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SUMÁRIO
FASES DO DESENVOLVIMENTO INFANTIL.................................................. 03
O DESENVOLVIMENTO SOCIAL DA CRIANÇA ............................................. 23
A EDUCAÇÃO INCLUSIVA NA EDUCAÇÃO INFANTIL .................................. 28
DISLEXIA NO PRÉ-ESCOLAR OU NA EDUCAÇÃO INFANTIL ...................... 34
A DISCALCULIA INFANTIL.............................................................................. 37
A DISGRAFIA NA EDUCAÇÃO INFANTIL....................................................... 48
TDAH - TRANSTORNO DE DÉFICIT DE ATENÇÃO COM HIPERATIVIDADE
......................................................................................................................... 52
A DISORTOGRAFIA INFANTIL ....................................................................... 59
A PEDAGOGIA HOSPITALAR ......................................................................... 62
A IMPORTÂNCIA DOS PRIMEIROS SOCORROS NO AMBIENTE ESCOLAR
....................................................................................................................... ..68
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FASES DO DESENVOLVIMENTO INFANTIL
O desenvolvimento é frequentemente dividido em domínios específicos,
como motor grosseiro,
motor fino, linguagem,
cognitivo e crescimento
social/emocional. Essas
designações são úteis,
mas existem
superposições
substanciais. Os estudos
estabeleceram as
médias de idades
alcançadas por marcos específicos, bem como as faixas de normalidade. Em
uma criança normal, os progressos são variáveis dentro de diferentes
domínios, como no caso da criança que começa a andar tarde, mas fala
sentenças cedo.
Influências ambientais, que variam da nutrição até a estimulação e do
impacto da doença até os efeitos de fatores psicológicos, interagem com
fatores genéticos para determinar o grau do progresso e padrão de
desenvolvimento.
A análise do desenvolvimento ocorre constantemente quando pais,
profissionais da escola e médicos avaliam as crianças. Muitas são as
ferramentas disponíveis para monitorar o desenvolvimento com mais
especificidade. O Denver Developmental Screening Test II facilita a avaliação
em vários domínios. A ficha de pontuação indica a média das idades em que
são adquiridas certas aptidões e demonstra com exatidão o conceito crítico da
faixa de normalidade. Outras ferramentas também podem ser usadas.
Desenvolvimento motor
O desenvolvimento motor inclui o motor fino (p. ex., pegar
pequenos objetos, desenhar) e habilidades motoras
grosseiras (p. ex., andar,
subir escadas). É um
processo contínuo que
depende do padrão da
família, de fatores
ambientais (p. ex., quando a atividade é limitada por uma doença
prolongada) e disfunções específicas (p. ex., paralisia cerebral, retardo
mental, distrofia muscular). Normalmente, as crianças começam a andar aos
12 meses, podem subir escadas mantendo-se firme aos 18 meses e correm
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bem aos 2 anos, mas a idade em que essas habilidades são adquiridas pelas
crianças normais variam amplamente. O desenvolvimento motor não deve ser
acelerado de modo significativo pela aplicação de estímulos aumentados.
Desenvolvimento da linguagem
A habilidade de
compreensão da
linguagem precede a
habilidade da fala;
crianças com poucas
palavras geralmente
podem compreender
bastante. Embora atrasos
de linguagem não sejam
tipicamente
acompanhados de outros
de desenvolvimento, todas
as crianças com excessivo atraso de linguagem deveriam ser avaliadas quanto
à existência de outros atrasos de desenvolvimento. Crianças com atrasos das
linguagens receptiva e expressiva apresentam, mais frequentemente, outros
problemas de desenvolvimento. A avaliação de qualquer retardo deve ser
iniciada com testes auditivos. A maioria das crianças que apresentam atraso de
linguagem tem inteligência normal. Por outro lado, crianças com
desenvolvimento acelerado da linguagem estão frequentemente acima da
média de inteligência.
Progressos de
linguagem abrangem
desde o modo de
expressar os sons vogais
(arrulhar) até a introdução
de sílabas que se iniciam
com consoantes (ba-ba-
ba). A maioria das crianças
pode dizer “Papa” e
“Mama” aos 12 meses, usa
várias palavras aos 18
meses e forma frases de 2 ou 3 palavras aos 2 anos. Aos 3 anos, em média,
uma criança pode manter uma conversação. Aos 4 anos, ela pode contar
histórias simples e envolver-se em uma conversa com adultos ou outras
crianças. Aos 5 anos, a criança pode ter um vocabulário de vários milhares de
palavras.
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Mesmo antes dos 18 meses, as crianças podem ouvir e compreender a
história que é lida para elas. Aos 5 anos, as crianças são capazes de recitar o
alfabeto e reconhecer palavras simples escritas. Toda essas habilidades são
fundamentais para aprender a ler palavras, frases e sentenças simples.
Dependendo da exposição a livros e habilidades naturais, a maioria das
crianças começa a ler aos 6 ou 7 anos de idade. Esses limites são muito
variáveis.
Desenvolvimento cognitivo
Desenvolvimento cognitivo refere-se ao amadurecimento intelectual das
crianças. Afeto e
educação apropriados ao
lactente e no início da
infância são reconhecidos
como fatores críticos para
o crescimento cognitivo e
a saúde emocional. Por
exemplo, a leitura para a
criança, desde cedo,
contribui com
experiências
intelectualmente estimulantes e propicia um relacionamento educativo
caloroso, o que trará importante impacto sobre o crescimento nesses domínios.
O intelecto das crianças pequenas é avaliado pela observação das
aptidões de linguagem, curiosidade e habilidades de resolver problemas. Assim
que a criança começa a verbalizar, torna-se mais fácil avaliar a função
intelectual utilizando ferramentas clínicas especializadas. No momento em que
a criança vai à escola, ela fica sob monitoramento constante como parte do
processo acadêmico.
Aos 2 anos, a maioria
das crianças entende o
conceito de tempo em termos
amplos. Muitas crianças com
2 e 3 anos de idade
acreditam que tudo o que
aconteceu no passado
aconteceu "ontem", e tudo o
que acontecerá no futuro,
acontecerá "amanhã". Uma
criança nessa idade tem imaginação fértil, mas tem dificuldade de distinguir
fantasia da realidade.
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Aos 4 anos de idade, a maioria das crianças tem uma compreensão
mais complicada do tempo. Elas percebem que o dia é dividido em manhã,
tarde e noite. Elas podem até mesmo apreciar a mudança das estações.
Aos 7 anos, as capacidades intelectuais das crianças se tornam mais
complexas. Nesse
momento, as crianças são
cada vez mais capazes de
focalizar mais de um
aspecto de um evento ou
situação ao mesmo
tempo. Por exemplo,
crianças em idade escolar
podem reconhecer que um
frasco alto e estreito pode
armazenar a mesma
quantidade de água do que um curto e largo. Elas podem reconhecer que
remédios podem ter um gosto ruim, mas podem fazê-las se sentir melhor, ou
que a mãe pode estar nervosa com elas, mas mesmo assim pode amá-las. As
crianças são cada vez mais capazes de entender a perspectiva de outra
pessoa e, assim, aprender os fundamentos de esperar sua vez em jogos ou
conversas. Além disso, as crianças em idade escolar são capazes de seguir as
regras consensuais do jogos. As crianças nessa idade também são cada vez
mais capazes de raciocinar usando os poderes da observação e múltiplos
pontos de vista.
Desenvolvimento emocional e comportamental
Emoção e comportamento
baseiam-se no temperamento e
na fase de desenvolvimento da
criança. Cada criança tem um
temperamento ou humor
individual. Algumas crianças
podem ser alegres e adaptáveis e
desenvolver facilmente rotinas
regulares de dormir, acordar,
comer e outras atividadesdiárias.
Essas crianças tendem a responder positivamente a novas situações.
Outras crianças não são muito adaptáveis e podem ter grandes irregularidades
em suas rotinas. Essas crianças tendem a reagir negativamente a novas
situações. Contudo, outras crianças estão em algum ponto intermediário.
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O crescimento emocional e a aquisição de aptidões sociais são
avaliados pela observação da interação da criança com outras, em situações
diárias. Quando a criança começa a falar, a compreensão do seu estado
emocional torna-se muito mais acurada. Assim como acontece com o intelecto,
a função emocional pode ser delineada mais precisamente com ferramentas
especializadas.
Chorar é principal meio
de comunicação dos recém-
nascidos. Recém-nascidos
choram porque estão com
fome, incomodados, aflitos e
por muitas outras razões que
podem não ser óbvias. É
mais comum que recém-
nascidos com 6 semanas de
idade chorem 3 h/dia,
geralmente diminuindo para 1
h/dia aos 3 meses de idade.
Os pais normalmente dão às crianças que choram comida, trocam a
fralda e procuram uma fonte de dor ou desconforto. Se essas medidas não
funcionarem, pegar no colo ou andar com o recém-nascido algumas vezes
ajuda. Às vezes, nada funciona. Os
pais não devem forçar comida em
recém-nascidos durante o choro, pois
estes irão prontamente comer se a
fome for a causa do seu desconforto.
Por volta dos 8 meses de
idade, os recém-nascidos
normalmente se tornam mais ansiosos
em relação a separar-se dos pais.
Separações na hora de dormir e em
creches podem ser difíceis e marcadas
por acessos de raiva. Esse
comportamento pode durar muitos
meses. Para muitas crianças maiores,
uma naninha ou bicho de pelúcia serve
nesse momento como um objeto de
transição, que age como um símbolo
do pai ausente.
Aos 2 a 3 anos, as crianças começam a testar seus limites e fazer o que
elas foram proibidas de fazer, simplesmente para ver o que vai acontecer. Os
"nãos" frequentes que as crianças ouvem dos pais refletem a luta pela
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independência nessa idade. Embora angustiantes para os pais e filhos,
os ataques de raiva são normais porque ajudam as crianças a expressar sua
frustração durante um momento em que não conseguem verbalizar seus
sentimentos. Os pais
podem ajudar a diminuir o
número de ataques de
raiva não deixando que os
filhos se cansem ou
fiquem indevidamente
frustrados e entendendo
os padrões de
comportamento dos seus
filhos e evitando situações
que provavelmente
podem induzir a ataques
de raiva. Algumas
crianças têm particular dificuldade em controlar seus impulsos e precisam que
os pais estabeleçam limites mais estritos em torno dos quais pode haver
alguma segurança e regularidade em seus mundos.
Dos 18 meses a 2 anos de idade, as crianças normalmente começam a
estabelecer a identidade de gênero. Durante os anos pré-escolares, as
crianças também adquirem uma noção do papel de gênero, do que meninos e
meninas costumam fazer. Espera-se que elas explorem os órgãos genitais
nessa idade e os sinais de que as crianças estão começando a estabelecer
uma conexão entre a imagem corporal e o gênero.
Entre os 2 e 3 anos
de idade, as crianças
começam a brincar de
maneira mais interativa
com outras crianças.
Embora ainda possam ser
possessivas em relação
aos brinquedos, elas
podem começar a
compartilhar e até mesmo
se revezar nas
brincadeiras. Afirmar a
posse dos brinquedos dizendo: "isso é meu!" ajuda a estabelecer o sentido do
eu. Embora crianças nessa idade lutem por independência, elas ainda
precisam dos pais por perto para sentir-se seguras e apoiadas. Por exemplo,
elas podem se afastar dos pais quando se sentem curiosas e logo depois se
esconderem atrás deles quando estão com medo.
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Dos 3 aos 5
anos, muitas crianças se
interessam por
brincadeiras envolvendo
fantasia e amigos
imaginários. As
brincadeiras envolvendo
fantasia permitem às
crianças exprimir com
segurança diferentes
papéis e sentimentos
intensos de maneiras
aceitáveis. As brincadeiras envolvendo fantasia também ajudam as crianças a
crescer socialmente. Elas aprendem a resolver conflitos com os pais ou outras
crianças de maneiras que as ajudam a desabafar frustrações e manter a
autoestima. Também
nesse momento, aparecem
medos típicos da infância
como "o monstro no
armário". Esses medos são
normais.
Dos 7 aos 12
anos, as crianças superam
inúmeros desafios:
autoconceito, a base para
o que é estabelecido pela
competência em sala de
aula; relacionamentos com colegas, que são determinados pela capacidade de
socialização e adaptação; e relacionamentos familiares, que são determinados
em parte pela aprovação que as crianças obtêm dos pais e irmãos. Embora
muitas crianças pareçam dar muita importância a grupos de colegas, elas
continuam buscando principalmente nos pais o suporte e orientação de que
necessitam. Irmãos podem servir como modelos de vida e como suportes
valiosos e críticos em relação ao que pode ou não ser feito. Nesse momento na
vida, as crianças são muito ativa e se envolvem em muitas atividades e estão
ansiosas para explorar novas atividades. Nessa idade, as crianças são
aprendizes ansiosos e muitas vezes respondem bem a conselhos sobre
segurança, estilos de vida saudáveis e prevenção de comportamentos de alto
risco.
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Fases do Desenvolvimento Infantil (0 a 6 anos)
Berçário, Pré-Maternal, Maternal I, Maternal II, Jardim A e Jardim B
Faixa etária: 0 aos 6 anos
A trajetória que
uma criança percorre
desde que começa a
deixar de ser bebê
(dependência total),
até começar a se
transformar em um
ser mais
independente e
autônomo está
relacionado tanto às condições biológicas, como aquelas proporcionadas pelo
espaço familiar e social (escola), com o qual interage.
É preciso saber que:
O desenvolvimento de uma criança não acontece de forma linear.
As mudanças que vão se produzindo ocorrem de forma gradual, são
períodos contínuos que vão se sucedendo e se superpondo.
Durante a evolução a criança experimenta avanços e retrocessos,
vivendo seu desenvolvimento de modo particular.
Acompanhamos a construção de sua personalidade respeitando que em
cada idade há um jeito próprio de se manifestar.
Tanto antecipar etapas, como não estimular a criança, podem ser
geradores de futuros conflitos.
Cabe a família e a ESCOLA conhecer e respeitar os passos do
desenvolvimento infantil.
