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Pró-reitoria de EaD e CCDD 1 Administração de Conflitos e as Técnicas de Negociação Aula 01 Professores Neusa Vítola Pasetto e Fernando Eduardo Mesadri Pró-reitoria de EaD e CCDD 2 Conversa Inicial Bem-vindos à disciplina de Administração de Conflitos e as Técnicas de Negociação. Trataremos de assuntos fundamentais das boas práticas para a gestão das pessoas e para as negociações, tanto profissionais, quanto pessoais. Iniciaremos pela fundamentação histórica e conceitual. Precisaremos primeiramente entender o conceito de alguns fenômenos que acontecem dentro dos contextos organizacionais. Para aprofundar esses assuntos, veremos o conceito de conflito e de negociação e os principais conflitos que surgiram ao longo da história. Esses conflitos foram por diversas razões étnicas, religiosas e/ou sociais. Após falaremos sobre o conceito de negociação e sua evolução. Entenderemos o surgimento dos conflitos na relação capital e trabalho e como se origina o conflito no sujeito. Outro tema que abordaremos será como é o comportamento do indivíduo frente ao processo decisório. Na sequência veremos que a família pode ser uma geradora de conflitos, tanto no que diz respeito aos conflitos intrapessoais, quanto aos interpessoais. Após entendermos como se dá os conflitos e a sua tipologia. Vamos passar a olhá-los dentro das organizações e identificaremos quais os fatores organizacionais que estão envolvidos na geração dos mesmos. Também, como é realizada a condução desses nos ambientes organizacionais, e o custo de uma má gestão de conflitos para a organização como um todo. Verificaremos as mudanças dos paradigmas na condução dos conflitos e os diferentes tipos que poderão surgir. Após isso, vamos trabalhar o perfil do negociador e o que se espera dele. Verificaremos a diferença de um plano e de uma tática de negociação. Bem como a diferença entre uma negociação distributiva e integrativa. Bem, com tudo isto posto, estaremos preparados para entender os conceitos de arbitragem, mediação e conciliação, seus passos e suas etapas. Ficarão claros para todos, quais são os erros mais comuns na condução deste processo e como poderemos evitá-los. Pró-reitoria de EaD e CCDD 3 Por fim, veremos quais são as tendências desta temática para esse novo século e abordaremos a controladoria comportamental, e a criatividade para administrar os conflitos globalmente. A gestão da atenção e a utilização da tecnologia da informação para resolução dos mesmos. Este é o convite inicial que fazemos a cada um de vocês. A estrada é longa, mas vamos andando, passo a passo que chegaremos ao final dela com louvor. Bons estudos!!! Contextualizando A revista “Super Interessante” publicou um artigo de Jéssica Soares que inicia com o seguinte parágrafo: “Depois da II Guerra Mundial a ONU adotou a Declaração Universal dos Direitos Humanos, que colocava em pauta o “respeito universal e observância dos direitos humanos e liberdades fundamentais para todos, sem distinção de raça, sexo, língua ou religião”. Passados muitos anos, grande parte dos conflitos que hoje acontecem no mundo ainda envolve crenças e doutrinas, que se misturam a uma complexa rede de fatores político-econômicos, raciais e étnicos. Assistam ao vídeo intitulado “Conflito” de Nina Paley, disponível no endereço eletrônico a seguir, e relacionem os conflitos que se apresentam ao longo do mesmo com o tema estudado em aula sobre os principais conflitos ao longo da história étnicos, religiosos e sociais. https://www.youtube.com/watch?v=O9rZ6OuvbuY Resposta: Este vídeo com duração de três minutos cujo título é: “This Land is Mine” em livre tradução “Essa Terra é Minha”, retrata de forma irônica o conflito histórico que se deu em torno da Terra Santa, a qual compreende o território de Israel, Cisjordânia e parte da Jordânia, que teria sido prometida ao povo judeu no Antigo Testamento. https://www.youtube.com/watch?v=O9rZ6OuvbuY Pró-reitoria de EaD e CCDD 4 Nina Paley, utiliza uma série de personagens para ilustrar todas as fases do conflito e seus respectivos envolvidos. A começar pelo homem primitivo, que representava os primeiros moradores de Israel. Tema 01: O Conceito de Conflito Para iniciarmos nossos estudos vamos abordar diversos conceitos sobre conflitos, de modo a obtermos uma amplitude desta temática. Conflito é sinônimo de: agitação, alteração, alvoroço, desordem, perturbação, revolta, tumulto, guerra, enfrentamento, entre outros. Podemos também entender o significado de uma palavra olhando para o seu antônimo, que para o conflito encontramos as seguintes palavras: acordo, aliança, amizade, conciliação, concordância, concórdia, entendimento e consonância. Com base tanto nos sinônimos quanto nos antônimos, os autores que tratam do tema trazem uma série de definições para explicar o que é a palavra conflito. Ao mesmo tempo em que promove um estado de instabilidade e desconforto pelas consequências que causa, em contrapartida gera oportunidade de mudança, de alianças e crescimento, tal como se disséssemos que depois da tempestade virá a bonança. Vamos agora trazer alguns conceitos esclarecedores e complementares do que vem a ser o conflito. WACHOWICZ (2012, p. 15), cita ROBBINS, que define o conflito como um processo que tem início quando uma das partes percebe que a outra parte afeta, ou pode afetar negativamente alguma coisa que a primeira considera importante. COHEN e FINK, também citados por essa autora, dizem que embora o conflito possa ser oneroso, em alguns casos é parte necessária para se chegar à consideração plena de pontos de vista legitimamente diferentes. Pró-reitoria de EaD e CCDD 5 Completando esse pensamento, temos MOSCOVICI, apud WACHOWICZ (2012, p. 15), que afirma que o conflito em si, não é patológico nem destrutivo. Pode ter consequências funcionais e disfuncionais, a depender de sua intensidade, estágio de evolução, contexto e forma como é tratado. Verificando os conceitos vistos anteriormente podemos aventar que cada ciência terá um enfoque diferente dos conflitos, algumas ciências mais radicais, não o verão como sendo algo positivo, uma vez que todo o pensamento divergente é visto como algo a ser combatido. Assim, vemos como sendo importante passarmos pelo entendimento que algumas ciências têm do conflito, pois ele não é somente negativo e devasto, traduz também algo que pode ser positivo quando bem articulado. Um dos conflitos mais antigos que vocês poderão comprovar no tema de nossa próxima aula, são os conflitos religiosos, somente para exemplificar, no ano 2015 existiam sete conflitos ocasionados por diferenças religiosas, mesmo tendo os líderes religiosos (budistas, protestantes, católicos, cristãos, ortodoxos, judeus, mulçumanos, entre outros) assinado na época um documento intitulado “Apelo Espiritual de Genebra”, no qual pediam algo simples como que a religião não fosse mais usada para justificar a violência. Ainda assim, neste século XXI encontramos grupos fundamentalistas radicais mulçumanos em plenos conflitos internos, na Nigéria, também ocorrem disputas territoriais onde os grupos são divididos, espacialmente e ideologicamente, e a briga se faz entre cristãos e mulçumanos. Já no Iraque diversas milícias se confrontam, xiitas e sunitas, ocasionando a morte de 70 mil pessoas. Judeus e mulçumanos conflitam não só pela posse territorial, mas também por suas crenças. Outro exemplo de conflito religioso é o que ocorre no Sudão, onde os conflitos se misturam pelas motivações étnicas, raciais e religiosas entre mulçumanos e não-mulçumanos, Na Tailândia, o movimento separatista entre budistas e mulçumanos, provoca constantes e violentos ataques no sul da Tailândia e ainda temos o Tibete, onde os gruposem conflitos são o partido Pró-reitoria de EaD e CCDD 6 comunista da China e Budistas. Desta forma, podemos entender que o conflito religioso se dá pela intolerância a uma outra religião, não dando a oportunidade ao outro de possuir uma fé diferente da sua, e por isso é necessário demonstrar a força, a invasão e a posse territorial. Outro conflito muito propagado e que por mais evoluída que esteja à sociedade global é o conflito étnico, é possuidor de uma natureza violenta, bélica e militar e que ocorre entre grupos diferentes no que diz respeito a questões culturais, religiosas, raciais e geográficas. Estes conflitos como possuem proporções muito violentas chegam a romper com orientações previstas no Código de Guerra, levando milhares de pessoas a morte entre civis e militares caracterizando o genocídio é o caso do Oriente Médio. Quase todos os continentes possuem conflitos étnicos, no continente europeu destacamos conflitos nos Balcãs, a independência da Bósnia, a Irlanda que intenta conquistar sua independência em relação ao Reino Unido. Já no continente asiático a Caxemira ressente-se do imperialismo inglês que provoca disputas entre as etnias regionais, no Sri Lanka várias etnias enfrentam-se por motivos religiosos, a Indonésia a maioria mulçumana oprime a minoria católica, a China também possui movimentos separatistas por causa de diferenças culturais e a Revolução Socialista. Os Curdos que vivem no Oriente Médio querem a independência de um território para o seu povo. No continente americano Quebec procura a sua independência do Canadá e no continente africano há uma profusão de conflitos étnicos, sendo marcado pela exploração de potências capitalistas, práticas culturais diferentes que são desenvolvidas por grupos rivais que habitam o mesmo território, além da segregação racial e do “apartheid”. No próximo tema desta Rota vocês terão um panorama de todos esses conflitos étnicos ao longo da história. Podemos pensar então que há conflitos motivados por interesses Pró-reitoria de EaD e CCDD 7 distintos, mas o que vem a ser o conflito de interesses? Segundo THOMPSON apud GOLDIN (2012), “[...] é considerado conflito de interesse, um conjunto de condições nas quais o julgamento de um profissional a respeito de um interesse primário tende a ser influenciado indevidamente por um interesse secundário. De modo geral, as pessoas tendem a identificar conflito de interesses apenas como as situações que envolvem aspectos econômicos. Outros importantes aspectos também podem ser lembrados, tais como interesses pessoais, científicos, assistenciais, educacionais, religiosos e sociais, além dos econômicos”. Por essa definição, podemos entender então que o conflito de interesses se caracteriza quando uma das partes envolvidas tem interesse em favorecer a outra parte ou a si mesmo no processo de negociação de uma situação qualquer, seja ela econômica, pessoal, social, acadêmica, religiosa, entre outras em que os sujeitos estejam envolvidos. Vamos agora citar um conflito que diz respeito ao campo do Direito, para que possamos ter uma dimensão da amplitude dos conflitos existentes no cotidiano de nossas vidas, o conflito denominado conflito aparente de normas, conceituado pelo “Portal da Educação” da seguinte forma: “são situações antagônicas, ou melhor, conflito entre duas ou mais normas que parecem aplicáveis ao mesmo fato. Assim surge o conflito pelo fato de mais de uma norma desejar regular o fato”. Para aprofundar o seu conhecimento, sobre o conflito aparente de normas sugerimos que acessem o endereço do portal da educação: Disponível em: <https://www.portaleducacao.com.br/direito/artigos/15948/conflito-aparente-de- normas>. Acesso em 16 nov. 2015. Agora iremos falar sobre aqueles conflitos que são restritos ao sujeito, os conflitos intrapessoais, segundo WACHOWICZ (2012, p. 16), este tipo de conflito refere-se “a dificuldades pessoais que interferem na relação com os https://www.portaleducacao.com.br/direito/artigos/15948/conflito-aparente-de-normas https://www.portaleducacao.com.br/direito/artigos/15948/conflito-aparente-de-normas Pró-reitoria de EaD e CCDD 8 outros”. Tais conflitos estão afetos à existência de dificuldades que advém das diversas etapas do desenvolvimento de cada pessoa desde a infância até a velhice e que por vezes não foram solucionados a seu devido tempo e que se refletem em seus relacionamentos, sejam eles sociais, familiares, profissionais, amistosos ou amorosos, impedindo um bom relacionamento com os envolvidos. Durante as nossas aulas, alguns destes conflitos serão detalhados, principalmente aqueles que se referem ao indivíduo e que interferem no processo decisório e aqueles que se estabelecem na relação capital versus trabalho, veremos também a condução dos conflitos nos ambientes organizacionais bem como o custo de uma má gestão dos mesmos. Para finalizar essa etapa do estudo, vamos apresentar um conceito de conflito organizacional que para os autores Wagner III e Hollembeck, citados por WACHOWICZ (2012, p. 15), os quais conceituam o conflito na medida em que os mesmos acontecem: “[...] ocorrem conflitos quando existe um processo de oposição e confronto, que pode ocorrer entre indivíduos ou grupos, nas organizações – quando as partes exercem poder na busca de metas ou objetivos valorizados e obstruem o progresso de uma ou mais das outras metas”. Este tipo de conflito encontra-se muito presente nas organizações na atualidade, haja vista a grande competitividade que se estabelece tanto nas relações no interior das mesmas, quanto no exterior, a depender da magnitude do conflito e de como ele está sendo conduzido por seus gestores, ele certamente poderá desviar os objetivos a serem alcançados e, assim, impedir o alcance do sucesso, muito pelo contrário haverá a eclosão de prejuízos tanto econômicos quanto sociais. Pró-reitoria de EaD e CCDD 9 TEMA 02: Os principais conflitos ao longo da história (étnicos, religiosos e sociais) A história nos traz uma lista cronológica dos conflitos, os quais se deram pelas mais variadas razões. As guerras eram chamadas de conflitos armados e se estabeleciam entre países ou entre entidades independentes. Pesquisando no site Só História, disponível em: <http://www.sohistoria.com.br/ef2/cronologiaguerras/>. Acesso em 16 nov. 2015, podemos notar um panorama global dos mesmos. Para termos uma visão da tratativa destes conflitos ao longo da história, vamos citar alguns deles que foram retirados das páginas do site citado anteriormente. Como podemos verificar os conflitos surgem em 1250 a.C. já na Grécia Antiga onde ocorreram quatro grandes guerras, motivadas especialmente por questões comerciais, já na Roma Antiga nos deparamos com um número muito maior de conflitos, motivados pela disputa política e territorial. Na Idade Média e no Renascimento, além da disputa territorial surge o aspecto religioso como sendo a causa dos conflitos entre os países, em suma foi um período marcado por rivalidades religiosas, dinásticas, territoriais e comerciais. No século XX, as rivalidades continuam sendo comerciais, surgem nesta era as alianças políticas e militares por interesses comuns com relação à etnia, religião e comércio territorial. Já no século XXI, os conflitos acontecem por motivações econômicas, desigualdades sociais, intolerância étnico-religiosa e territorial. Dois conflitos muito conhecidos é a Primavera Árabe onde as raízes dos protestos foram a crise econômica e a falta de democracia no mundo árabe. Depois desse resgate histórico dos principais conflitos pelo mundo e observando o que os motivou, veremos que pouco mudou desde a Grécia e http://www.sohistoria.com.br/ef2/cronologiaguerras/ Pró-reitoria de EaD e CCDD 10 Roma Antiga até os dias atuais. Aindaas maiores fontes geradoras dos conflitos são a etnia, intolerância religiosa, territorial, comercial e pela desigualdade social. Então ficam alguns questionamentos para o nosso estudo: Dentro das organizações qual o conflito que impera? Quais são as fontes geradoras dos conflitos? Na sequência dos nossos estudos teremos as respostas para essas indagações. Tema 03: O Conceito de Negociação É sabido que desde a tenra idade e uma vez que a criança tenha acesso à linguagem, ela estabelece com o outro um processo para realização de seus desejos, reivindicação daquilo que considera como sendo um direito (ainda que não tenha consciência disto) ou um pedido para que se cumpra uma determinada promessa. Em um exemplo simples, mas elucidativo da questão, é quando um adulto faz a distribuição de balas, para duas crianças bem pequenas com cerca de dois ou três anos, onde uma delas receba apenas duas balas e outra um punhado muito maior que a primeira, com toda a certeza a primeira, ainda que pouco saiba se expressar, irá de qualquer maneira manifestar a sua insatisfação ante a situação e o que marca tal fato é a noção, a percepção do tratamento desigual, porque um merece mais do que o outro, o que há de diferente, que faz com que o outro receba mais do que o primeiro? Essa pode ser a indagação que irá desencadear um possível acerto em que as partes possam se beneficiar de forma mais igualitária ou pelo menos mais justa. Certamente, não há ninguém que tenha atingido a maturidade e que não tenha se envolvido naquilo que poderíamos chamar de negociação. Ela faz parte da vida humana e encontra-se presente no âmbito familiar, social, Pró-reitoria de EaD e CCDD 11 econômico, político, diplomático, enfim em situações em que há algo a se resolver e ser esclarecido. Vejamos o que significa então a origem do termo “negociação” provém do latim negocium que é formada pela união dos termos nec (nem + não) + ocium (ócio, repouso) significando atividade difícil e trabalhosa. Em inglês negociate refere-se apenas a uma transação comercial. Para obtermos um maior entendimento sobre o tema, iremos apresentar alguns conceitos de negociação e as ênfases das para cada um deles, conforme segue: “É o processo pelo qual as partes se movem de suas posições iniciais divergentes até um ponto no qual o acordo pode ser obtido” (STEELE et ALLI, 1995). A ênfase dada ao conceito está centrada em um movimento de lados opostos para um ponto em comum, onde é possível a obtenção de um acordo. “Negociação é o uso da informação e do poder, com o fim de influenciar o comportamento dentro de uma rede de tensão” (COHEN, 1980). A ênfase neste conceito se concentra na informação, no uso do poder como forma de influência do comportamento em uma situação de tensão. “Negociação é um processo de comunicação com o propósito de atingir um acordo agradável sobre diferentes ideias e necessidades” (ACUFF, 1993). A ênfase do conceito está relacionada ao processo de comunicação com objetivo de satisfazer as partes naquilo que elas necessitam. “Negociação importa em acordo e, assim, pressupõe a existência de afinidades, uma base comum de interesses que aproxime e leve as pessoas a conversarem” (MATOS, 1989). A ênfase neste conceito está voltada para a promoção do diálogo e do Pró-reitoria de EaD e CCDD 12 relacionamento onde hajam interesses em comum. “Processo de comunicação bilateral, com o objetivo de se chegar a uma decisão conjunta” (MELLO, apud WACHOWICZ, 2012, p. 41). A ênfase está concentrada em uma comunicação de mão dupla a tal ponto que possam chegar à tomada de uma decisão. Frente a todos esses conceitos pode-se perceber que a negociação implica em uma interação onde as pessoas apresentam suas proposições, como também argumentam e contra argumentam, mas também podem realizar protestos, ameaças, promessas, etc. Tais interações têm como objetivo um resultado que na prática resume-se a um acordo consentido pelas partes envolvidas. Afinal o que se negocia? Simplesmente tudo o tempo todo. Em família o que se vai comer nas refeições de forma a contemplar a todos os gostos, qual será o destino para as próximas férias ou feriado, os revezamentos que serão feitos entre os membros da família quando o pai ou a mãe com mais de sessenta e cinco anos encontra-se hospitalizado. O horário de retorno de uma determinada festa, quando os filhos ainda são dependentes e estão sob a responsabilidade de seus pais. Na escola os prazos de entrega dos trabalhos acadêmicos, as divergências que podem ocorrer perante as notas que foram atribuídas em provas. Em organizações os espaços para o desenvolvimento das atividades, o uso de uma sala de reuniões em um mesmo dia, os aumentos salariais, o final de uma greve. Pessoalmente as dificuldades de um relacionamento, o namoro, o casamento e a possível separação, a guarda dos filhos, negocia-se com o parceiro a aquisição de bens como uma casa, um automóvel, a mobília da casa, assim como as dívidas junto aos credores. As nações também negociam acordos em relação a fronteiras, as responsabilidades atribuídas aos países em relação a um empreendimento em comum, transações comerciais de toda espécie, aberturas e limites. Por que se negocia? Sem dúvida seria mais fácil impor situações a Pró-reitoria de EaD e CCDD 13 outrem do que negociar. Negociar é muito mais dispendioso e preenchido de incertezas que a mera imposição, mas como somos seres humanos e racionais, nas negociações atribui-se privilégio a razão em detrimento da força, entre suas inúmeras vantagens surge como a possibilidade de ajustamento entre as partes com a formação de novos elos e a geração de novas oportunidades que até então não haviam surgido e que a criatividade da situação possa promover. Assim sendo temos muitos motivos para valorizar a negociação, pois se revela muito significativa frente à realidade humana. Nas sociedades em que a negociação não impera prevalece o autoritarismo, nas mais diversas esferas como na política, nas relações pessoais, nas desigualdades que se estabelecem entre as pessoas que pertencem a uma condição econômica menos favorecida, nas diferenças de status e de poder entre pessoas e grupos, todas essas divergências impendem às pessoas de enfrentar essas situações ambíguas e sutis que se estabelecem. Desta feita podemos imaginar que existem características que são comuns e se encontram na maioria das negociações, conforme nos informam LEWICKI, SAUNDERS e MINTON, citado por WACHOWICZ, 2012, p. 49: Há sempre duas partes ou mais representadas por dois indivíduos, grupos ou organizações. Existe um conflito de interesses entre as partes presentes. As ideias iniciais do planejamento da negociação nem sempre coincidem com as estabelecidas ao final do processo, que tento pode ser longo e desgastante quanto rápido. Essa diversidade pode fazer com que os negociadores “se percam”. Inicialmente as partes não preferem travar uma luta aberta, mas, sim, buscar um acordo. Se algo imprevisto ocorre, no entanto, a ideia pode ser cancelada e um conflito se estabelecer de forma temporária ou permanente. Sempre haverá aspectos tangíveis e intangíveis no processo das negociações, sendo os primeiros caracterizados como preço, prazo, Pró-reitoria de EaD e CCDD 14 rentabilidade e ponto de venda, entre outros, e os intangíveis associados às motivações psicológicas que influenciam as durante a negociação. Em geral estão relacionadas com crenças, valores aparência, inseguranças ou medos [...]. As características apresentadas demonstram o caráter multifatorial que as negociações ensejam, evidentemente existem processos que são mais simples e outros que envolvem maior complexidade. Dois aspectos importantes sempre estarão presentes: a divergência e a convergência, queessencialmente envolve o querer, o desejo, de uma parte, e coisas e ideias da contraparte. A convergência permite a aproximação das partes, já a natureza e a intensidade da divergência indicará o caminho a ser percorrido pelas interações as quais tem por objetivo superar as divergências, as quais dependem da aceitação de uma solução apresentada pelos envolvidos. Faz-se necessário evidenciar que as negociações se apresentam de diversos tipos, devendo ser analisadas pelos mais diversos ângulos como também necessitando ser interpretadas de diferentes formas. Portanto, iremos apresentar cinco tipos básicos de negociação segundo o autor Zajdsznajder (1985), são eles: Negociação trabalhista, diplomática, comercial, administrativa e política. A trabalhista: em geral envolve dois temas básicos, os salários e as condições de trabalho. Ocorre por meio de reuniões onde se encontram representantes dos empregados e de patrões, nas quais são apresentadas as propostas por ambos os lados, o resultado dependerá do relacionamento estabelecido entre as mesmas, assim como as condições econômicas vigentes, o segmento de atividade e os próprios fatores políticos inerentes à organização. A Diplomática: este tipo de negociação constitui-se de questões territoriais, econômicas, a defesa, a soberania e ao desarmamento. É objeto desta negociação a promoção da paz e a sua manutenção, o término das guerras e o comércio estabelecido entre os países. O desenvolvimento dessas Pró-reitoria de EaD e CCDD 15 negociações irá depender da cultura e das tradições de cada país e do relacionamento que é estabelecido entre os mesmos, além das alterações que possam ocorrer na política interna de cada país e das mudanças internacionais que possam interferir no andamento das interações. A Comercial: tal negociação possui três tipos distintos, a saber: As negociações que se dão entre empresas particulares. As negociações entre empresas particulares e entidades públicas, ambas de um mesmo país. As negociações entre empresas particulares e entidades públicas de nações diversas. Essas últimas possuem maior controle e fiscalização do Estado, onde existem padrões predeterminados de atuação. A negociação comercial, em geral, envolve a compra e a venda de bens ou serviços, nela busca-se cultivar uma aproximação e a confiabilidade mútuas. É também cercada de cuidados como o a averiguação do passado do cliente em questão, de qual crédito ele dispõe no mercado, etc. A Administrativa: é a negociação que se dá no interior das organizações, por meio de pessoas que se encontram em posições definidas dentro desta estrutura, seja ela privada ou pública. Podem dizer respeito às negociações que são desenvolvidas entre o Estado e a empresa, entre os funcionários da empresa e o corpo tático e estratégico e entre os departamentos que fazem parte dela mesma. Podem ser permeadas de absoluto formalismo, com também de informalidade a depender da cultura da organização bem como do objeto a ser negociado. Cabe ressaltar que a obtenção ou retenção de determinada informação é tida como um poder daquele que a possui, bem como uma arma que será utilizada em momento apropriado durante o transcorrer da negociação. A Política: é a negociação que se dá entre sindicatos, grupos de empresários, dirigentes governamentais, representantes de outras nações Pró-reitoria de EaD e CCDD 16 assim como a própria organização partidária. Busca-se a conciliação de interesses voltados para a concessão de cargos, verbas, diretrizes políticas, projetos de lei e decisões do poder executivo. Uma característica deste tipo de negociação é que o resultado obtido seja exposto ao público, ainda que inicialmente possua um caráter secreto, deverão se tornar públicos. O poder de barganha também é um componente presente neste tipo de negociação, que se apresenta na obtenção de apoio em troca de verbas e na distribuição de cargos. Vale salientar que as práticas e a condução das negociações políticas encontram-se condicionadas aos padrões culturais, usos e costumes, atinentes aos grupos políticos ou a uma determinada sociedade e a sua orientação ideológica vigente. Posto isto, não pretendemos esgotar aqui o assunto, durante nossa disciplina apresentaremos outras facetas importantes da negociação e quanto esse processo torna-se importante para não só para os gestores de uma dada organização, mas na sociedade como um todo. Tema 04: A evolução da Negociação ao longo da história Desde a Idade da Pedra Lascada o homem luta para conseguir para si aquilo que o outro já conseguiu. Inicialmente o homem desejava algo que era do outro e utilizava a força bruta para consegui-lo, isto é, utilizava a força e tomava do outro. Imperava nesta época a lei do mais forte. A partir do desenvolvimento do homem ele foi se socializando e aprendeu que trocar era melhor do que tomar a força. Assim, surgem as primeiras formas de negociação. Para entendermos a história da negociação, vamos buscar um resgate histórico e trazer a visão de alguns autores. Para Maximiano (2010, p.126), a negociação teve início muito antes da Pró-reitoria de EaD e CCDD 17 era cristã (10.000 a 8.000 a.C.). Para ele as trocas se estabeleciam já na Mesopotâmia e no Egito. Os povos faziam as transações e trocas dos produtos que cultivavam e isso deu origem a Revolução Agrícola. Nos anos 