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Índice											 Pág
Introdução	1
Os Estados de Moçambique e a Penetração Mercantil Estrangeira	2
Surgimento do Estado	2
Estados de Moçambique	4
O Estado Zimbabwe	4
O Estado Mwenemutapa/Monomotapa/Mwanamutapa	7
O Estado Marave	11
Penetração Mercantil Asiática e os Estados Moçambicanos (IX-XVI)	15
A penetração Mercantil Europeia	16
A Presença Portuguesa e o Estado dos Mwenemutapas (1505-1693) -Ciclo do Ouro	16
Os prazos da Coroa em Moçambique	18
Formação /Origem dos Prazos	18
Problemas e Dificuldades nos Prazos	20
A decadência dos Mwenemutapas	23
Consequências do ciclo do ouro	24
A Presença Portuguesa e o Estado Marave (1693-1750) - o Ciclo do Marfim	25
O ciclo dos escravos (1750/1760-1836/século XX)	29
Os Estados de Moçambique no século XX	31
Os Estados Militares do Vale do Zambeze (1750/60-1836)	32
Os Estados Ajaua (Yao)	35
Os Reinos Afro-Islâmicos da Costa	37
O Estado de Gaza	41
Conclusão	45
Bibliografia	46
Anexos	47
Apêndices	50
Introdução
O presente trabalho insere-se nos planos curriculares da disciplina de História, que é a ciência dos Homens no tempo e no espaço. Cujo tema abrangente é Os Estados de Moçambique e a Penetração Mercantil Estrangeira.
Com este trabalho pretende-se fazer uma análise nítida do tema em alusão de modo a compreender e trazer todos aspectos ligados ao mesmo.
O presente trabalho obedece a seguinte estrutura organizacional:
· Acrónimos/enigmas; Introdução; Objectivos a alcançar; Metodologia; Desenvolvimento; Conclusão; Bibliografia; Anexos e Apêndices.
Objectivos a alcançar
Geral: 
· Analisar com coerência de modo a compreender claramente o tema sugerido pelo docente.
Específicos: 
· Definir Estados e falar da sua origem;
· Falar dos Estados criados em Moçambique;
· Saber como decorreu a Penetração Mercantil Estrangeira.
Metodologia
Para realização deste trabalho recorrer-se-á a uma pesquisa bibliográfica recomendada, com o fim de trazer matéria suficiente para realização do mesmo e que também possa permitir uma óptima percepção da parte do leitor do mesmo.
Os Estados de Moçambique e a Penetração Mercantil Estrangeira
Estado, em latim significa status, modo de estar, uma determinada situação ou condição. De acordo com o dicionário Houasis, O Estado é considerado um “conjunto de instituições (governo, forças armadas, funcionalismo pública, entre outras.) que controlam e administram uma nação”; país soberano, com estrutura própria e politicamente organizado.
O Estado pode ser visto como uma organização política, social e jurídica rígida por uma lei-mãe, a Constituição escrita, representando um território definindo, chefiado por um governo com uma soberania reconhecida nacional e internacionalmente. Um Estado é por outras palavras, um governo, um povo, um território. Definição sob ponto de vista Democrático. Apud Nhapulo (2017:56).
Segundo Pereira (2010:23) Os Marxistas definem Estado como um órgão especial que surge num certo momento de evolução histórica da humanidade. Nasceu da divisão da sociedade em classes e desaparecerá no momento em que se desvanecer está divisão. Segunda está perspectiva, o Estado é um instrumento nas mãos da classe dominante com o fim de manter o domínio desta classe sobre a sociedade e extinguir-se-á quando o domínio desta classe desaparecer.
Surgimento do Estado
À medida que houve uma diferenciação social, começou a haver um grupo social dominante. Estado nasce como uma máquina da classe dominante, cujo objectivo é garantir a manutenção do domínio dessa classe sobre a sociedade. Na comunidade primitiva não existia Estado. Todos trabalhavam e o produto final era dividido de igual maneira a toda comunidade.Apud Nhapulo (2017:56)
 Em suma, o Estado surge da diferenciação social e dos excedentes de produção quando a comunidade primitiva tornou-se sedentária e começou a praticar a agricultura e a pastorícia.
Observe o esquema seguinte:
 (
Sedentarização + novas técnicas de produção
)
 (
Aumento da produção + acumulação de excedentes
)
 (
Apropriação de riquezas
 
Por parte de alguns
) (
Aumento da população
)
 (
Diferenciação Social
)
Fonte: Pereira (2010:24)
Os chefes para defenderem os seus interesses, criaram, assim, uma equipa de pessoas capazes de administrar e organizar a sociedade em seu próprio benefício – é o nascimento de Estado.
O Estado constituiu-se, então, desde o início como um aparelho separado da sociedade e composto por um grupo de pessoas que se ocupava exclusivamente da tarefa de governar. As sociedades humanas dividiram-se em governantes e governados. O Estado e os seus governantes têm ao seu dispôr vários instrumentos: Polícia, tribunais, exército, cadeia, religião, imprensa, educação e outros. Apud Pereira (2010:24)
Segundo Matarruca e Simão (s.d:78) Os Estados africanos resultam da evolução socioeconómica da comunidade, das conquistas dos aldeãos, migrações, aglutinação por laços de parentesco ou económicos, da existência de uma sociedade mais complexa.
Os reinos, impérios, Estados antigos surgiram na maioria das lutas entre comunidades aldeãs pela ocupação de melhores terras para o cultivo e criação de animais. Citando BILA e Nhapulo, Helena (2006:06).
Estados de Moçambique 
Realçando que os três primeiros Estados a surgirem em Moçambique foram: O Grande Zimbabwe; Mwenemutapa e Marave.
O Estado Zimbabwe
Origem
 PEREIRA (2010:25) apud MUSSA (2008:44) nos primeiros séculos da n.e, antes do séc.IV, os primeiros agricultores e metalúrgicos bantu chegaram ao Sul do Zambeze, vindo da região dos grandes Lagos. Fixaram-se numa região rica em Ouro e misturaram-se com as populações que aí viviam (Khoisan). Mais tarde, um grupo separou-se desse núcleo e instalou-se ao sul do Limpopo com os Sothos, Tswana, Tong e Nguni (constituíram a população da região Austral de África). 
As condições geográficas favoráveis sem mosca tsé-tsé e paludismo, sem grandes florestas nem pântanos, pluviosidade suficiente para uma agricultura variada e fácil, permitiram a fixação de agricultores e pastores. 
No séc.XI, uma nova migração trouxe ao planalto entre Zambeze e o Limpopo povo pastores shona, que foram grandes construtores de muralhas de pedra (Dzimbabwe), de que se resta hoje centenas de ruínas espalhadas pelo território por eles ocupado. Estas fortificações de Dzimbabwe testemunham a existência de uma comunidade muito organizada.
 Este Estado surgiu entre os anos 1250 e 1450. Das ruínas existentes, as mais importantes são as de Mapungumbwe e Zimbábue. A sua capital era Sedanda, onde vivia o Rei, ligado de vários madzimbabwe (pequenas casas de pedra) regionais onde viviam os chefes provinciais, fazia parte desta capital Manyikene (actual vilankulos). Apud BILA E NHAPULO (2006:08).
 Segundo NHAPULO (2017:61) Nos primeiros séculos da n.e o Planalto do zimbabwe era habitado pelos Karanga, grupo bantu que falava Shona. Foram estas populações que fundaram o Reino do Zimbabwe, entre-os-rios Zambeze e Limpopo. Desenvolveu-se uma aristocracia no seio das famílias alargadas, clãs e tribos.
Conforme MUSSA (2008:45) A muralha do Zimbabwe tinha uma circunferência de 240m e um diâmetro de 90m. As únicas aberturas destes muros eram a entrada e vários canais de drenagem, fazendo lembrar os castelos da Europa medievais. A descoberta de Ouro, 1867, despertou a cobiça dos ingleses, que acabaram por ocupar o território, apesar das reivindicações de Portugal, a quem a Inglaterra dirigiu um ultimato em 1890.
A partir de 1895, a colónia ficou designada Rodésia do Sul em homenagem a Cecil Rhodes, o britânico que promoveu a sua constituição.
Actividades económicas 
As actividades económicas deste Estado eram: agricultura, a criação de gado, metalurgia, mineração e comércio. Apud PEREIRA (2010:25)
 A grande riqueza mineira que se encontrava na região permitiu a estas povos uma extracção relativamente fácil do ferro, Ouro, conte e do Estanho. O ouro era sobretudo utilizado para adorno. Só quando os primeiros comerciantes árabes chegaram à costa africana de Sofala, trazendo tecidos, pérolas e outros produtos (bens de prestígio) é queo ouro adquiriu maior devido a intensa procura.
Sofala foi o primeiro local a realizar-se o comércio em Moçambique onde usavam as vias do Rio save entre o séc. XI e XV, e a via terrestre que ligava o Porto de Quelimane a Sena e Tete, ambos na margem do Zambeze.Citando MUSSA (2008:45).
Agricultura no Grande Zimbabwe
Segundo NHAPULO (2017:61) Os Bantu desenvolveram, no séc.I n.e, as técnicas agrícolas cultivando a mapira e a mexoeira. Era a actividade mais importante de todas e era praticada na maioria por mulheres.
Pastorícia 
A presença de ossos de gado bovino nas ruínas do Zimbabwe, leva-nos a concluir que a criação de gado era actividade dominante. Estes vestígios foram encontrados em grandes quantidades perto das ruínas do chefe supremo, o que dá entender que os camponeses, provavelmente, pagavam com cabeças de gado o tributo. Citando NHAPULO (2017:62)
Comércio interno e externo
Faziam-se trocar de produtos ante as populações das várias aldeias. Entre estas populações, trocavam-se essencialmente: cereais, gado, sal, objectos de adorno (missangas e conchas) e instrumentos de ferro. Com a presença chinesa e árabe na costa, nos séculos XI e XII, o comércio oceânico intensifica-se e novos produtos são trocados.
O Estado Zimbabwe importava: missangas de vidro colorido; porcelanas e louça cifrada e finas garrafas de vidro.
O Estado Zimbabwe exportava: esferas fundidas em ouro e missangas de Ouro.
Apud NHAPULO (2017:63)
A Organização político-social
A sociedade Shona encontrava-se organizada da seguinte forma: no topo estava o rei, que vivia no Grande Zimbabwe, auxiliado por um Conselho de Anciãos, na base da pirâmide estava a Comunidade aldeã, que vivia nos madzimbabwes. Citando PEREIRA (2010: 26)
 A exploração das minas era directamente controlada pelos funcionários do rei. A administração das culturas e caso era feita localmente pelos respetivos anciãos. Os camponeses e mineiros viviam fora das muralhas. 
