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Cicatrização Patológica Introdução: Pode ocorrer devido a presença de infecção, hipoalbuminemia, má perfusão tecidual, doenças preexistentes (como diabetes e obesidade), irradiação, tabagismo, uso de corticoide, entre outros. Além disso, o processo também sofre influência do tamanho e localização da lesão, o mecanismo de trauma, raça, idade, e fatores genéticos do paciente. Por fim, se a degradação do tecido cicatricial provisório for inadequada, pode haver fibrose excessiva. Doenças do tecido conjuntivo, como cirrose e esclerodermia, podem interferir nesse processo. Distúrbios causadores de cicatrização patológica: 1. Distúrbios fibroproliferativos cicatrizes hipertróficas; queloides 2. Distúrbios da contração cicatricial contraturas 3. Distúrbios da pigmentação hipercromias; hipocromias 4. Distúrbios da resistência deiscências; alargamentos 5. Distúrbios da cicatrização em áreas irradiadas 6. Tabagismo e cicatrização 7. Cicatrização no diabetes 8. Corticoterapia sistêmica 9. Malignização de cicatrizes Distúrbios fibroproliferativos Cicatrizes Hipertróficas: Elevadas, tensas e lisas. Sem sulcos, poros ou pelos Coloração avermelhada Não ultrapassa os limites da lesão original Tendem a regredir, total ou parcialmente, ao longo do tempo Podem apresentar dor e/ou prurido Formam feixes de colágeno paralelos a epiderme. NÃO É QUELOIDE ambas são genéticas, mas o gene é diferente Queloide: Características: Lesão tumoral, fibrótica, endurecidas, com superfície lisa e tonalidade avermelhada, violácea ou acastanhada Dolorosas e pruriginosas De crescimento contínuo, ultrapassam os limites da lesão Recidivantes Ana Clara Destacar Ana Clara Destacar Ana Clara Destacar Ana Clara Destacar Ana Clara Destacar Ana Clara Destacar Ana Clara Destacar Ana Clara Destacar Ana Clara Destacar Ana Clara Destacar Ana Clara Destacar Ana Clara Destacar Ana Clara Destacar O colágeno é depositado em feixes irregulares, formando nódulos. Podem ocorrer sem trauma prévio Síndrome de Rubinstein-Taybi, onde há surgimento espontâneo de queloides, além de outras alterações. Epidemiologia: São mais comuns em negros, asiáticos e jovens Também são influenciados pelos hormônios sexuais, sendo mais intensos na puberdade e gravidez e escassos na menopausa Possuem predisposição familiar Acontecem com mais frequência na metade superior do corpo: deltoide, esterno, dorso, pescoço, ângulo da mandíbula e lóbulos de orelhas. Na face é mais raro. Patogênese: Desequilíbrio entra a síntese exagerada de colágeno (e outros elementos) e a degradação de remodelamento inadequados da MEC Prurido e eritema consequentes da grande liberação de histamina local devido a presença de mastócitos Histopatologia: ↑ rede conjuntiva da derme. No queloide: presença de feixes colágenos hialinizados irregularmente dispersos ou arranjados nodulares persistentes Na cicatriz hipertrófica: estruturas ordenadas, paralelas a epiderme e em oposição aos vasos sanguíneos perpendiculares. Tratamento: As cicatrizes hipertróficas geralmente são tratadas com medidas locais, já os queloides necessitam associar métodos terapêuticos devido a probabilidade de recidiva. Compressão ou pressoterapia: Uso de malhas elásticas diminui a cicatriz e reduz edemas. Acredita-se que funciona devido a hipóxia por oclusão vascular e diminuição da síntese de colágeno e do número de mastócitos, melhorando a organização da fibra e reduzindo o prurido local. Podem ser utilizados: o Malhas elásticas o Placas ou tiras de gel de silicone aumento da ação das colagenases? Mecanismo não elucidado. Sabe-se que aumenta a hidratação