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PRINCIPIOS DA FORMAÇÃO DA IMAGEM EM RX UNIFAE – 2019 LPI RADIO – IMAGEM PROF. NILO DAVID PARO I. INTRODUÇÃO Raio X é a emissão eletromagnética de natureza semelhante à luz visível, descoberta em 1895 por Wilhelm Conrad Röntgen. Recebeu este nome por ser um tipo de radiação desconhecido na época. A aplicação para a visualização do interior do corpo humano foi reconhecida quase que imediatamente e é, até hoje, um dos meios mais usados para aquisição de imagens médicas. II. DEFINIÇÃO, PRODUÇÃO DE RAIO X, IMAGENS E MEIOS DE REGISTRO Raio X é um exame de diagnóstico por imagem que usa radiação ionizante para produzir imagens internas de diversas partes do corpo. Ele funciona como uma fotografia que mostra órgãos, ossos, músculos, vasos sanguíneos e outras estruturas. Primeiro, o paciente é orientado a posicionar a área do corpo a ser examinada sobre um suporte do aparelho de radiografia, embaixo de uma abertura por onde sairão os raios. Quando acionado, o aparelho estimula o conteúdo radioativo que se encontra dentro dele, irradiando partículas que saem pela abertura e passam pelo corpo do paciente. Então, os raios se chocam contra uma chapa que está sob o paciente, feita de material sensível à radiação. Assim, elas são registradas. Essas imagens são semelhantes aos negativos de uma fotografia, ou seja, aparecem em preto, branco e em tonalidades de cinza. A cor das estruturas depende de fatores como sua densidade, pois a radiação atravessa os tecidos humanos de formas diferentes. Enquanto tecidos mais densos absorvem mais raios X, os menos densos atuam em sentido oposto. Quando os raios chegam com mais intensidade à chapa, queimam o material fotossensível, tornando-o escuro. Nas áreas em que houver muita absorção da radiação, ela se chocará com a chapa de forma menos intensa, por isso, as imagens terão coloração clara. Ou seja, partes mais duras e densas, como ossos, aparecem brancas nas imagens de radiografia. Já as partes moles, como gordura e vísceras, aparecem mais escuras. III. QUALIDADE DA IMAGEM A qualidade das imagens radiográficas refere-se à quão fielmente a estrutura anatômica examinada é mostrada na radiografia. Para fazer um diagnóstico acurado, o radiologista necessita de uma imagem de alta qualidade. Apesar de não haver uma maneira precisa de avaliar essa qualidade, existem algumas características básicas importantes para sua descrição: -Densidade, que se refere à luminosidade da imagem, ou seja, ao seu enegrecimento global; - Contraste, que é a diferença de densidade entre duas regiões adjacentes; - Latitude, que é a habilidade de mostrar vários tons de cinza; - Resolução espacial, que é a habilidade de mostrar detalhes finos; - Nitidez, que se refere a quão borrada são mostradas as bordas das estruturas; - Distorção, é a deformação do tamanho ou do formato do objeto; - Ruído, que se refere à variação randômica da densidade de fundo. A densidade refere-se ao grau de enegrecimento global da imagem radiográfica após ela ser processada. Dependendo desse grau, pode ser mais difícil analisar a imagem tanto na tela do computador, quanto na frente de um negatoscópio. Alguns fatores relacionados à sensibilidade e à exposição do detector (digital ou filme) podem afetar a densidade da imagem. Dos fatores relacionados à exposição do detector, pode-se citar as diferentes espessuras e densidades das estruturas do paciente a serem imageadas, a quantidade de radiação emitida durante a exposição, o tamanho do campo e a distância focal. No caso da quantidade de radiação emitida pelo tubo de raios X, ela está relacionada à corrente aplicada no filamento. Assim, se a corrente for duplicada, tanto a quantidade de raios X quanto a densidade serão duplicadas. A distância entre o foco e o detector também afeta a densidade da imagem, já que a intensidade do feixe de raios X diminui com o quadrado da distância. Com isso, quanto mais distante estiver o detector do tubo de raios X, menor será a densidade da imagem. Além disso, as características dos receptores também influenciam na densidade. No caso de filmes, o tipo, a sensibilidade e o processamento podem afetar o grau de enegrecimento da imagem. Já