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CONCEITOS FUNDAMENTAIS
1-Sistema: Porção do universo que é objeto do estudo
-Sistema aberto
-Sistema fechado
-Sistema isolado
2-Fronteiras: Delimitam o sistema
-Fronteiras diatérmicas
-Fronteiras adiabáticas
-Fronteiras móveis
-Fronteiras fixas ou rígidas
Classificação do sistema segundo suas interações com a
vizinhança.
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CONCEITOS FUNDAMENTAIS
3-Propriedades intensivas: Não dependem da extensão do sistema, ou
seja, da massa ou volume do sistema.
Ex: temperatura, densidade...
4-Propriedades Extensivas : dependem da extensão do sistema, da
quantidade de matéria considerada.
Ex: volume, massa...
5-Estado de um sistema: É definido pela descrição completa do sistema
baseada na quantificação de suas propriedades macroscópicas (variáveis
de estado)
6-Processo: Transformação que leva o sistema do estágio inicial ao final
CONCEITOS FUNDAMENTAIS
7-Processos reversíveis: Ocorre a uma velocidade infinitamente lenta
(quase-estático), ou seja, sempre pode se caracterizar o sistema como
estando em equilíbrio.
Ex: Fusão do gelo a 0 K e 1atm.
8-Processos irreversíveis: A maioria dos processos reais, onde a
velocidade é mensurável .
CONCEITOS FUNDAMENTAIS
9-Trabalho: Qualquer quantidade de energia que escoa através
da fronteira de um sistema durante uma mudança de estado e é
completamente conversível na elevação de uma massa nas
vizinhanças.
10-Calor: Qualquer quantidade de energia que escoa através da
fronteira de um sistema em virtude de uma diferença de
temperatura entre o sistema e suas vizinhanças e escoa de um
ponto a temperatura mais alta a um ponto a temperatura mais
baixa)
11-Energia é a capacidade de realizar trabalho ou de transferir
calor.
• A unidade SI para energia é o joule, J.
Na termodinâmica, a capacidade de um sistema realizar
trabalho – seu conteúdo total de energia – é
denominado Energia Interna, U.
A energia interna → Energia total de um sistema
A energia interna é uma função de estado e é uma
propriedade extensiva
A variação de energia interna quando um sistema passa de
um estado inicial i, com energia Ui, para um estado final f,
com energia interna Uf, é definida como:
U = Uf – Ui
A energia interna, o trabalho e o calor são medidos na
mesma unidade , o joule (J)
1 J = 1 Kg m2 s-2
É Uma propriedade cujo o valor depende somente do estado atual
do sistema e é independente da maneira pela qual o estado foi
atingido. Exemplos: volume, energia interna (U), e outras. Não
interessa o caminho percorrido pelo sistema entre os estados
inicial e final, o valor da função de estado será o mesmo.
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üO trabalho para levar o sistema de um estado inicial para um
estado final depende de como isto é feito, ou seja, trabalho
depende do caminho;
üO trabalho está associado ao processo e não ao sistema ou seja,
w não pode ser uma função de estado por isso, w não tem uma
diferencial exata em outras palavras, está errado escreve: w =
w1 – w2.
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üComo a energia interna é uma função de estado, podemos
escolher qualquer caminho conveniente entre os estados inicial
e final de um sistema e calcular U para aquele caminho.
üPara um gás ideal, é importante saber que a energia interna
depende somente da temperatura e é independente do volume.
Portanto, para a expansão ou compressão isotérmica de um gás
ideal, U = 0.
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A energia interna de um sistema pode ser alterada pelo
trabalho efetuado sobre o sistema ou pelo aquecimento do
sistema
O calor e o trabalho são maneiras equivalentes de se
alterar a energia interna de um sistema
Se um sistema estiver isolado das suas vizinhanças, não
haverá alteração da energia interna
Essas observações são conhecidas como a Primeira Lei
da Termodinâmica, que pode ser expressa do seguinte modo:
“ A E N E R G I A I N T E R N A D E U M S I S T E M A
ISOLADO É CONSTANTE”.
