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Prévia do material em texto

Curso de Graduação a Distância 
 
 
 
 
Psicologia do 
Desenvolvimento 
 
(02 créditos – 40 horas) 
 
 
 
 
 
Autor: 
Flávia Maria Feroldi Ferreira 
 
 
 
 
 
 
Universidade Católica Dom Bosco Virtual 
www.virtual.ucdb.br | 0800 647 3335 
 
 
 
 
 
 
 
2 
www.virtual.ucdb.br | 0800 647 3335 
 
Missão Salesiana de Mato Grosso 
Universidade Católica Dom Bosco 
Instituição Salesiana de Educação Superior 
 
 
Chanceler: Pe. Gildásio Mendes dos Santos 
Reitor: Pe. Ricardo Carlos 
Pró-Reitora de Ensino e Desenvolvimento: Profª. Rúbia Renata Marques 
Diretor da UCDB Virtual: Prof. Jeferson Pistori 
Coordenadora Pedagógica: Profª. Blanca Martín Salvago 
 
 
Direitos desta edição reservados à Editora UCDB 
Diretoria de Educação a Distância: (67) 3312-3335 
www.virtual.ucdb.br 
UCDB -Universidade Católica Dom Bosco 
Av. Tamandaré, 6000 Jardim Seminário 
Fone: (67) 3312-3800 Fax: (67) 3312-3302 
CEP 79117-900 Campo Grande – MS 
 
 
FERREIRA, Flávia Maria Feroldi. 
 
Disciplina: Psicologia do Desenvolvimento. 
 
Flávia Maria Feroldi Ferreira. Campo Grande: UCDB, 2015. 58p. 
 
Palavras-chave: 1. Psicologia científica. 2. Desenvolvimento 
Humano. 3. Teorias Subjetivas. 4. Interacionismo. 5. Docência. 
 
 
 
0219
 
3 
www.virtual.ucdb.br | 0800 647 3335 
 
APRESENTAÇÃO DO MATERIAL DIDÁTICO IMPRESSO 
 
Este material foi elaborado pelo professor conteudista sob a orientação da equipe 
multidisciplinar da UCDB Virtual, com o objetivo de lhe fornecer um subsídio didático que 
norteie os conteúdos trabalhados nesta disciplina e que compõe o Projeto Pedagógico do 
seu curso. 
Elementos que integram o material 
Critérios de avaliação: são as informações referentes aos critérios adotados para 
a avaliação (formativa e somativa) e composição da média da disciplina. 
Quadro de Controle de Atividades: trata-se de um quadro para você organizar a 
realização e envio das atividades virtuais. Você pode fazer seu ritmo de estudo, sem ul-
trapassar o prazo máximo indicado pelo professor. 
Conteúdo Desenvolvido: é o conteúdo da disciplina, com a explanação do pro-
fessor sobre os diferentes temas objeto de estudo. 
Indicações de Leituras de Aprofundamento: são sugestões para que você 
possa aprofundar no conteúdo. A maioria das leituras sugeridas são links da Internet para 
facilitar seu acesso aos materiais. 
Atividades Virtuais: atividades propostas que marcarão um ritmo no seu estudo. 
As datas de envio encontram-se no calendário do Ambiente Virtual de Aprendizagem. 
 
Como tirar o máximo de proveito 
Este material didático é mais um subsídio para seus estudos. Consulte outros 
conteúdos e interaja com os outros participantes. Portanto, não se esqueça de: 
· Interagir com frequência com os colegas e com o professor, usando as ferramentas 
de comunicação e informação do Ambiente Virtual de Aprendizagem – AVA; 
· Usar, além do material em mãos, os outros recursos disponíveis no AVA: aulas 
audiovisuais, vídeo-aulas, fórum de discussão, fórum permanente de cada unidade, etc.; 
· Recorrer à equipe de tutoria sempre que precisar orientação sobre dúvidas quanto 
a calendário, atividades, ferramentas do AVA, e outros; 
· Ter uma rotina que lhe permita estabelecer o ritmo de estudo adequado a suas 
necessidades como estudante, organize o seu tempo; 
· Ter consciência de que você deve ser sujeito ativo no processo de sua aprendiza-
gem, contando com a ajuda e colaboração de todos. 
 
 
4 
www.virtual.ucdb.br | 0800 647 3335 
Objetivo Geral 
Levar o estudante a conhecer e compreender os princípios da Psicologia do 
Desenvolvimento, as principais teorias e assim contribuir para sua formação e exercício 
profissional. 
 
SUMÁRIO 
UNIDADE 1 – PSICOLOGIA: CIÊNCIA X SENSO COMUM ..................................... 09 
1.1 Psicologia ou psicologias? ...................................................................................... 09 
1.2 A Psicologia no século XXI ..................................................................................... 13 
 
UNIDADE 2 – PSICOLOGIA DO DESENVOLVIMENTO .......................................... 16 
2.1 Teorias psicológicas: escola subjetivista; objetivista e interacionista .......................... 18 
 
UNIDADE 3 – TEORIAS DA PSICOLOGIA DO DESENVOLVIMENTO ..................... 22 
3.1 Teoria psicológica subjetivista: Psicanálise de Freud ................................................. 22 
3.2 Teorias psicológicas: Skinner .................................................................................. 27 
3.3 Teorias psicológicas interacionistas: Piaget e Vigotski ............................................... 32 
 
UNIDADE 4 - A PSICOLOGIA DO DESENVOLVIMENTO E O EXERCÍCIO DA 
DOCÊNCIA .......................................................................................................... 40 
4.1 Psicanálise ............................................................................................................ 41 
4.2 Behaviorismo ........................................................................................................ 43 
4.3 Construtivismo ...................................................................................................... 47 
4.4 Psicologia histórico-cultural .................................................................................... 49 
 
REFERÊNCIAS ..................................................................................................... 52 
EXERCÍCIOS E ATIVIDADES ............................................................................... 53 
 
Avaliação 
 
A UCDB Virtual acredita que avaliar é sinônimo de melhorar, isto é, a finalidade da 
avaliação é propiciar oportunidades de ação-reflexão que façam com que você possa 
aprofundar, refletir criticamente, relacionar ideias, etc. 
 
5 
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A UCDB Virtual adota um sistema de avaliação continuada: além das provas no final de 
cada módulo (avaliação somativa), será considerado também o desempenho do aluno ao longo 
de cada disciplina (avaliação formativa), mediante a realização das atividades. Todo o processo 
será avaliado, pois a aprendizagem é processual. 
Para que se possa atingir o objetivo da avaliação formativa, é necessário que as 
atividades sejam realizadas criteriosamente, atendendo ao que se pede e tentando sempre 
exemplificar e argumentar, procurando relacionar a teoria estudada com a prática. 
As atividades devem ser enviadas dentro do prazo estabelecido no calendário de 
cada disciplina. 
 
Critérios para composição da Média Semestral: 
Para compor a Média Semestral da disciplina, leva-se em conta o desempenho 
atingido na avaliação formativa e na avaliação somativa, isto é, as notas alcançadas nas 
diferentes atividades virtuais e na(s) prova(s), da seguinte forma: Somatória das notas 
recebidas nas atividades virtuais, somada à nota da prova, dividido por 2. Caso a disciplina 
possua mais de uma prova, será considerada a média entre as provas. 
Média Semestral: Somatória (Atividades Virtuais) + Média (Provas) / 2 
Assim, se um aluno tirar 7 nas atividades e 5 na prova: MS = 7 + 5 / 2 = 6 
Antes do lançamento desta nota final, será divulgada a média de cada aluno, dando 
a oportunidade de que os alunos que não tenham atingido média igual ou superior a 7,0 
possam fazer a Recuperação das Atividades Virtuais. Após a Segunda Chamada, será feito o 
lançamento definitivo da Média Semestral. 
Se a Média Semestral for igual ou superior a 4,0 e inferior a 7,0, o aluno ainda 
poderá fazer o Exame Final. A média entre a nota do Exame Final e a Média Semestral 
deverá ser igual ou superior a 5,0 para considerar o aluno aprovado na disciplina. 
Assim, se um aluno tirar 6 na Média Semestral e tiver 5 no Exame Final: MF = 6 + 5 
/ 2 = 5,5 (Aprovado) 
 
 
6 
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FAÇA O ACOMPANHAMENTO DE SUAS ATIVIDADESO quadro abaixo visa ajudá-lo a se organizar na realização das atividades. Faça seu 
cronograma e tenha um controle de suas atividades: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
* Coloque na segunda coluna o prazo em que deve ser enviada a atividade (consulte o 
calendário disponível no ambiente virtual de aprendizagem). 
** Coloque na terceira coluna o dia em que você enviou a atividade. 
 
AVALIAÇÃO PRAZO * DATA DE ENVIO ** 
Atividade 1.1 
 Ferramenta: Tarefa 
 
Atividade 2.1 
Ferramenta: Tarefa 
 
Atividade 3.1 
Ferramenta: Tarefa 
 
Atividade 4.1 
Ferramenta: Tarefa 
____________ 
 
7 
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BOAS VINDAS 
 
Olá caríssimos/as, acadêmicos/as! 
Sejam bem-vindos/as ao estudo de Psicologia do Desenvolvimento! Esperamos 
que esta disciplina seja de suma importância para sua formação, assim como para sua vida. 
Afinal, ao adentramos no mundo da Psicologia, temos a possibilidade de olharmos para nós 
mesmos! 
Estudando o desenvolvimento do ser humano podemos compreender um pouco 
mais daquilo que somos, fazemos, sentimos... Dessa forma a partir de agora sua 
perspectiva de ser humano será modificada, afinal estudaremos alguns teóricos da interface 
psicologia/educação que trarão diferentes perspectivas do homem, contribuindo 
enfaticamente para o exercício da docência! 
Cabe aqui ressaltar que nossa intenção não é formar psicólogos, uma vez que o 
exercício desse profissional na educação é peculiar! Mas tem-se aqui como propósito 
habilitar nossos futuros docentes a compreender e reconhecer as peculiaridades do 
desenvolvimento humano, para que sua rotina escolar seja com conhecimento científico 
acerca de seus alunos, seus familiares, assim como da sua própria ação no processo 
educacional. 
Desse modo, na presente disciplina apresentaremos a Psicologia do 
Desenvolvimento, abordagem da psicologia que estuda especificamente o desenvolvimento 
do homem a partir da sua estrutura psíquica, do comportamento, da cognição, assim como 
da sua interação com o mundo social e cultural. 
Inicialmente, apresentamos a psicologia como um todo, ou seja, estudaremos na 
unidade 1 “O que é Psicologia”, sua proposta científica, assim como sua inserção no nosso 
cotidiano, buscando conhecer um pouco sobre a sua história enquanto ciência. 
Em seguida, na unidade 2, voltamo-nos para o desenvolvimento humano em si, 
abordando as propostas teóricas sobre o desenvolvimento humano. 
Estudaremos na unidade 3, de forma aprofundada, os teóricos que contribuem 
para o conhecimento do desenvolvimento humano. Por fim, concluímos nosso estudo 
trazendo as considerações desta disciplina para o exercício da docência, e como a psicologia 
do desenvolvimento pode contribuir na formação docente. 
Desejo a todos bons estudos! 
 
Profª Flávia Maria 
 
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Pré-teste 
 
A finalidade deste pré-teste é fazer um diagnóstico quanto aos conhecimentos 
prévios que você já tem sobre os assuntos que serão desenvolvidos nesta 
disciplina. Não fique preocupado com a nota, pois não será pontuado. 
 
1. Assinale a alternativa correta sobre a Psicologia. 
a) É o estudo apenas do homem sem considerar suas relações. 
b) É o estudo da mente e do comportamento, considerando as relações que o homem 
estabelece. 
c) É o estudo da alma. 
d) É o estudo apenas da mente, desconsiderando o comportamento. 
 
2. A Psicologia se aplica a diferentes áreas. Entre essas áreas estudamos os 
princípios do desenvolvimento humano relacionados à psicologia: 
a) Clínica. 
b) Organizacional. 
c) Jurídica. 
d) Educacional. 
 
3. Quais os principais teóricos estudados na Psicologia do Desenvolvimento? 
a) Os filósofos Platão e Descartes. 
b) Apenas Piaget e Freud. 
c) Skinner, Freud, Piaget e Vigotski. 
d) Todos os teóricos da psicologia assim como da filosofia. 
 
Submeta o Pré-teste pela ferramenta Questionário. 
 
 
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UNIDADE 1 
PSICOLOGIA: CIÊNCIA X SENSO COMUM 
 
OBJETIVO DA UNIDADE: Apreciar a psicologia científica diante do que já 
conhecemos dela no cotidiano. 
 
 
1.1 Psicologia ou psicologias? 
O que é Psicologia? Uma Ciência? Um exercício profissional? Uma teoria? Enfim... 
Quando fazemos esta pergunta várias respostas, dúvidas, questionamentos surgem... Afinal 
o que é Psicologia? O que ela estuda? 
Para responder tais perguntas, podemos iniciar essa discussão questionando: 
temos uma psicologia ou várias psicologias? Creio que a resposta mais plausível seria a 
defesa de várias psicologias, assim como Bock (2002), nos apresenta. 
A psicologia hoje se consagra como uma ciência, que implica o desenvolvimento de 
várias teorias, assim como práticas específicas (aplicação da psicologia). Mas ela nem 
sempre foi uma ciência independente. O princípio do seu estudo advém na filosofia, 
em que Psicologia se consagrava apenas como um 
ramo/segmento de estudo filosófico. 
 Voltando um pouco no tempo, nos primórdios da psicologia 
científica, trazemos para nossa discussão W. Wundt, teórico que 
intencionalmente tornou a psicologia uma ciência independente. 
(SCHULTZ, 2007) 
Em seus estudos Wundt percebia que a psicologia estava 
ampliando seus estudos a partir de questionamentos que a filosofia 
não conseguia responder, culminando assim na necessidade de 
respostas científicas, as quais deveriam, necessariamente, trazer 
dados consolidados, empíricos, enfim, concretos. (SCHULTZ, 2007) 
 
A psicologia é 
uma ciência que 
estuda o 
homem em sua 
plenitude, 
desde o 
comportamento 
até os processos 
psíquicos. 
(BOCK, 2002) 
 
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INTROSPECÇÃO: Autoanálise da mente para se inspecionar e relatar os 
pensamentos ou sentimentos (SCHULTZ, 2007). 
 