no caso de detectores digitais, o material e a espessura afetam a densidade de alguma maneira. Outras duas características importantes da imagem são contraste e latitude. Essas características são opostas. Se o contraste aumenta, a latitude diminui, e vice-versa. O contraste é definido como a diferença na densidade radiográfica entre duas regiões adjacentes da imagem. Contraste alto significa que há pouca quantidade de tons de cinzas na imagem entre as cores branca e preta. Por outro lado, baixo contraste significa que há muitos tons de cinza entre o branco e o preto. Portanto, uma imagem com alta latitude tem uma aparência acinzentada, com pouca diferença de tom entre estruturas adjacentes. Já uma imagem com alto contraste é quase preta e branca, tornando mais visíveis detalhes anatômicos. O contraste também depende da exposição e das características do receptor. As diferentes espessuras e densidades das estruturas anatômicas do paciente, a energia dos raios X controlada pela voltagem aplicada no tubo durante a produção da radiação, a filtragem do feixe de raios X e o efeito das grades ao remover a radiação espalhada afetam a exposição do detector de radiação e, consequentemente, o contraste da imagem. Esse contraste também é afetado pelo contraste característico do filme radiográfico e seu processamento. No caso de imagens digitais, o contraste pode ser afetado pelas técnicas de pós-processamento e qualidade do monitor usado para visualização. A resolução espacial da imagem refere-se à habilidade de distinguir estruturas pequenas com alto contraste, como a interface entre osso e tecido mole, microcalcificações ou nódulos. Ela está relacionada com a nitidez da imagem. Quando a nitidez diminui, as bordas das estruturas tornam-se borradas, piorando a resolução espacial. Assim, falta de nitidez refere-se ao borramento das imagens. Por outro lado, imagem com boa nitidez refere-se ao detalhamento da imagem. Todas as imagens radiográficas também possuem algum tipo de ruído. A presença desse ruído, que nada mais é do que uma variação randômica da densidade de fundo, pode dar à imagem uma aparência granulada ou com textura. Enquanto a resolução de imagens de raios X é limitada pelas dimensões da fonte de raios X; o ruído é limitado pela intensidade do feixe. Muitas vezes o nível de ruído pode ser ajustado, porém quando for reduzi-lo, é necessário considerar que o principal compromisso em imagens de raios X é a exposição do paciente. Dessa maneira, o ruído não deve ser reduzido ao nível mínimo possível se a dose no paciente for aumentada. Além disso, deve-se considerar também o contraste e o borramento da imagem ao tentar reduzir o ruído. Portanto, todo procedimento de radiodiagnóstico possui um ruído aceitável, para compensar com exposição mínima, tempo de exame curto e imagem de boa qualidade. A QUALIDADE DA IMAGEM É AFETADA POR FATORES RELACIONADOS AOS DETECTORES, À GEOMETRIA E AO PACIENTE. ESSES DIVERSOS FATORES DEVEM SER CONSIDERADOS AO REALIZAR O EXAME E TAMBÉM AO ANALISÁ-LO. UMA IMAGEM SEM QUALIDADE PODE GERAR PROBLEMAS PARA PROFISSIONAIS E PACIENTES, POIS OS EXAMES PRECISAM SER REFEITOS, TOMANDO MAIS TEMPO DO PROFISSIONAL E SUBMETENDO O PACIENTE A MAIS DOSES DE RADIAÇÃO. Exames SEM qualidade Mais transtorno para médicos e pacientes Menos pacientes atendidos diariamente Mais custos para a instituição de saúde Exames COM qualidade Menos despesas para as organizações Menos erros médicos Menos frustrações para profissionais e pacientes Fator #1: Densidade Ela é responsável pelo escurecimento dos exames. Quanto maior for a densidade, mais escura será a imagem. O controle da densidade é feito, principalmente, pela quantidade de raios x emitida. Então, quanto maior for a duração da descarga de radiação (mAs), mais escura ficará a imagem, e vice-versa. Porém,outros fatores afetam a densidade das imagens, são eles: Distância entre o foco e o detector (filme, na radiologia convencional); Espessura das estruturas do paciente; Em exames onde o grau de densidade radiográfica é muito baixo, a imagem torna-se inaceitável para o diagnóstico. Fator #2: Detalhe Trata-se da nitidez da imagem. Ou seja: É o nível de detalhamento das estruturas visualizadas