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HUMANIDADES A palavra em comum entre os três textos é “sociedade”. O objetivo aqui é relatar de forma simplificada a respeito do texto “TRÊS ENFOQUES SOBRE O CONCEITO DE ESTADO”, de Ernesto A. Isuani. O autor tem por objetivo explicitar os diferentes conceitos de Estado. Tais conceitos, podem ser complicados quando combinados com outros conceitos tão intuitivos quando o conceito de Estado. A priori, o texto discorre sobre três noções de Estado, que serão reapresentadas a seguir: CONCEITO I Afirma que Estado e sociedade se coincidem. Fato explicado pela Teoria do Contrato social e pelas duas variantes da teoria do filosofo Max Weber. Nas teorias do contrato social, a sociedade é formada a partir da necessidade de criar entre os seres um contrato social, uma vez que somos seres ruins por natureza, ou seja, há o “Estado de Natureza” que precisa ser guiado pelas regras, que formam o Estado, pois segundo Hobbes “fora dos Estados Civis, há sempre guerra de todos contra todos.”. De acordo com Isuani, p. 37: Em Hobbes, [...] para criar um estado civil capaz de superar os perigos de uma situação real [...], os indivíduos devem desistir de qualquer direito fundamental, exceto o direito à vida. Esses direitos são conferidos a um soberano [...]. Assim, o ato de criar uma sociedade ou um Estado é o mesmo ato de criar um governo. O que preocupa Locke é a probabilidade da interferência de alguns indivíduos nos direitos dos outros. No Estado de natureza os indivíduos são guiados pela lei natural. De acordo com o autor, p. 37: No Estado de natureza, qualquer indivíduo tem o direito de punir toda a ofensa que possa ameaçar seus direitos. É a injustiça vinda do fato de que o indivíduo é simultaneamente juiz e acusador que torna o contrato social necessário. Assim, quando os indivíduos concordam em desistir de seu direito de punir os transgressores [...] e estabelecem um tribunal, eles criam uma sociedade civil ou um Estado. Deste modo, com o contrato social estipulado os seres da sociedade apenas colocam limites em seus próprios campos de ação, ou seja, não há a desistência de nenhum direito fundamental. Para Locke, sociedade e governo são criados por contratos diferentes pois “[...] a sociedade que é criada pelo contrato é somente uma sociedade ‘formal’ [...], sem nenhuma associação real na sua base [...], mas apenas insociabilidade e competição de interesses particulares”. A ideia de Rousseau é sintetizada pela ideia do Estado de natureza como um estado de inocência, afirmando assim que o Estado surgido do contrato social “proporciona aos indivíduos um caminho de auto realização e esse Estado civil é uma comunidade real e não formal”. A soberania, para ele, mora no povo e não é passível de transferência. Para Rousseau, o Estado era apenas um “truque conceitual” a fim de compreender o Estado surgido do contrato social, dessa maneira não há um segundo contrato, o pactum subjectionis. Já Max Weber, apresenta o conceito de Estado em duas vertentes que para compreendê- las é necessário entender anteriormente o conceito de “dominação”. Para ele, a existência da dominação é quase insociável da presença de organizações governantes que implicam a existência de um órgão administrativo. De acordo com Weber, uma ‘estruturação governante’ será nomeada de ‘política’ quando sua existência e ordem forem defendidas mutualmente pela força física por parte do órgão administrativo dentro de um território. E “uma organização política compulsória com operação continua será chamada de ‘estado’ na medida em que seu órgão administrativo sustentar satisfatoriamente a alegação do monopólio da legitimidade do uso da força física para proteger sua ordem”. Porém, como a utilização da força não limitada a organizações políticas, se faz necessário outro elemento para definir o Estado, a territorialidade. Ainda se tratando de ‘organização política’, Weber acredita que elas emergiram da transição existente entre a dominação patriarcal e patrimonial. O que diferencia estamento de Estado é a dominação. Nos estamentos, a administração é completamente monitorada pelo órgão administrativo dependente, ou seja, “o senhor governa com a ajuda de uma aristocracia autônoma e assim divide sua dominação com ela”. Já no Estado, a administração é realizada pelo ‘senhor’ com a ajuda de auxiliares. Em suma, Weber julga o Estado como uma organização política governante, tendo como adjetivo a territorialidade e a existência de um órgão administrativo responsável por ter exclusividade legítima do uso da força. CONCEITO II Propõem o Estado como uma estrutura da sociedade, conceito apresentado por Hegel que põe o Estado “como uma dimensão abstrata” abrangendo demais áreas da sociedade. As realidades sociais da época de Hegel, o levaram a ajustar uma nova noção de sociedade civil. O significado de ‘sociedade civil’ utilizado pelas teorias do contrato social adquire