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Morfologia e função
A coordenação das  atividades dos vários  tecidos  e órgãos do organismo, ou  seja,  a manutenção do  estado de  equilíbrio do
organismo (homeostase) é feita principalmente pelos sistemas nervoso e endócrino.
O  sistema  endócrino  atua  por  produção  (síntese),  armazenamento  e  liberação  de  compostos  denominados  hormônios,
produtos  que  são  transportados  pela  circulação  sanguínea.  Eles,  como mensageiros químicos,  têm  capacidade  de  regular  a
função  de  determinados  tecidos,  geralmente  mediante  estimulação,  porém  algumas  vezes  inibindo  certas  atividades.  Os
tecidos/órgãos  sensíveis  a  determinado hormônio  são os órgãos­alvo  ou  tecidos­alvo.  Estes  reagem  aos  hormônios  porque
suas células têm receptores que reconhecem especificamente determinados hormônios e só a eles respondem. Por causa disso,
os hormônios podem circular no sangue sem influenciar indiscriminadamente todas as células do corpo.
Alguns  hormônios  atuam  diretamente  sobre  tecidos/órgãos­alvo  não  endócrinos.  Outros  atuam  indiretamente;  são  os
chamados  hormônios  tróficos,  que,  depois  de  produzidos  e  liberados,  modularão  a  atividade  secretora  de  outra  glândula
endócrina. Por exemplo, o hormônio estimulante da  tireoide  (TSH,  thyroid­stimulating hormone)  é produzido na hipófise e
age na glândula  tireoide. Essas glândulas  com  funcionamento  indireto podem  ser  consideradas  como glândulas  endócrinas
hipófise­dependentes.  As  glândulas  endócrinas  são,  por  sua  vez,  reguladas  pelo  sistema  nervoso  ou  por  outras  glândulas,
criando um complexo de inter­relações neuroendócrinas.
Os mensageiros químicos agem por meio de dois mecanismos. No primeiro, o mensageiro penetra na célula­alvo, combina­
se  com  receptores  intracelulares  e  o  complexo  do mensageiro  com  o  receptor  liga­se  ao  ácido  desoxirribonucleico  (DNA,
deoxyribonucleic  acid),  ativando  um  ou  mais  genes,  comandando  a  produção  de  proteínas  específicas.  Os  hormônios
esteroides funcionam dessa maneira em razão de sua solubilidade nos lipídios. No segundo, o mensageiro entra em interação
com  receptores  localizados  na  superfície  externa  da  membrana  plasmática  da  célula  glandular.  Esse  mensageiro,  chamado
primeiro mensageiro,  induz  a  formação  de mensageiros  intracelulares  (segundo mensageiro),  que  iniciam modificações  da
atividade  celular  com  a  finalidade  de  produzir  secreções.  Os  hormônios  polipeptídicos  atuam  dessa  maneira,  pois,  sendo
insolúveis nos lipídios, não atravessam facilmente a membrana plasmática.
O sistema endócrino existe na forma de órgãos distintos, tecidos e células isoladas. Os órgãos endócrinos são as glândulas
hipófise  (pituitária),  pineal,  tireoide,  paratireoide  e  adrenal.  Os  tecidos  endócrinos  (agrupamentos  de  células  endócrinas)
associados a glândulas ou vísceras não endócrinas são as células neurossecretoras encontradas no hipotálamo, nas ilhotas de
Langhans presentes no pâncreas, as células dos ovários (teca interna, células granulosas, células intersticiais e as células do
corpo  lúteo)  e  dos  testículos  (células  intersticiais  ou  de  Leydig)  e  as  miofibras  cardíacas  atriais  produtoras  do  peptídio
natriurético atrial (ANP, atrial natriuretic peptide).
As células endócrinas isoladas estão distribuídas no epitélio dos aparelhos digestório e respiratório. Na mucosa digestiva,
essas células podem estar localizadas em qualquer nível desde a base das glândulas intestinais até o ápice das vilosidades; na
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mucosa  respiratória  estão  dispersas  individualmente  no  epitélio  ou  em  agregados.  Essas  células  secretam  peptídios  e  têm
características metabólicas comuns, envolvendo a captação de aminas que passam pela descarboxilação no processo de síntese
hormonal.  Esse  mecanismo  determinou,  inicialmente,  o  termo  consumo  e  descarboxilação  do  precursor  amínico  (APUD,
amine precursor uptake and decarboxylation) para essas células. Posteriormente, estudos ultraestruturais  tornaram evidente
que  células  secretoras  de  aminas  da  mucosa  digestiva  e  de  outros  órgãos  endócrinos  (células  secretoras  da  medular  da
adrenal, células parafoliculares ou “C” da tireoide, células justaglomerulares e células quimiorreceptoras do corpo carotídeo)
têm características comuns. Algumas das células APUD são derivadas da crista neural, podendo ser consideradas neurônios
modificados. Por essa razão, o termo sistema neuroendócrino difuso passou a ser utilizado para incluir  todos esses tipos de
células.  Várias  dessas  células  têm  secreção  parácrina,  isto  é,  secretam  mensageiros  químicos  que  atuam  em  células
adjacentes.
Para  as  células  serem  classificadas  como  parte  do  sistema  neuroendócrino  difuso,  devem  apresentar  as  seguintes
características: produzir aminas ou peptídios com atividade semelhante à de um hormônio ou substância neurotransmissora;
ter  estruturas  semelhantes  a  vesículas  sinápticas  ou  grânulos  do  tipo  neurossecretores  (redondos  ou  ovoides,  envoltos  por
membrana,  centro  elétron­denso  e  halo  elétron­transparente);  ter  funções  receptoras  e  secretoras;  e  serem  de  origem
neuroectodérmica.
Estrutura funcional das glândulas endócrinas
As células parenquimatosas  (secretoras) dessas glândulas  são de origem epitelial  e,  com o  tecido de  sustentação  interposto
(estroma), que é  rico em capilares  sanguíneos  (sinusoides com fenestras) e  linfáticos,  formam as glândulas endócrinas. As
células secretoras têm núcleos arredondados, claros (eucromatina) e com nucléolo proeminente, características que refletem o
funcionamento  ativo  de  síntese.  A  composição  do  citoplasma  é  intimamente  relacionada  com  a  característica  química  da
secreção  produzida  por  ele.  Nas  células  produtoras  dos  hormônios  polipeptídicos,  há  abundante  retículo  endoplasmático
rugoso, aparelho de Golgi e grânulos (vesículas) secretores. Nas células que sintetizam hormônios esteroides, é predominante
a trama de retículo endoplasmático liso tipo tubular (não há grânulos), porém as células têm corpúsculos citoplasmáticos de
lipídios (colesterol). As células secretoras  liberam seus produtos hormonais para o espaço intersticial, de onde se difundem
rapidamente para o sistema circulatório, que está em íntimo contato com as células.
Regulação da secreção e atividade dos hormônios
A secreção hormonal pode ser regulada por compostos químicos ou íons no líquido extracelular, por estímulos neurais ou por
hormônios  de  outras  glândulas  endócrinas.  O  sistema  de  feedback  (retroalimentação)  regula  a  maior  parte.  No  feedback
negativo,  que  é  o  mais  comum,  as  respostas  das  células­alvo  inibem  o  hormônio  regulador.  Por  exemplo,  o  hormônio
adrenocorticotrófico  (ACTH,  adrenocorticotropic  hormone)  estimula  a  secreção  de  cortisol,  e  a  secreção  sanguínea
aumentada  de  cortisol  livre  inibe  a  secreção  adeno­hipofisária  de ACTH,  ou  diretamente  ou  pela  diminuição  do  hormônio
hipotalâmico liberador de ACTH. No feedback positivo, a resposta das células­alvo estimula o hormônio regulador, que, por
sua  vez,  estimula  ainda mais  as  respostas  das  células­alvo.  Por  exemplo,  o  aumento  da  secreção  de  estradiol  pelo  ovário
influencia  a  ação  hipotalâmica  e  a  secreção  do  hormônio  liberador  de  gonadotrofina  (GnRH,  gonadotropin­releasing
hormone) hipotalâmico, resultando em elevação da secreção de hormônio luteinizante (LH, luteinizing hormone).
A  atividade  de  um  hormônio  é  amplamente  influenciada  por  sua  interação  com  um  ou  mais  hormônios  envolvidos  na
regulação  da  mesma  função  ou  a  ela  relacionados.  Na  regulação  da  homeostasia  também  podem  ocorrer  dois  hormônios
agindo  antagonicamente.  Por  exemplo,  a  secreção  aumentada  da  insulina  resulta  em  hipoglicemia,  enquanto  o  aumento  da
secreção de glucagon promoveráhiperglicemia. Em alguns casos, a secreção de dois antagonistas pode aumentar em resposta
ao mesmo estímulo. A absorção de aminoácidos a partir do intestino estimula tanto a insulina como o glucagon. O aumento
do glucagon  induzido pela concentração de açúcar no sangue serve para evitar hipoglicemia  transitória  intensa  resultante da
ação da insulina.
Glândula hipó잒乀se
É também conhecida como glândula pituitária. Constitui­se de estrutura arredondada que está localizada em uma concavidade
no  osso  esfenoide  denominada  sela  túrcica  e  está  revestida  pela  dura­máter.  Essa  glândula  endócrina,  portanto,  localiza­se
ventralmente  ao  terceiro  ventrículo  e  ao  hipotálamo.  A  glândula  é  dividida  em  partes  anterior  e  posterior  e  tem  origens
embrionárias diferentes. A adeno­hipófise (ou lobo anterior) se forma a partir de evaginação dorsal do ectoderma orofaríngeo
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(teto da  cavidade oral),  conhecido  como bolsa  de Rathke. A  neuro­hipófise  (lobo  posterior)  se  forma  a  partir  de  protrusão
ventral  (evaginação) do  assoalho do diencéfalo  (hipotálamo)  e permanece  conectada  a  essa porção do  sistema nervoso pelo
pedículo  pituitário.  Parte  da  adeno­hipófise,  o  lobo  intermediário,  fusiona­se  à  neuro­hipófise  e  fica  separada  do  resto  da
adeno­hipófise pela fenda hipofisária.
A  adeno­hipófise  consiste  em  três  porções:  pars  distalis,  pars  tuberalis  e  pars  intermedia.  A  pars  distalis  é  a  maior
porção da pituitária. O parênquima é formado por células epiteliais que formam cordões ramificados e/ou agrupamentos, que
têm membrana basal e são circundadas por sinusoides fenestrados.
As células secretoras da adeno­hipófise são classificadas de acordo com a sua afinidade por corantes histológicos. Quando
apresentam grânulos citoplasmáticos que  têm afinidade pelos corantes histológicos hematoxilina e eosina (H&E), as células
são classificadas em cromófilas acidóficas e cromófilas basófilas. Quando não apresentam grânulos citoplasmáticos visíveis
ao microscópio  de  luz  clara  e,  por  conseguinte,  têm  o  citoplasma  pouco  corado  pelos  corantes  histológicos  de  rotina,  são
classificadas como células cromófobas. Técnicas imuno­histoquímicas (IHQ) específicas subclassificaram funcionalmente as
células  cromófilas  acidófilas  conforme  seu  produto  de  secreção:  células  somatotróficas  [hormônio  do  crescimento  ou
somatotropina  (GH,  growth  hormone)]  e  células  luteotrópicas  [hormônio  luteotrópico  (LTH,  luteotropic  hormone);
prolactina].  As  células  cromófilas  basófilas  incluem  tanto  células  gonadotrópicas,  que  secretam  LH  e  hormônio
foliculoestimulante  (FSH,  follicle­stimulating  hormone),  como  células  tireotróficas  que  secretam  o  TSH.  As  células
cromófobas  são  células  menores  e  com  poucos  grânulos  não  visíveis  na  microscopia  de  luz;  estas  incluem  as  células  da
hipófise empenhadas na síntese de hormônio adrenocorticotrófico (ACTH, adrenocorticotropic hormone) e as melanotróficas,
que secretam o hormônio estimulante dos melanócitos (MSH, melanocyte­stimulating hormone).
Cada  tipo  de  célula  endócrina  da  adeno­hipófise  parece  estar  sob  controle  de  um  hormônio  (“fator”)  de  liberação  (RF,
releasing  factor),  originário  do  hipotálamo.  Para  dois  hormônios,  hormônio  do  crescimento  e  prolactina  são  produzidos
hormônios ou fatores tanto da inibição quanto da liberação. Os hormônios liberadores são peptídios pequenos sintetizados por
neurônios  do  hipotálamo.  São  transportados  por  processos  axônicos,  liberados  em  capilares  e  conduzidos  para  células
endócrinas específicas na adeno­hipófise. Cada fator de liberação estimula a liberação rápida de grânulos secretores contendo
um  hormônio  trófico  pré­formado  específico.  Conforme  explicado  anteriormente,  uma  vez  que  as  células­alvo  desses
hormônios hipofisários são ativadas, o mecanismo de feedback  (positivo ou negativo) controla síntese e liberação adicionais
desses hormônios por meio da ação direta em células na adeno­hipófise ou neurônios no hipotálamo.
O controle da secreção dos hormônios da adeno­hipófise é feito por hormônios estimuladores e inibidores da secreção dos
hormônios  da  adeno­hipófise,  secretados  no  hipotálamo.  Esses  hormônios  são  sintetizados  em  núcleos  hipotalâmicos,
transportados para a eminência média pelo transporte axônico e liberados no plexo capilar primário. Eles alcançam a adeno­
hipófise pelas veias porta hipofisárias  longas e curtas e estimulam ou  inibem a secreção dos hormônios adeno­hipofisários.
Esses hormônios são chamados hormônios hipotalâmicos hipofisiotróficos. Foram caracterizados os seguintes hormônios:
Corticoliberina (CRH, corticotropin­releasing hormone) ou adrenocorticotrófico hormônio (ACTH)
Gonadoliberina (LH/FSH­RF) ou GnRH
Melanoliberina ou fator liberador da melanotropina (MSH­RF)
Melanostatina ou fator  inibidor (do fator  liberador) de melanotropina (MSH­IF, melanocyte­stimulating­hormone release­
inhibiting factor)
Prolactoliberina ou fator liberador de prolactina (PRF, prolactin­releasing factor)
Prolactostatina, dopamina ou fator inibidor de prolactina (PIF, prolactin inhibitory factor)
Somatoliberina ou hormônio liberador do hormônio crescimento (GHRH, growth hormone­releasing hormone)
Somatostatina ou hormônio inibidor do hormônio crescimento (GHIH, growth hormone­inhibiting hormone)
Tireoliberina ou hormônio liberador da tireotropina (TRH, tyrotropin­releasing hormone).
A neuro­hipófise não  tem células secretoras, e,  sim, axônios sem mielina oriundos de neurônios  localizados nos núcleos
hipotalâmicos  supraóptico  e  paraventricular.  Apresenta  também  células  de  sustentação  (pituícitos),  que  são  astrócitos
modificados.  Os  hormônios  são  produzidos  nos  corpos  neuronais  no  hipotálamo,  chegam  à  neuro­hipófise  pelo  fluxo
axoplasmático e, por exocitose, entram na circulação sanguínea.
O pedúnculo hipofisário conecta a pars nervosa da hipófise ao hipotálamo suprajacente e  também é composto de axônios
amielínicos.
A hipófise posterior  libera dois hormônios, o hormônio antidiurético  (ADH, antidiuretic hormone), ou vasopressina, e a
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ocitocina,  os  quais  atuam  diretamente  sobre  tecidos  não  endócrinos  (músculo  liso  da  parede  uterina  e  túbulos  coletores
renais).
Glândula pineal ou epí잒乀se neural
A pineal é uma evaginação do encéfalo que se localiza abaixo da extremidade caudal do corpo caloso do cérebro e é revestida
pelas  leptomeninges.  É  composta  de  lóbulos  de  células  especializadas,  separadas  por  axônios  amielínicos.  Há  dois  tipos
celulares: pinealócitos,  que  são  as  células  principais,  e  células  da  neuroglia,  os  astrócitos.  Os  pinealócitos  são  neurônios
modificados  e  especializados  dispostos  em  cordões  e  circundados  por  capilares  fenestrados.  Apresentam  grânulos
citoplasmáticos que contêm melatonina e seu precursor, serotonina. A pineal responde a estímulos luminosos recebidos pela
retina, os quais são  transmitidos ao córtex cerebral e  retransmitidos à pineal por nervos do sistema nervoso simpático. Sob
influência  luminosa,  a  secreção  de  melatonina  diminui,  influenciando  a  atividade  das  gônadas  nas  espécies  poliestrais
estacionais,  que  apresentam  ciclicidade  ovariana  em  dias  longos  (como  no  caso  das  éguas)  ou  nos  dias  curtos  (como  a
ovelha). Na ausência de luz, ou seja, durante a noite, a secreção de melatonina aumenta, contribuindo para o sono; portanto,
pode­se dizer que a pineal obedece ao ritmo circadiano. Por esse motivo, criações comerciais de poedeiras têm como prática
de  manejo  um  programa  de  luz  noturna,  prolongando  o  período  diário  de  atividade  reprodutiva  das  aves.  Geralmente,  o
período total de luz é de 18 h diárias para as aves em fase de postura.
Glândula tireoide
Na maioria das  espécies,  a glândula  tireoide  tem dois  lobos  e  está  localizadalateralmente na parte  cranial da  traqueia. Nos
suínos e aves, no entanto, os lobos estão localizados próximo à entrada da cavidade torácica.
Os lobos estão envoltos por uma cápsula de tecido conjuntivo fibroso de onde saem septos fibrosos que dividem a glândula
em  lóbulos.  Fibras  reticulares  também  fazem  parte  do  estroma  de  sustentação.  O  parênquima  da  glândula  é  composto
principalmente  de  folículos  tireoidianos  (espaços  esféricos  limitados  pelas  células  epiteliais  cuboides),  os  quais  são  as
unidades funcionais da glândula. O lúmen dos folículos é geralmente preenchido pelo coloide (substância gelatinosa rica em
uma glicoproteína, a tireoglobulina). O epitélio repousa sobre uma membrana basal. A estrutura dessas células epiteliais tem
todas as características de uma célula que, ao mesmo tempo, sintetiza, reabsorve e digere proteínas – retículo endoplasmático
rugoso (RER), mitocôndrias, núcleo esférico com nucléolo evidente, aparelho de Golgi no polo apical, grânulos de secreção,
lisossomos  e microvilosidades  em número moderado  na  borda  “luminal”. As  células  foliculares  da  tireoide  têm  receptores
para o TSH, que estimula a célula tireoidiana; no entanto, os hormônios tireoidianos (T3 e T4), por sua vez, inibem a síntese
do TSH. Quando  a  altura média  do  epitélio  do  folículo  é  baixa,  a  glândula  está  pouco  ativa  e,  em  contraposição,  aumento
acentuado na altura do epitélio significa hiperatividade deste. O órgão é altamente vascularizado com capilares revestidos por
células endoteliais fenestradas.
Na  síntese  dos  hormônios  tireoidianos  participam  os  seguintes  processos:  síntese  da  tireoglobulina  [síntese  proteica  a
partir de aminoácidos (tirosina) captados pela borda basal da célula] e glicosilação; captação de  iodeto circulante pela borda
basal  e  transporte  ativo até o  lúmen, no qual  é  ativado e  transformado em  iodo;  iodação da  tireoglobulina  (que consiste na
combinação do  iodo  com a  tireoglobulina que  só ocorre  no  lúmen  folicular);  captação do  coloide por  pinocitose  através da
borda  apical  da  célula;  digestão  das  gotículas  de  coloide  por  lisossomos,  liberando  tri­iodotirosina  (T3)  e  tetraiodotirosina
(T4 ou tiroxina), que ultrapassam a membrana basal da célula e chegam ao capilar sanguíneo.
Na  corrente  sanguínea,  o  T3  e  o T4  unem­se  a  proteínas  plasmáticas  e  são  lentamente  liberados  para  os  tecidos.  Esses
hormônios  tireoidianos  se  ligam novamente  a  proteínas  intracelulares  (ativando  receptores  intranucleares),  sendo  utilizados
lentamente  por  dias  a  semanas. Muitos  desses  receptores  são  específicos  para  o T3.  Esses  hormônios  atuam  em  todos  os
sistemas  do  organismo.  Nas  células,  estimulam  a  transcrição  de  muitos  genes  que  codificam  vários  tipos  de  proteínas,
aumentando  o  metabolismo  celular  pelo  incremento  das  reações  de  oxidação  (elevação  do  consumo  de  oxigênio).  Atuam
também  acelerando  a  síntese  e  o  catabolismo  de  proteínas,  o  metabolismo  dos  carboidratos,  a  glicogenólise  e  a
gliconeogênese. No metabolismo dos lipídios, promovem lipogênese e lipólise. No músculo cardíaco, aumentam a transcrição
gênica  da  miosina  e  dos  receptores  beta­adrenérgicos.  No  trato  digestório,  elevam  a  motilidade  intestinal  e  a  secreção  de
enzimas digestivas e facilitam, por fim, o crescimento dos tecidos muscular e ósseo.
Outra  célula  secretora  é  encontrada  dispersa  entre  as  células  foliculares  e  a membrana  basal  que  envolve  as  células  dos
folículos; essas células são chamadas de células parafoliculares ou células “C”. Foram descritas pela primeira vez no cão,
no  qual  apresentam  citoplasma  grande  e  não  corado,  sendo,  por  isso,  denominadas  células  “C”  (células  claras).  São
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responsáveis  pela  síntese  de  calcitonina.  Esse  hormônio  promove  a  absorção  de  cálcio  pelo  sistema  esquelético  e  inibe  a
reabsorção óssea pelos osteoclastos. Sua produção é influenciada diretamente pelos níveis plasmáticos de cálcio.
Glândula paratireoide
Localiza­se na parte cranial da tireoide ou na entrada do tórax. Geralmente, são pares, mas podem ser encontradas até três ou
quatro glândulas. São envolvidas por cápsula delgada de tecido conjuntivo fibroso, a qual projeta finas trabéculas de colágeno
para o interior do parênquima, que é constituído por cordões, grupos ou “rosetas” de células epiteliais sustentadas por fibras
reticulares e com extensa rede de capilares fenestrados. Os tipos celulares incluem as células principais (claras e escuras) e,
em menor quantidade, as células oxínticas, que apresentam citoplasma intensamente eosinofílico cuja função é desconhecida.
A célula principal clara é  inativa e  tem o citoplasma acidófilo (eosinofílico) claro e núcleo grande e vesicular. Essas células
predominam nas glândulas paratireoides do ser humano e dos animais domésticos. As células ativas e escuras ocorrem com
menor frequência que as células  inativas e apresentam núcleo pequeno e vesicular, circundado por citoplasma acidófilo com
numerosos grânulos secretores. A glândula é especializada em secretar o paratormônio (PTH), que regula os níveis de cálcio
e  fosfato sérico. O PTH atua no  tecido ósseo aumentando a velocidade de  reabsorção osteoclástica e  liberando cálcio ósseo
para  a  circulação.  Eleva,  ainda,  a  absorção  de  cálcio  pela  mucosa  intestinal  e  inibe  a  reabsorção  de  fósforo  e  promove  a
reabsorção de cálcio nos túbulos proximais dos rins. A produção e a secreção do PTH são estimuladas pela diminuição dos
níveis sanguíneos de cálcio.
Glândula adrenal
As glândulas adrenais são pequenos órgãos localizados cranialmente aos rins. As adrenais estão envoltas por uma cápsula de
tecido conjuntivo denso e trabéculas de tecido conjuntivo frouxo que invadem o parênquima até o nível da medula. O estroma
de  suporte  consiste  em  fibras  colágenas  finas  e  fibras  reticulares.  As  glândulas  adrenais  são  altamente  vascularizadas  e
divididas em duas regiões: a cortical e a medular, que diferem na origem embriológica. O córtex tem origem no mesoderma,
que  corresponde  a  cerca  de  80%  do  órgão. De maneira  semelhante  às  gônadas,  os  hormônios  esteroides  produzidos  pelas
células  corticais  da  adrenal  têm  como  precursor  o  colesterol.  A medular  tem  origem  no  ectoderma,  semelhantemente  ao
sistema nervoso simpático, e pode ser considerada como adjunto altamente especializado desse sistema. O córtex é  formado
por células poliédricas secretoras que estão organizadas em cordões, quase sempre da espessura de duas células. Os cordões
estão  orientados  radialmente  em  relação  à medular  da  adrenal.  A  orientação  dos  cordões  e  algumas  diferenças  citológicas
possibilitam a diferenciação das subdivisões corticais: zona glomerulosa ou multiforme, zona  fasciculata e zona reticularis.
Na zona glomerulosa, os núcleos das células são mais basofílicos e menores que os das demais zonas; além disso, as células
se organizam de maneira semelhante a glomérulos. Em equino, suíno e cão, as células  têm arranjo arqueado. É responsável
pela  produção  dos mineralocorticoides  (aldosterona). A  zona  fasciculata  é  a mais  larga  do  córtex  e  é  formada  por  células
poliédricas arranjadas em cordões únicos ou duplos, as quais produzem os glicocorticoides cortisol e corticosterona. A zona
reticularis é formada por células que estão dispostas na forma de cordões, que se anastomosam livremente e são responsáveis
pela produção de hormônios androgênios.
A medular  tem  células  ganglionares  prismáticas  e  células  epitelioides  intimamente  agrupadas.  Essas  células  têm  núcleo
grande  e vesicular  e  citoplasma basofílico  e  com pequenos grânulos. Secretam as  catecolaminas  epinefrina  e norepinefrina.
Quando o  tecido  é  fixado  em  sais  de  cromo, os grânulos de  catecolaminas  são oxidados,  adquirindo  cor marrom; por  essa
razão,o nome célula cromafim foi atribuído à célula secretora da medular da adrenal.
O controle da produção da aldosterona pelas células da zona glomerulosa é feito pelas concentrações plasmáticas de sódio
e potássio e pelo sistema renina­angiotensina. A renina é produzida no rim e  transforma o angiotensinogênio (uma proteína
plasmática)  em angiotensina  I,  que  é  convertida  em angiotensina  II  nos  pulmões. A  angiotensina  II  nos  pulmões  tem ação
vasoconstritora e, além disso, estimula as células da zona glomerulosa da adrenal a produzir aldosterona. A função principal
da aldosterona é aumentar a reabsorção renal de sódio e, por osmose, também de água, o que resulta em elevação da pressão
arterial. Os glicocorticoides produzidos pelas  células da  zona  fasciculata  são  hiperglicemiantes;  eles  diminuem  a  utilização
periférica  de  glicose,  aumentando  o  nível  de  glicose  sanguínea.  A  di­hidroepiandosterona  sintetizada  por  células  da  zona
reticularis é precursora de hormônios sexuais femininos e masculinos. A medular secreta a epinefrina e a norepinefrina, cuja
liberação é controlada por neurônios pré­ganglionares do sistema nervoso simpático. Estresses físicos e psicológicos agudos
e  outros  estímulos,  como  o  frio,  iniciam  a  liberação  desses  hormônios.  O  hipotálamo  secreta  o  fator  liberador  de
corticotrofina. Sob a ação deste, a adeno­hipófise secreta o ACTH, que age estimulando a liberação dos hormônios do córtex
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da adrenal.
Pâncreas endócrino
O  epitélio  embrionário  dos  ductos  pancreáticos  origina  as  células  endócrinas  e  exócrinas.  Durante  o  desenvolvimento
embrionário,  as  células  endócrinas  migram  e  agregam­se  ao  redor  de  capilares  para  formar  grupos  isolados  de  células
dispersos por todo o tecido glandular exócrino. Esses aglomerados são conhecidos como ilhotas de Langhans, formadas por
cordões  celulares  constituídos  por  células  arredondadas  ou  poligonais,  que  adquirem  coloração  mais  clara  que  os  ácinos
pancreáticos  na  coloração  de  rotina.  Elas  correspondem  a  cerca  de  1,5%  do  volume  pancreático.  Por meio  da  IHQ  para  a
marcação dos hormônios específicos das células, foi possível a identificação de cinco tipos celulares que compõem as ilhotas:
células A ou alfa, B ou beta, C, D e F.
Células  A  ou  alfa:  são  células  poligonais  que  apresentam  grânulos  insolúveis  em  álcool  e  secretam  o  glucagon  e  a
colicistoquinina
Células B ou beta: compõem a maior parte da  ilhota (mais ou menos de 60 a 80%, mas, em cães, sabe­se que compõem
75% e, em ovelhas, até 98% das  ilhotas). São células poligonais, com grânulos solúveis em álcool; ultraestruturalmente,
caracterizam­se por apresentar estruturas intranucleares cristaloides de formato variado, sendo responsáveis pela produção
de insulina
Células C: não apresentam grânulos. Podem ser consideradas como célula A ou B em repouso ou como célula precursora
da A
Células  D:  produzem  a  somatostatina,  que  inibe  a  atividade  da  célula  A  e  da  célula  B.  São  consideradas  raras  nos
mamíferos domésticos
Células F: sintetizam o hormônio polipeptídio pancreático, que inibe a secreção do pâncreas exócrino, relaxa a musculatura
lisa da vesícula biliar e diminui a secreção de bile.