no exame. A nitidez é importante para que todos os detalhes anatômicos fiquem visíveis. Por exemplo: bordas e outras linhas finas dos tecidos. Por que isto é importante? Uma imagem sem nitidez pode esconder lesões, micro-fraturas e outros sintomas importantes para o diagnóstico. Os aspectos que influenciam a nitidez das imagens são: Ponto focal: Deve-se usar sempre o menor ponto focal possível para alcançar imagens com melhor nitidez. Pontos focais muito amplos podem gerar borramentos nos exames; Distância entre o tubo e o receptor (DFoFi): Quanto maior for a distância entre o tudo e o receptor, melhor será a nitidez; Distância entre o paciente e o receptor (DOF): Quanto mais afastado o objeto do filme, menor será a nitidez da imagem, ou seja, deve-se aproximar o paciente do receptor para que o nível de detalhamento seja melhor; Movimentos voluntários e involuntários do paciente: Deve-se tentar reduzir o tempo de exposição do paciente e prestar atenção em seus movimentos antes de disparar os raios x. Fator #3: Contraste O contraste radiográfico é a diferença das densidades em estruturas adjacentes. Simplificando: É a quantidade de tons de cinzas entre as cores branca e preta. Se houver muitos tons de cinza, a imagem está com pouco contraste. E vice-versa. O contraste é muito importante para salientar detalhes anatômicos. Imagens com muito/pouco contraste podem afetar o diagnóstico O controle do contraste é feito através da alteração de quilovoltagem (kW), que determina o nível de penetração dos raios x. Ou seja: Quanto maior for o kW, maior será o nível de penetração da radiação, e, consequentemente, mais contrastada ficará a imagem. Mas é preciso ter cuidado. O excesso de penetração pode prejudicar a absorção correta dos raios x. Fator #4: Distorção A distorção radiográfica é um dos fatores geométricos da radiologia, e diz respeito a reprodução incorreta do tamanho ou da forma dos tecidos na imagem. Ou seja: Quando uma imagem está com distorção, podemos assumir que as estruturas não foram capturadas corretamente pelo receptor. Exames com muita distorção tornam a radiografia inadmissível para o diagnóstico. Entretanto, nenhuma radiografia é uma representação exata do corpo humano. É preciso controlar o nível de distorção para minimizar a perda de qualidade, e assim gerar uma imagem válida para um possível diagnóstico. Outros fatores importantes Além dos fatores “tradicionais”, existem outros aspectos que podem alterar a qualidade ou até invalidar as imagens. Ruído radiológico O ruído, na imagem radiográfica, é uma variação aleatória da densidade de fundo da imagem. Esta variação pode dar às imagens uma aparência granulada ou texturizada, mais ou menos como aquelas TVs antigas sem sinal. Na radiologia, essa variação representa informação indesejável, pois não agrega nenhum valor para o diagnóstico. Toda radiografia possui ruído, porém, deve-se conduzir o exame de modo que a quantidade de ruído na imagem não comprometa a avaliação médica. Principais motivos que geram ruído nas imagens Na radiologia convencional Variação aleatória de fótons absorvidos pelo receptor; Aumento da sensibilidade do écran; Aumento da sensibilidade do filme; Artefatos resultantes do processamento do filme. Na radiologia digital Imagens gravadas com poucos fótons podem gerar incerteza. Pode ser considerado ruído; Como minimizar o ruído? O ruído pode ser minimizado através da intensidade do feixe. Quanto maior for a intensidade, menor será o ruído. Artefatos radiológicos Os artefatos radiológicos são deformações nas imagens gerados por alguma intervenção externa. Essas intervenções podem ser desde manipulação inadequada do filme até erros do profissionais no pós-processamento. Principais motivos que geram artefatos nas imagens Na radiologia convencional Marcas de dedos provocadas pelo manuseio do filme Marcas de eletricidade estática resultantes da flexão excessiva ou filmes sem invólucro; Bolhas de ar resultantes do processamento do filme; Manchas e sujeira; Na radiologia digital e computadorizada Atraso de imagem: Os famosos “fantasmas” ocorrem quando a imagem latente do exame anterior fica presente na imagem atual; Retroespalhamento: Ocorre devido ao aumento