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Produtos naturais bioativos

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et al. (1997), sendo que os principais são alpha-terpineol (22,6%), fencho-
ne (13,6%), beta-fenchil alcool (10,7%), beta-cariofileno (7,9%) e perilil 
alcool (6,0%). 
Bisio et al. (1999) realizaram análise química do óleo essencial e do ex-
trato da folha de Salvia blepharophylla (Lamiaceae), por meio de GC-MS, 
que revelou um complexo produto de secreção. Os componentes eugenol, 
cis-3-bexenil benzoate, cis-jamone, trans-nerolidol, benzil álcool e C-19-
-C-23 n-alcanos foram os principais componentes identificados; entretanto 
os flavonoides nuchensin e pedalitin, o neoclerodano diterpenoide salvian-
duline-D, e triterpenoides do ácido ursolico e –amirina foram isolados do 
extrato foliar.
Martins et al. (2010) obtiveram resultados da cromatografia em camada 
delgada comparativa (CCDC) das folhas H. coronarium e demonstraram 
o aparecimento de mancha rosa-avermelhada semelhante ao cariofileno e 
uma mancha azul semelhante ao mirceno. Sendo assim, de acordo com os 
resultados obtidos na CCDC, pode-se concluir que o óleo essencial possui 
como principais compostos cariofileno e mirceno, substâncias que, segun-
do dados da literatura (Craveiro et al., 1981), apresentam várias atividades 
biológicas, dentre elas a antimicrobiana.
Trapp e Cotreau (2001) relatam que em coníferas, ocorrem monoterpe-
nos nas folhas e troncos em vasos resiníferos. Na camomila, segundo Ama-
ral (2005), os capítulos florais contêm óleo essencial (0,3-1,5%) (composto 
de sesquiterpenos cíclicos como a-bisabolol, camazuleno e matricina), fla-
vonoides (apigenina), aminoácidos, ácidos graxos, sais minerais, cumarinas 
como herniarina e umbeliferona, mucilagens, ácidos orgânicos. Considera-
-se camomila a planta Chamomilla recutita (L.) Rauschert, Asteraceae, uma 
vez que a espécie europeia é denominada como Matricaria chamomilla. 
Esses compostos ficam localizados em ductos e tricomas glandulares nos 
capítulos. Na aroeira, Schinus terebinthifolius Raddi, Anacardiaceae, canais 
secretores estão associados ao sistema vascular e apresentam fenóis, flavo-
noides, esteroides, triterpenos, antraquinonas e saponinas (Brito, 2010).
Martins et al. (2009), considerando espectros no UV dos metabólitos 
secundários isolados em Brunfelsia uniflora, puderam inferir a ocorrência 
de derivados de ácido cafeico, como, por exemplo, o ácido clorogênico, por 
possuírem espectros no UV semelhantes àquele obtido para o pico 1 (max 
em 300 e 325 nm) coumarinas (pico 4, max 330 nm). Em 1992, Friedman 
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30 LOURDES CAMPANER DOS SANTOS • MAYSA FURLAN • MARCELO R. DE AMORIM (ORGS.)
observara ácido clorogênico em batatas processadas a fresco, por meio de 
espectrofotometria por ultravioleta. Martins et al. (2008) verificaram que 
o extrato etanólico de folhas de Tetradenia riparia, Lamiaceae, após trata-
mento preliminar por extração em fase sólida, permitiu inferir a presença de 
substâncias flavonoídicas ou de ésteres de ácido cafeico. 
Trabalhando com plantas bem adaptadas a campo e com bom rendi-
mento para óleos essenciais, Pansera et al. (2003) verificaram que a quan-
tidade de taninos totais variava com a espécie, mesmo que pertencesse a 
uma mesma família. Assim há uma variedade de relatos de espécies de 
Lamiaceae que apresentam vários produtos em suas estruturas secretoras. 
Por exemplo, Melissa officinalis, além de possuir óleos essenciais, apresenta 
cerca de 0,5 % de compostos fenólicos em folhas, como glicosídios de lute-
olina, quercetina, ácido cafeico e ácido rosmarínico (Carnat et al., 1998), 
sendo utilizados como antioxidantes.
