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Sistema Urinário 
O sistema urinário consiste em um par de rins; um par de ureteres, que se estendem 
dos rins até a bexiga urinária; e a uretra, que se estende da bexiga até o exterior do 
corpo. 
Os rins desempenham importante papel na homeostasia do corpo, conservando os 
líquidos e eletrólitos e eliminando os produtos de degradação metabólicos. 
Os rins recuperam as substâncias essenciais e, ao mesmo tempo, eliminam os 
resíduos. 
Os rins são essenciais na manutenção de um pH plasmático constante e na regulação 
do equilíbrio acidobásico. 
Os rins também desempenham importante papel na regulação e manutenção da 
composição e do volume do líquido extracelular. Os produtos de degradação 
metabólicos são descarregados pelas células na circulação; em seguida, são 
removidos do sangue por filtração nos rins e, finalmente, 
excretados na urina. 
Os rins são órgãos altamente vascularizados; recebem aproximadamente 25% do 
débito cardíaco. Ambas as funções excretora e homeostática dos rins iniciam-se 
quando o sangue adentra o aparelho de filtração nos glomérulos. Inicialmente, o 
plasma é separado das células e das grandes proteínas, resultando em um 
ultrafiltrado glomerular de sangue ou urina primária, a qual é ainda modificada por 
reabsorção seletiva e secreção específica pelas células do rim. 
Os rins também funcionam como órgão endócrino. 
As atividades endócrinas dos rins incluem: 
• Síntese e secreção do hormônio glicoproteico eritropoetina (EPO), que atua 
sobre a medula óssea e que regula a formação dos eritrócitos em resposta a 
uma diminuição na concentração de oxigênio do sangue. A EPO é sintetizada 
pelas células endoteliais dos capilares peritubulares no córtex renal e atua 
sobre receptores específicos expressos na superfície das células progenitoras 
dos eritrócitos (ErP) na medula óssea. A forma recombinante da eritropoietina 
(RhEPO) é usada para o tratamento da anemia em pacientes com doença 
renal terminal. É também usada no tratamento da anemia que resulta da 
supressão da medula óssea que ocorre em pacientes com AIDS submetidos a 
tratamento com agentes antirretrovirais, como a azidotimidina (AZT). 
• Síntese e secreção da protease ácida, a renina, uma enzima envolvida no 
controle da pressão arterial e no volume sanguíneo. A renina é produzida 
pelas células justaglomerulares e cliva o angiotensinogênio circulante em 
angiotensina I. 
Estrutura geral do Rim 
Os rins são órgãos pares grandes e avermelhados, em formato de feijão, localizados 
lateralmente à coluna vertebral, no espaço retroperitoneal da cavidade posterior do 
abdome. Cada um deles estende-se da 12a vértebra torácica até a 3a vértebra 
lombar; o rim direito ocupa uma posição ligeiramente mais inferior. 
 No polo superior de cada rim, inserida na fáscia renal e em uma camada protetora 
espessa de tecido adiposo perirrenal, encontra-se uma glândula suprarrenal. A borda 
medial do rim é côncava e contém uma fissura vertical profunda, denominada hilo, 
através do qual os 
vasos e os nervos renais passam. Do hilo também emerge a pelve renal, que é a 
porção expandida em formato de funil do ureter. 
Cápsula 
A superfície do rim é recoberta por uma cápsula de tecido conjuntivo. A cápsula 
consiste em duas camadas distintas: uma camada externa composta de fibroblastos e 
fibras colágenas e uma camada interna que contém miofibroblastos 
 
 
Córtex e medula 
O exame a olho nu da face de corte de um rim fresco hemisseccionado mostra que 
ele é formado por duas regiões distintas: 
O córtex, a parte externa castanho avermelhada 
A medula, a parte interna de coloração muito clara. 
O córtex caracteriza-se pela existência dos corpúsculos renais e seus túbulos 
associados. 
O córtex consiste em corpúsculos renais, juntamente com os túbulos contorcidos e 
túbulos retos do néfron, túbulos conectores, ductos coletores e um extenso 
suprimento vascular. O néfron é a unidade funcional básica do rim e será descrito na 
seção a seguir. Os corpúsculos renais consistem em estruturas esféricas pouco visíveis 
a olho nu. Constituem o segmento inicial do néfron e contêm uma rede singular de 
capilares, denominada glomérulo. 