Se w for o trabalho feito sobre um sistema, se q for a
energia transferida como calor para um sistema, e se U
for a variação de energia interna do sistema, então segue-se
que:
U = q + w (Enunciado matemático da Primeira Lei)
Nessa expressão está implícita a chamada “convenção
aquisitiva”:
w > 0 e q > 0 ( A energia é transferida para o sistema como
trabalho ou como calor)
w < 0 e q < 0 ( O sistema perde energia como trabalho ou
como calor)
A convenção de sinal em termodinâmica
Um motos elétrico produz 15 kJ de energia, a cada
segundo, na forma de trabalho mecânico, e perde 2 kJ de
calor para o ambiente (as vizinhanças). A variação da
energia interna do motor é então:
U = – 2 kJ – 15 kJ = – 17 kJ
Imaginemos que quando se enrola uma mola, se faça um
trabalho de 100 J sobre ela, e que 15 J escapem para as
vizinhanças, na forma de calor. A variação da energia
interna da mola é:
U = + 100 J – 15 J = 85 J
• Se o trabalho feito sobre o sistema é dw e a energia
fornecida para o sistema como calor é dq, temos:
• dU = dw + dq (relacionar as variações dw e dq a
eventos que ocorrem nas vizinhanças do sistema)
• Trabalho de expansão: O trabalho que surge quando
ocorre uma variação no volume
– Esse tipo de trabalho engloba o trabalho que é realizado por um gás
quando ele se expande e desloca a atmosfera
– O termo trabalho de expansão também engloba o trabalho associado
com variações negativas de volume, isto é, compressão
A expressão geral do trabalho
• O cálculo do trabalho de expansão nasce da definição
da física, que diz que o trabalho para deslocar um
corpo de uma distância dz, na direção de uma força
de magnitude F que se opõe ao deslocamento, é dado
por:
• dw = -Fdz ( o sinal negativo nos informa que, quando
o sistema desloca o corpo contra a força que se opõe
ao deslocamento, a energia interna do sistema que
efetua o trabalho diminui)
• Imaginemos agora a montagem da Figura a seguir:
• Em que uma parede do sistema é um
pistão sem peso, sem atrito, rígido e
sem fugas, de área A. Se a pressão
externa é Pex, então a magnitude da
força atuando na face externa do
pistão é F = PexA.
• Quando o sistema se expande e o
pistão se desloca de dz contra a
pressão externa Pex, o trabalho feito é
dw = -PexAdz.
• Adz é a variação de volume, dV, na
expansão . Por tanto , o t raba lho
real izado, quando o s is tema de
expande de dV contra uma pressão
externa Pex, é:
dw = -PexdV
• Para obter o trabalho total realizado quando o
volume passa de Vi para Vf, integramos a expressão
acima entre os volumes inicial final:
w = - vi vf PexdV
• A força que atua sobre o pistão é equivalente a um
peso que é levantado quando o sistema se expande.
Expansão livre
Expansão livre significa uma expansão contra uma
força nula. Ocorre quando Pex = 0. de acordo com a
equação dw = -PexdV , dw = 0 para cada etapa de
expansão. Logo:
Expansão livre: w = 0
:
• Expansão contra pressão constante
• Imaginemos agora que a pressão externa se
mantenha constante ao longo de toda a expansão. Por
exemplo, o pistão pode trabalhar contra a pressão da
atmosfera, que se mantém invariável durante a
expansão. A equação w = - vi vf PexdV pode ser
calculada passando-se Pex, neste caso uma constante,
para fora da integral:
w = - Pex vi vf dV = -Pex(Vf –Vi)
• Se a variação de volume for V = Vf - Vi,
w = -Pex V
• Expansão reversível: uma transformação reversível,
em termodinâmica, é uma transformação que pode
ser invertida pela modificação infinitesimal de uma
variável.
• Imaginemos que um gás esteja confinado num vaso
com um pistão e que a pressão externa, Pex, seja igual
a pressão, P, do gás. Esse sistema está em equilíbrio
mecânico com suas vizinhanças, pois uma variação
infinitesimal da pressão externa em qualquer sentido
provocavariações do volume em sentidos opostos :
– Se a pressão externa sofrer uma diminuição
infinitesimal, o gás se expande ligeiramente;
– Se a pressão externa aumentar de um infinitésimo,
o gás se contrai infinitesimalmente.
• N o s d o i s c a s o s , a t r a n s f o r m a ç ã o é
termodinamicamente reversível.
• Para obter uma expansão reversível faz-se Pex igual a
P em cada etapa da expansão. A equação dw = -
PexdV fica:
dw = -PexdV = - PdV
• O trabalho total numa expansão reversível é ,
portanto:
w = - vi vf PdV
Expansão isotérmica reversível
• Analisemos a expansão isotérmica reversível de um
gás perfeito. A expansão é isotérmica graças ao
contato térmico entre o sistema e suas vizinhanças.
