Contabilidade Gerencial e Conceitos de Custos- Capítulo 2 - Garrison, Noreen e Brewer
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Contabilidade Gerencial e Conceitos de Custos- Capítulo 2 - Garrison, Noreen e Brewer

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Este capítulo explica que em contabilidade gerencial o termo custo é usado de muitas maneiras diferentes, uma vez que há muitos tipos de custos, classificados de acordo com as necessidades imediatas da gestão da empresa. Por exemplo, os 
gestores podem querer dados de custos para preparar relatórios financeiros externos, 
preparar orçamentos de planejamento ou tomar decisões. Cada uso desses dados exige 
uma diferente classificação e definição de custos. Outro exemplo, preparar relatórios fi-
nanceiros externos exige o uso de custos históricos, enquanto a tomada de decisões pode 
exigir previsões sobre custos futuros. Essa noção de custos diferentes para propósitos 
distintos é um aspecto muito importante da contabilidade gerencial.
Começaremos nossa discussão sobre conceitos de custo concentrando -nos em empresas 
manufatureiras, pois elas estão envolvidas na maioria das atividades encontradas em ou-
tros tipos de organizações. Empresas como a Texas Instruments, a Ford e a DuPont 
estão ligadas à aquisição de matérias -primas, produção de bens finais, marketing, distri-
buição e faturamento e quase todas as outras atividades de negócios. Portanto, compre-
ender os custos de uma empresa manufatureira pode ser muito útil para entender os cus-
tos em outros tipos de organizações.
A maioria das empresas manufatureiras divide os custos de produção em três amplas 
categorias: materiais diretos, mão de obra direta e custos indiretos de produção. Discuti-
remos cada um deles a seguir.
Os materiais que entram no produto final são chamados de matérias-
-primas. Este termo é um pouco enganoso porque parece implicar recursos naturais que 
não foram processados, como polpa de madeira ou minério de ferro. Na verdade, as 
matérias -primas referem -se a quaisquer materiais utilizados no produto final; e o produ-
to final de uma empresa pode se tornar a matéria -prima de outra empresa. Por exemplo, 
os plásticos produzidos pela DuPont são a matéria -prima usada pela Hewlett -Packard 
em seus computadores pessoais.
Matérias -primas podem incluir materiais diretos e indiretos. Materiais diretos são 
aqueles que se tornam parte integral do produto final e cujos custos podem ser conve-
nientemente associados ao produto final. Isso incluiria, por exemplo, os assentos que a 
Airbus compra de subcontratantes para instalar em suas aeronaves comerciais, e os pe-
quenos motores eletrônicos que a Panasonic usa em seus aparelhos de DVD.
Às vezes, não vale a pena o esforço de associar os custos de materiais relativamente 
insignificantes aos seus produtos finais. Esses itens de menor importância incluiriam o 
soldador usado para fazer conexões elétricas em um televisor da Sony ou a cola usada 
para montar uma cadeira da Ethan Allen. Materiais como o soldador ou a cola são cha-
mados materiais indiretos e são incluídos como parte dos custos indiretos de produção, 
que serão discutidos mais adiante, nesta seção.
Consiste em custos de mão de obra que podem ser facilmente (ou 
seja, física e convenientemente) associados a unidades individuais de produtos. Às vezes, 
a mão de obra direta é chamada de mão de obra de toque (touch labor) porque seus 
trabalhadores tocam no produto enquanto é produzido. Exemplos de mão de obra direta 
incluem os trabalhadores da linha de montagem na Toyota, carpinteiros na empresa de 
construção KB Home e eletricistas que instalam equipamentos em aeronaves na Bom-
bardier Learjet.