A ideologia
As cerimónias mágico-religioso constituíam uma arma fundamental do poder, da coesão social e de aparente imobilidade social. O rei e os chefes das linhagens imploravam aos antepassados, para si e o seu povo, as chuvas, a saúde, a protecção para caça e viagens. O chefe-sacerdote detinha uma função que era uma base de poder, pois ligava os anciãos mortos dos vivos. Citando NHAPULO (2017: 63)
Decadência do Zimbabwe 
De acordo com NHAPULO (2017: 64) A decadência desse Estado teve várias causas e não foi um processo simples e linear. 
 A queda deste Reino teve na sua origem factores de índole político-militar, económica, natural e social como veremos em seguida:
Causas político-militares: Em 1505, Portugal implanta em Sofala uma autoridade colonial político-militar; Em 1507, Portugal instaura na Ilha de Moçambique uma autoridade semelhante.
Causa económica: O Rio Save (que atravessava a meio do Estado) começa a secar (estiagem do Save).
Causa social: Agudização de lutas internas pela ânsia do poder e consequente instabilidade social.
 A conjugação desses factores, trouxe no século XV, a desintegração do mesmo Estado.
Segundo PEREIRA (2010:26) não são claras as causas da sua descendência. Aventa-se a hipótese de que as lutas clânicas pelo controlo do comércio a longa distância (entre clã Rozwi, chefiados por Mutota, e o clã Torwa), a estiagem do Save, que dificultou a comunicação com a costa, o aumento demográfico na região do Planalto e a procura de terras férteis e de sal teriam sido as razões fundamentais da sua decadência.
As ruínas do Zimbabwe 
Conforme MUSSA (2008:46), as ruínas do Zimbabwe situam-se perto da actual cidade de Fort Victoria, não longe de Salisbury. O nome original desse Estado é Dzimbabwe, que significa casa de pedra.
Madzimbabwe (plurar de Dzimbabwe) eram lugares onde os velhos discutiam os problemas sérios do Estado com os espíritos dos mortos. Cada clã tinha seu dzimbabwe. O grande Dzimbabwe passou a ser a sede política e espiritual do Império de Mwenemutapa entre os séculos XII e XIII.
 Nesta cidade fortificada vivia o imperador do Estado. Hoje em dia, está cidade encontra-se em ruínas, mas durante os séculos XIV, XV, XVI e XVII foi o centro da vida política, militar, económica e administrativa do Império.
O Estado Mwenemutapa/Monomotapa/Mwanamutapa
Etimologicamente, Mwenemutapa significa chefe das terras conquistadas, pois Mwene significa chefe e mutapa terra conquistada.
Origem 
De acordo com PEREIRA (2010:26) da desintegração do Grande Zimbabwe nascem dois Estados:
· O do Torwa, com capital em Khami, na região do Grande Zimbabwe;
· O de Mwenemutapa, com capital em Dande, entre os rios Mazoe e Luía. Tinha extensão máxima do Rio Zambeze ao Limpopo e do Índico ao deserto Kalahari.
Segundo SERRA (s.d: 34-35) Entre cerca de 1450 e 1550, o Grande Zimbabwe foi abandonado e não são muito claras as suas razões. Na sequência da invasão e conquista do Norte do Planalto Zimbabweano pelos exércitos Mutota, ocorrida por volta de 1440-1450, desenvolveu-se, entre os rios Mazoe e Luía, o centro do novo Estado, chefiado pela dinastia dos Mwenemutapas. O núcleo dirigente do grupo invasor que deu origem a essa dinastia, constitui-se desde o início em aristocracia dominante. Nesse Reino, os Estados vassalos ou satélites (Sedanda, Manica, Barué, Quissanga, Quiteve, Maungwe), além dos outros no interior o circundavam. Os chefes pagavam tributo ao Mwenemutapa reinante e eram confirmados por este quando subiam ao poder.
 Os Mwenemutapas dominavam o Sul do Zambeze até finais do século XVII, Perdendo depois a sua posição em favor da dinastia dos Changamire (foram contra penetração portuguesa).
Conforme COSSA e MATARUCA (s.d:80) Nesse Estado a etnia Macorecore constituía a classe dominante. No desenvolvimento deste Reino foram submetidos os Tonga, matrilineares, e não falantes da língua Shona.
Segundo NHAPULO (2017:65) Este Estado foi formado pelo rei Nyantsimba Mutota entre 1440 e 1450.
A sociedade mutapa era dividida em classes e na economia privilegiou-se o comércio do ouro. Este Estado foi muito rico e cobiçado pelos estrangeiros. A Organização político-administrativa era complexa e deu origem a vários conflitos dinasticos. Com duas dinastias, a Mwenemutapa e Changamire, este Estado durou quase 500 anos até início do séc.XX. Nyantsimba Mutota e mais tarde o seu filho Nyanyau Matope dominam os reinos vizinhos, formando o Império de Mwenemutapa.
As actividades económicas 
A agricultura era a principal base económica, praticavam a pastorícia, a mineração do ouro, o artesanato e o comércio. O comércio a longa distância e a mineração do ouro eram controlados pela aristocracia dominante. Os Shonas-Karanga trocavam o ouro por tecidos de missangas, que com o tempo, ascenderam a categoria de bens de prestígio. Na agricultura cultivavam a mapira, a mexoeira e o naxenim (eleusine), e ao longo dos rios, sobretudo nas zonas costeiras em solos aluvionares cultivava-se o arroz.
A principal forma de exploração económica era a cobrança do tributo. Apud PEREIRA (2010:27)
A Organização política-administrativa 
O poder Central localizava-se na sua capital Dande e estava circundado por Estados vassalos por parentes dos mwenemutapas. Observe o esquema da página seguinte:
 (
Mwenemutapa-
chefe supremo
)
 (
Mazarira, Inhaahanda e Nambuzia-
as 3 principais
 
Mulheres do soberano, com funções importantes na administração.
)
 (
Nove altos-funcionários-
responsáveis pela defesa,
 
Comércio, cerimónias mágico-religiosas, relações Exteriores, festas, mensageiros, guarda do mambo.
)
 (
Mambos-
chefes dos reinos conquistados
)
 (
Fumo ou Encosses-
chefes provinciais
)
 (
Mukuru ou Mwenemusha-
chefes justas
 
Ou das comunidades aldeãs
)
 (
Linhagem-
unidade produtiva de base, constituída por parentes consanguíneos
)
Consoante NHAPULO (2017:67) Nessa organização, o chefe máximo era Mwenemutapa. As 3 mulheres do soberano eram acompanhadas com funcionários do corte-mutumes ou infices (guardas pessoais do rei). Em frente das comunidades mushas, encontravam-se um mukuru ou mwenemusha.
 Osfumos ou encosses para além de administrarem o seu território, eram obrigados em cada ano, a reacender os fogos reais na chama original como símbolo de fidelidade ao soberano mutapa. Controlavam ainda a produção, o processo de mineração, bem como o de pagamento de tributos. O tributo podia ser cobrado em bens ou produtos (agrícolas, peles de Leão e de leopardo, penas de avestruz, caça de pequeno e grande porte…) ou em trabalho.
Os mensageiros ou mussambages eram funcionários do mutapa que tinham a missão de estabelecer a ligação ente a casa real e os chefes territoriais, levando informações para junto do soberano e vice-versa. 
O Mambo era responsável pela defesa, pela paz, relações externas, Comércio e outras actividades.
 O problema das sucessões era todos de instabilidade, de lutas sangrentas e fragmentação dos Estados Vassalos.
A estrutura socioeconómica
A articulação entre a aristocracia dominante e as comunidades aldeãs encarava relações de exploração de homem pelo homem, materializada pelas obrigações e direitos que casa uma das partes tinha para com a outra. As comunidades mushas, sob direcção dos mwenemushas, garantiam com o seu trabalho a manutenção e a reprodução da aristocracia, e está concorriam para o equilíbrio e reprodução social com o desenvolvimento de inúmeras actividades não directamente produtivas. Tal qual afirma PEREIRA (2010:28-29) apud MUSSA (2008:35).
Os reinos vassalos tinham poder administrativo sobre os reinos, mas eram obrigados a prestar contas ao senhor máximo. Igualmente as mushas tinham obrigações para com o soberano que iam desde a cobrança de impostos até a prestação de serviços nas terras no rei (7 dias em cada 30 dias).
Ideologia 
A religião foi um factor integrador fundamental do sistema político mwenemutapa. Proprietários do “saber “, da fecundidade da terra e depositário da ordem mundo, os Mwenemutapas constituíam os antídotos mais eficazes contra desordem. A morte do Mwenemutapa significou o caos Choriros ou crise de Nevinga.
Praticava-se o culto aos espíritos dos antepassados – Os Muzimos.
 Os Muzimos mais respeitados e temidos eram os do rei, especialistas que garantiam a ligação entre os vivos e os mortos chamados Swikiros ou Pondoro/Mondoro.Associados ao poder político, os swikiros eram o suporte das classes dominantes.
Os termos Mulungo e Mwári eram usados para dizer Deus. Mulungo era usado ao sul do planalto Zimbabweano; e o termo Mwári usado nas zonas costeiras, no vale Zimbabwe. Apud PEREIRA (2010:29).
O Estado Marave
 O termo Marave designa uma formação etnolinguística e histórica. Formou-se entre 1200-1400 com a chegada de povos provenientes de Luba do Congo, liderados pelo chefe Chinkole da linhagem Karonga, do clã Phiri. Estes ocupavam a região situada ao norte do Rio Chute e Luangua. Citando COSSA e MATARRUCA (s.d:87).
Consoante NHAPULO e BILA (2006:24) OS Estados Marave começaram a formar-se após a chegada ao Sul do Malawi, de grupos sucessivos de emigrantes. Pensa-se que eram oriundos da região do Luba do Congo e chefiados pelo clã Phiri. Quando os portugueses fundaram a feitoria de Sena no interior, só longo do Rio Zambeze, em 1530,já os Maraves se encontravam definitivamente estabelecidos. As tradições não se referem a uma conquista violenta. Conforme elas, recém chegados adoptaram como estratégia de dominação, o controlo sobre a esfera ideológica. Promovendo casamento entre o chefe Phiri e as mulheres médiuns locais, foram capazes de controlar gradualmente os santuários, introduzindo os espíritos dos seus antepassados, bem como controlar o principal meio de produção: a terra. O monarca do clã Phiri devia casar-se obrigatoriamente com a Mwali (rainha) saído do clã banda. E nesse contexto cabia aos Phiri a direcção política e militar e cabia aos Banda as funções rituais relacionadas com a terra (fertilidade) e a invocação da chuva.
A linhagem Phiri por volta de 1600 desenvolveu conflitos interdinásticos que culminaram com a formação de 4 Estados Satélites do Karonga: Undi, Biwi, Lundu e Kapwiti, destacando-se em Moçambique os seguintes:
· Undi (irmão de Karonga), moveu-se para Oeste fixando-se sobre os povos de língua Cheua, abrangendo o Norte de Tetê e Nsenga, entre os rios Luía e Kapoche;
· Kapwiti e Lundu dominavam a zona de Morrumbala e de Milange;
· Os Caronga dominavam a parte da actual província de Niassa.Apud PEREIRA (2010:32-33)
Organização político-administrativa 
A sua organização político-administrativa era muito complexa.