Wundt e seus alunos realizando os estudos experimentais sobre consciência. 
Fonte: http://www.socsci.ru.nl/ardiroel/Rts.htm 
 
A partir deste momento nasce o primeiro laboratório de Psicofisiologia, local em 
que a psicologia estudava a mente/consciência por meio de experimentos sensoriais. A 
partir deste momento a Psicologia se institui no mundo cientifico, com seu objeto de estudo, 
a mente, seus objetivos, analisar os processos conscientes, utilizando-se dos seus 
elementos básicos, descobrir como esses elementos eram sintetizados e organizados e 
determinar as leis da conexão que regiam a organização dos elementos, assim como seu 
próprio método, a introspecção. 
 
 
 
A partir deste momento, a psicologia ganha uma cadeira exclusiva no curso de 
filosofia, assim como sua própria revista, em que os experimentos realizados sobre a 
estrutura da mente eram publicados. 
Neste primeiro momento, no início do século XIX na Alemanha, a psicologia passa a 
ganhar espaço no mundo das ciências, assim como nos EUA, por meio de um seguidor, 
aluno e orientando de Wundt: Titchener, que aprofundando e atualizando os estudos de seu 
mestre consolidou a primeira escola científica da psicologia, denominada de 
ESTRUTURALISMO (SCHULTZ, 2007). 
 
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O Estruturalismo de Titchener defendia como objeto de estudo a experiência 
consciente dependente do indivíduo que a vivencia, considerando a mente como a soma das 
experiências acumuladas ao longo do tempo, ou seja, o total dos processos envolvidos na 
consciência. 
Dessa forma, a psicologia se firmava cada vez mais enquanto ciência e seus 
estudos evoluíam de acordo com os questionamentos acerca da mente humana. Nesse 
cenário, Willian James, fundador da escola Funcionalista da Psicologia, voltava-se para o 
funcionamento da mente, ou seja, defendia que o estudo da mente deveria partir da 
proposta desta ser um acúmulo de funções e processos que resultam em consequências 
práticas no mundo real, dessa forma leva a psicologia científica ao interesse pela possível 
aplicação da psicologia aos problemas cotidianos. 
Portanto,na busca e na necessidade de se pensar a psicologia fora dos 
laboratórios, indagando que esta ciência não poderia se voltar somente para o mundo 
acadêmico, mas sim transpor as barreiras e tocar as pessoas em suas vidas cotidianas, 
Willian James inova o método, trazendo para suas experiências o método da observação 
comparativa. 
 
 
 
Tal método trazia como princípio a proposta metodológica de Charles Darwin, isto 
é, a observação e a comparação. Para James, os estudos traziam dados obtidos por meio da 
Introspecção e comparação, defendendo que a psicologia funcional não deveria se restringir 
a um único método, pois visava também o estudo do funcionamento psicológico de 
diferentes populações. 
Nesta caminhada científica, a partir de estudos realizados com animais, temos a 
terceira e última escola da psicologia, o BEHAVIORISMO. 
 
A psicologia Funcionalista de W. James teve como influência os estudos 
de: 
 Charles Darwin: teoria da evolução das espécies; 
 Francis Galton: diferenças individuais – Testes mentais: inteligência 
medida a partir das capacidades sensoriais; Inteligência hereditária 
(SCHULTZ, 2007). 
 
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Esta escola nasce do questionamento: como a psicologia pode se fundar como 
ciência sendo que seu método (introspecção) e seu objeto de estudo (mente) não são de 
fato comprováveis? 
Afinal, recorrer à introspecção abre espaço para a não fidedignidade dos dados, 
uma vez que o ser humano pode alterar suas percepções mediante os diferentes ambientes 
em que vive. É preciso também considerar que a mente não é algo concreto e de fato 
observável, o que vem sendo feito até então é uma análise dos órgãos que representam a 
existência da consciência. 
Diante destas críticas, Watson, fundador do behaviorismo, defendia que o objeto 
de estudo da psicologia só poderia ser o comportamento, afinal este é observável, empírico 
e passível de experimentações. 
Nesse sentido, a psicologia aprimora os estudos de Pavlov e Thorndike, cientistas 
que estudaram respectivamente, o condicionamento reflexo e a aprendizagem por tentativa 
e erro. Defendendo que todo comportamento pode ser aprendido, Watson dizia que bastava 
a associação de estímulos para que se tenha os resultados (repostas) desejados. 
 
Edward L. Thorndike (1874-1949) 
Orientando de William James, escreveu a 1ª tese de doutorado com animais 
como sujeitos da pesquisa: Tese: Aprendizagem por tentativa-e-erro. 
 Lei do efeito 
 Lei do exercício 
Ivan P. Pavlov (1849-1936) 
Nasceu na Rússia, formado em medicina, estudou a função dos nervos 
cardíacos, glândulas digestivas primarias e REFLEXOS CONDICIONADOS. 
(SCHULTZ, 2007). 
 
13 
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Depois de Watson, temos a continuidade e desenvolvimento do Behaviorismo com 
Skinner e sua proposta do Condicionamento Operante, teoria que estudaremos mais a 
fundo, posteriormente. 
 
1.2 A psicologia no século XXI 
 
Mas na atualidade, quando nos questionamos o que a Psicologia estuda? Como ela 
se insere nas nossas vidas? De que maneira podemos reconhecê-la no nosso cotidiano? 
Verificamos que a psicologia de fato se apresenta como várias psicologias. Não apenas 
pelas diversas frentes teóricas que implicam em diferentes formas de intervir na vida 
cotidiana, mas também pelas várias formas que nos voltamos a ela por meio do senso 
comum. 
Pense agora em um psicólogo... Você conhece algum? Esse profissional já 
atravessou sua vida? Onde ele trabalha? O que ele faz? Evidentemente podemos citar 
alguns profissionais dessa área que atravessam a vida das pessoas, podemos citar o 
psicólogo do trânsito (aquele que lhe avaliou por meio dos testes psicotécnicos para que 
você adquirisse sua habilitação). 
Podemos citar aquele profissional que fez a seleção e lhe entrevistou para seu 
emprego (psicólogo organizacional – Recursos Humanos). Podemos ainda trazer aquele 
profissional que realiza atendimento 
psicoterapêutico (psicólogo clinico). Ou ainda o 
profissional que atua na educação, ou seja, o 
psicólogo escolar, que além de realizar 
atendimento de orientação psicopedagógica, 
também realiza Orientação Profissional, 
capacitação e atendimento familiar dentro das 
escolas. 
 Fonte: http://migre.me/qzmCs 
Deem-me uma dúzia de crianças saudáveis, com boa formação, e meu 
próprio mundo planejado para criá-las e garanto que posso tomar qualquer uma 
aleatoriamente e treiná-las para tornar-se o tipo de especialista que eu escolher – 
médico, advogado, artista, comerciante e até mesmo mendigo e ladrão, 
independentemente de seus talentos, tendências, preferências, habilidades, 
vocações e da raça de seus ancestrais (WATSON, 1924, p. 104 apud CLONINGER, 
2003, p. 293). 
 
14 
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A partir dessas atuações, temos as áreas de atuação da psicologia, sendo as 
grandes categorias: CLINICA, ORGANIZACIONAL E EDUCACIONAL. Nessas áreas, a atuação 
profissional do psicólogo se volta para diferentes referenciais teóricos. 
Mas... Essas atuações estão diretamente ligadas a teorias específicas? Para cada 
atuação terei um referencial único? Evidente que não! Essas atuações apresentam um 
atravessamento de teorias, uma vez que diante de cada olhar (teoria) temos uma visão 
específica do homem e da sua atuação no mundo. Diante dessas variações de atuação, e 
teorias é preciso ainda considerar aquela psicologia que usamos no dia a dia, ou seja, no 
senso comum. 
Quando, por exemplo, dizemos que estamos estressados e isso é psicológico! Esse 
olhar da psicologia não é errado, mas sim aquilo que conhecemos e de fato nos atinge 
cotidianamente, e a partir disso podemos dizer que a psicologia faz parte da nossa vida 
muito mais do que imaginávamos. Ela está presente, nas nossas relações, nos nossos 
comportamentos, sentimentos e pensamentos! Enfim, ela se faz presente no nosso 
cotidiano! 
 
 
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Antes de continuar seu estudo, realize o Exercício 1 e a 
Atividade 1.1. 
 
 
 
O que é psicologia? 
Esta costuma ser uma das perguntas mais feitas pelos 
iniciantes na Psicologia, é uma dúvida muito comum também para 
os leigos em geral. Há um erro de percepção sobre o que é a 
psicologia e o que faz o psicólogo, essa percepção errônea se deve 
principalmente ao modo como a mídia tratou a psicologia e, 
também, às controversas práticas de alguns profissionais da área. 
A psicologia é tanto uma área de atuação (ciência aplicada) 
quanto uma área de pesquisa (ciência acadêmica) que estuda 
basicamente o comportamento humano e o funcionamento da 
mente humana. Os pesquisadores da psicologia têm como objetivo 
entender e explicar como funcionam os pensamentos, 
comportamentos e as emoções. Dentre as aplicações práticas da 
psicologia podemos citar como exemplos a seleção, recrutamento, 
ergonomia, tratamento de distúrbios mentais, autoajuda, melhorar 
a autoeficácia, dentre muitas outras áreas que se envolvem 
diretamente com a saúde e o cotidiano das relações humanas. 
 
Fonte: https://psicologado.com/psicologia-geral/introducao/o-que-e-
psicologia © Psicologado.com 
https://psicologado.com/psicologia-geral/introducao/o-que-e-psicologia
https://psicologado.com/psicologia-geral/introducao/o-que-e-psicologia
 
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UNIDADE 2 
PSICOLOGIA DO DESENVOLVIMENTO 
 
OBJETIVO DA UNIDADE: Conhecer a proposta do que é desenvolvimento para a 
psicologia. 
 
A partir das discussões realizadas anteriormente, podemos agora pensar na 
psicologia científica voltando seus estudos para o desenvolvimento humano. Nesse 
sentido quando dizemos desenvolvimento humano pensamos imediatamente em quê? 
Ou, quando pensamos na Psicologia do Desenvolvimento o que vem a nossa mente? 
Na primeira questão podemos nos referir ao desenvolvimento da nossa espécie, 
ou seja, aolongo do desenvolvimento do homem enquanto espécie, desde os 
primórdios da humanidade até os dias atuais. 
 
 
Fonte: http://migre.me/qzmSi 
 
Já na segunda questão nos voltamos para o desenvolvimento de cada homem 
da nossa espécie, desde o seu nascimento até a velhice. 
 
Fonte: http://bispalucia.com.br/tag/ciclo/ 
 
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Diante dessas duas perspectivas, o que de fato tem-se como objeto de estudo 
na Psicologia do Desenvolvimento? Estudamos o desenvolvimento da espécie humana 
ou o desenvolvimento de cada indivíduo da nossa espécie? Para responder a esta 
questão nos apropriamos das psicologias, ou seja, dos diversos referenciais teóricos que 
a psicologia apresenta. 
Neste sentido, teremos teóricos que defenderão as relações de construção do 
sujeito homem a partir das apropriações da cultura de geração para geração, enquanto 
que outros teóricos trabalharão com o desenvolvimento humano tão somente olhando 
para o sujeito a partir das etapas do desenvolvimento. 
Dessa forma, o desenvolvimento humano implica em reconhecer a evolução de 
cada indivíduo de uma mesma espécie, considerando o aspecto histórico da 
humanidade, até mesmo o avanço em idade e saltos comportamentais, físicos, sociais, 
afetivos e cognitivos. Todavia, quando pensamos em desenvolvimento nos voltamos 
também ao nascimento de bebês, seus aniversários até alcançar a vida adulta. 
No que tange ao homem em desenvolvimento é preciso reconhecer também as 
perspectivas advindas de outras ciências, como a biologia, antropologia, sociologia, 
medicina, entre outras. Afinal, todas elas vão contribuir para o entendimento do que é ser 
homem na atualidade. Mas quando nos voltamos para a proposta da psicologia no estudo 
do desenvolvimento humano, verificamos, tradicionalmente, as etapas que a criança passa 
até chegar à adolescência, que nesta perspectiva tradicional se consagra como a última fase 
do desenvolvimento, momento de transição da infância para a vida adulta. 
De acordo com Papalia (2000, p. 25), estudar as mudanças que ocorrem na vida 
dos indivíduos, traz a proposta do “[...] estudo científico de como as pessoas mudam ou 
como elas ficam iguais, desde a concepção até a morte”. Portanto, precisamos reconhecer 
que o estudo do desenvolvimento na atualidade precisa romper com a segmentação do 
homem, sobretudo, na ideia de que a adolescência é apenas uma etapa de transição para a 
vida adulta e, consequentemente, deixando de estudar a fase adulta e a terceira idade. 
Portanto, quando estudamos o desenvolvimento do homem na psicologia 
reconhecemos as etapas da vida, desde o nascimento até a velhice, assim como as relações 
que esse homem estabelece diante da história da humanidade e da cultura produzida por 
ela. 
 
