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APRENDIZAGEM ORGANIZACIONAL, COMPETÊNCIAS E GESTÃO DO CONHECIMENTO AULA 1 Prof.a Ana Paula Escorsin 2 CONVERSA INICIAL Em nossa primeira aula, vamos analisar algumas definições importantes sobre as competências no contexto organizacional. Com o processo de globalização, houve incremento da concorrência em um mercado competitivo, fez-se necessário maior nível de complexidade das arquiteturas das corporações, as relações comerciais se modificaram, aumentaram as exigências por produtos e serviços que tenham maior valor agregado. Para que você compreenda as competências como modelo de gestão para as organizações, a primeira aula terá a seguinte estrutura: Conceito de competências Competências organizacionais e individuais Entrega de competências Mapeamento de competências Avaliação e certificação de competências CONTEXTUALIZANDO Com base no material estudado, faça uma análise da empresa em que você trabalha. A partir dessa análise, identifique: quais seriam as competências organizacionais para a sua empresa? Para essa identificação, você pode utilizar um dos dois métodos sugeridos por Takahashi (2015, p. 49). O primeiro método se refere a consultar o planejamento estratégico da empresa (como site na internet, ver a missão, a visão, os objetivos) e o segundo método é realizar algumas conversas (entrevistas) com alguns outros funcionários; veja um exemplo de modelo de formulário em Takahashi (2015, p. 50). PESQUISE Para melhor embasar sua análise sobre a definição das competências organizacionais para a empresa que trabalha, consulte o material a seguir: TAKAHASHI, A. R. W. Competências, aprendizagem organizacional e gestão do conhecimento. Curitiba: Intersaberes, 2015. p. 48-50. 3 BRANDÃO, H. P.; GUIMARÃES, T. A. Gestão de competências e gestão de desempenho: tecnologias distintas ou instrumentos de um mesmo construto? Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/rae/v41n1/v41n1a02.pdf TEMA 1 – CONCEITO DE COMPETÊNCIAS O conceito de competências passou por transformações ao longo dos tempos. Para Takahashi (2015, p. 16), os primeiros estudos foram realizados na década de 1970 por McClelland. Esse autor propôs substituir os testes de QI (quociente de inteligência) por abordagem de competências para seleção de pessoas. A partir disso, para a autora, estabelecem-se duas correntes de estudos: uma com ênfase em estratégia e análise organizacional e outra com ênfase no indivíduo e na gestão de pessoas em organizações, as quais serão abordadas no segundo tema desta aula. Competências, em linhas gerais, é uma forma de expressão do quão bem uma empresa desempenha as atividades necessárias para o seu sucesso (Takahashi, 2015, p. 23). Dutra (2004, p. 24), comentando Fleury (2000), diz que é o “saber agir responsável e reconhecido, que implica mobilizar, interligar, transferir conhecimentos, recursos, habilidades que agreguem valor econômico à organização e valor social ao indivíduo”. Para Takahashi (2015, p. 23), “a noção de competências está associada a ações, como: saber agir, mobilizar recursos, integrar saberes múltiplos e complexos, saber aprender, saber se engajar, assumir responsabilidades e ter visão estratégica”. Takahashi (2015, p. 23), comentando Bruno-Faria e Brandão (2003), aponta que “competências representam combinações sinérgicas de conhecimentos, habilidades e atitudes, expressos pelo desempenho profissional, dentro de determinado contexto organizacional”. A competência, segundo Dutra (2004, p. 23), “"pode ser atribuída a diferentes atores”. Para o autor, de um lado, está a organização, com um conjunto de competências que lhe é próprio, decorrente do processo de desenvolvimento da organização, concretizado em seu patrimônio de 4 conhecimentos, o qual establece vantagens competitivas à empresa no contexto em que está inserida. Diz o autor que, de outro lado, estão as pessoas, com seu conjunto de competências (Dutra, 2004, p. 23). Entre a organização e as pessoas se processa uma contínua troca de competências. A organização transfere suas competências às pessoas, preparando-as para enfrentar novos desafios profissionais e pessoais, tanto dentro da organização como fora dela. As pessoas, ao desenvolverem suas capacidades, transferem à organização seus aprendizados, capacitando-a a gerenciar os novos desafios do mercado em que está inserida (Dutra, 2004). Dessa forma, o conceito de competência, para Dutra (2004, p. 24), transforma-se em instrumento de gestão, o qual busca: “integrar a gestão de pessoas às estratégias organizacionais. integrar as competências organizacionais às competências individuais” (Dutra, 2004, p. 24). Em sintese, a organização existe como um sistema de competências. Esse sistema define o desempenho da empresa e confere a ela vantagens competitivas, dependendo da forma como utiliza e articula seus recursos (Takahashi, 2015). Com essas ideias, finalizamos o conceito inicial de competências. O próximo tema abordará a relação entre as competências organizacionais e as individuais. Leitura Obrigatória TAKAHASHI, A. R. W. Competências, aprendizagem organizacional e gestão do conhecimento. Curitiba: Intersaberes, 2015. Capítulo 1, p. 15 a 24. Saiba Mais VIEIRA, A. E GARCIA, F. C. Gestão do Conhecimento e das Competências Gerenciais: um estudo de caso na indústria automobilística. RAE. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/raeel/v3n1/v3n1a07.pdf>. Acesso em: 12 set. 2016. Introdução, p. 3; 4. Assista ao vídeo do YouTube, o qual apresenta o modelo de gestão por competências implantado pelo TRE do Rio Grande do Norte. 5 Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=yV_0SRUg-4Y TEMA 2 – COMPETÊNCIAS ORGANIZACIONAIS E INDIVIDUAIS Vimos no primeiro tema que existem duas abordagens para as competências, uma com ênfase nas organizacionais e outra com ênfase nas individuais. A seguir, veremos essas duas abordagens. 1. Competências organizacionais As competências organizacionais se referem ao nível coletivo de uma empresa. Esse tipo de competência representa o valor que é agregado a uma organização resultante do trabalho realizado em conjunto, implica cooperação entre todas as pessoas (Takahashi, 2015). As competências organizacionais retratam o diferencial de uma empresa, apontam em quais aspectos essa organização quer ser reconhecida pelo mercado em que atua, sendo a base para definir suas ações. As competências organizacionais diferenciam uma corporação, constituem aquilo que ela faz bem e que é impossível de ser imitado pela concorrência, a curto prazo. Torna-se importante que as empresas identifiquem suas competências, para que melhor utilizem seus recursos a fim de atingir vantagens competitivas e visualizar novas oportunidades de mercado. 2. Competências individuais Para Dutra (2004, p. 30), há uma grande diversidade de conceitos sobre competências individuais, as quais se complementam. A escola americana entende como o conjunto de conhecimentos, habilidades e atitudes necessárias para a pessoa exercer um cargo. A escola francesa entende como a entrega da pessoa para a organização. Vamos analisar as competências individuais como o somatório dessas duas linhas. As competências individuais (ou humanas ou profissionais) são as que expressam os conhecimentos, as habilidades e as atitudes dos indivíduos que trabalham em uma organização. Dessa ideia, originou-se a sigla CHA, em que o“C” significa conhecimento, o “H”, habilidade e o “A”, atitude. 6 Os conhecimentos, para Takahashi (2015), são as informações, o saber o quê e o porquê. As habilidades são as técnicas, a capacidade e o saber como fazer. As atitudes são o querer fazer, a identidade e a determinação. Essas competências se diferenciam conforme a complexidade do trabalho, manifestam-se pelas ações práticas realizadas pelos funcionários e se referem ao conjunto de atributos ou recursos de um indivíduo (Takahashi, 2015, p. 35). Dutra (2004, p. 30) aponta que a competência é colocar em prática o que se sabe em um determinado contexto, levando-se em conta as relações de trabalho, a cultura da empresa, imprevistos, limitações de tempo e de recursos. Pode-se falar de competência quando há ação, ou seja, é saber ser e mobilizar o repertório individual em diferentes momentos. Em uma organização, as competências individuais devem estar alinhadas às competências organizacionais para que as suas estratégias e os seus objetivos sejam alcançados. É preciso que haja convergência entre a visão da empresa com aquilo que ela e os funcionários desenvolvem. Após termos analisado esse segundo tema, vamos abordar o conceito de entrega, para isso, veja o nosso próximo assunto. Leitura Obrigatória TAKAHASHI, A. R. W. Competências, aprendizagem organizacional e gestão do conhecimento. Curitiba: Intersaberes, 2015. p. 25- 28; p. 35-43. Saiba Mais VIEIRA, A. E.; GARCIA, F. C. Gestão do conhecimento e das competências gerenciais: um estudo de caso na indústria automobilística. RAE. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/raeel/v3n1/v3n1a07.pdf TEMA 3 – ENTREGA DE COMPETÊNCIAS Para melhor compreendermos o conceito de entrega, pense na seguinte situação: um funcionário da área de compras de uma empresa que tem um adequado conjunto de conhecimentos conduz os processos de compras com experiência, rapidez e cordialidade para com os clientes internos e com os fornecedores, porém, por vezes, privilegia determinados fornecedores por 7 serem seus amigos, mesmo quando estes estão com preços mais elevados. Esse funcionário tem as competências para o cargo, no entanto, sua entrega, ou seja, o resultado do seu trabalho está desalinhado com os resultados requeridos pela empresa, portanto, sua entrega não agrega valor à organização, mas sim a alguns fornecedores. Nesse exemplo, podemos dizer que o funcionário é competente? O que você pensa sobre isso? Afinal, ele possui o conhecimento, a habilidade e até a atitude para o cargo de comprador. Mas e o seu resultado ou a sua entrega, como estão? Podemos dizer que estão desalinhados com os resultados organizacionais. A partir desse exemplo, podemos analisar que competência envolve o somatório de dois aspectos: a entrega e as características da pessoa, e essas características a ajudam a entregar com maior facilidade (Dutra, 2004). Takahashi (2015), citando Zarifian (2001), diz que competência é a tomada de iniciativa e responsabilidade do indivíduo em situações de trabalho. Como a competência se dá por meio de ação, é preciso que o indivíduo queira entregar essa ação por meio do seu trabalho de forma que agregue valor à organização. As competências individuais são combinações sinérgicas de conhecimentos, habilidades, atitudes e entregas expressas pelo desempenho profissional, que agrega valor à empresa e se dá no contexto do trabalho (Takahashi, 2015). Dutra (2004, p. 31) diz que “as pessoas atuam como agentes de transformação de conhecimentos, habilidades e atitudes em competência entregue para a organização. A competência entregue pode ser caracterizada como agregadora de valor ao patrimônio de conhecimento da organização”. O conceito de agregar valor fica claro para você? Que tal falarmos um pouco sobre isso? Agregar valor, para Dutra (2004), é como algo que a pessoa entrega para a organização de forma efetiva, ou seja, que fica mesmo quando o funcionário sai da empresa. Agregar valor não é atingir metas de faturamento ou de produção, mas melhorar processos ou desenvolver novas tecnologias. Vamos voltar ao nosso exemplo do início, o do funcionário do setor de compras. Como poderíamos pensar em um funcionário que tivesse as competências e que entregasse agregando valor à empresa? 8 Vejamos: caso o funcionário tivesse adequado conjunto de conhecimentos, conduzisse os processos de compras com experiência, rapidez e cordialidade, e, além disso, percebesse uma inadequação do processo, a qual permitisse que os funcionários da área de compras privilegiassem alguns fornecedores e, com essa percepção, fizesse um novo desenho para o fluxo de compras que protegesse a empresa desse tipo de situação, elaborasse um projeto, apresentando-o ao gestor e esse projeto fosse aprovado, você imaginaria que nessa situação o funcionário estaria sendo competente, entregando e agregando valor à organização? O conceito de competências individuais só estará completo se associarmos a ele estes dois outros aspectos: entrega e agregar valor. Como você poderia pensar nesse conceito para um profissional da área de RH de uma empresa? Vejamos um exemplo: um funcionário que atua na área de RH de uma empresa tem formação superior em RH, e, durante sua faculdade desenvolveu, na prática, todos os processos de RH, portanto, sabe como fazê-los, demostra facilidade de relacionamento, é inovador, tem iniciativa e desenvolve um novo processo de seleção de pessoas com base em competências. Podemos dizer que esse funcionário possui as competências requeridas para o cargo, que sua entrega agrega valor à empresa em que está trabalhando. Espero que esse conceito de entrega de competências tenha ficado claro para você. Em nosso próximo tema, vamos ver como são identificadas as competências organizacionais e as individuais, identificação chamada de mapeamento de competências. Leitura Obrigatória TAKAHASHI, A. R. W. Competências, aprendizagem organizacional e gestão do conhecimento. Curitiba: Intersaberes, 2015. p. 39-40. Saiba Mais MOREIRA, C. Vinculando competência à capacidade de entrega. Disponível em: http://www.rh.com.br/Portal/Desempenho/Artigo/7919/vinculando-competencia- a-capacidade-de-entrega.html 9 TEMA 4 – MAPEAMENTO DE COMPETÊNCIAS Para que uma empresa saiba quais são as competências organizacionais e as individuais que precisa para atingir seus resultados, faz-se necessário que haja um mapeamento ou uma identificação dessas competências. Takahashi (2015, p. 48) diz que o mapeamento “é realizado para identificar a lacuna (gap) entre as competências (organizacionais e individuais) existentes na organização e as competências desejadas por ela”. Existem técnicas e métodos para realizar o mapeamento de competências (Takahashi, 2015, p. 49). Vejamos quais são os principais passos para mapear competências. O primeiro passo é mapear as competências organizacionais. Estas podem ser mapeadas por meio do planejamento estratégico, com a definição da missão, da visão de futuro, dos objetivos, do estabelecimento de indicadores de desempenho e das metas organizacionais. Outra forma de mapeá-las se dá por meio de entrevistas com os funcionários que trabalham na empresa. Essas entrevistas podem ser individuais ou coletivas, em reuniões com áreas ou com cargos específicos; pode-se, inclusive, utilizar-se de um questionário para subsidiar as reuniões. Precisam ser conduzidas com cuidado para garantir a confiabilidade e o sigilo dos dados coletados. Com esse mapeamento feito,podem surgir competências que não são tão relevantes para atingir os objetivos organizacionais, por isso, faz-se necessário identificar as que estão, de fato, alinhadas com as estratégias da empresa. O segundo passo se refere a mapear as competências individuais, aquelas necessárias para que os colaboradores trabalhem alinhados com a organização. O método a ser seguido é o mesmo do mapeamento das organizacionais. O terceiro passo é certificar-se de que competências a empresa apresenta. Veremos esse passo no tema cinco desta aula. Com as competências mapeadas e certificadas, a empresa passa a ter sua gestão baseada em competências, o que requer da área de gestão de pessoas que alinhe seus processos de atração de pessoas, de treinamento e 10 desenvolvimento, de avaliação de desempenho e de recompensa às competências mapeadas. O mapeamento de competências deve ser feito periodicamente, pois a cada revisão do planejamento estratégico e de acordo com os resultados organizacionais novas competências são requeridas. É preciso, também, desenvolver as competências individuais, por meio dos programas de treinamento e da gestão do desempenho dos colaboradores. Leitura Obrigatória TAKAHASHI, A. R. W. Competências, aprendizagem organizacional e gestão do conhecimento. Curitiba: Intersaberes, 2015. p. 48-52. Saiba Mais BRANDÃO, H. P.; BABRY, C. P. Gestão por competências: métodos e técnicas para mapeamento de competências - mapeamento de competências (p. 4-11). Disponível em: http://seer.enap.gov.br/index.php/RSP/article/download/224/229 TEMA 5 – AVALIAÇÃO E CERTIFICAÇÃO DE COMPETÊNCIAS Vimos a importância e como mapear as competências, mas a gestão por competências não para por aí, é preciso certificar e avaliar se as que foram mapeadas estão em sintonia com as diretrizes da empresa. Para Takahashi (2015, p. 66), “a certificação de competências é um processo de avaliação utilizada para reconhecê-las e atestá-las”. Esse processo visa comparar o resultado do desempenho com o que se espera de desempenho, segundo Takahashi (2015), citando Brandão e Guimarães (2001). 1. Avaliação das competências organizacionais Para avaliar as competências organizacionais, é preciso seguir um modelo. Takahashi (2015) sugere o modelo de Mills (2002), no qual se compara “o desempenho da organização com o dos concorrentes” (Takahashi, 2015, p. 66). Para essa avaliação, elabora-se um questionário para entrevistar os funcionários. Nesse questionário são avaliadas duas ou três competências 11 organizacionais identificadas no mapeamento, aquelas que a empresa considera essenciais. Os funcionários participantes devem ser orientados a responder, sempre, em relação aos concorrentes. Após obter os resultados individuais, é necessário compará-los com todos os resultados, para encontrar o consenso de respostas. Ao avaliar as competências organizacionais da empresa em relação ao concorrente, é possível identificar se o cenário de competências estabelecido para a organização está coerente. Caso seja identificada alguma inconsistência, é necessário fazer ajustes das competências organizacionais mapeadas. Takahashi (2015), na p. 66, traz o modelo de um quadro com um dos aspectos a serem pesquisados, como o desempenho da empresa. Vejamos o exemplo no Quadro 1. Quadro 1 - Exemplo de avaliação de competências Fonte: Takahashi (2015, p. 66), citando Mills (2002). Vejamos outro exemplo: uma empresa que ao mapear as competências organizacionais identificou “foco no cliente” como uma entre as três mais relevantes, após a pesquisa com modelo do quadro, identificou que foco no cliente é força de alta competência, e, com essa constatação, fixou-a como uma de suas competências. Portanto, esse modelo visa definir as principais competências organizacionais (entre duas a três competências). Porém, o processo de avaliação ainda não terminou, pois há mais uma etapa. Nessa última etapa, são definidos os recursos necessários para cada uma das competências. Takahashi (2015) diz que podem ser utilizadas duas metodologias ou visão baseada em recursos (VBR) ou a de Grant (1991), que classifica os recursos em seis diferentes tipos, como: humanos, financeiros, físicos, organizacionais, reputacionais e tecnológicos. Desempenho da empresa Força ou fraqueza Competência Muito abaixo da média do setor Fraqueza significativa Muito baixa Abaixo da média do setor Fraqueza Baixa Na média do setor Nem força nem fraqueza Média No mesmo nível que o melhor Força Alta Liderança inquestionável Força significativa Muito alta 12 Vamos retornar ao exemplo acima, o da empresa que definiu como uma de suas competências o “foco no cliente”. Após essa definição, é preciso que a empresa identifique de quais recursos vai necessitar para que essa competência seja efetiva. Por exemplo: pode identificar que precisa de recursos financeiros para melhorar sua área de atendimento ao cliente e para treinar seus colaboradores. Esses recursos avaliados terão de fazer parte de seu orçamento, de suas ações. É importante mencionar que a avaliação das competências organizacionais é um exercício, e não um julgamento (Takahashi, 2015, p. 71). Takahashi (2015, p. 66) diz que “a avaliação pode ser conduzida por uma pessoa, por uma equipe ou por um consultor especializado”. 2. Avaliação das competências individuais Segundo Takahashi (2015, p. 71), “as competências individuais podem ser atestadas por meio da certificação de competências, um processo de avaliação que reconhece se as pessoas estão de fato tendo o desempenho esperado, definido pela organização”. Cabe reforçar que as competências são dinâmicas e podem mudar, tanto para melhor como para pior, por isso, devem ser reavaliadas, frequentemente (Takahashi, 2015, p. 69). Leitura Obrigatória TAKAHASHI, A. R. W. Competências, aprendizagem organizacional e gestão do conhecimento. Curitiba: Intersaberes, 2015. p. 66-72. Saiba Mais ALMEIDA, L. F.; CATTO, F.; ROSA, E. A.; MONTEIRO, R. C. R. V.; HASSMANN, S. N. J. C. Certificação de competências organizacionais: protótipo de modelo de gestão por competências. Revista Brasileira de Gestão e Desenvolvimento Regional, 2014. Disponível em: http://www.rbgdr.net/revista/index.php/rbgdr/article/view/1618 TROCANDO IDEIAS Com base no material estudado, vamos fazer um fórum de debates! 