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Uma análise sobre “O MUNDO ANTIGO: GRÉCIA E ROMA” (CÁP. 2) do Livro O Direito na História, escrito por JOSÉ REINALDO DE LIMA LOPES. 
 Ana Luisa Araújo Pantoja
Graduanda em Direito pelo Centro Universitário do Estado do Pará – CESUPA.
Autor 
O autor José Reinaldo de Lima Lopes graduou-se em Direito e Letras, respectivamente nos anos de 1975 e 1978, pela Universidade de São Paulo e Teologia. Possui Doutorado em Direito pela Universidade de São Paulo, no ano de 1991 e Pós-doutorado pela Universidade da Califórnia, em 1995. José Reinaldo foi o professor fundador da Escola de Direito de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas e Diretor do Centro de Pesquisa Jurídica Aplicada (CPJA), atuando no ano de 2002 até 2014. Possui vastas associações internacionais, tendo sido visitante na Universidade Nacional da Colômbia e na Universidade de Munique (Cátedra Rio Branco), colaborou também como pesquisador na Universidade De Roma I (La Sapienza) e na Indiana University. O autor tem seu enfoque voltado às temáticas da Teoria e História do Direito, Direito do Consumidor, Direitos Humanos e tendo maior participação nos da justiça, raciocínio jurídico, história e direitos do conhecimento. 
É autor de ampla diversidade bibliográfica, como “A longa vida do processo civil” (Revista da Faculdade de Direito - USP v. 112, p. 409-419, 2018); “Filosofia analítica e hermenêutica: preliminares a uma teoria do direito como prática” (Revista de Informação Legislativa, v. 53, p. 203-226, 2016); “Direito da Concorrência e Direito do Consumidor. Revista de Direito do Consumidor” (São Paulo, SP, v. 34, p. 79-97, 2001) tendo recebido o Prêmio Jabuti de melhor livro jurídico em 2006 pela publicação do livro “Curso de História do Direito” (Editora Método., 2006). Como consequência do seu aporte bibliográfico e contribuições acadêmicas acumuladas, José Reinaldo de Lima Lopes recebeu a Medalha da Ordem Nacional do Mérito Científico pelo Ministério da Ciência e Tecnologia em 2010. 
Resumo do texto
No capítulo dois do livro “O Direito na História”, o escritor ressalta que, as tradições jurídicas atenienses são modelos preferíveis ao modelo espartanos, visto que são mais reconhecíveis, embora as duas compartilhem da mesma tradição que segundo Lopes (2014-19) “[...] a laicização do Direito e a ideia de que as leis podem ser revogadas pelos mesmos homens que as fizeram”. 
O texto de José Reinaldo evidencia as formas distintas de Grécia e Roma praticarem o estudo do direito, tendo como exemplo que os gregos não estudavam em escolas específicas de juristas ou de ensino do direito, apenas existindo o ensinamento da retórica, dialética e filosofia. Era costumeiro aprender as leis recitando de forma poética fazendo parte da cultura grega. “Existiam os logógrafos que possuíam o conhecimento jurídico e eram redatores dos discursos forenses, porém conforme Lopes os discursos eram essencialmente persuasivos porque os julgadores eram leigos”. (2000-21)
O autor evidencia que a filosofia teve um papel relevante no desenvolvimento do Direito, visto que os sofistas iniciaram os questionamentos sobre a liberdade, política e ética, o ensino evidenciou a necessidade de ter um conhecimento jurídico por uma questão maior: ser um bom cidadão. (2000-21). 
Para os gregos, a justiça deveria ser ampla e universal, consoante a Lopes (2000-22) “Se acima das solidariedades familiares é possível construir uma solidariedade cívica, então também é possível que haja uma solidariedade ainda mais universal”. O pensamento dos gregos de universalidade criou reflexões que de acordo com Lopes (2000- 22) “Além das leis particulares de cada cidade e cada nação haveria algo? Haveria um direito comum a todos os povos, um direito das gentes ou natural?”. 
O autor destaca que quem se desviava da Constituição em casos públicos, era julgado em um tribunal chamado Areópago, um conselho público eleito pelos cidadãos atenienses nas assembleias. Em casos considerados menores para os magistrados ou juízes singulares, podia haver apelo à assembleia judicial, os Heliastas (2000-23). Todos os magistrados eleitos faziam o juramento para cumprir a Constituição de Sólon, no entanto, José Reinaldo ressalta que (2000- 24) “Mas havia muitas outras resoluções, leis, deliberações que valiam como lei [...] mas uma burocracia propriamente dita, um sistema de cartórios que não equivalia ao que esperamos hoje”. 
