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CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
1 
 
 
Siderly do Carmo Dahle de Almeida 
Camilla Barreto Rodrigues Cochia Caetano 
Fabricio Ricardo Lazilha 
Ludhiana Ethel Kendrick Matos Silva 
 
(Organizadores) 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Conhecimento e Educação 
Volume 1 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Maringá – PR 
2016 
2 
 CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
3 
UNICESUMAR – CENTRO UNIVERSITÁRIO CESUMAR 
PÓS-GRADUAÇÃO EM EDUCAÇÃO 
MODALIDADE EAD 
 
Siderly do Carmo Dahle de Almeida 
Camilla Barreto Rodrigues Cochia Caetano 
Fabricio Ricardo Lazilha 
Ludhiana Ethel Kendrick Matos Silva 
 
(Organizadores) 
 
 
 
 
 
 
 
 
Conhecimento e Educação 
Volume 1 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Maringá – PR 
2016 
 
4 
 CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
 
EXPEDIENTE 
Reitor 
Wilson de Matos Silva 
Vice-Reitor 
Wilson de Matos Silva Filho 
Pró-Reitor de Educação a Distância 
Willian Victor Kendrick de Matos Silva 
Diretora de Pesquisa 
Ludhiana Ethel Kendrick de Matos Silva 
Diretor de Planejamento de Ensino 
Fabrício Ricardo Lazilha 
Diretora Operacional de Ensino 
Katia Solange Coelho 
Head de Projetos Educacionais e Inovação 
Camilla Barreto R. Cochia Caetano 
Gerente de pós-graduação - EAD 
Marcelo Cristian Vieira 
Coordenação de pós-graduação - EAD 
Siderly do Carmo Dahle de Almeida 
Professoras líderes de pós-graduação 
Andréia M. Zuliani Santos 
Sibele de Oliveira Pirasol 
 
Organizadores 
Siderly do Carmo Dahle de Almeida 
Camilla Barreto Rodrigues Cochia Caetano 
Fabricio Ricardo Lazilha 
Ludhiana Ethel Kendrick Matos Silva 
 
Conselho Editorial 
Andréia dos Santos Gallo; Fabricia Souto Cruz; 
Milene Harumi Tomoike; Nayara Emi Shimada; 
Patricia Parra; Valdelice dos A. Rasimaviko 
Rejani; Soraia Alves Feitoza Alves. 
Capa 
 Alvaro Martins Fernandes Junior 
 
Autores 
Alvaro Martins Fernandes Jùnior e Marlon J. 
Karvat; Andreia dos S. Gallo e Renata Carvalho 
de A. Campos; Andressa Schiavone P. A. 
Vieira e Ana Claudia A. Gomes; Edivana G. S. 
Antunes e Cleber B. da Costa;. Eliana Cláudia 
Graciliano e Camila G. da Silva; Fabrícia Souto 
Cruz e Terezinha S. dos S. Macedo; Fernanda 
C. B. Hernandez e Hildebrando P. Santos Filho; 
Franciele Muller Prado e Gracileno T. 
Pimentel; Gisele Soncini Rodrigues e Ângela 
M. E. Luíz; Gizeli Fermino Coelho e Marcio A. 
O. Macedônio; Helaine Patricia Ferreira e 
Luciana R. Meneguci; Isabela Quaglia Marques 
e Ivan Vitti; Márcio de Oliveira e Cristina 
Momoli; Renata Pedroso Leonel e Natalia L. de 
S. da Costa; Fabiane Carniel e Rejane Sartori; 
Marcia Maria Previato de Souza e Andrea 
Grano Marques; Siderly D. de Almeida e Maria 
Teresita Bendicho; Sonia Maria de C. Silva e 
Jane Haritov de Freitas; Valdelice dos Anjos 
Rasimaviko Rejani e Renata Mantelo Lachi. 
 
Comissão Científica 
Prof. Dra. Leocilea A. Vieira – UNESPAR - PR 
Prof. Dra. Dinamara P. Machado – UNINTER - PR 
Prof. Dra. Andrea G. Marques – UNICESUMAR - PR 
Prof. Dra. Rejane Sartori – UEM – PR. 
 
Revisão textual 
Valdelice dos Anjos Rasimaviko Rejani 
 
Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta obra 
pode ser reproduzida ou transmitida por qualquer forma 
e ou quaisquer meios ou arquivada em qualquer sistema 
sem permissão escrita da Unicesumar. 
 
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
João Vivaldo de Souza – Bibliotecário – CRB-9 – 1807 
Biblioteca Central Unicesumar 
A447c 
ALMEIDA, Siderly do Carmo Dahle de 
Conhecimento e Educação. ALMEIDA, Siderly do Carmo Dahle de; CAETANO, Camilla Barreto Rodrigues 
Cochia; LAZILHA, Fabricio Ricardo; SILVA, Ludhiana Ethel Kendrick Matos (Orgs.). Maringá-Pr.: CESUMAR, 
2016. 196 p. 
 
Contém Ilustrações e figuras 
Pós Graduação em Educação na modalidade EAD 
ISBN 978-85-459-0399-4 
 
1. Gestão do Conhecimento. 2. Educação. 
3. Aprendizagem. 4. Currículo. I. Título. CESUMAR. 
 
CDD 22ª. 370 
NBR 12899 – AACR/2 
 
 
 
 
http://ava.unicesumar.edu.br/user/view.php?id=150228&course=15556
http://ava.unicesumar.edu.br/user/view.php?id=150228&course=15556
 
CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
5 
SUMÁRIO 
 
 
GESTÃO ESCOLAR: A BUSCA EM APRIMORAR CONHECIMENTO E PROMOVER 
A DEMOCRACIA 
Alvaro Martins Fernandes Júnior e Marlon José Karvat .............................................. 9 
A PSICOPEDAGOGIA E O LETRAMENTO: INTERAÇÕES COM A BIBLIOTECA 
ESCOLAR 
Andréia dos Santos Gallo e Renata Carvalho de Albuquerque Campos ........................ 20 
O LÚDICO NA EDUCAÇÃO INFANTIL: BRINCAR, IMAGINAR E CRIAR 
Andressa Schiavone Pereira Aquaroni Vieira e Ana Claudia Assis Gomes .................... 30 
INTELIGÊNCIAS MÚLTIPLAS 
Edivana Gomes Severino Antunes e Cleber Balbino da Costa ...................................... 40 
A IMPORTÂNCIA DA FUNÇÃO DO PROFESSOR NO PROCESSO DE ENSINO E 
APRENDIZAGEM: A BUSCA PELA FORMAÇÃO SOCIAL DO ALUNO 
Eliana Cláudia Graciliano e Camila Gomes da Silva .................................................... 49 
PAPEL DO PROFESSOR DE LÍNGUA PORTUGUESA AO LIDAR COM ALUNOS 
QUE APRESENTAM TRANSTORNOS DE LINGUAGEM E DE APRENDIZAGEM 
Fabrícia Souto Cruz e Terezinha Soares dos Santos Macedo ....................................... 59 
A IMPORTÂNCIA DE POLÍTICAS PÚBLICAS EDUCACIONAIS PARA O NEGRO NO 
BRASIL 
Fernanda Carvalho Basílio Hernandez e Hildebrando Pereira Santos Filho .................... 66 
REGIÃO DE INTEGRAÇÃO METROPOLITANA DE BELÉM FRENTE AO PROCESSO 
DE EXPANSÃO URBANA 
Franciele Muller Prado e Gracileno Trindade Pimentel ............................................... 76 
TIC APLICADA A EDUCAÇÃO: EXPERIÊNCIAS COM O USO DE BLOG EM AULAS 
DE GEOGRAFIA 
Gisele Soncini Rodrigues e Ângela Marli Ewerling Luíz ................................................ 86 
A EDUCACAO TEOLOGICA NA ESCOLA BÍBLICA DOMINICAL E O PAPEL DA 
DIDÁTICA 
Gizeli Fermino Coelho e Marcio André Orso Macedônio .............................................. 95 
6 
 CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
 
ENTENDENDO A EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA: AS POSSÍVEIS DIFICULDADES DOS 
DISCENTES E SUA RELEVÂNCIA NO ENSINO NO PAÍS 
Helaine Patricia Ferreira e Luciana Ribeiro Meneguci ...................................................101 
A FORMAÇÃO DOCENTE E A INTERAÇÃO POR MEIO DAS NOVAS 
TECNOLOGIAS EDUCACIONAIS 
Isabela Quaglia Marques e Ivan Vitti............................................................................111 
A PESQUISA PARA O PROFESSOR DE EDUCAÇÃO INFANTIL 
Márcio de Oliveira e Cristina Momoli ..........................................................................119 
MOTIVAÇÃO: UMA NECESSIDADE NO AMBIENTE ESCOLAR 
Renata Pedroso Leonel e Natalia Lobo de Souza da Costa .........................................125 
A INFLUÊNCIA DA COMUNICAÇÃO ESCRITA NO PROCESSO DE ENSINO E 
APRENDIZAGEM DA EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA 
Fabiane Carniel e Rejane Sartori .................................................................................134 
A PRODUÇÃO TEXTUAL EM SALA DE AULA: UM INSTRUMENTO PARA O 
DESENVOLVIMENTO DO LETRAMENTO 
Marcia Maria Previato de Souza
 
e Andrea Grano Marques ...........................................144 
AS NOVAS TECNOLOGIAS E A ÁREA DA SAÚDE: EM FOCO A FORMAÇÃO 
PROFISSIONAL 
Siderly do Carmo Dahle de Almeida e Maria Teresita Bendicho ....................................155 
A IMPORTÂNCIA DO BRINCAR PARA A SOCIALIZAÇÃO NA EDUCAÇÃO 
INFANTIL 
Sonia Maria de Campos Silva e Jane Haritov de Freitas ...............................................166 
DOM QUIXOTE: UMA PROPOSTA PARA FORMAÇÃO DE LEITORES 
Valdelice dos Anjos Rasimaviko Rejani e Renata Mantelo Lachi .................................175 
INOVAÇÕES E MUDANÇAS NO PERFIL DO EDUCADOR INFANTIL 
Kethlen Leite de Moura e Dayara Lyanne Ribeiro da Silva ............................................188 
SOBREOS ORGANIZADORES ....................................................................................199 
SOBRE AS MADRINHAS ............................................................................................201 
 
 
 
http://ava.unicesumar.edu.br/user/view.php?id=150228&course=15556
http://ava.unicesumar.edu.br/user/view.php?id=188621&course=15557
 
CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
7 
APRESENTAÇÃO 
 
“Conhecimento e Educação” é uma obra coletiva que apresenta os 
melhores artigos produzidos pelos alunos dos cursos de pós-graduação em 
educação na modalidade a distância do Centro Universitário Cesumar – 
Unicesumar, no primeiro ciclo de orientações de 2016. 
 Esta obra representa o trabalho de alunos que buscaram traduzir em 
poucas páginas tudo aquilo que aprenderam no decorrer de seus cursos e o 
esforço de orientadores que visaram extrair de seus orientandos o seu melhor 
desempenho. Representa também a dedicação de uma equipe de “madrinhas” 
de cursos (professoras que compõe o conselho editorial desta obra) que foram 
incansáveis na busca por garantir a qualidade e o melhor atendimento aos 
professores e alunos envolvidos no processo de orientação. 
 Para que esta obra se efetivasse, importante salientar a contribuição dos 
Polos de apoio presencial, assim como a ajuda dos professores formadores; 
professores mediadores e tutores dos cursos de pós-graduação em educação na 
modalidade a distância da Unicesumar e, ainda, a colaboração de uma comissão 
científica que avalizou todo o processo. 
 Os temas eleitos por seus autores são atuais, de relevância e prioritários 
no contexto educacional e perpassam por todos os cursos de educação 
oferecidos pela Unicesumar: EAD e as Tecnologias Educacionais; Gestão 
Educacional; Psicopedagogia Institucional; Atendimento Educacional 
Especializado; Docência no Ensino Superior; Educação Infantil e Anos Iniciais do 
Ensino Fundamental; Metodologia do Ensino de Língua Portuguesa; Metodologia 
do Ensino de Matemática; Metodologia do Ensino de História e Geografia e 
Metodologia do Ensino de Artes. 
 Os alunos autores destes textos pertencem aos polos de São Bento do 
Sul – SC; Maringá – PR; Palmas – TO; Campinas – SP; Balneário Camboriú – 
SC; Salvador – BA; Belém – PA; União da Vitória – PR; Rio Grande – RS; 
Varginha – MG; Campo Mourão – PR; Sinop – MT; Guarapuava – PR; Itajubá – 
MG e São Vicente – SP. 
Boa leitura! 
 
Os organizadores 
 
 
8 
 CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
9 
GESTÃO ESCOLAR: 
A BUSCA EM APRIMORAR CONHECIMENTO E PROMOVER A DEMOCRACIA 
 
ALVARO MARTINS FERNANDES JÚNIOR
1
 
MARLON JOSÉ KARVAT
2
 
 
RESUMO 
 
No conceito de gestão escolar a escola deve ser organizada a partir da 
integração entre áreas e setores escolares, ao mesmo tempo que deve 
estabelecer bom relacionamento entre professores, alunos, pais e comunidade. 
Ao contrário do que acontecia no sistema tradicional de ensino, a Gestão 
Escolar, criada para superar o antigo regime, visa influenciar positivamente a 
escola em prol de um ensino de qualidade e da participação coletiva, assim 
como vem promover novos conceitos e valores associados à autonomia escolar 
e participação da sociedade nas decisões escolares. Sendo assim, a escola 
passou a ser considerada um sistema aberto, com identidade e cultura própria, 
capaz de reagir e intervir com eficácia no contexto escolar e social. Nessa 
perspectiva, o gestor deve se empenhar naquilo que envolve a gestão 
pedagógica, e a gestão dos resultados escolares, ou seja, o gestor deve atentar-
se para atividades que envolve capacidade administrativa, gestão financeira e 
relações pessoais. Enfim, a tarefa do gestor escolar é ter conhecimento 
pedagógico, garantir aprendizado de qualidade e gerir adequadamente os 
recursos financeiros. O artigo teve por objetivo geral identificar as mudanças 
ocorridas no contexto histórico das instituições até se chegar ao novo conceito 
de Gestão Escolar. 
 
Palavras-Chave: Gestão Escolar. Participação Coletiva. Ensino de Qualidade. 
 
1 INTRODUÇÃO 
 
A temática que envolve gestão escolar parece ser um desafio para o 
sistema educacional, pois tem o intuito de desenvolver um trabalho em equipe, 
de maneira democrática e participativa, onde todos os envolvidos podem 
contribuir com o processo educacional e de gestão. 
Nesse intuito, considera-se a gestão educacional um campo inerente à 
administração, mas que, detentora de uma natureza diferenciada, tem sua prática 
 
1
 Mestre em Gestão do Conhecimento nas Organizações pela UNICESUMAR – Centro Universitário 
Cesumar. Doutorando em Educação: Currículo pela PUC-SP. 
2
 Aluno do curso de Pós-Graduação em Gestão Escolar pela UNICESUMAR – Centro Universitário 
Cesumar- UNICESUMAR. 
10 
 CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
 
e quadro teórico orientados para a contrução de valores éticos e culturais que 
servem como aporte para o pleno exercício da democracia. 
O domínio dos conhecimentos da gestão escolar corresponde a 
especificidade das instituições educacionais e aos anseios da sociedade em 
geral. A gestão é historicamente construída e por isto, nunca se efetiva como um 
modelo pronto, mas, que está em constante transformação. Seu enfoque é 
interdisciplinar e seu entendimento só é possível a partir da percepção de 
influências econômicas, políticas, culturais e pedagógicas. 
Sendo assim, procura-se situar o leitor em uma linha teórica que 
contempla o estudo da Gestão Educacional brasileira a partir do momento em 
que se efetivou o aparecimento de uma esfera pública, por meio da qual os 
grupos representados em associações, partidos e outras entidades de classe, 
puderam defender seus interesses junto ao Estado. 
Esse conceito coincidiu com o alvorecer dos anos vinte, período em que 
o conceito de modernidade fertilizou no solo brasileiro, entrelaçando valores 
culturais difundidos pelos países norte-americanos e europeus. A partir desse 
momento a educação se constituiu em objeto condicionate da modernidade 
almejada e acredita-se que é somente a partir dela que a sociedade poderá 
acompanhar e compreender as mudanças socio-econômicas e o verdadeiro 
sentido das terminologias: democracia e cidadania. 
Partindo da ótica de que é a educação o principal eixo para promover a 
mudança da sociedade e a democracia, escolheu-se como título do artigo 
Gestão Escolar: a busca em aprimorar conhecimento e promover a democracia. 
A escolha do tema justifica-se pelo fato que as mudanças da sociedade 
moderna atingiram todos os setores, principalmente o sistema educacional, 
responsável pela formação do cidadão e pela difusão de conceitos e ideologias 
democráticas, que visam a participação coletiva e não mais privilegiam ações 
imperativas, características do sistema tradicional de ensino. 
O artigo foi elaborado com bases na pesquisa bibliográfica e como 
explica Silva (2002) essa pesquisa consiste na procura de referências teóricas, 
publicadas em livros, artigos, documentos etc., para que o pesquisador que 
procura explicar um problema a partir dos materiais pesquisados tome 
conhecimento e analise as contribuições científicas à temática em questão, indo 
além do que a realidade simplesmente mostra. 
Teve como principal objetivo contextualizar toda a comunidade escolar 
de que a prioridade da escola é aprimorar o conhecimento dos educandos, 
formando gerações de pessoas livres, conscientes, responsáveis, situadas na 
 
CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
11 
realidade em que vivem para nela intervir, no sentido de transformá-la 
democrática. No decorrer dos estudos e construção do artigo espera-se que os 
gestores tenham consciência de que é preciso, cada vez mais, ser qualificado, 
buscar conhecimento e estar preparado para acompanharas mudanças do 
mundo moderno, onde se privilegia o trabalho em equipe e a cooperação e, se 
considera as vontades da comunidade escolar. 
 
2 CONSTRUÇÃO DA POLÍTICA EDUCACIONAL: UM POUCO DE HISTÓRIA 
 
Segundo Lima et al (2003) o modelo republicano instituído no Brasil em 
1889 com a Proclamação da República; que teve como exemplo os países 
desenvolvidos da Europa e EUA; embasou seus ideais na garantia da cidadania, 
concretização mais especificamente quando todos os cidadãos passaram a ter 
direito ao voto. 
Entre os compromissos com o público, cujos direitos deveriam estar 
representados junto ao Estado, os republicanos, que queriam seguir os 
estereótipos franceses, mostravam-se a favor do ensino primário gratuito,porém, 
as inspirações europeias dominaram o contexto da república, sendo os 
cafeicultores os dominantes do poder político. 
Em novos moldes e em pleno processo de urbanização surgiu uma nova 
intelectualidade, a qual lhe é atribuída a missão de colocar em prática um projeto 
de reconstrução nacional, pois o domínio das oligarquias atrasava, prejudicava e 
impedia a resolução de problemas. 
Para Lima et al (2003) os princípios defendidos pelos novos intelectuais 
que queriam mudanças estavam embasados na efetivação de uma grande obra 
de reconstrução nacional, o sistema de educação é que seria responsável por 
essa reconstrução. Esses intelectuais não defendiam que o Estado se 
convertesse em agente exclusivo dessa mudança, mas que zelasse pelos 
condicionantes institucionais necessários à sustentação das reformas em âmbito 
nacional, mantendo-se em consonância com os princípios democráticos. 
Segundo Ribeiro (1998) paralelamente a essa corrente, outras se faziam 
presentes nas discussões que permeavam a educação brasileira, entre elas as 
ideologias defendidas pelos adeptos da Escola Nova, que defendiam o respeito à 
personalidade do educando, com a valorização da capacidade individual de cada 
um no desenvolvimento do processo de aprendizagem. Combatiam o 
automatismo do modelo tradicional, que por meio da imposição do 
12 
 CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
 
conhecimento não respeitavam a personalidade, capacidades, habilidades e 
especificadades dos alunos. 
A Escola Nova valorizava a ação educativa por meio de situações de 
jogos e outras atividades lúdicas que estimulassem a posterior observação, 
análise e generalização do desenvolvimento de projetos. Sobretudo, essa 
ideologia também valorizava os ideiais dos países europeus e dos EUA, o que se 
diferenciava, e muito, da realidade brasileira. 
Lima et al (2003) relata que ao assumir em 1930, Getúlio Vargas criou o 
Ministério dos Negócios da Educação e da Saúde Pública, encaminhado por 
Eduardo Campos e tinha por intuito a organização de uma política de educação 
nacional cujas diretrizes deveriam nortear as ações dos governos estaduais. 
Por fim, não teve êxito, pois devido à precariedade de espaço físico e de 
materiais, poucas escolas tinham condições de oferecer ensino de qualidade. 
Tornou-se evidente que a política educacional se converteu no centro das 
atenções do novo governo. Essa preocupação do Estado com a modernização 
assemelhou os interresses governamentais com aqueles defendidos pelos 
grupos civis reformistas. 
Lima et al (2003) menciona que nesse contexto, a gestão política da 
escola era concebida no movimento contraditório das forças que emergiam da 
sociedade civil. O caráter democrático ou não desta gestão é demonstrativo do 
poder de pressão que esta mesma sociedade exercia junto ao Estado. Quando a 
sociedade civil tem seus canais de representação lesados, por artifícios de 
grupos detentores do poder econômico ou por ditaduras, ocorre a centralização 
da gestão pública e a perda de seu caráter democrático. 
Outras inúmeras medidas também foram criadas no intuito de efetivar a 
Reforma de Francisco Campos, como a criação do Conselho Nacional de 
Educação, em 1931, e a ideia de criação do Plano Nacional de Educação. Nos 
anos seguintes, com a instituição do Estado Novo, o governo desarticulou os 
canais de representatividade da sociedade civil e as reformas pretendidas 
ficaram estagnadas. Foi somente em 1942, com a Reforma Capanema, que 
mantinha a dualidade (privado e público), que o Estado assumiu o dever de 
garantir o ensino primário gratuito e público e ampliar o Ensino Técnico 
profissionalizante. 
A partir de 1945, com a queda do governo getulista, o Brasil iniciou seu 
processo de redemocratização política,mas, a consolidação democrática só foi 
legitimada com a Constituição de 1946, que garantia a educação como direito de 
todos, afirmando ser responsabilidade dos poderes públicos, juntamente com a 
 
CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
13 
iniciativa privada, garanti-la em todos os níveis. Os defensores da escola pública 
centralizavam seus debates na gratuidade do ensino, deixando de lado a luta por 
um princípio pedagógico inovador. 
Em 1961, o governo lançou a primeira lei de Diretrizes de Bases da 
Educação Nacional, a Lei 4.024/61, que garantia a ligação da educação com o 
ensino privado e a garantia na distribuição dos recursos financeiros para a 
Educação Pública. 
A Lei 5.692/71 reformulou os ensinos de primeiro e de segundo graus e 
instituiu a obrigatoriedade do ensino na faixa etária que abrange entre os 07 e os 
14 anos, com a duração de 8 anos. Não se preocupava com a qualidade do 
ensino, a preocupação era somente em expandir termos quantitativos. A Lei 
7.044 de 1982, última tentativa de reforma do governo militar, deixou os 
estabelecimentos livres para oferecer, ou não, a habilitação profissional. 
Lima et al (2003) deixa claro que a grande questão que permeou os 
anos da ditadura militar foi pautada na perspectiva de construção da grande 
potência e não na construção da democracia ou políticas educacionais e sociais 
inclusivas. 
Nessa perspectiva, o fim do Regime Militar deu início a um período de 
grandes apelos participacionistas e por uma maior democratização da gestão da 
república e, consequentemente, por uma maior democratização da gestão da 
escola brasileira. 
Ao analisar o histórico brasileiro na década de 1980, é perceptível que 
alguns educadores são incasáveis na luta por uma escola gratuita, laica e de 
qualidade, pois num país com desigualdades sociais são proporcionais ao 
gigantismo do território nacional, a escola pública aparece, não raro, como única 
fonte de acesso à cultura e à instrução para a maioria da população. 
Na tentativa de aglutinar novas forças sociais em torno dos problemas 
educacionais e para tentar intervir no novo processo pós-ditadura, viu-se surgir a 
criação do Fórum Nacional em Defesa da Educação Pública, as discussões 
sobre uma nova Lei de Diretrizes e Bases. 
No jogo democrático, diversos são os intersesses e as forças sociais, 
que acabam, muitas vezes, sendo contraditórios. Assim, quando a LDB foi 
aprovada em 1996, pela Lei nº9.394, de forma geral, não agradou em diversos 
aspectos os educadores ligados ao Fórum. 
Quanto à gestão democrática pôde-se entende-la como uma autêntica 
novidade, sobretudo, após anos de ditadura durante as quais se aprofundaram 
14 
 CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
 
as raízes da centralização e do autoritarismo da gestão pública brasileira, 
principalmente nas escolas que viveram sob pressão e controle do modelo 
tecnicista. A previsão legal da gestão democrática permitu ampla e profunda 
discusão sobre a descentralização da gestão escolar, desde os órgãos 
superiores até as bases, que são as escolas e as salas de aula. 
 
2.1 AUTONOMIA ESCOLAR 
 
Para Shiroma (2002), as decisões sobre a estruturação da educação 
brasileira sempre foram centralizadas no Governo Federal, mesmo naquele 
legitimado pelo voto popular, a regra foi a imposição de planejamentos 
educacionais de cima para baixo. No mesmo viés, seguiram as políticas 
educacionais do Ministério da Educação e Cultura- MEC, desenvolvidas de 
forma centralizadora, hierarquizada, raramente discutindo com as bases, isto é, 
com as escolas e os educadores. 
A politica curricular veiculada por meio dos Parêmetros Curriculares 
Nacionais, apesar de seu aparente caráter de sugestão traz na realidade uma 
certa imposição daquilo que deve ser trabalhado como conteúdo nas salas de 
aula pelos professores, que sequer foram consultados, mas se viram na 
eminência de trabalharem com uma proposta que passava longe de suas 
realidades, necessidades e possibilidades. 
Segundo Rocha (1998), o preceito constitucional por si só não garante 
ao educador, mesmo que compromissado e bem fundamentado, pôr em prática 
um plano de ação autônomo e responsável, cujo princípio básico seja a 
educação para a cidadania. 
O artigo 15 da LDB afirma esse fato quando menciona: 
 
Os sistemas de ensino assegurarão às unidades escolares públicas de 
educação básica que os integram progressivos graus de autonomia 
pedagógica e administrativa e de gestão financeira, observadas as normas 
gerais de direito financeiro público. (BRASIL, 1996). 
 
Com isso, fica estabelecido em lei que cada escola pode propor o 
encaminhamento pedagógico que julgar conveniente, e de acordo com a 
realidade sócio-cultural em que está imersa, garantindo assim, o cumprimento 
de sua função pública de formação e instrução. 
Nessa perspectiva, ganha importância a reflexão sobre a organização de 
um currículo que possibilite à escola ocupar o seu lugar, colocando o que é 
 
CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
15 
próprio dela, sem perder de vista as diretrizes gerais responsáveis em dar 
unidade ao currículo do ensino fundamental no país. A tarefa requer, dos 
professores, um esforço conjunto de reflexão sobre todos os aspectos internos e 
externos que condicionam a seleção e organização de conteúdos curriculares, 
que tenham como base as questões sociais. 
A atual LDB apresenta ainda alguns artigos que asseguram o espaço 
decisório da escola quanto a definição da proposta pedagógica. O Art. 12 prevê 
que: 
 
Os estabelecimentos de ensino, respeitadas as normas comuns e as do 
seu sistema de ensino, terão a imcumbência de elaborar e executar sua 
proposta pedagógica, bem como de informar aos pais e responsáveis 
sobre a execução de sua proposta pedagógica (BRASIL, 1996). 
 
Assim, cabe à comunidade escolar ser informada sobre os princípios 
pedagógicos a que está submetida a clientela escolar. 
Logo em seguida, o Art. 14 fala da gestão democrática e determina a 
participação dos profissionais da educação na elaboração do projeto pedagógico 
da escola e, nessa perspectiva, as decisões centralizadas no diretor cedem 
espaço ao resgate da função social da escola por meio da participação de 
professores e comunidade. 
A lei por si só não basta. É preciso disposição daqueles que lidam com 
educação e implementar na prática a previsão legal. Isso significa rever posturas 
e competências, pois só pode propor o novo aquele que compreende as 
transformações sociais e trabalha na sua direção. 
Nessa ótica, ao mesmo tempo em que a autonomia permite a 
concretização de planos e projetos almejados; recai sobre a unidade escolar e 
sobre os educaores as cobranças dos resultados de tais iniciativas. Sem dúvida, 
o conjunto social cobrará, com razão, sua função social de instituição 
responsável pela socialização das realizações humanas. 
Considerando a autonomia como princípio de gestão, essa oferece ao 
sujeito oportunidades de participar de todo o processo, principalmente nos 
momentos de decisão, momentos em que se discute, analisa e propõe soluções 
em conjunto. Nessa ótica, a autonomia se destaca como base para o 
planejamento, organização e distribuição de recursos (dinheiro, tecnologia, 
materiais, poder, pessoas, tempo), juntamente com a comunidade local. Assim, 
as escolas passam a ser consideradas espaços democráticos, onde há 
16 
 CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
 
confronto de idéias, conceitos e interesses, e ao mesmo tempo se torna espaço 
onde todos os sujeitos tem voz e podem participar das ações educacionais. 
Dessa maneira, Barroso (1996) menciona que o grande desafio para a 
gestão escolar volta-se para a questão da lógica organizacional a ser adotada 
para que proporcione melhores condições e oportunidades para a formação dos 
sujeitos envolvidos no processo de ensino e aprendizagem. Sendo assim, o que 
se almeja é a aceitação da existência de modalidades organizacionais 
diferenciadas, mas que visem o bem comum e da coletividade. É preciso que a 
escola busque equilíbrio e participação entre os pares, descentralize o poder de 
decisão e viabilize opções para que se alcance os objetivos propostos pela 
gestão escolar. 
Considera-se que se a escola não dispor de uma gestão participativa, a 
construção de um projeto político pedagógico representativo será complicado, 
para não dizer impossível, isso porque, de um lado é um projeto a que se adere 
espontaneamente; por outro lado, a participação é a própria essência desse tipo 
de projeto, porque sua elaboração depende de diversas opiniões. 
A gestão democrática do ensino público tem se constituído em um 
grande desafio que inclui a autonomia, participação e decisão compartilhada 
com todos os atores que convivem no espaço escolar, pois a organização da 
gestão escolar exige conhecimento e adoção de alguns princípios básicos, que 
condizem com a realidade da comunidade escolar, entre eles pode-se destacar a 
relação entre diretor e participação dos sujeitos, planejamento das atividades, 
formação continuada para a comunidade em questão, análise e resolução de 
problemas, democratização das informações e avaliação institucional, a qual vai 
revelar a atuação da gestão e o que precisa mudar para conseguir alcançar os 
objetivos propostos. 
Nesse contexto de democratização, Neves (1998) menciona que o 
Projeto Político Pedagógico (PPP) é o principal documento da escola e, portanto, 
deve ser elaborado coletivamente, pois é o planejamento geral da escola e 
envolve todas as decisões sobre a organização escolar, desde os procedimentos 
mais elementares até a definição dos pressupostos-metodológicos que darão 
sustentação à proposta curricular. 
A necessidade da construção de um planejamento global para a escola 
deve ser sentida por todos, do contrário, corre-se o risco de ser mais uma tarefa 
que se materializa somente pelo modismo, ou pelas exigências superiores e não 
pela tomada de decisões do coletivo da escola. 
 
CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
17 
Para Neves (1998), o projeto que não tem em sua essência a 
participação e o trabalho coletivo não encontra adesão necessária para a 
transformação da realidade educacional, rica em contradições, limites e 
potencialidades. O que determina a natureza do PPP é a coletividade, tendo 
como membros alunos, professores, merendeiras, auxiliares de serviços gerais, 
bibliotecários, secretários, especialistas em assuntos educacionais, pais, 
diretores, conselhos, deliberativos e Associação de pais e professores. 
O Projeto Político Pedagógico não é um documento pronto e acabado, 
mas em produção permanente, onde se faz necessária a constante realização de 
reflexões, diagnósticos e replanejamentos. Isso porque um projeto 
verdadeiramente democrático implica uma constante reflexão orientada pelos 
princípios elementares de justiça social, igualdade e solidariedade humana. 
Neves (1998) ainda afirma que o papel político da educação precisa ser 
constantemente relembrado, tendo em vista as pressões do conformismo, da 
persistência da neutralidade e da naturalização das desigualdades sociais. 
 
2.2 ELEIÇÃO PARA DIRETORES: O QUERER DA COMUNIDADE 
 
De acordo com Lima (2003), a democratização da gestão passa pelo 
provimento do cargo de diretor de escola, evidentemente que esse não é o único 
elemento a ser considerado na questão, mas, sem sombra de dúvida, éo 
começo de tudo. O modelo brasileiro possibilita três formas de provimento do 
cargo de diretor de escola pública: por indicação do Poder Executivo; por 
concurso público; ou por eleição direta da comunidade escolar. 
Devido ao posicionamento de alguns governantes de que o diretor da 
escola, pela natureza e responsabilidade pública da função, é de fato um cargo 
de confiança da comunidade escolar tem imposto sobre essa mesma 
comunidade a arbitrariedade da indicação política, resquício da tradição 
clientelista da política brasileira. 
A eleição direta para diretor de escola pública é um passo importante 
para democratização da gestão escolar, pois permite à comunidade escolar 
saber primeiro o conhecimento prévios dos candidatos. Por outro lado, mesmo 
que algum candidato consiga ludibriar o eleitorado, como também é normal no 
processo democrático, a gestão será julgada e reprovada pelo próprio colégio 
eleitoral, o que não poderia ocorrer no caso de indicação ou por concurso. 
18 
 CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
 
Outro aspecto importante é que durante o processo eleitoral os diversos 
projetos educativos vão sendo criados pelos eleitores, fortalecendo a 
democratização do espaço escolar. De forma ampla, democratizar significa, 
primeiramente, a partilha das decisões. No caso da escola, para bem da gestão 
democrática, o poder de decisão precisa ser partilhado e o Conselho Escolar 
apresenta-se como ferramenta essencial nesse processo. 
De acordo com Vieira (2002), ao implementar a eleição de diretores nas 
escolas vem construindo, a partir de uma conquista e tendência histórica voltada 
à participação dos sujeitos que compõem a instituição escolar nos 
determinantes de sua gestão, uma contribuição para a reflexão e o aprendizado 
sobre a prática da democracia. Assim, a escola trabalha como mediadora do 
conhecimento, partindo do senso comum e do conhecimento empírico para o 
conhecimento científico, desenvolvendo o processo de ensino e aprendizagem 
do educando. 
Enfim, para Lima et al (2003), é preciso buscar a participação de toda a 
comunidade escolar no resgate da credibilidade e da qualidade do ensino da 
escola pública propondo através do Projeto Político Pedagógico e outros projetos 
pedagógicos a participação e o envolvimento de toda a comunidade escolar para 
a execução do trabalho pedagógico. 
De maneira geral, o gestor deve promover o desafio de trazer os pais e a 
sociedade para a escola, pois quando família e comunidade se envolvem no 
processo educacional o rendimento dos alunos melhora consideravelmente. 
 
3 CONSIDERAÇÕES FINAIS 
 
Para que se possa ter uma escola pública de qualidade e com eficácia, 
torna-se necessário que ela seja gerida com competência, agilidade, criatividade 
e entusiasmo. A escola é um local de ensino e aprendizagem e cabe ao 
professor a grande responsabilidade de, em todas as suas aulas e em todos os 
momentos de permanência, na objetividade e na interdisciplinaridade a garantia 
para aprendizado de seus alunos. É função do gestor acompanhar o processo de 
ensino e aprendizagem da escola em que atua e, com espírito de liderança, 
organizar sua equipe de trabalho em prol de uma aprendizagem adequada e 
condizente com as exigencias da sociedade vigente. 
O clima organizacional de uma escola é um dos fatores decisivos para o 
bom funcionamento da escola. Um bom clima de trabalho favorece a motivação 
da equipe e aumenta o compromisso da comunidade educativa com a qualidade 
 
CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
19 
de ensino, pois a escola é um espaço institucional em permanente construção; 
deve ser agente das transformações sociais e políticas, participação, integração 
e interação de todos que se sentem comprometidos com a transformação da 
sociedade. 
A qualidade da educação é que permitirá o avanço do sujeito na 
sociedade, as habilidades e conhecimentos ministrados devem ser constituídos 
de maneira progressiva para que o indivíduo possa ter condições de escolha 
entre a formação para o trabalho ou a contiuação dos estudos superior para 
proporcionar novas oportunidades de vida. Com o propósito de melhorias dentro 
das instituições de ensino, o Projeto Político Pedagógico e o plano de gestão 
veio ao?? encontro à democratização onde a comunidade terá sua participação 
efetiva na promoção e melhoria da qualidade do ensino. 
 
REFERÊNCIAS 
 
BARROSO, J. O estudo da autonomia da escola: a autonomia decretada à 
autonomia construída. IN: BARROSO, J. O estudo da escola. Portugal: Posto 
Editora, 1996. 
 
LIMA, Adriana Carmo Breve; et al. Organização e Gestão da Escola Brasileira. 
Florianópolis: UDESC/CEAD, 2003. 
 
NEVES, Carmen Moreira de Castro. O projeto pedagógico da escola na lei de 
diretrizes e bases. IN: SILVA, Eurides Brito (Org.). A educação Básica pós-LDB. 
São Paulo: Pioneira, 1998. 
 
RIBEIRO, Maria Luisa Santos. História da Educação Brasileira: a organização 
escolar. Campinas: Autores Associados, 1998. 
 
ROCHA, Ana Bernardes da Silveira. O currículo do ensino fundamental e a Lei 
9.394/96. IN: SILVA, Eurides Brito (Org.). A educação Básica pós-LDB. São 
Paulo: Pioneira, 1998. 
 
SHIROMA, Eneida Oto. Política Educacional. 2. ed. Rio de Janeiro: DP&A, 2002. 
 
SILVA, Marise Borba; GRIGOLO, Tânia Maris. Metodologia para iniciação à 
prática da pesquisa e da extensão II. Florianópolis: UDESC/FAED/CEAD, 2002. 
 
VIEIRA, S.L. Eleição de diretores: o que mudou na escola? Brasília: Plano, 2001. 
 
 
20 
 CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
 
A PSICOPEDAGOGIA E O LETRAMENTO: 
INTERAÇÕES COM A BIBLIOTECA ESCOLAR 
 
ANDREIA DOS SANTOS GALLO
1
 
RENATA CARVALHO DE ALBUQUERQUE CAMPOS
2
 
 
RESUMO 
 
Ao refletir sobre a metodologia utilizada durante o letramento na escola e os 
recursos bibliográficos e lúdicos da biblioteca escolar utilizado durante esse 
processo, o presente trabalho propôs como o psicopedagogo institucional pode 
orientar e intervir sobre as práticas pedagógicas vivenciadas pela escola e suas 
ações durante o processo de alfabetização e letramento utilizando a biblioteca 
escolar como recurso pedagógico e mediador no processo de ensino e 
aprendizagem da prática da leitura. A partir de intervenções psicopedagógicas, 
os educadores e professores podem interagir de forma a potencializar os 
resultados de aprendizados dos alunos em processo de letramento e também 
efetivar a prática da leitura nas séries posteriores. 
 
Palavras-Chave: Psicopedagogia Institucional. Letramento. Leitura. Biblioteca 
Escolar. 
 
1 INTRODUÇÃO 
 
 A partir da observação participante da prática de bibliotecário escolar 
com especialização em psicopedagogia atuante em uma escola pública, o 
presente trabalho, traz abordagens psicopedagógicas desta prática diária, em 
conjunto com o corpo docente escolar, e comenta os resultados adquiridos no 
processo de letramento de alunos dos anos iniciais do ensino fundamental. 
 Com as leituras que fundamentam esse estudo respondeu-se como a 
biblioteca escolar pode ser utilizada pelo psicopedagogo durante o processo de 
letramento e a interação entre professores e biblioteca escolar? Essa interação é 
válida? 
 Com essa experiência foi possível entender a importância da ação do 
psicopedagogo institucional, o qual poderá atuar com professores no processo 
de letramento, interagindo com o bibliotecário e a biblioteca escolar. 
 
1 
Mestranda em Gestão do Conhecimento nas Organizações - UNICESUMAR, Especialista em 
Psicopedagogia Clinica e Institucional - UCP, Graduada em Artes Visuais - UEM e em Pedagogia. 
2
 Graduada em Letras– UEM. Agente Educacional II, na função Técnico em Biblioteconomia pelo 
Governo do Estado do PR. Contadora de Histórias pelo projeto “De Caso com a Palavra” pela 
Biblioteca Pública do Paraná. 
 
CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
21 
 Primeiramente fez-se uma breve retomada da importância do 
psicopedagogoinstitucional e sua forma de atuação na escola. Depois, a fim de 
compreender como ocorre o processo de letramento, foi revisto como foi 
construída historicamente a aquisição da linguagem, os “métodos de 
alfabetização” e como era “construído” o leitor. Foi possível uma reflexão 
sobre a importância pedagógica da biblioteca escolar seguido de algumas 
situações onde o bibliotecário psicopedagogo se fez atuante utilizando-se dos 
mais diferentes gêneros textuais, do lúdico e práticas próprias da biblioteca 
escolar na promoção da leitura e da oralidade, auxiliando o aprendente leitor a 
compreender o mundo e desenvolver sua criticidade. 
 
2 COMO ATUA O PSICOPEDAGOGO INSTITUCIONAL 
 
 Destaca-se a importância de compreender como a psicopedagogia 
institucional desenvolve seus estudos a fim de entender como se ocorre o 
processo de construção do conhecimento humano, desenvolvendo seus 
estudos, aprimorando-os e teorizando-os a partir de suas práticas (OLIVEIRA, 
2014). 
 De acordo com Bossa( 2000), o profissional psicopedagogo na escola 
deve compreender as falhas no processo de aprendizagem e atuar junto aos 
profissionais dessa instituição a fim de intervir, prevenir, diagnosticar e 
acompanhar os alunos com dificuldade de aprendizagem.. 
 Segundo Oliveira (2014) caberá ao profissional psicopedagogo, a partir 
de suas investigações, compreender de que maneira sua atuação aliada aos 
outros campos do conhecimento permitirá seus próprios objetos de estudo e 
instrumentos para colocá-los em prática. Sendo este responsável por suas 
próprias teorias em prol da aprendizagem, ele deve estar atento às inúmeras 
possibilidades de construção do conhecimento. 
 
 
A psicopedagogia no contexto atual, caminha com o objetivo de contribuir 
para uma melhor compreensão do processo de aprendizagem do sujeito 
cognoscente. Seu caráter interdisciplinar denota especificidade como área 
de estudo do conhecimento em outros campos e criando seus próprios 
objetos de estudo, campo de atuação, corpo teórico e seus instrumentos 
(OLIVEIRA, 2014, p. 18). 
 
 De acordo com a Associação Brasileira de Psicopedagogia (2003), o 
psicopedagogo também deve levar em consideração as dificuldades que 
influenciam diretamente no processo de construção da aprendizagem dos 
22 
 CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
 
sujeitos: seja em suas relações sociais, com a família, com a escola, ou ainda 
com fatores externos. 
 Ao atuar de forma preventiva o psicopedagogo deve desenvolver 
trabalhos que permitam a integração entre o que se sabe e o que se faz e sente. 
“É necessário um trabalho que envolva o âmbito grupal, visualizando nele os 
sujeitos cognitivos, afetivos, sociais e biológicos em movimento” (OLIVEIRA, 
2014 p. 34). Neste estudo, a atenção deve se voltar para a importância da 
formação do leitor na escola, local que ocupa um grande espaço na vida social 
da criança, onde poderá ser capaz de assimilar, compreender e interpretar o que 
lê, com independência na medida em que é influenciada por professores 
habilidosos, tornando-se um leitor crítico (SANDRONI e MACHADO, 1991). 
 
2.1 DA ALFABETIZAÇÃO AO LETRAMENTO 
 
 Em seu livro “Metodologia da alfabetização”, Valle (2013) faz um relato 
sobre como se dava a educação de alfabetização no Brasil, descrevendo esses 
chamados como “métodos de alfabetização”. Segundo Valle (2013, p. 55), 
esses métodos foram utilizados de forma a “sistematizar as ações pedagógicas 
em prol da alfabetização das crianças”. Construídos com base em duas 
concepções: quanto ao que é linguagem e de como a criança aprende. 
 Valle (2013) destaca basicamente dois métodos de alfabetização: o 
analítico e o sintético. O método analítico, segundo a autora, inicia o processo de 
alfabetização por uma palavra, frase ou uma história, a qual apresenta uma 
palavra-chave, que desencadeará o estudo das letras e dos sons que compõem 
a palavra escolhida. Neste método a alfabetização estará completa quando a 
criança conhecer todas as famílias silábicas. 
 No método sintético, de acordo com Valle (2013, p. 56) “a alfabetização 
partia das menores unidades da língua (letras, fonemas e sílabas) para as 
maiores (palavras e frases). Neste a alfabetização ficava restrita ao 
reconhecimento das letras e de seu valor fonético”. 
 Ambos os métodos, analítico e sintético, combinados formavam o 
método misto, o qual, segundo a autora, determinava o método a ser aplicado 
por concepção teórica que estivesse em destaque e, independente do método 
escolhido, a sistematização levaria o aprendente a ideia de decodificação. 
 Paulo Freire (2005) criticou a alfabetização como um processo de 
memorização mecânica e ensino puro da palavra, sílabas ou letras, mas 
valorizou esse processo como uma interação entre alfabetizador – alfabetizando, 
 
CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
23 
onde a criatividade deve ser o fator essencial para a conclusão do processo da 
construção da linguagem. Freire afirmou ainda que em sua prática, “A 
alfabetização é a criação escrita da expressão oral, cuja montagem não pode ser 
feita pelo educador para ou sobre o alfabetizando. Aí tem ele um momento de 
sua tarefa criadora”. (FREIRE, 2005, p. 19). 
 Valle (2013, p. 65), ressalta que, “não só no Brasil, mas em todos os 
países que utilizaram os métodos como bases de alfabetização”, tiveram alunos 
que sabiam ler e escrever, mas não conseguiam compreender tudo o que liam e 
não escreviam muito mais do que frases soltas. Os atualmente chamados 
“Analfabetos Funcionais”. 
 O conceito de Analfabetismo Funcional foi pela Organização das Nações 
Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), em 1978, e fazia 
referência às pessoas que mesmo sabendo ler e escrever não conseguiam usar 
a linguagem escrita na vida cotidiana delas como instrumento de melhoria 
profissional, já que nem sempre compreendiam o que liam. 
 De acordo com Valle (2013, p. 67) “A Alfabetização só começa a ser 
concebida sem métodos a partir da década de 1980, quando foi retirada a ênfase 
do como se ensina” e focaram no “como se aprende”. E que, “atualmente, 
conclui-se que apenas saber ler e escrever, não é o suficiente para alguém ser 
considerado alfabetizado”. Surge então, outro novo conceito que ganhou forças 
na educação: o letramento (VALLE, 2013, p.79). Ao compreender a relação do 
letramento à prática educativa diária em que são alfabetizadas crianças que não 
apresentam dificuldades de se apropriarem dos meios da escrita, entende-se 
como leitoras as crianças que após passarem pelo letramento são leitoras e 
produtoras de textos (VALLE, 2013). 
 
