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SOCIOLOGIA GERAL
Cinthia Regina Nunes Reis
Cosme Oliveira Moura Júnior
SOCIOLOGIA GERAL
São Luís
2010
Governadora do Estado do Maranhão
Roseana Sarney Murad
Reitor da UEMA
Prof. José Augusto Silva Oliveira
Vice-reitor da UEMA
Prof. Gustavo Pereira da Costa
Pró-reitor de Administração
Prof. José Bello Salgado Neto
Pró-reitor de Planejamento
Prof. José Gomes Pereira
Pró-reitor de Graduação
Prof. Porfírio Candanedo Guerra 
Pró-reitor de Pesquisa e Pós-graduação
Prof. Walter Canales Sant’ana
Pró-reitora de Extensão e Assuntos Estudantis
Profª. Grete Soares Pflueger 
Chefe de Gabinete da Reitoria
Prof. Raimundo de Oliveira Rocha Filho
Diretora do Centro de Educação, Ciências e Naturais - CECEN
Profª. Andréa de Araújo
Edição: 
Universidade Estadual do Maranhão - UEMA
Núcleo de Tecnologias para Educação - UemaNet
Coordenador do UemaNet
Prof. Antonio Roberto Coelho Serra
Coordenadora Pedagógica:
Maria de Fátima Serra Rios
Coordenadora da Produção de Material Didático UemaNet:
Camila Maria Silva Nascimento
Coordenadora do Curso de Filosofia, a distância: 
Leila Amum Alles Barbosa
Responsável pela Produção de Material Didático UemaNet:
Cristiane Costa Peixoto
Professor Conteudista:
Cinthia Regina Nunes Reis
Cosme Oliveira Moura Júnior
Revisão:
Liliane Moreira Lima
Lucirene Ferreira Lopes
Diagramação: 
Josimar de Jesus Costa Almeida
Luis Macartney Serejo dos Santos
Tonho Lemos Martins
Capa: 
Luciana Vasconcelos
Universidade Estadual do Maranhão
Núcleo de Tecnologias para Educação - UemaNet
Campus Universitário Paulo VI - São Luís - MA
Fone-fax: (98) 3257-1195
http://www.uemanet.uema.br 
e-mail: comunicacao@uemanet.uema.br
Proibida a reprodução desta publicação, no todo ou em 
parte, sem a prévia autorização desta instituição.
Reis, Cinthia Regina Nunes.
Sociologia geral / Cinthia Regina Nunes Reis, 
Cosme Oliveira Moura Júnior. - São Luís: UemaNet, 
2010.
148 p.: il.
1. Sociologia. 2. Ensino I. Moura Júnior, Cosme 
Oliveira II. Título.
CDU: 316:37
UNIDADE 1 
A SOCIOLOGIA COMO CIÊNCIA .............................................. 13
O contexto do surgimento da sociologia enquanto ciência ........ 13 
Consolidação da sociedade capitalista e o surgimento da
sociologia ................................................................ 14
UNIDADE 2
ESTRUTURA METODOLÓGICA DA SOCIOLOGIA ........................... 23
Sociologia como ciência: complexidade epistêmica ................ 23
Problema social versus problema sociológico ........................ 26
Sociologia versus Filosofia Social ....................................... 28
UNIDADE 3
PRINCIPAIS TEORIAS SOCIOLÓGICAS PARA ANáLISE DA SOCIEDADE 
CONTEMPORâNEA .......................................................... 31
As teorias clássicas ...................................................... 31
Enfoque coletivista ................................................ 32
A sociologia de Émile Durkheim ........................... 32
A sociologia de Karl Marx ................................... 43
Enfoque individualista ............................................ 57
A sociologia de Max Weber ................................. 57
Novos modelos de explicação sociológica ............................ 73
Escola de Frankfurt ............................................... 74
Nova Sociologia Francesa – Pierre Bourdieu ............. 76
Norbert Elias ................................................ 78
Escola de Chicago ................................................. 79
A sociologia de Georg Simmel ............................. 80
SUMÁRIO
UNIDADE 4
ESTRUTURA SOCIAL: noções básicas ................................... 87
Conceito e função de estrutura social ............................... 87
Status ................................................................. 88
Papel ................................................................. 89
Os aspectos que fundamentam o papel e o status ............. 90
Integração e relacionamento papel-status ...................... 90
O indivíduo e a estrutura social .................................. 92
Tipos de estrutura social .......................................... 93
Grupos sociais ................................................ 93
Organizações ou estruturas organizacionais ............. 94
Comunidades .................................................. 94
Instituições .................................................... 94
Categorias sociais ............................................ 94
Estratificação social ..................................................... 95
Legitimação da estratificação: aceitação ....................... 97
Conceito básico para compreensão da estratificação ......... 98
Sociedades abertas e fechadas ..................................100
Os tipos de estratificação social .................................101
Castas ......................................................... 101
Classes ........................................................ 103
Estamento .................................................... 105
UNIDADE 5
INSTITUIçõES SOCIAIS ....................................................109
O que é uma Instituição Social? ......................................109
Família e parentesco ...................................................111
Formas de organização das famílias .............................112
O desenvolvimento da vida familiar .............................115
Mudanças nos padrões familiares ................................116
Economia ................................................................119
O desenvolvimento da agricultura ...............................121
O desenvolvimento da indústria .................................123
O desenvolvimento da economia dos serviços .................127
Religião ...................................................................129
Recreação ...........................................................130
Educação ............................................................131
Política .............................................................132
REFERÊNCIAS ............................................................ 137
íCONES
Orientação para estudo
Ao longo desta apostila, serão encontrados alguns ícones utiliza-
dos para facilitar a comunicação com você.
Saiba o que cada um significa.
GLOSSÁRIO
REFERÊNCIAS
ATIVIDADES
SUGESTÃO DE 
FILMES
SAIBA MAIS
APRESENTAÇÃO
A sociologia tem ocupado um papel cada vez mais importante na 
análise da sociedade contemporânea. É uma das ciências humanas 
que estuda a sociedade, ou seja, estuda sistematicamente o 
comportamento humano em seu contexto social, enquanto que o 
indivíduo na sua singularidade é estudado pela psicologia.
A sociologia tem uma base teórico-metodológica, que serve para 
estudar os fenômenos sociais, tentando explicá-los, analisando 
os homens em suas relações de interdependência. Compreende, 
também, as diferentes sociedades e culturas, além de esclarecer o 
tamanho, a direção e o significado das mudanças sociais, sugerindo 
formas de tratar os problemas sociais gerados desde o surgimento 
da sociedade capitalista até os dias atuais. Como problemas atuais, 
podemos citar a fome, o desemprego, o suicídio entre outros.
Esses problemas, embora sejam constantemente analisados, às 
vezes, são desvinculados de sua base social, sendo interpretados 
como problemas individuais e, como tais, perdem sua dimensão 
social, não encontrando respostas adequadas para tratá-los. A 
sociologia busca justamente olhar para estes e outros problemas 
que afligem a sociedade contemporânea.
É nessa perspectiva que iremos trabalhar neste material. Procuramos 
não só demarcar uma ciência específica, mas, sobretudo, 
desvendar algunsproblemas ou fenômenos que nos cercam, e não o 
percebemos enquanto tais, ou seja, não pensamos neles enquanto 
fenômenos sociais e científicos.
Portanto, caro estudante, desejamos excelente leitura do material 
e uma proveitosa compreensão do seu conteúdo enriquecendo 
tanto seus conhecimentos científicos quanto suas vidas pessoais.
Bom estudo!
PLANO DE ENSINO
DISCIPLINA: Sociologia Geral
Carga horária: 60 horas
EMENTA:
A sociologia no campo do conhecimento: origem histórica. Análise 
da realidade social. Conceitos e proposições teóricas e metodoló-
gicas para compreensão dos fenômenos sociais.
OBJETIVOS: 
¡ Analisar a realidade social tendo em vista a aquisição de uma 
postura crítica e transformadora frente aos problemas sociais 
do contexto no qual está inserido;
¡ Compreender o contexto histórico, econômico, político e 
social do surgimento da sociologia;
¡ Localizar a sociologia no quadro científico;
¡ Relacionar de forma compreensiva as diferentes perspectivas 
teóricas da sociologia para a análise da sociedade contemporânea;
¡ Apreender o conceito e funções da estrutura social;
¡ Compreender o conceito de instituições sociais, identificando 
algumas instituições específicas.
CONTEÚDOS PROGRAMÁTICOS:
UNIDADE 1
A SOCIOLOGIA COMO CIÊNCIA
UNIDADE 2
ELEMENTOS PARA ANáLISE CIENTíFICA: epistemologia da sociologia
UNIDADE 3
PRINCIPAIS TEORIAS SOCIOLÓGICAS PARA ANáLISE DA SOCIEDADE 
CONTEMPORâNEA 
UNIDADE 4
ESTRUTURA SOCIAL
UNIDADE 5
INSTITUIçõES SOCIAIS
METODOLOGIA:
O material deve ser trabalhado de forma concatenada, uma vez 
que as unidades são correlacionadas. Assim, as unidades 1, 2 e 3 
contemplam desde o surgimento da sociologia, sua constituição 
enquanto ciência, os teóricos clássicos até o desenvolvimento 
das teorias contemporâneas de explicação sociológica; enquanto 
as unidades 4 e 5 trabalham as formas como as sociedades se 
organizam e como os indivíduos estão inseridos nessa organização. 
As aulas devem ser dialogadas com a participação dos alunos.
AVALIAÇÃO:
A avaliação deverá acontecer no decorrer do processo de 
aprendizagem finalizando com trabalhos escritos e apresentados 
em dupla. 
No decorrer das aulas deverá ser observada a participação do 
aluno, sua interação com a aula; também valerão nota as questões 
levantadas no final de cada unidade, bem como o debate sobre os 
filmes sugeridos.
Para finalizar deverá ser elaborado um trabalho que correlacione 
duas ou mais unidades.
A SOCIOLOGIA COMO CIÊNCIA
1
UNIDADE
OBJETIVOS DESTA UNIDADE
Conceituar a sociologia 
a partir de uma 
análise histórica 
sobre o surgimento, 
especialização e 
oficialização da disciplina 
enquanto ciência;
Dissertar sobre o final do 
século XIX e anos iniciais 
do século XX, tendo em 
vista que este período 
foi o marco fundador 
do surgimento (questão 
social) e da elaboração 
das bases epistemológicas 
e metodológicas da 
sociologia.
O CONTExTO DO SURGIMENTO DA SOCIOLOGIA 
ENqUANTO CIÊNCIA
Nós, seres humanos, sempre tivemos curiosidade pelas origens 
do nosso próprio comportamento, mas, durante centenas de 
anos, as nossas tentativas de nos compreendermos dependeram 
dos modelos de pensar transmitidos de geração em geração, 
às vezes, seguindo os termos religiosos. Foram em termos 
religiosos, por exemplo, que justificavam e explicavam, na 
época, o poder da nobreza feudal e da monarquia. Mas, a 
teologia, no final do século XVII, paulatinamente foi deixando 
de ser a forma norteadora do pensamento, cedendo lugar para 
as indagações racionais.
O emprego sistemático da observação e da experimentação 
como fonte de exploração dos fenômenos da natureza ganhava 
cada vez mais espaço e acumulava cada vez mais conhecimentos. 
O pensamento social desse período também realizava seus voos 
rumo a novas descobertas. A pressuposição de que o processo 
histórico possui uma lógica passível de ser apreendida abriu 
novas pistas para investigação racional da sociedade.
FILOSOFIA1414
Vico (1668-1744) afirmava que “a sociedade podia ser compreen-
dida porque, ao contrário da natureza, ela constitui obra dos pró-
prios indivíduos” (apud MARTINS, 1994, p. 19).
Porém, foi no século XVIII que um movimento intelectual chamado 
de Iluminismo nocauteou a influência da religião, da tradição e do 
dogma no pensamento intelectual, possibilitando a consolidação 
da ciência como a maneira de pensar o mundo. 
O estudo objetivo e sistemático do comportamento humano e da 
sociedade é um desenvolvimento recente, data do início do século 
XIX, mais precisamente por volta de 1830. Porém, a sua formação 
constituiu-se em um acontecimento complexo para o qual concor-
reu uma constelação de circunstâncias históricas e intelectuais, e 
determinadas intenções práticas. 
CONSOLIDAÇÃO DA SOCIEDADE CAPITALISTA E O 
SURGIMENTO DA SOCIOLOGIA
O surgimento da sociologia confunde-se com a própria ascensão 
do modo de produção capitalista, melhor dizendo, com um novo 
paradigma socioeconômico: o capitalismo como modo de vida. Este 
processo tem como marcos históricos fundamentais movimentos 
como o Renascimento, o Iluminismo, a Revolução Francesa, a In-
dependência dos Estados Unidos e a Revolução Industrial, os quais 
fizeram emergir novas relações de trabalho, o estado laico, a ciên-
cia e a razão experimental como fundamentos para compreensão 
do mundo.
Estes períodos foram assolados por crises, guerras, conflitos inter-
classistas, suicídios, perda de referências, desemprego, infanti-
cídio etc. Inserida neste turbilhão de problemas sociais, que se 
tornavam gradativamente globalizados (questão social), surge a 
sociologia como alternativa para o controle, planejamento e re-
constituição do equilíbrio e coesão social. 
Questão Social - é 
a generalização dos 
problemas sociais surgidos 
com o advento do modo 
de produção capitalista: 
desemprego, mendicância, 
fome, aumento da 
criminalidade, prostituição, 
alcoolismo, suicídio, 
infanticídio, surtos de 
epidemias etc.
SOCIOLOGIA GERAL | unIdAdE 1 15
Esse desequilíbrio foi gerado na transição do Antigo Regime 
econômico para o Capitalismo enquanto modo de produção. 
Assim, a Revolução Industrial representou o triunfo da sociedade 
capitalista que foi pouco a pouco concentrando máquinas, 
terras e as ferramentas sob o seu controle, convertendo 
boa parte dos indivíduos em despossuídos. Cada avanço com 
relação à consolidação da sociedade capitalista representava a 
desintegração de costumes e instituições e a introdução de novas 
formas de organizar a vida social. A utilização da máquina na 
produção não apenas destituiu o artesão dos seus instrumentos 
de trabalho como impôs uma severa disciplina, com novas formas 
de conduta e de relações de trabalho. 
A transformação da atividade artesanal em atividade manufatureira 
e, por fim, em atividade fabril desencadeou uma migração do 
campo para a cidade, assim como engajou mulheres e crianças em 
jornadas de trabalho de 12 horas, sem direito a férias ou feriados e 
recebendo salários inferiores aos dos homens. Essas transformações 
impactaram o mundo inglês, sobretudo as cidades industriais 
15
Fonte: http://images.google.com.br/images?hl=ptBR&source=hp&q=revolu%C3%A7%C3%A
3o%20francesa&um=1&ie=UTF-8&sa=N&tab=wi
Figura 1 - MONTAGEM TRANSIçÃO ANTIGO REGIME PARA CAPITALISMO
FILOSOFIA16
que apresentaram um elevado crescimento demográfico sem, no 
entanto, ter uma estrutura de moradia, saneamento, saúde etc. 
A título de exemplo, Manchester, que no início do século XIX tinha 
por volta de 70 mil habitantes, cinquenta anos depois apresentava 
300 mil.
A Revolução Industrial fez emergir o proletariado, vítima das 
consequênciasnefastas desse processo. Essa nova classe, no 
entanto, não sofreu de forma impassível, reagiu sob várias formas: 
destruição das máquinas, atos de sabotagem e explosão de oficinas, 
roubos, crimes, até evoluir para a criação de associações livres e 
formação de sindicatos.
Com isso, o centro dos confrontos sociais deixou de ser pobres 
contra ricos, para ser classe operária contra os proprietários dos 
meios de produção. A profundidade dessas transformações colocou 
a sociedade num plano de análise, ou seja, ela passou a se constituir 
como um problema, um objeto que deveria ser investigado.
Cabe ressaltar que a Revolução Industrial foi o ponto culminante de uma 
evolução tecnológica, econômica e social que vinha se processando 
na Europa desde a Baixa Idade Média, com ênfase nos países onde 
a Reforma Protestante tinha conseguido destronar a influência da 
Igreja Católica: Inglaterra, Escócia, Países Baixos, Suécia. Nos países 
fiéis ao catolicismo, a Revolução Industrial eclodiu, em geral, mais 
tarde, e num esforço declarado de copiar aquilo que se fazia nos 
países mais avançados tecnologicamente: os países protestantes. 
Na França, as novas maneiras de produzir chocavam-se com a 
monarquia absolutista, isto é, com um regime de governo que 
assegurava consideráveis privilégios para um grupo de indivíduos 
improdutivos (nobreza), atrapalhando, sobretudo, a consolidação 
da livre-empresa.
Por isso, a burguesia, ao tomar o poder em 1789, investiu diretamente 
contra os fundamentos da sociedade feudal, procurando construir 
um Estado que assegurasse e incentivasse a empresa capitalista. 
Para tanto, contaram com o apoio dos trabalhadores pobres das 
cidades. A burguesia que se instalara no poder não constituía um 
grupo coeso quanto aos seus interesses, havia uma ala mais radical 
Fonte: http://revistaepoca.
globo.com/Revista/ Epoca/0,,E
RT60632-15223-60632-3934,00.html
Figura 2 - os três estados na 
frança pré-revolucionária 
SOCIOLOGIA GERAL | unIdAdE 1 17
que pretendia suprimir também as instituições civis. Porém, o grupo 
burguês, interessado apenas nas transformações necessárias para 
o livre desenvolvimento empresarial, empreendeu-se em controlar 
os novos surtos revolucionários que pretendiam modificar toda a 
estrutura social. Assim, o projeto revolucionário deveria ser superado 
por outro que conduzisse à “organização” ou aperfeiçoamento da 
sociedade nascente, isto é, a sociedade capitalista, o que tornou 
necessário parar a radicalização revolucionária e iniciar-se um 
processo de reordenação social que possibilitasse o progresso 
humano (filosofia social positivista Augusto Comte).
A sociedade capitalista nascente na França, no início do século XIX, 
carregava consigo as situações sociais vividas pela Inglaterra no 
início da Revolução Industrial. A partir da terceira década do século 
XIX, intensificaram-se na sociedade francesa as crises econômicas 
e as lutas de classe. A contestação da ordem capitalista pela classe 
trabalhadora passou a ser violentamente reprimida pela burguesia, 
via os aparatos do Estado.
Mesmo assim, ficava cada vez mais claro que a burguesia não 
seria capaz de interromper apenas com ações repressivas aquele 
estado de “desorganização” social e estabelecer uma nova ordem 
social estável. Por isso, alguns pensadores acreditaram que, para 
introduzir uma “higiene” social e reorganizar a sociedade, seria 
necessário fundar uma nova ciência.
Quadro 1 - sinóptico - Transição do Antigo Regime para o Capitalismo.
ANTIGO REGIME
REVOLUÇÕES BURGUESAS E 
INDUSTRIAIS
Explicações do mundo vinculadas às 
interpretações da Igreja Católica.
Revolução técnico-científica: o cien-
tificismo. As explicações dos fenô-
menos naturais e sociais passam a 
ser baseados na razão científico-ex-
perimental.
Escravidão e não existência de de-
mocracia.
Reforma Protestante, Revolução In-
glesa, Revolução Francesa, Indepen-
dência dos Estados Unidos.
Relações de trabalho servis: senhor-
servo; escravidão.
Sistema capitalista.
Mercantilismo. Relações de trabalho assalariadas, 
fim da escravidão e servidão.
Civilização rural e produções manu-
ais e artesanais.
Civilização urbano-industrial.
FILOSOFIA18
Monarquias absolutistas inexistência 
de participação popular.
Poder político-econômico passa para 
as mãos da burguesia.
Classes sociais definidas por nasci-
mento: nobreza e clero.
O Estado (política laica) passa a ser 
definido pela participação da bur-
guesia, não mais pela interferência 
da Igreja.
Trabalho artesanal e corporações de 
ofício.
Trabalho assalariado industrial.
Sistema de produção artesanal e ma-
nufatureiro: predomínio do trabalho 
manual e baixa divisão das tarefas 
(divisão social do trabalho).
Sistema de produção industrial ou 
fabril em que se aplica o trabalho 
humano conjugado ao uso de máqui-
nas, provocando o aumento da pro-
dutividade.
Inexistência de trabalho assalariado. A sociedade passa a ser definida pela 
riqueza: burguesia (proprietários) e 
proletários (trabalhadores).
Assim, essa nova ciência que deveria ser 
criada, tinha como objetivo uma aplicabilidade 
prática, isto é, dar respostas à crise social 
daquele tempo. A jovem ciência assumia como 
tarefa intelectual repensar o problema da 
ordem social.
Dessa forma, surgiu a sociologia que deveria, 
segundo Auguste Comte, orientar-se no sentido 
de conhecer e estabelecer as “leis imutáveis” 
da vida social, abstendo-se de qualquer 
discussão crítica. Comte denominava a nova ciência de física-social, 
expressando o seu desejo de construí-la a partir dos modelos das 
ciências físico-naturais, seguindo o pensamento positivista.
A oficialização da sociologia (denominação atribuída por Comte) 
foi, portanto, uma criação do pensamento positivista que pretendia 
realizar a legitimação intelectual do novo regime, o Capitalismo. 
Comte acreditava que este novo campo de estudo podia produzir 
conhecimento acerca da sociedade com base em fatos científicos, 
uma vez que foi a última ciência a se desenvolver. A Sociologia, 
para ele, deveria contribuir para o progresso da humanidade, 
usando seu caráter científico para compreender, prever e controlar 
o comportamento humano em sociedade.
Fonte: www.suapesquisa.
com/o_que_e/
positivismo.htm
Positivismo – “é uma 
corrente filosófica que surgiu 
na França no começo do 
século XIX. Os principais 
idealizadores do positivismo 
foram os pensadores Augusto 
Comte e John Stuart Mill. 
Esta escola filosófica ganhou 
força na Europa na segunda 
metade do século XIX e 
começo do XX, período em 
que chegou ao Brasil. O 
positivismo defende a ideia 
de que o conhecimento 
científico é a única forma de 
conhecimento verdadeiro. 
De acordo com os positivistas 
somente pode-se afirmar que 
uma teoria é correta se ela 
foi comprovada através de 
métodos científicos válidos”. 
(www.suapesquisa.com/o_
que_e/positivismo.htm).
Figura 3 - Auguste Comte
SOCIOLOGIA GERAL | unIdAdE 1 19
Nesse sentido, esta sociologia de inspiração positivista não 
tinha como pretensão questionar os fundamentos da sociedade 
capitalista, nem alimentar teoricamente as lutas do proletariado. 
Este (filho da revolução industrial) buscou no pensamento socialista 
o referencial teórico para embasar suas lutas.
Foi nesse contexto que a sociologia adquiriu outra vertente, 
tornando-se, também, uma teoria crítica da sociedade. 
A sociologia é um campo de disputas pelo poder de criar discursos 
que pretendem ser verdades; é uma ciência teórica e prática, 
pois é base para a produção de políticas públicas e políticas 
internacionais. Desta forma, sociologia não é puramente 
filosofia ou abstração pela abstração, mas sim um conjunto deconhecimentos praxeológicos que nos atingem sem que tenhamos 
consciência de tal. 
No momento de formação da sociologia, segundo 
Martins (1994, p. 34-94), existiam as seguintes 
vertentes sociológicas em gênese:
•	 Sociologia moralista e conservadora: pretendia 
amortecer os prejuízos socioeconômicos e políticos 
através de propostas conservadoras que tentavam 
evitar as mudanças sociais e assim manter um 
equilíbrio da sociedade em prol do status quo;
•	 Sociologia vinculada a lutas sociais e classes 
sociais exploradas: a sociologia de Saint Simon, 
porém esta tem pouca objetividade, apesar das 
propostas de superação da exploração social. 
De forma ampla nela se encontram as teorias 
marxistas;
•	 Sociologia acadêmica: relacionada a Émile 
Durkheim, procura manter a ordem e compreender 
os problemas sociais anômicos e normais. 
•	 Sociologia das elites: a sociologia revolucionário-
burguesa torna-se de elite e procura sintonizar a 
emergente sociologia ao controle social.
FILOSOFIA20
Discorra sobre o momento histórico em que surge a 
sociologia. Tente enfatizar eventos e transformações 
históricas que foram fundamentais e que influenciaram na 
construção da sociologia como ciência.
OS MISERÁVEIS (1998)
SinopSe: “Os Miseráveis” (1998) é uma adaptação do clássico romance 
homônimo de Victor Hugo. O filme conta a história de Jean Valjean (Liam 
Neeson) que, depois de cumprir 19 anos de prisão com trabalhos força-
dos por ter roubado comida, torna-se empresário em uma pequena cidade. 
Valjean, perseguido pelo policial Javert (Geoffrey Rush), foge para Paris 
com sua filha adotiva. Paris passava por conturbações revolucionárias em 
meio ao qual surge o romance entre a filha de Valjean e um jovem revolu-
cionário, impelindo Valjean a se envolver nas lutas proletárias.
Em 1807, para escapar das tropas napoleônicas, o casal se transfere às 
pressas para o Rio de Janeiro, onde a família real vive seu exílio de 13 anos. 
Na colônia aumentam os desentendimentos entre Carlota e D. João VI.
Direção: Billie August
Gênero: Drama
elenco: Liam Neeson, Geoffrey Rush, Uma Thurman, Claire Danes, Hans 
Matheson.
TEMPOS MODERNOS (1936)
SinopSe: Um operário de uma linha de montagem, que testou uma “máquina 
revolucionária” para evitar a hora do almoço, é levado à loucura pela 
“monotonia frenética” do seu trabalho. Após um longo período em um 
sanatório, fica curado de sua crise nervosa, mas desempregado. Ele deixa 
o hospital para começar sua nova vida, mas encontra uma crise generali-
zada e equivocadamente é preso como um agitador comunista, que liderava 
uma marcha de operários em protesto. Simultaneamente, uma jovem rouba 
comida para salvar suas irmãs famintas, que ainda são bem garotas. Elas 
não têm mãe e o pai delas está desempregado, mas o pior ainda está por vir, 
1
SOCIOLOGIA GERAL | unIdAdE 1 21
pois ele é morto em um conflito. A lei vai cuidar das órfãs, mas, enquanto 
as menores são levadas, a jovem consegue escapar.
Direção: Charles Chaplin
Gênero: Comédia
elenco: Charles Chaplin, Paulette Goddard, Henry Bergman, Tiny 
Sandford, Chester Conklin.
GIDDENS, Anthony. Sociologia. 3. ed. Lisboa: Fundação Calouste 
Gulbenkian, 2000.
MARTINS, Carlos.B. O que é sociologia. Col. Primeiros Passos. 38. 
ed. São Paulo: Brasiliense, 1994. 
TURNER, Jonathan. Sociologia: conceitos e aplicações. São Paulo: 
Makron Books, 2000.
VILA NOVA, Sebastião. Introdução à sociologia. São Paulo: Atlas, 
2008.
unidade
2
OBJETIVOS DESTA UNIDADE:
Discutir e apresentar 
os aspectos gerais da 
estrutura epistemológica 
da sociologia; 
Estudar e esclarecer 
ao estudante os 
principais problemas 
epistemológicos e 
de delimitação da 
sociologia enquanto 
ciência e área do 
conhecimento científico. 
ESTRUTURA METODOLÓGICA DA 
SOCIOLOGIA
SOCIOLOGIA COMO CIÊNCIA: a complexidade epistêmica 
A sociologia pode ser conceituada como o estudo sistemático 
e metódico da sociedade. Conforme Durkheim, a sociologia 
seria o estudo dos fatos sociais. Por outro lado, Weber entende 
que a sociologia seria o estudo das ações sociais. De modo 
geral, a sociologia é o estudo de fenômenos sociais: problemas 
sociológicos e problemas sociais. Mas o que são problemas 
sociais e problemas sociológicos? O que caracteriza um 
fenômeno social?
É importante destacar que a estrutura epistemológica da 
sociologia compõe-se, como qualquer outra ciência, de sujeito, 
objeto e métodos. O que caracteriza uma ciência são formas com 
que o sujeito cognoscente estabelece a relação de pesquisa ou 
de estudo com o objeto do conhecimento. Nas ciências humanas, 
de modo geral, a relação entre sujeito e objeto possui algumas 
variáveis complexas, que tornam a objetividade da elaboração 
de leis gerais e universalizantes muito fluida e flexível.
Fonte: http://www.
clickinformacao.com/fotos/curso-
de-ciencias-sociais.jpg
Figura 4
FILOSOFIA24
Enquanto nas ciências exatas, principalmente na física, o cientista 
pode estabelecer e elaborar leis universais concluídas da pesquisa 
de um objeto inanimado, como a força gravitacional, na sociologia 
esta relação torna-se muito mais complicada, para não dizer, pra-
ticamente inviável. Mas, por que razão a sociologia não estabelece 
leis universais?
A resposta para tal questão reside na estrutura epistemológica da 
relação sujeito e objeto, melhor dizendo, da natureza de ambos e 
acima de tudo das peculiaridades e complexidades características 
do fenômeno social. A primeira resposta pode ser retirada do se-
guinte princípio da sociologia: tanto o sujeito quanto o objeto do 
conhecimento são humanos, são seres ou instituições que podem 
estabelecer uma relação comunicativa de troca simbólica. Vejamos 
no exemplo.
O sociólogo, William Foote Whyte (2005), estudou um grupo de 
jovens em uma gangue, tentando compreender o funcionamento e 
as causas que levavam a juventude de um bairro norte-americano 
a adentrarem nestes grupos sociais. Para fundamentar a pesquisa, 
o autor teve que fazer entrevistas, trabalho de campo, e até certo 
ponto ser aceito e estudado pelo objeto de estudo, os membros da 
gangue. Neste caso, o trabalho científico do sociólogo só foi possí-
vel porque ele dialogou e trocou informações com o objeto, que, 
de algum modo, também o estudava. 
Desta rápida descrição, podemos retirar a seguinte inferência: o 
sucesso de uma pesquisa social requer, em muitos casos, o estabe-
lecimento de um diálogo com o objeto de estudo.
Agora pensemos no caso da física. Seria possível o físico estabele-
cer uma relação dialógica com a lei da gravidade? A lei da gravida-
de poderia questionar o físico? Poderia não aceitar a pesquisa?
A relação sujeito e objeto na sociologia é caracterizada pela dialo-
gicidade, o sujeito e objeto interagem entre si. Desta caracterís-
tica temos como corolário fundamental o caráter relacional entre 
sociólogo e objeto de estudo. O segundo fator de complexidade 
diz respeito às características humanas, principalmente, ao livre 
arbítrio.
Em fevereiro de 1937, o 
então jovem economista 
William Foote Whyte, com 
uma bolsa de iniciação de 
Harvard, decidiu estudar 
um bairro italiano pobre de 
Boston, a que deu o nome 
de Cornerville. Um clássico 
da pesquisa sociológica, o 
trabalho de Whyte sobre 
Cornerville tem servido como 
modelo para a etnografia 
urbana há quase 70 anos. 
Utilizando o método de 
observação participante, o 
autor revela um mundo de 
intrincadas relações sociais, 
considerando pessoas e 
situações reais. Com seu 
olhar profundo e detalhista, 
Whyte mudou a maneira de 
se compreender a pobreza e 
a vida nas grandes cidades. 
(http://www.zahar.com.br/
imprensa/r0922.pdf)
SOCIOLOGIAGERAL | unIdAdE 2 25
O livre arbítrio é uma característica humana que possibilita a va-
riabilidade em relação a uma lei social geral, ou seja, por mais 
que haja uma tendência para determinado comportamento, a com-
plexidade da razão humana, conjugada com o livre arbítrio, pode 
gerar um desvio à norma. Já no caso das leis da física - como a lei 
da gravidade - não cabe livre arbítrio, ninguém escolhe segui-la ou 
transgredi-la, simplesmente a gravidade atua sobre nós como lei da 
natureza universal e geral. Neste sentido:
A matéria-prima da ciência natural, portanto, é 
todo o conjunto de fatos que se repetem e têm 
uma constância verdadeiramente sistêmica, já que 
podem ser vistos, isolados e, assim, reproduzidos 
dentro de condições de controle razoáveis, num 
laboratório. [...]. em contraste com isso, as ciências 
sociais estudam fenômenos complexos, situados em 
planos de causalidades e determinação complicados. 
