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Resumo Atenção integral a saude

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Resumo – Atenção Integral à SaúdeNathália Castelan
Aula: Diferentes Concepções Sobre Saúde
 “O conceito de saúde reflete a conjuntura social, econômica, política e cultural. Ou seja: saúde não representa a mesma coisa para todas as pessoas. Dependerá da época, do lugar, da classe social. Dependerá de valores individuais, dependerá de concepções científicas, religiosas, filosóficas.” Moacyr Scliar
· concepção mágico-religiosa: a doença resulta da ação de forças alheias ao organismo que neste se introduzem por causa do pecado ou de maldição; um sinal da cólera divina, diante dos pecados humanos. Deus é também o Grande Médico: “Eu sou o Senhor, e é saúde que te trago” (Êxodo 15, 26); “De Deus vem toda a cura” (Eclesiastes, 38, 1-9).
Doença = desobediência ao mandamento divino.
· Concepção racional: - Hipócrates de Cós (460-377 a.C.)
postulou a existência de quatro fluidos (humores) principais no corpo: bile amarela, bile negra, fleuma e sangue. Desta forma, a saúde era baseada no equilíbrio desses elementos. Ele via o homem como uma unidade organizada e entendia a doença como uma desorganização desse estado.
 - valorização da observação empírica – visão epidemiológica do problema de saúde fatores ambientais ligados à doença, defendendo um conceito ecológico de saúde-enfermidade.
· Miasma: emanações de regiões insalubres capazes de causar doenças. O nome vem do latim e significa “maus ares”. 
- Galeno (129-199) revisitou a teoria humoral e ressaltou a importância dos quatro temperamentos no estado de saúde. Via a causa da doença como endógena dentro do próprio homem, em sua constituição física ou em hábitos de vida que levassem ao desequilíbrio.
· O suíço Paracelsus (1493-1541) afirmava que as doenças eram provocadas por agentes externos ao organismo. Naquela época, e no rastro da alquimia, a química começava a se desenvolver e influenciava a medicina. Dizia Paracelso que, se os processos que ocorrem no corpo humano são químicos, os melhores remédios para expulsar a doença seriam também químicos.
· o desenvolvimento da mecânica influenciou as idéias de René Descartes, no século XVII. Ele postulava um dualismo mente-corpo, o corpo funcionando como uma máquina. Ao mesmo tempo, o desenvolvimento da anatomia, também conseqüência da modernidade, afastou a concepção humoral da doença, que passou a ser localizada nos órgãos.
· “Revolução pasteuriana” , final do século XIX: microscópio revelando a existência de microrganismos pela primeira vez, fatores etiológicos até então desconhecidos estavam sendo identificados; doenças agora poderiam ser prevenidas e curadas
· OMS - 7 de abril de 1948 (desde então o Dia Mundial da Saúde) – reconhece o direito à saúde e a obrigação do Estado na promoção e proteção da saúde - “Saúde é o estado do mais completo bem-estar físico, mental e social e não apenas a ausência de enfermidade”. O campo da saúde abrange: 
a biologia humana, que compreende a herança genética e os processos biológicos inerentes à vida, incluindo os fatores de envelhecimento;
o meio ambiente, que inclui o solo, a água, o ar, a moradia, o local de trabalho;
o estilo de vida, do qual resultam decisões que afetam a saúde: fumar ou deixar de fumar, beber ou não, praticar ou não exercícios; 
a organização da assistência à saúde.
Aula: Modelos de atenção à saúde
Concepção saúde / doença + recursos disponíveis (estes determinados pela economia) = Atenção à saúde é o conjuntod e saberes e técnicas que determinam as ações destinas ao enfrentamento dos problemas relacionados à saúde, incluídas em serviços sistematicamente ofertado ou de caráter eventual Modelo de atenção à saúde é, então, a forma como está organizado este conjunto de saberes e técnicas.
