e que podem ser intensifi cadas no Ensino Médio. Frente a esse contexto, os educandos deverão, no processo de ensino-aprendizagem desses três anos, desenvolver competências que envolvam o “investigar, explicar e justifi car as soluções apresentadas Frente a esse contexto, os educandos deverão, no processo de ensino- aprendizagem desses três anos, desenvolver competências que envolvam o “investigar, explicar e justifi car as soluções apresentadas para os problemas, com ênfase nos processos de argumentação matemática” (BNCC, 2018, p. 529), sempre com o auxílio dos professores e colegas. 124 Competências Gerais e a BNCC para os problemas, com ênfase nos processos de argumentação matemática” (BNCC, 2018, p. 529), sempre com o auxílio dos professores e colegas. Observamos, assim, que na Matemática ocorre também o letramento matemático, pois tinha-se ou ainda se tem a ideia de que a matemática é somente a solução de problemas, operações. Fica claro nessa nova BNCC a necessidade da leitura, da interpretação, do compreender que os conhecimentos desenvolvidos sejam levados para o cotidiano do aluno,de o mesmo mostrar-se crítico, refl exivo, atuante na solução de problemas oriundos de sua realidade social. O que é Letramento Matemático? De acordo com Fonseca (2004, p. 27): [...] letramento matemático compreende as habilidades matemáticas como constituintes das estratégias de leitura que precisam ser implementadas para uma compreensão da diversidade de textos que a vida social nos apresenta com frequência e diversifi cação cada vez maiores. Com esta fala, Fonseca (2004) nos reporta à capacidade dos educandos a realizar atividades ou tarefas que exijam estratégias e conhecimentos que sejam utilizadas em ações do cotidiano. Assim, os educandos desenvolvem competências que ampliam o raciocinar, o representar, o comunicar e o argumentar. Relativo à área de Ciências da Natureza e suas tecnologias, encontramos a mesma linha de trabalho, levando em conta os conhecimentos relacionados com a Química, Física e Biologia, de maneira a aprofundar temas como Energia e Matéria, Vida e Evolução, além de Terra e Universo. Diante dos avanços tecnológicos e as inúmeras mudanças que ocorrem no mundo e em nosso país a nível climático, faz-se necessário observar e levar os educandos a perceberem-se parte deste sistema, do Universo e perceber a necessidade dos cuidados e desenvolver o senso crítico quanto aos cuidados com nosso meio ambiente. Observe que ao tratarmos dessas temáticas, e tantas outras, é necessário verifi carmos os conhecimentos conceituais que vinham sendo trabalhados no Ensino Fundamental, pois, Os conhecimentos conceituais associados a essas temáticas constituem uma base que permite aos estudantes investigar, analisar e discutir situações-problema que emerjam de diferentes contextos socioculturais, além de compreender e interpretar leis, teorias e modelos, aplicando-os na resolução de problemas individuais, sociais e ambientais. Dessa forma, os estudantes podem reelaborar seus próprios saberes relativos a essas temáticas, bem como reconhecer as potencialidades e limitações das Ciências da Natureza e suas Tecnologias (BNCC, 2018, p. 548). 125 A ESTRUTURA DO ENSINO MÉDIO E A FORMAÇÃO DOS PROFESSORES NA BNCC Capítulo 3 Assim, o pensamento científi co se faz presente nos mais diversos temas abordados na área de Ciências da Natureza, sempre observando que esse pensamento científi co leve para o cotidiano do educando. Salienta-se que nesta área são três as competências específi cas, sendo que as mesmas atribuem seu foco na análise relativa aos fenômenos naturais e à utilização das tecnologias que venham a propor atividades ou ações, tanto individuais como coletivas, conseguindo assim amenizar impactos socioambientais e melhorar as condições de vida, tanto local, como global. Tem-se, ainda, nessas competências específi cas o intuito de realizar interpretações sobre como a Vida, a Terra e o Universo estão em uma fl uidez dinâmica, buscando conhecer o funcionamento e evolução dos seres vivos e vendo-se parte integrante desse Cosmos. Assim, busca-se ocorrer uma conexão com os ensinamentos e com o conhecimento tecnológico e científi co que lhe é apresentado e quais as implicações no mundo, levando a descobertas para a melhoria do meio ambiente e da população através das mídias e tecnologias digitais. Observamos, assim, que os ensinamentos de ciências da natureza desenvolvem o senso crítico e a responsabilidade de todos, tanto individual como coletivo, junto à natureza e o meio em que vivemos. Buscar soluções que auxiliem a melhoria de vida da população sem muitas catástrofes e ampliar o cuidado com o seu espaço (local, regional ou mundial) são necessários e importantes no processo de reconhecimento da leitura de mundo dentro das ciências da natureza. Relativo às Ciências Humanas e Sociais Aplicadas, deparamos-nos com Filosofi a, Geografi a, História e Sociologia, áreas de grande importância no desenvolvimento de educandos críticos, conscientes de sua existência e de sua responsabilidade, cuidar de si e do outro para a construção de uma sociedade mais igualitária, ética e democrática. Nas três áreas, observamos que: Tal compromisso educativo tem como base as ideias de justiça, solidariedade, autonomia, liberdade de pensamento e de escolha, ou seja, a compreensão e o reconhecimento das diferenças, o respeito aos direitos humanos e à interculturalidade, e o combate aos preconceitos de qualquer natureza (BNCC, 2018, p. 561). Cabe salientar que no Ensino Fundamental tem-se como base o conhecimento do Eu, do Outro e do Nós. Sendo que no Ensino Médio busca- Observamos, assim, que os ensinamentos de ciências da natureza desenvolvem o senso crítico e a responsabilidade de todos, tanto individual como coletivo, junto à natureza e o meio em que vivemos. Buscar soluções que auxiliem a melhoria de vida da população sem muitas catástrofes e ampliar o cuidado com o seu espaço (local, regional ou mundial) são necessários e importantes no processo de reconhecimento da leitura de mundo dentro das ciências da natureza. 