Nos eventos que constituem a matéria-prima do 
antropólogo, do sociólogo, do historiador, do cientista 
político, do economista e do psicólogo, não é fácil 
isolar causas e motivações exclusivas, mesmo quando 
o sujeito está apenas desejando realizar uma ação 
aparentemente inocente e basicamente simples, 
como o ato de comer um bolo. Pois um bolo pode 
ser comido porque se tem fome e pode ser comido 
por motivos sociais e psicológicos: para demonstrar 
solidariedade a uma pessoa ou grupo, para comemorar 
uma certa data (DAMATTA, 1997, p.18).
Por outro lado, na sociedade, por mais imperativa que seja a norma 
social, sempre há o desvio; por mais perfeita que seja a organiza-
ção social, sempre cabe a transgressão. Talvez por isso Rousseau 
tenha chegado à conclusão de que a democracia, por mais perfeita 
que fosse, só poderia ser plena quando exercida por deuses ou por 
anjos, pois os primeiros construiriam, supostamente, as leis univer-
sais, e os segundos seriam desprovidos de livre arbítrio.
Outro fator que torna o objeto da sociologia ainda mais complexo é 
que os fatos sociais não podem ser reproduzidos em laboratório, ou 
seja, são fatos únicos. Nestes termos, a matéria-prima das ciências 
humanas são eventos do passado, e o papel dos cientistas humanos 
é tentar entender tendências por meio da reconstrução racional 
das relações causa-efeito destes eventos. De modo geral, um fe-
nômeno social é único, apesar de possuir tendências. Deste modo:
FILOSOFIA26
O problema básico, assim, continua: os fatos so-
ciais são irreproduzíveis em condições controladas 
e, por isso, quase sempre fazem parte do passado. 
São eventos a rigor históricos e apresentados de 
modo descritivo e narrativo, nunca na forma de 
uma experiência. Realmente não posso ver e certa-
mente jamais verei uma expedição de troca do tipo 
kula, tão esplendidamente descrita por Malinowsk 
(DAMATTA, 1997, p. 21).
Destarte, podemos concluir da complexidade dos fenômenos dois 
grandes corolários fundamentais da estrutura epistemológica da 
sociologia enquanto ciência humana: 1) a relação sujeito e objeto 
é relacional; 2) o fenômeno social é relativo, pois varia conforme 
o espaço, tempo, sociedade e cultura; 3) a sociologia não traba-
lha com leis universais, mas com tendências fenomenológicas; 4) 
o fenômeno humano é flexível, fato que não lhe retira o caráter 
objetivo e rigoroso, pois há métodos para se trabalhar com as ten-
dências fenomenológicas.
Agora, voltemos para um segundo questionamento: o papel da so-
ciologia é estudar somente os problemas sociais?
PROBLEMA SOCIAL VERSUS PROBLEMA SOCIOLÓGICO
Muitos imaginam que a sociologia é a ciência que estuda problemas 
sociais para buscar soluções, ou seja, estuda os problemas, assim 
como um médico patologista estuda os estados anômicos da socie-
dade para criar uma “vacina” e, assim, solucionar a doença e gerar 
a normalidade social. No entanto, esta é uma concepção muito 
restrita do que é sociologia que, enquanto ciência, é muito mais 
que o estudo de estados de anormalidade. Observe:
Parece frequente que os que não estão familiari-
zados com a sociologia imaginam que esta ciência 
tenha como objetivo a resolução dos problemas so-
ciais, o que é um equívoco. É bem verdade que a so-
ciologia nasceu como tentativa de buscar soluções 
racionais, científicas, de acordo com a pretensão 
de Comte, para os problemas sociais resultantes da 
SOCIOLOGIA GERAL | unIdAdE 2 27
revolução industrial e de decomposição da ordem 
social aristocrática na França do início do século 
XIX. Nos Estados Unidos, a sociologia foi grande-
mente estimulada, nos seus primórdios pela pre-
tensão análoga, embora como consequência de 
outras condições sociais, de fazê-la um instrumen-
to para a solução científica dos problemas daquela 
sociedade [..] (NOVA, 2008, p.42).
Todo fenômeno social é um problema sociológico, pois se origina na 
sociedade e desdobra consequências sociais. Temos como exemplo 
as manifestações populares como o bumba meu ]boi, o carnaval, 
assim como a pobreza e as relações de trabalho. É importante en-
fatizar que os problemas sociológicos não são em si fatos patológi-
cos, ou seja, fenômenos que produzem prejuízos à sociedade.
Essa última categoria de problemas sociológicos são considerados 
problemas sociais, que são fenômenos que geram ou tendem a ge-
rar prejuízos e estados patológicos na sociedade. Como exemplo, 
temos a pobreza, o alto nível de criminalidade, o alto nível de cor-
rupção, que podem gerar ou geram estados de instabilidade e de 
prejuízo à sociedade em geral.
Portanto, todo problema social é um problema sociológico, mas 
nem todo problema sociológico é problema social, pois:
Imaginar que a sociologia seja uma ciência dos 
problemas sociais constitui um equívoco análogo 
ao de supor que a biologia tenha como objeto de 
estudo apenas as manifestações patológicas, doen-
tias, de vida.
Ao sociólogo interessam, antes, os problemas so-
ciológicos, quer dizer, os problemas de explicação 
teórica do que acontece na vida social. Neste sen-
tido, tanto o funcionamento fluente da família 
quanto a sua desorganização entram no campo de 
interesse do sociólogo (NOVA, 2008, p.43).
Fica claro que a sociologia não estuda apenas fenômenos patoló-
gicos, estados de fragmentação e desintegração do tecido social, 
mas estuda também estados de normalidade e estabilidade. Nestes 
dois grandes marcos divisórios do objeto da sociologia (desinte-
gração e estabilidade) podemos utilizar a classificação de Augusto 
Comte: a sociologia estática e a sociologia dinâmica. 
FILOSOFIA28
A sociologia estática é o campo da sociologia que estuda as insti-
tuições, ou seja, os aspectos contínuos das sociedades (estados de 
normalidade). Enquanto a sociologia dinâmica estuda processos de 
mudança, que geralmente são momentos compostos por problemas 
sociais advindos de questionamentos de uma antiga ordem estável 
da sociedade (lembremos da passagem do antigo regime para o 
capitalismo).
A sociologia estática estuda os fenômenos gerais da sociedade, es-
tuda a vida social em si mesma, os aspectos constantes da socieda-
de. Este modo estuda as Instituições básicas, ou seja, instituições 
necessárias para vida social: 1) a propriedade – que permitem aos 
homens produzirem e acumularem; 2) a família – que educa e en-
sina os costumes e tradições aos indivíduos; 3) a linguagem – que 
possibilita a comunicação e a troca simbólica entre os indivíduos 
em sociedade. A sociologia dinâmica estuda os processos de trans-
formação e evolução da vida social. 
SOCIOLOGIA VERSUS FILOSOFIA SOCIAL
Outra confusão que há no campo da sociologia é a equiparação 
desta com a filosofia, fato em si um erro epistemológico infantil. 
Primeiramente, é importante enfatizar o que é conhecimentocien-
tífico e o que é conhecimento filosófico.
Inicialmente, o conhecimento científico pode ser considerado 
o produto de um processo racional, sistemático e metódico de 
observação objetiva de fenômenos, fatos, processos e realidades 
verificáveis. Nestes termos, a ciência faz-se: racional, verificável, 
factual, experimental e objetiva. A ciência baseia-se na objetividade 
(observação sistemática de objetos) para se chegar a verdades 
provisórias. As verdades são provisórias, pois a realidade é mutável 
e dinâmica. Desse modo, a ciência acompanha os processos de 
mudança e é válida até quando suas teorias não são refutadas 
(princípio da falseabilidade).
SOCIOLOGIA GERAL | unIdAdE 2 29
Por outro lado, o conhecimento filosófico, apesar de racional, 
sistemático, rigoroso e lógico, não é verificável, não pode ser testado 
nem verificado empiricamente:
[...] portanto, o conhecimento filosófico é 
caracterizado pelo esforço da razão pura para 
questionar os problemas humanos e poder discernir 
entre o certo e o errado, unicamente recorrendo às 
luzes da própria razão (LAKATOS, 2008, p.19).
Retomemos a sociologia. Esta área do conhecimento é uma ciência, 
pois seu objeto é verificável e o produto de suas pesquisas são 
testáveis e falseáveis, pois são empiricamente observáveis. Como 
exemplo, podemos citar um sociólogo que pretende estudar os 
comerciantes informais das ruas de uma grande cidade. Tal objeto 
de estudo é empiricamente observável, com isso o pesquisador 
não fará um estudo a partir da introspecção, mas sim através de 
análises teórico-empíricas baseadas no fenômeno.
Por fim, fica claro que a sociologia é uma ciência que tem um objeto 
empírico, verificável e falseável, já o conhecimento filosófico 
não possui tal estrutura. A análise da Filosofia Social emite juízo 
de valor, é normativa, especulativa e conjectural; enquanto a 
sociologia parte da observação de fatos sociais, não é especulativa, 
é observação sistemática de fatos e não emite juízos de valor.
Por que o conhecimento sociológico não é o mesmo que 
conhecimento filosófico?
Falseabilidade (ou refu-
tabilidade) é um conceito 
importante na filosofia da 
ciência (epistemologia). Para 
uma asserção ser refutável 
ou falseável, em princípio 
será possível fazer uma 
observação ou fazer uma 
experiência física que tente 
mostrar que essa asserção 
é falsa. Por exemplo, a 
asserção “todos os corvos são 
pretos” poderia ser falsifi-
cada pela observação de um 
corvo vermelho. A escola 
de pensamento que coloca 
a ênfase na importância da 
Falseabilidade como um prin-
cípio filosófico é conhecida 
como a Falseabilidade.
http://pt.wikipedia.org/
wiki/Falseabilidade
1
FILOSOFIA30
ILHA DAS FLORES (1989)
SinopSe: Um ácido e divertido retrato da mecânica da sociedade de con-
sumo. Acompanhando a trajetória de um simples tomate, desde a plantação 
até ser jogado fora, o curta escancara o processo de geração de riqueza 
e as desigualdades que surgem no meio do caminho.
Direção: Jorge Furtado
Gênero: Documentário Experimental
DA MATTA, Roberto. Relativizando: uma introdução à antropologia 
social. Rio de Janeiro: Rocco, 1987.
KUHN, Thomas S. A	 estrutura	 das	 revoluções	 científicas. São 
Paulo: Perspectiva, 2005.
LAKATOS, Eva Maria e MARCONI, Marina de A. Metodologia 
Científica. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2008.
SANTOS, Boaventura Sousa. Introdução a uma Ciência Pós-
Moderna. Rio de Janeiro: Graal, 1989.
William Foote White. Sociedade de esquina: a estrutura social de 
uma área urbana pobre e degradada. Rio de Janeiro: Zahar, 2005.
VILA NOVA, Sebastião. Introdução à Sociologia. São Paulo: 
Atlas,2008.
ObjetivO deStA unidAde:
unidAde
3
OBJETIVO DESTA UNIDADE
Apresentar as 
principais bases da 
sociologia clássica e 
suas contribuições 
para estruturação das 
análises da sociedade 
contemporânea, isto é, 
sociedade capitalista;
Tratar as abordagens 
coletivistas (Émile 
Durkheim e Karl Marx) 
e individualistas 
(Max Weber e George 
Simmel) com suas 
concepções dicotômicas 
da realidade social 
(indivíduo-sociedade);
Discutir as teorias 
contemporâneas que 
buscam superar estas 
antinomias e pensar 
conjuntamente os 
aspectos da realidade 
classicamente 
apreendidos como 
antagonistas.
PRINCIPAIS TEORIAS SOCIOLÓGICAS 
PARA ANÁLISE DA SOCIEDADE 
CONTEMPORâNEA 
AS TEORIAS CLÁSSICAS
A sociologia enquanto herdeira das tradições 
filosóficas conservou antinomias clássicas 
desta matriz epistemológica. Em particu-
lar, as oposições tradicionais entre idealis-
mo e materialismo, sujeito e objeto. Émile 
Durkheim e Karl Marx, apesar de apresenta-
rem diferenças substanciais em seus corpos 
teóricos, compartilham a abordagem coleti-
vista, destacando a estrutura como a unida-
de de análise por excelência.
Em contraposição a esse pressuposto coletivista, encontram-se 
os autores que privilegiam como unidade de suas análises as 
ações subjetivas de atores individuais, pois para este grupo, 
aqui representado por Weber e Simmel, é a realidade individual 
que compõe e dá sentido à realidade social.
Fonte: http://
sociologiaemrede.ning.
com/
Figura 1
FILOSOFIA32
Enfoque coletivista
A sociologia de Émile Durkheim
O arcabouço metodológico desse autor tem como unidade de 
análise as estruturas sociais. A visão de Durkheim sobre o objeto 
e método da sociologia foi moldada pelo pensamento positivista 
francês remontando, principalmente, a Comte e Saint-Simon.
Émile Durkheim
Nascimento 15 de abril de 1858
Falecimento 15 de novembro de 1917
Paris, França
Nacionalidade Francês
Ocupação Acadêmico, sociólogo, antropólogo, filósofo
Seu objetivo, segundo Giddens (1999), era encontrar uma resposta 
aos perturbadores efeitos da vitória alemã sobre a França em 
1870-1871. A Revolução do século XVIII, da qual os eventos de 
1870-71 foram consequência, acabou com o Antigo Regime, e 
estabeleceu a sociedade liberal, burguesa, trazendo com ela 
problemas políticos e sociais de ordem geral, que se tornaram 
crônicos. O grande problema teria sido o fato da Revolução 
Francesa não ter estabelecido uma sociedade burguesa ideal, 
isto é, a combinação de democracia política com hegemonia de 
uma classe capitalista dominante. Em função disso, a história 
francesa foi caracterizada por ciclos de revolução e restauração, 
permanecendo sempre elementos conservadores. Esse fato 
marcou o pensamento durkheimiano, que se entregou não ao 
problema da ordem em geral, mas de uma autoridade adequada 
para a sociedade industrial moderna. 
Fonte: http://1.bp.blogspot.
com/_iFoS7IfVMsg/SInoEBvZQFI/
AAAAAAAAALk/-1W1jfexDM8/
s400/durkheim.jpg
Saint Simon 
Claude-Henri De Rouvroy, Conde 
de Saint-Simon (nascido a 17 de 
outubro de 1760 e falecido a 19 de 
maio 1825, em Paris), foi um dos 
fundadores do chamado “socialis-
mo utópico”. Foi um importante 
teórico social francês que escreveu 
a obra Nouveau Christianisme, na 
qual proclamou uma fraternidade 
do homem que deve acompanhar a 
organização científica da indústria 
e da sociedade. (http://www.
cobra.pages.nom.br/fmp-saint-
-simon.html) e (Martins, 1994).
Figura 2 - Émile Durkheim
SOCIOLOGIA GERAL | unIdAdE 3 33
Durkheim aponta os fatos sociais, como o objeto de análise, em 
sua obra As Regras do Método Sociológico (1895). Esses fatos 
teriam que ser definidos objetivamente, eles não poderiam 
ser confundidos com os demais fatos, que caberiam a outras 
ciências investigarem. Os fatos sociais que serviam de objeto 
para a sociologia eram percebidos através de sinais exteriores, 
ou seja, eles se manifestavam por meio de coisas concretas, 
e teriam que ser tratados como tais. Para Durkheimos fatos 
sociais são aspectos da vida social que moldam as nossas ações 
enquanto indivíduos.
Deste modo, o autor define fato social como manifestação de 
algum fenômeno, preponderantemente coletivo, coercitivo e 
exterior aos indivíduos. Nesta concepção o fato social é algo que 
está além do individual e acima da psicologia (entenda psicologia 
como estudo individual da mente humana). Assim, o fato social é 
dotado de vida própria, independente da vontade individual dos 
membros da sociedade:
[...] consistem em maneiras de agir, de pensar e 
de sentir, exteriores ao indivíduo e que são dota-
das de um poder de coerção em virtude do qual 
esses fatos se impõem a ele. Por conseguinte, 
eles não poderiam se confundir com os fenômenos 
orgânicos, já que consistem em representações e 
em ações; nem com os fenômenos psíquicos, os 
quais só têm existência na consciência individual 
e através dela. Esses fatos constituem, portanto, 
uma espécie nova, e é a eles que devem ser dada 
e reservada a qualificação de sociais (DURKHEIM, 
1999, p.3-4)
Esclarecendo o conceito
Durkheim elenca três características básicas e indispensáveis para 
um fenômeno ser classificado enquanto fato social:
• Coerção externa: significa que todo fato social, para ser fato 
social, tem que coagir o indivíduo caso ele queira ir de encontro 
à determinação do fato. Essa coerção pode ser violenta ou não, 
só simbólica, mas que incomode, que constranja o indivíduo;
• Generalidade do fato: o fato deve atingir a todos, sem exceção, 
conforme a sua regra; e, além disso, é produto da própria 
FILOSOFIA34
coletividade. Assim, deve ser entendido como manifestação de 
uma totalidade social: consciência coletiva e representações 
coletivas. “O fato social é público” (DURKHEIM, 1999); 
• Autônomo à vontade do indivíduo: o fato independe da vontade 
do indivíduo, este tem que se “submeter”, uma vez que a 
sociedade (este ser formado por todos os indivíduos, mas que 
vai muito além destes) está acima dele, pois:
[...] esse fenômeno é um estado do grupo, que se 
repete nos indivíduos porque se impõem a ele. Ele 
está em cada parte porque está no todo, o que é 
diferente de estar no todo por estar nas partes 
(DURKHEIN, 1999, P.9).
Para tentar comprovar essas três características dos fatos sociais, 
segundo Durkheim:
Basta observar a maneira como são educadas as 
crianças. Quando reparamos nos fatos tais como 
são e como sempre foram, salta aos olhos que 
Reconhecendo um fato social: a moda 
Cada um se veste de uma maneira, num determinado 
momento, porque todos se vestem dessa forma. Não 
é um indivíduo que origina a moda, mas a sociedade 
que, partindo de vários pontos, constrói um modo 
determinado de vestimenta, que varia conforme 
sexo, idade etc.
Caso queiramos ir contra o padrão estabelecido, 
sofreremos coerção direta e/ou indireta. Basta 
não estarmos vestidos da forma que foi designada 
como adequada para adentrarmos em determinados 
ambientes que somos prontamente barrados, como 
por exemplo, não podemos entrar em nenhuma 
repartição pública com trajes de banho.
Em outros casos a coerção é indireta, através de 
olhares recriminadores, risos etc. Mesmo não tendo 
uma proibição expressa, na nossa sociedade, homem 
não usa vestido e caso algum queira experimentar essa 
coerção social, basta sair à rua trajando o referido 
vestido que, certamente, logo sentirá os olhares, os 
cochichos e rizinhos que, no mínimo, incomodarão.
SOCIOLOGIA GERAL | unIdAdE 3 35
toda educação consiste num esforço contínuo para 
impor à criança maneiras de ver, de sentir e de agir 
as quais ela não teria chegado espontaneamente. 
Desde os primeiros tempos de sua vida a coagimos 
a comer, dormir e a beber a horas regulares. 
Coagimo-la à limpeza, à calma, à obediência; 
mais tarde, coagimo-la a ter em conta os outros, 
a respeitar os usos, as conveniências, a trabalhar 
etc. etc. Se, com o tempo essa coação deixa de ser 
sentida é porque fez nascer hábitos e tendências 
internas [...] (internalização das regras sociais) 
(DURKHEIM, 1978, p.89, grifo nosso).
Fatos enquanto maneira de ser e de agir
Os fatos sociais se manifestam, como no exemplo supracitado, nas 
maneiras de fazer em cada sociedade, mas não se restringem a 
isso, pois se manifestam também como maneiras de ser coletivas 
(DURKHEIM, 1978).
Os fatos sociais, enquanto maneiras de agir, podem ser menos 
consolidados, mais fluidos. Nesse caso, temos as chamadas cor-
rentes sociais, movimentos coletivos ou correntes de opinião que 
nos impelem com intensidade desigual, segundo épocas e lugares, 
a agirmos de determinadas maneiras. Exemplos desses fatos são 
as correntes para casamento, suicídio, aumento da natalidade ou 
sua redução etc. Essas correntes variam conforme mudanças nos 
contextos sócio-históricos.
Os fatos sociais, enquanto maneiras de ser, têm uma forma já cris-
talizada na sociedade. Nesse caso temos as regras jurídicas, mo-
rais, os dogmas religiosos e sistemas financeiros, o sentido das vias 
de comunicação etc. Exemplos desse tipo de fato social são os mo-
dos de circulação de pessoas e mercadorias, as formas de comuni-
car, de negociar, de expressar louvor etc. 
Exemplificando
Nos anos de 1980 surgiu no mundo a AIDS. Esta doença foi aos 
poucos impondo mudanças nas maneiras de agir nas relações 
sexuais, isto é, a adoção do uso de preservativo tornou-se um 
FILOSOFIA36
imperativo inquestionável, uma vez que a ciência comprovou que 
a única forma de prevenção da doença nas relações sexuais é 
recorrer ao uso do preservativo. Mas essa mudança, já consolidada 
no padrão de comportamento das pessoa, ainda não foi aceita 
pelos dogmas da religião católica. Esta ainda condena qualquer 
método anticoncepcional, incluindo o uso do preservativo. 
O método – regras relativas à observação dos fatos sociais
A investigação dos fatos sociais deve seguir os passos já determina-
dos pelas ciências naturais, embora Durkheim reconheça a particu-
laridade do objeto das ciências sociais. Assim, o autor sugere como 
a primeira regra e mais fundamental: considerar os fatos sociais 
como coisas, e esclarece: 
Não dissemos que os fatos sociais são coisas 
materiais, e sim que são coisas tanto quanto as 
coisas materiais, embora de outra maneira. 
O que vem a ser coisa? A coisa opõe a ideia assim 
como o que se conhece a partir de fora se opõe 
ao que se conhece a partir de dentro. É coisa todo 
objeto do conhecimento que não é penetrável à 
inteligência, tudo aquilo que não podemos fazer 
uma noção adequada, por simples procedimento 
de análise mental.[...] Tratar os fatos de uma certa 
ordem como coisas não é, portanto, classificá-los 
nesta ou naquela categoria do real; é observar 
diante deles uma certa atitude mental (DURKHEIM, 
1999, p. XVII).
Destarte, os fatos sociais são objetos científicos, pois se materia-
lizam, ou seja, são verificáveis. Esta característica separa a socio-
logia da filosofia, pois a primeira trata de um objeto verificável e 
a segunda toma as ideias como objeto de estudo. Por outro lado, a 
sociologia também se preocupa com o que se conhece a partir de 
fora (social), diferindo-se da psicologia que estuda fenômenos que 
se conhece a partir de dentro (internos ao indivíduo).
A segunda regra que é corolário da anterior consiste em: descartar 
sistematicamente todas as pré-noções e os preconceitos que 
nos paralisam quando pretendemos conhecer os fatos sociais 
cientificamente. Também porque as “coisas” são tudo o que nos é 
dado, tudo o que se oferece (ou se impõe) à nossa observação, é 
SOCIOLOGIA GERAL | unIdAdE 3 37
algo exterior a nós. “Mas esta regra não ensina ao sociólogo como 
este deve apoderar-se dos fatos para proceder um estudo objetivo” 
(DURKHEIM,1999, p. 35).
Para tanto, o sociólogo deve definir e classificar o conjunto de 
fenômenos que pretende estudar, isto é: 
[...] definir aquilo que irá tratar para que todos 
saibam, incluindo ele próprio, o que está em cau-
sa. Esta é a primeira e mais indispensável das con-
dições para o estabelecimento de qualquer prova 
e de qualquer verificação (DURKHEIM, 1999, p.35).
Para cada categoria de fatos sociais só há uma única causa, por-
tanto, uma única explicação. Explicar um fenômeno social, para 
Durkheim, é procurar sua causa eficiente, é identificar o fenôme-
no antecedente que o produziu. Depois de achar a causa, pode-se 
procurar descobrir a função desse fenômeno na sociedade, a sua 
utilidade. Se, por ventura, há várias causas para um fenômeno, há 
vários tipos desses fenômenos. 
As causas dos fenômenos sociais devem ser procuradas no meio 
social, no qual eles estão acontecendo, não devem ser procuradas, 
por exemplo, no passado, como a História faz. Para se verificar se 
um fenômeno é causa de outro, deve-se comparar os casos e veri-
ficar as diferentes combinações de circunstâncias que revelam que 
um depende do outro: “o social só pode ser explicado pelo social” 
(DURKHEIM, 2003, p. 112.).
Aplicação do Método: o estudo sobre o suicídio
Segundo Durkheim, existe para cada grupo social uma tendência 
específica para o suicídio, que não é explicada nem pela constitui-
ção orgânico-psíquica dos indivíduos nem pela natureza do meio 
físico. Com essa constatação, ele atribui como causa fatores sociais 
e, assim sendo, constitui-se enquanto um fenômeno coletivo.
De acordo com Durkheim, os indivíduos têm certo nível de inte-
gração com os seus grupos, o que ele chama de integração social. 
Níveis anormalmente baixos ou altos de integração social poderiam 
resultar num aumento das taxas de suicídio.
O Suicídio, obra escrita em 
1897, é considerada modelo 
de pesquisa social na qual 
o método central utilizado 
é o uso da estatística como 
instrumento de análise de 
fenômenos sociológicos.
FILOSOFIA38
Os níveis baixos afetam porque a baixa integração social, sendo 
resultado de uma sociedade desorganizada, leva os indivíduos a se 
voltarem para o suicídio como uma última alternativa, ou ainda, 
porque os indivíduos não possuem laços sociais (vínculos sociais) 
que os impeçam de atentar contra sua própria vida. Os níveis al-
tos afetam na medida em que as pessoas preferem destruir a si 
próprias a viverem sob grande controle da sociedade, ou ainda, 
suicidam-se para manterem um ideal coletivo ou o bem comum de 
um grupo social. 
Partindo da ideia de que um efeito (sinal exterior) só pode ser 
fruto de uma única causa, Durkheim comparou taxas de suicídio 
e chegou à conclusão que havia vários tipos de suicídio. Concluiu 
também que estes tinham como fonte geradora causas diferen-
tes, uma vez que um mesmo antecedente (causa) não pode pro-
duzir consequências diferentes. Portanto, para classificar os tipos 
de suicídio, procurou identificar e classificar as condições sociais 
(causas) que levaram aos suicídios. Com isso, classificou quatro 
tipos de suicídios: 
1. Suicídio anômico: a anomia é um estado onde existe uma fraca 
regulação social entre as normas da sociedade e o indivíduo, mais 
frequentemente trazidas por mudanças dramáticas nas circuns-
tâncias econômicas e/ou sociais. Este tipo de suicídio acontece 
quando as normas sociais e leis que governam a sociedade não cor-
respondem com os objetivos de vida do indivíduo, uma vez que o 
indivíduo não se identifica com as normas da sociedade, o suicídio 
passa a ser uma alternativa de escape. 
2. Suicídio fatalista: o fatalismo é o estado oposto à anomia, onde 
a regulação social é completamente instilada no indivíduo; não há 
esperança de mudança contra a disciplina opressiva da sociedade. 
A única forma de o indivíduo ficar livre de tal estado é cometer 
suicídio. Durkheim viu esta razão nos escravos que cometeram sui-
cídio na antiguidade, mas viu uma relevância mínima na sociedade 
moderna.
3. Suicídio egoísta: o egoísmo é um estado onde os laços entre o 
indivíduo e os outros na sociedade são fracos. Estando o indivíduo 
fracamente ligado à sociedade, terminar sua vida terá pouco im-
SOCIOLOGIA GERAL | unIdAdE 3 39
pacto no resto da sociedade. Em outras palavras, existem poucos 
laços sociais para impedir que o indivíduo se mate. Esta foi a causa 
vista por Durkheim entre divorciados e homens solteiros, que ten-
dem ao suicídio mais que os homens casados, uma vez que o casa-
mento para os homens gera laços sociais mais estáveis e na intensi-
dade ideal; não os oprime da mesma forma como às mulheres, por 
isso, para estas a relação é inversamente proporcional. 
4. Suicídio altruísta: o altruísmo é o oposto do egoísmo, onde um 
indivíduo está extremamente ligado à sociedade, de forma que não 
tem vida própria. Indivíduos que cometem suicídio baseados no al-
truísmo morrem porque acreditam que sua morte pode trazer uma 
espécie de benefício para a sociedade. Em outras palavras, quando 
um indivíduo está tão fortemente ligado à sociedade, ele cometerá 
suicídio independentemente de sua própria hesitação se as normas 
da sociedade o levarem a tal.
Durkheim viu isto ocorrer de duas formas diferentes:
a. quando os indivíduos se veem sem utilidade para a sua socieda-
de, tornando-se um peso para a mesma, eles preferem cometer 
suicídio, como em algumas sociedades indígenas;
b. quando os indivíduos veem o seu mundo social (com seus ideais 
e crenças) mais importante do que a sua própria existência in-
dividual, sacrificam a si próprios em defesa do mesmo, como 
os homens-bomba.
Estado normal e patológico
Durkheim analisa a sociedade em duas perspectivas: um estado 
normal e um estado anômico ou patológico. Para definir um estado 
de normalidade social, basta compreender que as relações sociais 
estão se reafirmando com os fatos sociais e acontecimentos mais 
específicos. Como exemplo: o próprio suicídio altruísta que, em 
certas sociedades, como a japonesa, reforça a tradição social mi-
lenar do suicídio ritual.
Já o patológico pode ser exemplificado pelo suicídio egoísta, pois 
esse tipo de suicídio é desencadeado pela perda de referências e 
desintegração das relações sociais. Neste caso, o suicídio não é 
FILOSOFIA40
fator de reforço da coesão e consciência coletiva, mas sim de es-
facelamento destas.
Durkheim e o princípio da integração social
A integração social ou coesão social é a questão central que norteia 
todo o pensamento sociológico de Durkheim. Ele tinha por preten-
são encontrar a resposta de como a sociedade é possível. Em ou-
tros termos, como pode uma coleção de indivíduos constituir uma 
sociedade?
Durkheim marca o estudo da integração social por meio da noção 
de solidariedade, e a relação indivíduo/sociedade por meio da no-
ção de consciência coletiva.
Para Durkheim, a solidariedade garante a coesão social, e, portan-
to, garante a sociedade. Ele distinguiu duas formas de solidarie-
dade: a solidariedade por semelhança, chamada de mecânica e a 
solidariedade por diferenciação, chamada de orgânica. Essas duas 
formas de solidariedade ocorrem conforme o tipo de organização 
social.
Solidariedade mecânica: este tipo de solidariedade acontece nas 
sociedades tradicionais baseadas em laços por semelhança e pa-
rentesco, isto é, nas sociedades em que os indivíduos diferem pou-
co uns dos outros. A sociedade tem coesão porque seus membros 
têm os mesmos sentimentos, os mesmos valores, reconhecem os 
mesmos objetos como sagrados, os sentimentos são coletivos. Esse 
tipo de solidariedade é característica das sociedades tidas como 
simples ouprimitivas, nas quais não há uma complexa divisão do 
trabalho, os indivíduos são intercambiáveis.
Solidariedade orgânica: esta é a forma de agregação característica 
da divisão social do trabalho. O termo orgânico está referindo-se 
a um órgão composto por partes especializadas que se agregam 
por meio da diferença de funções e objetivos comuns, sendo todos 
indispensáveis à vida. Esta forma de solidariedade é a dita racio-
nalização pela divisão do trabalho na cidade, na fábrica e na vida 
social. Impera, portanto, nas sociedades modernas, industriais.
SOCIOLOGIA GERAL | unIdAdE 3 41
A relação entre indivíduo e sociedade marcada pela solidariedade, 
segundo Durkheim, é caracterizada pela supremacia da sociedade, 
através da noção de consciência coletiva que é:
O conjunto das crenças e dos sentimentos comuns 
à média dos membros de uma sociedade forma um 
sistema determinado que tem vida própria; [...] ela 
é independente das condições particulares em que os 
indivíduos se encontram: eles passam, ela permanece. 
[...] ela não muda a cada geração, mas liga umas 
às outras as gerações sucessivas. Ela é, pois, bem 
diferente das consciências particulares, conquanto só 
seja realizada nos indivíduos (DURKHEIM, 1999, P. 50).