de exposição da radiação; Costuras: Ocorre quando duas imagens são combinadas em uma única; IV. EFEITOS BIOLOGICOS DA RADIAÇÃO Quando foi descoberto o raio-X, não eram conhecidos os seus efeitos biológicos e não eram tomados os cuidados de proteção radiológica, foram muitos os casos de dermatite actínica e mesmo outras doenças como leucemia e aplasia de medula. Existem efeitos comprovados de teratogênese devido a mutações, efeitos sobre os órgãos genitais, olhos, tiroide e medula óssea. O efeito da radiação é cumulativo e pequenas doses são acumuladas ao longo da vida, por isso, limites de exposição devem ser respeitados e a superexposição evitada. Os efeitos biológicos produzidos pela ação das radiações ionizantes no organismo humano são resultantes da interação dessas radiações com os átomos e as moléculas do corpo. Nessa interação, o primeiro fenômeno que ocorre é físico e consiste da ionização e da excitação dos átomos, resultante da troca de energia entre a radiação e a matéria. Acompanhando este ocorre o fenômeno químico (ruptura das ligações químicas nas moléculas). A seguir aparecem os fenômenos bioquímicos e fisiológicos. Após um intervalo de tempo variável surgem as lesões observáveis, que podem ser no nível celular ou do organismo com um todo. Os diferentes tipos de radiação produzem efeitos biológicos diferentes, pois cada radiação deposita no material biológico quantidades diferentes de energia por unidade de comprimento de percurso ou por unidade de volume irradiado. Os efeitos biológicos podem ocorrer após exposição do corpo inteiro ou de partes do corpo a doses de radiação não necessariamente muito altas. Por isso, o cuidado que se deve ter mesmo com níveis baixos de radiação, como no caso do radiodiagnóstico. Esses efeitos podem ser divididos em efeitos somáticos e hereditários. • Efeitos somáticos: São aqueles que surgem apenas na pessoa que sofreu a exposição à radiação, não afetando futuras gerações. A gravidade desses efeitos depende basicamente da dose recebida e da região atingida. Exemplos de efeitos somáticos incluem queimaduras, vômitos, cefaleia, diarreia, infecções, anemia, obstrução de vasos, ou em casos mais graves de exposição, mutações do DNA, morte celular e câncer. • Efeitos hereditários: São resultados de danos em células de órgãos reprodutores e atingem os descendentes da pessoa que sofreu a irradiação. Eles incluem as mutações celulares. Os efeitos somáticos classificam-se em imediatos e tardios. Quando os efeitos biológicos surgem em até alguns dias após a exposição, eles são chamados de efeitos imediatos. A Síndrome Aguda de Radiação é um desses efeitos. Quando há exposição do corpo inteiro a doses elevadas de radiação, vários tecidos e órgãos são danificados, podendo causar uma reação aguda, cujos sintomas são náusea, vômito, fadiga e perda de apetite. Por outro lado, há efeitos que surgem apenas meses ou anos após a irradiação, e são chamados de efeitos tardios. O efeito tardio de maior importância é o câncer. RELAÇÃO DOS EFEITOS EFEITOS IMEDIATOS: - Síndrome aguda de radiação • Síndrome hematológica • Síndrome gastrointestinal • Síndrome do sistema nervoso central - Dano tecidual local • Pele • Gônadas • Extremidades • Medula óssea - Dano citogenético EFEITOS TARDIOS: - Leucemia - Outras doenças malignas: • Câncer ósseo • Câncer de pulmão • Câncer de tireoide • Câncer demama - Dano tecidual local • Pele • Gônadas • Extremidades - Redução do tempo de vida Dano genético Como dito anteriormente, a irradiação do corpo inteiro pode causar uma reação aguda, que tem sintomas menos graves como vômito ou perda de apetite. Entretanto, se a dose for bastante alta, as síndromes abaixo podem se manifestar: • Síndrome hematológica: afeta as estruturas que formam o sangue e são altamente sensíveis à radiação. É caracterizada pela redução de leucócitos, hemoglobina e plaquetas. • Síndrome gastrointestinal: afeta órgãos do sistema gastrointestinal que são muito sensíveis à radiação. É caracterizada principalmente por danos severos a células que revestem o intestino. • Síndrome do sistema nervoso central: afeta cérebro e músculos que são menos sensíveis à radiação. É caracterizada pelo aumento da pressão