1. Modelo biomédico: biomedicina, medicina contemporânea, modelo clínico ou modelo flexneriano. 
-Racionalista, mecanicista, cartesiana e biologicista
- Busca causas naturais das doenças
- Corpo é análogo a uma maquina
- Procura compreender o todo a partir de suas partes
- Conhecimento dos aspectos biológicos da doença
- Saúde = ausência de doença
- Ainda vigora
Consequências: Conhecimento fragmentado; ênfase na doença deixando a saúde mental de lado ; ênfase nos processos curativos, privilegiando os processos de diagnóstico e terapêutica em detrimento dos aspectos preventivos e da promoção da saúde; concentração do poder no médico, privilegiando só um olhar sobre as questões que se apresentam.
Alternativas: Reino Unido 1920 - Nele coloca-se o médico clínico geral como o primeiro contato do paciente em qualquer cadeia de serviços. É a partir de um centro primário de serviços que se organizaria a atenção ao usuário. Fala-se em uma organização de serviços hierarquizada, em crescente grau de complexidade. Para compor uma rede de serviços, Dawson considera importante que os profissionais não fiquem isolados, mas que possam formar uma “corrente intelectual e de camaradagem” entre profissionais de diferentes serviços, de forma atuar na formação dos mesmos e na eficiência das unidades de saúde (seja de atenção domiciliar, centros primários, secundários ou hospitais escola) (Dawson, 1964). 
2. Concepção ampliada: OMS 1948 traduz a percepção da importância da sociedade e do ambiente de trabalho, ao ampliá-lo para além da ausência da doença e relacioná-lo ao direito a uma vida plena.
Complementação da aula: ATENÇÃO À SAÚDE
Gustavo Corrêa MattaMárcia Valéria Guimarães Morosini
Atenção à saúde designa a organização estratégica do sistema e das práticas de saúde em resposta às necessidades da população. É expressa em políticas, programas e serviços de saúde consoante os princípios e as diretrizes que estruturam o Sistema Único de Saúde(SUS).
A compreensão do termo ‘atenção à saúde’ remete-se tanto a processos históricos, políticos e culturais que expressam disputas por projetos no campo da saúde quanto à própria concepção de saúde sobre o objeto e os objetivos de suas ações e serviços, isto é, o que e como devem ser as ações e os serviços de saúde, assim como a quem se dirigem, sobre o que incidem e como se organizam para atingir seus objetivos.
Numa perspectiva histórica, a noção de atenção pretende superar a clássica oposição entre assistência e prevenção, entre indivíduo e coletividade, que durante muitos anos caracterizou as políticas de saúde no Brasil. Dessa forma, remete-se à histórica cisão entre as iniciativas de caráter individual e curativo, que caracterizam a assistência médica, e as iniciativas de caráter coletivo e massivo, com fins preventivos, típicas da saúde pública. Essas duas formas de conceber e de organizar as ações e os serviços de saúde configuraram dois modelos distintos – o modelo biomédico e o modelo campanhista/preventivista – que marcaram, respectivamente, a assistência médica e a saúde pública, faces do setor saúde brasileiro cuja separação, há muito instituída, ainda representa um desafio para a constituição da saúde em um sistema integrado.
O modelo biomédico, estruturado durante o século XIX, associa doença à lesão, reduzindo o processo saúde-doença à sua dimensão anatomofisiológica, excluindo as dimensões histórico-sociais, como a cultura, a política e a economia e, conseqüentemente, localizando suas principais estratégias de intervenção no corpo doente. Por outro lado, desde o final do século XIX, o modelo preventivista expandiu o paradigma microbiológico da doença para as populações, constituindo-se como um saber epidemiológico e sanitário, visando à organização e à higienização dos espaços humanos.
No Brasil, os modelos de atenção podem ser compreendidos em relação às condições socioeconômicas e políticas produzidas nos diversos períodos históricos de organização da sociedade brasileira.
O modelo campanhista – influenciado por interesses agroexportadores no início do século XX – baseou-se em campanhas sanitárias para combater as epidemias de febre amarela, peste bubônica e varíola, implementando programas de vacinação obrigatória, desinfecção dos espaços públicos e

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