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Modelos teóricos do desenvolvimento humano
	O desenvolvimento humano pode ser estudado a partir de diferentes abordagens. Diversos autores lançaram seus olhares ao desenvolvimento e criaram diferentes teorias. Ao olharmos para aspectos cognitivos do desenvolvimento podemos ver algumas teorias que serviram de base para a construção de teorias recentes e mais abrangentes. Dentre essas teorias básicas nós temos:
· Teoria Psicanalítica: Essa teoria explica o comportamento humano sob o olhar de um médico psiquiatra famoso chamado Sigmund Freud (1927). É considerada por muitos pesquisadores como uma base para o estudo do desenvolvimento, porém para nós profissionais que trabalhamos com desenvolvimento motor ela é bem restrita pois seu foco é na personalidade e no seu funcionamento anormal. Essa teoria explica através da interação entre o id (fonte inconsciente de desejos), o ego (intermediário entre a busca pelo prazer / desejo e a razão) e o superego (senso comum, ração ou consciência). Seus estágios de desenvolvimento (oral, anal, fálica, latente e genital) são aplicados a zonas de busca de prazer pelo corpo humano e divididos por faixas etárias.
· Teoria Psicossocial: Criada por Erik Erikson (aluno de Freud), essa teoria é focada no desenvolvimento social e não de caráter sexual. O desenvolvimento é classificado em oito estágios do ciclo de vida humana a partir de fatores de interação ambiental e não hereditários. A visão de Erikson sobre o desenvolvimento reconhece fatores intrínsecos à bagagem de experiências do indivíduo como sendo o ponto principal para o desenvolvimento motor.
	Ainda existem outras teorias desenvolvidas por outros autores, cada teoria irá refletir sobre o conhecimento básico de cada autor e apontar para aspectos diferentes. Nenhuma teoria é completa ou totalmente precisa para descrever ou explicar o desenvolvimento humano e, portanto, todas vão ter falhas conceituais em alguns pontos.	Vamos seguir com duas teorias recentes que incorporam o conhecimento de várias outras teorias do conhecimento e que ainda são estudadas por pesquisadores recentes do desenvolvimento humano.
Teoria Maturacional
	Essa teoria foi desenvolvida por Arnold Gesell (1928, 1954) e enfatiza o amadurecimento do sistema nervoso como principal responsável pelas mudanças físicas e motoras do comportamento humano. Gesell documentou e descreveu faixas etárias gerais para a aquisição de uma grande variedade de habilidades motoras rudimentares na infância. A partir dessas habilidades, podemos avaliar o amadurecimento da criança sob aspectos emocionais e sociais. 
Essa teoria também descreve que o desenvolvimento passa por várias classificadas como etapas “nodais” ou onde as crianças estão “fora de foco” em relação ao ambiente. Nos estágios nodais a criança tem total domínio sobre as situações do ambiente e sabe equilibrar seu comportamento, que de forma geral é agradável. Os estágios fora de foco são momentos opostos ao comportamento nodal, a criança nesse estágio não tem domínio sobre as alterações imediatas no comportamento tendo respostas desagradáveis. Essa teoria não é aceita por todos pesquisadores atualmente, porém desempenhou um papel importante na construção do conhecimento sobre o tema.
Teoria Ambiental
	Criada por Robert Havighurst (1972), essa teoria considera o desenvolvimento como uma interação entre forças biológicas (como hereditariedade), sociais e culturais. Dessa forma cada indivíduo estará em constante evolução para “funcionar” efetivamente dentro da sociedade.
	Nessa teoria, para que ocorra um desenvolvimento apropriado, o indivíduo deve realizar tarefas segundo uma estrutura de tempo para garantir a progressão do desenvolvimento. Segundo esse modelo, existem momentos certos para o ensino e esses momentos precisam estar de acordo com o desenvolvimento do corpo e a necessidade da sociedade naquela tarefa.
	A teoria de Havighurst se apoia fortemente no movimento, no jogo e na atividade física para o desenvolvimento, particularmente no período neonatal e na infância.
Teoria desenvolvimentista (desenvolvimento cognitivo)
	O psicólogo suíço conhecido como Jean Piaget (1969) descreveu uma das teorias mais aceitas entre os educadores. A teoria do desenvolvimento cognitivo coloca em ênfase processos de pensamento. Durante muito tempo, Piaget observou o desenvolvimento de bebês e crianças. Nessas observações foram identificados comportamentos sutis que forneceram indícios sobre o comportamento de crianças e sua relação com processos cognitivos. Dessa forma, Piaget criou uma hierarquia dentro do desenvolvimento, sendo o movimento um agente básico na aquisição de estruturas cognitivas.