da cicatriz. Deve ser usado de forma diária, no mínimo 12 horas por dia, de 3 a 4 meses. Infiltrações intralesionais de corticoide: Triancinolona: corticoide que suprime a síntese de colágeno e reduz elementos inibidores da colagenase. Injeta-se dentro da cicatriz 20mg/mL para cicatrizes hipertróficas, e 40mg/mL para queloides, 1 mL, com 3 a 4 semanas de intervalo. Se injetados grandes quantidades, pode causar atrofia do tecido subcutâneo, telangiectasias, necrose, ulcerações e discromias. Ana Clara Destacar Ana Clara Destacar Ana Clara Destacar Ana Clara Destacar Ana Clara Destacar Ana Clara Destacar Ana Clara Destacar Ana Clara Destacar Ana Clara Destacar Ana Clara Destacar Ana Clara Destacar Ana Clara Destacar Ana Clara Destacar Ana Clara Destacar Outras substâncias de uso intralesional: Outras drogas que atuam ativando a colagenase: o Verapamil (inibidor do canal de Ca.) o Trifluoperazina (inibidor de calmodulina) o Interferon-alfa 2B e Interferon-gama mostrando resultado em queloide, em estudo. o Sulfato de bleomicina (antibiótico citotóxico) necessita mais estudos Radioterapia (Betaterapia e radioterapia superficial) Tratamento complementar, usadas no pós-operatório da ressecção total das lesões Iniciadas no 1º P.O., e seguidas diariamente sem interrupções por cerca de 10 dias Não deve ser realizada como terapia isolada ou no pré-operatório A radiação atua inibindo a síntese de colágeno e auxiliando no equilíbrio síntese-degradação Deve ser usado em queloides recidivados após insucesso com outros métodos. Laser: CO2, Argônio e Nd:YAG: não seletivos, utilizados para vaporizar lesões. Pouco eficazes. Flashlamp pulsed dye laser 585mm: melhora da textura, volume e prurido. Não tem boa resposta em grandes queloides. Crioterapia: Nitrogênio líquido em spray ou em contato, sem ultrapassar as bordas da lesão. Pode ser usado isoladamente, mas mais comumente associado a cirurgia ou infiltração Provoca o congelamento da lesão, levando a formação de microtrombos e necrose tecidual 3 a 10 sessões, com 30 dias de intervalo. Cirurgia: Ideal ser associada com outro método de tratamento, como a radioterapia e a infiltração com corticoide Possibilidade de recidivas, necessitando monitorização a longo prazo Exérese intralesional: não secciona tudo, deixando borda mínima para suturar Queloide Cicatriz Hipertrófica Extensão Cresce além das bordas da ferida inicial Mantém-se nos limites da lesão inicial Início Até meses após a lesão Habitualmente, semanas após a lesão Contraturas Ausentes Presentes Regressão Rara Frequente após 1 a 2 anos Prurido/eritema Sim Sim, porém menos frequentes e menos intensos Resposta ao tratamento cirúrgico Pobre, com possível piora Boa, principalmente com terapia adjuvante Estão sendo utilizadas Ana Clara Destacar Ana Clara Destacar Ana Clara Destacar Ana Clara Destacar Ana Clara Destacar Ana Clara Destacar Ana Clara Destacar Ana Clara Destacar Ana Clara Destacar Ana Clara Destacar Ana Clara Destacar Distúrbios da contração cicatricial Contratura: Persistência da contração além do período de reepitelização gera a contratura dos tecidos, culminando em deformação, limitação na movimentação e perda de função (ex. contraturas em boca e ânus). Os fibroblastos e miofibroblasto são fundamentais nesse processo. Tratamento: Não cirúrgicos: dilatações, massagens e fisioterapia Cirúrgicos: zetaplastias* e/ou ressecções cicatriciais, com fechamento primário, enxertos ou retalhos Técnica cirúrgica utilizada na correção de cicatrizes inestéticas. O objetivo principal é promover o alongamento da cicatriz produzindo uma linha quebrada, utilizada em contraturas