2.2 A EVOLUÇÃO DA PRÁTICA DA LEITURA 
 
 A prática da leitura também passou por evoluções, Paulo Freire (2005, 
p. 20) afirmou que “a leitura é algo que se movimenta”. A palavra movimenta o 
mundo através da leitura que faz dele, pois este está sempre em transformação e 
cabe a aos envolvidos no processo escrevê-lo e reescrevê-lo, transformando-o 
através da prática consciente. 
 De acordo com Paulo Freire (2005, p. 16), a leitura de mundo se dá 
antes mesmo da leitura da palavra e a “compreensão crítica da importância do 
ato de ler, só poderá ser constituído através de sua prática”. Além disso, “desde 
24 
 CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
 
o começo, na prática democrática e crítica, a leitura de mundo e a leitura da 
palavra estão dinamicamente juntas” (FREIRE 2005, p. 29). 
 Terra (2015) apresenta a evolução dos textos e suas mudanças nas 
formas de circulação: a primeira foi dos escritos em rochas e pedras para o 
papiro e pergaminho. Ao longo do tempo esses rolos foram substituídos para o 
códex ou códice, depois por folhetins, jornais, revistas e livros impressos. 
Afirma, ainda, que a última grande revolução ocorreu nas últimas décadas do 
século XX e foi a passagem do texto impresso para as telas do computador. E 
que segundo ele, o livro provavelmente não será substituído pelo digital. 
 De acordo com Terra(2015), após a criação da imprensa por 
Gutemberg, no séc. XV, os textos foram difundidos em larga escala, facilitando o 
acesso a um maior número de pessoas, o que ampliou o número de leitores. 
 Segundo Terra (2015), no séc. XVIII, a leitura passa de sua prática 
intensiva para a prática extensiva, ou seja, na prática intensiva, o leitor se 
dedicava a leitura de poucos livros que eram lidos, relidos, memorizados e 
comentados. Essa prática era muito frequente em livros religiosos, 
especialmente a bíblia. Já na prática extensiva, os leitores consumiam um 
número bem maior de livros lendo mais títulos e com mais rapidez. 
 “Hoje lemos apenas com os olhos, silenciosamente, mas houve época 
em que era comum a leitura em voz alta” (TERRA 2015. p. 14). A leitura 
silenciosa, segundo o autor, é uma prática que teve início no séc. XII, a inserção 
de espaços seguidos da pontuação entre as palavras facilitou a leitura, exigindo 
do leitor um menor esforço cognitivo de processamento do texto. A passagem 
da leitura oralizada (em voz alta) para a leitura visual (leitura silenciosa) 
possibilitou que os textos fossem lidos com mais rapidez, o que acarretou a 
formação de leitores mais eficientes na medida em que exige a capacidade de 
mais concentração continuada. A leitura também passou do público para o 
privado já que a leitura não era mais compartilhada com as pessoas. Aos 
poucos, a leitura silenciosa, que era feita nos monastérios passou a ser 
praticada nas escolas e nas universidades. 
 Com a tecnologia a palavra está em todos os lugares, onde se lê e relê 
o tempo todo. Assim como tudo muda, o modo como se lê também mudou: “o 
modo como lemos hoje também não é o mesmo como se lia em séculos 
passados, já que as técnicas de leitura se alteram ao longo do tempo” (TERRA, 
2015, p. 14). Para Filipouski e Marcki (2009, p. 10), “leitura é interação e o ato 
de ler implica diálogo entre sujeitos históricos”. Para as autoras, “ler também 
implica uma atitude responsiva, estruturando uma resposta ao texto por meio de 
 
CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
25 
novas ações de linguagem verbal ou não”. Assim sendo, a leitura tem o poder de 
possibilitar o encontro dos leitores com outros contextos e linhas de 
pensamento/raciocínio. 
 
2.3 BIBLIOTECA ESCOLAR E A PRÁTICA PEDAGÓGICA 
 
 Freire (2005) defende a Biblioteca popular como um espaço de 
interação crítico-democrática capaz de levar o leitor a aperfeiçoar sua forma de 
ler estimulando sua relação como o mundo e intensificando sua forma de ler o 
texto com o contexto. Descreve ainda que: “as bibliotecas populares podem 
atuar na formação de leitores, seja por meio do desenvolvimento de suas 
atividades culturais e da constituição de seu acervo”. (FREIRE, 2005, p.35). 
 De acordo com Campello et al. (2012, p. 11) “Educar é uma tarefa 
complexa”. Segundo a autora, educar exige que todos os recursos e 
conhecimentos sejam mobilizados para se atingirem objetivos e metas definidas. 
Diante dessa evolução que se teve da forma de ler e obter informações, 
concorda-se com Campello et al. (2012, p.9) a qual afirma que “jovens e 
crianças precisam desenvolver habilidades específicas para lidar com a 
informação, tendo em vista as mudanças e contradições sociais”. 
 Campello, et. al (2012, p. 10) afirma que “é necessário aprender a 
pensar de forma lógica e criativa, solucionar problemas, a usar informações e 
comunicar-se efetivamente”. Ainda segundo Campello et. al. essa capacidade foi 
denominada “competência Informacional” e “se insere na questão do letramento 
na medida em que pressupõe uma condição que caracteriza a pessoa que faz 
uso frequente e competente da informação”. 
 De acordo com Campello, et al. (2012), estudantes de escolas que 
mantém bons programas de bibliotecas, aprendem mais e obtém melhores 
resultados em testes padronizados do que alunos com bibliotecas deficientes. 
Resultados dessa pesquisa realizada na Universidade de Denver - EUA 
comprovam que a biblioteca pode fazer a diferença na educação de crianças e 
jovens, quando educadores acreditam e a utilizam como recurso pedagógico: 
 
A influência da biblioteca apresentou-se de forma clara e consistente um 
bom programa de biblioteca com profissional especializado, equipe de 
apoio treinada, acervo atualizado e constituído de diversos tipos de 
materiais informacionais (…) resultou no melhor aproveitamento escolar 
dos estudantes, independentemente das características sociais e 
econômicas da comunidade onde a escola estivesse localizada 
(CAMPELLO, et al, 2012 p. 13). 
26 
 CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
 
 No Brasil, de acordo com avaliações do Ministério da Educação (MEC) 
Segundo Campello et al, (2012, p. 14), a biblioteca “apesar de não ser utilizada 
em sua profundidade, aparece como um fator que contribui para o bom 
desempenho dos alunos (…).” 
 Ao assumir seu papel pedagógico a biblioteca pode participar de forma 
criativa do esforço de preparar o cidadão do séc XXI. (CAMPELLO 2012). Sendo 
assim, Campello et al., reafirmam a importância da Biblioteca Escolar no 
processo pedagógico: 
 
O papel da biblioteca escolar no processo de formação de leitor crítico 
deve ser repensado pois ela pode ser o local onde esse leitor crítico é 
formado. por se tratar de um espaço de criação e compartilhamento de 
experiências, de produção cultural, onde crianças não apenas consumem 
cultura, mas podem criá-la (CAMPELLO, et al. 2012, p. 22). 
 
Campello, et al (2012, p. 10) afirma que “o professor não é transmissor 
de conhecimento, mas um orientador, capaz de captar o interesse de seus 
alunos, despertando-lhes questionamentos e ajudando-lhes nas buscas de 
soluções”. A essa prática dá-se o nome de Competência Educacional. 
 
3 A PSICOPEDAGOGIA INSTITUCIONAL E A INTERAÇÃO COM A BIBLIOTECA 
ESCOLAR 
 
 Ao refletir sobre as práticas pedagógicas vivenciadas pela escola e suas 
ações no processo de letramento e a utilização da biblioteca escolar como 
recurso pedagógico, bem como mediadora no processo de ensino e 
aprendizagem da prática da leitura foi possível a partir da observação 
participativa no decorrer do ano letivo de 2015, inserir nessas práticas o olhar do 
psicopedagogo institucional, tendo como psicopedagogo o próprio bibliotecário. 
 De acordo com Oliveira (2014 p. 39), “o psicopedagogo institucional, 
atua na escola como assessor ou profissional contratado”. Afirma ainda, que 
este psicopedagogo pode ser um pedagogo ou outro profissional com 
especialização em psicopedagogia. Essa afirmativa foi sem dúvida a válvula 
propulsora na qual justifica esse estudo, tendo em vista a formação 
psicopedagógica institucional do referido observador. 
 Durante o processo do letramento observou-se que a participação do 
agente de leitura ou bibliotecário escolar, quando inseridos de forma orientada e 
participativa com ações lúdicas e culturais como, por exemplo, a contação de 
 
CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
27 
histórias, canções e adivinhas em espaço próprio possibilita o acesso da 
criança ao livro tem sido de suma importância. 
 Observou-se também que as ações do agente de leitura ou bibliotecário 
escolar, orientadas psicopedagogicamente possibilitaram aos alunos com 
dificuldade, uma interação com este espaço e com o livro, ou seja, os alunos 
não letrados ao entrarem em contato com atmosfera lúdica e ao participar da 
contação de histórias se envolviam com o livro e aos poucos encontravam 
estímulos para também realizar sua leitura. 
 O lúdico, segundo Barbosa (2010, p. 183) “é o ingrediente fundamental 
como recurso psicopedagógico”, pois auxilia a criança no enfrentamento dos 
obstáculos e das dificuldades de aprendizagem, sendo útil não somente para a 
intervenção do cognoscente, mas, principalmente, nas intervenções 
psicopedagógicas. 
 Foi observado que o agente de leitura da Biblioteca pode ser um 
instrumento da intervenção pedagógica e psicopedagógica capazde auxiliar no 
processo de aprendizagem da leitura, bem como ao auxiliar o psicopedagogo por 
desvincular-se da figura do professor no processo da aprendizagem da leitura e 
auxiliar em seu diagnóstico, uma vez que o lúdico está muito presente nas 
contações de histórias. 
 Um bibliotecário bem preparado, além de saber escolher e indicar os 
livros adequados a cada faixa etária, também conhecerá a arte de contar 
histórias e envolverá a criança com o lúdico, encantando-as e envolvendo-as nas 
atividades desenvolvidas. Durante esse processo, a criança poderá ser 
observada e avaliada com um olhar psicopedagógico, o qual poderá fazer 
intervenções utilizando-se do ato coletivo para capturar suas percepções e ouvi-
la. De acordo com o relato da professora do 2º ano do Ensino Fundamental dos 
anos inicias, ao realizar o trabalho do gênero carta com seus alunos, a partir da 
contação da história do livro “Coelho mau” de Jeanne Willis, todos os seus 
alunos, sem exceção, sentiram-se estimulados a escreverem uma carta, 
conforme o desafio lançado pelo agente de leitura (psicopedagogo). Ainda 
segundo a professora, mesmo os alunos que apresentaram mais dificuldades, ao 
final do ano letivo não tiveram maiores dificuldades de leitura e de escrita, além 
do esperado em sua faixa etária, o que para ela foi surpreendente em relação as 
turmas que atende em outras escolas que não contam com essa atividade de 
interação com o espaço da biblioteca e mediação psicopedagógica realizada 
28 
 CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
 
pelos próprios bibliotecários, que além de sua função possuem especialização 
em psicopedagogia. 
 A elaboração dos trabalhos de contação de histórias, quando 
necessário, são previamente acordados com os professores e pedagogos, de 
acordo com a necessidade específica de algum aluno, ou da turma, sendo 
realizada a ação coletiva. Essa integração, conforme sugere Oliveira (2014) 
valoriza a atuação psicopedagógica institucional, na sua relação de intervenção 
ao perceber situações que estejam dificultando o processo de aprendizagem. 
 Outra interação que é realizada por esses educadores (psicopedagogos) 
é o ato de observar e escutar. Apesar de estarem inseridos no espaço da escola 
são figuras desvinculadas ao professor, são educadores acessíveis e sensíveis a 
qualquer queixa que possa interferir na relação de aprendizagem desses alunos, 
portanto, o trabalho é realizado em parceria com o pedagógico da escola, equipe 
multidisciplinar, educação especial, altas habilidades e sala de recursos, esses 
professores e pedagogos contam com a participação atuante da biblioteca 
escolar, que aliada à prática e intervenção psicopedagógica conseguem 
maximizar resultados no processo de ensino e aprendizagem e identificar 
problemas de ordem escolar, social ou familiar e, ainda intervir, propondo seu 
encaminhamento para outros profissionais, quando necessário. 
 
4 CONSIDERAÇÕES FINAIS 
 
 A prática psicopedagógica é fundamental no processo de ensino e 
aprendizagem em todos os seus aspectos, o que é confirmado quando essa 
prática envolve outros recursos pedagógicos da escola bem como outros 
profissionais em prol do objetivo de ensinar, além da figura do professor, o 
envolvimento de todos contribui para um aprendizado efetivo do aprendente. O 
trabalhar em conjunto com professores permite aos bibliotecários planejarem 
situações de aprendizagem que desafiam e motivam os alunos, e podem 
acompanhar seus progressos, orientando-os no desenvolvimento de 
competências informacionais cada vez mais sofisticadas. A intervenção efetiva 
de um psicopedagogo, conforme relatado nesse estudo tornará essa proposta 
ainda mais eficaz. As interações psicopedagógicas realizadas com a biblioteca 
demonstraram que a biblioteca está presente e pode ser atuante no processo de 
alfabetização e letramento, uma vez que esta é, sem dúvida, o espaço por 
excelência para promover experiências criativas de uso de informação. E as 
ações preventivas da psicopedagogia ajudará o professor a ter um olhar 
 
CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
29 
descentralizador de sua prática educativa e inovar no processo ensino e 
aprendizagem pela leitura. 
 
REFERÊNCIAS 
 
BARBOSA, Laura Mont Serrat (org). Intervenção Psicopedagógica no espaço da 
Clínica. Curitiba Ibpex, 2010. 
 
BOSSA, Nadia A. A psicopedagogia no Brasil: Contribuições a partir da prática. 
2. ed. rev. e aum. Porto Alegre: Artmed, 2000. 131 p. 
 
BRASIL. Código de Ética da Psicopedagogia. Disponível em 
http://www.abpp.com.br/codigo-de-etica-do-psicopedagogo. Acesso em 24 de 
abr de 2016. 
 
CAMPELLO, Bernadete Santos, Et. Al. A Biblioteca Escolar: Temas para uma 
prática pedagógica. 2.ed. Autêntica. Belo Horizonte, 2012. 
 
FILIPONSKI, Ana Mariza Ribeiro & MARCHI, Diana Maria. A formação do leitor 
jovem: Temas e gêneros da literatura. Erechim, RS. Edelbra, 2009. 
 
FREIRE, Paulo: A importância do ato de ler: em três artigos que se completam – 
46 ed. - São Paulo, Cortez, 2005. 
 
OLIVEIRA, Maria Ângela Calderari: Psicopedagogia: A educação em foco (livro 
eletrônico). Curitiba, Intersaberes, 2014. 
 
SANDRONI, Laura & MACHADO, Luiz Raul. A criança e o livro: Guia prático de 
estímulo à leitura. São Paulo. Ática. 3 Edição. 1991. 
 
SOUZA, Renata Junqueira de Souza. (Org.). Biblioteca escolar e práticas 
educativas: o mediador em formação. Campinas, São Paulo, Mercado das letras, 
2009. 
 
TERRA, Ernani: A produção literária e a formação de leitores em tempos de 
tecnologia digital.(livro eletrônico). Curitiba, Intersaberes, 2015. 
 
VALLE, Luciana de Lucca Dalla: Metodologia da alfabetização (livro eletrônico) – 
Curitiba, Intersaberes, 2013. 
 
 
 
 
http://www.abpp.com.br/codigo-de-etica-do-psicopedagogo
30 
 CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
 
O LÚDICO NA EDUCAÇÃO INFANTIL 
BRINCAR, IMAGINAR E CRIAR 
 
ANDRESSA SCHIAVONE PEREIRA AQUARONI VIEIRA
1
 
ANA CLAUDIA ASSIS GOMES
2
 
 
RESUMO 
 
O presente artigo consiste em compreender alternativas de organização para que 
a criatividade e a imaginação possam fluir naturalmente. O conceito de criança e 
de infância foi abordado para que se demonstre a importância do lúdico no 
desenvolvimento infantil. Apontando modos de organização de espaços na 
Educação Infantil com fomento da criatividade e imaginação, valorizando as 
atividades lúdicas neste contexto onde a criança obtenha condições adequadas 
para seu desenvolvimento de maneira plena, obtendo aprendizado e autonomia. 
Brincando a criança percebe o mundo da maneira que lhe é proposto, então, os 
espaços das instituições de Educação Infantil precisa ser repleto de cor, 
brinquedos diversos, estímulos ao cuidado ao meio ambiente, (referindo-se aos 
espaços externos), acolhedor, adequado a cada faixa etária e sociável. O 
desenvolvimento da imaginação ocorrerá de maneira natural com o estimulo de 
espaços coloridos, desafiadores para novas descobertas diárias. Lugar onde a 
criança constrói, reconstrói, inventa, reinventa, canta, pula e brinca 
expressando-se de maneira pura, alegre e simples. 
 
Palavras–chave: Criança. Infância. Lúdico. Imaginação. 
 
1 INTRODUÇÃO 
 
O cenário que engloba a Educação Infantil, a infância e a criança, como 
um todo, é alvo de constantes e profundas reflexões, e de pensar sobre o 
espaço favorável para a aprendizagem através do brincar. Assim, o lúdico torna-
se um fator-chave neste cenário, auxiliando de maneira concreta o processo de 
ensino e aprendizagem. Para tanto, é importante saber que a infância é um 
período onde ocorrem as maiores e primeiras interações da criança com o 
mundo que a rodeia, é onde estes indivíduos passam a estabelecer suas 
primeiras relações sociais. 
 
1
 Graduada em Pedagogia pela Unicesumar (2006); Especialista em Docência no Ensino Superior 
pela Unicesumar (2009). Especialista em Psicopedagogia Institucional –Unicesumar (2015). 
2
 Graduada em Pedagogia pela Universidade Federal de Goiás, UFG (2000). Especialista em 
Educação, Comunicação e Novas Tecnologias pela Universidade do Estado do Tocantins (2005). 
 
CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
31 
 O sucesso de seu relacionamento social, a forma como lida com suas 
realizações e frustrações, com a gama de sentimentos com os quais se 
confrontará a todo instante, enquanto cresce é, em boa parte, influenciada pelo 
ato de brincar, por meio do lúdico. Em síntese, as brincadeiras podem 
proporcionar prazer, conflito, frustração, realização e diversão, mas, sobretudo, 
funcionam como estímulo ao desafiar, provocar o pensamento reflexivo da 
criança. Deste modo, entende-se que os espaços criados para a convivência das 
crianças dentro das instituições de Educação Infantil precisam ser doutrinados 
pelo preceito do conforto das mesmas, embasados por elementos que fazem 
com que estas crianças sintam-se à vontade para desenvolver seu senso 
criativo, imaginativo e como resultado cognitivo, psicomotor e pessoal. 
Com intuito de explorar assuntos elencados acima, esse artigo foi 
subdivido em três itens: no primeiro abordou sobre a criança e a infância, no 
segundo a concepção de lúdico e no terceiro os espaços criados para fomento 
da criatividade e imaginação. 
Com base na teoria Histórico-cultural de Vygotsky, aponta se o conceito 
de criança e a importância do lúdico na Educação Infantil defendendo a ideia da 
constituição sociocultural da criança, com direitos a brincar em um espaço 
planejado para tal nas instituições de Educação Infantil. 
 
2 INFÂNCIA E A CRIANÇA 
 
 A infância, primeira etapa do desenvolvimento humano, é marcada por 
grandes transformações, Vygotsky (1988) afirma que os primeiros anos de vida 
são marcados pelo intenso desenvolvimento dos aspectos físicos, intelectuais, 
emocionais e morais na criança. O autor defende ainda que a criança desde 
bem pequena estabelece relações com outras pessoas e com as coisas 
percebendo e se apropriando de significados e atribuindo sentidos. A 
aprendizagem ocorre ao ampliar a atividade prática e intelectual, surgindo novas 
necessidades de conhecimento. Por isso, para o autor não há desenvolvimento 
cognitivo espontâneo ou tipicamente herdado, e sim, considera o conhecimento 
humano uma atividade interpretativa da cultura a qual se está inserido. 
 A teoria elaborada por Vygotsky (1988), conhecida por teoria histórico-
cultural parte da premissa que a natureza do homem é ao mesmo tempo 
biológica e social. Biológica porque o homem se desenvolve naturalmente e 
social, devido à aprendizagem que ocorre através da socialização com seus 
32 
 CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
 
pares e, partindo dessa relação, o homem se humaniza. Baseado na teoria, o 
autor relata que o homem não nasce com inteligência, personalidade e 
consciência, mas apropria-se dessas características ao longo da vida, de acordo 
com a cultura com a qual esta inserida, sendo capaz de aprender, criando novas 
habilidades, capacidades e aptidões humanas, constituindo assim sua 
humanidade. 
 Ser criança, pautado nas afirmações de Leontiev (1998) e Vygotsky 
(1998), é ser ativa desenvolvendo-se a partir de sua própria atividade mediante 
os relacionamentos humanos, entre crianças e adultos e entre crianças e seus 
pares. A partir desse entendimento, a aprendizagem é o degrau de 
desenvolvimento humano, pois através dela se adquire as qualidades humanas. 
 Na sociedade contemporânea existem diferentes formas de entendimento 
do que é a infância e do ser criança. Atualmente, na sociedade a criança pode 
ser vista de maneiras diferentes, muitas vezes é considerada como adulto em 
miniatura, evidenciando em seu modo de vestir, falar e até mesmo ao brincar. O 
oposto também ocorre, quando a criança é tida como incapaz frágil e sem 
competência e requer a superproteção da família. O sociólogo norte-americano 
Neil Postman (1999), em seu livro o “Desaparecimento da Infância”, afirma que 
a infância não se expressa apenas pelo aspecto biológico do desenvolvimento 
humano, mas, acima de tudo na esfera cultural. A infância é um produto cultural, 
histórico e passível de transformações radicais. Nessa linha de pensamento, a 
infância tem ligação direta com as influências da comunicação tecnológica. 
Postman (1999) defende que os meios de comunicação têm poder para 
influenciar a consciência e modificar os pensamentos em sua esfera simbólica, 
atingindo assim as crianças. Para o autor ainda há esperança na reversão desse 
quadro caótico em que se encontra a infância em duas instituições sociais: a 
família e a escola. 
 Diante de tais revelações em relação à infância, enfatiza-se a importância 
de uma alternativa que se contrapõe a essa cultura que descaracteriza o mundo 
infantil, surgindo uma nova visão de criança e concepção de infância, 
especificamente aos direitos a infância principalmente ao de brincar, Vygotsky 
(1998) defende o brinquedo como forma de aprendizado envolvendo aspectos 
emocionais, ações físicas e cognitivas e o contato social. O autor afirma que: 
 
É no brinquedo que a criança aprende a agir numa esfera cognitiva, ao 
invés de uma esfera visual externa, dependendo das motivações e 
tendências internas, e não pelo dos incentivos fornecidos pelos objetos 
externos (VYGOTSKY, 1998, p.104). 
 
CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
33 
 A criança vê um objeto, mas age de maneira diferente em relação aquilo 
que vê, sua ação surge das ideias e não do objeto. Através de um simples 
graveto a criança o transforma em um avião, este exemplo demonstra que a 
criança adquiriu um nível elevado de maturidade. Entra em ação a imaginação, é 
um processo psicológico novo para a criança, surgindo originalmente da ação. 
Por isso é fundamental o estímulo através do ato de brincar resgatando a origem 
da infância, pois brincando a criança explora através da imaginação novas 
possibilidades, criando condições de aprendizagem e sociabilidade, firmando 
sua identidade e autonomia dentro do seu mundo cultural e aprendendo de 
algum modo a lidar com a emoção. 
 É fundamental o estímulo através do ato de brincar, resgatando a origem 
da infância de uma maneira lúdica, a criança terá a oportunidade de adquirir 
novos conhecimentos, desenvolver potencialidades e habilidades, de uma forma 
prazerosa. O mundo infantil depende do lúdico para produzir a fantasia e a 
imaginação, que são elementos essenciais para que a criança se expresse, 
construa sua realidade e assimile conhecimento. Então, brincar é condição de 
aprendizagem e de sociabilidade e está intimamente ligado ao inventar e 
reinventar o mundo imaginário da criança, o mundo do faz de conta. 
 
2.1 O LÚDICO E A CRIANÇA 
 
 Afinal, o que significa lúdico? De acordo com o dicionário online 
português Michaelis, a palavra com origem no latim ludos “que se refere a jogos 
e brinquedos”, em outras palavras, caracteriza a ação de brincar. O jogo lúdico 
de acordo com Piaget (1984) é formado por um conjunto linguístico que labora 
inserido em um contexto social, com um sistema de regras e constitui-se de um 
objeto simbólico, designando também um fenômeno. Portanto, permite ao 
educando uma estrutura sequencial que especifica a sua moralidade dentro de 
um sistema de regras. Desse modo, o lúdico, a criança e a infância estão 
interligados, é um elo que permite experiências com a lógica e o raciocínio, 
favorecendo a sociabilidade e estimulando as reações afetivas, cognitivas, 
linguísticas, morais e culturais. 
 Crianças sempre brincaram, brincam e irão brincar afinal “brincar é 
viver”. Kishimoto (1993) relata que os brinquedos expressam um mundo 
imaginário em que a criança está inserida. 
 
34 
 CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
 
O brinquedo coloca a criança na presença de reproduções:tudo o que 
existe no cotidiano, a natureza e as construções humanas. Pode-se dizer 
que um dos objetivos do brinquedo é dar à criança um substituto dos 
objetos reais, para que possa manipulá-los. Duplicando diversos tipos de 
realidades presentes, o brinquedo metamorfoseia e fotógrafa a realidade, 
não reproduz apenas objetos, mas uma totalidade social. A realidade 
representada sempre incorpora algumas modificações: tamanho, formas 
delicadas e simples, estilizadas ou, ainda, antropomórficas. Os 
brinquedos podem incorporar, também, um imaginário pré-existente 
criado pelos desenhos animados, seriados televisivos, mundo da ficção 
científica com motores e robôs, mundo encantado dos contos de fada, 
estórias de piratas, índios e bandidos (KISHIMOTO, 1993, p.109). 
 
 É brincando que a criança reproduz seu cotidiano, através da 
imaginação, transformando objetos reais em fictícios e vice-versa. 
Representando sua vivência de uma forma lúdica, expressando a forma como 
interpreta seu mundo real e como internaliza as regras e costumes de onde vive. 
 Vygotsky (1998) afirma que a criança se comporta de forma mais 
avançada nas brincadeiras do que nas atividades da vida real, tanto pela vivencia 
de uma situação imaginária quanto pela capacidade de subordinação às regras. 
Ressalta que é na interação com as atividades que envolvem simbologia e 
brinquedos que a criança aprende a agir numa esfera cognitiva. 
 O Referencial Curricular Nacional para Educação Infantil, elaborado pelo 
MEC, ressalta que brincar favorece a autoestima das crianças. 
 
A brincadeira favorece a autoestima das crianças, auxiliando-as a superar 
progressivamente suas aquisições de forma criativa. Brincar contribui, 
assim, para a interiorização de determinados modelos de adulto, no 
âmbito de grupos sociais diversos. Essas significações atribuídas ao 
brincar transformam-no em um espaço singular de constituição infantil 
(RCNEI, 1998 p.27). 
 
Brincar faz parte do universo infantil, se a brincadeira ocorre no campo 
da imaginação isto implica que a criança tem o domínio da linguagem simbólica, 
entendendo assim que a realidade está sendo representada pela imaginação 
criando novas possibilidades de entendimento da atual forma de se atuar na 
vida. Através das brincadeiras as crianças expressam ideias e emoções 
vivenciadas em seu mundo, e assim acontece o faz de conta. Com isso ela 
experimenta situações em busca da resolução dos conflitos próprios da infância, 
e contar com a ajuda de um espaço preparado para a liberdade de expressão e 
de vivencias experimentais, poderá auxiliar a criança em seu processo de 
imaginação e fantasia apropriando se de seus pensamentos, transportando-os 
para a realidade. 
 
CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
35 
2.2 ESPAÇOS PARA CRIATIVIDADE E IMAGINAÇÃO 
 
 Para que a criança se sinta estimulada a criar é fundamental se construir 
um ambiente desafiador, interferindo diretamente no desenvolvimento da 
autonomia da criança. A brincadeira deve ser refletida e explorada a partir de um 
olhar pedagógico sem renegar a essência e função natural da vivência da 
criança, fazendo com que a mesma explore o mundo que a cerca atribuindo 
significado à imaginação a partir dos objetos utilizados na brincadeira. Então, a 
organização dos espaços no ambiente de Educação Infantil tem uma implicação 
pedagógica e, por isso, existe uma interferência significativa na vida da criança, 
respeitando as peculiaridades e necessidades de cada uma. 
 No livro “Projetos Pedagógicos na Educação Infantil” (Barbosa e Horn, 
2008) afirma através de Fornero (1998) que o ambiente “fala”, evoca 
recordações, transmite sensações, passa segurança ou inquietação, mas nunca 
deixa indiferente. 
 A proposta pedagógica dos Centros de Educação Infantil precisa 
contemplar em seus objetivos a possibilidade que a criança tem de recriar o 
ambiente através do espaço que lhe é proposto, oportunizando momentos de 
reflexão e busca da afirmação da identidade e autonomia. Ressalta Barbosa e 
Horn (2008,p.48) que: 
 
A construção do espaço é eminentemente social e entrelaça-se com o 
tempo de forma indissolúvel, congregando simultaneamente diferentes 
influencias mediatas e imediatas advindas da cultura e do meio em que 
estão inseridos seus atores. Nesse processo, é importante ressaltar, a priori, 
que o ser humano diferencia-se das outras espécies animais por ser capaz 
de criar, de usar instrumentos e de simbolizar. Utilizando-se basicamente do 
raciocínio e da linguagem, ele consegue transformar suas relações com os 
outros e com o mundo. 
 
 Não há neutralidade na organização dos espaços nas instituições de 
Educação Infantil, tanto ele estimula quanto limita as aprendizagens. De acordo 
com Horn (2004, p.35) em seu livro: “Sabores, Cores, Sons, Aromas - A 
organização dos espaços na Educação Infantil”: 
 
O espaço é entendido sob uma perspectiva definida em diferentes 
dimensões: a física, a funcional, a temporal e a relacional, legitimando-se 
como um elemento curricular. A partir desse entendimento, o espaço 
nunca é neutro. Ele poderá ser estimulante ou limitador de aprendizagens, 
dependendo das estruturas espaciais dadas e das linguagens que estão 
sendo representadas. Nesse sentido, o ambiente de aprendizagem 
influencia as condutas das crianças pequenas de forma distinta, isto é, 
36 
 CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
 
enquanto alguns incitam o movimento, por exemplo, outros trarão uma 
mensagem de mais tranquilidade e repouso. 
 
 Partindo da premissa que o espaço precisa ser planejado e estruturado 
pensando na constituição da necessidade de valorizar a infância, as Diretrizes 
Curriculares Nacionais para a Educação Infantil (DCNEI) enfatiza a importância 
das propostas pedagógicas das instituições de Educação Infantil contemplar os 
seguintes parâmetros norteadores: 
 
 Princípios Éticos da autonomia, da Responsabilidade, da Solidariedade e 
do respeito ao bem comum, ao meio ambiente e as diferentes culturas, 
identidades e singularidades. 
 Princípios Políticos dos Direitos de Cidadania, do Exercício da Criticidade 
e do Respeito à Ordem Democrática. 
 Princípios Estéticos da Sensibilidade, da Criatividade, da Ludicidade e da 
liberdade de expressão nas diferentes manifestações artísticas e culturais. 
Diversidade de Manifestações Artísticas e Culturais (MEC, 2010, p.16). 
 
Segundo as Diretrizes, as propostas pedagógicas devem estar pautadas 
no lúdico e nas manifestações culturais, sendo assim, há que se pensar em 
espaços físicos que contemplem a ludicidade e espontaneidade das 
manifestações da cultura e, sobretudo, a criança, tornando o ambiente favorável 
às diversas aprendizagens. 
Deve-se pensar em espaços que as crianças usufruam plenamente de 
tudo que nele está que elas tenham livre acesso para explorá-lo a partir da 
concepção que cada uma já adquiriu de sua realidade. Tanto espaços internos 
quanto externos o planejamento deve ser o mesmo: aguçar a criatividade e a 
construir conhecimentos novos a partir de uma demanda da turma ou de uma 
criança. 
O projeto arquitetônico das instituições infantis onde atendem crianças 
de 4 meses a 6 anos deve estar imbuído implícito e explicitamente a proposta 
pedagógica. Entendendo que as crianças necessitam de um espaço que elas 
circulem livremente, possam ver e serem vistas através de janelas grandes e 
transparentes, paredes vasadas, e também transparente, o mundo lá fora, ou 
seja, tudo que se passa no ambiente externo. Os ambientes internos são 
subdivididos e separados por móveis na altura das crianças. Contendo armários 
em forma de escaninhos para que as crianças guardem o material individual 
estimulando assim a autonomia e a afirmação de sua identidade. Nesses 
espaços subdivididos existe separação de temas, dependendo da proposta 
pedagógica, por interessecoletivo ou individual. 
 
CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
37 
É importante ressaltar que esse trabalho conta com a utilização dos 
componentes da natureza, como: terra, pedras, cascas de árvores, folhas secas 
ou não, gravetos, areia, água, sementes, podendo incluir também rolhas, potes 
de todos os tamanhos, garrafas em plástico, tampas, lacres, para experiências 
criativas. Tudo separado em prateleiras e organizado por cores, espessura, 
tamanho. Nas paredes, como decoração devem constar trabalhos produzidos 
pelas crianças, como fotos, relatos, desenhos, e dependendo da faixa etária, a 
produção escrita. Interessante ter exposto na sala o alfabeto em diferentes letras 
bastão, cursiva maiúscula e minúscula, e cartazes de números com as 
respectivas quantidades bem como também as rotinas diárias construídas com 
as crianças, criando um ambiente colorido e alegre. 
Este espaço é chamado de sala da criatividade, não há cadeiras e 
mesas individuais, sempre pensando no coletivo, trabalhos em grupos. Há 
banheiros nessa sala, dividido em masculino e feminino com louças adaptadas a 
cada faixa etária, decorados com espelhos cortados em diversos formatos, 
estimulando as crianças ao lúdico. Os espelhos também estarão nos corredores 
de entrada da instituição. Nessa sala há uma escada que dá acesso a um 
ambiente calmo e acolhedor, o mezanino do descanso. Decorado com cortinas 
em tecidos leves e cores frias, com colchonetes ao chão, lençóis e pertences de 
higiene pessoal, em escaninhos individuais para que cada criança pegue o seu. 
Esse espaço será utilizado de acordo com a rotina estabelecida na instituição ou 
pela necessidade individual de cada criança. 
O ambiente externo deve ser composto por uma entrada, bastante 
chamativa, com cores exuberantes, que dará acesso a um centro de convivência 
onde as crianças e as famílias são recepcionadas, lembrando que essa proposta 
se dá para instituições que atendem em horário integral, ou seja, o dia todo. Ao 
ser recepcionadas as crianças farão a primeira reflexão do dia, a essa reunião 
dá-se o nome de assembleia. Logo após as crianças farão a primeira refeição do 
dia. Nesse ambiente as crianças sentam ao chão, mas existem mesas 
compridas, mas baixas, onde as refeições serão servidas. Têm almofadas, 
tapetes, móbiles que podem ser trocados de acordo com o que está vivenciando 
no momento, através da proposta pedagógica. Tem um palco para 
apresentações artísticas. 
Nas árvores penduram-se livros, fitas coloridas, cordas para que a 
criança escale, pendure, balance. Aproveitando a árvore constrói- se “a casa da 
árvore”. Para desenvolver o senso musical aproveita uma parede, no pátio 
38 
 CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
 
externo e produz a parede sonora com sucatas de panelas velhas, pratos, 
talheres, colher de pau, latas diversas, entre outros. Podendo elaborar junto com 
as crianças a construção de instrumentos musicais diversos. Construindo assim 
a bandinha com sucata e deixando-a no mesmo lugar para que todos a utilizem. 
 
3 CONSIDERAÇÕES FINAIS 
 
 Ao considerar os espaços nas instituições de Educação Infantil como 
educativos e responsáveis por fazer parte da construção do conhecimento de 
forma experiencial, a proposta pedagógica deverá considerar o conceito de 
infância e a importância do lúdico nos projetos desenvolvidos na instituição. 
 A criança sujeito, capaz de aprender através das relações e interações 
que estabelece, constrói sua realidade a partir da vivencia natural da infância, 
estimulada em seu dia-a-dia, em espaços que são intencionalmente criados para 
satisfazer aos interesses cognitivos e aguçar novos conhecimentos. Isso se dá 
com a relação mediada de um adulto, entre as crianças e os bens culturais. 
 A instituição de Educação Infantil deve oferecer espaços favoráveis ao 
desenvolvimento da capacidade imaginativa e criativa das crianças, permitindo-
as entender e compartilhar os significados da cultura e construir sua identidade 
pessoal e social e assim desenvolvendo a inteligência. O lugar que a criança 
ocupa nas relações sociais que participa garante a ela ser ativa no processo de 
diferentes aprendizagens, então ela deve ser recebida em espaços na Educação 
Infantil que garantem possibilidades de agir, pensar, vivenciar, se relacionar e 
brincar. 
 
REFERÊNCIAS 
 
BARBOSA, Maria Carmen Silveira. Projetos pedagógicos na educação infantil 
Porto Alegre : Artmed, 2008. 
 
BRASIL. Ministério da Educação e do Desporto. Secretaria de Educação 
Fundamental. Referencial curricular nacional para a educação infantil. Brasília: 
MEC/SEF, 1998. 
 
HORN, Maria da Graça Souza. Sabores, cores, sons, aromas: a organização dos 
espaços na educação infantil. Porto Alegre: Artmed, 2004. 
 
KISHIMOTO, Tizuko Morchida. Jogos tradicionais Infantis: O jogo, a criança e a 
educação. Petrópolis: Vozes 1993. 
 
CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
39 
 
MICHAELIS. Dicionário Online Português. 1998-2009. Editora Melhoramentos 
Ltda. 2009 uol. 
 
MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO E DO DESPORTO. Conselho Nacional de Educação. 
Câmara de Educação Básica. Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação 
Infantil. Resolução CEB N.º 1, de 7/04/1999. 
 
POSTMAN, Neil. O desaparecimento da infância. Rio de Janeiro, Graphia, 1999. 
Tradução: José Laurenio de Melo e Suzana Menescal. 
 
VIGOTSKY, Lev Semenovich; LURIA, Alexander Romanovich; LEONTIEV, Alexis 
N. Linguagem, desenvolvimento e aprendizagem. Tradução de Maria da Penha 
Villalobos. 2. ed. São Paulo: Ícone, 1988. p. 103-117. 
 
WADSWORTH, Barry. Jean Piaget para o professor da pré-escola e 1º grau. São 
Paulo, Pioneira, 1984. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
40 
 CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
 
INTELIGÊNCIAS MÚLTIPLAS 
 
EDIVANA GOMES SEVERINO ANTUNES
1
 
CLEBER BALBINO DA COSTA
2
 
 
RESUMO 
 
O presente artigo tem por objetivo esclarecer algumas perguntas frequentes em 
nosso cotidiano escolar: “Como as pessoas aprendem? Por que algumas têm 
mais habilidades/facilidades em certas resoluções do que as outras? Por que 
algumas conseguem obter muito sucesso em alguma área e pouco sucesso em 
outra?”. Esse trabalho apresenta uma teoria para o processo de ensino e 
aprendizagem, talvez pouco abordada em nosso contexto educacional, a “Teoria 
das Inteligências Múltiplas”, apresenta-se as sete inteligências descritas e 
estudadas por Gardner (1995). Nesse contexto Gardner apresenta subsídios ao 
profissional da área de educação, tanto o professor como o psicopedagogo. 
Para tanto irá colaborar no reconhecimento de qual inteligência encontra-se 
presente no aluno, bem como qual é a menos desenvolvida. Pode-se trabalhar e 
estimular a habilidade ou inteligência que ainda não está plenamente 
desenvolvida, cujo intuito é auxiliar no processo de ensino e aprendizagem 
daquele que apresenta certo grau de dificuldade. 
 
 
Palavras-chave: Inteligências múltiplas. Aprendizagem. Sucesso. Estimular. 
Facilidade. 
 
1 INTRODUÇÃO 
 
Este trabalho apresenta a teoria das inteligências múltiplas, tema 
relevante para atuação dos profissionais da área da educação, tanto para 
professores quanto psicopedagogos, frente a uma demanda existente no país, 
onde profissionais convivem com as diferenças individuais tão presente dentro 
de uma sala de aula. Assim proporcionando uma visão mais ampla ao 
psicopedagogo em seus diagnósticos e tomada de decisões. 
Os sistemas educacionais no mundo atual têm como meta principal 
contribuir aos estudantes para que possam ser cidadãos ativos, críticos e 
 
1
Graduada em Pedagogia e Especialista em Psicopedagogia Clínica e Institucional pela 
Universidade Estadual de Maringá. 
2
 Graduado em Engenharia de Produção pela Faculdade Anhanguera Educacional de Campinas e 
Especialista em Docência no Ensino Superior pelo centro Universitáriode Maringá. 
 
 
CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
41 
democráticos, fazendo com que o processo de ensino e aprendizagem se torne 
cada vez mais prazeroso e significativo desde a Educação Infantil. 
Sabendo que são inúmeras as práticas pedagógicas e técnicas adotadas 
pelas mais variadas instituições de ensino no país, nesta abordagem apresent-
ser a Teoria das Inteligências Múltiplas, que pode oferecer para as crianças na 
Educação Infantil a contribuição no desenvolvimento frente às dificuldades de 
aprendizagem, visto que todas as pessoas possuem habilidades e competências 
cognitivas que podem ser constantemente aperfeiçoadas, trabalhando também a 
formação pessoal de cada aluno, considerando as diferenças individuais tão 
presentes no mesmo ambiente de ensino, levando os alunos a atingir objetivos 
mais adequados ao seu aspecto particular de inteligência, valorizando o que 
cada um tem de melhor. 
O futuro psicopedagogo deve estar preparado para realizar o diagnóstico 
de seu paciente e atuando em conjunto com o educador, que além de transmitir 
conhecimento é o mediador no processo de ensino e aprendizagem. Necessita 
também ser pesquisador, crítico e reflexivo, entendendo que estimulando as 
inteligências múltiplas já na educação infantil é uma possibilidade de desenvolver 
integralmente a criança, podendo contar com diversas práticas pedagógicas, 
como os jogos, oficinas, brinquedoteca, de maneira que considere a 
singularidade de cada aluno na construção de conhecimento, mas com sentido e 
significado para os mesmos. 
Este artigo baseia-se em uma revisão bibliográfica e tem por objetivo 
apresentar os tipos de inteligência definidos pela Teoria das Inteligências 
Múltiplas. O trabalho está dividido em quatro capítulos. O primeiro, a teoria das 
inteligências múltiplas, o segundo, a identificação das inteligências múltiplas nos 
indivíduos, o terceiro, a atuação do Psicopedagogo frente à teoria das 
inteligências múltiplas para o desenvolvimento e aprendizagem dos alunos e, por 
conseguinte, as considerações finais. 
 
2 TEORIA DAS INTELIGÊNCIAS MÚLTIPLAS 
 
De acordo com Gardner (1995), denominam-se Inteligências Múltiplas a 
conclusão de um estudo desenvolvido a partir da década de 1980, por uma 
equipe de investigadores da Universidade de Harvard, liderada pelo psicólogo 
Howard Gardner, insatisfeito com os testes de “QI” (quociente intelectual), ele 
buscou analisar e descrever melhor o conceito de inteligência, ainda para o 
42 
 CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
 
autor, não havia duvidas que o conceito de inteligência definido nos testes de QI 
não era suficiente para descrever a grande variedade de habilidades cognitivas 
humanas, até porque não entende que se possa medir a inteligência através de 
testes de papel e lápis. Visto que cada indivíduo pode possuir mais de um tipo de 
inteligência, desta forma os especialistas acreditam que o processo de ensino e 
aprendizagem deve ser repensado para que os potenciais possam ser 
desenvolvidos com menos dificuldades. 
Conforme Gardner (1995), se analisar um agricultor e um engenheiro 
civil, por exemplo, pode-se pensar quem é mais inteligente. Tudo depende do 
que se vai fazer, se for à época de colheita, qual a melhor maneira de fazê-la, 
pode-se contar com o agricultor, mas se precisarem saber quantos ferros devem 
ser utilizados em uma determinada construção, então, o engenheiro civil será 
mais útil neste contexto. Ainda para o autor, os testes de “QI” são levados em 
conta apenas as capacidades lógicas e lógico-linguística, desta forma, um 
grande jogador de xadrez ou uma grande violinista estarão exclusos já que os 
testes de inteligência não conseguem identificá-los. Ainda segundo o autor, se 
de fato eles não são inteligentes, o que lhes permite conseguir feitos geniosos 
realizados por estes. 
Para Gardner (1995), a essência da Teoria das inteligências Múltiplas 
para a educação é respeitar as muitas diferenças entre as pessoas, as múltiplas 
variações em suas maneiras de aprender e os vários modos pelos quais elas 
podem ser avaliadas, levando em consideração a sua competência em resolver 
problemas perante os estímulos que o ambiente apresenta. Desse modo, 
Gardner (1994) destaca as 7 inteligências múltiplas. 
 Lógico-matemática: pessoas que desenvolvem mais facilmente habilidades 
em matemática e em raciocínios lógico-dedutivos, cientistas possuem esta 
característica. 
 Linguística: indivíduos com amplas habilidades em escrita, leitura e em 
aprender idiomas, é predominante em poetas e escritores. 
 Espacial: é a capacidade de formar um modelo mental de um mundo espacial 
e de ser capaz de manobrar e operar utilizando esse modelo. É característica de 
arquitetos e escultores. 
 Físico-sinestésica: são as pessoas que tem grande aptidão para controlar os 
movimentos do corpo, atores e aqueles que praticam dança têm essas 
características. 
 
CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
43 
 Interpessoal: habilidade de entender intenções, motivações e desejos dos 
outros, encontra-se mais desenvolvida em políticos, religiosos e professores. 
 Intrapessoal: refere-se às pessoas que tem a capacidade de entender a si 
mesmo, como psicoterapeutas e escritores. 
 Musical: estão em pessoas que possuem grande aptidão para tocar 
instrumentos, compor e executar produções musicais, estão englobados 
compositores, maestros e críticos da música. 
Essas inteligências podem ser desenvolvidas em todos os indivíduos, 
porém, muitas vezes dá-se mais ênfase em uma das inteligências, conforme a 
aptidão. 
 
3 IDENTIFICANDO AS INTELIGÊNCIAS MÚLTIPLAS DOS INDIVÍDUOS 
 
Quais são as habilidades e inteligências que mais se encontra em nosso 
meio? Como identificar ou avaliar melhor as habilidades de cada criança em sala 
de aula? Visando estimular melhor as habilidades de cada um e´preciso saber 
identificar quais são elas, e para que o professor possa identificá-las é preciso 
saber as características de cada criança bem como o perfil da sala. Após essa 
identificação fica mais fácil o desenvolvimento do trabalho educacional em 
particular, planejando atividades que levem cada criança a desenvolver sua 
competência, mas é preciso ficar atento para que não se confunda velocidade na 
aprendizagem com inteligência. 
De acordo com Gardner (2000), todas as crianças são inteligentes, mas 
de maneira diferenciadas, e elas são aperfeiçoadas ou não, dependendo dos 
estímulos que cada uma recebe e do ambiente que elas estão inseridas. Para 
Gardner (1995) existe a necessidade de individualização nas escolas, visto a 
diferença do perfil cognitivo de cada aluno, assim a escola deveria garantir que 
cada um recebesse a educação que favorece o seu potencial individual. Tem 
também a questão da influência da cultura no desenvolvimento das inteligências 
que é muito grande, ainda mais quando se fala de um país como o Brasil, com 
uma pluralidade cultural tão grande. 
É preciso uma observação constante do psicopedagogo nas atividades 
realizadas pelo seu paciente sendo elas individuais ou em grupo, para que ele 
possa investigar e avaliar quais são as aptidões do aluno e, então, detectar as 
Inteligências mais evidentes presentes nele. Para isso é necessário que ele tenha 
um registro diário, no qual tenham as principais atitudes do aluno 
44 
 CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
 
individualmente. Ainda é necessário que ele converse com os professores para a 
troca de ideias mediante uma determinada situação, converse com os pais e 
examine os registros escolares, tudo isso contribuirá para identificar as 
inteligências múltiplas na criança. 
 