A consciência coletiva comporta força de maior ou menor extensão, 
de acordo com o tipo de sociedade. Nas sociedades mais simples, 
dominadas pela solidariedade mecânica, a consciência coletiva 
abrange a maior parte das consciências individuais com seus 
imperativos e proibições sociais. A força desta consciência coletiva 
nessas sociedades é extrema, manifestada pelo rigor dos castigos 
impostos aos que violam as proibições sociais. Quanto mais forte 
a consciência coletiva, maior a indignação com o crime, isto é, 
contra a violação do imperativo social. Segundo Durkheim, nas 
sociedades modernas, nas quais reina a solidariedade orgânica, 
haveria uma redução da extensão da consciência coletiva, bem 
como um enfraquecimento das reações coletivas contra a violação 
das proibições e, sobretudo, haveria uma margem maior na 
interpretação individual dos imperativos sociais. Os indivíduos, em 
muitas circunstâncias, teriam a liberdade de crer, de querer e de 
agir conforme suas preferências. 
Durkheim para chegar à solidariedade como o elemento de coesão so-
cial, recorreu à questão do direito (enquanto regras morais) como seu 
sinal exterior, tendo em vista que a solidariedade não é algo objetivo, 
concreto, palpável; é abstrato, apenas seus efeitos são observados 
e sentidos. Considerando que há duas formas de solidariedade que 
variam conforme o tipo de sociedade, este autor classificou dois tipos 
de direito, o direito repressivo e o direito restitutivo.
O direito repressivo (penal) impera na solidariedade mecânica, 
pois o elo de solidariedade ao qual ele corresponde é aquele cuja 
ruptura se constitui o crime (todo ato que implica ao seu agente 
FILOSOFIA42
uma reação chamada pena), na medida em que ofende a consci-
ência moral do grupo ao qual se refere (ofende as consciências de 
cada membro), podendo abalá-la ameaçando a coesão social, com-
prometendo a própria sociedade. É necessário, portanto, que seja 
repreendido para a salvaguarda do grupo.
O direito restitutivo (civil, processual, comercial etc.) impera nas 
sociedades em que a divisão social do trabalho é complexa, ou 
seja, na sociedade industrial, onde a coesão social é estabelecida 
pela solidariedade orgânica. Neste tipo de sociedade, o delito não 
fere a consciência coletiva, o agente apenas deixa de cumprir uma 
função determinada pela sociedade e assumida por ele, logo a re-
ação ao seu ato é de restituir o que foi acordado.
Segundo Durkheim, os fatos sociais têm vida própria.
Como a divisão do trabalho, segundo Durkheim, pode desencadear 
a integração social nas sociedades modernas? 
Estabeleça a relação entre consciência coletiva e consciência 
individual, apontada por Durkheim.
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SOCIOLOGIA GERAL | unIdAdE 3 43
A VILA (2004)
SinopSe: Em 1897 uma vila parece ser o local ideal para viver: tranquila, 
isolada e com os moradores vivendo em harmonia. Porém, este local per-
feito passa por mudanças quando os habitantes descobrem que o bosque 
que o cercam esconde uma raça de misteriosas e perigosas criaturas, por 
eles chamados de “Aquelas de Quem Não Falamos”. O medo de ser a próxi-
ma vítima destas criaturas faz com que nenhum habitante da vila se arris-
que a entrar no bosque. Apesar dos constantes avisos de Edward Walker 
(William Hurt), o líder local, e de sua mãe (Sigourney Weaver), o jovem 
Lucius Hunt (Joaquin Phoenix) tem um grande desejo de ultrapassar os 
limites da vida rumo ao desconhecido. Lucius é apaixonado por Ivy Walker 
(Bryce Dallas Howard), uma jovem cega que também atrai a atenção do 
desequilibrado Noah Percy (Adrien Brody). O amor de Noah termina por 
colocar a vida de Ivy em perigo, fazendo com que verdades sejam revela-
das e o caos tome conta da vila. (http://www.adorocinema.com/filmes/
tempos-modernos/)
Direção: M. Night Shyamalan 
Gênero: Suspense
elenco: Bryce Dallas Howard , Joaquin Phoenix , Adrien Brody , William 
Hurt, Sigourney Weaver.
A sociologia de Karl Marx (1818 - 1883)
Nascimento 5 de maio de 1818
Falecimento 14 de março de 1883
Londres, Inglaterra
Nacionalidade Alemão
Ocupação Economista, filósofo, historiador, teórico po-
lítico e jornalista
O interesse de Marx em estudar as “leis do movimento” capitalista 
como um sistema econômico pode ter advindo, como sugere 
Giddens (1998), do fracasso dos levantes ocorridos na Alemanha 
em 1848, contra a estrutura econômica e social tradicional 
Fonte: http://utilika.org/pubs/
etc/aa/talk/marx.jpg
Figura 3 - Karl Marx
FILOSOFIA44
reinante. Quando comparada aos países capitalistas avançados, a 
Alemanha apresentava um atraso em termos de desenvolvimento 
econômico e um baixo grau de liberalização política. Era governada 
pela aristocracia fundiária, sob o poder econômico dos Junker, a 
burguesia nascente não detinha nenhum poder. Mas, em face às 
correntes de mudança política que vinham ocorrendo na Europa 
desde a Revolução Francesa, os intelectuais da época acreditavam 
que estas mudanças não tardariam a atingir a Alemanha. 
Imbuído nessa esperança, Marx teria começado seus escritos como 
uma antecipação da revolução alemã. Ao pensá-la, considerando o 
atraso alemão na sua estrutura política e econômica, como sugere 
Giddens, Marx teria problematizado o papel do proletariado na his-
tória. Devido a essa particularidade da Alemanha frente aos outros 
países, a emancipação só poderia ocorrer de forma radical, sendo 
fruto direto do proletariado: 
[...] uma classe que é a dissolução de todas as 
classes, uma esfera da sociedade que tem um 
caráter universal porque os seus males são univer-
sais (GIDDENS apud MARX, 1998, p. 78).
Mas parece que Marx não teria prestado atenção ao fato de que 
o proletariado, na Alemanha, ainda se encontrava em formação. 
Consciente disso, em 1847, como sugere Giddens (1998), ele teria 
reformulado, para este momento, o ator da história. Assim, a re-
volução iminente na Alemanha seria uma revolução burguesa, logo 
seguida da revolução proletária. Mas a inoperância dessa burguesia 
em busca do poder e sua disposição para desperdiçar suas poucas 
forças em conflitos prematuros com o proletariado, já indicavam o 
desfecho desse contexto, isto é, o fracasso dos levantes de 1848. 
Esse fracasso serviu para minar o otimismo de Marx, dos peque-
nos grupos socialistas e também dos liberais, que foram coagidos a 
aceitar medidas que apenas criavam a ilusão de democracia parla-
mentar, continuando, assim, o poder tradicional.Esses eventos marcaram a vida de Marx e despertaram o seu inte-
resse em entender e explicar a lógica desse novo sistema, o sistema 
capitalista que, na Alemanha, se instalou por meio de um processo 
totalmente diferente do ocorrido nos outros países europeus, como 
sinteticamente acabamos de mostrar.
SOCIOLOGIA GERAL | unIdAdE 3 45
Influências sobre o pensamento de Karl Marx
Marx, para analisar o sistema capitalista rompeu com o pensa-
mento dominante na época, particularmente com os economistas 
clássicos e os neo-hegelianos. Ele apresentou, efetivamente, a sua 
metodologia nas obras A Ideologia Alemã (1845-46) e Para a crítica 
da economia política (1859).
Marx, segundo Giddens (1998), começou seu desenvolvimento in-
telectual a partir da perspectiva da crítica da religião, derivada 
da radicalização de Hegel. É em A Ideologia Alemã que Marx de-
senvolve essa crítica, travando um diálogo irônico com os neo-
hegelianos, tratando com respeito apenas Feuerbach.
Para Marx o problema central do idealismo hegeliano estava no do-
mínio do pensamento sobre o mundo real, uma vez que para Hegel 
era o mundo das ideias, pensamentos e conceitos que produziam, 
determinavam e dominavam o mundo real dos homens. Essa visão 
era uma contraposição ao pensamento kantiano, que defendia o 
pressuposto de que o conhecimento se dá pela aparência do fenô-
meno apreendido pelos dos órgãos do sentido. 
Os novos hegelianos, em especial, F. Strauss, Max Stirner, Bruno 
Bauer e Feuerbach perceberam esse problema, mas não consegui-
ram superar o sistema hegeliano por acharem que bastaria criticar 
apenas um aspecto dessa filosofia, em vez de criticá-la em seu 
conjunto. Pautados nessa concepção, cada um deles tomou um as-
pecto da realidade e o converteu numa ideia universal, passando 
a deduzir todo o real a partir desse aspecto idealizado. Esse exer-
cício dar-se-ia pela substituição da consciência dominante, que 
continha os verdadeiros grilhões dos homens, por uma consciência 
nova revelada pelos filósofos. 
Feuerbach apresentava particularidades em relação a esse grupo. 
Ele teria “ido mais longe” na crítica ao sistema hegeliano. Sua 
filosofia assentava-se numa reversão ao idealismo de Hegel, a 
partir da elaboração de uma própria versão do materialismo. Para 
Feuerbach, “homem tinha que ser o homem real vivendo em um 
mundo material real” e não um Espírito Absoluto tratado por Hegel. 
A aplicação de sua teoria se deu na análise da religião, através da 
Os economistas clássicos 
representados principalmen-
te por Adam Smith, David 
Ricardo, John Stuart Mill, 
entre outros, compuseram 
a primeira escola moderna 
de pensamento econômico, 
denominada de Economia 
Clássica. A obra A Riqueza 
das Nações de Adam Smith 
é geralmente aceita como o 
marco inaugural do pensa-
mento econômico clássico. 
Seus conceitos giram em tor-
no da noção básica de que os 
mercados tendem a encon-
trar um equilíbrio econômico 
a longo prazo, ajustando-se 
a determinadas mudanças no 
cenário econômico (http://
pt.wikipedia.org/wiki/
Economia#Economia_cl.C3.
A1ssica).
FILOSOFIA46
demonstração de que o “divino era um produto ilusório do real, que 
Deus era uma projeção idealizada da humanidade”. Dessa forma, 
a “religião era uma ‘representação’ simbólica das aspirações do 
homem”, era, em última instância, uma alienação. Feuerbach, 
conclui que bastaria desmistificar a religião, colocando-a em um 
nível racional, para eliminar a autoalienação.
Marx critica essa leitura, ao afirmar que Feuerbach pecou em fa-
lar de um homem em abstrato, pois, para ele, o homem é um ser 
histórico que se faz diferentemente em condições históricas dife-
rentes. Com essa visão, Marx elimina a noção de uma “essência 
humana”. Além disso, a alienação religiosa era apenas um efeito de 
outra anterior, segundo Marx, que é a alienação do trabalho, é esta 
alienação que está na base de todas as outras. Defende ainda que 
o principal não é interpretar o mundo, mas transformá-lo (XI Tese).
A crítica aos economistas clássicos devia-se, sobretudo, ao fato 
destes aplicarem categorias relativas ao capitalismo em seus estu-
dos sobre períodos anteriores e criticava também a adoção de re-
presentações idealizadas sobre a realidade objetiva, como ponto 
de partida no processo de investigação. A população, por exemplo, 
não poderia funcionar como a referência inicial da investigação 
(sugerida pelos economistas clássicos), pois é “uma representação 
caótica do todo” e, se submetida a um processo de análise, produ-
ziria conceitos e abstrações simplificados.
Assim, Marx, como um intelectual da prática revolucionária, abo-
mina a separação entre a produção das ideias e as condições sociais 
e históricas nas quais essas ideias são produzidas, e seria nesse 
movimento de separação que se constitui a ideologia, no sentido 
marxista, isto é, falseamento da realidade. A intenção prática ou 
de um projeto transformador perpassa todo o pensamento deste 
autor. Para ele, a produção de um conhecimento puro, no sentido 
de construção de categorias atemporais com validade universal, 
não passava de abstrações inexpressivas e vazias, o pensar neces-
sariamente tem que estar relacionado historicamente. 
O termo ideologia foi criado por 
Destutt de Tracycom significando 
ciência das ideias. Posterior-
mente, esta palavra ganharia 
um sentido pejorativo quando 
Napoleão chamou De Tracy e 
seus seguidores de “ideólogos” 
no sentido de “deformadores da 
realidade”. No entanto, os pen-
sadores da antiguidade clássica 
e da Idade Média já entendiam 
ideologia como o conjunto 
de ideias e opiniões de uma 
sociedade. Karl Marx e Friedrich 
Engels na obra A Ideologia Alemã 
concebem a mesma como uma 
consciência falsa, proveniente 
da divisão entre o trabalho 
manual e o intelectual. Nessa 
divisão, surgiriam os ideólogos 
ou intelectuais que passariam a 
operar em favor da dominação 
ocorrida entre as classes sociais, 
por meio de idéias capazes de 
deformar a compreensão sobre 
o modo como se processam as 
relações de produção. Neste 
sentido, a ideologia (enquanto 
falsa consciência) geraria a 
inversão ou a camuflagem da 
realidade, para os ideais ou 
interesses da classe dominante 
(http://pt.wikipedia.org/wiki/
Ideologia).
SOCIOLOGIA GERAL | unIdAdE 3 47
Objeto de estudo 
Visando o pressuposto da transformação da realidade Marx define 
como objeto de estudo as estruturas sociais, enquanto as “relações 
de produção que estruturam classes sociais em conflito e distribuem 
desigualmente o poder na sociedade” (PRATES, 1991, p. 22). Para 
ele, a compreensão do processo histórico está condicionada à 
compreensão da estrutura das sociedades, das forças de produção 
e das relações de produção, e não adotando como ponto de 
partida as interpretações do modo de pensar dos homens. Tais 
relações são necessárias e independentes da vontade dos homens. 
São necessárias porque garantem a manutenção e a reprodução 
dos homens e, consequentemente, da própria sociedade. 
O conjunto dessas relações de produção constitui a estrutura 
econômica da sociedade, a base concreta sobre a qual se ergue 
a superestrutura jurídica e política e à qual correspondem formas 
de consciências sociais determinadas. “O modo de produção da 
vida material condiciona o processo de vida social, política e 
intelectual geral” (Prates, 1991, p.167).
A análise da sociedade e principais conceitos marxistas
Marx afirmou que toda sociedade é formada por dois níveis de es-
truturas distintas: a base econômica, chamada de infraestrutura, 
e a superestrutura.
A Infraestrutura é constituída essencialmente pelas forças e pelas 
relações de produção (pelo conjuntodo equipamento técnico e pela 
organização do trabalho utilizados no processo produtivo, bem como 
pela forma da distribuição dos meios de produção e do produto);
A superestrutura é constituída pelas instituições jurídicas e políti-
cas, como também pelos modos de pensar, pelas ideologias e filo-
sofias, que vão expressar os interesses dos que dominam o sistema 
econômico, uma vez que, segundo Marx: 
[...] a estrutura social e o Estado resultam con-
stantemente do processo vital de indivíduos deter-
minados; mas não resultam daquilo que esses in-
FILOSOFIA48
divíduos aparentam perante si mesmos ou perante 
outros e sim daquilo que são na realidade, isto é, 
como trabalham e produzem materialmente (QUIN-
TANEIRO apud MARX, 2002, p. 36).
Porque na produção da vida, os homens criam não só os produtos 
materiais, mas também as suas representações, ideias, sistemas 
legais, processos educacionais etc.
Esta análise da sociedade centrada no funcionamento e desenvol-
vimento do sistema econômico está pautada na Teoria Materialista 
da História, expressa no conceito de modo de produção, o qual 
variará conforme as formas e as relações de produção adotadas 
no decorrer da história, que moldaram o desenvolvimento da vida 
social, política e intelectual. 
Para Marx, o motor do movimento histórico é a contradição entre 
as forças de produção (conjunto dos conhecimentos científicos, 
dos equipamentos técnicos e da própria organização do trabalho) 
empregadas pelos homens em cada momento da história para a 
obtenção de bens necessários para a sobrevivência e as relações 
de produção (as relações de propriedade e a distribuição da renda) 
que expressam como os homens se organizam para produzir e 
consumir essa produção em cada momento da história. 
Ordenamento jurídico, 
ideologias, religião, crenças, 
cultura
Estrutura econômica: relações 
de produção, relações de 
troca, meios de produção, 
unidades de produção
Características sociais
SUPERESTRUTURA
INFRAESTRUTURA
Materialidade
A teoria marxista é considerada 
materialista por compreender 
os modos de produção (rela-
ções de produção, processos 
produtivos, técnicas de produ-
ção, relações de troca) como 
substrato material em que a 
história acontece, em que a 
história é construída.
SOCIOLOGIA GERAL | unIdAdE 3 49
A contradição que caracteriza a sociedade capitalista é dada pela 
constante evolução das forças produtivas, enquanto que as rela-
ções de produção não se transformam no mesmo ritmo. Isso gera 
uma segunda contradição ou dialética, que é, por um lado, o au-
mento cada vez maior de riqueza, e, por outro, o aumento da mi-
séria, uma vez que a riqueza gerada fica concentrada nas mãos 
dos proprietários dos meios de produção e não é distribuída entre 
a burguesia e o proletariado, entre o capitalista e o trabalhador 
(ARON, 2000, p. 131).
Assim, o caráter contraditório do capitalismo se manifesta no cres-
cimento dos meios de produção, que em vez de elevar o nível de 
vida dos trabalhadores, leva a um duplo processo de proletarização 
e pauperização (ARON, 2000, p. 131).
Essa contradição entre aumento de riqueza e aumento de pauperi-
zação demarca a principal característica da sociedade capitalista 
que é o seu antagonismo interno. Esse antagonismo, por sua vez, 
vai se expressar no que ele denominou de luta de classes. 
Para Marx, uma classe social é um grupo que ocupa um lugar de-
terminado no processo de produção. Embora Marx reconheça que 
existam grupos intermediários (camponeses, artesãos, profissionais 
liberais etc), enfatiza que, na sociedade capitalista, encontra-se 
um movimento de consolidação das relações sociais em apenas (e 
somente) duas classes: a que possui a propriedade dos meios de 
produção e da organização do trabalho, denominada por ele capi-
talista ou burguesia; e aquela que é desprovida dos meios de pro-
dução, restando-lhe apenas a sua força de trabalho, o proletariado 
ou assalariado. Essas duas classes, segundo Marx, tenderão atrair 
para seu polo os outros grupos que compõem a sociedade. 
A luta de classes trabalhada por Marx na obra Manifesto Comunista 
(1848) é o fato mais importante da sociedade moderna, sendo 
as classes os principais atores do drama histórico, na medida 
em que o conflito existente entre elas relaciona-se diretamente 
com a possibilidade da mudança social e, consequentemente, 
com a superação das contradições existente. Esta mudança será 
desencadeada pela classe que se encontra em desvantagem, isto 
é, o proletariado. Mas, para que uma classe exista é preciso que 
FILOSOFIA50
haja uma tomada de consciência da sua unidade e sentimento de 
separação da outra classe social, haja vista que são, por princípio 
antagônicas, com interesses divergentes. Em termos conceituais 
é preciso que a classe em si (membros de uma sociedade que 
compartilham determinadas condições objetivas ou a mesma posição 
no processo produtivo) se consolide enquanto uma classe para si 
(classe organizada politicamente para defender conscientemente 
seus interesses). 
Essa tomada de consciência, denominada por Marx de consciência 
de classe, é um desdobramento da realidade social vivida, uma 
vez que é a realidade social que determina a consciência dos ho-
mens e não o contrário (oposição ao idealismo hegeliano). É essa 
consciência de classe que leva à formação de associações políticas, 
tais como sindicatos e partidos, que objetivam a união solidária 
entre seus membros, visando defender seus interesses (QUINTANEI-
RO, 2007, p. 44), e no caso do proletariado, visando, sobretudo, 
combater seus exploradores. Cabe ressaltar que a burguesia já as-
sumira essa posição de desencadeadora da transformação (sistema 
feudal para o capitalista). 
Dessa forma, a sociologia de Marx é uma análise dialética das rela-
ções entre as forças produtivas materiais, os modos de produção, 
os quadros sociais e a consciência dos homens, logo é uma análise 
pautada na determinação do todo social, na qual o ator principal é 
um ator coletivo, a classe. 
Portanto, a concepção do capitalismo e da história feita por Marx 
está associada à combinação dos conceitos de forças de produção, 
relações de produção, luta de classes, consciência de classes, in-
fraestrutura e superestrutura.
E assim, Marx esboça as etapas da história humana a partir 
dos regimes econômicos, em seu termo a partir do modo de 
produção (do tipo de relações estabelecidas entre os homens que 
trabalham), as quais seriam quatro, sendo as três primeiras as que 
se sucederam na história ocidental: a antiga caracterizada pela 
relação de escravidão, a feudal pela servidão e a burguesa pelo 
assalariamento. Sendo esta o último modo de produção, que se 
constituiu a partir da subordinação dos trabalhadores por um grupo 
SOCIOLOGIA GERAL | unIdAdE 3 51
detentor da propriedade dos meios de produção e do poder político, 
que, seguindo a lei do desenvolvimento histórico será sucedido, 
por sua vez, pelo modo de produção socialista.
Karl Marx: produção e reprodução da vida material
Para Marx, a essência do capitalismo é, antes de tudo, a busca pelo 
lucro, ideia que ele desenvolverá na sua obra principal denominada 
O Capital. Mas, qual a origem do lucro?
Marx acreditava que a fonte do lucro estava no processo de pro-
dução e de troca (circulação) de mercadoria, entendida como a 
unidade analítica mais simples e expressão mais elementar da ri-
queza da sociedade capitalista. Explica, também, como produto-
res e comerciantes lucram a partir da teoria do valor e da teoria 
da mais-valia.
Processo de construção do lucro
Para Marx o lucro se concretiza na circulação da mercadoria que é,na sua definição:
[...] um objeto externo, uma coisa que, por suas 
propriedades, satisfaz necessidades humanas, seja 
qual for a natureza, a origem delas, provenham do 
estômago ou da fantasia. Não importa a maneira 
como a coisa satisfaz a necessidade humana, se 
diretamente, como meio de subsistência, objeto 
de consumo, ou indiretamente, como meio de 
produção (MARX, 1998, p. 57).
A mercadoria carrega consigo um duplo valor relacionado à quali-
dade e quantidade do bem. Esses valores são denominados de valor 
de uso e valor de troca.
O valor de uso é referente às características intrínsecas do bem, 
relativas à sua utilidade (o que desperta a demanda por ela). Assim, 
o valor de uso de uma mercadoria é importante para que ela seja 
procurada no mercado, para que ela seja desejada, porém esse 
valor é difícil de ser quantificável e varia conforme as pessoas, já 
que os interesses e gostos são individuais. 
O Capital é um conjunto de li-
vros (sendo o primeiro de1867, 
o único publicado por Karl 
Marx, os livros II e III foram 
publicados postumamente por 
Engels a partir dos manuscri-
tos não terminados por Marx) 
que visa criticar o capitalismo 
desvelando-o. Muitos con-
sideram essa obra o marco 
do pensamento socialista 
marxista. Nesta obra existem 
muitos conceitos econômicos 
complexos, como mais valia, 
capital constante e capital 
variável, uma análise sobre o 
salário; sobre a acumulação 
primitiva, resumindo, sobre 
todos os aspectos do modo de 
produção capitalista, incluindo 
uma crítica exemplar sobre 
a teoria do valor-trabalho de 
Adam Smith e de outros assun-
tos dos economistas clássicos 
(http://pt.wikipedia.org/
wiki/O_Capital).
FILOSOFIA52
O valor de troca é relativo à quantidade do bem. É o que deter-
mina quanto (quantitativamente) de uma mercadoria X (com sua 
qualidade específica) será trocada por uma mercadoria Y (que tem 
outra qualidade, isto é, que tem outro valor de uso). O valor de 
troca é o ponto de equivalência entre as mercadorias e esse valor 
se expressa no preço.
Marx vai dizer que esse ponto de interseção entre as mercadorias 
expresso no seu valor de troca, ou seja, no preço, reside objeti-
vamente na quantidade média de trabalho humano despendido 
para a sua produção. Isto é, trabalho que está inserido, integrado, 
cristalizado no produto.
Assim, a quantidade de trabalho é o único elemento quantificável 
descoberto na mercadoria para se comparar, por exemplo, o uso de 
uma caneta com o de uma bicicleta. Trata-se de dois usos estrita-
mente subjetivos e, sob esse aspecto, não podem ser comparáveis 
um com o outro. Portanto, o único valor quantificável é a quantida-
de do trabalho que foi empregado na produção de cada uma delas.
Mas como medir a grandeza do valor do trabalho humano? 
Segundo Marx, pelo tempo de sua duração, por frações do tempo, 
como hora, dia etc.
Problema... vamos pensar um pouco?
Se o valor de uma mercadoria é determinado pela quantidade de 
tempo de trabalho gasto durante sua produção, quanto mais pre-
guiçoso e inábil for um ser humano, maior será o valor da merca-
doria produzida por ele?
Não, porque o trabalho que constitui a substância dos valores é o 
trabalho humano homogêneo, dispêndio de idêntica força de traba-
lho. Portanto, é o tempo de trabalho socialmente necessário para 
produzir-se um valor de uso qualquer, nas condições de produção 
socialmente normais existentes e com o grau social médio de des-
treza e intensidade do trabalho. 
SOCIOLOGIA GERAL | unIdAdE 3 53
Exemplificando
Marx, para exemplificar na prática, recorreu à introdução do tear 
a vapor na Inglaterra:
Na Inglaterra, após a introdução do tear a 
vapor, o tempo empregado para transformar 
determinada quantidade de fio em tecido diminuiu 
aproximadamente a metade. O tecelão inglês 
que então utilizasse o tear manual continuaria 
gastando, nessa transformação, o mesmo tempo 
que despendia antes, mas o produto de sua hora 
individual de trabalho só representaria meia hora 
de trabalho social, ficando o valor anterior de seu 
produto reduzido à metade (MARX, 1998, p. 61). 
Portanto, o tempo de trabalho requerido na produção de uma mer-
cadoria muda com qualquer variação na produtividade do trabalho 
(grau de desenvolvimento científico e tecnológico, organização so-
cial do processo de produção, volume e eficácia dos meios de pro-
dução, as condições naturais e destreza média dos trabalhadores).
E o valor do trabalho, como é medido? 
Ele pode ser medido como o valor de qualquer mercadoria, uma 
vez que a força de trabalho é uma mercadoria como outra qual-
quer, embora ela apresente uma particularidade: ser paga pelo seu 
valor e ao mesmo tempo produzir mais que o seu valor.
O salário pago pelo capitalista ao trabalhador assalariado, como 
contrapartida da força de trabalho que este lhe vende, equivale 
à quantidade de trabalho social necessário para produzir merca-
dorias indispensáveis à reprodução da vida do trabalhador e de 
sua família. Observem, não se trata exatamente da quantidade de 
tempo de trabalho necessário para produzir um trabalhador, mas 
é a quantidade de tempo de trabalho necessário para produzir o 
valor das mercadorias que o operário e sua família necessitam para 
sobreviver (ARON, 1999, p. 141). 
O tempo de trabalho necessário para o operário produzir um valor 
igual ao que recebe sob forma de salário é inferior à duração 
efetiva do seu trabalho. O operário produz, por exemplo, em 
quatro horas um valor igual ao que está contido no seu salário, mas 
FILOSOFIA54
na verdade ele trabalha oito horas (jornada de trabalho brasileira 
por dia). Essas quatro horas restantes o trabalhador produz para o 
seu patrão. Assim, o assalariado trabalha metade do tempo para si 
mesmo e a outra metade para o dono da empresa.
A jornada de trabalho é dividida em duas, uma parte é destinada 
para produzir o valor cristalizado no salário, chamada de trabalho 
necessário, e a outra é chamada de sobretrabalho. Essa diferença 
de tempo que sobra, isto é, o valor produzido durante o sobretra-
balho chama-se, segundo Marx, mais-valia.
Assim, a mais-valia é a quantidade de valor produzido pelo tra-
balhador além do tempo de trabalho necessário para produzir um 
valor igual ao que recebe sob forma de salário.
A taxa de exploração do trabalhador pelo patrão é definida pela 
relação entre mais-valia e o capital variável, isto é, o capital que 
corresponde ao pagamento do salário. Quanto maior for a taxa de 
mais-valia, maior será a taxa de exploração. Assim, a mais-valia 
que se opera à custa dos assalariados é fruto da exploração destes, 
e é a fonte de lucro do capitalista. Sendo que este lucro se mate-
rializará na circulação da mercadoria.
Para Marx existem dois tipos de troca:
Um que vai da mercadoria para mercadoria, passando ou não pelo 
dinheiro. É a troca imediatamente humana, mas que não gera lu-
cro ou excedente, uma vez que trocamos um bem que não tem 
utilidade para nós por outro que precisamos para satisfazer algu-
ma necessidade. M-D-M (Mercadoria- Dinheiro- Mercadoria) (MARX, 
1998, p. 133). Nesse caso, a venda da mercadoria é para o produtor 
adquirir em seguida outra mercadoria que necessita, não há sobra 
na troca. Nas palavras de Marx (1998, p.180):
O circuito M-D-M tem por ponto de partida uma 
mercadoria e por ponto final outra mercadoria que 
sai da circulação e entra na esfera do consumo. Seu 
objetivo final, portanto, é o consumo, satisfação 
de necessidades, em uma palavra valor-de-uso.
Contudo, há um segundo tipo de troca, que vai do dinheiro ao 
dinheiro, passando pela mercadoria, sendo que no final da troca 
SOCIOLOGIA GERAL | unIdAdE 3 55
haverá umaquantidade superior de dinheiro do que a empregada 
no início. É essa troca que caracteriza o capitalismo. D-M-D 
(Dinheiro-Mercadoria-Dinheiro) (MARX, 1998, p. 181). Nesse caso, 
a um excedente de dinheiro. Nas palavras de Marx: 
[...] a forma completa desse processo é, D-M-D’, 
em que D’= D + ∆D, isto é, igual a soma de dinheiro 
originalmente adiantada mais um acréscimo. A esse 
acréscimo ou o excedente sobre o valor primitivo 
chamo de mais-valia (1998, p. 181).
Assim, no capitalismo, o empresário não passa uma mercadoria que 
é inútil para ele para outra que lhe é útil, mas um investimento de 
capital inicial para um acréscimo de capital no final do processo. 
Portanto, a essência da troca capitalista consiste em passar do di-
nheiro ao dinheiro, passando pela mercadoria. 
Dessa forma, Marx expõe a origem do lucro e o modo como um 
sistema econômico em que tudo se troca de acordo com seu valor, 
pode, ao mesmo tempo, produzir lucro para os empresários (ARON, 
1999, 142), isto é, a teoria da mais-valia. 
A lei brasileira do salário mínimo pode ser entendida en-
quanto uma aplicação da proposição de Marx para a teoria 
do valor do trabalho?
Uma das características do Brasil é a persistência de eleva-
dos níveis de desigualdade social ao longo de sua história 
recente. Essa desigualdade manifesta-se de várias formas e 
estrutura boa parte das relações sociais da população bra-
sileira (ENADE 2008). Discuta essa afirmação recorrendo à 
teoria marxista.
Explique porque Marx afirmava que “é a base econômica 
que determina tanto a forma jurídica quanto política e ide-
ológica da sociedade”. 
1
2
3
FILOSOFIA56
Karl Marx considerava o capitalismo apenas como um sis-
tema econômico, sem considerar seus efeitos sobre fenô-
menos tais como ciência, tecnologia, ideologia, política? 
(Questão baseada na prova do ENADE 2008).
qUASE DOIS IRMÃOS (2005)
SinopSe: o filme narra a história de vida de dois personagens que 
constantemente se cruzam. Miguel, filho de médico, frequentava o morro 
por causa da amizade de seu pai com sambistas, como o pai de Jorge. Quando 
crianças brincavam juntos embalados ao som do único elemento do filme 
que propicia uma possível conciliação de classe: o samba. Miguel e Jorge 
cresceram e cada um seguiu seu rumo, até se reencontrarem duas vezes na 
cadeia, primeiro como companheiros de cela e, depois, um de cada lado das 
grades: Jorge, prisioneiro e traficante, e Miguel, livre e já deputado.
