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GESTÃO ESTRATÉGICA E INTELIGÊNCIA NA SEGURANÇA PRIVADA AULA 5 Prof. Sivanei Gomes 2 CONVERSA INICIAL A rota de aprendizagem da quarta aula da disciplina Inteligência na Segurança Privada terá como assuntos principais de estudo a proteção do conhecimento (definição de contrainteligência, conceitos básicos e classificação de documentos sigilosos); a segurança orgânica (segurança de pessoal e instalações), seu material, operações, comunicações, telemática e informática; a segurança ativa (SEGAT); e a segurança de assuntos internos (SAI). TEMA 1 – PROTEÇÃO DO CONHECIMENTO Quando falamos em proteção na Atividade de Inteligência, estamos tratando do ramo da atividade de Inteligência voltado para tal fim. Tal tema vem definido no art. 3º do Decreto n. 4.376, de 13 de setembro de 2002, nos seguintes termos: Contra Inteligência é a atividade que objetiva prevenir, detectar, obstruir e neutralizar a inteligência adversa e ações de qualquer natureza que constituam ameaça à salvaguarda de dados, informações, e conhecimentos de interesse da sociedade e do Estado, bem como das áreas e dos meios que os retenham ou em que transitem. Na mesma linha, a Doutrina Nacional de Inteligência de Segurança Pública (DNISP), em sua quarta edição, atualizada em 2014, também define contrainteligência de segurança pública, nos seguintes termos: É o ramo da Atividade de Inteligência de Segurança Pública que se destina a proteger a atividade de inteligência e a instituição a que pertence, mediante a produção de conhecimento e implementação de ações voltadas à salvaguarda de dos e conhecimentos sigilosos, além da identificação e neutralização das ações adversas de qualquer natureza. Urge frisar ainda que ao tratarmos do tema contrainteligência, alguns conceitos básicos devem ser apontados para melhor compreensão do assunto: Responsabilidade: Obrigação legal, individual e coletiva, em relação à preservação da segurança. Por esse motivo, a informação deve ser preservada por quem a detém, evitando sua divulgação e manipulação por pessoas não autorizadas ao serviço. Acesso: É a possibilidade e/ou oportunidade de uma pessoa obter dados ou conhecimentos sigilosos. Esse acesso pode ser dado por meio de autorização oficial emanada de autoridade competente da AI, por meio de 3 credenciamento, ou por meio de superação das medidas de segurança empregadas na salvaguarda dos assuntos sigilosos. Comprometimento: Perda da segurança resultante do acesso não autorizado a dados, conhecimentos ou documentos sigilosos provocados por fatores humanos, naturais e acidentais que ocasionam falhas nas medidas de segurança empregadas para a salvaguarda dos documentos sigilosos. Vazamento: É a divulgação não autorizada de dados ou conhecimentos sigilosos. Credenciamento: É a autorização concedida pela autoridade competente da AI, que credencia determinada pessoa ao acesso a dados e/ou conhecimentos sigilosos e a áreas ou instalações, nas quais os documentos de inteligência são salvaguardados ou produzidos. Classificação: Atribuição, por parte da autoridade competente, de grau de sigilo do dado, informação, documento material, área ou instalação. A autoridade competente e o grau de sigilo são regulamentados pela Lei n. 12.527/2011. Podemos destacar que, para a contrainteligência, ameaça deve ser entendida como atores (pessoas) que, agindo por alguma motivação, possam executar ações que se contrapõem aos interesses da empresa e fatos (eventos) capazes de causar incidentes, que por meio da exploração de vulnerabilidades podem gerar impactos ou consequências negativas sobre os ativos críticos da empresa. Apenas a título de exemplo, seguem alguns problemas que podem surgir no exercício da atividade de segurança privada, a respeito dos quais cabe à Contrainteligência atuar: Vazamento de conhecimentos estratégicos; Espionagem industrial; Furto e/ou roubos de materiais críticos; Ataque a funcionários que desempenham atividades de risco, como, por exemplo, transporte de valores e escoltas; Sequestro e extorsão de funcionários; Acidentes em instrução e no serviço; Infiltração de membros do crime organizado nos quadros da empresa; 4 Cooptação de funcionários pelo crime organizado; Relacionamento de funcionários com membros do crime organizado; Falhas no serviço das quais possam decorrer processos judiciais. TEMA 2 – SEGURANÇA ORGÂNICA (SEGOR) A atividade de Contrainteligência, como ramo da Atividade de Inteligência, divide-se em três vertentes, a saber: Segurança Orgânica, Segurança Ativa e Segurança de Assuntos Internos. Neste tópico trataremos da Segurança Orgânica, que é o conjunto de medidas preventivas integradas, destinadas a proteger o pessoal, a documentação, as instalações, o material, as comunicações, a telemática, a informática e as operações, visando garantir o funcionamento da instituição e prevenir e obstruir as ações adversas de qualquer natureza. Destacando inicialmente a segurança do pessoal, trata-se