Tal qual PEREIRA (2010:33) A sociedade Marave era matrilinear. O núcleo matrilenar básico era dominado nele, sendo constituído pela mulher, pelas suas irmãs casadas e solteiras, pelos filhos não casados, pelos filhos das irmãs e pelo marido da mulher, bem como pelos maridos das filhas da mulher. Todos os chefes pertencentes ao Phiri eram considerados irmãos Juniores ou, então, sobrinhos de cada Undi que estava no poder.
O poder era hereditário e a sucessão ao Reino era por via matrilinear, isto é, o poder passava de tia para o sobrinho, filho da irmã (jamais do irmão).
Esquema político-administrativo marave:
	
Undi-chefe supremo
	
Mbili-conselheiros so Undi
	
Mambo-chefe provincial
	
Mwini-Dzico-chefe dos distritos
	
Fumo ou Mwini-Mudzi-chefe da aldeia
Tinham ainda funcionários menores (os mensageiros e a guarda do chefe). A primeira mulher Undi vivia fora da casa do marido (em zonas distantes), onde dominavam todas as esferas político-administrativas da região, permanecia no entanto, como esposa e subordinada política do marido.
As actividades económicas 
Dedicavam-se a agricultura com destaque para produção da mapira, milho, batata-doce, feijão jugo, amendoim, inhame e bananas. Eram usados instrumentos rudimentares.
Consoante MUSSA (2008:57) A criação de gado era componente da vida económica, sobretudo de bovinos, caprinos e ovinos. Na produção agrícola existia uma forte cooperação entre os camponeses. Todo aquele que se encontrava numa situação de aflição convidava os seus vizinhos para ajudarem durante um ou mais dias na sua machamba. A esta atividade designa-se dima. Em compensação fazia-se uma bebida chamada mowa para beberem no fim, como simples estimulante.
 A caça ao elefante, mineração do ouro e o artesanato eram actividades que tinham um papel muito importante como actividades complementares da agricultura. Com o marfim fabricavam objectos de adorno e comercializavam-no através do Porto de Quelimane. Fabricavam a machila (tecido de algodão muito forte), produto têxtil que dominou o comércio do interior para a troca comercial.
Em harmonia com NHAPULO (2017:73) Praticavam ainda a metalurgia para apoiar as actividades agrícolas e domésticas. As enxadas de Cabo curto produzidas eram comercializadas em regiões como a actual província de Nampula, Sofala, Inhambane e outros postos da Costa oriental do Índico.
A estrutura socioeconómica
Segundo NHAPULO (2017:75) A sociedade marave estava dividida entre chefias da administração e os camponeses que cultivavam a terra, criavam o gado, trabalhavam às minhas, caçavam elefantes. Portanto havia uma nítida distinção social com base na riqueza económica de cada um da sociedade.
 Os chefes, nas suas diferentes esferas de poder eram os mais ricos, pois administravam a exploração das produções e o comércio e ainda recebiam tributos.
Tipo de tributos recebidos pelos chefes:
· Regulares: marfim, tabaco, géneros alimentícios, esteiras, panos, trabalho regular nas terras dos chefes e construção de casas;
· Rituais: primícia das colheitas e taxas devidas ao facto do chefe orientar cerimónias religiosas.
Os chefes recebiam ainda taças pela resolução de disputas e taxas de trânsito pelo território - mororo ou chupeta. Os vassalos leais eram retribuídos pelos seus tributos.
O capital mercantil (o rei ter mais riquezas), foi responsável pelas intrigas internas. São exemplos as lutas ente os Karonga e os Lundu e a consequente expansão Nyanja.
A ideologia
Conforme PEREIRA (2010: 35) Antes da chegada dos Phiri-Caronga à região do Estado Marave,as populações autóctones praticavam cultos ligados à fertilidade das terras, a invocação das chuvas e o controlo das cheias. Designados por Chisumpi eram dedicados à veneração de espíritos naturais e o Muali/Muari dedicados a entidades supremas. Cultos estes tinham como eficientes mulheres médiuns locais, designadas Sarina.
Consoante NHAPULO (2017:76) As médiuns espíritas gozavam de um estatuto mais elevado do que os próprios imperadores pois tinham por função aconselhar o soberano sobre todos assuntos do Estado.
 O culto do mlira constituiu um dos mecanismos institucionais para assegurar a coesão social do Estado Karonga. Uma vez por ano, na capital do Estado, os Marave celebravam a veneração ritual de mlira.
Existiam dois filhos provinciais relacionados com a produção de chuva: o setentrional de Makewana e o meridional de Mbona.
Decadência dos Maraves
O declínio dos Marave não foi repentino, foi acontecendo, motivado essencialmente por factores comerciais e sociais. A decadência marave começa em meados do século XVII, mas foi acentuada pela invasão de mercadores no final do século XVIII.
 No século XIX as rotas comerciais marave são substituídas pelas rotas dos Ajaua. E o aparecimento dos Nguni, oriundos do movimento M’fecane a partir de 1835, com a ocupação de terras maraves, acabou por ditar o fim destes Estados.Apud NHAPULO (2017:76)
Penetração Mercantil Asiática e os Estados Moçambicanos (IX-XVI)
PEREIRA apud SOUTO, Neves (1996:111-112) Antes do século XV, o comércio no oceano índico era controlado pelos muçulmanos. No subcontinente asiático as suas actividades eram dominantes e ao longo da Costa de Malabar até baixo Calicut. A principal mercadoria era o ouro e o marfim.
 Nos meados do século XII, comerciantes da Indonésia juntaram-se aos árabes, comerciando com os povos do litoral e trocando os seus produtos orientais por ouro, marfim, pele fe leopardo, carcaça de tartaruga, âmbar cinzento e alguns escravos.
Nos Estados só pretendiam o desenvolvimento do comércio. E por isso tornaram-se os controladores dos pontos mais ricos ou que serviam de escoamento dos produtos do interior. O tráfico intensificou-se em início do século XIII, altura que os comerciantes de Guzurate, Coromondel, Malabar e Bengala, passaram a dominar grande parte das rotas comerciais do Índico, e atingiu seu apogeu no séc.XV, nas vésperas da chegada dos portugueses. O grande centro do comércio dos árabes (Sofala) foi fundado pela dinastia persa dos Sassânidas por volta do século VI. Indicação mais antiga sobre Sofala encontra-se nos relatos de viajantes comerciais árabes (Al-Masudi e Ibn Shahriyar). Os árabes aproveitaram dos ventos monsónicos, pelo facto de possuírem bons conhecimentos náuticos e terem uma situação geográfica privilegiada, os asiáticos aportaram na costa Norte de Moçambique com objectivos de estabelecer relações mercantis.
 O resultado desse contacto é que houve mudanças ao nível político, onde surgem novas unidades políticas de inspiração asiáticas os Xecados (Sancul, Quitangonha e Sangage) e Sultanatos (Angoche).
 No campo social, a introdução de artigos que, pela sua raridade ascendiam a categoria de bens de prestígio, aumentou ainda o nível de diferenciação social.
 A nível económico, o desenvolvimento da actividade comercial contribuiu para a entrada de Moçambique na económica no mundo. 
 No campo religioso, o islamismo representa a grande herança dos povos árabes na região do país.
 No plano cultural, surgem novos hábitos e línguas resultantes da fusão de línguas africanas e árabes. São exemplos o ki-swahili, mwani, o naharra, koti em Angoche. Citando PEREIRA (2010:37-38).
A penetração Mercantil Europeia 
Os Europeus em África procuravam:
· Metais preciosos (ouro e prata);
· Espalhar o cristianismo e civilização ocidental;
· Resolver o seu problema demográfico;
Foi o ouro que atraiu os portugueses à Moçambique, dando início a uma nova etapa histórica de Moçambique- a fase do ouro (1505-1693).
A Presença Portuguesa e o Estado dos Mwenemutapas (1505-1693) -Ciclo do Ouro
 Em harmonia com NHAPULO (2017:86) Quando os portugueses chegaram à Moçambique, 1498, ficaram desde fascinados pela riqueza do ouro do Reino Mwenemutapa. Contudo só em 1505 é que eles se instalaram no nosso território. A presença dos portugueses nesse Estado foi marcada por lutas constantes com os árabes que já cá estavam instalados e também por períodos de acordo e desacordo com os monarcas mwenemutapas. A entrada dos portugueses no Índico foi desastrosa para os árabes.
Segundo PEREIRA (2010:39) O objectivo dos portugueses era controlar o acesso às zonas produtoras do ouro, pois só assim poderiam acabar com a escassez de metais preciosos em Portugal e comprar as especiarias e produtos asiáticos muito apreciados na época.
 A partir de 1530, os portugueses penetraram no Vale do Zambeze: Tete e Sena São fundado em 1530 e Quelimane em 1544. Os portugueses queriam controlar as vias de acesso ao ouro e as zonas produtoras. Encontrando resistência por parte dos Shonas-Carongas, penetraram no território por via da influência ideológica, enviando em 1561, o padre Jesuíta Gonçalo da Silveira para baptizar o Mwenemutapa reinante, bem como os restantes membros da aristocracia local.
 Ao penetrar por via da esfera ideológica, os portugueses pretendiam:
· Monopolizar o comércio do ouro;
· Impedir a acção dos mercadores árabes;
· Influenciar as decisões políticas do imperador em seu benefício próprio; 
· Obrigar os camponeses a desviarem-se da sua principal actividade produtiva para se dedicarem a mineração do ouro.
Apesar de baptizado com o nome de Sebastião, o Mwenemutapa reinante acusou o padre de feitiçaria, condenando-o à morte. Retaliando, os portugueses enviaram em 1571 uma expedição chefiada por Francisco Barreto com o objectivo de conquistar as zonas auríferas e punir e submeter o Mwenemutapa. Esta expedição e outras seguintes não tiveram grandes êxitos devido à resistência oferecida pelos Shonas. Contudo a presença portuguesa era irreversível.
O que acontecia no Império dos mwenemutapas?
A primeira década do século XVII marcou o início de uma nova era no Estado dos Mwenemutapas. A classe dominante encontrava -se envolvida em profundas contradições. Gatsi Lucere, o imperador, sentindo-se impotente para debelar a revolta comandada por Mathuzianye, viu-se obrigado a pedir ajuda aos portugueses (1607).
 Assim, em 1607, a rebelião foi vencida, e Gatsi Lucere, o Mwenemutapa, cedeu as minas do seu Estado aos Portugueses. Entre 1607 e 1627, a presença portuguesa foi-se consolidando, principalmente com o estabelecimento de prazeiros e missionários. 