O hormônio insulina (hormônio hipoglicemiante) favorece a entrada de glicose nas células (hepatócitos, fibras musculares
esqueléticas e adipócitos), diminuindo os níveis plasmáticos de glicose. O hormônio glucagon é o hormônio hiperglicemiante.
Para  obter  glicose,  atua  nos  hepatócitos  promovendo  a  glicogenólise  e  a  neoglicogênese  pelo  aumento  da  proteólise  e  da
lipólise.
Mecanismo de desenvolvimento da doença endócrina
Várias  lesões  do  sistema  endócrino  são  caracterizadas  por  distúrbios  funcionais  e  alterações  patológicas manifestadas  por
diferentes sistemas do organismo. Tais alterações, que podem ser percebidas inicialmente pelo proprietário do animal e são o
motivo pelo qual o animal é  levado ao consultório médico veterinário, quase sempre não são facilmente relacionadas com o
respectivo distúrbio hormonal. Por exemplo, o animal pode apresentar alopecia e hiperpigmentação como alterações primárias
principais.  Essas  alterações  são  observadas  no  hipotireoidismo  e  no  hiperadrenocorticismo,  mas  outras  causas  hormonais
(hiperestrogenismo  associado  à  neoplasia  das  células  de  Sertoli)  e  causas  infecciosas  também  fazem  parte  do  diagnóstico
diferencial.  Alterações  no  sistema  urinário,  tais  como  poliúria  e  polidipsia,  ocorrem  na  diabetes  insipidus  e  no
hiperadrenocorticismo. Fraqueza muscular pode ser provocada por hipotireoidismo e hiperadrenocorticismo. Desse modo, os
conhecimentos  detalhados  de  todas  as  alterações  individuais  causadas  por  cada  defeito  hormonal  serão  muito  úteis  para
direcionar a suspeita clínica ou patológica. Biopsias e testes dos níveis hormonais são essenciais para fazer o diagnóstico da
doença endócrina.
Hipofunção primária de glândula endócrina
Secreção  e  liberação  de  um  hormônio  são  subnormais  quando  há  extensa  destruição  das  células  secretoras  por  processo
patológico, falha de uma glândula em desenvolver­se adequadamente ou defeito bioquímico na rota sintética de um hormônio.
Danos  imunomediados  causam  hipofunção  de  várias  glândulas  endócrinas,  incluindo  as  glândulas  paratireoides,  o  córtex
adrenal  e  a  glândula  tireoide. A  tireoidite  causada  por  esse mecanismo  (tireoidite  linfocitária)  caracteriza­se  por  acentuada
infiltração  linfoplasmocitária  e  deposição  de  imunocomplexos  eletrodensos  ao  longo  das  membranas  basais  dos  folículos
tireoidianos, com destruição progressiva do parênquima secretor dessa glândula endócrina.
Outra causa de hipofunção da tireoide é o uso de produtos antitireoidianos, tais como a metiltiouracila e outros derivados
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do  tiouracil  (uso  proibido  por  deixar  resíduos  na  carne  e  por  riscos  para  a  saúde  humana).  Essas  substâncias  inativam  a
peroxidase tireoidiana, impedindo a oxidação do iodeto, a fixação do iodo ao radical tirosil da tireoglobulina e o acoplamento
das  iodotirosinas. Além desse mecanismo, alguns antitireoidianos, como a propiltiouracila,  também inibem a  transformação
da  tiroxina  em  tri­iodotironina  nos  tecidos  periféricos  por  bloquear  a  desiodação.  A  deficiência  induzida  de  hormônios
tireoidianos ocasiona hipersecreção de TSH, que tem ação trófica sobre a tireoide, determinando seu aumento de volume. O
hipotireoidismo, provocado no curso da administração desses medicamentos, determina ganho de peso pela retenção de água
nos tecidos subcutâneo e muscular e no trato gastrintestinal.
Falha no desenvolvimento  também resulta em hipofunção primária de uma glândula endócrina. O exemplo clássico desse
mecanismo é a falha do ectoderma orofaríngeo em diferenciar­se completamente em células secretoras de hormônios tróficos
da adeno­hipófise em cães e resulta em uma síndrome clínica denominada nanismo pituitário.
Hipofunção secundária de glândula endócrina
Nesse mecanismo, lesão destrutiva de um órgão, como a da glândula pituitária (hipófise), interfere na secreção de hormônio
trófico,  o  que  resulta  em  hipofunção  de  glândula  endócrina  alvo.  Neoplasias  grandes  e  endocrinologicamente  ativas  da
pituitária  em  cães  e  gatos  adultos  e  em  outras  espécies  de  animais  domésticos  podem  interferir  na  secreção  de múltiplos
hormônios tróficos da pituitária e resultar em hipofunção clinicamente detectável do córtex adrenal, das células foliculares da
tireoide  e  das  gônadas. Por  exemplo,  abscesso ou grande  adenoma não  funcional  da  glândula  pituitária  pode  comprimir  ou
incorporar  completamente  e  destruir  a  adeno­hipófise,  interrompendo,  assim,  a  secreção  de  TSH.  Isso  resulta  em  atrofia
acentuada da tireoide e produção subnormal dos hormônios tireoidianos.
Hiperfunçãoprimária de glândula endócrina
Na hiperfunção primária de glândula endócrina, células hiperplásicas ou neoplásicas funcionais, frequentemente derivadas da
glândula,  sintetizam e  secretam um hormônio de modo autônomo em quantidades excessivas, que superam a capacidade do
organismo em utilizá­lo e degradá­lo, resultando em síndrome de excesso de hormônio. Essas síndromes incluem hiperfunção
das células principais da paratireoide, das células foliculares e “C” (parafoliculares) da tireoide, das células beta das  ilhotas
do  pâncreas  endócrino  (ilhotas  de  Langhans)  e  das  células  secretoras  da  medular  da  adrenal.  Por  exemplo,  hiperplasia
multinodular  ou  adenoma  funcional  da  glândula  tireoide  em  gatos  acarreta  hipersecreção  autônoma  de  tiroxina  e  tri­
iodotironina.  A  elevação  dos  hormônios  tireoidianos  determina  distúrbios  de  hiperatividade  nos  indivíduos  (ver  o  item
Síndromes Clínicas).
Hiperfunção secundária de glândula endócrina
Nesse mecanismo patogenético, alteração em um órgão endócrino (p. ex., adeno­hipófise) libera excessiva quantidade de um
hormônio  trófico, o que  resulta  em estimulação prolongada de um órgão­alvo e  consequente hipersecreção de hormônio. O
exemplo  desse mecanismo  patogênico  em  animais  é  a  neoplasia  secretora  de ACTH  derivado  de  células  corticotróficas  da
pituitária. Adenoma  cromófobo  corticotrófico  (secretor  de ACTH)  da pars distalis  da  hipófise  é  responsável  por  aumento
bilateral  das  glândulas  adrenais.  Isso  ocorre  em  virtude  da  secreção  prolongada  de  ACTH  por  essa  neoplasia
endocrinologicamente ativa (funcional), que resulta em hipertrofia e hiperplasia das células secretoras das zonas fasciculata e
reticularis  no  córtex  adrenal  e  em  secreção  excessiva  de  cortisol  e  a  síndrome  clínica  em  cães,  caracterizada  por  alopecia
progressiva, hiperpigmentação e fraqueza muscular (ver Síndromes Clínicas).
Hipersecreção de hormônios ou de substâncias semelhantes a hormônios por
neoplasias não endócrinas
A  hipersecreção  de  hormônios  ou  de  substâncias  “tipo  hormônios”  (química  ou  biologicamente  semelhantes  ao  hormônio
original) por neoplasias não endócrinas tem sido reconhecida em animais e seres humanos. A maioria dessas substâncias são
peptídios.  Esteroides  e  iodotironinas  parecem  não  ser  secretados  por  neoplasias  não  endócrinas.  Exemplo  da  produção  de
substâncias  tipo  hormônios  em  animais  é  o  adenocarcinoma  derivado  das  glândulas  apócrinas  do  saco  anal  em  cães.  Tais
neoplasias  produzem  uma  proteína  relacionada  com  o  hormônio  paratireoidiano  (PTHrP,  parathyroid  hormone­related
protein), que estimula  indiretamente os osteoclastos. A  resultante mobilização acelerada de cálcio provoca desenvolvimento
de hipercalcemia persistente, mesmo que as glândulas paratireoides do animal sejam compostas de células principais atróficas
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e inativas.
Disfunção endócrina em consequência de resposta insu잒乀ciente da célula-alvo
O  entendimento  mais  completo  do  mecanismo  de  ação  dos  hormônios  possibilitou  o  reconhecimento  dessa  disfunção
endócrina. Hormônios esteroides e  iodotironina penetram no citoplasma pela membrana da  célula,  ligam­se  a  receptores no
citoplasma e  são  transportados  ao núcleo,  onde  interagem com o DNA da  célula para  aumentar  a  síntese de nova proteína.
Hormônios polipeptídicos e catecolaminas ligam­se a receptores na superfície das células­alvo e ativam uma enzima ancorada
na  membrana  que  cria  um  mensageiro  intracelular  [monofosfato  de  adenosina  cíclico  (cAMP,  cyclic  adenosine
monophosphate)] que induz resposta fisiológica. A falha das células­alvo em responder ao hormônio pode ser decorrente de
falta de adenilciclase na membrana celular ou alteração nos  receptores hormonais na  superfície da célula. Certas  formas de
resistência à insulina associadas à obesidade em animais e seres humanos resultam do decréscimo no número de receptores na
superfície das células­alvo. Consequentemente, pode desenvolver­se quadro de diabetes mellitus.
Hiperatividade endócrina secundária às doenças de outros órgãos
Bom exemplo que caracteriza essa alteração é o hiperparatireoidismo, que se desenvolve secundariamente à insuficiência renal
crônica ou  ao desequilíbrio nutricional. O hiperparatireoidismo nutricional  desenvolve­se  em animais  com dietas  anormais,
ricas em fósforo. Carnívoros que recebem carne diariamente,  sem suplementação de cálcio, desenvolvem hipocalcemia, que
estimula a paratireoide a aumentar sua atividade.
Insu잒乀ciência da função endócrina fetal
A função subnormal do sistema endócrino do feto, especialmente em ruminantes, pode perturbar seu desenvolvimento normal
e  resultar  em  gestação  prolongada.  Em  bovinos  Guernsey  e  Jersey,  há  insuficiência,  geneticamente  determinada,  no
desenvolvimento da adeno­hipófise, embora a neuro­hipófise se desenvolva de modo normal. Isso resulta na falta de secreção
de  hormônios  tróficos  da  pituitária  durante  o  terço  final  de  gestação  e  consequente  hipoplasia  dos  órgãos  endócrinos­alvo,
especificamente córtex adrenal, gônadas e células  foliculares das glândulas paratireoides. O desenvolvimento  fetal é normal
até cerca de 7 meses de gestação, mas o crescimento fetal subsequente cessa,  independentemente do  tempo pelo qual o feto
viável é retido no útero.
Disfunção endócrina resultante de degradação anormal de hormônio
Nesse  distúrbio,  a  secreção  de  hormônio  por  uma  glândula  endócrina  é  normal,  porém  as  concentrações  no  sangue  estão
persistentemente  elevadas,  pois  a  degradação  está  diminuída,  estimulando  hipersecreção  de  seus  respectivos  hormônios. A
síndrome de feminilização em seres humanos decorrente do hiperestrogenismo, associada à cirrose e à consequente redução
na degradação hepática de estrógenos, é exemplo clássico desse mecanismo patogenético.
Outro exemplo de degradação anormal de hormônios é a  indução das enzimas microssomais hepáticas pela administração
de vários químicos ou medicamentos. O aumento da atividade das enzimas microssomais resulta em aumento da excreção de
T4  pela  bile.  Os  níveis  circulantes  de  T4  tornam­se  subnormais  e  há  elevação  de  secreção  compensatória  de  TSH  pela
glândula pituitária. A estimulação contínua das células foliculares da tireoide pelo TSH em espécies animais, como ratos de
laboratório, predispõem ao desenvolvimento de aumento na incidência de hiperplasia focal e adenomas da tireoide.
Síndromes iatrogênicas de excesso hormonal
A  administração  de  hormônio,  seja  direta  ou  indiretamente,  influencia  a  atividade  das  células­alvo  e  resulta  em  distúrbios
clínicos. A administração diária prolongada de altas doses de preparação potente de corticosteroides exógenos (medicamentos
à  base  de  corticosteroides),  no  tratamento  sintomático  de  várias  doenças,  reproduzirá  a  maioria  dos  distúrbios  funcionais
associados ao excesso de cortisol, incluindo fraqueza muscular, perda acentuada de pelos (hipotricose e alopecia) e deposição
de  cálcio  na  pele  (calcinose  cutânea).  A  concentração  elevada  de  cortisol  exógeno  resulta  em  atrofia  acentuada  do  córtex
adrenal, particularmente das zonas fasciculata e reticularis, por falta de estímulo pelo ACTH.
Hipó잒乀se
Anomalias do desenvolvimento
Falhas  no  desenvolvimento  da  hipófise  (aplasia  e  hipoplasia)  são  relatadas  em  várias  raças  bovinas,  incluindo  Jersey,
Guernsey  e  Holandês,  em  que  a  disfunção  é  geneticamente  determinada.  A  anomalia  afeta  o  eixo  hipotalâmico­adeno­
hipofisário­adrenocortical  do  feto,  resultando  em  hipoplasia  bilateral  acentuada  do  córtex  adrenal  e  consequente  falha  na
produção  de  cortisol  fetal  (hormônio  essencial  no  início  do  trabalho  de  parto). Clinicamente,  a  condição  se  caracteriza  por
prolongamento da gestação. Os fetos afetados podem apresentar,além disso, anomalias resultantes da deficiência adicional de
TSH,  GH  e  outros  hormônios  hipofisários,  incluindo  hipoplasia  bilateral  das  glândulas  tireoides,  defeitos  esqueléticos  e
retardamento  no  desenvolvimento.  Há  também  casos  em  que  os  fetos  continuam  crescendo  in  utero  até  ultrapassarem  a
capacidade placentária de nutrição do feto, momento em que ocorre a sua morte.
Condição semelhante é observada em ovelhas prenhes que  ingerem a planta Veratrum californicum  (que cresce em certas
partes  dos  EUA)  no  14o  dia  de  gestação.  Nesses  animais,  os  alcaloides  da  planta  ciclopamina  e  jervina  produzem  várias
deformidades  fetais,  em  particular  da  região  do  hipotálamo  e  da  hipófise.  A  gestação,  nesses  casos,  estende­se
indefinidamente, até ser interrompida por cesariana ou o feto morrer in utero.
Por fim, hipoplasia pituitária, resultando em falha na secreção dos hormônios tireotróficos, somatotróficos, lactotróficos e,
em menor grau, gonadotróficos, também é descrita em cães, seres humanos e camundongos anões, acompanhada ou não por
cistos multiloculares da bolsa de Rathke (ver Hipossomatotropismo Congênito ou Nanismo Pituitário para mais detalhes).
Cistos  não neoplásicos na hipófise  (Figura 13.1)  podem  se desenvolver  em  remanescentes  tanto da porção distal  quanto
proximal do ducto craniofaríngeo. Os cistos derivados da porção distal do ducto são revestidos por epitélio ciliado cúbico a
cilíndrico e contêm mucina. Em cães, principalmente nos de raças braquicefálicas, esses cistos são quase sempre encontrados
na  periferia  de  pars  tuberalis  e  pars  distalis  da  hipófise.  Às  vezes,  os  cistos  se  tornam  grandes  o  suficiente  a  ponto  de
induzirem  atrofia  compressiva  do  infundíbulo,  da  eminência mediana  ou  da  pars  distalis,  além  de  interferência  no  aporte
sanguíneo  pelo  sistema  porta  hipofisário.  Extravasamento  do  conteúdo  do  cisto  pode  elicitar  reações  inflamatórias  locais
marcadas, com subsequente fibrose e interferência no funcionamento glandular normal. Sinais clínicos incluem deficit visuais
e diabetes insipidus  (considerados, primariamente,  reflexo da função hipotalâmica danificada por compressão pela neoplasia
pituitária),  bem  como  atrofia  gonadal,  redução  da  taxa  de  metabolismo  basal  e  hipoglicemia  (associados  ao
hipofuncionamento da adeno­hipófise).
A  porção  proximal  do  ducto  craniofaríngeo  pode  persistir  no  aspecto  dorsal  da  cavidade  oral  em  adultos  na  forma  de
células  indiferenciadas  ou  de  células  diferenciadas  semelhantes  às  da  adeno­hipófise.  A  presença  dessa  estrutura
remanescente, chamada de hipófise faringiana, é descrita em várias espécies animais, em especial em cães e gatos; naqueles, a
hipófise faringiana é fisicamente separada da adeno­hipófise, ao passo que, nestes, essas estruturas podem ser contínuas em
razão da persistência do canal craniofaringiano.
Em cães,  a hipófise  faringiana é mais  comumente observada nas  raças braquicefálicas. Ela consiste  em estrutura  tubular
revestida por epitélio cilíndrico ciliado que está localizada na região mediana da nasofaringe e costuma ser contínua, com um
cisto multilocular. O cisto pode medir alguns centímetros de diâmetro, podendo causar distúrbios respiratórios decorrentes do
deslocamento  ventral  do  palato mole  e  da  oclusão  das  narinas.  A  parede  do  cisto  pode  conter  osso  trançado  parcialmente
mineralizado, parecendo firme à palpação. O seu conteúdo é, muitas vezes, amarelo­acinzentado e caseoso, em consequência
do  acúmulo  de  queratina  e  células  epiteliais  esfoliadas.  À microscopia,  o  cisto  é  revestido  por  epitélio  escamoso,  ciliado,
cúbico ou cilíndrico e contém material coloide e detrito celular. Células acidófilas, basófilas e cromófobas semelhantes às da
adeno­hipófise são observadas na sua parede.
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Figura  13.1  Aspecto  ventral  do  encéfalo  de  um  cão  com  cisto  na  hipófise,  envolvendo  a  pars  distalis  e  a  pars  tuberalis,
levando à atrofia da glândula.
Alterações in⸸㠵amatórias
Inflamações abscedativas da glândula pituitária são as características da síndrome do abscesso pituitário, doença incomum e
quase sempre fatal de ruminantes e, raramente, de equinos. Geralmente, os animais afetados são adultos, com mais de 2 anos
de  idade,  mas  a  doença  também  pode  ser  observada  em  gado  jovem,  associada  ao  uso  de  argolas  e  tabuletas  nasais  para
desmame interrompido. Os casos costumam ser esporádicos; mesmo durante a ocorrência de surtos, a morbidade é inferior a
2%.  Sinais  clínicos  têm,  com  frequência,  início  súbito,  e  a  duração  do  curso  da  doença  varia,  em  geral,  de  1  dia  a  várias
semanas.  O  quadro  clínico  é  altamente  variável.  Os  sinais  mais  comuns  estão  associados  à  disfunção  assimétrica  e
progressiva de nervos cranianos, em especial dos nervos trigêmeo e abducente. Os principais achados macro e microscópicos
consistem em abscessos pituitários (Figuras 13.2 e 13.3) ou parapituitários que comprimem dorsalmente o tronco encefálico e
os  nervos  cranianos  regionais.  Em  alguns  casos,  observam­se,  ainda,  osteomielite  do  osso  basoesfenoide,  abscessos  na
substância encefálica e leptomeningite supurativa na superfície ventral do encéfalo e da medula espinal cervical.
O  mecanismo  patogênico  específico  da  síndrome  permanece  por  ser  esclarecido.  Hipóteses  incluem  extensão  direta  de
processo  inflamatório  de  estruturas  adjacentes  (tais  como  otite  interna,  sinusite  e  empiema  das  bolsas  guturais)  e
disseminação bacteriana por meio de circulação venosa, arterial ou linfática. Em ruminantes, a hipófise é circundada por uma
rede vascular complexa formada por veias do seio cavernoso e artérias da rete mirabile epidural rostral ou carotídea (Figura
13.4 A). Essa rede torna a glândula especialmente suscetível à deposição embólica de bactérias de fontes crônicas de infecção,
tais  como mastite,  artrite  e pneumonia abscedativa. Trueperella  (Arcanobacterium) pyo­genes  é  a  bactéria mais  comumente
isolada  das  lesões,  mas  diversas  bactérias  Gram­positivas  (Streptococcus  spp.,  Sta­phylococcus  spp.  e  Corynebacterium
pseudotuberculosis) e Gram­negativas (Fusobacterium necrophorum, Bacteroides sp., Pasteurella spp., Pseudomonas spp. e
Actinobacillus  spp.)  têm  sido  isoladas  em  cultura  pura  ou  mista  de  abscessos  da  pituitária  (Figura  13.4  B).  Esses
microrganismos são causas habituais de processos  inflamatórios crônicos, afetando  também outros órgãos, dando suporte à
hipótese da disseminação via circulatória.
Figura  13.2  Corte  sagital  do  crânio  de  um  ovino  com  síndrome  do  abscesso  pituitário.  Um  abscesso  medindo  3  ×  2  cm
preenche a sela  túrcica. Um abscesso menor (de aproximadamente 0,5 cm de diâmetro) pode ser observado no parênquima
na região anteroventral do tálamo. Reproduzida, com autorização, de Barros et al., 2006.
Figura  13.3  Imagem  ventral  do  encéfalo  de  um  caprino  com  abscesso  localmente  extenso  na  glândula  pituitária
acompanhado  de  leptomeningite.  Cortesia  do  Dr.  Jon  S.  Patterson,  Diagnostic  Center  for  Population  and  Animal  Health,
Lansing, Indiana, EUA.
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Figura 13.4 Etiopatogênese de abscessos pituitários. A. O bloco de  tecido mostra o gânglio do 5o  par de nervos cranianos
(G), a rete mirabile carotídea (R) e a hipófise (H). B. Mesmo conjunto de estruturas mostrado na figura anterior. Abscessos (A)
podem  ser  observados  na  rete  mirabile  carotídea.  A  hipófise  (H)  e  os  gânglios  trigeminais  (G)  estão  identificados.
Reproduzida, com autorização, de Barros et al., 2006.
Alterações proliferativas
Hipertroỿ�a e hiperplasia
O  tamanho  e  o  número  das  diversas  células  da  adeno­hipófise  variam  de  acordo  com  o  estado  fisiológico  do  animal.
Hipertrofia  e  hiperplasia  das  células  lactotróficas  (secretoras  de  prolactina)  sãoachados  normais  em  estados  avançados  de
gestação  em  éguas,  cadelas  e  ovelhas  prenhes.  Redução  na  porcentagem  de  células  somatotróficas  também  é  considerada
normal  em  cavalos  mais  velhos.  Alterações  proliferativas  semelhantes  podem  ser  observadas  como  resposta  à  remoção
cirúrgica ou à destruição por doença do parênquima de um órgão­alvo endócrino, resultando na ausência de feedback negativo.
Achado  frequente,  mas  muitas  vezes  sem  significado  clínico  em  equinos  acima  de  10  anos  de  idade,  é  a  hiperplasia
multinodular  idiopática  da  pars  distalis  da  hipófise.  Somente  em  casos  raros  essa  alteração  está  associada  à  disfunção
pituitária (doença semelhante à de Cushing).
As alterações fisiológicas e patológicas descritas anteriormente ilustram o fato de que, se a demanda pela secreção de um
hormônio trófico persiste por dias ou mesmo semanas, a população específica de células endócrinas da adeno­hipófise sofre
hipertrofia e, eventualmente, hiperplasia, formando pequenas ilhas de células hiperplásicas em meio a parênquima normal. Se
o  estímulo  se  estender  por  meses,  o  citoplasma  das  células  hipertrofiadas  se  torna  vacuolizado,  formando,  por  fim,  um
vacúolo  grande,  que  pode  deslocar  o  núcleo  para  a  periferia.  Hiperatividade  e  hipertrofia  das  células  hiperplásicas  são
completamente  reversíveis  com  o  cessar  do  estímulo  hormonal  excessivo.  Em  casos  crônicos  e  graves  de  hiperplasia,  no
entanto, as alterações hiperplásicas podem não ser mais reversíveis por completo. Parece ser característica comum da hipófise
e das demais glândulas endócrinas que estimulação prolongada da população de células secretoras predispõe a uma incidência
de  tumores superior à que seria esperada na população controle. A grande maioria dos  tumores endócrinos é, entretanto, de
caráter benigno. O aumento de lesões proliferativas (cistos, hiperplasia, microadenomas ou adenomas) da pars intermedia da
hipófise de cavalos (Figura 13.5) com o avançar da idade parece ser bom exemplo desse processo.
Neoplasias da adeno-hipó잒乀se
As neoplasias da adeno­hipófise se originam de células dos lobos maiores da glândula, isto é, da pars intermedia e da pars
distalis. As classificações antigas se baseavam nas propriedades tintoriais do citoplasma das células neoplásicas, enquadrando
os tumores em três categorias: cromófobos, acidófilos e basófilos. Contudo, essa classificação não reflete a relação entre as
características morfológicas  das  células  e  a  sua  produção  hormonal,  como  tem  sido  demonstrado  por meio  de  técnicas  de
IHQ.  Classificações  atuais  visam  combinar  o  aspecto  citomorfológico  dos  tumores  com  a  apresentação  clínico­
endocrinológica do paciente.
Neoplasias da pars intermedia
Adenomas  da  pars  intermedia  são  os  tumores  pituitários  mais  comuns  em  equinos  e  os  segundos  mais  usuais  em  cães
(acometendo principalmente raças não braquicefálicas), mas são raros em outras espécies. Em equinos, são a causa principal
(juntamente  com  hiperplasia  adenomatosa  da  pars  intermedia)  da  síndrome  denominada  disfunção  pituitária  da  pars
intermedia  (DPPI)  –  a  denominação  de  doença  de  Cushing  equina  para  essa  doença  não  é  recomendada,  levando­se  em
consideração  a  diferença  na  localização  (pars  intermedia  vs. pars  distalis)  dos  adenomas  pituitários  entre  equinos  e  seres
humanos.  DPPI  é  uma  doença  neuroendócrina  progressiva  e  complexa,  que  afeta  múltiplos  órgãos  e  rotas  endócrinas  em
cavalos velhos. A doença é decorrente da perda de  regulação dopaminérgica da pars  intermedia,  resultando em aumento da
secreção  de  hormônios  peptídios  da  região  hipofisária  afetada.  Permanece  desconhecido  se  esse  distúrbio  endócrino  é
consequência da perda específica de neurônios dopaminérgicos (doença primária do hipotálamo) ou se surge espontaneamente
(doença primária da hipófise).
Hormônios melanotróficos da pars intermedia da hipófise sintetizam a pró­opiomelanocortina (POMC), que é clivada para
dar origem ao α­MSH, ao peptídio intermediário semelhante à corticotrofina (CLIP) e à betaendorfina (β­END). A síntese e
secreção  de  POMC  pelas  células  melanotróficas  são  inibidas  pelo  neurotransmissor  dopamina.  A  perda  dessa  regulação
inibitória  dopaminérgica  resulta  em  hipertrofia,  hiperplasia  e,  eventualmente,  neoplasia  da  parte  hipofisária  intermediária,
com produção excessiva de peptídios derivados de POMC. Esse processo pode acabar acarretando DPPI. Cavalos com esse
distúrbio endócrino produzem grande quantidade de α­MSH e β­END, bem como moderada quantidade de ACTH. α­MSH e
β­END potencializam o efeito de ACTH, podendo causar disfunção adrenal. Entretanto, em comparação aos seres humanos
com  doença  de  Cushing,  desenvolvimento  de  hiperplasia  adrenocortical  secundária  em  equinos  é  relativamente  incomum,
sendo relatada em média de apenas 20% dos casos.
Figura 13.5 Vista ventral do encéfalo de um equino com adenoma da hipófise.
Pôneis  e  cavalos  da  raça Morgan parecem  ter  risco maior  para  o  desenvolvimento de DPPI. A  idade média  dos  animais
afetados é em torno de 20 anos. Hirsutismo ou hipertricose (Figura 13.6) é o sinal clínico mais clássico da doença. Acredita­
se que esse achado seja decorrente de falha na queda sazonal cíclica dos pelos. Sudorese excessiva (hiperidrose), observada
principalmente  sobre  as  regiões  cervical  e  escapular,  é  comumente  atribuída  à  resposta  termorregulatória  à  longa  pelagem,
mas  é possível  que  também seja o  resultado direto dos  elevados níveis de peptídios derivados de POMC. Perda de peso  e
massa  muscular  pode  ocorrer,  ao  menos  em  parte,  em  razão  do  catabolismo  proteico  resultante  do  aumento  de  cortisol.