13 Nesse fórum, vamos analisar a sua atuação enquanto profissional da área de recursos humanos. A partir dessa análise, mapeie as competências necessárias para o profissional de RH. Troque ideias com os colegas! Para auxiliá-los na definição das competências para o profissional de RH, consulte o artigo: ULRICH, D.; YOUNGER, J.; BROCKBANK, W.; ULRICH, M. As novas competências de RH: parceria de negócios de fora para dentro. Disponível em: http://rbl.net/pdfs/latam/newhr-port.pdf NA PRÁTICA Leia o caso abaixo: A empresa – Lojas Minha Casa – atua no ramo comercial de eletrodomésticos, e está implantando gestão por competências. Ao mapear as competências organizacionais, identificou as seguintes competências como essenciais para os resultados da empresa: Orientação para o cliente Foco na execução dos trabalhos com resultado Trabalho em equipe Você é um profissional que atua na área de RH das Lojas Minha Casa e foi convidado a fazer parte da equipe que realizará a certificação das competências organizacionais. Essa equipe irá utilizar o quadro modelo de avaliação de competências organizacionaisconforme proposto por Takahashi (2015, p. 66), seguindo o modelo Mills (2002). Para a resolução do caso você deve: a) Compreender o caso citado acima. b) Elaborar o modelo de avaliação contendo três quadros (um para cada competência organizacional). c) Para auxiliá-lo na elaboração do modelo com os três quadros, você pode retornar ao tema 5 desta aula – Avaliação e certificação de competências –, além de consultar o capítulo 3, p. 66, do livro: TAKAHASHI, A. R. W. 14 Competências, aprendizagem organizacional e gestão do conhecimento. Curitiba: Intersaberes, 2015. d) Você deve simular um resultado para a empresa Lojas Minha Casa em relação às três competências organizacionais, fazendo um relato sobre os resultados encontrados. Apresentação da solução do caso para a empresa Lojas Minha Casa: O modelo de avaliação das competências organizacionais com os três quadros: Quadro com a primeira competência organizacional “orientação para o cliente”. Quadro com a segunda competência “foco na execução dos trabalhos com resultado” Quadro com a terceira competência “trabalho em equipe” Orientação para o cliente Força ou fraqueza Competência Muito abaixo da média do setor Fraqueza significativa Muito baixa Abaixo da média do setor Fraqueza Baixa Na média do setor Nem força nem fraqueza Média No mesmo nível que o melhor Força Alta Liderança inquestionável Força significativa Muito alta Foco na execução dos trabalhos com resultado Força ou fraqueza Competência Muito abaixo da média do setor Fraqueza significativa Muito baixa Abaixo da média do setor Fraqueza Baixa Na média do setor Nem força nem fraqueza Média No mesmo nível que o melhor Força Alta Liderança inquestionável Força significativa Muito alta Trabalho em equipe Força ou fraqueza Competência Muito abaixo da média do setor Fraqueza significativa Muito baixa Abaixo da média do setor Fraqueza Baixa Na média do setor Nem força nem fraqueza Média No mesmo nível que o melhor Força Alta Liderança inquestionável Força significativa Muito alta 15 Simulação do resultado para a empresa Lojas Minha Casa em relação às três competências organizacionais. O aluno pode encontrar um resultado como o do exemplo abaixo; para tal resultado, pode fazer o seguinte relato: A competência organizacional orientação para o cliente se encontra no mesmo nível da dos melhores concorrentes, portanto é uma força alta. A competência organizacional foco na execução dos trabalhos com resultado se encontra na média das empresas do mesmo setor, portanto não é força e nem fraqueza. A empresa está em uma faixa média em relação a essa competência, portanto, requer que seja desenvolvida. Em relação à competência organizacional trabalho em equipe, a empresa é uma liderança inquestionável, portanto a competência é muito alta. Essa competência, também, requer atenção, por ser valorizada em demasia pelos funcionários. FINALIZANDO Nesta primeira aula, analisaram-se os conceitos introdutórios de competências, para que, com base nessas ideias iniciais, possamos compreender o funcionamento da gestão por competências e o quanto essa se mostra como fator de sucesso para as organizações contemporâneas, pois possibilita alinhar as estratégias organizacionais aos resultados e às entregas individuais, de forma a agregar valor tanto para a organização como para o indivíduo e o meio social no qual a empresa está inserida. Compreendemos que as competências se dividem em: organizacionais e individuais. As organizacionais são aquelas gerais, relativas à empresa e que todos os colaboradores devem ter. As individuais são as relativas às pessoas ou aos profissionais, as quais são utilizadas para a realização das atividades diárias. Vimos que ao conceito de competências se vincula o conceito de entrega, pois as ações realizadas pelos colaboradores nos exercícios de suas atividades precisam agregar valor à organização. As competências precisam ser mapeadas com a participação dos colaboradores e observando o planejamento estratégico da empresa. Para a garantia de sua adequação ao cenário atual da empresa, após mapeadas, as 16 competências precisam ser certificadas por meio de criterioso processo de avaliação. Como as competências são dinâmicas e podem mudar, precisam ser reavaliadas, periodicamente. REFERÊNCIAS DUTRA, J. S. Competências: conceitos e instrumentos para a gestão de pessoas na empresa moderna. São Paulo: Atlas, 2004. TAKAHASHI, A. R. W. Competências, aprendizagem organizacional e gestão do conhecimento. Curitiba: Intersaberes, 2015. APRENDIZAGEM ORGANIZACIONAL, COMPETÊNCIAS E GESTÃO DO CONHECIMENTO AULA 2 Prof. Ana Paula Escorsin 2 CONVERSA INICIAL Nesta segunda aula, vamos aprofundar os conhecimentos sobre as competências. Para tanto, analisaremos como as competências podem ser desenvolvidas tanto nas empresas como em relação aos colaboradores. Abordaremos a importância de haver coerência entre as competências organizacionais e as individuais. Muitas empresas implantam gestão por competências, porém poucas, de fato, utilizam-na em sua íntegra, e uma das razões é a dificuldade em estabelecer ações que visem ao seu desenvolvimento. Para que você seja um profissional que possui diferencial junto ao mercado de trabalho, vamos aprender esses temas da seguinte forma: Competências individuais no mundo do trabalho Desenvolvimento das competências individuais Categorias das competências organizacionais Desenvolvimento das competências organizacionais Alinhamento entre competências individuais e organizacionais CONTEXTUALIZANDO Com base no material estudado, faça uma análise de como a empresa em que você trabalha procura conduzir o desenvolvimento das competências de seus funcionários. Mesmo que sua empresa não tenha gestão por competências, veja como e se ela possibilita que os colaboradores se desenvolvam. Reflita sobre como você procura desenvolver suas competências. Você demonstra uma atitude empreendedora ao buscar ampliar suas capacidades ou prefere aguardar que a empresa lhe proporcione novos aprendizados? Para subsidiar essas suas reflexões, você deve analisar quem é o responsável pelo desenvolvimento das competências individuais em uma organização? O que os autores estudados nesta aula abordam sobre esse tema? 3 PESQUISE Para melhor embasar sua análise sobre o desenvolvimento das competências individuais, leia: TAKAHASHI, A. R. W. Competências, aprendizagem organizacional e gestão do conhecimento. Curitiba: Intersaberes, 2015. p. 37-41. SANT'ANNA, A. de S.; MORAES, L. F. R.; KILIMNIK, Z. M. Competências individuais, modernidade organizacional e satisfação no trabalho: um estudo de diagnóstico. Revista RAE-eletrônica, 2005. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/raeel/v4n1/v4n1a01 TEMA 1 – COMPETÊNCIAS INDIVIDUAIS NO MUNDO DO TRABALHO Vivemos em uma época de profundas transformações das relações dos indivíduos com as organizações e com o trabalho. O conhecimento é produzido, aplicado e disseminado muito rapidamente, a complexidade das atividades demanda maior qualificação por parte dos profissionais. É possível verificar que em alguns postos de trabalho as pesssoas deixaram de ocupar posições operacionais para se direcionarem para atividades que requerem renovação de conhecimentos a fim de promoverações inovadoras às organizações (Takahashi, 2005, p. 37). Ocorreram duas outras mudanças no mundo do trabalho e levaram as organizações ao modelo de competências. Essas mudanças foram: a) a noção do desenvolvimento de serviços visando atender às necessidades dos clientes internos e externos e b) a comunicação como necessidade para haver concordância sobre os objetivos organizacionais (Takahashi, 2015, citando Zarifian, 2001). Nesse cenário corporativo, no qual conhecimentos produzidos são disseminados facilmente, a redução de postos de trabalhos operacionais em razão da tecnologia, dando lugar a atividades mais complexas, a noção do cliente e a necessidade de comunicações constantes trouxeram como consequência a necessidade de ampliar o perfil de competências dos profissionais. 4 As competências individuais no ambiente corporativo (como vimos no primeiro tema) são o conjunto de conhecimentos, habilidades, atitudes e entrega, as quais ocorrem por meio das ações dos colaboradores no contexto do trabalho e que agregam valor à organização. Tais competências podem ser direcionadas para áreas técnicas ou para áreas gerenciais, dependendo dos interesses de cada colaborador. Por exemplo: um engenheiro civil que tenha as competências técnicas mais desenvolvidas pode ter sua carreira profissional direcionada para a área técnica, com excelentes qualificações e remuneração, sem que tenha de assumir cargos de gestão, uma vez que não tem perfil para ser um líder. Um outro colaborador pode iniciar em uma organização em cargo técnico, por exemplo, como assistente de RH, porém, desenvolve o seu perfil de liderança e sua carreira profissional pode ser direcionada para atividades de coordenação ou de gerência e até de direção. Para que a noção de competências individuais no ambiente de trabalho se torne completa, faz-se necessário incrementar com um outro aspecto, que é a noção de complexidade. Para Takahashi (2015, p. 40), citando Fernandes (2006): O nível de complexidade está relacionado ao grau de abstração exigido para que a decisão tomada seja correta e possa ser mantida a partir do intervalo de tempo entre a tomada de decisão e a possibilidade de avaliação dos resultados dela decorrentes. Takahashi (2015, p. 40), citando Dutra (2004), diz que o nível de complexidade se altera em razão da posição ocupada por um profissional dentro da organização. Quanto maior for o nível de complexidade, maior será o nível de abstração. Profissionais em posições estratégicas, como as de direção, têm um alto grau de complexidade; por atuarem com toda a organização, as atribuições têm um baixo nível de padronização e as decisões envolvem alto grau de complexidade. Por outro lado, para profissionais em níveis operacionais, as atividades são menos complexas, mais padronizadas, os níveis de autonomia e decisão são menores. Os profissionais em posições táticas, como as gerenciais, de coordenação, analistas seniores, encontram-se entre esses dois pontos em relação ao nível de complexidade das suas atribuições. Dependendo da complexidade da área de atuação de uma organização, os seus produtos ou serviços podem ser mais inovadores e requerem alta 5 tecnologia; esse tipo de empresa demanda profissionais com maior grau de qualificação e requer competências mais complexas. Essa nossa conversa abre discussões para o próximo tema: como as organização propiciam o desenvolvimento das compentências para seus colaboradores e como as pessoas podem, por elas mesmas, buscar desenvolver suas competências. Leitura Obrigatória TAKAHASHI, A. R. W. Competências, aprendizagem organizacional e gestão do conhecimento. Curitiba: Intersaberes, 2015. p. 37-41. Saiba Mais FLEURY, M. T. L.; FLEURY, A. C. Construindo o conceito de competências. Revista de Administração de Empresas, 2001. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/rac/v5nspe/v5nspea10.pdf TEMA 2 – DESENVOLVIMENTO DE COMPETÊNCIAS INDIVIDUAIS A partir do momento em que a organização mapeou as competências individuais, e avaliou o desempenho dos colaboradores por meio dos métodos de gestão de desempenho utilizado, torna-se possível identificar em quais aspectos cada colaborador necessita se desenvolver. Lembram-se de que as competências são mapeadas para que seja possível identificar os gaps (lacunas) entre as competências demonstradas pelos funcionários e as requeridas pela empresa? Esse é o objeto do desenvolvimento das competências, a avaliação de desempenho identifica os gaps, assim, os colaboradores que precisam melhorar ou ampliar ou adquirir novas competências participam dos programas de treinamentos e desenvolvimento conduzidos pela área de RH da empresa. Em algumas organizações, com o programa de avaliação de desempenho, o gestor e o colaborador estabelecem um Plano de Desenvolvimento Individual (PDI). Nesse PDI são definidas as ações de desenvolvimento de competências, o prazo para a realização de cada ação e os responsáveis por as tornarem viáveis. Algumas ações podem ser conduzidas em parceria com a área de RH, 6 como os programas de treinamento e desenvolvimento; outras são ações conduzidas pelo gestor, pois este tem o papel de capacitar e desenvolver a equipe e as pessoas; há, ainda, outras, que são de responsabilidade do próprio colaborador, uma vez que a pessoa é a principal interessada em seu próprio desenvolvimento de competências. Takahashi (2015, p. 38), comentando Zarifian (2001), diz que “as competências não podem ser impostas, uma vez que só são utilizáveis e se desenvolvem como consequência de uma automobilização”. Para a autora, é própria do indivíduo a motivação para desenvolver, mobilizar e fazer progredir as suas competências particulares. Por isso, para a autora, existem três elementos que compõem as competências, os quais são: iniciativa e responsabilidade do indivíduo em situações profissionais que se depara; inteligência prática das situações, que se apoiam em conhecimentos adquiridos e transformados; mobilizar outras pessoas em torno de uma determinada situação, compartilhar desafios e assumir responsabilidades (Takahashi, 2015, p. 38, comentando Zarifian, 2003). A empresa pode mapear as competências, avaliar o colaborador, mas só a pessoa pode querer desenvolvê-las. Por mais que haja programa de qualificação a responsabilidade por adquirir, introjetar e transformar os conhecimentos em entregas cada vez mais complexas e que agregam valor à organização e à pessoa, é do próprio colaborador. Portanto, quando um profissional inicia suas atividades em uma empresa, precisa conhecê-la e estar consciente das competências requeridas por essa; caso não haja sintonia entre o perfil de competências da pessoa com as requeridas pela empresa, provavelmente ficará muito difícil para que esse profissional busque o seu desenvolvimento alinhado com o da empresa. Dutra (2004, p. 65) define “o desenvolvimento profissional de pessoa como a capacidade para assumir atribuições e responsabilidades em níveis crescentes de complexidade”. Outro ponto que Dutra (2004) salienta para desenvolvimento de competências individuais “é a possibilidade de criar as bases para a conciliação de expectativas entre as pessoas e a organização”. A pessoa não é avaliada somente pelo cargo que ocupa, mas existe a possibilidade de relacionar, mais a longo prazo, a trajetória de carreira desse profissional dentro da organização; torna-se possível estabelecer com maior nitidez o papel que a própria pessoa assume em relação à gestão de seu 7 desenvolvimento e desua carreira e o papel da empresa como suporte ao desenvolvimento da pessoa. Dutra (2004, p. 65) diz que se torna possível construir um sistema de gestão do desempenho tendo como base a análise de quatro pontos, a saber: “análise das pessoas com base em sua individualidade análise das deficiências individuais análise da efetividade das ações de desenvolvimento adequação das ações de desenvolvimento” Vamos analisar as diferenças entre treinamento e desenvolvimento de pessoas. O treinamento está focado em identificar e solucionar as dificuldades atuais em relação às atividades requeridas pelo cargo que o colaborador ocupa. Portanto, treinar significa identificar o que colaborador necessita para melhorar sua performance em seu cargo atual. O desenvolvimento está direcionado a preparar os colaboradores para assumirem maiores responsabilidades, relaciona-se a possibilitar crescimento na carreira. Para Knapik (2012, p. 301), desenvolver pessoas representa incentivar o autodesenvolvimento, no qual o profissional busca renovar seus conhecimentos, suas habilidades e suas atitudes, preparando-se para assumir outros cargos ou posições a médio e longo prazo dentro da organização. Os programas de treinamento e desenvolvimento são processos de aprendizagem que provocam mudança e amadurecimento profissional e individual, agregando conhecimento, desenvolvimento de habilidades e atitudes. Cada nova aprendizagem gera uma nova lacuna no conhecimento, com isso, o treinamento e o desenvolvimento são processos contínuos e cíclicos (Knapik, 2012, p. 302). Para Lotz e Gramms (2012, p. 169), “investir em treinamento e desenvolvimento é investir nos talentos que constituem a capacidade produtiva da organização”. Leitura Obrigatória TAKAHASHI, A. R. W. Competências, aprendizagem organizacional e gestão do conhecimento. Curitiba: Intersaberes, 2015. p. 37-41. 8 Saiba Mais MEDEIROS, I. B. de O. Competências individuais: um estudo de caso da gestão por competências em sua dimensão humana em pequena empresa. Leio o item 2.1 Competências individuais: a dimensão humana e gerencial, p. 2 a 4. Disponível em: http://www.aedb.br/seget/arquivos/artigos06/715_Artigo%20Competencias%20I ndividuais%20-%20Igor%20Medeiros.pdf TEMA 3 – CATEGORIAS DAS COMPETÊNCIAS ORGANIZACIONAIS Conforme estudamos na primeira alua, as competências organizacionais se referem à empresa como um todo, são as gerais, identificadas por meio do planejamento estratégico e da percepção dos colaboradores. Essas se diferem das individuais, que estão direcionadas aos profissionais; as organizacionais, porém, são relativas à empresa. Por outro lado, uma empresa entrega os seus produtos ou serviços aos seus clientes por meio das pessoas, portanto, as competências organizacionais, apesar de serem da empresa, mostram-se a partir do desempenho dos colaboradores que nela trabalham. Para melhor compreensão, vamos analisar a palavra categorias. Para Ferreira (1995, p. 136), categorizar é “colocar algo em categorias”. As categorias representam um determinado conjunto ou classes em que se distribuem os elementos de algo, são “espécies, natureza ou grupos” (Ferreira, 1995, p. 136). Podemos dizer que as competências organizacionais se encontram subdivididas em um conjunto de categorias da mesma natureza. Para Takahashi (2015, p. 25), as categorias idealizadas por Mills (2002) “dividem as competências em essencial, distintiva, organizacional, de suporte e dinâmicas”. A seguir, veremos o significado de cada uma dessas categorias. Competência essencial: refere-se às atividades de alta competência, importantes para o nível corporativo, são a chave para a sobrevivência da organização e centrais em suas estratégias (Takahashi, 2015, p. 26 e Dutra, 2004, p. 25). Competência distintiva: refere-se às atividades de alta competência que os clientes reconhecem como diferenciais em relação aos 9 concorrentes e conferem vantagens competitivas (Takahashi, 2015, p. 26 e Dutra, 2004, p. 25). Competência organizacional ou das unidades de negócio: pequeno número de atividades-chave, entre três a seis, esperadas de cada unidade de negócios da empresa (Takahashi, 2015, p. 26 e Dutra, 2004, p. 25). Competências de suporte: atividades que servem de suporte para outras atividades. Por exemplo: trabalho em equipe pode ter influência para a velocidade e a qualidade de muitas atividades (Takahashi, 2015, p. 26 e Dutra, 2004, p. 25). Capacidades dinâmicas: condição da organização de adaptar, continuamente, as suas competências ao longo do tempo e às exigências do ambiente (Takahashi, 2015, p. 26 e Dutra, 2004, p. 25). Quando a organização mapeia suas competências, todas essas categorias devem ser consideradas. Torna-se necessário identificar aquelas que são chaves e estratégicas (essenciais), como o cliente a percebe (distintivas), o que é esperado para cada área de negócio (organizacional ou das unidades de negócio), as que darão suporte às demais competências (de suporte) e as que farão a empresa se mover em direção às mudanças (dinâmicas). Dentre as categorias acima, Takahashi (2015, p. 26) ressalta a distintiva, por “tratar-se de uma competência avaliada pelos clientes”. Essa diz respeito ao que os clientes reconhecem como diferencial em uma empresa e dá a ela vantagens competitivas em relação às concorrentes. Vejamos um exemplo: uma empresa que atua no ramo hoteleiro mapeou suas competências, identificando como essenciais: inovar em serviços e transmitir conforto e bem- estar aos seus hóspedes; os clientes, quando respondem à pesquisa de satisfação, consideram o hotel competente em excelência no atendimento. A competência distintiva desse hotel é a excelência no atendimento. Takahashi (2015, p. 27) diz que nem sempre uma “organização é reconhecida como competente pelos clientes em razão dos mesmos motivos pelos quais é reconhecida por seus gestores”. Por isso, a empresa precisa conhecer os clientes e como eles a veem, para que seja possível melhor definir suas competências. Há outra categoria de competências organizacionais, utilizadas por algumas empresas, que são as competências funcionais. Takahashi (2015, p. 10 27), citando Ruas (2005), diz que são “aquelas competências que envolvem as grandes funções ou processos da empresa”. As competências de gestão são consideradas como funcionais. Algumas empresas mapeiam as competências das lideranças, diferenciando-as das individuais, por entenderem a importância de líderes competentes. Vejamos um exemplo: uma empresa que adotou essa forma de mapear competências, definindo as de liderança (funcionais) como