3.000 a 500 a.C., surgem às primeiras cidades, desta forma a Revolução Agrícola evoluiu e chegamos a Revolução Urbana. Durante essa Revolução surgem os Estados e, portanto, a forma de negociação se torna muito mais abrangente. As cidades foram evoluindo, as necessidades de trocas também, mas o fato que marcou a história da negociação, segundo Maximiano, foi a invenção da máquina a vapor em 1776. Para ficar mais claro a evolução dos processos de negociação, vamos fazer um quadro comparativo das principais fases. Época Nome da fase/Época/Era Principais fatos ocorridos Tipo de Negociação 1760 a 1860 Primeira fase da Revolução Industrial Revolução do carvão (fonte de energia) e do ferro (principal matéria prima). Surge o sistema fabril. Novas oportunidades de trabalho. Migração da mão de obra. Urbanização ao redor dos centros industriais. Revolução dos meios de transporte e da comunicação. Início do capitalismo. Nesta fase, temos um processo intenso de negociações de preços, produtos, matéria prima e serviços. Os países onde esse processo teve seu início são em primeiro lugar a Inglaterra, seguido de longe a França Alemanha e Itália. Pró-reitoria de EaD e CCDD 18 1860 até a segunda guerra mundial Segunda fase da Revolução Industrial Revolução da eletricidade e do petróleo (novas formas de energia) e do aço (matéria prima). Intensa transformação dos meios de transporte (estradas de ferro, automóveis, avião). Grande avanço na comunicação (telegrafo sem fio, rádio e o telefone). Ocorre a consolidação do capitalismo financeiro. Surgem as grandes corporações. Nesta segunda fase surgem as grandes negociações, não só locais, mas também com outras nações. Intensificam-se aqui as importações e as exportações, como também as negociações internacionais. A partir da segunda guerra mundial até a atualidade. Terceira Fase da Revolução Industrial Liderada pelos EUA durante a segunda guerra mundial, tendo como competidores o Japão e alguns países da Europa. É descoberta a energia nuclear e o uso da informática. A energia nuclear causou mudanças, mas a informática foi quem proporcionou o grande desenvolvimento. Começa uma nova fase de negociação. O comércio torna-se mais direto do que nunca, pois a interação entre o produtor e o consumidor é instantânea. A informáticapassa a Pró-reitoria de EaD e CCDD 19 Nos dias de hoje Sociedade do conhecimento. empregar o papel do próprio intelecto humano realizando operações matemáticas e trabalhos lógicos em uma velocidade e precisão superior às do homem. Desenvolvimento da biotecnologia. O homem cria e recria a vida. Disponibilização mundial de conteúdo humano pela rede mundial de computadores. Novos conceitos de desenvolvimento de software e hardwares. Fusão da computação com a telecomunicação móvel. Usuários cada vez mais conectados com outros usuários e com o mundo. Novas plataformas de comunicação integrando usuários a dispositivos e de dispositivos com outros dispositivos, por exemplo: celulares com computadores, geladeiras, microondas, TV, etc. A economia de mercado do presente neste contexto, ganha uma forte aliada na interação entre consumidores finais e fabricantes, o que pode acelerar ainda mais a agilidade com que são feitas todas as transações comerciais do sistema capitalista. Fonte: Elaborado pelos professores baseados no material disponibilizado no site: http://oficinadohistoriador.blogspot.com.br/2009/05/revolucao-industrial-e-suas-fases.html. http://oficinadohistoriador.blogspot.com.br/2009/05/revolucao-industrial-e-suas-fases.html Pró-reitoria de EaD e CCDD 20 Como vimos, o mundo mudou e a mudança a cada dia se faz mais veloz. Mas, vamos enfocar o processo de negociação atual neste mundo cada vez mais virtual. Vamos falar do agora, pois está cada vez mais difícil fazermos previsões. Como acabamos de falar acima, o homem está lançando mão da tecnologia e está criando e recriando a vida, portanto vamos falar daquilo que se mantém nele, independente da tecnologia que é a necessidade de ser gregário e o quanto isso facilita o processo de negociação. Lembrando que o processo de negociação é: “é a forma ou maneira de como devemos utilizar as informações e os recursos sobre os cenários, o conhecimento do negócio, as habilidades e o relacionamento pessoal dos negociadores”. Perceberam, nesta afirmativa, que precisamos manter independente da tecnologia, a habilidade e o relacionamento pessoal dos negociadores. Não abordaremos aqui está questão, pois o faremos nas demais aulas que estão por vir e também por meio da leitura do artigo “Negociação Empresarial”, que se encontra disponível na leitura obrigatória. Tema 05: O surgimento do conflito na relação Capital X Trabalho Para iniciar nosso estudo sobre o surgimento dos conflitos nas organizações, vamos citar uma frase de Hall (2004) “[...] o conflito não é intrinsecamente bom nem mau para os participantes, para a organização ou para a sociedade mais ampla. O poder e o conflito são modeladores fundamentais do estado de uma organização. Um determinado estado organizacional prepara o terreno para a continuidade dos processos de poder e conflito, assim remodelando continuamente a organização”. Por essa afirmativa, podemos entender que o conflito está Pró-reitoria de EaD e CCDD 21 intrinsecamente ligado ao poder que se estabelece nas organizações e, portanto, está ligado com as relações de poder que estão expostas na sociedade, como também na forma de controle que se estabelece em determinada época da história de um país. Os conflitos que se estabelecem no mundo têm como base a divergência de interesses entre as diversas classes sociais, já no mundo do trabalho está intimamente ligada entre os interesses do empregador e do empregado. Para entendermos como se estabeleceram esses diferentes interesses teremos que buscar a origem da divisão do trabalho, pois acreditamos que ali está um dos motivos desta divergência. Para tal, utilizaremos o trabalho publicado por Luisa lamas, que se encontra disponível em: <http://pt.slideshare.net/luisalamas/evoluo-histrica-do-trabalho?related=1>. Acesso em 05 out. 2015. Vamos começar pelo homem primitivo. O homem era responsável pela caça e pesca e a mulher por cuidar da prole. As atividades eram repartidas por sexo e idade, surgindo assim a divisão natural do trabalho. O homem saia em busca do alimento. Inicialmente os instrumentos eram rudimentares e o trabalho essencialmente cooperativo. Com o passar do tempo o homem começa a aperfeiçoar os seus instrumentos de trabalho e surgem os machados e as lanças. O homem com essa nova condição já não precisa sair em busca do alimento e começa a cultivá-lo surgindo assim o homem produtor e sedentário, ou seja, passa a ser dono de seu território. Surgem as primeiras especializações em diversas atividades como a agricultura e a pecuária. Aparece aqui a primeira divisão social do trabalho. Com o aperfeiçoamento do trabalho e das novas descobertas dos metais aparecem novos ofícios que afastam o homem da agricultura e da pecuária. Aparecendo a segunda divisão social do trabalho, o homem atuando com novos ofícios como de tecelão e oleiro. Neste momento social surgem duas divisões nesta sociedade, isto é, http://pt.slideshare.net/luisalamas/evoluo-histrica-do-trabalho?related=1 Pró-reitoria de EaD e CCDD 22 surgem o homem livre e o homem escravo. A sociedade é escravagista. Uns viviam no ócio, meditação, contemplação, lazer, enquanto os outros trabalhavam duro, com atividades subalternas. Essa sociedade escravagista é derrubada e surge o servilismo. Nada mais sendo do que uma forma atenuada do escravagismo. Essa sociedade é denominada de feudalismo, onde os servos viviam na dependência dos senhores feudais. Com o crescimento do comércio e da burguesia, bem como o crescimento das cidades e do aparecimento das pequenas indústrias o servilismo desaparece e surgem as corporações. As corporações surgem pelo aparecimento de novas atividades e ofícios. Embora ainda retratem uma comunidade de opressão, pois os produtores eram agrupados por ofícios de uma forma rígida para garantir os privilégios dos mestres e também para controlar o mercado e a concorrência. Esse regime era ditador e existia principalmente em Portugal. Mas, vem na sequência a Revolução Francesa e a Revolução Industrial e extingue esse tipo de divisão de trabalho na sociedade. Aqui temos a noção, isto é o germe de liberdade e iniciativa e do comércio internacional. Na Revolução Industrial, nos séculos XVIII, XIX e XX o operário substituiu o artesão. O trabalho do operário aqui ainda é manual, mas mesmo assim é a primeira forma, embora rudimentar do capitalismo. Com as invenções e inovações as atividades industriais passam a ser mecanizadas. Conforme a tecnologia avança, a máquina à vapor e o transporte por meio das linhas férreas. Começam as mudanças políticas e sociais, surgindo o capitalismo. O trabalho passa a ser assalariado, embora com condições miseráveis e pouco saudáveis. Surgem então as greves e revoluções fundamentalmente das classes trabalhadoras. Já na primeira Revolução Industrial, a intervenção do Estado e do Poder Público foi essencial para legislar sobre o trabalho e o direito do trabalhador. Com o surgimento do motor de explosão, o petróleo e o telefone, aparecem as tarefas especializadas por operários. São aqueles que começam Pró-reitoria de EaD e CCDD 23 a fabricar em série e aqui aparecem as cadeias de tarefas. A automação da produção e os robôs surgem nos anos 70 para a execução das tarefas mais perigosas. E assim, com o desenvolvimento tecnológico aumenta a eficácia da produção e a economia industrializada dá abertura para outra relação do capital e trabalho. Começa a surgir o desemprego e a falta dos postos de trabalho. Na atualidade o interesse da mecanização e da automação nas tarefas e nas atividades produtivas fez com que a maior parte dos trabalhadores esteja integrada na produção industrial e no processamento e transferência das informações. Após este resgatehistórico das relações e divisão do trabalho, pergunta- se: e os conflitos que se estabeleceram quais são? E como eram vistos pelas organizações ao longo da evolução das correntes teóricas organizacionais? Para responder a esses questionamentos vamos nos valer do quadro elaborado por Bastos e Seidel (1992) que nos mostra o tratamento dado pelas diversas correntes teóricas aos conflitos durante a evolução das teorias organizacionais. Embora seja um artigo publicado em 1992, continua com informações relevantes e atuais para nosso estudo, pois os autores fazem uma abordagem histórica do conflito, o que vem ao encontro do nosso estudo. Veremos que os autores investigaram as seguintes questões: O conflito é um fenômeno estudado? Qual o conceito de conflito adotado? Quais os tipos de conflitos estudados? Quais os determinantes do conflito? Quais as consequências do conflito? Como enfrentar os conflitos nas organizações? Pró-reitoria de EaD e CCDD 24 Vamos ver o que as diversas escolas responderam: Questão Escola Clássica Movi mento das Relaç ões Huma nas Estruturalismo Behaviorismo Enfoque Sistêmico Enfoque Contingencial É um fenômeno estudado? Não é foco de estudo. Embora negado, existe a preocupação em evitá-lo. Sim. É um processo social básico nas organizações. Sim. É algo intrínseco aos processos decisórios Sim. É algo intrínseco as organizações Sim. É inevitável. Conceito de Conflito. Há identidade de interesses entre empregados e empregadores. Conflito tratado como dilemas - a escolha de alternativas que implicam em perdas. Colapsos de mecanismos decisórios. Incongruênci a entre expectativas e desempenho s- papéis/funçõ es. Produtos dos processos de integração/diferencia ção. Tipos de conflitos estudados - - Entre objetivos organizacionais. Organização X Pessoal. Coordenação X Comunicação. Disciplina X Competência Profissional. Planejamento X Iniciativa. Individual Organizacional Interorganizaci onal Organizacion al- entre sistemas. De papel- Maior destaque. Interdepartamental. Como integrar estruturas diferenciadas. Determinant es do Conflito Erro do administra dor ao não aplicar os princípios científicos. Pouca atençã o aos aspect os motiva cionai s dos indivíd uos. Ordem X Liberdade, organização formal e as pressões sobre os indivíduos- falta um ajustamento completo. Fatores organizacionais - ambiente. Fatores pessoais- objetivos, percepções. Fatores organizacion ais, pessoais e interpessoais . O processo de integração não é racional e automático – que direção tomar? Consequênc ias do Conflito Desagrega as organizações, provoca problemas, impede o desempenho ótimo. Não apenas negativa, são fonte de mudança. Provocam reações: Solução do problema. Persuasão. Negociação. Política. Afetam o funcionamen to sistêmico via desempenho dos indivíduos. Geram dificuldades que devem ser superadas. Formas de intervenção (Prescrições ) A tarefa é eliminar o conflito através de medidas preventivas e profiláticas. Especifica por tipo de conflito e contexto: A busca de soluções gera novos conflitos num processo dialético. Não há prescrições, depende do tipo de conflito e dos seus determinantes. Os sistemas devem desenvolver mecanismos para equacioná- los. Não há prescrições. Diversas estratégias. Há sempre possibilidade de se encontrar a melhor alternativa. Fonte: Bastos e Seidel: Revista de Administração, São Paulo v. 27, n.3 p. 48-60 Julho/setembro 1992. Pró-reitoria de EaD e CCDD 25 Após este resgate histórico vamos abordar como o conflito é visto neste Século XXI. Fala-nos Pimentel (2011) que neste novo século, são várias as teorias sobre a aceitação do conflito como inerente à dinâmica da organização, porém, segundo a autora, devemos ter em conta que os efeitos dos conflitos podem ser positivos ou negativos. Cabe então ao gestor desenvolver habilidades para administrá-los e identificar a melhor maneira de manejá-los para que o mesmo possa contribuir para o desenvolvimento organizacional. Este assunto não será esgotado nesta aula, nas nossas próximas aulas veremos como o gestor poderá utilizar os conflitos de forma produtiva e contributiva para que a relação entre o capital X trabalho seja a mais saudável possível. Na prática Para aprofundarmos o conhecimento sobre os conceitos de Negociação, assistam ao filme intitulado: Arbitrage – Negociação É um filme de 2012, dirigido e escrito por Nicholas Jarecki e estrelado por Richard Gere, Susan Sarandon, Tim Roth e Brit Marling. Robert Miller (Richard Gere) é um milionário que está prestes a vender sua companhia para um grande banco e deseja fazer isso da forma mais rápida possível, para evitar que uma fraude sua seja revelada. Após faça um paralelo entre os conceitos estudados de negociação e conflito com o que se passa no filme. https://pt.wikipedia.org/wiki/Filme_de_drama https://pt.wikipedia.org/wiki/Richard_Gere https://pt.wikipedia.org/wiki/Susan_Sarandon https://pt.wikipedia.org/wiki/Tim_Roth https://pt.wikipedia.org/wiki/Brit_Marling https://pt.wikipedia.org/wiki/Richard_Gere Pró-reitoria de EaD e CCDD 26 Finalizando Em nossa aula vimos primeiramente o conceito de conflito e os diversos conflitos ocorridos ao longo da História, tanto os étnicos quanto os religiosos e/ou sociais. Entendemos também o conceito de negociação e como ela é vista na perspectiva de alguns autores, bem como seus tipos básicos, a saber: Negociação trabalhista, diplomática, comercial, administrativa e política. Foi vista a evolução da negociação, desde a primeira fase da Revolução Industrial até a Sociedade do Conhecimento. Sendo abordados os principais fatos ocorridos na fase/época/era e os tipos de negociação que se estabeleceram. Por último, foi apresentada uma abordagem quanto ao surgimento do conflito na relação Capital x Trabalho, onde observamos a implicação do poder no desenrolar dos conflitos, o desenvolvimento da sociedade e consequentemente as suas divisões, como também o surgimento social do trabalho. Referências ACUFF, F. L. How to negociate anything with anyone anywhere around the world. New York: American Management Association, 1993. COHEN, H. Você pode negociar qualquer coisa. 8ª edição. Record. Rio de Janeiro. 1980. GOLDIM, José Roberto. Conflito de Interesses na Área da Saúde. Disponível em: <http://www.ufrgs.br/bioetica/conflit.htm>. Acesso em: 15 ago. 2016. MATOS, F.G. Negociação gerencial - aprendendo a negociar. RJ: José Olympio, 1989. MAXIMIANO, Antônio César Amaru. Teoria geral da administração: da escola científica à competitividade na economia globalizada. São Paulo: Atlas, http://www.ufrgs.br/bioetica/conflit.htm Pró-reitoria de EaD e CCDD 27 2010. MOCOVICI, F. Desenvolvimento Interpessoal: treinamento em grupo. 10ª edição. Rio de Janeiro. Editora: José Olympio, 2001 STEELE, P.; MURPHY, J.; RUSSILL, R. It’s a deal: a practical negotiation handbook. Inglaterra: McGraw-Hill, 1995. WACHOWICZ, Marta Cristina. Conflito e negociação nas empresas. Curitiba: Intersaberes, 2012. Pró-reitoria de EaD e CCDD 1 Administração de Conflitos e as Técnicas de Negociação Aula 02 Professores Neusa Vítola Pasetto e Fernando Eduardo Mesadri Pró-reitoria de EaD e CCDD 2 Conversa inicial Nesta aula veremos a origem dos conflitos nos sujeitos, entenderemos que cada fase de desenvolvimento pela qual ele passa, terá um impacto tanto no seu físico, quanto no seu emocional, intelectual, social e concluiremos que esses são fatores geradores de conflitos. Estudaremos que a família também pode ser uma grande geradora de conflitos e, portanto, se faz necessário compreendermoscomo administrar e manejar os mesmos para que não tenhamos problemas advindos de conflitos não resolvidos ou mal resolvidos no contexto familiar. Verificaremos a diferença que existe entre os conflitos intra e interpessoais, bem como as tipologias dos mesmos, quando se referem às questões que envolve propriedade, nações, constituição, comercial, familiar comunitário, criminal, dano e, veremos também, que os conflitos organizacionais e corporativos possuem diferenças significativas e, assim, não são considerados sinônimos pelos estudiosos no assunto. Desejamos a todos bons estudos! E vamos a nossa aula. Contextualizando Desde que existam duas pessoas ainda que sejam do mesmo sexo, mas nascidos em culturas diferentes tendo uma educação, valores e crenças distintos e pensando diferentemente haverá uma tendência de divergência e desconhecimento do que outro necessita, tendo assim como consequência o surgimento do conflito. Desta forma, segundo CHRISPINO (2002), o conflito é toda opinião divergente ou maneira diferente de ver ou interpretar algum acontecimento. A partir disso, todos os que vivemos em sociedade temos uma experiência de conflito. Desde os conflitos próprios da infância, passamos pelos conflitos pessoais da adolescência e, hoje, visitados pela maturidade, continuamos a Pró-reitoria de EaD e CCDD 3 conviver com o conflito intrapessoal (ir/não ir, fazer/ não fazer, falar/não falar, comprar/não comprar, vender/não vender, casar/não casar etc.). Assim podemos perceber que o conflito diz respeito a todas as fases de desenvolvimento de nossa existência e solicita de nós uma tomada de decisão, é a partir daí que ele se instala, enquanto a decisão não ocorre o sujeito vive a instabilidade e o desiquilíbrio que ele promove. Tema 01: Origens dos conflitos nos sujeitos O ser humano modifica o seu comportamento de acordo com as fases de desenvolvimento pelas quais ele passa. Esse processo se inicia na concepção e termina somente com a morte. Vejam o que nos falam os especialistas: “Desde a concepção no útero materno até ao momento em que morre, o ser humano vive num processo caracterizado por constantes mudanças. Este processo de mudança, que resulta da interação entre as características biológicas de cada indivíduo e os fatores contextuais onde o indivíduo se encontra inserido (sociedade e cultura), é denominado por desenvolvimento humano (MATTA, 2001; NÚÑEZ, 2005; PAPALIA et al., 2001; PORTUGAL, 2009; TAVARES et al., 2007). Para entendermos as origens do conflito deveremos entender o que o indivíduo faz em cada idade e o que ele deixa para trás para iniciar uma nova fase de sua vida. Quando compreendermos este processo e seu funcionamento entenderemos que os conflitos fazem parte da vida das pessoas e que ela chegará a maturidade quando der conta das mudanças e dos conflitos que essas mudanças geram. Bem, então vamos entender o que é maturidade. É o resultado das mudanças comportamentais do ser humano que ocorrem sob a influência de fatores internos e externos. Entende-se por: Fatores internos: A hereditariedade e o próprio processo de maturidade. Pró-reitoria de EaD e CCDD 4 Fatores Externos: Ambiente social, alimentação e preservação da natureza. PORTUGAL (2009 p. 11 da Revista Eletrônica de Educação, v. 7, n. 3, p. 9-24) defende que o período da infância e as primeiras experiências de vida do ser humano enquanto criança determina aquilo que o ser humano será enquanto adulto, pois é nesse período que o sujeito aprende sobre si, sobre os outros e sobre o mundo. Não poderemos esquecer que os fatores, tanto interno quanto externos, estão em constante relação. Nos fala SCHALY (2012 p. 1): “A relação existente entre a hereditariedade e o ambiente é contínua, pois, no caso da inteligência, mesmo que sejam definidos aspectos genéticos da mesma, ela só se desenvolverá se houver algum estímulo externo – vindo do meio. Algumas heranças de padrões temporais podem ser mudadas em decorrência do estilo de vida e relações sociais do sujeito. ” Ainda nos afirma António M. Fonseca da Universidade Católica Portuguesa (2007) A Psicologia Desenvolvimental do ciclo de vida dá ênfase à integração histórica e social da vida dos indivíduos e à influência, no desenvolvimento humano, quer de fatores ligados à idade cronológica, quer de outros fatores contextuais não ligados à idade (como os acontecimentos de vida, o gênero, a classe social de pertença ou a etnia). Agora vamos entender o que acontece em cada fase do desenvolvimento humano e para tanto vamos verificar o quadro a seguir: Fase Principais características da fase Tipos de conflitos que poderão surgir Pré-Natal (da concepção ao nascimento) Grande crescimento físico. Grande vulnerabilidade às influencias ambientais. No nascimento ocorre segundo a teoria Psicanalista, a primeira grande perda. O que Freud (pai da psicanálise) nomeia como o primeiro trauma do Pró-reitoria de EaD e CCDD 5 ser humano e afirma ser a base de nossas angústias. Primeira Infância (do nascimento aos 3 anos) Inicialmente o bebê é reflexivo. Pouco controle motor e a linguagem não se apresenta. Apenas emite sons de choro ou de prazer. Acontece um rápido desenvolvimento cognitivo e motor. O conflito se apresenta quando o bebê tem que abandonar o egocentrismo (centrado no seu eu) para aprender que no mundo há regras e ele precisa obedecê-las. Segunda Infância (dos 3 anos aos 6 anos) Há um aumento da força física e motora. A criança desenvolve a capacidade de usar as representações mentais (números, palavras e imagens). O altruísmo, a agressão e os medos são frequentes. O conflito surge quando têm que deixar o individualismo para tornar-se mais social. Deixar a dependência para assumir uma maior independência e iniciativa. Bem como, um autocontrole e um maior cuidado consigo. Terceira Infância (dos 6 anos aos 12 anos) Papel ativo na construção do seu conhecimento. Necessidade grande de motivação e de reforço positivo. Necessita de limites e regras claros. Aceitação dos limites ou a liberdade de agir conforme seus desejos. Deixar os seus interesses em prol do reconhecimento dos sentimentos dos outros. Adolescência (dos 12 anos aos 18/21 anos) Iniciam-se as mudanças corporais e hormonais. Procuram a sua própria identidade. Questionam as regras e os limites. Aceitar a autoridade dos pais ou viver de acordo com aquilo que pensa. Aceitação das regras familiares ou aquelas do seu grupo social. Vontade de crescer rápido X crescimento normal em relação ao físico e social. Pró-reitoria de EaD e CCDD 6 Jovem Adulto (dos 21 anos aos 40 anos) Nesta fase as responsabilidades aumentam, as pessoas estão estabilizadas e muitas vezes já são independentes financeiramente, pois já possuem um emprego. Na fase adulta as pessoas tendem a traçar suas metas e objetivos, se casam, constroem uma família e tentam organizar o futuro de acordo com o que desejam. Conflitos sobre a escolha profissional. Entre a carreira e a família. Entre os seus desejos e os desejos de seus familiares e a sociedade. Meia Idade (dos 40 anos aos 65 anos) Sentimento de que a vida está passando. Movimento interno da pessoa para resumir e avaliar a sua própria vida. Aceitação dos limites impostos pela nova idade versus o desejo da manutenção da juventude. Conflito entre as reais conquistas e os sonhos e ideias anteriormente alimentadas. (Progresso profissional e estabilização das relações afetivas). Terceira Idade (dos 65 anos em diante) Envelhecimento do corpo, ou seja, a fragilidade do corpo (pele, músculos, ossos), torna-se aparente. Aposentadoria. Momento de passar as experiênciaspara os mais jovens. Conflitos entre deixar a independência conquistada ao longo da vida com a possibilidade de uma dependência de pessoas mais próximas. Deixar a vida profissional ativa e passar a uma vida mais social e familiar. Viver com os rendimentos da aposentadoria e conformar- Pró-reitoria de EaD e CCDD 7 se com a queda no padrão da vida financeira. Fonte: Os professores baseados nos trabalhos publicados disponíveis em: <http://pt.slideshare.net/alupereira/a-criana-em-desenvolvimento-2013> e <https://grupopapeando.wordpress.com/category/vida-adulta/>. Acesso em 15 ago. 2016. De forma muito ampla e global, esses são os principais conflitos que o ser humano enfrentará durante as etapas de seu desenvolvimento. Tema 02: A família como geradora de conflitos É sabido que a maioria das pessoas nasce a partir da constituição de uma família, seja ela constituída das mais diversas formais aceitas pela sociedade, ou muitas vezes é adotada por uma família ou por um homem ou mulher solteiros que desejam formar uma família, sendo assim ela cumpre com um papel importante na vida das pessoas, trata-se de um tipo de estrutura que possibilita a sobrevivência do ser humano, nela ele se personaliza, lhe é oferecido um nome, um lugar onde irá aprender a falar, a expressar seus sentimentos e a conviver com outras pessoas adquirindo hábitos e costumes de uma determinada sociedade. A família provê a educação moral, possibilita a intimidade, fornece cuidados e, principalmente, o afeto. Esta dinâmica sendo bem conduzida, em boa parte do tempo, proporciona o equilíbrio para com os seus membros, as relações estabelecidas são equilibradas e saudáveis, mas o contrário também pode ocorrer e assim a família é vista como disfuncional sendo também uma fonte geradora de conflitos, especialmente em relação aos papéis ocupados por seus componentes. http://pt.slideshare.net/alupereira/a-criana-em-desenvolvimento-2013 https://grupopapeando.wordpress.com/category/vida-adulta/ Pró-reitoria de EaD e CCDD 8 Desta forma, surgem questões como: Papéis Questões Conflitos Casal Há condições econômicas para a constituição de uma família no seu sustento e manutenção? Conflito Marital Casal Gostam de viver a dois? Conflito Marital Casal Estão satisfeitos com sua relação marital? Conflito Marital Indivíduos Casal A família real está em consonância com a família imaginária? Conflito de Valor Pais Gostam de exercer o papel de pais? Conflito Parental Pais Os pais estão satisfeitos com sua função parental? Conflito Parental Familiar O convívio familiar promove o aprendizado dos valores da boa convivência? Conflito de Relacionamento Familiar As relações familiares dificultam a intimidade entre seus membros? Conflito de Relacionamento Fonte: elaborado pelos professores. São inúmeras as questões que podem surgir e que provocam os conflitos mediante ao convívio familiar e que por vezes se refletem uma prática junto aos filhos e esta última, pode promover desavenças e consequentes conflitos, especialmente os existenciais, que poderão permanecer e ter reflexos nos mais diversos campos da vida de uma pessoa. Desta maneira podemos perceber a importância da família para a vida das pessoas, ela proporciona, dada a sua natureza, um convívio entre duas ou mais pessoas em um mesmo espaço físico, o que aproxima as pessoas e promove a intimidade por meio do relacionamento interpessoal, mas agora vamos tentar conceituar “família” apesar de toda a complexidade