 
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2.1 Teorias psicológicas: escola subjetivista, objetivista e interacionista 
 
Entre as diferentes formas de se abordar as teorias e atuações da psicologia 
podemos organizar as teorias em três frentes, sendo elas: Teorias SUBJETIVISTAS, 
OBJETIVISTAS e INTERACIONISTAS. Tal organização abrange diferentes teorias, que pela 
sua forma de olhar o homem e sua relação com o mundo se assemelham, assim como se 
contrastam. 
Nesta unidade discutiremos um pouco sobre essas diferentes teorias, as quais 
estudaremos detalhadamente na próxima unidade. 
Quando dizemos SUBJETIVO, qual o entendimento que temos? O que é subjetivo? 
De que forma podemos olhar para a constituição do homem a partir desta perspectiva? 
De acordo com Coutinho (2004), a proposta desta corrente tem sua origem na 
concepção idealista, a qual tem a consciência como resultado de sensações subjetivas. As 
emoções estão “guardadas” e isoladas dos outros processos humanos, sendo considerados, 
ainda, os únicos determinantes do homem. 
Portanto, quando nos remetemos à proposta subjetivista trazemos teóricos que 
olharão para o homem a partir da sua construção subjetiva. Neste sentido podemos citar 
Sigmund Freud, Carl Roger e Maslow. Fato é que há distinção na forma como cada um 
desses teóricos olhou o desenvolvimento humano, mas o que os coloca dentro de uma 
mesma categoria, é o fato de olharem para o homem a partir dos elementos subjetivos. O 
quadro a seguir ilustra como essa corrente olha o homem e suas relações. 
 
DICA DE APROFUNDAMENTO 
Para aprofundamento, sugiro a leitura de: 
 
MOTA, Márcia Elia da. Psicologia do Desenvolvimento: uma perspectiva 
Histórica. Disponível em: <http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?pid=S1413-
389X2005000200003&script=sci_arttext> Acesso em: 11 jul. 2015. 
http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?pid=S1413-389X2005000200003&script=sci_arttext
http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?pid=S1413-389X2005000200003&script=sci_arttext
 
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Quadro 1 – Visão de Homem na Corrente Subjetivista 
 
VISÃO DE HOMEM 
 O homem é único. 
 O objetivo último do ser humano é a autorrealização. 
VISÃO DE MUNDO 
 Para Rogers a realidade é um fenômeno subjetivo. 
 O mundo é algo produzido pelo homem diante de si mesmo. 
 ... é necessário considerar que nem sempre há coincidência 
entre a interpretação pessoal do mundo e o mundo objetivo. 
 O “eu” do indivíduo, portanto, irá perceber diferencialmente 
o mundo. 
CONHECIMENTO 
 A experiência pessoal e subjetiva é o fundamento sobre o 
qual o conhecimento é construído. 
 Para Rogers, a percepção é a realidade, no que se refere ao 
indivíduo. 
 O único homem que se educa é aquele que aprendeu como 
aprender. 
 O conhecimento é inerente à atividade humana. O ser 
humano tem curiosidade natural para o conhecimento. 
EDUCAÇÃO 
 Educação centrada na pessoa, já que essa abordagem é 
caracterizada pelo primado do sujeito. No ensino, será o 
“ensino centrado no aluno”. 
 Tudo o que estiver a serviço do crescimento pessoal, 
interpessoal ou intergrupal é educação. 
 
 Fonte: http://pt.slideshare.net/njfs/subjetivismo-de-rogers 
 
Entre os teóricos subjetivistas citados, estudaremos aqui a teoria de Freud, uma 
vez que seus estudos se apresentam como relevantes no que tange ao estudo do 
desenvolvimento humano. Dessa forma, a teoria de Freud é reconhecida como a teoria base 
para os estudos na Corrente Subjetivista. 
A segunda corrente que apresentamos é a Objetivista. Afinal, quando pensamos na 
psicologia também nos questionamos por que fazemos determinadas coisas, ou seja, por 
que nos comportamos de diferentes maneiras. Para responder a tais questões, trazemos 
teóricos que olharão para a parte objetiva do homem, ou seja, as relações estabelecidas por 
ele de forma concreta. Nesta corrente podemos citar teóricos como Skinner e Watson. 
Coutinho (2004, p. 26), afirma que ”A evidência científica, para o behaviorismo, é 
justamente a crença na possibilidade do controle objetivo do estímulo do meio ambiente na 
determinação de respostas do indivíduo a tais estímulos”. 
Portanto, pode-se afirmar que nesta categoria a relação do homem com o mundo é 
direta, e diante deste mundo o homem se desenvolve por meio das aprendizagens 
organizadas e moldadas de acordo com o ambiente (estímulos) e com reforços a 
comportamentos específicos. 
 
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Fonte: http://migre.me/qzn3K 
 
Para finalizar a proposta de se organizar os referenciais teóricos da psicologia 
nestas três grandes categorias, trazemos a proposta INTERACIONISTA, a qual vai 
considerar o homem constituído a partir das relações estabelecidas, sendo essas de forma 
interacionista, ou seja, não se olha para o homem apenas por meio dos seus aspectos 
subjetivos, e nem pela influência unidirecional do ambiente, mas sim pela interação desses 
dois segmentos. Dessa forma, o desenvolvimento do homem se dará na relação que ele 
estabelece com o mundo, levando em consideração as influências mútuas. 
 
 
 Fonte: http://migre.me/qznhdNesta corrente teórica podemos citar Piaget, Montessori e Vigotski. Para tanto, 
Leontiev (2004, p. 54), um dos colaboradores da teoria de Vigotski ressalta que: 
 
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A psicologia deve superar a oposição dualista entre atividade interna 
e atividade externa, que representa a concepção idealista que a 
permeia. Por outro lado, uma concepção histórica em Psicologia 
poderá fazer com que esta ciência não se separe dos problemas da 
vida, ao contrário, ajude a resolvê-los e auxilie na construção da vida 
do homem livre. 
 
 Dessa forma, quando ressaltamos a proposta de se estudar o homem a partir da 
história e da cultura, rompendo com a proposta tradicionalista de etapas de 
desenvolvimento, nos referimos de fato à proposta de Vigotski, e até mesmo a Piaget, que 
apesar de trazer estágios de desenvolvimento, considera o homem na sua relação ativa com 
o mundo, fato que é chamado de INTERACIONSIMO. 
 
 
 
 
 
 
 
Antes de continuar seu estudo, realize o Exercício 2 e a 
Atividade 2.1. 
 
 
 
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UNIDADE 3 
TEORIAS DA PSICOLOGIA DO 
DESENVOLVIMENTO 
 
OBJETIVO DA UNIDADE: Aprofundar o conhecimento científico sobre as teorias do 
desenvolvimento. 
 
 
Nesta unidade, aprofundaremos nosso estudo a partir de alguns dos teóricos 
citados na unidade anterior, sendo eles: 
 
 Fonte: Ferreira, 2015. 
 
Iniciaremos o estudo pelas teorias subjetivistas, em seguida pelas teorias 
objetivistas, finalizando a unidade com as teorias interacionistas. 
 
3.1 Teoria psicológica subjetivista: Psicanálise de Freud 
 
Para iniciarmos essa discussão, já sabemos que 
nesta perspectiva olharemos para o homem a partir de sua 
subjetividade, ou seja, pelo seu desenvolvimento seguindo 
a premissa da estrutura psíquica. Dessa forma, trazemos 
Freud, com sua proposta Psicanalítica e começamos 
perguntando: 
Fonte: https://www.google.com.br/ 
 
O que é Psicanálise? O que vem a ser uma proposta psicanalítica? 
 
 
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Podemos definir esse conceito, de acordo com Papalia (2000), como o conjunto de 
conhecimentos sistematizados sobre o funcionamento do PSIQUISMO. Mas o que é 
PSIQUISMO? 
De acordo com Papalia (2000, p. 25), psiquismo é um “Conjunto das características 
psíquicas ou mentais de um ser humano.” Dessa forma, podemos também considerar a 
psicanálise uma teoria científica aplicada como um método de investigação interpretativo, 
buscando o significado oculto (inconsciente). E tem como objetivo, na prática, a busca pelo 
autoconhecimento ou a cura do sofrimento psíquico. 
Diante desta explanação, cabe aqui analisar o inconsciente, afinal, o psiquismo é 
formado por ele, e dessa forma, a nossa vida intrapsíquica se constitui, pelo CONSCIENTE e 
INCONSCIENTE. Ou seja, aquilo que vivemos e percebemos (consciente) e aquilo que não 
sabemos de forma clara (inconsciente). Portanto, o inconsciente traz nossas lembranças, 
vivências do passado, que por algum motivo precisaram ser guardadas. 
De acordo com Bock (2002), Freud denominou resistência a força psíquica que se 
opunha a tornar as lembranças conscientes. E ainda para explicar o inconsciente “[...] 
chamou de repressão o processo psíquico que visa encobrir, fazer desaparecer da 
consciência, uma ideia ou representação insuportável e dolorosa que está na origem do 
sintoma” (BOCK, 2002, p. 72). 
 
 
 
 
 
 
 
 
A proposta teórica de Freud traz primeiramente uma organização do Aparelho 
Psíquico: 
• Pré-consciente 
• Consciente 
• Inconsciente 
DICA DE APROFUNDAMENTO 
 Para saber mais a respeito da biografia de Sigmund Freud (1856-1939), sugiro a leitura 
de: 
SKOWRONSKY, Silvia Brandão. Biografia de Freud. Disponível em: 
<http://www.febrapsi.org.br/novo/wp-content/uploads/2013/03/sigmund_freud.pdf> Acesso 
em: 11 jul. 2015. 
 
 
 
 
 
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O pré-consciente refere-se ao sistema onde permanecem aqueles conteúdos 
acessíveis à consciência. É aquilo que não está na consciência, neste momento, mas em 
seguida pode estar. 
O consciente é o sistema do aparelho psíquico que recebe ao mesmo tempo as 
informações do mundo exterior e as do mundo interior. Na consciência, destaca-se o 
fenômeno da percepção, principalmente a percepção do mundo exterior, a atenção, o 
raciocínio. 
E o inconsciente é constituído por conteúdos reprimidos, pela ação de censuras 
internas. O inconsciente é um sistema do aparelho psíquico regido por leis próprias de 
funcionamento. Por exemplo, é atemporal, ou seja, não existem as noções de passado e 
presente. 
Após essa primeira organização, presente na primeira redação da “Teoria da 
Sexualidade”, Freud revê sua proposta, uma vez que havia percebido “forças” que agiam no 
inconsciente e no consciente, formando assim a personalidade das pessoas. Dessa forma, o 
teórico reestruturou o aparelho psíquico, ressaltando que esse era composto por: 
Consciente = EGO 
Inconsciente = ID e SUPEREGO. 
Nesta segunda, e última organização, a definição de consciente permanece, mas 
recebe o nome de EGO, exclui-se o pré-consciente e se organiza o inconsciente em ID e 
SUPEREGO. 
Fonte: Ferreira (2015) 
 
 
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- ID: Regido pelo "princípio do prazer“, é a reserva inconsciente dos desejos e 
impulsos, voltados para a preservação e propagação da vida. É onde se “localizam” as 
pulsões: a de vida e a de morte. 
- SUPEREGO: Origina-se com o complexo de Édipo, faz a censura dos impulsos 
que a sociedade e a cultura proíbem ao Id, impedindo o indivíduo de satisfazer plenamente 
seus instintos e desejos. Manifesta-se na consciência indiretamente, sob a forma da moral, 
como um conjunto de interdições e de deveres, pela produção da imagem do "Eu ideal", 
isto é, da pessoa moral, boa e virtuosa. 
- EGO: É a consciência, pequena parte da vida psíquica, subtraída aos desejos do 
Id e à repressão do Superego. Obedece ao princípio da realidade, ou seja, à necessidade de 
encontrar objetos que possam satisfazer ao Id sem transgredir as exigências do Superego. 
Agora que entendemos como funciona o psiquismo para Freud, podemos adentrar 
no que de fato nos interessa, isto é, o DESENVOLVIMENTO HUMANO, que nesta perspectiva 
subjetivista chamaremos de DESENVOLVIMENTO PSÍQUICO. 
Freud em seus estudos voltou sua proposta de desenvolvimento do homem a partir 
da libido, a energia que rege nossa vida, considerando que essa se concentra em 
diferentes regiões do nosso corpo de acordo com determinado momento de nossa vida. 
Bock (2002, p. 73), afirma que: 
 
Freud, em suas investigações na prática clínica sobre as causas e o 
funcionamento das neuroses, descobriu que a maioria de 
pensamentos e desejos reprimidos referiam-se a conflitos de ordem 
sexual, localizados nos primeiros anos de vida dos indivíduos, isto é, 
que na vida infantil estavam as experiências de caráter traumático, 
reprimidas, que se configuravam como origem dos sintomas atuais, 
e confirmava-se, desta forma, que as ocorrências deste período da 
vida deixam marcas profundas na estruturação da pessoa. 
 
 
Sendo assim, estudaremos agora a TEORIA DA SEXUALIDADE a partir das fases do 
desenvolvimento. São elas: 
 
 
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 Fonte: Ferreira (2015) 
 
- Fase Oral (0 a 1 ano) 
A zona de erotização é a boca e o prazer ainda está ligado à ingestão de alimentos e 
à excitação da mucosa dos lábios e da cavidade bucal. O objetivo sexual consiste na 
incorporação do objeto. Nesse período, podemos verificar a criança levando tudo à boca na 
busca pelo prazer/felicidade. 
- Fase Anal (entre 1 e 3 anos aproximadamente) 
A zona de erotização é o ânus e o modo de relação do objeto é de "ativo" e 
"passivo", intimamente ligado ao controle dos esfíncteres (anal e uretral). Este controle é 
uma nova fonte de prazer,ou seja, neste período a criança passa a controlar a hora do xixi 
e do cocô, e dessa forma a fonte de prazer se concentra nessas ações. 
- Fase Fálica (entre 3 e 5 anos) 
É quando a criança toma conhecimento dos seus órgãos genitais, momento em que 
geralmente reconhecemos a curiosidade que a criança apresenta na distinção entre seu 
corpo e do outro. Nessa fase ocorre o que Freud chamou de Complexo de Édipo, em que 
a mãe é o objeto de desejo do menino e o pai é o rival que impede seu acesso ao objeto 
desejado. 
 