O exame de um corte feito através do córtex em ângulo perpendicular à superfície 
do rim revela uma série de estriações verticais que parecem emanar da medula. 
Essas estriações são os raios medulares (de Ferrein). 
Cada raio medular consiste em uma agregação de túbulos e ductos coletores. 
A medula caracteriza-se por túbulos retos, ductos coletores e uma rede especial de 
capilares, os vasos retos. 
Os túbulos retos dos néfrons e os ductos coletores partem do córtex para dentro da 
medula. Ambos são acompanhados de uma rede de capilares, os vasos retos, que 
seguem um percurso paralelo aos vários túbulos. 
Os túbulos na medula, em virtude de sua disposição e das diferenças de 
comprimento, formam, em conjunto, estruturas cônicas, denominadas pirâmides. 
As bases das pirâmides estão voltadas para o córtex, enquanto os ápices estão 
voltados para o seio renal. A porção apical de cada pirâmide, que é conhecida como 
papila. 
Os cálices menores são ramos de dois ou três cálices maiores, os quais, por sua vez, 
são divisões principais da pelve renal. 
Cada pirâmide é dividida em uma medula externa (adjacente ao córtex) e em uma 
medula interna. A medula externa é ainda subdividida em uma faixa interna e uma 
faixa externa. O zoneamento. 
 
As colunas renais representam o tecido cortical contido na medula 
Lobos e lóbulos renais 
 O número de lobos em um rim é igual ao número de pirâmides medulares. 
Os lobos do rim são ainda divididos em lóbulos que consistem em um raio medular 
central e a córtex circundante. 
Um lóbulo consiste em um ducto coletor e no conjuntos de néfrons drenados por ele. 
Néfron 
É a unidade estrutural e funcional do rim. 
Estes são responsáveis pela produção de urina e correspondem à porção secretora 
de outras glândulas. 
Organização geral do néfron 
O néfron consiste no corpúsculo renal e em um sistema de túbulos. 
Conforme assinalado anteriormente, o corpúsculo renal representa o início do 
néfron. É formado pelo glomérulo, um tufo de capilares composto de 10 a 20 alças 
capilares, circundado por um capuz epitelial de dupla camada, a cápsula renal ou de 
Bowman. A cápsula de Bowman é a porção inicial do néfron, em que o sangue que flui 
através dos capilares glomerulares 
sofre filtração, produzindo o ultrafiltrado glomerular. Os capilares glomerulares são 
supridos por uma arteríola aferente e drenados por uma arteríola eferente. 
 
O túbulo contorcido distal conecta-se com o ducto coletor cortical, frequentemente 
por meio de um túbulo conector, formando o túbulo urinífero. 
 
Túbulos do néfron 
localização (proximal ou distal) e a espessura da parede (espesso ou delgado). 
A partir da cápsula de Bowman, as porções sequenciais do néfron consistem nos 
seguintes túbulos: 
• O túbulo contorcido proximal origina-se do polo urinário da cápsula de 
Bowman. Segue um percurso muito tortuoso ou contorcido e, em seguida, 
entra no raio medular para continuar como túbulo reto proximal 
• O túbulo reto proximal, comumente denominado ramo descendente espesso 
da alça de Henle, desce até a medula 
• O ramo descendente delgado é a continuação do túbulo reto proximal na 
medula. Faz uma volta semelhante a um grampo de cabelo e retorna em 
direção ao córtex. 
• O ramo ascendente delgado é a continuação do ramo descendente delgado 
após a sua volta em direção ao córtex. 
• O túbulo reto distal, também denominado ramo ascendente espesso da alça 
de Henle, é a continuação do ramo ascendente delgado. O túbulo reto distal 
ascende através da medula e entra no córtex no raio medular para alcançar a 
vizinhança do corpúsculo renal que lhe deu origem. Em seguida, o túbulo reto 
distaldeixa o raio medular e faz contato com o polo vascular de seu 
corpúsculo renal original. Nesse ponto as células epiteliais do túbulo 
adjacente à arteríola 
• aferente do glomérulo são modificadas e formam uma estrutura denominada 
mácula densa. Em seguida, o túbulo distal deixa a região do corpúsculo e 
passa a constituir o túbulo contorcido distal 
 
O túbulo contorcido distal é menos tortuoso que o túbulo contorcido proximal. 