Característica da faixa etária dos 0 aos 6 meses
Desenvolvimento Físico:
Processo de fortalecimento gradual dos músculos e do sistema nervoso:
os movimentos bruscos e descontrolados iniciais vão dando lugar a um
controle progressivo da cabeça, dos membros e do tronco;
Por volta das 8 semanas é capaz de levantar a cabeça sozinho durante
poucos segundos, deitado de barriga para baixo;
Controle completo da cabeça por volta dos 4 meses: deitado de costas,
levanta a cabeça durante vários segundos; deitado de barriga para baixo
começa a elevar-se com apoio das mãos e dos braços e virando a
cabeça;
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Por volta dos 4 meses o controle das mãos é mais fino, sendo capaz de
segurar num
brinquedo;
Entre os 4 e os 6
meses utiliza os
membros para se
movimentar, rolando
para trás e para frente;
apresenta também
maior eficácia em
alcançar e agarrar o
que quer ou a
posicionar-se no chão para brincar;
Desenvolve o seu próprio ritmo de alimentação, sono e eliminação;
Desenvolvimento progressivo da visão;
Com 1 mês, é capaz de focar objetos a 90 cm de distância;
Progressivamente será capaz de utilizar os dois olhos para focar um
objeto próximo ou afastado, bem como de seguir a deslocação dos
objetos ou pessoas;
Entre os 4 e os 6 meses a visão e a coordenação olho-mão encontram-se próximas da do adulto;
Desenvolvimento da função auditiva;
Entre os 2 e os 4 meses, o bebê reage aos sons e às alterações do tom
de voz das pessoas que o rodeiam;
Por volta dos 4-6 meses, possui já uma grande sensibilidade às
modulações nos tons de
voz que ouve;
Desenvolvimento Intelectual
A aprendizagem faz-se
sobre tudo através dos
sentidos;
Vocaliza
espontaneamente,
sobretudo quando está
em relação;
A partir dos 4 meses,
começa a imitar alguns sons que ouve à sua volta;
Por volta do 6º mês, compreende algumas palavras familiares (o nome
dele, "mamã", "papá"...), virando a cabeça quando o chamam;
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Desenvolvimento Emocional
Manifesta a sua excitação
através dos movimentos do
corpo, mostrando prazer ao
antecipar a alimentação ou o
colo;
O choro é a sua principal
forma de comunicação,
podendo significar estados
distintos (sono, fome,
desconforto...);
Apresenta medo perante
barulhos altos ou
inesperados, objetos,
situações ou pessoas estranhas, movimentos súbitos e sensação de
dor;
Característica da faixa etária dos 6 aos 12 meses
Desenvolvimento da motricidade: os músculos, o equilíbrio e o controlo motor
estão mais desenvolvidos, sendo capaz de se sentar direito sem apoio e de
fazer as primeiras tentativas de se pôr de pé, agarrando-se a superfícies de
apoio;
A partir dos 8 meses, consegue arrastar-se ou gatinhar;
A partir dos 9 meses
poderá começar a dar
os primeiros passos,
apoiando-se nos
móveis;
Desenvolvimento da
preensão: entre os 6 e
os 8 meses, é capaz
de segurar os objetos
de forma mais firme e
estável e de manipulá-los na mão; por volta dos 10 meses, é já capaz de
meter pequenos pedaços de comida na boca sem ajuda, é capaz de
bater com dois objetos um no outro, utilizando as duas mãos, bem como
adquire o controle do dedo indicador (aprende a apontar);
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Desenvolvimento Intelectual
A aprendizagem
faz-se sobre tudo
através dos
sentidos,
principalmente
através da boca;
Desenvolvimento
da noção de
permanência do
objeto, ou seja, a
noção de que uma
coisa continua a
existir mesmo que não a consiga ver;
Vocalizações;
Os gestos acompanham as suas primeiras "conversas", exprimindo com
o corpo aquilo que quer ou sente (por ex., abre e fecha as mãos quando
quer uma coisa);
Alguns dos seus sons parecem-se progressivamente com palavras, tais
como "mamã" ou "papá" e ao longo dos próximos meses o bebê vai
tentar imitar os sons familiares, embora inicialmente sem significado;
A partir dos 8 meses: desenvolvimento do, acrescentando novos sons
ao seu vocabulário. Os sons das suas vocalizações começam a
acompanhar as modulações da conversa dos adultos - utiliza "mamã" e
"papá" com significado;
Nesta fase, o bebê gosta que os objetos sejam nomeados e começa a
reconhecer palavras familiares como "papa", "mamã", "adeus", sendo
progressivamente capaz de associar ações a determinadas palavras
(por ex: tchau-tchau" - acenar);
A partir dos 10 meses, a noção de causa-efeito encontra-se já bem
desenvolvida: o bebê sabe exatamente o que vai acontecer quando bate
num determinado objeto (produz som) ou quando deixa cair um
brinquedo (o pai ou a mãe apanha-o). Começa também a relacionar os
objetos com o seu fim (por ex., coloca o telefone junto ao ouvido);
Progressiva melhoria da capacidade de atenção e concentração:
consegue manter-se concentrado durante períodos de tempo cada vez
mais longos;
A primeira palavra poderá surgir por volta dos 10 meses;
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Desenvolvimento Emocional
Formação de um forte laço afetivo com a figura materna (cuidadora) -
Vinculação;
Presença de ansiedade
de separação, que se
manifesta quando é
separado da mãe,
mesmo que por breves
instantes - trata-se de
uma ansiedade normal
no desenvolvimento
emocional do bebê;
Presença de ansiedade
perante estranhos:
sendo igualmente uma
etapa normal do
desenvolvimento emocional do bebê, manifesta-se quando pessoas
desconhecidas o abordam diretamente;
A partir dos 8 meses, maior consciência de si próprio;
Nesta fase é comum os bebês mostrarem preferência por um
determinado objeto (um cobertor ou uma pelúcia, por ex.), o qual terá
um papel muito importante na vida do bebê - ajuda a adormecer, é
objeto de reconforto quando está triste, etc.;
Característica da faixa etária de 01 aos 02 anos
Desenvolvimento Físico
Começa a andar,
sobe e desce
escadas, sobe os
móveis, etc. - o
equilíbrio é
inicialmente bastante
instável, uma vez
que os músculos das
pernas não estão
ainda bem
fortalecidos.
Contudo, a partir dos 16 meses, o bebê já é capaz de caminhar e de se
manter de pé em segurança, com movimentos muito mais controlados;
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Melhoria da motricidade fina devido à prática - capacidade de segurar
um objeto, o manipula, passa de uma mão para a outra e o larga
deliberadamente. Por volta dos 20 meses, será capaz de transportar
objetos na mão enquanto caminha;
Desenvolvimento Intelectual
Maior desenvolvimento da
memória, através da
repetição das atividades -
permite-lhe antecipar os
acontecimentos e retomar
uma atividade
momentaneamente
interrompida, à qual
dedica um maior tempo de
concentração. Da mesma forma, através da sua rotina diária, o bebê
desenvolve um entendimento das seqüências de acontecimentos que
constituem os seus dias e dos seus pais;
Exibe maior curiosidade: gosta de explorar o que o rodeia;
• Compreende ordens simples, inicialmente acompanhadas de gestos e,
a partir dos 15 meses, sem necessidade de recorrer aos gestos;
Embora possa estar ainda limitada a uma palavra de cada vez, a
linguagem do bebê começa a adquirir tons de voz diferentes para
transmitir significados diferentes. Progressivamente, irá sendo capaz de
combinar palavras soltas em frases de 2 palavras;
É capaz de acompanhar pedidos simples, como por ex. "dá-me a
caneca";
As experiências físicas que vai fazendo ajudam a desenvolver as
capacidades cognitivas. Por exemplo, por volta dos 20 meses;
Sabe que um martelo de brincar serve para bater e já o deve utilizar;
Consegue estabelecer a relação entre um carrinho de brincar e o carro
da família;
Entre os 20 e os 24 meses é também capaz de brincar ao faz-de-conta
(por ex., finge que deita chá de um bule para uma xícara, põe açúcar e
bebe - recorda uma seqüência de acontecimentos e faz de conta que os
realiza como parte de um jogo). A capacidade de fazer este tipo de jogos
indica que está a começar a compreender a diferença entre o que é real
e o que não é;
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Desenvolvimento Emocional
Grande reatividade ao
ambiente emocional em
que vive: mesmo que não
o compreenda, apercebe-
se dos estados
emocionais de quem está
próximo dele, sobre tudo
os pais;
Está a aprender a confiar,
pelo que necessita de
saber que alguém cuida
dela e vai de encontro às suas necessidades;
Desenvolve o sentimento de posse relativamente às suas coisas, sendo
difícil partilhá-las;
Embora esteja normalmente bem disposta, exibe por vezes alterações
de humor ("birras");
É bastante sensível à aprovação/desaprovação dos adultos;
Característica da faixa etária dos 2 aos 3 anos
Desenvolvimento Físico
À medida que o seu
equilíbrio e coordenação
aumentam, a criança é
capaz de saltar ou saltar de
um pé para o outro quando
está a correr ou a andar;
É mais fácil manipular e
utilizar objetos com as
mãos, como um lápis de
cor para desenhar ou uma
colher para comer sozinha;
Começa gradualmente a controlar os esfíncteres (primeiro os intestinos
e depois a bexiga);
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Desenvolvimento Intelectual Fase de grande curiosidade,
sendo muito freqüente a
pergunta "Por quê?";
À medida que se desenvolvem
as suas competências
lingüísticas, a criança começa a
exprimir-se de outras formas, que
não apenas a exploração física -
trata-se de juntar as
competências físicas e de
linguagem (por ex., quando faço
isto, acontece aquilo), o que
ajuda ao seu desenvolvimento
cognitivo;
É capaz de produzir
regularmente frases de 3 e 4
palavras. A partir dos 32 meses,
já capaz de conversar com um
adulto usando frases curtas e de continuar a falar sobre um assunto por
um breve período;
Desenvolvimento da consciência de si: a criança pode referir-se a si
própria como "eu" e pode conseguir descrever-se por frases simples,
como "tenho fome";
A memória e a capacidade de concentração aumentaram (a criança é
capaz de voltar a uma atividade que tinha interrompido, mantendo-se
concentrada nela por períodos de tempo mais longos);
A criança está a começar a formar imagens mentais das coisas, o que a
leva à compreensão dos conceitos - progressivamente, e com a ajuda
dos pais, vai sendo capaz de compreender conceitos como dentro e
fora, cima e baixo;
Por volta dos 32 meses, começa a apreender o conceito de seqüências
numéricas simples e de diferentes categorias (por ex., é capaz de contar
até 10 e de formar grupos de objetos - 10 animais de plástico podem ser
3 vacas, 5 porcos e 3 cavalos);
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Desenvolvimento Emocional
Inicialmente o leque de emoções é vasto, desde o puro prazer até a
raiva frustrada.
Embora a
capacidade de
exprimir
livremente as
emoções seja
considerada
saudável, a
criança
necessitará de
aprender a lidar
com as suas
emoções e de
saber que sentimentos são adequados, o que requer prática e ajuda dos
pais;
Nesta fase, as birras são uma das formas mais comuns da criança
chamar a atenção – geralmente deve-se a mudanças ou a
acontecimentos, ou ainda a uma resposta aprendida (as birras
costumam estar relacionadas com a frustração da criança e com a sua
incapacidade de comunicar de forma eficaz);
Características da faixa etária dos 03 aos 04 anos
Desenvolvimento Físico
Grande atividade
motora: corre, salta,
começa a subir
escadas, pode
começar a andar de
triciclo; grande
desejo de
experimentar tudo;
Embora ainda não
seja capaz de
amarrar sapatos, veste-se sozinha razoavelmente bem;
É capaz de comer sozinha com uma colher ou um garfo;
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Copia figuras geométricas simples;
É cada vez mais independente ao nível da sua higiene; é já capaz de
controlar os esfíncteres (sobretudo durante o dia);
Desenvolvimento Intelectual
Compreende a maior
parte do que ouve e
o seu discurso é
compreensível para
os adultos;
Utiliza bastante a
imaginação: início
dos jogos de faz-de-
conta e dos jogos de
papéis;
Compreende o
conceito de "dois";
Sabe o nome, o sexo e a idade;
Repete seqüências de 3 algarismos;
Começa a ter noção das relações de causa e efeito;
É bastante curiosa e investigadora;
Desenvolvimento Emocional
É capaz de se separar da
mãe durante curtos
períodos de tempo;
Começa a desenvolver
alguma independência e
autoconfiança;
Pode manifestar medo de
estranhos, de animais ou
do escuro;
Começa a reconhecer os
seus próprios limites,
pedindo ajuda;
Imita os adultos;
Desenvolvimento Moral
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Começa a distinguir o certo do errado;
As opiniões dos outros, acerca de si própria assumem grande
importância para a criança;
Consegue controlar-se de forma mais eficaz e é menos agressiva;
Utiliza ameaças verbais extremas, como por exemplo: "eu te mato!",
sem ter noção das suas implicações;
Característica da faixa etária dos 04 aos 05 anos
Desenvolvimento Físico
Rápido desenvolvimento
muscular;
Grande atividade motora,
com maior controle dos
movimentos;
Consegue escovar os
dentes, pentear-se e vestir-
se com pouca ajuda;
Desenvolvimento Intelectual
Adquiriu já um vocabulário alargado, constituído por 1500 a 2000
palavras; manifesta um
grande interesse pela
linguagem, falando
incessantemente;
Compreende ordens com
frases na negativa;
Articula bem consoantes e
vogais e constrói frases bem
estruturadas;
Exibe uma curiosidade
insaciável, fazendo
inúmeras perguntas;
Compreende as diferenças entre a fantasia e a realidade;
Compreende conceitos de número e de espaço: "mais", "menos",
"maior", "dentro", "debaixo", "atrás";
Começa a compreender que os desenhos e símbolos podem
representar objetos reais;
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Começa a reconhecer padrões entre os objetos: objetos redondos,
objetos macios, animais...
Desenvolvimento Emocional
Os pesadelos são
comuns nesta fase;
Tem amigos
imaginários e uma
grande capacidade de
fantasiar;
Procura
frequentemente testar
o poder e os limites
dos outros;
Exibe muitos comportamentos desafiantes e opositores;
Os seus estados emocionais alcançam os extremos: por ex., é
desafiante e depois bastante envergonhada;
Tem uma confiança crescente em si própria e no mundo;
Desenvolvimento Moral
Tem maior consciência do certo e errado, preocupando-se geralmente
em fazer o que está certo; pode culpar os outros pelos seus erros
(dificuldade em assumir a culpa pelos seus comportamentos);
Características da faixa etária dos 5 aos 6 anos
Desenvolvimento Físico
A preferência manual
está estabelecida;
É capaz de se vestir e
despir sozinha;
Assegura sua higiene
com autonomia;
Pode manifestar dores
de estômago ou vômitos
quando obrigada a
comer comidas de que
não gosta; tem preferência por comida pouco elaborada, embora aceite
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uma maior variedade de alimentos;
Desenvolvimento Intelectual
Fala fluentemente,
utilizando corretamente
o plural, os pronomes e
os tempos verbais;
Grande interesse pelas
palavras e a linguagem;
Pode gaguejar se
estiver muito cansada
ou nervosa;
Segue instruções e
aceita supervisão;
Conhece as cores, os números, etc.
Capacidade para memorizar histórias e repeti-las;
É capaz de agrupar e ordenar objetos tendo em conta o tamanho (do
menor ao maior);
Começa a entender os conceitos de "antes" e "depois", "em cima" e "em
baixo", etc., bem como conceitos de tempo: "ontem", "hoje", "amanhã";
Desenvolvimento Emocional
Pode apresentar alguns
medos: do escuro, de cair,
de cães ou de dano
corporal, embora esta não
seja uma fase de grandes
medos;
Se estiver cansada,
nervosa ou chateada,
poderá apresentar alguns
dos seguintes
comportamentos: roer as
unhas, piscar
repetidamente os olhos, fungar, etc.;
Preocupa-se em agradar aos adultos;
Maior sensibilidade relativamente às necessidades e sentimentos dos
outros;
Envergonha-se facilmente;
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Desenvolvimento Moral
Devido à sua grande preocupação em fazer as coisas bem e em
agradar, poderá por vezes mentir ou culpar os outros de
comportamentos reprováveis.
O DESENVOLVIMENTO SOCIAL DA CRIANÇA
O vinculo primário
para o desenvolvimento
das relações com os
colegas ou
companheiros é a
brincadeira com as
outras crianças. Tais
brincadeiras não ocorrem
com freqüência antes do
dois anos. Entre a idade
de 02 a 05 anos, as interações das crianças se tornam mais freqüentes, mais
fortalecidas, mais sociais e complexas. Nos primeiros anos da pré-escola, as
crianças se engajam principalmente em brincadeiras solitárias, em que não
prestam atenção aos colegas, ou em brincadeiras paralelas, em que brincam
próximas umas as outras, sem interagir.
Uma proporção cada vez maior de brincadeirasdepois de 03 anos é
associativa, na qual as crianças brincam juntas, mas não de uma maneira
coordenada, ou cooperativa, na qual as crianças interagem, ajudando-se a
atingir um objetivo comum ou assumindo diferentes papéis.
As crianças em
idade escolar passam
mais tempo com seus
amigos do que os pré-
escolares, e elas
gradualmente
desenvolvem uma coleção
maior de amizades
individuais. Também
existem diferenças
fascinantes na qualidade
do relacionamentos nas
amizades dos meninos e das meninas nesses anos, os grupos masculinos são
maiores e aceitam mais membros novos do que o das meninas, os grupos e as
amizades dos meninos parecem centrar-se mais na competição e dominância
24
do que os das meninas. As amizades entre as meninas incluem mais
concordância, aquiescência e auto-revelação do que acontece entre meninos.