Direção: Lúcia Murat
Gênero: Drama
elenco: Werner Shünemann (Miguel), Antônio Pompeo (Jorginho), Maria 
Flor (Juliana), Fernando Alves Pinto (Peninha), Babu Santana (Pingão), 
Luís Melodia, Flávio Bauraqui (Jorginho - anos 70), Jefchander Lucas, 
Caco Ciocler (Miguel - anos 70), Renato de Souza (Deley), Marieta 
Severo (Helena), Seu Jorge.
4
SOCIOLOGIA GERAL | unIdAdE 3 57
Fonte: http://filipspagnoli.
files.wordpress.com/2009/11/
max-weber.jpg
Enfoque individualista
A sociologia de Max Weber (1864-1920)
Nascimento 21 de abril de 1864 em Erfurt, Turíngia
Falecimento 14 de junho de 1920
Munique
Nacionalidade Alemão
Ocupação Economista, sociólogo e filósofo
Max Weber, intelectual alemão de formação jurídica e econômica, 
teve seu pensamento marcado, sobretudo, por uma tensão entre a 
herança materna (religiosidade protestante e dedicação ao mundo 
da ciência) e a paterna (busca de poder e uma vida de negócios 
públicos) (SCAFF, 1996, p. 34).
A política sempre esteve presente na vida de Weber. Filho de 
um proeminente membro do Partido Nacional-Liberal dedicou 
seus primeiros estudos acadêmicos à propriedade da terra na 
Roma antiga. Investigando as tensões que se desenvolveram 
entre a economia agrária das grandes propriedades fundiárias 
e o comércio e a manufatura emergente, acabou encontrando 
insights para alguns problemas da Alemanha contemporânea, isto 
é, a sua transição para o capitalismo industrial dentro de uma 
ordem social e política autocrática semifeudal, fundada no poder 
dos latifundiários Junker, numa burocracia de função civil com um 
corpo de funcionários que contrastava com as constituições mais 
liberais (GIDDENS, 1998, p. 30 – 33).
Para Weber, segundo Giddens (1998, p. 32), os Junkers eram uma 
classe em decadência, que não poderia continuar monopolizando 
a política alemã. Mas, por outro lado, não existia uma classe com 
maturidade política para guiar os destinos de um Estado moder-
no. Nem a classe trabalhadora nem a burguesia tinham capacidade 
para assumir a liderança na Alemanha. A primeira em virtude de ser 
Figura 4 - Max Weber
FILOSOFIA58
conduzida por um grupo (jornalistas) que não tinha vínculo orgâni-
co com os seus representados; e a segunda, pelo seu passado apo-
lítico, era um grupo passivo. Apesar disso, caberia a esta burguesia 
economicamente próspera, a tarefa de desenvolver uma consciên-
cia política adequada para assumir a liderança da nação no futuro.
Weber teria se dedicado a estimular a construção dessa consciência 
política liberal. Esse teria sido um dos motivos subjacente A ética 
protestante e o espírito do capitalismo (1904-1905), ensaio no qual 
procura identificar as fontes históricas desse tipo de “consciência 
burguesa” e do próprio capitalismo moderno. Seus outros trabalhos 
sobre epistemologia e metodologia, por exemplo, também refle-
tem problemas políticos e/ou pessoais que o afligiam.
Max Weber ficou marcado na sociologia por ser considerado precur-
sor do estudo da Ação Social ou da Compreensão, ou seja, o sentido 
e o significado que os indivíduos dão às suas ações em sociedade. 
A sociologia weberiana é também conhecida como teoria da ação 
social, e tem como base a formação de tipos ideais: conceitos e 
exemplos imaginários. 
O corpo teórico-metodológico de Weber
Para Weber, as ciências humanas são animadas e orientadas por 
questões que os cientistas dirigem à realidade. O interesse das 
respostas depende amplamente do interesse das questões. Neste 
sentido, “[...] não é mau que os sociólogos que estudam a política 
se interessem pela política, e que os sociólogos da religião tenham 
interesse pela religião” (WEBER apud ARON, 2000, p. 456). 
Essa sua posição sobre a “ciência” é bastante ilustrativa. Ele 
acreditava, segundo Scaff (1996, p. 39-40), que a ciência 
experimental ocidental moderna era historicamente e 
culturalmente determinada e assim como toda atividade humana é 
um produto de uma concatenação específica de circunstâncias, não 
sendo, portanto, só uma busca enraizada na natureza das coisas. 
Mas, mesmo assim, ainda é a ciência o melhor meio para se buscar 
a “verdade” sobre nós mesmos, nossa história e o nosso possível 
futuro, porque seu produto é válido na medida em que é formulado 
SOCIOLOGIA GERAL | unIdAdE 3 59
por meio de métodos críticos, autocorretivos e padrões racionais 
de questionamentos, sem, contudo, perder de vista que este é 
provisório por estar condicionado por valores culturais, interesses 
pessoais e desenvolvimentos históricos. 
Essa concepção de ciência como um “devenir da ciência”, isto é, 
o desprezo às proposições relativas ao sentido último das coisas, 
tendendo a um objetivo situado no infinito e renovando sem cessar 
as indagações dirigidas à natureza (ARON, 2000), elaborada por 
Weber, retrata uma mudança de foco, no qual a ciência deixa de 
ser pautada numa busca ontológica das coisas, para assumir um 
caráter epistemológico.
A nova concepção de ciência tanto serve para as ciências da natu-
reza como, e principalmente, para as ciências humanas ou sociais. 
Para Weber, a relação entre os dois tipos de ciência, tão debatida 
no mundo acadêmico, não se pautava nas questões alegadaspelo 
positivismo de Comte, no qual as ciências sociais seriam simples 
aplicação das pressuposições e métodos das ciências naturais ao 
estudo dos seres humanos (GIDDENS ,1994), e que, portanto, não 
havia diferença. Nem tampouco, adota a visão de seus contempo-
râneos Rickert e Windelband, para os quais as ciências naturais e 
culturais seriam de ordens completamente diferentes. Para estes, 
os métodos das ciências naturais – que privilegiariam os caracteres 
gerais dos fenômenos e o estabelecimento de relações regulares ou 
necessárias entre eles, visando a uma construção de um sistema de 
leis ou de relações cada vez mais gerais – , não seriam aplicáveis ao 
estudo do universo das ações humanas, cabendo a este recorrer a 
processos inexatos e intuitivos (ARON,2000; GIDDENS ,1994). Dessa 
forma, para estes dois filósofos, segundo Cuin;Gresle (1994, p. 76), 
“as ciências se distinguem umas das outras não por seu conteúdo, 
e sim pelo tratamento que dão a seu objeto”.
Weber reconhece que há uma diferenciação entre os dois campos 
científicos e que esta se centra na particularidade do objeto de 
conhecimento das ciências sociais, que é a ação social. Porém, 
esse fato não relega a objetividade nas ciências sociais, nem obriga 
a substituição de uma análise causal por uma intuitiva, como 
solicitava Rickert.
Segundo o positivismo de 
Comte “as ciências se ordena-
riam segundo uma hierarquia 
empírica lógica, na qual cada 
ciência dependeria da emer-
gência histórica prévia da que 
é imediatamente inferior na 
hierarquia” (GIDDENS, 1994, 
p. 191).
Heinrich Rickert e Wilhelm Win-
delband foram uns dos maiores 
representantes da Escola 
Neokantiana de Baden. Eles 
defendiam que tanto as ciências 
naturais, quanto as culturais 
e a história poderiam ter seus 
fundamentos conceituais anali-
sados criticamente. Windelband 
considerou que há dois tipos de 
ciências: as nomotéticas que se 
preocupam em estabelecer leis 
universais e as ideográficas que 
visam descrever os fatos his-
tóricos e singulares, incluindo 
o estudo dos indivíduos Cuin e 
Gresle (1994). 
FILOSOFIA60
Weber acredita que a intuição nas ciências sociais ocupa o mesmo 
lugar que nas ciências naturais e que as proposições das primeiras 
são de fato proposições que não pretendem atingir verdades essen-
ciais, mas, nem por isso, deixam de tratar de fatos observáveis, 
visando atingir uma realidade definida, isto é, a conduta humana, 
na significação que os próprios atores lhe dão. 
Embora Weber enfatize a interpretação compreensiva do sentido 
subjetivo da ação humana, como o objetivo das ciências sociais, 
especificamente da sociologia, ele reconhece a importância e a 
necessidade de uma explicação causal. Para ele, “[...] a análise 
das determinações causais é um dos procedimentos que garantem 
a validade universal dos resultados científicos” (WEBER apud Aron, 
2000, p. 458).
Em se tratando de ciências sociais, Weber determina como regra 
da metodologia causal a construção da individualidade histórica do 
fenômeno, ao qual o cientista pretende determinar as causas. Em 
seguida, o cientista deve, a partir de uma abstração, construir uma 
experiência mental, na qual ele questiona: o que teria acontecido 
se um dos elementos co-determinantes do acontecimento real não 
tivesse presente ou se sofresse uma modificação numa determi-
nada direção, o curso dos acontecimentos, obedecendo a regras 
empíricas gerais, ter-se-ia orientado de maneira diferente?
Foi com esse procedimento que Weber construiu sua análise do sur-
gimento do capitalismo moderno. Sua questão era saber por que o 
capitalismo – produção para o mercado, separação da empresa do 
local de moradia, a organização racional da mão-de-obra formal-
mente livre, meios técnicos de contabilidade, cálculo racional de 
lucros para reinvestimento – só surgiu no Ocidente. 
Em busca de uma resposta para essa questão, Weber estabeleceu 
uma relação entre economia e religião, na sua obra A Ética Protes-
tante e o Espírito do Capitalismo. Nesta obra, Weber sugeriu que 
o moderno capitalismo ocidental foi possível em virtude da:
[...] capacidade e disposição dos homens em adotar 
certos tipos de conduta racional. Onde elas foram 
obstruídas por obstáculos espirituais, o desenvolvi-
mento de uma conduta econômica também tem 
SOCIOLOGIA GERAL | unIdAdE 3 61
encontrado uma séria resistência interna. Porque 
outros tipos de (...) racionalizações têm existido 
em todas as culturas, nos mais diversos setores e 
de tipos mais diferentes (WEBER, 1994, p. 11).
Sugere ainda que essa conduta racional teria sido despertada por 
uma ascese religiosa, característica das seitas protestantes, espe-
cialmente do Calvinismo, tendo em vista que a sua doutrina da pre-
destinação, dá-se “[...] por decreto de Deus, para manifestação de 
sua glória, alguns homens e anjos são predestinados à vida eterna 
e outros são predestinados à morte eterna” (WEBER, 1994, p. 69).
Assim, estava eliminada qualquer possibilidade de salvação por 
meios mágicos como superstição ou pecado, criando nos homens 
uma necessidade de intensificação da atividade profissional (enten-
dida como vocação), na medida em que somente o sucesso econômi-
co, advindo do trabalho honesto, poderia indicar a escolha de Deus.
Teria sido, portanto, essa ética religiosa voltada para o trabalho e 
o autocontrole, orientada para o agir aqui e agora, presente nos 
dogmas protestantes, uma das razões para a emergência e sucesso 
do capitalismo no ocidente. Weber deixa evidente essa conclusão 
quando fala que “[...] à medida que se foi estendendo a influência 
da concepção de vida puritana [...] ela favoreceu o desenvolvimento 
de uma vida econômica racional e burguesa” Webber (1994, p. 125). 
Embora tenha sido a chamada consequência não pretendida da 
ação, Brubaker (1991) afirma que, para Weber, o desenvolvimento 
do moderno capitalismo pressupôs, por um lado uma racionaliza-
ção “externa” do meio ambiente, racionalização esta marcada por 
avanços tecnológicos, pela administração burocrática, pelo aparato 
legal (Direito); por outro, uma racionalização interna e uma racio-
nalização da personalidade, que promoveram uma transformação 
nas atitudes tradicionalistas em relação ao trabalho, as quais eram 
o maior obstáculo interno ao desenvolvimento do capitalismo mo-
derno. Tendo-se em mente que o trabalho era visto pelo catolicismo 
como um castigo de Deus “... comei o pão com o suor do teu rosto”. 
Assim, a racionalização no âmbito da ciência, tecnologia, 
direito e administração criou um ambiente externo calculável; a 
racionalização no âmbito da religião, chamada de secularização 
FILOSOFIA62
ou desencantamento do mundo e da ética criou uma reorientação 
interna, disciplinando o indivíduo e centrando-o no trabalho. Com 
a reunião dessas racionalizações, estavam dadas as pré-condições 
indispensáveis para o desenvolvimento do moderno capitalismo, 
que, para Weber, tem como característica a racionalização em 
todas as esferas da vida social. 
Desse modo, Weber concluiu que há uma “afinidade eletiva” entre 
certas crenças calvinistas e a ética econômica da atividade capi-
talista moderna. E, com essa conclusão, Weber mostrou que não 
há uma determinação unilateral do conjunto da sociedade por um 
elemento, seja ele econômico, como defendia Marx, político ou 
religioso. A relação causal estabelecida dessa forma é parcial e 
não global, pois comporta um caráter de probabilidade, e não de 
determinação necessária.
Essa noção da relação causa/efeito expressa a importância que 
Weber atribui à singularidade dos fenômenos estudados, sem per-
der o seu interesse por proposições de carátergeral:
As ciências da realidade humana só são ciências na 
medida em que são capazes de formular proposições 
gerais, mesmo quando buscam compreender o 
singular (WEBER apud ARON, 2000, p. 464).
Para atingir formulações gerais, Weber concebeu aquilo que se tor-
nou o centro da sua doutrina epistemológica, isto é, o conceito de 
tipo ideal.
Tipo ideal é um instrumento criado por Weber para facilitar a com-
preensão de questões empíricas, tendo em vista que os conceitos 
empregados pelas ciências sociais não podem ser diretamente de-
rivados da realidade, uma vez que esta é confusa e obscura. Assim, 
cabe aos sociólogos a tarefa de: 
[...] tornar inteligível até o limite o que não o foi, 
de fazer aparecer o sentido daquilo que foi vivido 
sem que o sentido tenha sido consciente aos que o 
viveram (WEBER apud ARON, 2000, p. 465).
Para tal é necessário fazer uma abstração e combinação de um nú-
mero indefinido de elementos que, embora extraídos da realidade, 
dificilmente serão encontrados sob essa forma específica. 
SOCIOLOGIA GERAL | unIdAdE 3 63
Por isso, o tipo ideal não é uma descrição da realidade que se dá 
por meio de uma síntese abstrata de traços comuns a numerosos 
fenômenos concretos, nem uma hipótese é um tipo puro num sen-
tido lógico, sem ser um exemplar da realidade.
O tipo ideal como um instrumento utilizado para facilitar a 
compreensão da realidade foi exemplarmente empregado em A 
Ética Protestante, quando Weber seleciona, dos escritos de vários 
autores históricos, características da ética calvinista que foram 
importantes na constituição do espírito do capitalismo. 
A noção de tipo ideal expressa a tendência da sociedade capitalista 
moderna para a racionalização. Segundo Weber, a principal carac-
terística da vida moderna é o processo crescente de racionalização 
em todas as suas esferas, mas este seria, também, o seu grande 
problema.
A radicalização da racionalidade (chamada por Weber de racionali-
dade formal), por meio, principalmente da burocracia, seria algo 
quase que inevitável e seria esse movimento o acontecimento de 
desarticulação da ordem social moderna.
Racionalização e burocratização
À proporção que a burocracia racional se expande, a democracia 
consolida-se. Esta afirmação sintetiza o que Weber prevê como im-
portância da burocratização das instituições sociais. Mas por que 
burocracia seria sinônimo de democratização? Vejamos.
Segundo Weber o quadro administrativo das sociedades racionais 
(baseadas na dominação legal ou racional) é constituído de um cor-
po qualificado de profissionais que adentram nas organizações a 
partir da aprovação em provas de capacidades e mérito. Desta ma-
neira, o quadro burocrático racional corresponderia a um corpo de 
funcionários qualificados pelo mérito. Isso quer dizer que em uma 
sociedade racionalizada, os quadros de funcionários seriam forma-
dos pelos indivíduos mais competentes, pois os critérios de escolha 
seriam regidos por uma meritocracia legal.
Fonte: http://www.guardianboat.
com.br/5feira/burocracia.jpg
Figura 5
FILOSOFIA64
Um exemplo bem claro deste processo de racionalização na so-
ciedade brasileira atual são os frequentes processos de concurso 
público para adentrar na carreira em instituições estatais. 
Características do quadro profissional da burocracia racional
Burocracia é um mecanismo desenvolvido pela sociedade moderna 
para o controle e coordenação das atividades humanas nas 
organizações. Devido à diversidade de organizações que existe no 
mundo moderno, Weber identificou e classificou os traços gerais 
que caracterizam um tipo ideal de estrutura burocrática. Assim, as 
características burocráticas essenciais são:
1- Posições	 ou	 cargos	 cuidadosamente	 definidos, isto é, 
todos os cargos, em princípio, existem independentemente 
dos titulares, os papéis burocráticos são estabelecidos 
formalmente e podem ser exercidos por quem quer que 
possua as qualificações apropriadas;
2 - Uma nítida hierarquia de autoridade, isto é, as tarefas 
na organização são distribuídas como deveres oficiais, com 
limites nítidos de autoridade e responsabilidade. Uma 
burocracia parece-se com uma pirâmide, residindo a mais 
alta autoridade no topo, existindo, ainda, uma cadeia de 
comando que se estende do topo à base e torna possível a 
coordenação da tomada de decisões. Cada funcionário de 
nível mais alto controla e supervisiona o seu subordinado 
imediato;
3 – A	 seleção	 do	 pessoal	 é	 pautada	 nas	 qualificações	
técnicas	 ou	 profissionais, isto é, os cargos burocráticos 
são ocupados, em princípio, por pessoas que demonstram 
competência para cumprir as obrigações requeridas. Isso 
contrasta com organizações não burocráticas, nas quais 
alguns status podem ser ocupados com base em relações 
O termo burocracia foi utiliza-
do pela primeira vez por Gour-
nay em 1745, a partir da junção 
do prefixo “bureau” (que em 
francês significa escritório bem 
como a mesa de trabalho ou 
secretária) com a palavra “cra-
cia” derivada do verbo grego 
governar. A princípio o termo 
burocracia significava o poder 
dos funcionários do governo, 
mas o seu uso foi generalizado 
gradualmente para as grandes 
organizações em geral (GID-
DENS, 2002, p.350).
SOCIOLOGIA GERAL | unIdAdE 3 65
tradicionais ou pessoais, tais como: parentes, amigos 
etc. Assim, os métodos de seleção numa burocracia são 
fundamentais, sendo os exames formais uma maneira de 
garantir um processo impessoal e sistemático de testar os 
candidatos e têm sido empregados rotineiramente; 
4 - As regras e regulamentos que governam as ações e 
condutas dos funcionários a todos os níveis são escritas 
oficialmente, isto é, há um corpo de regras explícitas 
habitualmente codificadas que governa as ações oficiais 
dos ocupantes dos cargos. Essas definições, muitas vezes, 
causam reclamações pela sua inflexibilidade, porém, sem 
elas haveria confusão e ineficiência nas organizações. Por 
outro lado, essas regras também servem para possibilitar 
aos funcionários que trabalham juntos certa convivência 
harmoniosa, independente dos sentimentos pessoais, além 
de proteger os funcionários subordinados das possíveis 
ações arbitrárias de seu superior; e 
5 – Há uma estabilidade, possibilidade de carreira por 
promoção na hierarquia e recebimento de remuneração 
salarial, isto é, para exercerem com competência e 
imparcialidade suas funções, os funcionários burocráticos 
gozam, frequentemente, de estabilidade que serve para 
protegê-los de pressões externas e internas. As promoções 
estimulam a eficiência e o tempo de serviço na organização. 
Assim, para Weber quanto mais as organizações se aproximem 
desse tipo ideal de burocracia, mais eficiente será em atingir os 
objetivos para os quais foram criadas (CHINOY, 2009, p. 343-346). 
Apesar dos pontos positivos da burocracia, a radicalização da racio-
nalidade, como nos fala Brubaker, levaria a uma constante erosão 
das restrições costumeiras, religiosas e éticas ao comportamento, 
que passaria a ser regulado por normas abstratas e gerais pautadas 
na lógica da ação econômica que não olha em direção às pesso-
FILOSOFIA66
as somente em direção à mercadoria, eliminando, assim, as rela-
ções humanas espontâneas que são sustentadas por ações pessoais, 
guiadas pela racionalidade substantiva que será desenvolvida por 
Georg Simmel (1991, p. 37-38). 
Esse processo de racionalização e consequente burocratização ra-
cional seria o inverso ao que existe no Brasil, consolidado como 
“jeitinho brasileiro” e corrupção. 
Conceitos trabalhados por Max Weber
A teoria da ação trabalhada por Weber em sua obra Economia e 
Sociedade, está associada,segundo Aron (2000, p. 468), à sua frus-
tração política, cuja aspiração não satisfeita pela ação é uma das 
molas para o esforço científico. 
Nesta obra, Weber, segundo Giddens (1994, p. 205), dedica-se às 
uniformidades da organização econômica e social, dedicando-se, 
assim, à sociologia propriamente dita. Para este, a sociologia é 
a ciência que se interessa pela formulação de princípios gerais e 
conceitos de tipo genérico, relacionados com a ação humana. Esta, 
por sua vez, deve ser interpretada, compreendida pelo cientista, 
sendo este o objetivo da sociologia. Nas palavras de Weber, a so-
ciologia é “uma ciência que pretende compreender interpretativa-
mente a ação social e assim explicá-la casualmente em seu curso e 
seus efeitos” (WEBER, 2004, p.3).
A ação ou conduta social, perseguida pelo cientista, é aquela que, 
segundo Weber (1991, p.13-14):
[...] orienta-se pelo comportamento de outros, seja 
este passado, presente ou esperado como futuro. Os 
outros podem ser indivíduos e conhecidos ou uma 
multiplicidade indeterminada de pessoas completa-
mente desconhecidas. [...] Nem todo tipo de contato 
entre pessoas tem caráter social, senão apenas um 
comportamento que, quando ao sentido, se orienta 
pelo comportamento de outra pessoa. Um choque 
entre dois ciclistas, por exemplo, é um simples acon-
tecimento do mesmo caráter de um fenômeno natu-
ral. Ao contrário, já constituiriam “ações sociais” as 
tentativas de desvio de ambos e o xingamento ou a 
pancadaria ou a discussão pacífica após o choque.
Na obra Raízes do Brasil de 
Sérgio Buarque de Holanda 
(1995) escrita em 1936, o autor 
discutiu temáticas historiográ-
ficas, psicossociais e socioló-
gicas da formação da cultura 
brasileira. A grande construção 
teórica deste livro é o conceito 
de homem cordial. O Homem 
Cordial é apresentado como 
um híbrido entre o tipo ideal 
carismático e tradicional, ou 
seja, as relações socioculturais 
são perpassadas pelas tradições 
familiares e/ou religiosas, e 
ainda pela capacidade de caris-
ma – estimar as pessoas, “ser 
gente boa”- que os indivíduos 
conseguem em sociedade. En-
quanto no tipo racional, o que 
prevalece é a impessoalidade e 
o princípio da igualdade.
SOCIOLOGIA GERAL | unIdAdE 3 67
Assim, a ação social implica um significado subjetivo que se refere 
ao outro indivíduo ou grupo. Esta ação se constitui a trama da vida 
social, na medida em que o significado atribuído à ação é subjeti-
vo, mas é, ao mesmo tempo, intersubjetivo, pois ninguém pode dar 
um sentido à sua própria ação sem levar em consideração a respos-
ta de seus parceiros, que por sua vez deve apresentar um caráter 
de previsibilidade (BOUDON; BOURRICAUD, 2000, p. 615). 
É importante destacar que este autor faz uma inversão epistemo-
lógica do ponto de partida da análise sociológica, proposta por 
Durkheim, ou seja, Max Weber parte da compreensão da ação so-
cial a partir do indivíduo. Vejamos o esquema abaixo:
OBS: Compreensão  Ação  Sentido  ORIENTADO EM RELAçÃO 
AOS OUTROS
O esquema acima mostra um conjunto de indivíduos correndo em 
certo sentido; estes poderiam estar participando de uma marato-
na, de um arrastão, de uma procissão religiosa, ou de um treina-
mento do exército. Por que uma maratona poderia ser uma ação 
social? É uma ação social, pois os indivíduos estão agindo orienta-
dos para o sentido de ganhar, ou pelo menos, concluí-la até a linha 
de chegada. A maratona é um evento esportivo determinado por al-
gum comitê organizador (grupo de indivíduos ou instituição). Deste 
modo, a ação dos indivíduos, acima, não é aleatória ou instintiva, 
há um sentido claro e calculado, fato que definirá esta como ação 
racional voltada a um fim determinado. A ação está orientada e 
delimitada pela ação de outros indivíduos, outros competidores e 
regras estabelecidas pela instituição organizadora.
FILOSOFIA68
Agora podemos falar nos critérios de avaliação de uma ação social, 
ou seja, será que toda ação humana é social? Algo para ser definido 
como ação social deve ter as seguintes características: 1) deve 
ser orientado ou delimitado por outros indivíduos ou grupos; 2) a 
motivação e a ação atingem outros indivíduos. Vejamos os exemplos: 
• Um indivíduo lança uma pedra em uma árvore no seu quintal – 
neste exemplo o indivíduo age sem atingir outro indivíduo ou 
instituição, portanto, não há uma relação social derivada deste 
comportamento;
• Um indivíduo lança uma pedra em uma árvore no seu quintal 
e a pedra acerta o vidro da casa do vizinho – neste exemplo 
a ação inicia sem ser social, porém quando a pedra atinge a 
vidraça da casa do vizinho, estabelece-se uma ação social, pois 
ocorreu o prejuízo ou depredação de propriedade alheia, fato 
que pode desdobrar-se em uma contenda, ou ainda, em um 
processo judicial.
Nos dois exemplos acima fica claro que, para Weber, o sociólogo 
deve buscar uma análise das ações e tentar interpretá-las segundo o 
contexto ou a individualidade, história das relações de causalidade. 
Weber (1991 p. 15) classificou quatro tipos ideais de ação:
1- Ação	racional	referente	a	fins é aquela em que o ator conce-
be claramente seu objetivo e combina os meios disponíveis para 
atingi-los, é caracterizada pelo cálculo racional entre os meios 
adequados para a obtenção de um determinado fim. É a ação típi-
ca da sociedade moderna, uma vez que a racionalização é o traço 
característico do mundo moderno. Assim, a ação racional impera 
em todos os setores, seja ele no empreendimento econômico ou na 
gestão estatal (via burocracia);
2 - Ação racional de valor ou valorativa, caracterizada por uma 
orientação moldada por um ideal dominante, crença consciente no 
valor-ético, estético, religioso ou qualquer que seja sua interpreta-
ção – desprezando todas as outras considerações, inclusive o pró-
prio resultado da ação, embora seja uma ação calculada e pensada. 
3 - Ação afetiva é executada sob a influência da emoção. Pode ser 
uma reação desenfreada a um estímulo não-cotidiano.
SOCIOLOGIA GERAL | unIdAdE 3 69
4 - Ação tradicional executada sob a influência do costume, do 
hábito e de crenças, transformadas numa segunda natureza. O ator 
precisa apenas obedecer a reflexos enraizados por longa prática.
Esses dois últimos tipos de ação situam-se na fronteira da conduta 
significativa com a não significativa.
Essa classificação ideal típica, segundo Weber, tem por finalida-
de facilitar a interpretação da ação social, servindo como padrão 
para mediação de desvios irracionais, que ocorrem de forma con-
tingente, pois as características da conduta humana são a regulari-
dade e a previsibilidade, elementos estes que garantem as relações 
sociais, por conseguinte, a “sociedade”.
Se não houver o entendimento da ação entre o autor e o receptor, 
não há relação social, e são essas relações sociais travadas em to-
dos os momentos que constitui aquilo que se convencionou chamar 
de sociedade.
O caráter de previsibilidade da ação diagnosticado por Weber como 
um elemento fundamental da mesma, leva-nos a pensar, a princí-
pio, em certo tipo de natureza humana, isto é, certo tipo de cons-
tância nos indivíduos que permitiria essa previsibilidade. Embora 
se reconheça a visão histórica e particular que Weber emprega so-
bre o fenômeno social.
Interpretando a sociedade como sendo nada “mais do que as inte-
rações múltiplas dos indivíduos num determinado meio” (WEBER 
apud GIDDENS, 1994, p. 210), Weber, como já havíamos mencio-
nado acima, estabelece a relação social como a materialização da 
vida social. Para ele:
[...] relação social é entendida enquanto 
comportamento reciprocamente referido ao 
seu conteúdo de sentido por uma pluralidade 
de agentes e que se orienta por essa referência. 
Arelação social consiste, portanto, completa 
e exclusivamente na probabilidade de que aja 
socialmente numa forma indicável (pelo sentido), 
não importando, por enquanto, em que se baseia 
essa probabilidade (WEBER, 1991, p. 16). 
Assim, para que haja relação social é preciso haver reciprocidade 
entre as ações de ambas as partes envolvidas.
FILOSOFIA70
As relações sociais podem variar quanto ao grau de estabilidade, 
existindo aquelas que são mais estáveis, bem como aquelas que 
tendem à transitoriedade; quanto ao seu caráter de cooperação, 
uma vez que o conflito é uma das marcas de todas as relações, des-
de as mais transitórias até as mais permanentes, como observaram 
Simmel e Weber.
A uniformidade da conduta pressuposta na relação social, segun-
do Weber (apud GIDDENS, 1994), pode ser assegurada pelo uso ou 
costume, conceitos referentes a toda forma de conduta usual, que 
é habitualmente adotada por um indivíduo ou grupo, embora não 
seja necessariamente expressa a sua aprovação ou desaprovação 
pelos demais, neste caso a uniformidade é obtida por um acordo 
voluntário. Mas, também se tem a uniformidade obtida pela satis-
fação subjetiva de interesses próprios, neste caso a relação tende 
a ser mais instável do que na primeira.
A estabilidade das relações sociais é mais firme quando as atitudes 
subjetivas dos indivíduos são orientadas por crença numa ordem 
legítima. A legitimidade da ordem pode ser adquirida de forma tra-
dicional, baseada na crença de uma santidade das regras e poderes 
estabelecidos; carismática, baseada numa certa qualidade da per-
sonalidade de um indivíduo; legal, baseada na burocracia racional 
que se estabelece em nome de regras impessoais.
Tabela 1 - Desdobramento das ações sociais em tipos de dominação
Teoria Racional Tradicional Carismático
Política Normas legais, admi-
nistração racional, 
agente público, pre-
sidente, democracia, 
direito positivo.
Costumes, tradição, 
religião, regras cos-
tumeiras, direito 
consuetudinário, te-
ocracia, sultanismo, 
patrimonialismo e pa-
triarcalismo
Valores sobre-huma-
nos, magia, fetiche, 
fanatismo, governos 
nazi- fascistas; legiti-
mação pela “capaci-
dade pessoal de insti-
gar as emoções”
Religião Sacerdote, padre, 
pastor- normas, ri-
tuais normalizados; 
formação institucio-
nal
Feiticeiro – age à sua 
maneira, não há uma 
normalização das ce-
rimônias, é mais vin-
culado ao costumeiro.
O profeta- seu poder 
vem do carisma, vem 
da capacidade de 
emocionar.
Modernidade Sociedade feudal, 
conservadora
Sociedade de paixões
Democracia Teocracia Fanatismo, autorita-
rismo
SOCIOLOGIA GERAL | unIdAdE 3 71
Embora esses tipos de legitimidade da dominação se misturem, 
como observou Weber, na sociedade capitalista ocidental há uma 
predominância acentuada da legitimidade legal, centrada na buro-
cracia. Cabe destacar que esses tipos de legitimidade da domina-
ção são desdobramentos dos tipos de ação social classificados por 
Weber. 
Qual o papel da sociologia para Max Weber? No que ele se 
difere de Emile Durkheim?
Levando em conta o conceito de burocracia racional de 
Max Weber explique a seguinte afirmação: quanto mais a 
burocracia se consolida, mais forte fica a democracia.
