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26/10/2018 1 PROJETO DE INDUSTRIAS QUÍMICAS II Profa. Dra. Kelly Johana Dussán Medina kelly.medina@unesp.br UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA “JÚLIO DE MESQUITA FILHO” Campus de Araraquara ENGENHARIA QUÍMICA TÉCNICAS E FERRAMENTAS UTILIZADAS PARA PROJETOS DE LAYOUT Layout Técnicas Posicional Análises da alocação dos recursos. Utiliza o Sistema Gerencial do PERT/COM para sequenciar as tarefas ao longo do tempo Produto Procura‐se otimizar o tempo dos operadores e das máquinas, fazendo o que se chama de “balanceamento da linha” Processos Fluxogramas, Diagramas de Fluxos, diagrama de afinidades, carta de relacionamentos Celular Análise de fluxo de produção. Tecnologia de Grupos. Balanceamento, Roteiros de operação padrão (ROP) CARTA MULTIPROCESSO A carta multiprocesso, também denominado de carta de processo múltiplos, é uma técnica que representa numa única carta o roteiro de fabricação de diferentes produtos ou de atendimento a diferentes serviços, sendo aplicada na avaliação comparativa de diferentes alternativas de layout. É empregada quando o produto é constituído de várias partes, ou para diversos produtos que possuem partes ou processos comuns entre sim. A carta de processos múltiplos, consiste em uma tabela em forma de matriz correlacionando o processo com os produtos a serem fabricados. A primeira coluna lista as diferentes operações do processo, e as demais os produtos produzidos por essas operações Cada processo é indicado em etapas numericamente, respeitando‐se a sequência de fabricação. Devido à sua estrutura, a Carta de Processos Múltiplos permite a análise de processos simultâneos, sendo adequada à definição e analise de layouts celulares. 26/10/2018 2 CARTA MULTIPROCESSO A carta de processos múltiplos auxilia a elaboração do layout, devido a: • Aglutinação de vários processos em “grupos de trabalho” (sequências preferenciais de processamento); • Equipamentos com posição prefixada (início ou término de processamento do produto); • Produtos do mesmo material, de mesmo tempo de operação, de operações semelhantes, máquinas semelhantes, qualidades semelhantes, etc. CARTA MULTIPROCESSO A definição da melhor sequência de máquinas, considerando simultaneamente os roteiros de processamento do conjunto de produto ou peças que serão processados, é obtida através da seguinte heurística: • Tendo como referência os roteiros de processamento representados na carta multiprocessos, calcula-se o somatório dos pesos para a sequência original das máquinas apresentada; • Tendo como parâmetro os deslocamentos negativos e a intensidade de fluxo procura-se identificar quais as alterações na posição das maquinas que aumentam o somatório dos pesos; CARTA MULTIPROCESSO • Recalcula-se o somatório dos pesos para a nova proposta de sequência de máquinas; • Se o somatório dos pesos recalculado for maior que o inicial, a nova sequência das máquinas é melhor que a original. Somatório dos pesos (SP) O somatório dos pesos representa, para uma determinada sequência de máquinas, a movimentação total para um conjunto de produtos ou partes representado pela carta multiprocessos e pode ser calculado assim: 𝑃 𝐼𝐹 𝑆 IF é a intensidade de fluxo; S = saldo final dos pontos para cada produto e n = número de produtos ou partes. CARTA MULTIPROCESSO Intensidade de Fluxo (IF) A intensidade de fluxo representa o volume de produto movimentado entre as etapas do processo produtivo, levando em consideração as perdas no processo, e é calculada: IF = Qm x D Qm = média entre o peso inicial e o peso final do produto e D = demanda dos produtos. Regras de pontuação de fluxo As regras de pontuação de fluxo atribuem pontos a cada deslocamento (de peça, clientes, etc.) conforme estes avançam ou recuam no sentido do fluxo sugerido pelo layout original. 26/10/2018 3 CARTA MULTIPROCESSO • Se o deslocamento avança no sentido do fluxo sugerido pelo layout original, atribuir: 2 pontos para deslocamento à etapa imediatamente seguinte; 1 ponto para deslocamento à etapa em sequência imediata. • Se o deslocamento recua em sentido contrário do fluxo sugerido pelo layout original, atribuir: 2 pontos para deslocamento à etapa imediatamente anterior; 1 ponto para cada etapa que tiver de ser pulada adicionalmente. Exemplo: Utilize a Carta de Multiprocessos para obter uma opção de layout melhor que a de dispor as etapas M1, M2, M3, M4, M5, M6, M7 e M8 nesta sequência, entre o DMP (depósito de matéria-prima) e o DPA (depósito de produto acabado), no processamento dos produtos A, B, C, D, E, F e G, considerando que há uma perda de volume de 5% acumulativa por etapa em que os produtos forem efetivamente processados. Produtos Demanda(103 unidades/ano) Peso inicial (kg por unidade) A 40 2,50 B 30 2,30 C 25 2,00 