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Antifúngicos e antiparasitários

Conjunto de questões e comentários sobre antifúngicos e antiparasitários, cobrindo mecanismos de ação, indicações e efeitos adversos de azóis, griseofulvina, anfotericina B, cetoconazol, ivermectina, praziquantel e pirimetamina.

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ANTIFÚNGICOS E ANTIPARASITÁRIOS 
1- A candidíase vulvovaginal é uma doença recorrente que afeta cerca de 75% das mulheres no mundo durante 
toda sua vida. A candidíase vulvovaginal é uma doença recorrente que afeta cerca de 75% das mulheres no mundo 
durante toda sua vida. Julgue o item a seguir que é relacionado ao tratamento desse tipo de infecção, como V ou F: 
(V) Antifúngicos do grupo dos azóis, como Cetoconazol, o Fluconazol e o Miconazol, são eficazes no tratamento de 
candidíases por inibirem enzimas do P450 fúngica, responsável pela síntese de ergosterol, presente na membrana 
celular da Candida sp. 
R: Se há falha na síntese da membrana do fungo (ergosterol), há uma desestruturação da membrana, havendo morte 
do microrganismo → potencial fungicída. 
2- Sobre a Griseofulvida, assinale V ou F: 
(V) Seu mecanismo de ação consiste na inibição da mitose por sua ligação aos microtúbulos, também rompendo a 
organização do fuso mitótico. 
R: Fármaco se liga a tubulina (proteína importante no fuso mitótico → divisão), barrando a divisão como um todo → 
potencial fungistático. *Não é recomendado para profilaxia. 
(V) É contraindicada para gestantes por causar anormalidades fetais. 
3- Qual o fator que torna a Anfotericina B mais seletiva para células fúngicas do que para células humanas? 
A afinidade da anfotericina B pelo ergosterol é 500 vezes maior do que sua afinidade pelo colesterol. A ligação da 
anfotericina B ao ergosterol produz canais ou poros que alteram a permeabilidade da membrana do fungo e viabilizam 
o extravasamento de constituintes celulares essenciais, acarretando finalmente a morte da célula. A concentração de 
ergosterol associado à membrana em determinada espécie de fungo determina se a anfotericina B será fungicida ou 
fungistática para essa espécie. 
R: Seletividade (quimicamente mais seletivo para as células fúngicas que para as células humanas). Se liga diretamente 
ao ergosterol, formando poros, atuando sobre a membrana. 
4- A Anfotericina B pode causar anemia por qual mecanismo? 
A toxicidade hematológica da anfotericina B também é comum, e a anemia é provavelmente secundária à produção 
diminuída de eritropoetina. 
R: Extremamente nefrotóxica (não deve ser adm. com outros fármacos com potencial nefrotóxico – p. ex ciclosporina, 
cisplatina). O tecido renal é um dos principais responsáveis pela produção do hormônio eritropoetina que estimula a 
produção dos eritrócitos na medula óssea, portanto seu potencial nefrotóxico causa anemia. 
5- Por que o Cetoconazol tem sido recomendado para tratamento de pacientes com câncer de próstata avançado? 
Em doses terapêuticas, também inibe enzimas P450 17,20-liase e a enzima de clivagem da cadeia lateral em glândulas 
suprarrenais e gônadas, diminuindo, assim, a síntese de hormônios esteroides. Em altas doses, a inibição significativa 
da síntese de androgênios pode resultar em ginecomastia e impotência. Esse efeito adverso dependente da dose tem 
sido explorado terapeuticamente por alguns médicos que prescrevem cetoconazol para inibir a produção de 
androgênios em pacientes com câncer de próstata avançado, bem como para inibir a síntese de corticosteroides em 
pacientes com câncer suprarrenal avançado. 
R: Interfere na síntese de androgênios (relacionado com a dose) – utilizado em ciclos. Também pode ser utilizado em 
pacientes com tumores nas suprarrenais (diminuir a quantidade de corticoides produzidos nas suprarrenais). 
6- Por que a administração de Ivermectina pode ser mais tóxica em pacientes com meningite? 
A Ivermectina afeta a transmissão inibitória do GABA. Como a Ivermectina não atravessa a barreira hematencefálica, 
o fármaco é, em geral, bem tolerado. Quando a barreira hematencefálica torna-se permeável, como em pacientes 
com meningite, a Ivermectina pode ser mais tóxica, o que resulta em cefaleias, ataxia e coma. 
Obs: Aumenta a liberação do GABA e potencializa os receptores de glutamato → efeito inibitório no SN do parasita → 
paralisia do parasita. 
7- Praziquantel pode ser administrado para pacientes com insuficiência hepática? Explique. 