126 Competências Gerais e a BNCC se uma complexidade, tratar o Eu, Outro e Nós de maneira a explorar e articular de maneira mais ampla os conhecimentos que envolvem questões relativas à organização de sociedade, trabalho e poder, a diversidade que abrange raça, religião, tradições étnicas, culturais, dentre outras, conseguindo assim ter a capacidade de observação, simbolização e abstração, levando o educando do Ensino Médio ao desenvolvimento de diálogos que podem ocorrer entre grupos sociais, pessoas de diversas nacionalidades, os saberes e as diversas culturas, conseguindo a aceitação e perceber que existe a diversidade e que ela deve ser respeitada, levando o educando a uma postura ética em sociedade. Na área de Ciências Humanas e Sociais Aplicadas são tratados os temas que envolvem questões econômicas, políticas, ambientais, sociais e culturais nos mais diversos ambientes, sejam eles local, regional, nacional e mundial nos mais diferentes tempos, observando o momento histórico e compreender as ações ou tomadas de decisões realizadas em cada momento, nunca deixando de basear-se em fontes de natureza científi ca. Importante salientar que a partir das notícias, das análises de documentos e informações é necessário realizar a contextualização a partir de matrizes conceituais que levem o educando a identifi car e a operacionalizar “conceitos como etnicidade, temporalidade, memória, identidade, sociedade, territorialidade, espacialidade etc., e diferentes linguagens e narrativas que expressem culturas, conhecimentos, crenças, valores e práticas” (BNCC, 2018, p. 571). Outro ponto necessário a ser desenvolvido é o conceito de territórios e fronteiras, observando como, por que e para que são necessárias as ocupações dos espaços e a delimitação das fronteiras, como também discutir temáticas que envolvam a atualidade, como os confl itos de terras, os êxodos populacionais, a igualdade e desigualdade, inclusão e exclusão, as relações de poder relativas à territorialidade, dentre outras temáticas. Evidencia-se, também, o desenvolvimento de uma visão crítica e ética relativas à maneira de pensar e agir dos mais diversos grupos, sociedades e povos, sempre evidenciando a nossa formação étnica, respeitando os povos indígenas, quilombolas e outros povos que compõem nosso país. Leva-se em conta que sejam valorizadas e (re) conhecidas as mais diversas culturas através de sua produção, seja material ou imaterial, além de suas linguagens. De acordo com a BNCC (2018, p. 574) faz-se necessário considerar-se: Cabe salientar que no Ensino Fundamental tem-se como base o conhecimento do Eu, do Outro e do Nós. Sendo que no Ensino Médio busca-se umacomplexidade, tratar o Eu, Outro e Nós de maneira a explorar e articular de maneira mais ampla os conhecimentos que envolvem questões relativas à organização de sociedade, trabalho e poder, a diversidade que abrange raça, religião, tradições étnicas, culturais, dentre outras, conseguindo assim ter a capacidade de observação, simbolização e abstração, levando o educando do Ensino Médio ao desenvolvimento de diálogos que podem ocorrer entre grupos sociais, pessoas de diversas nacionalidades, os saberes e as diversas culturas, conseguindo a aceitação e perceber que existe a diversidade e que ela deve ser respeitada, levando o educando a uma postura ética em sociedade. 127 A ESTRUTURA DO ENSINO MÉDIO E A FORMAÇÃO DOS PROFESSORES NA BNCC Capítulo 3 [...] a presença, na contemporaneidade, da cultura de massa e das culturas juvenis, é importante compreender os signifi cados de objetos derivados da indústria cultural, os instrumentos publicitários utilizados, o funcionamento da propaganda e do marketing, sua semiótica e seus elementos persuasivos, os papéis das novas tecnologias e os aspectos psicológicos e afetivos do consumismo. Com esta visão, levar o educando a perceber-se consumidor, mas também consciente, adotando assim hábitos sustentáveis e que favoreçam uma consciência ética e que garanta práticas ambientais sustentáveis. Vê-se, nessa área do conhecimento, a necessidade do combate às mais diversas formas de preconceito e violência, buscando adotar aberturas voltadas à ética, solidariedade, inclusão, a atos democráticos que envolvam o respeito aos Direitos Humanos. Nessa vertente, o pensamento fi losófi co se faz presente, evidenciando a cada educando a necessidade do pensamento ético, singular e, assim, compreender e realizar o exercício de ações que se desenvolvem no cotidiano e contribuir para o respeito com a liberdade, autonomia, cooperação e solidariedade, pois nos encontramos em uma sociedade em que a violência se apresenta das mais diversas formas e cabe a cada um ater-se às causas dessas violências, sejam elas simbólica, física ou psicológica, que leva em muitos casos a fi ns nada agradáveis. Verifi car estas causas, buscar e avaliar mecanismos de combate tanto a estas violências como aos impasses ético-políticos. A área de Ciências Humanas e Sociais Aplicadas ainda apresenta aos educandos a possibilidade de visualizar-se como um sujeito em construção de sua cidadania, observando que o processo é contínuo e que demanda de cada um a participação efetiva para assim assegurar seus direitos e deveres, conscientizando os educandos à participação de debates públicos de maneira crítica, levando a respeitar as opiniões de cada um com liberdade, consciência crítica, autônoma e responsável. Diante dessas palavras, para que ocorra a construção da cidadania, a política será explorada como “instrumento que permite às pessoas explicitar e debater ideias, abrindo caminho para o respeito a diferentes posicionamentos em uma dada sociedade” (BNCC, 2018, p. 578). Diante do que foi apresentado até o momento, evidencia-se a construção de um cidadão, com valores éticos, que busca construir seu projeto de vida e que é instigado a participar da sociedade de maneira democrática e responsável. 128 Competências Gerais e a BNCC Diante disso, fi ca o questionamento: Como realizar essa mudança? De que maneira ocorrerá esse pacto interfederativo apregoado na BNCC? Bem, antes disso, vamos a mais uma atividade de estudo voltada ao que vimos até o momento. 