É de a máxima importância reconhecer e estimular todas as variadas 
inteligências humanas e todas as combinações de inteligências. Nós 
todos somos tão diferentes em grande parte porque possuímos diferentes 
combinações de inteligência. Se reconhecermos isso, penso que teremos 
pelo menos uma chance melhor de lidaradequadamente com os muitos 
problemas que enfrentamos nesse mundo. Se pudermos mobilizar o 
espectro das capacidades humanas, as pessoas não apenas se sentiram 
melhores em relação a si mesmas e mais competentes; é possível, 
inclusive, que elas também se sintam mais comprometidas e capazes de 
reunir-se ao restante da comunidade mundial para trabalhar pelo bem 
comum. Se pudermos mobilizar toda a gama de inteligências humanas e 
aliá-las a um sentido ético, talvez possamos ajudar a aumentar a 
probabilidade de nossa sobrevivência neste planeta, e talvez inclusive 
contribuir para a nossa prosperidade (GARDNER, 1995, p.18). 
 
Segundo Antunes (1998), para cada inteligência existem métodos e 
materiais que podem ser utilizados de maneira que venham a ajudar os 
profissionais da educação como o psicopedagogo e o professor, que podem 
fazer uso da teoria das inteligências múltiplas, utilizando jogos lógicos e enigmas 
na inteligência lógico-matemática, a narração imaginativa de histórias, gráficos, 
diagramas e mapas ajudam na inteligência espacial, e assim por diante. Ainda 
segundo o autor, os jogos é um dos melhores caminhos para a descoberta da 
habilidade de uma criança. 
Para Antunes (1998), a avaliação deve possuir características diferentes 
do que se tem visto, ao invés de ser usada como classificação, aprovar ou 
reprovar o aluno, ela deve sim informar ao mesmo qual a sua maior habilidade. O 
professor precisa preparar uma avaliação que vá ao encontro com a inteligência 
que está sendo testada, muitas vezes o professor quer uma resposta sobre 
determinado assunto por escrito, e o aluno tem altas habilidades na inteligência 
espacial e menos na linguística, então sua avaliação deixará a desejar. 
 
Embora as escolas declaram que preparam seus alunos para a vida, a 
vida certamente não se limita apenas a raciocínios verbais e lógicos. As 
escolas devem favorecer o conhecimento de diversas disciplinas básicas; 
que encorajem seus alunos a utilizar esse conhecimento para resolver 
problemas e efetuar tarefas que estejam relacionados com a vida na 
comunidade a que pertencem; e que favoreçam o desenvolvimento de 
combinações intelectuais, individuais, a partir da avaliação regular do 
potencial de cada um (GARDNER 1989, p. 37). 
 
CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
45 
A avaliação precisa reconhecer os diferentes estilos de aprendizagem 
para que o aluno possa se expressar da melhor forma e de acordo com a suas 
capacidades. Portanto, Ausubel (1982) afirma que a aprendizagem se torna 
muito mais significativa na medida em que o novo conteúdo é entrelaçado com o 
já vivido, com o conhecimento prévio do aluno, o meio social sempre 
possibilitará melhores resultados nas avaliações. 
 
4 ATUAÇÃO DO PSICOPEDAGOGO FRENTE A TEORIA DAS INTELIGENCIAS 
MÚLTIPLAS PARA O DESENVOLVIMENTO E APRENDIZAGEM DOS ALUNOS 
 
Para Smole (2000), a teoria das inteligências múltiplas abre as portas 
para uma ampla variedade de estratégias de ensino, que muitas vezes são 
inovadoras, o reconhecimento dessas inteligências contribui para o bom 
andamento do ensino de maneira mais individualizada, criando assim, a 
possibilidade do educando absorver os conteúdos que até então apresentava 
dificuldade no processo de aprendizagem. Já Armstrong (2001) acredita que o 
educador deve criar estratégias de ensino com base nas inteligências múltiplas, 
isso criaria uma interação dos alunos de formas diferentes, em pares ou em 
grupos pequenos e após reservar um tempo para a autorreflexão individual. 
De acordo com Armstrong (2001), torna-se fundamental que o 
psicopedagogo esteja preparado, ou seja, possuir um conhecimento significativo 
a respeito do assunto para que possa ser capaz de interagir com os professores, 
apoiando-os nas práticas educacionais não convencionais. Portanto, essa 
prática torna-se um grande desafio frente à realidade vivenciada na educação 
pública do país. 
Ainda conforme Armstrong (2001), tanto a prática docente como o 
ambiente escolar deve favorecer o desenvolvimento do aluno em sua totalidade, 
é essencial que o profissional da área de educação compreenda e saiba 
estimular as diversas inteligências presentes na vida das crianças, provendo os 
de recursos necessários para se organizar, sendo um verdadeiro mediador. 
 
As implicações da teoria das IM vão muito além da instrução em sala de 
aula. Na realidade, a Teoria das Inteligências Múltiplas defende nada 
menos do que uma mudança fundamental na maneira pela qual as 
escolas estão estruturadas. Ela transmite a educadores do mundo todo a 
vigorosa mensagem de que os alunos que chegam à escola no início de 
cada dia têm o direito de viver experiências que ativem e desenvolvam 
todas as suas inteligências. Durante esse típico dia escolar, cada aluno 
deve ser exposto a cursos, projetos ou programas que busquem 
desenvolver cada uma de suas inteligências, não apenas as habilidades 
46 
 CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
 
verbais e lógicas, padrão que durante décadas foi exaltado acima de 
outros domínios na educação (ARMSTRONG, 2001, p. 63). 
 
Conforme apontado por Amstrong (2001) torna-se evidente que a 
educação infantil é a base do processo educativo do ser humano, pois nesta 
fase escolar devem ser desenvolvidas as capacidades intelectuais e estimular as 
habilidades individuais de cada um. Nesse processo, a atuação do 
psicopedagogo é tão importante diante das dificuldades de aprendizagem quanto 
o professor é fundamental no elo entre o aluno e o conhecimento, possibilitando 
estímulos durante a sua pratica pedagógica e sendo também o responsável pelo 
desenvolvimento das inteligências múltiplas nas escolas. 
Para Antunes (1998), as grandes dificuldades vivenciadas pelas 
escolas, em sua maioria, não possui condições básicas como uma grade que 
permita tempos de aula seguidos, material adequado às dinâmicas 
desenvolvidas e, principalmente, formação específica de profissionais 
capacitados a utilizarem o método com mais eficácia. Ainda segundo o autor é 
visível também nesse aspecto como é interessante o período integral, dando 
mais tempo ao educando e educador para desenvolverem diversas atividades, 
como na biblioteca, laboratório de informática, laboratório de ciências, espaços 
de lazer e outros. 
 
A escola, como centro transmissor de informações, já não se justifica. 
Afinal de contas, esse centro pode e deve ser substituído por outros, 
menos cansativos, menos onerosos e, principalmente, mais eficientes. A 
figura da criança ou mesmo do adolescente indo a uma escola para colher 
informações é tão antiquada e patética quanto a do indivíduo que precisa 
se levantar para mudar o canal de televisão (ANTUNES, 1998, p. 28). 
 
Baseado em Antunes (1998) é necessário que tanto o psicopedagogo, o 
docente, o ambiente, quanto o currículo escolar, a legislação e todas as pessoas 
envolvidas no processo de ensino aprendizagem percebam as crianças em todos 
os seus períodos de desenvolvimento, as vendo de maneira única, singular e 
como seres interativos capazes de modificar o contexto em que vivem para isso 
é preciso também repensar a postura de se ter um modelo padrão de ensino e 
apostar no reconstruir. 
 
 
 
 
 
CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
47 
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS 
 
Inicialmente essa pesquisa foi motivada pela necessidade evidenciada 
na casa da autora, onde sua filha com idade de sete anos possui um déficit de 
atenção que, por conseguinte, leva-a a apresentar dificuldade de aprendizagem. 
Desta forma, será possível ampliar o entendimento relacionado ao conceito da 
teoria das inteligências múltiplas com a atuação do professor e psicopedagogo, 
objetivando contribuir com o desenvolvimento das habilidades e, desta forma, 
conduzir os alunos a superar as dificuldades de aprendizagem. 
Nesta pesquisa foi possível apresentar o conceito apresentado por 
Gardner referente à teoria das inteligências múltiplas, onde se tornanotório a 
necessidade e urgência em capacitar melhor os profissionais envolvidos no 
processo de ensino, bem como diante dos demais autores citados, a grande 
urgência em reestruturar o modelo de ensino para que se tenham condições de 
trabalhar de maneira adequada e assim desenvolver as habilidades mesmo 
naqueles em que elas não estão tão evidentes. Não se pode desprezar o avanço 
já obtido, mas é evidente a necessidade de avançar ainda mais, e isso de certa 
forma precisa ocorrer em um ritmo mais acelerado para que seja possível 
atender a demanda existente. 
Considerando que a psicologia institucional é bastante recente no 
mundo educacional, acredita-se que Gardner, através de sua teoria, muito tem 
colaborado para que a educação continue a evoluir, no entanto, torna-se 
necessário que novos estudos continuem sendo realizados, pois vive-se em um 
mundo que sofre constantes mudanças. Desta forma, espera-se que o presente 
trabalho, em sua essência e proposito destacados, tenha colaborado na 
ampliação do entendimento referente à teoria das inteligências múltiplas, assim 
como a atuação do psicopedagogo frente as dificuldades de aprendizagem 
apresentadas pelos alunos. 
 
REFERÊNCIAS 
 
ANTUNES, Celso. As inteligências Múltiplas e seus estímulos. Campinas, SP: 
Papirus, 1998. 
 
ANTUNES, Celso. Jogos para a estimulação das Múltiplas Inteligências. 
Petrópolis, Rio de Janeiro: Vozes, 1998. 
 
48 
 CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
 
ARMSTRONG, Thomas. Inteligências múltiplas na sala de aula. Prefácio Howard 
Gardner. 2.ed. Porto Alegre: Artmed, 2001. 
 
AUSUBEL, D. P. A aprendizagem significativa: a teoria de David Ausubel. São 
Paulo: Moraes, 1982. 
 
GARDNER, Howard. Estruturas da mente: a Teoria das Múltiplas Inteligências. 
Porto Alegre: Artmed,1994. 
 
GARDNER, Howard Inteligências múltiplas: a teoria na prática. Tradução Maria 
Adriana Verissimo Veronese. Porto Alegre: Artmed 1995. 
 
GARDNER, Howard. Inteligência: um conceito reformulado. Rio de Janeiro: 
Objetiva 2000. 
 
GARDNER, H., & HATCH, T. Multiple intelligences go to school: Educational 
implications of the theory of multiple intelligences. Educational Researche 1989. 
 
PERRENOUD, Ph. Avaliação da excelência à regulação das aprendizagens entre 
duas lógicas. Porto Alegre: Artmed Editora, 1999. 
 
SMOLE, K.C.S. Matemática na Educação Infantil, a teoria das inteligências 
Múltiplas na prática Escolar. Porto Alegre: Artmed, 2000. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
49 
A IMPORTÂNCIA DA FUNÇÃO DO PROFESSOR NO PROCESSO DE ENSINO E 
APRENDIZAGEM: A BUSCA PELA FORMAÇÃO SOCIAL DO ALUNO 
 
ELIANA CLÁUDIA GRACILIANO 
1
 
CAMILA GOMES DA SILVA 
2
 
 
RESUMO 
 
Este artigo científico tem como objetivo analisar o processo de ensino e 
aprendizagem na busca pela formação social do educando, dando maior ênfase 
à importância do papel do professor enquanto ser mediador do conhecimento. 
Neste caso, procura-se refletir quais devem ser as contribuições do docente em 
sala de aula, a fim de que os alunos tenham a oportunidade de uma formação 
social, e não somente a absorção dos conteúdos. E que venham a construir um 
aprendizado significativo para a interação em sociedade. Desta forma, busca-se 
também discutir quais as possíveis dificuldades encontradas e quais seriam as 
melhores maneiras de proporcionar um ensino de qualidade e que corresponda 
aos objetivos esperados. Uma vez que vem notando-se uma maior preocupação 
com o ensino para a vida, pois o mundo em que o aluno vive, seja dentro ou fora 
da escola, não deve ser ignorado. Assim, esta pesquisa, que possui caráter 
bibliográfico, e busca compreender como o professor é importante no processo 
de ensino e aprendizagem e quais podem ser as maiores contribuições para que 
este processo seja realmente realizado de forma bem sucedida. Além de expor 
os resultados alcançados como: foco principal no aluno, formação para sua vida 
enquanto pessoa, planejamento do professor e adaptação dos conteúdos de 
acordo com a realidade dos estudantes e suas reais necessidades, de modo que 
o ensino torne-se mais interessante e proveitoso. 
 
 
Palavras-chave: Ensino e aprendizagem. Função do professor. Formação social 
do aluno. 
 
1 INTRODUÇÃO 
 
 Nos dias de hoje percebe-se uma crescente preocupação com a 
formação dos alunos na realidade escolar. Sendo que, nestas condições, é 
 
1
 Graduada em Pedagogia. Especialista em Psicopedagogia Institucional e, mestranda em 
Educação pela UEM (Universidade Estadual de Maringá). 
2
 Graduada em Letras Português e Respectivas Literaturas pela UNIVALI (Universidade do Vale do 
Itajaí). Graduada em Letras Licenciatura em Língua Inglesa pela UFSC (Universidade Federal de 
Santa Catarina). Graduada em Pedagogia e, Pós-graduanda em Psicopedagogia Institucional pela 
UNICESUMAR. 
50 
 CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
 
preciso levar em consideração não somente a forma como se ensina, ou a 
reprodução de conteúdos, mas, acima de tudo, faz-se necessário considerar 
como estes conteúdos deverão servir para, diretamente, impactar e transformar 
a visão que o aluno tem de mundo. 
 Neste caso, torna-se pertinente refletir sobre tais questões uma vez 
que o ensino carece de estar sempre atualizado e adaptado às reais 
necessidades dos estudantes. Deste modo, são diversos os fatores que podem 
contribuir para um ensino mais eficaz, e, entre eles, a função do professor é 
imprescindível. 
 O professor tem função primordial na formação dos estudantes, uma 
vez que está em contato direto com os alunos, sendo o principal mediador, a 
ponte entre aluno e transformação dos saberes. Ou seja, o professor e sua 
prática pode e deve estar diretamente ligada a buscar uma forma de proporcionar 
aos alunos um aprendizado que seja absolutamente significativo para suas vidas. 
 Por meio desta pesquisa procura-se discutir como a função do 
professor em sala de aula poderá contribuir para a formação destes estudantes 
enquanto futuros cidadãos atuantes em sociedade. Assim, como e quais as 
dificuldades encontradas para que este processo realmente ocorra de maneira 
eficiente, além de refletir sobre as melhores formas de aplicar os conteúdos, 
buscando a interação do estudante e sua formação para a vida. 
Este artigo está assim subdividido: no primeiro capítulo, abordar-se-á a 
função do professor no processo de ensino e aprendizagem, contendo 
subcapítulos em que serão discutidos: a importância da formação social do 
aluno, as principais dificuldades em sala de aula no processo de formação do 
estudante e, por fim, buscando soluções e maneiras de aplicar os conteúdos 
para proporcionar um aprendizado significativo. Posteriormente, a metodologia 
será evidenciada apresentando o tipo de pesquisa utilizada para fundamentar o 
trabalho, encerrando com as considerações finais. 
 
2 A FUNÇÃO DO PROFESSOR NO PROCESSO DE ENSINO E APRENDIZAGEM 
 
São diversos os fatores relevantes para um processo de ensino e 
aprendizagem eficaz e que corresponda a todos os objetivos esperados. Dentro 
deste contexto, a importância da função do professor faz-se fundamental 
enquanto ser educador, pois é preciso superar dificuldades e colocar o aluno em 
primeiro lugar, para que, antes de tudo, o ensino seja satisfatório, e o estudante 
tenha toda e qualquer condição para a garantia de sua formação. Ou seja: 
 
CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
51 
Todo papel social e, em decorrência, todo papel profissional são 
compostos, portanto, por uma série de características previamente 
requeridas àqueles que o desempenham além de outros tantos traços 
imprimidos pelo caráter individual de cada autor social (VASCONCELOS, 
2012, p. 43). 
 
Neste caso, conforme a autora, acredita que o professor tem um papel 
social ao entrar em sala de aula, um compromisso, em que o objetivo primordialdeva ser garantir a internalização dos conteúdos por parte dos alunos, com foco 
em uma formação do educando enquanto pessoa. Para que, assim, o estudante 
tenha instigada sua capacidade de pensar, refletir e adquirir reais condições de 
estar devidamente preparado para a vida em sociedade. Desta forma: 
 
O professor deve ter consciência de seu papel de promotor dos avanços 
no desenvolvimento dos alunos, tendo claro que o conteúdo é o pretexto 
para o aprendizado, para o refinamento do olhar e uma nova forma de 
interpretar o mundo, bem como para participar da transformação deste 
mundo. É dessa forma que, como professores-educadores, aceitamos ser 
possível formar cidadãos críticos, competitivos, capacitados e agentes 
transformadores de sua própria vida e da realidade que os cerca (ALVES, 
2011, p.124). 
 
De acordo com a autora, o aluno precisa adquirir as condições 
necessárias para não somente internalizar os conteúdos ensinados, mas 
também, poder aplicar estes conteúdos e os relacionar com sua vivência no dia 
a dia. O professor é aquele que está em sala de aula para garantir o contato do 
aluno com os novos conhecimentos, sendo assim, faz-se relevante a função do 
professor neste processo para levar o aluno a construir um conhecimento mais 
significativo, que busque a transformação social, cultural e intelectual destes 
estudantes, consistindo em conteúdos aproveitados em suas vidas e não 
somente dentro da escola. Assim: 
 
Uma das características principais da profissão docente é acreditar na 
educabilidade de seus alunos. A maioria dos professores considera muito 
importante gostar do que faz, ou seja, além do conhecimento sabemos 
que essa profissão envolve sentimentos. Além disso, a educação como 
prática social incorpora significado social para esta profissão. Implica 
compromisso, cientificidade, coletividade, competência e 
comunicabilidade. Torna-se inadmissível realizarmos o ensino 
mecanicamente (ROMANOWSKI, 2012, p. 19). 
 
Ou seja, a autora traz a ideia de que o ser professor não se trata apenas 
de estar em sala de aula e aplicar os conteúdos, mas sim, em ser um 
pesquisador, inovador, que busque ampliar sempre seu conhecimento e 
reconhecer suas dificuldades, a fim de aprimorar seu aprendizado, e as formas 
52 
 CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
 
com as quais possa contribuir para a educação de modo geral. A função do 
professor não é somente dominar as teorias, mas também saber pensar e refletir 
sobre elas, tendo plenas condições de aplicar todos estes saberes em sala de 
aula. O professor precisa ter a compreensão deste compromisso e de que 
realmente quer isso para si, deste modo, tornar-se-á possível uma maior 
consciência das reais necessidades dos alunos e de como a prática pedagógica 
vem a ser importante no processo de ensino e aprendizagem. 
 
2.1 A IMPORTÂNCIA DA FORMAÇÃO SOCIAL DO ALUNO 
 
Ao refletir sobre a função do professor faz-se fundamental também 
discutir a situação do aluno neste processo, além dos motivos de todo este 
cuidado e atenção. Na educação percebe-se preocupação com a formação do 
estudante, sendo que tal formação não pode ocorrer apenas dentro da escola em 
que o único objetivo seria aplicar conteúdos para que o aluno seja aprovado e 
consiga bom desempenho em avaliações. A educação é muito mais do que isso, 
e é preciso repensar conceitos e práticas para que o educando tenha condições 
suficientes de aprender para a vida, para o mundo que o cerca. Neste caso: 
 
A educação é um processo de toda a sociedade - não só da escola – que 
afeta todas as pessoas, o tempo todo, em qualquer situação pessoal, 
social, profissional e de todas as formas possíveis. Toda a sociedade 
educa quando transmite a ideais, valores, conhecimento. Família, escola, 
meios de comunicação, amigos, igreja, empresas, internet, todos educam 
e, ao mesmo tempo, são educados, isto é, aprendem, sofrem influências, 
adaptam-se a novas situações. Aprendemos com todas as organizações, 
grupos e pessoas a que nos vinculamos (MORAN, 2013, p. 15). 
 
Segundo o autor, a educação ocorre de diversas formas e sofre várias 
influências, inclusive de fora da escola. Enquanto futuro cidadão, o aluno, ao 
frequentar o ambiente escolar precisa estar em contato com o mundo lá fora e 
este mundo deve ser trazido para dentro da escola, vindo também a servir como 
base para o aprendizado. Os alunos já possuem certo conhecimento prévio, mas 
é preciso que este seja aprimorado, moldado, a fim de que o desenvolvimento 
pessoal e intelectual ocorra, sendo o professor um mediador neste processo. 
 
Outro fator de igual importância é a interação e a transmissão social. Esse 
fator implicar a necessidade da experiência com pessoas para que o 
desenvolvimento cognitivo aconteça. Essa interação vai determinar o 
acesso a diferentes conhecimentos e a diferentes formas de concebê-los. 
É a partir do confronto com a diferença que o ser humano pode avançar 
 
CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
53 
em seu desenvolvimento, uma vez que o fator da interação não pode ser 
tomado de forma isolada (STOLTZ, 2012, p. 23). 
 
Desta forma, de acordo com a autora, percebe-se que o ser humano 
precisa estar em constante contato social para que um desenvolvimento 
aconteça. No caso, dentro da escola a situação não é diferente - é necessário 
que os estudantes interajam entre si, com professores e o mundo e, por meio da 
mediação do educador, adquiram condições suficientes de conhecer novos 
saberes, com o intuito de transformar tudo o que já sabem e aplicar novos 
conhecimentos em suas vidas, pois, de tal modo, terão condições de aprender 
de maneira que possam sair da escola como futuros cidadãos. Aptos a pensar, 
refletir, formar opinião e ampliar suas visões de mundo. 
 
2.2 AS PRINCIPAIS DIFICULDADES EM SALA DE AULA NO PROCESSO DE 
FORMAÇÃO DO ESTUDANTE 
 
Ao repensar as melhores condições de buscar um aprendizado eficiente 
nota-se que também podem ocorrer certas implicações, visto que é possível 
encontrar muitas dificuldades por parte dos estudantes e também como 
professor. Muitas vezes há problemas que podem dificultar, ou até mesmo 
impedir o processo de ensino e aprendizagem e, desta forma, a formação do 
estudante enquanto pessoa pode vir a ficar comprometida. 
 
Há fatores que favorecem o bom desempenho dos estudantes, gerando 
bom relacionamento entre professores e alunos, docentes com formação 
sólida, avaliação sistemática, material didático suficiente, prédios 
adequados, famílias participativas e ambiente emocional adequado. Ao 
professor cabe dominar os conteúdos de sua disciplina, mas também 
saber acolher as turmas, trabalhando interesses e sentimentos. Se há 
ociosidade, em sala de aula, isso causa o tédio e, consequentemente, a 
indisciplina, principalmente na faixa etária dos alunos entre 9 e 14 anos 
(ALVES, 2011, p. 122). 
 
Seguindo as ideias da autora percebe-se que há diversos fatores 
necessários para que um processo de ensino e aprendizagem seja efetivo, 
porém, muitas vezes, a realidade é bem diferente do ideal e, então, diversos 
problemas acabam surgindo, tais como: professores despreparados, sem uma 
formação necessária que possa ajudá-los a compreender sua real função dentro 
da escola e na vida destes estudantes; professores desmotivados com certa 
desvalorização de sua profissão; a falta de preparo da escola em oferecer as 
54 
 CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
 
condições necessárias para professores e alunos conviverem em um ambiente 
acolhedor e harmonioso, sejam problemas de infraestrutura, administração ou 
até mesmo apoio emocional; sem contar a falta de apoio da própria família e da 
comunidade, que, certamente, deveriam estar envolvidos com a formação do 
aluno. 
Além disso, sendo consequência ou não dos problemas citados acima, 
há, também, inúmeros casos de estudantes desinteressados que não 
correspondem ao esperado, ou por não demonstrarem vontadede aprender, ou 
por não se sentirem motivados a isso. Sem contar alunos específicos que 
realmente possuem certas dificuldades de aprendizado e não conseguem 
acompanhar as propostas apresentadas pela escola e pelo professor. E, muitas 
vezes, não recebem o acompanhamento e apoio devidamente necessários para 
seu desenvolvimento. 
 Todos estes fatores podem prejudicar o processo de ensino e 
aprendizagem, pois distanciam aluno de professor e escola e, 
consequentemente, aluno do interesse pelo novo, pelo conhecimento. Todavia, 
mesmo diante de tantas adversidades é preciso buscar alternativas e melhor 
preparo para atender a todas estas situações. 
 
2.3 BUSCANDO SOLUÇÕES E MANEIRAS DE APLICAR OS CONTEÚDOS PARA 
PROPORCIONAR UM APRENDIZADO SIGNIFICATIVO 
 
 Apesar das muitas dificuldades encontradas é necessário relembrar 
sempre que a formação do aluno deve receber toda a atenção possível por parte 
dos professores, escola e sociedade. Deste modo, apesar dos empecilhos, 
focando na função do professor, cabe a este buscar as melhores maneiras de 
superar certos problemas e tentar o seu melhor para ajudar estes estudantes a 
transformarem o conhecimento, e não desistir dos alunos, e ter em mente que 
podem ser, sim, capazes e merecem uma chance de seguir em frente, 
progredindo a cada dia. 
Métodos utilizados em sala de aula, assim como os conteúdos, 
precisam estar focados em um ensino que seja contextualizado, que faça sentido 
para os estudantes e que possa provocar o interesse, instigando-os a aprender 
mais e mais, pois, é a partir da interação e do que possa prender a atenção do 
aluno que o professor poderá conseguir resultados mais positivos, uma vez que, 
de tal modo, o estudante passa a se sentir mais desafiado e incluído. Desta 
forma: 
 
CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
55 
 
O papel do aluno, sujeito ativo de sua própria aprendizagem, é participar 
ativamente desse processo, trazendo suas impressões e conhecimentos 
prévios, analisando-os à luz de novos conhecimentos trabalhados em sala 
de aula, refletindo, alcançando níveis mais elevados de organização do 
saber e relacionando-o à prática social. Em outras palavras, cabe-lhe o 
papel de quem está realmente envolvido no processo de aprender, que 
deseja e se esforça para isso, que tem a vivência (senso comum), mas 
precisa ser auxiliado e orientado pelo professor – por meio de conteúdos 
– a compreender essa vivência de modo mais ampliado (SRUH, 2012, p. 
157). 
 
Assim, conforme a autora, o processo de ensino e aprendizagem 
precisa proporcionar aos alunos a vontade de buscar o saber, de gostar de estar 
ali e de procurar sempre ampliar seus conhecimentos. Levando-os a entenderem 
como tal fato pode ser importante para o futuro, não somente para se formarem 
na escola, mas também para a vivência em sociedade. Neste caso, cabe ao 
professor levar para a sala de aula o mundo em que o aluno vive, seja por meio 
de dados, assuntos, motivos que sejam familiares, procurar provocar os 
educandos a pensar, refletir, emitir suas opiniões, e, de tal modo, aplicarem 
estes conteúdos em suas vidas, associando com tudo aquilo que já sabem. 
Isso porque, ainda segundo Sruh (2012, p. 156), “a relação professor-
aluno deve ser interativa: ambos são sujeitos do processo ensino-aprendizagem, 
mas com papéis distintos.” O diálogo entre professor e aluno é fundamental para 
que a troca de conhecimento ocorra, e que o estudante demonstre interesse 
necessário, que irá procurar participar e corresponder ao esperado, pois, 
enquanto aprendiz tem também muito a contribuir para seu próprio aprendizado. 
No entanto, para que este objetivo seja realmente alcançado o professor 
precisa ser aquele que vai ajudar o aluno a ter esta visão. Espera-se também do 
educador que esteja sempre atento às diversidades em sala de aula, contribuindo 
e aceitando contribuições. Conhecendo e se envolvendo com a realidade dos 
alunos e como correspondem aos conteúdos propostos. O professor tem função 
de procurar fazer as adaptações necessárias para o melhor aproveitamento da 
turma, atualizando-se e se capacitando cada vez mais. É preciso reinventar-se e 
buscando sempre a melhor forma de planejar e colocar em práticas suas ideias. 
Assim: 
 
O planejamento inclui diagnóstico e fundamentação, ou seja, para planejar 
é preciso conhecer o contexto ao qual o planejamento se aplica e é 
preciso estudar, fundamentar o planejamento. O diagnóstico (o estudo de 
condições e circunstâncias nas quais o planejamento se insere) é feito em 
relação ao aluno, ao conteúdo, aos recursos, ao contexto, aos objetivos. 
A fundamentação refere-se ao estudo, ao conhecimento do método e à 
56 
 CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
 
motivação (ao motivo, ao incentivo, à vontade, à pertinência, às 
circunstâncias) do seu uso (RANGEL, 2005, p. 17). 
 
Deste modo, faz-se necessário repensar práticas, planejar, analisar e 
aplicar os conteúdos de acordo com a turma e suas necessidades, sendo todos 
estes vários procedimentos utilizados pelo professor, que, acima de tudo, levem 
o aluno a desenvolver suas diversas múltiplas inteligências, habilidades e 
capacidades de superação para que assim o educando possa compreender o 
porquê de estar ali. Além do mais, o educador deve ser um mediador o tempo 
todo, e não o detentor absoluto do saber, deve ser aquele que irá criar situações 
e aplicar metodologias voltadas para o aluno aprender de forma significativa e 
proveitosa. 
 
3 CONSIDERAÇÕES FINAIS 
 
 Sendo a formação do aluno assunto de fundamental relevância para o 
meio escolar e sociedade, faz-se necessário, também, repensar como esta 
formação deve ocorrer e quais os principais fatores que a influenciam. Neste 
caso, por meio desta pesquisa bibliográfica, buscou-se refletir sobre a função do 
professor no processo de ensino e aprendizagem enquanto mediador de um 
conhecimento que contribua para a vida dos educandos - de forma que esta 
função docente cumpra-se de acordo com o esperado, uma vez que é de suma 
importância para que o aluno adquira as devidas condições de alcançar uma 
formação enquanto futuro cidadão, aquele que terá responsabilidades sociais e 
representará o mundo em que vive. 
 Deste modo, procurou-se discutir as principais questões diretamente 
ligadas a esta situação. A função do professor no processo ensino e 
aprendizagem foi primeiramente abordada com o intuito de destacar a grande 
importância da prática docente no dia a dia escolar, pois é o professor quem 
está em contato direto com o estudante. Em seguida, buscou-se refletir sobre a 
necessidade de uma formação social dos alunos como fator decisivo para os 
bons resultados do aprendizado e priorizando a necessidade de uma formação 
que seja interessante e ao mesmo tempo produtiva. É, desta forma, que os 
educandos terão melhores condições de aprenderem a pensar, refletir, formar 
opinião e questionar o meio em que vivem. 
Além disso, foram analisadas as dificuldades que podem ser 
encontradas em sala de aula, e consequentemente, interferir na eficácia do 
 
CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
57 
processo de ensinar e aprender. Sendo que, muitas vezes, a realidade apresenta 
múltiplas dificuldades para o docente e pode comprometer tudo o que foi 
planejado. Por fim, buscou-se abordar pontos referentes a soluções e maneiras 
de aplicar os conteúdos para que o aprendizado venha a ser proveitoso e 
interessante para o aluno. 
 Após considerar todos estas questões compreende-se que haverá 
sempre diversas dificuldades que podem prejudicar ou impedir o processo de 
ensino e aprendizagem. Problemas de dentro e fora da escola, com foco no 
estudante, professor, escola e sociedade, que geram insatisfação e mau 
desempenho por parte de aluno e professor, como desmotivação, falta de 
interesse, entre outros, entretanto, superar dificuldades é preciso. Acima de tudo, 
o aprendizado destes futuros cidadãos deve sersempre prioridade, cabendo ao 
professor planejar, analisar, aplicar conteúdos e metodologias, renovando e 
adaptando sua prática para responder às necessidades dos estudantes. O 
educador tem função fundamental no processo de formação dos alunos, em que 
deve buscar sempre a contribuição para um aprendizado que faça sentido e 
possa ser internalizado, além de precisar contar com todo o apoio necessário 
para que sua prática torne-se ainda mais eficiente. 
Desta forma, a partir da realização desta pesquisa, foi possível 
compreender a importância de todos os fatores discutidos acima para a 
formação profissional ao realizar-se a Pós-graduação em Psicopedagogia 
Institucional, uma vez que o aprendizado do aluno deve vir em primeiro lugar 
para todo e qualquer profissional envolvido com o ambiente escolar, a fim de que 
alunos e professores tenham todo o suporte que for preciso, ou seja, o principal 
objetivo é procurar as melhores formas de disponibilizar aos estudantes 
condições reais de superarem suas dificuldades e terem suas capacidades, 
habilidades e inteligências valorizadas e estimuladas. Assim sendo, juntamente 
com professores voltados a aplicarem sua função mediadora em sala de aula, 
faz-se necessário que escolas, profissionais da educação, famílias e 
comunidade unam-se em prol de proporcionar um ambiente saudável e 
satisfatório de aprendizagem, em que os estudantes possam sentir-se acolhidos, 
capazes, interessados, instigados e motivados a buscarem um conhecimento 
significativo e que contribua para suas vidas. 
 
 
 
58 
 CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
 
REFERÊNCIAS 
 
ALVES, Silviane Rodrigues Leite. História e Cotidiano na Formação Docente: 
Desafios da Prática Pedagógica. Curitiba: Ibpex, 2011. 
 
MORAN, José Manuel. A Educação que desejamos: Novos desafios e como 
chegar lá. Campinas: Papirus, 2013. 
 
RANGEL, Mary. Métodos de Ensino para a aprendizagem e a dinamização das 
aulas. Campinas: Papirus, 2005. 
 
ROMANOWSKI, Joana Paulin. Formação e Profissionalização Docente. Curitiba: 
InterSaberes, 2012. 
 
STOLTZ, Tania. As perspectivas Construtivista e histórico-cultural na educação 
escolar. Curitiba: InterSaberes, 2012. 
 
SURH, Inge Renate Fröse. Teorias do Conhecimento Pedagógico. Curitiba: 
InterSaberes, 2012. 
 
VASCONCELOS, Maria Lúcia. Educação Básica: A formação do Professor, 
relação professor-aluno, planejamento, mídia e educação. São Paulo: Contexto, 
2012. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
59 
PAPEL DO PROFESSOR DE LÍNGUA PORTUGUESA AO LIDAR COM ALUNOS 
QUE APRESENTAM TRANSTORNOS DE LINGUAGEM E DE APRENDIZAGEM 
 
FABRÍCIA SOUTO CRUZ 
1
 
TEREZINHA SOARES DOS SANTOS MACEDO
2
 
 
RESUMO 
 
Esse artigo traz uma discussão sobre o papel do professor de língua portuguesa 
ao lidar com alunos que apresentam transtornos de linguagem e de 
aprendizagem, busca identificar de que modo o professor pode contribuir para 
que alunos, que apresentam esses transtornos, possam desenvolver 
mecanismos para facilitar o aprendizado de maneira eficaz. O artigo foi 
desenvolvido por meio de uma revisão bibliográfica e propõe- se no trabalho a 
utilização de meios tecnológicos e a ludicidade para auxiliar o professor no 
processo de ensino. 
 
Palavras chave: Transtornos de linguagem. Aprendizagem. Papel do professor. 
 
1 INTRODUÇÃO 
 
Esse trabalho aborda o papel do professor de língua portuguesa ao lidar 
com alunos que apresentam transtornos de linguagem e de aprendizagem, esses 
problemas são comuns em salas de aula e, cabe ao professor estar preparado 
para enfrentar esse desafio e contribuir para que essas crianças possam ter a 
chance de desenvolver o conhecimento e, assim, poder sentir-se parte efetiva da 
sociedade. 
O desenvolvimento desse trabalho deve-se à relevância em verificar a 
dificuldade que os professores encontram em sala de aula ao lidar com alunos 
que apresentam transtornos de linguagem e de aprendizagem. Esses fatores que 
interferem e prejudicam o processo de ensino da criança e, de um modo geral, 
acabam prejudicando o processo de ensino coletivo, haja vista que o professor 
ao lidar com essa dificuldade em sala de aula não consegue desenvolver as 
 
1
Especialista em EaD e as Tecnologias Educacionais pelo Centro Universitário Cesumar – 
UniCesumar. Especialista em Língua Portuguesa: Teoria e Prática pelo Instituto Paranaense de 
Ensino. Graduada em Letras Português/Inglês pela Universidade Estadual de Maringá – UEM. 
2
 Graduada em Normal Superior/complementação em pedagogia. Licenciada em Letras – Língua 
Portuguesa e Respectivas Literaturas, Letras – Língua Portuguesa e Respectivas Literaturas. 
60 
 CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
 
atividades planejadas no tempo estabelecido, e nem conseguem promover uma 
educação de qualidade e democrática. 
É importante que o professor de língua portuguesa saiba lidar com essa 
dificuldade e possa criar mecanismos que o ajude durante o processo de ensino 
em turmas que possuem alunos que apresentam transtornos de linguagem e 
aprendizagem, sabe-se que essa não é tarefa única e exclusiva do professor de 
língua portuguesa, no entanto, entende-se que ele tem o papel de ensinar a 
língua materna e, por isso, deve contribuir de modo significativo para que seus 
alunos possam ampliar suas competências linguísticas e se apropriarem da 
língua materna de forma plena. 
O problema a nortear essa pesquisa é: professor de língua portuguesa 
pode contribuir para o desenvolvimento de alunos que apresentam transtornos 
de linguagem e de aprendizagem? Para responder a este questionamento tem 
como objetivo principal identificar de que modo o professor de língua portuguesa 
pode contribuir para o desenvolvimento de alunos que apresentam transtornos 
de linguagem e de aprendizagem, e conhecer os principais problemas gerados 
por causa dos transtornos de linguagem e de aprendizagem, discutir o papel do 
professor de língua portuguesa ao lidar com alunos que apresentam esses 
transtornos, apresentar propostas de intervenção que possam contribuir para o 
desenvolvimento desses alunos. 
Quanto à proposta metodológica deste artigo, trata-se de uma revisão 
bibliográfica, com isso, visa buscar elucidar dúvidas importantes sobre os 
transtornos de linguagem e de aprendizagem, além disso, apresentando 
propostas de intervenção para que os professores de língua portuguesa tenham 
mais uma ferramenta que contribua para seu processo de ensino. 
 
2 PRINCIPAIS PROBLEMAS GERADOS POR CAUSA DOS TRANSTORNOS DE 
LINGUAGEM E DE APRENDIZAGEM 
 
O processo de aprendizagem de uma pessoa é muito importante, pois é 
por meio dele que as habilidades de comunicação e linguagem irão se 
desenvolver de modo a prepará-lo para a convivência em sociedade. É durante 
os primeiros anos de vida que o aluno começa a desenvolver suas funções 
cognitivas, nesse processo podem surgir transtornos de linguagem e de 
aprendizagem que, se não forem identificados e tratados corretamente, podem 
ocasionar muitos problemas ao longo do desenvolvimento da criança. 
 
CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
61 
Sabe-se que esses transtornos apresentam-se como um grande desafio 
para a educação e para os profissionais da área do desenvolvimento infantil, 
neste sentido Nunes, et al (2004, p. 03) destaca que: 
 
Acredita-se que as dificuldades de aprendizagem estejam intimamente 
relacionadas a história prévia de atraso na aquisição da linguagem. As 
dificuldades de linguagem referem-se a alterações no processo de 
desenvolvimento da expressão e recepção verbal e/ou escrita. Por isso, a 
necessidade de identificação precoce dessas alterações no curso normal 
do desenvolvimento evita posteriores consequências educacionais e 
sociais desfavoráveis. 
 
No ambiente escolar o professor lida diretamente com diversos perfis dealuno, cada um deles apresenta particularidades em seu desenvolvimento, por 
isso, o professor deve estar atento para que possa rapidamente verificar as 
dificuldades apresentadas por seus alunos, Zorze (2014, p. 20) afirma que 
“algumas crianças, com comprometimentos mais acentuados, apresentam 
certos níveis de problemas que podem dificultar, em muito, a aprendizagem da 
linguagem escrita, assim como o desempenho escolar em geral”. 
Esses problemas que afetam o aluno em seu desenvolvimento de 
aprendizagem na escrita, linguagem oral, também podem afetar seu psicológico, 
haja vista, que o aluno por não aprender pode vir a não desenvolver relações 
sócio afetivas, o que pode remetê-lo a um sentimento de exclusão. Desta forma, 
o aluno acaba se sentindo desencorajado e isso torna ainda mais difícil o seu 
processo de aprendizagem. 
Neste sentido, Bastos (2009) lembra que o aspecto socioambiental 
representado pela família e escola é de vital importância para a aprendizagem 
desses alunos, pois é na família que a criança adquire suas primeiras conquistas 
intelectuais e afetivas, essas que irão determinar toda a estruturação de seu 
modelo de aprendizagem, o qual irá utilizar para a conquista do conhecimento. 
Já no ambiente escolar é necessário que haja uma intervenção direta 
nas atividades, a fim de que elas possam estimular a linguagem escrita, a fala e 
a convivência desse aluno com o restante da turma para que ele não se sinta 
excluído do processo de ensino. É de extrema relevância pensar na elaboração 
de atividades lúdicas como jogos e brincadeiras, pois esse é um método de 
ensino prazeroso tanto para o aluno quanto para o professor. 
 
 
62 
 CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
 
3 O PAPEL DO PROFESSOR DE LÍNGUA PORTUGUESA DIANTE DE ALUNOS 
QUE APRESENTAM TRANSTORNOS DE LINGUAGEM E APRENDIZAGEM 
 
No processo de ensino e aprendizagem o professor tem o papel de 
mediar o acesso ao conhecimento, e é através do professor de língua 
portuguesa que o aluno terá o primeiro contato com a língua materna, esse 
contato é muito importante para o desenvolvimento do aluno uma vez que o 
domínio da língua oral e escrita possibilita ao aluno ter uma participação efetiva 
na sociedade, pois ele passará a ter acesso a informação e expressar sua 
opinião. 
De acordo com Cunha (2010), o professor de língua portuguesa 
apresenta-se como um humanista-cognitivista que deve estar preocupado com a 
formação total do ser humano e acreditar que o processo de ensino e 
aprendizagem passa pela construção do conhecimento e pela interação 
aluno/meio/professor. 
Neste sentido é importante deixar claro que o professor de língua 
portuguesa, enquanto mediador do processo de ensino e aprendizagem, deve ser 
capaz de identificar possíveis transtornos de linguagem e de aprendizagem 
apresentados por seus alunos. Sabe-se que o professor sozinho não conseguirá 
resolver esses transtornos, tendo em vista que na maioria das vezes o 
diagnóstico e tratamento demandam de uma equipe multidisciplinar, mas o 
professor é o primeiro a ter contato com esse problema. Santos (2007, p. 21) 
comenta que: 
 
A presença, em sala de aula, de crianças com características fora do 
padrão da classe é uma constante preocupação para os educadores. 
Quase sempre, trabalhar com essa criança é um desafio para o professor. 
Quando o aluno apresenta um rendimento abaixo da média da classe, o 
professor logo percebe. 
 
Essa percepção do professor é de extrema importância para o 
desenvolvimento do aluno, visto que quanto mais cedo o aluno for diagnosticado 
melhor serão as chances para que o aluno possa desenvolver suas habilidades 
linguísticas de comunicação e de aprendizagem, isso possibilitará que o aluno 
sinta-se inserido no meio social e capaz de aprender, conhecer, interagir com o 
meio em que vive. 
 
 
CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
63 
4 CONTRIBUIÇÕES PEDAGÓGICAS PARA O DESENVOLVIMENTO DE ALUNOS 
COM TRANSTORNOS DE LINGUAGEM E DE APRENDIZAGEM 
 
Nos dias atuais em que os meios tecnológicos estão aprimorando cada 
vez mais o processo de ensino, tornando mais fácil o planejamento de atividades 
para o professor apresentar contribuições pedagógicas que sejam efetivas no 
processo de ensino e aprendizagem de alunos especiais diagnosticados com 
transtornos de linguagem e de aprendizagem, para que o ensino se torna uma 
tarefa simples. 
Neste aspecto, associar o ensino pautado na ludicidade a inovações 
tecnológicas é fundamental para um bom desenvolvimento do processo de 
ensino. Neste sentido Rodrigues e Barni (2009, p. 03) destacam que: 
 
Na perspectiva da educação inclusiva, os recursos tecnológicos são de 
fundamental importância. É utilizado como instrumento facilitador da 
aprendizagem, busca na criatividade uma alternativa para que o aluno 
realize o que precisa ou deseja, possibilita uma melhor comunicação. 
 
Assim como os recursos tecnológicos a ludicidade também apresenta 
como instrumento importante para o aprimoramento do processo de ensino, pois 
ela é capaz de associar jogos e brincadeiras ao ensino. A criança deve estar 
aberta para lidar com esse processo, bem como o professor que o utiliza como 
instrumento metodológico de ensino, pois sua aplicação em sala de aula envolve 
muito mais que a utilização de jogos e ou brincadeiras por meio de recursos 
tecnológicos. 
A ludicidade é uma metodologia que deve ser muito bem aplicada para 
que a satisfação do brincar seja a mesma do aprender, neste sentidoAlbareli, et 
al. ( 2011, p. 02) afirma que: 
 
Para que o uso do lúdico seja, de fato, uma estratégia didática que auxilie na 
construção do conhecimento e no desenvolvimento global da criança, é preciso 
planejar as situações, visando a uma aprendizagem, a um conhecimento, a uma 
atitude. Estas situações devem ter uma intencionalidade educativa; portanto, 
devem ser planejadas pelo professor a fim de alcançar objetivos predeterminados. 
 
Desse modo entende-se que o processo de ensino e aprendizagem por 
meio da ludicidade e dos recursos tecnológicos é primordial para auxiliar no 
desenvolvimento de crianças com transtornos de linguagem e aprendizagem, por 
isso é necessário que a aplicação desses recursos seja aliada ao planejamento 
64 
 CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
 
efetivo, a promoção da interação entre o aluno e o restante da turma, além disso, 
é interessante que o professor ao construir junto com os alunos o conhecimento, 
seja capaz de identificar as particularidades de cada um e para que de fato ele 
possa auxiliar no aprendizado da criança. 
 
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS 
 
Sabe-se que os transtornos de linguagem e aprendizagem são 
problemas reais a serem enfrentados pelos professores em sala de aula, a 
realização desse trabalho trouxe uma discussão muito interessante sobre esse 
assunto, pois percebeu-se a importância do professor de língua portuguesa ao 
lidar com esses alunos, pois ele tem o papel de ensinar a língua materna, que é 
essencial para o desenvolvimento do aprendizado do aluno, além do mais ele é o 
primeiro a ter contato com o processo de aprendizado desse aluno, isso lhe 
deixa em uma posição especial em que lhe implica o papel de identificar 
possíveis problemas em seu desenvolvimento. 
Durante o processo de ensino o professor deve ser capaz de observar 
se o aluno está desenvolvendo de modo adequado suas habilidades, o professor 
apesar de estar em um ambiente coletivo deve atentar-se as particularidades de 
cada aluno para que seu aprendizado não seja prejudicado, esse olhar mais 
atendo do professor ao desenvolvimento do aluno em sala de aula é primordial 
para seu desenvolvimento e na maioria das vezes pode determinar todo 
processo de aprendizado dessa criança. 
Conclui-se, dessa forma, que o professor tem um papel fundamental, 
pois ele é capaz de identificar eventuais transtornos em seus alunos, e também é 
capaz de atuar apresentando novas propostas e metodologiasde ensino 
diferenciadas para contribuir para o aprendizado significativo do aluno, 
aprendizado esse que reflete não só em sua formação, mas em todo seu 
contexto, em sua vivência com colegas de turma e com familiares. 
 
