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Enfermidades dos Cavalos - Armen Thomassian-ilovepdf-compressed.pdf

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seja posslvel,
fac;a hemostasia comprimindo a
ferida com uma compressa ou
toalha limpa ate que 0 sangue
pare ou 0 vasa seja ligado. Em
seguida, proceda a anaplastia.
Ap6s a sutura, caso 0 animal
nao esteja vacinado contra 0 te-
tano, aplique pela via intramus-
cular ou subcutanea 5.000 U de
soro antitetanico e inicie trata-
mento com penicilina G benzati-
na na dose de 40.000 UI/kg, pe-
la via intramuscular, realizando
uma aplicac;:aoa cada 3 dias, ate
a retirada dos pontos. Fac;:alim-
peza diaria da sutura, passando
anti-septico com algodao e, se
for possfvel, conserve a ferida ci-
rurgica aberta, sem enfaixar, para
melhor ventilac;:aoe cicatrizac;:ao.
Caso seja necessario proteger-
se a ferida cirurgica, utilize espa-
radrapo especial para esta fina-
lidade ou fixe uma faixa de gase
com cola ou sutura.
Ferimentos tratados por pri-
meira intenc;:ao,localizados nos
membros, principal mente sobre
articulac;:6es, frequentemente
dao deiscencias de pontos, isto
e, ocorre abertura dos labios da
ferida e produc;:aode secrec;:ao
purulenta, obrigando tratamento
por segunda intenc;:ao.A deis-
cencia pode ocorrer devido a in-
terrupc;:ao do fluxo sangufneo,
pela tensao dos nos e pelos mo-
vimentos amplos da regiao su-
turada, que pode secionar a pele
nas bordas da ferida.
Sao tratadas por segunda in-
tenc;:aotodas as feridas que apre-
sentem contaminac;:aopela pre-
senc;:ade secrec;:aopurulenta ou
por terem sido ocasionadas ha
mais de seis horas. Tambem as
feridas cirurgicas que apresenta-
rem necrose ou deiscencia dos
pontos saDtratadas por segunda
intenc;:ao.
Muitos saD os metodos tera-
peuticos e conselhos de como
tratar uma ferida aberta A maioria
procura pomadas e formulas mi-
lagrosas que geralmente resul-
tam em retardo da cicatrizac;:aoou
em uma cicatriz exuberante, ou
em linfangites por invasaosecun-
daria de germes. Produtos como
creolina,agua oxigenada e "spray"
repelente e cicatrizante, saDcon-
tra-indicados em membros de
equinos por propiciarem 0 desen-
volvimento de enormes granulo-
mas que depreciam 0 animal e
sangram com muita facilidade.
o importante e manter a ferida
limpa, utilizando-se anti-septicos
suaves como Ifquido de Dakin
ou permanganato de potassio
1:5000 ou, ate mesmo, agua lim-
pa;em seguida utilizeglicerina io-
dada a 10%, passando com al-
godao sobre 0 ferimento. Fac;:a
isto 2 vezes ao dia Dentro de 5 a
7 dias pode-se notar a formac;:ao
de um tecido de granulac;:aoro-
seo intenso, que prolifera da pe-
riferia para 0 centro da lesao, pa-
ra depois ocarrer a epitelizac;:ao.
Se ocasionalmente houver
muita mosca, e se a ferida for em
um membro, proteja-a com um
penso aplicado levemente para
nao causar constric;:aovascular.
Caso ocorra intenso ataque
de moscas sobre a lesao,ha 0 ris-
co de formac;:aode mifase, 0 que
e indesejavel por irritar 0 animal e
prejudicar a cicatrizac;:ao.Utilize
o seguinte esquema:
1. Lave diariamente a ferida com
agua e sabao de coco, sem
esfregar.
2. Limpe com Ifquido de Dakin
ou permanganato de potassio
1:5000.
3. Aplique uma fina camada de
pomada com a seguinte for-
mulac;:ao:
- Oxido de zinco - 100 g.
- Penicilinabenzatinasemes-
tar dilufda - 1.200.000 UI
- Triclorfom po - 9 9
- Furazolidona ou oleo de
ffgado de bacalhau 0 su-
ficiente para dar consis-
tencia a pomada.
Atenc;:ao especial deve ser
dada a lavagem da ferida, de-
vendo-se realiza-Ia com irriga-
dores ou seringas de 100 ml, 0
que possibilita jato Ifquido sob
pressao com ac;:ao mecanica
sobre as secrec;:6es. Este pro-
cedimento permite que cerca
de 80% das secrec;:6es sejam
eliminadas do foco. Outro as-
pecto ainda a ser considerado,
e a quantidade de fluido que
deve ser abundante, 0 tipo de
fluido e a adic;:ao de substan-
cias antimicrobianas ao Ifquido,
no final da lavagem. A lavagem
pode ser tambem realizada na
sua fase inicial com soluc;:aofi-
siologica, e, no final, ser subs-
titufda por anti-septicos como
Ifquido de Dakin, soluc;:ao de
iodo-povidine a 1% ou sulfato
de neomicina a 0,25%. Feri-
mentos tratados por segunda
intenc;:ao,apresentam boa res-
posta cicatricial com lavagens
diarias com soluc;:aooriunda de
estrato de barbatimao (planta
arbustivo bem distribufda no
territorio nacional) ou iodo-
povidine com ac;:ucar,preferen-
cialmente cristal ou mascavo.