sendo: gerir pessoas, capacidade de inovar e foco em resultados. Com esse conjunto de ideias, concluímos este tema, as categorias das competências organizacionais. Leitura Obrigatória TAKAHASHI, A. R. W. Competências, aprendizagem organizacional e gestão do conhecimento. Curitiba: Intersaberes, 2015. p. 25-28. Saiba Mais SILVA, N. L. Competência essencial: conhecimento, cultura e gestão organizacional como estratégia de negócios. VIII Convibra Administração – Congresso Virtual Brasileiro de Administração. Leia o item 1 – Competência essencial, gestão e estratégias. Disponível em: http://www.convibra.com.br/upload/paper/adm/adm_3471.pdf TEMA 4 – DESENVOLVIMENTO DE COMPETÊNCIAS ORGANIZACIONAIS Estudamos no terceiro tema que as competências organizacionais se subdividem em categorias, sendo uma delas denominada de capacidades dinâmicas. Takahashi (2015, p. 27), citando Mills(2002), refere-se a ela como “a capacidade da empresa adaptar suas competências ao longo do tempo”. As empresas formulam as suas competências, mas, como já temos conversado, o mundo está em constante transformação, o que demanda readequação das estratégias organizacionais, portanto, as suas competências também se alteram para seja possível corresponder e antever as demandas, acrescentando caráter inovador aos seus produtos ou serviços. Takahashi (2015, p. 27) diz que “as mudanças são importantes para a criação do futuro da organização”. Assim sendo, as competências precisam acompanhar tais mudanças, e a forma desse acompanhamento é por meio do 11 desenvolvimento delas, pois, senão, corre-se o risco de que fiquem obsoletas ou inadequadas ou pouco atrativas. Dutra (2004, p. 111) diz que há dificuldade para a empresa perceber com precisão as ações necessárias para o desenvolvimento das competências organizacionais (assim como as individuais), não existe uma forma definitiva e testada para assegurar a efetividade de ações de desenvolvimento. Ainda, Dutra (2004, p. 111), citando Ruas e Antonello (2003), comenta que é preciso que o “acompanhamento do desenvolvimento seja feito com base na observação das estratégias de aprendizagem desenvolvidas pela organização”. Vamos abordar o tema aprendizagem organizacional na terceira aula. Para Takahashi (2015), citando Sanchez, Heene e Thomaz (1996), desenvolver as competências organizacionais tem como base a capacidade de uma empresa adaptar suas competências às novas demandas do mercado, equilibrar objetivos a curto, médio e longo prazo e empregar um conjunto de recursos para realizar as suas atividades. Para a autora, dessa forma, a empresa disponibilizará recursos para desenvolver novas competências, além de direcionar outros recursos para alavancar as competências existentes. Considerando a ideia acima, Takahashi (2015) apresenta três escalas para o desenvolvimento de competências: Manutenção de competências: manter em um estado efetivo as capacidades das ações atuais da empresa. Construção de competências: criar ou adquirir mudanças significativas em relação à capacidade para desenvolver novas habilidades ou incrementar as existentes, a fim de que empresa atinja seus objetivos. Alavancagem de competências: aplicar as competências existentes em novas oportunidades sem acarretar mudança de capacidades para atingir os objetivos. Significa aplicar competências já existentes em novas situações. As competências são construídas, em um processo que pode durar muitos anos, e leva em conta a experiência e a maturidade da organização. Por isso, uma empresa não pode tomar como base as competências de outra, mas sim compreender seu negócio, seu cliente, o mercado em que atua, seus funcionários e suas estratégias corporativas. 12 Leitura Obrigatória TAKAHASHI, A. R. W. Competências, aprendizagem organizacional e gestão do conhecimento. Curitiba: Intersaberes, 2015. p. 28-30. Saiba Mais FLEURY, M. T. L.; FLEURY, A. C. Construindo o conceito de competências. Revista de Administração de Empresas, 2001. Leia o item Competências e aprendizagem, nas p. 8 e 12. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/rac/v5nspe/v5nspea10.pdf TEMA 5 – ALINHAMENTO ENTRE COMPETÊNCIAS INDIVIDUAIS E ORGANIZACIONAIS Dutra (2004, p. 112) diz que o “calcanhar de Aquiles” da gestão de pessoas em organizações contemporâneas é a necessidade da contínua conciliação entre as expectativas das pessoas e as da empresa. Como vimos nos temas anteriores, a organização estabelece para si e para seus colaboradores um conjunto de competências, as pessoas que ingressam em uma empresa trazem o seu conjunto de competências. As competências organizacionais, segundo Dutra (2004), são decorrentes do processo do desenvolvimento organizacional, formam o patrimônio de aprendizagem de uma empresa, o qual fornece a ela vantagem competitiva no contexto em que está inserida. De outro lado, temos as pessoas com seu conjunto de competências. “Ao colocarmos organizações e pessoas lado a lado, podemos verificar um processo contínuo de troca de competências” (Dutra, 2004, p. 24). Os colaboradores, ao realizarem suas atividades, colocam em prática as suas competências e por meio de suas entregas concretizam as competências organizacionais. A organização, ao possibilitar espaços para que as pessoas desenvolvam as suas competências, terá a possibilidade de alavancar e construir as suas competências. Porém, para esse processo de desenvolvimento contínuo de competências organizacionais e individuais, estas precisam caminhar na mesma direção, focar em objetivos bem definidos e ser do conhecimento de todos os integrantes da organização. 13 Portanto, as competências individuais e as organizacionais devem estar alinhadas entre si para que as estratégias e os objetivos da empresa sejam alcançados. É preciso que haja convergência entre a visão da empresa com aquilo que ela e os funcionários realizam. A organização necessita alinhar seus objetivos, definidos em seu planejamento estratégico, com as competências dos profissionais. O desempenho e a competitividade da empresa dependem desse alinhamento, assim como o desempenho do colaborador, pois tal alinhamento direciona as ações deste. Para Takahashi (2015, p. 44), a gestão por competência busca, justamente, esse alinhamento entre competências organizacionais e individuais. Gestão por competência será o tema de nossa terceira aula. Recapitulando tudo o que vimos, a organização define as suas competências, algumas serão as essenciais, outras das unidades de negócios, outras de suporte, outras dinâmicas; as essenciais precisam estar vinculadas às distintivas (aquelas percebidas pelos clientes). Lembram-se dessas categorias de competências? Vimos no terceiro tema desta aula. Essas competências precisam estar alinhadas com as que a empresa for definir para os seus colaboradores, caso contrário, os resultados tanto dos indivíduos como da organização ficam comprometidos, o que dificulta a gestão das pessoas e da empresa como um todo. A chave de sucesso para a gestão por competências é esse alinhamento. Takahashi (2015, p. 44) diz que a partir desse processo de alinhamento de competências “se encontra a aprendizagem organizacional, a qual permite criar novas competências individuais de forma circular”. Para demonstrar esse ciclo contínuo entre a definição das estratégias organizacionais, que gera a aprendizagem, e a definição das competências organizacionais, as quais geram a aprendizagem e as competências individuais, Takahashi (2015), segundo Fleury e Fleury (2004), apresenta uma figura ilustrativa, veja-a seguir. 14 Figura 1 - Estratégia, competências organizacionais e competências individuais Fonte: Takahashi (2015, p.45) segundo Fleury; Fleury (2004) Essa figura demonstra a organização de forma sistêmica, uma vez que ela é um todo interligado, as estratégias influenciam as competências, que levam à nova aprendizagem e as competências desenvolvidas também alteram as estratégias, em fluxo cíclico e contínuo. Leitura Obrigatória TAKAHASHI, A. R. W. Competências, aprendizagem organizacional e gestão do conhecimento. Curitiba: Intersaberes, 2015. p. 44-47. Saiba Mais FLEURY, M. T. L.; FLEURY, A. C. Alinhando estratégia e competências. Revista de Administração de Empresas, 2004. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/rae/v44n1/v44n1a12.pdf TROCANDO IDEIAS Chegou a hora de debatermos ideiassobre o aprendizado. Discuta com os colegas sobre a importância do alinhamento entre competências individuais e organizacionais, tanto para a empresa como para os colaboradores. Para auxiliá-los nesse debate, consulte o artigo: 15 FLEURY, M. T. L.; FLEURY, A. C. Alinhando estratégia e competências. Revista de Administração de Empresas, 2004. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/rae/v44n1/v44n1a12.pdf NA PRÁTICA Chegou o momento de relacionar os conteúdos vistos com situações práticas do ambiente de trabalho. Para esta atividade você deve: Fazer uma pesquisa entre algumas empresas que você conheça. A pesquisa objetiva identificar a empresa que apresente uma ou mais das categorias das competências organizacionais. Para melhor identificar a empresa com esse perfil, observe aquela que apresenta o maior número das categorias das competências organizacionais, as quais são: a competência essencial, a competência distintiva, a competência organizacional ou das unidades de negócio, as competências de suporte e as capacidades dinâmicas. Depois de identificada a empresa, descreva suas considerações, citando: 1. O nome da empresa. 2. O ramo de atuação. 3. O diferencial dessa empresa que o levou a considerá-la como uma empresa que apresenta as categorias das competências organizacionais. 4. Quais categorias das competências organizacionais a empresa apresenta. Para que você possa resolver esse case, siga os passos descritos abaixo: a) Faça a leitura atenciosa do solicitado para a atividade prática. b) Reveja os temas desta aula 2. c) Pesquise empresas que demonstram as categorias das competências organizacionais. Para tanto, você pode acessar o site de empresas que considera ter tal perfil e também conversar com os profissionais de RH de empresas que considera entre as mais indicadas. 16 d) Responda com seus comentários sobre qual a empresa que demonstra as categorias das competências organizacionais. Justifique suas análises. Para melhor desenvolver suas respostas e para aprimorar suas competências sobre o tema desta segunda aula, leia: TAKAHASHI, A. R. W. Competências, aprendizagem organizacional e gestão do conhecimento. Curitiba: Intersaberes, 2015. Capítulo 1, p. 26. Apresentação da solução do problema: Esta atividade prática requer pesquisa pessoal do aluno; para resolvê-la, ele deve: fazer análises de algumas empresas; identificar uma que demonstre possuir algumas (ou várias ou todas) das categorias das competências organizacionais. Cabe lembrar que as categorias são: competência essencial: refere-se às atividades de alta competência, importantes para o nível corporativo, são a chave para a sobrevivência da organização e centrais em suas estratégias (Takahashi, 2015, p. 26 e Dutra, 2004, p. 25); competência distintiva: refere-se às atividades de alta competência que os clientes reconhecem como diferenciais em relação aos concorrentes e conferem vantagens competitivas (Takahashi, 2015, p. 26 e Dutra, 2004, p. 25); competência organizacional ou das unidades de negócio: pequeno número de atividades-chave, entre três a seis, esperadas de cada unidade de negócios da empresa (Takahashi, 2015, p. 26 e Dutra, 2004, p. 25); competências de suporte: atividades que servem de suporte para outras atividades. Por exemplo: trabalho em equipe pode ter influência para a velocidade e qualidade de muitas atividades (Takahashi, 2015, p. 26 e Dutra, 2004, p. 25); capacidades dinâmicas: condição da organização de adaptar, continuamente, as suas competências ao longo do tempo às exigências do ambiente (Takahashi, 2015, p. 26 e Dutra, 2004, p. 25). 17 FINALIZANDO A segunda aula abordou as competências individuais no mundo do trabalho. Vimos que a noção de serviços visando atender às demandas dos clientes internos e externos e a comunicação como necessária para haver concordância sobre os objetivos organizacionais trouxeram transformações para o cenário corporativo; as competências individuais no ambiente de trabalho, além de estarem atreladas ao conjunto de conhecimentos, habilidades, atitudes e entrega que agregam valor à organização, precisam ser incrementadas com a noção de complexidade, a qual está relacionada ao grau de abstração e se altera em razão da posição ocupada por um profissional dentro da organização. Como vivemos em uma mercado de trabalho em constantes transformações e como as pessoas também transformam os seus aprendizados, as suas experiências e as suas atividades, as competências individuais requerem constante desenvolvimento. O maior envolvido no processo de desenvolvimento é o próprio indivíduo. Finalizamos analisando a importância de haver alinhamento entre as competências individuais e as organizacionais. Entre estas, há contínua troca de aprendizagem. REFERÊNCIAS DUTRA, J. S. Competências: conceitos e instrumentos para a gestão de pessoas na empresa moderna. São Paulo: Atlas, 2004. FERREIRA, A. B. de H. Dicionário Aurélio básico da língua portuguesa. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1995. KNAPIK, J. Gestão de pessoas e talentos. Curitiba: InterSaberes, 2012. LOTZ, E. G.; GRAMMAS, L. C. Gestão de talentos. Curitiba: InterSaberes, 2012. TAKAHASHI, A. R. W. Competências, aprendizagem organizacional e gestão do conhecimento. Curitiba: Intersaberes, 2015. APRENDIZAGEM ORGANIZACIONAL, COMPETÊNCIAS E GESTÃO DO CONHECIMENTO AULA 3 Prof.a Ana Paula Escorsin 2 CONVERSA INICIAL Estamos trabalhando em direção a embasar os seus conhecimentos sobre gestão por competências. Vivemos em uma sociedade do conhecimento, na qual profissionais e empresas precisam ter uma visão sistêmica sobre o contexto em que estão inseridos. Os processos de aprendizagem organizacional requerem inovação e flexibilidade. A constante educação vem se tornando o centro dessa sociedade, esse cenário aponta para a necessidade de novos modelos de gestão e a por competências se mostra adequada ao mercado globalizado do século XXI. Esta terceira aula terá os seguintes temas: Gestão por competências Gestão de pessoas por competências Seleção por competências Remuneração por competências Gestão de carreira por competências CONTEXTUALIZANDO Com base no material estudado, faça uma análise sobre as contribuições do modelo de gestão de pessoas por competências para as empresas e para os colaboradores. PESQUISE Para embasar sua análise sobre as contribuições da gestão de pessoas por competências, leia os textos sugeridos a seguir: TAKAHASHI, A. R. W. Competências, aprendizagem organizacional e gestão do conhecimento. Curitiba: Intersaberes, 2015. p. 85-95. AMARAL, R. M. Gestão de pessoas por competências em organizações públicas. São Paulo: XV Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias. Veja o item 3: Gestão de pessoas por competências, p. 4 a 6. Disponível em: http://200.136.214.89/nit/refbase/arquivos/amaral/583_Amaral.pdf 3 TEMA 1 – GESTÃO POR COMPETÊNCIAS A gestão por competências se mostra como uma opção interessante para as organizações que pretendem sair dos modelos tradicionais de gerenciamento empresarial. A proposta está em direcionar esforços para planejar, capacitar, desenvolver e avaliar os diferentes níveis de uma corporação, desde as estratégias organizacionais, as lideranças, os indivíduose as equipes, em busca de melhoria de performance. Para Takahashi (2015, p. 57), “a gestão por competências pressupõe um alinhamento entre a estratégia organizacional, o desempenho e as competências organizacionais e individuais”. Takahashi (2015, p. 64), citando Leme (2005), diz que “gestão por competências é o processo de conduzir os colaboradores para atingirem as metas e os objetivos da organização através de suas competências técnicas e comportamentais”. Para Chiavenato (2003), é um programa sistematizado cujo objetivo consiste em definir os perfis dos profissionais produtivos, e, se esses estão adequados aos negócios da organização, o processo identifica os pontos de excelência e os gaps (lacunas), desenvolve ações para suprimir tais lacunas de forma a agregar aprendizado, com base em critérios objetivos e mensuráveis. Carbone (2005) diz que a gestão por competências surge em resposta ao cenário empresarial. Essa metodologia se apresenta como tentativa de respostas às seguintes questões: a necessidade de superação da concorrência em um mercado globalizado; as exigências por agilidade, diferenciação e inovação; as demandas de aprendizagem e de criação do conhecimento, para lidar com questões inéditas e surpreendentes que surgem a cada dia no contexto organizacional. Trata-se de uma metodologia de gestão moderna, focada em negócios, em mercado e para o cliente, além de privilegiar o desenvolvimento profissional permanente. Esse modelo está orientado para o desenvolvimento de competências e novos conhecimentos, fontes, por excelência, para a conquista da vantagem competitiva sustentável. Trabalha com o pressuposto de que o 4 maior patrimônio das organizações são as competências dos seus funcionários (Carbone, 2005). Para Carbone (2005), ao implantar esse modelo de gestão, a empresa possibilita que todos os funcionários discutam e foquem as suas ações no que é fundamental para a qualidade do trabalho e para o crescimento sustentável da empresa. O modelo de gestão por competências, segundo Takahashi (2015, p. 62), pressupõe algumas etapas, a saber: 1ª etapa: formulação das estratégias organizacionais – por meio da definição da missão, visão, objetivos estratégicos e estabelecimento de indicadores de desempenho e de metas. 2ª etapa: mapeamento de competências – por meio da identificação das competências organizacionais e individuais e da investigação das competências existentes. Após o mapeamento, identificam-se os gaps de competências para que seja possível planejar as ações de capacitação e de desenvolvimento. 3ª etapa: Captação de competências – por meio de seleções externas de profissionais ou de alocações de funcionários em áreas ou atividades de suas competências. 4ª etapa: Desenvolvimento de competências – por meio da definição dos mecanismos de desenvolvimento das competências organizacionais e individuais, para seja possível disponibilizar e orientar os diferentes tipos de desenvolvimentos necessários. 5ª etapa: Acompanhamento e avaliação – por meio do acompanhamento dos resultados alcançados e da comparação entre os resultados alcançados com os esperados, tanto da organização como dos funcionários. 6ª etapa: Retribuição – por meio do reconhecimento e da premiação de bom desempenho dos funcionários. Para finalizar, a gestão por competências direciona as ações da empresa para o gerenciamento dos gaps de competências existentes na organização, nas equipes e nos colaboradores (Carbone, 2005). Leitura Obrigatória TAKAHASHI, A. R. W. Competências, aprendizagem organizacional e gestão do conhecimento. Curitiba: Intersaberes, 2015. p. 57-65. 5 Saiba Mais LOTZ, E. G.; GRAMMAS, L. C. Gestão de talentos. Curitiba: Intersaberes, 2012. p. 144-146. TEMA 2 – GESTÃO DE PESSOAS POR COMPETÊNCIAS A partir da definição da empresa em implementar gestão por competência, cabe à área de RH adequar o funcionamento e os processos de gestão de pessoas com base em competências. Para Dutra (2004), esse modelo possibilita integrar gestão de pessoas ao propósito estratégico da organização por meio da discussão das competências organizacionais e das individuais, atrelando-as às práticas de gerir os colaboradores. Takahashi (2015, p. 103), citando Fernandes (2006), diz que “trata-se de um modelo que avalia o grau de competência humana na organização, tendo potencial, dessa forma, para contribuir com o desenvolvimento das competências organizacionais”. O modelo Gestão de Pessoas por Competências aponta para a necessidade de alteração das atribuições e das competências dos profissionais de RH. Para Ruano (2007, p. 14), o profissional precisa deixar de ser um especialista e passar a ter uma visão da estratégia, da estrutura e do estilo gerencial da empresa. Veja o Quadro 1, a seguir, o qual apresenta essas mudanças conforme aponta Ruano (2007), citando Ulrich (2001). Quadro 1 – Mudanças das atribuições do RH DE PARA Operacional Preocupação com o qualitativo Policiamento Administrativo Voltado para a função Voltado para a empresa Reativo Estratégico Preocupação com o quantitativo Parceria Consultivo Voltado para o negócio Voltado para o mercado consumidor Preventivo Fonte: Ruano (2007, p. 14), citando Ulrich (2001). Para o autor, o RH assume a perspectiva de estrategista, o qual atua em múltiplos papéis, cuja função principal é se colocar como um parceiro da 6 organização. Parceiro, pois, ao mesmo tempo em que define os interesses dos funcionários, busca o atingimento de metas da organização (p. 15). O propósito da área de RH com a gestão de pessoas por competências é adotar um enfoque sistêmico, suas atividades se estendem de gerir processos para uma postura proativa de busca de soluções para a gestão das competências dos colaboradores, alinhadas ao desenvolvimento organizacional. Os processos de gestão de pessoas, quando conduzidos por competências, possuem algumas características diferenciadas, as quais são (Takahashi, 2015, citando Amaral, 2008): Treinamento e desenvolvimento: permite reconhecer e desenvolver os atributos de competências. Recrutamento e seleção: permite a construção e a recomposição de equipes eficientes e eficazes. Avaliação de desempenho: possibilita que os mecanismos de avaliação e feedback sejam fundamentais para a evolução dos colaboradores. Carreira e sucessão: permite que a carreira ocorra segundo critérios que agregam valor à organização, estando de acordo com as competências dos colaboradores. Segurança e saúde ocupacional: contribui para que a empresa se torne mais apta a reconhecer e assumir suas responsabilidades junto às leis trabalhistas e à qualidade de vida do colaborador. Relações trabalhistas: possibilitam remunerar o indivíduo por suas entregas, de forma organizada e documentada, o que garante à empresa respaldo perante as leis trabalhistas. Remuneração: permite associar a remuneração ao desempenho, premiando os profissionais que se mostram mais competentes. Muitos modelos estão sendo desenvolvidos para que o RH exerça, de fato, papel estratégico, como é caso das consultorias internas, das equipes autogerenciáveis, das avaliações de desempenho baseadas em feedback 360o, Learning Organizations (Organizações de Aprendizagem), entre outros (Ruano, 2007). 