A alça de Henle forma toda a porção em formato de U de um néfron. 
Tipos de néfrons 
• Os néfrons subcapsulares ou néfrons corticais têm seus corpúsculos renais 
localizados na porção externa do córtex. Apresentam alças de Henle curtas, 
que se estendem apenas até a medula externa. Essas alças são típicas dos 
néfrons descritos previamente, em que a volta em formato de grampo de 
cabelo ocorre no túbulo reto distal 
• Os néfrons justamedulares constituem cerca de um oitavo do número total de 
néfrons. Seus corpúsculos renais situam-se próximo à base de uma pirâmide 
medular. Contêm alças de Henle longas e segmentos delgados ascendentes 
também longos, que se estendem o interior da pirâmide. Essas características 
estruturais são essenciais para o mecanismo de concentração da urina, 
descrito mais adiante 
• Os néfrons intermediários ou néfrons mesocorticais apresentam seus 
corpúsculos renais na região média do córtex. Suas alças de Henle são de 
comprimento intermediário. 
Ductos coletores 
Os ductos coletores corticais começam no córtex a partir da fusão dos túbulos 
conectores ou túbulos conectores arqueados de muitos néfrons e prosseguem nos 
raios medulares em direção à medula. Quando os ductos coletores corticais alcançam 
a medula, são denominados ductos coletores medulares externos ou internos. Esses 
ductos seguem até o ápice da pirâmide, 
onde se fundem formando ductos coletores maiores (até 200 µm), os ductos papilares 
(ductos de Bellini). 
Aparelho filtração do rim 
O corpúsculo renal contém o aparelho de filtração do rim, que consiste no endotélio 
glomerular, na membrana basal glomerular subjacente e na camada visceral da 
cápsula de Bowman. 
O corpúsculo renal é esférico e tem diâmetro médio de 200 µm. Consiste no tufo 
capilar glomerular e nas camadas epiteliais visceral e parietal circundantes da 
cápsula de Bowman (Figura 20.8). O aparelho de filtração, também denominado 
barreira de filtração glomerular, envolvido pela camada parietal da cápsula de 
Bowman, consiste em três componentes: 
O endotélio dos capilares glomerulares, com numerosas fenestrações. 
A membrana basal glomerular (MBG); é composta de uma rede que consiste em 
colágeno do tipo IV (principalmente cadeias α3, α4 e α5), laminina, nidogênio e 
entactina, juntamente com proteoglicanos de heparam sulfato, como a agrina e o 
perlecam, e glicoproteínas multiadesivas. 
A camada visceral da cápsula de Bowman contém células especializadas, 
denominadas podócitos ou células epiteliais viscerais. 
A membrana basal glomerular (MBG) atua como barreira física e como filtro seletivo 
de íons. 
A lâmina rara externa – adjacente aos prolongamentos dos podócitos. 
A lâmina rara interna – adjacente ao endotélio capilar. 
A lâmina densa – a porção sobreposta de duas lâminas basais, intercalada entre as 
lâminas raras. 
Mesângio 
No corpúsculo renal, a MBG é compartilhada por vários capilares, criando um espaço 
contendo um grupo adicional de células, denominadas células mesangiais. Por 
conseguinte, as células mesangiais estão envolvidas pela MBG. Essas células e sua 
matriz extracelular constituem o mesângio. Este é mais evidente no pedículo 
vascular do glomérulo e nos interstícios de capilares glomerulares adjacentes. As 
células mesangiais não estão totalmente confinadas ao corpúsculo renal; algumas 
estão localizadas fora do corpúsculo, ao longo do polo vascular, em que também são 
designadas como células reticuladas e fazem parte do denominado aparelho 
justaglomerular (Figura 20.7). 
As funções importantes das células mesangiais são as seguintes: 
• Fagocitose e endocitose 
• Suporte estrutural 
• Secreção 
• Modulação da distensão glomerular – propriedades contrateis 
 
Aparelho justaglomerular 
O aparelho justaglomerular inclui a mácula densa, as células justaglomerulares e as 
células mesangiais extraglomerulares. 
A porção terminal da parte reta do túbulo distal do néfron situa-se diretamente 
adjacente às arteríolas aferentes e eferentes e adjacente a algumas células 
mesangiais extraglomerulares, no polo vascular do corpúsculo renal. Nesse local, a 
parede do túbulo contém células designadas coletivamente como mácula densa. 