Disponível em: http://tocomciumes.blogspot.com.br/2013/01/por-que-tudo-comecou.html 
 
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O complexo de Édipo é um movimento da estrutura psíquica muito importante, 
afinal, quando ele acontece a estruturação da personalidade está se edificando, sobretudo 
pela inserção do SUPEREGO. Até este momento a criança vivenciava o prazer incondicional 
e a partir do Complexo de Édipo passa a ser inserida nas regras e normas sociais, pois não 
se pode matar o pai ou a mãe para tê-lo somente para si. Dessa forma, no complexo de 
Édipo: 
[...] a mãe é o objeto de desejo do menino, e o pai é o rival que impede 
seu acesso ao objeto desejado. Ele procura então ser o pai para “ter” a 
mãe, escolhendo-o como modelo de comportamento, passando a 
internalizar as regras e as normas sociais representadas e impostas pela 
autoridade paterna. Posteriormente, por medo da perda do amor do pai, 
“desiste” da mãe, isto é, a mãe é “trocada” pela riqueza do mundo social e 
cultural, e o garoto pode, então, participar do mundo social, pois tem suas 
regras básicas internalizadas através da identificação com o pai. Este 
processo também ocorre cora as meninas, sendo invertidas as figuras de 
desejo e de identificação. Freud fala em Édipo feminino. (BOCK, 2002, p. 
74-75). 
 
- Período de Latência (entre 5 a 11 anos) 
Esta etapa não se consagra como uma fase, mas sim um período em que o 
complexo de Édipo já ocorreu e, dessa forma, o superego instalou-se na estrutura psíquica, 
e assim tudo fica “dormente”, latente, na busca de se reprimir os desejos edipianos, assim 
como se adaptar às regras e leis sociais. 
- Fase Genital (a partir dos 12 anos – adolescência) 
Na adolescência é atingida a última fase, quando o objeto de erotização ou de 
desejo não está mais no próprio corpo, mas em um objeto externo ao indivíduo - o outro. 
Neste momento meninos e meninas estão conscientes de suas identidades sexuais distintas 
e começam a buscar formas de satisfazer suas necessidades eróticas e interpessoais. 
A partir desta seriação do desenvolvimento, temos com a proposta Freudiana de 
desenvolvimento humano considerações importantes para se compreender o que acontece 
com a criança e o adolescente no que tange à subjetividade, ou seja, à construção da sua 
personalidade. Dessa forma, reconhecemos a contribuição da psicanálise para a educação, 
afinal pode-se, a partir destes conhecimentos, conduzir com clareza e conhecimentos 
científicos diferentes situações em que as características dessas etapas se manifestem, 
evitando o preconceito. 
 
3.2 Teorias psicológicas: Skinner 
 
Depois de conhecermos a proposta subjetivista do desenvolvimento, vamos agora 
analisar como a corrente objetivista olha para o ser humano e reconhece o seu 
 
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desenvolvimento. Para tanto, trazemos a proposta Behaviorista de Skinner, que se enquadra 
na corrente Objetivista. 
Para iniciarmos nossa análise, pergunto a vocês: O que é Behaviorismo? Esta 
expressão, derivada da palavra americana BEHAVIOR, que significa COMPORTAMENTO, traz 
a proposta COMPORTAMENTALISTA da psicologia, ou seja, quando dizemos 
BEHAVIORISMO estamos nos referindo a teoria COMPORTAMENTALISTA. 
Nesta teoria temos como pressuposto o estudo do comportamento humano, 
daquilo que é observável, empírico e controlável, que na sua história, entrelaçada à própria 
história da Psicologia, busca por uma psicologia científica que estuda exclusivamente os 
comportamentos observáveis e passíveis de descrição e controle objetivos. 
Assim como verificamos no início desta disciplina, na Unidade 1, a psicologia 
científica nasce com a proposta de se estudar aquilo que de fato fosse comprovável, e para 
tanto, se volta para o comportamento, seguindo a herança dos estudos de Edward L. 
Thorndike (1874-1949) e Ivan P. Pavlov (1849-1936). Implementando o Condicionamento 
Clássico proposto por Watson, FREDERIC SKINNER defendia que todo comportamento é 
resultado de um determinado estímulo, no entanto, para que esse comportamento 
prevaleça ou seja banido, é preciso trazer um ESTÍMULO REFORÇADOR, isto é, algo que 
venha logo após o comportamento (CLONINGER, 2003). 
 
 
Dessa forma, Skinner delimitou que o que define nosso comportamento não é 
apenas aquilo que experimentamos/vivenciamos (ESTÍMULOS), mas o que vem depois das 
respostas (COMPORTAMENTOS) que emitimos. Sendo assim, o COMPORTAMENTO seria 
nossa própria personalidade, afinal somos o que fazemos. Portanto, para que tenhamos 
constância e qualidade em nossa personalidade, sempre precisaremos de REFORÇOS aos 
nossos comportamentos, uma vez que o ambiente não tem força suficiente para manter e 
moldar nossa personalidade. Desse modo, tem-se que: 
 Os comportamentos habituais constituem a personalidade. 
 As mudanças da personalidade ocorrem por meio da aprendizagem. 
 A influência dos fatores ambientais determina o comportamento. 
SUGESTÃO DE LEITURA 
SCHULTZ, D; Schultz, S. Biografia de Skinner (1981). Disponível em: 
<https://chasqueweb.ufrgs.br/~slomp/behaviorismo/skinner-biografia.pdf> 
Acesso em: 10 jul. 2015. 
 
 
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 A personalidade pode ser modificada quando se insere os estímulos 
reforçadores (reforço positivo, reforço negativo, punição e extinção). 
Todavia Skinner delimitou que nossa vida sempre seria regida pelo 
CONDICIONAMENTO OPERANTE: 
 
E = ESTÍMULO 
R = RESPOSTA 
E = ESTÍMULO REFORÇADOR (reforço positivo, reforço negativo, punição 
e extinção). 
 
Portanto, cada um desses elementos tem sua função no desenvolvimento humano, 
considerando que esse se dá pelas aprendizagens que realizamos em nossas vidas. 
Como se define os ESTÍMULOS REFORÇADORES? Qual a função deles? De acordo 
com a proposta de Skinner, são esses elementos do condicionamento operante que moldam 
nosso comportamento, enfim, nossa personalidade. Podemos categorizá-los em: 
 Reforço positivo e negativo: 
Aumentam a frequência da resposta e tem como princípio a adaptação, ou seja, a 
aprendizagem. 
 Reforço positivo: 
Visa o fortalecimento do comportamento e pode ser primário – alimento, e/ou 
secundário - quando se aprende valores (elogio). Eles acontecem imediatamente ao 
comportamento, para que assim se tenha clareza de que o “prêmio” veio de acordo com o 
comportamento. 
 Reforço negativo: 
Tem como objetivo evitar estímulos dolorosos ou aversivos, visa aumentar a 
frequência das respostas, ou seja, se a criança tem medo de dormir no escuro, retiramos 
ela do escuro, evitando assim o estímulo (quarto escuro) que gerava o comportamento de 
choro, recorrendo dessa forma ao reforço negativo. 
 
 
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 Punição: 
Diferentemente do reforço positivo e negativo, a punição, assim como a extinção, 
visa a redução da resposta (comportamento). A punição, como o próprio nome diz, vai punir 
o indivíduo frente a comportamentos indesejados, por exemplo, quando a criança faz 
bagunça e seus pais a colocam de castigo. 
É preciso ressaltar que a punição gera reações emocionais (medo e ansiedade) que 
são estados aversivos. Skinner mesmo já dizia que em uma sociedade perfeita é preciso 
apenas reforços positivos e negativos, a punição deve ser usada comedidamente, evitando 
excessos, pois o sujeito não aprende um novo comportamento com ela, e sim apenaso que 
não deve fazer. 
 Extinção: 
Tem como objetivo extinguir qualquer tipo de reforço, para assim reduzir a 
resposta (comportamento). 
 
No entanto, diante da extinção é preciso reconhecer que os comportamentos 
extintos podem voltar espontaneamente como uma verificação do ambiente, ou seja, para 
verificar se continuará sendo ignorado, ou se haverá reforço positivo ou até mesmo 
punição. Uma situação em que a EXTINÇÃO é bem-vinda se caracteriza nos 
comportamentos de “birra” das crianças, ou seja, a criança muitas vezes chora pedindo 
atenção, quando se ignora, ou seja, reforça com extinção, a criança percebe que não “está 
funcionando”, logo para com tais comportamentos. No entanto, a qualquer momento ela 
pode voltar a fazer “birra”, buscando verificar se ainda estará sendo ignorado ou haverá 
atenção aos seus comportamentos. 
A proposta comportamental de Skinner reconhece que tudo é aprendizagem e, 
dessa forma, a personalidade do sujeito será formada a partir das aprendizagens que ele 
terá em sua vida, em todo seu desenvolvimento. Portanto, quando trazemos a concepção 
de desenvolvimento humano para os behavioristas, concebemos o desenvolvimento humano 
A EXTINÇÃO é de qualquer tipo de reforço, sendo assim, a 
INDIFERENÇA, ou seja, não se reforça com elogios ou alimentos, assim como 
não pune. 
Simplesmente IGNORA O COMPORTAMENTO. 
O REFORÇO NEGATIVO difere da PUNIÇÃO, pois busca o aumento da 
frequência da resposta e não a diminuição dela. 
 
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seguido de aprendizagens, ou seja, comportamentos que são aprendidos por meio dos 
reforços (positivo, negativo, punição e extinção). 
Para compreendermos melhor como funciona o condicionamento operante, seguem 
alguns exemplos de uso desta proposta, visando assim constituir a personalidade das 
pessoas, influenciando diretamente no desenvolvimento humano. 
 
 
 
 
A criança acompanha a mãe no supermercado e começa a pedir 
várias coisas para a mãe comprar. Ela explica que não pode e que ela 
precisa escolher apenas uma coisa. Nesse momento a criança começa a 
chorar, gritar, se joga no chão e a mãe: 
Ignora o comportamento da criança sem ficar brava, sem dizer 
nada! – EXTINÇÃO 
Após esse momento a criança vai parando aos poucos com o 
choro e os gritos. Nesse momento a mãe: 
Evita passar por entre as gôndolas em que há os produtos que 
a criança pedia. – REFORÇO NEGATIVO 
Neste momento a criança se acalma, e a mãe pergunta: - Você 
vai se comportar? Vai ficar calma, sem chorar e gritar? A criança 
confirma e diante disso a mãe: 
Pega um dos produtos que a criança pediu e coloca no carrinho 
de compras. – REFORÇO POSITIVO 
Quando chegaram em casa, a criança percebe que devido ao 
longo tempo que passaram no mercado acabou perdendo seu 
programa de TV preferido, e diante disso começa a chorar e gritar 
assim como fez no mercado. Nesse momento a mãe: 
Pega o produto comprado e guarda, ressaltando ainda que ela está de 
castigo (sem assistir TV) até que volte a se comportar como havia 
prometido no supermercado. – PUNIÇÃO 
Fonte: Ferreira (2015) 
 
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3.3 Teorias psicológicas interacionistas: Piaget e Vigotski 
 
Vimos, até o momento, duas propostas teóricas que abordam de forma distinta o 
homem em seu desenvolvimento. Agora veremos a partir de dois teóricos importantes para 
a educação, Jean Piaget e Vigotski, como o sujeito se desenvolve. Piaget e Vigotski se 
enquadram nas teorias interacionistas. 
Esta corrente, assim como estudado na unidade anterior, propõe o estudo do 
homem a partir da sua relação com o mundo. No entanto, apesar de fazerem parte da 
mesma corrente e apresentarem aproximações, eles trazem distinções em como consideram 
o desenvolvimento humano. Primeiramente cabe ressaltar que Piaget traz a concepção do 
homem em desenvolvimento a partir de etapas, enquanto Vigotski apresenta as entradas 
genéticas considerando assim a história e a cultura na construção do desenvolvimento 
humano. 
 
- A proposta piagetiana 
 
Iniciaremos então com a teoria piagetiana, perguntando primeiramente o que vem 
a ser a “Epistemologia Genética”? Essa foi a nomenclatura dada por Piaget para sua teoria, 
que em outras palavras sugere uma teoria do conhecimento, ou seja, ela visa investigar 
como o sujeito passaria de um conhecimento menor anterior para um nível de maior 
conhecimento. 
 
 
 
Portanto, a teoria que ele propõe se configura como uma teoria de etapas e 
pressupõe que os seres humanos passam por uma série de mudanças ordenadas e 
previsíveis. O eixo central é a interação, ou seja, a relação existente entre o sujeito e o 
meio. Para compreendermos melhor a sua proposta, trazemos aqui os principais conceitos 
de sua teoria: 
Estudos e pesquisas de Piaget demonstraram que existem formas de 
perceber, compreender e se comportar diante do mundo, próprias de cada faixa 
etária, isto é, existe uma assimilação progressiva do meio ambiente, que implica 
uma acomodação das estruturas mentais a este novo dado do mundo exterior 
(BOCK, 2000, p. 97). 
 
