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Prévia do material em texto

MATERIAL DIDÁTICO 
 
 
FUNDAMENTOS DA PSICOLOGIA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CREDENCIADA JUNTO AO MEC PELA 
PORTARIA Nº 1.282 DO DIA 26/10/2010 
 
0800 283 8380 
 
www.ucamprominas.com.br 
 
 
Impressão 
e 
Editoração 
 
2 
 
SUMÁRIO 
 
INTRODUÇÃO ............................................................................................................ 3 
UNIDADE 2 – TEORIAS DA PERSONALIDADE ....................................................... 6 
2.1 Teorias Psicodinâmicas ..................................................................................... 8 
2.2 Teorias Comportamentalistas .......................................................................... 13 
2.3 Teorias Humanistas ......................................................................................... 16 
2.4 Teorias Culturalistas ........................................................................................ 20 
2.5 Bases biológicas da personalidade ................................................................. 22 
UNIDADE 3 – QUEIXA EM SAÚDE E ESCUTA CLÍNICA ....................................... 24 
3.1 Relações interpessoais e o papel do psicólogo ............................................... 25 
3.2 Psicoterapia ..................................................................................................... 27 
3.3 Psicologia hospitalar ........................................................................................ 28 
3.4 Psicoterapia breve ........................................................................................... 29 
UNIDADE 4 – ABORDAGENS TEÓRICO/CLÍNICAS QUE FUNDAMENTAM O 
TRABALHO DO PSICÓLOGO HOSPITALAR E DA SAÚDE .................................. 30 
4.1 Behaviorismo / Terapia comportamental / Terapia Cognitivo-comportamental 31 
4.2 Gestalt ............................................................................................................. 32 
4.3 Neuropsicologia ............................................................................................... 33 
4.4 Psicanálise ....................................................................................................... 34 
4.5 Psicodrama ...................................................................................................... 35 
4.6 Psicologia Analítica .......................................................................................... 36 
4.7 Teoria Sistêmica .............................................................................................. 36 
4.8 Psicoterapia de grupo ...................................................................................... 37 
4.9 Reflexão final sobre as linhas de abordagem psicológica ............................... 38 
UNIDADE 5 – PSICOLOGIA DO DESENVOLVIMENTO E SUA RELAÇÃO COM A 
SAÚDE E O ADOECIMENTO ................................................................................... 41 
5.1 O processo de desenvolvimento humano ........................................................ 41 
5.2 Desenvolvimento humano, saúde e adoecimento ........................................... 48 
REFERÊNCIAS ......................................................................................................... 66 
 
3 
 
INTRODUÇÃO 
 
Enquanto orientadores, sempre recomendamos a pesquisa de materiais 
recentes, porém, ao se utilizar obras clássicas (como no caso deste material, em que 
grande parte do conteúdo foi embasado em obras de teóricos que abordam sobre 
diferentes autores) isso não se faz possível – ainda mais em caso de livros que já 
possuem edições mais recentes, porém lançamos mão de cópias mais antigas. Fora 
isso é sempre importante mantermos o conhecimento científico atualizado! Bons 
estudos! 
Iniciaremos aqui os nossos estudos sobre a psicologia hospitalar e da 
saúde. Antes de mencionarmos qualquer conteúdo teórico acerca da temática, 
propomos apresentar a figura a seguir, a qual não possui nenhuma legenda para 
que a comunicação verbal não interfira no objetivo da reflexão proposta. 
 
Figura 1: Sem título 
 
Fonte: M de mapa (2012). 
 
Contenha a sua curiosidade e não leia o conteúdo a seguir. Observe 
atentamente a ilustração anterior e reflita: 
4 
 
Qual a relação da mesma com o trabalho do psicólogo hospitalar? 
 
Sua interpretação pode ser diferente da nossa, visto que em muitas 
situações não há uma conclusão única, porém reflexões, possibilidades e pontos de 
vista. 
Descrevendo a imagem (claro que há vários outros detalhes que compõem a 
mesma), algumas coisas nos chamam a atenção: 
Do lado direito há uma série de pessoas, todas bem vestidas e, do lado 
esquerdo, o grupo de pessoas representa o povo, os pacientes. 
Analisando o que cada um dos grupos carrega em seus cartazes, do lado 
direito há uma placa frequentemente encontrada em hospitais, o símbolo de silêncio, 
o qual sinaliza que o hospital é um local de recuperação, onde os pacientes ali 
internos precisam repousar em tranquilidade e conversas podem atrapalhar sua 
convalescência. 
Do outro lado, o povo (nossos pacientes / clientes) traz uma reivindicação: 
de falar, de queixar-se, de serem ouvidos em suas angústias. 
Parece contrastante, pois de um lado, há a demanda do paciente de se 
expressar, porém, de outro, a realidade hospitalar apregoa que este é um local de 
silêncio. Além do silêncio, observamos também que todos ao lado direito parecem 
uniformizados, fazendo uma alusão aos trajes que a equipe de saúde utiliza nos 
hospitais: jalecos brancos, que tornam todos parecidos entre si, porém que 
diferenciam claramente os profissionais daqueles que vêm fazer seu pedido de 
ajuda. 
Porém, como pedir ajuda se não se pode falar? A demanda não parte da 
fala? Será que o processo de tratamento e cura implica apenas em administrar 
procedimentos e medicamentos em pessoas literalmente pacientes, apáticas, que 
não podem expressar suas dores e angústias? O tratamento no hospital visa apenas 
ao corpo? Mas o homem é um ser biopsicossocial e espiritual. Pode haver 
intervenções para o corpo sem a fala, mas como se atingir o psicológico, o social e o 
espiritual? 
O psicólogo hospitalar pode trazer alívio a esse grupo de manifestantes que 
reivindicam pelo seu direito de falar, pois, além de falarem, esse profissional irá ouvi-
los atentamente, buscando compreender suas queixas, seus sintomas, 
proporcionando-lhes conforto em suas angústias, além de serem profissionais 
5 
 
capacitados para tentar melhorar a dinâmica da comunicação que existe na 
instituição de saúde. Esse profissional poderia ser a lâmpada que se acende na 
escuridão e traz amparo, conforto, além de apontar que os dois grupos não devem 
ser antagônicos, porém devem falar a mesma língua, de forma a exercer o cuidado 
integral do paciente. 
E essa reflexão torna-se a maior parte da nossa introdução. Se buscamos 
um curso de pós-graduação em psicologia hospitalar e da saúde é porque 
desejamos dar ao paciente o direito de se expressar, queremos ouvir suas queixas, 
sem romper o silêncio que realmente é benéfico à recuperação dos pacientes 
enquanto fonte de tranquilidade. Não podemos confundir o silêncio da tranquilidade 
com o direito do paciente de se expressar. 
Nesta apostila não falaremos tão diretamente sobre a psicologia hospitalar e 
da saúde. Antes disso, faz-se necessário compreender a personalidade do paciente, 
ou seja, as características que garantem ao ser humano o status de único e 
individual. Diversas teorias propõem estudar a personalidade, porém selecionamos 
algumas delas para ilustrar este primeiro momento. 
Também está no escopo deste material falar brevemente sobre a psicologia 
hospitalar, a psicoterapia e a abordagem psicoterápica mais desenvolvida na 
instituição hospitalar: a psicoterapia breve. Abordaremos a importância das relações 
interpessoais que se estabelecem entre equipe de saúde, paciente e família, áreade 
interesse da psicologia. 
Em seguida, apresentaremos algumas linhas teóricas que fundamentam a 
escuta clínica do psicólogo hospitalar e da saúde, as quais foram apontadas por 
Lazzaretti et al. (2007). 
Para finalizar, uma ampla parte desse material será destinada ao estudo do 
desenvolvimento humano a partir da perspectiva de Papalia, Olds e Feldman (2006), 
pretendendo-se contextualizar a experiência de saúde e adoecimento em diferentes 
etapas do ciclo vital. 
Este material foi embasado nas ideias de Papalia, Olds e Feldman (2006), 
Lazzaretti et al. (2007), Gazzaninga e Heatherton (2005), Hall e Lindzey (1984), 
Fadiman; Frager (1986), Cordioli (2008), dentre outros autores de livros e artigos 
científicos que serão enumerados no decorrer da apostila. 
6 
 
UNIDADE 2 – TEORIAS DA PERSONALIDADE 
 
Compreender o conceito de personalidade (ou aprofundar o seu estudo) se 
faz necessário para o psicólogo que deseja atuar em diferentes áreas, inclusive a 
hospitalar. Antes de realizarmos um estudo mais minucioso sobre a psicologia 
hospitalar e da saúde, além dos processos saúde - doença, envolvidos na dinâmica 
psicológica daquele que adoece (ou busca estratégias preventivas), faz-se 
necessário compreender que o adoecimento acarreta em algumas modificações no 
estado biopsicossocial do paciente. 
Antes de entender quais são essas mudanças e por que as mesmas 
ocorrem, faz-se necessário conhecer o paciente e sua estrutura psicológica. 
Partimos do pressuposto de que a personalidade garante a singularidade psicológica 
do indivíduo (assim como comparamos que sua composição genética carrega 
componentes que o caracterizam como indivíduo único). 
Procuraremos abordar nessa seção algumas teorias da personalidade, 
considerando a diversidade de aspectos, segundo os teóricos seguidores da 
mesma, que influenciam na estrutura da personalidade humana. Existem diversas 
teorias de personalidade, porém, para fins didáticos, selecionamos apenas algumas. 
Assim, serão apresentadas teorias de base psicodinâmica, humanista, culturalista, 
behaviorista e biológica. Algumas delas servem como base nas linhas de 
abordagem em clínica pelas quais o psicólogo hospitalar e da saúde pode embasar 
o seu trabalho (tema que será abordado a seguir). Sabemos que cada teoria da 
personalidade carrega consigo características de extrema importância, mas como o 
intuito desse material é relacionar as teorias com a práxis do psicólogo hospitalar e 
da saúde, procuraremos abordar apenas as mais relacionadas ao assunto. 
 
Segundo a abordagem psicodinâmica, os motivos e conflitos inconscientes 
que são experienciados durante toda a vida, mas especialmente na infância, 
moldam a personalidade. Os humanistas acreditam que cada pessoa é 
única e capaz de realizar um grande potencial. Os teóricos do traço 
descrevem o comportamento das pessoas com base em disposições de 
traços. Os teóricos cognitivo-sociais focalizam como as interpretações e 
crenças cognitivas afetam a percepção das pessoas de seu ambiente 
social. Essas variadas abordagens não se opõem, necessariamente, umas 
às outras. Elas compartilham o objetivo comum de tentar compreender de 
que maneira as pessoas são semelhantes e diferentes entre si 
(GAZZANINGA; HEATHERTON, 2005, p.479). 
 
7 
 
Existem várias teorias, as quais divergem e convergem em vários aspectos, 
e podem ser definidas como tentativas desses diferentes teóricos para formular ou 
representar aspectos significativos do comportamento humano. Falamos sobre 
personalidade desde em rodas de conversa informais até nos meios acadêmicos, 
mas o que é personalidade? 
Gazzaninga e Heatherton (2005) definem que: 
 
A personalidade se refere às características, respostas emocionais, 
pensamentos e comportamentos do indivíduo que são relativamente 
estáveis ao longo do tempo e em diferentes circunstâncias. Os psicólogos 
da personalidade estudam os processos básicos que influenciam o 
desenvolvimento da personalidade em diversos tipos de análise, tal como a 
influência da cultura, aprendizagem, biologia e fatores cognitivos. Ao 
mesmo tempo, os que estudam a personalidade estão mais interessados 
em compreender pessoas na sua totalidade. Isto é, eles tentam entender o 
que torna cada pessoa única. (p.471) 
 
Já Hall e Lindzey (1984), importantes teóricos sobre o assunto, afirmam que 
é impossível definir personalidade de forma geral, sem, para isso, lançar mão dos 
conceitos de determinada teoria. Os autores enumeram alguns aspectos que se 
relacionam ao conceito, como habilidades sociais (caracterizam-se o indivíduo a 
partir de traços de personalidade, sejam eles positivos, ou negativos, como, por 
exemplo, uma “personalidade agressiva”); mediadora ao ajustamento do indivíduo; 
essência do homem (aquilo que é mais característico do indivíduo). 
Gazzaninga e Heatherton (2005) acrescentam que, dentre as diferentes 
teorias da personalidade existentes, atribuem-se como fatores determinantes da 
personalidade fatores biológicos e genéticos, cultura, padrões de reforço ou 
processos mentais e inconscientes. 
Falamos em traços de personalidade ao nos referirmos a características das 
pessoas, como, por exemplo, extrovertidas e introvertidas. Esses traços de 
personalidade podem ser definidos como uma tendência para a pessoa agir de 
determinada maneira, ao longo dos anos, em diferentes situações (GAZZANINGA; 
HEATHERTON, 2005). 
A seguir, tentaremos expor diferentes teorias que realizaram o estudo da 
personalidade, porém vale a pena ressaltar que todas são teorias bastante 
complexas e muito embasadas. Para fins didáticos, selecionamos apenas aspectos 
de cada teoria que irão se relacionar com os temas abordados ao longo do curso, 
8 
 
portanto, muitos pontos também importantes de cada uma não serão abordados 
aqui. 
 
2.1 Teorias Psicodinâmicas 
A principal teoria psicodinâmica é a teoria de Freud, a qual será explicitada a 
seguir. Entende-se por psicodinâmicas, teorias que enfatizam os processos 
inconscientes e dinâmicos. O principal pressuposto da teoria da personalidade de 
Freud é que as forças inconscientes (instintos – pulsões), como os desejos e 
motivos, influenciam o comportamento humano. 
Para Freud, o corpo é a fonte básica de toda experiência mental. Ele 
apregoa a ideia do determinismo psíquico, ou seja, cada evento mental decorre de 
intenções conscientes ou inconscientes (a grande maioria), em outras palavras, do 
ponto de vista psíquico nada ocorre como obra do acaso (FADIMAN; FRAGER, 
1986). 
No estudo sobre a personalidade, numa perspectiva psicodinâmica, 
partiremos do ponto em que Freud propôs a divisão da mente em três partes: o 
consciente, o pré-consciente e o inconsciente. Na primeira tópica da personalidade, 
Freud propôs o modelo topográfico da mente, em que comparou a mente com um 
iceberg: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 2: Modelo topográfico da mente 
 
 
9 
 
Em síntese, pode-se compreender sobre cada uma dessas instâncias que 
compõem a primeira tópica do aparelho psíquico (LAPLANCHE; PONTALIS, 1988; 
FADIMAN; FRAGER, 1986): 
 Consciente – contém pensamentos dos quais as pessoas estão cientes. 
Recebe informações do mundo exterior e interior (percepção, atenção, 
raciocínio – processos cognitivos); 
 pré-consciente – zona intermediária que abriga conteúdos que não estão 
corretamente no inconsciente, mas podem ser trazidos à consciência com um 
certo esforço. “O pré-consciente é como uma vasta área de posse das 
lembranças de que a consciência precisa para desempenhar suas funções” 
(FADIMAN; FRAGER, 1986, p.8); 
 inconsciente – parte maior, mais importante e mais profunda do iceberg. O 
inconsciente contém desejos e motivos que estão associados a conflitos, 
ansiedade, sofrimento e o mecanismo de recalque (ou repressão) os deixam 
inacessíveis, protegendo a pessoa da angústia. Os conteúdos inconscientes 
são impossíveis de serem lembradosde forma voluntária. Gazzaninga e 
Heatherton (2005) complementam que, para Freud, na mente inconsciente há 
desejos e motivos carregados de conflitos, ansiedade e sofrimento – por isso 
esses conteúdos não se localizam a nível consciente, protegendo, assim, a 
pessoa da angústia. Em algumas situações, esses conteúdos inconscientes 
escapam para o consciente de maneira involuntária, através dos sonhos, 
chistes, atos falhos (chistes e atos falhos são lapsos da linguagem), sintoma 
(quando os conflitos extrapolam o nível da linguagem e aparecem no corpo, 
na forma de dor ou doença), associação livre (o método do tratamento 
analítico). 
 
No inconsciente estão elementos instintivos, que nunca foram conscientes e 
que não são acessíveis à consciência. Além disso, há material que foi 
excluído da consciência, censurado ou reprimido. Esse material não é 
esquecido ou perdido, mas não é permitido de ser lembrado. O pensamento 
e a memória ainda afetam a consciência, mas apenas indiretamente 
(FADIMAN; FRAGER, 1986, p.7). 
 
O mecanismo de recalque (ou repressão) é compreendido como um 
mecanismo de defesa do ego. Opera inconscientemente, de modo que a pessoa não 
tem consciência do que está acontecendo. Ao reprimir (recalcar) um conteúdo, a 
10 
 
pessoa está enviando para o inconsciente algum tipo de conteúdo que causa dor, 
sofrimento, vergonha, repulsa ou medo muito grandes a ela, de forma que o 
sofrimento de lidar com esses sentimentos iria trazer prejuízos muito grandes ao seu 
ego. Hall e Lindzey (1984, p.39) ilustram sobre o processo de reclaque (repressão): 
 
As repressões, uma vez formadas, são difíceis de desfazer. A pessoa 
procura assegurar-se de que o perigo não existe mais, o que só consegue 
quando a repressão é suspensa e a realidade pode ser encarada de frente. 
É como um círculo vicioso. Essa é a razão por que o adulto conserva medos 
infantis. Nunca tem a possibilidade de descobrir que esses medos têm base 
na realidade. 
 
Para compreendermos melhor a dinâmica da personalidade, faz-se 
necessário aprofundar o estudo sobre um conceito que já foi abordado: os instintos 
(ou pulsões). A denominação pode variar de acordo com a tradução da obra original 
de Freud para outras línguas primeiramente até chegar ao português. 
“Os instintos são pressões que dirigem um organismo para fins particulares” 
(FADIMAN; FRAGER, 1986, p.8). Os instintos são fatores propulsores da 
personalidade, já que impulsionam o comportamento e determinam a direção do 
mesmo. Diferente dos instintos animais, nos seres humanos, os instintos exercem 
controle seletivo sobre a conduta. Os estímulos podem ser internos quanto externos 
e o desejo age como motivação para o comportamento. Alguns estímulos, como por 
exemplo, a fome, relacionam-se ao instinto de sobrevivência desde o nascimento e 
contribuem para a perpetuação das espécies (HALL; LINDZEY, 1984). 
 
Todo instinto tem quatro componentes: uma fonte, uma finalidade, uma 
pressão e um objeto. A fonte, quando emerge a necessidade, pode ser uma 
parte do corpo ou todo ele. A finalidade é reduzir a necessidade até que 
mais nenhuma ação seja necessária, e dar ao organismo a satisfação que 
ele no momento deseja. A pressão é a quantidade de energia ou força que 
é usada para satisfazer ou gratificar o instinto; ela é determinada pela 
intensidade ou urgência da necessidade subjacente. O objeto de um instinto 
é qualquer coisa, ação ou expressão que permite a satisfação da finalidade 
original (FADIMAN; FRAGER, 1986, p.8). 
 