7 Leitura Obrigatória TAKAHASHI, A. R. W. Competências, aprendizagem organizacional e gestão do conhecimento. Curitiba: Intersaberes, 2015. p. 85-87. Saiba Mais AMARAL,R. M. Gestão de pessoas por competências em organizações públicas. São Paulo: XV Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias. Veja o item 3: Gestão de pessoas por competências, p. 4 a 6. Disponível em: http://200.136.214.89/nit/refbase/arquivos/amaral/583_Amaral.pdf TEMA 3 – SELEÇÃO POR COMPETÊNCIAS A seleção de pessoas é o primeiro processo de RH que passa por transformações com a implantação do modelo de gestão por competências. A atração de pessoas, tanto interna quanto externa, precisa identificar os profissionais com as competências adequadas à organização. A seleção é um sistema de comparação e escolha, para uma tomada de decisão: comparam-se as competências requeridas pela organização e pelo cargo em aberto com as competências demonstradas pelos candidatos. escolhe-se pelo candidato cujas competências profissionias estejam alinhadas às exigidas pelo cargo, pela organização e pela equipe de trabalho. O processo de seleção deve observar os conhecimentos, as habilidades técnicas e as atitudes (competências comportamentais) ao fazer a composição do perfil profissional dos candidatos (Lotz e Burda, 2015, p. 126). Para as autoras, o “perfil é o conjunto de características de um indíviduo, que, quando analisado sob à ótica de mercado, remete aos pré-requisitos que o candidato deve apresentar para ocupar determinado cargo” (Lotz e Burda, 2015, p. 127). Fazem parte do perfil profissional de um candidato as três dimensões das competências: “1) o saber fazer; 2) o saber ser; 3) saber agir” (Lotz e Burda, 2015, p.127). A seleção por competências busca observar, ainda, as entregas dos candidatos. Você se recorda de que vimos na Aula 1 o conceito de entregas de 8 competências? Relembrando: entregas são as ações efetivas que o colaborador realiza, as quais agregam valor à organização (Dutra, 2004). Portanto, a seleção deve observar o candidato em relação as suas experiências anteriores, para identificar se suas ações agregam valor em suas atividades. Você deve estar se perguntando: como fazer isso? E uma pessoa que está buscando seu primeiro emprego, como saber sobre suas entregas? Para analisarmos esses dois pontos, vamos abordar uma das técnicas de seleção: a entrevista com foco em competências. Lotz e Burda (2015, p. 174) dizem que se trata “da modalidade de entrevista que explora as competências específicas exigidas para o desempenho adequado do conjunto de funções requeridas pelo cargo”. Para as autoras, o ponto chave para realizar com êxito uma entrevista desse tipo é saber quais são as competências organizacionais e as competências requiridas para os profissionais que ocupam aquele cargo (Lotz e Burda, 2015, p. 176). Esse tipo de entrevista tem por objetivo detectar as competências relevantes para o desempenho das atividades e para a adaptação à empresa. Cada cargo tem suas especificidades, segundo Lotz e Burda (2015, p. 183), por essa razão a entrevista deve enfocar as necessidades do cargo e da empresa, as perguntas devem obter informações que sejam relevantes e agregadoras em relação às competências que se pretende observar no candidato. Lotz e Burda (2015) dizem que as perguntas feitas na entrevista devem ser abertas, específicas e buscar analisar as situações vividas pelo candidato, como este agiu e quais resultados obteve. Voltamos a nossa questão: e se a pessoa está buscando seu primerio emprego? As perguntas podem ser direcionadas, por exemplo, às experiências como estudante, aos trabalhos escolares mais relevantes e aos resultados alcançados. Lotz e Burda (2015, p. 183) apresentam interessante técnica de entrevista que utiliza as “perguntas em SAC”, esse estilo de pergunta estimula o candidato a estruturar suas “respostas em CAR”. As “perguntas em SAC são abertas e deixam claro onde a situação aconteceu, quais foram as ações tomadas e as consequências trazidas pelas ações” (Lotz e Burda, 2015, p. 183). 9 As “respostas em CAR instigam o candidato a informar o contexto, a ação e o resultado” (Lotz e Burda, 2015, p. 184). Veja o Quadro 2, o qual apresenta uma síntese dessa técnica de entrevista. Quadro 2 – Técnica de entrevista por competências Perguntas em SAC Respostas em CAR Situação: a pergunta solicita ao candidato que descreva o cenário, o contexto vivido. Pede ao candidato que explique as circunstâncias nas quais a situação ocorreu. Contexto: a resposta aponta para a situação enfrentada pelo candidato, o que estava acontecendo – o porquê de fazer. Ação: solicita ao candidato que indique o que ele fez. Permite ao candidato relatar o comportamento diante da situação. Ação: o candidato pode responder o que ele fez frente ao desafio, sua escolha de atitude – o que fez e como fez. Consequência: permite ao candidato relatar os resultados obtidos com a ação, podendo trazer tanto resultados positivos como negativos e os aprendizados com eles. Resultado: o candidato relata o que aconteceu em função de sua atitude ou decisão – o resultado final da ação. Fonte: baseado em Lotz e Burda, 2015, p. 183 e 184. Vejamos exemplos de perguntas SAC: Comente qual foi projeto mais relevante que desenvolveu, qual sua participação no projeto e qual resultado trouxe para a empresa e para seu setor. O que você aprendeu com esse projeto? Faria algo diferente? Comente sobre uma situação de conflito que vivenciou, como foi a situação, o que você fez e quais os resultados dessa situação. Relate um fato com o qual teve dificuldade para lidar, como foi a sua atuação, quais os envolvidos e como foi resultado final. O que você aprendeu com esse fato? Esse estilo de pergunta solicita ao candidato que busque respostas completas, assim, torna-se possível identificar, também, as suas entregas, não só seus conhecimentos, habilidades e atitudes. 10 Leitura Obrigatória LOTZ, E. G.; BURDA, J. A. Recrutamento e seleção de talentos. Curitiba: Intersaberes, 2015. Capítulo 4, item 4.2 – Entrevista comportamental com foco em competências, p. 174 a 190. Disponível na Biblioteca Virtual. Saiba Mais Entrevista de emprego ao contrário – com Murilo Gun e Fernando Muylaert, disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=Ne3UbFo_64s TEMA 4 – REMUNERAÇÃO POR COMPETÊNCIAS A organização, ao alinhar seu sistema de remuneração com base em competências, possibilita ao colaborador, ao ampliar suas entregas e ao desempenhar atividades mais complexas, obter melhor remuneração. Chiavenato (2014, p. 246) diz que nesse tipo de remuneração o colaborador é direcionado para desenvolver as competências requeridas para o cargo, ampliando sua capacidade e sua vontade de aprender novas atividades, novas tecnologias e as mudanças na estrutura organizacional. O acesso a novos aprendizados cria oportunidades de crescimento vertical na carreira, além de possibilitar espírito de equipe, retenção dos talentos e melhoria de produtividade. Silva (2005, p. 168) comenta que “remunerar por competência é o grande desafio”; as organizações remuneram por cargos, porém, considerando o cenário atual, é preciso evoluir para remunerar as pessoas. Para Paschoal (2006, p. 121), a missão fundamental da remuneração por competências é levar as pessoas a uma capacitação suficiente para responder a um ambiente mais complexo dos negócios e alinhar, de forma mais direta, a remuneração com os objetivos estratégicos da organização. Para o autor (2006, p. 123), as organizações que adotam uma estratégia de remuneração nessa lógica precisam: definir um elenco decompetências que consideram essenciais para o seu negócio no presente e no futuro; adequar sua estrutura de cargos, para que esta seja a mais flexível, servindo como referência para carreiras; 11 conduzir seu sistema de avaliação de desempenho com base nas competências elencadas; assegurar a capacitação das pessoas nessas competências; criar ferramentas para avaliar a efetividade dessa capacitação; ajustar os critérios de remuneração, não mais para contemplar o conjunto responsabilidades, mas, sim, o conhecimento assimilado e aplicado. A Quadro 3 apresenta uma comparação entre o método tradicional de remuneração e a remuneração por competências. Quadro 3 – Comparação entre os métodos de remuneração Fonte: Paschoal, 2006, p. 124. À medida que o colaborador adquire as competências requeridas pela organização para o exercício de suas atribuições, a remuneração deve refletir essa aquisição de novas competências. Com isso, o colaborador tende a se tornar um profissional mais flexível, capaz de desempenhar múltiplas atividades, de desenvolver compreensão mais ampla dos processos e uma visão sistêmica de sua contribuição para a organização. 12 Leitura Obrigatória CHIAVENATO, I. Remuneração, benefícios e relações de trabalho: como reter talentos na organização. Barueri: Manole, 2009. Veja o item Estruturas Baseadas em Competências, p. 103 e 104. Disponível na Biblioteca Virtual. Saiba Mais RODRIGUES, J. M. Remuneração e competências: retórica ou realidade? Revista de Administração de Empresas, dez. 2006. Acesse o link: http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0034- 75902006000500002&script=sci_arttext TEMA 5 – GESTÃO DE CARREIRA POR COMPETÊNCIAS Para iniciarmos este tema, vamos primeiro falar sobre carreira. A carreira representa o percurso do colaborador dentro da organização, tem início com o ingresso deste por meio do processo seletivo, passa por todo o desenvolvimento profissional e se estende até a aposentadoria; para alguns a carreira continua mesmo depois de aposentado (Chiavenato, 2009, p. 20). Para o autor, “a carreira se refere à totalidade de cargos desempenhados durante a vida de trabalho de uma pessoa”. Para Robbins (2005, p. 459), a “carreira é definida como um padrão de experiência profissional que se estende por toda a vida de um indivíduo”. Dutra (2004, p. 78) aponta que “as carreiras podem ter vários desenhos e naturezas diferentes”, em razão das entregas exigidas pelas organizações e pelo mercado. O autor aponta três categorias de carreiras. O Quadro 4 demonstra as categorias de carreira e sua definição. Quadro 4 – Categorias de carreiras Categorias de carreiras Definições Operacionais São carreiras ligadas às atividades-fim da organização. Em geral, exigem habilidades manuais e são estruturadas. Profissionais São carreiras ligadas a atividades específicas. Em geral exigem formação técnica ou de nível superior, subdividem- se em administrativa ou técnica. Gerenciais São carreiras ligadas às atividades de gestão da organização. Os ocupantes dessas carreiras são oriundos das 13 carreiras operacionais ou profissionais que ao longo do seu processo de crescimento demonstraram vocação e competência para a carreira gerencial. Fonte: Elaborado pelo autor, com base em Dutra, 2004, p. 78. A gestão de carreira por competências possibilita à organização desenhar a trajetória profissional de seus colaboradores. Essa trajetória deve buscar agregar atribuições e responsabilidades que demandem o desenvolvimento de competências e entregas mais complexas, possibilitando que os colaboradores vislumbrem acessos a cargos, remunerações e áreas que enriqueçam seus papéis profissionais. Para que seja conduzida de forma adequada, a gestão de carreira deve estar alinhada às estratégias organizacionais. Para Dutra (2004, p. 79), cada uma das carreiras (operacionais, profissionais e gerenciais) dentro da organização pode ser caracterizada como um eixo de carreira, ou seja, como um conjunto de referências que servirá de balizador para o desenvolvimento dos colaboradores. Para o autor, a empresa deve definir as principais competências para cada um dos seus eixos de carreira; assim, cada eixo terá o seu conjunto próprio de competências (Dutra, 2004, p. 80). À medida que o colaborador se desenvolve e faz entregas que superam as expectativas do seu eixo de carreira, poderá ter acesso a outra carreira. Por exemplo, um colaborador que se encontra no eixo operacional, ocupando o cargo de auxiliar de produção, mas que desenvolveu suas competências, fez uma faculdade de Gestão de RH, pode migrar para a carreira profissional e vir a ocupar um cargo de analista de RH. Para Takahashi (2015, p. 92), “a ascensão de uma pessoa a níveis mais altos e complexos está vinculada ao seu amadurecimento, pois exige dela capacidade mental, experiência, compreensão do mundo e resistência mental superior”. Como é preciso haver relação harmônica entre a capacidade do colaborador e a complexidade do trabalho, o indivíduo precisa querer identificar e desenvolver as suas competências. Por outro lado, a organização, para reter seus talentos, precisa implantar estratégias que possibilitem a evolução do colaborador. Com isso, a organização está garantindo a melhoria contínua de seu posicionamento no mercado em que atua. 14 Para Knapik (2012, p. 250), as organizações precisam proporcionar as ferramentas e os meios para o desenvolvimento da carreira, dar o pontapé inicial e o apoio, mas é o indivíduo que deve desejar assumir a responsabilidade sobre sua carreira e gerenciá-la. Chegamos ao final de mais uma aula. Para a próxima, vamos analisar mais um processo de RH que precisa ser readequado ao modelo de gestão de pessoas por competências, o qual será a avaliação de desempenho. Leitura Obrigatória TAKAHASHI, A. R. W. Competências, aprendizagem organizacional e gestão do conhecimento. Curitiba: Intersaberes, 2015. p. 90-103. Saiba Mais TOLFO, S. da R. A carreira profissional e seus movimentos: revendo conceitos e formas de gestão em tempos de mudança. Revista Psicologia Organizações e Trabalho, Florianópolis, 2002. Leia o item 2 – O significado de carreira no atual contexto do trabalho. Disponível em: http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1984- 66572002000200003 TROCANDO IDEIAS Vamos debater sobre o nosso aprendizado desta aula. Discuta com os colegas sobre a importância da gestão de carreira por competências para o crescimento dos colaboradores. Relacione o papel do colaborador e o papel da empresa para que a carreira de fato aconteça. Para auxiliá-los nesse debate consulte o artigo: REAL, J.; ROCHA, J. C.; RÜBENICH, N. V.; CAMARGO, M. E. Desenvolvimento de carreira: responsabilidade da organização ou responsabilidade do indivíduo? Disponível em: http://www.ucs.br/etc/conferencias/index.php/mostraucsppga/mostrappga2013/ paper/viewFile/3620/1102 15 NA PRÁTICA Vamos agora relacionar os conteúdos vistos com situações práticas do ambiente de trabalho. Leia o Case - De Luxo A De Luxo é uma loja de departamentos que comercializa roupas femininas, masculinas e infantis. Atua na região sul do Brasil, tem cerca de dez lojas, conta com aproximadamente 3.450 funcionários. A De Luxo elabora seu planejamento estratégico e o revisa a cada ano. Implantou gestão por competências, o que a está levando a migrar a sua forma de administrar o RH, atua com gestão de pessoas por competências,readequou todos os processos para esse modelo de gestão. A sua visão é: “Encantar a todos nos deixa felizes”. A missão: “Comercializar produtos de moda com qualidade e excelência na prestação de serviços, a conquista da liderança e a orientação para o mercado são nossos focos”. O negócio: “Varejo de vestuário e artigos de beleza”. As competências organizacionais: “encantamento dos clientes; inovação; trabalho em equipe; orientação para resultados; foco na qualidade e fazer acontecer”. As competências individuais: “cumprir e honrar com os compromissos de trabalho; apresentação pessoal; dedicação; responsabilidade; relacionamento interpessoal”. Você é analista de RH da De Luxo e atua com seleção por competências. Devido ao sucesso do negócio, a empresa vai abrir mais uma nova loja em Curitiba, e você terá de conduzir a seleção de outro profissional para atuar na área de seleção junto com você. Para isso, o gerente de RH solicita que elabore um roteiro de entrevista com base em competências. A área de RH utiliza o modelo de “perguntas em SAC” para propiciar as “respostas em CAR”. Você deve: elaborar um roteiro com “perguntas em SAC” que propicie aos candidatos responder “em CAR”. O cargo será de analista de RH, o qual atuará no processo de seleção de pessoas. O seu roteiro deve conter em torno de 5 (cinco) questões com “perguntas em SAC” para entrevistar os candidatos à vaga de analista de RH. 16 Não é necessário colocar as respostas que o candidato daria, precisa, apenas, formular as perguntas. Para que você possa resolver esse case, siga os passos descritos abaixo: A) Faça a leitura atenciosa do caso. B) Reveja o Tema 3 desta aula. C) Responda com o roteiro de entrevista de seleção. Para melhor desenvolver as suas respostas e para aprimorar as suas competências sobre o tema desta terceira aula, leia: LOTZ, E. G.; BURDA, J. A. Recrutamento e seleção de talentos. Curitiba: Intersaberes, 2015. Capítulo 4, item 4.2 – Entrevista comportamental com foco em competências, p. 174 a 190. Disponível na Biblioteca Virtual. Apresentação da solução do problema: O modelo de “perguntas em SAC” propicia “respostas em CAR”, e deve ser conduzido com perguntas abertas e formuladas com clareza, apresentando a situação que aconteceu, quais foras as ações tomadas e as consequências trazidas pelas ações (Lotz e Burda, 2015 p. 183). O formato das perguntas possibilita “respostas em CAR”, no qual o candidato informa o contexto, a ação e o resultado (Lotz e Burda, 2015 p. 184). Para a elaboração do roteiro, deve-se levar em conta as estratégias da empresa De Luxo, as competências organizacionais e as individuais. O quadro a seguir contextualiza essa técnica de entrevista por competências. Perguntas em SAC Respostas em CAR Situação: a pergunta solicita ao candidato que descreva o cenário, o contexto vivido. Pede ao candidato que explique as circunstâncias nas quais a situação ocorreu. Contexto: a resposta aponta para a situação enfrentada pelo candidato, o que estava acontecendo – o porquê de fazer. Ação: solicita ao candidato que indique o que ele fez. Permite ao candidato relatar o comportamento diante da situação. Ação: o candidato pode responder o que ele fez frente ao desafio, sua escolha de atitude – o que fez e como fez. Consequência: permite ao candidato Resultado: o candidato relata o que 17 relatar os resultados obtidos com a ação, podendo trazer tanto resultados positivos como negativos e os aprendizados com eles. aconteceu em função de sua atitude ou decisão – o resultado final da ação. Fonte: baseado em Lotz e Burda, 2015, p. 183 e 184. A elaboração do roteiro de entrevista de seleção para o cargo de analista de RH será de livre escolha do aluno, porém, deve seguir os critérios dessa técnica de entrevista por competências. FINALIZANDO Nesta terceira aula, analisamos o modelo de gestão por competências, vimos que é inovador como prática de gerir corporações. Surge em resposta ao cenário empresarial atual e tem como fundamento alinhar as estratégias organizacionais à forma de gerir pessoas. A gestão de pessoas por competências surge em decorrência desse modelo de gerir organizações, a qual consiste em atrelar os processos de RH ao conceito de competências. Passa-se a recrutar e a selecionar profissionais com base em perfis de competências que atendam às demandas da organização. Possibilita remunerar e gerir carreiras de forma mais individual em razão das entregas e do desenvolvimento dos colaboradores. REFERÊNCIAS CARBONE, P. P. Gestão por competências: uma nova metodologia de gerenciamento do capital humano. Rio de Janeiro: FGV, 2005. Versão de demonstração do livro disponível em: <http://www.mundopm.com.br/download/gestao.pdf>. Acesso em: 12 out. 2016. CHIAVENATO, I. Gerenciando pessoas. 4. ed. São Paulo: Prentice Hall, 2003. ______. Remuneração, benefícios e relações de trabalho: como reter talentos na organização. Barueri: Manole, 2009. 18 ______. Gestão de pessoas: o novo papel dos recursos humanos nas organizações. 4. ed. Barueri: Manole, 2014. DUTRA, J. S. Competências: conceitos e instrumentos para a gestão de pessoas na empresa moderna. São Paulo: Atlas, 2004. KNAPIK, J. Gestão de pessoas e talentos. Curitiba: Intersaberes, 2012. LOTZ, E. G.; BURDA, J. A. Recrutamento e seleção de talentos. Curitiba: Intersaberes, 2015. PASCHOAL, L. Como gerenciar a remuneração de sua empresa. Rio de Janeiro: Qualitymark, 2006. ROBBINS, S. P. Comportamento organizacional. