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LUDICIDADE Uma ferramenta facilitadora para aprendizagem Caroline Daniel de Araujo Marilene Souza Alves Alexandre Professor Orientador: Ana Jandira Nascimento Gonçalves Centro Universitário Leonardo da Vinci - UNIASSELVI Licenciatura em Pedagogia (PED1557) – Trabalho de Graduação 30/10/2019 RESUMO Esse trabalho de graduação baseia-se em despertar o interesse sobre a ludicidade no desenvolvimento cognitivo e social infantil no campo educacional. Tem como objetivo a reflexão do lúdico como metodologia de ensino através de brinquedos, jogos e brincadeiras, que promove na criança o desenvolvimento em todos os aspectos. E por intermédio dos estágios I, II e II, de acordo com a análise efetuada no C.M.E.I. Maria Lopes da Silva-Dona Pequena e Escola Municipal Etelvina de Souza Pereira, através de pesquisas, observações, entrevistas e informações coletadas, foram possíveis ressaltar a importância do papel da escola, equipe gestora, professores, pais, alunos e toda a comunidade escolar para o desenvolvimento integral da criança, para assim se conhecer e refletir os efeitos das ações pedagógicas e as contribuições das atividades lúdicas no processo de ensino e aprendizagem. Consequentemente a ludicidade é um método em que se aprende de maneira natural e significativa, podendo afirmar que brincando se aprende, pois as atividades lúdicas vivenciadas na infância influenciam diretamente o nosso caráter, personalidade, socialização e as escolhas que fizemos e faremos ao longo de nossa vida. Palavras-chave: Ludicidade; Aprendizagem; Educação. 1 INTRODUÇÃO Partindo da área de concentração Metodologia de Ensino escolheu-se o tema Ludicidade, onde oportuniza o aprofundamento teórico acerca do assunto. O estudo realizado tem por objetivo aumentar a prática de atividades lúdicas em sala de aula, estimular através de jogos recreativos a curiosidade da criança para que ela aprenda brincando, desenvolver atividades interativas (músicas, dança de roda, entre outros) que desenvolvam a afetividade e a socialização. Além de realizar atividades individuais com a finalidade de desenvolver a concentração e a imaginação da criança, companheirismo e união entre elas, promovendo através de brincadeiras momentos de lazer e assim melhorar o relacionamento entre educador e educando. 2 Tem-se como intuito, promover uma reflexão crítica sobre o saber e o fazer do professor, conceituar as diferentes áreas do conhecimento e suas concepções didáticas, estabelecendo uma relação entre a reflexão e a prática do processo do trabalho docente. Diante da realidade escolar como síntese das relações econômicas, sociais, culturais e políticas escolheu-se o tema Ludicidade, por ser uma forma simples e natural de comunicação, pois através de brincadeiras, jogos e brinquedos é possível desenvolver o lado cognitivo, motor, emocional e social nas crianças. Além do mais, se pode afirmar que brincando se aprende e que a metodologia abordada foi qualitativa, por apresentar nesse trabalho entrevistas, observações, coletas de informações que contribuíram para as regências, entre outros. Na primeira parte do trabalho, discutiu-se o conceito de ludicidade, onde foi dialogado sobre as intenções das atividades lúdicas, cabendo à escola e ao professor inserir brincadeiras no cotidiano escolar e preparar aulas dinâmicas, que além de divertir ajudam a superar as dificuldades de aprendizagem, sendo que essas ações devem contribuir para o desenvolvimento da criança e que é preciso de conhecimento e o preparo pedagógico. A seguir, relatou-se como a ludicidade deve ocorrer na etapa da Educação Básica e a importância da mesma ser desenvolvida desde a Educação Infantil, visto que o lúdico propicia as crianças uma série de desenvolvimentos favoráveis que vai desencadeando seu aprendizado, ajuda a vivenciar fatos e favorecer aspectos cognitivos. Com a Ludicidade, a criança também pode expressar seus sentimentos, dúvidas e alegrias, descobrir as regras do jogo, as emoções, sentimentos, novos conhecimentos e viver melhor socialmente, proporcionando as crianças novos conhecimentos, habilidades, pensamento e entendimento lógico, sendo recurso útil para uma aprendizagem diferenciada e significativa. Na sequência, descreveram-se fatores que interferem nas práticas lúdicas e o papel do gestor neste processo, pois na perspectiva da ludicidade há relevância do papel do Gestor Escolar no planejamento pedagógico das atividades lúdicas. O gestor é considerado agente de transformação do meio escolar em que trabalha e deve disponibilizar para sua equipe bons materiais para pesquisa, fazer parceria com recursos humanos da comunidade, investir na formação continuada dos professores e demais funcionários da escola, para assim trabalhar de forma dinâmica o brincar no meio educacional. Portanto, essa participação do gestor ajuda os professores a se sentirem mais preparados para trabalhar com seus alunos, garantindo assim, o desenvolvimento em cada fase da criança. 