O funcionamento mental saudável consiste na redução da tensão para níveis 
aceitáveis, o que faz o organismo voltar ao estado de equilíbrio que era atingido 
antes do surgimento da tensão. Entretanto, alguns pensamentos e comportamentos 
não reduzem a tensão, pelo contrário, criam tensão, pressão ou ansiedade 
(FADIMAN; FRAGER, 1986). 
11 
 
Para Freud, a personalidade é composta por três sistemas: id, ego e 
superego, os quais estão envolvidos em constantes conflitos e acordos psíquicos. “A 
um instinto opunha-se outro; proibições sociais bloqueavam pulsões biológicas e os 
modos de enfrentar situações frequentemente chocavam-se uns com os outros” 
(FADIMAN; FRAGER, 1986, p.10). Segundo Hall e Lindzey (1984): 
 o id é formado pelos aspectos psicológicos inatos, herdados, inclusive os 
instintos. Funciona de forma a descarregar a tensão interna do organismo e 
ocasionar prazer – o que ele denominou princípio do prazer; 
 o ego seleciona a quais aspectos do meio reagirá, além de decidir quais 
instintos devem ser satisfeitos e de que modo. “A diferença básica entre o id e 
o ego reside em que o primeiro conhece somente a realidade subjetiva da 
mente, enquanto que o segundo faz a distinção entre as coisas da mente e as 
do mundo exterior” (HALL; LINDZEY, 1984, p.27); 
 o superego é o representante interno dos valores da sociedade, os quais são 
transmitidos pelos pais e reforçados pelos castigos e recompensas que foram 
impostos à criança “De modo geral, podemos considerar o id como o 
componente biológico da personalidade, o ego como o componente 
psicológico e o superego como o componente social” (HALL; LINDZEY, 1984, 
p.28). 
 
A meta fundamental da psique é manter – e recuperar, quando perdido – 
um nível aceitável de equilíbrio dinâmico que maximiza o prazer e minimiza 
o desprazer. A energia que é usada para acionar o sistema nasce no id, que 
é de natureza primitiva, instintiva. O ego, emergindo do id, existe para lidar 
realisticamente com as pulsões básicas do id e também age como mediador 
entre as forças que operam no id e no superego e as exigências da 
realidade externa. O superego, emergindo do ego, atua como um freio 
moral ou força contrária aos interesses práticos do ego. Ele fixa uma série 
de normas que definem e limitam a flexibilidade deste último (FADIMAN; 
FRAGER, 1986, p.12). 
 
Os constantes conflitos entre o id e o superego podem levar à ansiedade e, 
em resposta a esta, o ego utiliza alguns mecanismos de defesa, que consistem em 
estratégias mentais inconscientes que a mente utiliza para proteger o indivíduo da 
angústia (GAZZANINGA HEATHERTON, 2005). 
Os principais mecanismos de defesa são a sublimação (não patológico), 
repressão, projeção, formação reativa e regressão – os quais são muito presentes 
no paciente doente e/ou hospitalizado. Os mecanismos de defesa (exceto a 
12 
 
sublimação) negam, falsificam ou distorcem a realidade e operam 
inconscientemente (FADIMAN; FRAGER, 1986; HALL, LINDZEY, 1984). 
A tabela a seguir sintetiza os principais mecanismos de defesa: 
 
Tabela 01: Principais Mecanismos de Defesa 
Mecanismo de 
defesa 
Definição Exemplo 
Sublimação  Energia destinada para 
fins agressivos ou 
sexuais é canalizada para 
outras finalidades, como 
artísticas, culturais e 
acadêmicas. 
Pessoa com instinto 
sádico sublima os 
impulsos e transforma-se 
em cirurgião. 
Formação reativa  Atitude oposta ao do 
desejo, pois o ego 
procura afastar o desejo 
recalcado. 
 Aquilo que aparece 
(atitude) visa esconder do 
próprio indivíduo suas 
motivações e desejos, 
para preservá-lo de uma 
descoberta sobre si 
mesmo que poderia ser 
dolorosa. 
 
Pessoa com desejos 
homossexuais não 
reconhecidos faz 
frequentes comentários 
homofóbicos. 
Regressão  Retorno a etapas 
anteriores de seu 
desenvolvimento. 
 Forma de expressão mais 
primitiva. 
 
Adulto que pede colo em 
situação de doença. 
Projeção  O indivíduo projeta ao 
mundo externo alguma 
característica sua e não 
percebe aquilo que foi 
projetado como algo seu 
que ele mesmo considera 
como indesejável. 
 
Pessoa que sempre 
chama as outras de 
fofoqueira, quando, na 
verdade, é ela própria 
quem ocupa grande parte 
do dia falando da vida 
alheia. 
Repressão  Excluir da consciência a 
fonte da ansiedade. 
 Este aspecto que não é 
percebido pelo indivíduo, 
faz parte de um todo e, 
ao ficar invisível, altera e 
deforma o sentido doNão ouvir o “não” na 
frase “não fume”. 
 
13 
 
todo. 
Racionalização  O indivíduo cria uma 
argumentação 
intelectualmente 
convincente para justificar 
estados “deformados” de 
sua própria consciência. 
Justificativa dos nazistas 
para o extermínio. 
Identificação  O indivíduo assimila um 
aspecto, uma 
propriedade, um atributo 
do outro e se transforma, 
total ou parcialmente, 
segundo o modelo desta 
pessoa. 
 Mecanismo inconsciente. 
Identificação da vítima 
com o agressor. 
Fonte: adaptado de Gazaninga e Heatherton (2005); Hall e Lindzey (1984) e Fadiman e Frager 
(1986). 
 
Como foi possível observar na tabela anterior, compreender os mecanismos 
de defesa é de suma importância para o profissional da psicologia que irá atuar na 
área hospitalar e da saúde. Como poderemos aprofundar em momentos posteriores, 
a doença não afeta o indivíduo apenas em seu corpo físico, mas é uma ameaça ao 
estado biopsicossocial e espiritual do mesmo. Da mesma forma que vemos 
facilmente os sintomas da doença no corpo – como um possível emagrecimento, 
palidez, queda dos cabelos, dentre outros sinais visíveis que as doenças podem 
acarretar – o estado psicológico do paciente fica muito abalado e também sofre 
alterações, igualmente perceptíveis. Corpo e mente são uma entidade única e 
indissociável. 
Os mecanismos de defesa ilustram como o psiquismo reage diante de 
situações adversas, portanto, certas reações do paciente tornam-se mais previsíveis 
e inteligíveis para o profissional da saúde. Importante destacar que os mecanismos 
de defesa não aparecem apenas em caso de doença, lançamos mão dos mesmos 
em nosso dia a dia frente às pequenas ameaças às quais estamos expostos. 
Entretanto, no caso de doença a ameaça torna-se real e o psiquismo, de forma 
inconsciente, tenta se adaptar às situações adversas de forma a evitar o sofrimento. 
 
2.2 Teorias Comportamentalistas 
 
Na década de 1950, a maioria das teorias psicológicas da personalidade era 
fortemente determinista, isto é, a personalidade e suas características 
14 
 
comportamentais associadas eram consideradas resultado de forças que 
estavam além do controle da pessoa. Como vimos, Freud acreditava que a 
personalidade era determinada por conflitos inconscientes. Em uma linha 
diferente, behavioristas como B. F. Skinner argumentaram que padrões de 
reforço determinavam tendências de resposta, que eram a base da 
personalidade (GAZZANINGA; HEATHERTON, 2005, p.474). 
 
Para Skinner, não há ego, eu ou personalidade, como a maioria dos teóricos 
costumam afirmar. Ao contrário das teorias psicodinâmica e humanista, por exemplo, 
no behaviorismo, os estudos são experimentais, científicos, o que inviabiliza o 
estudo da personalidade. “Se não podemos mostrar o que é responsável pelo 
comportamento do homem dizemos que ele mesmo é responsável pelo 
comportamento”. (FADIMAN; FRAGER, 1986, p.208). 
Os comportamentalistas falam que, se formos pensar numa definição de 
personalidade, devemos entendê-la como uma coleção de comportamentos. 
Situações diferentes evocam diferentes padrões de resposta, sendo cada uma delas 
individual e baseada apenas em experiências prévias e na história de vida do 
indivíduo. “Skinner argumenta que, se você basear a definição do eu em 
comportamento observável, não é necessário discutir o eu ou a personalidade” 
(FADIMAN; FRAGER, 1986, p.195). 
“Ao contrário dos que vêm a personalidade como o resultado de processos 
internos, behavoristas como B. F. Skinner viam a personalidade como pouco mais 
que respostas aprendidas e padrões de personalidade” (GAZZANINGA; 
HEARTHETON, 2005, p.477). Por isso, para compreender a personalidade nessa 
perspectiva, faz-se necessário entender alguns conceitos básicos do behaviorismo. 
Para o behaviorismo há dois tipos de comportamento que merecem 
destaque para nós: o respondente e o operante. Segundo Schultz e Schultz (1992), 
no comportamento respondente “a resposta comportamental é suscitada por um 
estímulo observável específico” (p.281), enquanto que no condicionamento operante 
“a resposta do organismo é aparentemente espontânea – no sentido de não estar 
relacionada com nenhum estímulo observável” (p.281). 
Segundo Maia (2008), relacionam-se ao comportamento respondente 
(reflexo) as interações estímulo-resposta entre ambiente-sujeito incondicionadas, ou 
seja, aqueles comportamentos provocados por estímulos antecedentes ao ambiente 
(exemplo: arreio de frio). Por outro lado, o comportamento operante é intencional, 
são aqueles relacionados diariamente de forma desejada (exemplo: ler um livro). 
15 
 
Papalia, Olds e Feldman (2006) sintetizam a definição de comportamento 
operante ao afirmar que nesse tipo de aprendizagem a pessoa repete o 
comportamento que foi reforçado e cessa o comportamento que foi punido. 
Conforme Schultz; Schultz (1992, p.281), “Outra diferença entre o 
comportamento respondente e o operante é que o comportamento operante opera 
no organismo, ao passo que o respondente não o faz”. 
Entende-se como reforço qualquer estímulo que possibilite o aumento da 
probabilidade de resposta, podendo os reforços ser positivos ou negativos. (MAIA, 
2008). Os reforços são mais eficazes quando seguem um comportamento 
imediatamente. 
 
O reforço positivo consiste em dar uma recompensa, como comida, troféu, 
dinheiro, elogio – ou brincar com um bebê. O reforço negativo consiste em 
tirar alguma coisa que o indivíduo não gosta (conhecido como evento 
aversivo), como, por exemplo, um ruído intenso (PAPALIA; OLDS; 
FELDMAN, 2006, p.73). 
 
Importante não confundir os conceitos de reforço negativo e punição. 
Enquanto o reforço negativo consiste em retirar do indivíduo algo que ele não goste 
(o que faz com que ele se sinta beneficiado com isso), a punição é definida como um 
estímulo experimentado após um comportamento (bater numa criança ou aplicar um 
choque elétrico num animal) ou retirar um evento positivo (não permitir assistir 
televisão ou ir ao recreio). 
 
Skinner e seus seguidores fizeram muitas pesquisas sobre problemas de 
aprendizagem, tais como o papel da punição na aquisição de respostas, o 
efeito de diferentes problemas de reforços, a extinção da resposta operante, 
o reforço secundário e a generalização. [...] No caso dos seres humanos, o 
comportamento operante envolve a resolução de problemas, reforçada pela 
aprovação verbal ou pelo conhecimento de ter dado a resposta correta 
(SCHULTZ; SCHULTZ, 1992, p.281). 
 
A punição é um exemplo de obstáculo ao crescimento do indivíduo, visto que 
apenas informa sobre o que não fazer, ao invés de tentar ensinar o que se deve 
fazer (FADIMAN; FRAGER, 1986). 
O comportamento verbal é, segundo Skinner, a única área em que há 
diferenças no condicionamento entre o homem e o rato. O comportamento verbal 
exige a interação de duas pessoas: um falante e um ouvinte. No caso da criança que 
está aprendendo as primeiras palavras, o adulto – o ouvinte – pode, através do seu 
16 
 
comportamento, reforçar, não reforçar ou punir a criança pelo que disse ou não 
disser, assim controlando seu comportamento subsequente. “Para Skinner, a fala é 
comportamento, estando, pois, sujeita, como qualquer outro comportamento, sujeita 
a contingências de reforço, de previsão e de controle” (SCHULTZ; SCHULTZ, 1992, 
p.284). 
Essa abordagem da personalidade enquanto pouco mais que respostas 
aprendidas e padrões de reforço foi alvo de crítica de outros teóricos cognitivistas, 
como Kelly e Bandura, os quais defenderam pontos de vista de que a personalidade 
vai além disso. Kelly defendeu a existência dos construtos pessoais, os quais se 
desenvolvem a partir da experiência e representam sua interpretação e explicação 
dos eventos no meio social no qual o indivíduo está inserido. Já Bandura propôs 
uma teoria cognitivo-social da personalidade que enfatiza como as crenças, 
expectativas e interpretações pessoais das situações sociaismoldam o 
comportamento e a personalidade. 
 
Albert Bandura aceita muitos dos princípios da teoria da aprendizagem, mas 
argumenta que os humanos possuem capacidades mentais, como crenças, 
pensamentos e expectativas, que interagem com o ambiente para 
influenciar o comportamento (GAZZANINGA; HEATERTHON, 2005, p.478). 
 
2.3 Teorias Humanistas 
Como foi visto nas teorias psicodinâmica e behaviorista, os teóricos dessas 
abordagens postulavam que a personalidade era determinada por forças superiores 
ao controle do indivíduo. Frente a esse panorama surgiram outras correntes, as 
quais enfatizavam a singularidade da condição humana. 
As abordagens humanistas apregoam a importância da experiência pessoal 
e seus sistemas de crenças na estruturação da personalidade. Além disso, 
postulavam que as pessoas buscam atingir seu potencial humano “as pessoas são 
vistas como seres holísticos e que se esforçam para chegar à realização pessoal” 
(GAZZANINGA; HEATHERTON, 2005, p.283). 
Seu principal representante é Rogers, com sua abordagem centrada na 
pessoa. Maslow também é uma figura de grande importância, muito citado dentre os 
profissionais de saúde, o qual estuda a teoria da motivação (GAZZANINGA; 
HEATHERTON, 2005). 
 
Em seu âmago, o humanismo enfatizava a experiência pessoal subjetiva, ou 
fenomenologia, e vê cada pessoa como inerentemente boa. A abordagens 
17 
 
humanistas à personalidade encorajam a pessoa a atingir o seu potencial 
individual de crescimento pessoal por meio de um maior autoentendimento; 
esse processo é referido como autorrealização (GAZZANINGA; 
HEATHERTON, 2005, p.474). 
 
Um conceito muito utilizado em várias teorias da personalidade – o self – 
apresenta uma conotação bastante diferenciada na visão de Rogers, a qual se difere 
do determinismo psíquico das teorias psicodinâmicas quando falam que a 
personalidade é relativamente estável ou imutável. 
Fadiman e Frager (1986) explicitam que Roger usa o termo self para se 
referir ao contínuo processo de reconhecimento, ou seja, as pessoas são capazes 
de mudança, de crescimento e desenvolvimento pessoal. “O self ou autoconceito é a 
visão que uma pessoa tem de si própria, baseada em experiências passadas, 
estimulações presentes e expectativas futuras” (p.227). 
Além do self, há também o self ideal que consiste na idealização que o 
indivíduo possui de si mesmo, sendo também passível de mudanças. A diferença 
entre o self e o self ideal é um indicador de desconforto, insatisfação e dificuldades 
neuróticas. A saúde mental reside na autoaceitação, o que não é sinônimo de 
resignação, mas sim o fato de estar mais próximo da realidade (FADIMAN; 
FRAGER, 1986). 
 
Rogers sugere que em cada um de nós há um impulso inerente em direção 
a sermos competentes e capazes quanto o que estamos aptos a ser 
biologicamente. Assim como uma planta tenta tornar-se saudável, como 
uma semente contém dentro de si impulso para se tornar uma árvore, 
também uma pessoa é e impelida a se tornar uma pessoa total, completa e 
auto-atualizada (FADIMAN; FRAGER, 1986, p.229). 
 
Rogers enfatizava a necessidade do terapeuta, durante o processo 
terapêutico, criar um ambiente amistoso, apoiador e aceitador, além de lidar com os 
problemas do seu cliente da forma que este os entende. A psicologia humanista 
enfatiza a experiência pessoal subjetiva (GAZZANINGA; HEATHERTON, 2005). 
 
A situação realimenta-se a si mesma. Cada experiência de incongruência 
entre o self e a realidade aumenta a vulnerabilidade, a qual, por sua vez, 
ocasiona o aumento de defesas, interceptando experiências e criando 
novas ocasiões de incongruência. (FADIMAN; FRAGER, 1986, p.231). 
 
 
18 
 
Segundo Rogers, a forma como os pais demonstram sua afeição pelos filhos 
e seu tratamento para com eles afeta o desenvolvimento da personalidade. Ele 
defende a ideia de que os pais devem amar seus filhos incondicionalmente, ou seja, 
aceitar e amar as crianças, independente de como elas se comportam. 
(GAZZANINGA; HEATHERTON, 2005). 
 
Os pais devem expressar sua desaprovação com relação a maus 
comportamentos, mas em um contexto em que garanta que as crianças 
sintam-se amadas [...] os filhos criados com consideração positiva 
incondicional desenvolverão um saudável sentimento de autoestima e serão 
capazes de se tornar, nos termos de Rogers, uma pessoa com 
funcionamento pleno (GAZZANINGA; HEATHERTON, 2005, p.475). 
 
Assim, observa-se que os relacionamentos interpessoais, os quais 
acontecem desde tenra idade, inicialmente com os pais, ocupam local de destaque 
nessa teoria. Fadiman e Frager (1986) demonstram que, para Rogers, a experiência 
com o outro capacita o indivíduo a descobrir, experienciar e encontrar o seu self de 
maneira direta. A personalidade torna-se visível para o indivíduo através do 
relacionamento com o outro. Ao mesmo tempo, as emoções também são de grande 
importância, pois um indivíduo saudável é aquele que toma consciência de suas 
emoções, sejam elas expressas ou não. “Sentimentos negados à consciência 
distorcem a percepção e a reação às experiências que os desencadearam” (p.234). 
Já Maslow propôs a teoria de necessidades da motivação, a qual é expressa 
através da pirâmide da hierarquia das necessidades. Os seres humanos tentam 
melhorar-se continuamente e quando atingem o ápice, a autorrealização, tornam-se 
verdadeiramente felizes e realizados (GAZZANINGA; HEATHERTON, 2005). 
 