cicatriciais e cirurgias reparadoras Distúrbios da pigmentação São divididosem hipocromias (ou hipomelanoses) e hipercromias (ou hipermelanoses), sendo causados pela resposta dos queratinócitos e melanócitos ao trauma, através da proliferação e estimulação excessivas ou alteração na função dos mesmos. Pigmentação cutânea essencial: irreversível, influenciada pela genética celular Pigmentação cutânea facultativa: reversível, depende de exposição solar ou hormônios o Sol, gestação, doença de Addison Medicamentos que podem gerar hipercromias: ciclofosfamida, clorpromazina, antimaláricos Pacientes portadores de vitiligo, psoríase e líquen plano submetidos a traumatismo podem apresentar a lesão hiper/hipocrômica na área afetada fenômeno isomórfico ou de Koebner. Tratamento: Hipocromia: expectante-tempo, cuidado com exposição solar, maquiagem corretiva (estética) Hipercromia: expectante-tempo, proteção solar, agentes despigmentantes (hidroquinona 2 a 4%, ácido azelaico 15 a 20%, ácido kójico 1 a 2,5%). Distúrbios de resistência Cada estrutura possui um tempo próprio de cicatrização. Quando o cirurgião escolhe um fio de sutura que se degrada precocemente, inadequado para a estrutura que se deseja reparar, pode ocorrer a deiscência ou alargamento cicatricial, conferindo aspecto esgarçado e, às vezes, deprimido. Também pode ocorrer com a retirada precoce dos pontos. O tratamento consiste em prevenção, através do repouso relativo, cintas elásticas, curativos e microporos, e a retirada do ponto no período correto, e a correção cirúrgica da cicatriz. Ana Clara Destacar Ana Clara Destacar Ana Clara Destacar Ana Clara Destacar Distúrbios da cicatrização em áreas irradiadas Áreas de remoção de tumores malignos que necessitam de complementação com radioterapia, onde podem haver alterações pigmentares, espessamento e fibrose cutânea, surgimento de telangiectasias, necrose e oncogênese. Os queratinócitos descamam, podendo expor a derme. Os fibroblastos são afetados, reduzindo a força tênsil da pele, podendo culminar em úlceras e necroses. Tabagismo e cicatrização Tabagismo possui efeito deletério sobre a cicatrização, com redução da produção de colágeno, vasoconstrição, aumento da adesividade plaquetária e inibição da proliferação de glóbulos vermelhos, macrófagos e fibroblastos. Além disso, o CO reduz a oxigenação tecidual. Risco 12x maior de adquirir infecção e 12,46x maior de sofrimento no retalho Suspensão do fumo 2 semanas antes de cirurgia: melhora taxa de cicatrização Cicatrização no diabetes Isquemia secundária a aterosclerose (principalmente em artérias fibulares e tibiais), aumento da viscosidade sanguínea e alterações imunes (menor opsonização e disfunção da fagocitose aumentam o risco de problemas cicatriciais. Controle glicêmico, combate à obesidade e monitorização de possíveis infecções importantes medidas de prevenção. Corticoterapia sistêmica Alteram a resposta celular do processo cicatricial de forma dose-dependente: ↓ proliferação de fibroblastos; ↓ tecido de granulação; ↓ epitelização e ↓ contração da ferida Efeitos anti-inflamatórios podem ser revertidos com o uso de vitamina A Malignização de cicatrizes Feridas crônicas e cicatrizes instáveis transformam-se em úlceras de Marjolin ↑ risco de desenvolver câncer Tempo médio para surgimento de neoplasias: 35 anos. Carcinoma espinocelular Tratamento padrão: ressecção cirúrgica + radioterapia complementar. Prevenção com o tratamento precoce de cicatrizes instáveis e cobertura/acompanhamento clínico + biópsias. Ana Clara Destacar Ana Clara Destacar Ana Clara Destacar Ana Clara Destacar Ana Clara Destacar Ana Clara Destacar