3 Finalmente, serão apresentadas as considerações finais que descrevem todos os processos de descobertas e experiências vividas no desenvolver dos estágios supervisionados, que é essencial na formação acadêmica, construção não apenas profissional, mas também pessoal, uma vez que possibilita a reflexão da importância da Ludicidade como Metodologia de Ensino, utilizada como mediação para aquisição do conhecimento, em todos os aspectos do meio educacional. Esse trabalho traz ainda a lista de referências de vários autores usadas para sua elaboração, com título, edição, local, editora e data da publicação, pois esses elementos são essenciais e indispensáveis em qualquer trabalho, ao estabelecer convenções e apresentação de informações de documentos originais na forma exata, precisa e completa. 2 LUDICIDADE NA EDUCAÇÃO INFANTIL Na Educação Infantil, a brincadeira é um meio para a criança socializar e desenvolver-se como pessoa. De acordo com o RCNEI (BRASIL, 1998), a prática lúdica na educação infantil não deve ser considerada como um simples passa tempo; também não se restringe à mera diversão, pois é no brincar que a criança aprende e se desenvolve de maneira prazerosa. Na Educação Infantil por intermédio do brincar a criança se comunica, desenvolve-se e reproduz seu cotidiano. Mediante a brincadeira, ela aprende melhor e se socializa com facilidade, pois é brincando que as crianças constroem o mundo das ideias abstratas, vivenciam experiências que enriquecem o seu conhecimento real e povoam a sua imaginação com elementos da fantasia. “O lúdico influencia muito no desenvolvimento da criança. É através do lúdico que a criança aprende a agir, sua curiosidade é estimulada, adquire iniciativa e autoconfiança, proporciona o desenvolvimento da linguagem, do pensamento e da concentração”. (VYGOTSKY, 1988, p. 81). Conforme Brasil (2001, p. 22): “brincar é umas das atividades fundamentais para o desenvolvimento da identidade e da autonomia”. É brincando que a criança descobre coisas novas e conhece mais sobre si mesma e sobre o mundo ao seu redor. De acordo com Rau (2012), a ludicidade se define pelas ações do brincar que são organizadas em três eixos: o jogo, o brinquedo e a brincadeira. Ensinar por meio da ludicidade é reputar que a brincadeira faz parte da vida do ser humano e que, por isso, traz referências da própria vida do sujeito. 4 Por intermédio da brincadeira, as crianças desenvolvem habilidades como a atenção, a memória, a imaginação e a criatividade. O lúdico é extremamente importante para o desenvolvimento da criança. É por meio do lúdico que ela se prepara para a vida, adaptando-se ao mundo e aprendendo a disputar, trabalhar em grupo e relacionar-se com outras pessoas ao seu redor. Além de proporcionar prazer e diversão, o jogo, o brinquedo e a brincadeira podem retratar umdesafio e incitar o pensamento reflexivo da criança. Na prática lúdica, a criança explora o ambiente, experimenta-o concretamente, desencadeando o seu desenvolvimento intelectual, sócio afetivo e psicomotor. Brincar é uma práxis muito rica, pois desperta na criança a imaginação, a construção da linguagem, a compreensão de regras sociais e autoconhecimento, complementando o aprendizado e favorecendo o desenvolvimento emocional das crianças. De acordo com Luckesi (2007), a compreensão sobre as atividades lúdicas, especialmente sobre a sua constituição sócio histórico e sobre os seus papéis na vida humana, tem origem em diversas áreas do conhecimento. Assim, existe uma história do brinquedo, uma sociologia do brinquedo, um estudo folclórico do brinquedo, um estudo psicológico do brinquedo entre outros que são de grande relevância para compreender o papel e o uso das atividades lúdicas na vida humana. Conforme Luckesi (2007, p.20): “uma educação lúdica tem na sua base uma compreensão de que o ser humano é um ser em movimento permanentemente construtivo de si mesmo”. Pensando no ser humano dessa maneira temos um ser em mudança, que possui o potencial sobre si, e não como um ser impotente a ser construído pela escola e a quem será ditado o que fazer e como fazer. [...] a