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2005. RUANO, A. M. Gestão por competências: uma perspectiva para a consolidação da gestão estratégica de recursos humanos. Rio de Janeiro: Qualitymark, 2007. SILVA, M. de O. Sistemas modernos de remuneração. Rio de Janeiro: Qualitymark, 2005. TAKAHASHI, A. R. W. Competências, aprendizagem organizacional e gestão do conhecimento. Curitiba: Intersaberes, 2015. APRENDIZAGEM ORGANIZACIONAL, COMPETÊNCIAS E GESTÃO DO CONHECIMENTO AULA 4 Prof.a Ana Paula Escorsin 2 CONVERSA INICIAL Nesta quarta aula, vamos trabalhar com outro processo de RH que precisa ser reestruturado para o modelo de gestão por competências. Na aula passada, analisamos seleção, remuneração e carreira alinhadas a competências. Agora veremos a avaliação de desempenho por competências. Essa é uma importante ferramenta para que haja a gestão de pessoas com foco em competências, pois é por meio dela que se identificam os gaps de competências, o que torna possível estabelecer um plano de desenvolvimento para o colaborador. Outro tema que estudaremos nesta aula será o processo de coaching como uma forma de desenvolver competências. O processo de coaching tem se mostrado eficaz para contribuir com profissionais que pretendem visualizar o seu desenvolvimento profissional e a sua carreira de forma planejada. Para que você amplie suas análises sobre o modelo de gestão de pessoas por competências, a aula está estruturada da seguinte forma: Avaliação de desempenho por competências Coaching e o desenvolvimento de competências O processo de coaching Coaching e o autoconhecimento Coaching e o desenvolvimento profissional CONTEXTUALIZANDO Com base no material estudado, estabeleça diálogos com os colegas sobre a importância do coaching parao autoconhecimento e para o desenvolvimento das competências de um indivíduo. PESQUISE Para melhor embasar sua análise sobre a importância do coaching, leia: LOTZ, E. G.; GRAMMAS, L. C. Coaching e mentoring. Curitiba: Intersaberes, 2014. Capítulo 1, item O coaching nas organizações, p. 51 a 53. Disponível na Biblioteca Virtual. 3 ESCORSIN, A. P. Coaching como caminho para o desenvolvimento pessoal e profissional. Disponível em: http://www.amalaya.com.br/artigocoaching TEMA 1 – AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO POR COMPETÊNCIAS A avaliação de desempenho é um importante instrumento de gestão para o modelo por competências. Mapeadas as competências organizacionais e as individuais, faz-se necessário avaliar se o desempenho efetivo dos colaboradores está em sintonia com as competências mapeadas. É por meio da avaliação de desempenho que se visualizam os gaps de competências. Com os resultados das avaliações, a organização tem a oportunidade de planejar ações para capacitar e desenvolver as competências dos colaboradores, de acordo com as necessidades evidenciadas. Muitas vezes, como resultado da avaliação de desempenho, identifica-se a necessidade de colaboradores passarem pelo processo de coaching, principalmente, para os líderes. Conduzir a gestão do desempenho é uma trajetória que demora tempo para dar frutos. Avaliar o desempenho possibilita o compromisso dos colaboradores com o desenvolvimento de suas competências e com seus resultados, contribui para que estes obtenham informações claras e coerentes sobre o que é esperado deles e como estão desempenhando as suas atividades. Para Knapik (2012, p. 237), a avaliação de desempenho é “um processo dinâmico, constante e representa um importante meio para identificar e resolver problemas de desempenho, objetivando uma melhoria contínua e a qualidade nas relações”. Todo colaborador precisa receber feedback ou retorno a respeito de seu desempenho, pois precisa saber se está ou não no caminho certo. É necessário, ainda, alinhar expectativas de atuação, identificar necessidades de mudanças de comportamento, de atitudes, aquisição de novas habilidades ou melhorar o nível de entregas. A avaliação de desempenho busca reduzir incertezas, possibilitando ao gestor deixar claro aos colaboradores e à equipe o que é esperado do desempenho de cada um. 4 Para Chiavenato (2010, p. 241), “a avaliação de desempenho é uma apreciação sistemática do desempenho de cada pessoa, em função das atividades que ela desempenha, das metas e resultados a serem alcançados, das competências que ela oferece e do seu potencial de desenvolvimento”. Para Knapik (2012, p. 238), a avaliação do desempenho tem como finalidade: estabelecer o desempenho e os resultados esperados dos colaboradores; alcançar maior comprometimento dos colaboradores para estimular a produtividade; servir como ferramenta de apoio para a tomada de decisão quanto a remanejamento interno, dispensa e identificação de potencial; alinhar esforços e expectativas para alcançar resultados; identificar os incentivos mais adequados para motivar os colaboradores; melhorar e incentivar a comunicação; proporcionar feedback para o avaliado, dando-lhe um retorno sobre seu desempenho e comportamento; contribuir para identificar necessidades de treinar os colaboradores; favorecer um clima de confiança e motivação. A ferramenta para avaliar desempenho é desenvolvida pela área de RH, que define a forma como será conduzido o processo, treina os gestores avaliadores e os colaboradores para seu adequado funcionamento. O objetivo principal está centrado nas competências desejadas pela organização. Para avaliar o desempenho, é preciso: identificar quais são as competências organizacionais e individuais; definir e acordar entre o gestor e os colaboradores quais objetivos são esperados para o desempenho das atividades e o nível das entregas; estabelecer um diálogo claro, cuidadoso e sincero entre o gestor e o colaborador; acompanhar sistematicamente o desempenho, os resultados e o comportamento acordados entre gestor e colaboradores. 5 Leitura Obrigatória LOTZ, E. G.; GRAMMS, L. C. Gestão de talentos. Curitiba: Intersaberes, 2012. Leia o capítulo 6, item 6.2 – Avaliação de desempenho, p. 231 a 244. Disponível na Biblioteca Virtual. Saiba Mais BRANDÃO, H. P.; ZIMMER, M. V.; PEREIRA, C. G.; MARQUES, F.; COSTA, H. V.; ALMADA, V. F. Gestão de desempenho por competências: integrando a gestão por competências, o balanced scorecard e a avaliação 360. Rio de Janeiro: RAP, 2008. Leia o item 4 – A avaliação de desempenho por múltiplas fontes, p. 8 a 10. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/rap/v42n5/a04v42n5 TEMA 2 – COACHING E O DESENVOLVIMENTO DE COMPETÊNCIAS Os temas direcionados à identificação de competências, à capacitação profissional, à necessidade de adequação da carreira e à necessidade de autoconhecimento são recorrentes para os profissionais que querem melhorar sua performance. O coaching pode ser entendido como um facilitador do desenvolvimento, pois oportuniza à pessoa reflexões sobre questões relacionadas a quem ela é, quais suas competências, o que sente prazer em realizar, como focar seus objetivos, como estabelecer metas plausíveis, quais recursos estão envolvidos em seus objetivos, entre outras. Coaching é definido como um processo, pois está constituído por um conjunto sequencial de procedimentos e ações que objetiva atingir as metas do desenvolvimento de competências das pessoas. Por ser um processo, tem começo, meio e fim, portanto, transcorre em um período de tempo. Pode-se dizer que o coaching é uma parceria que envolve dois ou mais indivíduos, que decidem colaborar para atingir determinado fim (Da Matta e Victoria, 2012). Lotz e Gramms (2014, p. 17) dizem que “o coaching é um processo que estimula reflexões para potencializar o desempenho e o aprendizado de um indivíduo, promovendo o desenvolvimento pessoal e profissional”. 6 Oliveira (2012) aponta que o coaching é uma atividade de consultoria, com uma abordagem confidencial, que se desenvolve entre o consultor – coach – e a pessoa que está buscando seu desenvolvimento pessoal ou profissional – coachee. Para Da Matta e Victoria (2012), o coaching é um processo que visa aumentar o nível de resultados positivos de indivíduos, times ou empresas por meio do uso de técnicas e ferramentas conduzidas por um profissional habilitado – o coach – em parceria com o cliente – o coachee. A Figura 1 elucida uma sessão de coaching, demonstrando as pessoas envolvidas. Figura 1 – As pessoas envolvidas no processo de coaching Fonte: <http://leadingpace.com/leadership-and-organization-development/leadership-executive- coaching/>. Esse processo tem se mostrado efetivo para elevar o nível de desempenho, aumentar o autoconhecimento, os resultados, otimizar estratégias de pensamento, sentimento e decisão, focar em ações e aprendizados, propiciando melhoria contínua e conquistas de novos resultados. Para Oliveira (2012), o foco do coaching deve ser, sempre, o desenvolvimento pessoal e profissional; as técnicas utilizadas devem considerar em igual intensidade o desenvolvimento de comportamentos, habilidades e atitudes das pessoas. Por isso, requer um elevado nível de formação do coach. 7 O coaching propicia mudanças e contribui para estabelecer formas de como efetuá-las, mas parte do princípio de que a responsabilidade pelas mudanças deveser assumida pela coachee, pois é ele quem está buscando atingir seus objetivos (Da Matta e Victoria, 2012). O coach, como diz Lages e O’Connor (2004), é um mágico da mudança, apanha suas cartas (metodologia) e ajuda o coachee a obter uma mão melhor, ou, às vezes, a mudar as regras do jogo, ou a encontrar um melhor jogo. O coach, por ser um profissional treinado, ajuda o coachee com técnicas e ferramentas, ouvindo-o e fazendo perguntas adequadas, com as quais se pode mapear a vida atual do coachee para identificar pontos de atenção e traçar um planejamento estratégico pessoal ou profissional. Leitura Obrigatória LOTZ, E. G.; GRAMMAS, L. C. Coaching e mentoring. Curitiba: Intersaberes, 2014. Capítulo 1, p. 17 a 20. Disponível na Biblioteca Virtual. Saiba Mais MILARÉ, S. A.; YOSHIDA, E. M. P. Coaching de executivos: adaptação e estágio de mudanças. São Paulo: Revista Psicologia: teoria e prática, 2007. Leia o segundo item, Revisão e análise. Disponível em: http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?pid=S1516- 36872007000100007&script=sci_arttext&tlng=en TEMA 3 – O PROCESSO DE COACHING O coaching existe desde a década de 1960 para o campo pessoal e desde a década de 1980 para o campo corporativo (Da Matta e Victoria, 2012). Vem evoluindo em diversas abordagens, a exemplo de objetivar a aquisição de competências técnicas ou comportamentais, aumentar a performance de indivíduos, times ou empresas, ou ainda desenvolver carreiras (Da Matta e Victoria, 2012). Com essa evolução, tornou-se um campo de trabalho. Para atuar como coach, o profissional precisa passar por um processo longo de formação, existem diversas instituições que pesquisaram e desenvolveram metodologias específicas. A origem da palavra coach encontra-se na língua inglesa e é húngara (kocsi). Kocs é uma cidade da Hungria que liga Viena (na Áustria) à Budapeste 8 (capital da Hungria). No século XV, passou a produzir carruagens, cobiçadas por seu conforto, as carruagens de Kocs, chamadas de kocsi (Celestino, 2011). A palavra coach possui vários significados. Um deles: veículo para transporte de pessoas, originalmente carruagens, mas hoje alguns vagões de trem e tipos de ônibus são chamados de coaches. Técnicos ou treinadores de profissionais também são denominados coaches. No século XVII, o coach era um tutor que guiava as crianças pelos campos do conhecimento (em analogia às carruagens inglesas que carregavam as famílias pelos campos ingleses). Disse-se também que famílias ricas em longas viagens pelo interior da Inglaterra levavam servos que liam em voz alta para as crianças no interior das carruagens (coaches). Ao se referirem a essa forma de aprendizagem, dizia-se que as crianças haviam sido coached (“instruídas dentro da carruagem” – em tradução livre). A partir das primeiras décadas do século XX, as universidades americanas passaram a chamar os instrutores de atletas de esportes coletivos dessa forma (Celestino, 2011). Ao analisarmos a origem da palavra coach, podemos fazer uma analogia como se a vida fosse uma viagem, para a qual a pessoa contasse com o apoio de um coach, o qual teria o papel de, em algum período dessa viagem, mostrar a estrada que a pessoa está seguindo, alertar sobre a necessidade de alterar a direção, dar suporte na decisão de como acessar novos rumos e contribuir com o coachee para que persista em continuar no novo caminho. O coaching não pode ser confundido com treinamento ou aconselhamento ou terapia ou autoajuda ou mentoring, pois segue princípios diferentes. É uma parceria em que o coach contribui com o cliente (coachee) para atingir o melhor em sua vida e produzir os resultados que ele quer para si como pessoa e/ou como profissional. O propósito do coaching visa contribuir para que o coachee identifique a maneira como ele quer e suporta se transformar para melhorar os resultados em sua vida (Lages e O’Connor, 2004). Observa-se que hábitos arraigados são os principais dificultadores do desenvolvimento. Ações e pensamentos bem estruturados e mantidos por tempos fixam modelos mentais e formas de ser. Para Lages e O’Connor (2004), todos os hábitos são importantes, as pessoas organizam seu meio em torno deles, do contrário não se tornariam hábitos, mas os tempos mudam, a 9 vida toma outro rumo e um hábito que fazia sentido em um momento, em outro, pode não mais servir aos propósitos daquela fase. É importante que o coaching esteja focado em resultados, os quais são previamente negociados e estabelecidos entre o coach e o coachee. O modelo proposto por Da Matta e Victoria (2012) identifica sete passos sistêmicos, os quais são: Primeiro passo – busca despertar no coachee a conscientização quanto à sua responsabilidade pelos resultados que vem obtendo em sua vida, pela necessidade de se comprometer com o processo de mudança para melhorar seus resultados e pela importância de se desenvolver senso de prioridade em relação ao processo de coaching. Torna-se importante que a meta seja assumida pelo coachee e que tenha consciência que terá de entrar em ação para alcançá-la. Segundo – possibilita ao coachee avaliações de seu perfil de competências, as quais exploram o seu autoconhecimento para que busque entender sua situação atual. Essas informações subsidiam opções e insights para implementar o próximo passo. Terceiro – é o de planejamento, em que se estabelece o foco e se estrutura uma linha de ação que seja capaz de conduzir o coachee em direção aos objetivos por ele estabelecidos. Nessa fase, define-se aonde o coachee quer chegar. Quarto – tem início o ciclo de transformação, no qual o coachee começa a agir e implementar o que foi combinado na fase anterior. Quinto – as ações são reforçadas, busca-se a construção e o desenvolvimento de novos comportamentos, competências e a eliminação de interferências ou crenças limitantes. Sexto – possibilita medição e avaliação de resultados, na qual é possível fazer correções de rotas. Sétimo – é a última etapa, possibilita percepção do aprendizado e da melhoria contínua. Esse modelo proposto por Da Matta e Victoria (2012) possui elementos necessários para garantir a estrutura do coaching, a qual segue um ciclo continuo de: a) gerar foco, que significa definir aonde o coachee quer chegar; b) dar ênfase em ações, pois é por meio de ações que resultados são gerados; 10 c) acompanhar, avaliar e medir resultados, pois isso permite ao coach verificar o progresso do coachee e identificar o que precisa ser modificado e d) melhoria contínua, pois, uma vez que o coachee desenvolveu foco, entrou em ação e avaliou resultados, o coach o ajuda a refletir sobre seu aprendizado. Essa reflexão é decisiva para que o coachee se torne capaz de gerar recursos que lhe permitam seguir no caminho de evoluir mesmo depois que o coaching for encerrado. Leitura Obrigatória LOTZ, E. G.; GRAMMAS, L. C. Coaching e mentoring. Curitiba: Intersaberes, 2014. Capítulo 1, p. 21 a 24. Disponível na Biblioteca Virtual. Saiba Mais GUIMARÃES, P. C. M. Algumas considerações sobre o processo de coaching. Disponível em: http://www.rh.com.br/Portal/Desenvolvimento/Artigo/9060/algumas- consideracoes-sobre-o-processo-de-coaching.html TEMA 4 – COACHING E O AUTOCONHECIMENTO A literatura contemporânea chama de autoconhecimento o processo de se conhecer, a necessidade de ter alguma noção de quem você é (Jones e Goffee, 2006). Essa necessidade das pessoas de saber sobre si e sobre suas histórias pertence ao ser humano desde Sócrates (Filósofo Grego – 470 a 399 a.C.).Quando em uma de suas famosas frases ele diz: “conhece-te a ti mesmo”, traz à tona à sociedade da época que o filósofo, ao estudar sobre o ser humano, precisava também se conhecer. O autoconhecimento consiste em fornecer à pessoa conhecimentos psicológicos que lhe possibilitem educar a si próprio, como propõe Jung (1986). Para o autor, significa desenvolver ativamente a cultura da educação de si próprio, a qual é obtida pela observação crítica de si mesmo. Autoconhecimento é aquele saber que a pessoa desenvolve a seu próprio respeito. Refere-se às histórias que o indivíduo constrói sobre sua vida, nas quais se delineiam como se relaciona, como ele é e o que ele é. 11 É importante acrescentar à vida diária ocasiões para reflexão, pois isso possibilita que a pessoa analise suas atitudes nos diversos momentos do seu cotidiano, e o coaching propicia esse momento de reflexão. Para Barcellos (2010, p. 7), “contamos histórias e somos as histórias que contamos. Mais que isso, somos a maneira como contamos nossa história”. O autoconhecimento está muito atrelado à percepção que a pessoa tem sobre a maneira como foi construindo sua identidade ao longo da vida e a forma como fala a seu respeito. Conhecer a si próprio é um processo, não termina nunca, pois a vida está em constante mudança e sempre coloca a pessoa diante de algo novo que vai requerer construir uma nova identidade para lidar com a situação. A falta de autoconhecimento pode levar a pessoa a se decepcionar com sua vida tanto pessoal como profissional, por exemplo: pode escolher uma carreira para a qual não tem perfil. Para Jones e Goffee (2006, p. 24), “quando se trata de conhecer e exprimir seu verdadeiro eu, é mais fácil falar do que fazer”. Os autores comentam que no ambiente de trabalho é mais difícil para a pessoa se expressar livremente. Fator este perceptível em ambientes corporativos, nos quais as pessoas têm receio de insucesso e inibem seu autêntico jeito de ser. Durante a vida diária, é importante que a pessoa deixe tempo para ela mesma, mas um tempo de qualidade, para que a consciência do autoconhecimento possa acontecer; o coaching se mostra como esse espaço de autoconhecimento e de autopercepção. Leitura Obrigatória LOTZ, E. G.; GRAMMAS, L. C. Coaching e mentoring. Curitiba: Intersaberes, 2014. Capítulo 1, p. 47 a 50. Disponível na Biblioteca Virtual. Saiba Mais ESCORSIN, A. P. Coaching como caminho para o desenvolvimento pessoal e profissional. Disponível em: http://www.amalaya.com.br/artigocoaching 12 TEMA 5 – COACHING E O DESENVOLVIMENTO PROFISSIONAL Desenvolvimento significa aprimorar capacidades e potencialidades. Está relacionado ao crescimento profissional e ao significado desse crescimento para a vida de uma pessoa. Para Jung (1986, p. 61), “ninguém, absolutamente, ninguém está com sua educação terminada ao deixar a escola”. Essa consideração do autor aponta-nos que o desenvolvimento é contínuo, a cada ciclo, novas formações devem ser acrescentas ao profissional que busca se manter atualizado. Para Dutra (2002, p. 101), “é a capacidade para assumir atribuições e responsabilidades em níveis crescentes de complexidade”. O autor complementa essa ideia ponderando que atrelar desenvolvimento somente à complexidade não é suficiente, faz-se necessário atrelá-lo à direção e ao foco. Desenvolvimento implica estar preparado para atuar em ambientes mais complexos, porém, como vimos em Dutra (2002), a pessoa precisa ter um direcionamento para o desenvolvimento que vai buscar em sua vida profissional. Um dos desafios para a pessoa, nesse cenário volátil em que vivemos no século XXI, está em orientar seu desenvolvimento de forma que faça sentido para a trajetória profissional que busca trilhar. Todo desenvolvimento implica reconhecer talentos, e esse é outro ponto importante para o crescimento profissional. Talentos, para Buckingham e Clifton (2008), são os pontos fortes de uma pessoa, são as atividades que ela pratica habitualmente e que faz bem, agregando valor ao meio. Para os autores, uma pessoa jamais será talentosa em todas as dimensões humanas. O importante é identificar e se concentrar em seus pontos fortes. O que não significa ignorar os pontos fracos, mas administrá-los. Muitas vezes, desenvolver-se implica romper padrões estabelecidos para adotar outras formas de olhar para seus talentos. No coaching a pessoa aprende a cuidar de seu desenvolvimento profissional, assume a responsabilidade por sua evolução, adota uma postura voltada à aprendizagem contínua. Ela mesma busca condições para sua evolução e se questiona para melhorar sua performance. Compromete-se em conhecer outras possibilidades, em aprender conceitos diferentes, gerando em si mesma uma curiosidade natural. Mas, para isso, é necessário que a pessoa 13 sinta vontade e tenha iniciativa. Desenvolvimento profissional está diretamente atrelado ao conceito de competência. No processo de coaching, algumas ferramentas objetivam mapear as competências do coachee, para que avalie a aderência de sua escolha profissional com suas competências e também para que identifique os seus gaps de competência. Ao identificá-los, torna-se possível estabelecer objetivos e metas a serem traçados para que o coachee possa se focar na busca de capacitação alinhada ao seu planejamento de vida e de carreira, no sentido de minimizar as lacunas identificadas. Todas as pessoas têm uma carreira, esteja ou não em uma atividade remunerada. Os trabalhos desenvolvidos durante um período de tempo podem se constituir em uma carreira, seja em um emprego formal ou em estudos ou em atividade autônoma ou em trabalhos voluntários, o caminho que uma pessoa percorre ao longo de toda sua trajetória de vida é a sua carreira. Alguns fazem sua carreira como profissional liberal. Outros a constroem em uma organização. A escolha por uma carreira influencia o indivíduo em todos os aspectos de sua vida. Para fazer a escolha certa e construir uma carreira sólida, é preciso que a pessoa tenha uma visão clara do mercado em que pretende atuar. É importante que a pessoa reconheça quais expectativas tem em relação a esse caminho profissional. Cada um deve se empenhar para construir a sua própria carreira, fazendo uma avaliação criteriosa a respeito de suas necessidades, de seus interesses e de seus objetivos. É fundamental perceber seus talentos, conhecer-se e mensurar quais são suas competências para que possa competir em um mercado exigente como este em que vivemos. Carreira está intimamente relacionada com competências, desenvolvimento profissional e autoconhecimento. Os profissionais que desejam se destacar em sua profissão devem buscar seu aperfeiçoamento contínuo e possuir metas bem definidas. Para isso, é importante que o profissional se conheça. Sem perceber quem ele é, como saberá o caminho profissional que tem talento para trilhar? Para uma pessoa direcionar o seu crescimento profissional, é importante analisar sua missão de vida. Missão de 14 vida se refere à clareza de propósito, que significa delinear: o que é importante para ela, o que deseja ser, em que acredita, para que ou para quem trabalha. Leitura Obrigatória LOTZ, E. G.; GRAMMAS, L. C. Coaching e mentoring. Curitiba: Intersaberes, 2014. Capítulo 1, p. 51 e 52. Disponível na Biblioteca Virtual. Saiba Mais Telejornal da Rede Globo fala sobre os perigos da formação em coaching à distância. