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NEOPLASTICIDADE NO TRAUMATISMO RAQUIMEDULAR
 A coluna vertebral, encontra-se dividida em secções e é composta por 33 vértebras: Sendo 7 cervicais, 12 vértebras torácicas, 5 lombares e 5 vértebras fundidas denominadas de sacro. A medula espinhal , funciona como uma via utilizada para enviar as mensagens entre o cérebro e as restantes partes do corpo. Mede cerca de 42 a 45 cm nos adultos, e é protegida pelas vértebras da coluna vertebral. A espinal medula prolonga-se desde a base do cérebro até um pouco abaixo da cintura. Os nervos raquidianos ligam a espinal medula aos músculos esqueléticos e são oito pares de nervos cervicais, doze pares de nervos torácicos, cinco pares de lombares, cinco pares de nervos sagrados e um par de coccígeo (LINSEY, KLEBINE, & WELLS, 2000) & (SIMÕES, 2008).
No traumatismo raquimedular ocorre lesão da medula espinhal e, conseqüentes alterações motoras, sensitivas e autonômicas parciais ou totais nos segmentos corporais localizados abaixo do nível da lesão. Além de alterações viscerais, esfincterianas, sexuais e tróficas. (CEREZETTI, et. al. 2012) Esse comprometimento ocorre devido a morte dos neurônios da medula e quebra de comunicação entre os axônios e suas conexões: Através de obstrução e/ou alteração da transmissão e modulação dos sinais neurais, assim comprometendo o sistema integrativo do sistema nervoso central. (VILLAR, 1997)
A origem das lesões ocorrem de forma traumática (acidentes automobilísticos, ferimento por arma de fogo, mergulhos em águas rasas, acidentes esportivos) e não-traumáticas (tumores, infecções, alterações vasculares).
As manifestações clinicas estão relacionados ao nível e grau da lesão: Quanto ao nível estão classificadas como: completa - ocorre perda sensitiva e paralisia motora total abaixo do nível da lesão, devido a secção dos tratos nervosos; E lesão incompleta - ocorre secção parcial dos tratos nervosos, podendo estar preservados funções motoras e sensitivas. De acordo com o nível da lesão medular o paciente pode ser paraplégico (quando há perda da função motora e/ou sensitiva dos segmentos torácicos, lombares e sacrais da medula espinhal) ou tetraplégico (com perda da função dos membros superiores, do tronco e dos membros inferiores). (BRUNOZI, 2011)
Utilizando a Escala ASIA, podemos classificar a lesão medular segundo seu comprometimento neurológico (Grau de Extensão) A Associação Americana de Lesão Medular Espinhal define lesões completas e incompletas funcionalmente: A - completa perda sensório -motora caudal ao nível da Lesão medular espinhal; B - não há função motora, mas a função sensitiva está preservava caudalmente ao nível; C -Incompleta, e alguma função motora preservada, mas a maioria dos músculos caudais a lesão apresentam força muscular inferior a 3 pontos em uma escala de 5 pontos; D - Incompleta, a maioria dos músculos caudais a lesão apresentam 3 ou mais pontos na escala de força. (MAYNARD et. al., 1997 apud ILHA, 2011)
Clinicamente caracterizamos as lesões medulares em completas e incompletas dependendo da presença ou ausência das funções neurológicas caudais ao nível da lesão. A paralisia é caracterizada pela lesão do motoneuronio inferior quando os tratos da substância branca são lesionados ocorrendo interrupção da comunicação neuronal. Caudal a lesão, a paralisia é caracterizada por lesão do neurônio motor superior, com aumento do tônus muscular (espasticidade), reflexos exagerados (hiperreflexia), e sinal de Babinski positivo. (KAKULAS, 2004 apud ILHA, 2011)
A Lesão Medular Espinhal provoca interrupção na transmissão de sinais enviados aos neurônios motores superiores para os inferiores e interneurônios locais relacionados. Após a lesão existe um período de "choque medular" no qual o indivíduo apresenta paralisia muscular flácida e perda dos reflexos tendíneos abaixo do nível da lesão. Esse período persiste de 1 a 3 semanas, desenvolvendo hiperreflexia e espasmos involuntários, atrofia da musculatura. (ILHA, 2011)
Fisiopatologicamente após o trauma ocorre além de hematoma central, na medula espinhal através de exame de ressonância magnética vemos a compressão ou avulsão da mesma, levando a destruição da substância cinzenta dos cornos ventral e dorsal por vários ou um nível espinhal e a lesão completa ou incompleta da substância branca nos tratos ascendentes e descendentes. A secção completa do axônio causa interrupção do transporte axonal, privando a interação metabólica com o corpo celular, axônio e os terminais sinápticos e consequente degeneração. Sendo assim, ocorre gradual destruição tecidual na medula espinhal estendendo-se os danos neurais por vários segmentos no sentido cranio-caudal, levando a isquemia, ao edema, a desmielinização e necrose tecidual. (ILHA, 2011)
Mesmo após o trauma, o sistema nervoso tem o poder de se adaptar ou seja existe plasticidade cerebral , trata-se de uma habilidade para modificar sua organização própria e funcionalmente. Os mecanismos de plasticidade ocorre pelo brotamento axonal e formação de conexões sinápticas e a supersensitividade de desnervação, através do aumento anormal da membrana neural à estimulação aferente e a ativação de sinapses dormentes. 
