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ANAIS DO 60º CONGRESSO BRASILEIRO DO CONCRETO - CBC2018 – 60CBC2018 1 
AVALIAÇÃO ESTRUTURAL COM ENSAIOS NÃO DESTRUTIVOS E 
ANÁLISE EM SOFTWARE: ESTUDO DE CASO EM EDIFICAÇÃO DE 
BRASÍLIA 
 
STRUCTURAL EVALUATION WITH NON-DESTRUCTIVE TESTS AND SOFTWARE 
ANALYSIS: CASE STUDY IN BRASILIA BUILDING 
 
Jorge Antonio da Cunha Oliveira (1); Raíssa Soares do Nascimento (2); Bárbara Cicuto 
Gonçalves Pereira (3); Rafaela Veloso Rocha (4) 
 
(1) Engenheiro Civil, Dr., Curso de Engenharia Civil, Centro Universitário de Brasília (UniCEUB) 
(2) Engenheira Civil, Bacharel, Curso de Engenharia Civil, Centro Universitário de Brasília (UniCEUB) 
(3) Engenheira Civil, Graduando, Curso de Engenharia Civil, Centro Universitário de Brasília (UniCEUB) 
(4) Engenheira Civil, Bacharel, Curso de Engenharia Civil, Centro Universitário de Brasília (UniCEUB) 
 
(1) rafagus@gmail.com; (2) raissa_soares12@hotmail.com; (3) barbara.cicuto.pereira@gmail.com; 
(4) velozo.rafaela@gmail.com 
 
 
Resumo 
 
O processo de deterioração natural das estruturas de concreto armado unido à atuação indevida ou 
omissão de manutenções periódicas provocam a perda gradativa de desempenho do sistema. Nesse 
sentido, os ensaios não destrutivos são cada vez mais adotados como método de avaliação da conservação 
das estruturas de concreto armado em função da vantagem de não causar danos aos elementos. O 
presente trabalho tem o objetivo de apresentar um estudo de caso desenvolvido em uma edificação 
localizada em Brasília/DF com o intuito de analisar a viabilidade estrutural de construção de um pavimento 
sobre edificação já existente. A metodologia utilizada para o desenvolvimento foi a execução de ensaios de 
pacometria, ultrassonografia, esclerometria e verificação de avanço de frente de carbonatação a fim de 
obter dados para posterior análise estrutural em software específico. Os resultados obtidos apontaram que 
para construção de um pavimento adicional deve ser executado um reforço. Caso contrário, pode haver a 
ruína de alguns elementos estruturais, bem como a perda da estabilidade estrutural da edificação. 
Palavra-Chave: Ensaios não destrutivos, Inspeção predial, Patologia. 
 
Abstract 
 
The process of natural deterioration of reinforced concrete structures coupled with improper performance or 
omission of periodic maintenance causes a gradual loss of system performance. In this sense, non- 
destructive tests are increasingly adopted as a method of evaluating the conservation of reinforced concrete 
structures during inspections. The present work has the objective of presenting a case study developed in a 
building located in Brasília / DF in order to analyze the structural feasibility of building a pavement on an 
existing building. The methodology used for the development was the execution of pacometry, 
ultrasonography, sclerometry, extraction of samples of concrete specimens and verification of advance of 
carbonation in order to obtain data for subsequent structural analysis in specific software. The results 
obtained indicated that for the construction of an additional pavement a reinforcement must be carried out. 
Otherwise, there may be ruin of some structural elements, as well as loss of structural stability of the 
building. 
Keywords: Non-destructive testing, Building inspection, Pathology. 
 
