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FORTALEZA – CE 2019.1 Profa. Dra. Jennara Candido do Nascimento CENTRO UNIVERSITÁRIO ESTÁCIO DO CEARÁ CURSO DE GRADUAÇÃO EM ENFERMAGEM SISTEMATIZAÇÃO DO CUIDAR II OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM 2 Descrever técnicas de entrevista utilizadas para melhorar a comunicação durante o histórico de saúde; Compreender os fundamentos teóricos da propedêutica do exame físico; Conhecer os instrumentais utilizados para a realização do exame físico; Discutir o propósito da avaliação física; Demonstrar as técnicas utilizadas para cada habilidade de avaliação física. 4 Coletar dados básicos sobre o estado de saúde do paciente; Aceitar ou refutar dados subjetivos obtidos no histórico de enfermagem; Identificar e confirmar o diagnóstico de enfermagem; Tomar decisões clínicas relacionadas ao gerenciamento e à mudança do estado de saúde do paciente; Avaliar os resultados dos cuidados implementados. OBJETIVOS DA ENTREVISTA 5 OBJETIVOS DA ENTREVISTA (BARROS, 2016) 6 Iniciar a abordagem apresentando-se, citando a sua função dentro da instituição; Chamar o paciente pelo nome precedido de senhor(a), senhorita; Evitar uso de apelidos (vozinho, mãezinha...), podem dar a falsa ideia de intimidade; Solicitar a colaboração do cliente esclarendo-o sobre o propósito da entrevista e a sua importância; (BARROS, 2016) Fase 1 da entrevista - Introdução 7 Início à entrevista propriamente dita; Primeira pergunta: “Como o senhor(a) está?”; O paciente deve ser encorajado e estimulado a expressar a percepção que possui de sua história de saúde, queixas, sentimentos, sofrimentos, hábitos, costumes...; De maneira gradativa, o enfermeiro direciona a abordagem para outras áreas, com a finalidade de ter uma visão global do paciente. (BARROS, 2016) Fase 2 da entrevista - Corpo 8 São aquelas que podem ser respondidas com “sim”, “não” ou outra resposta curta; São úteis em casos de pacientes muito ansiosos ou com dificuldades de comunicação; DESVANTAGEM - Limitações quanto às informações; Exemplos: 1. Você está sentindo alguma dor? 2. Você, às vezes, bebe excessivamente? 3. Você tem algum histórico familiar de doença cardíaca? PERGUNTAS FECHADAS 9 Propiciam a oportunidade de expor a percepção e mostrar o que é realmente significativo do ponto de vista, fornecendo informações amplas; DESVANTAGEM – Respostas longas permitindo que o paciente se desvie do foco de interesse ou do tema abordado na questão; Exemplos: 1. Fale-me sobre a sua dor; 2. Conte-me sobre o seu uso de álcool PERGUNTAS ABERTAS 10 11 Prepare o paciente para o encerramento; Resuma os pontos principais da anamnese; Certifique-se de ter registrado todos os dados importantes. Pergunte ao paciente: “Você gostaria de me dizer mais alguma coisa?” Agradeça ao paciente por ter respondido às perguntas; Estimule o paciente a mantê-lo informado; Informe ao paciente quando você irá embora, quando você o verá novamente e o que ele pode esperar para o restante do dia (exames, tratamentos). Fase 3 da entrevista - Fechamento 12 Nesta fase o enfermeiro deixe que o paciente seja “entrevistador” dispondo-se a esclarecer suas dúvidas quanto ao tratamento e às rotinas do hospital, além de estabelecer metas conjuntas a respeito do planejamento da assistência de enfermagem. Fase 3 da entrevista - Fechamento 13 Habilidade técnica (formular as perguntas, condução da entrevista); Conhecimento (capacidade de interpretar o dado coletado e desenvolver raciocínio clínico); Crenças, valores e referência teórico-filosófico; Habilidade de relacionamento interpessoal (comunicação verbal; não- verbal e ambiente interno); FATORES QUE INTERFEREM NA COLETA DE DADOS 14 1) Fornecer tranquilização falsa para o paciente; 2) Dar conselhos não solicitados; 3) Uso de autoridade; 4) Uso do eufemismo; 5) Distanciamento; 6) Uso de jargão profissional; 7) Uso de perguntas tendenciosas ou direcionadas; 8) Falar demais; 9) Interrupção; 10) Fazer perguntas do tipo “por que”? 