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Brasília-DF. AntibiogrAmA e Controle de QuAlidAde Elaboração Liliana Scorzoni Produção Equipe Técnica de Avaliação, Revisão Linguística e Editoração Sumário APRESENTAÇÃO ................................................................................................................................. 5 ORGANIZAÇÃO DO CADERNO DE ESTUDOS E PESQUISA .................................................................... 6 INTRODUÇÃO.................................................................................................................................... 8 UNIDADE I ANTIBIOGRAMA ................................................................................................................................... 11 CAPÍTULO 1 TIPOS DE ANTIBIOGRAMA E REALIZAÇÃO DOS ENSAIOS .......................................................... 11 CAPÍTULO 2 INTERPRETAÇÃO DO ANTIBIOGRAMA ...................................................................................... 21 CAPÍTULO 3 PRECAUÇÕES E CUIDADOS PARA A REALIZAÇÃO DO ANTIBIOGRAMA. ESCOLHAS DOS DISCOS DE ANTIBIOGRAMA ................................................................................................................ 25 UNIDADE II REQUISITOS TÉCNICOS PARA LABORATÓRIOS CLÍNICOS ....................................................................... 30 CAPÍTULO 1 INFORMAÇÕES GERAIS .......................................................................................................... 30 CAPÍTULO 2 REQUISITOS BÁSICOS PARA LABORATÓRIO DE MICROBIOLOGIA .............................................. 45 UNIDADE III CLASSIFICAÇÃO DOS LABORATÓRIOS SEGUNDO O NÍVEL DE BIOSSEGURANÇA ................................... 52 CAPÍTULO 1 NÍVEL 1, 2, 3 E 4 DE BIOSSEGURANÇA OU PROTEÇÃO BÁSICA ................................................ 52 CAPÍTULO 2 CLASSIFICAÇÃO DO ORGANISMO SEGUNDO SEU POTENCIAL PATOGÊNICO .......................... 64 CAPÍTULO 3 CLASSIFICAÇÃO DOS ORGANISMOS GENETICAMENTE MODIFICADOS ................................... 68 UNIDADE IV CONTROLE DE QUALIDADE DO LABORATÓRIO ..................................................................................... 73 CAPÍTULO 1 PARÂMETROS DO CONTROLE DE QUALIDADE ......................................................................... 73 CAPÍTULO 2 CONTROLE DE QUALIDADE DE EQUIPAMENTOS ....................................................................... 80 PARA (NÃO) FINALIZAR ..................................................................................................................... 87 REFERÊNCIAS .................................................................................................................................. 89 5 Apresentação Caro aluno A proposta editorial deste Caderno de Estudos e Pesquisa reúne elementos que se entendem necessários para o desenvolvimento do estudo com segurança e qualidade. Caracteriza-se pela atualidade, dinâmica e pertinência de seu conteúdo, bem como pela interatividade e modernidade de sua estrutura formal, adequadas à metodologia da Educação a Distância – EaD. Pretende-se, com este material, levá-lo à reflexão e à compreensão da pluralidade dos conhecimentos a serem oferecidos, possibilitando-lhe ampliar conceitos específicos da área e atuar de forma competente e conscienciosa, como convém ao profissional que busca a formação continuada para vencer os desafios que a evolução científico-tecnológica impõe ao mundo contemporâneo. Elaborou-se a presente publicação com a intenção de torná-la subsídio valioso, de modo a facilitar sua caminhada na trajetória a ser percorrida tanto na vida pessoal quanto na profissional. Utilize-a como instrumento para seu sucesso na carreira. Conselho Editorial 6 Organização do Caderno de Estudos e Pesquisa Para facilitar seu estudo, os conteúdos são organizados em unidades, subdivididas em capítulos, de forma didática, objetiva e coerente. Eles serão abordados por meio de textos básicos, com questões para reflexão, entre outros recursos editoriais que visam a tornar sua leitura mais agradável. Ao final, serão indicadas, também, fontes de consulta, para aprofundar os estudos com leituras e pesquisas complementares. A seguir, uma breve descrição dos ícones utilizados na organização dos Cadernos de Estudos e Pesquisa. Provocação Textos que buscam instigar o aluno a refletir sobre determinado assunto antes mesmo de iniciar sua leitura ou após algum trecho pertinente para o autor conteudista. Para refletir Questões inseridas no decorrer do estudo a fim de que o aluno faça uma pausa e reflita sobre o conteúdo estudado ou temas que o ajudem em seu raciocínio. É importante que ele verifique seus conhecimentos, suas experiências e seus sentimentos. As reflexões são o ponto de partida para a construção de suas conclusões. Sugestão de estudo complementar Sugestões de leituras adicionais, filmes e sites para aprofundamento do estudo, discussões em fóruns ou encontros presenciais quando for o caso. Atenção Chamadas para alertar detalhes/tópicos importantes que contribuam para a síntese/conclusão do assunto abordado. 7 Saiba mais Informações complementares para elucidar a construção das sínteses/conclusões sobre o assunto abordado. Sintetizando Trecho que busca resumir informações relevantes do conteúdo, facilitando o entendimento pelo aluno sobre trechos mais complexos. Para (não) finalizar Texto integrador, ao final do módulo, que motiva o aluno a continuar a aprendizagem ou estimula ponderações complementares sobre o módulo estudado. 8 Introdução A confiabilidade dos serviços laboratoriais prestados deve ser assegurada pelo laboratório clínico. O controle de qualidade e os requisitos básicos para o bom funcionamento de um laboratório de microbiologia são normas que permitem a qualidade dos ensaios microbiológicos. Esses requisitos são regidos pela Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) no 302, de 13 de outubro de 2005, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Trata-se da normalização do funcionamento do laboratório clínico, do posto de coleta laboratorial e da qualidade dos exames laboratoriais realizados. Além disso, a RDC no 302 também trata de normas de biossegurança. Os laboratórios de microbiologia são ambientes que podem expor seus trabalhadores a doenças infecciosas. São descritos muitos casos de infecções contraídas em um laboratório durante toda a história e inúmeros casos foram atribuídos à falta de cuidados ou a uma técnica de manuseio inadequada de materiais infecciosos. Denomina-se biossegurança as norma e medidas destinadas a prevenir riscos inerentes às atividades dos laboratórios as quais possam comprometer a saúde dos profissionais e o meio ambiente. O conhecimento sobre as normas de biossegurança é de interesse de todos os que lidam com os serviços de saúde. Entre os ensaios executados nos laboratórios de microbiologia está a realização de antibiogramas. Com o descobrimento dos antibióticos houve a necessidade de desenvolver técnicas laboratoriais para verificar se essas substâncias possuíam ação nos micro-organismos. Denomina-se antibiograma o teste realizado para verificar a sensibilidade ou resistência dos micro-organismos aos antibióticos. Grandes esforços foram feitos para padronizar as metodologias para a determinação da sensibilidade antimicrobiana. Devido ao grande número de variações metodológicas e interpretações dos testes de sensibilidade, o grupo americano Clinical and Laboratory Standards Institute (CLSI), e o grupo europeu European Committee on Antimicrobial Susceptibility Testing (EUCAST) desenvolveram normas para a validação das metodologias e dos critérios de interpretação dos antibiogramas. O objetivo dessesgrupos é unificar o tipo de ensaio e interpretação realizados, sendo assim possível comparar os dados em estudos intra e inter-laboratoriais. Na primeira parte deste curso, serão abordadas diferentes técnicas para determinação da sensibilidade antimicrobiana. Nessa etapa o objetivo é entender como são realizadas essas técnicas, analisar as vantagens e as desvantagens de cada uma. Além disso, a interpretação dos dados de cada tipo de teste de antibiograma também é abordada 9 nesse capítulo, bem como os controles e cuidados necessários para sua realização de forma adequada. A segunda etapa desse curso tem como objetivo abordar os critérios para o funcionamento de um laboratório de microbiologia, classificação quanto ao nível de biossegurança e controle de qualidade. Esse material tem como base documentos, manuais e resoluções divulgados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), Ministério da Saúde e Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), as quais são responsáveis pela regulamentação e fiscalização das normas aqui descritas. Objetivos » Entender como são realizadas as técnicas para determinação da sensibilidade antimicrobiana, bem como analisar as vantagens e as desvantagens de cada uma. » Interpretar os dados de cada tipo de teste de antibiograma, bem como os controles e cuidados necessários para sua realização de forma adequada. » Abordar os critérios para o funcionamento de um laboratório de microbiologia. » Identificar a classificação quanto ao nível de biossegurança e controle de qualidade. 11 UNIDADE IANTIBIOGRAMA CAPÍTULO 1 Tipos de antibiograma e realização dos ensaios A demanda por ensaios de antibiograma vem aumentando. Alguns fatores contribuem para o acréscimo da realização desses testes. » O descobrimento de novos antibióticos disponibilizando opções de tratamento. » O desenvolvimento de resistência dos micro-organismos aos antimicrobianos. » O aumento da sobrevida dos pacientes os quais fazem uso prolongado desses medicamentos. Com isso, houve a necessidade de desenvolver técnicas laboratoriais para verificar se essas substâncias possuíam ação contra os micro-organismos. Denomina-se antibiograma o teste realizado para verificar a sensibilidade ou resistência dos micro-organismos aos antibióticos. Em outras palavras o antibiograma informa se um determinado antibiótico tem a capacidade matar, inibir o crescimento de um micro-organismo ou se não possui ação. A realização de antibiogramas tem dois objetivos principais: 1. Na área epidemiológica: o antibiograma é de grande importância para conhecer o perfil de suscetibilidade microbiana de determinado local, podendo ser usado para comparar as taxas de suscetibilidade entre as instituições e acompanhar as tendências de resistência a determinados antimicrobianos. O perfil de sensibilidade é um fenômeno variável de acordo com o transcorrer do tempo, tipo de tratamento utilizado ou entre hospitais. 12 UNIDADE I │ ANTIBIOGRAMA 2. Na terapêutica: ajuda a selecionar tratamento adequado e o monitoramento do mesmo. Para a realização do antibiograma, é necessário isolar e identificar o micro-organismo causador da infecção. Uma vez identificado, para a prescrição do tratamento deve-se determinar quais antibióticos esse micro-organismo é sensível e isso é feito pela realização do teste de antibiograma. As técnicas de antibiogramas podem ser qualitativas, determinando se um micro-organismo é sensível ou resistente a determinado antimicrobiano. Existem também técnicas de antibiograma quantitativas, quando determinam a concentração inibitória mínima (CIM). Os dois métodos são comparáveis, uma vez que existe uma correlação entre o diâmetro do halo de inibição no disco difusão e os valores de CIM. Grandes esforços foram feitos para padronizar as metodologias para a determinação da suscetibilidade antimicrobiana. Devido ao grande número de variações metodológicas e interpretações dos antibiogramas, o grupo americano Clinical and Laboratory Standards Institute (CLSI) e o grupo europeu European Committee on Antimicrobial Susceptibility Testing (EUCAST) desenvolveram normas para a validação das metodologias e critérios de interpretação dos antibiogramas. O objetivo desses grupos é unificar o tipo de ensaio e interpretação realizado sendo assim possível comparar os dados em estudos intra e inter-laboratoriais. Define-se antibiograma o ensaio in vitro realizado para verificar a sensibilidade ou resistência de um micro-organismo a determinado antibiótico. Antes de dar início ao tratamento, devem ser coletadas amostras do local suspeito de infecção, por exemplo, se a suspeita for de infecção urinária, deve-se coletar amostra de urina. A partir da amostra biológica, será possível isolar e identificar o micro-organismo suspeito e, só então, o antibiograma poderá ser realizado. Os testes de sensibilidade ou antibiogramas são indicados para a seleção da terapia quando não se conhece o perfil de sensibilidade do micro-organismo, mesmo após sua identificação. Esses testes são indicados principalmente quando que o organismo causador pertence a uma espécie capaz de apresentar resistência aos agentes antimicrobianos normalmente usados. Quando a infecção é causada por um micro-organismo cuja sensibilidade a determinado antibiótico é conhecida, os testes de sensibilidade são raramente necessários. Além disso, realização de testes de sensibilidade a partir de material clínico como fluidos corpóreos estéreis pode ser realizada, mas apenas em caso de emergências. Nesse caso, é necessário certificar-se por meio da coloração de Gram que apenas um tipo de 13 ANTIBIOGRAMA │ UNIDADE I micro-organismo está presente na amostra. O antibiograma deve ser posteriormente repetido com o micro-organismo isolado e identificado e metodologia padronizada. Os antibiogramas podem ser divididos em dois tipos de técnicas: » Técnicas difusão em ágar (disco difusão e Etest). » Técnicas de diluição em ágar ou em meio líquido (macrodiluição e microdiluição). Difusão em ágar Disco difusão A técnica de disco difusão é uma das metodologias de antibiograma mais tradicionalmente usadas nos laboratórios de microbiologia, sendo amplamente utilizada tanto para patógenos comuns como para bactérias fastidiosas. Essa metodologia é compatível com a maioria dos agentes antimicrobianos, além disso, não necessita de equipamentos específicos. A técnica de disco difusão utiliza discos contendo antimicrobianos em uma única concentração. Esses discos serão aplicados em uma placa de Petri contendo meio sólido, previamente inoculado com uma bactéria. De acordo com o diâmetro do halo se determina a sensibilidade do micro-organismo ao composto. É importante lembrar que a classificação da sensibilidade é específica para cada antibiótico e micro-organismo. Meio de cultura O meio de cultura utilizado é o ágar Mueller-Hinton, pois é reprodutível entre os diferentes lotes, permite crescimento satisfatório dos patógenos não fastidiosas, além disso, existem muitos dados sobre a realização de antibiogramas com esse meio. Para a realização de ensaios com bactérias fastidiosas, é possível acrescentar nutrientes especiais ao Mueller-Hinton. Preparo do inóculo ou suspensão bacteriana Existem duas formas para se realizar o inóculo: 1. Método do crescimento Selecionar três a cinco colônias isoladas e cultiva-las em meio de cultura adequado a 35°C até atingirem ou excederem a turbidez da escala 0,5 de McFarland. Em seguida, a turbidez do crescimento será ajustada com 14 UNIDADE I │ ANTIBIOGRAMA solução de salina estéril equivalente escala 0,5 de McFarland (turbidez que equivale a 1 a 2x108 UFC/ml de E. coli ATCC® 25922). 2. Método de Suspensão Direta dasColônias A partir de um cultivo de 18 a 24 horas, realizar uma suspensão das bactérias em salina estéril e ajustar a turbidez de acordo com a escala 0,5 de McFarland. Figura 1. Preparo do inóculo para realização do antibiograma pelo método de crescimento e pelo método de suspensão direta de colônias. Fonte: Esquema de figura montado a partir dos sites: <http://www.microbiologia.vet.br/> e < http://pixabay.com/>. Acesso em: abril de 2015. Aplicação do inóculo nas placas Mergulhar um swab na suspensão bacteriana previamente padronizada. Remover excesso de líquido rodando o swab sob a parede do tubo. Espalhar inóculo uniformemente em toda a superfície da placa contendo o meio de cultura sólido. Aguardar até que o excesso de umidade seja absorvido antes de se aplicar os discos impregnados de droga (não exceder 15 minutos). 15 ANTIBIOGRAMA │ UNIDADE I Aplicação de discos a placas de ágar inoculadas Os discos antimicrobianos devem ser colocados cuidadosamente sob a superfície de uma placa semeada com a bactéria em questão. Pressionar o disco cuidadosamente para remoção de bolhas de maneira a assegurar contato completo do disco com a superfície do ágar. Uma vez que algumas drogas se difundem quase instantaneamente, o disco não deve ser reaplicado após ter entrado em contato com a superfície de ágar. Em vez disso, coloque um novo disco em outra parte da placa. As placas devem ser incubadas invertidas a 35° C por 6 a 18 horas. Figura 2. Etapas para realização do antibiograma. 1) com o auxílio de um swab, coletar a suspensão bacteriana com a concentração previamente padronizada com a escala 0,5 de Mc Farland; 2) aplicação na placa de ágar Mueller-Hinton; 3 e 4) aplicação dos discos de antibióticos na placa; 5) halos formados após a incubação; 6) interpretação dos resultados. Fonte: <https://www.microbelibrary.org/>. Acesso em: abril de 2015. Etest Epsilometer test ou Etest é um método comercial para determinar a sensibilidade antimicrobiana e também é possível determinar a concentração inibitória mínima (CIM), portanto, é um teste quantitativo. A CIM é definida como a menor concentração de um antibiótico capaz de inibir o crescimento de um micro-organismo. O Etest consiste em uma tira de material plástico contento um gradiente de concentração do antimicrobiano. Da mesma forma como para o ensaio de disco difusão, a tira de Etest é aplicada sobre a superfície de uma placa pré-inoculada com a bactéria em questão. Quando a tira de Etest é colocada sobre uma superfície de ágar, o gradiente de 16 UNIDADE I │ ANTIBIOGRAMA antibiótico da tira é transferido para o ágar. O crescimento bacteriano se torna visível após a incubação, em forma de elipse. A CIM é determinada a partir da escala expressa na tira em µg/ml, em que a borda elipse do crescimento bacteriano intercepta a tira. Figura 3. Representação do Etest. Tiras de Etest e representação da leitura. Fonte: Disponível em: <http://www.biomerieux-usa.com/clinical/etest>. Acesso em: abril de 2015. Técnicas de diluição As técnicas de diluição baseiam-se em diluições sucessivas do antimicrobiano em meio de cultura sólido ou líquido. Posteriormente, é realizada a inoculação da suspensão bacteriana com concentração padronizada. As diluições que se utilizam são, em geral, diluições seriadas realizadas no meio de cultura, ou seja, 1, 2, 4, 8,16 µg/ml etc. Essa metodologia é quantitativa, pois é possível determinar a Concentração Inibitória Mínima (CIM), menor concentração de antimicrobiano capaz de inibir o crescimento de um micro-organismo. Esse método é também utilizado na confirmação de alguns perfis de resistência detectados inicialmente por disco-difusão. Diluição em ágar Preparo das placas com diferentes diluições do antimicrobiano O meio de cultura utilizado é o ágar Mueller-Hinton ou ágar BHI. Esses meios podem ser acrescidos de nutrientes especiais dependendo do micro-organismo em questão. 