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CAPÍTULO 1
Deficiência intelectual: 
RelembRanDo aspectos HistóRicos, 
políticos e cultuRais
A partir da perspectiva do saber fazer, neste capítulo você terá os seguintes 
objetivos de aprendizagem:
 3 Compreender a trajetória da inclusão escolar de alunos com deficiência 
intelectual no Brasil. 
 3 Relembrar aspectos significativos da legislação brasileira para a inclusão escolar. 
 3 Contextualizar a inclusão escolar de alunos com deficiência intelectual a partir de 
exemplos e experiências positivas. 
A inclusão é uma visão, uma estrada a ser viajada, 
mas uma estrada sem fim, com todos os tipos de 
barreiras e obstáculos, alguns dos quais estão em 
nossas mentes e em nossos corações.
(PETER MITTLER, 2003, p. 21).
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 Práticas de Ensino para a Deficiência Intelectual: Educação Física, Arte e Ludicidade
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Deficiência intelectual: 
RelembRanDo aspectos HistóRicos, políticos e cultuRais Capítulo 1 
As obras de Arte 
indicam pessoas com 
deficiência em várias 
épocas, como com 
deficiência física, como 
o guardião de Roma e 
um músico anão da V 
Dinastia.
contextualização
Este capítulo abordará de forma sucinta alguns aspectos relacionados à 
inclusão de pessoas com necessidades especiais no Brasil e, em seguida, 
abordaremos a legislação para a inclusão da pessoa com deficiência intelectual. 
No decorrer do seu curso, certamente vários professores foram apontando 
características gerais e específicas acerca da inclusão social e escolar de 
alunos com deficiência intelectual. Neste capítulo pretendemos relembrar esta 
trajetória, contextualizando com a prática cotidiana. 
Para sustentar nossas reflexões utilizaremos como arcabouço teórico 
autores como Mittler (2003) e Vigotsky (1997), além de documentos 
internacionais que tratam das questões legais da inclusão, como também os 
documentos do Ministério da Educação (MEC).
legislação bRasileiRa paRa inclusão escolaR
Inclusão é sair das escolas dos diferentes 
e promover a escola das diferenças.
(MANTOAN, 2011)
Se adentrarmos na história da inclusão e exclusão, perceberemos com 
facilidade que se trata de um fator social presente desde os tempos mais 
remotos. Segundo a história da humanidade, registros indicam que nas 
civilizações mais antigas, por exemplo, o acolhimento ou o não acolhimento da 
diversidade sempre foi um assunto ditado pelas normas e leis de cada civilização.
Para Gugel (2007), as obras de Arte indicam pessoas com deficiência em 
várias épocas, como com deficiência física, como o guardião de Roma e um 
músico anão da V Dinastia.
Podemos sintetizar a história da inclusão em diferentes épocas da 
seguinte forma:
Egito: o povo egípcio incluía as pessoas com deficiência em sociedade, 
algo quase comum em uma civilização com uniões consanguíneas. A história 
desta civilização também é marcada pela comum existência de pessoas cegas, 
papiros médicos mostram procedimentos para curar os olhos;
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Grécia: o povo grego sempre cultuou o corpo e a perfeição, assim 
excluíam e eliminavam as crianças que nasciam com alguma deficiência. A 
perfeição era condição para participação da vida social em Esparta.
Roma: ainda com o culto à força física dos guerreiros, o povo romano 
jogava as crianças com deficiência no Rio Tibre, pois as anormalidades 
caracterizavam um perigo para a continuidade da espécie. 
Idade Média: pessoas com deficiência eram associadas à imagem do 
diabo, da feitiçaria, da bruxaria e do pecado, sendo novamente isolados 
e exterminados. Neste momento, as pessoas com deficiência tinham um 
comportamento consequente de forças sobrenaturais. 
Na antiguidade clássica as pessoas com deficiência foram 
consideradas possessas de demônios e de maus espíritos. 
[...]. Os modelos econômicos, sociais e culturais impuseram 
às pessoas com deficiência uma inadaptação geradora de 
ignorância, preconceitos e tabus que, ao longo dos séculos 
e séculos, alimentaram os mitos populares da periculosidade 
das pessoas com deficiência mental e do seu caráter 
demoníaco, determinando atitudes de rejeição, medo e 
vergonha (VIEIRA e PEREIRA 2003, p.17).