Cite um exemplo para cada tipo de ação social, definido 
por Max Weber e, explique por que tais exemplos são ações 
sociais.
1
2
3
FILOSOFIA72
CORRA LOLA, CORRA (1998)
SinopSe: Manni (Moritz Bleibtreu), o coletor de uma quadrilha de con-
trabandistas, esquece no metrô uma sacola com 100.000 marcos. Ele só 
tem 20 minutos para recuperar o dinheiro ou irá confrontar a ira do seu 
chefe, Ronnie, um perigoso criminoso. Desesperado, Ronni telefona para 
Lola (Franka Potente), sua namorada, que vê como única solução pedir 
ajuda para seu pai (Herbert Knaup), que é presidente de um banco. Assim, 
Lola corre através das ruas de Berlim, sendo apresentados três possíveis 
finais da louca corrida de Lola para salvar o namorado (http://www.
adorocinema.com/filmes/corra-lola-corra).
Direção: Tom Tykwer 
Gênero: Ação/Ficção Científica
elenco: Franka Potente, Moritz Bleibtreu, Herbert Knaup, Nina Petri, 
Armin Rohde.
A qUEDA - AS ÚLTIMAS HORAS DE HITLER (2004)
SinopSe: Traudl Junge (Alexandra Maria Lara) trabalhava como secretária 
de Adolf Hitler (Bruno Ganz) durante a 2ª Guerra Mundial. Ela narra 
os últimos dias do líder alemão, que estava confinado em um quarto de 
segurança máxima (http://www.adorocinema.com/filmes/queda).
Direção: Oliver Hirschbiegel 
Gênero: Histórico
elenco: Bruno Ganz , Alexandra Maria Lara , Corinna Harfouch , Ulrich 
Matthes , Juliane Köhler.
SOCIOLOGIA GERAL | unIdAdE 3 73
NOVOS MODELOS DE ExPLICAÇÃO SOCIOLÓGICA
Modelos teóricos inovadores, que têm renovado e oferecido ex-
plicações valiosas da realidade social no mundo contemporâneo. 
Estas propostas surgiram na Europa e EUA, sem a preocupação de 
criar modelos teóricos universais, reavaliaram as teorias clássicas 
e apresentaram novas propostas metodológicas.
De modo geral, tiveram influência da psicologia, psicanálise, lin-
guística, semiótica. Incorporaram pressupostos teóricos e métodos 
de pesquisa que tornaram a sociologia mais interdisciplinar. É o 
momento em que a sociologia torna-se uma ciência mais madura 
e afasta-se das ciências exatas e biológicas, aproximando-se das 
demais ciências humanas.
Além disso, busca superar e resolver as dicotomias e/ou antino-
mias clássicas como: sociedade x indivíduo dos modelos clássicos 
(Durkheim, Marx e Weber). É importante destacar que isto não sig-
nificou abandonar os modelos clássicos, mas sim sua atualização 
em uma época de desenvolvimento dos meios de comunicação e da 
indústria cultural. As novas sociologias buscaram discussões sobre 
arte, vida urbana, modos de vida urbana e a mente humana, inte-
racionismo entre indivíduo e sociedade (a sociedade dos indivídu-
os) e de modo geral a crítica à razão instrumental.
Deste modo, as novas sociologias buscaram estudar o indivíduo do 
ponto de vista de sua participação na ação social, elemento que 
implicou em recortes metodológicos mais reduzidos, teorias de 
menor abrangência e maior profundidade, métodos mais interpre-
tativos, históricos e qualitativos (como história oral e análise de 
correspondências pessoais).
Neste grupo que chamamos de novas sociologias destacamos: Escola 
de Frankfurt, a nova sociologia francesa de Bourdieu, Norbert Elias 
e a sociedade dos indivíduos, e a Escola de Chicago (Simmel).
FILOSOFIA74
Escola de Frankfurt
Contexto: Início do século XX, industrialização da Itália e Alemanha, I 
Guerra Mundial, Revolução Russa, conflitos entre operários e governo 
na Alemanha, morte dos líderes Rosa de Luxemburgo e Karl Liebknecht.
Esta escola da sociologia relaciona-se com a Fundação do Instituto 
para Pesquisa Social, ligado à Universidade de Frankfurt, que tinha 
como destaque para Max Horkheimer, Theodor W. Adorno, Herbert 
Marcuse, Walter Benjamin, Eric Fromm. Nos primeiros anos, o 
Instituto foi financiado com doações dos judeus, mas com a ascensão 
do nazismo, seus pesquisadores tiveram de deixar a Alemanha, 
devido às perseguições políticas. 
De maneira geral, os frankfurtianos procuraram rever os princípios 
marxistas, incorporando conceitos da Sociologia do Conhecimento 
e da psicanálise. Críticos do nazismo alemão, Horkheimer e Adorno 
criaram o conceito de indústria cultural (produção tecnológica, 
lucrativa, planejada, e em série de bens simbólicos) em que discutiam 
a formação de uma cultura de massa que vendaria os olhos da população 
com o esvaziamento das ideias e fundamentação de ideologias.
Adorno e Horkheimer substituíram a expressão cultura de massa porindústria cultural. Para estes autores, o cinema, o rádio, produção em 
massa de obras de arte não são uma arte em si, nem cultura tradicional, 
mas sim um negócio, que transforma a cultura em mercadoria. Este 
fenômeno fundamenta o termo indústria cultural, pois a cultura e 
a arte passam a ser mercadorias. Assim, os autores concluem que 
a indústria cultural tenta reduzir todos os bens culturais em algo 
consumível por qualquer tipo de consumidor, deste modo reduz a 
cultura ao mais elementar, tornando-a algo rasteiro e superficial.
Em outra geração de Frankfurt, destaca-se Jürgen Habermas, 
preocupado com as dimensões ideológicas do conhecimento e 
na identificação de seus múltiplos condicionamentos. Elabora o 
conceito de ação comunicativa e identifica dois tipos de razão na 
cultura humana: a razão instrumental (domínio da natureza) e a 
razão comunicativa (realização e libertação humanas). Habermas 
critica a sociedade contemporânea pela prevalência da razão 
instrumental sobre a razão comunicativa.
Fonte: http://www.livrariares 
posta.com.br/fotos/difel_esc_
frank.jpg
Figura 6 - Escola de Frankfurt
SOCIOLOGIA GERAL | unIdAdE 3 75
Na ideia de mundo da vida, Habermas mostra a ra-
cionalidade dos indivíduos mediado pela linguagem e 
comunicatividade. Esses elementos se constituem em 
instrumentos de construção racional dos sujeitos cal-
cados na estruturação de três universos: o objetivo,o 
subjetivo e o social.
É na esfera do universo da relação dos sujeitos que Ha-
bermas parte de sua concepção ontológica para a cons-
trução da racionalidade.
Na Teoria da Ação Comunicativa, o tema racionalidade 
das opiniões e das ações é tratado sobre um prisma 
filosófico e sociológico, a razão é a base do estudo da 
filosofia. Os gregos da antiguidade, quando estudam a 
própria razão, fundamentam-se numa base social onto-
lógica a partir do que poderíamos chamar de um dis-
curso comunicativo. A ação comunicativa busca explo-
rar uma sociologia do mundo da relação dos sujeitos, 
ou seja, uma sociologia da ação comunicativa em que 
o universo subjetivo, a ação política e a racionalidade 
dos indivíduos se constituem em elementos estrutura-
dos de formação e revitalização da esfera pública na 
busca da emancipação social.
A ação comunicativa que se efetiva na linguagem é uma 
forma privilegiada de relacionamento entre os sujeitos: 
permite a articulação de valores, elaboração de normas 
e o questionamento dos mesmos. Esta é a diferença en-
tre o agir comunicativo e o agir estratégico, enquanto no 
primeiro há a busca do reconhecimento intersubjetivo 
das pretensões de validade, no segundo, um indivíduo 
age sobre o outro para atingir os fins que ele a priori 
definiu como necessários. Numa sociedade emancipató-
ria, predominam as ações comunicativas. O processo de 
emancipação implica, então, um processo de racionali-
zação, de evolução simbólica, de diferenciação do mun-
do de vida, de aperfeiçoamento da comunicação entre 
os sujeitos. O mundo emancipado é aquele onde o mun-
do vivido tem supremacia sobre o mundo do sistema. O 
que significa resolução dos conflitos humanos com base 
em discussões racionais, e evolução material equilibrada 
com as exigências do meio ambiente.
“http://pt.wikipedia.org/wiki/A%C3%A7%C3%A3o_
comunicativa”
FILOSOFIA76
Nova Sociologia Francesa – Pierre Bourdieu
Pierre Bourdieu
Nascimento 1 agosto de 1930, Deguin
Falecimento 23 de janeiro de 2002
Paris
Nacionalidade Francês
Ocupação Sociólogo
Destaque para P. Bourdieu, que iniciou sua pesquisa pela análise da 
educação e do patrimônio cultural das famílias, procurando rever 
heranças clássicas e conciliar a análise da realidade objetiva com 
a da subjetividade. Os principais conceitos desenvolvidos por este 
autor foram a noção de habitus e campo.
Habitus: disposições internas do sujeito herdadas da família e 
estruturadas pela experiência individual e pela educação (habitus 
primário), que se transforma ao longo da vida, na experiência da 
vida adulta (habitus secundário).
Campo: esferas autônomas da vida social, historicamente 
constituídas. Noção que rompe com o determinismo econômico 
marxista e propõe um conceito de sociedade formado por 
instâncias, autônomas e interdependentes, que mantêm relações 
de concorrência e poder.
Fonte: http://www.diplomatie.
gouv.fr/en/IMG/jpg/47s1.jpg
Figura 7 - Pierre Bourdieu
SOCIOLOGIA GERAL | unIdAdE 3 77
Na agenda teórica proposta à Teoria Sociológica 
contemporânea, alguns elementos merecem destaque: 
a releitura dos clássicos, a construção de conceitos 
e a postura crítica do intelectual diante de uma 
tomada de posicionamento político, elementos estes 
amalgamados em sua discussão sociológica. Ao compor, 
por exemplo, a ideia de campo, Bourdieu dialoga com a 
ideia de esferas, proposta por Max Weber e, ainda, com 
o conceito de classe social de Marx.
Construtivismo estruturalista ou estruturalismo 
construtivista
Bourdieu, permitindo ter seu pensamento rotulado, 
adota como nomenclatura o construtivismo 
estruturalista ou estruturalismo construtivista.
Esta postura consiste em admitir que existe no mundo 
social estruturas objetivas que podem dirigir, ou 
melhor, coagir a ação e a representação dos indivíduos, 
dos chamados agentes. No entanto, tais estruturas são 
construídas socialmente assim como os esquemas de 
ação e pensamento, chamados por Bourdieu de habitus.
Bourdieu tenta fugir da dicotomia subjetivismo/
objetivismo dentro das ciências humanas. Rejeita tanto 
trabalhar no âmbito do fisicalismo, considerando o social 
enquanto fatos objetivos, como no do psicologismo, o 
que seria a “explicação das explicações”.
O momento objetivo e subjetivo das relações sociais 
estão numa relação dialética. Existem realmente as 
estruturas objetivas que coagem as representações 
e ações dos agentes, mas estes, por sua vez, na sua 
cotidianidade, podem transformar ou conservar tais 
estruturas, ou almejar a tanto (ttp://pt.wikipedia.
org/wiki/Pierre_Bourdieu)
FILOSOFIA78
Norbert Elias
Nascimento 22 de junho de 1897, Breslau
Falecimento 01 de agosto de 1990
Amsterdã
Nacionalidade Alemão
Ocupação Sociólogo
Conhecido como o sociólogo do processo civilizador e da vida 
na corte, Elias concebe a sociedade como um tecido que liga os 
indivíduos, a cada ação numa direção, todo o tecido se reorganiza 
(a sociedade dos indivíduos) o sócio-histórico constituído por seres 
que atuam de forma consciente, por meio de representações 
abstratas e simbólicas que formam a respeito de si e da situação 
da qual participam.
A sociedade é concebida por Elias como uma teia de relações 
onde esta se reproduz à proporção que os indivíduos a constroem 
e são construídas por ela, como na metáfora: os homens estão 
na sociedade como uma aranha que tece a teia social ao mesmo 
tempo em que se prendem a ela.
Elias busca entender as relações entre a sociedade e o indivíduo 
dotado de liberdade, vontade e motivação, buscando romper com 
determinismos e causalidades mecânicas. Desenvolve o conceito 
de configurações ou habitus: interiorização do mundo exterior, 
marca que a sociedade imprime na personalidade, agindo sobre os 
sujeitos.
Fonte: http://crl.du.ac.in/
Publication/E-Resources%20
in%20Public%20Domain-Final/
E-Resources/SocioSite%20
FAMOUS%20SOCIOLOGISTS_
files/elias.jpg
Figura 8 - Nobert Elias
SOCIOLOGIA GERAL | unIdAdE 3 79
Escola de Chicago
Contexto: EUA, na passagem do século XIX para o século XX, intensa 
entrada de imigrantes europeus fugindo de perseguições políticas 
e religiosas, marginalização, crime, conflitos raciais, minorias, 
emprego da força policial na resolução destes conflitos (sem efeitos 
duradouros).
A produção científica desta Escola de Sociologia teve seu apogeu 
entre1915 e 1940 e teve sede na Universidade de Chicago. Buscava 
soluções para os conflitos, resultando uma sociologia urbana e 
pragmática. Destaque para o pragmatismo de John Dewey; os 
estudos sobre motivações, mobilidades e ritmos de vida da cidade 
de Georg Simmel; o interacionismo simbólico de George Herbert 
Mead, valorizando o caráter simbólico e subjetivo da ação social. 
A Escola de Chicago contribuiu com novas técnicas e métodos 
de pesquisa social, entre eles: depoimentos, testemunho oral, 
correspondência, análise de documentos, entrevistas. Tornou-se 
referência em sociologia urbana.
Em 1935, outro grupo se destaca em Chicago, tem orientação 
durkheimiana, estudam os processos de adaptação dos imigrantes 
poloneses à cidade. Destacam-se Robert Merton e Talcott Parsons.
A Escola de Chicago começa a perder seu brilho quando uma outra 
geração de sociólogos voltam-se para pesquisas quantitativas, 
visando levantar tendências eleitorais ou preferência da 
audiência por programas de comunicação, trazendo de volta à 
cena a contestada postura positivista. Entretanto, verifica-se 
a disseminação da metodologia da Escola de Chicago em outros 
centros universitários (Yale, Michigan, Harvard, Columbia).
As contribuições da Escola podem ser sintetizadas na preocupação 
em aplicar métodos etnográficos às análises sociais e à sociologia 
urbana; na ênfase às pesquisas da vida cotidiana e processos 
simbólicos. Por tais recortes específicos e bastante centrados em 
casos, ficou conhecida como microssociologia. Um autor de grande 
destaque deta escola foi Simmel, que aprofundaremos a seguir.
Fonte: http://img.
mercadolivre.com.br/jm/
img?s=MLB&f=82822993_6438.
jpg&v=E
Figura 9 - Escola de Chigago
FILOSOFIA80
A sociologia de Georg Simmel
Nascimento 22 de junho de 1897, Breslau
Falecimento 01 de agosto de 1990
Amsterdã
Nacionalidade Alemão
Ocupação Sociólogo
Georg Simmel (1858 – 1919), alemão de família remediada, teve 
sua vida, segundo WATIER (1996, p. 72), marcada pela experiência 
de nascer e morar, por um longo período, numa das maiores cidades 
do mundo. Essa experiência teria despertado o seu interesse em 
estudar “as novas relações sociais que indivíduos necessitados 
desenvolvem quando a maioria de seus negócios é com pessoas que 
não conhecem, estranhos no sentido mais amplo”. 
Assim, dedicou a sua vida a capturar o espírito da sua época, 
a descrever a transformação da alma da sociedade moderna, 
levantando questões sobre a transformação das grandes cidades 
e a implicação disso para a vida das pessoas. Para atingir tal 
objetivo, discutiu sobre valores, dinheiro, cultura, o indivíduo, a 
personalidade artística e a moda, mas a sua grande contribuição, ao 
nosso ver, foi procurar as relações que poderiam emergir entre as 
culturas objetiva e subjetiva, isto é, as relações que os indivíduos 
constroem dentro de formas de sociação.
Simmel compartilha com Weber vários aspectos da sua teoria. E é 
este que desenvolve a noção de racionalidade subjetiva esboçada 
por Weber. 
Para Simmel, cabe à sociologia organizar o real com ajuda de 
sistemas de categorias ou modelos para que se possa conhecer 
os fenômenos sociais. Com isso, este autor inaugura a sua 
sociologia “da forma”. Essa noção tem por base a ideia kantiana 
da possibilidade do conhecimento, que só é possível porque o 
espírito projeta formas (a priori) aos fenômenos da natureza e, 
Fonte: http://upload.
wikimedia.org/wikipedia/
commons/4/4f/Simmel_01.JPG
Figura 10 - Georg Simmel
SOCIOLOGIA GERAL | unIdAdE 3 81
aproxima-se da ideia weberiana de tipo ideal, uma vez que os 
modelos ou as formas criados por Simmel são construções mentais 
que permitem interrogar e interpretar a ‘realidade social’, que é 
caótica (BOUDON; BOURRICAUD, 2000, p. 5000). 
A formalização da realidade social não é uma atividade exclusiva 
do cientista, os atores também necessitam de regras normativas 
para haver interação social e a própria sociação, mesmo que estas 
não sejam conscientes. 
Assim, com Weber, Simmel reporta-se à teoria da ação. E, para 
compreender e interpretar as ações e as interações dos indivíduos, 
ou seja, como as formas sociais persistem, Simmel criou um 
modelo que apresenta de um lado a forma e de outro o conteúdo. 
Os conteúdos são os motivos, impulsos, interesses, instintos que 
levam os indivíduos interagirem entre si; enquanto as formas seriam 
as maneiras como serão expressos esses conteúdos. Assim como os 
conteúdos são múltiplos, as formas tendem a acompanhá-los.
Os impulsos que levam os atores interagirem mutuamente, segundo 
Simmel, não são sociais em si mesmos. Só se tornam sociais através 
das formas de ações recíprocas praticadas pelos indivíduos. Assim, 
as ações recíprocas são a realização de uma unidade, de uma 
sociação.
Essa noção nos revela que a sociação é feita a partir de uma teia 
de relações entre os indivíduos. Como estes se relacionam de 
várias maneiras, sob inúmeras formas, Simmel prefere conceituar 
a sociação como um processo que se forma, dissolve e reforma 
eternamente, isto é, toda vez que há uma interação entre 
indivíduos.
E para que haja ações recíprocas, interações ou sociação, é 
necessário que os indivíduos tenham a capacidade prática de 
interpretar e entender as ações recíprocas. E para tal, os mesmos 
precisam construir o “outro” como uma personalidade, como uma 
unidade psicológica, permitindo, dessa forma, a compreensão. 
Assim, toda sociação coloca em jogo mecanismos para a 
interpretação dos outros e das situações, mecanismo que estão 
ligados ao funcionamento da mente e que produzem, além das 
FILOSOFIA82
unidades individuais, uma forma social que serve de modelo para 
a orientação dos indivíduos.
A sociedade, portanto, torna-se possível porque os indivíduos 
interagem uns com os outros de acordo com certas disposições, 
imbuindo suas relações com boa vontade, esperança e confiança. A 
ausência desses sentimentos que são individuais, mas que assumem 
um caráter social, tornaria as relações sociais impossíveis.
Simmel chega a essa conclusão quando, ao investigar o que 
possibilita e assegura a aproximação e os afastamentos entre 
indivíduos, isto é, como se dá a interação entre os indivíduos, 
descobriu que são as relações mais finas pautadas em sentimentos, 
como gratidão, honra, fidelidade que são as mais firmes.
A sua conclusão partiu do “esquema da oferta e do equivalente”, 
como a base de todas as relações humanas. Mas, para Simmel, 
segundo COHN (1998), nem tudo pode ter sua equivalência 
assegurada por coerção legal externa, cabendo, portanto, aos 
sentimentos tecer esse laço de reciprocidade, equilibrando a 
relação entre o receber e o dar. Assim, essa relação não pode ser 
reduzida à troca, aliás, esta quando plenamente desenvolvida, 
como no mundo moderno, dispensa os homens, assumindo o caráter 
de conversão da capacidade de reciprocidade dos homens em mero 
objeto, convertendo a relação dos homens em relação dos objetos.
O sentimento inverte esse movimento e, ao fazê-lo, propicia aquilo 
que importa na constituição e permanência da vida social, isto é, a 
manutenção da relação para além do momento da sua criação, porque o 
que persiste é a relação e não o sentimento que a motivou.
Com essa análise, Simmel, assim como Weber, segundo COHN (1998), 
discorda da ideia de que as relações econômicas marcadas pela legalidade 
racional sejam suficientes para estabelecer vínculos duradouros entre 
os homens. Também, não seria um tipo de solidariedade social que 
acompanha a divisão do trabalho, como em Durkheim, tendo em 
vista que não se trata de interdependência, mas de reciprocidade, 
aproximando-se do paradigma do dom, de Marcel Mauss.
Estaanálise elaborada por Simmel, ao nosso ver, por outro lado, 
distancia-o um pouco de Weber, na medida em que desloca o ponto 
Marcel Mauss era um sociólogo 
e antropólogo francês, sobrinho 
de Émile Durkheim e considera-
do o pai da etnologia francesa. 
Para Mauss, o elementar das so-
ciedades, em todos os tempos 
históricos, é o intercâmbio e a 
dádiva. Um de seus focos prin-
cipais são as prestações totais, 
através das quais “tribos” e 
“metades” intercambiam tudo 
que lhes é importante: festas, 
comidas, riquezas, mulheres, 
crianças etc. As prestações 
totais agonísticas acontecem 
quando um chefe ou grupo 
compete com outro sobre quem 
pode dar mais. Dar, receber 
e retribuir são, para Mauss, 
três momentos distintos cuja 
diferença é fundamental para a 
constituição e manutenção das 
relações sociais. A dádiva opera 
uma mistura entre amizade e 
conflito, interesse e desinte-
resse, obrigação e liberdade. 
Também mistura as pessoas 
que se presenteiam, as coisas 
e as pessoas, as coisas e os 
espíritos.
SOCIOLOGIA GERAL | unIdAdE 3 83
de persistência das relações sociais, e portanto da “sociedade”, 
de uma ordem legal, como apontou Weber, para uma ordem 
subjetiva. Ou em vez de distanciar, pode aproximá-lo, quando se 
pensa na noção de racionalidade subjetiva esboçada por Weber.
A análise de Simmel sobre as possibilidades de manutenção 
da ordem social, explicitada acima, revela que as formas de 
interação podem se destacar de seus conteúdos, operando por 
conta própria. Isso permite pensar a sociedade não diretamente 
como um conjunto de interações em fluxo constante, mas como 
um conjunto de formas padronizadas.
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WEBER, Max. Economia e Sociedade, v.1. Brasília, DF, Editora 
Universidade de Brasília, 1991.
SOCIOLOGIA GERAL | unIdAdE 3 85
Dê exemplos e explique o que Durkheim define como fatos 
sociais.
Cite e explique algumas contribuições de K. Marx para a 
sociologia.
Por que a sociologia de Max Weber era conhecida como 
sociologia individualista e da ação?
1
2
3
ObjetivO deStA unidAde:
unidAde
4
OBJETIVOS DESTA UNIDADE
Apresentar o conceito 
e função da estruturas 
social;
Compreender como 
os indivíduos estão 
inseridos na sociedade;
Compreender a noção 
de papel e status;
Apresentar a noção 
de estratificação 
social e com ela abrir 
a discussão sobre 
desigualdade social.
ESTRUTURA SOCIAL: noções básicas
CONCEITO E FUNÇÃO DE ESTRUTURA SOCIAL
Partindo da constatação de que os membros e os grupos de uma 
sociedade são unidos por um sistema de relações de obrigação, 
isto é, por uma série de deveres e direitos (privilégios) 
recíprocos, aceitos e praticados entre si, a estrutura social 
refere-se à colocação e à posição de indivíduos e de grupos 
dentro desse sistema de relações de obrigação. Em outras 
palavras, a estrutura social é o complexo de papéis e status 
que define o comportamento dos indivíduos e suas relações 
entre si (CHINOY, 2008).
A estrutura tanto permite quanto restringe o que é possível 
na vida social, isto é, as ações sociais são padronizadas, 
institucionalizadas conforme as determinações estabelecidas 
pela estrutura social, que por sua vez, relaciona-se tanto com 
a cultura quanto com os recursos da organização.
FILOSOFIA88
Se um edifício fosse uma sociedade, as fundações, as colunas 
de sustentação; as vigas seriam a estrutura, que servem tanto 
pra constranger (limitar) quanto para permitir os vários arranjos 
espaciais e os tipos de ambiente (que seriam na estrutura social – 
papéis, organizações, instituições etc.). 
Nesses termos, qual seria a função da estrutura social? Vejamos 
abaixo:
• possibilitar a interação social;
• dar a cada um de nós um sentido para o lugar ao qual perten-
cemos, estabelecer o que se espera um do outro conforme o 
status ocupado e orientar como devemos pensar, agir e sentir;
• sem a estrutura social não saberíamos como agir e constan-
temente ficaríamos incertos quanto às prováveis reações dos 
outros;
• a maioria das atividades em nossa vida diária é conduzida den-
tro de estruturas sociais. 
A estrutura social de uma sociedade é formada por dois elementos 
básicos: o status e papel.
Status
O Status é a posição socialmente identificada que cada um dos indi-
víduos ocupa na estrutura social, isto é, é o lugar que ocupamos em 
um sistema de posições interligadas. Todos nós ocupamos muitos 
status diferentes, localizados em variadas estruturas.
Podemos afirmartambém que o status é uma espécie de cartão 
de identidade social, que pode ser adquirido ou atribuído. 
Adquirido quando a pessoa precisa agir diretamente para ocupar 
aquele status, por exemplo, é preciso casar para ocupar o status 
de marido ou esposa; já o atribuído deriva de atributos sobre 
os quais a pessoa não tem controle, por exemplo, os status 
determinados biologicamente, ou quando se é colocado nessa 
posição indiretamente, por exemplo, o status de filho. 
SOCIOLOGIA GERAL | unIdAdE 4 89
A noção de status envolve também a noção de poder e hierarquia, 
uma vez que a posição que cada indivíduo ocupa na estrutura social 
está relacionada com a distribuição desigual de riqueza, prestígio 
e poder.
Ao conhecermos nosso status, sabemos onde estamos localizados e 
o que esperar de nós. Exemplos: Status em família (pai, mãe, filho, 
marido, esposa, sogra, irmão, tio, primo, sobrinho, avó etc.); sta-
tus em organizações (aluno, professor, chefe, patrão, empregado, 
diretor, operário, médico, advogado, juiz, réu etc.).
Papel 
Cada status traz consigo uma série de regras e normas que prescre-
vem a maneira pela qual a pessoa que o ocupa deve ou não deve 
comportar-se em determinadas circunstâncias. Esse grupo de nor-
mas e regras é denominado de papel.
Quando nos comportamos em um status devemos ter consciência 
das normas e regras que regulam as ações compatíveis com a posi-
ção ocupada.
O papel é o aspecto dinâmico do status, é a execução daquilo que 
foi estabelecido pela estrutura, isto é, a maneira como devemos 
nos comportar estabelecida previamente.
A importância dos papéis sociais não reside apenas na regulamen-
tação dos comportamentos, mas também no fato de permitir aos 
indivíduos que predigam as ações dos outros e, portanto, que mo-
delem as suas próprias ações de acordo com essa predição.
Portanto, existem relações sociais entre os papéis desempenhados 
pelos membros de uma sociedade, e tais relações não são definidas 
apenas indiretamente por padrões gerais de comportamento (cor-
tesia, respeito e obediência), mas também por prescrições insti-
tucionais específicas, as quais determinam como os ocupantes dos 
status devem se comportar uns em relação aos outros.
FILOSOFIA90
Numa audiência, por exemplo, as partes envolvidas só podem falar 
quando o juiz faz a solicitação, também há regras para o trata-
mento com o juiz (meritíssimo), por outro lado, o juiz não pode 
privilegiar uma das partes por questão de sexo, raça, credo, idade 
a não ser que isso seja legalmente definido.
Os aspectos que fundamentam o papel e o status
Os papéis e status se constroem sobre dois tipos de alicerces prin-
cipais:
1. Alicerce biológico – em todas as sociedades se edificam status e 
papéis diferentes conforme idade e sexo;
2. Alicerce social, porém, é o que determina a maior parte dos 
status e papéis.
Quanto mais complexa a sociedade maior será a quantidade de 
status e papéis a serem vivenciados pelos seus membros.
Integração e relacionamento papel-status
É importante destacar que o papel e o status social são dois as-
pectos que andam juntos e imbricados, pois ambos correspondem 
a ações e práticas sintonizadas com situações, ou ocasiões sociais 
definidas. De modo geral, definem modos de comportamento so-
cial. Vejamos:
Ao ocupar o status de aluno (que é adquirido), por exemplo, deve-
se seguir comportamentos definidos para tal “script” (ir à aula, 
estudar, fazer prova, participar de atividades da escola, respeitar 
os professores, prestar a tenção à aula, cumprir as tarefas deter-
minadas etc.).
Para verificarmos a integração do status e papel podemos utilizar 
a imagem da representação. Cada ator tem que representar 
conforme o papel atribuído ao personagem que ele representa, que 
SOCIOLOGIA GERAL | unIdAdE 4 91
por sua vez será estruturado dentro de enredo. Os papéis sociais 
são apreendidos à medida que adquirimos a cultura do nosso grupo, 
da estrutura social na qual estamos inseridos.
Geralmente, esses papéis são introjetados de tal maneira que pas-
sam a fazer parte da personalidade individual e passamos a de-
sempenhá-los sem consciência do seu caráter social. Os papéis não 
são pessoais, são as partes representadas no palco da vida social 
(padrões de comportamentos).
Na vida social não ocupamos apenas um status, transitamos e 
aprendemos vários. Nós não ocupamos apenas um status, mas es-
tamos inseridos num complexo de posições. Esse complexo no qual 
cada um de nós ocupa várias posições conforme a estrutura é ge-
ralmente denominado de conjunto de status.
Ao ocuparmos vários status também temos que desempenhar vários 
papéis. Assim, uma mulher poder ser: mãe, prefeita, funcionária 
pública, evangélica e ainda torcedora de um time de futebol.
Um conjunto de status marca as estruturas às quais pertencemos 
e os sistemas de cultura aos quais estamos ligados. Dessa forma, 
estamos todos nos comportando em ocasiões diferentes seguindo o 
papel estabelecido para cada status particular. 
Podemos afirmar que o conjunto de status que vivemos ou que ocu-
pamos é a rede de relações que estabelecemos com outros indiví-
duos ou instituições. É de modo amplo uma das bases elementares 
da vida social (rede social de relações).
Os vários status que ocupamos se ligam uns aos outros de tal forma 
que nossos papéis em um dado status podem ser afetados por essa 
ligação, por exemplo, aluno casado com filho pode ter comporta-
mento diferente daquele que é apenas aluno e filho.
Portanto, podemos apreender muito sobre a pessoa se conseguir-
mos mapear todos os status que ocupamos relacionando-os às es-
truturas e à cultura nas quais esses status estão inseridos e, com 
isso, torna-se possível formar um quadro aproximado de “quem 
somos” sociologicamente.
FILOSOFIA92
Como ocupamos vários status e cada um tem um papel específico 
(padrão de comportamento), às vezes pode haver um conflito entre 
os papéis. Esse conflito é inevitável nas sociedades complexas em 
que todos nós ocupamos status diferentes segundo as diferentes 
estruturas nas quais participamos, uma vez que cada um tem suas 
próprias exigências.
Para amenizar esse conflito é necessário que haja uma separação 
das diferentes atribuições no tempo e no espaço. É preciso, por-
tanto, aprendermos a gerenciar essas fontes de tensão e conflito 
ou vamos sofrer as consequências.
Vejamos o organograma:
Esse conjunto hipotético de status de um indivíduo liga-o a 
comportamentos culturais de alguma forma diferente, composto 
de crenças e normas que, por sua vez, refletem valores e outros 
sistemas culturais. Construindo um diagrama semelhante para 
cada um de nós, podemos aprender muito sobre nós mesmos e 
sobre os códigos simbólicos que orientam nossos sentimentos, 
comportamentos e ações.