Acompanhando ou mesmo precedendo a perda de massa muscular, há  redistribuição da gordura corporal. Animais afetados
podem  parecer  obesos,  com  pescoço  largo  e  depósitos  de  gordura  na  fossa  supraorbitária.  Animais  com  DPPI  podem  se
tornar mais dóceis ou letárgicos e apresentar resposta diminuída aos estímulos dolorosos. Acredita­se que isso seja resultante
de  níveis  elevados  de  β­END.  Infecções  crônicas,  tais  como  sinusite,  doença  periodontal  e  abscessos  subsolares,  e  alta
infestação  por  parasitas  gastrintestinais  são,  possivelmente,  resultantes  do  efeito  imunossupressor  induzido  pelo  cortisol.
Laminite  crônica  é,  talvez,  a  complicação  clínica  associada  à  DPPI  mais  significativa.  A  patogenia  dessa  condição  ainda
permanece mal compreendida. Poliúria e polidipsia são relatadas com frequência variável; é provável que raramente sejam de
significado clínico. Outros sinais clínicos  relatados  incluem lactação permanente e  infertilidade, provavelmente em razão da
secreção  alterada  de  prolactina  e  hormônios  gonadotróficos.  Distúrbios  nervosos  (ataxia,  cegueira  e  convulsões)  são
ocasionalmente observados. Como nenhuma  relação  foi estabelecida entre o  tamanho do  tumor e o desenvolvimento desses
sinais clínicos, a sua fisiopatologia permanece por ser esclarecida.
Figura  13.6  Hipertricose  (hirsutismo)  em  um  equino,  decorrente  da  falha  na  queda  sazonal  dos  pelos,  associada  a  um
adenoma da pars intermedia da hipófise.
Em cães, a maioria dos adenomas da pars intermedia da hipófise são endocrinologicamente inativos, podendo, no entanto,
causar hipopituitarismo e diabetes  insipidus  pela  compressão  da  hipófise  e  do  hipotálamo. Os  poucos  tumores  localizados
nessa região e que secretam ACTH resultam em síndrome de hiperadrenocorticismo hipofisário.
Macroscopicamente,  adenomas  da  pars  intermedia  são  esbranquiçados  a  amarelados  e  multinodulares,  causando
compressão e atrofia da pars distalis e invasão de grau variável da pars nervosa da hipófise. Compressão do hipotálamo e do
quiasma óptico pode ocorrer por expansão do tumorpela sela túrcica (Figura 13.7). À histologia, o tumor é bem delimitado,
parcialmente encapsulado e composto de células fusiformes ou poliédricas arranjadas em cordões e ninhos ao longo de finos
septos de  tecido conjuntivo. Numerosas  estruturas  foliculares  contendo coloide,  revestidas por  epitélio  cúbico ou cilíndrico
simples  e,  por  vezes,  ciliado,  podem estar  presentes  em meio  às  células  cromofóbicas  neoplásicas  (Figura 13.8). Áreas  de
hemorragia e necrose são incomuns, mesmo em tumores grandes.
Figura  13.7  Corte  sagital  do  crânio  de  um  equino  com  adenoma  da  pars  intermedia  da  hipófise.  O  tumor  estende­se
dorsalmente pela sela túrcica, comprimindo o tronco encefálico suprajacente. Cortesia da Dra. Theresa M. Boulineau, India­na
Animal Disease Diagnostic Laboratory, West Lafayette, Indiana, EUA.
Figura 13.8 Adenoma da pars  intermedia  (delimitado por setas)  de  um canino. As  células  neoplásicas  comumente  formam
estruturas  foliculares que acumulam material homogêneo eosinofílico semelhante a coloide. Pars distalis  (D)  e pars nervosa
(N)  remanescentes  da  hipófise.  200×.  Cortesia  de  Indiana  Animal  Disease  Diagnostic  Laboratory, West  Lafayette,  Indiana,
EUA.
Adenomas secretores de hormônio adrenocorticotró잒乀co (adenomas corticotró잒乀cos ou cromófobos
endocrinologicamente ativos)
Entre os  tumores da adeno­hipófise endocrinologicamente ativos, os secretores de ACTH são os mais comuns nos animais
domésticos,  ocorrendo  principalmente  em  cães  adultos  a  senis  de  diversas  raças  (em particular, Boxers, Boston Terriers  e
Dachshunds). A secreção excessiva de ACTH causa hiperplasia adrenocortical bilateral, resultando em síndrome por secreção
excessiva de cortisol (hiper­adrenocorticismo hipofisário ou doença de Cushing).
Macroscopicamente, o adenoma de células corticotróficas é branco ou marrom­avermelhado e provoca aumento de tamanho
da  hipófise,  podendo  invaginar  para  dentro  da  cavidade  do  infundíbulo,  causando  dilatação  do  recesso  infundibular  e  do
terceiro ventrículo e, eventualmente, compressão do hipotálamo. Ao mesmo tempo, os animais afetados apresentam elevação
de  espessura  do  córtex  da  adrenal  decorrente  da  hiperplasia  das  células  corticais.  Microscopicamente,  os  adenomas  se
originam da pars distalis  ou pars  intermedia  e  são  compostos  de  agregados  de  células  secretoras  bem  diferenciadas  com
padrão de crescimento difuso ou sinusoidal (com espaços vasculares proeminentes).
Adenomas cromófobos endocrinologicamente inativos
Esse tipo de tumor pituitário é mais frequente em cães, gatos e periquitos, sendo raro nas demais espécies animais. Apesar de
ser  endocrinologicamente  inativo,  o  tumor  pode  provocar  distúrbios  endócrinos  se  for  grande  o  suficiente  para  ocasionar
atrofia  compressiva  da  pars  nervosa  ou  pars  distalis  da  hipófise  ou  do  hipotálamo.  As  glândulas  adrenais  dos  animais
afetados são pequenas, com marcada atrofia da camada cortical.
Adenomas acidó잒乀los
Tumores  derivados  de  acidófilos  granulados  são  incomuns  nos  animais  domésticos;  porém,  são  relativamente  comuns  em
ratos  adultos  de  várias  linhagens. Diversos  distúrbios  clínicos  podem  estar  associados  aos  adenomas  acidófilos,  incluindo
atrofia  muscular,  deficit  de  nervos  cranianos,  diabetes  insipidus  e  acromegalia  ou  gigantismo  pituitário.  Em  gatos,  os
animais afetados por adenomas pituitários das células somatotróficas da pars distalis (adenomas acidófilos secretores de GH)
são  quase  sempre  machos  de  idade  média  a  avançada.  Os  sinais  clínicos  da  endocrinopatia  estão  associados  a  diabetes
mellitus resistente à insulina e a níveis elevados de GH e fator de crescimento semelhante à insulina tipo 1 (IGF­1,  insulin­
like  growth  factor  type­1).  Os  primeiros  sinais  (poliúria,  polidipsia  e  polifagia)  estão  associados  à  diabetes.  Achados
associados  ao  efeito  anabólico  do  GH  incluem  aumento  de  um  ou mais  órgãos  (p.  ex.,  fígado,  rins,  glândulas  adrenais  e
língua),  cardiomiopatia  hipertrófica,  elevação do  tamanho  corporal  e  ganho de  peso,  prognatismo  e  artropatia  degenerativa.
Sinais nervosos  (p.  ex.,  torneio,  convulsões  e  alterações de  comportamento)  estão associados à  invasão e  à  compressão do
cérebro  pelo  tumor  pituitário.  Insuficiência  renal  resultante  de  glomerulonefropatia  é,  provavelmente,  consequência  de
diabetes mellitus mal  controlada  e/ou  níveis  excessivos  de GH. As  alterações  conformacionais  observadas  em  acromegalia
possibilitam  distinguir  essa  endocrinopatia  do  hiperadrenocorticismo;  ambos  os  distúrbios  são  acompanhados  por diabetes
mellitus insulinorresistente e associados a adenomas pituitários.
Em cães, acromegalia associada ao adenoma acidófilo pituitário é extremamente rara. Nessa espécie, o distúrbio endócrino
é  mais  comumente  observado  em  associação  à  administração  prolongada  de  progestágenos  (em  particular,  de  acetato  de
medroxiprogesterona)  ou  com níveis  elevados  de  progesterona  durante  a  fase  luteal  do  ciclo  estral.  Focos  hiperplásicos  de
epitélio ductal da glândula mamária foram determinados como o  local de produção de GH induzida pelos progestágenos em
cães.  Já  em  gatos,  os  progestágenos  não  parecem  estimular  a  secreção  mamária  de  GH  o  suficiente  para  esse  hormônio
alcançar a circulação sistêmica.
Em periquitos australianos (Melopsittacus undulatus), foram descritos adenomas e carcinomas acidófilos induzindo ataxia,
dificuldade para voar e cegueira. Macroscopicamente, os tumores caracterizavam­se por massas rosadas e macias, com até 1
cm de diâmetro; frequentemente, estendiam­se para o interior do encéfalo e invadiam os tecidos moles e duros adjacentes. À
análise histopatológica, a glândula pituitária encontrava­se extensamente substituída pela proliferação neoplásica (Figura 13.9
A). A IHQ fortemente positiva para GH (Figura 13.9 B) confirmou a origem somatotrófica desses tumores.
Adenomas acidófilos em ovinos (cuja região pituitária é completamente separada do cérebro pelo diafragma da sela túrcica
completo)  podem  alcançar  tamanho  considerável,  causando  grave  compressão  da  adeno  e  neuro­hipófise,  além  de
aprofundamento da sela túrcica (Figura 13.10). Hiperplasia de  tecido mamário e galactorreia em ovelhas afetadas sugerem a
produção  excessiva  de  prolactina  pelas  células  tumorais  (característica  muito  mais  comum  em  ratos  do  que  em  animais
domésticos com neoplasias pituitárias).
Em cães  e  gatos  (cujo diafragma da  sela  túrcica  é  incompleto),  o  principal  achado macroscópico  em casos de  adenomas
acidófilos  se  caracteriza  por  aumento  da  hipófise  com  compressão  variada  do  hipotálamo.  À  histopatologia,  o  tumor  é,
tipicamente,  composto  de  cordões  irregulares  de  células  acidófilas  granuladas  dispostas  ao  longo  de  sinusoides.  Células
neoplásicas  comprimem  e,  por  vezes,  invadem  de  maneira  limitada  a  periferia  da  pars  nervosa  e  do  infundíbulo,  o  que,
contudo, não deve ser considerado indicativo de malignidade.
Figura 13.9 Melopsittacus undulatus (periquito australiano). A. Adenoma somatotrófico da hipófise. A glândula foi substituída
por células em crescimento sólido invadindo a sela túrcica e comprimindo o encéfalo. 100×. B. Imuno­histoquímica das células
neoplásicas mostradas na figura A fortemente marcadas para GH. 200×.
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Figura  13.10  Corte  sagital  do  encéfalo  de  um  ovino  com  adenoma  da  hipófise.  Há  extensa  compressão  do  encéfalo
suprajacente pelo tumor com crescimento expansivo. Cortesia dos Drs. Ian N. Moore e Christy A. McKnight, Diagnostic Center
for Population and Animal Health, Lansing, Indiana, EUA.
Adenomas basó잒乀los
Esses  tumores  da  pars  distalis  estão  entre  os  mais  raros  em  todas  as  espécies  animais.  São  derivados  de  basófilos
tireotróficos,positivos  na  IHQ  para  TSH.  Quando  ativos,  esses  tumores  estão  acompanhados  por  aumento  bilateral  da
tireoide. Já nos casos em que os tumores são inativos, a glândula tireoide é composta de folículos involuídos, revestidos por
células foliculares atrofiadas e distendidos por coloide.
Craniofaringiomas
São  tumores  geralmente  benignos  derivados  de  remanescentes  da  bolsa  de  Rathke.  São  raros  em  animais  domésticos  e
descritos apenas em cães e gatos. Quase sempre ocorrem em animais de 2 a 4 anos de idade, mas podem ser uma das causas
de  nanismo  em  cães  jovens  quando  a  redução  na  secreção  de GH  e  outros  hormônios  pituitários  tróficos  sucede  antes  do
fechamento  das  placas  de  crescimento.  Os  sinais  clínicos  estão  associados  ao  tamanho  do  tumor  e,  com  frequência,  são
decorrentes  de  combinação  dos  seguintes  fatores:  ausência  de  secreção  de  hormônios  pituitários  tróficos,  resultando  em
atrofia e funcionamento subnormal do córtex da adrenal e da glândula tireoide; distúrbios no metabolismo da água (diabetes
insipidus)  pela  interferência  do  tumor  na  síntese  e  liberação  de ADH;  deficit  de  nervos  cranianos  e  distúrbios  do  sistema
nervoso central em razão da extensão do tumor para dentro do parênquima cerebral suprajacente.
Os  tumores são grandes e  têm localização supra ou  infrasselar, podendo  incorporar vários nervos cranianos, destruir boa
parte das pars distalis  e pars nervosa  da  hipófise  e  se  estender  dorsalmente  até  o  hipotálamo  e  o  tálamo. Outra  vez,  essa
forma de  crescimento  não deve  ser  considerada  evidência  de malignidade,  e  sim  extensão  tumoral  além de  áreas  de menor
resistência.
O aspecto histológico dos craniofaringiomas é distinto dos demais tumores intracranianos, com ninhos de células epiteliais
cúbicas, cilíndricas ou escamosas com áreas  focais proeminentes de queratinização e mineralização se alternando com áreas
císticas que contêm detritos de queratina e coloide. Tumores malignos se caracterizam por anaplasia celular grave e invasão
óssea.
Carcinomas
Carcinomas da hipófise são incomuns quando comparados aos adenomas, mas são observados em caninos e bovinos velhos.
Esses  tumores  (carcinomas cromófobos)  são  quase  sempre  endocrinologicamente  inativos,  porém  podem  causar  distúrbios
significativos,  caracterizados  por  pan­hipopituitarismo  e  diabetes  insipidus  resultantes  da  destruição  da  pars  distalis  e  da
neuro­hipófise.  Carcinomas  pituitários  são  tumores  grandes  (Figura  13.11)  e  agressivos,  com  extensa  invasão  do  osso
esfenoide e do parênquima cerebral suprajacente (Figura 13.12). Histologicamente, esses tumores se caracterizam por índices
de  pleomorfismo  celular,  mitoses  e  células  gigantes  mais  acentuados  do  que  os  observados  nos  tumores  benignos.  No
entanto,  do  mesmo  modo  que  em  tumores  de  outras  glândulas  endócrinas,  os  aspectos  citomorfológicos  dos  tumores
pituitários não devem ser usados como critério único de malignidade. O diagnóstico de carcinoma deve se basear na invasão
agressiva das estruturas circunjacentes pelas células neoplásicas (simples projeção do tumor para dentro da pars nervosa e do
infundíbulo também pode ser observado em adenomas pituitários grandes) e na presença de metástases, que são raras, mas já
foram descritas em linfonodos regionais, baço e fígado.
Figura 13.11 Superfície ventral do encéfalo de um canino com carcinoma da pars distalis da hipófise. O  tumor  resultou em
marcado  aumento  de  volume  da  glândula.  Cortesia  dos  Drs.  Vimala  Vemireddi  e  Jose  A.  Ramos­Vara,  Indiana  Animal
Disease Diagnostic Laboratory, West Lafayette, Indiana, EUA.
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Figura 13.12  Corte  sagital  do  encéfalo  de  um  canino  com  carcinoma  da  pars  distalis  da  hipófise.  Há  extensa  invasão  do
tronco encefálico suprajacente pelo tumor. Cortesia da Dra. Vimala Vemireddi, Indiana Animal Disease Diagnostic Laboratory,
West Lafayette, Indiana, EUA.
Neoplasias da pars nervosa
Neoplasias da neuro­hipófise são raras em animais, tendo sido designados como gliomas, pituicitomas ou infundibulomas. O
tumor  descrito  em  um  cão  envolvia  o  hipotálamo,  o  infundíbulo  e  a  neuro­hipófise,  causando  sinais  clínicos  de  diabetes
insipidus  e  síndrome  adiposogenital  (aumento  e  redistribuição  da  gordura  corporal  acompanhado  por  atrofia  genital).  Já  o
tumor descrito em um gato era cístico e causava expansão da neuro­hipófise e compressão da adeno­hipófise, do hipotálamo,
do  tálamo  e  das  estruturas  adjacentes.  Microscopicamente,  o  tumor  era  constituído  por  massa  bem  vascularizada  e  não
encapsulada, formada por feixes entrelaçados frouxos de células bipolares ou poliédricas.
Neoplasias metastáticas na hipóỿ�se
Às vezes, a hipófise pode ser destruída parcial ou completamente por metástases de tumores originários de locais distantes.
Exemplos  incluem:  linfoma  em  bovinos,  caninos  e  equinos;  melanoma  maligno  em  equinos  e  caninos;  tumor  venéreo
transmissível e adenocarcinoma mamário em caninos. A hipófise também pode ser destruída por invasão ou compressão por
tumores  de  estruturas  adjacentes,  tais  como  osteossarcomas  do  osso  esfenoide,  ependimomas  originários  do  recesso
infundibular  do  terceiro  ventrículo  e  meningiomas  da  dura­máter  que  reveste  a  sela  túrcica.  A maioria  das  metástases  na
hipófise  é  clinicamente  silenciosa,  constituindo  achado  incidental  na  necropsia.  Quando  causam  sinais  clínicos,  o  mais
comum deles é diabetes insipidus.
Glândula pineal
Alterações circulatórias
Vasculopatia parasitária  caracterizada  por  protozoários  pertencentes  ao  grupo Coccidia  em  células  endoteliais  da  glândula
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pineal  (Figura  13.13)  foi  observada  em  equino  com  DPPI.  Klossiella  equi  e  Sarcocystis  spp.  foram  considerados  como
possíveis agentes etiológicos nesse caso, mas a identidade ao nível de gênero ou espécie do parasita não foi determinada. As
alterações  associadas  à  presença  dos  parasitas  restringiam­se  ao  infiltrado  no  espaço  perivascular  de  alguns  linfócitos  e
macrófagos contendo hemossiderina. A ausência de resposta inflamatória mais significativa foi atribuída a possível estado de
imunossupressão associado à DPPI.
Alterações degenerativas
O número total de pinealócitos e a inervação simpática da glândula pineal diminuem com o avançar da idade. É possível que a
redução na atividade da glândula (p. ex., redução da produção noturna de melatonina), com a idade, esteja associada a esses
processos fisiológicos normais.
A glândula pineal de mamíferos e algumas aves contém concreções calcárias, compostas, predominantemente, de sais de
cálcio  e  magnésio  e  denominadas  acervuli  ou  corpora  arenacea.  Esses  corpúsculos  são  mais  numerosos  em  indivíduos
velhos e há correlação entre a  idade do  indivíduo e o número de camadas nas concreções maiores. O grau de mineralização
parece  estar  associado  a  várias  doenças,  mas,  normalmente,  a  presença  das  concreções  não  parece  refletir  nenhum  estado
doentio específico. Entretanto, tem­se observado que o esquilo da Mongólia responde ao estresse induzido pela imobilização
aumentando a formação de novas concreções. Especula­se que as concreções participem na absorção de cálcio para restringir
o  aumento  fisiológico  do  influxo  celular  desse  íon.  É  interessante  notar  que  a  glândula  pineal  de  vertebrados  inferiores
(peixes, anfíbios e répteis) exibe conteúdo elevado de cálcio, mas não há concreções nesses animais.
Figura 13.13  Vasculopatia  parasitária  na  glândula  pineal  de  um  equino.  Algumas  das  células  endoteliais  que  revestem  os
vasos  (V)  da  glândula  contêm  formas  parasitárias  compatíveis  com  infecção  por  protozoário  (seta). Alguns macrófagos que
contêm hemossiderina e linfócitos infiltram­se no espaço perivascular. 200×. Cortesia de VeterinaryMedical Teaching Hospital,
University of California, Davis, California, EUA.
Alterações in⸸㠵amatórias
Pinealite é observada em associação com a uveorretinite autoimune experimental em roedores (modelos da doença em seres
humanos) e  com uveíte  recorrente em cavalos. Nestes animais,  áreas  septais da glândula pineal  apresentavam agregados de
células  que  expressam moléculas  do  complexo de histocompatibilidade principal  (MHC, major  histocompatibility  complex)
classe II, agregados de linfócitos T e deposição aumentada de colágeno. Linfócitos B foram detectados apenas em um caso de
uveíte ativa,  em que  linfócitos T e B estavam organizados em  folículos. As alterações  inflamatórias parecem sugerir que a
pinealite associada à uveíte equina é transitória, assim como a uveíte nesses animais é recorrente.
Alterações proliferativas
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Neoplasias
Neoplasias primárias da glândula pineal são raras. Relatos se restringem à ocorrência em ratos e a casos únicos em uma vaca,
cabra,  raposa,  cavalo  e  zebra.  Os  tumores  que  se  originam  das  células  que  formam  o  parênquima  são  classificados  como
pineocitoma ou pineoblastoma,  com base  no grau de  diferenciação  celular,  sendo  aquele  bem diferenciado,  enquanto  este  é
anaplásico. O terceiro tipo de tumor primário da pineal é o da célula intersticial ou glial, denominado de glioma. Esse tipo de
tumor  ainda  não  foi  diagnosticado  em  medicina  veterinária. Diabetes  insipidus  é  complicação  comumente  associada  aos
tumores da pineal, resultando da sua interferência com a estrutura do hipotálamo.
Tireoides
Anomalias do desenvolvimento
Aplasia e hipoplasia
A ausência ou a falta de desenvolvimento da glândula tireoide pode ser bilateral em espécies com tireoides pares ou pode ser
unilateral  (menos  comum).  Pode  ocorrer  por  falta  do  hormônio  tireotrófico  na  vida  fetal  e  resultar  em  nanismo  ou  outras
manifestações precoces do hipotireoidismo.
Cistos do ducto tireoglosso
Durante o desenvolvimento embrionário, os lobos da glândula tireoide, originados do endoderma e localizados no assoalho da
faringe,  migram  pelo  ducto  tireoglosso  para  a  região  cervical  cranial.  Na  etapa  final  desse  processo,  deve  haver  total
fechamento do ducto. Os  cistos  se desenvolvem quando há  falha parcial  ou  completa no  fechamento do ducto. Quando um
segmento  do  ducto  não  atrofia,  o  seu  epitélio  de  revestimento  secreta  muco  que  distende  o  ducto  até  formar  um  cisto.
Histologicamente,  os  cistos  contêm  na  sua  parede múltiplas  camadas  de  células  foliculares,  epidermoides  ou  de  transição.
Folículos  tireóideos  funcionais ou não  funcionais  também podem ser encontrados no  interior do cisto. Os cistos acontecem
com mais frequência no cão e no suíno.
O epitélio primitivo do assoalho da  faringe é  intimamente  relacionado com o saco aórtico no seu desenvolvimento. Essa
associação  resulta  na  ocorrência  usual  de  parênquima  tireóideo  acessório  (ectópico)  no  mediastino  do  cão,  o  qual  pode,
ocasionalmente, sofrer transformação neoplásica.
Alterações degenerativas
A formação de corpos lamelares basofílicos ou grânulos no lúmen dos folículos da tireoide pode ocorrer em qualquer espécie
animal, mas  são mais  comuns  no  cão. A  formação  dessas  estruturas  pode  estar  relacionada  com  a  precipitação mineral  ou
com  a  agregação  de  coloide  anormal. A mineralização  do  coloide  desenvolve­se  com  níveis  de  cálcio  e  fósforo  normais  e
aparentemente sem relação com outras alterações. Esses corpos, em geral, não interferem na função.
A  deposição  de  amiloide  interfolicular  já  foi  relatada  em  cães,  gatos,  bovinos  e,  por  vezes,  em  outras  espécies  e,
geralmente, está associada à amiloidose sistêmica. Em cães idosos com amiloidose sistêmica, depósitos na parede dos vasos
da  tireoide  foram  encontrados,  juntamente  com  amiloide  vascular  cerebral.  Em  seres  humanos,  o  amiloide  é  formado  em
razão  da  secreção  pelas  células  “C”  neoplásicas  de  moléculas  de  calcitonina  alteradas,  as  quais  foram  identificadas  por
técnicas de IHQ. Amiloide associado ao carcinoma das células “C”, como ocorre em seres humanos, é comumente observado
em  touros,  mas  há  também  relatos  em  canídeos  selvagens  (Vulpes  vulpes).  Os  depósitos  podem  comprimir  os  folículos
adjacentes,  mas  não  o  suficiente  para  interferir  com  a  função.  Macroscopicamente,  a  tireoide  pode  estar  aumentada  de
volume, vermelho­pálida e mais firme que o normal.
Atrofia folicular idiopática caracteriza­se por perda progressiva do epitélio dos folículos e substituição gradual por células
adiposas. A glândula quase sempre é vermelho­clara, menor e mais leve. Inicialmente, a parte atrofiada é focal e envolta por
folículos normais. Células  foliculares  individuais ou pequenos grupos com citoplasma eosinofílico e núcleo picnótico estão
presentes na parede folicular, coloide e  interstício. O estágio avançado da atrofia folicular é caracterizado por perda total de
folículos  normais  e  células  foliculares  hipertróficas  remanescentes  formam  pequenos  cordões  arranjados  ao  longo  dos
capilares.
Alterações in⸸㠵amatórias
A tireoidite, ou inflamação da glândula tireoide, tem causas infecciosas e imunomediadas, caracterizadas por alguma forma de
inflamação.  A  tireoidite  infecciosa  pode  ser  aguda  ou  crônica.  As  infecções  agudas  podem  alcançar  a  tireoide  por
disseminação  hematógena  ou  invasão  direta  da  glândula.  São mais  comuns  em  seres  humanos  e  estão  relacionadas  com  a
imunossupressão. Em animais, tireoidite foi diagnosticada associada à infecção por amastigotas de Leishmania em um cão. A
análise  histopatológica  da  tireoide  revelou  infiltrado  intenso  de  macrófagos  contendo  amastigotas  no  citoplasma,
acompanhado  por  necrose  e  perda  de  folículos  seguida  de  atrofia.  Essas  alterações,  quando  extensas,  determinam
hipotireoidismo primário.
Tireoidite linfocitária
A  tireoidite  é  um  processo  imunomediado  que  pode  determinar  hipotireoidismo.  A  tireoidite  linfocitária  é  uma  alteração
comum  em  cães,  podendo  causar  hipotireoidismo  funcional.  Está  associada  a  mais  de  50%  dos  casos  de  hipotireoidismo
canino.
Os  hormônios  tireoidianos  (T3  e  T4)  são  simples  aminoácidos  iodados  de  baixo  peso molecular.  A  não  ser  que  atuem
como hapteno quando ligados a grandes moléculas, como a tireoglobulina ou proteínas séricas de transporte, T3 e T4 não são
eficientes  antígenos.  A  tireoglobulina  é  uma  glicoproteína  de  elevado  peso  molecular  confinada  no  lúmen  dos  folículos
tireóideos; é altamente antigênica e normalmente não está em contato com o sistema imune. Anticorpos antitireoglobulina são
as formas predominantes identificadas em cães com tireoidite linfocitária, enquanto anticorpos contra receptores para o TSH
são raros ou inexistentes. Anticorpos antiperoxidase também já foram relatados. Tireoidite linfocitária em seres humanos foi
inicialmente  descrita  por  Hashimoto.  Autoanticorpos  para  tireoglobulina  foram  encontrados  no  soro  de  pacientes  com  a
doença e  tireoidite autoimune experimental  foi  induzida em coelhos após  imunização com homogenados da  tireoide. Algum
tempo depois, foi descrita a ocorrência natural da doença em cães Beagle, porém a tireoidite linfocitária não necessariamente
é causa de doença clínica, e a destruição completa da glândula nem sempre acontece.
A  patogênese  molecular  e  imunológica  da  tireoidite  autoimune  em  cães  não  foi  bem  caracterizada,  embora  tenha  sido
estudada experimentalmente em coelhos, roedores e cães. Em seres humanos, a destruição das células foliculares ocorre por
mecanismos de citotoxicidade celular anticorpo­dependente. Os linfócitos B no tecido tireóideo com a doença são ativados e
ocorre a produção de diversos autoanticorpos contra os antígenos da tireoide.
Histologicamente,a  doença  é  caracterizada  por  infiltrado  difuso  de  linfócitos,  plasmócitos  e macrófagos  no  interstício  e
também  no  coloide,  juntamente  com  células  epiteliais  degeneradas  (Figura  13.14).  Nódulos  linfoides  com  centros
germinativos ocasionais podem estar presentes entre os  folículos. Em estágios avançados, a estrutura normal da glândula é
substituída por tecido conjuntivo fibroso. À macroscopia, glândulas com essa alteração são levemente aumentadas de volume,
embora o aumento possa ser localizado em alguns casos. A cápsula está íntegra e bem delimitada das estruturas adjacentes. A
superfície  de  corte  é mais  pálida  que  o  normal  ou  acinzentada;  é  firme  e  apresenta  áreas  nodulares.  Nos  casos  em  que  a
fibrose é extensa, a tireoide é intensamente reduzida de tamanho em razão da atrofia.