A brincadeira social durante todo o desenvolvimento da criança é um
exercício agradável e de autoconsciência realizado em conjunto, e oferece as
crianças uma chance de explorar padrões de interação social que raramente
vivenciaram na vida real.
O passo a passo do desenvolvimento social da criança
Durante a Primeira
Infância (período da
gestação aos seis anos), é
esperado um
comportamento social da
criança que, quando
observado junto a outros
aspectos, indica se ela está
se desenvolvendo
sadiamente. Por isso, é
importante você conhecer e
compartilhar com os pais que comportamentos são esses.
Cada criança é única e tem seu ritmo. No entanto, para detectar
possíveis problemas que impeçam seu bem-estar, a Ciência definiu marcos
para monitorar, em cada etapa, o que se espera dos pequenos. Se eles
estiverem distantes demais da apropriação de certas habilidades é importante
avaliar o que está acontecendo, papel que cabe ao especialista.
Característica da faixa etária dos 0 aos 6 meses
Distingue a figura cuidadora
das restantes pessoas com
quem se relaciona,
estabelecendo com ela uma
relação privilegiada;
Fixa o rostos e sorri
(aparecimento do 1º sorriso
social por volta das 6
semanas);
Aprecia situações sociais com
outras crianças ou adultos;
Por volta dos 4 meses:
capacidade de reconhecimento
25
das pessoas mais próximas, o que influencia a forma como se relaciona
com elas, tendo reações diferenciadas consoante a pessoa com quem
interage. É também capaz de distinguir pessoas conhecidas de
estranhos, revelando preferência por rostos familiares;
Característica da faixa etária dos 6 aos 12 meses
O bebê está mais sociável, procurando ativamente a interação com
quem o rodeia (através das vocalizações, dos gestos e das expressões
faciais);
Manifesta comportamentos de imitação, relativamente a pequenas
ações que vê os adultos fazer (por ex., lavar a cara, escovar o cabelo,
etc.);
A partir dos 10 meses, maior interesse pela interação com outros bebês;
Característica da faixa etária de 01 aos 02 anos
Aprecia a interação
com adultos que lhe
sejam familiares,
imitando e copiando
os comportamentos
que observa;
Maior autonomia:
sente satisfação por
estar independente
dos pais quando
inserida num grupo
de crianças, necessitando apenas de confirmar ocasionalmente a sua
presença e disponibilidade - esta necessidade aumenta em situações
novas, surgindo uma maior dependência quando é necessária uma nova
adaptação;
As suas interações com outras crianças são ainda limitadas: as suas
brincadeiras decorrem sobre tudo em paralelo e não em interação com
elas;
A partir dos 20-24 meses, e à medida que começa a ter maior
consciência de si própria, física e psicologicamente, começa a alargar os
seus sentimentos sobre si próprio e sobre os outros - desenvolvimento
da empatia (começa a ser capaz de pensar sobre o que os outros
sentem);
26
Característica da faixa etária dos 2 aos 3 anos
A mãe é ainda uma
figura muito
importante para a
segurança da
criança, não
gostando de
estranhos. A partir
dos 32 meses, a
criança já deve reagir
melhor quando é
separada da mãe, para ficar à guarda de outra pessoa, embora algumas
crianças consigam este progresso com menos ansiedade do que
outras;
Imita e tenta participar nos comportamentos dos adultos: por ex., lavar a
louça, maquiar-se, etc.;
É capaz de participar em atividades com outras crianças, como por
exemplo, ouvir histórias;
Características da faixa etária dos 03 aos 04 anos
É bastante sensível aos
sentimentos dos que a
rodeiam relativamente a
si própria;
Tem dificuldade em
cooperar e partilhar;
Preocupa-se em
agradar os adultos que
lhe são significativos,
sendo dependente da
sua aprovação e afeto;
Começa a aperceber-se
das diferenças no comportamento dos homens e das mulheres;
Começa a interessar-se mais pelos outros e a integrar-se em atividades
de grupo com outras crianças;
27
Característica da faixa etária dos 04 aos 05 anos
Gosta de brincar com outras
crianças; quando está em
grupo, poderá ser seletiva
acerca dos seus
companheiros;
Gosta de imitar as atividades
dos adultos;
Está a aprender a partilhar, a
aceitar as regras e a
respeitar a vez do outro;
Características da faixa etária dos
5 aos 6 anos
A mãe é ainda o centro do
mundo da criança, pelo que
poderá recear a não voltar a
vê-la após uma separação;
Copia os adultos;
Brinca com meninos e
meninas;
Está mais calma, não sendo
tão exigente nas suas
relações com os outros; é
capaz de brincar apenas com
outra criança ou com um grupo de crianças, manifestando preferência
pelas crianças do mesmo sexo;
Brinca de forma independente, sem necessitar de uma constante
supervisão;
Começa a ser capaz de esperar pela sua vez e de partilhar;
Conhece as diferenças de sexo;
Aprecia conversar durante as refeições;
Começa a interessar-se por saber de onde vêm os bebês;
Está numa fase de maior conformismo, sendo crítica relativamente
aqueles que não apresentam o mesmo comportamento;
28
A EDUCAÇÃO INCLUSIVA NA EDUCAÇÃO INFANTIL
O processo educacional é
uma fase da vida que reflete
diretamente no comportamento
futuro dos indivíduos, é nessa
fase que as pessoas aprendem a
lidar com as dificuldades,
obstáculos, limitações e
diferenças. A educação inclusiva
é essencial na formação e
construção do caráter do
indivíduo ainda na infância.
As limitações que levam a adoção de políticas de educação inclusiva
são basicamente de duas naturezas distintas, as limitações de aspecto físico
como a cegueira, a surdez, paralisia ou ausência de membros locomotores e
as limitações de aspecto cognitivo que são patologias ou síndromes que
comprometem a capacidade de aprendizado do indivíduo. Através da utilização
de ferramentas e
abordagens de ensino
específicas é possível
contornar essas
limitações, possibilitando
uma democratização do
ensino e integração social
das crianças com algum
tipo de deficiência.
O processo de
inclusão está diretamente
relacionado à qualificação
dos professores e adaptação da infraestrutura da instituição de ensino aos
equipamentos necessários para operacionalizar essa acessibilidade.
A adoção de interpretes de libras, impressão de materiais em Braille,
construção de rampas de acesso são soluções destinadas aos portadores de
limitações físicas. Para os portadores de limitações cognitivas é recomendada
a estruturação minuciosa do plano de ensino e utilização de ferramentas de
caráter mais lúdico que os meios tradicionais. Vale ressaltar a importância das
instituições de ensino e pais cobrarem as autoridades locais para que os
investimentos nessa adequação sejam condizentes com os propostos pela Lei
de Diretrizese Bases da Educação (LDB).
29
A Inclusão na Educação Infantil
Ao acompanharmos a trajetória da educação infantil e da educação
especial é possível verificar pontos semelhantes. A educação infantil foi
fortemente marcada pelo
cunho assistencialista e
filantrópico da mesma
maneira a educação
especial onde o poder
público transferiu às
instituições filantrópicas a
responsabilidade pelo
manejo da educação
especial.
O atendimento as
crianças de zero a seis anos
no século XX ministrado por creches, escolas maternais ou internatos eram
dirigidos às crianças pobres filhos de mães trabalhadoras, estas unidades
ofereciam os cuidados básicos para garantir a vida destas crianças. Os
espaços de atendimento as pessoas com algum tipo de deficiência cumpriram
também em algum momento apenas o papel de “manutenção da vida” sendo
que não se acreditava na possibilidade de transformação destas pessoas.
Portanto, se a educação infantil na sua trajetória histórica traz resquícios
de um caráter compensatório, onde as crianças eram vistas pelas suas
limitações e carências enquanto seres incompletos, o mesmo podemos dizer
enquanto educação especial, onde as primeiras propostas de atendimento
visavam corrigir falhas no sujeito,
ou seja, essas também se
pautavam pela incompletude, pela
“falta”.
Contudo estudos
preliminares têm apontado que a
educação de crianças,
respeitando as suas diversas
necessidades, é possível, mas
não é um processo simples e não
se reporta apenas ao combate às
práticas discriminatórias na
recepção dos alunos na escola,
pois “dúvidas em relação ao que
representa a inclusão são
enormes no meio acadêmico e
30
prático”.
A introdução do aluno com deficiência visando ao cumprimento das
determinações legais ou exigência dos pais pode acarretar em uma
participação escolar à margem do sistema educacional, onde estes alunos não
interagem com seus pares ou são vítimas de maus tratos e bullying; crianças
que estão na escola apenas para a socialização e não recebem uma educação
formal, ou seja, uma “inclusão excludente”, pois a escola inclui sem dar
condições para que este aluno se perceba como pertencente daquele meio.
Salientamos que o ambiente escolar ideal para a criança com deficiência deve
ser um espaço rico e desafiador, onde a interação com os demais colegas
concorra para o desenvolvimento de suas potencialidades, possibilitando a
construção e a troca de saberes e valores.
Quando nos referimos então à rede privada, parece contraditória a ideia
de inclusão, uma vez que a Educação Infantil particular exclui, por princípio,
aqueles que não podem pagar as mensalidades. Portanto, o requisito de que
tal instituição inclua um aluno deficiente em nome da inclusão parece-nos
enganosa, pois ela continua mantendo a exclusão de uma grande massa de
pobres que não podem custear uma escola privada.
A oferta de vagas na educação infantil, na rede publica, em todo o país e
menor do que a demanda, isto dificulta profundamente o processo de inclusão
já que as crianças
com deficiência
também engrossam
esse grande número
de crianças excluídas
das creches publicas
e EMEIs (Escolas
Municipais de
Educação Infantil).
No período da
infância é a família da
criança com
deficiência que escolhe o caminho educacional seguido por esta, os pais
precisam não apenas acreditar nos benefícios da inclusão como também
reconhecer que seus filhos têm direito a ela. O que observamos é que o
número de matrículas de crianças com deficiência nas creches e EMEIs do
ensino regular ainda são insignificantes, apesar de um aumento desde 2002, e
muitos profissionais da educação continuam orientando e encaminhando
crianças com deficiência para as escolas especiais, sendo que, a legislação
penal no art. 8º, da Lei nº 7.853/89 diz ser crime de conduta frustrar, sem justa
causa, a matrícula de um aluno com deficiência, a exclusão é crime. Com isso
o que temos visto é que os professores de educação infantil, por não
31
receberem crianças com deficiência nas creches, escolas e EMEIs, acabam
não reconhecendo as vantagens de uma educação inclusiva.
Os defensores da Inclusão acreditam que em se tratando de crianças
com deficiência as instituições de educação infantil são espaços privilegiados
onde a convivência com adultos e outras crianças de varias origens, costumes,
etnias, religiões,
possibilitará o contato
desde cedo com
manifestações
diferentes daquelas que
a criança vivencia em
sua família ou num
ambiente segregativo,
permitindo-lhe, assim
as primeiras
percepções da
diversidade humana.
Para considerarmos a inclusão na Educação Infantil, precisamos antes
refletir sobre a inclusão não somente na creche, na escola ou na EMEI, mas,
em todo o sistema educacional. Para que isto aconteça é preciso seguir a uma
séria revisão dos objetivos e métodos da educação em nosso país, envolvendo
a todos os atores educacionais na proposta de uma sociedade inclusiva.
Portanto, antes de receber o aluno deficiente, é fundamental conhecer o
seu histórico e a sua condição. Diagnósticos exatos são de extrema
importância e precisam ser respeitados, ainda mais se estes orientarem sobre
a melhor maneira de atender o aluno, mas não podem ser confundidos com
rótulos reduzindo o educando a determinada condição, como “o autista”, “o
deficiente intelectual”, “o TDA/H”, etc. Além disso, os professores devem saber
se há utilização de medicamentos, o tempo de duração (quando isso interfere
na participação de
atividades escolares) e
os efeitos colaterais.
Outra questão a
ser abordada, neste
momento, é com
relação à realização de
atividades pedagógicas
e de avaliação
diferenciada para os
alunos com
necessidades educacionais especiais. A ideia de selecionar os mais capazes
sempre esteve presente nas propostas educacionais, todavia os documentos
32
oficiais, como os Parâmetros Curriculares Nacionais e as Diretrizes Nacionais
para e Educação Especial na Educação Básica, destacam a necessidade da
adaptação curricular e do processo avaliativo, sendo necessárias adaptações
tanto físicas quanto pedagógicas e de pessoal, em virtude das necessidades
apresentadas pelos alunos com deficiências.
Por isso durante a realização de atividades e avaliações diferenciadas, o
ideal é que a avaliação não seja colocada de maneira a comparar o
desempenho entre os
alunos, mas sim para
verificar o quanto cada
aluno (isso inclui todos os
alunos e não apenas
aqueles com deficiências)
evoluiu durante aquele
período, e precisa ser
coerente com aquilo que
acontece no contexto de
sala de aula, servindo
inclusive de feedback para
o professor averiguar se os
objetivos estão sendo alcançados ou se novas alternativas precisarão ser
adotadas.
O que presenciamos na prática da Educação Infantil é que muitas
creches e escolas aceitam crianças com deficiências acreditando que elas
apenas necessitam de socialização e brincadeiras, não que estas não sejam
importantes, mas é cada
vez maior o número de
crianças mantidas na
Educação Infantil após
atingirem a idade de
alfabetização e de
ingresso no Ensino
Fundamental. Em algumas
situações quando a
criança esta com
aproximadamente dez
anos de idade ou muito
grande em comparação
aos colegas de cinco ou seis anos, a família é informada de que precisará
encontrar outra escola.
33
A realização de
atividades pedagógicas e
o processo de avaliação
diferenciado permitem a
creche, escola ou EMEI
inclusiva considerar cada
situação individualmente
na hora de tomar
decisões. Como, por
exemplo, se uma criança
com deficiência pertence
a um grupo de faixa
etária de cinco anos e for para a turma de alfabetização no ano seguinte,
alguns fatores devem ser considerados paraa promoção ou a permanência
dessa criança em um grupo de crianças menores. Esses fatores dizem respeito
à maturidade da criança deficiente, seja em relação ao próprio cuidado, como
quanto às atividades interacionais com seus pares. Entendemos então que as
posições que defendem a promoção direta da criança com deficiência da
Educação Infantil para o Ensino Fundamental podem ser perigosas, visto que
as condições de cada criança são as mais variadas possíveis; esta transição é
um ponto crucial no que se refere aos alunos com deficiências, necessitando
de uma discussão mais ampla.
A realidade de cada criança deficiente é única. Não existem critérios
gerais de como deve ser o
seu ensino. O professor
precisa observar e perguntar,
analisar e ouvir para
compreender as
necessidades de cada aluno,
os sentimentos e os seus
pontos de vista, estando
atento sempre às relações
que esses alunos
estabelecem com seus
colegas nos momentos de atividades e de recreação. As ações dos colegas
diante dos alunos com deficiência se mostram como um fator decisivo para a
inclusão social. As atitudes das crianças dependem, em grande parte, das
atitudes observadas em seus pais e nos professores, mas programas
educacionais que favorecem a comunicação e o conhecimento contribuem de
forma significativa para facilitar o processo de inclusão social nas escolas.
Um dos aspectos a se considerar dentro da proposta da Educação
Inclusiva na Educação Infantil é a diminuição do número de alunos por sala, de
34
maneira a facilitar à interação dos seus membros e o atendimento as
especialidades de cada um. Estudos têm comprovado que a limitação do
número de crianças por grupo é fundamental para a qualidade da abordagem
aos alunos com deficiências e a realização das atividades educativas
diferenciadas. O número máximo de alunos varia de quinze, para a Educação
Infantil, até vinte e cinco no Ensino Fundamental, limitar o número de crianças
deficientes em cada grupo é importante porque esse percentual possibilita uma
avaliação individualizada dos professores.
Nas Diretrizes Curriculares Nacionais, é proposto que a distribuição dos
alunos deficientes ocorra
pelas diversas classes
do ano escolar onde
estes forem classificados
não ultrapassando 15%
do total da sala.
