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Produtos naturais bioativos

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no desenvolvimento da indústria farma-
cêutica. A morfina é considerada um marcador de tempo dos PNB, uma vez 
que, subsequente à elucidação de sua estrutura molecular, teve sua síntese 
orgânica proposta e é utilizada como medicamento até os dias de hoje. 
A partir do isolamento e da caracterização da morfina, deu-se início a 
uma nova era, na qual os estudos químicos e farmacológicos com produtos 
naturais se expandiram. Após a Segunda Guerra Mundial, o interesse pelos 
produtos naturais bioativos voltou-se também para os estudos de micro-
-organismos, sobretudo depois da descoberta da penicilina. A partir desse 
advento, em ciclo evolutivo até 2012, 66% dos medicamentos aprovados 
eram produtos naturais ou análogos inspirados nos mesmos. 
Essa incrível resposta da natureza está intrinsecamente relacionada à vasta 
diversidade estrutural, produzida por diferentes matrizes naturais e traduzi-
da em mais de duzentos mil produtos naturais conhecidos e alicerçados em 
quase seis mil esqueletos carbônicos que ornamentam o meio ambiente. Essa 
variedade desperta interesse de diferentes áreas do conhecimento e propicia 
o exercício da interdisciplinaridade na busca de novas alternativas e terapias 
na cura de doenças. O acesso aos produtos naturais tornou-se realidade com 
a evolução da síntese orgânica, da química medicinal e dos conceitos de 
biotransformação, que incrementam a quantidade de moléculas-alvo e/ou a 
busca por novos modelos de fármacos inspirados nos PNB.
Esta obra procura integrar esses conceitos relevantes da área de PNB em 
perspectiva interdisciplinar. 
No capítulo 1, com conceitos sobre estudos de anatomia vegetal e ênfase 
em estruturas secretoras de plantas com potencial medicinal e farmacológico, 
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PRODUTOS NATURAIS BIOATIVOS 9
os autores esclarecem a morfologia estrutural da glândula, o período da ocor-
rência da secreção e a melhor época de colheita para extração. 
O capítulo 2 insere dados relevantes sobre a botânica, a fitoquímica, o 
cultivo e o melhoramento genético de Lippia alba (Mill.) N.E.Br – Verbena-
ceae. Os autores procuram suprir a falta de informações sobre a espécie em 
questão, apresentando estudos de variabilidade genética vinculada às análi-
ses de perfil fitoquímico, bem como de outros aspectos, como morfologia, 
biologia reprodutiva, pragas, doenças e, sobretudo, melhoramento genético.
No capítulo 3, dando prosseguimento à fitoquímica de espécies vegetais, 
é apresentado o estudo completo de Maytenus ilicifolia (Celastraceae). Os au-
tores discutem dados relevantes sobre ensaios biológicos de extratos, frações 
e substâncias estudados pelo grupo de pesquisa, evidenciando a razão dessa 
espécie vegetal ser consagrada como espinheira-santa.
Na sequência, o capítulo 4 traz um panorama sobre o polêmico assunto 
de doenças negligenciáveis. Introduz aspectos clínicos, epidemiológicos e de 
controle de leishmanioses e doença de Chagas, enfatizando as dificuldades 
terapêuticas para controle dessas parasitoses. São discutidas estratégias e 
descobertas de novos compostos de origem natural com atividade antipro-
tozoária e apresentadas vias metabólicas importantes desses parasitos para 
identificação de novos alvos terapêuticos.
Outra ferramenta utilizada e empregada na área de Produtos Naturais 
é a biocatálise. No capítulo 5, são discutidos como os sistemas enzimáticos 
são capazes de realizar transformações químicas sem precedentes dentro da 
química orgânica e produzir moléculas bioativas complexas e que não seriam 
facilmente obtidas pela síntese orgânica tradicional. Duas grandes classes de 
produtos naturais foram selecionadas para essa discussão: os flavonoides e os 
terpenoides.