Estudo  realizado  em  criações  de  cães  da  raça  Beagle  detectou  elevada  prevalência  de  tireoidite  linfocitária  (12%)  em
comparação  a  outra  criação  de Beagle  (4%).  Esse  estudo  sugeriu  causa  familiar  ou  hereditária, mas  o modo  específico  de
herança não foi determinado. A variação na prevalência de anticorpos antiglobulina difere entre diversas raças de cães, o que
também  sustenta  a  teoria  de  predisposição  hereditária  à  tireoidite  linfocitária.  Cães  das  raças Dobermann, Dogue Alemão,
Setter e Sheepdog apresentam, estatisticamente, maior prevalência de anticorpos antitireoide; portanto, a relativa contribuição
da  tireoidite  linfocitária  para  o  hipotireoidismo  varia  entre  as  raças.  Contudo,  tanto  em  cães  como  em  seres  humanos,  a
tireoidite autoimune nem sempre é progressiva.
■
Figura 13.14 Glândula  tireoide de um canino com tireoidite  linfocitária e aterosclerose. Há extensa perda do parênquima da
tireoide (T) associada a marcado infiltrado linfocítico. Fibrose e linfócitos distendem em grau variável o interstício da glândula
remanescente. Notar  a  expansão  segmentar  da  túnica média  e  íntima  do  vaso  adjacente  (V)  por  tecido  conjuntivo,  células
inflamatórias  e  fendas  de  colesterol,  características  de  aterosclerose.  100×.  Cortesia  da  Dra.  Sandra  Schöniger,  Indiana
Animal Disease Diagnostic Laboratory, West Lafayette, Indiana, EUA.
Alterações proliferativas
Hiperplasia e hipertroỿ�a
O aumento de volume da glândula  tireoide não neoplásico e não inflamatório ocorre em todos os animais domésticos, aves,
mamíferos marinhos,  primatas  não humanos  e  no  homem. O  aumento  de  volume pode  ser  difuso  ou nodular  e  geralmente
reflete  comprometimento  na  síntese  de  hormônio  tireoidiano.  A  redução  na  síntese  de  hormônios  tireoidianos  resulta  em
elevação compensatória nos níveis séricos de TSH, que, por sua vez, causa hipertrofia e hiperplasia das células foliculares da
tireoide e consequente aumento macroscópico da glândula (bócio). O grau de aumento tireoidiano é proporcional ao nível e à
duração da deficiência dos hormônios tireoidianos.
Os  mecanismos  etiopatogênicos  que  resultam  na  síntese  inadequada  de  tiroxina  e  na  diminuição,  na  concentração
sanguínea,  de  T3  e  T4  incluem  dietas  deficientes  em  iodo,  compostos  bociogênicos  e  defeito  genético  nas  enzimas
responsáveis pela biossíntese dos hormônios tireoidianos. A concentração baixa dos hormônios é detectada por hipotálamo e
hipófise,  provocando  aumento  na  produção  de  TSH,  que  resulta  em  hipertrofia  e  hiperplasia  das  células  foliculares
(secretoras). O excesso de iodo, paradoxalmente, também pode acarretar hiperplasia da tireoide em animais. Provavelmente, o
excesso de iodo bloqueia a liberação de hormônios tireoidianos (T3 e T4) por meio da interferência na proteólise de coloides
pelos lisossomos.
Bócio hiperplásico difuso e coloide
Deficiência  de  iodo  na  dieta  provoca  hiperplasia  difusa  na  glândula  sem  evidência  de  formação  de  nódulos. Essa  condição
ocorria  com  mais  frequência  antes  da  adição  de  iodo  ao  sal;  atualmente,  acontece  com  menor  frequência,  em  surtos
esporádicos  e  com  poucos  animais  sendo  afetados.  Além  de  estar  associado  a  dietas  com  deficiência  de  iodo,  o  bócio
hiperplásico difuso também se dá na presença de algumas substâncias indutoras do bócio, chamadas “bocígenos”, ou seja, são
substâncias bociogênicas. São o  tiouracil, as sulfonamidas e as plantas da família Brassicaceae, como repolho, couve­flor e
nabos, e da família Euphorbiaceae, da qual faz parte a mandioca. Algumas verduras da família Brassicaceae – por exemplo, o
repolho – contêm uma substância chamada progoitrina, que é convertida em goitrina, um agente ativo antitireoide. A ingestão
excessiva  da  goitrina  pode  provocar  bócio  (“bócio  do  repolho”,  como  é  conhecido  na  medicina  humana).  A  mandioca
(Manihot esculenta) contém glicosídios cianogênicos que são convertidos no fígado em tiocianetos. Estes são menos tóxicos,
porém inibem o transporte de iodeto para o interior da tireoide, provocando o bócio. A Leucaena leucocephala é uma planta
altamente  nutritiva, mas  que  contém mimosina,  uma  substância  tóxica  que  causa  alopecia  nos  animais. Nos  ruminantes,  a
microbiota rumenal transforma a mimosina em 3­hidroxi­4 (1 H)­piridona (3,4­DHP), um bocígeno potente.
À macroscopia, em casos de bócio hiperplásico, ambos os lobos da tireoide estão uniformemente aumentados de volume,
firmes e vermelho­escuros (Figura 13.15). À microscopia, os folículos têm forma e tamanho irregulares e as células epiteliais
de  revestimento  são  cilíndricas,  com  citoplasma  intensamente  eosinofílico  (Figura  13.16).  As  células  hiperplásicas  podem
formar projeções papilares para o lúmen. No parênquima da glândula, desenvolve­se extensa rede capilar.
Figura 13.15 Cabeça e região cervical de um feto caprino com bócio no último trimestre de gestação. As glândulas tireoides
estão simetricamente aumentadas de volume. Simultaneamente, o  feto  tem hipotricose e edema subcutâneo generalizados.
Cortesia da Dra. Celia Hooper, Indiana Animal Disease Diagnostic Laboratory, West Lafayette, Indiana, EUA.
Quando  os  folículos  aumentados  estão  repletos  de  coloide,  o  termo  bócio  coloide  é  utilizado.  As  células  hiperplásicas
produzem coloide, porém a endocitose do coloide, pelas mesmas células, está reduzida. Em consequência, os folículos estão
distendidos  por  coloide  intensamente  eosinofílico  (Figura  13.17).  Os  lobos  da  glândula  estão  difusamente  aumentados  de
volume, entretanto são mais translúcidos e claros que no bócio hiperplásico difuso. Hiperplasia (tipo bócio coloide) bilateral
foi  encontrada  em  uma  vaca  submetida  a  tratamento  hormonal  específico  e  utilizada  como  doadora  de  embriões. O  animal
apresentava ambas as tireoides aumentadas de volume caracterizadas por várias formações císticas de 0,5 a 1 cm de diâmetro
(Figura  13.18 A). À  análise  histopatológica,  as  tireoides  continham  folículos  de  tamanho  e  formato  irregulares  e  o  lúmen
estava preenchido por material denso eosinofílico (coloide). O epitélio de revestimento de alguns folículos era composto de
epitélio  achatado,  e  outros  estavam  revestidos  por  células  colunares  com  núcleo  hipercromático  basal  e  citoplasma
eosinofílico com gotas de secreção na borda apical (Figura 13.18 B).
Figura 13.16 Glândula tireoide de um caprino com bócio hiperplásico difuso. A maioria dos folículos tireóideos tem tamanho
e  forma  irregular e está  revestida por uma ou mais camadas de células cúbicas altas ou cilíndricas e destituída de coloide.
200×. Cortesia de Indiana Animal Disease Diagnostic Laboratory, West Lafayette, Indiana, EUA.
Figura 13.17 Glândula  tireoide de um ovino com bócio coloide. A glândula está composta de  folículos de  tamanho variado,
distendidos  por  coloide  e  revestidos  por  epitélio  cúbico  baixo  ou  atenuado.  Notar  ausência  de  vesículas  endocíticas  na
interface do coloide e das células epiteliais foliculares.100×. Cortesia de Indiana Animal Disease Diagnostic Laboratory, West
Lafayette, Indiana, EUA.
Bócio disormonogênico
A causa mais provável desse quadro patológico é a diminuição congênita na biossíntese da tireoglobulina. Esse tipo de bócio
é documentado em ovinos, caprinos e bovinos. A causa é defeito genético  transmitido por um gene autossômico  recessivo.
Presume­se  que  a  doença  ocorra  por  defeito  na  transcrição  ou  transporte  da  tireoglobulina  do  núcleo  para  o  retículo
endoplasmático,  por  defeito  na  organificação  ou  no  transporte  do  iodo  ou  a  perda  da  atividade  da  iodotirosinase.  Bócio
congênito  também pode ser ocasionado por defeito no metabolismo do TSH. Clinicamente, manifesta­se como crescimento
subnormal do feto ou neonato, falha no desenvolvimento normal da lã, fraqueza e edema subcutâneo. Muitos cordeiros com
bócio  congênito morrem  logo  após  o  nascimento.  A  glândula  se  apresenta  simetricamente  aumentada  em  consequência  da
hiperplasia intensa e difusa dos folículos tireóideos.
Figura 13.18 A. Glândulas tireoides de um bovino com hiperplasia cística bilateral. B. À análise histopatológica, observam­se
numerosos  folículos  com  grande  quantidade  de  coloide.  Alguns  folículos  estão  intensamente  maiores  que  o  normal  e
revestidos por epitélio achatado. 400×.
Hipotireoidismo  congênito  do  tipo  não  bociogênico  pode  resultar  de  baixos  níveis  séricos  de  TSH  ou  inabilidade  da
glândula tireoide para responder ao TSH possivelmente por defeitos nos receptores. Esse tipo de hipotireoidismo foi descrito
em  filhotes  de  cães  da  raça  Scottish  Deerhound.  Os  animais  afetados  demonstravam  atraso  no  crescimento,  fraqueza,
dificuldade de locomoção, depressão mental e sonolência.
Hiperplasia nodular da tireoide
Caracteriza­se  pela  formação  de  nódulos  não  neoplásicos  na  tireoide  e  já  foi  relatada  em  seres  humanos,  equinos,  gatos,
primatas  e  cães  velhos.  As  glândulas  afetadas  são  moderadamente  aumentadas  de  volume  e  têm  forma  irregular,  com
múltiplos  nódulos  brancos  ou  marrons  e  de  tamanhos  variáveis  (Figura  13.19).  Na  maioria  dos  animais  domésticos,  a
hiperplasia nodular é uma alteração endocrinologicamente inativa, e, portanto, achado incidental de necropsia. Os nódulos são
de  ocorrência  múltipla,  não  são  encapsulados  ou  são  apenas  parcialmente  encapsulados  e  não  comprimem  o  parênquima
adjacente  à  glândula.  Ao  contrário,  adenomas  são  quase  sempre  solitários  e  encapsulados  e  comprimem  o  parênquima
adjacente.  Essas  características  auxiliam  no  diagnóstico  diferencial  entre  adenoma  e  hiperplasia  nodular.  O  aspecto
microscópico  dos  nódulos  é  variável.  As  células  hiperplásicas  são  cuboides  ou  colunares  e  o  citoplasma  é  eosinofílico  e
granular.  Alguns  nódulos  apresentam  folículos  preenchidos  por  coloide  densamente  eosinofílico.  Projeções  papilares  do
epitélio para o interior do lúmen folicular estão ocasionalmente presentes em folículos maiores.
Figura 13.19 Glândula tireoide  in situ de  felino com hiper­plasia adenomatosa. A glândula é difusamente marrom e nodular.
Cortesia  das Dras. Pamela  J. Mouser  e Margaret A. Miller,  Indiana Animal Disease Diagnostic  Laboratory, West  Lafayette,
Indiana, EUA.
A hiperplasia multinodular  em seres humanos  foi  a mais  comumente encontrada em  regiões endêmicas de deficiência de
iodo. Em animais, a verdadeira origem da hiperplasia nodular ainda não foi esclarecida.
Hiperplasia das células C da tireoide
Hiperplasia  difusa  e/ou  focal  das  células  C  costuma  preceder  a  proliferação  neoplásica  em  animais  e  seres  humanos.  As
células C proliferadas  são homogêneas,  com citoplasma eosinofílico  e granular. Hiperplasia nodular das  células C consiste
em agregados focais menores que um folículo funcional.
Neoplasias
As  neoplasias  da  tireoide  podem  ser  epiteliais  (benignas  ou  malignas),  originárias  das  células  C  (Figura  13.20)  ou
mesenquimais  (fibrossarcoma,  condrossarcoma  e  osteossarcoma).  As  neoplasias  mesenquimais,  apesar  de  serem  raras,  já
foram diagnosticadas em cães. As neoplasias oriundas das células foliculares são encontradas em cães e gatos, em cavalos e
raramente em bovinos, ovinos e suínos. Provavelmente, a menor ocorrência desse  tipo de neoplasia nessas espécies decorre
do abate precoce, uma vez que essas neoplasias são mais comuns em animais velhos. Alterações de hipotireoidismo podem
acontecer em consequência da destruição do parênquima da tireoide por um carcinoma.
Neoplasias das células foliculares
Adenomas
São  encontrados  como  nódulos  pequenos,  brancos  e  sólidos  no  parênquima  da  glândula.  O  lobo  afetado,  em  geral,  está
aumentado de volume e com a forma alterada. Quase sempre os tumores são únicos e envoltos por uma fina cápsula de tecido
conjuntivo  que  o  separa  do  parênquima  adjacente  e  comprimido.  Histologicamente,  são  classificados  em  foliculares,
trabeculares,  papilares  e  císticos.  Os  adenomas  foliculares  são  formados  por  microfolículos  com  pequena  quantidade  ou
ausência  de  coloide  (Figura  13.21)  ou  por  macrofolículos  irregulares  e  grandemente  distendidos  por  coloide.  O  epitélio
folicular desses grandes folículos está achatado contra a parede, e também pode haver descamação para o lúmen folicular. Os
adenomas ainda podem ser císticos,  caracterizados por uma ou mais cavidades cheias de  fluido proteináceo  (Figura 13.22).
Adenomas trabeculares são menos diferenciados que os foliculares. Os adenomas papilares são raros nos animais domésticos
quando  comparados  à  sua  prevalência  em  seres  humanos;  já  os  adenomas  foliculares  são  os  mais  comuns  em  gatos  com
hipertireoidismo. Em adenomas grandes, há áreas focais de necrose, mineralização e degeneração cística.
Figura 13.20 Glândulas  tireoides  de  um equino  com adenoma. A  da  esquerda  apresenta­se  normal,  enquanto  a  da  direita
apresenta  proliferação  neoplásica  bem  delimitada, mas  expansiva,  substituindo  o  parênquima  normal  da  glândula. Cortesia
das  Dras.  Natalie  Fowlkes  e  Leslie McLaughlin,  Louisiana  Animal  Disease  Diagnostic  Laboratory,  Baton  Rouge,  Louisiana,
EUA.
Figura 13.21 Adenoma folicular da  tireoide de um rato com crescimento expansivo e arranjo microfolicular com ausência ou
mínima quantidade de coloide. 400×.
Figura 13.22 Adenoma cístico das células foliculares da tireoide de um felino. A maior parte da glândula está substituída por
neoplasia  encapsulada  e  cística,  com pequenos  folículos  revestidos  de  células  cuboides  nas margens. Uma  faixa  de  tecido
tireoidiano  normal  (T)  aparece  na  periferia.  A  separação  entre  a  neoplasia  e  a  glândula  remanescente  é  um  artefato  de
processamento.  40×.  Cortesia  do  Dr.  Daniel  Harrington,  Indiana  Animal  Disease  Diagnostic  Laboratory,  West  Lafayette,
Indiana, EUA.
Adenoma  cístico  bilateral  foi  descrito  na  tireoide  de  um  bovino.  Verificou­se  elevação  de  volume  da  região  cervical
ventrolateral causando compressão do esôfago, com consequente distensão ruminal. Na necropsia, ambos os lobos da tireoide
estavam  intensamente  aumentados  de  volume  e,  ao  corte,  havia  três  ou  mais  cavidades  císticas  grandes  em  cada  lobo,
preenchidas  por  grande  quantidade  de  coloide.  Histologicamente,  as  formações  císticas  eram  envoltas  por  uma  cápsula  de
tecido  conjuntivo  fibroso  e  preenchidas  por material  eosinofílico. O  revestimento  dessas  formações  císticas  era  de  epitélio
cúbico  alto,  formando  várias  projeções  papilares  para  o  lúmen.  As  lesões  proliferativas  benignas,  incluindo  hiperplasia
multinodular, e malignas das células foliculares podem ser funcionais e determinar hipertireoidismo em gatos, cães e cavalos.
Carcinomas
Neoplasia  maligna  caracterizada  pela  proliferação  das  células  folicularescom  variados  graus  de  pleomorfismo  e  extensa
celularidade. Esses tumores são grandes, com frequência palpáveis e podem causar dificuldade respiratória ou de deglutição,
pois crescem rapidamente e comprimem ou, mais comumente,  invadem estruturas adjacentes,  tais como  traqueia, esôfago e
laringe (Figura 13.23). Metástases ocorrem em cerca de 50% dos casos de cães com carcinomas da  tireoide. Os alvos mais
usuais são os pulmões (Figura 13.24) e os linfonodos cervicais e retrofaríngeos. No cão, carcinomas são geralmente bilaterais
e mais habituais que adenomas. Há mais relatos em cães do que em gatos. Em algumas raças de cães, como Beagle, Boxer e
Golden  Retriever,  a  frequência  de  carcinomas  de  tireoide  é  maior.  Em  todas  as  espécies,  os  carcinomas  acontecem  em
diversos padrões histológicos.
O carcinoma folicular é composto de células cúbicas e colunares altas, formando folículos de variadas formas, tamanhos e
conteúdo coloidal. O número de mitoses é mínimo. O padrão folicular está, algumas vezes, mesclado por zonas papilares, e a
quantidade de estroma é variável. É considerado o tipo histológico menos maligno, mas já foi relatado causando invasão local
na  cápsula  e  em  vasos  sanguíneos,  bem  como  provocando  também  metástases  em  pulmões  e  linfonodos  regionais,
particularmente em cães. Nesse tipo histológico, as células produzem tiroxina.
Nos carcinomas papilares, as células epiteliais proliferam formando projeções papilares para o interior de espaços císticos.
Ocasionalmente,  as  células  são  pleomórficas  e,  às  vezes,  vesiculares.  Quase  sempre  há  invasões  vasculares  e  capsulares.
Foram descritos em cão e gato.
O  carcinoma  compacto  ou  sólido  caracteriza­se  pela  proliferação  de  células  em  agregações  compactas  ou  em  cordões
sólidos, frequentemente separados por estroma fibroso delgado que divide o tumor em lóbulos (Figura 13.25). Há numerosos
capilares  nos  septos  e  há  pouca  ou  nenhuma  formação  folicular.  As  células  estão  intimamente  arranjadas  e  têm  núcleo
arredondado, com cromatina dispersa e citoplasma eosinofílico  finamente granular ou vacuolizado. Mitoses são  raras. Com
frequência, as células invadem a cápsula, a tireoide adjacente e vasos sanguíneos ou linfáticos.
Figura 13.23 Carcinoma de células foliculares da tireoide  in situ de canino. A. Na região cervical ventral, substituindo ambas
as  glândulas  tireoides,  há  duas massas  neoplásicas multilobulares  firmes  que medem  10  ×  6  ×  5  cm  e  7  ×  3  ×  3  cm.  As
massas neoplásicas causam deslocamento dos músculos cervicais ventrais, do esôfago, da traqueia e dos nervos regionais. B.
Na  superfície  de  corte,  o  tumor  apresenta múltiplas  áreas  cinza­escuras  de  necrose  e  áreas  brancas  em  consequência  de
calcificação.  Cortesia  da  Dra.  Lydia  L.  Andrews­Jones,  Indiana  Animal  Disease  Diag­nostic  Laboratory,  West  Lafayette,
Indiana, EUA.
Figura 13.24 Metástase pulmonar do carcinoma de células foliculares da tireoide mostrado na Figura 13.23. Cortesia da Dra.
Lydia L. Andrews­Jones, Indiana Animal Disease Diagnostic Laboratory, West Lafayette, Indiana, EUA.
Figura 13.25 Carcinoma de células foliculares da tireoide de um canino. As células epiteliais estão arranjadas em um padrão
sólido lobular, separadas por septos fibrosos delgados com pouca formação folicular. 10×.
Carcinomas  indiferenciados  ou  anaplásicos  são  cons­tituídos  por  células  com  ausência  de  diferenciação  e  muito
pleomórficas.  Arranjam­se  em  cordões  de  células  fusiformes  dispostos  em  feixes  ou  redemoinhos. As  células  têm  núcleo
oval, com nucléolo proeminente e citoplasma eosinofílico. O índice mitótico é elevado. Em animais, esse tipo de carcinoma
da  tireoide  é  raro.  Alguns  desses  tumores  contêm  muitas  células  epiteliais  pequenas  e  difusas,  sendo  denominados  de
carcinoma  das  células  pequenas;  outros  contêm  muitas  células  pleomórficas,  anaplásicas  e  multinucleadas,  sendo
denominados de carcinoma das células gigantes.
Neoplasias das células C (parafoliculares ou medulares)
As  alterações  proliferativas  das  células C  estão  relacionadas  com  as  alterações  hiperplásicas  e  neoplásicas  (Figura  13.26).
Esses processos podem  ser  iniciados pela  prolongada  ingestão de  cálcio nos  alimentos. Em  seres  humanos,  15  a  20% dos
carcinomas medulares fazem parte da síndrome de neoplasia endócrina múltipla (MEN, multiple endocrine neoplasia), que é
transmitida  geneticamente  como  traço  autossômico  dominante  em  touros  e  alguns  ratos  de  laboratório.  Alta  frequência  de
tumores  das  células  C  da  tireoide  e  feocromocitomas  é  relatada  em  touros  Guernsey,  sugerindo  padrão  de  herança
autossômica dominante. Tais tumores também são observados em seres humanos, cães, carneiros e outras espécies.
Figura  13.26  A.  Hiperplasia  das  células  C  da  tireoide  esquerda  de  um  canino.  B.  Tumor  das  células  C  da  tireoide
contralateral.
Em  medicina  veterinária,  a  maioria  dos  casos  de  MEN  foi  relatada  em  cães.  Nessa  espécie,  os  casos  envolveram
combinações  de  neoplasias  foliculares  e  parafoliculares  da  tireoide,  hiperplasia  e  neoplasias  do  córtex  adrenal,
feocromocitoma, adenomas da pituitária, hiperplasia e adenoma da paratireoide, insulinoma e quemodectoma. Por fim, casos
de  MEN  também  foram  descritos  em  cavalos  (com  ocorrências  simultâneas  de  hiperplasias  e  neoplasias  das  glândulas
tireoides  e  adrenais)  e  em  um  gato  com  tumor  adrenocortical,  insulinoma  e  adenoma  da  paratireoide. Desenvolvimento  de
tumores na síndrome MEN provavelmente representa transformação neoplásica simultânea de múltiplas glândulas endócrinas,
cujas células têm origem da crista neural.
Adenomas
Adenomas das células C costumam aparecer como nódulos pequenos (1 a 3 cm de diâmetro), cinza, únicos ou múltiplos, uni
ou  bilaterais.  São  separados  do  parênquima  por  uma  cápsula  fibrosa.  O  parênquima  adjacente  é  comprimido,  mas  não
invadido  pelas  células  neoplásicas.  Em  touros,  pode  haver  aumento  palpável  na  região  cervical  anteroventral.
Histologicamente, as células proliferadas formam agrupamentos intercalados por ocasionais folículos preenchidos por coloide
e divididos por septos delgados de colágeno (Figura 13.27). As células proliferadas são bem diferenciadas e têm núcleo com
cromatina dispersa e um ou dois nucléolos bem proeminentes e citoplasma abundante e fracamente corado.
Carcinomas
Carcinomas medulares  caracterizam­se por  extensas  formações multinodulares uni ou bilaterais que podem causar  aumento
difuso  da  região  cervical  ventral.  Os  lobos  da  tireoide  podem  ser  extensivamente  invadidos  e  substituídos  pelo  tecido
neoplásico (Figura 13.28). Pode haver grandes áreas de necrose e hemorragia nas áreas afetadas. Metástases múltiplas podem
ocorrer  para  os  linfonodos  cervicais  e  pulmão.  Histologicamente,  a  densidade  celular  é  maior  e  as  células  são  mais
pleomórficas  que  nos  adenomas.  As  células  são  poliédricas  a  fusiformes,  com  citoplasma  sem  delimitação  evidente,
fracamente  corado  e  finamente  granular.  Os  núcleos  são  vesiculares,  redondos  ou  ovais,  e  mitoses  são  comuns.  Lesões
esqueléticas  foram  descritas  em  touros  adultos  com  carcinoma  das  células  C.  Essas  alterações  incluem  espondilose
deformante, osteófitos, fraturas vertebrais e osteoartrose degenerativa. A secreção de calcitonina pelas células C hiperplásicas
e neoplásicas é sugerida como causa dessas alterações ósseas, mas essa relação não está comprovada. As células neoplásicas
são quase sempre envoltas por amiloide.
Figura 13.27  Glândula  tireoide  de  equino  com  adenoma  de  células  C. A.  Alguns  folículos  remanescentes  do  parênquima
glandular  normal  estão  circundados  por  denso  agrupamento  de  células C neoplásicas.  200×. B.  As  células  neoplásicas  são
positivaspara calcitonina por  imuno­histoquímica. Método de estreptavidina­biotina­peroxidase, contracoloração hematoxilina
de Mayer. 200×. Cortesia do Dr. Michael A. Owston, Indiana Animal Disease Diagnostic Laboratory, West Lafayette, Indiana,
EUA.
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Figura  13.28  Glândula  tireoide  de  um  canino  com  carcinoma  de  células  C.  As  células  estão  densamente  arranjadas,
invadindo e substituindo o parênquima do órgão. 20×.
Neoplasias do ducto tireoglosso remanescente
Essas  neoplasias  são  consideradas  raras,  tendo  sido  relatadas  apenas  no  cão.  A  persistência  de  uma  porção  do  ducto
tireoglosso é a origem mais provável desse tipo de neoplasia. São tumores bem circunscritos, flutuantes e móveis, localizados
na  região  cervical  ventral  média.  Ao  corte,  têm  áreas  brancas  e  sólidas  intercaladas  por  cistos  múltiplos  preenchidos  por
líquido  translúcido  proteináceo.  Microscopicamente,  a  neoplasia  se  caracteriza  como  carcinoma  papilar  bem  diferenciado.
Múltiplas papilas revestidas por várias camadas de epitélio cuboide a colunar alto projetam­se da parede cística para o lúmen
do  tumor.  Pode  haver  metaplasia  escamosa  do  epitélio  que  reveste  a  parede  do  cisto.  Podem­se  observar  agregados  de
pequenos  folículos  tireóideos  com coloide. O crescimento  é  lento  e dificilmente há  recidiva depois da  retirada  cirúrgica. A
glândula tireoide estava normal nos poucos casos relatados em cães.
Paratireoides
Anomalias do desenvolvimento
Um caso suspeito de hipoparatireoidismo congênito foi documentado em um gato Himalaio de 6 meses de idade. Resultados
laboratoriais se caracterizaram por níveis acentuadamente baixos de cálcio acompanhados por níveis séricos baixos de PTH,
indicando  resposta  inadequada  das  glândulas  paratireoides  à  hipocalcemia  grave.  No  entanto,  as  alterações  morfológicas
glandulares  responsáveis  pelo  quadro  clínico  não  foram  determinadas,  não  sendo  possível  confirmar  o  diagnóstico  clínico
presuntivo. Em cães, casos raros de hipoparatireoidismo, associados à agenesia de ambos os pares da glândula paratireoide,
foram relatados em filhotes.
Pequenos cistos podem ser notados dentro do parênquima da paratireoide ou nas vizinhanças imediatas da glândula em cães
e,  ocasionalmente,  em  outras  espécies  animais.  Os  cistos,  também  conhecidos  por  cistos  de  Kursteiner,  parecem  se
desenvolver como resultado da dilatação de remanescentes do ducto que conecta a paratireoide aos primórdios do timo. Eles
são geralmente multiloculares, revestidos por epitélio cúbico a cilíndrico pseudoestratificado (muitas vezes ciliado) e contêm
material proteináceo. Deve­se distingui­los dos cistos derivados dos remanescentes do ducto tireoglosso, que são revestidos
por epitélio tireoidogênico, quase sempre contendo folículos com coloide.
Alterações circulatórias
Danos ao aporte vascular das glândulas paratireoides durante cirurgias para a remoção da tireoide é uma das possíveis causas
de  hipoparatireoidismo.  Nesses  casos,  entretanto,  é  comum  a  regeneração  do  parênquima  glandular,  com  subsequente
remissão dos sinais clínicos.