Após este período, a igreja passa a acolher e proteger as pessoas com 
deficiências, no entanto, ao \u201cacolher\u201d essas pessoas, a igreja os tornava uma 
espécie de servo trabalhador da instituição, que tentava manter uma posição 
caritativa e filantrópica. Exemplo disto é a tão famosa história do \u201cCorcunda de 
Notre Dame\u201d.
Figura 01 - Corcunda de Notre Dame
Fonte: Disponível em: <http://maniacosporfilme.wordpress.
com/2011/10/22/o-corcunda-de-notre-dame-1939-um-classico-
de-partir-o-coracao/>. Acesso em: 1° set. 2012.
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Deficiência intelectual: 
RelembRanDo aspectos HistóRicos, políticos e cultuRais Capítulo 1 
Foi a partir da segunda 
guerra mundial 
que se percebeu 
uma necessidade 
de reorganizar 
a sociedade, 
reabilitando os homens 
sobreviventes da 
guerra.
Foi a partir da segunda guerra mundial que se percebeu uma necessidade 
de reorganizar a sociedade, reabilitando os homens sobreviventes da guerra. 
Surge então, em 1948, a Declaração Universal dos Direitos Humanos. Esta 
declaração surge em convergência com a Declaração de Direitos Inglesa, a 
Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão na França, a criação da 
Organização das Nações Unidas (ONU) em 1945. Esta declaração serviu 
de base para todas as declarações e legislações posteriores que defendem 
o direito de todas as pessoas de viverem em sociedade de forma justa e 
igualitária, promovendo a inclusão de todos.
Organizamos uma relação dos documentos internacionais norteadores 
das Políticas de Inclusão de pessoas com necessidades especiais. Esta é uma 
síntese dos documentos disponíveis no site do MEC (BRASIL, 2013): 
\u2022	 Declaração Universal dos Direitos Humanos
Aprovada em 1948 na Assembleia Geral da Organização das Nações 
Unidas (ONU). Esta declaração é a base da luta universal contra a opressão e 
a discriminação, defende a igualdade e a dignidade das pessoas e reconhece 
que os direitos humanos e as liberdades fundamentais devem ser aplicados 
a cada cidadão do planeta. Assegura às pessoas com deficiência os mesmos 
direitos de todos os cidadãos, tais como: direito à liberdade, a uma vida 
digna, à educação fundamental, ao desenvolvimento pessoal e social e à livre 
participação na comunidade.
\u2022	 Declaração	dos	Direitos	das	Pessoas	Deficientes	
Resolução aprovada pela Assembleia Geral da Organização das Nações 
Unidas em 09/12/75. O documento, além de relembrar os direitos humanos, 
apela à ação nacional e internacional para assegurar que ela seja utilizada 
como base comum de referência para a proteção destes direitos para a pessoa 
com deficiência.
\u2022	 Declaração de Jomtien
Em 1990, aconteceu em Jomtien, na Tailândia, a Conferência Mundial 
sobre Educação para todos, da qual o Brasil participou. Assim, ao assinar 
esta Declaração, o Brasil assume o compromisso perante a comunidade 
internacional de erradicar o analfabetismo e universalizar o ensino 
fundamental no país.
REGI LOUREIRO
Realce
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 Práticas de Ensino para a Deficiência Intelectual: Educação Física, Arte e Ludicidade
Em 1994, a UNESCO 
organizou a 
Conferência Mundial 
sobre Necessidades 
Educativas Especiais: 
acesso e qualidade, 
em Salamanca 
(Espanha)
\u2022	 Declaração de Salamanca
Em 1994, a UNESCO organizou a Conferência Mundial sobre Necessidades 
Educativas Especiais: acesso e qualidade, em Salamanca (Espanha), 
objetivando a atenção educacional aos alunos com necessidades educacionais 
especiais. O resultado desta conferência é um dos principais documentos 
norteadores da inclusão mundial, a Declaração de Salamanca, que instituiu a 
inclusão social e escolar de pessoas com necessidades especiais. 
\u2022	 Convenção de Guatemala
Trata-se de uma convenção que foi realizada na Guatemala, em 1999, e 
teve a participação de vários países sul-americanos,