Maslow acreditava que os humanos são impulsionados por muitas 
necessidades, que ele organizou numa hierarquia de necessidades, em que 
as necessidades de sobrevivência (como fome e sede) são inferiores e as 
necessidades de crescimento pessoal são superiores em termos de 
prioridade. Maslow acreditava que a satisfação das necessidades inferiores 
da hierarquia permitia que os humanos funcionassem num nível superior. 
As pessoas precisam ter suas necessidades biológicas satisfeitas, precisam 
sentir-se seguras, amadas e ter uma boa opinião de si mesmas para 
experienciar crescimento pessoal e atingir a autorrealização (GAZZANINGA; 
HEATHERTON, 2005, p.283). 
 
As necessidades fisiológicas são de vital importância, pois relacionam-se à 
sobrevivência, como alimentação, sono, abrigo, desejo sexual. Dentre as de 
segurança se incluem a busca de proteção e estabilidade. Satisfeitos esses dois 
19 
 
primeiros degraus da hierarquia surgem as necessidades sociais, que consistem na 
aceitação por parte dos companheiros e a busca de afeto e amor. “Quando estas 
necessidades não estão suficientemente satisfeitas, a pessoa torna-se resistente, 
antagônica e hostil com relação às pessoas que a cercam. A falta de amor e de 
afeição conduz à falta de adaptação social e à solidão” (LEONARDO, 2002, p.50). 
As necessidades de estima relacionam-se à aprovação pessoal, autoconfiança, 
necessidade de status e prestígio. E, finalmente, as necessidades de 
autorrealização caracterizam-se pela motivação da pessoa em tornar-se sempre 
mais do que é. 
 
Maslow define a neurose e o desajustamento psicológico como “doenças de 
carência”, isto é, são causadas pela privação de certas necessidades 
básicas, assim como a falta de certas vitaminas causa doenças. Os 
melhores exemplos de necessidades básicas são necessidades fisiológicas, 
tais como a fome, a sede e o sono. A privação leva de modo claro a uma 
consequente doença, e a satisfação dessas necessidades é a única cura 
para a doença. Em todos os indivíduos encontram-se necessidades básicas 
(FADIMAN; FRAGER, 1986, p.267-268). 
 
A figura a seguir ilustra cada uma dessas necessidades, sendo que as 
necessidades de sobrevivência encontram-se na base e as necessidades de 
autorrealização localizam-se no ápice. 
 
Figura 03: Pirâmide da Hierarquia das Necessidades de Maslow 
 
Fonte: Leonardo (2002, p.51). 
20 
 
Convém destacar que a teoria de Maslow serve de embasamento teórico 
para a educação, a administração, assim também como na área da saúde.Os 
profissionais da enfermagem estudam o teórico a partir da teoria de Wanda Horta, a 
qual estudou os pressupostos de Maslow e criou sua Teoria das Necessidades 
Básicas, a qual apregoa que: 
 
Baseado nas necessidades psicobiológicas, psicossociais e psicoespirituais, 
propõe uma metodologia para o processo de enfermagem focando o ser 
humano integral, na busca do equilíbrio bio-psico-sócio-espiritual 
(ALCANTARA et al., 2011, s.p.). 
 
É importante que o psicólogo hospitalar conheça a teoria da hierarquia das 
necessidades de Maslow e, mais do que isso, saiba que a mesma serviu de 
embasamento para outros teóricos, em especial a teoria de Horta, recém-citada. 
Como os profissionais da enfermagem estudam essa teoria e os mesmos fazem 
parte da equipe multiprofissional do hospital, é importante saber que a dinâmica de 
cuidados também é hierarquizada, partindo das necessidades de sobrevivência em 
direção ao ápice da pirâmide, onde estão as necessidades relacionadas às 
dinâmicas psicológicas, sociais e espirituais do paciente. Excetuando-se as 
necessidades básicas, relacionadas ao nível biológico, que são da práxis dos 
cuidados de enfermagem, cabe ao psicólogo hospitalar auxiliar para promover a 
satisfação das demais necessidades, sempre que possível. 
 
2.4 Teorias Culturalistas 
Ao contrário das teorias psicodinâmicas, as quais apregoam ser o homem 
um complexo sistema energético que realiza trocas com o mundo exterior em busca 
da sobrevivência, da propagação das espécies e do prosseguimento do processo 
evolutivo, foram se despontando outras teorias, as quais discordavam da concepção 
puramente biofísica do homem. 
 
Os sociólogos estudaram o homem altamente civilizado e descobriram que 
ele é o produto de sua classe e sua casta, das instituições e dos costumes; 
os antropólogos fizeram incursões em áreas remotas da civilização, onde 
foram encontrar provas de que os seres humanos são extremamente 
maleáveis. Segundo essas novas ciências sociais, o homem é, 
fundamentalmente, um produto da sociedade em que vive. Sua 
personalidade é mais social do que biológica (HALL; LINDZEY, 1984, 
p.177). 
 
21 
 
Dentre os teóricos, destacam-se Adler, Fromm, Horney e Sullivan, os quais, 
inicialmente psicanalistas, realizaram críticas à teoria psicanalítica e então 
desenvolveram seus próprios referenciais teóricos a partir de uma perspectiva 
culturalista (HALL; LINDZEY, 1984). 
 
Alfred Adler foi o fundador do sistema holístico da psicologia individual, que 
enfatiza uma abordagem a qual compreende cada pessoa como uma 
totalidade integrada dentro de um sistema social. [...] Adler argumentava 
que os objetivos e expectativas têm maior influência no comportamento que 
as experiências passadas, e acreditava que todo mundo é motivado 
principalmente pelo objetivo de superioridade ou conquista do meio. Ele 
também enfatizava o efeito das influências sociais em cada indivíduo e a 
importância do interesse social: um senso de comunidade, cooperação e 
preocupação com os outros. (FADIMAN; FRAGER, 1986, p.72) 
 
Para Adler, o homem é um ser social motivado pelas solicitações sociais, o 
interesse social se sobrepõe ao interesse individual. Esse interesse social é inerente 
e dá forma à personalidade. O centro da personalidade é a consciência. “O homem 
é um ser consciente; em geral ele tem consciência das razões do seu 
comportamento, de suas inferioridades e dos objetivos pelos quais luta” (HALL; 
LINDZEY, 1984, p.120). 
Adler inicialmente elaborou a sua teoria a partir de fundamentos da ordem 
do orgânico, por isso compreender alguns aspectos de sua teoria da personalidade 
se faz relevante para o psicólogo hospitalar e da saúde. 
 
Ele sugeriu que, em cada indivíduo, certos órgãos são de algum modo mais 
fracos que outros, o que torna a pessoa mais suscetível a doenças e 
enfermidades envolvendo estes órgãos mais frágeis. Adler também 
observou que pessoas com fraquezas orgânicas graves tentarão, com 
frequência, compensá-las, e um órgão antes fraco pode tornar-se 
fortemente desenvolvido por meio de treino e exercícios, via de regra 
resultando muito maior habilidade ou força do indivíduo (FADIMAN; 
FRAGER, 1986, p.74). 
 
A partir desses estudos sobre a inferioridade orgânica, Adler desenvolveu 
seus postulados sobre o complexo de inferioridade. Segundo ele, a criança, devido à 
sua condição inerente de fragilidade e dependência, carrega consigo um sentimento 
de inferioridade. Quando esse sentimento não é excessivo ele atua como agente 
motivacional para realizações construtivas. Associado a esse sentimento de 
inferioridade há um sentimento, relacionado à agressividade, de superioridade, o 
qual pode ser compreendido como a motivação para que o ser humano alcance o 
melhor de si. Essa luta pela superioridade não é patológica quando inclui 
22 
 
preocupações sociais e a busca pelo bem-estar do outro, não se restringindo à 
busca de realizar apenas coisas de interesses pessoais (FADIMAN; FRAGER, 
1986). 
O caminho pelo qual o homem percorre para atingir os seus objetivos é 
denominado estilo de vida “Adler considerava cada pessoa como uma configuração 
singular de motivos, traços, interesses e valores. Todos os atos realizados pela 
pessoa trazem o selo do seu próprio estilo de vida” (HALL; LINDZEY, 1994, p.120). 
 
O estilo de vida é uma compensação para uma determinada inferioridade. 
Uma criança de constituição franzina terá um estilo que a levará a fazer 
aquilo que produza força física. A criança deficiente procurará alcançar 
superioridade intelectual (HALL; LINDZEY, 1994, p.124). 
 
A inferioridade orgânica, a rejeição e a superproteção são obstáculos ao 
crescimento. Diretamente relacionada à práxis do psicólogo hospitalar está a 
questão da inferioridade orgânica. Segundo Adler, a criança que sofre de doenças 
tende a tornar-se autocentrada. É uma criança que, devido ao sentimento de 
inferioridade, evita interações sociais. Caso a criança consiga superar suas 
dificuldades, ela tende a compensar sua fraqueza original e desenvolver suas 
habilidades (FADIMAN; FRAGER, 1986). 
A partir do conceito de self criador, Adler postula que o homem forma sua 
própria personalidade a partir da hereditariedade e de sua própria experiência. 
 
O self criador é o fermento que age sobre os fatos e os transformam em 
uma personalidade que é subjetiva, dinâmica, pessoal e única em seu 
estilo. [...] A concepção da natureza da personalidade, segundo Adler, 
coincide com a ideia popular de que o homem pode ser o dono, e não uma 
vítima, do seu destino (HALL; LINDZEY, 1994, p.125). 
 
2.5 Bases biológicas da personalidade 
Ao contrário dos postulados das teorias apresentadas até aqui, as quais 
enfatizam a importância das experiências pessoais para a estruturação da 
personalidade, há linhas de pesquisa interessadas em investigar a base biológica da 
personalidade, as quais não desconsideram a importância do ambiente. 
Compreendem-se como processos biológicos os genes, as estruturas cerebrais e a 
neuroquímica. 
Nas últimas décadas, surgiram evidências indicando que os processos 
biológicos – como genes, estruturas cerebrais e neuroquímica – realmente 
desempenham um papel importante na determinação da personalidade. 
23 
 
Isso não significa que esses processos são insensíveis às experiências, e 
sim que servem como um projeto para os processos psicológicos que 
interagem com o ambiente, tal como a maneira pela qual as pessoas são 
socializadas ou as forças situacionais que enfrentam (GAZZANINGA, 
HEATHERTON, 2005, p.483-484). 
 
Alguns estudos tentam ilustrar as bases biológicas da personalidade, 
especialmente quando investigam a questão da genética em si, como é possível 
observar nos exemplos abaixo: 
Estudos com gêmeos (LOEHLIN; NICHOLS, 1976 apud GAZZANINGA; 
HEATHERTON, 2005): gêmeos monozigóticos apresentam mais semelhanças de 
personalidade que os dizigóticos, independente de quem faz a avaliação.Os 
gêmeos criados separados são mais semelhantes que os criados juntos, 
provavelmente porque os estilos parentais incentivam que cada um se sinta único e 
individual. 
Estudos de adoção (PLOMIN; CASPI, 1999 apud GAZZANINGA; 
HEATHERTON, 2005): irmãos adotados criados numa mesma família não são mais 
semelhantes em personalidade que desconhecidos comparados aleatoriamente. As 
personalidades dos filhos adotivos não têm nenhum relacionamento significativo 
com as personalidades dos pais adotivos, ou seja, estilos parentais podem ter 
relativamente pouco impacto sobre a personalidade. 
Os genes influenciam na personalidade, como se pode observar também em 
pesquisas sobre o temperamento, que pode ser compreendido como caráter 
individual da constituição de uma pessoa que afeta, de forma relativamente 
permanente, sua maneira de agir, sentir e pensar. Estudos com bebês mostram que 
diferenças de personalidade existentes desde muito cedo indicam ação de 
mecanismos biológicos. As experiências podem alterar traços de personalidade, 
porém os temperamentos representam a estrutura inata da personalidade. 
 
Os genes agem para produzir temperamentos, que influenciam a maneira 
pela qual as crianças respondem ao seu ambiente e lhe dão forma, o que, 
por sua vez, interage com o temperamento para moldar a personalidade 
(GAZZANINGA; HEATHERTON, 2005, p.487). 
 
24 
 
UNIDADE 3 – QUEIXA EM SAÚDE E ESCUTA CLÍNICA 
 
Iniciaremos esta seção com uma citação que fala sobre a consulta médica. 
Pode parecer estranho, visto que a apostila é sobre psicologia hospitalar, porém 
aqui mostramos que, independente da causa ser de ordem física e/ou psicológica, a 
abordagem dos profissionais da saúde, sejam de qual área de atuação, deve ser de 
acolhimento e com objetivos terapêuticos. 
 
A consulta médica é um momento de encontro entre duas pessoas, na 
intimidade de um consultório: de um lado, o paciente que está doente; de 
outro lado, o médico que, numa posição mais confortável, deverá cuidar do 
paciente e da sua doença. Um buscando ajuda e outro apto a ajudar a 
buscar seu bem-estar. 
Este encontro inicia-se quando o paciente adentra a sala do médico. A partir 
daí, duas pessoas, médico e paciente, passam a interagir, ligados por uma 
queixa, por uma doença, apresentadas pelo segundo (LEANDRO, 1998, 
p.77). 
 
Em consonância com o que foi elucidado, Cordioli (2008) aborda a questão 
da psicoterapia e sua evolução no decorrer do percurso histórico. Segundo o autor, 
no decorrer do século XX, a psicoterapia deixou de ser exercida apenas pelos 
psiquiatras e passou a ser utilizada por diversos profissionais da saúde como 
médicos clínicos, psicólogos, enfermeiros, assistentes sociais, demonstrando, assim, 
que a mesma ultrapassou o modelo médico. Entretanto, mesmo com essa 
ampliação na diversidade de profissionais que recorrem à “cura pela fala”, termos 
como paciente, diagnóstico, doença, etiologia, plano de tratamento, indicações e 
contraindicações mostram que a psicoterapia continua diretamente relacionada à 
sua origem médica. 
Independente de estar se referindo à consulta médica ou à psicoterapia em 
particular, a relação profissional-paciente deve ser marcada por algumas 
características. Leandro (1998) elucida que na consulta cabe ao médico receber seu 
paciente cordialmente e instigá-lo a fornecer dados sobre sua queixa principal (o 
motivo que o levou até ali). Normalmente, se o profissional ficar preso a roteiros 
preestabelecidos e perguntas prontas nesse momento ele pode ter dificuldades em 
compreender a queixa de seu paciente, que, em muitas vezes, é confusa, demorada 
e repetitiva. Além de ouvir o relato do paciente, torna-se essencial compreender o 
que foi dito, usando essa compreensão como ação terapêutica, ou seja, mostrando 
ao paciente tudo o que foi compreendido. Três pontos são importantes para o 
25 
 
desenrolar favorável de uma consulta: o tempo, o espaço e a execução da função 
médica. 
O autor aponta a importância do tempo e do espaço para a consulta médica, 
o que também é extremamente relevante na psicoterapia. Entretanto, na psicologia 
hospitalar, esse tempo e esse espaço não possuem a mesma conotação. Diferente 
do que acontece no contexto da psicoterapia, não é o cliente que vai até o 
psicoterapeuta, mas, na maioria das vezes, é o psicólogo hospitalar quem vai até o 
seu paciente, o qual pode estar impossibilitado de se locomover. Não há um 
ambiente específico para que a escuta e a intervenção psicológica aconteçam; não 
há um tempo determinado e nem de periodicidade definida. Tudo depende das 
possibilidades, em especial as possibilidades do paciente, do local. 
O paciente busca uma relação profissional de ajuda – psicoterapia – porém, 
ele poderia procurar o alívio para a sua queixa, por exemplo, através de métodos 
baseados em crenças religiosas. Através da fé, ele também pode conseguir alcançar 
resultados satisfatórios, entretanto esse tipo de relação não é uma psicoterapia 
(CORDIOLI, 2008). 
O paciente / cliente possui uma queixa principal, ou seja, o motivo que o 
levou a buscar ajuda. Ao contrário dos outros profissionais de saúde, como médicos, 
enfermeiros e fisioterapeutas, as intervenções do psicólogo não são direcionadas ao 
corpo do paciente, mas visam trabalhar com sua dimensão psicológica. Como 
veremos num outro momento desse curso, corpo e mente encontram-se interligados, 
então podemos afirmar que as intervenções psicológicas visam abordar o homem 
em sua totalidade biopsicossocial e espiritual. Existem várias teorias que embasam 
a atuação do psicólogo, mas, no geral, sua atuação se dá através da escuta clínica e 
da fala – meio pelo qual as intervenções psicológicas são realizadas. Saber ouvir a 
queixa do paciente é essencial. 
Assim, para prosseguirmos nos nossos estudos, faz-se necessário 
compreender algumas diferenças entre a psicoterapia e a psicologia hospitalar. 
 
3.1 Relações interpessoais e o papel do psicólogo 
Os reacionamentos interpessoais – ou relações humanas – dependendo da 
denominação do autor são, como afirma Weil (2002), especialidades do psiquiatra, 
psicólogo, sociólogo, assistente social e educador especializado, porém esses 
relacionamentos se encontram presentes onde se encontram pessoas reunidas, 
26 
 
sejam nas famílias, no trabalho, na educação, nas organizações em geral, enfim, em 
todos os locais. O psicólogo que atua em organizações deve estudar as relações 
humanas em busca de promover uma melhoria na comunicação entre as pessoas, o 
que pode ser um grande diferencial para o paciente e seu tratamento. 
 
O estudo das relações humanas constitui, hoje, verdadeira ciência 
complementada por uma arte – a de obter e conservar a cooperação e a 
confiança dos membros do grupo […] Problemas de relações humanas se 
encontram nas relações do indivíduo com o grupo, dos indivíduos entre si, 
do grupo com outros grupos, do líder com o grupo, do indivíduo com o líder. 
Onde se encontram dois indivíduos há problema de relações humanas. 
(WEIL, 2002, p. 15). 
 
Lazzaretti et al. (2007) ressaltam que o psicólogo hospitalar lida diretamente 
com o paciente, com a família e a equipe e é importante que atue de forma a 
promover uma comunicação satisfatória entre todos estes. Essa é a chamada 
função de intercâmbio entre a equipe e o paciente: 
 
Melhor seria que o psicólogo não assumisse este lugar de intercâmbio – tal 
como dar diagnóstico ao paciente – pois, se existem dificuldades de 
comunicação, existe indisponibilidade de algum dos lados. Ao assumir esta 
tarefa, estará passando por cima da possibilidade de trabalhar os 
verdadeiros motivos que impedem a equipe ou o paciente de falar sobre 
esta dificuldade, normalmente ligada à angústia de ambos (LAZZARETTI et 
al., 2007, p.29). 
 