10 ARMADILHAS DA ENTREVISTA EXAME FÍSICO 15 Antes de iniciar o exame físico, é necessário: Estabelecer uma boa relação com o cliente; Proporcionar ambiente tranquilo; Manter postura e apresentação pessoal do enfermeiro; Demonstrar respeito e confiança (mútuos); Lavar as mãos. 16 Iluminação adequada, natural ou artificial – essencial para a distinção de cor, textura e hidratação das superfícies do corpo; Local silencioso – eliminar a possibilidade de ruídos estranhos interferirem na ausculta; As mãos do examinador devem estar aquecidas e as unhas curtas. Respeitar o paciente, desnudando-o apenas o segmento a ser inspecionado, atendo-se para à região de maior queixa; Deve-se continuar inspecionando o paciente mesmo durante a palpação, percussão e ausculta; 17 CUIDADOS ADICIONAIS E X A M E F ÍS IC O Pele e anexos Cabeça e pescoço Olhos, ouvido, nariz e boca Tórax e abdome Sistema cardiovascular Sistema respiratório Sistema musculoesquelético 18 MÉTODOS PROPEDÊUTICOS 19 INSPEÇÃO PALPAÇÃO PERCUSSÃO AUSCULTA INSPEÇÃO 20 Definição: Consiste no processo de observação e em usar os sentidos de visão, olfato e audição para avaliar a condição de várias partes do corpo, incluindo quaisquer desvios da normalidade. Atentar para: Observação completa e sistemática de cada parte do corpo (expostas) não esquecendo de atentar para a privacidade; Sempre observe antes de tocar; INSPEÇÃO 21 Aspectos observados durante o procedimento: Lembre-se: inspecionar cada área do corpo quanto a tamanho, cor, formato, posição e simetria, anotando os achados normais e quaisquer alterações. Estática – quando se observam apenas os contornos anatômicos; Dinâmica – foco de atenção do observador está centrado nos movimentos próprios do segmento inspecionado; Frontal – técnica de olhar de frente a região a ser examinada; Inspeção tangencial – Indicada para pesquisar movimentos mínimos na superfície corporal, como pulsações, abaulamentos, retrações, ondulações. 22 TIPOS DE INSPEÇÃO OBSERVE E COMENTE SUAS IMPRESSÕES 23 24 PALPAÇÃO Definição: Permite a obtenção de dados através do tato e pressão; Pode ser: superficial ou profunda; Muito eficaz para avaliar órgãos e massas internas; Inspeção e palpação se complementam. 25 PALPAÇÃO 26 Atentar para: Textura (aspereza/suavidade); Temperatura (aquecido, quente, frio); Espessura; Volume; Mobilidade (imobilidade, vibração); Consistência de estruturas (sólido, líquido); Resistência e elasticidade. Não esqueça: Palpar a área mais sensível por último. 27 CARACTERÍSTICAS DE GRÂNULOS DETERMINADOS POR PALPAÇÃO Arredondada; ovoide; tubular; irregular. Medido em centímetros. Firme; edematosa; esponjosa; cística. Lisa; nodular; granular. Fixa; móvel. Quantidade de sensibilidade ao toque. Pulsação pode ou nãoser sentida ao toque. Dorso das mãos e dedos: Medida geral da temperatura. Superfície palmar: Obter dados sobre textura, formato, líquidos, tamanho, consistência e pulsação; A vibração é melhor palpada com a palma da mão. 28 PALPAÇÃO REGIÕES DO ABDOME 29 30 Divide-se o abdome em três andares: Epigástrica; Mesogástrica e Hipogástrica; Linhas verticais direita e esquerda passam pelos pontos médios dos ligamentos inguinais 31 SITUAÇÃO DOS ÓRGÃOS ABDOMINAIS QSD – lobo direito do fígado, vesícula biliar, piloro, duodeno, cabeça do pâncreas, flexura hepática do colo e parte dos colos ascendente e transverso; QSE – lobo esquerdo do fígado, estômago, corpo do pâncreas, flexura esplênica do colo e parte dos colos transverso e descendente; QID – ceco, apêndice vermiforme e parte do colo ascendente; QIE – colo descendente e parte do colo sigmóide; 32 SITUAÇÃO DOS ÓRGÃOS ABDOMINAIS: Hipocôndrio direito - parte do fígado, flexura hepática do colo; Epigastro – cárdia, estômago, piloro, parte do fígado, colo transverso