Também é importante
ressaltar que alunos com
deficiências semelhantes
devem ser agrupados,
de preferência, em
grupos diferentes,
evitando desta forma que sejam estimulados a formarem subgrupos dentro da
sala de aula, deixando de interagir com o restante dos colegas.
DISLEXIA NO PRÉ-ESCOLAR OU NA EDUCAÇÃO INFANTIL
A dislexia é um
problema que afeta
milhares de crianças ao
redor do mundo inteiro.
Entretanto esse é um
problema que muitas
vezes não é identificado
precocemente e pode
trazer sérios prejuízos ao
desempenho da criança.
Por esse motivo é
que vamos falar aqui
sobre a dislexia na pré-escola ou na educação infantil, para que você possa
ficar atento aos sinais que a criança oferece.
35
O que é Dislexia?
A dislexia nada mais é do que um transtorno ou distúrbio da
aprendizagem que afeta a área da escrita, da leitura e também da soletração
sendo um dos transtornos mais encontrados nas salas de aula do mundo
inteiro com uma incidência entre 05% e 17% na população mundial.
O grande
problema desse
transtorno é que ele é,
muitas vezes, atribuído a
uma má alfabetização, a
falta de atenção por
parte do aluno, à falta de
motivação e até mesmo
a problemas
relacionados à condição
socioeconômica da
criança, o que é um erro.
O que você
precisa realmente saber
é que a dislexia é um transtorno decorrente de condições hereditárias com
alterações genéticas podendo apresentar ainda alterações no padrão
neurológico da pessoa afetada.
Isso tudo que falamos até agora é somente para demonstrar a importância que
tem o diagnóstico correto da dislexia através de uma equipe multidisciplinar.
Essa avaliação permite averiguar as condições da criança para
promover um acompanhamento adequado e eficiente das dificuldades
apresentadas, podendo direcionar esse tratamento justamente para as
peculiaridades apresentadas por cada um dos indivíduos proporcionando assim
resultados mais palpáveis.
Sinais de que a criança pode ter dislexia
É muito comum que
crianças
com dislexia apresentem
algumas características
marcantes e que devem
ser enxergadas com
atenção e não desprezo.
Muitas vezes as
crianças com esse
distúrbio olham para o
36
quadro e simplesmente não compreendem aquilo que está escrito.
Pelo fato de a pré-escola ou a educação infantil serem o momento de
alfabetização o mais comum é que o problema seja identificado ainda nessa
fase do aprendizado.
Veja agora alguns sinais que podem servir como um alerta de que a criança
tem dislexia:
Confusão entre sílabas e letras
Enquanto as crianças que não possuem o transtorno identificam
facilmente as diferenças ente “d” e “b” e “h” e “n”, por exemplo, as crianças
com dislexia confundem-se com essas letras pois possuem grafias
semelhantes. Assim
também é com letras
que tem o som
semelhante como “d” e
“t”.
Também
acontece de
inverterem as sílabas
de uma palavra ou
mesmo adicionarem
uma sílaba extra.
Desenvolvimento motor afetado
Esse é um ponto importante que pode ser observado antes mesmo da
alfabetização pois é comum que crianças com dislexia apresentem atraso no
desenvolvimento motor.
Assim sendo ela pode demorar a engatinhar, a caminhar ou mesmo
sentar, sendo que o problema pode ser observado também algum tempo mais
tarde em dificuldade com
certas brincadeiras como
chutar uma bola, ou
desenhar.
Aversão à escola
É comum que
crianças nessa condição
desenvolvam baixa
autoestima e relutância
em ir para a aula visto
que, devido às suas
dificuldades, não se
37
sentem bem no ambiente escolar.
Não confunda esses fatos com preguiça ou mesmo desinteresse por
parte do aluno, o problema pode ser mais sério.
Memória e raciocínio
Se engana que acredita que todos os sintomas da dislexia se
apresentam na parte escrita. Eles também podem aparecer através da
dificuldade de acompanhar
um raciocínio ou uma
explicação mais longa.
Atenção
Embora os sinais
citados acima, isoladamente,
não classifiquem que a
criança é disléxica é preciso
estar atento ao
desenvolvimento dos
pequenos. Estar em contato com a escola e com os professores também pode
ajudar muito no processo de descoberta do problema.
DISCALCULIA INFANTIL
Algumas crianças, mesmo recebendo todo o conteúdo necessário para
se apropriar do conhecimento e do raciocínio matemático, podem ter enormes
dificuldades de entender o
significado do número em
nossa sociedade.
Compreender o que ele
representa, quais suas
diferentes funções e
relações com nosso
cotidiano é um verdadeiro
desafio para uma criança ou
um adolescente com
Discalculia. Muitos pais, ao
relatarem o sofrimento de
seu filho ou filha, comentam que desde muito pequeno(a), ele(a) tinha muita
dificuldade em memorizar números, quantificar sua idade e relacionar o
símbolo numérico às proporções e ao espaço de tempo que havia entre uma
atividade e outra. Estas confusões são comuns e frequentes em pessoas que
não conseguem pensar dentro de uma perspectiva numérica.
38
A Discalculia é um tipo de transtorno de aprendizagem caracterizada por
uma inabilidade ou
incapacidade de pensar,
refletir, avaliar ou raciocinar
processos ou tarefas que
envolvam números ou
conceitos matemáticos.
Percebe-se desde
muito cedo, mas é na escola
que todos os sinais e
dificuldades se expressam de
maneira clara e explícita, pois
as exigências são maiores e a
sequenciação de tarefas que
envolvem aritméticae
proporções passam a ser rotineiras. Em torno de 1% das crianças podem ter
Discalculia.
É comum que tal condição seja geneticamente determinada tendo
relatos parecidos num dos pais ou em parentes próximos. Não podemos
confundir Discalculia com insegurança cultural que observamos na
aprendizagem da matemática ou com má pedagogia por não ocorrer a
completa e/ou suficiente transmissão de conteúdos de acordo com a idade e a
escolaridade. A Discalculia é um problema biológico e inato que nada tem a ver
com aspectos do ambiente afetando a capacidade da criança em aprender
matemática. Estudos de
imagem e comparações
realizadas entre indivíduos
com Discalculia e indivíduos
não portadores do
transtorno, mostram que os
primeiros apresentam o
sulco intra-parietal menor. A
dificuldade, por sua vez,
ocorre por vários motivos:
Incompreensão com
a noção de quantidade
associada à palavra ou
conceito numérico;
Dificuldade em usar a
linguagem adequada para
representar o número;
39
Problemas de espacialidade e proporcionalidade em relação ao número
correspondente;
E pouca aptidão para relacionar conceitos matemáticos (como por
exemplo, relacionar porcentagem com divisão e conseguir resolver
processos que envolvem abstração e representação mental).
A Discalculia pode, na avaliação neuropsicológica, ter déficits em
algumas habilidades cognitivas. Isso é verdade, porém, sem comprometimento
da inteligência ou do nível
intelectual. Aliás, estas
crianças são muito
inteligentes e capazes para a
escola, mas
surpreendentemente não
conseguem manter o mesmo
padrão para as atividades
matemáticas estejam elas
onde estiverem, na geografia
ou nas ciências, nas artes ou
na educação física. O
diagnóstico requer avaliação multidisciplinar com o envolvimento de
especialistas nas áreas de psicopedagogia, neuropsicologia e neuropediatria.
Não existem exames de imagem ou de laboratório para confirmar,
somente sendo concluído mediante testes e correlações com a evolução
pedagógica e seu comportamento com os números no cotidiano.
Quanto ao tratamento, não existem medicações, exceto quando
há TDAH associado. Ademais, é baseado em intervenção precoce, adaptação
curricular e suporte psicopedagógico. A escola deve compreender a dificuldade
e fazer modificações no conteúdo, visando facilitar a aprendizagem da
matemática utilizando-se de materiais concretos para ensiná-la. O apoio
psicopedagógico ajudará a criança a entender sua dificuldade e manejá-la da
melhor forma possível incluindo estratégias metacognitivas. Não existe “cura”
para esta condição e o portador deverá aprender a lidar com o transtorno.
Como afeta a discalculia ao cérebro
A discalculia aparece como uma disfunção neuronal no sulco
intraparental do cérebro. Seguindo essa disfunção um padrão de deterioração
cognitiva, psicopatologia da discalculia e insônia infantil partilha alguns
mecanismos neurobiológicos. A discalculia é geralmente identificada com
déficits em habilidades, tais como: Psicopatologia do TDAH e a regulação do
ciclo de vigília - o sonho partilha mecanismos neurobiológicos.
40
Concentração
Habilidade
relacionada como o
padrão de deterioração
cognitiva relacionada
com a habilidade
envolvida na dislexia. O
déficit estrutural nessa
rede de conexões
neurais está relacionada
também à inibição que
afeta negativamente a velocidade com que a criança se desenvolve em tarefas
matemáticas
Atenção dividida
Esta capacidade é importante, pois atende a dois estímulos
simultaneamente. As crianças com discalculia têm dificuldade em responder
rapidamente a um determinado estímulo, porque não são capazes de se
concentrar, são enganados por estímulos irrelevantes, e cansam-se facilmente
Memória do trabalho
Esta capacidade cognitiva refere-se ao armazenamento temporário e à
capacidade de manipular informações para executar tarefas complexas. Têm
dificuldades para seguir instruções, esquecem instruções e tarefas, têm baixa
motivação, memórias incompletas, alto nível de distração, não se lembram dos
números e têm um atraso na aritmética mental, entre outros.
Memória a curto prazo
É a capacidade do
cérebro para reter uma
pequena quantidade de
informação por um curto
período de tempo. Este défice
cerebral explica a
incapacidade de realizar
tarefas aritméticas. As
dificuldades encontradas são
durante a execução de um
cálculo ou problemas
41
matemáticos. Esta patologia cognitiva também está relacionada com a
incapacidade de lembrar números ou a tabuada
Habilidade de nomear
Envolve a capacidade de recordar uma palavra ou número do nosso
léxico e depois expressá-la. As crianças com discalculia têm dificuldade em
lembrar números, porque o seu nível de processamento de informação e
capacidade de nomeação é pobre.
Planificação
Os baixos níveis desta capacidade cognitiva envolvem dificuldades em
compreender a abordagem de senso numérico e do exercício. Esta
incapacidade para avançar impede executar a tarefa corretamente.
Velocidade de processamento
Corresponde ao
tempo que leva o nosso
cérebro para receber
informações (um número,
uma operação
matemática um
problema...),
compreendê-lo e
respondê-lo. As crianças
sem dificuldades de
aprendizagem executam
este processo de forma
rápida e automaticamente, enquanto que as crianças com discalculia precisam
de mais tempo e esforço para
processar informações e estímulos.
Na imagem ao lado vemos a
área do cérebro afetada pela
discalculia.
Causas da discalculia
Existem inúmeras
investigações realizadas mediante
técnicas de neuro imagem. Este
tipo de técnicas permite visualizar
ao vivo a atividade cerebral e o
sistema nervoso central. Devido a
42
estas representações, pode observar-se que o déficit nas conexões neuronais
associadas à discalculia encontram-se especificamente no módulo cerebral
encarregue do processamento numérico que está localizado no lóbulo parental
do cérebro. Além disso, outras áreas como o córtex pré frontal, a cingulada, a
parte posterior do lóbulo temporal e inúmeras regiões subcorticais, formam
também parte do correto funcionamento das capacidades matemáticas ou
aritméticas.
A discalculia deve-se a um transtorno congênito, quer dizer, de
componente genético. O normal, é que algum dos pais das crianças com
discalculia, tenha também dificuldades na aprendizagem da aritmética.
Um déficit cognitivo na representação numérica
Uma disfunção
neuronal que impede a
correta representação mental
dos números, dificulta a
descodificação numérica e
afeta a compreensão do
significado das tarefas ou
cálculos matemáticos.
As crianças com
discalculia apresentam uma
disfunção numa determinada
rede de conexões neuronais
que as impede de aceder à informação numérica com facilidade. As redes de
conexões neuronais seguem rotas alternativas e diferentes às que apresenta
um cérebro normal.
Existem também outras possíveis causas relacionadas com o transtorno
da dislexia, como as alterações cerebrais ou neurobiológicas, os falhos de
maduração neurológica, as alterações psicomotoras e até problemas de
memória e os relacionados com o meio ambiente, como a exposição da mãe
ao álcool e às drogas no útero ou no nascimento prematuro.
Sintomas da discalculia
A discalculia tem uma ampla rede de dificuldades associadas às
matemáticas e suas características e os sintomas vão variar em função da
idade. Os sintomas podem alterar-se e apresentar-se de forma diferente de
uma criança para outra.
Começa a ser detectável na etapa pré-escolar, quando a criança
começa a desenvolver as habilidades da aprendizagem aritmética e continua
durante a infância, adolescência e idade adulta.
43
À medidaque as crianças crescem, estas dificuldades tornam-se mais
evidentes, mas devemos evitar esperar a que se produza o fracasso para
atuar. O mais importante nestes casos é que se realize uma detecção precoce,
por isso, tanto pais como professores devem estar atentos para identificar as
dificuldades e sintomas que podem indicar este transtorno.
Quanto antes apliquemos estas ferramentas de intervenção necessárias
para ajudar estas crianças a adaptar-se ao processo escolar, maiores serão as
probabilidades de que otimizem os seus recursos mentais e estratégias de
aprendizagem.
Sintomas de discalculia pré-escolar:
Dificuldades
para aprender a contar
Problemas associados
à compreensão do
conceito do número
Incapacidade para a
classificação e
medição:
Torna-se muito
complicado associar
um número com uma
situação da vida real,
por exemplo associar o número "2" com a possibilidade de ter 2
caramelos, 2 livros, 2 pratos, etc...
Problemas para reconhecer os símbolos associados aos números, por
exemplo, incapacidade de associar o número "4" com o conceito de
"quatro".
Escrita incorreta dos números ao copiá-los ou ao fazer um ditado.
Erros de forma:
Confundir, por exemplo, o número 9 com o 6, ou o 3 com o 8.
Inverter a escrita:
Escreve os simbolos ao contrário.
Erros de som:
Confundir os números que soam parecidos: Por exemplo o "seis" com o
"sete"
44
Sintomas no momento de ordenar e sequenciar os números:
Repete o número duas ou mais vezes.
Quando dizemos a uma criança com discalculia que conte, por exemplo
até 5 e pare, muitas vezes não é capaz de reconhecer o limite de chegar
ao 5 e por isso continua a contar.
Omissão:
Normalmente apresenta-se como um sintoma muito frequente e produz-
se ao saltar um ou mais números de uma série
Sintomas relativos à sequência:
Outra característica da
discalculia acontece
quando pedimos a uma
criança que comece a
contar, por exemplo desde
o 4, mas não é capaz de
começar a contar desde
esse número e tem que
dizer a sequência completa
ao mesmo tempo que a
escreve, ou a repete em
voz baixa.
Custa-lhes reconhecer e
classificar objetos pelo seu
tamanho e forma.
Sintomas de discalculia na
Alfabetização
Problemas para reconhecer os símbolos
aritméticos:
Confundem, por exemplo, o símbolo
"+" com o "-" e não podem utilizá-los
corretamente.
Impossibilidade de aprender ou
relembrar estruturas matemáticas
muito básicas, por exemplo 1+2=3.
Não são capazes de reconhecer as
palavras como “maior que" ou
"menor que"
É frequente que utilizem os dedos para contar.
45
Dificuldades para aprender a recordar o procedimento ou regras de
operações simples.
Normalmente saltam passos, não entendem bem o exercício que estão
a fazer.
Começam as operações pela ordem incorreta.
Por exemplo, somam e subtraem começando pela direita em vez de
pela esquerda.