Os autores supracitados afirmam que o trabalho do psicólogo na instituição 
de saúde é multidisciplinar, porém a inserção do psicólogo na equipe podedenotar 
uma dificuldade. 
 
[...] se de um lado pode haver incredulidade dos demais profissionais, por 
outro lado pode haver insegurança e talvez falta de definição do próprio 
psicólogo, que fantasia que seu lugar está pronto, bastando ocupá-lo sem 
se dar ao trabalho de construí-lo. Sem dúvida não é um trabalho fácil, pois o 
psicólogo não tem o mesmo paciente que o médico (LAZZARETTI et al., 
2007, p.29). 
 
Para falarmos sobre a queixa em saúde e a importância da escuta clínica 
neste contexto, fez-se relevante contextualizar sobre a psicoterapia. Agora iremos 
detalhar mais sobre a psicoterapia, a psicologia hospitalar e, mais especificamente, 
sobre a modalidade terapêutica denominada psicoterapia breve, a qual é de grande 
aplicabilidade no contexto hospitalar. 
27 
 
3.2 Psicoterapia 
A psicoterapia já está presente na área da saúde há muitos anos e 
inicialmente foi denominada cura pela fala. Ao final do século XIX passou a ser 
utilizada pelos psiquiatras no tratamento das doenças “nervosas e mentais” – termo 
utilizado para se referir aos problemas relacionados ao cérebro e à mente 
(WAMPOLD 2001 apud CORDIOLI, 2008). 
 
[...] A psicoterapia é um método de tratamento mediante o qual um 
profissional treinado, valendo-se de meios psicológicos, especificamente, a 
comunicação verbal e a relação terapêutica, realiza, deliberadamente, uma 
variedade de intervenções, com o intuito de influenciar um cliente ou 
paciente, auxiliando-o a modificar problemas de natureza emocional, 
cognitiva e comportamental, já que ele o procurou com essa finalidade 
(STRUPP, 1978 apud CORDIOLI, 2008, p.21) 
 
Essa outra definição também explica o que é psicoterapia: 
 
A psicoterapia, independentemente de sua orientação teórica, tem como 
seus principais objetivos levar o paciente ao autoconhecimento, ao 
autocrescimento e à cura de determinados sintomas (ANGERAMI-
CAMON,1995, p.19). 
 
Segundo o mesmo autor, a demanda de ajuda parte do próprio paciente que, 
antes mesmo de chegar até o psicólogo, já avaliou a necessidade do tratamento e 
suas possíveis implicações. A relação é exclusiva entre terapeuta-paciente, sem a 
mediação de nenhuma instituição. 
Ao chegar até o psicólogo, o paciente será enquadrado no setting 
terapêutico e as normas do processo serão explicitadas pelo terapeuta, tais como 
duração das sessões, horários, dentre outros detalhes. As sessões normalmente 
não são interrompidas, o que aumenta a privacidade. “O setting terapêutico assim 
resguarda a sessão para que todo o material catalizado naqueles momentos seja 
apreendido e elaborado de maneira absoluta” (ANGERAMI-CAMON,1995, p.21). 
A psicoterapia é uma relação face a face, uma atividade colaborativa entre o 
paciente e o terapeuta, “ao invés de uma predominantemente unilateral, exercida por 
alguém sobre outra pessoa, como ocorre em outros tratamentos médicos (exemplo 
cirurgia)” (CORDIOLI, 2008, p.21). 
As psicoterapias, independente da linha abordada, apresentam algumas 
características básicas, as quais serão elucidadas de forma a concluir esse 
raciocínio: 
28 
 
 É um método de tratamento realizado por um profissional treinado, com 
o objetivo de reduzir ou remover um problema, queixa ou transtorno 
definido de um paciente ou cliente que deliberadamente busca ajuda. 
 O terapeuta utiliza meios psicológicos como forma de influenciar o cliente 
ou paciente. 
 É realizada em um contexto primariamente interpessoal (a relação 
terapêutica). 
 Utiliza a comunicação verbal como principal recurso. 
 É uma atividade eminentemente colaborativa entre paciente e terapeuta 
(CORDIOLI, 2008, p.21). 
 
3.3 Psicologia hospitalar 
A finalidade geral da psicologia hospitalar difere-se daquela proposta pela 
psicoterapia, pois essa visa minimizar, no paciente, os sofrimentos causados pela 
hospitalização. Entende-se como sofrimento aqueles decorrentes da doença que 
culminou com a internação hospitalar, como as sequelas emocionais acarretadas 
pelo processo de hospitalização em si. Possui algumas diferenças em relação 
àquelas apontadas na psicoterapia: 
 
A Psicologia Hospitalar, por outra parte, contrariamente ao processo 
psicoterápico não possui setting terapêutico tão definido e preciso. Nos 
casos de atendimentos realizados em enfermarias, o atendimento do 
psicólogo, muitas vezes, é interrompido pelo pessoal de base do hospital, 
seja para aplicação de injeções, prescrição medicamentosa numa 
determinada faixa horária, seja ainda para processo de limpeza e assepsia 
hospitalar. O atendimento dessa forma terá que ser efetuado levando-se em 
conta todas essas variáveis além de outros aspectos mais delicados [...] 
(ANGERAMI-CAMON,1995, p.25) 
 
No âmbito hospitalar, ao contrário do que acontece na psicoterapia, é o 
psicólogo quem normalmente chega até o paciente em seu leito. Para que o 
psicólogo chegue até o paciente normalmente se faz necessário um 
encaminhamento por parte de outros profissionais de saúde, os quais percebem que 
há, por parte dele, uma demanda de ajuda e, mais do que isso, o paciente também 
está em concordância com essa ajuda profissional. Caso ocorra de outra forma, ou 
seja, com a chegada do psicólogo antes da anuência do paciente, a intervenção 
psicológica pode não ter o papel desejado e, mais do que isso, há desrespeito à 
condição humana do paciente. O psicólogo que não respeita os limites do paciente, 
mesmo que detecte que há necessidade de intervenção, acaba se tornando mais um 
dos elementos invasivos que agridem o paciente em sua condição humana na 
instituição hospitalar (ANGERAMI-CAMON,1995). 
29 
 
E como ocorrem as intervenções do psicólogo hospitalar? Na maioria das 
vezes as intervenções são realizadas na forma de psicoterapia breve. 
 
3.4 Psicoterapia breve 
As psicoterapias breves ou intervenções de crise servem para auxiliar o 
paciente a superar dificuldades momentâneas (CORDIOLI, 2008) e é um tipo de 
intervenção muito utilizada na psicologia hospitalar. 
Lemgruber (2008) elucida que a psicoterapia breve possui tempo limitado (7 
a 40 sessões em média), com periodicidade de uma a duas sessões por dia. 
Terapeuta e paciente ficam dispostos frente a frente e as técnicas utilizadas são 
elaboradas e modificadas a partir de princípios gerais (de origem psicodinâmica ou 
cognitivo-comportamental). 
Segundo a mesma autora, as psicoterapias breves surgiram como uma 
tentativa de se minimizar o tempo de tratamento que normalmente era demandado 
pela psicanálise. Atualmente, torna-se uma alternativa viável visto que, no âmbito da 
comunidade, a maioria das pessoas procura acompanhamento psicoterápico a partir 
de seu plano de saúde, o qual limita o número de sessões disponibilizadas por ano. 
Assim, o atendimento psicoterápico passa a ser voltado a situações de crise e 
problemas emergenciais. 
As psicoterapias breves ou terapias focais (TF) são indicadas para os 
seguintes casos: 
 
A TF tem indicação específica para as situações de crise que, em sua 
maioria, estão enquadradas no eixo IV da avaliação multiaxial do DSM-IV, 
classificados como problemas interpessoais e/ou conflitos emocionais, e 
também no eixo I, classificados entre os transtornos de ansiedade, de 
depressão e de ajustamento (LEMGRUBER, 2008, p.183). 
 
Por outro lado, a autora aponta alguns fatores de exclusão para esse tipo de 
psicoterapia. Dentre eles podemos destacar a falta de motivação, falta de controle 
dos impulsos agressivos, doenças clínicas, transtornos orgânicos, psicóticos e 
dependência química. 
Além de ser uma linha bastante versátil para atuação clínica na comunidade 
(ambulatório / consultório), a psicoterapia breve é uma importante aliada do 
psicólogo hospitalar. 
 
30 
 
UNIDADE 4 – ABORDAGENS TEÓRICO/CLÍNICAS QUE 
FUNDAMENTAM O TRABALHO DO PSICÓLOGO 
HOSPITALAR E DA SAÚDE 
 
Optamos iniciar esse material com a definição de personalidade e alguns 
referenciais teóricos acerca do tema, poisé sabido que se faz indispensável ao 
psicólogo, independente de sua área de atuação, compreender o ser humano em 
sua totalidade. O estudo da personalidade mostra como o ser humano se estrutura 
enquanto indivíduo único e singular, com traços estáveis e marcantes que o 
caracterizam enquanto ser ímpar, porém sabemos que em alguns momentos 
observam-se algumas alterações na personalidade. Essa instabilidade dos traços 
ocorre, por exemplo, em situação de doença, já que se quebra a harmonia da ordem 
do biológico, psicológico, social e espiritual. Para lidar com esses eventos adversos, 
o profissional da psicologia merece destaque por atuar numa equipe 
multiprofissional, onde juntos os diferentes saberes visam ao cuidado integral do ser 
humano em situação de fragilidade. 
São muitas as abordagens teórico-clínicas que fundamentam a Psicologia 
Hospitalar. Lazzareti et al. (2007) apontam que já foram registradas atuações desse 
profissional nas seguintes linhas: 
 Behaviorismo; 
 Gestalt; 
 Neuropsicologia; 
 Psicanálise; 
 Psicodrama; 
 Psicologia Analítica; 
 Terapia Sistêmica; 
 Psicoterapia de grupo. 
Todas essas abordagens utilizam a comunicação verbal no contexto de uma 
relação interpessoal, entretanto, as mesmas se diferem quanto ao racional ou 
quanto à explicação que oferecem para as mudanças que desejam alcançar com 
seus clientes. Cordioli (2008) aponta explicações utilizadas por algumas das linhas 
que serão discutidas a seguir, dentre elas: 
 
31 
 
Para as teorias psicodinâmicas, o insight é considerado o principal 
ingrediente terapêutico; para as terapias comportamentais, são as novas 
aprendizagens; para as teorias cognitivas, é a correção de pensamentos ou 
as crenças disfuncionais; para as terapias familiares, é a mudança de 
fatores ambientais ou sistêmicos; e, para as terapias de grupo, é o uso de 
fatores grupais (p.21). 
 
Não está no escopo deste material descrever as técnicas utilizadas, visto 
que as técnicas psicológicas são exclusivas do profissional da psicologia e esse 
curso visa oferecer subsídios não apenas para a formação do psicólogo hospitalar, 
mas para todos os profissionais da equipe multiprofissional de saúde que visam uma 
atuação interdisciplinar no contexto hospitalar. Essa seção pretende demonstrar as 
teorias e práticas psicoterápicas que embasam o trabalho do psicólogo hospitalar e 
suas intervenções, já as técnicas utilizadas para desenvolver o trabalho são o 
“instrumento de trabalho” que o psicólogo utiliza dentro de sua linha de atuação e 
fica subentendido que o mesmo já as carrega consigo. 
 
4.1 Behaviorismo / Terapia comportamental / Terapia Cognitivo-
comportamental 
Desde os seus primórdios, o behaviorismo carrega consigo a marca de uma 
psicologia científica, nascida em laboratórios e fundamentada em pesquisas 
realizadas com animais e seres humanos. No âmbito hospitalar isso não é diferente, 
o psicólogo comportamental (ou analista do comportamento) deve embasar sua 
atuação na cientificidade, portanto, estudos científicos e epidemiológicos servem 
como embasamento teórico para as intervenções. “A terapia comportamental (TC) 
baseia-se nas teorias e nos princípios da aprendizagem para explicar o surgimento, 
a manutenção e a eliminação dos sintomas.” (CORDIOLI, 2008, p.31) 
Na área da saúde, a atuação do analista de comportamento acontece em 
hospitais, ambulatórios e unidades de atenção primária à saúde. Há uma 
preocupação não apenas com os problemas já instalados, como também para a 
prevenção dos mesmos (LAZZARETTI et al., 2007). 
 
Ao inserir-se em ambientes de saúde, o analista do comportamento deve 
levar em consideração que o paciente não foi em busca de atendimento, tal 
como em uma clínica privada, e em grande parte das vezes este não 
apresenta quadros psicopatológicos graves, mas sim, uma doença 
orgânica, que gera uma demanda psicológica específica. Esta demanda 
pode ser compreendida como necessidade de comunicação adequada com 
a equipe de saúde, necessidade de suporte emocional e/ou social e 
surgimento de quadros psicológicos transitórios em função de 
32 
 
características psicológicas anteriores. Estes fatores sugerem intervenções 
pontuais, focando o problema no contexto específico em que ocorrem, 
através da análise das contingências em atuação no momento e local em 
que ocorrem. Aqui, o foco da análise é a variável de controle imediato 
(LAZZARETTI et al., 2007, p.35). 
 
Inicialmente ocorre a análise comportamental, momento em que o terapeuta 
investiga detalhadamente a situação do paciente (sintomas, condições que 
determinam o seu aparecimento, antecedentes, consequências, eventos 
desencadeantes, cognições e mecanismos desenvolvidos pelo paciente para 
diminuir sua ansiedade). Após esta etapa, inicia-se o tratamento, que é 
compreendido como uma nova aprendizagem. Para o tratamento em si, o terapeuta 
lança mão de uma série de técnicas, as quais não serão explicitadas aqui. Convém 
destacar que, dentre as indicações para esse tipo de abordagem, encontram-se 
problemas como obesidade, hipertensão, asma, insônia, dor crônica, cefaleia e 
câncer – condições diretamente relacionadas à área de atuação do psicólogo 
hospitalar (CORDIOLI, 2008). 
Além da terapia comportamental (a qual foi descrita no parágrafo anterior), a 
terapia cognitivo-comportamental (TCC) aparece uma integração entre a 
comportamental e a cognitiva, a qual se caracteriza como “uma modalidade de 
terapia que utiliza esses dois tipos de abordagens” (CORDIOLI, 2008, p.32). 
A TCC possui duração breve, entre 10 e 20 sessões. O terapeuta ajuda o 
paciente a utilizar seus próprios recursos para identificar crenças disfuncionais, as 
quais serão corrigidas por meio do exame das evidências e da geração de 
pensamentos alternativos. As sessões são estruturadas e o paciente conta também 
com tarefas para casa. A relação terapêutica entre terapeuta e paciente é essencial 
(CORDIOLI, 2008). 
 
4.2 Gestalt 
A abordagem da gestalt apregoa que a relação terapêutica é responsável 
por mudanças no terapeuta e no cliente. É uma abordagem focada no aqui e agora. 
A gestalt-terapia visa levar o indivíduo ao desenvolvimento, pois o homem é 
percebido como agente de mudanças. (LAZZARETTI et al., 2007) 
 
O principal objetivo é o terapeuta levar o cliente a tomar consciência de sua 
situação atual de vida, bloqueios, assim como ansiedade pela vida futura e 
dificuldades que afetam consideravelmente a vida presente, acarretando 
33 
 
dificuldades de ajustamento e de relacionamento. Ao entrar em contato com 
suas dificuldades, a pessoa se depara com frustrações e isto favorece o 
crescimento, pois é através delas que o indivíduo dirige sua energia, a fim 
de mudar. Sendo assim, na maioria das vezes, as mudanças vão ocorrer, 
depois de um grande sofrimento e dedicação (LAZZARETTI et al., 2007, 
p.36). 
 
Segundo os mesmos autores, o indivíduo é considerado como um todo, ou 
seja, possui corpo, mente e vive em interação com seu meio social. O papel do 
terapeuta é auxiliar o paciente a se ver no mundo, como um ser que possui 
potencialidades e, em algumas situações cabe a ele mudar ou aceitar-se como ele 
é. 
 
O sintoma se solidifica quando o indivíduo não consegue descobrir novas 
soluções para seus problemas ou um efeito que lhe dê satisfação. Atitudes 
compensatórias do organismo podem ser tanto físicas quanto mentais e, em 
geral, ocorrem de maneira inconsciente. [...] 
O psicólogo hospitalar deve trabalhar o sintoma, que significa trabalhar o 
real e o irreal da pessoa. O sintoma como resistência múltipla (físico-mental) 
se coloca entre o desejo e a proibição, porque ele surge como solução 
provisória de uma ansiedade maior. 
O psicólogo deve saber respeitar a resistência, pois ela pode indicar que o 
paciente ainda não tem suporte suficiente para entrar em determinados 
conteúdos. Não é necessariamente uma patologia, mas uma forma de 
relacionar-secom o mundo (LAZZARETTI et al., 2007, p.36). 
 
4.3 Neuropsicologia 
A neuropsicologia é uma área em expansão, a qual recebeu influências 
acadêmicas da Neurologia, Biologia, Psiquiatria, Fonoaudiologia e Psicologia. 
Possui grande relevância tanto na área da avaliação, quanto na área da reabilitação 
(LAZZARETTI et al., 2007). 
 
A Neuropsicologia Clínica se inseriu definitivamente nos centros de 
pesquisa e clínica neurológica/neuropediátrica, atuando na investigação das 
funções cognitivas superiores de pacientes com doenças que envolvem o 
sistema nervoso central e seus dados são correlacionados com os exames 
neurológicos, neurofisiológicos e de imagem. O mesmo ocorreu nos campos 
da psiquiatria e da geriatria. Ao psicólogo hospitalar cabe conhecer os 
fundamentos da Neuropsicologia, princípios básicos de avaliação 
neuropsicológica e métodos breves de exame para corretamente indicar. A 
Neuropsicologia Clínica se inseriu definitivamente nos centros de pesquisa 
e clínica neurológica/neuropediátrica, atuando na investigação das funções 
cognitivas superiores de pacientes com doenças que envolvem o sistema 
nervoso central e seus dados são correlacionados com os exames 
neurológicos, neurofisiológicos e de imagem. O mesmo ocorreu nos campos 
da psiquiatria e da geriatria. Ao psicólogo hospitalar cabe conhecer os 
fundamentos da Neuropsicologia, princípios básicos de avaliação 
neuropsicológica e métodos breves de exame para corretamente indicar 
avaliações mais aprofundadas. Ao neuropsicólogo que atua em ambiente 
34 
 
hospitalar cabe conhecer Psicologia Clínica e Hospitalar, para melhor 
integrar a equipe multidisciplinar (LAZZARETTI et al., 2007, p.38-39). 
 
