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Roteiro de Farmacotécnica Homeopática sobre formas sólidas (glóbulos e pós). Apresenta preparo do insumo em etanol ≥77%, impregnação de glóbulos (≥5% v/p), tamanhos, secagem ≤50°C, cálculos e método tríplice; pós (≥10% v/p, dose 300–500 mg) e referências.

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Faculdade Ciências da Vida 
Roteiro Farmacotécnica Homeopática 
Profa Francielda Queiroz Oliveira 
Referente à aula de 27/03/2020 
 
Olá alunos, estamos na sequência de nossos estudos de forma remota e 
esperamos retornar logo para os nossos encontros. Enquanto isso vamos 
continuar a estudar sobre as formas farmacêuticas de uso interno, mas desta vez 
as sólidas. Lembram dos glóbulos, que tanto ouvimos falar? E que é uma das 
formas farmacêuticas mais comercializadas? Vamos conhecer um pouco mais 
sobre esta forma. Leia o texto a seguir, baseado em Dutra (2011), Farmacopeia 
Homeopática Brasileira (2011). 
Vamos aos nossos estudos? Que tal se unirem neste momento? Marquem 
videoconferência, estudem juntos! Vamos lá! 
Glóbulos 
A forma farmacêutica esférica denominada glóbulo (glob.) é preparada pela 
técnica de impregnação de glóbulos inertes, constituídos simplesmente de 
sacarose ou dessa associada à lactose, diferenciados em 3 tamanhos variados: 
no 3 (30 mg), no 5 (50 mg) e no 7 (70 mg). 
Para obtenção dessa forma farmacêutica, primeiramente é necessário que o 
insumo ativo líquido, na potência desejada, seja preparado em etanol com teor 
alcoólico igual ou superior a 77% (v/v). Lembre-se que pode já estar disponível a 
matriz, solução de estoque, para dar sequência à manipulação. 
Feito isso, os glóbulos inertes serão impregnados (momento em que se 
goteja/acrescenta o insumo ativo na proporção de no mínimo 5% (v/p), conforme 
recomenda a 3ª edição vigente da Farmacopeia Homeopática (2011). Proceder a 
secagem separada de cada medicamento, em temperatura não superior a 50°C. 
Vamos lá, imagine que você foi solicitado a dispensar 15g de glóbulos de 
Aconitum napellus 20 CH a 5%. Como proceder? Já sei que você imaginou o 
cálculo. 
 
1. Vamos partir do princípio que há na sua farmácia a matriz solicitada (Aconitum 
20CH). 
2. Agora você sabe que é 5% v/p e o peso final será de 15g. 
Logo: 
 
5mL do insumo ativo em 100g do insumo inerte 
X em 15g do insumo inerte 
 
5---------100 
x----------15 
x= 0,75mL 
 
3. É possível notar que seriam utilizados 0,75mL de Aconitum 20 CH que deverão 
ser adicionados aos 15g de glóbulos em uma única vez ou em 3 vezes 
separadamente, como é descrito a seguir. Mas antes de continuar, calcule quanto 
de insumo ativo deveria usar para preparar: 
a) Bryonia alba 10CH glóbulos 20g a 10%. 
b) Natrum muriaticum 30CH 30g a 5%. 
 