que o termo envolve, conforme nos aponta OSÓRIO (1996, p.14), quando nos revela que: Pró-reitoria de EaD e CCDD 9 “[...] a família não é uma expressão passível de conceituação, mas tão somente de descrições; ou seja; é possível descrever as várias estruturas ou modalidades assumidas pela família através dos tempos, mas não defini-la ou encontrar algum elemento comum a todas as formas com que se apresenta este agrupamento humano.” Já para Caio Mário (2007, p. 19), família em sentido genérico e biológico é o conjunto de pessoas que descendem de tronco ancestral comum; em senso estrito, a família se restringe ao grupo formado pelos pais e filhos; e em sentido universal é considerada a célula social por excelência. A partir dessas definições, percebemos a amplitude deste sistema nas sociedades, como também a importância dos papéis que são desempenhados por seus integrantes. É sabido o quanto a família tem se transformado e o quanto vem adquirindo novas configurações e outras formas de funcionar a depender do momento histórico, social, econômico e cultural ao qual estejam incluídas, desta forma as relações familiares sofrem diversas influências e por vezes podem alterar o comportamento de seus componentes. Historicamente, a Revolução Industrial, promoveu profundas transformações na vida das pessoas e nas relações especialmente, os papéis e as funções que são exercidas no interior das famílias. Hoje é comum a figura da mulher como sendo a provedora da família, tendo adquirido a independência ela ocupa um lugar no mercado de trabalho exercendo uma série de funções em um determinado cargo, o que limita o seu convívio e o exercício dos papeis que exerce junto aos familiares, já o homem tendo perdido o seu emprego passa a exercer funções da vida familiar como, por exemplo, buscar os filhos na escola, realizar as tarefas domésticas, incumbir-se da alimentação e dos cuidados relativos à criação dos filhos. Quando estes papéis e as funções são bem definidos, há entendimento e conforto por parte de quem os exerce não existem grandes dificuldades, caso contrário, há grande probabilidade de surgirem grandes conflitos, começando pelo casal e a sua relação marital a qual pode ter consequências na relação parental, ou seja, a relação que se dá entre os pais e os filhos. Pró-reitoria de EaD e CCDD 10 A depender de como elas se dão haverá reflexos na prática parental, revelando o funcionamento das relações dos pais para com os filhos. Pode-se perguntar; qual o tempo dedicado aos filhos pelos pais? O tempo é de qualidade? Existem cuidados para com os membros da família, sejam materiais, afetivos ou de dedicação? O núcleo familiar é visto como sendo de fundamental importância para os sujeitos ao longo de seu desenvolvimento e principalmente durante a infância, pois sem dúvida promove a formação da identidade das pessoas, além de garantir o apoio necessário na condução de vários problemas relacionados a esses estágios. Logicamente, estamos falando de uma família funcional, a qual efetivamente cumpre com todos os estágios de desenvolvimento dela mesma de forma natural e dentro de padrões socialmente aceitos como normais. Quando isso deixa de existir podemos dizer que a família é disfuncional, ou seja, os papéis fundamentais que são exercidos por seus membros encontram- se desvirtuados, é o caso, por exemplo, de um pai ou de uma mãe que se tornou uma alcóolatra ou usuário de drogas e que deixou de exercer adequadamente suas funções juntos aos filhos e ao cônjuge. Como também, aquele pai ou mãe que se envolveram em crimes os mais diversos e encontram-se detidos em um sistema penitenciário, logicamente tais ocorridos resultam em sequelas emocionais nos filhos e nos demais membros da família, ao longo de toda uma vida. Assim como a violência doméstica que ocorre entre um casal é promotora de sérias dificuldades devido à magnitude deste problema, pois a desarmonia entre os membros ocasiona consequências graves a saúde física e mental de seus componentes do sistema familiar. Não se pode deixar de mencionar uma função precípua da família no que tange à educação, especialmente a moral, conceitos do que é certo ou errado e que foram convencionados em uma determinada sociedade, tal educaçãoocorre por meio do diálogo afetuoso e verdadeiro, dúvidas podem ser sanadas, pois Pró-reitoria de EaD e CCDD 11 existe uma relação de confiança que é estabelecida e que faz com que se reflita nas mais diversas situações que se apresentam na vida e nas relações, na escola onde se promove o ensino sistematizado é onde a educação moral é testada, isso pode ser observado quando uma criança agradece algo que lhe foi feito ou pede licença ao entrar em um local considerado privado. Sem dúvida, tais comportamentos irão acompanhar a vida desta criança a vida adulta, podendo inclusive servir-lhe de destaque em relação a outras pessoas. Frente ao exposto, percebe-se o quanto a família é relevante na vida dos sujeitos e na sua formação, sendo que as interações de alta qualidade certamente garantem uma vida saudável e feliz. Tema 03: Os conflitos intrapessoais Antes mesmo de falarmos sobre os conflitos intrapessoais vamos relembrar o significado da palavra conflito, ela provém do latim confligere, que significa colidir entrar em choque por se encontrar em oposição ao outro, comporta um sentido negativo: de desunião, de atrito, de contenda, de discussão, de antagonismo, de destruição, de violência e de raiva. Significados preenchidos de emoção e porque não dizer tensão. Nos relacionamentos quase sempre se busca impedir o seu surgimento por estar associado a um possível problema. Quando de uma situação de negociação em que uma das partes sinta-se em uma condição inferior ou perceba que há uma vantagem da outra parte, essa diferença remete ao conflito, pois nenhum ser humano suporta sentir-se menos, todos querem ser mais e nunca menos. Desta feita, os conflitos existem desde os primórdios da humanidade, as disputas entre os sujeitos surgem pelas mais diversas razões uma delas é a percepção errônea das coisas, uma vez que os sujeitos captam as situações de uma forma muito diferente, segundo as suas vivências, valores, preconceitos, limitações e paradigmas o que incorre em uma distorção da realidade. Pró-reitoria de EaD e CCDD 12 Há também situações em que se quer igualar as pessoas, ou seja, estabelecer um padrão socialmente aceito, por vezes julga-se sem aceitar o outro como ele é com suas peculiaridades. Desta forma, existem atitudes como ordenar, mandar, impor que se faça algo, mas por meio de ameaças que produzem resistências, onde a obediência ocorre pelo temor e não pela espontaneidade. Outra atitude que provoca conflitos que nem sempre são demonstrados, é o ato de moralizar quando se dá, por exemplo, um “sermão” ou uma “lição de moral”, em geral o objetivo é fazer com que o outro se sinta culpado, isso pode suscitar um sentido de “superioridade” daquele que oferece um conselho ou advertência, em contrapartida verifica-se o sentimento de “inferioridade” parte de quem recebe. A crítica muitas vezes ácida e sem critérios claros, o julgamento e a censura transmitem um sentido de incompetência, a mensagem comporta uma inadequação que necessita de ajuste e da maneira como é propalada, ridiculariza e envergonha, seu efeito é devastador, pois destrói a imagem que a pessoa tem de si mesma. Ante o exposto, resta definir o que vem a ser os conflitos intrapessoais, eles dizem respeito ao que se chama de conflitos internos que segundo DILTS (2004, p. 241), ocorrem entre partes da experiência humana e em vários níveis, iremos exemplificar alguns deles que estabelecem nos indivíduos a depender de seu histórico de vida e de seu perfil pessoal. Levando em consideração o estudo realizado por Stuart Atkins e Allan Katcher – Idealizadores do Programa Lifo e autores do livro: Lifo Trainning & OD Analyst a Program for Better Utilization of Strengths and Personal Styles: Los Angels (1973), apresentaremos algumas situações que tem como consequência os dilemas intrapessoais, são elas: Querer ajudar e, simultaneamente, desejar permitir que as pessoas se desenvolvam ao seu próprio modo. Pró-reitoria de EaD e CCDD 13 Conviver com decisões tomadas por pessoas dominadoras ou agir de acordo com seus próprios princípios. Querer ser sincero mesmo não querendo ferir alguém que mereça ser criticado. Desejar confiar em alguém, mas recear que o explorem. Querer aproveitar duas diferentes oportunidades ao mesmo tempo. Querer delegar o trabalho, mas se alguém o fizer, tem medo que não seja realizado de forma correta. Querer que as pessoas sejam responsáveis, mas sente-se pouco à vontade quando as coisas não são feitas do seu jeito. Querer responder e respeitar o outro, mas evitar erros e esconder-se num silêncio de proteção. Desejar oportunidades e sentir-se desajeitado. Desejo de estar minuciosamente preparado, porém sentir que pode perder a oportunidade em virtude do tempo de preparação. Saber que precisa agir, mas também por reconhece rum risco alto, preferiria não o fazer. Querer ser querido, mas descobrir que deve assumir um dos lados entre dois amigos. Querer estar numa nova situação social, mas não saber como comportar- se, pelas regras não estarem bem definidas. Querer ser espontâneo, mas não querer ofender as pessoas. Sentir que a única coisa que pode fazer é apaziguar as pessoas, mesmo sabendo que se o fizer elas podem se tornar muito bravas. Agir com tato e maneiras políticas e evitar a reputação de ser falso. Querer chegar a uma concessão para reduzir a tensão, mas querer evitar que isso seja interpretado pelos amigos como uma fuga da raia. Tais dilemas que podemos tratar como conflitos intrapessoais, fazem parte do dia a dia das pessoas. Assim como das pessoas que ocupam papéis importantes no interior das organizações, como os executivos a quem a tomada Pró-reitoria de EaD e CCDD 14 de decisão acontece a todo o momento, mas que não se encontra livre de enfrentar um conflito, como nos revela Fela Moscovici (2008), ao expor os conflitos que afligem o executivo, sendo eles os seguintes: Dupla atração: ocorre entre duas situações igualmente atraentes quando uma escolha exclui a outra. Dupla aversão: quando ambas situações não são desejadas nem oferecem satisfação e a pessoa é obrigada a ter que escolher uma delas. Atração e Aversão simultânea: caracteriza-se por uma situação altamente atraente (satisfatória), mas que contém um elemento bloqueador de uma ordem valorativa (ética), o que a torna repulsiva. O conflito é mais intenso quanto mais atraente for à situação. Agora que já conhecemos um pouco dos conflitos intrapessoais, iremos na sequência apresentar os conflitos interpessoais, os quais acontecem na relação com o outro nas diversas esferas da vida, seja no ambiente familiar, social ou profissional. Tema 04: Os conflitos interpessoais Vimos ao longo de nossas aulas que os conflitos são situações em que se apresentam a tensão que envolve pessoas ou grupos. Quando o conflito é interno, vimos que se trata de um conflito intrapessoal. Em contrapartida, quando é entre pessoas, estamos nos referindo a um conflito interpessoal. Neste caso, temos duas ou mais pessoas que divergem na percepção ou na proposta de ação sobre alguma situação ou problema. Geralmente o conflito interpessoal passa pela tentativa de uma pessoa manter a sua opinião e interesse e mostrar que a outra pessoa envolvida está errada. Muitas vezes essa tentativa acaba desencadeando emoções negativas, ou seja, podem chegar a trocar insultos e/ou palavras ásperas, humilhações e responsabilizações com o objetivo de mostrar os erros do outro e não a solução para os problemas. Pró-reitoria de EaD e CCDD 15 Até agora abordamos os conflitos entre pessoas e com resultados mais negativos. É por este fato que os gestores devem se preparar para lidar com os conflitos entre pessoas e para tanto os especialistas no assunto, já desenvolveramalgumas técnicas para o manuseio dos mesmos. Mas, antes de falarmos das técnicas, é importante frisarmos que nem todo o conflito entre pessoas é negativo ou disfuncional. Quando se aplicam as técnicas adequadas e os envolvidos já fazem parte de uma equipe de trabalho, os conflitos gerados são bem-vindos, pois não são focados nas pessoas e sim nas ideias. Muito positivo ou funcional quando isso ocorre. Agora vamos às técnicas: Técnicas de resolução de Conflitos Solução de Problema Reunião cara a cara das partes conflitantes com o propósito de identificar o problema e resolvê-lo através de discussão aberta. Metas superordenadas Criação de uma meta partilhada que não possa ser atingida sem a cooperação de cada uma das partes em conflito. Expansão de recursos Quando um conflito é causado pela escassez de um recurso – digamos, dinheiro, oportunidade de promoção, espaço no escritório –, a expansão de recursos pode criar uma solução ganha-ganha. Evitação Retirada ou supressão do conflito. Suavização Amenizar diferenças enquanto dá ênfase a interesses comuns entre as partes conflitantes. Compromisso Cada parte do conflito desiste de algo de valor. Comando autoritário A administração usa a sua autoridade formal para resolver o conflito e então comunica seus desejos às partes envolvidas. Alteração da variável humana Uso de técnicas de mudanças comportamentais como treinamento de relações humanas para alterar atitudes e comportamentos que causam conflito. Pró-reitoria de EaD e CCDD 16 Alteração das variáveis estruturais Mudança da estrutura organizacional formal e dos padrões de interação das partes conflitantes através de redimensionamento do cargo, transferências, criação de posições coordenadas e similares. Fonte: Figura 12.4 – Técnicas de administração de conflitos, p. 279 do livro de Stephen Robbins. Comportamento Organizacional - 8. Edição. Encontramos também organizações que além de desenvolver técnicas para lidar com os conflitos interpessoais, também estimulam que o conflito ocorra. Vejamos as técnicas de estimulação de Conflito no quadro a seguir: Comunicação Uso de mensagens ambíguas ou ameaçadoras para aumentar os níveis de conflito. Trazer pessoas externas Adição de empregados a um grupo cujas formações, valores, atitudes ou estilos administrativos sejam diferentes daqueles dos membros presentes. Reestruturação da organização Realinhamento de grupos de trabalho, alteração de regras e regulamentos, aumento de interdependência e realização de mudanças estruturais semelhantes para quebrar o status quo. Designação de um advogado do diabo Designação de um crítico para argumentar propositalmente contra as posições majoritárias defendidas pelo grupo. Fonte: Figura 12.4 – Técnicas de administração de conflitos, p.279 do livro de Stephen Robbins. Comportamento Organizacional - 8. Edição. Não podemos esquecer que embora, mesmo utilizando de técnicas específicas, para lidar com os conflitos, a aplicação das mesmas não é garantia de sucesso, uma vez que existe a influência das variáveis pessoais dos envolvidos. Vamos entender um pouco mais o que isto significa. Cada pessoa tem as suas características de personalidade, seus sistemas de valores, ou uma baixa ou uma autoestima muito elevada e isto impactará de Pró-reitoria de EaD e CCDD 17 sobre maneira na condução, resolução ou potencialização dos mesmos. Por este fato, os gestores devem conhecer as principais características de seus subordinados para lançar mão da técnica mais apropriada a cada situação. Uma coisa é certa, o gestor necessita observar os conflitos para poder administrá-lo e que também não temos como evitá-los uma vez que esta é uma dinâmica inerente as relações humanas. Para aprofundarmos o nosso conhecimento vamos ler os capítulos dos livros recomendados na nossa leitura obrigatória. Tema 05: Os tipos de conflitos Existe diferentes tipos de conflitos, e, a partir do momento que se consegue identificá-los corretamente, as chances de resolvê-los serão muito maiores, uma vez que se utilizará a estratégia adequada àquele tipo de conflito. Os especialistas no assunto como Christopher Moore (1998), nos dizem que não existe uma classificação global para o conflito. Entretanto existem várias formas dele se apresentar, e essas podem ser classificadas quanto ao sujeito, quanto ao objeto quanto ao interesse, quanto à natureza, quanto aos efeitos ou resultados. Iremos entender cada uma delas por meio do quadro apresentado a seguir: Classificação do conflito Caracterização/Desenvolvimento Sujeito Conflito Intrapessoal. São os choques internos do indivíduo com seus conceitos, normas, princípios, etc. Com sua realidade. Sua abrangência se restringe à esfera pessoal. Conflito Interpessoal. São situações que surgem entre indivíduos ou entre grupos de indivíduos onde existem posições antagônicas com relação a um bem, um direito, ou um benefício. Pró-reitoria de EaD e CCDD 18 Conflito intragrupal. Ocorre dentro de uma facção social, política ou do trabalho. Esses conflitos têm como causa principal disposições divergentes, ideológicas ou metodológicas. Objeto Conflito Internacional. Ocorre quando as disposições divergentes incluem questões de política internacional ou direito público internacional. As pessoas envolvidas são pessoas jurídicas de direito público externo. Conflito Constitucional, administrativo e fiscal. Incluem questões relativas à cidadania, ao estado, ais direitos e às garantias individuais. Problemas envolvendo autoridades políticas e corpo governamental, tributação, etc. Conflitos Trabalhistas. São conflitos ocorrentes entre sindicatos de empregados e de empregadores, questões entre empregados e empregadores, incluindo disputas industriais. Conflito Organizacional. Envolve questões oriundas de gerenciamento, estruturas empresariais e procedimentos. São conflitos intraorganizações. Conflito Comercial. Ocorre em grande escala oriundo de divergências contratuais, em relações comerciais, sociedades, joint venture e outros campos da atividade comercial, bancária, propriedade intelectual, construção civil, etc. Conflito de Consumo. Envolve questões de direito do consumidor, problemas de preços, qualidade e informações de produtos de mercado etc. Conflito Corporativo. Envolve questões entre acionistas: dissolução e liquidação de sociedades etc. Conflitos de Dano. São relativos a problemas de responsabilidade objetiva ou subjetiva envolvendo negligência, imperícia e imprudência. Nos Estados Unidos são denominados torts e são numerosos e frequentes entre sinistrados e seguradoras. Conflito Familiar. Relativo a problemas familiares. Envolve questões de divórcio, separação de casais, prestação de alimentos, guarda de filhos, divisão de bens da sociedade conjugal, revisão de alimentos, questões de transmissão legítima e testamentária, transações e outros negócios dentro do grupo familiar. Conflito Criminal. Questões que envolvem o aspecto criminal do dano, questões quanto a honra, contra a vida etc. Conflito Comunitário: Questões relativas à vizinhança. Pró-reitoria de EaD e CCDD 19 Interesse Para que se caracterize o conflito é necessário que o benefício ocorra em relação aos interesses extraprofissionais. Por exemplo, uma pessoa que decida em nome da empresa a aquisição de um imóvel e que dentre as ofertas equivalentes recebidas escolhe uma feita pelo seu pai, incorre em conflito de interesses. Da mesma forma incorre em conflito a pessoa que entre dois candidatos a emprego, com qualificações equivalentes, escolhe um membro da sua família. Ficará agravado o conflito se a qualificação do outro candidato for melhor que a do membro da família. Joaquim Manhães Moreira Natureza Quanto à natureza podemos ter uma infinidadede conflitos, porém os mais estudados são: Conflitos familiares: São aqueles que requerem a mediação para resolução das brigas que surgem por diversos motivos, como; ciúmes, dinheiro, negócios, choque de personalidades etc. Econômica: Geralmente acontecem por meio dos dissídios coletivos do trabalho e podem ser de natureza econômica ou jurídica. Social: São originários das diferenças de opiniões, pensamentos e ações que geram oposições. Existe uma série de teorias que as explicam, como: teoria materialista, crítica, feminista, pós-moderna, entre outras. Efeito e resultado Os efeitos ou resultados dos conflitos podem ser positivos ou negativos. Vamos apontar apenas alguns desses efeitos. Efeitos positivos: Definição de questões pendentes, aumento da coesão grupal, provoca a discussão de ideias, as causas e ou motivos dos conflitos são esclarecidos, maior conhecimento entre as pessoas. Efeitos Negativos: Aumento do ressentimento entre pessoas e entre grupos, aumento da competição em detrimento a cooperação, consumo de energia e tempo, destruição dos oponentes, entre outros. De uma forma abrangente, esses são os tipos de conflitos mais comuns que nos deparamos na vida em sociedade, tais conflitos abrangem áreas como a do Direito Civil, Comercial, Penal, da Constituição vigente, das Organizações entre outras e a sua tipologia pode ser estudada por meio das classificações que são propostas. Para aprofundar o tema leiam os artigos indicados na leitura obrigatória, bem como no saiba mais. Pró-reitoria de EaD e CCDD 20 Na Prática Reflita sobre a seguinte questão: O excesso de harmonia em uma empresa pode ser prejudicial ao seu desenvolvimento? Vamos ler e analisar um caso verídico trazido pelo autor Robbins (2005, p. 334). Como o excesso de harmonia prejudicava a Yahoo! A Yahoo! nos deu um exemplo de organização que sofreu pelo excesso de harmonia e ausência de conflitos funcionais. Fundada em 1994, a Yahoo! tornou- se rapidamente uma das marcas mais conhecidas da internet. Em 1999, as empresas “ponto.com” implodiram e em 2001, observou-se que os espaços para anunciantes já não eram mais vendidos como antes. As ações da empresa haviam perdido 92% do valor que tiveram em seu momento de maior alta na Bolsa de Valores. Foi neste momento que Terry Semel que havia trabalhado na Warner Brothers, trouxe para a Yahoo! sua habilidade de administrar conflitos. Semel descobriu que a empresa estava “isolada e desprovida de conflitos funcionais. Ela não conseguia responder à mudança. Chefes e subordinados estavam em tamanha harmonia que ninguém queria mudar nada”. A fonte do problema, por incrível que pareça, era seu presidente Tim Koogle que havia estabelecido para a organização uma cultura de não-confrontação. Ao substituir o presidente por outro executivo que estimulou conflitos funcionais, a Yahoo! garantiu o estímulo à confrontação, buscando a inovação e reconquistou seu lugar de destaque entre as organizações “ponto.com”. Frente à situação vivida, pela Yahoo, podemos concluir que divergências de opinião são saudáveis e, portanto, esses conflitos são considerados positivos, porém quando a divergência é de pessoas o conflito passa a ser negativo. Para ampliar o seu conhecimento, faça uma pesquisa sobre os aspectos positivos e os negativos do conflito. Pró-reitoria de EaD e CCDD 21 Resolução da situação proposta MOSCOVICI (2008, p. 213) nos atenta para o fato de que uma situação de conflito faz parte da vida em comunidade, sendo que as mesmas têm funções positivas para o aprimoramento pessoal e individual. Alguns aspectos que a autora aponta como positivos do conflito são: a quebra de paradigmas levando à inovação; saída da estagnação e busca pela criatividade; ruptura do equilíbrio da concordância; estímulo ao interesse pelas razões da discordância; emergência de problemas que poderiam ficar escondidos e a busca de soluções. Já os aspectos negativos são os seguintes: o conflito pode ocasionar brigas crônicas e a escalada da violência, o conflito quando destrutivo propicia o que há de pior nas pessoas, a inveja, as intrigas e a rudeza. As distorções da comunicação são fontes de inúmeros maus entendidos, pode haver abuso de poder ou estímulo da competição ocasionando irritabilidade, frustração, ressentimento e insatisfação, podendo provocar transferências demissões e queda da produtividade. Finalizando Em nossa aula pudemos entender a origem dos conflitos nos sujeitos, a fase de desenvolvimento pela qual ele passa e os impactos tanto no seu físico, quanto no seu emocional, intelectual, social. Estudamos que a família pode ser uma grande geradora de conflitos, sendo necessário compreendermos como administrar e manejá-los para que não tenhamos problemas advindos de conflitos junto ao contexto familiar. Foi possível apreciar a diferença existente entre os conflitos intra e interpessoais, bem como as tipologias que os constituem. Pró-reitoria de EaD e CCDD 22 Referências CAROSELLI, M. Relações Pessoais no Trabalho. São Paulo: Cengage Learning, 2012. CHRISPINO, A.; CHRISPINO, R. S. P. Políticas educacionais de redução da violência: mediação do conflito escolar. São Paulo: Editora Biruta, 2002. DORON, R.; PAROT, F. (orgs.) Psicologia Clínica. Dicionário de Psicologia. Vol. I. São Paulo: Ática, 1998. LIMA, A. A. A família no mundo moderno. Rio de Janeiro: Agir Editora, 1960. MOORE, C. W. O Processo da Mediação: estratégias práticas para a resolução de conflitos. Porto Alegre: Artmed, 1998. MOSCOVICI, F. Renascença Organizacional: o resgate da essência humana. 11 ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 2008. OSÓRIO, L. C. Família Hoje. Porto Alegre: Artmed, 1996. PEREIRA, C. M. da S. Instituições de Direito Civil. Vol. V - Direito de Família. 16. ed. Rio de Janeiro: Editora Forense, 2007. PORTUGAL, G. Desenvolvimento e aprendizagem na infância. In: CONSELHO NACIONAL DE EDUCAÇÃO (org.). Relatório do estudo – A educação das crianças dos 0 aos 12 anos. Lisboa: Ministério da Educação, 2009. ROBBINS, S. Comportamento organizacional. 