intracraniana, inflamação dos vasos sanguíneos e meningite. Como o cérebro e os músculos são menos sensíveis à radiação, é necessária uma dose extremamente alta para causar a síndrome do sistema nervoso central. Nesses casos, o tempo de vida da pessoa exposta é extremamente curto. Danos locais também podem ocorrer devido à irradiação. Nesses casos, a dose a que apenas uma parte do copo é exposta para produzir um efeito biológico deve ser maior do que no caso de irradiação do corpo inteiro. Os tecidos que são afetados imediatamente após a irradiação são pele, gônadas e medula óssea. A exposição de mulheres grávidas à radiação pode causar sérios efeitos biológicos ao feto, que não são efeitos hereditários, mas sim somáticos, pois o próprio feto é exposto à radiação: • Morte pré-natal • Morte neonatal • Má formação congênita • Câncer infantil • Desenvolvimento e crescimento diminuídos Outro ponto importante desse tópico é a radiossensibilidade celular, ou seja, diferentes tipos de células do corpo humano possuem diferentes respostas à radiação. A sensibilidade da célula à radiação é determinada pela sua maturidade, taxa de reprodução e função. Células que estão em constante reprodução são altamente sensíveis à radiação, podendo sofrer morte ou mutação. Já células mais lentas são menos sensíveis e sofrem efeitos de menor seriedade; elas precisam ser exposta à radiação bastante alta para sofrerem danos mais graves. V. Meios de proteção radiológica Recomendações gerais de proteção radiológica para profissionais do setor Utilize sempre o monitor individual durante a jornada de trabalho. Mantenha as portas do local fechadas durante exames. Utilize proteção adequada para os pacientes, sempre que possível. Evite a presença desnecessárias de pessoas dentro da sala de exames. Avise responsáveis pela manutenção de houver qualquer alteração na imagem: Se aumentar a corrente, aumenta a exposição e diminui a vida útil do tubo Se aumentar a voltagem, diminui o efeito da blindagem e a vida útil do tubo Se os filmes ainda forem utilizados, alguns cuidados devem ser tomados para seu armazenamento, como controlar a temperatura e umidade, para evitar manchas e garantir a validade do material. O operador deve, sempre que possível, aumentar a distância entre o técnico e a fonte de radiação, minimizar o tempo de exposição, utilizar o avental plumbífero e permanecer atrás do biombo ou da cabine durante os exames. Em caso de dúvida, suspeita ou de gravidez confirmada, comunique o responsável na instituição. Em geral, as atividades de proteção radiológica seguem quatro princípios fundamentais: Justificativa da prática e das exposições médicas individuais à radiação, pelo qual o benefício gerado pelo uso da radiação se mostre maior que os danos causados por sua aplicação; e essa justificativa para exames radiológicos deve ser feita individualmente, ou seja, considerando a necessidade de exposição e as características particulares do indivíduo envolvido. Otimização da proteção radiológica, que visa preservar a segurança e a saúde dos indivíduos expostos a radiação ionizante em hospitais e outros locais em que se utilizam equipamentos de radiação, incluindo pacientes, profissionais e o público em geral. Limitação de doses individuais, que se aplica ao pessoal ocupacionalmente exposto à radiação ionizante e ao público em geral, mas não a pacientes; esses limites são calculados em doses anuais, considerando a grandeza das doses efetiva e equivalente, o órgão do corpo humano afetado pela radiação . Prevenção de acidentes em locais de trabalho, com riscos considerados e analisados no projeto das instalações e dos equipamento e nos procedimentos de trabalho que envolvam o uso de fontes de radiação ou material radioativo, de modo a minimizar a probabilidade de ocorrência de acidentes. Princípios gerais de regulamentação do uso da energia atômica e de suas aplicações tecnológicas são orientados, em todo o mundo, pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), entidade criada em 1957 e ligada à Organização das Nações Unidas (ONU), que atua como um fórum técnico-científico de cooperação intergovernamental. No Brasil, o controle sobre a utilização de fontes de material