1 Quando falamos da Língua Portuguesa, a mesma possui em sua área a Literatura, um dos pontos fortes apresentados na Base Nacional Comum Curricular. A mesma foi desenvolvida no Ensino Fundamental e recebe uma complexidade no Ensino Médio possuindo como base a realização de: I- Atividades que envolvam os livros didáticos. II- Atividades relacionadas entre tecnologias e as obras. III- Atividades que enfatizem exclusivamente os autores. IV- Atividades que envolvam autores, fi lmes, animações. Assinale as alternativas CORRETAS: ( ) Apenas, II. ( ) I e III. ( ) II e IV. ( ) Apenas, IV. 2 Na área de Ciências Humanas e Sociais Aplicadas o educando deverá ter ao fi nal de seus três anos de escolaridade no Ensino Médio o desenvolvido de quais habilidades? 3 O PACTO INTERFEDERATIVO Diante do exposto até o momento, visualizamos como deverão ser embasados os currículos das escolas, mas, para tanto, é necessário que nessa perspectiva se possua um envolvimento de todos os segmentos da federação, desde a União, como Estados, Distrito Federal e Municípios, para que se consiga implementar a Base Nacional Comum Curricular. 129 A ESTRUTURA DO ENSINO MÉDIO E A FORMAÇÃO DOS PROFESSORES NA BNCC Capítulo 3 Para tanto, os entes federados deverão organizar-se, cabendo a cada um seu papel nesse processo, pois com as dimensões de nosso país, faz-se necessária a presença da União no movimento, juntamente ao Ministério da Educação e dos segmentos, como o Conselho Nacional da Educação, UNDIME e CONSED. Com esses segmentos e a presença da União com relação ao fi nanceiro para que as estruturas físicas e pedagógicas sejam implementadas para que este documento venha a ser praticado é de extrema necessidade, pois vivemos em um país no qual as desigualdades, tanto econômicas, como educacionais e sociais, estão presentes; é preciso o empenho de todos para a fomentação dessas mudanças. O pacto interfederativo deverá ser mantido como uma rede, a qual direciona os documentos, incentivos fi nanceiros e pedagógicos a cada estado da federação e este implementa nos municípios que o compõe. De acordo com a Base Nacional Comum Curricular é de responsabilidade da União, através do Ministério de Educação, as seguintes ações: • Responsabilidade na revisão e alinhamento com a Base Nacional Comum Curricular a ser realizada junto a formação inicial e continuada dos professores, sendo que a União realiza a regulação do ensino superior. • Realizar a coordenação de ações e políticas nos âmbitos federal, estadual e municipal, relacionado a avaliação, elaboração de materiais pedagógicos e a oferta de infraestrutura para o desenvolvimento da educação observando critérios para esta oferta. • Será necessária também a participação do CONSED, UNDIME e CNE, para a implementação e a criação de “instancias técnico-pedagógicas nas redes de ensino, priorizando aqueles de menores recursos (BNCC, 2018, p. 21). Com essas ações relacionadas à União e com a participação dos demais segmentos, observamos que a participação dos profi ssionais da educação nas escolas será o ponto forte de todo o processo, alinhado ao que a União deverá realizar no que tange ao fi nanceiro, envolvendo as estruturas físicas das escolas e o pedagógico. Com isso, vamos nos ater um pouco mais nesse pacto interfederativo, o qual possui inserido na Base Nacional Comum Curricular três palavras que norteiam esse documento e que no pacto devem ser levadas em conta na sua efetivação, para uma construção democrática do ensino. As palavras são igualdade, diversidade e equidade. Palavras que determinam o fortalecimento de uma nação que possui em seu território grandes problemas O pacto interfederativo deverá ser mantido como uma rede, a qual direciona os documentos, incentivos fi nanceiros e pedagógicos a cada estado da federação e este implementa nos municípios que o compõe. 130 Competências Gerais e a BNCC centrados nos mais diversos setores, como saúde, segurança, moradia e educação, que necessitam ser evidenciados e vividos a partir de uma conscientização e construção de conhecimentosem que a constituição de cidadãos esteja relacionada a sua maneira de ver e viver no mundo. Se buscarmos historicamente, a educação não foi vista como um elemento essencial para a construção de uma sociedade ética e democrática. Para poucos era dado o direito de estudar, de buscar novas possibilidades de melhoria de vida. Muito se fala da necessidade da educação como basilar na sociedade brasileira, mas poucos foram os avanços encontrados neste segmento. Com a Base Nacional Comum Curricular o desejo de igualdade educacional vem com este intuito, de fomentar junto aos educandos aprendizagens essenciais, que devem ser desenvolvidas no decorrer de sua vida educacional e levadas para seu dia a dia, na construção de seu projeto de vida. Nessa perspectiva, a diversidade também deve ser evidenciada, respeitando os diversos sujeitos, sua maneira de pensar e agir, respeitando e levando-os a reconhecer a presença da diversidade cultural no espaço escolar e fora dele, e determinar que a todos é dado o direito aos estudos e sendo considerado seus interesses, como também suas “identidades linguísticas, étnicas e culturais” (BNCC, 2018, p. 15). No tocante à equidade, é necessário que observemos as ações a serem desenvolvidas na escola e que os educandos percebam que o outro também faz parte da sociedade e possui os mesmos direitos que eu. Sejam os Outros os povos indígenas, quilombolas, as pessoas com defi ciências, pessoas que por algum motivo não conseguiram terminar seus estudos na idade certa, além dos afrodescendentes. Todos, indistintamente, possuem o direito e devem ser respeitados em suas difi culdades ou limitações. Para tanto, o documento é de extrema beleza e profundidade, mas a participação dos profi ssionais da educação é de extrema importância. Assim, vamos nos ater agora à participação do professor e da escola no desenvolvimento da Base Nacional Comum Curricular. As palavras são igualdade, diversidade e equidade. Palavras que determinam o fortalecimento de uma nação que possui em seu território grandes problemas centrados nos mais diversos setores, como saúde, segurança, moradia e educação, que necessitam ser evidenciados e vividos a partir de uma conscientização e construção de conhecimentos em que a constituição de cidadãos esteja relacionada a sua maneira de ver e viver no mundo. 