11 Ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2005. Pró-reitoria de EaD e CCDD 1 Administração de Conflitos e as Técnicas de Negociação Aula 03 Professores Neusa Vítola Pasetto e Fernando Eduardo Mesadri Pró-reitoria de EaD e CCDD 2 Conversa Inicial Nesta aula veremos temas importantes, não apenas para o entendimento dos conflitos, pois já definimos e os classificamos na aula anterior, mas aprofundaremos e conheceremos quais são os fatores organizacionais envolvidos na geração dos conflitos, como aqueles relacionados à estrutura organizacional, liderança, poder, políticas, cultura e o clima organizacional, entre outros. Abordaremos dois momentos que são fundamentais em que os conflitos se estabelecem: no processo de mudança e nas fusões e aquisições. Apresentaremos também a condução dos conflitos nos mais diversos tipos de ambiente organizacional e traremos a visão de Charles Perrow, pois esse PhD em sociologia, o qual faz uma análise de elementos de interação que acaba determinando o tipo de ambiente que a organização terá. Verificaremos o custo para a organização de uma má gestão dos conflitos e também os paradigmas que devem ser quebrados para torná-los funcionais. Essa é uma grande oportunidade de você aprofundar seus conhecimentos nesse fundamental tema, especialmente para aqueles que querem fazer a diferença no contexto organizacional. Bons estudos! Problematizando Analise a situação abaixo, leia o artigo e a rota indicada no item “Pesquise” e, posteriormente, classifique os conflitos estabelecidos e justifique porque eles pertencem a essa classificação: Cindy, redatora de uma grande agência de publicidade,é querida por todos. Têm um ótimo relacionamento interpessoal. É amiga próxima de quase todos. Por onde passa sempre têm algo a acrescentar para que o dia das pessoas se torne melhor. Acredita na sua ética pessoal e não aceita de forma alguma as injustiças. Quando frente a situações que avalia como injustas tenta fazer justiças com as próprias mãos. Aqui começam os problemas da Cindy, pois nem sempre detém todas as informações e acaba se atrapalhando por não saber de todo o contexto e Pró-reitoria de EaD e CCDD 3 tira conclusões de histórias que foram ditas pela metade. Sua ação acaba ferindo os procedimentos da agência e os sentimentos das pessoas. Momento do estabelecimento do conflito Tipo do Conflito Definição do Tipo de Conflito Comentário: A resposta esperada dos alunos é a seguinte: Momento do estabelecimento do conflito Tipo do Conflito Definição do Tipo de Conflito Acredita na sua ética pessoal e não aceita de forma alguma as injustiças. Intrapessoal Conflito Intrapessoal. São os choques internos do indivíduo com seus conceitos, normas, princípios, etc. Com sua realidade. Sua abrangência se restringe à esfera pessoal. Quando frente a situações que avalia como injustas tenta fazer justiças com as próprias mãos. Intrapessoal e interpessoal Conflito Interpessoal. São situações que surgem entre indivíduos ou entre grupos de indivíduos onde existem posições antagônicas com relação a um bem, um direito, ou um benefício. Sua ação acaba ferindo os procedimentos da agência e os sentimentos das pessoas. Organizacional, interpessoal e intragrupal Conflito intragrupal. Ocorre dentro de uma facção social, política ou do trabalho. Esses conflitos têm como causa principal disposições divergentes, ideológicas ou metodológicas. Conflito Organizacional. Envolve questões oriundas de gerenciamento, estruturas empresariais e procedimentos. São conflitos intra- organizações. Pró-reitoria de EaD e CCDD 4 Tema 01: Fatores Organizacionais envolvidos na Geração de Conflitos Atualmente vivemos em um mundo globalizado e altamente competitivo onde a necessidade por uma execução superior torna-se imperativo para a obtenção dos resultados que são necessários ao sucesso da organização. Essa não é uma tarefa fácil, requer planejamento, organização e muito empenho. Tal condição suscita uma acentuada frequência de mudanças é nesse cenário que se inserem as pessoas, as quais contribuem com o seu desempenho, há muito tempo que o ser humano não é visto apenas pelo seu esforço físico nas organizações, se vai muito além, ele assume uma posição pensante, as capacidades de inovação e a busca por novas soluções são de fundamental importância ao atingimento de metas e a tão propalada sustentabilidade, seja ela ecologicamente correta, economicamente viável, permeada de responsabilidade social bem como socialmente justa. Desafios e tanto são diversos fatores contextuais nos quais os indivíduos encontram-se inseridos e num ambiente organizacional, isso não deixa de ser diferente, logicamente contribui para a geração dos mais diversos conflitos. Vamos buscar agora, elucidá-los com maior clareza, para um maior conhecimento. Muitos conflitos ditos organizacionais ocorrem no interior das organizações, haja vista que existem distintas partes que constituem a empresa e possuem diferentes interesses, bem como pontos de vista e necessidades divergentes. Segundo o Filósofo irlandês Charles B. Handy, especializado em comportamento organizacional e gestão em seu livro: “Como compreender as organizações”, (1978, p. 256-257) nos diz que: “a presença de conflito pode ser detectada com a observação de alguns fatores na organização”. São eles: Comunicações deficientes, lateral ou verticalmente – falta de conhecimento proposital de uma parte da organização do que a outra está a fazer, quer pelo seu desinteresse, quer pela ocultação de informações; Hostilidade e inveja intergrupal – ocorre quando uma área deseja ser melhor Pró-reitoria de EaD e CCDD 5 que as outras ou quando uma área é sempre reconhecida como melhor e as outras áreas sabem que a mesma não reconhece o seu trabalho dentro da empresa; Fricção interpessoal – a antipatia entre indivíduos de grupos diferentes claramente manifestada em público; Escalada de Arbitragem – a intervenção constante do alto escalão em conflitos menores, provocando confronto entre os gestores das áreas que têm o problema; Proliferação de regras e regulamentos, normas, mitos – tal fator provoca uma quebra consciente das regras ou uma paragem na empresa; Moral baixa por causa da frustração oriunda da ineficiência – a sensação existente de impotência diante do trabalho a ser realizado”. Cabe ressaltar que tais fatores são indicativos do quanto à organização pode perecer caso não tenha a devida atenção por parte de seus gestores. Por exemplo, no que tange às comunicações deficientes faz-se necessário que estes mesmos gestores saibam transmitir aos seus colaboradores o que se espera deles: o porquê, para quê e para quem eles estão desenvolvendo determinado trabalho, caso contrário, a probabilidade do surgimento de conflitos é grande, primeiramente por parte do próprio colaborador o qual provavelmente, terá conflitos intrapessoais e depois com os seus superiores ou mesmo com a empresa como um todo. Sobre esta questão nos explica SCHERMERHORN JÚNIOR, HUNT & OSBORN, citados por WASCHOWICZ, (2013, p. 16), os conflitos estão presentes, sim, no ambiente de trabalho, mas o que os caracteriza são seus diferentes níveis – ou seja, quais parâmetros e hierarquias estão envolvidos. São eles: Intrapessoal: dificuldades pessoais que interferem na relação com outros. Interpessoal: desacordo com outras pessoas, decorrente de divergências. Interorganizacional: rivalidade ou concorrência entre a empresa e seus fornecedores, clientes, mercado de atuação. Intraorganizacional: rivalidade ou concorrência ente a empresa e suas filiais. Como podemos verificar a estrutura organizacional é grande fonte geradora de conflitos, seja pelas posições diferentes de seus integrantes, sejapelas as diferenças Pró-reitoria de EaD e CCDD 6 de poder e de comando existentes, seja pela cultura organizacional vigente, sejam pelos planos, programas e políticas que são impostos implícita ou explicitamente aos seus subordinados, assim como as metas e objetivos a serem cumpridos no menor tempo possível pelos trabalhadores, a busca dos mesmos pela autonomia no desenvolvimento de suas atividades, o desejo de desenvolver um espírito crítico, tendo em vista uma possível progressão em sua carreira, o que pode ser impedido, tais circunstâncias podem sem dúvida, desencadear desavenças. Conforme WALTON & DUTTON (1978, p. 343), “o conflito resulta em grande medida de fatores que se originam fora do relacionamento lateral específico em consideração, ou que antecedem o relacionamento”. Estes mesmos autores apresentam os nove principais tipos de antecedentesde conflito, a saber: 1. Dependência mútua da tarefa – trata-se da medida sob a qual duas unidades ou indivíduos dependem uns dos outros para assistência, informação ou outros atos para o desempenho de suas tarefas respectivamente. 2. Assimetrias relacionadas à tarefa – a interdependência simétrica e os padrões simétricos de relacionamento entre as unidades de uma organização promovem uma maior colaboração. Já a interdependência assimétrica tende a levar ao conflito. Um exemplo é quando ocorrem mais cobranças sobre uma área do que em outra. 3. Critérios de desempenho e recompensas – quanto mais as avaliações e recompensas da alta administração frisarem o desempenho separado em vez de seu desempenho combinado, maior será o conflito decorrente. 4. Diferenciaçãoorganizacional – decorrente do fato de que o nível adequado de diferenciação de uma organização depende do ambiente, onde as tarefas a serem executadas devem primar por uma uniformidade, áreas com tarefas não uniformes são fontes geradoras de conflito. 5. Insatisfação com o papel organizacional: poderão ser geradas pelas mais diversas fontes e quando causam insatisfação promovem o conflito. Como também o papel desempenhado pelas áreas ou o status externo não vem de encontro com as necessidades de seus membros, estes podem se ressentir gerando Pró-reitoria de EaD e CCDD 7 o conflito. 6. Ambiguidades – se caracterizam, entre outras maneiras, pela “pela dificuldade em distribuir o mérito ou a culpa entre duas áreas” ou podem se apresentar nos critérios de avaliação, promovendo, frustações, tensões e conflitos. 7. Dependência de recursos comuns – sempre que houver uma dependência por parte dos indivíduos dos mesmos recursos, sejam financeiros, equipamentos e espaços físicos, principalmente quando esses são escassos, ocorrerá competição e a promoção de conflitos. 8. Obstáculos na comunicação – a boa comunicação existente na organização promove a cooperação, quando de dificuldades semânticas (diferenças de significado), poderá dificultar ou até mesmo impedir o processo de comunicação, sendo um potencial para o conflito. 9. Habilidades e traços pessoais – determinadas características individuais ou certas particularidades da personalidade podem aumentar o potencial de conflitos nas relações. Frente ao exposto, pode-se perceber que o conflito nas organizações é, antes de tudo, um evento relacional e que as principais causas de sua ocorrência estão relacionadas as percepções das desvantagens que um sujeito poderá ter quanto aos aspectos relacionados ao seu trabalho e que impactam no seu relacionamento com os demaisno ambiente organizacional. Tema 02: Os diferentes conflitos na estrutura organizacional Vimos no primeiro tema os fatores que podem estar envolvidos na geração de conflitos e como tomamos conhecimento, a estrutura organizacional é um deles. Nesta etapa do estudo, veremos alguns destes conflitos, mas antes, vamos trazer ROBBINS (2003) que nos diz que as pesquisas apontam três tipos de conflitos na estrutura de uma organização, são eles: os de relacionamento, os de tarefa e os de processo. Pró-reitoria de EaD e CCDD 8 Ainda ROBBINS (2004) afirma que quando as organizações crescem e criam cargos com objetivos e características próprias e específicas, separam as pessoas e geram diferenças. Também quando a organização diversifica seu capital humano com pessoas de diversas raças, crenças e ideias na busca de novas soluções podem gerar conflitos tanto funcionais quanto disfuncionais. Então podemos concluir que a gama de possibilidades de geração de conflitos nas organizações é imensa e, portanto, focaremos em duas que acreditamos ainda não terem sido abordadas até o momento: o processo de mudança e as fusões. 1. Processo de Mudança Mudança é a transição de uma situação para outra diferente ou a passagem de um estado para outro diferente. Para efetuarmos a mudança na organização teremos algumas fases, e são nessas etapas que os conflitos surgem. Primeiro temos que realizar o descongelamento do padrão atual de comportamento, onde as velhas ideias e práticas são derretidas, abandonadas e desaprendidas, depois se adota novas atitudes, valores e comportamentos, nesta segunda fase a mudança se apresenta e na terceira fase acontece o recongelamento, onde existirá a incorporação de um novo padrão, a internalização e a identificação. Essas fases foram teorizadas por Kurt Lewin. Para melhor visualizarmos vamos apresentar os tipos de mudanças organizacionais, os impactos que causam e os possíveis conflitos que geram, por meio de um quadro explicativo. A classificação dos conflitos aqui utilizada, foi estudada no tema 5 da rota 2, intitulado tipos de conflitos. Para melhor compreender o quadro, se faz necessário rever esse assunto. Pró-reitoria de EaD e CCDD 9 Quadro 1: Tipos de Mudanças X Impactos X Conflitos Mudança Impactos Conflitos Mudança na estrutura organizacional Redesenho da organização Mudança do formato do trabalho Nova configuração do negócio. Conflitos intra, inter e intragrupal. Conflitos trabalhistas, organizacional e corporativo. Mudança na tecnologia Novos equipamentos Novos processos de trabalho Redesenho do fluxo de trabalho Conflitos intra, inter e intragrupal. Conflito organizacional e corporativo. Mudanças nos produtos e serviços Novos produtos Novos serviços Desenvolvimento de produtos Novos clientes Conflitos intra, inter e intragrupal. Conflito organizacional e corporativo. Mudanças na cultura organizacional Novas atitudes, percepções, expectativas Nova mentalidade Novas habilidades e competências Novos resultados Conflitos intra, inter e intragrupal. Fonte: Os professores, baseado em CHIAVENATO (2003). Como já foram observados, os conflitos intra, inter e intergrupal aparecem em todos os processos de mudanças que se estabelecem na estrutura organizacional, então podemos concluir que para termos conflitos funcionais, deveremos sempre trabalhar as pessoas que fazem compõem a organização. 2. Fusão Para entendermos os conflitos advindos das fusões ou aquisições deveremos começar pelo que os autores entendem por fusão e aquisição. Para REQUIÃO (2005,p. 261) citado por VIANA, COUTINHO, BARBOSA & MIRANDA (2014) a fusão Pró-reitoria de EaD e CCDD 10 consiste na “operação pela qual se unem duas ou mais sociedades, de tipos iguais ou diferentes, para formar sociedade nova que lhes sucederá em todos os direitos e obrigações”. Dessa forma, a Lei das Sociedades Anônimas (Lei n. 6404/76), em seu Artigo 228, propõe a seguinte definição para fusão: “operação pela qual se unem duas ou mais sociedades para formar sociedade nova, que lhes sucederá em todos os direitos e obrigações". A Lei das Sociedades Anônimas (Lei n. 6404/76), em seu Artigo 227, conceitua aquisição (incorporação) como “operação pela qual uma ou mais sociedades são absorvidas por outra, que lhes sucede em todos os direitos e obrigações. ” Em face dessas definições podemos imaginar que a aproximação de duas culturas, mesmo que parecidas, geram conflitos dos mais diferentes tipos e classificações. Quando falamos em cultura, somente para lembrar o que vimos no tema 1 (um) desse estudo, cultura para SCHEIN apud ROBBINS (2005) é definida como “Cultura Organizacional é o conjunto de pressupostos básicos que um grupo organizacional inventou, descobriu ou desenvolveu ao aprender como lidar com os problemas de adaptação externos e integração interna, que funcionaram bem o suficiente para serem considerados válidos e ensinados a novos membros como forma correta de perceber, pensar e sentir em relação a esses problemas”. Pense conosco, para fazer com que um grupo abandone o que aprendeu e apreenda novos valores e comportamentos, as pessoas que estão à frente das gestões deverão estar preparadas para manejarem adequadamente principalmente os conflitos, intra, inter e intragrupais. Tema 03: A condução dos conflitos no ambiente organizacional – A visão de Charles Perrow. Para falarmos da condução dos conflitos no ambiente organizacional, Pró-reitoria de EaD e CCDD 11 utilizaremos os estudos de Charles Perrow. Vamos começar apresentando esse teórico. Perrow é americano, nascido em Tacoma, Washington. Obteve sua graduação, mestrado e PhD pela universidade da Califórnia, em Sociologia. Estudou a forma como as grandes organizações definiram a sociedade no século XIX e como criaram os cenários para os problemas atuais e também sobre osmovimentos radicais dos anos 60, teorias marxistas de industrialização e das crises contemporâneas. Charles Perrow, (1972) em seus estudos sociológicos sobre o ambiente organizacional, caracterizou esse ambiente em 5 tipos, ao qual chamamos de tipos de ambientes organizacionais. Vamos entender cada um deles, novamente iremos falar da cultura organizacional. Já sabemos que a cultura organizacional repousa sobre um sistema de crenças e valores, tradições e hábitos, uma forma aceita e estável de interações e de relacionamentos sociais típicos de cada organização. A cultura de uma organização não é estática e permanente, mas sofre alterações ao longo do tempo, dependendo de condições internas ou externas. Algumas organizações conseguem renovar constantemente sua cultura mantendo a sua integridade e personalidade, enquanto outras permanecem com sua cultura amarrada, a padrões antigos e ultrapassados. Para entendermos a cultura, precisamos entender os sistemas dentro dos quais as pessoas vivem e trabalham. Ambiente Diretivo Na organização onde existe o ambiente diretivo, a participação dos empregados nas decisões é restrita, ou seja, quase nula. As decisões são tomadas pela cúpula (Presidência e Diretoria). As informações não chegam aos empregados e, portanto, não existe a preocupação de mantê-los a par dos objetivos ou estratégias que serão colocadas em prática. Os questionamentos ou dúvidas ou mesmo as insatisfações não são expostas pelos empregados de forma aberta, uma vez que o poder fica restrito ao topo da pirâmide organizacional e quando ele é exercido é de forma coercitiva. Essa concentração de poder associada à falta de espaço para a participação dá Pró-reitoria de EaD e CCDD 12 prioridade aos controles políticos ao invés dos critérios de competências. As insatisfações dos empregados se apresentam de forma dissimulada, isto é não são claras e nem abertas, devido à falta de confiança e de canais adequados. Existe o medo de punições e de sansões. A delegação é nula. Caso existam discursos sobre o tema, realmente só ficam no discurso e não na ação. Ambiente de Espírito de Equipe Esse é o tipo de ambiente onde prevalece o espírito coletivo. Os objetivos passam a ser compartilhados e não mais visto de forma apenas individual. Existe a valorização da empresa pela contribuição dos empregados para o bem comum. Os empregados apresentam forte sentimento de pertença e de identificação com a organização e vice-versa. Ambiente Protetor Neste ambiente existe um grande enfoque nas relações interpessoais, onde a maior preocupação está em não deixar os membros entrarem em conflito ou em situações que os levem a divergências de opiniões. O controle não é exercido de forma direta, pois quando ele está presente, geralmente é fonte de atrito, e como neste tipo de ambiente ele não é bem aceito, ele passa a ser exercido de forma não direta e pouco assertiva. Quando o controle é exercido ele necessita de um mediador. Ambiente Neutro As preocupações dos empregados neste tipo de ambiente neutro são mais direcionadas as tarefas e as técnicas para fazê-las. As relações interpessoais são pouco valorizadas e a execução do trabalho é feita isoladamente. Não existe interesse pelo coletivo e pelas políticas ou pela visão do todo. Assim, cada funcionário mostra-se mais envolvido com seus afazeres técnicos e com os seus pares mais próximos do que com a empresa como um todo. Ambiente Político Pró-reitoria de EaD e CCDD 13 Neste tipo de organização constata-se uma preocupação muito grande com a observância dos usos e costumes; não se estimulam, pois, sugestões que conflitem com os mesmos. Este fato faz gerar comportamentos prudentes e defensivos nos vários níveis de chefias e entre os subordinados, em geral. Há um grande consumo interno de energia no sentido de pessoas ou grupos de pessoas se protegerem e justificar as medidas. As decisões são tomadas com base principalmente no passado, não levando em consideração pressuposições e oportunidades surgidas. As pessoas de grande iniciativa podem sentir-se tolhidas nesse tipo de organização. Tratativa dos Conflitos em cada ambiente Para abordarmos a tratativa estaremos nos baseando em um trabalho publicado pela ARH (Assessoria em Recursos Humanos) em 2007, intitulado: Exame da Cultura, supracitado neste estudo. Tipo de Ambiente Tratativa dos Conflitos Ambiente Diretivo Usam-se frequentemente a autoridade e a hierarquia como meio de solucionar conflitos entre pessoas ou departamentos. Geralmente os desacordos não são inteiramente resolvidos e refluem mais tarde. Ambiente Espírito de Equipe Os conflitos são enfrentados aberta e sinceramente, examinando-se suas causas e tratando de solucioná-los razoavelmente, de maneira que não voltem a aparecer. Ambiente Protetor As pessoas tomam cuidado em não deixar aflorar seus conflitos e irritações pessoais, procurando sempre conservar a amizade e a harmonia, mesmo que isso exija ceder nos seus pontos de vista. Ambiente Neutro Quase não existem desacordos entre as pessoas, porque estas evitam entrar em polêmica ou tratar de assuntos que poderiam gerar controvérsias e dificuldades pessoais. Ambiente Político Discutem-se os problemas de tal maneira que a maior parte das pessoas acabe aceitando as soluções, de maneira como foram apresentados. Quando as pessoas envolvidas se mantêm firmes em seus pontos de vista, o tratamento do problema sofre um esfriamento, adiando-se sua solução para voltar mais tarde ao problema. Pró-reitoria de EaD e CCDD 14 O que podemos concluir deste tópico do nosso estudo que tratamos da condução dos conflitos nos ambientes organizacionais, que uma organização não muda nem sozinha e nem por decreto, isso é regimento ou lei, a única maneira viável de mudar uma organização é mudar a sua cultura, isto é, os sistemas dentro dos quais as pessoas vivem e trabalham. Esses sistemas seriam os tipos de ambientes que acabam sendo formados pelas interações. Na questão específica da tratativa dos conflitos, vimos que cada ambiente propicia um tipo de comportamento e de interações que trará resultados específicos. Então, podemos dizer que o melhor resultado será aquele que melhor atingir os objetivos organizacionais e os pessoais daqueles que nela trabalham. Pessoas, temos muito trabalho a ser feito para chegarmos à condição de termos ambientes em que prevaleça o espírito de equipe. O convite está feito: Mãos a obra! Tema 04: O custo da má gestão do conflito na organização. Já sabemos que quando bem administrados os conflitos podem representar grandes oportunidades para o desenvolvimento organizacional. Mas, quando isso não ocorre, quais as consequências podem gerar? Qual o custo tangível e intangível da má gestão ou a inexistência dela, que poderá acarretar para a organização? Vamos pensar nos conflitos considerados disfuncionais, conforme nos apontam LOTZ & GRAMMS (2012, p. 80-81), os conflitos que “promovem barreiras emocionais, agressividade e afetam negativamente o desempenho do grupo – são formas destrutivas de conflito”. Complementam dizendo que: “os conflitos disfuncionais atrapalham o desempenho do grupo, pois têm como base a ausência de respeito, a agressão e a violência”. Podemos deduzir então, que tais conflitos promovem dificuldades nos Pró-reitoria de EaD e CCDD 15 componentes de um grupo, bem como no grupo como um todo, levando a própria dissolução do mesmo. Ora, é notória a dificuldade dos gestores em formar suas equipes de trabalho, o quanto dispende tempo e por que não dizer dinheiro, na seleção e treinamento dos integrantes até que possam apresentar desempenho e resultado satisfatórios, um conflito disfuncional terá implicações devastadoras em termos gerenciais. ROBBINS (2002), referendado por LOTZ & GRAMMS (2012,p. 81) diz que os conflitos disfuncionais implicam em desintegração do grupo, resistência, barreiras emocionais na comunicação, violência, agressividade, rupturas, descomprometimento e estresse. Ainda nos diz o mesmo autor, que: “existem três tipos de conflitos: de tarefa, de relacionamento, e de processo”. No que diz respeito à tarefa, podemos pensar na interdependência que existe por parte daqueles funcionários de uma determinada empresa, em que tenham que cooperar entre si para poder atingir um determinado objetivo em comum. Por exemplo, em um restaurante o trabalho realizado pelos garçons depende do pessoal da cozinha, responsável pela elaboração dos pratos oferecidos pelo mesmo aos clientes. Além da realização da tarefa propriamente dita, existe o processo envolvido em toda essa atividade, podemos imaginar o fluxo de trabalho e como ele ocorre. Quem é responsável pelo que, de que forma deverá entregar o que é de sua competência, qual o seu comprometimento consigo mesmo, com as metas e resultados a que se propôs cumprir, com a equipe e com a organização a qual pertence. De tudo isso, decorre relacionamentos, onde podemos ter relações permeadas pelo poder hierárquico, pela competição, pela agressividade e a violência. FIORELLI citado por KNAPIK (2012, p. 81), aponta alguns fatores que podem atrapalhar o funcionamento dos grupos como equipes de trabalho: 1. Lideranças despreparadas e sem perfil para a condução de equipes e pessoas; 2. Escolha dos participantes sem preocupação com os seus perfis e disponibilidade de tempo; 3. Falta de preocupação com a missão e os objetivos a seguir; Pró-reitoria de EaD e CCDD 16 4. Supervisão inadequada ou inexistente; 5. Formalismo como mecanismo de defesa; 6. Quantidade excessiva de pessoas na equipe, dificultando a organização e encobrindo pessoas que não assumem muitas responsabilidades; 7. Ausência de qualificação e especialização das pessoas; 8. Ausência de condições ambientais adequadas, como a ergonomia; 9. Falta de domínio de técnicas de trabalho em equipe; 10. Tipo de trabalho executado; 11. Experiências anteriores dos participantes; 12. Cultura organizacional; 13. Fluxo das atividades; 14. Características comportamentais das pessoas. Sem dúvida, quando os conflitos não são bem administrados ou são ignorados os custos intangíveis como emoções represadas, poderão se manifestar como comportamentos agressivos, causando consequências como moral baixa ou a crença na incompetência pessoal e profissional e que fazem eclodir sentimentos de frustração. Assim como, os tangíveis que se apresentam nos retrabalhos, nos desperdícios, na baixa produtividade, na insatisfação interna (clima organizacional) e externa (stakeholders). Enfim, promover a devida atenção e bem trabalhar os conflitos que surgem na organização, é uma questão de preparo por parte de todos os seus gestores, de modo que as adversidades possam se tornar em oportunidades de crescimento e desenvolvimento, em prol do bem-estar geral da organização. Tema 05: Mudança dos paradigmas na condução do conflito Em temas anteriores foram abordados os efeitos dos conflitos, inclusive no tópico anterior foi falado sobre o custo que a má gestão dos conflitos gera para as Pró-reitoria de EaD e CCDD 17 organizações. Vamos, contudo, lembrar alguns destes efeitos e para tanto utilizaremos Chiavenato (2004), que destaca alguns deles. Efeitos Positivos Desperta sentimentos e energia no grupo. Grupo busca meios mais eficazes de realizar tarefas. Busca de soluções mais criativas e inovadoras. Estimula a coesão intragrupal. Maior probabilidade de chamada de atenção dos participantes para os problemas existentes. Problemas tratados de forma eficaz evitando problemas maiores no futuro. Efeitos Negativos Pode trazer consequências indesejáveis para o bom funcionamento da organização, como: Sentimento de frustração, hostilidade e tensão nas pessoas. Prejuízo no desempenho das tarefas. Desperdício de energia para resolução dos conflitos Surgimento de comportamento de competição, prejudiciais a cooperação. Mesmo sendo redundante afirmamos que: o irá determinar se o conflito é positivo ou negativo será a motivação das pessoas envolvidas, sendo que a condução e manejo desse, passa a ser de responsabilidade da gestão. Mais uma vez relatamos que quando o conflito é manejado ineficazmente, os erros, o moral baixo, a baixa produtividade, a alta rotatividade e o alto absenteísmo, aparecem. Faz-se mister, que os gestores, principalmente os estratégicos, criem políticas adequadas para lidar com os conflitos, mas especialmente quebrem os paradigmas que levam aos conflitos disfuncionais. Segundo COVEY (2008, p. 248-259) citado por LOTZ & GRAMMS (2012, p. 93-94) o desfecho dos conflitos está em consonância com os paradigmas da Pró-reitoria de EaD e CCDD 18 interação humana. Vamos entender cada um deles: Vencer/vencer – perder/perder Vencer/perder – Vencer Perder/vencer – Vencer/vencer Tipo de Interação na condução do conflito Vencer/Perder Perder/vencer Vencer Vencer/vencer Objetivo Eu ganho, você perde. Eu perco para você ganhar. Eu ganho e você que procure seus interesses. Nós ganhamos. Busca o benefício mútuo. Resultado Promove situações verdadeiramente competitivas e de pouca confiança. As pessoas preferem ceder ou concordar. Elas buscam força na popularidade ou na aceitação. Têm pouca coragem para expressar seus sentimentos e suas opiniões e se intimidam facilmente com a força da personalidade alheia. Pensa em termos de alcançar os seus objetivos – e os outros que se arranjem sozinhos. As partes se sentem bem com a decisão e comprometidas com o plano de ação. Pró-reitoria de EaD e CCDD 19 Paradigma “Eu sigo em frente, você fica para trás”. “Se eu ganho, você perde.” Tem como base crenças limitantes de merecimento e capacidade. “Eu perco você ganha.” “Vá em frente. Faça o que quiser comigo”. Só importa as pessoas conseguirem o que pretendem, sem ter necessidade que outros percam. Há bastante para todos, o sucesso de uma pessoa, não se conquista com o sacrifício ou a exclusão da outra. Consequências As pessoas que seguem este modelo, são propensas a utilizar a posição, o poder, o cargo, os bens ou a sua personalidade para avançar e obter vantagens nas situações de conflito a nas negociações. Neste modelo as pessoas ocultam muitos sentimentos. Os colaboradores podem reagir com raiva ou fúria desproporcional, reações extremadas às menores provocações e cinismo constituem representações das emoções contidas. Quando não há uma noção de disputa ou competição, “vencer” é provavelmente a abordagem mais comum para as negociações cotidianas. Respeito mútuo estimula a confiabilidade e, principalmente, abre novas possibilidades para futuras negociações