radioativo é de responsabilidade da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), ligada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. Ele é feito por meio de normas que autorizam o funcionamento e orientam inspeções em centros de radioterapia, laboratórios de medicina nuclear, plantas industriais e outros locais em que se utilizam fontes de radiação. Príncipios Fundamentais de Proteção Radiológica As atividades na Radiologia em respeito à Proteção Radiológica / Radioproteção tem seu objetivo em utilizar ao mínimo a dose de radiação ionizante nos pacientes e nos profissionais, sendo utilizados os três princípios fundamentais de proteção radiológica: Minimizar o Tempo O tempo está totalmente relacionado à Proteção Radiológica / Radioproteção. Quanto mais tempo o indivíduo for exposto, maior a dose recebida pelo mesmo. Se o tempo de dose for dobrado, o quantitativo de dose também é dobrado. Aumentar a Distância A distância entre a fonte emissora de radiação e o indivíduo é outro fator importante, a exposição à radiação diminui conforme maior a distância entre a fonte e o indivíduo. Assim sendo, quanto mais distante da fonte mais seguro está o indivíduo. Blindagem Correta A blindagem entre a fonte de radiação e o indivíduo é outra forma de proteção, reduzindo bastante o risco de exposição desnecessária para os profissionais e pessoas em geral. No Diagnóstico Por Imagem é comum a utilização de blindagens constituídas de chumbo, mas outros materiais também são utilizados, como o concreto por exemplo. VI. INCIDENCIAS É o conjunto de meios para obtenção de uma imagem radiográfica. O que especifica uma incidência é a trajetória do feixe de raio x no interior da estrutura anatômica, ou seja, a parte do corpo em que o feixe de radiação irá incidir, pois num mesmo posicionamento pode haver entrada do feixe de radiação em regiões diferentes. Incidências Póstero Anterior (PA) É a incidência em que o raio central (RC) incide de Póstero (Trás) para Antero (Frente). Incidência Ântero-Posterior (AP) É a incidência em que o raio central (RC) incide de Antero (Frente) para Póstero (Trás). Incidência Médio-Lateral Incidência Látero-Medial Incidência Axial: O termo axial refere-se ao eixo longo de uma estrutura ou parte OUTROS EXEMPLOS: A) Termos de relação São termos de posicionamento ou anatômicos relacionados com as partes do corpo. Medial: em direção ao PMS (próximo ao centro) Lateral: em direção oposta ao PMS (distante do centro) Proximal: próximo da origem Distal: distante da origem Cefálico Superior - Significa em direção à metade superior do corpo Caudal ou Podálico Inferior - Significa em direção à metade inferior do corpo B) Termos relacionados aos movimentos Flexão: Diminui o ângulo da articulação. Extensão: Aumenta o ângulo. Hiperextensão: Estender uma articulação além do seu estado natural VII. VANTAGENS E DESVANTAGENS Talvez a única vantagem dessa tecnologia seja o valordos equipamentos. São relativamente mais baratos do que os digitais. Também não é necessário qualquer conhecimento especializado para realizar os exames. Basta o posicionamento correto da emissão dos raios x na quantidade ideal e no tempo determinado. ENTRETANTO...: A quantidade de filme de raio x que é preciso descartar ou guardar, torna esse método nada sustentável para a organização. Outro fator que causa incomodo é a repetição de exames com falhas e a exposição excessiva de radiação aos pacientes e aos radiologistas ou técnicos dos aparelhos. Vantagens: Normalmente, as radiografias não têm efeitos secundários. A radiação atualmente é baixa e não fica no organismo. Permite uma visualização rápida dos órgãos examinados. As radiografias são relativamente baratas quando comparadas, por exemplo, à tomografia ou à ressonância magnética. Desvantagens: Expõe os pacientes e os técnicos à radiação, embora pequena. Esse risco é mais importante para os técnicos que lidam com ela de forma mais permanente. Não pode ser usada em mulheres grávidas, pelo risco de danos ao feto. viii. Radiologia digital O raio-x digital se baseia nos mesmos princípios de emissão de raios x para capturar as imagens, porém não é preciso utilizar os antiquados filmes radiográficos para a visualização