O indivíduo e a estrutura social
Cada um de nós é uma peça na engrenagem das formas estruturais. 
Embora tenhamos inteligência e criatividade, nossas vidas 
cotidianas são altamente definidas pela estrutura. Nossa vida é um 
constante e incessante movimento nas estruturas sociais – família, 
amigos, escola, organização de trabalho, comunidade etc. 
Indíduo
SOCIOLOGIA GERAL | unIdAdE 4 93
O que somos como indivíduo é o produto dessa participação nas 
estruturas. Embora possamos escolher nos deslocar para dentro 
ou fora das estruturas, não podemos escapar de todas e, por-
tanto, podemos apenas escolher quais as que devem ser nossas 
opressoras.
Nossa vida é um trânsito nas estruturas de status e papel, e nos 
deslocamos na estrutura social definida pela sociedade em que 
vivemos, conforme escolhas, práticas, costumes etc., que bus-
camos fazer em nossasvidas sociais. É importante enfatizar que 
a escolha que podemos fazer é limitada pelas possibilidades es-
truturais que a sociedade permite, ou seja, só podemos escolher 
exercermos o papel social de professor, caso você tenha passado 
pela formação legal e normalizada pela sociedade em questão 
(desse modo seguindo e obedecendo a critérios estabelecidos so-
cialmente).
Tipos de estrutura social
A sociologia identifica os seguintes tipos de estrutura social: 
grupos, organizações, comunidades, estruturas institucionais e 
categorias.
Grupos sociais
Grupos são estruturas sociais pequenas, compostas por um ou al-
guns tipos de status, números pequenos de papéis, com ligações 
densas entre alguns status e claras expectativas culturais sobre o 
que se espera que as pessoas façam.
Os grupos variam em sua durabilidade, podem ir de uma reunião 
temporária de amigos aos laços permanentes da família. Também 
variam de tamanho, por isso alguns são classificados de primários 
(pequenos, unidos e íntimos) e outros de secundários (maiores, e 
impessoais).
FILOSOFIA94
Organizações ou estruturas organizacionais
São estruturas maiores e mais formais compostas de uma diversida-
de de status que revelam diferenças de autoridade. Organizações 
são constituídas para satisfazer necessidades humanas, tais como 
ganhar dinheiro, educar as pessoas, produzir bens e serviços etc.
Comunidades
Comunidades são estruturas sociais que organizam a residência das 
pessoas assim como suas atividades no espaço físico, geométrico. 
As comunidades variam conforme o tamanho. Pode ser uma cidade 
rural pequena a uma megalópole, um condomínio de poucas casas 
a grandes estruturas residenciais. Conforme o tamanho, o poder da 
estrutura varia inversamente proporcional. 
Instituições 
São as estruturas criadas para resolver problemas humanos básicos, 
para manter efetivamente organizada a sociedade, através da 
regulamentação e do controle da população. Podemos identificá-
las como estruturas políticas. Quanto maior a sociedade, maior e 
mais complexa será a gama de instituições.
Categorias sociais
São as estruturas criadas e sustentadas em razão do tratamento 
diferenciado daqueles que revelam características semelhantes. As 
únicas categorias universais que servem para classificar as pessoas 
são sexo e idade, mas as pessoas classificam umas as outras em 
termos de características distintivas e reagem diferentemente 
umas as outras. 
SOCIOLOGIA GERAL | unIdAdE 4 95
À medida que as sociedades se tornam mais complexas, novos tipos 
de categorias são criados, a exemplo das categorias de etnia e 
classe, que surgiram devido ao fato de seus membros receberem, 
frequentemente, partes desiguais de recursos importantes. Nesse 
sentido, essa estrutura é denominada de estratificação social. 
ESTRATIFICAÇÃO SOCIAL
Estratificação social pode ser definida como um modo complexo 
de manifestação das desigualdades em sociedade, ou seja, a 
configuração do posicionamento hierárquico dos indivíduos em 
partes (seções) relativamente homogêneas de contingentes 
populacionais quanto ao estilo de vida, oportunidades e interesses. 
Podemos afirmar ainda que a estratificação é o mapa da distribuição 
desigual de recompensas socialmente valorizadas pela sociedade 
(poder, honra, prestígio, bens materiais etc.).
[...] onde quer que exista sociedade, existe 
necessariamente algum tipo de desigualdade 
social entre os indivíduos quanto aos seus 
direitos e deveres, de acordo com as posições 
que eles ocupam. Desigualdade de direitos e 
deveres e diferenciação de posições, porém, não 
significam o mesmo que estratificação (NOVA, 
2008. p.152). 
Nesses termos, é importante destacar que estratificação social 
não é a mesma coisa que desigualdade social, mas que a primeira 
é uma forma complexa da segunda. A desigualdade social está 
presente em todas as sociedades desde as mais simples, como as 
pequenas comunidades da áfrica, até as complexas sociedades 
urbano-industriais. É importante ressaltar que a estratificação 
não está presente em todas as sociedades. Nas comunidades em 
que há pouca complexidade no desenvolvimento tecnológico, esse 
fato não gera a produção de um excedente de bens necessários à 
sobrevivência: 
FILOSOFIA96
Nessas sociedades, a divisão do trabalho e o sistema de 
posições, extremamente simples, tendem a se basear 
de modo predominante na atribuição de acordo com o 
sexo e idade dos indivíduos (NOVA, 2008, p.153).
A inexistência de bens excedentes e a preocupação com a 
subsistência faz com que os estilos de vida e oportunidades, 
nas comunidades mais simples, sejam praticamente os mesmos. 
Nessas sociedades, portanto, não há estratificação em camadas 
delimitadas por status, estilo de vida e oportunidades desiguais. 
Porém, é evidente que nessas comunidades existem desigualdades 
perpassadas pela divisão de papéis sociais por idade e sexo.
O marco fundador de uma sociedade estratificada é quando 
surge um amplo aperfeiçoamento das técnicas de transformação 
da natureza de modo que se inicia um aumento da produção e 
acúmulo de excedentes; daí surge o comércio, a especialização de 
tarefas, a concentração de riquezas e, por fim, o estabelecimento 
de camadas sociais. Estas serão amplos setores da população 
com interesses, estilo de vida, oportunidades, valores, empregos 
e papéis sociais semelhantes entre si, e desiguais entre outras 
camadas sociais que também se configuram.
As sociedades estratificadas podem ser: sociedades de classe; 
sociedades estamentais e sociedades de castas. As sociedades 
podem ser definidas como estratificadas quando se estabelece 
camadas de população semelhantes internamente, e desiguais 
entre si. Cada classe social possui um status e interesses 
diferenciados, cada casta tem prestígio e status diferenciados, 
assim como nos estamentos. O importante é compreender que a 
estratificação é a cisão da sociedade em estratos legitimados por 
valores, leis e normas que definem que essa divisão seria: justa, 
normal, correta.
É importante destacar que nas sociedades estratificadas, os 
estratos possuem certa homogeneidade, porém há internamente 
diferenciações de papéis, como no caso da sociedade de classes, em 
que a classe média é formada por profissionais liberais, pequenos 
empresários, funcionários públicos etc., esses tipos profissionais 
diferenciam-se, mas possuem certas semelhanças.
SOCIOLOGIA GERAL | unIdAdE 4 97
Para identificar o estrato social de uma dada sociedade, Max Weber 
estabeleceu dois critérios que são: 
1) analisar as semelhanças e diferenças nos estilos de vida 
– desse modo uma camada que possui estilo de vida 
semelhante, provavelmente, poderá ser um estrato; 
2) compreender as oportunidades – se uma dada camada social 
possui possibilidades de acesso a empregos, riquezas, poder e 
prestígio semelhantes, possivelmente será um estrato. Assim, 
é da conjugação de estilo de vida e oportunidades semelhantes 
que Weber nos ajuda a identificar um estrato social.
Legitimação da estratificação: aceitação
A estratificação social pode ser analisada como um fato social, ou 
seja, como algo que é exterior, geral e coercitivo. É exterior, pois 
independe da vontade individual e perdura de geração a geração; 
é geral, pois está disseminada nas crenças, valores e práticas 
sociais de maneira coletiva; é coercitiva, pois ninguém escolhe 
o estrato social a que faz parte, nem as regras e normas que já 
foram estabelecidas socialmente. De modo geral, a estratificação 
social não é apenas a distribuição ou divisão da sociedade em 
camadas, ela é também composta de um sistema simbólico de 
crenças, normas e valores que legitimam, regulame interpretam a 
distribuição desigual de recompensas sociais:
O poder de influencia dos homens comuns é 
circunscrito pelo mundo do dia a dia em que vivem, 
e mesmo nesses círculos de emprego, família e 
vizinhança frequentemente parecem impelidos por 
forças que não podem compreender nem governar. 
As grandes mudanças estão além de seu controle, 
mas nem por isso lhes afetam menos a conduta e as 
perspectivas (MILLS, 1975. p.11).
O sistema de estratificação medieval, neste caso estamental, tinha 
como base as justificativas religiosas como sistema simbólico de 
legitimação e normalização. Assim, a Igreja dizia que Deus havia 
distribuído os papéis sociais na humanidade: aqueles que deveriam 
rezar pela salvação da humanidade, aqueles que deveriam governar 
e proteger o povo e aqueles que deviam trabalhar para alimentar e 
sustentar os que governavam e os que rezavam. 
FILOSOFIA98
Desse modo, os nobres nascem nobres, pois Deus os deu a nobreza 
e a virtude para comandar e não trabalhar, pois o trabalho seria 
algo doloroso e produto do pecado que expulsou a humanidade 
do paraíso divino. O clero seria o responsável pelas orações 
e salvação dos pecadores e, por fim, os camponeses e artesãos 
seriam os desprestigiados que deveriam trabalhar para sustentar os 
estamentos superiores e assim, pagar seus pecados na vida terrena.
Este sistema de crenças da religião cristã medieval fundamentou 
e legitimou a estratificação social em estamentos, de modo que 
a população como um todo aceitasse que esse sistema era justo, 
correto e verdadeiro. Esse modelo de configuração social só será 
questionado e derrubado com o advento do modo de produção 
capitalista e o estabelecimento de uma sociedade de classes, após as 
revoluções burguesas (Revolução Inglesa, Francesa, Independência 
dos Estados Unidos etc.).
Conceito básico para compreensão da estratificação
Mobilidade social
Mobilidade social é toda movimentação ou passagem de um 
indivíduo de um grupo social (estrato) para outro, ou dentro do seu 
próprio sistema de posições inter-grupro (posição social) dentro do 
rol de status e camadas sociais.
Podemos definir dois tipos de mobilidades sociais: a vertical e a 
horizontal.
Mobilidade vertical é a passagem de um indivíduo de um grupo 
inferior para um superior, ou seja, é o movimento ascendente na 
pirâmide de estratificação. Exemplo: um indivíduo que era de 
classe média dentro de uma sociedade secularizada e racional 
(sociedade de classes) consegue melhores postos de trabalho, 
passa de operacional para superintedente executivo geral de uma 
grande empresa multinacional. Neste exemplo, o indivíduo não 
muda apenas de emprego, mas de grupo social a que faz parte, pois 
gradativamente acessará mais oportunidades e consequentemente 
Fonte: http://4.
bp.blogspot.com/_
UyMJAeDlF9w/SPiniO0t0aI/
AAAAAAAAA7M/56Ep4nHs6dk/
s400/Pir%C3%A2mide+Social.jpg
Figura 1
SOCIOLOGIA GERAL | unIdAdE 4 99
compartilhará de um estilo de vida mais sofisticado, saindo assim 
da classe média-baixa para a classe média alta.
Há dois tipos de mobilidade vertical, a ascendente em que um 
indivíduo passa de um estrato inferior em status, oportunidades e 
acesso aos bens valorizados socialmente, para um estrato superior 
(ascensão social); e descendente – quando um indivíduo passa de 
um grupo de maior status para um de status inferior.
Um exemplo contemporêneo de mobilidade ascendente está em 
paralelo com os processos de migração social. No Brasil há uma 
tendência de vinda de indivíduos do centro-sul, que não conseguiram 
se estabelecer no mercado de trabalho, para o nordeste, onde há 
“supostamente” menor quantidade de profissionais qualificados. 
Nesses termos, assistimos no Nordeste brasileiro uma ampla 
migração de pessoas que no centro-sul estavam em classes 
desfavorecidas pela falta de vagas no mercado de trabalho e, ao 
chegarem no Nordeste, ocupam cargos mais qualificados, saindo, 
dessa maneira, da esfera de classe estratificamente menos 
favorecida para alcançar prestígio nessa região.
A mobilidade descendente ocorre quando um indivíduo perde 
o prestígios e o status inerente à sua classe, assim decaindo na 
pirâmide social. Um exemplo disso pode ser dado na passagem do 
antigo regime para o sistema capitalista na Europa, onde os nobres 
e clero eram as camadas sociais de maior prestígio e, após as 
Revoluções Burgueseas, tornaram-se classes inferiores, enquanto 
a burguesia tomava as rédeas do processo sócio-histórico. Assim a 
burguesia:
[...] passou a dominar, destruiu as relações feuda-
is, patriarcais e idílicas. Dilacerou sem piedade os 
laços feudais, tão diferenciados, que mantinham 
as pessoas amarradas a seus ‘superiores naturais’, 
sem pôr no lugar qualquer outra relação entre os 
indivíduos que não o interesse nu e cru do paga-
mento impessoal e insensível ‘em dinheiro’. [...] 
Em uma palavra, no lugar da exploração encoberta 
por ilusões religiosas e políticas ela colocou uma 
exploração aberta, desavergonhada, direta e seca 
(MARX; ENGELS, 1988, p. 10).
FILOSOFIA100
Nesse tipo de mobilidade o indivíduo muda de status e de camada 
social. Fato que não ocorre na mobilidade horizontal.
A mobilidade horizontal é aquela em que o indivíduo muda apenas 
de posição social inter-grupo. Essa mobilidade acontece quando o 
indivíduo muda de status mas não de grupo social. O exemplo bem claro 
disso é quando um indivíduo exerce a função de professor de Ensino 
Médio e depois consegue, por mérito e competência comprovada, 
passar para o cargo de professor de nivel superior. Nesses termos, o 
indivíduo continuará na classe média, porém com mudança de posição 
e status dentro do seu próprio estrato social. Conforme Weber, nesne 
tipo de mobilidade não há alteração no estilo de vida nem no acesso 
a novas oportunidades. Segundo Nova (2008, p. 155):
Se um indivíduo muda de emprego, ou mesmo de 
ocupação, mas não altera substancialmente as 
suas oportunidades de vida, mesmo que essa mu-
dança tenha resultado em aumento ou diminuição 
de seus ganhos pecuniários, houve aí mobilidade 
horizontal.
Sociedades abertas e fechadas
Sociedades abertas são aquelas em que a organização social é 
considerada secularizada, ou seja, em que prevalece a racionalidade 
e o utilitarismo em detrimento da tradição e dos costumes. Nessa 
configuração social os indivíduos tendem a ter maiores mecanismos 
que possibilitam oportunidades de mudança de status. Em uma 
sociedade de classes, sociedade capitalista, há canais em que 
o indivíduo pode lutar para se mover socialmente: através da 
qualificação profissional, empreendedorismo, negócios etc.
Por outro lado, existem sociedades fechadas, aquelas em que a 
tradição, os costumes e os laços de sangue são mais importantes 
do que a obtenção de riquezas como fundamento do status social. 
Os dois grandes exemplos desse tipo de configuração são as castas 
e os estamentos. Em ambas, o estrato que um indivíduo pertence 
é dado pelo nascimento e tradição, nesses termos não há como 
mudar de camada social. 
SOCIOLOGIA GERAL | unIdAdE 4 101
Porém, é importante destacar que nas sociedades aristocráticas, 
no caso a estamental, há uma pequena possibilidade de 
mobilidade, como ocorria na Idade Média (compra de títulos 
de nobreza, a nobreza de toga). Observe os critérios de 
estratificação social:
• distribuição de renda: desigualdade econômica;
• distribuição de capital cultural: acesso a educação e bens 
culturais;
• distribuição de papéis sociais: profissões diferenciadas de 
acordo com as classes sociais;
• divisões por nacionalidade e etnia;
• castas ou estamentos: não há mobilidade social;
• classes sociais: sociedade burguesa;há a possibilidade de 
mobilidade.
Os tipos de estratificação social
Castas
O sistema de estratificação por castas fundamenta o que 
chamamos, anteriormente, de uma sociedade fechada, em que a 
mobilidade social é interditada pela fundamentação herdada da 
posição social e status. Desse modo, nesse sistema, as hierarquias 
e status social são definidos de geração a geração por herança e 
nascimento.
Nas castas o status, oportunidades e estilo de vida serão definidos 
pelo nascimento e hereditariedade, desse modo quem nasce párea, 
morrerá párea. Mesmo que um estrato inferior adquira riquezas 
econômicas, este não terá ascensão social, pois o parâmetro para 
tal é o prestígio e nobreza herdado de sua família.
A configuração em castas mais conhecida é a da índia, chamado de 
sistema Vama, este estrutura-se:
Fonte: http://pt.wikipedia.org/
wiki/Ficheiro:Caste_AS.jpg
Figura 2
FILOSOFIA102
• Brahmin (cabeça): é a casta mais elevada e de maior prestígio, 
representa a cabeça de BRAHMA (entidade religiosa hindu). 
Esse estrato social é formado por aqueles que, supostamente, 
possuem maior sabedoria e desapego por terem nascido da 
cabeça de Brahma. Seriam os sacerdotes, filósofos e professores.
• Ksatrya (braços): são os responsáveis pela defesa do povo e 
dos estratos pensadores, supostamente teriam se originado 
dos braços de Brahma. Esse estrato social também é dotado 
de prestígio e grande nobreza, dele faz parte os militares e os 
governantes. 
• Vaishya (perna): está é a camada social responsável pelos 
negócios, trabalho agrícola e comércio, possuem grande capital 
financeiro, mas menor prestígio e nobreza. Esse estrato tem 
como origem mitológica as pernas de Brahma, assim, compõe-
se de comerciantes e agricultores.
• Shudra (pés): é a camada social de menor prestígio e nobreza, 
são os descendentes dos pés de Brahma, por isso são responsáveis 
pelos trabalhos manuais considerados de menor prestígio e 
nobreza. Essa classe é formada pelos artesãos, operários e 
camponeses.
Esse sistema de castas indiano foi abolido com a implantação da 
Constituição de 1949, porém a força da tradição e dos costumes 
não foi ainda totalmente superada pela secularização das normas 
(elaboração do direito positivo, direito de Estado). Destarte, há na 
índia contemporânea dois sistemas de estratificação: a tradicional 
casta, e o secular sistema de classes.
Por ser um sistema em que o status e prestígio são transmitidos por 
nascimento, há grandes restrições nos casamentos entre estratos 
diferentes. Na realidade, é proibido o casamento entre estratos 
desiguais, assim, um shudra nunca poderá casar-se com um vaishya. 
Esse sistema de casamentos endogâmicos permite a imobilidade 
social e a reafirmação do sistema de estratificação.
SOCIOLOGIA GERAL | unIdAdE 4 103
ANA E O REI (1999)
SinopSe: Em 1860, a inglesa Anna Leonowens (Jodie Foster), viúva, viaja 
até o Sião para ser tutora dos 58 filhos do Rei Mongkut (Chow Yun-Fat). 
Divergências, choque de culturas e até o início de um romance marcam o 
relacionamento entre Anna e Mongkut. (http://www.adorocinema.com/
filmes/anna-e-o-rei/)
Direção: Andy Tennant
Gênero: Drama
elenco: Jodie Foster, Chow Yun-Fat, Ling Bai, Tom Felton, Randall Kim, 
Kay Siu Lim, Melissa Campbell e Keith Chin.
Classes
A estrutura de classes sociais é típica de sociedades 
racionalizadas pela secularização gerada 
pelo modo de produção urbano-industrial. As 
sociedades abertas são exatamente as sociedades 
com estratificação em classes sociais.
Os fundamentos de uma estratificação em classes 
sociais é o acesso a riquezas, propriedades de bens 
e meios de produção. Em uma sociedade de classes 
a divisão em camadas revela a desigualdade eco-
nômica propriamente dita. Como as diferenças de 
estilo de vida, oportunidades e status têm como 
elemento fundamental o fator riquezas, abre-se 
a possibilidade de maior mobilidade social, pois 
há uma máxima na sociedade capitalista: “se você 
trabalhar poderá alcançar grandes riquezas”.
É lógico que dentro de um sistema de classes as 
oportunidades de ascensão são mais amplas, porém, 
não quer dizer que são fáceis. Alcançar os altos setores sociais, as 
classes altas, requerer janelas de acesso que não são tão amplas. É 
importante deixar claro que na sociedade de classes há pelo menos 
a possibilidade, ainda que difícil e restrita, de mobilidade social.
Fonte: http://horaderelaxar.com.br/wp-content/
uploads/2008/11/piramede-do-capitalismo-1.jpg
Figura 3
FILOSOFIA104
É fácil escutar nos dias atuais que se você buscar qualificação, cur-
sos universitários, mestrados, doutorados, alcançará ascensão so-
cial. Dentro de uma sociedade de classes, a qualificação profissio-
nal pode ser uma via de ascensão, desde que haja um mercado de 
trabalho com carências nas áreas da qualificação. Em casos em que 
o mercado de trabalho não está aberto, e nem necessita de maio-
res qualificações, a educação acaba por produzir mais frustrações 
sociais que ascensão.
Caso ocorra ascensão social de um setor pobre para um setor elite 
(ganho de um prêmio na loteria, jogador de futebol) a assimilação 
e incorporação à classe mais alta, pelo menos no sentido do estilo 
de vida, não ocorre automaticamente. Esse indivíduo, também co-
nhecido como “novo rico”, obterá maiores oportunidades de aces-
so aos bens e serviços, mas demandará tempo para sua adaptação 
ao novo estilo de vida, e não será aceito de imediato.
Nas sociedades capitalistas podemos 
definir três grandes estratos sociais: 
elite (composta pela elite política e 
por proprietários dos meios de produ-
ção e das maiores fontes de riqueza, 
poder político e intelectual); classe 
média (estrato intermediário forma-
da por profissionais liberais, médicos, 
advogados, professores, contadores, 
altos funcionários públicos); pobres 
(são os trabalhadores e operários que 
possuem apenas sua força de traba-
lho e vivem de salário).
Conforme Marx, as classes são produtos da estrutura econômica, 
são efeitos da estrutura (ver capítulo 2). É da divisão social do tra-
balho que surgiriam as classes. O autor define que classes sociais 
são divisões da sociedade que surgiram em decorrência de confli-
tos e antagonismos gerados pela desigualdade de condições e de 
propriedade dos meios de produção e riquezas. Desse modo, Marx 
concebe que em uma sociedade de classes o que move os processos 
de transformação são conflitos entre classes: luta de classes. 
Fonte: http://parroquiaicm.files.
wordpress.com/2008/07/capitalismo.
jpg
Figura 4
SOCIOLOGIA GERAL | unIdAdE 4 105
A PROCURA DA FELICIDADE (2006)
SinopSe: Chris Gardner (Will Smith) é um pai de família que enfrenta 
sérios problemas financeiros. Apesar de todas as tentativas em man-
ter a família unida, Linda (Thandie Newton), sua esposa, decide par-
tir. Chris agora é pai solteiro e precisa cuidar de Christopher (Jaden 
Smith), seu filho de apenas 5 anos. Ele tenta usar sua habilidade 
como vendedor para conseguir um emprego melhor, que lhe dê um 
salário mais digno. Chris consegue uma vaga de estagiário numa im-
portante corretora de ações, mas não recebe salário pelos serviços 
prestados. Sua esperança é que, ao fim do programa de estágio, ele 
seja contratado e assim tenha um futuro promissor na empresa. 
Porém seus problemas financeiros não podem esperar que isso ac-
onteça, o que faz com que sejam despejados. Chris e Christopher 
passam a dormir em abrigos, estações de trem, banheiros e onde quer 
que consigam um refúgio à noite, mantendo a esperança de que dias 
melhores virão. (http://www.adorocinema.com/filmes/a-procura-
da-felicidade)
Direção: Gabriele Muccino 
Gênero:Drama
elenco: Will Smith, Jaden Smith, Thandie Newton, Brian Howe, 
James Karen.
Estamento
Forma de estratificação social típica das sociedades aristocráti-
cas. Nela o prestígio tem peso maior que a riqueza; assim, o 
nobre, mesmo empobrecido, não perde o prestígio recebido 
por herança.
A localização do indivíduo na hierarquia social não é so-
mente uma realidade econômica, mas de direito, ou 
seja, o nobre é superior, pois nasceu nobre, e o plebeu 
é inferior por nascer plebeu. Nessas sociedades, os di-
reitos e deveres dos membros dos estamentos são defi-
nidos por lei.
Fonte: http://farm4.static.flickr.
com/3228/2856323360_caed42b891.jpg
Figura 5
FILOSOFIA106
Até o século XVIII, a França estava dividida em três estamentos: 
nobreza, alto clero e Terceiro Estado. Este último heterogêneo: 
camponeses, artesãos, comerciantes, banqueiros etc. Dentro dele 
temos a burguesia, categoria social dedicada às atividades comer-
ciais e financeiras, com grande poder econômico, mas sem prestígio 
político.
A Revolução Francesa (1789) extinguiu a diferenciação legal dos 
indivíduos proclamando a igualdade dos cidadãos perante a lei, o 
que permitiu à burguesia se afirmar politicamente. Com a extinção 
da sociedade estamental e ascensão política da burguesia, nasce a 
sociedade de classes.
CASTRO, A. M. de. Introdução ao pensamento sociológico: coletâ-
nea de textos. São Paulo: Centauro, 2001.
CHINOY, Ely. Sociedade: uma introdução à Sociologia. 20. ed. São 
Paulo: CULTRIX, 2008.
MARX, Karl; ENGELS, Friedrich. O manifesto comunista: 150 anos 
depois. Rio de Janeiro: Contraponto; São Paulo: Perseu Abramo, 
1998.
TURNER, Jonathan. Sociologia: conceitos e aplicações. São Paulo: 
MAKRON BOOKS, 2000.
VILA NOVA, Sebastião. Introdução à Sociologia. São Paulo: 
Atlas,2008.
WEBER, Max. Economia e Sociedade. Brasília: UnB, 1991.
Faça um organograma que descreva a estrutura de status e 
papel que você faz parte na sociedade.
Conceitue e exemplifique os tipos de estrutura social.
1
2
3
SOCIOLOGIA GERAL | unIdAdE 4 107
Diferencie os tipos de estratificação social.
O sistema de castas da Índia é uma divisão social importan-
te na sociedade Hindu, não apenas na índia, mas no Nepal 
e noutros países e populações de religião Hindu. Embora 
geralmente identificado com o hinduísmo, o sistema de cas-
tas também foi observado entre seguidores de outras re-
ligiões no subcontinente indiano, incluindo alguns grupos 
de muçulmanos e cristãos. A Constituição Indiana rejeita a 
discriminação com base na casta, em consonância com os 
princípios democráticos e seculares que fundaram a nação. 
Barreiras de casta deixaram de existir nas grandes cidades, 
mas persistem principalmente na zona rural do país.
(http://pt.wikipedia.org/wiki/Sistema_de_castas_
da_%C3%8Dndia).
Levando em consideração o texto acima, por que o sis-
tema de castas na Índia ainda persiste nas regiões rurais, 
apesar da abolição? Pesquise na internet para fundamen-
tar sua resposta.
4
OBJETIVO DESTA UNIDADE:
UNIDADE
5
OBJETIVOS DESTA UNIDADE
Apresentar o conceito 
e função de instituições 
sociais; 
Apresentar as principais 
instituições sociais na 
vida moderna com seus 
elementos básicos.
INSTITUIÇÕES SOCIAIS
O que queremos dizer quando falamos que a família, a educa-
ção, a religião, o governo, a economia são instituições sociais? 
Qual a função das instituições sociais em nossas vidas?
Nesta unidade pretendemos responder essas questões estudan-
do mais detalhadamente algumas das principais instituições 
presentes em nosso cotidiano.
Émile Durkheim, na obra As regras do método sociológico, apre-
sentou a sociologia como “ciência das instituições, de sua gênese 
e de seu funcionamento” Durkheim (apud NOVA, 2000, p. 161).
O qUE É UMA INSTITUIÇÃO SOCIAL?
Instituições sociais são conjuntos de valores, crenças, normas, 
status (posições) e papéis referentes a campos específi cos de 
atividade e necessidade humanas. Elas estabelecem o modo 
socialmente aceito de satisfazer determinadas necessidades e 
realizar certas atividades (NOVA, 2000). Assim, elas podem 
Status é a posição socialmente 
identifi cada que cada um dos 
indivíduos ocupa na estrutura 
social. Isto é, é o lugar que 
ocupamos nas instituições que 
pertencemos.
Papel é o comportamento 
normatizado e imposto 
socialmente que adotamos ao 
ocuparmos determinados status 
ou posições em cada instituição 
a qual pertencemos.
FILOSOFIA110
ser vistas como um tipo especial de estrutura social que tem por 
função responder aos problemas humanos básicos sejam eles sociais 
ou biológicos, tais como garantir alimentação, abrigo, proteger e 
socializar as crianças, isto é, para manter efetivamente organizada 
a sociedade, através da regulamentação e do controle da população 
(TURNER, 2000).
Nesse sentido, podemos dizer que as instituições são componentes 
que garantem estabilidade às sociedades. Para Nova (2000, p. 16):
As instituições são criadas para resolver os proble-
mas que cercam os homens, mas acabam ganhando 
vida própria ao serem impregnadas de símbolos 
culturais.
As instituições tendem a se multiplicar com a complexidade da vida 
moderna. Além disso, elas são inter-relacionadas.
Cabe frisar que, como salientou Nova (2000), quando falamos em 
instituições não estamos nos referindo a algo concreto, observável 
diretamente na sociedade. O termo instituição é uma construção 
teórica. O que observamos no real são grupos (primários como 
família, ou secundário como escola) que congregam coletividades 
reais. Nesse sentido, não observamos a família brasileira enquanto 
instituição, mas como uma amostra estatisticamente significativa 
de famílias que nos possibilita identificarmos características dos 
padrões culturais (valores, crenças, normas, comportamentos 
padronizados) dominantes na organização das relações de 
parentesco no Brasil.
Você pode se perguntar agora: toda família organiza-se da mesma 
forma como a identificada enquanto família brasileira? A resposta 
é não. Algumas instituições são universais, existem em termos 
evidenciais em todos os tipos de organização social, ou seja, em 
todo tipo de sociedade. Essas instituições universais, chamadas de 
axiais, segundo Nova (2000, p. 161), “são centrais para a solução 
de um conjunto de atividades relativas à satisfação de necessidades 
humanas particulares, tais como família, religião”.
Apesar dessas instituições serem universais, isto é, estarem 
presentes em todas as formas de sociedade, sejam elas urbanas/
industriais, rurais/agrárias, modernas ou tribais, elas variam na 
SOCIOLOGIA GERAL | unIdAdE 5 111
forma de apresentação de sociedade para sociedade, por exemplo, 
a composição familiar da sociedade brasileira envolvente não é a 
mesma da família indígena timbira, que por sua vez pode variar de 
povo para povo, mas, no geral, a família timbira apresenta: 
casamento monogâmico, implicando na transferên-
cia do marido para casa onde vive a mulher. A união 
se torna estável depois do nascimento do primeiro 
filho. Mas há ampla liberdade sexual para solteiros 
e casados. Casas contíguas oriundas do desdobra-
mento de uma casa anterior são, por força da re-
gra de residência pós-marital, relacionadas entre 
si por linha feminina e formam uma unidade social. 
As pessoas nascidas num mesmo segmento de ca-
sas desse tipo não casam entre si. Tais segmentos 
são, pois, exogâmicos (http://www.amazoniama-
ranhense.com.br/paggaviao3.html).
Considerando que as instituições enquanto tais são abstrações teóricas, 
iremos apresentar algumas das principais instituições sociais.