Era considerado moralmente injusto para a defesa fazer discursos e receber dinheiro, conforme Lopes (2000- 24) “Julgava-se que quem precisava pagar não tinha boa causa”, tendo como ideia principal que qualquer cidadão poderia apresentar-se perante o tribunal. Sendo assim, não havendo uma promotoria, as denúncias públicas vinham de qualquer cidadão, que deveria se sentir obrigado a denunciar qualquer ilicitude que presenciasse. (2000-25)
De forma final, as linhas do pensamento filosófico foram um alicerce para a evolução do modelo jurídico evidenciando de acordo com Lopes (2000-28) “Para os juristas a filosofia transferiu, mesmo que por meio de Roma, a retórica e a dialética [...] os gregos promoveram um debate e a reflexão sobre o justo e sobre a justiça”. 
O autor José Reinaldo afirma que a civilização romana manteve-se sempre um sistema aristocrático, que os romanos geralmente descreviam como misto, tendo a cidadania estendida lentamente e era dada a grupos e não a pessoas individualmente. Houve três formas de resolver conflitos em Roma, sendo primeiras as ações da lei, depois o processo formular e por último o período da cognição extraordinária. (2000-30)
Segundo Lopes, [...] Roma foi a civilização da tradição, o Senado exercia e simbolizava a auctoritas patrium, a autoridade dos pais fundadores (2000-31), sendo o Senado o conselho dos anciões. (2000-30)
O controle do poder em Roma dividia-se segundo Lopes “magistraturas eram cargos eletivos para funções determinadas e sempre pelo prazo de um ano”, havia os pretores que detinham os poderes considerados civis de disciplina e de dizer o direito (2000-31). O autor ressalta novamente, que a sociedade romana era estamental, e os homens eram divididos pela ordem que pertenciam e eram julgados pelo pretor urbano e submetiam-se ao direito civil. Para impor a ordem aos estrangeiros, no entanto, havia o pretor dos peregrinos (2000-31). 
O perfil do direito romano arcaico é que ele só se aplica aos romanos, cidadãos e quirites, de acordo com Lopes, “por ser um direito do cidadão é que se dirá ius civile [...] tem um papel destacado neste direito tudo aquilo que ajuda a preservar a cidade tradicional: o patrimônio da família, bens de produção, escravos e terras”. Sendo assim, o direito civil é reservado aos romanos e os nãos romanos ficam excluídos do âmbito de validade das regras de propriedade, do casamento e da família. Dessa forma, a figura que tem um papel central é o pai, e só há emancipação dos filhos quando os mesmos puderem construir suas próprias unidades produtivas (2000-32). O fato do direito civil só aplicar-se aos romanos e os não romanos serem excluídos caracteriza o direito quiritário, que é aplicado de maneira formal (2000-33). 
José Reinaldo afirma que o período clássico é onde se consolida e se desenvolve a jurisprudência clássica, sendo criado pela “Lex Aebutia. Segundo José Reinaldo, no período clássico que se consolida o processo formular e ele se divida em duas fases, a “in iure” (a frente do magistrado) com o objetivo de organizar a controvérsia por meio de uma conversação. Ela inicia-se com o anúncio ao adversário da pretensão de ir a julgamento, sendo de inteira responsabilidade de o interessado fazer o adversário comparecer ao julgamento (2000-34) e a regra é que o interessado deve dispor de condições financeiras e sociais para localizar o adversário e detê-lo. Esse modo de resolver controvérsias transformou-se em sinal de estilo e status social. De acordo com José Reinaldo o próximo passo era transformar a controvérsia em uma disputaconcreta, sendo de responsabilidade de o interessado transformar a diferença em uma queixa que pudesse ser intermediada por um árbitro e ser nomeado em uma ‘fórmula” e após a leitura da fórmula o processo se transferia para um juiz que juntaria as provas e decidiria a questão (2000 – 35). A fórmula de o processo formular tinha partes já formadas, e de acordo com José Reinaldo eram elas o demonstratio (descrição dos fatos), o intentio (intenção do autor da queixa), o adiudicatio (juiz entregava a queixa) e o condemnatio (condenação ou absolvição) (2000 – 36). 