Anteriormente, a 2ª edição da Farmacopeia Homeopática recomendava utilizar o 
método da tríplice impregnação com o insumo ativo na proporção de 10% (v/p). 
Esse método da tríplice impregnação consiste em dividir igualmente em três 
partes a quantidade de insumo ativo, impregnar os glóbulos inertes com a 1ª parte 
deste, homogeneizar com agitação e aguardar secar antes de adicionar a 2ª parte 
dividida do insumo ativo, homogeneizar e secar, e por último adicionar a 3ª parte 
do insumo ativo, homogeneizar com agitação e secar. 
Dois ou mais insumos ativos líquidos podem ser associados, mediante o preparo 
individual de cada o insumo ativo, na potência desejada, em etanol a 77% (v/v) 
ou superior, posterior mistura em partes iguais e suficientes para então impregnar 
os glóbulos inertes, na proporção de no mínimo 5% (v/p). 
Como dose única deverão ser dispensados 5 glóbulos, quando não especificado 
na prescrição, que serão impregnados com 2 gotas do insumo ativo na potência 
desejada. 
Para complementação da compreensão das técnicas de impregnação em 
glóbulos, leia o seguinte artigo intitulado “Estudo comparativo dos métodos da 
simples e tríplice impregnação de glóbulos empregados em homeopatia”, escrito 
por duas farmacêuticas (SÁ; ALVES, 2012) e publicado pela Revista Científica da 
Faculdade de Educação e Meio Ambiente. O acesso à íntegra do artigo se dá 
através do site disponível em: 
http://www.faema.edu.br/revistas/index.php/Revista-FAEMA/article/view/131/332 
 
Para complementar esse estudo acesse o material disponível em 
http://respostatecnica.org.br/dossie-tecnico/downloadsDT/NTQzNQ==, nas 
páginas 14 a 18. 
 
Pós 
Os pós representam uma forma farmacêutica de uso interno composta pela 
veiculação, em lactose, do insumo ativo na potência desejada, podendo ser 
preparado por duas técnicas diferentes dependendo do estado físico do insumo 
ativo: por impregnação se for líquido ou por mistura se for sólido, sendo esse 
http://www.faema.edu.br/revistas/index.php/Revista-FAEMA/article/view/131/332
http://respostatecnica.org.br/dossie-tecnico/downloadsDT/NTQzNQ==
último aplicável para as potências até 6DH e até 3CH provenientes de droga 
insolúvel. 
Tal como visto para os glóbulos, a técnica de impregnação inicia com a 
preparação do insumo ativo líquido, na potência desejada, em etanol a 77% (v/v) 
ou superior. 
 
Considerar para cada dose o equivalente entre 300 mg e 500 mg e impregnar a 
lactose com insumo ativo líquido, na proporção de, no mínimo, 10% (v/p). 
Aguardar a secagem em temperatura não superior a 50°C. 
 
Agora pare um pouco e realize o cálculo para a dispensação de 500mg de pó 
homeopático de de Apis melifica 10CH 2g 10% e depois distribuir em pacotes de 
500mg cada. 
 
Já deu para perceber que terá de fazer uma regra de três simples, não é mesmo? 
10---------100 
 x------------2 
x= 0,2 mL 
 
Isso significa que você terá que impregnar em 2g de lactose 0,2mL de Apis 
melifica 10CH (que você já tem como matriz). 
 
Aproveite e proponha cálculos com diferentes pesos finais ou para uma 
quantidade única de 500mg de qualquer insumo ativo à sua escolha. 
 
 
A técnica de mistura empregada quando o insumo ativo é sólido e foi obtido por 
trituração com lactose na potência desejada, consiste em homogeneizar no 
mínimo 10% (p/p) deste, em 300 mg a 500 mg de lactose por dose a ser 
preparada, descontando a massa do insumo ativo. 
Para essa forma farmacêutica há a possibilidade de associar insumos ativos 
sólidos e líquidos em uma mesma formulação, empregando simultaneamente as 
técnicas de mistura e impregnação, desde que o total de insumos ativos 
correspondem a 10% (p/p) da formulação, no mínimo, dividindo-os nas devidas 
proporções. 
Como já dito anteriormente, os insumos ativos serão preparados separadamente. 
Misturar e homogeneizar os insumos ativos sólidos preparados individualmente 
nas dinamizações desejadas. 
Paralelamente, misturar e homogeneizar os insumos ativos líquidos preparados 
individualmente nas dinamizações desejadas. 
»» Calcular a quantidade de insumo inerte a ser utilizada, descontando a fase 
sólida. 
»» Pesar a lactose e sobre a mesma, adicionar a fase líquida, homogeneizando. 
»» Em seguida, adicionar a fase sólida e homogeneizar. 
»» Repartir as doses em porções de 300 mg a 500 mg. 
»» Secar, em temperatura não superior a 50 °C. 
As doses únicas serão disponibilizadas em apresentações contendo de 300 a 500 
mg de lactose impregnada com duas gotas do insumo ativo ou conforme 
especificado na prescrição. 
 