	Essa teoria usa a idade cronológica somente como um indicador do funcionamento cognitivo, porém sua base está na observação de comportamentos. Esses comportamentos observados serviram como indicadores da complexidade crescente do desenvolvimento cognitivo da criança. As fases definidas para essa teoria são: sensório-motora (do nascimento aos 2 anos), do pensamento pré-operacional (2 a 7 anos), das operações concretas (7 aos 11 anos), das operações formais (12 anos em diante). Piaget não se preocupou nas fases posteriores do ciclo da vida, pois acreditava que as capacidades intelectuais altamente sofisticadas não se desenvolviam além dessa época.
Pontos de vista conceituais das teorias do desenvolvimento
	Ao estudar os cinco modelos de desenvolvimento, podemos ver uma tendência distinta, para cada modelo, de agrupar-se ao redor de quatro estruturas de trabalho conceituais. Resumidamente, essas estruturas são:
Teoria Fase-Estágio: São teorias mais abrangentes, geralmente as teorias mais antigas são baseadas em fases ou estágios. Nesse modelo conceitual os estágios são sequências exatas e não podem ser reordenados, porém eles podem ser omitidos. Cada fase é explicada com bases amplas e não em comportamentos isolados ou específicos. Freud e Erikson dividiam o desenvolvimento em fases e estágios.
Teoria da Tarefa Desenvolvimentista: Teorias baseadas nesse conceito pontuam que existem épocas específicas nas quais os indivíduos devam atingir estágios do desenvolvimento. Aqui a aquisição de um conhecimento novo vai depender de pré-requisitos, ou seja, observando estágios anteriores é possível prever o sucesso ou fracasso na aquisição de um novo tipo de conhecimento. Havighurst usa esse tipo de abordagem conceitual tanto para descrever quando para prever o comportamento desde o período neonatal até a adolescência.
Teoria do Marco Desenvolvimentista: Essa teoria é similar em alguns aspectos a teoria da Tarefa Desenvolvimentista. Um dos pontos principais que a diferencia é que em vez de observar os feitos que ocorrem caso o indivíduo se adapte ao meio ambiente, essa abordagem menciona indicadores estratégicos que podem avaliar até onde o desenvolvimento progrediu. Essa teoria não classifica uma hierarquia com etapas definidas para o desenvolvimento e sim um desdobramento contínuo e entrelaçado desse processo. As propostas de Piaget geralmente são classificadas dentro dessa base conceitual.
Teoria Ecológica ou Conceitual: Além de saber “como” as mudanças ocorrem durante o desenvolvimento humano é importante saber “por que” essas mudanças estão acontecendo. As teorias ecológicas se preocupam com a explicação desses processos cognitivos e não apenas sua descrição. O estudo da ecologia humana a partir de uma perspectiva desenvolvimentista é uma forma de observar o relacionamento de indivíduos com seu meio ambiente e uns com os outros. 
Teoria dos sistemas dinâmicos: Dentro desse conceito já falamos de etapas do desenvolvimento que não são lineares. As teorias que aceitam modelos dinâmicos não se baseiam em hierarquias e em processos que vão ao encontro de níveis superiores de complexidade. Dessa forma, a dinâmica no processo do desenvolvimento é influenciada por recursos e limitadores de desempenho. Recursos tendem a promover ou a encorajar a alteração desenvolvimentista, já os limitadores de desempenho são obstáculos que impedem ou retardamo desenvolvimento.
Bibliografia Básica 
GALLAHUE, D. L.; OZMUN, J. C. Compreendendo o desenvolvimento motor: bebês, crianças, adolescentes e adultos. São Paulo: Phorte, 2005.
TANI, G. (ed). Comportamento motor: aprendizagem e desenvolvimento. Rio de Janeiro:Guanabara Koogan, 2005
SCHIMIDT, R. A. Aprendizagem e performance motora: dos princípios à prática. São Paulo: Movimento, 1993.
Bibliografia Complementar 
BARREIROS, J.; GODINHO, M.; MELO, F.; NETO, C. (eds). Desenvolvimento e aprendizagem: perspectivas cruzadas. Lisboa: FMH Eduções, 2004.
SCHIMIDT, R. A.; WRISBERG, C. A. Aprendizagem e performance motora: uma abordagem da aprendizagem baseada no problema. 2ª ed. Porto Alegre: Artmed, 2001.
SHEPHARD, R. J. Envelhecimento, atividade física e saúde. São Paulo: Phorte, 2003.
MAGIL, R. A. Aprendizagem motora: Conceitos e aplicações. 5 ed. São Paulo: Editora Edgard Blücher, 2000.
GUEDES, G. Aprendizagem motora. Problemas e contextos. Lisboa: Edições FMH, 2001.

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