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 Hereditariedade: Herda-se um organismo que amadurece em contato com o 
meio ambiente, uma série de estruturas biológicas que favorecem o 
aparecimento das estruturas mentais. 
 Adaptação: Possibilita ao indivíduo responder aos desafios do ambiente físico 
e social através da ASSIMILAÇÃO E ACOMODAÇÃO. 
 Assimilação: Incorporação de elementos do meio externo a um esquema ou 
estrutura do sujeito, ou seja, capta o ambiente e o organiza possibilitando, 
assim, a ampliação de seus esquemas. 
 Acomodação: Modificação de um esquema ou de uma estrutura em função 
das particularidades do objeto a ser assimilado, podendo ocorrer de duas 
formas: 
- Criação de um novo esquema. 
- Modificação de um esquema. 
 
 Fonte: Ferreira (2015) 
 
 Esquema: Estrutura cognitiva básica do homem. Pode ser simples ou 
complexo, está em constante desenvolvimento e permite que o indivíduo se 
adapte aos desafios ambientais. 
 Equilíbrio: Passagem constante de um estado de equilíbrio para um estado 
de desequilíbrio. É um processo de autorregulação. 
Por meio desses conceitos podemos compreender como Piaget considera a 
aprendizagem para assim apresentarmos as etapas do desenvolvimento. Sendo assim, o 
desenvolvimento da inteligência não é linear, acontece em estágios, e cada um deles possui 
 
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uma qualidade. Portanto, níveis cognitivos distintos propiciam diferentes maneiras de 
adaptação ao meio. 
Verificamos assim que cada período possui características do que de melhor o 
indivíduo consegue fazer nessas faixas etárias. De acordo com Piaget (BOCK, 2002) todos 
nós passamos por todas essas etapas, contudo o início e o término de cada uma delas vão 
depender das características biológicas e de fatores educacionais, sociais de cada sujeito. 
Logo, a divisão nessas faixas etárias é apenas uma referência, e não uma regra rígida. A 
seguir, apresentamos os períodos e suas descrições. 
- Sensório-motor (até 2 anos) - O desenvolvimento cognitivo se inicia a partir 
dos reflexos que gradativamente se transformam em esquemas de ação. 
- Pré-operacional (2–7 anos) - Capacidade de substituir um objeto ou 
acontecimento por uma representação. 
- Operacional concreto (8 –11 anos) - A criança desenvolve noções de tempo, 
espaço, velocidade, ordem, casualidade, sendo então capaz de relacionar diferentes 
aspectos e abstrair dados da realidade. 
- Operacional formal (12 –14 anos) - Capaz de pensar logicamente, formular 
hipóteses e buscar soluções, sem depender mais só da observação da realidade. Estão 
aptas a aplicar o raciocínio lógico a todas as classes de problemas. 
 
 
 
- A proposta histórico-cultural de Vigotski 
Vimos a proposta de Piaget, e reconhecemos que ela considera o desenvolvimentodo homem por meio de etapas, sendo essas, saltos qualitativos psicomotores. Agora com 
Vigotski verificaremos o homem em desenvolvimento a partir da sua relação com o mundo. 
Para tanto, questionamos: O que é Psicologia Histórico-Cultural? E para responder a esse 
questionamento ressaltamos que esta teoria: 
DICA DE APROFUNDAMENTO 
 
Para aprofundamento, sugiro a leitura de: 
 
TERRA, Márcia Regina. O desenvolvimento humano na teoria de Piaget. 
Disponível em: <http://www.ceap.br/material/MAT31082010183131.doc> Acesso 
em: 10 jul. 2015. 
http://www.ceap.br/material/MAT31082010183131.doc
 
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 Concebe a aprendizagem como um fenômeno que se realiza na interação com o 
outro. 
 Considera a importância dos fatores sociais, econômicos e culturais na constituição 
do sujeito. 
O contexto social e histórico em que Vigotski desenvolveu seus estudos está imerso 
na Revolução Socialista de outubro de 1917, que foi banhada por uma guerra civil, pela 
intervenção estrangeira e por uma situação econômica sufocante que levou a nação russa à 
escassez de alimentos, fazendo sua população passar por um longo período de fome, 
vitimando muitas pessoas. (LURIA, apud VIGOTSKII; LURIA; LEONTIEV, 2006). 
A teoria de Vigotski parte da concepção de que todo organismo é ativo e 
estabelece contínua interação entre as condições sociais. O autor observou que o princípio 
se configura como estruturas orgânicas elementares determinadas pela maturação, e, a 
partir delas, são construídas novas e complexas funções mentais, totalmente dependentes 
das experiências sociais que variarão de indivíduo para indivíduo. 
 
Influenciado por Marx, Vigotski concluiu que as origens das formas 
superiores de comportamento consciente deveriam ser achadas nas 
relações sociais que o indivíduo mantém com o mundo exterior. Mas o 
homem não é apenas um produto de seu ambiente, é também um agente 
ativo no processo de criação deste meio. (LURIA, apud VIGOTSKI; LURIA; 
LEONTIEV, 2006, p. 25). 
 
Nesse sentido temos, para Vigotski, a constituição do homem a partir de quatro 
frentes, ou entradas genéticas. (OLIVEIRA, 1993), que são: 
- Filogênese: história da espécie humana. Define as possibilidades do 
desenvolvimento da espécie. 
- Ontogênese: desenvolvimento do indivíduo de uma determinada espécie. Está 
ligada à filogênese, pois as determinações da espécie irão direcionar o desenvolvimento 
individual. 
- Sociogênese: história da cultura na qual o sujeito está inserido. As formas de 
funcionamento cultural constituem o desenvolvimento humano, sendo estas o resultado do 
processo histórico de determinada sociedade. 
- Microgênese: percepção das singularidades de cada sujeito. Cada acontecimento 
ou situação tem uma particularidade para cada indivíduo. 
Dessa forma, quando falamos em desenvolvimento humano para Vigotski estamos 
de fato falando das entradas genéticas, afinal cada sujeito diante da microgênese é capaz 
de ser único e ao mesmo tempo fazer parte de uma sociedade, afinal somos seres 
 
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sociais/culturais (sociogênese), de uma mesma espécie que traz suas características 
peculiares (filogênese e ontogênese). 
Outro conceito fundamental da Psicologia Histórico-Cultural, pressuposto norteador 
de toda a construção teórica de Vigotski, é o conceito de mediação, ou seja, do “[...] 
processo de intervenção de um elemento intermediário numa relação” (OLIVEIRA, 1993, p. 
26). Assim, os instrumentos (mediação concreta) e os sistemas de signos (mediação 
simbólica) são construídos historicamente e têm a função de fazer a mediação dos seres 
humanos entre si e deles com o mundo. 
Portanto, é por meio da interação social que o indivíduo vai se apropriando da 
“matéria-prima” fornecida pela sociedade, internalizando essa cultura e transformando-a em 
intrapsíquica, ocorrendo, assim, de “fora para dentro” o processo de desenvolvimento. 
De acordo com Vigotski (2001), a linguagem concretiza e constitui as significações 
construídas no processo social e histórico e, quando os indivíduos a interiorizam, passam a 
ter acesso a essas significações. Assim, são essas significações que constituirão suas 
consciências, mediando, desse modo, suas formas de sentir, pensar e agir. Nesse sentido, a 
perspectiva histórico-cultural apresenta a concepção histórica do ser humano, considerando 
o homem como produto das aprendizagens e apropriações da cultura ocorridas ao longo 
das gerações. 
Os estudos de Vigotski têm como questão central a aquisição de 
conhecimentos pela interação do sujeito com o social, 
[...] a partir da concepção de “condição humana”, isto é, alguém que 
constrói formas para satisfazer suas necessidades junto com os outros 
homens. Um ser histórico com características forjadas de acordo com as 
relações sociais contextualizadas no tempo e no espaço histórico em que 
ele vive. (BOCK, 2002, p.72). 
Para Leontiev, um dos colaboradores da escola de Vigotski, o homem se constitui 
por meio da apropriação de conhecimentos os quais são legados por gerações que o 
precederam. 
Cada geração começa, portanto, a sua vida num mundo de objetos e de 
fenômenos criado pelas gerações precedentes. Ela apropria-se das riquezas 
deste mundo participando no trabalho, na produção e nas diversas formas 
de atividade social e desenvolvendo assim as aptidões especificamente 
humanas que se cristalizaram, encarnaram nesse mundo. (LEONTIEV, 
2004, p. 284). 
 
Assim, a teoria de Vigotski defende a ideia de que o desenvolvimento do indivíduo 
nada mais é que o resultado de um processo sócio-histórico e, nesse sentido, o homem se 
constitui como tal a partir das relações que estabelece com o outro e, sobretudo, com o 
mundo. Dessa forma, tem-se como principais conceitos: 
 
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 Planos Genéticos, já citados anteriormente. 
 Mediação. 
 Pensamento e Linguagem. 
 Formação de conceitos. 
 Zona de Desenvolvimento Proximal. 
- Mediação 
 Mediação Simbólica 
 Signos, elementos que representam ou expressam outros objetos, eventos, situações. 
 Mediação Concreta 
 Instrumentos, objetos criados pelo homem com a intenção de facilitar e ampliar as 
relações. 
 
 
 
Dessa forma, é por meio da interação social que o indivíduo vai se apropriando da 
“matéria-prima” fornecida pela sociedade, internalizando essa cultura e transformando-a em 
intrapsíquica, ocorrendo assim de “fora para dentro” o processo de desenvolvimento. 
 
- Pensamento e linguagem 
A linguagem é o principal signo mediador, pois carrega em si os conceitos 
generalizados e elaborados pela cultura humana. A linguagem tem duas funções: 
 Comunicação, intercâmbio social. 
 Pensamento generalizante, ato de nomear, de classificar. 
 
 
Para o autor, não há periodização do desenvolvimento, mas sim o processo de 
Desenvolvimento do Pensamento e da Linguagem, sendo ele marcado pelas seguintes 
categorias da fala: 
 Socializada: função comunicativa inicial (de fora para dentro). 
 Egocêntrica: a fala da criança para si própria, mesmo sem a presença de 
um interlocutor. 
A LINGUAGEM É O INSTRUMENTO DO PENSAMENTO 
 
Tanto a concreta, quanto a simbólica oferecem suporte concreto para a 
ação do homem no mundo. 
 
 
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 Interior: a criança incorpora o sistema simbólico no seu aparato psicológico, 
com o suporte da língua. 
Portanto, quando há a atribuição de SIGNIFICADO podemos afirmar que o 
pensamento e a linguagem se unificam, pois, unificam as funções básicas da linguagem. 
- Formação de Conceitos 
Para Vigotski (1991), os conceitos aos quais atribuímos significados por meio do 
pensamento e da linguagem, fazendo com que nosso desenvolvimento aconteça por meio 
da apropriação da cultura, têm origens distintas e se diferenciam entre conceitos 
espontâneos e científicos. 
 Conceitos espontâneos:São formados pela criança em sua experiência 
cotidiana. 
 Conceitos científicos: Formados a partir da aprendizagem sistematizada. 
 
 
- Zona de Desenvolvimento Proximal 
É aquilo que a criança não faz sozinha, mas consegue fazer imitando o adulto ou 
sendo ajudada/orientada por ele. Portanto, é preciso compreender a representação do 
aluno em suas potencialidades, uma vez que ele não é rotulado pelo que faz no momento 
atual, mas pelas possibilidades que tem para conseguir novos resultados a partir da 
mediação simbólica e concreta mediante o apoio de outra pessoa. De acordo com Vigotski 
(1991, p.239), 
 
Essa divergência entre a idade mental ou o nível de desenvolvimento atual, 
que se determina com a ajuda das tarefas resolvidas de forma 
independente, e o nível que alcança a criança ao resolver as tarefas, não 
por sua conta, mas sim em colaboração, é o que determina a zona de 
desenvolvimento próximo. Em nosso exemplo, esta zona se expressa para 
uma criança com a cifra 4 e para outra com a cifra 1. Podemos considerar 
que ambas as crianças têm o mesmo nível de desenvolvimento mental, que 
o estado do seu desenvolvimento coincide? Evidentemente, não. Como 
mostra a investigação, na escola se dão muito mais diferenças entre estas 
crianças, condicionadas pela divergência entre suas zonas de 
desenvolvimento próximo, que semelhanças devidas a seu igual nível de 
desenvolvimento atual. Isto se revela em primeiro lugar na dinâmica de sua 
evolução mental durante a instrução e no relativo êxito desta. A 
O desenvolvimento do conceito científico de caráter social se produz nas 
condições do processo de ensino, que constitui uma forma singular de 
cooperação sistemática entre o pedagogo e a criança. [...] O pensamento 
científico da criança avança até alcançar um nível de voluntariedade, nível que é 
produto das condições de ensino (VYGOTSKI, 1991, p. 183). 
 
 
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investigação revela que a zona de desenvolvimento próximo tem um valor 
mais direto para a dinâmica da evolução intelectual e para o êxito da 
instrução do que o nível atual de seu desenvolvimento. 
 
 
Pode-se então definir a aprendizagem a partir de dois níveis: 
1 - Zona de Desenvolvimento Proximal - Capacidade de resolver um problema 
com o auxílio de uma criança mais velha ou um adulto. A criança precisa de intervenção 
pedagógica externa na realização da tarefa. 
2 - Nível de Desenvolvimento Real - Capacidade intelectual já consolidada, 
resolução de problemas sem o auxílio de outrem. 
A partir desses conceitos, verifica-se o caráter interacionista da teoria de Vigotski 
no que tange ao desenvolvimento humano, afinal é no movimento de apropriação da 
cultura, de tudo aquilo que há no mundo, a partir das mediações, buscando a formação 
de conceitos científicos (a partir dos espontâneos) que o homem se torna “homem”, 
ou seja, somos aquilo que sabemos ser em nossa totalidade enquanto ser humano. 
Todavia, cabe ressaltar que as mediações devem vir sempre na zona de 
desenvolvimento proximal, visando o desenvolvimento integral do sujeito. 
 