REFERÊNCIAS 
 
ALBARELI. Ana Carolina. et al. O lúdico a criança e o educador. EFDeportes.com, 
Revista Digital. Buenos Aires, Ano 16, Nº 163, dez 2011. Disponível em: 
<http://www.efdeportes.com/efd163/o-ludico-a-crianca-e-o-educador.htm>. 
Acesso em: 12 maio de 2016. 
 
 
CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
65 
BASTOS, Rafael Lira Gomes Bastos. et al. Como ocorrem os distúrbios da 
linguagem oral e da comunicação na criança. Sobral-CE 2006. Disponível em: < 
http://www.profala.com/arteducesp162.htm> Acesso em: 12 maio de 2016. 
 
CUNHA, Sérgio Fabiano Labruna. O papel do professor de língua portuguesa no 
paradigma da educação inclusiva. Revista IDEA, Dezembro 2010. 
 
NUNES,
 
Magda L. et al. Distúrbios da aquisição da linguagem e da aprendizagem. 
Jornal de Pediatria. (Rio J.) vol.80, nº 2 suppl.0 Porto Alegre, Apr. 2004. 
Disponível em: <http://dx.doi.org/10.1590/S0021-75572004000300012>. 
Acesso em: 12 maio de 2016. 
 
RODRIGUES, Karina Gomes. BARNI, Edí Marise. A utilização de recursos 
tecnológicos com alunos deficientes visuais no curso superior a distância de 
uma instituição de ensino de Curitiba-PR. PUCPR. Outubro de 2009 
 
SANTOS, Nilza Maria dos. Problematização das dificuldades de aprendizagem. 
Londrina – PR, 2009. 
 
ZORZI, Jaime Luiz. Os distúrbios de aprendizagem e os distúrbios específicos de 
leitura e da escrita. CEFAC. 2004. p 20. Disponível em: < 
http://www.cefac.br/library/artigos/2405420cdd61d3c9ba0387897e1316ed.pdf
>. Acesso em: 14 de maio de 2016. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
66 
 CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
 
A IMPORTÂNCIA DE POLÍTICAS PÚBLICAS EDUCACIONAIS 
PARA O NEGRO NO BRASIL 
 
FERNANDA CARVALHO BASÍLIO HERNANDEZ
1
 
HILDEBRANDO PEREIRA SANTOS FILHO
2
 
 
RESUMO 
 
Visando discutir brevemente as políticas públicas e ações afirmativas que ao 
longo da história trataram da educação do negro no Brasil é feito um relato 
histórico conciso sobre essas políticas, fazendo uma retrospectiva das principais 
leis e atos do estado que influenciaram a educação do negro no Brasil de 
maneira direta ou indireta, bem como mostra os avanços e retrocessos ao longo 
da história desde o Império até os dias atuais, mostrando uma parte da história 
por muitos desconhecida. Nas considerações finais ressaltou a importância 
dessas políticas públicas no contexto atual e mostra o quanto os fatos históricos 
tiveram importância para que o negro tivesse como consequência ainda uma 
sociedade discriminatória, racista e desigual, dessa maneira influenciando 
diretamente na educação dessa parte da população brasileira. 
 
Palavras-chave: Políticas Públicas. Negro. Educação. Ações Afirmativas. 
 
1 INTRODUÇÃO 
 
Sendo o Brasil um país de grande parte da população negra e 
visualizando o contexto atual onde o negro ainda não consegue se estabelecer 
socialmente e profissionalmente de maneira compatível no mercado de trabalho, 
nem atingir classes sociais mais elevadas de maneira a equilibrar sua 
participação na sociedade de forma mais igualitária tanto nos aspectos 
econômico, político como o social é que vem a dúvida: As políticas públicas 
educacionais estão atuando de maneira reparadora oportunizando uma mudança 
na situação econômica, política e social dos negros no Brasil? Diante desse 
questionamento espera-se compreender as causas que contribuem para que a 
 
1
 Especialista em Educação a Distância e Novas Tecnologias pela Unicesumar – Maringá PR. 
Bacharel em Serviço Social pela Faculdade Estadual de Ciências Econômicas de Apucarana – 
Apucarana PR. Professora Orientadora de TCC na Pós Graduação do Núcleo de Educação a 
Distancia da Unicesumar. 
2
 Licenciado em Pedagogia pela UNIFACS, Bacharel em Turismo pela Universidade Estácio de Sá, 
cursando especialização em Docência do Ensino Superior pela Unicesumar. 
 
 
CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
67 
desigualdade entre negros e brancos no Brasil ainda seja grande permitindo uma 
reflexão sobre esse panorama e seus desdobramentos no cenário atual. 
Este trabalho realizou o estudo das políticas públicas educacionais de 
combate às desigualdades sociais, reparação, discriminação racial e origens 
históricas do negro brasileiro, assim como as ações afirmativas que contribuem 
para minimizar os impactos sofridos pelos mesmos nas diversas esferas da 
educação no Brasil. Apesar de já ter passado mais de 100 anos da abolição da 
escravatura e ao longo do último século ter havido uma substancial mudança em 
relação à participação do negro na sociedade brasileira, ainda vê-se que as 
desigualdades entre brancos e negros são grandes, tanto do ponto de vista 
econômico, social como também nas esferas profissionais e educacionais. 
É necessário fazer uma reparação e estabelecer maneiras para que os 
negros alcancem patamares compatíveis com a sua participação na população 
no Brasil. Como a educação é um fator que influencia diretamente o crescimento 
social e econômico, acredita-se que as políticas públicas concernentes a esse 
fator devem ser analisadas quanto a sua eficácia e abrangência, observando-se a 
finalidade a qual se destina está sendo de fato alcançada. 
 
2 BREVE HISTÓRICO SOBRE AS POLÍTICAS PÚBLICAS PARA A EDUCAÇÃO DO 
NEGRO NO BRASIL 
 
Em todo o processo de construção da sociedade brasileira, desde o 
inicio da colonização até os dias atuais, a participação do negro foi de grande 
relevância para que o país tivesse a configuração atual nas diversas esferas: 
econômica, cultural, social, política e, sobretudo educacional. Para que se possa 
compreender com clareza a importância das políticas públicas na educação do 
negro brasileiro, é preciso reportar a história e suas principais leis, decretos e 
constituições que criaram o panorama educacional atual do negro no Brasil. 
 Ao entrar em contato com a história tem-se uma ampla compreensão 
dos caminhos, causas e aspectos que contextualizam a educação do negro 
brasileiro, sendo assim para iniciar é importante ressaltar que desde o estado 
monárquico foram elaboradas diversas políticas públicas para explicitar qual era 
o lugar do negro na sociedade brasileira ao longo dos anos, com objetivo de 
ampliar as distinções, discriminações a fim de manter a segregação entre 
brancos e negros, viva e latentes na sociedade, especialmente no período 
compreendido entre o século XVI até o XIX. 
68 
 CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
 
Diante deste contexto fica claro que o direito a educação era algo 
distante da realidade da população negra já que os direitos sociais primários não 
lhe eram garantidos como: moradia, saúde e alimentação, como poderiam o 
homem negro ter direito a educação? Ainda assim outros fatores como a 
influência religiosa, interesse comercial e político faziam da vida do homem 
negro algo ainda mais distante da integração do negro à sociedade brasileira. 
Segundo Fonseca(2009,) no período colonial a legislação era fortemente 
influenciada pelas ordenações afonsinas (1446-47), manuelinas (1512-13) e 
filipinas (1603) que vigoraram até 1916. 
Existia por parte de alguns setores da sociedade a recomendação de 
minimizar os castigos e violência contra os escravos, mas não havia nenhuma 
intenção em extingui-los, apenas a preocupação em aperfeiçoar a metodologia e 
técnicas para obter um maior rendimento com o trabalho dos negros. Isso fica 
claro nas palavras do jesuíta André João Antonil que dizia: “pão, pano e pau” – 
pão para aguentar o duro trabalho no eito; pano para cobrir as vergonhas; pau 
para andar na linha. 
A igreja, o estado colonial e a elite da época se mantinham unidas em 
um pensamento baseado na manutenção da escravidãocomo forma de garantir 
mão de obra barata e o lucro nas atividades mercantis. Em 1845 a Inglaterra 
aplicou o ato de supressão do tráfico de escravos, sendo já na época uma 
importante parceira comercial, causando uma pressão para que o país tomasse 
algumas atitudes para não mais traficar escravos da África e tomar algumas 
atitudes em relação ao trabalho e produção. Com esse acontecimento a coroa 
estabeleceu, em 1850, a Lei Eusébio de Queirós visando acabar com o tráfico da 
África para o Brasil. 
Apesar disso, essa lei foi importante para os primeiros passos para 
acabar com o tráfico internacional de escravos. Esse tráfico passou acontecer 
internamente no Brasil para atender as necessidades dos Barões do Café, mas 
por outro lado no final do século XVIII e inicio do século XIX também foi permitida 
a entrada de imigrantes europeus com intuito de aumentar a mão de obra para 
os campos de cafés e também em uma tentativa de branqueamento a 
população, já que a quantidade de negros no país era grande. A maneira como o 
estado pensava a relação dos escravos fica clara na Lei de nº 14 de 22/12/1837: 
 
A exclusão dos negros no acesso aos bens e serviços essenciais, pode 
ser explicada através de dois fatores: o primeiro é que a educação, neste 
caso a leitura e escrita, se oferecida aos escravos, desenvolveria a 
intelectualidade dos mesmos, o que seria uma grande ameaça à ordem 
 
CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
69 
naquela época, já que a visão intelectual ou uma melhor compreensão da 
realidade facilitaria para que eles e elas se percebessem como pessoas 
que também mereciam liberdade e que, portanto, a saída seria a não 
aceitação à imposição vigente na época. O outro fator que negava o 
direito a vida escolar do negro se baseia na idéia de contaminação do 
corpo social, ou seja, o contato da sociedade branca com os escravos e 
africanos poderia contaminar, sobretudo, as crianças com uma cultura 
primitiva, assim vista pela sociedade servil em relação a cultura africana. 
No entendimento da classe dominante da época, isso seria inadmissível 
se quisesse manter a formação de uma boa sociedade (CUNHA, 1996, 
p.37). 
 
Foi promulgada, em 1871, a lei do Ventre Livre que visava à liberdade 
das crianças nascidas a partir daquela data e que eram filhos de escravas, 
prevendo também medidas de criação e tratamento a essas crianças, que na 
prática só causou o abandono e o aparecimento de órfãos que eram recolhidos 
pela igreja e usados para fins comerciais e serviços domésticos. Essa lei não 
beneficiou em nada as crianças, apenas deram outra destinação, já que os 
mesmos assim como os idosos não serviam para o trabalho pesado. 
 Em 28 de setembro de 1885 foi promulgada a Lei dos Sexagenários que 
garantia a liberdade aos negros com mais de 65 anos de idade, tendo em vista a 
péssima qualidade de vida que a população negra tinha nessa época, essa lei 
realmente não serviu para a maioria dos escravos, afinal pouquíssimos 
chegavam a completar a referida idade, acabavam morrendo antes. 
Somente em 13 de maio de 1888 a Lei Áurea extinguiu a escravidão no 
Brasil, muito mais por pressão popular do movimento abolicionista e pela 
inviabilidade econômica da escravatura, além da visão política internacional que 
já estava voltada para os ideais de liberdade, igualdade e fraternidade 
propagados pela revolução francesa. Assim, como as outras leis, a lei Áurea 
também não garantiu nenhum benefício aos negros libertos, relegando aos 
libertos condições de igualdade de vida para ingresso em uma sociedade, ainda 
totalmente impregnada pela cultura discriminatória, separatista e com sérios 
traços racistas. Segundo Fonseca (2009, p.66) “ O escravismo demorou a cair, 
mas caiu pela força, vontade e determinação de mitos, não pela graça de 
pseudorepublicanos e liberais altruístas.” O dia 13 de maio de 1888 foi uma 
vitória dos negros em movimento dos séculos XVI a XIX. 
 Com o sancionamento das leis citadas esperava-se que o império 
empreendesse condições de escolarização dos negros, mas por falta de 
condições materiais, financeiras foi impossibilitado o direito do negro, durante 
mais esse período, o acesso à educação. 
70 
 CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
 
3 AVANÇOS E RETROCESSOS NO PROCESSO EDUCACIONAL DO NEGRO 
BRASILEIRO 
 
Depois de um longo período de escravidão no final do século XIX, logo 
após a Abolição da escravatura foi Proclamada a República, em 1889, e com 
isso se renovava as esperanças do país ter uma nova postura em relação aos 
negros diante de anos relegados a plano nenhum que visasse à inclusão do 
negro na sociedade brasileira. 
Para que haja compreensão sobre o processo de avanços e retrocessos 
na educação do negro no Brasil é necessário que se tenha uma clara visão do 
que sejam políticas públicas e ações afirmativas, já que as mesmas serão o alvo 
de entendimento para a compreensão onde se avançou ou retrocedeu na 
educação do negro brasileiro. 
Segundo Cunha (2002) as políticas públicas têm sido criadas como 
resposta do Estado às demandas que emergem da sociedade e do seu próprio 
interior, sendo a expressão do compromisso público de atuação numa 
determinada área em longo prazo. Desta forma, entende-se que é através das 
políticas públicas que surgem as leis que são oriundas de demandas populares 
advindas das necessidades sociais. 
Ainda visando ampliar o entendimento sobre os avanços e retrocessos 
no processo educacional do negro também é preciso conceituar o que são 
“Ações Afirmativas”, pois essas também são importantes para a compreensão 
desse contexto. Segundo o SINAPIR – Sistema Nacional de Promoção da 
Igualdade Racial, 2012, Ações Afirmativas são políticas públicas feitas pelo 
governo ou pela iniciativa privada com o objetivo de corrigir desigualdades 
raciais presentes na sociedade, acumuladas ao longo de anos. Uma ação 
afirmativa busca oferecer igualdade de oportunidades a todos. As ações 
afirmativas podem ser de três tipos: com o objetivo de reverter a representação 
negativa dos negros; para promover igualdade de oportunidades; e para 
combater o preconceito e o racismo. 
No século XX, apesar de não haver mais escravidão, pelo menos na 
forma legal como se dava antes, o Brasil ter passado de um regime político 
Monárquico para o regime Republicano que por suas características mais 
democráticas e liberais poderia significar que de imediato a situação educacional 
do negro no Brasil seria melhorada através de políticas públicas e ações 
afirmativas que visassem o melhoramento da condição social do negro, mas, 
 
CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
71 
infelizmente, não foi assim. A discriminação racial era velada, mesmo com o 
término da escravidão não significava que havia terminado o racismo. 
 
3.1 AVANÇOS 
 
Apesar de tudo, as alterações na constituição brasileira permitiram com 
que os negros tivessem acesso à escola pública e que muitos iniciassem seu 
processo de escolarização dando assim condição de serem alfabetizados e até 
aprendessem atividades profissionais em instituições como o Liceu de Artes e 
Ofícios, oportunizando a mudança da condição de vida da população negra. 
Outro importante avanço, segundo Fonseca (2009), para a educação do 
negro no Brasil foi o aparecimento do movimento negro na década de 30 que 
combatia as condições precárias de vida e através de sua militância constante 
por vezes conseguiram fazer frente a truculência da polícia, organizar ações junto 
as comunidades negras e trabalhar a conscientização da sociedade da época 
para que fosse dada a abertura necessária para uma melhor posição do negro 
frente aos desafios de um país ainda em desenvolvimento. 
Durante muito tempo a própria escola mantinha uma estrutura curricular 
excludente onde valorizava a cultura europeia e a imagem do homem branco 
dando a falsa imagem que o negro era indolente e, por isso, os livros didáticos 
reforçavam a discriminação, o racismoe promovia o sentimento de inferioridade 
nos negros. A Constituição Federal de 1988 aborda em seu Art. 5: “Todos são 
iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos 
brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito á 
vida, á liberdade, à igualdade, à segurança e à prioridade” (BRASIL,1988, p.15). 
A criação do documento que apoiou a condição do negro na educação 
no Brasil, mesmo não sendo específico, foi a Lei nº 9.394 que estabeleceu as 
diretrizes e bases da educação nacional, mais especificamente nos Artigo 3º 
item XII – consideração com a diversidade étnico-racial (incluído pela lei nº 
12.796,de 2013), Art.25º item VI – O ensino da História do Brasil levará em 
conta as contribuições das diferentes culturas e etnias para a formação do povo 
brasileiro, especialmente das matrizes indígena, africana e europeia. 
E, ainda, o Art.26º que trata sobre o conteúdo programático com a 
inclusão da história da África. É claro que o documento como um todo é um 
importante avanço no contexto educacional dado a sua amplitude no contexto da 
72 
 CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
 
educação no país, especificamente nesses quesitos, pela primeira vez foram 
contempladas algumas demandas relacionadas à educação do negro. 
Para Silva (2003, p.12) outra importante Lei foi a 10.639/03 que visava 
a inclusão no currículo oficial da rede de ensino a obrigatoriedade da temática 
‘História e cultura afro-brasileira), introduzindo no cotidiano escolar a história da 
África, além de outras ações afirmativas que modificam o panorama do negro na 
educação no Brasil e ao mesmo tempo traduz uma nova perspectiva em relação 
ao pensar e fazer educação no âmbito de um país multirracial e ainda com tantas 
diferenças e reparações a serem feitas. 
Associados a Lei de Diretrizes e Bases da Educação estão os 
Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), que formaliza a política educacional 
no aspecto das diferenças culturais existentes nas escolas, sendo esse 
responsável em reconhecer, defender e disseminar a integração de uma postura 
de respeito e uma melhor convivência diante das diferenças culturais, e nesse 
contexto também está incluso o aspecto étnico-racial. 
 
Assim, a pluralidade étnica da sociedade e, principalmente, do espaço 
escolar constitui um tema que parece não ter importância para o 
desenvolvimento do trabalho escolar. Não obstante, constata-se que o 
respeito às diferenças étnicas não é verbalizado de maneira elaborada 
pelas professoras. Também no planejamento escolar, essa questão não 
está colocada de maneira explícita (CAVALEIRO, 2000, p. 48). 
 
Por isso, no contexto dos avanços para a educação do negro esses 
documentos representam um importante elemento que viabiliza e normatiza o 
trabalho escolar no aspecto do respeito as diferenças étnicas, ainda que não 
esteja sendo implementado por muitas escolas de maneira efetiva, mas como 
tudo que está nas leis ou documentos não são de imediatos assimilados, e 
consequentemente posto em prática, acredita-se com o passar dos anos e com 
a familiarização dessa prática torne-se realidade. 
O sistema de cotas estabelecido não só para a entrada nas 
universidades públicas, assim como para participação e seleção em concursos 
públicos é um dos principais avanços para a reparação histórica da desigualdade 
social provocada pela escravatura, longe de resolver todas as diferenças, 
carências ou desigualdades que ao longo da história foram estabelecidas pela 
sociedade brasileira, mas se consolidando como um importante passo para um 
futuro menos desigual com mais equidade de condições em relação à educação 
e ao acesso ao trabalho. 
 
 
CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
73 
3.2 RETROCESSOS 
 
Muitas seriam as críticas que poderiam ser feitas as várias ações e até 
mesmo aos documentos já citados acima como importantes avanços ao 
desenvolvimento da educação do negro no Brasil já que os mesmos também 
apresentam em seu conteúdo ainda traços de uma educação tradicional que nos 
mostra que ainda não quebraram todos os laços e paradigmas com o passado 
repressor que reforçava a ideia de discriminação e diferença entre os homens. 
Para iniciar o que se considera os principais traços de retrocesso para a 
educação do negro no Brasil é importante que se coloque alguns fatos históricos 
que os fizeram chegar aqui depois da abolição. É claro que o fato de no 
conteúdo da Lei Áurea não ter garantido nenhum beneficio ou assegurado uma 
melhor condição de vida aos negros libertos, assim como um ressarcimento 
pelo seu trabalho provocou uma situação de grande prejuízo aos negros em 
todos os aspectos para sua firmação social no Brasil. 
Com a queda da Monarquia e a proclamação da República acreditava-se 
que uma nova ideia de sociedade mais liberal, mais inovadora trouxesse com ela 
novas práticas em relação aos negros. Muito pelo contrário, logo depois da 
abolição a Princesa Isabel pretendia dar aos ex-escravos uma indenização e 
benefícios sociais visando à integração social dos mesmos e o teria feito no ato 
da lei áurea se não fosse a pressão estabelecida pelos republicanos e 
escravocratas que não desejavam de maneira alguma prover tais benefícios aos 
negros, pois isso traria prejuízos na visão deles à economia da época. 
Ainda assim a princesa decidiu enviar para votação projeto de lei 
contemplando os benefícios sociais aos negros, mas com o golpe da 
proclamação da República todos os documentos dos negros escravizados 
inclusive (livros, matriculas e registros) foram queimados sistematicamente, 
impossibilitando qualquer ação de imediato que beneficiasse aquela população. 
Durante muito tempo a elite que comandava o país que também se 
consolidou como os principais grupos e classes econômicas ditavam a forma 
como as políticas públicas deveriam chegar à população, e a realidade social do 
negro, que era também pobre e marginalizado já que não tinha terra para 
trabalhar ou morar, lhe era dado os empregos menos reconhecidos 
financeiramente e socialmente, assim como a educação não chegava a lhe dar 
condições melhores de inserção social já que só chegava a concluir as séries 
iniciais, ficando as faculdades para os filhos das famílias mais abastadas. 
74 
 CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
 
Por isso, a falta de uma reforma agrária também se consolida um 
importante fator de retrocesso para a integração social do negro no Brasil já que 
a falta de terra para morar e trabalhar até o momento influencia diretamente na 
qualidade de vida e desenvolvimento da população negra. O êxodo rural e o 
inchaço das cidades muito se deveram a falta dessa reforma agrária, e 
consequentemente, provocando um colapso urbano que mandou os negros para 
as favelas com condições de vida muito ruins, com isso a educação nesse 
contexto é uma condição ainda mais difícil para o alcance do negro. 
 
4 CONSIDERAÇÕES FINAIS 
 
A pesquisa realizada visou analisar as políticas públicas e ações 
afirmativas educacionais para o negro no Brasil, trazendo uma breve análise 
histórica relatando seus principais atos e fatos que contribuíram para a 
configuração da educação do negro brasileiro. Nesse contexto foram apontadas 
as principais situações, causas e acontecimentos que fizeram com que a 
educação do negro no Brasil tivesse ainda os traços de desigualdade 
apresentados através do contexto atual da educação brasileira. 
A desigualdade de oportunidades do homem negro em relação ao 
homem branco nas áreas de educação, emprego e renda deixa clara ainda o 
distanciamento entre a realidade atual e o ideal para que se tenha uma equidade 
de condições entre a população negra e branca nesse país, mas, acima de tudo, 
traz a compreensão da importância das políticas públicas e ações afirmativas 
como o amparo legal e norteador das ações das diversas instituições e 
organizações para direcionar melhor os caminhos que se deve seguir, sejam elespara a educação ou qualquer outra área do desenvolvimento humano. 
O trabalho oportunizou a visão de que os caminhos que trouxeram a 
configuração atual da educação no negro no Brasil estão distantes de diminuir de 
uma vez suas distâncias de acessos dos negros aos itens básicos de 
sobrevivência, mas com a aplicação de políticas públicas mais humanas e 
democráticas, que abranjam as verdadeiras necessidades de sua população, 
especialmente a mais carente, é possível diminuir as desigualdades e trazer uma 
nova perspectiva de crescimento, igualdade e oportunidades para os brasileiros 
e, em especial, da população negra já que quando se fala de carência, pobreza e 
desigualdade em sua maioria tratam-se desse grupo étnico. 
O objetivo da pesquisa era realizar uma pequena contribuição para 
fomentar a importância que as políticas públicas têm para a formação e 
 
CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
75 
desenvolvimento da educação desse país e o quanto isso poderá oportunizar 
para o negro um futuro melhor. 
 
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Políticas Públicas: Antecedentes Históricos. UFR, 2012. 
 
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(Org.) Politícas Públicas. Belo horizonte: UFMG, 2002. 
 
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LAKATOS, Eva Maria; MARCONI, Marina de Andrade. Fundamentos de 
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POLITICAS Públicas de Inclusão e Promoção da Igualdade Racial para o Povo 
negro da Cidade de Salvador, Instituto Búzios, Salvador, 2004. 
 
 
 
http://www.seppir.gov.br/assuntos/o-que-sao-acoes-afirmativas
76 
 CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
 
REGIÃO DE INTEGRAÇÃO METROPOLITANA DE BELÉM FRENTE AO PROCESSO 
DE EXPANSÃO URBANA 
 
FRANCIELE MULLER PRADO
1
 
GRACILENO TRINDADE PIMENTEL
2
 
 
RESUMO 
 
O presente artigo trata da Região de Integração Metropolitana de Belém, e nessa 
discussão procurou informar o surgimento, os aspectos físico-espaciais, 
sociais, econômicos e políticos dessa região, bem como as cidades 
componentes, suas estruturações e reestruturações, alinhados aos dados atuais 
relacionados à população e também as ideias de diferentes autores sobre o 
assunto. Essa pesquisa objetivou demonstrar quais as cidades que fazem parte 
da Região de Integração Metropolitana de Belém, o processo de urbanização, 
metropolização, estruturação e reestruturação, a expansão da Região 
Metropolitana de Belém e migrações; assim como temas atuais como: as 
políticas de gestão e problemas sócio espaciais. 
 
Palavras-chave: Estruturação e reestruturação. Metropolização. Expansão 
urbana. 
 
1 INTRODUÇÃO 
 
O Estado do Pará é o segundo maior estado brasileiro, com 
aproximadamente 1.247.689,515 km², e uma população estimada em 
8.073,994, é o 9º estado mais populoso do Brasil e o de maior população do 
Norte. 
No que refere a sua localização, situa-se na Região Norte do país, mais 
precisamente, na Amazônia Legal, e é formado por 144 municípios. O Pará faz 
fronteira com Suriname e o Amapá ao norte, o oceano Atlântico a nordeste, o 
Maranhão a leste, o Tocantins a sudeste, o Mato Grosso a sul, o Amazonas a 
oeste e Roraima e a Guiana a noroeste. 
Existem duas divisões territoriais no Estado do Pará. Uma é a divisão 
criada pelo IBGE e a outra é a divisão criada pelo Governo do Estado, Ana Júlia, 
entre os anos de 2007 a 2011, e esta denomina-se Regiões de Integração. Neste 
 
1 Graduada em Ciências Sociais pela UEM, Especialista em Educação a Distância e Mestre em 
Ciências Sociais na Área de Concentração de Sociedade e Políticas Públicas pela UEM-PR. 
2 Graduado em Teologia pela UNICESUMAR, graduando do Curso de Licenciatura em História 
também pela UNICESUMAR e graduando do Curso de Licenciatura em Geografia pela UFPA. 
 
CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
77 
artigo optou em utilizar a divisão do Governo do Estado do Pará, que ao todo são 
doze regiões. Nesse estudo, discutiu sobre alguns aspectos sociais, espaciais, 
econômicos e políticos da Região Metropolitana de Belém. Sendo assim, surgem 
as seguintes perguntas: como surgiram as primeiras comunidades na Amazônia 
(não referido as indígenas)? E, a altura que essas comunidades foram se 
organizando, como ocorreram às fases de estruturação territorial? Quando houve 
um processo jurídico, legalizando-a como região metropolitana? E sobre os 
processos migratórios, de onde esses imigrantes vieram? E como problema 
central de da pesquisa tem a seguinte pergunta: em que medida Belém está 
sendo ou foi estruturada a fim de atender um plano de cidade que acolha os 
interesses da população? 
 
2 HISTÓRICO SOBRE O SURGIMENTO DAS PRIMEIRAS COMUNIDADES NA 
AMAZÔNIA 
 
Existem inúmeros livros, artigos, dissertações, teses e outras 
publicações que falam do surgimento das primeiras comunidades na Região 
Norte, e um desses autores é Corrêa (1989), para este, as primeiras 
comunidades na Amazônia surgiram às margens dos rios. Anteriormente, quase 
toda a circulação era feita através dos rios e igarapés, e o comércio marítimo foi 
de grande importância para essas comunidades, pois, através dele relações 
econômicas, sociais, religiosas e culturais passaram a se desenvolver no 
território. A circulação pelos rios na região Norte, paraense, durou bastante 
tempo. Essa fase denomina-se de “ribeirinha” (MOREIRA, 1989). 
Posteriormente, passou-se a se criar caminhos no território. Em 
seguida, começou a ser construída uma Estrada de Ferro, no ano de 1883, um 
ano depois, em 1884, foi inaugurada. Seu primeiro trajeto foi de apenas 29 km, e 
ligava o bairro de São Brás na capital Belém ao município de Benevides 
(ALENCAR, 2008). A construção da Estrada de Ferro tinha a intenção de 
ligar Belém ao município de Bragança, no nordeste paraense. O objetivo principal 
da Estrada de Ferro era o de escoar os produtos agrícolas das pequenas vilas 
existentes entre Bragança e Belém, mas, foi apenas no ano de 1908 que a 
ferrovia alcançaria sua extensão máxima de 229 km (LEANDRO 2012), ficando 
assim conhecida como Estrada de Ferro Belém-Bragança. 
Em meados do século XX, durante o governo do presidente Juscelino 
Kubitschek entre 1956 e 1961, há um processo chamado de o Plano de 
78 
 CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
 
Metas,nesse programa dizia-se: 50 anos de progresso em 5 anos de realizações. 
Este plano era marcado por investimentos em estradas, em siderúrgicas, em 
usinas hidrelétricas, na marinha mercante e pela construção de Brasília e 
baseava-se em “30 metas”, divididas em: Setores da energia 1 – 5; Setores do 
transporte 6 – 12; Setores da alimentação 13 – 18; Setor da indústria de base 19 
– 29; Setor da educação 30 (REPÙBLICA, 1958, p. 17 - 20). 
Um dos objetivos do Plano de Metas era a construção de estradas. 
Foram construídas novas vias de circulação dentro do território Nacional e uma 
dessasfoi à criação da rodovia BR-316, que liga o Estado do Pará ao Estado de 
Alagoas. Outra foi a BR-010 - mais conhecida como Rodovia Belém-Brasília. A 
partir dessas rodovias e estradas construídas, os espaços urbanos na Amazônia 
passaram a ser redefinidos. 
 
 2.1 FASES DA ESTRUTURAÇÃO TERRITORIAL 
A estruturação da Região Metropolitana de Belém (RMB) foi um 
processo gradativo e que ocorreu em momentos diversificados. Ddivide em três 
fases esse processo de estruturação territorial na RMB. A primeira é a ribeirinha, 
esta se inicia em 1616 com a fundação da cidade de Belém, e vai até o século 
XVIII; a segunda é a Penetração ou Interiorização, que vai do século XVIII ao 
século XIX. A terceira é a Continentalização, esta vai do século XIX em diante 
Moreira (1989),. 
Já Trindade Jr. (2013) concorda em parte com Moreira, mas acrescenta 
mais uma fase, a Metropolização. Esta começa na década de 60 do século XX. 
Para ele, essa quarta fase é caracterizada pelas transformações da integração 
econômica ao Nordeste e ao Centro-Sul do Brasil, tendo como marco a 
inauguração da Belém-Brasília. Essa quarta periodização é marcada por uma 
série de fatores distintos. De um lado temo moderno, o sofisticado, o luxuoso; 
do outro temas favelas crescendo de forma desproporcional, a falta de 
residências para muitas famílias, e ainda, os serviços públicos precários que não 
conseguem atender a necessidade da população. 
 
2.2 INSTITUIÇÃO LEGAL DE REGIÃO DE INTEGRAÇÃO METROPOLITANA 
A RMB foi constituída pela Lei Complementar federal n. 14, de 08/06/73, 
e seus Conselhos Deliberativo e Consultivo foram criados pela Lei estadual n. 
4.496, de 03/12/73. Até a metade da década de 1990 estava composta pelos 
 
CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
79 
municípios de Belém e Ananindeua, quando houve a sua redefinição físico-
espacial, sendo ampliada pela Lei Comp. nº 27 de 19/10/1995, esta lei veio a 
incluir os municípios de Marituba, Benevides e Santa Bárbara. 
Totalizando todas as cidades que fazem parte da RMB soma-se uma 
área de 1.819, 232 Km², com uma população de 2.129.515 habitantes 
(IBGE/IDESP APUD ANUÁRIO PARA, 2014/2015). 
 
Quadro 1 - Características da Região de Integração Metropolitana. 
 
1. População Absoluta: 2.129,515 hab (IBGE/IDESP, 2014); 
2. Densidade Demográfica: 1.170,38 hab/km² (IBGE/IDESP, 2014); 
3. População masculina: 25,14% (IBGE/IDESP, 2012); 
4. População feminina: 28,06% (IBGE/IDESP, 2012); 
5. População de 0 a 14 anos: 21,21% (IBGE/IDESP, 2012); 
6. População jovem entre 15 a 29 anos: 26,41% (IBGE/IDESP, 2012); 
7. População adulta entre 30 a 59 anos: 31,85% (IBGE/IDESP, 2012); 
8. População idosa acima de 60 anos: 31,94% (IBGE/IDESP, 2012); 
9. Índice de Desenvolvimento Humano – IDH: 0,729 (IBGE 2012). 
 
Fonte: IBGE/IDESP/Elaboração: IDESP. 
 
Quadro 2 - Sobre o aspecto econômico a RMB apresenta os seguintes dados: 
 
1. Produto Interno Bruto - PIB: R$ 26.995,282,00 (ano 2012); 
2. PIB per capita: R$ 5.068,37 (ano 2004); 
3. Valor Adicionado agropecuária: participação no estado 1,39 % (ano 2011); 
4. Valor Adicionado Indústria: participação no estado 10,24 % (ano 2011); 
5. Valor Adicionado Serviços: participação no estado 41,84 % (ano 2011). 
 
Fonte: IBGE/IDESP/Elaboração: IDESP. 
 
3 ESTRUTURAÇÃO E REESTRUTURAÇÃO METROPOLITANA 
 
Para que estruturar a RMB diversas ações foram realizadas, destacando-
se a elaboração do Plano Diretor da Grande Belém, de 1975 (CODEM, 1975), e o 
Plano de Estruturação Metropolitana de 1980 (GEOTÉCNICA, 1980), ainda que 
os mesmos tenham sido motivados principalmente pelas determinações 
federais. Durante as décadas de 60, 70 e 80, houve investimentos bastante 
80 
 CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
 
significativos por parte do governo Federal em construções de conjunto 
habitacionais, as COHABs. Esses conjuntos começaram a reestruturar a RMB. 
E o que caracteriza a reestruturação do espaço metropolitano? Os 
condomínios fechados, conjuntos habitacionais, prédios, universidades, praças, 
clubes, áreas de lazer, igrejas, ginásios, bares, shopping centers, etc.; também a 
chegada das empresas imobiliárias, ocupações, ações do estado, entre outros. 
 
3.1 A EXPANSÃO DA REGIÃO METROPOLITANA DE BELÉM E AS MIGRAÇÕES 
 
Como se deu a expansão da RMB quando se leva em consideração os 
fluxos migratórios? Segundo Barros, et. al. (2008), os fluxos migratórios e seus 
processos de expansão, periferização na cidade de Belém e sua região 
metropolitana deu-se a partir da expansão da malha urbana da cidade, nos 
sentidos da BR-316 e da Rodovia Augusto Montenegro, e a periferização da 
cidade por meio das diferentes ocupações e usos do solo urbano como 
consequência dessa expansão. 
Na década de 70 ocorre uma consolidação da estrutura urbana. Há uma 
concentração da cidade, principalmente no seu interior, denominada de primeira 
légua patrimonial (Figura 2). Segundo Barros, et. al. (2008, p.5), essa 
consolidação deu-se com os bairros centrais “Nazaré, Batista Campos, Reduto, 
Comércio e Umarizal, ocupados pela população de alta renda e os bairros 
periféricos, como Guamá, Terra-firme e outros, que foram ocupadas pela 
população mais carente”. Esse processo foi cada vez mais se acentuando, o que 
levou a uma interiorização do território e uma mudança paisagística. Não se pode 
pensar que essa estruturação se deu de forma homogênea e seguida 
cronologicamente, claro que não. Houve rupturas, esse momento foi constituído 
de pessoas com diferentes níveis sociais, culturais e econômicos. 
A estrutura urbana desse período foi alicerçada também com o 
fortalecimento do processo de ocupação das baixadas periféricas, que se 
fizeram a partir de imigrantes advindos do interior do estado e de outras regiões, 
principalmente do Nordeste brasileiro. Segundo Barros, et. al. (2008, p.4): 
 
Com a vinda do trabalhador do campo, o inchaço das cidades torna-se 
cada vez mais difícil de serem controlados, pois ao chegar, esse 
trabalhador encontra as áreas centrais especuladas e valorizadas e as 
periferias ao redor dessas áreas com seu processo de ocupação 
consolidada, e assim tomam um novo destino que chamamos área de 
expansão que surgem com o afastamento gradativo das pessoas do 
centro, a formação de novos bairros e a chegada a zonas mais afastadas. 
 
CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
81 
No decorrer da década de 80 a estrutura urbana passou a sofrer 
algumas alterações, devido à onda migratória ocorrida desde a década de 70, 
houve a necessidade de se construir mais habitações. Isso veio a ocasionar o 
processo de verticalização de alguns bairros como: Umarizal, Nazaré e Batista 
Campos, para atender a demanda da classe de alta renda. No que concerne às 
políticas públicas para o setor de classe baixa, foram financiados vários 
programas que visavam o aterramento e saneamento das áreas alagáveis mais 
próximas da área central da cidade, ocasionando, consequentemente, uma 
valorização do solo urbano. 
Neste contexto, o Estado passa a programar políticas relacionadas à 
construção de conjuntos habitacionais, as ditas (COHABs), mas desta vez, ao 
longo dos eixos rodoviários, consolidando uma nova paisagem, a qual veio 
denominar-se de: Região Metropolitana de Belém (SOUZA, 2003 apud BARROS, 
et. al. 2008, p. 6), e que Barros, et. al. (2008, p. 6), denomina de área de 
expansão (Figura 3). 
A partir da década de 80 e 90, a RMB passa a se expandir de forma 
horizontal como uma mancha urbana descontínua, se estendendo pelos 
municípios: Belém, Ananindeua, Marituba, Benevides e Santa Bárbara do Pará 
(Quadro 1). 
Barros, et. al. (2008, p.6) observa nesse fluxo migratório de expansão 
descontinua, um problema que de início atinge a população de baixa renda, e 
que posteriormente tende a atingir a população de nível mais elevado. “Porém a 
mais grave face deste processo é a periferização da população de menor poder 
aquisitivo expulsas do centroe da periferia imediata ao centro” . 
Sobre a migração na atualidade no Estado do Pará e na RMB, dados do 
Censo 2012 trazem às seguintes informações: apenas 3.574 estrangeiros vivem 
no Pará. Com mais de 7 milhões de habitantes, esse número representa um 
percentual de 0,04% da população. (IBGE 2010). 
As cidades paraenses com o maior número de não-brasileiros são 
Belém com 1.776, e Ananindeua com 474. Quando se refere ao número de 
naturalizados tem os seguintes dados: a capital Belém tem apenas 649, 
Ananindeua conta com 179 (IBGE 2010). 
Já quando se trata de pessoas que vieram de outros estados, 
novamente tem Belém na frente com 102.278, em segundo lugar Marabá com 
87.274, em terceiro Parauapebas com 86.094 e em quarto Ananindeua com 
44.385 (IBGE 2010). 
82 
 CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
 
Esses imigrantes que vieram para a RMB têm como origem: nordestinos 
(principalmente de cearenses e maranhenses), que ficaram ao longo da estrada 
de ferro Belém-Bragança, e pessoas vindas do interior do estado (principalmente 
do nordeste paraense). Os motivos de migração são vários, mas a maioria vem 
em busca de trabalho e para estudar. 
 
4 GESTÃO METROPOLITANA DE BELÉM 
 
Em 1974, o Governo Federal criou a Comissão Nacional de Regiões 
Metropolitanas e Políticas Públicas, com o objetivo de coordenar e gerenciar as 
políticas públicas referentes às regiões metropolitanas. Um ano depois, em 
1975, o governo do estado do Pará cria o Sistema Estadual de Planejamento, e 
ao mesmo tempo anexa a Secretaria de Estado de Planejamento e Coordenação 
Geral (SEPLAN), que deveria desenvolver políticas públicas municipais e 
metropolitanas através de uma Coordenadoria de Desenvolvimento Urbano e 
Metropolitano (CODEURB). Hoje, esses órgãos (SEPLAN e CODEURB), não 
existem mais (IPEA/IDESP 2012). 
Depois que esses dois órgãos foram extintos não foi criado outro que 
viesse coordenar a RMB. Sendo assim, às políticas públicas para atender a 
necessidade dessa região fica, até então, sob a responsabilidade de cada 
governo que entra, através de secretarias que são criadas. 
 
 Quadro 3 – Entraves à Região Metropolitana de Belém. 
 
1. A configuração da RMB, não possui uma urbanização do território homogênea como já 
dito anteriormente, contribuindo desta forma para que o predomínio das políticas urbanas 
nestes municípios seja voltado para a resolução dos seus problemas em menor escala; 
2. A não inserção dos municípios no planejamento das ações da NGTM e a falta de uma lei 
de reestruturação da SEIDURB; 
3. A descontinuidade de um órgão gestor metropolitano; 
4. A não existência de um Plano Metropolitano; 
5. A implementação das ações do Fundo e Conselhos Metropolitanos; 
6. O impacto das ações do Programa Ação Metrópole sobre as Funções Públicas de 
Interesse metropolitano. 
Fonte: IPEIA/IDESP 2012. 
 
É importante ressaltar que a RMB tem sofrido em vários aspectos, 
dentre estes seleciona-se apenas os de maior prioridade. Sendo assim, percebe-
 
CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
83 
se que às políticas publicas não estão atendendo às necessidades das 
comunidades pertencentes a essa região, causando com isso inúmeros 
transtornos em diversas áreas. 
 
4.1 ALGUNS QUESTIONAMENTOS SOBRE A REGIÃO METROPOLITANA DE 
BELÉM 
 
1. Segurança Pública: No quesito segurança a RMB está necessitando de 
grandes investimentos como: ações de inteligência policial, melhor 
preparação de todas as corporações, concursos para mais policiamento e 
recuperação de presídios. A insegurança pode ser fator desestimulante de 
investimentos externos e internos, também contribui para o declínio da 
atividade produtiva, do emprego e da renda agravando as desigualdades 
sociais e regionais. Segundo dados sobre criminalidade, um deles chama a 
nossa atenção de forma preocupante, o número de mulheres estupradas na 
RMB aumentou. De 815, em 2010, passaram para 956, em 2013, um aumento 
de 13% (Portal G1). 
 
2. Saneamento Básico: Existem também questões sérias de saneamento na 
cidade de Belém em vários bairros cortados por igarapés. Ações de 
ordenamento territorial, drenagem, esgoto sanitário, abastecimento de água, 
poderiam ser empreendidas em parceria com a Prefeitura de Belém, através 
de financiamentos externos. Grande parte dos esgotos é despojado nos rios e 
igarapés, de onde inúmeras comunidades utilizam água para consumo 
próprio. 
3. Transporte: O sistema de transporte na RMB também deve ensejar ações do 
Governo do Estado visando à efetiva integração dos cinco municípios que a 
compõem. O Plano de Desenvolvimento de Transportes da RMB foi 
atualizado e nele constam os principais investimentos necessários e os 
estudos de viabilidade da proposta. Atualmente, a questão da acessibilidade e 
a desorganização do trânsito é um dos fatores que mais influência a baixa 
economia do espaço regional. 
4. Educação: No setor educacional observa-se ainda uma alta taxa de 
abandono no ensino médio (14,34%,) e no ensino fundamental de cerca 
de 9%. Outro problema sério é que os estado do Pará, e também a RMB, 
84 
 CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
 
não tem apresentado um bom desempenho nas provas que avaliam a 
educação no Brasil, como o ENEM e outros (ENEM, 2014). 
 
5 METODOLOGIA 
 
O presente artigo teve como metodologia a bibliográfica. Nesta pesquisa 
foram consultados livros, atlas geográficos, artigos, teses, coletâneas, consultas 
de portais na internet, sites, etc. Também foram utilizados mapas, gráficos, 
tabelas e quadros, onde, nestes foram inseridas informações e dados coletados, 
objetivando melhor compreensão desse estudo. Desta forma, observou-se 
nesses materiais que outros pesquisadores já haviam discursado a respeito do 
assunto em questão. As contribuições outorgadas por estes estudiosos foram 
analisadas e mescladas como resultado deste árduo trabalho, tendo em mãos 
este material redigido em forma de artigo. Metodologicamente as bibliografias 
utilizadas são de grande importância para pesquisa do assunto em pauta, 
também para outros assuntos. 
Procurou realizar essa pesquisa, sem, contudo, deixar os sentimentos 
interferirem na analise, para que pudésseter um resultado mais próximo da atual 
realidade da região, e ainda, fazer um estudo cientifico. 
 
6 CONSIDERAÇÕES FINAIS 
 
A conformação urbana atual apresentada pela RMB, que faz do espaço 
não só um resultado dessas condições de urbanização, mas o que acontecem 
na região amazônica, resultante de uma estratégia para a sua apropriação nos 
moldes de reprodução das relações capitalistas. 
A partir do conhecimento desses estudiosos e desta pesquisa chegou a 
analise de que o processo de expansão urbana da RMB teve seu inicio, por volta 
do século XVII, mas que esse processo de estruturação e reestruturação veem 
se desenvolvendo ao longo anos, segundo interesses do governo Estadual ou 
Federal, das empresas imobiliárias, dos grandes empresários, das ocupações, e 
outros. 
Assim, a Região de Integração Metropolitana de Belém, 
concomitantemente ao processo de estruturação, reestruturação e expansão, 
traz consigo inúmeros fatores de ordem: social, espacial, econômico, política, e 
outros; que podem ser tanto benéficos como prejudiciais à sociedade. 
 
 
CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
85 
REFERÊNCIAS 
 
ALENCAR, José de. A história da Estrada de Ferro de Bragança. Jornal on line da 
cidade de Bragança, Bragança, 7 set. 2008. Disponível em: 
<http://www.correiobragantino.com.br/arq_trem/trem.html>. Acesso em: 11 
dez. 2015. 
 
ANUÁRIO DO PARÁ 2014/2015/ Jornal Diário do Pará.-v.2, n.2, 2014.- Belém: O 
Jornal, 2014- 
 
BARROS, Diego Mercês de, et. al. Fluxos migratórios e seus processos de 
expansão e periferização na cidade de Belém e sua região metropolitana. XVI 
Encontro Nacional de Estudos Populacionais, ABEP, realizado em Caxambu- MG 
– Brasil, de 29 de setembro a 03 de outubro de 2008. 
 
CORRÊA, Roberto L. A redeurbana. São Paulo: Ática, 1989. (Série Princípios) 
 
IBGE. Censo 2000/2010. Disponível em: http://www.cidades.ibge.gov.br//. 
Acesso em: 30 Abr. 2015. 
 
IDESP Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social do Pará. Região 
Metropolitana de Belém – histórico, análise e proposições: contribuição aos 
constituintes do estado do Pará. Belém, 1989. 
 
IPEA/IDESP. Projeto Governança Metropolitana do Brasil: Oficina 1: Arranjos 
Institucionais de Gestão Metropolitana. Disponível em: 
http://www.ipea.gov.br/redeipea/images/pdfs/governanca_metropolitana/projeto_
governanca_oficina1_pa.pdf. Acesso em 30 de Abril de 2015. 
 
LEANDRO, Leonardo Milanez de Lima. A Estrada de Ferro de Bragança e a 
colonização da zona bragantina no Estado do Pará. III Congresso 
Latinoamericano de Historia Económica. San Carlos de Bariloche, 23 - 27 de 
Out. 2012 
 
MOREIRA, Eidorfe. Belém e sua expressão geográfica. In: PARÁ. Obras reunidas 
de Eidorfe Moreira. Belém: Cejup, 1989. v.1. 
 
Portal G1. Migração de outros estados para o Pará reduz 90% em dez anos. 
Disponível em: http://g1.globo.com/pa/para/noticia/2012/05/migracao-de-
outros-estados-para-o-para-reduziu-90-em-dez-anos.html. Acesso em 28 de 
Jun. 2015. 
 