17 ANTIBIOGRAMA │ UNIDADE I 1. Ao ágar fundido a temperatura de 45-50ºC adicione a solução de antibiótico na concentração adequada para cada diluição e misture bem. Evitar a formação de bolhas. 2. Coloque a mistura do ágar com os antibióticos em placas de Petri (3-4 mm de profundidade). 3. Após a solidificação do ágar, as placas podem ser guardadas em embalagens plásticas para evitar o ressecamento a 2-8ºC por 5 dias ou mais, dependendo do antibiótico. Atenção, alguns antibióticos têm rápida degradação, para garantir que se mantenha a atividade, cada laboratório deve realizar testes de estabilidade usando as cepas padrão como controle de qualidade. 4. Antes da utilização, as placas devem estar à temperatura ambiente e, caso exista umidade na tampa, elas devem ser colocadas abertas no fluxo laminar por 30 minutos. 5. Como controle de crescimento de cada experimento, será utilizada uma placa de meio de cultura sem antibiótico. Preparo do inóculo Método de crescimento ou suspensão direta das colônias, equivalente a uma solução padrão 0.5 de McFarland. A escala 0.5 de McFarland equivale a aproximadamente 1-2x108 UFC/ml, entretanto, para esse ensaio, a concentração ideal é 104 UFC, o inóculo deve ser diluído 1/10 e então 2 μl serão aplicados no ágar, sendo assim possível ter 104 UFC por placa. Aplicação do inóculo nas placas Com o auxílio de uma micropipeta, aplicar da suspensão padronizada nas placas, iniciando pela placa de controle de crescimento (placa somente com o meio de cultura e sem o antibiótico), seguida das diferentes concentrações as quais devem ser iniciadas pela de menor concentração de antibiótico. Após a absorção do inóculo pelo ágar as placas serão incubadas invertidas a 35ºC por ao término 16-20 hs. 18 UNIDADE I │ ANTIBIOGRAMA Diluição em meio líquido (macrodiluição e microdiluição) Método de macrodiluição em caldo Meio de cultura O meio de cultura utilizado é o Mueller-Hinton em caldo. O meio de cultura pode ser acrescido de nutrientes especiais dependendo do micro-organismo em questão. Esse ensaio se realiza em tubos (13 x 100 mm) estéreis os quais devem possuir tampas ou tampões de algodão. As diluições são realizadas em caldo Mueller-Hinton e cada diluição deve ser de no mínimo 1 ml. As diluições devem possuir o dobro das concentrações desejadas pois, com a adição do inóculo, as concentrações serão a metade da concentração inicial. Figura 4. Representação esquemática do teste de macrodiluição em tubo, após a inoculação e incubação. Fonte: Disponível em: <http://www.anvisa.gov.br>. Acesso em: abril de 2015. Método de microdiluição em caldo Essa técnica é denominada microdiluição pois envolve pequenos volumes de meio de cultura sendo, por isso, realizada em microplaca de 96 poços. Para evitar erros de pipetagem, recomenda-se que as diluições sejam realizadas em volume de pelo menos 10 ml e a essas diluições sejam distribuídas nas placas de 96 poços (0.1 ml por poço). Cada diluição do antimicrobiano deve possuir o dobro da concentração desejada pois com a adição do inóculo as concentrações serão reduzidas pela metade. As placas podem ser guardadas a -20ºC e, se possível, a temperaturas menores que -60ºC, até o momento do uso. Uma vez que descongeladas as placas não podem voltar a serem congeladas pois os antimicrobianos podem perder a atividade. 19 ANTIBIOGRAMA │ UNIDADE I Figura 5. Esquema do antibiograma pela técnica de microdiluição. Controle positivo: meio de cultura + Controle negativo: somente o meio de cultura Concentração decrescente do antibiótico Fonte: Própria. Preparo do inóculo O preparo do inóculo, tanto para a macrodiluição como para a microdiluição, pode ser obtido pelo método de crescimento ou suspensão direta das colônias, obtendo uma concentraçãoequivalente a padrão 0,5 de McFarland. Esse inóculo deve ser diluído para que cada poço tenha a concentração equivalente a 5x105 UFC/ml ou 5x104 UFC por poço. Aplicação do inóculo nos tubos de macrodiluição Deve-se adicionar 1ml do inóculo com concentração padronizada em cada tudo da macrodiluição (contendo 1 ml de cada diluição). Como controles são utilizados um tubo somente com meio de cultura (sem antibiótico e sem inóculo) o qual é considerado controle de esterilidade do meio e também o controle de crescimento que consiste de meio de cultura acrescido do inóculo (sem antibiótico). Aplicação do inóculo na placa de microdiluição O inóculo deve ser aplicado no máximo em 15 minutos após o ajuste de sua concentração. O volume da diluição e de inóculo devem ser os mesmos, sendo assim a concentração dos antimicrobianos diluídos pela metade. Da mesma forma, como na macrodiluição temos o controle de esterilidade do meio e o controle de crescimento do antimicrobiano. Incubação microdiluição e macrodiluição Para a maioria dos micro-organismos, a incubação é de 18 a 24 horas a 35°C, e os tubos são inspecionados visualmente para evidenciar o crescimento bacteriano, traduzido pela turbidez. 20 UNIDADE I │ ANTIBIOGRAMA O quadro 1 mostra uma comparação das vantagens e desvantagens de todos os testes de descritos nesse capítulo. Quadro 1. Tabela comparativa das vantagens e desvantagens das técnicas de antibiograma. Disco – Difusão Vantagens Desvantagens » Fácil execução. » Reprodutibilidade. » Utilização de reagentes de baixo custo. » Resultados de fácil interpretação clínica. » Flexibilidade quanto à escolha dos antimicrobianos. » Não requer utilização de equipamentos especiais. » Falta de mecanização ou automação para realização deste teste. » Ausência de padronização do método para alguns micro-organismos e agentes antimicrobianos, por exemplo: o S. pneumoniae versus ceftriaxona, que deverá ser avaliado por um método quantitativo. » Este método pode não ser adequado para a detecção de mecanismos de resistência resultantes da produção de beta- lactamases, por exemplo: o enterococo versus ampicilina, ou outros mecanismos mais complexos, como o estafilococo com sensibilidade diminuída aos glicopeptídeos. Etest Vantagens Desvantagens » Flexibilidade na escolha dos agentes antimicrobianos a serem testados. » Fácil execução e fornecimento de um resultado quantitativo (CIM). » Alto custo das fitas. » Número limitado de antimicrobianos testados por placa. Diluição em ágar Vantagens Desvantagens » Habilidade em testar um grande número de amostras simultaneamente a um custo relativamente baixo. » Permitir a determinação quantitativa da CIM. » Testar bactérias fastidiosas, que não apresentam bom crescimento em caldo, como Neisseria gonorrhoeae e bactérias anaeróbias. » É um método muito trabalhoso, no que se refere à preparação das placas e do inóculo bacteriano. » As placas de ágar contendo antimicrobianos devem ser preparadas, preferencialmente, no dia em que serão usadas, pois o armazenamento das placas pode determinar a perda da atividade antimicrobiana. Macrodiluição Vantagens Desvantagens » Determinação de resultado quantitativo, a CIM. » Avaliação de um número substancial de bactérias. » Quantidade de reagentes utilizada. » Espaço necessário para o armazenamento dos tubos. » Possibilidade da ocorrência de erros durante a preparação das concentrações antimicrobianas. » Trabalho manual dispendioso na preparação do teste. Macrodiluição Vantagens Desvantagens » Economia de espaço e de reagentes. » Reprodutibilidade dos resultados, devido à » possibilidade de preparação de grande quantidade de placas a partir da mesma série de diluições de antimicrobianos. » Gera resultado quantitativo. » Conveniência de poder utilizar placas pré-fabricadas e sistemas automatizados. » Inflexibilidade na escolha dos antimicrobianos a serem testados, quando se utilizam as placas pré-fabricadas. » Alto custo. » Dificuldade em discernir o crescimento bacteriano da amostra inoculada daquele causado por bactérias contaminantes. Fonte: Disponível em: <http://www.anvisa.gov.br>. Acesso em: maio de 2015. 21 CAPÍTULO 2 Interpretação do antibiograma A interpretação dos resultados dos ensaios de antibiograma é estabelecida por meio de estudos desenvolvidos pelo EUCAST e CLSI. Esses estudos levam em consideração as propriedades microbiológicas, farmacocinéticas e de eficácia clínica para a definição de sensibilidade (sucesso terapêutico) e resistência. A análise dos resultados de antibiograma é fundamental para a determinação da sensibilidade, além disso, é de grande importância clínica. Como descrito anteriormente, o isolamento da bactéria responsável pela infecção e identificação de seu gênero e espécie são necessários, uma vez que sem esses resultados podem ocorrer erros na seleção dos antibióticos para o teste. Um exemplo da importância da identificação do micro-organismo na interpretação dos dados é o caso das enterobactérias que apresentam CIM de 8 mg/l para a ampicilina, sendo sensível a esse antimicrobiano. Entretanto, espécies de estafilococos com esse mesmo valor de CIM para ampicilina é considerado resistente. Portanto, as CIM baixas podem não estar relacionadas com a sensibilidade do micro-organismo pois isso depende de sua identificação e também do antibiótico. Outro fator importante ao se analisar os antibiogramas é conhecer o fenótipo de sensibilidade dos micro-organismos, uma vez que algumas bactérias são sempre sensíveis e outras sempre resistentes a determinado antibiótico. Padrões de interpretação do diâmetro dos halos O CLSI dispõe de tabelas de interpretação as quais relacionam o diâmetro dos halos com a sensibilidade do micro-organismo a determinado antimicrobiano. Para isso, primeiro é realizada uma comparação do diâmetro do halo com a CIM e, posteriormente, estas CIMs e os diâmetros dos halos correlacionados foram analisados em relação à farmacocinética da droga em regimes terapêuticos normais. A classificação a seguir está de acordo com o documento M23 do CLSI. Sensível: significa que uma infecção por um determinado micro-organismo pode ser tratada adequadamente com a dose do agente antimicrobiano recomendada para esse tipo de infecção e patógeno, exceto quando contraindicado. 22 UNIDADE I │ ANTIBIOGRAMA Intermediária: a categoria “intermediária” inclui isolados com CIMs do agente antimicrobiano que se aproximam de níveis sanguíneos e tissulares atingíveis e para os quais as taxas de resposta podem ser inferiores àquelas para isolados sensíveis. Resistente: os isolados não são inibidos pelas concentrações sistêmicas dos agentes antimicrobianos geralmente atingíveis nos regimes terapêuticos habituais; e/ou podem ter os diâmetros do halo de inibição dentro de uma faixa de maior probabilidade de ocorrência de mecanismos específicos de resistência microbiana (ex.:, ß-lactamases), além de a eficácia clínica não ter sido confiável nos estudos terapêuticos. Quadro 2. Padrões interpretativos dos diâmetros dos halos de inibição e equivalência de pontos de corte das Concentrações Inibitórias Mínimas (CIM) para Enterobacteriaceae. R=resistente, I=intermediário, S= sensível. Agente antimicrobiano Conteúdo do Disco R Diâmetro do Halo de Inibição (mm) CIM Equivalente Pontos de Corte (µg/ ml) I S R S Ampicilina 10 µg/ml ≤13 14-16 ≥17 ≥32 ≤8 Mezlocilina 75 µg/ml ≤17 18-20 ≥21 ≥128 ≤16 Piperacilina 100 µg/ml ≤17 18-20 ≥21≥ ≥128 ≤16≤ Ticarcilina 75 µg/ml ≤14 15-19 20 ≥128 16 Carbenicilina 100 µg/ml ≤19 20-22 ≥23 ≥64 ≤16 Mecilinam 10 µg/ml ≤11 12-14 ≥15 ≥32 ≤8 Fonte: adaptado de CLSI documento M100-S15.Disco difusão e etest Como descrito no capítulo anterior, a técnica de disco difusão baseia-se na aplicação de discos contendo antibióticos sobre a superfície de um meio sólido o qual foi previamente inoculado com uma suspensão bacteriana de concentração padronizada. Após o tempo de incubação. a bactéria irá crescer e o diâmetro do halo formado se relacionará com a sensibilidade da bactéria. Da mesma maneira, para a realização do Etest, uma tira contendo um gradiente de concentração do antimicrobiano é aplicada sobre uma placa pré-inoculada com a bactéria em questão e após a incubação ocorrerá a formação de uma elipse pela qual é possível determinar a Concentração Inibitória Mínima (CIM). Pode-se relacionar os dados qualitativos da técnica de disco difusão com os dados quantitativos do Etest, então, halos pequenos estão relacionados com valores de CIM altos, ou seja, com a resistência da bactéria e halos grandes estão relacionados com as CIM baixas e consequentemente com a sensibilidade, portanto, são inversamente proporcionais. 23 ANTIBIOGRAMA │ UNIDADE I Figura 6. Técnicas de difusão em ágar para a determinação da sensibilidade. (A) Disco difusão, formação de tamanhos de halos diferentes de acordo com o antibiótico testado. (B) Etest. Fonte: Cercenadoa, E.; Saavedra-Lozanob., J (2009). Figura 7. Curva de regressão linear da correlação entre a CIM e o halo de inibição. Fonte: <http://www.anvisa.gov.br>. Acesso em: abril de 2015. Diluição em ágar Para facilitar a leitura, as placas devem ser colocadas sobre superfície escura. A CIM é determinada pela menor concentração que inibe o crescimento microbiano. Figura 8. Esquema representativo de um ensaio de sensibilidade pela técnica de difusão em ágar. As diferentes concentrações do antimicrobiano são representadas e a CIM (menor concentração em que se verifica a inibição bacteriana) é hipoteticamente 16 µg/ml. Bactéria 64 32 16 8 4 2 1 0,5 (g/mL) Placa com ágar e antimicroniano CIM Fonte: Própria. 24 UNIDADE I │ ANTIBIOGRAMA Macrodiluição e microdiluição A CIM, no caso da macrodiluição e da microdiluição, é determinada pela falta de turbidez do meio de cultura. Ou seja, a menor concentração em que não se observa turbidez é equivalente a CIM. Isso quer dizer que o antimicrobiano teve ação sob o micro-organismo matando-o ou impedindo seu crescimento. No caso da microdiluição, pode-se ainda realizar leituras espectrofotométricas para determinar o poço em que não existe crescimento comparando-se com o poço controle (sem bactéria). É importante lembrar que a CIM obtidas por macrodiluição ou por microdiluição para um mesmo antimicrobiano deve ser a mesma. 25 CAPÍTULO 3 Precauções e cuidados para a realização do antibiograma. Escolhas dos discos de antibiograma Controle de qualidade nos antibiogramas Para garantir resultados confiáveis e reprodutíveis, uma série de ações devem ser tomadas dentro do laboratório. Essas ações de boas práticas laboratoriais envolvem a coleta, o transporte e o acondicionamento das amostras, o treinamento do pessoal do laboratório, a qualidade dos reagentes, os meios de cultura, a qualidade e a calibração dos equipamentos. No que se trata de antibiograma, podemos destacar os seguintes cuidados: » Preparo dos meios de cultura. » Controle do pH do meio. » Espessura do ágar na placa. » Tempo de armazenamento das placas. » Temperatura e a atmosfera de incubação. » Concentração do inóculo. » Estoque adequado dos discos de sensibilidade. » Rigor na execução da técnica. Controle de qualidade do meio de cultura O meio indicado para os testes de antibiograma é Mueller Hinton e existem alguns fatores que devem ser considerados para manter a acurácia e reprodutibilidade desses ensaios, são eles: » Espessura: para os ensaios realizados em meio sólido, a espessura deve ser de 4 mm (60 a 70 ml para placas de 150 mm e 25 ml para placas 90 mm). A padronização da espessura é importante principalmente no caso dos testes de difusão em ágar e Etest, pois o antimicrobiano se difunde 26 UNIDADE I │ ANTIBIOGRAMA mais facilmente em placas com espessura mais fina e isso pode causar erros de interpretação. » Esterilidade: deve-se garantir que as placas ou tubos com meio de cultura estejam estéreis após seu preparo, para isso uma amostra significativa (10%) de cada lote das placas deve ser examinada para confirmar sua esterilidade. O teste de esterilidade é realizado incubando o meio de cultura a 30-35°C, por pelo menos 24 horas. » pH: o meio Mueller Hinton deverá ter pH entre 7,2 e 7,4 a temperatura ambiente e no caso do meio sólido, após sua solidificação. PHs do meio alterados podem causar reações químicas indesejáveis com os antimicrobianos. Controle de turbidez para o preparo do inóculo Na realização dos testes de antibiograma, é necessário a padronização do número de células bacterianas. Para isso, é usado um controle de turbidez de BaSO4, equivalente a uma solução padrão 0,5 de McFarland. Esse padrão de 0,5 de McFarland é feito com 0,5ml de BaCl2 0.048 mol/l e 99,5ml de H2SO4 0,18 mol/l. O armazenado deve ser realizado em tubos hermeticamente fechado, protegido da luz a temperatura ambiente. Antes de iniciar os testes de sensibilidade, deve-se verificar se a escala 0,5 de McFarland encontra-se adequada para a padronização do inóculo bacteriano. Para isso, deve-se medir o valor da absorbância a 625nm, usando cubeta de 1 cm. Se tiver adequada, a absorbância da solução padrão 0,5 de McFarland deverá variar de 0,08 a 0,10. É muito importante se lembrar de agitar vigorosamente o tubo com o padrão da escala. Os controles de sulfato de bário devem ser substituídos e suas densidades verificada todo mês. Cuidados com o armazenamento e uso dos discos de antibiograma Os discos devem ser mantidos em seus frascos originais a temperatura de 2-8ºC (geladeira) ou a parir de -14ºC (congelador) ou menos. Antes do uso, os frascos devem ser retirados da geladeira ou do congelador e mantidos a temperatura ambiente por 1-2 horas antes do uso com a finalidade de estabilizar a temperatura. 27 ANTIBIOGRAMA │ UNIDADE I Fontes dos agentes antimicrobianos Os antimicrobianos são obtidos diretamente da empresa produtora, não sendo aconselhável o uso de soluções parenterais. É necessário conhecer a potência, a data de vencimento dos antimicrobiano e eles devem ser armazenados -20ºC em dessecador, para evitar o umedecimento das drogas. Cepas controle Cepas de referência são aquelas que têm o papel de verificar os resultados obtidos. Normalmente, possuem origem no American Type Culture Colection (ATCC) e possuem seu perfil de sensibilidade conhecidos. Para a realização de ensaios de antibiograma, essas cepas são usadas, garantindo assim a precisão e acurácia das técnicas. Recomenda-se incluir cepas de referência apropriadas, todo dia que o teste for realizado. São exemplos de cepas padrão: Escherichia coli ATCC 25922; Staphylococcus aureus ATCC 25923; Pseudomonas aeruginosa ATCC 27853. Como interpretação desses resultados espera-se que cada cepa testada produza um halo inibitório ou CIM dentro dos limites estabelecidos para controle. Em caso de resultados alterados das cepas controle, todo o processo deve ser revisado e não se recomenda a liberação dos resultados até que a causa do problema seja definido. Cepas clínicas não são indicadas para esse tipo de controle pois elas já entraram em contato com diversos fatores e já estão adaptadas resultando em resultados duvidosos. Frequência dos testes de controle de qualidade Os testes de controle de qualidade internos devem ser realizados no mínimo mensalmente.Entretanto, existem recomendações para que seja realizado semanalmente. Dessa forma, recomenda-se, durante a primeira fase, quando se iniciam os testes de controle de qualidade, testes diários, sendo que a frequência posteriormente passa a ser mensal. » Diários: as cepas de controle de qualidade serão testadas por cinco dias consecutivos, se esses resultados forem reprodutíveis, os ensaios passam a ser realizados mensalmente. » Mensais: para as cepas de controle de qualidade, a frequência mínima de testes é mensal. Além disso, testes de controle de qualidade devem ser executados a cada novo lote de ágar, um novo fabricante ou reagente. 