O aparelho justaglomerular regula a pressão arterial por meio da ativação do sistema 
reninaangiotensinaaldosterona. 
As células justaglomerulares são responsáveis pela ativação do sistema 
reninaangiotensinaaldosterona (SRAA). Esse sistema desempenha importante papel 
na manutenção da homeostasia do sódio e da hemodinâmica renal 
 
• A angiotensina I é convertida no octapeptídio ativo, a angiotensina II, pela 
enzima conversora de angiotensina (ECA) presente nas células endoteliais dos 
capilares pulmonares 
• A angiotensina II estimula a síntese e a liberação do hormônio aldosterona 
pela zona glomerulosa da glândula suprarrenal. 
• A aldosterona, por sua vez, atua sobre as células principais dos túbulos 
conectores e ductos coletores, aumentando a reabsorção de Na+ e de água, 
bem como a secreção de K+, com consequente elevação do volume sanguíneo 
e da pressão arterial 
• A angiotensina II também é um poderoso vasoconstritor, que desempenha 
papel regulador no controle da resistência vascular renal e sistêmica. 
• O aparelho justaglomerular funciona não apenas como órgão endócrino que 
secreta a renina, mas também como sensor do volume sanguíneo e da 
composição do líquido tubular. As células da mácula densa monitoram a 
concentração de Na+ no líquido tubular 
e regulam tanto a taxa de filtração glomerular quanto a liberação de renina 
pelas células justaglomerulares. 
Função dos túbulos renais 
À medida que o ultrafiltrado glomerular passa pelo túbulo urinífero e ductos 
coletores do rim, ele sofre alterações que incluem absorção ativa e passiva, bem 
como secreção 
Túbulo contorcido proximal 
O túbulo contorcido proximal constitui o local inicial e principal de reabsorção. 
O túbulo contorcido proximal recebe o ultrafiltrado do espaço urinário da cápsula de 
Bowman. As células cuboides do túbulo contorcido proximal exibem especializações 
elaboradas de superfície celular que caracterizam as células envolvidas na absorção e 
no transporte de líquidos. Apresentam as seguintes características: 
Uma borda (orla) em escova, composta de microvilosidades retas, relativamente 
longas e densamente compactadas. 
Um complexo juncional, que consiste em uma zônula de oclusão estreita, que veda o 
espaço intercelular do lúmen do túbulo, e uma zônula de adesão, que mantém a 
adesão entre as células vizinhas. 
Pregas ou dobras localizadas nas superfícies laterais das células, que são grandes 
prolongamentos achatados, alternados com prolongamentos semelhantes de células 
adjacentes 
Extensas interdigitações dos prolongamentos basais das células adjacentes. 
Estrias basais, que consistem em mitocôndrias alongadas concentradas nos 
prolongamentos basais e orientadas verticalmente em relação à superfície basal . 
(Figura 20.18). 
O túbulo contorcido proximal recupera a maior parte do líquido do ultrafiltrado. 
Duas proteínas principais são responsáveis pela reabsorção de líquido nos túbulos 
contorcidos proximais: 
As bombas de Na+/K+ATPase são proteínas transmembrana localizadas nas pregas 
laterais da membrana plasmática. 
São responsáveis pela reabsorção de Na+, que constitui a principal força de impulsão 
para a reabsorção de água no túbulo contorcidoproximal. 
A aquaporina1 (AQP1) é uma pequena proteína (cerca de 30 kDa) transmembrana que 
atua como canal molecular de água na membrana celular dos túbulos contorcidos 
proximais. 
O túbulo contorcido proximal recupera quase 100% da glicose, utilizando 
cotransportadores de Na+ e glicose (SGLT2), que absorvem simultaneamente o Na+ e 
a glicose do lúmen do túbulo. 
Os polipeptídios pequenos são recuperados por meio de um processo semelhante ao 
da recuperação da glicose, que emprega cotransportadores de H+ e peptídios da 
superfície apical (PepT1 e PepT2). 
Parte reta do túbulo proximal 
As células da parte reta do túbulo proximal (i. e., o ramo descendente espesso da 
alça de Henle) não são tão especializadas para a absorção quanto as do túbulo 
contorcido proximal. São mais curtas, com uma borda em escova menos desenvolvida 
e menor número de prolongamentos laterais e basolaterais que também são menos 
complexos. 