Apresentam dificuldades com a ordem das operações:
Quando, por exemplo, se apresenta uma soma na horizontal não sabem
ordená-la na vertical. Outro exemplo deste sintoma está nas multiplicações,
porque têm problemas em ordenar em colunas os números (subproduto) na
sua coluna correspondente, ou a dividir, quando apontam os números do
quociente à direita e depois à esquerda, invertendo o resultado.
Outra característica muito frequente é quando apresentam dificuldades
nas somas e subtrações realizadas.
Isto produz-se porque os alunos com discalculia não reconhecem
corretamente a série numérica nem têm clara a ideia dos decimais.
Problemas de raciocínio:
Um erro bastante frequente é que o resultado de uma subtração seja
superior aos números que a compõem.
Baixos níveis de
memória mecânica:
Não são
capazes de
memorizar e
recordar as
tabelas de
multiplicar e
custa-lhes muito
aprender, por
exemplo, um
número de
telefone.
Têm dificuldades de fazer qualquer cálculo mental básico.
Não entendem o enunciado dos problemas.
Não entendem de forma global o problema, não são capazes de manter
na mente os diferentes dados que tem o enunciado e têm dificuldades
em representá-lo de maneira visual, através de desenhos.
46
Sintomas relativos ao processo de raciocínio em problemas matemáticos:
A apresentação mental deficiente impide-os de relacionar conceitos e
não sabem diferenciar os dados relevantes com os secundários. Têm sérias
dificuldades para resolver problemas que necessitam mais de um passo para
encontrar o resultado.
Também
apresentam
normalmente
sintomas mais
normais como
problemas em
reconhecer e dizer a
hora e perdem-se
frequentemente
porque o seu sentido
de orientação é
deficiente.
Mas, é importante destacar que nem todas as crianças têm problemas
para realizar operações matemáticas, têm problemas de discalculia, aqui o
importante é detectar a frequência dos sintomas. Além disso, a discalculia nem
sempre está relacionada com as operações matemáticas, as crianças têm
também dificuldades com as actividades quotidianas ou com jogos comuns.
Jogos e exercícios para crianças com discalculia em família
A discalculia não é
fácil de diagnosticar, a
maioria das escolas não
têm implementado
qualquer sistema de
alerta precoce para
identificar a desordem na
sala de aula e ajudar as
crianças com as
ferramentas necessárias.
Muitas vezes o peso
recai sobre os próprios familiares, que devem estar alerta, identificar os
primeiros sintomas da doença e consultar um especialista para um
diagnóstico.
É importante trabalhar com eles em casa, quando as crianças estão em
idade escolar deve ajudá-las nas tarefas de matemática e dar-lhes o tempo
necessário para acabem por entender o exercício. Aqui seguem
47
algumas atividades e jogos divertidos para que seja em família e superem a
discalculia:
Cozinhar juntos
Verifique com o seu filho a receita que vai preparar e peça-lhe para ser
responsável por preparar os ingredientes necessários para cozinhar. Por
exemplo, precisamos de 1/5 kg de lentilhas, 3 cenouras, 2 cebolas, 6 fatias de
linguiça... Temos que cortar os legumes em 5 pedaços, etc...
Jogar com o relógio
Peça à criança para ser responsável de o avisar num determinado
momento, celebrem juntos o quão bem ele o fez e o responsável e "maior" que
é.
Ir ao supermercado
Eles ajudam a fazer a compra, e podem jogar a que ele é responsável
por identificar o número de coisas que tem que comprar, identificar os produtos
e as quantidades e que o próprio as coloque no carrinho.
Pergunte-lhe coisas sobre os preços
Jogar a adivinhar e grupos
Fazer grupos de
pedras, vegetais, ou moedas
e têm que jogar a adivinhar
aquele que tem mais ou
menos. Também podem
tentar adivinhar quantas
pedras há em cada monte.
Contam-nas juntos e quem
disser o número aproximado
ganha.
Contagem
Contem, por exemplo, todos os carros vermelhos que vê, contem as
pessoas que têm sapatilhas brancas, contem escadas ou degraus subam, etc.
Encontrar números
Enquanto caminham, podem jogar a contar os números, sugira-lhe que
encontre, por exemplo, o número "7" e procure os números nas placas da rua,
de carros, etc ...
48
Jogar a lembrar os números de telefone
Por exemplo, tem que chamar à avó, peça-lhe para recordar os três
primeiros dígitos e depois completa com o resto. Façam essa chamada juntos e
celebrem que a fizeram corretamente e com a sua ajuda.
A DISGRAFIA NA EDUCAÇÃO INFANTIL
A disgrafia é
um transtorno de
aprendizagem presente
em muitas crianças do
Ensino Fundamental.
Ele se caracteriza como
uma dificuldade na
escrita, tanto na hora de
desenhar as letras e
códigos do nosso
idioma, quanto ao
formar frases e construir
linhasde raciocínio em
textos.
O que é disgrafia?
É um Transtorno de Aprendizagem de origem neurobiológica que afeta 2
a 3 % da população, ela pode vir sozinha ou acompanhada por outros
transtornos de aprendizagem
como dislexia, Transtorno não
verbal bem como transtornos
neuro-comportamentais como
TDAH, Autismo entre outros.
As características do transtorno
É caracterizado por uma
dificuldade crônica e persistente na
habilidade motora e espacial da
escrita, levando a uma expressão
gráfica inadequada e deficitária,
desde a junção de palavras de
maneira inadequada à utilização de pouca ou muita força na hora de escrever.
Em muitos casos, a disgrafia está associada a um problema psicomotor. Há
49
que se lembrar, porém, que o pequeno com disgrafia tem o desenvolvimento
intelectual normal.
Outra característica é dor ou incômodo frequente para escrever, pressão
excessiva no lápis e no papel, troca constante de letra ora cursiva, ora bastão.
Embora as características da disgrafia sejam as mais variadas possíveis,
é importante ressaltar que citamos as mais perceptíveis no decorrer da vida
acadêmica do estudante.
A diferença de letra feia e disgrafia
A letra feia vai
melhorando com a
idade e com as
intervenções – ou
quando se pede para
escrever com calma –
a ponto de um dia a
escrita se tornar
caligráfica, ou seja,
perfeita.
Já a disgrafia
expressa uma grafia sempre ruim e alterada e que gera um constante
desprazer e incômodo em quem escreve – mesmo atingindo a idade prevista
para escrever adequadamente – além das características acima.
Abaixo há 5 dicas do que pode ser feito para desenvolver a habilidade do aluno
melhorando o desenvolvimento escolar:
Primeiramente é importante um bom trabalho de esquema corporal,
perceber as partes do corpo, braços para chegar até as mãos;
Atividades de fortalecimento das mãos e dos dedos, nesse caso a
massinha é bem interessante pois podemos trabalhar com a mão inteira,
amassar com alguns dedos, fazer objetos e formas com a massinha
entre outros;
Pintura com tintas e outros materiais, nesta atividade podemos utilizar
giz de cera, pintura com guache utilizando os dedos, pincel esponja e o
bom é que essas atividades podem ser feitas no papel na horizontal (em
cima da mesa ou no cão) como na vertical colando o papel na parede e
pedindo para as crianças desenharem ou pintarem;
Fazer uso de brinquedos de montar, como, por exemplo, Lego, quebra-
cabeças, encaixes etc..
Atividades de percepção visual: muitas pessoas não sabem, mas o que
guia a mão é o olho, por isso invista em atividades como o jogo dos 7
50
erros, ligue os pontos, brincadeiras com bolhas de sabão, bolas onde a
criança tem que acompanhar o movimento das coisas e pegar com a
mão.
Melhorando a autoestima com aluno com disgrafia
Sempre é bom
lembrar, que para este
aluno, qualidade é melhor
que quantidade. É melhor
que ele escreva pouco, do
que muito e mal feito, e
com aquele sentimento de
fracasso. Outra coisa
interessante é utilizar a
escrita dentro de algum
significado, escrever sobre
algo que ele goste e que
faça sentido para ele.
Profissionais para o atendimento com disgrafia
Médico Neuropediatra,
psiquiatra Infantil psicomotricista,
Terapeuta ocupacional,
Psicopedagogos, Fonoaudiólogos,
Psicólogos, vai depender se
existem outras queixas ou
comorbidades associadas.
O tratamento com disgrafia
Multidisciplinar, como este é
um transtorno que pode vir
acompanhado de outras
comorbidades, mas Intervenção
psicomotoras, orientações a família
e a escola, apoio psicológico em alguns casos.
51
O auxílio de pais e professores no tratamento
Primeiramente, buscar
conhecer cada vez mais o
Transtorno. Nunca compare
seu filho ou aluno com
ninguém só o compare com
ele mesmo (quando ele não
conseguia e conseguiu algo),
reconheça todo e qualquer
esforço, proponha atividades
com mínimas possibilidades
de errar, converse sempre
com ele sobre isso.
O trabalho com crianças com disgrafia
A sala de aula pode ser uma caixa de surpresas, considerando que cada
aluno é único e tem possibilidades de apresentar uma característica, uma
peculiaridade. Os transtornos de aprendizagem representam uma parcela
considerável dessa situação, pois eles constituem uma desordem que afeta,
em diferentes graus, alguma etapa da cognição de uma pessoa. A disgrafia é
uma delas.
O primeiro passo
é reconhecer que o
estudante tem
a disgrafia e jamais
forçá-lo a algo que ele
provavelmente não dará
conta. Depois, é
estabelecer as
metodologias que melhor
se adequam ao caso da
criança. Veja abaixo
algumas técnicas que
podem ser usadas no caso da disgrafia:
Exercícios grafomotores: eles são ideais para que o pequeno possa
trabalhar, com o acompanhamento de um profissional, a coordenação
motora e o domínio das mãos ao movimentar um lápis sobre o papel. Os
exercícios podem conter desenhos pontilhados, que incentivarão a
52
criança a desenvolver a habilidade; e outras atividades que ligam um
ponto a outro, etc.
Caligrafia: o pequeno pode, aqui, ter a habilidade da escrita
desempenhada para que ele tenha maior domínio na escrita. É
importante lembrar que as etapas são cruciais para notar a melhora do
desenvolvimento do manuseio na hora de escrever. Seguindo essa
linha, o profissional pode aplicar exercícios que induzam a
reaprendizagem da forma das letras e o espaçamento necessários entre
elas.
Posição ao
escrever: a maneira a
qual a criança segura
o lápis é
determinante e causa
dor e fadiga nas
mãos do pequeno.
Neste caso, o aluno
precisa ser orientado
à forma mais
adequada para desenvolver a escrita sem prejudicar seus membros.
Além disso, a posição do papel também reflete a maneira que o
pequeno escreve.
Pincel: o uso do instrumento é ideal na fase inicial do treinamento,
principalmente para que a criança consiga trabalhar a pressão que é
exercida sobre a folha de papel. Aqui, o profissional pode indicar traços
retos para que o pequeno possa desenvolver sua coordenação.
TDAH - TRANSTORNO DE DÉFICIT DE ATENÇÃO COM HIPERATIVIDADE
A Criança com TDAH e a Escola
Notas baixas,
problemas de
comportamento e
dificuldade de adaptação
ao ambiente escolar são
problemas recorrentes
das crianças portadoras
do TDAH.
Dificuldade de
prestar atenção na aula,
distrair-se facilmente e ficar com a mente vagando pelo “mundo da lua” quando
53
o professor está falando. Pouca paciência para estudar e fazer os deveres,
agitação, inquietude e uma capacidade incrível de fazer milhões de coisas ao
mesmo tempo. E quase nenhuma delas associada à aula. Estas são algumas
características de alunos que apresentam o Transtorno de Déficit de Atenção
com Hiperatividade,
conhecido como TDAH.
O problema atinge um
grande número de
crianças e adolescentes,
que vêem o seu
desempenho acadêmico
prejudicado pela doença
e muitas vezes sequer
sabem que são
portadores.
Professores das
primeiras séries do
ensino fundamental vez
por outra estão às voltas com um ou outro aluno que não pára quieto um
instante, se movimenta o tempo todo, não dá a mínima para o que está sendo
ensinado e ainda fica incomodando os coleguinhas. O destino do bagunceiro é
quase sempre a sala da diretoria, onde uma bela bronca o espera. Esse é um
comportamento típico dos meninos portadores do transtorno, que neles tem o
predomínio de sintomas de hiperatividade. Já entre as meninas, a situação
mais comum é a daquela aluna comportada, quieta, que não participa das
aulas (mas também não incomoda) e que está sempre distraída. Qualquer
coisa é capaz de desviar sua atenção. A aula e o professor vão para ofim da
lista de prioridades enquanto a mocinha se atém a ficar folheando o seu
caderno, rabiscando na carteira e criando joguinhos com o estojo e as canetas.
Tanto no caso
das meninas
distraídas quando no
dos garotos
bagunceiros, o
resultado pode ser um
aproveitamento
acadêmico nada
satisfatório no final do
semestre e a
frustrante sensação
de não conseguir
acompanhar os
54
progressos do restante da turma.
Uma das principais dificuldades dos alunos portadores de TDAH são os
problemas de comportamento no ambiente escolar, que se manifestam pela
dificuldade de obedecer a um código disciplinar rígido e pela agitação na sala
de aula.
Professores despreparados
Raramente os profissionais encarregados da orientação escolar de uma
escola estão preparados para lidar com uma criança portadora do Transtorno
do Déficit de Atenção/Hiperatividade.
Os professores estão
sobrecarregados e não
conseguem lidar com o
assunto. Eles lidam com uma
série de alunos com
problemas e não podem se
dedicar aos alunos com
TDAH. Diante de uma turma
que não raramente chega a
30 alunos, é difícil um
professor conseguir dar
atenção individualizada e
conseguir acompanhar de perto as suas dificuldades de cada um. No stress do
dia-a-dia, mandar o desordeiro para o corredor acaba sendo a maneira mais
fácil de restabelecer a ordem na turma.
O aluno passa ser visto como desleixado, preguiçoso e indolente. Na
verdade, estas são limitações impostas pela doença, que se não for
corretamente diagnosticada e tratada, atrapalha tanto a vida dos pais quando
dos filhos. Reuniões com a direção são freqüentes e, não raro, acompanhadas
de um convite para trocar de instituição de ensino.
As crianças portadoras de TDAH não se adaptam bem a instituições de
ensino muito tradicionais e que tenham um código disciplinar muito rígido.
Nestas escolas, castigos e suspensões por problemas disciplinares são
recorrentes.
Escolas públicas: situação ainda mais grave
As escolas não estão preparadas e ainda tem muito o que aprender. E
se em famílias com recursos e que podem recorrer a escolas particulares os
pais e as crianças encontram problemas, imagine nas escolas públicas. Com a
política da progressão continuada (em que o aluno passa de ano
55
automaticamente, mesmo que o aprendizado não tenha sido satisfatório),
muitas crianças só descobrem que tem o problema quando chegam a quinta-
série e sequer sabem ler.
O diagnóstico do TDAH é menos comum nas meninas. O que
normalmente faz a família
procurar um médico são os
problemas com a agitação e
a inquietação típica dos
rapazes. Estima-se que dois
terços dos pacientes
diagnósticas sejam homens e
apenas um terço de
mulheres. Mas se as meninas
não tem a mesma
capacidade de alvoroçar a
turma e tirar os professores
do sério, as dificuldades de aprendizado são as mesmas.
Falta de atenção e impulsividade
Como o próprio nome já diz, uma das maiores queixas dos pacientes
que sofrem de TDAH é
a dificuldade de
prestar atenção, de se
concentrar e conseguir
direcionar o raciocínio.
Para agravar o
quadro, as crianças
com TDAH costumam
ser muito criativas.
Como resultado dessa
combinação de
fatores, os pacientes têm uma incrível capacidade de pensar em várias coisas
ao mesmo tempo e, conseqüentemente, de se distrair. Parecem estar
prestando atenção em outra coisa quando o professor fala com elas. Somada a
isso está a dificuldade de acompanhar atividades monótonas: prestar atenção
do início ao fim a uma aula pouco empolgante é praticamente impossível. O
aluno fica inquieto e trata logo de procurar alguma atividade para se ocupar:
conversar com o amigo ao lado, mexer na mochila ou ficar passando as folhas
do livro. Para o professor fica a impressão de que o aluno é desinteressado e
que não presta atenção na aula por pura falta de vontade.