Martins e Pastori (2004) analisaram folhas adultas de Melissa officinalis 
na época da floração, por meio de microscopia de luz e cromatografia gaso-
sa, e observaram a presença de dois tipos de tricomas secretores: capitado e 
peltado, além de tricoma tector. 
O tricoma capitado, identificado na literatura como tipo 1, apresentou 
variações na sua morfologia em relação ao número de células pedunculares 
e ao número de células secretoras apicais. A análise cromatográfica do óleo 
essencial identificou a presença de monoterpenos, em dois componentes 
majoritários, responsável por mais de 87,8% da composição relativa do óleo 
bruto, além de sesquiterpenos em menores proporções.
Martins et al. (2004) realizaram a caracterização biométrica e química 
da folha do hibrido, Mentha pulegium X spicata (Lamiaceae), conhecido 
como poejo de praia. A extração do óleo essencial foi feita por arraste a 
vapor de água, a análise química, por CG-EM, e os dados anatômicos ob-
tidos por meio de estudos de ML e MEV. Os autores observaram tricomas 
capitados e peltados presentes em ambas as faces da folha, porém com 
predominância na superfície abaxial. A análise de variância mostrou que 
há diferenças significativas para o número de tricomas capitados e tectores 
entre as superfícies adaxial e abaxial, mas não são significativas para o tri-
coma peltado. O óleo essencial analisado mostra a presença do componente 
majoritário, trans-epóxido de piperitona, responsável por mais de 80% da 
composição relativa no óleo bruto.
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A presença de diferentes grupos de flavonoides em Browallia grandi-
flora, Chamaesaracha sordida, Nicotiana tabacum, Petunia surfina e Sal-
piglossis sinuata, todas espécies da família Solanaceae, foi verificada por 
Wollenweber e Dorr (1995). Determinando a estrutura química de um fla-
vonoide isolado de Brunfelsia grandiflora, Brunner et al. (2000) sugeriram 
que um dos possíveis compostos químicos de B. uniflora pode ser do grupo 
de flavonoides. Levantamento bibliográfico feito pelo SciFinder indicou a 
existência de vários estudos fitoquímcos de espécies de Brunfelsia. 
A análise cromatográfica do extrato etanólico de Jacaranda puberula 
(Bignoniaceae), realizada por Martins et al. (2008), evidenciou a presença 
de fitoquinoides e flavonoides, sendo que Borges e Bauer (1982) isolaram 
ethyl-1-hidroxy-4-oxo-2,5-cyclohexadiene-1-acetate deste vegetal.
Silva et al. (2004) observaram a ocorrência de flavonas, flavonois e gli-
cosídeos em espécies do gênero Solanum, evidenciando que diferentes es-
pécies desse gênero possuem diferentes grupos de flavonoides. Por sua vez, 
em uma planta da família Balsaminaceae, Impatiens sp, conhecida popu-
larmente como maria-sem-vergonha, foram encontradas três novas flavo-
nonas e seus glicosídeos: naringerina, kaempferol e quercetina. Os estudos 
fitoquímicos já realizados com Tetradenia riparia (Lamiaceae) levaram ao 
isolamento e à caracterização estrutural de -pironas (Van Puyvelde; De 
Kimpe, 1998; Davies-Coleman; Rivett, 1995; Franca; Polonsky, 1971; 
Hakizamungu et al.,1988). 
Martins et al. (2004) realizaram a caracterização anatômica da folha de 
Cymbopogon citratus (Poaceae) e o perfil químico do óleo essencial. Os au-
tores observaram a presença de tricomas aculiformes curtos, pontiagudos e 
unicelulares, inseridos nas áreas vasculares do mesofilo, e micropelos, que 
consistem de uma célula proximal longa e uma célula distal oval, presentes 
entre as regiões dos feixes vasculares. O cromatograma obtido mostra que 
o óleo essencial analisado apresenta três componentes majoritários, respon-
sáveis por 87% da composição relativa do óleo bruto. Esses componentes 
são monoterpenos, justificando o forte odor do óleo essencial.
As antocianinas e os flavonois são compostos que pertencem ao grupo 
dos flavonoides e são responsáveis pela coloração, que varia de vermelho-
-vivo à violeta e

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