Mecanismo de ação: aumenta a permeabilidade de cálcio → contribui para uma contração exagerada → paralisia do 
parasita. 
R: Pode ser adm. em pacientes com insuficiência hepática, mas com adaptação da dose. A dose padronizada é 
fundamentada levando em consideração o metabolismo de primeira passagem. Em pacientes com insuficiência 
hepática, o metabolismo de primeira passagem é menos eficaz → mais fármaco não metabolizado chega na corrente 
sanguínea → como se tivesse adm. mais fármaco para o paciente (necessário ajuste de dose → dose menor). 
8- Qual o mecanismo de ação da Pirimetamina? 
Pirimetamina é análogo do folato que inibe competitivamente a di-hidrofolato redutase dos parasitos, enzima que 
converte di-hidrofolato em tetra-hidrofolato. Em combinação, sulfadoxina e pirimetamina atuam de modo sinérgico, 
inibindo o crescimento dos parasitos da malária. Combinações de sulfadoxina-pirimetamina são altamente eficazes 
contra estágios esquizontes sanguíneos do P. falciparum, mas não contra gametócitos, sendo menos efetivas contra 
outras espécies de malária. 
R: Inibe uma enzima importante na síntese de ácido fólico do parasita. Não conseguindo produzir seu folato, os 
parasitas não conseguem se replicar. 
9- Sobre a toxicidade e efeitos colaterais dos fármacos utilizados como antimaláricos, assinale F ou V: 
(F) Cinchonismo consiste em um conjunto de sintomas como zumbidos, cefaleia, náuseas e distúrbios visuais que estão 
tipicamente relacionados a utilização de Primaquina como antimalárico. 
R: EA característico da Quinina (antimalárico). Mecanismo da Quinina – interfere no metabolismo do parasita e resulta 
em acúmulo de elementos tóxicos para o microrganismo. 
(V) Primaquina pode induzir hemólise maciça e potencialmente fatal em indivíduos com deficiência de glicose-6-
fosfato desidrogenase (G6PD). 
R: Interfere na mitocôndria do parasita, facilitando a formação de compostos oxidativos. Esses compostos são tóxicos, 
levando o parasita à morte. Nossas células são protegidas desses compostos tóxicos pela glicose-6-fosfato 
desidrogenase (G6PD). Indivíduos com deficiência de G6PD têm limitada capacidade de proteger seus eritrócitos contra 
lesão oxidativa causada pela administração de Primaquina. Em consequência, este fármaco pode induzir hemólise 
maciça e potencialmente fatal em indivíduos com deficiência de G6PD. 
*Verificar se há deficiência da enzima G6PD antes de prescrever o fármaco. 
**Primaquina é efetiva apenas na forma eritrocitária. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ANTIFÚNGICOS 
- Azólicos: agentes antifúngicos que inibem a enzima do citocromo P450 que converte lanosterol em ergosterol. A 
diminuição da síntese de ergosterol gera a desestabilização da membrana fúngica e pode levar a sua morte celular. 
São subdivididos em 2 classes, imidazólicos e triazólicos. Os triazólicos de administração sistêmica tendem a ter menos 
efeito do que imidazólicos sistêmicos sobre a síntese de esteróis nos seres humanos, afetando em menor escala as 
células humanas. O desenvolvimento de novos fármacos tem sido direcionado principalmente para triazólicos. 
→ Cetoconazol: da classe dos imidazólicos. 
- Combate C. immitis, C. neoformans, Candida, H. capsulatum, B. dermatitidis. 
- Tratamento de câncer de próstata avançado e câncer de suprarrenal avançado: diminui a síntese de hormônios 
esteroides nas gônadas e nas glândulas suprarrenais, devido a inibição de enzimas P450 17,20-liase e a enzima de 
clivagem da cadeia lateral. 
- Uso tópico para tratar infecções comuns por dermatófitos e dermatite seborreica. Apresenta atividade anti-
inflamatória comparável a da hidrocortisona. 
→ Miconazol: da classe dos imidazólicos. 
→ Fluconazol: da classe dos triazólicos. 
- Agente antifúngico mais amplamente utilizado. 
- É um triazólico hidrofílico disponível em formulações oral e intravenosa.- Sua biodisponibilidade na forma oral é de quase 100% e sua absorção não é influenciada pelo pH gástrico. 
- Perfil de efeitos adversos relativamente baixo. 
- Utilizado no tratamento de candidíase sistêmica e meningite criptocócica. 
- Verifica-se rápido desenvolvimento de resistência fúngica a esse fármaco, principalmente com espécies de Candida. 
Esses mecanismos de resistência incluem a mutação das enzimas P450 fúngicas e hiperexpressão de proteínas 
transportadoras de efluxo de múltiplos fármacos. 
 
