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Enfermidades dos Cavalos - Armen Thomassian-ilovepdf-compressed.pdf

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normais, a despeito de terem in-
gerido colostro de boa qualida-
de e dentro do perlodo habil de
absorc;:aode anticorpos.
o nascimento de potros em
locais inadequados, sem a higie-
ne necessaria, aliado a falta de
cuidados iniciais quanto a de-
sinfecc;:aodo umbigo logo ap6s
a nascimento, tem aumentado
em muito a incidencia de pro-
cessos septicemicos fatais. Os
principais microorganismos en-
volvidos em infecc;:oes e septi-
cemias nos potros sao: Actino-
bacillus equuli (Shigella), Esche-
richia coli, Klebsiella pneumo-
niae, AHa-streptococcus spp.,
Enterobacter cloacae, Bacillus
spp., Staphylococcus spp., Citro-
bacter spp., Salmonella spp., e
outros como a Rhodococcus equi,
Pasteurella e Clostridium spp.Al-
guns virus como Herpesvirustipo
I, Adenovirus e Rotavirus podem
eventual mente ser as agentes
causadores.
o processo se inicia com a
invasao do organismo pelos ger-
mes, atraves do umbigo, trato
respirat6rio, aparelho digest6rio
e placenta, liberando exotoxinas
au endotoxinas, dependendo do
tipo de bacteria, que causara se-
vera toxemia com danos vascu-
lares e lesoes viscerais muitas
vezes irreverslveis.
o diagn6stico precoce mui-
tas vezes e diflcil de ser estabe-
lecido, porque os sinais c1lnicos
podem nao ser patognom6nicos,
muito embora sejam sugestivos.
No inlcio, os potros podem apre-
sentar anorexia au desinteresse
em mamar, abatimento e debili-
dade geral acompanhada de de-
sidrata<;ao, febre au hipotermia
discreta, sendo que, geralmen-
te, nas fases iniciais, pode-se ate
constatar normotermia. As mani-
festa<;oesque se seguem podem
estabelecer quadros neurol6gi-
cos devido a meningite com con-
vulsao e coma, diarreia, pneumo-
nias, raramente pleurites, osteo-
mielite, artrite purulento, onfalo-
flebite e uvefte.
o estabelecimento c1fnicode
sepsis determina estado de ano-
rexia, abatimento, debilidade ge-
ral, conjuntivas extremamente
congestas e temperatura que
pode atingir 41°C ou ate 42°C.
A respirat;ao estara acelerada,
assim como a frequ€mcia cardia-
ca aumentada.
Rapidamente 0 potro pode
deitar-se, apresentar quadro con-
vulsivo au comatoso, com tempe-
ratura normal ou subnormal, so-
brevindo frequentemente a mor-
te. Nesta fase de evolut;ao, pode
aparecer ictericia e petE§quiasnas
conjuntivas e nas mucosas apa-
rentes; a desidratat;ao se instala
rapidamente, chegando a hipovo-
lemia com desidratat;ao de ate
cerca de 10%.
o diagn6stico de septice-
mia e baseado no quadro c1inico
acima descrito, devendo-se dar
atent;ao especial aos processos
como pneumonias, onfaloflebites
ou persist€mcia de uraco e, prin-
cipalmente, as diarreias diagnos-
ticadas antes au ap6s as primei-
ras manifestat;6es de sepse.
A confirmat;ao do diagn6s-
tico e realizada pela hemocultu-
ra em meio aer6bio e anaer6bio,
podendo-se ainda encaminhar
para cultivo, amostras de urina,
fezes, Ifquido sinovial, Ifquido ce-
falorraquidiano e exsudato abdo-
minal e toracico.
o tratamento deve ser inicia-
do imediatamente pela infusao
intravenosa de ringer lactato e bi-
carbonato de s6dio, uma vez que
ha grandes perdas de eletr61itos
e a acidemia e um quadro que
frequentemente se instala. Anti-
bioticoterapia devera ser institui-
da imediatamente, na fase de ata-
que, com antibi6ticos de ampia
espectro, ou a associat;ao de pe-
nicilina mais um aminoglicosfdeo.
Frequentemente a transfusao de
plasma e necessaria e benefica,
principalmente quando se suspei-
ta de transferencia passiva defi-
ciente de imunoglobulinas. A do-
se recomendada e de 20 ml/kg,
ou aproximadamente 1 litro de
plasma para um potro de 45 kg.
A antibioticoterapia devera
ser mantida, no minimo, por 8 a
10 dias nos animais que respon-
derem favoravelmente nas pri-
meiras 72 horas de tratamento,
e durante 15 dias no quadros c1i-
nicos mais rebeldes. (Ouadro 3).
A cateterizat;ao da veia jugu-
lar,fixando-se 0 cateter com pon-
to de pele, ou faixa de espa-
radrapo ou outro material aderen-
te, fornece segurant;a e menor
trauma possivel a veia, uma vez
que frequentemente a fluidotera-
pia pode se estender por varios
dias. Entretanto, devido a possi-
bilidade de ocorrencia de flebite
septica e de tromboflebite, a re-
giao que sera utilizada para a rea-
lizat;aoda venopunc;:ao,devera ser
preparada assepticamente e a
cateter trocado a cada 48 horas.