28 UNIDADE I │ ANTIBIOGRAMA Deve-se documentar a realização dos testes de controle da qualidade, anotando os números dos lotes, meios de cultura, reagentes, discos de antibióticos testados nas respectivas datas e mês. Caso algum resultado mensal esteja fora da faixa aceitável, medidas corretivas devem ser implantadas para verificar a fonte do erro. Caso o laboratório introduza um novo antimicrobiano ou houver alterações significativas na forma de leitura dos testes (ex.: conversão de leitura visual da CIM para leitura instrumental), estes devem ser realizados por cinco dias consecutivos e documentados, antes de se passar para uma frequência mensal. Tipos de erros Ao verificar que os resultados estão fora dos padrões aceitáveis, é necessário investigar as possíveis razões para o ocorrido. Existem dois tipos classificações para os erros: » Erro por razão óbvia: como exemplo, temos o uso de um antimicrobiano errado, cepa controle incorreta ou contaminação, condições de temperatura. Uma vez detectado o erro, o ensaio deve ser realizado novamente. » Erro por razões não detectáveis: o ensaio deve ser realizado novamente, entretanto, se novamente os resultados estão fora do esperado, deve-se tomar uma ação corretiva adicional. Ações corretivas adicionais » Verificar se a leitura dos resultados está correta. » Verificar se o padrão de McFarland está dentro da validade e se esquadra com o valor de leitura de densidade óptica necessária. » Verificar se todos os reagentes estão dentro do prazo de validade e armazenados corretamente. » Observar se a estufa de incubação está à temperatura adequada. » Observar se não houve contaminação das cepas de referência. Seleção dos discos de antimicrobianos Uma equipe multidisciplinar, composta por infectologista, farmacêutico e representantes dos comitês de farmácia, terapêuticos e controle de infecção hospitalar, deve realizar 29 ANTIBIOGRAMA │ UNIDADE I a seleção dos antibióticos para a realização do antibiograma. O laboratório tem a responsabilidade de testar os antimicrobianos adequados para o micro-organismo isolado, o local da infecção e o tipo de paciente atendido. Na seleção dos agentes antimicrobianos, é necessário considerar a eficácia clínica, baixa taxa de resistência antimicrobiana, custo, indicações de consensos para drogas antimicrobianas. 30 UNIDADE II REQUISITOS TÉCNICOS PARA LABORATÓRIOS CLÍNICOS CAPÍTULO 1 Informações gerais Os requisitos técnicos para laboratórios clínicos são regidos pela RDC no 302, de 13 de outubro de 2005, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Esse documento descreve a normatização do funcionamento do Laboratório Clínico e Posto de Coleta Laboratorial. Além disso, aborda aspectos na qualidade dos exames laboratoriais para apoio ao diagnóstico eficaz. O descumprimento das determinações deste Regulamento Técnico constitui infração de natureza sanitária, sujeitando o infrator a processo e penalidades previstas na Lei no 6.437, de 20 de agosto de 1977, ou instrumento legal que venha a substituí-la, sem prejuízo das responsabilidades penal e civil cabíveis. Esse Regulamento Técnico de Funcionamento do Laboratório Clínico foi elaborado por técnicos da ANVISA, Grupo de Trabalho instituído pela Portaria no 864, de 30 de setembro 2003, o qual é constituído por: Técnicos da ANVISA, Secretaria de Atenção à Saúde (SAS/MS), Secretaria de Vigilância a Saúde (SVS/MS), Vigilâncias Sanitárias Estaduais, Laboratório de Saúde Pública, Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial, Sociedade Brasileira de Análises Clínicas, Provedores de Ensaio de Proficiência e um Consultor Técnico com experiência na área. Segundo ANVISA, a RDC no 302/2005 tem como objetivo: “Definir os requisitos para o funcionamento dos laboratórios clínicos e postos de coleta laboratorial públicos ou privados que realizam atividades na área de análises clínicas, patologia clínica e citologia”. Assim, nesse capítulo serão abordados aspectos importantes da referida norma. Organização do Laboratório Clínico e Posto de Coleta Laboratorial É necessário: » Possuir alvará atualizado, expedido pelo órgão sanitário competente. 31 REQUISITOS TÉCNICOS PARA LABORATÓRIOS CLÍNICOS │ UNIDADE II » Possuir profissional legalmente habilitado como responsável técnico e, caso este não possa comparecer, deve haver um profissional legalmente habilitado para substituí-lo. » O profissional pode assumir responsabilidade técnica por no máximo: dois laboratórios clínicos ou dois postos de coleta laboratorial ou um laboratório clínico e um posto de coleta laboratorial (de acordo com a vigilância sanitária). » Estar inscritos no Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES). » Dispor de instruções escritas e atualizadas das rotinas técnicas implantadas. Direção do Laboratório Clínico e Posto de Coleta Laboratorial No que diz respeito a esse quesito, é necessário planejar, implementar e garantir a qualidade dos processos relacionados com: » A equipe técnica e recursos para o desempenho de suas atribuições. » A proteção de dados dos pacientes. » Possuir profissional de nível superior legalmente habilitado para a supervisão do pessoal técnico por durante o período de funcionamento do estabelecimento. » Os equipamentos, reagentes, insumos e produtos utilizados para diagnóstico de uso in vitro. Tudo isso deve estar em conformidade com a legislação vigente. Além disso, deverá verificar recomendações dos fabricantes para o uso de equipamentos e reagentes. » Verificar a rastreabilidade de todos os seus processos. Organização do Posto de Coleta Laboratorial No que diz respeito a organização do Posto de Coleta Laboratorial, recomenda-se: » Possuir vínculo com apenas um laboratório clínico. » Os postos de coleta laboratorial localizados em unidades públicas de saúde devem ter seu vínculo definido formalmente pelo gestor local. 32 UNIDADE II │ REQUISITOS TÉCNICOS PARA LABORATÓRIOS CLÍNICOS Organização do Laboratório Clínico » Deve possuir estrutura organizacional documentada. » As atividades de coleta domiciliar, em empresa ou em unidade móvel, devem estar vinculadas a um laboratório clínico e devem seguir os requisitos aplicáveis definidos neste Regulamento Técnico. Recursos Humanos do Laboratório Clínico e Posto de Coleta Laboratorial É necessário: » Manter disponíveis registros de formação e qualificação de seus profissionais compatíveis com as funções desempenhadas. » Promover treinamento e educação permanente aos seus funcionários mantendo disponíveis os seus registros. » Todos os profissionais do laboratório clínico e do posto de coleta laboratorial devem ser vacinados em conformidade com a legislação vigente. » A admissão de funcionários deve ser precedida de exames médicos em conformidade com o PCMSO da NR-7, da Portaria MTE no 3.214, de 8/6/1978, e da Lei no 6.514, de 22/12/1977, suas atualizações ou outro instrumento legal que venha substituí-la. Infraestrutura Devem estar de acordo com a RDC/ANVISA no 50, de 21/2/2002. A infraestruturado laboratório de microbiologia é importante para a proteção dos funcionários e proteção das áreas externas ao laboratório. A área física deve ser planejada de acordo com os materiais clínicos que serão manipulados e o risco dos agentes manipulados. Classificam-se os laboratórios em quatro níveis de acordo com características específicas de infraestrutura e de condutas relacionadas aos micro-organismos. Essa classificação será abordada nos próximos capítulos. 33 REQUISITOS TÉCNICOS PARA LABORATÓRIOS CLÍNICOS │ UNIDADE II Equipamentos e Instrumentos do Laboratório Clínico e Posto de Coleta Laboratorial É necessário: » Estar regularizado junto a ANVISA/MS, de acordo com a legislação vigente, sejam eles nacionais ou importados. » Estar de acordo com a complexidade do serviço e necessários ao atendimento de sua demanda. Além disso, são necessárias instruções escritas, nas quais podem ser substituídas ou complementadas por manuais do fabricante em língua portuguesa. » Realizar e manter registros das manutenções preventivas e corretivas; calibrações dos instrumentos a intervalos regulares. Os equipamentos com temperatura controlada devem possuir registro de verificação da mesma. Produtos para diagnóstico de uso in vitro são definidos segundo a ANVISA: Reagentes, padrões, calibradores, controles, materiais, artigos e instrumentos, junto com as instruções para seu uso, que contribuem para realizar uma determinação qualitativa, quantitativa ou semi-quantitativa de uma amostra biológica e que não estejam destinados a cumprir função anatômica, física ou terapêutica alguma, que não sejam ingeridos, injetados ou inoculados em seres humanos e que são utilizados unicamente para provar informação sobre amostras obtidas do organismo humano. Produtos para diagnóstico de uso in vitro do Laboratório Clínico e Posto de Coleta Laboratorial » Registrar a aquisição dos produtos para diagnóstico de uso in vitro, reagentes e insumos, de forma a garantir a rastreabilidade, além disso, eles devem estar regularizados junto a ANVISA/MS, de acordo com a legislação vigente. » Identificar reagente ou insumo preparado ou aliquotado pelo próprio laboratório com nome, concentração, número do lote quando aplicável, data de preparação, identificação de quem preparou, quando aplicável, data de validade, condições de armazenamento, além de informações referentes a riscos potenciais. 34 UNIDADE II │ REQUISITOS TÉCNICOS PARA LABORATÓRIOS CLÍNICOS » Manter registros dos processos de preparo e do controle da qualidade dos reagentes e insumos preparados. » Respeitar as recomendações de uso do fabricante, condições de preservação, armazenamento e os prazos de validade, não sendo permitida a sua revalidação depois de expirada a validade. » Alguns laboratórios clínicos utilizam metodologias próprias, denominada In House (reagentes ou sistemas analíticos produzidos e validados pelo próprio laboratório clínico, exclusivamente para uso próprio, em pesquisa ou em apoio diagnóstico). Nesse caso, esses laboratórios devem documentá-las incluindo, no mínimo: a) descrição das etapas do processo; b) especificação e sistemática de aprovação de insumos, reagentes e equipamentos e instrumentos; c) sistemática de validação. » O laboratório clínico deve manter registro de todo o processo e especificar no laudo que o teste é preparado e validado pelo próprio laboratório. Descartes de resíduos e dejetos do Laboratório Clínico e Posto de Coleta Laboratorial » Implantar o Plano de Gerenciamento de Resíduos de Serviços de Saúde (PGRSS) atendendo aos requisitos da RDC/ANVISA no 306, de 7/12/2004, suas atualizações, ou outro instrumento legal que venha substituí-la. Os resíduos dos laboratórios são classificados em quatro grupos de A, B, C, D e E. Entretanto, os resíduos infectantes que podem ser gerados em laboratório de microbiologia são os do grupo A e E. Quadro 3. Resumo da classificação dos resíduos que podem ser gerados no laboratório de microbiologia segundo a RDC no 306/2004. Grupo Simbologia Característica Descrição (com foco na microbiologia) A Presença de possíveis agentes biológicos que podem apresentar risco de infecção. A1 – micro-organismos em culturas, instrumentais utilizados para transferência, inoculação ou mistura de culturas; produtos utilizados na atenção de pacientes; sobras de material biológico enviados ao laboratório para análise. A4 – sobras de amostras de laboratório (fezes, urina e secreções) de pacientes sem agentes classe de risco 4; peças anatômicas (órgãos e tecidos) e outros resíduos provenientes de procedimentos cirúrgicos ou de confirmação diagnóstica. A5 – órgãos, tecidos, fluidos orgânicos, materiais perfurocortantes ou escarificantes e demais materiais resultantes da atenção à saúde. 35 REQUISITOS TÉCNICOS PARA LABORATÓRIOS CLÍNICOS │ UNIDADE II Grupo Simbologia Característica Descrição (com foco na microbiologia) B Químicos que apresentam risco à saúde ou ao meio ambiente. Produtos classificados como corrosivos, tóxicos inflamáveis e reativos. C Rejeitos radioativos. Qualquer material resultante do uso de radionucleotídeos em quantidades superiores aos limites previstos pelo Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) para reutilização ou descarte comum. D Comum. Papel de sanitário, fraldas, absorventes higiênicos, resto de alimentos de pacientes, material utilizado na antissepsia; resíduos do administrativo; resíduos da área de construção. Neste grupo, estão localizados os materiais que podem ser reciclados (vidro, papel, metal e plástico). E Perfurocortantes. Lâminas de barbear, agulhas, lâminas de bisturi, ampolas de vidro, lancetas, vidros de laboratório quebrados, micropipetas, entre outros. Fonte: Adaptada de Recomendações da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial, 2015. RDC/ANVISA no 306, de 7/12/2004, faz ainda as seguintes orientações sobre a forma de tratamento desses resíduos. Grupo A1: Culturas e estoques de micro-organismos, resíduos de fabricação de produtos biológicos, exceto os hemoderivados; meios de cultura e instrumentais utilizados para transferência, inoculação ou mistura de culturas; resíduos de laboratórios de manipulação genética. Estes resíduos não podem deixar a unidade geradora sem tratamento prévio. (RDC no 306, de 7 de dezembro de 2004). Grupo E Os resíduos perfurocortantes contaminados com agente biológico Classe de Risco 4, micro-organismos com relevância epidemiológica e risco de disseminação ou causador de doença emergente que se torne epidemiologicamente importante ou cujo mecanismo de transmissão seja desconhecido, devem ser submetidos a tratamento, utilizando-se processo físico ou outros processos que vierem a ser validados para a obtenção de redução ou eliminação da carga microbiana, em equipamento compatível com Nível III de Inativação Microbiana (Apêndice IV). (RDC no 306, de 7 de dezembro de 2004). 36 UNIDADE II │ REQUISITOS TÉCNICOS PARA LABORATÓRIOS CLÍNICOS Dessa forma, fica claro que esses resíduos devem ter a carga microbiana reduzida, para isso, os resíduos gerados devem ser acomodados de maneira adequada para o posterior tratamento para a redução da carga microbiana. Num laboratório de Microbiologia, todos os resíduos gerados como culturas e estoques de micro-organismo, meios de cultura e instrumentais utilizados para transferência, inoculação ou mistura de culturas, amostras biológicas devem ser acondicionados de maneira compatível com o processo de tratamento a ser utilizado, que poderá ser um processo físico ou outro que venha a ser validado para obtenção de redução ou eliminação da carga microbiana. Os instrumentos de trabalho reutilizados deverãoser colocados em recipientes preferencialmente plásticos contendo solução desinfetante e permanecer o tempo estabelecido pelo fabricante para posterior autoclavagem, lavagem e reutilização. Biossegurança no Laboratório Clínico e Posto de Coleta Laboratorial É necessário: » Manter atualizados e disponibilizar, a todos os funcionários, instruções escritas de biossegurança, contemplando: a) normas e condutas de segurança biológica, química, física, ocupacional e ambiental; b) instruções de uso para os equipamentos de proteção individual (EPI) e de proteção coletiva (EPC); c) procedimentos em caso de acidentes; d) manuseio e transporte de material e amostra biológica. » O Responsável Técnico pelo laboratório clínico e pelo posto de coleta laboratorial deve documentar o nível de biossegurança dos ambientes e/ou áreas, baseado nos procedimentos realizados, equipamentos e micro-organismos envolvidos, adotando as medidas de segurança compatíveis. Limpeza, desinfecção e esterilização no laboratório clínico e o posto de coleta laboratorial É necessário: » Possuir instruções de limpeza, desinfecção e esterilização, quando aplicável, das superfícies, instalações, equipamentos, artigos e materiais. Os saneantes e os produtos usados nos processos de limpeza e desinfecção 37 REQUISITOS TÉCNICOS PARA LABORATÓRIOS CLÍNICOS │ UNIDADE II devem ser utilizados segundo as especificações do fabricante e estarem regularizados junto a ANVISA/MS, de acordo com a legislação vigente. A realização da limpeza e desinfecção das superfícies é fundamental para a redução da incidência de infecções. Para a escolha do procedimento de desinfecção das superfícies e preciso considerar: » Natureza do item a ser desinfetado. » Número de micro-organismos presentes. » Resistência do micro-organismo aos efeitos do germicida. » Quantidade de matéria orgânica presente. » Tipo e concentração do germicida usado. » Duração e temperatura do contato com o germicida. » As especificações e indicações de uso do produto pelo fabricante (ANVISA, 2013). Quadro 4. Eficiência dos agentes químicos frente aos tipos comuns de micro-organismos. Desinfetante Bactéria Gram (+) Bactéria Gram (-) Bacilo Tuberculose Esporo Vírus Fungo Sabão 0 0 0 0 0 0 Detergente 2 1 0 0 0 0 Quaternário de amônio 3 2 0 0 2 2 Cloro 3 3 0 0 2 2 Comp. Fenólicos 3 3 0 0 2 2 Hexaclorofeno 3 1 0 0 2 2 Álcoois 3 3 3 0 2 2 Glutaraldeído 3 3 3 2 3 3 Fonte: ANVISA (2013). Níveis: 3= Bom; 2=satisfatório; 1=insatisfatório; 0 = não ativo (Fonte: Segurança no Ambiente Hospitalar, Ministério da Saúde). Processos operacionais São denominados processos operacionais as diferentes etapas que ocorrem para a execução do exame laboratorial (fase pré-analítica, analítica e pós-analítica). 