• Como a equação de estado é PV = nRT, sabemos que
em cada expansão P = nRT/V. Segue-se então que o
trabalho de expansão isotérmico reversível de um gás
p e r f e i t o d e v o l u m e V i a t é o v o l u m e V f , n a
temperatura T, é:
w = - nRT vi vf dV/V = -nRT ln Vf/Vi
• Quando o volume final é maior do que o volume
inicial, como é o caso numa expansão, o logaritmo é
positivo e então w < 0. Nesse caso, o sistema realiza
trabalho sobre as vizinhanças e sua energia interna
diminui em consequência desse trabalho.
Cálculo do trabalho no desprendimento de um gás
• Calcule o trabalho efetuado quando 50g de ferro reagem
com ácido clorídrico produzindo hidrogênio gasoso (a)
num vaso fechado de volume fixo e (b) num bécher
aberto, a 25oC.
Resposta:
• Em (a), o volume não pode se alterar, portanto não há
trabalho de expansão e w = 0. Em (b), o gás formado
desloca a atmosfera; logo w = -PexV. Podemos desprezar
o volume inic ial , pois o volume f inal (depois do
desprendimento do gás) é muito grande e V = Vf - Vi
Vf = nRT/Pex.
• Onde n é o número de mols de H2 produzido na
reação. Portanto:
W = - Pex V -Pex nRT/Pex = -nRT
Fe(s) + HCl(aq) → FeCl2 (aq) + H2(g)
Calculando o trabalho
• Uma amostra de 4,50 g de metano gasoso ocupa o
volume de 12,7 L a 310 K. (a) Calcule o trabalho feito
quando o gás se expande isotermicamente contra uma
pressão constante de 200 Torr até seu volume aumentar
de 3,3 L. (b) Calcule o trabalho realizado se a mesma
expansão fosse feita reversivelmente.
• Dados: 1 atm = 760 Torr
• R = 8,3145 J.K-1.mol-1
Trocas térmicas
• Em geral a variação da energia interna de um sistema
é:
dU = dq + dwexp + dwe
• Um sistema mantido a volume constante não efetua
trabalho de expansão, de modo que dwexp = 0
• Se o sistema for incapaz de efetuar qualquer outro
tipo de trabalho, então dwe =0. dessa forma:
• dU = dq (a volume constante, sem trabalho extra)
• Para uma transformação finita:
U = qv
• Calorimetria: É o estudo da calor transferido durante
um processo físico ou químico, um calorímetro é um
dispositivo para medir a energia transferida como
calor.
• Em um calorímetro se observa a T envolvida em
determinado processo que é proporcional ao calor
que a reação libera ou absorve.
• A conversão de T a qv se consegue pela calibração
do calorímetro mediante um processo que libere uma
quantidade conhecida e bem determinada de energia
e pelo cálculo da constante do calorímetro, pela
relação:
q = C T
• A constante do calorímetro pode ser medida
eletricamente pela passagem de uma corrente elétrica
I, fornecida por uma fonte de diferença de potencial
conhecida V, através de um aquecedor durante um
período de tempo t:
q = IVt
• Exemplo:
• Determine a energia fornecida como calor por uma
corrente de 10,0A, gerada por uma fonte de 12V, que
circula durante 300s. Se a elevação de temperatura
observada no calorímetro foi de 5,5 K, calcule a
constante do calorímetro
• Capacidade calorífica
• A energia interna de um sistema se eleva quando a
temperatura se eleva. O aumento depende das
condições em que se faz o aquecimento
• Vamos considerar um gás num recipiente de volume
fixo.
• Se fizermos um gráfico da energia interna em função
da temperatura, é possível observarmos uma curva,
cujo coeficiente angular da tangente à curva, em cada
temperatura, é a capacidade calorífica do sistema
naquela temperatura
• A capacidade caloríf ica pode ser usada para
relacionar a variação de energia interna de um
sistema com a temperatura, num processo em que o
volume permanece constante. Segue-se da que:
dU = CvdT
• Se a capacidade calorífica for independente da
temperatura no intervalo de temperatura em que se
es t iver trabalhando, uma var iação f in i ta de
temperatura, T, provoca uma variação finita da
energia interna, U, onde:
U = Cv T
• Como a variação de energia interna pode ser
igualada ao calor fornecido a volume constante,
temos que:
qv = CvT
• Uma grande capacidade calorífica faz com que, para
uma certa quantidade de calor, seja pequena a
elevação da temperatura da amostra
• Uma capacidade calorífica infinita faz com que não
haja elevação de temperatura, qualquer que seja a
quantidade de energia, na forma de calor, fornecida à
amostra.