 
 
 
 
 
 
 
Antes de continuar seu estudo, realize os Exercícios 3, 4 
e 5 e a atividade 3.1. 
 
 
 
 
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UNIDADE 4 
PSICOLOGIA DO DESENVOLVIMENTO E O 
EXERCÍCIO DA DOCÊNCIA 
 
OBJETIVO DA UNIDADE: Refletir sobre as contribuições da psicologia para o exercício 
da docência. 
 
Nesta unidade propomos uma reflexão crítica sobre o que foi estudado até agora, 
buscando, assim, reconhecer e ampliar as contribuições da psicologia para o universo da 
educação, indo mais longe do que de fato se espera com a concepção de Desenvolvimento 
Humano, ou seja, o que realmente se pode conceber de sujeito em desenvolvimento, diante 
de um emaranhando de experiências e relações que estabelecemos nas nossas vidas. 
Além dessas experiências cotidianas, nos voltamos para a docência, ou melhor, o 
universo escolar, e diante desse cenário qual a contribuição da psicologia? Em que medida 
estudar psicologia realmente auxilia na experiência escolar? Digo isso não somente ao 
professor, mas a todos que estão envolvidos no contexto educacional. 
Ao estudarmos os diferentes teóricos (Freud, Skinner, Piaget e Vigotski) 
questionamos: Qual a contribuição que eles trazem para minha formação? De que maneira 
eles estarão presentes no meu exercício docente? 
Quando iniciamos esta disciplina tivemos como proposta a modificação da nossa 
própria vida, afinal estudando a psicologia estamos estudando a nós mesmos, do contrário 
não seria o próprio homem o objeto de estudo da psicologia. 
Nesse sentido a escola deveria colocar-se 
 
 
[...] como o espaço onde o aluno desenvolve suas potencialidades afetivo-
cognitivas e sociais, e seu objetivo seria não só fornecer conhecimentos 
teóricos, mas também preparar para o trabalho, oferecendo uma formação 
adequada para o ingresso no mundo profissional. (LISBOA; SOARES, 2000, 
p. 25). 
 
 
Assim, entre as funções que a escola pode assumir na vida dos estudantes, 
constituir-se como o espaço para suscitar discussões sobre as vivências cotidianas seria 
pertinente e plausível. Contudo, na realidade, essa não é uma verdade incontestável, afinal 
vivemos em uma sociedade que se caracteriza pelas desigualdades e contradições, e tais 
funções não acontecem sempre em todos os âmbitos da escola. Todavia, é preciso ressaltar 
 
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que essa não é uma posição assumida pela escola por sua vontade, é preciso reconhecer os 
fatores históricos e sociais que levaram a escola a ser designada como o espaço para tais 
atividades. 
Dessa forma a escola assume duas funções: a social e a de escolarização. Sabe-se 
que cabe à família os cuidados e ensinamentos de cidadania, mas é na escola, com sua 
função social, que tais aprendizagens de fato acontecerão, pois é nesse universo que a 
criança amplia sua vida social, colocando em prática os conceitos de cidadania e até mesmo 
de humanidade. 
 
 
 
Diante desses questionamentos vamos trazer cada uma das teorias estudadas e 
buscar entender qual a contribuição delas para a docência, considerando que a escola é um 
ambiente repleto de aprendizagens e experiências sociais. Afinal, passamos muitos anos de 
nossas vidas frequentando uma instituição educacional, no mínimo, 4 horas diárias. 
Contudo, essas poucas horas se repetem todos os dias e todos os anos desde os 5/6 anos 
de idade até os 17/18 anos. 
 
4.1 Psicanálise 
 
Com Freud verificamos a construção da nossa personalidade a partir da estrutura 
psíquica. Estudamos as fases do desenvolvimento humano a partir da energia que rege 
nossa vida (libido), estando ela concentrada em determinadas partes do nosso corpo, 
contribuindo assim para o desenvolvimento integral do homem. 
Sendo assim, quando nos depararmos com uma criança que por curiosidade quer 
saber como a outra criança faz xixi, podemos nos apropriar dos estudos de Freud e 
compreender que a criança está passando pela fase fálica, sendo que a curiosidade pelo seu 
corpo e pelo do outro se consagram como característica desse período. Mas o que fazer? Ao 
compreender esse momento pode-se conduzir tal situação sem maiores danos (traumas) às 
crianças. 
Não são novidades essas situações no interior da escola, e na atualidade, devido a 
uma comunicação mais ampla entre os pais, tal situação pode se tornar um fato que requer 
A educação, dever da família e do Estado, inspirada nos princípios de 
liberdade e nos ideais de solidariedade humana, tem por finalidade o pleno 
desenvolvimento do educando, seu preparo para o exercício da cidadania e sua 
qualificação para o trabalho (LDB, 1996). 
 
 
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muito cuidado. Não estamos afirmando aqui que se devem omitir situações como essas da 
família, pelo contrário, a teoria de Freud deve ser disseminada, levadaaos pais, para que 
esse momento da criança seja compreendido como um fator de desenvolvimento psíquico. 
É na apropriação desses conhecimentos que a escola, e não somente o professor, 
se voltará. Afinal é para essa compreensão de ser humano em desenvolvimento que a 
psicologia contribui, e como dito anteriormente, os conhecimentos da psicologia não podem 
ficar enclausurados na teoria, pelo contrário, devem ser levados ao cotidiano para de fato 
modificarem a compreensão de homem que todos nós trazemos do senso comum. 
Diante da proposta Freudiana, ao reconhecer a importância do inconsciente e tudo 
que está guardado nele, cabe aqui salientar que é no interior da escola que muitas vezes os 
conteúdos inconscientes se manifestam, seja na relação com o professor ou mesmo entre 
as crianças. Diante disso, podemos ver estudantes introvertidos pelas relações que 
estabelece em casa, ou mesmo violentos por estarem aprendendo que a regra é a violência 
e não a tolerância. Neste sentido, trazemos o conceito psicanalítico TRANSFERÊCIA. 
 
 
 
Dessa forma, além do conhecimento sobre a construção da subjetividade do 
homem, a teoria de Freud traz subsídios científicos para se compreender as relações no 
interior da escola. Ou seja, todos nós trazemos em nossa estrutura psíquica lembranças 
conscientes e inconscientes. Cabe à escola e muitas vezes ao professor pela relação diária e 
convívio estreito com as crianças, estar atentos, a partir do subsídio teórico da psicanálise, 
às situações em que uma criança representa na escola suas dificuldades, seus sofrimentos 
cotidianos, para que possa tomar as devidas providências visando ao bem-estar físico e 
intelectual das crianças. 
 
 
A palavra transferência foi mencionada por Freud, pela primeira vez, no 
seu livro A Interpretação dos Sonhos. Explicava que os acontecimentos do dia 
eram transferidos para o sonho, onde apareciam modificados. Percebeu, em 
seguida, que o paciente transferia para o analista, antigas vivências com outras 
pessoas, relacionando-se com ele como se fosse o pai, com medo de sua 
autoridade. Porém, em momento algum o paciente percebia o que estava 
acontecendo. Era uma manifestação inconsciente que passou a ser um bom 
instrumento de análise desse inconsciente (KUPFER, 1992, p. 16). 
 
 
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4.2 Behaviorismo 
 
Com Skinner e o Behaviorismo verificamos que muitos comportamentos e 
propostas didáticas dos professores, às vezes sem saber, acontecem mediante uma 
brilhante aplicação dos princípios do condicionamento operante, por exemplo, a atribuição 
de “pontos” para bom comportamento e perdas (recreio, passeios) para os maus 
comportamentos. 
Nesta proposta teórica estudamos que o desenvolvimento humano acontece em 
prol das aprendizagens cotidianas, das experiências que travamos diariamente. A proposta 
do condicionamento operante de Skinner é que as aprendizagens acontecerão e se 
fortalecerão de acordo com o que adicionamos após o comportamento. Se quisermos bons 
alunos vamos reforçá-los positivamente. 
No que tange ao ambiente escolar, a proposta behaviorista defende que é preciso 
promover um ambiente de regras e consequências, ou seja, estímulos e reforços. Dessa 
forma, nos voltamos ao princípio do Behaviorismo com a proposta clássica de Watson, ou 
seja, associação de estímulos, e, assim, quanto mais controlado for o ambiente escolar 
(associação de estímulos) maior a probabilidade de se ter apenas respostas desejadas. 
Quando estudamos as correntes teóricas da pedagogia, estudamos, por exemplo, a 
perspectiva tradicionalista, que teve seu apogeu durante a ditadura militar. Essa proposta 
pedagógica se apropriou enfaticamente dos pressupostos behavioristas, não somente no 
controle do ambiente (condicionamento clássico), mas também nas regras que supunham 
reforços positivos e punições. 
 
DICA DE APROFUNDAMENTO 
 
Assista aos vídeos: 
 
- Paradigma Psicanalítico na Educação 1. Disponível em: 
<https://www.youtube.com/watch?v=9LvSoCe0ioo>. Acesso em: 
10 jul. 2015. 
 
- Paradigma Psicanalítico na Educação 2. Disponível em: 
<https://www.youtube.com/watch?v=oNwKIx-mMNg> Acesso em: 
10 jul. 2015. 
 
 
https://www.youtube.com/watch?v=9LvSoCe0ioo
https://www.youtube.com/watch?v=oNwKIx-mMNg
 
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Verificamos, então, as seguintes situações em que o Behaviorismo de Skinner se 
apresenta com relevância ao cotidiano escolar: 
- Premiar o comportamento desejado (REFORÇO POSITIVO) 
- Enfraquecer o comportamento indesejado removendo os eventos de reforço que 
mantém aquele comportamento (EXTINÇÃO) 
- Mudar as condições de estímulo que influenciam aquele comportamento (REFORÇO 
NEGATIVO) 
- Usar castigos para enfraquecer aquele comportamento (PUNIÇÃO) 
 
Dessa forma, podemos ainda reconhecer o Behaviorismo quando: 
- Estudantes necessitam de notas e outros incentivos para aprender e cumprir as 
tarefas escolares. 
- Estudantes deveriam receber notas de acordo com padrões uniformes de 
resultados alcançados que o professor estabeleceu para a classe. 
- o Plano de ensino se organiza por temas que são cuidadosamente estruturados em 
sequências. 
Além dessas situações, é na educação infantil que a proposta de Skinner se faz 
presente no cotidiano escolar. Afinal, verificamos com certa frequência as professoras 
“negociando” com os pequenos alunos as idas ao parquinho, atividades lúdicas, assim como 
ao eleger o “ajudante da semana”. Essas “negociações” muitas vezes vêm a partir de 
estrelinhas que os alunos vão ganhando até atingir um número para ser o ajudante ou até 
mesmo ir ao parquinho. 
Mas não é apenas com os reforços positivos que se verifica na educação infantil a 
proposta teórica de Skinner. Vemos também o reforço negativo, quando mudamos os 
Professores que aceitam a perspectiva comportamentalista assumem que 
os alunos são passíveis e moldáveis e que o comportamento dos estudantes é uma 
resposta a seu ambiente passado e presente e que todo comportamento é 
aprendido. Como decorrência, qualquer comportamento pode ser analisado em 
termos de seu histórico de reforços. Uma vez que a aprendizagem é uma forma de 
modificação de comportamento, a responsabilidade do professor é construir um 
ambiente em que o comportamento correto do estudante seja reforçado. 
Disponível em: 
<http://www.ufrgs.br/psicoeduc/wiki/T%C3%89CNICAS_DE_ENSINO> Acesso em: 
10 jul. 2015. 
 
 
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alunos de lugar na sala de aula, evitando assim conversas excessivas ou até mesmo 
desentendimentos. 
Ambas as formas de reforços são bem aceitos e promovem bons resultados e 
podem ser visualizadas em diferentes propostas pedagógicas, ou seja, vemos na prática 
docente, tanto em escolas construtivistas, quanto em escolas tradicionais, a teoria do 
condicionamento operante sendo bem utilizada. 
Há muitas críticas a essa perspectiva pelo fato de cercear o livre arbítrio, ou seja, 
basta moldarmos as crianças. Mas e as suas escolhas? Suas vontades? Diante dessas 
colocações é preciso elucidar que o Behaviorismo é uma corrente teórica da psicologia que 
enfoca o comportamento, logo se segue uma proposta de modificação ou fortalecimento de 
comportamentos, o que não exime a boa escuta. Nesse sentido, muitas vezes é preciso 
atuar no comportamento para que assim consigamos promover uma reflexão. 
Diante dessas colocações, vivenciamos na escola, junto aos adolescentes, o 
exercício da autonomia. Mas para que essa possa acontecer diante das regras e normas 
sociais, a escola assume o papel educativo de estabelecer os limites, e para tanto a 
proposta dos reforços de Skinner surte bons resultados. 
 
 
DICA DE APROFUNDAMENTO 
 
Skinner. Disponível em: 
<https://www.youtube.com/watch?v=L_iD-JPI99Q&t=637s&spfreload=10>. 
Acesso em: 31 ago. 2017. 
 
 
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CURIOSIDADE:Skinner além de desenvolver uma teoria voltada 
para o comportamento, também se destacou por 
desenvolver “máquinas” que viabilizavam suas 
“descobertas” teóricas. 
A máquina mais famosa foi a “Caixa de Skinner”, 
que realizava os experimentos com ratos. 
 