38 UNIDADE II │ REQUISITOS TÉCNICOS PARA LABORATÓRIOS CLÍNICOS Fase pré-analítica A fase pré-analítica é definida pela ANVISA como “Fase que se inicia com a solicitação da análise, passando pela obtenção da amostra e termina ao se iniciar a análise propriamente dita”. O laboratório clínico e o posto de coleta laboratorial devem informar ao paciente ou responsável de forma escrita e/ou verbal, orientações sobre o preparo e a coleta de amostras. Para o cadastro do paciente são necessárias as seguintes informações: a. número de registro de identificação do paciente gerado pelo laboratório; b. nome do paciente; c. idade, sexo e procedência do paciente; d. telefone e/ou endereço do paciente, quando aplicável; e. nome e contato do responsável em caso de menor de idade ou incapacitado; f. nome do solicitante; g. data e hora do atendimento; h. horário da coleta, quando aplicável; i. exames solicitados e tipo de amostra; j. quando necessário: informações adicionais, em conformidade com o exame (medicamento em uso, dados do ciclo menstrual, indicação/ observação clínica, dentre outros de relevância); k. data prevista para a entrega do laudo; l. indicação de urgência, quando aplicável. Além disso, o paciente deve apresentar um documento que comprove a sua identificação para o cadastro. Em caso de atendimento de urgência ou submetidos a regime de internação, a comprovação dos dados de identificação também poderá ser obtida no prontuário médico. Após o atendimento, o paciente ou responsável deve receber do laboratório clínico ou posto de coleta laboratorial um comprovante de atendimento com: número de registro, nome do paciente, data do atendimento, data prevista de entrega do laudo, relação de exames solicitados e dados para contato com o laboratório. 39 REQUISITOS TÉCNICOS PARA LABORATÓRIOS CLÍNICOS │ UNIDADE II As amostras devem ser devidamente identificadas no momento da coleta, identificando o nome do funcionário que recebeu a amostra ou efetuou a coleta, sendo assim a rastreabilidade da amostra. O laboratório clínico e o posto de coleta laboratorial devem dispor de instruções escritas que orientem o recebimento, a coleta e a identificação de amostra. Também devem possuir instruções escritas para o transporte da amostra de paciente, estabelecendo prazo, condições de temperatura e padrão técnico para garantir a sua integridade e estabilidade. Para o transporte, a amostras deve estar em recipiente isotérmico, quando requerido, higienizável, impermeável, garantindo a sua estabilidade desde a coleta até a realização do exame, identificado com a simbologia de risco biológico, com os dizeres “Espécimes para Diagnóstico” e com nome do laboratório responsável pelo envio. O transporte da amostra de paciente, em áreas comuns a outros serviços ou de circulação de pessoas, deve ser feito em condições de segurança conforme descrito no item sobre biossegurança. Se houver terceirização do transporte da amostra, deve existir contrato formal obedecendo aos critérios estabelecidos em regulamento. A importação ou exportação de “Espécimes para Diagnóstico”, devem ser seguidas a RDC/ANVISA no 1, de 6 de dezembro de 2002, e a Portaria MS no 1.985, de 25 de outubro de 2001, suas atualizações ou outro instrumento legal que venha substituí-las. Principais falhas da fase pré-analítica Figura 9. Principais falhas que ocorrem na fase pré-analítica na fase de prescrição. Fonte: <http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/1067279-so-metade-dos-laboratorios-tem-controle-de-qualidade. shtml>. Acesso em: maio de 2015. 40 UNIDADE II │ REQUISITOS TÉCNICOS PARA LABORATÓRIOS CLÍNICOS Figura 10. Principais falhas que ocorrem na fase pré-analítica na fase de coleta de amostra. Fonte: <http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/1067279-so-metade-dos-laboratorios-tem-controle-de-qualidade. shtml>. Acesso em: maio de 2015. Fase analítica É definido pela ANVISA como “Conjunto de operações, com descrição específica, utilizada na realização das análises de acordo com determinado método”. Compete ao laboratório clínico e o posto de coleta laboratorial: » Possuir instruções escritas, disponíveis e atualizadas para todos os processos analíticos, podendo ser utilizadas as instruções do fabricante. » Disponibilizar por escrito, uma relação que identifique os exames realizados no local, em outras unidades do próprio laboratório e os que são terceirizados. » Definir mecanismos que possibilitem agilizar a liberação dos resultados em situações de urgência. » Definir limites de risco, valores críticos ou de alerta, para os analitos com resultado dos quais necessitem tomada imediata de decisão. » Definir o fluxo de comunicação ao médico, responsável ou paciente quando houver necessidade de decisão imediata. » Monitorar a fase analítica por meio de controle interno e externo da qualidade. 41 REQUISITOS TÉCNICOS PARA LABORATÓRIOS CLÍNICOS │UNIDADE II » Definir o grau de pureza da água reagente utilizada nas suas análises, a forma de obtenção, o controle da qualidade. » O laboratório clínico pode contar com laboratórios de apoio para realização de exames. O laboratório clínico deve: » Manter um cadastro atualizado dos laboratórios de apoio. » Possuir contrato formal de prestação destes serviços. » Avaliar a qualidade dos serviços prestados pelo laboratório de apoio. » O laudo emitido pelo laboratório de apoio deve estar disponível e arquivado pelo prazo de 5 anos. Principais falhas da fase analítica Figura 11. Principais falhas que ocorrem na fase analítica. Fonte: <http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/1067279-so-metade-dos-laboratorios-tem-controle-de-qualidade. shtml>. Acesso em: maio de 2015. Fase pós-analítica A fase pós-analítica é definida pela ANVISA como “fase que se inicia após a obtenção de resultados válidos das análises e finda com a emissão do laudo, para a interpretação pelo solicitante”. As cópias dos laudos de análise, bem como dados brutos devem ser 42 UNIDADE II │ REQUISITOS TÉCNICOS PARA LABORATÓRIOS CLÍNICOS arquivados pelo prazo de 5 anos, facilmente recuperáveis e de forma a garantir a sua rastreabilidade. Retificações em laudo já emitido devem ser feitas em um novo laudo em que fica clara a retificação realizada. Figura 12. Principais falhas que ocorrem na fase pós-analítica. Fonte: <http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/1067279-so-metade-dos-laboratorios-tem-controle-de-qualidade. shtml>. Acesso em: maio de 2015. Registros O laboratório clínico e o posto de coleta laboratorial devem garantir a recuperação e disponibilidade de seus registros, de modo a permitir a rastreabilidade do laudo liberado. Se houver alterações nos registros, elas devem conter data, nome ou assinatura legível do responsável pela alteração, preservando o dado original. Garantia da qualidade A confiabilidade dos serviços laboratoriais prestados deve ser assegurada pelo laboratório clínico. Assim, o laboratório deve garantir que os resultados produzidos reflitam de forma fidedigna a situação do paciente e possibilitem a determinação e a realização correta do diagnóstico e tratamento. A garantia de qualidade tem função determinante nesse aspecto e pode ser definida como “Conjunto de atividades planejadas, sistematizadas e implementadas com o objetivo de cumprir os requisitos da qualidade especificados”. Portanto, a garantia da qualidade engloba todo o controle da qualidade realizado. 43 REQUISITOS TÉCNICOS PARA LABORATÓRIOS CLÍNICOS │ UNIDADE II Segundo a ANVISA, laboratório clínico deve assegurar a confiabilidade dos serviços laboratoriais prestados, no mínimo, pelo controle interno da qualidade e controle externo da qualidade (ensaios de proficiência). Controle da qualidade O controle de qualidade é definido como “Técnicas e atividades operacionais utilizadas para monitorar o cumprimento dos requisitos da qualidade especificados”. Tanto para o programa de Controle Interno da Qualidade (CIQ) como para o programa de Controle Externo da Qualidade (CEQ), devem ser documentados, contendo: os analitos, tipo de controle e frequência em que é utilizado, interpretação e resultados para os controles. O Controle Interno da Qualidade define-se como “Procedimentos conduzidos em associação com o exame de amostras de pacientes para avaliar se o sistema analítico está operando dentro dos limites de tolerância pré-definidos”. E tem a função de monitorar o processo analítico pela análise dos controles. A realização do Controle Interno da Qualidade contempla: a. Monitoramento do processo analítico pela análise das amostras-controle, com registro dos resultados obtidos e análise dos dados. b. Definição dos critérios de aceitação dos resultados por tipo de analito e de acordo com a metodologia utilizada. c. Liberação ou rejeição das análises após avaliação dos resultados das amostras-controle. As amostras-controle utilizadas devem ser regularizadas junto a ANVISA/MS de acordo com a legislação vigente ou formas alternativas descritas na literatura. Registrar ações adotadas decorrentes de rejeições de resultados de amostras-controle. Além disso, as amostras-controle devem ser analisadas da mesma forma que amostras dos pacientes. O Controle Externo da Qualidade é definido como “Atividade de avaliação do desempenho de sistemas analíticos através de ensaios de proficiência, análise de padrões certificados e comparações interlaboratoriais. Também chamada Avaliação Externa da Qualidade”. Para esse controle o laboratório clínico deve: a. Participar de ensaios de proficiência para todos os exames realizados na sua rotina. Exames não contemplados por programas de ensaios de proficiência, o laboratório clínico deve adotar formas alternativas de Controle Externo da Qualidade descritas em literatura científica. 44 UNIDADE II │ REQUISITOS TÉCNICOS PARA LABORATÓRIOS CLÍNICOS b. A participação em ensaios de proficiência deve ser individual para cada unidade do laboratório clínico que realiza as análises. c. O laboratório clínico deve registrar os resultados do Controle Externo da Qualidade, inadequações, investigação de causas e ações tomadas para os resultados rejeitados ou nos quais a proficiência não foi obtida. E as amostras-controle devem ser analisadas da mesma forma que as amostras dos pacientes. 45 CAPÍTULO 2 Requisitos básicos para laboratório de microbiologia Os requisitos básicos para o bom funcionamento de um laboratório de microbiologia são normas que permitem a qualidade dos ensaios microbiológicos. Primeiramente, é necessário delimitar quais tipos de ensaio serão realizados em determinado laboratório. No laboratório de microbiologia, podem ser realizados os seguintes teses: teste de esterilidade, detecção, isolamento, enumeração e identificação de micro-organismos, pesquisa de antígenos, toxinas e endotoxinas, ensaios de sensibilidade a antimicrobianos, antifúngicos ou quimioterápicos, testes moleculares e ensaios com agentes geneticamente modificados. Definido esses paramentos, a ANVISA recomenda por meio da RDC no 302, de 13 de outubro de 2005, os requisitos descritos a seguir. A elaboração de normas para a coleta, conservação e transporte do material clínico Para a obtenção de resultados adequados e confiáveis no laboratório de microbiologia vários fatores devem ser considerados, iniciando-se pela qualidade da amostra. A amostra coletada deve ser representativa da hipótese do processo infeccioso e o local deve ser selecionado adequadamente para evitar contaminações. Para evitar o desenvolvimento de microbiota contaminante a coleta, transporte e armazenamento devem ser adequados com isso evita-se isolamento de um “falso” agente etiológico. Outra etapa crítica da coleta é a identificação do material, essa deve conter: nome e registro do paciente, leito ou ambulatório e especialidade, material colhido, data, hora e quem realizou a coleta. As seguintes recomendações sobre a realização da coleta são feitas: » Coletar, sempre que possível, a amostra antes que o paciente faça uso de antibióticos. » Se o paciente estiver em terapia antimicrobiana, coletar sangue ou urina imediatamente antes da próxima dose do antimicrobiano. » Instruir claramente o paciente sobre o procedimento. 46 UNIDADE II │ REQUISITOS TÉCNICOS PARA LABORATÓRIOS CLÍNICOS » Realizar antissepsia na coleta de todos os materiais clínicos. » A coleta deve ser realizada no local em que o micro-organismo suspeito tenha maior probabilidade de ser isolado, nunca coletar tecidos necróticos ou materiais purulentos acumulados na lesão. » Considerar o estágio da doença na escolha do material. » Coletar quantidadesuficiente de material, sendo assim possível uma completa análise microbiológica. Caso a quantidade seja pequena, priorizar os exames de maior relevância. » O pedido do exame e o frasco contendo material devem ser devidamente identificados. Seguem a seguir modelos de identificação das amostras e dos pacientes recomendados pela agência nacional de vigilância sanitária. Figura 13. Descrição da amostra. Hemocultura □ Sangue periférico □ Sangue colhido de cateter Urocultura □ Jato médio □ Sonda de alívio □ Sonda vesical de demora □ Punção supra púbica □ Saco coletor Trato respiratório □ Orofaringe □ Escarro □ Aspirado traqueal □ Lavado bronco-alveolar □ Escovado brônquico □ Outros Lesões, secreções, abcessos Descrever topografia Nível de coleta □ Superficial □ Profunda Via de obtenção do material □ Punção □ Swab □ Raspado □ Fragmentos □ Drenagem □ Fístula □ Outros Líquidos cavitários □ Líquor □ Líquido pleural □ Pericárdio □ Sinovial □ Ascitico Prótese □ Local Pontas de Catéter Vascular Tipo de Catéter Catéter de diálise Outros Justificativa para envio de exame microbiológico: Fonte: ANVISA (2013). 47 REQUISITOS TÉCNICOS PARA LABORATÓRIOS CLÍNICOS │ UNIDADE II Figura 14. Informações do paciente relevantes ao diagnóstico infeccioso. Hipótese diagnóstica Dados clínicos (escrever detalhadamente os achados clínicos mais significativos). Dados epidemiológicos relevantes (viagem ou excursão, se vive em área endêmica de alguma doença infecciosa, contato com animais, acidente, trauma, mordida. Outros dados Laboratoriais importantes (raio-X, hemograma etc.). Provável origem do processo infeccioso □ Comunitário □ Hospitalar Relacionado com procedimento invasivo, qual? Cirurgia? Qual? Existe infecção em outra topografia? Qual? Fez uso de antibiótico nos últimos 10 dias? Qual Existe comprometimento imunológico? □ Sim □ Não (Prematuridade, transplante de órgãos, uso de imunossupressores, diabetes, câncer, AIDS, leucemia falciforme etc.). O paciente é transferido ou de alta de outro hospital nos últimos 30 dias. □ Sim □ Não É portador, colonizado ou infectado por bactérias multirresistentes? □ Sim □ Não Para urocultura informar □ Sintomático □ Assintomático Data do pedido: Nome legível do médico, CRM e telefone de contato: Data: Hora da coleta: Nome e identificação de quem colheu o material: Comentários, quando necessário, do procedimento de coleta (por exemplo, acidentes ou dificuldades de obter o material). Fonte: ANVISA, 2013. Figura 15. Identificação clara do paciente Nome completo Registro no (do hospital ou serviço): Data de nascimento: Sexo (identificação de bacteriúria pode ser diferente para mulheres) □ Masculino □ Feminino □ Clínica □ Leito □ Ambulatório Campo para identificação do exame no laboratório (número da análise microbiológica e sessão do laboratório Fonte: ANVISA (2013). Sobre o transporte de amostras biológicas, deve-se considerar: » A disponibilidade dos meios de transporte. » As amostras devem ser transportadas imediatamente ao laboratório para assegurar a sobrevivência e o isolamento do micro-organismo, pois o laboratório de microbiologia trabalha basicamente em função da viabilidade dos micro-organismos e também para evitar o contato prolongado dos micro-organismos com anestésicos ou anticoagulantes utilizados durante a coleta, pois eles poderão exercer atividade bactericida. Durante a coleta e realização dos ensaios, o profissional deve usar equipamentos de proteção individual (EPI) adequados e ter conhecimento dos procedimentos em caso 48 UNIDADE II │ REQUISITOS TÉCNICOS PARA LABORATÓRIOS CLÍNICOS de acidente, para assim evitar a exposição do material biológico e à contaminação do ambiente. Além disso, deve-se ter cuidado durante o transporte usando frascos e meios de transporte apropriados. Os frascos devem estar devidamente vedados e deverão estar acondicionados em sacos plásticos fechados. Não é permitido manusear a amostra em trânsito, do local de coleta ao laboratório, e o transporte de amostras em seringas com agulha deve ser evitado. A identificação dos agentes infecciosos (gênero e espécie, se necessário) por meio de técnicas microbiológicas adequadas Para a identificação correta dos agentes infecciosos, existem diferentes tipos de colorações para exames diretos do material biológico, meios seletivos para favorecer seu isolamento e crescimento, além de outros ensaios bioquímicos para sua perfeita identificação. Peculiaridades quanto ao tipo de material clínico (sangue, escarro, biópsias e secreções e outros) e micro-organismos suspeito devem ser respeitadas. Realização de testes de sensibilidade às drogas antimicrobianas Os testes de sensibilidade são de grande importância na epidemiologia, bem como na orientação do médico para a prescrição do tratamento. Controle de qualidade de todas as atividades realizadas O controle de qualidade deve estar presente em todos os processos no laboratório de Microbiologia. Dentro do programa de controle de qualidade em microbiologia, deve-se incluir itens específicos, o senso comum, o bom julgamento e uma constante atenção aos detalhes. Além disso, deve-se delinear as diversas etapas que devem ser seguidas para o controle diário e vigilância de todas as facetas do programa. É necessário elaborar um manual detalhando as práticas tais como procedimentos para monitorar o funcionamento dos equipamentos, o controle da reatividade dos meios e reagentes, os prazos de validade, os resultados de todos os testes etc. Deve haver formulários para a coleta de dados possibilitando a detecção de anormalidade. Todos os registros de controle devem ser revisados e todas as incidências fora do controle e as respectivas ações corretivas registradas. 