criança desenvolve-se num meio distante do lúdico [...] onde o que é mais importante é estudar, aprender, adquirir conhecimentos, desenvolver habilidades, estimular as inteligências, visando aos objetivos alheios aos seus interesses. A brincadeira não é um mero passatempo, ela ajuda no desenvolvimento das crianças, promovendo processos de socialização e descoberta de mundo. (MALUF, 2003, p. 32). As atividades lúdicas não desenvolvem apenas o intelecto da criança, mas também atuam como instrumento para conhecer o mundo, os objetos e para entender o comportamento humano, os papéis que desempenham, como se relacionam e os hábitos culturais. A ludicidade na educação possibilita situações de aprendizagem que contribuem para o desenvolvimento integral da criança, mas deve haver uma dosagem entre a utilização do lúdico instrumental, isto é, a brincadeira com a finalidade de atingir objetivos escolares, e também a forma de brincar espontaneamente, envolvendo o prazer e o entretenimento,neste último, o lúdico essencial. (MARIA et al, 2009, p. 08). 5 No mundo lúdico a criança passa a criar uma situação imaginária, como forma de satisfazer seus desejos não concretos. Ela brinca por sentir-se necessária em agir com relação ao mundo dos adultos e não apenas ao universo dos brinquedos que ela tem acesso. Toda situação imaginária é quase que irracional, e não requer regras de comportamento sobre aquilo que está sendo representado. Brincar é uma das atividades fundamentais para o desenvolvimento da identidade e da autonomia. O fato de a criança, desde muito cedo poder se comunicar por meio de gestos, sons e mais tarde, representar determinado papel na brincadeira, faz com que ela desenvolva sua imaginação. Nas brincadeiras, as crianças podem desenvolver algumas capacidades importantes, tais como a atenção, a interação, a memória, a imaginação. Amadurecem também algumas capacidades de socialização, por meio da interação, da utilização e da experimentação de regras e papéis sociais. (LOPES, 2006, p.110) Os brinquedos auxiliam as crianças a crescerem de modo saudável, seja física, social, emocional ou intelectualmente. Segundo Aranha (1996), a atividade lúdica privilegia o significado funcional do jogo e do brinquedo para o desenvolvimento sensório motor e inventa métodos para aperfeiçoar as habilidades. Materiais destinados a despertar a representação da forma, da cor, do movimento e da matéria, percebe-se que a brincadeira é a melhor maneira de se comunicar, um meio para perguntar e explicar, um instrumento que a criança tem para se relacionar com outras crianças. O movimento, para a criança pequena, significa muito mais que mexer partes do corpo ou deslocar-se no espaço. A criança se expressa e se comunica através de seus gestos e mímicas, e interage utilizando fortemente o apoio de seu corpo. Quanto menor a criança, mas ela precisa de adultos que interpretem o significado de seus movimentos e expressões, auxiliando-a na satisfação de suas necessidades. À medida que a criança cresce, a aquisição de novas habilidades possibilita que ela atue de maneira mais independente, ganhando maior autonomia em relação aos adultos. (BRASIL, 1998, p.18, vol. 03). A ludicidade é um método que tem valor educacional ínsito e além desse valor, tem sido utilizada como recurso pedagógico. Senso assim, diversos são os motivos que levam os professores a utilizarem as atividades lúdicas no processo de ensino e aprendizagem. De acordo com Oliveira a ludicidade demonstra: [...] um recurso metodológico capaz de propiciar uma aprendizagem espontânea e natural. Estimula à crítica, a criatividade, a sociabilização. Sendo, portanto reconhecido como uma das atividades mais significativas – senão a mais significativa – pelo seu conteúdo pedagógico social. (OLIVEIRA, 1985, p. 74). 6 Desta maneira é brincando que as crianças aprendem muito sobre o mundo que as cerca e elas têm a oportunidade de procurar a melhor maneira de se integrar a esse mundo que visualizam ao nascer. A partir das práticas lúdicas que a criança renuncia o seu mundo de necessidades e constrangimentos, e se desenvolve, criando e adaptando uma nova realidade a sua personalidade. A ludicidade é uma necessidade do ser humano em qualquer idade e não pode ser vista apenas como diversão. O desenvolvimento do aspecto lúdico facilita a aprendizagem, o desenvolvimento pessoal, social e cultural, colabora para uma boa saúde mental, prepara para um estado interior fértil, facilita os processos de socialização, comunicação, expressão e construção do conhecimento. (SANTOS, 