 
ANAIS DO 60º CONGRESSO BRASILEIRO DO CONCRETO - CBC2018 – 60CBC2018 2 
1 Introdução 
Estruturas de concreto armado estão naturalmente sujeitas à processos de 
deterioração com o decorrer do seu tempo de vida útil. Daí justifica-se a importância 
atribuída às ações de uso, conservação e manutenção das estruturas no sentido evitar 
que os processos de deterioração se iniciem e desenvolvam precocemente e manter a 
durabilidade prevista para a estrutura. 
No entanto, conforme Costa et. al. (2017) explicam, as estruturas de concretos que 
não estão sujeitas a monitoramento, conservação e manutenção, estão propensas à 
ocorrência de danos. 
Quando o concreto armado perde seu estado de desempenho original em função 
de danos físicos, químicos ou mecânicos avançados, umas das medidas de intervenção 
preventiva que pode ser adotada para avaliação e monitoramento da estrutura são os 
ensaios não destrutivos. 
Dentro desse contexto, as vantagens do emprego de ensaios não destrutivos para 
avaliação de estruturas de concreto armado se dão, principalmente, pela facilidade de 
execução, preservação da estrutura, possibilidade de execução do ensaio com a 
edificação em uso e pela rápida obtenção dos resultados. 
O escopo do presente trabalho foi avaliar a estrutura de um complexo de 
edificações a fim de verificar o desempenho estrutural de cada módulo, com enfoque em 
um edifício onde os proprietários desejavam construir um novo pavimento superior. 
 
1.1 Objeto de estudo 
 
O objeto de estudo do trabalho é um complexo de edificações, localizado na cidade 
de Brasília/DF, com funcionalidade de uma Embaixada Real, construído em 1972, 
composto por um edifício principal onde funciona um escritório, uma Residência A, duas 
Residências B, três guaritas, piscina e área verde frontal e posterior. 
Durante o processo de inspeção preliminar obteve-se a informação de que todas as 
edificações foram executadas com estruturas de concreto armado, sendo que no edifício 
principal, na Residência A e nas Residências B as lajes e vigas foram executadas com 
concreto armado pré-moldado. As paredes dos edifícios foram executadas com alvenaria 
convencional. 
O edifício principal, a Residência A e as duas Residências B foram edificadas no 
ano de 1972 e no ano de 2000/2001 respectivamente e foi executado um anexo ao 
edifício principal, ampliando-o. O novo edifício seguiu o modelo arquitetônico do antigo 
estilo Pré Moldado, porém todo o concreto foi moldado in loco. Na Figura 1 é apresentada 
a disposição das edificações antigas e novas. 
 
 
 
ANAIS DO 60º CONGRESSO BRASILEIRO DO CONCRETO - CBC2018 – 60CBC2018 3 
Figura 1: Disposição dos edifícios antigo e novo do complexo. 
 
Fonte: Autor 
 
 
2 Metodologia 
A metodologia adotada para o desenvolvimento do trabalho foi composta pela 
inspeção visual dos elementos estruturais e realização de ensaios não destrutivos e 
destrutivos, além de análise estrutural em software específico. A representação 
esquemática da metodologia utilizada pode ser vista na Figura 02. 
O escopo do trabalho se fundamentou na realização de ensaios não destrutivos 
(pacometria, esclerometria e ultrassonografia), ensaios destrutivos (extração e 
rompimento de testemunhos) e simulação computacional com auxílio do software 
EBERICK para análise de estabilidade da estrutura. 
 
Complementando as análises foram realizadas a sondagem do terreno e um poço 
de inspeção afim de verificar a qualidade do solo e o tipo de fundação executada na 
construção dos edifícios existentes. 
 
Como objetivo secundário do trabalho os projetos estruturais de todos os edifícios 
foram elaborados os projetos estruturais com os dados obtidos durante as coletas de 
ensaios, pois a edificação em estudo não possui nenhum registro de projetos estruturais. 
Os projetos estruturais também foram elaborados com a utilização de software EBERICK. 
 
 
 
 
Edifício 
Antigo 
Edifício 
Novo 
 
ANAIS DO 60º CONGRESSO BRASILEIRO DO CONCRETO - CBC2018 – 60CBC2018 4 
Estudo dos projetos 
fornecidos 
Inspeção Preliminar 
(Análise Visual) 
Avaliação de 
Desempenho de Peças 
Estruturais 
Ensaios Não 
Destrutivos 
Pacometria 
Esclerometria 
Ultrassonografia 
Avaliação da 
Frente de 
Carbonatação 
Ensaios 
Destrutivos 
Extração de 
testemunhos 
Rompimento de 
testemunhos 
Sondagem do 
terreno (SPT) 
Avaliação dos resultados 
Simulação computacional 
Análise Estrutural e Elaboraçãode 
Laudo Técnico 
Poço de 
Inspeção 
 
Figura 2: Fluxograma representativo da metodologia de trabalho adotada 
 
ANAIS DO 60º CONGRESSO BRASILEIRO DO CONCRETO - CBC2018 – 60CBC2018 5 
3 Atividades de inspeção 
O primeiro passo do trabalho de campo foi a inspeção visual preliminar dos 
sistemas estruturais da edificação. Na sequência procedeu-se à execução dos ensaios 
não destrutivos e destrutivos a fim de coletar dados para avaliação do estado de 
desempenho da estrutura. Na última etapa foi efetuada uma análise de simulação 
computacional em software com a finalidade de verificar a estabilidade estrutural dos 
elementos. 
 