No Brasil merece destaque a Sociedade Brasileira de Neuropsicologia 
(SBNp, s.d.), entidade que apoia e divulga o estudo das funções cognitivas humanas 
e seus respectivos distúrbios em pacientes que sofreram lesões cerebrais. Dentre os 
profissionais especializados na neuropsicologia, além dos psicólogos, merecem 
destaque os médicos, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, pedagogos, dentre 
outros, o que a caracteriza como uma ciência multi, inter e transdisciplinar. Merecem 
destaque as áreas da saúde e da educação e, dentre os temas pesquisados pela 
neuropsicologia, podem-se destacar o transtorno do déficit de atenção e 
hiperatividade (TDAH), as demências, dentre outras condições que podem ser de 
interesse do psicólogo hospitalar. 
 
4.4 Psicanálise 
Segundo Cordioli (2008), na psicanálise, as sessões podem acontecer de 3 
a 5 vezes por semana e duram de 45 a 50 minutos. O tratamento pode durar por 
vários anos. O analista adota uma postura neutra, senta-se atrás do paciente, o qual 
expõe livremente suas ideias pelo método da associação livre (o qual será elucidado 
a seguir). O analista interrompe algumas associações do paciente de forma que se 
estabeleçam conexões entre suas emoções, fantasias e a pessoa do terapeuta 
(transferência). 
 
O saber da medicina e o saber do psicanalista são de ordens heterogêneas, 
trafegam na contramão um do outro e seus objetos são completamente 
distintos. Por esta razão – e sobretudo por esta – o médico e o psicanalista 
podem trabalhar juntos se não tiverem – um ou outro – a ilusão da 
reciprocidade, da linguagem comum e da complementaridade. Podem se 
auxiliar mutuamente, mas a manutenção da diferença entre as duas ordens 
de saber é que pode derivar em eficácia de trabalho. (LAZZARETTI et al., 
2007, p.40). 
 
A psicanálise é uma linha de ação bastante difundida nos hospitais. Tendo o 
inconsciente como objeto de estudo, possibilita a atuação do psicanalista no 
hospital, já que considera o tempo lógico do sujeito (o inconsciente é atemporal). A 
partir desse pressuposto, o tempo atinge uma conotação simbólica, diferenciada da 
concepção de tempo e das formas de medir esse que dispomos em nossa realidade. 
35 
 
Assim, uma intervenção, em determinados pacientes, pode ser eficaz mesmo se for 
única, pois obedece a este tempo lógico do paciente (LAZARETTI et al., 2007). 
É necessário enfatizar que houve uma série de mudanças relacionadas à 
psicanálise desde a época de Freud. Nos primórdios, o paciente era o sofredor de 
sintomas clássicos, como a histeria, já atualmente, a psicanálise não se vê restrita à 
eliminação de sintomas histéricos, fóbicos e obsessivos. A busca da psicanálise se 
dá em função de diversos sintomas, tais como transtornos do sentimento de 
identidade, quadros depressivos, estresse, angústia leve, baixa autoestima, 
patologias regressivas, somatizadores, transtornos alimentares, “patologia do vazio”, 
dentre outros (ZIMERMAN, 2004). 
A associação livre é a regra do método psicanalítico e é pressuposto 
essencial ao trabalho do psicanalista, mesmo na instituição hospitalar. A 
transferência estabelecida entre analista e paciente muitas vezes acontece em 
divergência do saber do médico (LAZARETTI et al., 2007). 
Cordioli (2008) define a associação livre, a regra fundamental da psicanálise. 
“O paciente é orientado a expressar livremente e sem censura os seus 
pensamentos, sentimentos, fantasias, sonhos, imagens, assim como as associações 
que lhe ocorrem, sem prejulgar sua relevância ou significado” (p.24). 
 
4.5 Psicodrama 
O psicodrama visa abordar as relações interpessoais, por isso sua 
aplicabilidade ocorre também na instituição hospitalar, espaço marcado por várias 
interações. Pode ser realizado individualmente ou em grupo e consiste, 
basicamente, na representação dramática como centro dos conflitos humanos, 
buscando trabalhar no aqui e agora, passado, presente e futuro (LAZZARETTI et al., 
2007). 
 
Neste sentido, a Teoria Psicodramática pode fundamentar e facilitar as 
tarefas de diagnóstico, acompanhamento e planejamento do psicólogo, bem 
como a sensibilização e transformação dos profissionais e a incorporação 
em seu trabalho do "entendimento das dinâmicas institucionais". [...] Na 
Clínica Hospitalar, encontramos o indivíduo vivenciando uma experiência 
antagônica, muitas vezes ao seu cotidiano. O momento pode se constituir 
de expectativa, dor, medo, abandono, trauma psicológico e físico, entre 
outros. Esse momento pode ser utilizado como campo de trabalho para o 
Psicodrama. Um acidente de trânsito, uma patologia incapacitante ou de 
longo tratamento pode desencadear ou mobilizar vivências internas 
anteriores, mal adaptadas, influenciando negativamente na relação do 
36 
 
paciente com a equipe hospitalar e com o processo do adoecer 
(LAZZARETTI et al., 2007, p.42). 
 
O psicólogo pode realizar, dentro do hospital, tarefas assistenciais, docentes 
e organizacionais. Sua atuação será destinada a atender o paciente em seu 
processo com a enfermidade, realizar diagnósticos e atuar a nível de prevenção, 
humanizando a realidade hospitalar (LAZZARETTI et al., 2007). 
 
Através da utilização de algumas das técnicas do psicodrama, podemos 
observar o aumento da autoestima, diminuição da ansiedade, elaboração do 
sentido de perda, elaboração da imagem e esquema corporal, 
esclarecimento de concepções errôneas, liberação e conscientização dos 
sentimentos e sensações. (LAZZARETTI et al., 2007, p.42). 
 
4.6 Psicologia Analítica 
A psicologia analítica, ou Junguiana, é marcada pelo estudo dos símbolos, 
do inconsciente, inconsciente coletivo e consciente. Nesse processo terapêutico, 
evita-se o uso de técnicas, “porque se pretende elucidar as circunstâncias 
conscientes e inconscientes que tornam a doença possível e que a sustentam no 
presente.” (LAZZARETTI et al., 2007, p.45). 
 
No hospital, é indispensável compreender a subjetividade, isto é, como a 
enfermidade incide e o sentido que tem para aquele que adoece. 
Lembrando que existe uma justaposição de conteúdos peculiares, 
universais do ser humano e valores do coletivo social. A doença tem para a 
Psicologia Analítica uma função: possibilitar uma revisão do que se fez na 
própria existência. 
Sendo assim,experimentar o adoecimento e o processo do tratamento é 
uma oportunidade para tornar-se o que de fato é e o que sempre foi, quiçá, 
sem saber. Para tal, por vezes, faz-se necessário o sacrifício da mutação e 
algumas renúncias, até mesmo, da própria vida para que ocorra a “cura”, 
compreendendo cura como transformação, a qual ocorre no percurso 
sucessivo do caminho da individuação. (LAZZARETTI et al., 2007, p.45). 
 
As sessões ocorrem de uma a três vezes por semana e o terapeuta senta-se 
de frente ao paciente. O tratamento, assim como na psicanálise, é de longa duração. 
As associações não são tão livres como na psicanálise e a transferência também é 
menos intensa (CORDIOLI, 2008). 
 
4.7 Teoria Sistêmica 
A teoria sistêmica inicialmente era voltada apenas para a compreensão e o 
entendimento da família, porém, com o passar dos anos, deixou de ser exclusiva da 
37 
 
terapia familiar e passou a ser utilizada também como recurso terapêutico para 
psicoterapia individual (LAZZARETTI et al., 2007). 
 
Os terapeutas sistêmicos passam a levar em conta os efeitos que suas 
intervenções podem ter sobre seus clientes, sobre os outros sistemas 
significantes relacionados com a família e sobre eles próprios. À medida 
que o terapeuta sistêmico vai sendo capaz ou mais habilidoso para 
compartilhar os padrões de comunicação das redes nas quais está 
envolvido, ele se torna capaz de evitar alguns problemas que originalmente 
o frustravam e desapontavam; começando a detectar os efeitos de suas 
ações sobre os outros e avaliando com maior eficácia a retroalimentação 
vinda dos sistemas aos quais está ligado (LAZZARETTI et al., 2007, p.46). 
 
 A experiência de adoecimento impacta não só a vida do paciente, mas de 
toda a sua família, que sofre desajustes emocionais, financeiros, dentre outros. A 
doença acaba por fazer emergir uma série de questões e conflitos latentes, por isso 
trabalhar com a família num momento de grande fragilidade pode ser muito válido. 
 
4.8 Psicoterapia de grupo 
Além dessas modalidades apresentadas pelo Conselho Regional de 
Psicologia (LAZZARETTI et al., 2007) num manual como as diferentes linhas de 
atuação dos psicólogos que atuam em instituições hospitalares, cabe acrescentar 
que a Psicoterapia de Grupo também possui grande aplicabilidade no contexto 
institucional. 
As terapias de grupo visam atender a um maior número de pessoas, o que 
aparece como uma forma de redução de custos e ampliação dos pacientes 
beneficiados pela intervenção em determinado período de tempo (se comparado 
com a psicoterapia individual). Além disso, os denominados fatores grupais estão 
presentes apenas nesse tipo de interação, os quais podem ser bastante favoráveis 
(CORDIOLI, 2006). 
Os grupos podem ser montados em instituições (como hospitais e clínicas) 
ou fora delas e podem ser especializados em transtornos (pânico, dor fobias, entre 
outros) ou doenças orgânicas (diabéticos, paraplégicos, vigilantes do peso, entre 
outros). As técnicas são variadas, dependendo da orientação do terapeuta que irá 
conduzir o grupo (CORDIOLI, 2006). 
Um tipo especial de grupo muito utilizado pelo psicólogo hospitalar e da 
saúde é o grupo de ajuda mútua. Esses grupos visam prestar assistência psicológica 
a pacientes ou familiares de pacientes que possuem uma determinada situação em 
38 
 
comum. Além disso, oferecem apoio mútuo para lidar com os sentimentos negativos 
relacionados à doença e disponibilizam informações relacionadas à doença para que 
pacientes e familiares possam lidar melhor com a mesma (CORDIOLI, 2006). 
No Brasil, uma instituição que oferece grupos de ajuda mútua coordenados 
por equipe multidisciplinar em saúde, cuidadores e familiares voluntários é a 
Associação Brasileira de Alzheimer – ABRAZ. As reuniões são voltadas para 
familiares de portadores da doença de Alzheimer e cuidadores profissionais e, 
normalmente, possuem periodicidade mensal. Os grupos podem ser de cunho 
informativo, de apoio social e emocional ou mesmo recreativos. Em alguns locais há 
também grupos voltados também para o portador da doença, os quais são voltados 
para a estimulação cognitiva (ABRAZ, s.d.). Dentre os benefícios dos grupos para 
cuidadores da ABRAZ (s.d., s.p.) destacam-se: 
 
 Acesso a informações atualizadas sobre a doença e os tratamentos, 
aumentando a segurança de cuidado e a tomada de decisões. 
 Favorecimento da aceitação da nova situação, que envolve mudanças 
significativas na vida e na qualidade de vida dos envolvidos. 
 Investimento na qualidade de vida de todos os que participam do 
cuidado com o idoso com Doença de Alzheimer. 
 Desenvolvimento de um enfrentamento mais positivo e saudável da 
situação de adoecimento e perdas associadas. 
 Favorecimento da interação com o idoso a partir de melhor compreensão 
das necessidades da pessoa com demência, seus sintomas e 
estratégias de manejo. 
 
Cordioli (2006) aponta algumas indicações dos grupos de ajuda mútua: 
 
 Pacientes agudos internados em hospitais psiquiátricos: na preparação 
da alta, no uso de medicações psiquiátricas (manejo dos efeitos 
colaterais, doses), no acompanhamento de egressos. 
 Em situações de crise ou estresse agudo (vítimas de desastres naturais) 
ou em eventos vitais (luto, divórcio, aposentadoria, entre outros). 
 Manejo de condições médicas: diabetes, obesidade, hipertensão, 
tabagismo, transplante, preparação para cirurgia cardíaca, pós-infarto, 
colostomia, mastectomia, próteses, uso de aparelhos médicos de 
reabilitação e outras amputações, transtornos alimentares, entre outros. 
 Condições psiquiátricas: controle do peso e reeducação alimentar nos 
transtornos alimentares, auxílio para cessar o tabagismo, prevenção de 
recaídas em drogaditos, entre outros (p.40). 
 
4.9 Reflexão final sobre as linhas de abordagem psicológica 
Independente da linha seguida pelo profissional, sabe-se que o papel do 
psicólogo hospitalar é de grande utilidade em termos de prevenção ou recuperação 
da saúde. Como se preconiza a abordagem do ser humano em suas dimensões 
39 
 
biopsicossocial e espiritual, o profissional da psicologia é de suma importância, já 
que o mesmo atua diretamente na dimensão psicológica do ser humano. Como 
mente e corpo não podem ser separados, essa atuação se faz importante não só a 
nível dos processos relacionados à mente, como também ao próprio corpo do 
paciente – que, mesmo com a tendência de se abordar o homem como um todo, 
continua sendo a dimensão mais visada pelos profissionais da saúde (até mesmo 
em função da sua relação com as necessidades de sobrevivência). 
Optamos por não expor aqui as críticas relacionadas a esta ou àquela teoria 
psicoterápica de forma a não parecermos tendenciosos em relação a esta ou àquela 
teoria, porém, ao finalizarmos essa seção, algumas reflexões nesse sentido podem 
se fazer relevantes. 
A partir da década de 1950 emergiu uma maior preocupação com a 
avaliação da efetividade de suas teorias, suas respectivas técnicas, alcances e 
limites. Houve uma série de críticas acerca da validade das psicoterapias e, dentre 
elas, ressaltam-se as posições expostas por Eysenck e Rogers. Eysenck 
argumentou que os efeitos da psicoterapia não eram devidos às técnicas utilizadas, 
porém à passagem do tempo em si. Por outro lado Rogers defendeu a ideia de que 
os efeitos da terapia não ocorriam em decorrência da técnica utilizada, mas sim da 
relação humana estabelecida entre terapeuta e paciente, independente da linha 
escolhida (CORDIOLI, 2008). 
Assim, cabe ao profissional fazer suas próprias críticas acerca das diferentes 
teorias apresentadas. Lembre-se de que uma crítica construtiva e bem embasada só 
ocorre após o conhecimento mais aprofundado daquilo que se pretende avaliar. 
Independente de qual seja o real fator responsável pelo sucesso das terapias 
defendemos o ponto de vista de que, independente da área escolhida pelo 
profissional, as psicoterapias sãobenéficas ao paciente como um todo. 
 
De qualquer forma, existe, na atualidade, um relativo consenso de que as 
terapias são efetivas. Há uma concordância, também, de que boa parte dos 
seus efeitos devem-se a um conjunto de fatores que envolvem as técnicas 
específicas utilizadas, próprias de cada modelo, e, ainda, um complexo 
conjunto de elementos que inclui, além das referidas técnicas, os chamados 
fatores não específicos comuns a todas as psicoterapias. Tais fatores 
abrangem o próprio contexto interpessoal da terapia: a pessoa do terapeuta 
e, em particular, algumas qualidades, como empatia, calor humano e 
interesse genuíno; a qualidade da relação terapêutica (a aliança terapêutica 
e o vínculo); além de fatores pessoais do próprio paciente, como a 
capacidade de vincular-se ao terapeuta, seu nível educacional, sua cultura, 
suas crenças, suas expectativas, sua motivação para realizar mudanças em 
40 
 
sua vida, e a maior ou menor flexibilidade para adaptar-se a cada método 
específico (CORDIOLI, 2008, p.20). 
41 
 
UNIDADE 5 – PSICOLOGIA DO DESENVOLVIMENTO E SUA 
RELAÇÃO COM A SAÚDE E O ADOECIMENTO 
 
5.1 O processo de desenvolvimento humano 
Compreender o desenvolvimento humano se faz essencial para todos os 
profissionais que lidam com pessoas de diferentes faixas etárias. Nesse sentido, é 
importante para o psicólogo hospitalar e da saúde compreender o processo de 
desenvolvimento humano e algumas questões relacionadas com as mudanças e 
continuidades que acontecem com o ser humano desde o nascimento (ou mesmo 
antes dele) até a sua morte. Inicialmente, faz-se necessário conceituar 
desenvolvimento humano. Compreende-se que: 
 
O desenvolvimento humano envolve o estudo de variáveis afetivas, 
cognitivas, sociais e biológicas em todo ciclo da vida. Desta forma faz 
interface com diversas áreas do conhecimento como: a biologia, 
antropologia, sociologia, educação, medicina entre outras. (MOTA, 2005, 
p.106) 
 
Em síntese, o desenvolvimento humano é o estudo científico das mudanças 
e das continuidades que ocorrem durante todo o ciclo vital do indivíduo. Essas 
mudanças são adaptativas e organizadas e refletem o processo de adaptação do 
homem num mundo repleto de constantes transformações (PAPALIA; OLDS; 
FELDMAN, 2006). Pensando nessas variáveis, a definição de Mota (2005) é mais 
abrangente: 
 
O estudo, através de metodologia específica e levando em consideração o 
contexto sócio-histórico, das múltiplas variáveis, sejam elas cognitivas, 
afetivas, biológicas ou sociais, internas ou externas ao indivíduo que afetam 
o desenvolvimento humano ao longo da vida (p.107). 
 
Assim como na área da saúde, o estudo do desenvolvimento humano 
preconiza a importância de se voltar para a prevenção e a promoção da saúde, ao 
contrário de intervir apenas naqueles indivíduos que já apresentam os problemas 
instalados. Ao se identificar fatores que influenciam no desenvolvimento humano, 
torna-se possível pensar em trabalhos de intervenção mais eficazes com o intuito de 
promover um desenvolvimento mais harmônico e saudável (MOTA, 2005). 
Segundo a autora supracitada: 
42 
 
As novas concepções de atuação profissional que enfatizam a prevenção e 
a promoção de saúde fazem com que profissionais de várias áreas 
busquem na psicologia do desenvolvimento subsídios teóricos e 
metodológicos para sua prática profissional. O que está em questão é o 
desenvolvimento harmônico do indivíduo, que integra não apenas um 
aspecto, mas todas as dimensões do desenvolvimento humano sejam elas: 
biológicas, cognitivas, afetivas ou sociais (p.105). 
 