No capítulo 6, são apresentados os resultados de pesquisas realizadas até 
o momento com as várias plantas que apresentaram atividade moluscicida, 
subdivididas conforme a espécie vegetal e o molusco-alvo, com a intenção 
de sistematizar o conhecimento e favorecer o desenvolvimento de novas 
abordagens.
Não poderíamos deixar de apresentar o estudo com fungos endofíticos. O 
estudo desses micro-organismos vem crescendo consideravelmente em todo 
o mundo e, no Brasil, ocupa também uma posição de destaque. O capítulo 
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7 contempla pesquisa de fungos endofiticos associados a várias espécies que 
forneceram compostos bioativos.
O capítulo 8 aborda a importância das plantas medicinais na busca de 
protótipos de fármacos antifúngicos como alternativa futura às drogas con-
vencionais. Ilustra, ainda, um breve panorama da pesquisa no Laboratório 
de Micologia Clínica e Núcleo de Proteômica do campus de Araraquara da 
Unesp, apresentando um estudo retrospectivo de substâncias naturais bio-
prospectadas, no período de julho de 2005 a junho de 2010, frente a patóge-
nos fúngicos de elevada importância epidemiológica. Os dados apresentados 
contribuem para o desenvolvimento tecnológico nacional, uma vez que en-
volvem aspectos inerentes à inovação farmacêutica, no desenvolvimento de 
um novo fitofármaco ou de um fármaco sintético.
A área da química medicinal também foi contemplada nesta edição. O ca-
pítulo 9 destaca alguns exemplos de Produtos Naturais Bioativos, destacan-
do algumas de suas subunidades estruturais fundamentais para construção 
de novos compostos bioativos e de seus respectivos derivados, que oferecem 
ou podem oferecer tratamento ou alívio de sintomas de algumas doenças.
No capítulo 10, os autores apresentam atividades biológicas passíveis 
de serem apresentadas por compostos naturais bioativos, além de mostrar 
métodos in vivo e in vitro para avaliação de segurança dos fitocosméticos, 
enfatizando e enfocando a tendência atual da cosmetologia na obtenção de 
ativos realmente seguros e eficazes na diminuição dos sinais de envelheci-
mento cutâneo intrínseco e na prevenção de patologias e efeitos inestéticos 
causados à pele pelo ambiente e pelo tempo.
Acreditamos que a seleção dos conteúdos aqui reunidos possam fornecer 
aos leitores informações atuais, relevantes e de grande interesse sobre a área 
de Produtos Naturais Bioativos no Brasil.
Lourdes Campaner dos Santos
Maysa Furlan
Marcelo Rodrigues de Amorim
(Orgs.)
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Estudos da anatomia vegetal com ênfase 
em estruturas secretoras de plantas com 
potencial medicinal e farmacológico
Maria Bernadete Gonçalves Martins
Selma Dzimidas Rodrigues
Introdução
As espécies vegetais contendo substâncias bioativas têm cada vez mais 
se tornado objeto de pesquisas, na busca de tratamentos terapêuticos al-
ternativos ou de substâncias que, em momento posterior, possam ser ex-
ploradas na produção de fármacos, cosméticos e agroquímicos (Fabricant; 
Farnsworth, 2001). 
O estudo de plantas medicinais apresenta várias áreas de pesquisa e, 
cada vez mais, tem atraído a atenção de botânicos, farmacêuticos e biotec-
nologistas. Estudos multidisciplinares complementares também são muito 
importantes dado o vasto número de metabólitos secundários que podem 
ser encontrados em plantas (Victório, 2011). 
No Brasil, 20% da população consome 63% de medicamentos alopáticos. 
O restante encontra nos produtos de origem natural, especialmente nas 
plantas, uma fonte alternativa de medicação. Dentre os fatores que têm 
contribuído para o aumento nas pesquisas, está a comprovada eficácia de 
substâncias originadas de espécies vegetais, como os alcaloides da vinca, 
que apresentam atividade antileucêmica, ou

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