Entalpia
• Quando o sistema está submetido a pressão constante
e pode alterar o seu volume, parte da energia que lhe
é fornecida como calor pode escapar de volta para as
vizinhanças, na forma de trabalho.
• Nesse caso, o calor fornecido, a pressão constante, é
igual à variação de outra propriedade termodinâmica
do sistema chamada de entalpia.
• Definição de entalpia (H):
H = U + pV
Como U, p e V são funções
de estado, a entalpia também
é uma função de estado
• Implicações importantes para a termodinâmica:
• dH = dq (a pressão constante, sem trabalho extra)
• No caso de uma variação finita:
• H = qp
• Consegue-se a relação entre a entalpia e a energia interna de um
gás perfeito usando-se a equação de estado pV = nRT na definição
de H:
• H = U + pV = U + nRT
• Essa relação mostra que a variação de entalpia numa reação que
produz ou que consome gás é:
• H = U + nRT
• Onde n é a variação da quantidade de moléculas de gás na
reação.
• Na reação 2H2(g) + O2 → 2H2O(l), 3 mols de moléculas na fase
gasosa se transformam em 2 mols de moléculas na fase líquida, de
modo que n = -3 mols. Portanto, a 298K, a diferença entre as
variações de entalpia e de energia interna é
• H - U = (-3mol) x RT - 7,4 x 103J
• Aquece-se um volume de água, sob pressão de 1,0 atm, até a
ebulição. Neste momento, uma corrente elétrica de 0,50 A, gerada
por uma fonte de 12 V, passa durante 300s por um resistor em
contato térmico com a água em ebulição; observa-se que há a
vaporização de 0,798 g de água. Calcule as variações de energia
interna molar e de entalpia molar da água no ponto de ebulição
(373,15K)
• Variação da entalpia com a temperatura
• A entalpia de uma substância aumenta quando a temperatura se
eleva.
• O coeficiente angular da tangente à curva da entalpia contra a
temperatura, a pressão constante, á chamado de capacidade
calorífica a pressão constante, Cp, numa dada temperatura.
• Formalmente temos:
Cp = (H/ T)p
• A capacidade calorífica a pressão constante á análoga à
capacidade calorífica a volume constante (propriedades
extensivas)
• A capacidade calorífica molar à pressão constante (Cpm) = Cp/n
• A capacidade calorífica à pressão constante relaciona a variação
de entalpia com a variação de temperatura. Para uma variação
infinitesimal de temperatura:
• dH = CpdT (a pressão constante)
• Para uma variação finita:
• H = Cp T (a pressão constante)
• Como um aumento de entalpia pode ser identificado com o calor
fornecido ao sistema a pressão constante, a forma prática desta
última equação é:qp = Cp T
Transformações adiabáticas
• Dispomos agora dos instrumentos para tratar das transformações
de um gás perfeito que se expande adiabaticamente. Temos que:
• U = Cv(Tf-Ti) = CvT
• Como a expansão é adiabática, temos que q=0; U = q + w
• U = wad
• wad = CvT ( o trabalho efetuado durante a expansão adiabática de
um gás perfeito é proporcional à diferença de temperatura entre os
estados final e inicial)
• As temperaturas inicial e final de um gás perfeito que sofre uma
expansão adiabática reversível podem ser calculadas a partir de:
Tf = Ti(Vi/Vf)1/c
• Onde c = Cvm/R ou equivalentemente
ViTic = VfTfc
• Exemplo: Imaginemos a expansão reversível, adiabática, de 0,020
mol de ar, inicialmente a 25oC, de 0,50 dm3 até 1,00dm3. A
capacidade calorífica do argônio a volume constante é 12,48 JK-
1mol-1. Calcule o trabalho envolvido nesse processo.
• A pressão de um gás perfeito que sofre expansão adiabática
reversível de um volume de um volume Vi até um volume Vf está
relacionada à sua pressão inicial por:
PfVfy = PiViy
• Onde y = Cpm/Cvm
• Para um gás monoatômico, Cvm = 3/2R e Cpm = 5/2R de modo que
y = 5/3
• Exemplo: Determine a pressão final quando uma amostra de
argônio (que tem y=5/3), a 100kPa, se expande reversível e
adiabaticamente até duplicar o seu volume inicial.
• Termoquímica: É o estudo do calor produzido ou consumido nas
reações químicas
• Podemos usar a calorimetria para medir o calor produzido ou
absorvido numa reação e identificar q como a variação de energia
interna (se a reação ocorrer a volume constante) ou como
variação de entalpia (se a reação ocorrer a pressão constante).