Inicialmente, acreditava-se que o desenvolvimento ocorria apenas na 
infância, visto que até o início do século XX, a adolescência não era compreendida 
como um período separado da infância. Alguns manuais de psicologia do 
desenvolvimento ainda enfocam apenas o estudo da infância e da adolescência 
(MOTA, 2007; COLE; COLE, 2005). Isto se justifica pela preocupação da população 
com os cuidados e a educação da criança (MOTA, 2007), que nasce em condição 
de total vulnerabilidade e dependência do outro para sobreviver. 
Atualmente, fala-se em desenvolvimento no ciclo vital, ou seja, o 
desenvolvimento acontece por toda a vida, do nascimento à morte (MOTA, 2007; 
PAPALIA; OLDS; FELDMAN, 2006). 
Para estudarmos o desenvolvimento humano, algumas questões devem ser 
levadas em consideração, as quais aparecem sintetizadas na tabela a seguir: 
 
Tabela 01: Questões relativas ao estudo do desenvolvimento humano 
QUESTÃO DESCRIÇÃO 
Os domínios do 
desenvolvimento 
são inter-
relacionados 
 Por questões didáticas, costumamos separar as 
instâncias desenvolvimento físico-motor, afetivo-sexual, 
psicossocial, cognitivo (intelectual). 
Processo 
contínuo X por 
etapas 
 Desenvolvimento contínuo: processo pelo qual o homem 
é passivo. O desenvolvimento é governado sempre 
pelos mesmos processos, permitindo a predição de 
comportamentos posteriores a partir da observação dos 
comportamentos anteriores. Ex.: teoria do Curso da 
Vida (Baltes). 
 Desenvolvimento por etapas: em cada etapa, as 
pessoas lidam com diferentes tipos de problemas e 
desenvolvem diferentes tipos de capacidades. Cada 
etapa fundamenta-se nas anteriores e prepara o 
caminho para a seguinte. Ex.: Teoria Psicodinâmica 
(Freud), Teoria Psicossocial (Erikson), Teoria do 
Desenvolvimento Cognitivo (Piaget). 
Processo 
vitalício 
 Desenvolvimento envolve ganhos e perdas. 
 Cada período da vida é influenciado pelo que aconteceu 
antes e afetará o que estará por vir. 
 É um processo pelo qual o indivíduo adapta-se ao 
43 
 
ambiente e à sua realidade. 
Ênfase nas 
diferenças 
individuais 
 Cada pessoa é única e as influências no 
desenvolvimento são responsáveis pela individualidade. 
 As pessoas ajudam a moldar seu próprio 
desenvolvimento e influenciam as reações do outros em 
relação a elas. 
Conhecer o 
normal e o 
patológico 
 A partir do estudo das características normais do 
desenvolvimento humano. torna-se possível observar 
atrasos, síndromes, doenças e limitações. 
Influências no 
desenvolvimento 
 História. 
 Contexto. 
 Hereditariedade (influências inatas). 
 Ambiente (influências externas à pessoa). 
 Família. 
 Condição socioeconômica. 
 Cultura. 
 Influências normativas: eventos que ocorrem de modo 
semelhante pela maioria das pessoas (puberdade, 
aposentadoria). 
 Influências não-normativas: eventos incomuns que têm 
grande impacto sobre vidas individuais (gravidez na 
adolescência, acidente que gera incapacidade). 
 
Fonte: Papalia, Olds, Feldman, 2006. 
 
A partir dessas observações presentes na tabela anterior, podemos fazer 
algumas considerações importantes para o psicólogo hospitalar e da saúde. 
Partimos do pressuposto de que o homem é um ser holístico, ou seja, sempre deve 
ser abordado em suas dimensões biopsicossocial e espiritual. Essa consideração é 
indispensável a todos os profissionais que atuam em hospital, onde é comum se 
privilegiar o orgânico, o corpo, em detrimento das outras dimensões. Compreender 
que todas essas dimensões estão inter-relacionadas ao longo do processo de 
desenvolvimento leva o profissional a refletir que realmente é impossível separar um 
domínio do outro. 
O desenvolvimento ocorre do nascimento (ou da concepção) à morte, porém 
não há consenso entre os autores em como se dá esse processo, se é contínuo ou 
em etapas. O desenvolvimento segue basicamente o mesmo padrão em todas as 
pessoas, por exemplo, sabe-se que por volta do primeiro ano de vida o bebê 
aprenderá a falar e a andar, entretanto não podemos deixar de lado as diferenças 
individuais, as quais explicam, por exemplo, porque se compararmos quatro bebês 
saudáveis em seu primeiro aniversário constataremos que o bebê A já anda sozinho 
44 
 
e fala, enquanto o bebê B já fala, porém apenas engatinha, o bebê C locomove-se 
com precisão, porém não balbucia nenhuma palavra e obebê D não se locomove 
sem o auxílio dos pais e não fala nenhuma palavra. 
Esse mesmo exemplo servirá para desenvolvermos o outro raciocínio. 
Conhecer o processo de desenvolvimento humano é essencial para sabermos o que 
está dentro dos padrões de normalidade e o que foge a esses padrões. Inferimos 
que os bebês A, B, C e D, cada um com suas características individuais, estão se 
desenvolvendo dentro dos padrões esperados. Porém, na mesma festa há a criança 
F, de 4 anos, que se locomove normalmente, mas não diz nenhuma palavra. 
Percebe-se que a aquisição da fala não ocorreu na época normal nessa criança, o 
que pode sugerir algum tipo de problema (nos órgãos fonadores, audição, 
neurológico, psicológico, transtorno [como o autismo], ou social [como a falta de 
estimulação]) responsável por esse atraso. 
Verifica-se também que as influências no desenvolvimento podem ser 
internas ou externas ao indivíduo. Saber quais variáveis influenciam no curso do 
desenvolvimento do sujeito pode auxiliar no sentido de promover um 
desenvolvimento mais saudável, buscando reduzir ao máximo as influências 
maléficas ao desenvolvimento. Também se faz importante saber que alguns desses 
fatores não podem ser mudados (como a hereditariedade e certas influências não 
normativas). 
Não está no escopo desse material detalhar todo o processo de 
desenvolvimento, iremos expor na tabela a seguir como normalmente os estudiosos 
dividem o processo de desenvolvimento e os principais desenvolvimentos ocorridos 
nos aspectos físico, cognitivo e psicossocial em cada uma dessas etapas. Após isso, 
iremos refletir sobre os processos de saúde e adoecimento e sua influência em cada 
período do ciclo vital, o que gerará importantes subsídios para a prática do psicólogo 
hospitalar e da saúde. 
 
Tabela 02: Principais desenvolvimentos típicos em oito períodos do ciclo vital: 
Faixa Etária Desenvolvimentos 
Físicos 
Desenvolvimentos 
Cognitivos 
Desenvolvimentos 
Psicossociais 
Período Pré-natal 
(concepção ao 
nascimento) 
Ocorre a 
concepção. 
A dotação 
genética interage 
com as 
As capacidades 
de aprender e 
lembrar estão 
presentes durante 
a etapa fetal. 
O feto responde à 
voz da mãe e 
desenvolve uma 
preferência por 
ela. 
45 
 
influências 
ambientais desde 
o início. 
Formam-se as 
estruturas e os 
órgãos corporais 
básicos. 
Inicia-se o 
crescimento 
cerebral. 
O crescimento 
físico é o mais 
rápido de todo o 
ciclo vital. 
O feto ouve e 
responde a 
estímulos 
sensórios. 
A vulnerabilidade 
a influências 
ambientais é 
grande. 
Primeira Infância 
(nascimento aos 
3 anos) 
Todos os sentidos 
funcionam no 
nascimento em 
graus variados. 
O cérebro 
aumenta de 
complexidade e é 
altamente 
sensível à 
influência 
ambiental. 
O crescimento e o 
desenvolvimento 
físico das 
habilidades 
motoras são 
rápidos. 
As capacidades 
de aprender e 
lembrar estão 
presentes, 
mesmo nas 
primeiras 
semanas. 
O uso de 
símbolos e a 
capacidade de 
resolver 
problemas 
desenvolvem-se 
ao final do 
segundo ano de 
vida. 
A compreensão e 
o uso da 
linguagem 
desenvolvem-se 
rapidamente. 
Desenvolve-se 
um apego a pais 
e outras pessoas. 
Desenvolve-se a 
autoconsciência. 
Ocorre uma 
mudança da 
dependência para 
a autonomia. 
Aumenta o 
interesse por 
outras crianças. 
Segunda Infância 
(3 aos 6 anos) 
O crescimento é 
constante; o 
corpo fica mais 
delgado e as 
proporções mais 
semelhantes às 
de um adulto. 
O pensamento é 
um pouco 
egocêntrico, mas 
a compreensão 
do ponto de vista 
das outras 
pessoas 
O autoconceito e 
a compreensão 
das emoções 
tornam-se mais 
complexos; a 
autoestima é 
global. 
46 
 
O apetite diminui 
e os problemas 
de sono são 
comuns. 
A preferência pelo 
uso de uma das 
mãos aparece; as 
habilidades 
motoras finas e 
gerais e a força 
aumentam. 
aumenta. 
A imaturidade 
cognitiva leva a 
algumas ideias 
ilógicas sobre o 
mundo. 
A memória e a 
linguagem se 
aperfeiçoam. 
A inteligência 
torna-se mais 
previsível. 
Aumentam a 
independência, a 
iniciativa, o 
autocontrole e os 
cuidados consigo 
mesmo. 
Desenvolve-se a 
identidade de 
gênero. 
O brincar torna-se 
mais imaginativo, 
mais complexo e 
mais social. 
Altruísmo, 
agressão e os 
temores são 
comuns. 
A família ainda é 
o foco da vida 
social, mas as 
outras crianças 
tornam-se 
importantes. 
Frequentar a pré-
escola é comum. 
Terceira Infância 
(6 aos 11 anos) 
O crescimento 
diminui. 
Forças e 
habilidades 
atléticas 
aumentam. 
Doenças 
respiratórias são 
comuns, mas a 
saúde geralmente 
é melhor do que 
em qualquer outro 
período do ciclo 
vital. 
O egocentrismo 
diminui. As 
crianças 
começam a 
pensar com 
lógica, mas de 
maneira concreta. 
As habilidades de 
memória e 
linguagem 
aumentam. 
O autoconceito 
torna-se mais 
complexo, 
influenciando a 
autoestima. 
A corregulação 
reflete a 
transferência 
gradual de 
controle dos pais 
para a criança. 
Os amigos 
assumem 
importância 
central. 
Adolescência (11 
aos 
aproximadamente 
20 anos) 
O crescimento 
físico e outras 
mudanças são 
rápidas e 
profundas. 
Ocorre 
maturidade 
reprodutiva. 
Questões 
comportamentais, 
Desenvolve-se a 
capacidade de 
pensar em termos 
abstratos e utilizar 
o raciocínio 
lógico. 
O pensamento 
imaturo persiste 
em algumas 
atitudes e em 
Busca de 
identidade, 
incluindo a 
identidade sexual, 
torna-se central. 
Relacionamento 
com os pais são, 
em geral, bons. 
Os grupos de 
amigos ajudam a 
47 
 
como transtornos 
alimentares e 
abuso de drogas, 
trazem 
importantes riscos 
à saúde. 
alguns 
comportamentos. 
A educação se 
concentra na 
preparação para 
a faculdade ou 
para a vida 
profissional. 
desenvolver e 
testar o 
autoconceito, mas 
também podem 
exercer uma 
influência 
antissocial. 
Jovem adulto (20 
aos 40 anos) 
A condição física 
atinge o máximo, 
depois diminui 
ligeiramente. 
As escolhas de 
estilo de vida 
influenciam a 
saúde. 
As capacidades 
cognitivas e os 
julgamentos 
morais assumem 
maior 
complexidade. 
Escolhas 
educacionais e 
profissionais são 
feitas. 
Os traços e 
estilos de 
personalidade 
tornam-se 
relativamente 
estáveis, mas as 
mudanças na 
personalidade 
podem ser 
influenciadas 
pelas etapas e 
pelos eventos de 
vida. 
Tomam-se 
decisões sobre os 
relacionamentos 
íntimos e os 
estilos de vida 
pessoais. 
A maioria das 
pessoas casa-se 
e tem filhos. 
Meia-idade (40 
aos 65 anos) 
Pode ocorrer 
alguma 
deterioração das 
capacidades 
sensórias, da 
saúde do vigor e 
da destreza. 
Para as mulheres, 
chega a 
menopausa. 
A maioria das 
capacidades 
mentais atinge o 
máximo; a perícia 
e as capacidades 
de resolução de 
problemas 
práticos são 
acentuadas. 
O rendimento 
criativo pode 
diminuir, mas 
melhorar em 
qualidade. 
Para alguns, o 
êxito na carreira e 
o sucesso 
financeiro 
alcançam o 
máximo; para 
O senso de 
identidade 
continua se 
desenvolvendo; 
pode ocorrer uma 
transição de 
meia-idade 
estressante. 
A dupla 
responsabilidade 
de cuidar dos 
filhos e dos pais 
idosos pode 
causar estresse. 
A saída dos filhos 
deixa o ninho 
vazio. 
48 
 
outros, podem 
ocorrer 
esgotamento total 
ou mudança 
profissional. 
Terceira Idade 
(65 anos em 
diante) 
A maioria das 
pessoas é 
saudável e ativa, 
embora a saúde e 
as capacidades 
físicas diminuam 
um pouco. 
O tempo de 
reação mais lento 
afeta alguns 
aspectos do 
funcionamento. 
A maioria das 
pessoas é 
mentalmente 
alerta. 
Embora a 
inteligência e a 
memória possam 
se deteriorar em 
algumas áreas, a 
maioria das 
pessoas encontra 
formas de 
compensação. 
A aposentadoria 
pode oferecer 
novas opções 
para a utilização 
do tempo. 
As pessoas 
precisam 
enfrentar as 
perdas pessoais e 
a morte iminente. 
Os 
relacionamentos 
com a família e 
com os amigos 
íntimos pode 
oferecer apoio 
importante. 
A busca de 
significado na 
vida assume 
importância 
central. 
Fonte: Papalia, Olds e Feldman (2006, p.52-53). 
 
5.2 Desenvolvimento humano, saúde e adoecimento 
Comojá foi afirmado no início dessa seção, tendemos a promover a saúde e 
prevenir a ocorrência de doenças em todas as fases do ciclo vital. Entretanto, sabe-
se que nem sempre isso é possível. Algumas doenças ainda não podem ser 
prevenidas e surgem em qualquer momento da vida, gerando prejuízos 
biopsicossociais para aquele que adoece e seus familiares. Assim como a doença, a 
morte também pode aparecer em qualquer etapa do ciclo vital e acarreta consigo 
uma série de desajustes àqueles próximos da pessoa que se foi. 
É importante para o psicólogo hospitalar e da saúde refletir não apenas do 
ponto de vista da prevenção, mas sobre o sentido do adoecer nas diferentes etapas 
da vida. Será que ficar doente para a criança tem o mesmo sentido que para o 
idoso? Pretendemos levantar alguns questionamentos acerca dessa indagação. 
 
49 
 
a) Saúde e complicações no período pré-natal 
Na fase pré-natal, o feto é muito suscetível a estímulos ambientais, por isso 
ressalta-se a importância aos cuidados pré-natais que a gestante deve ter. 
Condições genéticas e ambientais podem influenciar nos padrões de saúde 
e adoecimento do bebê que irá nascer. As influências genéticas são transmitidas 
pelos pais desde o momento da fecundação. O ambiente, nesse caso, é 
compreendido como o corpo da mãe, por isso o cuidado com sua saúde é essencial 
para o bem-estar do feto. Dentre as potenciais ameaças para o bebê merecem 
destaque o consumo de drogas (medicamentos, álcool, fumo e drogas ilícitas), a 
nutrição inadequada da mãe, a exposição a vírus e outras doenças maternas, a 
idade da mãe. A exposição do pai a substâncias como metais pesados e drogas, e 
sua idade também são citadas como condições desfavoráveis à saúde do bebê. As 
complicações às quais o bebê pode estar exposto podem ser relacionadas à saúde 
física, mental e cognitiva, sendo os efeitos temporários ou permanentes (PAPALIA; 
OLDS: FELDMAN, 2006). 
A atuação do psicólogo pode ser relevante durante o período pré-natal, de 
forma a prestar assistência frente às ansiedades e temores da gestante, inferindo 
também que o estado emocional da mesma pode influir negativa ou positivamente 
na saúde do feto. 
 
b) Saúde e adoecimento na infância 
Na tabela anterior foi possível perceber que a infância aparece dividida, por 
questões didáticas, em três fases distintas: a primeira infância, a segunda infância e 
a terceira infância. Essa divisão se dá porque, diferentemente das outras fases da 
vida, a infância é o período onde acontecem mais mudanças do ponto de vista físico, 
cognitivo e psicossocial, portanto comparar, por exemplo, o desenvolvimento físico 
de um bebê de três meses com a mesma criança aos seus três anos torna-se 
impossível. Em muitos casos são seria possível nem inferir que se trata da mesma 
criança ao examinarmos uma fotografia. 
Neste momento não é nossa intenção caracterizar as diferenças que 
ocorrem em cada fase em particular, mas mostrar que a experiência de adoecimento 
possui diferentes significados para o bebê e a criança de diferentes faixas etárias. 
Enquanto para um bebê recém-nascido a experiência de hospitalização 
pode não acarretar prejuízos psicossociais, a mesma experiência pode ser bastante 
50 
 
traumática para uma criança de dois anos. Iremos aprofundar mais sobre isso, mas, 
de maneira geral, é fácil compreender que o recém-nascido ainda não desenvolveu 
apego aos seus pais e cuidadores próximos, portanto o afastamento pode nem ser 
percebido por ele. Já para a criança de dois anos, a qual já desenvolveu vínculos 
com seus pais e pessoas próximas, o afastamento dos pais em determinadas 
situações pode ser grande gerador de estresse e sofrimento. 
 Ao mesmo tempo, enquanto o bebê é totalmente passivo à situação, a 
criança de dois anos já tem condições de compreender o que está acontecendo. Se 
ela já vivenciou situações parecidas anteriormente e sofreu de alguma forma é 
comum manifestar reações de medo e pavor frente a determinados procedimentos 
ou pessoas (por exemplo, se afastar e chorar quando próxima de alguém de jaleco 
branco). 
O bebê ainda não utiliza objetos para fazer suas brincadeiras, enquanto que 
para a criança de dois anos os brinquedos são grandes companheiros. Por outro 
lado, para os pais de ambas as crianças a experiência de ter um filho hospitalizado 
costuma ser bastante dolorosa. 
Esses são apenas alguns exemplos de como o processo de adoecimento e 
consequente hospitalização podem oferecer diferentes impactos em crianças de 
diversas faixas etárias. 
 