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=ihzk-KXfpA0 TROCANDO IDEIAS Vamos debater sobreo aprendizado da aula de hoje. Analise a seguinte situação: João Carlos é gerente da área financeira de uma empresa de grande porte que atua no ramo de logística e comércio exterior. A empresa implantou gestão por competências. A avaliação de desempenho foi reformulada para competências. O diretor da empresa é quem faz as avaliações dos gerentes. Quando da avaliação de João Carlos, identificaram que estava com dificuldade para conduzir a gestão das pessoas de sua equipe, por vezes, mostrava-se ausente, em outras, assumia uma postura autoritária. Tendo em vista o gap de competência demonstrado por João Carlos, você considera que o processo de coaching o ajudaria em seu desenvolvimento como líder? Justifique sua consideração. Para auxiliá-los nesse debate, consulte o artigo: MILARÉ, S. A.; YOSHIDA, E. M. P. Coaching de executivos: adaptação e estágio de mudanças. São Paulo, Revista Psicologia: teoria e prática, 2007. Disponível em: http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?pid=S1516- 36872007000100007&script=sci_arttext&tlng=en NA PRÁTICA Vamos relacionar os conteúdos vistos com situações práticas do ambiente de trabalho. Para isso, iremos retomar o case da empresa De Luxo. 15 Relembrando as informações: A De Luxo é uma loja de departamentos que comercializa roupas femininas, masculinas e infantis. Atua na região sul do Brasil, tem cerca de dez lojas, conta com aproximadamente 3.450 funcionários. A De Luxo elabora seu planejamento estratégico e o revisa a cada ano. Implantou gestão por competências, o que a está levando a migrar a sua forma de administrar o RH, atua com gestão de pessoas por competências, readequou todos os processos para esse modelo de gestão. A sua visão é: “Encantar a todos nos deixa felizes”. A missão: “Comercializar produtos de moda com qualidade e excelência na prestação de serviços, a conquista da liderança e a orientação para o mercado são nossos focos”. O negócio: “Varejo de vestuário e artigos de beleza”. As competências organizacionais: “encantamento dos clientes; inovação; trabalho em equipe; orientação para resultados; foco na qualidade e fazer acontecer”. As competências individuais: “cumprir e honrar com os compromissos de trabalho; apresentação pessoal; dedicação; responsabilidade; relacionamento interpessoal”. Você é o analista de RH da De Luxo, mas agora atua com o processo de avaliação de desempenho; obteve ascensão em sua carreira em razão da qualidade suas entregas. A empresa está migrando avaliação de desempenho para competências, e os demais processos de gestão de pessoas estão todos alinhados com foco em competências. Você terá de elaborar uma apresentação para a direção da empresa, pontuando a finalidade da avaliação de desempenho por competências para a De Luxo enquanto uma organização. Para que você possa resolver esse case, siga os passos descritos abaixo: A) Faça a leitura atenciosa do caso. B) Reveja o primeiro tema desta aula. C) Responda com seus comentários sobre a finalidade da avaliação de desempenho por competências para a organização. Para melhor desenvolver sua ideia sobre o tema desta quarta aula, leia: 16 LOTZ, E. G.; GRAMMS, L C. Gestão de talentos. Curitiba: Intersaberes, 2012. Leia o Capítulo 6, item 6.2 – Avaliação de desempenho, p. 231 a 244. Disponível na Biblioteca Virtual. Apresentação da solução do problema: Para a organização, a avaliação de desempenho por competências apresenta as seguintes finalidades: oferece informações sobre o desenvolvimento da organização; produz melhoria no desempenho organizacional, refletida na produtividade, na qualidade, na satisfação do cliente, nos aspectos econômicos e financeiros; torna dinâmico o planejamento da empresa; propaga os objetivos e os valores da organização; dinamiza e orienta a política de recursos humanos; melhora a comunicação; melhora a motivação; possibilita a revisão de metas e objetivos; torna claros os resultados esperados e obtidos; serve como instrumento de tomada de decisão para o levantamento de necessidades de treinamento e desenvolvimento; serve de instrumento nas decisões de carreira, salário e participação nos resultados; identifica talentos; reduz conflitos, por meio do diálogo, das discussões sobre o que se espera e dos resultados; melhora as competências das pessoas e da empresa. (Fonte: Lotz e Gramms, 2012, p. 236) FINALIZANDO A quarta aula abordou um importante processo de gestão de pessoas: a avaliação de desempenho por competências. Esta objetiva especificar o que a organização espera do desempenho do colaborador, tanto em relação as suas competências como a seu nível de entrega. Por meio da avaliação, são identificados os gaps de competências, para que seja possível traçar planos de 17 desenvolvimentos alinhados com as reais necessidades dos colaboradores e atrelados às demandas da organização. Nesta aula, tivemos a oportunidade de dialogar sobre coaching. Este tem se mostrado uma eficiente forma de autoconhecimento, por meio da qual é possível identificar as competências de um profissional, por critérios científicos. O coaching deve ser sempre conduzido por um especialista qualificado – o coach. O objetivo principal é identificar a situação atual do coachee e traçar um plano de ação consistente para que este atinja seus objetivos, tanto pessoais como profissionais. Por essa razão, o coaching tem se mostrado um excelente caminho para quem busca se desenvolver em sua carreira. REFERÊNCIAS BARCELLOS, G.. Prefácio do livro: HILLMAN, J. Ficções que curam: psicoterapia e imaginação em Freud, Jung e Adler. Campinas: Verus, 2010. BUCKINGHAM, M.; CLIFTON, D O. Descubra seus pontos fortes. Rio de Janeiro: Sextante, 2008. CELESTINO, S. Origem da palavra e da profissão de coach. Disponível em: <http://www.administradores.com.br/noticias/carreira/origem-da-palavra-e-da- profissao-de-coach/49731/>. Acesso em: 22 out. 2016. DA MATTA, V.; VICTORIA, F. Personal & profissional coaching: livro de metodologia. Rio de Janeiro: Publit, 2012. DUTRA, J. Gestão de Pessoas: modelos, processos, tendências e perspectivas. São Paulo: Atlas, 2002. _____. Competências: conceitos e instrumentos para a gestão de pessoas na empresa moderna. São Paulo: Atlas, 2004. JONES, G.; GOFFEE, R. Quem disse que você pode liderar pessoas?: o que é preciso para ser um verdadeiro líder. Rio de Janeiro: Elservier, 2006. JUNG, C. G. O desenvolvimento da personalidade. Petrópolis: Vozes, 1986. 18 LAGES, A.; O’CONNOR, J. O coaching como PNL: o guia para alcançar o melhor em você e em outros: como ser um coach máster. Rio de Janeiro: Qualitymark, 2004. LOTZ, E G.; GRAMMAS, L. C. Coaching e mentoring. Curitiba: Intersaberes, 2014. _____. Gestão de Talentos. Curitiba: Intersaberes, 2012. OLIVEIRA, D. de P. R. Coaching, mentoring, counseling: um modelo integrado de orientação profissional da universidade corporativa. São Paulo: Atlas, 2012. TAKAHASHI, A. R. W. Competências, aprendizagem organizacional e gestão do conhecimento. Curitiba: Intersaberes, 2015. APRENDIZAGEM ORGANIZACIONAL, COMPETÊNCIAS E GESTÃO DO CONHECIMENTO AULA 5 Prof.a Ana Paula Escorsin 2 CONVERSA INICIAL Nesta quinta aula, vamos trabalhar com o tema aprendizagem organizacional. Ao ver esse assunto, você deveter se perguntado: como assim, organizações aprendem? Claro que aprendem, mas esse aprendizado ocorre por meio dos indivíduos. Ao dizer que as organizações aprendem, quer-se enfatizar que dentro das organizações ocorrem processos de aprendizagens, os quais se referem à evolução das organizações (Takahashi, 2015). Para que você amplie seus conhecimentos sobre os aspectos que envolvem tal temática, a aula está estruturada da seguinte forma: Aprendizagem organizacional Aprendizagem organizacional e organizações de aprendizagem Aprendizagem e mudança organizacional Aprendizagem e conhecimento organizacional Aprendizagem organizacional e competência organizacional CONTEXTUALIZANDO Com base no material estudado, estabeleça diálogos com os colegas sobre como se dá a inter-relação entre o novo conhecimento, a mudança, a aprendizagem organizacional e a competência organizacional. PESQUISE Para melhor embasar sua análise pesquise em: TAKAHASHI, Adriana Roseli Wünsch. Competências, aprendizagem organizacional e gestão do conhecimento. Curitiba: Intersaberes, 2015. Leia o item 6.4. – Aprendizagem organizacional e competência organizacional, p. 165 a 168. TEMA 1 – APRENDIZAGEM ORGANIZACIONAL Para este primeiro tema, vamos abordar alguns aspectos conceituais sobre a aprendizagem organizacional. A aprendizagem organizacional se relaciona com a noção de mudança contínua que ocorre nas empresas, aponta para como as organizações funcionam e se modificam ao longo do tempo, 3 integra a aprendizagem individual, grupal e global da organização (Takahashi, 2015, p. 114). Takahashi (2015, p. 125), citando Bitencourt (2001), propõe que “aprendizagem organizacional refere-se a como a aprendizagem na organização acontece, isto é, as habilidades e processos de construção e utilização do conhecimento”. Portanto, a aprendizagem organizacional representa as transformações na forma de funcionar de uma empresa. Toda corporação precisa se adaptar e promover mudanças em sua estrutura, em suas relações com os clientes, fornecedores, concorrentes, com o meio e até mesmo com os funcionários. As empresas aprimoram as suas habilidades, alteram seus processos para melhor desenvolver seus serviços ou produtos e se utilizam de seus conhecimentos de forma mais ampla e sistêmica. Existem empresas que têm dificuldade com a aprendizagem, e estas costumam ser empresas tradicionais, às vezes, envelhecidas, burocráticas, pouco inovadoras e com processos rígidos. Takahashi (2015) aborda cinco focos fundamentais a serem observados por organizações que cultivam a aprendizagem, os quais são: processo: refere-se ao conjunto de atividades desenvolvido em cada área de empresa. Os processos precisam estar, constantemente, atualizados para que se mantenham eficazes; transformação: refere-se às mudanças que a empresa precisa implementar em razão das inovações requeridas pelo mercado, pelo cliente e pela própria empresa; grupo: refere-se às equipes que compõem as diferentes áreas da empresa. A aprendizagem organizacional enfatiza um conjunto alinhado de colaboradores, privilegiando o trabalho e os resultados em equipe; criação e reflexão: referem-se à capacidade de as empresas repensarem sobre sua forma de funcionamento, para, então, criarem e se reinventarem, sob a ótica da inovação e da conscientização; ação: refere-se aos passos dados pelas empresas em direção a agir e de acordo com novos conhecimentos adquiridos sobre seu jeito de funcionar. 4 Takahashi (2015, p. 125), citando Bitencourt (2001), comenta que as novas descobertas e a memória organizacional são dois componentes importantes da aprendizagem organizacional. Novas descobertas apontam para a visão de futuro da empresa, para a necessidade de inovação e de transformação. A memória organizacional faz parte da cultura, representa todo o conhecimento e a história vivida pela empresa. A memória está associada à capacidade de reflexão da empresa, e as novas descobertas estão associadas à transformação e à criação. Memória e novas descobertas possibilitam ações coerentes, processos bem estruturados e equipes atuando em sinergia. Todos esses pontos compõem a aprendizagem organizacional. Antonello (2005), citado por Takahashi (2015, p. 129), agrega mais dois pontos à aprendizagem organizacional, os quais são: situação: a aprendizagem ocorre em uma dada situação ou em função da atividade ou do contexto ou da cultura. Esse tipo de aprendizagem se caracteriza por ser informal; cultura: a aprendizagem está baseada em história compartilhada, a qual dá sentido às experiências vividas pela empresa. A aprendizagem organizacional está intimamente vinculada à forma como a empresa conduz a gestão do conhecimento – vamos trabalhar esse tema na Aula 6. A gestão do conhecimento diz respeito às práticas adotadas pela empresa em relação ao gerenciamento de seus conhecimentos. Leitura Obrigatória TAKAHASHI, A. R. W. Competências, aprendizagem organizacional e gestão do conhecimento. Curitiba: Intersaberes, 2015. Leia o item 5.4. – Conceitos e princípios de aprendizagem organizacional, p. 118 a 131. Saiba Mais BASTOS, A. B.; GONDIM, S. M. G.; LOIOLA, E. Aprendizagem organizacional versus organizações que aprendem: características e desafios que cercam essas duas abordagens de pesquisa. Revista Adm., São Paulo. v. 39, n. 3, 2004. Veja o item 3, Aprendizagem organizacional, p. 3 a 6. Disponível em: http://rausp.usp.br/wp-content/uploads/files/V3903220-230.pdf 5 TEMA 2 – APRENDIZAGEM ORGANIZACIONAL E ORGANIZAÇÕES DE APRENDIZAGEM O tema anterior abordou alguns conceitos sobre aprendizagem organizacional, vimos que, em seu conjunto, as organizações aprendem. Para Senge (2012, p. 28), à medida que o mundo se torna interconectado e os negócios se tornam mais complexos e dinâmicos, torna-se mais fácil aprender no trabalho. Nesse cenário mundial dinâmico, é preciso que todas as pessoas aprendam pela empresa, não sendo mais possível aguardar soluções ou inovações da direção ou das gerências. O perfil de competência dos profissionais não contempla mais pessoas que seguem ordens ou que realizam seus processos sempre da mesma forma. Para que as organizações tenham sucesso, precisam cultivar pessoas comprometidas e capazes de aprender (Senge, 2012). A empresa, quando consegue despertar a noção do constante aprender a aprender em si própria e em seus colaboradores, desenvolve a aprendizagem, com isso, precisa encontrar formas para gerir tudo o que é aprendido. Senge (2012, p. 46) comenta que são poucas as empresas que chegam à idade média de uma pessoa. O autor menciona que o tempo médio de vida de uma empresa é inferior a quarenta anos. A maioria das empresas que fechou demonstrou sinais prévios de problemas. Esses problemas ou não foram vistos ou foram ignorados. As empresas que fecharam, portanto, não conseguiram ser ou se manter como organizações que aprendem. Segundo Bastos, Gondim e Loiola (2004, citando Garvin, 1993), as organizações que aprendem são aquelas capazes de adquirir, criar, produzir novos aprendizados, transferir conhecimentos e modificar o comportamento de seus membros. Precisam, também, conseguir organizar as suas ações para que a aprendizagem gerada se dissemine na empresa. Os autores, citando Senge (1990), dizem que as organizações que aprendem são instituições nas quais as pessoas se voltam para a aprendizagem coletiva, o que requer o comprometimento com resultados motivadores. Para os autores:uma organização de aprendizagem oferece um ambiente em que as pessoas ampliam sua capacidade de inovar para atingir resultados desejados, em que há estímulo para o desenvolvimento de novas formas de pensamento, em que a aspiração coletiva ganha liberdade 6 e as pessoas conscientizam-se de que a aprendizagem envolve colaboração mútua. (Bastos, Gondim e Loiola, 2004, p. 6) Para ser uma organização que aprende, ela precisa querer adquirir conhecimento, necessita modificar seu funcionamento a partir de reflexões sobre suas experiências. O aprendizado só acontece quando a empresa consegue pensar sobre suas ações e sobre as consequências delas, tanto para seu ambiente interno como para o externo. As organizações que aprendem demonstram algumas características (conforme Bastos, Gondim e Loiola, 2004), as quais são: apresentam um clima que estimula os colaboradores a questionar, a aprender e a desenvolver seu potencial; agem em sintonia com uma cultura de aprendizagem que envolve consumidores, fornecedores e outros grupos de interesse; assumem o desenvolvimento de pessoas como central para seu negócio; entendem a transformação e a mudança como processos contínuos. O cotidiano das empresas está permeado por barreiras que dificultam o aprendizado. Para Bastos, Gondim e Loiola (2004), essas barreiras são: dificuldade em relação à capacidade de agir – isso ocorre quando há excesso de prioridades, objetivos confusos, falta de poder de decisão, temor de correr riscos, punição por erros e não reconhecimento. dificuldade em refletir – em razão de pressão pelo desempenho de curto prazo, falta de um ambiente de indagação, ausência de fóruns de aprendizagem e sistema de recompensa atrelado somente a aspectos financeiros. dificuldade em relação à capacidade de disseminar – isso ocorre quando há ausência de oportunidades de compartilhar insucesso ou dificuldades, não visualização de erro como oportunidade de aprendizagem e existência de poucos mecanismos de comunicação interna. Para que uma empresa se torne uma organização que aprende, precisa adotar uma visão sistêmica, ou seja, ver-se como um conjunto interligado, para tanto, precisa romper com velhas barreiras que limitam o aprendizado como um todo. 7 Leitura Obrigatória TAKAHASHI, A. R. W. Competências, aprendizagem organizacional e gestão do conhecimento. Curitiba: Intersaberes, 2015. Leia o item 5.3. – Aprendizagem organizacional e organizações que aprendem, p. 116 e 117. Saiba Mais BASTOS, A. B.; GONDIM, S. M. G.; LOIOLA, E. Aprendizagem organizacional versus organizações que aprendem: características e desafios que cercam essas duas abordagens de pesquisa. Revista Adm., São Paulo. v. 39, n. 3, 2004. Veja o item 4, Organizações que aprendizagem, p. 6 a 8. Disponível em: http://rausp.usp.br/wp-content/uploads/files/V3903220-230.pdf TEMA 3 – APRENDIZAGEM E MUDANÇA ORGANIZACIONAL A empresa que vivencia o constante aprendizado organizacional é capaz de mudar sua forma de desempenho, para que seja possível incorporar novas descobertas e descartar aspectos que são mais relevantes aos seus processos. Para tanto, é preciso desenvolver mecanismo de reflexão que permita visualizar o que e quando determinada situação precisa de mudança. Leite (2000), citando Drucker (1995), menciona que, para que uma organização possa aprender, precisa ter padrões de atividades que alterem os seus próprios padrões. Com isso, o autor quer dizer que a empresa necessita desenvolver ações que avaliem, periodicamente, as suas necessidades de mudança. O autor prossegue dizendo que o sucesso de uma empresa no mercado depende cada vez mais de sua capacidade de aprendizagem. Takahashi (2015, p. 153) apresenta diversos autores que estudaram as relações entre a aprendizagem organizacional com o tipo de mudança requerida pela empresa. Vejamos o que diz Takahashi: Para os autores Argyris e Schön (1978), conforme o tipo de mudança, a aprendizagem é classificada em três níveis. No primeiro nível de aprendizagem, encontram-se as melhorias incrementais, ou seja, as realizadas em práticas e em rotinas de trabalho. O segundo nível acontece quando as mudanças são mais profundas e demandam reflexões, alternando a cultura e os valores da empresa. O terceiro nível acontece quando a empresa se torna consciente de seu processo de aprendizagem, ou seja, quando a organização aprende a aprender (Takahashi, 2015, p. 153). 8 Os autores Fiol e Lyles (1985) dizem que o tipo de mudança leva a dois níveis aprendizagem. O primeiro é o nível inferior, no qual ocorrem mudanças de pequeno impacto e em determinada atividade. No segundo, o nível superior, a empresa desenvolve novas habilidades (Takahashi, 2015, p. 155). Para Barr, Huff e Stimpert (1992), o tipo de mudança, também, leva a dois níveis de aprendizagem. O primeiro nível, chamado de baixo impacto, acarreta mudanças incrementais. No segundo, de alto grau, ocorrem mudanças transformacionais, ou seja, as mudanças significativas (Takahashi (2015, p. 156). Prossegue Takahashi (2015, p. 156) afirmando que essas três classificações estão interligas, ou seja, a aprendizagem de nível inferior ou de baixo grau refere-se à mudança de pequeno impacto e em atividade ou processo. A aprendizagem de nível superior ou de alto grau envolve mudanças profundas, as quais têm impacto na organização como um todo. Toda mudança precisa que haja uma clara visão do que precisa ser modificado. A mudança pode ser para resolver um problema ou para inovar, porém, sempre requer tomada de decisões. Mudança e tomada de decisão caminham juntas. Vanin (2013, p. 95) apresenta seis etapas de decisão para conduzir mudança com coerência. Essas etapas são: 1. Clareza da situação – obter todas as informações de forma que não haja surpresas. 