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Alterações degenerativas
Atrofia  das células principais da paratireoide pode  ser observada associada à hipercalcemia prolongada. Casos em que  isso
ocorre incluem intoxicação por plantas que acarretam calcificação sistêmica, tais como Solanum malacoxylon e Nierembergia
veitchii,  e  hipercalcemia  associada  à  malignidade.  Em  razão  da  marcada  redução  do  volume  citoplasmático  das  células
atrofiadas,  as  glândulas  paratireoides  nos  animais  afetados  são  pequenas  e  difíceis  de  serem  localizadas  ou  até  mesmo
indistintas à macroscopia.
As  glândulas  paratireoides  de  cães  e  ratos  podem  desenvolver  células  gigantes  sinciciais  multinucleadas.  As  células
sinciciais parecem se originar da fusão citoplasmática de células principais adjacentes. A localização dessas células dentro da
glândula varia; porém, em geral, elas são mais numerosas na periferia. Embora o número dessas células possa corresponder à
metade  do  número  das  que  compõem  o  parênquima  glandular,  elas  não  parecem  ocorrer  em  quantidade  suficiente  para
interferir significativamente na função da paratireoide.
Numerosas partículas do vírus da cinomose canina nas células principais da glândula paratireoide podem contribuir para o
baixo nível de cálcio em alguns cães com a doença.
Alterações in⸸㠵amatórias
A perda de número significativo de células principais da paratireoide como resultado de processo inflamatório destrutivo de
origem supostamente autoimune representa causa rara de hipoparatireoidismo em cães (em particular nos de raças pequenas,
como Schnauzers e Terriers) e gatos. A resultante deficiência na secreção do PTH ocasiona vários problemas metabólicos que
se manifestam na forma de distúrbios neurológicos e neuromusculares associados à hipocalcemia. Cataratas lenticulares são
alterações adicionais observadas em diversos animais afetados. O achado histológico típico dessa endocrinopatia consiste em
infiltrado linfoplasmocitário difuso das glândulas paratireoides. Cerca de 60 a 80% do parênquima glandular é substituído por
infiltrado  inflamatório  composto  de  linfócitos  bem  diferenciados  e  plasmócitos.  Nos  estádios  iniciais  da  doença,  nota­se,
simultaneamente,  hiperplasia  nodular  regenerativa  das  células  principais  remanescentes.  Em  casos  mais  avançados,  o
parênquima da glândula é completamente substituído por linfócitos, fibroblastos e neocapilares, restando apenas uma ou outra
célula principal viável. Casos crônicos apresentam fibrose glandular.
Alterações proliferativas
Hiperplasia
Hiperparatireoidismo primário
Hiperparatireoidismo primário associado à hiperplasia primária da glândula paratireoide  é de ocorrência  rara  em  todas  as
espécies, tendo sido descrita como distúrbio hereditário (possivelmente de caráter recessivo autossômico) em filhotes da raça
Pastor  Alemão.  Animais  afetados  apresentam  hipercalcemia,  normo  ou  hipofosfatemia  e  níveis  elevados  de  PTH.  Sinais
clínicos  incluem  crescimento  reduzido,  fraqueza muscular,  poliúria,  polidipsia  e  redução  generalizada  da  densidade  óssea.
Achados  macro  e  microscópicos  descritos  englobam  hiperplasia  difusa  das  células  principais  da  paratireoide,  hiperplasia
nodular das células C da tireoide, osteodistrofia fibrosa, nefrocalcinose e extensa mineralização do parênquima pulmonar e da
mucosa gástrica.
Hiperparatireoidismo secundário
Em  pequenos  animais,  hiperparatireoidismo  secundário  é  uma  sequela  comum  de  insuficiência  renal  crônica.  A
hiperfosfatemia resultante da capacidade reduzida dos rins de excretarem fósforo induz hipocalcemia pela ligação do íon com
cálcio ionizado para formar cristais de hidroxiapatita. Adicionalmente, a lesão renal crônica prejudica a formação de 1,25­di­
hidroxi vitamina D, reduzindo a absorção de cálcio intestinal e contribuindo para a redução do íon no sangue. Hipocalcemia
crônica,  por  sua  vez,  estimula  aumento  na  síntese  e  na  secreção  do  PTH.  Elevação  da  reabsorção  osteoclástica  dos  ossos
resulta  em  adelgaçamento  do  osso  cortical,  proliferação  de  tecido  conjuntivo  fibroso  e  deposição  de  osteoide  pobremente
mineralizado  (osteodistrofia  fibrosa).  As  alterações  ósseas  afetam  todo  o  sistema  esquelético,  apesar  de  serem  mais
acentuadas em certas áreas, como maxila, mandíbula e região subperiosteal dos ossos longos, podendo provocar aumento da
dimensão  externa  do  osso  (Figura 13.29).  Fraturas  espontâneas  de  ossos  longos  podem  acarretar  claudicação.  Fraturas  de
corpos vertebrais podem ocasionar compressão da medula espinal e de nervos, provocando distúrbios motores, sensoriais ou
ambos. Há afrouxamento e mesmo perda de dentes da cavidade alveolar. Em cães com insuficiência renal e uremia crônicas,
pode­se observar mineralização de  tecidos moles,principalmente da musculatura  intercostal  subpleural, da mucosa gástrica,
dos rins, do parênquima pulmonar e da subíntima dos vasos. O fósforo absorvido do intestino (estimulado pelo PTH) excede
a capacidade de excreção do néfron e induz a precipitação de microcristais de fosfato de cálcio também no lúmen dos túbulos,
no  interstício e nos capilares  renais. Todas as glândulas paratireoides  (tanto externas quanto  internas)  estão uniformemente
aumentadas duas a cinco vezes o normal. Rins vermelho­pálidos e encolhidos são característicos de doença renal crônica. As
Figuras  13.30  mostram  dois  casos  de  hipertrofia  e  hiperplasia  das  glândulas  paratireoides  em  cães  com  displasia  renal.
Nesses casos, os animais apresentam uremia, indicada por ulcerações orais e gástricas.
Figura  13.29  Corte  transversal  das  regiões  maxilar  e  nasal  de  um  equino  com  osteodistrofia  fibrosa.  O  osso  está
significativamente  aumentado  de  volume,  em  razão  da  proliferação  de  tecido  fibrovascular  em  substituição  ao  osso
reabsorvido.  Cortesia  do  Dr.  James  T.  Raymond,  Indiana  Animal  Disease  Diagnostic  Laboratory,  West  Lafayette,  Indiana,
EUA.
A  outra  forma  de  hiperparatireoidismo  secundário,  em  razão  dos  desequilíbrios  nutricionais,  é  condição  rara  nos  dias
atuais,  em  razão  do  uso  geral  de  dietas  comerciais  balanceadas.  A  doença  é  observada  em  animais  (inclusive  répteis)
alimentados exclusivamente com dietas baixas em cálcio, dietas com excesso de fósforo, mas com níveis de cálcio normal ou
baixo,  e  dietas  com  quantidades  inadequadas  de  vitamina  D3.  Exemplos  de  casos  de  hiperparatireoidismo  secundário
nutricional incluem cães e gatos alimentados apenas com coração ou fígado; ruminantes, suínos ou, mais comumente, cavalos
alimentados com ração de grãos ou  farelo com excesso de  fósforo, ou então alimentados com certas gramíneas  forrageiras,
como setária (Setaria spp.), capim buffel (Cenchrus ciliaris), capim­colonião (Panicum maximum var. Trichoglume), quicuio
(Pennisetum clandestinum) e Brachiaria  spp.,  ricas em oxalato, que  se  liga ao cálcio da dieta;  e primatas do Novo Mundo
mantidos em cativeiro sob dietas com quantidades inadequadas de vitamina D3. Em todos esses casos, observa­se redução nas
concentrações circulantes de cálcio, o que induz aumento na secreção de PTH e subsequente reabsorção óssea. As alterações
são semelhantes às observadas em casos de hiperparatireoidismo secundário renal, exceto pela ausência das lesões renais e de
uremia. Um caso considerado atípico de extensa mineralização de tecidos moles foi descrito em potro de 3 semanas. Os sinais
clínicos (dor articular, claudicação e andar rígido) e os achados de laboratório (níveis elevados de PTH, em especial nas éguas
do  plantel)  eram  compatíveis  com  o  diagnóstico  de  hiperparatireoidismo  secundário  à  ingestão  de  uma  dieta  deficiente  em
cálcio  e  rica  em  fósforo.  A  dieta  era  composta  de  farelo  e  palha  de  trigo,  aveia,  feijão  e  sementes  de  girassol.  Houve
resolução dos sinais clínicos 4 semanas após correção da dieta.
Figura 13.30 A. Glândula paratireoide de canino com hiperparatireoidismo secundário. Notar a hiperplasia da glândula (*), a
qual, neste animal, era secundária à displasia  renal. Cortesia da Dra. Vimala Vemireddi,  Indiana Animal Disease Diagnostic
Laboratory, West  Lafayette,  Indiana, EUA. B. Glândulas  paratireoides  de  outro  canino  com hiperparatireoidismo  secundário
renal decorrente da displasia renal bilateral.
Neoplasias
Neoplasias da glândula paratireoide incluem adenomas e carcinomas das células principais. Ambos são de ocorrência rara nos
animais  domésticos,  sendo  mais  comumente  verificados  em  cães  e  gatos  idosos.  A  maioria  dos  tumores  é  benigna.  As
neoplasias  endocrinologicamente  ativas  secretam  quantidades  excessivas  de  PTH,  resultando  na  síndrome  clínica  de
hiperparatireoidismo primário, já descrita.
Adenomas  causam  aumento  variável  do  tamanho  da  glândula  paratireoide  afetada.  Esse  aumento  parece  ser  mais
significativo  em  gatos,  nos  quais,  ao  contrário  do  que  é  observado  em  cães  afetados,  a  presença  de  uma  massa  cervical
palpável parece ser achado clínico relativamente comum. À macroscopia, os adenomas são marrom­pálidos ou avermelhados
e bem demarcados, estando  localizados na  região cervical, próximo à  tireoide ou, nos casos  raros em que são derivados de
tecido deslocado com o timo durante o desenvolvimento embrionário, dentro da cavidade torácica, próximo à base do coração.
À microscopia,  os  adenomas  se  caracterizam por massas  circunscritas  e  encapsuladas  compostas de pequenos grupos de
células bem próximas delimitados por delicados  septos de  tecido  fibroso  ricamente vascularizado. Adenomas pequenos  são
normalmente circundados por parênquima glandular comprimido.
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Carcinomas da glândula paratireoide são quase sempre maiores do que os adenomas. A maioria desses tumores malignos é
composta  de  células  bem  diferenciadas,  semelhantes  às  observadas  em  adenomas,  mas  com  índice  mitótico  maior  e  com
características malignas,  incluindo  invasão  da  cápsula  e  das  estruturas  adjacentes  (p.  ex.,  vasos  e  parênquima glandular  da
tireoide). Desenvolvimento de metástases é incomum nesses casos, mas, quando ocorre, envolve linfonodos regionais e, com
menos frequência, os pulmões.
Pseudo-hiperparatireoidismo (hipercalcemia associada à malignidade)
A causa mais comum de hipercalcemia em cães é a hipercalcemia associada à malignidade, diagnosticada em 57 a 67% dos
animais  com  hipercalcemia.  Em  gatos,  ao  contrário,  neoplasias  são  diagnosticadas  em  cerca  de  30%  dos  animais
hipercalcêmicos. Em cães, hipercalcemia associada à malignidade é mais comumente associada aos  linfomas (em particular,
com  linfomas  de  células  T),  adenocarcinomas  dos  sacos  anais  e  mielomas  múltiplos.  Em  gatos,  a  maioria  dos  casos  de
hipercalcemia associada à malignidade é associada aos linfomas e aos carcinomas de células escamosas da cavidade oral e do
conduto auditivo. Já em cavalos, a condição é mais comumente associada aos linfomas e aos carcinomas de células escamosas
do estômago.
A  base  molecular  de  hipercalcemia  associada  à  malignidade  ainda  não  foi  muito  bem  esclarecida,  mas  muitos  tumores
expressam o gene do peptídio relacionado com o PTH (PTH­rP, parathyroid hormone­related peptide), cuja estrutura química
e  atividade  biológica  são  semelhantes  às  do  PTH. Outros mecanismos  de  hipercalcemia  associada  à malignidade  são mais
complexos,  incluindo a produção, pelas  células  tumorais,  de várias  substâncias que  estimulam  reabsorção óssea,  tais  como
citocinas  [em  particular  a  interleucina  1  (IL­1)]  e  fatores  de  crescimento,  como  o  fator  de  crescimento  transformante  beta
(TGF­β,  transforming  growth  factor  beta).  Em  alguns  casos,  a  hipercalcemia  pode  ser  grave  o  suficiente  para  provocar
distúrbios  dos  sistemas  gastrintestinal,  neuromuscular,  cardiovascular  e  renal. Os  níveis  sanguíneos  de  cálcio  retornam  ao
normal  após  a  excisão  completa  do  tumor,  mas  a  hipercalcemia  persiste  em  animais  com  doença  metastática  ou  excisão
incompleta do tumor primário.
Adrenal
Anomalias do desenvolvimento
Agenesia unilateral  ocorre  ocasionalmente  em  cães,  afetando  com mais  frequência  o  lado  esquerdo. Agenesia  bilateral  do
córtex  adrenal  é  fatal  em  qualquer  espécie,  mas  a  medula  não  é  essencial  para  a  vida.  Anomalias  ou  falhas  no
desenvolvimento da pituitária fetal – por exemplo, em casos de anencefalia ou aplasia da pituitária – resultam em diminuição
da produção ou liberação de ACTH, com consequente atrofia das zonas fasciculata e reticularis. Histologicamente, o córtex
da adrenal é delgado, com poucos ninhos de células presentes, sem formação das diferentes zonas. Amedula da adrenal está
normal.
Córtex adrenal acessório é comum em muitas espécies. Pode ser encontrado no tecido adiposo periadrenal (Figura 13.31)
ou perirrenal ou na periferia dos ovários e no testículo em equinos.
Focos  de  células  hemocitopoéticas  são  encontrados  incidentalmente  nas  glândulas  adrenais  e,  geralmente,  não  são
associados  à  anemia  ou  a  outra  evidência  de  depressão  da  medula  óssea  ou  mielopoese  extramedular.  Nos  bovinos,  são
observados, à macroscopia, focos brancos redondos (3 a 4 mm de diâmetro); à histologia, focos de linfopoese são observados
no córtex e na medula da glândula adrenal de ovinos e bovinos.
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Figura 13.31 Glândula adrenal de um equino com nódulos adrenocorticais acessórios.
Alterações circulatórias
Hemorragias  nas  adrenais  acontecem  em  recém­nascidos  de  qualquer  espécie  animal  e  são  relacionadas  com  partos
distócicos. Hemorragia difusa pode se dar na  fase de exaustão do estresse. Ocorre  também em toxemias  (torção  intestinal),
septicemias (Figura 13.32) e coagulopatias e em animais selvagens que morrem subitamente durante a contenção.
Teleangiectasia do córtex adrenal ocorre em animais adultos. Na macroscopia, observam­se áreas vermelho­escuras, únicas
ou  múltiplas  na  junção  corticomedular,  que  aparecem  deprimidas  na  superfície  de  corte.  É  possível  que  ocorram
subsequentemente à degeneração e à perda do córtex, bem como à ectasia dos sinusoides da região. As células corticais que
persistem são pequenas e atróficas ou hipertrofiadas e repletas de lipídio.
Alterações degenerativas
Mineralização da adrenal, caracterizada por extensos depósitos de cálcio, ocorrem quase sempre em gatos adultos e primatas.
Em  gatos,  tem  prevalência  de  30%;  em  cães,  em  comparação,  tem  prevalência  de  apenas  6%.  A  causa  é  desconhecida  e,
geralmente, não é associada aos sinais clínicos de disfunção adrenocortical. Glândulas mineralizadas são nodulares, firmes e
moteadas, com múltiplos focos branco­amarelados se estendendo do córtex para a medula. Apresentam textura arenosa e são
resistentes ao corte. Histologicamente, há extensas áreas de necrose com depósitos minerais (Figura 13.33) e áreas adjacentes
de hiperplasia nodular  regenerativa que parecem manter os níveis de cortisol em resposta à aparente secreção aumentada de
ACTH.
Esclerose capsular afeta a glândula adrenal de vacas velhas com ovários císticos. Em touros velhos, as alterações no tecido
conjuntivo costumam preceder metaplasia óssea.
Deposição  de  amiloide  geralmente  envolve  apenas  o  córtex.  Dá­se  em  todas  as  espécies  e  é,  regularmente,  parte  de
amiloidose  generalizada  em  bovinos.  A  deposição  do  amiloide  acontece  ao  redor  dos  sinusoides  da  zona  fasciculata.  À
macroscopia, os depósitos podem ser visíveis  como áreas  translúcidas. Sinais de  insuficiência  adrenocortical quase  sempre
não ocorrem.
Figura 13.32 Glândula adrenal de um potro que morreu devido a um quadro de infecção pulmonar e septicemia. Observam­
se hemorragias na cortical (A) e, à histopatologia, neutrófilos, hemorragia e numerosas colônias bacterianas (B). 400×.
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Figura  13.33  Glândula  adrenal  de  felino  com  mineralização  do  córtex.  Depósitos  de  cálcio  são  observados  em  locais  de
degeneração  vacuolar  e  necrose  das  células  glandulares.  400×.  Cortesia  de  Indiana  Animal  Disease Diagnostic  Laboratory,
West Lafayette, Indiana, EUA.
Alterações in⸸㠵amatórias
A  inflamação  da  glândula  adrenal  é  denominada  adrenalite.  Em  geral,  é  parte  de  uma  doença  sistêmica  ou  septicêmica,
podendo cursar com variados graus de inflamação e necrose. A cápsula da adrenal, em geral, protege o parênquima da invasão
direta de processos inflamatórios em tecidos adjacentes. Bactérias Gram­negativas septicêmicas, principalmente Escherichia
coli, podem causar inflamação supurativa com necrose. Tuberculose da adrenal é encontrada, em especial, em bovinos e seres
humanos. O  protozoário Toxoplasma gondii  produz  necrose  com  infiltrado  por macrófagos  na  adrenal  em muitas  espécies
animais.  Adrenalite  granulomatosa,  caracterizada  por  infiltrado  de macrófagos  epitelioides,  linfócitos,  plasmócitos,  células
gigantes multinucleadas e eosinófilos,  é observada em casos de  intoxicação por Vicia villosa  e polpa cítrica em bovinos. A
adrenal  é  um  dos  órgãos  mais  comumente  afetados  nesses  animais.  Inflamação  granulomatosa  também  ocorre  em
consequência  da  infecção  por  leveduras  dos  fungos Histoplasma  capsulatum,  Cryptococcus  neorformans  e  Coccidioides
immitis. Esse  tipo de adrenalite acontece nas áreas em que essas doenças  fúngicas são endêmicas. Vírus  também afetam as
adrenais. Geralmente, causam  inflamação  linfocitária, necrose, hemorragia e, dependendo do vírus, corpúsculos de  inclusão
intranucleares. Como exemplo, podem­se citar herpes­vírus suíno tipo 1 (agente da doença de Aujeszky) em leitões, herpes­
vírus  equino  tipo  1  (Figura 13.34)  e,  raramente,  o  tipo  4  em  fetos  equinos  abortados  ou  natimortos.  Do mesmo modo,  o
herpes­vírus bovino tipo 1 pode ser encontrado em fetos bovinos abortados ou nascidos mortos.
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Figura 13.34 Glândula adrenal de um feto equino abortado com adrenalite necrosante associada à infecção por herpes­vírus
equino tipo 1. Adjacentes à área com detrito celular e hemorragia há duas células degeneradas com cromatina marginada e
corpúsculo de  inclusão eosinofílico  intranuclear  (setas)  indicativas  de  infecção  por  herpes­vírus.  1.000×. Cortesia  de  Indiana
Animal Disease Diagnostic Laboratory, West Lafayette, Indiana, EUA.
Alterações proliferativas
Hiperplasia e hipertroỿ�a
Hiperplasia nodular do córtex da adrenal é comum em cães, cavalos e gatos idosos. Os nódulos hiperplásicos podem medir
até  2  cm  de  diâmetro,  são  bem  delimitados  e  localizados  no  interior  do  córtex  ou  aderidos  à  cápsula.  Quase  sempre  são
múltiplos,  bilaterais,  amarelados  e  sem  evidência  de  cápsula.  As  células  hiperplásicas  podem  estar  hipertrofiadas.  Esses
nódulos  costumam  ser  caracterizados  como  nódulos  extracapsulares  de  hiperplasia  cortical  que  se  estendem  para  o  tecido
conjuntivo periadrenal.
Hiperplasia nodular da  zona  reticularis  aparece  como pequenos nódulos que  se  estendem para  a medula,  resultando em
junção  corticomedular  irregular.  Essa  lesão  é  demonstrada  em  animais  com  distúrbios  funcionais,  sugerindo  excesso  de
andrógeno  –  por  exemplo,  aumento  da  massa  muscular,  hipertrofia  do  clitóris,  crista  bem  desenvolvida  e  involução  da
glândula mamária.
Hiperplasia cortical difusa é caracterizada por alargamento uniforme geralmente bilateral do córtex (Figura 13.35); ocorre
em  consequência  de  hipersecreção  de  ACTH  por  adenoma  corticotrófico  da  pituitária  (Figura  13.36).  Em  resposta  a  essa
secreção excessiva de hormônio trófico, há hiperplasia e hipertrofia difusa das células das zonas fasciculata e reticularis. As
células  da  zona  fasciculata  estão  vacuolizadas  (lipídios)  e  arranjadas  em  colunas  separadas  pelos  sinusoides.  A  zona
glomerulosa pode atrofiar em razão da compressão provocada pelas duas zonas corticais internas.
Hiperplasia da zona glomerulosa se dá em resposta à angiotensina II. Esta é produto da renina que é liberada pelas células
justaglomerulares em resposta às alterações da pressão sistêmica. Estímulos prolongados (diminuição do volume sanguíneo
ou redução na pressão sanguínea) resultam em contínua formação de angiotensina II e estimulação da zona glomerulosa para a
formação e  liberação da  aldosterona,  a qual  atua nos  túbulos  renais,  elevando a  reabsorção de  sódio  e,  por  conseguinte,  de
água.
Figura 13.35 Superfície de corte da glândula adrenal de um canino com hiperplasia cortical difusa.
Figura 13.36 Superfície de corte da glândula adrenal de um equino com hiperplasia cortical difusa associada a um adenomada  pars  intermedia  da  hipófise.  Notar  o  acentuado  alargamento  uniforme  do  córtex  glandular.  Cortesia  do  Dr.  Timothy
Muench, Indiana Animal Disease Diagnostic Laboratory, West Lafayette, Indiana, EUA.
Neoplasias
Córtex da adrenal
Adenomas
Adenomas corticais da adrenal caracterizam­se pela proliferação benigna das células das camadas do córtex da adrenal. São
observados, com mais frequência, em cães idosos (acima de 8 anos) e, esporadicamente, em gatos, cavalos, bovinos, caprinos
e ovinos. Em caprinos, machos castrados têm maior prevalência do tumor do que os machos inteiros.
À macroscopia, adenomas adrenocorticais caracterizam­se como nódulos amarelados (em razão do conteúdo lipídico), bem
delimitados, podendo ser únicos e uni ou bilaterais (Figura 13.37). Nódulos maiores podem ter áreas vermelhas na superfície
de  corte.  Adenomas  corticais  pequenos,  muitas  vezes,  desenvolvem­se  em  conjunto  com  nódulos  hiperplásicos  na mesma
adrenal.
Figura  13.37  Superfície  de  corte  da  adrenal  de  um  canino  contendo  um  adenoma  cortical  (A)  branco­amarelado,  bem
delimitado,  entremeado  por  áreas  vermelhas  (necrose  e  hemorragia).  Nódulos menores  observados  em  ambas  as  adrenais
representam hiperplasia cortical (H) e formações corticais acessórias (*).
Na  histopatologia,  adenomas  corticais  são  compostos  de  células  produtoras  de  hormônios  esteroides  bem  diferenciadas,
morfologicamente similares às células das zonas fasciculata ou reticularis. As células têm citoplasma abundante, fracamente
eosinofílico, quase sempre vacuolizado ou preenchido por muitos vacúolos lipídicos. As células estão arranjadas em cordões
ou ninhos separados por pequenos espaços vasculares. Os adenomas são delimitados por cápsula  fibrosa  (Figura 13.38)  de
espessura  variada  e  por  parênquima  adjacente  da  glândula  comprimido.  Hematopoese  extramedular  com  megacariócitos  e
colônias granulocíticas e eritroides são achados característicos em adenomas adrenocorticais.
Adenomas são  relativamente pequenos e de crescimento  lento. Quando  funcionais, podem ser associados à hipersecreção
de cortisol ou, menos comumente, de outros hormônios esteroides (p. ex., aldosterona ou androgênios).
Carcinomas
Carcinomas adrenocorticais são constituídos pela proliferação maligna das células epiteliais corticais da adrenal e acontecem
menos  frequentemente  que  adenomas.  Há  relatos  de  sua  ocorrência  em  bovinos,  em  cães  idosos  e,  raramente,  em  outras
espécies.
À macroscopia, carcinomas são maiores que os adenomas e podem se desenvolver de modo bilateral  (Figura 13.39). Em
cães,  a  superfície  de  corte  do  tumor  é  caracterizada por  tecido  friável,  com áreas vermelho­amarronzadas,  entremeadas por
áreas  amareladas  (Figura 13.40)  ou  difusamente  amareladas  (Figura 13.41).  Carcinomas  podem  invadir  tecidos  adjacentes,
incluindo veia cava caudal. Nos bovinos, podem chegar a 10 cm ou mais de diâmetro e  ter múltiplas áreas de ossificação e
mineralização.
A histopatologia é caracterizada por células com elevado pleomorfismo, as quais são subdivididas em pequenos grupos ou
lóbulos por  septos  fibrosos de espessura variável. Há perda  total da arquitetura normal da glândula. As células neoplásicas
são grandes e poliédricas, com núcleo vesicular, nucléolo proeminente e citoplasma densamente eosinofílico ou vacuolizado.
Em  carcinomas  corticais  anaplásicos,  as  células  podem  ser  fusiformes,  com  citoplasma  eosinofílico  e  menos  abundante.
Áreas de hemorragias são comuns em decorrência do rompimento dos sinusoides. Invasão da cápsula e de vasos sanguíneos e
linfáticos,  com  formação  de  êmbolos,  é  comumente  detectada  nesses  carcinomas.  Metástases  podem  ser  encontradas
primariamente em fígado, rins e linfonodos mesentéricos.
Figura 13.38 Adenoma  (A) cortical da adrenal de um canino. O nódulo neoplásico está circundado por uma cápsula  (C) de
tecido conjuntivo fibroso e por parênquima (P) cortical comprimido. 200×.
Figura 13.39 Carcinoma adrenocortical  bilateral  em cão. As  superfícies  de  corte  da glândula  adrenal  esquerda apresentam
múltiplas  massas  encapsuladas  vermelho­escuras  entremeadas  por  áreas  amareladas.  Podem  ser  observadas  ainda  áreas
corticais comprimidas (c), além de remanescentes da medular (m). A superfície capsular da adrenal direita está aumentada de
tamanho e com a forma alterada devido ao carcinoma. Notar também nódulos corticais acessórios na cápsula (*).
Figura  13.40  Superfícies  de  corte  e  da  cápsula  da  glândula  adrenal  de  canino  com  carcinoma  cortical.  A  glândula  está
completamente substituída por uma massa macia e pouco definida, que mede 8 × 6 × 3 cm e tem aspecto moteado vermelho
e  amarelo. Cortesia  da Dra.  Kimberly  A. Maratea,  Indiana Animal Disease Diagnostic  Laboratory, West  Lafayette,  Indiana,
EUA.
Figura 13.41 Superfícies de corte in situ da glândula adrenal direita de canino com carcinoma cortical. A proliferação branco­
amarelada e macia ocorre a partir da cortical e invade a medular em diferentes locais.
Carcinomas  e  adenomas  adrenocorticais,  unilaterais  e  funcionais,  podem  ser  associados  à  atrofia  cortical  da  glândula
contralateral em decorrência da retroalimentação negativa da pituitária (elevados níveis de cortisol) na secreção de ACTH. O
córtex atrófico da glândula adrenal consiste, em particular, em cápsula e zona glomerulosa e com apenas algumas células nas
zonas fasciculata e reticularis. A medula aparece relativamente mais expandida ou extensa.
Mielolipoma
É um tumor endocrinologicamente  inativo, constituído por  tecido adiposo bem diferenciado e quantidade variável de células
hemocitopoéticas da linhagem mieloide e linfoide. Em seres humanos, o tumor é relativamente comum, mas, nos animais, é
pouco  documentado. Na  literatura médica  veterinária, mielolipomas  são  descritos  em baço,  adrenal  e  fígado  de  cães,  gatos
(incluindo  felinos  selvagens,  em  especial  guepardos)  e  primatas  não  humanos  e  no  tecido  subcutâneo  e  fígado  de  aves
exóticas.
