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Enfermidades dos Cavalos - Armen Thomassian-ilovepdf-compressed.pdf

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logo ap6s 0 exercfcio,
temperatura esta que pode per-
sistir por algum tempo.
Nas sucessivas recorrencias
de anidrose, os animais podem
apresentar alterac;6es cutaneas,
tornando-se a pele ressecada,
escamosa e sem elasticidade.
Existem suspeitas de que a
capacidade de adaptac;ao ao
clima tropical, principalmente de
animais oriundos de regi6es tem-
peradas ou de clima frio, possui
um componente hereditario.
Cavalos predispostos e que
manifestam anidrose com relati-
va frequencia, devem ser manti-
dos, fora das temporadas de tra-
balho, em regi6es de temperatu-
ras mais baixas. Os animais aco-
metidos, quando levados para
essas regi6es, tem seus sinto-
mas atenuados gradativamente.
Devido a etiologia e etiopato-
genia incerta,0 tratamento e feito
baseado na sintomatologia que
o animal apresenta. Banhos com
agua em temperatura abaixo da
ambiente, principalmente nas ho-
ras mais quentes do dia, aliviam
a manifestac;aoclinica do proces-
so. Pode-se ainda associar-se
aplicac;6es lentas, pela via intra-
venosa, de soluc;6es eletrollticas
ou de cloreto de s6dio isotonica.
Paralelamente, recomenda-se a
administrac;ao de extratos de ti-
re6ide, em razao de possivel
hipotiroidismo dos cavalos afe-
tados, vitamina E e de ACTH.
Animais predispostos devem
ser mantidos preventivamente em
instalac;6es bem arejadas, abri-
gados do sol, ou em baias muni-
das de condicionadores de ar,
Contus6es
E: considerada contusao todo
trauma direto sobre a pele, sem
que haja qualquer comprometi-
mento da integridade cutanea, E:
uma lesao fechada, cuja exten-
sac depende diretamente do
agente traumatico, da potencia
do trauma e dos tecidos afetados,
Podemos reconhecer dife-
rentes graus de manifesta<;:ao
dos sintomas das contus6es:
1°Grau. Equimose: Aparece sob
a forma de uma mancha roxa
sob a pele em virtude da rup-
tura de capilares. Pode ser
precoce, imediatamente apcSs
o trauma, ou de aparecimento
tardio, diflcil de ser visualizada
em animal de pele escura,
2° Grau. Hematoma: Caracteri-
za 0 extravasamento sangur-
neo em maior grau, 0 volume
do derrame esta diretamente
relacionado ao calibre do va-
so rompido ou a extensao do
comprometimento das arte-
rias e veias, 0 hematoma ge-
ralmente se forma em razao
do deslocamento do tecido
subcutaneo e a forma<;:aode
uma cavidade sob a pele,
aparecendo uma verdadeira
bolsa de sangue no local do
trauma, ou devido a lacera-
<;:6ese rupturas de musculos,
3° e 4° Graus. Caracterizam-se
por grandes comprometimen-
tos dos tecidos devido a dis-
tensao da pele, Podem apa-
recer focos circunscritos de
necrose tecidual e gangrena
local, ou 0 completo esface-
lamento, transformando os te-
cidos em verdadeira "papa",
A evolu<;:ao das contus6es
pode ser para a cura nas peque-
nas equimoses e ocasionalmen-
te nos hematomas pequenos;
forma<;:aode seromas em derra-
mes serosos; organiza<;:ao,ob-
servada no coagulo; gangrena,
nos comprometimentos de vasos
sangurneos e,consequentemen-
te, do fluxo do sangue, tornando
aberto urn foco anteriormente fe-
chado; infec<;:ao,atraves da inva-
sac de germes patogenicos,
o tratamento esta voltado pa-
ra 0 grau da lesao e extensao
do processo, A equimose pode
ter a sua gravidade diminurda
quando imediatamente apcSs0
trauma aplicam-se compressas
frias ou gelo sobre 0 local.A a<;:ao
do frio produz vasoconstri<;:ao,di-
minuindo 0 derrame de sangue,
Ouando ele ja se fez presente, 0
usa de pomadas antiinflamatcS-
rias ou heparin6ides em massa-
gens suaves, pelo menos 2 vezes
ao dia, geralmente abranda os si-
nais ou reverte 0 processo e evita
suas consequencias em tomo de
2 a 3 dias.