2. Opções – todas as alternativas possíveis devem ser analisadas, bem como as prováveis consequências de cada uma delas. 3. Preferências – dentro das opções existentes, devem ser estruturados critérios de importância, para que as alternativas sejam consideradas em termos de efeitos e de valores. 4. Opções constantes – considerar que os pesos atribuídos a cada uma das opções tenham certa constância. 5. Limitações de tempo e custos – o tomador de decisão, ao implementar mudança, deve ter claro e possuir condições de saber quanto vai custar a mudança, o que ela significa ao longo do tempo para poder quantificar o retorno de investimento. 9 6. Obter máximo retorno – estar preparado para escolher a alternativa que resultar no maior retorno possível. Com esse tema, pudemos compreender o quanto a aprendizagem organizacional e a mudança caminham juntas, porém, para que a mudança seja efetiva, faz-se necessário um adequado planejamento. Por outro lado, as empresas que têm dificuldade para mudar podem perder espaço no mercado. Leitura Obrigatória TAKAHASHI, A. R. W. Competências, aprendizagem organizacional e gestão do conhecimento. Curitiba: Intersaberes, 2015. Leia o item 6.2 – Aprendizagem e mudança organizacional, p. 152 a 157. Saiba Mais LEITE, H. C. T. Qual a relação entre mudança e aprendizagem. Revista de Administração, Cultura e Meio ambiente, n. 20, v. IV, 2000. Disponível em: http://www.revistapresenca.unir.br/artigos_presenca/20haroldocristovam_qualar elacaoentremudancaeaprendizagem.pdf TEMA 4 – APRENDIZAGEM E CONHECIMENTO ORGANIZACIONAL Neste tema, vamos traçar paralelos entre a aprendizagem e o conhecimento em uma organização. Takahashi (2015, p. 157) comenta que“a aprendizagem ocorre quando há mudança no estado de conhecimento” em uma organização. Estudamos sobre a mudança no tema anterior. Todos os níveis de aprendizagem geram mudanças. Vimos que o nível de aprendizagem inferior ou de baixo grau gera mudança em atividade ou processo. A aprendizagem de nível superior ou de alto grau gera mudança e tem impacto na empresa como um todo. Vamos agora acrescentar o conhecimento: sempre que a empresa (por meio de todos os colaboradores) adquire novos conhecimentos, necessita fazer alguma mudança, ou em atividades ou em processos ou em níveis estratégicos. Portanto, um novo conhecimento adquirido leva à mudança, e estes dois (conhecimento e mudança) geram novos aprendizados. Para complementar a ideia abordada acima, vamos ver um exemplo: 10 João trabalha na área de RH de uma empresa de médio porte, cujo modelo de gestão é o tradicional. João está fazendo o curso superior tecnológico de Gestão de RH, estudando sobre gestão por competências. Conversa com o gerente do RH de sua empresa para tentarem implantar esse modelo de gestão, mas, como a empresa é tradicional, o gerente de RH e João decidem por iniciar a mudança do modelo de gestão de pessoas com a implantação de entrevista de seleção por competências, assim os gestores começariam a desenvolver uma nova cultura. Esse exemplo nos mostra que João adquiriu um novo conhecimento, por meio do qual implementou uma mudança em um processo do RH, a qual gerou um aprendizado para o RH e para os gestores da empresa. Por ser uma mudança em um dos processos de RH, a aprendizagem foi de nível inferior ou de baixo grau. Quando implementarem o modelo de gestão por competência, essa mudança gerará aprendizagem de nível superior ou de alto grau, pois a mudança trará impacto à empresa como um todo. A Figura 1 ilustra a interligação entre conhecimento, mudança e aprendizagem organizacional. Figura 1 – Conhecimento, mudança e aprendizagem organizacional Fonte: Elaborada pelo autor, com base em Takahashi, 2015, p. 157. Considerando o que analisamos, pode-se perceber que a aprendizagem organizacional ocorre somente quando há a incorporação de novos conhecimentos, os quais geram mudanças. Para Takahashi (2015, p. 158), “a aquisição, a utilização e a incorporação de conhecimento são fundamentais para que ocorra a aprendizagem organizacional”. 11 Takahashi (2015, p. 161), citando Patriotta (2003), comenta que há três fatores que afetam o estado de conhecimento da organização, os quais são: História – porque o conhecimento resulta da sedimentação das experiências de aprendizado ao longo do tempo. Hábito – porque quando o conhecimento é profundamente internalizado e institucionalizado, tende-se a utilizá-lo de forma de automática. Experiência – porque é a base do conhecimento tácito. O conhecimento segue um fluxo na organização. Esse fluxo envolve a criação do conhecimento, a sua utilização e a institucionalização do novo conhecimento (Takahashi, 2015, citando Patriotta, 2003). Leitura Obrigatória TAKAHASHI, A. R. W. Competências, aprendizagem organizacional e gestão do conhecimento. Curitiba: Intersaberes, 2015. Leia o item 6.3. – Aprendizagem e conhecimento organizacional, p. 157 a 165. Saiba Mais SHINYASHIHI, G. T.; TREVISAN, M. A.; MENDES, I. A. C. Sobre a criação e a gestão do conhecimento organizacional. Revista Latino-americana de Enfermagem, jul./ago., 2003. Leia o item Criação e gestão do conhecimento organizacional, p. 3 a 6. Disponível em: http://www.revistas.usp.br/rlae/article/view/1794/1841 TEMA 5 – APRENDIZAGEM ORGANIZACIONAL E COMPETÊNCIA ORGANIZACIONAL Vimos no terceiro tema de nossa segunda aula as categorias das competências organizacionais, lembram-se delas? Abordamos a primeira da categoria, a qual é a competência essencial. Estudamos que a competência essencial se refere às atividades de alta competência, importante para o nível corporativo, além de ser a chave para a sobrevivência da organização e central em sua estratégia. Essa competência essencial “resulta da aprendizagem coletiva da organização” (Takahashi, 2015, p. 166). Takahashi (2015) relaciona que o movimento de aquisição e transformação das competências organizacionais é sempre permeado por um 12 processo de aprendizagem. Para a autora, as competências podem ser mantidas, alavancadas ou construídas, para um conjunto de atividades, que envolve precisão de recursos, visando equilibrar objetivos de curto, médio ou longo prazo. Takahashi (2015) prossegue dizendo que, ao se investigar o processo de aprendizagem de uma empresa, pode-se entendê-lo como resultante da relação que a aprendizagem estabelece com as competências. Existe uma estreita relação entre aprendizagem e competência, a qual se vincula ao processo de mudança e ao fluxo de conhecimento. Essa relação tem implicações gerenciais, tanto que algumas empresas apresentam dificuldades para desenvolver suas atividades, por não compreenderem essa inter-relação entre aprendizagem e competência. Vamos voltar ao esquema que trabalhamos no quarto tema desta aula e acrescentar a competência: um novo conhecimento gera mudança, o que possibilita a aprendizagem organizacional, o que reflete em alteração de competência. Veja a Figura 2, a qual apresenta a interligação entre conhecimento, mudança, aprendizagem organizacional e competências. Figura 2 – Conhecimento, mudança, aprendizagem organizacional e competências Fonte: Elaborada pelo autor, com base em Takahashi, 2015, p. 166. Falamos em interligação, pois podemos ler o esquema acima por diversos ângulos. Por exemplo, pode-se iniciar com a alteração em uma 13 competência, a qual gera aprendizagem, que requer mudança e aquisição de novo conhecimento. Pode-se iniciar com uma necessidade de mudança em algo da empresa como um todo ou de uma atividade em uma área, a qual vai requerer novos conhecimentos, gerar aprendizagem e alteração de competências. Portanto, essa inter-relação é cíclica e contínua. Leitura Obrigatória TAKAHASHI, A. R. W. Competências, aprendizagem organizacional e gestão do conhecimento. Curitiba: Intersaberes, 2015. Leia o item 6.4. – Aprendizagem organizacional e competência organizacional, p. 157 a 165. Saiba Mais LEITE, J. B. D.; PORSSE, M. de C. S. Competição baseada em competências e aprendizagem organizacional: em busca da vantagem competitiva. Revista de Administração Contemporânea, v. 7, Curitiba, 2003. Leia o item Programa Gestão da Excelência (PGE), o qual apresenta a experiência do Banco do Brasil. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1415- 65552003000500007&script=sci_arttext&tlng=es TROCANDO IDEIAS Vamos debater sobre o aprendizado da aula de hoje! Com base no material estudado, estabeleça diálogos com os colegas sobre: a necessidade da área de RH adotar enfoque estratégico para que ocorra a aprendizagem organizacional em uma empresa. Para auxiliá-los nesse debate, consultem o artigo: TAKAHASHI, A. R. W. Competências, aprendizagem organizacional e gestão do conhecimento. Curitiba: Intersaberes, 2015. Leia o item 5.4. – Conceitos e princípios de aprendizagem organizacional, p. 118 a 131. CÉSAR, A. M. R. V. C. Um novo RH? – avaliando a atuação e o papel da área de RH em organizações brasileiras. Revista FACEF Pesquisa, v. 9, n. 2, 2006. 14 Leia o item 1 – O enfoque estratégico para a área de Recursos Humanos, p. 2 a 5. Disponível em: http://periodicos.unifacef.com.br/index.php/facefpesquisa/article/view/72/138NA PRÁTICA Vamos relacionar os conteúdos vistos nesta aula com situações práticas do ambiente de trabalho. A atividade será: 1. Você deve fazer análises de algumas empresas e identificar uma que atue de forma a inter-relacionar: conhecimento, mudança, aprendizagem organizacional e competência organizacional. 2. Para melhor identificar a empresa com este perfil, observe se: na empresa há cultura de aprendizagem e como essa empresa se diferencia das demais; a empresa costuma ensinar e aprender; a empresa ouve os seus clientes, de que forma o faz, como administra as informações coletas juntos aos clientes; transforma seus produtos ou serviços, e como faz tal mudança; desenvolve capacidade de gerenciar o conhecimento e os talentos da empresa; possibilita que suas equipes obtenham melhor desempenho e resultado, e de que forma faz isso; possibilita que seus colaboradores desenvolvam as suas competências; dá oportunidade para que os colaboradores se desenvolvam profissionalmente; Após identificada a empresa, descreva suas considerações, citando: 1. o nome da empresa; 2. o ramo de atuação; 3. o diferencial dessa empresa que o levou a considerá-la como uma empresa que atua de forma a inter-relacionar: conhecimento, mudança, aprendizagem organizacional e competência; Comente sobre como a empresa faz a sua gestão privilegiando esta inter-relação. 15 Relate o que você descobriu sobre o papel e as contribuições do RH para esse método de gestão. Para que você possa resolver essa atividade prática, siga os passos descritos abaixo: A) Faça a leitura atenciosa do solicitado para a atividade prática. B) Reveja os temas trabalhados nesta aula. C) Pesquise empresas com esse perfil. Você pode conversar com pessoas para ajudá-lo, pode acessar o site de empresas que considera ter tal perfil, pode conversar com os profissionais de RH de empresas que considerar as mais indicadas. Use as suas competências – criatividade, capacidade de análise, relacionamento interpessoal – para conduzir a atividade prática. D) Responda com seus comentários sobre qual a empresa que atua de forma a inter-relacionar conhecimento, mudança, aprendizagem organizacional e competência organizacional. Para melhor desenvolver sua ideia sobre essa atividade prática, leia todos os temas desta aula e também analise o artigo a seguir: ROMERO, V. Aprendizagem organizacional, gestão do conhecimento e universidade corporativa: instrumentos de um mesmo constructo. Disponível em: http://www.administradores.com.br/producao-academica/aprendizagem- organizacional-gestao-do-conhecimento-e-universidade-corporativa- instrumentos-de-um-mesmo-construto/3236/ Para obter mais informações, você pode consultar o site do SEBRAE, disponível em: https://www.sebrae.com.br/sites/PortalSebrae Apresentação da solução do problema: Essa atividade prática demanda resposta de pesquisa pessoal do aluno, e para resolvê-la ele deve: fazer análises de algumas empresas; identificar uma que atue de forma a inter-relacionar conhecimento, mudança, aprendizagem organizacional e competência organizacional; Para melhor identificar a empresa o aluno pode: 16 observar a cultura da empresa, se há atenção para com a aprendizagem e como essa empresa se difere das demais; analisar como a empresa costuma ensinar e aprender; observar como desenvolve capacidade de gerenciar o conhecimento e os talentos da empresa; analisar as estratégias utilizadas pela empresa para que as equipes adquiram melhores desempenho e resultado; observar como os colaboradores desenvolvem as suas competências e se a empresa cria oportunidade para que estas se desenvolvam. FINALIZANDO A quinta aula apresentou o tema aprendizagem organizacional. Vimos que a aprendizagem organizacional se refere a como ocorrem a aprendizagem, as habilidades e os processos de construção e utilização do conhecimento em uma empresa. Representa as transformações em relação ao funcionamento de uma corporação. Compreendemos que as organizações que aprendem são aquelas capazes de adquirir, criar, produzir novos aprendizados e transferir conhecimentos, são capazes de melhorar a performance da própria empresa, das equipes e de seus colaboradores. Uma empresa que vivencia o constante aprendizado organizacional é capaz de mudar o seu desempenho sempre que necessário, conduzindo as mudanças de forma planejada. Analisamos que há uma profunda inter-relação entre aquisição de novos conhecimentos, mudanças, aprendizagem organizacional e competência organizacional. Podemos dizer que, sempre que novas competências são incorporadas a uma empresa, o seu aprendizado se amplia. REFERÊNCIAS BASTOS, A. B.; GONDIM, S. M. G.; LOIOLA, E. Aprendizagem organizacional versus organizações que aprendem: características e desafios que cercam essas duas abordagens de pesquisa. Revista Adm. São Paulo. v. 39, n. 3, 2004. Disponível em: <http://rausp.usp.br/wp-content/uploads/files/V3903220- 230.pdf>. Acesso em: 9 nov. 2016. 17 LEITE, H C. T. Qual a relação entre mudança e aprendizagem. Revista de Administração, Cultura e Meio ambiente, n. 20, v. IV, 2000. Disponível em: <http://www.revistapresenca.unir.br/artigos_presenca/20haroldocristovam_qual arelacaoentremudancaeaprendizagem.pdf>. Acesso em: 10 nov. 2016. LOTZ, E. G.; GRAMMS, L. C. Gestão de Talentos. Curitiba: Intersaberes, 2012. SENGE, P. M. A quinta disciplina: arte e prática da organização que aprende. 28. ed. Rio de Janeiro: BestSeller, 2012. TAKAHASHI, A. R. W. Competências, aprendizagem organizacional e gestão do conhecimento. Curitiba: Intersaberes, 2015. VANIN, J. A. Processo de negociação. Curitiba: Intersaberes, 2013. APRENDIZAGEM ORGANIZACIONAL, COMPETÊNCIAS E GESTÃO DO CONHECIMENTO AULA 6 Prof.a Ana Paula Escorsin 2 CONVERSA INICIAL Esta é a nossa sexta e última aula. Durante as aulas anteriores, tivemos a oportunidade de compreender sobre competências organizacionais e individuais; vimos como implantar gestão de pessoas por competências; compreendemos como se desenvolvem as competências em organizações e em pessoas; analisamos o coaching como uma forma de desenvolver as competências individuais e compreendemos como ocorre a aprendizagem organizacional. Para encerrarmos, vamos analisar a gestão do conhecimento em organizações. Esta se refere à capacidade de empresas criarem novos conhecimentos, transmiti-los a toda corporação, além de agregar esses conhecimentos aos seus produtos ou serviços. Para que você consolide o seu aprendizado sobre gestão do conhecimento, a aula está estruturada da seguinte forma: Conhecimento organizacional e a era do conhecimento Gestão do conhecimento O papel do RH na gestão do conhecimento Práticas de gestão do conhecimento Desafios e dificuldades da gestão do conhecimento CONTEXTUALIZANDO Com base no material estudado, estabeleça diálogos com os colegas sobre o papel do RH na gestão de conhecimento. PESQUISE Para melhor embasar suas análises sobre o papel do RH na gestão de conhecimento, pesquise em: TAKAHASHI, A. R. W. Competências, aprendizagem organizacional e gestão do conhecimento. Curitiba: Intersaberes, 2015. Leia o item: 7.5 – Gestão do conhecimento no Brasil, p. 190 a 199. TERRA, J. C. O papel do RH na gestão do conhecimento.Disponível em: 3 http://carreiras.empregos.com.br/mercado/o-papel-do-rh-na-gestao-do- conhecimento/ Gestão do conhecimento – a importância de compartilhar. É uma reportagem da Globo News exibida no Programa Conta Corrente, transmitido pelo jornalista Dony de Nuccio, publicado em 2013. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=emFo3jyXGnQ TEMA 1 – CONHECIMENTO ORGANIZACIONAL E A ERA DO CONHECIMENTO Vivemos em uma sociedade do conhecimento, o século XXI é dominado pela era do conhecimento, por ser produto da revolução científica e tecnológica. Nesse cenário, o conhecimento se torna a ferramenta de trabalho do ambiente corporativo. A partir de 1993, a economia do conhecimento ganha destaque nas organizações (Takahashi, 2015). O conhecimento pode ser entendido como um conjunto de informações reconhecidas, transformadas e integradas pelas pessoas (Takahashi, 2015, p. 175). Prossegue a autora, citando Drucker (1993), o “conhecimento é informação eficaz em ação, focalizada em resultados”. Ao citar Angeloni (2008), Takahashi (2015) diz que o conhecimento implica um agrupamento articulado de informações, o qual é legitimado pela organização, possibilitando a compreensão sobre uma determinada realidade. Santos (2013, p. 3) aponta que o conhecimento é entendido como o combustível fundamental para o crescimento e para o desenvolvimento organizacional. O conhecimento é fluido, modifica-se constantemente por meio da incorporação e da articulação de novas informações; envolve as experiências vividas, os valores e o contexto da organização; acarreta novas descobertas; é resultado da aprendizagem de conteúdos. Por ser fluido, a cada conhecimento adquirido se torna fonte para a aquisição de novos outros conhecimentos (Takahashi, 2015). O conhecimento como processo Pelo fato de um conhecimento gerar outros, isso faz dele um processo. A primeira dimensão (ou o primeiro passo) do processo de aquisição de 4 conhecimento é a interpretação sobre o ambiente, na qual a informação obtida pelo meio é assimilada; para essa assimilação, filtra-se o que é possível ser conhecido. Dessa forma, não é a informação como um todo que é assimilada, mas parte dela, a que é possível ser retida. A próxima dimensão se dá por meio da consolidação das informações. Na consolidação, as informações passam a fazer parte das referências da organização, podendo ser compartilhadas, e passam a ser base para as decisões e as ações (Takahashi, 2015, p. 178). O conhecimento, para Takahashi, é produzido na relação social, ou seja, na interação entre as pessoas, portanto, ele não existe sem o sujeito. É reconstruído e utilizado na prática diária do trabalho organizacional. Tipos de conhecimentos Vamos analisar duas das classificações abordadas por Takahashi (2015, p. 178). A primeira é a apresentada por Nonaka e Tekeuchi (1997). Esses autores, para Takahashi, apresentam os conceitos de: conhecimento tácito – ou implícito: é aquele conhecimento adquirido ao longo da vida de uma organização, o qual está na cabeça de todos, e é facilmente capturado e incorporado. conhecimento explícito – ou expresso: é aquele conhecimento formal, regrado, declarado, formalizado e gravado em documentos ou em publicações da empresa. Em outra classificação apresentada por Lundval e Johnson (1994), citada por Takahashi, os tipos de conhecimentos são: saber o quê (know-what) – representa o conhecimento de algo específico; saber o porquê (know-why) – é o conhecimento das razões do que acontece; saber como (know-how) – é o conhecimento transformado em habilidade, em saber fazer; saber quem (know-who) – representa o responsável pela decisão relativa ao conhecimento. 5 Com as ideias analisadas neste item, pudemos compreender o conhecimento nas organizações. Leitura Obrigatória TAKAHASHI, A. R. W. Competências, aprendizagem organizacional e gestão do conhecimento. Curitiba: Intersaberes, 2015. Leia o item 7.2. – Conhecimento organizacional, p. 174 a 179. Saber Mais LASTRES, H. M. M.; ALBAGLI, S. (Org.). Informação e globalização na era do conhecimento. Rio de Janeiro: Campus, 1999. Leia a Introdução – Chaves para o terceiro milênio na era conhecimento, p. 7 a 10. Disponível em: http://www.liinc.ufrj.br/pt/attachments/055_saritalivro.pdf TEMA 2 – GESTÃO DO CONHECIMENTO Agora que compreendemos a importância do conhecimento para as organizações, vamos analisar as estratégias adotadas para gerenciar o conhecimento de forma a segurar os resultados organizacionais. Vamos iniciar formulando alguns conceitos sobre a gestão do conhecimento. Conceitos de gestão do conhecimento Para conceituá-la, Takahashi (2015, p. 179) apresenta as ideias de diversos autores; em Falcão e Bresciani Filho (1999), comenta que “a gestão do conhecimento é o processo organizacional consciente e sistemático de coleta, organização, compartilhamento e análise do acervo de conhecimento usado para atingir objetivos”. Citando Fleury e Oliveira Junior (2008), Takahashi comenta que “esse tipo de gestão contribui para compreender o papel dos recursos intangíveis1 na gestão estratégica e para assegurar resultados superiores”. Takahashi (2015) aponta que a gestão do conhecimento é estratégica, pois o ambiente organizacional passa por constantes mudanças, demandando avanços tecnológicos em produtos ou serviços e alterações da forma de 1 Recursos intangíveis são aqueles que não podem ser tocados ou mensurados, que não têm uma existência concreta e palpável, como os talentos das pessoas, o conhecimento organizacional, a competência organizacional, entre outros (nota do autor). 