3.1 Inspeção visual preliminar 
Durante o processo de inspeção visual preliminar foi possível identificar algumas 
manifestações patológicas na estrutura. Dentre elas, sinais de infiltrações, trincas e 
fissuras, sinais de eflorescência e desplacamento do concreto. 
Os pontos de infiltração, identificados no prédio principal, no interior da Residência 
B, na descida de algumas tubulações aparentes na área externa dos edifícios e na 
varanda da Residência A, foram registrados com uma câmera termográfica (Figura 3). 
Nas imagens a região capturada pela câmera é mapeada em função da 
temperatura detectada em cada ponto e representada graficamente por cores. Onde há 
infiltração, ou seja, nos pontos cujo temperatura é mais baixa, a região é representada por 
cores mais frias (azul). 
 
Figura 3: Imagem termográfica do ponto de infiltração identificado na varanda da Residência A 
 
Fonte: Autor 
 
Trincas e fissuras identificadas no corredor de acesso do módulo antigo ao módulo 
novo, na laje da Residência B e na garagem foram registradas e medidas com 
fissurômetro (Figura 4). 
 
ANAIS DO 60º CONGRESSO BRASILEIRO DO CONCRETO - CBC2018 – 60CBC2018 6 
Figura 4: Trinca identificada no corredor do escritório. Medida com 1.6 mm de abertura. 
 
Fonte: Autor 
 
Na área da piscina e regiões adjacentes havia sinais de lixiviação e manifestações 
de eflorescência no revestimento externo. Esta lixiviação/ eflorescência pode ter ocorrido 
devido a trincas/fissuras no revestimento, que fizeram com que a água da chuva 
penetrasse no elemento e carreasse hidróxido de cálcio (Ca(OH)2) até a superfície 
externa. 
 
3.2 Ensaios de avaliação estrutural 
Na sequência a avaliação de desempenho da estrutura teve continuidade com a 
realização de ensaios de campo não destrutivos. Os métodos adotados foram: ensaio de 
pacometria, ensaio de esclerometria e ensaio de ultrassonografia. Também foram 
executados ensaios destrutivos de extração de corpo-de-prova com a finalidade de obter 
a resistência efetiva do concreto à compressão. 
 
3.2.1 Pacometria 
 O ensaio de pacometria é um método não destrutivo que detecta a localização, o 
diâmetro e cobrimento das barras de aço em estruturas de concreto armado por meio de 
indução magnética (Figura 5-a). 
 O principal objetivo dos ensaios de pacometria executados neste estudo de caso 
foi a identificação e mapeamento das barras de aço em elementos estruturais como 
procedimento prévio aos demais ensaios inseridos no escopo do trabalho (esclerometria, 
ultrassonografia e extração/rompimento de testemunhos). 
 Embora tenham sido coletados dados de cobrimento nominal durante os ensaios, 
as medidas fornecidas pelo equipamento não podem ser consideradas válidas, pois os 
elementos estruturais ensaiados são revestidos com argamassa de reboco e pintura, o 
que aumenta a espessura da camada total de cobrimento da barra de aço. 
 