e parcerias. Fonte: Retirado do livro Gestão de Talentos de LOTZ & GRAMMS (2012, p. 94). Agora, realizando um comparativo entre os paradigmas das interações humanas com os efeitos positivos e negativos da condução dos conflitos, fica claro que o ideal seria o desenvolvimento das interações vencer/vencer. O mercado, o marketing, enfim, as relações comerciais conhecem essa interação como ganha/ganha. Essa já é uma prática consolidada nestas áreas. Na condução dos conflitos realmente essa interação seria a ideal e os resultados seriam os melhores, além de serem aqueles voltados para o desenvolvimento de comportamentos salutares e de trabalho em equipe. Pró-reitoria de EaD e CCDD 20 Mais uma vez fica o convite, depende também de nós o desenvolvimentode novos paradigmas para atingirmos na área de gestão administrativa essa prática já alcançada pela gestão comercial. Na prática A fim de solidificar o conhecimento em relação a análise de contextos que são a base dos fatores geradores de conflitos, bem como, da classificação dos mesmos, vamos analisar a situação em que vive Latino: Latino é radialista, líder de audiência e trabalha em um dos maiores grupos de rádio de seu Estado. Existem 14 colaboradores e dentre eles, é considerado pela diretoria como sendo o mais organizado, o mais preparado tecnicamente e o que apresenta maior resultado financeiro. A sua atitude no seu grupo de trabalho não condiz com o que foi dito acima. É considerado pelos colegas como uma pessoa difícil, de pouca conversa e de pouca convivência. Latino não aceita receber ordens de ninguém, inclusive de seu chefe imediato, o Sr. Osni. Osni não optou pela demissão devido ao fato de Latino ser valioso para empresa, pois além do resultado financeiro que traz, sabem que trata-se de um talento. O Sr. Osni tem uma grande missão conversar com Latino e falar sobre seu comportamento com relação aos colegas e procedimentos da Empresa. Momento do estabelecimento do Conflito Tipo do Conflito Definição do Tipo de Conflito Resolução da situação proposta Espera-se que os alunos deem a seguinte resposta: Momento do estabelecimento do Conflito Tipo do Conflito Justificativa do Tipo de Conflito Pró-reitoria de EaD e CCDD 21 É considerado pelos colegas como uma pessoa difícil, de pouca conversa e de pouca convivência. Interpessoal Porque envolve os colegas de trabalho e pelo perfil do Latino, o conflito estabelecido terão resultados com efeitos negativos para o ambiente de trabalho. Latino não aceita receber ordens de ninguém, inclusive de seu chefe imediato, o Sr Osni. Intragrupal e organizacional Porque abre um conflito entre ele e seu superior. Como também perante os colegas de trabalho que se sentem prejudicados por terem que cumprir com ordens nas quais Latino descumpre. Além do conflito organizacional onde as normas e procedimentos não são cumpridos por todos. Osni não optou pela demissão devido ao fato de Latino ser valioso para empresa, pois além do resultado financeiro que traz, sabem que se trata de um talento. Organizacional Porque envolve questões da estrutura e do gerenciamento organizacional, onde a demissão de Latino, provocará dificuldades de ordem financeira, onde o conflito se estabelece entre manter um descumpridor de procedimento e um talento de interesse financeiro à organização. O Sr. Osni tem uma grande missão conversar com Latino e falar sobre seu comportamento com relação aos colegas e procedimentos da Empresa. Intrapessoal Porque o Sr. Osni vive o conflito de manter em sua equipe um empregado problema, pelo resultado financeiro que ele traz. Além do cuidado nas palavras que irá utilizar, para que Latino não se sinta ofendido. Finalizando Em nossa aula foi possivel aprofundar os fatores organizacionais envolvidos na geração de conflitos, verificamos especificamente aqueles relacionados a estrutura organizacional, vimos dois momentos que são fundamentais que os gestores devem se atentar que são as mudanças e as fusões e aquisições que as organizações realizam, pois são momentos de transição e propícios para que os conflitos se instalem. Pró-reitoria de EaD e CCDD 22 Fomos apresentados a Charles Perrow e conhecemos os tipos de ambientes teorizados por este sociólogo. Como também, estudamos o custo que a organização tem quando não faz uma gestão adequada dos conflitos e nem quebra velhos paradigmas em relação ao entendimento dos mesmos. Referências CHIAVENATO, Idalberto. Introdução à teoria geral da administração. 7 ed. Ver. e atual. Rio de Janeiro: Campus/ Elsevier, 2003. ______. Gestão de pessoas: e o novo papel dos recursos humanos na organização. 2 ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2014. KNAPIK, Janete. Gestão de pessoas e talentos [livro eletrônico]. Curitiba: Intersaberes, 2012. LOTZ, Erika; GRAMMS, Lorena Carmem. Gestão de talentos. Curitiba: Ibpex, 2012 ROBBINS, S. P. A verdade sobre gerenciar as pessoas. Tradução Celso Roberto Paschoa. São Paulo: Pearson Education, 2003. ______. Fundamentos do comportamento organizacional. Tradução Reynaldo Marcondes. São Paulo: Prentice Hall, 2004. ______. Comportamento organizacional. 11 Ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2002. ______. Comportamento organizacional. 11 Ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2005. VIANA, Coutinho, BARBOSA, Miranda (2014). Fusões e Aquisições: os Choques das Culturas Organizacionais Distintas. Disponível em: <http://www.aedb.br/seget/arquivos/artigos14/1620379.pdf>. Acesso em 03 fev. http://www.aedb.br/seget/arquivos/artigos14/1620379.pdf Pró-reitoria de EaD e CCDD 23 2016. PERROW, Charles. Análise organizacional: um enfoque sociológico. São Paulo, Atlas, 1981. WALTON, R. E., DUTTON, J. M. Administração do conflito um modelo e uma revisão. In: LOBOS, J.Comportamento Organizacional. São Paulo: Atlas, 1978. WASCHOWICZ, M. C. Conflito e negociação nas empresas. Curitiba: Intersaberes, 2012. Pró-reitoria de EaD e CCDD 1 Administração de Conflitos e as Técnicas de Negociação Aula 04 Professores Neusa Vítola Pasetto e Fernando Eduardo Mesadri Pró-reitoria de EaD e CCDD 2 Conversa Inicial A negociação faz parte do cotidiano de qualquer ser humano. Imagine a seguinte situação: Vamos trocar de carro. Então vêm à cabeça as seguintes perguntas: Qual a marca? Qual a cor? Quando? Quanto? Com que condições? Isso tudo exigirá várias negociações, quando existe apenas o casal, será uma negociação entre duas partes e quando esse casal já tiver filhos e as decisões forem compartilhadas na família, como será essa negociação? Percebem que aqui já teremos alguns fatores que fazem parte deste processo. Claro que precisaremos entender qual o perfil desses negociadores e o que se espera deles no contexto ao qual se encontram inseridos. Entender as melhores estratégias, táticas e técnicas a serem aplicadas na negociação são extremamente vantajosas para o processo, sem esquecer que esse conhecimento se faz necessário para elaboração do plano da mesma e de suas consequentes etapas. Bem, vamos ter condições de entender, após essa aula, por que temos negociadores que apresentam maior frequência de sucesso do que outros. Vamos ao nosso estudo começando pela resolução de um problema. Mãos à obra!!! Problematizando O caso dos amigos com times rivais. Marcelo e José eram amigos e trabalhavam juntos na mesma empresa, ambos excelentes profissionais em sua área de atuação, Marcelo foi quem indicou o amigo José. Sendo amigos desde a adolescência, estudando no mesmo colégio, morando próximo um do outro e uma convivência muito próxima entre as famílias a que pertenciam. Somente discordavam em um aspecto: torciam por times rivais. Após um jogo de decisão do campeonato paulista onde os times se enfrentaram e o time de Marcelo perdeu e o time de José se consagrou campeão. José passou a comemorar a vitória o que irritou profundamente Pró-reitoria de EaD e CCDD 3 Marcelo, que passou a tratar José com indiferença, hostilidade, demonstrando irritabilidade constante, afastando-se dele sempre que pudesse haver algum contato físico e limitando o diálogo apenas a monossílabos. As agressões verbais no ambiente de trabalho tornaram-se mais acirradas o que poderia evoluir para um conflito manifesto, as quais eram percebidas pelos colegas de trabalho, interferindo no processo de trabalho que sofria com as frequentes interrupções. Os colegas da equipe comentavam com Gerente (superior imediato), oqual da mesma forma que os colegas de trabalho, preferiram não se envolver, ou seja, o gestor apenas observou sem tomar nenhuma providência em relação ao caso. Todos acreditavam que a situação se resolveria por si só e com o passar do tempo. Porém, o conflito foi adquirindo proporções cada vez maiores, sendo totalmente dominado pela emoção. A promoção de uma conversa franca entre os dois, com a adequada negociação intermediada pelo gestor da área, poderia ter resolvido o conflito interpessoal, mas nenhum dos dois, nem mesmo o seu superior, percebiam as proporções que o mesmo estava adquirindo, cada qual acreditando nas suas razões, defendendo seus times e ofendo um ao outro. O desequilíbrio emocional culminou com uma agressão física violenta, sendo contida pelos colegas de trabalho. Marcelo se dirigiu imediatamente à gerência para solicitar uma ação em relação a José, caso contrário, solicitaria o desligamento da empresa. A gerência não acatou o pedido de Marcelo, dizendo que não tinha o que fazer neste caso, por se tratar de algo banal a discussão por times de futebol, não iria perder seu tempo para resolver coisas desta natureza. A partir de então, Marcelo passou a influenciar seus outros colegas a hostilizarem e se afastarem de José, o qual se tornou motivo de chacota dentro de sua equipe de trabalho. O ambiente tornou-se insustentável para José, que adotou uma postura fechada, adquirindo progressivamente uma depressão sendo afastado a princípio por seis meses do trabalho para tratamento. Pró-reitoria de EaD e CCDD 4 Com base no texto acima, responda detalhadamente, as seguintes questões: Quem são as partes envolvidas no conflito? A quem caberia negociar este conflito? Por quê? Qual é a questão poderia ser negociada? Desenvolva um Plano de Negociação para o conflito apresentado. Comentário: Inicialmente Marcelo e José, a partir do momento em que o conflito se expandiu no interior da organização, além de Marcelo e José o Gestor e os colegas de trabalho também são partes envolvidas no conflito, uma vez que o gestor percebeu o conflito e decidiu não intervir, já os colegas se aliaram a Marcelo e hostilizaram José. Ao gestor da área a que pertenciam Marcelo e José, uma vez que o conflito que era externo e pessoal passou ter características de um conflito interpessoal no contexto laboral. A função de mediação e negociação de conflitos é na atualidade uma das atribuições dos gestores nas organizações. A condição de amizade que eles construíram ao longo de suas vidas, realizando um balanço sobre as questões que os levam a competir e a cooperar entre si, preservando a sua amizade. Além de levar a mesa de negociação, como eles percebem um grupo social e um grupo de trabalho. Plano de trabalho: Etapa Denominação Ação 1 Mapear a Situação Levantar informações sobre o objeto da negociação, o conflito propriamente dito. Identificar os interesses das partes. Definir uma lista de questões a serem discutidas e classificar por prioridade. 2 Estabelecimento de parâmetros Com base nas informações, definir o objetivo para focar as ações na negociação. Listar outros pontos que possam balizar a meta. Definir o mínimo aceitável com base em fatores realistas. Pró-reitoria de EaD e CCDD 5 3 Montagem do cenário para negociação Definir a pauta da reunião com os assuntos, as prioridades e o tempo de cada etapa. Análise dos procedimentos adotados pela empresa quando de situações de conflito (políticas e práticas). 4 Preparação final para negociação Recursos, necessidades, interesses, objetivos, estilo, autoridade devem ser desenvolvidos para o acordo entre as partes. Tema 01: O perfil e o que se espera do negociador Desde quando negociamos? Desde a mais tenra idade! Mesmo que ainda não saibamos do que se trata e a que se refere este processo, assim negociamos pelo desejo que possuímos em obter algo, pela necessidade que estamos sentindo, por um objeto ou uma condição. LEWICKI, SAUNDERS & MINTON citados por WACHOWICZ, (2012, p. 44), identificaram algumas características comuns presentes em boa parte das negociações, entre elas a seguinte: “inicialmente, as partes não preferem travar uma luta aberta, mas sim, buscar um acordo. Se algo imprevisto ocorre, no entanto, a ideia pode ser cancelada e um conflito se estabelecer de forma temporária ou permanente”. Como podemos perceber os envolvidos não querem travar um conflito, mas é algo que pode ocorrer, e isso, acontece sempre que um deles se sentir prejudicado ou inferior, “ninguém quer sentir-se menos, todos nós queremos ser mais ou iguais”. É neste cenário que surge o “negociador de conflitos”, figura importante e cada vez mais requisitada dada a complexidade das negociações que a sociedade atual demanda. Ele encontra-se presente em locais como a escola seja ela de ensino fundamental ou superior, na figura de um professor, por exemplo, nas comunidades por meio de um líder comunitário, nas câmaras de arbitragem e mediação, com o auxílio do mediador, nas famílias, quando um membro mesmo Pró-reitoria de EaD e CCDD 6 que, informalmente, assume tal papel possuindo características peculiares que são apontadas e consideradas pelos demais membros. E, logicamente, nas organizações, esse papel tem sido muito valorizado, podemos arriscar dizer que todo gestor de pessoas é um gestor de conflitos. Assumir essa posição significa dizer que há necessidade de preparo, treinamento em técnicas específicas para a boa condução de conflitos, além de um perfil de pessoal que favorece e enobrece as funções da liderança. Em grandes organizações, onde há um grande volume de funcionários e processos que necessitam de uma tomada de decisão pautada em maior técnica, surge o negociador, por exemplo, em negociações salariais junto a sindicatos, nas disputas por recursos materiais e maior espaço em processos de fusão organizacional, entre outros. VASQUES (2014, p. 121), aponta as vantagens em se contar com uma terceira pessoa, que pode ser tanto o negociador como o mediador para solucionar os mesmos, são elas: As partes ganham tempo para se acalmar, já que elas interrompem o conflito para o descrever para uma terceira pessoa. A comunicação pode ser melhorada, uma vez que existe uma terceira pessoa a interferir na comunicação. As partes devem determinar quais questões são realmente importantes porque a terceira pessoa pode pedir para priorizar alguns aspectos. O clima organizacional pode ser melhorado, pois as partes descarregam a raiva e a hostilidade, voltando a um nível de confiança e civilidade. As partes procuram melhorar o relacionamento, principalmente se essa tarefa for facilitada pela terceira pessoa. A estrutura do tempo para resolver a disputa pode ser estabelecida e revista. Os custos crescentes de permanecer no conflito podem ser controlados. Pró-reitoria de EaD e CCDD 7 Acompanhando e participando do processo, as partes podem aprender com a terceira pessoa que as orienta para, futuramente, serem capazes de resolver suas disputas sem auxílio. As resoluções efetivas para disputa e para o desfecho podem ser atingidas. Por fim, faz-se necessário pensar em um perfil a ser adotado pelo negociador de conflitos, é claro que as características pessoais, os traços de personalidade, as habilidades e as vivências anteriores são preponderantes em situações de conflitos bem sucedidas, assim sendo, GIL citado por WACHOWICZ, (2012, p. 52), revela uma relação extensa de habilidades que são comuns entre os bons negociadores, tais como: “paciência, imparcialidade, empatia, autoconfiança, maturidade, intuição, credibilidade, abertura para o diálogo, responsabilidade, disposição para escutar, conhecimento, experiência, interessepelas pessoas [...]”. Além destas habilidades, SPARKS também citado por WACHOWICZ, (2012, p. 53), classifica quatro estilos primários de negociadores, com seus respectivos impulsos e crenças, a saber: - Controle: impulso para dominar e governar os outros; crença na correção da rivalidade direta e desenfreada. - Desconsideração: impulso para rebaixar outros; crença de que a tolerância passiva e a extrema atenção são da mais alta importância. - Deferência: impulso para deixar outros assumirem o comando; crença de que o desinteresse ou a impaciência têm o mais alto valor. - Confiança: impulso para incluir outros como parceiros de trabalho; crença de que o melhor é a colaboração. Esse mesmo autor, que continua sendo citado por WACHOWICZ, (2012, p. 54), revela que esses estilos se intercalam e formam outros quatro: 1. Restritivo: perfil pouco cooperativo e passivo, espera que outros tomem a iniciativa em seu próprio interesse. 2. Ardiloso: visivelmente, prefere uma interdependência ganha-perde e se atém a detalhes e rotinas na hora de fechar um negócio. Pró-reitoria de EaD e CCDD 8 3. Amigável: busca ser simpático e cooperativo a fim de fechar o melhor acordo possível. 4. Confrontador: questiona tópicos específicos durante o processo de negociação até estabelecer um acordo sólido. Cabe salientar, que os estilos apresentados podem ser combinados conforme a situação do conflito presente, além das características inerentes a cultura na qual tais negociadores se encontram envolvidos. Tema 02: Plano de Negociação Vimos no tema anterior às competências que são essenciais ao perfil de um negociador. Agora abordaremos o plano de negócio e ficará claro a você, o porquê das competências vistas, pois a cada etapa do plano a aplicabilidade das mesmas ficará visível. Princípios a serem levados em conta: NAKATANI (2011) cita MARTINELLI o qual fala sobre alguns princípios que se deve levar em conta antes de executar ou planejar a negociação. Esses princípios são: 1. Separar as pessoas do problema, isso quer dizer para não envolver questões pessoais que possam dificultar a avaliação do mérito da questão. 2. Concentra-se nos interesses comuns, isto é, se deve concentra- se nos interesses de ambas as partes e não nas posições pessoais. 3. Buscar alternativas de ganhos mútuos, e encontrar o maior número de alternativas possíveis. 4. Encontrar critérios objetivos, ou seja, estabelecer um padrão razoável que leve a um consenso entre as partes. Pró-reitoria de EaD e CCDD 9 Etapas de um Plano de negociação: Baseando-se em MARTINELLE & GUISI (2009), podemos verificar que existem 4 etapas do processo. Etapas do Plano de Negociação Etapa Denominação Sub-etapa Objetivo Ação 1 Mapeamento da Situação Levantar e listar informações Identificar e priorizar as questões Dar segurança ao negociador na hora de negociar e fechar um acordo. Evitar desgastes com perdas de tempo e aspectos que não são importantes. Levantar informações sobre o objeto da negociação. Buscar informações sobre o outro negociador que está no outro lado. Identificar os interesses das partes. Definir uma lista de questões a serem discutidas e classificar por prioridade. 2 Estabelecimento de parâmetros Definir Metas Listar o leque de acordos alternativos Fixar os limites para a negociação Definir claramente as metas a serem atingidas e os limites da negociação. Dar flexibilidade às ações e possibilitar alternativas para fechar um acordo. Evitar que as pessoas firmarem um acordo e depois se sintam frustradas com o resultado. Com base nas informações definir o objetivo para focar as ações na negociação. Listar outros pontos que possam balizar a meta. Definir o mínimo aceitável com base em fatores realistas. Pró-reitoria de EaD e CCDD 10 3 Montagem do cenário para negociação Definir a agenda Determinar e preparar o local Identificar os participantes Ter o controle de todo o processo e evitar o uso inadequado do tempo em outros assuntos. Propiciar ambiente silencioso e agradável. Ter no ambiente de negociação somente pessoas que tenham relação com a mesma. Definir a pauta da reunião com os assuntos, as prioridades e o tempo de cada etapa. Análise de escolha por questões políticas e práticas. 4 Preparação final para negociação Analisar a outra parte Simular o processo de negociação Definir estratégias e táticas Definir a linha e os procedimentos a serem adotados. Detectar e corrigir possíveis falhas ou pontos fracos. Estar melhor preparado com táticas e estratégicas. Recursos, necessidades, interesses, objetivos, estilo, autoridade para o acordo. Simulação com outra pessoa no papel de negociador. Após a abordagem das quatro etapas de um planejamento de uma negociação, vale a pena fazermos uma distinção de planejamento e técnicas ou táticas de negociação, pois é muito comum as pessoas se equivocarem e acharem que se trata do mesmo fenômeno. O planejamento se refere a estratégias e estudos para evitar problemas no momento em que a negociação acontece, facilitando a aplicação das técnicas de negociação. Pró-reitoria de EaD e CCDD 11 As técnicas ou táticas de negociação se referem as formas de abordar a outra parte envolvida na negociação a fim de que o resultado seja o mais efetivo possível. Assim, vamos conhecer as táticas e as técnicas de negociação no nosso próximo tema. Tema 03: Táticas e Técnicas de Negociação Trataremos neste tema das táticas de negociação, e também das técnicas de negociação. A primeira pergunta que fazemos é: Qual o propósito de empregarmos as técnicas em uma negociação? Responde-nos a professora Tupinambá: “As técnicas de negociação têm por propósito desenvolver a habilidade do estabelecimento de uma negociação eficaz, por meio da possibilidade de superação de limites e barreiras”. (Profª. Vilma Tupinambá, MSc. 2009). Acreditamos que é importante para nosso estudo, fazermos a distinção entre a técnica e a tática de negociação. Vejam que interessante: As estratégias escolhidas pelo negociador, as quais dizem respeito “ao que fazer”, estão diretamente relacionadas às técnicas, já as táticas definem “como fazer”. Então, antes de falarmos sobre a aplicabilidade, vamos definir estratégias e para tanto, utilizaremos o portal da educação: “A estratégia, em negociações, pode ser definida como a inteligente utilização dos recursos disponíveis, como, por exemplo, a sequência de ações, planos, pensamentos, táticas e comportamentos empregados pelo negociador, com a finalidade de atingir um determinado objetivo, onde, para tanto, são exploradas as condições favoráveis e ainda são levados em conta as competências organizacionais e pessoais, as vantagens competitivas, Pró-reitoria de EaD e CCDD 12 estruturação dos recursos disponíveis, entre outros elementos voltados para o desenvolvimento harmônico a médio ou longo prazo”. (PORTAL EDUCAÇÃO). Voltemos então à tênue distinção entre técnicas e táticas. A principal diferença entre ambas está no fator tempo. A técnica é utilizada durante um espaço de tempo, já a tática é utilizada em um determinado momento. Agora iremos apresentar primeiramente as principais técnicas e depois as táticas. Técnicas de Negociação Ao abordarmos as técnicas de negociação, vamos trazer SANTOS (2009) citado por BRITO (2011), dentro das técnicas de negociação, fatores estratégicos como: habilidades pessoais, planejamento e organização, treinamento e disciplina, autodesenvolvimento, visão, determinação, inovação, alianças, flexibilidadee adaptabilidade, são alguns exemplos de desenvolvimento da negociação. Ainda Brito cita que: “Ser capaz de conduzir uma boa negociação está diretamente ligado à capacidade de comunicar-se de maneira eficaz. A comunicação eficaz deve ser uma comunicação assertiva, ou seja, objetiva e clara que gere entendimento e resposta, persuadindo a outra parte”. Então são necessários durante a negociação alguns comportamentos e habilidades que se transformam em técnicas: Boa e adequada postura. Manter o contato visual. Estar atento a sua própria expressão e a do outro. Buscar empatia. Estar preparado para negociar com confiança e naturalidade. Entender o real interesse da negociação (motivações da outra parte). Ter um roteiro (organização das ideias, definição do que se pretende desenvolver na negociação). Pró-reitoria de EaD e CCDD 13 Saber comunicar-se: ter fluência e concisão das informações (ouvir e evitar falar desnecessariamente). Compenetra-se com persistência. Conhecer bem a outra parte envolvida na negociação. Então, essas são algumas técnicas que se bem empregadas trarão resultados bastante positivos. Táticas de Negociação As táticas são as ações praticadas durante a negociação propriamente dita e estão diretamente relacionadas aos seguintes elementos: Tempo Informação Poder Tempo: é a tática determinante da condução de todo processo de negociação, pois está presente no planejamento das rodadas de negociação que serão realizadas, bem como na definição das pautas de cada reunião e o tempo que será destinado a cada uma delas. A aplicação deste elemento como tática de negociação, permite às partes envolvidas o processamento das questões em conflito. Informação: a obtenção das informações é peça fundamental para saber a origem dos conflitos e em que estágio ele se encontra de modo a se desencadear o processo de negociação, para tanto são necessárias as seguintes informações sobre: - O objeto do conflito em questão. - As partes envolvidas. - A história do conflito. - O contexto em que se deu o conflito. Pró-reitoria de EaD e CCDD 14 Poder: é concedido a quem conduz a negociação o poder impor os limites às partes, pois assim ele poderá aplicar sanções ou conceder direitos cabíveis em um processo de negociação de conflitos. Para aprofundarmos as estratégias de negociação, abordaremos no próximo assunto a negociação integrativa, que é uma estratégia aplicada ao processo de negociação de conflitos. Tema 04: Negociação Integrativa e Distributiva Quando falamos de uma situação de negociação, teremos duas grandes abordagens que poderão surgir: A distributiva e a integrativa. Vamos entender cada uma delas. Distributiva Busca dividir uma quantia fixa de recursos. Paradigma de inter-relação que se estabelece é o do ganha-perde. O que uma parte ganha é à custa da perda da outra. Táticas são agressivas e se concentram em tentar que o oponente concorde com o ponto alvo. Integrativa Busca um acordo que possa gerar uma solução baseada no paradigma de inter-relação ganha-ganha; Em termos de comportamento intraorganizacional, é a preferível uma vez que constroem relacionamentos de logo prazo, pois todos saem da mesa de negociação sentindo-se vitoriosos; As partes envolvidas precisam ser francas em suas informações e preocupações, ter sensibilidade com relação às necessidades mútuas, ter a capacidade de confiar umas nas outras e mostrar disposição para manter certa flexibilidade; Táticas: negociar em equipe e colocar vários assuntos sobre a mesa; Pró-reitoria de EaD e CCDD 15 Ter cuidado com o meio-termo. O autor do livro intitulado Comportamento Organizacional, Stephen Robbins (2005, p. 336), trata a negociação distributiva e integrativa como barganha, fazendo a seguinte afirmação: “Existem duas abordagens gerais para negociação – barganha distribuidora e integradora”. Elas são comparadas no seguinte quadro: Característica da Barganha Barganha Distribuidora Barganha Integradora Recursos Disponíveis Quantidade fixa de recursos para ser dividida. Quantidade variável de recursos para ser dividida. Motivações Básicas Eu ganho, você perde. Eu ganho, você ganha. Interesses Básicos Antagônico Convergentes ou coerentes um com o outro. Foco dos relacionamentos Curto prazo Longo prazo Fonte: ROBBINS (2005 p. 337). Agora imaginemos um conflito que terá que ser negociado dentro das empresas. É muito comum vermos a aplicação da negociação distributiva, principalmente nos contextos do trabalho, onde as pessoas querem ter a mesma quantidade dos recursos disponíveis, independente do problema que está sendo focado ou do resultado almejado. Não podemos nos esquecer que existem diferenças individuais que devem ser levadas em consideração para a eficácia da negociação. Pensem conosco, alguns negociadores são mais sociáveis, cooperativos, gostam de falar e de ouvir o outro, outros, entretanto, são mais introvertidos e até objetivos demais, podendo ser classificados como pessoas individualistas e até antissociais. Cabe a quem está conduzindo essa negociação aplicar a melhor forma. Para o primeiro perfil, caberia