D 15 2,60 E 35 2,20 F 50 2,10 G 20 2,40 Resolução Considerando a sequência inicial das máquinas, os roteiros de processamento de cada produto e as regras de pontuação de fluxo, apresentam-se na carta multiprocessos os pontos para cada deslocamento e o total para cada produto 26/10/2018 4 Produtos Demanda Peso inicial Peso Final Qm IF A 40 2,50 1,84 2,17 86,7 B 30 2,30 1,78 2,04 61,2 C 25 2,00 1,55 1,77 44,3 D 15 2,60 1,91 2,26 33,8 E 35 2,20 1,60 1,91 66,8 F 50 2,10 1,62 1,86 93,1 G 20 2,40 1,76 2,08 41,6 A seguir apresenta‐se a tabela com os valores de peso médio e intensidade de fluxo para os produtos A, B, C, D, E, F e G. Produtos IF Pontos Peso A 86,7 1 86,7 B 61,2 3 183,6 C 44,3 3 132,9 D 33,8 6 202,8 E 66,8 7 467,6 F 93,1 5 465,5 G 41,6 2 83,2 SP 1622,3 A seguir é calculado o somatório dos pesos para a sequência original de máquinas Na sequência, tendo como parâmetro os deslocamentos negativos e a intensidade de fluxo identificam-se quais alterações na posição das máquinas que aumentam o somatório dos pesos, como por exemplo: • A M2 é responsável por três deslocamentos negativos dos produtos A, C e G. Sendo que dois destes são em relação a M5, ou seja, se as máquinas M2 e M5 estiverem mais próximas, diminuíram esses deslocamentos negativos. Tal alteração é muito significativa especialmente para o produto A, pois a IF calculada é a segunda maior; • Por sua vez, a posição da M8 resulta em cinco pontuações positivas, que nos leva a mantê-la na sua posição original; mesmo raciocínio se aplica a M1, que resulta em quatro pontuações positivas, contra apenas uma negativa. • Quanto ao IF, a principio o ideal seria que os produtos F; A; E e B, que têm a IF maior tivessem as máquinas sequenciadas de tal forma que para esses produtos não houvesse deslocamentos negativos. Considerando estas e outras associações, apresenta-se na sequência uma nova proposta de sequenciamento das máquinas e a respectiva pontuação do fluxo: 26/10/2018 5 Produtos IF Pontos Peso A 86,7 13 1127,1 B 61,2 5 306 C 44,3 6 265,8 D 33,8 4 135,2 E 66,8 2 133,6 F 93,1 5 465,5 G 41,6 4 166,4 SP 2599,6 Devido aos produtos e processos serem os mesmos, pode‐se utilizar os valores obtidos no cálculo do IF, logo pode‐se calcular o somatório dos pesos para este novo sequenciamento de máquinas: Constata‐se que o somatório dos pesos para a nova proposta de sequência de máquinas é 62% maior que o inicial, logo a nova sequência das máquinas é muito melhor que a original. MAPOFLUXOGRAMA Também denominado de mapa-fluxograma, representa a movimentação física de um ou vários itens através dos centros de processamento dispostos no layout de uma instalação produtiva, numa sequência de rotina fixa. É obtido desenhando sobre a planta da organização o caminho percorrido pelos produtos a partir das informações constantes nos diagramas de processos, sempre se obedecendo ao diagrama de processos. A trajetória ou rota física dos itens, que podem ser produtos, materiais, formulários ou pessoas, é desenhado, por meio de linhas gráficas com indicação de sentido de movimentação, sobre a planta em escala de instalação envolvida. No caso de um grande número de produtos ou de famílias de produtos, são desenhados apenas os itensde maior importância do gráfico P-V. MAPOFLUXOGRAMA MAPOFLUXOGRAMA Ao se analisar o mapofluxograma, além do comprimento total percorrido pelos produtos, também deve ser observada a existência de cruzamentos de fluxos, idas e voltas excessivas, e deslocamentos longos sem a existência de operações. Esses elementos são indicativos de uma má distribuição do layout atual. Propostas de racionalização do fluxo de materiais podem ser elaboradas para serem consideradas na proposição do novo layout. 26/10/2018 6 CARTAS DE-PARA Também denominada de cartas From-To, são uma boa ferramenta para minimização dos custos de transporte entre departamentos: caso dos layouts funcionais em que normalmente tem-se uma grande variedade de produtos. Essas castas são estruturadas na forma de matrizes, em que a primeira linha possui o mesmo conteúdo da primeira coluna, sendo os cruzamentos entre linhas e coluna o local de registro dos produtos que circulam de um local (os “de”) para outro (os “para”). Na análise da carta de-para toma-se como base o número de produtos que passa de um local para outro, definindo a intensidade de fluxo entre as operações. CARTAS DE-PARA CARTAS DE-PARA Um dos principais critérios de decisão quantitativos para problemas de layout funcionais é a diminuição dos custos de transporte entre departamentos. Utiliza-se a seguinte função para determinação destes custos: 𝐶 𝑇 𝐶 𝐷 Onde Tij = número de viagens entre departamento i e departamento j; Cij = custo por unidade de distância e por viagem de i para j; Dij = distância de i para j; C = custo total e N = número de departamentos. CARTAS DE-PARA Dado que Tij e Cij são constantes que não dependem da localização dos departamentos i e j, o problema pode-se enunciar do seguinte modo: Pretende-se encontrar uma combinação de Dij (ou layout) que resulte num valor mínimo de C. Exemplo: Uma empresa está dividida em oito departamentos (conforme planta) e, devido aos grandes volumes de movimentação e a distância entre departamentos, tem constado muitos desperdícios de tempo e produtividade para o layout atual. Considerando os dados apresentados, determine qual layout ideal para esta empresa. 