131 A ESTRUTURA DO ENSINO MÉDIO E A FORMAÇÃO DOS PROFESSORES NA BNCC Capítulo 3 3.1 A PARTICIPAÇÃO DOS PROFESSORES E DA ESCOLA NA NOVA BNCC “BNCC e currículos têm papéis complementares para assegurar as aprendizagens essenciais defi nidas para cada etapa da Educação Básica, uma vez que tais aprendizagens só se materializam mediante o conjunto de decisões que caracterizam o currículo em ação” (BNCC, 2018, p. 16). Esta citação nos dará o caminho para as respostas das perguntas anteriormente apresentadas e que facultam todo o processo de desenvolvimento deste documento junto aos educandos em todos os níveis da educação. A escola, como sabemos, é o elemento que deverá dispor de organização para que os currículos escolares estejam alinhados com o que a BNCC estabelece, mas também deverá constituir-se como um documento no qual as necessidades da comunidade em que a escola se encontra sejam respeitados e evidenciados, tentando desenvolver mecanismos que insiram os conhecimentos adquiridos na escola no cotidiano do aluno. Essa organização se dará a partir da leitura da Base Nacional Comum Curricular por parte de todos os profi ssionais da escola e a partir de aí conhecer o entorno da escola, sua clientela e determinar de maneira democrática o caminho a ser trilhado por todos nesse processo. Para tanto, deverá ocorrer, como já ocorre em muitas escolas, tanto particulares como públicas, o diálogo entre os pares. Os profi ssionais da educação deverão abarcar-se desse documento e construir um currículo em que os interesses da comunidade e do educando sejam evidenciados e assim faz-se necessário o papel do professor de articulador no processo de ensino e aprendizagem. Conforme Baruffi (2017, p. 156): Cabe a cada um sentir-se professor e desenvolver trabalhos que levem o aluno a construir o seu conhecimento. Assim sendo, ao professor é imprescindível que se mantenha bem informado sobre o que acontece na sociedade e no mundo, dando prioridade ao que venha auxiliar em seu desenvolvimento cognitivo, social e emocional. Dessa maneira, observamos que aos professores cabe a abertura às novas tecnologias e às mudanças que ocorrem no mundo e no seu entorno, conseguindo A escola, como sabemos, é o elemento que deverá dispor de organização para que os currículos escolares estejam alinhados com o que a BNCC estabelece, mas também deverá constituir- se como um documento no qual as necessidades da comunidade em que a escola se encontra sejam respeitados e evidenciados, tentando desenvolver mecanismos que insiram os conhecimentos adquiridos na escola no cotidiano do aluno. 132 Competências Gerais e a BNCC assim auxiliar o educando no seu desenvolvimento também cognitivo, social e emocional. Nessa perspectiva, os currículos devem estar alinhados com a realidade de cada local, pois com o imenso território que nosso país possui os interesses particulares devem ser respeitados. Assim, o exercício profi ssional do professor, de acordo com Libâneo (2012), necessita abranger pelo menos três imputações, a saber: A docência: relativo a isso, o mesmo afi rma que como docente, necessita de preparo profi ssional para dar acompanhamento individual aos alunos e proceder à avaliação da aprendizagem, gerir a sala de aula, ensinar valores, atitudes e normas de convivências social e coletiva. Neste tocante é importante ressaltar que a fi gura do professor é de mediador e articulador do processo, objetivando junto aos alunos a curiosidade, o interesse pelos debates, a instalação de seminários e de problematização e letramento tanto matemático, da Língua Portuguesa e das demais áreas do conhecimento em todos os níveis de ensino. No que se refere ao acompanhamento, deve ser individual e coletivo, possibilitando assim uma avaliação global, em que o aluno é avaliado em todo o processo educacional, observando o currículo que foi desenvolvido para aqueles alunos e sua capacidade de absorção dos conhecimentos historicamente construídos e os que se relacionam com o cotidiano do mesmo. Atuação na organização e na gestão da escola: Cabe aqui ressaltar que o professor como membro da equipe escolar, necessita dominar conhecimentos relacionados às esferas que compõem a estrutura escolar, desenvolvendo capacidades e habilidades práticas para participar dos processos de tomadas de decisões, utilizando-se também de atitudes como solidariedade, cooperação, responsabilidade, respeito mútuo e diálogo (LIBÂNEO, 2012, p. 431). Com essa ação, a construção do currículo escolar é determinante; a sua participação, a sua troca de ideias, o seu conhecimento e as três palavras que compõem a Base Nacional Comum Curricular que são: diversidade, equidade e igualdade. Todas as três envolvem o desenvolvimento e a empatia que deve existir no momento da participação do processo de construção do currículo escolar. E por último, temos “Produção de Conhecimento Pedagógico: como profi ssional que produz conhecimento sobre seu trabalho, precisa desenvolver competências de elaboração e de desenvolvimento de projetos de investigação” (LIBÂNEO, 2012, p. 431). Referente a esta atribuição, observamos com a construção deste novo documento das escolas que o professor necessita 133 A ESTRUTURA DO ENSINO MÉDIO E A FORMAÇÃO DOS PROFESSORES NA BNCC Capítulo 3 demuito estudo, troca de experiências, dialogicidade com seus colegas de profi ssão e a busca de materiais e conhecimentos que estejam relacionados aos projetos a serem desenvolvidos por ele e demais profi ssionais que compõem a equipe pedagógica escolar, além de formação continuada, a qual deverá ser proporcionada pelas esferas competentes de cada segmento, como Secretarias de Educação. Seguindo essa linha de pensamento, não é somente o professor o responsável por essas mudanças, a equipe pedagógica tem papel também essencial nesse movimento, e cabe a cada um dos personagens construir uma gestão democrática e participativa em que a teoria e a prática estejam caminhando lado a lado nesse novo modelo que se busca implementar na educação brasileira. Assim, faz-se necessário construir uma cultura organizacional, a qual necessita possuir uma organização em que sejam elencados os documentos que estarão permeando o desenvolvimento e o funcionamento da comunidade escolar. Não podemos esquecer que para existir essa construção é necessário observar os aspectos informais que estão presentes no cotidiano da escola e que podemos conceituar, conforme Libâneo (2012), como a Cultura Organizacional. Na estrutura escolar, todos os atores que se constituem nesse espaço são regidos por documentos que determinam o desenvolvimento do processo ensino-aprendizagem, dentre eles agora a BNCC, mas esses espaços escolares acabam sofrendo a infl uência de elementos informais, como de comportamento, opiniões e acabam expressando o ambiente, o clima da escola. Desse modo, nos deparamos com a cultura organizacional que possui um viés mais psicológico e que envolve tanto compreender “a infl uência das práticas culturais dos indivíduos e sua subjetividade [...]”