Ramo delgado da alça de henle 
o comprimento do ramo delgado varia de acordo com a localização do néfron no 
córtex. 
Quatro tipos de células epiteliais: 
• O epitélio tipo I é encontrado nos ramos descendente e ascendente delgados 
da alça de Henle dos néfrons de alça curta. Consiste em um epitélio simples e 
fino. As células quase não fazem interdigitações com as células vizinhas e 
apresentam poucas organelas. 
• O epitélio do tipo II é encontrado no ramo descendente delgado dos néfrons 
de alça longa no labirinto cortical. As células desse epitélio são mais altas e 
contêm abundantes organelas e numerosas microvilosidades pequenas e 
rombas. A extensão da interdigitação lateral com as células vizinhas varia de 
acordo com a espécie do animal. 
• O epitélio do tipo III é encontrado no ramo descendente delgado na medula 
interna. É um epitélio mais delgado, cujas células apresentam estrutura mais 
simples e menor quantidade de microvilosidades que as células epiteliais do 
tipo II. Não há interdigitações laterais. 
• O epitélio do tipo IV é encontrado na curva dos néfrons de alça longa e por 
todo o ramo ascendente delgado. Trata-se de um epitélio baixo e plano, sem 
microvilosidades, cujas células apresentam poucas organelas. 
O ultrafiltrado que entra no ramo descendente delgado é isosmótico, enquanto o 
ultrafiltrado que deixa o ramo ascendente delgado é hiposmótico em relação ao 
plasma. 
Os dois ramos da alça de Henle apresentam diferentes permeabilidades e, portanto, 
diferentes funções: 
• Ramo descendente delgado da alça de Henle é altamente permeável à água, 
devido à existência de aquaporinas (AQPs) que possibilitam a passagem livre 
de água. 
• Ramo ascendente delgado da alça de Henle é altamente permeável ao Na+ e 
ao Cl–, devido à existência de cotransportadores de Na+/K+/2Cl– nas 
membranas plasmáticas apicais. Além disso, o ramo ascendente delgado é, em 
grande parte, impermeável à água. Por conseguinte, a concentração de Na+ e 
Cl– aumenta no interstício, tornando-o hiperosmótico, enquanto o líquido no 
lúmen do néfron se torna hiposmótico. Por esse motivo, o ramo ascendente 
delgado é também denominado segmento diluidor do néfron. 
Parte reta do túbulo distal 
A parte reta do túbulo distal é um segmento do ramo ascendente da alça de Henle. 
A parte reta do túbulo distal (ramo ascendente espesso), conforme assinalado 
anteriormente, faz parte do ramo ascendente da alça de Henle e inclui tanto porções 
medular quanto cortical, estando esta última localizada nos raios medulares. À 
semelhança do ramo ascendente delgado, a parte reta do túbulo distal transporta 
íons do lúmen tubular para o interstício. 
Nesse segmento, a membrana celular apical apresenta transportadores eletroneutros 
(simportadores), que possibilitam a entrada de Cl–, Na+ e K+ do lúmen para a célula. 
Túbulos contorcido distal 
A estrutura e a função do túbulo contorcido distal dependem da liberação e da 
captação de Na+. 
O túbulo contorcido distal está localizado no labirinto cortical e tem apenas cerca de 
um terço do comprimento (em torno de 5 mm) do túbulo contorcido proximal. O 
túbulo contorcido distal começa a uma distância variável depois da mácula densa e 
estende-se até o túbulo conector, que conecta o néfron com o ducto coletor cortical. 
As células do túbulo contorcido distal assemelham-se àquelas da parte reta do túbulo 
distal (ramo ascendente espesso). São, no entanto, consideravelmente mais altas e 
carecem de uma borda em escova bem desenvolvida. Assim como a parte reta do 
túbulo distal, o epitélio no túbulo contorcido distal é também relativamente 
impermeável à água. A parte inicial do túbulo contorcido distal constitui o 
principal local de reabsorção de Ca2+ regulada pelo paratormônio. As células no 
túbulo contorcido distal exibem a maior atividade de Na+/K+ATPase nas membranas 
basolaterais, em comparação com qualquer outro segmento do néfron, 
proporcionando a força propulsora para o transporte de íons. Esse túbulo curto é 
responsável por: 
Reabsorção de Na+ e secreção de K+ no ultrafiltrado para conservar o Na+ 
Reabsorção de íons bicarbonato, com secreção concomitante de íons H+, resultando 
em maior acidificação da urina 
Reabsorção de cloreto (Cl–), mediada por transportadores de Na+/Cl– sensíveis aos 
tiazídicos 
Secreção de amônia em resposta à necessidade dos rins de excretar ácido e gerar 
bicarbonato. 