TRINDADE JR., Saint-Clair C. Assentamentos Urbanos e Metropolização na 
Amazônia Brasileira: O Caso de Belém. Belém: UFPA, 2013. 
 
http://www.cidades.ibge.gov.br/
http://www.ipea.gov.br/redeipea/images/pdfs/governanca_metropolitana/projeto_governanca_oficina1_pa.pdf
http://www.ipea.gov.br/redeipea/images/pdfs/governanca_metropolitana/projeto_governanca_oficina1_pa.pdf
http://g1.globo.com/pa/para/noticia/2012/05/migracao-de-outros-estados-para-o-para-reduziu-90-em-dez-anos.html
http://g1.globo.com/pa/para/noticia/2012/05/migracao-de-outros-estados-para-o-para-reduziu-90-em-dez-anos.html
86 
 CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
 
TIC APLICADA A EDUCAÇÃO: EXPERIÊNCIAS COM O USO DE BLOG EM AULAS 
DE GEOGRAFIA 
 
GISELE SONCINI RODRIGUES
1 
ÂNGELA MARLI EWERLING LUÍZ
2 
 
RESUMO 
 
O desenvolvimento do trabalho discutiu alguns aspectos, entre possibilidades e 
desafios, em relação ao uso do blog como recurso ou estratégia pedagógica nas 
aulas de Geografia. Diante do tema surgem algumas perguntas: o blog pode ser 
uma das ferramentas para tentar atrair o educando no ensino da Geografia? 
Quais as possibilidades e desafios já observados na tentativa de uso do blog na 
disciplina de Geografia? Para tanto desenvolveu-se um trabalho com o uso de 
blog direcionado a alunos do 9º Ano do Ensino Fundamental II (escola do 
campo) e 4º Ano - Curso Técnico em Meio Ambiente e Técnico em Química, do 
período noturno, do Colégio Estadual São Mateus (escola urbana). Observou-se 
que os alunos aprovam o blog como possibilidade de dinamização da 
aprendizagem, porém, ainda existem várias dificuldades para otimiza-lo como 
canal de interação no processo de ensino e aprendizagem. Para realização do 
presente artigo utilizou-se a pesquisa bibliográfica, na qual foram utilizados livros 
e artigos científicos que tratam do referido tema. 
 
PALAVRAS-CHAVE: Ensino e aprendizagem. Geografia. Tecnologia. Blog. 
 
1 INTRODUÇÃO 
 
Entre os vários desafios que os professores encontram um deles é a 
respeito dos meios que podem ser utilizados para tornar a aprendizagem um 
processo atraente e significativo para o educando. Quais estratégias utilizar? 
Quais desafios promover para o educando se conectar e atingir os objetivos de 
aprendizagem propostos? Qual canal utilizar para viabilizar a interação entre os 
pares em relação ao estudo proposto? Quais ferramentas utilizar para atingir 
educandos com diferentes habilidades? 
 
1
 Graduada em Pedagogia. Especialista em Educação Infantil pela UEM, especialista em 
Psicopedagogia Institucional e Clínica pela Faculdade Maringá, professora mediadora do 
Unicesumar no curso de Pedagogia. Professora na Rede Municipal de Sarandi. 
2
 Especialista em Geografia: Meio Ambiente e Desenvolvimento Regional – Unespar/União da 
Vitória (2002), Especialista em Educação do Campo - UFPR (2015), Mestre em Geografia: Gestão 
do Território - UEPG (2011), Professora de Geografia na rede estadual de ensino do PR. 
 
CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
87 
Tais questionamentos implicam na relação professor-educando, bem 
como, numa metodologia de trabalho dinâmico e, ainda, na autonomia do 
educando no processo de aprendizagem, na construção dos significados de 
conceitos e seus contextos. 
 A partir desse cenário entende-se que o uso de tecnologias nas aulas 
pode ser uma estratégia para se chegar a algumas respostas das perguntas 
registradas, afinal indicam possibilidades para enfrentamento dos desafios, o 
que não exime do aparecimento de outros tantos. 
Diante disso, se faz relevante discutir sobre o uso de TIC na educação. 
Entende-se que debater sobre as possibilidades e desafios do uso do blog se 
torna interessante, por ser essa uma ferramenta que permite a utilização de 
vários recursos, e também por se tratar de um canal comum inerente a vários 
temas acessados pelos alunos no espaço cibernético da atualidade. 
Em que medida seria o blog uma das ferramentas para tentar atrair o 
educando no estudo de assuntos de Geografia? Quais as possibilidades e 
desafios já observados na tentativa de uso do blog na disciplina de Geografia? 
As discussões levantadas foram embasadas a partir de leituras sobre o uso do 
blog na educação, bem como, pelas práticas já experimentadas sobre essa 
questão, pela autora desse projeto, com seus alunos. 
 
2 O EMPREGO DE TIC NO PROCESSO DE ENSINO E APRENDIZAGEM – O BLOG 
COMO UMA POSSIBILIDADE 
 
O emprego de Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) na sala 
de aula tem sido intensificado pelos professores, na tentativa de tornar as aulas 
mais dinâmicas e atrair as crianças e adolescentes para o estudo, ante as 
transformações tão rápidas nas relações da sociedade com os recursos 
tecnológicos. 
Freire (1993 apud ALMEIDA; FERNANDES JUNIOR, 2014, p.21) afirma 
que “o educador precisa estar à altura do seu tempo”, isso exige que os 
educadores busquem se inteirar, se integrar a esses processos midiáticos e 
construir novas possibilidades para o uso de TIC nas salas de aula. 
Refletindo sobre a magnitude da colocação do autor assumiu-se o 
compromisso de se fazer algo que viesse ao encontro de sua orientação. Por 
isso, estudar para superar os desafios no uso de TIC em sala de aula, trocar 
88 
 CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
 
experiências com os demais colegas e implantar o blog como recurso para 
dinamizar as aulas de Geografia foram as propostas desenvolvidas. 
Santaella (2007) trata da alteração do comportamento das pessoas 
resultante do fenômeno que ela denomina “ecologia midiática”. A autora se 
refere ao processo desencadeado pelo surgimento de novos hábitos que as 
pessoas passam a incorporar a partir da sua interação com as novas tecnologias 
que são criadas. 
Ainda de acordo com a autora, essas novas tecnologias absorvidas e 
integradas à sociedade permitem a “presença ausência nos espaços”. Como 
exemplo ela cita três momentos: a criação do telégrafo e do telefone, do rádio e 
da televisão, e por último, a “revolução da Internet e fusão das estruturas e 
ferramentas de comunicação interativa móvel, fato que criou um espaço próprio 
chamado de cyberespaço” (SANTAELLA, 2007, p.232). 
Esses elementos impactam diretamente na vida das pessoas do mundo 
todo, pois agilizam a velocidade nos fluxos da informação. Essa é uma das 
características do processo de globalização, e a revolução tecnológica nos 
meios de comunicação tem característica positiva, por facilitar a interação e 
integração entre as pessoas, mas também representa um prejuízo àqueles que 
ficam à margem, sem acesso a essas inovações, refletindo numa desigualdade 
cada vez mais significativa entre ricos e pobres. 
Pierre Lévy(1999, p.28), explica que o cyberespaço designa o universo 
das redes digitais, um espaço no qual estão “misturadas as noções de unidade, 
de identidade e de localização.” O cyberespaço representa a possibilidade de não 
se fazer necessária a presença física no mundo da comunicação, pois as 
tecnologias criam um espaço virtual onde se estabelecem as relações 
comunicativas. 
De acordo com Santaella (2007) “a revolução implementada pela 
Internet móvel, propiciou o surgimento de alguns fenômenos - arquivos virtuais 
de codificação open source”, entre eles a tecnologia colaborativa personalizada: 
os blogs, redes sociais, entre outros. 
O blog (weblog) é uma ferramenta que representa um espaço dinâmico 
e é de fácil atualização. Ele possibilita a postagem de textos, de links, de imagens 
e vídeos. O blog vem sendo cada vez mais utilizado como um instrumento 
pedagógico, porque é uma possibilidade de dinamizar as aulas, compartilhando 
conteúdos, favorecendo a interação entre os pares (professores/alunos), se 
constituindo um canal de aprendizagem. 
 
 
CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
89 
3 DIFICULDADES ENCONTRADAS NO USO DAS TECNOLOGIAS NO PROCESSO 
DE ENSINO E APRENDIZAGEM 
 
 Nas discussões de formação continuada de professores, nas conversas 
informais entre esses profissionais, nas obras de vários autores, são recorrentes 
as descrições sobre experiências no uso das tecnologias no processo de ensino 
e aprendizagem e as dificuldades encontradas nesse âmbito. 
Almeida e Fernandes Junior (2014, p.23) chamam atenção para as 
razões que dificultam e que limitam a “introdução e o uso da tecnologia” nas 
práticas educativas: “estrutura organizacional da escola, ausência de incentivo à 
profissionalização dos professores e até mesmo, a resistência dos profissionais 
que atuam no espaço escolar.” 
 A autora Gabriel (2013, p.112) aponta algumas habilidades que os 
professores precisam apresentar para atuarem no sentido de preparar os 
estudantes de forma mais adequada no novo cenário que ela chama de “Era da 
Informação.” Entre essas habilidades ela aponta: “a profissão de professor tem 
sido uma das mais isoladas do mundo [...] Professores que colaboram uns com 
os outros conseguem melhores resultados. [...] o trabalho está se modificando 
e, portanto, requer novos modos de atuação”. 
Verifica-se nos ambientes escolares que os aspectos citados pelos 
autores se ratificam, e estão no cerne das razões que limitam o uso da 
tecnologia no processo pedagógico. O despreparo, a insegurança e a resistência 
dos professores para o uso das tecnologias acaba por gerar problemas que 
dificultam uma otimização no desenvolvimento de habilidades dos educandos, 
como por exemplo, a autonomia para navegar, pesquisar, selecionar a 
informação, tornar a aula produtiva com o uso da tecnologia, direcionar o 
educando no uso das tecnologias para fins pedagógicos, explorar os recursos 
tecnológicos disponíveis para o fazer pedagógico, entre outros. 
Para Faria (2004, p.5): 
 
Essa nova proposta pedagógica tem que ser pensada, criticamente, pois 
transforma a relação pedagógica ainda em prática, atualmente, ampliando 
a interação. A transição do modelo tradicional conteudista para o novo 
modelo interativo professor-aluno-máquina-tecnologia-conteúdo, não é 
fácil, apresenta muitas resistências, pois impõe a quebra de paradigmas e 
de toda uma formação acadêmica e vivência profissional. Além disso, 
requer um preparo do aluno para interagir com o recurso computacional. 
 
90 
 CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
 
O aspecto estrutural das escolas e a falta de acesso às tecnologias 
também são razões que limitam o uso delas no processo ensino e aprendizagem 
e que são apontados na análise de dados e interpretação dos resultados deste 
artigo. 
 
4 POSSIBILIDADES DE USO DO BLOG NA DISCIPLINA DE GEOGRAFIA 
 
O uso de tecnologias na educação tem modificado a metodologia que os 
professores utilizam para suas aulas, desde o uso de aparelhos de CD, TV, DVD, 
retroprojetor multimídia, até mais recentemente dos laboratórios de informática e 
a rede de internet representam elementos que são utilizados para atrair, motivar, 
instigar a atenção e o interesse dos estudantes na abordagem dos conteúdos. 
Sancho e Hernández (2008, p.19) afirmam que “os cenários de 
socialização das crianças e jovens de hoje são muito diferentes dos vividos 
pelos pais e professores.” É notório que o contato com as mídias desde muito 
cedo justificam a citação, a influência da televisão, computador/internet, jogos se 
reflete na atração que esses jovens têm pelas mídias e na habilidade de 
manusear e interagir com tais ferramentas. Assim, muitas pessoas viram nas TIC 
o “novo determinante, a nova oportunidade de repensar e melhorar a educação”. 
Concorda-se com esse pensamento, ou seja, considera-se o blog uma 
possibilidade para repensar o ensino da Geografia e a utilização dele como uma 
metodologia para dinamizar o processo de aprendizagem. 
Desta forma, o blog na disciplina de Geografia pode ser utilizado para: 
 Apresentação de conteúdos complementares – em forma de 
texto, imagens, vídeos, links, a serem pesquisados pelos 
educandos; 
 Aproximação do conteúdo literário com a realidade do 
educando através de postagem de imagens e vídeos que estes 
produzem sobre sua realidade, em consonância com o estudo 
proposto; 
 Meio de divulgação dos trabalhos desenvolvidos 
individualmente ou coletivamente por professores e educandos; 
 Instrumento para preparar e direcionar o educando no uso da 
tecnologia para fins pedagógicos; 
 Canal de discussão, de manifestação de opinião sobre temas 
estudados; 
 
CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
91 
 Recurso para desenvolver atividades interdisciplinares; 
 Meio de interação, socialização entre os pares – possibilita 
comentários e feedbacks; 
 Postagem e realização de atividades avaliativas, entre outros. 
 
Para Pais (2010, p. 143) “a transição para a sociedade da informação 
requer estratégias educativas mais audaciosas”. Dessa forma o autor contribui 
ainda mais ao explanar que 
 
Há vários motivos para que as redes digitais sejam incluídas entre os 
temas de interesse para o movimento de inserção de computadores na 
educação escolar [...] Um destes motivos seria de que lançar redes de 
articulações é uma estratégia para ampliar o significado do saber escolar 
(PAIS, 2010, p.111). 
 
É com esse objetivo que cada vez mais professores passam a criar seus 
blogs com os educandos, criando espaços virtuais complementares aos 
espações físicos das salas de aula. Muitas vezes seu uso inicia como um 
recurso pedagógico e não uma estratégia pedagógica. Boeira (2008) diferencia o 
blog enquanto recurso ou estratégia. Segundo a autora, enquanto recurso, o blog 
funciona mais como um depósito de informações a serem acessadas pelos 
educandos como um canal de consulta, já quando se trata do blog com vistas a 
ser uma estratégia pedagógica, este se apresenta também como um “espaço de 
intercâmbio e colaboração, integração e comunicação”. 
A experiência desenvolvida com o uso do blog descrita nesse artigo se 
caracterizou num primeiro momento como um recurso pedagógico, e 
possibilitou que se estabelecessem condições para que seu uso evoluísse para 
ser uma estratégia pedagógica. Isto porque, algumas dificuldades foram 
superadas por parte da professora que desenvolveu a proposta, novas 
possibilidades foram deslumbradas para aprimorar o uso do blog e também, o 
amadurecimento dos alunos em relação à experiência de utilizar esse recurso 
para fins pedagógicos. 
 
5 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS 
 
 O presente trabalho teve como base para os encaminhamentos a 
realização de pesquisa exploratória, utilizando-se das técnicas de levantamento 
bibliográfico. A partir dos conceitos de autores que dissertam sobre o uso de 
92 
 CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
 
TIC na educação, serão encaminhadas as discussõesnas considerações finais, 
estabelecendo um comparativo entre a teoria apresentada e as observações 
realizadas no processo do uso do blog na prática com alunos. 
 Os alunos observados estudam em duas escolas onde a pesquisadora 
ministra aulas de Geografia. Trata-se de alunos do 9º Ano do Ensino 
Fundamental (24 alunos) e da 1ª Série do Ensino Médio (27 alunos), ambos do 
período matutino, do Colégio Estadual do Campo do Lajeado e também, alunos 
das duas turmas de 4ª
s
 Séries do curso Técnico em Química (48 alunos), do 
período noturno, do Colégio Estadual São Mateus (escola urbana). 
Foram realizadas observações diretas sobre a participação dos alunos 
em relação às atividades propostas no blog “angelaewerling.blogspot.com.br”, 
em momentos distintos: durante as aulas ou em casa. Entre as atividades 
propostas constaram: a escolha de música/vídeo no youtube, sobre o tema 
Globalização para ser postado no blog. 
O acesso e download do vídeo Eras Geológicas postado no blog pela 
professora e trabalhado em sala de aula. Os alunos fizeram download do vídeo 
no laboratório de informática (e alguns em casa) para arquivar em smartphone, 
tablet ou notebook, pois não têm acesso à internet na sala de aula. Os que 
puderam acessar o vídeo em casa, fizeram comentários no blog sobre o mesmo. 
Postagem de material complementar (textos, imagens, vídeos, 
atividades) no blog a ser acessado pelos alunos no laboratório de informática. 
Postagem no blog de material para alunos que perderam dia de aula, o que por 
sinal foi muito eficaz para recuperação de conteúdos por parte destes alunos. 
 O recorte temporal consta da observação realizada na experiência 
prática de uso de blog com alunos no ano letivo de 2015. A apresentação dos 
resultados consta da elaboração de relato, considerando o comparativo entre a 
bibliografia estudada sobre o tema e as os resultados das observações na 
prática. 
 
5.1 ANÁLISE DOS DADOS E INTERPRETAÇÃO DOS RESULTADOS 
 
Na observação direta realizada no decorrer da experiência do uso do 
blog nas aulas de Geografia percebeu-se que, num primeiro momento, este 
cumpriu apenas a função de recurso pedagógico e não de estratégia pedagógica. 
Ao se pensar sobre o aspecto estrutural das escolas e a falta de acesso 
às tecnologias, que são razões que limitam o uso delas no processo ensino e 
aprendizagem, a observação permite concluir que há considerável desigualdade 
 
CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
93 
nesse sentido quando se trata de escola urbana em comparação com a escola 
do campo. Os educandos da escola urbana contam com laboratório conectado à 
rede da internet com uma estrutura e funcionamento bem melhores que a escola 
do campo, onde o acesso à internet é um grande limitador. Sabe-se que não é 
regra, mas é uma situação que predomina nas escolas públicas do Paraná até o 
presente momento. 
Quando se trata da possibilidade de acessar o conteúdo do blog em 
casa, a desigualdade também fica evidente entre as duas realidades: do total de 
51 estudantes da escola do campo, apenas 10 possuíam acesso à rede de 
internet. Do total de 48 estudantes da escola urbana que participaram da 
experiência, apenas 5 não tinham como acessar internet em casa. 
Outro parâmetro a ser considerado, ainda falando dos educandos da 
escola urbana em relação aos da escola do campo, é que os primeiros têm mais 
intimidade, mais facilidade, mais autonomia para usar um número maior das 
tecnologias e seus recursos se comparados aos segundos aqui mencionados. É 
expressivo o número de educandos da escola do campo que não sabem fazer 
busca na internet, por exemplo, o que não se observou entre educandos da 
escola urbana. Isso se amplia mais ainda quando se trata de pedir para elaborar 
um vídeo ou então fazer uma postagem no blog, por exemplo. 
Entre todas as turmas com as quais se trabalhou o uso do blog ficou 
evidente o maior entusiasmo, interesse e aproveitamento dos educandos do 9º 
Ano -Fundamental II em relação aos demais. 
 
6 CONSIDERAÇÕES FINAIS 
 
Observa-se que a necessidade de buscar, se inteirar, se integrar ao uso 
recursos midiáticos, superar os desafios e construir novas possibilidades para o 
uso de TIC nas salas de aula não é uma tarefa fácil. Demanda tempo para 
estudo, dedicação, criatividade, exige inquietação, mas isso não implica em dizer 
que é um sacrifício, pelo contrário, é muito prazeroso. 
 Desta forma, fica a sensação para o professor de vislumbrar 
oportunidade de aprender com os educandos, que em várias situações dominam 
mais as tecnologias que de outra geração. Também há uma lacuna onde se 
percebe que se está “atrasado”, sempre tem novas tecnologias surgindo e/ou 
mais formas de otimizar a exploração daquelas que já se pensou dominar. 
94 
 CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
 
De acordo com o que foi possível trabalhar utilizando o blog na 
disciplina de Geografia (a greve na rede pública de ensino atrapalhou a intenção 
de desenvolver algumas atividades) pode-se afirmar que foi bastante proveitosa 
a iniciativa, essa primeira tentativa proposta. 
Assim, os educandos aproveitaram bastante as postagens realizadas, 
apesar ser proporcionada pouca possibilidade de interação, vislumbraram-se as 
possibilidades de ampliação de uso do blog como estratégia pedagógica e estas 
já estão sendo encaminhadas para o ano letivo de 2016. 
A experiência foi válida e já está sendo implementada com objetivo de 
utilizar a TIC, no caso o blog, como uma estratégia para ampliar o significado do 
saber escolar na disciplina de Geografia. 
 
REFERÊNCIAS 
 
ALMEIDA, Siderly do Carmo Dahle de; FERNANDES JUNIOR, Álvaro Martins. TIC 
aplicada à educação. Maringá: Unicesumar, 109 p, 2014. 
 
BOEIRA, Adriana Ferrreira. Blogs na educação: Blogando algumas possibilidades 
pedagógicas. Disponível 
em:<http://tecnologiasnaeducacao.pro.br/revista/a1n1/art10.pdf.> Acesso em: 
22 abr. 2016. 
 
FARIA, Elaine Turk. O professor e as novas tecnologias. In: ENRICONE, Délcia 
(Org.). Ser Professor. 4 ed. Porto Alegre:EDIPUCRS, 2004, p. 57-72. 
 
GABRIEL, Martha. Educar: a (r)evolução digital na educação. 1 ed. São Paulo: 
Saraiva, 241p. 2013. 
 
LÉVY, Pierre. O que é virtual. São Paulo: Editora 34. 110p. 1996. 
 
PAIS, Luiz Carlos. Educação escolar e as tecnologias da informática. 1 ed. Belo 
Horizonte: Autêntica, 165 p. 2010. 
 
SANCHO, Juana María, HERNÁNDEZ, Fernando. Tecnologias para transformar a 
educação. Porto Alegre: Artmed, 198p. 2006. 
 
SANTAELLA, Lucia. Linguagens líquidas na era da mobilidade. São Paulo: 
Paulus, p. 232. 2007. 
 
 
 
 
 
CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
95 
A EDUCACAO TEOLOGICA NA ESCOLA BÍBLICA DOMINICAL 
E O PAPEL DA DIDÁTICA 
 
GIZELI FERMINO COELHO
1
 
MARCIO ANDRÉ ORSO MACEDÔNIO
2
 
 
RESUMO 
 
A discussão entre fé e razão é latente em muitas confissões religiosas, o 
Catolicismo Romano especificamente tem como fonte de sua teologia as 
sagradas escrituras e a tradição. Os protestantes trazem em seu bojo doutrinário 
a certeza de que para produzir bons cristãos é necessário somente o ensino das 
sagradas escrituras, sem o auxílio de um método hermenêutico ou uma 
pedagogia mais apurada. Os cristãos pentecostais oriundos da reforma 
protestante por muitos anos relutaram por instituir escolas e formar professores, 
todavia, com o início das Escolas Bíblicas Dominicais percebeu-se a 
necessidade do labor pedagógico tanto na elaboração das revistas quanto na 
exposição das aulas. Percebeu-se ser insuficiente somente ser o professor 
dotado com um dom nato, mas que existem e são necessárias técnicas para 
dirigir e orientar o processo de ensino e aprendizagem. O artigo introduz o 
estudo teológico, tão necessário ao professor cristão em sala de aula, 
principalmente em uma das maiores agências de ensino cristão a Escola Bíblica 
Dominical. Nesta concepção de educação, o educador deve possuir sólidos 
conhecimentos bíblicos, comunhão comDeus, preparo, reflexão, conhecimento 
das ferramentas pedagógicas e amor fraterno pelo próximo. Não são 
obrigatoriamente características inatas de algumas pessoas que já nascem 
professor. As EBDs podem colaborar na formação do cidadão consciente e 
participativo. A formação religiosa, que é hoje relegada a um segundo plano nas 
escolas seculares, ganha sua real dimensão nas Escolas Bíblicas Dominicais. 
 
Palavras-chave: Teologia. Escola Dominical. Educação. Professor. Didática. 
 
 
 
 
 
 
1
 Graduação em Pedagogia pela UEM, Especialização em Arte e Educação pelo Instituto 
Paranaense de Ensino - IPE, Mestre em em Educação pela UEM. Doutoranda do Programa de Pós-
Graduação em Educação (PPE/UEM - Mestrado/Doutorado). 
2
 Bacharel em Direito pela Universidade Luterana do Brasil, presidente da OAB/RS SUBSEÇÃO de 
GUAÍBA, RS., advogado militante, bacharel em teologia pela FAETEL, e mestre em teologia pela 
PUC/RS.E professor da cadeira Direito e Igreja, do Instituto Bíblico Esperança de Porto Alegre, RS. 
e professor de teologia na FAETEL/SP. 
96 
 CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
 
1 INTRODUÇÃO 
 
Existem técnicas para dirigir e orientar o processo de ensino e 
aprendizagem? Ou é um dom inato do professor? O artigo introduz o estudo 
teológico, tão necessário ao professor cristão em sala de aula, principalmente 
em uma das maiores agências de ensino cristão a Escola Bíblica Dominical - 
EBD. 
A proposta é orientar a ação docente e levar o educador a percepção e 
compreensão através de uma reflexão crítica do seu trabalho, do seu papel na 
sociedade e no processo de ensino e aprendizagem. 
Os desafios do professor são muitos: pensar os objetivos, conteúdos e 
métodos; interagir, no processo ensino-aprendizagem; disponibilizar 
conhecimentos, e facilitar, o desenvolvimento das capacidades cognitivas dos 
educandos. 
Os fenômenos econômicos e sociais da globalização, flexibilização e o 
novo mercado de trabalho conferem à educação um dos mais altos graus de 
importância. 
A educação continuada é hoje cantada em verso e prosa por todos os 
profissionais da área da educação. O ensino a distância também ganha 
notoriedade com a difusão das redes de computadores. A docência religiosa não 
esta livre dos mesmos desafios, principalmente em uma de suas maiores 
escolas, a Escola Bíblica Dominical. 
 
2 O PAPEL DAS ESCOLAS BÍBLICAS DOMINICAIS 
 
No século XX foram desenvolvidas muitas teorias nas áreas da 
Pedagogia e Psicologia, e estudar essas teorias e verificar suas aplicações nas 
Escolas Bíblicas não é tarefa das mais fáceis, mas é necessário e levará as 
Escolas Bíblicas Dominicais a um papel de destaque na sociedade moderna. 
Muitos perguntam: Como atingir o perfil do novo profissional que o 
mercado precisa? Como ser um cidadão do mundo? Como ter uma vida feliz? 
Que rumo devo dar a minha vida? entre tantas outras. A Bíblia tem as respostas. 
Não se trata aqui de trilhar os caminhos dos pregadores da Teologia da 
Prosperidade, ou ensinar as teorias de Napoleon Hill, Lair Ribeiro, Dr. Silva, 
Shinyashiki e tantos outros, que na verdade oferecem manuais de 
condicionamento. 
 
CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
97 
A solução está em ensinar as Escrituras Sagradas possibilitando uma 
atitude reflexiva de construção de conhecimento, mas isto é um desafio. 
Nesta concepção de educação, o educador deve possuir sólidos 
conhecimentos bíblicos, comunhão com Deus, preparo, reflexão, conhecimento 
das ferramentas pedagógicas e amor fraterno pelo próximo. Ferramentas e 
técnicas de como orientar e dirigir o processo ensino e aprendizagem podem ser 
aprendidas e usadas. 
As EBDs podem colaborar na formação do cidadão consciente e 
participativo. A formação religiosa, que é hoje relegada a um segundo plano nas 
escolas seculares, ganha sua real dimensão nas Escolas Bíblicas Dominicais. 
Os currículos escolares podem ser complementados com as disciplinas 
trabalhadas nas EBDs. Participar aos domingos da Escola Bíblica significa estar 
na vontade de Deus e no caminho de uma educação integral. 
O educando deve ser levado a descobrir a alegria de estudar a palavra 
de Deus. E o educador participa desse processo se estiver atento aos anseios e 
a cultura trazida pelos educandos para a sala de aula, portanto, o educador deve 
estar preparado e disposto a participar do processo. 
 
2.1 O PAPEL DO PROFESSOR - ÉTICA E COMPROMISSO 
 
Quais são as condutas e responsabilidades dos professores das Escolas 
Bíblicas Dominicais? A estagnação do crescimento em algumas igrejas pode 
estar relacionada com as EBDs? A evasão das EDBs deve-se a quais fatores? 
As respostas a essas questões passam pela análise e pelo trabalho do 
professor das EBDs, mas não significa obrigatoriamente que sejam os 
responsáveis diretos por todos os problemas que afligem o mundo. 
O educador compromissado com o processo reflete sobre esses e 
outros problemas e busca soluções continuamente. O indicador mais forte de 
seu compromisso e comprometimento está no permanente empenho e esforço 
em refletir, preparar-se e educar. 
Os valores éticos bem definidos é uma das qualificações esperadas dos 
professores das escolas bíblicas, uma vez que na nossa sociedade pluralista 
existem muitas condutas. 
Deve-se cultivar valores éticos bem fundamentados na Bíblia, analisar o 
modismo no meio evangélico e rejeitar propostas éticas que não estejam 
devidamente fundamentadas. 
98 
 CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
 
Estudo Ativo. Por que se afirma que a aprendizagem consiste, 
principalmente do estudo ativo? 
O conhecimento acumulado não é fruto da imaginação inventiva do 
professor, e sim fruto da vivência humana ao longo de sua história. Este 
conhecimento repleto de ensinamentos de vida e de interpretações da realidade é 
que o educando deve assimilar, compreender e julgar. 
O julgamento é feito à luz dos seus valores, o que implica em uma 
atividade mental ativa e dinâmica. 
Por sua vez os valores previamente trazidos, que fazem parte do senso 
comum, serão referenciados aos valores apresentados pelas Sagradas 
Escrituras; possibilitando uma reflexão e gerando uma mudança significativa no 
modo de visão do mundo e consecutivamente na maneira de viver. 
 
3 O PAPEL DA DIDÁTICA 
 
A Didática é um dos ramos de estudo da Pedagogia e tem como objeto 
de estudo o processo de ensino e aprendizagem, estuda os objetivos, os 
conteúdos, os meios e as condições do processo de ensino e aprendizagem. É 
bom lembrar que este processo não está restrito ao retângulo da sala de aula. 
 Ela estuda as técnicas de planejar, orientar e dirigir no processo de 
ensino e aprendizagem. A Didática é uma disciplina importante na formação 
profissional do professor, inclusive dos docentes das EBDs. 
A educação é uma prática social que ocorre nas igrejas, na família, no 
trabalho, nos meios de comunicação e concentradamente nas escolas, e a teoria 
do ensino, a didática, deve estar presente nos vários meios e atividades 
humanas. 
“A educação, ou seja, a prática educativa é um fenômeno social e 
universal, sendo uma atividade humana necessária à existência e funcionamento 
de todas as sociedades” (LIBÂNEO, 1990 pag.26). 
Auxiliar no desenvolvimento do educando, prepará-lo para uma 
participação ativa na igreja, através da instrução e do ensino da Palavra de Deus, 
é uma tarefa da Escola Bíblica Dominical. 
Deve-se promover condições para que o aluno desenvolva a capacidade 
de pensar criticamente, levando-o a aceitar os desafios que irão surgir ao longo 
da vida na sociedade e na comunidade eclesiástica. 
 
CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
99 
Somente um processo consciente de ensino-aprendizagem garante uma 
vida cristã plena. Qualquer outro processo leva a escravidão pelo fanatismo e 
pelos rituais desnecessários. 
Como exemplo, citam-se as testemunhas de Jeová, que através de um 
processo dememorização de versículos bíblicos num encadeamento 
desenvolvido a pretexto, se julgam conhecedoras da verdade. Esta prática 
educativa propicia uma adesão cega às doutrinas da sociedade torre de vigia, 
que os lidera. 
Nos meios evangélicos pode acontecer o mesmo processo, que acaba 
alimentando as seitas, que se valem desta falta de preparo e de cuidado com a 
prática educativa. O quadro a seguir esclarece melhor as ideias: 
Aproximadamente 40% das Testemunhas de Jeová e 50% dos membros da seita 
do “reverendo Moon” saíram das igrejas evangélicas a nível mundial; os 
mórmons crescem tanto no Brasil que já ocupam o 3º lugar a nível mundial em 
número de membros. O Brasil é a maior nação espírita do mundo com 80 
milhões de simpatizantes. 
Para a inversão do quadro resumidamente é necessário à formação 
profissional do professor, tanto na parte teórico-científica como na parte técnico-
prática, para estar a frente do processo ensinoe aprendizagem. A Didática como 
disciplina cientifica deve ser estudada, pois nela se articulam a teoria e a prática, 
e é a ponte entre “o que” e o “como”. 
Acredita-se na formação profissional teórica e prática do educador 
como molas propulsoras do processo ensino e aprendizagem, não só a teoria ou 
só a prática dos que julgam ter o dom natural para o magistério, favorecem a 
prática educativa neste contexto o do cristão. 
 
4 CONSIDERAÇÕES FINAIS 
 
Compreende que deve haver um diálogo intimo entre a fé e a razão, ou 
seja, entre o crer e a ciência, pois a primeira sem a segunda pode conduzir a 
equívocos religiosos e, principalmente, o fanatismo e a intolerância religiosa. 
A Teologia deve ser mística, mas deve também ser inteligível. A 
educação cristã não pode estruturar-se somente na fé, a mesma não deve 
eximir-se de seu papel transcendental, todavia, deve atingir a racionalidade do 
ser a que se destina formar. Para tal feito é que a Escola Bíblica Dominical – 
EBD, ama das maiores agências de ensino cristão e de forma de unificação das 
100 
 CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
 
doutrinas bíblicas (CARVALHO, CESAR, 2010), é instrumentalizada 
didaticamente, pensada e executada como ferramenta educacional em todo 
território nacional, ou seja, dominicalmente quase todos os cristãos pentecostais 
reúnem-se para ser educados por professores devidamente preparados 
didaticamente, e através do processo de ensino e aprendizagem pode-se 
colaborar na formação do cidadão consciente e participativo. 
A formação religiosa, com o auxílio da didática, ganha sua real 
dimensão nas Escolas Bíblicas Dominicais. Conclui-se que um processo 
consciente de ensino e aprendizagem garante uma vida cristã plena e um ensino 
integral. 
 
 
REFERÊNCIAS 
 
ARANHA, Maria L. de Arruda. “História da Educação”. São Paulo, Editora 
Moderna, 1993. 
 
BRANDÃO, Carlos Rodrigues. “O que é Educação”. São Paulo, Editora 
Brasiliense, 1985. 
 
CARVALHO, César Moises. As Lições Bíblicas e a Coesão Doutrinária das 
Assembleias de deus no Brasil. Ensinador Cristão. Ano 11-42º, pag., 6-9, abril –
junho, 2010. 
 
DÁVIS, Cláudia. “Psicologia na Educação”. São Paulo, Cortez Editora, 1990. 
GEISLER, Norman L. “Ética Cristã”. São Paulo, Edições Vida Nova, 1991. 
 
LIBÂNEO, José Carlos. “Didática”. São Paulo, Cortez Editora 1990. 
 
LUCKESI, Cipriano Carlos. “Filosofia da Educação”. São Paulo, Cortez Editora, 
1990. 
 
MORAIS, Regis de. “Sala de Aula que espaço é esse?” São Paulo, Editora 
Papirus, 1994. 
 
 
 
 
 
 
 
 
CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
101 
ENTENDENDO A EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA: AS POSSÍVEIS DIFICULDADES DOS 
DISCENTES E SUA RELEVÂNCIA NO ENSINO NO PAÍS 
 
HELAINE PATRICIA FERREIRA
1
 
LUCIANA RIBEIRO MENEGUCI
2
 
 
RESUMO 
 
A Educação a Distância (EaD) é considerada uma forma democrática de ensino e 
aprendizagem em que predomina a intermediação de tecnologias, tais como, de 
telecomunicação e de transmissão de dados, sons e imagens, de forma que 
professores e alunos estão separados espacial e/ou temporalmente. Existem 
dificuldades de interação dos discentes que se não forem sanadas, no decorrer 
do processo de aprendizagem, pode desencadear em desestímulos. O objetivo 
geral da pesquisa é analisar o ensino a distância e abordar as dificuldades dos 
alunos para com essa modalidade, apontando os possíveis empecilhos de 
aprendizagem. Os objetivos específicos se voltam em investigar meios que 
favoreçam um melhor desempenho dos discentes, destacando como a EaD pode 
proporcionar essa facilidade no aprendizado. O estudo justifica-se por se 
compreender que alunos podem sentir dificuldades no aprendizado, nesta 
modalidade e que há necessidade de haver um aprimoramento do sistema de 
ensino, para que se tenham um melhor acesso ao conhecimento preservando a 
mesma qualidade dos ensinos presenciais. A pesquisa é de abordagem 
bibliográfica e o estudo permitiu verificar que a educação a distância promove 
uma igualdade de oportunidades, entre as classes sociais e deve ser avaliada, 
discutida e aprimorada com o objetivo de formar cidadãos profissionais aptos a 
inserir no mercado de trabalho eprontos para transformar a sociedade. 
 
Palavras-chave: Educação. Aprendizado. Ensino a Distância. 
 
1 INTRODUÇÃO 
 
A Educação a Distância é uma forma da democratização e promoção de 
igualdade social de acesso ao ensino, promovendo a participação e a inclusão a 
todos, independente da classe social, contribuindo para um melhor acesso aos 
alunos ao conhecimento e diminuindo fronteiras físicas. Este trabalho foi 
elaborado com o intuito de esclarecer o processo da modalidade da educação a 
distância, ressaltando as dificuldades dos alunos frente a este tipo de ensino e 
 
1
 Pedagoga e Especialista em Educação pela UEM. Tutora Mediadora do Curso de Pedagogia a 
Distância (NEAD-UNICESUMAR). 
2
Bacharel em Enfermagem pela UNIFENAS (2009) e Licenciada em Biologia pela UNIFRAN (2013). 
102 
 CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
 
destacando a importância de se aprimorar essa modalidade que, em poucos 
anos, terá destaque em seu ápice tecnológico. O objetivo deste estudo foi 
analisar o ensino a distância e abordar as dificuldades dos discentes, apontando 
as possíveis falhas na aprendizagem. Os objetivos específicos foram investigar 
meios que favoreçam um melhor desempenho dos alunos, destacando como a 
EaD pode proporcionar essa facilidade no aprendizado. 
Existe a possibilidade da dificuldade de interação aluno x instituição, seja 
por motivos de falhas na comunicação entre as partes, discentes que utilizam a 
procrastinação para com suas obrigações acadêmicas, entre outras situações 
que favorecem o mau desempenho escolar nesse tipo de modalidade. Surge o 
seguinte questionamento: Quais meios poderiam ser aplicados para que essa 
modalidade de ensino proporcione resultados satisfatórios em que ainda existam 
tais dificuldades no aprendizado? 
Esta pesquisa se justifica em se compreender que alunos poderão sentir 
dificuldades no aprendizado nesta modalidade, havendo necessidade de ter um 
aprimoramento do sistema de ensino, com a finalidade de um melhor acesso ao 
conhecimento, conservando a mesma qualidade dos ensinos presenciais. 
Sendo assim, este trabalho se divide da seguinte maneira: a primeira 
seção aborda o processo de democratização do ensino, especificamente por 
meio da educação a distância. Assim sendo, foram divididos em três tópicos: o 
primeiro aborda conceitos da educação, assim como o aprendizado da educação 
a distância; o segundo demonstra o assunto principal da pesquisa que é a 
postura do aluno frente à interatividade do ensino a distância e suas dificuldades 
no aprendizado; e por fim, o último mostra a problemática do estudo, igualmente 
apontando os objetivos da pesquisa. 
A terceira seção apresenta ainda a metodologia aplicada neste trabalho 
e, em seguida, no final, será feita uma análisedo estudo bibliográfico e suas 
contribuições para a melhoria do ensino a distância. 
 
2 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA (EAD): DEMOCRATIZAÇÃO DO ENSINO E 
APRENDIZADO 
 
A Educação a Distância (EaD) tem sido considerada um meio de 
democratizar o ensino, levando conhecimento aos lugares onde o ensino 
presencial não consegue alcançar. Já que entrou no século da informação e, 
dessa forma, torna-se inegável a importância e a necessidade de aprimorar o 
 
CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
103 
ensino das escolas e universidades, engajando a EaD como uma modalidade 
assistida, funcionante e inovadora para o ensino. 
A democratização do ensino equipara alunos nas possibilidades e 
competências intelectuais, promovendo sua participação na sociedade. Mediante 
essa assertiva, Brutscher, Sampaio e Pereira (2007) corroboram entre si ao 
afirmarem que a EaD, apoiada fortemente nas Tecnologias de Informação e 
Comunicação (TIC), democratiza o acesso à educação, pois: 
 
Ela alcança pessoas num espaço territorial maior, com menor custo; 
ampliando o acesso, inclusive, a quem mora longe de centros 
universitários. Além disso, ao flexibilizar horários, ela permite ao estudante 
maior liberdade e autonomia na construção do conhecimento, atendendo 
às demandas de formação de pessoas que por estarem envolvidas em 
processos de trabalho tem maiores dificuldades em compatibilizar os 
seus horários com os das formações presenciais. Devido aos recursos 
disponíveis, a Educação à Distância se aprimorou e ampliou suas 
vantagens de liberdade para estudo e maior horizontalidade no processo 
de aprendizagem (BRUTSCHER; SAMPAIO; PEREIRA, 2012, p. 477). 
 
Nesta perspectiva, a democratização do ensino é atendida de forma 
satisfatória em relação aos cursos a distância, pois a EaD atende as 
necessidades de muitos que devido a falta de tempo ou por longas distâncias 
percorridas entre trabalho, escola e residência, encontram vantagens em optar 
por esse tipo de ensino. 
Sendo assim, Barros e Carvalho (2011) destacam que a EAD tem sido 
uma alternativa de ensino e de inclusão social, justamente por estar agregando 
valores pedagógicos juntamente com as novas tecnologias digitais. O 
conhecimento construído requer que o aluno tenha uma programação melhor do 
seu tempo e que se habitue rápido com as altas demandas de opções de 
interatividade. 
Nicolaio e Miguel (2010), da mesma forma destacam que a EaD 
possibilita resgatar valores que vão além da socialização do saber, propiciando o 
exercício da plena cidadania. Já na visão de Lima, Sá e Pinto (2014), a EaD faz 
parte de um amplo processo de mudança no ensino, incluindo a democratização 
do acesso à escolaridade, e à adoção de novos paradigmas educacionais, 
envolvendo a formação de sujeitos autônomos capazes de intervir no mundo em 
que vivem. 
 
 
 
104 
 CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
 
2.1 ENSINO E APRENDIZADO NA EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA 
 
O Decreto nº 5.622, de 19 de dezembro de 2005, em seu art. 1°, define 
a modalidade de ensino a distância como um processo de ensino e 
aprendizagem, onde existe a intermediação de tecnologias (de telecomunicação 
e de transmissão de dados, sons e imagens), de forma que professores e alunos 
estão separados, espacial e/ou temporalmente (BRASIL, 2005). Essa 
modalidade tem sido amplamente aplicada nos ensinos, desde profissional 
quanto acadêmico, por ser bem aceita na questão da economia de tempo e 
valores dos cursos. 
Estudos mostrados por Martins e Zerbini (2014) já apontam que na EaD 
a internet atualmente tem sido um dos meios de ensino mais utilizados, pois 
insere novas condições de estudo para o aluno, oferecendo acesso ao ambiente 
de ensino, uso e bibliotecas, contato com colegas, restrito ao ambiente de 
ensino, havendo, portanto, novas formas de interação aluno-professor que 
podem influenciar no resultado da aprendizagem. Assim sendo, é uma 
modalidade que tem demonstrado resultados positivos pela interatividade virtual, 
pois o contato entre alunos, colegas e o próprio professor, por meio de chats e 
fóruns, torna possível a solução de dúvidas e problemas, relacionados às 
disciplinas. 
Dessa forma, a educação a distância compreende uma separação física 
e temporal entre professores e alunos, sem, no entanto, perder o vínculo, 
conforme aponta Almeida, et. al. (2013). Para os autores, a distância física não 
deve ser sinônimo de falta de comunicação e nem de formação técnica, pois é 
desenvolvido a partir de novas tecnologias de comunicação e informação. Por 
outro lado, Soek e Gomes (2008) atentam que a EaD é mais complexa às vezes 
que um sistema tradicional presencial, pois exige não só a preparação de 
material didático específico, mas também a integração de “multimeios” e a 
presença de especialistas nesta modalidade que acompanhem a avaliem o aluno 
em um tratamento e atendimento de expressiva qualidade. 
 
2.2 DISCENTES: INTERATIVIDADE X DIFICULDADES NA EDUCAÇÃO A 
DISTÂNCIA 
 
Segundo Valente (2003), a interação via internet colabora na realização 
de espirais de aprendizagem, em um ciclo de ações que mantém o aluno no 
processo de realização de atividades inovadoras, gerando conhecimento sobre 
 
CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
105 
como desenvolver essas ações, porém com o suporte do professor. Já Bueno 
(2012) destaca que a educação a distância corresponde a chamada distância 
transacional, em que se reconhece a separação física entre docentes e discentes 
na EaD, surgindo, portanto, um novo espaço pedagógico e psicológico. 
Barros (2010) alerta que interagir com pessoas que têm diferentes 
princípios de vida, costumes, habilidades, conhecimentos, preconceitos, 
limitações, exige também atenção e flexibilidade, no sentido de se resolverem 
dificuldades, bloqueios, incompreensões e objeções. Ainda em relação às 
dificuldades da interatividade do aluno na educação EaD, a autora menciona que 
existem diversas barreiras no processo de ensino e aprendizagem a distância, 
fortemente marcadas pela falta de motivação pessoal; avaliação demorada ou 
inadequada; assim como, a não contato com o professor; despreparo técnico do 
aluno ou do docente; sensação de alienação e isolamento; conteúdo 
desorganizado e em formato inadequado; falta de suporte técnico, dentre outras. 
Essas causas relevantes podem ser destacadas pelas dificuldades dos 
alunos na EaD, conforme mostra Mercado (2007, p. 2): 
 
As frustrações dos alunos e tutores na EaD podem estar motivadas por 
vários fatores: ausência de ajuda ou de resposta imediata por parte de 
tutores ou colegas, instruções ambíguas no curso, problemas técnicos, 
inadequação do modelo pedagógico aos estilos cognitivos e 
características pessoais dos estudantes e dificuldades relacionadas com 
aspectos da situação vital dos alunos (aspectos sociais, familiares e 
pessoais). 
 
Já Silva, et. al. (2011) acrescentam ainda que a EaD possui alguns 
problemas devem ser superados, como a dependência da tecnologia que requer 
persistência dos alunos para aprender a trabalhar com elas, antes que a matéria 
se acumule. Outros problemas como a falta de equipamentos e de instrução, 
aliadas anão autonomia e organização, acarretam em falhas na aprendizagem, 
prejudicando a trajetória do aluno ao longo do curso, revelando-se como causas 
de grande desistência dos alunos nos cursos de EaD. 
 
2.3 VALORIZAÇÃO DA EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA PARA O SUCESSO 
ACADÊMICO E PROFISSIONAL 
 
A qualidade na EaD é um quesito importante e que merece ser discutido, 
pois o aluno constrói seu próprio conhecimento, independente do local onde 
esteja inserido e da ajuda de professores presenciais. Para que isso aconteça, 
106 
 CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
 
Bueno (2012) esclarece que as organizações envolvidas com este segmento 
(não apenas as instituições, mas também órgãos públicos relacionados à 
educação), devem apresentar ações planejadas, com intuito de garantir que esta 
modalidade de ensinotenha seus objetivos cumpridos. 
Para Carraro (2013) a educação a distância não deve ser tratada como 
um modelo compensatório do ensino presencial e sim como parte integrante, 
isto é, como um importante elemento que pode impulsionar a transformação das 
práticas educativas, em todos os níveis de ensino. A EaD deve ser encarada 
como um ensino que independe de distâncias e que estimula o aluno a 
desenvolver suas habilidades por esforço próprio, interagindo onde ele estiver, 
em qualquer espaço físico. 
Otsuka, et. al. (2011, p. 26) demonstram que para que as mudanças 
aconteçam são necessárias algumas atitudes que irão valorizar os conceitos 
dessa modalidade de ensino, tais como: 
 
O estudante deve aprender a organizar seus horários de estudo, sua 
agenda, e, por isso, fica mais evidente sua atuação como sujeito ativo no 
processo de construção do conhecimento; o aluno precisa aprender a 
interagir, a colaborar e a ser autônomo. Do lado docente, o educador 
precisa compreender, especialmente, as implicações do 
redimensionamento espaço-temporal para a sua prática pedagógica, pois 
trata-se de um novo paradigma de ensino e de aprendizagem. 
 