Tabletes 
Os tabletes (tabl.) são formas farmacêuticas sólidas de uso interno preparadas 
por moldagem da lactose em tableteiro, sem que sejam adicionados adjuvantes. 
Cada tablete apresentará peso entre 75 mg e 150 mg. 
A incorporação do insumo ativo será realizada na proporção de no mínimo 10% e 
as técnicas empregadas poderão ser: por impregnação ou por moldagem. 
Sendo o insumo ativo líquido, poderá ser feita a impregnação de no mínimo 10% 
(v/p) do insumo ativo líquido previamente preparado na potência desejada, em 
etanol 77% (v/v) ou superior em tabletes inertes, que passarão por secagem em 
temperatura não superior a 50°C. 
Optativamente, os tabletes poderão ser obtidos pela técnica de moldagem, na 
qual a lactose deverá ser impregnada com no mínimo 10% (v/p) do insumo ativo 
líquido previamente preparado na potência desejada, em etanol 77% (v/v) ou 
superior; a mistura será homogeneizada, podendo ser adicionada quantidade 
suficiente de etanola 77% (v/v) ou superior para dar o ponto de moldar em 
tableteiro, proceder a extrusãoe secar em temperatura não superior a 50°C. 
Se o insumo ativo for sólido, a técnica empregada será de moldagem. Primeiro 
deverá ser preparado o insumo ativo por trituração da droga insolúvel em lactose 
na potência até 6DH trit. ou 3CH trit. 
Utilizar no mínimo 10% (p/p) desse insumo ativo sólido para misturar com a 
lactose, homogeneizar e adicionar quantidade suficiente de etanol a 77% (v/v) ou 
superior para dar o ponto de moldar em tableteiro, proceder a extrusão e secar 
em temperatura não superior a 50°C. 
É possível associar insumos ativos líquidos com sólidos, desde que aplicadas a 
técnica de moldagem. Para os cálculos, considerar que o total de insumos ativos 
devem perfazer no mínimo 10% da formulação. 
Dividir essa proporção entre os insumos ativos e preparar separadamente cada 
um deles. Misturar e homogeneizar as preparações sólidas. À parte, misturar e 
homogeneizar as preparações líquidas. Calcular o insumo inerte, descontando a 
fase sólida e pesar a lactose. 
Impregnar com a fase líquida, homogeneizando, e em seguida acrescentar a fase 
sólida e misturar. 
Moldar em tableteiro, proceder a extrusão e secar em temperatura não superior a 
50°C. 
A dispensação da dose única é padronizada para ser 1 tablete impregnado com 
duas gotas do insumo ativo ou conforme especificado na prescrição. 
 
Obs: Geralmente tem-se o tablete já pronto para impregnação e não é necessário 
produzir em tableteiro no ambiente da farmácia. 
 