- Griseofulvida: inibidor da mitose dos fungos. Liga-se a tubulina e proteína associada a microtúbulos, rompendo, 
assim, a organização do fuso mitótico. Ação fungistática. 
- Utilizado em infecção fúngica de pele, cabelos ou unhas devido a Trichophyton, Microsporum ou Epidermophyton. 
- Contraindicações: gravidez (relatadas anormalidades fetais) e insuficiência hepática. Reduz potencialmente a eficácia 
de contraceptivos orais com baixo teor de estrógeno. 
- Anfotericina B: atua mediante a ligação ao ergosterol, causando a ruptura da estabilidade da membrana dos fungos. 
- A afinidade da anfotericina B pelo ergosterol é 500x maior do que sua afinidade pelo colesterol. A ligação do fármaco 
ao ergosterol produz canais ou poros que alteram a permeabilidade da membrana do fungo e viabilizam o 
extravasamento de constituintes celulares essenciais, acarretando a morte da célula. 
- A concentração de ergosterol associado à membrana em determinada espécie de fungo determina se a anfotericina 
B será fungicida ou fungistática para essa espécie. 
- Deve ser administrado por via IV. Em casos de doença meníngea grave pode administrar via intratecal 
(subaracnóidea). 
- Sua toxidade limita seu uso: “tempestade de citocinas”, toxidade renal e toxidade hematológica (anemia secundária 
à produção diminuída de eritropoetina). 
 
- Nistatina: tem como alvo seletivo o ergosterol da membrana celular dos fungos (Candida albicans), ligando-se a este 
esteroide, resulta na alteração da permeabilidade da membrana celular e consequentemente, extravasamento do 
conteúdo citoplasmático. 
- Disponível como creme vaginal. 
ANTIPARASITÁRIOS 
- Ivermectina: interrompe a atividade neuromuscular do parasita. 
- Aumenta a liberação do GABA e potencializa os receptores de glutamato → efeito inibitório no SN do parasita → 
bloqueio da transmissão neuromuscular → paralisia do parasita. 
- Quando a barreira hematencefálica torna-se permeável (e o fármaco a atravessa), como em pacientes com 
meningite, a Ivermectina pode ser mais tóxica, o que resulta em cefaleias, ataxia e coma. 
- Tratamento de oncocercíase, estrongiloidíase, larva migrans cutânea e escabiose. 
- Praziquantel: aumenta a permeabilidade da membrana do parasito ao cálcio, resultando em contração e paralisia do 
verme. 
- Tratamento de infecções causadas por cestódeos adultos (tênias) e trematódeos (fascíolas e esquistossomose). 
- Pacientes com insuficiência hepática: pode ser administrado, mas com adaptação da dose. Em pacientes com 
insuficiência hepática, o metabolismo de primeira passagem é menos eficaz → mais fármaco não metabolizado chega 
na corrente sanguínea → como se tivesse adm. mais fármaco para o paciente (necessário ajuste de dose → dose 
menor). 
- Pirimetamina: inibe uma enzima importante na síntese de ácido fólico do parasita. Não conseguindo produzir seu 
folato, os parasitas não conseguem se replicar. 
- Tratamento: malária, toxoplasmose e outras infecções por protozoários. 
- Primaquina: inibidora do transporte de elétrons. 
- Ataca formas hepáticas de malária causada por P. vivax e P. ovale, é utilizada para impedir a recrudescência dessas 
infecções. 
- Interrompe acentuadamente os processos metabólicos das mitocôndrias dos plasmódios, facilitando a formação de 
compostos oxidativos tóxicos, levando o parasita à morte. 
- Indivíduos com deficiência de G6PD têm limitada capacidade de proteger seus eritrócitos contra lesão oxidativa 
causada pela administração de Primaquina. Em consequência, este fármaco pode induzir hemólise maciça e 
potencialmente fatal em indivíduos com deficiência de G6PD → Confirmar a presença de atividade adequada de G6PD 
no paciente antes de administrar o fármaco. 
- Também pode ser utilizada como agente profilático. 
- Quinina: e Quinidina são utilizadas no tratamento de indivíduos com malária no estágio eritrocitário agudo, porém 
não são usadas de modo profilático. 
- EA: cinchonismo (zumbido, surdez, cefaleias, náuseas, vômitos e distúrbios visuais). 
- Piperazina: agonista do GABA → paralisia flácida. Facilita a eliminação do parasita vivo através das fezes. 
- Recomendada para infecção por vermes cilíndricos (helmintos). 
- EA: distúrbios gastrointestinais e prurido.

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