Concomitantemente a fluido-
terapia e antibioticoterapia, em
potros com sinais evidentes de
choque septico, deve ser instituf-
das corticoterapia (dexametaso-
na na dose de 0,5 a 2,00 mg/kg
pela via intravenosa como dose
unica) e anticoagulante (hepari-
na na dose de 40UI/kg pela via
subcutanea 3 vezes ao dia). Em
potros com manifestat;6es con-
vulsivas,a aplicat;ao de diazepini-
cas na dose de 0,1 mg/kg pela
via intravenosa a cada 4 a 6 ho-
ras,prevenira as traumas e possi-
bilitara a continuidade do trata-
menta fluidoterapico. A alimenta-
t;ao do potro pode ser mantida
com leite au solut;6es nutrientes,
administrando-se por sanda na-
sogastrica a equivalente a 10%
a 20% de seu peso corporal ao
dia, dividido em volumes iguais a
cada 2 a 4 horas.
A complementat;ao do trata-
menta exige, tambem, a comba-
te aos focos de infect;ao que po-
dem estar presentes no cordao
umbilical e nas articulat;6es.
A oxigenioterapia pode ser
instituida com a intuito de melho-
rar a ventilat;ao, mormente nos
quadros de manifestat;ao pulmo-
nar e acidemias graves.
Os cuidados de enfermaria e
de terapia intensiva sao importan-
tes nos resultados do tratamento.
o animal devera ser acompa-
nhado pela enfermagem 24 ho-
ras par dia,com a finalidade de se
detectar qualquer modificat;ao do
quadro m6rbido e ser imediata-
mente medicado.
1.13. Poliartrite dos potros
e osteomielite.
E uma afect;ao geralmente
de carMer agudo que pode aco-
meter potros com menos de 30
dias de idade, causada pela in-
0
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I
E QUADRO 3. Drogas antimicrobianas utilizadas em potros: droga, dose, via e freqUencia de
'(1)
(,)
aplicayoes ao dia.(1)
~
0
~(5 Droga Dose Via de aplicayao FreqUencia/diac.
0
-0
Amicacina 3,5 a 10,Omg/kg 1M/IV 2xen
Q)
'0<.r Amoxilina 10,0 a 30,Omg/kg PO/1M 3 a 4xt)
Q)
~ Ampicilina 11,0 a 22,Omg/kg 1M/IV 2 a 3x
Carbemicilina 50,0 a 80,Omg/kg 1M/IV 2 a 3x
Cefadroxil 22,Omg/kg PO 3x
Cefalotina 18,Omg/kg 1M/IV 3 a 4x
Cefoxitina 30,0 a 40,Omg/kg 1M 3 a 4x
Ceftriaxona 25,0 a 50,Omg/kg 1M/IV 2x
Cloranfenicol sue. 25,Omg/kg 1M/IV 4 a 6x
Eritromicina estol. 25,Omg/kg PO 2x
Gentamicina 2,0 a 4,Omg/kg SC/IM/IV 2 a 4x
Kanamicina 7,5mg/kg 1M/IV 3x
Metricilina 25,Omg/kg 1M 4 a 6x
Penicilina G
procaina 20.000 a 50.000UI/kg 1M 2 a 3x
s6dica 10.000 a 50.000UI/kg 1M/IV 4x
Rifampicina 10,0 a 20,Omg/kg ou 5,0 a 10,Omg/kg PO 1 a 2x
quando associada a eritromicina
para potros com Rhodococcus equi PO 2x
Sulfa-trimetropim 15,Omg/kg IV 2x
15,0 a 30,Omg/kg PO 2x
Tetraciclina 6,6 a 11 ,Omg/kg IV 2x
Ticarcilina 40,0 a 80,Omg/kg 1M/IV 3x
vasao e instala<;ao de microor-
ganismos no interior das articu-
la<;6es e nos ossos.
o processo pode ser decor-
rente de septicemias, pneumo-
nias focais, infec<;6es do umbigo
(vasos ou uraco), diarreias com
subsequente bacteremia, pene-
tra<;ao de corpos estranhos devi-
do a ferimentos ou por contigui-
dade articular nas osteomielites
adjacentes. Potros imuno-incom-
petentes, por falhas na transfe-
rencia de imunidade passiva, sac
de alto risco e podem apresentar
artrite septica e osteomielite com
incidencia elevada.
A infec<;ao acomete mais
frequentemente as articula<;6es
carpianas e tarsianas, caracteri-
zando-se por aumento de volu-
me e da temperatura local. Os
potros relutam e sentem muita
dificuldade para andar, devido
principal mente a dor, alem de
apresentarem os sinais clinicos
da afec<;ao primaria.
o diagn6stico tem como base
os sinais c1inicosgerais

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