O processo de hospitalização, normalmente, vem junto a um clima de 
tensão e medo, fato que acarreta outras situações desagradáveis: novos 
horários, exames dolorosos, distanciamento do ambiente familiar, abandono 
da escola e outras alterações na rotina da criança e, consequentemente, 
dos familiares. Para que se possam construir novas referências, toda a 
família e, principalmente, a criança precisam fazer um enorme esforço na 
busca de mecanismos que permitam compreender esse mundo. A mudança 
abrupta de ambiente pode ocasionar vários distúrbios na criança como 
agitação, atraso no desenvolvimento, depressão, entre outros. Assim, para 
minimizar os traumas da hospitalização, o ambiente não pode se limitar ao 
leito (ABRÃO, 2012, p.169). 
 
Antes de refletirmos sobre algumas situações em particular, vale a pena 
ressaltar que a criança hospitalizada tem direito a ter um acompanhante (pai, mãe 
ou cuidador principal) durante o seu processo de hospitalização. Isso ocorre de 
forma a diminuir a sensação de insegurança da criança frente a pessoas e situações 
desconhecidas, além de impedir que os vínculos sejam quebrados, o que poderia 
aumentar ainda mais a sensação de ansiedade em relação a estranhos e medo. 
Salvo em situações especiais, por exemplo, em quadros que requerem isolamento 
51 
 
ou quando a criança necessita permanecer na UTI, a presença do acompanhante é 
garantida segundo o Estatuto da Criança e do Adolescente (BRASIL, 1990): “Os 
estabelecimentos de atendimento à saúde deverão proporcionar condições para a 
permanência em tempo integral de um dos pais ou responsável, nos casos de 
internação de criança ou adolescente” (art. 12). 
O documento supracitado também deixa claro que o profissional de saúde 
deve atentar-se para possíveis casos de violência contra a criança e, nesses casos, 
deve tomar as providências cabíveis: “Os casos de suspeita ou confirmação de 
maus-tratos contra criança ou adolescente serão obrigatoriamente comunicados ao 
Conselho Tutelar da respectiva localidade, sem prejuízo de outras providências 
legais” (art 13). 
Para compreendermos a influência do processo de hospitalização da 
criança, é importante conhecer de forma mais aprofundada algumas características 
do desenvolvimento infantil. 
Segundo Erikson, o desenvolvimento psicossocial ocorre por estágios. No 
primeiro ano de vida, o bebê vive a primeira crise de desenvolvimento, a qual dura 
até aproximadamente os 18 meses. 
 
Nesses primeiros meses, os bebês desenvolvem um sentimento do quão 
confiável são as pessoas e os objetos de seu ambiente. Eles precisam 
desenvolver um equilíbrio entre confiança (que lhes permite formar 
relacionamentos íntimos) e a desconfiança (que lhes permite se proteger). 
Quando predomina a confiança, como deve acontecer, as crianças 
desenvolvem a virtude da esperança: a crença de que elas podem 
satisfazer suas necessidades e seus desejos. Quando predomina a 
desconfiança, as crianças verão o mundo como hostil e imprevisível e terão 
problemas para formar relacionamentos (PAPALIA; OLDS; FELDMAN, 
2006, p.245). 
 
A confiança é importante, pois é ela que permitirá que o bebê fique longe da 
mãe, já que o mesmo confia que ela irá voltar. Além da confiança, uma outra 
característica essencial no início da vida é o apego “um vínculo emocional recíproco 
e duradouro entre um bebê e o cuidador, cada um deles contribuindopara a 
qualidade do relacionamento” (PAPALIA; OLDS; FELDMAN, 2006, p.245). O apego 
é essencial no início da vida e interferirá no padrão posterior de relações que a 
criança estabelece com outras pessoas. 
A hospitalização no primeiro ano de vida pode comprometer o apego entre o 
bebê e a mãe, diminuindo a responsabilidade da mãe em relação à criança e 
52 
 
interferindo negativamente na relação que deverá se estabelecer entre ambos 
(SCHIMITZ, 2000 apud CRUZ; COSTA; NOBREGA, 2006). 
Spitz (1980) realizou importantes estudos acerca do primeiro ano de vida da 
criança. Dentre suas conclusões, merece destaque nesse momento citar a definição 
de ansiedade do oitavo mês. Segundo o teórico, antes do oitavo mês, a criança 
reconhece o rosto humano e estabelece reações de sorriso, porém ainda não 
demonstra nenhum tipo de reação significativa ao afastamento dos pais ou 
cuidadores mais próximos. Por volta do oitavo mês, a criança mostra que já 
reconhece os pais, ou seja, que possui uma relação de apego com seus cuidadores 
e passa a reagir com agressividade quando o estranho chega, o que popularmente é 
denominado de reação de “estranhar”. Papalia, Olds e Feldman (2006) definem 
ansiedade ante estranhos como: “[...] cautela com uma pessoa que não conhece” e 
a ansiedade de separação como “[...] angústia quando um cuidados familiar a deixa” 
(p.249). 
Após a ocorrência desse marco emocional e cognitivo – a ansiedade do 
oitavo mês –, a ocorrência de hospitalização na criança pode trazer consequências 
mais graves. Spitz (1980) realizou um estudo com crianças hospitalizadas e 
observou nelas um quadro que ele denominou como hospitalismo. Segundo ele, a 
separação da criança com a mãe, após já ter ocorrido um vínculo com a mesma, por 
um longo período de tempo, pode ocasionar em alterações em sua personalidade, 
dentre outros sintomas depressivos, os quais interferem negativamente no processo 
de desenvolvimento da criança. 
A hospitalização na fase pré-escolar (segunda infância) traz diferentes 
percepções para a criança. Nessa fase, por ela ainda não dominar as noções de 
tempo, espaço, distância, o afastamento da mãe pode ser interpretado como algo 
definitivo. Nessa faixa etária, é quando a hospitalização pode ser encarada como 
mais agressiva à criança, pois além da separação da mãe acarretar num grande 
sofrimento para ela, o ambiente hospitalar impede a criança de realizar as atividades 
próprias de sua idade (SCHIMITZ, 2000, apud CRUZ, COSTA; NOBREGA, 2006). 
 
Na fase escolar, a hospitalização representa uma ameaça à integridade 
física, à capacidade intelectual e à independência da criança, por impedir-
lhe o controle do seu corpo e afastá-la dos familiares, dos amigos e da 
escola (SIGAUD; VERÍSSIMO, 1996 apud CRUZ; COSTA; NOBREGA, 
2006, p.101). 
 
53 
 
Compreender o impacto da doença e da consequente hospitalização na 
criança de diferentes faixas etárias é essencial não apenas para o psicólogo 
hospitalar, mas para todos os profissionais que compõem a equipe multidisciplinar 
de saúde que precisa lidar com crianças. Proporcionar o contato com os pais e 
oferecer um ambiente marcado pela ludicidade, faz-se essencial nesse contexto: 
 
Na recreação hospitalar, o brincar é visto como uma atividade essencial 
para a saúde física, emocional e intelectual da criança. A partir Lei Nº 
11.104 de 2005, instituiu-se a todas as unidades que ofereçam atendimento 
pediátrico, em regime de internação, por obrigatoriedade, instalar 
brinquedotecas nos hospitais. Através dos direitos adquiridos no Estatuto da 
Criança e do Adolescente (ECA), a Resolução Nº 41 do Ministério da 
Justiça e do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, 
de Outubro de 1995, prevê que toda criança e adolescente hospitalizado 
tem o direito de desfrutar de alguma forma de recreação, programas de 
educação para a saúde, acompanhamento de currículo escolar durante a 
permanência hospitalar. Desta forma, o brincar e o brinquedo no ambiente 
hospitalar passam a ganhar destaque na literatura e nos hospitais 
brasileiros (ABRÃO, 2012, p.170). 
 
A questão do atendimento humanizado à criança hospitalizada será 
abordada num outro momento no decorrer do curso, porém não mais serão 
enfatizadas as diferenças relacionadas ao período desenvolvimental pelo qual a 
mesma está passando. 
 
c) Saúde e adoecimento na adolescência 
A fase da adolescência é marcada por uma grande transformação imposta 
pelo processo de puberdade, o que implica transformações não somente na esfera 
física, mas também do ponto de vista psicossocial. 
Como foi mencionado na tabela, é uma época onde a prevenção ao abuso 
de drogas e aos transtornos da imagem corporal se mostra de suma importância. 
Nos casos em que não houve condições de trabalhar a prevenção, o psicólogo 
hospitalar e da saúde também pode atuar para minimizar os dados frente a 
problemas já instalados. 
Definem-se como transtornos alimentares, os transtornos psiquiátricos que 
se caracterizam por alterações graves no comportamento alimentar. Esse problema 
acomete, em sua maioria, adolescentes e adultos jovens do sexo feminino, 
entretanto, não se deve utilizar esse padrão como regra, já que os transtornos 
acometem também pessoas do sexo masculino, mais maduras, de diferentes 
54 
 
classes socioeconômicas. As consequências são graves, não apenas do aspecto 
físico, mas do ponto de vista biopsicossocial, podendo inclusive culminar com a 
morte. Assim como a doença afeta a qualidade de vida como um todo há de se 
compreender que fatores biológicos, genéticos, psicológicos, familiares e sociais 
contribuem para o desenvolvimento e a manutenção do transtorno (BORGES et al., 
2006). 
Dentre os fatores psicológicos um que merece destaque é a autoestima. Ter 
uma boa autoestima é fator protetor, não apenas para os transtornos alimentares, 
mas, sem sombra de dúvidas, uma pessoa com boa autoestima é uma pessoa mais 
saudável, que lida melhor com as adversidades impostas pela vida. 
Mas, o que é autoestima? Segundo Papalia, Olds e Feldman (2006), 
autoestima significa gostar de si mesmo de modo genuíno e altruísta; não se trata de 
excesso de valorização de si mesmo ou de arrogância e egocentrismo. Gostamos do 
que realmente somos, aceitando nossas próprias habilidades e limitações. O papel 
do outro é importante no desenvolvimento da autoestima, sejam eles familiares, 
amigos, ou mesmo desconhecidos. Afirmar que um sujeito possui uma autoestima 
elevada é o mesmo que dizer que ele tem um julgamento positivo de si mesmo. 
A partir dessa definição, é possível perceber que a autoestima de uma 
pessoa com transtorno alimentar (ou às vias de desenvolver um desses transtornos) 
não é positiva, por isso, é necessária uma atenção especial no que diz respeito à 
atenção a este público-alvo. 
Em relação ao abuso de substâncias entre os adolescentes, um dado 
merece a atenção. Nessa etapa do desenvolvimento, a influência dos pares 
(colegas, grupos de iguais) parece ser crucial, então muitos adolescentes acabam 
experimentando e tornando-se dependentes químicos porque os colegas o fazem 
também. Além disso, pesquisas mostram que há uma relação entre as habilidades 
sociais e o abuso de substâncias, como pode ser observado na citação a seguir: 
 
As pesquisas têm trazido dados preocupantes sobre o aumento do uso de 
substâncias psicoativas entre os adolescentes e reforça a necessidade de 
aprofundar a investigação nessa área. Inúmeros estudos vão ao encontro 
do que já se observa na prática clínica, em que muitas vezes, os 
adolescentes abusadores e dependentes de drogas podem apresentar 
déficits em habilidades sociais, não conseguindo recusar a oferta de drogas 
para serem aceitos no grupo de iguais. Os achados de Barkin, Smith & 
Durant (2002) comprovam a existência de tais déficits, principalmente 
quanto à dificuldade em resistir às drogas e dizer não, além de reconhecer 
que o desenvolvimentode habilidades de resistência ao oferecimento de 
55 
 
drogas, autoeficácia e tomada de decisões pode auxiliar na redução do 
comportamento de uso de substâncias psicoativas (WAGNER; OLIVEIRA, 
2007, p.111). 
 
Em relação aos adolescentes portadores de doenças crônicas, a atuação de 
equipe multidisciplinar (que inclui o psicólogo) se faz de grande importância, pois 
além das características biopsicossociais impostas pelo processo normal de 
adolescência, somam-se as implicações acarretadas pela doença em si. 
 
A simultaneidade da adolescência e da doença crônica caracteriza uma 
crise existencial, sobrepondo-se à outra crise, representada pela 
enfermidade incurável e respectiva necessidade de tratamento continuado. 
Neste contexto, o tratamento é mediado pelos médicos e pelos pais, 
regulando-se pela qualidade da comunicação entre médicos, pais e 
pacientes (OLIVEIRA; GOMES, 2004, p.460). 
 
A questão da adesão ao tratamento (colaboração entre médico e paciente 
para o sucesso do tratamento) merece ser destacada e a base para isso é uma boa 
comunicação médico-paciente (OLIVEIRA; GOMES, 2004). Ressalta destacar que 
nesse contexto, o papel do psicólogo hospitalar e da saúde encontra um diferencial 
por ser um profissional também empenhado no estudo das relações humanas e, por 
isso, da comunicação. 
Oliveira e Gomes (2004) também ressaltam outros fatores relacionados à 
adesão do tratamento de adolescentes portadores de doenças crônicas, tais como o 
contexto no qual os pacientes estão inseridos, a forma como os mesmos foram 
informados ou perceberam a doença, o que pensam e o que fazem do tratamento e, 
finalmente, como percebem a comunicação com os pais e os profissionais de saúde. 
Nesse sentido, observa-se que a educação em saúde também pode ser um fator 
que visa a auxiliar a adesão do jovem ao tratamento. 
Em relação à conscientização da doença e de seu tratamento por parte do 
paciente adolescente, pode-se notar as implicações da mesma em sua rotina e em 
seu estado biopsicossocial, como fica evidente na citação a seguir: 
 
A ampliação da capacidade de compreensão que ocorreu na adolescência 
trouxe as seguintes implicações: conscientização de ser doente, maior 
conhecimento da doença, descoberta de preconceito, vergonha de ser 
diferente, hospitalização rotineira, e falta à escola. Ao mesmo tempo, os 
jovens iam percebendo que não podiam fazer tudo que os outros da mesma 
idade faziam. Por outro lado, movimentos em favor da autonomia 
começavam a se manifestar. As falas indicavam duas modalidades 
relacionais com a autonomia: assumir algumas responsabilidades em 
relação ao tratamento, por exemplo, fazer os exercícios de fisioterapia sem 
56 
 
ajuda; ou não assumir responsabilidade pelo tratamento, ficando na 
dependência do cuidado de outro, em geral, a mãe (OLIVEIRA; GOMES, 
2004, p.462). 
 
O profissional da saúde deve se conscientizar de que o adolescente não é 
mais criança, porém ainda não é um adulto. Isso implica numa postura diferenciada, 
a qual inclui comunicação clara, de forma que ele possa entender, respeitando à 
autonomia, característica da faixa etária. 
 
d) Saúde e adoecimento na idade adulta 
Em relação à saúde do adulto, dois pontos de vista merecem ser 
considerados. Por um lado, como expresso na tabela, o estilo de vida adotado nessa 
faixa etária influencia nas condições de saúde futuras. Por outro lado, também será 
exposta a questão da diferença de gêneros e o cuidado da saúde, o que é bastante 
relevante. 
Atualmente, é visível a preocupação das pessoas em adotarem um estilo de 
vida mais saudável e ativo como forma de prevenir doenças e, naqueles que já 
possuem problemas instalados, para garantir uma melhora em seu estado geral: 
 
Para alguns estudiosos, os indivíduos sedentários procuram fazer 
exercícios para que estes lhe proporcionem bem-estar físico, social e 
mental, ou seja, aumentar o limiar da saúde e evitar doenças físicas e 
psicossomáticas (LEITE, 2000, p.4). 
 
A prática de atividade física, aliada a uma alimentação saudável e a 
abstinência de drogas, tabaco e álcool aparece em diversas literaturas (LEITE, 2000; 
PITANGA, 2002) como relevantes formas de se promover uma vida mais saudável 
no presente e no futuro. Isso se faz ainda mais importante se levarmos em 
consideração alguns dados epidemiológicos, os quais serão elucidados a seguir. 
Segundo Powers e Howley (2000), nos EUA, nos últimos 100 anos, a 
principal causa de morte deixou de ser as doenças infecciosas, como a tuberculose 
e a pneumonia, passando a ser as doenças degenerativas, como o câncer e as 
doenças cardiovasculares. Essas últimas são multicausais, podendo-se destacar 
fatores genéticos (não podem ser modificados, são inatos), ambientais e 
comportamentais (esses dois últimos podem ser modificados pelo indivíduo). Os 
autores costumam falar em uma rede de causas, já que os denominados fatores de 
risco interagem entre si, além disso, vale a pena destacar que é de extrema 
57 
 
importância o desenvolvimento de programas de prevenção voltados à saúde 
pública para que a população se eduque e se torne responsável pela sua própria 
saúde. Importante destacar que algumas dessas doenças degenerativas podem ter 
seu início retardado ou impedido se alguns fatores ambientais ou comportamentais 
forem modificados. 
Pitanga (2002) aponta que o sedentarismo se destaca, nesse paradigma, 
como um dos fatores de risco para os agravos à saúde, daí a íntima relação entre 
epidemiologia, saúde e atividade física. 
Podemos inferir que a prevenção e a cura das doenças que anteriormente 
dizimava a população não dependiam muito dos próprios indivíduos (apesar de que 
antes da descoberta dos antibióticos e das vacinas, por exemplo, algumas matavam 
em um curto intervalo de tempo). Atualmente, a situação é diferente. Como já foi 
abordado, as doenças que dizimam grande parte da população são as doenças 
degenerativas (ou doenças crônicas não transmissíveis – DCNT). Para essas 
doenças não há vacina, as medidas de saneamento não trazem o controle das 
mesmas, há necessidade de grande participação do indivíduo em seu tratamento: 
mudança de hábitos alimentares, adoção de atividade física regular, remédios de 
uso contínuo, visitas regulares a uma equipe multiprofissional de saúde. Em síntese, 
o paciente passa a ser responsável pelo sucesso de seu tratamento, a doença não 
leva ao óbito num curto prazo de tempo, mas suas complicações oneram todo o 
sistema de saúde (RAMOS, 2002). 
Pensando na possibilidade de um presente e um futuro mais saudáveis e 
com menos complicações, que podem gerar a dependência, o adulto deve abrir mão 
de hábitos nocivos e adotar um estilo de vida mais saudável. 
Entretanto, algumas literaturas indicam que há diferenças nas formas em 
que homens e mulheres cuidam de sua própria saúde. Segundo Costa-Júnior e Maia 
(2010): 
 
As diferenças sociais que em nossa cultura caracterizam os sexos irão 
delimitar determinados percursos para o desenvolvimento social e 
psicológico de homens e mulheres. Isso pode ter relação quanto aos 
cuidados com o corpo e a saúde (p.24). 
 