26/10/2018 7 Tij – número de viagens entre departamentos i e departamento j Cij – custo por unidade de distância e por viagem de i para j Dij – distância de i para j Resolução O passo inicial é calcular a função custo para o layout original. Fazendo as respectivas multiplicações, resulta que os custos de movimentação por par de departamentos são: Fazendo o somatório resulta que o custo total é de R$8.802,00. Dado que Tij e Cij são constantes, para encontrar uma combinação de Dij que resulte num valor mpinimo para C, agora vmos identificar e aproximar os departamentos com os maiores custos. Constata-se que são os departamento 2 e 6; departamentos 2 e 7, departamentos 1 e 4; departamentos 3 e 8; respectivamente. 26/10/2018 8 Para esse novo layout são encontradas as novas distâncias entre departamentos Fazendo as respectivas multiplicações para esta proposta de layout, os custos de movimentação por par de departamentos são: Resulta que o somatório dos custos para a nova proposta de layout é de R$5.728,00. Constata-se que esse valor é 35% menor que o calculado no layout inicial. DIAGRAMA DE AFINIDADES Também denominado de Carta de Interligações Preferenciais, é uma ferramenta que se utiliza de uma escala de afinidades denominada AEIOUX, em que “4/A” representa maior grau de afinidade entre duas UPE (unidades de planejamento de espaço), por tanto maior necessidade de proximidade, e “-1/X” grau negativo, ou seja, devem ser separadas. DIAGRAMA DE AFINIDADES O Diagrama de Afinidades é estruturado na forma de uma matriz triangular. Nas linhas da matriz são listadas as unidades de planejamento de espaço (UPE), ou seja, todos os elementos que ocuparão um espaço físico no layout de estudo. Nas interseções entre linhas na parte triangular da matriz são registradas as afinidades entre as UPE, conforme o grau de afinidade. Além dos dados de processo, provenientes dos diagramas de processo, também podem ser considerados outros tipos de afinidades, incluindo comunicações, compartilhamento de equipamentos ou de pessoal, entre outros. 26/10/2018 9 DIAGRAMA DE AFINIDADES DIAGRAMA DE INTERLIGAÇÕES Também se pode incluir entre as ferramentas clássicas de projeto de layout ou diagrama de configuração, também chamado de Diagrama de Fluxo ou de Inter- relações, e o Planejamento Primitivo de Espaço. Representa graficamente as afinidades existentes entre as diferentes UPE em estudo, sendo utilizado um processo de graduação de confecção baseado nas intensidades de relacionamentos. Inicialmente são incluídas as afinidades tipo A e reorganizado o diagrama para que sejam eliminadas as sobreposições de linhas que possam existir. Em seguida as afinidades tipo E são adicionadas, realizando-se uma nova rodada de eliminação de sobreposições. Feito isso, caso a complexidade do diagrama permitir, adicione as afinidades tipos I e O, tentando evitar ao máximo a inclusão de linhas sobrepostas. Havendo afinidades tipo X, estas também devem ser consideradas. O planejamento Primitivo de Espaço é um detalhamento do Diagrama de Configuração, no qual as necessidades de espaço são sobrepostas ao Digrama de Configuração, permitindo uma melhor visualização do conjunto de UPES e possibilidades de união entre elas. 26/10/2018 10 Uma outra opção para a elaboração da proposta de layout, utilizando o algoritmo de cartas de relacionamento, segue os seguintes passos: • Passo 1: Selecionar a primeira seção a entrar no layout “A”. A seção com maior número de “A” é selecionada e colocada no centro do layout. Regra para desempate: o maior n° de “E”, o maior n° de “I”, o menor n° de “X”. • Passo 2: Selecionar a segunda seção a entrar no layout. A seção deve ter um relacionamento do tipo “A” com a primeira seção já selecionada. Regra para desempate: regra de desempate do passo 1. • Passo 3: Selecionar a terceira seção a entrar no layout. A seção deve ter a mais alta combinação de relacionamentos com as duas seções já selecionadas. Regra para desempate: regra de desempate do passo 1 • Passo 4: Selecionar a quarta seção a entrar no layout. Segue o mesmo processo do passo 3. • Passo “n”: selecione a seção ‘n’ DIAGRAMA DO FLUXO DE PRODUÇÃO LAYOUT ATUAL DA FÁBRICA 26/10/2018 11 LAYOUT ATUAL DA FÁBRICA OTIMIZADO