Em consonância, ressalta-se que é preciso ter organização das três 
partes envolvidas: aluno, educador e instituição, verificando a estrutura funcional 
do curso os planos de aulas ministradas, bem como a preparação dos materiais 
didáticos a serem distribuídos, e por fim, organização administrativa e de 
recursos humanos. 
Souza, et. al. (2004) destacam que por parte do profissional de 
educação seu perfil deve conter competências bem mais complexas. Deve saber 
lidar com os ritmos individuais diferentes dos alunos, assim como apropriar-se 
de técnicas novas de elaboração do material didático impresso e do produzido 
por meios eletrônicos. Deve ainda dominar técnicas e instrumentos de avaliação, 
trabalhando em ambientes diversos daqueles já existentes no sistema presencial 
de educação. Deve igualmente ter habilidades de investigação e propor 
esquemas mentais para criar uma nova cultura, indagadora e plena em 
procedimentos de criatividade. 
Para Almeida, et. al. (2013) a modalidade de ensino e aprendizagem 
ainda passa por um período de aculturação, mesmo sabendo-se é que uma 
 
CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
107 
proposta de ampliação e democratização da educação. Para que essa seja 
valorizada ambos os atores diretamente implicados – professor e aluno – 
precisam passar por uma mudança cultural, já que esta atinge, também, as 
próprias instituições de ensino que se mostram ainda hesitantes em migrar para 
um novo tempo. 
 
3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS 
 
O instrumento utilizado para o desenvolvimento deste estudo foi uma 
pesquisa bibliográfica que caracteriza-se pela utilização de materiais publicados, 
em meios eletrônicos, visando dar um embasamento teórico para o mesmo. Um 
texto bibliográfico é baseado em artigos de periódicos, publicações técnicas, 
dissertações, teses, sites especializados e livros de conceituados autores da 
área, disponibilizados também em ambiente virtual. 
Conforme Amaral (2007), a pesquisa bibliográfica é uma etapa 
fundamental em todo trabalho científico que influenciará todas as demais etapas 
da pesquisa, na medida em que der o embasamento teórico, ou seja, consistem 
no levantamento, seleção, fichamento e arquivamento de informações 
relacionadas à pesquisa. 
Andrade (2004) também destaca que a pesquisa bibliográfica é 
habilidade fundamental, uma vez que constitui o primeiro passo para todas as 
atividades acadêmicas, sendo obrigatória nas pesquisas exploratórias, na 
delimitação do tema de um trabalho ou pesquisa, no desenvolvimento do 
assunto, nas citações, na apresentação das conclusões, dentre outros. 
Diante desses conceitos, para alcançar o objetivo deste trabalho, fez-se 
um levantamento bibliográfico nas seguintes bases de dados: Scielo, PEPSIC, 
entre outras. Após a coleta das informações foi possível desenvolver o estudo 
proposto. 
 
4 CONSIDERAÇÕES FINAIS 
 
No contexto geral, a Educação a Distância é uma modalidade de ensino 
democrática que promove a igualdade de oportunidades a todos que buscam a 
informação e o conhecimento. Observou-se, durante a elaboração deste 
trabalho, que essa modalidade de ensino eleva o nível educacional, preparando 
discentes para que possam estar aptos ao exigente mercado de trabalho. No 
108 
 CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
 
entanto, mesmo sendo uma importante ferramenta do conhecimento a EaD ainda 
apresenta falhas de infraestrutura em algumas instituições de ensino, o que 
acarreta em muitos casos, desmotivação aos discentes, ou mesmo, a evasão do 
curso, prejudicando em muito a qualidade do ensino. 
Para que as falhas sejam minimizadas deve haver uma preocupação 
constante por parte instituições para que a qualidade da educação a distância 
seja mantida num nível equiparado aos cursos presenciais. Estas devem 
desenvolver metodologias e ambientes virtuais que estimulem o aluno a buscar 
as informações para suas dúvidas, ao invés de transferi-las o tempo todo aos 
professores, lotando de dúvidas os fóruns e chats, cujo objetivo é promover a 
interação entre colegas e docentes. 
Por parte do aluno, este deve ter a capacidade de estudar de forma 
autônoma, sem ter o professor presencial, adaptando-se à metodologia proposta 
pela instituição e pela maneira que o tutor ministra suas aulas. Além disso, deve 
estabelecer rotinas de estudo e ser disciplinado na questão de trabalhos e 
avaliações. 
Ressalta-se que a educação a distância é uma modalidade de educação 
que já pertence a um sistema de ensino praticado em diversas instituições no 
país e fora dele, surgindo, portanto, como uma alternativa de acesso a um 
mundo ilimitado de conhecimento, cabendo ao aluno e à instituição meios para 
que essa modalidade seja funcionante e a atenda as expectativas que o mercado 
de trabalho exige do futuro profissional. 
 
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CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
111 
A FORMAÇÃO DOCENTE E A INTERAÇÃO POR MEIO DAS NOVAS 
TECNOLOGIAS EDUCACIONAIS 
 
ISABELA QUAGLIA MARQUES
1
 
IVAN VITTI
2
 
 
RESUMO 
 
O tema da pesquisa foi a formação de professores acerca das novas tecnologias 
educacionais, e para analisar a importância de uma boa formação pedagógica 
ressaltou a necessidade de aliar a tecnologia à educação no processo de ensino 
e aprendizagem, a fim de mostrar que nos dias atuais a tecnologia é uma 
ferramenta educacional de suma importância. Outro aspecto analisado é a 
interação professor x aluno e aluno x tecnologia, pois em um mundo cada vez 
mais tecnológico não há ensino e aprendizagem sem que ocorra a relação entre 
os mesmos, de forma que o espaço da sala de aula deva ser um ambiente 
cooperativo com um clima favorável e estimulante para favorecer as 
manifestações de diferentes pensamentos e o educador possa alcançar e ajudar 
o aluno a sair de suas dependências, ou dificuldades de aprendizado por meio 
das novas ferramentas tecnológicas. 
 
Palavras-chave: Formação docente. Novas tecnologias. Processo de ensino e 
aprendizagem. 
 
1 INTRODUÇÃO 
 
Demostrou ao longo deste trabalho a necessidade do professor ter uma 
boa formação téorica e o dominio das novas tecnologias, destacando sua 
importância durante o processo de desenvolvimento dos alunos e o auxílio para 
não prejudicar o processo de aprendizagem. Abordou, inclusive, a necessidade e 
a importância do educador em se manter atualizado a cerca das novas 
ferramentas tecnologicas educacionais. 
Analizou a importância da interação professor x aluno e aluno x 
tecnologia durante o processo de ensino e aprendizagem, pois, afinal, é 
necessário que o educador perceba as necessidades de criar vínculos com seus 
 
1
 Pedagoga, Pós-graduada em EAD e as Tecnologias Educacionais e Mestre. Professora 
Orientadora do Programa de Pós-graduação lato sensu em EAD e as Tecnologias Educacionais da 
UniCesumar – Centro Universitário Cesumar. 
2
 Graduado em Licenciatura em Pedagogia - UNICESUMAR - Centro Universitário Cesumar. Aluno 
do Curso de Pós-Graduação em EAD e as Tecnologias Educacionais. 
112 
 CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
 
alunos, a fim de sanar as dificuldades apresentadas, dessa forma, o mesmo 
pode perceber que cada aluno apresenta suas dificuldades de aprendizagem e 
assim, por meio da teoria, possa apresentar em suas práticas e em suas 
metodologias, os recursos tecnológicos adequados para auxiliar no 
desenvolvimento da aprendizagem. 
Por fim, ressaltou que o profissional educador que possui um amplo 
domínio das ferramentas tecnologicas poderá potencializar o desenvolvimento 
dos alunos e facilitar a resolução dos problemas encontrados em sala de aula 
por meio das ferramentas metodológicas, onde se pode utilizar a tecnologia 
durante o processo de ensino e aprendizagem. 
 
2 FORMAÇÃO DOCENTE E OS BENEFICIOS TECNOLÓGICOS 
 
 Ao longo dos anos o sistema de educação passa por diversas 
mudanças em busca de melhorias, mas ainda está longe do seu ideal. Alguns 
dos principais problemas enfrentados atualmente é a má formação pedagógica e 
a falta de suporte tecnológico. Libâneo (2007 p.20), afirma que: 
 
A formação continuada pode possibilitar a reflexividade e a mudança nas 
práticas docentes, ajudando os professores a tomarem consciência das 
suas dificuldades, compreendendo-ase elaborando formas de enfrentá-
las. De fato, não basta saber sobre as dificuldades da profissão, é preciso 
refletir sobre elas e buscar soluções, de preferência, mediante ações 
coletivas. 
 
Desta forma, pode-se considerar que o professor tem um papel 
fundamental na vida de seus alunos, pois, junto com a família e a instituição de 
ensino tem a função de formar o aluno para a cidadania. O educador que tem 
uma boa qualificação profissional não vê seus alunos como depósitos de 
conhecimento e não fecha os olhos para as ferramentas tecnológicas, mas sim 
compreende que a sua tarefa é orientar o aluno em seu aprendizado, tornando-o 
mais crítico, buscando sempre seu êxito e não seu fracasso. 
 
Os professores fascinantes procuram conhecer o funcionamento da 
mente dos alunos para educar melhor. Para eles, cada aluno não é mais 
um número na sala de aula, mas um ser humano complexo, com 
necessidades peculiares. Os professores fascinantes transformam a 
informação em conhecimento e o conhecimento em experiência (CURY, 
2003, p.42). 
 
 
CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
113 
Atualmente o educador procura estimular os alunos a pensar, instiga a 
curiosidade e fortalece a autoestima sobre os assuntos a serem abordados. 
Para que se efetive a prática pedagógica deve-se pensar na formação do 
professor e em seu conhecimento tecnológico. Desta forma, o mesmo será 
um pesquisador preocupado em atualizar-se, pois o conhecimento cientifico 
está em constante transformação e a todo momento há uma nova 
descoberta e novos conceitos são admitidos. 
As Diretrizes Curriculares do Estado do Paraná (2008) estabelecem 
a necessidade de atualizações e pesquisas do professor, pois os livros 
didáticos são apenas um dispositivo de apoio, isto porque trazem 
conhecimentos reducionistas em seus conteúdos, desta forma, o professor 
deve planejar suas aulas com conhecimentos e materiais didáticos 
auxiliares, com embasamentos científicos mais elaborados, contudo, deve-
se levar em consideração a idade do aluno e seu nível de ensino para que a 
classificação seja adequada com os componentes curriculares de ensino 
que regem a educação. 
Como o avanço tecnológico está cada vez mais presente em sala de 
aula, os alunos a utilizam sem limites ou sem o devido acompanhamento 
cabendo aos profissionais estarem cada vez mais conectados ao mundo 
digital para que assim possam dar respostas, elaborar debates e instigar a 
curiosidade dos seus alunos sobre o conteúdo que está sendo 
compartilhado, seja na internet, tv, rádio, celular, e etc. 
 
2.1 TECNOLOGIAS ALIADAS À EDUCAÇÃO 
 
As Novas Tecnologias da Informação e Comunicação (NTIC) 
proporcionam a discriminação do conhecimento através de diversos 
mecanismos. O mais comum é a internet, que tem um vasto 
compartilhamento de conteúdos que podem ser debatidos pelos usuários, 
porém, em sala de aula o professor deve analisá-los a fim de transmitir o 
conhecimento cientifico e não o senso comum, formando cidadãos 
pensadores, com uma visão ampla e crítica do mundo. 
 
Bons professores são as peças-chave na mudança educacional. Os 
professores têm muito mais liberdade e opções do que parece. A 
educação não evolui com professores mal preparados. Muitos começam 
a lecionar sem uma formação adequada, principalmente do ponto de vista 
pedagógico. Conhecem o conteúdo, mas não sabem como gerenciar uma 
classe, como motivar diferentes alunos, que dinâmicas utilizar para 
114 
 CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
 
facilitar a aprendizagem, como avaliar o processo ensino-aprendizagem, 
além das tradicionais provas (MORAN, 2007, p.18). 
 
Atualmente, observa que o uso das TIC pelos professores em sala de 
aula vem crescendo cada vez mais, e é por meio desses recursos que se podem 
ensinar os conteúdos de forma atrativa para que seus alunos consigam apropriá-
los. Por isso, a prática docente deve ser planejada e o professor dominar os 
conteúdos a serem discutidos para que consiga chamar e manter a atenção do 
aluno e aprender tais conhecimentos. Segundo Vygotsky (2011, p.83): 
 
Postulamos que o que cria a Zona de Desenvolvimento Proximal é um 
traço essencial da aprendizagem; quer dizer, a aprendizagem desperta 
uma série de processos evolutivos internos capazes de operar apenas 
quando a criança está em interação com as pessoas de seu meio e em 
cooperação com algum semelhante. Uma vez que estes processos 
tenham se internalizado, tornam-se parte das conquistas evolutivas 
independentes das crianças. 
 
Nesse sentido, o uso de ferramentas tecnológicas por parte dos 
professores é de fundamental importância no processo de ensino e 
aprendizagem, as mesmas estão presentes no cotidiano da sociedade e o papel 
da escola nesse contesto é de mediar esses conhecimentos. 
A tecnologia educacional vem para auxiliar o trabalho pedagógico em 
sala de aula e as crianças que apresentam maiores dificuldades de aprendizado 
o educador pode então analisar qual a melhor metodologia a ser aplicada, a fim 
de eliminar suas dificuldades e utilizar as ferramentas que surgiram com o 
avanço da tecnologia e estão em constante evolução. Por isso, cabe ao 
educador ser autônomo, crítico criativo, e transformador, um profissional capaz 
de buscar novas práticas para o futuro. 
Libâneo (2007, p.250) cita que: 
 
O professor não apenas transmite uma informação ou faz perguntas, mas 
também ouve os alunos. Deve dar-lhes atenção e cuidar para que 
aprendam a expressar-se, a expor opiniões e dar respostas. O trabalho 
docente nunca é unidirecional. As respostas e opiniões mostram como 
eles estão reagindo à atuação do professor, às dificuldades que 
encontram na assimilação dos conhecimentos. Servem, também, para 
diagnosticar as causas que dão origem a essas dificuldades. 
 
O autor ainda esclarece a importância da relação professor-aluno em 
seu trabalho, logo que o educador que caminha para uma educação de 
 
CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
115 
qualidade, sabe que ensinar é respeitar os saberes dos alunos, as suas 
diferenças e com elas crescer. 
Para que o pleno desenvolvimento educacional ocorra, os educadores 
devem saber utilizar as tecnologias e se manterem atualizados com as 
novidades, caso contrário apresentarão dificuldades em sanar os problemas 
apresentados por seus alunos. Como afirma Houssaye (2004, p. 10), “só será 
considerado pedagogo aquele que fizer surgir um plus na e pela articulação 
teoria-prática em educação. Esse é o caldeirão de fabricação pedagógica”. A 
tecnologia é um dos componentes para construção de uma educação de 
qualidade. A educação pode até ser construída sem ela, mas no mundo atual, 
onde todos estão conectados em redes, as vantagens de sua utilização são 
incalculáveis. 
 
3 MUDAR A FORMA DE ENSINAR E APRENDER COM TECNOLOGIAS 
 
Com uma fundamentação teórica de qualidade e um ambiente favorável 
a educação, o professor em sala de aula deve realizar uma boa interação com 
seus alunos, pois a relação professor/aluno é uma condição no processo de 
ensino e os laços estabelecidos entre eles são muito fortes para o 
desenvolvimento pessoal e intelectual de ambos. Atualmente, o trabalho do 
educador não é ser autoritário e nem somente aplicar atividades e deixar 
acontecer, ou até mesmo encher o caderno de seus alunos com textos ou levá-
los ao laboratório de informática para utilizarem jogos infantis, mas sim, saber 
que cada aluno tem a sua realidade e que necessitam de uma formação de 
qualidade para serem cidadãos capazes de discernir entre o certo e o errado, 
sendo um verdadeiro formador de opinião. 
É necessário ter uma boa afinidade com seus alunos, ser dinâmico, 
comunicativo, motivador, comprometido e manter-se atualizado com as novas 
tecnologias, desta forma, sua interação vai ser harmoniosa, fazendo com que 
eles tenham confiança em si, demonstrando afetividade na aprendizagem. 
A tecnologia é uma grande ferramenta na educação e quecabe ao 
professor estar preparado para utilizá-la em sala de aula, pois as crianças estão 
conversando cada vez mais sobre assuntos que surgem nas redes sociais ou em 
aplicativos “mobile”. O educador deve aliar esses assuntos aos conhecimentos 
científicos, agindo como mediador e colaborador no desenvolvimento de cada 
aluno e através da interação entre o professor, aluno, tecnologia, pode e deve 
116 
 CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
 
gerar conhecimento e aprendizagem por ambos os lados, tornando as aulas 
agradáveis, harmoniosas e contribuindo para um desenvolvimento intelectual, 
cognitivo, afetivo, social e emocional. 
 
Educar é colaborar para que professores e alunos – nas escolas e 
organizações transformem suas vidas em processos permanentes de 
aprendizagem. É ajudar os alunos na construção da sua identidade, do 
seu caminho pessoal e profissional, projeto de vida, desenvolvimento das 
habilidades de compreensão, emoção e comunicação que lhes permitam 
encontrar seus espaços pessoais, sociais e profissionais e tornam-se 
cidadãos realizados e produtivos (MORAN, 2000, p.15). 
 
 A relação efetiva entre professor aluno é obrigatória para exercício de 
seu trabalho, visando atingir seus objetivos. Professores com boa formação e 
atualizados nos conteúdos tecnológicos podem através das ferramentas 
tecnológicas planejarem aulas com diversos recursos digitais que além de deixar 
as aulas mais dinâmicas, tem um maior rendimento de seus alunos. 
Quanto às ferramentas metodológicas, onde se pode utilizar a tecnologia 
durante o processo de ensino e aprendizagem, pode-se destacar: (1) escolas 
com laboratórios de informática, os professores podem levar seus alunos ou 
pedir para que eles efetuem pesquisas na internet para elaborem trabalhos sobre 
diversos temas e matérias. Através dos computadores pode criar slides, 
trabalho, planilhas, gráficos, etc. Há diversos programas para baixar músicas, 
vídeos, filmes e documentários, após o término, eles podem ser reproduzidos 
nas tvs multimídias em sala; (2) para alunos dos anos iniciais, o educador pode 
fazer uso de vídeo games com sensores de movimentos para assim estimular a 
coordenação motora fina, grossa, o equilíbrio, o fortalecimento dos músculos, o 
raciocínio lógico e movimentos de lateralidade; (3) escolas com tvs multimídia 
em sala de aula podem ajudar na apresentação de trabalhos, visualização de 
vídeos, musicas, jornais e matérias de diversos gêneros. Desta forma, ela vai 
auxiliar na interpretação textual e valorização cultural; (4) através do “tablete” 
podem-se assistir vídeos, ler livros, revistas, utilizar aplicativos educacionais, 
como jogos de matemática, português, geografia, história, ciências, entre outros 
recursos mobile, esta ferramenta pode ser utilizada nos anos iniciais do Ensino 
Fundamental, ajudando e muito no seu processo de desenvolvimento intelectual, 
cognitivo; (5) os “blogs” também conhecidos como “weblog”, ou caderno 
digital, são páginas na “internet” que podem ser atualizadas instantaneamente. 
Podem ser utilizados pelo professor para elaborar tarefas, trabalhos, ou adicionar 
conteúdo para debates em sala, ou através dos “e-mails” eletrônicos, podendo 
se comunicar com seus alunos, encaminhar textos, imagens, livros, “links”, 
 
CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
117 
arquivos etc. Os “e-mails” podem ser individuais ou em grupos; (6) “comeeko”, 
é um “site” com ferramentas para criar ou editar histórias em quadrinhos e após 
sua conclusão permite fazer o “download” dos conteúdos, os educadores 
podem utilizar esta ferramenta no ensino infantil, com a finalidade de além de 
estimular a criatividade das crianças ela contribui na pré-alfabetização e ajuda a 
incentiva o habito da leitura; (7) geogebra é um programa livre de geometria 
dinâmica que permite realizar construções utilizando pontos, vetores, 
segmentos, retas, seções cônicas e funções e alterar estes objetos, ferramenta 
esta que ajuda no processo de aprendizagem da matemática como: medidas 
métricas, forma de objetos, cálculos e etc; (8) portal do Professor, o portal do 
professor é um espaço gratuito, destinado aos professores do Ensino 
Fundamental e Médio. Oferecendo propostas de aulas nas diversas disciplinas de 
acordo com cada etapa do ensino, recursos multimídia, cursos de formação de 
professores, jornal, “links” diversos, fóruns, “blogs”, entre outras opções. 
Segundo Teruya (2006) “não há dúvida de que a internet abre 
possibilidade de acesso ao conhecimento, mas para isso, o indivíduo necessita 
das ferramentas cognitivas, como conhecer bem as diferentes linguagens 
existentes na sociedade”. Desta forma, pode-se dizer que, durante o processo 
educacional, a mediação do educador é de fundamental importância. O mesmo 
deve avaliar e analisar cuidadosamente cada ferramenta, a fim de transformar o 
conhecimento prévio e o senso comum em conhecimento cientifico para que os 
instrumentos possam contribuir para ampliar a formação dos alunos. 
Assim, como Klein (1996 p.43) afirma, “admitimos que existam 
conhecimentos necessários que a escola deve transmitir, embora não 
configurem interesse imediato e não motivem o aluno”, desta forma se pode 
notar que nem sempre é possível trabalhar com o interesse do aluno, mas o 
professor deve ensinar estes conteúdos de forma que seus alunos consigam se 
apropriar dos mesmos, por isso, a prática docente deve ser planejada e o 
professor dominar os conhecimentos a serem discutidos. 
 
4 CONSIDERAÇÕES FINAIS 
 
 Pelas observações, verificou-se que o professor é quem prepara os 
futuros profissionais, e sua formação pedagógica e tecnológica é de suma 
importância no desenvolvimento de seus alunos, pois em um mundo digital onde 
a sociedade anseia por conhecimentos fica impossível o pedagogo ministrar 
118 
 CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
 
aulas sem a mediação da tecnologia. Ainda mais, analisou a importância dos 
professores em se manterem atualizados aos avanços tecnológicos, fato esse 
que não pode ser ignorado, pois o indivíduo tem o objetivo de se formar um 
cidadão crítico e com uma visão ampla da sociedade e conhecimento. Por fim, 
demonstrou que a interação professor x aluno em meio às novas tecnologias é 
de suma importância durante o desenvolvimento das crianças, e que a 
tecnologia como ferramenta metodológica é poderosa no processo de ensino e 
aprendizagem, porém, para que haja benefícios na formação das crianças os 
professores devem estar preparados, atualizados e capacitados para discriminar 
as novas tecnologias, aliando a tecnologia ao aprendizado de qualidade. 
 
REFERÊNCIAS 
 
ANTUNES. C. Vygotsky. Em minha sala de aula. Fascículo 12. 8ª ed. Petrópolis, 
RJ: 2011. 
 
CURY, Augusto. Pais brilhantes, professores fascinantes, Editora Sextante, 13ª 
edição, Rio de Janeiro, RJ, 2003. 
 
DIRETRIZES Curriculares da Educação Básica de Língua Portuguesa do Estado 
do Paraná, (2008). 
 
FACHIN, Odília. Fundamentos de metodologia. 3. ed. São Paulo: Saraiva, 2002. 
 
HOUSSAYE, J.; SOËTARD, M.; HAMELINE, D.; FABRE, M. Manifesto a favor dos 
Pedagogos. Porto Alegre: ArtMed, 2004. 
 
KLEIN, Lígia Regina. Alfabetização: quem tem medo de ensinar?. São Paulo: 
Cortez; Campo Grande: Editora da universidade Federal de Mato Grosso do Sul, 
1996. 
 
LIBÂNEO, José Carlos. Didática. São Paulo: Cortez Editora, 2007. 
 
MORAN, José Manuel. A Educação que desejamos: novos desafios e como 
chegar lá. Campinas, SP: Papirus Editora, 2007. 
 
MORAN, José Manuel; MASETTO, Marcos T. et. al. Novas Tecnologias e 
mediações pedagógicas. 5. ed. Campinas, SP; Papirus, 2000. 
 
TERUYA, Teresa Kazuko. Trabalho e educação na era midiática: um estudo sobre 
o mundo do trabalho na era da mídia e seus reflexos na educação. Maringá, PR: 
Eduem, 2006. 
 
CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
119 
A PESQUISA PARA O PROFESSOR DE EDUCAÇÃO INFANTIL 
 
MÁRCIO DE OLIVEIRA 
1
 
CRISTINA MOMOLI 
2
 
 
RESUMOEste texto é uma pesquisa bibliográfica baseada principalmente nos seguintes 
documentos: Brasil (1996), (1998), (2006a), (2006b) e nos autores: Weisz e 
Sanchez (2009), Souza (2012), Perrenoud (2011), Freire (1996), Libâneo 
(2007), Thurler (2011). O objetivo deste trabalho foi analisar a importância da 
pesquisa para o professor da Educação Infantil, neste cenário em que o cuidar já 
não é mais suficiente, é preciso que o educador trabalhe em prol do 
desenvolvimento e ensino, pois, o trabalho com a criança necessita do 
conhecimento de suas especificidades, de experiências planejadas e mediadas 
que propiciam o seu desenvolvimento integral. Ficou evidente, com este estudo, 
que o professor deve se tornar um eterno aprendiz, refletindo constantemente 
sobre a sua prática, pois, a pesquisa contribuiu para um ensino que respeita os 
estágios de desenvolvimento da criança e a heterogeneidade da turma. 
 
Palavras-chave: Pesquisa. Professor. Educação Infantil. 
 
1 INTRODUÇÃO 
 
Para Brasil (2006a, p.10) “[...] em 1996, a Lei de Diretrizes e Bases da 
Educação Nacional evidenciou a importância da Educação Infantil” e, a partir 
disso, “[...] o trabalho pedagógico com a criança de 0 a 6 anos adquiriu 
reconhecimento e ganhou uma dimensão mais ampla no sistema educacional”. 
O cuidar e o educar de maneira indissociável, ou seja, o cuidar não pode estar 
fora do âmbito de trabalho, porém o educar atravessa esse cuidado básico e o 
ultrapassa, trazendo experiências muito enriquecedoras para cada criança, para 
o grupo e para os professores envolvidos em um ensino com este viés. 
Em 2006 foi lançado no Brasil um documento intitulado “Política 
Nacional da Educação Infantil: pelo direito das crianças de zero a seis anos à 
Educação” que defende uma visão integral da criança, respeitando suas 
individualidades e diferenças. Ele sugere que a Educação Infantil deve cumprir 
 
1 
Orientador do Curso de Pós–Graduação do Unicesumar. Doutorando em Educação pela 
Universidade Estadual de Maringá (UEM). Mestre em Educação e Pedagogo pela UEM 
2 
Acadêmica do Curso de Pós–Graduação da Unicesumar
 
 
120 
 CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
 
uma função sócio-política e pedagógica, provendo experiências qualificadas que 
instiguem o desenvolvimento da sensibilidade, de habilidades sociais, do 
domínio espacial e corporal, privilegiando a curiosidade, o desafio e 
oportunidades de investigação por parte da criança (BRASIL, 2006a). 
A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional norteia a finalidade da 
Educação Infantil que é “[...] o desenvolvimento integral da criança de até 5 anos 
de idade em seus aspectos físico, psicológico, intelectual e social, 
complementando a ação da família e da comunidade” (BRASIL, 1996, art.29). 
Em virtude dessas passou-se a “[...] discutir a necessidade e a importância de 
um profissional qualificado” (BRASIL, 2006a, p.10). Agora já não é mais 
suficiente cuidar, o cuidar deve estar entrelaçado ao educar, e neste sentido, o 
trabalho do professor de Educação Infantil passou a ser mais de pesquisador do 
que cuidador. Nas palavras de Weisz e Sanchez (2009, p. 118): 
 
A visão que se tem do professor hoje é de alguém que desenvolve uma 
prática complexa [...] Seu papel agora tende a ser mais exigente: precisa 
se tornar capaz de criar de adaptar boas situações de aprendizagem, 
adequadas a seus alunos reais, cujos percursos de aprendizagem ele 
precisa saber reconhecer. 
 
A Educação Infantil vem a cada dia ganhando mais espaço as 
instituições de ensino, e um dos fatores que tem contribuído significativamente 
para essa inserção no campo educacional é a compreensão da criança, como 
um ser em desenvolvimento, e que esta depende de vivências e interações 
sociais organizadas e mediadas, de acordo com seus estágios de 
desenvolvimento (BRASIL, 1998). 
Nesse sentido, é importante pensar no trabalho com os pequenos com 
temas que envolvam mais de uma área, e ao mesmo tempo, o que se chama de 
transversalidade, pensando que nesta faixa etária toda a aprendizagem deve se 
dar de forma global, levando em conta o interesse das crianças e o 
desenvolvimento físico, intelectual, social e emocional pelo qual estão passando 
ao entrarem na lógica da sociedade e saindo do convívio estritamente familiar a 
partir da entrada na escola. Souza (2012, p. 17) evidencia que 
 
O pedagogo deve conhecer os interesses da criança, conhecer as 
necessidades inerentes a ela em cada estágio, para assim adentrar o 
universo da cultura infantil, permitindo que a ação seja significativa e 
promotora de novas mudanças comportamentais, motoras, cognitivas e 
sociais. 
 
 
CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
121 
Por isso, compreender esses estágios e os fatores que influenciam no 
desenvolvimento infantil é de fundamental importância para subsidiar uma 
prática coerente, com as necessidades e as possibilidades de aprendizagem na 
criança, partindo da sua realidade, da sua cultura e de suas vivências. De acordo 
com Brasil (2006a, p.7) “A prática dos profissionais da Educação Infantil, aliada 
à pesquisa, vem construindo um conjunto de experiências capazes de sustentar 
um projeto pedagógico que atenda à especificidade da formação humana nessa 
fase da vida”. As ideias dos autores: Weisz e Sanchez (2009), Souza (2012), 
Perrenoud (2011), Freire (1996), Libâneo (2007), Thurler (2011) e dos 
documentos: Brasil (1996), (1998), (2006a) e (2006b) possibilitam uma visão 
ampla do contexto educacional, sem ela a referida análise seria fragmentada. 
Para se pensar numa educação sistematizada capaz de transformar os 
educandos é preciso se transformar primeiro. Por isso, a seguir, refletiu sobre a 
importância da pesquisa e da autoavaliação para o professor de Educação 
Infantil no seu dia a dia. 
 
2 A PESQUISA DIANTE DAS MÚLTIPLAS FACETAS DO ENSINO 
 
O atual contexto educacional exige que os professores se tornem 
pesquisadores e com o olhar aguçado para compreender a heterogeneidade de 
uma sala de aula. “No início do ano, um professor de ensino fundamental 
depara-se com 20 a 25 crianças, diferentes em tamanho, desenvolvimento 
físico, fisiologia, resistência ao cansaço, capacidades de atenção e de trabalho” 
(PERRENOUD, 2011, p.115). E na Educação Infantil estas diferenças também se 
fazem presentes, e para que o educador consiga dar conta de sua função é 
fundamental que se torne um assíduo pesquisador. 
 Não há uma receita mágica que dê conta de tamanha complexidade. E, 
neste sentido, Freire (1996, p.14) menciona que “Não há ensino sem pesquisa”. 
E, também, “Não é possível atuar com todos os alunos da mesma maneira” 
(LIBÂNEO, 2007, p.42). As crianças devem ser compreendidas em suas 
particularidades e no contexto em que se inserem, pois são sujeitos humanos, 
sociais, históricos, que são parte de uma família, de uma sociedade e de uma 
cultura em determinado momento histórico e devem ser consideradas e 
respeitadas dentro deste contexto. 
Neste sentido, é necessário “[...] inventar permanentemente arranjos 
didáticos e situações de aprendizagem que respondam melhor a heterogeneidade 
122 
 CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
 
de necessidades de seus alunos” (THURLER, 2011, p.192). Logo, o professor 
deve conhecer as particularidades dos alunos para que possa propiciar uma 
aprendizagem contextualizada com a realidade do mesmo e para que tenha 
sentido para ele. Além disso, é fundamental a ação docente, no sentido de 
compreender e subsidiar o processo de ensino e aprendizagem de acordo com 
os conceitos já adquiridos pelo educando, ou seja, desenvolver uma prática 
pedagógica que propicie a transformação dos conhecimentos prévios dos 
alunos. 
 
2.1 A AUTOAVALIAÇÃO NO PROCESSO DE ENSINO E APRENDIZAGEM 
 
Para que o professor tenha condições de ensinar é necessário 
primeiramente que ele aprenda. De acordo com Brasil (1998, p.41) o professordeve: 
 
[...] tornar-se, ele também, um aprendiz, refletindo constantemente sobre 
sua prática, debatendo com seus pares, dialogando com as famílias e a 
comunidade e buscando informações necessárias para o trabalho que 
desenvolve. São instrumentos essenciais para a reflexão sobre a prática 
direta com as crianças a observação, o registro o planejamento e 
avaliação. 
 
O professor planeja sua aula, direciona, observa e avalia. A partir desta, 
deve fazer sua reflexão sobre ela, se atendeu a todos de maneira significativa, a 
quem não atendeu e, quais adaptações, ou quais alternativas conhecem para 
determinadas intervenções que forem necessárias. Se não a possuir deverá 
busca-la. Esta pesquisa significa também na reflexão da prática docente “É 
pensando criticamente a prática de hoje ou de ontem que se pode melhorar a 
próxima prática” (FREIRE, 1996, p.17). Nos documentos nacionais há o seguinte 
texto: 
 
Para melhorarmos nossa prática pedagógica, precisamos avaliar sempre 
se estamos selecionando adequadamente as prioridades, se estamos 
usando os recursos mais adequados, se estamos desenvolvendo as 
melhores estratégias, enfim, precisamos nos autoavaliar. A autoavaliação, 
então, precisa fazer parte do cotidiano escolar, não apenas do estudante, 
mas também do professor [...] (BRASIL, 2006b, p.106). 
 
Neste sentido, a avaliação da prática pedagógica deve ser 
constantemente refletida. Só assim estará comprometida com um processo de 
ensino e aprendizagem que leva em conta e respeita as especificidades de cada 
 
CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
123 
um. Esta prática demanda do professor a busca pela compreensão de como a 
criança aprende, em que contexto está inserida, quais recursos utilizar, criar ou 
adaptar para que tenha sentido para ela e que seja capaz de transformar suas 
vivências em reais possibilidades de se desenvolver. 
 
3 CONSIDERAÇÕES FINAIS 
 
Nesse cenário, em que o cuidar na Educação Infantil já não é mais 
suficiente, é necessário proporcionar um ensino visando o desenvolvimento na 
sua integralidade. O que requer do professor o conhecimento das 
especificidades de cada estágio de desenvolvimento e a capacidade de criar e 
adaptar vivências significativas para a criança respeitando seu modo ser e agir 
no mundo. Onde a pesquisa se torna o esteio da transformação docente para 
transformar o educando por meio da sua prática pedagógica. 
 A importância e o viés do manejo das crianças pequenas e sua 
escolarização passou por muitas mudanças e com elas criaram-se parâmetros e 
referenciais nacionais para o trabalho com as faixas etárias, propondo um 
currículo que, ainda que muito mais flexível do que o do Ensino Fundamental e 
Médio, compreende áreas importantes de conhecimento a serem apresentadas e 
estimuladas da primeira infância, que são essenciais ao desenvolvimento delas. 
Os professores são porta-vozes da interpretação de seus desejos que 
surgem em choros, olhares, incômodos, sorrisos e comportamentos variados, 
com o olhar aguçado para compreender o que se passa com cada membro do 
grupo, oferecendo atividades, avaliando seu desenvolvimento e planejando ações 
que mantenham o grupo interessado, desafiando seus conhecimentos para que 
se ampliem de forma global e integrada. 
A autoavaliação é um instrumento que contribui na reflexão do processo 
de ensino e aprendizagem e possibilita identificar as práticas de ensino 
significativas e as ineficazes. E, a partir desta dar subsídio ao professor na busca 
de aperfeiçoar sua prática. 
 
 
 
 
 
 
124 
 CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
 
REFERÊNCIAS 
 
BRASIL. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Lei nº 9.394/96, de 20 
de dezembro de 1996. Brasília: Presidência da República, 1996. 
 
BRASIL. Ministério de Educação e do Desporto. Secretaria de Educação 
Fundamental. Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil. vol. 1, 2 e 
3. Brasília: MEC/SEF, 1998. 
 
BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Infantil e Fundamental. 
Política Nacional de Educação Infantil: pelos direitos das crianças de 0 a 6 anos 
à educação. Brasília: DF, (2006 a). 
 
BRASIL, Ministério da Educação. Ensino fundamental de nove anos: orientações 
para a inclusão da criança de seis anos de idade. BEAUCHAMP, Jeanete; PAGEL, 
Sandra Denise; NASCIMENTO, Aricélia Ribeiro (Orgs). Brasília: FNDE, Estação 
gráfica, (2006b). 
 
FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática 
educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996. 
 
LIBÂNEO, José Carlos. Adeus professor, adeus professora? : novas exigências 
educacionais e profissão docente. 10. ed. São Paulo: Cortez, 2007. 
 
PERRENOUD, Philippe. A desigualdade cotidiana diante do sistema de ensino: a 
ação pedagógica é a diferença. In: LARA, Taiz de Farias (Org.). Políticas 
educacionais e organização da educação básica. DELORS, Jacques... [et. al.]. 
Porto Alegre: Artmed, 2011, p.106-159. 
 
SOUZA, Vânia de Fátima Matias. Desenvolvimento psicomotor na infância. 
Maringá – PR: Centro Universitário de Maringá, 2012. 
 
THURLER, Monica Gather. O desenvolvimento profissional dos professores: 
novos paradigmas, novas práticas. In: MEM, Kleber Eduardo; CANTOS, Priscila 
Kelly (Orgs.). Fundamentos Sociológicos e Antropológicos da Educação. Andy 
Hargreaves... [et al.]. Porto Alegre: Artmed, 2011, p.192-213. 
 
WEISZ, Telma; SANCHEZ, Ana. O diálogo entre o ensino e a aprendizagem. 2. 
ed. São Paulo: Ática, 2009. 
 
 
 
 
CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
125 
MOTIVAÇÃO: UMA NECESSIDADE NO AMBIENTE ESCOLAR 
 
RENATA PEDROSO LEONEL
1
 
NATALIA LOBO DE SOUZA DA COSTA 
2
 
 
RESUMO 
 
O gestor escolar é o responsável por coordenar questões administrativas e 
pedagógicas na escola. O professor está em contato direto com o gestor e seu 
trabalho é todo desenvolvido para que se atinjam os objetivos propostos da 
instituição para com os alunos e comunidade. Desta forma, o objetivo dessa 
pesquisa foi abordar qual o papel do gestor escolar e como este pode motivar o 
professor a desempenhar sua função de forma satisfatória e realizada, diante de 
todos os desafios enfrentados diariamente pelo docente. Para tanto, adotou-se 
como metodologia uma pesquisa bibliográfica, e foi possível identificar o quanto 
o gestor escolar, comprometido com a sua equipe, tem o poder de influenciar 
positivamente no desempenho do seu profissional. 
 
Palavras-chave: Gestor. Liderança. Professor. Reconhecimento. Motivação. 
 
1 INTRODUÇÃO 
 
Dentro do ambiente escolar há uma pessoa responsável por administrar 
esse local, tanto em questões administrativas quanto pedagógicas. Esta função 
cabe ao gestor escolar, o qual deverá assumir uma postura de liderança, 
responsabilidade e empreendedorismo. 
A equipe pedagógica da escola e o corpo docente estão em contato 
direto com o gestor escolar, pois o professor precisa encontrar no seu gestor 
uma referência e todo o apoio para que ele possa desenvolver o seu trabalho 
com qualidade e almejando alcançar os objetivos propostos para a instituição. 
Com isso, o gestor assumindo uma postura também de observador 
deverá procurar elaborar planos de ação que objetivam a motivação da sua 
equipe, para que não haja a queda do rendimento do trabalho pedagógico em 
 
1
 Especialista em Gestão Educacional pelo Centro Universitário Cesumar (2015). Graduada em 
Pedagogia pela UEM (2013). Pós-Graduanda em Psicopedagogia Clínica e Institucional pela UEM. 
Pós-Graduanda em EAD e as Tecnologias Educacionais pelo Centro Universitário Cesumar. 
2
 Graduada em Pedagogia pela Universidade Estadual de Londrina. Pós-graduada em Educação 
Infantil e Séries Iniciais do Ensino Fundamental na Unicesumar. Pós-graduanda em Gestão 
Educacional na Unicesumar. 
126 
 CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
 
função de desafios que os professores enfrentam diariamente na sua rotina 
escolar.Este artigo foi subdivido em dois capítulos para melhor abordagem dos 
conteúdos. No primeiro capítulo foram definidas, brevemente, as características 
e o perfil que um bom gestor escolar deve apresentar e qual é o papel que o 
gestor escolar desempenha em relação ao trabalho desenvolvido pelo professor 
abordando como o gestor escolar pode contribuir para que este trabalho seja 
desenvolvido de forma comprometida. No segundo capítulo, definiu o que é ser 
professor e quais são os desafios enfrentados, e identificando alguns aspectos 
motivadores desempenhados pelo gestor escolar dentro da instituição educativa. 
Este trabalho objetivou fazer com que o gestor escolar reflita a partir de 
algumas considerações aqui apresentadas, organizando suas atividades e a 
forma como conduzirá sua equipe pedagógica, de modo a realizar um trabalho 
onde sua equipe sinta-se reconhecida e valorizada pelo esforço diário que a 
profissão exige. 
Fez-se uso de pesquisa bibliográfica como metodologia de investigação, 
com abordagem qualitativa. Trabalhar com esse tipo de pesquisa significa 
realizar um movimento incansável de apreensão dos objetivos, de observância 
das etapas, de leitura, de questionamento e de interlocução crítica com o 
material bibliográfico (LIMA; MIOTO, 2007). 
 
2 GESTÃO ESCOLAR: O PAPEL DO GESTOR E A RELAÇÃO EXISTENTE COM A 
SUA EQUIPE 
 
Segundo Cury (2007, p. 493) o termo “gestão provém do latim e 
significa levar sobre si, carregar, chamar a si, executar, exercer, gerar“. 
Também, conforme Nosella (2012) o termo gestão remete a administração, uma 
vez que suas origens se encontram na obra de referência do administrador Peter 
Drucker. Esta ação de administrar, gerenciar, abrange um conjunto que pode 
envolver pessoas, escolas, serviços, entre outros, cuja meta é a aplicação das 
ações propostas. Do mesmo modo, Fernandes Junior (2015) traz a 
administração como sinônimo de gestão, sendo esta conceituada como a ação 
de coordenar, com eficácia e eficiência, não só pessoas, mas também o tempo, 
a carreira, conhecimento, informação, inovação. 
Para que ocorra o bom desenvolvimento do trabalho do gestor faz-se 
necessário, como em toda profissão, que esse tenha características positivas e 
apresente um perfil compatível à sua função. Neste caso, o foco nesta pesquisa 
 
CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
127 
foi o gestor que trabalha no ambiente escolar. 
Conforme Martinez (2014) o gestor deve ser comprometido, pois ele é 
responsável pela educação, pelos resultados, pelas funções e pelos horários. Na 
escola, o gestor depende do bom trabalho de todos os envolvidos no processo 
educacional para que ele alcance o seu próprio sucesso profissional. Tudo isso 
acontece quando o gestor está comprometido com a educação e com todos os 
sujeitos, se preocupando com toda a rotina, desempenho dos alunos e o 
trabalho pedagógico. O autor também considera o comprometimento como 
característica fundamental para um gestor escolar, o qual Almeida (2015) 
contribui definindo o comprometimento em relação a tarefas que consomem o 
tempo do pedagogo na escola, mas que só acontecem da melhor forma possível 
quando o gestor está comprometido com o seu trabalho e assume 
responsabilidades para suprir as necessidades de seus funcionários e também 
para que a rotina escolar contribua para o desenvolvimento dos alunos. 
 
Responsabilizar-se por distribuir os horários de biblioteca, quadra, 
laboratórios, brinquedotecas e outros espaços que não a sala de aula, 
entre as várias turmas que a escola comporta, e ajudar os demais 
funcionários com questões burocráticas como matrículas, documentação 
de alunos, boletins são apenas pequenos exemplos de tarefas rotineiras 
que consomem o tempo do pedagogo na escola (ALMEIDA, 2015, p. 73). 
 
Outra característica positiva que o gestor deve ter é a liderança. Martinez 
(2014, p. 80) define liderança como sendo “um estilo de atuação que tem por 
iniciativa promover o bem geral, subsidiando e favorecendo ideias, sugestões, 
orientações e outros”. Portanto, um gestor líder é aquele que é criativo, que tem 
a capacidade de inovar, criar oportunidades, escolher prioridades, e 
principalmente manter contato com a comunidade escolar, o que propicia o 
gestor saber mais do que acontece e desta forma buscar soluções para os 
problemas que são impostos pela comunidade escolar. Com isso, Almeida 
(2015, p. 64) contribui: “Deve ainda estudar diferentes formas de trabalhar com 
as equipes de modo a propor tarefas que as motivem e tornem seus trabalhos 
mais efetivos”. 
Desta forma, segundo Tortoreli (2014), o gestor educacional deve 
assumir um perfil de liderança, responsabilidade, compromisso e 
empreendedorismo, coordenando desde questões pedagógicas até as 
administrativas, buscando um ambiente de cooperação, onde ele não irá 
trabalhar sozinho, mas envolver todos os sujeitos no processo, articulando todos 
os segmentos da escola para atingir a sua meta, uma educação de qualidade. 
128 
 CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
 
Desta forma, Almeida (2015) elenca as principais características que o 
gestor escolar deve apresentar sendo elas: - perfil flexível – é preciso que este 
profissional se adapte sem dificuldades conforme as necessidades e 
acontecimentos; - definir os objetivos educacionais, as implicações 
psicopedagógicas, políticas, culturais e sociais do processo educativo; - 
promover um trabalho cooperativo entre docentes e equipe de Gestão; - investir 
em sua formação – melhorando e aprimorando seu trabalho junto com a equipe; 
- garantir que o trabalho docente seja realizado de forma criativa, para que sejam 
excluídos procedimentos repetitivos e tradicionais de ensino; - refletir, debater, 
criticar e propor novos olhares sobre a política e a educação; - estar presente, 
orientar e dar suporte em questões que envolvem o processo de ensino e 
aprendizagem, e propor momentos de discussão sobre avaliações, técnicas e 
metodologias utilizadas; - promover formação continuada para seus professores 
através de atividades oferecidas na escola, assim como também estimulá-los a 
participar de eventos na sua área de atuação – visando uma mudança positiva na 
rotina escolar; - apresentar sugestões de atividades, recursos e metodologias, 
podendo usar um portfólios para disponibilizar aos seus docentes com todas 
estas propostas; - encontrar soluções adequadas aos problemas estabelecidos; - 
apresentar metas claras e estar comprometido com a organização e seus 
funcionários; - conscientizar a sociedade da necessidade que essa esteja 
comprometida também para que haja transformação necessária; - ser um 
parceiro do professor dentro da instituição, motivando-o. 
Enfim, conclui-se que o pedagogo precisa antes de tudo estar 
comprometido na sua função e na sua escolha de querer assumir esta função. 
Ter dedicação e estar preparado para assumir e procurar solução para resolver 
os problemas e dificuldades que são diários e diferentes. Ter uma equipe que 
confie em seu trabalho e uma comunidade que o apoie em suas decisões e 
compartilhe das mesmas metas, visando a transformação necessária e o 
progresso do trabalho docente e o processo de ensino e aprendizagem. 
 