FAMíLIA E PARENTESCO
A família é a primeira instituiçãosocial duradoura na história 
humana. Ela refere-se, segundo Nova (2000, p. 164), “à 
orientação e à regulamentação das relações de parentesco, 
da procriação, das relações sexuais e da transmissão dos 
componentes intermentais básicos da sociedade”. Ela é “um 
grupo de pessoas unidas diretamente por laços de parentesco, 
no qual os adultos assumem a responsabilidade de cuidar das 
crianças” (GIDDENS, 2000, p. 176). Por laços de parentesco 
entendemos que são “relações entre indivíduos estabelecidas 
através do casamento ou por meio de linhas de descendência 
que ligam familiares consanguíneos” (idem). Enquanto que 
o casamento pode ser entendido como uma união sexual e 
econômica entre dois indivíduos adultos, reconhecida e aceita 
socialmente. Assim sendo, numa perspectiva funcionalista, 
podemos dizer, segundo Turner (2000, p. 137), que “as relações 
Timbira é o nome que 
designa um conjunto de 
povos: Apanyekrá, Apinayé, 
Canela, Gavião do Oeste, 
Krahó, Krinkatí, Pukobyê. 
Outras etnias timbira já não 
se apresentam como grupos 
autônomos: os poucos nume-
rosos Krenyê e Kukoikateyê 
vivem entre os Tembé e 
Guajajara, que falam uma 
língua tupi-guarani (Tene-
tehara); os Kenkateyê, Kre-
pumkateyê, Krorekamekhrá, 
Põrekamekrá, Txokamekrá, 
recolheram-se e se dissol-
veram entre alguns dos sete 
povos timbira inicialmente 
enumerados. Os grupos 
timbira se localizam no sul 
do Maranhão, leste do Pará e 
norte do Tocantins. (http://
www.amazoniamaranhense.
com.br/paggaviao.html).
FILOSOFIA112
de família e parentesco preenchem certas condições básicas de 
sobrevivência”, isto é, têm por função garantir a manutenção 
do grupo social. 
As relações de parentesco sempre foram de fundamental 
importância para o funcionamento de outras instituições antigas 
(economia, educação, religião, política e governo), embora 
esse vínculo entre elas tenha se afrouxado ao longo dos anos, 
principalmente nas sociedades ocidentais, pois em algumas 
culturas mais tradicionais, como a indiana, ele ainda se mantém 
enraizado e, no caso do Brasil, apesar da nossa legislação vetar, 
por exemplo, o nepotismo, isto é, prática de empregar no 
funcionalismo público pessoas com vínculo de parentesco, essa 
ação ainda persiste.
Formas de organização das famílias
As formas de organização das famílias variam de sociedade 
para sociedade, refletindo as necessidades de sobrevivência 
particulares de cada uma. As regras para o casamento (enquanto 
criador e sustentáculo da família e dos sistemas de parentesco) 
são determinadas por normas culturais que definem quando e 
com quem casar. A escolha do parceiro nem sempre foi livre e 
em algumas sociedades ainda há situações de imposição. 
Em alguns sistemas de parentesco o casamento deve ser 
exogâmico, isto é, ocorrer fora da unidade familiar ou da 
comunidade, já em outros o que vale é a endogamia, isto 
é, casamento dentro do grupo específico. No geral as regras 
que regem o casamento passam pelo filtro da “proibição do 
incesto”, isto é, interdição do casamento (ou relação sexual) 
entre pessoas com determinado grau de parentesco. Observe 
que a interdição se dá baseada na relação de parentesco e não 
na consanguinidade, portanto, a explicação para a proibição do 
incesto não pode ser sustentada apenas com base nos problemas 
genéticos que podem surgir.
Nepotismo (do latim nepos, 
neto ou descendente) é 
o termo utilizado para 
designar o favorecimento de 
parentes em detrimento de 
pessoas mais qualificadas, 
especialmente no que diz 
respeito à nomeação ou 
elevação de cargos.
Originalmente a palavra 
aplicava-se exclusivamente 
ao âmbito das relações do 
papa com seus parentes, 
mas atualmente é utilizado 
como sinônimo da concessão 
de privilégios ou cargos a 
parentes no funcionalismo 
público. Distingue-se do 
favoritismo simples, que não 
implica relações familiares 
com o favorecido (http://
pt.wikipedia.org/wiki/
Nepotismo).
SOCIOLOGIA GERAL | unIdAdE 5 113
Segundo Lobato (1999, p. 15 ):
A prevalência dos laços de parentesco sobre os de 
consanguinidade, na instituição da proibição do 
incesto, aparece claramente em sociedades cujo 
sistema de parentesco é unilinear. Com efeito, 
nessas sociedades a relação tida como incestuosa 
atinge certos parentes, os primos paralelos (filhos 
de irmãos do mesmo sexo), que, do ponto de vista 
da consanguinidade, são idênticos aos primos 
cruzados (filhos de irmãos de sexo diferente), sobre 
cujo relacionamento não há nenhuma interdição, 
uma vez que, de acordo com o sistema unilinear, 
eles não são parentes entre si, já que cada um deles 
pertence a um grupo de parentesco diferente. 
Para uma discussão mais aprofundada sobre o tabu do incesto veja 
Claude Lévi-Strauss (1970 - 1976). Ele foi um antropólogo, profes-
sor e filósofo francês. É considerado o fundador da antropologia 
estruturalista e o seu livro As estruturas elementares do paren-
tesco publicado em 1949 é um dos mais importantes estudos sobre 
família já realizado. O título é uma paráfrase ao título do livro de 
Émile Durkheim, As formas elementares da vida religiosa (http://
pt.wikipedia.org/wiki/Claude_L%C3%A9vi-Strauss). Outra referên-
cia relevante é o livro A origem da família, propriedade privada e 
Estado, de Engels, em que se discute o papel da propriedade priva-
da nos processo de definição da família enquanto instituição social, 
e o surgimento da família nuclear burguesa.
Assim, uma explicação pautada na biologia não se sustenta. Também 
não se sustenta uma explicação pautada na psicologia que nos 
levaria a pensar numa repulsa natural do desejo por determinadas 
categorias de parentes. Se houve essa naturalização não seria 
necessário a sociedade estabelecer a norma da proibição. Esta se 
torna naturalizada por meio do processo de socialização.
Segundo Turner (2000, p.138) as regras de 
parentesco são importantes também para 
determinar as regras de descendência, 
isto é, determinar o lado da família que 
deve ser considerado o mais importante. 
Neste caso há três possibilidades: 1) 
descendência patriarcal que se pauta na 
figura masculina, portanto, é a família do 
Socialização é a assimilação de 
hábitos característicos do grupo 
social ao qual pertencemos. É 
todo o processo através do qual 
um indivíduo se torna membro 
funcional de uma comunidade, 
assimilando a cultura que lhe é 
própria. É um processo contínuo 
que nunca se dá por terminado. 
Socialização é o processo através 
do qual o indivíduo se integra no 
grupo em que nasceu adquirindo 
os seus hábitos e valores 
característicos. A socialização 
é, portanto, um processo 
fundamental, não apenas para a 
integração do indivíduo em sua 
sociedade, mas, também, para a 
continuidade dos sistemas sociais. 
Fonte: http://3.bp.blogspot.
com/_sgBxk4viPT0/SNKkjSXBJZI/
AAAAAAAAABU/pZrjjV2F3zc/
s1600-h/familia.jpg
Figura 1 - A família nuclear
FILOSOFIA114
pai a mais importante; 2) descendência matriarcal que é pautada 
na figura da mulher, sendo os parentes homens das mulheres os 
principais transmissores da propriedade e da autoridade; e 3) 
descendência bilateral, em que ambos os lados tem a mesma 
importância.
Outra forma de organização das famílias passa 
pela composição de seus membros. Dessa maneira, 
tem-se a chamada família nuclear, composta por 
dois adultos (figura paterna e materna), vivendo 
juntamente com seus filhos. Essa é a típica família 
urbano-industrial. Por outro lado, tem-se a chamada 
família extensa, composta por duas ou mais famílias 
nucleares ligadas por consanguinidade, casamento 
ou agregação, geralmente avós, tios, irmãos etc. 
Como exemplo desse tipo de composição familiar tem-se as famíliastradicionais agrárias.
A composição numérica das famílias geralmente dá-se baseada 
na necessidade de sobrevivência do grupo, isto é, em muitas 
sociedades as famílias extensas são unidades de consumo e 
produção, necessitando, portanto, da força de trabalho de seus 
membros. Esse é o caso, por exemplo, das famílias extensas no 
meio rural. Já as famílias nucleares, predominantes nos centros 
urbanos, são apenas unidades de consumo e o seu tamanho ideal, 
portanto, deve ser pequeno.
A família nuclear é considerada pela teoria funcionalista como o 
modelo organizacional particularmente apropriado para garantir 
a sobrevivência da sociedade, uma vez que a sua universalidade 
e difusão são evidências “da sua capacidade de fornecer a base 
para a regulação da atividade sexual, a cooperação econômica, 
a reprodução, a socialização e o apoio emocional” (MURDOCK; 
PARSONS apud BRYM, 2006, p. 360). 
A família nuclear pode ser expandida “horizontalmente” através 
da poligamia ao acrescentar mais de um cônjuge à família. A 
poligamia ainda é legalmente permitida em alguns países da 
áfrica e da ásia, no Brasil ela é permitida pela Constituição 
Poligamia. União conjugal 
de um idivíduo com vários 
outros, simultaneamente
Fonte: http://acertodecontas.blog.br/wp-content/
uploads/2008/09/j-b-debret.jpg
Figura 2 - A família extensa
SOCIOLOGIA GERAL | unIdAdE 5 115
de 1988 aos grupos indígenas devido o reconhecimento da 
autonomia de suas regras de parentesco. Porém, a poligamia, 
onde é aceita, nem sempre é permitida a todos os membros da 
sociedade, até mesmo entre alguns grupos indígenas brasileiros 
ela é um privilégio restrito a determinados indivíduos que se 
encontram no topo da hierarquia social, como, por exemplo, 
entre os tupinambás, em que a maioria dos homens só possui 
uma única esposa, mas os grandes guerreiros e caciques podem 
usufruir da poligamia (RAMINELLI apud BRYM, 2006, p. 360). Cabe 
ressaltar que o fator econômico é importantíssimo para a prática 
da poligamia onde ela é aceita, pois na maioria das sociedades 
poligâmicas as famílias tendem à monogamia (casamento com 
um único cônjuge) devido à falta de condições materiais para o 
sustento de muitas mulheres e filhos, no caso da poliginia. Não 
podemos esquecer que existe também a poliandria, isto é, o 
casamento de uma mulher com mais de um marido, embora seja 
muito menos comum.
Cabe ressaltar que a família nuclear poligâmica não se confunde 
com a família extensa, na medida em que esta se expande 
“verticalmente”, acrescentando à família nuclear membros de 
outras gerações.
O desenvolvimento da vida familiar
Segundo Giddens (2002, p. 178), o sociólogo e historiador Lawrence 
Stone realizou um estudo sobre as mudanças na vida familiar, 
percorrendo um período de trezentos anos, indo desde as formas 
medievais europeias até as famílias modernas. Com esse estudo o 
autor distinguiu três fases de desenvolvimento da família: do início 
do século XVI a estrutura familiar predominante era a nuclear 
que vivia numa habitação modesta e inserida em relacionamentos 
comunitários, incluindo outros parentes. Segundo Stones (apud 
GIDDENS), nessa época, as pessoas não obtinham intimidades 
emocionais na vida familiar, nem o sexo no casamento era visto como 
fonte de prazer, mas apenas como necessário para a procriação. 
FILOSOFIA116
Também não havia liberdade de escolha do parceiro, tudo estava 
atrelado a interesses diversos, fossem dos pais, parentes ou da 
própria comunidade. Stones entendia a família dessa época como 
“uma instituição flexível, discreta, impassível e autoritária, era, 
ainda, efêmera devido a morte prematura dos maridos ou esposas”.
Do início do século XVII até o início do século XVIII predominou a 
família nuclear autônoma dos laços de parentesco e da comunidade 
local, começando a enfatizar o amor conjugal e paternal.
Na última fase identificada por Stones, segundo Giddens (2002, 
p. 178), desenvolveu-se gradualmente o modelo de sistema 
familiar que se tornou típico nos países ocidentais. Nesse tipo de 
organização familiar os grupos são formados por laços emocionais, 
a partir de escolhas pessoais guiadas por atração sexual ou pelo 
amor romântico que serão exaltados no seio do casamento e não 
em relações extraconjugais. As famílias possuem alto nível de 
privacidade e preocupam-se com a criação e educação dos filhos.
Mudanças nos padrões familiares
Apesar dessa identificação de formas de organização familiar 
realizada por Stones, existe uma diversidade de arranjos familiares 
no mundo. Alguns sociólogos funcionalistas, como Popenoe (apud, 
BRYM, 2006, p. 359) “acreditam na redução da família com base 
em uniões formais entre homens e mulheres e no aumento da 
incidência da mãe que trabalha fora como o responsável por muito 
das “patologias sociais”. Já outro grupo de sociólogos, influenciado 
pela teoria do conflito e pela teoria feminista, argumenta que não 
se pode falar em a família (no singular), pois esta instituição social 
não assume só uma forma. As famílias se estruturam, segundo 
eles, conforme as exigências das pressões sociais, além disso, 
esses novos arranjos não levam necessariamente a deterioração 
da qualidade de vida das pessoas. Muito pelo contrário, pode 
contribuir para melhorar a vida de homens, mulheres e crianças. 
Assim sendo, a família nuclear tradicional tende a dividir espaço 
com outras formas de arranjos familiares.
SOCIOLOGIA GERAL | unIdAdE 5 117
Um exemplo desses novos arranjos é o casamento entre pessoas do 
mesmo sexo. Atualmente oito países (Holanda, Bélgica, Canadá, 
Hungria, Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Islândia, Espanha e 
Alemanha) reconhecem a união entre homossexuais, concedendo-lhes 
os direitos de um casamento legal. Canadá, Holanda e Bélgica foram os 
três primeiros a legalizar o casamento entre pessoas do mesmo sexo.
As famílias homossexuais e heterossexuais diferem, segundo 
Brym (2006), quanto ao grau de satisfação conjugal quando têm 
filhos, isto é, casais de lésbicas com filhos têm mais satisfação 
conjugal do que os casais que não os têm, enquanto que nos casais 
heterossexuais ocorre o contrário, segundo Koepke e Moran (apud 
BRYN, 2006, p. 383).
Outra diferença apontada pelos autores é o tempo de dedicação 
das parceiras das mães lésbicas com relação aos parceiros das mães 
heterossexuais, as primeiras dedicam mais tempo cuidando dos fi-
lhos do que os segundos. 
Além disso, segundo Zinn e Eitzen (apud BRYN, 2006, p. 384),
[...] há uma tendência dos casais homossexuais a 
serem mais igualitários e dividirem com mais igual-
dade as decisões e as tarefas domésticas, igualdade 
essa propiciada pelo fato dessas pessoas terem a 
mesma socialização de gênero e tenderem a ter 
renda aproximada. 
Outro exemplo desses novos arranjos familiares são as famílias 
chefiadas por mulheres. As famílias que têm a mulher como 
o provedor e, consequentemente, o chefe, têm aumentado 
estatisticamente a cada ano. As causas são variadas, mas podemos 
Fonte: http://1.bp.blogspot.com/_bpRreEwps_g/SaQrLi08z4I/AAAAAAAAB0M/
XjaFI6RTvB8/S660/euaceito.jpg
Fonte: http://robotactionboy.
blogdns.org/william/gaysimpsons.jpg
Figura 3 - Novos arranjos matrimoniais Figura 4
FILOSOFIA118
destacar o movimento de emancipação feminina, cada vez mais as 
mulheres têm conseguido independência financeira (seja ela por 
necessidade ou por satisfação pessoal via qualificação profissional), 
além da necessidade de assumir a responsabilidade da família 
quando a relação conjugal acaba e o marido desaparece, ou não 
consegue sustentar os filhos dessa relação. Assim, essas mulheres 
até ganharam um nome particular,são as chamadas “Pães”.
Segundo dados do IBGE, de 1996 a 2006:
[...] o número de mulheres que se declararam 
como a pessoa de referência da família aumentou 
de 10,3 milhões para 18,5 milhões no Brasil. A taxa 
de ocupação dos filhos foi maior nas famílias chefi-
adas por mulheres: 44,1%, contra 40,3% nas famíli-
as chefiadas por homens. Essas são algumas das 
conclusões da Síntese dos Indicadores Sociais 2007, 
elaborada na maior parte com os dados da Pesquisa 
Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD).
Os resultados da PNAD (2006) mostraram ainda a tendência já verifi-
cada nos últimos 10 anos – crescimento da proporção de pessoas que 
vivem sozinhas, dos casais sem filhos, das mulheres sem cônjuge e com 
filhos na chefia das famílias e, também, uma redução da proporção dos 
casais com filhos. Esse fenômeno é fruto de um conjunto de fatores, 
tais como: o aumento da expectativa de vida, a redução da fecundi-
dade das mulheres e a redução das taxas de mortalidade.
Fonte: IBGE, Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios 1996/2006.
(1) Exclusive a população rural de Rondônia, Acre, Amazonas, Roraima, Pará e Amapá.
Gráfico 4.1 - Distribuição dos arranjos familiares residentes em domicílios
particulares, segundo o tipo de arranjo familiar - Brasil - 1996/2006
1996 (1) 2006
8,0
10,7
13,1
%
15,6
57,4
49,4
15,8
18,1
5,4 6,0
0,3 0,3
SOCIOLOGIA GERAL | unIdAdE 5 119
Segundo a pesquisa do IBGE: 
[...] as famílias do tipo monoparental feminino se 
destacam nas áreas urbanas e metropolitanas, onde 
os aspectos culturais propiciam maior liberdade 
de comportamento. No conjunto do País, a mé-
dia, em 2006, foi de 18,1%, mostrando crescimento 
de quase 3 pontos percentuais em relação a 1996 
(15,8%). Nas Regiões Metropolitanas, a proporção 
variou de 16,6%, em Curitiba, a 25,5%, em Recife. 
Por outro lado, é surpreendente observar que são elevados os 
percentuais de arranjos com chefia feminina onde há presença 
de cônjuge. A média nacional foi de 20,7%, enquanto nas Regiões 
Metropolitanas os valores variaram entre 17,7%, na do Rio de Janeiro, 
a 30,5%, na de Fortaleza. Em geral, a representação da pessoa de 
referência recai sobre os homens. Duas principais hipóteses podem 
ser formuladas com vistas a explicar o aumento continuado desse 
tipo de arranjo no momento atual: um aumento de “poder” por 
parte das mulheres em suas famílias ou o desemprego dos homens.
Assim, a sustentabilidade emocional e, mais recentemente, finan-
ceira das famílias tem recaído sobre a mulher. Esta tem se sobre-
carregado para cumprir com as novas demandas que a sociedade 
atual tem lhe imposto.
A questão da sustentabilidade material das pessoas ronda os 
homens desde sempre. Numa perspectiva funcionalista, se 
não houver a garantia da comida as pessoas e a sociedade não 
sobrevivem. Dessa forma, a economia ocupa um lugar de destaque 
na vida dos seres humanos e por isso essa instituição tem uma 
profunda conexão com todas as outras.
ECONOMIA
A economia é a instituição social que organiza a produção, a 
distribuição e a circulação de bens e serviços. 
As atividades econômicas são institucionalizadas à medida que 
são explicadas por crenças, legitimadas por valores e reguladas 
Fonte: http://www.usp.br/
espacoaberto/arquivo/2007/
espaco85nov/ilustras/capa04.jpg
Figura 5 - Mulher chefe 
de família
FILOSOFIA120
por normas. Assim, em todas as sociedades, para a produção, a 
circulação e a troca de bens escassos, existem crenças, valores, 
normas posições e papéis determinados.
Máximas de Bejanmini
Lembre-se que o tempo é dinheiro. Para aquele que 
pode ganhar dez shillings por dia pelo seu trabalho 
e vai passear ou fica ocioso metade do dia, apesar 
de não gastar mais que seis pence em sua vadiagem 
ou diversão, não deve ser computada apenas essa 
despesa; ele gastou, ou melhor, jogou fora. mais 
cinco shillings. ‘Lembre-se que o crédito é dinheiro. 
Se um homem deixa seu dinheiro em minhas mãos 
por mais tempo que o devido, está me dando os 
juros, ou tudo o que eu possa fazer com ele durante 
esse tempo’. Isto atinge somas consideráveis quando 
alguém goza de bom e amplo crédito, e faz dele 
bom uso. “Lembre-se que o dinheiro é de natureza 
prolífica e geradora” (WEBER, 2001, p. 178).
Todas as economias, segundo Turner (2000), funcionam pautadas 
na tecnologia (conhecimento sobre como controlar e transformar 
o meio ambiente), no trabalho (força humana dispendida nas 
atividades econômicas) e no capital (em forma de instrumentos 
de produção, bem como, em forma de dinheiro). Para entender 
essa tríade, vejamos a evolução da economia ao longo da história 
econômica.
A evolução do trabalho ao longo da história humana marca a 
forma de produção da subsistência e como vivemos a nossa vida. 
Conforme Marx e Engels, é por meio do trabalho que o ser humano 
faz-se humano, pois somente por esse meio os indivíduos podem 
satisfazer suas necessidades e, assim, deixarem de ser alienados 
(ver capítulo 2). “A história dita universal não é outra coisa que 
a geração do homem pelo trabalho humano e o devir da natureza 
para o homem” (MARX,crítica).
Tomando como base a citação acima, podemos identificar grandes 
momentos na evolução das técnicas de trabalho e seu impacto 
nas revoluções produtivas (reestruturações produtivas). Três 
SOCIOLOGIA GERAL | unIdAdE 5 121
revoluções são identificadas como fundamentais nesse processo: a 
revolução agrícola, depois a revolução industrial e, por último, a 
revolução no setor de serviços.
O desenvolvimento da agricultura
Até por volta de 10 mil anos atrás todos os seres humanos 
eram nômades, vivendo em tribos que foram se fixando na 
terra gradativamente com a criação de animais e o cultivo 
da agricultura, utilizando para tanto ferramentas manuais 
simples. Somente há 5 mil anos os homens, já agricultores, 
inventaram o arado e, somando-o aos animais de grande porte, 
aumentaram substancialmente as áreas cultivadas (BRYM, 2006) 
Assim, sociedades horticultoras surgiram como dominadoras de 
conhecimentos sobre sementes, plantas e cultivos (tecnologia); 
pás, amoladores e outros incrementos manuais (capital); plantio, 
colheita (trabalho); e organização por parentesco (empresarial).
Com o advento e dominação das técnicas agrícolas o homem 
sedendariza-se e possibilita o estabelecimento fixo de sociedade 
em regiões próximas aos grandes rios, surgem daí as primeiras 
civilizações nascidas às margens da Mesopotâmia e meso-américa. 
As civilizações mesopotâmicas, assim como as pré-colombianas, 
desenvolveram técnicas que conjugavam o esforço e trabalho 
humano para dominação da voracidade da natureza e uso desta para 
satisfação das necessidades de subsistência. Desse modo, as técnicas 
tornaram-se fatores elementares de desenvolvimento da sociedade.
Podemos dizer que a invenção da charrua (arado primitivo), 
as técnicas de barragens, aterros e a canalização de rios na 
Mesopotâmia e nas civilizações pré-colombianas deram início ao 
primeiro grande processo de reestruturação produtiva, em que a 
humanidade passa de uma economia de coleta e trocas diretas, 
para uma economia de produção agrícola e sedentarizada.
É importante destacar que a partir das técnicas agrícolas em 
expansão ocorre o fenômeno de utilização de força motriz 
A horticultura difere da 
agricultura por não utilizar 
fontes não-humanas de 
energia, como trator, 
escavadeira, motoserra etc.
Técnica: sequência de 
operações definidas de atos 
coordenados, que chegam a 
uma transformação desejável 
das coisas que nos rodeiam, 
quer dizer, do meio inicial. Re-
presenta aquilo que os homens 
chamam de processos técnicos, 
ou mais simplesmente técnicas 
(DUCASSÉ,1955).
FILOSOFIA122
de animais e escravos para arar a terra e o gerenciamento de 
trabalhadores através da divisão de tarefas para as grandes 
construções, como os canais de irrigação, os canais de transporte 
(Egito, Astecas, Maias e Incas). Esses se constituíram os primeiros 
processos de gerenciamento de mão de obra e produção.
No período medieval as warcrafts, ou artes de produção de armas, 
serão outro ponto culminante na evolução das técnicas (uso 
de metais), juntamente com a implementação de moinhos que 
utilizavam as forças eólicas e hidráulicas. O advento da sociedade 
feudal e novas relações de trabalho (servil) e a conjugação de 
engenhocas com o uso de forças da natureza vai elevar ainda mais 
o nível produtivo na Europa. 
Assim, a agricultura representou uma ruptura tecnológica 
significante em relação à horticultura por utilizar, além da força 
animal, a energia da natureza (água e vento) nos processos 
produtivos. Essa ruptura, segundo Turner (2000), estimulou o 
desenvolvimento tecnológico posterior como o surgimento da 
metalurgia e a fundição. Também houve um incremento do dinheiro, 
das ferramentas de metal, das rodovias etc. O trabalho ganhou em 
especialização e o empresariado mudou, deixando a vila e a família 
nuclear como forças de organização mais importantes. Essas foram 
suplantadas e substituídas pelos mercados, estruturas políticas 
feudais, casas mercantis, associações, ou seja, organizações que 
germinaram na moderna empresa.
É importante destacar que no final da Idade Média há um amplo 
ressurgimento do comércio com abertura de rotas comerciais, 
comércio com as índias, surgimento de feiras (burgos), aumento 
da produção artesanal (corporações de ofício). À proporção que o 
sistema feudal entra em crise pela explosão populacional da baixa 
idade média, conjugada com a fome e a peste, devido à crescente 
decadência da produtividade, emerge o sistema econômico baseado 
na concepção burguesa de produção e trabalho (capitalismo).
Inicialmente, os artesãos unem-se em corporações de ofício e 
organizam se em oficinas de manufatura (trabalho manual dividido 
em etapas de produção, o que Marx chamou de modo de produção 
SOCIOLOGIA GERAL | unIdAdE 5 123
manufatureiro ou pré-capitalista). Com transformações estruturais 
na técnica, ou seja, a invenção da máquina conjugada à divisão 
do trabalho já operacionalizada nas manufaturas, surge, conforme 
Marx e Smith, a maquinofatura.
A invenção do tear mecânico (na Inglaterra), das ferrovias, da 
máquina a vapor e mais tarde do motor à explosão, vão aumentar 
a complexidade das relações de trabalho e aumentar o nível de 
produtividade na economia, agora sim, capitalista industrial. É 
a partir das revoluções industriais que o capitalismo torna-se o 
sistema que aplica a técnica conjugada à ciência e produz um modo 
de produção preponderantemente tecnológico e tecnocrático 
(DUCASSÉ, 1955).
As relações de trabalho deixam de ser entre o senhor e o servo, entre 
o senhor e o escravo, e passam a ser entre o patrão e o empregado. 
A propriedade deixa de ser servil e passa a ser privada, daí surgem 
as concepções político-econômicas denominadas liberais (nascidas 
na Inglaterra). A economia deixa de ser predominantemente rural 
e passa para a economia urbano-industrial.
O desenvolvimento da indústria 
A industrialização é o processo de subordinar o poder inanimado 
das máquinas a serviço do trabalho em uma fábrica (TURNER, 
2000). Esse processo foi iniciado há algumas centenas de anos , 
mas transformou o mundo. Nas economias industriais recorre-se 
à tecnologia (em constante aperfeiçoamento) para transformar 
e controlar o meio ambiente, a formação de capital envolve 
dinheiro e várias formas de acumulá-lo para investir na produção, 
o trabalho cada vez mais se especializa e a troca de bens se dá no 
mercado, incluindo o trabalho que é vendido como qualquer outra 
mercadoria. 
Com o estabelecimento da economia industrial, não só surgem as 
mercadorias, mas o próprio trabalho humano torna-se mercadoria. 
Nesses termos, Marx define que a sociedade capitalista é, antes 
FILOSOFIA124
de tudo, guiada pela relação de troca e aplicação de trabalho; 
o trabalho produz as mercadorias e é vendido como força de 
trabalho, ou embutido na mercadoria como fator de produção. 
Desse modo, a economia capitalista é um sistema econômico 
baseado no capital/trabalho. O capital é o valor econômico que é 
investido na produção ou em negócios financeiros.
A economia capitalista é caracterizada por seu um sistema 
baseado na indústria, no trabalho assalariado e em uma economia 
de mercado. Na economia de mercado a propriedade dos fatores 
e meios de produção são privados e a forma reguladora é o preço 
definido pela oferta e procura. O capitalismo visa maximizar os 
lucros através de investimentos e produção.
Como já vimos no CAPITULO 1 deste livro, lembremos do processo 
de surgimento do capitalismo e suas fundamentas características: 
advento da propriedade privada, trabalho assalariado, produção 
urbano-industrial e aplicação da ciência em prol do capital. 
Estamos falando da era da grande indústria fordista que intensifica 
a aplicação de conhecimento científico na produção em massa.
No início até meados do século XX a economia industrial já 
estava consolidado com o paradigma produtivo denominado 
de Fordista, uma alusão ao nome de Henry Ford (1863-1947) 
que aplicou na sua fábrica um conjunto de procedimentos que 
visavam o aumento da produção com redução de custos. Para 
isso, ele tomou as ideias de Frederich Taylor (1856-1915), um 
engenheiro-consultor de gestão americano, centradas na noção 
de administração científica.
TRABALHO MOEDA
MERCADORIA
VALOR DE TROCA
VALOR DE USO
SOCIOLOGIA GERAL | unIdAdE 5 125
A Administração Científica formulada por Talyor para, inicialmente, 
o campo industrial, mas que foi adotada nos demais setores da 
economia, como o de prestação de serviços, comércio etc., tinha 
como princípios fundamentais:
1 – Separação programada da concepção/planejamento das 
tarefas de execução, isto é, separação entre trabalho 
intelectual (que caberia à gerência pensar o processo 
produtivo) e trabalho manual (que caberia ao trabalhador 
apenas executar o que a gerência determinasse). Nesse 
sentido, as iniciativas e o trabalho intelectual foram 
banidos do “chão de fábrica”, eles cabiam apenas à 
administração superior; segundo Taylor, “os trabalhadores 
não são pagos para pensar, mas para executar”.
2 – Intensificação da divisão do trabalho, através do estudo dos 
tempos e movimentos. O administrador deve juntar todo 
o conhecimento tradicional adquirido pelo trabalhador 
e classificar, tabular e reduzir esse saber a regras, leis e 
fórmulas, devolvendo-as ao trabalhador como “the one best 
way” (a melhor maneira de se executar uma operação). O 
objetivo era encontrar maneiras mais rápidas e eficientes 
para executar as tarefas, eliminando o chamado tempo 
morto. Cada tarefa corresponde a um posto de trabalho 
e graças a um criterioso processo de recrutamento era 
possível destacar-se o operário mais adequado para ocupá-
lo (the right men in the rigth place). No período anterior o 
trabalhador escolhia seu próprio trabalho e treinava-se a si 
mesmo nas corporações de ofício, por exemplo, mas a partir 
de então ele deveria ser selecionado “cientificamente”, 
depois treinado, ensinado e aperfeiçoado nas tarefas que 
lhes foram atribuídas.
Seguindo a mesma linha de Taylor, no que se refere à organização 
e sistematização da produção e do trabalho, Ford apropriou-se 
dessa forma de gestão e radicalizou-a.
 Ele articulou as ideias de Taylor da separação entre concepção/execução a fragmentação/rotinização/esvaziamento das tarefas 
e implementou-as em 1913, na sua fábrica de automóveis em 
Detroit, associando-as à noção de um homem/uma tarefa, com 
FILOSOFIA126
especialização desqualificante atuando numa linha de montagem 
acoplada à uma esteira rolante, ao controle do tempo de execução 
das tarefas estritamente orientadas por normas operacionais em 
um processo onde a disciplina se torna o eixo central da qualificação 
requerida.
A adoção da linha de montagem numa esteira rolante, além de 
eliminar o tempo morto por evitar que o trabalhador tivesse que 
se deslocar, mantendo, assim, o fluxo contínuo e progressivo da 
produção, aumentou a produtividade do trabalho e do volume 
produzido, além de garantir a cadência do trabalho, passando a 
regular mecânica e externamente o trabalhador. 