do conjunto de medidas e procedimentos objetivamente voltados para os recursos humanos, as pessoas da organização, no sentido de assegurar comportamentos adequados à salvaguarda do conhecimento e/ou dado sigiloso. A segurança de pessoal abrangerá, ainda, medidas de controle e proteção física dos agentes detentores de conhecimentos e dados sigilosos empregados em missões, operações ou ações de inteligência, que, em função da natureza de suas funções, requeiram tais medidas. São três as medidas adotadas com a finalidade de prevenir e obstruir as ações de Recrutamento, Infiltração e Entrevista, a saber: 1. Segurança no processo seletivo: tais medidas visam dificultar as ações adversas de infiltração em órgãos que tratam de assuntos sigilosos e a admissão de indivíduos com características e antecedentes pessoais que possam levá-los a causar comprometimento das atividades do AI. 2. Segurança no desempenho das funções: são medidas contínuas desde a admissão até o desligamento do agente. As medidas de segurança nesse processo visam efetivar o processo de credenciamento, proceder à educação de segurança e confirmar características pessoais exigidas, a saber: Credenciamento para a função: atendidas as exigências para o desempenho das funções no OI, o agente ou analista receberá a 5 credencial de segurança, estabelecendo o grau de sigilo a que poderá ter acesso o credenciado. Educação de Segurança: processo de educação aos novos servidores do OI, por meio do qual se busca transmitir todos os procedimentos de segurança que deverão ser tomados na AI. São quatro os processos básicos do processo de educação de segurança: 1. Orientação Inicial: apresentação das Medidas de Segurança e as penalidades para o seu descumprimento. Busca-se criar uma mentalidade de segurança. 2. Orientação Específica: apresentação das medidas específicas de segurança às quais foi credenciado o servidor. 3. Orientação Periódica: medida que visa reavivar nos servidores a consciência quanto à importância de medidas de segurança. 4. Sinalização de Advertência: emprego de cartazes, adesivos e outros meios visuais para motivar a consciência quanto à importância de medidas de segurança. 3. Segurança no desligamento: Inicialmente, visa tomar medidas para levantar indícios de vulnerabilidades de segurança e, posteriormente, verificar se o ex-servidor mantém um comportamento adequado e guarda o sigilo quanto aos conhecimentos e/ou dados sobre os quais detém conhecimento.Nessa fase, duas providências são importantes: Entrevista: percepção e esclarecimento de todas as dúvidas do servidor em relação às medidas de segurança no desligamento e motivá-lo a manter o sigilo daquilo sobre que tomou conhecimento no OI. Controle após o desligamento: acompanhamento após o desligamento, de acordo com as credenciais de segurança do comportamento do ex-servidor. TEMA 3 – SEGURANÇA ORGÂNICA – 2ª PARTE 3.1 Segurança da informação na documentação 6 A segurança da informação na documentação direciona-se à proteção dos documentos sigilosos da empresa e tem como meta evitar vazamentos. Seguem abaixo exemplos de medidas que se prestam à segurança da informação na documentação: A edição e o cumprimento de instruções normativas que regulamentam o processo de produção, a classificação, a difusão e a custódia de conhecimentos sensíveis. A separação, o tratamento e a destruição do lixo classificado. A normatização e o controle de cópias de documentos classificados. O planejamento da gestão documental. 3.2 Segurança nos meios de comunicação e Tecnologia da Informação A segurança da informação nos meios de comunicação e TI objetiva impedir a interceptação do fluxo de dados durante sua transmissão, bem como preservar a integridade e o funcionamento dos sistemas de TI, e a integridade dos conhecimentos armazenados contra tentativas de acesso não autorizado, mediante a execução de algumas medidas defensivas, como por exemplo: Definição de perfis e controles de acesso; Monitoramento do tráfego de dados em sistemas de TI da empresa; Rotinas de backup; Utilização obrigatória de senhas e proteção de telas; Realização de testes de intrusão para verificar eventuais vulnerabilidades na rede e/ou sistemas; Utilização de criptografia; Compartimentação de diretórios e pastas de trabalho; Lacre de gabinetes; Evitar utilização de redes sem fio; Monitoramento (CFTV) dos locais onde estão hospedados os servidores da empresa; Recusar a utilização de computadores com gravadores de mídia, slots USB ou similares; Regramento e disciplina na utilização de telefone, fax e computador. TEMA 4 – SEGURANÇA ATIVA (SEGAT) 7 A Segurança Ativa constitui-se como o conjunto de medidas proativas (ofensivas) executadas pela Contrainteligência com a finalidade de detectar, avaliar e neutralizar ações adversas que se contraponham aos interesses da empresa. Ressalta-se novamente que o trabalho da Contrainteligência deve ir muito além da simples efetivação de medidas meramente defensivas (preventivas), competindo-lhe, também, o