. (LIBÂNEO, 2012, p. 439). E isso nós encontramos na Base Nacional Comum Curricular, a necessidade de visualizarmos o aluno de maneira a considerar suas subjetividades e o papel que a cultura na qual ele vem inserido representa. Libâneo (2012) trata a subjetividade como um conjunto que constitui o contexto simbólico que nos rodeia e vai formando nosso modo de pensar e agir. Com isso, verifi camos que nossa maneira de viver nos remete às atitudes que vamos formando com o passar dos anos, uma construção que possui sua raiz na família, e vai se estendendo com as vivências que construímos junto à sociedade e de maneira formal em nossos anos de escolaridade. E esta é uma das questões que a BNCC nos quer apresentar, levar em conta o que o educando vive e assim auxiliar na sua transformação. Na estrutura escolar, todos os atores que se constituem nesse espaço são regidos por documentos que determinam o desenvolvimento do processo ensino- aprendizagem, dentre eles agora a BNCC, mas esses espaços escolares acabam sofrendo a infl uência de elementos informais, como de comportamento, opiniões e acabam expressando o ambiente, o clima da escola. 134 Competências Gerais e a BNCC Para tanto, é interessante visualizarmos que todos os atores que compõem a escola precisam estar abertos às inovações, e perceberem que a escola não é um espaço meramente dos alunos, mas também dos professores, pais e comunidade, pois de acordo com Forquin (1993, p. 167): A escola é, também, um mundo social, que tem suas características de vida próprias, seus ritmos e seus ritos, sua linguagem, seu imaginário, seus modos próprios de regulação e de transgressão, seu regime próprio de produção e de gestão de símbolos. Podemos, então, determinar que a partir desta citação, Forquin, sociólogo francês, quer nos apresentar que a escola necessita ser respeitada e se organizar de maneira a conseguir ser compreendida pelos seus clientes, aqui alunos e famílias que compõem o entorno da escola; que a escola consiga em seu novo currículo determinar os caminhos que melhor auxiliam os alunos no desenvolvimento de suas capacidades e habilidades, desde a Educação Infantil até o Ensino Médio. Ainda frente à citação de Forquin, podemos motivar um termo que para nós professores é muito conhecido, que é o currículo oculto, o qual se apresenta muito forte no funcionamento das escolas e na prática dos profi ssionais da educação. O currículo oculto determina o funcionamento das escolas a partir de sua realidade, pois cada escola possui sua cultura própria que determina o estabelecimento de seu projeto pedagógico curricular, além da gestão participativa. FIGURA 5 – CAPA DO GUIA DE IMPLEMENTAÇÃO BNCC FONTE: <https://implementacaobncc.com.br/wp-content/uploads/2018/06/ guia_de_implementacao_da_bncc_2018.pdf>. Acesso em: 2 jan. 2019. 135 A ESTRUTURA DO ENSINO MÉDIO E A FORMAÇÃO DOS PROFESSORES NA BNCC Capítulo 3 Frente a esta exposição, é preciso verifi car o desenvolvimento junto ao corpo docente da escola, a sua formação para que o documento BNCC seja inserido na escola a partir da realidade que a constitui. Com isso, vamos relembrar um documento que no capítulo anterior deixamos para ser explorado neste momento, que é o Guia de Implementação da Base Nacional Comum Curricular. Lembram do post apresentado acima? Pois bem, ele possui sete dimensões que orientam o processo de implementação da Base Nacional Comum Curricular. Os sete percursos de implementação estão assim determinados: • Estrutura da Governança da Implementação. • Estudos das Referências Curriculares. • (Re)elaboração curricular. • Formação continuada. • Revisão dos Projetos Pedagógicos. • Materiais Didáticos. • Avaliação e Acompanhamento de Aprendizagem. Junto a essas sete dimensões estão conectadas cinco ações transversais que são essenciais para cada etapa ser realizada, que são: • Planejamento e monitoramento. • Comunicação e engajamento. • Processos formativos. • Apoio técnico e fi nanceiro. • Fortalecimento da Gestão Pedagógica. Vamos nos ater neste momento à análise de cada uma das sete dimensões, sendo a primeira: Estrutura da Governança da Implementação: nesta perspectiva o primeiro passo caracteriza-se pela organização de uma estrutura em que tanto as redes públicas e privadas realizem a (re)elaboração curricular tendo sempre o princípio da colaboração. Podendo os municípios realizarem a reformulação de seu currículo de maneira colaborativa com outros municípios ou individualmente. Nessa perspectiva são apresentadas questões que nos levarão à refl exão, que assim se apresentam: 1. Quais as possíveis formas de organização do trabalho em regime de colaboração? Podemos focar em um dos fatores primordiais para a implementação desta base, que é o fi nanceiro, e de acordo com o programa de implementação da BNCC “os estados e municípios contam com um Programa de Apoio à Implementação, com repasse de recursos ao Estado, para fortalecer o processo de (re)elaboração curricular durante o ano de 2018 em regime de colaboração” 136 Competências Gerais e a BNCC (GUIA IMPLEMENTAÇÂO, 2018, p. 7). Nesta perspectiva, os recursos fi cam pautados para os seguintes fi ns: • O fortalecimento das equipes de gestão e currículo para o estado, via bolsas de formação para coordenadores estaduais (do CONSED e UNDIME), articuladores do regime de colaboração (por seccional da UNDIME), coordenadores de etapas da educação básica e redatores de currículo (ver detalhamento na seção 1.4 deste guia). • A contratação de especialistas em currículo para auxiliar na escrita do documento curricular. • A realização de eventos formativos e de consulta, com o envolvimento