A terceira fase do direito romano trás mudanças significativas no modo de se fazer direito, desaparecendo a duplicidade do pretor e juiz, tendo uma valorização dos juristas e na centralização dos poderes. Essa mudança de se fazer direito em Roma teve motivação juntamente ao processo formular, sendo uma intervenção feita pelo príncipe, na qual o mesmo opina e intervém diretamente ao juiz ou delegado. Considerando a influência do príncipe, mudanças nas ordens dos acontecimentos são feitas e aos poucos o príncipe torna-se o juiz supremo, intervendo na justiça. Dessa forma, José Reinaldo de Lima aponta as principais normas do cognitio extra ordinem que centraliza o juízo e introduz a possibilidade de apelação (suplicattio), dois órgãos de natureza diferente não poderiam rever as decisões (2000 – 40). 
As figuras essenciais do direito romano, consoante a José Reinaldo de Lima, são os juristas que tem como objetivo maior prestar um serviço á cidade, preservando a tradição, e a sua remuneração era uma influência poderosa, com prestígio e popularidade. Agiam sempre dando conselhos, nas maiorias verbais e davam conselhos aos particulares e aos pretores. Formavam auditórios com discípulos e ensinavam sobre o direito dependendo da classe social do discípulo (2000 – 41). O período clássico dos juristas mesclava a tradição romana, no que se diz respeito às leis e fórmulas, com a filosofia grega que continha a retórica e a dialética (2000 – 42). 
Conforme o estudo de José Reinaldo de Lima Lopes, as fontes normativas não são as mesmas ao longo dos anos e é necessário avaliar o contexto de cada uma delas, as leis de antiguidade clássica eram votadas nas assembleias, eram leis gerais e propostas pelos magistrados superiores, porém ao serem votadas pelos plebeus (concilium plebis) elas se denominavam plebiscita. Há outra forma de criação de leis, o senatus conlsutus representava moralmente a autoridade dos patriarcas (auctorias patrum) e não segui o caráter das leis. É importante ressaltar que os atos do imperador são constituições e elas são diversas de acordo com o seu propósito (2000 – 44).
A filosofia romana, em consoante ao estudo de José Reinaldo tem influências dos gregos, o que se confirma no gosto pela justificação racional, não apenas tradicional, dos institutos e das soluções. Algumas linhas de pensamento dos juristas se mesclam com as tendências da filosofia grega ou helenista. Nota-se também o reflexo das influências gregas nas relações sociais e públicas da cidade, no direito e na justiça, sendo de total capacidade dos romanos a modificação e adaptação, ainda pontua José Reinaldo que o senso comum moral está presente nos seus escritos (2000-46). 
Em consonância aos estudos de José Reinaldo de Lima Lopes, o direito privado está ligado ao papel da família na sociedade romana em particular, visto que as regras de sucessão que determinam como e quem se tornará o chefe de família. Há também as regras de matrimônio e o direito de propriedade. Reforça José Reinaldo que partes dos elementos do direito privado romano só podem ser entendidos levando em conta o contexto histórico, e como exemplo o que hoje é chamado de Pessoa Jurídica era cumprido pelo chefe de família que detinha a direção econômica dos membros. O chefe de família tinha a liberdade de decidir quem seriam os novos membros da família, sendo por adoção ou nascimento. O abandono de crianças era institucionalizado e também a criação das crianças por estranhos também (2000-47). 
Considerações finais 
O romancista Miguel de Cervantes afirma que “a história é émula do tempo, repositório dos fatos, testemunha do passado, exemplo do presente e advertência do futuro”, dessa forma percebe-se a relevância de se estudar a História do Direito. De forma sublime e consoante, o autor José Reinaldo De Lima Lopes aborda de forma excelente as distinções de se estudar direito em Grécia e em Roma. 
Na análise individual da obra, nota-se que se perpetuam reflexos das civilizações grega e romana no que se considera o Direito nas condições atuais. O fazer direito era ocupado por juristas e pretores, estudar o direito era recita-lo em forma de poesia, resolver conflitos viraram sinal de status social. 
É de extrema validade para estudantes dos primeiros períodos do curso nas disciplinas de introdução ao estudo do direito e na história do pensamento jurídico sendo indispensável considerar o contexto histórico passado para entender o atual. 
Referências 
https://direitosp.fgv.br/professor/jose-reinaldo-de-lima-lopes
http://lattes.cnpq.br/4290336777151324
https://www.academia.edu/30745776/Fichamento_do_livro_O_direito_na_Hist%C3%B3ria_?auto=download