• Inversamente se U ou H forem conhecidas para uma certa
reação, será possível calcular a quantidade de energia (na forma de
calor) que a reação pode produzir.
Para processos exotérmicos H < 0
Para processos endotérmicos H >0
• Variações de entalpia-padrão Ho: Variação de entalpia num
processo em que as substâncias, nos estados inicial e final, estão
nos respectivos estados padrões
• Por exemplo, o estado padrão do etanol líquido, a 298K, é o etanol
líquido puro, a 298K e sob pressão de 1bar.
• A variação de entalpia padrão numa reação ou num processo
físico, é a diferença entre as entalpias dos produtos, nos
respectivos estados padrões, e as entalpias dos reagentes, também
nos respectivos estados padrões, todos numa certa temperatura.
• Como exemplo de variação de entalpia padrão tem-se o da entalpia
padrão de vaporização, vapHo, que é a variação de entalpia por
mol quando um líquido puro, a 1 bar, se vaporiza em gás, também
a 1 bar, como na seguinte transformação:
H2O(l) → H2O (g) vapHo(373K) = + 40,66 kJ/mol
• O estado padrão de uma substância, numa certa temperatura, é o da substância na sua forma pura sob pressão de
1 bar.
• Entalpias de transformações físicas: A variação de entalpia-
padrão que acompanha uma mudança de estado físico é a entalpia-
padrão de transição trsHo. A entalpia padrão de vaporização, vapHo é um exemplo. Outro é o da entalpia-padrão de fusão, fusHo, que é a variação de entalpia-padrão na conversão de um
sólido em líquido, como no caso da seguinte transformação:
H2O(s) → H2O (l) fusHo(273K) = + 6,01 kJ/mol
• Como a entalpia é uma função de estado, a variação de entalpia é
independente do processo que leva de um estado a outro→ o valor
de Ho será sempre o mesmo, qualquer que tenha sido o
processo da transformação, desde que não se alterem os estados
inicial e final.
• Por exemplo: podemos imaginar a transformação de um sólido em
vapor através da sublimação:
H2O(s) → H2O (g) subHo
Ou ocorrendo em duas etapas: primeiro a fusão e depois a
vaporização :
H2O(s) → H2O (l) fusHo
H2O(l) → H2O (g) vapHo
Global: H2O(s) → H2O (g) fusHo + vapHo
• Como o resultado global da via indireta é exatamente o mesmo da
via direta, a variação de entalpia, nos dois casos, é a mesma.
Conclusão:
sub = fusHo + vapHo
Uma conclusão imediata dessa igualdade é a entalpia de
sublimação de uma substância ser maior do que a entalpia de
vaporização da mesma substância
• Outra consequência de H ser uma função de estado é a de as
variações de entalpia-padrão dos processos direto e inverso só
diferirem pelo sinal:
Ho(A→B) = - Ho (B → A)
Exemplo a entalpia de vaporização da água é +44kJ/mol, a 298K, e a
entalpia de condensação do vapor de água, a 298K é – 44kJ/mol
• Entalpias de transformações químicas: existem duas maneiras de
registrar a variação de entalpia que acompanha uma reação
química .
• Uma é escrever a equação termoquímica, a combinação de uma
equação química com a correspondente variação de entalpia-
padrão:
• CH4(g) + 2O2(g) → CO2(g) + 2H2O(l) Ho = -890 kJ
• Onde Ho é a variação de entalpia quando os reagentes nos seus
respectivos estados padrões se transformam em produtos, também
nos seus respectivos estados padrões:
• Reagentes isolados, puros nos seus respectivos estados padrões →
Produtos isolados, puros nos seus respectivos estados padrões
• Outra forma de registrar a variação de entalpia que acompanha
uma reação química consiste em escrever a equação química e
então registrar a entalpia padrão de reação, rHo. Assim para a
reação de combustão, escrevemos:
• CH4(g) + 2O2(g) → CO2(g) + 2H2O(l) rHo = -890 kJ/mol
• Para a reação:
• 2 A + B → 3C + D
• A entalpia padrão de reação é:
• r Ho = {3Hmo(C) + Hmo(D) } – {2Hmo(A) + Hmo(B)}
• Onde Hmo(J) é a entalpia molar padrão da espécie J na temperatura
de interesse.
• Em geral:
• rHo = produtos Hmo - reagentes Hmo
• Onde cada uma das entalpias molares das espécies está
multiplicada pelo respectivo coeficiente estequiométrico, .