2007, p.12) Entretanto, Duprat (2014), apreende que a ludicidade no contexto escolar é muito mais do que um procedimento de ensino, é uma oportunidade de oferecer ao aluno a descoberta e a construção livre de seu caráter e de um olhar crítico com o meio em que vive, formando, assim, sua personalidade. De acordo com Rau (2012), na perspectiva de Piaget sobre o lúdico, a criança brinca e descobre os objetos livremente e desde cedo as crianças lidam com aspectos de prazer. Com isso, a aprendizagem não é um peso, mas um recurso de satisfação e desenvolvimento. O lúdico como recurso pedagógico direcionado às áreas de desenvolvimento e aprendizagem pode ser muito significativo no sentido de encorajar as crianças a tomar consciência dos conhecimentos sociais que são desenvolvidos durante o jogo os quais podem ser usados para ajudá-las no desenvolvimento de compreensão positiva da sociedade e na aquisição de habilidades. (RAU, 2012, p.110). O emprego de atividades lúdicas como método pedagógico pode contribuir para a formação integral e total da criança. A ludicidade no contexto educacional é composta por atividades significativas que estão conforme as necessidades delas e de forma integrada, associando-se à sua realidade sociocultural no processo de construção e elaboração do conhecimento. FIGURA 1 - TRABALHANDO O PALADAR 7 FONTE: Arquivo pessoal da acadêmica 3 O LÚDICO NOS ANOS INICIAIS O lúdico incide essencialmente em agradar a criança, evidenciando o verdadeiro, o visível, pegando, movendo, construindo e desfazendo. Ou seja, o intuito é o prazer que se desfruta no decorrer da brincadeira, com isso, permite-se um melhor desenvolvimento intelectual e propicia aprendizagem e o convívio entre os colegas. As atividades lúdicas podem colocar o aluno em diversas situações, onde ele pesquisa e experimenta, fazendo com ele conheça suas habilidades e limitações, que exercite odiálogo, liderança seja solicitada ao exercício de valores ético e muitos outros desafios que permitirão vivências capazes de construir conhecimentos e atitudes. (DOHME, 2003, p.13). O lúdico em sala de aula desenvolve a curiosidade e que para isto ocorra, é necessário que o professor além de aguçar e entusiasmar, também deve acompanhar o desenvolvimento das atividades, pois trabalhar com o lúdico nos Anos Iniciais é muito importante e se aplicado à matemática pode contribuir para o aprendizado mais significativo. [...] a introdução de jogos nas aulas de matemática, é a possibilidade de diminuir bloqueios apresentados por muitos de nossos alunos que temem a matemática e sentem-se incapacitados para aprendê-la. Dentro da situação de jogo, onde é impossível uma atitude passiva, e a motivação é grande, notamos que, ao mesmo tempo em que esses alunos falam matemática, apresentam também um melhor desempenho e atitudes mais positivas frente a seus processos de aprendizagem. (BORIN, 1996, p.15). A prática educacional não deve limitar-se apenas em passar conteúdos, mas explorar e conhecer assuntos no qual preparara o aprendiz para o mercado de trabalho, deve existir nas aulas o incentivo e a busca de atividades que vai além da escola, ou seja, deve gerar conhecimento racional progressista, um conhecimento que extingue a memorização de fórmulas e cálculos predefinidos. Porém, a resistência a este novo modelo de educação ainda é um tabu a ser quebrado para que o novo sistema educacional funcione corretamente. A essa nova cultura da educação inclui-se a aplicação do lúdico para o desenvolvimento racional e interativo da criança com a disciplina. Borin (1996), ressalta que o jogo tem papel importante no desenvolvimento de habilidades de raciocínio como organização, atenção e concentração, necessárias para o aprendizado, em especial da Matemática, e também para a resolução de problemas em geral. O jogo favorece o desenvolvimento da linguagem, criatividade e raciocínio dedutivo. Além disso, as habilidades envolvidas na elaboração de uma estratégia para vencer o jogo, que exigem tentar, observar, 8 analisar, conjecturar e verificar, compõe o raciocínio lógico, importante para o ensino da Matemática. [...] a atividade lúdica é o berço obrigatório das atividades intelectuais da criança, sendo, por isso, indispensável á prática educativa. O jogo é, portanto, sob suas duas formas essenciais de exercício sensório-motor e de simbolismo, uma assimilação do real á atividade própria, fornecendo a este seu alimento necessário e transformando o real em função das necessidades múltiplas do eu. (PIAGET, 1976, p. 37). A participação do