com tranquilidade a negociação integrativa, porém no segundo perfil, com certeza a distributiva seria aquela mais adequada. Veremos, contudo, mais adiante, que não é somente o focar no opositor que levará a um bom resultado, mas sim também se concentra nas questões e nos fatores situacionais em que cada negociação ocorre. Pró-reitoria de EaD e CCDD 16 Gostaríamos que vocês, alunos aprofundassem esse tema, lendo o capítulo do livro solicitado, o artigo e assistindo o vídeo indicado. Nosso próximo tema será sobre as questões que devemos levar em consideração em um processo de negociação e neste momento, voltaremos aos traços de personalidade e o quanto isso impacta nos resultados, como também as diferenças de gênero e cultura. Tema 05: Questões Contemporâneas em Negociação Vários são os autores que falam sobre as questões que tem uma parcela relevante no sucesso de uma negociação. Lembrem, quando falamos de negociação não estamos nos referindo apenas a um contexto comercial, mas também a uma negociação que envolve as pessoas. Por exemplo, um conflito por opiniões divergentes, em um determinado departamento de uma organização, o qual requer uma negociação. Imaginem então algo bem maior como a fusão de duas organizações onde teremos distintos valores culturais envolvidos em um único ambiente. Em face do acima exposto, se faz necessário buscarmos alguns estudos realizados por ROBBINS (2005), WANDERLEY (2008), ELFENBEIN (2008). Esses autores nos remetem a pensar em questões relacionadas ao indivíduo, seus traços de personalidade bem como questões de gênero e ao próprio meio no qual eles estão inseridos, que nada mais é do que a cultura organizacional. Vamos entender cada um deles: Traços de personalidade Vamos começar trazendo a visão de ROBBINS (2005), os estudos pesquisados por ele apontam que não há efeitos diretos significativos dos traços de personalidade sobre o processo de negociação e desta forma, sugere que Pró-reitoria de EaD e CCDD 17 durante o processo de negociação devemos nos concentrar nos assuntos e fatores situacionais e não apenas na personalidade da outra parte. Já ELFENBEIN (2008) e seus colegas em seus estudos encontraram um pequeno número de características que afetou minimamente o desempenho dos negociadores. Mais abaixo vamos falar sobre cada uma dessas características, contudo concordam com Robbins que as características como gênero, etnia e atratividade física não tem impacto sobre a negociação. Quadro: Características que afetam a negociação Característica Achados da pesquisa de ElfenbeinCrença sobre a negociação Aqueles negociadores que estão cientes de que podem melhorar seus resultados, esse acreditar poderá ter um impacto positivo em sua fala. Aqueles que se aproximam da negociação com uma atitude positiva e expectativas elevadas tendem a negociar melhor. Egoísmo e Altruísmo Os negociadores que durante o estudo estavam mais preocupados com seus próprios resultados alcançaram pontuações de desempenho mais elevados do que outros negociadores. Individualistas se concentram em seus próprios resultados, contudo fazem mais concessões quando a outra parte expressa desapontamento com a oferta. Os egoístas parecem ser totalmente capazes de detectar emoções de seus homólogos para benefício próprio. Os altruístas procuram concentrarem-se em maximizar os resultados para ambas as partes. Inteligência e Criatividade Os negociadores altamente inteligentes criam maior valor a negociação. Para Barry e Friedman da Universidade de Vanderbitt, os negociadores mais inteligentes são bons na criação de oportunidades, mas no momento de dividir a negociação não apresentam vantagens. Os negociadores criativos criam soluções de compromisso sobre questões inovadoras, mas a negociação propriamente dita não apresentou resultados significativos. Sensibilidade à desprezo Algumas pessoas são mais sensíveis ao desprezo do outro. Quando as pessoas mais sensíveis negociam, elas, segundo os pesquisadores, têm duas vezes mais probabilidade de declarar impasse ao Pró-reitoria de EaD e CCDD 18 final da negociação, principalmente quando o que se negocia tem valor afetivo, por exemplo, uma relíquia de família. Gênero Quem negocia melhor, o homem ou a mulher? Para responder a esse questionamento vamos trazer algumas diferenças entre o homem e a mulher no momento da negociação que foram trazidos por FERREIRA (2013). 1) A diferença no modo de falar. O homem utiliza frases mais curtas e estruturadas. Tem um início, é simples, uma ideia clara e uma conclusão. Emprega no seu vocabulário, nenhum, nunca ou absolutamente. Embasa-se em situações concretas. Já a mulher, utiliza uma linguagem menos concreta e pouco estruturada e não se perde quando há uma mistura de assuntos e muda de assunto a todo o momento. 2) A diferença no modo de apresentar o assunto: A mulher pode começar um assunto, mudar para outro no meio da frase e em seguida voltar ao que estava falando antes e ainda apresentar dados absolutamente novos. Para o homem, deve haver uma sequência lógica e ao contrario na mulher não interrompe o seu interlocutor e somente o faz quando estão competindo ou discutindo. Para a mulher o fato de várias pessoas falarem ao mesmo tempo, não é estranho, já que isso é sinal de contato, participação, interesse e intimidade. Este fato para o homem, o irrita, pois não existe um equilíbrio na conversação. 3) Diferença na forma de realizar proposições: as mulheres são indiretas, ou seja, apresentam um discurso indireto, querem algo, mas não expressam o que querem, pedem, mas não diretamente. Esse discurso indireto serve ao propósito de aproximação, a fim de evitar agressões, confrontos ou discórdias. Os homens raramente percebem mensagens subliminares e raramente seguem um raciocínio sinuoso. O homem entende o que é dito literalmente e as informações devem ser absolutamente claras. Pró-reitoria de EaD e CCDD 19 Levando em consideração essa forma de comunicação, fator crucial para o sucesso de uma negociação, somado ao que ROBBINS (2005) encontrou em suas pesquisas, podemos afirmar que: Tanto homens quanto mulheres têm a mesma condição de negociar, desde que conheça e respeite a forma de comunicação do sexo oposto. Robbins (2005) afirma que homens e mulheres negociam de forma semelhante, mas o gênero diferencia o resultado da negociação. Diferenças culturais na negociação Vimos que os traços de personalidade têm um impacto mínimo no resultado da negociação, já os aspectos e formação cultural dos negociadores passam a ser relevantes ao processo. Nos estudos de ROBBINS (2005) ele nos traz certas características de alguns países as quais os negociadores devem levar em conta no momento de escolher as suas táticas e/ou estratégias de negociação. Vamos colocá-las em um quadro para facilitar a comparação dos aspectos. Vamos a elas: País Características França Os franceses gostam do conflito. Eles frequentemente conquistam reconhecimento e constroem sua reputação pensando e agindo contra os outros. São competitivos. Em consequência de sua competitividade, levam muito tempo para negociar seus acordos e não se mostram muito preocupados com o fato de seus oponentes gostarem ou não deles. Permanecem educados e polidos e a etiqueta é seguida na risca. China Os chineses alongam as negociações, mas porque acreditam que elas são um processo interminável. Como não tem pressa ele pode iniciar todo o processo novamente quantas vezes ele achar necessário. Como os japoneses, os chineses usam a negociação para construir um relacionamento e um comprometimento visando o trabalho conjunto. A cortesia é essencial. Respeito a simbologia e a superstição. Respeito a regra e a etiqueta. Pró-reitoria de EaD e CCDD 20 Estados Unidos São impacientes e desejam ser apreciados. Usam a comunicação não verbal com mais frequência. São extremamente patriotas. Avesso ao contato físico. No ambiente de trabalho não gosta de ser chamado pelo primeiro nome. Utiliza durante uma negociação poucas vezes a palavra não. Fazem primeiramente elogios, o que é visto pelos europeus como manipulação. Brasil Utilizam com frequência a palavra não. Não costuma impor períodos de silêncio. Interrompe seus oponentes com frequência. Tendem a ter mais contato físico com a outra parte. Fonte: Os professores baseados em ROBBINS (2005). Vocês puderam perceber neste tema, o quanto certas características são importantes para a obtenção do sucesso em uma negociação, trouxemos apenas alguns pontos que consideramos os mais relevantes, contudo para que aprofundem o conhecimento, se faz necessário a leitura recomendada no tópico abaixo. Na Prática O pedido de café da manhã no meio da tarde Uma lanchonete localizada em uma grande capital possui um cardápio que oferece café da manhã todos os dias aos seus clientes, possuindo um preço diferenciado somente no horário das 08:00 às 10:00, nos demais períodos o serviço não é oferecido. Sendo você um cliente e querendo tomar um café com os mesmos itens oferecidos no café da manhã, pede ao atendente que providencie o seu pedido. Ao ouvir o não do atendente, que tipo de negociação você faria para se aproximar do pedido original? Pró-reitoria de EaD e CCDD 21 Resolução da situação proposta Lembrem que as principais características de um bom negociador, assunto tratado no tema “1” desta Rota, são: “paciência, imparcialidade, empatia, autoconfiança, maturidade, intuição, credibilidade, abertura para o diálogo, responsabilidade, disposição para escutar, conhecimento, experiência, interesse pelas pessoas [...]” e que uma das formas de obter sucesso na negociação é poder fazer concessões. Ao invés de persistir no pedido, poderá negociar com o atendente algo similar adaptando os ingredientes para fazer algo parecido. Caso contrário, irá sair da lanchonete sem nada. Finalizando Em nossa aula vimos que o perfil do negociador é fundamental para que ele alcance resultados satisfatórios para si e para organização no que diz respeito as negociações que realizará. Entendemos a necessidade da realização de um plano de negociação, bem como os princípios que devem ser levados em conta no momento da sua elaboração. Passamos pelas quatro etapas deste processo e vimos queo planejamento se refere as estratégias, as técnicas e as táticas que podemos lançar mão nas negociações, como também estudamos as duas grandes abordagens que poderão surgir em um processo de negociação, isto é: a distributiva e a integrativa. Também passamos pelas questões contemporâneas em negociação, que abordam aspectos individuais como os traços de personalidade, de gênero e também aspectos sociais como etnia e valores culurais. Desejamos a todos bons estudos! Pró-reitoria de EaD e CCDD 22 Referências BRITO.P. A. P. Emílio. Técnicas de negociação. Revista científica do ITPAC. Volume 4. Número 1. Janeiro de 2011. Disponível em: http://www.itpac.br/arquivos/Revista/41/3.pdf. Acesso em 27 fev. 2016. MARTINELI, Dante P.; GUISI, Flávia A. Técnicas de Negociação. ed., São Paulo: Saraiva, 2009. ______. Negociação empresarial: enfoque sistêmico e visão estratégica. Barueri: Manole, 2009. NAKATANI, Julio Kyosen. Disponível em: http://pt.slideshare.net/JulioKyosenNakatani/o-planejamento-deumanegociacao. Acesso em 03 mar. 2016. ROBBINS, Stephen. Comportamento organizacional. 11 ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2005. WANDERLEY, José Augusto. Negociação Total: encontrando soluções, vencendo resistências, obtendo resultados – 18ª Edição. Gente, 2008. (1. Ed. 1998). http://www.itpac.br/arquivos/Revista/41/3.pdf http://pt.slideshare.net/JulioKyosenNakatani/o-planejamento-deumanegociacao Pró-reitoria de EaD e CCDD 1 Administração de Conflitos e as Técnicas de Negociação Aula 05 Professores Neusa Vítola Pasetto e Fernando Eduardo Mesadri Pró-reitoria de EaD e CCDD 2 Conversa Inicial Em nossa aula estudaremos os conceitos do processo de Arbitragem e forma como conduzi-lo. Bem como a Mediação no contexto organizacional e os passos a serem seguidos para que ela possa atingir os resultados esperados. Verificaremos como se dá o processo de Conciliação e as etapas que o compõem de modo a propiciar um clima de confiança e cooperação proporcionando relacionamentos positivos que conduzam às negociações. Veremos também, os erros mais comuns na condução de uma negociação e como evitá-los, para que o seu transcurso seja conduzido por meio da técnica mais adequada. E por fim, iremos abordar a técnica MAPAN que explora a melhor alternativa a ser explorada frete ao estabelecimentos de um acordo. A todos bons estudos! Aproveitem nossa aula. Contextualizando Conflitos existem em todas as esferas da sociedade e no ambiente das organizações essa condição não seria diferente. Nelas o gestor vem assumindo, cada vez mais, incumbências relativas à gestão de pessoas cujo objetivo é atingir o melhor resultado, com elas e por meio delas. Nem sempre, essa condição é linear, por vezes, se defronta com dificuldades que tornam essa tarefa bastante complexa, mas não impossível. Isso requer o uso de habilidades e técnicas que qualifiquem esse gestor para mediar situações de conflito, não de forma amadora e que cause danos emocionais as pessoas envolvidas e materiais à organização da qual elas fazem parte, mas ao contrário, primando pela boa condução dos mesmos e preservando a imagem das pessoas que nela atuam. Para isso, é de fundamental importância entender de processos como da arbitragem, como ela se constitui, a quem cabe o papel de arbitrar, suas ressalvas e seus benefícios. Como da mediação, que se torna muito eficaz, pois propicia o restabelecimento do diálogo propondo uma negociação racional, onde Pró-reitoria de EaD e CCDD 3 as partes em conflito possam chegar à conciliação, beneficiando a ambas e as isentando a de prejuízos. Pois bem, vamos estudar esses processos e para isso iniciaremos com um estudo de caso sobre a mediação de um conflito por parte do gestor. Vamos ao caso! Conflitos na Equipe de Vendas Uma empresa do setor de vestuário, um magazine que comercializa roupas para todos os públicos do infantil ao adulto, atuando há 20 anos neste segmento. Têm como missão é oferecer vestuário que propicie conforto e estilo aos seus clientes, por meio de produtos de qualidade e bem-acabados. Possui uma equipe de vendas composta por quinze vendedores, os quais se encontram distribuídos nos setores infantil, feminino e masculino. O gestor responsável pela equipe de vendas considera que os funcionários que a compõem apesar da boa vontade que impera entre eles, são pouco qualificados e possuidores de um espirito de competição destrutivo e nada cooperativo, muito distante de valores apregoados pela empresa como humildade, cooperação, respeito, ética e integridade. Em seu cotidiano de trabalho é comum se defrontar com os seguintes conflitos: - A disputa entre os vendedores para atendimento ao cliente, devido ao recebimento de comissões por venda e o atingimento de metas. - Fofocas que são criadas entre vendedores e que são disseminadas por toda a equipe de vendas. - O desejo de êxito econômico, por parte da equipe de vendas e a necessidade de status. - A indicação de um dos vendedores como “o vendedor do mês”. Como consequência negativa desses conflitos evidencia-se um clima hostil entre os componentes da equipe de vendas, a falta de respeito para com os colegas, dificulta o trabalho em equipe. Pró-reitoria de EaD e CCDD 4 Frente à situação apresentada, qual o papel a ser adotado pelo gestor da equipe de vendas? E quais os encaminhamentos a serem adotados para resolução dos conflitos existentes? Comentário: O gestor de qualquer equipe possui um papel imprescindível na administração de conflitos, atuando como mediador imbuído da tarefa de minimizar ou evitar os efeitos negativos e potencializar os efeitos positivos que poderão provir dos conflitos. Frente aos conflitos vivenciados, se evidencia a necessidade de o trabalho ser realizado em equipe, subsidiado em valores tais como: humildade, cooperação, respeito, ética e integridade, os quais devem ser compartilhados entre os mesmos, além da troca de experiência entre os vendedores possibilitando discutir, coletivamente, o s problemas do seu setor. Tema 01: O processo de arbitragem Já sabemos que uma vez o conflito estabelecido, ele solicita encaminhamentos e tomadas de decisão que venham a solucioná-lo. Caso contrário, a situação conflitante permanece em vigência e, muitas vezes, provocando situações devastadoras entre as partes envolvidas. MALLORY (1997, p. 97), comenta que é possível aprender com os conflitos que se estabelecem no ambiente de trabalho e nos diz o seguinte: “se você aprender a administrar o conflito, ao invés de deixar ele administrar você, irá descobrir novas ideias e novas soluções para problemas e aprender muito sobre você no processo”. Mas qual será a melhor forma de conduzi-lo? Frente à magnitude do conflito, qual o processo para administrá-lo é o mais indicado? Um dos processos de condução que se apresenta é o da Arbitragem, ele possui um enfoque jurídico e é utilizado como uma forma alternativa na solução Pró-reitoria de EaD e CCDD 5 de conflitos para iniciar o seu estudo, vamos apresentar alguns conceitos elucidativos: Para MOORE (1998, p. 23), a Arbitragem é um termo genérico para um processo voluntário em que as pessoas em conflito solicitam a ajuda de uma terceira parte imparcial e neutra para tomar uma decisão por elas com relação a questões contestadas. O resultado pode ser consultivo ou compulsório. A Arbitragem pode ser conduzida por uma pessoa ou por um conselho de terceiras partes. O fator crítico é que elas sejam externas ao relacionamento em conflito. Ainda MOORE (1998), complementa dizendo que a Arbitragem é um processo privado em que os procedimentos, e frequentemente o resultado não estão abertos ao escrutínio público. As pessoasem geral escolhem a Arbitragem devido à natureza privada e também porque ela é informal, menos dispendiosa e mais rápida que um procedimento judicial. Na Arbitragem, as partes quase sempre podem escolher seu próprio árbitro ou conselho de árbitros, o que lhes dá mais controle sobre a decisão do que se a terceira parte fosse indicada por uma autoridade ou agência externas. Já para Cretella Júnior, (1996), a Arbitragem é um “[...] instituto que pretende abranger todas as espécies desta figura, ainda não comprometida por nenhum ramo da ciência jurídica, tratando-se de sistema especial de julgamento e com força executória reconhecida pelo direito comum, mas que a esse subtraído, mediante o qual, duas ou mais pessoas, físicas ou jurídicas, de direito privado ou de direito público, escolhem de comum acordo, a quem confia o papel de resolver-lhes pendência, assumindo os litigantes em aceitar e cumprir a decisão proferida”. Conforme STRENGE (1996), a arbitragem pode ser revelada “como o sistema de solução de pendências, desde pequenos litígios sociais até grandes controvérsias empresariais ou estatais, em todos os planos do direito, que expressamente não estejam excluídos pela legislação”. Para CARMONA (2009), a arbitragem é Pró-reitoria de EaD e CCDD 6 “[...] uma técnica para a solução de controvérsias, através da intervenção de uma ou mais pessoas, que recebe seus poderes de uma convenção privada, decidindo com base nesta convenção, sem intervenção do estado, sendo a decisão destinada a assumir eficácia de sentença judicial”. Por meio dos conceitos acima apresentados é possível obter a resolução de uma disputa buscando um equilíbrio entre as necessidades e os interesses, das partes envolvidas. Segundo HENRIQUE & SOARES (2015, p. 275) em seu livro “Perícia, avaliação e arbitragem” cita a Câmara de Arbitragem, Mediação e Conciliação Brasileira (Cameb), que aponta as vantagens de um processo como este em comparação com aquele que ocorre no Poder Judiciário, destacando as principais vantagens: A arbitragem é menos formal e, consequentemente, mas célere e mais econômica do que os procedimentos judiciais vigentes. Informalidade, flexibilidade e celeridade. O procedimento ocorre num clima menos formal e mais flexível, o que possibilita maior celeridade no andamento do processo (= procedimento arbitral) e, em consequência, com custo inferior ao do processo judicial. Vontade das partes – a arbitragem garante o respeito ao princípio da autonomia da vontade das partes que definem o objeto do litígio e o direito que lhe é aplicável. Rapidez – o tempo para resolução do conflito poderá ser determinado pelas partes no prazo máximo geralmente de seis meses. Confiabilidade – os árbitros envolvidos no litígio poderão ser escolhidos livremente pelas partes. Sigilo – não figura na arbitragem o princípio da publicidade, como ocorre no Judiciário. O procedimento arbitral pode ser sigiloso, se as partes assim o determinarem; desse modo, as informações confidenciais que envolvem uma empresa não são divulgadas e seu know-how não será afetado (CAMEB, 2015). Frente às vantagens expostas é possível perceber que uma das mais vantajosas, além da econômica, é tempo que decorre para a sua resolução Pró-reitoria de EaD e CCDD 7 determinado pela Lei de Arbitragem no Brasil, Lei n. 9.307, de 23 de setembro de 1996 em no máximo seis meses para que a sentença seja pronunciada. Dada às vantagens desse tipo de solução de conflitos, existe uma tipologia de arbitragem, que apresentamos juntamente com sua definição, como se segue: Arbitragem Voluntária - É aquela em que as partes tomam a iniciativa de resolver às diferenças pela via Arbitral em detrimento do processo judicial. Arbitragem Obrigatória - É aquela que é imposta independentemente da vontade das partes. Embora essa modalidade de arbitragem seja aceita e praticada em alguns países, no Brasil haveria violação da nossa Constituição. Arbitragem Informal - É aquela realizada apenas pelo bom senso dos participantes, não havendo regras definidas. Por isso mesmo, a arbitragem Informal não é aceita pelo Poder Judiciário quando da execução da sentença. Arbitragem Formal - É aquela realizada segundo as regras ditadas pela Lei Federal n. 9.307 de 29/09/1996. É legal, tem amparo da lei e, na execução da sentença, pode utilizar-se de todo aparato público e até a força policial, se for necessário. Arbitragem de Direito - É aquela em que o Árbitro toma a decisão baseando-se nas normas de direito positivo. São empregados apenas argumentos objetivos. Arbitragem de Equidade - É aquela em que o Árbitro pode tomar a decisão baseando-se no seu sentimento de justiça, considerando as circunstâncias particulares do caso que está sendo arbitrado. Arbitragem "ad hoc" - É aquela em que as regras do processo são determinadas pelos participantes, é claro, em consonância direta com as Leis da Arbitragem. Arbitragem Institucional - É aquela em que as regas do processo são determinadas por uma instituição não-governamental constituída especificamente para esse fim. Esta instituição é conhecida como Tribunal Arbitral. Pró-reitoria de EaD e CCDD 8 Arbitragem Interna - É aquela em que a sentença é proferida no território nacional. Arbitragem Internacional - É aquela em que a sentença é proferida em outro país, mas que deve ser executada no Brasil. A legislação brasileira reconhece a validade de uma Sentença Arbitral, entretanto faz algumas exigências adicionais para ser reconhecida pelo Poder Judiciário brasileiro. Como é possível perceber há uma diversidade de formas de arbitragem as quais se mostram como alternativas para solucionar os conflitos, se tornando uma possibilidade rápida, econômica e prática em benefício não só das partes, mas de toda uma sociedade. Tema 02: A Mediação e seus estágios Tendo em vista a complexidade cada vez maior das atividades desenvolvidas no interior das organizações, bem como a sua interface com o mundo exterior, podemos imaginar as numerosas interações que ocorrem entre seus participantes em decorrência dos desafios cotidianos que se apresentam e que necessitam ser enfrentados. Isso sem falar dos relacionamentos que são travados em função das afinidades existentes, sejam elas pessoais ou sociais. A partir daí podemos imaginar a profusão de conflitos que possam existir e a depender de como são conduzidos podem comprometer todo um desempenho organizacional, fazendo com que haja perda de competitividade frente ao segmento a que pertençam. Isso pode ser motivado pela forma como tais eventos são encarados por seus dirigentes, os quais promovem todo um esforço para evitar que o conflito venha à tona, desta forma ele acaba sendo reprimido por meio de punições aos que ousam romper com a suposta harmonia do grupo, prevalecendo assim, as ideias conservadoras. Tal fato, delata a falta de preparo de gestores em relação a tratativa dos conflitos organizacionais, que podem ser decorrentes de do descumprimento de procedimentos, falhas de comunicação, falhas operacionais e de processo, baixa Pró-reitoria de EaD e CCDD 9 produtividade, falta de competências na execução das atividades, problemas relativos a gestão de pessoas, que se reflete em uma inoperância generalizada na empresa tornando-a onerosa e ineficaz. Diante deste fato, torna-se imprescindível, a adoção de métodos que auxiliem seus gestores a lidar com os eventuais conflitos com que se defrontam na rotina de suas atividades e na condução de suas equipes. A mediação de conflitos tem se apresentado como uma forma para reverter essas dificuldades. Para entendermos como ela funciona, vamos iniciar nosso estudo pela apresentação de seu conceito, o qual é proposto por MOORE (1998, p. 22-23), que nos diz que: a Mediação “[...]é um prolongamento ou aperfeiçoamento do processo de negociação que envolve a interferência de uma aceitável terceira parte, que tem um poder de tomada de decisão limitado ou não autoritário. Esta pessoa ajuda as partes principais a chegarem de forma voluntária a um acordo mutuamente aceitável das questões em disputa. Da mesma forma que ocorre com a negociação, a Mediação deixa que as pessoas envolvidas no conflito tomem as decisões. A Mediação é um processo voluntário em que os participantes devem estar dispostos a aceitar a ajuda do interventor se sua função for ajuda-los a lidar com o conflito por si próprias e quando o único meio de resolução parece envolver a ajuda imparcial de uma terceira parte”. Como é possível perceber a mediação define o papel de cada um de seus participantes, a terceira parte citada assume a posição de Mediador da situação conflituosa, que também é representado pelo gestor responsável por uma determinada equipe, o qual faz com que o diálogo colaborativo possa ser estabelecido entre os envolvidos, visando à resolução dos problemas segundo os parâmetros mais adequados a realidade que vivenciam. Mas para isso, é necessário se apropriar dos passos a serem seguidos para que este processo surta os efeitos mais eficazes e produtivos possíveis. É sobre eles que iremos falar agora: Segundo a autora SERPA (1999, p. 176-177), Pró-reitoria de EaD e CCDD 10 “[...] entender uma mediação significa iniciar uma jornada de inúmeros momentos que são denominados de estágios. Estágios, e não etapas, porque os participantes passam por uma experiência, contribuindo para o desenvolvimento do processo, que é fundamental para se alcançar os objetivos. Os diferentes estágios são marcados por conquistas dos participantes e pequenos avanços que são denominados passos”. Esta mesma autora diz que esses estágios estão organizados segundo as seguintes tarefas: 1. Concordância das partes para mediar. 2. Entendimento das questões em disputa. 3. Criação de opções para negociação. 4. Realização e organização do acordo. 5. Implementação do acordo. Além da autora citada temos o autor MOORE (1998), que nos fala que os estágios de intervenção da figura do mediador se situam em duas categorias bem amplas: 1. Atividades realizadas pelo mediador antes do início das sessões formais para resolução de problemas. 