Comprimidos 
 
Será possível notar uma semelhança no preparo em relação ao tablete. Os 
comprimidos (comp.) são formas farmacêuticas sólidas de uso interno, com peso 
entre 100 mg e 300 mg, obtidos pela impregnação do insumo ativo líquido em 
comprimidos inertes ou pela técnica de compressão do insumo ativo, que pode 
estar no estado sólido ou líquido, homogeneizado com o insumo inerte, que será 
lactose ou ainda, mistura dessa com outros adjuvantes. Em ambos casos, a 
incorporação do insumo ativo será realizada na proporção de no mínimo 10%. 
Sendo o insumo ativo líquido, poderá ser feita a impregnação de no mínimo 10% 
(v/p) do insumo ativo líquido previamente preparado na potência desejada, em 
etanol 77% (v/v) ou superior em comprimidos inertes, que passarão por secagem, 
se necessário, em temperatura não superior a 50°C. 
Optativamente, os comprimidos poderão ser obtidos pela técnica de compressão, 
na qual a lactose, com ou sem adição de adjuvantes, deverá ser impregnada com 
no mínimo 10% (v/p) do insumo ativo líquido previamente preparado na potência 
desejada, em etanol 77% (v/v) ou superior. 
A mistura será homogeneizada e levada à compressão direta com ou sem 
granulação prévia feita com q.s. de solução alcoólica e tamisada. Por fim, secar 
em temperatura não superior a 50°C. 
Se o insumo ativo for sólido, a técnica empregada será de compressão. Primeiro 
deverá ser preparado o insumo ativo por trituração da droga insolúvel em lactose 
na potência até 6DH trit. ou 3CH trit. Utilizar no mínimo 10% (p/p) desse insumo 
ativo sólido para misturar com a lactose, 
com ou sem adição de adjuvantes, homogeneizar e levar à compressão direta ou 
com granulação prévia. Aplicar a técnica de compressão para associar insumos 
ativos sólidos e líquidos. Para os cálculos, considerar que o total de insumos 
ativos devem perfazer no mínimo 10% da formulação. 
Dividir essa proporção entre os insumos ativos e preparar separadamente cada 
um deles. Misturar e homogeneizar as preparações sólidas. 
 
À parte, misturar e homogeneizar as preparações líquidas. Calcular o insumo 
inerte, descontando a fase sólida e pesar a lactose, juntamente com os adjuvantes 
caso sejam utilizados. Impregnar com a fase líquida, homogeneizando, e em 
seguida acrescentar a fase sólida e misturar. Levar à compressão direta ou com 
granulação prévia. 
A dose única será, quando não especificado na prescrição, composta de 1 
comprimido impregnado por duas gotas do insumo ativo. 
Para facilitar, as principais informações de padronização aqui apresentadas sobre 
as formas farmacêuticas de uso interno, foram compiladas como um guia rápido 
de consulta e serão de utilidade, principalmente, quando não houver nenhuma 
exigência particular na prescrição que se sobreponha a tais especificações. 
 
Agora que você já aprendeu como manipular os comprimidos e tabletes responda 
como seria a dispensação de 1 comprimido e um tablete de Chamomilla 5DH. 
 
E como seria a dispensação de 10 comprimidos de 100mg de Chamomilla 10 CH, 
sabendo que a proporção v/p é de 10%. 
 
 
Você pode enviar a resposta, dizer o que achou, como manipulou. 
 
Para fechar o nosso estudo de hoje que tal assistir esse vídeo de manipulação 
homeopática, nele você verá diferentes formas farmacêuticas, inclusive as 
dinamizações sendo realizadas em aparelho denominado dinamizador. 
https://www.youtube.com/watch?v=otTUlRR-2ZA&t=7s 
 
Agora que tal você elaborar um quadro com as formas de preparo estudadas? 
 
Exemplo: 
 
Para o preparo de doses únicas: 
 
Forma farmacêutica Insumo inerte Insumo ativo 
Glóbulos 5 glóbulos 2 gotas 
 
Agora vá completando com as outras doses únicas citadas no texto. 
 
E outro com o resumo destas formas farmacêuticas que estudamos quando não 
estiverem descritas como dose única. 
 
Para complementar verifique os métodos de preparo para os medicamentos a 
seguir: 
 
1. Explique o preparo e dispensação dos medicamentos a seguir (Demonstrar 
os cálculos, insumos ativos e insumos inertes empregados): 
a) Aesculus hipocastanum 6 CH, glóbulos 20g, sabendo-se que a 
preparação final será a 5%, tríplice impregnação. Ingerir 5 glóbulos 3 vezes 
ao dia. 
https://www.youtube.com/watch?v=otTUlRR-2ZA&t=7s
b) Aconitum napellus 30 CH Dose única. Um frasco com Glóbulo, um 
comprimido e um papel com 500mg. 
 
Estou à disposição para auxiliá-los da melhor forma. 
 
 
Bons estudos e até a próxima!

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