Túbulo conector 
O túbulo conector representa uma região de transição entre o túbulo contorcido 
distal e o ducto coletor cortical. 
Os túbulos conectores dos néfrons subcapsulares unem-se diretamente ao ducto 
coletor cortical, enquanto os túbulos conectores dos néfrons mesocorticais e 
justamedulares unem-se inicialmente com outros túbulos conectores para formar um 
túbulo conector arqueado antes de se unir com o ducto coletor cortical. 
Ductos coletores corticais e medulares 
• Composto de epitélio simples 
• Existem dois tipos distintos de células nos ductos coletores: 
✓ As células claras, também denominadas células principais ou células 
dos ductos coletores (DC), constituem o tipo celular predominante dos 
ductos coletores. Trata-se de células de coloração pálida com pregas 
basais verdadeiras, em lugar de interdigitações com células 
adjacentes. Apresentam um único cílio primário e uma quantidade 
relativamente pequena de microvilosidades curtas. Contém 
mitocôndrias pequenas e esféricas. Essas células apresentam 
quantidade abundante de canais de água regulados pelo hormônio 
antidiurético (ADH), a aquaporina2 (AQP2), que são responsáveis pela 
permeabilidade dos ductos coletores de água. As moléculas de 
aquaporinas AQP3 e AQP4 estão localizadas na membrana basolateral 
dessas células. As células principais também expressam quantidade 
abundante de receptores mineralocorticoides (MRs) citoplasmáticos; 
por conseguinte, constituem o principal alvo da ação da aldosterona. 
✓ As células escuras, também denominadas células intercaladas (CI), são 
consideravelmente menos numerosas. Apresentam muitas mitocôndrias 
e o seu citoplasma é mais denso. Observam-se micropregas, pregas 
citoplasmáticas emicrovilosidades em sua superfície apical. As 
micropregas são facilmente observadas ao MEV, mas podem ser 
confundidas com microvilosidades ao microscópio eletrônico de 
transmissão (MET) (Figura 20.22). Não exibem pregas basais, mas 
apresentam interdigitações com as células vizinhas localizadas na 
região basal do citoplasma. Numerosas vesículas estão presentes no 
citoplasma apical. As células intercaladas estão envolvidas na secreção 
de H+ (células intercaladas α) ou de bicarbonato (células intercaladas 
β), dependendo da necessidade do rim de excretar ácido ou álcali. A 
célula intercalada α secreta ativamente H+ dentro do lúmen do ducto 
coletor por meio de bombas dependentes de ATP e libera HCO3 – por 
meio de trocadores de Cl–/HCO3 – localizados na membrana celular 
basolateral.As células intercaladas β exibem polaridade oposta e 
secretam íons bicarbonato no lúmen do ducto coletor. Dependendo da 
natureza da dieta e, portanto, da necessidade de excretar ácido, o 
epitélio dos ductos coletores passam a conter mais células intercaladas 
α do que β. 
A aldosterona não atua no túbulo contorcido distal, e sim nos túbulos conectores e 
ductos coletores. 
Suprimento sanguíneo 
Cada rim recebe um ramo de grande calibre da aorta abdominal, denominado artéria 
renal. A artéria renal ramifica-se no seio renal e envia artérias interlobares para 
dentro do rim (Figura 20.24). Essas artérias seguem o seu percurso entre as pirâmides 
até o córtex e, em seguida, curvam-se em formato de arco ao longo da base da 
pirâmide entre a medula e o córtex. Por esse motivo, essas artérias interlobares são 
denominadas artérias arqueadas. 
 
As artérias interlobulares são ramos das artérias arqueadas e ascendem pelo córtex 
até a cápsula. 
À medida que atravessam o córtex em direção à cápsula, as artérias interlobulares 
ramificam-se 
em arteríolas aferentes, uma para cada glomérulo. 