um novo sentido nas obras de Hegel. De acordo com Isuani, p. 41, “a sociedade civil é contraposta ao Estado e a família, e estas três ‘esferas’ tornar-se-ão três momentos da vida ética.”, tal mudança pode ser explicada pelas novas realidades advindas da ascensão capitalista. As novas realidades seriam: O individualismo e o aumento da desigualdade. O individualismo pode ser caracterizado pelo crescimento do comércio e da indústria, causando a extrema preocupação de suprir os desejos e vontades próprios, deixando em segundo plano os interesses públicos em comum. A fim de evitar a divisão da sociedade, o público e o privado passaram a ser uma particularidade da sociedade “moderna”, pois antigamente o desejo particular coincidia com a vontade do Estado. O aumento da desigualdade também surge do crescimento do comércio e da indústria, pois a partir deste momento o desejo da compra é cada vez mais fomentado, aumentando “as diferenças em bens, colocando as massas em perigo” de prostração. Hegel enxerga na sociedade civil o que Hobbes enxergou no Estado de natureza, mas diferentemente das teorias da lei natural, Hegel afirma que sociedade civil e Estado devem ser dissociados. Para ele, o Estado abrange o individualismo e o ultrapassa com o auxílio da classe universal, ou seja, dos funcionários do Estado que devem intervir para aliviar a pobreza causada pelo aumento da desigualdade. Sob este prisma, Hegel afirma que: “o governo tem a tarefa primordial de atuar contra a desigualdade e a destruição geral proveniente dela” CONCEITO III Abordagem realizada pelos pensadores marxistas clássicos que presentam o Estado como um aparato separado da sociedade, atuando nela por meio de suas instituições governamentais. Neste terceiro conceito, como no segundo, o Estado não coincide com o conceito de sociedade, mas, difere das afirmações de Hegel pois aqui o Estado é uma instituição concreta, e surge outros conceitos, como o da autonomia e da intervenção do Estado. Para Marx, “o Estado, como a sociedade civil transcendente e universal, é apenas um mito”, pois não pode haver Estado o tempo que houver na base real da sociedade civil a desigualdade. Marx afirmava também que o fato de falar que o Estado é uma abstração não quer dizer que ele é irreal. Para ele, a comunidade política abstrata desaparecerá quando a igualdade e a cooperação forem vivas na sociedade, pois somente a partir daí os interesses públicos e privados serão os mesmos e não haveria um Estado formal nem uma sociedade civil. Já Engels e Lênin focaram seus estudos na sistematização da noção de Estado como um órgão separado da sociedade. Engels argumenta que a instituição de governo e repressão, o Estado, não vai durar para sempre: “a sociedade que organizara produção com base numa associação livre e igualitária dos produtores, colocará toda a engrenagem do Estado onde ela pertence: no Museu de Antiguidades”. Lênin trata o Estado como “um órgão de dominação de classe (...) criado pela classe dominante”, um “instrumento para a exploração da classe oprimida”, tratando a burocracia e o exército como “as duas instituições mais características dessa máquina do Estado”. Resumidamente, Marx afirmava que o Estado era um órgão distinto da sociedade. Tal ‘órgão’ teve sua descrição de forma mais concreta por Engels em Lenin, que afirmaram ser “o Estado idêntico às instituições governantes, administrativas e coercitivas da sociedade”. Anotações da aula presencial - 01/10/2019 A filosofia é sistematizada na Grécia Antiga. Sócrates tinha a concepção de que os seres humanos são formados de razão (materialidade) e sensibilidade (mundo das ideias e sensações), ou seja, nós vivemos no mundo em que construímos e enxergamos e que sabemos da existência dele culturalmente. Os gregos contribuem para o pensamento que vivemos no liame desses dois mundos. Desta maneira, a religião trata o mundo das emoções como o mundo dos espíritos, ou seja, é o mundo elaborado nas ideias. O valor ultrapassa a materialidade que o objeto representa, diferentemente do preço. A sociedade é formada a partir da necessidade de criar entre os seres um contrato social, uma vez que somos seres ruins por natureza que se não forem guiados pelas regras, que formam o Estado, podem se extinguir. Estado não é sinônimo de governo, o Estado é um conjunto de instituições que permanece e garante acesso, já o governo, representação passageira do povo, provê. A Lei, Direito Positivo, parte do costume e do hábito que por conta de um problema social se fez necessário positivá-la para resolver o impasse. Legislativo: cria. Judiciário: zela. Executivo: aprova. Weber: o Estado muitas vezes deve ser mantido pelo governo que faz o uso da dominação que passa pela tentativa de manutenção de poder. Não há modelos prontos para experimentar a democracia, ou seja, ir para além do voto. A democracia brasileira é indireta. O estágio de barbárie é caracterizado pela intolerância.