do exame. Ao invés disso, os exames são enviados para o computador, onde podem ser editados, analisados, armazenadas ou impressos. Dentro da radiologia digital, há duas categorias de equipamentos: o DR e o CR. Ambas funcionam de forma parecida, porém, na CR há a necessidade de um leitor de placas para que seja feita a transferência do exame para o computador. Já na DR o exame é transferido diretamente do aparelho para o computador. Radiologia digital indireta (CR) Radiologia digital direta (DR) Os equipamentos digitais indiretos possuem um chassis para receber uma placa de fósforo digital sensível a radiação, onde as imagens são digitalizadas. Após a aplicação dos raios x, a placa recebe imagem do paciente. Em seguida a placa precisa se colocada em um leitor para que possa ser transferida para o computador. Os equipamentos digitais diretos funcionam semelhante aos equipamentos indiretos, a diferença é que não é preciso utilizar a placa digital, tampouco o leitor desta placa. Os raios x são capturados por uma placa de circuitos sensíveis à radiação, que gera automaticamente a imagem e envia diretamente ao computador. Vantagens e desvantagens da radiologia digital Os exames digitais possuem mais definição, nitidez, contraste e diferenciação de densidade. Por que isto é importante? Porque a imagem gerada consegue atingir muito mais detalhes, proporcionando ao médico diagnosticar problemas de saúde que não eram exibidos nos exames da radiologia convencional. Se o exame apresentar alguma irregularidade que possa causar dúvida para o profissional, é possível realizar alterações nas imagens digitalizadas, para que assim se consiga um melhor resultado Isto quer dizer que o técnico radiologista pode ajustar cortar, rodar, aumentar, adicionar anotações, alterar o contraste, alterar a equalização e realizar diversas outras opções dentro de cada imagem. É uma grande vantagem para favorecer a identificação de lesões e outros sintomas, culminando em ações recuperativas aceleradas. Além disso: Os exames digitais exigem uma carga muito menor de radiação, valorizando o atendimento humanizado e tornando o ambiente muito mais seguro, tanto para o paciente quanto para o operador do equipamento. Os equipamentos de raios x digitais também possuem a enorme vantagem de agilizar o dia a dia dos profissionais. Como as imagens ficam prontas na hora, é possível emitir o laudo para um médico remoto ou imprimi-las imediatamente para uso interno. Assim é possível diagnosticar o paciente e iniciar o tratamento rapidamente. Essas vantagens aumentam a produtividade no setor radiológico consideravelmente. Por fim, temos uma redução de lixo considerável, já que os filmes para raio x não são mais necessários, e os exames em papel podem ser reciclados posteriormente. E quanto as desvantagens? O único aspecto que podemos citar como uma “desvantagem” é o fato de que o equipamentos digitais precisam de um investimento maior do que os equipamentos da radiologia convencional. Os radiologistas também precisam estar aptos para operar os equipamentos. Quais os exames digitais mais comuns? Hoje em dia já são muitos os equipamentos que passaram pela renovação digital, tornando-se mais ágeis e eficazes. Os principais são: Raio-x; Ultrassom; Ressonância magnética; Tomografia; ix. bibliografia Bibliografia sugerida BIBLIOGRAFIA VIRTUAL - http://unifae.bv3.digitalpages.com.br/ BIBLIOGRAFIA BÁSICA ABBAS, A.K.; KUMAR, V.; FAUSTO, N.; ROBBINS & COTRAN Patologia – Bases Patológicas das Doenças. 9a ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2016. CBR - Colégio Bras. De Radiol. Fundamentos de Radiologia e Diagnóstico por Imagem, 2014 GOLDMAN, L.; AUSIELLO, D. Goldman Cecil Medicina. 2014 BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR APPLEGATE, E. Anatomia e Fisiologia, 2012 DAFFNER, R.H. Radiologia clínica básica 3a edição, 2013 HANSEN. Netter Anatomia Clínica, 2015 KUMAR, V.; ABBAS, A. K.; FAUSTO, N.; MITCHELL, R. Robbins Patologia Básica. 9a ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2013 MITCHELL, R. N.; KUMAR, V.; ABBAS, A. K.; FAUSTO, N.; ASTER, J. C. Robbins & Cotran Fundamentos de Patologia. 9a ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2017