Os capilares glomerulares reúnem-se para formar uma arteríola eferente que, por sua 
vez, dá origem a uma segunda rede de capilares, os capilares peritubulares. O 
arranjo desses capilares difere conforme são originados a partir dos glomérulos 
corticais ou dos glomérulos justamedulares. 
As arteríolas eferentes dos glomérulos corticais levam a uma rede de capilares 
peritubulares que circunda os túbulos uriníferos locais. 
As arteríolas eferentes dos glomérulos justamedulares descem na medula, ao longo 
da alça de Henle; dividem-se em vasos menores que continuam até o ápice da 
pirâmide. No entanto, em vários níveis, fazem uma volta em formato de U para 
retornar como vasos retos em direção à base da pirâmide (Figura 20.24). Por 
conseguinte, as arteríolas eferentes dos glomérulos justamedulares dão origem aos 
vasos retos descendentes, que, juntamente com os vasos retos 
ascendentes, estão envolvidos no sistema de troca por contracorrente. Esses vasos 
drenam nas veias arqueadas, por meio de uma rede de capilares medulares 
peritubulares. Esses vasos são descritos na explicação sobre o sistema de troca por 
contracorrente. 
Em geral, o fluxo venoso no rim segue um percurso inverso ao fluxo arterial, em que 
as veias seguem um curso paralelo ao das artérias correspondentes. Por conseguinte: 
Os capilares corticais peritubulares drenam para as veias interlobulares, as quais, por 
sua vez, drenam para as veias arqueadas, as veias interlobares e a veia renal A rede 
vascular medular drena nas veias arqueadas, e assim por diante 
Os capilares peritubulares próximos da superfície do rim e os capilares da cápsula 
drenam para as veias estreladas (assim denominadas em virtude de seu padrão de 
distribuição quando vistas da superfície do rim), que drenam para as veias 
interlobulares, e assim por diante. 
 
Suprimento nervoso 
As fibras que formam o plexo renal derivam principalmente da divisão simpática do 
sistema nervoso autônomo. Causam contração do músculo liso vascular e 
consequente vasoconstrição. 
✓ A constrição das arteríolas aferentes dos glomérulos diminui a taxa de 
filtração e a produção de urina. 
✓ A constrição das arteríolas eferentes dos glomérulos aumenta a taxa de 
filtração e a produção de urina 
✓ A perda da inervação simpática leva a aumento do débito urinário. 
Ureter, bexiga e uretra 
Todas as vias excretoras, exceto a uretra, apresentam a mesma organização geral. 
Ao deixar os ductos coletores na área cribriforme, a urina entra em uma série de 
estruturas que não modificam a sua composição, mas que são especializadas em 
armazená-la e transportá-la 
para o exterior do corpo. Para isso, a urina flui sequencialmente para o cálice menor, 
o cálice maior e a pelve renal, a partir da qual deixa cada rim por meio do ureter 
que leva à bexiga urinária, onde é armazenada. Finalmente, a urina é eliminada 
através da uretra. 
Todas essas vias excretoras, com exceção da uretra, apresentam as mesmas 
estruturas gerais – isto é, uma mucosa (revestida por epitélio de transição), uma 
muscular e uma adventícia (ou, em algumas regiões, uma serosa). 
• O epitélio de transição reveste os cálices, os ureteres, a bexiga e o segmento 
inicial da uretra. 
✓ Essencialmente impermeável aos sais e àgua 
✓ O epitélio inicia-se nos cálices menores como duas camadas celulares 
e aumenta para quatro a cinco camadas no ureter e para seis ou mais 
camadas na bexiga vazia. 
✓ Composto de pelo menos três camadas celulares: 
o A camada superficial do epitélio contém células poliédricas 
grandes (25 a 250 µm de diâmetro) com um ou mais núcleos, 
que fazem rotuberância no lúmen. Com frequência, essas 
células são descritas como células em formato de cúpula ou de 
guarda chuva, 
o A camada celular intermediária contém células piriformes que 
estão conectadas entre si e com as células sobrejacentes em 
formato de cúpula por desmossomos. 
o A camada celular basal consiste em pequenas células contendo 
um único núcleo, que repousa sobre a membrana basal. Essa 
camada contém células-tronco para o urotélio. 