 
ANAIS DO 60º CONGRESSO BRASILEIRO DO CONCRETO - CBC2018 – 60CBC2018 7 
3.2.2 Esclerometria 
O ensaio de esclerometria é um método não destrutivo que permite a determinação 
da dureza superficial do concreto, fornecendo dados para a avaliação da qualidade do 
concreto endurecido. 
Os procedimentos de ensaio são prescritos pela NBR 7584 (2012). O método é 
baseado no princípio do ricochete e consiste em efetuar impactos na superfície do 
elemento de concreto e medir o retorno da força aplicada após o impacto. O equipamento 
utilizado é chamado de esclerômetro de Schimidt. 
A área de ensaio é demarcada em uma malha dividida em 16 quadrantes, 
conforme recomendado pela norma. Em cada quadrante é efetuado um impacto com o 
esclerômetro (Figura 5-b), devendo os pontos estarem uniformemente distribuídos e 
espaçados numa distância mínima de 30 mm. 
Cada impacto realizado com o esclerômetro de Schmidt fornece um índice 
esclerométrico. O resultado de cada ensaio é dado pelo cálculo da média aritmética dos 
16 índices obtido, devendo-se desprezar todo índice esclerométrico individual que esteja 
afastado em mais de 10% do valor médio obtido e calcular nova média aritmética. O 
índice esclerométrico médio final deve ser obtido com no mínimo cinco valores individuais, 
e então, correlacionado com a resistência à compressão do concreto através das curvas 
do Ábaco de Miller. 
Para o trabalho foram realizados 30 ensaios de esclerometria: 26 em pilares, 1 em 
viga e 3 em laje, de modo a abranger os diferentes tipos de concreto utilizados durante a 
execução das obras. Os resultados de resistência obtidos pela correlação dos ensaios de 
esclerometria realizados para o estudo de caso são apresentados na Tabela 1 abaixo. 
 
Figura 5: Ensaios não destrutivos em pilar de concreto armado. (a) Pacometria. (b) Esclerometria. 
 
Fonte: Autor 
 
ANAIS DO 60º CONGRESSO BRASILEIRO DO CONCRETO - CBC2018 – 60CBC2018 8 
Tabela 1 – Resultados de resistência obtidos pela correlação com os índices esclerométricos 
Peças 
Resistência 
Média 
Resistência 
Mínima Provável 
(Mpa) 
Resistência 
Máxima Provável 
(Mpa) 
P01 40 33 47 
P02 40 33 47 
P03 48 41 55 
P04 44 37 51 
P05 26 20 32 
P06 44 37 51 
P07 35 29 42 
P08 35 29 42 
P09 40 33 47 
P10 32 26 39 
P11 39 33 46 
P12 21 16 27 
P13 21 16 27 
P14 18 15 23 
P15 36 14 43 
P16 44 30 51 
L01 24 37 30 
L02 30 18 37 
V01 39 24 46 
L03 38 32 45 
P21 35 29 42 
P22 32 26 39 
P23 36 30 43 
P24 44 37 51 
P25 39 33 46 
P26 35 29 42 
P27 40 33 47 
P28 32 26 39 
P29 26 20 32 
P30 21 15 27 
Fonte: Autor 
 
 
Os resultados de esclerometria obtidos apontam que os concretos dos edifícios 
apresentam boa dureza superficial. Esses dados foram comparados com os resultados 
de outros ensaios obtenção de um diagnóstico mais preciso sobre a qualidade dos 
concretos utilizados na construção dos edifícios, pois existem fatores que influenciam na 
correlação dos índices esclerométricos com a resistência à compressão do concreto. 
 
 
ANAIS DO 60º CONGRESSO BRASILEIRO DO CONCRETO - CBC2018 – 60CBC2018 9 
3.2.3 Ultrassonografia 
Os elementos estruturais ensaiados também foram avaliados pelo método do 
ensaio de ultrassonografia, cujo intuito é avaliar a qualidade do concreto em termos de 
compacidade. No total foram executados 10 ensaios de ultrassonografia, sendo 1 em viga 
e 9 em pilares. 
Os procedimentos adotados para execução do ensaio são normatizados pela NBR 
8802 (2013) e o método que o governa consiste em determinar a velocidade de 
propagação de ondas longitudinais, obtidas por pulsos ultrassônicos, através de um 
componente de concreto. 
Segundo os requisitos prescritos na norma para validade e confiabilidade dos 
resultados, as peças de concreto a serem ensaiadas devem ter superfícies planas, lisas e 
isentas de sujeira. Outra condição exigível é que os transdutores que emitem e recebem 
os impulsos ultrassônicos sejam posicionados em pontos afastados de barras de aço, 
pois a velocidade de propagação da onda é maior no aço do que no concreto. 
Para tanto, após a escolha dos elementos estruturais a serem ensaiados como 
amostra representativa as posições das barras deaço, detectadas com uso do 
pacômetro, foram demarcadas nas superfícies de ensaio. 
 O resultado de velocidade obtido no ensaio de ultrassonografia permite avaliar a 
qualidade do concreto em função da compacidade do elemento. Para tanto, normalmente 
á adotado o critério de avaliação do concreto em função de intervalos de velocidade 
sugeridos por autores da área, conforme exemplo da Tabela 2, proposta por Whitehurst 
(1966) apud Adamatti (2013). 
 