3 A COMPLEXIDADE DE SER PROFESSOR: COMO MOTIVÁ-LO 
 
O professor que aqui se referiu é aquele que está dentro das salas de 
aula da educação infantil e das séries iniciais do ensino fundamental. Ser 
professor vai além de simplesmente ensinar ou repassar um conteúdo estudado 
para um aluno. De acordo com Campos (2010, p. 105), 
 
 
CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
129 
Deve-se compreender a complexidade da docência pelo sentido de 
educar. Se se compreende a educação como a formação do outro, na 
perspectiva da completude do ser humano integral, ou seja, formar a 
humanidade no outro ser humano, tornando-o mais humano, a docência 
não é ofício fácil de ser exercitado. 
 
Dessa forma, desempenhar a profissão professorsignifica não só 
transmitir um conteúdo historicamente produzido, mas criar condições na sua 
sala de aula que proporcionarão às crianças que elas aprendam e desenvolvam-
se. 
 
A aprendizagem mais importante que acontece nas aulas é a humana. As 
disciplinas não são fins em si mesmas. No fundo, não são mais que 
instrumentos. Por meio de seus conteúdos, da metodologia que 
escolhemos, do rigor e da criatividade que propomos, construímos 
atitudes, modos de responder diante da vida, por isso mesmo, o aspecto 
humano – nosso desenvolvimento e qualidade como pessoas – é 
essencial em nosso trabalho (BAZARRA, 2012, p. 57). 
 
No entanto, observa-se que o professor está assumindo 
responsabilidades que antes eram apenas vinculadas a executar orientações já 
definidas e, atualmente, há um excesso de exigências que recaem no professor 
as quais estão ocasionando situações de estresse e insatisfação por parte 
desses profissionais, que acabam se sentindo incapazes de realizar todas essas 
exigências. 
Barroso (2003) cita entre essas responsabilidades, situações 
relacionadas às exigências quanto a qualificação profissional, tanto em relação 
aos cursos de reciclagem quanto ao desempenho assim como uma expansão da 
sua relação, ultrapassando o limite da sala de aula, onde ele trabalhava apenas 
com os alunos e agora tendo que intervir e intensificar seu trabalho também com 
a comunidade e gestão. 
Foram a partir das modificações que a sociedade sofreu ao longo dos 
séculos e todas as correntes que influenciaram a educação com suas visões 
sobre o papel do professor e do aluno e sua forma de ensinar e aprender, que a 
profissão do pedagogo foi se transformando até que se adequou e foram sendo 
escritos documentos e aprovadas leis que buscam orientar todo o ambiente 
educacional e o que acontece nele. “A missão dos diretores de escolas é 
transformar o corpo de professores em uma força envolvente de criatividade, 
com capacidade para progredir e continuar construindo num mundo em contínua 
mudança” (BAZARRA, 2012, p. 115). 
130 
 CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
 
Com isso, destaca-se aqui a importância do trabalho do gestor com 
relação à valorização deste profissional assim como o reconhecimento de toda a 
complexidade que envolve o trabalho do seu funcionário. 
 
A motivação é o empurrão ou a alavanca que estimula as pessoas a 
agirem e a se superarem. A motivação é a chave que abre a porta para o 
desempenho com qualidade em qualquer situação [...] Se a escola almeja 
alcançar a melhor qualidade de trabalho possível dos seus funcionários, o 
diretor deve compreender e ser capaz de aplicar os princípios básicos da 
motivação humana (LUCK, 2007, p. 46). 
 
Luck (2007) ainda acrescenta mais aspectos que causam a 
desmotivação do professor, como uma turma difícil de trabalhar, o estresse de 
uma jornada muito extensa aliada a muitos anos de trabalho e exigências, 
cansaço e a insatisfação com o salário. 
Com isso, observa-se que muitos são os fatores que causam uma 
desmotivação em ser professor, o que acarreta diversos problemas até de 
saúde, como estresse. Diante disso, o gestor precisa assumir sua postura de 
líder e encontrar formas de “atrair o comprometimento dos professores, caso 
desejem atingir um alto nível de desempenho e motivação” (LUCK, 2007, p. 47). 
Não há receitas a serem seguidas para que o gestor motive seus 
professores, no entanto, há algumas sugestões encontradas em alguns autores 
renomados que possibilitam e orientam o trabalho do gestor, focando na 
motivação da sua equipe pedagógica. 
Como aspectos motivacionais importantes, Luck (2007) cita que o 
gestor deve incluir o professor nas tomadas de decisões importantes, pois o 
professor sente-se valorizado quando suas considerações são aceitas. São 
muitas situações que o professor pode e deve participar na escola, que faz com 
que ele sinta-se útil e também responsável por aquele ambiente, podendo fazer 
suas contribuições e sentindo ativo também no processo de troca de saberes e 
conhecimentos. 
 
A participação em atividades profissionais comuns, inclusive o 
planejamento de currículo, ensino em equipe, avaliação de desempenho e 
desenvolvimento dos profissionais amplia as relações de agremiação 
entre os professores. Os professores que trabalham em escolas onde 
todos estão com o moral elevado estarão bem mais motivados do que os 
seus colegas que trabalham em ambientes cujo moral é baixo (LUCK, 
2007, p. 48). 
 
 
CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
131 
Outra situação que o gestor pode proporcionar aos seus professores 
para motivá-los é a formação continuada, tanto dentro da escola quanto fora, 
realizar encontros com sua equipe para discutir o processo avaliativo e 
propostas para que o processo de ensino e aprendizagem melhore. 
O gestor deve ter a consciência que somente um professor 
comprometido com seu trabalho irá educar com qualidade. Desta forma, o 
gestor tem como função também buscar com que o seu professor esteja feliz, e 
Bazarra (2012) cita dois estados de felicidade: a pessoal e a profissional. O 
gestor não tem como intervir na felicidade pessoal do professor, no entanto, ele 
pode tornar o dia a dia do professor mais feliz, intervindo na sua felicidade 
profissional. Com isso, ergue-se o tripé: felicidade, comprometimento e 
qualidade educativa. Do mesmo modo, este autor refere-se a importância 
também de haver momentos de comunicação informais, em momentos por 
exemplo do intervalo ou de um aniversários de funcionários, e os diálogos 
profissionais, em reuniões pedagógicas ou administrativas por exemplo, pois são 
nessas situações de diálogos que haverá uma maior proximidade e 
conhecimento do outro. 
Por fim, também como aspecto motivacional a direção da escola tem 
que demonstrar a confiança e a credibilidade que eles tem em seu professor. Um 
professor motivado e feliz exercerá sua função de forma satisfatória e realizada, 
o que irá facilitar o processo de uma educação de qualidade que toda escola 
almeja atingir. O gestor precisa conhecer a sua equipe pedagógica e o perfil que 
seus funcionários tem, reconhecer o esforço de cada um, e a partir das 
particularidades de cada professor procurar elaborar metas e planos de ação que 
objetivam a motivação da sua equipe. É no dia a dia da escola, na rotina 
educacional, que o gestor poderá observar o que faz-se necessário para que ele 
possa influenciar positivamente no desempenho do seu profissional. 
 
4 CONSIDERAÇÕES FINAIS 
 
Este trabalho teve como finalidade compor um estudo cujo interesse era 
o de abordar qual o papel do gestor escolar e como este pode motivar o 
professor a desempenhar sua função de forma satisfatória e realizada, diante de 
todos os desafios enfrentados diariamente pelo docente. Portanto, estudou-se 
sobre o papel do gestor escolar, o que é ser professor e os desafios enfrentados 
e como o gestor escolar pode criar situações em que o professor sinta-se 
132 
 CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
 
motivado perante as situações da rotina escolar e de todos os envolvidos no 
processo de ensino e aprendizagem. 
Verificou-se a importância do gestor escolar estar comprometido na sua 
função, assumindo uma postura de liderança, responsabilidade, compromisso e 
empreendedorismo, estabelecendo uma relação de confiança com a sua equipe 
pedagógica, pois o gestor dependerá do bom trabalho de todos os envolvidos no 
processo educacional para que ele alcance o seu próprio sucesso profissional. 
Desta forma, faz-se necessário um ambiente de cooperação e também a 
presença do gestor para orientar e dar suporte aos seus funcionários. 
Logo, o professor tem a função de fazer com que as crianças aprendam 
e se desenvolvam, assumindo um papel de desenvolver a formação social e 
também moral dos seus alunos. 
Desta forma, a partir da pesquisa realizada, é possível elencar alguns 
aspectos que o gestor escolar deve desenvolver paramanter sua equipe 
pedagógica motivada, sendo eles: a inclusão do professor nas tomadas de 
decisões importantes, a possibilidade de oferecer cursos de formação 
continuada, tanto dentro da escola quanto fora, promover encontros com sua 
equipe para discutir o processo avaliativo e propostas para que o processo de 
ensino e aprendizagem melhore e procurar tornar o dia a dia do professor mais 
feliz, intervindo na sua felicidade profissional 
Por fim, o gestor escolar influencia diretamente na motivação da sua 
equipe pedagógica, e a partir deste trabalho pode-se demonstrar o quanto é 
importante a confiança e a credibilidade que o gestor escolar deposita no seu 
professor, pois um professor motivado buscará alcançar todos os objetivos 
propostos e irá em busca de uma educação de qualidade, possibilitando assim 
um trabalho conjunto, o qual toda equipe estará trabalhando na mesma direção. 
 
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CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
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2012.(Coleção pedagogia e educação. Serie formação continuada). 
 
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Aprendizagem e Avaliação Institucional. Centro Universitário de Maringá, Núcleo 
de Educação a Distância. Maringá – PR, 2014. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
134 
 CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
 
A INFLUÊNCIA DA COMUNICAÇÃO ESCRITA NO PROCESSO DE ENSINO E 
APRENDIZAGEM DA EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA 
 
FABIANE CARNIEL
1
 
REJANE SARTORI
2
 
 
RESUMO 
 
O presente artigo objetiva expor um estudo acerca da influência da comunicação 
escrita no processo de ensino e aprendizagem na educação a distância (EaD). 
Nesse sentido, esclarece inicialmente a relação existente entre EaD e a 
comunicação escrita. Na sequência, apresenta algumas características básicas e 
fundamentais da produção escrita e, ainda, a incidência da utilização da 
comunicação escrita na EaD e o processo de ensino e aprendizagem. Para tal, 
partiu-se de uma abordagem qualitativa com pesquisa bibliográfica. Assim, 
verificou-se que muitas são as atividades nas quais os textos escritos estão 
diretamente relacionados ao processo de ensino e aprendizagem e, diante disso, 
uma competência basilar do tutor e professores da EaD é a competência 
linguística para a produção de diferentes gêneros textuais, em especial os 
instrucionais independente da área na qual atuam. 
 
Palavras-chave: Educação a Distância. Comunicação escrita. Processo de 
ensino e aprendizagem. 
 
1 INTRODUÇÃO 
 
A educação a distância é uma modalidade de ensino que tem se 
destacado no Brasil como uma forma de democratização do ensino superior. De 
acordo com o CensoEaD.BR (2013) a educação a distância, no que diz respeito 
aos cursos de graduação, incluindo bacharelado, licenciatura e tecnólogo, 
apresentava um total de 449.259 alunos matriculados. Quando essa análise se 
estende a outros níveis de ensino, esse número salta para 692.279. A partir 
disso, fica claro a expressividade da mesma no que se refere ao acesso à 
educação no país. 
 
1
 Graduada em Letras Português/Espanhol pelo Centro Universitário de Maringá – Unicesumar; 
Especialista em Docência no Ensino Superior pelo Centro Universitário de Maringá – Unicesumar; 
Especialista em Administração Pública pelo Centro Universitário de Maringá – Unicesumar; Mestre 
em Educação pela Universidade do Oeste Paulista – Unoeste. 
2
Graduada em Ciências Econômicas pela UEM (1987), mestre em Engenharia de Produção pela 
UFSA (2001). Doutora em em Engenharia e Gestão do Conhecimento pela UFSC (2011). Docente 
do Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Gestão do Conhecimento da UniCesumar. 
 
CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
135 
 Além disso, trata-se de uma modalidade de ensino que, entre outras 
características, apresenta a separação física e geográfica entre professores e 
alunos. Isso significa que metodologias bastante específicas necessitam ser 
consideradas para que o processo de ensino e aprendizagem ocorra. 
Atualmente, tal modalidade de ensino tem potencializado suas metodologias com 
a utilização de Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC). Essas são 
importantes ferramentas para a interação e comunicação com o aluno. 
 Nesse processo de comunicação, dentre outras formas, destaca a 
comunicação escrita que ocorre nos ambientes virtuais de aprendizagem (AVAs). 
Trata-se de um processo de comunicação com os alunos para mantê-los 
informados de aspectos diversos sobre seu curso, inclusive, aspectos do 
processo de ensino e aprendizagem, uma vez que muitas das dúvidas em 
relação ao conteúdo são transmitidas e sanadas por meio de textos escritos. 
 Diante desse cenário, apresenta-se a importância do desenvolvimento 
da temática aqui proposta que tem como problema de pesquisa o seguinte 
questionamento: Qual a influência da comunicação escrita no processo de 
ensino e aprendizagem na EaD? 
 Assim, seu objetivo geral teve como intuito apresentar a influência da 
comunicação escrita no processo de ensino e aprendizagem da EaD. Nesse 
sentido, o presente artigo apresenta concepções acerca da Educação a Distância 
e a comunicação escrita, também trata da incidência de utilização da 
comunicação escrita na EaD e, por fim, apresenta as principais circunstâncias de 
uso da comunicação escrita na EaD e sua influência no processo de ensino e 
aprendizagem. 
 
2 A EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA E A COMUNICAÇÃO ESCRITA 
 
A educação a distância é uma modalidade de ensino bastante antiga no 
mundo e no Brasil, contudo, permaneceu na informalidade durante muito tempo 
e serviu, em vários períodos, como forma de educação emergencial para suprir a 
falta de planejamento educacional no país ou ainda para capacitar uma parcela 
marginalizada da população. 
Com o artigo 80 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Brasileira 
(LDB/1996) tal modalidade de ensino sai da informalidade tendo a chance de se 
apresentar como uma importante alternativa para a democratização do ensino 
superior no país, visto que sua possibilidade de abrangência geográfica. 
136 
 CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
 
 
Art. 80. O Poder Público incentivará o desenvolvimento e a veiculação de 
programas de ensino a distância, em todos os níveis e modalidadesde 
ensino, e de educação continuada. 
§ 1º A Educação a distância, organizada com abertura e regime especiais, 
será oferecida por instituições especificamente credenciadas pela União. 
§ 2º A União regulamentará os requisitos para a realização de exames e 
registro de diploma relativos a cursos de Educação a distância. 
§ 3º As normas para produção, controle e avaliação de programas de 
Educação a distância e a autorização para sua implementação, caberão 
aos respectivos sistemas de ensino, podendo haver cooperação e 
integração entre os diferentes sistemas. 
§ 4º A Educação a distância gozará de tratamento diferenciado, que 
incluirá: 
 I - custos de transmissão reduzidos em canais comerciais de 
radiodifusão sonora e de sons e imagens e em outros meios de 
comunicação que sejam explorados mediante autorização, concessão ou 
permissão do poder público; 
II - concessão de canais com finalidades exclusivamente educativas; 
III - reserva de tempo mínimo, sem ônus para o Poder Público, pelos 
concessionários de canais comerciais (BRASIL, 1996). 
 
Desde então a educação a distância vem construindo sua trajetória no 
Brasil. Essa tem sido marcada por episódios diversos caracterizando 
preconceito, insucessos e sucessos. Sobre esse assunto, Gomes (2009) explica 
que EaD foi muitas vezes considerada uma espécie de educação em segundo 
plano, marginalizada. 
Além disso, a modalidade de ensino em questão foi entendida por 
muitas instituições, em função de uma visão mercadológica, como educação de 
baixos custos financeiros e grande lucratividade, se constituindo como educação 
de massa, sem preocupação com a qualidade de formação dos sujeitos. 
Mesmo diante de tudo isso, a educação a distância foi se 
desenvolvendo e ganhado espaço no cenário educacional sendo necessária uma 
legislação mais contundente que a regulamentasse. Em relação a isso, 
destacam-se os Referenciais de Qualidade para a Educação Superior a Distância 
de 2007 e ainda o decreto 5.622 de 2005. No que diz respeito a esse decreto, 
em seu artigo 1º, defini a educação a distância como 
 
Modalidade educacional na qual a mediação didático-pedagógica nos 
processos de ensino e aprendizagem ocorre com a utilização de meios de 
tecnologia informação e comunicação, com estudantes e professores 
desenvolvendo atividades educativas em lugares e tempos diversos 
(BRASIL, 2005, p. 01). 
 
De maneira muito semelhante Moore e Kearsley (2011, p. 01) explicam 
que 
 
CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
137 
 
[...] alunos e professores estão em locais diferentes durante todo ou 
grande parte do tempo em que aprendem e ensinam. Estando em locais 
distintos, necessitam de alguma tecnologia para transmitir informações e 
lhes proporcionar um meio para interagir. 
 
Para muitos educadores e teorias da aprendizagem tal separação física 
pode representar danos ao processo educacional devido à falta de interação 
entre os partícipes do processo, contudo, essa questão tem sido desbancada 
pelas gerações mais recentes da educação a distância que fazem uso de 
ferramentas variadas das TIC. Essas podem viabilizar uma comunicação e 
interação fluente mesmo a quilômetros de distância. 
Além disso, os Referenciais de Qualidade para a Educação Superior a 
Distância (2007) também preconizam um sistema de tutoria e um sistema de 
comunicação que seja capaz de manter a comunicação e proximidade com os 
alunos, mesmo diante da separação geográfica que há entre eles. Nessa 
perspectiva, figura um importante ator da educação a distância: o tutor. 
Responsável pelo contato direto com o aluno e mediador da aprendizagem nessa 
modalidade de ensino. 
No que diz respeito à interação entre os sujeitos, necessária ao 
processo de ensino e aprendizagem, essa se dá por meio da comunicação. Dito 
isso, é importante ressaltar que a comunicação é essencial em qualquer 
instância social, pois, quando ocorre de forma correta, faz com os sujeitos se 
sintam inseridos no contexto no qual ela se dá. No caso da EaD o aluno se sente 
realmente parte do processo de ensino e aprendizagem, além disso, sente-se 
situado no tempo e no espaço em relação ao curso que faz e ainda ao programa 
de EaD que pertence. Essa comunicação adequada auxilia na criação de um 
sentimento de pertencimento e de proximidade dos alunos com o curso e com a 
instituição. 
De acordo com Mattar (2012, p. 24) “a palavra interatividade é recente 
na história das línguas [...] passando a ser largamente utilizada pela informática 
[...] já a palavra interação é utilizada há bem mais tempo que interatividade e em 
ciências diversas”. 
Ainda no sentido de esclarecer os dois termos Mattar (2012, p. 24) 
explica que 
 
Alguns autores utilizam os dois termos indiscriminadamente, trocando um 
pelo outro sem diferenciar seus significados, enquanto outros procuram 
construir definições distintas para cada um dos conceitos. Alguns autores 
138 
 CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
 
criticam, inclusive, o uso do termo interatividade, aceitando apenas o 
sentido de interação, enquanto, para outros, a interatividade é um dos 
fenômenos mais importantes da modernidade, que estaria provocando 
uma revolução na educação. 
 
As palavras do autor possibilitam a inferência de que a interação está 
ligada aos sujeitos e suas relações dialógicas, enquanto a interatividade está 
relacionada às tecnologias e aos canais de comunicação. Devido à ampla 
utilização das TIC na EaD, no processo de ensino e aprendizagem da referida 
modalidade de ensino tem-se interação e interatividade ao mesmo tempo. 
Embora a evolução das TIC represente um marco na maneira de se 
comunicar, isso ocorre em função da circulação da informação e não 
especificamente em como ela se dá. Embora existam muitas possibilidades para 
a comunicação e a interação na EaD, a materialização de tudo isso, ainda ocorre, 
prioritariamente, por meio do texto escrito. 
Alunos, professores e, em especial, tutores interagem, na maioria das 
vezes, com o uso de textos escritos. Isso ocorre tanto no âmbito da mera 
informação sobre o curso, quanto na explicação de conteúdos, retirada de 
dúvidas e ainda em outras circunstâncias. 
Dessa forma, a estruturação dos textos que circulam em um ambiente 
virtual de aprendizagem (AVA) é fundamental para o processo de ensino e 
aprendizagem, sendo basilar à construção de conhecimento por parte dos 
estudantes. 
 
3 A INCIDÊNCIA DE UTILIZAÇÃO DA COMUNICAÇÃO ESCRITA NA EAD E O 
PROCESSO DE ENSINO E APRENDIZAGEM 
 
Na educação a distância, na maioria dos modelos, os sistemas de 
comunicação são baseados na troca de mensagens escritas. Nesse sentido, 
uma competência técnica para qualquer tutor é capacidade de boa comunicação, 
em especial, por meio de textos escritos. Tais textos, na maioria das vezes, terá 
um caráter instrucional, ou seja, terá o objetivo de instruir o aluno a respeito de 
algo, seja do curso, sobre alguma ferramenta, seja sobre o conteúdo entre 
outros. 
Diante do exposto, fica clara a necessidade de ter cuidado com o uso 
das expressões, ter muita atenção para não elaborar mensagens que permitam 
diferentes interpretações e assim por diante. 
 
CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
139 
Na modalidade de ensino em questão, o código escrito se constitui 
como um recurso fundamental para a transmissão de emoções, certezas, 
dúvidas, inseguranças, questionamentos e respostas tanto para uso do tutor 
quanto dos alunos. Dessa forma, deseja-se que o tutor tenha conhecimentos 
linguísticos que o permitam elaborar, compreender e interpretar textos diversos. 
Mill, et. al. (2008) ao elencar algumas competências do tutor, explicita a 
necessidade de conhecimentos acerca da redação de textos. Os autores relatam 
que na EaD aquilo que se escreve fica devidamente registrado, portanto, acaba 
se tornando documento. Nesse sentido, é importante que essa escrita 
comtemple uso adequado da língua portuguesa, o queclassificamos, como uso 
da norma padrão da língua, além disso, é preciso que essa escrita seja clara e 
objetiva sendo passível de compreensão por diferentes alunos, considerando a 
diversidade da educação a distância. 
Outro ponto bastante importante destacado por Mill, et. al. (2008) é que 
os textos dos alunos que circulam nos ambientes virtuais de aprendizagem 
também necessitam apresentar uma estruturação adequada para viabilizar o 
entendimento a todos os participantes. Dessa forma, o tutor precisa estar 
preparado, também, para auxiliar o aluno nessas construções. É importante 
destacar que esse processo de escrita ocorre independentemente da área a qual 
o curso se refere, portanto, será necessário a tutores de diferentes disciplinas 
que atuam em diferentes áreas do conhecimento. 
Sobre os aspectos supracitados, é importante refletir que, embora a 
escrita gramaticalmente organizada seja fundamental, ela, muitas vezes, pode 
afastar os alunos desses textos em função da formalidade dos mesmos. Nesse 
sentido, o professor e o tutor, ao elaborarem os textos que circularão no AVA, 
deverão estar aptos à escrita formal, mas ao mesmo tempo dialógica, de forma, 
que seja capaz de aproximar e interagir com seus acadêmicos. 
A interação, por sua vez, tem sido um conceito e uma prática bastante 
discutida na educação a distância em seu formato atual, dessa forma, os textos 
disponíveis nessas salas de aula virtuais necessitam apresentar características 
que viabilizam a interação. 
Mattar (2012) apresenta importantes concepções acerca da interação na 
EaD e a classifica em diferentes tipos, dentre elas elenca a interação 
aluno/professor, aluno/conteúdo, aluno/aluno, professor/ professor, 
professor/conteúdo, conteúdo/conteúdo, aluno/interface/ autointeração e 
interação vicária. 
140 
 CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
 
Em vários desses tipos, o aluno interagirá com textos escritos. Nesse 
sentido, a partir das considerações de Mattar (2012), é possível apresentar o 
quadro 1, no qual percebe-se o tipo de interação e a utilização de texto escrito: 
Quadro 1 – Tipo de interação e utilização de texto escrito. 
 
Tipo de interação Utilização de texto escrito 
Aluno/professor/tutor e-mails e mensagens com informações sobre o curso, 
e-mails e mensagens instrucionais, e-mails e 
mensagens com respostas às dúvidas, feedbacks de 
atividades e avaliações. 
Aluno/conteúdo Livro-texto, textos complementares, tabelas, gráficos, 
mapas conceituais, entre outros. 
Aluno/aluno Interação em grupos de discussão, apresentação de 
trabalhos escritos, troca de informações via e-mails e 
outros sistemas de mensagens, apresentação de relatório, 
apresentação de relatos pessoais, entre outros. 
Professor/professor/tutor Capacitações on-line, discussões em grupo, relato 
pessoal, apresentação de conteúdos em livro-textos 
etc. 
Professor/tutor/conteúdo Apresentação do conteúdo por meio de diferentes 
objetos de aprendizagem, incluindo a apresentação de 
textos, sínteses, resenhas etc. 
Aluno/ interface Tutoriais, textos instrucionais para as funções do 
sistema, textos de identificação das ferramentas etc. 
autointeração Sínteses, resumos e resenhas. 
Interação vicária Observação e leitura de textos, atividades entre os 
participantes do curso. 
Fonte: As autoras, 2016.. 
 
A análise do quadro acima demonstra diversas ocorrências do texto 
escrito na EaD, que por sua vez, estão diretamente relacionadas à interação dos 
partícipes de um curso e, consequentemente, ligadas ao processo de ensino e 
aprendizagem. 
Corroborando com essa ideia, outros autores, além de Mattar (2012), 
como Moore e Kearsley (2011), Almeida (2003) apresentam muitas atividades 
passíveis de desenvolvimento do processo de ensino e aprendizagem na EaD 
que fazem uso do texto escrito. 
Almeida (2003) descreve as ferramentas mais comuns dos ambientes 
virtuais de aprendizagem, destacando o fórum, o chat, o correio eletrônico, o 
 
CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
141 
repositório de materiais, o envio online de trabalhos e atividades, tira dúvidas, 
mural de avisos, enquete, diário, calendário e grupos. 
Embora a autora esteja se referindo às ferramentas dos AVAs, é possível 
perceber que as mesmas viabilizam a aprendizagem conforme permitem a 
realização de diferentes atividades e as atividades assim realizadas preconizam o 
uso do texto escrito. 
Mattar (2012) ao se referir às atividades que podem ser realizadas no 
processo de ensino e aprendizagem na EaD elenca o chat, escolha, fórum, 
glossário, wiki entre outras. É notável nelas a utilização do texto escrito. 
Moore e Kearsley (2011) ao apontarem alguns aspectos sobre o 
processo de ensino e aprendizagem na EaD, relatam que os materiais impressos 
ainda são recursos muito explorados e têm certa importância na modalidade de 
ensino em questão. Nesse sentido, tem mais um caso do uso do texto escrito 
diretamente relacionado à aprendizagem e, consequentemente, à construção do 
conhecimento. 
Em relação ao processo de ensino e aprendizagem na EaD, o feedback 
também aparece como ferramenta essencial. 
Cardoso (2011) apoiado em outros autores apresenta definições 
importantes, assim Vrasidas e McIsaac (1999) apud Cardoso (2011, p. 18-19) 
“associam o feedback a respostas que fornecem informações aos alunos sobre 
a correção de seus deveres de casa, trabalhos e contribuições em sala de aula”. 
Na concepção de Mason e Bruning (2003) apud Cardoso (2011, p. 19) o 
feedback é “qualquer mensagem gerada em resposta a ação de um aprendiz”. 
Além disso, está relacionado à interação e à avaliação. É uma forma 
importante de comunicação entre tutores e alunos e ocorre, principalmente, por 
meio do texto escrito. Diante disso, a compreensão desses textos por parte dos 
acadêmicos é primordial para o processo de ensino e aprendizagem, visto que 
deverá ajustar os equívocos no que diz respeito à realização de atividades e 
ainda em relação ao conteúdo. 
Diante do exposto, é possível destacar que dentre as práticas de ensino 
e aprendizagem da educação a distância, várias delas estão relacionadas ao 
texto escrito, assim, é preciso que haja atenção por parte dos envolvidos com o 
processo para a produção desse tipo de textos. 
 
 
 
142 
 CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
 
4 CONSIDERAÇÕES FINAIS 
 
O estudo aqui apresentado constatou que a utilização do texto escrito na 
EaD ocorre de forma diretamente relacionada ao processo de ensino e 
aprendizagem. A incidência desses textos ocorre na viabilização de algumas 
ferramentas utilizadas nos ambientes virtuais de aprendizagem, de atividades, de 
material didático, feedbacks, entre outros. 
Diante disso, é possível então pressupor que o texto escrito é uma 
importante ferramenta de aprendizagem na educação a distância ainda que 
novas tecnologias da informação e comunicação estejam cada vez mais 
presentes nos AVAs. Outro ponto importante do texto escrito na EaD está 
relacionado à interatividade. Essa tem figurado nos estudos sobre a 
aprendizagem na modalidade em questão como essencial e muitas ferramentas 
e atividades que visam a interação entre os atores desse processo utilizam-se do 
texto escrito. 
Dessa forma, professores e tutores, bem como as equipes envolvidas 
com a elaboração de cursos para a modalidade de ensino em questão precisam 
estar aptos à escrita de textos bem organizados, que atendam às formalidades 
da língua, bem como tenham uma linguagem dialógica capaz de interagir com os 
alunos. Sobre esse assunto, vale destacar ainda que as tecnologias têm 
viabilizado modelos de EaD mais interativos e dinâmicos, contudo, esses não 
descartam a condução adequada do processo por parte de professores e tutores 
e muito dessa condução, que na educação presencial ocorre por meio da 
oralidade, auxiliada pela presença física dos partícipes, na educação a distância 
acaba ocorrendo por meio do texto escrito.A escrita desses textos não é tarefa tão simples, contudo, faz parte do 
conjunto de competências necessárias aos professores e tutores. É justamente 
por tal importância que tais textos necessitam de elementos textuais suficientes 
para que seu conteúdo e forma sejam capazes de cumprir com os objetivos de 
aprendizagem nos cursos ofertados pela EaD. 
Nessa perspectiva, a escolha do gênero, a organização textual e muitas 
outras questões que implicam na textualidade farão absoluta diferença para a 
aprendizagem. Vale dizer ainda, que na EaD, o processo é focado na 
aprendizagem, não no ensino. Assim, uma produção textual consistente deve 
fazer parte das práticas de ensino e ainda da didática na educação a distância. 
 
 
 
CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
143 
REFERÊNCIAS 
 
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2013. Curitiba: Ibpex, 2014. 
 
ALMEIDA, Maria Elizabeth B. de. Educação a Distância na Internet: abordagens e 
contribuições dos ambientes digitais de aprendizagem. Educação e Pesquisa, 
São Paulo, v.29, n.2, p. 327-340, jul./dez. 2003. 
 
BRASIL, MIinistério da Educação. Lei de Diretrizes e Bases da Educação 
Brasileira – LDB 9.394/96. Disponível em <http://www.planalto.gov.br/ccivil_ 
03/LEIS/l9394.htm>. Acesso em 06 maio 2016. 
 
BRASIL Ministério da Educação. Referenciais de Qualidade para Educação 
Superior a Distância. Brasília: 2007. Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/ 
seed/arquivos/pdf/legislacao/refead1.pdf>. Acesso em 06 maio 2016. 
 
CARDOSO, Ana Carolina Simões. Feedback em contextos de ensino-
aprendizagem on-line. Linguagens e Diálogos, v. 2, n. 2, p. 17-34, 2011. 
 
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MATTAR, João. Tutoria e Interação em educação a distância. São Paulo: 
Cengage Learning, 2012. 
 
MILL, et al. O desafio de uma interação de qualidade na educação a distância: O 
tutor e sua importância nesse processo. Cadernos da Pedagogia Ano 02 Volume 
02 Número 04 agosto/dezembro 2008. 
 
MINAYO, Maria Cecília de Souza. Ciência, Técnica e arte: O desafio da pesquisa 
social. In: MINAYO, Maria Cecília de Souza (org). Pesquisa Social: Teoria, 
método e criatividade. Petrópolis: Vozes, 2004. 
 
MOORE, Michel; KEARSLEY, Greg. Educação a Distância: uma visão integrada. 
Trad. Roberto Galman. São Paulo: Cengage Learning, 2011. 
 
 
 
 
 
 
 
144 
 CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
 
A PRODUÇÃO TEXTUAL EM SALA DE AULA: UM INSTRUMENTO PARA O 
DESENVOLVIMENTO DO LETRAMENTO 
 
MARCIA MARIA PREVIATO DE SOUZA
 1
 
ANDREA GRANO MARQUES
2
 
 
RESUMO 
 
Antes de se apropriar da linguagem escrita, a criança utiliza a linguagem oral 
como forma de comunicação com o mundo. Os processos que envolvem o 
desenvolvimento da escrita são extremamente complexos e abstratos, por isso é 
necessário passar por processos de socialização específicos, por processo de 
escolarização. Com a realização deste artigo, pretende-se abordar questões 
relevantes sobre a alfabetização e o letramento, apresentando justificativa para a 
necessidade atual do sujeito fazer uso da leitura e escrita na sua prática social, 
bem como o papel da escola para aquisição dessas habilidades de forma 
significativa pela criança dos anos iniciais do Ensino Fundamental. Buscaremos 
em seu desenvolvimento apresentar como alternativa pedagógica o trabalho com 
produção textual em sala de aula como recurso que auxilia a aquisição do 
conhecimento. 
 
Palavras-chave: Produção textual. Letramento. Mediação. Professor e aluno. 
 
1 INTRODUÇÃO 
 
Por muito tempo ensinar a ler e escrever estiveram atrelados ao uso de 
cartilhas. Acreditava-se que a apropriação do sistema gráfico da escrita era 
adquirida através de um ato mecânico com atividades repetitivas que levassem o 
aluno a aprender as letras, depois juntá-las e formar as sílabas, as frases até 
chegar na composição do texto. Isso porque os textos presentes nesse material 
eram produzidos com a intenção de dizer nada a ninguém; eram textos em que 
havia o esvaziamento do conteúdo da linguagem oral e escrita, seu único 
objetivo era ensinar a forma correta de se escrever à palavra. 
Paradoxalmente a essa fase, em outros momentos, priorizou-se 
apenas o conteúdo, valorizando somente o que o aluno escrevia e não como 
escrevia. Dessa forma, não se faziam correções de cunho gramatical, pois 
 
1
 Mestre em Educação pela UEM, Especialista em Docência no Ensino Superior, Especialista em 
Educação a Distância; Especialista em Gestão Educacional e graduada em Pedagogia pela UEM. 
2
 Doutora em Ciências pelo programa de Pediatria da USP – Escola Paulista de Medicina e Mestre 
em Nutrição. Especialista em Psicodrama pela Escola Paulista de Psicodrama. Psicóloga. 
 
CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
145 
acreditava-se que a criança não podia ser corrigida e construiria o conhecimento 
sozinha. 
O objetivo desse artigo não é tecer críticas a nenhuma teoria e sim 
entender a escola como um local em que os sujeitos nela inseridos possam 
adquirir conhecimentos escolares, não apenas de formação de valores e 
atitudes, mas de conceitos científicos que possam agregar conhecimentos a sua 
prática social. Para tanto, em um primeiro momento deste trabalho, buscou, por 
meio de uma pesquisa de cunho bibliográfico, compreender como a linguagem 
oral e escrita sistematizada leva o aluno a não somente ser alfabetizado, mas ao 
encaminhamento do letramento. Em um segundo momento, desenvolveu 
reflexões acerca da produção textual como um valioso instrumento que contribui 
para o desenvolvimento do letramento em criança dos anos iniciais do Ensino 
Fundamental, destacando o papel do professor como mediador desse processo. 
 
2 A LINGUAGEM ORAL E ESCRITA SISTEMATIZADA COMO ELEMENTO 
FUNDAMENTAL PARA O LETRAMENTO 
 
A aquisição das habilidades de leitura e escrita não ocorre de forma 
espontânea como, falar e andar. A aquisição da fala, por exemplo, é conseguida 
e incorporada por todos os sujeitos pelo simples fato desse sujeito pertencer a 
uma cultura. Os processos de formação familiar são suficientes para que a 
criança se aproprie da fala e a reproduza. Leontiev (2004) afirma que desta 
relação pode depender o sucesso ou o fracasso da aprendizagem da criança no 
que diz respeito ao conhecimento espontâneo. Ainda segundo o autor “... o 
mundo dos homens que rodeia a criança” (p.288) é dividido em dois círculos: 
 
O primeiro compreende aos seus íntimos: a mãe, o pai ou aqueles que 
ocupam o seu lugar junto a criança; as suas relações com eles 
determinam as suas relações com o resto do mundo. O segundo ciclo, 
mais largo, é constituído por todas as outras pessoas; as relações da 
criança com elas são mediatizadas pelas relações estabelecidas no 
primeiro circulo, mais pequeno, quer a criança seja ou não educada na 
sua família (LEONTIEV, 2004 p. 288). 
 
 
Partindo do exposto nas palavras de Leontiev, percebe-se o quanto o 
meio interfere na formação e aprendizagem da criança. No cenário educacional 
isso se torna ainda mais preocupante pela defasagem dos conteúdos de caráter 
146 
 CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
 
científico, estes que foram perdendo o espaço onde deveria ser o local principal 
de seu desenvolvimento, a escola. 
Para Vygotsky (1989), a aquisição da língua escrita e dos 
conhecimentos científicos depende essencialmente de situações sociais 
específicas em que o sujeito participa. São aquisições complexas que exigem 
uma capacidade maior de abstração por parte do indivíduo e a mediação social, 
principalmente do professor. Diante disso, faz-se necessário compreender que a 
aprendizagem da leitura e escrita não pode ser vista como um momento isolado 
e estanque, ambas devem estar vinculadas a realidade da criança e a partir daí 
ser ampliada. 
O objetivo da escola, em especial nos anos iniciaisdo Ensino 
Fundamental, foco desse estudo, não pode se limitar apenas ao ato de ensinar a 
criança a decodificar o código linguístico, deve ao mesmo tempo alfabetizar 
letrando. 
Segundo Soares (2004, p. 24): 
 
No processo de aprendizagem inicial da leitura e da escrita, a criança deve 
entrar no mundo da escrita fazendo uso de dois “passaportes”: precisa 
apropriar-se da tecnologia da escrita, pelo processo de Alfabetização, e 
precisa identificar o diferentes usos e funções da escrita e vivenciar 
diferentes práticas de leitura e de escrita, pelo processo de Letramento. Se 
lhe é oferecido apenas um dos “passaportes”– se apenas se alfabetiza, 
sem conviver com práticas reais de leitura e de escrita – formará um 
conceito distorcido, parcial do mundo da escrita; se usa apenas o outro 
“passaporte” – se apenas, ou, sobretudo, se letra, sem se apropriar plena 
e adequadamente da tecnologia da escrita – saberá para que serve a 
língua escrita, mas não saberá se servir dela. 
 
Ainda segundo a autora, se um sujeito aprendeu a ler e escrever, mas 
não incorporou a prática da leitura e escrita no seu dia a dia, se não consegue 
entender uma reportagem de jornal que leu, ou um livro, uma bula de remédio ou 
não consegue redigir um oficio ou preencher um formulário, não está apto a 
responder as exigências da sociedade letrada atual. 
Devido a essas e muitas outras necessidades de leitura e escrita 
sistematizada é que surgiu o termo letramento, uma palavra que já existe há 
muito tempo, mas que atualmente encontramos com uma nova maneira de ser 
entendida. Soares, (2004, p.47) diferencia a alfabetização de letramento de 
maneira que possamos entender a necessidade dessa nova roupagem em uma 
palavra que já faz parte dos dicionários de língua portuguesa há muitos anos. 
Para Soares (2004, p.19), “Alfabetizado nomeia aquele que apenas 
aprendeu a ler e escrever, não aquele que adquiriu o estado ou a condição de 
 
CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
147 
quem se apropriou da leitura e da escrita, incorporando as práticas sociais que 
as demandam”. Para a autora, tornar-se alfabetizado é decodificar os códigos 
linguísticos. É um ato mecânico, sem atribuição de significado. Contudo, se o 
indivíduo usar esta leitura e escrita nas suas práticas sociais, e se essas práticas 
trouxerem consequências sobre ele e alterar seus aspectos sociais, psíquicos, 
culturais, políticos, cognitivos, linguísticos e até mesmo econômicos, deixa de 
ser apenas alfabetizado e passa a se apropriar da leitura e da escrita, ou seja, do 
letramento, que para a autora “é o resultado da ação de ensinar ou de aprender 
a ler e escrever: o estado ou condição que adquire um grupo social ou um 
indivíduo como consequência de ter se apropriado da escrita” (SOARES, 2004, 
p.18). 
Segundo Souza (2014), o letramento envolve dois fenômenos distintos 
e complexos: a leitura e a escrita, ambos possuem características e habilidades 
diferentes de entendimento. A leitura, do ponto de vista do letramento, vai além 
do decodificar palavras escritas, o indivíduo precisa ter capacidade de 
compreender textos escritos de diversos gêneros. Envolve habilidades e 
comportamentos que não se limitam a decodificação, mas se estendem as 
leituras mais complexas que exigem do leitor um nível de entendimento maior. 
A escrita, assim como a leitura, envolve um conjunto de habilidades e 
comportamentos, que perpassam a escrita de um simples bilhete, mas se 
estendem a escrita de textos mais complexos e argumentos convincentes a um 
destinatário. “O processo de leitura e escrita pelas crianças exige delas 
habilidades e competências que somente serão alcançadas se for feito um 
trabalho árduo, planejado e consciente por parte do professor alfabetizador” 
(SOUZA, 2014, p.122). Essas habilidades e que fornecem ao indivíduo a 
capacidade de tomar decisões, indagar, discriminar, julgar, argumentar e ser 
crítico. Dessa forma, o ensino atrelado a cartilhas e palavras isoladas não darão 
ao sujeito tais habilidades para que respondam as exigências de uma sociedade 
letrada. 
 
Vivemos em uma sociedade letrada, por isso a escola deve preparar o 
aluno para o letramento, precisa ensina-lo a fazer uso da leitura e da 
escrita na sua pratica social. Pois, o indivíduo desprovido dessa 
habilidade terá consequências sociais, econômicas, políticas, culturais, 
linguísticas e cognitivas (SOUZA, 2014, p. 111). 
 
O domínio da escrita e o grande objetivo da escola. Ela é o local em 
que a criança deve construir seus conceitos de leitura e escrita, tornando-se 
148 
 CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
 
capaz de ter autonomia e desempenho para escrever dentro dos pressupostos 
exigidos com finalidade social. 
Ainda, segundo SOUZA (2014), ao trabalhar com a língua escrita, os 
alunos devem ser levados a descobrir os seus diferentes usos e a função que ela 
desempenha na sociedade. O ato de ler implica num vasto raciocínio para que o 
leitor consiga ter o controle da interpretação sobre o que leu. Se assim fizer, 
conseguirá descobrir até as incompreensões que teve durante a leitura, ou seja, 
conseguira detectar em que momento não conseguiu absorver a ideia de quem 
escreveu e, assim, retomar buscando significado ao que está lendo. 
 
3 AS CONTRIBUIÇÕES DO TRABALHO COM PRODUÇÃO TEXTUAL NOS ANOS 
INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL 
 
O desenvolvimento de trabalhos com textos orais e escritos em sala de 
aula podem se tornar um valioso recurso pedagógico para levar o educando a 
sistematização do conhecimento, textos que são carregados de significados 
promovem maior desenvolvimento na aquisição de conteúdos formais. A 
linguagem ocupa papel de destaque nas relações sociais, na sociedade em que 
estamos inseridos, a participação social está inteiramente ligada e mediada pelo 
texto oral e escrito. 
De acordo com Geraldi (2003), e exatamente nas fontes produtoras da 
linguagem que ela se localiza, ou seja, efetivamente no acontecimento da mesma 
e que se constitui, ela se dá na interação entre linguagem, sujeitos envolvidos 
(interlocutores) e o próprio universo discursivo. 
Corroborando com essa ideia, Leontiev afirma: 
 
A criança não está de modo algum sozinha em face ao mundo que a 
rodeia. As suas relações com o mundo têm sempre por intermédio a 
relação do homem aos outros seres humanos; a atividade está sempre 
inserida na comunicação. A comunicação, quer esta se efetue sob sua 
forma exterior, inicial, de atividade comum, quer sob a forma de 
comunicação verbal ou mesmo apenas mental, é condição necessária e 
específica do desenvolvimento do homem na sociedade (LEONTIEV, 
2004. p.290). 
 
Quando ainda não tem o domínio da escrita, a criança faz uso da fala 
para essa comunicação, mas ao ser alfabetizada, ao se apropriar do código 
linguístico passa a perceber que também poderá se comunicar através deles, 
 
CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
149 
assim, é indiscutível a necessidade de se ensinar de forma sistematizada a 
leitura e a escrita na escola por meio de textos. 
 
Na vida real, as pessoas não pronunciam palavras isoladas. Quando 
alguém se propõe a falar, sua intenção é dar uma informação completa, e 
isso acontece através de um texto. Somente em circunstâncias especiais, 
num contexto específico, as pessoas dizem palavras isoladas, mas 
sempre elas estão inseridas num texto maior ou são inesperadas como 
resultado de ações ocorridas (CAGLIARI 2003, p. 198). 
 
 Contudo, essa comunicação oral e escrita só logrará êxito se passar 
por um processo mediado, uma vez que a criança apenas por pertencer a uma 
sociedade letrada não construirá o conhecimento dessa habilidade sozinha. A 
escola nessa fase da vida da criança torna-se essencial para seu 
desenvolvimento, é no banco escolar que a criança compreenderá a necessidade 
de saber ler escrever para constituir-se como ser partícipe dessa sociedade 
grafocêntrica. 
A fala e diferente da escrita, porém ambossão inerentes à criança. Ao 
entrar na escola em séries de alfabetização a criança já sabe lidar com textos 
orais, sua intenção e que lhes ensinem a língua escrita. Calcados com alguns 
conhecimentos prévios, cabe a escola não negar o valor do que a criança já 
sabe, mas amplia-lo, passando do conhecimento sincrético para o cientifico. E 
este só será significativo se for realizado por meio de textos. 
Em relação à linguagem escrita, Vygotsky (2001) afirma que essa 
requer um trabalho intelectual mais elaborado em relação à linguagem oral por se 
tratar de um processo psicológico superior avançado. O autor esclarece que 
nessa forma de comunicação o interlocutor encontra-se ausente, exigindo de 
quem escreve uma maior complexibilidade de pensamento. Por isso, as crianças 
dos anos iniciais do Ensino Fundamental apresentam dificuldade de expor suas 
ideias ao produzir textos em sala de aula, principalmente se a produção não for 
bem planejada por parte do professor. A criança precisa ter um propósito, um 
objetivo claro ao escrever, pois ninguém escreve nada para ninguém, ao 
escrever tem-se a intenção de comunicarmos algo. 
Segundo Carniel e Souza (2014), ao trabalhar com a língua escrita, os 
alunos devem ser levados a descobrir os seus diferentes usos e a função que ela 
desempenha na sociedade. O objetivo principal do trabalho com texto na escola 
é a intenção clara ao transmitir alguma ideia crítica, informação, instrução ou 
emoção ao público. 
150 
 CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
 
Todo trabalho de produção de texto deve ser pautado em discussões e 
leituras para que a criança tenha referenciais daquilo que quer escrever, pois não 
será possível escrever partindo do “nada”. O professor deve viabilizar momentos 
de reflexões que despertem na criança o gosto para expor no papel suas ideias 
da maneira mais clara possível, se assim o fizer a criança estará sendo 
preparada para o letramento. 
A prática da produção textual tem como objetivo ensinar o aluno a 
passar seus conhecimentos de maneira sistematizada na forma escrita. Ao 
produzir seu texto o aluno necessita compreender que este deve ter uma função 
social, por isso faz-se necessário que o interlocutor seja de seu conhecimento, 
mesmo que este seja imaginário. Dessa forma, encontrará sentido para escrever, 
não escreverá apenas porque será avaliado pelo professor, mas sabendo que 
alguém irá lê-lo. 
Segundo Vygotsky, para atribuir significado à escrita, a criança deverá 
compreender sua necessidade. O autor afirma: 
 
[...] a escrita deve ter significado para as crianças, uma necessidade 
intrínseca deve ser despertada nelas e a escrita deve ser incorporada a 
uma tarefa necessária e relevante para a vida. Só então poderemos estar 
certos de que ela se desenvolverá não como hábito de mãos e dedos, 
mas como uma forma nova e complexa de linguagem (VYGOTSKY, 1989, 
p.133). 
 