 
A superfície luminal do epitélio de transição é coberta por placas uroteliais rígidas 
contendo proteínas cristalinas, as uroplaquinas, que desempenham importante papel 
na barreira de permeabilidade. 
O músculo liso das vias urinárias é disposto em feixes. 
Nas porções tubulares (ureteres e uretra), geralmente há duas camadas de músculo 
liso abaixo da lâmina própria: 
Uma camada longitudinal, a camada interna disposta como uma espiral frouxa 
Uma camada circular, a camada externa disposta como uma espiral compacta 
Ureteres: 
O epitélio de transição (urotélio) reveste a superfície luminal da parede do ureter. O 
restante da parede é composto de músculo liso e tecido conjuntivo. O músculo liso 
está disposto em três camadas: uma camada longitudinal interna, uma camada 
circular média e uma camada 
longitudinal externa. No entanto, a camada longitudinal externa apenas está 
presente na 
extremidade distal do ureter. Em geral, o ureter está inserido no tecido adiposo 
retroperitoneal. O tecido adiposo, os vasos e os nervos formam a adventícia do 
ureter. 
Bexiga urinária 
A bexiga urinária é um reservatório distensível para a urina, que se localiza na pelve, 
posteriormente à sínfise púbica. 
A bexiga contém três aberturas, duas para os ureteres (óstios dos ureteres) e uma 
para a uretra (óstio interno da uretra). A região triangular definida por essas três 
aberturas, o trígono da 
Bexiga. 
O trígono da bexiga origina-se dos ductos mesonéfricos embrionários, enquanto a 
porção principal da parede origina-se da cloaca. 
O músculo liso da parede vesical forma o músculo detrusor da bexiga. Em direção à 
abertura da uretra, as fibras musculares formam o esfíncter interno da uretra. 
A bexiga é inervada por ambas as divisões simpática e parassimpática do sistema 
nervoso autônomo: 
✓ As fibras simpáticas formam um plexo na adventícia da parede da bexiga. 
Essas fibras provavelmente inervam os vasos sanguíneos na parede 
✓ As fibras parassimpáticas originam-se dos segmentos S2 a S4 na medula 
espinal e penetram na bexiga juntamente com os nervos esplâncnicos 
pélvicos. Essas fibras terminam em gânglios terminais nos feixes musculares e 
na adventícia e constituem as fibras eferentes do reflexo da micção 
✓ As fibras sensitivas da bexiga até a porção sacral da medula espinal consistem 
nas fibras aferentes do reflexo da micção. 
Uretra 
A uretra é o tubo fibromuscular que transporta a urina da bexiga para o exterior do 
corpo através do óstio externo da uretra. 
três segmentos distintos ( no homem): 
A parte prostática da uretra estende-se através da próstata (ver Capítulo 22) por 3 a 
4 cm a partir do colo da bexiga.É revestida por epitélio de transição (urotélio). Os 
ductos ejaculatórios do sistema genital entram na parede posterior desse segmento, 
acompanhados por muitos ductos prostáticos pequenos 
A parte membranácea da uretra estende-se por cerca de 1 cm a partir do ápice da 
próstata até o bulbo do pênis. À medida que entra no períneo passa pelo espaço 
profundo do períneo do assoalho pélvico. O músculo esquelético do espaço profundo 
do períneo que circunda a parte membranácea da uretra forma o esfíncter externo 
(voluntário) da uretra. O epitélio de transição termina na parte membranácea da 
uretra. Esse segmento é revestido por um epitélio 
estratificado ou pseudoestratificado colunar, que se assemelha mais ao epitélio do 
sistema ductal genital do que ao epitélio das porções mais proximais do sistema 
ductal urinário. 
A parte esponjosa da uretra estende-se por aproximadamente 15 cm através do 
comprimento do pênis e abre-se na superfície do corpo na glande do pênis. A parte 
esponjosa da uretra é circundada pelo corpo esponjoso quando passa ao longo do 
comprimento do pênis. É revestida por epitélio pseudoestratificado colunar, exceto 
em sua extremidade distal, em que é revestida por epitélio estratificado 
pavimentoso contínuo com o da pele do pênis. Os ductos das glândulas bulbouretrais 
(glândulas de Cowper) e das glândulas uretrais (glândulas de Littré) secretoras de 
muco desembocam na parte esponjosa da uretra.

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