Tabela 2 – Qualidade dos concretos em relação a velocidade de propagação ultrassônica (VPU). 
VPU QUALIDADE DO CONCRETO 
 
> 4500 EXCELENTE 
 
3500 < VPU < 4500 ÓTIMO / BOM 
 
3000 < VPU < 3500 BOM / DUVIDOSO 
 
2000 < VPU < 3000 REGULAR 
 
VPU < 2000 RUIM 
 
Fonte: Whitehurst (1966) apud Adamatti (2013) 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ANAIS DO 60º CONGRESSO BRASILEIRO DO CONCRETO - CBC2018 – 60CBC2018 10 
Na Tabela 3 são apresentados os resultados obtidos nos ensaios de 
ultrassonografia. 
 
Tabela 3 – Resultados do ensaio de ultrassonografia e avaliação do concreto 
Elemento 
Velocidade de 
Propagação 
(m/s) 
Qualidade do 
concreto 
P03 3816,8 ÓTIMO/BOM 
P04 3773,6 ÓTIMO/BOM 
P06 4092,7 ÓTIMO/BOM 
P07 3888,1 ÓTIMO/BOM 
P08 3558,7 ÓTIMO/BOM 
P09 3703,7 ÓTIMO/BOM 
P10 3610,1 ÓTIMO/BOM 
P11 3854,2 ÓTIMO/BOM 
P12 3652,2 ÓTIMO/BOM 
P13 3625,3 ÓTIMO/BOM 
P14 3613,2 ÓTIMO/BOM 
P15 3703 ÓTIMO/BOM 
P16 3984,1 ÓTIMO/BOM 
P20 3581,2 ÓTIMO/BOM 
V01 2409,6 REGULAR 
Fonte: Autor 
 
 
 
Correlacionando os resultados obtidos para cada ensaio com os intervalos de 
classificação apresentados acima, obtém-se que, no geral, o concreto dos elementos 
ensaiados é avaliado com boa homogeneidade e compacidade. 
 
No entanto, há ressalvas que devem ser consideradas para análise efetiva dos 
resultados, pois conforme Adamatti (2013), a boa ligação entre o concreto e o transdutor é 
um ponto crítico do método, bem como a interpretação dos resultados, que pode se tornar 
uma tarefa difícil. O autor também comenta que há alguns fatores que podem influenciar 
na confiabilidade dos resultados: tamanho e forma do elemento estrutural, distância entre 
os transdutores, condições de superfície do concreto, materiais constituintes do concreto, 
tipo de acoplante, diferentes operadores, presença de armaduras, fissuras ou vazios na 
VPU e comprimento e propagação de onda do transdutor. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ANAIS DO 60º CONGRESSO BRASILEIRO DO CONCRETO - CBC2018 – 60CBC2018 11 
3.2.4 Extração e Rompimento de Testemunhos de Concreto 
O ensaio de extração e rompimento de testemunhos de estruturas de concreto 
armado é um método destrutivo que permite a determinação da resistência à compressão 
efetiva da amostra extraída. O documento normativo que fixa condições exigíveis na 
extração, preparo, ensaio e análise dos testemunhos é a NBR 7680-1 (2015). 
Para o desenvolvimento deste trabalho foram extraídos 15 testemunhos de 
concreto em pontos variados da estrutura da edificação obedecendo aos requisitos de 
loteamento propostos pela NBR 7680-1 (2015). 
Durante os procedimentos de extração foram seguidas todas as recomendações 
normativas. O procedimento prévio foi a detecção e mapeamento da armadura, com uso 
do pacômetro, para evitar o corte de barras de aço inseridas na estrutura. Em função da 
elevada concentração de barras de aço identificada durante este procedimento, ´foram 
extraídos testemunhos com diâmetro igual a 75 mm. 
Na sequência, os testemunhos foram rompidos em prensa hidráulica com aplicação 
de carga axial de compressão. Os resultados de resistência à compressão de cada 
testemunho extraído são apresentados na Tabela 4. 
 