• Algumas entalpias padrões de reação têm nomes especiais e
importância particular. Por exemplo, a entalpia padrão de
combustão, cHo, é a entalpia padrão da reação da oxidação
completa de um composto orgânico formando CO2 gasoso e água
líquida. Exemplo:
• C6H12O6(s) + 6O2(g) → 6CO2(g) + H2O(l) cHo = -2808kJ/mol
• Lei de Hess: É possível combinarem-se as entalpias-padrões de
várias reações para se ter a entalpia de outra reação. Esta é uma
aplicação imediata da Primeira Lei da Termodinâmica e é
conhecida como a Lei de Hess.
• “ A entalpia padrão de uma reação é igual à soma das
entalpias padrões das reações parciais em que a reação possa
ser dividida”
• A importância da Lei de Hess está na possibilidade de se ter uma
informação sobre certa reação, que pode ser difícil de conseguir
diretamente, através de informações obtidas em outras reações.
• A entalpia padrão de reação para a hidrogenação do propeno,
CH2=CHCH3(g) + H2(g) → CH3CH2CH3(g)
é 124 kJ/mol. A entalpia de reação para a combustão do propano,
CH3CH2CH3(g) + 5O2(g) → 3CO2(g) + 4H2O(l) é 2220kJ/mol.
• Determinar a entalpia padrão de combustão do propeno:
• A reação de combustão que se deseja é:
C3H6(g) + 9/2O2(g) → 3CO2(g) + 3H2O(l)
• Essa reação pode ser obtida a partir da seguinte soma:
• C3H6(g) + H2(g) → C3H8(g) rHo = -124(kJ/mol)
• C3H8(g) + 5O2(g) → 3CO2(g) + 4H2(l) rHo=-2220 (kJ/mol)
• H2O(l) → H2(g) + ½ O2(g) rHo = +286(kJ/mol)
• C3H6(g) + 9/2O2(g) → 3CO2(g) + 3H2O(l) rHo=-2058(kJ/mol)
• Dependência das entalpias de reação com a temperatura
• As entalpias padrão de muitas reações importantes foram medidas
em diferentes temperaturas. Entretanto, na ausência dessas
informações, é possível estimar as entalpias padrões de reação em
diferentes temperaturas a partir das capacidades caloríficas e da
entalpia de reação em outra temperatura.
• Da equação dH = CpdT, tem-se que, quando se aquece uma
substância de T1 atéT2, a entalpia varia de H(T1) até
• H(T2) = H(T1) + T1 T2 Cp dT
• Como essa equação vale para cada substância que participa da
reação, a entalpia padrão de reação varia de rHo(T) para
• rHo(T2) = rHo(T1) + T1 T2 rCpo dT
• Onde rCpo é a diferença entre as capacidades caloríficas molares
dos produtos e as capacidades caloríficas molares dos reagentes,
nas condições padrões, cada qual ponderada pelo coeficiente
estequiométrico correspondente na equação química:
• rCpo = produtosCp,mo - reagentesCp,mo
• A equação rHo(T2) = rHo(T1) + T1 T2 rCpo dT é conhecida como
a Lei de Kirchhoff.
• Aplicação da Lei de Kirchhoff
• A entalpia padrão de formação da H2O gasosa, a 298K, é -241,82
kJ/mol. Estime o seu valor a 100oC sendo dadas as seguintes
capacidades caloríficas molares, a pressão constante: H2O(g):
33,58 J/K.mol; H2(g): 28,84 J/K. mol. Admita que as capacidades
caloríficas sejam independentes da temperatura.
• Resolução: Quando rCpo for independente da temperatura no
intervalo de temperatura de T1 até T2, a integral da Lei de
Kirchhoff será (T2 – T1) rCpo . Portanto:
rHo(T2) = rHo(T1) + (T2-T1)rCpo
• Para continuar, escreve-se a equação química, identificam-se os
coeficientes estequiométricos e depois calcula-se rCpo a partir dos
dados
• A reação é H2(g) + ½O2 (g) → H2O(g); logo,
• rCpo = Cp,mo(H2O,g) – {Cp,mo(H2,g) + ½ Cp,mo(O2,g)}
• rCpo = -9,94 J k-1mol-1
• Segue-se então que:
• fHo(373K) = -241,82 kJ.mol-1 + (75K) x (-9,94 x 10-3 J.K-1mol-1)
• fHo(373K) = -242,6 kJ.mol-1