À  macroscopia,  o  tumor  pode  chegar  a  cerca  de  4  a  5  cm  de  diâmetro.  A  superfície  de  corte  tem  áreas  amareladas
entremeadas por áreas vermelhas e perda da arquitetura normal da glândula.
Na histopatologia, observa­se que a maior parte da massa  tumoral é constituída por células similares aos adipócitos bem
diferenciados  e  interpostos  por  grupos  de  células  de  origem  mieloide  e  linfoide  (Figura  13.42).  Observam­se  vários
megacariócitos  e  numerosos  precursores  mieloides  em  fases  de  maturação.  Em  alguns  locais,  visualizam­se  linfócitos  e
neutrófilos. Áreas com focos de necrose, hemorragia e macrófagos com hemossiderina são  identificadas. Histologicamente,
esse tumor parece ter origem na zona fasciculata do córtex da adrenal, com extensão para a medula.
Diversos  mielolipomas  relatados  foram  achados  incidentais  de  necropsia.  Em  seres  humanos,  há  associação  entre
mielolipoma e  síndrome adrenogenital, na qual há hiperplasia adrenal congênita em consequência da deficiência de enzimas
(21­hidroxilase  ou  17­alfa­hidroxilase),  responsáveis  pela  síntese  de  hormônios  adrenocorticais.  Secundariamente,  há
estimulação  excessiva  da  adrenal  pelo  ACTH,  com  subsequente  hiperplasia  do  córtex  da  adrenal  e,  talvez,  influência  no
surgimento do mielolipoma. As alterações da  síndrome adrenogenital  associada ao mielolipoma em seres humanos  incluem
síndrome  de  Cushing,  pseudo­hermafroditismo,  tumores  testiculares  e  obesidade.  Em  animais,  não  foram  observadas
alterações funcionais relacionadas com essa neoplasia na adrenal.
Figura 13.42 Mielolipoma da adrenal de um canino. O tumor é composto de células similares a adipócitos bem diferenciados,
megacariócitos (*), células mieloides e macrófagos com hemossiderina. 400×.
Neoplasias das células secretoras da medula da adrenal
FeocromocitomasCaracterizam­se pela proliferação neoplásica das células cromafins, secretoras das catecolaminas norepinefrina, epinefrina ou
ambas, da medular da adrenal. Estas células têm origem no neuroectoderma. Dos feocromocitomas já estudados, a epinefrina
foi o principal componente secretor.
Feocromocitomas são os tumores mais comuns da medula da adrenal em animais. São relatados com maior frequência em
bovinos e cães (Figura 13.43), sendo pouco frequentes nas demais espécies domésticas.
Os  tumores podem ser uni ou bilaterais. O  tamanho é variável, mas geralmente são grandes e podem chegar a 10 cm de
diâmetro ou mais e  incorporar  toda a adrenal. Feocromocitomas pequenos (Figura 13.44) são circundados por uma faixa de
córtex  adrenal  comprimido.  Em  tumores  grandes,  a  superfície  de  corte  é multilobular  e  variegada,  com  áreas marrons  ou
marrom­amareladas,  às  vezes  intercaladas  por  áreas  de  hemorragia  e  necrose.  Pequeno  remanescente  da  glândula  pode  ser
encontrado em uma extremidade. Feocromocitomas malignos são envoltos por uma cápsula fibrosa que é invadida em vários
locais  por  células  tumorais.  Pode  haver  também  invasão  da  veia  cava  caudal  (Figura  13.45)  com  extensão  para  o  lúmen
(Figura 13.46) e formação de trombos e êmbolos.
Figura 13.43 Adrenal direita de um canino com um feocromocitoma caracterizado por área nodular vermelho­escura e macia,
com aproximadamente 2 cm de diâmetro, expandindo a medular.
Figura  13.44  Superfície  de  corte  da  glândula  adrenal  de  um  equino  com  feocromocitoma.  Uma  massa  nodular,  marrom­
escura e bem delimitada expande a medular da glândula. Cortesia da Dra. Janice Lacey,  Indiana Animal Disease Diagnostic
Laboratory, West Lafayette, Indiana, EUA.
Figura 13.45 Adrenal esquerda  in situ em um canino com  feocromocitoma apresentando alteração no  formato, aumento de
volume acentuado e invasão da veia cava caudal (cabeça de seta).
Figura 13.46 Superfície de corte do feocromocitoma (F) da adrenal esquerda do cão da Figura 13.45. Observar a extensão do
tumor (*) para o interior da veia cava caudal (VC).
Na  histopatologia,  as  células  neoplásicas  variam  de  pequenas,  poliédricas  ou  cuboides,  a  grandes  e  pleomórficas,  com
múltiplos  núcleos  hipercromáticos. O  citoplasma  é  levemente  eosinofílico,  finamente  granular  e  sem  delimitação  evidente.
Essas células são divididas em pequenos  lóbulos por delgados septos  fibrosos e capilares. Nos feocromocitomas malignos,
há múltiplas  áreas de necrose de coagulação e hemorragias. As células neoplásicas pobremente diferenciadas,  anaplásicas  e
com maior número de mitoses podem substituir completamente a medula normal e invadir parte ou todo o córtex adjacente e
quase sempre penetram na cápsula da adrenal e invadem o tecido conjuntivo e outras estruturas adjacentes à adrenal (Figura
13.47). As células malignas se arranjam em lóbulos, cordões sólidos ou em paliçada ao redor dos sinusoides.
O termo feocromoblastoma é usado para tumores anaplásicos pobremente diferenciados derivados das células secretoras de
catecolaminas da medular da adrenal. Feocromocitoma maligno  frequentemente é utilizado para designar  tumores medulares
que  invadem  a  cápsula  e  tecidos  adjacentes  (veia  cava  caudal,  tecido  adiposo)  ou  apresentam  metástases  para  fígado,
linfonodos  regionais  ou  pulmões.  Metástases  também  são  observadas  nas  vértebras  lombares,  resultando  em  osteólise  e
paraparesia progressiva. Já foi observado também no fêmur de um cão com fratura patológica.
Figura 13.47 Feocromocitoma da adrenal mostrada nas Figuras 13.45 e 13.46. As células neoplásicas arranjadas em cordões
sólidos infiltraram a cápsula da glândula (*).
Em  cães,  feocromocitomas  são  geralmente  achados  incidentais  de  necropsia  ou  cirurgias,  mas  hipertensão  e  arritmias
cardíacas  podem  ser  detectadas  em  cães  com  feocromocitomas  funcionais  diagnosticados  antes  da morte.  Em  um macaco
rhesus  (Macaca  mulatta),  miocardiopatia  foi  associada  a  um  feocromocitoma,  presumivelmente  decorrente  da  secreção
excessiva de catecolaminas pelas células neoplásicas. Miocardiopatia por catecolaminas é causada pela isquemia induzida por
oxigênio  reativo  (radicais  livres)  liberado  após  vasoconstrição  motora  das  arteríolas  induzida  pelas  catecolaminas.  Na
necropsia do primata afetado, as paredes ventriculares do coração estavam delgadas, as câmaras cardíacas estavam dilatadas e
havia  estrias  brancas  e  coalescentes  no  miocárdio.  À  histologia,  as  lesões  cardíacas  eram  caracterizadas  por  atrofia  de
miofibras, perda de miofibrilas, inflamação e fibrose intersticial. O tumor adrenal se caracterizou por sinusoides distendidos
por sangue e circundados por células tumorais poliédricas (feocromocitoma angiomatoso).
Neoplasias das células do sistema nervoso simpático da medula da adrenal
Neuroblastomas  se  originam  de  células  neuroectodérmicas  primitivas.  Costumam  ocorrer  em  animais  jovens  e  formam
grandes neoplasias intra­abdominais, que podem fazer metástases para a superfície peritoneal. As células lembram linfócitos
e tendem a formar pseudorrosetas. Neurofibrilas ou fibras nervosas amielínicas podem ser observadas.
Ganglioneuromas são tumores benignos, pequenos e quase sempre bem diferenciados que apresentam células ganglionares
simpáticas  multipolares  e  neurofibrilas.  O  córtex  adrenal  é  gravemente  comprimido  pelo  tumor  medular.  Em  ratos,
ganglioneuromas costumam ser observados juntamente com feocromocitomas (feocromocitoma complexo). Acredita­se que os
componentes  desse  tipo  de  tumor  sejam  derivados  da  diferenciação  divergente  de  uma  célula  progenitora  comum  (Figura
13.48).
Neoplasias metastáticas nas glândulas adrenais
Ocorrem geralmente associadas às neoplasias disseminadas. Êmbolos neoplásicos com frequência atingem ambas as adrenais.
Formação  de  metástase  pode  ser  decorrente  da  rica  rede  de  capilares  sinusoides  do  parênquima  adrenocortical  e  medular.
Estudo  retrospectivo  investigou  tumores  metastáticos  nas  adrenais  em  caninos,  felinos,  equinos  e  bovinos.  Em  cães,  26
diferentes tumores formaram metástases nas adrenais. Carcinomas pulmonar (Figura 13.49), mamário, prostático, gástrico e
pancreático  e  melanoma  maligno  (Figura  13.50)  foram  os  principais  tumores  metastáticos  para  as  adrenais  em  cães.
Hemangiossarcoma  e  melanoma  foram  os  principais  a  formarem  metástases  no  equino.  Em  gatos  e  bovinos,  linfomas
predominaram entre os tumores metastáticos na adrenal. Esses dados mostram a importância dos exames clínico e patológico
das adrenais em casos de neoplasia maligna disseminada.
Figura 13.48 Ganglioneuroma complexo da adrenal de um rato. A medular da glândula está completamente substituída por
tumor misto que comprime levemente o córtex (C). O tumor é composto, em parte, de células ganglionares grandes em meio
a  tecido de sustentação paucicelular, constituído de células que  lembram as de Schwann [ganglioneuroma (G)] e, em parte,
de  manto  denso  de  células  poliédricas  divididas  em  pequenos  lóbulos  por  delgados  septos  fibrosos  [feocromocitoma  (F)].
100×. Cortesia de Indiana Animal Disease Diagnostic Laboratory, West Lafayette, Indiana, EUA.
Figura 13.49 Superfícies de corte da glândula adrenal de um canino com metástase de carcinoma adenoescamoso pulmonar.
Aproximadamente  75%  da  medular  está  substituída  por  massa  neoplásica  esbranquiçada.  Cortesia  da  Dra.  Kimberly  A.
Maratea, Indiana Animal Disease Diagnostic Laboratory, West Lafayette, Indiana, EUA.
Figura 13.50 Glândula adrenal de um canino com metástase de melanoma maligno primário da cavidade oral. A metástase
se caracteriza por um pequeno nódulo preto na cortical  da adrenal  direita. O mesmo animal  tinha metástases em  todas as
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outras vísceras torácicas e abdominais e também na medula óssea dos membros e das vértebras.Hipoadrenocorticismo  associado  às  neoplasias  metastáticas  nas  adrenais  é  pouco  comum,  pois,  apesar  de  a  neoplasia
metastática  comprometer  90%  do  córtex  da  adrenal,  hiperplasia  compensatória  das  células  remanescentes  é  observada  e  a
função glandular é preservada. Nos animais domésticos, hipoadrenocorticismo foi diagnosticado em casos  raros de  linfoma
metastático em cães e gatos. No entanto, a função da adrenal nem sempre é avaliada nesses casos.
Pâncreas endócrino (ilhotas de Langhans)
Alterações proliferativas
Hiperplasia
A  hiperplasia  das  células  das  ilhotas  pancreáticas  é  comum  nos  animais  domésticos.  É  descrita,  também,  em  primatas,
camundongos,  ratos  e  hamsters.  À macroscopia,  as  ilhotas  hiperplásicas  são  visualizadas  como  pequenas  áreas  brancas  e
levemente proeminentes. A hiperplasia pode ocorrer de forma compensatória após agressão e perda de parte do pâncreas ou
como consequência da ação hormonal antagônica em hiperadrenocorticismo iatrogênico ou natural.
Neoplasias das células das ilhotas pancreáticas
Neoplasias das células das ilhotas são incomuns, sendo observadas principalmente em cães idosos. Esses tumores podem ser
benignos  (adenomas)  ou  malignos  (carcinomas)  e  quase  sempre  são  solitários  (80%),  mas  podem  ser  múltiplos.  Podem
secretar  mais  de  um  tipo  de  hormônio,  sendo  um  predominante  e  responsável  pelos  sinais  clínicos;  os  principais  são
insulinoma, gastrinoma e glucagonoma.
À macroscopia,  esses  tumores  são  cinza­pálidos  ou  vermelho­escuros,  firmes,  com bordas  bem delimitadas  e,  às  vezes,
bem encapsulados (Figura 13.51). A presença da cápsula não é indicador de benignidade, pois neoplasias das ilhotas com essa
característica podem mostrar metástases nos linfonodos adjacentes e no fígado.
Neoplasias das células beta das ilhotas pancreáticas
Insulinomas, ou neoplasias das células beta secretoras de insulina, são observados mais comumente no cão, mas também já
foram  relatados  em  bovinos  idosos,  em  ferrets  (nos  quais  são  os  tumores  mais  comuns,  seguidos  por  tumores
adrenocorticais) e em gatos.
À macroscopia, o adenoma das células beta aparece como pequena nodulação amarelada a vermelho­escura, única e com 1 a
3 cm de diâmetro. A consistência do tumor é similar à do pâncreas normal ou levemente mais firme. O adenoma está envolto,
em geral, por uma cápsula fibrosa delgada. A maioria dos insulinomas no cão é maligna. Carcinomas costumam ser maiores
que os adenomas, são multinodulares e invadem o parênquima adjacente. A formação de metástases se dá principalmente em
linfonodos  regionais  e  fígado,  mas  também  já  foi  observada  em  duodeno,  mesentério,  omento,  baço,  coração  e  medula
espinal.
Figura 13.51  Cavidade  abdominal  de  um  canino  com  carcinoma  das  ilhotas  pancreáticas. O  pâncreas  contém  uma massa
nodular  firme e única que mede 2 cm de diâmetro e sobressai da superfície capsular do órgão. O aspecto macroscópico do
tumor é benigno, mas a presença de metástases nos linfonodos regionais indicava que ele era de natureza maligna. Cortesia
da Dra. Victoria Laast, Indiana Animal Disease Diagnostic Laboratory, West Lafayette, Indiana, EUA.
À microscopia,  os  adenomas  são  bem delimitados  e  constituídos  por  células  epiteliais  pequenas,  cúbicas  ou  colunares  e
bem  diferenciadas.  O  citoplasma  dessas  células  é  finamente  granular.  Numerosos  septos  fibrosos  e  capilares  dividem  as
células em pequenos lóbulos, conferindo ao tumor o padrão neuroendócrino característico (Figura 13.52). Os carcinomas têm
padrão  histológico  semelhante  ao  dos  adenomas,  mas  as  células  neoplásicas  do  carcinoma  têm  menor  uniformidade  no
tamanho e na forma quando comparadas às do adenoma. Além disso, há invasão de algumas áreas da cápsula, do parênquima
adjacente  e  dos  vasos  linfáticos  e  sanguíneos  pelas  células  neoplásicas. Um  insulinoma maligno  foi  diagnosticado  em  um
cachorro­do­mato,  ou  graxaim  (Cerdocyon  thous),  com  sinais  clínicos  que  evoluíram  para  a  morte  em  2  meses.
Macroscopicamente,  o  insulinoma  era  constituído  por  uma  massa  única  multilobulada.  A  análise  histopatológica  revelou
células poligonais moderadamente pleomórficas  e  com  invasão vascular. A origem celular  foi  confirmada pela  IHQ,  a qual
mostrou marcação fortemente positiva das células neoplásicas para insulina (Figura 13.53).
No caso de neoplasias funcionais das células beta, hipoglicemia grave pode se desenvolver em decorrência do excesso de
secreção de insulina. Como a função cerebral depende de suprimento sanguíneo constante de glicose (a mais importante fonte
de energia para as células neurais), sinais nervosos, atribuídos à neuroglicopenia, são comumente observados em associação
aos  insulinomas.  Esses  sinais  clínicos  incluem  fraqueza,  ataxia,  andar  desorientado,  distúrbios  visuais  e,  em  casos  que
determinam hipoglicemia  grave,  coma  e morte.  Sinais  de  neuropatia  periférica  também podem  ser  observados,  abrangendo
diminuição dos reflexos, da sensibilidade e da propriocepção, bem como atrofia muscular. A patogenia dessa alteração ainda
não  foi  estabelecida,  porém presume­se que ocorra  como consequência dos defeitos metabólicos dos nervos periféricos  em
razão  de  hipoglicemia,  resposta  imune  resultante  do  compartilhamento  de  antígenos  entre  o  tumor  e  os  nervos  ou  fatores
tóxicos, produzidos pelo tumor, com efeitos deletérios nos nervos.
Figura 13.52 Pâncreas de  ferret  com adenoma das células beta das  ilhotas de Langhans  (insulinoma). O  tumor, delimitado
por  fina cápsula  fibrosa,  tem aspecto  tipicamente neuroendócrino, caracterizado por pequenos  lóbulos de células cúbicas ou
poliédricas subdivididas por delicados septos fibrosos. 100×. Cortesia de Indiana Animal Disease Diagnostic Laboratory, West
Lafayette, Indiana, EUA.
Figura  13.53  Pâncreas  de  um  cachorro­do­mato  com  carcinoma  das  células  beta  das  ilhotas  de  Langhans  (insulinoma).
Células  neoplásicas  difusa  e  intensamente  positivas  para  insulina  na  imuno­histoquímica.  Método  estreptavidina­biotina­
peroxidase. 400×. Reproduzida, com autorização, de Malta et al., 2008.
Neoplasias das células não beta das ilhotas pancreáticas
Gastrinoma
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Neoplasias pancreáticas secretoras de gastrina são observadas em caninos, felinos e seres humanos. No cão e no homem, essa
neoplasia  também pode se originar das células neuroendócrinas secretoras de gastrina da mucosa do duodeno. Nos animais,
esses tumores são considerados raros. A hipersecreção de gastrina pode resultar em má digestão, perda de peso, ulcerações e
hipertrofia da mucosa gástrica e duodenal. O gastrinoma originado do duodeno pode provocar compressão dos ductos biliares
extra­hepáticos e obstrução do fluxo biliar.
À  macroscopia,  esses  tumores  podem  ser  únicos  ou  múltiplos  e  de  tamanhos  variáveis.  São  firmes,  pois  têm  maior
quantidade de estroma fibroso. Os  tumores são potencialmente malignos, podendo  invadir o parênquima adjacente e  formar
metástases nos linfonodos mesentéricos e fígado.
À  microscopia,  as  células  são  arranjadas  em  padrão  neuroendócrino  característico.  IHQ,  utilizando  anticorpos  para  a
gastrina, é necessária para se fazer a classificação dessa neoplasia.
Glucagonoma
Neoplasias originadas das células alfa (células secretoras de glucagon) são consideradas raras em cães e seres humanos, com
relatos esporádicos em outras espécies, tais como felinos selvagens e roedores. Aumentos dos níveis sanguíneos de glucagon
estimulam  a  gliconeogênese  e  a  glicogenólise,  acarretando  hiperglicemia.  Sinais  clínicos  incluem  eritema  migratório
necrolítico,  letargia,  perda  de  peso  e  redução  do  apetite.  Na  macroscopia,  a  pele  das  patas,  dos  pontos  de  pressão  dos
membros,  do  abdome,  do  focinho,  das  orelhas,  da  genitália  externa  e  das  regiões  perioculare  perianal  dos  cães  com  essa
neoplasia  está  espessa,  hiperêmica  e  coberta  com  crostas.  Em  seres  humanos  e  caninos,  diminuição  dos  aminoácidos
(hipoaminoacidemia)  é  relacionada  com  a  síndrome  glucagonoma.  O  glucagon  em  excesso  eleva  a  conversão  hepática  dos
aminoácidos nitrogenados (arginina, histidina e lisina) para glicose, de modo que concentrações elevadas desse hormônio em
animais com glucagonoma são as mais prováveis causas da redução dos seus níveis de aminoácidos. A patogenia das lesões
cutâneas  em  seres  humanos  e  cães,  embora  não  totalmente  esclarecida,  é  relacionada  com  a  diminuição  de  aminoácidos.
Tratamento  intravenoso com amino­ácidos em seres humanos resolve as  lesões cutâneas e cura completa é obtida quando o
glucagonoma é retirado por cirurgia. Diagnóstico diferencial deve ser feito com síndrome hepatocutânea (associada a casos de
doença hepática terminal) e diabetes mellitus, apesar de esta poder estar em casos avançados de glucagonoma.
Neoplasias  das  demais  células  das  ilhotas,  como  somatostinoma  (células  secretoras  de  somatostatina)  e  polipeptidoma
(células secretoras do polipeptídio pancreático), são esporádicas em seres humanos e cães. Ambas necessitam de confirmação
pela IHQ.
Síndromes clínicas
Hipossomatotropismo congênito ou nanismo pituitário
Em  cães,  deficiência  congênita  de GH ou  nanismo  é  o melhor  e mais  impressionante  exemplo  de  deficiência  hormonal  da
adeno­hipófise. A  doença  é  encontrada mais  comumente  como  anormalidade  hereditária  simples  autossômica  recessiva  em
cães da raça Pastor Alemão, mas já foi descrita em animais de outras raças caninas,  tais como Weimaraner, Spitz, Pinscher
Toy e Karelian Bear (em que também é hereditária e de transmissão simples autossômica recessiva), bem como em felinos.
Acreditava­se,  inicialmente,  que o nanismo na  raça Pastor Alemão era decorrente da  atrofia  compressiva da  adeno­hipófise
causada  por  formação  multilocular  cística  na  bolsa  de  Rathke.  Alguns  animais  afetados  apresentaram,  entretanto,  cistos
hipofisários diminutos  (menores que 2 mm) ou mesmo ausentes, de modo que é  improvável que  tenham provocado atrofia
compressiva da adeno­hipófise. Portanto, é mais provável que a doença seja ocasionada por falha primária de diferenciação da
ectoderme craniofaríngea  em células  secretoras  de hormônios  tróficos normais  (hipoplasia  pituitária). Acúmulo de material
proteináceo e, subsequentemente, de água pode explicar o aumento gradual do tamanho dos cistos.
Nanismo pituitário hereditário pode decorrer unicamente da deficiência de GH ou pode ser parte de deficiência combinada
de hormônios hipofisários. Em Pastores Alemães afetados,  tem­se demonstrado que não há deficiência somente na secreção
de GH, mas também na de TSH e prolactina, acompanhada por secreção reduzida de hormônios gonadotróficos. A secreção
de ACTH,  ao  contrário,  parece  ser  preservada. Deficiência  simultânea  de  vários  hormônios  hipofisários  tem  sido  descrita
também  em  seres  humanos  e  camundongos. Nessas  duas  espécies,  a  deficiência  combinada  de GH,  TSH  e  prolactina  está
associada  às  mutações  no  gene  que  codifica  o  fator  de  transcrição  Pit­1.  Ainda  em  seres  humanos  e  camundongos,
insuficiência  hormonal  hipofisária  combinada,  incluindo,  além  disso,  as  gonadotrofinas  LH  e  FSH,  está  associada  às
mutações  do  gene Prop1.  Já  cães  da  raça  Pastor  Alemão  com  nanismo  hipofisário  não  apresentam mutações  em  nenhum
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desses dois genes. A deficiência hormonal nesses  animais  é provavelmente decorrente de mutação no gene de  algum outro
fator de  transcrição ativo durante o desenvolvimento, que  impossibilita  a  expansão efetiva de uma célula­tronco hipofisária
depois que ocorreu a diferenciação das células corticotróficas.
Os  filhotes  anões  parecem  ser  normais  ao  nascimento  e  até  cerca  de  1  a  2 meses  de  idade.  Subsequentemente,  taxa  de
crescimento mais  lenta que a dos outros  filhotes da mesma ninhada,  retenção dos pelos  secundários  (pelagem de  filhote)  e
ausência de pelos primários ou de guarda se tornam gradualmente mais aparentes. Alopecia bilateral simétrica se desenvolve,
muitas vezes progredindo até afetar todo o tronco, o pescoço e a região proximal dos membros. A pele é inicialmente normal,
mas, com o passar do tempo, torna­se hiperpigmentada, fina e enrugada. Infecções bacterianas secundárias da pele e do trato
respiratório são complicações quase sempre observadas a longo prazo. Hipogonadismo também pode ser observado, incluindo
atrofia  testicular,  azoospermia  e  bainha  peniana  flácida  no macho  e  ausência  de  atividade  estral  na  fêmea. Acredita­se  que
todas essas alterações clínicas refletem as várias deficiências endócrinas nos animais afetados por nanismo pituitário.
Os  cistos  verificados  nos  casos  de  nanismo  pituitário  são  revestidos  por  epitélio  cilíndrico  pseudoestratificado,  muitas
vezes  ciliado,  intercalado  por  células  caliciformes.  Acompanhando  essa  alteração,  observa­se  ausência  parcial  ou  total  da
adeno­hipófise. Os cistos são morfologicamente distintos dos que resultam do acúmulo anormal de coloide no lúmen residual
da bolsa de Rathke (i. e., do ducto craniofaríngeo), causando subsequente compressão em grau variável da pars distalis e da
pars nervosa da hipófise.
Hipossomatotropismo adquirido
Hipossomatotropismo ou deficiência de GH também pode suceder no animal (cão ou, menos comumente, gato) adulto, sendo
o  resultado  de  várias  situações:  da  destruição  da  hipófise  por  distúrbios  inflamatórios,  traumáticos,  vasculares  ou
neoplásicos;  da  supressão  de  função  do  GH  associada  a  alguma  doença  concomitante;  ou  de  processo  idiopático.  Sinais
clínicos  em  cães  afetados  consistem  em  alopecia  simétrica  e  hiperpigmentação  do  tronco,  pescoço,  orelha,  cauda  e  região
caudomedial  da  coxa  (dermatose  GH­responsiva  de  início  adulto).  Deficiências  que  envolvem  também  outros  hormônios
pituitários podem ocorrer, dependendo da etiologia e da extensão da destruição da hipófise. Não há relatos de sinais clínicos
associados ao hipossomatotropismo adquirido em felinos.
Hipotireoidismo
O hipotireoidismo (deficiência de hormônios tireoidianos) é uma doença com sinais clínicos complexos em consequência dos
efeitos dos hormônios  tireoidianos em vários  sistemas do organismo. Muitas  suposições sobre determinadas manifestações
clínicas e suas relações com o hipotireoidismo ainda não foram devidamente comprovadas ou esclarecidas. Alterações, como
diminuição da atividade metabólica, manifestada por obesidade e  letargia,  são comuns. Manifestações neurológicas, embora
incomuns,  acontecem  claramente  em  cães  hipotireóideos.  Anormalidades  cardiovasculares  podem  ocorrer,  mas  seu
significado  clínico  é  questionável.  Anormalidades  hematológicas  e  bioquímicas  consistentes,  que  se  dão  em  cães
hipotireóideos, são anemia e hiperlipidemia, respectivamente. A relação de megaesôfago, paralisia da laringe, anormalidades
oculares e distúrbios gastrintestinais no hipotireoidismo ainda não foi bem esclarecida.
Doenças primárias da tireoide, especialmente tireoidite linfocitária (ver Figura 13.14) e atrofia com fibrose (Figura 13.54),
são as  lesões mais comuns associadas ao hipotireoidismo em pequenos animais  (discutidas previamente neste capítulo). As
principais manifestações do hipotireoidismo serão discutidas na sequência.