Tabela 4 – Resultados de resistência à compressão axial do concreto dos testemunhos extraídos. 
IDENTIFICAÇÃO 
DA AMOSTRA 
RESISTÊNCIA À 
COMPRESSÃO 
(MPa) 
P02 21,8 
P03 25,6 
P04A 29,3 
P05 18,7 
P06 34,7 
P07 21,6 
P08 29,6 
P09A 37,8 
P12 11,7 
P13 11,0 
P14 19,3 
P15 26,1 
P01 Residência B 17,1 
P02 Residência B 17,1 
P01 Residência A 18,6 
Fonte: Autor 
 
 
ANAIS DO 60º CONGRESSO BRASILEIRO DO CONCRETO - CBC2018 – 60CBC2018 12 
3.2.5 Avaliação da Frente de Carbonatação do Concreto 
 
De acordo com Neville e Brooks (2013), a natureza fortemente alcalina do hidróxido 
de cálcio (Ca(OH)2) contido na pasta de cimento do concreto - pH em torno de 13 - 
previne a corrosão da armadura pela formação de uma fina camada protetora na 
superfície do metal, denominada passivação. 
No entanto, o concreto é um material naturalmente poroso, o que favorece a 
penetração de agentes agressivos em seu interior e causa reações químicas nocivas à 
estrutura, como por exemplo a carbonatação. 
O fenômeno da carbonatação é caracterizado pela reação do Ca(OH)2 com o 
dióxido de carbono (CO2) ou outros gases ácidos que penetram nos poros do concreto, 
resultando na formação do composto denominado carbonato de cálcio (CaCO3). O 
mecanismo de ação deste composto se dá pelo consumo dos álcalis da pasta de cimento 
e redução do pH alcalino, o que causa a despassivação da armadura e favorece o 
processo acelerado de corrosão das barras de aço. 
Dada a importância do fenômeno de carbonatação nas estruturas de concreto, 
julgou-se válido ensaiar os testemunhos extraídos com indicador de pH para verificar o 
avanço de carbonatação do concreto. 
 O método consiste na aspersão de solução de fenolftaleína na superfície com 
suspeita de carbonatação para visualizar a alteração de pH do concreto. A fenolftaleína é 
uma substância que reage com os produtos das reações de hidratação do cimento de 
modo que a região não carbonatada (pH entre 8,3 e 9,5) assume uma coloração rosa, 
enquanto a região carbonatada (pH inferior a 8,3) se mantém incolor. 
 O ensaio de avaliação da frente de carbonatação do concreto foi aplicado em 
amostras selecionadas dos testemunhos extraídos. Na Figura 6 abaixo é possível 
visualizar que houve carbonatação do concreto com avanço em profundidade máxima de 
aproximadamente 3 cm. 
 
Figura 6: Medida do avanço de carbonatação em testemunho de concreto 
 
Fonte: Autor 
 
ANAIS DO 60º CONGRESSO BRASILEIRO DO CONCRETO - CBC2018 – 60CBC2018 13 
3.2.6 Sondagem SPT e Poço de Inspeção 
 
Para estudo do perfil geotécnico do terreno e avalição da capacidade de suporte do 
solo em que as edificações estão apoiadas foram executados duas sondagens à 
percussão SPT (Standart Penetration Test) seguindo o método da NBR 6484 (2001) 
(Figura 7-a). 
Os resultados obtidos nas sondagens apontaram que o solo não é de boa 
qualidade nos primeiros 16 metros de profundidade. A camada de solo com capacidade 
adequada de suporte se dá a partir de 17 metros para o SPT01 e a partir de 19 metros no 
SPT02. 
O passo seguinte foi a identificação do sistema de fundações da edificação com 
abertura de um poço de inspeção (Figura 7-b). Na região do poço foram identificadas 
fundações em estacas escavadas, concretadas in loco, com diâmetro entre 40 e 50 cm. 
Em função de riscos de instabilidade do terreno, a escavação foi interrompida ao 
atingir 5 metros de profundidade em relação ao nível térreo visando a segurança da 
equipe de trabalho. 
Figura 7: Procedimentos de avaliação do solo e das fundações da edificação. 
(a) Ensaio de Sondagem SPT. (b) Abertura do poço de inspeção. 
 