dos municípios. • A impressão das versões preliminares e/ou da versão fi nal do documento curricular, para a sua disseminação junto às comunidades escolares. É apresentado neste Guia de Implementação o regime de colaboração através do seguinte formato, abrangendo cadauma das redes. FIGURA 6 - REGIME DE COLABORAÇÃO PROPOSTA DO ESTADO FONTE: Guia de Implementação da BNCC (2018) Neste caso, o Estado com os atores da área pedagógica, e outros atores da área de educação das secretarias de Estado e secretarias municipais, reúnem- se e realizam a construção ou a (re)elaboração dos documentos curriculares e buscam centrar seus esforços para a contextualização e evidenciam a diversidade e as desigualdades regionais que estão existentes. Já na perspectiva de os estados estarem auxiliando no desenvolvimento dos currículos escolares segue a seguinte articulação: FIGURA 7 – REGIME DE COLABORAÇÃO ESTADO E MUNICÍPIOS FONTE: Guia de Implementação da BNCC (2018) 137 A ESTRUTURA DO ENSINO MÉDIO E A FORMAÇÃO DOS PROFESSORES NA BNCC Capítulo 3 Nessa vertente, os municípios que pertencem a uma mesma região, organizados ou não em arranjos de Desenvolvimento da Educação ou Consórcios Intermunicipais, articulam-se com a equipe da secretaria estadual para a discussão e (re)elaboração dos documentos curriculares de forma colaborativa (GUIA BNCC, 2018). Dessa maneira, são os municípios (grupo) que determinam o caminho a ser percorrido no processo e buscam ajuda no Conselho Estadual de Construção de Currículo para receber apoio se assim o necessitar. Dessa maneira, são os municípios (grupo) que determinam o caminho a ser percorrido no processo e buscam ajuda no Conselho Estadual de Construção de Currículo para receber apoio se assim o necessitar. No caso de um município ou grupo de municípios optar pela (re)elaboração curricular sem articulação formal com o estado, sobretudo para os municípios menores, essa escolha deve ser bem avaliada. É preciso considerar que a discussão e elaboração coletiva favoreçam a otimização dos recursos humanos, técnicos e fi nanceiros e fortaleçam as relações entre os diferentes entes federados, promovendo, além da qualidade e coerência do documento curricular, a equidade na educação para todos os alunos (GUIA DE IMPLEMENTAÇÃO DA BNCC, 2018, p. 9). Muitas outras informações você poderá obter no site <https:// implementacaobncc.com.br/wp-content/uploads/2018/06/guia_de_ implementacao_da_bncc_2018.pdf>. Neste site, você encontrará as coordenadas de desenvolvimento para a implementação da Base Nacional Comum Curricular. É um documento que determina como deverá ser realizada a implementação tanto a nível estadual como municipal da nova proposta curricular. 138 Competências Gerais e a BNCC 2. Como ocorrerá a implementação deste documento em todo o país? Outro mecanismo importante que o Ministério da Educação, com a participação dos órgãos: UNDIME (União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação) e o CONSED (Conselho Nacional de Secretários de Educação), utiliza são as plataformas digitais, as quais são fortes aliadas para a fomentação da proposta em todo o país. Vamos conhecer! De acordo com a competência número cinco que se encontra na BNCC, com a seguinte redação: “[...] utilizar tecnologias digitais de comunicação e informação de forma crítica, signifi cativa, refl exiva e ética nas diversas práticas do cotidiano (incluindo as escolares) ao se comunicar, acessar e disseminar informações, produzir conhecimentos e resolver problemas” (BNCC, 2018, p. 531). O Ministério da Educação criou e buscou implementar o programa de Inovação Educação Conectada, o qual foi criado através do Decreto nº 9.204, de 23 de novembro de 2017, com o objetivo de universalizar o acesso à internet de alta velocidade, utilizando-a para atividades e propostas pedagógicas de tecnologias digitais na Educação Básica, conforme estão expressas no Plano Nacional de Educação e o E-Digital. A implementação dos programas ocorre junto às redes Estaduais, Municipais, Distrito Federal amparada pela Portaria 1.602, de 28 de dezembro de 2017. Os sites em que você poderá realizar a leitura dos decretos e portarias que determinam o Sistema Nacional para a Transformação Digital, da Plataforma Integrada de Recursos Educacionais Digitais, e demais critérios e procedimentos para produção, recepção, avaliação e distribuição de recursos educacionais abertos ou gratuitos nas plataformas do Ministério da Educação estão listados a seguir: DECRETOS Decreto nº 9.204, de 23 de novembro de 2017. Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/docman/novembro-2017-pdf/77511-decreto- n9.204-de-novembro-2017-pdf/fi le>. Acesso em: 2 jan. 2019. Decreto nº 9.319, de 21 de março de 2018, institui o Sistema Nacional para a Transformação Digital e estabelece a estrutura de governança para a implantação da Estratégia Brasileira para a Transformação Digital. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ ccivil_03/_ato2015-2018/2018/decreto/d9319.htm>. Acesso em: 2 jan. 2019. 139 A ESTRUTURA DO ENSINO MÉDIO E A FORMAÇÃO DOS PROFESSORES NA BNCC Capítulo 3 PORTARIAS Portaria nº 1.591, de 27 de dezembro de 2017, institui o Comitê da Plataforma Integrada de Recursos Educacionais Digitais - REDs, de caráter consultivo, no âmbito do Ministério da Educação. Disponível em: http://educacaoconectada.mec.gov.br/. Acesso em: 2 jan. 2019. Portaria 1.602, de 28 de dezembro de 2017. Disponível em: http://educacaoconectada.mec.gov.br/legislacao Acesso em: 2 jan. 2019. Portaria n° 451, de 16 de maio de 2018, defi ne critérios e procedimentos para produção, recepção, avaliação e distribuição de recursos educacionais abertos ou gratuitos para a Educação Básica em programas e plataformas ofi ciais do Ministério da Educação. Disponível em: <http://educacaoconectada.mec.gov.br/images/pdf/ portaria_451_16052018.pdf>. Acesso em: 2 jan. 2019. Com esses documentos ocorre a regulamentação da Educação Conectada em que se busca o acolhimento universalizado do atendimento escolar, além da superação das desigualdades educacionais, da qualidade da educação, e a promoção tanto humanística, cultural, científi ca e tecnológica, que se encontram no Plano Nacional de Educação (PNE). Para isso, o Ministério da Educação criou