49 REQUISITOS TÉCNICOS PARA LABORATÓRIOS CLÍNICOS │ UNIDADE II Também é necessária a existência de uma lista de inspeção para realizar avaliações pontuais dos controles de qualidade, sendo um requerimento para credenciamento de laboratórios e/ou auditoria e fiscalização sanitária. Para garantir a qualidade no laboratório, recomenda-se a elaboração de Procedimento Operacional Padrão (POPs). Esses são protocolos que descrevem detalhadamente cada atividade realizada no laboratório, desde a coleta até a emissão do resultado final. Os POPs incluem a utilização de equipamentos, procedimentos técnicos e inclusive cuidados de biossegurança e condutas a serem adotadas em acidentes. Esses documentos são para padronizar todas as ações para que qualquer profissional possa compreender e executar, da mesma maneira, uma determinada tarefa, garantindo assim qualidade. Esses protocolos devem estar escritos de forma clara e completa, possibilitando a compreensão e adesão de todos. Também devem estar disponíveis em local de acesso e conhecido de todos os profissionais, revisados e atualizados periodicamente e devem ser assinados pelo responsável do laboratório. Treinamento quanto às normas de biossegurança Biossegurança pode ser definida como o conjunto de ações para a prevenção, minimização ou eliminação de riscos inerentes a atividades do laboratório e que podem comprometer a saúde do homem, dos animais, do meio ambiente ou a qualidade dos trabalhos desenvolvidos. Na rotina do Laboratório de Microbiologia, existem riscos relacionados à exposição, ao material clínico, a reagentes químicos e a agentes patogênicos. Dessa forma, os profissionais da área de saúde e trabalhadores que exercem suas atividades em laboratórios estão sob risco de desenvolver doença por exposição a agentes infecciosos, produtos químicos tóxicos e inflamáveis, entre outros. É necessária a adoção e prática de normas de segurança e uso de equipamentos afins são consideradosimprescindíveis. A responsabilidade legal pela segurança em ambientes de trabalho cabe aos administradores de hospitais e laboratórios. No entanto, os funcionários também são responsáveis pela sua adesão às técnicas e normas de biossegurança. Essas diretrizes devem estar contidas no “Manual de Segurança de Laboratório” o qual um encarregado ou uma comissão de segurança realizaram a redação, publicação e implementação das normas e instruções de segurança. Nesses regulamentos de segurança, estão descritas medidas de proteção pessoal, manuseio de equipamentos, amostras e materiais e outras precauções. Os funcionários devem ser informados destas normas e instruções e treinados regularmente. Cabe também ao encarregado/comissão de segurança, 50 UNIDADE II │ REQUISITOS TÉCNICOS PARA LABORATÓRIOS CLÍNICOS juntamente com os administradores/supervisores dos hospitais e laboratórios, ajustar e corrigir falhas ou irregularidades de conduta. Participação na comissão de controle de infecção hospitalar para auxiliar no rastreamento dos surtos de infecções hospitalares e fornecimento de dados epidemiológicos (etiologia de infecções e susceptibilidade a drogas) O problema mundial da resistência microbiana gera morbidade e mortalidade dos pacientes, aumento do tempo e custos durante a internação. O uso indiscriminado e incorreto dos antimicrobianos é um importante fator de risco para o aparecimento e a disseminação da resistência microbiana. Com isso, o papel do Laboratório de Microbiologia é, além de identificar o agente infeccioso, monitorar as populações microbianas e sua sensibilidade a antimicrobianos para direcionar tratamento adequado. Infraestrutura Entre os requisitos que um Laboratório de Microbiologia deve ter, a infraestrutura é de suma importância, sendo dividida em recursos materiais e recursos humanos. Recursos materiais Os equipamentos mínimos para funcionamento de um laboratório de microbiologia consistem de: » Estufa bacteriológica, forno de Pasteur, autoclave, microscópio binocular, centrifugador de baixa rotação, homogeneizador, banho-maria, destilador para água, balança comum com uma ou duas casas decimais, bico de Bunsen, geladeira, capela de fluxo laminar. Também são recomendados: » Microscópio estereoscópico, congelador (-20oC ou -70oC), bomba de vácuo para filtração com membranas, potenciômetro, balança analítica. Recursos humanos É recomendável que a supervisão técnico-científica do laboratório seja de nível superior especializado em microbiologia, e, se possível, em tempo integral. Os procedimentos devem ser conferidos por esse responsável o qual deverá verificar os 51 REQUISITOS TÉCNICOS PARA LABORATÓRIOS CLÍNICOS │ UNIDADE II parâmetros de qualidade (exatidão, reprodutibilidade e concordância com os padrões de controle de qualidade). Os funcionários devem receber treinamento regularmente, além disso, devem participar de cursos, seminários para estarem atualizados. 52 UNIDADE III CLASSIFICAÇÃO DOS LABORATÓRIOS SEGUNDO O NÍVEL DE BIOSSEGURANÇA CAPÍTULO 1 Nível 1, 2, 3 e 4 de biossegurança ou proteção básica O conhecimento sobre biossegurança deve estar associado aos interesses daqueles que lidam com os serviços de saúde. Profissionais da saúde, durante a jornada de trabalho, estão expostos a riscos invisíveis e, por vezes, desconhecidos, os quais podem carregar para outros ambientes (ANVISA, 2005). Os laboratórios de microbiologia são ambientes que podem expor seus trabalhadores a doenças infecciosas. São descritos muitos casos de infecções contraídas em um laboratório durante toda a história e inúmeros casos foram atribuídos à falta de cuidados ou a uma técnica de manuseio inadequada de materiais infecciosos. Se denomina biossegurança as norma e medidas destinadas a prevenir riscos inerentes às atividades dos laboratórios (assistência, ensino, pesquisa e desenvolvimento tecnológico), as quais possam comprometer a saúde dos profissionais e o meio ambiente. Na rotina de trabalho, os funcionários devem obedecer às Boas Técnicas Microbiológicas e as Normas de Biossegurança. Além disso, uma pessoa ou Comissão de Biossegurança deve ser responsável por: » Implementar as normas preconizadas em Biossegurança, a fim de prevenir riscos para funcionários, alunos, pacientes e meio ambiente. » Padronizar e normatizar procedimentos que regulamentem as normas de segurança. » Identificar e classificar áreas de risco. 53 CLASSIFICAÇÃO DOS LABORATÓRIOS SEGUNDO O NÍVEL DE BIOSSEGURANÇA │ UNIDADE III » Estabelecer programas de treinamento para prevenção de acidentes e monitorar acidentes de trabalho. A partir dos anos 1980, surgiram os primeiros códigos de prática, padrões, diretrizes ou outras publicações com descrições detalhadas das técnicas, do equipamento e de outras considerações ou recomendações das atividades laboratoriais conduzidas com agentes infecciosos exóticos e nativos. O guia “Classificação dos Agentes Etiológicos Baseando-se no Grau de Risco” (CENTERS FOR DISEASE CONTROL, 1974) serviu como uma referência geral para várias atividades laboratoriais que utilizam agentes infecciosos. Nesse guia, surgiu o conceito sobre a classificação dos agentes infecciosos e das atividades laboratoriais em quatro níveis ou classes. No Brasil, a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNbio) é o órgão responsável pelo estabelecimento de normas, pela análise de risco, pelo acompanhamento, pela emissão de Certificados de Qualidade em Biossegurança (CQB) para o desenvolvimento de atividades em laboratório nessa área, pela definição do nível de biossegurança e classificação dos Organismos Geneticamente Modificados (OGM), além de emitir parecer técnico prévio conclusivo sobre a biossegurança desses organismos e seus derivados nas atividades de pesquisa e uso comercial. Cada tipo de micro-organismo exige características físicas estruturais e de contenção de um laboratório para poder ser manipulado em suas dependências. Dessa forma, os laboratórios são classificados de acordo com seu nível de segurança ou proteção básica em: Nível 1, 2, 3 e 4 de biossegurança (NB-1, NB-2, NB-3, NB-4 ) ou proteção básica (p1, p2, p3 e p4). Os níveis são classificados em ordem crescente de acordo com o grau de proteção proporcionado ao pessoal do laboratório, ao meio ambiente e à comunidade. Nível 1 de biossegurança (NB-1) ou proteção básica (p1) Esse nível de laboratório possui as práticas, os equipamentos de segurança e o projeto das instalações para fins educacionais (treinamento educacional secundário ou para o treinamento de técnicos e de professores de técnicas laboratoriais). É adequado para o trabalho que envolva agentes bem caracterizados que não causem riscos para o pessoal do laboratório e para o meio ambiente. O laboratório, neste caso, não está separado das demais dependências do edifício. O trabalho é conduzido, em geral, em bancada, não sendo exigidos equipamentos de contenção específicos. O pessoal de laboratório deverá ter treinamento específico nos procedimentos realizados no laboratório e deverão ser supervisionados por um profissional com treinamento em microbiologia ou ciência correlata. 54 UNIDADE III │ CLASSIFICAÇÃO DOS LABORATÓRIOS SEGUNDO O NÍVEL DE BIOSSEGURANÇA Nível 2 de biossegurança (NB-2) ou (p2) Esse nível de laboratório possui as práticas, os equipamentos, a planta e a construção das instalações aplicáveis aos laboratórios clínicos, de diagnóstico, laboratórios escolas e outros laboratórios onde o trabalho é realizado com agentes de risco moderado presentes na comunidade e que estejam associados a uma patologia humana de gravidade variável. Esse nível de biossegurança é adequado para trabalho que envolva material clínico (sangue humano, líquidos corporais,tecidos ou linhas de células humanas primárias) em que a presença de um agente infeccioso pode ser desconhecido. O NB-2 se difere do NB-1 nos seguintes aspectos: 1. O pessoal de laboratório deverá passar por treinamento específico no manejo de agentes patogênicos e serão supervisionados por profissional competentes. 2. O acesso ao laboratório deve ser limitado durante os procedimentos operacionais; precauções extremas serão tomadas em relação a objetos cortantes infectados. 3. O uso das cabines de segurança biológica ou outros equipamentos de contenção física é necessário para procedimentos nos quais exista a possibilidade de formação de aerossóis e borrifos infecciosos. Nível 3 de biossegurança (NB-3) ou (p3) O nível 3 de biossegurança é aplicável para laboratórios clínicos, de diagnóstico, ensino e pesquisa ou de produção em que o trabalho com agentes exóticos possa causar doenças sérias ou fatais adquiridos por inalação. A equipe laboratorial deve possuir treinamento específico no manejo de agentes patogênicos e potencialmente letais devendo ser supervisionados por profissional competente que possuam vasta experiência com estes agentes. Para todos os procedimentos que envolvam a manipulação de material infeccioso, é necessário o uso de cabines de segurança biológica ou outro sistema de contenção física. O laboratório deverá possuir instalações compatíveis para o NB-3. Quando não existirem as condições específicas para o NB-3, particularmente em instalações laboratoriais sem área de acesso específica, com ambientes selados ou fluxo de ar unidirecional, as atividades de rotina e operações repetitivas podem ser realizadas em laboratório com instalações NB-2, desde que acrescidas das práticas recomendadas para NB-3 e do uso de equipamentos de contenção para NB-3. A decisão de implementar 55 CLASSIFICAÇÃO DOS LABORATÓRIOS SEGUNDO O NÍVEL DE BIOSSEGURANÇA │ UNIDADE III essas modificações das recomendações do nível de biossegurança 3 deve ser tomada pelo diretor do laboratório. Nível 4 de biossegurança (NB-4) ou (p4) As práticas, os equipamentos de segurança, o planejamento e a construção das dependências são aplicáveis para laboratórios clínicos, de diagnósticos, laboratório escola, de pesquisa ou de produção. Nestes locais, realiza-se o trabalho com agentes nativos ou exóticos que possuam um potencial de transmissão via respiratória e que podem causar infecções sérias e potencialmente fatais. O Mycobacterium tuberculosis e a Coxiella burnetii são exemplos de micro-organismos determinados para este nível. Os riscos primários causados aos trabalhadores que lidam com estes agentes incluem a autoinoculação, a ingestão e a exposição aos aerossóis infecciosos. São poucos laboratórios no mundo que possuem instalações compatíveis com nível 4 de biossegurança. Figura 16. Laboratórios de Nível 4 de biossegurança pelo mundo. Fonte: <http://synapse.koreamed.org/>. Acesso em: maio de 2015. Instalações laboratoriais NB-1 As instalações laboratoriais devem ser de fácil limpeza e descontaminação. As superfícies das bancadas impermeável e resistente a ácidos, álcalis, solventes e calor. Deve haver 56 UNIDADE III │ CLASSIFICAÇÃO DOS LABORATÓRIOS SEGUNDO O NÍVEL DE BIOSSEGURANÇA espaços entre bancadas e equipamentos que permita a limpeza. Deve haver pia para lavagem das mãos. NB-2 Deve possuir os mesmos tipos de instalação da NB-1 acrescida de autoclave para descontaminação. NB-3 Deve possuir os mesmos tipos de instalação da NB-2 acrescido de separação de áreas de trânsito, sistema de dupla porta, superfícies internas, pisos e tetos resistentes à água. Portas com fechamento automático, sistema de ar independente, ventilação unidirecional, sem recirculação de ar e filtrado com filtro HEPA para eliminação do ar, linhas de vácuo protegidas por sifão contendo desinfetante e filtro HEPA ou semelhantes. NB-4 Deve possuir os mesmos tipos de instalação da NB-3 acrescido de câmara de entrada e saída de pessoal separada por chuveiro, sistema de autoclave de dupla porta, câmara de fumigação, paredes, tetos e pisos construídos com sistema de vedação interna; sistema coletor de descontaminação de líquidos; o ar deve ser insuflado por meio de filtros HEPA e eliminado para o exterior pelos de dutos de exaustão. Permissão de acesso aos laboratórios de diferentes níveis biológicos » Para NB-1, o acesso deve ser limitado ou restrito de acordo com a definição do chefe de laboratório, quando estiver sendo realizado experimento ou trabalhos com amostras e culturas. Nos laboratórios NB-2 e NB-3, o chefe de laboratório tem a responsabilidade de limitar o acesso; cabe ao mesmo avaliar cada situação e autorizar quem poderá entrar ou trabalhar no laboratório. » Para os níveis NB-2 e NB-3, as portas devem ser mantidas fechadas e adequadamente identificadas: o símbolo de “Risco Biológico” deverá ser colocado na entrada do laboratório em que agentes etiológicos estiverem sendo utilizados. Este sinal de alerta deverá conter informações como o(s) nome(s) o(s) agente(s) manipulado(s), o nível de biossegurança, as 57 CLASSIFICAÇÃO DOS LABORATÓRIOS SEGUNDO O NÍVEL DE BIOSSEGURANÇA │ UNIDADE III imunizações necessárias, o nome e número do telefone do pesquisador, o tipo de equipamento de proteção individual que deverá ser usado no laboratório e os procedimentos necessários para entrar e sair do laboratório. » Nos laboratórios NB-3, nenhum indivíduo deve trabalhar sozinho; no mínimo duas pessoas devem estar nas instalações do laboratório. » Pessoas sujeitas à contaminação ou que possam ter sérias consequências caso sejam contaminadas, não devem ser permitidas dentro dos laboratórios NB-2 e NB-3 ou na sala de animais. » Não é autorizada a entrada de menores de idade dentro do laboratório e também não são autorizados plantas e animais que não estejam relacionados ao trabalho em execução no laboratório. Equipamentos e acessórios laboratoriais É de responsabilidade do chefe de laboratório assegurar que os equipamentos e acessórios apropriados estejam disponíveis e o treinamento para sua adequada utilização. Os equipamentos devem ser: » Projetado para evitar ou limitar o contato do operador e o material infectante. » Desenvolvido com materiais impermeáveis a líquidos, resistentes à corrosão e que atendem aos requerimentos estruturais. » Projetado e instalado para facilitar a operação, manutenção, limpeza e descontaminação (vidraria e outros produtos quebráveis devem ser evitados sempre que possível). » Especificações devem ser consultadas para se certificar que o equipamento e/ou acessório possui os dispositivos de segurança. São equipamentos de segurança: Pipetas automáticas, bulbos de borracha ou outros disponíveis (é impróprio e arriscado pipetar com a boca). Cabines de segurança biológica para os laboratórios NB-2 e NB-3. Alças de plástico descartáveis. Tubos e frascos com rosca. Autoclaves (é importante lembrar que autoclaves e cabines de segurança biológica devem ser certificadas, caibradas regularmente a calibração dever ser efetuada regularmente de acordo com as instruções do fabricante). 58 UNIDADE III │ CLASSIFICAÇÃO DOS LABORATÓRIOS SEGUNDO O NÍVEL DE BIOSSEGURANÇA Figura 17. Profissionais trabalhando em laboratório NB-4. Fonte: <http://www.climvib.eu/the-laboratory/bsl-4/>. Acesso em: maio de 2015. Quadro 5. Recomendações de Biossegurança. NB Agentes Práticas Barreiras de Contenção Equipamentos de segurança Instalações 1 Pouca probabilidade de causar doenças em adultos sadios. Boas Práticas Microbiológicas (BPLs). Equipamento de Proteção Individual (EPI) avental e luvas. Bancada aberta e pia para a lavagem das mãos. 2 Agentes associados a doenças de risco individualmoderado e limitado para comunidade. Vias de transmissão: lesão cutânea, ingestão, exposição de mucosa. NB-1 acrescido de: Acesso limitado, Sinalização de risco, manual de biossegurança definindo políticas de vigilância médica e necessidade de descontaminação dos resíduos. Barreiras primárias: cabine de segurança classe I ou II, usada para manipulação de todos materiais que possam formar aerossol ou que haja risco de respingo. EPI: avental, luvas e protetor facial, quando necessário. NB-1 acrescido de autoclave disponível. 3 Agentes que provocam infecções graves ou potencialmente letais. Risco individual alto e limitado para comunidade. Transmissão potencial por formação de aerossóis. NB-2 acrescido de: acesso controlado, descontaminação de todo resíduo, descontaminação do avental antes da lavagem, banco de soro de funcionários na admissão. Barreiras primárias: cabine de segurança classe I ou II, usada para manipulação de todos os materiais. EPI: avental, luvas, máscaras quando necessário. NB-2 acrescido de: separação física de corredor de acesso. Porta com fechamento automático, dupla porta de acesso. Ar não recirculado. Pressão negativa no laboratório. 4 Agentes com alto risco de causar doença letal. Risco individual e para comunidade elevado. Ocorrências de infecções causadas por transmissão por aerossóis ou risco de transmissão desconhecido. NB-3 acrescido de: trocar de roupa antes de entrar no laboratório; tomar banho na saída; todo material deve ser descontaminado antes de sair do laboratório. Barreiras primárias: manipulações conduzidas em cabine de Segurança Classe II B ou Classe III. NB-3 acrescido de: construção separada ou área isolada. Sistema de exaustão. Fornecimento de ar e vácuo. Descontaminação. Fonte: ANVISA (2013). Saúde ocupacional O administrador e/ou diretor, juntamente com o chefe de laboratório, é responsável em assegurar a implementação de um programa de controle médico de saúde ocupacional. 