professor é importante, pois ele vai criar o espaço para as atividades, oferecendo os materiais adequados e intervindo como mediador. O jogo pode servir como estratégia metodológica, já que se usado habitualmente ajuda a desenvolver atitudes e hábitos baseados na solidariedade, na tolerância, no respeito e da aceitação das normas de convivência social. Brincar também é importante já que estimula a autoestima do professor, que como papel de mediador precisa ter um olhar mais atento, fundamental para garantir o enriquecimento e funcionamento das brincadeiras. A prática dos jogos educacionais nos Anos Iniciais pode estimular a curiosidade dos alunos para saber a origem dos assuntos que estudam, gerando oportunidades de entrar em contato com ideias de outros colegas e de propor um conflito cognitivo que os façam evoluir em suas hipóteses de aprendizagem. O professor deve optar por incentivar o seu aluno a raciocinar livremente em todas as circunstâncias. O professor deve ir de encontro de maneiras diversificadas para o ensino, onde estas incentivem o modo de reflexão dos alunos. As crianças estimularão seus próprios pensamentos e não ficará restrito a um mesmo critério, o educador deve proporcionar atividades diversificadas para instigar a mente do seu aluno, o qual está em desenvolvimento total, onde o aluno desenvolva também desejo de pensar naturalmente. O professor deve estar em constante atualização no seu modo de ensinar para que os alunos não fiquem entediados e caia no ensino tradicional. O aluno fica motivado com novidades e consequentemente, esse interesse o leva a aprender e estudar mais, mesmo que não perceba. O professor precisa conhecer a bagagem de conhecimento prévio que cada criança traz consigo, e agir no sentido de ampliar suas noções matemáticas, ou seja, é necessário respeitar a criança na sua inteligência, no seu aprendizado construído, para que a aprendizagem seja significativa e prazerosa. (BATISTA, 2012, p.23). 9 As atividades com o lúdico na matemática em sala de aula proporcionam muitas vantagens, pois, a concorrência quando sadia assegura ação e mudança, fazendo com que se descubram no aluno suas reais dificuldades e dúvidas, onde estes podem revelar seu desejo de vencer e para que isso ocorra, estão se aprimorando inclusive superando seus limites, sendo que neste contexto os alunos ficam fascinados com o ambiente diferente, aprendendo sem ao menos perceber. Tanto o ensino como o aprendizado da matemática deve ocorrer naturalmente sem pressão, onde o aluno possa participar, se animar e também produzir. Como já foi relatado, o estudo da matemática não deve ser restrito, como também não deve ser paralisado e muito menos com hora marcada. Se tal ensinamento vir de modo para engrandecer, fazendo com que o aluno se entusiasme e utilize sua astúcia para ser capaz de estabelecer raciocínio lógico entre outros benefícios. As noções matemáticas devem ser formadas pelos alunos de encontro com as experiências já vivenciadas e trocadas com os colegas no meio em que vive. São inúmeras as circunstâncias que exigem do aluno tais noções e com o tempo eles se aperfeiçoam cada vez mais. FIGURA 2- TRABALHANDO OS NÚMEROS DE FORMA CRESCENTE COM A DANÇA Fonte: Arquivo Pessoal FONTE: Arquivo pessoal da acadêmica 4 GESTÃO EDUCACIONAL E A LUDICIDADE Pode-se afirmar que o lúdico é qualquer atividade que executamos e que pode dar prazer, que tenhamos espontaneidade em executá-la. Brincar desperta sensações de bem-estar, liberta das aflições, anseios, conhece sentimentos bons e ruins, como o medo e a insegurança. O brincar auxilia 10 a criança a entender estes sentimentos que estão no cotidiano escolar. Brincando a criança aprende a lidar com o mundo, desenvolvendo sua identidade pessoal e autonomia, nos aspectos físicos, emocionais e sociais. “O brincar proporciona a aquisição de novos conhecimentos, desenvolve habilidade de forma natural e agradável. Ele é uma das necessidades básicas da criança, é essencial para um bom desenvolvimento motor, social, emocional e cognitivo”. (MALUF, 2003, p. 9). Criança que brinca, aprende mais, e o professor que se propõe a aproveitar essa ferramenta de aprendizagem também aprende e estará de forma diferenciada ensinando. É brincando que a criança atribui valor ao seu mundo, então ela deverá ter seu tempo de brincar na escola ou fora dela, como ressalta Piaget (1998, p. 62), “o brinquedo não pode ser visto apenas como divertimento ou brincadeira para desgastar energia, pois ele favorece o desenvolvimento físico, cognitivo, afetivo e moral”. “Através