o Ambiente Virtual que será determinante para a proliferação do documento BNCC. Cada professor que se inscrever será um curador das informações que compõem o documento. O site para sua participação ou inscrição é o seguinte: http://avamec.mec.gov.br. Neste site, estão presentes todas as diretrizes e movimentos que poderão ser realizados para a implementação da base. Esse site disponibiliza materiais para orientação e formação dos professores e demais profi ssionais da educação, buscando a manutenção permanente de formação, ampliando e aperfeiçoando o processo de ensino-aprendizagem. Com o envolvimento dos professores no ambiente virtual do Ministério da Educação, os mesmos recebem as orientações e são passíveis de manter processos contínuos de aprendizagem sobre o desenvolvimento da gestão pedagógica e curricular a ser desenvolvido nas próprias escolas. Para isso, o Ministério da Educação criou o Ambiente Virtual que será determinante para a proliferação do documento BNCC. Cada professor que se inscrever será um curador das informações que compõem o documento. 140 Competências Gerais e a BNCC FIGURA 8 – PÁGINA PARA INSCRIÇÃO DE CURADORES DA BNCC FONTE: <http://avamec.mec.gov.br>. Acesso em: 2 jan. 2019. Essa plataforma busca a inserção de professores no processo de formação da proposta curricular, na qual são apresentados os cursos que estão inseridos, assim como sua carga horária. Essa ferramenta é oferecida para todos os professores que se encontram em seu efetivo cargo, e traz como objetivo a formação de curadores nas mais diversas áreas. Além dessas áreas, temos a Plataforma Integrada, a qual se encontra em:http://educacaoconectada.mec.gov.br/, que possui diversos recursos digitais dos mais diversos portais, a nomeá-los: TV Escola, Portal do Professor, Domínio Público, dentre outros. Nessa plataforma os professores poderão trocar ideias e experiências através do chat e assim construir um espaço mais dinâmico e que auxilie a todos no processo de desenvolvimento da proposta da BNCC. A fi gura a seguir representa a página deste site. FIGURA 9 – EDUCAÇÃO INTEGRADA FONTE: <http://educacaoconectada.mec.gov.br/plataforma- integrada>. Acesso em: 17 abr. 2019. 141 A ESTRUTURA DO ENSINO MÉDIO E A FORMAÇÃO DOS PROFESSORES NA BNCC Capítulo 3 Para acessar os cursos da Plataforma Integrada você deverá clicar em busca de cursos e ali serão apresentados os sumários de cada curso, para sua melhor compreensão, a imagem a seguir demonstra a busca. FIGURA 10 – A BUSCA DE CURSOS NO AVAMEC FONTE: <http://avamec.mec.gov.br/#/>. Acesso em: 2 jan. 2019. Os cursos que se encontram na plataforma são os seguintes: FIGURA 11 – CURSOS DE FORMAÇÃO FONTE: <http://avamec.mec.gov.br/#/>. Acesso em: 2 jan. 2019. 142 Competências Gerais e a BNCC Na Plataforma Integrada do Ministério da Educação também encontramos três janelas, que estão determinadas por áreas, as quais possuem os Recursos Educacionais Digitais, em que são encontrados vídeos, animações e demais recursos que possuem parcerias com a TV Escola, Cultura e demais parceiros. A área em que se encontra os Materiais de Formação fornece materiais completos de formação, além de cursos já oferecidos pelo Ministério da Educação, nos quais os conteúdos que ali se apresentam foram elaborados por equipes multidisciplinares, além de educadores renomados na área. Seguem alguns dos cursos apresentados nesta área de Materiais de formação. FIGURA 12 – MATERIAIS MAIS RECENTES DE CURSOS FONTE: <https://plataformaintegrada.mec.gov.br/home>. Acesso em: 2 jan. 2019. Na terceira área que se apresenta temos as Coleções dos Usuários. Encontra-se nesta área coleções criadas e organizadas por profi ssionais da educação (usuários da plataforma). Nela estão trabalhos realizados e que deram certo no processo de ensino-aprendizagem. FIGURA 13 – TRABALHOS REALIZADOS POR PROFESSORES FONTE: <https://plataformaintegrada.mec.gov.br/home>. Acesso em: 2 jan. 2019. 143 A ESTRUTURA DO ENSINO MÉDIO E A FORMAÇÃO DOS PROFESSORES NA BNCC Capítulo 3 Estas ações se tornam efi cazes a partir do planejamento, que deverá ser realizado no intuito de criar um momento decisório no que tange às formas de organização interdisciplinar dos componentes curriculares, conseguindo, assim, fortalecer a competência pedagógica do corpo docente da escola, buscando estratégias inovadoras, colaborativas e dinâmicas relativas à gestão e aprendizagem, como apresentadas anteriormente através das ferramentas digitais. No documento que a escola estará construindo com a ajuda dos meios oferecidos pelo Ministério da Educação deve ser evidenciado, também, as metodologias a serem aplicadas, as quais devem ser diversifi cadas como as estratégias que serão utilizadas, pois cada aluno possui seu tempo e necessidades, assim, é necessário utilizar- se de conteúdos complementares, se necessário, para que o aluno ou diferentes grupos de alunos se utilizem e consigam chegar aos objetivos propostos. Os conteúdos, sejam eles complementares ou não, são importantes e os professores necessitam encontrar estratégias para que os mesmos sejam apresentados, representados, exemplifi cados, conectados e possuírem signifi cação, baseando-se na realidade do tempo, lugar em que as aprendizagens estão centradas, de acordo com a Base Nacional Comum Curricular (2018). Cabe salientar que muitas escolas de nosso país, tanto públicas como privadas, possuem experiências pedagógicas muito efi cientes e que podem ser aprimoradas com a Base Nacional Comum Curricular, sempre buscando as especifi cidades que envolvem as diferentes modalidades, como apresentadas anteriormente nas Coleções dos Usuários, ferramenta implementada pelo MEC. Com a utilização das novas tecnologias o desenvolvimento e implementação da Base Nacional Comum Curricular terá seu efeito com a participação da comunidade escolar, buscando a formação de cidadãos éticos, democráticos e participativos junto à sociedade, sempre lembrando da busca pela igualdade, equidade e diversidade. Cabe salientar que muitas escolas de nosso país, tanto públicas como privadas, possuem experiências pedagógicas muito efi cientes e que podem ser aprimoradas com a Base Nacional Comum Curricular, sempre buscando as especifi cidades que envolvem as diferentes modalidades, como apresentadas anteriormente nas Coleções dos Usuários, ferramenta implementada pelo MEC. 144 Competências Gerais e a BNCC Deixamos para você o site em que se encontra o artigo intitulado Base Curricular Nacional: reflexões sobre autonomia escolar e o Projeto Político-Pedagógico, dos autores Rita de Kássia Cândido e João Augusto Gentili. Disponível em: <http://seer.ufrgs.br>. Acesso em: 3 jan. 2019. Vamos, antes de fi nalizar, realizar mais uma atividade de estudo! 