Meninos e meninas recebem uma educação diferenciada, já que cada 
cultura transmite os padrões de agir como homem e como mulher. A família, a 
58 
 
escola, a sociedade em geral acabam por reproduzir esses ensinamentos. A forma 
de lidar com o corpo e cuidar do mesmo também parecem refletir a diferença entre 
os sexos. Segundo Costa-Júnior e Maia (2010), a forma da mulher perceber e cuidar 
do seu corpo reflete um padrão cultural de que o feminino é mais frágil e suscetível 
às doenças. Já os homens percebem seus corpos como saudáveis, ativos e 
resistentes. 
Em entrevistas a profissionais de saúde, os mesmos pesquisadores 
perceberam, através dos relatos, que as mulheres estariam mais vulneráveis às 
doenças em virtude de um desgaste físico maior ou mesmo de sua condição de 
fragilidade.Essa percepção é reforçada pelo uso de remédios por parte das 
mulheres. Em relação à prevenção, um ponto de vista merece ser elucidado: 
 
Embora tenham medo e receio, as mulheres procuram mais os serviços de 
saúde, são mais dedicadas e interessadas no diagnóstico e no tratamento, 
aceitam mais os exames que possam ser invasivos, pois estão 
acostumadas com isso, e, principalmente, têm mais atitudes preventivas 
(COSTA-JÚNIOR; MAIA, 2010, p.24). 
 
Em relação à saúde da mulher o SUS (2013), preconiza ações de 
assistência ao pré-natal, incentivo ao parto normal (e consequente redução do 
número de cesarianas desnecessárias), redução da mortalidade materna, 
planejamento familiar, assistência ao climatério, prevenção e tratamento ao câncer 
de mama e de colo de útero. Essas ações são mais específicas à saúde no que diz 
respeito ao corpo, ao biológico. Entretanto, há outras ações que visam à saúde da 
mulher num contexto mais amplo, voltado a uma abordagem biopsicossocial, tais 
como enfrentamento à violência contra a mulher, assistência à mulher negra e 
população GLBTT. A atuação do psicólogo hospitalar e da saúde pode ocorrer em 
todas essas ações, seja em nível ambulatorial, seja em nível hospitalar. 
Como mencionado por Costa-Júnior e Maia (2010), o cuidado ao corpo e a 
prevenção já fazem parte da cultura feminina. Observa-se que a mulher já inclui em 
seu cotidiano atitudes como visitar o ginecologista regularmente, realizar exames 
preventivos e aderir ao tratamento quando necessário. As políticas de saúde pública 
deixam bastante evidente essa preocupação com a saúde feminina, porém a 
questão da atenção à saúde do homem já são mais recentes. Assim como ocorre 
com a saúde da mulher, sabe-se que partir da prevenção minimizam-se danos ao 
paciente (além de maiores chances de cura caso o problema seja detectado no 
59 
 
início) e custos ao tratamento. Além das doenças outra causa de mortalidade entre 
os homens brasileiros que merece ser destacada é aquela ocorrida por causas 
violentas. A Política de Atenção à Saúde do Homem (SUS, s.d., s.p.) deixa isso em 
evidência: 
A COORDENAÇÃO NACIONAL DE SAÚDE DOS HOMENS 
(CNSH/DAET/SAS/MS) é responsável pela implementação da Política 
Nacional de Atenção Integral da Saúde do Homem/PNAISH, que foi 
instituída pela Portaria nº 1.944/GM, do Ministério da Saúde, de 27 de 
agosto de 2009. Sua atuação é desenvolvida a partir de cinco (05) eixos 
temáticos: Acesso e Acolhimento, Saúde Sexual e Reprodutiva, Paternidade 
e Cuidado, Doenças prevalentes na população masculina e Prevenção de 
Violências e Acidentes. 
 
Assim, observa-se que, em relação ao adulto, tanto no que diz respeito à 
prevenção quanto na cura e tratamento de problemas já instalados em homens e 
mulheres, o papel do psicólogo hospitalar e da saúde merece destaque dentro da 
equipe multidisciplinar. Sua atuação, assim como a dos demais profissionais que 
compõem a equipe, pode ser realizada em ambulatórios e hospitais e visam uma 
melhor qualidade de vida de homens e mulheres. 
 
e) Saúde e adoecimento na meia idade 
Conforme expresso na tabela, a meia idade é a etapa do ciclo vital no qual, 
normalmente ocorrem os primeiros declínios na capacidade sensorial, na saúde 
geral e, na mulher, corresponde com o climatério e seu ápice, a menopausa. 
Assim como a adolescência, essa é uma etapa de transição entre a idade 
adulta e a terceira idade. A autoestima merece destaque também nessa fase, pois 
atualmente é comum observar pessoas preocupadas em manter uma aparência 
eternamente jovem, já que a sociedade ocidental privilegia o jovem, o bonito e tudo 
o que foge a este padrão é considerado feio. Mais uma vez enfatizam-se diferenças 
entre homens e mulheres: para eles a idade pode ser sinal de experiência e 
domínio, enquanto que elas costumam enxergar o avanço da idade como sinal de 
decadência. A autoaceitação é uma importante estratégia para se promover uma 
boa autoestima, porém o papel do outro também é um diferencial nesse sentido, 
pois a opinião dos outros influencia na percepção que a pessoa possui de si mesmo 
(PAPALIA; OLDS; FEDMAN, 2006). 
Numa pesquisa com pessoas de 40 a 60 anos alunas de academias de 
ginástica ou que praticavam caminhada em Pelotas, foi possível observar como a 
60 
 
questão da percepção da imagem corporal é presente nas pessoas dessa faixa 
etária (DUARTE; SANTOS; GONÇALVES, 2002). Entretanto, a prática de atividade 
física parece ser positiva: 
 
A percepção de envelhecimento foi associada ao desgaste, com ênfase no 
aspecto físico em todas as respostas relacionadas aos motivos de adesão, 
de continuidade e dos benefícios obtidos com a atividade física, assim como 
nas questões diretamente relacionadas ao envelhecimento. As pessoas 
acreditam na dissociação do corpo e da mente, afirmando a necessidade de 
valorizar e manter a mente jovem porque dessa forma se anula o aspecto 
negativo comumente associado ao ato de envelhecer. Embora o aumento 
dos anos de vida seja entendido por algumas pessoas como um processo 
natural, a discriminação social relacionada ao envelhecimento ainda é o 
aspecto mais evidenciado. A maioria das pessoas de meia-idade não se 
imagina idosa; as poucas que se imaginam veem-se com rugas e 
dificuldades físicas, reforçando a ideia do envelhecimento como desgaste 
físico em oposição às experiências de vida (sabedoria) (DUARTE; 
SANTOS; GONÇALVES, 2002, p.37). 
 
Segundo Papalia, Olds e Feldman (2006), outro fenômeno psicossocial 
comum nessa fase é a síndrome do ninho vazio – a sensação de vazio que ocorre 
após a saída dos filhos de casa. A “geração sanduíche” é o nome que se dá às 
pessoas de meia idade que vivem constantes relações intergeracionais: com os 
filhos adolescentes e com os pais idosos. Tornar-se cuidador dos pais idosos é uma 
tarefa muito desgastante do ponto de vista biopsicossocial. 
 
A fase da meia-idade está associada no senso comum com um estilo de 
vida marcado pelas atividades familiares (casamento e filhos) e pelas 
atividades de trabalho remunerado. Contudo, um fator bastante 
prevalecente nesse período relaciona-se à crise. A “crise da meia-idade” é 
vivida de modo introspectivo com reflexos em todas as esferas da vida. O 
fato elementar presente nessa situação é a chegada ao ponto médio da 
vida, o qual não se apresenta como algo simples do ponto de vista 
psicológico. A infância e a juventude são tempos passados e a 
concretização de uma vida madura e independente apresenta-se como a 
principal tarefa psicológica (DUARTE; SANTOS; GONÇALVES, 2002, p.37). 
 
Um evento que marca o desenvolvimento da mulher é o climatério, período 
em que a mulher vivencia mudanças fisiológicas que provocam a menopausa (última 
menstruação). Por ser a menopausa o evento que marca o fim da capacidade de 
procriação da mulher, este pode desencadear na mesma uma série de sentimentos 
negativos, porém pode ser também um período vivenciado com naturalidade 
(PAPALIA; OLDS, FELDMAN, 2006). 
 
61 
 
Tabela 02: Mudanças nos Aparelhos Reprodutivos Humanos Durante a Meia-idade 
 Feminino Masculino 
Mudança hormonal Diminuição de 
estrogênio e de 
progesterona. 
Diminuição da 
testosterona. 
Sintomas Calorões, secura 
vaginal e disfunção 
urinária. 
Indeterminados. 
Mudanças sexuais Excitação menos 
intensa, orgasmos 
menos frequentes e 
mais rápidos. 
Perda de excitação 
psicológica, ereções 
menos frequentes, 
organismos mais lentos, 
recuperação mais lenta 
entre as ejaculações, 
maior risco de disfunção 
erétil. 
Capacidade 
Reprodutiva 
Término. Continua; pode ocorrer 
certo decréscimo na 
fertilidade. 
Fonte: Papalia, Olds e Feldman (2006, p.594). 
 
Como nosso foco não se restringe às condições relativas ao processo de 
doença (do ponto de vista biopsicossocial), pode-se inferir também fatores que 
visam promover um maior bem-estar nas pessoas dessa faixa etária. Assim como 
enfatizamos na idade adulta, a atividade física éum importante aliado para a saúde 
em pessoas dessa faixa etária, não apenas devido à promoção da saúde física, mas 
também pelas interações psicossociais que podem ocorrer em virtude dessa. A 
citação a seguir ilustra claramente essa proposição: 
 
Na história de vida de pessoas com idade superior aos 50 anos evidencia-
se que a atividade física é associada à prevenção de doenças, manutenção 
de corpo forte e resistente, além da melhoria nas relações sociais por causa 
da convivência em grupo, propiciadas pelo contato com outras pessoas de 
mesma idade durante o envolvimento com a prática. Este contexto ou 
conjunto de fatos pode refletir-se na atividade física como uma possível 
forma de preparação para o envelhecimento (DUARTE; SANTOS; 
GONÇALVES, 2002, p.36). 
 
Em síntese, na pesquisa de Duarte, Santos e Gonçalves (2002) foi possível 
perceber que na amostra pesquisada a prática de atividade física na meia-idade 
contribui para a manutenção de um estilo de vida saudável, pois, assim como nas 
outras faixas etárias, pela atividade física, é possível melhorar a condição física, a 
comunicação, a independência e a autonomia na resolução das tarefas do dia a dia. 
62 
 
Assim como nas demais fases do envelhecimento, cabe a atuação do 
psicólogo hospitalar e da saúde junto à população de meia idade, de forma a 
promover a saúde biopsicossocial. Atuar em nível de prevenção, buscando 
minimizar os possíveis sentimentos de menos valia e depressão provocados pelo 
processo físico de envelhecimento, o climatério e pelas condições de vida comuns 
nessa faixa etária (como a saída dos filhos de casa e o envelhecimento dos pais) é 
uma importante estratégia a ser desenvolvida pelo psicólogo. Importante também 
estimular as relações interpessoais, que podem ser naturalmente minimizadas nesse 
momento devido à simultânea adoção de diversos papéis, como de pais, avós, 
filhos, profissionais, dentre outros. Nos casos em que os problemas já se instalaram, 
a atuação do psicólogo é uma importante estratégia para melhorar a qualidade de 
vida da população que enxerga que já passou da metade do seu ciclo vital e muitas 
vezes tem dificuldade para lidar com essa realidade. 
 
f) Saúde e adoecimento na terceira idade 
O envelhecimento é uma etapa do desenvolvimento humano que ainda 
carrega consigo uma série de tabus e estigmas. Na sociedade ocidental, envelhecer 
é visto como um processo negativo, muitas vezes até patológico, marcado pela 
dependência e inatividade econômica. Faz-se necessário quebrar esse paradigma 
de velhice como sinônimo de dependência. 
Rowe e Khan (1998) propõem que o processo de envelhecimento pode se 
dar a partir de três modelos: envelhecimento normal, envelhecimento bem-sucedido 
e envelhecimento patológico. 
O envelhecimento normal é aquele marcado pelos eventos cognitivos e 
normativos já esperados para ocorrerem nessa faixa etária. Desta forma, aumento 
da pressão arterial, diminuição da acuidade sensorial, dentre outros eventos, são 
compreendidos como normais, porém os mesmos são passíveis de serem 
compensados, por exemplo, com tratamento adequado e uso de “complementos” 
como óculos e aparelhos auditivos. O envelhecimento patológico é aquele marcado 
por acontecimentos negativos, como a presença de síndromes e condições de 
saúde incapacitantes. Observa-se que esse é o estereótipo que as pessoas 
costumam atribuir à velhice, como se todas as pessoas que envelhecessem fossem, 
necessariamente, ficar doentes e dependentes. O envelhecimento bem-sucedido ou 
63 
 
saudável é aquele em que os padrões físicos, cognitivos e psicológicos do idoso é 
superior ao das demais pessoas da mesma faixa etária (ROWE; KHAN, 1998). 
Uma teoria bastante utilizada no estudo do envelhecimento é a Teoria do 
Curso de Vida, proposta por Baltes. A sociedade, os avanços científicos e as 
políticas públicas podem auxiliar o envelhecimento saudável focalizando a 
longevidade, a saúde física e a adequação do ambiente para a pessoa idosa, além 
de promover a compensação das perdas causadas pelo envelhecimento e promover 
a melhora do potencial dos mesmos. Em qualquer etapa do curso de vida, o 
desenvolvimento envolve equilíbrio constante entre ganhos e perdas, o que resulta 
numa necessidade de mudança adaptativa constante. Ao longo de suas vidas, os 
indivíduos acumulam ganhos e perdas. O processo de envelhecimento acarreta uma 
série de perdas, mas um envelhecimento normal ou bem sucedido podem 
proporcionar ganhos. Existem perdas no desenvolvimento, no envelhecimento elas 
são acentuadas, porém cada um possui uma capacidade de reserva variável, que 
pode auxiliar na adaptação do organismo. Como existem diferenças individuais, 
alguns se adaptarão com mais facilidade (envelhecimento normal e bem-sucedido), 
enquanto que outros apresentarão maiores dificuldades de adaptação 
(envelhecimento patológico) (PAPALIA; OLDS; FELDMAN, 2006). 
Nesta última etapa do processo de desenvolvimento, assim como nas 
anteriores, tentaremos abordar a importância da atuação do psicólogo hospitalar e 
da saúde tanto na prevenção quanto na reabilitação. 
A partir da perspectiva de Rowe e Khan (1998), é possível inferir que no 
envelhecimento bem-sucedido, a atuação do psicólogo ocorre mais em nível de 
prevenção; no envelhecimento normal, é possível atuar tanto na prevenção, como 
nos problemas já instalados, enquanto que no envelhecimento patológico a atuação 
ocorre mais na reabilitação. 
O SUS, através da Política Nacional da Saúde da Pessoa Idosa (2006) 
implementa as seguintes diretrizes: 
 
[...] envelhecimento ativo e saudável, atenção integral e integrada à saúde 
da pessoa idosa, estímulo às ações intersetoriais, além do fortalecimento do 
controle social, garantia de orçamento, incentivo a estudos e pesquisas 
dentre outras. [...] O desafio consiste em incluir a discussão sobre o 
envelhecimento da população brasileira nas agendas estratégicas das 
Políticas Publicas. No âmbito da Saúde, o desafio é ampliar o acesso, 
incluir e/ou potencializar o cuidado integral, concretizar ações intersetoriais 
nos territórios com foco nas especificidades e demandas de cuidado da 
64 
 
população idosa. Cabe destacar que o cuidado à Saúde da Pessoa Idosa 
apresenta características peculiares quanto à apresentação, instalação e 
desfechos dos agravos em saúde, traduzidas pela maior vulnerabilidade a 
eventos adversos, necessitando de intervenções multidimensionais e 
multissetoriais com foco no cuidado. (SUS, 2014, s.p.) 
 
O envelhecimento é um período marcado por perdas: da saúde, do corpo 
jovem, de entes queridos, do emprego (aposentadoria), de papeis sociais outrora 
desempenhados, iminência da própria morte, portanto, faz-se essencial trabalhar 
com o idoso o enfrentamento dessas situações de perdas. 
O desempenho de diversas atividades pode ser uma interessante estratégia 
de prevenção, já que o idoso que abre mão de seus papéis outrora desempenhado 
pode ficar inativo e depressivo. Nesse sentido: 
 
A atividade é um meio de contrabalançar as perdas comuns a esse estágio, 
ao mesmo tempo o de proporcionar um espaço para que outras 
características sejam desenvolvidas e até potencializadas, proporcionando 
ao idoso uma forma de crescimento pessoal, além de ser uma aliada na 
superação do estresse (MIRANDA; BANHATO, 2008, p.71). 
 
 
Já quando as condições patológicas já estão instaladas, sejam de ordem 
orgânica ou cognitiva, a atuação do psicólogo enquanto membro de uma equipe 
multidisciplinar também é relevante. 
Como já foi mencionado na parte do desenvolvimento do adulto, a 
epidemiologia aponta a prevalência das doenças crônico-degenerativas, tais como 
hipertensão arterial e diabetes – doenças muito comuns dentre idosos. O grande 
desafio da saúde pública frente a essas doenças é ainda maior se levarmos em 
conta o contingente numeroso de idosos no Brasil e no mundo (RAMOS, 2002). 
Além dessas também destacam-seas demências, em especial a Doença de 
Alzheimer (condição que será trabalhada num outro momento desse curso). 
Definem-se demências como uma condição patológica marcada por declínios 
cognitivos e comportamentais de origem fisiológica suficientes para afetar a vida 
diária. A maioria dos casos são irreversíveis. (PAPALIA; OLDS: FELDMAN, 2006). 
No caso do idoso que passa por um processo de envelhecimento patológico, 
a psicologia pode auxiliar através de diversos tipos de atuação, tais como: 
psicoterapia em momentos de crise; avaliação e estimulação cognitiva; grupos de 
ajuda mútua; cursos de formação; orientação para o cuidador frente ao idoso e à 
família. Os objetivos gerais das intervenções são a manutenção do vínculo familiar e 
65 
 
ajuda aos cuidadores que apresentam sintomas de risco ou que querem prevenir 
problemas. 
A partir da exposição anterior, torna-se possível compreender que o 
processo de desenvolvimento humano ocorre desde antes do nascimento até o 
momento da morte. É importante para o psicólogo hospitalar e da saúde conhecer 
esse processo e pensar nas possíveis intervenções em cada etapa do ciclo vital. O 
psicólogo compõe a equipe multiprofissional de saúde que irá atuar com pessoas de 
diferentes faixas etárias, tanto na prevenção, quanto na reabilitação. 
 
66 
 
REFERÊNCIAS 
 
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