Hematomas e derrames se-
rosos devem ser drenados apcSs
1 semana, tempo suficiente pa-
ra sua organiza<;:aoe matura<;:ao,
para possibilitar a drenagem e a
retirada dos tecidos danificados,
As grandes distens6es e es-
magamentos fechados deverao
ser tratados e transform ados em
feridas cirurgicas,
Nos grandes traumatismos,
quando 0 comprometimento te-
cidual e extenso, podendo aco-
meter qualquer regiao do corpo
do animal, sempre existe 0 risco
de choque traumatico. Caso 0
animal apresente sinais do cho-
que traumatico, como apatia, au-
mento da frequencia respiratcS-
ria e cardraca, sudorese, tontura
e tempo de perfusao capilar au-
mentado, institua imediatamen-
te a terapeutica geral de susten-
ta<;:aoque consiste na fluidote-
rapia com solu<;:6eseletrolrticas,
preferencialmente ringer lacta-
to, ou solu<;:aofisiolcSgica na ve-
locidade de 60 a 80 gotas por
minuto para reposi<;:aovolemica.
Concomitantemente a fluidote-
rapia, aplique cortic6ides, prefe-
rencialmente a hidrocortisona,
pela via intravenosa, dilurda na
solu<;:aoeletrolrtica, na dose de
1,0 a 4,0 mg/kg na dependen-
Figura 2.1
Fistula pre-escapular com
perfura<;:aodo es6fago.
cia da gravidade do estado de
choque. A manutenc;:ao da cor-
ticoterapia pode ser feita com a
metade da dose de ataque e
a fluidoterapia ser mais lenta.
Feridas
Ferida e toda e qualquer so-
luc;:aode continuidade da pele,
geralmente produzida por ac;:ao
traumatica externa, cuja intensi-
dade ultrapassa a resistencia dos
tecidos atingidos.
As feridas, dependendo do
tipo e intensidade da ac;:aotrau-
matica que as causaram, podem
ser c1assificadas em:
a. Quanto aos pianos que
podem atingir
1. Superficiais (simples):
possuem as bordas limpas e re-
gulares, sem apresentarem lesao
vascular ou nervosa.
2. Profundas (compostas):
apresentam-se comprometidos
varios pianos, atingindo muscu-
los, tend6es, vasos, nervos e os-
sos, dependendo da regiao atin-
gida pelo agente traumatico.
1. Perfurantes (penetrantes):
quando sac causadas por obje-
tos pontiagudos como pontas de
madeira, bambus etc. Em geral
a lesao cutanea e pequena, po-
rem profunda, e, frequentemente,
quando a perfurac;:aoe causada
por madeira ou bambu, um frag-
mento pode permanecer no fun-
do da lesao e produzir contami-
nac;:aolocal que evolui para a for-
Figura 2.2
Esfacelo da pele e dos tend6es.
mac;:aode uma fistula. As conse-
quencias das feridas perfurantes
dependem da lesao e das estru-
turas atingidas, sendo a hemor-
ragia pequena, a nao ser que um
vasa calibroso seja atingido pelo
corpo estranho. As feridas pene-
trantes podem tambem atingir
articulac;:6es,cavidade abdominal,
caixa toracica, ou outras estrutu-
ra vitais, com graves consequen-
cias quanto a vida do animal.
2. Incisas: sac incisas as feri-
das que apresentam cortes cau-
sados por objetos afiados, produ-
zindo danos, cuja gravidade esta
na dependencia da profundidade
e do local atingido. As areas mais
comumente acometidas sac os
membros e a regiao peitoral, que
podem apresentar cortes profun-
dos afetando tend6es e feixes
vasculonervosos, com serios ris-
cos para a vida, quando houver
hemorragia profusa As feridas in-
cisas podem ser acompanhadas
de grandes lacerac;:6es,quando a
ac;:aodo corte proporciona arran-
camento de grande extensao da
pele, observada com muita fre-
quencia quando os cavalos pren-
dem ou enrolam as patas em ara-
me lisoou em arame farpado, pro-
duzindo um verdadeiro esfacela-
mento dos tecidos com gravissi-
mas consequencias.
Figura 2.3
Trauma com fratura do osso
maxilar e exposiyao do seio.
3. Contusas: sac as feridas
produzidas por objetos pianos,
sem pontas ou corte, ou forem
capazes de provocarem solu-
<;:6esde continuidade da pele
por traumas em graus variados,
podendo ainda comprometer
estruturas profundas como va-
sos, nervos e ossos.
4. Associadas: a. perfuro-in-
cisas; b. perfuro-contusas; c. la-
cero-contusas (esfacelo).
c. Quanto a presen9a de
microorganismos
1. Assepticas: quando 0 ferimen-
to nao teve contato com ter-
ra,fezes ou entao foi causado
por objeto esterilizado,e tenha
decorrido, no maximo, ate 6
horas de evolu<;:ao.
2. Contaminadas: quando

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