Com a morte de Gatsi Lucere, subiu ao poder o seu filho Capranzina (1627) que representava uma facção oposta aos portugueses. A inquietação dos Portugueses foi ultrapassada em 1629, quando Mavura, tio de Capranzina, o derrubou com apoio português. Os portugueses baptizaram Mavura (que adoptou o nome de Filipe II) e declarou-se vassalo de Portugal.
 Pelo tratado de 1629, Mavura fez amplas concessões militares, políticas, ideológicas e económicas a Portugal:
· Não exigir aos funcionários e mercadores portugueses a observância das regras protocolares quando recebidos por altos dignitários da corte (descalçar, tirar o chapéu ou algo parecido);
· Não obrigar os mercadores portugueses a pagarem os impostos inerentes à sua actividade (curva);
· Aceitar uma força constituída por 50 soldados na corte;
· Expulsar os mercadores asiáticos do Império; 
· Facilitar o estabelecimento da igreja cristã; 
Em contrapartida com todas essas concessões, os portugueses obtiveram:
· A vassalagem do rei; 
· Alienação das minas de ouro e de prata em seu favor;
· A livre circulação, sem pagamento de tributos;
· A superação do imposto da curva que os portugueses eram obrigados a pagar aos chefes mutapas.
Com este tratado, graves repercussões verificaram-se: o comércio com os Árabes terminou. A exploração dos recursos naturais do território aumentou bastante. Isso foi bem visível na mineração e na procura do Marfim. Apenetração mercantil portuguesa fez com que se operassem mudanças na estrutura social. A população foi desviada da agricultura para o trabalho mineiro, e nesse trabalho mineiro várias mortes verificaram -se.
Os prazos da Coroa em Moçambique 
Consoante NHAPULO (2017:89) Os prazos foram uma unidade política criada pelos portugueses em nosso território. Eram terras arrendadas por marcadores à Coroa Portuguesa, com o intuito de as explorarem economicamente.
 Os prazos da Coroa surgem como propriedades estatais, sujeitas a uma renda anual em ouro e constituíam uma verdadeira estrutura militar do capital mercantil. Estas unidades políticas caracterizavam-se culturalmente e politicamente por assentarem na base de raízes da tradição cultural africana, adaptadas aos interesses administrativos comerciais da época. 
Formação /Origem dos Prazos 
De acordo com NHAPULO (2017:89) O nome prazo vai do conteúdo dos contratos que a Coroa fazia com os seus mercadores. O termo prazo aparece no século XVII quando os portugueses começaram a receber o vice-rei da Índia (em nome do rei de Portugal), por um prazo de tempo (um, dois ou mais vidas ou gerações. Aos recebedores de um prazo chama-se prazeiro. Os prazos remontam ao século XVI e terminam definitivamente só na década de 30 do século XX.
A origem dos prazos pode remontar à penetração portuguesa no Vale do Zambeze, ente Quelimane e Zumbo (actual província de tete), que se verificou desde meados do século XVI, quando, de forma espontânea, homens do Reino aventuraram legal e ilegalmente no comércio. No entanto, só depois de 1618, com a regulamentação da lei sobre concessão de terras, é que a Coroa portuguesa iniciou o processo de reconhecimento dos privilégios e direitos destes primeiros ocupantes portugueses, passando a designá-los Prazos da Coroa.
As autoridades portuguesas de Lisboa, ao instituírem o sistema de prazos, pretendiam implantar a dominação colonial em Moçambique com o incremento do povoamento branco, numa tentativa de ocupar efectivamente os territórios coloniais. Cabia ao vice-rei da Índia a atribuição dos prazos e, posteriormente, os contratos eram confirmados em Lisboa. Podiam ser prazeiros portugueses ou indianos.
Os prazeiros tinham deveres com a Coroa:
· Reger-se pelas leis régias, assim como na administração do seu território, o capitão-mor depende do vice-rei da Índia e zelava pela aplicação desse decreto;
· Expandir a civilização portuguesa e a fé cristã; 
· Proteger os habitantes africanos residentes nos prazos; 
· Pagar o imposto anual (foro), equivalente a 1/10 do rendimento do prazeiro. 
Estrutura Social dos prazos 
	Prazeiro
	A-Chicunda 
(exército de guerreiros)
	Mambos e fumos
 (Aristocracia dominante)
	Comunidade aldeã
 (camponeses)
 A obrigatoriedade da renovação da concessão de 3 em 3 gerações e da transferência por via feminina, em caso de morte dos titulares, enquadrava-se na perspectiva de atrair para Moçambique mulheres portuguesas, para não se por em causa a continuidade da raça Branca com os inevitáveis casamentos de homens brancos com mulheres negras.
Os prazos mais conhecidos do Vale do Zambeze foram: Massango, Massingire, Gorongosa, Makololo, Maganja, Carazimamba, Kanyemba, Makanga e Matakenya.Apud PEREIRA (2010:43) e NHAPULO (2017:91).
NB: Os A-Chicunda eram chefiados por uma sachicunda.
Problemas e Dificuldades nos Prazos 
· A maioria dos prazeiros eram criminosos, opositores políticos do regime, desertores do exército. E a sua maioria estava a cumprir pena de degredo em Moçambique; 
· Os prazeiros eram por natureza contrários aos interesses da Coroa;
· A inferioridade numérica e o isolamento a que os prazos estavam, não permitiram a promoção de acções que pudessem influenciar culturalmente os Africanos; 
· Prazeiros eram pouco controlados legal e fiscalmente: a autonomia dos prazeiros em relação à autoridade portuguesa era, em muitos casos, quase absoluta;
· Os prazeiros por vezes eram mais poderosos que a Coroa: a aliança dos prazeiros com os chefes locais, muitas vezes feitas por casamento com a filha dos chefes locais, tornava-os mais poderosos; havia um poder quase absoluto dos prazeiros em relação à autoridade portuguesa.
Assim, com o tempo, o sistema de prazos, em vez de funcionar tendo em conta os interesses da monarquia portuguesa, passou a funcionar em benefício dos prazeiros que se ocupavam cada vez mais em aumentar os seus bens pessoais, em conquistar e controlar o maior número de terras, aumentando o seu poder político e militar e garantindo a sua sobrevivência. Apud PEREIRA (2010:43) e NHAPULO (2017:90).
A Organização político-administrativa 
Os prazeiros gozavam de uma independência quase total:
· Ficavam os impostos (mussoco, tributo em géneros) a serem pagos pela população camponesa residente dentro dos prazos e seus arredores;
· Condenavam à morte por enforcamento e aplicavam chicotadas e palmatórias a todos os que se recusassem a acatar as suas leis;
· Tinham a sua própria força militar, formada sobretudo por escravos e depois mercenários. Apud PEREIRA (2010:44)
A Organização socioeconómica 
No aspecto económico, a vida do prazeiro era baseada na pilhagem feita durante as incursões armadas, venda de peles, de ouro e de marfim e no comércio de escravos mais tarde
Os escravos encontravam-se divididos em dois grandes grupos com funções distintas:
· Exército (a-chicunda), que garantiam a defesa do prazo, a organização de operações de caça de elefantes e de escravos, a cobrança de impostos e outras;
· Domésticos, que se dedicavam à produção de alimentos, a mineração do ouro e a uma indústria ligeira (barqueiro, pescadores, carpinteiros entre outras). Apud PEREIRA (2010:44)
Base económica 
A base económica deste domínio era o comércio mercantil. Isto é, os prazeiros serviam de bolsas de escoamento de mercadorias (ouro e marfim, numa primeira fase, e escravos, depois) aproveitando as condições naturais do Rio Zambeze para escoar os produtos até à costa litoral do índico.
A cobrança de impostos também era uma base económica dos prazos. O mussoco era o imposto mais conhecido e consistia num pagamento em cereais.
A pilhagem, uma outra base económica, cujo resultado das mesmas frutas em incursões militares era propriedade do prazeiro. Os prazos localizavam-se ao longo do Zambeze e tinham grandes poderes sobre as populações que viviam nos seus domínios. Os prazeiros lideravam exércitos privados, cujos soldados eram recrutados entre escravos domésticos e demais elementos da população a-chicunda. Citando NHAPULO (2017:91).
 Conforme COSSA e MATARUCA (s.d:91) Os prazos tinham como base económica a pilhagem durante incursões, comércio de marfim, ouro, peles e do tráfico de escravos. 
 As mushas constituíam a força de produção de subsistência e os produtos produzidos por estas eram canalizados para aristocracia dominante.
O papel da Coroa Portuguesa
A coroa portuguesa procurou controlar os prazeiros, reformando o sistema. 
· Em 1667, foi publicada a primeira reforma, quase nulos os seus efeitos. Os prazeiros continuavam a não respeitar a Coroa Portuguesa e administrativam a seu bel-prazer esses prazos.
· Em 1760 foi publicada a segunda reforma, impondo algumas regularidades que estes deviam seguir.
Os prazeiros continuavam, porém, a rejeitar as pretensões da Coroa Portuguesa. Caracterizando a instabilidade reinante. Citando PEREIRA (2010:45).
A ideologia dos prazos 
 Os prazeiros aproveitaram, quase integralmente, o aparato ideológico nativo. A utilização do muávi, o culto dos espíritos, a invocação da chuva e outros, eram mecanismo que garantiam a reprodução das relações da reprodução existente. Os prazeiros africanaizaram-se. Tal como sucedia quando morria um mambo, também a de um prazeiro provocava um período de desordem generalizado, os choriros, que se tornavam uma válvula de escape de tensões sociais. Citando PEREIRA (2010:45)
Decadência dos prazos
No início do séc.XIX, os prazos começam a entrar em decadência provocada por várias razões:
· Havia uma fragilidade estrutural institucional latentedevido à ausência de legitimidade do poder dos prazeiros; 
· Deu-se uma crise na produção agrícola pois não havia como responder aos elevados índices de consumo no seio da população; 
· Os prazeiros começaram a cobrar cada vez mais os impostos à população como o mussoco;
· Notou-se a concorrência entre diferentes Estados vizinhos;
· Verificou-se a ineficácia da administração portuguesa e a falta de uma força militar para impor o seu domínio;
· O tráfico de escravos já deveria ter sido extinto, mas os prazos continuavam a praticá-los; os prazeiros tiveram de, por vezes, sacrificar ao tráfico os seus próprios camponeses e os seus escravos-soldados (A-Chicunda);
· Houve secas e fome; 
· Verificaram-se lutas internas desenvolvidas pelas chefaturas locais; 
· As invasões dos nguni, que iniciaram em 1832 na região da Zululândia e se estenderam até ao norte do Zambeze, fizeram com que vários prazos sucumbiram e passassem a integrar o Estado de Gaza. A por volta de 1840, os Nguni tinham ocupado 28 dos 46 prazos e os tributos eram pagos aos nguni daí em diante. Apud NHAPULO (2017:93-94)
Segundo MUSSA (2008:62) Os homicídios e assassinatos eram frequentes nos prazos como forma de intimidar e evitar as revoltas populares sobre o comércio dos escravos. Assim, no século XIX a maioria dos Prazos acabaria por desintegrar-se devido ao comércio de escravos excessivo que chegou a ter como mercadoria os próprios A-Chicunda.