56
Os médicos explicam que é importante diferenciar “dificuldades em se
adaptar a um sistema educacional” de “impossibilidade de aprendizagem”. As
crianças com TDAH apresentam inteligência e capacidade de aprendizado
idênticas a de uma criança normal e são bastante criativas, mas é preciso lhes
dar chance para se desenvolver e observar as suas deficiências.
Por causa da desatenção, é comum a criança portadora não se
concentrar na aula e não acompanhar a explicação dos professores. Elas
perdem a matéria e não aprendem tanto quanto poderiam. Na hora das provas
a desatenção é ainda mais cruel: o aluno comete erros tolos porque não leu
corretamente o enunciado e não se preocupou muito com a resposta. Vale
lembrar que a impulsividade e a falta de paciência são outras características
típicas de quem tem TDAH. Nestes casos, nada mais natural que ler somente
metade da pergunta e já responder. O aluno pode até conhecer o assunto e
saber a matéria, mas não consegue bom rendimento nas provas e exames.
O tratamento para TDAH
Os médicos
relatam que após iniciar
o tratamento, maioria
das crianças apresenta
melhora significativa no
comportamento na
capacidade de
aprendizado. Em pouco
tempo elas já prestam
mais atenção à aula,
conseguem se
concentrar melhor e já não relutam tanto em realizar tarefas monótonas e
repetitivas. Com melhoria da atenção, o rendimento escolar e as notas
apresentam mudanças que podem ser surpreendentes. O aluno desleixado,
preguiçoso e pouco esforçado, de uma hora para outra, pode finalmente
encontrar espaço para desenvolver seu potencial e mostrar que, contornando
as deficiências impostas pelo TDAH, tem um rendimento compatível ao de
qualquer um.
A auto-estima e gosto pelos estudos chegam a apresentar uma positiva
reversão. Um aluno que não consegue prestar atenção às aulas, é sempre
repreendido pelo professor (seja por estar distraído, seja por ficar falando a
aula inteira) e por mas que estude não tira boas notas, dificilmente vai ter a
escola ocupando posição de destaque no seu ranking de favoritos. Os pais se
queixam que os filhos não gostam de estudar, não dão valor à escola e que
são muito relapsos. Mas como gostar de uma coisa na qual, por mais que nos
57
esforcemos, não conseguimos
ser bem sucedidos? Quando
os primeiros resultados após
o início do tratamento
começam a aparecer, a
criança passa a se interessar
mais pela escola e a relação
com os amigos também
muda.
Afinal, aquele garoto
agitado e pavio-curto, que fala
sem pensar e não se
preocupa muito com o que vai
dizer aos outros dá lugar a um outro mais tolerante, atento e consciente de si
mesmo. Os professores, os companheiros de sala e o histórico escolar
agradecem.
Estratégias pedagógicas para
alunos com TDAH
O Transtorno de Déficit de
Atenção e Hiperatividade (TDAH) é
uma das causas de dificuldade de
aprendizado de natureza
neurobiológica mais comum durante a
infância e a adolescência. Ocorre em
6-10% das crianças e pode acarretar
sérios prejuízos no rendimento
escolar e na capacidade de se
apropriar da aprendizagem adequada
da leitura, escrita e matemática. O
diagnóstico deve ser o mais precoce
possível a fim de prevenir lacunas de
conteúdo e futuros distúrbios de
aprendizagens. Seu tratamento deve sempre envolver uma abordagem
interdisciplinar com uso de medicações, psicoterapia e intervenções nos
atrasos de desenvolvimento que podem se associar ao transtorno. Ressalta-se
neste contexto, como estratégia fundamental, a adoção de formas e meios
pedagógicos para otimizar e melhorar o engajamento atencional da criança
com TDAH.
58
No tocante ao TDAH na escola, podemos dividir tais estratégias em 3
eixos de ação: didática em sala de aula, meios de avaliação e apoio
organizacional.
A didática em sala
de aula deve buscar meios
que melhorem a
concentração deste aluno:
mudartom de voz de
acordo com a necessidade
dando ênfase em
momentos mais
importantes do assunto,
colocar este aluno para
sentar bem próximo do
professor, começar a aula
com algum tipo de
motivação (uso de quiz ou perguntas que devem ser respondidas ao final após
a transmissão do conteúdo e que, em caso de acerto, pode ser dada uma nota
que se somará à média final), associar o assunto da aula a alguma situação do
contexto que interessa ao aluno ou que tenha uma aplicação prática, utilizar–se
de estímulos audiovisuais ou sensoriais, os quais têm grande poder de
memorização, ser mais emocional na transmissão da aula, menos cópia e
menos texto.
Em relação aos
meios de avaliação, o
professor pode variar e
enriquecer as formas de
averiguar se este aluno
absorveu ou não a
matéria aplicando não
somente as clássicas
provas objetivas, mas
também trabalhos,
pesquisas de campo,
apresentações em sala,
participação em discussões, etc. As provas devem ser enxutas, objetivas,
curtas, sem pegadinhas. Como este aluno se distrai e se perde nos detalhes, é
importante ao final da prova que seja dado um tempo complementar para que
reveja as questões em busca de possíveis lapsos ou distrações e dada à
oportunidade de corrigir ou refazer a questão. Alguns alunos podem ser
favorecidos com o professor lendo as provas antes de iniciá-las, pois podem
compreender melhor as questões ouvindo-as.
59
No apoio organizacional, o professor pode ajudar criando uma rotina pré-
estabelecida com o aluno o qual deve seguir repetidamente e diariamente. Esta
espécie de roteiro serve para ser um lembrete diário.
Neste, pode-se escrever assim, passo-a-passo:
Fazer as tarefas de hoje;
Selecionar dúvidas para levar ao professor;
Verificar maiores dificuldades;
Estudar para as provas mais próximas;
Organizar o material para o dia seguinte; etc.
Assim, ao chegar em casa, este roteiro servirá de apoio para lembrar e criar
uma forma de resolver sem se perder. Neste quesito, a família tem papel
fundamental ao ajudar a concretizar este processo e sentar com a criança para
fazer suas tarefas, tirando suas dúvidas e motivando a terminá-las. A escola
estimulará, assim, o engajamento dos seus cuidadores no cuidado em
preservar o gosto de seu filho pelos estudos.
A DISORTOGRAFIA INFANTIL
Características da Disortografia
A principal característica de um
sujeito disortográfico é a confusão que ele
apresenta com as letras, sílabas e trocas
ortográficas já trabalhadas em sala de
aula pelo docente. Outras
características são as inversões,
aglutinações, omissões e desordem na
estrutura da frase.
Algumas das características de
indivíduos que apresentam quadros de
disortografia, são elas:
Trocas de letras que se parecem:
faca/vaca, chinelo/jinelo;
Confusão de sílabas: encontraram/encontrarão; adições: ventitilador;
omissões: cadeira/cadera, prato/pato;
Fragmentações: em saiar, a noitecer; inversões: pipoca/picoca e junções: no
meiodatarde, voltarei maistarde.
60
Tipologias da Disortografia
Disortografia temporal:
Onde o sujeito não é capaz
de ter uma visão clara dos
aspectos fonéticos da cadeia
falada com a ordenação e
separação dos elementos.
Disortografia perceptivo
cinestésica
Que se centra na
incapacidade que o indivíduo tem
para repetir os sons, verificando
as substituições no modo de articular os fonemas.
Disortografia cinética
Onde se percebe uma deficiência de ordenação e sequenciação dos
elementos gráficos gerando erros de união - separação; a
Disortografia visuo-espacial
Que é alteração perceptiva da imagem dos grafemas;
Disortografia dinâmica
Que verifica alteração na expressão escrita das ideias e na
estrutura sintática das proposições;
Disortografia semântica
Onde a análise é indispensável para o estabelecimento dos limites das
palavras.
Disortografia cultural
Onde o aluno apresenta dificuldade na aprendizagem da ortografia
convencional.
Estratégias Eficazes no Ambiente Escolar
Incentivar a percepção e memória visual do aprendente, utilizando
recursos como cartaz de números e letras, o docente pode espalhar os
cartazes pela sala de aula, deixando a vista dos alunos. O professor deve
sempre elogiar as produções do educando, principalmente quando ele escrever
corretamente, isso levantará sua autoestima.
61
É importante que o
docente observe as trocas
mais frequentes que o aluno
apresenta, assim, poderá
planejar e realizar atividades
mais diretas, relacionadas a
essas dificuldades. Trabalhar
o lúdico, incentivar a
brincadeira, o jogo e a
música, desta forma a
criança tende a se interessar
pela atividade.
Estabelecer relações do conteúdo que o aluno já aprendeu com o que
esta aprendendo. A sala de aula deve ser um ambiente agradável e favorável a
aprendizagem. Promover a valorização das habilidades, atitudes e
conhecimento que o aluno tem, oportunizando que ele possa desenvolvê-las de
maneira satisfatória. O Educador deve despertar a curiosidade e o interesse do
educando, assim o ato de ensinar e aprender torna-se eficaz e prazerosa.
O Professor enquanto mediador do processo de ensino deve buscar
orientações acerca das dificuldades de aprendizagem apresentada pelo aluno,
a fim de buscar soluções e desenvolver um trabalho consciente e que promova
a satisfação e o bem estar de todos.
Não deve tratar as dificuldades de aprendizagem, como algo sem
solução, mas sim como um desafio diário que faz parte deste processo.
Identificar precocemente a complexidade, para que as devidas medidas sejam
tomadas, evitando assim o sofrimento prolongado do aluno.
Os problemas de aprendizagem não são erros, são perturbações
produzidas durante a aquisição e não nos mecanismos de conservação e
disponibilidade é necessário procurar entender os problemas de aprendizagem
não somente sobre o que se está fazendo, mas também sobre como se aplica.
62
PEDAGOGIA HOSPITALAR
A Educação em Ambiente Hospitalar
No Brasil a classe
hospitalar é reconhecida
por meio da criação de
uma legislação para a
criança e adolescente
hospitalizado, através da
resolução nº 41 de
outubro de 1995, no
item 9, onde diz que a
crianças e adolescente
possui o "direito de desfrutar de alguma forma de recreação, programas de
educação para a saúde, acompanhamento do currículo escolar durante sua
permanência hospitalar". A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional de
1996, também reforça esse atendimento educacional em hospitais.
Não só todo o acontecimento tem sua história, como essa história é
caracterizada por mudanças no decorrer dos tempos. Hoje o Ministério da
educação em parceria com o Ministério da Saúde está promovendo o
desenvolvimento intelectual das crianças e adolescentes internados de forma
muito diferente de algumas décadas atrás.
Atualmente na sociedade contemporânea o conhecimento assume
posição central e nenhuma criança ou adolescente, deve ter privado o direito
de ter acesso ao conhecimento, mesmo estando internado em leitos
hospitalares. É reconhecido por todos, que o conhecimento hoje pode ser
obtido de inúmeras formas e fontes, levando-se em consideração que as
informações estão acessíveis em toda parte como (jornais, revistas, internet,
computadores, celulares, classes hospitalares, brinquedotecas...) e não mais
centrada somente na
escola.
Efetivamente
começam a surgir
indagações sobre o
direito do acesso ao
conhecimento, bem
como o papel e a função
da pedagogia hospitalar,
esclarecemos que: o
papelda educação no
hospital e, com ela, o do
63
professor, é propiciar a criança o conhecimento e a compreensão daquele
espaço, ressignificando não somente a ele, como a própria criança, sua doença
e suas relações nessa nova situação de vida. A escuta pedagógica surge,
assim, como uma metodologia educativa própria do que chamamos pedagogia
hospitalar. Seu objetivo é acolher a ansiedade e as dúvidas da criança
hospitalizada, criar situações coletivas de reflexão sobre elas, construindo
novos conhecimentos
que contribuam para
uma nova compreensão
de sua existência,
possibilitando a melhora
do seu quadro clínico.
A Secretaria de
Educação Especial do
Mec conceitua Classe
Hospitalar como uma
das modalidades de
atendimento especial para crianças e adolescentes: ambiente Hospitalar que
possibilita o atendimento educacional de crianças e jovens internados, que
necessitam de educação especial ou que estejam em tratamento.
Em 2002 o Ministério da Educação, por meio da secretaria de educação
Especial, elaborou um documento de estratégias e orientações para o
atendimento nas classes hospitalares, assegurando uma educação básica.
Classe hospitalar segundo a Secretaria de Educação Especial é o
atendimento pedagógico educacional que ocorre em ambientes de tratamento
de saúde, seja em internação, atendimento hospital-dia e hospital-semana ou
serviços de atenção integral a saúde mental.
A intervenção faz com que a criança mantenha rastros que a ajudem a
recuperar seu caminho e garantir o reconhecimento de sua identidade. O
contato com sua escolarização fazem do hospital uma agência educacional
para a criança
hospitalizada desenvolver
atividades que a ajudem
a construir um percurso
cognitivo, emocional e
social para manter uma
ligação com a vida
familiar e a realidade no
hospital.
Com isso, pode-se
inferir que a educação
hospitalar não está
64
desvinculada com o contexto real e familiar da criança, ela garante a
continuidade do desenvolvimento que a criança já recebe em casa e na escola
seja ele cognitivo, emocional e social mesmo sob condições de saúde
debilitada.
Toda criança que frequenta a classe hospitalar possui um cadastro com
dados pessoais do hospital e da escola de origem. Ao fim de cada aula, o
professor hospitalar faz
registros nessa ficha de
cadastro dos conteúdos,
aprendizagens e outras
informações do aluno
naquele dia.
Os alunos que
permanecem na classe
hospitalar por três dias ou
mais necessitam de um
contato telefônico do
pedagogo ou professor
hospitalar com sua escola
de origem, para comunicar a
participação dos mesmos
nas atividades e os conteúdos trabalhados na classe hospitalar. Além disso, é
importante obter informações referentes aos conteúdos que estão sendo
ensinados na escola para que se possa de maneira diferenciada e lúdica
abordar esses conteúdos no hospital.
A pedagogia hospitalar em sua prática pedagógico-educacional diária
visa dar continuidade aos estudos das crianças em convalescença, com o
objetivo de sanar dificuldades de aprendizagem e/ou oportunizar a aquisição de
novos conteúdos. Atuando também como um acompanhamento do aluno fora
do ambiente escolar, esta se propõe a desenvolver suas necessidades
psíquicas e cognitivas utilizando programas lúdicos voltados à infância,
entretanto sua ênfase recai em programas sociointerativos, vinculando-se aos
sistemas educacionais como modalidade de ensino - Educação Especial - ou
ao sistema de Saúde como modalidade de atenção integral - Atendimento
Pedagógico Educacional Hospitalar.
Após alta hospitalar, é enviado relatório descritivo carimbado e assinado
pelo diretor de uma escola da rede Estadual das atividades realizadas,
desempenho do aluno, posturas adotadas e dificuldades apresentadas para
que este seja encaminhado para a escola de origem do aluno.
65
A Atuação do Professor Hospitalar
Para atuar no
ambiente hospitalar o
professor precisa ter
formação pedagógica,
preferencialmente em
Educação Especial ou
em curso de Pedagogia
ou especialização em
Pedagogia Hospitalar e
Educação Inclusiva.
Então não é
somente ter a
graduação em curso de Pedagogia, são necessárias aptidões e capacitação
para trabalhar como educador no ambiente hospitalar.
A educação não formal no hospital é uma prática educativa, em que são
dadas atividades escolares e jogos educativos que servem como ponte de
interação harmoniosa entre ações educativas da escola e as ações educativas
no hospital.
Partindo desse princípio, o pedagogo será o responsável por organizar
essas ações educativas dentro do hospital de forma a contemplar tanto as
necessidades do aluno estudante, quanto às necessidades do aluno cliente.