 (a) (b) 
Fonte: Autor 
 
4 Análise computacional de estabilidade da estrutura 
O primeiro passo para a análise da edificação foi o estudo dos projetos de 
arquitetura e estrutura. Em seguida, procedeu-se com a entrada dos dados previamente 
coletados em campo no software computacional Eberick para criaçãode um modelo de 
pórtico espacial da estrutura. 
O enfoque da análise estrutural se manteve na verificação da estrutura quanto aos 
Estados Limites de Desempenho, ou seja, estados que definem impropriedade para o uso 
da estrutura, por razões de segurança, funcionalidade ou estética, desempenho fora dos 
padrões especificados para sua utilização normal ou interrupção de funcionamento devido 
ruína de um ou mais de seus componentes. 
 
ANAIS DO 60º CONGRESSO BRASILEIRO DO CONCRETO - CBC2018 – 60CBC2018 14 
 É válido ressaltar que não haviam dados acerca do concreto da estrutura e dos 
materiais usados na dosagem, como o tipo de cimento e de agregado, relação a/c, 
resultados dos ensaios de determinação da resistência à compressão, de tração e 
dobramento do aço, ou informações que indicassem as condições operacionais de 
produção e aplicação do concreto, como trabalhabilidade, taxa de armadura, técnicas de 
adensamento e cura, e etc. 
Para tanto foram adotados os dados indicados no projeto da estrutura e os 
resultados obtidos nos ensaios não destrutivos e destrutivos. Os materiais e 
carregamentos admitidos são apresentados na Tabela 5 abaixo. 
 
Tabela 5 – Dados de materiais e carregamentos admitidos na análise estrutural em software 
DADO DE ENTRADA NO SOFTWARE Edifício Antigo Edifício Novo 
Carregamento: Sobrecarga 15 kN/m² 15 kN/m² 
Concreto (vigas, lajes, paredes e pilares) fck = 20 MPa fck = 10 MPa 
Aço CA-50 e CA-60 CA-50 e CA-60 
Peso específico do concreto armado (estrutura) 2500 kgf/m³ 2500 kgf/m³ 
Peso específico do bloco cerâmico (alvenaria de vedação) 1300 kgf/m³ 1300 kgf/m³ 
Sobrecarga acidental 200 kgf/m² 200 kgf/m² 
Carga de revestimento 100 kgf/m² 100 kgf/m² 
Carga de cobertura 150 kgf/m² 150 kgf/m² 
 
4.1. Análise Estrutural das Fundações 
Sabendo que as fundações são do tipo estacas com diâmetro de 40 à 50 cm e 
profundidade média de 17m observou-se compatibilidade com as características e 
resistência do solo do terreno, determinados por meio da sondagem à percussão. Ou 
seja, a capacidade de carga das estacas e as observações visuais indicam que não há 
problemas relativos à recalques diferenciais não admitidos por norma ou quaisquer outros 
tipos de manifestações patológicas. 
 
 
4.2. Análise Estrutural dos Pilares 
Os pilares foram verificados admitindo a pior condição em termos de flambagem, 
ou seja, assumindo-o como esbelto segundo a NBR 6118 (2014) – 90 < λ ≤ 140. Para 
tanto, o método adotado foi o do pilar-padrão acoplado ao diagrama momento curvatura, 
disposto no item 15.8.3.3.4 da NBR 6118 (2014). Conforme obrigatoriedade normativa, 
para pilares com λ > 90 efetuou-se a uma análise de 2ª ordem, fluência do concreto, a fim 
de se verificar a instabilidade elástica do pilar e dimensioná-lo. 
Após a análise efetuada, pôde-se verificar que não há riscos de ruína por 
instabilidade global da estrutura original e nem instabilidade local nos pilares. Porém foi 
 
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considerado o acréscimo do pavimento superior e foi verificado que a estrutura não se 
adequa aos requisitos normativos, ou seja, podendo levar ao colapso de alguns 
elementos estruturais da edificação analisada. 
Fazendo-se uma análise comparativa entre as dimensões das armaduras coletadas 
nos ensaios de campo e as geradas pelo software na análise computacional, verificou-se 
que a área de aço da seção dos pilares é superior à requerida pelo software. Contudo, a 
resistência do concreto obtida nos ensaios de campo é inferior à resistência característica 
à compressão (fck) requerida para os pilares caso fosse construído o segundo pavimento, 
ocasionando possibilidade de instabilidade e colapso estrutural. 
 