Após decadência dos Prazos foram criados Estados Esclavagistas e militares.
A decadência dos Mwenemutapas 
Foi uma das principais causas da sua decadência, as amplas concessões feitas por Mavura aos Portugueses no tratado de 1629,que atentavam contra o direito consuetudinário Shonaque defendia que a terra não pode ser vendida, nem alienada, o que constituía uma grande falta de respeito para com os espíritos antepassados. Com este tratado, o imperador deixou de representar e executar a vontade dos antepassados, portanto, desmerecedor do cargo que ocupava.
Em 1693, o Mwenemutapa Afosno Nhacunimbite, insatifeito com o procedimento dos portugueses, convidou o chefe do Butua, Changamire Dombo, para dirigir um levantamento armado contra a presença portuguesa.
A revolta do Dombo significou o início desmembramento dos Mwenemutapas, pois as regiões que não eram directamente controladas pelo imperador aproveitaram para conquistar a sua autonomia o que marcou o fim do Ciclo do Ouro e início do Ciclo do Marfim na margem esquerda do Zambeze.
A decadência deste império teve por origem factores político e económico principalmente. De seguida estão os factores que concorreram para a decadência do império: 
· A fixação dos mercadores portugueses na costa moçambicana a partir de 1505 e a ocupação de Sofala, que introduziram profundas transformações na estrutura da sociedade Shona;
· Os conflitos interdinásticos;
· A intervenção dos portugueses nos assuntos internos do estado;
· Desenvolvimento dos prazos no vale do Zambeze;
· A intensa Cristianização prosseguida pelos missionários;
· O nefasto que o capital mercantil e o ciclo do ouro tiveram na sociedade mutapa. Apud PEREIRA (2010:45).
Segundo NHAPULO (2017:94) Os Mwenemutapas entram em decadência a partir do final do século XVII (1693/1698) e terminou no início do século XX em 1917, numa batalha contra Portugal. Aí morre o último Mwenemutapa, Chioko.
Consequências do ciclo do ouro
A presença estrangeira em Moçambique, particularmente a portuguesa trouxe grandes consequências às populações moçambicanas:
· Contribuiu para a erosão da economia natural das mushas-milhares de camponeses passaram a dedicar mais tempo a mineração do ouro, abandonando as principais actividades produtivas;
· Contribuiu para a existência de lutas clânicas e interdinásticas pelo controlo do comércio com os portugueses, e daí desmembramento dos Mwenemutapas;
· Contribui para o surgimento de novas unidades políticas, onde a classe dominante era formada por mercadores portugueses e indianos estabelecidos como proprietários de terras que haviam sido doadas, compradas ou conquistadas-os prazos. Citando PEREIRA (2010:46).
A Presença Portuguesa e o Estado Marave (1693-1750) - o Ciclo do Marfim
De acordo com PEREIRA (2010:47) Com a revolta Changamire Dombo, os portugueses dirigem-se para a margem esquerda do Zambeze, onde já encontravam-se os Maraves. Nesta região, uma das actividades económicas relevantes era a caça ao elefante, cujo comércio do marfim era controlado pelos Phiri-Caronga. Os conflitos entre os Phiri-Caronga eram frequentes mas com a presença portuguesa ganharam uma outra dimensão, que passou-se a valorizar mais o marfim. Contudo a exploração do capital mercantil nos Maraves foi também o que levou a sua decadência nos meados do século XVII.
O papel do capital mercantil nos estados Maraves
Actuação do capital mercantil nos Estados Marave desempenhou um papel que concorreu, numa primeira fase, para o esforço do poder económico dos chefes.
Numa segunda fase, foi parcialmente responsável pela instabilidade político-militar e económica. São exemplos os conflitos que se registaram entre o Caronga e o Lundu, durante o terceiro quartel do século XVI. Onde os Lundu, ocupando uma boa posição geográfica entre o Caronga e a Costa, promoveram acções visando o bloqueio dos contactos comerciais entre Carongas os Portugueses.
A oposição entre os dois estados atingiu níveis que impuseram uma solução militar. Sob pressão dos Caronga, os Lundu viram-se obrigados a encetar um processo de expansão e conquista que culminou com o controlo temporário das principais rotas do marfim na costa norte do país. Esta expansão foi conhecida historicamente por expansão Nyanja ou Zimba.
A expansão abriu uma rota comercial Chire-Mossuril que favorecia os Lundu. Entretanto em 1622, os Caronga fazem aliança militar com os portugueses, conseguindo derrotar os Lundu e passando a controlar a rota comercial. Esta aliança deu alguma margem de manobra a norte do rio Zambeze. Citando PEREIRA (2010:47).
A decadência dos Maraves
Inicia em meados do século XVII, foi intensificada pela penetração de uma geração de mercadores no fim do século XVIII, como Gonçalo Caetano Pereira, o fundador de uma dinastia prazeira e do Estado Macanga, o Estado que acabou por si assenhorar de muitas províncias do Estado Undi. In History of Mozambique, vol 1, p.52.
Conforme Nhapulo (2017:99) As causas da decadência dos Marave estão ligadas a questões internas, ao marfim, a influência portuguesa e os Ajaua:
Questões internas: os vários líderes Marave com os Phiri, os Caronga e os Lundo, ambicionavam ser senhores de grande prestígio. Para tal, usavam os produtos de troca mercantil, os tecidos e as missangas. Contudo para os poderem receber, tinham de ter marfim para trocar. Desta forma, os Marave disputavam as rotas comerciais ao longo do Zambeze, a fim de obterem mais produtos de prestígio. 
Marfim o capital mercantil: a ganância pelo controlo do produto de maior riqueza levou os líderes Marave a lutar entre si, e a abundância de marfim trouxe vários mercadores estrangeiros ao território que acabaram por minar o próprio comércio.
Os portugueses: Gonçalo Caetano Pereira foi um português que casou com uma filha do Undi e que, como dote recebeu terras nesse Estado. Neste contexto ele forma um Estado rival ao Undi, o Macanga.
Ajaua ou Yao: este Estado chamou a si, cada vez mais o comércio do marfim e os Marave perderam importância.
O comércio do marfim e a expansão colonial
O marfim foi o segundo produto a mover a expansão colonial em Moçambique, pois com o esgotamento do ouro levou aos portugueses a verem o marfim como uma alternativa de sucesso para a obtenção de bens preciosos para o seu território.
O ciclo do marfim correspondeu a segunda fase do comércio em Moçambique, que iniciou no final do século XVII à meados do século XVIII, 1750-1760. A terceira fase foi a dos escravos (1750-1836).
O comércio do marfim e dos escravos coexistiram durante um tempo considerável, com os Macua e Yao como protagonistas, embora de formas e em graus diferentes,tendo em conta as suas relações com os comerciantes da costa. No ano de 1785, o comércio do marfim começou a reduzir, a ser provavelmente desviado para os mercados de Kilwa e Zanzibar. 
A produção e o comércio do marfim não eram iguais em todo o território, só havia onde existia elefantes e rinocerontes. A procura e o comércio do marfim ocasionaram confrontos entre os seus intervenientes. Por causa do marfim, os Estados estavam em frequentes desavenças.
A Makuana, região mal definida, também contribuiu para este comércio, sobretudo porque apoiava a procura privada daquele bem em todo o sertão. Apud NHAPULO (2017:100).
As principais zonas do comércio do marfim
Concordando com Nhapulo (2017:100) Este comércio fez-se intensamente a norte do Zambeze nos territórios situados entre o Rio Luangua e Quelimane. Os mercadores vinham de centros comerciais longínquos, mas na maioria de Kilwa e Mombaça.
Segundo Pereira (2010:49) Durante o século XVII, o marfim era a mercadoria mais procurada pelos Europeus e Asiáticos, pois era utilizado para a confecção de bolas de bilhares, bijuterias e artigos necessários para cerimónias nupciais hindus. As principais zonas de comércio do marfim em Moçambique foram:
· Ilha de Moçambique; Mossuril; Chire; Cabeceiras: grande e pequena; O Lago; Niassa; Baia de Maputo ou Delagoa Bay; e Macuana (Uticulo, Cambira e Uocela), com limites pouco precisos. Estendia-se do sul do paralelo da Ilha de Moçambique até ao paralelo de Cabo Delgado. O seu limite norte seria Memba e o sul Angoche. O comércio da Macuana era uma das principais fontes de riqueza dos comerciantes envolvidos. 
Os principais intervenientes no comércio de marfim foram os: comerciantes baneanes, comerciantes e governadores portugueses, chefes Yao, cehfes Phiri-Lundu, chefes Macuas e chefes Nhaca.
A companhia dos Mazanes: o seu papel
Em 1689, o vice-rei da Índia entregou o monopólio comercial entre a Ilha de Moçambique e Diu aos Baneanes, isto é, companhia dos Mazanes. O domínio indiano no comércio de Moçambique teve lugar no conflito Luso-Árabe. A nobreza assediada em Goa queria livrar-se da interferência dos Árabes e Suaílis no comércio do marfim.
Desta forma o capital mercantil passaria obrigatoriamente por Goa, em vez de se manter em mãos Árabes. A formação desta companhia foi decidida pela administração do vice-rei em Goa. Quando se formou esta companhia, os mercadores indianos instalaram-se em Moçambique, passando do Hinterland, o Vale do Zambeze, Inhambane e Maputo. Esta companhia possuía vários previlégios:
· O monopólio de artigos de exportação: marfim, âmbar e a carapaça da tartaruga;
· Privilégios comerciais em termos de fretes e apoio logístico;
· A protecção dos Jesuítas e do vice-rei português da Índia. 
A formação desta companhia reflectia as contradições existentes entre o rei de Portugal e o vice-rei da Índia, onde iam parar todas riquezas provenientes de Moçambique.
Em suma, esta companhia era uma associação de ricos e prósperos comerciantes Baneanes, naturais do Indostão, na Índia. Apud NHAPULO (2017:103).
A separação de Moçambique
No comércio do Marfim, a companhia dos Mazanes, teve uma grande importância. Mas quando os portugueses verificaram que o lucro do marfim estava ser desviado para mãos alheias, resolveram separar Moçambique de Goa, à 19 de Abril de 1752, por decreto régio do rei D. José I, sendo nomeado governador e capitão geral de Moçambique, Rios de Sena e Sofala o D. Francisco de Melo e Castro. Com esta separação, a coroa portuguesa pretendia que Moçambique se subordinasse directamente à Lisboa e não à Goa, como era antes, pois pretendia obter o controlo comercial em Moçambique. Apesar desta separação, o intercâmbio entre Moçambique e Índia manteve-se. Prova disso é a influência que os Baneanes continuaram a exercer ao longo do tempo na sua actividade mercantil. Assim, em 1753, o governador-geral vai procurar acabar com a ingerência de Goa na administração financeira e comercial de Moçambique e, em 1758 os Baneanes são proibidos de possuir qualquer propriedade na Ilha de Moçambique. Apud PEREIRA (2010:50).