Foi avaliado através da Disciplina de prática supervisionada ministrada pela professora Rafaela Wanderley nas instalações do IDE, um paciente diagnosticado com Traumatismo Raquimedular, seus dados pessoais aqui não registrados. Achados relevantes: Sexo masculino,colaborativo, cadeirante, reside no bairro de casa amarela no município de Recife -PE. 
O Historico da doença atual: sofreu acidente por arma de fogo numa briga em seu bairro, quando estava de costas e nesse momento caiu e foi levado para o Hospital da Restauração onde foi devidamente socorrido.O diagnóstico fisioterapêutico foi fraqueza muscular de membro inferior em musculatura inervada abaixo de T1-T2. Não faz uso de medicamento e não levou exames complementares. Faz fisioterapia continuamente desde então na FIR. E desenvolveu transferências, força muscular em MMSS, e devido a plasticidade passou de tetraplegia para paraplegia. O paciente não apresenta movimentos involuntários e nem automatismos medulares
Sua queixa principal é ter mais força muscular no tronco e membros inferiores para desenvolver atividades de vida diária. Com relação às suas AVD’s, o paciente as realiza com independência total. E com relação às AVD´p, o paciente realiza tudo normalmente, não podendo realizar atividades que levem o seguimento lombar alto a um stress (carga). Dirige, aposentado pela previdência, não trabalha.
No exame físico lesão incompleta. ASIA C, com nível sensitivo assimétrico (maior do lado direito) em T2 e motor em T4-T5. Apresenta boa adaptação a cadeira de rodas e padrões posturais e hipertonia de MMII. Possui mobilidade da cabeça, pescoço e MMSS preservados, e mobilidade de tronco e MMII diminuídas abaixo do nível da lesão. Seu equilíbrio estático sentado (realiza); Gatas (realiza com dificuldade); não fica de joelhos e bipedestação. Equilíbrio dinâmico: não realiza marcha. 
Há espasmos posturais devido a fraqueza muscular em tronco e MMII, em especial músculo reto abdominal e trasnversos do abdomem. As manobras deficitárias barre, rechaço, ramiste, mingazinne e prova de queda dos membros inferiores não consegue realizar (positivo) e negatico para MMSS. A coordenação motora grossa e fina apresenta-se normal. Sua reação de proteção encontra-se normal. Sua reação de endireitamento encontra-se alterada devido a diminuição de força dos músculos estáticos e dinâmicos. 
Objetivos do tratamento: Aumentar o controle do tronco, melhorar sua estabilidade postural, mobilizar MMII, melhorar as transferências estáticas (sentado-ajoelhado), estimular ganhos proprioceptivos.
FACULDADE REDENTOR
CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM NEUROFUNCIONAL
LUCIULA VASCONCELOS VALENÇA 
NEOPLASTICIDADE NO TRAUMATISMO RAQUIMEDULAR :
 RELATO DE CASO
RECIFE
2014
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICASBRUNOZI, Aliny Eugênia, et al. Qualidade de Vida na Lesão Medular Traumática. Rev Neurocienc 2011;19(1):139-144
 1
CEREZETTI, C. R., NUNES, G. R., CORDEIRO, D. R., & TEDESCO, S. (2012). Lesão Medular Traumática e estratégias de enfrentamento: revisão crítica. O Mundo da Saúde, pp. 318-326.
ILHA, Jocemar. Reabilitação e Plasticidade neuromuscular após lesão medular: efeitos do treino de marcha em esteira e transplante de glia embaiante olfatória. Tese de Doutorado: Porto Alegre, 4 de abril de 2011.
LINSEY, L., KLEBINE, P., & WELLS, M. J. (2000). Obtido em agosto de 2014, de UAB School of Medicine: http://www.uab.edu/medicine/sci/uab-scims-information/sci-infosheets
 MAYNARD, FM, Glass J. Management of theneuropathic bladder by clean intermitten catheterisation: 5 year outcomes. Paraplegia 1987;25:106-10.
SIMÕES, C. M. (2008). Paraplegia: Prevalência, Etiologia e Processo de Reabilitação. Tese de Mestrado. Universidade do Minho - Instituto de Educação e Psicologia.
VILLAR, F. A. S. Alterações centrais e periféricas após lesão do sistema nervoso central. considerações e implicações para a prática da fisioterapia. Rev. Bras. Fisiot., v.2, n.1, 1997.

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