planejamento e a execução de ações especializadas de contraespionagem empresarial, contrapropaganda e contrassabotagem empresarial, que nada mais são do que operações de inteligência planejadas e executadas para proteger ativos estratégicos tangíveis e intangíveis da empresa. A contraespionagem empresarial deve ser pensada e implementada com objetivo detectar, avaliar e neutralizar ações adversas que pretendam ter acesso a pessoas, dados e conhecimentos sigilosos relacionados às atividades de segurança privada da empresa, em seus diferentes níveis. A contrapropaganda tem como finalidade detectar, avaliar e neutralizar a propaganda adversa, ou seja, aquela veiculada de forma maliciosa com a finalidade de influenciar ou provocar opiniões, emoções e comportamentos negativos do público ou funcionários em relação à empresa. A contrassabotagem empresarial, por sua vez, deve direcionar esforços para detectar, avaliar e neutralizar ações adversas de sabotagem, isto é, ações executadas sobre pessoas, documentos, materiais, equipamentos e instalações com a intenção de interromper o funcionamento das atividades de segurança privada desenvolvidas pela empresa. As ações de espionagem, propaganda adversa e sabotagem são silenciosas e dissimuladas. Além dos efeitos materiais indesejados, geram, indiretamente, efeitos psicológicos negativos que podem interferir significativamente na continuidade dos negócios. Assim, qualquer situação que fuja da normalidade ou que pareça um mero acidente de segurança deve ser investigada a fundo pela contrainteligência. TEMA 5 – SEGURANÇA DE ASSUNTOS INTERNOS Segurança de Assuntos Internos é o conjunto de medidas destinadas à produção de conhecimento que visam assessorar as ações de correção das instituições de segurança pública ou da iniciativa privada. 8 Trata-se de olhar para o interior da instituição ou empresa e apontar os pontos que precisam de ajustes ou correções (pontos fracos, correção de rumos, melhora da qualidade do serviço prestado pela instituição à sociedade, etc.). NA PRÁTICA Num mundo globalizado e com o uso cada vez mais frequente das novas tecnologias, em especial a internet, por onde transitam milhares de informações, é fato que na Atividade de Inteligência, em se tratando de assuntos sensíveis e classificados, caso ocorra algum comprometimento na segurança (infiltração, por exemplo), o conhecimento sensível pode ser acessado por pessoas não autorizadas e mal-intencionadas, colocando em risco a segurança do sistema e podendo trazer sérios prejuízos para o órgão e até para a sociedade e o Estado, dependendo da sensibilidade do conhecimento vazado. Assim, temos na Inteligência e Contrainteligência, que são ramos do mesmo tronco disciplinados em leis e decretos, um sistema organizado, formando uma grande comunidade que propicia um fluxo dinâmico e seguro na troca de dados e conhecimentos, via canal técnico, atendendo ao princípio da oportunidade entre os mais variados níveis no âmbito estatal. Não poderíamos aplicar os conhecimentos de Contrainteligência também à iniciativa privada? Será que a fórmula de um novo produto ou de uma nova tecnologia não podem despertar o interesse do(s) concorrente(s), que pode(m) se valer de todos os meios para ter acesso a esse conhecimento, por exemplo, com a infiltração de pessoa para tal fim? Não pode ocorrer espionagem industrial ou sabotagem numa linha produção ou de montagem? FINALIZANDO Nesta quinta aula buscamos trazer aos alunos o tema proteção do conhecimento, que é o ramo da atividade de inteligência denominado Contrainteligência, a qual se divide em três vertentes: a Segurança Orgânica, que abarca a segurança de pessoal, material, documentos, instalações, comunicações, operações, informática e telemática; a Segurança Ativa (SEGAT) que é o conjunto de medidas ofensivas que visam detectar, identificar, avaliar e neutralizar as ações adversas de elementos ou grupos de qualquer natureza dirigidas contra a sociedade e o Estado; e a Segurança de Assuntos Internos, 9 que se volta ao interior da instituição ou empresa, visando orientar as medidas internas de correção. 10 REFERÊNCIAS BRASIL. Casa Civil. Subchefia para Assuntos Jurídicos. Decreto n. 4.376, de 13 de setembro de 2002. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 16 set. 2009. ______. Lei n. 9.883, de 7 de dezembro de 1999. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 8 dez. 1999. BRASIL. Ministério da Justiça e Segurança Pública. Secretaria Nacional de Segurança Pública. Portaria n. 2, de 12 de janeiro de 2016. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 25 jan. 2016. ______. Curso de Introdução à Atividade de Inteligência: 2015. Brasília, 2015. BRASIL. Ministério da Justiça e Segurança Pública. Secretaria Nacional de Segurança Pública. Coordenação Geral de Inteligência. Doutrina Nacional de Inteligência de Segurança Pública. 4. ed. Brasília, 2014. ROCKEMBACH, S. J. Fundamentos Doutrináriosda Inteligência na Segurança Privada, 2017.