Cuidando para que uma atividade não interrompa a outra.
Nessa formação, as Diretrizes Curriculares Nacionais para o curso de
pedagogia constadas na Resolução CNE/CP nº 1, de 15 de maio de 2006, em
seu art. 3º parágrafo único, preveem a formação dos estudantes do curso de
pedagogia, para que esses possam atuar em diversos campos além do
ambiente escolar.
Assim como
no ambiente escolar,
a pessoa que deseja
trabalhar na
educação hospitalar
precisa trabalhar
com a
multidisciplinaridade,
incluindo a
diversidade, a ética,
a cidadania, entre
outras coisas. Porém
não se deve agir com
66
as crianças e adolescentes como se estivessem na escola é preciso ir além do
que é ensinado.
Com isso,
pode-se observar
que o educador
hospitalar tem o
papel de
complementar a
educação na escola,
mas isso não
significa que deve
passar e cobrar a
aprendizagem de
conteúdos que é papel exclusivo do ensino regular que a escola oferece.
Para atuar na classe Hospitalar, o professor precisa estar habilitado para
trabalhar com a diversidade humana e diferenças culturais, identificar as
necessidades dos alunos e precisa flexibilizar o currículo quando necessário.
Diante disso, o pedagogo hospitalar precisa ser um profissional
capacitado, estimulador na aquisição de novas competências e habilidades a
serem desenvolvidas pelos seus alunos. Ele precisa saber utilizar de recursos
diferenciados fornecidos pelo hospital caso ele forneça, para que as crianças e
adolescentes interajam e construam novos conhecimentos.
a) Prática multisseriada: O pedagogo utiliza um espaço na unidade de
cirurgia pediátrica como sala de aula. Os alunos são agrupados por ciclos/série
com aulas simultânea.
b) Prática individual de leito: trabalho realizado no serviço de emergência
clinica. Busca dar continuidade aos estudos das crianças convalescentes com
o objetivo de garantir o direito
a continuidade escolar.
c) Situação de isolamento:
este atendimento é realizado
na infecto pediatria. Nesses
casos há necessidade de
paramentação e desinfecção
do professor e dos materiais
a serem utilizados.
d) Classe hospitalar:
Modalidade mais comum de
ensino nos hospitais. Refere-
67
se a escola no ambiente hospitalar. Presta atendimento de casos de
tratamento há longo prazo ou casos de imunidade.
O pedagogo hospitalar precisa ter um olhar holístico com relação
aqueles em que ele presta atendimento, pois ele deve estar atento aos
aspectos pedagógicos, às necessidades físicas e emocionais dos alunos e até
mesmo precisa visar o lado emocional dos seus familiares. Esse profissional
então precisa ter características fundamentais como: sensibilidade,
compreensão, força de vontade, criatividade, persistência e paciência.
No principio todos os educandos que se encontravam nas condições
citadas, tinham o direito a essas
compensações, por conta do seu
afastamento da instituição escolar,
esse ocorreria pela:
a) incapacidade física
relativa, incompatível com a
frequência aos trabalhos escolares;
desde quese verifique a
conservação das condições
intelectuais e emocionais
necessárias para o prosseguimento
da atividade escolar em novos
moldes e;
b) ocorrência isolada ou
esporádica;
c) duração que não ultrapasse o máximo ainda admissível, em cada
caso, para a continuidade do processo pedagógico de aprendizado, atendendo
a que tais características se verificam, entre outros, em casos de síndromes
hemorrágicos (tais como a hemofilia), asma, cartide, pericardites, afecções
osteoarticulares submetidas a correções ortopédicas, nefropatias agudas ou
subagudas, afecções reumáticas, etc.
Com o passar dos anos, não apenas os alunos portadores de afecções
receberiam atendimentos excepcionais, mas todas as crianças hospitalizadas
foram se beneficiando desse entendimento. Nos hospitais foi se
compreendendo que todas as crianças e adolescentes têm o direito a classes
hospitalares, brinquedotecas, videotecas, e esses espaços foram sendo
disponibilizados pelos hospitais.
68
A IMPORTÂNCIA DOS PRIMEIROS SOCORROS NO AMBIENTE ESCOLAR
A saúde como um tema
transversal, valoriza o
significado social dos
procedimentos e conceitos
próprios das áreas
convencionais, o potencial da
educação escolar reside,
exatamente, na articulação
dos conhecimentos, das
atitudes, das aptidões e das
práticas que possam ser
vivenciadas e compartilhadas
com a sociedade, relacionadas
às questões da realidade.
O ambiente escolar é o local onde passamos boa parte da vida, e o ser
humano por mais cauteloso que seja está vulnerável a acidentes. Esta é a
realidade das pessoas que convivem no ambiente escolar que poderão passar
por situações em que o socorro deve ser imediato, pois nem sempre é possível
a chegada da equipe médica de atendimento emergencial. O educador ou
aluno poderá obter conhecimento para tomar atitudes imediatas em situações
de afogamento, hemorragias, fraturas,luxações,entorses,queimaduras e em
partos emergenciais.
Qualquer pessoa poderá ser
surpreendida por situações de urgência ou
emergência que envolva a integridade
física de um amigo, parente,
vizinho,colega de trabalho ou até mesmo
um desconhecido na rua. Estes
conhecimentos trarão subsídios para
proporcionar as vítimas um suporte de
vida seguro, pois a prestação de socorro,
além de um dever moral, é um dever legal
e sua recusa constitui crime de omissão
de socorro,previsto no artigo 135 do
código penal brasileiro.
Este método qualitativo dinamizado
em sala de aula, valoriza a vida e contribui
para a conscientização do educando, despertando o interesse e a participação
aos temas transversais, o que assegura o respeito à vida em sala de aula,
69
onde o lapso temporal entre o momento do acidente e o socorro faz a diferença
entre a vida e a morte.
Como Prevenir Acidentes no Ambiente Escolar
Não permitir a entrada de
alunos na cozinha.
Tomar cuidado para que
não haja vazamento de
gás e deixar sempre o
botijão em lugar arejado.
Nunca deixar o fogo
acesso sem que fique um
responsável no local.
Verificar sempre o prazo
de validade dos alimentos.
Evitar o uso de objetos quebrados ou rachados.
Manter sempre o lixo tampado, e dar a ele o destino correto.
Não tocar em fios, interruptores, tomadas ou aparelhos elétricos com as
mãos molhadas ou pés descalços.
Evitar o uso de tez e benjamins nas tomadas.
Os produtos de limpeza devem ser guardados em local apropriado,
sempre nas embalagens originais com identificação do produto.
Nunca reutilize frascos.
Materiais de conservação da escola, como martelos, pás, enxadas, entre
outros, também precisam de lugar apropriado para serem guardados, e
só devem ser usados por pessoas adultas que sabem fazer uso correto
dos mesmos.
Manter limpas as áreas externas evitando entulhos como pedras, tijolos
e madeira.
Aparar regularmente a grama e recolher folhas caídas, que se
acumulam excessivamente.
Escadas devem ter corrimão e piso antiderrapante.
Evitar subir em escadas, árvores e andaimes sem material de
segurança.
Sinalizar pisos molhados, e evitar andar sobre os mesmos.
Usar sempre calçado apropriado para a atividade que vai desenvolver.
Praticar atividades físicas sempre com cautela e calma.
Não andar pelo pátio com objetos de vidro ou pontiagudos.
Usar o laboratório sempre com a supervisão de um responsável
Observar atentamente as instruções de uso de qualquer substância que
se for fazer uso.
70
Fazer uso correto, de acordo som sua finalidade, do mobiliário da
escola.
Evitar improvisos, e pensar sempre duas vezes antes de executar
qualquer tarefa.
Sinalizar locais com maior incidência de acidentes.
Como Agir Frente a um Acidente
Tenha calma e firmeza para usar
os conhecimentos básicos de
Primeiros Socorros,respeitando
suas limitações.
Observe o local do acidente.
Verifique sua segurança e das
demais pessoas. Não se torne
mais uma vítima.
Peça para alguém ligar para o
socorro especializado, informando
o local do acidente, telefones de
contato e a situação da vítima, e
em seguida para a família da
vítima.
Procure tranqüilizar a vítima.
Execute somente o procedimento que souber fazer com segurança, para
evitar maiores complicações no estado da vítima.
Evite remover a vítima e só a transporte em último caso.
Aguarde no local o socorro especializado.
Tome cuidado com atitudes incorretas e precipitadas, isso pode agravar
a situação.
Monitore sempre os sinais vitais até a chegada do socorro.
71
PARA ONDE LIGAR
Corpo de Bombeiros .........193
Ambulância – SAMU ..........192
Polícia Militar.........................190
O que são Sinais Vitais
Os sinais vitais são
sinais que informam sobre o
estado da vítima. São eles:
Respiração: podemos
observar o ar que entra e sai
dos pulmões, pela expansão
do tórax, ou sentindo com
nossa face colocada próximo
do rosto da vítima.
Normalmente a freqüência
da respiração das crianças é de 15 a 30 por minuto e do adulto de 12 a 20 por
minuto.
Pulsação: podemos observá-la com mais facilidade no pulso ou na carótida
(artéria do pescoço), utilizando os dedos médios e indicador para pressioná-
los. A pulsação normal de uma criança é de 120 batimentos por minuto e de 70
1 80 em adultos.
Temperatura: O normal varia entre 36º e 36,5º, podendo ser notar com o tato
quando a pele esta muito fria ou muito quente, e pode-se observar se a pele
fica pálida ou arroxeada.
Consciência: Pode ser observada quando a vítima responde a perguntas
diretas que se faz a ela com clareza e lógica.
72
Como se proteger ao prestar socorro
Usar luvas de látex, ou
improvisar proteção para as mãos com
algum material impermeável, como
sacola de plástico, devidamente limpo.
Lavar bem as mãos com água e sabão,
após prestar socorro.
Evitar tocar os olhos, boca ou
nariz antes de lavar as mãos. Utilizar,
se possível, máscara de bolso ao
aplicar respiração boca-a-boca. Estar
sempre com a carteira de vacinação em
dia.
Como imobilizar uma vítima
Usando uma maca, duas toalhas enroladas para firmar a cabeça dos
dois lados e cintos para prender o restante do corpo. Em casos de suspeita de
lesão na coluna e pessoas inconscientes.
Usando talas, feitas com madeira, revista dobrada, cabo de vassoura ou
outro objeto firme que não se dobre e ataduras que envolvam o membro ferido
sem apertar muito para dificultar a circulação sangüínea.
Usando tipóia feita com um tecido
dobrado em forma de triângulo com as
pontas presas ao redor do pescoço, para
braços com suspeita de fratura.
Formas de transportar uma vítima
O transporte deve serfeito em
ambulâncias ou carro de
bombeiros. Em outros veículos
somente quando não houver outra
possibilidade, em baixa
velocidade evitando arrancadas
bruscas ou freadas.
Imobilizar todos os pontos
suspeitos de fratura.
Mantenha a vítima deitada.
Utilizar uma maca para deixar a
vítima totalmente imóvel, podendo
improvisar com uma tabua ou
porta de madeira. Ela serve para suspeitas de lesão na coluna, e para
pessoas inconscientes.
73
Utilizar transporte de apoio, para pessoas com leves ferimentos que
possam andar.
Para pessoas com ferimentos nos braços ou pernas pode-se utilizar o
transporte nos braços, ou em cadeirinha humana, pelas extremidades,
ou por cadeiras. Para pessoas inconscientes pode-se usar um lençol ou
lona para arrastar a vítima puxando a extremidade superior do mesmo.
Corpos estranhos na garganta
Um corpo estranho na garganta pode obstruir as vias aéreas de forma
incompleta, quando a
pessoa tem dificuldade de
respirar, porém o ar
continua passando. A
vítima emite sons. E
também pode obstruir as
vias aéreas de forma
completa, quando o ar não
passa impossibilitando que
a pessoa emita sons e
deixando a pele
arroxeada.
Procedimento
Acalmar a vítima e fazê-la tossir para expelir o corpo estranho.
Caso isso não ocorra procurar um médico.
Abraçar a vítima pelas costas posicionando as mãos acima do
umbigo dela.
Fazer compressões para dentro e para cima do abdome da vítima,
observando se o corpo estranho sai. Se não der resultado,
provavelmente a vítima ficará inconsciente por falta de oxigênio.
Então se deve providenciar rapidamente socorro especializado.
Enquanto o socorro não chega deve-se colocar a vítima em posição
de decúbito dorsal.
Posicionar as mãos sobre o umbigo da vítima, fazendo cinco
compressões, para dentro e para cima.
Abrir a boca da vítima e tentar localizar o corpo estranho que foi
expelido.
Procurar retirá-lo com o dedo indicador, protegido com luva, pela
lateral do objeto puxando de trás para frente. Porém, se o corpo
estranho não sair deve-se reiniciar as compressões abdominais.
74
Depois de retirar o objeto, fazer duas respirações artificiais. Se o
tórax não expandir reiniciar as compressões abdominais, pois ainda
pode haver um corpo estranho impedindo a respiração.
Na Pele
Corpos estranhos
encravados na pele podem
causar infecções, por isso
devem ser removidos
quando possível com uma
pinça, e depois o local deve
ser lavado com água e
sabão. Se o objeto estiver
cravado profundamente ou
estiver em local difícil de
ser retirado, deve-se
proteger o local com gaze e
encaminhar a vítima para o atendimento médico.
No Ouvido
Corpos estranhos
introduzidos no ouvido,
causam desconforto. Não
se deve tentar retirar um
corpo estranho com pinça
ou cotonete, isso pode
empurrar ainda mais para
dentro do ouvido, e afetar o
tímpano. A vítima deve ser
acalmada e encaminhada
para o médico. Se o corpo
estranho for um inseto
pode-se proceder da seguinte maneira:
Puxar a orelha da vítima para trás e dirigir um facho de luz para o canal
auditivo. Isso atrai o inseto. Caso o inseto permaneça no ouvido deve-
se procurar o médico.
Não colocar nenhuma substância líquida no ouvido, pois pode dificultar a
retirada do inseto pelo médico.
75
No Nariz
Corpos estranhos no nariz
podem ser removidos, fazendo a
pessoa inspirar pela boca, comprimir a
narina que está livre e expelir o ar pela
narina obstruída, sem muita força para
não causar ferimento. Caso o corpo
estranho não saia, deve-se procurar o
médico. Jamais introduzir qualquer
instrumento na narina, pois isso poderá
empurrar o corpo estranho ainda mais
para dentro.
Nos Olhos
Os olhos são órgãos
delicados que podem ser
atingidos por poeira, areia,
insetos ou pequenos corpos
estranhos, provocando irritação,
inflamação ou ferimentos mais
graves.
Procedimento
Lavar o olho com água
em abundância.
Proteger os olhos com
gaze ou pano limpo, para
evitar o movimento do
olho afetado.
Não deixar que a vítima esfregue o olho.
Não tentar retirar um corpo estranho que fique encravado no olho,
somente proteger com gaze.
Encaminhar sempre para um oftalmologista.
Se necessário chamar o atendimento especializado de urgência prestar
socorro.
76
Hemorragia
Hemorragia é um sangramento de forma descontrolada, que pode levar
a vítima à morte
rapidamente. Sua gravidade
depende de sua fonte.
Artéria: Sangue jorrando,
fluxo pulsátil, cor vermelho-
viva.
Veia: Fluxo lento e estável,
cor vermelho-escura.
Vasos: Fluxo lento e
uniforme.
Procedimento
Antes de atender a vítima, colocar luvas de látex, ou envolver as mãos
com outro material impermeável e limpo. Chamar socorro especializado.
Determinar a fonte do sangramento. Com um pano limpo, comprimir o
ferimento com firmeza por dez minutos, com a parte ferida elevada. Não
remover o pano ensopado. Deve-se sobrepor outro pano sucessivamente até a
chegada de socorro
especializado.
Hemorragia Nasal (Epistaxe)
É causada por rompimento
de vasos sanguíneos do nariz.