Fonte: www.naopossoevitar.com.br 
 
 Ele construiu também um berço para sua filha, chamado de ”Berço aéreo” e 
tentou fazer com que ele chegasse ao público em geral, mas não conseguiu. Skinner 
defendia que neste berço, o bebê estaria livre para se desenvolver, considerando que o 
ambiente era adequadamente controlado, constando também dos reforços necessários para 
o desenvolvimento ideal (EPAMINONDAS, 2009). 
Além dessas duas invenções, Skinner também desenvolveu a famosa “Máquina de 
ensinar”. De acordo com ele, “O aparelho permite a apresentação de um material 
cuidadosamente planejado, no qual cada problema dependerá da resposta ao anterior e 
onde, por isso, é possível fazer progresso contínuo até a aquisição de um repertório 
complexo.” (SKINNER, 1972, p. 22). 
 
 
 
 
 
 
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4.3 Construtivismo 
 
O termo construtivismo diferente do que muitos pensam, não foi criado por Piaget, 
pelo contrário, temos um movimento pós-Piaget que se apropria da teoria dele, assim como 
de outros teóricos interacionistas para propor uma nova pedagogia, ou seja, propor uma 
nova forma de se promover a educação 
colocando o aluno como um participante ativo do 
próprio aprendizado. 
Segundo os princípios de Piaget, o foco 
da educação escolar deve ser o “o conhecer” e 
“como se chega a conhecer”. Sugere-se assim 
uma abordagem do ensino que oferece aos 
alunos a oportunidade de uma experiência 
concreta e contextualmente significativa, levando-os à construção dos seus próprios 
modelos, conceitos e estratégias. Dessa maneira o conhecimento é uma construção 
realizada na interação entre o professor e os alunos. 
Logo, o professor é o proporcionador e facilitador dos instrumentos e das técnicas 
necessárias para que os alunos construam, de uma forma ativa, o seu próprio saber, seja 
qual for o nível de ensino em que os alunos se encontrem. Sendo assim, o conhecimento, 
para a proposta construtivista, só tem sentido por meio da ação, enfim, daquilo que as 
pessoas produzem, de interpretações que convergem para algo comum e público. 
 
 
 
 
Seguindo os passos de Piaget, o ensino enfatiza as respostas elaboradas pelos 
alunos, ou seja, a construção do conhecimento. Para tanto, segue a ideia de conjunto da 
tarefa a aprender, da sua utilidade, das partes que a compõem, da relação entre as partes e 
entre as partes e o todo, ou seja, atribuindo significado ao que se propõe estudar. 
O conhecimento não pode ser concebido como algo predeterminado 
nem nas estruturas internas do sujeito, porquanto estas resultam de uma 
construção efetiva e contínua, nem nas características preexistentes do 
objeto, uma vez que elas só são conhecidas graças à mediação necessária 
dessas estruturas, e que essas, ao enquadrá-las, enriquecem-nas. (PIAGET, 
2007, p.1). 
 
Fonte: g1.globo.com 
 
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 Na atualidade, a proposta de Piaget se tornou referência nas propostas pedagógicas 
das escolas públicas ou privadas, pois os estudos de Piaget revolucionaram tanto a forma 
de estabelecer as aprendizagens como também o próprio cotidiano escolar. Afinal, quando 
se propõe a construção do conhecimento e não a simples “transmissão” do saber, tudo 
passa a ser objeto de estudo, e quanto mais a criança pergunta, participa da aula, mais rica 
essa aula se torna. 
Portanto, a contribuição dos estudos de Piaget para o exercício docente é 
considerada um divisor de águas. A partir daí a escola como um todo foi reorganizada, 
tirando de foco o professor detentor de todo conhecimento, para colocar como fundamental 
a relação de construção de conhecimentos estabelecida entre o professor e o aluno. 
Para Piaget (2007), o interesse da escola em sua teoria é prático, enquanto que os 
níveis de desenvolvimento em si são relevantes para os estudos teóricos e epistemológicos, 
ou seja, o enfoque deve estar nos resultados das práticas pedagógicas desenvolvidas em 
sala de aula e seu reflexo na aprendizagem da criança. 
 
 
 
Fonte: impressaodigital126.com.br 
 
 
SUGESTÃO DE VÍDEO 
 
Jean Piaget - Coleção Grandes Educadores. Disponível em: 
<https://www.youtube.com/watch?v=O82SIZ-MtYo> Acesso em: 31 
ago. 2018. 
http://impressaodigital126.com.br/?p=24136
https://www.youtube.com/watch?v=O82SIZ-MtYo
 
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4.4 Psicologia histórico-cultural 
 
Também com uma proposta Interacionista e muitas vezes concebida como sócio-
contrutivista, a proposta teórica de Vigotski contribui enfaticamente para o exercício 
docente. Essa teoria tem como foco conhecer o processo que a criança utiliza para chegar 
às respostas, trabalhando as funções que ainda não estão de todo consolidadas, ou seja, 
atuar na Zona de Desenvolvimento Proximal (ZDP). 
Dessa forma, a importância que se dá ao professor está relacionada ao movimento 
de mediação, ou seja, do aluno com o objeto do conhecimento (construção do 
conhecimento como sendo um processo interativo). Portanto, a escola se coloca como 
instituição indispensável à constituição de conhecimento e valores que levam a criança à 
introdução ao mundo da cidadania. Afinal, é na escola que os conceitos espontâneos se 
tornam conceitos científicos. 
 
 
Fonte: https://melgrosscartoons.files.wordpress.com/2013/03/11.jpg 
 
Na charge mostrada, verificamos o mau uso dos conhecimentos espontâneos, o 
que não vem sendo reproduzido com tanta ênfase como há alguns anos. Atualmente 
reconhecemos que os preceitos de Vigotski estão inseridos no contexto escolar, sobretudo, 
nas escolas construtivistas. 
Cabe aqui salientar que as escolas recebem essa titulação pela forma de se 
trabalhar o conhecimento, ou seja, seguindo os princípios interacionistas, podendo ser por 
meio da teoria de Piaget, Vigotski, Montessori, ou até mesmo trazendo todos esses autores 
https://melgrosscartoons.files.wordpress.com/2013/03/11.jpg
 
50 
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como um aporte teórico de fato interacionista, e não apenas dentro de uma única 
concepção teórica. 
No que tange à contribuição da teoria vigotskiana, reconhecemos os principais 
conceitos no contexto escolar, em destaque a MEDIAÇÃO e a ZONA DE DESENVOLVIMENTO 
PROXIMAL. Tais conceitos são aplicados no interior da escola, no desenvolvimento dos 
conteúdos e até mesmo nas relações afetivas. 
Quando se fala em mediação, verifica-se que a figura do professor assume o 
primeiro lugar, pois ele é visto como aquele que intermedia o conhecimento. No entanto, 
Vigotski (OLIVEIRA, 2003) salienta que mediador é todo símbolo ou elemento concreto 
capaz de intercambiar a comunicação, e dessa forma, a aprendizagem, considerando que 
essa nada mais é que a apropriação de tudo que há no 
mundo. 
Já quando estudamos, ou mesmo ouvimos algum 
professor defender a intervenção na Zona de 
Desenvolvimento Proximal e, por isso, nos deparamos 
com a dúvida: Como agir diretamente na ZDP se de fato 
cada aluno vivencia suas aprendizagens em diferentes 
níveis em relação às outras crianças? Nesse mesmo 
sentido como trabalhar a ZDP em uma sala de aula com 
muitos alunos? 
Para responder a esses questionamentos nos voltamos novamente ao conceito de 
mediação, pois é por meio da mediação que conseguimos atuar na ZDP. Nesse sentido, em 
uma sala de aula com cerca de 30 alunos tem-se como objetivo construir o conhecimento, e 
desmistificando a exclusividade do professor como mediador, colocamos as crianças para 
trabalhar em grupos, e dessa forma, elas mesmas assumem a função de mediadores e, com 
toda certeza, uns atuando na ZDP dos outros. 
 
 
 Sendo assim, a educação não pode ficar àespera do desenvolvimento intelectual 
da criança. Sua função é levar o aluno adiante, pois quanto mais ele aprende, mais se 
desenvolve mentalmente, e assim o diálogo deve permear constantemente o trabalho 
Quando observamos o curso do desenvolvimento da criança durante a idade 
escolar e no curso de sua instrução, vemos que na realidade qualquer matéria 
exige da criança mais do que esta pode dar nesse momento, isto é, que esta 
realiza na escola uma atividade que lhe obriga a superar-se. Isto se refere sempre 
à instrução escolar sadia. (VIGOTSKI, 1993, p. 244) 
A divergência entre a idade 
mental ou o nível de 
desenvolvimento atual, que se 
determina com a ajuda das 
tarefas resolvidas de forma 
independente, e o nível que 
alcança a criança ao resolver 
as tarefas, não por sua conta, 
mas sim em colaboração, é o 
que determina a zona de 
desenvolvimento proximal. 
 (VIGOTSKI, 1993, p. 239) 
 
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escolar, uma vez que para Vigotski, a linguagem é a ferramenta de mediação mais 
importante. 
 
 
 
Encerramos, assim, essa disciplina deixando como relevante a contribuição da 
Psicologia do Desenvolvimento no sentido de habilitar vocês, futuros professores, nos 
conhecimentos científicos da psicologia, visando não à formação de um psicólogo, mas sim 
de um profissional que se apropria da psicologia para aprimorar seu exercício profissional. 
 
 
 
 
 
 
 
 
Antes de continuar seu estudo, realize a atividade 4.1. 
 
 
 
 
 
SUGESTÃO DE LEITURA 
 
GALVÃO Ana Maria Dias. Vigotski e a construção do conhecimento na 
escola – a relação entre os “conceitos espontâneos” e “científicos” para o 
desenvolvimento cognitivo infantil. Disponível em: < 
http://www.maxwell.vrac.puc-rio.br/7560/7560.PDF > Acesso em: 10 jul. 2018. 
 
SUGESTÃO DE VÍDEO: 
 
Lev Vygotsky Coleção Grandes Educadores. Disponível em: 
<https://www.youtube.com/watch?v=T1sDZNSTuyE > Acesso em: 31 ago. 2018. 
 
https://www.youtube.com/watch?v=T1sDZNSTuyE
 
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REFERÊNCIAS 
BOCK, A. M. B. et al. Psicologias: uma introdução ao estudo de psicologia. São Paulo: 
Saraiva, 2002. 
 
CLONINGER, S. Teoria da personalidade. Porto Alegre: Artmed, 2003. 
 
COUTINHO, M. T. da C. Psicologia da Educação: um estudo dos processos psicológicos 
do desenvolvimento, e aprendizagens humanos, voltados para a educação: ênfase nas 
abordagens interacionistas do psiquismo humano. Belo Horizonte: Formato Original, 2004. 
 
EPAMINONDAS, Felipe. O bebê na caixa. 2009. Disponível em: 
http://scienceblogs.com.br/psicologico/2009/09/o_bebe_na_caixa/. Acesso em: 10 jul. 
2018. 
 
KUPFER, Maria Cristina. Freud e a Educação. O mestre do impossível. São Paulo: 
Scipione, 1992. 
 
LEONTIEV, A. O desenvolvimento do psiquismo. São Paulo: Centauro, 2004. 
 
LISBOA, M. D.; SOARES, D. H. P. Orientação Profissional em ação – Formação e prática 
de orientadores. São Paulo: Summus, 2000. 
 
OLIVEIRA, M. K. de. Vygotsky, aprendizado e desenvolvimento - um processo sócio-
histórico. São Paulo: Scipione, 1993. 
 
PAPALIA, D.; OLDS, S. Desenvolvimento Humano. Porto Alegre: Artmed, 2000. 
 
SCHULTZ, Duane P.; SCHULTZ, Sydney Ellen. História da psicologia moderna. São 
Paulo: Cengage Learning, 2007. 
 
SKINNER, B. F. Tecnologia do Ensino. São Paulo: Herder e Edusp, 1972. 
 
VYGOTSKI, L. S. Obras Escogidas II. Madrid: Centro de Publicaciones del M.E.C. y Visor 
Distribuciones, 1991. 
 
VYGOTSKI, L.S. Obras escogidas II. Madrid, Centro de Publicaciones del M.E.C. y Visor 
Distribuciones, 1993. 
 
______. A Construção do Pensamento e da Linguagem. São Paulo: Ed. Martins 
Fontes, 2001. 
 
VIGOTSKII, L.S.; LURIA, A.R.; LEONTIEV, A.N. Linguagem, desenvolvimento e 
aprendizagem. São Paulo: Ícone Editora, 2006. 
 
 
http://scienceblogs.com.br/psicologico/2009/09/o_bebe_na_caixa/
 
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EXERCÍCIOS E ATIVIDADES 
 
EXERCÍCIO 1 
 
A Psicologia enquanto um ramo da Filosofia estudava a alma. A Psicologia 
científica nasce quando, de acordo com os padrões de ciência do século 19, 
Wundt preconizava a Psicologia ‘sem alma’. O conhecimento tido como 
científico passa então a ser aquele produzido em laboratórios, com o uso de 
instrumentos de observação e medição. Se antes a Psicologia estava 
subordinada à Filosofia, a partir daquele século ela passa a ligar-se a 
especialidades da Medicina, que assumiria, antes da Psicologia, o método 
de investigação das ciências naturais como critério rigoroso de construção 
do conhecimento. (BOCK, 2002, p. 43). Nesse sentido temos 3 matrizes ou 
escolas da psicologia. Assinale a alternativa que traz corretamente a 
organização dessas frentes da Psicologia, em ordem cronológica. 
a) Estruturalismo, Behaviorismo, Funcionalismo. 
b) Estruturalismo, Funcionalismo, Behaviorismo. 
c) Funcionalismo, Estruturalismo, Behaviorismo. 
d) Funcionalismo, Behaviorismo, Estruturalismo. 
 