1 O professor, ao encontrar-se na escola necessita se organizar e realizar movimentos que se constituam no desenvolvimento do educando no processo ensino-aprendizagem. Assim, como você caracterizaria o perfi l do professor para realizar um trabalho efi caz na escola? 2 Para que a Base Nacional Comum Curricular obtenha êxito que papel os profi ssionais da educação devem realizar para assim ampará-los na construção de sua proposta? Realizada esta refl exão, você, agora, possui subsídios para a participação no processo de construção da proposta curricular de sua escola a partir da Base Nacional Comum Curricular. Seu engajamento é importante! 4 ALGUMAS CONSIDERAÇÕES Neste capítulo, buscamos apresentar para você a estrutura do Ensino Médio, com seus componentes curriculares que buscam o desenvolvimento de um jovem mais crítico, voltado para o projeto de vida. Tendo o mesmo a possibilidade de escolher qual a área do conhecimento que deseja aprofundar-se, mas sabendo também que Língua Portuguesa, Matemática e Língua Inglesa são desenvolvidas nos três anos de estudo. 145 A ESTRUTURA DO ENSINO MÉDIO E A FORMAÇÃO DOS PROFESSORES NA BNCC Capítulo 3 As demais áreas serão desenvolvidas a partir dos interesses que a comunidade escolar propõe. Por isso, a necessidade dos professores e demais membros formadores da equipe gestora, para que estejam empenhados e bem alicerçados no desenvolvimento de uma proposta curricular que traga avanços para os educandos e que estes possam levar seu conhecimento produzido no espaço escolar para sua comunidade, sua família. A teoria e a prática se fazem presentes na nova proposta como o desenvolvimento da educação socioemocional que ocorre desde a Educação Infantil até o fi nal do Ensino Médio, perdurando para toda sua vida. Para tanto, também, além do envolvimento da escola, é necessária a participação efetiva da União, Estados, Distrito Federal e Municípios na ampliação desse movimento, auxiliando tanto fi nanceiramente como em elementos que auxiliem a formação de professores junto à BNCC, que o Ministério da Educação chama de curadores. Nesse sentido, o Ministério da Educação criou uma plataforma educacional digital que ampara os professores e comunidade no aperfeiçoamento e desenvolvimento de novas ideias através de chats, para que se verifi que a dialogicidade e os trabalhos desenvolvidos com efi cácia nas mais diversas escolas deste nosso Brasil. Com isso, o que a Base Nacional Comum Curricular deseja é que exista igualdade dedireitos, equidade e diversidade, em que o educando se sinta acolhido, respeitado e que a escola seja um espaço humanizado, ético e democrático. Com o objetivo do educando também se perceber como um cidadão de Direitos e de Deveres para com sua formação tanto pessoal como profi ssional. Esperamos que tenha gostado deste nosso mergulho! Muitas informações ainda chegarão e serão apresentadas através das mídias e cabe a cada um de nós realizarmos nosso contrato de participação junto aos demais colegas profi ssionais da escola. Participar é necessário! REFERÊNCIAS BARUFFI, Mônica Maria. Políticas Educacionais. Uniasselvi, 2017. BRASIL. Guia de Implementação para Formação dos Professores. Disponível em: http://guia_de_implementacao__da_bncc_2018pdf. Acesso em: 02 jan. 2019. 146 Competências Gerais e a BNCC ______. Base Nacional Comum Curricular. Disponível em: http:// basenacionalcomum.mec.gov.br/. Acesso em: 27-31 dez. 2018. ______. Ministério da Educação; CONSED; UNDIME. Base Nacional Comum Curricular Ensino Médio – Perguntas e Respostas. Disponível em: http:// basenacionalcomum.mec.gov.br/bncc-ensino-medio. Acesso em: 29 dez. 2018. ______. Plano Nacional de Educação 2014/2024. Disponível em: www.mec. gov.br/pne. Acesso em: 28 dez. 2018. ______. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Básica. Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão. Conselho Nacional da Educação. Diretrizes Curriculares Nacionais Gerais da Educação Básica/ Ministério da Educação. Secretária de Educação Básica. Diretoria de Currículos e Educação Integral. – Brasília: MEC, SEB, DICEI, 2013. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/docman/julho-2013-pdf/13677-diretrizes- educacao-basica-2013-pdf/fi le. Acesso em: 27-31 dez. 2018. ______. Parecer Conselho Nacional de Educação Nº 11 de 2009. Disponível em: www.cne.gov.br. Acesso em: 29 dez. 2018. ______. Lei de Diretrizes e Bases da Educação. Disponível em: www.mec.gov. br/ldb. Acesso em: 28 dez. 2018. ______. LEI Nº 13.415, DE 16 DE FEVEREIRO DE 2017. Altera as Leis n. 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ Ato2015-2018/2017/Lei/L13415.htm. Acessado em: 17/04/2019 ______. RESOLUÇÃO Nº 3, DE 21 DE NOVEMBRO DE 2018. Atualiza as Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio. Diário Ofi cial da União – Casa Civil. Disponível em: http://www.in.gov.br/materia/-/asset_publisher/ Kujrw0TZC2Mb/content/id/51281622 Acessado em: 17/04/2019 DAYRELL, Juarez. O Jovem como Sujeito Social. Revista Brasileira de Educação. Set./Out./Nov./Dez. 2003. Nº 24. Disponível em: http://www.scielo.br/ pdf/rbedu/n24/n24a04.pdf. Acesso em: 28 dez. 2018. FONSECA, M. C. F. R. (Org.). Letramento no Brasil: habilidades matemáticas. São Paulo: Global, 2004. FORQUIN, Jean-Claude. Escola e Cultura. Porto Alegre: Artes Médicas, 1993. 147 A ESTRUTURA DO ENSINO MÉDIO E A FORMAÇÃO DOS PROFESSORES NA BNCC Capítulo 3 LIBANEO, J.C. Educação Escolar: políticas, estrutura e organização. 10. ed. rev. e ampl. São Paulo: Cortez, 2012. UNESCO. Ofi cina Regional de Educación de la Unesco para América Latina y el Caribe. Laboratorio Latinoamericano de Evaluación de la Calidad de la Educación (LLECE). Disponível em: http://www.unesco.org/new/es/santiago/ education/education-assessment-llece/ . Acesso em: 16 jan. 2019.