59 CLASSIFICAÇÃO DOS LABORATÓRIOS SEGUNDO O NÍVEL DE BIOSSEGURANÇA │ UNIDADE III No quadro 6, estão descritas as ações que devem ser tomadas para cada nível de risco biológico. Quadro 6. Ações que devem ser tomadas em relação a saúde ocupacional em cada nível biológico. NB Ações NB-1 O trabalhador deve fazer exames médicos e seu histórico médico deve ser registrado. Doenças ou acidentes laboratoriais devem ser registrados e todos os trabalhadores devem ser informados e conscientizados da importância das boas práticas no laboratório de microbiologia. NB-2 Avaliação médica antes da contratação do trabalhador é necessária; o histórico médico deve ser registrado. Amostras referência de soro do pessoal do laboratório ou de outras pessoas possivelmente expostas ao risco, inclusive pessoal de limpeza e de manutenção devem ser coletadas; amostras adicionais devem ser obtidas periodicamente dependendo do agente manipulado e das atividades exercidas nas das instalações laboratoriais. Registros de doenças e ausências devem ser mantidos pela gerência do laboratório; é de responsabilidade do trabalhador informar o chefe de laboratório de todas as ausências resultantes de problemas de saúde. Mulheres devem ter conhecimento do risco que existe para o feto da exposição ocupacional a certos micro-organismos como, por exemplo, o vírus da rubéola. NB-3 Além das exigências citadas no NB-2: indivíduos que são imunocomprometidos não devem ser contratados para trabalhar nas instalações do laboratório. Após uma avaliação clínica satisfatória, deve-se providenciar para o trabalhador uma notificação com a sua foto e que descreva que este é um funcionário de um laboratório de nível 3 de biossegurança. A notificação pode incluir informações para contato, inclusive do chefe ou diretor do laboratório, médico ou encarregado da biossegurança do laboratório. Deve-se realizar, anualmente, radiografia de tórax para os funcionários que se dedicam à rotina de tuberculose (seguir as orientações do Programa Nacional de Controle de Infecção Hospitalar). Os trabalhadores devem ser apropriadamente imunizados ou examinados quanto aos agentes manipulados ou potencialmente presentes no laboratório (por exemplo, vacina para hepatite B ou teste cutâneo para tuberculose); exames periódicos são recomendados. Fonte: ANVISA (2005). Equipamento de Proteção Individual (EPI) » Avental: uso para todos que trabalham em ambiente laboratorial (confeccionado em algodão, com manga longa e punho sanfonado, na altura dos joelhos e usado abotoado). Não usar fora da área de trabalho, nem guardar junto com objetos pessoais. Para laboratórios NB-3, recomenda-se que o abotoamento do avental seja nas costas. Há necessidade de descontaminação antes da lavagem. » Avental impermeável: evita a contaminação do vestuário. » Luvas: uso para todos que trabalham em ambiente laboratorial, na manipulação de amostras biológicas, preparo de reagentes, lavagem de materiais, atendimento ao paciente. Descartar sempre que estiverem contaminadas ou quando sua integridade estiver comprometida. 60 UNIDADE III │ CLASSIFICAÇÃO DOS LABORATÓRIOS SEGUNDO O NÍVEL DE BIOSSEGURANÇA » Máscaras e respiradores: proteção de boca e nariz contra respingos e inalação de partículas em aerossol e substâncias químicas voláteis e tóxicas. » Óculos de proteção: destinado à proteção dos olhos contra respingos de material biológico, substâncias químicas e partículas. » Protetor facial: destinado à proteção da face contra respingos de material biológico, substâncias químicas e partículas. Deve ser leve, resistente, com visor em acrílico. » Sapatos: devem ser fechados, evitando-se assim impactos e respingos. Equipamentos de Proteção Coletiva (EPC) » Cabine de segurança biológica classe I: é uma cabine em que o fluxo de ar ocorre de fora para dentro, pela abertura frontal, sem recirculação do ar. Os aerossóis eventualmente gerados pela manipulação do material são carregados pelo fluxo de ar para o duto de exaustão. No final do duto de exaustão existe um filtro HEPA e o ar é liberado para o interior do laboratório. Essas cabines protegem o operador, mas não o material que está sendo manipulado e podem ser usadas quando se está trabalhando com micro-organismos de baixo ou moderado risco. » Cabine de segurança biológica classe II: esse tipo de cabine possui abertura frontal na qual uma parte do ar é recirculado, protegendo o operador, o material a ser manipulado e o meio ambiente. Existem dois tipos de cabine classe II. 1. Classe II A: 30% de ar ambiente entra pela abertura frontal, 70% é recirculado para o interior da cabine passando por um filtro HEPA e 30% é exaurido para dentro ou fora do laboratório passando por filtro HEPA. Usadas na ausência de substâncias químicas voláteis, radioativas ou tóxicas. 2. Classe II B: 70% de ar ambiente entra pela abertura frontal, 30% é recirculado para o interior da cabine passando por um filtro HEPA e 70% é exaurido para fora do laboratório através de outro filtro HEPA, por um sistema de exaustão. São indicadas para manipulação de cultura de micobactérias e com algumas substâncias tóxicas, voláteis e/ou radioativas. 61 CLASSIFICAÇÃO DOS LABORATÓRIOS SEGUNDO O NÍVEL DE BIOSSEGURANÇA │ UNIDADE III » Classe III: É uma cabine hermeticamente fechada, impermeável a gases e todo o trabalho é realizado com luvas de borracha que estão presas à câmara. O ar que entra passa por um filtro HEPA e o ar que sai pelo exaustor passa por dois filtros HEPA dispostos sequencialmente. Todos os equipamentos necessários (centrífuga, incubadora etc.) devem estar dentro da cabine. É indicada para o trabalho com micro-organismos de alto poder infectante. Oferece o mais altograu de proteção ao operador e ao meio ambiente. » Lava-olhos: usado em caso de acidentes de contato de material biológico ou substância química, com os olhos e/ou a face. Deve haver treinamento dos profissionais quanto ao seu uso e as orientações localizadas próximas ao equipamento. » Chuveiro de segurança: usado quando ocorrem acidentes com derramamento de grande quantidade de material biológico ou substância química sobre as roupas e pele do profissional ou quando as roupas estiverem em chamas. Deve haver treinamento dos profissionais quanto ao seu uso e as orientações localizadas próximas ao equipamento. » Proteção de linha de vácuo: evita contaminação do sistema de vácuo com aerossóis e fluidos derramados. » Autoclave: esterilização por calor eficaz, tornando material infeccioso seguro para ser eliminado ou reutilizado. » Garrafas com tampa de rosca: proteção contra aerossóis e derrames. » Microincineradores de alça: funcionam a gás ou eletricidade. Possuem escudo de vidro ou cerâmica que minimizam salpicos ou borrifos quando se esterilizam as alças. Boas práticas em laboratório clínico » Proibido consumir alimentos e bebidas, fumar, guardar alimentos e aplicar cosméticos na área técnica. » Os cabelos devem estar presos e o uso de adornos é proibido. » É proibido o uso de calçados abertos (chinelos e sandálias). 62 UNIDADE III │ CLASSIFICAÇÃO DOS LABORATÓRIOS SEGUNDO O NÍVEL DE BIOSSEGURANÇA » Toda amostra biológica deve ser considerada potencialmente contaminada. » Obrigatório o uso de EPIs. » Proibido pipetar com a boca. » Obrigatória a descontaminação das bancadas de trabalho antes e após o desenvolvimento das atividades. » Proibido reencapar e entortar agulhas após o uso. » Não manipular materiais não identificados. » Separar e acondicionar adequadamente resíduos biológicos, químicos e ionizantes. » Depositar todo material contaminado em recipientes apropriados para autoclavação. » Higienizar sempre as mãos. Acidentes Em caso de acidente com derramamento de material biológico, deve-se proceder da seguinte forma: » Isolar a área atingida. » Impedir a manipulação no local por pelo menos 30 minutos. » Usar EPIs. » Colocar papel toalha sobre o material derramado e, sobre ele, solução de hipoclorito de sódio a 2%, ou cloro ativo; aguardar 15 minutos. » Recolher em recipiente com saco para resíduo infectante ou saco autoclavável as toalhas de papel, luvas e todo material usado na descontaminação. » Estilhaços de vidro ou plástico deverão ser recolhidos em caixa de perfurocortante. » Refazer a descontaminação da área com solução de hipoclorito de sódio a 2%. 63 CLASSIFICAÇÃO DOS LABORATÓRIOS SEGUNDO O NÍVEL DE BIOSSEGURANÇA │ UNIDADE III Em caso de quebra de tubos contendo material biológico em centrífuga, deve-se proceder da seguinte forma: » Desligar a centrífuga e manter fechada por 30 minutos para dispersão de aerossóis. » Usar EPIs. » Retirar estilhaços com auxílio de pinça e descartar em caixa de perfurocortante. » Limpar caçapas, pinos e rotor com solução de hipoclorito de sódio a 2%. » Limpar internamente a centrífuga com gaze embebida com solução de hipoclorito de sódio a 2% e após com pano embebido em água e sabão. » Descartar todo o material usado na descontaminação em recipiente com saco para resíduo infectante. Em caso de acidente com derramamento de produtos químicos, deve-se proceder da seguinte forma: » Utilizar EPIs. » Conter o líquido derramado em área reduzida. » Cobrir o resíduo com vermiculina ou areia e aguardar sua absorção. » Recolher todo o resíduo e o material utilizado para limpar a área. Descontaminação e descarte de resíduos Todos os resíduos do laboratório e do biotério deverão ser descontaminados antes de serem descartados por um método de descontaminação aprovado como, por exemplo, esterilização por calor úmido (autoclave). 64 CAPÍTULO 2 Classificação do organismo segundo seu potencial patogênico A classificação de risco dos agentes biológicos tem papel na estimava do risco, no tipo de estrutura para a contenção e a tomada de decisão para o gerenciamento dos riscos. Os critérios de classificação de risco dos agentes biológicos têm-se como base: » Virulência – é a capacidade de um agente biológico em causar mortalidade e/ou por seu poder de invadir tecidos do hospedeiro. A virulência pode ser avaliada por meio dos coeficientes de letalidade (percentual de casos da doença que são mortais) e de gravidade (o percentual dos casos considerados graves). » Modo de transmissão – é a forma como o agente infeccioso atinge o hospedeiro. O conhecimento do modo de transmissão do agente biológico é de grande importância para a aplicação de medidas de proteção contra a disseminação. » Estabilidade – é a capacidade de manutenção do potencial infeccioso de um agente biológico no meio ambiente e em condições ambientais adversas como a exposição à luz, à radiação ultravioleta, às temperaturas, à umidade relativa e aos agentes químicos. » Concentração e volume – quantidade de agentes patogênicos em determinado volume. Portanto, quanto maior a concentração, maior o risco. O volume do agente patogênico também é importante, pois quanto maior o volume, maior são os fatores de risco. » Origem do agente biológico potencialmente patogênico – deve ser considerada a origem do hospedeiro do agente biológico (humano ou animal), a localização geográfica (áreas endêmicas) e a natureza do vetor. » Disponibilidade de medidas profiláticas eficazes – disponibilidade de vacinação, antissoros e globulinas eficazes, adoção de medidas sanitárias, controle de vetores e medidas de quarentena em movimentos transfronteiriços. » Disponibilidade de tratamento eficaz – tratamento eficaz, capaz de prover a contenção do agravamento e a cura da doença causada pela 65 CLASSIFICAÇÃO DOS LABORATÓRIOS SEGUNDO O NÍVEL DE BIOSSEGURANÇA │ UNIDADE III exposição ao agente patogênico (imunização e vacinação pós-exposição, o uso de antibióticos e medicamentos terapêuticos). » Dose infectante – consiste no número mínimo de agentes patogênicos necessários para causar doença. Varia de acordo com a virulência do agente e com a susceptibilidade do indivíduo. » Manipulação do agente patogênico – a manipulação pode potencializar o risco (centrifugação procedimentos de manipulação, inoculação experimental em animais), os riscos irão variar de acordo com as espécies utilizadas e com a natureza do protocolo. » Eliminação do agente – o conhecimento das vias de eliminação do agente é importante para a adoção de medidas de contingenciamento. No caso de eliminação por via respiratória, medidas adicionais de contenção são necessárias. As pessoas que lidam com animais experimentais infectados com agentes biológicos patogênicos apresentam um risco maior de exposição devido à possibilidade de mordidas, arranhões e inalação de aerossóis. » Fatores referentes ao trabalhador – o estado de saúde do indivíduo, assim como, idade, sexo, fatores genéticos, estado imunológico, exposição prévia, gravidez, lactação, consumo de álcool, consumo de medicamentos, hábitos de higiene pessoal e uso de equipamentos de proteção individual. Além disso, o profissional deve ser treinado e qualificado para as atividades laboratoriais (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2010). Considerando todos esses fatores, os micro-organismos podem ser classificados quanto ao seu risco em 4 diferentes classes: Classe de risco 1 São organismos de baixo risco individual e baixo risco para a comunidade; não causam doença ao homem ou animal. Ex: micro-organismos usados na produção de cerveja, vinho, pão e queijo. (Lactobacillus casei, Penicillium camembertii, S.cerevisiae etc.). Classe de risco 2 São patógenos de risco individual moderado e risco limitado para a comunidade; causam doença ao homem ou aos animais, mas que não consiste em sério risco, a quem o manipula em condições de contenção, à comunidade, aos seres vivos e ao 66 UNIDADE III │ CLASSIFICAÇÃO DOS LABORATÓRIOS SEGUNDO O NÍVEL DE BIOSSEGURANÇA meio ambiente. As exposições laboratoriais podem causar infecção, mas a existência de medidas eficazes de tratamento e prevenção limita o risco. Exemplo: bactérias – Clostridium tetani, Klebsiella pneumoniae, Staphylococcus aureus; vírus – ebv, herpes; fungos – Candida albicans; parasitas – Plasmodium schistosoma. Classe de risco 3 São patógenos de elevado risco individual e risco limitado para a comunidade, geralmente, causam doenças graves ao homem ou aos animais e pode representar um sério risco a quem o manipula. Pode representar um risco se disseminado na comunidade, mas usualmente existem medidas de tratamento e de prevenção. Exemplos: bactérias – Bacillus anthracis, Brucella, Chlamydia psittaci, Mycobacterium tuberculosis; vírus – hepatites b e c, HTLV 1 e 2, HIV, febre amarela, dengue; fungos – Blastomyces dermatiolis, Histoplasma; parasitas – echinococcus, leishmania, Toxoplasma gondii, Trypanosoma cruzi. Classe de risco 4 São patógenos de elevado risco individual e elevado risco para a comunidade; representam grande ameaça para o ser humano e para aos animais, representando grande risco a quem o manipula e tendo grande poder de transmissibilidade de um indivíduo a outro. Normalmente, não existem medidas preventivas e de tratamento para esses agentes. Exemplos: vírus de febres hemorrágicas, febre de lassa, ébola, arenavírus e certos arbovírus. Quadro 7: Recomendações de Biossegurança. NB AGENTES PRÁTICAS EQUIPAMENTOS DE SEGURANÇA (BARREIRAS PRIMÁRIAS) INSTALAÇÕES (BARREIRAS SECUNDÁRIAS) 1 Não são conhecidos por causarem doenças em adultos sadios. Práticas padrão de microbiologia. Não são necessários. Bancadas abertas com pias próximas. 2 Associados com doenças humanas Risco: lesão percutânea, ingestão, exposição da membrana mucosa. Prática de NB-1 mais: acesso limitado; avisos de risco biológico precauções com objetos perfurocortantes; manual de biossegurança que defina qualquer descontaminação de dejetos ou normas de vigilância médica. Barreiras primárias: cabines de classe I ou II ou outros dispositivos de contenção física usados para todas as manipulações de agentes que provoquem aerossóis ou vazamento de materiais infecciosos; procedimentos especiais como o uso de aventais, luvas e proteção para o rosto, quando necessário. NB1 mais autoclave disponível. 67 CLASSIFICAÇÃO DOS LABORATÓRIOS SEGUNDO O NÍVEL DE BIOSSEGURANÇA │ UNIDADE III 3 Agentes exóticos com potencial para transmissão via aerossol; a doença pode trazer consequências sérias ou até fatais. Práticas de NB-2 mais: acesso controlado; descontaminação de todo o lixo; descontaminação da roupa usada no laboratório antes de ser lavada; amostra sorológica. Barreiras primárias: cabines de classe I ou II ou outros dispositivos de contenção usados para todas as manipulações abertas de agentes; uso de aventais, luvas e proteção respiratória, quando necessário. NB-2 mais: separação física dos corredores de acesso; portas de acesso duplas com fechamento automático; ar de exaustão não recirculante; fluxo de ar negativo dentro do laboratório. 4 Agentes exóticos ou perigosos que impõem um alto risco de doenças que ameaçam a vida, infecções laboratoriais transmitidas via aerossol ou relacionadas a agentes com risco desconhecido de transmissão. NB-3 mais: mudança de roupa antes de entrar; banho de ducha na saída; todo o material descontaminado na saída das instalações. Barreiras primárias: todos os procedimentos conduzidos em cabines de classe III ou classe I ou II juntamente com macacão de pressão positiva com suprimento de ar. NB-3 mais: edifício separado ou área isolada; sistemas de abastecimento e escape a vácuo e de descontaminação. Fonte: ANVISA (2013). Quadro 8. Resumo dos níveis de biossegurança recomendados para agentes infecciosos. Classe de risco Risco individual Risco para o meio ambiente Risco de infecção 1 Baixo/ausente Baixo/ausente Nenhum risco ou baixa probabilidade de causar infecção no homem. 2 Moderado Baixo Pode causar infecções no homem e existem medidas terapêuticas ou profiláticas eficazes. Risco de propagação da infecção é limitado. 3 Elevado Moderado Pode causar infecções graves no homem, podendo infectar outras pessoas. Existem medidas terapêuticas e/ou profilaxia. 4 Elevado Elevado Altamente patogênicos e de grande poder de transmissibilidade de uma pessoa para outra, direta ou indiretamente. Não existem medidas terapêuticas ou profiláticas conhecidas. Fonte: MINISTÉRIO DA SAÚDE (2006). 68 CAPÍTULO 3 Classificação dos organismos geneticamente modificados Os Organismos Geneticamente Modificados (OGM) são definidos como toda entidade biológica (plantas, fungos bactérias, animais) cujo material genético (DNA/RNA) foi alterado por meio de técnicas de engenharia genética, de uma maneira que não ocorreria naturalmente. A tecnologia de recombinação permite que determinados genes sejam transferidos de um organismo para outro, inclusive entre espécies. Inicialmente, os pesquisadores desconheciam se esses organismos poderiam possuir alguma característica indesejável ou se tais modificações poderiam representar algum risco biológico. Hoje se sabe que a engenharia genética pode ser realizada de maneira segura por meio de avaliação apropriada do risco e de medidas de segurança adequadas. A tecnologia de DNA recombinante tem grande importância na medicina e na biologia. Atualmente, devido ao desenvolvimento de tecnologias para sequenciamento de material genético em grande escala, a tecnologia de DNA recombinante tem grande importância pois, por meio dela é possível ter indícios ou até mesmo desvendar a função de genes os quais até hoje não se conhece a função. Existem importantes aplicações da tecnologia dos OGMs, como por exemplo, na terapia gênica para o tratamento de doenças hereditárias, produção de vacinas e produção de proteínas. Além disso, o desenvolvimento de OGM favorece certas características específicas (cor, tamanho, produção de determinado composto etc.). Figura 18. Esquema representativo da produção de organismos geneticamente modificados. Fonte: <http://ciencia.hsw.uol.com.br/transgenicos2.htm>. Acesso em: maio de 2015. 69 CLASSIFICAÇÃO DOS LABORATÓRIOS SEGUNDO O NÍVEL DE BIOSSEGURANÇA │ UNIDADE III Para avaliar, em nível de segurança biológica de OGM, é necessário caracterizar as propriedades patogênicas; para isso, a Organização Mundial da Saúde faz as seguintes recomendações, de acordo com o Manual de Segurança Biológica em Laboratório, (ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE, 2004). Riscos resultantes do gene introduzido (organismo doador) Quando se conhece que a expressão do gene gera produtos com potencial biológico ou farmacológicas (hormônios, reguladores de expressão de genes, fatores virulência, sequências de genes oncogénicos, resistência a antibióticos, toxinas, citocinas ou alérgenos), os quais podem originar perigo, é necessário avaliar nível de expressão necessária para atingir atividade biológica ou farmacológica. Riscos associados ao hospedeiro 1. Susceptibilidade do hospedeiro. 