2. Atividades iniciadas quando o mediador entrou na resolução formal dos problemas com as partes, quer em sessão conjunta, quer com o mediador sendo um intercomunicador entre as partes. Apresentamos agora os doze estágios propostos por MOORE (1998, p. 66- 67), sendo cinco relativos à fase de pré-negociação e mais sete depois de iniciadas as sessões formais. São eles: Estágio 1: estabelecendo relacionamentos com as partes disputantes. Atividades: faz contatos iniciais com as partes constrói credibilidade promove o rapport instrui as partes sobre o processo Pró-reitoria de EaD e CCDD 11 aumenta o compromisso em relação ao procedimento ↓ Estágio 2: escolhendo uma estratégia para orientara mediação. Atividades: ajuda as partes a avaliar várias abordagens do manejo e da resolução de conflitos ajuda as partes a selecionar uma abordagem coordena as abordagens das partes ↓ Estágio 3: coletando e analisando informações básicas. Atividades: coleta e analisa dados importantes sobre as pessoas, a dinâmica e a essência de um conflito verifica a precisão dos dados minimiza o impacto dos dados inexatos ou indisponíveis ↓ Estágio 4: projetando um plano detalhado para a mediação. Atividades: identifica estratégias e movimentos não-contingentes consequentes que permitam as partes caminharem rumo ao acordo identifica movimentos contingentes para responder a situações peculiares ao conflito específico ↓ Estágio 5: construindo a confiança e a cooperação. Atividades: prepara psicologicamente os disputantes para participar nas negociações sobre questões essenciais lida com emoções fortes verifica as percepções e minimiza os efeitos dos estereótipos constrói o reconhecimento da legitimidade das partes e das questões constrói a confiança esclarece as comunicações ↓ Estágio 6: iniciando a sessão de mediação. Atividades: abre a negociação entre as partes estabelece um tom aberto e positivo estabelece regras básicas e diretrizes comportamentais Pró-reitoria de EaD e CCDD 12 ajuda as partes a expressar suas emoções delimita as áreas e as questões a serem discutidas ajuda as partes a explorar os compromissos, os pontos relevantes e as influências ↓ Estágio7: definindo as questões e estabelecendo uma agenda. Atividades: identifica áreas de interesse para as partes obtém concordância sobre as questões a serem discutidas determina a sequência para o tratamento das questões ↓ Estágio 8: revelando os interesses ocultos das partes disputantes. Atividades: identifica os interesses essenciais, psicológicos e de procedimento das partes instrui as partes sobre os interesses uma da outra ↓ Estágio 9: gerando opções para o acordo. Atividades: desenvolve entre as partes uma consciência da necessidade de múltiplas opções reduz o compromisso com posições ou alternativas isoladas gera opções usando negociação baseada na posição ou baseada no interesse ↓ Estágio 10: avaliando as opções para o acordo. Atividades: revê os interesses das partes avalia como os interesses podem ser satisfeitos pelas opções disponíveis avalia os custos e os benefícios de se escolher as opções ↓ Estágio 11: barganha final. Atividades: consegue acordo através de maior convergência das posições, últimos movimentos para fechar os acordos, desenvolvimento de uma fórmula consensual ou estabelecimento de meios de procedimento para conseguir um acordo fundamental. ↓ Estágio 12: atingindo o acordo formal. Atividades: identifica os passos de procedimentos para se operacionalizar o Pró-reitoria de EaD e CCDD 13 acordo estabelece uma avaliação e um procedimento de monitoração formaliza o acordo e cria um mecanismo de imposição e compromisso O roteiro acima, demostra os passos a serem seguidos em um processo de Mediação, trata-se de uma ferramenta útil a ser utilizada em todos os níveis da organização e com a intervenção do Mediador, situações críticas poderão ser revolucionadas de forma pacífica e sem prejuízos a todo contexto organizacional. Tema 03: A Conciliação e a ética do Mediador. Já estudamos dois processos importantíssimos na administração de conflitos: a Arbitragem e a Mediação, ambos se referem à maneira como são conduzidos os desajustes que possam existir entre indivíduos e grupos cujo caminho envolve discussões e apresentação de argumentos a serem apresentados pelas partes conflitantes em que o maior objetivo é a resolução das questões e para isso o Mediador se vale da Conciliação. Vamos entender melhor este processo por meio de dois conceitos: Para SERPA (1999, p. 90), a conciliação “é um processo informal onde existe um terceiro interventor que atua como elo de comunicação entre partes em litígio. Vários meios são utilizadospelo interventor para essa ligação, inclusive o telefone. A finalidade é levar as partes a um entendimento, através de identificação de problemas e possíveis soluções. O conciliador apazigua as questões sem se preocupar com a qualidade das soluções. Interfere, se necessário, nos conceitos e interpretações dos fatos, com utilização de aconselhamento legal ou de outras áreas. Já para CURLE (1971, p. 177), a conciliação “é essencialmente uma tática psicológica aplicada que visa corrigir as percepções, reduzir medos irracionais e melhorar a comunicação a tal ponto que permita a ocorrência e uma discussão razoável e, na verdade, possibilita a negociação racional”. Pró-reitoria de EaD e CCDD 14 E complementa dizendo que “a conciliação é o componente psicológico da Mediação, em que a terceira parte tenta criar uma atmosfera de confiança e cooperação que provoca relacionamentos positivos e conduza às negociações”. Todo trabalho empreendido por parte do Mediador é no sentido de conduzir as negociações para um desfecho aceitável pelas partes que é justamente a conciliação. MOORE (1998, p. 301) comenta que conforme a Mediação avança e este tipo de processo é cada vez mais utilizado pela sociedade se tornando uma prática mais profissionalizada, faz com que surjam estruturas como: 1. Associações e organizações de administração de conflito e mediação que promovam um trabalho em rede e troca de informações. 2. Códigos de ética e modelos de prática padronizada que definam o comportamento ético e esclareçam o bom desempenho. 3. Seminários de treinamento e programas educacionais que preparem os intermediários em abordagens e habilidades relevantes. 4. Qualificações e padrões para a prática em áreas específicas. Ante a estrutura apresentada, destacam-se os códigos de ética que modelam o comportamento do Mediador, estabelecendo padrões para a prática da Mediação e da Conciliação. Moore (1998, p.305), diz que: “[...] os padrões determinam que as pessoas neutras têm obrigações éticas “em relação as partes, à profissão, e a elas próprias. Devem ser honestas e imparciais, agir de boa-fé, ser diligentes e não buscar promover seus próprios interesses às custas de suas partes”. A função de mediar e auxiliar as partes conflitantes a chegar a um consenso, deve se pautar pela justiça estando distante de interesses pessoais o que garante a credibilidade, mantendo a confidencialidade e assegurando uma condução competente de todo o processo. Ainda segundo MOORE (1998, p. 305), figuram as seguintes responsabilidades que o intermediário tem em relação às partes: Pró-reitoria de EaD e CCDD 15 1. Uma obrigação de permanecer imparcial e manter-se “livre de favoritismo ou inclinação por palavras ou ações, e um compromisso de servir todas as partes e não apenas uma parte”. 2. Garantia de que o consentimento foi informado, assegurando que os participantes compreenderam a “natureza do processo”, os procedimentos, o papel específico da pessoa neutra e o relacionamento das partes com a pessoas neutra. 3. Revelação dos limites de confidencialidade e um compromisso de manter as confidências já reveladas. 4. Evitar o conflito de interesses ou o seu surgimento. 5. Implementação do processo de uma maneira adequada. 6. Ajudar na condução de um processo e um acordo que as partes considerarão como seus, em que a pessoa neutra “não tem interesse investido”. Desta forma, essa figura importante do processo de Mediação e que conduz a conciliação, visa sempre estabelecer o equilíbrio entre os disputantes mantendo a comunicação e pautando suas ações por princípios éticos na busca por uma solução adequada e que contemple os interesses de ambas as partes. Tema 04: Como evitar os erros mais comuns na negociação Falamos até agora sobre a negociação, os tipos de negociação, o perfil do negociador, as táticas, estratégias e técnicas, que quando não compreendidas poderão gerar erros mais ou menos graves, a depender do tipo desses erros. Entendem os especialistas que todo negociador está sujeito a cometer erros, isso é fato, pois segundo eles o negociador perfeito não existe. Mas, após estudarmos todas as questões supracitadas, podemos afirmar que o verdadeiro esforço do negociador para não cometer erros é o caminho que ele trilha para evitar que eles aconteçam e isso já o levará a uma boa margem do sucesso. Sendo assim, vamos escolher alguns dos erros que foram trabalhados pelos autores do artigo intitulado: “Os mais graves erros cometidos pelos negociadores: vinte e cinco a considerar”. Pró-reitoria de EaD e CCDD 16 Para tanto, construiremos um quadro, baseado no artigo, porém com adequações realizadas pelos professores desta disciplina. O quadro conterá os seguintes dados: erros, descrição dos erros, como evitar os erros e características necessárias ao negociador para evitá-los. Esses dois últimos pontos foram fruto da análise dos professores. Erros comuns de Negociação Descrição dos Erros Como evitar os erros Características do negociador Escolher o negociador errado para negociações específicas. Quando o negociador não está preparado para uma determinada negociação, isto é não conhece e nem tem facilidade de perceber as nuances da situação. Desenvolver uma equipe de negociadores com múltiplas habilidades e alocar o melhor negociador para aquela situação. No caso de mediação e arbitragem utilizar o co-mediador e o co- arbitro. Flexibilidade. Facilidade de adaptação. Atenção a detalhes. Visão sistêmica. Não compreender o tipo de situação a ser negociada. Falta tempo ou recurso humano ao negociador de perceber as especificidades da negociação e da outra parte. Solicitar um tempo, ou ter algumas estratégias para saber como ganhar tempo a fim de entender o cenário e suas especificidades. Orientação para o mercado. Facilidade de relacionamento interpessoal. Planejamento Organização Atenção a detalhes. Ritmo das negociações incoerentes. Não ter a condição e o preparo para avaliar quando e se tem habilidade para aquele tipo de negociação e nem o tempo em que ele deve ocorrer. Às vezes se for mais Observar o que está acontecendo nas negociações. Ter a certeza que as negociações é um processo de mão dupla. Verificar o estabelecimento do Facilidade de estabelecer relacionamentos. Empatia Observação do contexto e o fluxo da negociação. Pró-reitoria de EaD e CCDD 17 devagar terá melhores resultados, outras negociações exigem um ritmo mais acelerado. rapport (aquecimento inicial) Não reconhecer os pontos fortes e fracos do outro lado. Quando o negociador não entende que as negociações não acontecem no vazio e não dá a devida importância para o que está sendo trazido para a mesa de negociação. Fazer uma análise inicial e verificar o que está sendo trazido para a mesa de negociação. Avaliar continuadamente o processo. Entender os seus pontos fortes e fracos e também da outra parte. Auto e heteropercepção. Análise Humildade Facilidade para lidar com a mudança. Negociar sem compreender o seu objetivo prioritário. Não entender que os objetivos podem mudar e nem quais são os reais objetivos de ambas as partes. Verificar quais são os objetivos das partes (seu e do outro). É dinheiro? Poder? Reconhecimento? Prestigio? Status? Facilidade para avaliar o contexto. Auto e heteropercepção. Organização Planejamento Senso de urgência Falhar no reconhecimento da natureza do relacionamento entre as partes. Não ter a capacidade de verificar a importância das relações e o estabelecimento destas para a sobrevivência das negociações.Avaliar o peso das relações entre as partes para o sucesso da negociação. Estabelecer no final da negociação a importância das relações que foram firmadas. Facilidade de relacionamento interpessoal. Auto e heteropercepção. Pró-reitoria de EaD e CCDD 18 Utilizar ineficazes competências de comunicação. Acreditar que é um bom comunicador e que isso basta para o sucesso constante nas negociações. Rever as suas habilidades e práticas com certa frequência. Não subestimar as habilidades de ouvir, falar e responder. Habilidade de comunicação. Saber ouvir Agir sem saber a vontade e a habilidade das partes para fazer e respeitar os seus compromissos. Não conhecer com quem se está fazendo o negócio e nem quem toma a decisão, antes e depois da mesma ter sido iniciada. Avaliar as respostas aos pequenos acordos antes de efetuar grandes acordos com a outra parte. Inicialmente fazer negócios com aqueles que podem chegar a um acordo. Perspicácia Foco no resultado Planejamento Entrar nas negociações sem considerar opções. Não saber quais são as possibilidades ou opções que têm e que poderá lançar mão antes ou durante a negociação. Avaliar quais são as possibilidades de acordo ou opções de acordo que o negociador poderá lançar mão e onde as encontrará. Saber, no caso de uma possibilidade falhar, qual é a próxima que colocará na mesa. Planejamento Organização Estratégia Aproximar as negociações sem primeiro analisar as perspectivas de todas as partes da negociação. Não ter a consciência que as pessoas se submetem as negociações por muitas e variadas razões e que nem todos os motivos são claros. Ser bom observador. Perceber os motivos ocultos, trazendo para visibilidade aqueles que estão submersos na negociação. Percepção Observação Empatia Análise Pró-reitoria de EaD e CCDD 19 Tratar as negociações como um empreendimento individual, em vez de um processo de equipe. Não entender que o entendimento de uma equipe é muito maior do que de um negociador sozinho quando têm que resolver uma disputa. Fazer parte de uma equipe de negociadores e apoiar os esforços dos colegas. Possibilitar a entrada dos colegas no processo de negociação. Desenvolver o sentimento de nós. Todos ganham e perdem juntos. Altruísmo Trabalho em equipe Cooperação Autoconfiança Resiliência. Fonte: Os professores baseados no artigo de Greenstone, James L. D. Tradução: Maj. Onivan Elias de Oliveira (PMPB) (2009), (PMPB). Após a leitura desses 11(onze) erros mais comuns, fica para nós a seguinte reflexão, como também, a certeza de que todos eles são humanos, e, portanto, passíveis de acontecerem em qualquer tipo de negociação com qualquer negociador despreparado. Fica a dica, precisamos nos preparar para sentarmos a mesa de negociação e desenvolvermos estratégias eficazes e eficientes para atingirmos a tão sonhada efetividade em nossas negociações. Então fica o convite: Mãos à obra! Tema 05: MAPAN – Melhor Alternativa Para um Acordo Negociado Ao trabalharmos nosso último assunto desta aula, vamos falar sobre uma conhecida alternativa para chegarmos a um acordo negociado, MAPAN. O próprio nome nos diz: M = Melhor A= Alternativa P = Para um Pró-reitoria de EaD e CCDD 20 A = Acordo N= Negociado Aos autores deste método, os quais fazem parte da estratégia da negociação, foram Roger Fisher e William Ury o conceito de BATNA (Best Alternative to a Negotiate Agreement ou MAPAN em português, Melhor Alternativa Para um Acordo Negociado), faz referência à melhor alternativa existente em um acordo negociado. Hoje em dia essa é a estratégia de negociação mais respeitada e utilizada pelos especialistas, universitários e profissionais do mundo dos negócios. Para trabalharmos essa alternativa, que como já dito faz parte do processo de negociação, vamos relembrar as etapas de um processo de negociação, uma vez que a MAPAN faz parte da fase 1 que é a de preparação e planejamento. Fase 1 = Preparação e planejamento Fase 2 = Definição de regras básicas Fase 3 = Esclarecimento e Justificação Fase 4 = Barganha e solução de problema Fase 5 = Fechamento e implementação. Na fase 1, baseados em ROBBINS (2005 p. 338) teremos que levantar e responder as seguintes questões: Qual a natureza do conflito? Qual é a história que leva a esta negociação? Quem está envolvido e quais são suas percepções do conflito? O que você quer da negociação? Quais são suas metas? Ainda segundo este autor, é muito importante que coloque as suas metas por escrito e desenvolva uma faixa de resultados, aqueles mais otimistas até aqueles minimamente aceitáveis. Da mesma forma estime as metas da outra parte. O que provavelmente pedirão? Qual a probabilidade de se oporem as suas opções e posições? Como argumentarão? Com que fatos e dados você argumentará? Que interesses intangíveis ou ocultos poderão motivá-lo? Que acordo pode estar disposto a aceitar? Pró-reitoria de EaD e CCDD 21 Usando essas informações que você retirou da situação poderá traçar a sua estratégia. Para exemplificar vamos apresentar alguns dados e uma figura bastante explicativa, retirados do artigo de ARAUJO (2009). Fonte: Rogério Araujo (2009). Vamos entender algumas partes desta figura que interessa a esse tema, começando pela varanda. Segundo o autor, a varanda é uma metáfora bem interessante, pois é o local de onde você contempla a paisagem e consegue ter uma visão ampla do que tem pela frente. Assim, se faz necessário delinear o verdadeiro objeto da negociação. Verificar todos os elementos secundários, pois mesmo sendo ocultos acabam assumindo grande importância na negociação. Bem como definir claramente o que você quer e o que você não quer, levantando claramente os objetivos e as alternativas. É aqui que se aplica a MAPAN e depois de ser desenhada deve-se refletir: Como você ficará caso a negociação fracasse? Lembrando que quanto mais atraente for a sua MAPAN, mais forte você estará na negociação. Não se podem esquecer os interesses da outra parte que está na negociação, lembrando que geralmente os interesses desta parte diferem dos seus. Isto quer dizer, ela também tem as suas MAPANS. Quando não temos informações sobre isso, é provável que existam complicações nesse processo. O autor URY, citado por ARAUJO (2009), aconselha que não se deva encarar a MAPAN como um último recurso e sim, como um plano de reserva. Pró-reitoria de EaD e CCDD 22 Também deve ser utilizada como um instrumento particular de poder para o atingimento dos objetos traçados na negociação e não como um instrumento de ameaça ao opositor. Outro conselho é o de que ao entrar na negociação, o negociador tenha várias alternativas, ou seja, várias MAPANS e elas devem estar ordenadas pelo critério da melhor para pior. Na Prática Visões distorcidas sobre os conflitos. O autor Berg (2011), propõe cinco equívocos denominados de visões distorcidas sobre os conflitos, sendo elas as seguintes: “todos os conflitos têm solução”; “os conflitos se resolvem sozinhos”; “uma empresa sólida e atuante não tem conflito”; “depois de um conflito quase sempre haverá animosidade entre partes envolvidas”; “em um conflito haverá um ganhador e um perdedor”. Ante essas visões, o que fazer para uma adequada solução de conflitos? _______________________________________________________________ _______________________________________________________________ _______________________________________________________________ Resolução da situação proposta O autor BERG (2011), alerta que se algo não for feito, possivelmente o cenário conflituoso não mudará paramelhor, podendo se agravar caso sua administração não seja adequada. Por isso, devemos nos valer dos processos da arbitragem, da mediação e da conciliação solucionar conflitos de toda ordem pautados por uma conduta imparcial e ética. Finalizando Em nossa aula tivemos a oportunidade de conhecer os conceitos pertinentes ao processo de Arbitragem, as vantagens por essa opção quando da condução de disputas e os tipos de arbitragens existentes. Mantivemos contato Pró-reitoria de EaD e CCDD 23 com o processo de Mediação, as terefas que o compõem e das quais os gestores devem se apropriar, além dos estágios relativos as sessões de mediação, sendo cinco relativos à fase de prénegociação e mais sete depois de iniciadas as sessões formais. Foi possível estudar o processo de Conciliação suas implicações éticas, as estruturas que são organizadas para que se dê estes eventos, bem como as tares e responsabilidades pertinentes ao conciliador. Podemos também, conhecer os erros mais comuns quando de uma negociação, assim como, a descrição dos mesmos, como evitá-los e as características predominantes do negociador. Por fim, conhecemos a técnica MAPAN – que significa a melhor alternativa para um acordo negociado e como fazer bom uso desta estratégia. Desejamos a todos bons estudos! Referências ARAUJO, Rodolfo. Uma aula de negociação com Willian Ury. Disponível em: <http://www.administradores.com.br/artigos/economia-e-financas/uma-aula-de- negociacao-com-william-ury/34645/>. Acesso em 11 abr. 2016. BERG, E. A. Administração de Conflitos: abordagens práticas para o dia a dia. Curitiba: Juruá, 2011. CARMONA, Carlos Alberto. Arbitragem e processo: um comentário à lei n 9.307/96. 3ª ed. rev. São Paulo: Atlas, 2009. CRETELLA JÚNIOR, José. Conceito categorial de arbitragem. In: O direito internacional no terceiro milênio (Estudos em homenagem ao Prof. Vicente Marota Rangel), coord. Luiz Olavo Baptista e José Roberto Franco da Fonseca. São Paulo: LTR, 1998. http://www.administradores.com.br/artigos/economia-e-financas/uma-aula-de-negociacao-com-william-ury/34645/ http://www.administradores.com.br/artigos/economia-e-financas/uma-aula-de-negociacao-com-william-ury/34645/ Pró-reitoria de EaD e CCDD 24 GREENSTONE, James L. DABECI, J. D.* Tradução: Maj. Onivan Elias de Oliveira (PMPB). Disponível em: <http://www.charlieoscartango.com.br/cot- diversos-artigoerrosnegociadores.html>. Acesso em 15 ago. 2016. HENRIQUE, Marcelo Rabelo. Perícia, avaliação e arbitragem [livro eletrônico] / Marcelo Rabelo Henrique, Wendell Alves Soares. – Curitiba: Intersaberes, 2015. MALLORY, G. A. Believe it or not: conflict can be healthy once you understand it and learn to manage it. Nursing81. New York, 1997. SERPA, Maria de Nazareth. Teoria e prática da mediação de conflitos. Rio de Janeiro: Ed. Lumen Juris, 1999. STRENGE, Irineu. Arbitragem comercial internacional. São Paulo: LTR, 1996. MOORE, Christopher W. O processo de mediação: estratégias práticas para a resolução de conflitos. 2. ed., Trad. Magda França Lopes. Porto Alegre: Artmed, 1998. Raguer, Sonia. Técnicas de Negociação. Disponível em: <http://pt.slideshare.net/corretorpimentel/tecnicas-de-negociao-apostila>. Acesso em 13 abr. 2015. Robbins, Stephen. Comportamento organizacional. 11 ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2005. http://www.charlieoscartango.com.br/cot-diversos-artigoerrosnegociadores.html http://www.charlieoscartango.com.br/cot-diversos-artigoerrosnegociadores.html http://pt.slideshare.net/corretorpimentel/tecnicas-de-negociao-apostila Pró-reitoria de EaD e CCDD 1 Administração de Conflitos e as Técnicas de Negociação Aula 06 Professores Neusa Vítola Pasetto e Fernando Eduardo Mesadri Pró-reitoria de EaD e CCDD 2 Conversa Inicial Chegamos à última rota da nossa disciplina de Administração de Conflitos e as Técnicas de Negociação, vimos até aqui assuntos muito importantes para administrarmos e manejarmos os conflitos e também como consequência gerirmos adequadamente as nossas equipes de trabalho. A partir de agora veremos quais são as tendências que estão a nossa disposição para as utilizarmos e que nos auxiliarão a atingir nossos objetivos quando se trará deste delicado assunto: conflitos. Desejamos a todos bons estudos! E vamos a nossa aula. Contextualizando Ao tomarmos contato com um tema bastante atual que aborda a tomada de decisão por meio de uma nova visão do homem, não mais como um ser racional e onisciente, mas como um ser com a racionalidade limitada, estamos tratando da controladoria comportamental, e verificaremos como ela impacta na administração dos conflitos em todos os contextos da vida: social, familiar e profissional. Veremos como aplicar as técnicas, táticas e estratégias de manejo dos conflitos de forma criativa, a fim de administrar os velhos conflitos de uma nova forma. Também entenderemos o conceito da gestão da atenção, assunto trabalhado por CASTELO BRANCO, HERNADES, MESADRI & PASETTO (2010) e como esse novo tema repercute na administração dos conflitos pessoais e profissionais. Verificaremos como a Tecnologia da Informação (TI), poderá auxiliar na condução e manejo dos conflitos. Assistam ao vídeo intitulado: “Tribunal de Justiça do DF começa a usar técnica das constelações familiares para resolver conflitos” que se encontra disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=2mTtrVjoRcY>. Acesso em 15 ago. 2016. https://www.youtube.com/watch?v=2mTtrVjoRcY Pró-reitoria de EaD e CCDD 3 Agora, tracem um paralelo das atitudes do TJ (Tribunal de Justiça do DF) com os novos paradigmas para a condução e para gestão dos conflitos. _______________________________________________________________ _______________________________________________________________ _______________________________________________________________ Comentário: Para conduzir um conflito adequadamente teremos que o gerir. Vamos lembrar a definição da gestão de conflito: Gestão de conflitos é a capacidade de prever tensões, identificar as fontes, impedir o crescimento dos desacordos e encontrar soluções satisfatórias para todas as partes envolvidas. O TJ do DF está utilizando a constelação familiar para oportunizar as partes envolvidas no conflito, um novo olhar para seus problemas que não seja apenas um processo na justiça. Essa ação é uma grande quebra de paradigma. Vamos traçar o paralelo entre a nova visão organizacional e do TJ sobre a administração do conflito: Visão Organizacional Visão TJ O conflito é inevitável. O conflito existe. O conflito surge de muitas causas, inclusive estrutura organizacional, diferenças inevitáveis de objetivos, diferenças de percepções e valores de pessoal especializado e assim por diante. O conflito surge por muitas causas, como as diferenças de pensamento sobre os fatos e principalmente das diferentes percepções e valores pessoais. O conflito contribui para o desempenho da organização e o prejudica em vários graus. O conflito contribui para que os envolvidos tenham um novo olhar sobre as suas relações. Caso a pessoa não perceba a sua contribuição para manutenção do conflito, a causa do mesmo continuará a existir e prejudicará sobremaneira a solução. O trabalho da administração é administrar o nível de conflito e sua solução O trabalho do TJ pela aplicação da técnica de constelação é oportunizar um novo Pró-reitoria de EaD e CCDD 4 para conseguir um desempenho ótimo da organização. olhar das partes para seus problemas que não apenas um processo na justiça. Fonte: os professores, baseado no tema 2 da rota e na entrevista da juíza do TJ do DF. Outra quebra de paradigma observado na entrevista da juíza, é preparaçãoem uma técnica “terapêutica” de promotores, advogados e todos que queiram participar do projeto. Hoje, os TJ que tem utilizado a técnica já chegaram a um percentual de 84% de êxito nos acordos. A técnica traz para os familiares envolvidos uma oportunidade de ampliação da visão em relação ao problema e novas formas de enfrentamento dos mesmos. Isso se efetiva por meio do diálogo. Para concluir podemos afirmar que o TJ do DF está utilizando adequadamente a sua capacidade de prever tensões, identificar as fontes dos desacordos e encontrar soluções satisfatórias para as partes envolvidas, isso quer dizer que estão tendo um novo olhar para gestão dos conflitos. Tema 01: Controladoria comportamental e a Administração de Conflitos A controladoria comportamental é um termo utilizado na atualidade por diversas ciências para trabalhar as mudanças dos paradigmas frente ao processo decisório. Na controladoria comportamental existe a contribuição de vários fatores, entre eles estão os subjetivos como: visão, experiência e intuição. Durante muitas décadas, na história da administração, sendo essa apenas uma das ciências que estuda o processo decisório, pois também temos a Economia e a Psicologia. A orientação dada a essa questão era eminentemente quantitativa, ou seja, a matemática com os seus cálculos objetivos e racionais eram os elementos principais para o entendimento de uma tomada de decisão. Estamos abordando a tomada de decisão, pois é sabido tanto pela ciência, quanto pelo senso comum, que quando temos que tomar uma decisão um Pró-reitoria de EaD e CCDD 5 conflito se estabelece. Fato é que, ao mudarmos o entendimento de um processo de decisão, passaremos a ver também o conflito sob um novo prisma. Vamos focar nos conflitos e nas tomadas de decisões que se efetuam no contexto organizacional. As empresas são vistas como um sistema complexo de interações sociais e são compostas por estrutura física, tecnológica e de pessoas. É sabido que as pessoas são peças fundamentais para qualquer organização, pois é por meio delas que os objetivos são atingidos e isso somente será possível pelas inter-relações que se estabelecem, as quais denominamos de processos sociais. Os processos sociais mais conhecidos são: interação, contato, cooperação, assimilação, competição e conflito. Estamos conscientes de que esses processos sociais foram trabalhados em aulas anteriores, como as dimensões das intenções de lidar com os conflitos. Percebem como os assuntos se complementam? E que os conceitos acabam explicando fenômenos diferentes? É isso mesmo, pois estamos tratando neste momento de novos paradigmas, ou seja, uma nova forma de entendermos as interações sociais. E veremos como a qualidade destas interações contribui para uma tomada de decisão mais assertiva e quais são os aspectos comportamentais que são necessários lançarmos mão para termos uma eficácia e efetividade na administração ou manejo dos conflitos decorrentes desta tomada de decisão. A controladoria aparece como um meio de coordenar comportamentos através dos sistemas de controle gerenciais. Isso quer dizer, utilizar de ferramentas gerenciais para que os envolvidos nos processos reajam de forma mais coesa e colaborativa a fim de minimizar os problemas que surjam dentro das organizações econômicas. Quando usamos técnicas e métodos adequados para influenciar os comportamentos das pessoas e respeitamos os achados da ciência que nos diz que as pessoas possuem uma racionalidade limitada e que o seu comportamento e seu emocional tem uma parcela muito significativa na qualidade da sua tomada de decisão, estaremos respeitando o ser humano na sua totalidade e como consequência alinhando os objetivos deles com os Pró-reitoria de EaD e CCDD 6 objetivos da empresa. Neste momento, estaremos oportunizando que os objetivos sociais sejam atingidos. Cabem aqui duas ponderações sobre a tomada da decisão e o quanto impactam na administração de conflito olhando pela perspectiva da controladoria comportamental: 1. Antigamente para tomar boas decisões e resolver conflitos o foco deveria estar no homo econômicus (ser racional que se concentra em si próprio tendo como meta a ser atingida o aumento de suas riquezas, sendo sua motivação financeira e abstraindo-se as outras dimensões culturais do comportamento humano, ou seja, as motivações morais, éticas, políticas e religiosas. Com respeito ao homo social (cujas motivações são sociais, ou seja, as suas principais necessidades são: reconhecimento de participação e de aprovação social nas atividades dos grupos sociais onde o sujeito habita, seja no contexto familiar ou social). 