Procedimento
Acalmar a vítima e colocá-
la sentada e inclinar
levemente para frente.
Não deixar a vítima assuar o nariz. Pressionar a narina que sangra por
três minutos.
Aplicar compressa fria no nariz e na face.
Se o sangramento não parar, procurar o médico.
77
Desmaios
Ocorrem pela diminuição de sangue no cérebro. Pode ser causada por
falta de alimentação,
fadiga, ficar em lugares
abafados, emoção forte ou
perda de sangue. Tem
como sintomas a fraqueza,
tontura, escurecimento das
vistas, suor frio, palidez,
podendo perder a
consciência. Geralmente
são passageiros, mas se
forem causados por hemorragias ou traumatismo na cabeça tornam-se graves.
Procedimento
Colocar a vítima em decúbito dorsal, com os pés ligeiramente elevados.
Orientar a vítima para respirar profundamente.
Se estiver inconsciente, avaliar a respiração e a circulação e procurar
socorro especializado.
Enquanto a vítima estiver inconsciente e respirando deve-se colocá-la
na posição de decúbito lateral. Ao se recuperar de um desmaio a vítima
não deve levantar-se repentinamente ou andar de súbito, isso pode
ocasionar um novo desmaio.
Convulsões
Podem ter como
causas a epilepsia, febre
alta, intoxicações ou lesões
cerebrais. A vítima cai
inconsciente seu corpo fica
tenso e ela se debate
violentamente com
espasmos musculares,
durante dois a quatro
minutos.
Procedimento
Deixar a vítima
deitada e afastar todo o que puder machucá-la.
Retirar de seu corpo objetos que possam sufocar e machucar.
Afrouxar as roupas e deixar que ela se debata até os movimentos
pararem.
78
Colocar um pano sob a cabeça da vítima para que ela não se
machuque.
Não tentar abrir a boca da vítima.
Dar espaço para a vítima respirar.
Permaneça ao lado da vítima e chame socorro especializado, caso a
convulsão dure mais que quatro minutos.
Após a convulsão:
Lateralizar a cabeça para que a saliva escorra evitando engasgo.
Limpar as secreções salivares com um pano ou papel para facilitar a
respiração.
Observar se a respiração está adequada.
Se a vítima dormir, deixe-a na posição de decúbito lateral.
Não dar medicamentos para a vítima.
Chamar socorro especializado, ou encaminhá-la para o médico.
Queimaduras
São lesões provocadas por temperatura muito alta ou muito baixa,
produtos químicos, choques elétricos ou exposição ao sol. São classificadas
quanto a sua intensidade em:
Queimadura de 1º GrauDeixa a pele
avermelhada e ardida.
Envolve apenas a epiderme.
Procedimento
Lavar o local com
água da torneira, isso
alivia a dor.
Colocar compressas
frias.
Nas queimaduras
causadas por
exposição prolongada ao sol, deve-se dar bastante líquido para a vítima
se reidratar, colocar compressas frias na testa, e usar um hidratante.
Queimadura de 2º Grau
A pele fica rosada, dolorida e aparecem bolhas. Envolve a epiderme e a
derme.
Procedimento
Lavar com água fria e proteger o local com pano limpo.
Fazer compressas frias para aliviar a dor.
79
Não passar nenhum produto na queimadura e não estourar as bolhas,
isso pode acarretar infecções.
Dependendo da extensão da queimadura, procurar um médico
rapidamente.
Queimadura de 3º Grau
A pele fica esbranquiçada, endurecida, e indolor. A dor que a vítima
sente vem da queimadura de 2º e 1º grau que geralmente fica ao redor da
queimadura mais grave. Envolve todas as camadas da pele, gordura
subcutânea, músculos e ossos.
Procedimento
Dependendo da extensão da queimadura, chamar imediatamente o
socorro especializado.
Retirar roupas e outros objetos do corpo da vítima que não estiverem
grudados na pele. Resfriar o local com água e pano limpo.
Monitorar os sinais vitais, pois a vítima poderá entrar em choque e ter
uma parada respiratória.
Se a queimadura ocorrer por produtos químicos sólidos, deve-se retirar
o resíduo do produto, antes de lavar o local.
Choque Elétrico
É a passagem da
corrente elétrica pelo corpo,
que serve de caminho para a
corrente elétrica em direção
à terra. Ele pode causar
queimaduras, arritmias e até
mesmo a morte. Deve-se
lembrar que a água torna o
choque mais perigoso, e que
a corrente elétrica passa por
vários corpos que tiverem
algum contato.
Procedimento
Antes de socorrer a vítima, interromper a corrente elétrica. Quando isso
não for possível, chamar a central elétrica ou o corpo de bombeiros. Jamais
tocar em fios elétricos com as mãos. Se for necessário usar um cabo de
vassoura ou outro material que não seja condutor elétrico. Verificar se o
calçado usado tem solado de borracha. Após verificar todas as medidas de
segurança, observar os sinais vitais da vítima. Se houver queimadura usar os
procedimentos adequados. Chamar o socorro especializado.
80
Engasgo
Procedimento
A técnica indicada para
crianças de até sete anos é a
da tapotagem, que consiste
em inclinar o corpo da
criança para frente e com as
mãos em concha bater nas
costas até que o objeto seja
expelido pela boca.
Escoriação
É a lesão que atinge
apenas as camadas
superficiais da pele. São os
arranhões.
Procedimento
Lavar o ferimento com
água e sabão.
Se o ferimento estiver
muito sujo, colocar água
oxigenada no local e
enxaguar com soro
fisiológico ou água.
Secar com pano limpo.
Se houver algum vaso com sangramento, comprimir o local até o mesmo
cessar.
Proteger o local com gaze ou curativo pronto, apenas para proteger o
ferimento. Trocar o
curativo diariamente ou
quando estiver sujo
Se o ferimento estiver
inchado e com pus,
procurar atendimento
médico.
Contusão
É a lesão sem
rompimento da pele. Pode
81
ocorrer rompimento de vasos sanguíneos formando hematoma. O lugar fica
roxo, inchado e dolorido. Procedimento
Manter a parte contundida em repouso.
Aplicar compressa fria ou saco de gelo, sobre a pele protegida por um
pano limpo ou gaze para evitar queimaduras.
Se a dor for muito intensa deve-se procurar um médico, para verificar se
não houve fratura ou outro tipo de problema em órgãos internos.
Luxação
Nesta lesão as superfícies
articulares deixam de se tocar de forma
permanente. Provoca dor intensa,
deformação a nível de articulação,
impossibilidade de movimentos e
hematoma.
Procedimento
Não tentar colocar a articulação
no lugar, isso pode agravar o
problema. Imobilizar a
articulação luxada.
Encaminhar a vítima para
atendimento médico para verificar se não houve fratura.
Fratura
É a lesão em que
ocorre a quebra de um osso.
Ela pode ser uma:
Fratura Fechada: Quando
não há rompimento da pele,
provocando dor intensa,
deformação do local afetado,
incapacidade ou limitação de
movimento, edema do local
afetado. Pode ainda, ocorrer
hematoma e crepitação (sensação de ruído provocado pelo atrito das partes
fraturadas).
Fratura Aberta: Quando o osso quebrado perfura a pele, ficando visível.
82
Procedimento
Não tentar colocar o osso no lugar.
Movimentar a vítima o menos possível.
Imobilizar o membro fraturado, com talas que ultrapassem as
articulações acima e abaixo do local da fratura, na posição em que se
encontra.
Deixar dedos visíveis para observar qualquer alteração como inchaço,
dormência, arroxeamento. Se isso acontecer é preciso afrouxar a faixa
de imobilização.
Fraturas no antebraço devem ser imobilizadas com tipóia.
Providenciar atendimento médico rapidamente.
Intoxicação Alimentar
É provocada pela ingestão
de alimentos contaminados.
Provocam enjôo, vômito,
diarréia, sudorese, palidez, febre
e dores abdominais.
Procedimento
Manter a vítima deitada
após o vômito.
Não dar medicamentos
para interromper a
diarréia.
Ministrar o soro caseiro, feito com 200 ml de água filtrada ou fervida,
uma medida rasa de sal e duas medidas de açúcar (a colher medida é
distribuída em postos de saúde ou pela Pastoral da Criança, na sua falta
usa-se uma colher de sopa rasa de açúcar e duas colheres de café
rasas de sal). Procurar atendimento médico.
Picada de Insetos
Picadas de abelhas,
vespas, mamangabas e
formigas, geralmente causam
dor aguda, prurido, inchaço e
uma pápula dolorida no local.
Porém, algumas pessoas sofrem
reações alérgicas que causam o
choque anafilático. Para essas
pessoas uma picada pode levar
a morte.
83
Procedimento
Lavar o local, sem friccionar com água e sabão.
Retirar jóias ou objetos apertados antes que o local inche.
Colocar o local da picada abaixo do nível do coração.
Observar a vítima por trinta minutos, e caso apresente algum sintoma de
reação alérgica como náusea, vômito, prurido na garganta, tontura,
desmaio, urticária, ruborização, inchaço generalizado, dificuldade de
respirar ou engolir, cólicas abdominais, pressão arterial baixa, deve-se
procurar atendimento médico com urgência.
Febre
É a condição em que a
temperatura corporal está
acima de 37º. É causada por
infecção resultante de
bactérias ou vírus.
Procedimento
Deixar a pessoa
confortável e monitorar
a temperatura com um
termômetro, pois a
febre muito alta pode
provocar convulsões.
Dar líquidos leves para a pessoa ingerir.
Colocar compressas com água tépida sobre a testa da pessoa. Procurar
orientação médica
Dor de Cabeça
Qualquer doença
pode vir acompanhada
de dor de cabeça. Ela
pode ser o sintoma de
doenças graves como
meningite ou um
acidente vascular. Ela
surge sem razão
aparente causando
desconforto e até dores
insuportáveis que
impossibilitam a pessoa
de realizar suas tarefas normais.
Procedimento
84
Procurar orientação médica se a dor aumentar rapidamente, for forte e
impedir as atividades normais, for recorrente ou persistente, for
acompanhada de perde do nível de consciência, for acompanhada de
rigidez do pescoço, seguir-se de uma lesão na cabeça, provocar vômitos
e desmaios.
Não ministrar medicamentos que podem agravar determinadas doenças.
Colocar a pessoa em ambiente tranqüilo.
Usar compressa fria.
Controle de medicamentos no ambiente escolar
Sabemos quea administração de medicamentos só deve ser realizada
no ambiente escolar quando estritamente necessária. Há ainda escolas que
não realizam a administração e orientam os familiares a comparecer no horário
necessário para administrar o medicamento à criança.
A curiosidade infantil e
o apelo visual dos
medicamentos coloridos e
líquidos acondicionados em
frascos são um perigo à
saúde das crianças,
principalmente, na faixa etária
de 1 a 4 anos. Quando os
medicamentos são
armazenados de forma
incorreta ou não existe uma
política de administração o risco de intoxicação aumenta. Crianças nessa faixa
etária são muito curiosas e costumam colocar qualquer coisa na boca, por isso
a importância do armazenamento correto dos medicamentos. Os pais devem
entregar em mãos os medicamentos com a receita médica e orientações por
escrito para um responsável, que deve identificar e armazenar em local próprio
o medicamento e devolver no final do período.
Para as escolas que realizam quando estritamente necessário, algumas
recomendações são importantes:
Não permitir que os medicamentos cheguem até a escola através
das mãos ou mochilas das crianças, o recomendado é que um
profissional da escola receba diretamente das mãos dos
responsáveis. Essa medida simples poderá ser uma grande ação
preventiva de casos de intoxicação.
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Os medicamentos deverão ser recebidos devidamente identificados
com nome completo da criança, além de ser conferida a validade
(poderá ser utilizada uma etiqueta para esta finalidade).
Todos os medicamentos deverão ser armazenados longe do alcance
das crianças, preferencialmente em caixa plástica que possa ser
lavada, e os colaboradores tenham acesso para pegar o medicamento no
horário estabelecido.
A prescrição médica deverá acompanhar o medicamento, com letra
legível, além de uma anotação do responsável pela criança com
autorização para administrar o medicamento pela escola, dose e horário (essa
autorização poderá ser realizada por exemplo na caderneta do aluno).
Conferir a prescrição médica sempre, antes de oferecer o
medicamento ao aluno, junto com a anotação dos familiares, a fim de
evitar enganos.
Orientar os familiares (sempre que possível) para adequar o horário
das medicações para um padrão estabelecido pela escola, isso
poderá otimizar o trabalho dos educadores e reduzir as interferências nas
atividades pedagógicas.
Essa prática já é adotada por diversos estabelecimentos, inclusive
hospitais, confira abaixo um exemplo de horários para orientar os familiares:
Prevenção de Acidentes
Formar para prevenir
Crianças costumam ser
exploradores ousados, rápidos e
imprevisíveis que provavelmente vão
colocar qualquer objeto ou material na
boca e não possuem ainda noção de
perigo ao se movimentarem: rolam,
sobem, escalam, debruçam, mesmo
sob a supervisão atenta de um adulto,
todas essas situações expõem as
crianças há algum tipo de risco, ter
uma equipe preparada para atender
uma intercorrência é essencial para preserva a vida e a saúde da criança.
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A maneira mais eficaz de melhorar a segurança e prevenir acidentes é
investir no treinamento da equipe, e ter políticas voltadas à segurança e
prevenção de acidentes, que são essenciais para manutenção de um ambiente
escolar seguro.
A importância do Kit de Primeiros Socorros
Um kit de primeiros
socorros bem abastecido
poderá ajudá-lo no
atendimento de uma
ocorrência como queda,
trauma dental, ferimentos,
entre outras situações, além
de promover a proteção
pessoal com o uso de luvas.
Contendo materiais simples
como gaze, soro fisiológico,
atadura e fita adesiva, um
curativo pode ser realizado
protegendo o local de possíveis complicações.
Não é recomendado utilizar pomadas, spray´s antissépticos, ou outros
produtos no ambiente escolar, mesmo que as crianças e adolescentes já façam
uso destes em casa.
Se ocorrer uma sensibilização do local, ou uma reação alérgica a escola
terá que responder por essa situação, além de colocar em risco a saúde da
criança. Por isso os familiares deverão ser orientados sobre essa limitação,
pois ela é uma prática de segurança adotada pela escola, a fim de evitar
complicações e preservar a vida do aluno.
Abaixo a lista de materiais recomendados:
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Quais itens devem conter no Kit
de Primeiros Socorros?
Pacotes de gaze
Compressa de algodão de
10X15 cm
Ataduras de crepe de 10
cm
Micropore
Fita tipo Esparadrapo de
10 cm
Bolsa Termogel
Caixa de luvas tamanho M
Kit de talas moldável tipo
EVA
Almotolia de Sabão Líquido
Frasco de SF. 0,9% 250 ml
Caixa de Band-Aid
Tesoura sem ponta
Termômetro Digital
Aspirador Nasal
Frasco de Álcool 70%
Lençol ou toalha
Tipóia descartável
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REFERENCIAS
Aegis Treinamentos e Eventos
Arafaela Godoy
Atividades Educação Infantil
Baú das historias e Poemas
Blog da Marazilli
Blog desenvolvimento Infantil
Blog Marise Melo de Araujo
Blog WPensar
Brasil escola
Brasileirinhos
Cognifit
Compartilhando saberes da pós
CPT
Creche Segura
Delas. IG
Dia a dia educação
Direcional Escolas
Editora do Brasil
Efde Portes
Escola Curupira
Escola Web
Exame
Gestão Escolar
Instituto Alfa e Beto
MSD Manual
Mundinho da Criança
89
Mundo do ABC
Neuro Saber
Nova escola
Nova escola
Pedagogia ao pé da letra
Portal Educação
Portal Galego da Língua
Psicologado
Revista Educação infantil
Revista Fundação Aprender
Silvana Psicopedagoga
Só Pedagogia
Solo Infantil
TDAH.ORG
Tempo de Creche
Web Artigos