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Universidade Federal da Fronteira Sul 
Curso de Pedagogia 5ª fase
Disciplina: Alfabetização: teoria e prática II
Docente: Maria Lucia Marocco Maraschin 
Discente: Jéssica Carla Fonseca Coutinho
RESENHA 
O texto na sala de aula
João Wanderley Geraldi
GERALDI, J. W. et al. (orgs.). O texto na sala de aula. 5. ed. São Paulo: Ática, 2011.
O organizador do livro e autor, João W. Geraldi, é um renomado professor doutor do Departamento de linguística da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e junto com ele mais sete autores conceituados na área, especialistas em atividades com texto e que trabalham na USP, Unicamp e Universidade Federal de Sergipe (Almeida, Leite, Osakabe, Possetti, Silva, Fonseca e Britto).
O livro é uma coleção de doze artigos que trazem uma proposta para a formação de professores dos cursos de Letras, Pedagogia e Linguística, publicado pela Editora Ática uma das editoras líderes no setor de livros escolares no Brasil, com 136 páginas, está organizado em quatro tópicos: Fundamentos, Práticas de sala de aula, Sobre a leitura na escola e Sobre a produção de textos na escola. Sendo presente nesta obra aspectos pedagógicos e sociais do Português a partir da experiência em sala de aula. 
A parte do livro, intitulada “Fundamentos” apresenta o enfoque teórico subdividido em seis seções. Cada seção procura explicitar questões relativas ao ensino de língua materna e seus respectivos direcionamentos. Em “Ensinar português” de Milton José de Almeida, inicia o artigo expondo um diálogo bem humorado sobre o ensino do Português e as variedades linguísticas, além de levantar questionamentos sobre a desigualdade social em relação à fala da sociedade brasileira. 
Lígia Chiappini de Moraes Leite em “Gramática e literatura: desencontros e esperanças” questiona os motivos da dicotomia língua/literatura nas aulas de Português, e na intenção de superar essa dicotomia a autora esclarece as concepções de literatura e linguagem.
O professor Haquira Osakabe em seu artigo “Ensino de gramática e ensino de literatura” aborda inicialmente uma reflexão sobre o lugar do sujeito do discurso nas aulas de Português e o lugar da obra literária dentro das práticas de constituição desse sujeito, a partir do texto da autora anterior. Ele propõe o ensino de literatura como uma alternativa enriquecedora das experiências mais comuns do aluno, ou seja, a literatura teria um papel formador na vida do aluno ao invés de apenas informativo. 
Em “Sobre o ensino de português na escola” o autor Sírio Possenti esclarece pontos importantes sobre o ensino do português padrão, as variedades linguísticas, e principalmente o papel desempenhado pela gramática na escola. 
Já o autor João W. Geraldi faz algumas considerações sobre a linguagem, as variedades linguísticas e o ensino de língua e metalinguagem, em “Considerações de linguagem e ensino de português”. Sírio Possenti inicia seu artigo “Gramática e politica” com algumas concepções de gramática e língua e uma reflexão sobre as variedades linguísticas e suas mudanças. Além disso, ele levanta a questão do poder das gramáticas, ou seja, elas podem ser excludentes com relação à fala, a escrita literária e outros textos que no seguem o uso correto da linguagem.
O artigo “Unidades básicas do ensino de Português”, compõe a segunda parte do livro intitulada “Práticas de Sala de Aula”, no qual Geraldi traz sugestões de atividades práticas, baseadas na concepção interacionista de linguagem, como subsídios para o professor. As sugestões propostas referem-se à prática da leitura e produção de textos, em que o autor defende a leitura como fonte de prazer desvinculada das cobranças e avaliações e aos textos produzidos em sala de aula procura dar outro destino que não seja simplesmente a correção do professor e depois o cesto de lixo. Quanto à análise linguística, João Geraldi recomenda que seja trabalhada nos textos produzidos pelos próprios alunos, pois assim ocorre a autocorreção desses textos, fazendo com que os alunos se envolvam no processo. As suas propostas são direcionadas para o ensino fundamental de 5ª a 8ª série.
A terceira parte do livro, “Sobre a leitura na escola”, a professora Lilian Lopes Martin da Silva em “Às vezes ela mandava ler dois ou três livros por ano” levanta a questão da seleção dos livros para a prática da leitura em sala de aula, quais os critérios utilizados pelo professor nessa escolha, e principalmente por que sempre os selecionados para a leitura são os clássicos e não os outros.
Em seu artigo “Prática da Leitura na Escola”, Geraldi procura aprofundar um pouco mais a questão da prática de leitura, considerando-a como um processo de interlocução entre leitor e autor mediado pelo texto. O professor aborda também as leituras possíveis de se fazer num texto: a leitura como busca de informações, a leitura como estudo do texto, a leitura do texto como pretexto e a leitura como fruição do texto. 
Os professores Maria Nilma G. da Fonseca e João W. Geraldi em “O circuito do livro e a escola”, a partir dos resultados do trabalho desenvolvido por um grupo de professores de Aracaju em 1983, afirmam que se deve devolver a escola o que se excluiu dela ao longo dos anos com as ditas práticas pedagógicas: o prazer. Além disso, defendem que a leitura realizada pelos alunos seja inicialmente quantitativa, sem qualquer preocupação com a avalição, pois é fundamental desenvolver no aluno o prazer pela leitura, pois assim a quantidade de leituras acaba gerando qualidade.
A última parte do livro, “Sobre a produção de textos na escola” é iniciado pelo artigo “Em Terra de Surdos-mudos”, em que Luiz Percival Leme Britto faz uma reflexão sobre as condições de produção de textos escolares. Ele levanta a questão: para que tem servido o ensino de Português, se o estudante não aprende o domínio da língua escrita? Na situação escolar, o aluno é obrigado a escrever dentro de padrões previamente estabelecidos, além disso, o seu texto será julgado, avaliado. Sendo que o professor é o único destinatário do texto, e consciente disso, o aluno escreve segundo o gosto do professor.
João Geraldi inicia o último artigo da coletânea “Escrita, uso da escrita e avalição” fazendo algumas considerações sobre o fato do aluno escrever apenas para atender os interesses de outros (professores, instituição, etc.) deixando assim de ser o verdadeiro sujeito do seu discurso. O autor atenta ainda, em seu texto, para a questão de como avaliar redações, para que o professor tome o cuidado de não reprovar o autor do texto e aprovar o “autor” da redação. 
O texto na sala de aula trata-se de um livro claro e objetivo, em que fornece subsídios ao ensino aprendizagem de língua materna e apresenta sugestões didáticas para abordagem de um ensino interativo, visando formação de indivíduos capazes de desenvolver sua criticidade e atuar como leitores e produtores de textos, independentes e participativos na sociedade. Uma obra essencial para a formação de um educador, pois os autores discutem a atuação docente e oferece-nos uma reflexão sobre os rumos do ensino de língua portuguesa.

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