2. Patogenicidade da cepa hospedeira, incluindo virulência e produção de toxinas. 3. Modificação do tipo de hospedeiros. 4. Estado de imunidade do receptor. 5. Consequências da exposição. Riscos resultantes da alteraçãodas características patogênicas existentes As modificações genéticas podem alterar a patogenicidade do organismo. Nesses casos, é importante analisar se existe aumento da patogenicidade, se o gene em questão confere patogenicidade em outro organismo, se existe disponibilidade de tratamento, se a susceptibilidade OGM ao tratamento é comprometida devido a modificação genética, se é possível a irradicação do OGM. 70 UNIDADE III │ CLASSIFICAÇÃO DOS LABORATÓRIOS SEGUNDO O NÍVEL DE BIOSSEGURANÇA Os OGMs são classificados em Grupo I e Grupo II e essa classificação dos OGMs considera: Características do organismo receptor ou parental. » Os vetores. » Os insertos. » O OGM resultante. A ANVISA faz a seguinte classificação dos organismos geneticamente modificados (OGMs) OGM do grupo I Esse grupo contempla receptor ou parental não patogênico, isento de agentes adventícios, com histórico documentado de utilização segura ou com a incorporação de barreiras biológicas que, sem interferir no crescimento ótimo em reator ou fermentador, permita uma sobrevivência e multiplicação limitadas, sem efeitos negativos para o meio ambiente. Vetor/inserto » Deve ser adequadamente caracterizado quanto a todos os aspectos (riscos ao homem e ao meio ambiente), e desprovido de sequências nocivas conhecidas. » Deve ser de tamanho limitado às sequências genéticas necessárias para realizar a função projetada. » Não deve aumentar a estabilidade do organismo modificado no meio ambiente. » Deve ser escassamente mobilizável. » Não deve transmitir nenhum marcador de resistência a organismos que, de acordo com os conhecimentos disponíveis, não o adquira de forma natural. Micro-organismos geneticamente modificados » Não devem ser patogênicos. » Devem ser seguros, com sobrevivência e/ou multiplicação limitadas, sem efeitos negativos para o meio ambiente. 71 CLASSIFICAÇÃO DOS LABORATÓRIOS SEGUNDO O NÍVEL DE BIOSSEGURANÇA │ UNIDADE III Outros micro-organismos geneticamente modificados que poderiam incluir-se no Grupo I, desde que reúnam as condições estipuladas no item anterior: » Micro-organismos construídos inteiramente a partir de um único receptor procariótico (incluindo plasmídeos e vírus endógenos) ou de um único receptor eucariótico (incluindo cloroplastos, mitocôndrias e plasmídeos, mas excluindo os vírus). » Organismos compostos inteiramente por sequências genéticas de diferentes espécies que troquem tais sequências mediante processos fisiológicos conhecidos. OGM do grupo II Todos aqueles não incluídos no grupo I, ou seja, qualquer organismo resultante de organismo receptor ou parental classificado como patogênico para o homem e animais como classe de risco 2, 3, ou 4. Em outras palavras, OGM do Grupo I são os mais inofensivos e exigem um nível de biossegurança menor do que os OGM do Grupo II. Sendo assim, para se trabalhar com organismos do Grupo II, as exigências são maiores do que para o Grupo I. A avaliação quanto ao tipo de OMG cabe ao pesquisador solicitar a autorização de uso do OGM à CIBio . Experimentos envolvendo mais de 10 litros de cultura de OGM (Instrução Normativa CTNBio no 7, de 6/6/1997) A manipulação de OMG usando volumes superiores a 10 litros necessita a adoção de medidas especiais de contenção, levando em consideração o tipo de produto gerado (toxicidade de produtos, aspectos físicos, mecânicos e químicos de processamento do OGM). A saúde dos funcionários deve ser monitorada periodicamente (exame físico e médico periódico, manutenção e análise de amostras de soro para monitoramento de eventuais modificações que possam resultar da situação de trabalho). Boas práticas em grande escala Devem ser estabelecidos e implementados procedimentos institucionais para assegurar adequado controle da saúde e da segurança das pessoas envolvidas no trabalho. As 72 UNIDADE III │ CLASSIFICAÇÃO DOS LABORATÓRIOS SEGUNDO O NÍVEL DE BIOSSEGURANÇA instruções devem estar por escrito e, além disso, os funcionários devem ter sido submetidos a treinamentos adequados quanto a manipulação dos OGM, limpeza e organização dos locais de manipulação. As instalações devem possuir pias, chuveiros, sala para a troca de roupa e os funcionários devem estar devidamente paramentados com uniformes, jalecos de laboratório, para minimizar o contato com o OGM e assegurar uma higiene pessoal adequada. As culturas de OGM devem ser manipuladas em instalações adequadas. E antes de qualquer descarte, os OGMs devem ser inativados, e o tratamento de efluentes deve seguir as normas específicas. É muito importante que existam planos de emergência com medidas adequadas para conter e neutralizar derramamentos. É importante ressaltar que a classificação quanto ao nível biológico de OGM pode divergir entre diferentes países e que a avaliação de riscos é um processo dinâmico e vai se desenvolvendo à medida em que novas informações surgem. Entretanto, a avaliação do risco assegura a utilização da tecnologia para novos avanços futuros. 73 UNIDADE IV CONTROLE DE QUALIDADE DO LABORATÓRIO CAPÍTULO 1 Parâmetros do controle de qualidade O conceito de qualidade em todas as diferentes atividades é uma exigência e nos laboratórios clínicos isso não é diferente. Dessa forma, o laboratório clínico deve certificar que os resultados sejam fidedignos e consistentes a situação clínica apresentada pelos pacientes, assegurando que não haja interferências durante os processos para a obtenção desse resultado. Para garantir qualidade durante todo o processo de realização de um exame (fases pré-analítica, analítica e pós-analítica), ações devem ser tomadas em relação a qualidade. A essas ações se dá o nome de gestão da qualidade. A garantia da qualidade de todas as fases pode ser conseguida por meio da padronização de cada uma das atividades envolvidas, desde o atendimento ao paciente até a liberação do laudo. Para dirigir adequadamente todas as atividades laboratoriais, é necessário que essas atividades sejam documentadas por meio de Procedimentos Operacionais Padrão (POP). A melhoria da qualidade evita desperdícios, reduz custos e aumenta a produtividade. O Procedimento Operacional Padrão (POP) é um documento que descreve um procedimento, detalhadamente e contêm instruções sequenciais das operações, frequência de execução, responsável pela execução, listagem dos equipamentos outros materiais, descrição de interpretação e pontos críticos. O laboratório deverá definir, documentar e manter um programa para controlar os seus procedimentos e documentos pertinentes (livros, especificações, tabelas, gráficos, desenhos, pôsteres, regulamentos, normas etc.). A versão implementada deverá ser a atual e o documento antigo não deve estar no laboratório. Esses procedimentos deverão ter revisões pelo menos anuais ou sempre que houver alterações no processo. Todos os POPs devem estar escritos em linguagem de acordo com o grau de instrução das pessoas envolvidas na tarefa. A elaboração deve ser realizada por pessoa treinada 74 UNIDADE IV │ CONTROLE DE QUALIDADE DO LABORATÓRIO e que conheça bem o processo e estar familiarizada com fatores que influenciam seu processo analítico, manuseio da amostra, aplicação e interpretação de seus controles internos e externos, manutenção e operação de equipamentos de sua área. Todas as atividades e respectivos protocolos devem estar claramente delineados e colocados em local acessível do laboratório para a consulta regular pelos trabalhadores. A forma como os procedimentos devem ser desenvolvidos e implementados deve ser determinada pelo responsável imediato do laboratório. Seguem os principais itens que devem constar no manual de procedimento, de acordo com a ANVISA: » Nome, endereço e telefonede todos os trabalhadores do laboratório. » Lista de todos os planos de ação e regulamentos geral do laboratório. » Lista da localização dos equipamentos, meio de culturas, reagentes, e outros suplementos, incluindo descrição completa das fórmulas e instruções para o uso e preparo. » Descrição completa de todos os formulários, informes e arquivos utilizados no laboratório de microbiologia. » Descrição detalhada de todas as técnicas e os procedimentos efetuados no laboratório. » Lista de todos os esquemas de identificação utilizados para identificar e classificar os micro-organismos. » Nome, endereço, telefone, procedimentos e planos de ação de laboratórios de referência/relacionados com o envio de amostras. » Inclusão de todos os procedimentos de controle de qualidade com detalhes específicos quanto à frequência e ao modo como cada item deve ser realizado. » Para inspeção do laboratório é exigido que o manual de procedimentos seja revisto e atualizado ao menos uma vez ao ano e que constem as iniciais do diretor ou chefe de laboratório em cada procedimento, indicando que a atualização foi efetuada. 75 CONTROLE DE QUALIDADE DO LABORATÓRIO │ UNIDADE IV Quadro 9. Modelo de formato de POP. LOGOTIPO PROCEDIMENTO OPERACIONAL PADRÃO – POP Página 1 de 2 Código xxxxx Data Emissão Xxxx Data de Vigência XXXXX Próxima Revisão XXXXX Versão no 001 ÁREA EMITENTE: Laboratório de Química Analítica e Orgânica. ASSUNTO: Normas Internas para utilização da Capela de Exaustão de gases e vapores. OBJETIVO: É objetivo deste procedimento é estabelecer critérios seguros de utilização da capela de exaustão de gases e vapores. APLICAÇÃO Este POP aplica-se a todos os Professores, técnicos e alunos que utilizam a capela de exaustão. DIVULGAÇÃO Este POP é divulgado para todos os usuários dos laboratórios de ensino. CONTEÚDO Ligue a capela em: botão verde. Desligue a capela em: botão vermelho. Administre todas as reações que podem gerar contaminantes no ar dentro da capela. Mantenha distância do aparador ou apoio das substâncias químicas de pelo menos 15 cm da face da capela. Não apoie na capela ou coloque sua cabeça no interior da capela. Não use a capela como modo de descarte. Não armazene substâncias químicas ou vidrarias na capela. Em funcionamento, mantenha o vidro frontal da capela fechado sempre que possível. Mantenha as aberturas na capela, incluindo a boca do duto, livre e desobstruída de equipamentos e ou recipientes. 76 UNIDADE IV │ CONTROLE DE QUALIDADE DO LABORATÓRIO Use equipamentos com apoio, caso contrário eleve-o da superfície de trabalho para permitir que a corrente de ar passe sob o equipamento como também ao redor e em cima. Minimize fontes de turbulência na face da capela (por exemplo, equipamento alto fora da capela que impossibilite uma exaustão linear). Mantenha as portas do laboratório fechadas sempre que possível. Não remova vidro da capela ou painéis, estes aparatos influenciam no desempenho da exaustão. Não é permitida no interior da capela nenhuma tomada elétrica. Caso o fluxo de ar altere, interrompa imediatamente o trabalho e informe ao técnico de laboratório. Ligue a capela 15 minutos antes do início do trabalho e aguarde 15 minutos ao término para desligar. TESTES PARA AVALIAÇÃO DA CAPELA – Realizados de forma terceirizada. Deve ter avaliação técnica especializada semestralmente para: VAZÃO - CLASSES I, II OU III - (0,4 a 0,7 m/s) RUIDOS – 70db(A) ILUMINAÇÃO – acima de 300 Lux Emitido por: XXX Revisado por: XXXX BIBLIOGRAFIA: EN 14175 - 2004 Part 1, 2, 3 e 4 European Standards. BS 7258 Part 1, 2, 3 e 4 British Standards. ANSI/ASHRAE 110-1995 – American Socyety Heating, Refrigerating and Air- conditioning. OSHA 29 CFR 1910 – Occupational Safety and Health Administration. DIN 12923/12324 - Deutsches Institut fur Normung. 77 CONTROLE DE QUALIDADE DO LABORATÓRIO │ UNIDADE IV ACGIH – Industrial Ventilation “Manual of Recommended Practice 24th ed.” ABNT NBR 5410 – Elétrica. NR 15 - Atividades e Operações Insalubres. NR 17 – Ergonomia. Fonte: Adaptado de: <http://www.google.com.br/url?sa=t&rct=j&q=&esrc=s&sourc e=web&cd=3&ved=0CCoQFjAC&url=http%3A%2F%2Flaboratorios.curitibanos.ufsc. br%2Ffiles%2F2013%2F07%2FPOP-CAPELA-EXAUSTAO.doc&ei=RN-VdzGBYS7ggSH3ICoBQ&usg =AFQjCNEq2EZUVUYaukZyKE2_nD1trQ_vZQ>. Acesso em: junho de 2015. Objetivo dos POPs O laboratório clínico de microbiologia é responsável em providenciar informação precisa e relevante quanto ao diagnóstico do paciente. O programa de qualidade documenta a validade do método aplicado e monitora a performance dos procedimentos, de todos os reagentes, dos meios, dos instrumentos e também do indivíduo que executou a análise. Além disso, também verifica os resultados do teste quanto aos erros e relevância clínica. Um programa de qualidade efetivo depende de um processo de avaliação contínuo e do seu aprimoramento. Com isso, um POP tem o objetivo de padronizar um procedimento e minimizar erros ou desvios na execução dessas tarefas. Um POP deve garantir que qualquer pessoa consiga, a qualquer momento, realizar um procedimento com qualidade e que essa qualidade seja mantida de um turno para outro, de um dia para outro. Além disso, o POP também é um ótimo instrumento para a Gerência da Qualidade na prática de auditoria interna. Ou seja, quando funcionários de um setor auditam outro setor, com o POP o auditor encontra subsídios técnicos para indagações e verificação de eficácia da metodologia, assim como sua familiarização entre os auditados. Ensaios de proficiência (avaliação externa da qualidade) Os ensaios de proficiência são testes que compões a garantia de qualidade assim como o controle interno e o controle de processos. Assim, os testes de proficiência servem para identificar desvios e avaliam a capacidade do laboratório em desempenhar os ensaios de forma competente. O ensaio de proficiência se concentra na fase analítica (processamento inicial da amostra, realização do ensaio e interpretação de resultados) existindo uma menor análise e pontual nas demais fases. 78 UNIDADE IV │ CONTROLE DE QUALIDADE DO LABORATÓRIO A avaliação é conduzida sob sigilo, sendo uma ferramenta de gerenciamento do nível de confiança do laboratório e uma medida do seu desempenho em relação a outros laboratórios. Em outras palavras, o ensaio de proficiência avalia o desempenho de um laboratório comparando com outro de mesma natureza. No laboratório clínico, esses ensaios são estabelecidos anualmente para cada área (bacteriologia, micologia, parasitologia e virologia). Os ensaios são realizados com base em comparações inter-laboratoriais, dessa forma, diferentes laboratórios recebem as mesmas amostras e realizam simultaneamente a análise. As amostras de proficiência devem ser analisadas pelos trabalhadores que realizam as análises em questão cotidianamente e de acordo com os procedimentos de rotina e juntamente com as amostras de pacientes. O provedor do programa reúne todos os resultados e disponibiliza para os participantes relatórios que permitem identificar o nível de acerto e/ou de afastamento do resultado esperado, os resultados gerais de todos os participantes e, comumente, faz também comentários que ajudam na análise dos dados e na avaliação de possíveis causas de desvios. Os laboratórios reprovados nos requisitos dos ensaios de proficiência devem documentar a fonte do problema e adotar medidas corretivas. º quadro 10 mostra os benefícios dos testes de proficiência. Quadro 10. Benefícios dos testes de proficiência. Benefícios que podem ser obtidos a partir do ensaio de proficiência Caracterizar a tendência e a imprecisão dos ensaiosem diferentes métodos. Correlacionar variáveis específicas do método com a tendência e a imprecisão. Identificar interferentes e quantificar os seus efeitos em diferentes métodos. Promover informação confiável sobre o desempenho das metodologias. Permitir a percepção de desempenho aquém do aceitável/desejável. Possibilitar a tomada de ações corretivas e preventivas. Padronizar práticas de acordo com o mercado. Promover a melhoria da prática laboratorial. Prover segurança ao paciente. Satisfazer requerimentos de acreditação e de órgãos reguladores. Fonte: Recomendações da sociedade brasileira de patologia clínica/medicina laboratorial (2015). Apesar do ensaio de proficiência ser importante na avaliação da qualidade os controles internos e outras ferramentas não devem ser substituído. Com a constante detecção dos desvios gerados pelo ensaio de proficiência e as medidas de melhoria adotadas devem levar a um alto nível de qualidade, entretanto, devido a implantação de novas técnicas os processos devem ser continuamente controlados. No quadro 11, estão listados parâmetros do controle de qualidade de diferentes etapas de um laboratório de microbiologia. 79 CONTROLE DE QUALIDADE DO LABORATÓRIO │ UNIDADE IV Quadro 11. Parâmetros do Controle de Qualidade – CQ. Parâmetros Diretrizes Coleta e transporte de amostra. » Descreve as instruções de coleta e transporte. » Estabelece o critério de aceitação e rejeição das amostras. Performance dos equipamentos e instrumentos. » Documenta a verificação do funcionamento do equipamento e uso frequente que assegura o funcionamento apropriado. » Documenta a manutenção regular. » Documenta os registros de manutenção do equipamento. Meios de cultura prontos. » Mantém o protocolo de controle de qualidade do fabricante. » Obtém a garantia por escrito quanto aos padrões de embalagem, rotulagem e protocolo. » Inspeciona as condições dos meios, placas de Petri, hemólises, excesso de bolhas, contaminação, volume, temperatura. » Documenta as falhas e as medidas corretivas, e informa o fabricante. » Executa teste de CQ até a falha ser corrigida. Meios de cultura preparado no laboratório. » Registra a quantidade, o número do lote, método de esterilização, a data de preparo, prazo de validade, pH e nome do preparador. » Avalia quanto a coloração, consistência, inclinação, hemólise, excesso de bolhas e contaminação. » Executa o teste de CQ com os micro-organismos de propriedades fisiológicas e bioquímicas conhecidas. Reagentes e suplementos. » Rotula os frascos quanto ao conteúdo, concentração, requerimentos para estoque, data de fabricação e de recebimento, prazo de validade número do lote, volume. » Armazena de acordo com as recomendações do fabricante. » Executa o teste de controle negativo e positivo antes do uso. » Descarta aqueles que falharam na performance kits comerciais. » Testa cada lote novo ou em cada entrega. » Segue as recomendações do fabricante para teste de CQ. Funcionários. » Utiliza funcionários suficientemente qualificados para trabalho complexo e volumoso. » Documenta as atividades de treinamento contínuo. » Providencia aos funcionários por escrito padrões de performance. » Avalia funcionários anualmente. Registro de CQ . » Registra todos os resultados em um formulário de CQ. » Relata ao chefe e/ou responsável resultados “anormais” e as medidas de correção no formulário de CQ. » Mantém os registros por pelo menos dois anos. Manual de procedimento. » Define os procedimentos, os limites de tolerância, a aceitação da amostra, o preparo do reagente, a CQ, os cálculos e os laudos. » Revisa anualmente. » Aprova e data todas as mudanças. » Torna disponível na área de trabalho. Fonte: ANVISA (2005). 