Não deixe de verificar seu aprendizado, realizando o exercício na Ambiente 
Virtual de Aprendizagem. 
 
ATIVIDADE 1.1 
 
Leia atentamente o texto a seguir. 
A PSICOLOGIA DOS PSICÓLOGOS 
 
[...] somos obrigados a renunciar à pretensão de determinar para as múltiplas 
investigações psicológicas um objeto (um campo de fatos) unitário e coerente. 
Consequentemente, e por sólidas razões, não somente históricas, mas doutrinárias, 
torna-se impossível à Psicologia assegurar-se uma unidade metodológica. [...] 
Por isso, talvez fosse preferível falarmos, ao invés de “psicologia”, em “ciências 
psicológicas”. Porque os adjetivos que acompanham o termo “psicologia” podem 
especificar, ao mesmo tempo, tanto um domínio de pesquisa (psicologia diferencial), 
um estilo metodológico (psicologia clínica), um campo de práticas sociais (orientação, 
reeducação, terapia de distúrbios comportamentais etc.), quanto determinada escola 
de pensamento que chega a definir, para seu próprio uso, tanto sua problemática 
quanto seus conceitos e instrumentos de pesquisa. [...] não devemos estranhar que a 
unidade da Psicologia, hoje, nada mais seja que uma expressão cômoda, a expressão 
de um pacifismo ao mesmo tempo prático e enganador. Donde não haver nenhum 
 
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inconveniente em falarmos de “psicologias” no plural. Numa época de mutação 
acelerada como a nossa, a Psicologia se situa no imenso domínio das ciências 
“exatas”, biológicas, naturais e humanas. Há diversidade de domínio e diversidade de 
métodos. Uma coisa, porém, precisa ficar clara: os problemas psicológicos não são 
feitos para os métodos; os métodos é que são feitos para os problemas. [...] 
Interessa-nos indicar uma razão central pela qual a Psicologia se reparte em tantas 
tendências ou escolas: a tendência organicista, a tendência fisicalista, a tendência 
psicossociológica, a tendência psicanalítica etc. Qual o obstáculo supremo impedindo 
que todas essas tendências continuem a constituir “escolas” cada vez mais fechadas, 
a ponto de desagregarem a outrora chamada “ciência psicológica”? A meu ver, esse 
obstáculo é devido ao fato de nenhum cientista, consequentemente, nenhum 
psicólogo, poder considerar-se um cientista “puro”. Como qualquer cientista, todo 
psicólogo está comprometido com uma posição filosófica ou ideológica. Este fato tem 
uma importância fundamental nos problemas estudados pela Psicologia. Esta não é a 
mesma em todos os países. Depende dos meios culturais. Suas variações dependem 
da diversidade das escolas e das ideologias. Os problemas psicológicos se diversificam 
segundo as correntes ideológicas ou filosóficas venham reforçar esta ou aquela 
orientação na pesquisa, consigam ocultar ou impedir este ou aquele aspecto dos 
domínios a serem explorados ou consigam esterilizar esta ou aquela pesquisa, 
opondo-se implícita ou explicitamente a seu desenvolvimento. 
 
Hilton Japiassu. A psicologia dos psicólogos. 2. ed. Rio de Janeiro: Imago, 1983. 
p. 24-6. 
 
A partir dos estudos realizados,assim como nas colocações existentes no 
texto lido, elabore um texto de, no mínimo 10 linhas e no máximo 15 linhas, 
analisando a proposta da psicologia científica e a psicologia do senso 
comum a partir das suas experiências frente a essa ciência. 
Submeta a atividade pela ferramenta Tarefa. 
 
ATIVIDADE 2.1 
 
Quando se direciona os estudos da Psicologia do Desenvolvimento, 
podemos pensar nesta área a partir de duas propostas, ou seja, o homem 
enquanto espécie e o homem enquanto indivíduo. Discutimos tais 
perspectivas em sala de aula e, com base nos estudos realizados, elabore 
um breve texto trazendo suas colocações sobre o estudo do 
Desenvolvimento a partir dessas duas frentes. Seu texto deve ter de 10 a 
20 linhas. 
Submeta a atividade pela ferramenta Tarefa. 
 
 
 
 
 
 
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EXERCÍCIO 2 
 
Vimos na Unidade 2 três frentes teóricas, sendo elas: Objetivista, 
Subjetivista e Interacionista. Cada uma dessas categorias traz um objeto de 
estudo da psicologia de forma distinta no que tange ao desenvolvimento 
humano. Diante disso, leia as afirmativas, numere a 2ª coluna de acordo 
com a 1ª e assinale a alternativa correta. 
 
(1) O desenvolvimento humano se dá por meio de 
aprendizagens, tudo isso em uma relação concreta 
dele com o mundo, dessa forma os 
comportamentos são o foco nesta corrente. 
 
( ) 
Teorias 
Interacionistas 
(2) Considera como fonte de todo o desenvolvimento 
as relações intrapsíquicas. 
 
( ) 
Teorias Objetivistas 
(3) Nem pelos comportamentos, nem pela estrutura 
psíquica, nesta corrente é a relação do homem 
com o mundo o foco do estudo do 
desenvolvimento humano. 
 
( ) 
Teorias 
Subjetivistas 
 
a) 1 / 2 / 3 
b) 2 / 1 / 3 
c) 3 / 1 / 2 
d) 3 / 2 / 1 
Não deixe de verificar seu aprendizado, realizando o exercício na Ambiente 
Virtual de Aprendizagem. 
 
ATIVIDADE 3.1 
 
Leia o texto a seguir, que apresenta uma situação escolar. 
 
CONSTRUINDO UM NOVO PONTO DE VISTA 
Karen foi professora de pré-escola durante alguns anos e agora assume uma 
turma de segunda série. Ela escreve: “Eu estava ansiosa para estender o meu 
programa de Educação Infantil para as necessidades das crianças do Segundo Ano do 
Ensino Fundamental, mas como eu ensinaria matemática?” 
Seu trabalho anterior de formação a ajudara entender como as crianças 
aprendem, Karen diz: “Elas precisam estar empenhadas no que fazem.... elas 
precisam trabalhar em seus próprios níveis de compreensão...”. 
Porém, como tantos outros professores, suas ideias sobre matemática e sobre 
 
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ensino da matemática não lhe permitiram traduzir essas crenças de como as crianças 
aprendem a usar a linguagem no ensino de matemática e de como construir conceitos 
científicos a partir de seus conceitos espontâneos. ... Ela jamais encorajou as crianças 
a explorar por conta própria - elas usavam esses materiais apenas nos modos que ela 
prescrevia, na maneira que faziam sentido para ela. 
A partir do texto, analise como as teorias de Vigotski e Piaget podem 
contribuir para a resolução dos problemas citados no texto. Considere em 
seu texto a proposta de desenvolvimento humano de Vigotski e de Piaget 
diante da aprendizagem. Seu texto deve ter de 15 a 20 linhas. 
 
Submeta a atividade pela ferramenta Tarefa. 
 
 
EXERCÍCIO 3 
 
Leia o enunciado abaixo. 
 Deem-me uma dúzia de crianças saudáveis, com boa formação, e meu 
próprio mundo planejado para criá-las e garanto que posso tomar qualquer 
uma aleatoriamente e treiná-las para tornar-se o tipo de especialista que eu 
escolher – médico, advogado, artista, comerciante e até mesmo mendigo e 
ladrão, independentemente de seus talentos, tendências, preferências, 
habilidades, vocações e da raça de seus ancestrais. (WATSON, 1924, p. 104 
apud CLONINGER, 2003, p. 293). A partir desta citação, podemos identificar 
os princípios de determinada teoria, sendo ela voltada para o que é 
observável e empírico. Nesse sentido assinale a alternativa que denomina 
tal teoria. 
a) Humanismo. 
b) Psicanálise. 
c) Gestalt. 
d) Behaviorismo. 
 
Não deixe de verificar seu aprendizado, realizando o exercício na Ambiente 
Virtual de Aprendizagem. 
 
EXERCÍCIO 4 
 
Para Piaget o desenvolvimento se dá por meio da interação do sujeito com 
o meio, considerando os aspectos hereditários e sobretudo a maturação do 
organismo. Nesse sentido os estudos de Piaget vão defender que todo 
conhecimento é adquirido, ou aprendido seguindo uma sequência. Assinale 
a alternativa em que esses passos estão corretamente 
ordenados/organizados. 
 
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a) Acomodação – assimilação – equilíbrio. 
b) Equilíbrio – acomodação – assimilação. 
c) Assimilação – equilíbrio – adaptação. 
d) Assimilação – acomodação – equilíbrio. 
 
Não deixe de verificar seu aprendizado, realizando o exercício na Ambiente 
Virtual de Aprendizagem. 
 
 
EXERCÍCIO 5 
 
Analise os enunciados abaixo: 
I. Para Vigotski, o mundo psíquico que temos hoje não foi nem será sempre assim, 
pois sua caracterização está diretamente ligada ao mundo material e às formas de 
vida que os homens vão construindo no decorrer da história da humanidade. 
II. A mudança individual tem sua raiz nas condições sociais de vida. Assim, não é a 
consciência do homem que determina as formas de vida, mas é a vida que se tem 
que determina a consciência. 
III. O homem é visto como ser autônomo, único responsável pelo seu próprio 
processo de individualização. 
IV. A ação do homem sobre a realidade que, não ocorre em sociedade, é um 
processo histórico. 
 
a) Apenas os enunciados I e II estão corretos. 
b) Apenas os enunciados II e III estão corretos. 
c) Apenas os enunciados I e III estão corretos. 
d) Apenas os enunciados III e IV estão corretos. 
 
Não deixe de verificar seu aprendizado, realizando o exercício na Ambiente 
Virtual de Aprendizagem. 
 
ATIVIDADE 4.1 - Livre 
 
Leia o texto “Os Alunos de Hoje e a Escola de Sempre” de André Luis Silva 
da Silva, disponível em: http://www.infoescola.com/pedagogia/os-alunos-
de-hoje-e-a-escola-de-sempre/ e elabore um texto trazendo os pontos 
discutidos na unidade 4 acerca da contribuição da psicologia para a 
educação. Seu texto deve ter entre 15 e 20 linhas. 
Apesar de um significativo avanço no campo tecnológico e social, a maneira como 
é estabelecida a relação ensino × aprendizagem no interior de uma sala de aula 
http://www.infoescola.com/pedagogia/os-alunos-de-hoje-e-a-escola-de-sempre/
http://www.infoescola.com/pedagogia/os-alunos-de-hoje-e-a-escola-de-sempre/
 
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praticamente nenhuma alteração sofreu, pois não vemos com a frequência esperada 
os novos conhecimentos em tecnologia e informação sendo empregados para melhor 
caracterização da ação do educador. 
O modo como ocorre a educação continua o mesmo que a caracterizou. Nesse 
contexto, a imagem é totalmente secundária, chegando muitas vezes a inexistente. 
Os nossos materiais didáticos continuam os mesmos, o giz e a lousa, pois parece que 
nada melhor conhecemos. “Basta lembrar a clássica história da professora que 
ascende as luzes da sala para continuar sua aula sobre eclipse, enquanto o próprio 
fenômeno ocorre lá fora” (FREIRE, 1998). 
A verdade é que foi assim que aprendemos e hoje é o máximo que conseguimos 
fazer, reproduzir. Mesmo nos cursos de formação de professores, observamos que os 
mesmos são, na maioria das vezes, centrados exclusivamente em aulas teóricas, na 
transmissão oral de conhecimento, e mesmo quando se trata dos problemas inerentes 
a este método de ensino, nada faz-se além de confirmá-lo; não há audácia 
para inovar. Esse medo aflige a humanidade desde que o termo “tempo” não era 
compreendido: o novo. E assim haverá de ser até que esta (nós) reveja sua (nossa) 
forma de pensar e hierarquização de valores. 
Somos da geração alfabética da aprendizagem por meio tãosomente do texto escrito, 
do artigo impresso ou da leitura do livro. Mas a retenção é diretamente influenciada 
pela emoção, algo que não é capaz de despertá-la não pode ser devidamente 
absorvido. E essa inquestionável verdade não é considerada quando em respeito a 
nossa maneira de utilizar do ensino, pois não são as emoções despertas sobretudo de 
modo audiovisual? 
Há, porém, uma notável diferença entre a escola do passado e a atual. A primeira, 
sob exclusiva ação do professor, consistia em a única fonte de conhecimento de seus 
alunos, sem a qual não se poderia “saber” nem “conhecer”. Mas hoje podemos 
facilmente perceber que, embora culturalmente a escola não tenha mudado, as 
pessoas das quais se compõe mudaram, e muito. O professor deixou de ser a única 
fonte de saber para seus alunos, tornando-se nem mesmo a principal. Os alunos já 
chegam à escola com uma visão de mundo pré-estabelecida, com opiniões e conceitos 
formados, com uma cultura estritamente pessoal e diversificada. E isso não poderia 
ser diferente. “O mundo desses alunos é polifônico e policrômico. É cheio de cores, 
imagens e sons. Muito distante do espaço quase que exclusivamente monotônico, 
monofônico, monocromático que a escola está a lhes oferecer” (FREIRE, 1998). O que 
esses alunos vão buscar na escola de hoje, ou melhor, ficaria a frase, o que esses 
alunos de hoje vão buscar na escola de sempre, é tudo do qual a mesma não mais 
pode oferecer-lhes. Pois, presa a uma estrutura burocrática e conservadora, encerra-
se frente aos avanços da sociedade moderna e se regula por regras que visam, 
sobretudo, definir leis sob a forma de programas e currículos, o que não condiz com o 
mundo de hoje. 
Submeta a atividade pela ferramenta Tarefa.

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