O ciclo dos escravos (1750/1760-1836/século XX)
Aspectos gerais
A escravatura, enquanto instituição económica e social, existe desde os tempos mais remotos. O início do tráfico de escravos aconteceu porque havia falta de mão-de-obra nos domínios das potências europeias. 
A escravidão minou as sociedades, no pressuposto de que um homem pudesse decidir o destino de outros semelhantes, como se de uma mercadoria se tratasse. Este ciclo corresponde a parte mais nefasta da penetração mercantil estrangeira. Apud NHAPULO (2017:106).
O início do tráfico de escravos em Moçambique 
Teve maior visibilidade por volta da segunda metade do século XVIII. Nessa altura, o aumento da procura de escravos ultrapassou a procura de ouro e de marfim.
À volta da década 20 do século XVIII, os franceses aumentaram a procura de escravos para as suas plantações de açúcar e café. Os franceses já praticavam a escravatura, mas os seus mercados tradicionais já não correspondiam (Madagáscar e Comoros). Esta procura constituía uma das primeiras manifestações da comercialização de escravos nesta região. Contudo as autoridades portuguesas eram contra esta actividade, pois prejudicava o abastecimento de escravos nos mercados do Brasil. Corresponde à primeira fase do ciclo dos escravos.
Na segunda fase do comércio esclavagista, um número elevado de escravos é levado para funcionar como mão-de-obra barata nas grandes plantações de açúcar, café, cacau e nas minas de ouro e diamantes do Brasil. Os grandes promotores deste comércio eram: mercadores negreiros brasileiros, norte-americanos e centro-americanos.
A terceira fase da escravatura vai desde a promulgação da abolição da escravatura em 1836, até século XX. Foi o período clandestino do tráfico negreiro. Apud NHAPULO (2017:106-107).
Nota: os principais portos de escoamento de escravos, a partir do século XVIII eram Quelimane e Ibo.
Locais de recrutamento e destino dos escravos
Grande número de escravos partia do Vale do Zambeze e da faixa litoral, com grande parte do Hinterland, do rio Ligonha à baia de Memba. As populações Macuas foram as mais utilizadas. Apud NHAPULO (2017:107).
Principais locais de recrutamento de escravos foram: Quelimane, Sena, Sofala, Angoche, Ilha de Moçambique, Ilhas das Quirimbas, Ibo, Inhambane, Maputo.
Os escravos tinham como destino: as ilhas francesas do Índico-Ilhas Mascarenhas, Madagáscar e Reunião; o Golfo Pérsico; Goa; Índia; Amércia-Brasil e Cuba. Presume-se que tinham saído de Moçambique para as Ilhas do Índico, durante o século XVIII e XIX, cerca de 50 mil escravos. Apud PEREIRA (2010:53).
O transporte de escravos era feito de maneira desumana e degradante. Os principais traficantes eram: comerciantes portugueses, brasileiros, franceses e asiáticos; chefes Yao e Afro-Islâmicos; chefes dos Estados militares.
O impacto do comércio de escravos nas sociedades moçambicanas 
	A nível social:
· Acelerou o processo de diferenciação social no seio das comunidades;
· Fez surgir uma classe dominante poderosa e outra dominada paupérrima;
· Abriu caminho para uma gradual subordinação da mulher;
· Crescimento do medo das populações.
A nível económico:
· Diminuição da principal força produtiva (o homem) e consequente despovoamento de enormes áreas do norte do país;
· Removeu os aldeãos do trabalho agrícola, que ocasionou fome, miséria e mortes;
· Aumento da riqueza dos europeus e alguns chefes locais;
· Aumentou a procura de mercadorias importadas (tecidos, armas e bijutarias).
A nível político:
· Cresceram os conflitos intraclânicos pelo controlo hegemónico dos recursos e mercados e os conflitos pelo controlo dos escravos;
· O surgimento de novas unidades políticas que se reestruturaram para dedicar-se a caça ao homem: os Estados militares do Zambeze, os Yaos e os Reinos Afro-Islâmicos da costa.
A nível moral/psicológico:
· Até hoje os Macuas andam com uma faca no bolso;
· Deu-se uma enorme degradação dos valores morais e éticos, na medidaque consideravam um Homem como ser passível de domesticar, utilizar, magoar, aprisionar e vender. 
Apud NHAPULO (2017:110)
Os Estados de Moçambique no século XX 
Os Estados Moçambicanos nessa época eram mais complexos do que os de tempos anteriores. Por um lado, temos uma presença colonial mais vincada, estruturada e empenhada em fazer de Moçambique uma fonte de riqueza.
Por outro lado, vive-se um período económico de exploração do Homem e ainda da descoberta das oleaginosas como matérias-primas para as indústrias europeias. Apud NHAPULO (2017:111), falaremos ainda dos Estados Militares, dos Ajauas dos afro-islâmicos e ainda do Estado de Gaza.
Os Estados Militares do Vale do Zambeze (1750/60-1836)
 Origem:
Foram três os factores que estiveram na origem do processo de formação desses Estados:
· A revolta do Changamire Dombo e os vários ataques aos prazos da margem esquerda do Zambeze;
· O desenvolvimento do tráfico de escravos, que chegou a obrigar alguns prazeiros a sacrificar os camponeses residentes nos seus domínios e os A-Chicunda, o seu braço armado;
· As invasões nguni, que começaram em 1832.
Estes Estados localizavam-se entre o Oceano Índico e o Zumbo, e eram também conhecidos como Estados de Conquista ou Estados Muzungos. Possuíam fortalezas armadas (aringas), grandes exércitos de Chicundas e um grande arsenal de armas modernas. Foi assim que conseguiram proteger as suas fronteiras e consolidar o seu poder.
Estes Estados tinham capacidade militar para limitar a penetração dos portugueses, pois, em conjunto controlavam a maior parte da área do Vale Zambeze, dominavam os cursos de água estratégicos e rodeavam todas as bases militares e administrativas portuguesas situadas no interior.
Os principais Estados Militares foram:
Macanga-Fundado por Gonçalo Caetano Pereira, alcunha (Dombo-Dombo- o terror). Recebeu território como resultado da ajuda prestada à Phiri nos finais XVIII; a partir de 1840, a dinastia dos Caetanos Pereira entra em conflito com os portugueses, no reinado de Pedro Caetano Pereira (Choutama) de Chissaca.
Massingir- Fundado por Paulo Mariano Vaz dos Anjos e Fernando Vaz dos Anjos. O seu poder estendia-se desde a leste do rio chire dominando o território a volta de Morrumbala.
Massango- Fundado por Joaquim da Cruz (Nhaude). Dominavam a zona que ia das montanhas de Lupata à Sul até a confluência dos rios Luenha e Zambeze, isto em 1849. Este Estado viria a ser dominado em 1888, pelos portugueses que contaram com o apoio de Gouveia, senhor da Gorongosa.
Gorongosa- Fundado por Manuel António de Sousa (Gouveia), que foi o mais fiel aliado dos portugueses. Dominava o Sul do Zambeze, entre Sena e a região ocupada pelos nguni.
Maganja da Costa- Fundado por João Bonifácio Alves da Silva (M’passo). Foi uma instituição zambeziana dos A-Chicunda com uma coesão política e uma democracia interna que tornavam o Estado com um poderio militar difícil de submeter. 
Outros Estados Militares: Kanyemba, Mataquenha, Makololo (1858).
Os Estados que não praticavam o comércio de escravos era o Makololo, antigos corredores de Livingstone. Recebiam armas de fogo para combaterem o tráfico de escravos praticados pelos Ajaua e comerciantes árabes. 
Apud PEREIRA (2010:56)
Base económica 
Os Estados Militares viviam essencialmente do comércio de escravos e em menor escala do comércio do Marfim. A cobrança do mussoco, que podia ser em trabalho, foi uma importante fonte económica do poder dos chefes dos Estados. A pilhagem e a incursão aos Estados vizinhos constituíam uma fonte de captação de riqueza.Apud PEREIRA (2010:56)
Estrutura Social e o aparato ideológico
Esquematicamente, estes Estados apresentavam a seguinte estrutura:
	Chefe do Estado Militar
	A-Chicunda
	Chuangas
	Mambos e Fumos
	Comunidade aldeã
Os Chuangas faziam o papel de inspectores administrativos e fiscais, policiando os Mambos e os Fumos. O estatuto dos A-Chicunda sofreu uma ligeira transformação, facilmente ganhavam a sua liberdade. 
Para assegurar a sua reprodução como classe dominante, os senhores promoviam uma cuidadosa política de alianças matrimoniais com os principais Reis locais e utilizavam todo o aparato ideológico necessário. Apud PEREIRA (2010:57)
Conforme NHAPULO (2017:114) Estas Estados funcionavam como repúblicas militares chefiados por capitães A-Chicundas. E havia hereditariedade nas chefias. A maioria destes Estados estabeleceu uma linhagem de sucessão da família dominante. 
Decadência 
No século XIX, quando os indianos começaram a comprar gergelim, amendoim e Coco para as companhias e feitorias de Quelimane, deu-se início ao novo ciclo económico em Moçambique, o ciclo das oleaginosas. Apud NHAPULO (2017:114)
Segundo PEREIRA (2010:58) Por volta de 1830, a maior parte dos Estados Militares estava em decadência ou tinham sido abandonados. O declínio destes, nos meados do século XIX teve como causas:
· A competição entre os prazeiros e entre estes e os povos vizinhos; 
· A ausência de uma força militar e administrativa portuguesa eficiente; 
· As secas e a fome; 
· As invasões nguni, que começaram em 1832 e duraram mais de 20anos; 
· O tráfico de escravos começou a fracassar.
Os Estados Ajaua (Yao)
	Origem
Conforme PEREIRA (2010:59) O nome Yao segundo a tradição local, provém de uma montanha atapetada com capim mas sem árvores, situava-se entre Mwebe e o rio Lucheringo. Em suma, significa um monte sem árvores e sem qualquer tipo de vegetação.
	Localização
De acordo com NHAPULO (2017:115) Desenvolve-se nas zonas Macuas, nas actuais províncias de Nampula, Niassa e Cabo Delgado. O seu centro político era a zona de Mwebe, em Niassa.
Em harmonia com PEREIRA (2010:59) O centro do país Yao encontrava-se a noroeste de Moçambique. É limitado por quatro rios, a saber: a ocidente, pelo rio Lucheringo; a sul, pelo rio Luambala; a oriente, pelo rio Lugenda; a norte, pelo rio Rovuma.
	Base económica
Tal como NHAPULO (2017:116) Antes do ciclo do marfim e dos escravos, os Ajaua eram povos agricultores e o sorghum constituía a sua semente principal, e introduziram no século XIX novas colheitas, como o milho e a mandioca. Esta agricultura era praticada pelas mulheres.