Com esse novo formato de processo de trabalho e de organização 
da produção houve um aumento da produtividade industrial, com 
aumento de salários reais, aumentando, assim, o consumo em 
massa.
Ford acreditava que para a produção em massa (fruto do aumento 
da produtividade assegurada pela sua forma de organização da 
produção) era necessário um consumo em massa, um novo sistema 
de reprodução da força de trabalho que lhe garantisse, pelo 
menos em parte, ter acesso aos bens produzidos. Assim, caberia 
à ação do poder corporativo, através do pagamento de salários e 
da redução da jornada de trabalho, propiciar aos trabalhadores 
tempo e renda para consumir os produtos que as corporações 
fabricavam em massa. 
Assim, Ford aumentou o salário dos seus operários no início da 
grande depressão de 1929, acreditando poder aumentar a demanda 
efetiva e, com isso, recuperar o mercado e restaurar a confiança 
da comunidade empresarial.
Essa estratégia, somada com a intervenção estatal que adotou 
a política keneysiana do pleno emprego e o estabelecimento do 
Welfare State, foi a saída para a crise econômica de 1929. Com 
essa aliança entre capital, trabalho e Estado o mundo capitalista 
vivenciou um período de expansão e prosperidade que foi de 
1945 a 1973, chamado pela literatura dos trinta anos gloriosos do 
capitalismo.
SOCIOLOGIA GERAL | unIdAdE 5 127
O período TAYLORISTA-FORDISTA pode ser também sintetizado 
como a era da grande indústria pesada, ou era do automóvel e 
do pleno emprego. A economia exigia um trabalho especializado, 
pouco criativo e bastante rígido. Em meados da década de 70, 
o modelo da grande indústria começa a entrar em crise devido a 
crise fiscal do Estado e constantes super-produções. A economia 
da grande indústria parece ter que se re-inventar, fato que será 
proporcionado pelo novo modelo econômico produtivo em gestação 
e ampliação: o toyotismo.
O desenvolvimento da economia dos serviços
O regime de acumulação fordista, apesar de ter sido o responsável 
em grande parte pela consolidação e expansão do capitalismo 
enquanto sistema hegemônico, a partir da década de 1960, 
começou a perder o fôlego. 
Esse paradigma da produção em massa, verticalizada de produtos 
padronizados, foi tornando-se obsoleto na medida em que os 
mercados consumidores foram ficando saturados (entrada do 
Japão nessa busca de mercados consumidores e dos países em 
desenvolvimento).
Somando-se a isto, a partir dos anos de 1970, veio a crise do modelo 
econômico do pós-guerra pautado nas políticas de um Estado 
de bem-estar social na Europa e do new-deal norte americano, 
levando o mundo capitalista a uma longa e profunda recessão. 
O estado já não conseguia cumprir suas políticas assistenciais e 
havia, por outro lado, uma enérgica reação dos trabalhadores 
fortemente organizados em sindicatos.
Esse novo padrão, denominado de acumulação	flexível, foi pos-
sibilitado, sobretudo, pela adoção de inovações tecnológicas (ci-
bernética, biotecnologia, engenharia genética, microeletrônica, 
informática) chamadas de Terceira Revolução Industrial e foi ins-
pirado no modelo japonês de organização do trabalho, denomina-
do de Toyotismo.
FILOSOFIA128
Esse modelo tem como elementos fundamentais: a economia de 
escopo, ou seja, produção em lotes menores e mais diversificação 
de modelos, totalmente voltada para as exigências dos mercados 
consumidores; as equipes de trabalho (também chamadas por 
grupos de trabalho ou células de produção) que passaram a 
ser autônomas para desenvolverem seu programa de trabalho 
obedecendo à meta fixada pela gerência sob os aspectos da 
qualidade e quantidade, sendo o trabalhador um elemento 
fundamental que tem valorizado o seu saber fazer; saber fazer 
este cada vez mais ampliado, tornando o trabalhador num ser 
polivalente.
Assim, o modelo toyotista de organização do trabalho e da 
produção tem seu fundamento centrado na noção de flexibilidade 
que se opõe diretamente à rigidez do modelo fordista.
Estamos agora diante de um paradigma que se centra na 
sociedade dos serviços, ou seja, a economia que antes 
se preocupava predominantemente com o aumento de 
produtividade, agora se volta para a invenção de serviços como 
mercadorias de alto valor agregado e de grande importância 
para agregar valores na produção. Surge daí uma produção 
flexibilizada e centrada na vontade e desejo do cliente de 
maneira personalizada (serviço Vip para agregação de valor 
ao produto). Atualmente, estamos no que os economistas 
e sociólogos chamam de economia de consumo de serviços 
altamente qualificados e de alta qualidade, como isso temos: 
os softwares de computador, os serviços de telefonia celular, 
servidores e provedores de internet, a expansão de franquias 
internacionais (HP, Mac Donald´s etc).
Basta você refletir e se perguntar: compro mais mercadorias ou 
pago serviços? Gasto mais com as contas de celular ou com a 
compra do aparelho?
Fonte: http://farm1.static.flickr.
com/1/329966_f1e7e1eac1_m.jpg
Mercados são relações 
sociais que regulam a troca 
de bens e serviços. Em 
um mercado os preços são 
estabelecidos com base 
na abundância dos bens 
e serviços (oferta) e em 
quanto eles são requeridos 
(demanda).
Figura 6
SOCIOLOGIA GERAL | unIdAdE 5 129
RELIGIÃO
Diz respeito às relações que os humanos estabelecem com o 
domínio metaempírico (o intangível, o sobrenatural) da realidade, 
ou seja, com o que está para além da possibilidade de observação. 
A religião é uma instituição social que estabelece concepções, 
princípios éticos, normas de modo geral, formas de interpretar a 
realidade.
Conforme Emile Durkheim, em As formas elementares da vida 
religiosa, a religião é uma instituição que estabelece a moral na 
sociedade, que fundamenta cosmovisões e assim dá sentido à vida 
de uma dada comunidade. Nesse sentido, o autor estabelece que 
não há religiões falsas, mas sim religiões diferenciadas, mas, o que 
lhes é comum, seria a produção de representações e referencias 
sócio-simbólicas que dão sentido à vida em sociedade.
O principal objetivo da instituição religiosa é explicar os fenômenos 
existências humanos tentando responder: de onde viemos, para 
onde vamos e o que há depois da morte.
Voltando a Durkheim, fica evidenciado que as religiões é que fun-
damentaram as primeiras noções do pensamento coletivo, chama-
das representações (noções de espaço, de tempo, de gênero, de 
número, de causa, de personalidade etc.). A religião tenta respon-
der questões que a ciência e a verificabilidade não conseguem, 
assim tem o poder de ultrapassar o alcance dos conhecimentos 
empíricos. Acima de tudo, a religião é uma instituição, e as insti-
tuições são fatos sociais.
A instituição religiosa pode ainda ser definida como o conjunto 
de crenças baseados em dogmasque definem noções de mundo, 
realidade e princípios éticos. Esses dogmas têm como base a 
aceitação por meio da fé de uma comunidade de fiéis, que os 
seguem por meio da fé e da devoção.
Segundo Max Weber, as crenças e valores religiosos têm um papel 
importante na definição das condutas dos indivíduos em sociedade. 
FILOSOFIA130
Na ética protestante e o espírito do capitalismo, o autor defendeu 
que a religião pode exercer uma poderosa influência na conduta 
prática dos indivíduos, como foi o caso da religião protestante 
em relação ao modo de produção capitalista. Weber pesquisou 
e analisou os valores e princípios que fundamentavam a religião 
protestante e percebeu sua sintonia com a racionalidade 
econômica inerente a concepção de empreendimento capitalista 
(tempo é dinheiro, Deus ajuda quem cedo madruga, a parábola 
dos talentos etc).
Por outro lado, os marxistas entendiam que a religião era puro 
sistema de alienação: “religião é o ópio do povo”. Marx afirmava 
que as instituições religiosas apenas mascaravam e acomodavam a 
população à sua situação de pobreza e de explorados.
O importante é compreender que a religião é uma instituição 
fundamental na vida social, ou seja, está presente em todas as 
sociedades, desde povos primitivos da antiguidade, civilizações 
mesopotâmicas, até sociedades pós-modernas atuais. Nesses 
termos é uma instituição axial. 
Recreação
Recreação são as formas de manifestação social 
que visam aliviar as pressões do dia a dia. 
Geralmente são consideradas as festas, os rituais 
de descontração (como a malhação de Judas na 
semana santa) e as grandes manifestações culturais 
da população como carnaval, festas juninas, natal 
e ano novo.
Os momentos de recreação vão desde as grandes 
festas convencionadas até festas de aniversário, 
casamentos, formaturas e carnavais fora de época. 
De modo geral são momentos em que a sociedade pára para extravasar 
as pressões e o estresse da vida cotidiana. No Brasil temos como 
exemplo: o futebol, o carnaval, as festas juninas, a copa do mundo.
Fonte: http://livrepensar.files.wordpress.com/2009/06/
blogue-educacao-aquarela_01.jpg
Figura 7
SOCIOLOGIA GERAL | unIdAdE 5 131
Educação
A educação é uma instituição universal encontrada 
em qualquer tipo de sociedade humana, não en-
tenda que educação é apenas escolar ou formal. 
Este nível de educação é apenas uma manifesta-
ção da educação enquanto instituição axial, nesses 
termos podemos verificar que em uma sociedade 
indígena a educação ocorre no processo de sociali-
zação do indivíduo a partir do aprendizado da cul-
tura, do trabalhar, da religião, dos conhecimentos 
e práticas tradicionais, independente de escola. 
Civilizações como as mesopotâmicas e greco-
latinas não conheciam a educação escolar, fato 
que não nega a existência de educação. Na Idade 
Média os conhecimentos técnicos e profissionais 
eram passados na prática artesanal nas oficinas, não existia uma 
escola formal, nesse período as profissões passavam de pais para 
filho. Embora a escola tenha surgido na Idade Média nas catedrais 
(com a decadência dos mosteiros), somente na era capitalista a 
escola torna-se fundamental para a formação de profissionais 
para o exercício de funções na economia e no mundo do trabalho 
(revoluções industriais).
De modo geral é importante destacar que a escola é apenas 
uma das diversas formas que a instituição axial educação pode 
se manifestar nas sociedades. É importante que o aluno consiga 
verificar que a educação tem como função universal: a manutenção, 
a continuidade e a transmissão das normas, dos valores, dos 
símbolos e das crenças:
A educação constitui uma instituição universal pelo 
fato de que em todas as sociedades – das comuni-
dades tribais às complexas sociedades urbano-in-
dustriais – é necessário garantir não apenas a con-
tinuidade biológica, mas, igualmente, a transmissão 
das normas, dos valores, dos símbolos e das crenças, 
enfim da estrutura intermental sem a qual nenhuma 
sociedade pode funcionar (NOVA, 2008, p.183).
Fonte: http://www.meninomaluquinho.com.br/
imagensPaginas/mmp465_carnaval.gif
Figura 8
FILOSOFIA132
Assim, a educação consiste 
nos processos de ensinar 
e aprender socialmente 
conteúdos culturais com 
o objetivo de perpetuar 
e transmitir de geração a 
geração o conhecimento, 
modos de ser, interpretar 
o mundo e práticas de uma 
dada sociedade. A educação 
é também um processo de socialização e é exercida nos vários 
espaços de convívio social, servindo para adequação dos indivíduos 
à sociedade, grupos e/ou classes a que pertence. De acordo com 
a Constituição Federal do Brasil e a Lei de Diretrizes e Bases da 
Educação (LDB), de 1996, é o processo formativo que visa ao 
pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da 
cidadania e sua qualificação para o mundo do trabalho. (http://
www.educabrasil.com.br/eb/dic/dicionario.asp?id=250)
Política 
É a instituição social que visa o controle social formal, 
representação política da população. Política não é concebida 
aqui, simplesmente, como as formas do jogo do poder, mas 
sim as normas, as regras, as organizações e legislações que 
regram e fundamentam o controle social (organização e 
ordenamento da sociedade). Desse modo, a polícia é uma 
instituição política, o INSS é uma instituição política, um pajé 
em uma tribo exerce uma função de controle e regramento 
social que é política.
A política, enquanto instituição axial, pode assumir várias 
formas que vão desde o estado moderno à organização tribal. É 
importante que o aluno distinga que a instituição axial política 
não é simplesmente o que nós ocidentais entendemos como poder 
público, mas engloba instituições de sociedade não-estatais. Mas o 
MEC (Ministério da Educa-
ção e Cultura): LDB - 
Art. 1º A educação abrange 
os processos formativos 
que se desenvolvem na vida 
familiar, na convivência 
humana, no trabalho, nas 
instituições de ensino e 
pesquisa, nos movimentos 
sociais e organizações da 
sociedade civil e nas mani-
festações culturais (LEI Nº 
9.394, DE 20 DE DEZEMBRO 
DE 1996).
Fonte: http://greenpack.rec.org/citizens_
rights/images/citizens_rights.jpg
Figura 9
SOCIOLOGIA GERAL | unIdAdE 5 133
que seriam sociedades não-estatais? Respondendo, as populações 
indígenas brasileiras não são estados-nação (saber mais), ou seja, 
não são reconhecidas internacionalmente como uma instituição 
que possui soberania, território, fronteiras definidas; ou ainda 
são sociedades que não criaram sistemas políticos aos moldes 
modernos (republicas, monarquias, tiranias), de modo resumido 
não são países.
A instituição axial política resume-se ao caráter universal de 
controle e regulação das relações sociais, que na civilização 
ocidental vem sendo exercida pela forma estado-nação e suas 
formas de governo (monarquia, república e despotismo). Já em 
sociedades tradicionais e não-ocidentais, podemos verificar a 
ausência dessas manifestações modernas, fato que não define que 
são sociedades sem política. Essas sociedades apenas manifestam 
a instituição política de modo diferente, através das relações de 
liderança tradicional e tribal.
NAÇÃO SEM ESTADO
Uma das principais contribuições de Pierre Clastres para a 
antropologia foi sua crítica à visão, até então dominante, 
de que sociedades como as dos índios da América do 
Sul são mais “primitivas” ou “menos desenvolvidas 
culturalmente” do que sociedades mais hierárquicas, 
onde a presença do Estado é mais evidente – como no 
caso das sociedades Maia, Inca e Asteca. Ele procurou 
demonstrar a falsidade do pressuposto de que todas 
as sociedades necessariamenteevoluem de um sistema 
“tribal”, “comunista” e “igualitário” para sistemas 
mais hierárquicos. As sociedades não-hierárquicas, 
segundo seus estudos, possuem mecanismos culturais 
que impedem ativamente o aparecimento de figuras 
de comando – seja isolando os possíveis candidatos 
a chefe (como no caso dos Pajés), seja destituindo-
os do poder do mando (como no caso dos chefes que 
só têm poder para aconselhar). Sendo assim, elas 
não estariam evoluindo em direção à estatização: ao 
FILOSOFIA134
contrário, configuram-se como verdadeiras sociedades 
“contra o Estado”, pois sua dinâmica cultural almejaria 
precisamente impedir a formação de uma classe de 
dirigentes e outra de dirigidos, (http://pt.wikipedia.
org/wiki/Pierre_Clastres)
Estado-nação
Chama-se Estado-nação quando um território delimitado 
é composto por um governo e uma população de 
composição étnico-cultural coesa, quase homogênea, 
sendo esse governo produto dessa mesma composição. 
Isso ocorre quando as delimitações étnicas e políticas 
coincidem. Nesses casos, normalmente, há pouca 
emigração e imigração, poucos membros de minorias 
étnicas, e poucos membros da etnia dominante a viver 
além fronteiras (http://pt.wikipedia.org/wiki/Estado-
na%C3%A7%C3%A3o)
O que é a família nuclear tradicional e quão prevalente ela 
é em relação a outras formas de família?
O estudo da religião pode enfraquecer ou não tem implica-
ções necessárias para a fé religiosa do pesquisador?
Qual a função da instituição política? Ela só existe nos mol-
des da nossa sociedade?
1
2
3
SOCIOLOGIA GERAL | unIdAdE 5 135
TEMPOS MODERNOS (1936)
SinopSe: Um operário de uma linha de montagem, que testou uma “má-
quina revolucionária” para evitar a hora do almoço, é levado à loucura 
pela “monotonia frenética” do seu trabalho. Após um longo período em 
um sanatório ele fica curado de sua crise nervosa, mas desempregado. 
Ele deixa o hospital para começar sua nova vida, mas encontra uma crise 
generalizada e equivocadamente é preso como um agitador comunista, que 
liderava uma marcha de operários em protesto. Simultaneamente uma jovem 
rouba comida para salvar suas irmãs famintas, que ainda são bem garotas. 
Elas não têm mãe e o pai delas está desempregado, mas o pior ainda está 
por vir, pois ele é morto em um conflito. A lei vai cuidar das órfãs, mas 
enquanto as menores são levadas, a jovem consegue escapar. (http://
www.adorocinema.com/filmes/tempos-modernos/)
Direção: Charles Chaplin 
Gênero: Comédia
elenco: Charles Chaplin, Paulette Goddard, Henry Bergman, Tiny Sandford, 
Chester Conklin.
KRAMER VS. KRAMER (1979)
SinopSe: Ted Kramer (Dustin Hoffman) é um profissional para quem o 
trabalho vem antes da família. Joanna (Meryl Streep), sua mulher, não 
pode mais suportar essa situação e sai de casa, deixando Billy (justin 
Henry), o filho do casal, com Ted, que tudo faz para poder educá-lo, 
trabalhando e fazendo as tarefas domésticas. Quando consegue ajustar 
seu trabalho a essas novas responsabilidades, Joanna reaparece exig-
indo a guarda da criança. Ted, porém, se recusa e os dois vão para o 
tribunal lutar pela custódia de Billy.( http://www.adorocinema.com/
filmes/kramer-versus-kramer/)
Direção: Robert Benton 
Gênero: Drama
elenco: Dustin Hoffman, Meryl Streep, Jane Alexander, Justin Henry, 
Howard Duff.
FILOSOFIA136
EU TU ELES (2000)
SinopSe: É a trajetória de Darlene (Regina Casé), uma bóia-fria do 
sertão nordestino, que vive uma curiosa relação com seus três maridos 
(Lima Duarte, Stênio Garcia e Luis Carlos Vasconcelos). Ela tira de 
cada um o que esses de melhor podem oferecer em meio a difícil vida 
sertaneja.
Direção: Andrucha Waddington
Gênero: Comédia
elenco: Regina Casé, Lima Duarte, Stênio Garcia e Luis Carlos 
Vasconcelos.
SOCIOLOGIA GERAL | REFERÊNCIAS 137
REFERÊNCIAS
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FILOSOFIA138
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SOCIOLOGIA GERAL | GLOSSÁRIO 139
GLOSSÁRIO DE CONCEITOS ELEMENTARES
Abordagem teórica – Perspectiva da vida social oriunda de de-
terminada tradição teórica. Entre as principais tradições teóricas 
incluem-se o funcionalismo, o estruturalismo, o interacionismo 
simbólico e o marxismo. As abordagens teóricas fornecem as pers-
pectivas gerais a partir das quais os sociólogos, assim como em 
qualquer outro ramo científico, desenvolvem o seu trabalho e in-
fluenciam as áreas da sua investigação, bem como o modo como os 
problemas são investigados, identificados e enfrentados. 
Burocracia – tipo de organização hierárquica que adquire a for-
ma de uma pirâmide de autoridade. O conceito de burocracia foi 
popularizado por Max Weber como sendo a forma de organização 
humana em larga escala mais eficaz. Weber defende que à medida 
que as organizações se expandem, existe a tendência inevitável 
para se tornarem cada vez mais burocratizadas. 
Casamento - é uma união sexual e econômica socialmente aceita 
entre os membros do grupo. O casamento implica, quase sempre, 
duas pessoas de sexo oposto, embora em algumas culturas certos 
tipos de casamento entre homossexuais sejam aceito. O casamento 
forma normalmente a base de uma família de procriação, ou seja, 
espera-se queo casal tenha filhos e os eduque. Muitas sociedades 
permitem a poligamia, na qual um indivíduo pode ter vários cônju-
ges ao mesmo tempo.
Ciência – no sentido da ciência física, é o estudo sistemático do 
mundo físico. A ciência implica a ordenação e a disciplina de dados 
empíricos, a construção de abordagens teóricas que interpretem 
e expliquem esses dados. A atividade científica reúne a criação 
de audazes e novos modos de pensamento e o teste cuidadoso de 
FILOSOFIA140
hipóteses e ideias. Uma das características principais que permitem 
distinguir a ciência de outros tipos de conhecimento é o principio 
geral de que todas as ideias científicas estão abertas à discussão e 
revisão crítica por parte dos membros da comunidade científica.
Classe – Embora seja um dos conceitos mais usados em sociologia, 
não há um consenso sobre o mesmo. Contudo, a maior parte dos 
sociólogos adota o termo quando se referem às diferenças socio-
econômicas entre grupos de indivíduos que criam diferenças em 
termos de poder e propriedade material.
Cultura – Normas, valores, bens materiais característicos de de-
terminado grupo. Tal como o conceito de sociedade, a noção de 
cultura é usada com muita frequência em sociologia e nas outras 
ciências sociais. A cultura é uma das características próprias da 
associação humana. 
Desemprego – Situação em que o indivíduo não possui trabalho 
com todos os direitos trabalhistas assegurados, assim sendo, o tra-
balhador informal pode tem ocupação, mas não um emprego.
Divisão do trabalho – Divisão de um sistema produtivo em tarefas 
ou ocupações laborais específicas, criando interdependência eco-
nômica. Todas as sociedades têm formas mais ou menos complexas 
de divisão do trabalho. As mais simples são baseadas em sexo e 
idade, com o desenvolvimento da industrialização essa divisão se 
complexificou.
Economia – Sistema de produção e trocas que provê as necessida-
des materiais dos indivíduos que vivem em determinada sociedade. 
As instituições econômicas são fundamentais em todo tipo de so-
ciedade, uma vez que o que acontece a nível econômico influencia 
outras esferas da vida social. 
Educação – Transmissão de conhecimento e saberes de uma gera-
ção para outro através da instrução direta. Embora exista processo 
educativo em toda sociedade, apenas no período moderno a edu-
cação de massa ganhou a forma da escolarização, isto é, instrução 
em ambientes educacionais próprios nos quais os indivíduos passam 
vários anos da sua vida.
SOCIOLOGIA GERAL | GLOSSÁRIO 141
Estado – Aparelho político (instituições governamentais e funcio-
nalismo público) que governa uma dada ordem territorial, cuja au-
toridade é baseada na lei e que tem capacidade para usar a força. 
Nem todas as sociedades se caracterizam pela existência de um es-
tado. As sociedades de caçadores-coletores e pequenas sociedades 
agrárias não têm instituições estatais. O aparecimento do estado 
marca uma transição na história da humanidade, na medida em 
que a centralização do poder político, que a formação de estado 
implica, introduz novas dinâmicas no processo de mudança social.
Estado-Nação – Tipo particular de estado, característico do mun-
do moderno, no qual um governo detém o poder soberano sobre 
um território definido e onde a grande massa da população é for-
mada por cidadãos que têm consciência de pertencerem a uma 
única nação. Os estados-nação são relacionados ao aparecimento 
do nacionalismo, embora as lealdades nacionalistas nem sempre 
estejam de acordo com as fronteiras dos estados que hoje existem. 
Eles surgiram primeiramente na Europa e depois se espalharam no 
mundo todo. 
Estratificação	Social – Existência de desigualdades estruturais en-
tre grupos de uma sociedade em termos de acesso a bens mate-
riais ou simbólicos e serviços. Embora todas as sociedades tenham 
formas de estratificação, só com o advento do sistema estatal 
emergiram diferenças em termos de riqueza e poder. Nas socie-
dades modernas a forma clássica de estratificação é o sistema de 
classe social.
Estrutura Social – Padrões de interação entre indivíduos ou grupos. 
A vida social não acontece de modo imprevisto. A maioria das nos-
sas atividades são estruturadas: estão organizadas de uma forma 
regular e repetitiva. Embora a comparação possa ser duvidosa, é 
necessário pensar a estrutura social de uma sociedade como algo 
comparável aos suportes que sustentam e mantêm um edifício.
Família – Grupo de indivíduos ligados entre si por laços de sangue, 
de casamento ou adoção, que formam uma unidade econômica, em 
que os membros adultos são responsáveis pela educação e sustento 
das crianças. Todas as sociedades conhecidas têm alguma forma de 
FILOSOFIA142
sistema familiar, embora a natureza das relações familiares seja 
muito variável. Nas sociedades modernas a forma clássica é a fa-
mília nuclear.
Globalização – Interdependência crescente entre pessoas, regiões 
e países no mundo.
Grupos Sociais – Conjunto de indivíduos que interagem sistema-
ticamente com outros. Os grupos podem ser de associações mui-
to pequenas a organizações em grande escala ou sociedades. Seja 
qual for o seu tamanho, a característica principal é a identificação 
comum entre seus membros. Grande parte da vida ocorre em gru-
pos, que vão se tornam cada vez mais variados com a complexifi-
cação social. 
Ideologia – Ideias ou crenças partilhadas que servem para justificar 
os interesses de grupos dominantes. As ideologias são próprias de 
todas as sociedades em que as desigualdades entre os grupos são 
enraizadas e sistemáticas. O conceito de ideologia está fortemente 
associado ao de poder, uma vez que os sistemas ideológicos servem 
para legitimar o poder que os grupos detêm de forma desigual.
Industrialização – Desenvolvimento de formas modernas de indús-
tria (fábricas, máquinas e processos de produção em larga escala). 
A industrialização tem sido um dos processos mais marcantes da 
vida social nesses últimos dois séculos. As sociedades industriali-
zadas têm características bem diferentes das sociedades menos 
desenvolvidas. 
Interação Social – Encontro social entre indivíduos. A maior par-
te de nossas vidas é povoada por interações. As interações sociais 
referem-se a situações formais e informais nas quais as pessoas 
travam conhecimento (comunicação) uma com as outras. Como 
exemplos temos: uma sala de aula, uma festa, uma briga.
Métodos de investigação – Diferentes métodos são empregados 
para recolher materiais empíricos em sociologia, mas o trabalho 
de campo (ou observação direta) e a pesquisa com questionário 
(enquete) são os mais recorridos.
SOCIOLOGIA GERAL | GLOSSÁRIO 143
Mobilidade Social – Movimento de indivíduos ou grupos entre di-
ferentes posições sociais. A mobilidade vertical refere-se ao movi-
mento ascendente ou descendente numa hierarquia de um sistema 
de estratificação. A mobilidade horizontal é o movimento físico dos 
indivíduos ou grupo entre regiões. 
Mudança Social – Alteração nas estruturas básicas de um grupo so-
cial ou de uma sociedade. A mudança social é um fenômeno cons-
tante na vida de uma sociedade. As origens da sociologia remontam 
às tentativas de compreender as mudanças pelas quais a nascente 
sociedade capitalista estava passando.
Normas – Regras de conduta que especificam comportamentos con-
siderados adequados numa série determinada de contextos sociais. 
Uma norma pode aprovar ou proibir um determinado modo de com-
portamento. Todos os grupos humanos seguem normas definidas, 
que são sempre reforçadas por sanções de várias ordens, que vão 
desde a desaprovação informal à punição física ou à pena capital.Organização – Grupo numeroso de indivíduos, envolvendo um con-
junto definido de relações de autoridade. Nas sociedades indus-
trializadas existem muitos tipos de organizações que influenciam 
na maioria dos aspectos da vida dos indivíduos. As organizações 
possuem relações estreitas com a burocracia, muito embora nem 
toda organização seja burocrática.
Papel Social – Comportamento esperado da parte do indivíduo 
quando ocupa uma determinada posição social. A ideia do papel 
social deriva do teatro, da representação que os atores desempe-
nham no palco. Assumimos diferentes papeis sociais, pois ocupa-
mos várias posições no teatro da vida.
Parentesco – Relacionamento entre indivíduos através de laços de 
sangue, de casamento ou adoção. As relações de parentesco estão, 
por definição, implicadas no casamento e na família, mas envolve 
muito mais que estas duas instituições. Na nossa sociedade as re-
lações de parentesco não envolvem necessariamente obrigações 
sociais como em algumas outras sociedades nas quais o parentesco 
é fundamental para maior parte dos aspectos da vida social.
FILOSOFIA144
Poder – A capacidade de indivíduos ou membros de um grupo para 
alcançar seus objetivos ou favorecer os seus interesses. O poder é 
um aspecto presente em todas as relações humanas. Muito dos con-
flitos de uma sociedade são lutas pelo poder, porque quanto mais 
poder um indivíduo ou grupo detiver, maior será sua capacidade de 
conseguir o que deseja à custa de outros. 
Política – Meios através dos quais o poder é entregue de modo a in-
fluenciar a natureza e os conteúdos de atividades governamentais. 
A esfera do político inclui as atividades dos que estão no governo, 
mas também as ações de muitos outros grupos e indivíduos. 
Posição Social – Identidade social que um indivíduo detém dentro 
de um determinado grupo ou sociedade. As posições sociais podem 
ser de natureza muito geral (como aquelas associadas a papéis de 
gênero) ou ser muito específicas (como no caso das posições pro-
fissionais).
Religião – Conjunto de crenças que envolvem símbolos inspirado-
res de reverencia e adoração, a que aderem os membros de uma 
comunidade, bem como práticas rituais em que os mesmos par-
ticipam. A religião não implica sempre uma crença em entidades 
sobrenaturais. A diferença crucial entre magia e religião pode ser 
assentada no fato da primeira ser praticada essencialmente por 
indivíduos enquanto que a segunda é o centro de rituais de uma 
comunidade.
Secularização – Processo de declínio na influencia da religião sobre 
os outros aspectos da vida social, tal como o político, econômico. 
Socialização – Processos sociais através dos quais as crianças desen-
volvem uma consciência da existência de normas e valores sociais 
e alcançam uma noção própria de eu-social. Embora esse processo 
seja significativo na infância e adolescência, continua, por toda a 
vida, uma vez que ninguém está imune às influenciais dos outros, 
além do que a vida social é uma constante mudança.
Sociedade – Este é um dos conceitos sociológicos mais importan-
tes. Uma sociedade é um grupo de pessoas que vivem em deter-
minado território, estão sujeitas ao mesmo sistema de autoridade 
SOCIOLOGIA GERAL | GLOSSÁRIO 145
política e estão conscientes de possuir uma identidade própria 
diferente das dos outros grupos. Algumas sociedades são muito 
pequenas (como alguns grupos indígenas), enquanto outras são 
enormes.
Sociedades industriais – Sociedades nas quais a grande maioria da 
força de trabalho encontra-se na produção industrial.
Sociologia – O estudo de grupos e sociedades humanas, que dá um 
destaque particular à análise do mundo industrializado, ou moder-
no. A sociologia faz parte de um conjunto de ciências sociais que 
inclui também a antropologia, a economia, a ciência política e a 
geografia humana. A distinção entre várias ciências sociais não é 
nítida, uma vez que todas partilham determinado leque de interes-
ses, conceitos, métodos comuns.
Status – Honra ou prestígio social conferido a determinado grupo 
que ocupa um lugar específico na estrutura social.
Teoria – Uma tentativa de identificar propriedades genéricas que 
explicam fenômenos regularmente observados. A elaboração de te-
orias é um elemento essencial de todo trabalho sociológico. Embo-
ra as teorias tendam a estar relacionadas com abordagem teóricas 
mais vastas, são também fortemente influenciadas pelos resulta-
dos das investigações que ajudaram a criar.
Trabalho – Atividade humana na qual os indivíduos produzem rique-
za a partir do mundo natural e asseguram a sua sobrevivência. O 
trabalho não deve ser considerado somente como emprego remu-
nerado. Nas culturas tradicionais havia apenas um sistema monetá-
rio rudimentar, e poucas eram as pessoas que trabalhavam em tro-
ca de dinheiro. Nas sociedades modernas, persistem ainda muitos 
tipos de trabalho que não implicam pagamento de salário direto. 
Valores – Ideias de indivíduos ou grupos acerca do que é desejável, 
descente, bom ou mau. A variação em termos de valores constitui 
um aspecto fundamental da diferenciação entre as culturas huma-
nas. 
 
FILOSOFIA146
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Mais conteúdos dessa disciplina