2. Mudança da avaliação da eficácia da tomada de decisão, de uma crença que aquelas mudanças eficazes seriam que as que atendessem especificamente aos objetivos operacionais, entretanto mudanças eficazes, são aquelas que atentam tanto para os objetivos operacionais quanto sociais. Para exemplificar, vamos trazer uma ideia publicada no artigo de CABRAL & CRISPIN (2011 p. 12) que dizem que o principal objetivo da empresa é cumprir a sua missão (sua razão de ser) e essa razão vai além da filosofia, envolve objetivos socioeconômicos que representam o seguinte: Econômicos: atender as demandas da sociedade, maximizar lucros e atender as expectativas dos acionistas. Social: responsabilidade social. Tema 02: Os novos paradigmas da condução dos conflitos Vimos durante aulas anteriores sobre a condução e o manejo dos conflitos. Vamos lembrar algumas questões relevantes e o faremos por meio de um quadro Pró-reitoria de EaD e CCDD 7 comparativo entre a visão antiga, aquilo que já vimos, e a visão atual, aquilo que veremos. Vejamos o quadro: Visão Antiga Visão atual O conflito é evitável. O conflito é inevitável. O conflito é causado pela administração das organizações ou por provocadores de problemas. O conflito surge de muitas causas, inclusive estrutura organizacional, diferenças inevitáveis de objetivos, diferenças de percepções e valores de pessoal especializado e assim por diante. O conflito desagrega a organização e impede um desempenho. O conflito contribui para o desempenho da organização e o prejudica em vários graus. O trabalho da administração é eliminar o conflito. O trabalho da administração é administrar o nível de conflito e sua solução para conseguir um desempenho ótimo da organização. O desempenho organizacional ótimo requer um nível moderado de conflito. O desempenho organizacional ótimo requer um nível moderado de conflito. Vocês perceberam que a mudança foi na forma de administrar o conflito? Viram que o conflito é inevitável, ele acontecerá e, portanto, o que modifica é como faremos a gestão dele? Vamos lembrar então o que é gestão de conflitos: Quando a gestão não é adequada e é dado ao conflito um tratamento inadequado pode gerar estresse, violência, insatisfação, indisciplina, entre outros problemas. Gestão de conflitos é a capacidade de prever tensões, identificar as fontes, impedir o crescimento dos desacordos e encontrar soluções satisfatórias para todas as partes envolvidas. Pró-reitoria de EaD e CCDD 8 Assim, os novos paradigmas, são o entendimento dos velhos conceitos, porém aplicados de forma mais clara e humana, bem como construtiva para todos. Vamos a eles: Preservar a dignidade e o respeito dos valores de todos os envolvidos. Ouvir com empatia, mantendo aberto o diálogo educativo. Não esperar mudar o estilo de comportamento do outro. Que as partes expressem as suas perspectivas. Bem, para finalizar, acreditamos que valha a pena definirmos o que são paradigmas e como que conseguimos quebrá-los. . Fonte: Disponível em: http://www.significados.com.br/paradigma/>. Acessoem 15 ago. 2016. Como quebrar um paradigma? Quando é percebida uma nova forma, regra, norma de se fazer as coisas, ou resolver os problemas e assume-se está nova conduta ou comportamento. Assim, depois do exposto acima, podemos concluir que para aplicarmos novos paradigmas deveremos conhecer as estratégias que estamos utilizando, avaliarmos se elas são efetivas, conhecermos novas formas e modelos de gestão de conflitos, comparar com o que temos e caso estejamos desatualizados buscar desenvolver novos conhecimentos e aplicá-los. Para conhecermos os benefícios da quebra dos paradigmas, deveremos ler o texto que se encontra na leitura obrigatória. Paradigma é um modelo ou padrão a seguir. Etimologicamente, este termo tem origem no grego paradeigma que significa modelo ou padrão, correspondendo a algo que vai servir de modelo ou exemplo a ser seguido em determinada situação. http://www.significados.com.br/paradigma/ Pró-reitoria de EaD e CCDD 9 Tema 03: A aplicação da criatividade para a administração do conflito Para abordarmos a criatividade na gestão do conflito precisaremos voltar a um assunto já visto anteriormente, que é o processo de gestão de conflito e para tanto responder o seguinte questionamento: Como aplicar o processo de gestão do conflito? Para aplicarmos a gestão do conflito, passaremos por 4 grandes fases, a saber: 1. Diagnóstico Esclarecer pontos críticos. Identificar os participantes. Avaliar as fontes potenciais de desacordo. 2. Plano Reconhecer os seus próprios padrões. Tornar mínimas as armadilhas utilizando uma estratégia adequada. Planejar a sua estratégia. 3. Preparação Utilizar uma estrutura que leve à solução do problema. Praticar. 4. Implementação Estabelecer o plano Avaliar os resultados. Dar seguimento. Então vem o questionamento: Como aplicar a criatividade nesse processo de gestão do conflito? Para responder vamos entender o conceito de criatividade. Criatividade, segundo site: “Me Eduque” (2011) citado por Castelo Branco & Schneider (2012 p. 46) é: É criar, produzir aquilo que é simultaneamente inusitado e útil. Envolve a capacidade de perceber possibilidades, tolerar ambiguidades, recombinar, pensar independentemente, planejar, julgar sem preconceito, perceber Pró-reitoria de EaD e CCDD 10 analogias, produzir ideias em quantidade, mudar de abordagem ou ponto de vista, e de ser original. Albert Einstein nos deixou duas frases que poderemos aplicar a esse conceito de criatividade: “Não há maior sinal de loucura do que fazer a mesma coisa repetidamente e esperar a cada vez um resultado diferente”. “Não é possível resolver problemas com o mesmo estado de espírito com que foi criado”. Por isso, que os gestores, negociadores, mediadores, árbitros, conciliadores, enfim, todos os envolvidos na gestão de conflitos devem aplicar as fases de (diagnóstico, plano, preparação e implementação) para administrar corretamente um conflito. Importantíssimo para essa pessoa que está à frente do conflito, o conhecimento que nem todo conflito é ruim, mas sim, a forma com que lidamos com ele que o torna negativo. Como também saber que para chegar a um resultado positivo, devem desenvolver o comportamento criativo, uma vez que os contextos, as situações, os motivos, as características de personalidade dos envolvidos serão diferentes a cada processo. Para MONTANA & CHARNOV (1999, p. 323), através dos conflitos temos a possibilidade de liberar energias criativas para a resolução dos problemas e gerar inovações dentro da organização. LIKERT & LIKERT (1980) apud ROCHA (2007) defendem que o essencial para resolução construtiva de conflitos, não é eliminar as diferenças que levam ao conflito, mas sim, valer-se das tensões e diferenças para chegar a um resultado positivo. Segundo CASTELO BRANCO & SCHNEIDER (2012 p. 53), há dois tipos de criatividade: a pura e a aplicada. Criatividade Pura Criatividade Aplicada É mais pessoal. Divertida. Lúdica. Está ligada a administração, aos negócios, ao planejamento e ao empreendedorismo. Pró-reitoria de EaD e CCDD 11 Pode estar presente em todos os momentos da vida. Criação de algo que pode se tornar um produto, serviço ou diferencial competitivo. Fonte: os professores baseados em Castelo Branco & Schneider. Na gestão de conflitos, poderemos sim utilizar dos dois tipos de criatividade, mas teremos uma preponderância da criatividade aplicada, uma vez que para planejarmos uma sessão de negociação necessitaremos criar um serviço especifico para cada caso e contexto. Para finalizar, utilizaremos um parágrafo do livro de LOTZ & GRAMMS (2012 p. 97): “Podemos observar que a criatividade, no que diz respeito às questões de condução e gestão dos conflitos, favorece a identificação de possibilidades, o que resulta em maior flexibilidade por parte dos envolvidos na questão. Tal flexibilidade faz toda a diferença nos resultados do conflito, pois a mente se volta para a solução, não para o problema. Ao desenvolver a criatividade, o líder ou o gestor de talentos se fortalece, no sentido de empregar as estratégias mais eficazes, embasadas na premissa do modelo “ganha- ganha”, ao lidar com comportamentos e situações conflituosas”. Agora, para entendermos um pouco mais sobre o processo criativo, se faz necessária a leitura recomendada no tópico a seguir. Tema 04: A gestão da atenção aplicada aos conflitos organizacionais O conceito de gestão da atenção foi trabalhado por quatro autores: CASTELO BRANCO, HERNANDES, MESADRI & PASETTO (2010), para eles a atenção é básica e essencial! Sem ela todo um empreendimento e energia dispensados a um negócio, trabalho ou assunto corriqueiro podem gerar grandes equívocos, perda de tempo e desperdícios de potencialidade e recursos. Pró-reitoria de EaD e CCDD 12 Uma pessoa desatenta facilmente pode perder o time, ou deixar as oportunidades passarem porque não estava devidamente preparada para aquele momento ou não estava naquele lugar. Equipes de trabalho não conduzidas atentamente desperdiçam a genialidade de membros, mal aproveitados ou desviados de função ou deixam de tomar as melhores decisões em tempo hábil e, consequentemente, produzem menos e/ou com pior qualidade. Organizações pouco atentas às realidades local, regional e global, não atualizando sua logística ou a postura de modo holístico na empresa, deixam de perceber mudanças, tendências e cenários que podem comprometer seu futuro e competitividade. Como vocês puderam perceber a atenção, embora, seja um fenômeno humano, natural, ela é limitada e, portanto, necessita de gestão para que possamos potenciar aquilo que temos, pois, aumentar a gama da atenção não nos é possível, mas podemos sim gerenciá-la. Para assim procedermos se faz necessária a utilização adequada de ferramentas e técnicas e também a objetividade clara para lidarmos com diferentes demandas de atenção. A gestão, de modo geral, envolve a ação orientada para atingir os objetivos. Dentro da Administração, gerenciar algo envolve agir para que este componente potencialize a sua contribuição para os resultados desejados. De algum modo, podemos crer que gerenciar é o ato humano de tornar determinado recurso – seja ele humano, material, tecnológico ou mesmo intangível, como a atenção – útil e/ou eficaz. Considerando que há relações da atenção com questões importantes da vida das pessoas e organizações, como: consciência, conhecimento, criatividade, percepção, tomada de decisão, planejamento, fazer a gestão da atenção é fundamental para que conflitos desnecessários não aconteçam. Estamos abordando neste tema a gestão da atenção aplicada aos conflitos organizacionais. Portanto, vamos entender o que são as organizações, elas são grupos de duas ou mais pessoasque trabalham de modo coordenado, com o Pró-reitoria de EaD e CCDD 13 objetivo de atingir um resultado comum. Nessa definição, está implícita a soma de esforços em direção de algo coletivo. O primeiro passo dado por uma organização é saber para onde se deseja ir e definir objetivos, que é à base do seu planejamento. As organizações que não planejam e não estabelecem objetivos e metas coerentes não determinam também os planos para os alcançar e simplesmente reagirão as pressões do ambiente. Sendo isso um grande nascedouro de conflitos. Outra grande situação geradora de conflito é quando o foco organizacional, muitas vezes, expresso por meio da missão organizacional, não está claro para os níveis tático e operacional. Esse foco, traduzido pela missão, é de longo prazo, envolve toda a organização e exige muita atenção. A tomada de decisão é outro fator gerador de conflitos organizacionais, pois as informações e dados para tomada de decisão podem estar disponíveis na organização ou no ambiente externo. Atualmente, o problema não é mais a falta de dados e informações, mas principalmente o excesso deles/as. Pessoas mais atentas percebem melhor o ambiente à sua volta e têm melhores condições de tomar decisões acertadas. Vamos ver alguns fatores que podem prejudicar a tomada de decisão e propiciar a geração de conflitos: Excesso de informações; Tempo reduzido de análise; Informações equivocadas ou incompletas; Objetivos equivocados ou não claros; Interesses pessoais; Crenças e valores; Modelos mentais; Problemas de comunicação; Pressão; Stress. Pró-reitoria de EaD e CCDD 14 Trabalhando nessas frentes, poderemos ter um acréscimo significativo na efetividade organizacional e na redução da possibilidade de instalação de conflitos. Quando falamos da gestão da atenção no nível organizacional, não é um trabalho trivial e nem rápido, mas se bem executado poderá gerenciar os diferentes meandros e desafios e ter um efeito positivo sobre a produtividade, capacidade criativa e empreendedora e até mesmo na competitividade e principalmente isso ocorrerá se a organização for capaz de gerir os conflitos de maneira adequada. Tema 05: A utilização da TI para gestão de conflitos É fato que o uso adequado de ferramentas de TI (Tecnologia da Informação), pode evitar e/ou solucionar possíveis problemas associados à comunicação entre membros de um grupo, um dos grandes motivos do estabelecimento de conflitos, ainda mais se esse grupo estiver geograficamente separado. Para a utilização adequada desta tecnologia visando evitar ou mesmo de transformar conflitos em oportunidade de mudança se faz necessário o planejamento e, portanto, o conhecimento prévio de cada uma dessas TIs disponíveis como as suas aplicabilidades. Existem vários tipos de conflitos, vamos lembrar algumas categorias: intrapessoal, interpessoal e organizacional. O gestor que está à frente de um grupo necessita além do conhecimento prévio das ferramentas, também saber como se encontra a diversidade cultural dos integrantes, o nível de confiança estabelecido e o entendimento da mensagem que está sendo passada. CHIAVENATO, citado por SANTOS (2013), afirma que a década de 1990 marcou a era da informação, graças ao impacto provocado pelo desenvolvimento tecnológico e à TI. O processo de informação começa com o Pró-reitoria de EaD e CCDD 15 recolhimento de alguns tipos de fatos chamados de dados. Uma vez recolhido os dados são analisados de alguma maneira. CERTO (2003), também citado por SANTOS (2013), nos diz que a informação é o conjunto de conclusões derivado da análise dos dados e, em termos administrativos, é o conjunto de conclusões derivadas da análise dos dados relativos ao funcionamento de uma empresa. Após essa definição do que seria a TI, vamos voltar às ferramentas que podem contribuir para evitar ou transformar conflitos negativos em positivos. Para tal, utilizaremos o material disponibilizado por RIBEIRO, FREIRE & CHUDOBA (2015), onde discutem as principais TIs e além de descrevê-las nos falam sobre a sua aplicabilidade. Traremos apenas algumas delas, porém você poderá lê-las na integra na leitura obrigatória. Vamos colocá-las em um quadro comparativo: Nomenclatura da TI Descrição Aplicabilidade Comunicação mediada por computador É o processo de comunicação humana através do computador. Os interlocutores podem falar simultaneamente ou não. Isso depende do objetivo da utilização. Para disseminação de informação ou para tomada de decisão. World Wide Web (WWW) É um conjunto de dezenas de milhões de computadores servidores que trabalham em conjunto como um único sistema em serviços de internet e contém todos os tipos imagináveis de dados. Para fornecer informações a bilhões de usuários. Internet É um conjunto de redes interconectadas, trocando informações livremente, transmitindo dados de um computador para outro. Se o computador receptor não estiver diretamente conectado à mesma rede do computador emissor, o segundo transmite a mensagem Enviar mensagens através de um ou mais roteadores para chegar ao destino. Pró-reitoria de EaD e CCDD 16 para outro computador que possa encaminhá-la. Intranet É uma rede corporativa interna construída utilizando os padrões e as tecnologias da Internet e da WWW. As corporações usam a web como um modo rápido de modernizar as próprias organizações. Extranet É uma rede que conecta recursos selecionados da Intranet de uma empresa com consumidores, fornecedores ou outros parceiros de negócios. Tal rede fornece acesso limitado à rede privada corporativa. Sistema de Gerenciamento da Informação É um sistema que fornece informações para gestores e profissionais de negócio na forma de relatórios e em monitores. A partir do acesso pela Intranet corporativa, é possível receber informações instantâneas do andamento dos projetos, das vendas e do desempenho da organização em geral. Fonte: Os professores baseados em STAIR; REYNOLDS & GUPTA, 2011, apud RIBEIRO, FREIRE & CHUDOBA (2015). Os especialistas nesta área fazem algumas considerações sobre a TI e assim, vamos apresentar algumas trazidas por SANTOS (2013): A TI ainda não conseguiu gerar os benefícios de produtividade e desempenho mirados pelas organizações. Os administradores têm uma compreensão limitada de o que a TI pode proporcionar à organização. Equivocadamente querem reduzir os custos, tarefas e pessoas, com a implantação das ferramentas de TI. A TI é utilizada como meio de coletar dados e de sustentar processos com estatísticas. A TI transformou-se em mais uma função na organização, quando deveria ser um recurso à disposição de todos. Pró-reitoria de EaD e CCDD 17 Em vez de automatizar tarefas, a TI deveria, acima de tudo, informar as pessoas. Aplicando na gestão de conflitos essas vantagens e benefícios proporcionados pela TI, teríamos uma comunicação muito mais clara e em tempo real, sendo possível arriscar afirmar que muito dos geradores de conflitos tanto no nível, intrapessoal, interpessoal e organizacional, se não fossem resolvidos, pelo menos estariam minimizados. Na Prática Para finalizar essa disciplina, vamos propor a você um exercício que lhe proporcionará uma avaliação sobre qual é a sua principal intenção ao lidar conflitos. Esse exercício foi retirado do livro de Stephen Robbins (1999, p. 294 e 439). Exercício: Aprendendo sobre si mesmo Qual a sua principal intenção ao lidar com conflitos? Indique com que frequência você se apoia em cada uma das seguintes táticas fazendo um círculo em volta do número que você sente ser o mais apropriado. Raramente Sempre 1. Discuto meu caso com meus colegaspara mostrar os méritos de minha posição. 1 2 3 4 5 2. Negócio com meus colegas para que possamos alcançar um compromisso. 1 2 3 4 5 3. Tento satisfazer as expectativas de meus colegas. 1 2 3 4 5 4. Tento investigar uma questão com meus colegas para encontrar uma solução aceitável para nós. 1 2 3 4 5 5. Sou firme em buscar meu lado da questão. 1 2 3 4 5 Pró-reitoria de EaD e CCDD 18 6. Tento evitar ser colocado em evidência e tento manter meu conflito com meus colegas para mim mesmo. 1 2 3 4 5 7. Mantenho firme minha solução para um problema. 1 2 3 4 5 8. Uso o toma-lá-dá-cá para que um compromisso possa ser firmado. 1 2 3 4 5 9. Troco informação acurada com meus colegas para solucionarmos um problema juntos. 1 2 3 4 5 10. Evito discussão aberta de minhas diferenças com meus colegas. 1 2 3 4 5 11. Acomodo os desejos de meus colegas. 1 2 3 4 5 12. Tento trazer todos os meus interesses para fora a fim de que as questões possam ser resolvidas da melhor forma possível. 1 2 3 4 5 13. Proponho um meio-termo para quebrar impasses. 1 2 3 4 5 14. Acompanho as sugestões de meus colegas. 1 2 3 4 5 15. Tento manter meus desacordos com meus colegas para mim mesmo a fim de evitar ressentimentos. 1 2 3 4 5 Fonte: Stephen Robbins. Comportamento Organizacional (1999, p. 294 e 439). Resolução da situação proposta Pró-reitoria de EaD e CCDD 19 Para determinar sua intenção básica ao lidar com o conflito, coloque o número de 1 ao 5 que representa a sua pontuação para cada frase perto do número da frase. Então, some as colunas. Competição Colaboração Evitação Acomodação Compromisso 1. 4. 6. 3. 2. 5. 9. 10. 11. 8. 7. 12. 15. 14. 13. Total: Total: Total: Total: Total: Sua intenção principal ao lidar com conflito é a categoria com o total mais alto. Sua intenção secundária é a categoria com o segundo total mais alto. Vamos lembrar o que se refere cada uma dessas categorias, utilizado o material disponível em: <https://felipelirarocha.wordpress.com/2014/03/02/gestao-de-conflitos-em- ambientes-corporativos/>. Acesso em 15 ago. 2016. Evitar: A pessoa evita o conflito, o que pode ser positivo ou negativo. O efeito negativo pode ser a desesperança dos envolvidos frente ao problema, pois passa a impressão de que o problema não será nunca resolvido. O efeito positivo pode ocorrer quando se evita o conflito para aguardar o momento certo para o diálogo, evitando reações exagerados dos envolvidos, o que pode ser uma estratégia para até mesmo evitar reações violentas preservando a segurança dos envolvidos. Competição: Buscar a vitória na resolução do conflito, podendo ser as vezes a qualquer custo. Os envolvidos entram nos conflitos com a postura de “é tudo ou nada”. Nesta lógica sempre existe um ganhador e um perdedor. Esta postura é uma realidade na sociedade atual, onde até mesmo nosso modelo econômico é baseado na competição entre as empresas, o que reflete em competição entre as pessoas na competição pela permanência no mercado de trabalho. A competição pode ser saudável, pois tira as pessoas da zona de conforto e provoca mudanças, mas na resolução de conflitos pode estereotipar https://felipelirarocha.wordpress.com/2014/03/02/gestao-de-conflitos-em-ambientes-corporativos/ https://felipelirarocha.wordpress.com/2014/03/02/gestao-de-conflitos-em-ambientes-corporativos/ Pró-reitoria de EaD e CCDD 20 o vencedor como competente e o perdedor como incompetente. É uma estratégia “ganha/perde”. Compromisso: Consiste em formar compromisso entre as partes, onde cada uma cede um pouco e ganha um pouco. É comum em negociações de greves, por exemplo. É uma estratégia “ganha/ganha”. Colaboração: Cooperação entre as pessoas é a principal característica. É baseada num sentimento de coletividade ou união entre os envolvidos, onde não há um único ganhador ou perdedor, pois ou todos ganham ou todos perdem. Um bom exemplo é um conflito dentro de um time de futebol: não possibilidade de o conflito beneficiar ou prejudicar somente um, pois ou irá atrapalhar ou ajudar a todos a ganhar ou perder o jogo. Neste caso, se utilizada a estratégia de colaboração o time pode proativamente resolver o conflito de forma proativa baseado no sentimento de coletividade. É uma estratégia “ganha/ganha”. Acomodação: Quando uma parte busca apaziguar um oponente, essa parte pode estar disposta a colocar os interesses do oponente acima dos seus próprios. Com a explicação de cada categoria/dimensão de intenção, lembrando que as intenções são decisões de agir de uma determinada maneira, você poderá fazer uma avaliação pessoal, de qual dimensão de intenção de lidar com o conflito você tem lançado mão com mais frequência e refletir quais deveria desenvolver. Assim, poderá colocar em prática alguns assuntos vistos nessa aula, em especial a controladoria comportamental, a gestão da atenção e a criatividade aplicada na administração do conflito. Bom trabalho! Finalizando Nesta aula, vimos novas formas de manejar e resolver os conflitos. Passamos por um tema bastante atual, tanto para Administração quanto para a Economia e Psicologia. Esse tema se refere à controladoria comportamental, Pró-reitoria de EaD e CCDD 21 embora aborde a tomada de decisão, podemos ampliá-la para a tomada de decisão, uma vez que a mesma acaba impactando diretamente no estabelecimento e na administração dos conflitos. Também foi possível avaliarmos como a criatividade contribui para o manejo dos conflitos e de que forma utilizar os tipos de criatividade para prepararmos uma sessão de negociação. Entendemos o conceito de gestão da atenção e a sua contribuição para a administração tanto dos conflitos pessoais quanto profissionais. Como também foi possível conhecermos os novos paradigmas para administrá-los. Bem como, até que ponto a Tecnologia da Informação (TI), pode nos auxiliar na condução e manejo dos conflitos. Referências CASTELO, B. H., SCNEIDER. A caminhada empreendedora: a jornada de transformação de sonhos em realidade. Curitiba: Intersaberes, 2012. CASTELO, B. Henrique, HERNANDES, Cláudio, MESADRI, Fernando E. PASETTO, Neusa. S. V. Gestão da atenção: a arte de gerenciar a atenção na vida e nas organizações. Curitiba: Artes & Textos, 2010. Gestão de Conflitos. Disponível em: <http://pt.slideshare.net/Ftfmatta/gestao- de-conflitosppt>. Acesso em 15 ago. 2016. LIKERT, Rensis; LIKERT, Jane Gibson. Administração de conflitos: novas abordagens. São Paulo: Mcgraw-Hill do Brasil, 1980. LOTZ, Erica, G; GRAMMS, Lorena. Gestão de Talentos. Curitiba: Intersaberes, 2012. MONTANA, Patrick J.; CHARNOV, Bruce H. Administração. São Paulo: Saraiva, 1999. http://pt.slideshare.net/Ftfmatta/gestao-de-conflitosppt http://pt.slideshare.net/Ftfmatta/gestao-de-conflitosppt Pró-reitoria de EaD e CCDD 22 RIBEIRO, Freire e Chudoba. Vantagens do uso da Tecnologia de informação para a solução de conflitos em trabalhos com times distribuídos. Disponível em: https://www.researchgate.net/publication/275892360_Vantagens_no_uso_de_t ecnologias_de_informacao_na_solucao_de_conflitos_em_trabalhos_com_time s_distribuidos. Acesso em 15 ago. 2016. ROCHA, B. Cíntia. Do conflito à criatividade nas organizações. Florianópolis: 2007. https://www.researchgate.net/publication/275892360_Vantagens_no_uso_de_tecnologias_de_informacao_na_solucao_de_conflitos_em_trabalhos_com_times_distribuidos https://www.researchgate.net/publication/275892360_Vantagens_no_uso_de_tecnologias_de_informacao_na_solucao_de_conflitos_em_trabalhos_com_times_distribuidoshttps://www.researchgate.net/publication/275892360_Vantagens_no_uso_de_tecnologias_de_informacao_na_solucao_de_conflitos_em_trabalhos_com_times_distribuidos