do brincar a criança prepara-se para aprender”. (MALUF, 2003, p.21). É um estímulo, brincando a criança está aprendendo de forma automática e espontânea. O professor deverá aproveitar toda a riqueza que o lúdico oferece, pois “o brincar sempre foi e sempre será uma atividade espontânea e muito prazerosa, acessível a todo ser humano, de qualquer faixa etária, classe social ou condição econômica”. (MALUF, 2003, p.17). “É difícil alguém dizer que criança não precisa brincar, porém são raros os adultos que dão a seriedadeque esse momento precisa. Vale à pena lembrar que a oportunidade de brincar livremente por si só já traz efeitos positivos para o desenvolvimento das crianças”. (MALUF, 2003, p. 13). Portanto, mostra-se a importância do lúdico na fase de aprendizagem dos alunos, é claro que todo esse processo deve ser feito de forma que o aluno aprenda aquele determinado assunto, a inclusão da brincadeira serve para facilitar a assimilação das informações. Campos (2011), revela que o jogo, nas suas diversas formas, ajuda no processo ensino- aprendizagem. O brinquedo é um dos elementos mais importantes da atividade na infância, toda criança precisa brincar, jogar, criar, e inventar para manter seu equilíbrio com o mundo, por isso a inclusão e utilização dos brinquedos na prática pedagógica é uma realidade imposta ao educador. Desta forma, depois de perpassar pela importância da ludicidade, devemos fazer uma ligação entre professores e equipe gestora, ambos devem estar aliados para que todos os aspectos ligados ao aprendizado estejam aferidos e alicerçados, neste caso, com a ferramenta ludicidade. 11 É importante criar uma parceria entre escola, família e criança, a fim de mostrar os benefícios do ato de brincar nas diversas fases da educação, além de deixar as crianças mais alegres, desenvolve habilidades físicas, motoras, cognitivas entre outras. Acontece que quando as crianças têm esse estímulo na escola e na estrutura familiar, os benefícios são visíveis. Carneiro e Dodge, afirmam que: Ao estimular as crianças durante a brincadeira, os pais tornam-se mediadores do processo de construção do conhecimento. Também, ao brincar com os pais, as crianças podem se beneficiar de uma sensação de maior segurança e liberdade para exploração, além de se sentirem mais próximas e mais bem compreendidas, o que pode contribuir para o melhor desenvolvimento de sua autoestima e independência. (CARNEIRO; DODGE, 2007, p. 201). Além de proporcionar o laço afetivo entre os familiares, as brincadeiras contribuem e fortalece a autoestima. O lúdico é um instrumento que permite a inserção da criança na cultura, por meio do qual podem permear suas vivências internas com a realidade externa. É um facilitador para a interação com o meio, embora seja muito pouco explorado. O brincar é uma atividade culturalmente definida e representa uma necessidade para o desenvolvimento infantil. Historicamente, o homem sempre brincou, por meio dos diversos povos e culturas e no decorrer da história, mas ao longo do tempo, as formas de brincar, os espaços e os tempos de brincar, os objetos foram se transformando. As brincadeiras na rua, em casa e na escola, e as festas, são parte profundamente significativa para a inserção no universo social. Com o brincar, se faz o processo de humanização ética da criança, por isso, deve ser utilizado para o desenvolvimento das crianças, tanto em casa, como na escola, principalmente por isso deve haver parceria entre pais e escola. (DIAS, 2013, p. 06). Conforme destaca em seu blog, a especialista em educação Heloísa Lück (2018), a gestão escolar relaciona-se a uma atuação que foca em promover a organização, mobilização e articulação das condições essenciais para garantir o avanço do processo sócio educacional das instituições de ensino e possibilitar que elas promovam o aprendizado dos estudantes de forma efetiva. Quando o gestor procura observar as necessidades e particularidades como um todo no âmbito educacional em que está inserido, ele consegue uma administração com êxito no desenvolvimento escolar e dessa forma torna-se mais viável soluções práticas para as ações e metas que tem em vista, sempre com foco no bom andamento do meio escolar e suas atribuições. Para tanto, ele necessita ter habilidade de gerenciamento desde o plano pedagógico às questões financeiras, só assim ele consegue desenvolver bem sua função, mantendo uma boa relação com os segmentos que compõe uma gestão escolar. A fim de integrar os setores para o desempenho comum, ele deve motivar as equipes na busca de seus objetivos, orientando o próximo 12 passo para o desenvolvimento e fortalecimento da participação dos pais no processo ensino aprendizagem com eficácia. Tendo isso em vista, cada instituição de ensino deve planejar e executar sua proposta pedagógica, administrar os recursos materiais da instituição, zelar pelo ensino-aprendizagem, neste contexto buscando o lúdico e promover a integração entre a instituição e a comunidade. 