Ferimentos cutaneos com
baixa res posta cicatricial, na
maiaria das vezes necessitam
de debridamento das margens
no sentido de estimular-se e
II
Figura 2.7
Enxerto autologo de pele.
Figura 2.8
Colar de contenQao.
possibilitar a epiteliza<;:ao.Esta
manobra pode ser realizada com
a ponta do bisturi voltada para a
pele, "descolando-se" cerca de
3mm de toda a borda da ferida.
Em geral nao ha necessidade
de se realizar bloqueio aneste-
sico, e 0 sangramento que pode
acontecer deve ser contido com
penso compressivo.
Ouando 0 ferimento for muito
extenso ou se pn:;tendemanter
um aspeeto estetico a cicatriz,
principalmente em lesoes cuta-
neas localizadas nos membros,
pode-se se realizar a enxertia de
pele, utilizando-se fragmentos
retirado de outra regiao do corpo
do cavalo.
E extremamente importante
a aplica<;:aodo colar de conten-
<;:aoem volta do pesco<;:o,ou 0
usa de focinheira (bu<;:al),para
impedir a automutila<;:ao que
prejudica a cicatriza<;:ao normal
e estimula a forma<;:aode tecido
de granula<;:aoexuberante.
Normalmente 0 ferimento,
dependendo de sua extensao,
devera cicatrizar em tomo de 15
a 30 dias.
Nao se esque<;:ado soro an-
titetanico se 0 animal nao for va-
cinado, e antibioticoterapia para
controlar ou impedir a invasao
de germes.
Ocasionalmente podemos
ter ferimentos extensos cau-
sados por substancias quimi-
cas causticas mortificando a
pele e 0 tecido celular subcu-
tan eo. Lave a lesao cuidado-
samente com agua e sabao de
coco ou com solu<;:aode bicar-
bonato de s6dio, no caso de
acidos. Remova todo a tecido
mortificado e, '2 vezes ao dia,
ap6s lavagem com Irquido de
Dakin, passe sabre a lesao,
glicerina iodada a 10% ou 61eo
de f1gado de bacalhau. Man-
tenha 0 cavalo ao abrigo da luz
solar.
Casos em que haja tenden-
cia a forma<;ao de tecido de gra-
nula<;aoexuberante, a ferida de-
vera ser tratada com ressec<;ao
do tecido excessivo, quantas ve-
zes forem necessarias, e apli-
cado penso compressivo para
controle mecanico da granula-
<;ao.Geralmente, quando da res-
sec<;ao do tecido granulomato-
so, podera ser necessaria 0 de-
bridamento cirurgico das bordas
da ferida. Ainda nos casos de
granulomas exuberante, alem
das ressec<;6es cirurgicas con-
vencionais, poder-se-a utilizar a
criocirurgia com gas carbonico
ou nitrogenio Irquido,objetivando
a inibi<;aoda granula<;aoao nrvel
da pele.
E de fundamental importan-
cia 0 diagn6stico diferencial da
etiopatogenia do granuloma exu-
berante. Granula<;6esproduzidas
por larvas de habronema ou de-
vida a pitiose saGtratadas com-
pletamente diferentes e serao
abordadas em cada processo em
particular.
Para que se possa realizar
um exame c1rnico criterioso e
se manter um registro adequa-
do do caso atendido, recomen-
damos a utiliza<;ao do seguinte
protocolo de exame de feridas,
a ser anexado ao prontuario do
animal:
Figura 2.9
Oueimadura com substancia acida.
Figura 2.10
Oueimadura com substancia acida.
Rac;:a: Pelagem: _
Nome do proprietario: _
Enderec;:o: _
Descric;:aoda Ferida
Local: _
Tempo de ocorrencia _
Fase: _
Estruturas atingidas: _
Tamanho: em cm, X cm, Profundidade em cm,: _
Presen<;:ade:
( ) Exsudato:
Ouantidade: _
Tipo: _
Cor: _
Odor: _
( ) Corpo Estranho
OuaIOs)?: _
( ) Necrose ( ) Mifase ( ) Tecido de Granula<;:ao Exuberante
Tratamentos Realizados
( ) Nao fol tratada
( ) Primeira inten<;:ao:
Oual 0 fio e tipo de ponto utilizado?: _
( ) Segunda inten<;:ao: _
( ) Anti-septicos:
OuaIOs)?: _
Como?: _
Por quanto

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