Alterações  cutâneas  estão  presentes  em  85%  dos  cães  com  hipotireoidismo  (Figura  13.55).  Alopecia  ocorre  porque  os
hormônios  tireoidianos  são  requeridos  na  fase  anagênica  de  desenvolvimento  do  pelo;  este  é  retido  na  fase  telogênica  por
longo tempo e torna­se seco e sem brilho até se desprender. A alopecia é inicialmente observada na cauda (“cauda de rato”) e
pescoço, bem como na parte ventral do tórax e facelateral do abdome. Alopecia simétrica bilateral no tronco e face lateral dos
membros  é  comum  com  a  progressão  da  doença,  mas,  às  vezes,  a  alopecia  é  focal.  Hiperpigmentação  caracterizada  por
aumento do número de melanócitos na camada basal da epiderme é usual nas áreas de alopecia. Atrofia da epiderme é relatada
em aproximadamente 50% dos casos de hipotireoidismo. Atrofia de folículos pilosos, glândulas sebáceas e atrofia de fibras
colágenas  tipo  III  também  são  verificadas,  principalmente  no  abdome.  O  hormônio  T3,  que  tem  efeito  similar  ao  dos
hormônios  sexuais,  atua  sobre  os  queratinócitos,  determinando  a  diferenciação.  Especula­se  que  esse  hormônio  age
indiretamente,  pela  estimulação  do  fator  de  crescimento  epidérmico  (EGF,  epidermal  growth  factor),  ou  diretamente,  pela
indução  da  expressão  de  genes  responsáveis  pela  renovação  da  epiderme.  Desse  modo,  a  deficiência  compromete  a
proliferação e a diferenciação das células epidérmicas. Pesquisas comprovam que a associação de hipotireoidismo e castração
agrava  as  lesões  cutâneas.  Excessiva  descamação  (hiperqueratose)  ou  seborreia  também  é  comum  e  pode  ser  a  primeira
alteração cutânea a ser observada em muitos casos. Hiperplasia epidérmica e infundibular podem ocorrer em alguns animais,
entretanto epidermite secundária pode contribuir para o desenvolvimento dessa alteração. Na observação histológica, há quase
sempre mixedema, na pele de cães hipotireóideos, e, às vezes, é bastante proeminente também no exame físico. A alteração se
caracteriza  por  espessamento  da  derme  em  decorrência  da  acumulação  de  mucina.  Acredita­se  que  o  mixedema  esteja
relacionado com a diminuição da degradação e consequente acúmulo de ácido hialurônico na derme,  seguida de  retenção de
água, pois a substância é hidrofílica e se liga a considerável quantidade de água. O mixedema é mais aparente na cabeça, onde
causa espessamento das pálpebras, determinando a clássica expressão facial trágica de animais hipotireóideos. À histologia, a
mucina acumulada na derme aparece azulada, fibrilar ou granular, distendendo e rompendo as fibras colágenas e elásticas da
pele.  Nas  secções  histológicas  coradas  com  hematoxilina  e  eosina,  a  mucina  não  é  bem  visualizada.  Colorações  de  ácido
periódico­Schiff (PAS, periodic acid­Schiff) e de azul de Alcian são recomendadas para melhor identificação da mucina.
Figura  13.54  Glândulas  tireoides  de  canino  Fila  Brasileiro  apresentando  diminuição  de  tamanho  acompanhada  de  estrias
brancas  na  cápsula  e  aprofundadas  no  parênquima.  A  análise  histopatológica  da  tireoide  revelou  perda  do  parênquima  e
substituição por tecido adiposo e fibrose. Cortesia do Dr. Saulo Petinatti Pavarini, Universidade Federal do Rio Grande do Sul,
Porto Alegre, RS.
Figura 13.55 Cão mestiço Labrador com alopecia, hiperpigmentação da pele da cauda  (“cauda de  rato”), área mediocaudal
dos membros pélvicos (A) e face ventral do tórax e abdome (B). O mesmo animal apresentava tireoidite linfocitária acentuada
das  tireoides.  As  alterações  representam  um  quadro  de  tireoidite  linfocitária  imunomediada  e  consequente  hipotireoidismo.
Cortesia do Dr. Saulo Petinatti Pavarini, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, RS.
Anormalidades metabólicas estão presentes em cerca de 80% dos cães com hipotireoidismo. Algumas alterações, incluindo
letargia, intolerância ao exercício, depressão da atividade cerebral e do status mental, ocorrem em consequência da diminuição
do  metabolismo  celular  e,  se  não  tratadas,  podem  progredir  para  estado  de  demência  ou  coma  mixoedematoso.  A  baixa
atividade metabólica também determina obesidade.
Em  casos  de  hipotireoidismo  comumente  são  encontrados  hipercolesterolemia,  hipertrigliceridemia,  anemia  não
regenerativa  leve e aumento de creatinoquinase  (CK, creatine quinase) na circulação. Os hormônios  tireoidianos estimulam
virtualmente  todos  os  aspectos  do  metabolismo  lipídico,  incluindo  síntese,  mobilização  e  degradação,  mas,  no
hipotireoidismo,  a  degradação  é  mais  gravemente  afetada,  resultando  em  acumulação  lipídica.  O  aumento  da  CK  é
presumivelmente  relacionado  com o decréscimo no metabolismo ou  excreção ou pode  ser  associado  à miopatia  relacionada
com o hipotireoidismo. A anemia, em geral, é leve a mínima e pode ser causada por decréscimo na produção de eritropoetina
e/ou perda de um efeito estimulador direto dos hormônios da tireoide.
A  hipercolesterolemia  resulta  em  uma  variedade  de  lesões  secundárias,  incluindo  aterosclerose  (Figura  13.14),  lipidose
hepática e lipidose glomerular e corneal. Aterosclerose das artérias coronárias e cerebrais pode se desenvolver em cães com
acentuado hipotireoidismo e longos períodos de hiperlipidemia. O resultado é necrose isquêmica e hemorragia do miocárdio.
As placas de gordura na  túnica  íntima  e  a  consequente  reação dos macrófagos que  fagocitam os  lipídios,  características  da
aterosclerose, favorecem a formação de trombos no local, sendo responsáveis pela obstrução do lúmen das artérias afetadas.
Em  cães  com  hiperlipidemia  prolongada,  os  glomérulos  renais  podem  tornar­se  preenchidos  com  lipídio,  resultando  em
progressiva  falha  renal.  Os  glomérulos  preenchidos  por  lipídios  podem  ser  observados  macroscopicamente  como  focos
branco­amarelados no córtex renal. A acumulação de excesso de lipídios no fígado resulta, com frequência, em graus variados
de hepatomegalia,  com distensão  abdominal  e  insuficiência  hepática. Lipidose  corneal  é  observada ocasionalmente  em cães
hipotireóideos com hiperlipidemia, em geral coincidindo com uveíte anterior e rompimento da barreira ocular hematógena.
Anormalidades reprodutivas na mulher e no homem são consideradas como sinais cardinais do hipotireoidismo. Em cães
machos, foi sugerido que essa endocrinopatia causa redução na fertilidade, redução na quantidade de esperma e diminuição da
libido, mas  isso ainda não  foi  comprovado. O epitélio germinativo dos  túbulos  seminíferos está  intensamente atrofiado em
cães com hipotireoidismo. Nas fêmeas caninas, sugeriu­se que o hipotireoidismo causa intervalos estrais prolongados, falha
em ciclar, ciclo estral silencioso, perda da libido e sangramento prolongado no estro. Na mulher, a deficiência de hormônios
tireoidianos  causa  irregularidade  de  ciclo  menstrual  e  ciclos  anovulatórios.  Em  fêmeas  gestantes,  pode  induzir  aborto  ou
originar  neonatos  de  baixo  peso  e  com  anomalias  congênitas.  Estudos  em  ratas  adultas  hipotireoidianas  (hipotireoidismo
induzido)  demonstraram  que  ocorre  alteração  na  foliculogênese  ovariana  e  na  morfologia  tubárica  e  uterina  nas  ratas  no
metaestro­diestro.  O  hipotireoidismo  reduz  o  número  de  folículos  secundários  e  terciários,  o  número  de  corpos  lúteos,  a
espessura  do  endométrio,  o  número  de  glândulas  endometriais  e  a  altura  do  epitélio  do  infundíbulo, mesmo  sem  alterar  a
concentração periférica de progesterona e estradiol. O mecanismo de ação dos hormônios T3 e T4 nos órgãos  reprodutivos
ainda  permanece  por  ser  esclarecido.  Postula­se  que  atuem  indiretamente  sobre  os  ovários,  alterando  sua  resposta  às
gonadotropinas. Contudo,  a  presença  de  receptores  para T3 nas  células  da  granulosa  de  diferentes  espécies  animais,  assim
como  a  proliferação  das  células  da  granulosa  em  resposta  à  estimulação  por T3  sugere  a  participação  direta  da  tireoide  na
função ovariana.
Alguns  estudos  relacionam  hipotireoidismo  com  anormalidades  neurológicas,  porém  a  patogênese  ainda  não  está
claramente definida. As manifestações neurológicas  incluem polineuropatia, neuropatia  focal e encefalopatias. Os sinais são
de  fraqueza generalizada,  paraparesia,  hiporreflexia  e  diminuição da  consciência  e  da percepção.Algumas vezes,  há  apenas
claudicação do membro pélvico associado à neuropatia periférica unilateral. Quando essa alteração é bilateral, a claudicação é
intermitente ou persistente e está associada à dor na palpação e, às vezes, à atrofia muscular. Estudos de condução mostram
diminuição da velocidade motora e sensorial, com diminuição do potencial de contratilidade muscular. Alterações histológicas
dos  nervos  evidenciam  degeneração  da  mielina,  demonstrando  que  as  alterações  neuromusculares  são  consistentes  com
denervação.  Alguns  autores  relacionam  a  alteração  de  neuropatia  com  depósitos  mixomatosos,  principalmente  quando  a
alteração  de  neuropatia  afeta  os  nervos  facial  e  vestibular. Outra  teoria  é  relacionada  com  o mecanismo  de  estimulação  da
tiroxina na atividade  respiratória da mitocôndria na produção de  trifosfato de adenosina  (ATP, adenosine  triphosphate).  Na
falta de tiroxina, deficiência de ATP e consequente diminuição da ação da enzima adenosinatrifosfatase (ATPase) na atividade
da bomba de  sódio e potássio, há  alteração no  transporte  axônico bomba­dependente. É  interessante  salientar que a  relação
dessas  alterações  com  o  hipotireoidismo  foi  estabelecida  a  partir  do  momento  em  que  cães  hipotireóideos  com  essas
alterações responderam ao tratamento à base de tiroxina. Além disso, cães que apresentaram essas alterações neurológicas não
necessariamente tinham outras alterações referentes a essa endocrinopatia. Outros problemas neurológicos, incluindo paralisia
de  laringe, espondilomielopatia cervical e problemas comportamentais,  são presumivelmente associados ao hipotireoidismo,
mas isso ainda não foi comprovado.
Anormalidades da função cardíaca  também ocorrem no hipotireoidismo. Estão sempre relacionadas com a diminuição da
capacidade  cardíaca,  caracterizada  por  diminuição  da  contratilidade  do  miocárdio,  da  função  diastólica  e  do  número  de
receptores adrenérgicos, mas também ainda não foram comprovadamente associadas a essa endocrinopatia.
Alterações ósseas, por fim, também são relacionadas com o hipotireoidismo. A diminuição de T3 reduz a aposição óssea.
Estudos  em  ratas  adultas  com  hipotireoidismo  induzido  por  insuficiência  de  hormônios  esteroides  sexuais  (castração)
■
mostraram que há osteopenia pela inibição da aposição, pela interrupção do crescimento longitudinal e aumento da reabsorção
óssea.
Hipertireoidismo
É um distúrbio endócrino comum em felinos idosos. A síndrome clínica é resultante da concentração sanguínea excessiva dos
hormônios ativos da tireoide, tri­iodotironina (T3) e tetraiodotirosina (T4), produzidos por uma glândula tireoide alterada.
A patogenia da doença é desconhecida. É possível que envolva  fatores genéticos, nutricionais e ambientais, entre outros.
Os  fatores  de  risco  incluem:  consumo de  comidas  enlatadas  para  gatos,  que  elevam o  risco  em  comparação  com a  comida
seca; idade avançada; sexo (mais comum em fêmeas do que em machos); e uso de areia ou granulado higiênico. Entretanto,
mais estudos são necessários para corroborar a relação causa­efeito sugerida e para excluir possíveis fatores de confusão.
Os  sinais  clínicos  são  variáveis  e  de  início  insidioso.  Gatos  hipertireóideos  podem  apresentar  perda  de  peso  apesar  de
apetite normal ou aumentado, hiperatividade, inquietação, irritabilidade, maior suscetibilidade a estresse, poliúria e polidipsia,
arritmia cardíaca e  taquicardia  (resultante de hipertrofia ventricular esquerda), dificuldade  respiratória, vômito e diarreia ou
frequência  e  volume  de  fezes  aumentados  (em  decorrência  do  aumento  na motilidade  gastrintestinal).  Acompanhando  esse
quadro clínico, observa­se elevação de volume cervical bilateral estendendo­se desde a região imediatamente caudal à laringe
até a entrada do tórax. Animais com hipertensão resultante da taquicardia e aumento do volume sistólico podem, raramente,
desenvolver retinopatia hipertensiva, caracterizada por descolamento, hemorragia, edema e degeneração retiniana.
As  alterações  glandulares  associadas  à  doença  em  felinos  são  benignas  em  98%  dos  casos,  consistindo  em  alterações
multinodulares  hiperplásicas  (hiperplasia  adenomatosa;  ver  Figura  13.19)  ou  adenomas  (ver  Figura  13.22).  Proliferações
hiperplásicas da tireoide são comumente observadas também em cães senis, mas, nessa espécie, em geral, representam achado
incidental, por serem endocrinologicamente inativos. A maioria desses nódulos proliferativos é sólida, porém alguns podem
ser císticos. Ao contrário de adenomas, as áreas de hiperplasia nodular não são encapsuladas e não comprimem o parênquima
da  tireoide  circunjacente. À microscopia,  os  nódulos  hiperplásicos  consistem  em  folículos  de  formato  irregular,  revestidos
por epitélio cúbico e contendo coloide. Esses nódulos podem ser considerados lesões pré­neoplásicas, por poderem coalescer
e formar um adenoma folicular. As lesões na retina são decorrentes da ruptura da barreira endotelial associada à hipertensão
arterial, com passagem de plasma para dentro da parede do vaso, seguido de necrose desta (necrose fibrinoide). As alterações
cardíacas se caracterizam por hipertrofia da parede ventricular esquerda e do septo interventricular (Figura 13.56).
Ao  contrário  do que  se  observa  em gatos  hipertireóideos,  nos quais  carcinomas da  tireoide ocasionando hipotireoidismo
são  ocorrências  raras  (1  a  3%),  tumores  funcionais malignos  da  tireoide  são  a  causa mais  comum da  doença  em  cães. Os
carcinomas  diferem  dos  adenomas  por  apresentarem  comportamento  invasivo  (Figura  13.57)  e  formação  frequente  de
metástases  no  pulmão  e  nos  linfonodos  regionais.  Os  sinais  clínicos  de  hipertireoidismo  em  cães  são  semelhantes  aos
descritos em gatos. Uma das principais diferenças clínicas entre hipertireoidismo canino e felino está no tamanho da glândula
tireoide  responsável pelos  sinais. É extremamente  raro que donos de gatos hipertireóideos notem a glândula aumentada,  ao
passo  que  donos  de  cães  com esse mesmo  tipo  de  lesão  costumam dizer  ter  notado  “inchaço”  na  região  cervical. A massa
cervical  em  si  ou  os  sinais  clínicos  associados  à  sua  presença  física  (dificuldade  respiratória  ou  disfagia)  podem  ser  os
principais motivos para o dono procurar a ajuda de um veterinário em casos de hipertireoidismo canino.
■
Figura 13.56 Superfície de corte do coração do mesmo felino com hiperplasia adenomatosa da  tireoide mostrado na Figura
13.19. O ventrículo cardíaco esquerdo está moderadamente hipertrofiado. Cortesia das Dras. Pamela J. Mouser e Margaret
A. Miller, Indiana Animal Disease Diagnostic Laboratory, West Lafayette, Indiana, EUA.
Figura 13.57 Superfície de corte do carcinoma de células foliculares da tireoide de um canino. Grande massa neoplásica (12
×  6  ×  5  cm)  firme,  nodular  e  marrom­amarelada,  que  circunda  e  invade  as  cartilagens  de  laringe  e  traqueia,  incorporou
completamente  e  destruiu  as  glândulas  tireoide  e  paratireoide  esquerdas  desse  cão.  Cortesia  do  Dr.  Anthony M.  Fletcher,
Indiana Animal Disease Diagnostic Laboratory, West Lafayette, Indiana, EUA.
Em  cavalos  idosos,  adenomas  foliculares  da  tireoide  são  relativamente  comuns,  mas  relatos  de  hipertireoidismo  nessa
espécie  são  raros.  Quando  presentes,  os  sinais  clínicos  são  semelhantes  aos  observados  em  outras  espécies  com
hipertireoidismo,  incluindo  perda  de  peso,  polifagia,  hiperexcitabilidade,  taquicardia,  taquipneia  e  anormalidades
comportamentais. Níveis de T3 ou T4 livre nesses casos estão elevados de maneira significativa, eventualmente retornando ao
normal após excisão cirúrgica do tumor.
Hiperadrenocorticismo
Hiperadrenocorticismo  ou  síndrome  ou  doença  de  Cushing  é  uma  endocrinopatia  de  curso  longo  e  insidioso,  associada  à
elevação prolongada natural ou  iatrogênicado glicocorticoide cortisol. Em cães, o hiperadrenocorticismo é considerado, por
alguns  autores,  a  endocrinopatia  mais  frequente,  sendo  a  forma  iatrogênica  (exógena)  a  mais  comum.  A  forma  hipófise­
dependente  (HHD) e a  forma adrenal­dependente  (HAD)  também ocorrem. A forma HHD é mais usual que a  forma HAD.
Alguns  raros  animais  podem  apresentar  tumores  adrenocortical  e  hipofisário  concomitantes.  Em  outras  espécies,
hiperadrenocorticismo é considerado raro.
A secreção excessiva de cortisol pelas células da zona fasciculata, em casos de hiperadrenocorticismo, geralmente resulta
de  sua  constante  estimulação  pelo  ACTH  liberado  por  adenoma  funcional  da  pars  intermedia  ou  pars  distalis  da  adeno­
hipófise, com consequente hipertrofia e hiperplasia cortical adrenal bilateral (ver Figura 13.36). Tumores funcionais da zona
fasciculata da adrenal são causas menos habituais da doença. Há, ainda, condições em que hiper­adrenocorticismo é associado
a alguma neoplasia extrapituitária e extra­adrenal  (síndrome de ACTH ectópico). Em seres humanos, a síndrome de ACTH
ectópico  é  mais  comumente  observada  com  neoplasias  de  pulmão  e  pâncreas.  No  cão,  a  síndrome  parece  ser  rara  e  está
associada  ao  linfoma,  ao  carcinoma  brônquico  e  à  neoplasia  neuroendócrina  no  pâncreas,  com  metástases  formadas  em
linfonodos regionais e fígado.
O  excesso  de  cortisol  acarreta  uma  série  de  distúrbios  funcionais  e  lesões,  em  razão  dos  efeitos  combinados  de
gliconeogênese,  lipólise,  catabolismo  proteico  e  tratamento  com  anti­inflamatórios.  Os  glicocorticoides  aumentam  a
gliconeogênese  e  a  glicogênese  e  diminuem  a  utilização  de  glicose  por  antagonizar  os  efeitos  da  insulina.  Desse modo,  a
associação  hiperadrenocorticismo  e  diabetes  mellitus  pode  ocorrer  em  alguns  animais.  A  lipólise  induzida  pelos
glicocorticoides  provoca  elevação  na  concentração  sanguínea  de  lipídios  e  colesterol. Nos  hepatócitos,  estimulam  a  enzima
glicogênio  sintetase  a  aumentar  o  armazenamento  de  glicogênio.  Assim,  há  degeneração  acentuada  por  glicogênio  nos
hepatócitos,  o  que  pode  ocasionar  danos  celulares  e  consequente  liberação  de  enzimas,  como  a  fosfatase  alcalina  (FA)  e  a
alanina aminotransferase (ALT), indicadoras de degeneração e necrose hepática aguda.
O  apetite  e  a  absorção  alimentar  frequentemente  estão  aumentados  em  consequência  de  efeito  direto  do  cortisol  no
hipotálamo ou  envolvimento  do  centro  do  apetite  por  um  tumor  da  pituitária. Os músculos  das  extremidades  e  do  abdome
estão  fracos  e  atrofiados  em  razão  do  catabolismo  aumentado  das  proteínas  estruturais.  A  perda  do  tônus  dos  músculos
abdominais e músculo do esqueleto axial resulta em expansão abdominal gradual, lordose, fraqueza e atrofia muscular (Figura
13.58). Hepatomegalia  decorrente  do  aumento da deposição de  lipídio  e  glicogênio  em hepatócitos  também pode  contribuir
para o desenvolvimento de um abdome pêndulo e distendido.
Alterações dermatológicas sucedem em mais de 90% dos cães com essa endocrinopatia. No início, há alopecia na pele do
pescoço  e  dos  flancos,  atrás  das  orelhas  e  sobre  as  proeminências  ósseas. Com  a  evolução  das  lesões,  a  alopecia  torna­se
extensa, com pelagem restrita somente à cabeça e às extremidades distais. A pele torna­se mais delgada, os pelos tornam­se
fracos  e  opacos  e  há  perda  da  elasticidade  cutânea  (Figura 13.59),  além  de  hiperpigmentação  pronunciada  (Figura  13.60).
Mineralização cutânea (calcinose cutânea) é observada em cerca de 40% dos casos de hiper­adrenocorticismo em cães (Figura
13.61). Histologicamente, há marcada atrofia da epiderme, dos folículos pilosos e das glândulas sebáceas, acompanhados por
perda da elastina e do colágeno da derme e tecido subcutâneo. Essas alterações cutâneas são mais pronunciadas em gatos, que
podem  ter  extensas  ulcerações  e  cicatrizes  induzidas  por  trauma  na  pele  delgada  (síndrome  de  fragilidade  cutânea;  Figura
13.62). Muitos  folículos pilosos estão  inativos e na  fase  telogênica ou distendidos por queratina  (comedões). Os depósitos
minerais  ocorrem  ao  longo  das  fibras  de  colágeno  e  elastina  da  derme  (Figura  13.63)  e  provocam  elevações  na  epiderme
(Figura 13.61). Essa alteração pode acontecer  em decorrência do efeito no catabolismo das  fibras proteicas. O consequente
rearranjo das fibras colágenas e da elastina e a produção de matriz extracelular possivelmente são atrativos para a deposição
de cálcio. Mineralização acentuada  também pode ocorrer nos pulmões  (na parede alveolar  e nos bronquíolos  terminais), no
músculo esquelético e na parede do estômago. Complicações por  infecção bacteriana  secundária podem se dar na  forma de
foliculite, dermatite, cistite, conjuntivite e broncopneumonia supurativa.
Figura  13.58  Cão  com  hiperadrenocorticismo.  Notar  a  expansão  abdominal  e  a  lordose  associadas  à  acentuada  atrofia
muscular  nos  membros  e  no  abdome,  bem  como  a  extensa  alopecia  com  lesões  crostosas  multifocais  no  tronco,  nos
membros  pélvicos  e  na  cauda.  Cortesia  da  Dra.  J.  Catharine  Scott­Moncrieff,  School  of  Veterinary  Medicine,  Purdue
University, West Lafayette, Indiana, EUA.
Figura 13.59 Cão com hiperadrenocorticismo. A pele do abdome está delgada, com alopecia e perda da elasticidade.
Figura 13.60 Cão com hiperadrenocorticismo. Podem­se observar alopecia e hiperpigmentação na pele da face lateral direita
do  abdome  e  alopecia,  erosões,  crostas  e  placas  branco­amareladas  (calcinose  cutânea)  na  pele  da  face  lateral  direita  do
tórax. Cortesia da Dra. Candice Benuck, Peninsula Animal Dermatology, San Carlos, California, EUA.
Figura 13.61 A. Visão mais aproximada das alterações cutâneas do  tronco do cão da Figura 13.60. As  lesões de pele são
caracterizadas  por  extensa  alopecia,  hiperpigmentação  e  múltiplas  pequenas  placas  amareladas  elevadas  e,  às  vezes,
ulceradas. Essas placas correspondem às áreas de mineralização cutânea (calcinose cutânea). Cortesia da Dra. J. Catharine
Scott­Moncrieff, School of Veterinary Medicine, Purdue University, West Lafayette,  Indiana, EUA. B. Visão mais aproximada
das alterações cutâneas do tronco de outro cão com calcinose cutânea decorrente de hiperadrenocorticismo.
Poliúria e polidipsia quase sempre são os primeiros sinais do hiperadrenocorticismo e podem preceder os sinais cutâneos
em até 6 a 12 meses. A densidade urinária está diminuída em razão da diurese elevada estimulada pelos glicocorticoides. Isso
acarreta perda contínua de ureia e creatinina pela urina, com diminuição dos seus níveis séricos. Glicosúria ocorre quando o
limiar de absorção renal da glicose é ultrapassado. Proteinúria também é encontrada em consequência de glomerulosclerose.
Em gatos, esses sinais costumam ser atribuídos à diabetes mellitus, que pode ser observada em até 80% dos animais dessa
espécie com hiperadrenocorticismo.
Os efeitos dos níveis  sanguíneos elevados de corticosteroides no sistema hemocitopoético podem auxiliar no diagnóstico
de hiperadrenocorticismo. Há linfopenia significativa, provavelmente em decorrência de lise dos linfócitos, e eosinopenia, em
razão de destruição intravascular e sequestro de eosinófilos no baço e no pulmão. Ocorrem, também, neutrofilia e monocitose
associadas à diminuição da emigração dessas células inflamatórias dos vasos.
Figura 13.62  Felino  com síndrome de  fragilidade  cutânea associada ao hiperadrenocorticismo. A. Há extensa ulceração da
pele  no  tronco  do  animal.  Notar  o  tecido  de  granulação  subjacente  e  a  pele  circunjacente  extremamente  fina.  B.
Histologicamente, torna­se evidente que a fineza da pele decorria da extrema atrofia epidermal e dermal. Notar a acentuada
perda de colágeno na derme. Alterações cutâneas adicionais nesse animal  incluem hiperqueratoseortoqueratótica. C. Corte
histológico de pele normal para comparação com B. 100×. Cortesia de  Indiana Animal Disease Diagnostic Laboratory, West
Lafayette, Indiana, EUA.
Figura  13.63  Pele  de  um  canino  com  calcinose  cutânea  associada  ao  hiperadrenocorticismo  causado  por  carcinoma
adrenocortical. Mineralização multifocal de  fibras colágenas da derme, caracterizada por depósitos  intensamente basofílicos,
acompanhada por fibrose e extenso infiltrado inflamatório mono­nuclear. A acentuada hiperplasia da epiderme suprajacente é
alteração  reativa  às  lesões  dermais.  100×.  Cortesia  de  Indiana  Animal  Disease  Diagnostic  Laboratory,  West  Lafayette,
Indiana, EUA.
Alterações  decorrentes  de  secreção  excessiva  de  hormônios  corticais  podem  desencadear  a  síndrome  adrenogenital,  que
ocorre quando há aumento da produção dos andrógenos elaborados por células proliferadas da zona reticularis. Esse excesso
■
de andrógenos em cães, cavalos, bovinos e seres humanos resulta em desenvolvimento sexual masculino precoce e na oclusão
prematura  das  epífises  dos  ossos  longos.  Nas  fêmeas  afetadas,  há  virilização  caracterizada  por  hipertrofia  do  clitóris,
hirsutismo, hipertrofia dos músculos da laringe e anestro. Em éguas, fica evidente o desenvolvimento masculino do pescoço.
As glândulas mamárias e o útero se atrofiam.
Estudo em cães com carcinoma cortical da adrenal mostrou que esses animais  têm elevadas concentrações de hormônios
sexuais  em  comparação  com os  cães  com hiper­adrenocorticismo dependentes  de  tumores  da  pituitária,  adenomas  corticais
não  produtores  de  cortisol  e  cães  saudáveis. De maneira  semelhante,  a  ocorrência  de  carcinoma  adrenocortical  secretor  de
progesterona  ou  testosterona  (além  de  aldosterona)  tem  sido  relatada  também  em  gatos.  Alguns  animais  apresentavam
concentrações  excessivas  de  hormônios  sexuais  (progesterona  e  17­hidroxiprogesterona)  e  tinham  sinais  clínicos  similares
aos  com hipercortisolemia, mas  a  concentração de  cortisol  era normal. Tais  achados  sugerem que esses hormônios  sexuais
atuam  como  agonistas  glicocorticoides.  Mensuração  dos  níveis  de  hormônios  sexuais  em  cães  e  gatos  suspeitos  de
hiperadrenocorticismo atípico pode, portanto, ser útil na confirmação do diagnóstico.
Hipoadrenocorticismo
É uma endocrinopatia incomum, que afeta principalmente cadelas jovens ou de meia­idade. Hipoadrenocorticismo primário,
ou doença  de Addison,  é  resultante  da  atrofia  e/ou  destruição  bilateral  de  todo  o  córtex  da  glândula  adrenal,  ao  passo  que
hipoadrenocorticismo secundário idiopático é decorrente da atrofia bilateral das zonas  fasciculata e reticularis  (mas não da
zona  glomerulosa)  da  adrenal.  Os  sinais  clínicos  e  alterações  clinicopatológicas  (em  particular,  os  distúrbios  eletrolíticos
caracterizados por hiponatremia e hiperpotassemia) típicos da doença de Addison são decorrentes da secreção inadequada de
glicocorticoides e mineralocorticoides (em especial, aldosterona). Nesses casos, observa­se, geralmente, elevação dos níveis
sanguíneos de ACTH,  em  razão da  falta  de  feedback  negativo  do  cortisol  endógeno. A doença  é, muitas  vezes,  atribuída  a
processo  imunomediado  caracterizado  por  atrofia  e  infiltrado  linfocitário  adrenocortical  bilateral.  Alguns  cães  com
hipoadrenocorticismo primário  têm,  no  entanto,  níveis  eletrolíticos  normais  (hipoadrenocorticismo  atípico). É  possível  que
isso se deva à perda gradual do tecido glandular adrenocortical, em que a secreção de glicocorticoide se torna subnormal antes
que a secreção mineralocorticoide seja afetada. Nos casos de hipoadrenocorticismo secundário, a falha na produção de ACTH
pela hipófise em razão de  lesões  (neoplasias endocrinologicamente  inativas,  inflamação ou  trauma) na  região hipofisária ou
hipotalâmica ou do feedback negativo de certos medicamentos resulta em produção inadequada de glicocorticoide. A secreção
de mineralocorticoide é quase sempre preservada, porque ACTH tem pouco efeito trófico na produção de mineralocorticoide.