O trabalho com a produção textual é uma alternativa para promover a 
conscientização dessa necessidade da linguagem escrita pela criança. Mas, isso 
envolve uma grande complexidade de pensamento principalmente para a criança 
que recentemente tenha se apropriado da leitura e da escrita. 
Ao escrever um texto a criança precisa articular suas ideias, usar 
vocabulário adequado e conhecer a estrutura do que escreve. Com isso é muito 
comum se prender ao conteúdo, usar boas ideias e se descuidar da forma, da 
estrutura organizacional do seu texto. Para Naspolini (1996), conteúdo e forma 
estão inter-relacionados e ambos apresentam sua importância no texto. 
Ao se apropriar da linguagem escrita, a criança expressa seu 
pensamento através dela, porém, no início da alfabetização seus textos acabam 
sendo “desajeitados”, não apresentando forma adequada ao gênero textual que 
se propõe a produzir. Isso acontece quando a criança não tem noção de que a 
forma pode interferir na produção, diante disso seus textos acabam ficando sem 
coerência e de difícil entendimento do leitor. 
 
CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
151 
Ainda segundo Naspolini (1996), isso é um processo gradativo que 
com a intervenção do professor através de atividades planejadas e leituras 
diversificadas que a criança realiza, ela passará a compreender também a 
necessidade da forma e entenderá que ambos, conteúdo e forma são essenciais 
para a qualidade de seus trabalhos escritos. Apropriando-se de tais 
conhecimentos conseguirá produzir textos que cumprirão a função de 
comunicação. Soares (2004, p. 69) afirma que “as habilidades de escrita 
estendem-se da habilidade de registrar unidade de som até a capacidade de 
transmitir significado de forma adequada ao leitor potencial”. Ainda segundo a 
autora, deve ser do conhecimento do autor alguns elementos fundamentais que 
atribuirão sentido ao seu texto de forma que o leitor consiga compreender a 
mensagem escrita. Sendo assim, ao propor uma atividade de produção textual 
para os alunos, o professor precisa explicitá-los. 
O primeiro é saber O QUE dizer, qual o assunto ou tema abordará na 
sua produção. O segundo é PARA QUE está escrevendo, qual será a função 
social do seu texto, que motivos o levarão a escrever sobre o assunto proposto. 
Em terceiro precisa conhecer A QUEM está escrevendo, quem será o leitor do 
seu texto, assim, poderá expor seus conhecimentos estabelecendo relação com 
a proposta colocada pelo professor. Em quarto lugar precisa conhecer a 
SITUAÇÃO DE CIRCULAÇÃO do texto, de que maneira ele chegará ao leitor 
proposto e, em quinto, COMO será escrito, qual o gênero textual precisa utilizar 
para chegar ao propósito esperado. Com isso, é possível perceber a diferença da 
complexibilidade que é para a criança o momento em que tem que produzir um 
texto escrito e não apenas oral, uma vez que o interlocutor não se encontra perto 
dela para que possa explicar seu pensamento de maneira clara como é de seu 
desejo. A capacidade de abstração que deve ter ao se debruçar para escrever a 
quem está ausente é, sem dúvida, bem maior do que para quem está presente. 
As palavras de Vygotsky ilustram essa diferença: 
 
Como mostra a nossa investigação, a linguagem está ainda mais abstrata 
que a falada em mais um sentido. É uma linguagem sem interlocutor, 
produzida em uma situação totalmente inusual para a conversa infantil. A 
situação da escrita é uma situação em que o destinatário da linguagem ou 
está totalmente ausente ou não está em contato com aquele que escreve. 
É uma linguagem-monólogo, uma conversa com a folha de papel em 
branco, com um interlocutor imaginário ou apenas representado, ao passo 
que qualquer situação de linguagem falada é, por si mesma e sem 
nenhum esforço por parte da criança, uma situação de conversação 
(VYGOTSKY, 2001, p.313 -314). 
 
152 
 CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
 
Ao fazer uso das palavras de Vygotsky pode compreender porque as 
crianças dos anos iniciais do Ensino Fundamental mostram tanta dificuldade em 
articular e expor suas ideias de maneira coerente. Nesse contexto, volta-se a 
afirmar que o papel do professor como mediador é imprescindível antes, durante 
e depois da produção textual de seus alunos. 
Para Carniel e Souza (2014), o trabalho do professor não se limita 
apenas a propor uma atividade de produção textual, pelo contrário, esse 
momento é apenas o início da sua intervenção. Antes da produção precisa deixar 
clara a proposta de trabalho, dessa forma, os enunciados devem ser claros, os 
temas agradáveis e de conhecimento dos alunos para que possam ter 
argumentos suficientes para dar consistência ao conteúdo do texto, não se 
limitando apenas a expor conhecimentos espontâneos, mas utilizando 
conhecimentos científicos que foram transmitidos outrora pela escola. Durante a 
produção textual, o professor deve mediar, intervindo e atendendo as 
necessidades individuais para que os alunos possam expressar suas ideias, usar 
a criatividade, colocar seu ponto de vista e expressar seus conhecimentossobre 
o que estão escrevendo. 
Para reiterar a veracidade do papel do professor nesse momento 
recorremos às palavras de Serkés e Martins: 
 
Se ao escrever seu texto, o aluno apresenta dúvidas, ou mesmo não 
conseguiu expressar suas ideias utilizando-se do código adequado, cabe 
ao professor auxilia-lo para que consiga executar a tarefa proposta. 
Observe-se que esta ajuda deverá ser no sentido de questionar o aluno 
sobre suas ideias e a forma de como passará para o papel, mostrando-lhe 
o conteúdo linguístico apropriado para veiculação de sua ideia com 
clareza, objetividade e coerência. Assim sendo, nada impede que o 
professor observe seus alunos enquanto produzem seus textos, 
constatando as dificuldades daquele aluno que necessita auxílio, 
completando o texto com informação ou ensinando o uso adequado da 
paragrafação, da letra maiúscula, da pontuação etc (SERKÉS; MARTINS, 
1996, p.126). 
 
Um outro momento que deve fazer parte do trabalho com produção 
textual em sala de aula é o momento da reescrita. A devolução ao aluno de seu 
texto corrigido, pois por si só não conseguirá fazer a análise linguística e nem a 
correção do conteúdo de seu texto sem a mediação do professor; tal proposta 
visa aperfeiçoar a mensagem como um instrumento de comunicação. Segundo 
Serkés e Martins, “a aprendizagem se dará da relação do aprendiz com o objeto 
do conhecimento, através da mediação do social” (1996, p. 62). 
 
CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
153 
Ao devolver ao aluno sua produção corrigida com identificação dos 
erros ortográficos, concordância nominal e verbal, paragrafação, pontuação, 
ampliação vocabular, elementos coesivos, entre outros, e, indicar caminhos para 
que assimile e se aproprie desses conceitos, é fundamental para a 
sistematização adequada dos conhecimentos, levando assim o aluno a fazer uso 
da leitura e escrita na sua prática social, ou seja, formando o cidadão para o 
letramento. 
 
4 CONSIDERAÇÕES FINAIS 
 
Levar a criança a aquisição da leitura e escrita é um dos principais 
desafios da educação atual. Todavia, para que esse processo se ratifique é 
necessário um trabalho consciente por parte professor. Cabe a ele propiciar as 
crianças situações contextualizadas que possibilitem a problematização, 
discussão e consolidação do letramento. 
Segundo Vygotsky (2001), a aquisição do conhecimento se dá a partir 
da interação do sujeito com seu meio. Partindo dessa ideia, buscou-se discutir 
em um primeiro momento neste artigo como o trabalho com linguagem oral e 
escrita sistematizada é fundamental para que a criança não seja apenas 
alfabetizada, mas que chegue a um nível de letramento, na qual faça uso dessas 
habilidades em sua prática social. Para tanto, trouxe, em um segundo momento, 
as considerações acerca das contribuições que o desenvolvimento de trabalhos 
com produções textuais no Ensino Fundamento beneficia a consolidação do 
letramento e a inserção do sujeito em uma sociedade que exige dele cada vez 
mais a leitura e a escrita para torna-lo partícipe dessa sociedade grafocêntrica. 
Destacou-se o papel da escola como instituição responsável pela 
aquisição desse conhecimento, uma vez que ele não se desenvolve em 
situações universalizadas como acontece com a linguagem oral. Percebeu-se 
através dessa pesquisa que os processos que envolvem a aquisição da escrita 
são mais complexos e ocorrem com um grau mais elevado de tomada de 
consciência e que em virtude dessa complexibilidade é possível compreender as 
dificuldades da criança em articular suas ideias dentro da produção textual. 
Utilizar conteúdo e forma de maneira adequada não é tarefa fácil para a 
criança dos anos iniciais do Ensino Fundamental. Sendo assim, torna-se 
indiscutível a importância do professor como mediador, utilizando estratégias e 
atividades pertinentes que façam com que a criança produza textos com função 
154 
 CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
 
social, com função de comunicação, mas, para isso torna-se necessário que 
tenha um propósito ao escrever. 
 
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CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
155 
AS NOVAS TECNOLOGIAS E A ÁREA DA SAÚDE: 
EM FOCO A FORMAÇÃO PROFISSIONAL 
 
SIDERLY DO CARMO DAHLE DE ALMEIDA
1
 
MARIA TERESITA BENDICHO
2
 
 
RESUMO 
 
Grandes avanços tecnológicos são reconhecidos em atividades na rotina das 
pessoas. Isso atingiu bastante as ações profissionais e na área da saúde. Podem 
ser exemplificadas a evolução nos diagnósticos, nos tratamentos e em 
pesquisas de diferentes especialidades. Como proposta deste trabalho foram 
levantadas algumas das atividades profissionais na área da saúde que usam 
técnicas da informação e comunicação para contribuir com os professores, 
facilitando a abordagem nas aulas na graduação. Com isso, eles estarão 
contribuindo para melhor qualificação e preparo dos alunos para a realidade que 
encontrarão no mercado de trabalho na atualidade. Foi referido o prontuário 
eletrônico, que concentra as informações sobre a saúde do pacientes, e é 
compartilhado pelos diversos profissionais que o acompanham; a telemedicina, 
que ampliou a comunicação a distância inclusive permitindo o envio de imagens 
de exames radiologia, ultrassonografia, etc. e o diagnóstico ser discutido entre 
os profissionais; o prontuário eletrônico, que concentra as informações sobre a 
saúde do pacientes, e é compartilhado pelos diversos profissionais que o 
acompanham; sites como o da Agência de Vigilância Sanitária, que traz 
programas para registro de eventos adversos a medicamentos, transfusões, 
além de orientações diversas. Com essas e outros exemplos abordados, verifica-
se que a discussão dessas atividades entre os profissionais e os estudantes, 
pode levar a maior destreza para lidar com a tecnologia. 
 
PALAVRAS-CHAVE: Tecnologia da Informação e Comunicação. Saúde e 
tecnologias. Telemedicina. 
 
1 INTRODUÇÃO 
 
Nas últimas décadas houve grandes avanços tecnológicos em diversas 
atividades sejam no âmbito profissional ou pessoal. Na área da saúde, esses 
avanços permitiram a ampliação das possibilidades nos diagnósticos, nos 
 
1
 Doutora em Educação Currículo pela PUC SP, Mestre em Educação pela PUC PR. Especialista em 
Gestão da Informação (FESP PR) e em Educação a Distância (FAEL). Pedagoga (UCB) e 
Bibliotecária (UFPR). 
2
 Doutora em Imunologia pela UFBA, Mestre em Imunologia pela UFBA, Especialista em 
Metodologia do Ensino Superior na Área de Saúde (EBMSP-BA), Farmaceutica. 
156 
 CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
 
tratamentos e em pesquisas de diferentes especialidades (PINTO, 2004). Para a 
continuidade dessas melhorias, o acesso ás novas informações deve ser 
constante e com brevidade, isto é possivel devido ao uso de Tecnologias da 
Informação e Comunicação (TIC). Desta maneira, os profissionais da áreada 
saúde, além de desenvolverem as habilidades técnicas e científicas, próprias da 
sua atuação, devem ser capazes também de utilizar técnicas de informação e 
comunicação. Essa habilidade lhes permitirá se manterem atualizados, trabalhar 
com equipamentos nas áreas de diagnóstico laboratorial ou de imagem, 
acompanhar os pacientes utilizando os prontuários eletrônicos, entre outros 
(PINTO, 2006; SAUPE, 2005). 
A formação desses profissionais ocorre nos cursos de ensino superior 
com orientação de docentes, os quais terão responsabilidade para que esses 
alunos possam ser preparados de acordo com as necessidades da população 
que será por eles atendida (ALMEIDA, PIMENTA, 2011). Assim, é importante que 
o docente aborde essas TIC na graduação esclarecendo em quais situações 
esses alunos as usarão no seu cotidiano profissional. 
É necessário lembrar que na atualidade estão nos cursos superiores a 
chamada geração Y, também denominada de nativos digitais ou geração internet, 
representada por indivíduos nascidos entre janeiro de 1977 a janeiro de 1997, e 
que como aponta Tapscott: Enquanto as crianças da Geração Internet 
assimilaram a tecnologia porque cresceram com ela, nós, como adultos, 
tivemos de nos adaptar a ela – um tipo diferente e muito mais difícil de processo 
de aprendizado (TAPSCOTT, 2010, p. 29). 
Entre esses adultos referidos por Tapscott deve ser incluída uma parcela 
dos professores universitários que estão na docência atualmente, que além de 
poderem ter menor facilidade em utilizar as TIC, também estão se deparando 
com uma sociedade que não mais aceita a postura do professor sem preparo 
para a docência. Mesmo sendo um excelente profissional, precisa se preparar 
para a docência. A vocação apenas não lhe garante a qualificação. No entanto, 
na área de saúde, frequentemente, a atuação como docente resulta da 
experiência e da reprodução sua pratica profissional, das lembranças do que 
vivenciou quando era aluno e das observações e análises das suas atuações em 
sala de aula (ALMEIDA; PIMENTA, 2011). A necessidade da formação dos 
docentes dos cursos superiores tem sido motivo de discussões em fóruns, 
seminários entre outros eventos científicos de diversas especialidades. Algumas 
universidades também estão discutindo e buscando melhorias na formação dos 
professores (ALMEIDA; PIMENTA, 2011). 
 
CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
157 
Com a visão da necessidade de tratar as TIC aplicadas à prática 
profissional nos cursos de saúde, e de que muitos dos docentes não têm grande 
conhecimento e/ou habilidade nessas tecnologias, este artigo objetivou discutir 
esse tema e esclarecendo algumas dessas aplicações. 
Foi realizada uma revisão bibliográfica não sistematizada, utilizando o 
Portal Capes, bases de dados da área de saúde como a biblioteca eletrônica 
Scielo entre outros, livros e sites para a construção deste estudo. Como 
descritores foram utilizados: tecnologia da informação saúde, tecnologia da 
informação doença, tecnologia da informação exame. 
 
2 TECNOLOGIAS DA INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO 
 
Pinto (2004, p. 4) diz que “As tecnologias da informação ou novas 
tecnologias da informação e comunicação são o resultado da fusão de três 
vertentes técnicas: a informática, as telecomunicações e as mídias eletrônicas. 
Esse autor também esclarece que as novas tecnologias podem ser classificadas 
em mídia, multimídia e hipermídia de acordo com os elementos que disponibiliza. 
Exemplificando, pode ser referido o rádio que é uma mídia apenas com áudio, a 
televisão que possui imagem e som, e a hipermídia que são textos que 
incorporam imagem e som, que frequentemente são acessados em diversos 
sites na internet. 
A internet é reconhecida como um marco na comunicação, 
possibilitando a criação de redes sociais com o uso do e-mail, do chat, dos 
fóruns, da agenda de grupo online, entre outros, e também o acesso e 
divulgação de informações que tomou grandes proporções. 
A internet surgiu em 1966 da necessidade do Departamento de Defesa 
dos Estados Unidos de um sistema de comunicação que não pudesse ser 
destruído por bombardeios e ligasse pontos estratégicos como centros de 
pesquisas e bases das forças armadas. A evolução desse sistema de 
comunicação foi grande e o físico inglês Tim Berner-Lee em 1990, tornou 
possível a popularização da internet no mundo com a invenção da World Wide 
Web, também chamada de www. No Brasil, inicialmente foi disponibilizada a 
rede para as universidades, centros de pesquisa e órgãos governamentais. 
Posteriormente órgãos não governamentais iniciaram seu uso e um grande 
marco foi a sua utilização na Conferencia internacional Eco-92, e assim como 
referido por Vieira, “A web, finalmente, ganhava o Brasil” (2003, p. 9) 
158 
 CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
 
Segundo Abreu (2014, p. 10), 
 
A Internet e suas ferramentas são responsáveis por uma profunda 
transformação social, ancorada em um novo processo de interação entre 
as pessoas. Ou seja, a comunicação e a troca de experiências e 
informações entre indivíduos ganham mais um espaço para acontecer – o 
chamado ambiente online. É inegável, também, o avanço tecnológico que 
a Internet proporcionou e significa para a sociedade contemporânea, a 
partir de extensas transformações organizadas e motivadas em seu 
interior e por meio das próprias ferramentas que a mesma oferece. 
 
São essas tecnologias que têm sido utilizadas nas diversas áreas, seja 
na educação, na indústria, na administração, na saúde, etc. Na área da saúde, 
são diversas as possibilidades de uso, e para dar clareza ao que o termo 
tecnologia em saúde abrange, segue os esclarecimentos de Borges e Pires 
(2013, p. 221), 
 
Estão inclusos neste termo não só aquelas tecnologias que interagem 
diretamente com os pacientes, tais como equipamentos médicos, 
procedimentos médicos, técnicas cirúrgicas e outros, mais também os 
sistemas organizacionais ou administrativos e de suporte dentro dos quais 
os cuidados de saúde são oferecidos 
 
Entre essas possibilidades pode-se destacar a telemedicina e 
telessaúde, os prontuários eletrônicos, os avanços no diagnóstico contando com 
exames laboratoriais e de imagem, na troca de informações entre os 
profissionais e pacientes, entre outros. 
 
3 TIC APLICADAS À SAÚDE 
 
 A telemedicina é definida como a troca de informações a distância, para 
a saúde do paciente e a educação dos profissionais da saúde usando TIC (LIMA, 
2007; SILVA, 2006). A esse conceito Soirefmann acrescenta que, 
 
[...] pode ser caracterizada como o emprego de sinais eletrônicos para 
transferir informações médicas (fotografias, imagens em radiologia, áudio, 
dados de pacientes, videoconferências ) de um local a outro através de 
internet, de computadores, de satélites ou de equipamentos de 
videoconferência, com a finalidade de melhorar o acesso à saúde 
(SOIREFMANN, 2008 p 116). 
 
Por meio do Ministério de Ciência e Tecnologia e da Rede Nacional de 
Ensino e Pesquisas (RNP), redes de alta velocidade estão sendo instaladas pelo 
 
CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
159 
País. São projetos como a Rede Ipê, o Projeto GIGA, e Rute que vêm interligando 
centros de excelência (LIMA, 2007). 
A rede Ipê é uma infraestrutura de rede de Internet no Brasil, dedicada à 
comunidade de ensino superior e pesquisa, que interconecta universidades e 
seus hospitais, institutos de pesquisa e instituições culturais. De acordo com os 
registros, em 2014 esta rede já estava presente em 40 cidades brasileiras. A 
inovação tecnológica das redes e dos serviços de telecomunicações orientadas 
à Internet é da responsabilidade do projeto Giga, que desenvolve as pesquisas 
aplicadas, para o seu desenvolvimento, experimentação e validação. 
A Rede Universitária de Telemedicina (RUTE) dispõe da infraestrutura da 
rede Ipê, e das Redes Comunitárias Metropolitanas de Educação e Pesquisa 
(Redecomep) com link com a Rede Clara (CooperaçãoLatino-Americana de 
Redes Avançadas), o que permite às instituições participantes contarem com a 
colaboração de redes-parceiras na América Latina, Europa, Japão, Austrália e 
nos Estados Unidos. A Rute possibilita o compartilhamento dos dados dos 
serviços de telemedicina dos hospitais universitários e as instituições de ensino 
e pesquisa participantes e por meio do compartilhamento de arquivos de 
prontuários, consultas, exames e segunda opinião, levando assim, serviços de 
excelência a cidades distantes. 
A partir dessa estrutura é que a telemedicina vem sendo desenvolvida e 
aprimorada no Brasil, e mesmo representando um custo para sua implantação, 
tem sido considerado de grande valia, já que no país há uma má distribuição de 
recursos e também devido a extensão territorial. Entre os ganhos da telemedicina 
no Brasil, pode ser apontada a facilitação do acesso a protocolos 
sistematizados, a educação à distância, sessões de segunda opinião, entre 
outros, resultando em melhor assistência à população (LIMA, et. al., 2007). 
Na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), o curso 
de Medicina conta com a disciplina de Telemedicina desde 1998. Devido a 
grande gama de atuação da telemedicina, a USP agrupa as atividades em 3 (três) 
grandes conjuntos: Tecnologias Educacionais Interativas e Rede de Tecnologias 
de Aprendizagem Colaborativa; Teleassistência/Regulação e Vigilância 
Epidemiológica; Pesquisa Multicêntrica/Colaboração de Centros de Excelência e 
da Rede de “Teleciência” (WEN, 2012). Essas áreas de atuação, além de 
desenvolverem atividades na disciplina, também desenvolvem pesquisas 
juntamente com os alunos. 
160 
 CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
 
Por meio desse sistema podem também ser referidas algumas 
experiências regionais de teleassistência, que estão em desenvolvimento, como 
o Projeto “Telessaúde – uma nova visão da Amazônia” que conecta pontos 
remotos na Amazônia a hospitais, e permite o contato com especialistas nas 
diversas áreas da saúde, quando necessário. No Programa de Saúde da Família, 
pode ser referida a Rede de Núcleos de Telessaúde (Nutes) de Pernambuco o 
Programa BH-Telessaúde entre outros (LIMA, et. al., 2007). 
A área da radiologia e diagnóstico por imagem tem um ganho no uso da 
telemedicina, pois, as imagens podem ser enviadas/recebidas e discutidas entre 
especialistas, e isso pode contribuir para a tomada de decisão (LIMA, 2007). 
As TIC contribuíram ampliando os exames diagnósticos realizados por 
imagem, como a tomografia computadorizada, ressonância magnética, medicina 
nuclear e ultrassonografia. Atualmente, são exames solicitados rotineiramente 
por médicos de diversas especialidades e contribuem tanto no diagnostico, 
como no acompanhamento da terapêutica dos pacientes. Estes exames foram 
evoluindo juntamente com essas TIC e alguns se diferenciaram para atender 
áreas específicas como, por exemplo, na odontologia. Diversos exames de 
imagem foram adaptados e/ou desenvolvidos para uso rotineiro como radiografia 
panorâmica, radiografias intra e extra bucais e tomografia cone Beam. A 
tomografia computadorizada de feixe cônico ou cone Beam, é feita a medida da 
densidade dos tecidos, aferidas por meio de escalas matemáticas. Com isso o 
planejamento cirúrgico e tratamentos de lesões têm sido mais seguros (FARIA, 
2013; MACHADO, 2012). É possível utilizar foto documentações virtuais e 
visualizar e manipular modelos ortodônticos. 
Na especialidade de análises clínicas as TIC estão presentes em muitas 
das atividades. Campana et al., (2011, p. 405), discutem a evolução dos 
processos realizados nos laboratórios que utilizam as TI como posto a seguir. 
 
Automação laboratorial consiste na integração entre hardware e software 
desenhados para o processamento e a analise por completo das 
amostras. Ressaltamos que a evolução da automação laboratorial, em 
todas as suas fases, esta intimamente relacionada com a evolução em 
tecnologia da informação (TI), incluindo os processos automáticos pós-
analíticos, por meio de fluxogramas de interpretação (delta check, lógica 
fuzzy, etc.), protocolos de repetição e diluição de exames, testes 
reflexões, etc. 
 
Frente a essa automação foi possível ampliar a variabilidade e a 
quantidade de exames a serem realizados. Assim, houve um avanço no 
diagnóstico e acompanhamento de diversas patologias. Da condição de realizar 
 
CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
161 
exames laboratoriais apenas quando se está doente, se passou a poder fazer 
exames como prevenção. A comunicação entre laboratórios parceiros, a 
possibilidade dos pacientes obterem resultados dos exames pela internet, o 
interfaciamento dos equipamentos que realizam os exames e o programa do 
laboratório que formata os laudos, são outros pontos que representam ganhos 
obtidos a partir do uso das TIC (CAMPANA, 2011). 
O prontuário eletrônico do paciente (PEP) é outro exemplo do uso das 
TIC nas atividades do profissional da saúde. O PEP é um instrumento para 
registro e acompanhamento do paciente. Na literatura encontra-se algumas 
referencias que apontam que já com Hipócrates de Cós, no século V a.C., era 
identificada a necessidade real de ter os registros escritos sobre os pacientes. 
Isso permitiria refletir o curso da doença e indicar as suas possíveis causas 
(OLIVEIRA, 2012; PINTO, 2006). 
O prontuário eletrônico do paciente é definido por Oliveira, (2012, p. 4) 
como: 
 
Sistema constituído por um banco de dados de informações sobre a vida 
clínica do paciente de forma que todos os profissionais possam ter 
acesso às informações das ações assistenciais prestadas ao paciente e 
tornar possível um melhor desempenho da atividade clínica, administrativa 
e de serviços complementares à hospitalidade. 
 
O Conselho Federal de Medicina na resolução CFM 1821 de 2007, 
aprova as normas técnicas para o uso dos sistemas informatizados para 
armazenamento e manuseio dos documentos dos prontuários dos pacientes, e 
também autoriza a eliminação do papel. 
Para todo paciente hospitalizado, é aberto um prontuário onde serão 
realizados todos os registros médicos, da equipe de enfermagem, da equipe de 
fisioterapia, quando atender o paciente, serão adicionados os resultados de 
exames, sejam de imagem, de laboratório de análises clínicas e/ou de patologia, 
e tudo que for realizado com o paciente. Esse prontuário sendo manuseado e 
escrito por diversos profissionais, e com diversas folhas, representa um volume 
de papel que precisa ser armazenado por longos períodos de acordo com a 
legislação em vigor, o que resulta num problema de armazenamento nos 
hospitais. Além dessa dificuldade, cada pessoa possui uma letra diferente e nem 
sempre legível, o que pode representar dificuldade ao ser lida por outro. Com a 
implantação do prontuário eletrônico, a tendência é a melhora tanto para 
162 
 CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
 
armazenar esses prontuários como também na leitura e acesso a essas 
informações (OLIVEIRA, 2012). 
As redes sociais envolvem pessoas com um interesse em comum, que 
interagem e trocam informações por meio de tecnologias de informação, 
desconsiderando a distância geográfica. Os grupos podem ser abertos ou 
fechados, mas com a prioridade trocar informações e experiências (LIMA, 
2015). Sobre as redes sociais Urruti-Pereira, et. al.,(2015, p. 256) esclarecem 
que: 
 
As redes sociais se definem como um conjunto de aplicações 
tecnológicas através de internet que permitem as pessoas supervisionar, 
criar, compartir e manipular texto, áudio, fotos ou vídeos, seja de maneira 
unidirecional (por exemplo, por a informação em seu próprio blog) ou 
multidirecional (contribuindo a discussões em fóruns on-line). 
 
Alguns médicos, dentistas, nutricionistas, entre outros profissionais, têm 
utilizado o WhatsApp como acréscimo ao atendimento aos pacientes. Esta é 
uma condição nova e alguns estudos tem se proposto a ouvir os pacientesou 
cuidadores para verificar se essa prática é adequada para uso no atendimento 
pelos profissionais da área da saúde. Entre eles, um estudo verificou a 
expectativa dos pais e cuidadores de crianças atendidas em um programa 
especializado de tratamento de asma em Uruguaiana, Rio Grande do Sul, quanto 
ao uso de redes sociais para receber informações sobre os cuidados e a 
patologia. Entre as conclusões obtidas ressalta-se, 
 
As mensagens de texto (SMS) e WhatsApp tem demonstrado ser eficazes 
pela complementar ao programa de atenção, porque permitem melhorar 
os resultados de saúde, aumentar a adesão ao tratamento, horários e 
compromissos, melhorar a comunicação médico-paciente, a informação 
acerca da saúde, a compilação de dados, assim como o acesso aos 
registros de saúde (URRUTIA-PEREIRA, et. al., 2015, p. 257). 
 
A relação médico-paciente através das redes sociais necessitam seguir 
critérios para que ocorra de maneira segura e confiável. Esse uso das redes 
pelos médicos como ferramenta de trabalho tem sido foco de atenção em alguns 
países criando diretrizes especificas para seu uso, como ocorreu na Nova 
Zelândia e Estados Unidos. No Canadá, a Associação médica emitiu um 
documento para orientação dos médicos e dos estudantes de medicina 
(URRUTIA-PEREIRA, 2015). No Brasil ainda não há documentação específica, 
porém os Conselhos Federais de Medicina, de Odontologia, etc. tem limitado 
 
CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
163 
esse contato com o paciente a uma consulta prévia e reforça que não pode 
ocorrer como uma primeira consulta. Pode ser um acréscimo para tirar uma 
dúvida, reforçar os cuidados, etc. 
Como outra vertente do uso de redes sociais pode ser referida as 
comunidades virtuais utilizadas por pessoas doentes. Essas comunidades 
surgem de pessoas com interesses comuns que se encontram para compartilhar 
experiências e apoiar-se mutuamente. Nesta modalidade os blogs são muito 
utilizados. Frequentemente são grupos de pessoas com doenças graves como o 
câncer, ou com patologias crônicas como, por exemplo, a diabetes. Além de 
serem formados grupos de pacientes partilhando as experiências, há também os 
que são compartilhados por familiares ou cuidadores desses pacientes, 
buscando apoio e troca de experiências. Vale ressaltar que também há 
comunidades, como as de pessoas anoréxicas e bulêmicas que querem partilhar 
experiências de manutenção da magreza. Essa modalidade pode manter o 
anonimato do paciente, que se identifica com um nome fictício (LIMA, 2015). 
Diversos blogs são encontrados tendo como responsável um 
profissional da área de saúde, seja médico, dentista, fisioterapeuta, ou outro. 
Nesses blogs são disponibilizados os contatos para atendimento de pacientes, e 
também são postados textos referentes a especialidade desse profissional, como 
orientação e/ou esclarecimento. Pode ser acessado por pacientes, ou qualquer 
pessoa que tenha interesse no tema. Além disso, é possivel obter esclarecimento 
sobre os programas em que atuam, formas de contato, etc. 
A Agencia Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), criada em 1999, 
que tem como área de atuação todos os setores relacionados a produtos e 
serviços que possam afetar a saúde da população brasileira. No seu site, há os 
acessos para registrar eventos adversos e queixas técnicas de produtos para a 
saúde na fase de pós-comercialização, como equipamentos, materiais, artigos 
Médico-Hospitalares, implantes e produtos para diagnóstico de uso "in-vitro", 
que é a Tecnovigilância. Para o monitoramento das reações transfusionais 
resultantes do uso terapêutico de sangue e seus componentes têm a 
Hemovigilância, e para o acompanhamento do desempenho dos medicamentos 
que já estão no mercado tem a Farmacovigilância. Essa vigilância pós-uso/ pós-
comercialização, hoje conhecida como VIGIPÓS, por meio da vigilância de 
eventos adversos e de queixas técnicas tem a função de detectar precocemente 
problemas relacionados a produtos e outras tecnologias e desencadear as 
medidas pertinentes para que o risco seja interrompido ou minimizado. Esses 
164 
 CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
 
registros dependem dos profissionais de saúde que devem relatar as 
ocorrências. 
 
4 CONSIDERAÇÕES FINAIS 
 
As tecnologias da informação e comunicação estão amplamente 
presentes em atividades desenvolvidas pelos profissionais da área de saúde, nas 
diferentes especialidades. Seja a atuação em hospitais, clinicas, na atenção 
básica, consultórios ou no ensino, o profissional terá que lidar com essas 
tecnologias. 
Ao serem identificadas essas atividades e discutidas entre os 
profissionais e os estudantes, podem levar a maior destreza para lidar com a 
tecnologia. Se esse profissional participa dos cursos de graduação terá mais um 
ganho que é trabalhar o tema com seus alunos, que são os futuros profissionais. 
 
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166 
 CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
 
A IMPORTÂNCIA DO BRINCAR PARA 
A SOCIALIZAÇÃO NA EDUCAÇÃO INFANTIL 
 
SONIA MARIA DE CAMPOS SILVA
1
 
JANE HARITOV DE FREITAS
2
 
 
RESUMO 
 
O brincar promove o convívio social entre crianças de culturas diferentes, 
enquanto a criança brinca, ela raciocina, tem liberdade, iniciativa, alegria, 
motivação, descanso interno e externo, esses fatores comprovam o quanto o 
brincar é significativo e que desde os primeiros anos de idade ela cresce com 
determinação, aprende a compartilhar e agir com seus próprios impulsos 
principalmente na fase da Pré-escola, período em que a criança está em 
desenvolvimento. Sendo assim, exercita suas habilidades, criatividades, 
inteligências, autonomias e a sociabilidade, portanto, é essencial o momento do 
brincar porque proporciona descobertas por meio das experiências. 
 
Palavras-chave: Criança. Socialização. Brincadeiras. 
 
1 INTRODUÇÃO 
 
O processo de desenvolvimento infantil acontece desde os primeiros 
dias de vida e a criança interage com o meio a partir do choro, olhar, apontando 
para alguma coisa, contato com animais, objetos, sons, palavras entre outros e 
desta forma, comunica-se com tudo o que está em sua volta. 
Para Vygotsky (2003) a criança tem praticidade na sua inteligência e 
possuindo suas próprias características, com isto, o desenvolvimento abrange 
diversos aspectos, o cognitivo, o afetivo, o motor e o social, possibilitando a 
conquista da fala, que mesmo sem significado, mas pronunciada por meio de 
sons e sílabas, tem a função de afetivo-conativo, ou seja, ela interioriza o que 
ouve e relaciona com um objeto tentando pronunciá-lo, uma ação do 
comportamento diante de um sentimento que leva o indivíduo a atitudes 
espontâneas englobando a elaboração de pensamento e aquisição de 
conhecimento. 
 
1
 Mestre em Gestão do Conhecimento nas Organizações (2016) UNICESUMAR. Especialista e 
Psicopedagogia e Gestão Escolar (2010) UNIVALE. Graduada em Pedagogia pela Universidade 
Luterana do Brasil (2009). 
2
 Graduada em Pedagogia, acadêmica do curso de pós-graduação pela Unicesumar. 
 
CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
167 
O meio é muito importante para o desenvolvimento da fala na infância, 
pois todos têm o seu momento para começar a andar, a falar e a criar seus 
próprios pensamentos reflexivos. Entre 3 e 7 anos de idade a criança relaciona 
os sinais com a fala em que começa a raciocinar e a controlar seu próprio 
pensamento. 
Para Vygotsky (2003) existem dois tipos de fala, a egocêntrica e a 
comunicativa, ambas vistas pelo autor como falas sociais e o que as diferem são 
suas funções. 
A fala egocêntrica não é duradoura, ocorre somente nos primeiros anos 
de vida e molda-se no decorrer das atividades praticadas pela criança, que 
aprende a solucionar seus problemas por meio de suas próprias experiências e 
aquisição de novos conhecimentos e descobertas, por esta razão, a fala 
egocêntrica é considerada passageira. Já a fala comunicativa sucede da relação 
com o próximo, deste modo, ambas fazem com que as crianças desenvolvam 
sua fala social. 
A percepção aparece como um processo integral, pois os objetos 
podem variar, mas a percepção persiste integral. Seu desenvolvimento acontece 
por meio de sensações, que a criança percebe que estas estão relacionadas 
entre si, depois relaciona os objetos e então surge uma situação global, podendo 
assim organizar sua percepção. 
 
2 O PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO DA CRIANÇA CONFORME VYGOTSKY 
 
Durante o processo de desenvolvimento a criança adquire 
independência e sua percepção se emancipa e se liberta. 
A independência adquirida pela criança acontece diante do que ela 
memoriza, por isso, desde os primeiros anos de vida a memória funciona como 
centro das informações que a mesma obtém. A memória busca causas 
relacionadas com as atividades do cérebro, portanto, não tem como 
compreender completamente a memória sem entender as funções do cérebro. 
Segundo Vygotsky (2003), a memória é uma prioridade geral de toda 
matéria organizada, pois ele relaciona a matéria orgânica com a inorgânica para 
tentar compreender melhor a mente humana se depara com desvios científicos, 
estes que o levam a diversos mecanismos de interpretações dos fenômenos da 
memória encontrando explicações interligadas. 
O autor considera que crianças de menor idade têm mais facilidade em 
168 
 CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
 
memorizar conteúdos e aprender outros idiomas, por estar em nível pré-escolar, 
uma fase de descobertas apontada em pesquisas como resultados positivos em 
relação ao aprendizado. 
Quando a criança memoriza, ela pensa, pois ambos estão interligados 
com funções distintas que são semelhantes, e no decorrer do desenvolvimento é 
possível perceber a mudança que ocorre entre memória e pensamento. Segundo 
Vygotsky (2003), o pensamento está relacionado às experiências internas e 
externas do ser humano, em que o pensar é um ato que está ligado ao aparelho 
psíquico. 
O autor considera que na infância ocorrem os primeiros reflexos, estes 
que fazem com que a criança obtenha conhecimento do que vivenciou sem 
saber denominar, porém sabe distinguir por estar em um processo contínuo de 
aprendizagem por meio de suas próprias experiências. 
Pensar é um ato consequente daquilo que a criança tem em sua 
memória, possibilitando a ela a capacidade de desenvolver seu próprio 
pensamento, o que facilita a compreensão e a interpretação do mesmo, como 
também de outras pessoas, ou seja, compreende melhor as opiniões alheias. 
Para Vygotsky (2003), o pensamento se apropria da realidade, por isso 
o pensamento se une com a fala, que deixa de ser exclusivamente biológica para 
ser também sócio histórico. 
 
A fala interior se desenvolve mediante um lento acúmulo de mudanças 
estruturais e funcionais, que se separa da fala exterior das crianças, ao 
mesmo tempo em que ocorre a diferenciação das funções sociais e 
egocêntricas da fala, e finalmente, que as estruturas da fala dominadas 
pelas crianças tornam-se estruturas básicas de seu pensamento 
(VYGOTSKY, 2003 p. 62). 
 
O desenvolvimento do pensamento e da linguagem não coincide entre 
si, porque só com o tempo o pensamento se torna verbal e a linguagem racional, 
pois é por meio do convívio social que a criança utiliza a linguagem e constrói 
seu raciocínio. 
A construção do raciocínio possibilita que a criança desperte suas 
emoções, devido à capacidade que ela adquire de poder assimilar o que fala com 
o que pensa e o que sente. 
De acordo com Vygotsky (2003), pode-se compreender que a emoção é 
intrínseca, ou seja, surge do interior de cada ser humano desde a infância, ao 
longo do desenvolvimento de uma criança, é possível estudar as reações 
 
CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
169 
emocionais que a mesma adquiriu diante de determinadas situações que 
ocorreram ao seu redor. 
Vygotsky (2003) relata o pensamento contraditório em ralação ao 
experimento do autor James, que em sua tese não materialista, diferenciava o 
campo das emoções inferiores e superiores, preocupando-se em salvar estas 
emoções de uma visão ou interpretação materialista. Para James, só têm origens 
orgânicas às emoções inferiores herdadas pelo homem de seus antepassados 
animais, ou seja, os órgãos internos são os verdadeiros portadores das 
emoções. 
Segundo Vygotsky (2003), nos primeiros anos de vida é possível 
perceber as reações emocionais nos recém-nascidos, que mesmo sem terem 
conhecimento do que é emoção, eles sentem, diante do que vivenciam, gerando 
em cada um, sentimentos diferentes, uma açãoprovocada pelo novo, e a cada 
descoberta acontece uma reação, sendo elas: O medo, a ira, a raiva e a 
hedônica. 
No processo do desenvolvimento infantil o egocentrismo predomina 
absoluto, pois a criança não conhece outra realidade a não ser ela mesma, 
construindo o seu próprio mundo. A princípio, a imaginação acontece em formas 
primárias como o subconsciente, que serve não ao conhecimento da realidade, 
mas ao prazer e a satisfação, sendo um processo individual não social, de 
caráter não comunicável. 
O desenvolvimento da imaginação não é só o aparecimento em si da 
linguagem, mas também nos momentos em que são cruciais, os quais as 
crianças consideram mais importantes, ou seja, de processos emocionais como 
nos acontecimentos que os mesmos gostaram de vivenciar com mais prazer. 
 
2.1 SOCIALIZAÇÃO 
 
Segundo Oliveira (2002), a socialização é o processo interativo 
necessário para o desenvolvimento, por meio do qual a criança interioriza 
hábitos, costumes e características tornando-se membro de uma sociedade. 
Com o passar do tempo é possível reparar uma notável mudança no 
processo de socialização infantil, devido os avanços tecnológicos no meio da 
comunicação, o aumento significativo de informações disponíveis, as novas 
formas familiares. etc. 
Dentro desse pequeno contexto, observa-se o importante do papel do 
170 
 CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
 
ambiente escolar para a consolidação no processo de socialização, este que se 
inicia desde cedo quando a criança é concebida, pois no útero da mãe ela 
consegue ouvir diferentes timbres de voz das pessoas que se relacionam com 
sua mãe, tendo assim o primeiro contato com o mundo, porem são as 
experiências que vão possibilitar que ela descubra os sons. 
 
A primeira fase, que se segue ao “traumatismo” do nascimento organiza-
se em torno da identificação primaria do bebe a mãe com quem 
estabelece uma relação de dependência oral... Já que o bebe não esta 
ainda socializado. Para autora a primeira fase de socialização é a função 
da mãe (DUBAR, 1997, p. 39). 
 
O primeiro contato de um recém-nascido é com seus pais, os 
responsáveis pela interlocução com eles por meio da fala, para favorecer no seu 
desenvolvimento social, à medida que ele cresce e se relaciona com diversas 
pessoas passa a fazer parte de uma sociedade com culturas diversificadas 
desde o modo de se expressar, agir, vestir, alimentar, falar e até os mais 
diferentes aspectos como: festas, danças, costumes, etc. 
 Os pais possuem um papel de suma importância no processo de 
socialização e desenvolvimento, pois a criança absorve seus comportamentos e 
gestos conforme o seu crescimento e seus interesses, isto é, interioriza-os 
tornando-os seus, dando início à construção da própria identidade, 
desenvolvendo sua personalidade e autonomia. 
Mediados pela interação do homem com a sociedade, o processo de 
socialização inicia-se desde cedo pela convivência com a família, sendo este o 
seu primeiro contato e posteriormente com outras instituições que compõem a 
sociedade. “O indivíduo não nasce membro da sociedade, Nasce com 
predisposição para a sociabilidade e torna-se membro da sociedade” (BERGER e 
LUCKMANN 2003, p.173). 
A criança só passa a ser membro da sociedade a partir da compreensão 
sobre o mundo. A socialização pode ser definida em dois momentos, a 
socialização primária e a socialização secundária. 
 
A socialização primaria é a primeira socialização que o indivíduo 
experimenta na infância, e em virtude da qual se torna membro da 
sociedade. A socialização secundaria é qualquer processo subsequente 
que introduz um indivíduo já socializado em novos setores do mundo 
objetivo de sua sociedade (BERGER e LUCKMANN, 2003, p. 175). 
 
É na socialização primária que ocorre a interiorização, onde a criança 
 
CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
171 
tem o primeiro contato com mundo obviamente representado pelos pais e 
terceiros, ou seja, pessoas com quem ela se relaciona, pois é um momento em 
que a criança cria em sua consciência a imagem dos papeis e atitudes dos pais, 
para os papeis e atitudes em geral, isto significa que ela passa a identificar os 
outros como parte de seu mundo. Neste contexto de socialização, ou melhor, de 
interiorização, que a ela passa a se tornar membro efetivamente da sociedade, 
pois começa adquirir consciência de si própria e dos outros ao seu redor. 
 
Quaisquer que sejam a interiorização só se realizam quando há 
identificação. A criança absorve os papeis e as atitudes dos significativos, 
isto é, interioriza-os, tornando-os seus. Por meio desta identificação com 
os outros significativos a criança torna-se capaz de se identificar a si 
mesma, de adquirir uma identidade subjetivamente coerente e plausível 
(BERGER e LUCKMANN, 2003, p.176). 
 
Portanto, a família tem importância vital para a construção da identidade 
da criança, pois constitui e promove as condições que ela necessita para viver 
em sociedade. “A socialização secundária é a interiorização de “submundos” 
institucionais ou baseados em instituições” (BERGER e LUCKMANN, 2003, 
p.184). 
 A socialização secundária permite à criança deparar-se com os 
conflitos de uma personalidade já formada, onde seu mundo já interiorizado se 
manifesta com o novo, tratando-se da internalização e aquisição de novos 
conhecimentos. 
 
A criança vive quer queira quer não no mundo tal como é definido pelos 
pais, a partir do momento que ela percebe o mundo real, algumas 
crianças conseguem separar perfeitamente o seu mundo do mundo real, a 
partir do momento em que sai da escola, um processo possível pelas 
instituições principais que são: família, escola e logo, sociedade (BERGER 
e LUCKMANN, 2003, p.190). 
 
 A escola desempenha um papel importante na vida dos educandos, pois é 
por meio dela que acontece a apresentação do conhecimento social 
possibilitando a eles maior compreensão de um mundo que não seja só o seu, 
mas sim uma visão mais ampla de tudo o que está ao seu redor. No entanto, é 
fundamental para o desempenho cognitivo e social em que princípios éticos e 
morais permeiam esses novos contextos, em que possam estar inseridos. 
 Sendo assim, as instituições devem reforçar através das técnicas 
pedagógicas a verdadeira realidade, mostrando de acordo com a sua real 
interiorização adquirida na socialização primária o quanto o desconhecido é 
172 
 CONHECIMENTO E EDUCAÇÃO 
 
interessante. É por meio dos estímulos que o discente mostrará interesse em 
interiorizar novos conhecimentos, valores e uma nova língua que não seja a 
materna. 
Ao ensinar a ler e a escrever, a escola irá ampliar o conjunto de 
informações culturais, estimular e oportunizar momentos de interação entre os 
alunos, reforçando o processo de socialização. A criança ao ingressar na rede de 
ensino, se depara com normas e regras estabelecidas para todos, sem exceção, 
o que facilitará o entendimento e aceitação de um novo âmbito, sujeitando-se a 
um convívio onde a mesma possa compreender os limites e assim respeitar as 
diferenças alheias. É um momento em que ela começa assimilar às maneiras, os 
costumes, as personalidades, as linguagens, ou seja, a cultura de cada um e por 
meio dessas circunstancias ocorre a interação. 
 
A escola é junto, com a família, a instituição social que maiores 
repercussões têm para a criança. A escola não só intervém na 
transmissão do saber científico organizado culturalmente, como influi em 
todos os aspectos relativos aos processos de socialização e individuação 
da criança, como são o desenvolvimento das relações afetivas, a 
habilidade em participar em situações sociais, a aquisição de destrezas 
relacionadas com a competência comunicativa, o desenvolvimento da 
identidade sexual, das condutas pró-sociais e da própria identidade 
pessoal (DUBAR, 1997, p. 252). 
 
Com base no que foi abordado, pode-se afirmar que a escola marca a

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