Consoante PEREIRA (2010:60) Praticavam ainda a pesca e a caça (actividades masculinas) e a metalurgia de ferro (destacando-se a clã A-Chisi, que se especializou no fabrico de instrumento de trabalho, utensílios domésticos, armamento e objecto de adorno, entre outras).
A partir do século XIX a sua base económica passou a ser o comércio, sobretudo de escravos que fortaleceu o poder dos chefes.
	Organização política e social
Até meados do século XVII, viviam em pequenas comunidades matrilineares conhecidas por Mbumba, que estavam sob autoridade de um irmão mais velho – o Asyene Mbumba – que simultaneamente era o chefe da aldeia.
As Mbumba agrupavam irmãs casadas e os seus maridos, irmãs solteiras, homens solteiros e crianças. Isto acontecia porque, com o casamento, o homem era obrigado a transferir-se para a povoação da esposa.
As relações de produção e políticas que se estabeleciam entre os membros da Mbumba baseavam-se nas relações de parentesco. O poder de um chefe não se media apenas pela acumulação de riqueza, comércio, mas também pelo número de seguidores que tinham. Ao invés da predominância das acções militares, conquistas e submissões, os chefes Ajaua adoptaram a pratica da poligamia como meio de garantir a coesão e a estabilidade das formações políticas. O chefe Mataca, chegou a contrair matrimónio com 600 mulheres, espalhadas por 8 povoações do seu Estado. Apud PEREIRA (2010:61).
	Ideologia
Conforme PEREIRA (2010:61) A realização de cerimónias mágico-religiosas e a distribuição de amuletos por ocasião da realização de actividades consideradas perigosas como luta, a caça ao escravo eram mecanismos que produziam atitudes e comportamentos favoráveis à manutenção e reprodução das classes dirigentes.
A maior parte dos chefes Ajaua converteram-se ao islamismo, como exemplo o Mataca e Makanjila. Esta Islamização fortaleceu ainda mais o seu poderteocrático, passando a ser denominados e considerados Xeques, elevada posição hierárquica religiosa islâmica.
	Decadência
Para decadência deste Estado contribuíram factores internos e externos, a saber: 
· As lutas pelo controlo das rotas dos escravos entre os Macuas e os Ajaua;
· As invasões Nguni;
· As campanhas de pacificação levadas a cabo por portugueses (destacando-se o papel desempenhado pela companhia do Niassa), britânicos e alemães.
Apud PEREIRA (2010:51)
Os Reinos Afro-Islâmicos da Costa
Segundo PEREIRA (2010:62) Estes reinos são o resultado da chegada dos árabes a Moçambique no século IX, provenientes do golfo pérsico e instalando-se progressivamente na costa moçambicana, concretamente na Ilha de Moçambique e em Quelimane numa primeira fase, e mais tarde, no Vale do Zambeze e planalto do Zimbabwe (século XIII).
Tal qual NHAPULO (2017:118) A partir do século XII, começaram a aparecer os povoamentos comerciais islâmicos na costa oriental africana com destaque para três importantes:
Sancul, na baia Makambo, a sul da Ilha de Moçambique, entre Lumbo e Mongincual;
Sangage, no rio Metomode;
Quitangonha, que ocupava uma área da península de Matibane e o norte da Ilha de Moçambique.
Com a presença portuguesa na baia de Sofala iniciou-se uma nova era que se caracterizou pelo permanente confronto entre estes Estados e os portugueses. A relação entre estes dois povos não foi idêntica nem linear em todos Xecados e Sultanatos, que estavam subordinados aos portugueses. 
Segundo Pereira (2010:62) Os reinos afro-islâmicos eram: o Sultanato de Angoche; o Xecado de Sancul; o Xecado de Quitangonha; o Xecado de Sangage. 
Numa primeira fase, estes reinos dedicavam-se ao comércio de ouro, marfim e peles de leopardo. A partir do século XVIII, quando a procura de escravos ultrapassou o marfim, os reinos afro-islâmicos especializaram-se no comércio de escravos. No século XIX quando medidas abolicionistas foram decretadas por Portugal, estes reinos continuaram a praticar a escravatura, assegurando o comércio clandestino de escravos para Zanzibar, Ilhas Francesas do Índico e o Golfo Pérsico. Estes reinos tinham aspectos em comum, que são: 
· Praticavam o comércio de escravos;
· Praticavam a religião islâmica;
· Tornaram-se muito importantes na região da Makuana;
· Teoricamente encontravam-se subordinados aos portugueses, mas na prática eram autónomos.
Sultanato de Angoche
Segundo a tradição Xiraz, a origem deste sultanato está ligada a fixação em Angoche de refugiados de Quíloa já estabelecidos em Quelimane e na Ilha de Moçambique, anyes da chegada dos portugueses. O seu primeiro sultão foi Xosa-63). Apud PEREIRA (2010:62e NHAPULO (2017:119).
Base económica
De acordo com PEREIRA (2010:63) A principal actividade económica era o comércio de escravos, praticando-se em menor escala o comércio de marfim e do ouro. Angoche transforma-se num importante centro comercial, quando a capital do Estado Mwenemutapa mudou para próximo do rio Zambeze e se abriram novas rotas comerciais seguindo os rios Mazoe e Luenha. Mantinha relações com Melinde, Quíloa, Mombaça e outras regiões. Atingiu o seu maior ponto de prosperidade entre séculos XVIII e XIX, quando se transformou num importante centro de comércio de escravos. 
Estrutura social e aparato ideológico
A sociedade angocheana era fundamentalmente patrilinear. Os filhos de Xosa e a sua esposa Macua, Mwana Moapeta deram origem a quatro linhagens angocheanas: Inhanandare; Inhamilala; Mbilizini e Inhaitide. A linhagem dominante era inicialmente, a do Inhanandare. Durante três gerações, a sucessão do sultanato segui o modelo patrilinear. A situação mudou quando o quarto sultão morreu sem deixar filhos. Sucedeu-lhe a sua irmã Milidi, casada com Inhamilala. Esta morreu sem deixar descendência, o que provocou uma luta pelo poder entre os Inhamiliala e os Inhanandare. Derrotados os Inhanandare, estes foram expulsos de Angoche.
A religião dominante era o islão, que os angocheanos soberam para manter unida e coesa a sociedade angocheana. Apud PEREIRA (2010:63).
Decadência
Conforme PEREIRA (2010:63) São várias as causas que associadas explicam a decadência deste sultanato: 
· Enfraquecimento político ocasionado pela morte do quarto sultão, que não deixou um sucessor masculino;
· As rivalidades internas e as lutas entre linhagens;
· O declínio do comércio de escravos;
· As campanhas de ocupação e de conquista levadas a cabo pelos portugueses a partir de 1885. 
Tal qual NHAPULO (2017:120) Os portugueses só conseguiram dominar totalmente Angoche em 1910, no período de ocupação portuguesa.
Xecado de Sancul
	Origem
Foi formado no século XVI por oriundos da Ilha de Moçambique, gozando de uma favorável posição geográfica entre o Lumbo e o Mongicual.
Base económica
Tinha como principal actividade económica o comércio/tráfico de escravos.
Estrutura social e o aparato ideológico
A sucessão do poder fazia-se por alternância de linhagens, para evitar conflitos, tal situação trouxe uma estabilidade ao Xecado até século XIX. A sua religião dominante era o islamismo.
Decadência
Sancul manteve uma certa lealdade à Coroa portuguesa até 1753, altura em que o Xeque de Sancul é assinado por um comandante português. A partir de então, as relações tornaram-se azedas, o que contribuiu para a sua decadência no fim do século XIX e princípio do século XX. A partir de 1885 Portugal levou a cabo campanhas de conquistas e ocupação, em comprimento das decisões da Conferência de Berlim. Suali Bin Ibrahimo(Marave) tentou resistir mas sem sucesso.
Apud PEREIRA (2010:64)
Xecado de Quitangonha
Formado no século XVI por emigrantes da Ilha de Moçambique, que eram aliados dos portugueses e mantiveram convivência até século XVIII.
Base económica
Foi o comércio de escravos, toda a actividade esclavagista e mantinha relações comerciais com Comores, Zanzibar e Madagáscar.
Estrutura social e aparato ideológico
A sociedade Quitangonha era essencialmente patrilinear e a sucessão era hereditária. O islamismo garantia a unidade e a coesão social da mesma comunidade.
Decadência
Os decretos antiesclavagistas de 1836 e 1842, puseram em risco a principal actividade e fonte de rendimento do Xecado. No âmbito da política colonial de ocupação efectiva, os portugueses submeteram o Xecado e transformaram este Xecado em um posto militar.
Apud PEREIRA (2010:64)
Xecado de Sangage
Parece ter estado sob controlo do sultanato de Angoche desde a sua formação.
Na tentativa de conseguir uma certa autonomia, os seus dirigentes estabeleceram alianças com os portugueses, com dirigentes de outros Estados vizinhos e com mercadores Baneanes da Ilha de Moçambique.
Base económica
Tinha como principal actividade económica o tráfico/comércio de escravos.
Estrutura social e aparato ideológico
A sua sucessão era definida por via matrilinear, o que garantiu o estabelecimento de laços económicos e de parentesco entre um número reduzido de famílias do Xecado. Graças ao apoio dos seus aliados (portugueses), Sangage possuía uma certa independência e prosperidade no comércio de escravos.
Decadência
No prosseguimento da sua campanha de conquista e ocupação, na primeira década do século XX, as terras do Sangage foram ocupadas por portugueses e transformadas num regulado. Houve uma forte resistência dirigida por Mussa-Phiri, sem sucesso e derrotada essa resistência em 1912. 
Apud PEREIRA (2010:65)
O Estado de Gaza
O Estado de Gaza deve o seu nome ao bisavô de Sochangana que se chamou Mangwa Gaza.
Conforme NHAPULO (2017:124) O Estado de Gaza foi um dos maiores Estados da África Austral e foi criada por um povo que fugia ao movimento do M’fecane, os Nguni. Em três gerações, este Estado fortaleceu-se e foi mesmo considerado um dos maiores de África.
Em harmonia com PEREIRA (2010:66) O Estado de Gaza é resultado do M’fecane, que foi o processo de lutas e de transformações políticas, seguidas de grandes migrações de população Nguni para o norte, ocorridas na Zululândia (actual África do Sul), a partir da segunda metade do século XVIII a princípios do século XIX.
Asrazões que explicam este fenómeno foram, entre outras, as seguintes:
· As lutas pelo controlo das rotas comerciais com a baia de Maputo. Era a partir deste ponto que os Nguni estabeleciam o contacto com o mundo exterior, exportando marfim e importando missangas, tecidos, lingotes de latão e armas. Daí os conflitos entre linhagens;
· A crise ecológica ocorrida na região nos finais do século XVIII e princípios do século XIX. Esta crise provocou a estiagem e a fome, a falta de terras e pastagens, o que contribuiu para as lutas pelo seu controlo. As lutas constantes entre linhagens para controlo de recursos fez diminuir e enfraquecer algumas unidades políticas. Por volta de 1770, existiam na Zululândia 20 reinos que disputavam entre si o controlo das rotas comerciais com a baía de Maputo, bem como o domínio de terras férteis e pastagens.