Os custos de mão de obra que não conseguem ser fisicamente associados a determina-
dos produtos, ou que só podem ser associados a um alto custo e inconveniência, são chama-
dos de mão de obra indireta. Assim como os materiais indiretos, a mão de obra indireta é 
tratada como parte dos custos indiretos de produção, e inclui os custos de mão de obra de 
serventes, supervisores, funcionários de manuseio de materiais e vigias noturnos. Embora 
os esforços desses trabalhadores sejam essenciais, seria impraticável ou impossível associar 
seus custos com precisão a unidades específicas de produtos. Logo, tais custos de mão de 
obra são tratados como mão de obra indireta.
Os custos indiretos de produção, o terceiro elemento 
dos custos de produção, incluem todos os custos de produção exceto os de materiais dire-
tos e mão de obra direta. Neles, inserem -se itens como materiais indiretos, mão de obra 
indireta, manutenção e reparos nos equipamentos de produção, além de aquecimento e 
energia elétrica, impostos sobre propriedade, depreciação e seguro das instalações de 
produção. Uma empresa incorre em custos de aquecimento e energia elétrica, impostos 
sobre propriedade, seguro, depreciação e outros, associados às suas funções de venda e 
administrativas, mas eles não são incluídos como parte dos custos indiretos de produção. 
Apenas os custos associados à operação da fábrica integram os custos indiretos de 
produção.
Estes custos podem ter vários sinônimos, como custos indiretos de manufatura, cus-
tos indiretos da fábrica e ônus da fábrica. 
Os custos não relacionados à produção geralmente são divididos em duas categorias: (1) 
custos de venda e (2) custos administrativos. Os custos de venda abrangem todos os custos 
que são incorridos para assegurar os pedidos dos clientes e fazer o produto final chegar até 
eles. Eles são chamados de custos de recebimento de pedidos e custos de cumprimento de 
pedidos. Exemplos de custos de venda incluem propaganda, entrega, viagens de venda, 
comissões de venda, salários de vendedores e custos dos armazéns de produtos finais.
Os custos administrativos incluem todos os custos associados à gestão geral de uma 
organização. Alguns exemplos de custos administrativos são remuneração de executivos, 
contabilidade geral, custos de secretaria, de relações públicas e custos similares envolvi-
dos na administração geral da organização.
Os custos não relacionados à produção são geralmente chamados de custos de venda, 
gerais e administrativos (VG&A) ou apenas custos de venda e administrativos.
Além de classificar os custos como de produção ou não relacionados à produção, há ou-
tras maneiras de analisá -los. Por exemplo, eles podem ser classificados como custos de 
produto ou custos de período. Para compreender a diferença entre custos de produto e 
custos de período, inicialmente temos que discutir o princípio da competência (corres-
pondência)* da contabilidade financeira.
De maneira geral, os custos são reconhecidos como despesas na demonstração de 
resultados no período de benefício dos custos (geração de receita). Por exemplo, se uma 
empresa paga antecipadamente por um seguro de responsabilidade civil que usufruirá 
por dois anos, o valor total não é considerado uma despesa apenas do ano em que o paga-
mento é realizado. Em vez disso, metade do custo seria reconhecida como uma despesa a 
cada ano. O motivo dessa ação é que ambos os anos \u2013 e não somente o primeiro \u2013 se be-
neficiam do pagamento do seguro. A fração não imputada do seguro é mantida no balan-
ço patrimonial como um ativo chamado seguro antecipado.
O princípio da competência baseia -se no conceito de acréscimo ou especialização por 
exercício de que os custos incorridos para gerar determinada receita devem ser reconhe-
cidos como despesas no mesmo período em que a receita é reconhecida. Isso significa que, 
se um custo é incorrido para adquirir ou produzir algo que será vendido depois, então o 
custo deve ser reconhecido como uma despesa somente quando ocorrer a venda \u2013 isto é, 
quando ocorrer o benefício. Tais custos são chamados de custos do produto.
Para fins de contabilidade financeira, os custos de produto incluem todos os custos en-
volvidos na aquisição ou na produção de um produto. No caso de produtos manufatura-
dos, consistem em custos de materiais diretos, custos de mão de obra direta e custos in-
diretos de produção. Os custos do produto são alocados às unidades de produto à medida 
que