Logo Passei Direto

A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
22 pág.
- FAMÍLIA E ESCOLA- PARCEIRAS NO PROCESSO EDUCACIONAL DA CRIANÇA

Pré-visualização | Página 1 de 7

0 
FAMÍLIA E ESCOLA: PARCEIRAS NO PROCESSO EDUCACIONAL DA 
CRIANÇA 
 
 
 
Jiane Martins Soares1 
 
 
RESUMO 
 
 
 
A educação da criança assume um caráter global no sentido de que atribui a todas 
as instituições principalmente no que condiz a escola e a família parcelas essenciais 
na responsabilidade e de parceria na processo de formação infantil. A grande 
contradição se dá pelo fato de que no imaginário escolar e familiar, as expectativas 
em relação à educação não são cumpridas entre uma e outra, o que gera um 
diálogo árduo e não raras vezes, mutuamente sem retorno. Mesmo assim tais 
instituições precisam assumir as responsabilidades que lhes cabe, no sentido de 
garantir que a aprendizagem aconteça numa educação voltada para o exercício 
ético da democracia e da cidadania. O presente artigo pretende investigar, junto à 
teoria, qual é o papel da família e escola no desempenho escolar das crianças. 
Portanto, foi realizada uma pesquisa bibliográfica buscando fundamentação teórica 
para a concretização do objetivo almejado. No alcance dos resultados, constatou-se, 
entre outros aspectos, que cabe aos profissionais da educação, ou seja, aos 
professores darem o primeiro passo para que a parceria entre escola e família possa 
acontecer de forma efetiva. Para isto, deve-se considerar o planejamento das 
reuniões escolares a fim de que não sejam somente “informativas”, mas interativas e 
dinâmicas. 
 
 
Palavras-chave: Família. Escola. Parceria. Educação. Crianças. 
 
 
A escola se vê diante de vários problemas educacionais agregados à 
desordem, ao desrespeito a regras de conduta e à falta de limites com seus alunos 
que considera como responsabilidade da família, e esta nutre uma expectativa de 
que a escola forneça a criança alguns ensinamentos, muitas vezes equivocada. 
É possível perceber nos estudos de Vasconcelos (1989) que cada vez mais 
os alunos vêm para a escola com menos limites trabalhados pela família. Muitos 
pais chegam mesmo a passar toda responsabilidade para a escola. Mediante suas 
 
1
 Licenciatura Plena em Pedagogia com habilitação em docência de 1ª a 4ª série do Ensino 
Fundamental e Administração Educacional pelo Instituto de Ensino Superior do Amapá - IESAP; Pós-
graduação em Psicopedagogia Institucional pela Faculdade Meta de Macapá. 
 
 
1 
remotas experiências como estudantes e a desorganização da classe que os filhos 
relatam, os pais exigem da escola uma postura autoritária. É preciso ajudá-los a 
compreender que existe uma outra alternativa, que supera tanto o autoritarismo, 
quanto o espontaneísmo. 
Discutir e reconstruir esses contornos se mostra necessário à reflexão sobre 
situações, por vezes, problemáticas, principalmente no que tange ao conhecimento 
sobre o tipo de família que hoje a escola tem que lidar e como lidar. 
Por outro lado, sabe-se que a família, por mais que tenha inúmeras 
responsabilidades educacionais sobre a criança, necessita de auxílio para efetivar 
este ensino com qualidade, como destaca Parolim (2007, p. 14): “sabemos que a 
família está precisando da parceria das escolas, que ela sozinha não dá conta da 
educação e socialização dos filhos”. Como conseqüência disto, a educação 
fornecida nestas duas instituições, ao invés de se complementarem, concorrem 
entre si, conforme a mesma autora destaca: “os professores afirmam que as 
posturas familiares são adversas ás posturas que adotam na escola com os alunos, 
como agravante em termos das suas aprendizagens”. 
Diante deste problema, questiona-se o que pode ser feito para que família e 
escola possam caminhar juntas no processo de ensino e aprendizagem do 
educando? 
 Ao ponderar a necessidade de uma postura democrática participativa por 
parte da escola, acredita-se que a solução para tal embate seja atrair a família para 
a escola através de instrumentos comunicativos que realmente sejam efetivos, que 
não sirvam somente para “informar”, mas para coletivizar conhecimentos, onde 
ambas possam comparar, construir e reformular seus métodos de ensino 
conseguindo com isto, efetivar suas funções de educadores. 
Diante desta situação, este artigo tem como objetivo principal investigar junto 
à teoria qual é o papel da família e escola no desempenho escolar das crianças. 
Como forma de atingir o objetivo almejado, o estudo estrutura-se 
primeiramente na família dos dias atuais, apresentando os tipos de famílias 
existentes na contemporaneidade, bem como suas responsabilidades educacionais 
na formação da criança. Tais informações são primordiais para que se possa 
entender que cabe a família, independente de suas obrigações profissionais, 
algumas ações formativas voltadas, não somente para a construção de valores, mas 
de outras práticas essenciais para a formação da criança. 
lilia
Realce
lilia
Realce
 