e o pâncreas; Hipocôndrio esquerdo – baço, flexura esplênica do colo; Flanco ou região lateral à direita – parte do apêndice vermiforme, ceco e colo ascendente; Região umbilical – intestino delgado, íleo; Flanco ou lateral à esquerda – colo descendente; Região inguinal direita – Parte do apêndice vermiforme; 33 FORMAS DE PALPAÇÃO 34 BIMANUAL: Palpar mamas e órgãos abdominais profundos. Use as duas mãos, uma de cada lado da parte do corpo ou dos órgãos que se deseja sentir. A mão que fica por cima é aplicada para fazer pressão e a de baixo para detectar estruturas profundas. MÃOS SUPERPOSTAS MÃOS ESPALMADAS POLPA DIGITAL UNI-MANUAL EM PINÇA DIGITOPRESSÃO FORMAS DE PALPAÇÃO 35 PERCUSSÃO 36 Definição: Consiste em “golpear” uma parte do corpo para identificar sensibilidade ou sons que variam com a densidade das estruturas adjacentes. A mão não-dominante é colocada sobre a área a ser percutida, com os dedos levemente separados e o dedo médio firmemente colocado sobre a superfície do corpo; A outra mão (dominante) produz a força da batida, iniciada por um movimento brusco do punho para baixo, com o antebraço parado e o pulso relaxado. PERCUSSÃO 37 As vibrações obtidas têm características próprias quanto a intensidade, tonalidade e timbre, de acordo com a estrutura anatômica percutida; Fornece ao examinador dados sobre localização, formato, tamanho e densidade dos tecidos ou estruturas percutidas; PERCUSSÃO 38 Técnicas relatadas para esse procedimento: Percussão direta; Percussão dígito-digital; Punho-percussão; Percussão com borda da mão; Percussão por piparote; DIRETA – Golpeando-se com as pontas dos dedos a região-alvo (dedos fletidos – martelo); PERCUSSÃO 39 DÍGITO-DIGITAL – Golpeando-se com dedo a borda ungueal ou a superfície dorsal da segunda flange do dedo médio ou indicador da outra mão, que se encontra espalmada e apoiada na região de interesse; PERCUSSÃO 40 PUNHO –PERCUSSÃO – mão fechada; BORDA DA MÃO – dedos estendidos e unidos. Golpeia-se com a borda ulnar; POR PIPAROTE – Utilizada para pesquisar ascite; Com uma das mãos, o examinador golpeia o abdome com piparotes, enquanto a outra mão, espalmada na região contralateral, capta ondas líquidas que se chocam com a parede abdominal; BORDA DA MÃO DIGITAL DIGITO- DIGITAL PIPAROTE PUNHO-PERCUSSÃO PERCUSSÃO 41 SONS OBTIDOS NA PERCUSSÃO 42 Refletem a intensidade da superfície subjacente SONS OBTIDOS NA PERCUSSÃO TÓRAX ANTERIOR 43 44 SONS OBTIDOS NA PERCUSSÃO TÓRAX POSTERIOR AUSCULTA 45 Definição: Escutar sons do corpo provenientes da respiração, coração e alças intestinais - estetoscópio. Atentar para: Estetoscópio adequado ao cliente e de boa qualidade. AUSCULTA 46 Atentar para: Deve ser realizada em ambiente sem ruído externo e sossegado. O estetoscópio deve ser colocado sobre a pele nua, pois os tecidos obscurece, os sons; Campânula: Utilizada para detectar sons de baixa intensidade; Diafragma: Utilizado para detectar sons de maior intensidade. 47 Estrutura do Estétóscopio SONS OBTIDOS NA AUSCULTA 48 SONS OBTIDOS NA AUSCULTA 49 50 AUSCULTA PULMONAR ALGUNS INSTRUMENTOS E APARELHOS NECESSÁRIOS NO EXAME FÍSICO • Esfigmomanômetro; • Estetoscópio; • Termômetro; • Fita métrica; • Lanterna; • Otoscópio; • Olftamoscópio; • Algodão; • Agulha; • Abaixador de língua; • Pupilômetro; 51 52 1. BARROS, Alba Lucia Botura Lucia. Anamnese e Exame Físico. 3 ed. Porto Alegre: Artmed, 2016. 2. BUETTO, Luciana Scatralhe; SONOBE, Helena Megumi. Sistematização do cuidar II. Rio de Janeiro: SESES, 2015. 3. CHAVES, L. C.; POSSO, M. B. S. (Org.). Avaliação física em enfermagem. Barueri (SP): Manole, 2012. (Biblioteca virtual) 4. PORTO, Celmo Celeno; PORTO, Arnaldo Lemos. Exame clínico: bases para a prática médica. 8.ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2017. 5. POTTER, P. A.; PERRY, A. G. Fundamentos de enfermagem. Rio de Janeiro: Elsevier, 2018. REFERÊNCIAS 53