 
4.3 Análise das Lajes 
Analisando o projeto de estruturas apresentado pelo contratante, verifica-se que as 
lajes são maciças e pré-fabricadas tipo u invertido, e suas dimensões são indicadas na planta 
de forma. A espessura das lajes, as armaduras, as fissuras e as flechas, estão de acordo com 
a NBR 6118 (2014), atendendo aos Estados Limites Último e de Serviço, conforme análise da 
estrutura. 
 
4.4. Análise das Vigas 
De acordo com a análise computacional, as dimensões das vigas, as armaduras, 
as fissuras e as flechas, estão de acordo com a NBR 6118 (2014,) atendendo aos 
Estados Limites Último e de Serviço. Porém quando se acrescenta o pavimento superior 
observa- se que algumas vigas não atendem os estados limites de serviço e Último. 
 
 
5 Conclusões 
Os resultados das análises estruturais, quando comparada com o projeto elaborado 
a partir das informações levantadas in loco, indicam que as características da estrutura 
estão de acordo com as normas vigentes, atendendo aos Estados Limites de Serviços e 
Último. 
Porém ao simular o acréscimo de mais um pavimento superior, os resultados 
fornecidos pelo Software indicaram que poderia haver a ruína de alguns elementos 
estruturais, bem como a perda da estabilidade estrutural da edificação, podendo chegar 
ao colapso da estrutura, caso não executados reforços prévios. 
Para a execução do pavimento superior, sugeriu-se a realização dos seguintes 
serviços: 
 Elaboração de projeto e execução de reforço de pilares, vigas e fundações; 
 Realização de prova de carga nas lajes pré-moldadas para verificar a necessidade 
de reforço das lajes solicitadas; 
 
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 Para a execução do segundo pavimento sugere-se o uso de elementos leves para 
vedações verticais, tais como: bloco de concreto celular, drywall, vedações com 
steel frame, pois são sistemas construtivos que minimizam o carregamento e 
podem reduzir o custo final do reforço estrutural. 
 
 
 6 Referências 
ADAMATTI, D. S. Propagação da velocidade de pulso ultrassônico na análise de 
estruturas de concreto armado: estudo de parâmetros tecnológicos intervenientes. 
2013. Monografia (Especialização) - Curso de Construção Civil, Universidade do Vale do 
Rio dos Sinos, Rio Grande do Sul. 
 
COSTA, J. M.; AZZI, S. S.; CAMPOS, E. G.; ARAJÚJO, F.M.; LAJE, E. B. D.; Análise 
patologia através do ensaio não destrutivo utilizando resistividade elétrica 
superficial do Concreto. Revista CONSTUINDO, Belo Horizonte, v. 9, Ed. Esp. de 
Patologia, p. 25 – 35, Jul – dez., 2017. 
 
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6118: Projeto de 
estruturas de concreto — Procedimento. Rio de Janeiro, 2014. 
 
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6484 – Solo – Sondagens 
de simples reconhecimento com SPT – Método de ensaio. Rio de Janeiro, 2001. 
 
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 7584: Concreto 
Endurecido – Avaliação da dureza superficial pelo esclerômetro de reflexão. Rio de 
Janeiro, 2012. 
 
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 7680-1: Concreto – 
Extração, preparo, ensaio e análise de testemunhos de estruturas de concreto – 
Parte 1: Resistência a compressão axial. Rio de Janeiro, 2015. 
 
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 8802: Concreto 
endurecido — Determinação da velocidade de propagação de onda ultrassônica. 
Rio de Janeiro, 2013. 
 
NEVILLE, A.M.; BROOKS, J. J.. Tecnologia do concreto. 2. Ed. Porto Alegre, Bookman, 
2013.

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