80 CAPÍTULO 2 Controle de qualidade de equipamentos Os equipamentos necessários para cada laboratório dependem da complexidade e dos tipos de serviços oferecidos. Os equipamentos (nacionais ou importados) devem estar regularizados junto a ANVISA/Ministério da Saúde, de acordo com a legislação vigente. Além disso, são necessários programas de manutenção preventiva para o bom funcionamento de todos os equipamentos elétricos ou mecânicos, calibração e verificação de desempenho de seus equipamentos. Para isso, devem ser estabelecidos por POPs para tais fins. A ANVISA recomenda: » Determinar intervalos de tempo para que os equipamentos sejam testados. » A troca de peças deve respeitar um período especificado, mesmo que não pareçam alteradas. » A manutenção pode ser executada tanto pelo fabricante como pelo setor de serviços de engenharia do laboratório, quando existente. » Os operadores devem realizar todos os controles e registrar conforme instruídos nos POPs, para a detecção imediata de desvios e adoção de medidas corretivas apropriadas antes que comprometam os resultados. » As temperaturas dos equipamentos devem ser medidas diariamente com termômetros calibrados. » Em caso de leituras cujos valores estejam fora dos limites de tolerância definidos pelo controle de qualidade, deve-se determinar a causa e corrigir o problema. Procedimento para operar equipamentos Os procedimentos relacionados com o funcionamento dos equipamentos são indispensáveis para seu adequado desempenho. Esses manuais devem ser claros, práticos e completos com informações que permitam seu adequado manuseio. Nesses documentos devem conter fundamentos da tecnologia, passo a passo da operação, itens 81 CONTROLE DE QUALIDADE DO LABORATÓRIO │ UNIDADE IV de verificações nas atividades de manutenção, critérios de liberação do equipamento para a rotina, contatos das oficinas responsáveis e como destinar os resíduos/efluentes gerados. Plano de manutenção preventiva O programa de manutenções preventivas dos equipamentos é realizado em intervalos pré-determinados e segue as instruções dos fabricantes. Esses procedimentos podem ser executados pelos operadores os quais estejam familiarizados com o funcionamento do aparelho ou por terceiros qualificados. Um cronograma de trabalho é estabelecido e as ações acontecem de acordo com esse esquema proposto. Constam minimamente: data prevista, famílias de equipamentos, periodicidade de realização, tarefas a serem realizadas, responsáveis, parâmetros de controle e situação atual. Plano periódico de calibrações e verificações Para assegurar que os equipamentos estejam funcionando de forma adequada, existem as calibrações e suas verificações periódicas. Quadro 12. Procedimentos para o controle de qualidade de alguns equipamentos. Equipamento Procedimento Intervalo Limites de tolerância Refrigeradores. Freezers. Estufas. Banho-maria. Aquecedores. Registro de temperatura*. Diário ou contínuo. 2°C a 8°C. -8°C a –20°C/-60°Ca -75°C. 35,5°C ± 1°C. 36°C a 38°C/55°C a 57°C. ± 1°C do estabelecido. Estufas de CO 2 . Medida do conteúdo de CO 2 . Usar analisador de gases sanguíneos ou dispositivo Fyrite1. Diário ou duas vezes ao dia. 5-10%. Autoclaves. Teste com tiras de esporos (Bacillus stearothermophilus). Semanalmente. O não crescimento de esporos indica corrida estéril. Medidor de pH. Testes com soluções para calibrar pH. A cada uso. ± 0,1 unidade de pH do padrão em uso. Jarras de anaerobiose. Tira indicadora com azul de metileno. A cada uso. A conversão da tira de azul para branco indica baixa tensão de CO 2 . Câmera anaeróbia com luvas. Cultivo de Clostridium novyi tipo B. Solução indicadora de azul de metileno. Periódico. O crescimento indica baixa tensão de O 2. Utilizada apenas quando é preciso uma tensão de O 2 extremamente baixa. A solução permanece incolor se a tensãode O 2 for baixa. 82 UNIDADE IV │ CONTROLE DE QUALIDADE DO LABORATÓRIO Equipamento Procedimento Intervalo Limites de tolerância Rotador de sorologia Contagem de rpm. A cada uso. 180 rpm ± 10 rpm. Centrífugas Controlar revoluções com tacômetro . Mensalmente. Dentro de 5% do estabelecido no indicador. Cabines de segurança Medir a velocidade do ar por meio da abertura para o rosto2. Semestral ou Trimestralmente. Fluxo de 1,52m de fluxo de ar/ minuto ± 0,152 m/minuto. *cada termômetro de controle deve ser calibrado contra um termômetro padrão. 1.Bacharach Instrument Co, Pittsburgh, PA. 2.Velometer Jr., Alnor Instrument Co., Chicago, IL. Fonte: ANVISA (2005). Controle de qualidade de meio de cultura, reagentes e kits comerciais Os registos de qualidade são fornecidos pelos fabricantes dos meios de cultura, reagentes e de kits comerciais. Embora isso seja aceito por auditores, recomenda-se que um controle de qualidade periódico desses produtos seja também realizado pelo laboratório. Os laboratórios devem assegurar que a qualidade dos reagentes usados seja apropriada e devem verificar se cada lote de reagentes está adequado para o uso durante sua validade. Para a realização desses controles, são utilizados micro-organismos controles, como por exemplo, as cepas de referência ATCC. A RDC no 302, de 13 de outubro de 2005, faz as seguintes recomendações sobre o controle de qualidade de meios de cultura, reagentes e kits comerciais. » Cada bateria de meios deve ser controlada com os quesitos mais exigentes para o crescimento ou para a produção de atividade bioquímica. A disponibilidade de cepas do laboratório pode ser necessária para suplementar aquelas comercialmente disponíveis. » Cada tubo de cultura, placa de meio e reagente deve ter uma etiqueta que identifique claramente o conteúdo e as datas de preparo e vencimento. » Cada bateria de tubos e placas devem ser também controladas quanto à esterilidade, principalmente quando são adicionados suplementos após a esterilização. As provas de esterilidade devem ser feitas visualmente e por meio de subcultivos. Determinados meios seletivos, podem suprimir o crescimento visível de bactérias, mas as células viáveis podem aparecer nos subcultivos. » Os meios preparados devem ser visualmente avaliados para sinais de deterioração como descoloração, turvação, mudança de cor e desidratação. 83 CONTROLE DE QUALIDADE DO LABORATÓRIO │ UNIDADE IV » Os reagentes e testes usados para identificação de micobactéria devem ser verificados uma vez ao dia, quando utilizados, com uma espécie de micobactéria que resulte uma reação positiva. Para verificação de fixação de ferro, o teste deve ser monitorado para controle negativo e positivo. » Os reagentes e testes utilizados para identificação de fungos devem ser examinados uma vez por semana, quando utilizados, para controle positivo. O reagente nitrato que determina sua assimilação é monitorado com peptona. » Todos os discos para susceptibilidade antimicrobiana devem estar avaliados ao menos uma vez por semana com micro-organismo padrão de qualidade, de sensibilidade conhecida como E. coli (ATCC 25922), S. aureus (ATCC 25923), S. fecalis (ATCC 29212) e P. aeruginosa (ATCC 27853). » Os kits comerciais devem ser examinados a cada entrega e a cada lote, conforme as recomendações do fabricante. » Os componentes de um kit não devem ser utilizados com um kit de lote diferente, a não ser quando especificado pelo fabricante. Reagentes preparados no laboratório Meios de cultura, diluentes e outras soluções preparadas no laboratório devem ser verificados analisando a sobrevivência ou inibição dos micro-organismos alvo, as propriedades bioquímicas (diferenciais e diagnósticas); as propriedades físicas (pH, volume e esterilidade). Se forem observadas alterações nos meios (empedrados ou com mudança de coloração), esses não devem ser usados. As condições de armazenamento das matérias-primas (formulações comerciais desidratadas e constituintes individuais) devem ser apropriadas (em ambiente frio, seco e protegido da luz), além disso, os recipientes devem ser hermeticamente fechados. Deve-se respeitar a data de validade. Para o preparo dos meios de cultura, soluções ou reagentes é necessário usar água destilada, deionizada, ou produzida por osmose reversa, livre de substâncias bactericidas, inibidoras ou interferentes, ao menos que o método de teste especifique de outra forma. 84 UNIDADE IV │ CONTROLE DE QUALIDADE DO LABORATÓRIO Reagentes prontos para uso Os mesmos atributos para os reagentes preparados no laboratório são válidos para os prontos para uso, ou seja, mesmo que venham com o laudo do fabricante garantido a qualidade, esses reagentes devem ser validados antes do uso. Para a validação, o laboratório precisa conhecer as especificações de qualidade do fabricante, são eles: » Nome dos meios e da lista dos ingredientes, incluindo quaisquer suplementos. » Prazo de validade e critérios de aceitação aplicados. » Condições de armazenamento. » Frequência de amostragem. » Verificação da esterilidade. » Verificação de crescimento dos micro-organismos de controle alvo e não alvo (com suas referências da coleção de cultura) e critérios de aceitação. » Verificações físicas e critérios de aceitação aplicados. Rotulagem Os laboratórios devem garantir que todos os reagentes (soluções estocadas, meios, diluentes e outras soluções) sejam adequadamente rotulados, com indicações quanto à identidade, concentração, condições de armazenamento, data de preparação, prazo de validade e/ou períodos de armazenamento recomendados. O responsável pela preparação deve ser identificável por intermédio de registros. Quadro 13. Micro-organismo-controle e reações para o controle de qualidade dos meios de cultura. Meio Micro-organismo Reações Ágar Sangue. Streptococcus do Grupo A Streptococcus pneumoniae. Bom crescimento, beta-hemólise. Bom crescimento, alfa-hemólise. Ágar bile-esculina Espécies de Enterococcus Streptococcus alfa- hemolítico não do grupo D. Bom crescimento, cor negra. Nenhum crescimento, sem coloração do meio. Ágar chocolate Haemophilus influenzae. Neisseria gonorrhoeae. Bom crescimento. Bom crescimento. 85 CONTROLE DE QUALIDADE DO LABORATÓRIO │ UNIDADE IV Meio Micro-organismo Reações Ágar ureia de Christensen Proteus mirabilis. Klebsiella pneumoniae. Escherichia coli. Toda a superfície de cor rosa (positivo). Inclinação do meio rosa (positivo parcial). Cor amarela (negativo). Ágar citrato de Simmons Klebsiella pneumoniae. Escherichia coli. Crescimento ou cor azul (positivo). Sem crescimento, permanece verde (negativo). Ágar cistina-tripticase (ACT) Dextrose Sacarose Maltose Neisseria gonorrhoeae Branhamella catarrhalis Cor amarela (positivo) Não modifica a cor (negativo) Escherichia coli. Neisseria gonorrhoeae. Cor amarela (positivo). Não modifica a cor (negativo). Espécies de Salmonella ou Neisseria meningitidis. Neisseria gonorrhoeae. Cor amarela (positivo). Não modifica a cor (negativo). Lactose Neisseria lactamicus. Neisseria gonorrhoeae. Cor amarela (positivo). Não modifica a cor (negativo). Descarboxilases Lisina Arginina Ornitina Klebsiella pneumoniae. Enterobacter sakasakii. Cor azulada (positivo). Cor amarela (negativo). Enterobacter cloacae. Proteus mirabilis. Cor azulada (positivo). Cor amarela (negativo). Proteu mirabilis. Klebsiella pneumoniae. Cor azulada (positivo). Cor amarela (negativo). DNAse Serratia marcescens. Enterobacter cloacae. Zona de clarificação (adicionar HCl 1 N). Sem zona de clarificação. Ágar eosina azul-de-metilenoEscherichia coli. Klebsiella pneumoniae. Shigella flexneri. Bom crescimento, brilho verde metálico. Bom crescimento, púrpuras, sem brilho. Bom crescimento, transparentes (lactosenegativas). Ágar de Hecktoen Salmonella typhimurium. Shigella flexneri. Escherichia coli. Verdes com centro negro. Verdes transparentes. Crescimento algo inibido, alaranjadas. Indol Escherichia coli. Klebsiella pneumoniae. Cor vermelha (positivo). Ausência de cor vermelha (negativo). Ágar lisina-ferro Salmonella typhimurium. Shigella flexneri. Proteus mirabilis. Profundidade e inclinação púrpura + H 2 S. Inclinação púrpura/profundidade amarela. Inclinação vermelha/profundidade amarela. Ágar MacConkey Escherichia coli. Proteus mirabilis. Espécies de Enterococcus. Colônias vermelhas (lactose-positivas). Colônias incolores, sem disseminação. Sem crescimento. Malonato Escherichia coli. Klebsiella pneumoniae. Sem crescimento Bom crescimento, cor azul (positivo) Motilidade Proteus mirabilis. Klebsiella pneumoniae. Meio turvo (positivo). Sem borda plumosa em estria (negativo). Caldo ou ágar nitrato Escherichia coli. Acinetobacter lwoffi. Cor vermelha ao adicionar reativos. Ausência de cor vermelha (negativo). 86 UNIDADE IV │ CONTROLE DE QUALIDADE DO LABORATÓRIO Meio Micro-organismo Reações Ágar sangue fenletil álcool Espécies de Streptococcus. Escherichia coli. Bom crescimento. Sem crescimento. o-Nitrofil-beta- Dgalactopiranosídeo (ONPG) Serratia marcescens. Salmonella typhimurium. Cor amarela (positivo). Incolor (negativo). Fenilalanina desaminase Proteus mirabilis. Escherichia coli. Cor verde (adicionar FeCl 3 a 10%). Ausência de cor verde (negativo). Ágar Salmonella-Shigella Salmonella typhimurium. Escherichia coli. Colônias incolores, centro negro. Sem crescimento. Voges-Proskauer Klebsiella pneumoniae. Escherichia coli. Cor vermelha (adicionar reativos). Não desenvolve cor (negativo). Ágar xilose-lisina-dextrose (XLD) Espécies de Salmonella. Escherichia coli. Espécies de Shigella. Colônias vermelhas (lisina-positivas). Colônias amarelas (positiva para açúcares). Colônia transparentes (negativo). Fonte: ANVISA (2005). 87 Para (não) Finalizar Texto completo: <http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/1067279-so-metade-dos- laboratorios-tem-controle-de-qualidade.shtml>. 88 PARA (NÃO) FINALIZAR Texto completo: <http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2014/10/quatro-pacientes-do-no- rio-sao-infectados-por-bacteria-resistente.html>. Veja texto completo: <http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2014/04/brasil-libera-producao- de-inseto-transgenico-que-combate-dengue.html>. Clinical and Laboratory Standards Institute – CLSI. Disponível em: <http://clsi. org/>. <http://www.anvisa.gov.br/servicosaude/manuais/clsi.asp>. The European Committee on Antimicrobial Susceptibility Testing – EUCAST. Disponível em: <http://www.eucast.org/>. 89 Referências BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. DEPARTAMENTO DE VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA. Biossegurança em laboratórios biomédicos e de microbiologia. 3. ed. Brasília: Ministério da Saúde, 2006. CERCENADOA, E.; SAAVEDRA-LOZANOB., J. El antibiograma. Interpretación del antibiograma: conceptos generales. An Pediatr Contin, v. 7; pp. 214-7, 2009. CENTERS FOR DISEASE CONTROL. OFFICE OF BIOSAFETY. Classification of etiologic agents on the basis of hazard. 4. ed.: US Department of Health, Education and Welfare; Public Health Service, 1974. BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. SECRETARIA DE CIÊNCIA, TECNOLOGIA E INSUMOS ESTRATÉGICOS. DEPARTAMENTO DO COMPLEXO INDUSTRIAL E INOVAÇÃO EM SAÚDE. Classificação de risco dos agentes biológicos. 2. Ed. Brasília: Editora do Ministério da Saúde, 2010. CLINICAL AND LABORATORY STANDARDS INSTITUTE. CM2-A10 – Normas de Padronização dos Testes de Sensibilidade Disco-Difusão para Antimicrobianos (Performance Standards for Antimicrobial Disk Susceptibility Tests; Approved Standard – Tenth Edition), 2009. CLINICAL AND LABORATORY STANDARDS INSTITUTE. M100-S15 – Normas Padronizadas para Testes de Sensibilidade Disco-Difusão para Antimicrobianos (Performance Standards for Antimicrobial Susceptibility Testing; Fifteenth Informational Supplement), 2005. CLINICAL AND LABORATORY STANDARDS INSTITUTE. M100S20E – Normas Padronizadas para Testes de Sensibilidade Disco-Difusão para Antimicrobianos (Performance Standards for Antimicrobial Susceptibility Testing; Twentieth Information Supplement), 2010. CLINICAL AND LABORATORY STANDARDS INSTITUTE. M11-A7 – Métodos para Testes de Sensibilidade a Agentes Antimicrobianos para Bactérias Anaeróbias (Methods for Antimicrobial Susceptibility Testing of Anaerobic Bacteria ; Approved Standard – Seventh Edition), 2007. 90 REFERÊNCIAS CLINICAL AND LABORATORY STANDARDS INSTITUTE. M44A2 – Metodologia para Testes de Sensibilidade Antifúngica por Disco–Difusão para Leveduras (Method for Antifungal Disk Diffusion Susceptibility Testing of Yeasts), 2009. CLINICAL AND LABORATORY STANDARDS INSTITUTE. M44-S3 – Normas interpretativas de zona diâmetro, correspondente MIC breakpoints interpretativos e limites de controle de qualidade dos testes de sensibilidade a antifúngicos difusão do disco de leveduras (Zone Diameter Interpretive Standards, Corresponding MIC Interpretive Breakpoints, and Quality Control Limits for Antifungal Disk Diffusion Susceptibility Testing of Yeasts), 2009. CLINICAL AND LABORATORY STANDARDS INSTITUTE. M7-A8: Métodos para Testes de Sensibilidade a Agentes Antimicrobianos por Diluição para Bactérias de Crescimento Aeróbico (Methods for Dilution Antimicrobial Susceptibility Tests for Bacteria that Grow Aerobically; Approved Standard – Eight Edition), 2009. BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. ANVISA. ORGANIZAÇÃO PAN-AMERICANA DA SAÚDE. Controle interno da qualidade para testes de sensibilidade a antimicrobianos. Brasília, 2006. DUARTE, R.L. Procedimento operacional padrão – a importância de se padronizar tarefas nas BPLC. Rio Branco, 2005. ESTADOS UNIDOS. CENTERS FOR DISEASE CONTROL, OFFICE OF BIOSAFETY. Classification of etiologic agents on the basis of hazard. 4. ed. [S.l.]: US Department of Health, Education and Welfare; Public Health Service, 1974. BRASIL. ANVISA. Manual de microbiologia clínica para o controle de infecção relacionada à assistência à saúde. Módulo 1: Biossegurança e Manutenção de Equipamentos em Laboratório de Microbiologia Clínica. Brasília: ANVISA, 2013. BRASIL. ANVISA. Manual de microbiologia clínica para o controle de infecção relacionada à assistência à saúde. Módulo 4: Procedimentos Laboratoriais: da requisição do exame à análise microbiológica e laudo final. Brasília: ANVISA, 2013. BRASIL. ANVISA. Manual de procedimentos básicos em microbiologia clínica para o controle de infecção hospitalar. Módulo I: Programa Nacional de Controle de Infecção Hospitalar, Brasília: ANVISA, 2000. MATUSCHEK, E.; BROWN, D. F. J.; KAHLMETER G. 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