6 gestão. Está relacionada à capacidade de a empresa explorar os conhecimentos organizacionais disponíveis tanto interna como externamente, para que estes resultem em melhoria da capacidade inovadora de produtos ou serviços, de sistemas gerenciais, de processos e das lideranças (Takahashi, 2015). Modelos de gestão do conhecimento Takahashi (2015, p. 180) apresenta três modelos de gestão do conhecimento. Vejamos, a seguir, uma síntese desses modelos. O primeiro, citado pela autora, é o modelo de criação do conhecimento de Nonaka e Takeuchi (1997). Esse modelo é utilizado por empresas que criam conhecimento, portanto, são inovadoras. A responsabilidade por inventar os conhecimentos é de todos os colaboradores, o que torna uma forma de comportamento que permeia toda a empresa. Para esse modelo, há duas formas de conhecimento: 1) o explícito – que é o formal e sistemático, comunicado e compartilhado em toda a empresa, e 2) o tácito – que é pessoal, implícito, são as habilidades difíceis de serem copiadas ou imitadas e de difícil comunicação. A criação do conhecimento passa por quatro padrões básicos: socialização – que é o conhecimento compartilhado e a troca de experiência entre as pessoas por meio da imitação ou observação. Este se caracteriza pela troca de conhecimentos implícitos; combinação – trata-se do conhecimento sistematizado, por meio de formalizações e detalhamentos de projetos ou de sistemas, no qual se combinam conhecimento explícitos isolados; externalização – trata-se de transformar um conhecimento implícito em explícito, possibilitando que seja compartilhado e gere algo novo; internalização – ao compartilhar o conhecimento explícito, as pessoas começam a internalizá-lo, utilizando-o, ampliam, expandem e reconfiguram o conhecimento implícito.Essas quatro fases são cíclicas e compõem a espiral de conhecimento de uma empresa. 7 O segundo modelo citado por Takahashi (2015, p. 188) é o proposto por Bock (1998). Esse modelo é americano e se baseia em quatro dimensões do conhecimento: 1) conteúdo – são os conhecimentos estratégicos relevantes, 2) cultura – são os modelos mentais e padrões de regras, 3) processo – refere-se à sequência de atividades e 4) infraestrutura – são os sistemas de informações. O terceiro modelo citado por Takahashi (2015, p. 189) é o de Probst, Raub e Romhardt (2002). Esse modelo é europeu, nele, a gestão do conhecimento é considerada dinâmica, contínua e apresenta alguns processos essenciais, como: a aquisição do conhecimento, o desenvolvimento do conhecimento, o compartilhamento do conhecimento, a utilização do conhecimento e a retenção do conhecimento. Por ser um processo circular, as metas de conhecimento fornecem as diretrizes sobre quais conhecimentos são importantes e precisam ser adquiridos. O ciclo do conhecimento é alimentado pelo feedback, o qual é responsável por avaliar e alinhar novas metas de conhecimento. Cabe ressaltar que a gestão por competências e a gestão do conhecimento caminham juntas em uma organização. Com as competências organizacionais e individuais mapeadas (como vimos nas primeira e segunda aulas), a empresa pode gerir seus conhecimentos. Leitura Obrigatória TAKAHASHI, A. R. W. Competências, aprendizagem organizacional e gestão do conhecimento. Curitiba: Intersaberes, 2015. Leia os itens: 7.3 – Conceitos de gestão do conhecimento, p. 179 e 180 e o 7.4 – Modelos de gestão do conhecimento, p. 180 a 190. Saiba Mais BARROSO, A. C. de O.; GOMES, E. B. P. Tentando entender a gestão do conhecimento. Revista de Administração Pública, v. 33, n. 2, 1999. Leia o item O que é gestão do conhecimento? p. 153 a 157. Disponível na Biblioteca Virtual. 8 TEMA 3 – O PAPEL DO RH NA GESTÃO DO CONHECIMENTO Para que a empresa atue com base no modelo de gestão do conhecimento, a área de RH tem um papel fundamental, pois é por meio dos processos de gestão de pessoas implantados pelo RH que os conhecimentos necessários para colaboradores são mapeados, avaliados e desenvolvidos. Takahashi (2015, p. 191) cita Terra (1999) e diz que “a gestão do conhecimento envolve aspectos como a cultura organizacional, o tipo de liderança existente, as estruturas organizacionais, os espaços físicos, as regras e os procedimentos e as políticas de recursos humanos”. A gestão do conhecimento requer o entrelaçamento entre a forma de gerir a organização e os colaboradores, entre as estratégias empresariais e os processos operacionais, como também com a gestão por competências; além disso, as práticas gerenciais se mostram fundamentais, pois é por meio da ação da liderança que a gestão do conhecimento se efetiva. Terra, citado por Takahashi (2015), apresenta um esquema que demonstra o entrelaçamento necessário para que haja a gestão do conhecimento. Como nosso foco é o papel do RH, vamos analisar o esquema proposto por Terra apresentando somente a interligação que ocorre dentro da empresa para que a gestão do conhecimento aconteça. Vejamos a Figura 1. Para que haja a gestão do conhecimento, torna-se necessário o envolvimento da alta direção da empresa, a fim de que as estratégias corporativas estejam alinhadas visando à aquisição, ao desenvolvimento, ao compartilhamento, à utilização e à retenção do conhecimento. A partir desse alinhamento estratégico, as demais áreas precisam atuar possibilitando que o conhecimento seja disseminado em toda a empresa. Dessa forma, o RH precisa adequar suas práticas de atrair, desenvolver, avaliar e remunerar os colaboradores para que, de fato, haja retenção dos talentos e que o conhecimento organizacional não se perca. 9 Figura 1 – A área de RH e a gestão do conhecimento Fonte: adaptado de Terra (2001), citado por Takahashi (2015). A partir da decisão estratégica da alta direção de transformar a empresa em uma organização que aprende, é preciso alinhar a atuação interna, para que seja possível, também, adequar as suas relações externas com os clientes, fornecedores, concorrência e demais parceiros. Lembram-se de que vimos no tema anterior que a gestão do conhecimento costuma ser utilizada por empresas que criam conhecimento, que são inovadoras e que a responsabilidade por inventar novos conhecimentos é de todos, inclusive, dos colaboradores? Dessa forma, para que haja a efetiva gestão do conhecimento, a cultura organizacional precisa assimilar e incorporar, em sua atuação diária, as características de uma organização que aprendem a aprender. Os líderes são uns dos principais personagens desse processo. Como uma das missões do RH é trabalhar com a cultura da organização e com a formação e o desenvolvimento de líderes, o RH exerce um papel de agente de mudanças, preparando a direção, a liderança e os colaboradores para que a gestão do conhecimento ocorra. Além disso, precisa reinventar seus processos de gestão para que a inovação esteja de fato presente em sua forma de gerir pessoas. Leitura Obrigatória TAKAHASHI, A. R. W. Competências, aprendizagem organizacional e gestão do conhecimento. Curitiba: Intersaberes, 2015. Leia o item: 7.5 – Gestão do conhecimento no Brasil, p. 190 a 199. Saiba Mais 10 TERRA, J. C. O papel do RH na gestão do conhecimento. Disponível em: <http://carreiras.empregos.com.br/mercado/o-papel-do-rh-na-gestao-do- conhecimento/>. Acesso em: 26 nov. 2016. TEMA 4 – PRÁTICAS DE GESTÃO DO CONHECIMENTO Discutimos sobre o papel do RH para a implantação da gestão do conhecimento, mas, como vimos, todas as áreas da empresa precisam participar da transformação da cultura organizacional, por meio da readequação de seus processos, sistemas e forma de medir resultados. Essa transformação inclui, fundamentalmente, a direção da empresa e as lideranças. Jourdan & Martins da Consultoria Paradigma Internet desenvolveram uma pesquisa junto a executivos de empresas brasileiras que implantaram a gestão do conhecimento. Para esses executivos, a gestão do conhecimento se mostra como um sistema de gerenciamento corporativo. A consultoria obteve interessantes informações sobre quais as práticas corporativas que se alteram com o modelo de gestão do conhecimento. Veja a Figura 2; nela os consultores apresentam graficamente tais práticas. Figura 2 – Práticas empresariais e a gestão do conhecimento Fonte: Jourdan & Martins, Consultoria Paradigma. Disponível em: <http://www.paradigma.com.br/news/gestao-do-conhecimento-na-pratica>. Acesso em: 26 nov. 2016. Os consultores obtiveram como resultado da pesquisa que: 56% dos executivos apontaram que precisaram alterar os processos corporativos a partir 11 dos novos conhecimentos gerados; 18% tiveram as suas políticas internas readequadas; 13% alteraram a filosofia da empresa para se adequarem ao modelo; 7% perceberam a tecnologia como um dos fatores que permite a gestão do conhecimento, mas identificaram que o modelo reflete muito mais um novo conceito de gerenciar a empresa do que necessidades tecnológicas e, finalmente, somente 6% identificaram como um meio de a empresa ganhar em competitividade. Por meio dessa pesquisa, os consultores constataram que a gestão do conhecimento “significa organizar e sistematizar, em todos os pontos de contato, a capacidade da empresa de captar, gerar, criar, analisar, traduzir, transformar,modelar, armazenar, disseminar, implantar e gerenciar a informação, tanto interna como externa” (Jourdan & Martins, s/ data). Takahashi (2015, p. 196) aponta que as práticas que podem ser utilizadas para o modelo de gestão do conhecimento são: programas de melhoria contínua, comunidades práticas, o mapeamento de competências, sistemas de aprendizagem com clientes e fornecedores, centro de treinamento e educação corporativa, modelos de estruturas organizacionais horizontais e que fortaleça o trabalho em equipe, coaching e mentoring. Algumas empresas que implantaram esse modelo utilizam como uma de suas práticas a gestão do portal ideias, também chamado de caixa ou espaço para receber ideias ou sugestões dos colaboradores. As ideias e sugestões são analisadas por um comitê, as melhores são implantas. O colaborador ou a equipe que fez a sugestão pode receber algum tipo de recompensa pela ideia implementada. Esse projeto deve ser desenvolvido com critérios claros, deve ter a aprovação da direção da empresa e ser conduzido por uma equipe de gestores, do qual a área de RH também participa. As práticas de RH que demandam alterações mais significativas, conforme Takahashi (2015, p. 195) ao citar Carbone (2008), são os processos de treinar e desenvolver pessoas. As empresas com o perfil de organizações do conhecimento buscam criar portais do conhecimento, comunidades de discussões práticas entre os colaboradores, fórum para o compartilhamento de conhecimento, universidade corporativa e e-learning2. 2 Método de educação a distância aplicado ao ambiente das empresas, no qual se oferecem aos colaboradores cursos on-line (nota do autor). 12 Outra prática de gestão de pessoas que requer transformação é a avaliação de desempenho. Para a gestão do conhecimento, o modelo de avaliar desempenho por competências se mostra o mais indicado, além de, com esse modelo, ser possível atrelar o desempenho do colaborador ao desenvolvimento das suas competências, alinhando-o às competências organizacionais. Leitura Obrigatória TAKAHASHI, A. R. W. Competências, aprendizagem organizacional e gestão do conhecimento. Curitiba: Intersaberes, 2015. Leia o item: 7.5 – Gestão do conhecimento no Brasil, p. 195 e 196. Saiba Mais JOURDAN & MARTINS. Gestão do conhecimento na prática. Disponível em: http://www.paradigma.com.br/news/gestao-do-conhecimento-na-pratica TEMA 5 – DESAFIOS E DIFICULDADES DA GESTÃO DO CONHECIMENTO Para que a gestão do conhecimento ocorra nas organizações, vimos que é necessário readequar diversas práticas, compreendemos a importância do efetivo envolvimento da direção, da liderança, de todas as áreas e de todos os colaboradores. Os líderes e o RH são peças chaves nesse processo. O gestor, como aponta Takahashi (2015), precisa trabalhar de forma estratégica para avaliar e monitorar o desempenho de sua área, de sua equipe e de seus colaboradores; dessa forma, torna-se possível avaliar o desempenho organizacional, para que decisões sejam tomadas visando à melhoria da vantagem competitiva da organização. Para tanto, o RH precisa implantar práticas coerentes de avaliação de desempenho e de desenvolvimento de competências. A gestão do conhecimento, como vimos, tem como objetivo identificar, desenvolver, disseminar e atualizar os conhecimentos que são relevantes para a empresa, que estão alinhados ao seu planejamento estratégico e que possibilitam melhoria dos processos, tanto em relação ao ambiente interno como externo (Takahashi, 2015). 13 Tendo em vista que a gestão do conhecimento envolve a empresa como um todo, a sua implantação e a sua manutenção não são tarefas fáceis, apresentam uma série de barreiras, tornando-se um desafio às empresas. Takahashi (2015, p. 211) aponta que “um dos desafios da gestão do conhecimento é lidar com as barreiras para a criação e o fluxo do conhecimento nas organizações”. A autora, segundo Davenport e Prusak (1998), aponta os principais fatores de atrito que podem dificultar a implantação desse modelo, os quais são: falta de confiança entre os membros da empresa (direção, liderança e colaboradores); existência de diferentes culturas, vocabulários e referências dentro da empresa; falta de tempo dos envolvidos e de locais para discussões; direcionar recompensas financeiras e não financeiras para os colaboradores em razão do conhecimento; falta de capacidade da empresa em absorver o conhecimento; crença de que o conhecimento é prerrogativa de determinados grupos; resistência à adoção do que é criado por pessoas de fora da organização ou de fora de uma equipe; intolerância a erro ou receio de precisar de ajuda. Em razão da complexidade do modelo e das barreiras naturais de um processo que envolve toda a corporação, para que a empresa o adote como estratégia de gestão, precisa assumir algumas posturas que facilitem a sua compreensão. Takahashi (2015) aponta a comunicação como um fator preponderante para o sucesso em sua implantação. Todas as pessoas, segundo a autora, precisam desenvolver uma linguagem comum, que permita a troca de ideias, de ações, de referências e, até mesmo, dos medos e ansiedades característicos de períodos de mudanças. A comunicação permitirá maior entendimento dos colaboradores, e esta precisa ser conduzida de diversas formas, pois cada pessoa tem tempos de compreensão e de assimilação diferentes. 14 Prossegue Takahashi (2015) apontando três práticas facilitadoras para implantação desse modelo de gestão (conforme pesquisado por Hsu, 2004), as quais são: atitude positiva da alta administração em relação ao aprendizado; recompensas atreladas ao crescimento pessoal e ao desempenho coletivo; compartilhamento de informações da organização com os colaboradores. Takahashi (2015), também, cita os trabalhos de Buoro, Oliva e Santos (2007), os quais apontam cinco aspectos que contribuem para a implantação desse modelo, que são: visão e estratégia da alta administração; cultura organizacional que facilite o conhecimento; políticas de RH; sistemas de informações e de comunicação; mensuração de resultados. Para finalizar, cabe ressaltar que a característica da organização é determinante para a implantação desse modelo. Empresas com hierarquias rígidas, com pouca comunicação, cujas decisões são centralizadas em lideranças, ou que fazem pouco investimento em seus colaboradores terão dificuldades para migrarem para modelos de gestões contemporâneos. A ideia central da gestão do conhecimento é ir além dos preconceitos e promover o conhecimento por meio de práticas que concebam constantes evoluções (Ichijo, 2008, citado por Takahashi, 2015). Leitura Obrigatória TAKAHASHI, A. R. W. Competências, aprendizagem organizacional e gestão do conhecimento. Curitiba: Intersaberes, 2015. Leia os itens: 8.2 – Desafios e dificuldades da gestão do conhecimento, p. 211 a 214 e 8.3 – Facilidades da gestão do conhecimento, p. 215 a 227. 15 Saiba Mais Gestão do conhecimento – a importância de compartilhar. É uma reportagem da Globo News exibida no Programa Conta Corrente, transmitido pelo jornalista Dony de Nuccio, publicado em 2013. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=emFo3jyXGnQ>. Acesso em: 26 nov. 2016. TROCANDO IDEIAS Vamos debater sobre o aprendizado da aula de hoje. Discuta com os colegas sobre: os desafios e as dificuldades vivenciados pelas empresas brasileiras para implantara gestão do conhecimento. Para auxiliá-los nesse debate, consultem: TAKAHASHI, A. R. W. Competências, aprendizagem organizacional e gestão do conhecimento. Curitiba: Intersaberes, 2015. Leia os itens: 8.2 – Desafios e dificuldades da gestão do conhecimento, p. 211 a 214 e 8.3 – Facilidades da gestão do conhecimento, p. 215 a 227. Veja o vídeo do YouTube: Gestão do conhecimento com Mario Sérgio Cortella, transmitido pela Meta News, publicado em 2015. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=M19fuvUm6-E NA PRÁTICA Vamos relacionar os conteúdos vistos nesta aula com situações práticas do ambiente corporativo. Para essa atividade prática, você deve: pesquisar empresas que têm em sua prática a gestão de portal (ou caixa ou espaço) para receber ideias ou sugestões dos colaboradores; observar como as empresas administram esse portal (ou caixa ou espaço) de ideias ou sugestões; analisar quantas dessas ideias foram implantas; verificar como foram implantadas; 16 verificar se os colaboradores receberam alguma recompensa pela ideia. Para que você possa realizar essa atividade prática, siga os passos descritos abaixo: 1. Faça a leitura atenciosa da atividade proposta. 2. Reveja todo o material desta sexta aula. 3. Faça a pesquisa sobre empresas que adotam a prática de portal de ideias. 4. Elabore um texto contando as experiências de uma ou duas empresas que implantaram o portal de ideias. 5. O texto deve conter: o nome da(s) empresa(s); como implantou e como administra o portal de ideias ou sugestões; quantas ideias são implantadas; como são implantadas; qual tipo de recompensa o colaborador recebe. Para melhor desenvolver essa atividade prática, leia: TAKAHASHI, A. R. W. Competências, aprendizagem organizacional e gestão do conhecimento. Curitiba: Intersaberes, 2015. Leia o item: 7.5 – Gestão do conhecimento no Brasil, p. 190 a 199. Veja o vídeo do YouTube: Gestão do conhecimento – a importância de compartilhar. É uma reportagem da Globo News exibida no Programa Conta Corrente, transmitido pelo jornalista Dony de Nuccio, publicado em 2013. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=emFo3jyXGnQ Apresentação da solução do problema: Essa atividade prática demanda resposta de pesquisa pessoal do aluno, que, para resolvê-la, deve: pesquisar empresas que têm em sua prática a gestão de portal ou caixa ou espaço para receber ideias ou sugestões dos colaboradores; 17 elaborar, após a pesquisa, um texto contendo: o nome da(s) empresa(s) – citar a experiência de uma ou duas empresas; como implantou e como administra o portal de ideias ou sugestões; quantas ideias são implantadas; como são implantadas; qual tipo de recompensa o colaborador recebe. FINALIZANDO A sexta aula apresentou o tema gestão do conhecimento. Discutimos que vivemos a era da sociedade do conhecimento. Compreendemos que o conhecimento organizacional pode ser entendido como o conjunto de informações recebidas, reconhecidas, transformadas e integradas pelas pessoas que compõem um determinado ambiente corporativo. Analisamos que a gestão do conhecimento está relacionada à capacidade de a empresa explorar os conhecimentos disponíveis, tanto interna como externamente, para que resultem em melhoria da capacidade de inovação dos produtos ou serviços, dos sistemas gerenciais, dos processos e das lideranças. Entendemos a importância do papel do RH na gestão do conhecimento. Vimos que a gestão de pessoas precisa adequar suas práticas de atrair, desenvolver, avaliar e remunerar os colaboradores para que, de fato, haja retenção dos talentos e que o conhecimento organizacional não se perca. As práticas de gestão do conhecimento são desafiadoras e, muitas vezes, difíceis de serem implantas em razão das barreiras naturais em aceitar e lidar com o novo. A comunicação clara e constante se torna um facilitador do processo de implantação da gestão do conhecimento, para tanto, o papel da alta administração e da liderança é o meio para difusão desse modelo de gestão. 18 REFERÊNCIAS JOURDAN & MARTINS. Gestão do conhecimento na prática. Disponível em: <http://www.paradigma.com.br/news/gestao-do-conhecimento-na-pratica>. Acesso em: 26 nov. 2016. SANTOS, D. E. de M. dos. Gestão estratégica do conhecimento para políticas públicas de segurança. IV Encontro de Administração da Informação – ANPAD/2013, Bento Gonçalves-RS, 2013. Disponível em: <http://www.anpad.org.br/diversos/trabalhos/EnADI/enadi_2013/2013_EnADI25 .pdf>. Acesso em: 25 nov. 2016. TAKAHASHI, A. R. W. Competências, aprendizagem organizacional e gestão do conhecimento. Curitiba: Intersaberes, 2015.