5 MATERIAL E MÉTODOS Para alcançar os objetivos propostos nesse trabalho, optou-se primeiramente por uma pesquisa bibliográfica, tendo como material consultado: livros, artigos, sites da internet, entre outras fontes, sendo utilizado o conhecimento disponível de teorias publicadas em livros ou obras congêneres. Além disso, foi levantado o conhecimento disponível na área, identificando as teorias produzidas, analisando-as e avaliando sua contribuição para melhor compreender ou explicar o problema, objetivo de investigação. A classificação dessa pesquisa, quanto à abordagem, determina que é do tipo qualitativa. Os estudos que aplicam uma pesquisa qualitativa podem demonstrar o quão complexo é um determinado problema, além de analisar as variáveis e detalhar os processos dinâmicos por grupos sociais específicos. Segundo Bicudo (2004 apud LEONEL; MOTTA 2007, p. 106), “a abordagem qualitativa está mais preocupada com a generalização, relacionada com o aspecto da objetividade passível de ser mensurável, permitindo uma ideia de racionalidade, como sinônimo de quantificação”. E segundo D’Ambrosio (2004 apud LEONEL; MOTTA 2007, p. 108): A pesquisa qualitativa requer do pesquisador uma atenção muito maior às pessoas e às suas ideias, procurando fazer sentido de discursos e narrativas que estariam silenciosas, tendo como foco entender e interpretar dados e discursos, mesmo quando envolve grupos de participantes e ficando claro que ela (a pesquisa qualitativa) depende da relação entre o observador e o observado. No Estágio I trabalhamos com projeto de intervenção abordando o tema Cinco Sentido sutilizando a história João e o Pé de Feijão. O tema Cinco Sentidos busca propor discussão entre as crianças conhecendo-os através de experimentos, vivências. Visto que com esse pressuposto a serem estudados, as crianças passam a conhecer as suas próprias limitações, as diversidades desses 13 sentidos e suas contribuições para seu conhecimento, favorecendo a construção da identidade pessoal e construindo uma perceptiva de projeto devida. Já a realização do Estágio II, aplicamos o plano de aula nas disciplinas: Língua Portuguesa, Matemática e Ciências, trabalhando de maneira interdisciplinar, privilegiando a Alfabetização. O Estágio III foi realizado na gestão escolar onde se cumpriu um cronograma de observações que possibilitou coletar informações referentes à Gestão Educacional. Teve como objetivo conhecer e saber como funciona uma direção, abordando assuntos como rotina, problemas e soluções, analisando a importância que a gestão atribui à ludicidade. 6 RESULTADOS E DISCUSSÃO O estágio é um dos momentos importantes para a formação profissional do acadêmico, e é nesse exato momento que o futuro profissional tem a oportunidade de vivenciar na prática a realidade profissional em que será inserido, aplicando as teorias adquiridas no tempo em que esteve na universidade, estabelecendo assim, um paralelo entre teoria e prática. O Estágio Obrigatório do Curso de Licenciatura em Pedagogia é um componente curricular que coloca o acadêmico em contato direto com a realidade educacional. Assim sendo, todo o estágio teve uma carga horária obrigatória de 300 horas. A realização do estágio I em Docência na Educação Infantil foi vivenciada na C.M.E.I. Maria Lopes da Silva (D. Pequena),situada na Rua Pedro Manoel Soares, s/n município de Imbituba, Estado de Santa Catarina. A realização deste ocorreu na Turma do Infantil 02, composta por vinte e quatro alunos, que tem como professora regente, Guiomar Tavares de Carvalho. As regências ocorreram da melhor maneira possível, foi bem aceita pelas crianças e pela professora. Teve plena participação das crianças que se mostraram atentas nas aulas realizadas, desenvolveram as atividades sem muita dificuldade, demonstrando interesse. Já a realização do estágio II em Docência nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental, com carga horária obrigatória de 100 horas, foi vivenciada na Escola Municipal Etelvina de Sousa Pereira, situada na Rua Pedro Manoel Soares, s/n município de Imbituba, Estado de Santa Catarina. A realização deste ocorreu em uma