Entre 1810 e 1821, estes reinos ficaram reduzidos a dois: o de Nduandue (chefiado por Zuide); e o de Mtetua (chefiado por Dinguisuaio). Conflitos entre estes dois reinos culminaram com a captura e morte de Dinguisuaio pelas forças leais de Zuide. Tchaka, o Zulo, decide vingar a morte do seu pai adoptivo, persiguindo Zuide e seus amigos até as últimas consequências. Uma parte dos Nduandue derrotados submete-se a Tchaka, e outra foge.
Entre os que fugiram contam-se:
· Zuangedaba, Ngaba Msane e Nguane Maseko, e por algum tempo se fixaram no centro do país.
· Mzilikaze I, que se fixou no território do actual Zimbabwe;
· Sobhuza, fixando-se na Suazilândia;
· Sochangana (Manicusse), que se fixou no sul de Moçambique, onde formou o Estado de Gaza.
O Estado de Gaza, com capital em Chaimite, resultou da conquista do sul de Moçambique por exércitos nguni, chefiados por Sochangana (1821-1858). Tinha como extensão máxima as regiões situadas entre a baía de Maputo e o rio do Zambeze. Com a sua morte em 1858, sucede-lhe o seu filho Maueue, que hostilizava os seus irmãos, em particular Mzila, reinos vizinhos e comerciantes de marfim.
Mzila empossado o novo Inkosi, procura novos aliados, estabelecendo relações com o Natal e a Grã-bretanha. Morre em 1884 e a sucessão do trono é disputada por 3 filhos do Mzila: Mafemane, Mundungawe e Como-Como. Mundungawe leva a melhor e adopta o nome de Ngunguhane( o invencível) que veio a ser o último chefe deste Estado, governou de 1884-1895.
Conforme NHAPULO (2017:127) O Estado de Gaza foi provavelmente fundado em 1821 na zona de Tembe, ao sul de Maputo. Teve um período de expansão e organização que durou de 1821 a 1841/45. Em 1889, a sua capital torna-se Manjacaze.
Organização político-administrativa
Era administrado através de uma política de assimilação adoptada pelos Nguni na qual os elementos da população dominada eram integrados em regimentos Nguni e mais tarde passavam a servidores como funcionários no exército e na administração do território.
Populações do Vale do Limpopo e os Cossa de Magude foram integrados como assimilados em bloco, razão pela qual são até hoje conhecidos como Changanas (súbditos de Sochangane).
No topo da hierarquia estava o rei ou monarca designado Inkosi, com funções políticas, militares, jurídicas, económicas e religiosas.
O império subdividia-se em reinos, a frente dos quais estavam o Hossana, responsável pela cobrança dos tributos, distribuição da terra, resolução de litígios, mobilização de regimentos, entre outros. Auxiliavam o Inkosi.
Os reinos subdividiam-se em províncias dirigidas por um Induna. As províncias subdividiam-se em povoações dirigidas por um Mununusana.
A administração territorial fazia-se através do sistema de casas, designação dada ao modelo de divisão do Estado de Gaza.
Apud NHAPULA (2017:129) e PEREIRA (2010:68)
Estrutura hierárquica do Estado de Gaza
	Império (Inkosi)
	Reinos (Hassana)
	Províncias (Induna)
	Povoações (Mununusana)
A organização socioeconómica
Segundo PEREIRA (2010:69) No topo da hierarquia social estava a alta aristocracia (rei e seus familiares); logo a seguir a media aristocracia (outros Ngunis que não fossem da linhagem real). Estes constituíam a classe dominante aliada aos assimilados. Em baixo estavam as populações dominadas que eram designadas por Tonga. 
Existiam também cativos que trabalhavam nas comunidades domésticas Nguni. 
Actividades económicas
As principais actividades primitivas eram agricultura, onde cultivavam a mapira, mexoeira, naxemim e milho grosso; a caça e a pesca, que eram realizadas pelas populações dominadas, tanto no seu sustento e como pagamento de tributo à classe dominante. Praticavam ainda a pastorícia e o comércio (importação do tecido, artigos de ferro, cobre e presume-se que praticavam em pequena escala a exportação de marfim e escravos). Conheciam também a olaria, a talha em madeira e a metalurgia. É de salientar que o tráfico de escravos nessa altura era proibida, mas alguns traficantes ou comerciantes praticavam de modo ilícito. Apud PEREIRA (2010:69).
Fonte económica do poder dos chefes
PEREIRA (2010:70) Além do pagamento de tributo em género agrícola, as populações denominadas entregavam aos Nguni outros tributos em marfim e em dinheiro, ganhos do trabalho mineiro da África do Sul. Os cativos eram seus domésticos, soldados e mensageiros. Pode-se dizer que eles eram alimentados pela população.
Ideologia
Os cultos e os rituais eram oficiados pelo rei, pois entre os Nguni, o exercício do poder real não estava dissociado dos cerimoniais mágico-religioso. Existiam cultos agrários (Nkwaya); os destinados a dar força aos homens que partiam para guerra (Mbengululu) e os de invocação da chuva.
O Nkwaya era o garante da unidade e da prosperidade do Estado de Gaza. Apud PEREIRA (2010:70).
De acordo com NHAPULO (2017:130) O Ubunkosi constituiu o padrão cultural do Estado de Gaza. Por volta da lua nova do mês de Fevereiro, eram comum a prática de medicinas de guerra e realizações de festas onde se faziam louvores ao rei nos poemas em língua Nguni.
Decadência
A necessidade de ocupação efectiva, determinada pela Conferência de Berlim, facto que levou Portugal a iniciar as campanhas de pacificação no sul de Moçambique a partir de 1895, tendo como alvo principal o Estado de Gaza, pois ameaçava o plano colonial português. As tropas de Gaza sofreram duas importantes derrotas: a de Marracuene e a de Coolela, mas continuaram a resistir sobre o comando de Maguiguane Cossa.
A superioridade bélica dos portugueses e a falta da unidade entre os chefes do sul de Moçambique, contribuiu para a decadência do Estado de Gaza.
Ngungunhane foi preso na madrugada de 28 de Dezembro de 1895 pelo capitão Mouzinho de Albuquerque e deportado para Lisboa e depois para Açores, onde viria a morrer exilado em 1906.
A bravura de Ngungunhane valeu-lhe o cognome de “O leão de Gaza”. 
Apud PEREIRA (2010:70-71) e NHAPULO (2017:131-132)
Conclusão
Pondo termo ao presente trabalho de carácter investigativo pode concluir que, os Estados moçambicanos emergem da diferenciação social causada pelo sedentarismo e acumulação de excedentes. Os elementos constituintes de um estado são: Território, população e governo. Há medida que cada império entrava em decadência, surgia um outro com quase mesmas características para o substituir, mas estas decadências eram causadas pelos conflitos interdinásticos (conflitos entre clãs). Os portugueses em Moçambique trouxeram instabilidades políticas e corrupção entre os chefes dos estados, intensificando a exploração de Homem pelo Homem. Os estados formados a partir do século XIX, eram mais complexos e englobavam uma estrutura diferente dos arcaicos. Contudo estes Estados moçambicanos entraram em extinção com o período da dominação colonial, sobretudo quando na conferência de Berlim (1844-1845) foi estabelecida a ocupação efectiva de África, onde os seus principais pontos estratégicos de ataque eram os Estados. O Estado de Gaza, porventura, último em Moçambique foi um dos mais extensos da África Austral, onde os seus chefes ou imperadores praticavam a poligamia, é o caso concreto do Ngungunhane que teve várias mulheres. 
BibliografiaPEREIRA, José Luís Barbosa, Pré-Universitário-História 12, Longman Moçambique, 1.a Edição, Maputo, 2010.
NHAPULO, Telésfero de Jesus, História 12.a classe, Plural Editores, Maputo, 2017.
COSSA, Hortência e MATARUCA, Simão, Moçambique e a sua História 12.a classe, Diname Editores, s.e, s.l, s.d.
SERRA, Carlos, História de Moçambique: Parte I-Primeiras sociedades sedentárias e impacto dos mercadores, 200/300-1885, vol.1, 2.a ed., Livraria Universitária (UEM), Maputo, 2000.
SOUTO, Amélia Neves de, Guia Bibliográfico para o estudante de História de Moçambique, Maputo, UEM/CEA, 1966.
MUSSA, Carlos, História 12.a classe, 1.a ed., Maputo, 2010.
BILA, Helena das Dores Uaila e NHAPULO, Telésfero de Jesus António, Eu e os outros 5.a classe, 1.a ed., Longman Moçambique, Maputo, 2006. 
Anexos
As consequências do M'fecane
Este fenómeno trouxe alterações sociais e demográficas:
Determinadas zonas Natal ficaram quase desertas e outras ficaram densamente povoadas;
Conduziu a que diversos fragmentos étnicos ficassem juntos numa mesma nação (Basutho);
Fez que o padrão da distribuição da população na África do Sul mudasse radicalmente;
Destruição de unidades políticas pequenas e criação de Estados Militares;
Introdução de novas tácticas de guerra;
Introdução de um serviço militar prolongado;
Desenvolveu-lhes o sentido de entidade e realidade comum e contribuiu para o declínio de alguns Estados como o Marave e Yao.
O termo Changana
O nome Sochangana deu origem ao termo Changana, inicialmente utilizado para designar os nacionais de um Estado Incomati ao Zambeze sem distinção da sua origem étnica. E depois, no tempo colonial, um grupo étnico evidenciado por influência nguni.
	Até cerca de 1950-1960, na Beira, toda gente com orelhas furadas, que incluía os Ndaus de Tete, era ainda conhecida como changana. 
Apêndices:
	1645
	Primeira tentativa do tráfico de escravos de Moçambique ao Atlântico pela rota do Cabo.
	1770-1850
	O tráfico de escravos constitui a base económica da burguesia mercantil local, formada por portugueses e euro-asiáticos, à mistura com alguns africanos.
	1804
	Abolição do tráfico de escravos na Dinamarca.
	1807
	Abolição do tráfico de escravos na Grã-Bretanha.
	1808
	Abolição do tráfico de escravos nos EUA.
	1835
	10 de Dezembro- Sá da Bandeira, primeiro-ministro português, promulga abolicao do trafico nos domínios portugueses.
	1854
	Portugal emancipava os escravos de Moçambique e criava uma nova categoria: os libertos.
	1869
	25 de Fevereiro- Sá da Bandeira apresenta ao rei o projecto para abolição total e definitiva da escravidão.
	1895
	Prisão do Ngungunhane e posterior exilação.
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