Hipoadrenocorticismo  secundário  também  é  associado  ao  tratamento  com  glicocorticoides  ou  progestágenos  (acetato  de
megestrol).  Presume­se  que  o  mecanismo  de  ação  dos  progestágenos  seja  semelhante  ao  dos  glicocorticoides,  isto  é,  por
inibição da síntese e secreção de ACTH endógeno.
Hipoadrenocorticismo secundário de origem iatrogênica  também acomete cerca de 5% dos cães sob  tratamento com o,p’­
DDD  (mitotano) para hiperadrenocorticismo. Mitotano reduz a produção de cortisol, causando necrose seletiva e atrofia das
zonas  fasciculata e reticularis  do córtex adrenal  (Figura 13.64). A  zona glomerulosa  é  relativamente  resistente  aos  efeitos
citotóxicos do mitotano, de modo que também, nesse caso, os níveis de mineralocorticoide são geralmente mantidos. Por fim,
necrose  adrenocortical  iatrogênica  é  raramente  associada  ao  tratamento  de  hiperadrenocorticismo  com  trilostano,  enquanto
outras causas raras de hipoadrenocorticismo primário incluem hemorragia, infarto, inflamação granulomatosa, amiloidose ou
neoplasia primária ou secundária das glândulas adrenais.
A história e os achados clínicos associados ao hipoadrenocorticismo são vagos, não específicos e, muitas vezes, de caráter
intermitente,  o  que  dificulta  o  diagnóstico  da  doença.  As  alterações  clinicopatológicas  clássicas  são  hiperpotassemia  e
hiponatremia  (tipicamente  com  proporção  de  sódio:potássio  menor  que  27:1),  hipocloridemia,  azotemia  pré­renal,  acidose
metabólica  discreta  a moderada  e  ausência  de  leucograma  de  estresse.  Hipercalcemia  pode  ser  observada  em  até  30%  dos
casos. A avaliação bioquímica sérica em casos de  insuficiência adrenocortical  secundária quase sempre é sem alterações. A
maioria  dos  animais  afetados  exibe  distúrbios  progressivos  crônicos  presentes  por  período  variável  (com duração  de  até  1
ano), enquanto cães com insuficiência adrenal aguda (crise addisoniana) representam verdadeira emergência médica.
Figura  13.64  Glândula  adrenal  de  um  canino  com  atrofia  cortical  resultante  do  tratamento  com  mitotano  para
hiperadrenocorticismo. Notar a degeneração difusa seletiva das zonas fasciculata e reticularis (F + R). A zona glomerulosa (G)
e  a  medula  (M)  não  foram  afetadas  pelo  tratamento.  100×.  Cortesia  do  Dr.  Michael  A.  Owston,  Indiana  Animal  Disease
Diagnostic Laboratory, West Lafayette, Indiana, EUA.
A  histomorfologia  dos  casos  de  hipoadrenocorticismo  primário  e  secundário  inclui  degeneração  vacuolar  e  necrose  das
células  de  todo  o  córtex  adrenal  ou  apenas  de  sua  região  mais  profunda,  respectivamente.  Nos  estádios  iniciais  de
hipoadrenocorticismo  primário,  costumam­se  observar  também  agregados  de  linfócitos  e  plasmócitos  dispersos  entre
sinusoides  e  grupos  de  fibroblastos.  Em  casos  crônicos,  o  córtex  da  adrenal  está  reduzido  a  um  décimo  ou  menos  da
espessura  normal,  fazendo  com que  a medula  da  adrenal  pareça mais  proeminente. Alterações  em outros  órgãos  englobam
hiperpigmentação da pele (supostamente em razão do aumento na secreção de ACTH e possivelmente de MSH resultante da
ausência  de  feedback  negativo  sobre  a  hipófise)  e  hiperplasia  linfoide  e  infiltrado  eosinofílico  em  linfonodos  periféricos,
associados à elevação do número de linfócitos e eosinófilos circulantes como resultado dos níveis reduzidos de cortisol. Em
alguns  cães  com  hipoadrenocorticismo  primário,  a  doença  vem  acompanhada  por  outros  distúrbios  imunomediados.
Hipoadrenocorticismo e hipotireoidismo são as combinações mais comumente observadas nesses casos, mas diabetes mellitus
ou hipoparatireoidismo ou ambos também podem ocorrer de modo simultâneo.
Em felinos, síndromes, sinais clínicos e  lesões de hipoadrenocorticismo são semelhantes aosverificados em cães. Casos
singulares de hipoadrenocorticismo primário são descritos nessa espécie, na qual a endocrinopatia resultou do envolvimento
adrenal bilateral por linfoma multicêntrico.
Hipoadrenocorticismo  iatrogênico  também  é  relatado  em  equinos  associado  à  administração  prolongada  de  esteroides
anabolizantes; no entanto, casos naturais dessa endocrinopatia ainda não foram adequadamente documentados nessa espécie.
Funções  adrenocortical  e medular  reduzidas  foram observadas  em potros  prematuros. Apesar  de  esses  animais  terem  altos
níveis de ACTH endógeno, as suas glândulas adrenais parecem ser refratárias ou não responsivas ao hormônio corticotrófico.
Baixos níveis de cortisol também são relatados em associação à infecção crônica, possivelmente em consequência de estresse
crônico. Além disso,  como  as  adrenais  são  um dos  órgãos  de  choque  do  cavalo,  insuficiência  adrenocortical  nessa  espécie
poderia, ao menos teoricamente, ser decorrente de extensa destruição e posterior cicatrização tecidual em áreas de hemorragia
e necrose do córtex adrenal durante ataques de endotoxemia ou anafilaxia.
Suínos podem desenvolver hipoadrenocorticismo iatrogênico associado ao tratamento com carbadox (Mecadox), um agente
sintético  antibacteriano  usado  na  ração,  em  alguns  países,  como  promotor  de  crescimento  e  tratamento  de  diarreia. Nesses
casos,  as  alterações  adrenais  se  caracterizam  por  desorganização  da  zona  glomerulosa  e  perda  da  distinção  da  zona
fasciculata.  As  células  da  zona  glomerulosa  desenvolvem  degeneração  hidrópica,  seguida  de  atrofia,  fibrose  discreta  e
infiltrado  de  células  mononucleares.  Há  fibrose  da  cápsula,  que  consistentemente  contém  células  com  grânulos
citoplasmáticos PAS­positivos. As alterações adrenais podem ou não ser reversíveis, dependendo do período de exposição e
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da  dose  do  medicamento.  Animais  afetados  também  apresentam  alterações  nos  rins,  caracterizadas  por  degeneração  e
descamação do epitélio dos túbulos coletores da medula e do epitélio da pelve.
Diabetes mellitus
É doença comum em seres humanos e também em cães e gatos. Diferenças na etiologia ocorrem entre essas duas espécies e
em relação à doença em seres humanos. A classificação de diabetes em cães e gatos baseia­se na classificação humana, mas,
especialmente em diabetes canina, muitos aspectos são diferentes. Diabetes no gato, entretanto, assemelha­se à diabetes tipo 2
em seres humanos, e a diabetes mellitus no cão ocorre em adultos ou idosos. Há três principais formas de classificação com
base  na  diabetes  humana.  A  primeira  forma  é  similar  à  diabetes  mellitus  tipo  1  em  seres  humanos,  que  é  uma  forma
insulinodependente  em  que  há  destruição  autoimune  das  células  beta  produtoras  de  insulina.  Cães  com  essa  forma  são
propensos  a  desenvolver  cetoacidose  e  precisam  de  insulina  para  sobreviver.  Anticorpos  contra  as  células  beta  são
fundamentais na patogenia de diabetes  tipo 1 em seres humanos,  sendo encontrados na maioria dos casos. Em cães,  foram
achados  anticorpos  contra  células  beta  em  50% dos  casos  de  diabetes  descritos,  o  que  sugere  componente  imunológico  da
doença também no cão. Em cão com anemia hemolítica autoimune e diabetes mellitus,  também foram detectados anticorpos
contra as células beta. Os alvos celulares dos anticorpos na diabetes mellitus canina são desconhecidos. Nos humanos e nos
bovinos, foram identificados anticorpos contra a descarboxilase do ácido glutâmico e contra outros componentes das ilhotas
de Langhans, e ocorre infiltração linfocitária nas ilhotas, sustentando a teoria autoimune; porém, essa lesão não é observada
na  maioria  dos  cães  afetados  pela  doença.  Desse  modo,  sugere­se  que,  nos  cães,  os  anticorpos  não  estão  envolvidos  no
processo de destruição primária das  ilhotas pancreáticas, mas como processo secundário. Presume­se que seja um processo
secundário,  em  que  animais  suscetíveis  são  expostos  aos  antígenos  exógenos  estruturalmente  similares  a  componentes
citoplasmáticos das células beta, os quais provocam a resposta autoimune subsequente. Na doença autoimune, as células beta
são destruídas por linfócitos T citotóxicos.
Em  bovinos,  diabetes  mellitus  pode  acontecer  na  infecção  natural  e  experimental  pelo  vírus  da  aftosa  e  pelo  vírus  da
diarreia viral bovina. Quando o vírus atinge o pâncreas, as ilhotas pancreáticas podem desaparecer quase totalmente e, ainda,
pode haver necrose e inflamação dos ácinos pancreáticos da porção exócrina.
Em gatos, diabetes mellitus  tipo 1 não é bem documentada. Embora  rara,  infiltração  linfocítica das  ilhotas associada aos
sinais clínicos de diabetes foi relatada em gatos. Anticorpos contra células das ilhotas pancreáticas foram identificados em um
filhote insulinodependente. Em 30% dos casos, as lesões histológicas encontradas no pâncreas nessa forma de diabetes são de
pancreatite  crônica  reincidente,  com  substituição  do  parênquima  por  tecido  conjuntivo  fibroso.  Em  outros  casos,  há
degeneração ou aparente perda total das ilhotas.
A  segunda  forma  de  diabetes  mellitus  é  diabetes  tipo  2,  ou  não  dependente  de  insulina,  que,  provavelmente,  não  tem
etiologia  única. Os  níveis  de  insulina  no  pâncreas  são  quase  normais,  porém  a  liberação  de  insulina  pelas  células  beta  em
resposta  ao  aumento  do  nível  plasmático  da  glicose  está  diminuída  ou  a  insulina  não  pode  ser  utilizada  pelos  tecidos
periféricos. A resistência à insulina pode ser decorrente da falta de receptores para insulina ou falta de moléculas mediadoras
intracelulares.  Nesses  casos,  há  hiperglicemia  e  intolerância  à  glicose,  acompanhadas  de  níveis  plasmáticos  normais  de
insulina.
Diabetes mellitus tipo 2 é mais frequente em gatos. Exceto pelo fato de que a dependência de insulina e a cetose são mais
comuns no gato, a diabetes felina tem muitas características similares à humana. Em ambos, gatos e seres humanos, a função
da célula beta está reduzida e a secreção de insulina em resposta ao aumento da glicose é anormal. Em ambas as espécies, o
achado  histológico  mais  comum  no  pâncreas  é  a  deposição,  nas  ilhotas  pancreáticas,  de  substância  amiloide  derivada  de
peptídio  localmente  produzido  (Figura  13.65).  Amiloidose  das  ilhotas  ocorre  em  gatos  com  mais  de  7  anos  de  idade
(correspondendo  a  72%  dos  casos)  e  em  seres  humanos  idosos. A  obesidade  é  um  fator  de  risco  para  a  diabetes  felina  e
humana,  embora  muitos  gatos  não  estejam  acima  do  peso  quando  a  diabetes  é  diagnosticada.  Estudos  mostraram  que  a
obesidade canina está relacionada com a resistência à insulina, dislipidemia e leve hipertensão sanguínea; no entanto, ainda é
desconhecida  a  exata  relação  da  obesidade  como  fator  de  risco  para  diabetes  no  cão.  Medicamentos  hipoglicêmicos  orais
proporcionam controle glicêmico  satisfatório em alguns gatos e em muitos  seres humanos com a doença,  embora acima de
25% dos seres humanos e a maioria dos gatos afetados eventualmente requeiram insulina.
Figura  13.65  Pâncreas  de  um  felino  com  diabetes  mellitus.  Material  eosinofílico  homogêneo  extracelular  (amiloide)
difusamente  expande  e  comprime  as  células  remanescentes  das  ilhotas  de  Langhans.  400×.  Cortesia  de  Indiana  Animal
Disease Diagnostic Laboratory, West Lafayette, Indiana, EUA.
O  papel  do  amiloide  na  patogênese  da  diabetes  em  felinos  ainda  não  está  claro  porque  o  amiloide  nas  ilhotas  não  é
observado apenas em gatos diabéticos. Cerca de 50% de gatos não diabéticos  têm amiloide nas  ilhotas, o qual é depositado
entre os capilares e as células das ilhotas. As fibrilas estão intimamente associadas às membranas celulares das células beta.
Terminalmente, as ilhotas são ocupadas, por completo, pelos depósitos de amiloide.Uma terceira forma de diabetes mellitus, observada no cão, acontece em conexão com outras endocrinopatias. É  também
conhecida como diabetes secundária e se dá em razão do frequente antagonismo entre a insulina e outros hormônios. No cão,
está  mais  associada  ao  hiperadrenocorticismo  e  ao  uso  de  progestágenos  que  aumentam  a  liberação  do  hormônio  do
crescimento  na  glândula  mamária.  Esses  hormônios  antagonizam  a  ação  da  insulina,  causando  resistência  periférica  nos
tecidos  insulinodependentes  (fibras musculares,  hepatócitos  e  adipócitos). Nesses  casos,  a  intolerância  à glicose  secundária
aos distúrbios endócrinos extrapancreáticos em geral é de grau moderado e, às vezes, pode ser revertida quando o distúrbio
endócrino primário é retirado.
Corpos lúteos persistentes, ocasionando pseudogestação, também podem causar diabetes proestro na cadela. Os efeitos da
progesterona produzida pelas células do corpo  lúteo são  indiretos. Ela estimula a  liberação do GH, que  inibe a atividade do
receptor da insulina e, por conseguinte, a resposta intracelular à insulina. Em cavalos, casos de diabetes foram associados ao
adenoma das células acidófilas do lobo anterior da hipófise, com produção não regulada do GH.
Fármacos tóxicos para as células produtoras de insulina também têm sido relatados como causa para o desenvolvimento da
diabetes mellitus.  Em  animais,  o  composto  estreptozotocina  (originalmente  desenvolvido  como  antibiótico  aminoglicosídeo
em  1950),  quando  administrado  a  bovinos  em  condições  experimentais,  produzia  a  referida  condição  clínica.  O  composto
causou  o  mesmo  efeito  em  roedores,  possibilitando  a  utilização  destes  como  modelos  animais  para  a  diabetes  mellitus.
Posteriormente, o fármaco passou a ser utilizado como medicamento antineoplásico devido à sua ação tóxica contra as células
produtoras de insulina.
A alteração de necropsia mais notável em diabetes mellitus em cães e gatos é o fígado difusamente aumentado de volume,
gorduroso  e  friável.  A  obesidade  acompanhada  por  essa  alteração  hepática  é  outra  alteração  importante,  em  especial  na
diabetes tipo 2. O pâncreas parece normal, mas pode revelar fibrose pós­necrótica (Figura 13.66) ou pancreatite.
As  alterações  histopatológicas  no  fígado  e  no  rim  são  caracterizadas  por  degeneração  gordurosa  difusa  e  intensa  nos
hepatócitos e nas células epiteliais dos túbulos contorcidos proximais renais. Êmbolos lipídicos podem ser encontrados, por
vezes, nos capilares glomerulares. A esteatose hepática se dá pelo aumento da mobilização das reservas lipídicas (lipólise) na
tentativa  de  produção  de  energia  para  as  células,  pois,  na  dificuldade  em  utilizar  a  glicose,  as  taxas  de  ATP  decrescem
bastante.  Alterações  pancreáticas  nem  sempre  são  observadas;  quando  presentes,  em  adição  à  lipidose  hepática  e  renal,
podem­se  observar  vacuolização  das  células  das  ilhotas  (Figura  13.67)  e  vacuolização  do  epitélio  dos  pequenos  ductos
pancreáticos em razão do acúmulo de glicogênio. Essa é uma lesão específica de diabetes mellitus, mas é encontrada apenas
nos casos acentuados e de evolução aguda. Degeneração por glicogênio também é verificada nas células epiteliais da alça de
Henle  e  dos  túbulos  contorcidos  proximais.  Glomeruloesclerose  difusa  ou  nodular  pode  se  desenvolver  em  diabetes  de
evolução muito prolongada.
Figura  13.66  Pâncreas  de  um  canino  com  fibrose  (*)  e  perda  das  ilhotas  pancreáticas.  A  alteração  crônica  no  pâncreas
desencadeou um quadro de diabetes mellitus. Cortesia de Dr. Saulo Petinatti Pavarini, Universidade Federal do Rio Grande
do Sul, Porto Alegre, RS.
Figura  13.67  Pâncreas  de  um  felino  com  diabetes  mellitus.  Notar  a  degeneração  vacuolar  das  células  das  ilhotas
pancreáticas. 400×. Cortesia de Indiana Animal Disease Diagnostic Laboratory, West Lafayette, Indiana, EUA.
Complicações vasculares e infecciosas comuns em diabetes em seres humanos são raras nos animais domésticos. Pode ser
que  isso  esteja  relacionado  com  o  curso  menos  prolongado  dessa  doença.  Ocasionalmente,  pode­se  observar  cistite
enfisematosa  (Figura  13.68),  e  alguns  cães  podem  ter  infecção  bacteriana  dos  tratos  urinário  e  respiratório  e  da  pele.  O
enfisema decorre da fermentação do açúcar por bactérias como a Escherichia coli, que fermentam a glicose na bexiga urinária
infectada.
Figura  13.68  Bexiga  urinária  do  cão  com  pancreatite  crônica  mostrada  na  Figura  13.66.  A  mucosa  está  hiperêmica  e
espessa,  devido  a  formações  bolhosas,  caracterizando  cistite  enfisematosa  associada  à  diabetes  mellitus.  Cortesia  do  Dr.
Saulo Petinatti Pavarini, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, RS.
Manifestações  oculares  de diabetes mellitus  (em  particular,  catarata)  ocorrem  comumente  em  cães,  porém  são  raras  em
gatos,  possivelmente  em decorrência  da  diferença  no metabolismo  do  cristalino  ou  lente. Um  estudo  demonstrou  que  75  a
80% da população canina com diagnóstico de diabetes mellitus desenvolveu catarata no período de 8 a 16 meses. A glicose
penetra,  com  facilidade,  no  cristalino  por  meio  do  humor  aquoso.  Elevação  persistente  da  glicose  satura  a  via  glicolítica
anaeróbia  normal  das  fibras  do  cristalino  e  o  excesso  de  glicose  é  convertido  em  sorbitol  e  frutose  pela  redutase  aldose.
Ambos  os  sacarídios  não  se  difundem  livremente  pela  cápsula  da  lente.  Como  são  osmóticos,  causam  influxo  de  água,
resultando  em  edema  e  degeneração  das  fibras  da  lente.  Essas  alterações  podem  acarretar  opacidade  da  lente  e  prejuízo  na
visão,  inclusive  por  uveíte  facolítica.  Todavia,  o  rápido  controle  glicêmico  pode  resultar  na  recuperação  da  transparência
lenticular.  Prolongada  hiperglicemia  também provoca  danos  às  células  endoteliais  da  retina  e  resulta  em  uma  sequência  de
alterações retinianas, chamada retinopatia diabética. Em seres humanos, perda da visão decorrente de retinopatia ocorre após
muitos anos. Alterações de retinopatia em cães e gatos são limitadas à formação de microaneurismas em razão da perda dos
pericitos dos vasos retinianos. Animais têm menor possibilidade de perder completamente a visão por causa da retinopatia do
que seres humanos.
Sinais clínicos da doença se manifestam em cães de 4 a 14 anos, com incidência maior entre 7 e 9 anos. Nessa espécie, as
fêmeas são mais afetadas que os machos. Já em gatos, a ocorrência maior é em machos acima de 10 anos e com peso corporal
superior a 6 kg. A maioria dos animais afetados apresenta sinais clássicos de poliúria e polidipsia compensatória, alterações
causadas pela diminuição da utilização periférica de glicose, a qual acarreta acúmulo de glicose no sangue seguida de diurese
osmótica. A insulina é anabólica; assim, insuficiência de insulina resulta em catabolismo proteico, acarretando perda de peso
e atrofia muscular. Como consequência do catabolismo proteico, aminoácidos, como a alanina, são utilizados pelo fígado para
promover  gliconeogênese  e,  assim,  aumentar  ainda mais  a  glicemia. Outro  agravante  para  a  glicemia  são  os  hormônios  de
estresse,  tais  como  cortisol  e  epinefrina,  que  estimulam  o  catabolismo  proteico  e  a  glicogenólise,  respectivamente.  Desse
modo, as alterações no metabolismo proteico contribuem para a hiperglicemia associada à diabetes mellitus. A hiperglicemia
associada ao estresse é relatada principalmente em gatos.
As alterações mais profundas de diabetes são as que ocorrem no metabolismo  lipídico. A  insulina  inibe o sistema  lipase
hormônio­sensitiva,  que,  na  sua  ausência,  torna­se  ativado.  Dessa  maneira,  a  lipólise  aumenta  e  ácidos  graxos  não
esterificados  são  assimilados  pelos  hepatócitos.  Com  a  deficiência  de  insulina,  o metabolismo  lipídico  no  fígado  torna­sealterado e ácidos graxos são convertidos em corpos cetônicos (ácido acetoácido, acetona e beta­hidroxibutirato), originando a
fase cetônica de diabetes  insulinodependente. Nessa  fase de cetoacidose de diabetes, a  falta de  insulina provoca acúmulo de
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corpos  cetônicos  e  ácido  láctico  no  sangue,  bem  como  perda  de  eletrólitos  e  água  na  urina,  alterações  que  resultam  em
desidratação  profunda,  hipopotassemia,  acidose  metabólica  e  choque  hipovolêmico.  Cetonúria  e  diurese  osmótica  em
consequência de glicosúria causam perda de sódio e potássio na urina e exacerbam a hipovolemia e a desidratação, que podem
determinar azotemia pré­renal e diminuição da filtração glomerular. Por conseguinte, pode haver exacerbação da glicemia e da
cetonemia. Os altos níveis de glicose e corpos cetônicos podem estimular o centro do vômito, ocasionando náuseas, anorexia
e perda de peso.
Polineuropatia diabética é manifestação pouco comum da doença em cães e gatos. Os sinais clínicos em cães caracterizam­
se  por  paraparesia  progressiva  simétrica,  com  postura  anormal,  diminuição  dos  reflexos  espinais  e  atrofia  muscular.  Em
casos graves, os membros  torácicos  também podem ser afetados,  resultando em tetraparesia. Em gatos, posição plantígrada
provocada  por  rebaixamento  bilateral  dos  tarsos  em  diminuição  ao  reflexo  patelar  e  dos  membros  pélvicos  é  considerada
característica.  As  alterações  patológicas  nos  nervos  variam  com  a  extensão  da  doença.  Classicamente,  há  degeneração
axônico­primária e desmielinização secundária. A patogênese da lesão nervosa não é bem entendida, mas há evidências de que
possa  ser  multifatorial.  Alterações  na  permeabilidade  decorrentes  da  redução  na  atividade  da  ATPase  e  glicosilação  não
enzimática podem estar envolvidas no desenvolvimento dessa lesão.
Doenças especí잒乀cas
Diabetes insipidus
É uma  doença  decorrente  da  síntese  ou  da  secreção  insuficiente  de ADH  [diabetes  insipidus  central  (DIC)]  ou  da  falta  de
resposta  renal  a  esse  hormônio  [diabetes  insipidus  nefrogênica  (DIN)].  O  resultado,  em  ambos  os  casos,  é  a  inabilidade
(parcial ou completa) do organismo de conservar água e concentrar urina. Os sinais clínicos típicos da doença são poliúria e
polidipsia  compensatória,  com  gravidade  específica  da  urina  em  torno  de  1.001  a  1.006  e  osmolaridade  menor  que  290
mOsm/kg  (hipostenúria).  Em  casos  graves,  a  ingestão  de  água  e  o  volume  urinário  produzido  podem  ser  enormes.  Já  na
forma  parcial  ou  incompleta  da  doença,  o  volume  urinário  pode  estar  elevado  apenas  moderadamente.  Em  resposta  à
deprivação de água, a osmolaridade da urina permanece abaixo daquela do plasma em ambas as formas, ao contrário do que
se observa em animais normais. A elevação da osmolaridade da urina acima daquela do plasma em resposta ao ADH exógeno
na forma central, porém não na nefrogênica, possibilita estabelecer o diagnóstico clínico diferencial entre as duas formas da
doença.
DIC é resultante da compressão e destruição da neuro­hipófise, do pedúnculo infundibular ou do hipotálamo. Em um dos
relatos  da  forma  congênita  da  doença,  foram  observadas  lesões  vacuolares  no  trato  hipotálamo­hipofisário  (interpretadas
como  desmielinização),  mas,  muitas  vezes,  as  alterações  associadas  a  essa  forma  da  doença  são  desconhecidas.  Já  lesões
adquiridas  que  resultam  na  falha  da  síntese  ou  secreção  de  ADH  são  mais  comuns,  incluindo  tumores  intracraniais
(principalmente  tumores  hipofisários  primários,  mas  também  craniofaringiomas,  meningiomas  e  tumores  metastáticos  são
identificados  como  alterações  causativas  da  doença),  infecções,  infestações  parasitárias,  cistos  e,  raramente,  traumatismo
grave acompanhado de hemorragia e proliferação glial na  região da neuro­hipófise. Outra causa de DIC adquirida, cada vez
mais  frequente  atualmente,  é  a  cirurgia  hipofisária.  O  distúrbio  é  observado  logo  após  a  cirurgia;  na  grande  maioria  dos
casos, no entanto, ele desaparece espontaneamente após alguns dias ou meses. Essa  remissão espontânea da doença ocorre,
provavelmente,  em consequência da  regeneração de  axônios danificados no pedúnculo  infundibular. Quando nenhuma  lesão
pode ser demonstrada nas regiões neuro­hipofisária e/ou hipotalâmica, a doença é dita idiopática.
A  forma nefrogênica de diabetes  insipidus,  caracterizada por  níveis  normais  ou  elevados de ADH e por  incapacidade da
célula­alvo nos túbulos convolutos distais e nos ductos coletores renais de responder a esse hormônio, pode ser primária ou
adquirida. Nos  animais  domésticos,  a  forma  primária  de DIN  é  um  distúrbio  congênito  raro  em  cães  e  cavalos. Os  sinais
clínicos  típicos de poliúria e polidipsia quase sempre se  tornam aparentes entre 2 e 3 meses de  idade. Enquanto a causa na
maioria dos  casos permanece por  ser  esclarecida, Huskies  afetados pela doença congênita  com padrão de herança  ligada ao
cromossomo X apresentam uma mutação que afeta a afinidade pelo ADH do receptor V2 nas células­alvo. A forma adquirida
está  associada  a  várias  doenças,  que  podem  ser  enquadradas,  de  modo  geral,  em  três  categorias  principais:  doença  renal
intrínseca,  distúrbios  metabólicos  e  diabetes  insipidus  induzida  por  medicamentos  (forma  iatrogênica).  Exemplos  de
distúrbios  renais  e  endócrinos,  que  resultam na  inabilidade  adquirida de  concentrar  a  urina,  incluem pielonefrite,  piometra,
hipercalcemia  e  hiper  e  hipoadrenocorticismo.  Entre  os  medicamentos  que  podem  causar  poliúria  e  polidipsia  estão
glicocorticoides,  anticonvulsivantes  (p.  ex.,  fenobarbital)  e  levotiroxina.  Convém  lembrar,  todavia,  que  se  devem  excluir
primeiro outras doenças mais comuns que cursam com esses sinais clínicos (p. ex., doença renal crônica e diabetes mellitus)
antes de investigar a possibilidade de se tratar de diabetes insipidus.
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