turma do 1° ano do Ensino Fundamental, composta por 21 14 alunos que tem como professora regente Josiane Natalia Pacheco. Durante o período de regências, os alunos demonstraram uma boa receptividade e interação, que aumentou gradativamente, resultando em um relacionamento de parceria no final das atividades. Eles espontaneamente ou mesmo estimulados, aceitaram e participaram de todos os trabalhos e atividades pedagógicas como: dançar, jogar, identificar a letra, indo até o quadro, entre outros. Visto que o feedback dos alunos, foi a resposta de que a ludicidade, além de ser divertida, espontânea e natural, traz uma aprendizagem significativa de fato. A realização do Estágio III, sobre Gestão Educacional que foi vivenciada novamente na C.M.E.I. Maria Lopes da Silva (D. Pequena). Cumpriu-se um cronograma de observações que possibilitou coletar informações referentes à Ludicidade na visão da Gestão Educacional, com o objetivo de elaborar um roteiro de entrevista. No entanto as observações e as entrevistas ocorreram diretamente com a Gestora Escolar Josimary N. Gonçalves e com a Coordenadora Pedagógica Adriana Fornasa. Foi possível constatar que a gestão do C.M.E.I. Maria Lopes da Silva é uma Gestão Democrática, por sua interação com a comunidade escolar ao observar que, Direção e a Coordenação Pedagógica fazem um trabalho conjunto, conseguindo resultado positivo a todos que fazem parte do quadro da instituição, bem como aos pais dos alunos. Quando foram questionadas sobre o lúdico na educação infantil, obtivemos como resposta, que o lúdico é a base da prática pedagógica, e a instituição visa em trabalhá-lo através de projetos focados nas vivências dos alunos, desenvolvendo assim os aspectos cognitivos, físicos, psicológicos, motores e sociais. Durante a infância, o lúdico atua como um papel fundamental na formação e no desenvolvimento da criança. Brincar é essencial para a criança, pois é assim que ela descobre o mundo e como as coisas funcionam em sua volta. 7CONCLUSÃO Ao refletir sobre a importância da Ludicidade como Metodologia de Ensino no cotidiano das atividades escolares, foi possível compreender que a espontaneidade das brincadeiras é fundamental para que a criança compreenda conceitos importantes que servirão de base para a vida toda, e que 15 toda criança possui a necessidade de descobrir o mundo por meio de brinquedos, jogos e brincadeiras, proporcionando novos conhecimentos, habilidades, pensamento e entendimento lógico, sendo recursos úteis para uma aprendizagem diferenciada e significativa. O lúdico torna o ensino divertido, agradável, prazeroso e ao mesmo tempo rico em conhecimento e que auxilia no desenvolvimento integral da criança, uma vez que amplia o seu lado cognitivo, motor, emocional e social. Mas, para que a prática lúdica se torne realidade no contexto escolar de forma satisfatória, é imprescindível que os professores compreendam a importância da brincadeira e suas implicações para organizar o processo educativo de modo mais positivo e que possam inserir as brincadeiras em suas aulas, superando as dificuldades de aprendizagem, promovendo um ambiente propício para que a criança possa explorar e desenvolver características próprias da ludicidade. Uma educação de qualidade pode mudar uma nação. Ela é o principal ponto para atacar os problemas que ferem nossa sociedade, como saúde, segurança, pobreza e desigualdade. A educação como ferramenta para a construção de um mundo melhor, aliada à arte para uma verdadeira transformação social. O período escolar, ainda mais o ensino infantil, é uma das fases mais importantes na vida de uma pessoa, por isso, o papel do pedagogo é fundamental no andamento das atividades na educação infantil, pois ele é o mediador entre a criança e o conhecimento. Foram muitos desafios enfrentados, entretanto sabíamos que teríamos de mostrar a todos os caminhos a serem seguidos nessa nova dinâmica de aprendizagem. A pedagogia ofereceu a instrução necessária para que nos tornássemos pessoas capazes de ver, compreender e ensinar. Finalizamos essa trajetória com um desejo enorme de transformar a sociedade, porque o verdadeiro pedagogo acredita que a educação é a chave para promover as verdadeiras transformações sociais. REFERÊNCIAS ARANHA, Maria Lúcia de Arruda. História da Educação, 2ª ed. São Paulo: Moderna, 1996. BRASIL. Referencial curricular nacional para educação infantil. Ministério de Educação e do Desporto, Secretaria de Educação Fundamental. Brasília: MEC/SET, 1998. 16 BRASIL. 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