 
2 
Posteriormente, abordam-se as funções da escola no processo educacional 
da criança, bem como algumas propostas para que escola e família caminhem 
juntas, principalmente no que condiz ao preparo das reuniões escolares. 
 
 
 
1 FAMÍLIA: MUDANÇAS ATUAIS E RESPONSABILIDADES ANTIGAS 
 
 
Nos últimos vinte anos, várias mudanças ocorridas na sociedade atual 
relacionadas ao processo de globalização da economia capitalista vêm interferindo 
na dinâmica e estrutura familiar e possibilitando mudanças em seu padrão 
tradicional de organização. Conforme os estudos de Pereira (1995), a queda da taxa 
de fecundidade, o declínio no número de casamentos, o aumento de famílias onde 
os pais não vivem juntos, entre outros aspectos, tornam as famílias dos dias atuais 
bem diversificadas. 
No passado era possível definir a família como pais, filhos e outros parentes 
vivendo num mesmo ambiente, hoje em dia isto mudou, além de muitos pais viverem 
separados, existem outros aspectos, como destaca Dias (2005, p. 210): 
 
 A família é um grupo aparentado responsável principalmente pela 
socialização de suas crianças e pela satisfação de necessidades básicas 
Ela consiste em um aglomerado de pessoas relacionadas entre si pelo 
sangue, casamento, aliança ou adoção, vivendo juntas ou não por um 
período de tempo indefinido. 
 
Muito embora, é necessário ressaltar que essas mudanças não devem ser 
encaradas como tendências negativas, ou sintomas de "crise". A aparente 
desorganização da família é um dos aspectos da reestruturação que ela vem 
sofrendo, os papéis sociais atribuídos entre o homem e a mulher tendem a se 
modificar não só no lar, mas também no trabalho, na rua, no lazer e em outras 
esferas da atividade humana. 
Portanto, não se pode mais falar de família, mas de “famílias”, para que se 
possa tentar entender a diversidade de relações que convivem em nossa sociedade. 
A família é o lugar indispensável para a garantia da sobrevivência e da proteção 
integral dos filhos e demais membros, independentemente do arranjo familiar ou da 
forma como vêm se estruturando. 
 
 
3 
Inúmeras dificuldades podem ser encontradas na educação familiar devido os 
reflexos que a sociedade emana, como destaca Cury (2003, p. 28): “hoje, bons pais 
estão produzindo filhos ansiosos, alienados, autoritários, indisciplinados e 
angustiados”. Nesta perspectiva, destaca o mesmo autor que além de não adotarem 
um tempo para educar os filhos a enfrentar os problemas sociais, a própria 
sociedade é responsável em “deseduca-los” devido à quantidade de estímulos que 
exercem na criança. Dentre eles, encontram-se os apelos para o consumo 
desenfreado, para a violência, para o sexo sem limites que para o autor são: 
“estímulos sedutores que se infiltram nas matrizes de sua memória (...), os pais 
ensinam os filhos a serem solidários e a consumirem o necessário, mas o sistema 
ensina o individualismo e a consumir sem necessidade”. 
Combinando as relações atitudinais por parte da família na educação dos 
filhos, é possível diferenciar três tipos diferentes de pais de acordo
Página1234567